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MP-PI

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ

TEXTO
TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS

Livro Eletrônico
BRUNO PILASTRE

Doutor em Linguística (teoria e análise grama-


tical) pela Universidade de Brasília. Atua na
área de Concursos Públicos desde 2009, prin-
cipalmente na elaboração de materiais didáti-
cos. É autor das obras “Guia Prático de Língua
Portuguesa” e “Guia de Redação Discursiva
para Concursos”, ambas editadas pela editora
Gran Cursos.

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Tipologia e Gêneros Textuais
Prof. Bruno Pilastre

SUMÁRIO
Tipologia e Gêneros Textuais.........................................................................4
Tipo Narrativo.............................................................................................4
Discurso Direto e Discurso Indireto................................................................6
Tipo Descritivo............................................................................................7
Tipos Dissertativo Expositivo e Dissertativo Argumentativo................................8
Os Fatos................................................................................................... 11
Os Exemplos............................................................................................. 11
As Ilustrações........................................................................................... 11
Os Dados Estatísticos................................................................................. 12
O Testemunho........................................................................................... 12
Tipo Instrucional ou Injuntivo...................................................................... 13
Tipo Dialogal............................................................................................. 15
Definição dos Principais Gêneros Textuais..................................................... 19
Resumo.................................................................................................... 25
Glossário.................................................................................................. 26
Questões de Concurso................................................................................ 27
Gabarito................................................................................................... 69
Questões Comentadas................................................................................ 70
Bibliografia............................................................................................... 93

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TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS

Características das Principais Tipologias Textuais

Olá! Como foi a resolução dos exercícios da primeira aula? Espero que tenha

sido proveitosa.

Nesta segunda aula, definirei as principais tipologias textuais e os principais

gêneros textuais. Darei destaque ao modo como a banca examinadora cobra esses

dois assuntos, certo? Vamos ao conteúdo!

Por tipologia textual (ou tipo textual), entende-se uma espécie de construção

teórica definida pela natureza linguística de sua composição (ou seja, os aspectos

lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo). Isso quer dizer o se-

guinte: a depender de como o texto se organiza informacional e linguisticamente,

pode ser do tipo X ou do tipo Y. Na classificação de Pereira & Neves (2012), há seis

tipos textuais:

• narrativo;

• descritivo;

• expositivo;

• argumentativo;

• instrucional ou injuntivo;

• dialogal.

Vamos discutir cada um desses tipos, começando pela narração.

Tipo Narrativo

Na narração, há seres que participam de eventos em determinado tempo e espa-

ço. Os participantes desses eventos são os personagens, os quais podem ser reais

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ou fictícios. O evento (uma espécie de ação) é denotado por verbos nocionais, como

cantar, correr, beijar, nadar, ouvir etc. O tempo da narrativa é tipicamente o passado,

mas pode ser o presente (a narração de um jogo de futebol) ou o futuro (obras pro-

féticas, por exemplo). Em uma narrativa, o espaço pode ser físico (uma cidade, uma

casa, uma escola) ou psicológico (mente do personagem ou do narrador).

Quem conta a história é o narrador, que pode ser de primeira ou terceira pes-

soa: o narrador em primeira pessoa participa das ações; o narrador em terceira

pessoa não está diretamente envolvido nas ações, podendo ser observador (apenas

relata os acontecimentos vistos a olhos nus) ou observador onisciente (aquele que

tudo sabe, que tudo vê, inclusive os estados mentais das personagens).

Linguisticamente, o tempo da narrativa é marcado pelas formas verbais (flexão

de passado, presente, futuro) e por formas adverbiais (ontem, hoje etc.). O nar-

rador é marcado pela flexão de número e pessoa do verbo (primeira ou terceira).

Para você compreender melhor, vamos observar o trecho a seguir, o qual foi

retirado da obra Mil e uma noites:

Disse Sahrazad: conta-se, ó rei venturoso, de parecer bem orientado, que certo
mercador vivia em próspera condição, com abundantes cabedais, dadivosos, proprie-
tário de escravos e servos, de várias mulheres e filhos; em muitas terras ele investira,
fazendo empréstimos ou contrariando dívidas. Em dada manhã, ele viajou para um des-
ses países: montou um de seus animais, no qual pendurara um alforje com bolinhos e
tâmaras que lhe serviriam como farnel, e partiu em viagem por dias e noites, e Deus já
escrevera que ele chegaria bem e incólume à terra para onde rumava; [...]. (Mil e uma
noites – volume I – ramo sírio)

Nesse texto, observamos um narrador em terceira pessoa, o qual introduz a fala

da personagem Sahrazad. Essa personagem, por sua vez, é também uma narra-

dora em terceira pessoa (ela fala sobre o mercador). O texto envolve personagens

(Sahrazad, rei, mercador etc.) que realizam ações em determinado tempo (passa-

do) e espaço (um reino).

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Eu sei que você já leu outros livros. Tente puxar de memória uma narração

que te marcou. Quais eram os personagens? Que ações desempenharam? Onde e

quando aconteceram as ações? Ao responder a essas perguntas, você estará orga-

nizando os elementos de uma narrativa.

Os textos narrativos podem ser ficcionais ou não. Uma notícia, por exemplo, pode

narrar um acontecimento, nesse caso, trata-se de um fato não ficcional.

Discurso Direto e Discurso Indireto

O narrador possui dois papéis na narrativa:

• (i) apresentar as personagens (via descrição); e

• (ii) trazer ao leitor as falas das personagens.

Vamos analisar com mais cuidado a função (ii). O narrador pode trazer ao leitor

as falas das personagens de duas maneiras:

• ii.i) Diretamente, exatamente como a personagem falou:

O Amanuense Belmiro disse ao colega:

– Estou farto de tanta burocracia.

• ii.ii) Indiretamente, “traduzindo” com suas próprias palavras o que o per-

sonagem falou:

• O Amanuense Belmiro disse ao colega que estava farto de tanta burocracia.

Conseguiu perceber a diferença? No primeiro caso, há o chamado dis-

curso direto. No segundo caso, há o discurso indireto. É simples diferen-

ciar essa classificação:

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• ii.i) Discurso direto: a fala da personagem é apresentada diretamente;

• ii.ii) Discurso indireto: a fala da personagem é apresentada indiretamente

As bancas examinadoras pedem a transposição discurso direto <-> discurso in-

direto. Como você pode perceber, há uma diferença temporal nessa transposição:

o discurso indireto registra que a fala da personagem ocorreu antes do momento

da enunciação. Fique atento(a), viu?

Tipo Descritivo

Podemos agora falar da descrição, que pode ser objetiva ou subjetiva.

Em uma descrição, apresentamos uma série de características de determinado

ser/objeto/espaço, formando na memória do leitor/ouvinte a imagem do que está

sendo descrito.

Na descrição, essa apresentação de características é verbal (oral ou escrita).

Linguisticamente, a descrição é tipicamente formada por predicações nominais

(sujeito + verbo de ligação + predicativo) ou por adjetivação (substantivo +

adjetivo (atributivo)).

Como eu disse, a descrição pode ser objetiva ou subjetiva. Na descrição obje-

tiva, o ser/objeto/espaço é descrito tal qual se apresenta ao mundo. Na descrição

subjetiva, diferentemente, o ser/objeto/espaço é descrito a partir das impressões

pessoais (subjetivas) de quem está realizando a caracterização. Vamos tentar dife-

renciar essas duas formas de descrição.

Imagine a seguinte situação: eu peço a um botânico para descrever um açaizei-

ro. Muito provavelmente, a descrição será a seguinte: “o açaí é uma palmeira do

gênero Euterpe que produz um fruto bacáceo de cor roxa”. Essa é uma descrição

objetiva. Imagine agora que eu peça a alguém da região Norte que descreva um

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açaizeiro. É muito provável que a descrição envolva subjetividades do tipo: “o açai-


zeiro é nossa árvore guardiã, protetora de nossos irmãos” (lembra-se da música do
Djavan: “açaí, guardiã”, que traduz essa característica do açaizeiro como fonte de
alimento e renda). Essa segunda descrição envolve, portanto, subjetividades (as
impressões pessoais/regionais das características do açaizeiro).

Observe a descrição a seguir, em que Tchekhov apresenta uma paisagem:

Depois das propriedades dos camponeses, começava um barranco abrupto e es-


carpado, que terminava no rio; aqui e ali, no meio da argila, afloravam pedras enormes.
Pelo declive, perto das pedras e das valas escavadas pelos ceramistas, corriam trilhas
sinuosas, entre verdadeiras montanhas de cacos de louça, ora pardos, ora vermelhos,
e lá embaixo se estendia um prado vasto, plano, verde-claro, já ceifado, onde agora
vagava o rebanho de camponeses. (Anton Tchekhov, O assassinato e outras histórias)

Bom, espero que essa ilustração tenha ficado clara. Vamos agora à apresenta-

ção dos tipos textuais dissertativo expositivo e dissertativo argumentativo.

Tipos Dissertativo Expositivo e Dissertativo Argumentativo

No tipo textual dissertativo expositivo, o autor do texto expõe/apresenta


ideias, fatos, fenômenos. Por ser de caráter expositivo, não se busca convencer o

leitor em relação ao ponto de vista – pressupõe-se, assim, que a dissertação expo-

sitiva apenas apresenta a ideia, o fato ou o fenômeno.

A dissertação expositiva é tipicamente em terceira pessoa (ou impessoal), uma vez

que o autor discorre sobre algo. Em relação à exposição sem defesa de um ponto de

vista, há a seguinte ilustração: pode-se discorrer (dissertar) sobre partidos políticos

com absoluta isenção, apresentado os diversos partidos em totalidade, dando a eles a

ideia exata, sem tentar convencer o meu leitor das qualidades ou falhas de partido A ou

B. Não procuro, nesse caso, formar a opinião de meu leitor; ao contrário, deixo-o em

inteira liberdade de se decidir por se filiar a determinado partido.

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No excerto a seguir, de Gilberto Amado (citado em Othon M. Garcia), observa-

mos que o autor apenas mostra certas características do Brasil. Não há, em nenhu-

ma parte do texto, recursos argumentativos que visam ao convencimento do leitor

(característica da argumentação). Observe:

No seu aspecto exterior, na sua constituição geográfica, o Brasil é um todo único.


Não o separa nenhum lago interior, nenhum mar mediterrâneo. As montanhas que se
erguem dentro dele, em vez de divisão, são fatores de unidade. Os seus rios prendem
e aproximam as populações entre si, assim os que correm dentro do país como os que
marcam fronteiras.
Por sua produção e por seu comércio, é o Brasil um dos raros países que se bas-
tam em si mesmos, que podem prover ao sustento e assegurar a existência de seus
filhos. De norte a sul e de leste a oeste, os brasileiros falam a mesma língua quase sem
variações dialetais. Nenhuma memória de outros idiomas subjacentes na sua formação
perturba a unidade íntima da consciência do brasileiro na enunciação e na comunicação
do seu pensamento e do seu sentimento. (Gilberto Amado, Três livros)

Agora, observe como é o tipo textual dissertação argumentativa. Por ser

mais complexa e mais recorrente em concursos públicos, detalharei mais esse tipo

textual, certo? Seguirei os ensinamentos do professor Othon M. Garcia.

No tipo textual dissertação argumentativa, diferentemente da dissertação

expositiva, procuramos formar a opinião do leitor ou ouvinte, objetivando conven-

cê-lo de que a razão (o discernimento, o bom senso, o juízo) está conosco, de que

nós é que estamos de posse da verdade.

Imagine a seguinte situação: eu sou filiado a determinado partido político. Se eu

produzir um texto em que o objetivo seja demonstrar as vantagens, a conveniên-

cia, a coerência, a qualidade, a verdade de meu partido (em oposição aos demais),

estou argumentando. Em suma, argumentar é convencer ou tentar convencer me-

diante a apresentação de razões, em face da evidência de provas e à luz de um

raciocínio coerente e consistente.

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O texto a seguir, de autoria de Sérgio Buarque de Holanda, é um excelente

exemplar de texto argumentativo. Perceba que o autor se posiciona em relação aos

fatos e defende uma tese. Sérgio Buarque claramente procura convencer o leitor.

O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração
de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor
exemplo. Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma
descontinuidade e até uma oposição. A indistinção fundamental entre as duas formas é
prejuízo romântico que teve os seus adeptos mais entusiastas durante o século décimo
nono. De acordo com esses doutrinadores, o Estado e as suas instituições descende-
riam em linha reta, e por simples evolução da Família. A verdade, bem outra, é que
pertencem a ordens diferentes em essência. Só pela transgressão da ordem doméstica
e familiar é que nasce o Estado e que o simples indivíduo se faz cidadão, contribuinte,
eleitor, elegível, recrutável e responsável, ante as leis da Cidade. Há nesse fato um
triunfo do geral sobre o particular, do intelectual sobre o material, do abstrato sobre o
corpóreo e não uma depuração sucessiva, uma espiritualização de formas mais naturais
e rudimentares, uma procissão das hipóstases, para falar como na filosofia alexandrina.
A ordem familiar, em sua forma pura, é abolida por uma transcendência. (Sérgio Buar-
que de Holanda, Raízes do Brasil)

A grande questão envolvendo a argumentação é sua consistência, sua fundamen-

tação. Os estudos clássicos defendem que a argumentação é fundamentada em dois

elementos principais: a consistência do raciocínio e a evidência das provas.

Vou expor, em mais detalhes, o segundo aspecto: a evidência das provas.

Há cinco tipos mais comuns de evidência das provas:

• os fatos;

• os exemplos;

• as ilustrações;

• os dados estatísticos;

• o testemunho.

Vamos conhecer cada um em síntese:

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Os Fatos

Os fatos constituem o elemento mais importante da argumentação. São capa-

zes de provar, de convencer. Porém, é importante lembrar que nem todos os fatos

são irrefutáveis. O valor de prova de certos fatos está sujeito à evolução da ciência,

da técnica e dos próprios conceitos utilizados. Além disso, há casos em que fatos

são distorcidos.

Há fatos que são evidentes ou notórios: esses são os que mais provam. Afirmar

que no Brasil há desigualdade social é um fato, por exemplo.

Os Exemplos

Os exemplos são caracterizados por revelar fatos típicos ou representativos de

determinada situação. O fato de o motorista Fulano de Tal ter uma jornada de tra-

balho de 12 horas diárias é um exemplo típico dos sacrifícios a que estão sujeitos

esses profissionais, revelando uma das falhas do setor de transporte público.

As Ilustrações

A ilustração ocorre quando o exemplo se alonga em narrativa detalhada e

entremeada de descrições. Observe que a ilustração é um recurso utilizado pela

argumentação. Não deve, portanto, ser o centro da produção (a ilustração não

deve ser predominante).

Imagine um texto argumentativo que procura comprovar, por evidência, a falta de

planejamento habitacional em algumas cidades serranas. Nessas cidades, há constru-

ções irregulares próximas a encostas. Essas encostas ficam frágeis em épocas chuvo-

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sas. É possível, assim, ilustrar essa situação com um caso hipotético ou real. No caso
da ilustração hipotética, é necessário que haja verossimilhança e consistência no relato.
Importante: o valor de prova da ilustração hipotético é muito relativo.

Um caso real, o qual pode ser citado no texto-exemplo, é o da família do lavra-

dor Francisco Edézio Lopes, de 46 anos. Edézio e seus familiares, moradores do dis-

trito de Jamapará, em Sapucaia, no centro sul-fluminense, procuraram abrigo no

carro durante o temporal e acabaram arrastados pela enxurrada. Todos morreram.

Observe, mais uma vez, que a ilustração tem a função de ilustrar a tese e deve

ser clara, objetiva, sintomática e obviamente relacionada com a proposição.

Os Dados Estatísticos

Os dados estatísticos também são fatos, mas possuem uma natureza mais es-

pecífica e grande valor de convicção, constituindo quase sempre prova ou evidência

incontestável. Quanto mais específico e completo for o dado, melhor.

Além disso, é importante que haja fonte, pois, os dados não surgem natural-

mente. Assim, afirmar que o índice de analfabetismo por raça no Brasil é de 14%

para os negros e 6,1% para os brancos é diferente de afirmar que a Pesquisa Na-

cional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Ge-

ografia e Estatística (IBGE) em 2007, revela que índice de analfabetismo por raça

no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% para os brancos. A segunda proposição

é mais convincente, pois há referência explícita à fonte.

O Testemunho

A evidência por testemunho é composta por uma afirmação fundamentada, por

um depoimento, uma comprovação. É um fato trazido à composição por intermédio

de terceiros. O testemunho por autoridade é um recurso que possui alto valor

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de prova. Se, em minha produção, defendo que o sistema de transporte público

no Brasil precisa de planejamento estratégico (longo prazo), posso trazer a voz

(realizações, propostas, ideias) de uma autoridade no assunto. No caso do tema

proposto (transporte público), posso citar as propostas de Jaime Lerner, arquiteto

e urbanista brasileiro que propôs, na década de 70, a abertura de vias exclusivas

para os ônibus urbanos na cidade de Curitiba-PR.

Muito bem, fechamos a análise do tipo textual dissertação argumentativa.

Agora podemos falar brevemente do tipo textual instrucional ou injuntivo e do

tipo dialogal.

Tipo Instrucional ou Injuntivo

O tipo textual instrucional ou injuntivo é muito comum em nosso dia a dia.

Se você já assistiu a algum programa de culinária, certamente teve contato com o

tipo textual instrucional (ou injuntivo): o(a) apresentador(a) listou os ingredientes

e deu orientações sobre como o preparo do prato deve ser feito. Ao dar orienta-

ções, o(a) apresentador(a) ensinou o espectador a realizar uma tarefa. Essa é a

propriedade básica desse tipo textual: ensinar/orientar/instruir o leitor/ouvinte/

espectador a realizar uma tarefa.

As tarefas podem ser várias: usar um aparelho, jogar, cozinhar, tomar um remé-

dio, consertar um objeto, conduzir um veículo etc. Os principais gêneros que se or-

ganizam no tipo textual instrucional (ou injuntivo) são os seguintes: receita culinária,

manual de instruções, bula de remédio, regras de jogo, roteiro de viagem, mapas.

Linguisticamente, o tipo textual instrucional (ou injuntivo) organiza-se da

seguinte forma:

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PRIMEIRA PARTE: lista que denomina as partes que compõem o objeto, o apa-

relho, os ingredientes de um prato etc.

SEGUNDA PARTE: instruções a serem seguidas; essas instruções são apresen-

tadas em verbos no imperativo ou no infinitivo.

Atualmente, os gêneros que compõem o tipo textual instrucional (ou injuntivo)

procuram utilizar uma linguagem objetiva, clara e didática. Isso porque, antiga-

mente, muitos não conseguiam compreender o conteúdo do texto, não seguindo

corretamente as orientações.

Observe o exemplo a seguir, retirado do site www.tudogostoso.com.br:

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Agora vamos encerrar essa parte da nossa aula abordando o tipo textual dialogal.

Tipo Dialogal

Você já leu ou assistiu a uma entrevista, certo? Pois então, a entrevista é um

gênero pertencente ao tipo textual dialogal, pois dois ou mais interlocutores (par-

ticipantes do evento de comunicação) discutem algum assunto.

A estrutura de um diálogo é relativamente simples: o interlocutor 1 interage

verbalmente e, em seguida, o interlocutor 2 também interage. A interação do inter-

locutor 2 pode ser espontânea ou induzida. Na interação espontânea, o interlocutor

concorda, complementa ou discorda em relação ao que é dito pelo interlocutor 1.

Na interação induzida, o interlocutor 2 responde a uma pergunta realizada pelo

interlocutor 1.

Nós realizamos diálogos constantemente em nosso dia a dia. A maioria deles é

espontânea e informal. Os diálogos induzidos, por sua vez, são mais comuns em

entrevistas (de emprego, jornalística etc.) e têm caráter mais formal. Vamos ver

um exemplo de entrevista (diálogo induzido, formal):

América Rebelde – Uma entrevista com Noam Chomsky


EDIÇÃO – 1 LE MONDE DIPLOMATIQUE
Por Daniel Mermet
Agosto 8, 2007

Tão respeitado nos pequenos seminários acadêmicos quanto nas grandes reuniões
do Fórum Social Mundial, Noam Chomsky é um dos mais importantes intelectuais da
atualidade. Com 78 anos, esse professor do renomado MIT (o Instituto de Tecnologia de
Massachusetts) tornou-se uma referência mundial, seja no domínio da linguística, sua
área de especialização científica, seja nas fileiras da esquerda, seu campo de atuação
política. Como linguista, Chomsky teve o nome internacionalmente projetado por sua
teoria acerca dos princípios estruturais inatos da linguagem. Como político, tem-se des-
tacado na crítica à globalização neoliberal e aos mecanismos de controle dos regimes
totalitários e das sociedades ditas democráticas.

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De origem judaica (seu pai, professor em escola religiosa, foi um dos grandes
eruditos da língua hebraica), não poupa críticas a Israel, pelo tratamento dado aos pa-
lestinos e pela prática do que qualifica como “terrorismo de Estado”. Nascido em Fila-
délfia (o berço da identidade nacional norte-americana), é um dos principais opositores
da política imperialista dos Estados Unidos, em geral, e do governo George W. Bush, em
particular. Intelectual engajado (que se define como “socialista libertário”), vem sendo
tão radical na condenação do stalinismo quanto do nazismo. Sua independência intelec-
tual tem-lhe valido pesados ataques, vindos de várias direções. Mas também lhe tem
granjeado amplas simpatias e apoios.
Nesta entrevista exclusiva a Le Monde Diplomatique, ele discorre extensamente sobre
alguns dos temas mais relevantes do mundo contemporâneo (nota da edição brasileira).

Diplomatique
Comecemos pela questão da mídia. Na França, em maio de 2005, por ocasião do
referendo sobre o Tratado da Constituição Europeia, a maioria dos meios de comunica-
ção de massa era partidária do “sim”. No entanto, 55% dos franceses votaram “não”. O
poder de manipulação da mídia não parece, portanto, absoluto. Esse voto dos cidadãos
representaria um “não” também aos meios de comunicação?

Chomsky 
O trabalho sobre a manipulação midiática ou a fábrica do consentimento, feito por
mim e Edward Herman, não aborda a questão dos efeitos das mídias sobre o público1. É
um assunto complicado, mas as poucas pesquisas detalhadas sugerem que a influência
das mídias é mais expressiva na parcela da população com maior escolaridade. A massa
da opinião pública parece menos dependente do discurso dos meios de comunicação.
Tomemos como exemplo a eventualidade de uma guerra contra o Irã: 75% dos nor-
te-americanos acham que os Estados Unidos deveriam pôr fim às ameaças militares e
privilegiar a busca de um acordo pela via diplomática. Pesquisas conduzidas por institu-
tos ocidentais mostram que a opinião pública dos Estados Unidos e a do Irã convergem
também sobre certos aspectos da questão nuclear: a esmagadora maioria das popu-
lações dos dois países acha que a zona que se estende de Israel ao Irã deveria estar
totalmente livre de artefatos nucleares, inclusive os que hoje estão nas mãos das tropas
norte-americanas na região. Ora, para se encontrar esse tipo de opinião na mídia, é
preciso procurar muito.
Quanto aos principais partidos políticos norte-americanos, nenhum defende este
ponto de vista. Se o Irã e os Estados Unidos fossem autênticas democracias, no seio das
quais a maioria realmente determinasse as políticas públicas, o impasse atual sobre a
questão nuclear estaria sem dúvida resolvido.
Há outros casos parecidos. No que se refere, por exemplo, ao orçamento federal
dos Estados Unidos, a maioria dos norte-americanos deseja uma redução das despesas
militares e um aumento correspondente das despesas sociais, dos créditos depositados
para as Nações Unidas, da ajuda humanitária e econômica internacional. Deseja tam-
bém a anulação da redução de impostos que beneficia os mais ricos, decidida por Bush.

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Em todos esses aspectos, a política da Casa Branca é contrária aos anseios da


opinião pública. Mas as pesquisas de opinião que revelam essa persistente oposição pú-
blica raramente são publicadas pelas mídias. Resulta que não somente os cidadãos são
descartados dos centros de decisão política, como também são mantidos na ignorância
sobre o real estado da opinião pública.
Existe uma preocupação internacional com o abissal deficit duplo dos Estados
Unidos: o deficit comercial e o deficit orçamentário. Estes somente existem em estreita
relação com um terceiro: o deficit democrático, que aumentar sem cessar, não somente
nos Estados Unidos, mas em todo o mundo ocidental.

Como você percebeu, há dois interlocutores no diálogo (entrevista) acima: o

representante da revista Le Monde Diplomatique (Daniel Mermet) é o interlocutor

1 e o intelectual Noam Chomsky é o interlocutor 2.

Os diálogos estão muito presentes em narrativas e em textos teatrais. A marca-

ção do diálogo, nesses casos, é feita pelo travessão (─).

“E em concursos, professor, como esse conteúdo é avaliado?” Não há muitas

complicações, mas é preciso ficar atento a uma noção:

Os textos são predominantemente de um tipo textual. Isso porque pode haver,

em um mesmo texto, uma narração, uma descrição e uma argumentação. O que

determina a predominância é a função do texto: se a função é argumentar (de-

fender um ponto de vista) e, para isso, faz-se uso de uma narração, o texto será

predominantemente argumentativo.

1. (CESPE/STJ/ANALISTA/2018)

Texto CB1A1BBB
1
O conceito de direitos humanos assenta em um bem

conhecido conjunto de pressupostos, todos eles tipicamente

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ocidentais: existe uma natureza humana universal que pode ser


4
conhecida racionalmente; a natureza humana é essencialmente

diferente e superior à restante realidade; o indivíduo possui

uma dignidade absoluta e irredutível que tem de ser defendida


7
da sociedade ou do Estado; a autonomia do indivíduo exige que

a sociedade esteja organizada de forma não hierárquica, como

soma de indivíduos livres. Uma vez que todos esses


10
pressupostos são claramente ocidentais e facilmente

distinguíveis de outras concepções de dignidade humana em

outras culturas, teremos de perguntar por que motivo a questão


13
da universalidade dos direitos humanos se tornou tão

acesamente debatida.

Boaventura de Sousa Santos.

Por uma concepção multicultural dos direitos humanos.

Internet: <www.dhnet.org.br> (com adaptações).

Acerca do Texto CB1A1BBB e de seus aspectos linguísticos, julgue o item que se segue.

O Texto é essencialmente dissertativo-argumentativo e nele o autor expressa sua

opinião a respeito do assunto tratado.

Certo.

Olha aí que interessante: a banca usa a mesma nomenclatura adotada em

nossa aula. No texto em análise, o autor procura convencer o leitor em re-

lação ao seu ponto de vista – e no parágrafo em destaque isso é feito por

meio de um questionamento.

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2. (FCC/TRT-6ª/TÉCNICO/2018)

– Você pode entrar no ramo, disse-lhe.

A frase acima está corretamente transposta para o discurso indireto em: 

Parte superior do formulário

a) Disse-lhe “você pudera entrar no ramo”. 

b) Disse-lhe que você pode entrar no ramo. 

c) Disse-lhe que ele podia entrar no ramo. 

d) Disse-lhe: “ele pôde entrar no ramo”.  

e) Disse-lhe: você poderá entrar no ramo. 

Letra c.

Lembre-se: no discurso indireto, a fala da personagem é mediada pelo “narrador”.

Nesse caso, como eu disse em nossa aula, há uma alteração na perspectiva tem-

poral: a forma verbal “pode” passa a figurar no passado: “podia”. Além disso, o

discurso indireto é marcado pela subordinação. Assim, a forma adequada na trans-

posição do discurso indireto será: “Disse-lhe que ele podia entrar no ramo.”

Definição dos Principais Gêneros Textuais

Se você concluiu o Ensino Médio após o ano 2000, certamente ouviu falar de

gêneros textuais nas aulas de Língua Portuguesa. A proposta de ensinar o nosso

idioma pela abordagem dos gêneros textuais é relativamente nova, mas a teoria

que caracteriza os gêneros é mais antiga (início do século XX).

Os gêneros textuais não são semelhantes aos tipos textuais. Os tipos textuais

são estruturas linguísticas prototípicas, as quais possuem estabilidade interna. Os

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gêneros textuais partem das tipologias e estão mais ligados a situações concretas

de comunicação. Por exemplo: um relato de viagem é um gênero textual que parte

da tipologia narrativa (e descritiva). O relato de viagem é um gênero porque está

vinculado a uma situação concreta de comunicação, o relato de uma viagem. Outro

gênero narrativo é a crônica.

Cada gênero textual é identificado (e classificado) a partir de aspectos básicos,

como assunto, finalidade, perfil dos participantes, estrutura, suporte e estilo (for-

mal, informal, técnico etc.). Veja na lista a seguir alguns gêneros textuais:

• biografia;

• bula de remédio;

• carta;

• carta do/ao leitor;

• conto;

• diário;

• editorial;

• e-mail;

• fábula;

• homilia;

• notícia;

• petição;

• propaganda;

• receita culinária;

• recurso;

• reportagem.

Em concursos públicos, os gêneros textuais mais recorrentes são os de gran-

de circulação, como editoriais, artigos de opinião, notícias, reportagens, crônicas

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e contos. Veja as definições de cada um desses gêneros (os mais relevantes para

concursos públicos):

• Editorial: nesse gênero, discute-se uma questão, apresentando o ponto de

vista do jornal, da empresa jornalística ou do redator-chefe. É um gênero

pertencente ao tipo textual dissertativo argumentativo;

• Artigo de opinião: nesse gênero, busca-se convencer o leitor em relação a

uma determinada ideia. O autor do artigo de opinião não representa o ponto

de vista do veículo que publica o texto. Esse também é um gênero pertencen-

te ao tipo textual dissertativo argumentativo;

• Notícia: nesse gênero, relata-se concisamente e objetivamente os fatos da

realidade. Na notícia, encontramos as seguintes informações: o que, quem,

quando, onde, como e por quê;

• Reportagem: os livros didáticos de Língua Portuguesa caracterizam o gêne-

ro reportagem como um texto jornalístico que trata de fatos de interesse pú-

blico. A abordagem desses fatos é mais aprofundada em relação à abordagem

observada no gênero notícia;

• Crônica: a crônica é um texto literário breve, com trama quase sempre pou-

co definida e motivos geralmente extraídos do cotidiano imediato. É um texto

de natureza tipicamente narrativa;

• Conto: narrativa breve e concisa. No conto, há um só conflito, uma única

ação (com espaço geralmente limitado a um ambiente). Além disso, há uni-

dade de tempo e número restrito de personagens. O conflito é quase sempre

resolvido após o clímax.

Veja bem, essas definições obviamente não contemplam todas as possibilidades

de realização de cada um dos gêneros. Eu optei pelas definições simples e objeti-

vas para facilitar o seu aprendizado. A questão a seguir, retirada de uma prova de

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concurso, ilustra bem a abordagem dos gêneros textuais. Importante: ao longo da

resolução das questões e dos comentários do gabarito, você terá contato com mui-

tos exemplares de tipos e gêneros textuais.

3. (CESPE/TRF-1ª/ANALISTA/2017)

Texto 4A1BBB
1
Eu ia começar com “Em tese, o cronista”, mas penso

melhor e me dou conta de que deveria começar com “Na

prática, o cronista”, pois o cronista só existe na prática. O


4
Amor, o Perdão, a Saudade, Deus e outras maiúsculas celestes

nós deixamos para os poetas, alpinistas muito mais hábeis que

com dois ou três pontos de apoio chegam ao cume de qualquer


7
abstração.

O cronista é um pedestre. O que existe para o cronista

é a gaveta de meias, a lancheira do filho, o boteco da esquina.


10
Verdade que às vezes, na gaveta de meias, na lancheira do

filho, no boteco da esquina, o cronista até resvala no amor,

trisca no perdão, se lambuza na saudade, tropeça num deusinho


13
ou outro (desses deuses de antigamente, também pedestres, que

se cansam do Olimpo e vão dar umas bandas pela 25 de

Março), mas é de leve, é sem querer, pois na prática (e é assim


16
que eu devo começar) o cronista trata do pequeno, do detalhe,

do que está tão perto que a gente nem vê.

Antonio Prata. É uma crônica, companheira.

Internet <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).

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Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do Texto 4A1BBB, julgue o

item a seguir.

O emprego de expressões coloquiais como “dar umas bandas” (l. 14) e “de leve” (l.

15) é adequado ao gênero em que se classifica o Texto.

Certo.

O texto é uma crônica. Uma das características desse gênero é a linguagem coloquial.

4. (FCC/ARTESP/AGENTE/2017)

Pode ser um saudosismo bobo, mas tenho saudades do tempo em que se ouvia

o futebol pelo rádio. Às vezes, era apenas chiado; às vezes, o chiado se misturava

com a narração; às vezes, a estação sumia; sem mais nem menos, voltava, e o

jogo parecia tão disputado, mas tão emocionante, repleto de lances espetaculares,

que tudo que queríamos no dia seguinte era assistir os melhores momentos na

televisão. Hoje todos os jogos são transmitidos pela televisão. Isso é uma coisa

esplêndida, mas sepultou a fantasia, a mágica.

Agora, que fique claro: em absoluto falo mal da tecnologia. Ao contrário, o

avanço tecnológico, principalmente a chegada da internet, trouxe muita coisa boa

pra muita gente. Lembro que ainda engatinhava no plano do Direito e, se quisesse

ter acesso a uma boa jurisprudência, tinha que fazer assinatura. Hoje, está tudo aí,

disponível, à farta, de graça. Somente quem viveu numa época em que não havia

a internet tem condições de dimensionar o nível de transformação e de reprodução

do conhecimento humano que ela representou...

(Adaptado de: GEIA, Sergio. Então chegou a tecnologia... Disponível em: www.cronica-

dodia.com.br)

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Condizente com o gênero crônica, o texto consiste em

a) uma história fantasiosa inspirada em fatos reais, com linguagem cerimoniosa.

b) um registro histórico de fatos de relevo internacional, com linguagem hermética.

c) um relato subjetivo de experiências cotidianas, com linguagem coloquial.

d) uma compilação de opiniões divergentes sobre tema polêmico, com linguagem afetada.

e) uma descrição objetiva da realidade visando noticiar fatos inéditos, com

linguagem formal.

Letra c.

A crônica é caracterizada por um relato (narrativo) referente a experiências coti-

dianas. Esse gênero possui uma linguagem mais coloquial, exatamente como infor-

mado pela opção.

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RESUMO

Tipologias Textuais

Narração  presença de: – eventos;


– personagens;
– narrador;
– espaço;
– tempo;
– discurso: direto
indireto.

Descrição:
– objetiva (descrição do objeto tal qual ele se apresenta);
– subjetiva (impressões pessoais de quem descreve).

Dissertação expositiva: apresentação de ideias, fatos, fenômenos, não ha-


vendo defesa de ponto de vista.

Dissertação argumentativa: há defesa de um ponto de vista. Para essa defe-


sa, o autor faz uso de argumentos (sustentados
pela evidência das provas).

Instrucional ou injuntivo: dirige-se à segunda pessoa do discurso, ins-


truindo ou orientando a realização de uma tare-
fa; faz uso de estruturas verbais no infinitivo ou

no imperativo.

Dialogal: tipologia em que dois ou mais interlocutores interagem verbalmente. O

diálogo pode ser espontâneo ou induzido.

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GLOSSÁRIO

Baseado no dicionário Houaiss Eletrônico 2009.

Argumentação: conjunto de ideias, fatos que constituem os argumentos que

levam ao convencimento ou conclusão de (algo ou alguém); no desenvolvimento

do discurso, corresponde aos recursos lógicos, como silogismos, paradoxos etc.

geralmente acompanhados de exemplos, que induzem à aceitação de uma tese e

à conclusão geral e final.

Clímax: parte do enredo (de livro, filme, peça etc.) em que os acontecimentos

centrais ganham o máximo de tensão, prenunciando o desfecho; ápice.

Dialogal: exposto ou escrito em forma de diálogo.

Injuntivo: que exprime uma ordem ao interlocutor para executar ou não uma

determinada ação.

Instrução: explicação (sobre o uso de algo ou para a realização de algo).

Narração: exposição escrita ou oral de um acontecimento ou de uma série de

acontecimentos mais ou menos sequenciados.

Narrador: entidade fictícia que, numa narrativa, possui a função de enunciar o

discurso, sendo o protagonista da comunicação narrativa.

Tempo: duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente,

passado e futuro; período contínuo no qual os eventos se sucedem.

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (CESPE/EBSERH/SUPERIOR/2018)

Texto CB1A1BBB
1
São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho

médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010, localizada na

região noroeste do estado de São Paulo, em área de clima


4
tropical, é uma cidade reconhecida pelo seu calor intenso. Em

1985, a Superintendência de Controle de Endemias do Estado

de São Paulo detectou a presença de focos do Aedes aegypti


7
em doze cidades paulistas, entre elas, São José do Rio Preto, e

confirmou sua reintrodução no estado. Os focos foram

encontrados em locais com concentração de recipientes,


10
denominados pontos estratégicos (PEs). Foi então estruturado

o Programa de Controle de Aedes aegypti em São Paulo, que

previa a visitação sistemática e periódica aos PEs dos


13
municípios e a realização de delimitações de foco, quando do

encontro de sítios positivos. Considerava-se que o vetor estava

presente em um município quando continuava presente nos


16
imóveis após a realização das medidas de controle que vinham

associadas à delimitação de foco.

Logo após a detecção de focos positivos do mosquito


19
em São José do Rio Preto, realizaram-se as delimitações e a

aplicação de controle, as quais não foram suficientes para

eliminar o vetor. Diante da situação, em 1985, o município foi

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22
definido como área de infestação domiciliar e risco de dengue.

Os primeiros casos autóctones da dengue no município foram

registrados em 1991, atribuídos ao sorotipo DENV1. A


25
primeira grande epidemia ocorreu em 1995, com 1.462 casos

autóctones. Posteriormente, com a introdução dos demais

sorotipos, as incidências (casos/100 mil habitantes/ano)


28
apresentaram comportamento cíclico: em 1999, 1.351,1; em

2006, 2.935,7; em 2010, ano da maior incidência, 6.173,8; e,

em 2015, até outubro, a segunda maior incidência, 5.070,8.


31
Apesar de não se descartar a hipótese de que o

aumento progressivo das incidências da dengue no município

já seria um efeito do aumento das temperaturas, parece que


34
esse fenômeno estaria mais relacionado com a circulação dos

múltiplos sorotipos do vírus da dengue. De modo geral, a

persistência e a intensidade da dengue em São José do Rio


37
Preto são esperadas por se tratar de cidade de clima tropical e

com condições ideais para o desenvolvimento do vetor e de sua

relação com o patógeno.

Internet: <www revistas usp br> (com adaptações)

Os vocábulos “mosquito” (l. 18) e “patógeno” (l. 39) têm o mesmo referente no

Texto: “Aedes aegypti” (l. 6 e 11).

(CESPE/STJ/ANALISTA/2018)

Texto CB1A1CCC
1
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes

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revelaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram

relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam da


4
cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha cadeira de

juíza. A toga não me blindou daqueles relatos sofridos, aflitos.

As angústias dos que se sentavam à minha frente, por diversas


7
vezes, me escoltaram até minha casa e passaram a ser

companheiras de noites de insônia. Não havia outra solução a

não ser escrever. Era preciso colocar no papel e compartilhar


10
a dor daquelas pessoas que, mesmo ao fim do processo e com

a sentença prolatada, não me deixavam esquecê-las.

Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães,


13
filhas, esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em

comum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de casa.

O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas mulheres,
16
havia se transformado no pior dos mundos.

Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se

sentavam à minha frente, os relatos se transformavam em


19
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justificar

e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas. A culpa por

ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a culpa por não ter
22
sido boa o suficiente, a culpa por não ter conseguido manter a

família. Sempre a culpa.

Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma


25
força externa como se somente nós, juízes, promotores e

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advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo de

violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela


28
violência invisível.

Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias além das

quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com adaptações).

2. No Texto, a palavra “prolatada” (l. 11) foi empregada como sinônimo de deferida.

3. O referente dos sujeitos de “chegavam” (l. 17), que está elíptico, é “os relatos” (l. 18).

(CESPE/TCM-BA/SUPERIOR/2018)

Texto 1A1BBB
1
Após meses de sofrimento e solidão chega o correio:

esta corrente veio da Venezuela escrita por Salomão Fuais

para correr mundo


4
faça vinte e quatro cópias e mande a amigos em lugares

distantes: antes de nove dias terá surpresa, graças a Santo

Antônio.
7
Tem vinte e quatro cópias, mas não tem amigos distantes,

José Edouard, Exército venezuelano, esqueceu de distribuir

cópias, perdeu o emprego.


10
Lupin Gobery incendiou cópia, casa pegou fogo,

metade da família morreu.

Mandar então a amigos em lugares próximos.


13
Também não tem amigos em lugares próximos.

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Fecha a casa.

Deitado na cama, espera surpresa.

Rubem Fonseca. Corrente. In: Contos reunidos.

São Paulo: Cia. das Letras, 1994, p. 324.

A respeito dos aspectos estruturais e linguísticos do Texto 1A1BBB, julgue os itens.

4. Nos trechos “chega o correio” (l. 1), “Fecha a casa” (l. 14) e “espera surpresa” (l.

15), os elementos “correio”, “casa” e “surpresa” exercem a mesma função sintática.

5. A mensagem da corrente apresenta-se em forma de citação no interior do conto,

da linha 2 à linha 11.

6. Nas linhas 12 e 13, é apresentada a conclusão da mensagem da corrente.

7. O Texto desenvolve-se, predominantemente, com base em relações de causa e

consequência.

8. Na corrente predomina o uso de construções passivas para caracterizar os infor-

túnios decorrentes do descumprimento da mensagem.

9. (CESPE/SEDUC-AL/PROFESSOR/2018)

Neste final de semana, esta Folha publicou editorial criticando a proposta de

ampliar a pena daqueles que assassinam mulheres por “razões de gênero”. O

Texto alega que tal “populismo” jurídico seria uma extravagância, já que todas

as circunstâncias agravantes que poderiam particularizar o homicídio contra

mulheres (motivo fútil, crueldade, dificuldade de defesa) estariam contempla-

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das pela legislação vigente. Neste sentido, criar a categoria jurídica “razões de

gênero” de nada serviria, a não ser para quebrar o quadro universalista que

deveria ser o fundamento da lei.

Vladimir Safatle. Feminicídio. In: Folha de S.Paulo. mar./2015, p. A 2.

Com referência às ideias do Texto precedente, julgue o próximo item.

Trata-se de um Texto publicado no jornal para o qual o próprio autor escreve, ha-

vendo indícios de que ele apresentará a tal Texto uma crítica.

10. (CESPE/ABIN/AGENTE/2018)

Texto CB3A1AAA
1
A atividade de inteligência é o exercício de ações

especializadas para a obtenção e análise de dados, produção de

conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país.


4
Inteligência e contrainteligência são os dois ramos dessa

atividade. A inteligência compreende ações de obtenção de

dados associadas à análise para a compreensão desses dados.


7
A análise transforma os dados em cenário compreensível para

o entendimento do passado, do presente e para a perspectiva de

como tende a se configurar o futuro. Cabe à inteligência tratar


10
fundamentalmente da produção de conhecimentos com o

objetivo específico de auxiliar o usuário a tomar decisões de

maneira mais fundamentada. A contrainteligência tem como


13
atribuições a produção de conhecimentos e a realização de

ações voltadas à proteção de dados, conhecimentos,

infraestruturas críticas – comunicações, transportes,

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16
tecnologias de informação – e outros ativos sensíveis e

sigilosos de interesse do Estado e da sociedade. O trabalho

desenvolvido pela contrainteligência tem foco na defesa


19
contra ameaças como a espionagem, a sabotagem, o vazamento

de informações e o terrorismo, patrocinadas por instituições,

grupos ou governos estrangeiros.

Internet: <www.abin.gov.br> (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do Texto

CB3A1AAA.

No Texto, predomina a tipologia textual expositiva, dado o seu objetivo comuni-

cativo de transmitir ao leitor um conjunto de informações relativas às atividades

desenvolvidas sob o rótulo de inteligência.

11. (FCC/DPE-RS/DEFENSOR/2018)

Tomando resolutamente a sério as narrativas dos “selvagens”, a análise estru-

tural nos ensina, já há alguns anos, que tais narrativas são precisamente muito sé-

rias e que nelas se articula um sistema de interrogações que elevam o pensamento

mítico ao plano do pensamento propriamente dito. Sabendo a partir de agora,

graças às Mitológicas, de Claude Lévi-Strauss, que os mitos não falam para nada

dizerem, eles adquirem a nossos olhos um novo prestígio; e, certamente, investi-

-los assim de tal gravidade não é atribuir-lhes demasiada honra.

Talvez, entretanto, o interesse muito recente que suscitam os mitos corra

o risco de nos levar a tomá-los muito “a sério” desta vez e, por assim dizer, a

avaliar mal sua dimensão de pensamento. Se, em suma, deixássemos na som-

bra seus aspectos mais acentuados, veríamos difundir-se uma espécie de mito-

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mania esquecida de um traço todavia comum a muitos mitos, e não exclusivo

de sua gravidade: o seu humor.

Não menos sérios para os que narram (os índios, por exemplo) do que para os

que os recolhem ou leem, os mitos podem, entretanto, desenvolver uma intensa

impressão de cômico; eles desempenham às vezes a função explícita de divertir os

ouvintes, de desencadear sua hilaridade. Se estamos preocupados em preservar

integralmente a verdade dos mitos, não devemos subestimar o alcance real do riso

que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas

solenes e fazer rir aqueles que o escutam.

A vida cotidiana dos “primitivos”, apesar de sua dureza, não se desenvolve sem-

pre sob o signo do esforço ou da inquietude; também eles sabem propiciar-se ver-

dadeiros momentos de distensão, e seu senso agudo do ridículo os faz várias vezes

caçoar de seus próprios temores. Ora, não raro essas culturas confiam a seus mitos

a tarefa de distrair os homens, desdramatizando, de certa forma, sua existência.

Essas narrativas, ora burlescas, ora libertinas, mas nem por isso desprovidas

de alguma poesia, são bem conhecidas de todos os membros da tribo, jovens e ve-

lhos; mas, quando eles têm vontade de rir realmente, pedem a algum velho versa-

do no saber tradicional para contá-las mais uma vez. O efeito nunca se desmente:

os sorrisos do início passam a cacarejos mal reprimidos, o riso explode em francas

gargalhadas que acabam transformando-se em uivos de alegria.

(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. A Sociedade contra o Estado. São Paulo, Ubu, 2017)

... não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e considerar

que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes... (3º parágrafo)

Uma nova redação para a frase acima, em que se mantêm a clareza, o sentido e a

correção, está em:

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a) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e, todavia,

considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

b) Não só devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, mas

também considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

c) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, a fim de

considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

d) Não devemos nem subestimar o alcance real do riso que eles provocam, nem

considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

e) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, mas consi-

derar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

12. (FCC/TRF-5ª/TÉCNICO/2017)

Numa visita ao Brasil, pouco depois de sair do Governo da Espanha, Felipe

Gonzalez foi questionado sobre o que gostaria de ter feito e não conseguiu.

Depois de pensar alguns minutos, disse lamentar que, apesar de avanços

importantes em educação, os jovens ainda se formavam e queriam saber o

que o Estado faria por eles.

          (COSTIN, Claudia. Disponível em: folha.uol.com.br)

Transpondo-se para o discurso direto a fala atribuída a Felipe Gonzalez, obtêm-se

as seguintes formas verbais:

a) Lamento – formem – queiram 

b) Lamento – formem – querem 

c) Lamentei – formaram – queriam 

d) Lamentou – vão se formar – irão querer 

e) Lamento – tinham se formado – quiseram 

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13. (FCC/ARTESP/AGENTE/2017)

Aplicativos para celular e outros avanços tecnológicos têm transformado as for-

mas de ir e vir da população e podem ser grandes aliados na melhoria da mobili-

dade urbana.

Segundo a União Internacional dos Transportes Públicos (UITP), simulações fei-

tas nas capitais de países da União Europeia mostram que a combinação de trans-

porte público de alta capacidade e o compartilhamento de carros e caronas poderia

remover até 65 de cada 100 carros nos horários de pico.

(Adaptado de: Aplicativos e tecnologia mudam a mobilidade urbana. Disponível em: http://

odia.ig.com.br)

A forma verbal poderia, no segundo parágrafo, atribui à expressão remover até 65

de cada 100 carros nos horários de pico sentido:

a) falacioso.

b) factual.

c) imperativo.

d) conclusivo.

e) conjectural.

14. (FCC/SEGEP-MA/ANALISTA/2016)

COP-21 já foi. E agora, o que virá?

O Acordo do Clima aprovado em Paris em dezembro de 2015 não resolve o pro-

blema do aquecimento global, apenas cria um ambiente político mais favorável à

tomada de decisão para que os objetivos assinalados formalmente por 196 países

sejam alcançados.

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Como todo marco regulatório, o acordo estabelece apenas as condições para

que algo aconteça, e, nesse caso, não há sequer prazos ou metas. As propostas

apresentadas voluntariamente pelos países passam a ser consideradas “metas”

que serão reavaliadas a cada 5 anos, embora a soma dessas propostas não elimine

hoje o risco de enfrentarmos os piores cenários climáticos com a iminente elevação

média de temperatura acima de 2ºC.


Sendo assim, o que precisa ser feito para que o Acordo de Paris faça alguma
diferença para a humanidade? A 21ª Conferência do Clima (COP-21) sinaliza um
caminho. Para segui-lo, é preciso realizar muito mais – e melhor – do que tem sido
feito até agora. A quantidade de moléculas de CO2 na atmosfera já ultrapassou
as 400 ppm (partes por milhão), indicador que confirmaria – segundo o Painel In-
tergovernamental de Mudança Climática (IPCC) da ONU – a progressão rápida da
temperatura acima dos 2°C.
A decisão mais urgente deveria ser a eliminação gradual dos U$ 700 bilhões
anuais em subsídios para os combustíveis fósseis. Sem essa medida, como imagi-
nar que a nossa atual dependência de petróleo, carvão e gás (75% da energia do
mundo é suja) se modifique no curto prazo?
Para piorar a situação, apesar dos investimentos crescentes que acontecem
mundo afora em fontes limpas e renováveis de energia (solar, eólica, biomassa,
etc.), nada sugere, pelo andar da carruagem, que testemunhemos a inflexão da
curva de emissões de gases estufa. Segundo a vice-presidente do IPCC, a climato-
logista brasileira Thelma Krug, a queima de combustíveis fósseis segue em alta e
não há indícios de que isso se modifique tão cedo.
Como promover tamanho freio de arrumação em um planeta tão acostuma-
do a emitir gases estufa sem um novo projeto educacional? Desde cedo a ga-
rotada precisa entender o gigantesco desafio civilizatório embutido no combate
ao aquecimento global.

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O Acordo do Clima é certamente um dos maiores e mais importantes da história


da diplomacia mundial. Mas não nos iludamos.
Tal como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (adotada pela ONU
em 1948), o Acordo sinaliza rumo e perspectiva, aponta o que é o certo, e se
apresenta como um compromisso coletivo. Tornar o Acordo realidade exige ati-
tude. Diária e obstinada.
(Adaptado de: TRIGUEIRO, André. http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustenta-

vel/2.html)

Uma palavra empregada com sentido exclusivamente figurado está sublinhada na


seguinte passagem do texto:
a) a iminente elevação média de temperatura acima de 2ºC (2º parágrafo).
b) A quantidade de moléculas de CO2 na atmosfera já ultrapassou as 400 ppm
(3º parágrafo)
c) nada sugere, pelo andar da carruagem, que testemunhemos (5º parágrafo)
d) U$ 700 bilhões anuais em subsídios para os combustíveis fósseis. (4º parágrafo)
e) a queima de combustíveis fósseis segue em alta (5º parágrafo)

15. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)
Documentos sobre Shakespeare ‘vândalo’ são abertos ao público
Em 1596, William Shakespeare e seus atores tiveram de deixar o teatro isa-
belino The Theatre, localizado em Shoreditch, em Londres, até então o recanto
da dramaturgia inglesa. O período de 21 anos de concessão do terreno ao ator e
empresário James Burbage havia chegado ao fim, e o senhorio exigia as terras de
volta. Desolados, Shakespeare e os homens de sua companhia, Lord Chamberlain’s
Men, se uniram para roubar o teatro – tábua por tábua, prego por prego – e re-
construí-lo em outro lugar.

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A história ocorrida em 28 de dezembro de 1598 não é inédita e consta em di-


versas biografias de Shakespeare. Agora, contudo, chegou o momento de ouvir o
outro lado da ação: a justiça. De acordo com a transcrição do processo judicial de
1601, Shakespeare, seus atores e amigos (incluindo Burbage) foram “violentos”
em uma ação “desenfreada” que destruiu o The Theatre. O documento diz que o
dramaturgo e seus cúmplices estavam armados com punhais, espadas e macha-
dos, o que causou “grande distúrbio da paz” e deixou testemunhas “aterrorizadas”.
Até então guardado em segurança pelo National Archive, o arquivo do Reino
Unido, o documento é uma das peças que serão exibidas ao público no centro cul-
tural londrino Somerset House, a partir de fevereiro de 2016, ano em que se com-
pletam quatro séculos da morte do Bardo.
(VIANA, Rodolfo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/ Acesso em

16/12/2015)

No gênero notícia, verifica-se que a principal função da linguagem, segundo JAKOB-


SON (1963), é a:
a) conativa.
b) emotiva.
c) metalinguística.
d) fática.
e) referencial.

16. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)
BAKHTIN, em Estética da Criação Verbal, explica que: “O emprego da língua efe-
tua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos
pelos integrantes desse ou daquele campo de atividade humana. Esses enunciados
refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só
por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos

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recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua, mas, acima de tudo, por


sua construção composicional. [...] Evidentemente, cada enunciado particular é in-
dividual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente
estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso”.
Depreende-se do texto que, na caracterização de um gênero discursivo, deve-se
considerar, principalmente,
a) o emprego de recursos linguísticos específicos e a fixação dos enunciados orais
e escritos.
b) a ocorrência particular, específica, dependendo da esfera de comunicação a que
pertencem os falantes.
c) o modo de composição, o tema e os usos de linguagem relacionados às finalida-
des de cada campo de atividade humana.
d) a irregularidade no emprego de enunciados orais e escritos em determinados
campos de atividade verbal.
e) os enunciados escritos que dão concretude à oralidade, dependendo da esfera
de comunicação.

17. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)
AquiÁfrica
Treze artistas contemporâneos da chamada África Subsaariana – que compreende
países ao sul do Deserto do Saara, como Nigéria, Camarões, Congo e Angola –
abordam em suas obras questões sobre imigração, xenofobia, sistemas de poder
e tradições culturais. A mostra faz parte do projeto Art for the World, da curadora
suíça Adelina von Fürstenberg, que aborda os direitos humanos em exposições de
arte. Sesc Belenzinho. Rua padre Adelino, 1000, Belenzinho. Terça a sexta, 13h às
21h; sábado, domingo e feriados, 11h às 19h. Grátis. Até 28 de fevereiro de 2016.
(Exposições. Veja São Paulo. 30 dez. 2015, p. 62)

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Esse texto é:

a) uma sinopse, que apresenta brevemente um evento cultural.

b) um comentário, que visa à qualificação de um acontecimento paulistano.

c) uma resenha, pois tem finalidade informativa e pertence à esfera cultural.

d) um sumário, visto que relaciona os principais elementos do fato.

e) um classificado, que anuncia um evento cultural, com finalidade publicitária.

18. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)

A maioria dos países da América Latina, incluindo o Brasil, só começou a mon-

tar seu sistema escolar quando em muitas outras nações do mundo já existiam

universidades bem estruturadas e de qualidade. Mesmo assim, era um privilégio

para poucos. Apenas nos anos 1970 e 1980 começou na América Latina a discussão

sobre a educação ser um direito de todos. Mas claramente ainda nos falta a percep-

ção moderna de que esse é um fator estratégico para o avanço. Se buscamos uma

sociedade ancorada no conhecimento, tudo, absolutamente tudo, deve se voltar

para a escola.

(TORO, Bernardo. Veja, 18 nov. 2015, p.17)

Em relação aos modos de organização textual, esse texto apresenta, em sequência, a:

a) descrição e a narração observadas na recuperação histórica de fatos, em formas

verbais do pretérito; a argumentação, apoiada em argumentos de autoridade, em

formas verbais do presente.

b) descrição de acontecimentos do passado, por meio de relato histórico, em for-

mas verbais do presente; a narração, responsável pela apreciação do autor, em

formas verbais do pretérito.

c) narração, em formas verbais do pretérito, fundamentada na descrição de acon-

tecimentos históricos, situados no tempo presente.

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d) argumentação, no pretérito, sobre acontecimentos históricos; a descrição e a

narração de argumentos e de pontos de vista, em formas verbais do presente.

e) narração de fatos historicamente situados, em formas verbais do pretérito; a

argumentação, observada nas opiniões emitidas em formas verbais do presente.

19. (FCC/SABESP/AGENTE/2018)

Júlio Verne: previsões do autor que se tornaram realidade

O escritor francês Júlio Verne é considerado por muitos o pai da ficção científica.

Suas obras influenciaram gerações e inspiraram filmes e séries de TV. Há quase

cem filmes baseados em mais de 30 livros assinados por ele.

Júlio Verne nasceu na cidade de Nantes em fevereiro de 1828. Sua verdadeira

paixão eram as viagens, que na época eram feitas principalmente de navio. Aos 11

anos, ele fugiu de casa para se tornar marinheiro. Na primeira escala, porém, seu

pai conseguiu apanhá-lo – e depois quem apanhou foi o pequeno Verne. Reza a len-

da que ele teria jurado não voltar a viajar, a não ser em sua imaginação e fantasia.

Um dos fatos que mais chamam a atenção em suas obras são as previsões feitas

pelo escritor que se concretizaram séculos depois. Por exemplo, oitenta anos antes

dos noticiários televisivos surgirem, Júlio Verne descreveu a alternativa para os

jornais: “Em vez de ser impresso, o ‘Crônicas da Terra’ seria falado, teria assinan-

tes e partiria de conversas interessantes dos repórteres e cientistas que contariam

as notícias do dia”. Ele também imaginou o “fonotelefoto”, que seria usado pelos

repórteres para registrar e transmitir sons e imagens.

(Adaptado de: MARASCIULO, Marilia. Júlio Verne: previsões do autor que se tornaram realidade.

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com) 

Considere a frase do texto:

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Na primeira escala, porém, seu pai conseguiu apanhá-lo – e depois quem apa-


nhou foi o pequeno Verne.
Os vocábulos apanhar, na primeira e na segunda ocorrência, são usados, respec-
tivamente, com os sentidos de: 
a) compreender; contrair uma doença. 
b) segurar com força; recolher com as mãos. 
c) levar uma pancada; ser derrotado. 
d) alcançar; levar uma surra. 
e) encontrar; apossar-se de bem alheio. 

20. (FCC/TST/TÉCNICO/2017)
Com base em descobertas feitas na Grã-Bretanha, Chile, Hungria, Israel e Ho-
landa, uma equipe de treze pessoas liderada por John Goldthorpe, sociólogo de
Oxford altamente respeitado, concluiu que, na hierarquia da cultura, não se pode
mais estabelecer prontamente a distinção entre a elite cultural e aqueles que estão
abaixo dela a partir dos antigos signos: frequência regular a óperas e concertos;
entusiasmo, em qualquer momento dado, por aquilo que é visto como “grande
arte”; hábito de torcer o nariz para “tudo que é comum, como uma canção popular
ou um programa de TV voltado para o grande público”. Isso não significa que não
se possam encontrar pessoas consideradas (até por elas mesmas) integrantes da
elite cultural, amantes da verdadeira arte, mais informadas que seus pares nem
tão cultos assim quanto ao significado de cultura, quanto àquilo em que ela consis-
te, ao que é tido como o que é desejável ou indesejável para um homem ou uma
mulher de cultura.
Ao contrário das elites culturais de outrora, eles não são conhecedores no es-
trito senso da palavra, pessoas que encaram com desprezo as preferências do ho-
mem comum ou a falta de gosto dos filisteus. Em vez disso, seria mais adequado

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descrevê-los – usando o termo cunhado por Richard A. Peterson, da Universidade


Vanderbilt – como “onívoros”: em seu repertório de consumo cultural, há lugar tan-
to para a ópera quanto para o heavy metal ou o punk, para a “grande arte” e para
os programas populares de televisão. Um pedaço disto, um bocado daquilo, hoje
isto, amanhã algo mais.
Em outras palavras, nenhum produto da cultura me é estranho; com nenhum
deles me identifico cem por cento, totalmente, e decerto não em troca de me negar
outros prazeres. Sinto-me em casa em qualquer lugar, embora não haja um lugar
que eu possa chamar de lar (talvez exatamente por isso). Não é tanto o confronto
de um gosto (refinado) contra outro (vulgar), mas do onívoro contra o unívoro, da
disposição para consumir tudo contra a seletividade excessiva. A elite cultural está
viva e alerta; é mais ativa e ávida hoje do que jamais foi. Porém, está preocupada
demais em seguir os sucessos e outros eventos festejados que se relacionam à cul-
tura para ter tempo de formular cânones de fé ou a eles converter outras pessoas.
(Adaptado de: BAUMAN, Zygmunt. A cultura no mundo líquido moderno. Trad. Carlos Al-

berto Medeiros. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2013, p. 6-7.) 

A palavra unívoro (3º parágrafo) remete:


a) ao grupo que se caracteriza por apreciar um tipo específico e uniforme de pro-
dutos culturais.
b) aos apreciadores da cultura que se definem pelo conhecimento erudito e pelo
gosto diversificado.
c) aos indivíduos que nutrem simpatia tanto por produções eruditas quanto
por populares.
d) à elite cujo gosto pela arte se caracteriza pelo ecletismo e pelo respeito à diver-
sidade de expressão.
e) àqueles com conhecimento insuficiente para reconhecer os diferentes estilos de
produção artística.

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(CESPE/EBSERH/SUPERIOR/2018)

Texto CB1A1AAA
1
Já houve quem dissesse por aí que o Rio de Janeiro é

a cidade das explosões. Na verdade, não há semana em que os

jornais não registrem uma aqui e ali, na parte rural.


4
A ideia que se faz do Rio é a de que é ele um vasto

paiol, e que vivemos sempre ameaçados de ir pelos ares, como

se estivéssemos a bordo de um navio de guerra, ou habitando


7
uma fortaleza cheia de explosivos terríveis.

Certamente que essa pólvora terá toda ela emprego

útil; mas, se ela é indispensável para certos fins industriais,


10
convinha que se averiguassem bem as causas das explosões,

se são acidentais ou propositais, a fim de que fossem removidas

na medida do possível. Isso, porém, é que não se tem dado e


13
creio que até hoje não têm as autoridades chegado a resultados

positivos.

Entretanto, é sabido que certas pólvoras, submetidas


16
a dadas condições, explodem espontaneamente, e tem sido essa

a explicação para uma série de acidentes bastante dolorosos, a

começar pelo do Maine, na baía de Havana, sem esquecer


19
também o do Aquidabã.

Noticiam os jornais que o governo vende, quando

avariada, grande quantidade dessas pólvoras.


22
Tudo indica que o primeiro cuidado do governo devia

ser não entregar a particulares tão perigosas pólvoras, que

explodem assim sem mais nem menos, pondo pacíficas vidas

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25
em constante perigo.

Creio que o governo não é assim um negociante

ganancioso que vende gêneros que possam trazer a destruição


28
de vidas preciosas; e creio que não é, porquanto anda sempre

zangado com os farmacêuticos que vendem cocaína aos

suicidas. Há sempre no Estado curiosas contradições.

Lima Barreto Pólvora e cocaína In: Vida urbana, 5/1/1915

Internet: <www dominiopublico gov br> (com adaptações)

Com relação às ideias do Texto CB1A1AAA, que data de janeiro de 1915, julgue os

itens a seguir.

21. Infere-se do Texto que seu autor concorda com a ideia de que a cidade do Rio

de Janeiro, à época, assemelhava-se a um vasto paiol.

22. Conforme o Texto, o governo vendia a particulares todo o excedente de explo-

sivos não utilizados.

23. Conclui-se do Texto que as autoridades do estado do Rio de Janeiro eximiam-

-se de investigar as causas das explosões que ocorriam no estado.

(CESPE/EBSERH/SUPERIOR/2018)

Texto CB1A1BBB
1
São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho

médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010, localizada na

região noroeste do estado de São Paulo, em área de clima

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4
tropical, é uma cidade reconhecida pelo seu calor intenso. Em

1985, a Superintendência de Controle de Endemias do Estado

de São Paulo detectou a presença de focos do Aedes aegypti


7
em doze cidades paulistas, entre elas, São José do Rio Preto, e

confirmou sua reintrodução no estado. Os focos foram

encontrados em locais com concentração de recipientes,


10
denominados pontos estratégicos (PEs). Foi então estruturado

o Programa de Controle de Aedes aegypti em São Paulo, que

previa a visitação sistemática e periódica aos PEs dos


13
municípios e a realização de delimitações de foco, quando do

encontro de sítios positivos. Considerava-se que o vetor estava

presente em um município quando continuava presente nos


16
imóveis após a realização das medidas de controle que vinham

associadas à delimitação de foco.

Logo após a detecção de focos positivos do mosquito


19
em São José do Rio Preto, realizaram-se as delimitações e a

aplicação de controle, as quais não foram suficientes para

eliminar o vetor. Diante da situação, em 1985, o município foi


22
definido como área de infestação domiciliar e risco de dengue.

Os primeiros casos autóctones da dengue no município foram

registrados em 1991, atribuídos ao sorotipo DENV1. A


25
primeira grande epidemia ocorreu em 1995, com 1.462 casos

autóctones. Posteriormente, com a introdução dos demais

sorotipos, as incidências (casos/100 mil habitantes/ano)


28
apresentaram comportamento cíclico: em 1999, 1.351,1; em

2006, 2.935,7; em 2010, ano da maior incidência, 6.173,8; e,

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em 2015, até outubro, a segunda maior incidência, 5.070,8.


31
Apesar de não se descartar a hipótese de que o

aumento progressivo das incidências da dengue no município

já seria um efeito do aumento das temperaturas, parece que


34
esse fenômeno estaria mais relacionado com a circulação dos

múltiplos sorotipos do vírus da dengue. De modo geral, a

persistência e a intensidade da dengue em São José do Rio


37
Preto são esperadas por se tratar de cidade de clima tropical e

com condições ideais para o desenvolvimento do vetor e de sua

relação com o patógeno.

Internet: <www revistas usp br> (com adaptações)

Com relação às ideias do Texto CB1A1BBB, julgue os itens que se seguem.

24. Segundo o Texto, realizava-se a delimitação de foco, medida de prevenção à

reprodução do Aedes aegypti, no caso de serem identificados os pontos estratégi-

cos de ocorrência do mosquito em São José do Rio Preto.

25. De 1991 a 2015, houve um aumento progressivo de casos de dengue no muni-

cípio de São José do Rio Preto, devido à resistência do mosquito Aedes aegypti às

medidas implantadas para seu controle.

(CESPE/STJ/ANALISTA/2018)

Texto CB1A1AAA
1
No pensamento filosófico da Antiguidade, a dignidade

(dignitas) da pessoa humana era alcançada pela posição social

ocupada pelo indivíduo, bem como pelo grau de

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4
reconhecimento dos demais membros da comunidade. A partir

disso, poder-se-ia falar em uma quantificação (hierarquia) da

dignidade, o que permitia admitir a existência de pessoas mais


7
dignas ou menos dignas.

Frise-se que foi a partir das formulações de Cícero que

a compreensão de dignidade ficou desvinculada da posição


10
social. O filósofo conferiu à dignidade da pessoa humana um

sentido mais amplo ligado à natureza humana: todos estão

sujeitos às mesmas leis da natureza, que proíbem que uns


13
prejudiquem aos outros.

No círculo de pensamento jusnaturalista dos séculos

XVII e XVIII, a concepção da dignidade da pessoa humana


16
passa por um procedimento de racionalização e secularização,

mantendo-se, porém, a noção básica da igualdade de todos os

homens em dignidade e liberdade. Nesse período, destaca-se a


19
concepção de Emmanuel Kant de que a autonomia ética do ser

humano é o fundamento da dignidade do homem. Incensurável

é a permanência da concepção kantiana no sentido de que a


22
dignidade da pessoa humana repudia toda e qualquer espécie

de coisificação e instrumentalização do ser humano.

Antonio da Rocha Lourenço Neto. Direito e humanismo: visão filosófica, literária

e histórica. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2013, p.148-9 (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do Texto CB1A1AAA, julgue

os próximos itens.

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26. Conclui-se do Texto, especialmente pelo emprego de “Incensurável” (l. 20), que

seu autor considera correto o posicionamento de Kant sobre a dignidade humana.

27. No primeiro parágrafo, os parênteses foram empregados para isolar palavras

cuja função é explicar o sentido do elemento que imediatamente lhes antecede.

28. Seria mantida a coerência do Texto se o trecho “a partir das” (l. 8) fosse

substituído ou por com base nas ou por desde as, embora essas duas expressões

tenham sentidos distintos.

29. Seria mantido o sentido do Texto caso o trecho “que proíbem que uns prejudi-

quem aos outros” (l. 12 e 13) fosse reescrito da seguinte forma: o que impossibilita

que uns e outros se prejudiquem.

30. No terceiro parágrafo, com o emprego de “porém” (l. 17), o autor expressa

uma oposição entre a ideia de “racionalização e secularização” (l. 16) do conceito

de dignidade humana e a manutenção da “igualdade de todos os homens em dig-

nidade e liberdade” (l. 17 e 18).

(CESPE/STJ/ANALISTA/2018)

Texto CB1A1BBB
1
O conceito de direitos humanos assenta em um bem

conhecido conjunto de pressupostos, todos eles tipicamente

ocidentais: existe uma natureza humana universal que pode ser


4
conhecida racionalmente; a natureza humana é essencialmente

diferente e superior à restante realidade; o indivíduo possui

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uma dignidade absoluta e irredutível que tem de ser defendida


7
da sociedade ou do Estado; a autonomia do indivíduo exige que

a sociedade esteja organizada de forma não hierárquica, como

soma de indivíduos livres. Uma vez que todos esses


10
pressupostos são claramente ocidentais e facilmente

distinguíveis de outras concepções de dignidade humana em

outras culturas, teremos de perguntar por que motivo a questão


13
da universalidade dos direitos humanos se tornou tão

acesamente debatida.

Boaventura de Sousa Santos.

Por uma concepção multicultural dos direitos humanos.

Internet: <www.dhnet.org.br> (com adaptações).

Acerca do Texto CB1A1BBB e de seus aspectos linguísticos, julgue os itens que

se seguem.

31. Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos do Texto, o último período

poderia ser reescrito da seguinte forma: Considerando esses pressupostos como

obviamente ligados a noção ocidental de dignidade humana, que se diferencia das

de outras culturas, a pergunta a ser feita é: porque a universalidade dos direitos

humanos é uma questão que tornou-se tão inflamadamente debatida?

(CESPE/STJ/ANALISTA/2018)

Texto CB1A1CCC
1
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes

revelaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram

relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam da


4
cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha cadeira de

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juíza. A toga não me blindou daqueles relatos sofridos, aflitos.

As angústias dos que se sentavam à minha frente, por diversas


7
vezes, me escoltaram até minha casa e passaram a ser

companheiras de noites de insônia. Não havia outra solução a

não ser escrever. Era preciso colocar no papel e compartilhar


10
a dor daquelas pessoas que, mesmo ao fim do processo e com

a sentença prolatada, não me deixavam esquecê-las.

Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães,


13
filhas, esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em

comum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de casa.

O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas mulheres,
16
havia se transformado no pior dos mundos.

Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se

sentavam à minha frente, os relatos se transformavam em


19
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justificar

e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas. A culpa por

ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a culpa por não ter
22
sido boa o suficiente, a culpa por não ter conseguido manter a

família. Sempre a culpa.

Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma


25
força externa como se somente nós, juízes, promotores e

advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo de

violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela


28
violência invisível.

Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias além das

quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com adaptações).

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Com base no Texto CB1A1CCC, escrito por uma juíza acerca de casos de violência

doméstica, julgue os itens a seguir.

32. Infere-se do primeiro parágrafo que, para a autora, escrever foi uma espécie

de processo terapêutico.

33. No terceiro parágrafo, fica clara a importância da linguagem nas audiências ju-

diciais, momento em que as vítimas têm a oportunidade de desabafar, e os juízes,

como a autora do Texto, de lhes explicar o trâmite da ação.

(CESPE/SEFAZ-RS/AUDITOR/2018)

Texto 1A10AAA
1
A justiça tributária está em debate. O Brasil possui

um sistema tributário altamente regressivo: quem ganha

até dois salários mínimos paga 49% dos seus rendimentos


4
em tributos, enquanto quem ganha acima de trinta salários

mínimos paga apenas 26%. Isso ocorre porque, na comparação

internacional, se tributa excessivamente o consumo, e não


7
o patrimônio e a renda.

A má distribuição tributária e de renda restringe

o potencial econômico e social do país. Cabe ao Estado induzir


10
uma política distributiva conforme a qual quem ganha

mais pague proporcionalmente mais do que quem ganha

menos e a maior parcela do orçamento seja destinada para


13
as necessidades básicas da população.

A justiça tributária ocorre com a redução da carga

tributária e da regressividade dos tributos e com sua

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16
eliminação da cesta básica. A redução da carga tributária

permite maior competitividade para as empresas, geração

de empregos, diminuição da inflação e indução do


19
crescimento econômico.

Com a redução da carga tributária sobre o consumo,

todos ganham: a população de baixa e média renda,


22
pela melhora no seu poder aquisitivo; a de maior renda,

pelo desenvolvimento econômico e social, que gera ganhos

econômicos e financeiros, novas oportunidades e expansão


25
da oferta de empregos.

Por outro lado, a substituição dos tributos indiretos,

que atingem o fluxo econômico, por tributos que incidam


28
sobre o estoque da riqueza tem o mérito de criar maior

desenvolvimento econômico, pois gera mais consumo,

produção e lucros que compensam a tributação sobre a riqueza.


31
O desenvolvimento econômico amplia a arrecadação

pública, proporcionando maiores recursos para investimentos

em políticas sociais e em infraestrutura, além de gerar


34
maior atratividade para os investimentos nas empresas.

Amir Kjair. Le monde diplomatique Brasil. 12.ª ed.

Internet: <https://diplomatique.org.br> (com adaptações).

34. Na opinião do autor do Texto 1A10AAA, a carga tributária brasileira deveria

ser menos regressiva.

35. No Texto 1A10AAA, o autor defende a ideia de que o desenvolvimento econô-

mico é relacionado à distribuição tributária.

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(FCC/DPE-RS/DEFENSOR/2018)

Tomando resolutamente a sério as narrativas dos “selvagens”, a análise estrutu-

ral nos ensina, já há alguns anos, que tais narrativas são precisamente muito sérias

e que nelas se articula um sistema de interrogações que elevam o pensamento mí-

tico ao plano do pensamento propriamente dito. Sabendo a partir de agora, graças

às Mitológicas, de Claude Lévi-Strauss, que os mitos não falam para nada dizerem,

eles adquirem a nossos olhos um novo prestígio; e, certamente, investi-los assim

de tal gravidade não é atribuir-lhes demasiada honra.

Talvez, entretanto, o interesse muito recente que suscitam os mitos corra o ris-

co de nos levar a tomá-los muito “a sério” desta vez e, por assim dizer, a avaliar

mal sua dimensão de pensamento. Se, em suma, deixássemos na sombra seus

aspectos mais acentuados, veríamos difundir-se uma espécie de mitomania esque-

cida de um traço todavia comum a muitos mitos, e não exclusivo de sua gravidade:

o seu humor.

Não menos sérios para os que narram (os índios, por exemplo) do que para os

que os recolhem ou leem, os mitos podem, entretanto, desenvolver uma intensa

impressão de cômico; eles desempenham às vezes a função explícita de divertir os

ouvintes, de desencadear sua hilaridade. Se estamos preocupados em preservar

integralmente a verdade dos mitos, não devemos subestimar o alcance real do riso

que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas

solenes e fazer rir aqueles que o escutam.

A vida cotidiana dos “primitivos”, apesar de sua dureza, não se desenvolve sem-

pre sob o signo do esforço ou da inquietude; também eles sabem propiciar-se ver-

dadeiros momentos de distensão, e seu senso agudo do ridículo os faz várias vezes

caçoar de seus próprios temores. Ora, não raro essas culturas confiam a seus mitos

a tarefa de distrair os homens, desdramatizando, de certa forma, sua existência.

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Essas narrativas, ora burlescas, ora libertinas, mas nem por isso despro-

vidas de alguma poesia, são bem conhecidas de todos os membros da tribo,

jovens e velhos; mas, quando eles têm vontade de rir realmente, pedem a

algum velho versado no saber tradicional para contá-las mais uma vez. O

efeito nunca se desmente: os sorrisos do início passam a cacarejos mal re-

primidos, o riso explode em francas gargalhadas que acabam transforman-

do-se em uivos de alegria.

(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. A Sociedade contra o Estado. São Paulo, Ubu, 2017)

36. De acordo com o texto:

a) a comicidade dos mitos tende a fazê-los abdicar de seus traços religiosos, ao

contrário do que defendia Lévi-Strauss, de modo que as histórias e a cultura indí-

genas são relegadas a segundo plano.

b) a hilaridade característica dos mitos indígenas os diferencia dos de nossa cul-

tura, de modo que, ao aplicarmos nosso modo de pensar sobre suas narrativas,

atribuímo-lhes equivocadamente uma dimensão de pensamento.

c) comprova o caráter cômico das narrativas indígenas a pesquisa levada a cabo

por Lévi-Strauss, em suas Mitológicas, que analisou a prática de anciãos se torna-

rem narradores de histórias para divertir a tribo.

d) a seriedade com que aprendemos a considerar os mitos dos povos indígenas,

característica de fato presente em suas narrativas, muitas vezes, no entanto, con-

vive com um aspecto cômico, que costumamos ignorar.

e) a mitomania é um traço característico das tribos indígenas, razão pela qual se

deve desconfiar das pesquisas etnográficas que tomam todas as narrativas como

verdade, não atentando para o uso ficcional da mentira.

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37. deixássemos na sombra seus aspectos mais acentuados (2º parágrafo)

eles desempenham às vezes a função explícita (3º parágrafo)

senso agudo do ridículo os faz várias vezes (4º parágrafo)

Os termos sublinhados acima referem-se respectivamente a:

a) mitos – os que narram – primitivos

b) pensamento – mitos – primitivos

c) mitos – mitos – primitivos

d) mitos – os que narram – momentos de distenção

e) pensamento – mitos – momentos de distenção

38. Considerando o contexto, está correto o que se afirma em:

a) caçoar (4º parágrafo) está empregado em sentido metafórico.

b) “primitivos” (4º parágrafo) e “selvagens” (1º parágrafo) são sinônimos.

c) mitos e pensamento (2º parágrafo) são antônimos.

d) “selvagens” (1º parágrafo) é hiperônimo de homens.

e) “primitivos” (4º parágrafo) está empregado de forma irônica.

39. Quanto à coesão do texto, é correto afirmar que:

a) é dada pela repetição do termo “mito”, seus derivados e sinônimos, como “mi-

tomania”, “hilaridade”, “cacarejos” e “narrativas”.

b) se estabelece sobretudo pelo uso de pronomes e de termos que, embora de

sentido diverso, têm uma mesma referência, como “selvagem”, “índio”, “primitivo”,

“membro da tribo”.

c) é estruturada na oposição entre pensamento mítico e humor, por um lado, e na re-

ferenciação entre os segmentos textuais estabelecida principalmente pelos pronomes.

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d) se articula a partir do uso de expressões adverbiais, como “certamente”, “mais


uma vez”, “às vezes”, “a sério”, “talvez”, que ligam as estruturas sintáticas, inten-
sificando seu sentido.
e) é construída mediante a pontuação expressiva e o uso dos verbos ora no pre-
térito, ora no presente do indicativo, a fim de indicar um percurso temporal no de-
senvolvimento da argumentação.

40. Essas narrativas, ora burlescas, ora libertinas, mas nem por isso desprovidas
de alguma poesia, são bem conhecidas de todos os membros da tribo, jovens e
velhos... (último parágrafo)
Uma redação alternativa para o segmento acima, em que se mantêm a correção e,
em linhas gerais, o sentido original, encontra-se em:
a) Essas narrativas, bem conhecidas por todos na tribo, sem distinção de idade,
não obstante sejam elas jocosas ou libertinas, guardam um matiz poético.
b) Seja pelos velhos, seja pelos jovens, tais narrativas são bem conhecidas na
tribo, não obstante, mantenham um caráter poético, tanto as burlescas como as
libertinas.
c) Tais narrativas, tão farsescas quanto libertinas, desde que guardem um tom
poético, são de todos bem conhecidas, indistintamente se de jovens ou velhos.
d) Mesmo que desprovidas de caráter poético, seja por serem burlescas ou lúbri-
cas, essas narrativas são por toda a tribo conhecidas, de velhos e jovens.
e) Todas as pessoas da tribo, de jovens a velhos conhecem tais narrativas, nem
que sejam por isso libertinas ou burlescas, pois que conservam um caráter poético.

41. (FCC/DPE-RS/DEFENSOR/2018)
eu disse: sou um nômada
tu disseste: tens a febre do deserto

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eu disse: tenho uma vontade de ir

tu disseste: do deserto conheces as miragens

eu disse: e a lonjura que dentro de mim vai

tu disseste: em ti quero viajar

(SOUSA, Emanuel de. Eurídice. Lisboa, Quetzal Editores, 1989)

Os dois primeiros versos do poema encontram-se transpostos para o discurso indi-

reto, com clareza e correção, em:

a) Dizendo que sou um nômada, respondeu-lhe que tinha a febre do deserto.

b) Eu lhe disse que era um nômada, ao que respondeu-me que tenho a febre do deserto.

c) Ao dizer-te que sou um nômada, respondes-me que tens a febre do deserto.

d) Quando te digo que sou um nômada, me respondeste que tenho a febre do deserto.

e) Disse-lhe que era um nômada, e sua resposta foi que tinhas a febre do deserto.

(FCC/DPE-AM/ASSISTENTE/2018)

Crônica de gente pouco importante: Manaus, século XIX

Sei que vocês nunca ouviram falar de Apolinária. Nem poderiam. Ela faz parte

de um conjunto de pessoas que jamais usufruíram de notoriedade.

Era junho de 1855 quando Apolinária, 24 anos, cabinda, africana livre, afinal de-

sembarcou no porto de Manaus. No início do século XIX, quando o tráfico de escra-

vos se tornou ilegal como parte de um conjunto de acordos internacionais, os afri-

canos livres eram os indivíduos que compunham a carga dos navios apreendidos no

tráfico ilícito. Pela lei de 1831, se a apreensão ocorresse em águas brasileiras, eles

ficavam sob tutela estatal e deviam prestar serviços ao Estado ou a particulares por

14 anos até sua emancipação. Com isso, os africanos livres chegaram aos quatro

cantos do Império, inclusive ao Amazonas.

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Apolinária foi designada para trabalhar na recém-instalada Olaria Provincial.

Suas crianças foram junto. Ali já estavam outros africanos livres que, além da fa-

bricação de telhas, potes e tijolos, também eram responsáveis pela supervisão do

trabalho dos índios que vinham das aldeias para servir nas obras públicas. Eram

cerca de 20 pessoas que viviam no mesmo lugar em que trabalhavam e assim foi

até 1858, quando a olaria foi fechada para se transformar em uma nova escola: os

Educandos Artífices.

A rotina na Olaria era dura e foi com alegria que Apolinária soube que seria a

lavadeira dos Educandos. Diferente dos outros, não ia precisar se mudar para o

outro lado do igarapé. Podia continuar ali com os filhos, o marido Gualberto, o co-

zinheiro Bertoldo e Severa, filha de Domingos Mina. O salário não era grande coisa,

mas a amizade antiga com Bertoldo garantia alimento extra à mesa para todos.

A tranquilidade durou pouco. O diretor dos Educandos, certamente mal informado

pela boataria maledicente, a demitiu do cargo alegando que era ladra e dada a be-

bedeiras. Menos de 3 meses depois, Apolinária já estava de volta ao trabalho nas

obras públicas, com destino incerto.

Sou incapaz de dizer mais alguma coisa sobre o que aconteceu com Apolinária

porque ela desapareceu da documentação, mas os fragmentos de sua vida que

pude recuperar são poderosos para iluminar cenas da vida desta cidade que esta-

vam nas sombras. A presença negra no Amazonas é tratada de modo marginal na

historiografia local e só muito recentemente vemos mudanças neste cenário. Há

ainda muitas zonas de silêncio. A história de Apolinária nos ajuda a colocar proble-

mas novos, entre eles, o fato de que a trajetória dessas pessoas que cruzaram o

Atlântico e, depois, o Império permite acessar um mundo bem pouco visível na his-

tória do Brasil: a diversidade de experiências que uniram índios, escravos, libertos

e africanos livres no mundo do trabalho no século XIX.

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Falar dessa gente pouco importante é buscar dialogar com personagens reais

e concretos. Suas vidas comuns foram, de fato, extraordinárias, cada uma a seu

modo. Seres humanos verdadeiros, que fazem a História acontecer todos os dias.

(Adaptado de: Patrícia Sampaio. Disponível em: http://amazoniareal.com.br. 06.08.2014)

42. O texto tem caráter:

a) literário, o que se justifica pelo discurso ficcional, e representa de modo este-

reotipado e cômico alguns personagens à margem dos registros históricos oficiais.

b) documental, embora não exclua certa subjetividade, e chama a atenção para a

importância de pessoas comuns na construção da identidade amazonense.

c) confessional, visto que tem como ponto de partida a experiência de vida da autora,

e destaca a trajetória de homens comuns que ganharam notabilidade com o tempo.

d) jornalístico, haja vista ater-se a fatos da esfera pública, e objetiva informar os

leitores sobre como Manaus se construiu a partir do trabalho escravo.

e) didático, por divulgar informações de maneira categórica e impessoal, e assume

um tom apelativo ao apresentar figuras públicas de prestígio como pessoas do povo.

43. Uma das críticas expressas no texto recai sobre:

a) a falta de fiscalização dos navios de escravos que chegaram ao Brasil após a lei

de 1831.

b) o fato de os brasileiros desconhecerem a importância de Apolinária para a eman-

cipação dos escravos.

c) o tratamento degradante dado aos africanos em seu trajeto até os portos bra-

sileiros no século XIX.

d) a maneira como historiadores negligenciaram a participação africana na socie-

dade amazonense.

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e) o modo subserviente como escravos recém-libertos se relacionavam com seus

antigos senhores.

44. A grafia de história, em minúscula no penúltimo parágrafo, e a de História, ini-

ciada por maiúscula no último parágrafo, enfatizam a distinção estabelecida entre

os dois usos do vocábulo, empregado, respectivamente, com os sentidos de:

a) particularidade e coletividade.

b) invenção e fato.

c) certeza e dúvida.

c) universalidade e individualidade.

d) emoção e razão.

45. A autora explicita uma conjectura na seguinte passagem do texto:

a) Era junho de 1855 quando Apolinária, 24 anos, cabinda, africana livre, afinal

desembarcou no porto de Manaus. (2º parágrafo)

b) Com isso, os africanos livres chegaram aos quatro cantos do Império, inclusive

ao Amazonas. (2º parágrafo)

c) Diferente dos outros, não ia precisar se mudar para o outro lado do igarapé.

(4º parágrafo)

d) Apolinária foi designada para trabalhar na recém-instalada Olaria Provincial.

(3º parágrafo)

e) O diretor dos Educandos, certamente mal informado pela boataria maledicente,

a demitiu do cargo [...]. (4º parágrafo)

46. O comentário que interpreta adequadamente o vocábulo destacado, em seu

contexto, está em:

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a) Sei que vocês nunca ouviram falar de Apolinária. (1º parágrafo) – refere-se a

um número reservado de historiadores, público-alvo do texto, a quem a autora se

reporta com formalidade e deferência.

b) [...] deviam prestar serviços ao Estado ou a particulares por 14 anos até sua

emancipação. (2º parágrafo) – refere-se aos senhores de escravos e expressa ideia

de posse.

c) Diferente dos outros, não ia precisar se mudar para o outro lado do igarapé.

(4º parágrafo) – refere-se a um sujeito indeterminado, que não se pode deduzir da

leitura do texto.

d) O diretor dos Educandos [...] a demitiu do cargo [...]. (4º parágrafo) – refere-se

a Apolinária e indica que ela sofre a ação do verbo demitir.

e) [...] iluminar cenas da vida desta cidade que estavam nas sombras. (5º pará-

grafo) – refere-se a cidade e poderia ser substituído por a qual.

(FCC/DPE-AM/ASSISTENTE/2018)

Limites da ciência

Os deuses parecem ter um prazer especial em desmoralizar quem faz profecias

sobre os limites da ciência. Auguste Comte afirmou, em 1835, que nunca surgi-

ria um meio para estudarmos a composição química das estrelas. Bem, o método

existe e hoje sabemos do que elas são feitas. Sabemos até que nós somos feitos

de poeira estelar.

É verdade que Comte não era cientista, mas filósofo. Só que cientistas não se

saem muito melhor. Um dos maiores físicos de seu tempo, lorde Kelvin, escreveu

em 1900: “Não há mais nada novo a ser descoberto na física; só o que resta fazer

são medidas cada vez mais precisas”. Vieram depois disso relatividade, mecânica

quântica, modelo padrão etc.

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Marcus du Sautoy conta essas histórias em The Great Unknown (O Grande Desco-
nhecido). Ele sabe, portanto, que caminha em terreno perigoso quando se propõe a
discutir os limites do conhecimento humano. Mas Du Sautoy, que é professor de ma-
temática em Oxford e autor de vários livros de divulgação, tenta jogar em território
razoavelmente seguro. Ele vai às fronteiras da ciência em que já temos informações
suficientes para saber que há barreiras formidáveis a um conhecimento total.
A teoria do caos, por exemplo, assegura que nunca conseguiremos fazer previ-
sões de longo prazo acerca de fenômenos como a meteorologia e engarrafamentos
de trânsito. O problema é que alterações mínimas nas condições iniciais podem
produzir alterações dramáticas depois de um tempo – e nós nunca temos conheci-
mento completo do presente.
Analogamente, ele mostra como o princípio da incerteza, a extensão do cosmo e
a provável inexistência do tempo também limitam a possibilidade de conhecimento.
Ao final, Du Sautoy retorna à sua especialidade e mergulha nas implicações dos
teoremas da incompletude de Gödel, que criam embaraços para a própria matemá-
tica. É diversão certa para quem gosta de grandes questões.
(Hélio Schwartsman. Disponível em: www.folha.uol.com.br. 19.11.2017)

47. Entre os objetivos do texto, estão:


a) questionar a existência do tempo e censurar a teoria do caos.
b) apresentar o livro de Du Sautoy e recomendar a sua leitura.
c) conferir à filosofia status de ciência e opor-se à tese de Du Sautoy.
d) reprovar o obscurantismo dos filósofos e elogiar a clareza dos cientistas.
e) detalhar as correntes científicas atuais e anunciar seus limites.

48. Uma frase redigida com clareza e em conformidade com a norma-padrão

da língua é:

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a) A teoria do caos, que alterações mínimas no presente podem acarretar mudan-

ças drásticas no futuro, dá suporte à ideia que não pode-se fazer previsão meteo-

rológica a longo prazo.

b) A composição das estrelas já não trata-se de um mistério para o homem co-

mum, mas no início do século XIX era um conhecimento inacessível mesmo aqueles

cientistas mais dedicados.

c) Em 1900, lorde Kelvin, cientista respeitabilissimo à época, chegou a alegar de

que não haveria mais nada novo à ser produzido pela física, com exceção de me-

didas mais precisas.

d) As limitações do conhecimento humano que continuamente os cientistas estão

expostos são, ao mesmo tempo, entrave e estimulo para que eles possam dar con-

tinuidade em seus estudos.

e) Marcus du Sautoy, cujo livro ainda não foi traduzido para o português, demons-

tra estar consciente de que toca em questões complexas ao discorrer sobre os limi-

tes do conhecimento humano.

(FCC/ARTESP/AGENTE/2017)

Aplicativos para celular e outros avanços tecnológicos têm transformado as

formas de ir e vir da população e podem ser grandes aliados na melhoria da

mobilidade urbana.

Segundo a União Internacional dos Transportes Públicos (UITP), simulações fei-

tas nas capitais de países da União Europeia mostram que a combinação de trans-

porte público de alta capacidade e o compartilhamento de carros e caronas poderia

remover até 65 de cada 100 carros nos horários de pico.

(Adaptado de: Aplicativos e tecnologia mudam a mobilidade urbana. Disponível em: http://

odia.ig.com.br)

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49. O segundo parágrafo do texto apresenta uma mensagem com teor:


a) ilustrativo, que relativiza a tese do primeiro parágrafo.
b) informativo, que corrobora a tese do primeiro parágrafo.
c) científico, que refuta a tese do primeiro parágrafo.
d) controverso, que retifica a tese do primeiro parágrafo.
e) apelativo, que questiona a tese do primeiro parágrafo.

50. (FCC/SEGEP-AM/TÉCNICO/2016)
A tragédia vinha sendo anunciada: desde o começo do ano, Nabiré parecia can-
sada. Portadora de um cisto no ovário, carregava seu corpo de 31 anos e 2 tonela-
das com mais dificuldade. Ainda assim, atravessou aquele 27 de julho em relativa
normalidade. Comeu feno, caminhou na areia, rolou na poça de lama para prote-
ger-se do sol. Ao fim da tarde, recolheu-se aos seus aposentos – uma área fechada
no zoológico Dvůr Králové, na República Tcheca. Deitou-se, dormiu – e nunca mais
acordou. No dia seguinte, o diretor da instituição descreveria a perda como “terrí-
vel”, definindo-a como “um símbolo do declínio catastrófico dos rinocerontes devido
à ganância humana”.
Nabiré representava 20% dos rinocerontes-brancos-do-norte ainda vivos. A es-
pécie está extinta na natureza. Dos quatro remanescentes, três vivem numa reser-
va ecológica no Quênia, protegidos por homens armados. O restante – uma fêmea
chamada Nola – mora num zoológico nos Estados Unidos. São todos idosos e, até
que se prove o contrário, inférteis.
Surgido como um adorno que conferia sucesso reprodutivo ao portador (como a
juba, no caso do leão), o chifre acabaria por selar o destino trágico do paquiderme.
Passou a ser usado para tratar diversas doenças na medicina oriental. De nada va-
leram inúmeros estudos científicos mostrando a inocuidade da substância. O chifre
virou artigo valiosíssimo no mercado negro da caça.

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Segundo estimativas, no começo do século XX a ordem dos rinocerontes era

representada por um plantel de meio milhão de animais. Hoje restam apenas 29

mil, divididos em cinco espécies. A que está em estado mais crítico é a subespécie

branca-do-norte.

O rinoceronte-branco-do-norte era endêmico do Congo – país que ainda sofre

os efeitos de uma guerra civil iniciada em 1996 que já deixou um saldo de ao me-

nos 5 milhões de pessoas mortas. Diante desse quadro, não houve quem zelasse

pelo animal.

Nabiré foi um dos quatro rinocerontes-brancos-do-norte nascidos em cativeiro,

no próprio zoológico. Após o nascimento de Fatu, no mesmo zoológico, quinze anos

mais tarde, nenhuma outra fêmea de rinoceronte-branco-do-norte conseguiu en-

gravidar. Por isso, em 2009, os quatro rinocerontes-brancos-do-norte que faziam

companhia a Nabiré foram levados para um reserva no Quênia. Como nem a inse-

minação artificial tivesse funcionado, havia a esperança última de que um habitat

selvagem pudesse surtir algum efeito. Porém, não houve resultado.

Nabiré não viajou com o grupo por ser portadora de uma doença: nasceu com

ovário policístico, o que a tornava infértil. “Foi a rinoceronte mais doce que tivemos

no zoológico”, disse o diretor de projetos internacionais do zoológico. “Nasceu e

cresceu aqui. Foi como perder um membro da família.”

Há uma esperança remota de que a espécie ainda seja preservada por fertili-

zação in vitro. “Nossa única esperança é a tecnologia”, completou o diretor. “Mas

é triste atingir um ponto em que a salvação está em um laboratório. Chegamos

tarde. A espécie tinha que ter sido protegida na natureza.”

(Adaptado de: KAZ, Roberto. Revista Piauí. Disponível em:http://revistapiaui.estadao.com.br/

materia/eramos-cinco)

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No contexto, está usado em sentido figurado o elemento que se encontra em des-

taque em:

a) Foi a rinoceronte mais doce que tivemos no zoológico.

b) ... a ordem dos rinocerontes era representada por um plantel de meio

milhão de animais.

c) Surgido como um adorno que conferia sucesso reprodutivo ao portador...

d) São todos idosos e, até que se prove o contrário, inférteis.

e) O restante – uma fêmea chamada Nola – mora num zoológico os Estados Unidos.

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GABARITO

1. E 26. C

2. E 27. E

3. E 28. C

4. E 29. E

5. E 30. E

6. E 31. E

7. C 32. C

8. E 33. E

9. C 34. C

10. C 35. C

11. e 36. d

12. a 37. c

13. e 38. e

14. c 39. b

15. e 40. a

16. c 41. b

17. a 42. b

18. e 43. d

19. d 44. a

20. a 45. e

21. C 46. d

22. E 47. b

23. E 48. e

24. E 49. b

25. E 50. a

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QUESTÕES COMENTADAS

1. (CESPE/EBSERH/SUPERIOR/2018)

Texto CB1A1BBB
1
São José do Rio Preto, centro urbano de tamanho

médio, com cerca de 408 mil habitantes em 2010, localizada na

região noroeste do estado de São Paulo, em área de clima


4
tropical, é uma cidade reconhecida pelo seu calor intenso. Em

1985, a Superintendência de Controle de Endemias do Estado

de São Paulo detectou a presença de focos do Aedes aegypti


7
em doze cidades paulistas, entre elas, São José do Rio Preto, e

confirmou sua reintrodução no estado. Os focos foram

encontrados em locais com concentração de recipientes,


10
denominados pontos estratégicos (PEs). Foi então estruturado

o Programa de Controle de Aedes aegypti em São Paulo, que

previa a visitação sistemática e periódica aos PEs dos


13
municípios e a realização de delimitações de foco, quando do

encontro de sítios positivos. Considerava-se que o vetor estava

presente em um município quando continuava presente nos


16
imóveis após a realização das medidas de controle que vinham

associadas à delimitação de foco.

Logo após a detecção de focos positivos do mosquito


19
em São José do Rio Preto, realizaram-se as delimitações e a

aplicação de controle, as quais não foram suficientes para

eliminar o vetor. Diante da situação, em 1985, o município foi


22
definido como área de infestação domiciliar e risco de dengue.

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Os primeiros casos autóctones da dengue no município foram

registrados em 1991, atribuídos ao sorotipo DENV1. A


25
primeira grande epidemia ocorreu em 1995, com 1.462 casos

autóctones. Posteriormente, com a introdução dos demais

sorotipos, as incidências (casos/100 mil habitantes/ano)


28
apresentaram comportamento cíclico: em 1999, 1.351,1; em

2006, 2.935,7; em 2010, ano da maior incidência, 6.173,8; e,

em 2015, até outubro, a segunda maior incidência, 5.070,8.


31
Apesar de não se descartar a hipótese de que o

aumento progressivo das incidências da dengue no município

já seria um efeito do aumento das temperaturas, parece que


34
esse fenômeno estaria mais relacionado com a circulação dos

múltiplos sorotipos do vírus da dengue. De modo geral, a

persistência e a intensidade da dengue em São José do Rio


37
Preto são esperadas por se tratar de cidade de clima tropical e

com condições ideais para o desenvolvimento do vetor e de sua

relação com o patógeno.

Internet: <www revistas usp br> (com adaptações)

Os vocábulos “mosquito” (l. 18) e “patógeno” (l. 39) têm o mesmo referente no

Texto: “Aedes aegypti” (l. 6 e 11).

Errado.

“Mosquito” e “vetor” possuem o mesmo referente no texto: “Aedes aegypti”. O “pa-

tógeno”, diferentemente, é o agente específico, o causador da doença, e o mosquito

Aedes aegypti apenas porta esse patógeno.

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(CESPE/STJ/ANALISTA/2018)

Texto CB1A1CCC
1
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes

revelaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram

relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam da


4
cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha cadeira de

juíza. A toga não me blindou daqueles relatos sofridos, aflitos.

As angústias dos que se sentavam à minha frente, por diversas


7
vezes, me escoltaram até minha casa e passaram a ser

companheiras de noites de insônia. Não havia outra solução a

não ser escrever. Era preciso colocar no papel e compartilhar


10
a dor daquelas pessoas que, mesmo ao fim do processo e com

a sentença prolatada, não me deixavam esquecê-las.

Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães,


13
filhas, esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em

comum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de casa.

O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas mulheres,
16
havia se transformado no pior dos mundos.

Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se

sentavam à minha frente, os relatos se transformavam em


19
desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justificar

e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas. A culpa por

ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a culpa por não ter
22
sido boa o suficiente, a culpa por não ter conseguido manter a

família. Sempre a culpa.

Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma

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25
força externa como se somente nós, juízes, promotores e

advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo de

violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela


28
violência invisível.

Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias além das

quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com adaptações).

2. No Texto, a palavra “prolatada” (l. 11) foi empregada como sinônimo de deferida.

Errado.

A palavra “prolatada” vem do verbo prolatar, que significa pronunciar uma sen-

tença. É esse o sentido presente na ocorrência da linha 11. Por isso, não se pode

dizer que a palavra “prolatada” foi empregada como sinônimo de deferida (isto é,

de atendida, que foi atendida), dado que a sentença poderia ser contrária ao pleito.

3. O referente dos sujeitos de “chegavam” (l. 17), que está elíptico, é “os relatos”

(l. 18).

Errado.

O referente dos sujeitos de “chegavam” (l. 17) e “sentavam” (l. 18) é “mulheres” (l. 15).

(CESPE/TCM-BA/SUPERIOR/2018)

Texto 1A1BBB
1
Após meses de sofrimento e solidão chega o correio:

esta corrente veio da Venezuela escrita por Salomão Fuais

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para correr mundo


4
faça vinte e quatro cópias e mande a amigos em lugares

distantes: antes de nove dias terá surpresa, graças a Santo

Antônio.
7
Tem vinte e quatro cópias, mas não tem amigos distantes,

José Edouard, Exército venezuelano, esqueceu de distribuir

cópias, perdeu o emprego.


10
Lupin Gobery incendiou cópia, casa pegou fogo,

metade da família morreu.

Mandar então a amigos em lugares próximos.


13
Também não tem amigos em lugares próximos.

Fecha a casa.

Deitado na cama, espera surpresa.

Rubem Fonseca. Corrente. In: Contos reunidos.

São Paulo: Cia. das Letras, 1994, p. 324.

A respeito dos aspectos estruturais e linguísticos do Texto 1A1BBB, julgue os itens.

4. Nos trechos “chega o correio” (l. 1), “Fecha a casa” (l. 14) e “espera surpresa” (l.

15), os elementos “correio”, “casa” e “surpresa” exercem a mesma função sintática.

Errado.

Cada elemento exerce uma função sintática diferente: “correio” é sujeito; “casa” é

objeto direto; “surpresa” é predicativo ou objeto direto (a ambiguidade resultante

das distintas funções sintáticas é proposital).

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5. A mensagem da corrente apresenta-se em forma de citação no interior do conto,


da linha 2 à linha 11.

Errado.
A citação apresenta-se da linha 2 à linha 6.

6. Nas linhas 12 e 13, é apresentada a conclusão da mensagem da corrente.

Errado.
Nas linhas 12 e 13, pode-se observar os pensamentos da personagem (o narrador,
sendo onisciente, tem acesso a esse conhecimento).

7. O Texto desenvolve-se, predominantemente, com base em relações de causa e


consequência.

Certo.
As consequências (perder emprego; casa pegar fogo) são resultantes de uma cau-
sa: não repassar a corrente.

8. Na corrente predomina o uso de construções passivas para caracterizar os infor-


túnios decorrentes do descumprimento da mensagem.

Errado.
A predominância é de frases em voz ativa. Há apenas uma construção passiva, na

linha 2: “escrita por Salomão Fuais”.

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9. (CESPE/SEDUC-AL/PROFESSOR/2018)

Neste final de semana, esta Folha publicou editorial criticando a proposta de

ampliar a pena daqueles que assassinam mulheres por “razões de gênero”. O

Texto alega que tal “populismo” jurídico seria uma extravagância, já que todas

as circunstâncias agravantes que poderiam particularizar o homicídio contra

mulheres (motivo fútil, crueldade, dificuldade de defesa) estariam contempla-

das pela legislação vigente. Neste sentido, criar a categoria jurídica “razões de

gênero” de nada serviria, a não ser para quebrar o quadro universalista que

deveria ser o fundamento da lei.

Vladimir Safatle. Feminicídio. In: Folha de S.Paulo. mar./2015, p. A 2.

Com referência às ideias do Texto precedente, julgue o próximo item.

Trata-se de um Texto publicado no jornal para o qual o próprio autor escreve, ha-

vendo indícios de que ele apresentará a tal Texto uma crítica.

Certo.

Primeiramente, o editorial é um artigo (gênero da tipologia dissertativa argumen-

tativa) que expressa a opinião do jornal (no caso, Folha de São Paulo). Essas infor-

mações podem ser observadas no primeiro período do texto e na referência no final

do texto. Os indícios que o texto apresentará uma crítica são dois: o uso de aspas

e a forma verbal no futuro do pretérito.

10. (CESPE/ABIN/AGENTE/2018)

Texto CB3A1AAA
1
A atividade de inteligência é o exercício de ações

especializadas para a obtenção e análise de dados, produção de

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conhecimentos e proteção de conhecimentos para o país.


4
Inteligência e contrainteligência são os dois ramos dessa

atividade. A inteligência compreende ações de obtenção de

dados associadas à análise para a compreensão desses dados.


7
A análise transforma os dados em cenário compreensível para

o entendimento do passado, do presente e para a perspectiva de

como tende a se configurar o futuro. Cabe à inteligência tratar


10
fundamentalmente da produção de conhecimentos com o

objetivo específico de auxiliar o usuário a tomar decisões de

maneira mais fundamentada. A contrainteligência tem como


13
atribuições a produção de conhecimentos e a realização de

ações voltadas à proteção de dados, conhecimentos,

infraestruturas críticas – comunicações, transportes,


16
tecnologias de informação – e outros ativos sensíveis e

sigilosos de interesse do Estado e da sociedade. O trabalho

desenvolvido pela contrainteligência tem foco na defesa


19
contra ameaças como a espionagem, a sabotagem, o vazamento

de informações e o terrorismo, patrocinadas por instituições,

grupos ou governos estrangeiros.

Internet: <www.abin.gov.br> (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do Texto

CB3A1AAA.

No Texto, predomina a tipologia textual expositiva, dado o seu objetivo comuni-

cativo de transmitir ao leitor um conjunto de informações relativas às atividades

desenvolvidas sob o rótulo de inteligência.

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Certo.

O texto apresentado pela banca é um exemplar típico da tipologia textual disser-

tativa expositiva. Não há, em qualquer ponto do texto, a tentativa de convencer o

leitor sobre determinado ponto de vista.

11. (FCC/DPE-RS/DEFENSOR/2018)

Tomando resolutamente a sério as narrativas dos “selvagens”, a análise estru-

tural nos ensina, já há alguns anos, que tais narrativas são precisamente muito sé-

rias e que nelas se articula um sistema de interrogações que elevam o pensamento

mítico ao plano do pensamento propriamente dito. Sabendo a partir de agora,

graças às Mitológicas, de Claude Lévi-Strauss, que os mitos não falam para nada

dizerem, eles adquirem a nossos olhos um novo prestígio; e, certamente, investi-

-los assim de tal gravidade não é atribuir-lhes demasiada honra.

Talvez, entretanto, o interesse muito recente que suscitam os mitos corra

o risco de nos levar a tomá-los muito “a sério” desta vez e, por assim dizer, a

avaliar mal sua dimensão de pensamento. Se, em suma, deixássemos na som-

bra seus aspectos mais acentuados, veríamos difundir-se uma espécie de mito-

mania esquecida de um traço todavia comum a muitos mitos, e não exclusivo

de sua gravidade: o seu humor.

Não menos sérios para os que narram (os índios, por exemplo) do que para os

que os recolhem ou leem, os mitos podem, entretanto, desenvolver uma intensa

impressão de cômico; eles desempenham às vezes a função explícita de divertir os

ouvintes, de desencadear sua hilaridade. Se estamos preocupados em preservar

integralmente a verdade dos mitos, não devemos subestimar o alcance real do riso

que eles provocam e considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas

solenes e fazer rir aqueles que o escutam.

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A vida cotidiana dos “primitivos”, apesar de sua dureza, não se desenvolve sem-

pre sob o signo do esforço ou da inquietude; também eles sabem propiciar-se ver-

dadeiros momentos de distensão, e seu senso agudo do ridículo os faz várias vezes

caçoar de seus próprios temores. Ora, não raro essas culturas confiam a seus mitos

a tarefa de distrair os homens, desdramatizando, de certa forma, sua existência.

Essas narrativas, ora burlescas, ora libertinas, mas nem por isso desprovidas

de alguma poesia, são bem conhecidas de todos os membros da tribo, jovens e ve-

lhos; mas, quando eles têm vontade de rir realmente, pedem a algum velho versa-

do no saber tradicional para contá-las mais uma vez. O efeito nunca se desmente:

os sorrisos do início passam a cacarejos mal reprimidos, o riso explode em francas

gargalhadas que acabam transformando-se em uivos de alegria.

(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. A Sociedade contra o Estado. São Paulo, Ubu, 2017)

... não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e considerar

que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes... (3º parágrafo)

Uma nova redação para a frase acima, em que se mantêm a clareza, o sentido e a

correção, está em:

a) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam e, todavia,

considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

b) Não só devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, mas

também considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

c) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, a fim de

considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

d) Não devemos nem subestimar o alcance real do riso que eles provocam, nem

considerar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

e) Não devemos subestimar o alcance real do riso que eles provocam, mas consi-

derar que um mito pode ao mesmo tempo falar de coisas solenes...

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Letra e.

Observe cada uma das inadequações das reescritas:

a) Errada. O uso de todavia não respeita as relações semânticas internas ao período.

b) Errada. O uso da expressão “não só, mas também”, que cria um paralelismo,

não respeita as relações semânticas internas ao período.

c) Errada. O uso de a fim de não respeita as relações semânticas internas ao período.

d) Errada. O uso da expressão “nem ..., nem”, que cria um paralelismo, não res-

peita as relações semânticas internas ao período.

e) Certa. Está correta porque no trecho original a conjunção “e” equivale à

conjunção “mas”.

12. (FCC/TRF-5ª/TÉCNICO/2017)

Numa visita ao Brasil, pouco depois de sair do Governo da Espanha, Felipe Gonzalez

foi questionado sobre o que gostaria de ter feito e não conseguiu. Depois de pensar

alguns minutos, disse lamentar que, apesar de avanços importantes em educação,

os jovens ainda se formavam e queriam saber o que o Estado faria por eles.

(COSTIN, Claudia. Disponível em: folha.uol.com.br)

Transpondo-se para o discurso direto a fala atribuída a Felipe Gonzalez, obtêm-se

as seguintes formas verbais:

a) Lamento – formem – queiram 

b) Lamento – formem – querem 

c) Lamentei – formaram – queriam 

d) Lamentou – vão se formar – irão querer 

e) Lamento – tinham se formado – quiseram 

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Letra a.

Para transpor para o discurso direto, temos que “atualizar” a fala da personagem:

Depois de pensar alguns minutos, disse:

– lamento lamentar que, apesar de avanços importantes em educação, os

jovens ainda se formem e queiram saber o que o Estado faria por eles.

A opção correta, então, é a “a”.

13. (FCC/ARTESP/AGENTE/2017)

Aplicativos para celular e outros avanços tecnológicos têm transformado as

formas de ir e vir da população e podem ser grandes aliados na melhoria da

mobilidade urbana.

Segundo a União Internacional dos Transportes Públicos (UITP), simulações fei-

tas nas capitais de países da União Europeia mostram que a combinação de trans-

porte público de alta capacidade e o compartilhamento de carros e caronas poderia

remover até 65 de cada 100 carros nos horários de pico.

(Adaptado de: Aplicativos e tecnologia mudam a mobilidade urbana. Disponível em: http://

odia.ig.com.br)

A forma verbal poderia, no segundo parágrafo, atribui à expressão remover até 65

de cada 100 carros nos horários de pico sentido:

a) falacioso.

b) factual.

c) imperativo.

d) conclusivo.

e) conjectural.

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Letra e.
A forma verbal está no futuro do pretérito do indicativo. Esse tempo e modo verbal
expressam uma conjectura (isto é, uma hipótese).

14. (FCC/SEGEP-MA/ANALISTA/2016)
COP-21 já foi. E agora, o que virá?
O Acordo do Clima aprovado em Paris em dezembro de 2015 não resolve o pro-
blema do aquecimento global, apenas cria um ambiente político mais favorável à
tomada de decisão para que os objetivos assinalados formalmente por 196 países
sejam alcançados.
Como todo marco regulatório, o acordo estabelece apenas as condições para
que algo aconteça, e, nesse caso, não há sequer prazos ou metas. As propostas
apresentadas voluntariamente pelos países passam a ser consideradas “metas”
que serão reavaliadas a cada 5 anos, embora a soma dessas propostas não elimine
hoje o risco de enfrentarmos os piores cenários climáticos com a iminente elevação
média de temperatura acima de 2ºC.
Sendo assim, o que precisa ser feito para que o Acordo de Paris faça alguma
diferença para a humanidade? A 21ª Conferência do Clima (COP-21) sinaliza um
caminho. Para segui-lo, é preciso realizar muito mais – e melhor – do que tem sido
feito até agora. A quantidade de moléculas de CO2 na atmosfera já ultrapassou
as 400 ppm (partes por milhão), indicador que confirmaria – segundo o Painel In-
tergovernamental de Mudança Climática (IPCC) da ONU – a progressão rápida da
temperatura acima dos 2°C.
A decisão mais urgente deveria ser a eliminação gradual dos U$ 700 bilhões
anuais em subsídios para os combustíveis fósseis. Sem essa medida, como imagi-
nar que a nossa atual dependência de petróleo, carvão e gás (75% da energia do
mundo é suja) se modifique no curto prazo?

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Para piorar a situação, apesar dos investimentos crescentes que acontecem

mundo afora em fontes limpas e renováveis de energia (solar, eólica, biomassa,

etc.), nada sugere, pelo andar da carruagem, que testemunhemos a inflexão da

curva de emissões de gases estufa. Segundo a vice-presidente do IPCC, a climato-

logista brasileira Thelma Krug, a queima de combustíveis fósseis segue em alta e

não há indícios de que isso se modifique tão cedo.

Como promover tamanho freio de arrumação em um planeta tão acostumado

a emitir gases estufa sem um novo projeto educacional? Desde cedo a garotada

precisa entender o gigantesco desafio civilizatório embutido no combate ao aque-

cimento global.

O Acordo do Clima é certamente um dos maiores e mais importantes da história

da diplomacia mundial. Mas não nos iludamos.

Tal como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (adotada pela ONU

em 1948), o Acordo sinaliza rumo e perspectiva, aponta o que é o certo, e se

apresenta como um compromisso coletivo. Tornar o Acordo realidade exige ati-

tude. Diária e obstinada.

(Adaptado de: TRIGUEIRO, André. http://g1.globo.com/natureza/blog/mundo-sustenta-

vel/2.html)

Uma palavra empregada com sentido exclusivamente figurado está sublinhada na

seguinte passagem do texto:

a) a iminente elevação média de temperatura acima de 2ºC (2º parágrafo).

b) A quantidade de moléculas de CO2 na atmosfera já ultrapassou as 400 ppm

(3º parágrafo)

c) nada sugere, pelo andar da carruagem, que testemunhemos (5º parágrafo)

d) U$ 700 bilhões anuais em subsídios para os combustíveis fósseis. (4º parágrafo)

e) a queima de combustíveis fósseis segue em alta (5º parágrafo)

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Letra c.

O sentido figurado é aquele que se distancia da denotação. No caso da opção “c”,

não se fala especificamente de uma carruagem (sentido denotativo), mas se fala

do “andamento dos eventos”.

15. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)

Documentos sobre Shakespeare ‘vândalo’ são abertos ao público

Em 1596, William Shakespeare e seus atores tiveram de deixar o teatro isabelino

The Theatre, localizado em Shoreditch, em Londres, até então o recanto da dramatur-

gia inglesa. O período de 21 anos de concessão do terreno ao ator e empresário Ja-

mes Burbage havia chegado ao fim, e o senhorio exigia as terras de volta. Desolados,

Shakespeare e os homens de sua companhia, Lord Chamberlain’s Men, se uniram para

roubar o teatro – tábua por tábua, prego por prego – e reconstruí-lo em outro lugar.

A história ocorrida em 28 de dezembro de 1598 não é inédita e consta em di-

versas biografias de Shakespeare. Agora, contudo, chegou o momento de ouvir o

outro lado da ação: a justiça. De acordo com a transcrição do processo judicial de

1601, Shakespeare, seus atores e amigos (incluindo Burbage) foram “violentos”

em uma ação “desenfreada” que destruiu o The Theatre. O documento diz que o

dramaturgo e seus cúmplices estavam armados com punhais, espadas e macha-

dos, o que causou “grande distúrbio da paz” e deixou testemunhas “aterrorizadas”.

Até então guardado em segurança pelo National Archive, o arquivo do Reino

Unido, o documento é uma das peças que serão exibidas ao público no centro cul-

tural londrino Somerset House, a partir de fevereiro de 2016, ano em que se com-

pletam quatro séculos da morte do Bardo.

(VIANA, Rodolfo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/ Acesso

em 16/12/2015)

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No gênero notícia, verifica-se que a principal função da linguagem, segundo JAKOB-

SON (1963), é a:

a) conativa.

b) emotiva.

c) metalinguística.

d) fática.

e) referencial.

Letra e.

Em notícias, assume-se como ponto central o contexto. É por isso que a função

referencial é a verificada em notícias. Vamos lembrar as outras funções:

• Função emotiva: centraliza o locutor;

• Função conativa: centraliza o destinatário;

• Função fática: centraliza o contato ou o canal;

• Função metalinguística: centraliza o código;

• Função poética: centraliza a mensagem em si.

16. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)

BAKHTIN, em Estética da Criação Verbal, explica que: “O emprego da língua efe-

tua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos

pelos integrantes desse ou daquele campo de atividade humana. Esses enunciados

refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só

por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos

recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua, mas, acima de tudo, por

sua construção composicional. [...] Evidentemente, cada enunciado particular é in-

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dividual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente

estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso”.

Depreende-se do texto que, na caracterização de um gênero discursivo, deve-se

considerar, principalmente,

a) o emprego de recursos linguísticos específicos e a fixação dos enunciados orais

e escritos.

b) a ocorrência particular, específica, dependendo da esfera de comunicação a que

pertencem os falantes.

c) o modo de composição, o tema e os usos de linguagem relacionados às finalida-

des de cada campo de atividade humana.

d) a irregularidade no emprego de enunciados orais e escritos em determinados

campos de atividade verbal.

e) os enunciados escritos que dão concretude à oralidade, dependendo da esfera

de comunicação.

Letra c.

O final do penúltimo período do texto e o último período do texto são claros quanto

à necessidade de se identificar o modo de composição, o tema e os usos de lingua-

gem relacionados às finalidades de cada campo da atividade humana.

17. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)

AquiÁfrica

Treze artistas contemporâneos da chamada África Subsaariana – que compreende

países ao sul do Deserto do Saara, como Nigéria, Camarões, Congo e Angola –

abordam em suas obras questões sobre imigração, xenofobia, sistemas de poder

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e tradições culturais. A mostra faz parte do projeto Art for the World, da curadora

suíça Adelina von Fürstenberg, que aborda os direitos humanos em exposições de

arte. Sesc Belenzinho. Rua padre Adelino, 1000, Belenzinho. Terça a sexta, 13h às

21h; sábado, domingo e feriados, 11h às 19h. Grátis. Até 28 de fevereiro de 2016.

(Exposições. Veja São Paulo. 30 dez. 2015, p. 62)

Esse texto é:

a) uma sinopse, que apresenta brevemente um evento cultural.

b) um comentário, que visa à qualificação de um acontecimento paulistano.

c) uma resenha, pois tem finalidade informativa e pertence à esfera cultural.

d) um sumário, visto que relaciona os principais elementos do fato.

e) um classificado, que anuncia um evento cultural, com finalidade publicitária.

Letra a.

A sinopse é um relato breve sobre algo – no caso do texto, uma exposição. Não há,

no texto em análise, manifestação do ponto de vista do autor do texto (por isso

não pode ser um comentário ou uma resenha). Também não é um sumário ou um

classificado, porque: (i) não é um resumo e (ii) não possui finalidade publicitária.

18. (FCC/SEDU-ES/PROFESSOR/2016)

A maioria dos países da América Latina, incluindo o Brasil, só começou a

montar seu sistema escolar quando em muitas outras nações do mundo já

existiam universidades bem estruturadas e de qualidade. Mesmo assim, era

um privilégio para poucos. Apenas nos anos 1970 e 1980 começou na América

Latina a discussão sobre a educação ser um direito de todos. Mas claramente

ainda nos falta a percepção moderna de que esse é um fator estratégico para o

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avanço. Se buscamos uma sociedade ancorada no conhecimento, tudo, absolu-

tamente tudo, deve se voltar para a escola.

(TORO, Bernardo. Veja, 18 nov. 2015, p.17)

Em relação aos modos de organização textual, esse texto apresenta, em sequência, a:

a) descrição e a narração observadas na recuperação histórica de fatos, em formas

verbais do pretérito; a argumentação, apoiada em argumentos de autoridade, em

formas verbais do presente.

b) descrição de acontecimentos do passado, por meio de relato histórico, em for-

mas verbais do presente; a narração, responsável pela apreciação do autor, em

formas verbais do pretérito.

c) narração, em formas verbais do pretérito, fundamentada na descrição de acon-

tecimentos históricos, situados no tempo presente.

d) argumentação, no pretérito, sobre acontecimentos históricos; a descrição e a

narração de argumentos e de pontos de vista, em formas verbais do presente.

e) narração de fatos historicamente situados, em formas verbais do pretérito; a

argumentação, observada nas opiniões emitidas em formas verbais do presente.

Letra e.

a) Errada. Não há descrição.

b) Errada. Não há descrição.

c) Errada. Não há descrição.

d) Errada. Não há descrição.

e) Certa. A narração ocorre nos três primeiros períodos. Nos dois últimos períodos

há a argumentação.

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19. (FCC/SABESP/AGENTE/2018)

Júlio Verne: previsões do autor que se tornaram realidade

O escritor francês Júlio Verne é considerado por muitos o pai da ficção científica.

Suas obras influenciaram gerações e inspiraram filmes e séries de TV. Há quase

cem filmes baseados em mais de 30 livros assinados por ele.

Júlio Verne nasceu na cidade de Nantes em fevereiro de 1828. Sua verdadeira

paixão eram as viagens, que na época eram feitas principalmente de navio. Aos 11

anos, ele fugiu de casa para se tornar marinheiro. Na primeira escala, porém, seu

pai conseguiu apanhá-lo – e depois quem apanhou foi o pequeno Verne. Reza a len-

da que ele teria jurado não voltar a viajar, a não ser em sua imaginação e fantasia.

Um dos fatos que mais chamam a atenção em suas obras são as previsões feitas

pelo escritor que se concretizaram séculos depois. Por exemplo, oitenta anos antes

dos noticiários televisivos surgirem, Júlio Verne descreveu a alternativa para os

jornais: “Em vez de ser impresso, o ‘Crônicas da Terra’ seria falado, teria assinan-

tes e partiria de conversas interessantes dos repórteres e cientistas que contariam

as notícias do dia”. Ele também imaginou o “fonotelefoto”, que seria usado pelos

repórteres para registrar e transmitir sons e imagens.

(Adaptado de: MARASCIULO, Marilia. Júlio Verne: previsões do autor que se tornaram realidade.

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com) 

Considere a frase do texto:

Na primeira escala, porém, seu pai conseguiu apanhá-lo – e depois quem apa-

nhou foi o pequeno Verne.

Os vocábulos apanhar, na primeira e na segunda ocorrência, são usados, respec-

tivamente, com os sentidos de: 

a) compreender; contrair uma doença. 

b) segurar com força; recolher com as mãos. 

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c) levar uma pancada; ser derrotado. 

d) alcançar; levar uma surra. 

e) encontrar; apossar-se de bem alheio. 

Letra d.

Vou ser direto: a segunda ocorrência do verbo apanhar significa claramente levar

uma surra.

20. (FCC/TST/TÉCNICO/2017)

Com base em descobertas feitas na Grã-Bretanha, Chile, Hungria, Israel e Ho-

landa, uma equipe de treze pessoas liderada por John Goldthorpe, sociólogo de

Oxford altamente respeitado, concluiu que, na hierarquia da cultura, não se pode

mais estabelecer prontamente a distinção entre a elite cultural e aqueles que estão

abaixo dela a partir dos antigos signos: frequência regular a óperas e concertos;

entusiasmo, em qualquer momento dado, por aquilo que é visto como “grande

arte”; hábito de torcer o nariz para “tudo que é comum, como uma canção popular

ou um programa de TV voltado para o grande público”. Isso não significa que não

se possam encontrar pessoas consideradas (até por elas mesmas) integrantes da

elite cultural, amantes da verdadeira arte, mais informadas que seus pares nem

tão cultos assim quanto ao significado de cultura, quanto àquilo em que ela consis-

te, ao que é tido como o que é desejável ou indesejável para um homem ou uma

mulher de cultura.

Ao contrário das elites culturais de outrora, eles não são conhecedores no es-

trito senso da palavra, pessoas que encaram com desprezo as preferências do ho-

mem comum ou a falta de gosto dos filisteus. Em vez disso, seria mais adequado

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descrevê-los – usando o termo cunhado por Richard A. Peterson, da Universidade

Vanderbilt – como “onívoros”: em seu repertório de consumo cultural, há lugar tan-

to para a ópera quanto para o heavy metal ou o punk, para a “grande arte” e para

os programas populares de televisão. Um pedaço disto, um bocado daquilo, hoje

isto, amanhã algo mais.

Em outras palavras, nenhum produto da cultura me é estranho; com nenhum

deles me identifico cem por cento, totalmente, e decerto não em troca de me negar

outros prazeres. Sinto-me em casa em qualquer lugar, embora não haja um lugar

que eu possa chamar de lar (talvez exatamente por isso). Não é tanto o confronto

de um gosto (refinado) contra outro (vulgar), mas do onívoro contra o unívoro, da

disposição para consumir tudo contra a seletividade excessiva. A elite cultural está

viva e alerta; é mais ativa e ávida hoje do que jamais foi. Porém, está preocupada

demais em seguir os sucessos e outros eventos festejados que se relacionam à cul-

tura para ter tempo de formular cânones de fé ou a eles converter outras pessoas.

(Adaptado de: BAUMAN, Zygmunt. A cultura no mundo líquido moderno. Trad. Carlos Al-

berto Medeiros. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2013, p. 6-7.) 

A palavra unívoro (3º parágrafo) remete:

a) ao grupo que se caracteriza por apreciar um tipo específico e uniforme de pro-

dutos culturais.

b) aos apreciadores da cultura que se definem pelo conhecimento erudito e pelo

gosto diversificado.

c) aos indivíduos que nutrem simpatia tanto por produções eruditas quanto

por populares.

d) à elite cujo gosto pela arte se caracteriza pelo ecletismo e pelo respeito à diver-

sidade de expressão.

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e) àqueles com conhecimento insuficiente para reconhecer os diferentes estilos de

produção artística.

Letra a.

Onívoro significa “o que come tudo ou de tudo”. Unívoro, diferentemente, remete

a “aquele que come uma única fonte de alimento”. Como o autor está abordando o

consumo de produtos culturais, compreendemos que se faz referência ao grupo que

se caracteriza por apreciar um tipo específico e uniforme de produtos culturais.

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BIBLIOGRAFIA

GARCIA, O. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever aprenden-

do a pensar. Rio de Janeiro: FGV, 2013.

PEREIRA, C.; NEVES, J. Ler/Falar/Escrever. Práticas discursivas no ensi-

no médio: uma proposta teórico-metodológica. Rio de Janeiro: Lexicon, 2012.

Site https://www.tudogostoso.com.br

Site https://diplomatique.org.br/

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