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RESUMO DOS INFORMATIVOS - SITE DIZER O DIREITO

DIREITO ELEITORAL

Atualizado em 21/02/2019: novos julgados + questões de concurso

Pontos atualizados: nº 11 (Info 907); nº 03 (Info 917); n° 13 (Info 918); nº 03 (Info 921);
nº 01 (Info 922)

1. LIBERDADE DE EXPRESSÃO
1.1. Violam a CF/88 os atos de busca e apreensão de materiais de cunho eleitoral e a
suspensão de atividades de divulgação de ideias em universidades públicas e privadas –
(Info 922)

São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou


promovam:
• o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas;
• o recolhimento de documentos (ex: panfletos);
• a interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes
universitários;
• a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de
depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação
do pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração
de universidades públicas e privadas.
STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 31/10/18 (Info 922).
OBS: Comentários no arquivo de Direito Constitucional.

2. DIREITOS POLÍTICOS
2.1. Inadmissibilidade da figura do “Prefeito itinerante” – (Info 673) -
IMPORTANTE!!! – REPERCUSSÃO GERAL!!!

A pessoa que já exerceu dois mandatos consecutivos de Prefeito, ou seja, foi eleito e
reeleito, fica inelegível para um terceiro mandato, ainda que seja em município
diferente.
Não se admite a figura do “Prefeito itinerante”.
O art. 14, § 5º, da CF deve ser interpretado no sentido de que a proibição da segunda
reeleição é absoluta e torna inelegível para determinado cargo de Chefe do Poder
Executivo o cidadão que já cumpriu 2 mandatos consecutivos (reeleito uma única vez)
em cargo da mesma natureza, ainda que em ente da federação diverso.
As decisões do TSE que acarretem mudança de jurisprudência no curso do pleito
eleitoral ou logo após o seu encerramento não se aplicam imediatamente ao caso
concreto e somente têm eficácia sobre outras situações em pleito eleitoral posterior.
STF. Plenário. RE 637485/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, 1º/8/12 (repercussão geral) (Info
673).

3. TÍTULO DE ELEITOR
3.1. É válido o cancelamento do título do eleitor que não comparecer à revisão eleitoral
– (Info 917) – IMPORTANTE!!!

É válido o cancelamento do título do eleitor que, convocado por edital, não comparecer
ao processo de revisão eleitoral, em virtude do que dispõe o art. 14, caput, e § 1º da
CF/88.
São válidos o art. 3º, § 4º, da Lei 7.444/85 e as Resoluções do TSE que preveem o
cancelamento do título dos eleitores que não comparecerem à revisão eleitoral.
STF. Plenário. ADPF 541 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 26/9/18 (Info 917)
OBS:
Lei 7.444/85: Em 1985, a Justiça Eleitoral decidiu que os dados dos eleitores precisavam
estar registrados em um sistema informatizado (e não mais em arquivos em papel). Diante
disso, foi editada a Lei 7.444/85, que teve como objetivo implementar o “processamento
eletrônico dos dados no alistamento eleitoral”. Essa lei estabeleceu que deveria ser feita
uma revisão dos eleitores inscritos em cada Zona Eleitoral. Depois de conferidos e
atualizados os respectivos registros, os cadastros dos eleitores seriam “mantidos em
computador”. A lei estabeleceu que deveria ser dado um prazo para os eleitores fazerem
o recadastramento (revisão eleitoral) e que, se não o fizessem neste prazo, os seus títulos
deveriam ser cancelados (art. 3º, § 4º). A lei disse que as regras para a realização dessa
revisão eleitoral deveriam ser regulamentadas por Resolução do TSE e que o prazo para
os eleitores fazerem deveria ser de, no mínimo, 30 dias.

Revisão eleitoral: A revisão eleitoral, além ter cumprido a finalidade de informatizar os


cadastros dos eleitores naquele momento histórico, tem por objetivo principal garantir
que cada cidadão tenha apenas um título de eleitor e que as pessoas já mortas, por
exemplo, tenham seus títulos cancelados, evitando, com isso, fraudes eleitorais. Assim,
constantemente tem ocorridos novas revisões eleitorais, nos anos em que não há eleições
(ano não eleitoral), com a finalidade de atualizar os cadastros dos eleitores. O art. 92 da
Lei 9.504/97 (Lei das Eleições), por exemplo, determina que o TSE faça a revisões eleitorais
de ofício sempre que, na Zona Eleitoral, ocorreu uma das seguintes situações:
I - o total de transferências de eleitores ocorridas no ano em curso seja 10%
superior ao do ano anterior;
II - o eleitorado for superior ao dobro da população entre 10 e 15 anos, somada
à de idade superior a 70 anos do território daquele Município;
III - o eleitorado for superior a 75% da população projetada para aquele ano
pelo IBGE.

Enfim, as revisões eleitorais são constantes e têm por objetivo, em última análise, evitar
fraudes, garantindo a lisura das eleições.

Revisão para o cadastramento biométrico obrigatório: Desde 2007, o TSE iniciou uma
série de revisões eleitorais com o objetivo de fazer o cadastramento biométrico dos
eleitores. Em outras palavras, os eleitores são convocados a comparecer à Justiça Eleitoral
a fim de fazer a revisão eleitoral e, na mesma oportunidade, cadastrar suas digitais com a
finalidade de minimizar as fraudes no momento da votação. Esta revisão foi disciplinada
inicialmente pela Resolução 22.688/07, do TSE. Desde então, houve uma série de revisões
com essa finalidade, que foram disciplinadas pelas Resoluções 23.061/09, 23.335/11 e,
finalmente, pela Res./TSE 23.440/15. O prazo estimado para o término da biometria é
2022.

Res. 23.440/15: Atualmente, está em vigor a Res. 23.440/15, do TSE, que disciplina os
procedimentos para a realização da atualização ordinária do cadastro eleitoral, com a
implementação de nova sistemática de identificação do eleitor, mediante incorporação de
dados biométricos e por meio de revisões de eleitorado de ofício, em municípios
previamente selecionados pelos tribunais regionais eleitorais.

Cancelamento dos títulos: Conforme vimos acima, a Lei 7.444/85 determinou que os
eleitores que não participassem da revisão eleitoral, teriam seus títulos eleitorais
cancelados. Essa previsão foi repetida pelas diversas Resoluções do TSE que
regulamentaram as revisões eleitorais, dentre elas a Resolução 23.440/15. Veja:
Art. 3º Em cada circunscrição eleitoral submetida ao procedimento de que
cuida o § 3º do art. 1º desta norma, ultrapassado o prazo estabelecido para o
comparecimento do eleitorado, serão canceladas, mediante comando do
código de ASE 469, as inscrições correspondentes aos títulos que não forem
apresentados à revisão. (...)

Essa regra acima possui algumas exceções e também é permitido que o eleitor que teve
o título cancelado possa, posteriormente, fazer um novo alistamento eleitoral. Assim,
não se trata de uma “perda” definitiva do direito de votar. É possível regularizar a
situação. Vale ressaltar, no entanto, que, em anos eleitorais, essa regularização tem um
prazo e, caso não seja feito até determinada data, somente poderá ser realizada após o
pleito já ter se encerrado. Ex: para votar nas eleições de 2018, o eleitor teria que ter
regularizado a sua situação até 09/05. Se não fez isso, ficou impedido de votar em 2018,
mas pode regularizar para votar em 2020.

ADPF contra o cancelamento dos títulos: Em setembro de 2018, o Partido Socialista


Brasileiro (PSB) ajuizou, no STF, ADPF contra o art. 4º, § 3º da Lei 7.444/85 e contra todas
as Resoluções do TSE que previram o cancelamento dos títulos dos eleitores que não
compareceram para a revisão. O Partido alegou que tais normas, ao determinarem o
cancelamento dos títulos, retiraram os direitos políticos de milhões de eleitores que não
compareceram às revisões e, por isso, tiveram seus títulos cancelados. O autor afirmou
que houve cerca de 4 milhões de títulos cancelados. Assim, o Partido requereu que o STF
declarasse que o art. 3º, § 4º, da Lei 7.444/85 não foi recepcionado e pediu também a
declaração de inconstitucionalidade, por arrastamento, das Resoluções do TSE que
previram o cancelamento do título do eleitor que não realizou o cadastramento
biométrico nelas previsto.

O STF concordou com o pedido? NÃO. A ADPF foi julgada improcedente, tendo o STF
decidido que o art. 3º, § 4º, da Lei 7.444/85 e as Resoluções do TSE que trataram sobre o
tema são constitucionais.

Alistamento eleitoral e revisão periódica: O voto é um componente essencial da


democracia representativa. Para o exercício do voto de maneira ordenada e segura, é
indispensável que haja o alistamento eleitoral e a revisão periódica dos eleitores. A
Constituição exige, em seu art. 14, § 1º, o prévio alistamento eleitoral a fim de garantir
que o voto seja exercido de forma legítima pelo eleitor em idade de voto,
adequadamente identificado e sem pluralidade de inscrição. Assim, o alistamento
eleitoral é uma providência que garante o voto seguro e igual para todos.

Se é válido condicionar o exercício do voto ao alistamento, é válido condicioná-lo à


apresentação do título à revisão: A revisão eleitoral se destina a manter a integridade e
a atualização do alistamento. O Min. Roberto Barroso construiu o seguinte raciocínio: “A
CF/88 autoriza, em seu art. 14, § 1º, que o voto seja condicionado ao alistamento eleitoral. Tanto o
alistamento como a revisão eleitoral possuem o mesmo propósito e, portanto, devem receber o mesmo
tratamento constitucional. Se é válido condicionar o exercício do voto ao alistamento, também é
válido condicionar o exercício do voto à apresentação do título para revisão eleitoral.”

Procedimento de revisão e de cancelamento é razoável, proporcional e necessário: As


normas do TSE regulamentam o tema com precisão e cuidado. O respectivo TRE define os
locais que passarão pela revisão. Essa definição pode ocorrer em virtude de denúncia
fundamentada de fraude ou, de ofício, com fulcro em dados estatísticos, desde que
preenchidos os requisitos do art. 92 da Lei 9.504/97 (vista acima). Depois de escolhidas
as Zonas Eleitorais onde serão realizadas as revisões, é publicado um edital e feita uma
ampla divulgação, inclusive nos meios de comunicação, dando ciência à população da
necessidade de comparecimento. O procedimento de revisão e de cadastramento
biométrico obrigatório é acompanhado pelo MP e pelos partidos políticos. O
funcionamento da revisão e a possibilidade de se cancelar o título baseiam-se em lei. O
fato de alguém não comparecer à biometria não resulta automaticamente na perda do
título. Eventuais cancelamentos são objetos de sentença eleitoral, comportam recurso e
permitem a regularização do eleitor a tempo de participar da eleição. Desse modo, a
legislação e o tratamento normativo secundário dado à matéria, em abstrato, são regras
razoáveis, proporcionais e necessárias, compatíveis com a Constituição. Inexiste
qualquer elemento que sugira ter havido direcionamento, quer na revisão eleitoral, quer
no cancelamento de inscrições, muito menos que tenha gerado supressão desproporcional
de títulos e/ou de eleitores, ou prejuízo à eleição de determinados candidatos ou partidos.

Não há ofensa à soberania popular e à cidadania: Assim, percebe-se que a revisão eleitoral
e o eventual cancelamento do título do eleitor que não comparece possuem lastro
(fundamento) na Constituição e na lei e não há qualquer vício na concretização. Logo, não
se pode dizer que as normas impugnadas ofendem a democracia, a soberania popular,
a cidadania ou o direito de voto.

Igualdade: Não há também qualquer violação à igualdade. Tal como o alistamento, a


revisão eleitoral é exigida de todos, sem exceção nem discriminação.

Proporcionalidade: Também não há ofensa à proporcionalidade. A medida é adequada e


necessária, não havendo meio substitutivo com eficácia equivalente, tampouco
fundamento para se afirmar que o benefício de se evitarem fraudes e outros
comprometimentos à regularidade do voto é menos importante do que a participação dos
que não atenderam ao chamado da Justiça Eleitoral.

O atual cenário existe há muitos anos: A Lei 7.444/85 está em vigor há mais de 30 anos.
A biometria tem sido implementada há 11 anos. Múltiplas eleições se processaram sob a
vigência de tais normas. Milhões de títulos foram cancelados sem que se tivesse
demonstrado o comprometimento do devido processo democrático ou da higidez dos
pleitos. O ajuizamento tardio da ação, às vésperas da eleição e após tantos anos,
compromete a alegação de urgência. O Min. Alexandre de Moraes explicou que a Lei
7.444/85, apesar de não falar em biometria, dá suporte legal a essa atividade considerando
que ela autoriza a revisão para recadastramento. Assim, os recadastramentos sempre
foram realizados e estão autorizados pela Lei. A diferença agora é o método, a biometria.

4. PARTIDOS POLÍTICOS
4.1. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA: Análise da constitucionalidade do art. 22-A da
Lei 9.096/95 – (Info 901)

O art. 1º da Resolução 22.610/07, do TSE, previa que a criação de novo partido político
era considerada como justa causa para desfiliação, sem perda do mandato, desde que a
nova filiação ocorresse em 30 dias da criação da sigla.
O art. 22-A da Lei 9.096/95, introduzido pela Lei 13.165, de 29 de setembro de 2015
(minirreforma eleitoral de 2015), excluiu a criação de nova legenda como hipótese de
justa causa para a desfiliação, sem perda de mandato, por infidelidade partidária.
Desse modo, a troca de partido, mesmo decorrente da criação de nova legenda, passou
a ser considerada como hipótese de infidelidade partidária, sujeita à perda do mandato.
Ocorre que, quando a Lei 13.165 foi editada, em 29/09/15, 3 novos partidos haviam
acabado de ser registrados no TSE, de modo que estavam correndo seus prazos de 30
dias para que recebessem parlamentares detentores de mandato eletivo, ao abrigo da
justa causa de desfiliação.
Diante disso, o Min. Roberto Barroso, em decisão monocrática, entendeu que o art. 22-
A não poderia ser aplicado para esses 3 partidos, sob pena de violação da segurança
jurídica, na modalidade direito adquirido, tanto das agremiações recém-criadas quanto
dos parlamentares que pretendiam se filiar a elas. Ele, então, determinou que esses 3
partidos tivessem direito de receber de volta os 30 dias para que os detentores de
mandatos eletivos pudessem se filiar a novas agremiações que tenham sido registradas
no TSE antes da entrada em vigor da lei impugnada.
O Plenário do STF referendou essa medida cautelar.
STF. Plenário. ADI 5398/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 9/5/2018 (Info 901).

4.2. É constitucional a Lei 13.107/15, que alterou a Lei dos Partidos Políticos – (Info 801)

A Lei 13.107/15 alterou a Lei 9.096/95 com o objetivo de desestimular a fusão de partidos
políticos. Veja duas das mudanças promovidas:
1) A Lei 13.107/15 alterou o § 1º do art. 7º da Lei 9.096/95 ao exigir que as pessoas que
assinarem o apoiamento para a criação de novos partidos não poderão fazer parte de
outros partidos políticos.
2) A Lei 13.107/2015 determinou que somente será admitida a fusão ou incorporação de
partidos políticos que hajam obtido o registro definitivo do TSE há, pelo menos, 5 anos.
Antes não havia essa exigência.
Essas duas mudanças foram impugnadas por meio de ADI, mas o STF negou a medida
cautelar afirmando que as alterações são compatíveis com a CF/88, não tendo havido
violação à autonomia constitucional dos partidos políticos.
STF. Plenário. ADI 5311-MC/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 30/9/15 (Info 801).

4.3. É inconstitucional a Lei 12.875/2013, que alterou a Lei dos Partidos Políticos e a Lei
das Eleições – (Info 801)

A Lei 12.875/13 promoveu alterações na:


• Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/95); e na
• Lei das Eleições (Lei 9.504/97).
Mudança na Lei dos Partidos Políticos: a Lei 12.875/13 determinou que, para os fins de
distribuição dos recursos do Fundo Partidário, deveriam ser desconsideradas as
mudanças de filiação partidária. Dessa feita, a Lei 12.875/13 determinou que o
Deputado Federal que mudasse de partido (ainda que para um partido novo) durante
o mandato não poderia “levar” para o outro os votos que obteve na última eleição. O
objetivo foi evitar que, com a mudança, o partido de destino recebesse mais verbas do
fundo partidário.
Mudança na Lei das Eleições: a Lei nº 12.875/13 determinou que, para os fins de
distribuição do tempo de rádio e TV, seriam desconsideradas as mudanças de filiação
partidária. Assim, o Deputado Federal que mudasse de partido (ainda que para um
partido novo) durante o mandato não poderia “levar” para o outro os votos que obteve
na última eleição. Mais uma vez, o objetivo aqui da Lei 12.875/13 foi o de evitar que o
partido de destino recebesse mais tempo de rádio e TV.
Assim, de acordo com as regras da Lei 12.875/2013, os partidos novos ficariam com
pouquíssimos recursos do Fundo Partidário e reduzidíssimo tempo de rádio e TV.
O STF entendeu que as mudanças efetuadas foram inconstitucionais. Em nosso sistema
proporcional, não há como afirmar, simplesmente, que a representatividade política do
parlamentar está atrelada à legenda partidária para a qual foi eleito, ficando, em
segundo plano, a legitimidade da escolha pessoal formulada pelo eleitor por meio do
sufrágio. O voto do eleitor brasileiro, mesmo nas eleições proporcionais, em geral, se
dá em favor de determinado candidato. O princípio da liberdade de criação e
transformação de partidos, contido no caput do art. 17 da CF/88 serve de fundamento
constitucional para reputar como legítimo o entendimento de que, na hipótese de
criação de um novo partido, a novel legenda, para fins de acesso proporcional ao rádio
e à televisão, leva consigo a representatividade dos deputados federais que para ela
migraram diretamente dos partidos pelos quais foram eleitos.
STF. Plenário. ADI 5105/DF, Rel. Min. Luiz Fux, j. 1º/10/15 (Info 801).
4.4. Perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos
majoritários – (Info 787) – IMPORTANTE!!!

Se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, decidir sair do partido político no qual
foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa?
a) Se for um cargo eletivo MAJORITÁRIO: NÃO
A perda do mandato em razão de mudança de partido não se aplica aos candidatos
eleitos pelo sistema majoritário, sob pena de violação da soberania popular e das
escolhas feitas pelo eleitor.
No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não
importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário.
Nos pleitos dessa natureza, os eleitores votam no candidato e não no seu partido
político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da perda do mandato por
infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular.

b) Se for um cargo eletivo PROPORCIONAL: SIM


O mandato parlamentar conquistado no sistema eleitoral proporcional pertence ao
partido político.
Assim, se o parlamentar eleito decidir mudar de partido político, ele sofrerá um
processo na Justiça Eleitoral que poderá resultar na perda do seu mandato. Neste
processo, com contraditório e ampla defesa, será analisado se havia justa causa para
essa mudança.
STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 27/5/15 (Info 787).
OBS:
Quais as hipóteses que atualmente podem ser consideradas como justa causa para a
mudança de partido? As situações estão elencadas no art. 22-A da Lei nº 9.096/95 (Incluído
pela Lei nº 13.165/2015). Importante citar também a exceção prevista no § 5º do art. 17 da
CF/88 (Incluído pela EC 97/2017). Vejamos:
Art. 22-A. Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem
justa causa, do partido pelo qual foi eleito.
Parágrafo único. Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária
somente as seguintes hipóteses:
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;
II - grave discriminação política pessoal; e
III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que
antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição,
majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.

Art. 17 (...)
§ 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º
deste artigo é assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda do
mandato, a outro partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação
considerada para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário e de
acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão. (Incluído pela EC 97/2017)

4.5. Constitucionalidade do art. 4º da Lei 9.504/97 – (Info 748)

É CONSTITUCIONAL o art. 4º da Lei 9.504/97, que exige que o partido político tenha
no mínimo um ano de existência para que possa concorrer nas eleições.
STF. Plenário. ADI 1817/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 28/5/2014 (Info 748).
OBS: O art. 4º da Lei nº 9.504/97 foi alterado pela Lei nº 13.488/2017 e agora se exige que
o partido político tenha no mínimo seis meses de existência para que possa concorrer nas
eleições.
4.6. O registro dos estatutos partidários no TSE é ato de natureza meramente
administrativa – (SEM INFO)

O procedimento de registro partidário, embora formalmente instaurado perante órgão


do Poder Judiciário (Tribunal Superior Eleitoral), reveste-se de natureza materialmente
administrativa. Destina-se a permitir ao TSE a verificação dos requisitos
constitucionais e legais que, atendidos pelo Partido Político, legitimarão a outorga de
plena capacidade jurídico-eleitoral a agremiação partidária interessada.
STF. Plenário. RE 164458 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, j. 27/04/1995.

5. SISTEMAS ELEITORAIS
5.1. Número de Deputados Federais deve ser fixado por meio de Lei Complementar,
não podendo ser feito pelo TSE – (Info 751)

A CF/88 previu que o número total de Deputados, bem como a representação por Estado
e pelo Distrito Federal, deve ser estabelecido por lei complementar, proporcionalmente
à população (§ 1º do art. 45).
Em 1993, foi editada a LC 78/93, que disciplina a fixação do número de Deputados.
O art. 1º da LC 78/93 previu que, em cada ano anterior às eleições, o IBGE deverá
fornecer ao TSE a atualização estatística demográfica das unidades da Federação. Com
base nesses dados, o TSE faz o cálculo da quantidade de Deputados Federais por
Estado/DF e encaminha para os TRE’s e para os partidos políticos o número de vagas a
serem disputadas (parágrafo único do art. 1º da LC).
Em 2013, com base no art. 1º da LC 78/93, o TSE editou a Resolução 23.389 alterando o
número de vagas de Deputado Federal de cada Estado/DF e, consequentemente, o
número de vagas de Deputados Estaduais a serem disputadas nas eleições de 2014.
O Congresso Nacional, argumentando que o TSE exorbitou do seu poder regulamentar,
publicou o Decreto Legislativo 424/2013 sustando os efeitos da Resolução TSE
23.389/2013.
O STF entendeu que:
 O parágrafo único do art. 1º da LC 78/93 e a Resolução TSE 23.389/2013 são
INCONSTITUCIONAIS por violarem o § 1º do art. 45 da CF/88 e a
independência do Poder Legislativo.
 O Decreto Legislativo 424/2013, editado pelo Congresso Nacional, é
INCONSTITUCIONAL por violar o art. 49, V, da CF/88 e a independência do
Poder Judiciário.
 Nas eleições de outubro de 2014 deverão ser adotados os mesmos critérios
aplicados nas eleições de 2010, ou seja, o número de vagas de Deputados
Federais não foi alterado.
STF. Plenário. ADI 4947, 5020, 5028, 5130, 4963, 4965 e ADC 33/DF, Rel. p. Acórdão Min.
Rosa Weber, julgados em 18/6/2014 (Info 751).

6. LEI DA FICHA LIMPA


6.1. É aplicável a alínea “d” do inciso I do art. 1º da LC 64/90, com a redação dada pela
LC 135/2010, a fatos anteriores a sua publicação – (Info 892) – IMPORTANTE!!!

A condenação por abuso do poder econômico ou político em ação de investigação


judicial eleitoral, transitada em julgado, “ex vi” do artigo 22, inciso XIV, da Lei
Complementar 64/90, em sua redação primitiva, é apta a atrair a incidência da
inelegibilidade do artigo 1º, inciso I, alínea "d", na redação dada pela Lei
Complementar 135/2010, aplicando-se a todos os processos de registros de candidatura
em trâmite.
STF. Plenário. RE 929670/DF, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min.
Luiz Fux, j. 1º/3/18 (repercussão geral) (Info 892).
OBS:
Causas de inelegibilidade previstas na legislação infraconstitucional: A CF/88, em seu
art. 14, § 9º, dispõe que lei complementar deverá estabelecer casos de inelegibilidade a fim
de proteger:
• a probidade administrativa
• a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato e
• a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o
abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

A inelegibilidade consiste na ausência de capacidade eleitoral passiva.


Inelegibilidade = impossibilidade jurídica de ser candidato.
A Lei Complementar mencionada pelo § 9º do art. 14 é, atualmente, a LC 64/90.

Lei da Ficha Limpa: Em 2010, foi aprovada a LC 135/10, que teve como objetivo alterar a
LC 64/90, incluindo novas hipóteses de inelegibilidade para proteger a probidade
administrativa e a moralidade no exercício do mandato. A LC 135/2010 ficou conhecida
como “Lei da Ficha Limpa”.

Ampliação do prazo de inelegibilidade para as condenações por abuso de poder: Uma das
alterações promovidas pela Lei da Ficha Limpa foi que ela ampliou, de 3 para 8 anos, o
prazo de inelegibilidade para os casos em que o político é condenado por abuso de
poder econômico ou político. Veja como foi a mudança:
Antes da LC 135/2010 Depois da LC 135/2010
Art. 1º São inelegíveis: Art. 1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo: I - para qualquer cargo:
(...) (...)
d) os que tenham contra sua d) os que tenham contra sua
pessoa representação julgada pessoa representação julgada
procedente pela Justiça Eleitoral, procedente pela Justiça Eleitoral,
transitada em julgado, em em decisão transitada em julgado
processo de apuração de abuso do ou proferida por órgão colegiado,
poder econômico ou político, para em processo de apuração de abuso
a eleição na qual concorrem ou do poder econômico ou político,
tenham sido diplomados, bem para a eleição na qual concorrem
como para as que se realizarem 3 ou tenham sido diplomados, bem
(três) anos seguintes; como para as que se realizarem
nos 8 (oito) anos
seguintes; (Redação dada pela
LC 135/2010)

Antes da LC 135/2010 Depois da LC 135/2010


Art. 22 (...) Art. 22 (...)
XIV - julgada procedente a XIV – julgada procedente a
representação, o Tribunal representação, ainda que após a
declarará a inelegibilidade do proclamação dos eleitos, o
representado e de quantos hajam Tribunal declarará a
contribuído para a prática do ato, inelegibilidade do representado e
cominando-lhes sanção de de quantos hajam contribuído para
inelegibilidade para as eleições a a prática do ato, cominando-lhes
se realizarem nos 3 (três) anos sanção de inelegibilidade para as
subseqüentes à eleição em que se eleições a se realizarem nos 8
verificou, além da cassação do (oito) anos subsequentes à eleição
registro do candidato diretamente em que se verificou, além da
beneficiado pela interferência do cassação do registro ou diploma
poder econômico e pelo desvio ou do candidato diretamente
abuso do poder de autoridade, beneficiado pela interferência do
determinando a remessa dos autos poder econômico ou pelo desvio
ao Ministério Público Eleitoral, ou abuso do poder de autoridade
para instauração de processo ou dos meios de comunicação,
disciplinar, se for o caso, e determinando a remessa dos autos
processo-crime, ordenando ao Ministério Público Eleitoral,
quaisquer outras providências que para instauração de processo
a espécie comportar; disciplinar, se for o caso, e de ação
penal, ordenando quaisquer
outras providências que a espécie
comportar; (Redação dada pela LC
135/2010)

Desse modo, antes da Lei da Ficha Limpa, o político condenado por abuso de poder teria
que ficar 3 anos sem disputar novas eleições. Com a mudança, ele passou a ter que ficar 8
anos inelegível.

STF julgou a validade da Lei da Ficha Limpa: O STF decidiu que essa previsão, assim
como todos os outros dispositivos da Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010), são
constitucionais. STF. Plenário. ADC 29/DF, rel. Min. Luiz Fux, 15 e 16/2/12, ADC 30/DF,
rel. Min. Luiz Fux, 15 e 16/2/12 e ADI 4578/DF, rel. Min. Luiz Fux, 15 e 16/2/12.

A Lei da Ficha Limpa somente foi aplicada a partir das eleições de 2010: A Lei da Ficha
Limpa foi promulgada em 4 de junho de 2010. Como entrou em vigor menos de 1 ano
antes das eleições gerais de 2010, o STF entendeu que ela não poderia ser aplicada
naquele pleito por força do que dispõe o art. 16 da CF/88:
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na
data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até
um ano da data de sua vigência.

Essa decisão foi tomada no RE 633703, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 23/3/11.

Imagine agora a seguinte situação adaptada: João concorreu ao cargo de Vereador e foi
condenado, nos autos de representação eleitoral por abuso de poder econômico e compra
de votos por fatos ocorridos em 2004. Naquela época não havia ainda a Lei da Ficha Limpa.
Vigorava a redação originária do art. 1º, I, “d”, da LC 64/90. Logo, a Justiça Eleitoral
determinou que João ficasse inelegível por 3 anos. Relembre o que dizia a Lei:
Art. 1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
(...)
d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada
procedente pela Justiça Eleitoral, transitada em julgado, em
processo de apuração de abuso do poder econômico ou político,
para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados,
bem como para as que se realizarem 3 (três) anos seguintes;

O processo transitou em julgado em 2004 e João cumpriu os 3 anos de inelegibilidade,


conforme havia sido determinado. Nas eleições de 2008, já livre da inelegibilidade, ele
concorreu e foi eleito para o cargo de Vereador. Ele conseguiu concorrer porque já havia
passado o prazo de 3 anos (2004 + 3 = 2007). Nas eleições de 2012, ele tentou concorrer
novamente ao mandato de Vereador, mas seu registro foi indeferido sob o argumento de
que entrou em vigor a Lei da Ficha Limpa e que aquela sua condenação (que já transitou
em julgado e que ele já cumpriu) aumentou de 3 para 8 anos. Assim, segundo a nova
redação do art. 1º, I, “d”, da LC 64/90, ele teria que ficar inelegível de 2004 até 2012 (2004
+ 8 = 2012).

Resumindo:
 Em 2004, João praticou abuso de poder econômico e foi condenado a uma
inelegibilidade de 3 anos, conforme previa a redação originária do art. 1º, I, “d”,
da LC 64/90.
 Esse processo transitou em julgado e, em 2007, João terminou de cumprir o prazo
de inelegibilidade para o qual foi condenado.
 Em 2010, a Lei da Ficha Limpa (2010) aumentou a punição prevista no art. 1º, I,
“d”, da LC 64/90 de 3 para 8 anos.
 A Justiça Eleitoral entendeu que, mesmo a Lei da Ficha Limpa tendo entrado em
vigor após o fato praticado por João, este novo diploma deveria ser aplicado ao
caso concreto. Logo, a inelegibilidade de João, que era de 3 anos (e que acabou em
2007), subiria para 8 anos (e a proibição permaneceria para as eleições de 2012).

Recurso extraordinário: João não concordou com a decisão da Justiça Eleitoral e recorreu
ao STF alegando que a inelegibilidade constitui espécie de sanção, razão pela qual a
mudança legislativa não poderia retroagir por se tratar de lei mais grave (art. 5º, XXXVI,
CF/88). Além disso, teria havido ofensa à coisa julgada. Para reforçar a sua tese, João
argumentou que a própria LC 64/90 prevê a inelegibilidade como sanção:
Art. 22 (...)
XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a
proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do
representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato,
cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se
realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se
verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato
diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou
pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de
comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério
Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o
caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências
que a espécie comportar; (Redação dada pela LC 135/2010)

A pergunta que se faz é a seguinte: esse aumento trazido pela Lei da Ficha Limpa já se
aplica para a situação de João mesmo que o fato tendo ocorrido antes da vigência da nova
Lei? SIM. O STF entendeu que é possível aplicar o prazo de 8 anos de inelegibilidade,
introduzido pela LC 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), às condenações por abuso de poder,
mesmo nos casos em que o processo já tenha transitado em julgado quando a Lei da
Ficha Limpa entrou em vigor. O fato de a condenação nos autos de representação por
abuso de poder econômico ou político haver transitado em julgado, ou mesmo haver
transcorrido o prazo da sanção de três anos, imposta por força de condenação pela Justiça
Eleitoral, não afasta a incidência da inelegibilidade constante da alínea “d” do inciso I do
art. 1º da LC 64/90, cujo prazo passou a ser de 8 anos.

Repercussão geral: Sobre esse tema, o STF fixou a seguinte tese de repercussão geral:
A condenação por abuso do poder econômico ou político em ação
de investigação judicial eleitoral, transitada em julgado, “ex vi”
do artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar 64/90, em sua
redação primitiva, é apta a atrair a incidência da inelegibilidade
do artigo 1º, inciso I, alínea "d", na redação dada pela Lei
Complementar 135/2010, aplicando-se a todos os processos de
registros de candidatura em trâmite.
STF. Plenário. RE 929670/DF, rel. orig. Min. Ricardo
Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/3/2018
(repercussão geral) (Info 892).

Veja abaixo um resumo dos argumentos expostos pelo STF.


Finalidade da Lei da Ficha Limpa: O objetivo da Lei da Ficha Limpa foi o de proteger a
probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato, considerada a vida
pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do
poder econômico ou do poder político. Trata-se, portanto, de um verdadeiro “Estatuto da
Moralidade do Processo Eleitoral”, expressão cunhada pelo ex-Ministro Joaquim
Barbosa. Diante disso, o STF tem o dever de afastar interpretações que enfraqueçam os
propósitos republicanos e moralizadores da Lei da Ficha Limpa.

As hipóteses de inelegibilidade possuem caráter de sanção? NÃO. O Min. Luiz Fux


sustentou que as hipóteses de inelegibilidade não apresentam caráter sancionatório.
Como exemplo, ele cita o caso do art. 14, § 4º da CF/88, que prevê a inelegibilidade dos
analfabetos. Ora, o objetivo do legislador constituinte não foi o de punir os analfabetos,
não se podendo, portanto, dizer que se trata de uma sanção.

Então qual é a natureza jurídica da inelegibilidade? A inelegibilidade ostenta natureza


jurídica de “requisito negativo de adequação do indivíduo ao regime jurídico do
processo eleitoral”. Logo, as hipóteses de inelegibilidade previstas na LC 64/90 não
possuem caráter sancionatório ou punitivo, mesmo no caso descrito no art. 22, XIV. Não
existe no ordenamento jurídico brasileiro a figura da inelegibilidade-sanção.

Mas o art. 22, XIV fala em sanção...: Segundo o Min. Fux, houve uma atecnia do legislador,
ou seja, uma falha de técnica legislativa ao se afirmar que a inelegibilidade do art. 22, XIV,
seria uma hipótese de sanção. Além disso, a natureza de um instituto jurídico não deve
ser interpretada pelo seu “rótulo legal”, mas sim pela a partir da análise dos efeitos
jurídicos que efetivamente dele advêm.

Não há retroatividade máxima: As leis (em sentido amplo) podem apresentar três espécies
de retroatividade:
a) Retroatividade b) Retroatividade média c) Retroatividade mínima
máxima (temperada ou mitigada):
(ou restitutória)
Ocorre quando a lei nova Ocorre quando a lei nova Ocorre quando a lei nova
retroage para atingir atinge efeitos pendentes atinge efeitos futuros de
fatos passados sem de fatos praticados no fatos praticados no
qualquer empecilho, passado. passado.
mesmo que eles já Ex: na época da celebração Ex: na época da celebração
estejam consumados. do contrato, os juros de do contrato, os juros de
Se a retroatividade é mora eram de 6% ao ano; mora eram de 6% ao ano;
máxima, a lei atinge, veio uma nova lei veio uma nova lei
inclusive, direito aumentando para 12%; aumentando para 12%;
adquirido, ato jurídico pela retroatividade média, pela retroatividade
perfeito ou coisa julgada. essa mudança produz mínima, essa mudança
Ex: na época da efeitos sobre as prestações produz efeitos sobre as
celebração do contrato, os em aberto (vencidas, mas prestações futuras; as
juros de mora eram de 6% não pagas) e sobre as prestações já pagas e as
ao ano; veio uma nova lei prestações futuras; as prestações em aberto
aumentando para 12%; prestações já pagas continuam com os juros
pela retroatividade continuam com os juros anteriores.
máxima, essa mudança anteriores.
produz efeitos inclusive
sobre as prestações já
pagas.

A lei possui, em regra, retroatividade mínima. O Poder Constituinte originário pode


estabelecer a retroatividade máxima, no entanto, isso não é permitido ao legislador
infranconstitucional, salvo algumas exceções, como é o caso da lei penal mais favorável
ao réu.

Voltando ao caso concreto: O recorrente alegava que a interpretação da Justiça Eleitoral


de aplicar o prazo de 8 anos representaria uma retroatividade máxima, o que seria
proibido por violar a coisa julgada. A maioria do STF, contudo, não concordou com a tese.

Retroatividade inautêntica (ou retrospectividade): O Min. Luiz Fux sustentou que, como
a inelegibilidade do art. 22, XIV, da LC 64/90 não se constitui em sanção, a ampliação do
prazo nele previsto (de 3 para 8 anos) pela Lei da Ficha Limpa não representa ofensa à
retroatividade máxima. Para o STF, aplicar a Lei da Ficha Limpa para fatos ocorridos antes
da sua vigência não configura uma autêntica (uma verdadeira) retroatividade. Isso é
aquilo que se pode chamar de retroatividade inautêntica (ou retrospectividade). A
retroatividade autêntica é vedada pela CF. O texto constitucional não proíbe, contudo, a
retrospectividade. A retrospectividade é parecida, mas não idêntica à retroatividade
mínima.
• Retroatividade mínima: a nova lei altera as consequências jurídicas de fatos ocorridos
antes da sua edição.
• Retrospectividade: a nova lei atribui novos efeitos jurídicos, a partir de sua edição, a
fatos ocorridos anteriormente.

Nas palavras do Min. Fux:


“A aplicabilidade da Lei Complementar nº 135/10 a processo
eleitoral posterior à respectiva data de publicação é, à luz da
distinção supra, uma hipótese clara e inequívoca de
retroatividade inautêntica, ao estabelecer limitação prospectiva
ao ius honorum (o direito de concorrer a cargos eletivos) com
base em fatos já ocorridos. A situação jurídica do indivíduo –
condenação por colegiado ou perda de cargo público, por
exemplo – estabeleceu-se em momento anterior, mas seus efeitos
perdurarão no tempo. Portanto, ainda que se considere haver
atribuição de efeitos, por lei, a fatos pretéritos, cuida-se de
hipótese de retrospectividade (...)
Explica-se: trata-se, tão-somente, de imposição de um novo
requisito negativo para a que o cidadão possa candidatar-se a
cargo eletivo, que não se confunde com agravamento de pena
ou com bis in idem.”

E não haveria violação à coisa julgada? NÃO. A imposição do prazo de inelegibilidade


configura uma relação jurídica continuativa, para a qual a coisa julgada opera sob a
cláusula rebus sic stantibus. A decisão que reconhece a inelegibilidade somente produzirá
seus efeitos na esfera jurídico-eleitoral do condenado se este vier a formalizar registro
de candidatura em eleições vindouras. Em consequência disso, verificado o exaurimento
do prazo de 3 anos, previsto na redação originária do art. 22, XIV, por decisão transitada
em julgado, é perfeitamente possível que o legislador infraconstitucional proceda ao
aumento dos prazos, o que impõe que o agente da conduta abusiva fique inelegível por
mais 5 anos, totalizando os 8 anos, sem que isso implique ofensa à coisa julgada, que se
mantém incólume.

7. VOTO IMPRESSO
7.1. Inconstitucionalidade do voto híbrido previsto no art. 59-A da Lei 9.504/97 – (Info
905) – IMPORTANTE!!!

É inconstitucional a lei que determina que, na votação eletrônica, o registro de cada


voto deverá ser impresso e depositado, de forma automática e sem contato manual do
eleitor, em local previamente lacrado (art. 59-A da Lei 9.504/97, incluído pela Lei
13.165/2015).
Essa previsão acaba permitindo a identificação de quem votou, ou seja, permite a
quebra do sigilo, e, consequentemente, a diminuição da liberdade do voto, violando o
art. 14 e o § 4º do art. 60 da Constituição Federal.
Cabe ao legislador fazer a opção pelo voto impresso, eletrônico ou híbrido, visto que a
CF/88 nada dispõe a esse respeito, observadas, entretanto, as características do voto nela
previstas.
No entanto, o modelo híbrido trazido pelo art. 59-A constitui efetivo retrocesso aos
avanços democráticos conquistados pelo Brasil para garantir eleições realmente livres,
em que as pessoas possam escolher os candidatos que preferirem.
STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre
de Moraes, j. 6/6/2018 (Info 905).
OBS:
Segunda tentativa: Vale ressaltar que esta foi a segunda tentativa do legislador de
retornar, pelo menos em parte, com o voto impresso no Brasil. A primeira ocorreu com a
Lei nº 12.034/2009, que previu que, a partir das eleições de 2014, além do voto eletrônico,
a urna deveria também imprimir um voto em papel para ser conferido pelo eleitor e
depositado em um local previamente lacrado. Em 2013, o STF também julgou essa
previsão inconstitucional sob o argumento de que haveria maiores possibilidades de
violação ao sigilo dos votos, além de potencializar falhas e impedir o transcurso regular
dos trabalhos nas diversas seções eleitorais. STF. Plenário. ADI 4543/DF, rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 6/11/2013 (Info 727).

8. INFIDELIDADE PARTIDÁRIA

9. VACÂNCIA DE CARGOS POLÍTICOS


9.1. O § 3º do art. 224 do Código Eleitoral aplica-se também para eleições de Prefeitos
de Municípios com menos de 200 mil eleitores e para eleições de Senadores – (Info 893) –
IMPORTANTE!!!

É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos


majoritários simples — isto é, Prefeitos de Municípios com menos de duzentos mil
eleitores e Senadores da República — em casos de vacância por causas eleitorais.
Nas eleições para cargos majoritários simples não se exige 2º turno de votação.
Assim, o § 3º do art. 224 do CE deve sim ser aplicado mesmo em casos de eleições para
Prefeitos de Municípios com menos de 200 mil eleitores e para Senadores, cargos para
os quais não se exige 2º turno de votação.
STF. Plenário. ADI 5619/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 7 e 8/3/18 (Info 893)
OBS:
Art. 224 (...)
§ 3º A decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento
do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de
candidato eleito em pleito majoritário acarreta, após o trânsito em
julgado, a realização de novas eleições, independentemente do
número de votos anulados.

9.2. Constitucionalidade dos §§ 3º e 4º do art. 224 do Código Eleitoral – (Info 893) –


IMPORTANTE!!!

A Lei 13.165/15 (minirreforma eleitoral de 2015) inseriu os §§ 3º e 4º ao art. 224 do


Código Eleitoral.
O § 3º prevê que “a decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do
registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito
majoritário acarreta, após o trânsito em julgado, a realização de novas eleições,
independentemente do número de votos anulados.”
O STF declarou a inconstitucionalidade da expressão “após o trânsito em julgado” e
decidiu que basta a exigência de decisão final da Justiça Eleitoral. Assim, concluído o
processo na Justiça Eleitoral (ex: está pendente apenas recurso extraordinário, o qual
não possui efeito suspensivo), a nova eleição já pode ser realizada mesmo sem trânsito
em julgado.
O § 4º, por sua vez, determina que:
§ 4º A eleição a que se refere o § 3º correrá a expensas da Justiça Eleitoral e será:
I - indireta, se a vacância do cargo ocorrer a menos de seis meses do final do mandato;
II - direta, nos demais casos.
O STF afirmou que esse § 4º deveria receber uma interpretação conforme a
Constituição, de modo a afastar do seu âmbito de incidência as situações de vacância
nos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, bem como no de Senador da
República. Em outras palavras, o § 4º é válido, mas ele não se aplica para os cargos de:
• Presidente e Vice-Presidente da República; e
• Senador.
Vale ressaltar que a regra do § 4º aplica-se aos cargos de Governador e Prefeito.
STF. Plenário. ADI 5525/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 7 e 8/3/18 (Info 893).

10. INELEGIBILIDADES
10.1. INELEGIBILIDADES: A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos pelo
mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que um dos mandatos tenha sido
para suceder o eleito que foi cassado – (Info 921)

Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à


conclusão de que a intenção do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do
mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o mesmo cargo no
Poder Executivo.
Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três
mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente.
A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo
familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo
colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão.
Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de
Auricélio. Seis meses antes das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio
(cunhado de Auricélio) vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016,
Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em 2016, Hélio não poderá se candidatar à
reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo
familiar.
STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, j. 23/10/18 (Info 921).
OBS: O motivo da inelegibilidade seria a aplicação combinada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da
CF/88:
Art. 14 (...)
§ 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do
Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou
substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um
único período subsequente.
(...)
§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau
ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de
Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem
os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito,
salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
A jurisprudência, ao interpretar esses dois parágrafos, afirma que o cônjuge ou parente
do chefe do Poder Executivo (ex: cônjuge ou parente do Prefeito) só poderá concorrer
para o mesmo cargo de chefe do Executivo (ex: só poderá concorrer ao cargo de Prefeito)
se forem cumpridos dois requisitos:
1) o cônjuge ou parente só pode se candidatar a sucessão do titular quando
este for reelegível: Ex: o parente do Prefeito quer concorrer à Prefeitura; esse
parente só poderá concorrer se não houver nenhum impedimento para que
o próprio Prefeito concorra; em outras palavras, o Prefeito poderá se
candidatar à reeleição, mas escolheu não fazer isso; neste caso, seu parente
poderá concorrer. Assim, se já era o segundo mandato consecutivo do
Prefeito, por exemplo, seu parente não poderá concorrer; isso porque o
próprio Prefeito não poderia participar novamente da eleição.

2) o titular deverá se afastar do mandato seis meses antes das eleições: Ex:
Auricélio era Prefeito e renunciou ao cargo seis meses antes das eleições a fim
de permitir que seu cunhado Hélio (que é parente por afinidade em segundo
grau) fosse candidato ao mesmo cargo.

Terceiro mandato no mesmo núcleo familiar: O TSE considerou que, se fosse permitido
que Hélio continuasse no cargo de Prefeito e exercesse o mandato de 2017 a 2020, isso
significaria o terceiro mandato consecutivo do mesmo núcleo familiar para o mesmo
cargo. Para o TSE, ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da
CF/88 chega-se à conclusão sobre qual foi a intenção do legislador constituinte: proibir
que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o
mesmo cargo no Poder Executivo. Em outros termos, a CF/88 quis proibir que o mesmo
núcleo familiar ocupasse três mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de
Presidente. Quando Hélio foi eleito em 2012 e passou a exercer o mandato em 2013, este
foi o segundo mandato consecutivo de Prefeito daquele grupo familiar. Mesmo sendo
uma outra pessoa, é como se fosse a reeleição de Auricélio. O mandato de 2013-2016
desempenhado por Hélio é como se fosse o segundo mandato de Auricélio. Logo, já chega.
Não pode um terceiro consecutivo.

Obs1: quando falamos em “núcleo familiar” aqui estamos nos referindo ao cônjuge e aos
parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção (art. 14, § 7º).

Obs2: a causa de inelegibilidade prevista no art. 14, § 7º da CF/88 abrange o


cunhado/cunhada do chefe do Poder Executivo (STF. Plenário. RE 171061, Rel. Min.
Francisco Rezek, julgado em 02/03/1994).

Situação de Hélio foi parecida com o caso Garotinho e Rosinha: A situação acima exposta
foi semelhante ao que aconteceu no Governo do RJ envolvendo Anthony Garotinho e sua
esposa Rosinha. Em 1998, Garotinho foi eleito Governador do RJ. No final do seu 1º
mandato (em 2002), ele renunciou ao cargo para se desincompatibilizar e concorrer à
Presidência da República. Sua esposa, Rosinha, candidatou-se ao cargo de Governador na
eleição de 2002, tendo sido eleita. O TSE considerou que Rosinha poderia concorrer e
assumir o cargo porque seu marido havia renunciado e ainda estava no 1º mandato. A
lógica utilizada pelo TSE foi a seguinte: ora, se o próprio Garotinho poderia concorrer
novamente ao cargo de Governador, não haveria sentido em se negar à sua esposa o
direito de disputar a eleição. Vale ressaltar, no entanto, que ao ganhar a eleição, é como
se Rosinha estivesse exercendo o 2º mandato consecutivo. Logo, em 2006, ele não pode
concorrer novamente ao Governo. Em suma, este núcleo familiar foi eleito Governador
em 1998 e reeleito em 2002, não podendo figurar em um terceiro mandato consecutivo.

Recurso extraordinário e mandato-tampão: A defesa de Hélio não se conformou com a


decisão do TSE e recorreu ao STF. No recurso, Hélio argumentou o seguinte: eu sei que a
jurisprudência não permite três mandatos consecutivos para o mesmo cargo do Poder
Executivo. No entanto, no caso concreto existe uma peculiaridade: o meu cunhado
Auricélio, nas eleições municipais de 2008, foi o 2º colocado no pleito. Quem ganhou e
assumiu a Prefeitura de Guamaré (RN) foi outro político, o Mozaniel. Ocorre que o
mandato de Mozaniel foi cassado e a Justiça Eleitoral determinou que o 2º colocado
(meu cunhado Auricélio) assumisse para um mandato-tampão (de 2010 a 2012). Isso
significa que o meu cunhado não exerceu um mandato completo. Sendo apenas um
mandato-tampão, não se pode querer aplicar esse entendimento jurisprudencial que veda
três mandatos consecutivos.

O STF concordou com o argumento de Hélio? A proibição de que um mesmo núcleo


familiar exerça três mandatos consecutivos deve ser afastada se um desses mandatos é
apenas um mandato-tampão? NÃO. O STF concordou com a decisão do TSE e afirmou
que a proibição de que um mesmo núcleo familiar exerça três mandatos consecutivos
existe ainda que um desses mandatos seja apenas mandato-tampão:
A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito
pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em
que tenha havido a convocação do segundo colocado nas eleições
para o exercício de mandato-tampão. STF. 2ª Turma. RE
1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018
(Info 921).

10.2. As hipóteses de inelegibilidade são aplicáveis às eleições suplementares – (Info


802)

As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF, inclusive quanto ao


prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares.
STF. Plenário. RE 843455/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 7/10/15 (Info 802).

10.3. Inelegibilidade reflexa (art. 14, § 7º da CF/88) – (Info 747)

A inelegibilidade do art. 14, § 7º, da Constituição NÃO ALCANÇA o cônjuge supérstite


(sobrevivente, viúvo) quando o falecimento tiver ocorrido no primeiro mandato, com
regular sucessão do vice-prefeito, e tendo em conta a construção de novo núcleo
familiar.
A Súmula Vinculante 18 do STF não se aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal
pela morte de um dos cônjuges.
STF. Plenário. RE 758461/PB, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 22/5/2014
(repercussão geral) (Info 747).

10.4. Magistrado pode decidir com base em fatos e circunstâncias não alegados pelas
partes – (Info 747)

É CONSTITUCIONAL a previsão contida no art. 7º, parágrafo único, e no art. 23 da LC


64/90 no sentido de que o magistrado poderá decidir com base em fatos e circunstâncias
não alegados pelas partes.
STF. Plenário. ADI 1082/DF, rel. Min. Marco Aurélio, j. 22/5/2014 (Info 747).

11. MINISTÉRIO PÚBLICO


11.1. Designação de Promotor Eleitoral – (Info 817)
O art. 79 da LC 75/93, que confere ao Procurador Regional Eleitoral a incumbência de
designar os membros do Ministério Público estadual que atuarão junto à Justiça
Eleitoral, é constitucional, tanto sob o ponto de vista formal como material.
O Procurador-Geral da República detém a prerrogativa, ao lado daquela atribuída ao
Chefe do Poder Executivo, de iniciar os projetos de lei que versem sobre a organização
e as atribuições do Ministério Público Eleitoral.
A designação de membro do Ministério Público local (estadual) como Promotor
Eleitoral por Procurador Regional Eleitoral, que é membro do Ministério Público
Federal, não afronta a autonomia administrativa do Ministério Público do Estado.
STF. Plenário. ADI 3802/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/3/2016 (Info 817).

11.2. MP pode requisitar a instauração de inquérito policial para apurar crimes


eleitorais O TSE – (Info 747) - Atenção! Ministério Público!

O TSE editou a Resolução 23.396/2013 prevendo que o inquérito policial para apurar
crimes eleitorais somente poderá ser instaurado se houver uma determinação da Justiça
Eleitoral (art. 8º). Assim, pelo texto da Resolução, o Ministério Público não poderia
requisitar a instauração de inquérito policial para apurar crimes eleitorais.
O STF, ao apreciar medida cautelar, decidiu que esse dispositivo é
INCONSTITUCIONAL por dispor sobre norma de direito processual e por violar
prerrogativa constitucional do Ministério Público prevista no art. 129, VIII, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 5104 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 21/5/2014 (Info
747).

11.3. Competência para julgar MS impetrado contra Procurador Regional Eleitoral –


(Info 746)

Compete ao juízo da vara federal com atuação na cidade de domicílio do impetrante


processar e julgar mandado de segurança impetrado por promotor de justiça contra ato
administrativo de procurador regional eleitoral, desde que não se trate de matéria
eleitoral.
STF. 1ª Turma. CC 7698/PI, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13/5/2014 (Info 746)

11.4. MP PODE RECORRER DA SENTENÇA QUE DEFERIU REGISTRO DE


CANDIDATURA MESMO QUE NÃO TENHA APRESENTADO PRÉVIA
IMPUGNAÇÃO – (Info 733) - Atenção! Concursos Ministério Público! – (MPRR-2017)

O Plenário do STF reconheceu que o MPE possui legitimidade para recorrer de decisão
que deferiu registro de candidatura, mesmo que não tenha apresentado impugnação ao
pedido inicial desse registro.
O STF, com essa decisão, modifica a posição até então dominante no TSE.
Vale ressaltar, no entanto, que esse novo entendimento manifestado pelo STF foi
modulado e só valerá a partir das eleições de 2014.
Assim, nos recursos que tratam sobre o tema, referentes ao pleito de 2012, deverá
continuar sendo aplicado o entendimento do TSE que estendia ao MP a regra da
Súmula 11-TSE.
STF. Plenário. ARE 728188/RJ. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 18/12/13 (Info 733).
(MPRR-2017-CESPE): O MP eleitoral tem legitimidade para recorrer de decisão que
julgue o pedido de registro de candidatura, mesmo que não tenha apresentado
impugnação anterior. BL: Info 733, STF.
11.5. Legitimidade do MP para representar contra propaganda partidária irregular

Ministério Público possui legitimidade para representar contra propaganda partidária


irregular.
Apesar do § 3º do art. 45 da Lei 9.096/95 falar que apenas os partidos políticos podem
oferecer representação por propaganda irregular, deve-se também reconhecer que o
Ministério Público detém legitimidade para isso, considerando que o Parquet possui a
incumbência de promover a defesa da ordem jurídica e do regime democrático por
força da CF/88 (art. 127, caput).
STF. Plenário. ADI 4617/DF, rel. Min. Luiz Fux, 19/6/2013.

11.6. Legitimidade do MPE para recorrer de decisão que deferiu registro de candidatura,
mesmo que não tenha apresentado impugnação ao pedido inicial desse registro

O Plenário do STF reconheceu que o Ministério Público Eleitoral possui legitimidade


para recorrer de decisão que deferiu registro de candidatura, mesmo que não tenha
apresentado impugnação ao pedido inicial desse registro.
O STF, com essa decisão, modifica a posição até então dominante no TSE.
Vale ressaltar, no entanto, que esse novo entendimento manifestado pelo STF foi
modulado só valerá a partir das eleições de 2014.
Assim, nos recursos que tratam sobre o tema, referentes ao pleito de 2012, deverá
continuar sendo aplicado o entendimento do TSE que estendia ao MP a regra da
Súmula 11-TSE.
STF. Pleno. ARE 728188/RJ. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/12/2013
(não divulgado em nenhum Info de 2013).

12. PROPAGANDA ELEITORAL


12.1. São inconstitucionais dispositivos da Lei das Eleições que vedavam sátira a
candidatos – (Info 907)

O art. 45, II e III da Lei nº 9.504/97 prevê que, depois do prazo para a realização das
convenções no ano das eleições, as emissoras de rádio e televisão, em sua programação
normal e em seu noticiário, não podem:
a) usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer
forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou
veicular programa com esse efeito (inciso II) e
b) difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos
ou representantes (segunda parte do inciso III).
Os §§ 4º e 5º explicam o que se entende por trucagem e por montagem.
O STF decidiu que tais dispositivos são INCONSTITUCIONAIS porque representam
censura prévia.
A liberdade de expressão autoriza que os meios de comunicação optem por
determinados posicionamentos e exteriorizem seu juízo de valor, bem como autoriza
programas humorísticos, “charges” e sátiras realizados a partir de trucagem, montagem
ou outro recurso de áudio e vídeo, como costumeiramente se realiza, não havendo
nenhuma justificativa constitucional razoável para a interrupção durante o período
eleitoral.
Vale ressaltar que, posteriormente, é possível a responsabilização dos meios de
comunicação e de seus agentes por eventuais informações mentirosas, injuriosas,
difamantes. O que não se pode é fazer uma censura prévia.
São inconstitucionais quaisquer leis ou atos normativos tendentes a constranger ou
inibir a liberdade de expressão a partir de mecanismos de censura prévia.
STF. Plenário. ADI 4451/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 20 e 21/6/18 (Info 907).
OBS:
Art. 45 da Lei nº 9.504/97: A Lei nº 9.504/97 é a lei geral que rege as eleições, dispondo, dentre
outros temas, sobre propaganda eleitoral. O art. 45, II e III da Lei nº 9.504/97 prevê que,
depois de o prazo para a realização das convenções no ano das eleições, as emissoras de
rádio e televisão, em sua programação normal e em seu noticiário, não podem:
a) usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo
que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato,
partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse
efeito (inciso II) e
b) difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido,
coligação, a seus órgãos ou representantes (segunda parte do
inciso III).

Os §§ 4º e 5º explicam o que se entende por trucagem e por montagem:


§ 4º Entende-se por trucagem todo e qualquer efeito realizado em
áudio ou vídeo que degradar ou ridicularizar candidato, partido
político ou coligação, ou que desvirtuar a realidade e beneficiar
ou prejudicar qualquer candidato, partido político ou coligação.
(Incluído pela Lei nº 12.034/2009)
§ 5º Entende-se por montagem toda e qualquer junção de
registros de áudio ou vídeo que degradar ou ridicularizar
candidato, partido político ou coligação, ou que desvirtuar a
realidade e beneficiar ou prejudicar qualquer candidato, partido
político ou coligação. (Incluído pela Lei nº 12.034/2009)

Desse modo, tais dispositivo impedem que as emissoras veiculem programas que
venham a degradar ou ridicularizar candidatos nos meses que antecedem as eleições. É
o caso, por exemplo, dos programas de humor que satirizam os candidatos.

ADI: Em 2010, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) ajuizou ADI


pedindo a declaração de inconstitucionalidade desses dispositivos. Segundo argumentou
a Abert, as restrições impostas pela lei “geram um grave efeito silenciador sobre as
emissoras de rádio e televisão, obrigadas a evitar a divulgação de temas políticos
polêmicos para não serem acusadas de ‘difundir opinião favorável ou contrária’ a
determinado candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes”. A associação
alegou ainda que “esses dispositivos inviabilizam a veiculação de sátiras, charges e
programas humorísticos envolvendo questões ou personagens políticos, durante o
período eleitoral”, o que violaria “as liberdades de manifestação do pensamento, da
atividade intelectual, artística, científica e de comunicação”.

Liminar: Ainda em 2010, o STF deferiu a medida liminar e suspendeu o inciso II e a parte
final do inciso III do referido art. 45. Por arrastamento, os Ministros decidiram suspender
também os §§ 4º e 5º. Desse modo, desde 2010, tais dispositivos não estavam produzindo
efeitos.

Julgamento definitivo: Em 2018, o STF confirmou a liminar que havia sido deferida e
julgou procedente a ADI. O STF decidiu que tais dispositivos são
INCONSTITUCIONAIS porque representam censura prévia.

Duplo aspecto da liberdade de expressão: A Constituição protege a liberdade de expressão


no seu duplo aspecto: positivo e negativo. O positivo é a livre possibilidade de
manifestação de qualquer pessoa e permite a responsabilização nos termos
constitucionais. É a liberdade com responsabilidade. O negativo proíbe a ilegítima
intervenção do Estado por meio de censura prévia.

CF/88 não admite censura: A CF/88 não permite que haja limitações preventivas (prévias)
a respeito do conteúdo do debate público em razão de conjectura sobre o efeito que alguns
conteúdos possam vir a ter junto ao público. O exercício do direito à liberdade de
expressão não pode ser cerceado pelo Estado ou por particular.

Os dispositivos impugnados configuram censura: O STF entendeu que os dispositivos


impugnados preveem uma censura prévia, com caráter preventivo e abstrato sobre o
conteúdo do que poderia ser veiculado. Desse modo, tais normas são inconstitucionais
porque consistem na restrição, subordinação e forçosa adequação programática da
liberdade de expressão a mandamentos normativos cerceadores durante o período
eleitoral, pretendendo diminuir a liberdade de opinião e de criação artística e a livre
multiplicidade de ideias, com a nítida finalidade de controlar ou mesmo aniquilar a força
do pensamento crítico, indispensável ao regime democrático.
Assim, tais dispositivos representam uma interferência estatal ilegítima no direito
individual de criticar.

Existem riscos advindos da comunicação social no período eleitoral: Não se ignora que
existem inúmeros riscos que podem surgir na comunicação de massa durante o período
eleitoral. Um exemplo disso são as chamadas “fake news”. No entanto, esses riscos não
são resolvidos ao se censurar previamente o conteúdo dos meios de comunicação. Ao
contrário, o combate às “fake news” deve feito pelos meios legais e pela boa imprensa,
que rapidamente podem levar a correta notícia à população.

Ofensa ao princípio democrático: A censura prévia desrespeita diretamente o princípio


democrático, pois a liberdade política termina e o poder público tende a se tornar mais
corrupto e arbitrário quando pode usar seus poderes para silenciar e punir seus críticos.
Numa democracia representativa, a liberdade de expressão e a participação política se
fortalecem em ambiente de total visibilidade e possibilidade de exposição crítica das
diversas opiniões sobre todos os assuntos e governantes, que nem sempre — tratando da
liberdade de expressão e da liberdade de imprensa — serão “estadistas iluminados”. É
necessário o exercício da política de desconfiança na formação do pensamento individual
e na autodeterminação democrática para o livre exercício dos direitos de sufrágio e
oposição. Além disso, não existe fiscalização sem informação. Todas as opiniões são
possíveis em discussões livres, uma vez que faz parte do princípio democrático “debater
assuntos públicos de forma irrestrita, robusta e aberta”. O direito fundamental à
liberdade de expressão não se direciona somente a proteger as opiniões supostamente
verdadeiras, admiráveis ou convencionais, mas também as duvidosas, exageradas,
condenáveis, satíricas, humorísticas, bem como aquelas não compartilhadas pelas
maiorias. Não cabe ao Poder Público previamente escolher ou ter ingerência nas fontes de
informação, nas ideias ou nos métodos de divulgação de notícias ou no controle do juízo
de valor das opiniões dos meios de comunicação e na formatação de programas
humorísticos a que tenham acesso os indivíduos. O funcionamento eficaz da democracia
representativa exige absoluto respeito à ampla liberdade de expressão, proporcionando a
liberdade de opinião, de criação artística, a proliferação de informações, a circulação de
ideias, de modo a garantir os diversos e antagônicos discursos.

Meios de comunicação podem escolher seus posicionamentos: A liberdade de expressão


autoriza que os meios de comunicação optem por determinados posicionamentos e
exteriorizem seu juízo de valor, bem como autoriza programas humorísticos, “charges”
e sátiras realizados a partir de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio e vídeo,
como costumeiramente se realiza, não havendo nenhuma justificativa constitucional
razoável para a interrupção durante o período eleitoral.

É possível a responsabilização posterior: Vale ressaltar que, posteriormente, é possível a


responsabilização dos meios de comunicação e de seus agentes por eventuais
informações mentirosas, injuriosas, difamantes. O que não se pode é fazer uma censura
prévia.
Como já foi cobrado em concursos:
 “O Supremo Tribunal Federal, em Ação Direta de Inconstitucionalidade,
suspendeu liminarmente, com fundamento na liberdade de imprensa, a eficácia
do inciso II do artigo 45 da Lei 9.504/1997 da expressão “ou difundir opinião
favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou
representantes", bem como, por arrastamento, dos §§ 4º e 5º do mesmo artigo que
conceituam o termo “montagem" e “trucagem". A ação contesta os dispositivos
que impedem as emissoras de veicular programas humorísticos que venham a
degradar ou ridicularizar candidatos nos três meses que antecedem as eleições”.
(Juiz Substituto – TJMS – PUC-PR – 2012 – Certo)

 “A disciplina normativa que rege a propaganda eleitoral veda, a partir de 1º de


julho do ano da eleição, que emissoras de rádio e televisão, em sua programação
normal e noticiário, usem trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou
vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou
coligação, bem como produzam ou veiculem programa com esse efeito”.
(Promotor de Justiça – MPE-PE – FCC – 2014 – Gabarito oficial da banca: Errado).

12.2. É legítima a Resolução do TSE que proíbe propaganda eleitoral por meio de
telemarketing – (Info 900)

É constitucional o art. 25, § 2º, da Resolução 23.404/14 do TSE, que proíbe a realização
de propaganda eleitoral via “telemarketing", em qualquer horário.
STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).
OBS:
Art. 25 (...)
§ 2º É vedada a realização de propaganda via telemarketing, em
qualquer horário (Constituição Federal, art. 5º, X e XI, e Código
Eleitoral, art. 243, VI).

Constitucionalidade formal: O TSE possui poder normativo, podendo editar resoluções


para disciplinar as eleições. Foi o que fez neste caso, tendo sido respeitados os princípios
e diretrizes previstos na legislação eleitoral em vigor. Diante disso, não se pode dizer que
o TSE usurpou a competência privativa da União (Congresso Nacional) para legislar
sobre Direito Eleitoral (art. 22, I, da CF/88). Não existe lei proibindo expressamente o
uso do telemarketing nas eleições. No entanto, a ausência de previsão legal não significa
seu uso indiscriminado e irrestrito, sendo importante lembrar que as novas tecnologias de
comunicação são desenvolvidas em um ritmo mais rápido do que as leis, em sentido
estrito, podem acompanhar. Desse modo, diante desse silêncio normativo ganha muita
importância a atuação da Justiça Eleitoral por meio das resoluções. O STF possui
jurisprudência no sentido de que a individualização de restrições referentes à utilização
de instrumentos de propaganda eleitoral não depende de edição de lei formal, uma vez
que a diversificação de técnicas e procedimentos de propaganda exigem a ação imediata
e eficiente da Justiça Eleitoral.

Rol taxativo dos meios de propaganda permitidos: O art. 37, § 2º e o art. 38, da Lei 9.504/97
estabelecem um rol TAXATIVO das situações em que a propaganda eleitoral pode ser
realizada independentemente de autorização da Justiça especializada. Confira:
Art. 37 (...)
§ 2º Não é permitida a veiculação de material de propaganda
eleitoral em bens públicos ou particulares, exceto de:
I - bandeiras ao longo de vias públicas, desde que móveis e que
não dificultem o bom andamento do trânsito de pessoas e
veículos;
II - adesivo plástico em automóveis, caminhões, bicicletas,
motocicletas e janelas residenciais, desde que não exceda a 0,5 m²
(meio metro quadrado).

Art. 38. Independe da obtenção de licença municipal e de


autorização da Justiça Eleitoral a veiculação de propaganda
eleitoral pela distribuição de folhetos, adesivos, volantes e outros
impressos, os quais devem ser editados sob a responsabilidade
do partido, coligação ou candidato.

Isso significa que, tirando esses casos acima listados, as demais formas de divulgação
somente podem ocorrer mediante chancela prévia da Justiça Eleitoral. Nesse contexto, o
TSE pode se antecipar a eventuais pedidos de autorização e vedar, desde logo, o uso do
“telemarketing”, sem que isso caracterize usurpação de competência do Congresso
Nacional para legislar sobre Direito Eleitoral.

Constitucionalidade material: A proibição contida no art. 25, § 2º, da Resolução não viola
os princípios constitucionais da livre manifestação do pensamento, da liberdade
política, de comunicação e de acesso à informação. Essa vedação tem como fundamentos:
 o art. 243, VI, do Código Eleitoral, que proíbe propaganda eleitoral que “perturbe
o sossego público, com algazarras e abusos de instrumentos sonoros ou sinais
acústicos”;
 incisos X e XI do art. 5º, da CF, que protegem a intimidade, a vida e a
inviolabilidade domiciliar do eleitor.

Vale ressaltar, ainda, que a vedação imposta pela Resolução não configura censura de
natureza política. Isso porque o TSE não controla previamente o conteúdo da
propaganda a ser veiculada. Ele simplesmente proíbe a propaganda por meio de
determinado veículo de comunicação (telemarketing). Além disso, a vedação à censura
(art. 220, § 2º, da CF/88) proíbe o controle prévio, exercido por autoridade administrativa,
da veiculação de determinado conteúdo, permitindo-se, no entanto, que a lei lhe
estabeleça, excepcionalmente, e nos parâmetros do Estado Democrático de Direito,
limites e restrições, que tenham por fundamento a proteção e a promoção de direitos e
bem jurídicos constitucionalmente assegurados, desde que observados os critérios da
proporcionalidade e da preservação do núcleo essencial dos direitos.

Liberdade de expressão x intimidade: No presente caso, haveria uma tensão entre a


liberdade de expressão e a intimidade, sendo que, na ponderação entre esses princípios, o
direito à intimidade deve prevalecer. A liberdade de expressão não é absoluta e pode
sofrer limitações, desde que razoáveis e proporcionais, com o objetivo de prestigiar outros
direitos e garantias de mesmo status, como a vida privada e a intimidade. Os tratados e
convenções internacionais corroboram essa interpretação, no sentido de que a liberdade
de expressão, embora ocupe lugar de destaque no rol dos direitos fundamentais, encontra
limites quando o seu exercício importe em afronta de direitos alheios. A Resolução
impugnada tem por objetivo resguardar o direito à intimidade dos eleitores que seriam
incomodados por chamadas telefônicas indesejáveis, provenientes de centenas de
candidatos, no curto espaço de tempo das campanhas eleitorais. Apesar da proibição do
“telemarketing”, a propaganda eleitoral pode ser feita por outros meios de publicidade
menos invasivos e igualmente eficazes, de modo que os candidatos permanecem com
diversas opções publicitárias igualmente hábeis à propaganda e à liberdade política.
Assim, as medidas adotadas pelos TSE são razoáveis, visto que o custo da limitação à
liberdade de expressão é insignificante se comparado com os benefícios da proteção à
intimidade.
12.3. Análise da constitucionalidade das novas regras sobre tempo de propaganda
eleitoral gratuita (art. 47, § 2º, da Lei nº 9.504/93, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015)
– (Info 836)

O tempo de propaganda eleitoral gratuita, nas emissoras de rádio e TV, é regulado pelo
art. 47 da Lei 9.504/97. A Lei 13.165/15 alterou o § 2º do art. 47, mudando os percentuais
dessa distribuição, aumentando ainda mais o tempo dos partidos que tenham
representação na Câmara dos Deputados.
Essa mudança foi atacada por meio de ADI e o STF decidiu que:
É constitucional o § 2º do art. 47 da Lei 9.504/97, com redação dada pela Lei 13.165/15,
que prevê que os horários reservados à propaganda de cada eleição serão distribuídos
entre os partidos e coligações proporcionalmente com base no número de
representantes na Câmara dos Deputados.
STF. Plenário. ADI 5423/DF e ADI 5491/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 24 e
25/8/16; ADI 5577 MC-Ref/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 24 e 25/8/16 (Info
836).
OBS:
A Lei nº 13.165/2015 alterou o § 2º do art. 47, mudando os percentuais dessa distribuição,
aumentando ainda mais o tempo dos partidos que tenham representação na Câmara. Veja
a redação atual:
Art. 47 (...)
§ 2º Os horários reservados à propaganda de cada eleição, nos
termos do § 1º, serão distribuídos entre todos os partidos e
coligações que tenham candidato, observados os seguintes
critérios:
I - 90% (noventa por cento) distribuídos proporcionalmente ao
número de representantes na Câmara dos Deputados,
considerados, no caso de coligação para eleições majoritárias, o
resultado da soma do número de representantes dos seis maiores
partidos que a integrem e, nos casos de coligações para eleições
proporcionais, o resultado da soma do número de
representantes de todos os partidos que a integrem;
II - 10% (dez por cento) distribuídos igualitariamente.

ADI proposta por partidos contra esta mudança: Quatro partidos políticos (PTN, PHS,
PRP e PTC) ajuizaram ADI contra a alteração promovida pela Lei 13.165/15 no art. 47, §
2º, da Lei 9.504/97. Na ação, argumentaram que este tratamento diferenciado em favor
dos partidos maiores viola o § 3º do art. 17 da CF/88, o princípio da isonomia (art. 5º,
caput) e o princípio republicano (art. 1º). Segundo defendem, a repartição do horário de
propaganda eleitoral gratuita deveria ocorrer de forma igualitária entre todos os partidos
políticos. Questionaram a expressão “seis maiores”, constante do inciso I do § 2º do art. 47
da Lei das Eleições, afirmando que “mesmo que se admita a possibilidade de discrímen
entre os diversos Partidos, no que tange ao exercício do direito de antena, não se mostra
razoável e proporcional que se inclua na contagem, no caso de coligação majoritária,
somente o tempo dos seis maiores partidos integrantes da coligação”. Argumentaram, em
síntese, que as novas regras instituíram verdadeira barreira aos partidos políticos menores
ao impedir a divisão igualitária do tempo de TV e rádio.

A ação proposta foi acolhida pelo STF? As novas regras sobre o tempo de propaganda
eleitoral gratuita previstas no § 2º do art. 47 são inconstitucionais? NÃO. O STF
entendeu que os incisos I e II do § 2º do art. 47 da Lei 9.504/97 são compatíveis com a
cláusula democrática e com o sistema proporcional. Esses incisos estabelecem uma regra
de equidade e asseguram um tratamento mais benéfico aos partidos maiores, mas essa
distinção não pode ser considerada odiosa (arbitrária), considerando que o critério para
conferir maior tempo é baseado nos partidos que possuem maior legitimidade popular
(maior número de Deputados Federais, ou seja, de "representantes do povo"). Além disso,
se, por um lado, a Lei prevê maior tempo para quem tem mais representantes na Câmara
dos Deputados, por outro, nenhum partido fica sem participação e todos eles terão tempo
de rádio e TV.

Seis maiores partidos: Como vimos acima, o inciso I afirma que, na eleição majoritária,
havendo coligação, serão somados apenas os Deputados Federais dos seis maiores
partidos que fazem parte desta coligação. Este critério de somente considerar os "seis
maiores partidos" também havia sido impugnado e o STF declarou que é válido. Para o
STF, este critério tem como objetivo garantir um equilíbrio na distribuição do tempo de
horário eleitoral gratuito. Em outras palavras, a finalidade é evitar que uma só coligação,
se for muito grande (ex: formada por 10 grandes e médios partidos) fique com
praticamente todo o tempo ou tenha um tempo muito maior do que os outros candidatos.

13. FUNDO PARTIDÁRIO


13.1. Modulação dos efeitos da ADI 5617/DF – (Info 918)

O art. 9º da Lei 13.165/15 previu o seguinte:


Art. 9º Nas três eleições que se seguirem à publicação desta Lei,
os partidos reservarão, em contas bancárias específicas para
este fim, no mínimo 5% (cinco por cento) e no máximo 15%
(quinze por cento) do montante do Fundo Partidário destinado
ao financiamento das campanhas eleitorais para aplicação nas
campanhas de suas candidatas, incluídos nesse valor os
recursos a que se refere o inciso V do art. 44 da Lei nº 9.096, de
19 de setembro de 1995.

O STF, ao analisar o art. 9º da Lei 13.165/2015, decidiu:


a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei 13.165/15, de modo a
equiparar o patamar legal mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da
Lei 9.504/97, isto é, ao menos 30% de cidadãs), ao mínimo de recursos do Fundo
Partidário a lhes serem destinados, que deve ser interpretado como também de 30% do
montante do Fundo alocado a cada partido, para as eleições majoritárias e
proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de candidaturas
femininas, o mínimo de recursos globais do partido destinados a campanhas lhe seja
alocado na mesma proporção. Assim, o montante de recursos para as campanhas de
mulheres deve ser proporcionalmente igual ao número de candidatas, sendo no
mínimo 30%;
b) Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, contida no art. 9º da Lei
13.165/15. A previsão de recursos mínimos para as campanhas de candidatas não deve
ter um prazo determinado considerando que ela dura até que as desigualdades sejam
corrigidas;
c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do § 5º-A e do § 7º do art. 44 da
Lei 9.096/95, que tratam dos recursos específicos para a criação e manutenção de
programas de promoção e difusão da participação política das mulheres.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 15/3/18 (Info 894).

Ao declarar inconstitucionais tais dispositivos, surgiu um “problema”: o que fazer com


esses recursos que estavam mantidos em contas bancárias específicas?
Caso mantida na íntegra a decisão do dia 15/03/2018, os partidos não poderiam fazer
uso dos recursos do fundo partidário para as campanhas femininas. Isso iria contrariar
o escopo do próprio julgamento, pois o objetivo do STF foi o de fortalecer as
candidaturas de mulheres.
Diante desse impasse, o STF, na sessão de 02/10/2018, resolveu modular os efeitos da
decisão tomada no dia 15/03/2018 e decidiu “aproveitar” tais recursos nas campanhas
eleitorais de candidatas mulheres nas eleições de 2018. Veja como o Supremo
determinou a modulação:
Os recursos financeiros de anos anteriores acumulados nas contas específicas
mencionadas pelos §§ 5º-A e 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95 devem ser adicionalmente
transferidos para as contas individuais das candidatas no financiamento de suas
campanhas eleitorais no pleito geral de 2018, sem que haja a redução de 30% do
montante do fundo alocado a cada partido para as candidaturas femininas.
STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 2/10/18 (Info 918).

13.2. Análise da constitucionalidade do art. 9º da Lei 13.165/2015 – (Info 894)

O art. 9º da Lei 13.165/15 previu o seguinte:


Art. 9º Nas três eleições que se seguirem à publicação desta
Lei, os partidos reservarão, em contas bancárias específicas
para este fim, no mínimo 5% (cinco por cento) e no máximo
15% (quinze por cento) do montante do Fundo Partidário
destinado ao financiamento das campanhas eleitorais para
aplicação nas campanhas de suas candidatas, incluídos nesse
valor os recursos a que se refere o inciso V do art. 44 da Lei nº
9.096, de 19 de setembro de 1995.

O STF, ao julgar uma ADI proposta contra esse dispositivo, decidiu:


a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei 13.165/2015, de modo a
equiparar o patamar legal mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da
Lei 9.504/97, isto é, ao menos 30% de cidadãs), ao mínimo de recursos do Fundo
Partidário a lhes serem destinados, que deve ser interpretado como também de 30% do
montante do Fundo alocado a cada partido, para as eleições majoritárias e
proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de candidaturas
femininas, o mínimo de recursos globais do partido destinados a campanhas lhe seja
alocado na mesma proporção. Assim, o montante de recursos para as campanhas de
mulheres deve ser proporcionalmente igual ao número de candidatas, sendo no
mínimo 30%;
b) Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, contida no art. 9º da Lei
13.165/15. A previsão de recursos mínimos para as campanhas de candidatas não deve
ter um prazo determinado considerando que ela dura até que as desigualdades sejam
corrigidas;
c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do § 5º-A e do § 7º do art. 44 da
Lei 9.096/95, que tratam dos recursos específicos para a criação e manutenção de
programas de promoção e difusão da participação política das mulheres.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 15/3/2018 (Info 894).
OBS:
Lei 13.165/15: A Lei 13.165/15 (conhecida como minirreforma eleitoral de 2015) alterou
diversos dispositivos da legislação eleitoral. O art. 9º da Lei 13.165/15 previu o seguinte:
Art. 9º Nas três eleições que se seguirem à publicação desta Lei,
os partidos reservarão, em contas bancárias específicas para este
fim, no mínimo 5% (cinco por cento) e no máximo 15% (quinze
por cento) do montante do Fundo Partidário destinado ao
financiamento das campanhas eleitorais para aplicação nas
campanhas de suas candidatas, incluídos nesse valor os recursos
a que se refere o inciso V do art. 44 da Lei nº 9.096, de 19 de
setembro de 1995.

Assim, este art. 9º estabelece percentuais mínimo e máximo de recursos do Fundo


Partidário para aplicação em campanhas eleitorais de mulheres. De acordo com o
dispositivo, nas três eleições que se seguissem à publicação da Lei 13.165/15 (Eleições
2016, 2018 e 2020), os partidos deveriam reservar, em contas bancárias específicas para este
fim, no mínimo 5% e no máximo 15% do montante do Fundo Partidário destinado ao
financiamento das campanhas eleitorais para aplicação nas campanhas de suas
candidatas.

ADI: A Procuradoria-Geral da República ajuizou ADI contra este art. 9º. Segundo a PGR,
não basta que a lei reserve percentual de vagas para candidatas, é preciso garantir que elas
tenham recursos suficientes para disputar o pleito eleitoral em igualdade de condições
com os homens. Defendeu-se que a norma contraria o princípio fundamental da
igualdade, deixa de proteger suficientemente o pluralismo político, a cidadania e o
princípio democrático e falha na busca do objetivo fundamental de construir uma
sociedade livre, justa e solidária, além de ferir os princípios da eficiência, da finalidade e
da autonomia dos partidos políticos. A legislação eleitoral prevê que cada partido ou
coligação deverá reservar, no mínimo, 30% de suas candidaturas nas eleições
proporcionais para mulheres. Segundo a PGR, o limite máximo de 15% previsto na lei
produz mais desigualdade e menos pluralismo da definição das posições de gênero. “Se
não há limites máximos para financiamento de campanhas de homens, não se podem fixar
limites máximos para as mulheres”, afirma. Quanto ao limite mínimo, enfatiza que o
patamar de 5% dos recursos para as candidatas protege de forma deficiente os direitos
políticos das mulheres. Na ação defende-se que o princípio da proporcionalidade só seria
atendido se o percentual de recursos fosse de 30%, pois se equipararia ao patamar mínimo
de candidaturas femininas.

O STF concordou com os argumentos da PGR? SIM. O STF julgou procedente a ADI.

Noções gerais sobre a constitucionalidade do estabelecimento de regras diferenciadas em


favor da candidatura de mulheres: Com a edição da Lei 9.504/97, os partidos passaram a
ser obrigados a preencher, do número de vagas de candidaturas, o mínimo de 30% e o
máximo de 70% para cada sexo (art. 10, § 3º). Na prática, a Lei exigiu que, no mínimo 30%
das candidaturas fosse do sexo feminino. Essa previsão é compatível com a Constituição.
Isso porque é possível que sejam feitas determinadas diferenciações entre as pessoas se
estas forem utilizadas para corrigir discriminações. Em outras palavras, o direito à
igualdade permite que seja feita uma desequiparação, desde que pontual e que tenha
por objetivo superar uma desigualdade histórica. A discriminação contra a mulher
significa toda distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por objeto ou
resultado prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher,
independentemente de seu estado civil, com base na igualdade do homem e da mulher,
dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social,
cultural e civil ou em qualquer outro campo. Especificamente no campo da política,
embora as mulheres correspondam a mais da metade da população e do eleitorado
brasileiro, elas ocupam menos de 15% das cadeiras do Legislativo federal, sendo que, na
Câmara dos Deputados, apenas 9,9% dos parlamentares são mulheres. Além disso, apenas
11% das prefeituras do país são comandadas por mulheres. Não se vislumbra
possibilidade de reversão dessa tendência. Os obstáculos para a efetiva participação
política das mulheres são ainda mais graves caso se tenha em conta que é por meio da
participação política que as próprias medidas de desequiparação são definidas. Qualquer
razão que seja utilizada para impedir que as mulheres participem da elaboração de leis
inviabiliza o principal instrumento pelo qual se reduzem as desigualdades. Em razão
dessas barreiras à plena inclusão política das mulheres, são, portanto, constitucionalmente
legítimas as cotas fixadas em lei a fim de promover a participação política das mulheres.

Inconstitucionalidade dos limites de 5% a 15%: O estabelecimento de um piso de 5%


significa, na prática, que, na distribuição dos recursos públicos que a agremiação
partidária deve destinar às candidaturas, os homens poderão receber no máximo 95%.
De outro lado, caso se opte por fixar a distribuição máxima às candidaturas de mulheres,
poderão ser destinados do total de recursos do fundo 15%, hipótese em que os recursos
destinados às candidaturas masculinas será de 85%. Não existem justificativas para essa
diferenciação. Os partidos políticos, mesmo gozando de autonomia partidária, devem
respeitar os direitos fundamentais a partir da concepção da eficácia horizontal dos direitos
fundamentais. Assim, é preciso que, no âmbito dos partidos políticos, sejam asseguradas
medidas de igualdade material entre homens e mulheres. O fato de os recursos partidários
terem um caráter público reforça a obrigação de que sua distribuição não seja
discriminatória. Diante disso, esses limites são inconstitucionais. Os recursos destinados à
campanha eleitoral devem ser distribuídos na exata proporção das candidaturas de ambos
os sexos. Ex: se houver 40% de mulheres candidatas, 40% dos recursos devem ser
destinados a elas. Vale ressaltar, no entanto, que esse percentual é de, no mínimo, 30%,
considerando que o percentual de mulheres candidatas em cada partido é de, no mínimo,
30%. Assim, o STF decidiu:
Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei nº
13.165/2015, de modo a equiparar o patamar legal mínimo de
candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da Lei nº
9.504/97, isto é, ao menos 30% de cidadãs), ao mínimo de
recursos do Fundo Partidário a lhes serem destinados, que deve
ser interpretado como também de 30% do montante do Fundo
alocado a cada partido, para as eleições majoritárias e
proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de
candidaturas femininas, o mínimo de recursos globais do
partido destinados a campanhas lhe seja alocado na mesma
proporção.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
15/3/2018 (Info 894).

Vejamos agora especificamente o que decidiu o STF sobre a ADI.

Inconstitucionalidade da previsão de regra especial apenas para três eleições: A redação


do art. 9º previa que a regra de destinação de recursos partidários para as campanhas de
mulheres iria durar apenas por três eleições. O STF decidiu que isso é inconstitucional.
Como o STF afirmou que o percentual mínimo de recursos para as campanhas de
mulheres deveria seguir a mesma regra do art. 10, § 3º, da Lei 9.504/97 (no mínimo, 30%),
o Tribunal entendeu que não deveria haver a fixação de um prazo determinado, já que
essa regra de 30% também não tem um período certo. Assim, essa previsão mínima de
30% dos recursos para as campanhas de mulheres deverá perdurar enquanto existir a
regra do art. 10, § 3º. Desse modo, o STF decidiu:
Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, contida
no art. 9º da Lei nº 13.165/2015.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
15/3/2018 (Info 894).

§ 5º-A e § 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95: A Lei nº 13.165/2015 acrescentou o § 5º-A e o §


7º ao art. 44 da Lei nº 9.096/95:
Art. 44. Os recursos oriundos do Fundo Partidário serão
aplicados:
V - na criação e manutenção de programas de promoção e difusão
da participação política das mulheres, criados e mantidos pela
secretaria da mulher do respectivo partido político ou,
inexistindo a secretaria, pelo instituto ou fundação de pesquisa e
de doutrinação e educação política de que trata o inciso IV,
conforme percentual que será fixado pelo órgão nacional de
direção partidária, observado o mínimo de 5% (cinco por cento)
do total; (Redação dada pela Lei nº 13.165/2015)
(...)
§ 5º-A. A critério das agremiações partidárias, os recursos a que
se refere o inciso V poderão ser acumulados em diferentes
exercícios financeiros, mantidos em contas bancárias específicas,
para utilização futura em campanhas eleitorais de candidatas do
partido. (Incluído pela Lei nº 13.165/2015)
(...)
§ 7º A critério da secretaria da mulher ou, inexistindo a secretaria,
a critério da fundação de pesquisa e de doutrinação e educação
política, os recursos a que se refere o inciso V do caput poderão
ser acumulados em diferentes exercícios financeiros, mantidos
em contas bancárias específicas, para utilização futura em
campanhas eleitorais de candidatas do partido, não se aplicando,
neste caso, o disposto no § 5º. (Incluído pela Lei nº 13.165/2015)

Pelas mesmas razões acima expostas, o STF decidiu:


Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do § 5º-A e
do § 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
15/3/2018 (Info 894).

14. DEBATE ELEITORAL


14.1. Análise da constitucionalidade das novas regras sobre os debates eleitorais (art. 46
da Lei nº 9.504/93, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015) – (Info 836)

A Lei nº 13.165/2015 alterou a redação do art. 46 da Lei 9.504/97, que trata sobre os
debates eleitorais no rádio e TV.
Antes da Lei, as emissoras eram obrigadas a convidar todos os candidatos dos partidos
que tivessem representação na Câmara dos Deputados. Assim, se o candidato fizesse
parte de um partido político que tivesse, no mínimo, 1 Deputado Federal, ele deveria
ser obrigatoriamente convidado para o debate.
Agora, as emissoras são obrigadas a convidar todos os candidatos dos partidos que
tenham representação na Câmara superior a 9 Deputados. Desse modo, para que a
emissora seja obrigada a convidar o candidato, ele deve fazer parte de um partido
político que tenha, no mínimo, 10 Deputados Federais.
Foram propostas diversas ADIs contra esta alteração e o STF chegou a três importantes
conclusões, que podem ser assim resumidas:
I - É constitucional o art. 46 da Lei nº 9.504/97, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015,
que prevê que as emissoras de rádio e TV somente são obrigadas a convidar para
participar dos debates eleitorais os candidatos dos partidos que tenham representação
na Câmara superior a 9 Deputados Federais. Esta regra não viola os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade.
II - Os candidatos aptos não podem deliberar pela exclusão dos debates de candidatos
cuja participação seja facultativa, quando a emissora tenha optado por convidá-los.
III - As emissoras de rádio e TV possuem a faculdade de convidar outros candidatos
não enquadrados no critério do caput do art. 46, independentemente de concordância
dos candidatos aptos, mas esse convite deverá ser feito conforme critérios objetivos,
que atendam os princípios da imparcialidade e da isonomia e o direito à informação, a
ser regulamentado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
STF. Plenário. ADI 5423/DF e ADI 5491/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 24 e
25/8/16; ADI 5577 MC-Ref/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 24 e 25/8/16; ADI
5487/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
24 e 25/8/2016 (Info 836).
OBS: O direito de participação em debates eleitorais ― diferentemente da propaganda
eleitoral gratuita no rádio e na TV ― não tem assento constitucional e, por essa razão, pode
sofrer restrição maior, em razão do formato e do objetivo desse tipo de programação. Em
outras palavras, a CF/88 assegura aos partidos políticos a propaganda eleitoral gratuita
no rádio e TV (art. 17, § 3º). Logo, esse direito tem status constitucional e, por essa razão, o
legislador não pode impor critérios muito rígidos que excluam por completo os partidos
menores. Já no caso dos debates, a situação é diferente. Isso porque não existe nenhum
dispositivo constitucional que assegure a participação dos partidos. Dessa forma, o
legislador tem uma liberdade maior para impor restrições e, assim, permitir que as
emissoras de rádio e TV apenas convidem os partidos com maior representação política.

A emissora de rádio ou TV pode convidar para o debate candidatos que sejam filiados a
partidos políticos com menos de 10 Deputados Federais? Isso é permitido? SIM. O art. 46
da Lei nº 9.504/97 não proíbe que se convidem candidatos filiados a partidos com menos
de 10 Deputados Federais. O dispositivo legal apenas confere uma faculdade às emissoras,
ou seja, elas podem convidar se quiserem. Ex: em uma eleição para prefeito concorrem 5
candidatos: João (filiado a partido com 20 Deputados Federais), Hugo (partido com 15
Deputados), Pedro (partido com 10 Deputados), André (partido com 9 Deputados) e
Luciano (partido sem Deputados). A emissora de rádio da cidade quer realizar um debate.
Por lei, ela só está obrigada a convidar João, Hugo e Pedro. No entanto, nada impede que
ela chame também André e Luciano.

Imagine, no entanto, agora a seguinte situação: A emissora de rádio convidou os cinco


candidatos. O § 4º do art. 46 da Lei nº 9.504/97 determina que, antes de o debate acontecer,
a emissora deverá fazer uma reunião com os candidatos ou com os representantes dos
respectivos a fim de sejam definidas as regras do evento:

§ 4º O debate será realizado segundo as regras estabelecidas em


acordo celebrado entre os partidos políticos e a pessoa jurídica
interessada na realização do evento, dando-se ciência à Justiça
Eleitoral.

Suponhamos que a emissora de rádio convocou os quatro candidatos para a reunião. No


entanto, João e Pedro (que são filiados a partidos políticos com mais de 9 Deputados
Federais) afirmaram que não aceitam a participação dos outros dois candidatos que estão
em partidos com menos de 10 Deputados (André e Luciano). João e Pedro argumentaram
que eles representam 2/3 dos candidatos aptos (que preenchem o requisito de, no mínimo,
10 Deputados) e possuem o poder de impedir a participação dos demais candidatos
inaptos, com base no § 5º do art. 46. Veja o que diz esse dispositivo invocado:

§ 5º Para os debates que se realizarem no primeiro turno das


eleições, serão consideradas aprovadas as regras, inclusive as que
definam o número de participantes, que obtiverem a
concordância de pelo menos 2/3 (dois terços) dos candidatos
aptos, no caso de eleição majoritária, e de pelo menos 2/3 (dois
terços) dos partidos ou coligações com candidatos aptos, no caso
de eleição proporcional. (Redação dada pela Lei nº 13.165/2015)

Esse argumento está correto, segundo o STF? Os candidatos filiados a partidos com mais
de 9 Deputados Federais, com base no § 5º do art. 46 (chamados de "candidatos aptos"),
poderão impedir que a emissora convide os demais candidatos que não preenchem este
requisito ("candidatos inaptos")? Em nosso exemplo, João e Pedro (2/3 dos candidatos
aptos) poderão impedir que a emissora convide André e Luciano?
NÃO. O STF decidiu que os candidatos que têm participação assegurada no debate
eleitoral ("candidatos aptos"; em nosso exemplo, João e Pedro) não podem, durante a
reunião preparatória, decidir pela exclusão dos demais candidatos que, mesmo sem terem
mais de 9 Deputados Federais no partido, foram convidados pela emissora de rádio ou TV
para participarem do debate.

Mas o que significa, então, essa frase presente no § 5º: "serão consideradas aprovadas as
regras, inclusive as que definam o número de participantes, que obtiverem a concordância
de pelo menos 2/3 (dois terços) dos candidatos aptos, no caso de eleição majoritária"? O
STF conferiu interpretação conforme a Constituição ao § 5º do art. 46 e disse que essa frase
e o dispositivo todo devem ser interpretados da seguinte forma:
 A emissora pode convidar os candidatos que sejam filiados a partidos políticos
com menos de 10 Deputados Federais. Caso ela convide, os candidatos aptos
(filiados a partidos com 10 ou mais Deputados) não poderão se opor a esse convite.
O § 5º do art. 46 não confere esse poder aos candidatos aptos;
 Se a emissora decidir convidar apenas os candidatos filiados a partidos com mais
de 9 Deputados Federais, estes candidatos aptos poderão decidir, desde que exista
concordância de no mínimo 2/3 deles, que o debate deverá contar também com a
participação dos demais candidatos. Neste caso, a emissora, que anteriormente
havia convidado apenas os candidatos aptos, terá que aceitar;
 Desse modo, esta previsão de que os candidatos aptos (mínimo de 2/3) poderão
definir "o número de participantes" só vale caso eles queiram incluir os candidatos
inaptos e não convidados. Esta previsão não vale para impedir (vetar) que a
emissora convide os demais candidatos com menos de 10 Deputados Federais.

Ex1: emissora convidou os 5 candidatos; João e Pedro, mesmo representando 2/3 dos
candidatos aptos, não poderão impedir que a emissora convide André e Luciano.

Ex2: imagine que a emissora convidou apenas os três candidatos aptos; ocorre que João e
Pedro, em um gesto democrático, decidem que André e Luciano também deverão
participar do debate. A emissora terá duas opções: ou aceita o que foi decidido e convida
os dois que faltaram, ou então, desiste de realizar o debate.

O argumento para o STF foi o de que o § 5º do art. 46 regra deve ser interpretado no sentido
de dar maior densidade democrática ao processo eleitoral. Assim, essa deliberação de no
mínimo 2/3 dos candidatos aptos só deve valer para tornar o debate político mais plural
e não para restringi-lo.

As emissoras de rádio e TV poderão convidar os candidatos mesmo que eles sejam filiados
a partidos políticos com menos de 9 Deputados Federais; os candidatos aptos não
poderão se opor a isso. Ok, até aqui tudo bem. Mas vem agora uma última pergunta: as
emissoras poderá fazer esse convite livremente, ou seja, sem respeitar qualquer critério?
A emissora poderá, por exemplo, sem qualquer justificativa, convidar um dos candidatos
inaptos e deixar o outro de fora? NÃO. O STF afirmou que as emissoras, no momento de
fazer esse convite para os candidatos não enquadrados no caput do art. 46, deverão
respeitar critérios objetivos, a serem regulamentados pelo TSE, devendo esses critérios
respeitar os princípios da imparcialidade e da isonomia e o direito à informação.

15. CRIMES ELEITORAIS


15.1. Candidato que omite, na prestação de contas, recursos utilizados em sua campanha
eleitoral – (Info 903)

Candidato que omite, na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, recursos


utilizados em sua campanha eleitoral, pratica o crime do art. 350 do Código Eleitoral.
Vale ressaltar que o delito de falsidade ideológica é crime formal. Não exige, portanto,
o recolhimento do material não declarado.
Caso concreto: Paulo era candidato a Deputado Federal. A empresa de Paulo pagou R$
168 mil de materiais gráficos para a campanha, mas o candidato não declarou tais
despesas na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral.
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903).
OBS:
Imagine a seguinte situação: Paulo era candidato a Deputado Federal. A sociedade
empresária Eucatex, que tem Paulo como um dos sócios, pagou R$ 168 mil a uma empresa
de comunicação visual para que esta confeccionasse materiais gráficos para a campanha
de Paulo. Paulo não declarou essas despesas em sua prestação de contas apresentada à
Justiça Eleitoral.

Qual foi o crime cometido por Paulo? Falsidade ideológica para fins eleitorais, delito
previsto no art. 350 do Código Eleitoral:
Art. 350. Omitir, em documento público ou particular, declaração
que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração
falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais:
Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa,
se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento
de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular.

Uma das alegações da defesa foi a de que o material não declarado (material gráfico de
campanha) não foi recolhido e que, portanto, não haveria materialidade delitiva. Essa
tese foi acolhida pelo STF? NÃO. O delito de falsidade ideológica é crime formal. Não
exige, portanto, o recolhimento do material não declarado.

15.2. Candidato que recebe ordem para não entrar na repartição pública para pedir votos
não comete desobediência se ingressa no local para fiscalizar o adversário – (Info 826)

Não comete crime de desobediência eleitoral (art. 347 do Código Eleitoral) o candidato
que, proibido de ingressar em órgãos públicos com o intuito de realizar atos inerentes
à campanha eleitoral, adentra nos prédios da Administração Pública para filmar e
fotografar fiscalizando se o então Prefeito, seu adversário, estava praticando ilícitos
eleitorais.
STF. 2ª Turma. Inq 3909/SE, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 17/5/16 (Info 826).

15.3. Requisitos para a configuração do crime de desobediência eleitoral – (Info 781)

O juiz eleitoral de uma zona eleitoral do interior do Estado expediu um ofício-circular


proibindo que os candidatos fizessem carreatas em determinas ruas do Município.
Alguns dias depois, determinado candidato fez uma carreata no Município e passou
por algumas ruas que tinham sido proibidas. Diante disso, foi denunciado pela prática
do crime de desobediência eleitoral (art. 347 do Código Eleitoral). Houve a prática de
crime?
NÃO. Para configuração do crime de desobediência eleitoral é necessário que:
 a ordem descumprida tenha sido emitida de forma direta e individualizada; e
 que o agente (réu) tinha ciência da ordem tida por descumprida. A ordem foi
emitida de forma geral e não individualizada e, além disso não havia nenhum
outro indício de que o agente tinha ciência da proibição.
STF. 2ª Turma. AP 904/RO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 14/4/2015 (Info 781).

15.4. “Dolo específico” no crime de corrupção eleitoral (art. 299 do CE) – (Info 742)

O delito do art. 299 do CE, exige “dolo específico” (elemento subjetivo especial).
No caso da corrupção eleitoral ativa, esse “dolo específico” é a intenção do agente de
obter voto ou conseguir abstenção.
Na corrupção eleitoral passiva, a finalidade específica do sujeito é a de dar seu voto ou
prometer abstenção.
STF. Plenário. Inq 3693/PA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/4/2014 (Info 742).

16. FINANCIAMENTO DE CAMPANHA ELEITORAL


16.1. Inconstitucionalidade da norma que permitia doações anônimas a candidatos –
(Info 895)

A parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97 prevê a possibilidade de “doações


ocultas” de pessoas físicas a candidatos, ou seja, sem que os nomes dos doadores
fiquem registrados na prestação de contas. Veja: "§ 12. Os valores transferidos pelos
partidos políticos oriundos de doações serão registrados na prestação de contas dos
candidatos como transferência dos partidos e, na prestação de contas dos partidos, como
transferência aos candidatos, sem individualização dos doadores." (Incluído pela Lei
nº 13.165/2015)
O STF julgou inconstitucional a expressão “sem individualização dos doadores”,
constante da parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97, acrescentado pela Lei
13.165/2015.
Essa parte final do dispositivo suprime a transparência do processo eleitoral, frustra o
exercício da fiscalização pela Justiça Eleitoral e impede que o eleitor exerça, com pleno
esclarecimento, seu direito de escolha dos representantes políticos. Isso viola os
princípios republicano e democrático (art. 1º, da CF/88), além de representar afronta aos
postulados da moralidade e da transparência.
STF. Plenário. ADI 5394/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 22/3/18 (Info 895).
OBS:
Doações ocultas: O art. 28, § 12 da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições) prevê a possibilidade de
"doações ocultas" de pessoas físicas a candidatos, ou seja, sem que os nomes dos doadores
fiquem registrados na prestação de contas. Veja:
§ 12. Os valores transferidos pelos partidos políticos oriundos de
doações serão registrados na prestação de contas dos candidatos
como transferência dos partidos e, na prestação de contas dos
partidos, como transferência aos candidatos, sem
individualização dos doadores. (Incluído pela Lei nº
13.165/2015)

ADI: O Conselho Federal da OAB ajuizou ADI contra esse dispositivo, que foi incluído
pela Lei nº 13.165/2015. A entidade argumentou que o dispositivo é inconstitucional,
pois permite que doações feitas a partidos possam ser repassadas a candidatos sem a
demonstração da origem dos recursos, o que violaria o princípio da transparência e o
princípio da moralidade, além de favorecer a corrupção, dificultando o rastreamento
das doações eleitorais. Segundo a petição inicial, doações ocultas são aquelas em que não
é possível identificar o vínculo entre doadores e candidatos. Nesse modelo, a pessoa
física doa dinheiro para o partido, que repassa ao candidato, sem que o processo seja
transparente. A possibilidade de “doações ocultas” de pessoas físicas a candidatos pode
sustentar relações pouco republicanas entre os políticos e seus financiadores. A ausência
de transparência impede a identificação dos interesses por trás da atuação do candidato,
dificultando eventuais investigações e impedindo que o eleitor decida de modo
informado. É preciso que o eleitor saiba quem financia seus candidatos, compreendendo
todo o caminho do dinheiro nas campanhas eleitorais.

O STF concordou com a ADI? O dispositivo impugnado viola a Constituição Federal?


SIM.

Vamos entender.

Princípios republicano e democrático: O princípio republicano proíbe que haja situações


ocultas no que se refere ao funcionamento da máquina estatal. Especificamente sob o
prisma do processo eleitoral, a divulgação dos nomes dos doadores de campanha e dos
respectivos destinatários permite uma fiscalização mais eficaz da lisura das eleições. O
cidadão tem direito à plena informação sobre a origem dos recursos utilizados nas
campanhas eleitorais. O anonimato, o sigilo e a confidencialidade são práticas
incompatíveis com os princípios democrático e republicano.

Transparência das doações: É necessário que haja um efetivo sistema de controle dos
recursos arrecadados por partidos e candidatos. Para isso, é indispensável que haja
transparência nas contas eleitorais. A transparência das doações serve para se verificar a
ocorrência de eventual vício que macule a atuação do próprio candidato eleito, pois será
possível analisar a existência de relações não republicanas entre os doadores e o agora
detentor de cargo público.

O aprimoramento da democracia representativa exige que o financiamento eleitoral tenha


como base a transparência de seus métodos e protocolos de atuação, para se garantir a
legitimidade do processo político. Daí a essencialidade de se estabelecer um sistema eficaz
de controle destinado a conferir visibilidade às doações eleitorais, tornando-as
transparentes e acessíveis ao conhecimento geral dos cidadãos.

Sem as informações necessárias, entre elas a identificação dos particulares que


contribuíram originariamente para os partidos e candidatos, o processo de prestação de
contas perdea sua capacidade de documentar a real movimentação financeira, os
dispêndios e os recursos aplicados nas campanhas eleitorais, impedindo a fiscalização por
parte da Justiça Eleitoral e o controle pelos eleitores. As informações sobre as doações de
particulares a candidatos e a partidos não interessam apenas à Justiça Eleitoral, mas à
sociedade como um todo.

Além disso, a identificação dos particulares que fizeram doações eleitorais é informação
essencial para que se possa constatar se as doações provêm de fontes lícitas e se respeitam
os limites máximos de valor previstos no art. 23 da Lei 9.504/97.

Art. 17, III, da CF/88: O caráter oculto das doações eleitorais viola o art. 17, III, da CF/88,
que prevê o seguinte:
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de
partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime
democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da
pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
(...)
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;

É imprescindível a individualização dos doadores tanto na prestação de contas dos


partidos quanto na dos candidatos, como exigência de transparência e efetividade da
própria prestação de contas.

Resolução TSE e “reação legislativa”: Vale ressaltar que, antes da inclusão do § 12 ao art.
28 da Lei 9.504/97, o TSE já havia editado uma Resolução (TSE 23.406/14) exigindo a
identificação dos doadores de forma individualizada, com fundamento na Lei nº
12.527/2011 (Lei do Acesso à Informação). Desse modo, a inovação legislativa promovida
pela Lei 13.165/2015, permitindo a “doação oculta”, teve o nítido propósito de contrariar
(superar) a Resolução do TSE.

Confirmação da liminar: Importante esclarecer que esse dispositivo já não estava sendo
aplicado desde 12/11/2015, quando o STF deferiu medida cautelar na ADI para
suspender a eficácia da expressão “sem individualização dos doadores”, presente na parte
final do § 12 do art. 28. Assim, a presente decisão confirma essa liminar, julgando, em
definitivo, o dispositivo como inconstitucional.
16.2. Inconstitucionalidade da norma que permitia doações anônimas a candidatos
(Info 807).

A parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97 prevê a possibilidade de "doações


ocultas" de pessoas físicas a candidatos, ou seja, sem que os nomes dos doadores
fiquem registrados na prestação de contas. Veja: "§ 12. Os valores transferidos pelos
partidos políticos oriundos de doações serão registrados na prestação de contas dos
candidatos como transferência dos partidos e, na prestação de contas dos partidos, como
transferência aos candidatos, sem individualização dos doadores." (Incluído pela Lei
nº 13.165/2015)
O Plenário deferiu pedido de medida cautelar na ADI para suspender, até o julgamento
final da ação, a eficácia da expressão “sem individualização dos doadores”, constante
desse dispositivo.
Para o STF, essa expressão suprime a transparência do processo eleitoral, frustra o
exercício da fiscalização pela Justiça Eleitoral e impede que o eleitor exerça, com pleno
esclarecimento, seu direito de escolha dos representantes políticos. Isso atenta contra a
arquitetura republicana e a inspiração democrática que a Constituição Federal imprime
ao Estado brasileiro.
STF. Plenário. ADI 5394 MC/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 12/11/15 (Info 807).

16.3. Inconstitucionalidade das doações eleitorais feitas por pessoas jurídicas – (Info
799) – IMPORTANTE!!!

As contribuições de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais e partidos políticos


são inconstitucionais.
As contribuições de pessoas físicas são válidas e regulam-se de acordo com a lei em
vigor.
STF. Plenário. ADI 4650/DF, Rel. Min. Luiz Fux, j. 16 e 17/9/2015 (Info 799).

17. JULGAMENTO DE CONTAS DOS PREFEITOS


17.1. Competência para julgamento das contas dos Prefeitos e sua repercussão na
inelegibilidade – (Info 834) – (Anal. Judic/TJAL-2018)

Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação
das contas de Prefeito, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas
Câmaras Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer
prévio somente deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores.
STF. Plenário. RE 848826/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min.
Ricardo Lewandowski, j. 10/8/2016 (repercussão geral) (Info 834).

Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa,
competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais
do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por
decurso de prazo.
STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 10/8/2016 (repercussão geral)
(Info 834).

(Anal. Judic./TJAl-2018-FGV): O Prefeito do Município Alfa apresentou suas contas


anuais de gestão ao Tribunal de Contas competente, o qual veio a rejeitá-las por
unanimidade. Irresignado, o Prefeito procurou um advogado e solicitou informações
a respeito da correção procedimental da atuação do Tribunal de Contas. Com amplo
embasamento na sistemática constitucional, o advogado esclareceu ao Prefeito
Municipal, corretamente, que o Tribunal de Contas está errado, pois apenas lhe
competiria emitir parecer prévio a respeito das contas do Prefeito, de governo ou de
gestão. BL: art. 31, §2º, CF/88 e Info 834 do STF (Obs.: Infos de Eleitoral).

OBS:
COMPETÊNCIA PARA JULGAR AS CONTAS DOS PREFEITOS
Lei da Ficha Limpa: A LC 64/90, alterada pela LC 135/10 (Lei da Ficha Limpa), prevê que
os administradores que ocuparam cargos ou funções públicas e tiveram suas contas
rejeitadas pelo "órgão competente" ficam inelegíveis pelo período de 8 anos. Veja:
Art. 1º São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
(...)
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou
funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que
configure ato doloso de improbidade administrativa, e por
decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver
sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições
que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir
da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71
da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem
exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição;

A Câmara Municipal é o órgão competente para julgar as contas de natureza política e de


gestão. Essa é a interpretação que se extrai do art. 31, § 2º da CF/88:
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder
Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos
sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na
forma da lei.
(...)
§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as
contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de
prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara
Municipal.

A Constituição conferiu ao Poder Legislativo a função de controle e fiscalização das contas


do chefe do Poder Executivo. Esta é uma função típica do Legislativo, ao lado da função
legiferante. Isso se deve ao fato de que cabe a um Poder fiscalizar o outro.

Esta fiscalização se desenvolve por meio de um processo político-administrativo, que se


inicia no Tribunal de Contas, que faz uma apreciação técnica das contas e emite um
parecer. No entanto, a decisão final cabe ao Poder Legislativo.

A Câmara dos Vereadores representa a soberania popular e os contribuintes e, por isso,


tem a legitimidade para este exame. Vale ressaltar que a Câmara Municipal tem, inclusive,
poder de verificar a ocorrência de crimes de responsabilidade praticados pelo Prefeito,
inclusive quanto à malversação do dinheiro público, nos termos do Decreto-lei 201/1967.

18. RECURSO CONTRA A EXPEDIÇÃO DE DIPLOMA


18.1. Compete ao TSE julgar RCED envolvendo Presidente ou Vice-Presidente da
República – (Info 893) – IMPORTANTE!!!

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o órgão competente para julgar os Recursos


Contra Expedição de Diploma (RCED) nas eleições presidenciais e gerais (federais e
estaduais).
STF. Plenário. ADPF 167/DF, Rel. Min. Luiz Fux, j. 7/3/18 (Info 893).
OBS:
Diplomação: Depois que as eleições são realizadas e que são apurados os votos e os eleitos,
ocorre um ato na Justiça Eleitoral chamado de “diplomação”. A diplomação é o ato pelo
qual a Justiça Eleitoral atesta quem são os candidatos eleitos e os respectivos suplentes.
A diplomação constitui ato decisório do tribunal, ainda que de natureza administrativa.
A expedição do diploma ocorre apenas após a análise dos requisitos para sua concessão
ao candidato, bem como ante a verificação da lisura do pleito. Os eleitos e suplentes
recebem, efetivamente, um diploma entregue em um ato solene realizado pela Justiça
Eleitoral. Assim determina o Código Eleitoral:
Art. 215. Os candidatos eleitos, assim como os suplentes,
receberão diploma assinado pelo Presidente do Tribunal
Regional ou da Junta Eleitoral, conforme o caso.
Parágrafo único. Do diploma deverá constar o nome do
candidato, a indicação da legenda sob a qual concorreu, o cargo
para o qual foi eleito ou a sua classificação como suplente, e,
facultativamente, outros dados a critério do juiz ou do Tribunal.

A diplomação é considerada como a última fase do processo eleitoral.

De quem é a competência para realizar o ato de diplomação?


• Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores: são diplomados pela Junta Eleitoral (Juiz
Eleitoral).
• Governador, Vice-Governador, Senadores, Deputados Federais e Estaduais:
diplomados pelo TRE.
• Presidente da República e Vice-Presidente da República: diplomados pelo TSE.

Os diplomas são assinados pelo Juiz Eleitoral, pelo Presidente do TER ou pelo Presidente
do TSE, a depender do caso concreto.

Recurso contra a diplomação (RCED): Mesmo depois da diplomação, é possível que esse
ato seja impugnado por meio de um instrumento processual chamado “recurso contra a
expedição do diploma”, estando previsto no art. 262 do Código Eleitoral nos seguintes
termos:
Art. 262. O recurso contra expedição de diploma caberá somente
nos casos de inelegibilidade superveniente ou de natureza
constitucional e de falta de condição de elegibilidade.

Por meio do RCED, objetiva-se a cassação ou denegação do diploma em caso de:


a) inelegibilidade de cunho infraconstitucional superveniente
ao requerimento de registro da candidatura;
b) inelegibilidade de natureza constitucional ou
c) ausência de condições de elegibilidade.

Natureza jurídica de “ação”: Apesar do nome, o recurso contra a expedição de diploma


não tem natureza jurídica de “recurso”, sendo uma ação autônoma. Logo, o instrumento
previsto no art. 262 do Código Eleitoral consiste em uma ação proposta contra o ato de
diplomação da Justiça Eleitoral. Esse nome existe porque o RCED foi originariamente
concebido para ser um “recurso administrativo”, mas com o passar do tempo e com a
evolução jurisprudencial, entendeu-se que se trata na verdade de uma ação autônoma,
dando origem a um processo de cunho jurisdicional.

Legitimidade ativa. Quem pode propor o RCED? Podem propor RCED:


a) os candidatos;
b) os partidos políticos;
c) as coligações;
d) o Ministério Público eleitoral.
Legitimidade passiva. Contra quem é proposto o RCED? Contra o candidato eleito
diplomado e que possui algum dos vícios previstos no art. 262 do CE. Além disso,
deverão também figurar na lide, como litisconsortes passivos necessários:
• o vice (no caso de eleições para a chefia do Poder Executivo);
• o suplente (no caso de eleições para Senador) e

O partido político não precisa figurar no polo passivo.

Prazo: O RCED deve ser proposto no prazo de 3 dias, contados a partir da data da sessão
de diplomação (art. 258 do CE).

Procedimento:
1) Legitimado ativo apresenta o RCED por meio de petição subscrita por advogado.
2) Recebida a petição, o Juiz Eleitoral (no caso de RCED proposto na Junta Eleitoral) ou o
Relator do TRE sorteado (no caso de RCED proposto no TRE) mandará intimar o
“recorrido” para ciência do “recurso”, dando vista dos autos a fim de, no prazo de 3 dias,
possa oferecer razões, acompanhadas ou não de novos documentos.
3) Se o recorrido juntar novos documentos, terá o recorrente vista dos autos por 48 horas
para se manifestar sobre eles.
4) O juiz eleitoral, dentro de 48 horas, fará subir os autos ao Tribunal Regional com a sua
resposta e os documentos em que se fundar.

Competência:
• Se o RCED for contra a diplomação de Prefeito, Vice-Prefeito ou Vereador (eleições
municipais): a competência para julgar será do TRE.
• Se o RCED for contra a diplomação de Governador, Vice-Governador, Senador,
Deputado Federal, Deputado Estadual/Distrital (eleições gerais federais e estaduais): a
competência para julgar será do TSE.

Vale aqui explicar uma peculiaridade: o RCED é sempre interposto na instância


“inferior” a que irá julgá-lo. Ex: um RCED proposto contra a diplomação de um Prefeito
é ajuizado na Junta Eleitoral e, depois que o Juiz Eleitoral dá vista dos autos para a parte
recorrida, ele remete os autos ao TRE para julgamento. De igual forma, se for proposto um
RCED contra diplomação de Governador, isso é ajuizado no TRE, mas depois será
remetido para julgamento pelo TSE.

E no caso de RCED proposto contra diplomação de Presidente ou Vice-Presidente da


República? De quem será a competência para julgar RCED em eleições presidenciais? O
TSE. É o que foi veiculado no Info 893 do STF.

O sistema estabelecido pelo Código Eleitoral prevê que o julgamento do RCED será feito
pelo órgão jurisdicional hierarquicamente superior àquele que concedeu a diplomação. A
exceção fica por conta da diplomação para Presidente e Vice-Presidente da República.
Isso porque o Presidente e o Vice são diplomados pelo TSE e é o próprio TSE que julga
eventual RCED proposto questionando esse ato.