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CINESIOLOGIA APLICADA E ACUPUNTURA

Wu Kwang, 1986 e atualizado em 1994

No começo dos anos 60, George Goodheart, D.C., descobriu os fundamentos da Cinesiologia Aplicada (CA), fundindo
os conhecimentos de Cinesiologia, Quiroprática, Medicina Tradicional Chinesa, Tibetana, Indiana etc. Conseguiu assim o que
considero a maior contribuição do século XX para as Medicinas Naturais, descobrir todos os segredos e todas as aspirações do
corpo através de um teste simples e objetivo, acessível a qualquer pessoa. As aplicações do Teste Muscular são realmente
fantásticas! Desde então outras especialidades da Cinesiologia Aplicada surgiram, as mais conhecidas no Brasil são a Behavioral
Kinesiology e o Touch For Health. A Behavioral Kinesiology ou Cinesiologia Comportamental estuda a relação do corpo com o
ambiente. Suas potencialidades podem ser apreciadas através do livro BK Behavioral Kinesiology: The Revolutionary New
Science for Positive Health (Your Body Doesn't Lie), escrito em 1978 por John Diamond, M.D., ex-presidente da Academia
Internacional de Medicina Preventiva. Tal obra já foi traduzida para português com o título "Seu Corpo Não Mente". Em 1970, Um
quiroprático, John F. Thie, D.C., sintetizou e simplificou a Cinesiologia Aplicada de modo que os leigos possam aprendê-la
rapidamente e aplicá-la para si, para os familiares e amigos, deu à técnica o nome de "Touch for Health" (TFH). Em 1973, foi
fundada a Touch for Health Foundation, na Califórnia, E.U.A. Desde então, tal técnica já atingiu Canadá, França, Noruega,
Suécia, Holanda, Suiça, Austrália, Nova Zelândia, México, Venezuela e em 1982, o Brasil. Desde os primeiros contatos com a
Cinesiologia Aplicada em 1983, através do livro Seu Corpo Não Mente, percebi logo a importância de suas aplicações na
Acupuntura, principalmente para resolver um dos maiores problemas em diagnóstico, a pulsologia, um método subjetivo e difícil
porém, muito importante. Tal percepção foi finalmente confirmada no artigo de D. Larson, na revista American Journal of
Acupuncture de 1985. Após meses de pesquisas, estudos e cursos, acho que consegui montar um esquema a ser transmitido
didaticamente para os colegas e é isso que tentarei realizar neste trabalho. Quero primeiro dar algumas definições:
1) Músculo Indicador - é o músculo ou grupo muscular escolhido para ser submetido aos testes, deverá estar
resistente, fácil de posicionar e livre de dor ou contratura. O Músculo Indicador é usado nas Localizações Terapêuticas ou na
pesquisa dos fatores ambientais. Em geral utilizam-se as seguintes posições: a) paciente deitado com o membro superior do lado
dominante verticalmente para cima, a outra mão deverá estar em repouso sem encostar no corpo. Testamos o grupo muscular do
m. deltóide empurrando o punho do paciente no sentido dos pés. b) pacient em pé com um membro superior estendido para o
lado, ao nível do ombro. Testamos o m. deltóide mediano empurrando o punho para baixo.
2) Localização Terapêutica (LT) - Quando o paciente (ou o terapeuta) indica ou toca uma área do corpo com
distúrbio, haverá alteração no tônus muscular. A LT pode ser executada pedindo ao paciente indicar ou tocar alguma parte do
corpo, com os dedos indicador e médio, a mão, o pé ou a língua sobre a área pesquisada). Num corpo razoavelmente equilibrado,
no caso de utilizar a mão, tanto faz a face palmar ou a face dorsal. A LT indica apenas onde está o problema mas não a causa. O
músculo indicador enfraquece com a LT, mas aqueles músculos enfraquecidos pela disfunção passam a se mostrar fortes no
teste muscular. A LT se modifica conforme a condutividade. Paciente desidratado, fibras sintéticas (nylon, acetatos, acrílico etc.),
loções e cremes diminuem a resposta. Fibras naturais (lã, algodão etc.), hidratação do paciente, e o umedecimento dos dedos do
paciente aumentam a eficiência da LT.
3) Desafio - é um instrumento importante em CA. É indicado para testar a reação do corpo perante estímulos diversos,
físicos, químicos ou mentais, positivos ou negativos. Na Quiroprática, o Desafio pode ser feita através de uma ligeira pressão
sobre a apófise espinhosa de uma vértebra. No caso de tal manobra enfraquecer um mú sculo indicador, o quiroprático deve
completar a manobra para corrigir o distúrbio. Na Acupuntura, para determinar os meridianos com energia em excesso, podemos
fazer o Desafio colocando os dedos levemente no ponto de alarme de cada meridiano pesquisado.
4) Teste Muscular - é o procedimento básico donde se originou a CA.
CONDIÇÕES IDEAIS PARA REALIZAR OS TESTES)
a) O terapeuta deve estar tranquilo, equilibrado, no mínimo melhor do que o paciente.
b) O paciente não deve estar usando roupas de fibras sintéticas.
c) O teste não deve ser realizado sobre locais geopatológicos.
d) Paciente não deve estar com bexiga ou estômago cheios, ter tomado bebida alcoólica ou usado drogas (tóxicos,
químicos ou medicamentos), nem ter contatos com perfumes .
e) Retirar relógio, pager, celular, pulseira, chiclete etc. do paciente e do terapeuta, com exceção do ouro. (No caso do
TECE, ouro é prejudicial e prata pode representar condição de ajuste).
f) Tirar remédios dos bolsos, retirar qualquer objeto sob o sutiã (inclusive o rótulo).
g) O examinador e o paciente não devem estar rodeados de muitas pessoas.
h) Desligar os aparelhos elétricos até uma distância de 3m
i) Paciente deve assumir postura ereta, em pé ou sentado, ou em decúbito dorsal horizontal.
j) O paciente não deve estar descalço, exceto se estiver sobre piso seco de madeira.
k) Paciente não deve encostar a língua no céu da boca.
l) Ambos devem estar concentrados nos testes e evitar o riso.
m) O paciente deve estar relaxado e tranquilo. O terapeuta deve conversar com o paciente explicando todo o
procedimento e que vai apenas pesquisar problemas pertinentes ao diagnóstico e tratamento. É conveniente também perguntar
ao corpo (subconsciente) do paciente através do Teste Muscular se tem permissão para iniciar a pesquisa.
o) Escolher o membro, para os destros, usar o direito; nos canhotos, o esquerdo.
p) Escolher o músculo a ser pesquisado e colocá-lo na posição apropriada. Tal músculo não deve apresentar dor,
rigidez ou defeito.
q) A outra mão do paciente deve estar fechada, os dedos envolvendo o polegar, isto é para não captar energias de
outras pessoas e objetos. Os braços do paciente, do terapeuta ou do intermediário devem estar afastados do corpo uns 45º.
r) Mostrar ao paciente a direção e o sentido do movimento a ser executado sobre o músculo para conscientizá-lo.
s) Explicar ao paciente que não queremos testar sua força, queremos apenas verificar a capacidade daquele músculo
se manter naquela posição e que não há necessidade de utilizar outros músculos nem usar a força do corpo para resistir ao
toque. Ninguém vai gozá -lo caso tal músculo estiver fraco. Caso notar que o paciente estar empurrando a sua mão em vez de
estar simplesmente mantendo a posição do membro, pare tudo e explique novamente. Explique claramente que é apenas para
manter a posição, não é para oferecer muita resistência nem fazer força.
t) Realizar o teste fazendo o toque alguns segundos após avisar ao paciente manter a posição. Não é para
surpreender o paciente, precisamos dar alguns segundos para que seu cérebro mande a ordem para o músculo se manter.
u) O toque deve durar no máximo 2 segundos.
v) Devemos calibrar o nosso toque. Podemos realizar com o dedo indicador, o indicador mais o médio, ou a região
entre o indicador e o polegar. A pressão é gradativa e aplicada vagarosamente. O toque não deve ser forte demais porque
primeiro perde o diferencial entre músculo resistente ou fraco, e segundo incita o paciente a resistir com muita força. O toque não
deve ser tampouco fraco demais a ponto de não distinguir o grau da resistência muscular. No caso do Teste do Anel, colocam-se
os dedos indicadores do terapeuta dentro do anel formado pelos dedos polegar e indicador do paciente; o teste é realizado
tentando-se desfazer o anel.
w) Devemos calibrar a resistência do paciente. Não deve ser forte demais pois provavelmente o paciente estará
apelando para outros músculos e assim não permite diferenciação entre resistência forte ou fraca. Não deve ser fraca demais a
ponto de não resistir ao mais leve toque. Devemos pois indicar ao paciente a resistência ideal para o teste ser bem sucedido.
x) Para anular qualquer influência da mente do paciente, pode repetir o teste pedindo ao paciente recitar o alfabeto;
caso suspeitar de que você está um pouco tendencioso, repita o teste recitando você o alfabeto.
y) Depois de todos os preâmbulos, podemos então realizar os testes musculares, LT, Desafios, introduzir fatores
ambientais, estimular pontos de Acupuntura, enfim, diagnosticar e tratar o paciente.
z) As pessoas viciadas em Rock costumam apresentar "switching". Os fumantes costumam apresentar músculos com
pouca resistência.
a1) Os desequilíbrios mais sutis em geral se revelam somente testando o Timo, isto é, realizando a Localização
Terapêutica do ponto localizado sobre o ângulo manúbrio-esternal.

TREINAMENTO DOS TESTES MUSCULARES


Para mostrar ao paciente as diferenças entre músculo ligado, endurecido ou desligado, e também testar a
confiabilidade do Músculo Indicador escolhido, podem ser realizados os seguintes procedimentos:
1) Calibrar o músculo indicador, pedir ao paciente usar forças ou resistências diferentes;
2) Pedir um "Sim" ou um "Não" ao corpo do paciente;
3) Contar mentiras;
4) Mostrar a diferença entre pensar sobre momentos felizes ou sobre fatos desagradáveis;
5) Ativando o corpo através da alteração dos impulsos proprioceptivos desse músculo atuando sobre o mecanismo
das células "spindle" ou sobre o mecanismo dos receptores de Golgi nos tendões, em outras palavras, aproximar as
extremidades do músculos pinçando levemente o corpo muscular, ou esticando o músculo empurrando sua origem e a inserção;
6) Demonstrar a inibição auditiva;
7) Demonstrar a inibição visual;
8) Demonstrar a alteração do fluxo de energia em 8 tibetano;
9) Corrigir as 2 alterações anteriores através da estimulação do Vaso Governador, do Vaso Concepção e do ponto
R27; serve também para tornar o teste mais confiável;
10) Mostrar o prejuízo que substâncias prejudiciais provocam na resistência do músculo, por exemplo, o cigarro ou o
açúcar branco.
11) Testes do timo

RESPOSTA MUSCULAR
Um músculo está normal (ligado) quando oferece boa resistência e elasticidade, consegue trancar-se rapidamente nos
5 cm do deslocamento. Foi demonstrado através de medições com dinamômetros que a força muscular continua normal, mas a
resistência diminui. No caso de Teste do Anel, pequeno afastamento dos dedos é considerado normal. Considera que o músculo
estar com pouca resistência (desligado) nas seguintes condições:
Ceder facilmente
Não se consegue travar dentro da amplitude do movimento
Demora na resposta do músculo
Dificuldade na coordenação do músculo
Paciente sentir dor ou cansaço no músculo testado
O músculo se apresentar rígido
Paciente utilizando outros músculos para poder resistir ao toque
Pequena vacilação durante o teste num paciente atlético
Repetidas vacilações durante o teste
O músculo enfraquece logo depois do estímulo, antes de ser empurrado

DIAGNÓSTICO ENERGÉTICO
A seqüência simplificada dos testes musculares para diagnóstico energético dos meridianos consiste em testar a
pequena circulação e depois a grande circulação. Primeiro testamos o Vaso Concepção (VC) e o Vaso Governador (VG),
encontrando qualquer deficiência, deve ser corrigida imediatamente para que não interfira com os testes subseqüentes. Na
grande circulação iniciamos pelo meridiano do Estômago, considerado importante pelas relações com a digestão e com as
emoções. Em seguida testamos os outros meridianos na seqüência da grande circulação energética passando pelos meridianos
BP, C, ID, B, R, CS, TA, VB, F, P, e IG, anotando quais os meridianos cujos músculos estejam enfraquecidos, significando haver
desequilíbrio energético, tais meridianos podem estar com excesso ou com deficiência de energia. Uma vez determinados os
meridianos com energia desequilibrada, devemos avaliar seus estados energéticos realizando Desafios através dos pontos de
Alarme. Em outras palavras, escolhemos um músculo resistente como músculo indicador e tocamos levemente cada ponto de
Alarme correspondente ao meridiano desequilibrado. Se o músculo indicador continuar resistente, o meridiano apresenta
deficiência de energia.Se o músculo indicador mostrar-se fraco durante o teste do ponto de Alarme, o meridiano está com
excesso de energia.
Vaso Concepção - Supra-espinhoso O braço com o cotovelo reto, afastado do corpo ligeiramente para o lado num
ângulo de 15º, pressione o punho em direção à virilha. Se o músculo estiver fraco, massageie profundamente durante 20 a 30
segundos seus pontos neurolinfáticos anteriores localizados ao longo do sulco deltopeitoral e posteriores, localizados
imediatamente abaixo do crânio, a 2 ou 3 polegadas da linha mediana.
Vaso Governador - Grande Redondo Punho colocado na região lombar e cotovelo posteriorizado, pressione
empurrando o cotovelo para frente. Caso estiver fraco corrija massageando os pontos neurolinfáticos anteriores correspondentes
aos pontos R27, (Palácio dos Pontos de Assentimento) e posteriores situados entre a 2ª e a 3ª vértebras torácicas, a 1 polegada
da linha mediana.
Estômago - Grande Peitoral Clavicular Braço esticado para a frente ao nível do ombro e ligeiramente para o lado,
polegar para baixo, pressione o punho empurrando o braço para baixo e para fora.
Baço-Pâncreas - Grande Dorsal Braço estendido ao longo do corpo, palma para fora, puxe o antebraço para fora.
Coração - Subescapular Braço estendido para o lado, cotovelo dobrado e em nível com o ombro, mão para baixo,
pressione o punho mantendo o cotovelo do paciente firme nessa posição e empurre o antebraço para frente e para cima.
Intestino Delgado - Quadríceps Coxa fletida num angulo menor que 90º, joelho ligeiramente fletido, pressione a coxa
junto ao joelho, no sentido dos pés.
Bexiga - Peroneiro Antepé em posição lateral, parte lateral do pé em direção à cabeça, pressione a parte lateral do pé
atrás dos pododáctilos, empurrando-o para baixo e medialmente, estabilizando o calcanhar com a outra mão. Observando o
paciente fletir o pé dorsalmente para resistir ao toque, devemos considerar o músculo fraco.
Rim - Psoas Perna elevada para frente num ângulo de 45º ligeiramente para o lado, pressione a parte medial do
tornozelo, empurrando a perna para baixo e para fora.
Circulação Sexo - Glúteo Médio Pernas afastadas da linha mediana, pressione o tornozelo empurrando a perna para
a linha mediana enquanto estabiliza a outra perna com a outra mão.
Triplo Aquecedor - Pequeno Redondo Braço colado junto ao corpo e cotovelo flexionado a 90º, pressione o punho
empurrando o antebraço em direção ao tórax enquanto estabiliza o cotovelo com a outra mão.
Vesícula Biliar - Deltóide Anterior Braço estendido e elevado num ângulo de 45º para frente, palma para baixo,
pressione o antebraço empurrando-o para baixo.
Fígado - Grande Peitoral Esternal Braço estendido para frente ao nível do ombro, ligeiramente para o lado, polegar
para os pés, pressione empurrando o antebraço para trás, para o alto e para o lado.
Pulmão - Denteado Anterior Braço estendido para frente ao nível do ombro, 45º para o lado e polegar para cima,
pressione o antebraço para baixo, enquanto a outra mão segura o ângulo inferior da omoplata evitando seu deslocamento para
baixo.
Intestino Grosso - Fáscia Lata Perna estendida, elevada num ângulo entre 30º a 45º, ligeiramente para o lado, pé
virado para dentro, pressione o tornozelo empurrando a perna para baixo e para dentro.

PONTOS DE ALARME
São praticamente os mesmos dos livros de Acupuntura com exceção de alguns meridianos: P=P1 IG=E25 E=VC12
BP=F13 C=VC15 ID=VC4 B=VC3 R=VB25 CS=VC16 TA=VC5 VB=VB24 F=F14 Uma vez conhecendo os meridianos em
excesso e os meridianos deficientes, podemos aplicar o Método de Transferência de Energia no Ciclo dos 5 Elementos através
de estímulos apropriados nos pontos escolhidos. Há alterações portanto para os seguintes meridianos:
Circulação Sexo, VC16 em vez de VC17
Coração, VC15 no lugar de VC14
O ponto de Alarme do Fígado não é bem o F14 tradicional (2 espaços abaixo dos mamilos, no 6º espaço intercostal),
mas está no 7º espaço intercostal, junto ao rebordo costal, isto é uns 3 espaços abaixo dos mamilos, ligeiramente para o lado.
O ponto de Alarme do VB não corresponde exatamente ao VB24 (na linha mamilar, no 7º espaço intercostal), está na
mesma vertical, porém, logo abaixo do rebordo costal.

MÉTODO ALTERNATIVO DE ANÁLISE ENERGÉTICA


Há o método de LT para determinar os meridianos com excesso de energia. No caso, o paciente deve colocar seus
dedos indicador, médio e anular de uma mão sobre o pulso radial do outro punho, como se fosse tomar seu próprio diagnóstico
pulsológico. O terapeuta deverá usar como músculo indicador um músculo do membro inferior. Utilizam-se os seguintes
procedimentos:
a) O paciente coloca os dedos da mão esquerda levemente sobre o pulso radial direito, o terapeuta testa o músculo
indicador. Avaliam-se os meridianos IG, E e TA em conjunto.
b) O paciente aperta firmemente os dedos da mão esquerda sobre o pulso radial direito enquanto o músculo indicador
é testado. Avaliam-se os meridianos P, BP e CS em conjunto.
c) O paciente coloca levemente os dedos da mão direita sobre o pulso radial esquerdo, o terapeuta testa o músculo
indicador. Avaliam-se em conjunto os meridianos ID, VB e B. d) O paciente aperta firmemente os dedos da mão direita sobre o
pulso radial esquerdo, enquanto o músculo indicador é testado. Avaliam-se os meridianos C, F e R em conjunto.
e) Os conjuntos de meridianos acima que diminuírem a resistência do músculo indicador mostram que um ou mais
meridianos do conjunto estão com excesso de energia. Para determinar quais os meridianos com excesso de energia devemos
repetir os testes dos conjuntos de meridianos que enfraquecem o músculo indicador, porém, em vez do paciente colocar os três
dedos juntos sobre o pulso radial, ele deverá colocar um dedo por vez enquanto o terapeuta avaliar o músculo indicador. A
posição do pulso radial tocada pelo paciente que diminuir o tônus do músculo indicador mostra o meridiano com excesso de
energia.
f) Todo o procedimento acima descrito pode ser repetido em forma de Desafio, permitindo diagnosticar meridianos com
deficiência.

MEDIDAS PARA SENSIBILIZAR OS TESTES MUSCULARES


A) Compatibilizar emocional e energeticamente o paciente ao terapeuta tocando levemente as eminências frontais da
cabeça do paciente durante 1 minuto. As eminências frontais correspondem aos pontos neurovasculares do Vaso Concepção e
do meridiano do Estômago. Tais pontos também são chamados de "Emotional Stress Release Points", servem para neutralizar a
tensão emocional e reativar o fluxo de energia do estômago e do cérebro.
B) Verificar a existência de "switching" e corrigi-lo previamente. "Switching" (Inversão de Polaridade) é um termo usado
por Goodheart para descrever um tipo de confusão corporal. É uma manifestação diferente da assimetria entre os hemisférios
cerebrais. É um problema do circuito eletromagnético do corpo que impede a pessoa ficar centrada. Isto acontece porque as
"mensagens" elétricas ou "ordens" que provêm de um dos hemisférios cerebrais não conseguem chegar ao seu destinatário
(geralmente no lado oposto do corpo), ou chegam muito tarde. Provoca sutis dificuldades de percepção e conduz a um vago
sentimento de confusão. Pode causar a dislexia (sutil incapacidade para a leitura). Muitas crianças com problemas neurológicos
principalmente quando envolvem a fala e a leitura apresentam o fenômeno de "switching". Tal fenômeno pode ser evidenciado de
várias maneiras:
1) O padrão normal do andar de uma pessoa mostra um padrão cruzado - avançar braços e pernas contralaterais.
Entretanto quando uma pessoa apresenta inversão, se lhe pedirmos que caminhe rapidamente é provavel que ela balance o
braço e a perna do mesmo lado em cada passada.
2) Há desequilíbrio dos hemisférios cerebrais com predomínio do esquerdo, e assim, a leitura de um trecho de prosa
enfraquece o músculo indicador. Se ler o mesmo trecho de trás para frente, palavra por palavra, o músculo indicador se
normaliza. O individuo apresenta no caso domínio do hemisfério E, tende a trabalhar sob considerável stress nervoso e
emocional, e assim, a simples leitura exige-lhe tal esforço que diminui suas energias.
3) O paciente apresenta grande número de músculos desequilibrados. Percorrer a mão a favor do fluxo da energia de
um meridiano deficiente não corrige a fraqueza do músculo correspondente. Ao percorrer a mão no sentido contrário o músculo
fortalece, isto indica a ocorrência da "inversão do meridiano", fazendo parte do "switching" geral do corpo.
4) Havendo inversão, os olhos não conseguem trabalhar juntos de forma integrada. As pessoas se cansam facilmente,
a leitura visual causa-lhes sono, o movimento dos músculos oculares para focalizar o texto enfraquece os músculos do corpo.
Para evidenciar isso, escolha um bom músculo indicador. Teste o músculo com os olhos movidos o mais longe possível para
qualquer direção, sem movimentar a cabeça. Se enfraquecer o músculo indicador em qualquer uma das direções, considera ter
ocorrido a "Inibição Visual", indicativo de "switching".
5) "Switching" altera o fluxo de energia dos circuitos complementares. Podemos testar o fluxo energético em 8 dos
tibetanos que circula nas faces anterior ou posterior do tronco. Para testar, passe a mão primeiro do ombro esquerdo para o ilíaco
direito e do ilíaco esquerdo para o ombro direito, analisando imediatamente um músculo indicador. Em seguida, iniciamos nova
figura em 8 começando do ombro direito para o ilíaco esquerdo, e do ilíaco direito para o ombro esquerdo, testa-se imediatamente
um músculo indicador. Ocorrendo fraqueza em qualquer fase do teste, podemos concluir pela existência de "switching".
6) Aplicar LT do ponto R27 direito ou esquerdo, isto mostra a inversão direito-esquerdo. A correção é feita tocando o
umbigo e massageando simultaneamente os pontos R27.
7) Aplicar LT do umbigo ou do cóccix, isto mostra a inversão anterior-posterior. A correção é feita tocando o umbigo e
massageando o cóccix.
8) Aplicar LT do ponto VG26 ou do VC24, isto mostra a inversão superior-inferior. A correção é feita tocando o umbigo
e massageando ambos os pontos.
O "switching" enfraquece o timo e os músculos. A confusão cerebral e energética provocada pode afetar as respostas
musculares e falsear os testes, portanto, "switching" deve ser corrigido pelo menos temporariamente para permitir respostas
musculares fidedignas. As atividades físicas que envolvem o emprego de ambos os braços ou pernas ao mesmo tempo, ou do
braço e perna homolaterais simultaneamente provocarão a inversão. Por exemplo, halterofilismo, remo, ciclismo, tenis etc. O
stress, a má postura, metais cruzando a linha mediana do corpo sem fechar um círculo completo (óculos, dentaduras etc.), podem
causar a confusão cerebral do "switching". A correção do "switching" deve ser realizada da seguinte forma: o terapeuta deve
colocar uma mão sobre o umbigo e colocar a outra mão massageando vigorosamente por uns 20 segundos os pontos R27
(Palácio dos pontos de Assentimento). Testa-se o músculo indicador novamente para verificar a eficiência da correção. Esta
manobra permite pelo menos uma correção temporária afastando a influência do "switching" durante a sessão. Uma vez corrigido
o "switching", caso persistirem fraquezas musculares, devem pesquisar problemas posturais ou disarmonia energética nos
meridianos. O estímulo dos pontos R27-umbigo mais as correções apropriadas das fraquezas musculares devem proporcionar
suficiente equilíbrio muscular e energético. Quando os músculos responderem ao tratamento mas enfraquecem logo depois,
devemos receitar ao paciente os exercícios "Cross-Crawl". Tais exercícios consistem em movimentar o braço e a perna
contralateral simultaneamente, uns 25 ciclos completos de cada vez, 3 a 4 vezes por dia. Use tantos movimentos contralaterais,
diferentes, quantos puderem ser imaginados para melhorar a flexibilidade. É indicado especialmente para pessoas ou crianças
com dificuldade de aprendizagem ou coordenação, como, por exemplo, na dislexia. A falta de comunicação entre VC e VG
provoca "switching". Este problema pode ser evidenciado através da LT dos pontos VC24 e VG26. O tratamento pode ser feito
pressionando firmemente de 20 a 30 s os pontos VC24 e VC2, ou VG26 e VG1. Em geral deve existir uma subluxação vertebral
na região do B16 (Assentimento do VG - entre T6 e T7). Pode realizar Desafio e se necessário, corrigir a subluxação.

C.A. E OS 5 ELEMENTOS
Baseada nas medicinas antigas asiáticas e nas técnicas de CA, estabeleceu-se um método para diagnóstico da
circulação de energia entre os 5 Elementos. O paciente faz a LT do umbigo, primeiro com a mão direita e depois com a
esquerda. Se o músculo enfraquecer, existe excesso de energia no mesmo lado da mão que tocou o umbigo. Olhando o abdome
do paciente, imagine o pentágono dos 5 Elementos centrado no umbigo, os ângulos situados a 2 dedos transversais (4 cm) do
umbigo, com o Elemento Fogo colocado na linha mediana e acima do umbigo. Conclui-se que a Terra está à esquerda do
paciente e acima do umbigo, o Metal à esquerda e abaixo do umbigo, a Água à direita e abaixo do umbigo, a Madeira à direita e
acima do umbigo. Para determinar os Elementos com deficiência de energia, escolha um músculo indicador e realiza-se o
Desafio colocando o terapeuta seu dedo com pressão firme, no sentido centrífugo, em cada um dos pontos dos 5 Elementos
situados em torno do umbigo. Para determinar os Elementos com excesso de energia, realiza-se o teste muscular com LT, isto é,
o paciente é quem coloca o dedo sobre cada um dos pontos dos 5 Elementos. Dessa forma, podemos saber com exatidão o
estado energético de cada um dos Elementos, incusive acompanhar imediatamente cada passo de uma transferência energética
entre Elementos determinada pelo terapeuta. Por exemplo, caso seja estimulado o ponto de tonificação do Rim, R7, podemos
realizar logo após a estimulação do ponto testes musculares para avaliar o Elemento Água, ou para avaliar o meridiano do Rim, e
constatar que aumentou o nível de suas energias. Podemos também avaliar o estado energético do Metal ou do meridiano do
Pulmão após essa transferência de energia para o meridiano do Rim.

ESTIMULAÇÃO DOS PONTOS


O estímulo dos pontos pode ser realizado das formas mais variadas: agulha, moxa, esparadrapo, ímã, esfera, martelo
de 7 pontas, ultra-som, injeção, fio cirúrgico, homeopatia, bioenergia de Reich, cloreto de césio, laser etc.Entretanto, existem
formas fáceis e indolores para realizar os balanceamentos energéticos seguindo técnicas de CA.
1) Estimular pontos de tonificação ou de sedação com as polpas digitais do terapeuta, pressão leve, durante uns 30
segundos. Tendo prática, na estimulação de ponto de Acupuntura da perna, pode-se perceber uma pulsação de 70-74 batidas por
minuto após o estímulo.
2) Tonificar o meridiano percorrendo a palma da mão a favor do fluxo do meridiano ao longo de todo o trajeto, numa
velocidade não rápida, permanecendo a mão a menos de 5 cm acima do meridiano, podendo ser por cima das roupas. Para
sedar, realizar o mesmo ato percorrendo a mão no sentido contrário.

TOQUE DO TEMPORAL
Consiste em dar golpes sobre a linha diagnóstica têmporo-esfenoidal partindo de um ponto em frente à orelha, sobre a
linha, seguindo pelo processo zigomático, acompanhando a linha têmporo-esfenoidal até voltar à orelha. Deve ser introduzida
alguma informação sensorial simultaneamente. Tais informações podem ser sugestões auditivas, mensagens escritas, perguntas
mentalizadas, manobras terapêuticas ou LT. Os golpes devem ser fortes e elásticos, suficientes para ricochetear ao bater contra
o crânio. O Toque do Temporal é usado para penetrar pelos filtros sensoriais, influenciar diretamente reações terapêuticas e
controles autônomos, ou dar informações adicionais sobre LT.As reações ao Toque do Temporal dependem da dominância
cerebral hemisférica. Em pessoas destras, uma mensagem verdadeira ou positiva é aceita pela l. têmporo-esfenoidal esquerda.
Enquanto que para o lado direito, frases negativas ou falsas.Em pacientes destros, o examinador deve golpear a l.
têmporo-esfenoidal esquerda do paciente com as polpas digitais da sua mão direita aberta ou com as proeminências das
articulações metacarpo-falangianas da sua mão esquerda fechada. Assim, sobre a l. têmporo-esfenoidal direita do paciente, o
examinador deve usar as polpas digitais da mão esquerda ou as proeminências da mão direita. O paciente pode também realizar
tais golpes em si mesmo, entretanto, trocando as mãos. Por exemplo, para percutir a l. têmporoesfenoidal direita de si mesmo, a
pessoa utiliza as polpas digitais da mão direita.Através de Toques de Temporal, podem enfraquecer músculos por até 60s;
controlar sangramentos e reflexo de vômito ou salivação em procedimentos odontológicos até por 30min; controlar vícios; eliminar
medos; conferir a eficácia de um tratamento ou até melhorar seus efeitos.

TRATAMENTO DE DOR PELO TFH


Uma técnica útil para pequenas lesões, ferimentos e contusões, é a seguinte:Localize o meridiano mais proximo à
região dolorosa e teste todos os músculos associados ao tal meridiano, provavelmente encontrará os músculos com excesso ou
deficiência de energia, corrija-os adequadamente, a dor ou a congestão de energia do ponto será aliviada.Para melhorar ainda
mais, coloque levemente uma mão na região afetada ou sendo impossível, coloque acima do local. Coloque 2 dedos da outra
mão numa das extremidades do meridiano afetado e comece uma lenta progressão para chegar à região dolorosa. Aplique uma
pressão suficiente para que o paciente possa indicar a existência de outros pontos dolorosos no trajeto. Encontrando tais pontos,
mantenha a pressão no local até que a dor desapareça sob qualquer uma das mãos. Continue então da mesma forma até que
você tenha traçado todo o meridiano em ambas as direções e aliviado a dor de todos os seus pontos.

MUDRAS
Ao tocar a extremidade do polegar contra a extremidade de cada um dos outros dedos da mão (do terapeuta ou do
paciente), formam-se os mudras.Polegar contra Indicador � Problemas EstruturaisPolegar contra Médio � Problemas
Nutricionais /GenéticosPolegar contra Anular � Problemas EmocionaisPolegar contra Mínimo � Problemas ElétricosPalma da
Mão a uns 5 cm acima dos cabelos � Problemas Reativos

CONCLUSÃO
As técnicas de CA são muito úteis para o diagnóstico energético dos meridianos e 5 Elementos, serve como apoio
para a pulsologia. Todos os estudantes de Acupuntura devem aprender a CA até adquirir bom domínio da pulsologia.A CA é
importante para convencer as pessoas da existência e das sutilezas de circulação de energia de um ser vivo, e incusive
acompanhar suas evoluções durante um tratamento.As técnicas do TFH podem ser ensinadas aos leigos para que todos possam
fazer diagnósticos e prevenir futuros problemas de saúde. Eles podem utilizar simples toques manuais e obter grandes benefícios
para si, para os familiares e para os amigos.Lembrem-se, as técnicas de CA tem múltiplas aplicações: detecção de alérgenos,
indicação de medicamento homeopático, determinar fatores agressivos ambientais, alimentares, emocionais ou energéticos,
analisar acontecimentos passados e suas interferências atuais, avaliar e realizar tratamentos quiropráticos, diagnóstico dos
desequilíbrios e doenças de um paciente, orientação alimentar, detecção de mentiras etc. Muitas aplicações podem ser
imaginadas.Quero lembrar a todos que a consciência pode mentir, entretanto, o corpo ou o subconsciente NÃO MENTEM.

B I B L I O G R A F I A
1. Diamond, J.: Seu Corpo Não Mente. Editora Record, Rio de Janeiro (1983)
2. Larson, D.: Physical Balancing: Acupuncture and Applied Kinesiology. Amer. J. Acupuncture, 13: 15962 (1985)
3. Thie, J. F.: Touch for Health. DeVorss & Company, Marina del Rey (1979)
4. Valentine, Tom y Carole: Kinesiologia Aplicada. Editorial EDAF, Madrid (1986)
5. Van Benschoten, M. M. - Neuromuscular Circuit Testing for Diagnosis and Treatment of Infectious Disease and Ecologic Illness.
Amer. J. Acupuncture, 14: 355-357 (1986)
6. Walther, D. S.: Applied Kinesiology - Basic Procedures and Muscle Testing. Systems DC, Pueblo (1981)
Bento José Pereira Neto: TECE 4/99

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