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FUNDAÇÃO CENTRO TECNOLÓGICO DE HIDRÁULICA

Modelos de cálculo do
transporte de sedimentos

José Rodolfo Scarati Martins


Francisco Martins Fadiga Jr

Separata para o curso PHD 5709 Hidráulica Fluvial


Prof. Dr. Giorgio Brighetti

São Paulo
2001
O MÉTODO DE ACKERS; WHITE (1983)

O método proposto por ACKERS; WHITE é baseado na análise adimensional dos parâmetros envolvidos
no transporte sólido. As equações foram desenvolvidas com base em quase 1000 experimentos
realizados com partículas uniformes ou quase uniformes e profundidades de escoamento de até 0.4 m.
Escoamentos com número de Froude maiores que 0.8 foram excluídos da amostra.

O método aplica-se a sedimentos com diâmetros característicos menores que 4 mm e maiores que 0.04
mm (silte), pois diâmetros menores apresentam comportamento coesivo, o que não é representado nas
equações convencionais de transporte. Foi comprovado pelos autores que o método não é sensível à
conformação do fundo, podendo ser aplicado para fundo plano, rugas ou dunas.

Os autores vincularam o movimento dos sedimentos às seguintes grandezas:

a) tamanho da partícula: D (D35)


b) peso específico da água (1000 kgf/m3): γ
c) peso específico do sedimento: γs
d) densidade do sedimento: s= γ s/γγ
e) velocidade média do escoamento: V
f) profundidade do escoamento: d
g) velocidade de atrito: v * = gdSf
h) viscosidade cinemática do fluido ν
i) aceleração da gravidade g.

Mobilidade do sedimento

a) O transporte de fundo é admitido como sendo responsável pelo transporte das partículas mais
grosseiras. Se existe esta interação com o fundo, admite-se que existe uma relação entre a tensão de
atrito e a velocidade média do escoamento como uma superfície rugosa em repouso. Isto é obtido pelo
desenvolvimento da equação do escoamento turbulento rugoso.

τ cg V
=
ρ  αd 
32 log 
 D
(35)

onde:
τ cg = tensão de atrito devida a grãos grosseiros,
ρ = massa específica do fluido,
α = coeficiente experimental,
d = profundidade do escoamento,
D = diâmetro característico do sedimento (D35).

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Baseados na análise de dados, os autores sugerem o valor exato 10 para o coeficiente α , muito próximo
do valor 12.3 usualmente utilizado nas equações do escoamento turbulento rugoso.

Considera-se que o material mais fino é transportado pelo corpo do escoamento, onde é mantido
suspenso pela ação da turbulência. Como a intensidade da turbulência é dependente da perda de energia
total do escoamento ao invés de uma resistência devida aos grãos isoladamente, para os materiais finos
vale:

τ fg
= v * = gdi
ρ
(36)
onde:
τ fg = tensão de atrito devida a grãos finos,
v* = velocidade de atrito.

A equação (36) exprime a velocidade de atrito no caso de regime uniforme (Sf=i). No caso do
escoamento transitório, este parâmetro será calculado em função da declividade da linha de energia Sf,
que neste caso é diferente da declividade de fundo.

A mobilidade do sedimento é descrita pela razão entre a força de atrito apropriada e o peso submerso de
uma camada de grãos por unidade de área do leito. Esta razão, traduzida em um fator denominado
número de mobilidade do sedimento Fgr, é dada por:

1− n
 
v *n  V 
Fgr =  
gD( s − 1)  32 log αd 
 D 
(37)
onde:
n = expoente.

Para os sedimentos finos que são transportados pelo corpo do escoamento, portanto fora da camada
limite, assume-se n=1 e a expressão (37) reduz-se a:

v *n
Fgr =
gD( s − 1)
(38)

Para sedimentos grosseiros, no entanto, é necessário corrigir o perfil de velocidades devido ao transporte
de fundo, abaixo da camada limite, fazendo-se n=0:

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 
v *n  V 
Fgr =  
gD( s − 1)  32 log αd 
 D 
(39)

Para tamanhos intermediários do sedimento, n pode assumir valores entre 0 e 1. Por hipótese, o valor de
n irá depender de uma expressão adimensional para o diâmetro das partículas.

Diâmetro adimensional para o sedimento

A expressão para o diâmetro adimensional do sedimento pode ser obtida por diversas maneiras, como
por exemplo por meio da análise adimensional tendo como variáveis o peso submerso de um grão
individual, a densidade e a viscosidade do fluido; ou eliminando-se a velocidade de atrito nas expressões
para a força de arraste e o número de Reynolds de uma partícula (YALIN, 1977). O diâmetro
adimensional é aplicável a sedimentos de tamanhos diversos, grosseiros, de transição ou finos, e é dado
por:

 g ( s − 1) 
1/3

D gr = D  
 ν 
2

(40)
onde:
ν = viscosidade cinemática do fluido.

Para s=2.65, Dgr expressa a existência de sedimentos finos para valores Dgr≤ 1, correspondentes a
D≤≤ 0.04mm. O intervalo 1<Dgr<60 representa a região de transição e Dgr≥ 60 corresponde a sedimentos
grosseiros (D>2.5mm).

Transporte de sedimentos

O transporte de sedimentos é dado por uma expressão geral de transporte:

n
Xd  v* 
G gr =  
sD V 
(41)
onde:
X = Fluxo em massa de sedimentos por vazão líquida em massa.

Para a obtenção de uma relação entre Ggr e Fgr, foram analisadas pelos autores várias fontes de dados
contendo medições para areias de diâmetros considerados de transição. Por meio de um processo de
otimização, foi possível identificar uma relação do tipo:

m
 Fgr 
G gr = C  − 1
 A 
(42)

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Os valores de n, A, m e C associados a Dgr são dados por:

a) para Dgr≤1 (sedimentos finos):


n = 1. 00
(43)

b) para 1.00<Dgr≤
≤ 60 (transição):

n = 1. 00 − 0. 56 log D gr
(44)

0. 23
A= + 0.14
D gr
(45)

9. 66
m= + 1. 34
D gr
(46)

( )
2
log C = 2.86 log D gr − log Dgr − 353
.
(47)

c) para Dgr>60 (sedimentos grosseiros):

n=0
(48)
A = 0.17
(49)
m = 1.50
(50)
C = 0. 025
(51)

FIG. 13: COEFICIENTES PARA A FUNÇÃO GERAL DE TRANSPORTE SÓLIDO (ACKERS; WHITE, 1983).

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Fluxo em massa de sedimentos por vazão líquida em massa, X

Uma vez calculados os parâmetros do método, é possível obter o valor de X por meio da equação (41). X
pode ser convertido em descarga sólida (kg/s) por:

Q s = XQρ
(52)

MÉTODO DE VAN RIJN (1984)

O método de VAN RIJN representou um avanço significativo nas estimativas de transporte sólido e
resistência ao escoamento, devido ao rigor teórico e à qualidade apresentada em suas análises. Além de
considerar o transporte sólido separado em transporte de fundo e suspensão, van Rijn procurou estudar e
definir os critérios para identificar o início do transporte em suspensão. Procurou também obter uma
relação para caracterizar o diâmetro do sedimento em suspensão, que é consideravelmente menor que as
partículas que são transportadas junto ao fundo. Por fim, van Rijn apresenta as relações para o
transporte sólido baseadas na integração dos perfis de concentração e de velocidade, o que acrescenta
maior sofisticação ao cálculo.

O cálculo do transporte sólido divide-se em duas etapas distintas, que são a determinação do transporte
de fundo e a do transporte em suspensão.

O equacionamento para o cálculo do transporte de fundo foi desenvolvido com base em 580
experimentos e cobre uma faixa de diâmetros das partículas entre 0.2 mm e 2.0 mm. O transporte em
suspensão para sedimentos finos foi estudado baseando-se em 800 experimentos, com validade em uma
faixa de diâmetros das partículas entre 0.1-0.5 mm.

A análise está vinculada às seguintes grandezas:

a) velocidade média do escoamento: V


b) profundidade: d
c) largura superficial: B
d) diâmetros característicos das partículas: D50, D90,
e) massa específica da água e do sedimento: ρ e ρ s,
f) viscosidade cinemática do fluido: ν
g) aceleração da gravidade: g
1  D50 D84 
h) desvio padrão geométrico da amostra de sedimentos: σg =  + 
2  D16 D50 
(53)

Determinação do transporte de fundo

É utilizado o diâmetro adimensional do sedimento (Dgr), calculado de acordo com a equação (40),
porém utilizando-se o diâmetro característico D50, que apresentou um melhor ajuste para o cálculo do
transporte de fundo
Define-se um parâmetro adicional (T) que expressa a mobilidade das partículas em relação ao estado
crítico de início de movimento conforme proposto por Shields (Figura 14).

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(v ′ ) − ( v )
2 2
* *,cr
T=
(v )
2
*,cr
(54)

onde:

v*' = velocidade de atrito dos grãos relativa ao fundo,


v*,cr = velocidade de atrito crítica de acordo com Shields.

FIG. 14: INÍCIO DE MOVIMENTO (VAN RIJN, 1984).

Utilizando o parâmetro T, van Rijn apresenta um critério de classificação da conformação do fundo para
o regime inferior de escoamento (Figura 15).

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FIG. 15: CLASSIFICAÇÃO DA CONFORMAÇÃO DO FUNDO (VAN RIJN, 1984)

Por este conceito, v*' é descrito em função da velocidade média do escoamento e de um coeficiente de
Chèzy relacionado aos grãos, tendo por valor máximo

v *,máx = gdSf .

V g
v *′ =
C′
(55)

O coeficiente de Chèzy (C') relacionado aos grãos, por sua vez, é dado por:

 12 Rb 
C ′ = 18 log 
 3D90 
(56)

onde:

Rb = raio hidráulico relativo ao fundo de acordo com a correção de


paredes (VANONI-BROOKS, 1957).

O cálculo do raio hidráulico por meio desta metodologia visa representar a mudança na rugosidade
geralmente encontrada entre o fundo e as margens do canal.

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Com estes parâmetros, o transporte de fundo por unidade de largura (m3/s⋅m) será dado por:

qb T 2.1
= 0.053
[( s − 1) g ] 0.5
D50
1.5 D gr0.3
(57)

Determinação do transporte em suspensão

Início do transporte em suspensão

A separação clara do transporte sólido em transporte de fundo e transporte em suspensão trata-se de uma
idealização das condições reais. De fato, não existe uma fronteira definida a partir da qual se possa
distinguir se o caminho dos grãos encontra-se junto ao fundo ou se as partículas prosseguem em
suspensão.

É necessário estabelecer um critério e determinar em quais condições o início do transporte em


suspensão ocorre. Existem várias teorias que tentam representar este fato. Para manter a coerência, será
utilizada a metodologia proposta por van Rijn.

Para tanto, van Rijn propõe o seguinte critério, que representa as condições onde algumas partículas do
sedimento são retiradas do fundo passando a ficar suspensas:

v*,crs 4
= para 1 < Dgr ≤ 10
ws Dgr
(58)
v*,crs
= 0.4 para Dgr > 10
ws

onde:
ws = velocidade de queda do sedimento em suspensão,
v*,crs = velocidade de atrito crítica para que haja transporte em suspensão.

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FIG. 16: INÍCIO DE SUSPENSÃO (VAN RIJN, 1984).

A velocidade de queda do sedimento em suspensão, ws (m/s) pode ser calculada de acordo com as
condições do escoamento e do tamanho das partículas:

a) Em um fluido limpo e em repouso, a velocidade de queda de uma partícula solitária menor que 100µ
m (lei de Stokes) pode ser descrita como:

1 ( s − 1) gDs2
ws =
18 ν
(59)

b) para partículas suspensas na faixa 100-1000µm, pode-se utilizar:

ν  0.01( s − 1) gD 3  0.5 


s
w s = 10 1 +  − 1 
Ds  ν2  
(60)

c) para partículas maiores que 1000µm pode-se fazer ainda:

[
. ( s − 1) gDs
w s = 11 ] 0.5

(61)

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Nas equações (59), (60) e (61), Ds expressa o diâmetro representativo das partículas em suspensão.
Usualmente, as partículas transportadas em suspensão são consideravelmente menores que aquelas
transportadas junto ao fundo. Basicamente, pode-se classificar o material do leito em intervalos de
diâmetros, calculando o transporte para cada intervalo e assumindo que as partículas classificadas em
intervalos diferentes não sofrem influência de outras (EINSTEIN, 1950 apud VAN RIJN, 1984). Esta
metodologia, no entanto, tem a desvantagem de revelar-se muito dispendiosa em termos de recursos
computacionais nos cálculos morfológicos.

Como alternativa, VAN RIJN propõe uma nova expressão, baseada em estudos que tiveram por objetivo
reproduzir os resultados obtidos pelo método de EINSTEIN apud VAN RIJN (1984).

Ds
D50
( )
= 1 + 0.011 σ g − 1 (T − 25)
(62)

≥ 25.
com o valor limite Ds=D50 para T≥

Parâmetro de suspensão

Além do adimensional Dgr e do parâmetro de mobilidade T, é definido um parâmetro que expressa a


influência das forças devido à turbulência, que mantém o sedimento em suspensão, e as forças
gravitacionais, que têm o sentido de cima para baixo, denominado parâmetro de suspensão Z:

ws
Z=
βκv *
(63)
onde:
κ = constante de von Kàrman=0.40.
β = coeficiente relacionado com a difusão das partículas,

O coeficiente β representa a diferença existente entre a difusão de uma partícula solitária e a difusão de
uma partícula em um meio fluido. Seu valor é considerado constante ao longo da profundidade.

2
 ws  ws
β = 1 + 2  . <
para 01 <1
 v*  v*
(64)

Nível de referência, altura da conformação do fundo

É introduzido o conceito do nível de referência (a), abaixo do qual somente ocorre transporte de fundo, e
que está relacionado com a altura da conformação do fundo ∆ (Figura 17).

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FIG. 17: ESQUEMA DE DEFINIÇÃO PARA A CONCENTRAÇÃO DE REFERÊNCIA (VAN RIJN, 1984).

Em sua análise, VAN RIJN adota para o nível de referência, o valor da metade da altura da conformação
do fundo ou o valor da rugosidade equivalente de Nikuradse ks (item 79), com um valor mínimo de 1%
da profundidade do escoamento para garantia das hipóteses adotadas.

Para o valor de ∆ , desde que 0≤


≤ T≤
≤ 25 (correspondente a escoamento sobre rugas e dunas), VAN RIJN
propõe:


0. 3
 D50 
d
= 011
. 
 d 
 (1 − e −0.5T )( 25 − T )
(65)

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FIG. 18: VARIAÇÃO DE ∆ (VAN RIJN, 1984).

Para valores de T fora deste intervalo, a conformação do fundo é quase plana, não havendo sentido em
calcular o valor do parâmetro ∆ . Nesta faixa de valores de T, a profundidade de referência depende
somente do tamanho das partículas, representado pela rugosidade equivalente ks.

Portanto:

para 0 ≤ T ≤ 25 a = max(0.01d ,0.5∆ )


(66)
para T < 0 ou T > 25 a = max(0.01d , k s )

Concentração de referência

A concentração de referência relacionada ao transporte em suspensão representa o valor relacionado


com o transporte de fundo abaixo do nível de referência a.

D 50 T1.5
c a = 0. 015
a D 0gr.3
(67)

Fator de correção do parâmetro de suspensão

O parâmetro de suspensão Z deve ter seu valor corrigido, pois existem alguns efeitos adicionais que
agem sobre as partículas. As partículas ocupam um determinado volume no escoamento . Há redução na
velocidade de queda em meios onde a concentração é elevada, devido às partículas encontradas ao redor
e o sedimento exerce influência na estrutura do fenômeno da turbulência.

Estes efeitos são representados por um fator ϕ , obtido através da análise de vários conjuntos de dados de
condições hidráulicas diferentes.

Z′ = Z + ϕ
(68)

0.8 0.4
 w s   ca  ws
ϕ = 2.5    para 0.01 ≤ ≤1
 v *   c0  v*
(69)

onde:
c0 = máxima concentração de fundo = 0.65 ppm.

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Cálculo do transporte em suspensão

A descarga sólida em suspensão por unidade de largura (m3/s⋅m) pode ser obtida, por unidade de
largura, através de:

 a   0.5d  d − z   z 
Z′ Z′
vc  z d
qs = * a   ∫   ln  dz + ∫0.5e − 4 Z ′ ( z / d − 0.5) ln  dz 
κ  d − a  a  z   z0  d  z0  
(70)

onde:

z0 = nível onde a velocidade é zero = 0.033k


0.033 s.
A descarga sólida em volume em uma determinada seção é obtida multiplicando-se o valor obtido para
qs pelo método de VAN RIJN pela base média da seção, calculada pela relação entre a área da seção
transversal e a máxima profundidade do escoamento.

O valor das integrais da equação (71) pode ser obtido por integração numérica pelo método de Simpsom
com precisão maior que 5%.

MÉTODO DE BROWNLIE (1981)

Baseado na análise adimensional e em uma numerosa quantidade da dados, BROWNLIE propôs um


método que permite calcular o transporte sólido total.

Por meio da análise adimensional, são obtidos os seguintes parâmetros:

Número de Froude do grão:

v
Fg =
 ρs − ρ 
  gD
 ρ  50
(71)
Número de Reynolds do grão:

gD50
3

Rg =
ν
(72)

O diagrama de Shields (Figura 14) fornece o valor da tensão de atrito crítica para o início do
movimento, que, por meio de uma mudança de variáveis pode ser escrita como:

τ*0 = 0.22Y + 0.06(10) −7.7Y


(73)

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0. 6
 ρ − ρ 
onde Y =   s  Rg 
 ρ  
(74)

O número de Froude do grão para a condição crítica pode então ser dado por:

− .
Fg 0 = 4.596τ *00.5293S f 0 1405 σ g−0.1606
(75)

Por meio de uma regressão múltipla, BROWNLIE obteve, por fim:


−0.3301

( )  Rh 
1.978
C = 7115c f Fg − Fg0 Sf 0.6601
 
 D50 
(76)
onde:

C = concentração (ppm),
cf = coeficiente para dados de laboratório ou campo
cf=1 (dados de laboratório)
cf=1.268 (dados de campo)

Os critérios de aplicabilidade do método encontram-se resumidos na tabela 1.

Parâmetro Notação Restrição Motivo


Diâmetro da D50 0.062≤D50≤2.0 Areia
partícula (mm)
Desvio padrão σg σ g<5 Eliminar distribuições bimodais
geométrico das
partículas do leito
Relação B/d B/d>4 (Dados de Redução do efeito de paredes
largura/profundidad laboratório)
e
Rugosidade relativa Rh/D50 Rh/D50>100 Eliminar efeitos do escoamento
raso
Concentração C C>10 Problemas de precisão
(ppm) associados a baixas
concentrações
TABELA 1: CRITÉRIOS DE APLICABILIDADE - MÉTODO DE BROWNLIE

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MÉTODOS DE CÁLCULO DA RESISTÊNCIA AO
ESCOAMENTO

No caso do escoamento bifásico, a resistência ao escoamento segundo YALIN (1977) depende de:

a) Rugosidade dos grãos da superfície do leito,

b) Irregularidades da superfície do leito

c) Material granular presente no corpo do escoamento (principalmente a carga de


suspensão).

VANONI (1957) apresentou uma série de experimentos demonstrando os efeitos da carga de sedimentos
na resistência ao escoamento, onde conclui que o coeficiente de resistência tem seu valor reduzido na
ocorrência de transporte de sedimentos. Conclui ainda que o efeito da conformação do fundo é o de
diminuir o valor do coeficiente de Chèzy, podendo exceder os efeitos devido ao transporte de
sedimentos.

De acordo com o afirmado acima, torna-se necessário avaliar as mudanças que ocorrem no coeficiente
de resistência no caso do escoamento bifásico e em particular sob a condição de regime variado, uma vez
que todas as grandezas mencionadas sofrem alterações durante o fenômeno.

O coeficiente de resistência será avaliado segundo a Equação de Chèzy, dada por:

v = C R hS f
(77)

onde:
C = Coeficiente de resistência ou coeficiente de Chèzy.

MÉTODO DE MANNING

O método de Manning consiste na definição do coeficiente de Chèzy segundo a equação (78):

1 1/ 6
C= Rh
n
(78)
onde:
n = coeficiente de Manning.

Este método é bastante difundido e o valor de n encontra-se tabelado para diversos tipos de
revestimentos de canais naturais e artificiais.

O método de Manning fornece um valor médio para o coeficiente de resistência, não considerando
quaisquer efeitos devidos à conformação do leito ou ao transporte sólido pelo escoamento.

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MÉTODO DE BROWNLIE (1981)

O método proposto por Brownlie considera o escoamento bifásico como um todo, sendo que a
determinação do coeficiente de resistência depende dos parâmetros globais do escoamento e das
partículas. Consiste na obtenção de uma relação para expressar a resistência ao escoamento em canais de
fundo móvel baseada na regressão múltipla com 894 dados provenientes de laboratório e de canais
naturais.

A equação básica do método, que relaciona os parâmetros do escoamento e do sedimento com a perda
por atrito é:

x
γ s − γ  τ0   qS f 
    = w  S yσ z
 γ   (γ s − γ ) D50   gD50 
3  f
(79)

onde:
x, y, z, w = coeficientes da regressão,
q = vazão líquida por unidade de largura do canal.

Os coeficientes da regressão, que apresentou um grau de determinação r2=0.9841 são:

x=0.6539
y=0.09188
z=0.1050
w=0.3724
(80)

Posteriormente, CUOMO et al. (1990) apresentaram os coeficientes obtidos pelo ajuste efetuado com os
dados de Brownlie para canais naturais em regime fluvial acrescidos de dados de rios brasileiros. Os
coeficientes assim obtidos, que apresentaram grau de determinação r2=0.9586 são:

x=0.6257
y=0.09186
z=−0.00770
w=0.7118
(81)

A aplicação deste método é bastante simples, uma vez que o valor da declividade da linha de energia Sf
pode ser calculado explicitamente pela equação (79).

MÉTODO DE VAN RIJN (1984)

O método de van Rijn faz a subdivisão da resistência ao escoamento em duas parcelas, uma devido a
rugosidade de grão e outra devido a rugosidade de forma.

Modelos de Cálculo de Transporte de Sedimentos 17


A influência do transporte sólido no coeficiente de Chèzy pode ser determinada partindo-se dos
parâmetros calculados no método de van Rijn para cálculo do transporte sólido (item 3.5.2).

É definida a rugosidade equivalente ks, cujo valor depende da rugosidade de forma e da rugosidade do
grão. Como a conformação de fundo é relacionada ao parâmetro de transporte T, determina-se o valor de
k s.

≤ T≤
Se 0≤ ≤ 25 (rugas ou dunas):

λ = 7. 3d
(82)
onde:
λ= extensão da conformação do fundo.

. ∆(1 − e −25Ψ ) onde Ψ = ∆ / λ


k s = 3D90 + 11
(83)

≤0 ou T≥
Se T≤0 ≥ 25 (fundo plano):

k s = 3D 90
(84)

Calcula-se finalmente o coeficiente de Chèzy:

 18   12 Rb 
C= g  log 
 9.8   ks 

Extrato do Original:

Autor Fadiga Junior, Francisco Martins;


Título Modelo hidrodinamico-sedimentologico unidimensional.
Imprenta São Paulo, 1993.
Descr Fí 150p.
Grau Dissertação (Mestrado)
Resumo O presente trabalho apresenta o desenvolvimento de um modelo matematico hidrodinamico para
o calculo do escoamento transitorio em canais naturais e artificiais sujeitos ao transporte de sedimentos.
A principio, e feito o desenvolvimento das equacoes diferenciais que regem o fenomeno do escoamento
bifasico. A seguir, discute-se a classificacao dos modelos desta categoria e apresenta-se alguns modelos
semelhantes encontrados na bibliografia. E apresentada entao a resolucao numerica das equacoes,
baseado no metodo das diferencas finitas. De modo a comprovar sua aplicabilidade, o modelo e aplicado
a dois casos ja apresentados na bibliografia, envolvendo fenomenos de erosao e assoreamento do leito ao
longo do tempo. Por fim, e apresentada a aplicacao ao canal pinheiros inferior, localizado na regiao
metropolitana de sao paulo, onde sao estudadas a evolucao do leito e as mudancas no transporte solido e
no coeficiente de resistencia ao escoamento devido as mudancas das condicoes hidraulicas impostas pela
mudanca da geometria do canal.
Notas Engenharia Hidraulica e Sanitaria.
Assunto ENGENHARIA HIDRAULICA E SANITARIA;
Autor Sec Souza, Podalyro Amaral de, orient;

Modelos de Cálculo de Transporte de Sedimentos 18