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O BANSURI (FLAUTA DE BAMBU) E SUA UTILIZAÇÃO NA MÚSICA OCIDENTAL Sergio Ghivelder Artigo apresentado

O BANSURI (FLAUTA DE BAMBU) E SUA UTILIZAÇÃO NA MÚSICA

OCIDENTAL

Sergio Ghivelder

Artigo apresentado como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em ensino das práticas musicais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). 2019. Orientadora: Profª. Drª. Laura Rónai.

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo apresentar ao músico ocidental e especialmente aos flautistas/clarinetistas/saxofonistas, o bansuri, flauta de bambu utilizada no norte da Índia. O bansuri, devido à ausência de chaves mecânicas, oferece recursos e possibilidades únicas em relação a outros instrumentos de sopro e está ganhando mais espaço fora do seu país de origem e em variados contextos musicais.

Palavras-chave: Bansuri. Flauta. Flauta de bambu. Técnicas de dedilhado. Multicultural.

ABSTRACT

The present article aims to introduce to the western musician and especially to flute/clarinet/ saxophone players, the bansuri, a bamboo flute used in northen India. The bansuri, due to the absence of mechanical keys, offers unique features and possibilities compared to other wind instruments and is gaining more space outside its home country and in various musical contexts.

Keywords: Bansuri. Flute. Bamboo flute. Fingering techniques. Multicutural.

O BANSURI (FLAUTA DE BAMBU) E SUA UTILIZAÇÃO NA MÚSICA OCIDENTAL

1 INTRODUÇÃO

Bansuri é o nome local de uma flauta de bambu utilizada no norte da Índia e também no Paquistão, Bangladesh e Nepal. O nome é derivado da junção das palavras em sânscrito bans, que significa bambu, e sur, que significa nota ou melodia. O presente artigo tem o objetivo de introduzir o instrumento para aqueles que não o conhecem e explicar por que uma flauta aparentemente tão primitiva está começando a ganhar mais espaço fora do seu país de origem e em variados contextos musicais. A apropriação do bansuri por outros gêneros musicais, aqui sugerida e constatada, não é uma tentativa de inclusão de um elemento “exótico” ou “oriental” como seria inevitavelmente o uso de uma cítara indiana 1 . O timbre do bansuri é muito semelhante ao de uma flauta ocidental e os dois instrumentos podem ser facilmente confundidos. Mais do que o timbre, a diferença principal entre os dois instrumentos é o fato do bansuri ter desenvolvido uma técnica de dedilhado com o objetivo específico de explorar o espaço entre as notas. Glissandos e variações microtonais 2 fazem parte da essência da música indiana e são, portanto, considerados recursos indispensáveis em um instrumento musical. Ao contrário, no ocidente, os instrumentos musicais em geral, e particularmente os instrumentos de sopro, desenvolveram-se em torno das necessidades da música orquestral dos séculos XVIII e XIX que, além de virtuosismos, requer a divisão da escala em 12 semitons idênticos seja no intervalo seja no timbre. O foco está na capacidade de saltar entre as notas com a velocidade e destreza de um piano. No caso da flauta transversa, essa necessidade culminou com uma série de inovações introduzidas pelo alemão Theobald Boehm (1794- 1881). Boehm aperfeiçoou um complexo sistema de chaves 3 que, além de aumentar a extensão da flauta, permitia virtuosismos cromáticos impossíveis até então. A invenção de Boehm foi sucessivamente adaptada a outros instrumentos como o oboé e o clarinete e não sofreu alterações significativas até os dias de hoje. Enquanto cem por cento eficaz na execução de cromatismos e modulações, o sistema de chaves dificulta muito a capacidade mencionada de executar glissandos e ornamentos que requerem variações microtonais.

1 Exemplos famosos e pioneiros do uso da cítara na música popular são as canções Norwegian Wood e Love You To dos Beatles.

2 Um microtom é qualquer intervalo menor do que um semitom.

A partir do século XX porém, a flauta criada por Boehm especificamente para a

música do século XIX, começa a ser considerada limitada em vários ambientes, desde a música contemporânea ao jazz. A busca por novas sonoridades e recursos produziu manuais

de “técnicas expandidas” para a flauta e outros instrumentos de sopro. No seu livro The Other Flute , Robert Dick (p. V, 1975) reconhece a importância da capacidade de produzir microtons. Ele afirma: “The traditional conceptual limitations of the flute exclude it from many of the innovations taking place in the musical fields of the avant-garde, jazz, and rock 4 ”. Bruno Bartolozzi (p. 1, 1967, tradução nossa), citado por Dick como uma importante influência no seu trabalho, em relação à música contemporânea, afirma: “As limitações conceituais tradicionais da flauta a excluem de muitas das inovações que estão ocorrendo nos campos musicais da avant-garde, do jazz e do rock”. Eve E. O'Kelly (p. 97-98, 1990) também aborda a capacidade da flauta doce de produzir glissandos límpidos e graduais, tendo em vista a ausência de chaves.

É claro que existe uma relação direta entre a música de uma determinada cultura e

seus instrumentos musicais. Deixando de lado os instrumentos de percussão, raramente um instrumento musical é utilizado em uma cultura diferente daquela para a qual se desenvolveu. Existem, porém, algumas exceções e talvez uma das mais antigas e interessantes seja a adoção do violino por parte da música indiana. O violino, que ao contrário de outros instrumentos ocidentais, é capaz de explorar com facilidade o espaço entre as notas, tornou-se, com uma técnica de dedilhado transformada, um instrumento indiano para todos os efeitos.

É interessante notar que esse mesmo processo de apropriação ocorreu dentro da

própria música indiana, quando a música erudita começou a utilizar instrumentos, entre eles o bansuri, que eram até então associados a contextos predominantemente folclóricos. Os instrumentos envolvidos tiveram assim que reinventar suas técnicas para adaptar-se ao novo status quo. Carl Clements, flautista/saxofonista americano que escreveu uma tese de doutorado sobre o bansuri, diz:

] muitos fatores

contribuíram para uma grande reestruturação da paisagem musical indiana. Um resultado importante foi a introdução no cenário clássico de instrumentos musicais

que não eram anteriormente apresentados como solistas prominentes, como bānsurī, sārangī, shahnāī e santūr 5 . (CLEMENTS, 2011, p. 330, tradução nossa).

O século XX na Índia foi um momento de mudanças dramáticas, [

4 “Some composers already show an obvious lack of interest in conventional instruments and have no hesitation in using the most unusual means in an effort to find new sonorities”.

many factors contributed to a major

5 “The twentieth century in India was a time of dramatic change, [

restructuring of the Indian musical landscape. An important outcome was the introduction onto the classical

stage of musical instruments not previously featured as prominent solo voices, such as bānsurī, sārangī, shahnāī, and santūr”

]

2 O INSTRUMENTO

O bansuri é, fundamentalmente, uma flauta transversal, preferivelmente cilíndrica (alguns bambus podem ser um pouco ovais) e fechada em uma das extremidades. Como outras flautas transversais, a embocadura consiste em um simples furo circular perto da extremidade fechada do tubo e o modo de produzir o som é substancialmente igual à outras flautas transversais 6 . O ideal estético, e esse é um aspecto importante para a utilização do bansuri na música ocidental, também é o mesmo: um som cheio com graves fortes, agudos claros e homogeneidade de timbre entre as notas nos vários registros. O bansuri tem duas oitavas e uma quarta de extensão, porém as notas mais agudas, acima das duas oitavas, são de difícil execução e raramente utilizadas. Os melhores bansuris são feitos com bambu proveniente do Assam, uma pequena região da Índia ao norte de Bangladesh. A peculiaridade desses bambus é que, devido ao crescimento rápido da planta, os anéis (ou nós) são muito distantes entre si permitindo a fabricação de flautas de grande dimensão. O bansuri utiliza somente os entrenós, ou seja, o espaço cilíndrico entre os nós do bambu. Na figura n. 1 podemos ver um típico bansuri contemporâneo adornado, por tradição, com fios coloridos 7 .

Fig. 1 - Bansuri

por tradição, com fios coloridos 7 . Fig. 1 - Bansuri Fonte: Subhash Thakur 8 Como

Fonte: Subhash Thakur 8

Como mencionado, será necessário fechar a extremidade do cilindro mais próxima à embocadura (lado direito da fig. 1). Tradicionalmente, ao cortar-se o bambu descartam-se os nós e usa-se um pedaço de rolha ou borracha como tampa. É muito raro que um dos nós 9 seja utilizado como barreira natural. Isso porque é, frequentemente, necessário ajustar a posição da tampa depois de finalizado o instrumento 10 . Sambamurthy (1982, p. 46) diz que, como regra, a

6 Outros instrumentos de sopro provenientes de diversas culturas, como o Shakuhachi do Japão, o Ney do oriente médio, ou a Quena dos Andes, são totalmente diferentes no modo de produzir o som.

7 Os adornos coloridos não alteram o som produzido e não possuem uma função prática, exceto nos casos frequentes em que uma flauta racha e fios e cola são utilizados para manter juntos os pedaços rachados. Instrumentos com múltiplas rachaduras podem continuar a ser utilizados normalmente.

8 Bansuri fabricado por Subhash Thakur (https://www.punamflutes.com) de Nova Delhi, um dos melhores fabricantes da atualidade. Imagem do fabricante utilizada com a devida autorização.

9 Os nós são constituídos por um diafragma que isola o entrenó anterior do próximo.

distância entre o ponto central da embocadura e a tampa é aproximadamente a mesma do diâmetro do tubo. Na prática, porém, existem muitas variáveis e, frequentemente, essa distância é substancialmente menor 11 . O bansuri possui, além da embocadura, seis furos para os dedos (índice, médio e anular de ambas as mãos). Vista a ausência de chaves, é possível segurá-lo voltado para os dois lados com qualquer uma das mãos nos furos superiores. Hariprasad Chaurasia (1938), o flautista mais famoso da Índia de todos os tempos, é um exemplo de músico canhoto que prefere segurar o bansuri com a mão direita mais perto da embocadura 12 . Além dos furos para os dedos, o bansuri possui um furo adicional que permanece aberto 13 . Instrumentos mais antigos não possuem esse sétimo furo. A presença do furo adicional, inovação atribuída ao grande músico e flautista Pannalal Ghosh (1911 - 1960), diminui um pouco a distância entre os outros furos facilitando assim a posição das mãos, especialmente nos instrumentos de grande dimensão. Estudioso da obra de Ghosh, Clements (2011, p.374) afirma que "Ghosh redesenhou o bansuri para melhor atender os requisitos da música clássica Hindustani". A dimensão é certamente o diferencial mais importante entre o bansuri e outras flautas de bambu produzidas pelo mundo afora. Quanto maior é a flauta, mais grave é o som. Um bansuri padrão, utilizado como solista na música clássica do norte da Índia, tem aproximadamente 80 centímetros de comprimento e a nota mais grave é um Si2 14 , mas existem instrumentos de várias dimensões. Tradicionalmente, não é a nota mais grave a definir a altura de um bansuri e sim a nota produzida com os três furos superiores fechados 15 . Essa nota, chamada Sa, é considerada a fundamental de todos os bansuris e sua frequência específica dependerá da dimensão do instrumento. Assim que, como podemos ver na fig. 2, os nomes das notas representam dedilhados específicos, válidos para bansuris de qualquer dimensão. Esse sistema é análogo ao famoso Dó móvel utilizado pelo compositor húngaro Zoltán Kodály (1882 - 1967). Os nomes das notas, SA RE GA MA PA DHA NI, não representam frequências específicas e sim intervalos em relação ao SA fundamental. Visto que existem bansuris de várias dimensões, é muito útil utilizar uma nomenclatura diretamente relacionada ao dedilhado utilizado 16 .

11 No caso do bansuri da fig. 3, o diâmetro interno do bambu é de 24 mm enquanto a distância entre a tampa e o ponto central da embocadura é de apenas 10 mm.

12 Por essa razão, o presente texto utilizará os termos mão “superior” ou “inferior”, em vez de direita e esquerda.

13 Ocasionalmente, e dependendo da sua posição, o furo suplementar pode ser fechado com a coxa ou o dedo mínimo da mão inferior, obtendo assim uma nota aproximadamente um semitom mais grave.

14 Meio tom abaixo do Dó3 da flauta moderna tradicional.

15 No caso do Venu, flauta de bambu utilizada no sul da Índia, o SA fundamental é obtido fechando somente os dois furos superiores.

Fig. 2 – Dedilhado básico

Fig. 2 – Dedilhado básico Fonte: imagem do autor A escala que obtemos simplesmente levantando os

Fonte: imagem do autor

A escala que obtemos simplesmente levantando os dedos a partir do SA fundamental é uma

escala maior com a quarta aumentada (equivalente ao modo lídio). Se considerarmos a escala a partir da nota mais grave (PA) obtemos uma escala maior. Portanto, abrir ou fechar um furo

quase sempre produz uma diferença de um tom, com exceção do intervalo NI - SA (produzido com o indicador da mão inferior) que é de um semitom. O intervalo entre o Tivra MA,

produzido com todos os orifícios abertos, e o PA, produzido com todos os orifícios fechados, também é de um semitom, mas requer uma mudança do modo de vibração das ondas sonoras ao interno do tubo. A distância e a dimensão dos furos, para flautistas habituados a utilizar a ponta dos dedos, faz com que, à primeira vista, o bansuri pareça simplesmente impossível de manusear. Na imagem abaixo (fig. 3) podemos comparar uma flauta de metal com chaves e um bansuri

da

mesma dimensão. A nota mais grave de ambos os instrumentos é o Dó3 17 . A distância entre

os

furos do bansuri é muito maior, além do fato que existem instrumentos ainda mais longos.

A

diferença de diâmetro também é relevante e consequentemente o bansuri precisa de mais

volume de ar para produzir um som cheio e de boa qualidade.

normal (Suddha) ou Tivra (sustenido) enquanto que o RE (segunda), o GA (terça), o DHA (sexta) e o NI (sétima) podem ser normais (Suddha) ou Komal (bemol). 17 A diferença no comprimento do tubo entre os dois instrumentos é devida ao fato que no bansuri a nota mais grave é produzida com o sétimo furo aberto.

Fig. 3 – Bansuri e flauta em Dó

Fig. 3 – Bansuri e flauta em Dó Fonte: imagem do autor Visto que não é

Fonte: imagem do autor

Visto que não é possível alcançar os orifícios com a ponta dos dedos, torna-se necessário segurar o instrumento diferentemente; como podemos ver na foto (fig. 4), retirada da tese de Mestrado de Catherine Potter (1957 - 2010), musicista canadense aluna do Chaurasia, apenas os anulares cobrem os orifícios com a ponta dos dedos. Os dedos indicador e médio, de ambas as mãos, utilizam a falange média para cobrir os orifícios do bansuri.

Fig. 4 - A posição das mãos

os orifícios do bansuri. Fig. 4 - A posição das mãos Fonte: POTTER, 1993, p.32. Ainda

Fonte: POTTER, 1993, p.32.

Ainda que obter instrumentos de boa qualidade não seja uma tarefa fácil, pode-se dizer que, do ponto de vista artesanal, o bansuri, assim como outras flautas de bambu, é um dos instrumentos musicais mais simples do planeta. Até mesmo outras flautas de bambu, como o sakuhachi, possuem um processo de construção mais complexo, visto que as membranas dos nós devem ser perfuradas internamente. Porém, como veremos adiante, os recursos que fazem do bansuri uma flauta versátil, capaz de adaptar-se à qualquer gênero musical, não derivam da complexidade do instrumento, e sim da técnica de dedilhado utilizada para a sua execução.

3 TÉCNICAS DE DEDILHADO

O bansuri, como qualquer outra flauta, produz notas de várias alturas de acordo com o comprimento do tubo. A primeira oitava (do PA mais grave ao Tivra MA) é produzida abrindo em sucessão os orifícios desde todos fechados 18 até todos abertos. A segunda oitava é produzida com os mesmos dedilhados, mas com uma pressão de sopro maior e, portanto, uma mudança de registro. As notas obtidas são o primeiro harmônico das notas da primeira oitava 19 . As notas da terceira oitava são produzidas a partir de diferentes harmônicos das notas fundamentais, mas precisam, para a sua produção e afinação, ser ajustadas com dedilhados de forquilha, denominação utilizada quando há orifícios abertos entre os cobertos pelos dedos. Uma das primeiras tabelas de dedilhado (fig. 5) para a flauta transversa, presente no livro Harmonie universelle de Marin Mersenne, teórico musical, matemático e filósofo francês (1588 - 1648), ilustra perfeitamente o que foi dito:

Fig. 5 – Dedilhados de Mersenne

o que foi dito: Fig. 5 – Dedilhados de Mersenne Fonte: MERSENNE, 1636, p. 242. A

Fonte: MERSENNE, 1636, p. 242.

A tabela de Mersenne, essencialmente válida seja para o bansuri que para o Dizi chinês ou o Pife brasileiro, ilustra uma realidade comum a todos esses instrumentos: se abrir um orifício produz um intervalo de um tom (com exceção do intervalo NI - SA ou 3 - 4 20 da tabela

18 Sem considerar o sétimo furo que permanece sempre aberto.

19 Uma boa introdução aos aspectos acústicos da flauta pode ser encontrada na página https://newt.phys.unsw.edu.au/jw/fluteacoustics.html.

20 No caso do Pife brasileiro esse intervalo é maior que um semitom e menor que um tom, variando muito de Pife para Pife.

de Mersenne), como produzir o semitom intermediário? A primeira resposta para essa pergunta é, simplesmente, não produzi-lo. Do ocidente ao oriente, em tradições musicais de tendência modal, as flautas tinham que adaptar-se à escala utilizada com um instrumento da

medida apropriada. Com o nascer do tonalismo e a necessidade crescente de produzir todos os semitons, os dedilhados de forquilha começaram a ser utilizados não só para ajustar as notas

da terceira oitava, mas também para produzir os semitons intermediários, entre o aberto e o

fechado. Porém, dedilhados de forquilha tendem a alterar o timbre e o volume do som e, tendo em vista os poucos orifícios à disposição, não é uma tarefa fácil produzir todas as notas

afinadas e de modo uniforme. Torna-se necessário, frequentemente, corrigir a afinação alterando a pressão e o ângulo do jato de ar 21 . A nota entre o PA e o DHA (o Komal DHA), ou

o 1 e o 2 da tabela de Mersenne, por ser um semitom acima da nota mais grave do

instrumento, é impossível de ser produzida com um dedilhado de forquilha. A flauta transversal só resolveu esse problema com uma chave adicional para o dedo mínimo inferior, introduzida no período barroco. A tabela abaixo (fig. 6), do livro Principes de la Flute Traversiere, de la Flute a Bec, et du Haut-bois, do importante flautista francês Jacques-Martin

Hotteterre (1674- 1763), ilustra os dedilhados para esse tipo de flauta.

Fig. 6 – Dedilhados de Hotteterre

esse tipo de flauta. Fig. 6 – Dedilhados de Hotteterre Fonte: HOTTETERRE, 1707, p. 38. No

Fonte: HOTTETERRE, 1707, p. 38.

No caso da flauta doce, em vez da chave, a solução adotada para produzir as notas

21 Girar a flauta para fora (em relação ao flautista) produz notas mais agudas enquanto que girar o instrumento para dentro produz notas mais graves. A variação porém é limitada.

intermediárias dos primeiros orifícios foi dividi-los em dois pequenos furos separados (fig.7).

Fig. 7 – Flauta doce

pequenos furos separados (fig.7). Fig. 7 – Flauta doce Fonte: Yamaha 2 2 A flauta doce

Fonte: Yamaha 22

A flauta doce é o instrumento de sopro sem chaves que melhor consegue produzir todos os semitons intermediários em modo uniforme e afinado utilizando somente dedilhados de forquilha. Por essa razão ela permaneceu inalterada até os dias de hoje. Porém, com o início do período clássico, é o timbre da flauta transversa que conquista a graça do público e ela deve adaptar-se à um novo ideal estético. Nas palavras de Laura Rónai, flautista e pesquisadora brasileira:

Por volta de 1775, no ápice do período clássico, a flauta passou a ter seis e às vezes até oito chaves, para facilitar a digitação de passagens rápidas. […] Com o sistema de temperamento igual, era preciso também criar a possibilidade de compor para a flauta (e tocar!) em tonalidades variadas, sem abusar dos dedilhados de forquilha, que impossibilitavam a execução de peças muito cromáticas ou com excesso de bemóis. (RÓNAI, 2008, p. 38-39).

Esse é exatamente o objetivo de Theobald Boehm com a sua nova invenção. Na verdade, ele parte de um pressuposto muito simples: para obter uma escala com doze semitons perfeitamente afinados e iguais no timbre e no volume não é possível utilizar dedilhados de forquilha. É preciso alterar somente o comprimento do tubo com um orifício independente para cada nota. As chaves servem substancialmente para manusear mais orifícios com menos dedos. Portanto, nas primeiras duas oitavas, o sistema de chaves adotado por Boehm produz o efeito da falsa forquilha. Ou seja: as notas intermediárias podem ter dedilhados com dedos levantados entre dedos abaixados (como, por exemplo, o Fá#) mas, se observarmos bem, não há furos abertos entre furos fechados. As notas da terceira oitava, como mencionado anteriormente, precisam ser ajustadas com verdadeiros dedilhados de forquilha e na flauta de Boehm há mais furos disponíveis para isso do que qualquer outra flauta do planeta. Daí a sua maior extensão. Após essa descrição do problema e da solução adotada por Boehm, para as

22 Detalhe de uma imagem do site da produtora de flautas Yamaha, disponível na página https://hub.yamaha.com/recorders-baroque-vs-german/.

necessidades da música da sua época, será mais fácil apreciar como a mesma questão, em uma outra cultura, com outras necessidades, pode ser abordada de uma forma totalmente diferente. Na Índia, o bansuri, tão semelhante à uma flauta renascentista, tem a mesma dificuldade de produzir as notas intermediárias, entre o aberto e o fechado. Porém, devido à necessidade constante de produzir glissandos e ornamentos microtonais, dedilhados de forquilha nunca foram contemplados 23 . No século XX, com a introdução de instrumentos de maior dimensão e com um timbre mais apropriado, o bansuri faz o seu ingresso na música erudita indiana. Tratando-se de uma música de tradição fortemente modal, não é necessário produzir uma escala cromática (no sentido de uma sucessão de semitons), mas a grande variedade de escalas utilizadas traz a necessidade de produzir todos os semitons dentro da extensão de uma oitava. A solução adotada é, simplesmente, abrir ou fechar o orifício parcialmente. A tabela da fig. 8, presente no livro em hindi Bansuri Shiksha, completa os dedilhados da fig. 2, ilustrando como as notas intermediárias são produzidas cobrindo parcialmente os orifícios 24 . Os nomes das cinco notas obtidas com meios furos, a partir do SA fundamental são: Komal Re (segunda menor), Komal GA (terça menor), Suddha MA (quarta justa), Komal DHA (sexta menor) e Komal NI (sétima menor).

Fig. 8 – Dedilhado completo com os meios furos

menor). Fig. 8 – Dedilhado completo com os meios furos Fonte: SHRIVASTAVA, 1999, p. 32. Se

Fonte: SHRIVASTAVA, 1999, p. 32.

Se é verdade que o aumento da dimensão do instrumento e da distância entre os furos

23 Os dedilhados de forquilha impedem o glissando entre as notas.

24 Shrivastava sugere fechar o furo do anular inferior para algumas das notas produzidas somente com a mão superior. O objetivo é somente segurar melhor o instrumento. A nota em questão não é alterada e, portanto, isso não pode ser considerado um dedilhado de forquilha. Essa prática não é adotada por todos os flautistas.

impõe, como vimos na fig. 4, uma mudança radical na posição das mãos, também é verdade que o aumento do diâmetro dos orifícios facilita enormemente o controle dos meios furos. Emerge assim, uma técnica de dedilhado alternativa ao dedilhado de forquilha, que permite produzir todos os semitons e oferece grande liberdade, vista a ausência de chaves, na utilização do espaço entre as notas. Certamente o bansuri não possui a mesma uniformidade de timbre e de volume entre todas as notas que a flauta feita por Boehm, já que essa última dispõe de um orifício independente para cada semitom. Nas notas produzidas com furos parcialmente cobertos o ar, ao deixar o tubo, encontra maior resistência do que no caso das notas produzidas com furos totalmente abertos. Caberá ao flautista compensar a diferença com ajustes na embocadura, volume e pressão do ar. Além do fato de que qualquer mínimo movimento do dedo influenciará imediatamente a altura do som. O flautista Joshua Geisler, no livro The Chromatic Bansuri, único texto disponível que menciona especificamente a utilização do bansuri na música ocidental, escreve: “Há uma suposição comum com a qual nos deparamos quando aprendemos instrumentos ocidentais; que devemos ser capazes de tocar em todas as 12 tonalidades da mesma forma. No que diz respeito a flauta de bambu, precisamos aceitar o simples fato de que isso é fisicamente impossível 25 ” (GEISLER, 2008, p. 28, tradução nossa). A tabela completa da fig. 9, demonstra como o bansuri é, de uma certa forma, semelhante à uma flauta ocidental moderna; as duas primeiras oitavas são produzidas com dedilhados diretos, ou seja, alterando somente o comprimento do tubo, enquanto que, como sempre, as notas da terceira oitava devem ser ajustadas com dedilhados de forquilha. Dedilhados com meios furos ocorrem em cinco dos seis orifícios do bansuri 26 , cada um com as suas peculiaridades para a produção do som. A complexidade está no fato que, diferentemente da flauta doce, que fecha a questão com dois pequenos furos separados, existem infinitas maneiras de cobrir um furo parcialmente. Até mesmo o termo “meio furo” é enganoso, visto que a porção aberta do orifício varia muito de flauta para flauta e dificilmente alcança metade do orifício em questão. De um modo geral, as tabelas de dedilhados não levam em conta esse fato e representam os meios furos em modo aleatório. A tabela de Potter porém (fig. 9), é específica demais para ser casual: os meios furos da mão superior são representados com a porção aberta em uma direção diagonal externa, enquanto os meios furos da mão inferior são representados com a porção aberta em uma direção diagonal interna.

25 “There is a common assumption we come across when learning Western instruments; that we should be able to play in all 12 keys equally. With regard to bamboo flute playing we must acknowledge the simple fact that this is physically impossible”.

26 Única exceção o índice da mão inferior.

Potter está ilustrando a técnica empregada pelo seu professor, Chaurasia. Bansuristas discutem por horas sobre qual é a melhor forma de posicionar o dedo em cada um dos meios furos. É possível abrir parcialmente o orifício levantando a ponta do dedo como sugere a fig. 8, diagonalmente como sugere Potter, girando ou arrastando o dedo para cima ou para baixo, ou com qualquer combinação dos movimentos descritos acima.

Fig. 9 – Dedilhado completo das três oitavas 27

acima. Fig. 9 – Dedilhado completo das três oitavas 2 7 Fonte: POTTER, 1993, p.48. Não

Fonte: POTTER, 1993, p.48.

Não existe uma técnica que possa ser considerada exclusivamente correta. O tamanho da mão, a forma, a largura e a consistência dos dedos são todos fatores determinantes e variam muito de uma pessoa para a outra. Além disso, o mesmo flautista pode empregar técnicas diferentes dependendo da duração da nota e do desenho melódico específico no qual ela ocorre.

27 Potter usa como exemplo padrão a medida de bansuri mais utilizada na música Hindustani, na qual a nota mais grave, o PA, é Sí e o SA é Mí.

Obviamente, nada impede um flautista de misturar a técnica dos meios furos com dedilhados de forquilha. O livro de Geisler traz várias sugestões nesse sentido. Na fig. 10, estão evidenciadas com retângulos vermelhos as suas propostas de dedilhados de forquilha para as notas Komal GHA e Suddha MA 28 .

Fig. 10 – Dedilhados de Geisler

GHA e Suddha MA 2 8 . Fig. 10 – Dedilhados de Geisler Fonte: GEISLER, 2008,

Fonte: GEISLER, 2008, p. 32.

Na prática, porém, se dedilhados de forquilha fossem eficazes, o traverso barroco não teria desenvolvido chaves. No caso do bansuri, a imperfeição da afinação e a diferença de volume e de timbre são ainda maiores do que em um traverso. Na minha experiência pessoal, o Suddha MA da Fig. 10 (segundo retângulo) é o único dedilhado de forquilha afinado o suficiente para ser útil em alguns casos. A utilidade de outros dedilhados alternativos é limitada a passagens muito rápidas, nas quais a precisão da afinação não é relevante. Pode-se dizer que o problema comum de todas as flautas de qualquer cultura sempre foi a produção das notas intermediárias ou, em outras palavras, como produzir mais notas do que os dedos que temos à disposição. É curioso que somente o bansuri, e em tempos recentes, tenha desenvolvido uma solução tão simples como cobrir parcialmente os orifícios. Com isso não quero dizer que não existam exemplos de dedilhados com meios furos em outras flautas pelo mundo afora, mas, com certeza, é só com o ingresso do bansuri na música erudita indiana que essa técnica, conceitualmente simples, mas complexa na sua execução, foi aperfeiçoada ao ponto de produzir todos os semitons, glissandos e uma infinidade de ornamentos microtonais com esse nível de sofisticação. Nas palavras do flautista americano Lyon Leifer que estudou com Pandit Devendra Murdeshwar (1923 - 2000), genro e discípulo de Pannalal Ghosh:

28 Geisler usa como exemplo padrão um bansuri no qual a nota mais grave, o PA, é Dó e o SA é Fá.

“Produzir meend e gamak 29 em modo uniforme e controlado requer uma acurada coordenação entre os dedos na qual os dedos cobrem (para a descida) ou deixam (para a subida) seus orifícios em uma sucessão muito gradual de modo que o efeito de continuamente alongar ou encurtar a coluna de ar é produzido. Para produzir este efeito, deve-se experimentar com a colocação lateral dos dedos sobre os orifícios, bem como a relação vertical de cada um dos dedos envolvidos no glissando em particular 30 . (LEIFER, 1997, p. 68, tradução nossa).

4 RECURSOS

Uma vez dominada a técnica dos meios furos, a liberdade de movimentação dentro de um mesmo registro (do PA, com todos orifícios fechados, ao Tivra MA, todos abertos) é análoga à de uma corda de violino, na qual o dedo pode deslizar livremente ao longo do braço do instrumento. Mudar de registro na flauta é equivalente a trocar de corda no violino e por isso não é possível deslizar de um registro para o outro . A impossibilidade de chegar ao PA vindo de baixo, constitui uma grande imperfeição do bansuri em relação à própria música indiana. O PA, quinta justa da escala, em relação ao SA fundamental, é uma nota importante e, no caso de cantores e outros instrumentistas, é frequentemente abordado dessa forma. Por essa razão, adicionei, em 1984, um furo suplementar para o polegar da mão superior, criando assim um dedilhado alternativo para o PA que permite o glissando vindo do grave. Fico feliz em constatar, 35 anos depois, que essa solução tem sido adotada por outros músicos pioneiros, como o flautista indiano Pravin Godkhindi 31 . A possibilidade de utilizar o espaço entre as notas não é limitada a glissandos. Os indianos chamam de gamak pequenos ornamentos nos quais as notas são abordadas com uma variação da altura, seja do agudo ou do grave. Notas repetidas, por exemplo, podem ser separadas com gamaks. A oscilação pode ser sutil, utilizando intervalos microtonais, ou mais acentuada, utilizando intervalos maiores. A fig. 11 representa graficamente três notas da mesma altura separadas por diferentes tipos de gamaks, superiores e inferiores. Sobrepondo e alternando gamaks com a técnica tradicional de articulação com a língua obtemos uma variedade impressionante de efeitos sonoros.

29 Meend significa glissando e gamak é um nome genérico para uma variedade de ornamentos que abordaremos em seguida. 30 “Producing very even and controlled meend and gamak requires a highly practiced type of finger coordination where the fingers enter (for descent) or leave (for ascent) their tone holes in a very gradual succession so that the effect of the air column being continuously lengthened or shortened is produced. To produce this effect, one must experiment with the lateral placement of the fingers over the tone holes as well as the vertical relation of each of the fingers involved in the particular meend”. 31 No vídeo, disponível no Youtube na página https://youtu.be/P3tHZ_o4sJMGodkhindi, nascido em 1973, além de utilizar o furo adicional do polegar superior para o PA, também consegue fechar o sétimo furo do bansuri com o dedo mínimo da mão inferior, obtendo assim um Tivra MA grave.

Fig. 11 – Notas repetidas separadas por gamaks

Fig. 11 – Notas repetidas separadas por gamaks Fonte: imagem do autor É fácil cair no

Fonte: imagem do autor

É fácil cair no estereótipo que esse tipo de ornamentação seja oriental e que no ocidente as notas sejam sempre utilizadas como as teclas de um piano, porém a realidade é bem mais complexa. É verdade que a Índia, com uma música predominantemente vocal e monofônica, desenvolveu toda uma teoria musical em torno do uso de ornamentos e variações melódicas, enquanto no ocidente, com a polifonia e o tonalismo, a teoria musical é centrada na utilização de acordes. Porém, se escutarmos atentamente Elis Regina, Ella Fitzgerald ou Freddie Mercury, citados somente como exemplos aleatórios de diferentes culturas musicais, notaremos que inflexões vocais de vários tipos são muito mais frequentes do que imaginamos 32 . No Jazz, no Rock e na música popular de um modo geral, os instrumentos musicais criados para a orquestra do século XIX não são mais suficientes. O contrabaixo perde o arco e começa a utilizar microtons, nasce a guitarra com a técnica do Bend 33 e a flauta transversa começa a perder terreno para o saxofone que, além de possuir uma potência sonora muito maior não só em relação à flauta, mas também em relação à clarineta (instrumento do qual tirou a primazia no jazz), também é, devido à embocadura com palheta, bem mais flexível no ataque das notas. Ainda que seja possível produzir todos os semitons com a técnica dos meios furos, não seria sensato utilizar um meio furo como fundamental da escala. É oportuno haver instrumentos de diferentes dimensões, de acordo com a tonalidade e tessitura desejada. Eu pessoalmente, como muitos outros bansuristas, utilizo principalmente o bansuri em Dó da

32 No caso de passagens ligadas, cantadas apenas com vogais, sem interrupção do som, o comportamento natural da voz é executar um glissando rápido entre as notas. Para separá-las totalmente é necessário, no mínimo, pronunciar uma consoante surda, visto que as pregas vocais param de vibrar nas consoantes surdas. 33 Bend é uma técnica utilizada na guitarra na qual levanta-se ou abaixa-se a corda do instrumento para atingir o som de outras notas desejadas.

fig.3, outro um semitom mais grave, em sí (a dimensão padrão da música indiana com o SA em Mí), e um mais agudo, em Ré. Nesse último, os dedilhados coincidem com os da flauta ocidental. Difícil de tocar, vista a distância entre os furos, o bansuri em Lá (SA = Ré) possui um timbre grave e aveludado que combina de modo singular com outros instrumentos acústicos ou como acompanhamento vocal.

5 CONCLUSÃO

Além dos meus próprios experimentos com o grupo SOMA 34 , que culminaram em 1990, na Alemanha, com o lançamento do CD Southern Cross, artistas ocidentais contemporâneos importantes, como Steve Gorn (que colaborou, entre outros, com Paul Simon e Naná Vasconcelos) e Rão Kyao, muito conhecido em Portugal, utilizam há décadas o bansuri em vários contextos musicais. Os músicos mencionados acima estudaram na Índia nos anos 70 e 80 do século passado. Nessa era pré-Youtube, o acesso à música indiana era restrito à poucas gravações em LPs, disponíveis em bibliotecas. O acesso à música ocidental na Índia era praticamente inexistente, limitado à sucessos da música pop que tocavam no rádio. Hoje, a realidade é muito diferente e uma inteira geração de músicos indianos cresceu com uma sensibilidade também voltada à música ocidental. Essa nova geração bicultural, capaz de entender e apreciar dois sistemas musicais totalmente diferentes, não precisa ser convencida de que o bansuri pode ser utilizado na música ocidental. Eles já estão fazendo isso. É o caso de Rajeev Prasanna com sua versão da canção Smooth Criminal (do Michael Jackson) para bansuri 35 e do virtuoso paquistanês Baqir Abbas, cuja colaboração com o jazzista Wynton Marsallis é absolutamente memorável, incluindo um verdadeiro duelo musical entre o bansuri e a flauta transversa de Ted Nash 36 . O objetivo do presente texto é simplesmente apresentar ao músico (e compositor) ocidental e especialmente aos flautistas/clarinetistas/saxofonistas, uma flauta que pode parecer primitiva, mas de fato oferece recursos e possibilidades únicas em relação a outros instrumentos de sopro.

34 Além de mim, os integrantes do grupo eram: Paulo Russo, no contrabaixo acústico, Henrique Lissovsky, no violão e Edu Szajnbrum, na percussão.

35 Disponível no Youtube na página “https://youtu.be/-QK6ggbBDks”.

36 Disponível no Youtube na página “https://youtu.be/NfLAVNrvVpE”.

REFERÊNCIAS

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Bansuri Shiksha: A Complete Guide to The Flute with Notation.

SOMA. Southern Cross. Alemanha: West Wind Latina, WW2208, 1990. 1 CD.