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ESPINGARDA 7,92 MM M/937 MAUSER

As diferenças entre os modelos dizem respeito ao aparelho de pontaria, coronha, braçadeiras de fixação da bandoleira
e bandoleira. A culatra, de escorregamento e rotação sem cabeça móvel, utiliza um travamento bilateral simétrico à
frente e um à retaguarda. O extractor é de garra de mola, está fixo a um anel móvel junto à cabeça da culatra e não
acompanha o movimento de rotação da culatra na sua abertura e fecho.
O percutor encontra-se permanentemente recolhido no interior da culatra, envolto por uma mola em espiral. O cão,
fixo à retaguarda do percutor, destina-se a aumentar a sua massa.
O carregamento do depósito é efectuado com apoio de uma lâmina de carregamento. O ejector é, em simultâneo,
detentor da culatra.
Historial
A Mauser Gewehr 98 continua a ser a arma-padrão da Alemanha depois da Primeira Guerra. Uma versão melhorada
do final dos anos 1920 é a Mauser 98B, mas a versão definitiva do Exército alemão na Segunda Guerra Mundial é a
98K, mais curta do que a espingarda original. A 98K começa a ser produzida em grande quantidade em 1935, quando
os EUA tinham já escolhido uma espingarda semi-automática (a Garand), um dos poucos campos em que a
mentalidade militar tradicional se impõe na Alemanha dos anos 1930.
Em Portugal, hesitou-se muito na escolha de uma nova espingarda, com estudos e testes que se prolongam entre
1928 e 1937. É curioso constatar que, em 1931, a comissão do rearmamento de infantaria se inclinava para uma
espingarda semi-automática, embora a sua opinião não vingasse. A primeira opção oficial recai na espingarda inglesa
Lee, mas depois, por razões mais políticas e comerciais do que técnicas, opta-se pela Mauser 98K. A escolha é, em
parte, devido às grandes facilidades dadas pela Alemanha para a sua montagem sob licença em Braço de Prata com
componentes importados e, em parte, devido às relações tensas com a Inglaterra em 1937, por razões que se
prendem com a política portuguesa na guerra civil de Espanha. O projecto da Mauser estava incluído num ambicioso
plano de modernização da indústria de defesa nacional, implementado com apoio técnico alemão, tudo enquadrado
em termos financeiros pelo acordo de clearing que regula o comércio externo bilateral.
A decisão quanto à compra da arma é tomada em Abril de 1937, com um contrato assinado com a Mauser a 15 de
Julho de 1937, que cobre 100.000 espingardas. A Embaixada inglesa refere no seu relatório anual de 1938 que foram
entregues até então 80 000 espingardas, parcialmente montadas em Braço de Prata, por um valor que andava pelos
70.000 contos. Segundo a mesma fonte, a Alemanha estava tão interessada em assinar este contrato que chegou a
desviar espingardas dos depósitos do seu Exército para apresentar prazos de entrega curtos a Portugal, enquanto a
Inglaterra não tinha armamento moderno para entrega imediata. Na realidade, havia pressa na entrega desta
encomenda, como é revelado por uma directiva do gabinete do ministro da Guerra onde se ordena que as provas de
recepção devem ser rápidas, desistindo-se de todos os procedimentos que impeçam a importação de pelo menos 10
000 espingardas por mês. Havia preocupações durante a crise de Munique de que a guerra na Europa estalasse a
curto prazo, o que paralisaria a exportação das Mauser. As 100.000 espingardas são recebidas até Setembro de 1939 e
entregues ao Exército e à GNR.
As primeiras Mauser m/937 são distribuídas às unidades em fins de 1937 e é curioso constatar que logo começam a
surgir críticas múltiplas das unidades. Estas incidem sobre diversos aspectos, todos graves: dilatação dos canos nas
proximidades do embasamento do ponto de mira, fracturas da caixa da culatra, fractura do cursor da alça, fracturas
das paredes-molas dos detentores, fechos de segurança partidos pela patilha. Estas críticas levaram a um intenso
inquérito oficial conduzido directamente pelo gabinete do ministro da Guerra (o que prova a importância que se dava
ao assunto) e a testes feitos em Portugal e na Alemanha. A conclusão do inquérito foi exposta publicamente na
Circular nº 10 da repartição do gabinete (Revista de Infantaria, Março a Junho de 1939) e defendia que as avarias e
problemas verificados se deviam exclusivamente ao fraco conhecimento da nova arma que levou as primeiras
unidades a fazerem uma utilização indevida dela. Na realidade, a Mauser m/937 viria a revelar-se ao longo dos anos
uma arma sólida e robusta, pelo que as críticas iniciais só provam o apego das unidades à anterior Mauser-Vergueiro,
a que se poderão juntar algumas reservas corporativas, devidas ao facto de a direcção de certas Armas não ter sido
ouvida na escolha da espingarda e de em alguns sectores haver dúvidas quanto à selecção de uma arma alemã.
Com a vinda da Mauser é adoptado o novo cartucho alemão de 7,92 mm, que passa a ser padrão em Portugal. É uma
viragem de fundo de afastamento em relação ao calibre britânico, devidamente notada na altura - o 7,92 mm será a
munição mais importante depois de 1937, mas o 7,7 mm e o 6,5 mm continuam a ser usados. As espingardas chegam
em 3 modelos (m/937, m/937-A e m/937-B) com pequenas diferenças que não merecem uma descrição
pormenorizada. Quando estala a Segunda Guerra Mundial, a m/937 é já a principal espingarda portuguesa, embora se
continue a usar em menor quantidade a Mauser-Vergueiro (40.000 foram alteradas para 7,92 mm) e a Lee-Enfield.
A 15 de Julho de 1941, é assinado um novo contrato com a Mauser para a aquisição de mais 50.000 espingardas. A
entrega em 10 lotes de 5.000 prolonga-se até 1942, tendo surgido alguns problemas quanto à numeração - os
primeiros 4 lotes tinham números seguidos, pois a fábrica da Mauser Werke A. G., em Oberndorlf Neckar, segundo
informa, interrompeu o fabrico da arma para o Exército alemão a fim de responder à solicitação portuguesa, mas
depois do 4º lote (a partir da 23.000ª arma) o Exército alemão requisita as espingardas prontas a expedir para fazer
frente a uma emergência, o que interrompe a sequência da numeração. Os restantes lotes são completados com
espingardas das séries de fábrica F a I, das quais só a série H teria uma numeração completa e seguida.
Portugal recebe assim 150.000 Mauser m/937 entre 1937 e 1943, às quais se podem acrescentar 40.000 Mauser-
Vergueiro transformadas por Braço de Prata para o calibre 7,9 mm, o que dá no final da Segunda Guerra Mundial um
incrível total de 190.000 espingardas Mauser (modelos 1904 e 1937) no calibre-padrão nacional recebidas ou
alteradas ao longo de quase quarenta anos.
Depois da guerra, a m/937 domina por completo nas unidades da metrópole, enquanto as Lee-Enfield e as Mauser-
Vergueiro são desviadas para o império. Na segunda metade dós anos 1950, por exemplo, a Lee-Enfield era a principal
espingarda no império, com mais de 15.000 armas, enquanto a m/937 só era usada em cerca de 10.000 exemplares,
mas a Mauser dominava na Índia, onde havia forças expedicionárias provenientes da metrópole (6392 Mauser, contra
2718 Lee).
A m/937 é a arma dos primeiros reforços que seguem para Angola em 1961. As companhias de caçadores especiais
enviadas inicialmente vão equipadas com 110 Mauser m/937, 12 Dreyse ou Madsen e 3 Breda. Em 1961, porém,
começam a chegar em quantidade as espingardas de assalto (FAL, G3 e AR-10), e a Mauser é rapidamente retirada da
primeira linha. Muitas são entregues até 1974 às unidades de recrutamento local e às forças de auto-defesa em África,
enquanto outras são usadas na instrução na metrópole ou pela GNR, que a mantém depois de 1961, quando o
Exército já usa a G3. A venerável «98», uma das melhores espingardas de ferrolho que alguma vez se fabricou, ainda é
usada para efeitos de instrução no século XXI.
MAUSER
País de origem - Alemanha Alcance máximo - 4500 m
Calibre - 7,92 mm Alcance eficaz -1500 m
Número de estrias - 4 Peso da arma - 3,950 kg com depósito vazio
Sentido das estrias – Dextrorsum Depósito - Fixo e central com capacidade para 5
Comprimento da arma - 1,10 m munições
Comprimento do cano - 0,602 m Baioneta - Punhal-baioneta com 0,252 m de lâmina e
Velocidade inicial do projéctil à boca da arma - 755 m/s 0,580 kg de peso
Aparelho de pontaria - Linha de mira axial. Alça de Munição - 7,92 x 35,3 mm, 26,3 9 de peso e invólucro
ranhura simples de quadrante com cursor e apoios metálico com base em garganta e percussão central
curvos graduada de 1 a 20 hectómetros. Ranhura em U Mecanismo de segurança - Imobilização do percutor/cão
no modelo 1937-A e ranhura em V no modelo 1937. Funcionamento - Arma ordinária de retrocarga de tiro
Ponto de mira de secção rectangular (modelo 1937-A) e simples ou de repetição
triangular nos outros modelos
ESPINGARDA DE ASSALTO 7,62 M/961 FN FAL
A FN FAL funciona por tomada de gases num ponto do cano. O travamento da culatra é efectuado pela própria
culatra. Os gases, recuperados num ponto do cano e transmitidos a um êmbolo ligado a uma armadura (peça que
envolve a culatra), são responsáveis pela elevação da culatra e afastamento da mesma da entrada da câmara.
O percutor encontra-se no interior do bloco de travamento. A percussão é dada pela pancada do cão (existente ao
nível do gatilho) sobre a cauda do percutor. A alimentação efectua-se por acção da mola do depósito. Um extractor de
garra com mola faz a extracção do invólucro no movimento de abertura da culatra, e a ejecção verifica-se quando a
base do invólucro encontra, ao nível do punho, um ejector fixo. Acabadas as munições no depósito, a culatra fica
detida à retaguarda.
Historial
A FAL foi desenvolvido a partir de uma espingarda semi-automática da Fabrique National (FN) belga (a M49), tendo
recebido o nome de Fusil Automatique Legere (FAL). Foi desenhada originalmente à volta do então revolucionário
cartucho alemão de 7,92 mm curto (Mauser 7,92 x 33 Kurz). Quando a NATO recusou o 7,92 curto alemão para
munição-padrão, bem como o inglês de 0.28 polegadas, e adoptou um mais clássico (o 7,62 x 51 mm), a FN muda a
FAL, de modo a usar a nova munição normalizada.
A FAL foi um imenso sucesso desde o primeiro momento. Era capaz de tiro isolado ou de rajada, alimentada por um
carregador de 20 cartuchos. A nova arma foi comprada ou fabricada sob licença em 92 países, entre os quais a própria
Inglaterra, que a usou com o nome de L1A2. A FAL e os seus derivados foram o modelo mais divulgado no Ocidente de
um novo tipo de arma: a espingarda de assalto, que representava um importante progresso em relação às espingardas
de ferrolho da Segunda Guerra Mundial.
Quase todos os pequenos Estados ocidentais se armaram nos anos 1950 e começo da década de 1960 com uma de
duas espingardas de assalto: a FAL (a maioria) ou a G3, que só surge no final da década.
Em Portugal, só em 1961, com o começo da luta armada em África, se coloca com urgência a necessidade de substituir
a Mauser por uma espingarda de assalto capaz de fogo automático. A G3 e a FN são avaliadas em alternativa (a AR-10
não tinha hipóteses por razões políticas, embora tivesse sido comprado um lote na Holanda), procurando-se num
primeiro momento arranjar um número razoável de ambas para armar com elas as unidades enviadas urgentemente
para Angola.
Segundo Nuno Santa Clara Gomes, em 1961 são compradas na Bélgica 3825 FAL normais e 970 com bipé, sendo estas
últimas destinadas a superar a falta de uma metralhadora ligeira do mesmo calibre. A FAL chega ainda de duas outras
origens: a RFA aceita «emprestar» 14 867 espingardas dos seus stocks enquanto não arranca a produção da G3, e a
África do Sul «empresta» outras 12 500. Portugal conta assim nos primeiros tempos das guerras de África com cerca
de 30 000 FAL, mas a maior parte será devolvida à origem (RFA e RAS) assim que a G3 começa a ser produzida em
quantidade, o que acontece logo a partir de 1962. As FAL que ficam em Portugal são entregues principalmente a
grupos especiais de recrutamento local, uns ligados ao Exército outros à PIDE.
FN FAL
País de origem - Bélgica Peso da arma - 4 kg com depósito vazio; 4,730 kg com
Calibre - 7,62 mm depósito cheio
Número de estrias - 4 Depósito - Carregador independente e central com
Sentido das estrias - Dextrorsum capacidade para 20 munições
Comprimento da arma - 1,1 m Baioneta - Punhal-baioneta com 0,201 m de lâmina e
Comprimento do cano - 0,533 m 0,350 kg de peso
Velocidade inicial à boca - 840 m/s Munição - 7,62 x 51 mm NATO (invólucro metálico com
Aparelho de pontaria - Linha de mira axial. Alça de lâmina base em garganta e percussão central)
com cursor e apoios rectilíneos, graduada de 2 a 6 Mecanismo de segurança - Imobilização do gatilho
hectómetros. Ponto de mira de secção rectangular com Funcionamento - Arma automática, de tiro automático e
base circular graduada semi-automático, com tomada de gases num ponto do
Alcance máximo - 2000 m cano. Tem regulador de tomada de gases. Com a tampa
Alcance eficaz - 200 m de regulação de gases aberta, funciona como arma de
repetição
ESPINGARDA DE ASSALTO 7,62 M/961 E M/963 G3
A espingarda automática G3, embora possa realizar tiro automático, destina-se a efectuar tiro semi-automático.
Sendo uma arma que funciona por inércia, os gases actuam directamente sobre a superfície interna do invólucro e a
culatra retarda a sua abertura pela acção conjunta dos roletes de travamento (alojados na cabeça da culatra), da
massa da culatra e da mola recuperadora. O percutor encontra-se no interior do bloco da culatra. A percussão é dada
pela pancada do cão (existente ao nível do gatilho) sobre a cauda do percutor. A mola do depósito garante a
alimentação. Um extractor de garra com mola efectua a extracção do invólucro no movimento de abertura da culatra,
e a ejecção quando a base do mesmo encontra, ao nível do punho, um ejector de alavanca. Consumidas as munições
do depósito, a culatra não fica detida à retaguarda.
Historial
A origem da G3 está nas armas desenvolvidas pela Alemanha nos anos finais da Segunda Guerra Mundial, que levam
ao aparecimento das espingardas de assalto do pós-guerra como um novo tipo de arma para o infante. Uma delas era
a Mauser, pensada para substituir a 98K, mas a guerra termina quando a espingarda ainda era um mero protótipo.
Alguns dos engenheiros envolvidos no projecto conseguem escapar para Espanha com os planos e continuam o seu
trabalho nas fábricas da CETME, num ritmo lento pois não há encomendas em perspectiva. Em 1956, a CETME
considera que a espingarda está madura e, ao mesmo tempo que o Exército espanhol a adopta, vende os direitos à
NWM da Holanda, a pensar numa comercialização mais fácil na Europa da NATO, pois a Espanha não fazia parte da
organização. Nesta altura, a RFA tinha acabado de ser aceite na NATO e procurava uma espingarda para o seu
renascido exército. A proposta da NWM-CETME é atractiva. Bona encarrega a Heckler & Koch de fazer algumas
transformações na arma desenvolvida pela CETME. Deste processo sai a G3, com o calibre 7,62 x 51 mm da NATO,
adoptada pelo Bundeswehr.
A Heckler & Koch ocupa no final dos anos 1950 as antigas instalações da Mauser, pelo que se pode dizer que, por vias
tortuosas, a arma tinha voltado às origens depois de uma década de desenvolvimento. A G3 foi um imenso sucesso,
oferecendo vantagens em relação à FAL, então a arma deste tipo mais divulgada no Ocidente. A G3 é escolhida por
muitos dos países ocidentais que não adoptaram a FN. Ao fim de alguns anos, era usada por 60 países e fabricada sob
licença em 13, entre os quais a Turquia, a Grécia, a Noruega, a Arábia, o Paquistão e o Irão.
Quando Portugal procurou a urgente modernização do armamento ligeiro em 1961, a G3 surge como uma opção
lógica, pois era uma arma moderna, já testada em África e no Médio Oriente, e as relações com a RFA eram óptimas,
pelo que havia a certeza de que não seriam levantados problemas políticos. Um primeiro lote inicial de G3 (2.400
normais e 425 com bipé) é avaliado operacionalmente em Angola em conjunto com a FAL nas companhias de
caçadores especiais formadas em 1961. As G3 com bipé destinavam-se a superar a falta de uma metralhadora do
mesmo calibre, dando um maior poder de fogo automático às secções de atiradores, com a possibilidade de substituir
os canos.
A escolha da G3 para futura arma do Exército tem mais a ver com razões políticas e comerciais do que técnicas, pois a
RFA deu grandes facilidades para o fabrico da arma sob licença e mostrou-se disposta a fornecer um numeroso lote
inicial dos seus stocks para fazer frente à emergência, chegando mesmo a entregar FN FAL a título de empréstimo.
Foram usadas múltiplas variantes da G3, desde um modelo de coronha retráctil a outros adaptados para atiradores
especiais com mira telescópica ou com aparelho de tiro nocturno (AN-PVS4). Um acessório normal é o lança-granadas
HK 79 acoplado, o que substitui com vantagem a munição lança-granadas, outra das possibilidades da arma.
O fabrico da G3 arranca em Braço de Prata em força a partir de 1962 (m/963), com uma crescente integração
nacional, que acaba por chegar perto dos 100%. As primeiras armas «nacionais» são entregues em 1962 (embora
oficialmente só sejam recebidas em 1963), num projecto que prevê inicialmente o fabrico de 105.000 G3, número
muito razoável para Portugal. O número real excedeu em muito as expectativas iniciais: em 1965, tinham já sido
produzidas 140.000 espingardas e, em 1974, atingiu-se o incrível total de 250.000, fornecidas ao Exército, Marinha
(fuzileiros), Força Aérea, GNR e a unidades independentes de recrutamento africano.
A G3 é, juntamente com o mosquete «Brown Bess» de 1808, a arma recebida em maior quantidade pelo Exército
português, bem como uma das que é usada há mais tempo (fez 43 anos de serviço como espingarda-padrão em 2004,
numa vida útil ainda não terminada).
G3
País de origem - Alemanha. Fabricada em Portugal a Velocidade inicial à boca - 700 a 800 m/s
partir de 1963, na fábrica de Braço de Prata Aparelho de pontaria - Linha de mira axial. Alça de
Calibre - 7,62 mm diopter com tambor para os 200 e 300 m (modelo 1961),
Número de estrias - 4 ou tambor com diopter para 1, 2, 3 e 4 hectómetros
Sentido das estrias - Dextrorsum (modelo 1963). Ponto de mira de secção rectangular
Comprimento da arma - 1,020 m Alcance máximo - 2000 m
Comprimento do cano - 0,450 m Alcance eficaz - 1700 m
Alcance útil - 400 m Peso do projéctil - 9,45 g
Alcance prático - 200 m (ou inferior) Peso da munição - Aproximadamente 24 g
Peso da arma - 3,95 kg sem depósito Mecanismo de segurança - Imobilização do mecanismo
Depósito - Carregador independente e central com de disparar
capacidade para 20 munições Funcionamento - Arma automática, de tiro automático e
Baioneta - Punhal-baioneta com 0,201 m de lâmina e semi-automático, com funcionamento por acção
0,350 kg de peso indirecta de gases com retardamento na desobturação
Munição - 7,62 x 51 mm NATO (invólucro metálico com por inércia
base em garganta e percussão central).
ESPINGARDA DE ASSALTO 7,62 MM M/961 AR-10
A Armalite AR-10 funciona por tomada de gases num ponto do cano. O travamento é efectuado pela superfície
filetada da cabeça da culatra. Os gases, recuperados num ponto do cano e transmitidos através de um canal à culatra,
são responsáveis pelo movimento que obriga à rotação do filetado de travamento, retirando-o do alojamento da caixa
da culatra. O percutor encontra-se no interior da culatra. A percussão é dada pela pancada do cão sobre a cauda do
percutor. A alimentação efectua-se por acção da mola do depósito. O extractor é de garra com mola. O ejector
encontra-se na cabeça da culatra e tem a sua ponta permanentemente saliente por acção da respectiva mola. Embora
recolha quando a culatra introduz uma munição na câmara, a ejecção verifica-se quando o invólucro, sem pressão
frontal, encontra a janela de ejecção.
Historial
A Armalite foi fundada por George Dochester e Charles Sullivan em 1952 e, na sua curta história, esteve na origem de
algumas das armas mais significativas do último quartel do século XX, como a M16 ou a M4. O segredo era a
capacidade inovadora de Eugene Stoner, que se junta à empresa em 1954 e a deixa em 1959. Em 1955, a Armalite
apresenta uma espingarda de assalto com o nome de AR-10 que funciona por recuperação de gás, usa amplamente o
alumínio de modo a reduzir o peso e está preparada para a munição NATO de 7,62 mm. A nova arma tinha uma
configuração que reduzia ao mínimo o desvio e permitia um tiro automático anormalmente preciso. O seu aspecto é
muito semelhante ao da futura M16, que será desenvolvida a partir dela, tendo como principal elemento de
identificação externa uma pega superior onde se incorpora o aparelho de pontaria.
A Armalite AR-10 revela-se uma excelente arma, mas surge em má altura, pelo que nenhum grande poder a adopta.
Os EUA e outros estudam já a possibilidade de optar por munições de menor potência, tal como a URSS tinha feito no
pós-guerra. Depois de vários esforços inúteis para a sua comercialização, em 1957 o Artilerie-Inrichtingen Arsenal,
empresa da Holanda, aceita fabricar o produto da Armalite em pequena série. Não é certo quantos exemplares foram
fabricados. Algumas fontes referem 5.000 e outras 10.000.
Portugal compra a AR-10 em 1961, numa altura em que se adquirem armas onde elas estão disponíveis para enfrentar
o começo da luta armada em Angola. Certas fontes referem que a quantidade importada foi de 1.500, o que significa
que Portugal comprou uma parte substancial da produção total. Sem grande surpresa, a AR-10 não é adoptada para
futura espingarda do Exército, não por razões técnicas, mas porque uma arma concebida nos EUA e produzida na
Holanda, os dois países da NATO que mais críticos eram em relação à política africana de Portugal, não tinha qualquer
hipótese de equipar o Exército em grande quantidade. Tecnicamente, a AR-10 revela-se uma espingarda de
funcionamento automático excepcional em operações, precisa e leve, tão equilibrada que podia ser disparada com
uma só mão em caso de necessidade. A Armalite será usada principalmente pelas companhias de caçadores pára-
quedistas, nesta altura ligadas à Força Aérea e que só na década de 1990 passariam para o Exército.
ARMALITE AR-10
País de origem - EUA. Fabricada em série na Holanda Peso da arma - 4,050 kg com depósito vazio
Calibre - 7,62 mm Depósito - Carregador independente e central com
Número de estrias - 4 capacidade para 20 munições
Sentido das estrias - Dextrorsum Baioneta - Tem punhal-baioneta
Comprimento da arma - 1,050 m Munição - 7,62 x 51 mm NATO (invólucro metálico com
Comprimento do cano - 0,521 m base em garganta e percussão central)
Velocidade inicial à boca - 820 m/s Mecanismo de segurança - Imobilização do gatilho
Aparelho de pontaria - Linha de mira axial. Alça com Funcionamento – Arma automática, de tiro automático e
diopter regulável dos 100 aos 500 m. Ponto de mira de semi-automático, com tomada de gases num ponto do
secção trapezoidal cano. Tem regulador de tomada de gases
Nota: Nesta arma, inovadora para a época, a caixa dos mecanismos e a culatra são fabricadas em liga de alumínio. O
ângulo de coronha nulo e a posição elevada do diopter atenuam a tendência de elevação do cano no momento do
disparo.
PISTOLA 9 MM M/961 WALTHER
A pistola Walther é uma arma automática com curto recuo do cano. Ao dar-se o disparo, o cano e a corrediça (peça
que sustenta a culatra e veste parte do cano), por acção dos gases sobre a superfície interna do invólucro, recuam
solidários. No instante correspondente à saída do projéctil à boca, o cano é detido pelo seu bloco de travamento e a
corrediça continua o movimento para a retaguarda. O percutor, alojado na corrediça, encontra-se permanentemente
recolhido com a cauda saliente. A percussão dá-se por pancada do cão na cauda do percutor. A alimentação é
efectuada por acção da mola do depósito. A extracção realiza-se por um extractor de garra com mola. A ejecção
verifica-se quando a base do invólucro encontra, ao nível do punho, um ejector fixo. Com o depósito vazio, a corrediça
fica detida à retaguarda.
Historial
Quando a Alemanha arranca com o rearmamento, em 1933, a sua pistola-padrão era a Luger, uma anua satisfatória,
excepto num ponto: era cara e exigente em termos de recursos industriais escassos. A Carl Walther Waffenfabrik, de
Ulm, que fabricava pistolas automáticas desde 1908, sugere como alternativa uma arma da sua concepção que tinha a
origem na famosa PP de 1929, produzida no calibre de 7,65 mm para as forças de segurança.
A solução não é aceitável para o Exército, mas a Walther prossegue com o projecto e apresenta em 1938 uma pistola
que corresponde a todos os requisitos dos militares: a P38 adaptada ao 9 mm Parabellum.
A Walther P38 seria a principal pistola alemã na Segunda Guerra Mundial, com boas provas dadas em todos os teatros
de operações, embora nunca substituísse por completo a Luger, que continua a ser fabricada em grande quantidade
até 1942.
A P38 é usada depois da guerra em vários países que a tinham recebido da Alemanha nos anos anteriores. Em meados
dos anos 1950, a mesma pistola é seleccionada para equipar o Bundeswher, o novo Exército da RFA, recomeçando a
sua produção. A nova arma tinha ligeiras modificações em relação à P38 e foi rebaptizada de Pistole 1 (P1), mais pela
preocupação de cortar com as denominações do passado do que por uma real diferença em termos de concepção ou
engenharia.
Em Portugal, a P1 (conhecida normalmente por P38 ou, simplesmente, por Walther) era uma escolha evidente para
substituir a Luger e a Savage em 1961, numa altura em que se optou igualmente pela espingarda de assalto e pelas
metralhadoras da RFA. A pistola beneficiou das facilidades comerciais e financeiras concedidas pela Alemanha. A
Walther foi a arma-padrão dos oficiais nas guerras de África. Alguns, porém, preferiam a UZI como arma pessoal e nos
anos finais da guerra havia oficiais que optavam por usar em operações algumas armas e munições capturadas ao
inimigo, com destaque para a AK-47.
WALTHER
País de origem - Alemanha Peso da arma - 0,705 kg (sem carregador) - 0,787 kg (com
Calibre - 9 mm carregador vazio) 0,867 kg (com carregador cheio)
Número de estrias – 6 Depósito - Carregador independente ao nível do punho
Sentido das estrias - Dextrorsum com capacidade para 8 munições
Comprimento da arma - 214 mm Munição - 9 x 19 mm e 8 g de peso. Invólucro metálico
Comprimento do cano - 125 mm com base em garganta e percussão central
Aparelho de pontaria - Linha de mira axial com ranhura Mecanismo de segurança - Imobilização do percutor pelo
em U e ponto de mira de secção triangular corpo do fecho de segurança e imobilização do
Alcance máximo - 1600 m desarmador
Alcance útil - 50 m Funcionamento - Arma automática de tiro semi-
Alcance prático - Combate próximo - 5 aos 50 m automático e curto recuo do cano
PISTOLA-METRALHADORA 9 MM M/948 FBP
A pistola-metralhadora FBP apresenta uma culatra cilíndrica. A abertura da câmara, retardada pela acção conjunta da
massa da culatra e da mola recuperadora, dá-se no instante seguinte à saída do projéctil à boca. O percutor encontra-
se fixo na culatra. Após a recuperação, esta só inicia o seu movimento de avanço quando o gatilho é pressionado. A
alimentação efectua-se por acção da mola do depósito. Um extractor de garra com mola efectua a extracção do
invólucro no movimento de abertura da culatra. A ejecção verifica-se quando a base do invólucro encontra, ao nível
da caixa da culatra e sobre a base, um ejector fixo.
Historial
A FBP é uma das poucas armas de concepção nacional que chegou à fase de produção na época contemporânea. É de
concepção clássica, indo buscar inspiração para alguns dos seus componentes a pistolas-metralhadoras famosas,
como a MP 40 alemã e a M3 americana. Funciona por inércia e nos modelos iniciais só era possível o tiro automático;
as fabricadas a partir de 1961 permitem ainda o tiro semi-automático. Uma nota pouco normal na FBP é que tem a
possibilidade de usar uma baioneta, fixada por um grampo debaixo do cano, o que não é usual neste tipo de arma.
Nos modelos iniciais havia problemas com o sistema de segurança, o que originou alguns acidentes com armas que,
por exemplo, começavam a disparar ao receberem uma pancada forte (devida, por exemplo, a uma queda acidental) e
só paravam quando o carregador estava vazio.
A FBP é desenvolvida no pós-guerra pela Fábrica de Braço de Prata, que lhe dá o nome, numa altura em que o Exército
apenas dispunha de uma pistola-metralhadora moderna em pequena quantidade (a Sten), sendo todas as outras
obsoletas. Será entregue a partir de 1948 em primeiro lugar às unidades da metrópole, o que permite passar as
pistolas-metralhadoras dos anos 1930 para o império. Em finais dos anos 1950, a principal pistola-metralhadora usada
nas colónias era a «Steyer», ocupando a FBP o segundo lugar, com 160 em Angola e 200 em Moçambique.
A FBP será a principal pistola-metralhadora nos primeiros tempos das guerras de África, sendo usual entregar uma aos
comandantes dos pelotões e às secções de atiradores. Será igualmente usada pelas unidades de defesa das
instalações na retaguarda, tanto no Exército como na Armada e na Força Aérea. A UZI nunca chega a substituir a FBP,
pois as duas armas têm funções diferentes, sendo a israelita quase uma alternativa à pistola, preferida enquanto tal
pelos oficiais, enquanto a portuguesa é uma pistola-metralhadora de dimensões tradicionais. A FBP será retirada
gradualmente da primeira linha com a vulgarização da G3, que passa a equipar toda a secção de atiradores, à
excepção do apoio de fogo de uma metralhadora ligeira. Nessa altura, a FBP é relegada para as forças de segurança de
instalações ou para unidades de recrutamento local.
Em 1976 é desenvolvido um modelo melhorado do m/948, que conta com uma manga de refrigeração no cano e é
mais preciso e fácil de controlar.
FBP
País de origem - Portugal Peso da arma - Sensivelmente 3,080 kg sem depósito .
Calibre - 9 mm Depósito - Carregador independente e central com
Número de estrias - 6 capacidade para 32 munições
Sentido das estrias - Dextrorsum Munição - 9 x 19 mm e 8 g de peso. Invólucro metálico
Comprimento da arma - 805 mm com base em garganta e percussão central
Comprimento do cano - 250 mm Baioneta - Punhal-baioneta com 0,176 m de lâmina e
Velocidade inicial do projéctil à boca - 360 m/s 0,390 kg de peso
Aparelho de pontaria - Linha de mira axial. Alça com Mecanismo de segurança - Imobilização da culatra
diopter para 100 m. Ponto de mira de secção triangular Arrefecimento do cano - Pelo ar
Alcance eficaz - 100 m Funcionamento - Arma automática, de tiro semi-
Alcance útil - 50 m automático e automático, de funcionamento por inércia
PISTOLA-METRALHADORA 9 MM M/961 UZI
A pistola-metralhadora UZI emprega uma culatra de bloco com percutor fixo que permite a abertura da câmara no
instante seguinte à saída do projéctil à boca. O retardamento da abertura da câmara é garantido pela acção conjunta
da massa da culatra e da mola recuperadora. Para armar a culatra (puxá-la à retaguarda) é necessário premir um
interruptor de segurança existente ao nível do punho. O movimento de avanço da culatra impulsionada pela mola
recuperadora dá-se quando o armador, por acção do dedo do utilizador sobre o gatilho, a liberta. A alimentação é
efectuada por acção da mola do depósito. Um extractor de garra com mola efectua a extracção do invólucro no
movimento de abertura da culatra. A ejecção verifica-se quando a base do invólucro encontra, ao nível da caixa da
culatra, um ejector fixo.
Historial
A Checoslováquia desenvolveu no pós-guerra um novo conceito de pistola-metralhadora, com o carregador inserido
através do punho e uma culatra colocada centralmente. Isso permitia obter uma arma anormalmente leve e
equilibrada, que podia ser usada com uma única mão, quase como uma pistola, pois o centro de gravidade estava no
punho. O major israelita Uziel Gal utiliza esse conceito para produzir a UZI nos anos 1950, arma que se revela fiável e
eficaz nas guerras contra os árabes.
A UZI tomou-se uma das principais armas de exportação de Israel, sendo fabricada por muitos outros países e
adoptada por dezenas de exércitos, para além de amplamente vendida no mercado civil. Era considerada uma das
melhores pistolas-metralhadoras ocidentais até ao aparecimento da MP5 alemã.
Para Portugal, a UZI surge como uma arma ideal nas condições das guerras de África, onde a maior parte dos
combates se travam a curtas distâncias. A sua ampla divulgação permite a aquisição em vários mercados, em
quantidades que não foi possível apurar, com entregas que se prolongam ao longo dos anos. A UZI dá um efectivo
poder de fogo aos oficiais, que a podem transportar quase como se de uma normal pistola se tratasse, pelo que é
usada em paralelo com a FBP, sem a substituir.
No final das guerras de África, alguns oficiais preferiam usar como arma pessoal, em operações, em vez da UZI, a AK-
47 capturada ao inimigo. Era o caso, por exemplo, do capitão Salgueiro Maia, na Guiné.
UZI
País de origem - Israel Alcance útil - 50 m
Calibre - 9 mm Alcance prático - Combate próximo - 5 aos 50 m
Número de estrias - 4 Peso da arma - Aproximadamente 2,9 kg (sem depósito)
Sentido das estrias - Dextrorsum Munição - 9. x 19 mm e 8 g de peso. Invólucro metálico
Comprimento da arma - 640 mm (com o apoio do ombro com base em garganta e percussão central
recolhido) Comprimento do cano - 260 mm Mecanismo de segurança - Imobilização do mecanismo
Velocidade inicial do projéctil à boca - 390 m/s de disparar (imobilização do armador)
Aparelho de pontaria - Linha de mira axial. Alça com Arrefecimento do cano - Arrefecimento pelo ar
diopter. Ponto de mira de secção trapezoidal Funcionamento - Arma automática, de tiro semi-
Alcance máximo - 200 m automático e ,automático, de funcionamento por inércia
METRALHADORA LIGEIRA 7,9 MM M/930-41 MADSEN
Metralhadora ligeira 7,7 mm m/930 Madsen; Metralhadora ligeira 7,9 mm m/940 Madsen; Metralhadora ligeira 7,9
mm m/930-41 Madsen
A Madsen é uma arma de cano móvel com longo recuo do mesmo (recuo superior ao comprimento de um invólucro).
O conjunto cano/culatra recua logo após a percussão da munição por acção dos gases sobre a superfície interna do
invólucro e sobre um reforçador de recuo existente à boca da arma. A culatra, através de uma placa de guias existente
na sua caixa, oscila verticalmente, garantindo a extracção e a alimentação de novos cartuchos. O percutor encontra-se
na culatra. A alimentação é efectuada por um carregador trapezoidal curvo colocado sobre a caixa da culatra e numa
posição paralela à linha de mira. Utiliza um extractor de alavanca que é accionado por um ressalto existente no fundo
da caixa da culatra. A ejecção é apoiada por um deflector. O arrefecimento do cano é efectuado por irradiação através
dos 48 discos que vestem o cano e entre os quais se desenvolve uma corrente de renovação de ar.
Historial
A Madsen foi desenvolvida na década de 1880 pelo capitão dinamarquês W.O. Madsen como uma espingarda semi-
automática, tendo sido adoptada em 1896 pela marinha da Dinamarca, a primeira força a usar este tipo de arma. Em
1902, a Madsen é transformada de modo a produzir uma metralhadora ligeira, de imediato comprada pela Rússia e
adoptada pela Dinamarca em 1904. A arma era uma das primeiras metralhadoras ligeiras a entrar em serviço e foi um
sucesso entre os pequenos poderes, apesar de ser relativamente cara e exigir uma munição cuidada para funcionar
convenientemente: foi adoptada por 34 países numa dúzia de calibres diferentes.
Em Portugal, é aberto um concurso em 1927 para a compra de armas individuais e automáticas, tendo sido
experimentados vários modelos. Em 1930, uma comissão recomenda a Madsen para metralhadora ligeira, embora a
verba disponível não permita a aquisição de todas as necessárias, pelo que é decidido comprar apenas 240 na versão
de cano curto e bipé para a infantaria e 100 na versão de cano comprido e tripé para a cavalaria e, em parte, para os
caçadores, todas no calibre 7,7 britânico (0.303). É necessário acrescentar que outras fontes indicam a compra de 340
e não 440 exemplares no lote inicial, não tendo sido possível apurar a verdade.
A arma usada com tripé tem uma guarnição de 5 homens (um 1º cabo, um apontador, um municiador e dois
remuniciadores). A Madsen é fornecida principalmente aos batalhões de caçadores (20 metralhadoras cada em 1933)
e à cavalaria, embora também 2 dos regimentos de infantaria a recebam. A justificação é a seguinte: «Os batalhões de
caçadores, que, pela sua missão de tropas de cobertura precisam de uma grande potência de fogo sem prejuízo da
mobilidade devem ser armados com a Madsen que, dispondo de tripé, poderá ser utilizada nos quartos pelotões das
companhias como metralhadora pesada». A cavalaria diz preferir a Madsen com tripé à metralhadora pesada Vickers
e desenvolve uma sela especial para transporte da arma dinamarquesa. Um exemplar da metralhadora na respectiva
sela encontra-se no museu da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
A partir de 1938, quando é recebida a Dreyse, a cavalaria decide manter a Madsen, que está preparada para o
transporte a cavalo já em posição de tiro, na sela apropriada. Uma directiva de Santos Costa (Outubro de 1939)
ordena que as Madsen da cavalaria devem ser alteradas para o calibre 7,92 mm, que passa a ser o padrão. Nesta
altura, uma nota informativa da direcção da Arma de Cavalaria indica que há 98 Madsen com tripé e 44 com bipé nas
unidades, pelo que faltam 284 Madsen para completar o quadro teórico das unidades (em Outubro de 1939, o quadro
era de 4 regimentos a cavalo, 2 regimentos «motorizados» e 5 grupos de cavalaria). Santos Costa ordena então a
aquisição de mais 300 Madsen na Dinamarca, já preparadas para o cartucho alemão de 7,92. Estas são fornecidas a
partir de 1940, quando a Dinamarca foi já ocupada pela Alemanha, tendo vindo através de Espanha depois de Junho
de 1940. Recebem a designação m/940. As m/930 da cavalaria são convertidas por Braço de Prata para o novo calibre
em 1941, com a designação de m/930-41.
Apesar dos problemas que apresentava, a Madsen continua a ser usada principalmente pelos caçadores, pela
cavalaria e nas colónias. É classificada depois da guerra como metralhadora ligeira (com bipé) ou metralhadora (com
tripé). Em meados dos anos 1950 era a arma deste tipo mais usada no império: 13 em Cabo Verde, 27 na Guiné, 114
em Angola, 259 em Moçambique, 70 na Índia, 98 em Macau, 9 em Timor, num total de 590. As companhias de
caçadores no ultramar usam nesta altura como regra a Madsen com bipé ou tripé e o esquadrão de cavalaria em
Timor tem 8 de cada. Mesmo em 1961 as primeiras companhias de atiradores especiais que vão para Angola levam a
Dreyse, a MG34 e a Madsen como metralhadoras. Só a partir de 1963, com a chegada da MG42 e da HK21, a velha
arma dinamarquesa é gradualmente retirada de serviço.
MADSEN
País de origem - Dinamarca Comprimento da arma - 1,270 m ou 1,275 m (cano
Calibre - 7,7 ou 7,9 mm comprido)
Número de estrias - 4 Comprimento do cano - 0,478 m ou 0,670 m (cano
Sentido das estrias - Dextrorsum comprido)
Velocidade inicial à boca - Aproximadamente 706 m/s
Aparelho de pontaria – Linha de mira lateral. Alça de Depósito - Carregador independente, trapezoidal curvo e
quadrante com cursor e apoios curvos com ranhura em V central, com capacidade para 30 munições
graduada de 2 a 18 hectómetros. Ponto de mira de Cadência de tiro - Cerca de 450 t.p.m.
secção rectangular Munição - 7,7 mm ou 7,9 mm com invólucro metálico
Alcance máximo - 3250 m com base em rebordo e percussão central
Alcance útil – 1900 m Mecanismo de segurança - Imobilização do gatilho
Peso da arma (com bipé) - 8,90 kg (cano - 0,478 m), 9,90 Funcionamento - Arma automática, de tiro automático,
kg (cano - 0,670 m) com longo recuo do cano
METRALHADORA LIGEIRA 7,62 MM M/963 HK21
Na metralhadora ligeira HK21, os gases resultantes da combustão da carga propulsora são responsáveis pelo
lançamento do projéctil e pelo recuo das partes móveis. Dispõe de um comutador de tiro para utilização da arma em
tiro simples ou contínuo. Dois roletes, apoiados pela elevada massa da culatra e pela respectiva mola recuperadora,
retardam a abertura da culatra. O percutor, recolhido no interior da culatra, tem a cauda saliente. A percussão tem
lugar quando o armador, por acção do gatilho, liberta o cão. A alimentação é efectuada por uma fita de carregamento.
Um extractor de garra com mola faz a extracção do invólucro. A ejecção tem lugar quando a base do invólucro
encontra o ejector de alavanca do punho. O arrefecimento do cano efectua-se pelo ar que circula através dos orifícios
de ventilação da manga que o veste. Pode substituir o cano.
Historial
O sucesso da G3 levou a Heckler & Koch a desenvolver várias armas complementares, com tantos componentes
comuns quanto possível. Surgiram assim espingardas de atiradores especiais (snipers), como a PSG-1, carabinas e
metralhadoras ligeiras. Neste último campo, a H&K comercializou dois modelos semelhantes: a HK11, alimentada por
fita ou pente, e a HK21, alimentada por fita, ambas para o cartucho NATO de 7,62 mm. A HK21 podia receber um
adaptador, de modo a ser alimentada com caixa ou pente e permitia a selecção do disparo entre semi-automático e
automático; vinha equipada de série com bipé, embora possa ser colocada num tripé próprio.
Portugal precisava de uma metralhadora ligeira para armar a secção de atiradores equipada de G3, tendo sido
compreendido logo em 1961 que as espingardas normais equipadas de bipé não eram uma solução satisfatória. A
MG42, que começa a chegar a partir de 1962, é uma excelente arma, mas, com os seus 12 kg, foi considerada
demasiado pesada para a secção de atiradores, para além de ser cara. A solução natural era a HK21, alimentada por
fita, com um cano mais pesado do que o da G3, mas apenas com 7,9 kg de peso. A arma tinha a grande vantagem de
usar 40 % dos componentes da espingarda de assalto, para além da mesma munição. A encomenda inicial é de 4000
exemplares, sendo a HK21 fabricada em Braço de Prata a partir de 1967. O Exército recebe os primeiros exemplares
feitos em Portugal em 1968.
É de acrescentar que a HK21 nunca satisfez por completo como metralhadora ligeira, pois, ao contrário do que
acontece com a G3, encrava com frequência. Mais tarde, surgem dois modelos aperfeiçoados, que ultrapassam alguns
dos problemas iniciais: a HK21A e a HK21E, esta última com um cano mais comprido e a capacidade de disparar
também em rajadas de 3 tiros. Portugal não recebe estes modelos.

HK21
País de origem - Fabricada pela INDEP sob licença da HK Alcance máximo - 1200 m
Calibre - 7,62 mm Peso da arma - 7,92 kg
Número de estrias - 4 Depósito - Fita carregadora DM 1 com capacidade para
Sentido das estrias - Dextrorsum 50 munições
Comprimento da arma - 1,021 m Cadência de tiro - Cerca de 900 t.p.m.
Comprimento do cano - 0,450 m Munição - 7,62 x51 mm (NATO)
Velocidade inicial à boca - 800 m/s Mecanismo de segurança - Imobilização do armador
Aparelho de pontaria – Linha de mira axial. Alça de Funcionamento - Arma automática, de tiro automático e
diopter com tambor para distâncias compreendidas tiro semi-automático
entre os 200 e os 1200 m
METRALHADORA 7,62 MM M/962 MG42
Metralhadora 7,62 mm m/962 MG42; (Metralhadora 7,62 mm m/992 MG3 )
As metralhadoras MG42 e MG1A3 mantêm as mesmas características técnicas de funcionamento do modelo MG34.
Na MG1A3 há a destacar a inclusão de uma alça para tiro anti-aéreo.
A MG42 foi uma evolução da MG34 mantendo o calibre 7,92 mm. A partir de 1959, com a mesma designação, foi
convertida para o calibre 7,62 x 51 mm (NATO).
Historial
A MG42 é normalmente considerada a melhor metralhadora da Segunda Guerra Mundial. Surge em 1942, para
substituir a MG34 que, apesar de ser uma excelente arma para o seu tempo, era exigente em termos de recursos
industriais e de trabalho qualificado. O mecanismo era semelhante ao da MG34, mas a nova arma, concebida por uma
equipa da Mauser coordenada por Grunow, era mais leve (11,5 kg contra 12,1), mais fiável, tinha uma cadência
superior (1200 t.p.m. contra os 600 ou 900 t.p.m. normais) e era de manejo mais fácil, muito em particular a operação
de mudança do cano. O grande atractivo, porém, é que era mais barata e rápida de fabricar do que a sua antecessora,
tendo sido concebida desde o primeiro momento a pensar na produção em grande quantidade com mão-de-obra não
qualificada. A MG42 tinha um ruído muito próprio ao disparar em tiro automático, pelo que era facilmente
identificável no campo de batalha.
A fama da Maschinengewehr 42 era tal que, quando a RFA aderiu à NATO, ela surge como a opção natural para
metralhadora do novo Exército alemão, agora evidentemente adaptada ao cartucho NATO de 7,62 x 51 mm, o que era
fácil de fazer. A RFA escolhe-a com ligeiras mudanças e baptiza-a como MG1 ou MG2, conforme se trate de armas
novas ou de adaptações das existentes em armazém. A versão de exportação da MG1 é a MG42/59, comercializada a
partir de 1959.
Portugal está nesta altura à procura de uma metralhadora no calibre da NATO que pudesse completar a renovação do
armamento ligeiro do Exército, tendo em conta o começo previsível da guerra em Angola. Ao adoptar-se a G3 em
1961, a MG 42/59 surge como o seu complemento natural, tanto mais que a RFA dá importantes facilidades
financeiras e permite o seu fabrico sob licença em Braço de Prata. Segundo Nuno Santa Clara Gomes, a MG42 é
comprada a partir de 1962 directamente à RFA em dois lotes: um de 1200 e outro de 500. As armas são enviadas de
urgência para África, onde a MG42 não tarda a revelar-se como a melhor metralhadora portuguesa. É normal que as
quantidades finais importadas ou montadas em Portugal tenham sido muito superiores às 1800 iniciais. A MG 42
substitui por completo a Breda e a Vickers como metralhadora pesada. Foi considerada, contudo, demasiado pesada
para armar as secções de atiradores; estas usam a HK21 como metralhadora, tendo em conta o seu menor peso (7,9
kg contra 11,5 kg). Seria uma opção polémica, pois a HK21 não tinha a fiabilidade da MG42,. sendo incapaz de
assegurar uma cadência de tiro efectiva.
O próximo passo da evolução da MG42 é a MG3, produzida em finais dos anos 1980, com vários componentes em
metais de liga leve e refinamentos diversos, como seja a capacidade de variar a cadência do tiro ou a de usar diversos
tipos de fitas, nomeadamente fitas de elos. Com a MG3, a mudança do cano torna-se ainda mais fácil e a manutenção
é reduzida, permitindo obter uma arma que mantém as excelentes características da MG42, mas é mais leve, fiável e
fácil de utilizar. Portugal recebe um pequeno lote de MG3 em 1992. A arma será usada nomeadamente nas operações
externas de manutenção de paz do Exército português, como na Bósnia e no Kosovo.
MG42
País de origem - Alemanha Alcance útil - 1200 m
Calibre - 7,62 mm Alcance eficaz - 3500 m
Número de estrias - 4 Peso da arma - 11,5 kg
Sentido das estrias - Dextrorsum Comprimento da arma - Depósito - Fita carregadora DM 1 com capacidade para
1,225 m 50 munições
Comprimento do cano - 0,565 m Cadência de tiro - 1150 a 1300 t.p.m.
Velocidade inicial à boca - 820 m/s Munição - 7,62 x 51 mm (NATO)
Aparelho de pontaria - Linha de mira lateral. Alça Mecanismo de segurança - Imobilização do armador e
rectilínea de lâmina com cursor e ranhura em V graduada manobrador
dos 2 aos 12 hectómetros. Ponto de mira de secção Funcionamento - Arma automática, de tiro automático e
rectangular tiro semi-automático, com curto recuo do cano
Alcance máximo - 4000 m
METRALHADORA LIGEIRA 7,92 MM M/938 DREYSE
Esta arma apresenta um cano móvel apresentando um curto recuo do cano no momento do disparo. Um comutador
de tiro permite a realização de tiro simples ou contínuo. O travamento realiza-se por inclinação de um travador
articulado ligado à armadura (peça que guia os movimentos da culatra). Neste tipo de travamento, o travador
articulado oscila verticalmente e é comandado por um ressalto inclinado existente ao nível da caixa da culatra. O
percutor encontra-se na culatra e a percussão dá-se por pancada do cão sobre a sua cauda. A alimentação é efectuada
por um carregador trapezoidal curvo colocado no lado esquerdo da anua. Utiliza um extractor de garra de mola que
prende o invólucro até este encontrar um ejector fixo na caixa da culatra. O arrefecimento do cano é efectuado pelo
ar que circula através dos orifícios de ventilação da manga que o veste.
Historial
Niklaus Dreyse foi o inventor da primeira espingarda de ferrolho fabricada em série e fundou uma fábrica com o seu
nome em 1841, a qual deu origem à Rheinmetall, ainda hoje existente. Em 1907, a empresa desenvolve uma
metralhadora ligeira a que chama Dreyse, mas o Exército alemão não a adopta. Durante a Primeira Guerra, a falta de
metralhadoras leva a que a Alemanha compre a Dreyse em duas versões: a MG 10 e a MG 15, com bipé. Depois de
1918, as Dreyse sobreviventes são reconstruídas como anuas refrigeradas a ar e alimentadas por um original duplo
tambor, sendo entregues ao Reichswehr (o pequeno exército de 100 000 homens que o Tratado de Versalhes permitia
à Alemanha), baptizadas com o novo nome de MG 13. Com a subida de Hitler ao poder, o Exército alemão começa a
receber a MG 34, uma metralhadora muito superior à MG 13, o que permite a exportação desta para Portugal a partir
de 1938, como complemento da espingarda Mauser.
Segundo a Embaixada inglesa no relatório de 1938, Portugal encomendou 2800 metralhadoras Dreyse completas,
esperando a sua entrega a curto prazo, o que não devia ser difícil, pois o Exército alemão tinha uns milhares em stock.
Era a maior encomenda de metralhadoras realizada até então, útil numa altura em que se preparava o crescimento do
Exército na eventualidade de um conflito na Europa. A Dreyse vem equipada com carregadores de pente curvo de
alimentação lateral e com um reparo que permite o tiro AA. Podia usar um cartucho normal, tracejante ou tracejante-
perfurante. Apesar de antiquada, a arma era melhor do que muitas das metralhadoras então em serviço no país. A
Dreyse não é distribuída à cavalaria, pois, segundo uma nota do CEME de Outubro de 1939, as experiências
efectuadas mostraram que o seu transporte a cavalo só era possível desmontada, de tal modo que os pelotões se
tomavam menos móveis, tinham de ser alterados na sua orgânica e demoravam mais tempo a apear e a entrar em
posição, o que se considerou «Inadmissível». A cavalaria continua a usar a Madsen, adaptada ao calibre 7,92 mm. A
Dreyse não podia ser transportada a cavalo pronta a disparar, como acontecia com a Madsen na sua sela especial.
Nos anos 1950, a Dreyse é desviada para o serviço nas colónias (em 1958 existem: 22 em Angola, 22 em Moçambique,
138 na Índia, 32 em Macau). Em 1961, as companhias de caçadores especiais que reforçam Angola levam a Dreyse
como principal metralhadora (12 por companhia, como arma de apoio das secções de atiradores). A vulgarização das
armas que usam o cartucho NATO a partir de 1962 conduz à rápida substituição da Dreyse na primeira linha. As armas
sobreviventes são então atribuídas às forças de auto-defesa ou de recrutamento local.
DREYSE
País de origem - Alemanha Alcance eficaz -3500 m
Calibre - 7,92 mm Peso da arma (com bipé) - 11,60 kg
Número de estrias - 4 Depósito - Carregador independente, trapezoidal curvo e
Sentido das estrias - Sinistrorsum Comprimento da arma lateral, com capacidade para 25 munições
- 1,515 m Comprimento do cano - 0,718 m Cadência de tiro - 550 a 600 t.p.m.
Velocidade inicial à boca - 770 m/s Munição - 7,9 mm com invólucro metálico com base em
Aparelho de pontaria - Linha de mira lateral. Alça rebordo e percussão central
rectilínea de tambor com ranhura em V graduada de 1 a Mecanismo de segurança - Imobilização do armador
20 hectómetros. Ponto de mira de secção trapezoidal Funcionamento - Arma automática, de tiro automático e
Alcance máximo - 4500 m semi-automático, com curto recuo do cano
Alcance útil - 2000 m
METRALHADORA 7,92 MM M/938 BREDA
A metralhadora pesada Breda funciona por tomada de gases num ponto do cano. Não dispondo de comutador de tiro,
a sensibilidade do atirador é de terminante para a realização do tiro simples (tiro-a-tiro). O travamento realiza-se por
intermédio de uma culatra de bloco. Esta sobe e desce um plano inclinado mediante o movimento linear do êmbolo
que é impulsionado pelos gases tomados num ponto do cano. O percutor encontra-se no interior desse bloco e toma-
se saliente quando a sua cauda encontra um ressalto no êmbolo. A alimentação é efectuada por uma lâmina
carregadora. Tem um extractor de dupla calha na cabeça da culatra. Não tem ejecção. Depois de consumido, o
invólucro é reposto na lâmina carregadora. O arrefecimento do cano é efectuado pelo ar e pela considerável massa do
cano.
Historial
A firma italiana Breda inicia a produção de armas com a Primeira Guerra Mundial, através da metralhadora Fiat-
Revelli. Nos anos 1930, a empresa especializa-se em metralhadoras, tanto para o Exército como para a Força Aérea.
Um dos seus modelos mais bem sucedidos é a metralhadora pesada Breda de 13,2 mm, lançada em 1931.
Em 1937, a partir da metralhadora pesada, é desenvolvido um modelo ligeiro em duas versões: uma para uso interno,
que disparava o cartucho italiano de 8 mm; outra para exportação, com o cartucho alemão de 7,92 mm, mais
difundido em termos internacionais do que o italiano. A Breda «modello 37» era alimentada lateralmente com
lâminas metálicas de 20 cartuchos, que podiam ser ligados umas às outras, e tinha a curiosa característica de não
ejectar o invólucro usado, que tomava a ser colocado cuidadosamente na lâmina, um preciosismo bem ao gosto
italiano - as lâminas entravam pela esquerda com cartuchos e saiam pela direita com invólucros. Cada metralhadora
trazia uma máquina de carregar lâminas, de onde se retiravam os invólucros vazios (teoricamente para reciclagem) e
onde os cartuchos eram colocados. As lâminas eram transportadas em cunhetes próprios de vários tamanhos.
Portugal decide em 1938 comprar a Breda como metralhadora pesada com tripé, de modo a completar a panóplia de
armas que usa o cartucho de 7,92 mm (juntamente com a Mauser e a Dreyse). A decisão é tomada apesar de se saber
que a arma tinha alguns inconvenientes. O tenente-coronel Flaviano Eugénio da Costa, responsável pela recepção das
Breda em Roma, indica que a arma deve ser cuidadosamente limpa sempre que dispara, com especial atenção aos
órgãos de tomada de gases; refere igualmente que se deve ter muito cuidado com as lâminas de 20 cartuchos, pois
basta que uma se deixe cair acidentalmente para um chão mais duro (bastava uma queda de 1 metro para cima de
uma pedra) para provocar uma ligeira deformação que fará encravar a arma.
As Breda são recebidas em 7 lotes entre Março e Setembro de 1939, chegando ainda a Portugal por via marítima
antes de a Itália ser beligerante. Foram compradas 1250 armas com acessórios e fornecida ainda mais meia dúzia de
exemplares para testes. É de referir que, apesar da vinda da Breda, a Vickers é amplamente usada como metralhadora
pesada do Exército nos anos 1940. A Breda, aliás, tinha tendência a encravar com mais facilidade e o sistema de
lâminas ou pentes era pouco prático, não permitindo a cadência de tiro da fiável Vickers alimentada por fita. Os testes
realizados em Portugal, segundo o tenente Pereira da Conceição (Revista de Infantaria, 1938), revelam que a Breda
podia manter uma cadência prática de tiro de 400 disparos por minuto, o que é muito razoável.
É de notar que uma secção de duas metralhadoras equipadas com Breda tem de transportar 108,7 kg de peso,
enquanto se estivesse equipada com a Vickers de 7,92 mm as mesmas duas armas representavam 140,505 kg de peso
(uma economia de 23 %), com a seguinte distribuição (o peso da Vickers entre parêntesis): 2 metralhadoras 38,4 kg
(37,9), 2 tripés 37 kg (56,5), (2 caixas de líquidos - só para a Vickers - 20,3 kg), 2 canos de reserva 16 kg (3,4), uma caixa
de ferramentas 8 kg (11,4), 1 máquina de carregar lâminas 9,3 kg (uma máquina de carregar fitas para a Vickers - 10,8
kg).
Na década de 1950, a Breda é reclassificada como metralhadora ligeira. Em 1958 é amplamente usada no império: 10
em Angola, 10 em Moçambique, 48 na Índia, 10 em Macau. As companhias de caçadores enviadas para reforço de
Angola em 1961 levam normalmente a Breda. A partir de 1963, a metralhadora italiana é substituída por outras que
usam a munição NATO e são mais leves.
Depois do 25 de Abril de 1974, segundo o testemunho do coronel Cristóvão de Aires, a Breda foi ainda usada durante
muitos anos para efeitos de instrução na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, sendo uma das armas que podia
praticar o tiro indirecto para alvos não visíveis.
BREDA
País de origem - Itália Aparelho de pontaria - Linha de mira lateral. Alça
Calibre - 7,92 mm rectilínea de lâmina com cursor e ranhura em V graduada
Número de estrias - 4 dos 3 aos 30 hectómetros. Ponto de mira de secção
Sentido das estrias - Dextrorsum trapezoidal
Comprimento da arma - 1,270 m Alcance máximo - 4000 m
Comprimento do cano - 0,740 m Alcance útil - 3000 m
Velocidade inicial à boca - 778 m/s Alcance eficaz - 3500 m
Peso da arma - 11 ,30 kg Mecanismo de segurança - Imobilização do gatilho
Depósito - Lâmina carregadora com 20 alvéolos Funcionamento - Arma automática, de tiro automático,
Cadência de tiro - 240 t.p.m. (12 lâminas} com tomada de gases num ponto do cano. Tem
Munição - 7,9 mm com invólucro metálico com base em regulador de tomada de gases
garganta e percussão central
METRALHADORA PESADA 12,7 MM M/955 BROWNING M2
A metralhadora pesada Browning é uma arma automática de tiro tenso destinada à execução de tiro anti-aéreo ou
tiro terrestre. Tem um curto recuo do cano no momento do disparo. Apenas realiza tiro automático. O travamento
realiza-se por intermédio de uma lingueta que mantém a ligação da culatra ao cano até o projéctil se encontrar no
interior deste. O percutor encontra-se na cabeça da culatra. A alimentação é efectuada por uma fita de carregamento.
Tem um extractor de dupla calha e a ejecção não se realiza. O invólucro depois de consumido é abandonado pelo
fundo da caixa da culatra. O arrefecimento do cano efectua-se pelo ar que circula através dos orifícios de ventilação
da manga que envolve a câmara e pelo ar apoiado pela considerável massa do cano. O arrefecimento deve ainda
incluir a substituição manual do cano ao fim de 300 tiros.
Historial
A Browning M2 é uma das mais notáveis armas de sempre, produzida em mais de 3 milhões de exemplares desde
1930. Foi uma arma usada em todos os conflitos importantes nos últimos 70 anos e era ainda a principal metralhadora
pesada usada numa infinidade de blindados, pela Aviação (era a arma do B-17 ou do P-47, que serviram na Força
Aérea portuguesa, por exemplo) ou pela Marinha (amplamente usada para equipar as lanchas portuguesas em África
nas guerras de 1961-1974).
Portugal recebe a M2 através da ajuda militar americana, que começa a chegar com a adesão à NATO, e da assinatura
do acordo de defesa de 1951. Era a primeira arma deste calibre que o país recebia. A mera vinda da M2 obriga a rever
a classificação das metralhadoras, que até aqui eram chamadas «pesadas» desde que usassem tripé e aguentassem
uma cadência de fogo mais intensa. Depois da Browning, as antigas metralhadoras pesadas (como a Breda) passam a
ser ligeiras. A M2 é recebida em múltiplas variantes, usadas pelos mais diferentes tipo de unidades: fixa, em tripé, em
reparo AA, em veículos, em reparos quádruplos para a anti-aérea, em aviões. A Browning em Portugal, tal como
acontece em dezenas de outros Estados, ainda hoje é a metralhadora pesada padrão, meio século depois de recebida,
pelos EUA na guerra do Iraque, em 2003. A M2 surge a partir de uma especificação elaborada pelo Exército americano
com a experiência da Primeira Guerra, onde se pedia uma metralhadora com uma munição mais poderosa do que a
das espingardas, para ser usada principalmente contra veículos e aviões.
O génio de John Moses Browning, um dos mais produtivos inventores de armas de sempre, responde com uma
metralhadora refrigerada a água, que se baseava na «sua» M1917. Em 1933, já depois da morte de J 000 Browning,
esta arma é transformada de modo a ser refrigerada a ar e recebe o nome de M2HB (iniciais de heavy barrel, cano
pesado), preparada para o cartucho desenvolvido pela Winchester de 0.5 polegada (12,7 mm). A M2 tanto é usada
pela infantaria, em tripé ou reparo AA, como pela artilharia (em reparo quádruplo AA), pela cavalaria numa infinidade
de blindados, pela Aviação (era a arma do B-17 ou do P-47, que serviram na Força Aérea portuguesa, por exemplo) ou
pela Marinha (amplamente usada para equipar as lanchas portuguesas em África nas guerras de 1961-1974).
Portugal recebe a M2 através da ajuda militar americana, que começa a chegar com a adesão à NATO, e da assinatura
do acordo de defesa de 1951. Era a primeira arma deste calibre que o país recebia. A mera vinda da M2 obriga a rever
a classificação das metralhadoras, que até aqui eram chamadas «pesadas» desde que usassem tripé e aguentassem
uma cadência de fogo mais intensa. Depois da Browning, as antigas metralhadoras pesadas (como a Breda) passam a
ser ligeiras. A M2 é recebida em múltiplas variantes, usadas pelos mais diferentes tipo de unidades: fixa, em tripé, em
reparo AA, em veículos, em reparos quádruplos para a anti-aérea, em aviões. A Browning em Portugal, tal como
acontece em dezenas de outros Estados, ainda hoje é a metralhadora pesada padrão, meio século depois de recebida.
BROWNING .50
País de origem - EUA Alcance prático em tiro anti-aéreo - 700 m
Calibre - 12,7 mm Peso da arma - 38,1 kg (com cano) e 25,4 kg (sem cano)
Número de estrias - 8 Depósito - Fita carregadora de elos com capacidade
Sentido das estrias - Dextrorsum Comprimento da arma - variável
1,650 m Comprimento do cano - 1,140 m Cadência de tiro - 400 a 600 t.p.m.
Velocidade inicial à boca - 893 m/s Munição - 12,7 mm com invólucro metálico com base em
Aparelho de pontaria - Linha de mira lateral. Alça garganta e percussão central
rectilínea de lâmina com diopter graduada das 200 às Mecanismo de segurança - Não tem
2600 jardas. Ponto de mira de secção rectangular Funcionamento - Arma automática, de tiro automático,
Alcance máximo - 6750 m com curto recuo do cano
Alcance prático em tiro terrestre - 2380 m
MORTEIRO LIGEIRO 60 MM M2 M/965

Características Gerais
Arma especial, colectiva, ligeira de tiro curvo que pode ser utilizado em operações ofensivas ou defensivas contra
pessoal desabrigado.
Pode bater em tiro directo ou mascarado alvos desenfiados ou situados em contra-encosta.
Dados Numéricos e Balísticos
Peso do cano –5,5 kg Alcance – varia com o ângulo de tiro, tipo de granada e
Peso do prato base –4,175 kg carga empregue
0
Peso do suporte –7,400 kg Alcance máximo – 1815 m (ângulo 45 com HE)
Peso total –17 kg Cadência de tiro –18 a 35 t.p.m.
Comprimento do cano – 0,725 m Velocidade inicial – 177,9 m/s
Características de Funcionamento
Arma de antecarga com tubo de alma lisa.
Percutor fixo – Disparo por queda da munição sobre o percutor.
Lançamento por acção dos gases resultantes da carga propulsora e cargas suplementares, estas últimas quando
utilizadas.

Apontamentos de Armamento e Tiro – Academia Militar


MORTEIRO MÉDIO 81 MM

Características Gerais
Arma especial, colectiva, média de tiro curvo que pode ser utilizado em operações ofensivas ou defensivas para a
execução de barragens e destruição de abrigos e pequenos núcleos de resistência. Fundamentalmente criada para o
tiro indirecto
Dados Numéricos e Balísticos
Peso da arma completa – 62,5 kg Campo de tiro vertical –40 a 85º
Peso do tubo –21,7 kg Campo de tiro horizontal –180º
Peso do prato base –21 kg Alcance – varia com o ângulo de tiro, tipo de granada e
Peso do suporte –18,5 kg carga empregue
Peso do aparelho de pontaria –1,3 kg Alcance máximo – 5000 a 6000 m / mínimo – 100 m
Comprimento do cano – 1,10 m Cadência de tiro –18 a 35 t.p.m.

Características de Funcionamento
Arma de antecarga com tubo de alma lisa.
Percutor fixo – Disparo por queda da munição sobre o percutor.
Lançamento por acção dos gases resultantes da carga propulsora e cargas suplementares, estas últimas quando
utilizadas.
É uma arma de grande precisão devido ao sistema de estabilização da granada.

Apontamentos de Armamento e Tiro – Academia Militar