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CÓDIGO DO TRABALHO (Excertos e resumos)

Artigo 127.º Deveres do empregador


1 – O empregador deve nomeadamente.
a) Respeitar e tratar o trabalhador com urbanidade e probidade;
b) Pagar pontualmente a retribuição, que deve ser justa e adequada ao trabalho;
c) Proporcionar boas condições de trabalho, do ponto de vista físico e moral;
d) Contribuir para a elevação da produtividade e empregabilidade do trabalhador, nomeadamente
proporcionando-lhe formação profissional adequada a desenvolver a sua qualificação;
e) Respeitar a autonomia técnica do trabalhador que exerça actividade cuja regulamentação ou
deontologia profissional a exija;
f) Possibilitar o exercício de cargos em estruturas representativas dos trabalhadores;
g) Prevenir riscos e doenças profissionais, tendo em conta a protecção da segurança e saúde do
trabalhador, devendo indemnizá-lo dos prejuízos resultantes de acidentes de trabalho;
h) Adoptar, no que se refere à segurança e saúde no trabalho, as medidas que decorrem de lei ou
instrumento de regulamentação colectiva de trabalho;
i) Fornecer ao trabalhador a informação e a formação adequadas à prevenção de riscos de acidente ou
doenças;
j) Manter actualizado, em cada estabelecimento, o registo dos trabalhadores com indicação de nome,
datas de nascimento e admissão, modalidade de contrato, categoria, promoções, retribuições, datas de
início e termo das férias que impliquem perda de retribuição ou diminuição de dias de férias.
2 – Na organização da actividade, o empregador deve observar o princípio geral da adequação do
trabalho à pessoa, com vista nomeadamente a atenuar o trabalho monótono ou cadenciado em função do
tipo de actividade, e as exigências em matéria de segurança e saúde, designadamente no que se refere a
pausas durante o tempo de trabalho.
3 – O empregador deve proporcionar ao trabalhador condições de trabalho que favoreçam a conciliação
da actividade profissional com a vida familiar e pessoal.

Artigo 128.º Deveres do trabalhador


1 – Sem prejuízo de outras obrigações, o trabalhador deve:
a) Respeitar e tratar o empregador, os superiores hierárquicos, os companheiros de trabalho e as pessoas
que se relacionem com a empresa, com urbanidade e probidade;
b) Comparecer ao serviço com assiduidade e pontualidade;
c) Realizar o trabalho com zelo e diligência;
d) Participar de modo diligente em acções de formação profissional que lhe sejam proporcionadas pelo
empregador;
e) Cumprir as ordens e instruções do empregador respeitantes a execução ou disciplina do trabalho, bem
como a segurança e saúde no trabalho, que não sejam contrárias aos seus direitos ou garantias;
f) Guardar lealdade ao empregador, nomeadamente não negociando por conta própria ou alheia em
concorrência com ele, nem divulgando informações referentes à sua organização, métodos de produção
ou negócios;
g) Velar pela conservação e boa utilização de bens relacionados com o trabalho que lhe forem confiados
pelo empregador;
h) Promover ou executar os actos tendentes à melhoria da produtividade da empresa;
i) Cooperar para a melhoria da segurança e saúde no trabalho, nomeadamente por intermédio dos
representantes dos trabalhadores eleitos para esse fim;
j) Cumprir as prescrições sobre segurança e saúde no trabalho que decorram de lei ou instrumento de
regulamentação colectiva de trabalho.
2 – O dever de obediência respeita tanto a ordem ou instruções do empregador como de superior
hierárquico do trabalhador, dentro dos poderes que por aquele lhe foram atribuídos.

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Artigo 129.º Garantias do trabalhador
1 – É proibido ao empregador:
a) Opor-se, por qualquer forma, a que o trabalhador exerça os seus direitos, bem como despedi-lo,
aplicar-lhe outra sanção, ou tratá-lo desfavoravelmente por causa desse exercício;
b) Obstar injustificadamente à prestação efectiva de trabalho;
c) Exercer pressão sobre o trabalhador para que actue no sentido de influir desfavoravelmente nas
condições de trabalho dele ou dos seus companheiros;
d) Diminuir a retribuição, salvo nos casos previstos neste Código ou em instrumento de regulamentação
colectiva de trabalho;
e) Mudar o trabalhador para categoria inferior, salvo nos casos previstos neste Código;
f) Transferir o trabalhador para outro local de trabalho, salvo nos casos previstos neste Código ou em
instrumento de regulamentação colectiva de trabalho, ou ainda quando haja acordo;
g) Ceder o trabalhador para utilização de terceiro, salvo nos casos previstos neste Código ou em
instrumento de regulamentação colectiva de trabalho;
h) Obrigar o trabalhador a adquirir bens ou serviços a ele próprio ou a pessoa por ele indicada;
i) Explorar, com fim lucrativo, cantina, refeitório, economato ou outro estabelecimento directamente
relacionado com o trabalho, para fornecimento de bens ou de serviços aos seus trabalhadores;
j) Fazer cessar o contrato e readmitir o trabalhador, mesmo com o seu acordo, com o propósito de o
prejudicar em direito ou garantia decorrente da antiguidade.

HORÁRIO DE TABALHO

Artigo 203.º Limites máximos do período normal de trabalho


1 – O período normal de trabalho não pode exceder oito horas por dia e quarenta por semana.

Artigo 204.º Adaptabilidade por regulamentação colectiva


1 – Por instrumento de regulamentação colectiva de trabalho, o período normal de trabalho pode ser
definido em termos médios, caso em que o limite diário estabelecido no n.º 1 do artigo anterior pode ser
aumentado até quatro horas e a duração semanal pode atingir sessenta horas, só não se contando nestas o
trabalho suplementar prestado por motivo de força maior.

Artigo 205.º Adaptabilidade individual


1 – O empregador e o trabalhador podem, por acordo, definir o período normal de trabalho em termos
médios.
2 – O acordo pode prever o aumento do período normal de trabalho diário até duas horas e que o trabalho
semanal possa atingir cinquenta horas, só não se contando nestas o trabalho suplementar prestado por
motivo de força maior.

Artigo 206.º Adaptabilidade grupal


O instrumento de regulamentação colectiva de trabalho que institua o regime de adaptabilidade previsto
no artigo 204.º pode prever que:
a) O empregador possa aplicar o regime ao conjunto dos trabalhadores de uma equipa, secção ou
unidade económica caso, pelo menos, 60% dos trabalhadores dessa estrutura sejam por ele
abrangidos, mediante filiação em associação sindical celebrante da convenção e por escolha
dessa convenção como aplicável.

Artigo 208.º Banco de horas


1 – Por instrumento de regulamentação colectiva de trabalho, pode ser instituído um regime de banco de
horas […]
2 – O período normal de trabalho pode ser aumentado até quatro horas diárias e pode atingir sessenta
horas semanais, tendo o acréscimo por limite duzentas horas por ano [a compensação do trabalho
prestado em acréscimo pode ser feita mediante redução equivalente do tempo de trabalho, pagamento em
dinheiro ou ambas as modalidades]

Artigo 209.º Horário concentrado


1 – O período normal de trabalho diário pode ter aumento até quatro horas diárias: a) Por acordo entre
empregador e trabalhador ou por instrumento de regulamentação colectiva, para concentrar o período

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normal de trabalho semanal no máximo de quatro dias [ou três dias de trabalho consecutivo seguidos no
mínimo de dois dias de descanso].

CONTRATOS
Artigo 148.º Duração de contrato de trabalho a termo
1 – O contrato de trabalho a termo certo pode ser renovado até três vezes e a sua duração não pode
exceder a) 18 meses, quando se tratar de pessoa à procura de primeiro emprego; b) dois anos, nos demais
casos previstos no n.º 4 do artigo 140.º [lançamento de actividade de duração incerta ou início de
laboração de empresa ou estabelecimento com menos de 750 trabalhadores e contratação de trabalhador à
procura de primeiro emprego ou em situação de desemprego de longa duração]; c) três anos, nos
restantes casos.
Contratos de muito curta duração – em actividade sazonal agrícola ou para realização de evento turístico
de duração não superior a uma semana (Artigo 142.º)
Trabalho a tempo parcial – correspondente a um período normal de trabalho semanal inferior ao
praticado a tempo completo em situação comparável (Art. 150.º, n.º1).
Trabalho intermitente – pode existir em empresas com actividade descontínua ou intensidade variável,
não podendo ser inferior a seis meses a tempo completo, por ano, dos quais pelo menos quatro
consecutivos.
Trabalho temporário – contrato de trabalho celebrado entre uma empresa de trabalho temporário e um
trabalhador, pelo qual este se obriga, mediante retribuição daquela, a prestar a sua actividade a
utilizadores, mantendo-se vinculado à empresa de trabalho temporário (Artigo 172.º). O trabalhador tem
direito, em proporção da duração do respectivo contrato, a férias, subsídio de férias e de Natal bem como
a outras prestações regulares e periódicas a que os trabalhadores do utilizador tenham direito por trabalho
igual ou de valor igual (Artigo 185.º, n.º 6).

PROTECÇÃO À MATERNIDADE E PARENTALIDADE

Os pais podem gozar de uma licença partilhada de um ano por nascimento de filho. Nos primeiros cinco
meses, a remuneração é paga na totalidade, passando no mês seguinte para 83% daquela e nos seguintes
para 25%.
Aumenta de 45 para 60 dias de faltas para assistência à família (cônjuge, pais e irmãos), sendo que para
filhos menores de 12 anos, os pais podem faltar até 30 dias e para maiores de 12 anos apenas 15 dias. Os
avós passam a poder faltar, em substituição dos pais, em caso de doença ou acidente para prestar
assistência inadiável e imprescindível, a neto menor.

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