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VISÃO GERAL DA NUTRIÇÃO

Por Adrienne Youdim, MD, Assistant Professor of Medicine, David Geffen School
of Medicine at UCLA; Associate Professor of Medicine, Cedars Sinai Medical
Center

Nutrição é a ciência dos alimentos e sua relação com a saúde. Nutrientes são as
substâncias químicas presentes nos alimentos, utilizadas pelo organismo para
crescimento, manutenção e fornecimento de energia. Nutrientes que não podem ser
sintetizados pelo organismo e, portanto, devem provir da dieta são chamados de
essenciais. Incluem vitaminas, minerais, alguns aminoácidos e ácidos graxos. Nutrientes
que o organismo pode sintetizar a partir de outros componentes, embora também possam
ser derivados da dieta, são considerados não essenciais. Macronutrientes são necessários
ao organismo em grandes quantidades; micronutrientes são necessários em menores
quantidades.

A falta de nutrientes pode resultar em deficiências (p. ex., kwashiorkor, pelagra) ou outros
distúrbios ( Subnutrição). A ingestão excessiva de macronutrientes pode causar obesidade
( Obesidade) e distúrbios relacionados; a ingestão excessiva de micronutrientes pode ser
tóxica. Além disso, o balanço de vários tipos de nutrientes, como o consumo de gorduras
saturadas e insaturadas, pode influenciar o desenvolvimento de distúrbios.

Macronutrientes

Os macronutrientes constituem a principal parte da dieta e fornecem energia e muitos


nutrientes essenciais. Carboidratos, proteínas (incluindo aminoácidos essenciais),
gorduras (incluindo ácidos graxos essenciais), macrominerais e água são macronutrientes.
Carboidratos, gorduras e proteínas são fontes de energia: gorduras fornecem 9 kcal/g
(37,8 kJ/g); proteínas e carboidratos fornecem 4 kcal/g (16,8 kJ/g).

Carboidratos

Os carboidratos da dieta são quebrados em glicose e outros monossacarídios. Os


carboidratos aumentam os níveis de glicose sanguínea, fornecendo energia. Carboidratos
simples são compostos de pequenas moléculas, em geral monossacarídios ou
dissacarídios, que são rapidamente absorvidas. Carboidratos complexos são compostos
de moléculas maiores, as quais são quebradas em monossacarídios. Os carboidratos
complexos aumentam o nível de glicose sanguínea mais lentamente, porém por mais
tempo. Glicose e sacarose são carboidratos simples; amidos e fibras são carboidratos
complexos.

O índice glicêmico mede o quão rapidamente um carboidrato aumenta os níveis de glicose


sanguínea. Os valores variam de 1 (aumento mais lento) a 100 (aumento mais rápido,
equivalente à glicose pura — Índice glicêmico de alguns alimentos). Entretanto, a taxa
real de aumento depende de quais alimentos são consumidos com o carboidrato.

Índice glicêmico de alguns alimentos

Categoria Alimento Índice*


Feijões Rim 33
Lentilhas vermelhas 27
Soja 14
Pães Centeio integral 49
Branco 69
Trigo integral 72
Cereais Farelos 54
Flocos de milho 83
Farinha de aveia 53
Arroz 90
Trigo 70
Lácteos Leite, sorvete e iogurtes 34-38
Frutas Maçã 38
Banana 61
Laranja 43
Suco de laranja 49
Morango 32
Grãos Cevada 22
Arroz integral 66
Arroz branco 72
Macarrão — 38
Batatas Purê instantâneo 86
Purê 72
Doce 50
Aperitivos Flocos de milho 72
Bolachas de aveia 57
Batata chips 56
Sugar Frutose 22
Glicose 100
Mel 91
Açúcar refinado 64
*Os valores podem variar.
Carboidratos com alto índice glicêmico podem elevar os níveis de glicose sanguínea
rapidamente. Formula-se a hipótese de que, como resultado, os níveis
de insulina aumentam, induzindo hipoglicemia e fome, o que tende a levar a consumo de
calorias em excesso e ganho de peso. Carboidratos com baixo índice glicêmico
incrementam o nível de glicose sanguínea lentamente, resultando em níveis
de insulina pós-prandial mais baixos, fazendo com que o consumo de calorias em excesso
seja menor. Esses efeitos resultam em perfil lipídico mais favorável e diminuição do risco
de obesidade, diabetes melito e complicações.

Proteínas

As proteínas da dieta são quebradas em peptídios e aminoácidos. Elas são necessárias


para manutenção, reparação, funcionamento e crescimento dos tecidos. Entretanto, se o
organismo não for suprido com calorias por meio de dieta ou dos estoques teciduais
(particularmente gorduras), elas podem ser usadas como fonte de energia.

À medida que o organismo utiliza as proteínas da dieta para produzir tecidos, há um ganho
líquido de proteínas (balanço nitrogenado positivo). Durante estados catabólicos (como
jejum, infecções, queimaduras), mais proteínas podem ser utilizadas (porque os tecidos
corporais são quebrados) do que se absorve, resultando em perda de proteína (balanço
nitrogenado negativo). O balanço nitrogenado é mais bem determinado subtraindo-se a
quantidade de nitrogênio excretado na urina e nas fezes da quantidade de nitrogênio
consumido. Dos 20 aminoácidos, 9 são essenciais (AAE), os quais não podem ser
sintetizados e devem ser obtidos da dieta. Todas as pessoas necessitam de 8 AAE;
crianças também precisam de histidina.

O ajuste da necessidade de proteína em relação ao peso correlaciona-se com a taxa de


crescimento, que diminui da infância até a fase adulta. A necessidade de proteína diminui
de 2,2 g/kg para crianças de 3 meses de idade para 1,2 g/kg para crianças de 5 anos e 0,8
g/kg em adultos. As necessidades de proteínas correspondem às de AAE ( Necessidades
de aminoácidos essenciais de acordo com o peso corporal (mg/kg)). Adultos que tentam
aumentar a massa muscular precisam de pouca proteína além daquela especificada pela
tabela.

A composição aminocídica das proteínas varia bastante. O valor biológico (VB) reflete a
similaridade da composição aminocídica da proteína à de tecidos animais; assim, o VB
indica qual porcentagem de proteína da dieta fornece AAE para o corpo. Um exemplo
perfeito é a proteína do ovo, cujo valor é 100. As proteínas animais do leite e da carne
têm alto VB (cerca de 90); as proteínas dos cereais têm VB menor (cerca de 40) e alguns
derivados de proteínas (p. ex., gelatina) têm VB igual a zero. A extensão em que o
fornecimento de proteínas da dieta supre cada aminoácido deficiente
(complementaridade) determina o VB da dieta. As ingestões diárias recomendadas
(RDA) de proteínas assumem uma média de dieta mista com VB de 70.

Necessidades de aminoácidos essenciais de acordo com o peso corporal (mg/kg)

Necessidades Bebês (4 – 6 Crianças (10 – 12 Adultos


meses) anos)
Histidina 29 — —
Isoleucina 88 28 10
Leucina 150 44 14
Lisina 99 49 12
Metionina e cistina 72 24 13
Fenilalanina e tirosina 120 24 14
Treonina 74 30 7
Triptofano 19 4 3
Valina 93 28 13
Total de aminoácidos essenciais (exceto 715 231 86
histidina)

Gorduras

As gorduras são quebradas em ácidos graxos e glicerol. São necessárias para crescimento
dos tecidos e produção de hormônios. Os ácidos graxos saturados, comuns em gorduras
animais, tendem a ser sólidos em temperatura ambiente. Com exceção dos óleos de coco
e de palma, as gorduras derivadas de plantas tendem a ser líquidas em temperatura
ambiente; essas gorduras contêm altos níveis de ácidos graxos monoinsaturados ou poli-
insaturados (PUFA).

A hidrogenação parcial dos ácidos graxos insaturados (como ocorre na industrialização


de alimentos) produz ácidos graxos trans, os quais são sólidos ou semissólidos em
temperatura ambiente. Nos EUA, a principal fonte de ácidos graxos trans da dieta são
óleos vegetais parcialmente hidrolisados, utilizados na fabricação de alguns alimentos (p.
ex., biscoitos, salgadinhos) para aumentar seu prazo de validade. Ácidos graxos trans
podem elevar o colesterol LDL e baixar o HDL; podem, também, aumentar a incidência
de doença arterial coronariana.
Ácidos graxos essenciais (AGE) são o ácido linoleico, um ácido graxo ω-6 (n-6), e o
ácido linolênico, um ácido graxo ω-3 (n-3). Outros ácidos graxos ω-6 (p. ex.,
araquidônico) e ω-3 (p. ex., eicosapentaenoico, docosaexaenoico) são necessários ao
organismo, mas não podem ser sintetizados a partir dos AGE.

Os AGE ( Deficiência de ácidos graxos essenciais) são necessários para a formação de


vários eicosanoides (lipídios biologicamente ativos), incluindo prostaglandinas,
tromboxanos, prostaciclinas e leucotrienos (ver p. 19). O consumo de ácidos graxos ω-
3 pode diminuir o risco de doença arterial coronariana.

As necessidades de AGE variam com a idade. Adultos necessitam de ácido linolênico em


quantidade de pelo menos 2% do total calórico e de ácido linolênico em quantidade de
pelo menos 0,5% do total calórico. Óleos vegetais são fontes de ácidos linoleico e
linolênico. Óleos produzidos de açafroa, girassol, milho, soja, prímula, abóbora e germe
de trigo fornecem grandes quantidades de ácido linoleico. Óleos de peixes marinhos e de
linhaça, abóbora, soja e canola oferecem grande quantidade de ácido linolênico. Óleos de
peixes marinhos também produzem outros ácidos graxos ω-3 em grandes quantidades.

Macrominerais

Sódio, cloro, potássio, cálcio, fósforo e magnésio são necessários em quantidades diárias
relativamente grandes ( Macrominerais, Ingestões dietéticas de referência
recomendadas* de alguns macronutrientes (Food and Nutrition Board, Institute of
Medicine of the National Academies) e Ingestão diária recomendada de minerais).
Macrominerais

Nutrientes Principais fontes Funções


Ca Leite e derivados, carne, peixe, ovos, Formação de dentes e ossos, coagulação
cereais, feijões, frutas e verduras sanguínea, transmissão muscular, contração
muscular, condução miocárdica
Cl Vários alimentos, sobretudo produtos Equilíbrio ácido-base, pressão osmótica,
de origem animal, mas em algumas equilíbrio ácido-base sanguíneo, função
verduras; similar ao sódio renal
K Vários alimentos, incluindo leite Contração muscular, transmissão nervosa,
integral e desnatado, banana, ameixa equilíbrio ácido-base intracelular, retenção
seca, uva passa, carnes hídrica
Mg Folhas verdes, nozes, cereais, grãos, Formação de dentes e ossos, transmissão
frutos do mar nervosa, contração muscular, ativação de
enzimas
Na Muitos alimentos, incluindo carne Equilíbrio ácido-base sanguíneo e
bovina, carne de porco, sardinha, intracelular, pressão osmótica, contração
queijo, azeitona verde, bolo de fubá, muscular, transmissão nervosa, manutenção
batatas chips, chucrute dos gradientes da membrana celular
P Leite, queijo, carne, aves, peixe, Formação de dentes e ossos, equilíbrio ácido-
cereais, nozes, legumes base sanguíneo e intracelular, produção de
energia

Ingestões dietéticas de referência recomendadas* de alguns macronutrientes (Food


and Nutrition Board, Institute of Medicine of the National Academies)

Categoria Idade Proteína Energia Cálcio Fósforo Magnésio


(anos) (g/kg) (kcal/kg) (mg/kg) (mg/kg) (mg/kg)
Bebês 0,0-0,5 2,2 108,3 66,7 50,0 6,7
0,5-1,0 1,6 94,4 66,7 55,6 6,7
Crianças 1-3 1,2 100,0 61,5 61,5 6,2
4-6 1,2 90,0 40,0 40,0 6,0
7-10 1,0 71,4 28,6 28,6 6,1
Homens 11-14 1,0 55,6 26,7 26,7 6,0
15-18 0,9 45,5 18,2 18,2 6,1
19-24 0,8 40,3 16,7 16,7 4,9
25-50 0,8 36,7 10,1 10,1 4,4
51+ 0,8 29,9 10,4 10,4 4,5
Mulheres 11-14 1,0 47,8 26,1 26,1 6,1
15-18 0,8 40,0 21,8 21,8 5,5
19-24 0,8 37,9 20,7 20,7 4,8
25-50 0,8 34,9 12,7 12,7 4,4
51+ 0,8 29,2 12,3 12,3 4,3
Grávidas — 0,9 4,6 18,5 18,5 4,9
Lactantes 1º ano 1,0 7,9 19,0 19,0 5,4
*Esses valores, expressos como ingestões diárias médias ao longo do tempo, visam fornecer
variações individuais entre a maioria das pessoas saudáveis que vivem nos EUA sob estresses
ambientais normais.
Água

É considerada um macronutriente porque é necessária na quantidade de 1 mL/kcal (0,24


mL/kJ) de energia gasta ou aproximadamente 2.500 mL/dia. As necessidades variam em
função de febre, atividade física, mudanças de temperatura e umidade.

Micronutrientes

Vitaminas e minerais necessários em pequenas quantidades (oligoelementos minerais)


são denominados micronutrientes ( Deficiência, dependência e toxicidade das
vitaminas e Deficiência e toxicidade minerais).

Vitaminas solúveis em água são a vitamina C (ácido ascórbico) e oito vitaminas do


complexo B: biotina, folato, niacina, ácido pantotênico, riboflavina (vitamina B2),
tiamina (vitamina B1), vitamina B6 (piridoxina) e vitamina B12 (cobalamina).

Vitaminas solúveis em gordura são as vitaminas A (retinol), D (colecalciferol


e ergocalciferol), E (α-tocoferol) e K (filoquinona e menaquinona).

Somente as vitaminas A, E e B12 são estocadas em quantidades significativas no


organismo; as outras vitaminas devem ser consumidas regularmente para manter a saúde
dos tecidos.

Oligoelementos minerais essenciais incluem ferro, iodo, zinco, cromo, selênio,


manganês, molibdênio e cobre ( Deficiência e toxicidade minerais). Com exceção do
cromo, cada um desses é incorporado a enzimas ou hormônios necessários ao
metabolismo. Com exceção das deficiências de zinco e ferro, as deficiências de
microminerais são incomuns em países industrializados.

Outros minerais (p. ex., alumínio, arsênio, boro, cobalto, flúor, níquel, sílica, vanádio)
não são essenciais para as pessoas. O flúor, embora não essencial, auxilia a prevenir a
cárie dentária pela formação de um composto com o cálcio (CaF2), que estabiliza a matriz
mineral dentária.

Todos os oligoelementos minerais são tóxicos em altos níveis e alguns (arsênio, níquel e
cromo) podem causar câncer.
Outras substâncias dietéticas

A dieta humana diária normalmente contém 100.000 substâncias químicas (o café, p. ex.,
contém 1.000). Dessas, somente 300 são nutrientes, dos quais apenas alguns são
essenciais. Entretanto, muitos não nutrientes em alimentos são úteis. Por exemplo,
aditivos alimentares (como conservantes, emulsificantes, antioxidantes, estabilizantes)
melhoram a produção e a estabilidade dos alimentos. Oligoelementos (p. ex., especiarias,
aromas, odores, cores, fitoquímicos e muitos outros produtos naturais) melhoram a
aparência e o sabor.

Fibras

As fibras podem ter várias formas (p. ex., celulose, hemicelulose, pectina, gomas). Elas
potencializam a motilidade gastrointestinal, previnem a obstipação e auxiliam a controlar
doença diverticular. Acredita-se que as fibras acelerem a eliminação de substâncias
cancerígenas produzidas por bactérias no intestino grosso. Evidências epidemiológicas
sugerem uma associação entre câncer de cólon e baixa ingestão de fibras e um efeito
benéfico das fibras em pacientes com distúrbios intestinais funcionais, doença de Crohn,
obesidade e hemorroidas. Fibras solúveis (presentes em frutas, verduras, aveia, cevada e
leguminosas) reduzem o aumento pós-prandial de glicose sanguínea e insulina e podem
diminuir os níveis de colesterol.

A típica dieta ocidental é pobre em fibras (aproximadamente 12 g/dia) em razão da alta


ingestão de farinha de trigo refinada e da baixa ingestão de frutas e verduras. Aumentar a
ingestão de fibras para 30 g/dia por meio do consumo de frutas, verduras e cereais
enriquecidos geralmente é recomendável. Entretanto, o consumo muito alto de fibras
pode reduzir a absorção de certos minerais.
Necessidades nutricionais
Uma nutrição adequada objetiva alcançar e manter uma composição corporal desejável
para o trabalho físico e mental. Para alcançar um peso corporal desejável é importante
haver equilíbrio entre a ingestão e o gasto de energia. As necessidades de energia
dependem de idade, sexo, peso ( Ingestões dietéticas de referência recomendadas* de
alguns macronutrientes (Food and Nutrition Board, Institute of Medicine of the National
Academies)) e atividade metabólica e física. Se a ingestão excede o gasto de energia,
ganha-se peso. Se a ingestão é inferior ao gasto de energia, perde-se peso.

As necessidades dietéticas diárias para nutrientes essenciais também dependem de idade,


sexo, peso e atividade física e metabólica. A cada 5 anos, o Food and Nutritional Board
da National Academy of Sciences/National Research Council e o United States
Department of Agriculture (USDA) publicam as ingestões dietéticas de referência (DRIs)
para proteínas, energia, algumas vitaminas e minerais ( Ingestões dietéticas de referência
recomendadas* de alguns macronutrientes (Food and Nutrition Board, Institute of
Medicine of the National Academies), Ingestão diária recomendada de
vitaminas eIngestão diária recomendada de minerais). Para vitaminas e minerais sobre os
quais pouco se conhece, a ingestão dietética diária segura e adequada é estimada.

Gestantes ( Dietas e suplementos) e bebês ( Nutrição dos lactentes) têm necessidades


nutricionais especiais.

O USDA publicou a Pirâmide Alimentar, a qual especifica o número de porções diárias


recomendadas dos vários grupos alimentares. As recomendações são individualizadas
com base em idade, sexo e atividade física ( Ingestão dietética recomendada para maiores
de 40 anos com atividade física moderada*). Recomendações individualizadas podem ser
obtidas pesquisando dados relevantes no USDA web site utilizando a ferramenta
Supertracker.
Ingestão dietética recomendada para maiores de 40 anos com atividade física
moderada*

Grupos alimentares Quantidade/dia


Homens Mulheres

Grãos 250 g 170 g
Verduras‡ 3,5 xícaras 2,5 xícaras
Frutas 2 xícaras 2 xícaras
Leite 3 xícaras 3 xícaras
Carne e feijões 180 g 150 g
Óleos 8 colheres de chá 6 colheres de chá
Açúcares e gorduras 410 calorias 265 calorias
§
Ingestão diária estimada 2.600 calorias 2.000 calorias
*Aproximadamente 30 a 60 min de atividade física vigorosa ou moderada (p. ex., caminhada
moderada, jogging, ciclismo, exercício aeróbico, trabalho doméstico) diariamente.

Pelo menos metade deve ser de cereais integrais.

Deve-se variar o consumo de vegetais incluindo feijões e ervilhas, vegetais verde-escuros (p.
ex., brócoli, folhagens, alface, espinafre), vegetais de cor laranja (p. ex., cenoura, batata-doce,
abóbora), vegetais ricos em amido (p. ex., milho, batata) e outros vegetais (p. ex., aspargo,
couve-flor, cogumelos, tomate).
§
A ingestão necessária real é determinada monitorando-se o peso corporal.
OBSERVAÇÃO: Recomendações individualizadas podem ser obtidas pesquisando dados
relevantes no site do USDA (USDA web site) utilizando a ferramenta Supertracker.

Em geral, a ingestão recomendada diminui com a idade, uma vez que a atividade física
tende a diminuir, resultando em menos gasto de energia. O novo guia de pirâmide ali-
mentar enfatiza:

 Aumentar o consumo de grãos integrais.


 Aumentar o consumo de frutas e verduras.
 Substituir produtos lácteos integrais por produtos lácteos desnatados ou
semidesnatados.
 Reduzir o consumo de gorduras saturadas e ácidos graxos trans.
 Atividade física regular.

A ingestão adequada de líquidos também é importante.

As gorduras devem constituir ≤ 30% do total de calorias; gorduras saturadas e trans


devem constituir < 10%. Ingestão excessiva de gordura saturada contribui para
aterosclerose. Substituir a gordura saturada por ácidos graxos poli-insaturados pode
diminuir o risco de aterosclerose. O uso rotineiro de suplementos não é necessário ou
benéfico; alguns suplementos podem ser nocivos. Por exemplo, excesso de vitamina A
pode provocar hipervitaminose A, cefaleia, osteoporose e rash.

Nutrição na clínica médica


Deficiências nutricionais podem prejudicar a saúde (havendo um distúrbio ou não) e
algumas alterações (p. ex., má absorção) podem causar deficiências nutricionais. Além
disso, muitos pacientes (p. ex., idosos durante hospitalização) têm deficiências
nutricionais insuspeitas que requerem tratamento. Muitos centros médicos contam com
equipes multidisclipinares de terapia nutricional compostas de médicos, enfermeiros,
nutricionistas e farmacêuticos que ajudam o médico a prevenir, diagnosticar e tratar
deficiências nutricionais ocultas.

A supernutrição pode contribuir para distúrbios crônicos, como câncer, hipertensão, obe-
sidade, diabetes melito e doença arterial coronária. Restrições dietéticas são necessárias
em muitos distúrbios metabólicos (p. ex., galactosemia, fenilcetonúria).

Avaliação do estado nutricional

Indicações para avaliação nutricional incluem peso ou composição corporal indesejável,


suspeita de deficiências ou toxicidades específicas de nutrientes essenciais e, em bebês e
crianças, desenvolvimento e crescimento deficientes. O estado nutricional deve ser
avaliado rotineiramente como parte do exame clínico de bebês e crianças, idosos, pessoas
que tomam vários medicamentos, pessoas com transtornos psiquiátricos e aquelas com
doenças sistêmicas que duram vários dias.

A avaliação do estado nutricional inclui história, exame físico e, às vezes, exames.


Havendo suspeita de desnutrição, exames laboratoriais e testes cutâneos de sensibilidade
podem ser realizados ( Visão geral de subnutrição : Exames). A análise da composição
corporal (p. ex., medidas de pregas cutâneas, análise de bioimpedância) é utilizada para
estimar a porcentagem de gordura corporal e avaliar a obesidade ( Obesidade :
Diagnóstico).

O histórico inclui questões sobre ingestão alimentar, alterações no peso e fatores de risco
de deficiências nutricionais, além do exame atento dos sistemas ( Sinais e sintomas de
deficiências nutricionais). Um nutricionista pode obter um histórico alimentar mais
detalhado. Inclui uma lista dos alimentos consumidos nas últimas 24 h e um questionário
alimentar. Um diário alimentar pode ser utilizado para registrar os alimentos consumidos.
O recordatório no qual o paciente pesa os alimentos consumidos é mais preciso.

Deve-se proceder a um exame físico completo, incluindo medida da altura e do peso e


distribuição da gordura corporal. O índice de massa corporal (IMC) — peso (kg)/altura
(m)2, o qual ajusta peso e altura ( IMC), é mais preciso que tabelas de peso e altura.
Existem padrões de crescimento e ganho de peso para bebês, crianças e adolescentes
( Crescimento físico de bebês e crianças).

Calculadora clínica: Índice de massa corporal (índice de Quetelet)

A distribuição da gordura corporal é importante. Obesidade do tronco desproporcional (i.


e., relação cintura/quadril > 0,8) está associada a distúrbios cardiovasculares e
cerebrovasculares, hipertensão e diabetes melito com mais frequência que a gordura
localizada em outro lugar. A medida da circunferência da cintura em pacientes com IMC
< 35 ajuda a determinar se eles têm obesidade do tronco e tem valor preditivo de risco de
diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia e distúrbios cardiovasculares. O risco é maior
se a circunferência da cintura for maior que 102 cm em homens ou maior que 88 cm em
mulheres.

Interações droga-nutriente
Os alimentos podem aumentar, retardar ou diminuir a absorção de drogas. Eles
prejudicam a absorção de muitos antibióticos. Podem alterar o metabolismo das drogas;
p. ex., dietas hiperproteicas podem acelerar o metabolismo de determinadas drogas pela
estimulação do citocromo P-450. O consumo de toranja (grapefruit) pode inibir o
citocromo P-450, retardando o metabolismo de algumas drogas (p. ex., amiodarona,
carbamazepina, ciclosporina, certos bloqueadores de canais de cálcio). Dietas que alteram
a flora bacteriana podem afetar o metabolismo de determinadas drogas. Alguns alimentos
afetam a reação do organismo às drogas. Por exemplo, a tiramina, componente de
determinados queijos, é um potente vasoconstritor que pode causar crises hipertensivas
em pacientes que utilizam inibidores da monoaminoxidase.

Deficiências nutricionais podem afetar o metabolismo e a absorção das drogas.


Deficiências proteicas e energéticas graves reduzem a concentração enzimática tecidual
e podem prejudicar a reação às drogas, reduzindo a absorção ou a ligação de proteínas e
causando disfunção hepática. Alterações no trato gastrointestinal podem prejudicar a
absorção e afetar a reação à droga. Deficiência de cálcio, magnésio ou zinco pode
prejudicar o metabolismo das drogas. A deficiência de vitamina C diminui a atividade de
drogas metabolizadas por enzimas, principalmente em idosos.

Muitas drogas afetam o apetite, a absorção dos alimentos e o metabolismo tecidual


( Efeitos de alguns medicamentos na nutrição). Algumas drogas (p. ex., metoclopramida)
aumentam a motilidade intestinal, reduzindo a absorção de alimentos. Outras drogas (p.
ex., opioides, anticolinérgicos) diminuem a motilidade gastrointestinal. Algumas são
mais toleradas quando ingeridas com a comida.

Certas drogas afetam o metabolismo de minerais. Por exemplo, diuréticos, em especial


tiazidas e corticoides, podem depletar potássio, aumentando a suscetibilidade a arritmias
cardíacas induzidas por digoxina. O uso frequente de laxantes também pode depletar
potássio. Cortisol, desoxicorticosterona e aldosterona podem causar retenção de sódio e
água, pelo menos temporariamente; a retenção é muito menor com prednisona,
prednisolona e alguns corticoides análogos. Sulfonilureias e lítio podem prejudicar a
utilização de iodo pela tireoide. Contraceptivos orais também podem diminuir os níveis
plasmáticos de zinco e aumentar os níveis de cobre. Certos antibióticos (p. ex.,
tetraciclinas), assim como determinados alimentos (p. ex., verduras, chá, pão), reduzem
a absorção de ferro.

Determinadas drogas afetam a absorção ou o metabolismo das vitaminas. O etanol


prejudica a utilização de tiamina e a isoniazida interfere no metabolismo de piridoxina
e niacina. Etanol e contraceptivos orais inibem a absorção de folato (ácido fólico).
Pacientes que recebem fenitoína, fenobarbital, primidona ou fenotiazinas desenvolvem,
em sua maioria, deficiência de folato, provavelmente porque as enzimas microssômicas
hepáticas metabolizadoras das drogas são afetadas. Suplementação de folato pode tornar
a fenitoína menos eficaz. Anticonvulsivantes podem causar deficiência de vitamina D.
Má absorção de vitamina B12 pode ocorrer com o uso de ácido aminossalicílico, iodeto
de potássio de liberação lenta, colchicina, trifluoperazina, etanol e contraceptivos orais.
Contraceptivos orais com altas doses de progesterona podem causar depressão,
provavelmente em razão da deficiência de triptofano induzida metabolicamente.
Efeitos de alguns medicamentos na nutrição

Efeito Drogas
Aumento do apetite Álcool, anti-histamínicos, corticoides, dronabinol, insulina, acetato
de megestrol, mirtazapina, várias drogas psicoativas, sulfonilureias,
hormônio da tireoide
Redução do apetite Antibióticos, metilcelulose, goma guar, ciclofosfamida,
digoxina, glucagon, indometacina, morfina, fluoxetina
Diminuição da Orlistate
absorção de gorduras
Aumento dos níveis de Octreotida, opioides, fenotiazinas, fenitoína, probenecida, diuréticos
glicose sanguínea tiazidícos, corticoides, varfarina
Diminuição dos níveis Inibidores da ECA, ácido acetilsalicílico, barbitúricos,
de glicose sanguínea betabloqueadores, insulina, inibidores da monoaminoxidase, drogas anti-
hiperglicêmicas orais, fenacetina, fenilbutazona, sulfonamidas
Diminuição dos níveis Ácido acetilsalicílico, ácido p-aminossalicílico, L-asparaginase,
de lipídios clortetraciclina, colchicina, dextranas, glucagon, niacina, fenindiona,
plasmáticos estatinas, sulfimpirazona, trifluperidol
Aumento dos níveis de Corticoides adrenais, clorpromazina, etanol, hormônio do crescimento,
lipídios plasmáticos contraceptivos orais (tipo progesterona-estrógeno), tiouracil, vitamina D
Diminuição do Cloranfenicol, tetraciclina
metabolismo proteico
Aditivos e contaminantes alimentares
Aditivos
São substâncias químicas combinadas aos alimentos para facilitar seu processamento e
preservação ou para melhorar sua palatabilidade. Somente quantidades seguras de
aditivos testadas em laboratório são permitidas em alimentos preparados comercialmente.
Analisar os benefícios dos aditivos (p. ex., redução do sabor, aumento da variedade de
alimentos, proteção contra doenças de origem alimentar) em relação aos seus riscos
costuma ser complexo. Por exemplo, o nitrito, usado em carnes curadas, inibe o
crescimento de Clostridium botulinum e melhora o sabor. Entretanto, o nitrito converte-
se em nitrosaminas, que são cancerígenas em animais. Por outro lado, a quantidade
adicionada a carnes curadas é pequena quando comparada à quantidade de nitratos
presentes naturalmente em alimentos convertidos em nitrito pelas glândulas salivares. A
vitamina C da dieta pode reduzir a formação de nitrito no trato gastrointestinal.
Raramente, alguns aditivos (p. ex., sulfitos) causam reações de hipersensibilidade
alimentar (alergia). A maioria dessas reações é provocada por alimentos comuns ( Alergia
alimentar).

Contaminantes
Às vezes, quantidades limitadas de contaminantes são permitidas porque eles não podem
ser eliminados por completo sem danificar os alimentos. Pesticidas, metais pesados
(chumbo, cádmio, mercúrio), nitratos (em folhas de vegetais verdes), aflatoxinas (em
nozes e leite), hormônios (em derivados do leite e carne), pelos e fezes de animais e partes
de insetos são contaminantes comuns. A Food and Drug Administration (FDA) estima
níveis de segurança que não causariam doenças e efeitos adversos às pessoas. Entretanto,
é muito difícil demonstrar uma relação causal entre a exposição a níveis extremamente
baixos e os efeitos adversos; efeitos adversos a longo prazo, embora improváveis, são
possíveis. Níveis seguros costumam ser determinados por consensos, não por evidências.