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CASD DICAS – Vale Paraibano

Biologia

Por que estudar a evoluçâo de nossa espécie?

A ciência moderna atingiu níveis fantásticos de desenvolvimento em diversas áreas, como na


física, química e biologia. Podemos citar o domínio sobre a eletricidade, a utilização de ondas
para diversos fins, a química dos medicamentos e a classificação de inúmeros seres vivos. No
entanto, se a ciência nada mais é do que uma maneira de entendermos o que se passa ao
nosso redor, seria natural que ela viesse responder às mais intrigantes e talvez mais antigas
perguntas do homem: o que somos de verdade e como viemos parar aqui?
Antigamente essas perguntas eram respondidas somente com base nas mais diversas
crenças, mas hoje a ciência nos fornece teorias muito simples e elegantes para explicar nossas
origens baseadas em evidências muito claras. A paleoantropologia é o ramo da ciência que
estuda a evolução humana e, para isso, utiliza alguns métodos bem conhecidos como a análise
de fósseis e outros métodos mais recentes como estudos genéticos e de biologia molecular.
O entendimento pleno de nossa história mais remota é essencial para nos posicionarmos frente
aos problemas que enfrentamos hoje, afinal, as crenças que temos sobre nós mesmos guiam
nossas ações e assim determinam que tipo de pessoas somos e, por último, a sociedade em
que vivemos.

Figura 5
Resumo

Devemos entender o processo de evolução dos seres humanos como um evento muito recente
em comparação com a longa história da evolução da vida na Terra. Os cientistas acreditam
que os traços que diferenciam humanos de chimpanzés começaram a se desenvolver a seis
milhões de anos atrás. O bipedalismo seria uma das primeiras características exclusiva dos
hominídeos. Outras características como cérebros largos, uso de ferramentas e linguagem
seriam mais recentes, enquanto o uso de expressões simbólicas, artes e a própria diversidade
cultural teriam se desenvolvido nos últimos 100.000 anos.

ANTES DO Homo sapiens

Vamos ver nessa primeira parte da aula como e quando se acredita que ocorreu o surgimento
dos Homo sapiens, sendo que isso só foi possível depois do aparecimento dos primeiros
hominídeos e dos primeiros representantes do gênero Homo.

Os primatas

Os humanos pertencem a um grupo de mamíferos chamado primatas que contam mais de 230
espécies (lêmures, tarsos, macacos e os grandes símios). Todos os primatas compartilham
algumas características que são normalmente relacionadas com o hábito de viver em árvores,
apesar de alguns não cultivarem mais esse hábito, pois essa foi a condição inicial de
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desenvolvimento desse grupo: visão acurada (três dimensões com sobreposição de campos
visuais), membros e mãos adaptadas para agarrar, habilidade de manusear objetos com suas
mãos possuidoras de unhas e não garras e cérebro grande em relação ao tamanho corporal.
Nós humanos ainda conservamos algumas características desses primatas ancestrais como
ombros dotados de ampla movimentação e dedos capazes de agarrar fortemente objetos, mas
também apresentamos traços que nos tornam únicos como cérebro muito desenvolvido,
bipedalismo e estruturas vocalizadoras que permitem a fala.

Os primeiros hominídeos

Há cerca de 6 milhões de anos na África, um grupo de símios desenvolveu características


únicas que o distinguiam de todos os outros primatas: canino reduzido e o bipedalismo. Eram
os Australopithecus, que significa “macaco do sul”, pois seus primeiros fósseis foram
encontrados na África do Sul. Mais tarde descobriu-se que esse grupo chegou a habitar toda a
África. Os australopitecinos formam o grupo que daria origem aos seres humanos modernos.

Bipedalismo – o bipedalismo exigiu algumas mudanças anatômicas nos australopitecinos


como: osso pélvico mais amplo e côncavo para abrigar órgãos internos e dar mais estabilidade
durante a caminhada. Ângulo das pernas e posição dos joelhos adaptados para suportar o
peso do corpo. Dedos dos pés mais curtos e menos flexíveis que o dos símios. Coluna em
forma de S. Foramen magnum aberto na base do crânio. As vantagens do bipedalismo seriam
muitas como as mãos livres para carregar comidas ou ferramentas, visão ampliada sobre a
vegetação herbácea, redução da área corporal exposta ao sol e aumento da área corporal
exposta ao vento.
Caninos reduzidos – símios, principalmente os machos, usam seus longos e pontiagudos
caninos como verdadeiras armas. Os primeiros australopitecinos tinham os caninos bem
maiores que os humanos modernos, mas ainda assim eram inferiores aos dos símios. Caninos
bem reduzidos e chatos passaram a se desenvolver por volta de 4 milhões de anos atrás,
provavelmente acompanhado por um aumento na cooperação social.
O que levou esse grupo a se diferenciar tanto dos outros primatas ainda é motivo de
controvérsia entre os cientistas. Estes propõem três hipóteses distintas para explicar essa
diferenciação:
O clima global teria esfriado e se tornado mais seco no Mioceno (entre 5 e 8 milhões de anos).
Isso, somado à mudanças no relevo pela formação do que chamamos Rift Valley (cadeia de
montanhas, vales e vulcões no leste africano gerado pela separação de placas tectônicas que
se encontram na região da Península Arábica) teria transformado a vegetação do tipo floresta
tropical pluvial da África oriental em savanas. As populações de símios que viviam na região
tiveram que se adaptar ao novo clima e à nova vegetação. Por isso, características que
favoreciam o hábito terrestre como o bipedalismo, os hábitos sociais e a comunicação foram
selecionadas favoravelmente. Essa é a hipótese das savanas.
Outra hipótese sugere o desenvolvimento dos australopitecinos em áreas de vegetação
mosaico (florestas e savanas) e que essas áreas possibilitariam o desenvolvimento de hábitos
terrestres ou arbóreos. Os símios que se adaptaram às condições terrestres deram origem aos
australopitecinos. Essa é a hipótese da vegetação em mosaico.
Já uma terceira hipótese, a hipótese da variabilidade, sugere que os australopitecinos se
desenvolveram em diversas vegetações diferentes como savanas, florestas, copas altas, assim
se adaptaram aos mais diversos ambientes. Evidências mostram que regiões com uma alta
variedade de vegetações eram comuns na época dos primeiros australopitecinos.

O surgimento do gênero “homo”

Entre 2,5 e 2,3 milhões de anos ocorreu o surgimento do gênero Homo, o qual acredita-se que
esteja diretamente relacionado com uma única característica: o desenvolvimento do cérebro.
Também não há um consenso sobre a explicação para o desenvolvimento das habilidades
mentais dos membros desse grupo. Alguns cientistas afirmam que esse desenvolvimento
ocorreu devido à fabricação e ao uso de ferramentas, outros dizem que esse desenvolvimento
também se deve à variação da dieta proporcionada pelo próprio uso de ferramentas (raízes,
tubérculos e carne).
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O SURGIMENTO DO Homo sapiens

Hoje, as perguntas sobre nossas origens são mais relacionadas ao exato lugar ou lugares em
que a nossa espécie, Homo sapiens, apareceu, como ela se espalhou pelo mundo e como
suplantou todas as outras espécies de hominídeos existentes até então.
Uma hipótese, a hipótese a partir da África diz que a espécie surgiu uma única vez na África
e a partir daí se espalhou pelo mundo, primeiro para a Ásia, depois Europa e por último
Austrália e América substituindo populações de hominídeos que já habitavam essas regiões,
como o H. neandertalensis na Europa e o H. erectus na Ásia.

Figura 6
Outra hipótese, a hipótese multirregional, diz que nossa espécie surgiu pelo fluxo gênico
entre diversas populações distintas de H. erectus na África e na Ásia. Alguns cientistas ainda
defendem uma teoria unificada, dizendo que a espécie surgiu pelo fluxo gênico de várias
populações da África e depois se espalhou pela Eurásia suplantando outras populações de
hominídeos, Mas de qualquer forma, todas as evidências e teorias apontam para uma origem
comum de todos os humanos modernos, o que acaba com toda e qualquer idéia errada sobre a
divisão da espécie em raças.
Os fósseis de nossa espécie mais antigos datam de 195.000 anos atrás e têm uma anatomia
um pouco diferente dos humanos modernos, principalmente no que diz respeito à caixa
craniana (hoje ela é maior e tem a face mais posicionada à frente).

Aqui, ainda vale a pena destacar a “Teoria do Macaco Aquático” para explicar a evolução dos
seres humanos. Essa teoria se baseia em certas características dos seres humanos (grande
quantidade de gordura corporal, perda relativa dos pêlos, postura ereta, habilidade natatória e
de mergulho) para propor uma fase semi-aquática na origem dos primeiros hominídeos. Essa
teoria, até pouco tempo era tida como desprovida de evidências, mas hoje já recebe apoio de
vários cientistas renomados.

DEPOIS DO Homo sapiens

A cultura

Mais importante que mudanças físicas, o desenvolvimento de uma cultura acredita-se ser muito
mais importante para o desenvolvimento da espécie, inclusive, este seria um dos traços que
definiriam a espécie. Cultura pode ser entendida como toda criação e atividade humana
governadas por costumes e regras sociais, como por exemplo a tecnologia, a linguagem, a arte
e a própria ciência.
Alguns cientistas afirmam que orangotangos e chimpanzés apresentam um comportamento
cultural, principalmente no que diz respeito ao uso de ferramentas em algumas florestas, mas
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esse comportamento é mais similar ao desenvolvido pelos primeiros Homo sapiens, pois hoje a
cultura humana usa sua linguagem extremamente desenvolvida para transmitir ativamente
qualquer tipo de informação, não só as essenciais à sobrevivência, como visto em outros
animais.
A cultura tem diversos aspectos que podem influenciar nosso desenvolvimento das maneiras
mais diversas.

Comportamento social

Muitos primatas apresentam um comportamento social e o descobrimento, em 1975, de


indivíduos Australopithecus afarensis que morreram juntos em uma época remota, permite
inferir que os primeiros homens também tinham um comportamento social. A própria redução
dos caninos deve ter sido uma adaptação à vida social, já que os caninos, em primatas que
não têm vida social, são usados pelo macho para agredir e subjugar outros machos.

Cuidado parental

Os humanos, por causa de seu cérebro desenvolvido, necessitam de um tempo de maturação


maior que os outros primatas, tempo este que se estende por toda a infância do jovem. A
mulher não poderia suportar um bebê em seu útero com o cérebro e o crânio totalmente
desenvolvidos. Portanto, o cuidado inicial com a cria é essencial para o desenvolvimento
normal do cérebro do jovem. Os australopitecinos não tinham este problema, pois seus
cérebros eram reduzidos, portanto, os bebês já nasciam com um certo grau de
desenvolvimento e tinham uma taxa de crescimento muito rápida, mais semelhante à taxa de
crescimento dos símios atuais.

Ferramentas

O uso de ferramentas, como já foi dito, não é exclusivo dos homens ou dos hominídeos,
chimpanzés e gorilas também fazem uso desses artefatos, principalmente na obtenção de
alimentos. No entanto, os humanos se distinguem destes outros animais por utilizarem
ferramentas para fazerem outras ferramentas. O homem aperfeiçoou tanto esta técnica que
passou do uso de ferramentas de pedra lascada há 2,5 milhões de anos para o uso de metais
na sua confecção há 7000 anos atrás.

Abrigo e uso do fogo

O desenvolvimento do cérebro, sem dúvida ajudou na adaptação aos mais diversos ambientes
e climas. Graças à seu intelecto, os hominídeos puderam se espalhar pelo globo de uma forma
que até então nenhum outro animal tinha se espalhado. Isso fica muito claro quando
analisamos as evidências fósseis encontradas em regiões que apresentavam um clima muito
frio. O uso de cavernas para abrigo, principalmente do frio, data de 800.000 anos atrás na
região da Espanha e o uso do fogo por volta de 300.000 anos na Alemanha e na China.
Indícios de fogo foram encontrados na África em sítio de aproximadamente 1,3 milhões de
anos, mas não temos certeza se nessa época ele já era controlado pelos hominídeos.

O pensamento abstrato

O desenvolvimento do cérebro, principalmente da região do córtex, que permite o pensamento


abstrato, permitiu ao homem desenvolver três aspectos culturais que foram importantes para
seu desenvolvimento: a religião, a arte e a linguagem.
A linguagem nos permite transmitir informações complexas, sobre o passado, o futuro, algo
que nem exista e conceitos que não têm representantes concretos, como conceitos filosóficos
e técnicos. Estudos mostram que os humanos têm uma capacidade inata de desenvolver uma
língua, no entanto, essa língua vai depender do contexto cultural em que o jovem humano
cresce. Em condições normais, os humanos começam a desenvolver sua língua mais ou
menos na mesma época da vida. Devemos levar em conta também o fato de nossa espécie ter
sido a primeira a desenvolver um aparato vocálico que permite uma sonorização refinada.
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A arte é decorrente de nossa habilidade de lidar com pequenos objetos, construir ferramentas e
o desenvolvimento de técnicas que permitiam o uso do material ao nosso redor, não para
alimentação ou para a sobrevivência em geral, mas sim para uma atividade mais lúdica.
Esculturas no Marrocos datam de 400.000 anos e os primeiros pigmentos usados para pintura
em rochas e em corpos datam da mesma época.
A religião, que hoje é um dos pilares da sociedade moderna, acredita-se que já era praticada
pelos Homo heidelbergensis há 400.000 anos atrás. Sítios arqueológicos na Espanha
mostraram cavernas com amontoados de ossos adornados de mais de 30 indivíduos. Os
neandertais foram os primeiros a queimar seus mortos, indicando uma possível crença na vida
após a morte. Já os H. sapiens devem ter iniciado seus hábitos religioso por volta de 160.000
anos provavelmente na África oriental.

Domesticação

O principal meio de controle do homem sobre o meio ambiente se deu pela domesticação,
tanto de plantas, quanto de animais. Provavelmente essa interação ocorreu
independentemente em várias regiões do mundo, Oriente Médio, África, América do Sul e
Europa. Há 18.000 anos atrás o clima da Terra passou por uma mudança drástica e ficou mais
quente e úmido e os humanos tiveram que se adaptar a essas novas condições. Para tal,
cereais como arroz, trigo e milho passaram a ser cultivados em largas escalas, já os primeiros
animais foram as cabras no Oriente Médio, aves como as galinhas no leste asiático e lhamas
na América do Sul. Esse processo de seleção artificial levou ao surgimento de variedades com
características favoráveis ao cultivo, como plantas que crescem rápido, têm mais frutos e
sementes e animais mais dóceis. Essa domesticação levou ao surgimento da agricultura. Os
humanos passaram a estocar seus cultivares para eventuais emergências e desta forma,
abandonaram o hábito nômade e adotaram o sedentarismo como hábito de vida. As pessoas
passaram a viver em comunidades que se tornavam cada vez maiores. As plantações e pastos
foram crescendo e até mesmo complexos sistemas de irrigação foram criados. Mas o
sedentarismo também teve alguns efeitos negativos como a dependência de certos tipos de
alimentos e a suscetibilidade a mudanças climáticas e pragas.

As grandes civilizações

As comunidades criadas a partir da agricultura deram origem às grandes civilizações. Pessoas


que possuíam o controle sobre o pasto e as plantações detinham o poder sobre outras e assim
criavam alianças e hierarquias. Como nem todos precisavam se dedicar ao trabalho no campo,

sobrava tempo e energia para a dedicação a trabalhos políticos, artísticos, religiosos e


militares. A primeira civilização que temos notícias são os sumérios na região da Mesopotâmia
onde hoje é o atual Iraque, inclusive, esta é a área onde ocorreram as primeiras
domesticações. Outras civilizações surgiram no sul e sudeste da Ásia, América do norte e
centra e nos Andes. Todas essas civilizações tinham algumas características em comum:
fortes veias política, militar e religiosa, sistemas de escrita, matemática e astronomia (com
calendários), corpo de leis que mantêm a hierarquia e até mesmo punem os cidadãos que
cometem infrações. Com o avanço das civilizações o mundo experimentou algo inédito até
então: uma espécie passou a controlar seu próprio destino e não mais ficar a mercê das
intempéries naturais. A partir daí, a nossa cultura passou a influenciar não só a nossa própria
evolução, mas a evolução de toda a biodiversidade do planeta.

Material dos Professores de Biologia do CASD Vestibulares