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“II Congresso Internacional da Construção Metálica – II CICOM”

“PLACA DE BASE PARA COLUNAS METÁLICAS


TUBULARES: ABORDAGEM TEÓRICA” (1)

“HOLLOW STEEL COLUMN BASE PLATES:


THEORETICAL APPROACH”

Daniela Grintaci Vasconcellos Minchillo (2)


João Alberto Venegas Requena (3)
Arlene Maria Sarmanho Freitas (4)

Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar as tensões nas placas de base de colunas tubulares
através de modelagem pelo método dos elementos finitos. A modelagem é baseada em um
sistema constitutivo que permite analisar a interação entre o comportamento da placa, do
perfil tubular e do bloco de fundação. O método dos elementos finitos tem se tornado uma
importante ferramenta no estudo teórico na engenharia de estruturas. Esta técnica permite
investigar o comportamento dos materiais, para diferentes concepções estruturais,
viabilizando projetos cada vez mais arrojados, seguros e econômicos. Para a análise proposta
neste artigo, foi utilizado o programa computacional ANSYS. O estudo foi desenvolvido de
forma comparativa entre a modelagem computacional e as expressões analíticas encontradas
em normas internacionais, destacando: AISC-Hollow Structural Sections (Connections
Manual), AISC-LRFD (Load and Resistance Factor Design) e o Eurocode3. As normas
citadas abordam as resistências de cálculo com base no mesmo processo dos Estados Limites.
No entanto, utilizam critérios diferentes na abordagem do módulo de resistência da placa de
aço. Exemplos numéricos são apresentados e comparados para evidenciar as diferenças entre
as normas e procedimentos utilizados neste estudo.

Palavras-chave: Estruturas Metálicas, Estruturas Tubulares, Ligações, Placas de base,


Elementos Finitos

--------------------------------------------------------------------------------------------------------
(1)
- Contribuição Técnica a ser apresentada no “II Congresso Internacional da Construção
Metálica- II CICOM” – novembro, 2002 – São Paulo, SP, Brasil.
(2)
- Mestranda do Departamento de Estruturas - UNICAMP - Campinas, SP, Brasil.
(3)
- Prof. Dr. do Departamento de Estruturas –FEC- UNICAMP - Campinas, SP, Brasil.
(4)
- Prof. do Departamento de Engenharia Civil - UFOP – Ouro Preto, MG, Brasil.
“II Congresso Internacional da Construção Metálica – II CICOM”

Abstract
This work has as objective to analyze the tensions in base plates of tubular columns modeled
through a finite element analysis. The modeling is based on a constituent system that allows
analyzing the interaction among the behavior of the plate, the tube and the foundation block.
The finite element method had become an important tool in the theoretical study of structural
engineering. This technique allows investigating the behavior of the materials, for different
structural conceptions, making possible projects more and more innovative, safe and
economical. For the analysis proposed in this article, was used the computer program
ANSYS. The study was developed in a comparative way between the computer modeling and
the analytic expressions found in international norms, highlighting: AISC-Hollow Structural
Sections (Connections Manual), AISC-LRFD (Load and Resistance Factor Design) and
EUROCODE 3. The mentioned norms approach the calculation resistances with base in Limit
State same process. However, they use different criteria in the approach on the steel plate
resistance module. Numeric examples are presented and compared to evidence the differences
between the norms and procedures used in this study.

Key-words: Steel structure, tubular connections, base plate, finite element analysis

1- INTRODUÇÃO

As ligações de placas de base são os elementos mais comuns para apoio de pilares nas
fundações, e seu desempenho é muito significativo no comportamento global da estrutura
(distribuição dos esforços, deslocamentos, estabilidade etc). Vários estudos analíticos e
experimentais têm sido realizados, a fim de se determinar o comportamento real e a interação
entre o carregamento axial e o momento fletor atuante nestas ligações.
Entre as investigações analíticas destacam-se os trabalhos de FLING (1970), que propôs a
utilização da teoria da linha de escoamento para as colunas levemente carregadas,
STOCKWELL (1975) propôs que somente a área da placa diretamente sob a coluna, deveria
ser considerada como área efetiva no dimensionamento da placa de base, e de MURRAY
(1983) que desenvolveu um estudo sobre placas de bases levemente carregadas utilizando o
método dos elementos finitos para propor critérios de dimensionamento dessas placas.
Entretanto, essas pesquisas se limitaram à análise de placas de bases carregadas axialmente.
Do ponto de vista experimental, DEWOLFE & SARISLEY (1980) e THAMBIRATNAM &
PARAMASIVAM (1986), realizaram algumas séries de testes bastante interessantes, que
posteriormente serviram de base para várias outras pesquisas como THAMBIRATNAM, D.P.
& KRISHNAMURTY (1989), que procederam a uma análise tridimensional de placas de
bases carregadas axialmente e com momento fletor pelo método dos elementos finitos, e
STAMAPOULOS & ERMOPOULOS (1997) que estudaram o estado limite último das
ligações de placas de base. PENSERINI & COLSON (1989) analisaram a resistência última
das ligações de placa de base, considerando vários modos de ruptura para o bloco de concreto,
os parafusos de ancoragem, a placa e até mesmo para o pilar. ERMOPOULOS &
STAMATOPOULOS (1996) desenvolveram, baseado na teoria clássica, um procedimento de
cálculo para a derivação das curvas M-ϕ da ligação de placa de base, propondo uma nova
formulação capaz de descrever com boa precisão a não-linearidade da relação Momento-
Rotação.WHEELER et al. (1998) apresentam um modelo para a determinação da capacidade
de resistência ao momento último e de utilização das ligações parafusadas de flange de seções
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tubulares retangulares com duas fileiras de parafusos. O modelo considera os resultados


combinados do efeito prying causados por flanges flexíveis e pela formação de linhas de
escoamento nos flanges. ERMOPOULOS & MICHALTSOS (1998) propuseram uma nova
metodologia capaz de conduzir a um modelo analítico que descrevesse a distribuição não-
linear de tensão na placa de base e simular o comportamento elástico e elasto-plástico da
ligação.
Apesar de se haver realizado muitas pesquisas experimentais e teóricas sobre o assunto, a
maioria das normas atuais, entre elas a NBR 8800 (1986), traz poucas informações sobre o
comportamento real dessas placas (por exemplo, o EUROCODE 3 trata somente de
compressão axial simples) e além disso, segundo ERMOPOULOS & STAMATOPOULOS
(1996), a classificação dessas ligações em rígidas (figura 1a) ou flexíveis (figura 1b) é apenas
uma aproximação pois que na realidade, a maioria das ligações de placas de bases se
comporta como semi-rígidas, entre estes dois extremos, e o grau de semi-rigidez depende das
propriedades e configurações de vários elementos que compõem a ligação (placa de base,
parafusos de ancoragem, concreto, etc.) assim como dependem também da grandeza da
compressão axial atuante na coluna.

(a) Base rígida (b) Base flexível

Figura 1-Classificação das placas de bases

A razão pela qual o dimensionamento das placas de bases não foi além da utilização de
métodos simplificados baseados na resistência dos materiais e na teoria da linha de
escoamento, é que embora se possa prever que a pressão de contato sob a placa de base seria
altamente localizada na região da coluna, nenhum método clássico poderia prever a
distribuição dessa variação. O advento da computação digital e o conseqüente
desenvolvimento do método dos elementos finitos apresentaram aos pesquisadores uma
poderosa ferramenta capaz de tratar de um problema de tamanha complexidade, com relativa
facilidade e precisão.
Recentemente, KONTOLEON et al (1999) desenvolveram uma análise paramétrica das
ligações de aço semi-rígidas de placa de base através de um modelo bidimensional de
elementos finitos. Esta análise mostrou que a rigidez da placa de base é um parâmetro
significativo, afetando o desenvolvimento do efeito prying nas áreas de contato ativas da
placa. O aparecimento do efeito prying cria zonas de plastificação nas interfaces das ligações,
em áreas que não poderiam ser consideradas usando métodos clássicos de dimensionamento.
KONTOLEON & BANIOTOPOULOS (2000) utilizaram um modelo bidimensional de
elementos finitos para avaliar o problema do atrito por contato unilateral que aparece em uma
ligação de placa de base, considerando também os fenômenos de escoamento.
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2- ANÁLISE PELO MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS

O método dos elementos finitos tem se tornado uma importante ferramenta no estudo teórico
na engenharia de estruturas. Esta técnica permite investigar o comportamento dos materiais,
para diferentes concepções estruturais, viabilizando projetos cada vez mais arrojados, seguros
e econômicos. Para a análise proposta neste artigo, foi utilizado o programa computacional
ANSYS. Este programa possui diversos recursos de geração de malhas, onde através de uma
biblioteca com vários tipos de elementos é possível modelar problemas bidimensionais ou
problemas tridimensionais. O estudo foi desenvolvido de forma comparativa entre a
modelagem computacional e as expressões analíticas encontradas em normas internacionais,
destacando: AISC-Hollow Structural Sections (Connections Manual), AISC-LRFD (Load and
Resistance Factor Design) e o EUROCODE 3 (1993).

2.1 Dimensionamento
Para a elaboração dos modelos de elementos finitos utilizamos os métodos de
dimensionamento de placas de bases propostos por PACKER (1997), AISC (1997) e
RAUTARUUKKI (1998), sendo que este último se baseia principalmente no EUROCODE 3
(1993).
A maioria dos autores segue o mesmo critério de dimensionamento descrito a seguir.
Omitiremos a parte que trata da verificação de tração e dimensionamento dos chumbadores, e
do cordão de solda, pois estes fogem ao escopo do nosso trabalho.

2.1.1 Dimensões da placa


A determinação das dimensões da placa é baseada na pressão de reação que o concreto exerce
sob a placa em resposta à solicitação da mesma.
σ = ±  ± 
N M .l / 2 
 (1)
 A  I 
Para uma placa de base quadrada:
 N   6.M 
σC = + 2  +  3  (2)
L   L 
Isolando-se a variável L na equação, obtem-se a seguinte equação do 3o grau:
N 6.M
L3 + 0.L2 − .L − =0 (3)
σC σC
Onde, sabendo-se qual a resistência já minorada do concreto ó c que será utilizado na base,
define-se o lado da placa.

2.1.2 Cálculo da pressão de contato


As placas de bases de colunas tubulares, assim como as demais, são dimensionadas baseando-
se na projeção do balanço que se forma na placa pela transferência do carregamento através
das paredes do perfil tubular. DEWOLF & RICKER (1990) indicam que para perfis tubulares
de seção circular a projeção do balanço deve ser calculada, subtraindo-se à largura da placa
um valor igual a 0.8 vezes o diâmetro do tubo.
A figura Z representa o esquema para determinação do valor da projeção m , que é dado pela
expressão:
L − 0,8.D
m= (4)
2
onde D = diâmetro externo do perfil tubular.
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D
P2 P1

m 0,8D m
l
Figura 2 – Projeção m

Calcula-se, então a pressão de contato uniformemente variável sob a placa:


N M
P1 = sd + sd .m (5)
A I
M
P2 = P1 − sd .m (6)
I
onde P1 é a pressão de contato máxima na borda inferior da placa e P2 é a pressão na posição
de ligação entre o pilar e a placa, conforme esquematizado na figura 2.

2.1.3 Cálculo do momento nas bordas


 P .m 2 (P1 − P2 ).m 2 
M sd =  2 + .b (7)
 2 3 
onde b é uma faixa de largura unitária.

2.1.4 Espessura requerida para a placa de base:

Para a determinação da espessura t p da placa, encontramos na literatura duas abordagens. A


primeira adota o módulo de resistência elástica da placa de aço, e segunda, o módulo de
resistência plástico. Neste artigo utilizaremos a abordagem elástica, conforme
RAUTARUUKKI (1998):

6.M sd
tp = (8)
φ. fy

onde t p = espessura da placa de base, M sd = força axial de compressão aplicada ao pilar; φ =


0,9 e fy = tensão de escoamento do aço da placa de base.

2.1.4 Posição da linha neutra:


A determinação da posição da linha neutra fez-se necessária para a determinação das
condições de contorno do modelo de elementos finitos. Para este cálculo utilizamos as
expressões de BLODGETT (1966):

y3 + k1 y 2 + k 2 y + k 3 = 0 (9)

k1 = 3 e − 
L
(10)
 2
k2 =
6nAs
( f + e) (11)
L
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k 3 = −k 2 + f 
L
(12)
2 

onde y é a posição da linha neutra, e é a excentricidade do carregamento, L é a largura da


placa, n é a relação entre os módulos de elasticidade do aço e do concreto, As é a área de aço
total dos chumbadores tracionados e f é a distância entre o eixo do chumbador tracionado e o
centro da coluna.

3- EXEMPLO

Foram analisados cinco diferentes casos de excentricidade: e0 = 0, ou seja, somente o


carregamento axial, e1 = 25.4mm, e2 =76.2mm, e3 =127.0mm, e e4 =177.8mm , conforme a
figura 3.
e0
e1 e2 e3 e4

Figura 3- Situações de carregamento

As características físicas e geométricas da ligação, que podem ser observadas na figura 4, são:

• Tubo VMB 250cor: f y = 250 Mpa


• Diâmetro: 168,3mm N
• Espessura: 11,0mm
M
• f ck do bloco: 20Mpa
• Carregamento axial: 20t
2
• Eaço : 205000 N/mm
2
• Econcreto : 28800N/mm
250

44 tp

300
212 450
450
44

44 212 44
300
450
450

Figura 4- Geometria da ligação


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Adotando-se uma placa de base quadrada de lateral L = 300mm, calcula-se solicitação de


cálculo Msd e a pressão de contato, P1 e P2 , variando em função da excentricidade do
carregamento axial, conforme tabela 1.

Tabela I: Pressão de contato nas placas de bases para as várias excentricidades.

Excentricidade Momento P1 P2
(mm) (kN.mm) (N/mm ) (N/mm2 )
2

e0 0 2,22 2,22
e1 5080 3,35 2,73
e2 15240 5,61 3,74
e3 25400 7,87 4,76
e4 35560 10,12 5,77

A projeção m do balanço é de 82,7mm. Pelas expressões da literatura, nas duas abordagens


principais, variando em função da excentricidade do carregamento, temos na tabela II as
espessuras t p requeridas para as placas de bases.

Tabela II: Espessuras das placas de bases para as várias excentricidades.

Excentricidade Momento na borda Espessura


(mm) (N.mm) (mm)
e0 7595,5 14,2
e1 10745,1 16,9
e2 17044,3 21,3
e3 23343,5 24,9
e4 29642,7 28,1

2.2 O modelo de elementos finitos


Para a modelagem da placa de base e do pilar, utilizou-se o elemento SHELL63. Este é um
elemento de casca que pode trabalhar como membrana ou como placa, possibilitando a
aplicação de carregamento normal e perpendicular ao plano do elemento. È definido por
quatro nós e apresenta seis graus de liberdade por nó (translações nas direções X, Y e Z, e
rotações em torno de X, Y, Z).
Para simular a interação entre as partes metálicas (placa de base e pilar) e o concreto utilizou-
se, uma constante real de rigidez da fundação elástica (EFS) do elemento SHELL63, cujo
valor fosse equivalente à rigidez do concreto. Esta constante foi definida para atuar apenas nas
áreas de compressão da placa de base delimitadas pela linha neutra.Por último, para aplicação
do carregamento excêntrico, optou-se pela decomposição do mesmo em uma carga horizontal
equivalente, mais o carregamento axial distribuído nos nós do perfil tubular. Para evitar o
amassamento da parede do perfil tubular na região de aplicação da carga horizontal, colocou-
se uma placa de espessura igual à da placa de base, na parte superior do perfil tubular. Os
chumbadores foram considerados na análise como nós com restrições ao deslocamento, sendo
que estas restrições são impostas nas direções X, Y e Z para os chumbadores tracionados, e
nas direções X e Z nos demais. Antes de se estabelecer o modelo de elementos finitos
definitivo, várias hipóteses de modelagem foram estudas, com resultados bem próximos. A
figura 5 mostra os detalhes da malha, condições de contorno, e carregamento do modelo de
elementos finitos utilizado.
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Figura 5– Detalhes do modelo de elementos finitos

4- RESULTADOS

A tabela III apresenta as tensões na região crítica da placa de base obtidas através do
dimensionamento teórico, e o resultado pela análise de elementos finitos.

Tabela III: Tensão na região crítica da placa de base

Excentricidade Teoria Análise numérica


(mm) (N/mm2 ) (N/mm2 )
e0 225,06 142,08
e1 225,98 158,89
e2 225,90 201,33
e3 224,69 230,88
e4 224,31 248,73

A figura 6 ilustra a distribuição de tensões na placa de base dimensionadas segundo a


abordagem elástica para as diversas situações de carregamento.
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e0 e1

e2 e3

e4

Figura 6– Tensões SX na placa de base nas fibras inferiores e superiores respectivamente

Foi analisado também, apenas a título de investigação, já que este não constitui um estado
limite, o comportamento da placa de base quando solicitada à flexão oblíqua. Para tal,
utilizamos a mesma modelagem e carregamentos da análise à flexão, aplicando as
componentes da decomposição da força horizontal no topo do perfil tubular. As tensões
obtidas são apresentadas na tabela IV, e a figura 7 ilustra a distribuição de tensões neste caso.
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Tabela IV- Tensões na placa de base solicitada à flexão obliqua

Excentricidade Fx = Fz Análise numérica


(mm) (N) (N/mm2 )
e0 - -
e1 14368,41 144,66
e2 43105,23 177,09
e3 71842,05 200,31
e4 100578,87 212,95

e1 e2

e3 e4
Figura 7- Tensões SX na placa de base na flexão oblíqua

Para avaliação da variação das tensões dentro de uma mesma espessura, variou-se a
excentricidade do carregamento, mantendo fixa a espessura da placa em 25mm e, o resultado
obtido é mostrado na tabela V.

Tabela V-Variação das tensões em função da excentricidade para uma espessura fixa =25mm

Excentricidade Teoria Análise numérica


(mm) (N/mm2 ) (N/mm2 )
e0 73,50 59,13
e1 103,98 91,02
e2 163,98 158,45
e3 225,90 230,88
e4 286,00 305,46
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As figuras 8 e 9 ilustram respectivamente a configuração deformada da placa de base e do


perfil tubular isolados para o caso de excentricidade e3 acima:

Figura 8- Tensão Principal S1 da placa de base isolada

Figura 8- Tensão Principal S1 do perfil tubular isolado


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5- CONCLUSÕES

Este trabalho apresenta os resultados de uma análise de placa de base solicitada à força
normal e momento fletor pelo método dos elementos finitos, utilizando o software ANSYS.
O estudo se desenvolveu de forma comparativa entre os resultados da análise teórica e os
obtidos pela análise numérica. Os parâmetros analisados foram a excentricidade do
carregamento e a espessura da placa.
Através dos resultados obtidos pôde-se observar:
- a maior tensão ocorre sempre abaixo ou muito próxima à seção do perfil tubular
conforme previsto;
- as tensões variam muito com o aumento da excentricidade para um dado carregamento
axial, e uma mesma espessura de placa (ver tabela V);
- a distribuição de tensões no carregamento axial mostra que a aproximação da teoria de
uma viga em balanço, com carregamento uniformemente distribuído, é conservadora e
fornece placas espessas;
- para grandes excentricidades a análise numérica e a análise teórica apresentaram
algumas discrepâncias , agora não mais a favor da segurança, o que poderá dar ênfase
a novas investigações no tema.
È importante ressaltar que nesta análise de elementos finitos considerou-se que a placa está
apoiada sobre um bloco de concreto de fck=20 MPa, parâmetro este utilizado para a
determinação do coeficiente de rigidez do bloco. Esta hipótese é fundamental para a obtenção
das tensões na placa de base, pois um bloco de concreto muito rígido limitaria a deformação
da placa, afetando diretamente na distribuição de tensões da mesma.
De um modo geral o método dos elementos finitos firma-se como uma boa ferramenta para
modelagem e simulação do comportamento das estruturas.

6- REFERÊNCIAS

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