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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);


Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS)
Departamento de Filosofia
Curso de Filosofia - Bacharelado – 8.o Semestre
Disciplina: Relações Humanas
Docente: Candida Soares da Costa
Discente: Fábio Lázaro Oliveira Queiroz

Resumo do texto: SKIDMORE, T. O contexto intelectual da


Abolição no Brasil. In: Preto no Branco – raça e nacionalidade no
pensamento brasileiro, 2.a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.

O texto começa com uma introdução à situação do Brasil em meados do


século XIX. De acordo com o autor, o Brasil era uma anomalia em vários
aspectos. No plano político, havia um Imperador Português, responsável pela
Independência, mas que ainda vinculava o país à metrópole, enquanto os
vizinhos hispano-americanos haviam se livrado plenamente da coroa
espanhola. No plano econômico, era uma economia agrária dependente do
trabalho escravo, mesmo com o fim da escravidão em 1850. Já a Igreja era um
pobre reflexo da sua irmã da Nova Espanha, tanto nos aspectos humanos
quanto patrimoniais. Por fim, no pensamento, suas ideias eram cópias
justapostas de criações francesas, o denominado “ecletismo”.
Ainda, no terreno político reinava, pouco antes de 1864, a chamada
“conciliação partidária”, em que uma indiferenciação ideológica entre os liberais
e os conservadores, bem como uma atitude complacente desses em relação
ao imperador, só foi quebrada pelas tensões geradas pelo conflito contra o
Paraguai e pelo crescimento econômico de regiões como São Paulo.
Na literatura, foi com uma apropriação do romantismo europeu que
nasceu um culto ao índio e sua cultura, mas de forma estereotipada, uma vez
que o homem de cor, só que livre, era ostensivamente excluído dessas
representações.

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Foi, então, que esse terreno anômalo foi agitado com a tensão política
pelo conflito bélico com o Paraguai. No período, setores significativos da
sociedade brasileira, como o exército, perceberam o atraso nacional e deram
corpo a uma pressão política que, mais próximo de 1888, seria responsável por
apoiar o fim da escravidão. Isso, aliado à urbanização e à pressão internacional
nesse sentido, também ajudaram a moldar o rumo do país. Caracterizaram,
portanto, esse período, uma convergência intelectual no sentido do
abolicionismo, do anticlericalismo e do republicanismo.
Em seguida, o rompimento da ala da política mais liberal, associado ao
movimento estudantil de 1868 e capitaneado pela então denominada “Escola
de Recife”, partidária do materialismo alemão, trouxe as ideias positivistas e
evolucionistas, que entraram em choque com o indianismo e o ecletismo
intelectual. Além disso, o positivismo ganhou muitos adeptos por seu mantra de
aplicar a ciência à sociedade, pela sua valorização da família e seus aspectos
autoritários.
Assim, dentro desse contexto, ressalta o autor que o terreno para o
pensamento abolicionista pôde florescer em função de forças tanto internas,
como a percepção de um atraso nacional por setores relevantes da sociedade
e o rompimento político levado a cabo pelo conflito bélico, bem como por
influxos externos, como as pressões internacionais pelo fim da escravidão e as
ideologias que tiveram suas sementes germinadas em solo nacional, tais como
o materialismo alemão e o positivismo.
Um contraponto a esse movimento progressista, contudo, se deu pelo
favoritismo do imperador pelos conservadores, que fez com que a abolição,
uma vez percebida como inevitável, fosse levada à termo legalmente pela ala
política conservadora, o que a concedeu a prerrogativa de, estando no poder,
poder evitar o aprofundamento de reformas então propostas, como a agrária.
Agora, um aspecto importante do movimento abolicionista, mesmo
considerando apenas o movimento político liberal, é que, apesar de lutar pelo
fim da opressão e de considerar que o racismo (supostamente) consequente
não havia firmado chão no Brasil, acreditava-se que haveria, em médio ou

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longo prazo, uma predominância da raça branca sobre a negra e índia. Prova
disso é que apoiavam a imigração europeia e propugnavam por um
branqueamento da população, mas também, que, por ocasião dos embates
contra a imigração asiática, falavam inferioridade tanto da raça negra quanto
dos chineses.