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Óleos e essências na Bíblia

Neste estudo nós vamos falar sobre o significado da palavra “unção”, sobre o costume de
ungir as pessoas com óleo, e sobre os óleos e essências mencionadas na bíblia (açafrão,
alóes, cálamo, canela, cássia, cinamomo, hena, mirra, nardo e o óleo da santa unção dos
sacerdotes). Como base para o estudo, tomaremos o livro de Cânticos de Salomão, ou
Cantares, ou Cântico dos cânticos, que significa “O melhor dos cânticos”, e expressa o desejo
do coração do homem de se unir a Deus de maneira plena e completa. A referência bíblica é Ct
4: 11-16. Da mesma forma que o beijo e a lavagem dos pés, o ato de ungir com óleo era um
ritual costumeiro entre os judeus quando recebiam um visitante em suas casas [Jo 12: 3; Jo 11:
2; Jo 12: 1-3; Lc 7: 37-38; 44-46; Mt 26: 6-13 (Jo 12: 1-8; Mc 14: 3-8)].

Temas relacionados: Estudo bíblico – Unção (para se aprofundar mais no tema) | Cânticos de
Salomão – estudo bíblico | O Tabernáculo de Moisés e seu significado (sobre o incenso
sagrado).

Este texto é uma compilação de dois textos escritos nos livros: “A noiva está pronta” ( )e
“Jamais falte óleo sobre tua cabeça” ( ).

Vamos ao nosso estudo:

A unção é como um escudo que nos cobre por inteiro para que o maligno não tenha poder de
nos tocar. A palavra ‘ungido’ e o ato de ungir com óleo (Mashach) referem-se ao costume
de ungir com óleo para consagrar e santificar as coisas ou as pessoas: Gn 28: 18; Êx 30: 22-
33; 2 Sm 1: 21; Is 21: 5; Jz 9: 8; 2 Sm 2: 4; 1 Rs 1: 34; Êx 28: 41; 1 Rs 19: 16; 2 Rs 9: 1-3; 11-
13. A pessoa ou coisa ungida se tornava santa (Êx 30: 22-33; 1 Sm 24: 6; 10). A unção era um
ato de Deus (1 Sm 10: 1; Sl 89: 20; At 10: 38). A unção era usada metaforicamente para
significar a doação do favor divino (Sl 23: 5; Sl 92: 10) ou a nomeação para uma função
especial do propósito de Deus (Sl 105: 15; Is 45: 1). Além disso, a unção simbolizava
capacitação para o serviço, e é associada ao derramamento do Espírito de Deus (1 Sm 10: 1;
6; 9; 1 Sm 16: 13; Is 61: 1; Zc 4: 1-14 – a unção de Deus sobre Josué e Zorobabel, o sacerdote
e o governador de Judá na época da reconstrução do 2º templo – Ag 2: 21). Esse emprego é
levado até o NT (At 10: 38; 1 Jo 2: 20; 27). O uso do azeite para ungir os enfermos (Tg 5: 14) é
entendido da mesma maneira, como algo que aponta para o Espírito Santo, o doador da vida.

O óleo da unção representa o Espírito Santo (Ruach haKodesh) ou o Espírito de Deus (Ruach
Elohim). A especiaria, o perfume, a fragrância, simboliza Jesus (2 Co 2: 14-16). Mashach dá
origem a Mashiach (mâshiyach, em hebraico, ou meshïhã, em aramaico), que quer dizer
‘ungido’, como eram os reis, juízes, profetas e sacerdotes no AT. Também passou a ser usada
para Messias, ‫משיח‬, o Ungido (grego: Cristo, Christòs, Χριστός), o esperado salvador ou
libertador de Israel, um homem descendente do rei Davi que irá reconstruir a nação, trazendo a
paz. ‘Ungido’ é encontrado no mínimo dezesseis vezes no Antigo Testamento, sendo usadas
as palavras mâshiyach ou meshiycho [Lv 4: 3; Lv 4: 5; Lv 4: 16; Lv 6: 15; 1 Sm 2: 10; 1 Sm 24:
6 e 10; 2 Sm 1: 21; 2 Sm 22: 51; Sl 2: 2; Sl 18: 50; Is 45: 1; Ez 28: 14; Zc 4: 14; Dn 9: 25-26 –
quando um anjo anuncia ao profeta Daniel que o Messias surgiria e seria morto 62 semanas
proféticas após a reedificação de Jerusalém, antes da cidade e do templo serem novamente
destruídos (o que aconteceu em 70 DC pelos romanos). No Sl 105: 15 e em 1 Cr 16: 22 – “Não
toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas” – a expressão ‘meus ungidos’, em
hebraico, é usada como equivalente a ‘meus profetas’]. No NT a palavra
grega Μεσσίας (Messias) está registrada também apenas duas vezes: em João 1: 41 e João
4: 25. Christòs é o adjetivo, enquanto o verbo é chriõ – ungir. Ruach significa ‘espírito’,
‘vento’. ‘Santo’ (Hagios, gr.) significa: sagrado, puro, sem culpa, consagrado, separado, digno
de ser honrado, semelhante a Deus, ter a natureza mais íntima de Deus, ser separado e
reservado para Deus e para o seu serviço. Ele diz: “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 20:
26).
No versículo 11 (Ct 4: 11-16) o noivo diz que: “mel e leite se acham debaixo da tua língua, e a
fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano”. Mel fala de cura e de amor, doçura. Isso
significa que na nossa língua, na nossa boca, o Senhor espera palavra de cura e de amor para
reerguer aquele que está ferido e caído. O leite fala de alimento, abundância. Da mesma
forma, a palavra de Deus na nossa boca deve ser alimento abundante para o faminto. Nossas
vestes espirituais devem ter a fragrância dos cedros e das especiarias do Líbano. Ele é famoso
por causa de sua coberta de densa floresta. Ampla precipitação de chuva de novembro a
março e as cadeias de pedra calcária dão origem a muitas fontes e riachos. Ao sul das
montanhas há cultivo de jardins, bosques de oliveiras, vinhedos e pomares de frutas (amoras,
figos, maçãs, damascos, nozes) e pequenos campos de trigo. A vegetação florestal é de
murtas, coníferas e enormes cedros, portanto, é símbolo de fertilidade e de tirar gozo e proveito
da vida e de uma plantação, tirar proveito dos frutos. A fragrância dos vestidos da noiva
apresenta-se ao noivo como o cheiro das matas e das frutas dos pomares. Simbolicamente,
nossas vestes devem mostrar a alegria, o perfume de Jesus e a prosperidade de Deus aonde
formos.

No versículo 13 o noivo [a figura de Jesus] fala que nossos renovos, ou seja, o que brota em
nossa vida deve ser como um pomar de romãs. A romã é uma fruta muito conhecida e popular
no oriente e dela se faz xarope, suco e remédio adstringente. Isso significa que nossas atitudes
e nossas palavras devem servir de remédio para os corações doentes.

A noiva também comparava o amado a um racimo de flores de hena nas vinhas de En-Gedi. A
hena tem os ramos cobertos de espinhos que produzem cachos de flores esbranquiçadas e
odoríferas nas extremidades. En-Gedi (‘en-gedhï, fonte da cabra’) é uma fonte de água fresca
a oeste do Mar Morto, na terra de Judá. A fertilidade dessa área, em meio a uma região tão
estéril, tornava-a local ideal para os fora-da-lei, para encontrar alimento (Ct 1: 14) e como lugar
de esconderijo (Davi, por exemplo). Dessa forma, a noiva dava tanto valor ao amor do marido
como uma fonte de água num lugar deserto e estéril ou como um cacho de flor perfumada
entre as vinhas plantadas em uma terra árida. A hena, é usada como cosmético para tingir
unhas e cabelos, portanto, nossas palavras e nosso testemunho de vida devem embelezar a
vida de todos.

O nardo significa: a presença de Deus conosco todos os dias, adoração ao Senhor,


fortalecimento. Assim, a Igreja tem Cristo como cabeça trazendo-lhe o fortalecimento. Foi com
nardo que Maria, irmã de Lázaro, ungiu Jesus em Betânia (Jo 12: 1-8). Jesus deseja estar
conosco todos os dias, para que outros possam também conhecê-lO. O nardo se refere à
planta cujo nome científico é Nardostachys jatamansi, uma planta perene da família
da valeriana, mas dotada de raízes ainda mais perfumadas. É nativa do norte da Índia, onde
até hoje é usada para perfumar os cabelos. Nos tempos bíblicos, o nardo era caríssimo e
importado em receptáculos selados de alabastro que só eram abertos em ocasiões especiais;
talvez por isso a indignação dos discípulos de Jesus pelo seu uso aparentemente indevido (Jo
12: 1-8, Mt 26: 6-12 e Mc 14: 6-8).

O açafrão é terapêutico, além de tingir e colorir alimentos. Como terapêutico é anti-


espasmódico, ou seja, tira as cólicas e os espasmos. Os egípcios usavam o açafrão para
colorir as mortalhas das múmias. O que isso significa para nós? Significa que a palavra de
Deus na nossa boca vem tirar as dores e colorir a vida dos que estão “cinzas” e sem motivo
para existir.

O cálamo (gr. Kalamos) significa: cana, caniço, junco. É uma raiz conhecida como Cana Doce.
Só exala perfume quando a raiz é quebrada. Era de cálamo (junco) a cesta de Moisés, quando
foi colocado, ainda bebê, no rio Nilo. Representa o preço que Jesus pagou pela nossa
redenção, reverência ao Senhor, voltar às raízes, renovação de alianças, humildade. Significa
que devemos ser dependentes do Senhor como crianças que necessitam crescer e ser
ensinadas; que, de tempos em tempos, precisamos renovar nossa aliança de fidelidade e
compromisso com Ele. Pode ser de várias maneiras; a ceia de que participamos na igreja é
uma forma. A unção do cálamo também significa que precisamos ser “partidos” por Deus,
trabalhados por Ele no nosso interior para que Sua essência possa ser exalada através de nós.
Faz parte do óleo da santa unção dos sacerdotes.
O cinamomo é a casca de um tronco que se restaura a cada estação. É a mesma família do
louro, da cássia e da canela. Significa: temor de Deus, resgate, restauração das coisas
pessoais, não voltar a cometer os mesmos erros do passado. A canela é semelhante a um
arbusto, oriunda do extremo Oriente. Como ela é macerada (a casca e a sementes) até se
tornar pó, é uma figura profética da aceitação de Jesus Cristo em Sua morte e cruz.
Representa nossa aproximação de Jesus em humildade, despindo-nos da nossa carne,
tornando-nos mais como Ele é, assim como também pode significar paz e amor no lar.
A cássia (Acacia nilotica), junto com o aloés e a mirra (Sl 45: 7-8), compõe o óleo da
alegria. O aloés deve ter pelo menos trinta anos de idade para produzir óleo e, para ser
extraído, o seu tronco precisa ser machucado ou dilacerado. Significa: ferir-se, assim como
alegria e posição de glória. Portanto, para conquistar a unção de alegria é preciso, primeiro,
nos despir do “eu” e “ser ferido” pelas mãos do Senhor para remover de nós o que não serve,
extraindo, então, Seu óleo precioso do nosso interior, ou seja, o que temos de melhor. Cássia
significa: potencial, nobreza. A acácia (cássia) é uma árvore de muitas espécies, disseminada
no Egito, Arábia e Palestina. Era a árvore que fornecia sua madeira aos povos hebreus, a
sagrada e aromática madeira de Sitim, fazendo parte do óleo da santa unção dos sacerdotes
(Êx 30: 24-25) e foi muito empregada na construção do tabernáculo. Sitim era lugar de idolatria
e imoralidade, defronte de Jericó, nas planícies de Moabe, a leste do Jordão. Há uma profecia
em Jl 3: 18: “E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão
leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; sairá uma fonte da Casa do Senhor e
regará o vale de Sitim”. Isso quer dizer que após o arrependimento sincero, o povo que antes
era depravado, receberá a água doadora de vida, no “Dia do Senhor”.

A mirra significa: libertação, cura, purificação, mudança de vida, assim como também era
usada pela realeza para ungir as vestes de casamento. Também era usado como perfume
sedutor. Foi usada para preparar Ester por seis meses, após os quais vieram mais seis meses
com outros ungüentos e perfumarias para levá-la ao rei Assuero (Et 2: 12-13). A mirra é um
arbusto que cresce nas regiões desérticas, especialmente na África (nativa da Somália e partes
orientais da Etiópia) e no Oriente Médio. É também o nome dado à resina oleosa de coloração
marrom-avermelhada obtida da seiva seca dessa árvore (Commiphora myrrha ou
Balsamodendron myrrha). A palavra origina-se do hebraico, maror ou murr, que significa
“amargo”, por isso é amarga e, muitas vezes, usada na bíblia como sinônimo de fel. Tem poder
de anestesiar e tirar as dores, por isso foi oferecida a Jesus na cruz. Em Pv 31: 6-7 está
escrito: “Dai bebida forte aos que perecem e vinho aos amargurados de espírito; para que
bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais”. A bebida
forte a que se refere era o vinho de alto teor alcoólico (shekhãr) misturado com a mirra dado
pelas mulheres judias aos condenados à cruz para que pudessem suportar a punição e o
sofrimento. No Sl 69: 21 (salmo profético de Davi) há outra referência à mirra: “Por alimento me
deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre”. Quanto à mirra em relação aos
presentes que Jesus recebeu dos magos após seu nascimento, nós podemos dizer que
eles lhe trouxeram presentes que confirmavam ser Ele o Messias; em outras palavras, Sua
natureza divina e Sua missão salvadora e redentora: o ouro, simbolizando um tributo ao Rei
dos reis, o precioso da humanidade dado ao Senhor. Quanto ao incenso, vem confirmar a
posição de Jesus como sumo sacerdote e como nosso intercessor, já que, para nós, o incenso
simboliza as orações dos santos. Em terceiro lugar, os magos lhe deram a mirra, como um ato
profético do Seu sofrimento pela humanidade. Você pode ler mais sobre isso no tema "Estudo
sobre Natal".

A mirra, o cálamo, a cássia, o cinamomo (ou canela) e o azeite de oliva (= unção e provisão
de Deus para um propósito), fazem parte do óleo da santa unção, com o qual se ungia apenas
os sacerdotes (Êx 30: 22-33 e 2 Co 2: 14-16). Isso quer dizer que o Senhor nos ungiu com
alegria, amor, nobreza, propósito, aliança e humildade, temor e resgate, libertação e cura para
que possamos ser bálsamo e suavizar as dores dos aflitos e desesperançados e elevá-los para
um novo patamar.

O Bálsamo era um produto de Gileade exportado para o Egito (Gn 37: 25 e 43: 11) e para Tiro
(Ez 27: 17). É celebrado pelas suas propriedades curativas (Jr 46: 11; Jr 8: 22 e Jr 51: 8) e
freqüentemente usado como cosmético, também empregado para simbolizar livramento de
desastres nacionais. Provavelmente, era uma goma ou especiaria aromática, mas o sentido
original da palavra não é claro e não pode ser atualmente identificada com qualquer planta em
Gileade, a despeito das reivindicações feitas a favor do produto da zaqqii (Balanites
aegyptiaca) e do mastich (Gn 37: 25), produto da Pistacia lenticus, empregada para propósitos
curativos. Em sentido geral, o bálsamo é símbolo de cura da alma, de fortalecimento, frescor,
alívio, calma, paz e equilíbrio. Gileade era a terra ocupada pela tribo de Gade, Rúben e meia
tribo de Manassés (Nm 32: 33-42; Dt 3: 12-13). É uma região montanhosa, coberta de
bosques. Ao sul há um platô apropriado à criação do gado e rebanhos de ovelhas e cabras.
Provia refúgio para os fugitivos (Jacó e Davi). O significado de Gileade é 'espinhoso', talvez por
ser região montanhosa, mas é um símbolo da providência divina suprindo com refrigério, cura e
alívio algo que é gerado numa situação “espinhosa”. Em outras palavras, junto com a tentação
e o sofrimento, Deus dá livramento e bálsamo (1 Co 10: 13). Como foi escrito acima, o bálsamo
de Gileade, provavelmente era uma goma ou resina, como o própolis, com propriedades
curativas sobre o aparelho digestivo (vermífugo e contra icterícia) e como antibiótico, e ainda
não se pode provar a sua relação com as resinas da Pistácia lenticus ou da Balanites
Aegyptiaca (árvores comuns no Oriente Médio com propriedades curativas).

Agora, eu sugiro que você acesse a página "Estudo bíblico – Unção" para se aprofundar mais
no tema, pois acho importante esse entendimento. Como você pôde perceber as essências
bíblicas relatadas acima são apenas símbolos físicos da verdadeira unção derramada sobre
nós pelo Espírito Santo, à medida que o nosso crescimento espiritual se processa. Em outras
palavras, os perfumes não são um amuleto para se conquistar isso ou aquilo, mas um símbolo
do que devemos pedir ao Senhor como dons espirituais e do que Ele pode fazer fluir das
nossas mãos quando desejar nos usar para um determinado propósito. Portanto, se você só
dispõe de azeite de oliva em casa e precisa consagrar algo para um determinado fim, não se
restrinja à "letra"; supere a "letra" e entenda que o azeite é apenas um veículo para que a
palavra de Deus através da sua boca comece a agir. A palavra de Deus é a força soberana.

Agora, vamos falar um pouco sobre o incenso, que, inclusive, foi trazido pelos magos a Jesus,
quando Ele nasceu. O incenso é mencionado em alguns trechos bíblicos do AT em relação ao
sacerdócio (e provocava a ira de Deus quando era oferecido a outros deuses – ver o incenso
sagrado no Tabernáculo):

• Êx 30: 1: 6-9: “Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o
farás... Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do
propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele
o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao
crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o
Senhor, pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto,
nem ofertas de manjares; tampouco derramareis libações sobre ele”.
• Êx 30: 34-38: “Disse mais o Senhor a Moisés: Toma substâncias odoríferas, estoraque, ônica
e gálbano; estes arômatas com incenso puro, cada um de igual peso; e disto farás incenso,
perfume segundo a arte de perfumista, temperado com sal puro e santo. Uma parte dele
reduzirás a pó e o porás diante do Testemunho na tenda da congregação, onde me avistarei
contigo; será para vós outros santíssimo. Porém o incenso que fareis, segundo a composição
deste, não o fareis para vós mesmos; santo será para o Senhor. Quem fizer tal como este para
o cheirar será eliminado do seu povo”.
• Lv 10: 1-7: “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram
neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que
lhes não ordenara. Então, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o
Senhor. E falou Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor disse: Mostrarei a minha santidade
naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se
calou. Então, Moisés chamou Misael e a Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes:
Chegai, tirai vossos irmãos de diante do santuário, para fora do arraial. Chegaram-se, pois, e
os levaram nas suas túnicas para fora do arraial, como Moisés tinha dito. Moisés disse a Arão
e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes,
para que não morrais, nem venha grande ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos,
toda a casa de Israel, lamentem o incêndio que o Senhor suscitou. Não saireis da porta da
tenda da congregação, para que não morrais; porque está sobre vós o óleo da unção do
Senhor. E fizeram conforme a palavra de Moisés”.
• 2 Cr 29: 11: “Filhos meus [o rei Ezequias estava dizendo para os levitas e para os sacerdotes,
ao abrir novamente o templo que ficou fechado durante o governo do seu pai Acaz por causa
do jugo assírio], não sejais negligentes, pois o Senhor vos escolheu para estardes diante dele
para o servirdes, para serdes seus ministros e queimarem incenso”.
• Sl 141: 2: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas
mãos como oferenda vespertina”.
• Is 65: 3: “povo que de contínuo me irrita abertamente, sacrificando em jardins e queimando
incenso sobre altares de tijolos”.
• Jr 44: 8: “Por que me irritais com as obras de vossas mãos, queimando incenso a outros
deuses na terra do Egito, aonde viestes para morar, para que a vós mesmos vos elimineis e
para que vos torneis objeto de desprezo e de opróbrio entre todas as nações da terra?”.
• Ap 5: 8: “E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos
prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de
incenso, que são as orações dos santos”.
• Ap 8: 3-4: “Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe
dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro
que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do
incenso, com as orações dos santos” [santos: os que são perdoados e santificados pelo
sangue de Jesus por terem aceitado o sacrifício da cruz e se separaram para Ele, casados ou
solteiros].

Sabendo disso, ou seja, que para Deus, hoje, o incenso que Ele quer é a oração dos Seus
filhos, não precisamos mais queimar incenso em nossa casa, como muitos fazem para
“purificar o ambiente”. Não é o ato de queimar incenso que nos purifica dos nossos pecados, e
sim o sangue de Jesus que é derramado sobre nós quando oramos arrependidos, pedindo Seu
perdão pelas nossas transgressões.
“Já despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tornarei a sujá-los? O meu
amado meteu a mão por uma fresta, e o meu coração se comoveu por amor dele. Levantei-me
para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra preciosa sobre a maçaneta do
ferrolho. Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora; a minha alma se
derreteu quando, antes, ele me falou; busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu.
Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade; espancaram-me e feriram-me; tiraram-me
o manto os guardas dos muros. Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu
amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor” (Ct 5: 2-8).

Mesmo as paixões e as delícias do amor não podem proteger a noiva e o noivo das dores da
vida. Quando diminui a paixão, podem vir decepções, que trazem um esfriamento na relação;
para ser saudável, ela precisa ser continuamente alimentada. Provavelmente, houve uma
separação e ele voltou a procurá-la, mas ela estava tão sonolenta (sono real ou alheia ao que
acontecia) que não lhe correspondeu; então, ele se foi e agora era a vez dela ir procurá-lo
novamente. A noiva, no caso, pode estar relatando um sonho que teve ou estar falando de algo
que os separou verdadeiramente, fazendo com que sua vida se transformasse num pesadelo.
Sem a segurança do noivo ao seu lado, tudo ficou distorcido e ela se sentiu afrontada e
violentada.

Da mesma forma, o que Jesus nos fala é que precisamos nutrir nosso relacionamento com Ele
e não deixar que nada venha esfriar esse amor, porque se Ele se afastar e nós estivermos
alheios à Sua presença tentando uma reconciliação, poderemos deixar que Ele “escape”
novamente, pois se sente não correspondido. Então vai ser a nossa vez de buscá-lo para
reatar o relacionamento. Sem a segurança do Seu amor conosco ou com mágoa no nosso
coração, as coisas se distorcem na nossa mente e começamos a ver “fantasmas” ou viver a
violência de Satanás, que age sobre aqueles que se afastam dos caminhos do Senhor. A noiva
demonstra o desespero de sua busca e de sua solidão, implorando por alguém que a ajude a
encontrar novamente seu amado. Por isso os irmãos em Cristo (“filhas de Jerusalém”) são
importantes nessa hora para conduzir os desgarrados de volta à comunhão com Jesus, em
amor e compaixão pelo sofrimento do outro.

Unção

Estudo sobre a palavra unção. O que significa a unção com óleo? O óleo ungido é apenas um
símbolo do que o Senhor já está fazendo interiormente numa pessoa. Apenas Deus unge
pessoas.

Temas relacionados:
Graça-Misericórdia | Hosana | Amém | Aleluia | Óleos e essências na bíblia | Estudos judaicos -
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Este tema se encontra no livro: “O Senhor quer falar com Seu povo” ( – download the
book).

Quando estudamos sobre o Messias e 'Óleos e essências na bíblia', nós deixamos claro o
significado da palavra unção. Vamos repetir aqui o seu significado e acrescentar alguns
comentários práticos:

A unção é como um escudo que nos cobre por inteiro para que o maligno não tenha poder de
nos tocar. A palavra ‘ungido’ e o ato de ungir com óleo (Mashach) referem-se ao costume de
ungir com óleo para consagrar e santificar as coisas ou as pessoas: Gn 28: 18; Êx 30: 22-33; 2
Sm 1: 21; Is 21: 5; Jz 9: 8; 2 Sm 2: 4; 1 Rs 1: 34; Êx 28: 41; 1 Rs 19: 16; 2 Rs 9: 1-3; 11-13.

A pessoa ou coisa ungida se tornava santa (Êx 30: 22-33; 1 Sm 24: 6; 10).

A unção era um ato de Deus (1 Sm 10: 1; Sl 89: 20; At 10: 38).

A unção era usada metaforicamente para significar a doação do favor divino (Sl 23: 5; Sl 92:
10; Sl 45: 7) ou a nomeação para uma função especial do propósito de Deus (Sl 105: 15; Is 45:
1; Sl 89: 20; Êx 28: 41).

Além disso, a unção simbolizava capacitação para o serviço, e é associada ao derramamento


do Espírito de Deus (1 Sm 10: 1; 6; 9; 1 Sm 16: 13; Is 61: 1; Zc 4: 1-14 – a unção de Deus
sobre Josué e Zorobabel, o sacerdote e o governador de Judá na época da reconstrução do 2º
templo – Ag 2: 21).

Esse emprego é levado até o NT (At 10: 38; 1 Jo 2: 20; 27). O uso do azeite para ungir os
enfermos (Tg 5: 14) é entendido da mesma maneira, como algo que aponta para o Espírito
Santo, o doador da vida.

Mashach (‘ungir’) dá origem a Mashiach (mâshiyach ou meshiycho, em hebraico; ou meshïhã,


em aramaico), que quer dizer ‘ungido’, como eram os reis, juízes, profetas e sacerdotes no AT.
Também passou a ser usada para Messias, ‫משיח‬, o Ungido (grego: Cristo, Christòs, Χριστός),
o esperado salvador ou libertador de Israel, um homem descendente do rei Davi que irá
reconstruir a nação, trazendo a paz. ‘Ungido’ é encontrado no mínimo dezesseis vezes no
Antigo Testamento, sendo usadas as palavras mâshiyach ou meshiycho [Lv 4: 3; Lv 4: 5; Lv 4:
16; Lv 6: 15; 1 Sm 2: 10; 1 Sm 24: 6 e 10; 2 Sm 1: 21; 2 Sm 22: 51; Sl 2: 2; Sl 18: 50; Is 45: 1;
Ez 28: 14; Zc 4: 14; Dn 9: 25-26 – quando um anjo anuncia ao profeta Daniel que o Messias
surgiria e seria morto 62 semanas proféticas após a reedificação de Jerusalém, antes da
cidade e do templo serem novamente destruídos (o que aconteceu em 70 DC pelos romanos).
No Sl 105: 14-15 e em 1 Cr 16: 22 – “A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor
deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus
profetas” – a expressão ‘meus ungidos’, em hebraico, é usada como equivalente a ‘meus
profetas’]. No NT a palavra grega Μεσσίας (Messias) está registrada também apenas duas
vezes: em João 1: 41 e João 4: 25. Christòs é o adjetivo, enquanto o verbo é chriõ – ungir.
Vamos dar agora um sentido mais prático para todas as definições acima. Resumindo numa
palavra mais simples, ‘unção’ é o poder de Deus que vem sobre nós, principalmente após o
nosso ‘Pentecostes pessoal’, ou seja, após o batismo com o Espírito Santo, onde passamos a
falar em outras línguas, recebemos os dons espirituais e a capacitação para exercer o nosso
chamado e realizar a vontade de Deus com uma força diferente daquela a que estávamos
acostumados a usar através da nossa carne (1 Jo 2: 20). Dessa maneira, o Senhor nos
separou para Ele, e através da ação contínua do Seu Espírito em nós, Ele mesmo vai operar
em nossa alma a santificação. Quanto mais exercitamos os dons espirituais, mais unção nós
recebemos de Deus. Um exemplo é a história do profeta Samuel. A bíblia diz que, de ano em
ano, Ana levava a Samuel uma nova túnica. Ele crescia em estatura e sua mãe lhe dava uma
túnica apropriada ao seu tamanho. Isso simbolizava a unção que o Senhor derramava sobre
sua vida a cada momento, pois ele O servia com fidelidade (1 Sm 2: 18-19; 21; 26).

Como vimos acima, tudo isso é um ato de Deus, não de homens. O que fazemos, usando o
óleo ungido sobre uma pessoa, é apenas um símbolo do que o Senhor já está fazendo
interiormente nela. Em outras palavras, não é pelas mãos de homens que alguém se torna um
pastor ou recebe a capacitação para expulsar demônios. A pessoa vai demonstrando que o
Senhor já lhe deu a capacitação para cuidar de Seus filhos na terra, vai manifestando os dons
e frutos do Espírito Santo através da sua vida e, então, reconhecida pela igreja por ter essa
capacitação divina, ela recebe a unção pública com óleo como um sinal da sua separação para
Deus para o chamado de pastor. As essências simbolizam os dons espirituais derramados
pelo Espírito Santo sobre a pessoa.

O mesmo ocorre com pessoas que, por um projeto divino aliado à sua experiência espiritual,
recebem do Senhor uma capacitação especial e uma autoridade espiritual mais forte para
expulsar demônios de outras. O mesmo acontece com o ministério de mestre e profeta. O
Espírito Santo dá à pessoa dons especiais como o amor, a palavra de conhecimento, a palavra
de entendimento e a sabedoria para que ela possa ministrar Sua palavra de ensino (1 Jo 2:
27), na maioria das vezes sem aprender com ninguém, apenas com a sua própria vivência com
Deus. Com o profeta não é diferente. Ele recebe uma força especial e uma habilidade diferente
de outras pessoas para fazer com que a palavra de Deus venha se manifestando com
libertação (‘a unção que quebra todo jugo’ – Is 10: 27), com correção, com incentivo, trazendo
à existência as bênçãos de Deus já liberadas no mundo espiritual.

Nós vimos no início do texto que o emprego do óleo no AT foi levado até o NT (At 10: 38),
inclusive para ungir os enfermos (Tg 5: 14), restaurando a saúde e a vida. Aqui é interessante
ressaltar que a unção com óleo não é algo fictício; muito pelo contrário, ela é real, quando o
azeite é consagrado em oração e entregue debaixo do controle do Espírito de Deus para agir
de acordo com a Sua vontade (O Senhor usa um filho ungido Seu para ser o veículo de poder
para o Seu Espírito). Uma das características interessantes é que o óleo ungido carrega a luz
divina para manifestar o que estava oculto. Por isso, quando queremos consagrar uma pessoa
ou curá-la de alguma enfermidade, precisamos ter o dom de discernimento de espíritos para
perceber se há algum espírito maligno oculto nela ou naquela enfermidade. Primeiro se
expulsa o demônio, depois se consagra a pessoa, se for este o caso.

Devido a esta força de ação espiritual é que não se deve usar o óleo ungido de maneira
indiscriminada, levianamente, para qualquer coisa, mesmo com o intuito de consagrar algo a
Deus. É algo repugnante aos Seus olhos, porque muitas coisas que as pessoas consagram, na
verdade, não estão santas nem puras segundo a Sua maneira de ver. Por exemplo, alguém
pode querer consagrar o seu local de trabalho a Deus, mas se o que se faz lá dentro não está
em sintonia com a Sua palavra, ou se ainda não foi limpo de objetos de idolatria, por exemplo,
de nada vai valer. Você pode querer consagrar seu carro, mas se ele é usado por outra pessoa
que não é temente a Deus para fins não tão santos, isso só vai piorar as coisas. Lembre-se do
que está escrito em Pv 20: 25: "Laço é para o homem o dizer precipitadamente: É santo! É só
refletir depois de fazer o voto" [NVI: “É uma armadilha consagrar algo precipitadamente, e só
pensar nas conseqüências depois de fazer o voto”]. Outra coisa que o Senhor quer dizer ao
Seu povo é que está havendo um uso errado e abusivo do óleo ungido dentro de Sua
Casa, pela Sua própria Igreja. O óleo não substitui a verdade da Sua palavra usada com fé
para quebrar as barreiras invisíveis, não substitui a santidade de o nosso caminhar com o
Espírito Santo, não é um amuleto que se usa para nos proteger do mal. A mudança de
pensamento e atitude é mais importante para um verdadeiro filho de Deus. Se há brechas na
nossa alma por negligência e falta de vigilância da nossa parte, por pecado ou por falta de
perdão, de nada vai adiantar usar óleo sobre a testa todos os dias.

A palavra Mashiach (mâshiyach ou meshiycho, em hebraico; ou meshïhã, em aramaico), quer


dizer ‘ungido’, como eram os reis, juízes, profetas e sacerdotes no AT. Hoje, nós somos
ungidos diretamente pelo Espírito de Deus quando nos convertemos a Jesus; e a bíblia diz que
Ele nos fez reis e sacerdotes. Isso significa que recebemos o domínio e a autoridade para
mover o mundo espiritual e somos colocados numa posição de mediadores entre Deus e os
homens, como eram os sacerdotes do AT. Através das nossas orações e das nossas palavras
de força, consolo, paz e até de exortação e repreensão, nós podemos restaurar a comunhão
entre o Senhor e as pessoas que estavam afastadas Dele pelo seu pecado (Jr 5: 25; Tg 5: 20).

“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes
necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de
todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos
ensinou” (1 Jo 2: 27).