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TE-2xx

TELEMETRIA AEROESPACIAL

-
2o Semestre, 2017
Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Plano do curso
Assuntos

• Engenharia de Sistemas Espaciais


• Foguetes do IAE
• Redes Elétricas
• Tipos de sinais e sensores embarcados
• Representação digital de sinais contı́nuos e discretização no tempo e
amostragem
• Conversão A/D e D/A, tipos de quantizadores
• Uso de de codificação por transformadas
• Codificação, decodificação, modulação e demodulação usadas no
Padrão IRIG
• Projetos de rede de telemetria
• Plano de medidas e decomutação
• Arquitetura de estações de solo
• Gravação e distribuição de dados

1
Regras do jogo

• Serão séries de exercı́cio ao longo do curso, estas listas deverão ser


resolvidas individualmente.
• Haverão duas avaliações.
• O exame final será um projeto individual, que o aluno realizará a
longo prazo, havendo pelo menos três apresentações ao longo do
curso para acompanhar o andamento do mesmo. Este projeto terá
um enfoque prático. O projeto deverá ser entregue na forma de
relatório, juntamente com ós códigos o qual será avaliado levando-se
em conta a sofisticação e soluções adotadas pelo aluno.
• A nota final será dada, considerando as médias bimestrais e a nota
do exame final.

2
Referências

As referências bibliográficas são:

• Introduction to PCM Telemetering Systems, Third Edition, Stephen


Horan, 2002
• Telemetry Systems Engineering, Second Edition, Frank Carden,
Russell P. Jedlicka, Robert Henry, 2002
• Modern Digital and Analog Communication Systems, B.P. Lathi, Z.
Ding, Fourth Edition, 2012
• Telemetry Standards IRIG 106-17
• NASA System Engineering Handbook, Rev 2, 2007

3
O que é telemetria?
Origem

Figure 1: Exemplo.

Por definição telemetria é o processo onde um sistema é caracterizado


através de suas medidas e seus resultados são transmitidos para uma
estação onde são mostrados, gravados e analisados.
4
Metas

As metas de um sistema de telemetria profissional são:

• Segurança das pessoas e materiais envolvidos;


• Medidas de boa qualidade;
• Eficiente (custo, montagem, execução, testes); e
• Ferramenta de auxı́lio com elevada confiabilidade.

5
Exemplos

Figure 2: Exemplo espacial.

Outros exemplos:
• F1;
• Aviões;
• Balões; e
• Mı́sseis. 6
Exemplos-Visualização

7
Figure 3: Exemplo F1.
Visão Geral - Bordo

Figure 4: Sistema de aquisição de bordo.

Figure 5: Multiplexação.

8
Bordo

Figure 6: Telemetria de bordo.

9
Transmissão

10
Visão Geral - Solo

Figure 7: Estação de recepção.

11
Solo

Figure 8: Estação de recepção.


12
Engenharia de Sistemas Espacial
Engenharia de Sistemas

Figure 9: Um projeto por diferentes perspectivas. 13


Definição de engenharia de sistema

• Engenharia de sistemas é definido como uma abordagem metódica


multidiciplinar para o projeto, realização, gerenciamento técnico,
operação e encerramento de um sistema.
• O sistema é definido como sendo um conjunto integrado de
elementos para se atingir um objetivo previamente definidos. Estes
elementos envolvem, hardware, firmware e software. Um sistema é a
combinação de elementos que funcionam em conjunto para resultar
em algo que atenda as necessidades pré-estabelecidas.
• Vamos pensar em um exemplo. Considere um avião, suas partes
(sub-sistemas) sozinhos não voam, mas a integração destas partes
de forma metódica e estruturada resultam em um sistema capaz de
voar.

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Engenharia de Sistemas

• Engenharia de sistemas é a arte de desenvolver e operar sistemas


operavél capazes de atender requisitos dentro de restrições.
• A engenharia de sistemas é uma disciplina integrativa, em que as
contribuições de engenheiros estruturais, elétricos, projetistas
mecânicos, de energia, e demais disciplinas são avaliadas e
equilibradas de forma e produzir um conjunto coerente que não é
dominado por uma única perspectiva.
• A engenharia de sistemas busca um projeto seguro e equilibrado em
face de interesses opostos e múltiplas restrições, comumente
conflitantes.

15
Engenharia de sistemas e o gerenciamento de projetos

Figure 10: Um projeto por diferentes perspectivas.


16
Fases do ciclo de vida

Figure 11: As fases de um projeto (NASA).


17
Fases do ciclo de vida

Figure 12: As fases de um projeto (NASA).

18
Ciclo de vida

Figure 13: Ciclo de vida de um projeto (NASA).


19
All about cost!!!

Figure 14: Custo de um programa ao longo de seu ciclo de vida.


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PRÉ-FASE A – ESTUDOS DE CONCEITOS

O propósito desta fase é identificar alternativas viáveis de soluções que


podem ser utilizadas. Tipicamente, esta atividade consiste em examinar
novas ideias e sugestão de projetos futuros e conceituais, além de sua
viabilidade.
Nesta fase é enfatizada a viabilidade e a consonância com os objetivos da
Agência mais do que se projetar um sistema otimizado. A esta fase está
associada a revisão de Conceitos de Missão (MCR).

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PRÉ-FASE A – Principais tarefas

• Identificar missões e arquiteturas, em conformidade com os planos


da agência;
• Identificar e envolver usuários e outros stakeholders;
• Identificar e executar análises e os estudos de tradeoff;
• Identificar requisitos;
• Definir medidas de efetividade e de desempenho;
• Executar avaliações de possı́veis missões;
• Preparar propostas de projetos/programas, que podem incluir a
justificativa e objetivos da missão;
• Elaborar um conceito de Operações preliminar;
• Realizar uma estimativas de custos, cronograma e riscos;
• Avaliação de tecnologias e estratégias de maturação.
• Preparar o relatório preliminar do conceito da missão.

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PRÉ-FASE A – Principais objetivos da MCR

• Garantir que os objetivos da missão foram claramente definidos;


• Analisar as alternativas de conceitos e mostrar que ao menos um é
viável;
• Mostrar que uma solução técnica viável foi encontrada (prazo e
custo);
• Avaliação preliminar dos riscos de desenvolvimento, seu
gerenciamento e estratégias de mitigação;
• Elaborar uma estratégia de testes e avaliações preliminar;
• Demonstrar, que existem soluções técnicas para satisfazer os
objetivos da missão;
• Apresentar um ciclo de vida preliminar, envolvendo logı́stica,
fabricação, operações, etc.

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FASE A – DESENVOLVIMENTO DE CONCEITOS E TEC-
NOLOGIAS

Durante esta fase, atividades para o desenvolvimento da missão são


executadas, e caso necessário iniciam-se os trabalhos para o
desenvolvimento de novas tecnologias.
Nesta etapa, os requisitos de missão são cuidadosamente analisados, e
uma arquitetura de missão é estabelecida através de desenvolvimentos e
estudos avançados. A metas e objetivos são solidificados, e maiores
definições de requisitos de projeto, arquitetura de sistema e Conceitos de
Operações (ConOps) são obtidos.
Na fase A, esforços são empenhados para alocar funções especı́ficas para
itens de hardware, software, firmware, etc. Estudos são executados
procurando-se as melhores alternativas ao projeto. Resultados:

• Planos de engenharia e gerenciamento.


• Revisão de Requisitos de Sistema (SRR).
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FASE A – Principais tarefas

• Preparar e iniciar o plano do projeto;


• Identificar os requisitos e as restrições de alto-nı́vel;
• Definir e documentar os requisitos de sistema (hardware e software);
• Alocar os requisitos preliminares de sistema para o próximo nı́vel;
• Definir e documentar os requisitos de interfaces internas e externas;
• Desenvolver critérios e métricas de avaliação;
• Publicar o ConOps;
• Demonstrar que existem projetos viáveis;
• Desenvolver uma arquitetura de missão;
• Estimar a utilização de recursos técnicos;
• Estimar os custos ao longo do ciclo de vida;

25
FASE A – Principais tarefas - WBS e SOW

Figure 15: Exemplo de WBS.

26
Baseado no WBS desenvolver os SOW.
FASE A – Principais tarefas

• Elaborar o Plano de Gerenciamento;


• Preparar um plano preliminar de gerenciamento de riscos;
• Preparar os planos especı́ficos (controle de contaminação,
EMI/EMC, confiabilidade, controle de qualidade, gerenciamento de
aquisições, etc);
• Preparar o plano de segurança (proteção a pessoas, instalações) e de
garantia da missão; e
• Definir as abordagens de verificação e validação e documenta-las no
Plano de Verificação e Validação.

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FASE A – Principais objetivos da SRR

• Utilização de um processo robusto para a alocação e controle de


requisitos em todos os nı́veis, dentro das restrições de cronograma;
• Definição final de requisitos, de alto-nı́vel, da missão, bem como as
interfaces externas e entre os principais elementos internos;
• Alocação de requisitos provenientes do sistema para os subsistemas;
• Abordagem preliminar de verificação e validação de requisitos de
subsistemas;
• Identificação e avaliação dos principais riscos técnicos, bem como
definição de estratégias de mitigação;

Ao final da SRR, os requisitos de projeto são congelados para a


implementação do projeto.

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FASE B – PROJETO PRELIMINAR E FINALIZAÇÃO DO DE-
SENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS

Nesta fase são fechados os requisitos de desempenho do projeto para um


conjunto completo de especificações de sistemas e subsistemas, tanto
para a parte de bordo, como da parte de solo (inclusive projetos
preliminares, com cronograma e custos refinados).
É recorrente que algumas mudanças no fim da Fase A e começo da Fase
B. No entanto, a partir da Fase B, os requisitos de alto-nı́vel devem ser
finalizados e colocados no controle de configuração.

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FASE B – Deste pondo em diante evitam-se mudanças

Neste ponto ocorrem especificações e requisitos de sistemas e


subsistemas, projetos, planos de verificação e operação, cronograma,
estimativas de custos. Nesta fase os esforços são na direção de se
estabelecer um projeto funcional que atenda às metas e objetivos da
missão.
Nesta fase, uma série de Revisões de Projeto Preliminar (PDRs) são
realizadas, tanto para o nı́vel de sistema, como subsistemas. Estas
revisões demonstram que os requisitos foram convertidos em soluções.

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FASE B – Principais tarefas

• Atualizar os planos de engenharia;


• Atualizar o plano de gerenciamento de riscos;
• Atualizar as informações de cronograma e custos;
• Finalizar e aprovar os requisitos de sistema, que serão derivados para
os subsistemas, componentes, etc.;
• Finalizar as especificações de hardware e software, e seus desenhos,
bem como os planos de verificação e validação, e os documentos de
interfaces para os subsistemas;
• Executar e arquivar os resultados dos trade studies;
• Analisar o desempenho da arquitetura proposta e gerar relatórios
com os resultados;
• Conduzir testes de desenvolvimento e produzir os relatórios com os
resultados;
• Definir uma arquitetura final;
• Gerar os documentos de controle de interfaces (ICDs).
31
FASE B – Principais objetivos PDR

• Obter requisitos verificáveis e rastreáveis quando aplicados nos nı́veis


de subsistema e nı́veis subsequentes;
• Obter um projeto preliminar, desenvolvido com nı́veis aceitáveis de
riscos;
• Definição de interfaces, já com base no desenvolvimento de
tecnologias, caso necessário;
• Desenvolvimento finalizado de qualquer nova tecnologia, ou previsão
de estar pronta quando necessária, ou até mesmo definições de
soluções alternativas;
• Riscos do projeto bem entendidos e avaliados, bem como obter
planos de gerenciamento dos mesmos;
• Elaborar um conceito de operações, já bem definido, inclusive com
os fatores humanos, quando aplicável.

Em uma PDR de sucesso, o projeto preliminar é finalizado, e é então


autorizado prosseguir para a fase de projeto detalhado e implementação.
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FASE C – PROJETO DEFINITIVO E FABRICAÇÃO

Nesta fase a tarefa é estabelecer um projeto definitivo, produzir os


elementos de hardware, codificar o software, e prepará-los para a
integração. Testes são executados, a fim de se garantir que as unidades
funcionarão nos ambientes para as quais foram projetadas.
Procedimentos, processos e controles de produção são definidos e
validados.
Cada passo no processo de refinamento do projeto, atividades de
integração e verificação são definidas mais detalhadamente, para que
eventos indesejados sejam conhecidos o mais rapidamente possı́vel, para
que ações corretivas sejam tomadas.

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FASE C – PROJETO DEFINITIVO E FABRICAÇÃO

Nesta fase são realizadas as Revisões Crı́ticas de Projeto (CDRs) ao nı́vel


de sistema e subsistemas.
A CDR de cada item que compõe o sistema deve ser realizada antes da
fabricação de seu hardware e codificação de seu software (quando
aplicável). As reviões se dão desde o nı́vel mais baixo da hierarquia até
ao nı́vel do sistema.
Em decorrência da CDR, uma Revisão de Pronto para Produção (PRR)
será realizada, para se garantir que os planos de fabricação, instalações e
pessoal estão prontos para o inı́cio da fabricação (módulos,
equipamentos).
Esta fase termina com a realização de uma Revisão de Integração de
Sistema (SIR), que aborda todos os aspectos para que seja realizada a
integração completa do produto final.

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FASE C – Principais tarefas

• Complementar a documentação para se refletir a maior maturidade


atingida no projeto, incluindo, arquitetura de sistema, WBS, e
planos de projeto;
• Adicionar especificações de itens de nı́veis mais baixos da hierarquia
à arquitetura do sistema;
• Finalizar os planos e procedimentos de montagem e integração;
• Desenvolver procedimentos de verificação e validação;
• Desenvolver os projetos finais de hardware e software;
• Desenvolver o Plano de integração e operação do sistema;
• Planejar a polı́tica de itens reserva;
• Desenvolver o Plano de Telecomando e Telemetria;
• Preparar os planos de preparação do campo de lançamento;
• Desenvolver um handbook de operações;
• Realizar os testes dos componentes e subsistemas;

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FASE C – Principais objetivos da CDR

O propósito da CDR é demonstrar a maturidade do projeto, e que o


mesmo é adequado para atender aos requisitos da missão, tanto do
segmento espacial, quanto do segmento solo, tudo isto dentro das
restrições do prazo e orçamento. ë esperado neste ponto:

• O projeto detalhado atende aos requisitos, com margens adequadas,


a um nı́vel de risco aceitável;
• Os documentos de controles de interfaces são maduros o suficiente
para se proceder para a fabricação e, montagem, integração e testes;
• Os planos de verificação e validação estão completos;
• A abordagem de testes é executável, e as operações no campo de
lançamento são suficientemente detalhadas para se prosseguir para a
fase seguinte; e
• Os riscos envolvidos no sucesso da missão são compreendidos e
gerenciáveis.

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FASE C – Principais objetivos da PRR

A Revisão de Pronto para Produção (PRR), determina o apronto dos


planos de fabricação, montagem, integração e testes. Como critérios de
sucesso de uma PRR, podemos destacar:

• Os requisitos de sistema são completamente atendidos na


configuração final de produção;
• Existência de instalações e ferramental adequado para produção e
testes;
• Pessoal qualificado envolvido na produção;
• Processo e métodos de produção adequados aos requisitos de
qualidade;
• Existência de fornecedores qualificados para materiais a serem
adquiridos.

37
FASE C – Principais objetivos da SIR

A Revisão de Integração de Sistema (SIR), garante que o sistema está


pronto para ser integrado. Critérios de sucesso:

• Finalização e aprovação de planos e procedimentos de montagem,


integração e testes do sistema;
• Aprovação dos resultados de testes dos subsistemas antes da
integração;
• Equipe de integração devidamente treinada nos procedimentos de
integração e segurança.

Como resultado de uma SIR de sucesso, os planos de “as-built” e


verificação são aprovados. Os desenhos são publicados, e há o
fechamento de todos os pontos que ainda se encontravam em aberto.

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FASE D – MONTAGEM, INTEGRAÇÃO E TESTES

Nesta fase, as atividades têm como foco, a montagem, integração, testes


(verificação e validação) e lançamento do sistema.
Nesta fase o modelo de voo será testado em ambientes mais próximos dos
encontrados quando em operação, incluindo-se margens de segurança.
O principal objetivo da Fase D é demonstrar que o sistema desenvolvido é
capaz de atender ao propósito ao que foi criado. A esta fase estão
associadas as seguintes revisões: Revisão de Pronto para Testes (TRR),
Revisão de Pronto para Operações (ORR) e Revisão de Pronto para Voo
(FRR).

39
FASE D – Principais tarefas

• Integrar e verificar o sistema, de acordo com o Plano de Integração e


Verificação;
• Realizar as verificações de qualificação do sistema;
• Realizar as verificações e validações de aceitação do sistema;
• Executar os testes ambientais;
• Avaliar e aprovar os resultados das verificações;
• Resolver as discrepâncias encontradas nas verificações e validações;
• Elaborar o relatório de verificação e validação;
• Elaborar a documentação de “as-built” de hardware e software;
• Aprovar o handbook de operações;
• Validar as telemetrias e o sistema de solo; e
• Integrar com o veı́culo lançador, lançar, realizar a inserção em órbita.

40
FASE D – Principais objetivos da TRR

A Revisão de Pronto para Testes (TRR) garante que o hardware,


software, instalações de testes e os procedimentosestão prontos para os
testes e aquisição dos dados. Uma TRR deve ter:

• Planos de teste adequados e aprovados, para o projeto em questão;


• Definição clara dos objetivos dos testes a serem executados;
• Identificação e coordenação dos recursos necessários para se
executar os testes; e
• Resultados de testes de componentes e subsistemas satisfatórios
para se prosseguir para os testes de sistema;

41
FASE D – Principais objetivos da ORR e FRR

• A ORR é realizada com o objetivo de garantir que o sistema e o


pessoal, equipamentos e procedimentos de suporte, bem como a
documentação de usuário estão prontos para seguir para a fase de
operações.
• A FRR examina os testes, demonstrações, análises, para determinar
que o sistema esteja pronto para um voo seguro, ou lançamento
para posterior operação em voo, bem como todos os equipamentos
de suporte e operação em solo e seus procedimentos. Alguns itens a
serem verificados nesta revisão são:
• O veı́culo está pronto para voar de maneira segura;
• Os elementos de bordo e solo (hardware e software) estão prontos
para o voo e posterior operação;
• Verificação da funcionalidade das interfaces; e
• Identificação de todos os riscos envolvendo a missão.

42
FASE E – OPERAÇÕES E MANUTENÇÃO DO SISTEMA
ATIVO

Durante esta fase as atividades são executadas com foco em se atingir os


objetivos para os quais a missão foi planejada. Os produtos desta fase
são os resultados da missão.

43
FASE E – OPERAÇÕES E MANUTENÇÃO DO SISTEMA
ATIVO

Esta fase abrange a evolução do sistema, porém esta evolução não


envolve grandes mudanças na arquitetura do sistema. As mudanças que
podem ocorrer nesta fase são basicamente a adição de novas
necessidades à missão, que podem ser, por exemplo, um maior perı́odo de
cruzeiro do voo, etc.

Figure 16: Missão Galileo. 44


Missão Galileo

Figure 17: Missão Galileo.

45
Missão Galileo

Figure 18: Custo total da missão: 1.4 bilhões USD.

46
Missão Galileo

Figure 19: Comparação.

47
Missão Galileo

Figure 20: Exemplo de resultado - Superfı́cie Europa.


48
FASE E – OPERAÇÕES E MANUTENÇÃO DO SISTEMA
ATIVO

Se a missão estiver próxima de seu fim, pode ser também feito um


pedido de extensão da mesma a fim de atender aos novos objetivos.

Figure 21: Pálido Ponto Azul (Voyager).


49
FASE E – Principais tarefas

• Conduzir uma avaliação do desempenho do veı́culo lançador;


• Conduzir uma verificação da espaçonave em órbita;
• Ativação dos instrumentos cientı́ficos;
• Execução da missão;
• Coleta de dados de engenharia e cientı́ficos;
• Processar e analisar os dados da missão;
• Solicitar extensões da missão, se aplicável;
• Realizar os preparativos para a desativação, desmontagem e descarte;
• Completar a avaliação de pós-voo da missão;
• Elaborar o relatório final de missão.

50
FASE E – Revisões

• PLAR é uma revisão realizada após o sistema ser lançado e ter suas
operações iniciadas. Ela avalia se o sistema está pronto para as
operações de rotina em sua capacidade total. Nela são verificados
desempenhos e anomalias;
• CERR é realizada para confirmar que o projeto está pronto para
executar as atividades crı́ticas durante a operação em voo; e
• PFAR é realizada para avaliar o sistema após uma eventual
recuperação, quando aplicável.

51
FASE F – FECHAMENTO

O fechamento final da missão ocorre na Fase F. Para voos que retornam


para a Terra, com um curto perı́odo de duração da missão, o fechamento
se dá após a desmontagem do sistema. Já para missões de maior
duração, o fechamento ocorre conforme o previsto nos planos, ou devido
a eventos que não foram planejados, como possı́veis falhas. Para
satélites, existem planos especı́ficos para o descarte seguro de cada um
dos tipos de sistemas. A esta fase está associada a Revisão de
Descomissionamento (DR).

52
FASE F – Principais objetivos da DR

A DR confirma a decisão de encerrar a missão e avaliar se o sistema está


realmente pronto para ser descartado. A DR é normalmente realizada
perto do final das operações de rotina da missão, quando os objetivos
foram atingidos, ou quando problemas de continuidade da missão (falhas
técnicas, falta de condições econômicas) forem detectados. As atividades
previstas para esta revisão são:

• Documentação das razões do descomissionamento e descarte;


• Aprovação do Plano de descomissionamento e descarte; e
• Identificação, mitigação de riscos e a aceitação de riscos residuais
decorrentes do descarte.

53
O V da Engenharia de Sistemas

Figure 22: Modelo em V do processo de ciclo de vida.

54
Foguetes do Programa Espacial
Brasileiro
Foguetes de Sondagem e Lançadores

Figure 23: Perfis de Missões.

55
Foguetes de Sondagem

Entre as aplicações de foguetes de sondagem destacam-se:

• missões cientı́ficas e tecnológicas;


• medições na atmosfera terrestre;
• testar novos materiais e dispositivos (missões futuras foguetes e
satélites);
• experimentos em ambiente de microgravidade (acima 100 km);

56
Foguetes de Sondagem

Os Foguetes de Sondagem são constituı́dos de três partes principais:


motor ou motores (dependendo da configuração), sistema de serviço
(controle, telemetria, recuperação, etc) e carga útil (onde os
experimentos são instalados).

Figure 24: Foguete de sondagem.

57
Foguetes de Sondagem: Sonda II

Figure 25: Foguete de sondagem Sonda II.

58
Foguetes de Sondagem: Sonda II

Foguete essencial, formando mão de obra qualificada e iniciando o


processo de projeto e fabricação mecânica e eletrônica no Brasil.
Primeiro lançamento em 1970 e último em 1996, ao todo foram 61
lançamentos. Principais ganhos:

• Testes de diferentes formulações de propelentes e formatos;


• Testes de materiais estruturais (coifa, empena, membrana, pratos);
• Isolações térmicas, externas e internas; e
• Preparaçao de equipes de lançamento.

59
Foguetes de Sondagem: Sonda III

Figure 26: Foguete de sondagem Sonda III.

60
Foguetes de Sondagem: Sonda III

Principais ganhos:

• Desenvolvimento de propulsor de 557mm;


• Desenvolvimento e produção do propelente;
• Projeto aerodinâmico mais complexo com dois estágios e
necessidade do uso de empenas ;
• Desenvolvimento de pirotécnicos e sistema de separação; e
• Desenvolvimento de equipamentos eletrônicos.

61
Foguetes de Sondagem: Sonda IIIM1

Controle em atitude da carga útil por apontamento solar:

• Sensores ópticos;
• Sistema de torque por gás frio (nitrogênio);
• Rede de controle;
• Telemetria; e
• Recuperação por paraquedas.

62
Foguetes de Sondagem: Sonda IV

Figure 27: Foguete de sondagem Sonda IV.

63
Foguetes de Sondagem: Sonda IV

Seu papel principal foi o de capacitação de tecnologias a serem


empregadas no VLS. Principais ganhos:

• Propulsor de 1m;
• envelope
• proteção térmica
• ignitor
• carregamento do motor
• Controle do vetor empuxo (arfagem e guinada);
• Controle de rolamento;
• Coifa com segmento invertido para acomodar satélites; e
• Lançamento de plataforma.

64
Foguetes de Sondagem: VS-30

Figure 28: Foguete de sondagem VS-30.

Apenas o primeiro estágio do SIII.

65
Foguetes de Sondagem: VSB-30

Figure 29: Foguete de sondagem VSB-30.

66
Foguetes de Sondagem: VSB-30

Este veı́culo nasceu de uma consulta do Centro Espacial Alemão (DLR)


ao IAE sobre a possibilidade de se desenvolver um propulsor a ser
utilizado como booster para o veı́culo de sondagem VS-30, como forma
de incrementar sua performance para que pudesse ser empregado no
Programa Europeu de Microgravidade para substituir o Skylark 7.
Principais ganhos:

• Desenvolvimento de um booster (S31) -vento;


• Desenvolvimento de sistema de spin up;
• Ausência de sistema de separação (quase quente);

67
Foguetes de Sondagem: VS-40

Figure 30: Foguete de sondagem VS-40.

68
Foguetes de Sondagem: VS-40

O projeto teve inı́cio na década de 1990, como fase intermediária no


desenvolvimento do projeto VLS, onde objetivava-se realizar um único
lançamento experimental para qualificar o quarto estágio do VLS em
condições de vôo. Os estudos realizados após o vôo mostraram que o
veı́culo era um promissor foguete de sondagem, tanto do ponto de vista
de desempenho (tempo de voo no vácuo) como de volume de carga útil.

69
VLS

70
VLS

71
VLS: Vôo do primeiro estágio, separação e vôo do segundo
estágio

72
VLS: Separação da coifa

73
VLS: Basculamento e apontamento

74
VLS: Estabilização e incremento final de velocidade

75
VLS: Separação do satélite

76
Sı́ntese do vôo

77
VLM

Desenvolvimento em parceria com o DLR. Motor de 12 toneladas com


1,5m de diâmetro. Maior desafio do projeto é o desenvolvimento do
motor S-50 (carregamento, proteções, etc).

78
Redes Elétricas
Arquiterura Básica

Agora que já foram abordados diversos projetos de foguetes de sondagem


e lançadores, é possı́vel entender de modo geral seu princı́pio de
funcionamento. A partir disto é possı́vel descrever a eletrônica de
foguetes, suas diferentes filosofias e como o sistema de telemetria se
integra a esta eletrônica para executar sua função que é a de fornecer
dados que possibilitem diagnosticar o desempenho do vôo. Neste ponto
será estabelecida a classificação de uma rede elétrica em duas
arquiteturas:

• Clássica (proveniente dos projetos da década de 1970, usando


componentes discretos); e
• Integrada (proveniente dos projetos da última década usando FPGA)

79
Composição genérica de bordo

Figure 31: Sub-redes de um foguete.

80
Rede de Controle

O segmento de controle é responsável


por pela leitura e atuação do foguete
com o objetivo de mantê-lo em uma
trajetória pré estabelecida ou para
cancelar forças e perturbações não
desejadas.
Esta rede é composta de um conjunto
de sensores para orientação do sistema.
Estes sensores são adquiridos por um
computador, que com base nestas
medidas emite sinais para um conjunto
de atuadores.
Eventualmente esta rede pode ser
responsável também pelo
sequênciamento de eventos no vôo.

81
Rede de Controle: VLS

Figure 32: Pilotagem no 1o e 2o estágios.

Figure 33: Sistema de controle de rolamento. 82


Rede de Controle: VLS

Figure 34: Guiagem no 3o estágio.

83
Rede de Controle: VLS

Figure 35: Preparativos para inserção em órbita.

84
Rede de Controle: VLS

Figure 36: Anulação das velocidade angulares e basculamento.

Figure 37: Sistema de gás frio. 85


Rede de Controle: VLS

Figure 38: Indução de rolamento.

86
Rede de Controle: Sondagem

O objetivo neste tipo de vôo é que a rede de controle atue para atingir o
ambiente de micro-gravidade.

Figure 39: Perfil do vôo suborbital.


87
Rede de Controle: Sondagem

Figure 41: Exemplo de RCS.

Figure 40: Diagrama de blocos do sistema


de controle de rolamento.

88
Rede de Controle: Sondagem

Figure 42: Algoritmo de controle.

89
Rede de Controle: Sondagem

90
Rede de Serviço

Figure 43: Contexto da rede de Serviço.

A Rede de Serviço é composta pelos segmentos de Suprimento de Energia


(SEN) e de Sequenciamento de Eventos pirotécnicos de voo (SEV).

91
Rede de Serviço

Banco de Controle: Meio de solo responsável utilizado para a realização


de testes da RES e para a sua ativação durante a cronologia de
lançamento do veı́culo.

Figure 44: Contexto da rede de Serviço.

92
Rede de Serviço

A Rede de Serviço deve fornecer as Alimentações Primár ias de 28 VDC


para as demais redes do foguete. Esta rede é munida de uma unidade de
Comando e Distribuição de Energia.
O controle do suprimento de energia deve ser feito a partir do Banco de
Controle, via umbilical, através da CDE. O fornecimento das
alimentações primárias externas , bem como o controle liga/desliga
destas também deverá ser feito pelo Banco de Controle.
A distribuição de energia será feita a partir da CDE através de linhas de
alimentação dedicadas para cada equipamento.

93
Rede de Serviço

Figure 45: Concepção da Unidade de Comutação de Energia.

94
Sequenciamento de Eventos

Este seguimento atua por aplicação de comandos de iniciação de eventos


pirotécnicos no vôo. Estes eventos em foguetes controlados oriundam do
computador de bordo para a Unidade de Segurança e Atuação
Pirotécnica (SAP). Para sondagem eles são geralmente temporizados.
Este segmento da RES é constituı́do por dois ramos idênticos,
redundantes e independentes. 95
Unidade de Segurança e Atuação Pirotécnica

Figure 46: Concepção da unidade SAP.

O circuito de armamento do relé de segurança tem como função gerar o


comando de armamento do Relé de Segurança a partir da ocorrência de
um evento fı́sico, caracterizado pela abertura de um jumper. Via de
regra, este evento fı́sico é a ocorrência da desplugagem dos conectores
umbilicais do veı́culo (emulação em solo, BC).

96
Sinais da RES monitorados pela RET

• Suprimento de energia:
• Correntes das baterias funcionais; e
• Tensões das baterias funcionais;
• Sequenciamento de eventos:
• Correntes das baterias de pitotécnico;
• Tensões das baterias de pitotécnico;
• Posição do relé de segurança;
• Indicação de ordem;
• Indicação de evento;
• Posições de relé.

97
Rede de Segurança

A rede elétrica de Segurança é constituı́da essencialmente pelo Segmento


Respondedor -Radar e pelo Segmento de Terminação de Voo.
Suas funções são permitir o rastreio do veı́culo através do
respondedor-radar de bordo e aplicar a ordem de terminação de voo, seja
pela recepção da ordem emit ida por telecomando de solo: ordem de
Teleterminação de Voo (ordem TTV) ou pela geração interna da ordem:
ordem de Autoterminação de Voo (ordem ATV) . Ela é independente das
demais redes elétricas, possui equipamentos próprios de suprimento de
energia e de atuação dos pirotécnicos de terminação de voo e é
constituı́da por dois subsistemas redundantes, idênticos e independentes,
operando em paralelo e simultaneamente.

98
Rede de Segurança

Figure 47: Diagrama de contexto da rede de Segurança.

99
Rede de Segurança

As principais interfaces da rede de segurança são:

• Estações de radar localizadas em solo (no caso do CLA, com dois


radares). Estes radares interrogam o foguete através dos
respondedores-radar de bordo;
• Estação de Telecomando, localizada no CLA para transmissão da
ordem TTV à REG;
• Rede Elétrica de Telemetria que adquire os sinais de bordo;
• Branco de Controle, que é o meio de solo realiza carregamento de
suas baterias e opera a REG em solo; e
• Rede Pirotécnica de Terminação que recebe da REG os comandos
elétricos para atuação dos eventos pirotécnicos de terminação de
voo;

100
Rede de Segurança

Os principais eventos desta rede são:

• Lift-off do Veı́culo: Detecção do evento fı́sico correspondente ao


lift-off do veı́culo, utilizado pela REG para a geração dos comandos
de fechamento (armamento) dos Relés de Inibição da ordem de
Teleterminação de Voo (TTV); e
• Separação de Estágios: Detecção de eventos fı́sicos correspondentes
à separação de estágios do veı́culo, utilizada pela REG para a
geração da ordem de Autoterminação de Voo (ATV).

101
Rede de Segurança

Figure 48: Segmento Respondedor-radar.

102
Rede de Segurança

Figure 49: Segmento Telecomando.

103
Rede de Segurança

Figure 50: Receptor de Telecomando.

104
Rede de Segurança

Figure 51: Decodificador de Ordens de Telecomando.

105
Rede de Segurança

Figure 52: Caixa de Segurança.

106
Sinais da REG monitorados pela RET

Medidas feitas pela telemetria:

• AGC;
• Corrente de baterias;
• Tensões de baterias;
• Monitoramento de ordens; e
• Posições de relés.

107
Rede de Telemetria

Figure 53: Contexto da RET.

108
Rede de Telemetria

Figure 54: Arquitura de bordo tradicional.

109
Rede de Telemetria

Figure 55: Arquitura de bordo - tendência.

110
Redes Elétricas

Figure 56: Arquitura de bordo tradicional.

111
Redes Elétricas

Figure 57: Arquitura de bordo moderna.

112
Condicionamento de Sinais e
Sensores Embarcados
Sensores de Temperatura

Os sensores de temperatura são os mais usados em foguetes. No


mercado existes diversos tipos de sensores de temperatura, que variam
em termos de faixa de temperatura, tempo de resposta e tipos de
condicionamento. Entre os tipos de sensores os mais comuns são:
• Termistor;
• Detector resistivo de temperatura (RTD); e
• Termopar.

Figure 58: Atenção com a instalação é primordial.

113
Termistor

Um termistor é um tipo de resistor em que a resistência depende da


temperatura do meio em que se encontra. Trabalham tipicamente em
uma faixa de −90o C to 130o C. Existem dois tipos de Termistores os
NTC e os PTC.

• Termistor PTC (Positive Temperature Coefficient): Este tipo de


Termistor tem o coeficiente de temperatura positivo, ou seja, a
resistência aumenta com o aumento da temperatura.
• Termistor NTC (Negative Temperature Coefficient): Já este é o
inverso do anterior e seu coeficiente de temperatura é negativo.
Com isto sua resistência diminui com o aumento da temperatura.

114
Termistor

Para determinar a temperatura lida pelo NTC devemos utilizar a Equação


de Steinhart-Hart, que é geral para qualquer termistor:
1
= A + Bln(r ) + C (ln(R))3 (1)
T
A principal questão do termistor é o da calibração, onde deve-se
determinar as constantes A, B e C , para obter a temperatura T , em
função da resistência medida do NTC, R. Existe uma forma simplificada
da equação de Steinhart-Hart que assume o coeficiente C nulo.

115
Termistor

Figure 59: Exemplos de termistores.

Figure 60: Circuito de condicionamento.


116
Pt-100

O detector resistivo de temperatura (RTD) de platina é um dispositivo


que tem resistência tı́pica de 100Ω a 0o C. Ele consiste em um filme fino
de platina sobre um filme plástico. Sua resistência varia com a
temperatura e tipicamente ele pode medir temperaturas de até 850o C. A
passagem de corrente pelo RDT gera tensão entre seus terminais.
Medindo essa tensão, você pode determinar a resistência do detector e,
assim, a sua temperatura. Essa relação entre resistência e temperatura é
relativamente linear.

117
Pt-100

Os Pt-100 tem maior linearidade do sinal com relação à temperatura.


Entretanto, eles são em geral mais caros, devido ao cuidado exigido em
sua construção e o uso da platina. Os RTDs são também caracterizados
pelo baixo tempo de resposta, entretanto eles exigirem corrente de
excitação, são propensos ao autoaquecimento.

118
Pt-100

Os RTDs são geralmente categorizados por suas resistências nominais a


0o C. Entre os valores tı́picos de resistência nominal para RTDs de filme
fino de platina estão 100 e 1000 Ω. A curva de resistência/temperatura
para um RTD de platina de 100 ohm é comumente denominada Pt-100.

Figure 61: Curva de um Pt-100. 119


Pt-100

A relação entre resistência e temperatura para a faixa de −200o C a 0o C


é dada pela equação de Callendar–Van Dusen:

RT = R0 [1 + aT + bT 2 + cT 3 (T − 100)] (2)

e para a faixa de 0o C a 630o C por:

RT = R0 [1 + aT + bT 2 ] (3)

onde RT é a resistência na temperatura T , R0 é a resistência nominal, a,


b e c são constantes usadas para ajustar a escala do RTD.

120
Termopares

Termopares são sensores que tem baixo custo e faixa de operação larga.
Um termopar é feito da junção de dois metais diferentes, onde a junção
destes materiais gera um tensão Vs que é proporcional à temperatura
nesta junção TTC . Esta tensão é denominada de ’tensão de Seebeck’.
São usados apenas em casos de temperatura extrema na área espacial,
pelo fato de não terem resposta linear. Diferentes tipos de termopares
possuem diferentes tipos de curva, tais como:

• Tipo K (Cromel / Alumel)


• Tipo E (Cromel / Constantan)
• Tipo J (Ferro / Constantan)
• Tipo N (Nicrosil / Nisil)
• Tipo B (Platina / Ródio-Platina)
• Tipo R (Platina / Ródio-Platina)
• Tipo S (Platina / Ródio-Platina)
• Tipo T (Cobre / Constantan) Figure 62: Princı́pio do termopar. 121
Exemplo de medida de temperatura

122
Sensores de Atitude

123
Sensores de Atitude

124
Sensores de Atitude

Figure 66: Aplicação vs desempenho.

125
Sensores de Atitude

Figure 67: Giro ótico.

126
Sensores de Campo Magnético

A lei da indução de Faraday, ou lei da indução eletromagnética, é uma


das equações básicas do eletromagnetismo. Ela prevê como um campo
magnético interage com um circuito elétrico para produzir uma força
eletromotriz — um fenômeno chamado de indução eletromagnética. É a
base do funcionamento de transformadores, alternadores, dı́namos,
indutores, e muitos tipos de motores elétricos, geradores e solenoides.

Figure 68: Demonstração da indução eletromagnética.

127
Lei de Faraday-Neumann-Lenz

Figure 69: Demonstração da indução eletromagnética.

O fluxo magnético é definido pela integral de superfı́cie:


ZZ
ΦB = B(r , t)dA (4)
Σ(t)

Onde dA é o elemento de área da superfı́cie Σ(t) e B é o campo


magnético.
128
Lei de Faraday

A lei de Faraday afirma que a orça eletromotriz também é dada pela taxa
de variação do fluxo magnético:
dΦB
=− (5)
dt
onde  é a força eletromotriz e ΦB é o fluxo magnético. Para um fio
enrolado uma bobina, composta de N voltas, para um fluxo igual e
constante, tem-se:
dΦB
 = −N (6)
dt

129
Magnetômetro

O sensor magnetômetro é usado para medir a intensidade, direção e


sentido do fluxo magnético. O magnetômetro fluxgate consiste em um
núcleo de material com grande susceptibilidade magnética e baixa
magnetização remanescente envolto por um conjunto de duas bobinas. É
aplicado corrente alternada em uma das bobinas fazendo com que o
núcleo entre em um ciclo de saturação magnética, por esse motivo o
magnetômetro fluxgate também é conhecido como magnetômetro de
saturação ou de núcleo saturado. Essa constante mudança no campo
magnético induz uma corrente elétrica na segunda bobina e essa corrente
é medida por um detector.

130
Exemplo - Magnetômetro

Figure 70: Dados de magnetômetro de um ensaio.

131
Amostragem e Quantização
Conceito

Figure 71: A codificação de um sinal.

Figure 72: Processo de codificação em detalhes.

132
Espectro de frequência

Por definição a transformada de Fourier é dada por:


Z ∞
f (ω) = f (x)e −2πixω dx (7)
−∞

E a sua inversa por:


Z ∞
f (x) = f (ω)e 2πiωx dω (8)
−∞

133
Espectro de frequência

134
Amostragem ideal

Figure 73: Modelo no domı́nio do tempo.

135
Amostragem ideal

Figure 74: Modelo no domı́nio da frequência.

136
Amostragem ideal

137
Aliasing

Figure 76: Amostragem incorreta.


138
Aliasing

Figure 77: Amostragem incorreta.

139
Filtro de recuparação

Figure 78: Filtro de reconstrução ideal.

H(f ) = Trect(fT ) (9)

140
Processo de reconstrução

141
Processo de reconstrução

Figure 79: Reconstrução no domı́nio do tempo.

Figure 80: Filtro anti-alias.


142
Processo de reconstrução: Exercı́cio

-Matlab

143
Conversão de base numérica

Figure 81: Exemplo de conversão decimal para binário.

Figure 82: Exemplo de conversão binário para decimal. 144


Conversão de base numérica

Figure 83: Exemplos de conversões em outras bases.

145
Conversão de base numérica

Figure 84: Solução.

146
Conversão de base numérica

Figure 85: Exercı́cio.

147
Quantização

Figure 86: Tipos de quantizadores.

148
Quantização

Figure 87: Erro de quantização.

149
Relação sinal-ruı́do de quantização

150
Quantizadores não uniformes

151
Conversores A/D e D/A
Conversores A/D

Figure 88: Comparador em cascata.


152
Conversores A/D

153
Conversores D/A

Figure 90: Exemplo de conversor.

154
Técnicas de codificação
modernas
Codificação por transformadas

155
Codificação por transformadas

Figure 92: Codificação de imagens - JPEG.


156
Codificação por transformadas

Figure 93: Codificação de vı́deo - MPEG. 157


Conceito da codificação PCM

Até este ponto foi verificado como um sinal é adquirido, amostrado,


quantizado e codificado. Na seqüência deste processo o sinal codificado é
multiplexado no tempo e sua saı́da pode ser transmitida. Neste ponto
entra em discussão qual o tipo de código de linha é mais adequado para
tal tareda.

158
Tipos de códigos de saı́da PCM

Figure 94: Códigos de linha adotados em sistemas de telemetria.


159
Espectro de potência do sinal PCM

Figure 95: Espectro RNRZ, concentrado em baixas frequências enquanto que


o Bio-L se concentra em 0.75Br.
160
Gerador RNRZ

161
Desrandomizador

162
Recuperação do sinal e relógio
Sincronizador de bit

163
Sincronizador de bit

Figure 96: Recuperação do relógio e dado.

164
Sincronizador de bit: exemplo

Imagine um caso onde o relógio do sistema de transmissão e recepção tem


uma diferença. hipoteticamente suponha que esta diferença fosse de 12.5

165
Sincronizador de bit

Figure 97: Recuperação do relógio e dado.

166
Sincronizador de bit

Figure 98: Diagrama de um PLL.

167
Sincronizador de bit

Figure 99: Estrutura de um sincronizador de bit.

168
Sincronizador de bit

Figure 100: Sincronizador do tipo Early-Late.


169
Modulação e Demodulação
Modulação

Modulação é o processo de alteração de uma onda portadora em função


de um sinal modulante.
Um exemplo:

Figure 101: Modulação AM.

170
Modulação

Modulação é o processo de alteração de uma onda portadora em função


de um sinal modulante.
Um exemplo:

Figure 102: Modulação AM.


171
Modulação angular

As modulações que não carregam a informação na amplitude possuem


maior imunidade ao ruido nas transmissões, é o caso das modulações em
fase (PM - Phase Modulation ) e em frequência (FM – Frequency
Modulation ) que empregam a modulação angular. Nestes casos a
amplitude do sinal permanece constante.

172
Análise do sinal FM e PM

A modulação angular é expressa por:

v (t) = Acos(θ(t)) = Acos(wp t + φ(t)) (10)

onde:
wp : frequencia central;
φ(t): desvio instântaneo da fase, dependente do sinal modulante m(t).
A modulação em fase (PM) é definida como φ(t) = kPM m(t).
R
A modulação em frequência (FM) é definida como φ(t) = kFM m(t)
-onde k é a constante de modulação.
Poranto a onda FM será dada por:
Z
ϕFM (t) = Acos(wp t + kFM m(t)) (11)

173
Análise do sinal FM e PM

Figure 103: Conversão entre modulações.

174
Frequência instântanea

A frequência instântanea é definida por:

d dφ(t)
wi (t) = (θ(t)) = wp + (12)
dt dt
onde dφ(t)/dt é chamado de desvio instântaneo de frequência.
PM:
dm(t)
wi (t) = wp + kPM (13)
dt
FM:
wi (t) = wp + kFM m(t) (14)

175
Largura de banda

As modulações angulares não são lineares e logo as propriedades da


transformada de Fourier não podem ser aplicadas diretamente para
análise da largura de banda. Para determinar a largura de banda de um
sinal FM, defini-se: Z t
a(t) = m(α)dα (15)
− inf
e
ϕ̂FM (t) = Ae j(wp t+kFM a(t)) (16)
finalmente ϕFM (t) = Re[ϕ̂FM (t)]:
2
kFM k3
ϕFM (t) = A(coswp t−kFM a(t)senwp t− a2 (t)coswp t+ FM a3 (t)senwp t+...)
2! 3!
(17)
O sinal modulado em FM vai consistir de uma portadora não modulada e
vários termos modulados em amplitude, onde o termo a(t)é a integral do
sinal modulante m(t).
176
Largura de banda

Caso o sinal modulante m(t), seja limitado a uma banda B, o sinal a(t)
também será limitado em aB e o espectro de a2 (t) será limitado na
largura de banda 2B, similarmente, an (t) será imitado em nB. Portanto
o espectro consistirá em uma portadora não modulada e componentes
espectrais a(t), a2 (t), ..., an (t). Portanto ϕFM (t) tem largura de banda
infinita, mas como a série evolui com um fatorial no denominador,
podemos considerar o sinal com largura de banda finita.

177
FM faixa estreita

Revisitando:
2
kFM k3
ϕFM (t) = A(coswp t−kFM a(t)senwp t− a2 (t)coswp t+ FM a3 (t)senwp t+...)
2! 3!
(18)
Caso kFM seja muito pequeno, ou seja |kFM a(t)| << 1, exceto os dois
primeiros termos, os demais tornam-se desprazı́veis e a seguinte
aproximação é valida:

ϕFM (t) ≈ A(coswp t − kFM a(t)senwp t) (19)

Um sinal semelhante ao da mudulação AM, onde a banda de a(t) é B Hz


e ϕFM (t) terá 2B Hz.

178
FM faixa larga

O uso de FM de faixa estreita é limitado em função da sensibilidade


resultante do valor baixo de kFM e o resultado desta limitação é uma
menor qualidade do sinal demodulado. Entretanto existe a modulação
FM em faixa larga que garante um sinal com qualidade elevada ao
FMNB e AM. Para isto, |kFM a(t)| > 1. Então voltamos em:
2
kFM k3
ϕFM (t) = A(coswp t−kFM a(t)senwp t− a2 (t)coswp t+ FM a3 (t)senwp t+...)
2! 3!
(20)
Entretanto agora temos que levar em consideração seus demais termos e
para esta situação.

179
Desvio de pico em frequência e largura de banda

A portadora sofre variações em sua frequência em função de kFM m. A


notação adotada para o desvio de pico em frequência será:

mmax − mmin mp
∆f = kFM = kFM (21)
2.2π 2π
onde mp é a amplitude máxima do sinal. A largura de banda estimada
pode ser assumida de forma conservadora por:

BFM ≈ 2(∆f + 2B) (22)


Por exemplo para NBFM, como o termo ∆f pode ser descartado temos
B ≈ 4B

180
Largura de banda

A melhor estimativa para a largura de banda em FM é dada pela regra


de Carson :  
kFM mp
BFM = 2(∆f + B) = 2 +B (23)

Importante observar que para sinais em banda realmente larga, onde


∆f << B, podemos assumir que:

BFM ≈ 2∆f (24)

181
Índice de modulação

O Índice de modulação é dado pela razão


∆f
β= (25)
B

A regra de Carson pode ser escrita em termos do ı́ndice de modulação


por:
BFM = 2B(β + 1) (26)

182
Padrão IRIG
Faixas de frequência

Figure 104: Bandas do padrão IRIG.

183
Desvio prático PCM/FM

O esquema PCM/FM ou CPFSK, operando com código NRL-L pode ser


utilizado com desvio ótimo de 0.35 vezes a taxa de bits quando
utilizando-se um filtro de pré-modulação com freqüência de corte de 0.7
taxa de bit. A figura a seguir ilustra um exemplo de um sistema operando
em 5Mbps com desvio de 1.75MHz com sinal filtrado em 3.5MHz. Vale
observar que o espectro nestas condições ficará com uma faixa plana
±0.5 taxa de bit. e fora desta faixa cai para valores inferiores a -22.5dB.

184
Largura de banda

185
Espectro para diferentes modulações

Figure 105: Comparação de eficiência espectral.

186
Filtro de FI

187
Quadro PCM

Figure 106: Quadro PCM-IRIG.

188
Palavra de sincronismo

Figure 107: Padrões adotados pelo IRIG.

189
Tipos de comutação

Figure 108: SFID, super comutação, sub-comutação. 190


Estrutura do quadro

191
Plano de Medidas
Medidas

Apresentar...

192
Projeto do sistema de bordo
Rede de telemetria

Avaliação!!!

193
Estação de Solo
Cadeia de recepção

Figure 109: Arquitetura de uma estação tradicional.

194
Cadeia de recepção

Figure 110: Arquitetura de uma estação moderna.

195
Combinação do sinal

196
Figure 111: Recepção RHC e LHC.
Slant Range

Figure 112: Diagrama de blocos do sistema.

197
Slant Range

Figure 113: Medidas de distância e decomutador.

198
Slant Range

Figure 114: Trajetória pelo sistema Slant Range e Radar.

199
Gravação e distribuição de dados
Gravação

IRIG

200
Cálculo estimado de desempenho do sistema

Lousa....

201
Operação de Lançamento
Diagrama de contexto

Figure 115: Relação veı́culo/campo de lançamento.

202
Campos de lançamento

Figure 116: CLA/Erange.

203
Visão geral do CLA

Figure 117: Relação veı́culo/campo de lançamento.

204
Localização

205
Acesso

206
Alcântara

207
Mapa do CLA

208
Aeroporto

209
Acomodação

210
Centro Técnico

211
Centro Técnico - Detalhaes

212
Estação do INPE

213
Região dos Lançadores

214
Torre de Integração

215
Torre de Integração

216
Casamata

217
Preparação da Carga Útil

218
Preparação de Motores

219
Temas de dissertação
Sugestões

• Discussão sobre isolações de bordo;


• Migração da telemetria para banda C;
• Rastreio com diversidade de antenas;
• Slant Range;
• Simuladores;
• SDR; e
• Engenharia de sistemas.

220