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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA

E TECNOLOGIA DO PARÁ
DIRETORIA DE ENSINO
DEPARTAMENTO DA INDÚSTRIA
COORDENAÇÃO DE MECÂNICA
TERMOFLUÍDOS - VOLUME I:
MECÂNICA DOS FLUÍDOS

Elaborada: Prof. Eng°. Carlos Alberto Duarte Dias


Revisada: Prof. Me. Eng°. Raimundo Valério Félix Lima

Belém - PA
2016

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1.FUNDAMENTOS DA MECÂNICA DOS FLUIDOS
Mecânica dos Fluidos é a ciência que estuda o comportamento físico dos
fluidos, assim como as leis que regem esse comportamento. As bases lançadas
pela mecânica dos fluidos são fundamentais para muitos ramos de aplicação da
engenharia. Dessa forma, o escoamento de fluidos em canais e condutos, a
lubrificação, os esforços em barragens, os corpos flutuantes, as máquinas
hidráulicas, a ventilação, a aerodinâmica e muitos outros assuntos lançam mão
das leis da mecânica dos fluidos para obter resultados de aplicação prática.

1.1 - Conceitos fundamentais e definição de fluido


A matéria apresenta-se no estado sólido e no estado fluido, este
abrangendo os estados líquido e gasoso.
O espaçamento e atividade intermoleculares são maiores nos gases, menores nos
líquidos e muito reduzidos nos sólidos.
A definição de fluido é introduzida, normalmente, pela comparação dessa
substância com um sólido. A definição mais simples diz: Fluido é uma substância
que não tem forma própria, assume o formato do recipiente. Entretanto, é possível
introduzir uma outra que, apesar de ser mais complexa, permite construir uma
estrutura lógica que será de grande utilidade para o estudo da Mecânica dos
Fluidos.
Essa definição está novamente ligada à comparação de comportamento
entre um sólido em um fluido, por uma observação prática denominada
“Experiência das Duas Placas”, que diz: Fluido é uma substância que se deforma
continuamente, quando submetida a uma força tangencial constante qualquer, ou
seja, fluido é uma substância que, submetida a uma força tangencial constante, não
atinge uma nova configuração de equilíbrio estático.

1.2 - Hidrostática
É o ramo da Física que estuda a força exercida por e sobre líquidos em
repouso. Este nome faz referência ao primeiro fluido estudado, a água, assim por
razões históricas se mantém este nome. Ao estudar hidrostática é de suma
importância falar de densidade, pressão, Princípio de Pascal, Empuxo e o
Princípio Fundamental da Hidrostática.

1.2.1 - Massa Específica (ρ)


É a massa do fluido por unidade de volume.

( )

Onde: m= massa fluida; V= volume da massa fluida e ρ massa


específica.

Unidades nos sistema:


MK*S  ρ kgf . s2 /m.m³= utm/m³
SI  ρ= N. s2/m.m³ = Kg/m³
CGS  ρ= dina.s2/cm.cm³ = g/cm³

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1.2.2 - Peso Específico (γ)
É o peso do fluido por unidade de volume.

( )

Onde: P = Peso da massa fluida; V= volume do fluido e ρ massa


específica.

Unidades nos sistemas:


MK*S ------- γ= kgf/m³
SI ------- γ= N/m³
CGS ------- γ= dina/cm³

Pode-se deduzir uma relação simples entre peso específico e massa


específica, substituindo o valor do peso na equação 2.

.
. ( )

1.2.3 - Peso Específico Relativo ou Densidade para Líquidos (d)


É a relação entre o peso específico do líquido e o peso específico da água
em condições padrão (destilada / 40C).
Como o peso específico e a massa específica diferem por uma constante,
conclui-se que o peso específico relativo e a massa específica relativa coincidem.

1.2.4 - Pressão (p)


Defini-se pressão, como força por unidade de área, cuja fórmula é:

( )

Onde: p = Pressão; F = Força e A = Área da seção transversal.

Atmosfera Normal (AN): De acordo com a experiência de Torricelli, o valor da


pressão atmosférica (p0 ou patm) ao nível do mar é: p0= 10.328 kgf/m2 = 1,033
kgf/cm2; está é a atmosfera física ou atmosfera normal (AN), que equilibra uma
coluna de mercúrio de 760 mm de altura, ou seja: 1 AN = 10.328 kgf/m2 = 1,033
kgf/cm2 = 760 mmHg

Atmosfera Técnica: Para simplificar, é costume adotar a pressão atmosférica por


p0= 10.000 kgf/m2 = 1kgf/cm2, que é a chamada Atmosfera Técnica. 1 atm =
10.000 kgf/m2 = 1kgf/cm2 = 10 mca = 0,968 AN = 736 mmHg. Atmosfera Local:
A pressão atmosférica diminui quando a altitude aumenta; a coluna de mercúrio
desce, aproximadamente, 1 mm para cada 15m de aumento da altitude.

As unidades de pressão podem ser divididas em três grupos:

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Unidades de pressão propriamente ditas, baseadas na definição (F / A). Entre
elas, as mais utilizadas são: Kgf/m 2; kgf/cm2; N/m2 = Pa (Pascal); daN/cm2 =
Bar (decanewton por centímetro quadrado); lb/pol 2 = PSI (Pounds per Square
Inches = libras por polegada ao quadrado).
A relação entre essas unidades é facilmente obtida por uma simples
transformação: l kgf/cm2 = 104 kgf/m2 = 9,8 x 104 Pa = 0,98 bar = l4,2 psi

Unidades de carga de pressão, utilizadas para indicar pressão. Essas unidades são
indicadas por unidade de comprimento seguida da denominação do fluido que
produziria a carga de pressão (ou coluna) correspondente à pressão dada. Por
exemplo: mmHg (milímetros de mercúrio); mca (metros de coluna de água);
cmca (centímetros de coluna de água). Assim, na prática a representação da
pressão em unidade de coluna do fluido e bastante prática, pois permite
visualizar de imediato a possibilidade que tem certa pressão de elevar um fluido
a certa altura. (veremos quando do estudo do Teorema de Stevin)

Unidades definidas, Entre elas, destacam-se a unidade atmosfera (atm), que, por
definição, é a pressão que poderia elevar de 760 mm uma coluna de mercúrio.
Logo 1 atm = 760 mmHg = 101.230 Pa = 101,23 kPa = 10.330 kgf/m2 = 1,033
kg/cm2 = 1,01 bar = l4,7 psi = 10,33 mca.

1.2.5 - Pressão Efetiva e Pressão Absoluta


A Pressão Efetiva pode ser:

a) Positiva: quando é superior a p0;


b) nula: quando for igual a p0;
c) Negativa: quando é inferior a p0 (é o caso de depressão ou de vácuo parcial).

A pressão efetiva é também conhecida como pressão manométrica, devido


ser a pressão medida pelos manômetros.

A pressão em um ponto também pode ser calculada a partir do zero


absoluto (vácuo perfeito ou total), obtendo-se neste caso, a Pressão Absoluta
(pabs). Agora a pressão nula corresponde ao vácuo total, e, portanto, a pressão
absoluta é sempre positiva. Tem-se:

( )

1.2.6 - Medidores de Pressão

Manômetro: é um instrumento para medir a pressão Efetiva.

Vacuômetro: é um manômetro que indica pressões efetivas negativas, bem como


as positivas e nulas.

Piezômetro: Também chamado de Tubo Piezométrico, é a mais simples forma de


manômetros. Consta de um tubo aberto nas duas extremidades, uma das quais
irá coincidir com o ponto do liquido que se deseja medir a Pressão Efetiva. A

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outra extremidade aberta do tubo fica em contato com a atmosfera, razão porque
os piezômetros não servem para medir a pressão dos gases.

Barômetro: Mede o valor absoluto da Pressão Atmosférica.

Altímetro: É o barômetro construído especialmente para obtenção de altitudes,


como, por exemplo, as de uma aeronave em relação ao nível do mar.

Figura 1 – Esquema mostrando a relação entre as pressões.

1.2.7 - Classificação dos Manômetros

Manômetros de Líquido: São tubos transparentes e recurvados, geralmente em


forma de “U”. Os tubos contêm o líquido manométrico (líquido destinado a medir
a pressão do fluido). Para grandes pressões, usa-se o Hg como líquido
manométrico; para pequenas pressões, os líquidos de pequena densidade (óleo,
etc.)

Figura 2 – Esquema de um manômetro de líquido

Piezômetro (coluna piezométrica): Consiste em um simples tubo de vidro que,


ligado ao reservatório, permite medir diretamente a carga de pressão.

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Figura 3 – Piezômetro – Nota-se a origem da medida de h, no centro do tubo

Manômetros Diferenciais: Os manômetros de tubo em “U”, ligados a dois


reservatórios, em vez de ter um dos ramos abertos à atmosfera, chamam-se
manômetros diferenciais.

Figura 4 – Manômetro diferencial

Manômetros Metálicos: São os mais utilizados nas indústrias (pressões elevadas).


Medem as pressões dos fluidos através da deformação de um tubo metálico
recurvado (a) ou de um diafragma (membrana) que cobre um recipiente
hermético de metal (b). O manômetro metálico é também conhecido como
aneróide, ou barômetro de Vidi ou de Bourdon.

Figura 5 – Manômetros metálicos

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1.2.8 - Outras Propriedades

Tensão superficial: Na interface entre um líquido e um gás, ou entre dois líquidos


imiscíveis, parece que se forma uma película ou camada especial no líquido,
aparentemente devido à tração das moléculas abaixo da superfície. É uma
experiência simples colocar uma pequena agulha na superfície da água em
repouso e observar que a mesma é sustentada pela película. A atração capilar
(capilaridade) é causada pela tensão superficial e pela relação entre a adesão do
líquido e a coesão do líquido. Um líquido que “molha” o sólido tem uma adesão
maior que a coesão. A ação da tensão superficial, neste caso, obriga o líquido a
subir dentro de um pequeno tubo (capilar) vertical que esteja parcialmente
imerso nesse líquido. Para líquidos que não “molham” o sólido, a tensão
superficial tende a rebaixar o menisco num pequeno tubo vertical.

Figura 6 – Efeito da tensão superficial

Adesão: É a propriedade de o líquido aderir às paredes do recipiente que o


contém.

Coesão: Manifesta-se na formação de uma gota do líquido e responsável pela


atomização líquida, conhecida como efeito spray.

Figura 7 – Efeito da adesão e capilaridade

Figura 8 – Efeito da coesão

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1.2.9 - Teorema ou Lei de Stevin
A diferença de pressão entre dois pontos de um fluido em repouso é igual
ao produto do peso específico do fluido, pela diferença de cotas dos dois pontos.

. . . ( )

Onde: p1= pressão efetiva no ponto 1; p2= pressão efetiva no ponto 2 e h


= diferença de profundidade ou de cota entre os pontos 1 e 2.
Se o ponto 1 estiver na superfície livre: p1 = patm ou p0 (pressão
atmosférica), passando p1 para o segundo membro, obtem-se: p2 = pa + γ h, onde
h, seria a profundidade ou cota do ponto 2.

Figura 9 – Esquema mostrando a relação para a lei de Stevin

Considerando a profundidade ou cota tomada em relação à superfície


livre, a pressão manométrica ou efetiva do ponto, será: p= γ h.

O que é importante notar nesse teorema é que:

a) Na diferença de pressão entre dois pontos não interessa a distância entre eles,
mas a diferenças de cotas;
b) a pressão dos pontos em um mesmo plano ou nível horizontal é a mesma;
c) o formato do recipiente não importa para o cálculo em algum ponto. (vasos
comunicantes).

Figura 10 – Vasos comunicantes

1.2.9.1 - Pressão Lateral e Pressão na Base

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A pressão lateral e da base depende apenas da altura e do peso específico
do líquido, qualquer que seja o formato do recipiente.

Figura 11 – Esquemas mostrando a dependência da pressão com a altura.

1.2.10 - Lei de Pascal

“A pressão aplicada em um ponto de um fluido em repouso transmite-


se em igual intensidade a todos os pontos do fluido.”

Essa lei apresente sua maior importância em problemas de dispositivos


que transmitem e ampliam uma força através da pressão aplicada num fluido,
como, por exemplo, as prensas hidráulicas.

Figura
12 – Desenho esquemático de uma Prensa Hidráulica

Entre os pontos (1) e (2), a equação fica representada:

A pressão no ponto (1):

( )

A pressão no ponto (2):

10
( )

De acordo com o princípio de Pascal p1 = p2, então:

( )

1.2.11- Principio de Arquimedes (Empuxo)


Um corpo imerso o flutuando em um fluido, está sujeito a uma força
vertical de baixo para cima, com intensidade igual ao peso do volume deslocado
chamada de Empuxo. A aplicação do Empuxo ocorre no Centro de Carena (CC).

. . . ( )

Onde: E= empuxo; γ= peso específico do fluido; Vdesl = volume deslocado


pelo corpo.

1.2.11.1 - Condições de Flutuação


A condição de flutuação ou submersão será dada, pela resultante do
sistema de forças entre o peso do corpo e o empuxo gerado, nas seguintes
condições:

E = empuxo, P = peso do corpo e R= resultante, R= E – W;

R>0  Flutua;
R=0  Indiferente (o corpo fica inteiramente mergulhado e em equilíbrio em
qualquer parte da massa líquida);
R<0  Submerge.

Figura 13 – Esquema mostrando a flutuação de um corpo

1.3 - Hidrodinâmica
A hidrodinâmica tem por objetivo o estudo do movimento dos líquidos.
A solução dos problemas de hidrodinâmica, neste curso, é feita pelo método de
Euler, que estuda, no decorrer do tempo e em determinado ponto do fluido as
variações de velocidade.

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1.3.1-Viscosidade
Propriedade de importância fundamental no estudo dos movimentos dos
líquidos, a viscosidade, tem grande importância nos problemas de engenharia,
sobretudo na área de mecânica (rolamentos, caixas de engrenagens, sistemas
hidráulicos, motores, etc.).
Sabemos que devido à fluidez ocorre fácil mudança de forma do fluido,
sob ação do esforço cortante. Em virtude da coesão molecular, surge a
viscosidade, que é a resistência do fluido ao esforço cortante ou cisalhamento, ou
seja, a resistência que o fluido opõe ao escoamento . Portanto, a viscosidade é
contrária à fluidez; os líquidos mais viscosos (glicerina, óleo não-refinado, tinta
de impressão, etc.) têm menor fluidez, e vice-versa. Tanto a viscosidade como a
fluidez são propriedades características de cada fluido, que se manifestam em
seu interior, independentemente do material sólido com que estão em contato. A
pressão não interfere na viscosidade, a não ser em condições excepcionais, por
exemplo, certos tipos de óleos somente se transformam em sólidos plásticos, se a
pressão for superior a 2000 kfg/cm2.

1.3.1.1 - Viscosidade Dinâmica ou Absoluta (μ)


Na figura a seguir, sejam:

F= Força atuando na placa sólida, móvel, de modo a dar-lhe a velocidade U em


escoamento laminar; (U=velocidade média)
A= Área de cada uma das placas sólidas, distanciadas de dy;
 = (F/A) = Tensão cisalhante (esforço tangencial que tende a separar o fluido
entre as duas placas);
dv= Acréscimo de velocidade entre duas lâminas fluidas, distanciadas de dy.

Figura 14 – Esquema mostrando a definição de viscosidade absoluta

Temos que:

12
( )

Onde (µ), é a viscosidade dinâmica ou absoluta do fluido

Unidades nos sistemas:


MK*S μ = kgf.s/m2
SI μ = N.s/m2
CGS μ = dina.s/cm2 = poise

Utiliza-se também o centipoise, 1,0 cPoise = 0,01 poise.


Nota-se que a viscosidade dinâmica possui um valor para cada fluido e
varia para um mesmo fluido, principalmente em relação à temperatura. Os gases
e os líquidos comportam-se diferentes quanto a esse aspecto.
Nos líquidos, a viscosidade diminui com o aumento da temperatura,
enquanto nos gases a viscosidade aumenta com o aumento da temperatura.

1.3.1.2 - Viscosidade Cinemática (ν)


A massa de um corpo é uma característica da quantidade de matéria
contida nesse corpo, isto é, trata-se de uma característica da inércia que o corpo
opõe ao movimento.
Os efeitos da viscosidade serão tanto maiores quanto menor a inércia do
fluido, ou seja, quanto menor sua massa específica ρ. Então, é útil estabelecer a
razão entre a viscosidade dinâmica e sua massa específica.

( )
Onde (ν) é a viscosidade cinemática do fluído.

Unidades nos sistemas:


MK*S  = m2/s
SI  = m2/s
CGS  = cm2/s = stoke (St);

Utiliza-se ainda o centistokes, 1,0 cSt= 0,01 St.


Das unidades, verifica-se que o nome- viscosidade cinemática- deve-se ao
fato dessa grandeza não envolver força, mas somente comprimento e tempo, que
são as grandezas fundamentais da cinemática.

1.3.1.3 - Variação da Viscosidade com a Temperatura


Nos líquidos a viscosidade () diminui com o aumento da temperatura,
suposta constante a pressão. Nos gases, ao contrário, a viscosidade dinâmica
aumenta quando a temperatura cresce, admitindo-se constante a pressão.
A viscosidade cinemática dos líquidos e dos gases a uma dada pressão é
preponderantemente uma função da temperatura, ou seja, é praticamente
independente da pressão, dependendo somente da temperatura.

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1.3.2-Vazão(Q)
É a quantidade de fluido que passa por uma seção na unidade de tempo.
A vazão pode ser medida em unidade de volume, de peso ou de massa No
presente curso, como trabalharemos somente com líquidos que consideramos
incompressíveis, adotaremos vazão em volume.

( )

Onde V= volume e t= tempo; demonstra-se que Q = v.A, onde v=


velocidade da corrente fluida e A= área da seção transversal do conduto.

1.3.3- Classificação dos Movimentos

1.3.3.1 – Quanto ao regime

Regime Variado: É aquele em que as condições do fluido em alguns pontos ou


regiões de pontos variam com o passar do tempo, como, por exemplo, nos rios
sujeitos às mares, a vazão varia com o tempo.

Regime Permanente: É aquele em que as propriedades do fluido são invariáveis


com o passar do tempo. Note-se que as propriedades podem variar de ponto
para ponto, desde que não haja variações com o tempo.
Neste curso adotaremos o Regime Permanente, onde a vazão é constante.

1.3.3.2- Quanto a Trajetória das Partículas:

Escoamento Laminar: As trajetórias das partículas são bem definidas e não se


cruzam.

Figura 15 – Esquema mostrando o regime laminar

Escoamento Turbulento: É aquele em que as partículas apresentam um


movimento aleatório, ou seja, as partículas se movem desordenadamente.

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Figura 16 – Esquema mostrando o regime turbulento

O escoamento laminar é o menos comum na prática, mas pode ser


visualizado num filete de água de uma torneira pouco aberta ou no início da
trajetória seguida pela fumaça de um cigarro, já que a certa distância notam-se
movimentos transversais.
Reynolds verificou que o fato do movimento ser laminar ou turbulento,
depende de um valor adimensional dado por:

. . .
( )

Onde: Re= Número de Reynolds; D= diâmetro; v= velocidade média; ρ


massa específica; μ = viscosidade absoluta e ν viscosidade cinemática.
Essa expressão se chama Número de Reynolds e mostra que o tipo de
escoamento depende do conjunto de grandezas v,D e ν, e não somente de cada
uma delas.
Reynolds verificou que, no caso de tubos, seriam observados os seguintes
valores:

Re < 2.000 Escoamento laminar;


2.000<Re<4000 Escoamento de transição;
Re> 4000 Escoamento turbulento.

1.3.3.3 - Quanto a Velocidade:

Movimento Uniforme: É quando a velocidade média permanece constante ao


longo da corrente.

Movimento Não Uniforme: É quando a velocidade média varia em pontos da


corrente. Os movimentos, nesses casos, podem ser acelerados, quando a
velocidade média aumenta e retardados quando a velocidade média diminui ao
longo da corrente.

1.3.4- Equação da Continuidade:


No escoamento permanente, é constate o produto v.A, ou seja, é constante
o produto de cada seção transversal (A) do tubo pela respectiva velocidade
média das partículas naquela seção.
Para dois pontos de uma tubulação, temos de acordo com a figura abaixo,
considerando o fluido como ideal:

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Figura 17 – Esquema representando o escoamento de um fluido por duas seções 1 e 2.

. ( )

e,

. ( )

Como: Q1 = Q2, Tem-se que:

. . ( )

1.3.4.1- Linha de Corrente:


É a trajetória descrita pela partícula fluida.

1.3.4.2- Tubo de corrente:


Ë um conjunto constituído de linhas de corrente, ou uma figura imaginária
limitada por linhas de corrente.

1.3.5- O teorema de Bernoulli


Deriva da Equação de Euler, com simplificações, partindo-se de uma
equação mais simples.
É óbvio que cada hipótese admitida cria um afastamento entre os
resultados obtidos pela equação e o observado na prática. No entanto, é de
importância fundamental, seja conceitualmente, seja como alicerce da equação
geral, que será construída pela eliminação gradual das hipóteses da equação de
Bernoulli e pela introdução dos termos necessários, para que a equação
represente com exatidão os fenômenos naturais.
As hipóteses simplificadoras são:

a)Regime permanente;
b)Sem máquina no trecho de escoamento em estudo. Entenda-se por máquina
qualquer dispositivo mecânico que forneça ou retire energia do fluido, na forma
de trabalho. As que fornecem energia ao fluido são denominadas, máquinas

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motrizes e as que extraem energia do fluido são denominadas máquinas
movidas;
c)Sem perdas por atrito no escoamento do fluido ou fluido ideal;
d)Propriedades uniformes nas seções;
e)Fluido incompressível;
f)Sem trocas de calor.

1.3.6- O teorema de Bernoulli para Fluidos Ideais


A equação de Bernoulli para fluidos ideais, leva em conta todas as
hipóteses elencadas acima e seu enunciado diz:

“Ao longo de qualquer linha de corrente é constante a soma das energias


potencial, cinética e de pressão ou piezométrica”.

Este teorema é uma extensão do princípio da conservação da energia. A


equação de Bernoulli facilita o estudo de sistemas fluidos, visto que, transforma
as três parcelas de energias em equivalentes colunas fluidas, como pode ser visto
na figura abaixo.

Figura 18 – Esquema mostrando as três parcelas de energia em um tubo de corrente

( )

Onde: Energia Potencial ou de Posição (z); Energia Cinética (v2/2g);


Energia de Pressão ou Piezométrica (p/γ).

1.3.6.1 - Fluido Ideal


É aquele cuja viscosidade é nula. Por essa definição conclui-se que é um
fluido que escoa sem perdas de energia por atrito. É evidente que nenhum fluido
possui essa propriedade; no entanto, será visto no decorrer do estudo que

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algumas vezes será interessante admitir essa hipótese, ou por razões didáticas
ou pelo fato de a viscosidade ser efeito secundário do fenômeno.

1.3.6.2 - Fluido ou Escoamento Incompressível


Diz-se que um fluido é incompressível se o seu volume não varia ao
modificar a pressão. Isso implica o fato de que, se o fluido for incompressível, a
sua massa específica não varia com a pressão. É claro que, na prática, não
existem fluidos nessas condições. Os líquidos, porém, têm um comportamento
muito próximo a esse, e na prática, normalmente, são considerados como
incompressíveis.

Figura 19 – Esquemas mostrando as relações entre as três energias em escoamento incompressível

Nos esquemas acima, baseados no teorema de Bernoulli para fluidos


ideais, conclui-se que:

(I) Aumentando-se a energia cinética (pela diminuição de seção) a energia de


pressão diminui e vice-versa;

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(II) Diminuindo a altura (energia potencial z) e mantendo-se a energia cinética, a
energia de pressão aumenta ou vice-versa.

1.3.7 - Aplicações do Teorema de Bernoulli

1.3.7.1 - Teorema de Torricelli


Aplica-se para soluções de velocidade em orifício de recipiente de paredes
delgadas e tubo de Pitot.

. ( )

Recipientes de paredes delgadas: A velocidade de um líquido, jorrando por um


orifício em parede delgada, é igual à velocidade que teria um corpo caindo
livremente da altura h (medida entre o centro o orifício e a superfície livre do
líquido contido no recipiente).

Figura 20 – Recipiente de parede delgada

Tubo de Pitot: Serve para medir a velocidade em um ponto qualquer de uma


corrente líquida (rio, canal, etc.) Consiste em um tubo de vidro recurvado, de
pequeno diâmetro e aberto nas duas extremidades.

Figura 21 – Tubo de Pitot

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1.3.8- Equação de Bernoulli para Fluidos Reais:
A experiência mostra que, no escoamento dos Fluidos Reais, uma parte da
sua energia se dissipa em forma de calor e nos turbilhões que se formam na
corrente fluida. Essa parte de energia é consumida pelo Fluido Real ao vencer
diversas resistências, que não foram levadas em conta ao tratarmos do Fluido
Ideal. Uma das resistências é causada pela Viscosidade do Fluido Real, outra é
provocada pelo contato do fluido com a parede interna do conduto. Várias
resistências são causadas na tubulação por peças de adaptação ou conexões
(curvas, joelhos, tês, registros, etc.). Assim, a carga no Fluido Real, não é mais
aquele valor visto na Equação de Bernoulli para Fluidos Ideais, pois uma parte da
carga ficou perdida no fluido real, a chamada “Perda de Carga”.
Considerando a Equação de Bernoulli entre os pontos (1) e (2) da figura
abaixo, sendo o processo no sentido de (1) para (2), temos:

( )

Onde: hf é a somatória das perdas ocorridas ao longo da trajetória fluida.

Figura 22 – Esquema mostrando as três parcelas de energia em um tubo de corrente com perda de carga

As perdas de carga estão classificadas em perdas de Carga ao longo de um


conduto e Perdas de Carga Localizadas.
Conduto é qualquer estrutura sólida, destinada ao transporte de fluidos.

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APÊNDICE 1

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