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Introdução a Meditação Guiada de Purificação

Como nessa meditação eu estou trabalhando com uma linha espiritual específica pode ser que
alguns termos possam ser desconhecidos por muitos e simplesmente por isso, pode ser que a
pessoa perca uma enorme oportunidade para trabalhar em si mesmo e em seu caminho
espiritual. O Budismo, o Bon Po e assim como o Tantra Tibetano tem muito material e muita
coisa para ser estudada e se esse é o seu desejo não deixe de buscar mais conhecimento sobre
esse caminho.

Em primeiro lugar utilizamos o mantra. Gosto de dizer que o mantra é uma prece cantada, mas
ele é mais do que isso. A palavra sânscrita “mantra” significa literalmente “proteção da mente”.
Os mantras são energias de som positivas que protegem a mente das energias, emoções,
influências e pensamentos negativos. Repetir mantras em momento de estresse ou ansiedade
nos ajuda a ficar mais calmos e tranquilos. Os mantras nos possibilitam uma conexão com uma
fonte coletiva de cura (no nível energético), pois receberam essa energia de cura durante séculos
e séculos, por muitas gerações de pessoas que os utilizaram para trazer paz e cura para suas
vidas.

Os mantras também protegem a mente transformando a forma comum como vemos as


situações externas. O mundo, tal como vemos, é em grande parte uma interpretação subjetiva
baseada em nossa educação e em nossas próprias projeções. Por exemplo, quando estamos
aborrecidos ou sob a influência de nossas ilusões, tendemos a ver as outras pessoas de forma
negativa, atribuindo nossos próprios pensamentos e motivações negativos a elas. Os mantras
nos preenchem de energia positiva e, por isso, nos sentimos melhor quando os recitamos, e
começamos a perceber as outras pessoas como boas, gentis e simpáticas.

Como uma oração cantada como gosto de dizer, o mantra também nos conecta com
determinada divindade e diversas energias e dessa forma eles trabalham nessa esfera
energética e de devoção.

Outro termo que usamos e que pode parecer alienígena para muitos é o Vajrassatva. Falar de
famílias de budas e de um panteão tão extenso como do Budismo Tibetano está fora da minha
capacidade, já que sou mais voltada ao Zen Budismo Coreano. De toda forma, Vajrassatva em si
mesmo já está voltado a prática de purificação e que ele faz parte da família de Akshobya. O
nome de Akshobya significa “O Inabalável” ou “O Inamovível”, qualidade que se reflete em seu
símbolo, o vajra ou raio.

Akshobya é o mestre da Família Vajra, que também inclui Vajrasattva e muitas divindades iradas
como Heruka, Hevajra, Yamantaka, etc. Existem mais divindades iradas na família Vajra devido
à associação do vajra com o poder.

Entretanto, a prática Vajrasattva é uma conhecida prática de purificação e com ela que estamos
trabalhando nessa meditação. Na prática budista a função principal de Vajrasattva é purificar os
véus que cobrem nosso consciente: a ignorância, perturbações internas e dívidas cármicas. Estes
véus podem ser considerados:

1 - A causa da miséria e do sofrimento em nossa existência.

2 - Um obstáculo no caminho para a autoconsciência e da verdadeira natureza da vida.


Independente de terminologias, de divindades específicas, devamos nos lembrar que Buda foi
um mestre, assim como houveram tantos outros mestres e seres de pura luz pelo mundo em
tantas religiões diferentes. Então, ao meditar sinta-se livre para visualizar o mestre de sua
preferência.

Para terminar eu quero recitar uma parte de um livro muito especial tibetano que fala um pouco
da prática de purificação:

O título é: Os Quatro Poderes Oponentes

1- A primeira etapa para curarmos uma ação negativa ou destrutiva é reconhecer que
fizemos algo errado ou prejudicial. Se nos recusarmos a reconhecer que tem algo errado
em nosso comportamento, evidentemente não podemos gerar a motivação para
purifica-lo.
2- Em geral, nossos atos destrutivos são cometidos em relação a uma outra pessoa, ou a
um outro ser, como os seres espiritualmente desenvolvidos, a outros seres, a nós
mesmos ou ao meio ambiente. Precisamos desenvolver respeito pelos outros e começar
a construir relacionamentos positivos.
3- Para fazer isso, precisamos mudar nosso comportamento conscientemente e/ou
trabalhar o problema energético por trás dele. Por exemplo, podemos usar o mantra de
Vajrasattva para “limpar” nossa energia, mas, ao mesmo tempo, devemos também
mudar nosso comportamento, decidindo agir com mais consideração em relação aos
outros. A forma mais profunda de purificação acontece quando nossa mente se conecta
com a ausência de existência independente e se funde com o espaço sem ego. Isso cura
os distúrbios em nossa energia interna (causados por nossas ilusões e suas marcas), e
nos dá a possibilidade de nos libertar de todos os padrões restritivos e emocionalmente
limitados.
4- Precisamos tornar a mudança de comportamento parte de nosso modo de vida, pois é
inútil continuar a repetir os mesmos erros: brigar, pedir desculpas e brigar de novo no
dia seguinte. Devemos prometer a nós mesmos, em nome de nosso próprio auto
respeito, tentar ser pacientes um dia inteiro. Depois, devemos desenvolver
gradualmente essa paciência e torna-la um hábito. Provando a nós mesmos que temos
o controle de nossa vida, em vez de sermos controlados por nosso humor e por nossas
emoções negativas, começaremos a nos sentir mais positivos em relação a nós mesmos.

Nossos condicionamentos e reações emocionais negativos estão profundamente arraigados


em nós. Por isso, temos de ser pacientes também em relação a eles. Evidentemente, apenas
repetir o mantra de Vajrasattva não é suficiente para realizar uma mudança completa do
dia para a noite, mas, pouco a pouco, essa recitação vai aumentando nossa porcentagem de
energia pura e, como resultado, nossa vida automaticamente se torna mais positiva.

Agora como dica, caso queira seguir as sugestões do Lama Rimpoche, cante mantra, cante
muito mantra, todos os dias, sempre que sentir que algo está para explodir dentro de você,
sempre que precisar de paz e calma e não apenas quando quiser satisfazer seus desejos
mundanos. Trabalhe a energia que quiser trabalhar, mas cante sempre que precisa de algo
para te ajudar a evitar uma conduta que será prejudicial pra você.