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JORGENSEN, Nancy S. e PFEILER, Catherine. Things they never taught You in Choral
Methods (Coisas que eles nunca ensinaram em métodos corais). Milwaukee: Hal Leonard
Corporation, 1995

Capítulo Três
Selecionando Literatura/Repertório1 para a Apresentação - O material certo
A qualidade da vida de uma pessoa é diretamente proporcional ao seu
compromisso com a excelência, independentemente do campo de atuação
escolhido. Vince Lombardi

Para cada regente coral, a tarefa mais crítica é a seleção de repertório dentro da
literatura apropriada. O planejamento ponderado e deliberativo é essencial na escolha da
música coral apropriada. O Simpósio Tanglewood2 nos orienta a apresentar aos nossos alunos
uma ampla variedade de literatura/repertório. O resultado do Simpósio nos responsabiliza
pela apresentação de música de todos os períodos, estilos e diversidades étnicas, e nos
estimula a ensinar aos nossos alunos sobre a literatura/repertório de música coral. Um
programa abrangente deve certamente ser nosso objetivo.
Variedade e acima de tudo, QUALIDADE são as chaves para o sucesso!
O repertório deveria:
1. Representar diversidade de período, estilo e compositor
2. Ser de grande abrangência
3. Ser equilibrado entre peças sacras e seculares
4. Ser equilibrado entre peças serias e “menos sérias”
5. Inclua textos usando idiomas estrangeiros e português (inglês)
6. Incluir música étnica, pop, show e experimental
7. Refletir o que há de melhor nos naipes e as habilidades do grupo
8. Preservar o valor inerente da composição quando a peça é um arranjo
Leonard Bernstein implorou-nos que procurássemos verdadeiramente grandes obras
de arte. Sem música de qualidade, um programa nunca se elevará acima do comum.

A experiência da música é um diálogo entre o performer e o público.
Fama


1 Literature for Performance é um termo que pode ter dois significados em português e que se mesclam em

língua inglesa. No Brasil, repertório tem um sentido de peças de uso imediato ou para apresentações específicas e
literatura, geralmente, significa o conjunto de obras relativas a um período ou estilo. Optou-se por traduzir o
termo conforme seu significado dentro de cada sentença do texto original.
2 O Simpósio Tanglewood foi uma conferência que ocorreu de 23 de julho a 2 de agosto de 1967, em

Tanglewood, Massachusetts. Foi patrocinado pela Conferência Nacional de Educadores de Música (MENC) em
cooperação com o Berkshire Music Center, a Theodore Presser Foundation e a Escola de Belas e Artes Aplicadas da
Universidade de Boston. O objetivo foi discutir e definir o papel da educação musical na sociedade americana
contemporânea e fazer recomendações para melhorar a eficácia da instrução musical. Os participantes incluíram
sociólogos, cientistas, líderes trabalhistas, educadores, representantes de corporações, músicos e pessoas
envolvidas com outros aspectos da música.
2
Qualidade é tudo
Os regentes nunca devem subestimar o que os jovens podem fazer.
Eph Ehly3 diz: “Dê a um homem uma canção que ele possa cantar e ele se cansará disso
rapidamente”.
Se você escolher uma música de qualidade duvidosa e pouca dificuldade, os alunos não
serão beneficiados. É vital, portanto, desafiar continuamente o cantor. Jovens cantores que
não conseguiriam cantara uma música em setembro, podem se cantá-la bem em abril. Desafie
suas habilidades porque o valor de conseguir realizar uma parte difícil, mas importante do
repertório, está no processo. Talvez, no começo, uma peça a capella precise de
acompanhamento, ou um texto em francês precise ser cantado em português (inglês), ou uma
parte solo necessite ser cantada por toda um naipe.
Com tempo e perseverança, nenhuma concessão será necessária e a recompensa será
cantores que há muito tempo se lembram de uma peça por causa de sua qualidade inerente e
duradoura. Alguns regentes tomam o caminho mais fácil. Opte pela estrada menos percorrida
e a jornada terminará em uma conclusão musicalmente mais satisfatória.
As estradas divergiam em uma floresta, e eu - eu tomei a
menos percorrida. E isso fez toda a diferença. Robert Frost

Mesmo quando o repertório é desafiador, uma “dieta” baseada em apenas um estilo é
chata. Um programa educacional sólido exige um repertório amplamente variado. Registre o
repertório de cada coro (Tabela 1), e insista para que cada grupo experimente uma grande
variedade de estilos. Mantenha uma tabela para cada conjunto.
Após cada seleção de repertório, determine o seguinte:
1. A peça é sacra ou secular?
2. A peça é em língua estrangeira e, em caso afirmativo, qual?
3. A peça é acompanhada ou uma a capella?
4. De qual período histórico da literatura coral a peça foi extraída?
5. Qual é a métrica da peça?
6. Em que clave está escrita?
7. O ritmo é rápido ou lento?
8. É homofônica ou polifônica?
9. Existem outros fatores significativos que merecem atenção especial - por
exemplo, é uma canção folclórica hebraica ou um spiritual americano?

A manutenção desta tabela garante um registro de cada peça selecionada. Para cada
coral, para cada concerto e, em seguida, para todo o ano letivo, será um registro, um gráfico do
repertório realizado. Usar a tabela evita a possibilidade de cantar muitas músicas de um
período; obriga o regente a procurar uma peça Romântica que às vezes é ignorada ou um jazz

3 Dr. Eph Ehly recebeu em 2014 o prêmio nova-iorquino de Educador-Laureado; trabalhou em 48 estados norte-
americanos, além de Canadá, Brasil, Japão, México e vários países da Europa, e se apresentou em mais de 100
faculdades e universidades. Após 27 anos de serviço, conduzindo mais de 80 Corais, e mais de 600 conjuntos em
Festivais, o Dr. Ehly se aposentou do Conservatório de Música da Universidade de Missouri-Kansas City. Ele
também serviu como professor interino na Universidade de Oklahoma em 2006-07. Mais de 90 estudantes de
doutorado e 100 de mestrado se formaram sob sua supervisão.

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vocal, que é intimidador porque requer pesquisa ou risco extra. Na programação de
compositores, é importante que o coral cante em línguas estrangeiras. Em um ano, os alunos
devem cantar em latim, francês, alemão, espanhol e, claro, inglês/português.
Usar a tabela nos lembra de alcançar o equilíbrio que desejamos e nos impede de
ignorar uma métrica, um período da história ou um estilo em particular. Ajuda a fornecer ao
coro uma dieta variada de literatura musical. No final do ano, a tabela serve como uma crônica
do que cada coro cantou.
É um registro útil de programação, mas mais importante, permite que os regentes
desenvolvam um plano de quatro anos. Como a maioria de nossos alunos do ensino médio
canta durante quatro anos, é vital que lhes seja oferecida uma variedade abrangente de estilos
presentes na literatura coral de qualidade.
Muitas vezes, regentes corais programam no repertório, músicas que os alunos
cantaram recentemente. Usar peças cantadas em coros universitários, coral ou madrigais não
é sempre uma má ideia, mas a busca por música de qualidade deve ir além. A consideração
mais importante deve ser se a música é apropriada para um grupo específico.
Uma nota: As Editoras musicais se preocupam muito com o sucesso contínuo dos
programas de coral. Se a música coral diminuir, também haverá redução nas vendas de
música. Somos parceiros no fornecimento de literatura de alta qualidade. Observe as leis de
direitos autorais. Se os orçamentos forem baixos, compartilhe sua biblioteca de músicas com
as escolas vizinhas e peça que retribuam. Um orçamento pequeno não é uma desculpa
aceitável para a literatura pobre em nossas escolas.

Música Sacra nas escolas públicas
A controvérsia a respeito da música religiosa em nossas escolas nos força a algumas
reflexões sérias sobre o assunto. A seguinte declaração de posicionamento da Associação de
Educadores de Música de Wisconsin (Wisconsin Music Educators Association) é um recurso
útil na tomada de decisões relacionadas ao uso da música sacra.
É posição da WMEA que o estudo da música religiosa é uma parte vital e apropriada da
experiência musical total tanto na performance quanto na escuta. A omissão da música sacra
do repertório ou estudo da música, apresentaria um conceito incorreto e incompleto da
natureza abrangente da forma de arte que examina as questões constitucionais e oferece estas
diretrizes para educadores de música:
Questões Constitucionais
A Primeira Emenda não proíbe qualquer menção de religião nas escolas públicas; proíbe
o avanço ou a inibição da religião pelo Estado. Uma segunda cláusula na Primeira
Emenda proíbe a violação ou crenças religiosas. Tampouco as escolas públicas são
obrigadas a excluir do currículo todos os materiais que possam ofender qualquer
sensibilidade religiosa.
As seguintes questões são relevantes para os padrões constitucionais de neutralidade
religiosa necessários nas escolas públicas.
1. Qual é o objetivo da atividade? O propósito é laico por natureza? por exemplo, estudar
música de um estilo ou período histórico de um compositor em particular?
2. Qual é o principal efeito da atividade? É a celebração da religião? A atividade aumenta
ou inibe a religião? Convida confusão de pensamento ou objeções familiares?
4
3. A atividade envolve um emaranhamento excessivo com uma religião ou grupo
religioso, ou entre as escolas e uma organização religiosa?
Diretrizes para Educadores Musicais
Os educadores de música devem exercer bom senso na escolha da música sacra para
estudo e programação de apresentações públicas. Durante a fase de planejamento, as
seguintes perguntas devem ser consideradas por cada professor para determinar se um
programa é aceitável.
1. A música é selecionada com base em seu valor musical e educacional, e não em seu
contexto religioso?
2. As tradições de pessoas diferentes são compartilhadas e respeitadas?
3. Procura-se evitar o uso excessivo de música sacra, símbolos religiosos ou cenário e
apresentações em ambientes devocionais? Do tipo igrejas e Templos?
4. O papel da música sacra é neutro, não promove nem inibe visões religiosas?
5. Todas as políticas locais e escolares sobre feriados religiosos são observadas?
6. Existe compreensão das várias crenças e sensibilidades religiosas representadas pelos
alunos e pais da escola?
Porque somos cidadãos dos Estados Unidos, onde a nossa constituição promete a
separação da igreja e do estado, somos obrigados a proteger os direitos e sensibilidades
de todos os nossos alunos. Ao nos esforçarmos para proteger os direitos dos estudantes,
no entanto, não devemos sacrificar um repertório bem-elaborado que, por definição, deve
incluir alguma literatura sagrada.

Execução vocal: uma arte visual
A arte da música coral exige tanto uma performance auditiva quanto visual. Weston
Noble4 nos lembra que tudo o que cantamos é um Drama5. Todo ensaio é importante, mas
eventualmente os ensaios culminam em uma apresentação pública.
A menos que essa apresentação seja em um estúdio de gravação ou para transmissão
de rádio, os alunos devem ter treinamento no aspecto cênico. Se, como diz Eph Ehly, a
necessidade de expressar é primordial, devemos ensinar os cantores a serem expressivos,
tanto musicalmente quanto visualmente. Eles devem ser atores e cantores. O público precisa
ver e ouvir seu comprometimento com a música.
O Dr. Ehly afirma que cada peça musical deve ser considerada como uma peça
dramática, mas nos incentiva a evitar os estereótipos. Em vez disso, ele insiste que, quando
cantamos, devemos expressar “a mente, o coração, o espírito e o corpo. Canto maçante não


4 Weston Noble (1922-2016) foi um dos principais regentes corais norte-americanos. Conduziu o Coro Nórdico

a se tornar um dos coros a capella da elite coral dos Estados Unidos, tornando-o famoso por seu som particular.
Uma forte tradição norueguesa está presente no som da vogal redonda e na emissão sem vibrato que traz um
melhor timbramento das vozes, refletindo o gosto de Noble por programar peças escandinavas e russas. O
vibrato entre as vozes individuais desfoca as harmonias, enquanto o som sem vibrato é uma das bases essenciais
do bom canto coral. O timbre retilíneo, saudável e completo, não precisa ser estridente, porém, trazer uma
qualidade exuberante a este modo de cantar, requer muita destreza na técnica vocal. Um senso vital de
comunidade-coral dentro do conjunto (todos os cantores dão as mãos) também contribui para a força de seu
som, pois seguindo a teoria da Gestalt, o todo é maior que a soma de suas partes.
5 Drama aqui, significa um texto em verso ou prosa escrito para ser encenado; a encenação desse texto.


5
expressa personalidade. As pessoas que são mais bem sucedidas são aquelas que trazem
música para sua vida. ”
Como regentes, devemos ensinar nossos alunos as habilidades de atuação essenciais em uma
apresentação ao vivo. Repertório de qualidade bem executado exige esse compromisso.

Os únicos limites, são sempre os da visão.
James Broughton
Algumas sugestões práticas:

1. Compre uma cópia de An Annotated Inventory of Distinctive Choral Literature. Este
livro lista octavos6, com grau de dificuldade e as características distintivas de cada
peça. É um repertório essencial de obras corais de qualidade.
2. Participar de workshops, sessões de leitura de coral e convenções musicais. Pegue
um caderno e um ouvido atento. Escolha apenas o que você sabe ser de boa qualidade.
3. Peça aos colegas que recomendem suas peças de maior sucesso.
4. Avalie os arranjos. Quando você encontrar um trabalho de qualidade por um
arranjador, continue procurando por outras peças do mesmo arranjador.
5. Ouça gravações profissionais de grupos corais. Chanticleer, The King’s Singer’s, The
Turtle Creek Chorale e muitos outros apresentam um excelente repertório coral, alguns
dos quais acessíveis ao coro do ensino médio.
6. Assista a vídeos de coros profissionais e observe as expressões faciais e o
movimento sutil dos cantores.
7. Familiarize-se com a equipe de sua loja de música favorita. Eles são um recurso
valioso na localização de octavos especiais ou edições.
8. Ouça as várias fitas de demonstração enviadas por Editoras de música. Seja
responsável. Escolha uma peça por causa de seu valor educacional, e não por causa de
sua disponibilidade.
9. Ligue para o editor quando uma peça estiver esgotada. Eles podem encontrá-la ou
dar permissão para copiar.
10. A restrição de peças a apenas um estilo, torna a atividade chata. Execute músicas de
cada período histórico, juntamente com canções folclóricas, espirituais e peças
populares.
11. Ao escolher o repertório, decida que informação uma peça pode ensinar ao grupo -
uma cultura, um compositor, um período, um evento. Escolha músicas pensando em
quais conceitos ou habilidades podem ser aprendidas.
12. Não reinvente a roda. Economize tempo olhando para listas de repertório
publicadas pela ACDA7, Comissões estaduais de solos e conjuntos e outras fontes.
13. Confie em seu julgamento. Escolha desafios. Os alunos cansam rapidamente de algo
que é muito fácil. A satisfação é obtida através da conclusão de uma peça desafiadora.
14. Continue aprendendo. Nós nunca sabemos o suficiente. Aqueles que param de
aprender, muitas vezes param de se importar também.

6 Um octavo é um livro ou panfleto cujas folhas foram então dobradas três vezes para produzir oito folhas. Cada

folha de um livro octavo representa assim um oitavo do tamanho da folha original.


7 ACDA - https://acda.org - Associação Americana de Regentes Corais. A missão da ACDA é inspirar excelência na

música coral através da educação, performance, composição e advocacia. (?)


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Tempo e energia dedicados a fornecer repertório de qualidade podem ganhar
recompensas inesperadas. Um dia, um veterano em um coro de concerto se aproximou do
piano no final do ensaio e disse: “Antes do final do ano poderíamos, por favor, cantar minha
música favorita do segundo ano?” Ele implorou. "Qual é?", Perguntei-lhe. Sua resposta
inabalável foi: “Ubi Caritas. Eu adoro essa música.”
Sua música favorita não era uma peça famosa coral ou um número do“ Fantasma da
Opera”. Foi o difícil moteto a cinco vozes em latim de Maurice Durufle que o emocionou em
seu segundo ano e permaneceu em sua memória.
Educadores musicais moldam o futuro do gosto popular. A música de qualidade fala
por si e não precisa ser imposta. Os cantores confiam no regente para lhes apresentar o
melhor da música coral, e nunca chegarão a saber o que negligenciamos ao seu conhecimento.

Tabela 1 - Tabela de Repertório
Título Compositor c/ acomp. Idioma Sacra ou Período Métrica Tonalidade Outras
ou Secular Histórico obs.
à capela






Tabela 2 - Tabela de planejamento de audição
Título /
Compositor
Artista
Coro Misto
Coro Feminino
Coro Masculino
Voz Solo
Renascença
Barroco
Clássico
Romântico
Contemporâneo
Mus Pop
Música Étnica
Língua Estrangeira



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EPÍLOGO: Avaliando Excelência

Qualquer grande obra de arte é ótima porque cria um mundo especial
próprio. Ele revive e readapta o tempo e o espaço, e a medida de seu
sucesso é a medida em que ele o convida e lhe permite respirar seu ar
estranho e especial. Leonard Bernstein

Como se define sucesso? Ou qualidade? Ou excelência? Leonard Bernstein diz que a
“medida do sucesso [de uma arte] é a extensão em que ela o convida e deixa você respirar seu
ar estranho e especial!”
O sucesso de um programa de coral não pode ser medido apenas pelas peças
apresentadas, aplausos da audiência, o prestígio da apresentação ou troféus conquistados; no
entanto, essas indicações muitas vezes são o reflexo de um programa que é bem-sucedido o
suficiente para convidar os alunos, convidar os pais e convidar os membros da comunidade
para "respirar seu ar estranho e especial".
Embora uma medida específica de excelência seja indefinível, a excitação gerada por
esta excelência será um ímã para todos. Enquanto a definição de qualidade não pode ser
limitada por parâmetros exclusivos, uma plateia sabe quando algo é bom e, portanto,
retornará.
Embora pontuações e/ou classificações (em concursos) não possam determinar o
sucesso, uma comunidade reconhece e apoia um programa que faz bem aos jovens. Talvez não
possamos definir sucesso em palavras ou números, mas devemos confiar em nosso
julgamento intuitivo. Como nos sentimos sobre o que estamos fazendo no final do dia? e no
final do ano?
Da mesma forma que somos intuitivos e artísticos, também devemos ser práticos e ter
uma mentalidade de negócios. Não podemos nos esconder atrás da persona “artista” para
evitar as tarefas cotidianas que são os blocos de construção de um programa de sucesso. Nós
fazemos mais do que reger nossos coros. Os detalhes de nosso trabalho, apontam para
atividades que vão desde o recrutamento, impulsionador da moral do grupo, disciplinador,
conselheiro, coordenador de pesquisa e desenvolvimento, diretor artístico, gerente de
negócios e relações públicas. Nunca é suficiente dizer: “Eu fiz o meu trabalho e ensinei a
música”. É nossa responsabilidade assegurar que os alunos aprendam e se beneficiem de
nosso conhecimento e instruções, tanto musicais como não-musicais.
Se a sua razão inicial para se tornar um regente coral teve mais a ver com, mostrar
seus próprios talentos do que desenvolver os talentos de seus alunos, mantenha isso em
segredo. Você certamente será descoberto, se o progresso do aluno for o seu objetivo.
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A qualidade da vida de uma pessoa é diretamente proporcional ao seu
compromisso com a excelência, independentemente do campo de atuação
escolhido.

É nossa obrigação ensinar música, é claro, mas também é nossa obrigação educar os
alunos na arte de nos tornarmos uma pessoa. A educação musical é um processo pelo qual o
comportamento humano é permanentemente alterado e nós desempenhamos o papel de
facilitador, ao fornecer a ligação entre a música e o aluno.
Se fizermos bem o nosso trabalho, os alunos estabelecerão uma relação duradoura com
a música. Neste papel de facilitador, nosso objetivo deve ser sempre a excelência. Quer
estejamos preparando uma música ou uma pessoa, o caminho para a excelência deve estar
sempre em primeiro lugar em nossas mentes.
Se achamos difícil avaliar a excelência em um programa de estudos para um coral,
como avaliamos o progresso de uma pessoa em desenvolvimento? Em última análise, em
qualquer situação, cada um de nós se julga, e aqueles que o fazem honestamente, procuram
fontes externas para afirmação. Aqueles que desejam sinceramente melhorar, superar e
vencer se comparam ao melhor e se esforçam para estar no mesmo nível dos melhores. O
bravo regente resiste a críticas porque está sempre se esforçando para melhorar. O fascínio de
uma arte tão grande que “readapta o tempo e o espaço” e “convida você” é a força que nos
impulsiona em uma busca pela excelência.
É nossa esperança que aqueles que ensinam música, porque amam, criem uma arte tão
poderosa que todos os que tocam serão atraídos para respirar seu ar estranho e especial.

Atitude (por Charles Swindoll)
Quanto mais eu vivo, mais percebo o impacto da atitude na vida.
Atitude, para mim, é mais importante do que os fatos; é mais importante que o passado, do que
a educação, do que o dinheiro, do que as circunstâncias, do que o fracasso, do que o que as
outras pessoas pensam, dizem ou fazem. É mais importante do que a aparência, talento ou
habilidade.
Ela pode fazer acontecer ou quebrar uma empresa... uma igreja... uma casa.
O mais notável, é que temos uma escolha a cada dia em relação à atitude que adotamos para
esse dia. Não podemos mudar o nosso passado… não podemos mudar o fato de que as pessoas
agirão de uma determinada maneira. Nós não podemos mudar o inevitável
A única coisa que podemos fazer, é tocar na única corda que temos, e essa é a nossa atitude…
Estou convencido de que a vida é de 10%, o que acontece comigo e 90% de como eu reajo a
isso. E assim é com você... nós estamos no comando de nossas atitudes.


Traduzido por Dr. Sérgio Deslandes para uso nas turmas de Regência (2018)