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Deveres dos servos

A cristocentricidade desta instrução é muito marcante. A perspectiva do


escravo alterou-se. Seus horizontes se alargaram. Foi liberto da escravidão de
agradar aos homens para a liberdade de servir a Cristo. Suas tarefas deste mundo
foram absorvidas numa preocupação mais alta, a saber, a vontade de Deus (v. 6) e o
beneplácito de Cristo.

Primeiramente, seriam respeitosos, obedecendo-lhes com temor e tremor


(v. 5), que dá a entender, não uma servilidade agachada diante de um senhor humano
mas, sim, um reconhecimento reverente do Senhor Jesus Cristo cuja autoridade é
representada pelo dono. Depois, obedeceriam na singeleza do vosso coração (5), com
integridade e sinceridade, sem hipocrisia nem segundas intenções.

Em segundo lugar, seriam conscientes, não servindo à vista, como para


agradar a homens, trabalhando apenas quando o chefe está olhando, a fim de
procurar bajular, mas como servos de Cristo, que de qualquer maneira está olhando
o tempo todo, e nunca se satisfaz com trabalho mal feito.

Em terceiro lugar, seu trabalho se tornaria disposto e de boa vontade ao


invés de relutante ou de má vontade. Porque estariam conscientemente fa zendo a
vontade de Deus, a fariam de coração (v. 6) e de boa vontade (v. 7). Como poderíamos
dizer, seu coração e alma estariam no serviço.
Quarto E tudo isto porque sabem que o seu Senhor é também o seu juiz, e
que nenhuma boa obra, seja quem a pratique (quer seja servo, quer livre), é deixada
em qualquer tempo sem galardão da parte dele (v. 8).

Exatamente o mesmo princípio pode ser aplicado por cristãos contemporâneos


ao seu trabalho e emprego. Nossa grande necessidade é a clareza de visão para ver
Jesus Cristo e colocá-lo diante de nós. É possível para uma dona de casa cozinhar
uma refeição como se Jesus Cristo fosse comê-la, ou fazer a limpeza geral da casa
como se Jesus Cristo viesse a ser o hóspede de honra. É possível para professores
educar crianças, para médicos tratar de pacientes, e para enfermeiras cuidar deles,
para advogados ajudar clientes, para balconistas atender fregueses, para contadores
fazer a auditoria dos livros, e para as secretárias datilografar cartas, como se em cada
caso servissem a Jesus Cristo.
Deveres dos senhores

Primeiro: de igual modo procedei para com eles. Ou seja: se você espera recebe
respeito, demonstre respeito; se espera receber serviço, preste serviço. É uma
aplicação da regra áurea. Seja como for que os senhores esperam que seus escravos
se comportem para com eles, devem se comportar para com os seus escravos da
mesma maneira. Paulo não admite nenhuma superioridade privilegiada nos senhores,
como se eles mesmos pudessem deixar de mostrar a própria cortesia que desejam
receber.

SEGUNDO Quer dizer que não devem abusar da sua posição de autoridade, fazendo
ameaças de castigo. As ameaças, porém, são uma arma que os poderosos
empunham contra os indefesos. E um relacionamento baseado em ameaças não é
um relacionamento humano, de modo algum. Por isso, Paulo proibiu tal coisa.

Em terceiro lugar, a razão para estas exigências é que sabem que Jesus Cristo é
Senhor tanto do escravo como do senhor, e que para com ele não há acepção de
pessoas. Os senhores dos escravos estavam acostumados a serem lisonjeados e
bajulados, mas não deviam esperar (pois não receberiam) semelhante favoritismo
discriminatório da parte do Senhor Jesus Cristo. Assim sendo, os três princípios
visavam reduzir a lacuna cultural e social entre o escravo e seu dono.

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