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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO


FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA

YANCKA NAYARA DIAS DE SOUZA

O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DAS LUTAS: UM OLHAR


SOBRE O TAE KWON DO

BELÉM-PA
2019
;
YANCKA NAYARA DIAS DE SOUZA

O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DAS LUTAS: UM OLHAR


SOBRE O TAE KWON DO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como requisito parcial para
obtenção do grau de licenciatura em
Educação Física.
Orientador: Prof. Ms. Joselene Mota
Ferreira.

BELÉM-PA
2019
;
YANCKA NAYARA DIAS DE SOUZA

O ENSINO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA PERSPECTIVA DAS LUTAS: UM OLHAR


SOBRE O TAE KWON DO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como requisito parcial para
obtenção do grau de licenciatura em
Educação Física.
Orientador: Prof. Ms. Joselene Mota
Ferreira

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________________
Prof. Ms. Joselene Mota Ferreira (Orientador)

____________________________________________________________
Profa. Ms. Gláucia Lobato Kaneko (Membro)

____________________________________________________________
Prof. Ms. Osvaldo Galdino dos Santos Júnior (Membro)

Belém, 03/01/2019
;
Dedico este trabalho a minha vovó
Maria Luisa, que é meu esteio e me mima
muito há 22 anos e a minha tia Edna (in
memoria), mulher guerreira que alegrou
nossas vidas e deixou saudade em nos
nossos corações.

;
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida, sem essa permissão eu
não teria chegado até aqui, foram anos difíceis e cheios de livramentos pelo
percurso.
Agradeço a todas minhas famílias, sem exceção, pois cada uma me ajudou
nesses árduos anos. Meu pai que sempre me incentivou a seguir meu sonho e
escolher Educação Física, a minha mãe que foi incansável na busca pelo melhor
para minha vida, trabalhou muito para dar o melhor a mim e entendeu minhas
escolhas durante minha caminhada, a minha vó Maria Luisa que dividiu não só o
quarto comigo, mas também os momentos de estudo, de noites mal dormidas e de
café durante a madrugada ou suas moedinhas contadas. A minha tia Ana que foi
minha base da educação, me ensinou os primeiros passos da licenciatura, me
ajudou muito nos anos iniciais da graduação me ajuda até hoje em tudo. Minha tia
Adriana que sempre estendeu a mão para ajudar no que podia. O meu muito
obrigada também a todos os outros que me ajudaram diretamente ou indiretamente.
Agradeço também aos meus amigos Nathalia, Danilo e suas famílias, aqueles
que estiveram comigo desde o Gentil, e me proporcionaram momentos únicos de
alegrias, me salvaram várias vezes e me deram abrigo.
A minha família da graduação, que dividiram comigo as felicidades, medos,
desafios da formação, aos colegas de sala e da UFPA, em especial ao meu irmão
Gilberto que foi o irmão que não tive, ele é uma pessoa impar, que me enche de
orgulho e ajudou constantemente em todos os trabalhos, além de me inspirar a ser
melhor nessa graduação.
Aos professores que me ensinaram muito, desde minha base, professores
que me ensinaram valores e o amor por educar e EF, até os queridos professores da
Federal que me ensinaram grandiosamente sobre meu amor que é a Educação
Física, em especial, minha orientadora Joselene, obrigada pelo apoio sempre.
Por fim, a pessoa que me inspira diariamente a seguir a Educação Física,
minha amada Denise (Dê), que além de ser uma ótima profissional, passou noites
em claro comigo arrumando trabalho, puxou minha orelha para que eu fizesse o
melhor sempre, viu a construção da monografia desde o inicio e me instruiu
sabiamente sobre iniciação científica, além de me dar comida, abrigo e ser tão
parceira.

;
RESUMO
A formação em Educação Física (EF) vincula saberes de diferentes áreas, biológicas
e humanas, característica exclusiva que a diferencia de outras licenciaturas. Diante
deste contexto, apontamos, tal qual Taffarel (2006), que o trabalho pedagógico deve
se constituir, para além do conhecimento das técnicas e das características
esportivas, ilustrando também a perspectiva de modalidades como facilitadoras do
desenvolvimento humano e forte elemento de transformação social. Nesse sentido,
a pesquisa teve como objetivo identificar a metodologia de ensino da educação
física na modalidade Tae Kwon Do. O estudo se caracterizou como explicativo, a
coleta de dados deu-se por meio das literaturas clássicas, jornais, artigos e mídias
eletrônicas que abordassem ao tema. Possui, então, uma abordagem qualitativa e
delineamento de pesquisa bibliográfica. Para a análise dos dados utilizou-se a
análise do conteúdo. Pensando nisso, buscou-se resolver as seguintes questões
norteadoras: Quais as metodologias de ensino da educação física? Qual a
metodologia de ensino da educação física no conteúdo lutas? Como se aplica a
metodologia de ensino da educação física no conteúdo lutas na modalidade Tae
Kwon Do? Como resultado identificou-se existem duas dicotomias no Taekwondo,
uma quanto a ser Arte Marcial ou Modalidade Esportiva de Combate e outra quanto
o distanciamento entre o treinamento em espaços não escolares e o ensino em
espaço escolar.
Palavras-chave: Tae Kwon Do; Metodologia de ensino; Educação Física

;
ABSTRACT
The graduation in Physical Education (PE) is related to different areas, biological and
human, the unique characteristic that the differentiation of degrees. In this context,
we pointed, like Taffarel (2006), that we work casual work was the knowledge of
personal information and the performance of social social women. In this sense, a
research had as main methodology of teaching of physical education in the modality
Tae Kwon Do. The study was characterized as explanatory, a collection of data took
place through the classical literatures, articles and electronic media that approached
the theme. It has, then, a qualitative approach and delineation of bibliographic
research. For a data analysis a content analysis was used. Thinking about this, he
sought to solve the following guiding questions: What are the teaching methods of
physical education? What is the methodology of teaching physical education not
content struggles? How does the methodology of physical education apply to the
content of Tae Kwon Do? As a result, you should have two classes on Taekwondo,
one on Martial Art or Combat Sports, and the Distances between Non-School Spaces
Training and Schooling.
Keywords: Taekwondo, Teaching Methodology, Physical Education.

;
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 9
2 OBJETIVOS ................................................................................................... 10
2.1 OBJETIVO GERAL ......................................................................................... 11
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................... 11
3 METODOLOGIA ............................................................................................. 11
4 REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................... 13
4.1 METODOLOGIA DE ENSINO: O ANTES E O AGORA ................................... 13
4.2 METODOLOGIA DO ENSINO DAS LUTAS: COMO É QUE FAZ? ................. 20
4.3 LUTAS EM DIVERSOS ESPAÇOS E PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS:
TAEKWONDO E SUAS POSSIBILIDADES. ............................................................ 24
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................................... 26
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ......................................................... 28
7 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 31

;
9

1. INTRODUÇÃO
Esta pesquisa configura-se como um Trabalho de Conclusão de Curso e teve
sua origem quando a pesquisadora deparou-se com a temática de lutas e sua
prática em locus diversos, pois, além de praticar o Taekwondo num centro de
treinamento tradicional desde a infância - graduando-se até faixa preta -, enquanto
discente do curso de Educação Física da Universidade do Estado do Pará (UFPA)
foi convidada a ministrar aulas no projeto “Artes Marciais na UFPA”; o que promoveu
afinidade entre as leituras que tratam da temática Lutas e ensino. Acrescido a isso, a
temática incidiu das caminhadas investigativas no decorrer de uma disciplina
relacionada: “BTM das Lutas”, em 2017, instigando a aproximação entre o tema e a
pesquisadora. Onde procurou-se como identificar os métodos, técnicas e regras das
lutas, especificamente o Tae Kwon Do, a fim de promover a ampliação do
conhecimento desta prática.
Existem pesquisadores que dialogam sobre a metodologia de ensino e lutas,
como por exemplo, Campos (2014), Gomes (2008), Gomes et al (2010); Breda
(2010) demonstrando que há possibilidades de utilizar esse conteúdo da Educação
Física na escola. Bem como, há artigos que abordam os entraves para o conteúdo, a
falta de espaços apropriados e professores especializados, além de dialogar com o
processo de ensino aprendizagem, propondo alternativas para o ensino do
conteúdo, como por exemplo, “Das Lutas populares às Lutas nas olimpíadas e
metodologia do ensino das Lutas: Uma proposição crítico-superadora”, “A
tematização das lutas na Educação Física Escolar: restrições e possibilidades”,
“Pedagogia das lutas: o processo de ensino-aprendizagem nas modalidades de
combate”. Há também limites que partem não só de espaços, mas também do
preconceito dos pais com o ensino de lutas na escola, nesses trabalhos expõem
inúmeras maneiras de mostrar os tipos de lutas e propostas metodológicas.
A metodologia em sua origem etimológica significa “estudo dos métodos”, o
que significa dizer que numa definição mais simples seria estudar (conhecer) os
caminhos para atingir um objetivo, ou seja, é o ato de planejar estratégias com o fito
de orientar o processo de ensino-aprendizagem para alcançar uma meta. No que
tange a Educação Física, há um ponto de flexão a partir da década de 80, pois o que
antes apropriava apenas de práticas tecnicistas - no período higienista -, passa a
vislumbrar novas abordagens, onde o sujeito ganha o caráter crítico-reflexivo.

;
10

A metodologia de ensino das lutas se vale da Pedagogia do Esporte1,


dividindo-se em: técnico-tático, socioeducativo e histórico-cultural, o que serve de
suporte para se aproximar da realidade encontrada. Entretanto, as lutas possuem
importância histórica e social (DARIDO, 2012) e para que a Educação Física consiga
atingir de forma eficaz e agregar as lutas em seus diversos significados, na realidade
dos indivíduos, é essencial o planejamento metodológico, a fim de oportunizar um
importante conteúdo e desmistificar o conceito de que luta e briga são a mesma
coisa.
Outrossim, as Lutas (L), as Artes Marciais (AM) e as Modalidades de Esportes
de Combate (MEC) encontram entraves para a sua vivência plena na sociedade
mediante a atual conjuntura, onde a violência ganha um enfoque negativo e,
vinculado a isso, a lutas são vistas como forma de incentivo à violência. Dessa
forma, a sociedade tem, por vezes, a prática dessa manifestação corporal - que é
necessária dentro da diversificação cultural - (ESPARTERO, 1999 apud DEL
VECCHIO e FRANCHINI, 2006), negligenciada.
Pensando nisto, a relevância científica deste trabalho dá-se por identificar as
metodologias de ensino da educação física na perspectiva da modalidade Tae Kwon
Do (TKD), fomentando o ensino dessa prática em qualquer ambiente, seja escolar
ou não-escolar, logo, expor o que vem sendo feito, além de, utilizar do conhecimento
científico para possibilitar ao professor/instrutor trabalhar com a metodologia para o
ensino do TKD. O produto resultante desta investigação visualizar-se-á pela
comunidade que terá acesso ao embasamento científico, possibilitando a melhora
da aprendizagem sobre lutas.
Neste estudo intitulado “O ensino da educação física na perspectiva das lutas:
um olhar sobre o Tae Kwon Do” procura-se explicar: Como se dá a metodologia de
ensino da educação física na perspectiva da modalidade Tae Kwon Do? E, partindo
deste, a pesquisa deverá responder os seguintes questionamentos: Quais as
metodologias de ensino da Educação Física? Qual a metodologia de ensino da
educação física no conteúdo lutas? Como se aplica a metodologia de ensino da
educação física no conteúdo lutas na modalidade TKD?
2 OBJETIVOS

1
A vertente que se preocupa com o estudo sistemático dos aspectos educacionais dos processos de ensino e aprendizagem
e da prática pedagógica relacionados ao esporte é caracterizada como pedagogia do esporte, também denominada de
pedagogia do desporto (em Portugal). (RUFINO & DARIDO, 2012)
;
11

2.1 Objetivo geral:


Identificar a metodologia de ensino da educação física na perspectiva da
modalidade Tae Kwon Do.
2.2 Objetivos específicos:
Apresentar as metodologias de ensino da Educação Física;
Expor a metodologia de ensino da educação física no conteúdo lutas;
Caracterizar a aplicação da metodologia de ensino na educação física no
conteúdo lutas na modalidade TKD;
3 METODOLOGIA
Este estudo se insere no enfoque Materialista Histórico (crítico-dialético), no qual,
segundo seu conceito, enfatiza a análise histórico-crítica do cotidiano, Triviños
(1987, p. 51) afirma que “O materialismo histórico é a ciência filosófica do marxismo
que estuda as leis sociológicas que caracterizam a vida da sociedade, de sua
evolução histórica e da prática social dos homens, no desenvolvimento da
humanidade”.
Entre outros fatos o materialismo histórico busca compreender as dimensões
de alguns conceitos fundamentais como a sociedade, formações socioeconômicas,
estrutura social, organização política da sociedade, a cultura, vida espiritual,
concepção do homem, etc. São características do materialismo histórico o
reconhecimento de que a consciência humana é reflexo da matéria, assim como a
ideia de considerar que todos os fenômenos, objetos e processos são materiais, e
também o conceito de que o homem é capaz de conhecer a realidade que se
desenvolve através dos anos, ou seja, o homem diante de uma situação, a priori só
é capaz de distinguir o objeto, fenômeno ou processo por sua qualidade, somente
com o passar dos anos que torna-se possível identificar os aspectos quantitativos, a
essência, a causa. (TRIVIÑOS, 1987)
A fundamentação do materialismo histórico se enquadra no método dialético,
ao qual Marx e Engels também definiram suas bases. Assim, para Gil (2008, p. 14):
A dialética fornece as bases para uma interpretação dinâmica. E segundo Mondin
(1980) apud Assis; Pinto; Santos (2011), a cultura tem como característica enfatizar
os costumes, as técnicas e os valores de um grupo social, de um povo ou de uma
nação, consolidados durante os séculos, isto é, o modo de viver de uma
determinada sociedade, no sentido de que os paradigmas inscritos culturalmente

;
12

influenciam no seu modo de pensar e agir totalizante da realidade, já que estabelece


que os fatos sociais não podem ser entendidos quando considerados isoladamente,
abstraídos de suas influências políticas, econômicas, culturais etc.
As pesquisas de caráter histórico seguem o viés da pesquisa bibliográfica e
de natureza qualitativa. Logo, utilizaremos a abordagem caracterizada como
qualitativa em que de acordo com Minayo (1995):
A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se
preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não
pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que
corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos
e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização
de variáveis. (p.21-22).
Esta abordagem permite compreender os processos sociais ainda pouco
conhecidos – caso da metodologia de ensino no TKD – isto faz com que haja a
possibilidade de revisar concepções antigas, construir novos conceitos, novas
hipóteses durante a pesquisa, abrindo um leque de discussões a serem
consideradas para depois serem feitos novos estudos sobre. (MINAYO, 2007)
Desta forma, Minayo (2007, p. 57) esclarece que “o método qualitativo é o
que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças,
das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem
a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e
pensam”.
Para obter as informações e encontrar subsídios que sustentem a
fidedignidade do tema proposto e para alcançar o objetivo do mesmo, baseando-se
na linha designada pelo Materialismo Histórico e a abordagem qualitativa,
utilizaremos a pesquisa bibliográfica conceituada por Lakatos e Marconi (1999, p.
73) como:
A pesquisa bibliográfica abrange toda a bibliografia já tornada pública
em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins,
jornais, revistas, livros, pesquisas, monografia, teses, material
cartográfico, etc., até meios de comunicação orais: rádio, gravações,
fita magnética e audiovisual: filmes e televisão. Sua finalidade é
colocar o pesquisador em contato direto com tudo que já foi escrito,
dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências
seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma,
quer publicadas quer gravadas.
Na pesquisa bibliográfica, o pesquisador atribui ao seu conhecimento uma
infinidade de fenômenos de maneira mais ampla, o que não ocorre quando se faz a
;
13

pesquisa direta, e isto acaba se tornando um benefício quando o problema de


pesquisa demanda dados muito dispersos pelo espaço. Este tipo de pesquisa torna-
se essencial quando o estudo é histórico, muitas vezes é até impossível investigar
fatos passados sem o uso da bibliografia. (GIL, 1991)
Considerando a caracterização do presente estudo como pesquisa
bibliográfica, e que apresenta elementos históricos para sua confecção,
empregaremos o Estudo Exploratório com o intuito de “proporcionar maior
familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir
hipóteses” (GIL, 1991, p. 45), tem como objetivo principal a identificação/descoberta
de aspectos relacionais entre a Educação Física e as metodologias de ensino
através das lutas, o que permitiu, através do olhar totalizante, compreender a
estrutura significativa de tais atividades e relacioná-las a Educação Física.

4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

4.1 METODOLOGIA DE ENSINO: O ANTES E O AGORA


Neste capítulo, inicialmente, aborda-se (faz-se um recorte histórico sobre) a
construção histórica das metodologias de ensino da educação física, tendo como
base Libâneo (1994), Soares et al (1992). Posteriormente, dialoga-se com Taffarel
(2016), Brach (2005) e outros autores sobre as perspectivas atuais da educação
física.
Para entender sobre Metodologia de ensino da Educação Física,
primeiramente precisa-se pensar em o que é essa “Educação Física” e como esse
termo foi construído ao longo da história no Brasil. Para Soares (2004) a Educação
Física no Brasil inicialmente teve o caráter essencialmente higienista, onde o
pensamento médico era valorizado, seguindo as tendências européias de educação
corporal, onde o trabalhador deve ser útil ao capital, ou seja, dentro das relações
sociais, a burguesia impõe a ideia de que o corpo é um produto, que deve ser
cuidado para que produza, afirmando que a Educação Física é:
[...] um valioso componente curricular com acentuado caráter
higiênico, eugênico e moral, caráter esse desenvolvido segundo os
pressupostos da moralidade sanitária, que se instaura no Brasil a
partir da segunda metade do século XIX. (SOARES, 2004, p. 71)
Porém, esse período inicial surge de forma gradual e se instaura inicialmente
nas elites, já que não era vontade do estado modificar a família da classe

;
14

trabalhadora, que caberiam outras políticas médicas. Surge a “política familiar” para
que fosse fortificada a superioridade dos brancos, e, além disso, para que
diminuísse os índices de mortalidade e a precarização da saúde. A sociedade
deveria ser modificada através de ações pedagógicas, assim hegemonia burguesa
da elite continuaria de forma integral. “A educação física 2 e então valorizada pelas
elites dirigentes e figura em publicações que tratam de questões de saúde em geral,
de moral ou de educação” (SOARES, 2004). Essa educação física era voltada para
um conjuntos de normas, desde como tomar banho até como praticar exercícios.

O cenário muda apenas na época do Império, onde a educação física passa a


ser para toda a população, visto que o trabalhador assalariado se torna mais
predominante. Toda a educação física higienista era bem delimitada, existiam
normas a serem seguidas, inclusive relacionadas ao ócio, que era visto como uma
recompensa do trabalho, além de ser um período de recuperação.
Neste conjunto - disciplina-tempo-ordem - em que se fundamenta a
educação das elites (educação a ser ministrada pelos Colégios),
ganha espaço a Educação Física, uma vez que o físico disciplinado
era uma exigência da nova ordem em formação. Disciplinar o físico,
portanto, era o mesmo que disciplinar o espírito, a moral e, assim,
contribuir para a construção daquela nova ordem. (SOARES, 2004,
p. 79)
A ginástica nesse período ganha enfoque, como um trabalho de base comum
a todos na escola, já que ela é comum na Educação Física nesse período pelas
próprias tendências européias que recaem sobre o Brasil, porém existia uma
distinção relacionada ao sexo e a idade, Soares (2004) explica que “Canto,
declamação, piano eram indicados para as meninas; salto, carreira, natação,
equitação e esgrima, para os meninos; e dança, para meninos e meninas”.

Seguido a isso, acontece um período de novas ideias sobre a educação, a


necessidade da mão-de-obra ser mais viabilizada, é suprida pela imigração e com o
processo civilizatório imposto pelo capitalismo mais evidente, faz o Brasil ter que
pensar numa maneira da elite “domesticar” essa população livre, que utiliza da
Educação Física como meio de consolidação. Nos últimos anos do Império, Soares
(2004) expõe a visão de que tinha a sociedade era que a “ignorância deste (o povo)

2
Soares (2004) utiliza de duas formas o termo, nesse caso, em minúsculo, remete a educação física como prática, já em
maiúsculo, como uma área do conhecimento.
;
15

impedia a entrada do país no mundo da modernidade”. Ainda Soares (2004) afirma


que:
É importante frisar que não há, por parte da elite brasileira, uma
assimilação distraída, indiferenciada ou simplesmente imitativa das
teorias sociais que se encontram plenamente desenvolvidas na
Europa do século XIX [..] O que existe é uma assimilação seletiva e
até hierarquizada de apropriação/difusão do ideário europeu pela
elite brasileira mais identificada com o novo. (p. 90)
Após esse momento, inicia-se a República, onde continua o mesmo cenário,
até que a população começa a ver com outros olhos essa imposição do Estado,
esse descontentamento torna-se muito evidente na Revolta da Vacina3, onde o
descontentamento da população foi a primeira resistência ao modelo imposto. surge
então a Associação Brasileira de Educação (ABE), com a Escola Nova, um novo
referencial de educação. Nesse processo, a Associação Cristã de Moços (ACM)
apresentou a tese específica sobre a educação física no I Congresso Brasileiro de
Higiene. Já no V Congresso surge a primeira ideia institutos de Educação Física
voltadas para a formação de técnico em Educação Sanitária.

Inicialmente, pensava-se Educação Física como uma prática que estava


relacionada essencialmente a saúde, conhecido como o período
higienista/militarista, onde os corpos eram treinados, moldados para serem
saudáveis e úteis, vê-se nesse primeiro período a prevalência dos corpos dóceis4.
Com o passar do tempo, novos olhares surgem sobre o papel da Educação Física e
sua importância, a partir da década de 1990, a Educação Física é reformulada, onde
o ser passa é visto como crítico e capaz de dialogar, então, nesse período,
prevalece a produção estudos sobre a didática, trato pedagógico. A Educação Física
já não é mais apenas saúde, mas também, educação, com o viés pedagógico:
A pedagogia é a teoria e método que constrói os discursos, as
explicações sobre a prática social e sobre a ação dos homens na
sociedade, onde se dá a sua educação. Por isso a pedagogia teoriza
sobre educação que é uma prática social em dado momento
histórico. (Soares et al, 1992, p. 14)
Nesse viés educacional a inserção nas escolas em séries iniciais é
imprescindível, onde a Educação Física auxilia na formação de um ser crítico e
reflexivo. Em vista disso, autores começam a pesquisar e produzir sobre como a

3
A chamada "Revolta da Vacina" foi uma insurreição popular ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX. A revolta
ocorreu como uma reação popular à campanha da vacinação obrigatória, posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz.
Parece que está com cor diferente.
4
Dialogando com Foucault, em Vigiar e Punir (1977)
;
16

Educação Física deve acontecer na escola, nesse espaço que o professor pode
contribuir para a formação de um cidadão. Surgem termos como formação de
professores, trato pedagógico, metodologia de ensino, métodos de ensino e outros.
Tratando sobre métodos, Libâneo (1994) define como os métodos de ensino
tudo aquilo que é feito para atingir o objetivo, os procedimentos construídos pelo
professor para que os alunos adquiram o conhecimento, quanto a isso, divide os
métodos de ensino em: Método de exposição pelo professor (onde o professor é o
centro e detentor do conhecimento); Método de trabalho independente (o aluno é o
centro, e o professor mediador); Método de elaboração conjunta (o professor e o
aluno estão dialogando na construção do conhecimento); Método de trabalho em
grupo (não mais um aluno, vários estarão em conjunto para resolver um problema
ou descobrir algo); Atividades especiais (atividades que complementam as aulas,
normalmente para dar significado mais palpável ao conteúdo apresentado). Cada
um desses métodos dão ao professor possibilidades de ensino, maneiras para o
docente passar o conteúdo, facilitando o discente de aprender e atingir a meta feita
no planejamento.
Quanto a metodologia de ensino em Educação Física, é um processo não
mais apenas de métodos, mas também de concepções de ensino, mostrando os
autores que discutem pedagogia como Freire (1989), Kunz (2206), Go Tani (1988)
entre outros, e descrevendo o processo ensino-aprendizagem, tratando desde a
organização da aula, até a seleção de conteúdo, maneiras de explicar, de utilizar
meios de avaliação, segundo Soares et al (1992):
[...] é entendida como uma das formas de apreensão do
conhecimento específico da educação física, tratado a partir de uma
visão de totalidade, onde sempre está presente o singular de cada
tema da cultura corporal e o geral que é a expressão corporal como
linguagem social e historicamente construída. (p.11)
Nesse mesmo período, Manfredi (1993) discutia sobre as diferentes
concepções da metodologia de ensino, levando em conta que ela é plural, divide
então em: concepção tradicional de educação; concepção escolanovista de
educação; concepção tecnicista de educação; concepção crítica de educação;
concepção histórico-dialética de educação. Sabendo dessas definições, pode-se
afirmar que a metodologia é a parte mais complexa do ensino, que planeja através
de uma abordagem o ensino de um objeto.

;
17

Fazendo um paralelo entre os Métodos e Metodologias de ensino, pode-se


afirmar que método de ensino são os meios pelo qual o professor segue para atingir
o objetivo proposto e metodologia de ensino é o conjunto de processos que o
professor se apropria, baseado numa concepção de pedagogia e ensino,
delimitando exatamente o que é o conteúdo e qual é o objetivo, o que facilita o
ensino-aprendizagem.
Castellani (1999, p.151) faz uma análise sobre as abordagens da educação
física e propõe uma divisão em não propositivas5 e propositivas não
sistematizadas6e propositivas sistematizadas7:
Imagem 1

CASTELLANI FILHO, Lino et al. A educação física no sistema educacional brasileiro: percurso, paradoxos e perspectivas.
1999.
Já em outra análise das abordagens em Educação Física, De Azevedo &
Shigunov (2001) elaboraram quadros dividindo em preditivas e não-preditivas:
Quadro 1 - Preditivas8

Abordagem Aulas abertas Crítico- Aptidão física Desenvolvimentista Educação


superadora física plural

Principais Hildebrandt & João Batista Coletivo de Markus v. Go tani Jocimar


autores Laging Freire autores Nahas; daolio
dartagnam p.

5
Abordam a Educação Física escolar sem contudo estabelecerem parâmetros ou princípios metodológicos ou, muito menos,
metodologias para o seu ensino, daí serem caracterizadas como abordagens. (CASTELLANI, 1999)
6
Para além do posicionamento em torno da prática pedagógica hoje configurada, concebem uma outra configuração de
educação física escolar — daí derivando a expressão concepção —, definindo princípios identificadores de uma nova prática,
sem todavia sistematizarem-nos na perspectiva metodológica acima enunciada. (CASTELLANI, 1999)
7
Além de trazerem uma concepção de ensino, trazem metodologicamente e sistematicamente uma estrutura de ensino em
Educação Física.
8
Concebem uma nova concepção de Educação Física, definem princípios norteadores de uma nova proposta.
;
18

Guedes

Obras e Concepções Educação Metodologia do Fundamentos Educação física: Educação


publicações aberta de ensino física de ensino da da aptidão uma abordagem física escolar:
corpo inteiro educação física física desenvolvimentista uma
relacionada à abordagem
saúde cultural

Área base Sociologia Psicologia Sociologia Fisiologia Psicologia Antropologia


política

Autores de Hessischer Jean-piaget; Saviani e Corbin; Gallahue Marcel Mauss


base kugturminister Michael Libâneo Bouchard
Foucault

Finalidades/ Construção Construção Transformação Promoção da Adaptação Historicidade


objetivos coletiva do social prática e da cultura
conhecimento manutenção corporal
da aptidão
física

Temática História de vida Cultura Cultura Estilo de vida Aprendizagem Diversidade


principal na construção do popular lúdica corporal ativo motora Pluralidade
movimento

Conteúdos Conhecimento Brincadeiras Conhecimento Programas de Habilidades História


sobre as diversas populares, sobre o jogo, atividades básicas, jogo, jogo, cultural das
possibilidades de jogo simbólico esporte, dança, físicas: esporte, dança formas de
movimento, e de regras ginástica escolares; ginástica, as
contextualizando comunitários lutas, as
os sentidos dos danças, os
mesmos jogos e os
esportes

Estratégia Temas Resgatar o Reflexão e Motivação e Aprendizagem do, Valorização


metodológica geradores, co- conhecimento articulação incentivo para sobre e através do das diversas
decisão do aluno com o projeto adesão de um movimento formas de
político estilo de vida expressão da
pedagógico ativo cultura do
movimento

Avaliação Não-punitiva, Não-punitiva, Avaliação Não-punitiva, Privilegia a Considera as


auto-avaliação auto- baseada no auto- habilidade, diferenças
avaliação fazer coletivo avaliação observação individuais
sistematizada como
essenciais

DE AZEVEDO, Edson Souza; SHIGUNOV, Viktor. Reflexões sobre as abordagens pedagógicas em Educação Física. 2001. (p.
6-7, adaptado)

;
19

Quadro 2 - Não preditivas9


Abordagem Crítico Emancipatória Psicomotricista Tecnicista

Principais Autores Elenor Kunz Vitor Marinho De Airton Negrine & Mauro Betti Moacir B. Daiuto,
Oliveira Mauro Guiselini José Roberto
Borsari

Obras e Transformação Educação Física Aprendizagem & Educação Qualidades


Publicações Didático-Pedagógica Humanista Desenvolvimento Física E Físicas Na E.F. e
Do Esporte Infantil: Sociedade Nos Desportos,
Perspectivas Educação Física
Pedagógicas Da Pré-Escola À
Universidade.

Área Base Sociologia Filosofia Sociologia E Psicopedagogia Sociologia e Pragmatismo


Filosofia Filosofia Norte-Americano

Autores De Base Habermas Carl Rogers Jean Le Boulch, Bertalanfy James Cousilman
Flinchum,
Pangrazi et all

Finalidades/ Emancipação Crítico Promoção Do Aprendizagem Transformação Eficiência Técnica


Objetivos Pedagógica Crescimento Através Do Social
Pessoal Dos Movimento
Alunos

Temática Principal Cultura Do Movimento Aprendizagem Aprendizagem E Cultura Esportivização


Significativa e Desenvolvimento Corporal
Potencial Criativo Motor

Conteúdos Conhecimento Sobre O Jogo, O Vivências De Vivência Atividade Física E


Os Esportes Através Do Esporte, A Dança, Tarefas Motoras Corporal: Do Iniciação
Sentido De A Ginástica Jogo, Do Esportiva
Movimentar-Se Esporte, Da
Dança, Da
Ginástica

Estratégia Contextualização Do Não Diretiva, Estimulação Das Tematização Diretiva Baseada


Metodológica Sentido Do Fazer O Aprendizagem Capacidades Na Prática
Esporte Integral Para A Perceptivo Sistemática
Vida Motoras

9
Abordam a Educação Física, sem estabelecer parâmetros, princípios norteadores ou metodologias para o seu ensino.
;
20

Avaliação Não Punitiva, Auto- Não Punitiva, Observação Observação Mensuração Da


Avaliação Auto-Avaliação Sistematizada Sistematizada Performance
Alcançada

(DE AZEVEDO & SHIGUNOV, 2001, p. 8, adaptado)

4.2 METODOLOGIA DO ENSINO DAS LUTAS: COMO É QUE FAZ?


Neste capítulo aborda-se as formas que os autores inserem o conteúdo lutas
nas aulas de educação física, utilizando Campos (2014), Gomes (2008), Gomes et al
(2010), Rufino & Darido (2012; 2015), entre outros autores, e as produções que
dialogam com metodologia de ensino, possibilidades de ensino das lutas, trato
pedagógico, lutas e educação física, Do Nascimento & De Almeida (2007), artes
marciais e modalidades de esportes de combate, Del Vecchio & Franchini (2006)
Para entender esse fenômeno Espartero, Gutierrez, Villamón (2003, tradução
nossa)10 definem como
[...] prática lúdica e agonística, está ligada à história de todos os
povos e civilizações. Sua origem remonta ao amanhecer da
humanidade, pela necessidade de defender a vida e a integridade
física diante de situações perigosas para a sobrevivência. Assim,
para subjugar violentamente o adversário, em toda a história e nas
várias civilizações, foram desenvolvidos em cada região do mundo
diferentes técnicas de combate que, em alguns casos, usavam
armas e, em outros, corpo, de acordo com as necessidades e
circunstâncias.
Quando se trata de classificação das lutas, Espartero (1999) divide em
“Esportes de Luta com agarre” que seriam as que possuem caráter de contato
contínuo, “Esportes de Luta com golpes” que possuem o caráter de toque proposital
como objetivo e “Esportes de Luta com implemento” que possuem o toque proposital
como fim, mas com o uso de objeto externo ao corpo.
Nakamoto et al (2004) consideram Luta uma categoria de jogo, regida pela
lógica da oposição que possui como características específicas o ataque e a defesa
de “alvos intrínsecos” (aos indivíduos) e a possibilidade de ataque simultâneo.
Para Gomes et al (2010) divide as lutas quanto a distância entre os
oponentes:

10
La lucha, como práctica lúdica y agonística está vinculada a la historia de todos los pueblos y civilizaciones. Su origen se
remonta a los albores de la humanidad, por la necesidad de defender la propia vida y la integridad física frente a situaciones de
peligro para la supervivencia. Así, para someter violentamente al adversario, a lo largo de la historia y en las diversas
civilizaciones, se desarrollaron en cada región del mundo distintas técnicas de combate que, en unos casos, utilizaban armas y,
en otros, el propio cuerpo, según las necesidades y circunstancias.
;
21

- Curta distância: distância entre os oponentes é mínima ou nula e para


conseguir o objetivo principal é necessário o contato direto, meio para
alcançar o objetivo.
- Média distância: espaço moderado entre os oponentes que podem se
aproximar a qualquer momento, mas não permanece o contato contínuo, o
contato é o objetivo final.
- Longa distância: uso de implemento, distância maior entre os oponentes, o
contato é o fim, mas o meio é indireto.
Como resumo, estabelecemos esse quadro:
Quadro 3 – Classificação quanto à distância
Curta distância Contato direto obrigatório Contato como meio e não como fim

Média distância Contato direto momentâneo Contato como objetivo final

Longa distância Não há contato direto Contato como objetivo final

Além disso, Gomes (2008) faz um levantamento sobre as habilidades


específicas para cada distância: curta distância - segurar, pegar, projetar, rolar, cair,
desequilibrar; média distância - chutes, socos e as sequências combinadas; longa
distância - empunhaduras, habilidades manipulativas e posturas.
Quadro 4 - Quadro de classificação das habilidades (GOMES, 2008)
CURTA DISTÂNCIA segurar, pegar, projetar, rolar, cair,
desequilibrar

MÉDIA DISTÂNCIA chutes, socos, sequências de


movimentos

LONGA DISTÂNCIA empunhaduras, habilidades


manipulativas, posturas

Gomes et al (2010) elenca denominadores comuns da luta, definindo-os em


“Princípios Condicionais das Lutas”. São eles: Contato Proposital - intenção direta ou
indireta do toque ao oponente, com ou sem implemento; Fusão Ataque/Defesa -
possibilidade de atacar e defender simultaneamente com o oponente, associação de
movimentos que possam atacar e defender mutuamente ou não clareza de um
movimento que pode ser ofensivo ou defensivo, dependendo da estratégia e
modalidade; Imprevisibilidade - devido a possibilidade de ataque e defesa

;
22

simultâneos, torna cada ação complexa, a ação-reação pode acontecer a cada


segundo e de maneira mútua entre os oponentes, onde cada movimento pode
mudar o que vem a seguir; Oponente(s)/Alvo(s) - é o objetivo do contato, sendo ele
também meio para atingir o fim, é móvel e imprevisível, além de também poder
atacar/defender; Regras - legitimam as lutas e fazem com que aconteça o combate,
define o que pode ou não pode, quando inicia ou acaba.
Elaboramos esquema explicativo sobre tais princípios:
Imagem 2 – Fluxograma dos Princípios Condicionais

Na perspectiva do Taekwondo dentre as classificações explicitadas


anteriormente, a modalidade se classifica em:
Imagem 3 – Classificação do Taekwondo

;
23

Quando se trata de atuação profissional e acadêmico-científico nas lutas,


existe uma demanda diferente quanto a atividades motoras típicas das lutas/ artes
marciais, segundo Del Vecchio & Franchini (2006) dividem em: ambiente escolar -
como estratégia para atingir os fins da Educação Física Escolar; ambiente não
escolar - nas academias, clubes, para a obtenção do domínio técnico de uma luta
específica ou condicionamento físico; esporte - profissionais para auxiliar atletas na
preparação física, técnica e tática, organizar e promover eventos. Com essa divisão
é possível pensar em uma atividade estruturada de acordo com o objetivo a ser
alcançado, utilizando de saberes técnicos e de metodologias para melhor direcionar
o aluno/cliente/atleta.

Rufino & Darido (2005) analisaram a prática pedagógica nas aulas de lutas
em espaços não escolares, onde constatou-se que acontecem através de
procedimentos divididos em: rituais e cerimônias - acontecem no início e final da
aula, além de entrada e saída do espaço de treino -, e tradição e disciplina -
relaciona-se com a própria aprendizagem por reprodução, conduta dos alunos,
tratamento por faixas, vestimenta específica e hierarquia imposta pelos mais
graduados. Em suma, os procedimentos de ensino são por reprodução, a prioridade
é por métodos parciais, ou seja, as técnicas são divididas em etapas e repetidas por
bastante tempo, e não há um cuidado quanto a divisão por idades.

Rufino & Darido (2013) afirmam que “é fato que a Educação Física ainda não
se apropriou adequadamente dos conteúdos relacionados às lutas considerando a
questão do que ensinar sobre elas na escola”, porém, é notável o avanço nas
pesquisas sobre lutas na educação física na escola, autores como Campos (2014) e
Olivier (2000) - que usam propostas das lutas com jogos de oposição -, So e Betti
(2009) que fazem um ensaio com professores para compreender o que pode ser
utilizado nas aulas de educação física, assim como Gonçalves (2016) que faz
proposições sobre a Organização do Trabalho Pedagógico, baseando-se no Coletivo
de Autores (1992)11 e utiliza como forma de proposição a Abordagem Crítico-
Superadora, dividindo em estratégias didáticas o ensino, onde são elas:
Experimentação, Problematização, Instrumentalização e Reconstrução coletiva do
conhecimento, proposto a formação de professores, a partir de análise sobre o

11
Nome utilizado pelos autores do livro “Metodologia do ensino da Educação Física” para se intitularem. Utilizado nessa
pesquisa como Soares et al (1992).
;
24

ensino das lutas em Goiânia, ou o viés teórico-prático, como faz Dias Junior (2014)
que utiliza da abordagem crítico-superadora também, para desenvolver o ensino das
lutas, propondo a divisão por ciclos, segundo Soares et al (1992), ambos se
apropriam da metodologia propositiva sistematizada, alegando que se enquadra de
melhor forma para o trato com o conteúdo lutas e sua pluralidade de contextos,
formas e possibilidades. Portanto, é evidente que há pesquisa, o que não ocorre é a
apropriação das lutas por parte dos professores, não negar esse conteúdo é
necessário.

4.3 LUTAS EM DIVERSOS ESPAÇOS E PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS:


TAEKWONDO E SUAS POSSIBILIDADES.
Por fim, visamos explicitar como o ensino do TKD é encontrado e realizado na
literatura, coadunando com o conteúdo do livro intitulado “Metodologia do ensino das
lutas na educação física escolar” e do livro “Arte marcial coreana: Taekwondo”, além
de artigos que dialogam com treinamento e prática do Taekwondo. Expondo os
autores da Educação física como Del Vecchio, Franchini, e autores da modalidade
como Lee, Kim. Que versam sobre o TKD como modalidade esportiva, arte marcial
e/ou prática escolar; Apontando, em tabela, como um profissional pode
identificar/utilizar tais informações.
O ensino das Lutas abrange, em sua maior parte, o cenário da
educação não-formal (clubes, academias e instituições), em que
praticantes que se dedicam a uma única modalidade por muito tempo
atuam como professores, mesmo sem a formação em educação
física. Esse fator enfraquece a idéia de entendimento das Lutas
como um ramo dessa área, já que podem ser lecionadas por
pessoas sem formação acadêmica específica. (Gomes, 2008, p. 61)

Na busca de material para a pesquisa, observamos a utilização de dois


termos principais quando se trata do ensino do taekwondo, o “treinamento” e o
“ensino” (pedagógico). Encontramos pesquisas de técnicas de movimento, como
Cambraia (2015) que faz um estudo sobre a aprendizagem em técnicas de golpes
do taekwondo baseando-se na pedagogia do esporte; protocolos de treinamento
baseados em movimentos específicos, como Del Vecchio et al (2013) que faz uma
análise sobre o chute bandal tchagui12 pré e pós diferentes protocolos de
treinamento; para análises biológicas de atletas, como Fortes et al (2017) que faz

12
Nomenclatura do Taekwondo para o chute lateral no tronco.
;
25

um estudo sobre o efeito de um período de redução na potência e capacidade


anaeróbia de atletas de Taekwondo em um treinamento periodizado.
Em contrapartida a isso, encontra-se o diálogo com a área escolar
estabelecendo parâmetros metodológicos, como Marcon (2008) que faz um caderno
com métodos de ensino do Taekwondo, incluindo a história da modalidade, jogos
lúdicos, alongamentos e poomsae como possibilidades pedagógicas; Souza (2016)
que discute a possibilidade de utilizar o Taekwondo nas escolas, porém não aborda
nenhum método específico. Já Pimenta e Drigo (2015) falam sobre a relação entre
os praticantes da modalidade, a “troca simbólica” que os autores utilizam fazem
referência a disputa de poder entre os mestres ou com os alunos, onde segundo os
autores:
[...] esse subcampo (Taekwondo), herdeiro de uma filosofia
encantada mística, não secular, agrega-se a um campo próprio e
impõe o seguimento de códigos de condutas e regras de
comportamento que apenas os que estão no campo conhecem e
reproduzem, ou seja, são definidas por meio de um conjunto de
imposições objetivas de ordenamentos simbólicos, pela imposição de
um formato de corpo específico por meio da reprodução de
exercícios impostos ao mando do "mestre". (PIMENTA & DRIGO,
2015)
Na análise dos livros de Lee (1988) e Kim (2000), ambos Grão-mestres do
Taekwondo13, observou-se a utilização de propostas métodos parciais14, separados
por faixas, ensino gradual de técnicas e preocupação com a questão histórica. Já
Campos (2015) utilizou o Taekwondo através de jogos, com o caráter mais global15
de ensino. Como comparativo dentre as pesquisas já publicadas, Dias et al (2018)
através de uma revisão sistemática buscaram a utilização dos métodos16 e meios17,
onde obtiveram como quanto a métodos:
Imagem 4 – Métodos de ensino das praticas de Taekwondo

13
Titulação para faixas pretas entre 7º e 9º DAN - Chamado também de Kwan Jhang Ni
14
Analítico-sintético é oriundo da pedagogia tradicional, onde o professor é detentor do Conhecimento, esse método divide o
movimento em etapas.
15
No método global apresenta-se uma situação de jogo, onde os elementos técnicos e táticos são
evidenciados. (COSTA E NASCIMENTO, 2004)
16
Os métodos de treinamento são mais abrangentes, pois referem-se à forma de utilização e manipulação dos meios
(exercícios) no processo de preparação. (DIAS et al, 2018)
17
Os meios de treinamento correspondem aos exercícios físicos e influenciam direta ou indiretamente no desenvolvimento da
prontidão esportiva. (DIAS et al, 2018)
;
26

DIAS, Helton Magalhães et al . SYSTEMATIC REVIEW OF MEANS AND METHODS OF PRACTICAL INFLUENCE ON
TAEKWON-DO TRAINING. J. Phys. Educ., Maringá , v. 29, e2916, 2018 . Available from
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2448-24552018000100202&lng=en&nrm=iso>. access on 08 Dec.
2018. Epub June 07, 2018. http://dx.doi.org/10.4025/jphyseduc.v29i1.2916. (adaptado)

Quanto aos meios, segundo Dias et al, são divididos em: Preparatórios gerais
(desenvolvimento multilateral do atleta, podendo apresentar semelhança ou não com
os gestos técnicos da modalidade), preparatórios especiais (parâmetros
semelhantes aos gestos da modalidade) e competitivos (atividade motora integral,
dirigida para a solução da tarefa motora que é parte constituinte do objeto da
competição).

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As pesquisas que constituíram o levantamento bibliográfico deste estudo


apontam dicotomias enraizadas na história do Taekwondo. Primeiramente,
Taekwondo é Arte Marcial ou Modalidade Esportiva de Esporte? Para responder
Espartero; Gutierrez; Villamón (2003) classificam em duas formas: Adaptado às
formas convencionais do esporte moderno ou sob a denominação comum de jogos
de luta tradicionais:
A diferença entre uma arte marcial e um esporte de combate reside
no propósito de prática: "uma arte marcial deve preparar o lutador
para preservar sua vida quaisquer que sejam as circunstâncias,
enquanto a prática de um esporte de combate prepara o lutador para

;
27

obter o melhor (resultado) dos regulamentos desportivos".


(ESPARTERO; GUTIERREZ; VILLAMÓN, 2003, tradução nossa)18

A segunda dicotomia foi quanto ao ensino e treinamento, observou-se que na


área do treinamento as pesquisas estão pautadas no tradicionalismo,
fundamentadas principalmente no método analítico-sintético, já o campo do ensino
pedagógico ou metodologias da Educação Física caminha em “passos curtos”, as
pesquisas metodológicas ainda são recentes, de pouco domínio e prioritariamente
no campo teórico, sem a experimentação, ou seja, quando se fala de lutas, as
pesquisas mais recorrentes são sobre o possibilidades de ensino, onde são dados
os procedimentos, por isso esse nome, já que não se pode afirmar que trata-se de
algo pronto, ainda encontra-se limites nesse processo.
Corroborando a essa afirmativa, Rufino e Darido (2015) afirmam que “Sendo
assim, os instrutores em suas práticas pedagógicas deveriam apropriar-se mais
dessas estratégias ao longo dos processos de ensino e aprendizagem”. Além disso,
entendemos luta do mesmo modo que So e Betti (2009) como manifestação de
cultura de movimento que não pode ser negada, onde o professor não precisa
necessariamente ser um praticante de lutas, em contrapartida, precisa ter domínio
sobre os Princípios Condicionais (Gomes et al, 2010) e que o aluno, atleta ou
praticante esteja sempre dialogando com o professor ou instrutor, como visto nesse
trecho de Rufino & Darido (2015):
Portanto, uma transformação didático-pedagógica nas aulas de lutas
se faz necessária, buscando a emancipação e a autonomia dos
praticantes no qual o foco passa a ser no ensino de atitudes criativas,
inclusive no alto nível de treinamento. (RUFINO & DARIDO, p.20
2015)

Ainda Rufino & Darido dialogam sobre a mudança necessária no campo das
lutas:
Para que haja uma “transformação” na prática pedagógica das lutas
corporais é preciso considerar todas estas características, evitando
reducionismos e possibilitando que haja uma ampliação dos
conteúdos a serem ensinados. (KUNZ, 1994 apud RUFINO &
DARIDO, 2015, p. 20)

La diferencia entre un arte marcial y un deporte de combate, se encuentra en la finalidad de la práctica: “un arte marcial debe
18

preparar al combatiente para preservar su vida sean cuales sean las circunstancias, mientras que la práctica de un deporte de
combate debe preparar al combatiente para sacar el mejor partido del reglamento deportivo”.
;
28

É importante ressaltar que para o ensino das artes marciais, é necessária


uma graduação específica da modalidade, no caso Taekwondo ser faixa preta, pois
existe toda uma tradição envolvida no ensino das lutas, porém, com o processo de
esportivização do Taekwondo, ganhou-se o caráter de modalidade esportiva de
combate, onde surgem os “treinadores” no lugar dos mestres e a concepção de
treinamento baseia-se em protocolos e periodizações de sessões, para explicar
melhor, trouxemos um quadro baseado na imagem 4, sobre como são feitos esses
processos.
Os métodos de treinamento podem ser de três tipos:
- Influência demonstrativa = quando o professor ou treinador executa o movimento
a fim de que seja feito a imitação pelo aluno, atleta ou praticante.
- Influência verbal = quando o professor ou treinador utiliza de instruções verbais
para correção ou explicação de um conteúdo, seja técnico, tático ou histórico.
- Influência prática = a execução feita pelo aluno, atleta ou praticante, onde essa
divide-se em outros três recursos:
1) Jogos: Utiliza-se o viés lúdico para o ensino de técnicas, nem sempre voltadas
para a competição.
2) Competitivos: baseiam-se nas regras da modalidade, tempo, pontuação, tática, e
a finalidade é explorar as possibilidades das competições simuladas. (método
global)
3) Programados: Divididos em “Ensino da técnica das ações motoras”, onde
compreende à categoria integral (estudo integral da ação motora) e analítico-
sintético (divisão da ação motora em fases) e o treinamento é baseados nos
movimentos da modalidade e; “Treinamento de Capacidades motoras”,
variabilidade de volume e intensidade em movimentos não necessariamente da
modalidade.
6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Quando se trata das lutas, é importante afirmar que as produções sobre esse
conhecimento estão crescendo no cenário das pesquisas, no entanto, não significa
que a realidade das lutas e do Taekwondo esteja mudando, há avanços nas
pesquisas, e nas teorias, mas na maior parte dos professores e treinadores, não
ocorre mudança na prática.

;
29

A necessidade da apropriação do conhecimento é importante e necessária


para que na escola não se negue as lutas integrante da cultura corporal e o
Taekwondo e, fora da escola, corroborando com Rufino e Darido (2015), para que o
TKD seja passado de forma mais crítica e reflexiva e não tradicional, disciplinar
punitiva, ritual e cerimonial, sem uma metodologia de ensino que consiga agregar
valores críticos ao indivíduo.
O ser que luta deve dar sentido à sua prática, ressignificando-a de acordo
com suas próprias intenções. Isso permite a prática pedagógica das lutas
corporais tornar-se reflexiva, sendo capaz de estabelecer críticas e
fundamentações discursivas. É preciso confrontar a prática pedagógica
constantemente. (RUFINO & DARIDO, 2012)

Tentando minimizar a dicotomia sobre o treinamento não escolar e o ensino


no ambiente escolar, acreditamos que não há barreiras entre essas categorias, a
diferença ocorre através da idade ou seriação, abordagem do professor, e objetivo -
seja do aluno ou professor-, por isso a necessidade do instrutor ter além do
conhecimento da modalidade, o saber sobre metodologia de ensino e didática, para
que não ocorra negação do conhecimento, para o graduado em educação física,
cabe a vivencia da modalidade ou a prática como forma de ampliar as possibilidades
de ensino e agregar ao conhecimento científico, nesse sentido, propomos um
quadro com formas de ensino - metodologia - para o Taekwondo.
Quadro 5 – Metodologia do ensino do Taekwondo
Método de influência demonstrativa
Demonstrar diferentes
formas de chute, com o uso Bandal Tchagui (chute
Demonstrar a técnica de
de semelhanças entre lateral) é similar a um voleio
Utilizar o chute chute com o uso das
modalidades de média no futebol ou a um Mawashi-
nomenclaturas específicas
distância e outras Gueri do karatê
modalidades esportivas.
Métodos de influência verbal
Explicar qual o nome da
História do Taekwondo e a
técnica, assim como o
diferença entre o Taekwondo
Ensino das nomenclaturas e surgimento do Taekwondo,
quanto Arte Marcia e Correção de movimentos
regras da modalidade fazer observações sobre o
Modalidade Esportiva de
que é mais fácil fazer para
Combate
executar um golpe
Método de influência prática
Utilizar de estafetas para Fazer circuito com
Utilizar jogos de oposição
demonstrar as habilidades obstáculos de papel que só
Jogos para desenvolver habilidades
do taekwondo quanto MEC podem passar rasgando
do Taekwondo
(chutes e socos) através de chutes ou socos
Criar regras diferentes das Utilizar instrumentos de Organizar uma competição
Competitivos
vistas nas regras competição para simular que uma desde a

;
30

competitivas (definidas com uma luta (protetores organização até a execução


os alunos/ praticantes) alternativos, ou das técnicas básicas do
homologados) taekwondo
Mostrar outras técnicas da
Execução do movimento de
Ensino da técnica das ações Arte Marcial Taekwondo,
chutes e socos do
motoras como poomsae,
taekwondo e suas variações
dubon,sebon, entre outros
Desenvolver vivencias ou
Programados
treinamentos com objetivos
Utilizar das capacidades
Treinamento de de precisão, agilidade,
físicas e habilidades motoras
Capacidades motoras potência, equilíbrio (dinâmico
para aprimorar movimentos
principalmente) entre outras
atividades mais específicas.

Conclui-se então, que o Taekwondo, seja modalidade ou arte marcial, esteja


na escola ou fora dela, é uma luta que apresenta ampla possibilidade para o ensino,
e faz-se necessário novos estudos para verificar se a apropriação do conteúdo
impacta significativamente na metodologia da modalidade independente do espaço
onde está sendo vivenciada.

;
7 REFERÊNCIAS

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