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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO

ALUNOS: ANTÔNIO PEREIRA PATRÍCIO FILHO

FÁBIO GUILHERME FERREIRA MALTA

LEÔNIDAS GONÇALVES

PAULO SEXTO MORAIS DE MEDEIROS FILHO

RAUL FEITOZA PINHEIRO GADELHA

CONTRATO DE SEGURO

SOUSA-PB

FEVEREIRO/2018
CONCEITO

Negócio jurídico por meio do qual, mediante o pagamento de um prêmio, o segurado, visando
a tutelar o interesse legítimo, assegura o direito de ser indenizado pelo segurador em caso de
consumação dos riscos pré-determinados.

Conceito de contrato de seguro aludido no Código Civil está disciplinado no artigo 757 com a
seguinte redação: “Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do
prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa contra riscos
pré-determinados.”

Segundo Maria Helena Diniz: “O contrato de seguro é aquele pelo qual uma das partes
(segurador) se obriga para com a outra (segurado) a garantir-lhe interesse legítimo relativo a
pessoa ou a coisa e a indenizá-la de prejuízo decorrente de riscos futuros previstos no
contrato”.

ELEMENTOS E REQUISITOS (SUJEITO)

SEGURADOR: é aquele que suporta o risco, assumindo mediante o recebimento do prêmio,


obrigando-se a pagar uma indenização. Assim, o prêmio é a garantia pecuniária que o
segurado paga à seguradora para obter o direito a uma indenização se ocorrer o sinistro
oriundo do risco garantido e previsto no contrato, o risco constituirá num acontecimento
futuro e incerto, que poderá prejudicar os interesses do segurado, provocando-lhe uma
diminuição patrimonial evitável pelo seguro, e a indenização é a importância paga pela
seguradora ao segurado, compensando-lhe o prejuízo econômico decorrente do risco e
assumido na apólice da seguradora. A atividade do segurador é exercida por companhias
especializadas, isto é, por sociedades anônimas, mediante prévia autorização do governo
federal ou cooperativas devidamente autorizadas, porém tais cooperativas só poderão operar
em seguros agrícolas e seguros de saúde.

SEGURADO: é o que tem interesse direto na conservação da coisa ou da pessoa, fornecendo


uma contribuição periódica e moderada, isto é, o prêmio, em troca do risco que o segurador
assumirá de, em caso se incêndio, abalroamento, naufrágio, furto, falência, acidente, morte,
perda das faculdades humanas, etc , indenizá-los pelos danos sofridos. Dessa forma, ao
contrário do que se dá com o segurador, qualquer pessoa pode figurar na posição de
segurado, sendo necessário, em princípio ter capacidade civil.

BENEFICIÁRIO: é uma figura que exsurge nos contratos de seguro de vida e no obrigatório de
acidentes pessoais em que ocorre morte por acidente e que consiste na pessoa a quem é pago
o valor do seguro, a “indenização”. Nos casos em que o beneficiário é um terceiro, ou seja, um
estranho a relação contratual estaremos diante de um caso de estipulação em favor de
terceiro. Não é qualquer pessoa que pode figurar como beneficiário, deve-se observar os
arts.793 e 1814, CC.

- CO-SEGURADOR: no caso de seguros vultosos, pode acontecer de uma pluralidade de


seguradores dar cobertura simultaneamente e a um mesmo risco, configurando-se a
multiplicidade de seguros. Contudo o art.778, CC, dispõe que “nos seguros de dano, a garantia
prometida não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da conclusão do
contrato...”. Dessa maneira, é defeso ao segurador celebrar mais de um contrato relativo ao
mesmo bem, pelos mesmos riscos de maneira que, em ocorrendo o sinistro, receba-se a
indenização integral de todos os seguradores. Isto se dá, pois o contrato não é instrumento de
lucro.

RESSEGURADOR: a figura do resseguro consiste na transferência de parte ou toda


responsabilidade do segurador para o ressegurador, com a finalidade de distribuir para mais
de um segurador a responsabilidade pelo adimplemento da contraprestação.Na verdade, o
resseguro consiste no “seguro do seguro”, uma vez que é o segurador que transfere a sua
responsabilidade ou “um seguro mediato”, na medida em que é um seguro assumido entre o
segurador e a resseguradora.

OBJETO DO CONTRATO DE SEGURO

O contrato de seguro tem por objetos o interesse segurável, de acordo com Silvio Venosa, e o
risco, conforme o restante da doutrina.

- Interesse:

O interesse segurável abrange tudo aquilo que puder ser passível de apreciação
econômica, como também o que não pode ser, tal como a vida. Praticamente todos os
interesses são passíveis de cobertura, com exceção dos excluídos pela lei,tais como os relativos
a atos dolosos (art. 762, cc) ou ilícitos (art. 104, II, cc) e os de valor superior ao do bem (art.
781, cc).

O interesse deve ser legítimo e em conformidade com a lei. Em alguns casos o


interesse é presumido, em outros, deve ser provado. O interesse no seguro de pessoa é
presumido quando se tratando de bem do segurado e na hipótese de seguro de vida de
cônjuge, ascendente ou descendente. Quando não for nenhuma dessas hipóteses deve
declarar seu interesse, sob pena de falsidade, assim como prescreve o art. 790 e parágrafo
único, cc.

- Risco:

O risco consiste no acontecimento capaz de causar um dano futuro e incerto previsto


no contrato. Quando o acontecimento se concretiza é chamado de sinistro, de maneira que
este acontecimento torna-se essencial no contrato, obrigando assim a seguradora a pagar a
indenização referente ao dano.

O risco sendo essencial ao contrato de seguro, é condição para o surgimento do


interesse em segurar um bem. Entretanto o acontecimento danoso futuro e incerto tem que
ser possível, sob pena de invalidade do contrato. Isto ocorre, pois a Teoria Geral dos Negócios
Jurídicos, art. 104, II, CC, determina que, além do objeto ser lícito, ele também deve ser
possível.

Importante também lembrar que o risco é baseado em estudos estatísticos e cálculos


de probabilidade dos quais se pode extrair as chances de determinado acontecimento ocorrer,
dessa é descoberto quanto de prêmio deverá o segurado deverá pagar. Logo quanto maior for
a probabilidade de um evento acontecer, maior será as chances de o segurador pagar a
indenização e maior será o valor do prêmio pago pelo segurado.

CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS

1- Quanto às normas que os disciplinam em:

a) Comerciais. Regidos pelo Código Comercial, que trata dos seguros marítimos de transporte e
de caso.

b) Civis. Regidos pelo Código Civil artigos 778 a 802. Esses artigos tratam dos seguros de dano e
aos de pessoa.

2- Quanto ao número de pessoas:

a) Individuais. Compreendem um só segurado.

b) Coletivos. Abrangem várias pessoas.

3- Quanto ao meio em que se desenrola o risco:

a) Terrestres

b) Marítimos

c) Aéreos

4- Quanto ao objeto que visam garantir:

a) Patrimoniais. Se destinam a cobrir as perdas resultantes de obrigações.

b) Reais. Se obtiverem os prejuízos sofridos por uma coisa.

c) Pessoais. Se disserem respeito às faculdades humanas, à saúde e à vida.

Ou, como prefere o novo CC:

a) De dano (arts. 778 a 788)

b) De pessoa (arts. 789 a 802)

5- Quanto à prestação dos segurados:

a) A prêmio. Se se referirem aos que obrigam o contratante a pagar uma parcela fixa
convencional.
b) Mútuos. Quando as obrigações são recolhidas em função dos riscos verificados, repartindo-
se as consequências entre os associados mutualistas.

c) Mistos. Se determinarem uma paga fixa e outra de repique, em função de sinistro, a ser
dividida entre os mutualistas.

6- Quanto às obrigações do segurador:

a) Dos ramos elementares. Abrange seguros para garantir perdas e danos ou responsabilidades
oriundas dos riscos de fogo, de transporte e outros acontecimentos danosos, sendo que a
obrigação do segurador consiste numa indenização, se o sinistro se verificar. Pode abranger
ainda o seguro de responsabilidade civil.

b) De pessoas ou de vida. Se garantirem o segurado contra riscos a que estão expostas sua
existência, sua integridade física e sua saúde, não havendo uma reparação de dano ou
indenização propriamente dita. Dentre esses, os mais importantes são os seguros de vida
stricto sensu e os seguros contra acidentes.

EXTINÇÃO

O contrato de seguro irá se extinguir por encerramento do prazo estipulado, pelo distrato se as
duas partes contratantes concordarem em dissolver os vínculos que o sujeitavam (Dec. Lei nº
73-66, art. 13); pela resolução por inadimplemento da obrigação legal ou de cláusula
contratual que, por efeito ex nunc não afetará as situações consumadas e os riscos
provenientes; pela superveniência do risco, porque o contrato deixará de ter objeto e a
seguradora pagará o valor assegurado, mas se a indenização for parcial, o contrato terá
vigência apenas pelo saldo da indenização; pela cessação do risco em seguro de vida se o
contrato se configurar sob a forma de seguro de sobrevivência; pela nulidade, que não é causa
que extingue contrato, mas apenas torna eficaz por força de lei, presente nos artigos 762, 766
e 768 do Código Civil e nos artigos 777 e 778 do Código Comercial.