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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL

Atualizado em 01/02/2018: novos julgados.

1. REGISTRO PÚBLICO DE PESSOAS NATURAIS


1.1. Exclusão dos sobrenomes paternos em razão do abandono pelo genitor – (Info
555)

Imagine que determinado indivíduo foi abandonado pelo pai quando era ainda
criança, tendo sido criado apenas pela mãe. Quando completou 18 anos, esse rapaz
decidiu que desejava que fosse excluído o nome de seu pai de seu assento de
nascimento e que o patronímico de seu pai fosse retirado de seu nome, incluindo-
se o outro sobrenome da mãe.
O STJ decidiu que esse pedido pode ser deferido e que pode ser excluído
completamente do nome civil do interessado os sobrenomes de seu pai, que o
abandonou em tenra idade.
A jurisprudência tem adotado posicionamento mais flexível acerca da
imutabilidade ou definitividade do nome civil.
O princípio da imutabilidade do nome não é absoluto no sistema jurídico
brasileiro. Além disso, a referida flexibilização se justifica pelo próprio papel que
o nome desempenha na formação e consolidação da personalidade de uma pessoa.
Desse modo, o direito da pessoa de portar um nome que não lhe remeta às angústias
decorrentes do abandono paterno e, especialmente, corresponda à sua realidade
familiar, sobrepõe-se ao interesse público de imutabilidade do nome, já
excepcionado pela própria Lei de Registros Públicos.
Sendo assim, nos moldes preconizados pelo STJ, considerando que o nome é
elemento da personalidade, identificador e individualizador da pessoa na
sociedade e no âmbito familiar, conclui-se que o abandono pelo genitor caracteriza
o justo motivo de o interessado requerer a alteração de seu nome civil, com a
respectiva exclusão completa dos sobrenomes paternos.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.304.718-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 18/12/14
(Info 555).

1.2. Direito de a pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento de seu


filho após divórcio – (Info 555)

Se a genitora, ao se divorciar, volta a usar seu nome de solteira, é possível que o


registro de nascimento dos filhos seja retificado para constar na filiação o nome
atual da mãe.
É direito subjetivo da pessoa retificar seu patronímico no registro de nascimento
de seus filhos após divórcio.
A averbação do patronímico no registro de nascimento do filho em decorrência do
casamento atrai, à luz do princípio da simetria, a aplicação da mesma norma à
hipótese inversa, qual seja, em decorrência do divórcio, um dos genitores deixa de
utilizar o nome de casado (art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 8.560/1992).
Em razão do princípio da segurança jurídica e da necessidade de preservação dos
atos jurídicos até então praticados, o nome de casada não deve ser suprimido dos
assentamentos, procedendo-se, tão somente, a averbação da alteração requerida
após o divórcio.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.279.952-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 3/2/15
(Info 555).

1.3. Alteração do nome posterior ao casamento – (Sem Info)

Imagine a seguinte situação: marido e mulher se casaram e, no momento da


habilitação do casamento, não requereram a alteração do nome. É possível que,
posteriormente, um possa acrescentar o sobrenome do outro?
SIM. É permitido incluir ao seu nome o sobrenome do outro, ainda que após a data
da celebração do casamento.
Vale ressaltar, no entanto, que esse acréscimo terá que ser feito por intermédio da
ação de retificação de registros públicos, nos termos dos arts. 57 e 109 da Lei de
Registros Públicos (Lei nº 6.015/1973). Assim, não será possível a alteração pela via
administrativa, mas somente em juízo.
STJ. 4ª Turma. REsp 910094-SC, Rel. Raul Araújo, julgado em 4/9/2012.
OBS:
Exemplo: Ricardo Oliveira casou-se com Izabel Fontana. No processo de habilitação,
não foi solicitada a mudança de nome. Desse modo, após o casamento, os nomes
permaneceram iguais aos de solteiro. Ocorre que, após 5 anos de casada, Izabel decide
acrescentar o patronímico de seu marido. Para tanto, Izabel procura o Cartório
(Registro Civil) onde foi lavrada sua certidão de casamento e pede essa providência
ao Registrador Civil. Este poderá proceder à inclusão pleiteada? NÃO. Izabel e
Ricardo deverão procurar um advogado e este ajuizará uma ação de retificação de
registro público, com base nos art. 57 e 109 da LRP, expondo a situação. O juiz, após
ouvir o Ministério Público, poderá determinar que Izabel inclua em seu nome o
patronímico de seu marido, passando a se chamar Izabel Fontana Oliveira.

2. COMPRA E VENDA
2.1. Prevalência do valor atribuído pelo fisco para aplicação do art. 108 do CC –
(Info 562) – IMPORTANTE!!!

A compra e venda de bens IMÓVEIS pode ser feita por meio de contrato particular
ou é necessário escritura pública?
 Em regra: é necessário escritura pública (art. 108 do CC).
 Exceção: a compra e venda pode ser feita por contrato particular (ou seja,
sem escritura pública) se o valor do bem imóvel alienado for inferior a 30
salários-mínimos.
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade
dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou
renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior
salário mínimo vigente no País.
Para fins do art. 108, deve-se adotar o preço dado pelas partes ou o valor calculado
pelo Fisco?
O valor calculado pelo Fisco. O art. 108 do CC fala em valor do imóvel (e não em
preço do negócio). Assim, havendo disparidade entre ambos, é o valor do imóvel
calculado pelo Fisco que deve ser levado em conta para verificar se será necessária
ou não a elaboração da escritura pública. A avaliação feita pela Fazenda Pública
para fins de apuração do valor venal do imóvel é baseada em critérios objetivos,
previstos em lei, os quais admitem aos interessados o conhecimento das
circunstâncias consideradas na formação do quantum atribuído ao bem. Logo,
trata-se de um critério objetivo e público que evita a ocorrência de fraudes.
Obs: está superado o Enunciado 289 das Jornadas de Direito Civil do CJF.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.480-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 2/12/14 (Info 562).

3. TABELIONATO DE PROTESTO
3.1. Não cabem danos morais se houve protesto de cheque prescrito, mas cuja
dívida ainda poderia ser cobrada por outros meios – (Info 616)

O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a


ensejar danos morais ao devedor, se ainda remanescer ao credor vias alternativas
para a cobrança da dívida consubstanciada no título.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.772-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 14/11/17 (Info 616).

3.2. Sustação de protesto e prestação de contracautela – (Info 571) –


IMPORTANTE!!!

A legislação de regência estabelece que o documento hábil a protesto extrajudicial


é aquele que caracteriza prova escrita de obrigação pecuniária líquida, certa e
exigível. Portanto, a sustação de protesto de título, por representar restrição a
direito do credor, exige prévio oferecimento de contracautela, a ser fixada conforme
o prudente arbítrio do magistrado.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.340.236-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 14/10/15 (recurso
repetitivo) (Info 571)

3.3. Protesto do cheque após o prazo de apresentação – (Info 556)

 O protesto do cheque efetuado contra os coobrigados para o exercício do


direito de regresso deve ocorrer antes de expirado o prazo de apresentação
(art. 48 da Lei 7.357/85). Trata-se do chamado protesto necessário.
 O protesto de cheque efetuado contra o emitente pode ocorrer mesmo
depois do prazo de apresentação, desde que não escoado o prazo
prescricional. Esse é o protesto facultativo.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.297.797-MG, Rel. João Otávio de Noronha, j. 24/2/15 (Info 556).

4. REGISTRO DE LOTEAMENTO
4.1. Competência para julgar recurso em impugnação a registro de loteamento
urbano – (Info 572)

Compete à Corregedoria do Tribunal de Justiça ou ao Conselho Superior da


Magistratura (e não a órgão jurisdicional de segunda instância do Tribunal de
Justiça) julgar recurso intentado contra decisão de juízo que julga impugnação ao
registro de loteamento urbano. Quem define se é a Corregedoria ou o Conselho
Superior é o Regimento Interno do TJ ou a Lei de Organização Judiciária do Estado.
Esse recurso é um recurso administrativo (não se trata de apelação).
STJ. 4ª Turma. REsp 1.370.524-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 28/4/15 (Info 572).

5. PROTESTO
5.1. Intimação por edital e necessidade de esgotamento dos meios de localização
do devedor – (Info 579)

O tabelião, antes de intimar o devedor por edital, deve esgotar os meios de


localização, notadamente por meio do envio de intimação por via postal, no
endereço fornecido por aquele que procedeu ao apontamento do protesto.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para
acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, j. 24/2/16 (recurso repetitivo)
(Info 579).
OBS:
O que é um protesto de título? É o ato público, formal e solene, realizado pelo tabelião,
com a finalidade de provar a inadimplência e o descumprimento de obrigação
constante de título de crédito ou de outros documentos de dívida. O protesto é
regulado pela Lei 9492/97.

Quem é o responsável pelo protesto? O tabelião de protesto.

"O particular não pratica o protesto, mas solicita ao Tabelião


que o pratique. Este pode, depois de analisar os requisitos
formais do documento, negar-se a tal lavratura, caso encontre
vício que justifique a negativa.
(...)
O protesto é, pois, ato do tabelião de Protesto, que o pratica
por provocação do interessado, depois de respeitado o
procedimento legal." (BUENO, Sérgio Luiz. O protesto de
títulos e outros documentos de dívida. Porto Alegre: Sergio
Antonio Fabris, 2011, p. 20 e 21)

Quais são as vantagens do credor realizar o protesto? Existem inúmeros efeitos que
decorrem do protesto; no entanto, as duas principais vantagens para o credor são as
seguintes:
a) serve como meio de provar que o devedor está inadimplente;
b) funciona como uma forma de coerção para que o devedor cumpra sua obrigação
sem que seja necessária uma ação judicial (como o protesto lavrado gera um abalo no
crédito do devedor, que é inscrito nos cadastros de inadimplentes, a doutrina afirma
que o receio de ter um título protestado serve como um meio de cobrança extrajudicial
do débito; ao ser intimado do protesto, o devedor encontra uma forma de quitar seu
débito).

Procedimento até ser registrado o protesto do título:


1) o credor leva o título até o tabelionato de protesto e faz a apresentação, pedindo que
se proceda ao protesto e informando os dados e endereço do devedor;
2) o tabelião de protesto examina os caracteres formais do título;
3) se o título não apresentar vícios formais, o tabelião realiza a intimação do suposto
devedor no endereço apresentado pelo credor (art. 14 da Lei nº 9.492/97);
4) a intimação é realizada para que o apontado devedor, no prazo de 3 dias, pague ou
providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado;

Após a intimação, poderão ocorrer quatro situações:


4.1) o devedor pagar (art. 19);
4.2) o apresentante desistir do protesto e retirar o título (art. 16);
4.3) o protesto ser sustado judicialmente (art. 17);
4.4) o devedor ficar inerte ou não conseguir sustar o protesto.

5) se ocorrer as situações 4.1, 4.2 ou 4.3: o título não será protestado;


6) se ocorrer a situação 4.4: o título será protestado (será lavrado e registrado o
protesto).

Intimação: Como vimos acima, o tabelião irá determinar a intimação do devedor para
que, no prazo de 3 dias, pague ou providencie a sustação do protesto antes de ele ser
lavrado. As regras da intimação estão previstas nos arts. 14 e 15 da Lei nº 9.492/97.

Regras sobre a intimação:


 Depois que o apresentante protocoliza no cartório o título ou documento de
dívida, o Tabelião de Protesto expedirá uma intimação ao devedor.
 O tabelião pode ir entregar pessoalmente a intimação, pode mandar por um
funcionário seu ou remeter pelos Correios (o mais comum).
 A intimação deverá ser entregue no endereço fornecido pelo apresentante do
título ou documento. Assim, quando uma pessoa vai pedir para que um título
seja protestado, ela já tem que levar o endereço do devedor.
 Para que seja válida, é necessário que fique comprovado que uma pessoa maior
e capaz recebeu a intimação no endereço do devedor. Para isso, é indispensável
que a pessoa que recebeu assine um protocolo, aviso de recepção (AR) ou outro
documento equivalente.
 Vale ressaltar, mais uma vez, que, para que a intimação seja válida, basta que
ela tenha sido entregue para alguém no endereço fornecido pelo apresentante
do título ou documento como sendo do devedor. A lei não exige que o próprio
devedor receba a intimação, bastando que ela seja entregue em seu endereço.
 A intimação deverá conter nome e endereço do devedor, elementos de
identificação do título ou documento de dívida, e prazo limite para
cumprimento da obrigação no Tabelionato, bem como número do protocolo e
valor a ser pago.

Formas de intimação: Há duas formas de intimação:


a) mediante remessa pelo tabelião e entrega no endereço do devedor;
b) por edital (art. 15).

Hipóteses de intimação por edital: A intimação será feita por edital se a pessoa
indicada para aceitar ou pagar (devedor) for:
a) desconhecida;
b) tiver sua localização incerta ou ignorada;
c) for residente ou domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato; ou
d) caso ninguém se disponha a receber a intimação no endereço fornecido.
Esgotar todos os meios: Segundo a jurisprudência do STJ, a intimação do protesto por
edital somente pode ser considerada meio hábil para a caracterização da mora se
tiverem sido esgotadas todas as possibilidades de se localizar o devedor. Assim, se o
apresentante tiver fornecido algum endereço do devedor, o tabelião só poderá intimá-
lo por edital se primeiro tentar enviar a intimação para este endereço e não conseguir
que ninguém o receba.

Como será a publicidade do edital: O edital será:


 afixado no quadro de avisos do cartório do Tabelionato de Protesto; e
 publicado pela imprensa local onde houver jornal de circulação diária.

Má-fé do apresentante: Se o apresentante fornecer endereço incorreto, agindo de má-


fé, responderá por perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções civis,
administrativas ou penais (art. 15, § 2º).

5.2. Local onde deverá ser realizado o protesto de cédula de crédito bancário
garantida por alienação fiduciária – (Info 579)

É possível, à escolha do credor, o protesto de cédula de crédito bancário garantida


por alienação fiduciária, no tabelionato em que se situa a praça de pagamento
indicada no título ou no domicílio do devedor.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para
acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, j. 24/2/16 (recurso repetitivo)
(Info 579).
OBS:
Imagine a seguinte situação hipotética: João recebeu mútuo bancário de R$ 100 mil e
emitiu em favor da instituição financeira uma Cédula de Crédito Bancário (CCB).
Além disso, como garantia, ele fez a cessão fiduciária para o banco de um caminhão.
Em outras palavras, João cedeu fiduciariamente o veículo para o banco. Se ele pagasse
o empréstimo, o banco "devolveria" o bem; caso se tornasse inadimplente, o banco se
tornaria, em definitivo, proprietário do caminhão.

Cédula de Crédito Bancário (CCB) com garantia: É um título de crédito extremamente


comum na atividade empresarial, estando disciplinada nos arts. 26 a 45 da Lei nº
10.931/2004. Quando uma pessoa física ou jurídica adquire um empréstimo bancário,
a instituição financeira exige que este mutuário emita, em favor do banco, uma cédula
de crédito bancário, que é um papel no qual o emitente se compromete a pagar para o
beneficiário determinada quantia ali prevista. Este papel (CCB) fica em poder do
credor. Caso o emitente não cumpra a sua promessa e não pague a dívida no prazo, o
credor poderá executar a CCB, que é um título de crédito e, portanto, título executivo
extrajudicial. A CCB poderá ser emitida com ou sem garantia (art. 27 da Lei nº
10.931/2004). Em caso de empréstimo de pequenos valores, os bancos normalmente
não exigem garantia, bastando a CCB, que é, como vimos, título executivo. No entanto,
se a quantia for grande, as instituições exigem que o mutuário, além de emitir a cédula,
forneça uma garantia (ex: hipoteca de um bem imóvel, cessão fiduciária de bens
móveis etc.). Em nosso exemplo, o banco exigiu a garantia.

Voltando ao exemplo: João deixou de pagar as prestações do empréstimo e tornou-se


inadimplente. Diante disso, o banco levou o título para ser protestado pelo
Tabelionato de Protesto. Vale ressaltar que João morava em Campinas, o banco se
situava em São Bernardo e, no título, estava indicado São Paulo (capital) como praça
(local) de pagamento do título.

Diante desta diversidade de locais, indaga-se: onde deverá ser lavrado este protesto?
Em São Paulo (capital) ou em Campinas. Foi a tese fixada pelo STJ em recurso
repetitivo.

A determinação para que o protesto seja feito no local indicado pelo título como praça
de pagamento está prevista no art. 28, parágrafo único, do Decreto 2.044/1908:

Art. 28. A letra que houver de ser protestada por falta de aceite
ou de pagamento deve ser entregue ao oficial competente, no
primeiro dia útil que se seguir ao da recusa do aceite ou ao do
vencimento, e o respectivo protesto, tirado dentro de três dias
úteis.
Parágrafo único. O protesto deve ser tirado do lugar indicado
na letra para o aceite ou para o pagamento. Sacada ou aceita a
letra para ser paga em outro domicílio que não o do sacado,
naquele domicílio deve ser tirado o protesto.

Também pode ser admitido que o protesto ocorra no domicílio do devedor porque
isso se mostra mais vantajoso para ele, de forma que não poderá invocar qualquer
nulidade no ato.

5.3. Não cancelamento do protesto pela prescrição do título cambial – (Info 562)

João não pagou uma nota promissória que emitiu em favor da empresa “XX”.
Diante disso, a empresa levou a nota promissória a protesto no Tabelionato de
Protesto. Quatro anos depois, a empresa ajuizou execução de título extrajudicial
contra João cobrando o valor estampado na nota promissória. A execução, contudo,
foi extinta porque o juiz constatou que houve prescrição da ação executiva. João
ajuizou ação de cancelamento do protesto, alegando que, como houve a prescrição
da execução, deveria automaticamente ocorrer o cancelamento do protesto
realizado. A tese de João está correta?
NÃO. A prescrição da pretensão executória de título cambial não enseja o
cancelamento automático de anterior protesto regularmente lavrado e registrado. A
validade do protesto não está diretamente relacionada com a exequibilidade do
título ou de outro documento de dívida, mas sim com a inadimplência e o
descumprimento da obrigação representada nestes papéis.
A inadimplência e o descumprimento não desaparecem com a mera prescrição do
título executivo não quitado. Em outras palavras, o devedor continua sendo
inadimplente, apesar de o título não poder mais ser cobrado mediante execução.
Então, não pode o protesto ser cancelado simplesmente pelo fato de ele não poder
ser mais executado.
Vale lembrar que, mesmo havendo a prescrição da ação executiva, o credor ainda
poderá cobrar o valor da nota promissória por meio da ação monitória.
STJ. 4ª Turma. REsp 813.381-SP, Rel. Min. Raul Araújo, j. 20/11/14 (Info 562).

6. PROTESTO DE TÍTULO
6.1. Prévia notificação e registros oriundos do cartório de protesto – (Info 554) –
IMPORTANTE!!!

Para que o órgão de proteção de crédito (exs.: SPC e SERASA) inclua o nome de um
consumidor no cadastro de inadimplentes, é necessário que, antes, ele seja
notificado?
 REGRA: SIM. Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito
a notificação do devedor antes de proceder à inscrição (Súmula 359-STJ). A
ausência de prévia comunicação enseja indenização por danos morais.
 EXCEÇÃO: é dispensada a prévia comunicação do devedor se o órgão de
restrição ao crédito estiver apenas reproduzindo informação negativa que
conste de registro público.
“Diante da presunção legal de veracidade e publicidade inerente aos registros do
cartório de protesto, a reprodução objetiva, fiel, atualizada e clara desses dados na
base de órgão de proteção ao crédito - ainda que sem a ciência do consumidor - não
tem o condão de ensejar obrigação de reparação de danos.”
STJ. 2ª Seção. REsp 1.344.352-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, j.
12/11/14 (recurso repetitivo) (Info 554).

6.2. Responsabilidade pela baixa após o pagamento – (Info 549) – IMPORTANTE!!!

Após o pagamento do título protestado, o credor que foi pago tem a responsabilidade
de retirar o protesto lavrado?
NÃO. Após a quitação da dívida, incumbe ao DEVEDOR providenciar o
cancelamento do protesto, salvo se foi combinado o contrário entre ele e o credor.
No regime próprio da Lei 9.492/1997, legitimamente protestado o título de crédito
ou outro documento de dívida, salvo inequívoca pactuação em sentido contrário,
incumbe ao devedor, após a quitação da dívida, providenciar o cancelamento do
protesto.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.339.436-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 10/9/14 (recurso
repetitivo) (Info 549).

7. PROCEDIMENTO DE DÚVIDA
7.1. Não cabe recurso especial ou extraordinário – (Info 595) – IMPORTANTE!!!

Não cabe recurso especial contra decisão proferida em procedimento de dúvida


registral, sendo irrelevantes a existência de litigiosidade ou o fato de o julgamento
emanar de órgão do Poder Judiciário, em função atípica.
O procedimento de dúvida registral tem, por força de expressa previsão legal,
natureza administrativa (art. 204 da LRP), não se qualificando como prestação
jurisdicional.
STJ. 2ª Seção. REsp 1.570.655-GO, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, j. 23/11/16 (Info
595).

7.2. Descabimento de intervenção de terceiros em procedimento de dúvida


registraria – (Info 582)
Não é cabível a intervenção de terceiros em procedimento de dúvida registral
suscitada por Oficial de Registro de Imóveis (arts. 198 a 207 da Lei nº 6.015/73).
STJ. 4ª Turma. RMS 39.236-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 26/4/2016 (Info 582).
OBS:
Não existe previsão legal para a intervenção de terceiros na dúvida, que possui, na
verdade, natureza de procedimento administrativo (não jurisdicional), agindo o juiz
singular ou o colegiado em atividade de controle da Administração Pública.

8. EMOLUMENTOS
8.1. Valor relativo à inscrição de cédula de crédito rural é fixado em lei estadual –
(Info 587)

Na cobrança para o registro de cédula de crédito rural não se aplica o art. 34 do DL


167/67, e sim lei estadual que, em conformidade com a Lei 10.169/00, fixa o valor
dos respectivos emolumentos.
O art. 34 do DL 167/1967 foi derrogado pela Lei º 10.169/00, que autorizou os
Estados/DF a fixarem o valor dos emolumentos.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.142.006-MG, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador
convocado do TRF da 1ª Região), Rel. para acórdão Min. Regina Helena Costa, j.
16/6/16 (Info 587).