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NOÇÕES DE DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Críticas, Conceitos e Negadores


Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

CRÍTICAS, CONCEITOS E NEGADORES

O que é Direito Internacional Público?


Segundo Quoc Dinh, o Direito Internacional Público define-se como o direito
aplicável à sociedade internacional.
Para Fausto de Quadros, é um conjunto de normas jurídicas criadas pelos
processos de produção jurídica próprios da Comunidade Internacional, que
transcendem o âmbito estatal.

Características desse ramo do Direito:

• Descentralização: no mundo, existem diversos polos de produção de


Direito Internacional Público em atuação. Exemplo: atualmente, há os sis-
temas de proteção dos Direitos Humanos, nos âmbitos europeu, africano e
interamericano;
• Fragmentariedade: o Direito Internacional Público somente tratará de
alguns fragmentos das relações sociais. O encurtamento das distâncias,
os novos meios de transporte e comunicação promoveram o crescimento
dessa área do Direito;
• Ausência de hierarquia das normas: não há hierarquia entre as normas do
Direito Internacional Público. O Cebraspe cobra essa característica nas provas.

Caráter jurídico do DIP

Negadores são autores que dizem que o Direito Internacional não existe.
Eles tiveram grande importância, principalmente, na segunda metade do século
XIX e início do século XX. São de matriz hegeliana. Hegel dizia que o Estado é a
forma última de organização social, ou seja, nada para além do Estado.
A matriz hegeliana inspirou a Escola Contratualista, que pensa da seguinte
forma: como o Estado é o fim último de organização social, não há nenhuma
norma que anteceda a vontade dos Estados. Toda e qualquer regra a qual o
Estado se submeta será uma norma a qual ele, livremente, se submeteu, dentro
da lógica contratualista.
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No século XIX, havia a prevalência da ideia de razão e do Estado. Com o


passar do tempo, os autores percebem que o Estado que pode tudo é perigoso.
Então, renascem as ideias objetivistas, ou seja, de que há vontade anterior ao
Estado e, enfim, chega-se até o ponto da proliferação das normas atuais.
Para Quoc Dinh, a existência do Direito Internacional já não é hoje seria-
mente contestada.
Fausto de Quadros afirma que são cada vez em menor número as correntes
filosóficas e os autores que negam a existência do Direito Internacional como
ramo do Direito, de tal modo que as modernas obras gerais sobre o Direito Inter-
nacional não mais se preocupam em demonstrar sua juridicidade.
São as normas de Direito Internacional verdadeiras normas jurídicas? Há
quem defenda que a resposta a essa pergunta é “não”, baseados, sobretudo, na
noção de norma jurídica à ideia de Estado e às características próprias do direito
interno estatal. É importante levar em consideração as características próprias
da sociedade internacional atual, em especial, considerar que as críticas positi-
vistas ao DIP de cunho positivista foram preponderantemente feitas na primeira
metade do século XX.
Hoje, praticamente tudo envolve Direito Internacional Público. Logo, é inacei-
tável pensar o negador.

Os dois principais grupos de objeção à existência do Direito Internacional


são: teórico (raiz hegeliana) e prático (empírico).
• Teóricos: não é possível que o Estado, entidade ideal de organização
social na história, se submeta a uma autoridade superior, teoria da autoli-
mitação, de Jellinek;
• Práticos: não se nega que o DIP possa existir em abstrato, mas constata-se
que as normas pretensamente jurídicas não o são, por faltarem caracterís-
ticas técnicas específicas. Na comunidade internacional, não há legislador,
juiz ou polícia.
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Críticas aos negadores

• Teóricos: evolução da Teoria Geral do Estado não admite mais a noção


de soberania absoluta e indivisível do Estado. Evolução histórica do pró-
prio DIP, que em algumas searas admitiu expressamente a relativização da
soberania estatal;
• Práticos: processo de codificação das normas internacionais e do cha-
mado “engrossamento da jurisdição” dos tribunais internacionais (thicke-
ning of jurisdiction). Existência de mecanismos específicos para criação de
normas em determinadas áreas.

Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Igor Barbosa.

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