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ESQUEMA AP1 – DESENVOLVIMENTO HUMANO E CONTROLE MOTOR

SUYANE BRASIL – FISIOTERAPIA 2014.2

FISIOPATOLOGIA DOS GÂNGLIOS DA BASE

ASPECTOS ANATÔMICOS
- Gânglios da base  grupo de núcleos de substância cinzenta localizados na região profunda do
encéfalo, ou mais especificamente, na região subcortical=basal do encéfalo.
- Os núcleos estão interconectados, formando um sistema funcional = sistema extrapiramidal  as
lesões que acometiam esses núcleos geralmente produziam sintomas motores, assim, aparentemente,
funcionasse de maneira paralela ao sistema piramidal no controle da motricidade.
- Funções dos núcleos da base  participar do controle do movimento, além da participação ativa
do controle de outras funções complexas, cognitivas e comportamentais.
- 5 núcleos da base  caudado, putâmen, globo pálido (interno e externo), substância negra
(compacta e reticulada), núcleo subtalâmico.
- Alguns autores ainda incluem  nucleus accumbens e o tubérculo olfatório = teriam conexões
importantes com o sistema límbico
- 3 maiores núcleos  caudado, putâmen e o globo pálido = ficam lateralmente ao tálamo e separados
dele pela cápsula interna.
- Globo pálido  é o mais antigo; dividido em GPi e GPe.
- Estriado  núcleo caudado + putâmen; origem mais recente.
- Substância negra e núcleo subtalâmico  ficam no mesencéfalo; núcleo subtalâmico está logo
abaixo do tálamo; substância negra está numa posição mais caudal e contígua e é dividida em 2 partes
(parte mais dorsal – onde as células estão mais concentradas = pars compacta, SNc; parte mais ventral
= pars reticulada, SNr).

ASPECTOS FUNCIONAIS
- A maiorias das lesões que acometem os gânglios da base produzem sintomas motores 
classificados como distúrbios do movimento sem paralisisa.
- Dependendo da parte do sistema que é afetada, as lesões podem ter 2 tipos de manifestação 
hipercinesias e hipocinesias.
- Hipercinesias  aparecimento de movimentos involuntários anormais que podem ser classificados
em diferentes formas de apresentação clínica = coreia, balismo, distonia, tremor, mioclonia, tique 
podem acometer qualquer parte do corpo, sendo mais evidentes em MMSS ou MMII.
- Hipocinesias  redução global e involuntária dos movimentos, O indivíduo desenvolve lentidão para
executar os movimentos (bradicinesia), dificuldade para iniciar os movimentos (acinesia), e os
movimentos espontâneos do corpo ficam bastante diminuídos. Há também mudanças no controle
postural e um aumento do tônus muscular. Ex: síndrome de Parkinson.

CONCEITOS FUNDAMENTAIS
1- Os gânglios da base não têm conexões diretas com o neurônio motor inferior.
- Os gânglios da base não tem conexões diretas com a medula espinhal  eles não se conectam
diretamente com os motoneurônios.
- Os gânglios estão estreitamente ligados ao córtex cerebral com quem interagem funcionalmente
através de alças de retro-alimentação.
- Os gânglios da base recebem projeções (aferências) provenientes de várias regiões do córtex
cerebral. Essas informações transitam através desses núcleos e depois são sempre transmitidas ao
tálamo que as reenvia de volta ao córtex cerebral.
- As aferências que entram nos gânglios da base são provenientes de diferentes áreas corticais,
enquanto que as eferências que retornam ao córtex através do tálamo, depois de processadas se
dirigem a uma região específica cortical relacionada à função moduladora  área motora suplementar
(AMS) e área pré-frontal (APF) = estão ligadas ao processamento de funções superiores no controle
do movimento e ficam ao lado do córtex motor primário
- Os gânglios da base influenciam o movimento interferindo sobre as áreas corticais que diretamente
controlam os neurônios motores superiores.
2- O estriado (caudado + putâmen) é o principal núcleo de entrada das aferências que chegam
aos gânglios da base. A maioria delas é proveniente de múltiplas áreas do córtex cerebral.
- A maioria das aferências que se projeta aos gânglios da base é proveniente de várias áreas corticais,
principalmente das áreas motoras e sensoriais, primárias e secundárias que convergem para o
estriado.
- Essas vias são excitatórias  neurotransmissor = glutamato.
3- É do globo pálido interno (GPi) e da pars reticulada da substância negra (SNr) que partem as
principais eferências que se dirigem ao tálamo, ou seja, o GPi e a SNr são os núcleos de saída
das informações que transitaram pelos gânglios da base.
- As eferências que partem dos gânglios da base passam pelo tálamo e depois voltam ao córtex
cerebral formando as alças córtex-gânglios-da-base-tálamo-córtex.
- Circuitos que controlam o movimento  as eferências partem dos núcleos de saída dos gânglios
da base em direção ao tálamo  que as projeta para áreas específicas do córtex cerebral que estão
ligas ao controle do movimento e que são denominadas de áreas motoras secundárias = área pré-
motora (APM) e a área motora suplementar (AMS).
- Agindo sobre as áreas motoras secundárias, os gânglios da base vão influencias indiretamente o
sistema piramidal e o controle motor.
- GPi/SNr  enviam eferências inibitórias ao tálamo  neurotransmissor = ácido gama-aminoburítivo
(GABA).
- Tálamo  envia eferências excitatórias (glutamato) ao córtex cerebral (APM e AMS), fechando a
alça motora.
- As células no GPi/SNr que originam as vias eferentes (de saída) têm uma atividade espontânea
praticamente contínua, inibindo continuamente o tálamo.
- Para que o tálamo possa exercer um efeito facilitador sobre o movimento ele precisa estimular a AMS
e a APM  o tálamo apenas exercerá esse efeito quando a atividade dos núcleos de saída diminuir,
e o tálamo estiver consequentemente desinibido.
4- Há duas vias principais pelas quais o sinal atravessa os gânglios da base, a via direta e a via
indireta.
- 95% das células que formam o estriado são neurônios de tamanho médio com protusões abundantes
na superfície de dentritos que se assemelham a espinhos = neurônios de projeção  projetam seus
axônios diretamente para fora do estriado em direção a outros núcleos.
- 5% das células estriatais são interneurônios.
5- A via direta conecta diretamente o estriado aos núcleos de saída (GPi/SNr), e age facilitando
o movimento pela desinibição do tálamo.
- A via direta é uma via GABA érgica = inibitória.
- Ativação dos neurônios extriatais de projeção que formam a via direta vai produzir um efeito inibitório
sobre as células do GPi/SNr.
- Ativação da via direta inibe os núcleos de saída, que reduzem a sua ação inibitória sobre o tálamo,
que desinibido, estimula as áreas corticais e facilita o movimento.
6- A via indireta começa na projeção que vai do estriado ao GPe, segue então ao núcleo
subtalâmico (NST) e só depois termina nos núcleos de saída (GPi/SNr). A via indireta inibe o
movimento, inibindo o tálamo.
- Projeção do NST é excitatória = glutamatérgica.
- O GPe está continuamente inibindo as células do NST. Quando a via indireta é ativada, as projeções
estriado-GPe vão inibir o GPe, que então reduz sua inibição ao NST, permitindo que esse último núcleo
ative os núcleos de saída.
- Quando o GPi/SNr estão ativados  inibem o tálamo e assim impedem que o tálamo facilite o
movimento.
- Via indireta  inibe o movimento.
7- O estriado recebe outra aferência muito importante – via negro-estriatal.
- Via dopaminérgica negro-estriatal  se inicia nos neurônios da substância negra compacta (SNc),
e termina diretamente nos espinhos dos dentritos dos neurônios de projeção médios espinhosos.
- Os axônios dopaminérgicos vão fazer sinapse no colo dos espinhos, enquanto os axônios corticais
terminam na cabeça dos mesmos espinhos.
- A via negro-estriatal é capaz de modular o afluxo de informações corticais que chegam aos neurônios
de projeção no estriado  ela pode modular a atividade das vias direta e indireta.
- Neurotransmissor  dopamina.
- Via direta  neurotransmissor excitatório  ligados ao receptor D1.
- Via indireta  neurotransmissor inibitório  ligados ao receptor D2.
- A via negro-estriatal age facilitando o movimento, já que ela ativa a via direta e inibe a via indireta.

FISIOPATOLOGIA DAS HIPOCINESIAS


- Doença de Parkinson  envolve os gânglios da base e produz a síndrome hipocinética clássica.
- Ocorre a degeneração das células dopaminérgicas que formam a via negro-estriatal.
- O efeito da degeneração  redução na concentração de dopamina no estriado = redução na atividade
dos neurônios estriatais de projeção que formam a via direta e um aumento na atividade dos que
formam a via indireta.
- A via direta fica hipoativa, enquanto a via indireta fica hiperativa. O resultado é que tanto o NST
quanto os núcleos de saída (GPi/SNr) ficam hiperativos, e assim o tálamo fica muito inibido e não
facilita o movimento.
- Atualmente são realizadas intervenções estereotáxicas que têm por objetivo inativas esses núcleos
através de lesões ou da colocação de marca-passo que inativam fisiologicamente os núcleos.

FISIOPATOLOGIA DAS HIPERCINESIAS


- Doença de Huntington  envolve os gânglios da base e produz uma síndrome hipercinética
caracterizada pela presença de movimentos involuntários do tipo coreico.
- Ocorre preferencialmente a degeneração das células estriatais que vão formar a via indireta.
- Hipoatividade dos núcleos de saída (GPi/SNr)  produz uma desinibição do córtex, facilitando de tal
forma o movimento, que produziria o aparecimento dos movimentos involuntários.

CONCEITO BOBATH

INTRODUÇÃO
- É uma abordagem para a solução de problemas, para a avaliação e tto de indivíduos com distúrbios
da função, do movimento e do controle postural, devido lesões do SNC.
- Origem  casal Berta Bobath e Karel Bobath  receberam como paciente um famoso pintor,
hemiplégico adulto, com uma espasticidade importante  tto por meio de posturas e movimentos.
- Conceito  porque está em constante evolução.
- Neuroevolutivo  porque obedece a sequência do desenvolvimento motor normal.
- Inicialmente  utilizava posturas estáticas para a inibição de alterações do tônus e de padrões
anormais de movimento. Como somente a inibição do padrão reflexo não era suficiente para facilitar o
movimento, o casal estudou a sequência do desenvolvimento motor típico, e a intervenção passou a
inibir os padrões reflexos e posicionar a criança em posturas neuroevolutivas  era insuficiente 
casal identificou que a base para o movimento frente à gravidade está nas reações posturais
automáticas e, a partir deste ponto o tto ficou mais dinâmico  PIT = Padrões Influenciando o Tônus.
- PIT  inibem os padrões anormais e facilitam a ocorrência da movimentação ativa o mais próximo
possível do normal simultaneamente. Substituem os PIR (Padrões de Inibição Reflexa).
- Por último, adicionou-se ao Conceito a importância do treino das reações de balance (reações de
equilíbrio, proteção e retificação) e das atividades funcionais, com o objetivo de promover o
aprendizado da função motora.
- Espasticidade  é uma desordem caracterizada pela velocidade de aumento dos reflexos tônicos
de estiramento (tônus muscular), com retrações tendíneas exageradas e, componente da síndrome do
neurônio motor superior.
- Principal contribuição do Conceito Neuroevolutivo Bobath  comprovação de que o SN é capaz
de aprender a responder a estímulos inibitórios dos padrões de movimento que interferem com a
movimentação normal.
- Conceito visa  preparar o pct para executar atividades funcionais, tentando torna-lo o mais
independente possível de acordo com suas potencialidades
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
- Objetivo  realizar manuseios que utilizem técnicas de inibição, facilitação e estimulação de padrões
de movimento normais, para possibilitar a aquisição da funcionalidade dos pcts  inibe padrões de
tônus postural anormal e facilita o surgimento de padrões motores normais, o que viabiliza a ocorrência
de movimentos ativos e mais próximos do normal.
- Técnicas de tto  facilitação, inibição e estimulação.
- A referência para que se saiba se a intervenção é eficiente, é a ocorrência de movimentos funcionais,
com adequado alinhamento biomecânico, coordenação motora e controle motor.
- Técnicas e tônus  hipertonia = inibição / normal = facilitação / hipotonia = estimulação.

PONTOS-CHAVE DE CONTROLE
- As técnicas de inibição e facilitação são guiadas através de pontos-chave de controle, pelos quais o
manuseio influencia seguimentos à distância, seguindo o preceito de que o movimento modula o tônus.
- Pontos-chave de controle  articulações = permitem a condução do movimento com maior
facilidade e menor desgaste tanto para o fisioterapeuta quanto para o pct.
- Evitar estímulos nos ventres musculares  podem causar maior alteração do tônus devido ao
estímulo aos receptores sensoriais de estiramento.
- O fisioterapeuta deve tocar o mínimo possível o pct e utilizar a palma de suas mãos para conduzir o
ponto-chave.
- É inadequado pegar com força ou agarrar a articulação do pct, pois o ponto-chave é um local para
condução do movimento, e para isso necessita de liberdade de movimentação.
- Situações mais graves  ponto-chave mais proximal.
- Situações menos graves  ponto-chave mais distal.
- Pontos-chave mais proximais  cabeça, esterno, ombro, quadril.
- Pontos-chave mais distais  cotovelo, punho, joelho e tornozelo.
- Os pontos-chave de controle viabilizam a execução das técnicas de inibição e facilitação (os PIT),
bem como das técnicas de estimulação tátil e proprioceptivas (tapping, placing e holding).

TÉCNICAS DE INIBIÇÃO E FACILITAÇÃO


- PIT
- Quando se aplica os PIT pelos ponto-chave de controle = produz-se mudanças no tônus que
influenciam o controle postural e a performance das atividades funcionais  porque se fornece
alinhamento biomecânico adequado, mecanismos de realimentação e antecipação para o movimento,
e padrões (abdução, extensão e rotação externa) que estão entre os dois extremos de flexão e
extensão, formando a base para o movimento e para a postural normal.
- Esses padrões são utilizados para modificar os padrões anormais de posturas e de movimentos e
assim inibir o desenvolvimento da hipertonia nos pcts.
- Eles inibem porque ocorrem em posturas que não permitem desencadear reflexos patológicos e
facilitam porque possibilitam o alinhamento biomecânico adequado ao alongamento e à contração
muscular, e também porque influenciam os mecanismos de feedback e feed-forward.
- PIT  ocorrem pelo manuseio do fisioterapeuta guiando atividades funcionais, ou por meio de um
comando verbal, ou pela demonstração de uma atividade funcional  visa uma inibição combinada de
uma facilitação
- Manuseio de facilitação o objetivo  possibilitar ou facilitar a movimentação da criança, por meio
dos pontos-chave de controle.
- A inibição e facilitação do movimento podem ser promovidas em conjunto, ou simultaneamente,
durante o manuseio do pct.
- Os PIT são aplicados com o uso das mãos do fisioterapeuta ou pela alteração na direção das
atividades funcionais.
- A união das mãos na linha média ou a cabeça centralizada podem funcionar como fatores de inibição
 a melhor inibição deve ser aquela através de uma atividade que o próprio pct execute de maneira
mais normal possível, por si mesmo, e que possibilite iniciar algum movimento funcional ativamente.
- Cabeça  manuseios de extensão = facilitam a extensão do restante do corpo  flexão = inibir a
espasticidade ou os espasmos extensores.
- Cintura escapular e MMSS  RI = inibe o espasmo extensor e é boa para atetóides  RE = inibe
a flexão e é boa para espásticos  pode-se associar a abdução horizontal para inibir a atividade
flexora, e, ainda a supinação para facilitar a abdução do polegar.
- Cintura pélvica e MMII  flexão da perna ou a dorsiflexão dos artelhos = facilitam a abdução,
RE e a dorsiflexão  RE = auxilia também na abdução e na dorsiflexão.
- Prono  facilita a extensão da coluna e do quadril.
- Sentado em plano inclinado  facilita a extensão da coluna.
- Adução dos MMSS  facilita o controle de cabeça.
- RE e extensão de MMSS em diagonal para trás  facilitam o ajoelhado e ficar em pé.

TÉCNICAS DE ESTIMULAÇÃO TÁTIL E PROPRIOCEPTIVA


- Aumentam o tônus postural e regulam a ação conjunta dos músculos agonistas, antagonistas e
sinergistas.
- Muito úteis em crianças com ataxia, atetose e hipotonia.
- Devem ser utilizadas na espasticidade somente se o tônus postural for baixo e durante a ausência
da atividade reflexa tônica.
- Elas devem ser utilizadas em combinação com os PIT, somente quando e enquanto o tônus postural
estiver baixo, e evitando reações associadas e movimentos involuntários.
- KABAT + estímulos por repetição.
- A estimulação pode ter origem no corpo ou no ambiente.
- Técnicas de estimulação  transferência de peso, tapping, placing e holding.

 TRANSFERÊNCIA DE PESO

- Causa pressão e recrutamento de unidades motoras, além de liberar os outros segmentos que não
estão sustentando peso para que executem movimentos.
- Quando não há transferência de peso  não há movimento.
- É facilitada pelos pontos-chave de controle.
- Deve-se realizar transferências de peso para os lados, para frente, para trás e diagonalmente, em
várias posições e atividades.
- Pcts espásticos  transferências em movimento constante e com grande amplitude.
- Pcts atáxicos e atetóides  transferências mais estáticas, de forma mais lenta e em pequenas
amplitudes.
Ex: preparação para marcha.

 PLACING, HOLDING E TAPPING

- Placing e holding (colocação e manutenção)  são técnicas que envolvem a habilidade em


controlar e manter os movimentos e as posições de forma automática e voluntária, em toda a AM.
- Placing  habilidade de interromper um movimento em qualquer amplitude, voluntariamente ou
automaticamente. É um auto-ajuste postural que demanda um ajuste automático dos músculos às
mudanças de postura, o que faz parte do mecanismo de contração postural normal. Uma resposta
normal ao placing garante a harmonia de um movimento voluntário  é o auto-ajuste aos movimentos
que se objetiva ao final da terapia.
- Holding  é a habilidade de manter o segmento cujo movimento foi interrompido, na posição em
que se colocou este segmento quando se realizou o placing.
- Tapping  é uma maneira desse atingir o placing  é um meio de aumentar o tônus postural pelo
estímulo tátil e proprioceptivo, ativar grupos musculares fracos, obter graduação adequada da
inervação recíproca, estimular as reações de balance (equilíbrio, proteção e retificação), e promover
padrões sinérgicos de movimento (ativação muscular adequada de agonistas, antagonistas e
sinergistas)  a técnica consiste em pequenas batidas sobre segmentos do corpo = pode desencadear
uma co-contração, que é a contração simultânea de agonistas, antagonistas e sinergistas que
possibilitam movimentos com estabilidade. Objetivo  possibilitar a manutenção automática de uma
posição desejada, ou seja, chegar ao placing e ao holding.
- O tapping é somente utilizado  quando o pct está no melhor alinhamento biomecânico possível
e em casos de fraqueza de um grupo muscular, hipotonia global, ou necessidade de aumentar o tônus
de atetóides e atáxicos. Não se utiliza o tapping  na presença de espasticidade ou espasmos, a
menos que objetive melhorar as reações de balance para ativar o ajuste às mudanças de postura.
- 4 tipos de tapping  de inibição, de pressão, por deslizamento e alternado.
- Tapping de inibição  serve para ativar grupos musculares fracos  aumenta a função de músculos
que não conseguem se contrair porque seus antagonistas são hipertônicos  é chamado de inibitório
porque inibe a atividade de músculos antagonistas hipertônicos. É aplicado com a rápida liberação da
parte do corpo que se quer ativar, seguida de uma contenção imediata. Ex: pct com atividade extensora
excessiva dos músculos posteriores de tronco.
- Tapping de pressão  aumenta o tônus e permite a sustentação de posturas contra a gravidade 
ocorre através da co-contração (aproximação de superfícies articulares) que ativa simultaneamente a
contração de músculos agonistas e antagonistas  é muito utilizados em atetóides e atáxicos por
terem mobilidade excessiva e tônus flutuante. Ex: pct sentado e necessita-se que este mantenha o
apoio podal.
- Tapping por deslizamento  ativa um músculo ou um grupo muscular deficiente ou inativo  inibe
um padrão motor patológico e facilita um padrão motor adequado, pela ativação de padrões sinérgicos
da função muscular desejada  execução é por meio de um firme deslizamento, com os dedos do
terapeuta estendidos, pelo comprimento do músculo ou dos músculos estimulados  pode ser feito
em posições necessárias para a estabilidade e a fixação ou em posições intermediárias necessárias
para que se alcance posições estáveis. Ex: extensão do punho.
- Tapping alternado  estimula o controle de posições intermediárias, isto é, a graduação apropriada
da inervação recíproca  é aplicado quando o pct é capaz de manter uma posição intermediária de
maneira eficaz  muito útil em atetóides e atáxicos porque melhora a contração e o relaxamento dos
músculos agonistas e antagonistas  ocorre por meio de um toque suave e que busca desestabilizar
uma posição alcançada pelo pct.
- Possível sequência para aplicação das técnicas de inibição, facilitação e estimulação  PIT 
tapping de inibição para redução da espasticidade e a organização do tônus  tapping de
deslizamento para ativar o grupo muscular inativo  tapping de pressão para a sustentação da postura
 tapping alternado para estimular o controle de posições intermediárias  placing e holding.

METODOLOGIA
- Durante o atendimento a sequência de manuseios obedece o sentido céfalo-caudal e inicia-se com
os manuseios mais proximais ou axiais.
- Os manuseios devem ser realizados por pontos-chave de controle e em PIT.
- Os alongamentos são executados de forma ativa e em contextos funcionais, durante atividades
específicas.
- Além da capacidade motora, o programa de tto também precisa ser adequado à idade e aos
interesses da criança.
 OBJETIVOS NOS DIFERENTES PERFIS DOS PACIENTES

- Os pacientes foram agrupados de acordo com o tônus em  hipotônicos, espásticos, flutuantes


e atáxicos.
- Espásticos foram divididos em  quadriparéticos, diparéticos e hemiparéticos.
 CARACTERÍSTICAS E OBJETIVOS NA HIPOTONIA
- Hipotonia  ativação muscular ocorre por somação de estímulos e todos os tappings são bastante
úteis.
- Pct hipotônico  acometimento em todos os segmentos corporais e grande dificuldade em reagir
contra a gravidade.
- Objetivos  organizar o tônus, prevenir contraturas e deformidades, estimular a aquisição das
posturas anti-gravitacionais de acordo com a sequência do desenvolvimento típico.
 CARACTERÍSTICAS E OBJETIVOS NA ESPASTICIDADE

- Hipertonia  mobilidade escassa  optar por manuseios de inibição combinados com facilitação =
PIT.
- Quadriparesia espástica  acometimento no tronco e nos quatro membros, porém os MMSS são
mais acometidos. Ocorre a presença de reflexos patológicos em muitos casos, como o reflexo tônico
cervical assimétrico e o reflexo tônico labiríntico.
- Objetivos na quadriparesia espástica  organizar o tônus e inibir a atividade reflexa, promover a
simetria corporal, evitar as complicações respiratórias, as contraturas e as deformidades, e, se
possível, estimular o controle das posturas do desenvolvimento típico.
- Diparesia espástica  os quatro membros e o tronco são acometidos, porém os MMSS são mais
funcionais. A atividade reflexa predominante é o reflexo tônico cervical simétrico.
- Objetivos na diparesia espástica  organizar o tônus, transferir o peso e facilitar as mudanças de
postura, ganhar mobilidade pélvica, fortalecer a musculatura abdominal, inibir as assimetrias e ganhar
mobilidade de tronco.
- Hemiparesia  acometimento em um hemicorpo e no tronco, e o MMSS é mais afetado. Há um
excelente prognóstico de marcha e o cognitivo está preservado. Não há presença de atividade reflexa
que dificulte a terapia, porém deve-se cuidas com a presença das reações associadas.
- Objetivos na hemiparesia  organizar o tônus, transferir o peso para o lado afetado, promover a
simetria e fornecer noções de linha média, favorecer a mobilidade e o controle de tronco, promover a
integração bimanual, evitar a instalação de deformidades, inibir as reações associadas e treinas a
marcha.
 CARACTERÍSTICAS E OBJETIVOS NAS FLUTUAÇÕES

- Discinéticos ou flutuantes  acometimento global dos quatro membros e tronco, porém os MMSS
são mais afetados. Possuem movimentos involuntários, assimetrias e dificuldades em manter a
simetria e a linha média. Há desordem postural desencadeada pelo posicionamento da cabeça, e o
cognitivo é preservado.
- Objetivos  organizar o tônus, promover a estabilidade, estimular o controle da cabeça e de tronco,
evitar as assimetrias. Deve-se conter os movimentos involuntários com manuseios que forneçam
estabilidade proximal e movimentos mais controlados – com facilitação e tappings de pressão.
 CARACTERÍSTICAS E OBJETIVOS NA ATAXIA

- Ataxia  acometimento dos quatro membros e do tronco. O tônus de base é hipotônico e há


importantes dificuldades de coordenação e equilíbrio.
- Objetivos  estimular as reações de equilíbrio e as transferências, ganhar mobilidade pélvica,
realizar transferências de peso e melhorar a coordenação e a alternância de movimentos.

DISCUSSÃO
- A intervenção pelo Conceito Bobath tem relevância neurofisiológica e influencia os mecanismos de
neuroplasticidade.
- Indivíduos hemiparéticos  melhora na transferência e na sustentação do peso, além do aumento
na velocidade da marcha.
- Ganho de velocidade máxima e de velocidade de subida.
- Conceito Bobath com outras técnicas e medicamentos  melhora significativa.

CONCLUSÕES
- Ainda existem poucos estudos, embora a técnica se demonstrar muito significativa na melhora de
pacientes neurológicos

TEORIAS DO CONTROLE MOTOR

CONTROLE MOTOR
- Mecanismos de controle pelo SNC e através dos reflexos espinhais para mover os segmentos
corporais e manter a postura.
- Habilidade ou capacidade para regular ou orientar os mecanismos essenciais para o movimento.

INTRODUÇÃO AS TEORIAS
- A evolução das teorias que procuram explicar o controle motor partiu do pensamento cartesiano
positivista e caminharam para uma abordagem mais ampla e holística.
- Teoria do controle  ambientais e cognitivos.
TEORIA REFLEXA
- Os reflexos são a unidade básica do movimento, assim os movimentos mais complexos seriam
formados por uma junção de reflexos  FREDERICKS, 1998.
Ex: o sapo ao ver uma mosca, desencadeia um estímulo, que produz a ativação reflexa do impulso da
língua para capturar a mosca, o que corresponde à resposta, caso seja realmente capturada.
- Esta teoria possui diversas limitações, pois não explica os movimentos voluntários e os movimentos
que acontecem na ausência de um estímulo sensorial.

TEORIA HIERÁRQUICA
- SNC existe uma hierarquia  superior = áreas de associação; médio = córtex motor; inferior = sistema
espinhal.
- Nesta teoria o centro superior contém toda a informação necessária para o movimento e pode ou não
usar o feedback externo ou interno para regular o movimento  UMPHRED, 2004.
- Teoria reflexa-hierárquica  sugerindo que o controle motor ocorre devido a reflexos organizados
hierarquicamente no SN, mas não esclarece a dominância do comportamento reflexo que acontece
em algumas situações.
Ex: pisada em um prego que leva a uma resposta reflexa estereotipada de retirada imediata da perna.

TEORIA DA PROGRAMAÇÃO MOTORA


- Programas motores que são ativados por processo central e estímulo sensorial, assim pode ocorrer
na ausência de uma ação reflexa.
- O programa central não pode ser considerado a única determinante da ação motora, uma vez que
dois comandos iguais para uma região específica do corpo pode produzir movimentos diferentes 
BERNSTEIN.
Ex: a flexão do joelho pode ser executada ou controlado por ações musculares diferentes a depender
se o pé estiver fixo no solo – a flexão é controlada por uma ação muscular excêntrica do quadríceps e
a flexão é produzida por uma contração dos músculos isquiotibiais.

TEORIA DOS SISTEMAS


- Sugere que vários sistemas atuam no controle motor, tanto os componentes internos, musculares e
neurais, quanto externos, gravidade e inércia e que, diferentes comandos podem resultar no mesmo
movimento  FREDERICKS, 1996.
- Ressalva  a grande limitação desta teoria é o não aprofundamento na interação do organismo com
o ambiente.

TEORIA DA AÇÃO DINÂMICA


- Uma alteração crítica destas variáveis contingenciais em um dos circuitos motores induz a um novo
movimento.
- Estado atrator (funcional)  padrão referido do movimento, que poderia ser estendido pelo ritmo,
padrão preferido.
- Uma limitação deste modelo pode ser a suposição de que o SN cumpre uma função irrelevante e que
a relação entre o sistema físico do animal e o ambiente no qual ele funciona é mais importante no
comportamento do animal  SHUMWAY E WOOLLACOTT, 2003.

TEORIA ECOLÓGICA
- Surgiu em 1960 com estudos do psicólogo James Giibson, que pesquisou as interações do sistema
motor com o meio ambiente  GIBSON, 1986.
- Ficou conhecida como teoria ecológica do controle motor e caracterizada pela ênfase à percepção.
- A perspectiva ecológica ampliou o nosso conhecimento sobre o SNC que deixou de ser considerado
um sistema sensório-motor que reage às variáveis ambientais e transformou-se em um sistema de
percepção/ação capaz de explorar ativamente o ambiente, a fim de satisfazer seus próprios objetivos.
- A única teoria que mais se aproxima da abordagem à experiência subjetiva é a teoria ecológica ao
dar ênfase à percepção em vez da sensação.
HIERÁRQUICA E PROCESSAMENTO EM DISTRIBUIÇÃO EM PARALELO
- Tanto organizada de uma maneira hierárquica como em paralelo.
- Hierárquica  altos níveis do cérebro.
- Sensorial  integra toda a informação proveniente de várias regiões.
- Motora  planejamento motor e estratégia de ação.
- Paralelo  mesmo sinal é processado simultaneamente entre várias e diferentes regiões, antes de
ser enviado de volta para o córtex motor.