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COMUNICAÇÃO
ALTERNATIVA
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3 UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO
4 UNIDADE 2 – Tecnologia Assistiva e Comunicação Suplementar - Conceitos e Definições Essenciais
4 2.1 Tecnologia Assistiva

5 2.1.1 Categorias da Tecnologia Assistiva

9 UNIDADE 3 – Os Sistemas de Comunicação


12 3.3.1 Sistema BLISS

16 3.3.2 O sistema pictográfico

16 3.3.3 O sistema SCALA e PECS para autistas

17 3.3.4 Sistema aumentativo e alternativo

SUMÁRIO
18 3.3.5 Braille

20 3.3.6 Libras – Língua Brasileira de Sinais

22 UNIDADE 4 – Atendimento Educacional Especializado


29 UNIDADE 5 – Recursos, Técnicas e Estratégias para Comunicação Alternativa
33 UNIDADE 6 – Avaliação e Escolha das Estratégias
35 UNIDADE 7 – Adaptações Curriculares
45 UNIDADE 8 – Introdução às Politicas Publicas para Saúde Mental
48 UNIDADE 9 – A Conquista da Cidadania no Campo da Saúde Mental
52 UNIDADE 10 – Legislação Versus Política de Saúde Mental
55 UNIDADE 11 – As Normas Técnicas Internacionais
60 UNIDADE 12 – Legislação e a Política Nacional de Saúde Mental
75 UNIDADE 13 – Paradigmas do Conceito de Saúde Mental
79 UNIDADE 14 – A Gestão Atual da Saúde Mental no Brasil
87 REFERÊNCIAS
93 ANEXOS
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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Vamos iniciar este módulo com uma pe- • Conceitos e definições essenciais
quena historinha, mas verdadeira e que dentro da Tecnologia Assistiva e Comuni-
pode bater à porta da sala de aula de qual- cação Suplementar Alternativa (CSA);
quer um de vocês, educadores e que ne-
• Conceito para comunicação, os dis-
cessariamente não precisa estar em uma
túrbios e os sistemas como o Bliss, o Brail-
escola especial.
le e outros;
Primeiro dia de aula, turma de crian-
• O Atendimento Educacional Espe-
ças de 6 anos, num misto de animação,
cializado (AEE);
alegria, medo e ansiedade, afinal nunca
foram à escola...e na primeira tarefa de- • A Baixa e alta tecnologia para CSA;
param com uma menina, nome fictício
• Os recursos, os símbolos, as estra-
Maria Clara, que fixa os olhos para tentar
tégias para a CSA e como utilizá-los;
completar a simples tarefa de colar uma
etiqueta no caderno. Primeiro diagnós- • As adaptações curriculares e as
tico ou identificação do problema: baixa condições de acesso e permanência na
visão. O que fazer? Com certeza não será escola regular.
enviá-la para uma instituição de cegos ou
escola que atenda este tipo de clientela, Ressaltamos em primeiro lugar que em-
mas sim, utilizar os métodos, estratégias bora a escrita acadêmica tenha como pre-
e recursos disponíveis como a Tecnologia missa ser científica, baseada em normas
Assistiva! e padrões da academia, fugiremos um
pouco às regras para nos aproximarmos
Lembrem-se sempre: de vocês e para que os temas abordados
cheguem de maneira clara e objetiva, mas
A tecnologia Assistiva aumenta ou
não menos científicos. Em segundo lugar,
restaura a função humana, proporcio-
deixamos claro que este módulo é uma
nando uma vida independente e produ-
compilação das ideias de vários autores,
tiva à pessoa com deficiência.
incluindo aqueles que consideramos clás-
A tecnologia Assistiva ou ajudas técni- sicos, não se tratando, portanto, de uma
cas, a sala de recursos devidamente equi- redação original.
pada, uma dose extra de paciência e cari-
Ao final do módulo, além da lista de re-
nho com certeza serão grandes aliados de
ferências básicas, encontram-se muitas
ambos, você e seu aluno portador de algu-
outras que foram ora utilizadas, ora so-
ma deficiência.
mente consultadas e que podem servir
Ao longo desta apostila veremos os tó- para sanar lacunas que por ventura surgi-
picos abaixo relacionados, que somados, rem ao longo dos estudos.
formam um arcabouço teórico-prático
que pretendemos que sirvam de guia ao
longo de sua missão enquanto educador:
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UNIDADE 2 – Tecnologia Assistiva e Comuni-
cação Suplementar - Conceitos e Definições
Essenciais
2.1 Tecnologia Assistiva Proporcionar à pessoa portadora de
A Tecnologia Assistiva engloba as áre- deficiência maior independência, quali-
as de comunicação alternativa e ampliada dade de vida e inclusão social, através da
(CAA), adaptações de acesso ao computa- ampliação da comunicação, mobilidade,
dor; equipamentos de auxílio para visão controle do seu ambiente, habilidades
e audição; controle do meio ambiente, de seu aprendizado, competição, traba-
adaptação de jogos e brincadeiras; adap- lho e integração com a família, amigos e
tações da postura sentada; mobilidade sociedade.
alternativa; próteses e a integração des-
Tecnologia Assistiva é uma expressão
sa tecnologia nos diferentes ambientes
utilizada para identificar todo o arsenal
como a casa, a escola, a comunidade e o
de recursos e serviços que contribuem
local de trabalho (KINQ, 1999 apud PELO-
para proporcionar ou ampliar habilidades
SI, 2005).
funcionais de pessoas com deficiência e,
Muitos profissionais podem estar en- consequentemente, promover vida inde-
volvidos no trabalho da tecnologia As- pendente e inclusão.
sistiva como engenheiros, educadores,
Ainda, de acordo com Dias de Sá (2003),
terapeutas ocupacionais, protéticos, fo-
a tecnologia Assistiva deve ser compre-
noaudiólogos, fisioterapeutas, oftalmo-
endida como resolução de problemas fun-
logistas, enfermeiras, assistentes sociais
cionais, em uma perspectiva de desenvol-
e especialistas em audição.
vimento das potencialidades humanas,
valorização de desejos, habilidades, ex-
pectativas positivas e da qualidade de
vida, as quais incluem recursos de comu-
nicação alternativa, de acessibilidade ao
computador, de atividades de vida diárias,
de orientação e mobilidade, de adequação
postural, de adaptação de veículos, órte-
ses e próteses, entre outros.

O serviço de tecnologia Assistiva na


escola é aquele que buscará resolver os
problemas funcionais do aluno, no espaço
Objetivo da Tecnologia Assistiva:
da escola, encontrando alternativas para
que ele participe e atue positivamen-
te nas várias atividades neste contexto
(BRASIL, 2006).

Fazer uso da Tecnologia Assistiva na


escola é buscar, com criatividade, uma al-
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ternativa para que o aluno realize o que pessoas sem fala ou escrita funcional ou
deseja ou precisa. É encontrar uma es- em defasagem entre sua necessidade co-
tratégia para que ele possa fazer de ou- municativa e sua habilidade em falar e/ou
tro jeito. É valorizar o seu jeito de fazer escrever. Recursos como as pranchas de
e aumentar suas capacidades de ação e comunicação, construídas com simbologia
interação a partir de suas habilidades. É gráfica (BLISS, PCS e outros), letras ou pa-
conhecer e criar novas alternativas para a lavras escritas, são utilizados pelo usuá-
comunicação, escrita, mobilidade, leitura, rio da CAA para expressar suas questões,
brincadeiras, artes, utilização de mate- desejos, sentimentos, entendimentos. A
riais escolares e pedagógicos, exploração alta tecnologia dos vocalizadores (pran-
e produção de temas através do compu- chas com produção de voz) ou o computa-
tador, etc. É envolver o aluno ativamente, dor com softwares específicos, garantem
desafiando-se a experimentar e conhecer, grande eficiência à função comunicativa.
permitindo que construa individual e cole-
c) Recursos de acessibilidade ao
tivamente novos conhecimentos. É retirar
computador - Conjunto de hardware e
do aluno o papel de espectador e atribuir-
software especialmente idealizado para
-lhe a função de ator (BRASIL, 2007).
tornar o computador acessível, no senti-
do de que possa ser utilizado por pessoas
2.1.1 Categorias da Tecno- com privações sensoriais e motoras. São
exemplos de equipamentos de entrada os
logia Assistiva teclados modificados, os teclados virtuais
Citamos as várias categorias de TA, com varredura, mouses especiais e acio-
agora vamos falar, mesmo que sucinta- nadores diversos, softwares de reconhe-
mente sobre cada uma delas, porque o cimento de voz, ponteiras de cabeça por
nosso foco é a comunicação alternativa. luz, entre outros. Como equipamentos de
saída podemos citar a síntese de voz, mo-
nitores especiais, os softwares leitores
a) Auxílios para a vida diária e vida de texto (OCR), impressoras braile e linha
prática - Materiais e produtos que favo- braile.
recem desempenho autônomo e indepen-
dente em tarefas rotineiras ou facilitam d) Sistemas de controle de ambien-
o cuidado de pessoas em situação de de- te - Através de um controle remoto, as
pendência de auxílio, nas atividades como pessoas com limitações motoras, podem
se alimentar, cozinhar, vestir-se, tomar ligar, desligar e ajustar aparelhos eletro-
banho e executar necessidades pessoais. eletrônicos como a luz, o som, televiso-
São exemplos os talheres modificados, res, ventiladores, executar a abertura e
suportes para utensílios domésticos, rou- fechamento de portas e janelas, receber
pas desenhadas para facilitar o vestir e e fazer chamadas telefônicas, acionar
despir, abotoadores, velcro, recursos para sistemas de segurança, entre outros, lo-
transferência, barras de apoio, etc. calizados em seu quarto, sala, escritório,
casa e arredores. O controle remoto pode
b) CAA - Comunicação Aumentati- ser acionado de forma direta ou indireta
va e Alternativa - Destinada a atender
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e neste caso, um sistema de varredura é posição, serão os grandes beneficiados


disparado e a seleção do aparelho, bem da prescrição de sistemas especiais de as-
como a determinação de que seja ativado, sentos e encostos que levem em conside-
se dará por acionadores (localizados em ração suas medidas, peso e flexibilidade
qualquer parte do corpo) que podem ser ou alterações músculo-esqueléticas exis-
de pressão, de tração, de sopro, de piscar tentes. Adequação postural diz respeito
de olhos, por comando de voz etc. a recursos que promovam adequações
em todas as posturas, deitado, sentado
e) Projetos arquitetônicos para
e de pé, portanto, as almofadas no leito
acessibilidade - Projetos de edificação e
ou os estabilizadores ortostáticos, entre
urbanismo que garantem acesso, funcio-
outros, também podem fazer parte deste
nalidade e mobilidade a todas as pesso-
capítulo da TA.
as, independente de sua condição física e
sensorial. Adaptações estruturais e refor- h) Auxílios de mobilidade - A mobi-
mas na casa e/ou ambiente de trabalho, lidade pode ser auxiliada por bengalas,
através de rampas, elevadores, adapta- muletas, andadores, carrinhos, cadeiras
ções em banheiros, mobiliário, entre ou- de rodas manuais ou elétricas, scooters e
tras, que retiram ou reduzem as barreiras qualquer outro veículo, equipamento ou
físicas. estratégia utilizada na melhoria da mobi-
lidade pessoal.
f) Órteses e próteses - Próteses são
peças artificiais que substituem partes i) Auxílios para cegos ou para pes-
ausentes do corpo. Órteses são colocadas soas com visão subnormal - Equipa-
junto a um segmento do corpo, garantin- mentos que visam a independência das
do-lhe um melhor posicionamento, esta- pessoas com deficiência visual na realiza-
bilização e/ou função. São normalmente ção de tarefas como: consultar o relógio,
confeccionadas sob medida e servem no usar calculadora, verificar a temperatura
auxílio de mobilidade, de funções manuais do corpo, identificar se as luzes estão ace-
(escrita, digitação, utilização de talheres, sas ou apagadas, cozinhar, identificar co-
manejo de objetos para higiene pessoal), res e peças do vestuário, verificar pressão
correção postural, entre outros. arterial, identificar chamadas telefônicas,
escrever, ter mobilidade independente,
g) Adequação Postural - Ter uma pos-
etc. Inclui também auxílios ópticos, len-
tura estável e confortável é fundamental
tes, lupas e telelupas; os softwares leito-
para que se consiga um bom desempenho
res de tela, leitores de texto, ampliadores
funcional. Fica difícil a realização de qual-
de tela; os hardwares como as impresso-
quer tarefa quando se está inseguro com
ras braile, lupas eletrônicas, linha braile
relação a possíveis quedas ou sentindo
(dispositivo de saída do computador com
desconforto. Um projeto de adequação
agulhas táteis) e agendas eletrônicas.
postural diz respeito à seleção de recur-
sos que garantam posturas alinhadas, j) Auxílios para pessoas com surdez
estáveis e com boa distribuição do peso ou com déficit auditivo - Auxílios que
corporal. Indivíduos cadeirantes, por pas- inclui vários equipamentos (infraverme-
sarem grande parte do dia numa mesma lho, FM), aparelhos para surdez, telefones
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com teclado-teletipo (TTY), sistemas com ções especializadas tiveram um papel


alerta táctil-visual, entre outros. significativo para a produção de conhe-
cimento acerca de metodologias de tra-
l) Adaptações em veículos - Aces-
balho com pessoas com necessidades
sórios e adaptações que possibilitam uma
especiais e contribuíram para a formação
pessoa com deficiência física dirigir um
complementar dos profissionais. Acres-
automóvel, facilitadores de embarque e
centa que, diante das atuais políticas de
desembarque como elevadores para ca-
inclusão escolar tais instituições se depa-
deiras de rodas (utilizados nos carros par-
ram com importante desafio para rever e
ticulares ou de transporte coletivo), ram-
cumprir seus propósitos.
pas para cadeiras de rodas, serviços de
autoescola para pessoas com deficiência Considerando-se que os trabalhos pio-
(BERSCH, 2008). neiros em CSA no Brasil datam do final dos
anos de 1970, já se acumula uma signifi-
2.2 Comunicação Suple- cativa experiência nesse campo. Contudo,
o primeiro fórum nacional sobre termino-
mentar Alternativa logia foi realizado somente no II Congres-
A Comunicação Suplementar e/ou Al- so Brasileiro de Comunicação Alternativa
ternativa (CSA) vem se expandindo no - Isaac Brasil em 2007.
Brasil, porém, ainda não se constitui em
Segundo Manzini (2006), em educa-
prática de amplo conhecimento. Na lite-
ção especial, a expressão comunicação
ratura internacional, a CSA situa-se como
alternativa e/ou suplementar vem sendo
Augmentative and Alternative Communi-
utilizada para designar um conjunto de
cation (AAC), porém, não há uma versão
procedimentos técnicos e metodológicos
brasileira oficial e/ou consagrada.
direcionado a pessoas acometidas por al-
Observa-se que a CSA se ampliou além guma doença, deficiência, ou alguma ou-
do âmbito de clínicas e instituições espe- tra situação momentânea que impede a
cializadas, abrangendo Prefeituras Muni- comunicação com as demais pessoas por
cipais de várias cidades, por meio das suas meio dos recursos usualmente utilizados,
Secretarias de Educação e de Saúde, além mais especificamente a fala.
do significativo desenvolvimento de pes-
Comunicação Suplementar Alternativa
quisas e trabalhos no meio acadêmico.1
(CSA) significa qualquer meio de comu-
Como coloca Reily (2007), as institui- nicação que suplemente ou substitua os
meios usuais de fala ou escrita. O objetivo
1- Em consequência desse crescimento, foram realizados da CSA é tornar o indivíduo com distúrbios
o I Congresso Internacional de Linguagem e Comunicação da de comunicação o mais independente e
Pessoa com Deficiência e o I Congresso Brasileiro de Comu-
nicação Alternativa - Isaac Brasil (Rio de Janeiro, 2005) e o II competente possível em suas situações
Congresso Brasileiro de Comunicação Alternativa (Campinas -
São Paulo, 2007). O diferencial desses encontros, similarmente comunicativas, podendo ampliar suas
ao que ocorre nos eventos internacionais da Isaac, foi a parti- oportunidades de interação com outras
cipação de usuários da CSA e de seus familiares. Cabe desta-
car também, a criação do Comitê de CSA no Departamento de pessoas, na escola e na comunidade em
Linguagem da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia no XIV
Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia (2006, Salvador - Bahia geral.
- Brasil).
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Sistemas de Comunicação Suplemen- • Complicações médicas ou de saúde


tar ou Alternativa, também chamados de temporárias;
Comunicação Aumentativa e Alternati-
• Atraso no desenvolvimento da lin-
va (AAC - Augmentative and Alternative
guagem;
Communication), possibilitam a integração
de símbolos, gestos, recursos, estratégias • Deficiência neuromotora ou condi-
e técnicas para auxiliar a comunicação de ções associadas com o desenvolvimento
indivíduos que apresentam deficiência da fala.
e que são impedidos que a comunicação
ocorra de forma natural, como dificulda-
de ou incapacidade para a gesticulação, É utilizada por indivíduos que não
articulação, emissão de expressões, mo- possuem fala e/ou escrita funcional
vimentos gestuais e coordenação moto- em consequência de:
ra fina, impedindo a comunicação oral e
escrita (CAPOVILLA, 2003; SIMONI, 2003; • Paralisia cerebral;
SOUZA, 2003; CHAN, 2001). • Deficiência mental;

• Autismo;
Frisando o conceito... • Traumatismo crânio-encefálico;
No Brasil, o Comitê de Ajudas Técnicas - • Distrofia muscular progressiva;
CAT, instituído pela Portaria N° 142, de 16
de novembro de 2006 propõe o seguinte • Lesão medular;
conceito para a tecnologia Assistiva: “Tec- • Deficiência estrutural...
nologia Assistiva é uma área do conheci-
mento, de característica interdisciplinar,
que engloba produtos, recursos, meto- A CA deve ser introduzida o mais
dologias, estratégias, práticas e serviços cedo possível:
que objetivam promover a funcionalida-
de, relacionada à atividade e participação • quando um gap2 entre a linguagem
de pessoas com deficiência, incapacida- receptiva e expressiva começa a se apre-
des ou mobilidade reduzida, visando sua sentar;
autonomia, independência, qualidade de
• quando a fala e/ou escrita começa
vida e inclusão social” (ATA VII - Comitê
a se distanciar, em relação a fala/escrita
de Ajudas Técnicas (CAT) - Coordenadoria
dos colegas;
Nacional para Integração da Pessoa Por-
tadora de Deficiência (CORDE) - Secreta- • quando a deficiência motora impe-
ria Especial dos Direitos Humanos - Presi- de o aprendizado.
dência da República).

Resumindo...

A Comunicação Alternativa tem 2- Pode ser entendido como um desvio, um erro de percur-
como objetivos auxiliar em: so comportamental.
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UNIDADE 3 – Os Sistemas de Comunicação

Na evolução humana, a linguagem des- No desenvolvimento humano, a lin-


taca-se como o mais importante processo, guagem tem um papel de essencial cons-
na medida em que constitui elemento crí- tituindo-se num elemento crítico para a
tico não somente para a aquisição de ou- aquisição de sistemas simbólicos, como
tros sistemas simbólicos, como a leitura, a a escrita, leitura e a matemática assim
escrita e a matemática, mas também para como para desenvolver habilidades de re-
o desenvolvimento de habilidades de rela- lacionamento interpessoal (PASSERINO,
cionamento interpessoal (WARREN; KAI- AVILA, BEZ; 2010).
SER, 1988; SCHUMAKER; SHERMAN, 1978
Um complemento importante na co-
apud CAPOVILLA, 1994). Entretanto, esti-
municação entre duas ou mais pessoas é
ma-se que uma em cada 200 pessoas não
a expressão facial que transmite várias
desenvolvem linguagem oral devido a dé-
informações e estados emocionais, tais
ficits cognitivos, motores, neurológicos e
como interesse, alegria, tristeza, raiva,
emocionais. Para essas pessoas, sistemas
medo, nojo, entre outros.
de comunicação alternativa constituem
importante recurso para a promoção de Além das expressões faciais, temos os
seu desenvolvimento, como veremos ao gestos que são poderosa fonte de comu-
longo desta unidade (CAPOVILLA, 1994). nicação. Podemos indicar objetos e pes-
soas com um simples apontar, podemos
3.1 A comunicação utilizar gestos sociais com significados,
simplesmente acenando, como “tchau” ou
A primeira ideia que geralmente se tem
“oi”.
do conceito de comunicação é que nos co-
municamos por palavras e pela fala. Por Vemos, então, que a comunicação en-
meio da fala manifestamos sensações, tre pessoas é marcada e complementada
sentimentos, trocamos informações, en- por vários elementos comunicativos que
fim, conhecemos o outro e nos deixamos permitem compreender o outro e, tam-
conhecer. Porém, a comunicação entre bém, ser compreendido (MANZINI, 2006).
pessoas é bem mais abrangente do que
podemos expressar por meio da fala, ou
seja, o ser humano possui recursos ver-
bais e não verbais que, na interação inter-
pessoal, se misturam e se completam. As-
sim, ao falarmos, podemos, por exemplo,
sorrir, demonstrando agrado, concordar
ou discordar por um simples gesto, como
balançar a cabeça, utilizar gestos para
complementar o que falamos ou, simples-
mente, demonstrar interesse ou desinte-
resse por aquilo que está sendo falado.
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A comunicação E proporciona...
impacta na...
Independência Melhora da autoestima;

Iniciativa Maior independência para realização das atividades;

Produtividade Aumento do poder de decisão;

Autoestima Aumento do número de interlocutores;

Integração Melhor qualidade de vida para o sujeito e para seus pares.

Aprendizado

3.2 Distúrbios da comuni- pressão de intenções e crenças. As crian-


ças com autismo não fazem o mesmo tipo
cação de sinais comunicativos pré-verbais que
Na comunicação não verbal, encontra- outras crianças, mesmo aquelas com defi-
mos ausência de intercâmbios corporais ciência mental. Os sinais produzidos pelas
expressivos, assim como falta de inter- crianças com autismo são idiossincráticos
câmbios coloquiais na comunicação ver- e somente são compreendidos pelos seus
bal, com falas não ajustadas no contexto pais e pessoas que convivem de perto
(algumas vezes repetitivas e apresentan- com a criança.
do ecolalia (HOBSON, 1993 apud PASSERI-
Embora a fala seja a forma de expressão
NO, AVILA, BEZ; 2010).
mais utilizada pelo ser humano quando
As dificuldades apresentadas na fala pretende comunicar, no caso da Paralisia
podem ter sua origem em dificuldades de Cerebral, os indivíduos estão impossibili-
dar significado às percepções. Os sujei- tados de exercerem um controle correto
tos com autismo parecem perceber tudo sobre o seu aparelho fonador e impedidos
num sentido literal. Pesquisas mostram de se exprimirem oralmente (SANTOS;
que as imagens podem ser utilizadas para SANCHES, 2005).
comunicação com autistas e que a lingua-
Estes indivíduos possuem capacidades
gem escrita é melhor que a falada para os
e necessidades comunicativas idênticas
autistas. Como os disléxicos, os autistas
as dos indivíduos falantes, se as lesões
podem ter um defeito no hemisfério es-
que afetam os mecanismos da fala não
querdo (JORDAN; POWEL, 1995 apud PAS-
os afetarem do ponto de vista cognitivo e
SERINO, AVILA, BEZ; 2010).
emocional. Nestes casos a fala não será a
Sigman e Capps (2000 apud PASSERI- sua forma privilegiada de comunicar, sen-
NO, AVILA, BEZ; 2010) alertam para o fato do necessário implementar o mais cedo
de que embora alguns desenvolvam a lin- possível um sistema aumentativo e alter-
guagem, utilizando as palavras e as estru- nativo de comunicação.
turas gramaticais corretamente, sua fala
A decisão de quando implementar a
mostra um déficit na compreensão e ex-
comunicação aumentativa nem sempre
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foi alvo de concordância entre os teóri- pelo treino de competências comunicati-


cos como, por exemplo, Chapman e Miller vas.
(1980 apud BASIL, 1995) que referem que
Na criança com Paralisia Cerebral ape-
a aquisição quer da linguagem oral, quer
nas pode estar afetada a fala, não estan-
de qualquer sistema aumentativo de co-
do afetada a compreensão e os concei-
municação, requer o desenvolvimento de
tos linguísticos, mas pode acontecer que
certas habilidades, que alguns autores
exista uma deficiência na área da lingua-
situam no estádio V do desenvolvimento
gem devido à disfunção cerebral ou atraso
sensório motor. Neste estádio, a criança
cognitivo. A implementação de um siste-
tem a capacidade de estabelecer relação
ma aumentativo e alternativo de comuni-
entre fins e meios, permitindo-nos perce-
cação implica sempre que sejam avaliadas
ber que há intencionalidade nas ações e
as competências comunicativas da criança
na comunicação.
e as suas capacidades simbólicas.
Ferreira, Ponte e Azevedo (1999), res-
saltam que esta posição foi muito con- 3.3 Os sistemas de comu-
testada e que atualmente é possível a in-
trodução de estratégias de comunicação
nicação alternativa
aumentativa precocemente, visto existi- A literatura sobre comunicação alter-
rem vários níveis que vão desde as estra- nativa tem apontado para uma série de
tégias básicas para provocar o desejo de sistemas de símbolos que permitem a co-
comunicar, até à implementação e ao uso municação de pessoas que não produzem
de um sistema aumentativo e alternativo linguagem oral. Os mais conhecidos são:
com uma linguagem simbólica muito ela- o Sistema de Símbolos Bliss (Bliss, 1965;
borada e com recurso a tecnologias, sen- Hehner, 1980 apud NUNES et al, 1998), o
do possível expressar capacidades comu- Pictogram Ideogram Communication Sys-
nicativas. tem - PIC (Maharaj, 1980 apud NUNES et
al, 1998) e o Picture Communication Sym-
A criança que vive num ambiente só-
bols - PCS (Johnson, 1981, 1985 apud NU-
cio-afetivo estimulante, vê emergir
NES et al, 1998).
mais facilmente modos de comunicação,
aprendendo precocemente que existem Estes sistemas têm sido tradicional-
diferentes formas de comunicar, suscep- mente utilizados por portadores de defici-
tíveis de produzir efeitos diferentes sobre ência sob a forma de pranchas de madeira,
o ambiente, até adquirir a linguagem sim- contendo de 50 a 300 símbolos, acopladas
bólica por forma a aceder a outros níveis às cadeiras de rodas. Mais recentemente,
de desenvolvimento. esses sistemas ganharam versões com-
putadorizadas (CAPOVILLA et al, 1994;
Hollis e Carrier (1978 apud PONTE;
MACEDo et al, 1994) e outros sistemas
AZEVEDO, 1999) consideram a comunica-
originais foram construídos – como o Ima-
ção um fenômeno pré-linguístico que an-
goAnaVox (CAPOVILLA, et al 1996). O
tecede o desenvolvimento da linguagem,
ImagoAnaVox emprega também recursos
assim qualquer intervenção que vise im-
avançados de multimídia. Neste sistema
plementar uma linguagem deve começar
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são conciliadas a comunicação icônica vo- de refere-se ao grau de semelhança en-


cálica obtida pelos 5000 filmes, fotos e tre a aparência física de um signo e a apa-
respectivos vocábulos e palavras escritas rência do objeto, ação, característica, etc.
com a comunicação silábico-vocálica obti- que ele representa (Harrell, Bowers & Ba-
da pelas 1800 sílabas e respectivos vocá- cal, 1973; Olansky & Bonvillian, 1984 apud
bulos. NUNES et al, 1998).

Esses sistemas computadorizados Em um estudo experimental destina-


apresentam determinadas características do a avaliar o grau de translucência dos
que os tornam mais adaptados às necessi- símbolos dos quatro sistemas acima refe-
dades específicas dos usuários, facilitan- ridos, Macedo et al (1994) revelaram que
do o processo de comunicação destes com para PIC, PCS e ImagoVox, a ordem de-
seu ambiente social. Enquanto a prancha crescente de pontuação foi: substantivo,
tradicional, em função de suas dimen- verbo e adjetivo; e para Bliss: verbo, subs-
sões, pode acomodar um número limitado tantivo e adjetivo. Na média geral, os sis-
de símbolos, o sistema de telas desdobrá- temas mais translúcidos foram, em ordem
veis do programa permite o acesso a um decrescente, ImagoVox, PCS, PIC e Bliss;
universo de símbolos cinco a seis vezes as categorias mais translúcidas foram, em
maior que a prancha. ordem decrescente: substantivos, ver-
bos e adjetivos e advérbios (NUNES et al,
No programa, são apresentados inicial-
1998).
mente ícones ou figuras representando
classes semânticas, os quais uma vez acio- Discorreremos um pouco sobre outros
nados se multiplicam em telas exibidas se- sistemas de comunicação, mas de ante-
quencialmente. A apresentação completa mão sugerimos aprofundamento no con-
e sonora de cada sentença elaborada pelo teúdo, o que pode se dar pelas referências
portador de deficiência é outra vantagem bibliográficas disponíveis ao final da apos-
dos sistemas computadorizados. Além tila.
disso, adaptações especiais, como tela
sensível ao toque, ou ao sopro, detector
de ruídos, mouse alavancado à parte do
3.3.1 Sistema BLISS
corpo que possui movimento voluntário Charles Bliss nasceu perto da frontei-
e varredura automática dos itens em ve- ra Russa com a Áustria e sentiu, muitas
locidade ajustável, permitem seu uso por vezes, os problemas criados por línguas
virtualmente todo portador de paralisia diferentes, o que o fez sentir-se motiva-
cerebral qualquer que seja o grau de seu do para criar uma língua universal que pu-
comprometimento motor (CAPOVILLA et desse vencer algumas das barreiras cul-
al, 1994). turais e incompreensões sobre as nações.
A essa língua ou sistema alternativo de
Uma das questões críticas que surgem comunicação, que tem por base a utiliza-
no processo de escolha do sistema de ção de símbolos, dá-se o nome de Sistema
comunicação mais adequado para cada Bliss.
sujeito envolve o grau de iconicidade dos
símbolos usados nos sistemas. Iconicida- A ideia deste sistema foi finalmente
13

concebida durante a 2ª guerra mundial O Bliss é um dos sistemas de comuni-


quando, estando refugiado na China, teve cação aumentativa e alternativa que se
a noção de que os Chineses, embora pu- usa com algumas pessoas sem linguagem
dessem ter dificuldades em compreender oral, desde que estas revelem capacida-
os diversos dialetos, não tinham dificul- des cognitivas e visuais para conseguir
dades quando liam, porque a sua escrita compreendê-los. Abaixo temos exemplos
era baseada num conceito padronizado dos diversos tipos de símbolos.
de símbolos relacionados. Foi então que
Charles Bliss sentiu que a criação de um
sistema gráfico baseado mais no signifi-
cado do que nos sons era a resposta. Em
1949, depois de vários anos de pesquisa,
foi publicada a 1ª edição do seu livro “Se-
mantografia”.

Em 1971, alguns Psicólogos e Terapeu-


tas da Fala canadenses, ao procurarem
uma linguagem que ajudasse as crianças
com paralisia cerebral e sem fala, afásicos
e débeis mentais, começaram a aplicar
o sistema de Charles Bliss como Sistema
de Comunicação Aumentativa no Ontário
Chppled Children's Cenfer, em Toronto –
Canadá.

Este sistema é constituído por um de-


terminado número de formas básicas que
combinadas entre si originaram cerca de
2500 símbolos Bliss. A natureza picto-
gráfica e ideográfica dos muitos símbolos
torna-os fáceis de apreender e fixar. Isto
faz com que este sistema seja conside-
rado adequado a indivíduos que, embora
não estejam bem preparados na ortogra-
fia tradicional, têm potencial para apren-
der e desenvolver um vasto vocabulário,
através de operações combinatórias das
formas básicas. O Sistema Bliss pode ser
utilizado como principal Sistema de Comu-
nicação para muitas pessoas não falantes.
Os símbolos podem representar pessoas,
objetos, ações, sentimentos, ideias e rela-
ções espaço-temporais.
14

O sistema Bliss possui algumas divi- Ideográficos


sões: podem ser compostos sobrepostos,
compostos sequenciados, pictográficos,
ideográficos, etc.

Sistemas compostos sobrepostos: os


símbolos são colocados por cima de ou-
tros, em que o conjunto é que correspon-
de ao significado.
Mistos

Sistema composto sequenciado: ele-


mentos simbólicos colocados uns ao lado
Arbitrários
dos outros, em que o significado do con-
junto corresponde ao conjunto de signifi-
cados dos elementos.

Segundo Nunes (2010), são determi-


nantes do significado do símbolo:
Quanto ao tipo de símbolo podem se
dividir em pictográficos (semelhantes ao 1. Configuração
objeto) e ideográficos (abstratos, suge-
rem conceitos); mistos (símbolos de dupla
classificação, tanto ideográfico quanto
pictográfico), arbitrários (símbolos cria-
dos por Bliss, internacionalmente conven-
cionados).

2. Tamanho
Pictográficos
15

3. Localização 8. Os números

9. A referência posicional
4. A distância

5. O tamanho do ângulo
São potenciais utilizadores do Sistema
BLISS:

• Indivíduos com deficiências moto-


ras;

• Indivíduos com atrasos de desen-


volvimento médio ou severo;

• Indivíduos com deficiência múlti-


pla;
6. A orientação ou direção
• Indivíduos surdos;

• Indivíduos com afasias de adultos;

• Indivíduos que embora não estejam


bem preparados na ortografia tradicional,
têm potencial para aprender e desenvol-
ver o vocabulário.

7. O indicador
Vantagens e desvantagens do uso do
BLISS:
16

Vantagens Desvantagens
Reforça as capa- Limita os utilizadores, na medida em que exige um perfil de capa-
cidades de leitura, cidades (boa capacidade de discriminação visual, capacidades cog-
uma vez que utiliza nitivas, boa ou moderada compreensão auditiva e boas capacidades
símbolos tal como a visuais);
ortografia tradicio-
Boa capacidade de discriminação visual para conseguir distinguir
nal;
pequenas diferenças em características como o tamanho, a confi-
A natureza pic- guração e a orientação dos símbolos;
tográfica e ideo-
Capacidades cognitivas ao último nível pré-operatório ou ao nível
gráfica dos símbo-
das primeiras operações concretas;
los são fáceis de
apreender e fixar. Para pessoas com afasia é necessária boa ou moderada compre-
ensão auditiva e boas capacidades visuais.
põem de recursos de áudio e animação de
seus símbolos, além do acompanhamento
de legendas junto a cada símbolo gráfico.
3.3.2 O sistema pictográfi-
As histórias contam ainda com recur-
co sos de edição de personagens para que o
Um dos sistemas gráficos mais usados autista possa se identificar com mais fa-
na comunicação com e por pessoas que cilidade em suas histórias, bem como tra-
não usam a fala para comunicar é o “Sis- balhar as expressões faciais que denotam
tema Pictográfico para a Comunicação” estados de humor, dificilmente identificá-
(SPC) criado por Mayer-Johnson. veis por pessoas com autismo.
Além de utilizados em tabelas de comu- Os sistemas podem não somente ga-
nicação e digitalizadores de fala, pode ser rantir um modo de comunicação efetivo,
utilizado para adaptar canções, histórias, como também favorecer o desenvolvi-
etc. mento e uso da linguagem, sendo ampla-
mente utilizados com pacientes que não
adquiriram a fala ou a perderam devido
algum acidente neurológico.
3.3.3 O sistema SCALA e
“The Picture Exchange Communica-
PECS para autistas tion System” (PECS) é um dos diversos
O SCALA é um software de comunica- sistemas de CSA. Desenvolvido em 1985
ção alternativa que visa, dentre outros por Lory Frost e Andy Bondy nos Estados
públicos, os autistas. Unidos, o programa é destinado às crian-
ças portadoras de transtorno autístico
Visa desenvolver a oralidade e letra-
ou quaisquer outros transtornos relacio-
mento de pessoas com autismo a partir da
nadas à comunicação e interação social -
construção de pranchas de comunicação
aquelas crianças que apresentam fala não
e histórias em quadrinho. As pranchas dis-
funcional, ou seja, sabem falar, mas não
17

utilizam a fala como forma de comunica- çam o sistema. Os símbolos foram dese-
ção. nhados com o objetivo de:

O programa PECS (sistema de comu- • serem facilmente apreendidos;


nicação pela troca de figuras) segue um
• serem apropriados para todos os
protocolo de treinamento baseado nos
níveis etários;
princípios da linha “Análise do Comporta-
mento Aplicada” – também conhecida com • serem facilmente diferenciados
“Terapia ABA”, em referência ao termo em uns dos outros;
inglês Applied Behaviour Annalysis. Se-
• simbolizarem as palavras e atos
guindo uma metodologia padronizada e
mais comuns usados na comunicação diá-
relacionada com o típico desenvolvimento
ria;
da linguagem, o programa utiliza as se-
guintes estratégias: distinção de compor- • serem agrupados em seis catego-
tamentos, reforço, correção do erro e ge- rias gramaticais;
neralização. O primeiro objetivo é ensinar
a criança “como” se comunicar e depois • possíveis de reproduzir em fotoco-
apresentar “regras” para tanto. Crianças piadora.
utilizando PECS aprendem inicialmente a O sistema é composto por 3200 símbo-
comunicar com apenas uma figura, mas los agrupados em seis categorias gramati-
depois aprendem a combiná-las, forman- cais. A divisão em categorias relaciona-se
do estruturas gramaticais, relações se- com o fato de ser adequado à construção
mânticas e funções comunicativas (RIBEI- de frases simples. As categorias são: pes-
RO, 2010). soas, verbos, adjetivos, substantivos, di-
versos e sociais, sendo recomendado o
sistema de cores da chave de Fitzgerald.
Esta chave foi usada em 1926 por uma
3.3.4 Sistema aumentati- professora de surdos, com o objetivo de
ensinar os princípios linguísticos e a es-
vo e alternativo
trutura da frase a crianças surdas.
O Sistema Aumentativo e Alternativo
(SPC) foi concebido em 1981 por uma te- Deste modo, as crianças aprendiam a
rapeuta da fala, Roxana Mayer Jonhson, analisar as relações funcionais dos ele-
que ao verificar que havia indivíduos com mentos de uma frase e a compreender
dificuldades com o sistema Bliss, sentiu a como a ordenação das palavras na fra-
necessidade de criar um sistema que pe- se afeta o significado desta. À catego-
las suas característica pudesse ser facil- ria pessoas corresponde a cor amarelo, à
mente aprendido por estes indivíduos. categoria verbos a cor verde, à categoria
substantivos a cor laranja, à categoria ad-
Os símbolos do SPC são iconográficos,
jetivos a cor azul, à categoria diversos a
desenhados a preto sobre fundo branco,
cor branca, à categoria sociais a cor rosa.
na parte superior do símbolo está escrito
Pensa-se que o uso desta chave para além
o seu significado para que seja facilmente
da consistência no seu uso, facilitará a
e perceptível por pessoas que não conhe-
18

combinação com outros sistemas. semelhantes às máquinas especiais de


datilografia, sendo, porém, elétricas. Es-
O SPC pode ser utilizado tanto por pes-
sas máquinas permitem escrita do Braille
soas cujas necessidades comunicativas
em matrizes de metal. Essa escrita é fei-
estejam limitadas à necessidade de um
ta dos dois lados da matriz, permitindo
vocabulário limitado e a uma estruturação
a impressão do Braille nas duas faces do
frásica simples, como a indivíduos que ne-
papel. Esse é o Braille interpontado: os
cessitam de utilizar um vocabulário mais
pontos são dispostos de tal forma que im-
vasto e tem possibilidades de estruturar
pressos de um lado não coincidam com os
frases com maior grau de complexidade.
pontos da outra face, permitindo uma lei-
No caso de crianças que usam estes tura corrente, um aproveitamento melhor
sistemas, as atividades devem ser adap- do papel, reduzindo o volume dos livros
tadas e organizadas de modo a facilitarem transcritos no sistema Braille.
a participação ativa das crianças nas ativi-
Nos últimos tempos, tanto a informá-
dades, promovendo o processo de apren-
tica como o Braille, entraram na vida das
dizagem e de socialização (SANTOS; SAN-
pessoas cegas como um excelente e justo
CHEZ, 2005).
meio de integração social, abrindo um ho-
rizonte infinito de informação, educação,
cultura, mercado de trabalho e comunica-
ção. Com os editores de texto, ledores de
3.3.5 Braille tela e sintetizadores de voz conjugados,
O surgimento do sistema Braille abriu os portadores de deficiência visual po-
novas portas para a comunicação, edu- dem trocar e-mails com pessoas de qual-
cação e cultura de pessoas portadoras quer parte do mundo, ler com total inde-
de deficiência visual. Foi inventado na pendência qualquer jornal internacional
França por Louis Braille, jovem cego, reco- ou brasileiro, livros digitalizados, listas
nhecendo-se o ano de 1825 como o marco de discussão e jogos de entretenimento.
dessa importante conquista para a edu- Hoje em dia, apesar de todas as dificulda-
cação e integração dos deficientes visuais des que os deficientes ainda enfrentam, a
na sociedade. tecnologia torna um indivíduo cego muito
No sistema de escrita e, principalmen- mais habilitado a tarefas antes impossí-
te, de leitura Braille, através de um méto- veis.
do lógico de pontos em relevo, distribuí- O Sistema é constituído por 63 sinais,
dos em duas colunas de três pontos para obtidos pela combinação metódica de seis
cada símbolo ou letra, uma pessoa cega pontos, como dito inicialmente que, na
pode, através do tato das pontas de seus sua forma fundamental, se agrupam em
dedos, ler o que, com um aparelho espe- duas filas verticais e justapostas de três
cial denominado reglete e uma pulsão, pontos cada. Estes sinais não excedem
“desenhou” anteriormente. o campo táctil e podem ser identificados
As Imprensas Braille produzem os seus com rapidez, pois, pela sua forma, adap-
livros utilizando máquinas estereótipas, tam-se exatamente à polpa do dedo.
19

Na leitura, qualquer letra ou sinal brail- querda toma parte ativa na interpretação
le é apreendido em todas as suas partes dos sinais. Em alguns leitores a mão es-
ao mesmo tempo, sem que o dedo tenha querda avança até mais ou menos metade
que ziguezaguear para cima e para bai- da linha, proporcionando assim um notá-
xo. Nos leitores experimentados, o único vel aumento de velocidade na leitura.
movimento que se observa é da esquerda
para a direita, ao longo das linhas. Não so- Abaixo temos representado os símbo-
mente a mão direita corre com agilidade los do Sistema Braille:
sobre as linhas, mas também a mão es-
20

3.3.6 Libras – Língua Brasi- mãos e do ponto no corpo ou no espaço


onde esses sinais são feitos. Nas línguas
leira de Sinais de sinais podem ser encontrados os se-
As Línguas de Sinais (LS) são as línguas guintes parâmetros que formarão os si-
naturais das comunidades surdas. Ao con- nais:
trário do que muitos imaginam, as Línguas
- Configuração das mãos – são formas
de Sinais não são simplesmente mímicas
das mãos que podem ser da datilologia
e gestos soltos, utilizados pelos surdos
(alfabeto manual) ou outras formas feitas
para facilitar a comunicação. São línguas
pela mão predominante (mão direita para
com estruturas gramaticais próprias.
os destros ou esquerda para os canhotos),
Atribui-se às Línguas de Sinais o status ou pelas duas mãos.
de língua porque elas também são com-
- Os sinais DESCULPAR, EVITAR e IDA-
postas pelos níveis linguísticos: o fonoló-
DE, por exemplo, possuem a mesma con-
gico, o morfológico, o sintático e o semân-
figuração de mão (com a letra y). A dife-
tico.
rença é que cada uma é produzida em um
O que é denominado de palavra ou item ponto diferente no corpo.
lexical nas línguas oral-auditivas são de-
- Ponto de articulação – é o lugar onde
nominados sinais nas línguas de sinais. O
incide a mão predominante configurada,
que diferencia as Línguas de Sinais das
ou seja, local onde é feito o sinal, podendo
demais línguas é a sua modalidade visual-
tocar alguma parte do corpo ou estar em
-espacial.
um espaço neutro.
Assim, uma pessoa que entra em con-
- Movimento – os sinais podem ter um
tato com uma Língua de Sinais irá apren-
movimento ou não. Por exemplo, os sinais
der uma outra língua, como o Francês, In-
PENSAR e EM-PÉ não têm movimento; já
glês etc.
os sinais EVITAR e TRABALHAR possuem
Curiosidades e informações técnicas: movimento.
• A LIBRAS (Língua Brasileira de Si- - Expressão facial e/ou corporal – as ex-
nais) tem sua origem na Língua de Sinais pressões faciais/corporais são de funda-
Francesa; mental importância para o entendimento
real do sinal, sendo que a entonação em
• As Línguas de Sinais não são uni-
Língua de Sinais é feita pela expressão fa-
versais. Cada país possui a sua própria lín-
cial.
gua de sinais, que sofre as influências da
cultura nacional. Como qualquer outra lín- - Orientação/Direção – os sinais têm
gua, ela também possui expressões que uma direção com relação aos parâmetros
diferem de região para região (os regiona- acima. Assim, os verbos IR e VIR se opõem
lismos), o que a legitima ainda mais como em relação à direcionalidade.
língua;
• Convenções da LIBRAS:
• Os sinais são formados a partir da
- A grafia – os sinais em LIBRAS, para
combinação da forma e do movimento das
21

simplificação, serão representados na dificuldades na língua portuguesa) bem


Língua Portuguesa em letra maiúscula. como materiais e recursos visuais varia-
Ex.: CASA, INSTRUTOR. dos (mapas, gráficos, tabelas, legenda,
etc.);
- A datilologia (alfabeto manual) – usa-
da para expressar nomes de pessoas, lu- • exigir intérprete de LIBRAS, se as-
gares e outras palavras que não possuem sim se fizer necessário e solicitado, etc;
sinal, estará representada pelas palavras
• escrever de maneira visível, legível
separadas por hífen. Ex.: M-A-R-I-A, H-I-P-
e de fácil localização no quadro-negro ou
-Ó-T-E-S-E.
fixar em murais recados e avisos sobre
- Os verbos – serão apresentados no trabalhos, provas, aulas práticas, labora-
infinitivo. Todas as concordâncias e conju- toriais, mudanças de horários de ativida-
gações são feitas no espaço. Ex.: EU QUE- des programadas;
RER CURSO.
• deixar à disposição material para
- As frases – obedecerão à estrutura da fotocopiar ou indicar referências biblio-
LIBRAS, e não à do Português. Ex.: VOCÊ gráficas completas (livro, autor e editora);
GOSTAR CURSO? (Você gosta do curso?)
• cuidar quanto à verificação e pre-
- Os pronomes pessoais – serão re- ferência de legendas nas programações
presentados pelo sistema de apontação. com vídeo;
Apontar em LIBRAS é culturalmente e
• disponibilizar materiais e equipa-
gramaticalmente aceito.
mentos específicos como: prótese auditi-
É importante saber que para conversar va, treinadores de fala, softwares especí-
em LIBRAS, não basta apenas conhecer ficos, etc;
os sinais de forma solta, sendo necessá-
• observar se o espaço físico apre-
rio conhecer a sua estrutura gramatical,
senta dificuldades como: muita lumino-
combinando-se em frases (www.libras.
sidade com reflexão solar ou pouca lumi-
org.br).
nosidade, excesso de barulho externo e/
São elementos importantes na educa- ou interno ao ambiente, salas e/ou audi-
ção do aluno surdo: tórios muito amplos, interferindo com a
inflexão do próprio som da fala do profes-
• falar de forma clara, espontânea e
sor, distância entre o púlpito do professor
em tom normal para o aluno surdo, pois
e os alunos, etc. (DIAS DE SÁ, 2003).
desta forma o estudante não perderia o
campo visual de fala do orador;

• atentar para alternativas diferen-


ciadas no estabelecimento da comunica-
ção, tais como: valorizar a expressão fa-
cial e corporal, articular corretamente as
palavras, usar vocabulário compreensível
(para a maioria dos alunos surdos que têm
22
UNIDADE 4 – Atendimento Educacional
Especializado
Se partirmos do entendimento que a aluno;
escola comum tem como compromisso di-
c) o “preferencialmente” na rede regular
fundir o saber universal, fará parte desse
de ensino significa que esse atendimento
compromisso, lidar com o que há de parti-
deve acontecer prioritariamente nas uni-
cular na construção desse conhecimento
dades escolares, sejam elas comuns ou
para alcançar o seu objetivo. Mas ainda
especiais, devidamente autorizadas e re-
assim, conforme entendimento de Batis-
gidas pela nossa lei educacional. A Cons-
ta e Mantoan (2006), a escola terá limi-
tituição admite ainda que o atendimento
tações naturais para tratar com o que há
educacional especializado pode ser ofere-
de subjetivo nessa construção com alu-
cido fora da rede regular de ensino, já que
nos com deficiência, principalmente com
é um complemento e não um substitutivo
a deficiência mental. Esse fato aponta e
do ensino ministrado na escola comum
demonstra a necessidade de existir um
para todos os alunos;
espaço para esse fim, que não seja emi-
nentemente clínico e que resguarde uma d) o atendimento educacional especia-
característica tipicamente educacional, lizado deve ser oferecido em horários dis-
ou seja, um atendimento educacional es- tintos das aulas das escolas comuns, com
pecializado. outros objetivos, metas e procedimentos
educacionais.
Para esse fim, o Atendimento Educa-
cional Especializado (AEE) aos portadores e) as ações do atendimento educacio-
de deficiência está previsto na Constitui- nal são definidas conforme o tipo de de-
ção de 1988, mais especificamente no ficiência que se propõe a atender. Como
art. 208, determinando que esse atendi- exemplo, para os alunos com deficiência
mento ocorra, preferencialmente, na rede auditiva o ensino da Língua Brasileira de
regular de ensino. Sinais – LIBRAS, de Português, como se-
gunda língua, ou para os alunos cegos, o
É importante esclarecer que:
ensino do código “Braille”, de mobilidade e
a) esse atendimento refere-se ao que é locomoção, ou o uso de recursos de infor-
necessariamente diferente da educação mática, e outros;
em escolas comuns e que é necessário
f) os professores que atuam no aten-
para melhor atender às especificidades
dimento educacional especializado, além
dos alunos com deficiência, complemen-
da formação básica em Pedagogia, devem
tando a educação escolar e devendo estar
ter uma formação específica para atuar
disponível em todos os níveis de ensino;
com a deficiência a que se propõe a aten-
b) é um direito de todos os alunos com der. Assim como o AEE, os professores
deficiência que necessitarem dessa com- não substituem as funções do professor
plementação e precisa ser aceito por seus responsável pela sala de aula das escolas
pais ou responsáveis e/ou pelo próprio comuns que têm alunos com deficiência
23

incluídos (BRASIL, 2006). com deficiência mental precisa adquirir,


através do atendimento educacional es-
Segundo Batista e Mantoan (2006), é
pecializado, condições de passar de um
preciso conhecer profundamente a defi-
tipo de ação automática e mecânica dian-
ciência mental para não se confundir os
te de uma situação de aprendizado/expe-
problemas de ensino e de aprendizagem
riência para um outro tipo, que lhe pos-
causados pela deficiência com o que é
sibilite selecionar e optar por meios mais
barreira para o aproveitamento escolar de
convenientes de atuar intelectualmente.
todo e qualquer aluno.
O atendimento educacional para tais
Nesse contexto, o AEE decorre de uma
alunos deve, portanto, privilegiar o de-
nova visão da Educação Especial, susten-
senvolvimento e a superação daquilo que
tada legalmente e é uma das condições
lhe é limitado, exatamente como acon-
para o sucesso da inclusão escolar dos
tece com as demais deficiências, como
alunos com deficiência. Esse atendimento
exemplo: para o cego, a possibilidade de
existe para que os alunos possam apren-
ler pelo Braille, para o surdo a forma mais
der o que é diferente do currículo do en-
conveniente de se comunicar e para a pes-
sino comum e que é necessário para que
soa com deficiência física, o modo mais
possam ultrapassar as barreiras impostas
adequado de se orientar e se locomover.
pela deficiência.
Para a pessoa com deficiência mental, a
As barreiras da deficiência mental di- acessibilidade não depende de suportes
ferem muito das barreiras encontradas externos ao sujeito, mas tem a ver com a
nas demais deficiências. Trata-se de bar- saída de uma posição passiva e automati-
reiras referentes à maneira de lidar com zada diante da aprendizagem para o aces-
o saber em geral, o que reflete prepon- so e apropriação ativa do próprio saber.
derantemente na construção do conheci-
De fato, continuam Batista e Mantoan
mento escolar. Por esse motivo, a educa-
(2006), a pessoa com deficiência mental
ção especializada, realizada nos moldes
encontra inúmeras barreiras nas intera-
do treinamento e da adaptação, reforça a
ções que realiza com o meio para assimi-
condição de deficiente desse aluno. Essas
lar, desde os componentes físicos do ob-
formas de intervenção mantêm o aluno
jeto de conhecimento, como por exemplo,
em um nível de compreensão que é muito
o reconhecimento e a identificação da cor,
primitivo e que a pessoa com deficiência
forma, textura, tamanho e outras carac-
mental tem dificuldade de ultrapassar –
terísticas que ele precisa retirar direta-
nas chamadas regulações automáticas,
mente desse objeto. Isso ocorre porque
de Piaget.
são pessoas que apresentam prejuízos no
É necessário que se estimule o aluno funcionamento, na estruturação e na re-
com deficiência mental a progredir nos -elaboração do conhecimento.
níveis de compreensão, criando novos
Exatamente por isso, não adianta pro-
meios para se adequarem às novas situ-
por atividades que insistem na repeti-
ações, ou melhor, desafiando-o a realizar
ção pura e simples de noções de cor, for-
regulações ativas. Assim sendo, o aluno
ma, etc., para que a partir desse suposto
24

aprendizado o aluno consiga dominar es- práticas em pensamento. A passagem


sas noções e as demais propriedades físi- das ações práticas e a coordenação des-
cas dos objetos, e ainda possa transpô-las sas ações em pensamento são partes de
para um outro contexto. A criança sem um processo cognitivo que é natural para
deficiência mental consegue espontane- aqueles que não têm deficiência mental.
amente retirar informações do objeto e E para aqueles que têm uma deficiência
construir conceitos, progressivamente. Já mental, essa passagem deve ser esti-
a criança com deficiência mental precisa mulada e provocada, de modo que o co-
de outra atenção, ou seja, de exercitar sua nhecimento possa se tornar consciente
atividade cognitiva, de modo que consiga e interiorizado. O esquema abaixo ilustra
o mesmo, ou uma aproximação do mesmo. esse processo de construção mental do
conhecimento, desenvolvido pela teoria
Esse exercício implica em trabalhar a
piagetiana.
abstração por meio da projeção das ações

Fonte: Brasil (2007, p. 19).

O AEE para as pessoas com deficiência É importante esclarecer que o AEE não
mental está centrado na dimensão subje- é ensino particular, nem reforço escolar.
tiva do processo de conhecimento, com- Ele pode ser realizado em grupos, porém
plementando o conhecimento acadêmico deve atentar para as formas específicas
e o ensino coletivo que caracterizam a es- de cada aluno se relacionar com o saber.
cola comum. O conhecimento acadêmico Isso também não implica em atender a es-
exige o domínio de um determinado con- ses alunos, formando grupos homogêne-
teúdo curricular; o atendimento educa- os com o mesmo tipo de problema (pato-
cional, por sua vez, refere-se à forma pela logias) e/ou desenvolvimento.
qual o aluno trata todo e qualquer conte-
Pelo contrário, os grupos devem se
údo que lhe é apresentado e como conse-
constituir obrigatoriamente por alunos da
gue significá-lo, ou seja, compreendê-lo.
mesma faixa etária e em vários níveis do
25

processo de conhecimento. Alunos com permite que o aluno traga a sua vivência
Síndrome de Down, por exemplo, pode- e que se posicione de forma autônoma e
rão compartilhar esse atendimento com criativa diante do conhecimento, o pro-
seus colegas autistas, com outras síndro- fessor sai do lugar de todo o saber. Des-
mes, sequelas de paralisia cerebral e ain- sa maneira, o aluno pode se questionar e
da outros com ou sem uma causa orgânica modificar sua atitude de recusa do saber
esclarecida de sua deficiência e com di- e sua posição de “não saber”. Ele, então,
ferentes possibilidades de acesso ao co- pode se mobilizar e buscar o saber. Na ver-
nhecimento (BRASIL, 2007). dade, é tomando consciência de que não
sabe, que o aluno pode se mobilizar e bus-
O atendimento educacional especiali-
car o saber. A liberdade de criação e de po-
zado para o aluno com deficiência mental
sicionamento autônomo do aluno diante
deve permitir que esse aluno saia de uma
do saber permite que sua verdade seja co-
posição de “não saber”, ou de “recusa de
locada, o que é fundamental para os alu-
saber” para se apropriar de um saber que
nos com deficiência mental. Ele deixa de
lhe é próprio, ou melhor, que ele tem cons-
ser o “repeteco”, o eco do outro e se torna
ciência de que o construiu.
um ser pensante e desejante de saber.
A inibição, definida na teoria freudiana,
Mas o atendimento educacional não
ou a “posição débil” enunciada por Lacan
deve funcionar como uma análise inter-
provocam atitudes particulares diante do
pretativa, própria das sessões psicanalíti-
saber, influenciando a pessoa na aquisição
cas, e nem como uma intervenção psico-
do conhecimento acadêmico. É importan-
pedagógica, tradicionalmente praticada.
te ressaltar que o saber da Psicanálise é
Esse atendimento deve permitir ao alu-
o “saber inconsciente”, relativo à verdade
no elaborar suas questões, suas ideias,
do sujeito. Em outras palavras, trata-se de
de forma ativa e não corroborar para sua
um processo inconsciente e o que o sujei-
alienação diante de todo e qualquer saber
to recusa saber sobre a própria incomple-
(BRASIL, 2007).
tude, tanto dele, quanto do outro. O aluno
com deficiência mental, nessa posição de
recusa e de negação do saber, fica passivo 4.1 AEE para alunos com
e dependente do outro (do seu professor, baixa visão
por exemplo), ao qual outorga o poder de
todo o saber. Se o professor assume o lu- O trabalho com alunos com baixa vi-
gar daquele que sabe tudo e oferece to- são baseia-se no princípio de estimular a
das as respostas para seus alunos, o que é utilização plena do potencial de visão e
muito comum nas escolas e, principalmen- dos sentidos remanescentes, bem como
te na prática da Educação Especial, ele re- na superação de dificuldades e conflitos
força essa posição débil e de inibição, não emocionais.
permitindo que esse aluno se mobilize Algumas sugestões para pais, profes-
para adquirir/construir qualquer tipo de sores e outras pessoas que convivem com
conhecimento (BRASIL, 2007). a criança de baixa visão na idade escolar:
Quando o atendimento educacional • Ensine a criança e o jovem sobre
26

sua deficiência e sobre o que eles podem • Compreenda que o sentido da visão
ver ou não podem ver bem (muitas crian- funciona melhor em conjunto com os ou-
ças não têm consciência disso). tros sentidos.

• Os alunos com baixa visão deverão • Aprenda a ignorar os comentários


trabalhar olhando para os objetos e para negativos sobre as pessoas com baixa vi-
as pessoas (algumas crianças apresentam são.• Dê-lhe tempo para olhar os livros e
comportamento de cegos, olham para o revistas, chamando a atenção para os ob-
vazio. Peça para que “olhe” o objeto ou jetos familiares. Peça-lhes para descrever
pessoa em questão). o que vê.

• Ajude-o a desenvolver comporta- • Torne o “olhar” e “ver” uma situação


mentos e habilidades para participar de agradável, sem pressionar.
brincadeiras e recreações junto com os
colegas, facilitando o processo de sociali- 4.2 Recursos não ópticos
zação e inclusão.
para baixa visão
• Oriente o uso de contraste claro e
Os recursos não ópticos para baixa vi-
escuro entre os objetos e seu fundo.
são são aqueles que melhoram a função
• Estimule o aluno a olhar para as- visual sem o auxílio de lentes ou promo-
pectos como cor, forma e encoraje-o a to- vem a melhoria das condições ambientais
car nos objetos enquanto olha. ou posturais para a realização das tarefas
(podem ser efetuados pelo professor).
• Lembre-se que o uso prolongado
(JOSÉ; TEMPORINI, 1999).
da baixa visão pode causar fadiga.
Os meios para que se consiga esta me-
• Seja realista nas expectativas do
lhora são:
desempenho visual do estudante, enco-
rajando-o sempre ao progresso. • Trazer o objeto mais próximo do
olho, o que aumenta o tamanho da ima-
• Encoraje a coordenação de movi-
gem percebida (ou seja, deixe a criança
mentos com a visão, principalmente das
aproximar o objeto do rosto ou aproximar-
mãos.
-se para observar algo, como por exemplo,
• Oriente o estudante a procurar re- a lousa ou a TV);
cursos como o computador, pois ele se
• Aumentar o tamanho do objeto
cansará menos e aumentará sua indepen-
para que ele seja percebido.
dência. Pense nos estudantes com baixa
visão como pessoas que veem.

• Use as palavras “olhe” e “veja” livre-


mente.
4.3 Características, for-
• Esteja ciente da diferença entre
mas e materiais para baixa
nunca ter tido boa visão e tê-la perdido visão
após algum tempo.
27

Características Formas Materiais impressos

- Desenhos sem muitos - Fotocopiadora; - Lápis 6B e/ou caneta hi-


detalhes (muitos detalhes drográfica preta;
- Computador;
confundem);
- Cadernos com pautas
- Ampliação à mão: é a mais
- Uso de maiúsculas; ampliadas ou reforçadas;
utilizada e deve seguir requi-
- Usar o tipo (letra) Arial; sitos como tamanho, espaços - Suporte para livros;
regulares, contraste, clareza
- Tamanho de letra em - Guia para leitura;
e uniformidade dos caracte-
torno de 20 a 24 (ou seja,
res. - Luminária com braços
ampliada);
ajustáveis.
- Usar entrelinhas e espa-
ços;

- Cor do papel e tinta (con-


traste).

Para alguns alunos, é necessário um O professor pode ainda confeccionar


espaço maior entre as linhas; como não esta grade para facilitar a escrita do aluno
encontramos este tipo de caderno no com baixa visão. Pode ser utilizada uma
mercado pode-se utilizar caderno de de- lâmina de radiografia, do tamanho da fo-
senho ou encadernar um maço de sulfite, lha do caderno e com a mesma medida das
colocando capas (frente/verso) e em se- linhas ou ainda em papel cartão com cores
guida traçar as linhas mais espaçadas, fo- que contrastem com o fundo branco da
lha por folha (com lápis 6B) de acordo com folha do caderno. Para a leitura pode ser
a necessidade do aluno. confeccionado no mesmo modelo, uma
guia para leitura utilizando-se somente
Caso o aluno apresente além da baixa
uma linha vazada e à medida que o aluno
visão, uma dificuldade motora, pode-se
vai lendo a guia vai sendo deslocada para
utilizar de letras móveis e letras recorta-
a linha de baixo, o que evita que ele se
das em papel para que o aluno cole-as no
perca durante a leitura.
caderno, formando palavras, ao invés de
escrever. O professor também pode se utilizar
dos encartes que contém figuras grandes
Para evitar o cansaço de estar cons-
para trabalhar com o aluno com baixa vi-
tantemente com o rosto sobre o caderno,
são para reconhecimento dos produtos e
pode-se utilizar um suporte para leitura
palavras conhecidas bem como com rótu-
encontrado em casas que trabalham com
los de embalagens que são utilizados em
artigos para deficientes visuais. Pode ain-
seu dia-a-dia. A medida que ele vai apren-
da ser confeccionado ou ser utilizados li-
dendo a ver começará a identificar figuras
vros, como suporte, embaixo do caderno
cada vez menores.
para que este possa ficar mais elevado.
28

O aluno pode recortar o produto que


identificou visualmente e nomeá-lo. Pos-
teriormente pode colocar as figuras em or-
dem alfabética criando um livrinho (http://
dvsepedagogia.blogspot.com/2010/06/
atendimento-ao-aluno-com-baixa-vi-
sao_30.html).
29
UNIDADE 5 – Recursos, Técnicas e Estraté-
gias para Comunicação Alternativa
Os símbolos são as representações vi- complexos ou de alta tecnologia.
suais, auditivas ou táteis de um conceito.

Na CAA utiliza-se de vários símbolos


como os objetos, a fala, os gestos, a lin- 5.1 Tipos de símbolos
guagem de sinais, as fotografias, os dese-
Objetos reais - Os objetos reais podem
nhos e a escrita.
ser idênticos ao que estão representando
ou similares, onde há variações quanto ao
tamanho, cor ou outra característica.

Miniaturas - Os objetos em miniatura


precisam ser selecionados com cuidado
para que possam ser utilizados como re-
cursos de comunicação. Devem ser con-
sideradas as possibilidades visuais e inte-
lectuais dos indivíduos na sua utilização.

Objetos parciais- Em situações onde os


objetos a serem representados são muito
grandes a utilização de parte do objeto
pode ser muito apropriada.

Fotografias - Fotos coloridas ou preto


e branco podem ser utilizadas para repre-
sentar objetos, pessoas, ações, lugares
Há vários tipos de símbolos que são
ou atividades. Nas escolas, muitas vezes,
usados para representar mensagens. Eles
são utilizados recortes de revistas ou em-
podem ser divididos em:
balagens de produtos.
• Símbolos que não necessitam
Símbolos gráficos- Há uma série de sím-
de recursos externos - o indivíduo uti-
bolos gráficos que foram desenvolvidos
liza apenas o seu corpo para se comunicar.
para facilitar a comunicação de pessoas
São exemplos desse sistema os gestos, os
com necessidades educativas especiais.
sinais manuais, as vocalizações, e as ex-
Alguns deles são:
pressões faciais.
• Picture Communication Symbols
• Símbolos que necessitam de re-
(PCS)
cursos externos - requerem instrumen-
tos ou equipamentos além do corpo do • Símbolos para alfabetização da Wi-
usuário para produzir uma mensagem. Es- dgit (Rebus Symbols)
ses sistemas podem ser muito simples, ou
• Picsyms
de baixa tecnologia ou tecnologicamente
30

• Pictogram Ideogram Communica- rar as possibilidades cognitivas, visuais e


tion Symbols (PIC) Blissyymbolics motoras de seu usuário. Essas pranchas
podem estar soltas ou agrupadas em ál-
• COMPIC
buns ou cadernos. O indivíduo vai olhar,
• Self Talk apontar ou ter a informação apontada
pelo parceiro de comunicação dependen-
• Pick 'N Stick
do de sua condição motora.
• Brady-Dobson Alternative Commu-
• Eye-gaze - pranchas de apontar
nication (B-DAC)
com os olhos que podem ser dispostas so-
• Talking Pictures I, II e III bre a mesa ou apoiada em um suporte de
acrílico ou plástico colocado na vertical.
• Oakland Schools Picture Dictionary O indivíduo também pode apontar com o
• Pictogramas ARASAAC auxílio de uma lanterna com foco conver-
gente, fixada ao lado de sua cabeça, ilumi-
• Letras nando a resposta desejada.

• Avental - é um avental confeccio-


nado em tecido que facilita a fixação de
símbolos ou letras com velcro, que é uti-
lizado pelo parceiro. No seu avental o par-
ceiro de comunicação prende as letras ou
as palavras e a criança responde através
do olhar.

• Comunicador em forma de relógio -


o comunicador é um recurso que possibili-
ta o indivíduo dar sua resposta com auto-
nomia, mesmo quando ele apresenta uma
dificuldade motora severa. Seu princípio é
5.2 Baixa e alta tecnologia semelhante ao do relógio, só que é a pes-
soa que comanda o movimento do pontei-
Os recursos são os objetos ou equipa- ro apertando um acionador.
mentos utilizados para transmitir as men-
sagens e podem ser de baixa ou de alta São recursos de alta tecnologia:
tecnologia. • Comunicadores com voz gravada -
Dentre os recursos de baixa tecnologia são comunicadores onde as mensagens
temos: podem ser gravadas pelo parceiro de co-
municação.
• Pranchas de comunicação - as pran-
chas de comunicação podem ser construí- • Comunicadores com voz sintetiza-
das utilizando-se objetos ou símbolos, le- da - no comunicador com voz sintetizada
tras, sílabas, palavras, frases ou números. o texto é transformado eletronicamente
Elas são personalizadas e devem conside- em voz.
31

• Computadores - com o avanço da eficiente para usuários com dificuldades


tecnologia têm surgido novos sistemas motoras graves, mas exige um maior grau
de CAA para as pessoas com necessida- de abstração.
des especiais como o Classroom, o Over-
layMaker, o Comunicar com Símbolos, o 5.4 Estratégias
Boardmaker, o Invento, entre outros.
As estratégias referem-se ao modo
como os recursos da comunicação alter-
nativa são utilizados.
5.3 Técnicas
As técnicas de seleção referem-se à
forma pela qual o usuário escolhe os sím-
bolos no seu sistema de comunicação.

É importante determinar a técnica de


seleção mais eficiente para cada indivíduo.
Deve ser determinado o posicionamento
ideal da prancha e do usuário, a precisão
do acesso, a taxa de fadiga e a velocidade.
O terapeuta ocupacional é o profissional
que realiza essa avaliação.
Exemplo: Adaptação de livros de histórias como
recurso de imersão nos símbolos.
São técnicas de seleção:

• Seleção direta - é o método mais


Outra estratégia seria o uso de letras
rápido e pode ser feito através do apontar
maiúsculas ampliadas, sendo que os livros
do dedo ou outra parte do corpo, com uma
são transcritos ou modificados a partir da
ponteira de cabeça ou com uma luz fixada
reescrita simplificada da história impressa
à cabeça.
com letra maiúscula, tamanho 28 ou supe-
• Técnica de varredura - exige que o rior, fonte Arial e negrito. Quando neces-
indivíduo tenha uma resposta voluntária sário, os livros podem ser adaptados com
consistente como piscar os olhos, balan- a escrita Braille.
çar a cabeça, sorrir ou emitir um som para
Ainda temos a associação de brinque-
que possa sinalizar sua resposta. Nos re-
dos ao conteúdo do livro como os bichi-
cursos de baixa tecnologia o usuário vai
nhos da história e a construção de pran-
necessitar de um facilitador para apontar
chas de comunicação relacionadas com a
os símbolos. Os métodos de varredura po-
história.
dem ser linear, circular, de linhas e colunas
ou blocos. Os símbolos pictográficos como Pic-
ture Communications Simbols (PCS) são
• Técnica da codificação - permite a
elaborados como o auxílio do software
ampliação de significados a partir de um
Boardmaker e podem ser impressos iso-
número limitado de símbolos e o aumen-
ladamente em cartões ou organizados
to da velocidade. É uma técnica bastante
32

em pranchas de comunicação. O objetivo


principal dos símbolos é o desenvolvimen-
to de uma comunicação alternativa que
possibilite ao usuário acompanhar a his-
tória através dos símbolos, responder ou
fazer perguntas e recontar a sequência de
acontecimentos (PELOSI, 2011).
33
UNIDADE 6 – Avaliação e Escolha das
Estratégias
A avaliação consiste em: • Quando é que o cliente se comuni-
ca?
• Identificar as necessidades do indi-
víduo de se comunicar; • Com quem o cliente se comunica?

• Obter informação geral; • Quais são as habilidades visuais,


auditivas e perceptivas do cliente?
• Entrevistar a família;
• Quais são as habilidades motoras?
• Envolver toda a equipe;
• Qual é a atitude frente a comunica-
• Observar o indivíduo;
ção?
• Entrevistar o indivíduo;
• O cliente conhece algum sistema(s)
• Avaliar a linguagem; de comunicação alternativa?

• Combinar as habilidades com as ca- • O que ele precisa comunicar? O que


racterísticas do sistema; ele não consegue? Quando? Aonde?

• Implementar o sistema; • Qual é o sistema ideal de comunica-


ção?
• Avaliar os resultados.

Quando a avaliação acontecer atra-


São recursos de avaliação:
vés de atividades estruturadas e/ou não
• Entrevistas; estruturadas deve-se observar como o
cliente se relaciona e se comunica com o
• Avaliações padronizadas; avaliador; as funções motoras (global e
• Avaliações formais específicas; fina); as funções sensorial e perceptiva e
as funções cognitivas e de aprendizagem
• Questionário para melhor analisar a que se traduzem nos seguintes questio-
rotina em casa e/ou na escola; namentos a responder: Como aprende
Lembre-se que a avaliação deve ocor- melhor? Reconhece fotografias, dese-
rer preferencialmente no meio natural do nhos, formas abstratas (círculo, quadra-
aluno existindo expectativa do indivíduo do)? Reconhece letras, capacidade de dis-
atuar, bem como deve ser dada importân- criminar palavras simples? Como são a sua
cia ao que ele pode ou não fazer. atenção, a compreensão de causa e efei-
to, habilidade de expressar preferência,
Na entrevista, os questionamentos habilidade de fazer escolha, compreensão
abaixo seriam importantes: da permanência de objeto, possuir repre-
• Como o cliente se comunica? sentação simbólica?

• O que o cliente se comunica? Avaliando o indivíduo, suas necessida-


34

des de comunicar, suas expectativas, po-


demos determinar os objetivos e estabe-
lecer um Plano de Ação.

Quanto aos objetivos, estes podem ser


específico – concreto – claro; possível de
medir qualitativa ou quantitativamente;
orientado pela ação a ser tomado para se
conseguir alcançar o desejado; deve ser
realista, ou seja, alcançável; deve ter um
tempo para começar e terminar; deve es-
tar de comum acordo com o cliente e to-
dos envolvidos; e, claro, deve estar dentro
do contexto.

Quanto ao Plano de Ação, este precisa


estar de comum acordo com todos; deixar
clara a tarefa de cada membro da equipe
em detalhes e incluir o prazo de conclu-
são. As barreiras devem ser identificadas
em parceria com todos envolvidos para
que possam ser ultrapassadas e não sim-
plesmente jogadas para o lado.
35

UNIDADE 7 – Adaptações Curriculares

Segundo os Parâmetro Curriculares Algumas características curriculares


Nacionais (BRASIL, 1998), as adaptações facilitam o atendimento às necessidades
curriculares constituem as possibilidades educacionais especiais dos alunos, dentre
educacionais de atuar frente às dificulda- elas atingir o mesmo grau de abstração
des de aprendizagem dos alunos. Pressu- ou de conhecimento, num tempo deter-
põem que se realize a adaptação do cur- minado; ser desenvolvidas pelos demais
rículo regular, quando necessário, para colegas, embora não o façam com a mes-
torná-lo apropriado às peculiaridades ma intensidade, em necessariamente de
dos alunos com necessidades especiais. igual modo ou com a mesma ação e grau
Não um novo currículo, mas um currículo de abstração.
dinâmico, alterável, passível de amplia-
As adaptações curriculares apoiam-
ção, para que atenda realmente a todos
-se nesses pressupostos para atender às
os educandos. Nessas circunstâncias, as
necessidades educacionais especiais dos
adaptações curriculares implicam a pla-
alunos, objetivando estabelecer uma re-
nificação pedagógica e a ações docentes
lação harmônica entre essas necessida-
fundamentadas em critérios que definem:
des e a programação curricular. Estão fo-
• o que o aluno deve aprender; calizadas, portanto, na interação entre as
necessidades do educando e as respostas
• como e quando aprender;
educacionais a serem propiciadas (BRA-
• que formas de organização do ensi- SIL, 1998).
no são mais eficientes para o processo de
Devem ser destinadas aos que necessi-
aprendizagem;
tam de serviços e/ou situações especiais
• como e quando avaliar o aluno. de educação, realizando-se, preferencial-
mente, em ambiente menos restritivo e
Para que alunos com necessidades
pelo menor período de tempo, de modo a
educacionais especiais possam participar
favorecer a promoção do aluno a formas
integralmente em um ambiente rico de
cada vez mais comuns de ensino.
oportunidades educacionais com resulta-
dos favoráveis, alguns aspectos precisam As necessidades especiais revelam que
ser considerados, destacando-se entre tipos de ajuda, diferentes das usuais, são
eles: requeridas, de modo a cumprir as finali-
dades da educação. As respostas a essas
a) a preparação e a dedicação da equi-
necessidades devem estar previstas e
pe educacional e dos professores;
respaldadas no projeto pedagógico da es-
b) o apoio adequado e recursos espe- cola, não por meio de um currículo novo,
cializados, quando forem necessários; mas, da adaptação progressiva do regular,
buscando garantir que os alunos com ne-
c) as adaptações curriculares e de cessidades especiais participem de uma
acesso ao currículo. programação tão normal quanto possível,
36

mas considere as especificidades que as professor no planejamento normal das


suas necessidades possam requerer. atividades docentes e constituem peque-
nos ajustes dentro do contexto normal de
O currículo, nessa visão, é um instru-
sala de aula.
mento útil, uma ferramenta que pode ser
alterada para beneficiar o desenvolvi- O Quadro abaixo especifica alguns as-
mento pessoal e social dos alunos, resul- pectos desses tipos de adaptação. São
tando em alterações que podem ser de importantes como medidas preventivas
maior ou menor expressividade. levando o aluno a aprender os conteúdos
curriculares de maneira mais ajustada às
A maior parte das adaptações curricu-
suas condições individuais, para prosse-
lares realizadas na escola são considera-
guir na sua carreira acadêmica, evitando-
das menos significativas, porque consti-
-se seu afastamento da escola regular.
tuem modificações menores no currículo
regular e são facilmente realizadas pelo

Fonte: Manjón, op. cit., 1995, p. 89


37

As adaptações organizativas têm • ao reforço da aprendizagem e à re-


um caráter facilitador do processo de en- tomada de determinados conteúdos para
sino-aprendizagem e dizem respeito: garantir o seu domínio e a sua consolida-
ção;
• ao tipo de agrupamento de alunos
para a realização das atividades de ensi- • à eliminação de conteúdos menos
no-aprendizagem; relevantes, secundários para dar enfoque
mais intensivo e prolongado a conteúdos
• à organização didática da aula –
considerados básicos e essenciais no cur-
propõe conteúdos e objetivos de interes-
rículo.
se do aluno ou diversificados, para aten-
der às suas necessidades especiais, bem As adaptações avaliativas dizem
como disposição física de mobiliários, de respeito:
materiais didáticos e de espaço disponí-
• à seleção das técnicas e instrumen-
veis para trabalhos diversos;
tos utilizados para avaliar o aluno. Pro-
• à organização dos períodos defini- põem modificações sensíveis na forma de
dos para o desenvolvimento das ativida- apresentação das técnicas e dos instru-
des previstas – propõe previsão de tempo mentos de avaliação, a sua linguagem, de
diversificada para desenvolver os dife- um modo diferente dos demais alunos de
rentes elementos do currículo na sala de modo que atenda às peculiaridades dos
aula. que apresentam necessidades especiais.

As adaptações relativas aos objeti- As adaptações nos procedimentos


vos e conteúdos dizem respeito: didáticos e nas atividades de ensino-
-aprendizagem referem-se ao como en-
• à priorização de áreas ou unidades
sinar os componentes curriculares. Dizem
de conteúdos que garantam funcionalida-
respeito:
de e que sejam essenciais e instrumentais
para as aprendizagens posteriores. Ex: • à alteração nos métodos definidos
habilidades de leitura e escrita, cálculos para o ensino dos conteúdos curriculares;
etc.;
• à seleção de um método mais aces-
• à priorização de objetivos que en- sível para o aluno;
fatizam capacidades e habilidades básicas
• à introdução de atividades com-
de atenção, participação e adaptabilidade
plementares que requeiram habilidades
do aluno. Ex: desenvolvimento de habili-
diferentes ou a fixação e consolidação de
dades sociais, de trabalho em equipe, de
conhecimentos já ministrados – utilizadas
persistência na tarefa, etc.;
para reforçar ou apoiar o aluno, oferecer
• à sequenciação pormenorizada de oportunidades de prática suplementar ou
conteúdos que requeiram processos gra- aprofundamento. São facilitadas pelos
dativos de menor à maior complexidade trabalhos diversificados, que se realizam
das tarefas, atendendo à sequência de no mesmo segmento temporal;
passos, à ordenação da aprendizagem,
• à introdução de atividades prévias
etc.;
38

que preparam o aluno para novas apren- medidas curriculares menos significati-
dizagens; vas. De um modo geral, constituem estra-
tégias necessárias quando os alunos apre-
• à introdução de atividades alterna-
sentam sérias dificuldades para aprender,
tivas além das planejadas para a turma,
como resultado, entre outros fatores:
enquanto os demais colegas realizam ou-
tras atividades. É indicada nas atividades • da defasagem entre a sua compe-
mais complexas que exigem uma sequen- tência curricular e a de seus colegas;
ciação de tarefas;
• da discrepância entre as suas ne-
• à alteração do nível de abstração cessidades e as demandas das atividades
de uma atividade oferecendo recursos de e expectativas escolares;
apoio, sejam visuais, auditivos, gráficos,
• da crescente complexidade das ati-
materiais manipulativos, etc.;
vidades acadêmicas que vai se ampliando,
• à alteração do nível de complexida- na medida do avanço na escolarização.
de das atividades por meio de recursos do
Praticamente, o que se almeja é a bus-
tipo: eliminar partes de seus componen-
ca de soluções para as necessidades es-
tes (simplificar um problema matemático,
pecíficas do aluno e, não, o fracasso na
excluindo a necessidade de alguns cálcu-
viabilização do processo de ensino-apren-
los, é um exemplo); ou explicitar os passos
dizagem. As demandas escolares preci-
que devem ser seguidos para orientar a
sam ser ajustadas, para favorecer a inclu-
solução da tarefa, ou seja, oferecer apoio,
são do aluno. É importante observar que
especificando passo a passo a sua realiza-
as adaptações focalizam as capacidades,
ção;
o potencial, a zona de desenvolvimento
• à alteração na seleção de materiais proximal (nos termos de Vygotsky) e não
e adaptação de materiais – uso de máqui- se centralizam nas deficiências e limita-
na braille para o aluno cego, calculadoras ções do aluno, como tradicionalmente
científicas para alunos com altas habilida- ocorria (BRASIL, 1998).
des/superdotados, etc.
Embora muitos educadores possam in-
As adaptações na temporalidade terpretar essas medidas como “abrir mão”
dizem respeito: da qualidade do ensino ou empobrecer
as expectativas educacionais, essas de-
• à alteração no tempo previsto para
cisões curriculares podem ser as únicas
a realização das atividades ou conteúdos;
alternativas possíveis para os alunos que
• ao período para alcançar determi- apresentam necessidades especiais como
nados objetivos. forma de evitar a sua exclusão.

Muitas vezes, há necessidade de ado- São adaptações curriculares signifi-


tar adaptações significativas do currículo cativas:
para atender às necessidades especiais
• A eliminação de objetivos básicos e
dos alunos, quando estas forem mais
introdução de objetivos específicos, com-
acentuadas e não se solucionarem com
plementares e/ou alternativos;
39

• A introdução de conteúdos especí- temente;


ficos, complementares ou alternativos;
• introdução de objetivos específi-
• A eliminação de conteúdos básicos cos complementares – não previstos para
do currículo; os demais alunos, mas acrescidos na pro-
gramação pedagógica para suplementar
• A introdução de métodos e proce-
necessidades específicas.
dimentos complementares e/ou alterna-
tivos de ensino e aprendizagem, introdu- As adaptações relativas aos conteú-
ção de recursos específicos de acesso ao dos incidem sobre conteúdos básicos e
currículo; essenciais do currículo e requerem uma
avaliação criteriosa para serem adotados.
• A introdução de critérios específi-
Dizem respeito:
cos de avaliação;
• à introdução de novos conteúdos
• A eliminação de critérios gerais de
não revistos para os demais alunos, mas
avaliação;
essenciais para alguns, em particular;
• Adaptações de critérios regulares
• eliminação de conteúdos que, em-
de avaliação;
bora essenciais no currículo, sejam in-
• Modificação dos critérios de pro- viáveis de aquisição por parte do aluno.
moção; Geralmente estão associados a objetivos
que também tiveram de ser eliminados.
• Prolongamento de um ano ou mais
de permanência do aluno na mesma série As adaptações relativas à metodologia
ou no ciclo (retenção). são consideradas significativas quando
Fonte: Manjón (1995, p. 89)
implicam uma modificação expressiva no
planejamento e na atuação docente. Di-
zem respeito:
As adaptações relativas aos objetivos • à introdução de métodos muito es-
sugerem decisões que modificam signifi- pecíficos para atender às necessidades
cativamente o planejamento quanto aos particulares do aluno. De um modo geral,
objetivos definidos, adotando uma ou são orientados por professor especializa-
mais das seguintes alternativas: do;
• eliminação de objetivos básicos – • às alterações nos procedimentos
quando extrapolam as condições do aluno didáticos usualmente adotados pelo pro-
para atingi-lo, temporária ou permanen- fessor;
temente;
• à organização significativamente
• introdução de objetivos específicos diferenciada da sala de aula para atender
alternativos – não previstos para os de- às necessidades específicas do aluno.
mais alunos, mas que podem ser incluídos
em substituição a outros que não podem As adaptações significativas na ava-
ser alcançados, temporária ou permanen- liação estão vinculadas às alterações nos
objetivos e conteúdos que foram acresci-
40

dos ou eliminados. Desse modo, influen- lizar o currículo para que ele possa ser
ciam os resultados que levam, ou não, à desenvolvido na sala de aula e atender
promoção do aluno e evitam a “cobrança” às necessidades especiais de alguns alu-
de conteúdos e habilidades que possam nos. As adaptações curriculares no nível
estar além de suas atuais possibilidades do projeto pedagógico devem focalizar,
de aprendizagem e aquisição. principalmente, a organização escolar e
os serviços de apoio. Elas devem propiciar
As adaptações significativas na tem-
condições estruturais para que possam
poralidade referem-se ao ajuste temporal
ocorrer no nível da sala de aula e no nível
possível para que o aluno adquira conhe-
individual, caso seja necessária uma pro-
cimentos e habilidades que estão ao seu
gramação específica para o aluno.
alcance, mas que dependem do ritmo pró-
prio ou do desenvolvimento de um reper- Essas medidas podem se concretizar
tório anterior que seja indispensável para nas seguintes situações:
novas aprendizagens. Desse modo, reque-
a) a escola flexibiliza os critérios e os
rem uma criteriosa avaliação do aluno e do
procedimentos pedagógicos levando em
contexto escolar e familiar, porque podem
conta a diversidade dos seus alunos;
resultar em um prolongamento significa-
tivo do tempo de escolarização do aluno, b) o contexto escolar permite discus-
ou seja, em sua retenção. Não caracteriza sões e propicia medidas diferenciadas
reprovação, mas parcelamento e sequen- metodológicas e de avaliação e promoção
ciação de objetivos e conteúdos. que contemplam as diferenças individuais
dos alunos;
As adaptações curriculares não devem
ser entendidas como um processo exclu- c) a escola favorece e estimula a di-
sivamente individual ou uma decisão que versificação de técnicas, procedimentos e
envolve apenas o professor e o aluno. Re- estratégias de ensino, de modo que ajus-
alizam-se em três níveis: te o processo de ensino e aprendizagem
às características, potencialidades e ca-
a) no âmbito do projeto pedagógico
pacidades dos alunos;
(currículo escolar);
d) a comunidade escolar realiza ava-
b) no currículo desenvolvido na sala
liações do contexto que interferem no
de aula;
processo pedagógico;
c) no nível individual.
e) a escola assume a responsabilidade
na identificação e avaliação diagnóstica
dos alunos que apresentam necessidades
As adaptações no nível do projeto pe-
educacionais especiais, com o apoio dos
dagógico (isto é, do currículo escolar) re-
setores do sistema e outras articulações;
ferem-se a medidas de ajuste do currículo
em geral, que nem sempre precisam re- f) a escola elabora documentos infor-
sultar em adaptações individualizadas. mativos mais completos e elucidativos;

As ações adaptativas visam a flexibi- g) a escola define objetivos gerais le-


41

vando em conta a diversidade dos alunos; c) os alunos são agrupados de modo


que favoreça as relações sociais e o pro-
h) o currículo escolar flexibiliza a prio-
cesso de ensino e aprendizagem;
rização, a sequenciação e a eliminação de
objetivos específicos, para atender às di- d) o trabalho do professor da sala de
ferenças individuais. aula e dos professores de apoio ou outros
profissionais envolvidos é realizado de
As decisões curriculares devem en-
forma cooperativa, interativa e bem defi-
volver a equipe da escola para realizar a
nida do ponto de vista de papéis, compe-
avaliação, a identificação das necessida-
tência e coordenação;
des especiais e providenciar o apoio cor-
respondente para o professor e o aluno. e) a organização do espaço e dos as-
Devem reduzir ao mínimo, transferir as pectos físicos da sala de aula considera a
responsabilidades de atendimento para funcionalidade, a boa utilização e a otimi-
profissionais fora do âmbito escolar ou zação desses recursos;
exigir recursos externos à escola.
f) a seleção, a adaptação e a utiliza-
As medidas adaptativas ao nível do cur- ção dos recursos materiais, equipamen-
rículo da classe são realizadas pelo pro- tos e mobiliários realizam-se de modo que
fessor e destinam-se, principalmente, à favoreça a aprendizagem de todos os alu-
programação das atividades da sala de nos;
aula. Focalizam a organização e os proce-
g) a organização do tempo é feita con-
dimentos didático-pedagógicos e desta-
siderando os serviços de apoio ao aluno e
cam o como fazer, a organização temporal
o respeito ao ritmo próprio de aprendiza-
dos componentes e dos conteúdos curri-
gem e desempenho de cada um;
culares e a coordenação das atividades
docentes, de modo que favoreça a efetiva h) a avaliação é flexível de modo que
participação e integração do aluno, bem considere a diversificação de critérios, de
como a sua aprendizagem. instrumentos, procedimentos e leve em
conta diferentes situações de ensino e
Os procedimentos de adaptação curri-
aprendizagem e condições individuais dos
cular destinados à classe devem constar
alunos;
na programação de aula do professor e
podem ser exemplificados nos seguintes i) as metodologias, as atividades e
exemplos: procedimentos de ensino são organiza-
dos e realizados levando-se em conta o
a) a relação professor/aluno consi-
nível de compreensão e a motivação dos
dera as dificuldades de comunicação do
alunos; os sistemas de comunicação que
aluno, inclusive a necessidade que alguns
utilizam, favorecendo a experiência, a
têm de utilizar sistemas alternativos (lín-
participação e o estímulo à expressão;
gua de sinais, sistema braille, sistema bliss
ou similares etc.); j) o planejamento é organizado de
modo que contenha atividades amplas
b) a relação entre colegas é marcada
com diferentes níveis de dificuldades e de
por atitudes positivas;
realização;
42

k) as atividades são realizadas de vá- curricular do aluno, tendo como referên-


rias formas, com diferentes tipos de exe- cia o currículo regular;
cução, envolvendo situações individuais e
c) o respeito ao seu caráter processu-
grupais, cooperativamente, favorecendo
al, de modo que permita alterações cons-
comportamentos de ajuda mútua;
tantes e graduais nas tomadas de decisão
l) os objetivos são acrescentados, eli- É importante ressaltar que as adaptações
minados ou adaptados de modo que aten- curriculares, seja para atender alunos nas
da às peculiaridades individuais e grupais classes comuns ou em classes especiais,
na sala de aula. não se aplicam exclusivamente à esco-
la regular, devendo ser utilizadas para os
As adaptações no nível da sala de aula
que estudam em escolas especializadas,
visam a tornar possível a real participação
quando a inclusão não for possível.
do aluno e a sua aprendizagem eficiente
no ambiente da escola regular. Conside- Além da classificação, por níveis, as
ram, inclusive, a organização do tempo de medidas adaptativas podem se distinguir
modo a incluir as atividades destinadas ao em 2 categorias: adaptações de acesso ao
atendimento especializado fora do horá- currículo e nos elementos curriculares.
rio normal de aula, muitas vezes necessá-
As adaptações de acesso ao currículo
rios e indispensáveis ao aluno.
correspondem ao conjunto de modifica-
As modalidades adaptativas, individua- ções nos elementos físicos e materiais do
lizadas focalizam a atuação do professor ensino, bem como aos recursos pessoais
na avaliação e no atendimento do aluno. do professor quanto ao seu preparo para
Compete-lhe o papel principal na defini- trabalhar com os alunos. São definidas
ção do nível de competência curricular do como alterações ou recursos espaciais,
educando, bem como na identificação dos materiais ou de comunicação que venham
fatores que interferem no seu processo a facilitar os alunos com necessidades
de ensino-aprendizagem. educacionais especiais a desenvolver o
currículo escolar.
As adaptações têm o currículo regular
como referência básica, adotam formas As seguintes medidas constituem
progressivas de adequá-lo, norteando a adaptações de acesso ao currículo:
organização do trabalho consoante com
a) criar condições físicas, ambientais
as necessidades do aluno (adaptação pro-
e materiais para o aluno na sua unidade
cessual).
escolar de atendimento;
Alguns aspectos devem ser previa-
b) propiciar os melhores níveis de co-
mente considerados para se identificar a
municação e interação com as pessoas
necessidade das adaptações curriculares,
com as quais convive na comunidade es-
em qualquer nível:
colar;
a) a real necessidade dessas adapta-
c) favorecer a participação nas ativi-
ções;
dades escolares;
b) a avaliação do nível de competência
43

d) propiciar o mobiliário específico ne- no-adultos;


cessário;
g) providenciar softwares educativos
e) fornecer ou atuar para a aquisição específicos;
dos equipamentos e recursos materiais
h) despertar a motivação, a atenção e
específicos necessários;
o interesse do aluno;
f) adaptar materiais de uso comum
i) apoiar o uso dos materiais de ensi-
em sala de aula;
no-aprendizagem de uso comum;
g) adotar sistemas de comunicação
j) atuar para eliminar sentimentos
alternativos para os alunos impedidos de
de inferioridade, menos valia e Fracasso
comunicação oral (no processo de ensino-
-aprendizagem e na avaliação). (BRASIL, 1998).

Sugestões que favorecem o acesso ao


currículo: Resumindo...
a) agrupar os alunos de uma maneira No processo de inclusão de crianças
que facilite a realização de atividades em com deficiência, deve-se observar e pro-
grupo e incentive a comunicação e as rela- videnciar:
ções interpessoais;
• Adaptações ambientais como ram-
b) propiciar ambientes com adequada pas, barras nos corredores, banheiros e
luminosidade, sonoridade e movimenta- sala de aula, tipo de piso, sinalização dos
ção; ambientes, iluminação e posicionamento
c) encorajar, estimular e reforçar a da criança dentro da sala de aula conside-
comunicação, a participação, o sucesso, a rando sua possibilidade visual, alertas (si-
iniciativa e o desempenho do aluno; nais) de comunicação sonoros e visuais.

d) adaptar materiais escritos de uso • Adaptação postural da criança na


comum: destacar alguns aspectos que ne- classe com a adequação da sua cadeira de
cessitam ser apreendidos com cores, de- rodas ou carteira escolar e adequações
senhos, traços; cobrir partes que podem posturais nas atividades das aulas com-
desviar a atenção do aluno; incluir dese- plementares ou de lazer.
nhos, gráficos que ajudem na compreen- • A garantia do processo de ensino-
são; destacar imagens; modificar conteú- -aprendizagem com a confecção ou indi-
dos de material escrito de modo a torná-lo cação de recursos como planos inclinados;
mais acessível à compreensão, etc.; antiderrapantes; lápis adaptados, órteses
e) providenciar adaptação de instru- (dispositivo ortopédico de uso externo,
mentos de avaliação e de ensino-aprendi- usado para alinhar, prevenir ou corrigir
zagem; deformidades e melhorar as funções de
partes móveis de corpo); pautas amplia-
f) favorecer o processo comunicativo das; cadernos quadriculados; letras em-
entre aluno-professor, aluno-aluno, alu- borrachadas; textos ampliados; máquina
44

de escrever ou computador; material di- cial, dando ênfase aos espaços escolares.
dático em Braille ou gravado em voz; má- Segundo o artigo 24,
quina que reproduz mapas em alto relevo
os estabelecimentos de ensino
(mapas táteis) para o ensino da geografia;
de qualquer nível, etapa ou modali-
ábaco (ou soroban) para o ensino da mate-
dade, públicos ou privados, propor-
mática; reglete, tipo de régua para escre-
cionarão condições de acesso e uti-
ver em braile; punção, lápis ou caneta da
lização de todos os seus ambientes
pessoa cega, usado com a reglete; máqui-
ou compartimentos para pessoas
na braile; lupas; lentes de aumento e ré-
portadoras de deficiência ou com
guas de leitura; suporte com ilustrações;
mobilidade reduzida, inclusive salas
programas de computador leitores de
de aula, bibliotecas, auditórios, giná-
tela, livro falado, gravado ou digitalizado,
sios e instalações desportivas, labo-
etc.
ratórios, áreas de lazer e sanitários.
• O recurso alternativo para a comu-
nicação oral com a utilização de pranchas
de comunicação ou comunicadores; E ainda, no Capítulo VII sobre Ajudas
Técnicas, o artigo 61 estabelece,
• A independência nas atividades de
vida diária e de vida prática com adapta-
ções simples como argolas para auxiliar a
para os fins deste Decreto, consi-
abertura da merendeira ou mochila, copos
deram-se ajudas técnicas os produ-
e talheres adaptados para o lanche, eti-
tos, instrumentos, equipamentos ou
quetas em braile em prateleiras e equipa-
tecnologia adaptados ou especial-
mentos.
mente projetados para melhorar a
A informática tem se mostrado um re- funcionalidade da pessoa portado-
curso de ajuda poderoso. Os livros digi- ra de deficiência ou com mobilidade
tais, os leitores de tela, teclados virtuais reduzida, favorecendo a autonomia
e simuladores diversos estão disponíveis pessoal, total ou assistida.
facilitando a vida dos alunos com deficiên-
cia e atingindo um público cada vez mais
diverso e numeroso. Como vimos acima, claramente dispos-
tos em lei, os direitos do aluno deveriam
A legislação mais recente tem levado
garantir o acesso integral à educação, sig-
em conta esses avanços tecnológicos e
nificando ter, à sua disposição, a tecnolo-
tenta garantir a utilização desses recur-
gia necessária para seu desenvolvimento
sos, através de regulamentações como o
pleno (BARBOSA, 2007).
decreto n° 5296, assinado às vésperas do
Dia Internacional de Luta da Pessoa com
Deficiência, em 03 de dezembro de 2004.
Este decreto veio reafirmar e definir obje-
tivamente os direitos da pessoa com de-
ficiência em todos os espaços da vida so-
45
UNIDADE 8 – Introdução às Politicas Publi-
cas para Saúde Mental
Falar de políticas públicas para a saú- dão no Sistema de Saúde Pública.
de mental requer entender que política é
A história das conquistas, dos avanços,
conflito! E mais: “ela permeia a vida do ho-
das dificuldades e dos desafios em rela-
mem em todas as suas atividades sociais,
ção à promoção da saúde no Brasil, vem
ditando as regras das relações profissio-
sendo construída ao longo de décadas e
nais, de vizinhança, comerciais e de lazer,
perpassa por conceitos relacionados aos
entre muitas outras” (VIANNA E BARROS,
programas, ações, projetos, agentes co-
2005).
munitários de saúde, dentre outros, os
Para Ferreira (2004) várias são as acep- quais formam uma imensa rede interliga-
ções para política, desde a arte de gover- da e ao mesmo tempo, descentralizada.
nar os povos, passando pela habilidade no
Como diz Silva (2009), a implemen-
trato das relações humanas, com vistas à
tação de Políticas Públicas requer uma
obtenção dos resultados desejados, sen-
disseminação do conhecimento, com a
do a mais pertinente ao nosso estudo, ser
garantia de acesso das pessoas aos recur-
um conjunto de objetivos que informam
sos tecnológicos, garantia de motivação
determinado programa de ação governa-
para a participação e demandam não só
mental e condicional a sua execução.
o investimento adequado, mas também
No conjunto de apostilas que compõem a existência de pessoal habilitado a lidar
o Curso de Gestão em Saúde Mental, essa com tais ferramentas para que tais ações
apostila segue duas linhas de pensamen- possam ser concebidas realmente como
to. Primeiro listar as habilidades e com- públicas. Política pública refere-se, por-
petências necessárias à equipe multipro- tanto, à ação dos governantes que detêm
fissional que atua nos serviços de saúde a autoridade e o poder para dirigir a cole-
mental e segundo, promover uma refle- tividade organizada, bom como às ações
xão sobre a conquista da cidadania no da coletividade em apoio ou contrárias às
campo da saúde mental, apresentando e autoridades governamentais.
confrontando a legislação existente e as
Paim e Teixeira (2006) entendem como
políticas de saúde mental, passando pelas
política de saúde a resposta social (ação
normas técnicas a nível global (as decla-
ou omissão) de uma organização (como
rações de Caracas, Madri e Salamanca), as
o Estado) diante das condições de saúde
portarias editadas pelo Ministério da Saú-
dos indivíduos e das populações e seus
de, não esquecendo de analisar a política
determinantes, bem como em relação à
nacional para a saúde mental focando a
produção, distribuição, gestão e regula-
inclusão ou inserção do portador de do-
ção de bens e serviços que afetam a saú-
ença mental, os problemas com álcool e
de humana e o ambiente. Política de saú-
outras drogas, a criança e o adolescente,
de abrange questões relativas ao poder
enfim, os grupos vulneráveis e a atenção
em saúde (Politics), bem como as que se
básica que é a porta de entrada do cida-
referem ao estabelecimento de diretri-
46

zes, planos e programas de saúde (Policy). Em termos de saúde, é o conjunto de


Assim a palavra política na língua portu- ações e serviços de saúde, prestados por
guesa expressa tanto as dimensões do órgãos e instituições públicas federais,
poder quanto as diretrizes. Apesar disso, estaduais e municipais, da administração
enquanto disciplina acadêmica, a política direta e indireta e das fundações manti-
de saúde abrange o estudo das relações das pelo Poder Público. Consiste de um
de poder na conformação da agenda, na conjunto normativo, institucional e téc-
formulação, na condução, na implementa- nico que materializa a grande política de
ção e na avaliação de políticas. Portanto, saúde desenhada para o país a partir da
política de saúde envolve estudos sobre o Constituição de 1988 (BRASIL, 2002).
papel do Estado, a relação Estado-socie-
Embora integrando o campo das ações
dade, as reações às condições de saúde
sociais, orientadas para melhoria das
da população e aos seus determinantes,
condições de saúde da população e dos
por meio de propostas e prioridades para
ambientes naturais, social e do trabalho,
a ação pública. Inclui ainda estudo de sua
especificamente em relação a política pú-
relação com políticas econômicas e so-
blica para saúde, podemos dizer que ela
ciais, controle social, economia da saúde e
organiza as funções públicas governa-
financiamento.
mentais, através da promoção, proteção
Para Lucchese (2004) elas são o “con- e recuperação da saúde dos cidadãos e da
junto de ações coletivas voltadas para a coletividade.
garantia dos direitos sociais, configuran-
As políticas públicas no Brasil se orien-
do um compromisso público que visa dar
tam pelos princípios da universalidade e
conta de determinada demanda, em di-
equidade no acesso às ações e serviços e
versas áreas. Expressa a transformação
pelas diretrizes de descentralização da
daquilo que é do âmbito privado em ações
gestão, de integralidade do atendimen-
coletivas no espaço público” sendo dire-
to e de participação da comunidade,
trizes tomadas que visam a resolução de
na organização de um sistema único de
problemas ligados à sociedade como um
saúde no território nacional (LUCCHESE,
todo, englobando saúde, educação, segu-
2004).
rança e tudo mais que se refere ao bem-
-estar do povo. Enfim as políticas de saúde pública as-
sumem um papel de extrema importância,
Ao contrário de uma decisão política,
enquanto estratégias governamentais,
uma política pública envolve muito mais
capazes de criar condições sanitárias fa-
que uma vontade ou uma decisão, pro-
voráveis, visando preservar a saúde dos
priamente dita. Ela requer diversas ações
membros de uma sociedade, principal-
estrategicamente selecionadas para im-
mente para os segmentos sociais menos
plementar as decisões tomadas. Portan-
favorecidos economicamente (FUHR-
to, é necessário que sejam expressas,
MANN, 2004).
manifestadas e se traduzam em recursos
no Orçamento. Só a intenção não é sufi- Focando a saúde mental, o Ministério
ciente, é preciso vinculá-las aos recursos. da Saúde diz que a prevalência de trans-
47

tornos mentais é elevada na população


brasileira e em geral, com peso relevan-
te entre as principais causas de anos de
vida sau¬dável perdidos, assim, o Brasil
enfrenta o desafio de aumentar a aces-
sibilidade e a qualificação da atenção em
saúde mental de forma paralela e articu-
lada com a transformação do modelo an-
terior, que se pautava pela internação em
hospitais especializados. Por este novo
modelo, preconizado pela reforma psiqui-
átrica, a atenção à saúde mental deve ter
base comunitária e territorial, avançando
na redução do número de leitos hospita-
lares e na expansão da rede de serviços
de atenção diária. A desinstitucionaliza-
ção da assistência psiquiátrica, a defesa
dos direitos humanos dos portadores de
transtornos mentais, o combate ao estig-
ma, o cuidado à saúde mental através de
dispo¬sitivos extra-hospitalares e sua in-
clusão na atenção básica são algumas das
diretrizes da política de saúde mental do
SUS que serão vistas ao longo deste cur-
so.

Salientamos que esta apostila não é um


material inédito, mas sim uma compilação
de material a respeito de gestão e políti-
cas públicas voltadas para a saúde mental,
ou o que entendemos ser mais importan-
te ao curso em epígrafe. Lacunas podem
surgir, mas disponibilizamos ao final, uma
lista de referências bibliográficas consul-
tadas e utilizadas que podem auxiliar em
pesquisas mais profundas.
48
UNIDADE 9 – A Conquista da Cidadania no
Campo da Saúde Mental
A Cidadania refere-se à luta do cidadão um dos principais desafios da Reforma
pelo exercício de seus direitos, e a sociali- Psiquiátrica passa pelo desafio de incluir
zação diz respeito ao resgate da credibili- todos os cidadãos e promover a cidadania
dade com vista ao convívio social. Eixo que de todos os portadores de transtornos
insere as práticas corporais no movimento mentais.
da Reforma Psiquiátrica, onde a finalidade
No debate acerca do resgate da cida-
é a reinserção social.
dania do doente mental, há um confronto
Segundo Medeiros e Guimarães (2002) entre duas lógicas de enfrentamento do
o direito a cidadania no Brasil está vincu- mal-estar psíquico. Uma difunde o resga-
lado ao trabalho, de forma que o Estado te da cidadania por meio da produção de
reconhece os direitos de cidadãos aos que novos processos culturais não contami-
trabalham. A questão se agrava no âmbi- nados pela cultura manicomial no enfren-
to da saúde mental, pois como os usuários tamento da loucura. Nesta abordagem, a
estão sob tutela do estado, este castra comunidade/sociedade tem papel rele-
seus direitos por não dar acesso ao conví- vante. A outra possui uma visão biologi-
vio social e ao trabalho. Fato caracteriza- zante da doença mental, que se funda-
do pelo tipo de assistência oferecida até menta na defesa dos espaços asilares e da
então e que em alguns lugares ainda se terapêutica farmacológica na cura da do-
faz presente. ença mental (LOUGON e ANDRADE, 1995).

Esta situação também é agravada Segundo Amarante et al. (1995), os mo-


pela imagem que a sociedade internali- vimentos de familiares tendem a adotar,
zou acerca da loucura e que é reforçada basicamente, a ideologia do determinis-
pelo Estado de que o “louco” ou possuído mo biológico das doenças. Em contrapar-
pela “loucura” é totalmente incapaz. Esta tida, os movimentos de usuários assu-
representação não se dá por acaso, ela mem posições mais radicais e estruturais,
acontece “obedecendo à lógica do para- voltadas principalmente para o combate
digma racionalista que engendra o modelo das práticas da psiquiatria consideradas
da normalidade das sociedades modernas por eles como violentas e arcaicas. Perce-
hegemonicamente capitalistas. Ainda sob be-se na ação política dos movimentos de
tais projeções subtrai-se dos ‘anormais’ a usuários a crítica ao conceito de doença
condição de cidadania, prerrogativa dos mental e a adoção de teorias de origem
‘ajustados’” (MEDEIROS e GUIMARÃES, não biológicas na explicação do adoecer
2002). mental. Segundo Pilgrim e Rogers (1991
apud SOUZA, 2001), os usuários consi-
Deixamos claro que a intenção aqui não
deram intervenções como cirurgias, ele-
é defender ou acusar a posição do Estado,
troconvulsoterapia (ECT) e prescrição de
somente expor o pensamento de autores
drogas psicotrópicas como inaceitáveis,
que estudam o tema e levantar questões
precisamente por acreditarem haver im-
que levem à reflexão, mas a verdade é que
49

propriedade em uma resposta com signi- transtornos mentais, que historicamente


ficados biológicos para problemas sociais, sofreram, e ainda sofrem, de diversas for-
existenciais e pessoais. mas de exclusão social. A luta pelos direi-
tos dos pacientes, que ganhou impulso na
Neste sentido, a conquista da cidadania
década de 70, trouxe na virada do milênio
do louco como uma construção a ser reali-
os frutos esperados com a definição de um
zada (Birman, 1992; Delgado, 1992 apud
conjunto de leis e regulamentações capaz
SOUZA, 2001) impulsiona a participação
de garantir as bases para a promoção da
das associações no debate sobre a cida-
saúde e da cidadania dos portadores de
dania do doente mental. Tal debate sofre
transtornos mentais. O poder público tem
a influência da divergência estabelecida
agora a responsabilidade de implantar, no
entre as duas lógicas na compreensão do
âmbito do Sistema Único de Saúde, uma
mal-estar psíquico. Os representantes
política de saúde mental da qual não se
das associações não apresentam nos seus
espera apenas o desenvolvimento de ex-
discursos posições diretas em relação à
periências e modelos a serem expandidos
compreensão acerca das questões so-
no futuro, mas sim resultados de impacto
bre o processo saúde/doença. Para eles,
já no cenário atual. Por essa razão, sempre
a loucura não teria uma causa específica,
respeitando a complexidade do sofrimen-
mas várias causas, havendo uma conju-
to mental e das formas de se lidar com ele,
gação de valores tanto biológicos quanto
é preciso pensar em soluções que possam
ambientais. Contudo, o posicionamento
ser abrangentes e multiplicadas.
político das associações é distinto em re-
lação às concepções dos mecanismos de Levantamentos epidemiológicos rea-
assistência a serem ofertados. As asso- lizados em São Paulo apontam para uma
ciações de familiares, não todas, mesmo prevalência anual dos transtornos men-
reconhecendo as incorreções do trata- tais em torno de 20% da população. Pou-
mento do tipo asilar, veem ainda no es- co mais de 10% das pessoas com transtor-
paço hospitalar o recurso necessário ao nos mentais são portadoras de quadros
atendimento do doente mental em mo- graves e persistentes, como a esquizo-
mentos de crise. Tal posição está relacio- frenia e o transtorno bipolar do humor. A
nada ao fato, segundo os familiares, de maior parte dos pacientes sofre dos cha-
ocorrer um grande desgaste para família mados transtornos mentais comuns (qua-
quando advém a crise, além de existirem dros depressivos e ansiosos, somatiza-
riscos de sofrerem agressões do familiar ção) e de abuso ou dependência de álcool.
doente. Já as associações de usuários cre- A incorporação do cuidado à saúde mental
ditam aos mecanismos de tratamento de pelas equipes da atenção básica tornará
características não asilares o sucesso da possível atender uma grande parcela des-
intervenção terapêutica (SOUZA, 2001). sa demanda. Por outro lado, é necessário
desenvolver uma gama de serviços espe-
De acordo com o Programa Saúde Men-
cializados adequada à complexidade dos
tal da Prefeitura de São Paulo (PMSP,
transtornos mais graves (PMSP, 2010).
2010), a cidadania tem um significado es-
pecial quando se pensa nos portadores de Estudos demonstram que fatores so-
50

ciais, como baixo nível de renda, desem- gias de prevenção primária, estimulando o
prego e baixo nível de instrução estão debate sobre políticas de saúde. Melhorar
relacionados à maior incidência de trans- o padrão de prescrição e controle da ven-
tornos mentais. Assim como no caso das da de medicações psicotrópicas, capaci-
doenças infecciosas, essa relação não é di- tar os profissionais para atendimentos de
reta nem unívoca. Pessoas com transtor- emergência e acompanhamento.
nos mentais podem ter seu desempenho
Entretanto, a conquista efetiva da ci-
educacional e profissional prejudicado,
dadania pelos portadores de transtornos
o que numa sociedade sem mecanismos
mentais não depende apenas de ações
de proteção social leva à progressão do
no âmbito da saúde. É preciso combater o
processo de empobrecimento. É nessa
estigma que ainda atinge as pessoas por-
mesma parcela da população que encon-
tadoras de transtornos mentais e garantir
tramos as maiores dificuldades de acesso
o seu acesso às oportunidades, serviços e
aos serviços de saúde. É preciso romper
riquezas que a sociedade produz.
esse ciclo pobreza-doença-mais pobreza.
Concordando com Vasconcelos (2008)
Se é verdade que a saúde mental é um
as sociedades latino-americanas apre-
fenômeno com determinantes biológi-
sentam características estruturais bem
cos, psicológicos e sociais, há que se
diversas como a marca de uma cultura
considerar essas três perspectivas na
hegemonicamente hierárquica em con-
sua promoção e na abordagem terapêuti-
traste com o individualismo anglo-saxôni-
ca daqueles que sofrem. A área da saúde
co. Nossa sociedade é constituída de ca-
mental tem como característica a mul-
pitalismo periférico, com políticas sociais
tiplicidade, e mesmo o conflito, de pers-
pobres e segmentadas, com forte perfil
pectivas e propostas de abordagens. Isso
de exploração e desigualdade entre as
é reflexo da riqueza do seu objeto de tra-
classes e grupos sociais e com exclusão da
balho, a mente humana, e da intensidade
maioria da população no acesso aos bens
de suas demandas. Assim, reducionismos
materiais e serviços sociais básicos.
teóricos e terapêuticos podem ser vistos
como tentativas ilusórias de se negar essa As nossas políticas sociais tendem a ser
complexidade. As propostas de atuação estatais, somente muito recentemente o
no campo da saúde mental devem estar à terceiro setor vem se desenvolvendo e se
altura das características da nossa clínica constituindo produtor direto de serviços
e aproveitar as múltiplas formações da- sociais mais apropriados a cada grupo es-
queles que a praticam. pecífico de pessoas e necessidades socio-
culturais, assim, somente agora começa a
Para que os cidadãos atinjam a cidada-
vislumbrar a possibilidade de que organi-
nia em sua plenitude é preciso que o Esta-
zações de usuários possam ser incluídas
do olhe todos os segmentos, desde aque-
no rol das organizações não governamen-
les que têm problemas com álcool e outras
tais financiáveis pelo Estado para a pro-
drogas, passando pela mulher, criança,
visão de serviços de suporte em saúde
adolescente e idoso, organizando os ser-
mental (VASCONCELOS, 2008).
viços de atendimento, montando estraté-
51

Embora o caminho seja longo, ele foi


iniciado e os ativistas dos movimentos so-
ciais de defesa das minorias e grupos so-
ciais dependentes, os usuários, familiares
e sociedade têm lutado pelos direitos aos
serviços especiais.

Enfim, desde os movimentos dos anos


1970, 1980, a saúde mental saiu mais ar-
rojadamente dos consultórios e dos hos-
pitais psiquiátricos, se identificou com
outros modelos assistenciais além do clí-
nico e do custodial, e se inseriu na Saúde
Pública, descobriu a interdisciplinaridade
e propôs reformas e mudanças.

A interação Saúde Mental – Saúde Pú-


blica no Brasil, proveniente da atenção
dada pelos órgãos e instituições gover-
namentais através de ambulatórios, pos-
tos de saúde e programas de prevenção;
resultantes das políticas públicas de saú-
de adotadas; decorrente de um contex-
to maior que envolve questões sociais,
econômicas e de condições de trabalho,
nos mostra que a cidadania tem sido um
caminho conquistado de maneira árdua,
mas positiva para essa parcela da popula-
ção que envolve não só o paciente men-
tal, mas sua família e todo a comunidade
ao seu redor (RIBEIRO, 1999).
52
UNIDADE 10 – Legislação Versus Política de
Saúde Mental
Em 2005, a Organização Mundial de estes do público, em lugar de promover
Saúde organizou um livro intitulado “O Li- os direitos das pessoas com transtornos
vro de Recursos sobre Saúde Mental, Di- mentais como pessoas e como cidadãos.
reitos Humanos e Legislação” tendo como Outra legislação permitia a atenção cus-
lema “cuidar –sim, excluir – não”. Para eles todial de longo prazo para pessoas com
o objetivo fundamental da legislação de transtornos mentais que não colocavam
saúde mental é proteger, promover e me- nenhum risco à sociedade, mas que eram
lhorar a vida e o bem-estar social dos ci- incapazes de cuidar de si mesmas, e isso
dadãos. No contexto inegável de que toda também resultava em uma violação de di-
sociedade necessita de leis para alcan- reitos humanos. Nesse contexto, é inte-
çar seus objetivos, a legislação de saúde ressante notar que, embora 75% dos pa-
mental não é diferente de nenhuma outra íses de todo o mundo possuam legislação
legislação. de saúde mental, apenas metade (51%)
tiveram leis aprovadas depois de 1990, e
Pessoas com transtornos mentais são,
praticamente um sexto (15%) possuem
ou podem ser, particularmente vulnerá-
legislação que remonta aos anos pré-
veis a abuso e violação de direitos. A legis-
1960 (OMS, 2001). Em muitos países, por-
lação que protege cidadãos vulneráveis
tanto, a legislação está desatualizada e,
(entre os quais pessoas com transtornos
conforme mencionado acima, em muitos
mentais) reflete uma sociedade que res-
casos retira os direitos de pessoas com
peita e cuida de seu povo. A legislação
transtornos mentais em lugar de proteger
progressista pode ser uma ferramenta
esses direitos.
eficaz para promover o acesso à atenção
à saúde mental, além de promover e pro- A necessidade de legislação de saúde
teger os direitos de pessoas com trans- mental deriva de um entendimento cada
tornos mentais. vez maior do que representam os encar-
gos pessoais, sociais e econômicos dos
Entretanto a presença de legislação de
transtornos mentais numa escala mun-
saúde mental em si mesma não garante
dial. Calcula-se que cerca de 340 milhões
respeito e proteção dos direitos humanos.
de pessoas no mundo inteiro sejam afe-
Por ironia, em certos países, particular-
tadas por depressão, 45 milhões por es-
mente onde a legislação por muitos anos
quizofrenia e 29 milhões por demência.
não foi atualizada, a legislação de saúde
Os transtornos mentais respondem por
mental tem resultado mais na violação do
uma proporção elevada de todos os anos
que na promoção dos direitos humanos
de vida com qualidade perdidos em fun-
de pessoas com transtornos mentais. Isso
ção de uma deficiência ou transtorno, e a
acontece porque grande parte da legisla-
previsão é que esse ônus cresça significa-
ção de saúde mental inicialmente redigi-
tivamente no futuro (OMS, 2001).
da objetivava salvaguardar pessoas em
relação a pacientes “perigosos” e isolar A legislação de saúde mental represen-
53

ta um meio importante de reforçar as me- pessoal para credenciamento de estabe-


tas e objetivos da política. Quando abran- lecimentos de saúde mental. Além disso
gente e bem concebida, uma política de ela pode criar obrigações afirmativas para
saúde mental tratará de questões críticas melhorar o acesso à atenção, tratamento
como: e apoio à saúde mental. Proteções legais
podem ser ampliadas mediante leis de
• Estabelecimento de instalações e
aplicabilidade geral ou graças a legislação
serviços de saúde mental de alta qualida-
especializada especificamente voltada a
de;
pessoas com transtornos mentais.
• Acesso a atenção de qualidade em
Os formuladores de políticas nos go-
saúde mental;
vernos (aos níveis nacional, regional e
• Proteção dos direitos humanos; distrital), o setor privado e a sociedade
civil, que podem ter relutado em buscar
• Direito dos pacientes ao tratamen-
mudanças no status quo, podem ser obri-
to;
gados a fazê-lo com base em uma injun-
• Desenvolvimento de sólidas prote- ção legislativa; outros que podem ter sido
ções processuais; restringidos de desenvolver políticas pro-
gressivas podem encontrar essa possibi-
• Integração de pessoas com trans- lidade mediante mudanças legislativas.
tornos mentais à comunidade; e Disposições legais que proíbem a discri-
• Promoção da saúde mental em toda minação contra pessoas com transtornos
a sociedade (OMS, 2005). mentais, por exemplo, podem induzir os
formuladores de políticas a desenvol-
A legislação de saúde mental ou outros ver novas políticas para proteção contra
mecanismos legalmente prescritos, tais discriminação, ao passo que uma lei que
como regulamentações ou declarações, promova o tratamento comunitário como
podem ajudar a alcançar esses objetivos alternativa a admissões involuntárias em
mediante a garantia de um marco legal hospitais pode conceder aos formulado-
para implementação e aplicação. res de políticas flexibilidade muito maior
Inversamente, a legislação pode ser para criarem e implementarem novos pro-
usada como um marco referencial para o gramas de base comunitária (OMS, 2005).
desenvolvimento de políticas. Ela pode Por outro lado, a legislação de saúde
estabelecer um sistema de direitos apli- mental também pode ter o efeito contrá-
cáveis que proteja as pessoas com trans- rio, evitando a implementação de novas
tornos mentais de discriminação e outras políticas de saúde mental em virtude de
violações de direitos humanos por entida- um marco legislativo existente. As leis po-
des governamentais e privadas e que ga- dem inibir objetivos da política por impor
ranta tratamento justo e igual em todas exigências que não permitem as modifica-
as áreas da vida. A legislação pode defi- ções políticas desejadas ou efetivamente
nir qualificações e aptidões mínimas para impedir tais modificações. O desenvol-
credenciamento de profissionais de saúde vimento de políticas de tratamento co-
mental e padrões mínimos de lotação de
54

munitário para pessoas com transtornos para alcançar seus objetivos e proteger
mentais, por exemplo, tem sido impedido os direitos e melhorar as vidas de pessoas
em muitos países por leis que não incluem afetadas por transtornos mentais.
disposições relativas ao tratamento co-
A legislação representa um mecanis-
munitário.
mo importante para garantir a atenção e
Política e legislação são dois métodos o tratamento adequados e apropriados, a
complementares para melhorar a aten- proteção dos direitos humanos de pesso-
ção e os serviços de saúde mental, mas, a as com transtornos mentais e a promoção
menos que também haja vontade política, da saúde mental das populações (OMS,
recursos adequados, instituições funcio- 2005).
nando corretamente, serviços de apoio
Em resumo, a legislação deve permitir a
comunitário e pessoal de boa formação,
consecução de objetivos de saúde pública
a melhor política e a melhor legislação
e da política de saúde. Os governos estão
terão pouca importância. A legislação de
submetidos a uma obrigação de respeitar,
integração à comunidade acima sugeri-
promover e realizar direitos fundamentais
da, por exemplo, não vingará se os recur-
de pessoas com transtornos mentais con-
sos fornecidos forem insuficientes para
forme definidos em documentos interna-
o desenvolvimento de instalações, servi-
cionais de direitos humanos obrigatórios.
ços e programas de reabilitação de base
comunitária. Embora a legislação possa Enfim lembremos que:
fornecer um ímpeto para a criação de tais
• A legislação pode ajudar as pessoas
instalações, serviços e programas, os le-
com transtornos mentais a receber aten-
gisladores e formuladores de políticas
ção e tratamento adequados.
precisam acompanhar todo o processo a
fim de perceber os benefícios plenos dos • Ela pode proteger e promover direi-
esforços de integração à comunidade. To- tos e prevenir a discriminação.
das as políticas de saúde mental exigem
apoio político para garantir que a legis- • Ela pode defender direitos espe-
lação seja corretamente implementada. cíficos, tais como direito ao voto, à pro-
O apoio político também é necessário priedade, à liberdade de associação, a um
para emendar a legislação, após ela ter julgamento justo, a garantias judiciais e
sido aprovada, para corrigir quaisquer si- revisão de detenções e a proteção em
tuações indesejadas que possam minar os áreas como habitação e emprego.
objetivos da política. Mas não podemos nos esquecer que
Legislação de saúde mental e políti- ela não é a única solução nem a mais sim-
ca de saúde mental estão estreitamen- ples, somente mais uma ferramenta que
te ligadas. A legislação de saúde mental possibilita alcançar esses objetivos, e in-
pode influenciar o desenvolvimento e sistimos mais uma vez que a capacitação,
implementação da política, ao passo que o treinamento adequado e pleno envolvi-
o inverso também é verdadeiro. A política mento dos profissionais é de suma impor-
de saúde mental depende do marco legal tância para que a legislação produza os
efeitos desejáveis.
55
UNIDADE 11 – As Normas Técnicas
Internacionais
Acreditamos que o marco inicial, uma ambiente natural, com isso gerando maior
pré-conscientização, mesmo que tímida deficiência. A Declaração estabelece um
e escamoteada, dos direitos dos porta- elo crítico entre os serviços de saúde
dores de transtornos mentais aconteceu mental e os direitos humanos ao concluir
quando, em 1948, nasce a Declaração que os serviços ultrapassados de saúde
Universal dos Direitos Humanos. Junto a mental colocam em risco os direitos hu-
ela temos o Pacto Internacional sobre Di- manos dos pacientes.
reitos Civis e Políticos (PIDCP, 1966) e o
A Declaração visa promover serviços de
Pacto Internacional sobre Direitos Econô-
saúde mental de base comunitária e inte-
micos, Sociais e Culturais (PIDESC, 1966),
grada, sugerindo uma re-estruturação da
que constituem o que é conhecido como a
atenção psiquiátrica existente. Ela afirma
“Declaração Internacional de Direitos”.
que os recursos, a atenção e o tratamen-
Nesse contexto, as resoluções da As- to para pessoas com transtornos mentais
sembleia Geral das Nações Unidas, as devem salvaguardar sua dignidade e di-
agências da ONU, conferências mundiais reitos humanos, fornecer tratamento ra-
e outros grupos profissionais têm adota- cional e apropriado e empenhar-se para
do uma ampla gama de diretrizes técnicas manter as pessoas com transtornos men-
e formulações políticas. Essas podem ser tais em suas comunidades. Afirma ainda
uma fonte valiosa de interpretação das que a legislação de saúde mental deve
convenções internacionais de direitos hu- salvaguardar os direitos humanos de pes-
manos. soas com transtornos mentais e que os
serviços devem ser organizados de modo
A primeira dessas declarações nasceu
a garantir a aplicação desses direitos.
durante a Conferência Regional para a Re-
-estruturação da Assistência Psiquiátrica Suas proposições básicas foram:
no Continente, convocada pela Organi-
1. A superação do hospital psiquiá-
zação Pan-americana da Saúde/Organi-
trico como serviço central da atenção em
zação Mundial da Saúde (OPAS/OMS) em
saúde mental;
Caracas, na Venezuela, em novembro de
1990. 2. A humanização dos hospitais psi-
quiátricos;
Ela trouxe implicações importantes
para a estrutura dos serviços de saúde 3. A ampliação dos direitos das pesso-
mental, sendo adotada como uma resolu- as com transtornos mentais.
ção por legisladores, profissionais de saú-
O Ministério da Saúde do Brasil incor-
de mental, líderes dos direitos humanos
porou essas diretrizes e elegeu as seguin-
e ativistas dos movimentos de deficien-
tes ações estratégicas:
tes. Ela afirma que o recurso exclusivo a
tratamento por internação em um hospi- 1. Mudar o financiamento da área de
tal psiquiátrico isola os pacientes de seu saúde mental na Tabela de Procedimen-
56

tos do Sistema Único de Saúde; tas a alterar a legislação psiquiátrica;

2. Constituir um colegiado permanen- 5. Incrementar as relações de inter-


te dos coordenadores/assessores esta- câmbio internacional assessorados pela
duais de saúde mental para gerir articula- OPS/OMS.
damente o processo de mudança;
Abaixo temos na íntegra a Declaração
3. Pactuar com a sociedade o proces- de Caracas.
so de mudança convocando a 2ª Confe-
rência Nacional de Saúde Mental;

4. Assessorar o Parlamento com vis-

DECLARAÇÃO DE CARACAS

As organizações, associações, autoridades de saúde, profissionais de saúde mental,


legisladores e juristas reunidos na Conferência Regional para a Re-estruturação da As-
sistência Psiquiátrica dentro dos Sistemas Locais de Saúde,

Verificando,

1 Que a assistência psiquiátrica convencional não permite alcançar objetivos compatí-


veis com um atendimento comunitário, descentralizado, participativo, integral, contínuo
e preventivo;

2 Que o hospital psiquiátrico, como única modalidade assistencial, impede alcançar os


objetivos já mencionados ao:

a) isolar o doente do seu meio, gerando, dessa forma, maior incapacidade social;

b) criar condições desfavoráveis que põem em perigo os direitos humanos e civis do


enfermo;

c) requerer a maior parte dos recursos humanos e financeiros destinados pelos países
aos serviços de saúde mental; e

d) fornecer ensino insuficientemente vinculado com as necessidades de saúde mental


das populações, dos serviços de saúde e outros setores.

Considerando,

1 Que o Atendimento Primário de Saúde é a estratégia adotada pela Organização Mun-


dial da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde e referendada pelos países
membros para alcançar a meta de Saúde Para Todos, no ano 2000;

2 Que os Sistemas Locais de Saúde (SILOS) foram estabelecidos pelos países da região
para facilitar o alcance dessa meta, pois oferecem melhores condições para desenvolver
programas baseados nas necessidades da população de forma descentralizada, partici-
pativa e preventiva;
57

3 Que os programas de Saúde Mental e Psiquiatria devem adaptar-se aos princípios e


orientações que fundamentam essas estratégias e os modelos de organização da assis-
tência à saúde.

Declaram

1 Que a re-estruturação da assistência psiquiátrica ligada ao Atendimento Primário da


Saúde, no quadro dos Sistemas Locais de Saúde, permite a promoção de modelos alter-
nativos, centrados na comunidade e dentro de suas redes sociais;

2 Que a re-estruturação da assistência psiquiátrica na região implica em revisão crítica


do papel hegemônico e centralizador do hospital psiquiátrico na prestação de serviços;

3 Que os recursos, cuidados e tratamentos dados devem:

a) salvaguardar, invariavelmente, a dignidade pessoal e os direitos humanos e civis;

b) estar baseados em critérios racionais e tecnicamente adequados;

c) propiciar a permanência do enfermo em seu meio comunitário;

4 Que as legislações dos países devem ajustar-se de modo que:

a) assegurem o respeito aos direitos humanos e civis dos doentes mentais;

b) promovam a organização de serviços comunitários de saúde mental que garantam


seu cumprimento;

5 Que a capacitação dos recursos humanos em Saúde Mental e Psiquiatria deve fa-
zer-se apontando para um modelo, cujo eixo passa pelo serviço de saúde comunitária e
propicia a internação psiquiátrica nos hospitais gerais, de acordo com os princípios que
regem e fundamentam essa re-estruturação;

6 Que as organizações, associações e demais participantes desta Conferência se com-


prometam solidariamente a advogar e desenvolver, em seus países, programas que pro-
movam a Re-estruturação da Assistência Psiquiátrica e a vigilância e defesa dos direi-
tos humanos dos doentes mentais, de acordo com as legislações nacionais e respectivos
compromissos internacionais.
58

Para o que

Swolicitam

Aos ministérios da Saúde e da Justiça, aos Parlamentos, aos Sistemas de Seguridade


Social e outros prestadores de serviços, organizações profissionais, associações de usu-
ários, universidades e outros centros de capacitação e aos meios de comunicação que
apoiem a Re-estruturação da Assistência Psiquiátrica, assegurando, assim, o êxito no
seu desenvolvimento para o benefício das populações da região.

Aprovada por aclamação pela Conferência (BRASIL 2004).

Em 1977, aconteceu em Honolulu no na aplicação de tratamento involuntário


Hawaii o 6º Congresso Mundial de Psiquia- somente sob circunstâncias excepcionais.
tria realizado pela Associação Mundial de
Ainda em 1996, a OMS desenvolveu a
Psiquiatria (WPA), ratificado na Declara-
Legislação de Atenção à Saúde Mental
ção de Madri em 1996, um exemplo do
com dez princípios básicos, como uma in-
compromisso das associações internacio-
terpretação adicional dos Princípios da
nais de profissionais de saúde mental que
WPA e como um guia para ajudar os paí-
também têm procurado garantir os direi-
ses a desenvolverem legislações de saú-
tos humanos de pessoas com transtornos
de mental. Em 1996, a OMS desenvolveu
mentais mediante a emissão de seu pró-
também as Diretrizes para a Promoção dos
prio conjunto de diretrizes para normas de
Direitos Humanos de Pessoas com Trans-
comportamento e prática profissionais.
tornos Mentais, que é uma ferramenta
Entre outras normas, a Declaração in- para ajudar a compreender e interpretar
siste no tratamento baseado em parceria os Princípios WPA e avaliar as condições
com pessoas com transtornos mentais, e dos direitos humanos nas instituições.

Dez princípios básicos da Legislação de Atenção à Saúde Mental

1. Promoção da saúde mental e prevenção dos transtornos mentais.

2. Acesso à atenção básica em saúde mental.

3. Avaliações de saúde mental em conformidade com princípios internacionalmente


aceitos.

4. Cláusula de tipo menos restritivo de atenção à saúde mental.

5. Autodeterminação.
59

6. Direito a ser assistido no exercício da autodeterminação.

7. Disponibilidade de procedimento de revisão.

8. Mecanismo automático de revisão periódica.

9. Tomador de decisão qualificado.

10. Respeito ao império da lei.

Fonte: OMS, 2005.

A Declaração de Salamanca e o Refe-


rencial para Ação em Educação de Ne-
cessidades Especiais (1994) resultado
da Conferência Mundial sobre Educação
de Necessidades Especiais em Salaman-
ca – Espanha - também afirmou o direito
a educação integrada para crianças com
deficiências mentais. A Declaração de Sa-
lamanca é de particular importância na
implementação da Declaração Mundial
sobre Educação para Todos e na aplicação
do direito à educação definido nos termos
do PIDESC.
60
UNIDADE 12 – Legislação e a Política
Nacional de Saúde Mental
Como vimos anteriormente, os movi- gulamentando os Serviços Residenciais
mentos mundiais e algumas normas téc- Terapêuticos, definindo claramente as
nicas a nível global se tornaram impor- responsabilidades dos gestores na as-
tantes precursores e impulsionadores da sistência em saúde e especialmente, far-
legislação nacional para a saúde mental macêutica, à clientela com transtornos
no Brasil. mentais, determinando auditoria especial
nos hospitais psiquiátricos e, com vistas
Pela via normativa, o Ministério da Saú-
a consolidar o processo em curso, convo-
de do Brasil, atendendo às recomenda-
cou-se a III Conferência Nacional de Saúde
ções da Conferência de Caracas, expediu,
Mental (BRASIL, 2001).
a partir de 1991, regulamentos para viabi-
lizar a re-estruturação da assistência psi- No quadro abaixo elencamos as leis 3
quiátrica. federais e estaduais em vigor, além de
algumas portarias mais importantes, as
Nos últimos dois anos, decidiu-se
quais estão comentadas a posteriori.
aprofundar e acelerar as mudanças, re-

Legislação Federal Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999

Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001


Leis Estaduais Ceará

Lei nº 12.151, de 29 de julho de 1993

Distrito Federal

Lei nº 975, de 12 de dezembro de 1995

Espírito Santo

Lei nº 5.267, de 7 de agosto de 1992

Minas Gerais

Lei nº 11.802, de 18 de janeiro de 1995

Emenda da Lei nº 11.802, de 1º de de-


zembro de 1997

3- Leis são de competência do Poder Legislativo, sancionadas pelo respectivo Poder Executivo. Decretos são atos administrativos
da competência exclusiva do chefe do Executivo, para atender situações previstas em leis. Portarias são instrumentos pelos quais mi-
nistros, secretários de governo ou outras autoridades editam instruções sobre a organização e funcionamento de serviços. Resoluções
e deliberações são diretrizes ou regulamentos emanados de órgãos colegiados, tais como os Conselhos de Saúde.
61

Paraná

Lei nº 11.189, de 9 de novembro de 1995

Pernambuco

Lei nº 11.064, de 16 de maio de 1994

Rio Grande do Norte

Lei nº 6.758, de 4 de janeiro de 1995

Rio Grande do Sul

Lei nº 9.716, de 7 de agosto de 1992

Portarias do Ministério da Saúde Portaria/SNAS nº 189, de 19 de novem-


bro de 1991

Portaria/SNAS nº 224, de 29 de janeiro


de 1992

Portaria/SAS nº 407, de 30 de junho de


1992

Portaria/SAS nº 408, de 30 de dezembro


de 1992

Portaria/SAS nº 088, de 21 de julho de


1993

Portaria/SAS nº 145, de 25 de agosto de


1994

Portaria/SAS nº 147, de 25 de agosto de


1994

Portaria/SAS nº 77, de 1º de fevereiro de


2002

Portaria/SAS nº 189, de 20 de março de


2002

Portaria/SAS nº 305, de 3 de maio de


2002

Portaria/GM nº 1.077, de 24 de agosto de


1999
62

Portaria/GM nº 106, de 11 de fevereiro


de 2000

Portaria/GM nº 799, de 19 de julho de


2000

Portaria/GM nº 1.220, de 7 de novembro


de 2000

Portaria/GM nº 175, de 7 de fevereiro de


2001

Portaria/GM nº 251, de 31 de janeiro de


2002

Portaria/GM nº 336, de 19 de fevereiro


de 2002

Portaria/GM nº 816, de 30 de abril de


2002

Portaria/GM nº 817, de 30 de abril de


2002
Resoluções do Conselho Nacional de Resolução nº 93, de 2 de dezembro de
Saúde 1993

Resolução nº 298, de 2 de dezembro de


1999
Deliberação da Comissão de Interges- Deliberação Bipartite/RJ nº 54, de 14 de
tores Bipartite da Secretaria de Estado da março de 2000
Saúde do Rio de Janeiro
Fonte: Brasil (2001).

Lei 9.867/99 - dispõe sobre a criação ência de Reforma Psiquiátrica Italiana. O


e o funcionamento de Cooperativas So- projeto original é de iniciativa do deputa-
ciais, visando à integração social dos cida- do Paulo Delgado (PT-MG).
dãos conforme especifica. Ela permitiu o
desenvolvimento de programas de supor-
te psicossocial para os pacientes psiquiá-
tricos em acompanhamento nos serviços
comunitários. É um valioso instrumento
para viabilizar os programas de trabalho
assistido e incluí-los na dinâmica da vida
diária, em seus aspectos econômicos e
sociais. Há uma evidente analogia com as
chamadas “empresas sociais” da experi-
63

LEI n. 9.867 de 10 de novembro de 1999

Art. 1º As Cooperativas Sociais, constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em


desvantagens no mercado econômico, por meio do trabalho, fundamentam-se no inte-
resse geral da comunidade em promover a pessoa humana e a integração social dos cida-
dãos, e incluem entre suas atividades:

I - a organização e gestão de serviços sociossanitários e educativos;

II - o desenvolvimento de atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços.

Art. 2º Na denominação e razão social das entidades a que se refere o artigo anterior,
é obrigatório o uso da expressão “Cooperativa Social”, aplicando-se lhes todas as normas
relativas ao setor em que operarem, desde que compatíveis com os objetivos desta lei.

Art. 3º Consideram-se pessoas em desvantagens, para os efeitos desta lei:

I - os deficientes físicos e sensoriais;

II - os deficientes psíquicos e mentais, as pessoas dependentes de acompanhamento


psiquiátrico permanente, e os egressos de hospitais psiquiátricos;

III - os dependentes químicos;

IV - os egressos de prisões;

V - VETADO

VI - os condenados a penas alternativas à detenção;

VII - os adolescentes em idade adequada ao trabalho e situação familiar difícil do ponto


de vista econômico, social ou afetivo.w

§ 1º VETADO

§ 2º As Cooperativas Sociais organizarão seu trabalho, especialmente no que diz res-


peito às instalações, horários e jornadas, de maneira a levar em conta e minimizar as di-
ficuldades gerais e individuais das pessoas em desvantagens que nelas trabalharem, e
desenvolverão e executarão programas especiais de treinamento com o objetivo de au-
mentar-lhes a produtividade e a independência econômica e social.

§ 3º A condição de pessoa em desvantagem deve ser atestada por documentação pro-


veniente de órgãos da administração pública, ressalvando-se o direito à privacidade.

Art. 4º O estatuto da Cooperativa Social poderá prever uma ou mais categorias de só-
cios voluntários, que lhe prestem serviços gratuitamente, e não estejam incluídos na de-
finição de pessoas em desvantagem.
64

Art. 5º VETADO

Parágrafo único. VETADO

Art. 6º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 10 de novembro de 1999; 178º da Independência e 111º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


A Lei n.10.216/01 redirecionou o mode- ção involuntária arbitrária e/ou desneces-
lo da assistência psiquiátrica, regulamen- sária. Na realidade ela reflete o consenso
tando cuidado especial com a clientela possível sobre uma lei nacional para a re-
internada por longos anos e prevendo a forma psiquiátrica no Brasil
possibilidade de punição para a interna-

Lei n. 10.216 de 06 de abril de 2001

Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais


e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.

Art. 1º Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental, de que


trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor,
sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos
econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno, ou qualquer
outra.

Art. 2º Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus


familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no
parágrafo único deste artigo.

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:

I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas neces-


sidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua


saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comu-
nidade;

III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade


ou não de sua hospitalização involuntária;
65

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu trata-
mento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.

Art. 3º É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a


assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com
a devida participação da sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento
de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam assistência
em saúde aos portadores de transtornos mentais.

Art. 4º A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os


recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.

§ 1º O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do paciente


em seu meio.

§ 2º O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer as-


sistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médi-
cos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros.

§ 3º É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em insti-


tuições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencio-
nados no § 2o e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo
único do art. 2o.

Art. 5º O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação


de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de
suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicos-
social assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão
de instância a ser definida pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do trata-
mento, quando necessário.

Art. 6º A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico cir-
cunstanciado que caracterize os seus motivos.

Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:

I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;

II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pe-


dido de terceiro; e
66

III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

Art. 7º A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente, deve
assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tra-
tamento.

Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação escrita do


paciente ou por determinação do médico assistente.

Art. 8º A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por médico


devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se lo-
calize o estabelecimento.

§ 1º A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas,


ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabeleci-
mento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando
da respectiva alta.

§ 2º O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do familiar,


ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo trata-
mento.

Art. 9º A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente,


pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimen-
to, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários.

Art. 10º Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento se-
rão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao
representante legal do paciente, bem como à autoridade sanitária responsável, no prazo
máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência.

Art. 11º Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não poderão ser
realizadas sem o consentimento expresso do paciente, ou de seu representante legal, e
sem a devida comunicação aos conselhos profissionais competentes e ao Conselho Na-
cional de Saúde.

Art. 12º O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará comissão na-
cional para acompanhar a implementação desta Lei.

Art. 13º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

O Presidente da República.

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei.

Brasília, 6 de abril de 2001; 180º da Independência e 113º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


67

Lei n. 10.708- de 31 de julho de serviços mais contemporâneos à incor-


2003 - Institui o auxílio-reabilitação psi- poração de conhecimentos e de valores
cossocial para pacientes acometidos de éticos, substituindo o modelo tradicional:
transtornos mentais egressos de interna- ela aprova os procedimentos NAPS/CAPS,
ções. oficinas terapêuticas e atendimento gru-
pal e sinaliza que se seguirá outra norma
Em todas as leis estaduais vigentes
administrativa regulamentando todo o
(estão no quadro anterior), inspiradas no
subsistema, considerado claramente ina-
Projeto de Lei Federal de autoria do de-
dequado (BRASIL, 2002).
putado Paulo Delgado, está prevista a
substituição progressiva da assistência Portaria/SNAS nº 224, de 29 de ja-
no hospital psiquiátrico por outros dispo- neiro de 1992 - Regulamenta o funcio-
sitivos ou serviços. Há incentivo para os namento de todos os serviços de saúde
centros de atenção diária, a utilização de mental. Além da incorporação de novos
leitos em hospitais gerais, a notificação procedimentos à tabela do SUS, esta por-
da internação involuntária e a definição taria tornou-se imprescindível para regu-
dos direitos das pessoas com transtornos lamentar o funcionamento dos hospitais
mentais. psiquiátricos que sabidamente eram, e
alguns ainda são, lugares de exclusão, si-
Inclui-se a Lei n. 975/95 do Governo do
lêncio e martírio. Ela estabelece normas,
Distrito Federal, para exemplificar que,
proíbe práticas que eram habituais e defi-
dentro da sua jurisdição e utilizando-se
ne como co-responsáveis, à luz da Lei Or-
de dispositivos da Lei Orgânica da Assis-
gânica da Saúde, pela fiscalização do cum-
tência Social, o chefe do executivo pode
primento dos seus conteúdos, os níveis
tomar a iniciativa de ampliar a rede de cui-
estadual e municipal do sistema, que são
dados, antes mesmo da edição de norma
estimulados inclusive a complementá-la.
federal. Quando sancionadas, as leis são
Esta portaria teve a particularidade de ter
assinadas pelo governador do estado, in-
sido aprovada pelo conjunto dos coorde-
formando-se a seguir o nome do autor do
nadores/assessores de saúde mental dos
projeto original (BRASIL, 2002).
estados, para que, entendida como “regra
mínima”, pudesse ser cumprida em todas
as regiões do País (BRASIL, 2002).
Portarias
Portaria/SAS nº 407, de 30 de ju-
Portaria/SNAS nº 189, 19 de no-
nho de 1992 - Cria código de procedimen-
vembro de 1991 - Altera o financiamen-
to transitório para hospitais psiquiátricos
to das ações e serviços de saúde mental.
que ainda não cumpriram integralmente
Política pública se faz conhecer quando se
a Portaria SNAS/MS 224/92, definindo
define o seu financiamento. Essa porta-
exigências mínimas e mecanismos para
ria evidenciou que o nível central do SUS,
habilitação neste procedimento (BRASIL,
enquanto principal financiador do sistema
2002).
público, oferecia para os demais gesto-
res a possibilidade de implantar, no cam- Portaria/SAS nº 408, de 30 de de-
po da atenção em saúde mental, ações e zembro de 1992 - Relaciona todos os có-
68

digos de procedimento da assistência psi- quiátrico, buscando nova configuração


quiátrica e regulamenta o cadastramento formada por hospitais de pequeno (até 80
dos serviços (BRASIL, 2002). leitos) e médio porte (até 160 leitos), com
substituição progressiva dos macro-hos-
Portaria/SAS nº 088, de 21 de Ju-
pitais (BRASIL, 2002).
lho de 1993 - Prorroga o prazo de valida-
de do código de procedimento Internação Portaria/GM nº 336, de 19 de feve-
em Psiquiatria III (BRASIL, 2002). reiro de 2002 - Acrescenta novos pa-
râmetros aos definidos pela Portaria nº
Portaria/SAS nº 145, de 25 de agos-
224/92 para a área ambulatorial, amplian-
to de 1994 - O GAP representou um im-
do a abrangência dos serviços substitu-
portante instrumento de qualificação da
tivos de atenção diária, estabelecendo
assistência psiquiátrica hospitalar do SUS.
portes diferenciados a partir de critérios
Suas equipes, multidisciplinares e com in-
populacionais, e direcionando novos ser-
tegrantes dos diversos níveis de gestão,
viços específicos para área de álcool e ou-
percorreram o país estabelecendo os cri-
tras drogas e infância e adolescência. Cria,
térios objetivos de acreditação e qualifi-
ainda, mecanismo de financiamento pró-
cação dos hospitais psiquiátricos públicos
prio, para além dos tetos (BRASIL, 2002).
ou contratados. De 1997 em diante, o GAP
foi sendo progressivamente desativado, Portaria/GM nº 816, de 30 de abril
com algumas exceções estaduais (como o de 2002 - Institui, no âmbito do Sistema
Rio Grande do Sul), e sua lógica de funcio- Único de Saúde, o Programa Nacional de
namento, como dispositivo ágil e articu- Atenção Comunitária Integrada a Usuários
lado de supervisão hospitalar, é retoma- de Álcool e Outras Drogas (BRASIL, 2002).
da agora, através da Portaria nº 799, de
Portaria/SAS nº 305, de 3 de maio
19/7/2000 (BRASIL, 2002).
de 2002 - Aprova as normas de funcio-
Portaria/GM nº 251, de 31 de janei- namento e cadastramento dos CAPS para
ro de 2002 - Esta portaria retoma o pro- atendimento de pacientes com transtor-
cesso de avaliação e supervisão da rede nos causados pelo uso prejudicial e/ou
hospitalar especializada de psiquiatria, dependência de álcool e outras drogas
assim como hospitais gerais com enfer- (BRASIL, 2002).
marias ou leitos psiquiátricos, estabele-
Resolução/CNS nº 93, de 2 de de-
cendo critérios de classificação conforme
zembro de 1993 - Constitui a Comissão
porte do estabelecimento e cumprimento
Nacional de Reforma Psiquiátrica. Acatan-
dos requisitos qualitativos de avaliação
do Recomendação contida no Relatório
fixados pela área técnica de saúde men-
Final da II Conferência Nacional de Saúde
tal do Ministério da Saúde quanto ao pro-
Mental, o plenário do Conselho Nacional
cesso terapêutico e ANVISA para análise
de Saúde cria comissão específica para
da área de vigilância sanitária. Ao esta-
assessorá-lo, entendendo ser a Reforma
belecer classificação baseada no porte do
Psiquiátrica processo complexo e priori-
hospital e na qualidade do atendimento
tário, devendo, para tanto, incorporar na
prestado, a portaria tem o objetivo de re-
formulação das suas diretrizes os diver-
estruturar todo o sistema hospitalar psi-
69

sos atores sociais envolvidos nesta em- natureza, fazendo que o indivíduo e o seu
preitada. Respeitando o disposto na Lei nº meio de convívio ficassem aparentemen-
8.142/91, a Comissão tem representados te relegados a um plano menos importan-
usuários, familiares, gestores, prestado- te.
res de serviços e associações de profissio-
Isto por vezes é confirmado pela mul-
nais de saúde (BRASIL, 2002).
tiplicidade de propostas e abordagens
Bipartite/RJ nº 54, de 14 de março preventivas/terapêuticas consideravel-
de 2000 - Aprova o Programa de Implan- mente ineficazes, por vezes reforçadoras
tação de Serviços Residenciais Terapêuti- da própria situação de uso abusivo e/ou
cos para Pacientes Psiquiátricos de Longa dependência. Assim, historicamente, no
Permanência. Essa deliberação foi incluí- Brasil o tema do uso do álcool e de outras
da nessa publicação pelo caráter exemplar drogas vem sendo associado à criminali-
que encerra: os níveis estadual e munici- dade e práticas anti-sociais e à oferta de
pal podem e devem legislar em questões “tratamentos” inspirados em modelos de
relativas ao financiamento setorial. Cabe exclusão/separação dos usuários do con-
ressaltar também o fórum apropriado vívio social. As iniciativas governamentais
onde se deu a pactuação, pois o sucesso restringiam-se a poucos serviços ambula-
da iniciativa depende de ação articulada toriais ou hospitalares, em geral vincula-
pelo estado entre os diversos municípios dos a programas universitários. Não havia
das respectivas regiões (BRASIL, 2002). uma política de alcance nacional, no âmbi-
to da saúde pública (BRASIL, 2005).

É somente em 2002, e em concordância


Políticas direcionadas para grupos
com as recomendações da III Conferência
vulneráveis
Nacional de Saúde Mental, que o Minis-
Dentre os grupos e faixas etárias de tério da Saúde passou a implementar o
atenção na Psiquiatria e Saúde Mental te- Programa Nacional de Atenção Comuni-
mos as crianças, os adolescentes, o idoso, tária Integrada aos Usuários de Álcool e
a mulher e a família, os usuários e depen- outras Drogas, reconhecendo o problema
dentes de álcool e outras drogas, sobre os do uso prejudicial de substâncias como
quais falaremos abaixo. importante problema da saúde pública e
construindo uma política pública especí-
Por muitos anos o Estado deixou a
fica para a atenção às pessoas que fazem
questão das drogas e do álcool para a jus-
uso de álcool ou outras drogas, situada no
tiça, ou seja, as implicações sociais, psico-
campo da saúde mental, e tendo como es-
lógicas, econômicas e políticas do uso de
tratégia a ampliação do acesso ao trata-
drogas não eram consideradas na com-
mento, a compreensão integral e dinâmi-
preensão global do problema e a percep-
ca do problema, a promoção dos direitos e
ção distorcida da realidade do uso de álco-
a abordagem de redução de danos (BRA-
ol e outras drogas acabou por promover a
SIL, 2005).
disseminação de uma cultura que associa-
va o uso de drogas à criminalidade e que De fato a constatação de que o uso de
combatia substâncias que são inertes por substâncias tomou proporção de grave
70

problema de saúde pública no país encon- cossocial para Atendimento de Pacientes


tra ressonância nos diversos segmentos com dependência e/ou uso prejudicial de
da sociedade, pela relação comprovada álcool e outras drogas – são os dispositi-
entre o consumo e os agravos sociais que vos estratégicos desta rede, e passam a
dele decorrem ou que o reforçam. O en- ser implantados sobretudo em grandes
frentamento desta problemática consti- regiões metropolitanas e em regiões ou
tui uma demanda mundial: de acordo com municípios de fronteira, com indicado-
a Organização Mundial de Saúde, pelo res epidemiológicos relevantes. De fato,
menos 10% das populações dos centros o desenvolvimento de ações de atenção
urbanos de todo o mundo consomem de integral ao uso de álcool e drogas deve
modo prejudicial substâncias psicoativas, ser planejado de forma a considerar toda
independentemente de idade, sexo, ní- a problemática envolvida no cenário do
vel de instrução e poder aquisitivo. Salvo consumo de drogas. Desta forma os CAP-
variações sem repercussão epidemioló- Sad, assim como os demais dispositivos
gica significativa, esta realidade encon- desta rede, devem fazer uso deliberado e
tra equivalência em território brasileiro eficaz dos conceitos de território e rede,
(BRASIL, 2005). bem como da lógica ampliada de redução
de danos, realizando uma procura ativa
Em especial, o uso do álcool impõe ao
e sistemática das necessidades a serem
Brasil e às sociedades de todos os países
atendidas de forma integrada ao meio
uma carga global de agravos indesejá-
cultural e à comunidade em que estão in-
veis e extremamente dispendiosos, que
seridos, e de acordo com os princípios da
acometem os indivíduos em todos os do-
Reforma Psiquiátrica (BRASIL, 2005).
mínios de sua vida. A magnitude e com-
plexidade do quadro epidemiológico re- Embora estejamos longe de atingir o
comenda uma gama extensa de respostas atendimento a todos, em relação aos usu-
políticas para o enfrentamento dos pro- ários de álcool e outras drogas, o governo
blemas decorrentes do consumo. tem investido nos CAPSads. O caminho é
longo, mas as promessas são positivas e
Diante da diversidade das caracterís-
animadoras.
ticas populacionais existentes no País e
da variação da incidência de transtornos A infância é compreendida do nasci-
causados pelo uso abusivo e/ou depen- mento até 11 anos, 11 meses e 29 dias de
dência de Álcool e outras drogas, o Pro- idade, com importantes desenvolvimen-
grama organiza as ações de promoção, tos físico, emocional, social e espiritual
prevenção, proteção à saúde e educação (OMS). Nessa fase a presença de eventos
das pessoas que fazem uso prejudicial de traumáticos e o aparecimento de trans-
álcool e outras drogas e estabelece uma tornos mentais são bastante preocupan-
rede estratégica de serviços extra-hos- tes porque podem ocasionar problemas
pitalares para esta clientela, articulada à futuros. Os fatores determinantes, o grau
rede de atenção psicossocial e fundada na em que a integridade foi atingida e a ame-
abordagem de redução de danos. aça representada e os sistemas de apoio
familiar e social são muito importantes.
Os CAPSad – Centros de Atenção Psi-
71

Os adolescentes encontram-se na faixa Os tratamentos podem ser biológicos,


de transição da infância para a vida adulta psicoterapias, reabilitação psicossocial,
e vai dos 12 aos 19 anos de idade. psicoeducação ou grupos de ajuda.

Nos serviços de saúde eles têm sido No Brasil, é histórica a omissão da saú-
atendidos junto com as crianças e os pro- de pública no direcionamento das políticas
blemas que surgem são praticamente os de saúde mental para a infância e adoles-
mesmos das crianças. cência. Esta lacuna possibilitou, ao longo
dos anos, a criação de uma rede de assis-
Podem surgir problemas de personali-
tência à infância e adolescência fundada
dade (soma das qualidades físicas e men-
em instituições filantrópicas e privadas,
tais de uma pessoa em interação com o
com forte componente tutelar, como edu-
meio ambiente), os quais Freud salientou
candários, abrigos, escolas especiais, ins-
que as experiências da infância podem
titutos para deficientes mentais e clínicas
trazer efeitos negativos à vida adulta.
para autistas. Não há dúvidas de que to-
Dentre os transtornos mentais na in- das estas instituições desempenharam e
fância e adolescência, Mello (2008) cita o desempenham ainda um relevante papel
retardo mental, os transtornos de apren- na assistência às crianças e adolescen-
dizagem, transtornos de habilidades mo- tes com transtornos mentais. É a partir
toras, transtornos invasivos do desen- de 2003, no entanto, que o Ministério da
volvimento (autismo), transtornos de Saúde passa a orientar a construção cole-
alimentação na infância, transtorno de tiva e intersetorial das diretrizes de uma
tique (Síndrome de Tourette) dentre ou- rede de assistência de base comunitária
tros. e em acordo com as diretrizes da Reforma
Psiquiátrica.
Os fatores de exposição dos adoles-
centes são relativos a riscos físicos, emo- A criação do Fórum Nacional de Saúde
cionais e ambientais, dentre eles, alimen- Mental de Crianças e Adolescentes foi,
tação e peso; comportamento violento, neste sentido, fundamental para possi-
divórcio dos pais, fuga de casa, gravidez, bilitar a ampla participação da sociedade
transtornos de conduta, uso e abuso de na elaboração de propostas para o campo
drogas, suicídio (TAYLOR, 1992). da saúde mental de crianças e adolescen-
tes e para a construção e consolidação
A unidade de saúde mental que propor-
de uma política de saúde para esta popu-
ciona assistência para a criança e o ado-
lação específica. Sua composição inclui
lescente com transtorno mental precisa
representantes de instituições governa-
criar um ambiente terapêutico específico,
mentais, setores da sociedade civil, enti-
contando com a presença de uma pes-
dades filantrópicas, agentes da justiça e
soa significativa que lhe dê sensação de
promotoria da infância e juventude, e sua
segurança e intimidade, atividades que
atuação tem caráter deliberativo. O Fórum
estimulem o seu desenvolvimento, inter-
busca incorporar as orientações do Esta-
venções individuais ou grupais e recursos
tuto da Criança e do Adolescente (ECA),
como arte-terapia, jogos e narração de
importante documento legal, aprovado
histórias.
72

em 1990, que tem o objetivo de assegu- um e as construções que cada sujeito faz
rar os direitos de cidadania a crianças e jo- a partir de seu quadro (BRASIL, 2005).
vens. O ECA é uma importante conquista
Os serviços públicos de saúde mental
do movimento pelos direitos humanos no
infanto-juvenis, em particular os de base
Brasil. O Fórum configura-se assim como
territorial e voltados para a atenção in-
um instrumento de gestão, possibilitando
tensiva, deverão seguir as seguintes dire-
dar visibilidade e resolutividade às diver-
trizes operacionais em suas ações de cui-
sas dificuldades que durante muito tem-
dado e foi em articulação com o Fórum que
po ficaram em um segundo plano ou até
foram elaborados um conjunto de diretri-
mesmo totalmente ignoradas no campo
zes para estes e outros serviços públicos
da saúde mental de crianças e adolescen-
de atenção à saúde mental da infância e
tes. No ano de 2005, o Fórum divulgou as
adolescência, fundadas na lógica territo-
primeiras diretrizes para o processo de
rial de organização da rede e da atenção:
desinstitucionalização de crianças e ado-
lescentes em território nacional. • Reconhecer aquele que necessita
e/ou procura o serviço – seja a criança, o
É função do Fórum a promoção de uma
adolescente ou o adulto que o acompanha
articulação eficaz entre os variados cam-
–, como o portador de um pedido legítimo
pos de atenção à infância e à adolescência
a ser levado em conta, implicando uma ne-
e o fomento do processo de expansão de
cessária ação de acolhimento;
uma rede comunitária de atenção à saúde
mental para este segmento. Neste senti- • Tomar em sua responsabilidade o
do, a expansão e a consolidação da rede agenciamento do cuidado, seja por meio
de CAPSi tem se revelado fundamental dos procedimentos próprios ao serviço
para a mudança nos paradigmas de assis- procurado, seja em outro dispositivo do
tência à infância e adolescência. mesmo campo ou de outro, caso em que o
encaminhamento deverá necessariamen-
As atuais políticas de saúde mental
te incluir o ato responsável daquele que
destacam a importância de promoção e
encaminha;
prevenção em saúde. Os serviços de saú-
de mental infanto-juvenil, dentro da pers- • Conduzir a ação do cuidado de
pectiva que hoje rege as políticas de saú- modo a sustentar, em todo o processo,
de mental no setor, devem assumir uma a condição da criança ou do adolescente
função social que extrapola o fazer me- como sujeito de direitos e de responsabi-
ramente técnico do tratar, e que se tra- lidades, o que deve ser tomado tanto em
duz em ações, tais como acolher, escutar, sua dimensão subjetiva quanto social;
cuidar, possibilitar ações emancipatórias,
• Comprometer os responsáveis pela
melhorar a qualidade de vida da pessoa
criança ou adolescente a ser cuidado – se-
portadora de sofrimento mental, tendo-a
jam familiares ou agentes institucionais
como um ser integral com direito a plena
– no processo de atenção, situando-os,
participação e inclusão em sua comunida-
igualmente, como sujeitos da demanda;
de, partindo de uma rede de cuidados que
leve em conta as singularidades de cada • Garantir que a ação do cuidado seja
73

o mais possível fundamentada nos recur- Outro grupo atendido pela saúde men-
sos teórico-técnicos e de saber disponí- tal, a mulher, ser humano capaz de con-
veis aos profissionais, técnicos ou equipe ceber e dar a luz a outros seres humanos,
atuantes no serviço, envolvendo a discus- diferenciando-se do homem, principal-
são com os demais membros da equipe e mente por essa característica (TAYLOR,
sempre referida aos princípios e às diretri- 1992).
zes coletivamente estabelecidos pela po-
A necessidade de aderir a novos papéis
lítica pública de saúde mental para consti-
expôs a mulher às condições de risco como
tuição do campo de cuidados;
práticas prejudiciais à saúde e condições
• Manter abertos os canais de articu- ambientais adversas e estresse. Nesse
lação da ação com outros equipamentos novo contexto, houve o aumento do inte-
do território, de modo a operar com a lógi- resse social pela sua saúde. Seus aspec-
ca da rede ampliada de atenção. As ações tos biológicos e psicossociais passaram a
devem orientar-se de modo a tomar os ca- ser estudados da concepção à morte.
sos em sua dimensão territorial, ou seja,
Muitos problemas clínicos e transtor-
nas múltiplas, singulares e mutáveis con-
nos mentais têm apresentação diferente
figurações, determinadas pelas marcas
nos sexos feminino e masculino. No caso
e balizas que cada sujeito vai delineando
da mulher, o ciclo reprodutivo, disforia
em seus trajetos de vida (BRASIL, 2005).
menstrual, gestação e puerpério, peri-
Para focar o idoso, vamos partir da con- menopausa e menopausa podem relacio-
ceituação de idoso segundo a OMS: a pes- nar-se com transtornos mentais (MELLO,
soa com 65 anos de idade ou mais e que 2008).
devido ao aumento de expectativa de
Sobre os transtornos mentais e com-
vida dessa faixa da população, estudiosos
portamentais associados ao puerpério,
e formuladores de políticas públicas tem
a pesquisa realizada por Laurenti (2002)
se dedicado mais à questão.
encontrou 97 mor¬tes por suicídio asso-
O envelhecimento normal e saudável ciado à depressão, inclusive relaciona-
está diretamente relacionado à manuten- da ao pós-parto. É necessário intervir no
ção de bons hábitos de vida e saúde. Soli- modelo vigente de atenção à saúde men-
dão, perda e luto e revisão de vida acabam tal das mulheres, visando a propiciar um
sendo situações peculiares vivenciadas atendimento mais justo, mais humano,
pelos idosos que devem ser observadas eficiente e eficaz, em que a integralidade
cuidadosamente. e as questões de gê¬nero sejam incorpo-
radas como referências na formação dos
Quanto aos transtornos, o paciente
profissio¬nais que atendem a esse grupo
idoso pode apresentar transtorno men-
populacional e podem intervir positi-va-
tal ou neurológico, sendo as depressões e
mente nessa realidade. Para que os pro-
demências os mais comuns. Os tratamen-
fissionais de saúde possam compreender
tos podem ser biológicos, psicoterapias,
as reais necessidades das mulheres que
reabilitação psicossocial, psicoeducação
buscam um atendimento em serviço de
ou grupos de alto-ajuda (MELLO, 2008).
saúde mental, é necessário que se dê um
74

processo de incorporação, à prática das


ações de saúde, da perspectiva de que a
saúde mental das mulheres é, em parte,
determinada por questões de gênero, so-
madas às condições socioeconômicas e
culturais. Dentro dessa realidade, o SUS
poderá propiciar um atendimento que
reconheça, dentre os direitos humanos
das mulheres, o direito a um atendimento
realmente integral a sua saúde (BRASIL,
2004).
75
UNIDADE 13 – Paradigmas do Conceito de
Saúde Mental
Já falamos sobre a loucura, as doenças estreitamente entrelaçados e profunda-
mentais, a polêmica entre legislação e po- mente interdependentes. À medida que
líticas públicas para a saúde mental, mas o cresce a compreensão desse relaciona-
que vem mesmo a ser saúde mental? mento, torna-se cada vez mais evidente
que a saúde mental é indispensável para
Saúde vem do latim salute que signifi-
o bem-estar geral dos indivíduos, das so-
ca salvação, conservação da vida; doença
ciedades e dos países (OMS, 2004).
vem de dolentia, que significa sofrer, sen-
tir dor. Tanto a saúde como a doença re- Nos últimos anos, esta definição ga-
cebem diferentes significados, de acordo nhou um maior destaque, em resultado de
com os momentos históricos sendo estes muitos e enormes progressos nas ciências
conceitos determinados pelas políticas biológicas e comportamentais. Estes, por
públicas, abrangendo aspectos econô- sua vez, aperfeiçoaram a nossa maneira
micos, culturais e psicossociais e, conse- de compreender o funcionamento mental
quentemente, pelas políticas de saúde e a profunda relação entre saúde men-
(OSINAGA, 2004). tal, física e social. Desta nova concepção
emerge uma nova esperança.
Na conceituação da OMS, saúde é um
estado de completo bem-estar físico, Sabemos, hoje, que a maioria das do-
mental e social que não se caracteriza enças mentais e físicas é influenciada por
unicamente pela ausência de doenças. uma combinação de fatores biológicos,
Singer (1987) acredita que esta formula- psicológicos e sociais. Sabemos que as
ção inclui as circunstâncias econômicas, perturbações mentais têm a sua base no
sociais e políticas, como também a discri- cérebro. Sabemos que elas afetam pesso-
minação social, religiosa ou sexual; as res- as de todas as idades, em todos os países,
trições aos direitos humanos de ir e vir, de e que causam tanto sofrimento às famí-
exprimir livremente o pensamento. Este lias e comunidades, quanto aos indivídu-
conceito, reconhece como paradoxal, al- os. E sabemos que, na maioria dos casos,
guém ser reconhecido com saúde mental, podem ser diagnosticadas e tratadas de
quando é afetado por pobreza extrema, uma forma eficaz em relação ao custo. Em
discriminação ou repressão. Mas é verda- resultado deste conhecimento, os porta-
de, e podemos argumentar nesse senti- dores de perturbações mentais e compor-
do, que a formulação da OMS relaciona a tamentais têm hoje uma nova esperança
saúde da pessoa com o atendimento de de levar vidas plenas e produtivas nas res-
suas necessidades e as possibilidades do pectivas comunidades.
sistema socioeconômico e sociopolítico
Estudiosos de diferentes culturas de-
em atendê-las (FERREIRA FILHA, SILVA E
finem diversamente a saúde mental. Os
LAZARTE, 2003).
conceitos de saúde mental abrangem, en-
Para todas as pessoas, a saúde mental, tre outras coisas, o bem-estar subjetivo,
a saúde física e a social são fios da vida a auto-eficácia percebida, a autonomia,
76

a competência, a dependência interge- viços apropriados e econômicos, inclusive


racional e a auto-realização do potencial serviços de promoção da saúde mental e
intelectual e emocional da pessoa. Numa de prevenção;
perspectiva transcultural, é quase impos-
• Garantir a atenção e a proteção
sível definir saúde mental de uma forma
adequada dos direitos humanos dos do-
completa. De um modo geral, porém, con-
entes institucionalizados com perturba-
corda-se quanto ao fato de que a saúde
ções mentais mais graves;
mental é algo mais do que a ausência de
perturbações mentais. • Avaliar e monitorizar a saúde men-
tal das comunidades, inclusive as popula-
É importante compreender a saúde
ções vulneráveis, tais como crianças, mu-
mental e, de um modo mais geral, o fun-
lheres e pessoas idosas;
cionamento mental, porque aí reside a
base sobre a qual se formará uma com- • Promover estilos de vida saudá-
preensão mais completa do desenvolvi- veis e reduzir os fatores de risco de per-
mento das perturbações mentais e com- turbações mentais e comportamentais,
portamentais. tais como ambientes familiares instáveis,
maus tratos e instabilidade civil;
Nos últimos anos, novas informações
dos campos da neurociência e da medi- • Apoiar uma vida familiar estável, a
cina do comportamento trouxeram ex- coesão social e o desenvolvimento huma-
pressivos avanços à nossa maneira de no;
ver o funcionamento mental, além de se
• Fortalecer a pesquisa sobre as
reconhecer que a saúde física exerce uma
causas das perturbações mentais e com-
considerável influência sobre a saúde e o
portamentais, o desenvolvimento de
bem-estar mental.
tratamentos eficazes e a monitorização
A via fisiológica e a via do comporta- e avaliação dos sistemas de saúde men-
mento saudável são outros dois modelos tal (FERREIRA FILHA, SILVA E LAZARTE,
que merecem atenção quando se trata de 2003).
saúde mental, sendo particularmente im-
Apresentamos agora dois modelos de
portante a compreensão dos determinan-
atenção ao paciente com transtornos
tes do comportamento saudável, dado
mentais. O primeiro, previsto pelo Ministé-
o papel que ele desempenha no estado
rio da Saúde para o SUS busca garantir os
geral da saúde. E ao analisar os fatores
direitos conferidos pela Lei n. 10.216/01,
biológicos, psicológicos, sociais, ambien-
direito de ser tratado preferencialmente
tais, numa perspectiva de saúde pública,
em serviço comunitário de saúde mental,
muita coisa pode ser feita para reduzir a
direito à inserção na família, no trabalho e
carga das perturbações mentais, como
na comunidade.
por exemplo:
O art. 5º desta lei prevê que “o pacien-
• Formular políticas destinadas a me-
te há longo tempo hospitalizado ou para
lhorar a saúde mental das populações;
o qual se caracterize situação de grave
• Assegurar o acesso universal a ser- dependência institucional, decorrente de
77

seu quadro clínico ou de ausência de su- história do atendimento público à saúde,


porte social, será objeto de política espe- como em serviços educacionais, sociais
cífica, planejada e reabilitação psicosso- e de saúde, oficial ou particular, na área
cial assistida”. mental ou especialidades médicas, ambu-
latórios ou hospitais, escolas, asilos.
Para tanto, o Ministério da Saúde tem
perseguido a mudança do modelo hospi- A atuação tem sido bastante diversifi-
talocêntrico para um modelo baseado na cada quanto às técnicas e teorias adota-
excepcionalidade da internação e preva- das, em função das finalidades dos pro-
lência de assistência extrahospitalar. gramas e serviços que a requisitam.

O modelo preconizado pelo Ministério O instrumental da Terapia Ocupacional


da Saúde e o atendimento em Centros de se mostra condizente com as proposições
Atenção Psicossocial (CAPS) e a desins- de transformação assistencial atuais,
titucionalização dos pacientes de longa uma vez que o doente mental é encarado
permanência, entendidos como aqueles como cidadão que se realiza e restabelece
internados por período superior a um ano, sua saúde através de sua inserção social,
por meio de projeto terapêutico voltado feita na relação com as atividades que lhe
para a reinserção social. proporcionem uma melhor qualidade de
vida.
Embora a lei garanta a inserção na fa-
mília (art. 2º, parágrafo único, inciso II), A Terapia Ocupacional procura res-
nem sempre ela é possível, pois depende paldar suas técnicas e métodos em fun-
das condições econômicas e sociais dos damentos em cima de um problema já
familiares. instalado no sujeito naquela doença, à se-
melhança dos procedimentos específicos
Para possibilitar a alta de pacientes
das especialidades clinicas e psicoterápi-
para os quais a volta a família tornou-se
cas do momento, em ações extensivas a
impossível ou inadequada a reinserção
grandes grupos populacionais, consoli-
social, foram criados os serviços residen-
dando a perspectiva da medicalização do
ciais terapêuticos (SRT). A fim de incenti-
social. O que difere das demais profissões
var o retorno familiar, a Lei no 10.708/03
da saúde é o fato de ter como seu objeto
criou a possibilidade de pagamento de
e instrumento de trabalho as atividades
benefício assistencial mensal temporário
humanas.
através do Programa De Volta para Casa.
A percepção de que as atividades po-
Ainda no intuito de auxiliar a reinserção
dem ser reduzidas a “recurso terapêutico”,
social, ha programas de reinserção no tra-
leva-nos a questionar outras tantas redu-
balho e geração de renda (BRASIL, 2005).
ções e dicotomias em relação aos concei-
O 2º modelo apresentado é aplicado tos assumidos e vivenciados na clínica,
pela Terapia Ocupacional: tais como: doença/saúde, mente/corpo,
louco/são, normal/patológico, deficiente/
No serviço público, as atuações da Te-
produtivo, indivíduo/sujeito, ações indivi-
rapia Ocupacional não podem ser enten-
duais/ações coletivas, etc.
didas como ação isolada e sim ligada pela
78

O profissional assume modelos teórico- função na produção e reprodução de valo-


-práticos resultantes de uma escolha por res, ideologias e relações sociais.
determinados pressupostos conceituais,
filosóficos e científicos acerca de seu ob-
jetivo de intervenção, o que lhe indicarão
as maneiras de aplicação das atividades
como recurso terapêutico.

Existe um trabalho voltado prioritaria-


mente à adaptação social do indivíduo à
sua doença, à instituição, à sua condição
de vida, conformando-o e submetendo-o
as possibilidades e regras externas a ele.
De outro modo, vivenciamos também ex-
periências onde se tentavam estabelecer
outros tipos de relações, trabalhando-se
na perspectiva de desenvolver as possi-
bilidades do indivíduo enquanto sujeitos
da sua própria história, capaz de mudar o
rumo das coisas e de interferir na qualida-
de de sua vida através do seu fazer.

Ressaltando os pressupostos ideoló-


gicos e conceituais que fundamentam os
modelos assistenciais predominantes em
cada contexto histórico e social, verifica-
mos que os principais modelos encontra-
dos na terapia têm se orientado para:

• Privilegiar a racionalidade humana


e a ordem social.

• Privilegiar o corpo anátomo-fisioló-


gico e a dicotomia corpo/mente.

• Privilegiar o inconsciente e o sim-


bólico.

• Privilegiar o crescimento e evolu-


ção biológicos.

• Privilegiar a função e a produção


sociais.

• Privilegiar o sujeito histórico.

Cada um dos modelos implica uma dada


79
UNIDADE 14 – A Gestão Atual da Saúde
Mental no Brasil
Atualmente, falar em gestão quer seja de seus aproximadamente dois séculos de
no serviço público ou privado, remete-nos existência como campo técnico-científi-
a democracia, participação, autonomia, li- co, já se estruturaram diferentes objetos,
berdade, enfim, envolvimento e compro- instrumentos e finalidades e, atualmente,
metimento de toda a equipe. se organiza a assistência a partir de um
determinado recorte de objeto – um sujei-
A organização é a base fundamental
to que apresenta um sofrimento mental -,
de sustentabilidade de qualquer serviço,
com a finalidade de aliviar o seu sofrimen-
atividade ou sistema de produção de tra-
to e integrá-lo socialmente. Para isso, se
balho. Está diretamente relacionada com
organizam específicos instrumentos de
a funcionalidade dos serviços, tendo por
trabalho, diferentes de outros anterior-
objetivo o gerenciamento eficiente e efi-
mente utilizados na história (MILHOMEM
caz.
E OLIVEIRA, 2007).
Um serviço organizado gera resolubili-
Ao processo de trabalho em saúde cor-
dade, otimiza tempo e recursos, além de
responde:
refletir positivamente na credibilidade da
instituição, setor/serviço, sistema de saú- 1. Um objeto/sujeito, que é a quem
de e usuário, favorecendo a todos os en- (ou para o que) se dirige o cuidado;
volvidos no processo.
2. Instrumentos ou meios que in-
Para organizar os serviços parte-se ini- cluem conhecimentos, métodos, técnicas,
cialmente de planejamento para conhecer equipamentos e/ou recursos para realizar
a realidade e a funcionalidade; identificar esse trabalho; e,
problemas, processos de trabalho, fluxo
3. A finalidade ou o que se quer al-
de informações, sistema de informação,
cançar com o trabalho.
mecanismo de controle e avaliação, ati-
vidades desenvolvidas, forma de execu- Essas três dimensões do trabalho em
ção, canais de articulação, comunicação saúde não existem isoladamente, são in-
e informação, demandas para adequar terdependentes, se conformam mutua-
os recursos visando melhor eficiência na mente e, essa relação indissociável existe
gestão e no atendimento às demandas somente num dado contexto sócio-histó-
requeridas. rico, marcado pelos determinantes gerais
do modo de produção capitalista que, por
Sobre as políticas públicas que fazem
sua vez, condiciona a existência de uma
parte do macro universo já discorremos
sociedade de classes caracterizada pelo
anteriormente. Agora nossa intenção é
alto nível competitivo. É necessário res-
discorrer sobre as habilidades e compe-
saltar ainda que, no processo de trabalho
tências necessárias aos diversos profis-
em saúde, os agentes que operam o saber
sionais que atuam na saúde mental.
e as práticas são seres humanos, assim
Na assistência à saúde mental, ao longo como os “objetos” aos quais as práticas/
80

cuidados se dirigem. Essa característica os profissionais da equipe. Além disso, a


incide diretamente na condição de execu- compreensão acerca do contexto familiar
ção de um determinado tipo de trabalho: e social dos usuários dos serviços de saú-
trabalho vivo ou em ato (MALTA E MERHY, de é fundamental para a adoção das medi-
2003). das adequadas para a promoção da saúde
e bem-estar, assim como para a provisão
O trabalho em saúde, em decorrência
de melhores cuidados (NANI, FRANCHIN E
dessa característica de se realizar no en-
FEGADOLLI, 2008).
contro e por meio de atos entre sujeitos
- trabalhador de saúde e usuário -, se dá A noção dada pelo médico sanitarista
pela criação de espaços de relações e in- Emerson Merhy para assistência em saú-
teração, que são momentos de produção de mental como uma “dimensão cuidadora
e consumo de ações de saúde (MILHOMEM na produção da saúde” nos mostra que a
E OLIVEIRA, 2007). organização da assistência não se reduz
a aspectos administrativos: a lógica da
Atuar na gestão requer o desenvolvi-
efetivação, no caso do SUS, depende da
mento de competências genéricas a todo
forma de conceber e de prestar cuidados
administrador/gestor, mas também al-
à população.
gumas competências específicas, princi-
palmente porque a saúde mental acaba O primeiro passo em qualquer tipo de
sendo um campo, digamos, melindroso, serviço de saúde, de prestador de saúde
sensível, delicado, uma vez que envolve passa pelo acolhimento. Essa noção deve
não somente o sujeito portador de uma estar bem clara para cada profissional,
doença mental, mas os familiares, que são desde o porteiro, o auxiliar administrati-
primordiais no acompanhamento do tra- vo ao funcionário da limpeza, da equipe
tamento e toda uma complexidade deri- técnica, enfim de todos que participam
vada dos diversos tipos da doença. do processo de trabalho em um serviço
de Saúde, acolher bem é o primeiro e in-
Nunes et al (2008) identificaram que o
dispensável passo para um atendimento
trabalho dos profissionais em saúde que
correto e bem sucedido (BRASIL, 2006).
atuam na atenção básica no cuidado ao
doente mental é marcada por limitações e No caso do SUS, o acolhimento é a apli-
dificuldades de atuação voltada à integra- cação cotidiana de um princípio funda-
lidade, sendo necessárias abordagens em mental: seja ao pedir a informação mais
que o sujeito passa a participar do trata- corriqueira, seja ao trazer a mais fanta-
mento, incluindo a família. Cada profissio- siosa expectativa, o usuário, quando traz
nal, mesmo que atuando interdisciplinar- o seu problema, é um cidadão que exerce
mente, tem uma abordagem diferenciada o direito de dirigir-se a um trabalhador de
dos demais membros da equipe, colocan- um serviço público.
do-se como uma estratégia diferenciada
O passo seguinte ao acolhimento é
na busca pelo sucesso terapêutico.
cada profissional entender sua responsa-
Os cuidados em saúde mental exigem bilidade e o vínculo para com o paciente e
muito empenho e ações articuladas entre sua família.
81

No que diz respeito aos portadores de Um aspecto importante do trabalho em


sofrimento mental demonstra-se de for- equipe é a sua dimensão interdisciplinar.
ma muito clara a aplicação e a validade dos Saúde não é um conceito que se possa
pontos destacados aqui. Diferentemente enunciar a partir de uma única disciplina;
dos demais, esses pacientes muitas vezes pelo contrário, é delineado a partir de co-
não pedem ajuda, e até mesmo parecem nhecimentos da Biologia, das Ciências Hu-
recusá-la; contudo, ao contrário do que se manas, da Epidemiologia, e outros. Por-
pensa, são particularmente sensíveis ao tanto, trabalhar com saúde, na amplitude
vínculo e ao cuidado. Afinal, os problemas que o termo requer, traz a necessidade de
que os perturbam relacionam-se via de examinar esse objeto a partir de diferen-
regra a um impasse na relação com outras tes conhecimentos e práticas – não ape-
pessoas – seja o chefe ou o marido, a mãe nas internos à equipe de Saúde, como os
ou o vizinho. Portanto, esses problemas saberes da Enfermagem, da Psicologia, da
encontram alívio e saídas possíveis, quan- Medicina, etc. – mas também aqueles de
do podem endereçar-se a profissionais outros campos.
acolhedores em sua escuta, e a responsá-
Assim, a equipe não pode organizar-se
veis por sua vinculação e acompanhamen-
em torno do saber de uma determinada
to (BRASIL, 2006).
categoria profissional. Na Saúde, tradicio-
Não se pode definir uma equipe como nalmente, este saber era aquele do mé-
um aglomerado de trabalhadores, na dico: em torno dele, os outros profissio-
qual cada um deles exerce apenas a sua nais tinham meramente um papel auxiliar.
função profissional específica. As identi- Contudo, nessa nova lógica de cuidados,
dades profissionais não podem servir de nenhum saber ocupa o centro (BRASIL,
pretexto para o apego burocrático a uma 2006).
função. Também não podemos entender
Isto se torna ainda mais evidente na
as equipes apenas como uma forma de di-
Saúde Mental: a maioria das formas de so-
vidir o trabalho, em que cada um faz “a sua
frimento mental atendida não tem causa
parte”, sem necessitar preocupar-se com
orgânica, nos mesmos moldes de um dia-
o produto total.
betes ou uma pneumonia. Assim, o próprio
Uma equipe de Saúde deve compor-se diagnóstico e a condução do tratamento
de profissionais de formações diferentes, podem ser feitos tanto pelo psicólogo,
assegurando assim a diversidade de suas pelo médico, pelo terapeuta ocupacional
feições e a troca de suas experiências. – apenas a prescrição de medicamentos
Naturalmente, as especificidades das di- sendo atribuição exclusiva do médico.
ferentes profissões devem ser respeita-
Uma equipe mínima de Saúde Mental
das. Contudo, o que caracteriza realmen-
em unidade básica de Saúde deve com-
te o trabalho em equipe é a capacidade de
por-se pelo menos de um psicólogo e um
participar coletivamente da construção
psiquiatra – evidentemente, trabalhando
de um projeto comum de trabalho, num
em parceria com o generalista, o assisten-
processo de comunicação que propicie as
te social, o auxiliar de enfermagem, entre
trocas.
outros.
82

Serviços específicos de Saúde Mental, perdas, desperdícios e a má utilização


de maior complexidade técnica, como os dos recursos, e) Registro dos processos
CAPS, têm equipes de composição mais di- de trabalho, f) Base de dados de supor-
versificada: psicólogos, psiquiatras, assis- te e apoio à gestão, g) Cumprimento de
tentes sociais, terapeutas ocupacionais, normas e procedimentos, h) Acompanha-
além, é claro, do pessoal de enfermagem mento, avaliação e intervenção eficiente,
e de apoio (MELLO, 2008). i) Garantia da qualidade dos serviços e do
atendimento ao usuário.
Seja nos serviços de Saúde ou nos
serviços específicos da Saúde Mental, o Quanto aos procedimentos, ele deve:
trabalho em equipe não consiste apenas
• Conhecer a estrutura organizacio-
nessa troca de saberes e de experiências;
nal, níveis de hierarquia, competências,
é também um exercício de democratiza-
atribuições, normas, procedimentos, for-
ção da relação entre os trabalhadores,
mas de controle e avaliação.
conferindo a todos eles, seja qual for sua
formação profissional, direito de voz e de • Identificar responsabilidades
voto. (quem faz o quê, quando, periodicidade,
como, forma de execução das tarefas).
Isto não resulta apenas em idênticos di-
reitos para todos, mas também em idênti- • Conhecer os processos de traba-
co grau de responsabilidade – seja diante lho, forma de execução, fluxo de infor-
do usuário, seja diante do projeto de tra- mações e demandas, interfaces, ativida-
balho. Essa responsabilidade implica em des desenvolvidas, em desenvolvimento,
participar tanto dos cuidados quanto das necessidades ou não de intervenção, de
decisões – seja naquelas que dizem res- mudanças de funções, de práticas e/ou de
peito ao cotidiano do serviço de Saúde, pessoas.
seja no que concerne à organização do
• Identificar os recursos humanos,
trabalho, conforme os princípios defini-
número de pessoal, perfil profissional,
dos pelo Projeto de Saúde Mental de um
compatibilidade com a função, nível de sa-
município, região ou Estado.
tisfação do pessoal, demandas, relações
Finalmente, cabe lembrar que uma no trabalho.
equipe não trabalha para si mesma, e sim
• Realizar oficina de trabalho com a
para atender, da melhor maneira possível,
equipe para discutir, ouvir sugestões, ava-
sua clientela! (BRASIL, 2006).
liar necessidades de redefinir processos
Um gestor deve conceber que um ser- de trabalhos, atribuições de acordo com
viço estruturado e organizado propor- habilidades e perfis profissionais identifi-
ciona como resultados: a) A regularida- cados, de forma mais adequada.
de no abastecimento e a disponibilidade
• Elaborar plano de trabalho, com de-
dos produtos no momento requerido,
finição clara de objetivos, metas, prazo
em quantidade e qualidade, b) Melhoria
de execução, responsáveis, sensibilizar e
do acesso, c) Credibilidade no serviço de
motivar equipe.
saúde e da instituição, d) Diminuição das
83

• Elaborar cronograma de atividades, Para assegurar a organização de qual-


forma de acompanhamento e avaliação quer serviço é preciso estabelecer normas
dos resultados. e procedimentos e o seu fiel cumprimen-
to. Para executarem bem suas tarefas,
• Definir parâmetros e/ou instru-
as pessoas precisam de direcionamento,
mentos de controle e avaliação de resul-
a fim de que se sintam seguras e não to-
tados.
mem atitudes individualizadas para cada
• Estabelecer indicadores de desem- situação.
penho para o serviço e para equipe.
As normas e procedimentos devem ser
• Desenvolver sistema de informa- elaborados de forma clara e objetiva para
ção eficiente e eficaz para o gerencia- todas as atividades e serviços: seleção,
mento das ações. programação, aquisição, armazenamen-
to, recepção de medicamentos, controle,
• Implantar sistema de qualidade,
distribuição, dispensação, prescrição etc.
que possibilite a melhoria dos serviços.
Uma vez elaborados, deve-se informá-los
• Elaborar manual de normas e pro- aos setores envolvidos. Deve-se também
cedimentos operacionais para harmonizar abordar aspectos referentes às questões
procedimentos e conduta (BRASIL, 2006). administrativas, disciplinares, horários,
conduta e vestuário, entre outros.
Para tanto é necessário ter estrutu-
ra: organizacional, física, administrativa, Os manuais são documentos práticos
equipamentos e materiais, recursos hu- que servem de orientação para execu-
manos, de informação e financeiros, nor- ção de todas as etapas dos processos de
malização e regulamentação e apoio da trabalho, de acordo com os critérios esta-
equipe. belecidos e responsabilidades atribuídas.
Eles devem ser práticos, didáticos, objeti-
Um serviço organizado exige uma es- vos, de fácil acesso e compreensão.
trutura administrativa eficiente, que
possibilite registros das atividades, exis- Evidente que os manuais têm uma
tência de normas e procedimentos, ins- aplicabilidade, principalmente quando al-
trumentos e mecanismos de controle e guma estratégia deve ser desenvolvida,
avaliação, por exemplo, elaboração de como por exemplo:
relatórios gerenciais, sistema de informa-
• Sensibilização da equipe – mostrar
ção eficiente, que possibilite uma gestão
importância e vantagens na utilização,
de informação a contento, distribuição
sensibilizar e assumir compromisso para
de tarefas de acordo com o perfil técnico,
sua adoção.
manual de normas e procedimentos (no
qual constem todas as atividades, forma • Credibilidade – as pessoas precisam
de execução, instrumentos gerenciais, acreditar que o processo será acompa-
padronização de formulários, normas ad- nhado e avaliado.
ministrativas, com a explicitação de toda
• Acompanhamento e avaliação – de-
funcionalidade dos serviços).
signar um responsável para acompanhar e
84

avaliar o processo, além de periodicamen- ter um cadastro dos equipamentos, com


te promover evento para avaliação das numero do patrimônio, manter um crono-
ações e atualização do manual. grama de manutenção e limpeza e regis-
trar as datas de manutenção, em especial,
• Treinamento – treinar a equipe, di-
extintores.
rimir dúvidas, fazer os ajustes necessários
e estabelecer prazos para atualização. Quanto aos Recursos Humanos, o ges-
tor deve atentar-se para identificar ne-
• Instrumentos gerenciais/formu-
cessidades, definir perfil (competências e
lários – são modelos de documentos que
habilidades), capacitar, acompanhar e ava-
devem periodicamente ser atualizados,
liar suas ações. Implementar programa de
de acordo com o prazo estabelecido para
desempenho individual e de equipe, bem
revisão e devem constar como anexos no
como programa de educação permanente
Manual de Normas e Procedimentos.
de acordo com as necessidades pessoais e
As normas são regras estabelecidas dos serviços. Além disso, utilizar estraté-
com a finalidade de disciplinar os procedi- gias fundamentais: reuniões sistemáticas
mentos, ordenar os serviços, harmonizar semanais com a equipe, para não acumu-
condutas no trabalho, o modo de execu- lar problemas e socializar as informações;
ção das tarefas, forma de acompanha- promover reuniões técnicas, seminários
mento e controle das ações. temáticos para atualização dos técnicos e
a implantação de programas de qualidade
Procedimento é a descrição detalhada
para melhoria contínua em todos os pro-
passo a passo de uma atividade ou ope-
cessos de trabalho.
ração. São orientações de como executá-
-las. Um programa de qualificação profissio-
nal deve estar centrado na integralidade
Devem ser estabelecidos procedimen-
das ações e no trabalho em equipe, visan-
tos para todas as atividades, forma de
do ao aumento da capacidade resolutiva
acompanhamento e avaliação, como por
das equipes, a fim de torná-las capazes de
exemplo, critérios técnicos e administra-
elaborar estratégias para o enfrentamen-
tivos para o edital de compras de medica-
to de problemas.
mentos, seleção e qualificação de forne-
cedores, visando assegurar a qualidade É imprescindível dispor de um sistema
do processo de aquisição e dos fornece- de informação4 eficiente, com uma base
dores, recebimento de medicamentos, referencial de informação e comunicação
estocagem, distribuição, dispensação, re- integrada. Precisa superar o fornecimen-
colhimento, devolução de medicamentos, to de dados meramente quantitativos,
medicamentos vencidos, entre outros. para se orientar na gestão da informação,

Também é importante dispor de equi- 4- Informação – é o processo no qual uma organização se in-
pamentos e materiais em quantidade e forma sobre ela própria e informa ao ambiente sobre ela. Não se
limita a dados coletados.
qualidade apropriadas e condições ade-
Sistema de informação – consiste num conjunto de pessoas,
quadas de funcionamento de sistemas estrutura, tecnologia da informação (hardware e software), pro-
de manutenção preventiva e corretiva; cedimentos e métodos que devem permitir à empresa dispor em
tempo desejado das informações de que necessita.
85

produção, qualificação, aporte gerencial Sem informação e sem organização,


e comunicação eficiente das informações não há gerenciamento. Consequente-
de interesse à gestão. Deve possibilitar mente, é difícil desenvolver estratégias,
a qualquer tempo a sistematização de implementar ações, intervenções ou
registros e controle das informações ge- ocorrer melhoria de serviço com satisfa-
radas, emissão de relatórios gerenciais, ção da equipe e usuários.
estudos estatísticos, análises comparati-
Uma vez que estamos na Era da Infor-
vas, desempenho das ações e da equipe,
mação e da Comunicação para implan-
gestão dos estoques, consumo e gastos
tação de um sistema informatizado que
efetuados, entre outras informações.
atenda às necessidades do serviço, al-
A Gestão da informação consiste no guns requisitos básicos são necessários
tratamento da informação: gestão da tais como: serviço organizado, elaboração
qualidade, do conteúdo e do uso da infor- e padronização de instrumentos geren-
mação, englobando: dados, equipamen- ciais, definição dos tipos de informações e
tos, redes e suporte tecnológico. Por isso relatórios a serem gerados, elaboração de
se reveste de especificidades, o que de- Projeto de Informatização, definir o res-
corre da organização do serviço, análise ponsável para gerenciar e acompanhar o
e avaliação permanente da relevância das processo de implantação, testar e avaliar.
informações, para saber direcionar o seu
Sem esses requisitos mínimos atendi-
uso.
dos, nenhum sistema informatizado irá
Para gerir a informação e alcançar os funcionar adequadamente.
objetivos pretendidos, pressupõe-se uma
É preciso definir o que se pretende. A
reorganização gerencial, para uma nova
necessidade e a complexidade dos servi-
ordem de prática organizacional, a fim de
ços são fatores determinantes para a fun-
possibilitar normas gerenciais, procedi-
cionalidade de um sistema. Deve também
mentos, registros das atividades, fluxos
comportar a possibilidade de integração
operacionais bem estabelecidos e orde-
com outros serviços e sistemas. É prioritá-
nados, responsabilidades definidas, para
rio informatizar as prescrições e detectar
um direcionamento de informações qua-
erros de prescrição.
lificadas, num processo de construção
coletiva, com a colaboração de todos da A documentação, em especial, a do-
equipe, para o repasse de dados adminis- cumentação fiscal, deve ser cuidadosa-
trativos, informações, em prazos estabe- mente observada e arquivada, para com-
lecidos, por isso torna-se imperativo que provação junto aos órgãos fiscalizadores.
todo serviço disponha de um responsável A prestação de contas é obrigatória, a
técnico para gerir as informações, siste- qualquer tempo, a todos que lidam com
matizar, acompanhar, avaliar, identificar recursos públicos. Os demais documentos
problemas, demandas, entraves existen- do setor devem ser padronizados e iden-
tes, elaborar relatórios gerenciais, e dar tificados. Todos os documentos, formulá-
os devidos encaminhamentos (BRASIL, rios e instrumentos gerenciais utilizados
2006). no serviço devem conter: cabeçalho com
86

o nível de hieraquização organizacional sua organização, da forma como os servi-


pertinente, o nome do setor, fone/fax/e- ços e/ou atividades estão estruturados e
mail. são executados. É um processo resultan-
te da efetividade, eficiência e eficácia da
É imprescindível inserir práticas ava-
gestão e da organização do serviço.
liativas para fortalecer o processo de
gestão, acompanhamento das ações e da
evolução do trabalho. É necessário cons-
truir instrumentos, mecanismos de con-
trole e avaliação, indicadores de gestão,
para melhoria contínua dos processos de
trabalho.

A qualidade dos serviços é base de


qualquer processo de trabalho. Englo-
ba conhecimentos, uso de ferramentas
e instrumentos gerenciais apropriados e
procedimentos que visam adequação de
serviços, maximização dos recursos, re-
dução das perdas e dos custos.

A avaliação não é uma prática comum


em serviços. Há uma preocupação centra-
da nos gastos e volume de recursos, sem
a preocupação de que a qualidade dos
serviços é fundamental para racionalizar
recursos de todas as ordens e dar credibi-
lidade ao sistema de saúde.

A baixa qualidade dos serviços e cuida-


dos na atenção aos usuários é um dos fa-
tores críticos no sistema de saúde, o que
coloca a necessidade de redimensionar a
gestão.

A melhoria da qualidade da gestão im-


plica ações de caráter estrutural, que in-
clui investimentos em estrutura, política
de qualificação de recursos humanos,
adoção de instrumentos modernos de
gestão que possibilitem racionalidade, re-
ordenamento dos processos de trabalho,
métodos e técnicas.

A qualidade dos serviços depende da


87

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93

ANEXOS

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Decreto Nº 6.949, de 25 de Agosto
- Libras e dá outras providências.
de 2009. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil _03/_ ato2007-
2010/2009/decreto/d6949.htm Promul-
DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEM-
ga a Convenção Internacional sobre os Di-
BRO DE 2005. Disponível em: http://www.
reitos das Pessoas com Deficiência e seu
planalto.gov.br/ccivil _03/_ ato2004-
Protocolo Facultativo, assinados em Nova
2006/2005/decreto/d5626.htm
York, em 30 de março de 2007
Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de
Decreto Nº 5.296 de 02 de dezembro de
abril de 2002, que dispõe sobre a Língua
2004 - DOU de 03/122004. Disponível em:
Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da
www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-
Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000
2006/2004/decreto/d5296.htm
LEI Nº 12.319, DE 1º DE SETEMBRO DE
Regulamenta as Leis nº 10.048, de 8
2010. Regulamenta a profissão de Tradu-
de novembro de 2000, que dá prioridade
tor e Intérprete da Língua Brasileira de Si-
de atendimento às pessoas que especifi-
nais - LIBRAS.
ca, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000,
que estabelece normas gerais e critérios
básicos para a promoção da acessibilidade
ANEXOS
das pessoas portadoras de deficiência ou
com mobilidade reduzida, e dá outras pro- (SUGESTÃO DE FILMES RELACIONA-
vidências DOS AO CONTEÚDO)
Decreto Nº 3.956, de 08 de outubro de • Meu pé esquerdo - Christy Brown
2001. Disponível em: http://www.planal- (Daniel Day-Lewis) é o filho de uma pobre
to.gov.br/ccivil/decreto/2001/D3956.htm família irlandesa. Ele nasce com paralisia
cerebral, trazendo sérias consequências
Promulga a Convenção Interamericana
para os movimentos do seu corpo. Com o
para a Eliminação de Todas as Formas de
único movimento que tem, do seu pé es-
Discriminação contra as Pessoas Portado-
querdo, Christy consegue se revelar como
ras de Deficiência
ótimo escritor e pintor. Oscar de Melhor
ACESSO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA Ator para Daniel Day-Lewis e Atriz Coad-
ÀS ESCOLAS E CLASSES COMUNS DA REDE juvante para Brenda Fricker.
REGULAR Cartilha da Procuradoria Fede-
• Meu nome é Radio - O deficiente
ral dos Direitos do Cidadão. Brasília, se-
mental Radio (Cuba Gooding Jr.) e o trei-
tembro de 2004. Formato PDF: Disponível
nador de futebol americano Harold Jones
em: www.prgo.mpf.gov.br/cartilha_aces-
94

(Ed Harris) acabam tornando-se amigos,


e Harold resolve colocá-lo como ajudante
de sua equipe. Porém o preconceito dos
jogadores poderá fazer com que o que era
para ser uma nova oportunidade na vida
de Radio acabe tornando-se uma dor de
cabeça para ele e sua família.

• Código para o inferno - Art Jeffries,


um renegado agente do FBI, está decidido
a combater implacáveis agentes federais
para proteger Simon, um garoto autista
de nove anos que quebrou códigos infe-
cifráveis do governo. Ele é capaz de ler o
mais avançado código criptografado, de
maneira tão simples como outras crianças
leem histórias em quadrinhos. A habilida-
de de Simon mostrou a vulnerabilidade
de um código secreto bilionário, especial-
mente se o menino cair nas mãos dos ini-
migos dos Estados Unidos.

Aprendiz de sonhador - A história se


passa numa cidadezinha de interior idíli-
ca, onde vive Gilbert Grape (Johnny Depp),
um adolescente aparentemente comum
que sustenta a família desde a morte do
pai. O peso não é para qualquer um: além
das irmãs excêntricas, do irmão deficien-
te mental (Leonardo DiCaprio), inclui a
mãe obesa, que não para de comer des-
de a morte do marido. Mas a chegada de
uma jovem forasteira (Juliette Lewis) dará
a Gilbert, a possibilidade de pela primeira
vez fazer suas escolhas.
95