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Seleção da

Vida dos Santos


I
Janeiro — Fevereiro
Bispo Alexandre Mileant

Traduzido por Tatiana Zyromsky

Índice:

A Veneração ortodoxa dos Santos.

Janeiro.

São Basílio Grande. Santa Mártir Tatiana. Santa Nina, Igual-aos-Apóstolos,


Missionária da Georgia. Santa Mártir Leonilla. Santo Antônio Grande. Mártires
Inna, Pinna e Rimma. São Máximo Confessor. São Guennadi. Santa Xenia
Romana. Bem-aventurada Xenia de São Petersburgo. São Gregório Teólogo.
São João Crisóstomo. São Nikita, Arcebispo de Novgorod.

Fevereiro.

São Simeão Justo e Santa Profetisa Ana. Grão Mártir Teodoro Stratilatos. As
Mártires Valentina, Paula e Ennafa. São Vsevolod. Santo Alexis, Metropolita de
Moscou. Santos Martiniano, Zoia e Svetlana (Fotinia). Grão Mártir Teodoro
Tiron. São Leo, Papa de Roma. Santas Mulheres Marina e Cira.

Dia Onomásticos dos Santos por ordem alfabética.


A Veneração ortodoxa dos Santos.
Por ocasião do batismo recebemos o nome em homenagem a um santo, o qual desde
aquele momento se torna o nosso protetor, patrono celestial. Cada cristão ortodoxo deve
conhecer a vida do seu protetor celestial e em suas orações pedir o seu auxílio e
orientação. Nossos antepassados, na sua devoção, honravam o dia do seu santo — "o dia
do seu anjo" — com a Santa Comunhão e este dia foi mais festejado do que o dia do seu
nascimento.

Qual o sentido da veneração ortodoxa dos santos ? Será que os santos no Céu conhecem
as nossas necessidades e nossas dificuldades, e será que eles se interessam por isto ?
Será que eles ouvem as nossas preces e procuram nos ajudar ? Será que é bom pedir a
ajuda dos santos, ou será que é suficiente somente orar a Deus ? As seitas, que perderam
a tradição apostólica, não compreendem a essência e o objetivo da Igreja de Cristo e por
isso negam a necessidade de orações aos santos no Céu. Resumiremos aqui o
ensinamento Ortodoxo sobre este assunto.

A veneração ortodoxa dos santos é baseada na convicção de que todos nos, que estamos
tentando nos salvar e os que já se salvaram, vivos e mortos, constituem uma única
família de Divina. A igreja é uma grande sociedade, que abrange todo o mundo visível
e invisível. Ela é uma organização enorme, mundial, constituída sobre os princípios de
amor, onde cada um deve cuidar não só de si, mas também do bem-estar e da salvação
de outras pessoas. Os santos são aquelas pessoas, que durante a vida demonstraram mais
amor para com os próximos.

Nos, ortodoxos, cremos, que quando uma pessoa justa morre, ela não rompe a sua
ligação com a Igreja, mas passa para a sua esfera mais alta, celestial — para a Igreja
triunfante. No mundo espiritual a alma da pessoa não deixa de pensar, querer, sentir.
Pelo contrário, estas qualidades se abrem ainda mais amplamente e com uma maior
perfeição.

Os cristãos modernos, não ortodoxos, que perderam a sua ligação viva com a Igreja
Celestial-terrestre, têm as mais vagas e confusas idéias sobre a vida após a morte.
Alguns deles acham, que depois da morte a alma do homem adormece e se desliga de
tudo; outros — que a alma do homem, mesmo continuando a sua atividade depois da
morte, não se interessa mais pelo mundo, do qual saiu. Outros ainda acham, que em
princípio não se deve orar aos santos, pois o cristão tem uma relação direta com Deus.

Mas qual é o ensinamento das Escrituras Sagradas a respeito dos justos, que deixaram o
mundo terrestre, e qual a força de suas preces? Nos tempos dos apóstolos a Igreja era
compreendida como uma só família, Celestial-terrestre. O apóstolo Paulo escrevia aos
neófitas: "Aproximastes-vos do Monte Sião e de Jerusalém celeste, cidade de Deus vivo
e de milhares e milhares de anjos, reunião festiva, e assembléia dos primogênitos, cujos
nomes estão inscritos nos Céus, onde Deus é Juiz de todos e as almas dos justos estão
já na posse da perfeição" (Hebreus 12:22-23). Por outras palavras, vós, que se
converteram para o cristianismo, entraram para uma grande família, recebendo uma
ligação íntima com o mundo celestial e com aqueles, que lá se encontram. As palavras
finais do apóstolo Pedro aos cristão da Ásia Menor — "Envidarei, portanto, todos os
meus esforços para que, depois da minha partida, vós recordeis disto" (2 Pedro, 1:15)
— testemunham claramente que ele promete se preocupar com eles também depois, do
mundo espiritual.

O antigo hábito de pedir ajuda aos santos mártires e santos justos é baseado na
consciência de um contato estreito e vivo com a Igreja Celestial-terrestre e na fé em
força das preces dos santos.

Sabemos, que nem todos os homens, mas somente aqueles mais diligentes e justos eram
chamados por Deus de Seus amigos e somente estes receberam os dons do Espírito
Santo e dons de fazer milagres. Assim, Cristo, durante a Ultima Ceia, disse aos
apóstolos: "Vós sois Meus amigos! ... Pois, quem fizer a vontade de Deus, esse é Meu
irmão, e irmã, e mãe" (João 15:14-15; Mateus 12:50). A historia sagrada nos dá muitos
exemplos da proximidade espiritual, de "ousadia" dos santos nos seus pedidos a Deus.
Assim, por exemplo, Abraão pediu que Deus tenha piedade dos moradores de Sodoma e
Gomorrha, e Deus se prontificou a cumprir o pedido dele, se entre os moradores tivesse
pelo menos 10 homens justos. Outra vez, Deus desviou o castigo de Abimelec, rei de
Gerar, atendendo ao pedido de Abraão (Gênese, cap. 18, Gênese, cap. 20). A Bíblia nos
conta, que Deus conversou com Moisés pessoalmente, "como uma pessoa que conversa
com o seu amigo." Quando Mariam, a irmã de Moisés, pecou e foi castigada pela lepra,
Moisés suplicou a Deus e obteve lhe o perdão (Êxodo 33:11; Números cap. 12).
Podemos relatar também outros exemplos sobre a força extraordinária das preces dos
santos.

Os santos não ofuscam Deus e não diminuem a necessidade de nossas preces à Ele,
como o nosso Pai Celestial. Assim, os adultos numa família não diminuem a autoridade
dos pais, quando se preocupam com as crianças junto com eles. Podemos dizer até mais:
nada alegra tanto os pais como a preocupação dos irmãos mais velhos com as crianças.
Assim também o nosso Pai Celestial se alegra ouvindo as preces dos santos e vendo o
empenho deles em nos ajudar. Os santos têm uma fé maior que nos e ficam perto de
Deus porque são justos. Portanto vamos rezar a eles como se eles fossem nossos irmãos
mais velhos que estão diante do trono de Deus.

É bom saber, que os justos, ainda aqui na terra, viam e sabiam muita coisa daquilo,
que é desconhecido por um homem simples. Assim, muito mais, eles devem ter estes
dons agora, quando passaram da vida terrestre para o mundo celestial. Por exemplo, o
apóstolo Pedro viu, o que acontecia com a alma de Ananias; Eliseu ficou sabendo sobre
o pecado do servo Giezi, e o que é ainda mais admirável, soube de todas as intenções da
corte síria, as quais ele depois revelou ao rei de Israel. Muitos santos, ainda aqui na
terra, penetraram em espírito no mundo Celestial, uns viram muitos anjos, outros eram
dignos até ver Deus (Isaías, Ezequiel), outros eram elevados até o terceiro Céu, onde
ouviram misteriosas vozes, como por exemplo, o apóstolo Paulo. Assim, tanto mais, por
estarem no Céu eles têm a faculdade de saber tudo aquilo que se passa na terra e podem
ouvir as súplicas daqueles que os pedem, pois os santos no Céu "são iguais aos anjos"
(Atos 5:3; 4 Reis cap. 4; 4 Reis 6:12; Lucas 20:36). Da parábola de Cristo sobre o rico e
o Lázaro sabemos, que Abraão, estando no Céu, podia ouvir as lamentações do rico,
sofrendo no inferno, não obstante o "grande precipício" que os dividia. As palavras de
Abraão: os teus irmãos têm Moisés e profetas, então que os obedeçam, — demonstram
claramente que Abraão conhece o que acontece na vida dos israelitas mesmo após a sua
morte, que conhece Moisés e seus mandamentos, os profetas e suas escrituras. A visão
espiritual dos justos lá no Céu é, sem dúvida, muito maior do que era na terra. O
apóstolo diz: "Agora vemos por espelho, de maneira confusa, mas então será face a
face. Agora conheço de modo imperfeito, mas então conhecerei como sou conhecido" (1
Coríntios 13:12).

A proximidade dos santos do Trono de Deus e a força de suas preces pelos fieis, que
estão na terra, é mostrada no livro do Apocalipse, onde o apóstolo João diz: "Na minha
visão ouvi também, ao redor do trono, ao redor dos seres vivos e dos anciãos, a voz de
muitos anjos — miríades de miríades e milhares de milhares." Depois ele descreve a
visão dos justos, no Céu rezando por homens, que estão na penúria na terra: "E
adiantou-se um outro anjo, e pôs-se diante do altar, segurando um turíbulo de ouro.
Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os
santos no altar de ouro, que está diante do trono. E a fumaça dos perfumes subiu da
mão do anjo, com as orações dos santos, diante de Deus" (Apocalipse 5:11; 8:3-4).

Grande é a força de oração: "Confessai-vos, pois, mutuamente os vossos pecados para


alcançar a saúde. É de grande poder a oração eficaz do justo" ensinava o apóstolo
Tiago (Tiago 5:16). A oração pelo outro é a expressão do amor; e os santos no Céu,
orando por nos, demonstram o seu amor fraternal e sua preocupação conosco.

Tanto no Evangelho, como em outros livros do Novo Testamento achamos muitos


exemplos que testemunham a força da oração por outras pessoas. Assim, por exemplo, a
pedido de um cortesão, o Senhor curou o seu filho; a pedido de uma mulher, a filha dela
foi libertada do demônio; a pedido de um pai, Senhor expulsou o demônio do filho dele;
e a pedido dos amigos, perdoou e curou um paralítico, a quem os amigos dele desceram
do telhado; a pedido de um centurião romano um servo deste foi curado (João 4:46-53;
Mateus 15:21-23; Marcos 9:17-25; Marcos 2:2-25; Mateus 8:5-13). E a maior parte das
curas milagrosas foi efetuada pelo Senhor à distancia.

Assim, se as orações de pessoas simples tiveram tanta força, quanto mais poderosas são
as orações dos justos que estão diante do trono de Deus. "Esta é a confiança que temos
Nele: se pedirmos alguma coisa conforme a Sua vontade, Ele nos ouve" (1 João 5:14).

Eis porque a Igreja, desde os tempos mais remotos, sempre mantinha o ensinamento
sobre o proveito das orações aos santos. Por exemplo, isto está presente nas liturgias
antigas e outros legados. Em liturgia do apóstolo Tiago lemos: "Principalmente
lembremo-nos da Santíssima e Gloriosa Sempre Virgem, Mãe de Deus. Senhor, lembre-
Te Dela e pelas santas orações Dela tenha piedade de nós." São Cirilo de Jerusalém,
explicando a liturgia da Igreja de Jerusalém, diz: na Liturgia, nos invocamos também os
que já morreram, em primeiro lugar — os patriarcas, os profetas, os apóstolos, os
mártires, para que, pelas suas orações, Deus aceite os nossos pedidos também.

Muitos padres e doutores da Igreja, principalmente a partir do século IV, atestam a


necessidade de venerar os santos. Mas já no começo do século II temos indicação direta,
nas escrituras daquela época, da fé em orações dos santos no Céu por seus irmãos na
terra. Os testemunhas do sofrimento e da morte do santo Inácio Teóforo (começo do
século II) dizem: "Quando voltamos em lágrimas para casa, fizemos vesperal ... Depois,
dormimos um pouco e alguns de nós viram o bem-aventurado Inácio, que se levantou,
nos abraçou e também alguns de nos viram como ele rezou por nós." Existem muitas
anotações parecidas sobre as orações e pedidos por nós aos santos mártires,
principalmente da época das perseguições dos cristãos.
A convicção na santidade de uma pessoa falecida é atestada por vários fatores, por
exemplo: sofrimento pelo Cristo, a confissão intrépida da fé, o trabalho abnegado para a
Igreja, o dom de cura. Principalmente, Nosso Senhor nos demonstra a santidade de uma
pessoa por milagres após a morte dela, quando em nossas orações invocamos tal pessoa.

Além de uma ajuda pela oração, os santos nos ajudam a alcançar a salvação também
com o exemplo de suas vidas. O cristão fica muito enriquecido quando lê as vidas dos
santos e vê, como eles conseguiram incorporar o Evangelho em suas vidas. Aqui temos
tantos exemplos de uma fé viva, de coragem, de paciência. Os santos eram pessoas
iguais à nos, mas eles venceram as mais difíceis tentações e nos encorajam a seguir o
nosso caminho com paciência e sem resmungar.

O apóstolo Tiago conclamava os cristãos a imitar a paciência dos profetas antigos e do


Jó, que sofreu muito, para alcançar uma fé tão firme como a do profeta Elias. O
apóstolo Pedro ensinava as mulheres serem tão modestas como a justa Sara, esposa do
Abraão. Santo Apóstolo Paulo nos dá exemplos de ascese dos antigos justos, a começar
pelo Abel e terminando com os mártires Macabeus e conclama os cristãos a seguirem
estes exemplos. Terminando os seus ensinamentos, ele diz: "Portanto nós, rodeados que
estamos de tal nuvem de exemplos, livres de todo obstáculo e do pecado que nos seduz
tão facilmente, enfrentemos, com a arma da paciência, o combate que se nos apresenta"
(Tiago cap. 5: 1 Pedro 3:6; Hebreus 12:1).

O Senhor disse: "Nem se acende uma candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas
encima do candelabro, onde brilha para os que estão em casa. Assim brilhe vossa luz
diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem a vosso Pai que
está nos Céus" (Mateus 5:15-16). Os santos são estrelas brilhantes, que nos mostram o
caminho para o Reino de Deus.

Vamos valorizar a proximidade a Deus dos nossos santos e vamos invoca-los, pedindo a
sua ajuda e lembrando-nos, que eles nos amam e se preocupam com a nossa salvação.
Nos dias de hoje é importantíssimo conhecer a vida dos santos, pois em geral, entre os
"cristãos" de hoje, a compreensão dos ideais cristãos ficou muito deturpada.

*** *** ***

Nos seis livros queremos apresentar aos nossos leitores a vida daqueles santos, cujos
nomes são mais comuns no batismo de nossos filhos . As vidas dos santos serão
apresentadas por ordem cronológica durante o ano todo. Cada livro se refere a dois
meses.

É costume ligar o nome do santo à categoria a que ele pertence. Assim, por exemplo, os
patriarcas e antepassados ("praotsy") são santos do velho testamento, antepassados
por parte da Virgem Maria do Nosso Senhor Jesus Cristo. Entre eles, podemos
mencionar Noé, Abraão, Isaac, Jacó e outros.

Os profetas são pessoas escolhidas por Deus, principalmente no Velho Testamento,


cuja missão consistia em anunciar aos povos a vontade de Deus. Eles predisseram a
vinda do Cristo-Messias e muitos acontecimentos importantes na vida do povo eleito.
Entre estes profetas, podemos mencionar principalmente Elias, Eliseu, Isaías, Daniel.
São João Batista foi o último profeta do Antigo Testamento.
Os apóstolos são os discípulos mais próximos de Cristo, que foram enviados por Ele a
diversos países para a divulgação da fé cristã. São doze os principais apóstolos e entre
eles os mais conhecidos são o apóstolo Pedro, o apóstolo André o Primeiro Chamado, o
apóstolo João Teólogo. Também outros pregadores do Evangelho, dos 70 outros
discípulos são chamados de apóstolos: entre eles temos os apóstolos Marcos e Lucas.
Também são Paulo é denominado de apóstolo, apesar de que foi chamado mais tarde
pelo próprio Senhor — já depois da descida do Espírito Santo nos apóstolos. Os quatro
apóstolos, que escreveram os Evangelhos, são denominados ainda de Evangelistas:
Mateus, Marcos, Lucas e João.

Os discípulos mais próximos dos apóstolos, que nos legaram muitas escrituras, se
chamam de homens apostólicos; entre eles, temos: Inácio Teóforo, Policarpo de
Esmirna, Irineu de Lion. Suas cartas são muito valiosas pois nos atestam como era a
vida dos cristãos no primeiro e segundo séculos.

Desde os primeiros séculos de cristianismo temos uma fileira ininterrupta de santos,


chamados de padres e doutores da Igreja. Os padres da Igreja são aqueles escritores
religiosos, que se destacaram pela santidade de sua vida e cujos ensinamentos são
especialmente valiosos. Os escritores religiosos, não canonizados, são chamados de
doutores da Igreja. Em seus trabalhos os padres e os doutores nos preservaram os
ensinamentos apostólicos e explicaram os ensinamentos sobre a fé e sobre uma vida
piedosa; nos tempos difíceis de lutas com os hereges e pseudo-doutores eles eram
defensores da pureza da fé cristã.

O século IV era o mais famoso, pois então apareceram os grandes doutores, defensores
da fé na época, quando o mundo cristão foi sacudido por muito tempo pela heresia de
Aria. No século IV viveram os seguintes santos: Afanasio Grande, Basílio Grande,
Gregório Teólogo e João Crisóstomo. Mais tarde viveram os seguintes santos: Gregório
Palama, Marcos de Efessos e outros.

Os santos, que prestaram grandes serviços à Igreja na divulgação e fortalecimento da fé


cristã se chamam de iguais-aos-apóstolos; entre eles devemos mencionar a mirrófora
Maria Madalena, santa Nina, que divulgou a fé na Geórgia, o imperador Constantino
Grande e a sua mãe Helena, santos irmãos Cirilo e Metódio, pregadores nos países
eslavos, o príncipe Vladimir e a sua avó a princesa Olga.

Santos bispos ("sviatiteli") são santos bispos, que serviram a Deus e que ainda durante
a vida faziam milagres. O mais querido entre estes santos é o São Nicolau Taumaturgo,
são Tikhon Zadonski, santos Pedro, Alexis e Hermogenes — "sviatiteli" de Moscou.

Mártires são os cristãos, que deram a sua vida pela fé cristã. Entre eles temos: grão-
mártires, que demonstraram uma coragem fora de comum durante as torturas e que se
glorificaram através de milagres; presbíteros mártires — que eram padres ou bispos;
monges mártires. Entre os mártires devemos mencionar: grão-mártir e Vencedor
George, grão-mártir e Médico Panteleimon, santas grã-mártires Barbara e Catarina.
Durante os 70 anos do jugo comunista, a Rússia se enriqueceu com um número infinito
de neomártires.
Confessores e sofredores ("strastoterptsy") são aqueles cristãos, que confessavam sem
medo a sua fé cristã e que por isso sofreram perseguições. Entre eles devemos
mencionar Máximo Confessor.

Santos ascetas ("prepodóbnye" — reverendos) são aqueles ascetas cristãos, que


serviram a Deus como monges, isto é, renunciaram ao casamento e a todos os bens
materiais para se dedicar totalmente à orações e aprofundar-se nos ensinamentos
cristãos. Muitos deles alcançaram uma grande perfeição espiritual. Entre eles devemos
mencionar: santo Antônio Grande, são Sérgio Radonejski, são Serafim Sarovski, os
anciões de Optina — Ambrosio, e outros.

Justos — santos homens e mulheres das mais diversas classes, que se glorificaram por
uma vida justa no mundo secular. Entre eles devemos mencionar o justo João de
Kronstadt, taumaturgo, e São Filaret caridoso.

Bem-aventurados e desvairados-por-amor-à-Cristo (ïurodivye") são homens e


mulheres das mais diversas classes, que voluntariamente aceitaram a ascese de extrema
pobreza. Os "iurodivye" suportaram a dificílima ascese de uma aparente loucura, mas na
verdade tinham o grande dom do Senhor de uma sabedoria espiritual e clarividência.
Entre eles devemos mencionar o Santo André desvairado por amor à Cristo, Santo
Basilio bem-aventurado, Santa Ksenia bem-aventurada de Petersburgo.

Assim, com a ajuda de Deus, começaremos relatar numa forma concisa a vida de alguns
dos santos, começando pelo mês de janeiro. Debaixo do título de cada santa colocamos
a data do dia dele, primeiramente conforme o calendário atual, e depois conforme o
calendário antigo religioso.

Janeiro.

São Basílio Grande.


14 de janeiro (1 de janeiro do calendário ortodoxo)

São Basílio Grande (329-379), arcebispo da Cesaréia de Capadócia recebeu a base da


sua educação no seu lar. A sua família era muito pia. A sua avó, a sua irmão, a sua mãe
e o seu irmão foram canonizados. O seu pai era professor de eloquência e advogado.
Terminando os seus estudos em Cesaréia, Basílio estudou nas famosas escolas de
Atenas. Voltando para a Cesaréia, ele foi batizado e assumiu o posto de leitor na igreja.
Depois disto, ele passou muito tempo junto com os eremitas de Síria, Mesopotamia,
Palestina e Egito, onde aprendeu tudo sobre a vida monástica. Basílio gostou da vida no
deserto e escolhendo um lugar afastado, ele construiu lá uma morada, onde habitava
junto com ele também o amigo da sua juventude — são Gregório (Teólogo). O
arcebispo da Cesaréia, Eusébio, chamou são Basílio do seu retiro e ordenou-o (364).
Após a sua ordenação, o padre Basílio foi designado assistente mais próximo de
Eusébio e o tempo todo trabalhou exaustivamente, pregando diariamente, as vezes até
duas vezes por dia, fundando em Cesaréia e nas suas proximidades hospitais, orfanatos
e asilos.

Após a morte de Eusébio (370), são Basilio foi elevado para a cátedra de Cesaréia e
quase todos os anos de seu arcebispado passou na luta acirrada contra os arianos, os
quais eram muito fortes durante o reinado de imperador Constantino e receberam mais
força ainda durante o reinado do imperador Valente (os arianos rejeitam a essência
Divina do Nosso Senhor Jesus Cristo). Nesta luta com os arianos, são Basílio
continuava a obra de Atanásio Grande, e igual a ele, era considerado um pilar
indestrutível da Ortodoxia. Os conselheiros do imperador Valente lhe diziam, que se são
Basílio ceder, os arianos vencerão uma vez por todas. Valente mandava para Cesaréia o
prefeito Modesto, que era conhecido por sua crueldade na perseguição dos ortodoxos.
Modesto era muito arrogante e chamou a si são Basílio, no começo tentando convence-
lo de entrar em entendimento com os bispos arianos, prometendo-lhe muitos benefícios
que viriam a ele do imperador; depois, percebendo a sua firmeza, começou a ameaçar-
lhe com o seqüestro de seus bens, o exílio e até com a morte. São Basílio lhe respondeu:
"Não tenho medo do exílio, pois toda a terra pertence a Deus: é impossível seqüestrar os
bens daquele, que nada possui; a morte seria um grande favor para mim: ela me unirá ao
Cristo, por Quem eu vivo e trabalho aqui na terra." Esta grandeza surpreendeu o
prefeito. "Até agora ninguém falou assim comigo," disse ele. — "Provavelmente, ainda
não tiveste a oportunidade de falar com um bispo," retrucou modestamente são Basílio.

Depois disto, o próprio imperador chegou até a Cesaréia e no dia da Teofania foi para a
igreja, onde o santo celebrava a missa. Valente ficou surpreso com a piedosa celebração
do santo e pela enorme multidão rezando. Mas, mesmo assim, ele usou todos os meios
para persuadir Basílio a fazer pelo menos algumas concessões aos arianos. Não
conseguindo convence-lo, Valente decretou o seu exílio, mas o filho dele ficou de
repente muito doente, e não achando nenhum outro recurso, Valente era forçado a
revogar o seu decreto e pedir ajuda ao santo. Mesmo assim, depois disto os arianos
conseguiram pelo menos diminuir a região do arcebispo. A sua região foi dividida em
duas partes e um dos seus antigos assistentes, que antigamente era subordinado a ele
(Anoim — bispo da nova região da cidade de Tiana) se transformou no seu maior rival e
inimigo.

Para guardar a sua região dos arianos, são Basílio fundou um episcopado especial na
cidade de Sasima, que se encontrava na fronteira com a região dos arianos, e designou
para esta cátedra, tão importante o seu amigo Gregório, que ele havia ordenado um
pouco antes. Porém, são Gregório se recusou a assumir o cargo numa província tão
conturbada, pois isto não correspondia a sua vocação espiritual.

Além de defesa abnegada da Ortodoxia contra os arianos, o arcebispo Basílio prestou


outros valiosos serviços à Igreja: toda a vida dele e principalmente os últimos nove anos
eram repletos de trabalhos incessantes. As muitas cartas dele mostram como ele sofria
com as confusões que conturbavam a vida da Igreja e como ele se empenhava na
restauração da paz no meio episcopal. Ele fundava asilos para doentes e para pobres,
parcialmente com os seus próprios recursos que herdou dos seus pais, parcialmente com
a ajuda de outras pessoas, e estes asilos eram tão numerosos, que na sua totalidade
representavam como que uma cidade. Durante a fome, os habitantes da Cesaréia
encontraram nele um generoso benfeitor. Ele era o fundador de famosos mosteiros e
redigiu as regras da vida e da conduta dos monges, e estas regras dele são observadas
até hoje.

O piedoso serviço de são Basílio surpreendeu Valente, mas temos também um outro
testemunho de uma outra pessoa, mais competente apreciador da beleza espiritual, são
Efrem Sírio. São Efrem Sírio, guiado pela revelação celestial, veio à igreja, onde são
Basílio celebrava a missa e pregava. Ele ficou tão admirado por tudo, que ele presenciou
lá, que mencionou a sua admiração à voz alta na sua língua síria e desta maneira
chamou a atenção à si de todo mundo. Este foi o começo da sua amizade com são
Basílio, como atestam inúmeras cartas deles. Preocupando-se com a uniformidade da
missa litúrgica, são Basílio redigiu a liturgia apostólica na sua ordem, que até hoje é
conhecida como a liturgia de são Basílio. Esta liturgia é celebrada aos domingos da
Grande Quaresma e mais em alguns outros dias. Ele redigiu também várias orações,
rezadas na Igreja, das quais as mais conhecidas são as orações de Pentecostes, que são
rezadas, genuflectas, após a liturgia.

As obras de são Basílio são muito respeitadas na Igreja, particularmente as suas


"Palestras sobre os seis dias da criação," onde ele se mostra não só como um grande
teólogo, mas também um grande cientista no campo de ciências naturais. Temos
também 13 palestras sobre os salmos, 25 palestras sobre diversos assuntos, 5 livros
contra arianos e um livro sobre a divindade do Espírito Santo.

Porém, os muitos afazeres e muitas mágoas minaram a saúde de são Basílio e ele veio a
falecer aos 50 anos de idade (1 de janeiro de 379).

Tropário:

Os teus ensinamentos são divulgados em todo mundo, pois foram aceitas as tuas
palavras, pelas quais ensinavas as verdades divinas: explicaste a essência da via,
adornaste os costumes, dignidade real, padre reverendo: ora a Cristo Deus que salve as
nossas almas.

Santa Mártir Tatiana.


25 de janeiro (12 de janeiro do calendário ortodoxo)

Santa Tatiana era filha de um rico romano e foi educada pelo pai em cristianismo.
Quando Tatiana cresceu, ela ficou indiferente à riqueza e a todos os bens materiais, pois
sentiu uma irresistível atração pela vida cristã espiritual. Ela se recusou
terminantemente casar, e pelas suas virtudes foi nomeada diaconissa da Igreja Romana.
Ela passou a cuidar dos enfermos, visitar as prisões, ajudar aos pobres e estava sempre
rezando, nunca se esquecendo de Deus.

No reinado do imperador Alexandre Severo (222-235) santa Tatiana, por causa da sua fé
cristã foi martirizada pelo prefeito da cidade, Ulpiano (cerca de 225). De acordo com a
tradição, após martírios santa Tatiana foi jogada na arena do circo (Coliseu) para ser
dilacerada por um leão feroz. Isto deveria servir de divertimento a muitos espectadores
do circo. Mas a fera não só ficou mansa, como também começou a se esfregar, pedindo
carinho à santa. Daí a santa Tatiana foi novamente martirizada, após o que foi
decapitada junto com o pai dela. Oito servidores do prefeito, que estavam martirizando
a santa, acreditaram em Jesus Cristo, porque viram claramente a força Divina, que
estava fortalecendo ela — e eles também, após torturas, foram decapitados. Conforme
testemunhou diácono Zossima, a cabeça da santa Tatiana, no ano de 1420, se achava em
Periulepto, em Constantinopla.

Tropário:

No seu martírio reluziste, santa mártir, recoberta com o teu sangue, e igual à uma bela
pomba voaste ao céu, Tatiana: portanto, ora por nós, que veneram o teu nome.

Santa Nina, Igual-aos-Apóstolos,


Missionária da Georgia.
27 de janeiro (14 de janeiro no calendário ortodoxo)

Santa Nina (Nunia, Nino), era sobrinha do patriarca de Jerusalém, Juvenálio. Desde a
sua juventude ela amou a Deus e tinha muita pena das pessoas, que não acreditavam
Nele. Quando o pai dela Zavulon (natural de Capadócia) se afastou da família para ser
eremita e a mãe dela foi ordenada diaconissa, santa Nina foi entregue à uma mulher
piedosa e foi por ela educada. Esta mulher lhe contava muito sobre um país chamado de
Ivéria (hoje Georgia), que naquela época era ainda um país pagão, e isto fez com que a
Nina sentiu um grande desejo de visitar a Ivéria e converter os seus habitantes.

Este desejo ficou ainda maior quando uma vez ela sonhou com a Nossa Senhora, que
lhe entregou uma cruz feita de ramos de videira. O seu desejo se cumpriu quando ela foi
obrigada a fugir para Ivéria, para se salvar das perseguições por parte do imperador
Diocleciano (284-305).

Lá na Ivéria santa Nina se estabeleceu na casa de uma mulher que morava na vinha real
e muito em breve ficou conhecida em toda a vizinhança, porque ajudava a todos os
necessitados. Logo os enfermos ficaram sabendo da força de suas orações e muitos
começavam a procurá-la. Em nome de Jesus Cristo a santa Nina os curava e lhes
contava sobre Deus, Criador do mundo, e do Cristo Salvador.

A pregação de Cristo, os milagres feitos por santa Nina, e a sua vida piedosa exerceram
uma influência benéfica sobre os habitantes da Ivéria e muitos deles se converteram e
foram batizados. Ela converteu para o cristianismo até o próprio rei Miriano (Meroi),
que até então era pagão. Depois disto foram chamados de Constantinopla um bispo e
vários padres e na Ivéria foi construída a primeira igreja, dedicada a santos Apóstolos.
Aos poucos, toda a Ivéria foi batizada.

Santa Nina, que não gostava de homenagens e não procurava a glória, se afastou para
um monte e lá, na solidão, agradecia a Deus pela conversão dos pagãos. Alguns anos
mais tarde, ela partiu de lá para a Kakhetia, onde converteu a rainha Sofia. Após trinta e
cinco anos de trabalho, esforço e dedicação, santa Nina descansou em paz no dia 14 de
janeiro de 335. No lugar onde ela morreu, o rei Miriano mandou construir uma igreja
dedicada a são Jorge, que era um parente distante da santa Nina.

O nome de santa Nina é ligado ao achado da túnica de Cristo. Após a crucificação de


Cristo, um dos soldados romanos ganhou esta túnica no jogo de dados. Mais tarde,
depois de vários acontecimentos, esta túnica chegou até a Georgia. Após uma revelação
divina, santa Nina achou a túnica enterrada junto à raiz de uma arvore.

Tropário:

Eras servidora da palavra de Deus, na pregação apostólica imitando André, o primeiro


chamado, bem como outros apóstolos, missionária da Georgia e instrumento de Espírito
Santo, santa Nina igual-aos-apóstolos, ora a Cristo Deus pela salvação das nossas almas.

Santa Mártir Leonilla.


29 de janeiro (16 de janeiro no calendário ortodoxo)

Santa Leonilla e junto com ela Speusipp, Eusipp e Meleusipp sofreram na Gália, no
segundo século, durante o reinado do imperador Marco Aurélio (161-180). Leonilla,
que foi batizada já na idade avançada converteu para o cristianismo também os seus
netos — Speusipp, Eleusipp e Meleusipp. Com o intuito de erradicar paganismo na terra
deles, eles quebraram os ídolos e começaram a reprochar os moradores na adoração dos
ídolos. Por isto eles foram ferozmente perseguidos, esticados na árvore. Eles morreram
depois que foram jogados no fogo, o qual, no entanto, não causou nenhum dano aos
corpos deles. Após o martírio deles a santa Leonilla foi decapitada. Em breve foram
martirizados também outros cristãos, entre eles Neon, Turvon e Jovilla. Todos estes
mártires da Gália são especialmente venerados na Espanha, onde foram erguidas muitas
igrejas em nomes deles. O imperador grego Zenon (474-491) entregou as suas relíquias
à um nobre francês da cidade de Lantra, onde elas se encontram até hoje.

Tropário:

Jesus, a Tua cordeira Leonilla está clamando em voz alta: a Ti, meu Esposo amo e Te
procurando, sofro, me crucifico e me enterro a Teu batizado, e sofro por Ti, para reinar
junto, e morro por Ti, para viver junto, portanto me aceite como uma oblação inocente,
que se sacrificou com amor por Ti. Com as orações dela, salve as nossas almas, ó
Misericordioso.

Santo Antônio Grande.


30 de janeiro (17 de janeiro no calendário ortodoxo)
Antônio Grande nasceu no Egito por volta do ano de 250 numa família nobre e rica e
os pais o educaram na fé cristã. Quando ele tinha 18 anos, os pais dele morreram e ele
ficou só com a irmã, a qual ainda dependia dele. Uma vez, indo para a igreja, ele ficou
meditando sobre os apóstolos, como eles deixaram tudo neste mundo para seguir ao
Senhor e servir a Ele. Ao entrar na igreja, ele ouviu as palavras: "Se queres ser perfeito,
vai, vende o que possuis, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e
segue-Me" (Mateus 19:21). Antônio ficou perplexo com estas palavras, que foram como
se dirigidas diretamente a ele. Em breve depois disto, Antônio deixou toda a sua herança
em benefício dos pobres de sua aldeia, mas não sabia, para quem deixar a sua irmã.
Com esta preocupação ele foi novamente para a igreja, e lá ouviu de novo as palavras
do Senhor, como se dirigidas diretamente a ele: "Não vos preocupeis, portanto, pelo dia
de amanhã, pois o dia de amanhã terá por si mesmo as suas preocupações. Para cada dia
é suficiente o seu cuidado" (Mateus 6:34). Antônio deixou a sua irmã aos cuidados de
umas virgens cristãs, conhecidas por ele e deixou a cidade, para viver na solidão e servir
a Deus.

Não foi de uma hora para outra que santo Antônio se afastou do mundo. No começo, ele
morou perto da cidade junto com um ancião piedoso, que vivia na solidão, e tentava
imitá-lo em tudo. Ele visitava também outros eremitas, que viviam nos arredores da
cidade e se beneficiava com os conselhos deles. Já naquele tempo ele ficou famoso por
sua austeridade, tanto, que era chamado de "amigo de Deus." Depois disto, ele se atreve
a se afastar mais. Ele convidou o ancião a vir junto, mas quando este se recusou, ele se
despediu do ancião e foi viver uma gruta afastada. De vez em quando um dos amigos
dele trazia lhe comida. Enfim, santo Antônio se afastou definitivamente dos lugares
habitados, cruzou o Nilo e passou a viver nas ruínas de uma fortaleza militar
abandonada. Ele levou consigo pão suficiente para seis meses, e depois o recebia dos
seus amigos somente duas vezes por ano, e isto através de um buraco no telhado.

É impossível relatar todas as tentações e aflições sofridas por este grande asceta. Ele
sofreu de fome e sede, de frio e de calor. A mais terrível tentação, de acordo com o
próprio Antônio, se encontrava no coração: a terrível saudade do mundo e a aflição nos
pensamentos. Somados a isto vieram ainda as tentações e os horrores dos demônios. Por
vezes o santo asceta morria de tristeza e quase desanimava. Nestas situações aparecia-
lhe o Próprio Senhor, ou lhe mandava um anjo, para animá-lo. "Onde estavas, bom
Jesus? Porque não viestes logo no começo para acabar com os meus sofrimentos?" —
clamou Antônio, quando o Senhor, após uma tentação particularmente difícil, lhe
apareceu. "Eu estava aqui, — lhe disse o Senhor, — e esperava até que Eu veja a tua
ascese."

Uma vez, no meio de uma terrível luta com os pensamentos, Antônio clamou: "Senhor,
eu quero me salvar, e os pensamentos não me deixam." De repente ele viu que alguém,
muito parecido com ele, estava sentado e trabalhando, depois se levantou e começou a
rezar, depois disto novamente sentou e trabalhou. "Faça assim, e se salvarás," — lhe
disse o anjo do Senhor.

Antônio vivia já vinte anos na solidão, quando alguns dos seus amigos, sabendo do
lugar onde ele se encontrava, vieram para viver junto com ele. Eles bateram na porta
durante muito tempo, pedindo-o a sair, e já resolveram arrombar a porta, quando o
Antônio abriu a porta e saiu da sua reclusão voluntária. Eles ficaram admirados que não
o acharam enfraquecido ou desgastado, apesar de que ele se submetia às maiores
privações. A paz celestial reinava na alma dele e se espelhava no seu rosto. Ele era
calmo, discreto, igualmente atencioso com todos e em breve se tornou orientador de
muitos. O deserto ficou cheio de vida: nos arredores, nos montes apareceram habitações
de monges; muitas pessoas cantavam, liam, jejuavam, rezavam, trabalhavam e
ajudavam aos pobres. Santo Antônio não impunha regras definidas aos seus discípulos
sobre a vida monástica. Ele se preocupou com os ânimos deles, para que estes sejam
piedosos, lhes recomendava entregar-se à vontade de Deus, rezar, não se preocupar com
nada do mundo e trabalhar incansavelmente.

Mas lá no deserto a multidão das pessoas incomodava santo Antônio e ele começou a
procurar de novo a solidão. "Para onde queres fugir?" — lhe perguntou uma voz do céu,
quando à beira do Nilo ele esperava por um barco para se afastar das pessoas. "Para a
Tebaida lá encima," respondeu Antônio. Mas a mesma voz retrucou: "Seja lá encima na
Tebaida, ou lá embaixo na Bucolia, não encontrarás sossego nenhum. Vá até o deserto
interno." Assim se chamava o deserto nas margens do Mar Vermelho. Antônio se
dirigiu para lá, seguindo um grupo de sarracenos.

Após três dias de caminhada, ele achou um monte alto inabitado, com uma fonte de
água, e algumas palmeiras lá embaixo. Ele se instalou no monte. Aqui ele desbravou um
pequeno campo, de modo que agora ninguém precisava vir para lhe trazer pão. De vez
em quando ele visitava os monges. Para seu sustento, um camelo levava água e pão
durante estas difíceis travessias no deserto. Mas os seus admiradores o acharam até
neste seu último retiro. Começaram a vir muitas pessoas pedindo suas orações e seus
conselhos. Traziam-lhe enfermos: ele rezava curando-os.

Santo Antônio já vivia no deserto quase setenta anos. Contra a própria vontade, ele
começou a ser tentado por um pensamento orgulhoso: ele é o mais velho de todos aqui.
Ele pediu a Deus afastar este pensamento dele e recebeu a revelação de que há um
eremita, que vive lá há muito mais tempo e serve a Deus melhor que ele. Antônio
levantou de madrugada e se pôs a procurar este asceta desconhecido. Ele andou o dia
todo, mas não encontrou ninguém além de animais selvagens. Em frente dele se
descortinava uma imensidão, mas ele não perdia a esperança. No dia seguinte ele
continuou a sua busca. Uma loba, que corria para uma nascente, cruzou o seu caminho.
Ele a seguiu e chegando à fonte, viu uma gruta. Com a sua aproximação, a porta da
gruta se fechou. Até meio-dia clamou santo Antônio ao asceta desconhecido, pedindo
lhe sair. Enfim, a porta se abriu e de lá saiu um ancião, com cabelos e barba
completamente brancos. Este era são Paulo de Tebaida. Ele vivia no deserto já perto de
noventa anos. Após um osculo fraternal, Paulo perguntou ao Antônio: em que condições
se acha a humanidade? Quem reina no mundo? Será que ainda existem idolatras? Com
grande alegria ele ouviu a boa nova que não havia mais perseguições e que o
cristianismo venceu no Império Romano, mas se entristeceu muito, quando soube da
heresia de Ariano. Enquanto os dois anciões conversavam, desceu um corvo e lhes
trouxe pão. "Como é generoso e misericordioso Nosso Senhor," exclamou Paulo. "Há
quantos anos recebo diariamente Dele metade de um filão e hoje, por causa de tua
visita, Ele nos mandou um filão inteiro."

No dia seguinte Paulo revelou ao Antônio que dentro em breve deve deixar este mundo
e pediu ao Antônio lhe trazer o manto do bispo Atanásio, (celebre defensor da
Ortodoxia contra a heresia de Ariano), para cobrir os seus restos mortais. Antônio se
apressou a cumprir o desejo do santo ancião. Depois ele voltou para o seu deserto muito
agitado e só podia responder uma coisa às perguntas dos irmãos monges: "Eu sou um
pecador que pensava ser um monge! Eu vi Elias, eu vi João, eu vi Paulo no paraíso."
Voltando para são Paulo, ele o viu ascendendo para o céu rodeado por inúmeros anjos,
profetas e apóstolos.

"Paulo, por que não esperaste por mim? — exclamou Antônio. — Foi tão tarde que eu
te conheci e tu me deixas tão cedo!" Porém, quando ele entrou na gruta do Paulo, ele o
achou ajoelhado, calado e imóvel. Antônio se ajoelhou também e começou rezar. Após
algumas horas de orações ele viu, que Paulo ficava imóvel porque já estava morto.
Antônio lavou o corpo dele com grande devoção e cobriu com o manto do bispo
Atanásio. De repente apareceram dois leões, que com as suas garras cavaram um buraco
fundo, onde Antônio enterrou o santo asceta.

Santo Antônio morreu muito velho (ele tinha 106 anos, no ano de 356), e pela sua
ascese foi cognominado Grande.

Santo Antônio fundou vida monástica eremítica. Alguns eremitas, sob orientação
espiritual de um "abba" (abba é uma palavra hebraica e significa "pai") viviam
separadamente um do outro em cabanas ou grutas (ermidas), rezando, jejuando e
trabalhando. Algumas ermidas, reunidas sob a orientação de um abba, se chamava de
"lavra." Mas ainda durante a vida do Antônio Grande apareceu um outro tipo de vida
monástica. Os ascetas se juntavam numa comunidade, dividiam o trabalho conforme a
força e talento de cada um, dividiam a comida e se submetiam a regras iguais para
todos. Estas comunidades se chamavam de cenóbios ou mosteiros. Os abbas destas
comunidades passaram a ser chamados de arquimandritas. Pacómio Grande foi o
fundador destes mosteiros.

Tropário:

Com os teus modos imitando Elias zeloso, seguindo ao Batista por caminhos justos,
padre Antônio, vivias no deserto fortalecendo o mundo com as tuas orações. Assim, ora
a Cristo Deus que salve as nossas almas.

Mártires Inna, Pinna e Rimma.


2 de fevereiro (20 de janeiro no calendário ortodoxo)

Santos Inna, Pinna e Rimma, eslavos de Scítia Menor, eram discípulos do apóstolo
André. Eles pregavam o Cristo e assim conseguiram converter para a fé verdadeira
muitos gentios bárbaros e os batizaram. O príncipe dos bárbaros ficou furioso por isso e
exigia deles renegar a fé cristã e adorar os ídolos. Mas como eles ficaram inflexíveis na
sua confissão da fé cristã, ele mandou cravar estacas no rio e amarrar lá os mártires.
Eles sofreram muito com o terrível frio e a pressão do gelo e enfim morreram. A
tradição indica que o lugar do seu martírio foi o rio Danúbio e que eles viveram e
sofreram no primeiro século (Os nomes de Inna, Pinna e Rimma, que eram nomes
masculinos, agora são considerados nomes femininos.)
Tropário:

Senhor, os Teus mártires, nos seus sofrimentos, receberam de Ti, nosso Senhor, as
coroas eternas: pois tiveram a Tua força que venceu os torturadores e aniquilou os
débeis assaltos dos demônios. Salve as nossas almas por suas orações.

São Máximo Confessor.


3 de fevereiro (21 de janeiro no calendário ortodoxo)

São Máximo nasceu em Constantinopla numa família de nobres e recebeu uma exímia
educação. Durante o reinado do imperador Heráclio (610-641) ele fazia parte dos
conselheiros do imperador. Ele percebeu, que a heresia de monofilitos (os monofilitos
rejeitavam a vontade humana de Jesus Cristo, diminuindo assim o significado de Sua
paixão), e que o próprio imperador Heráclio aceitou esta heresia e assim ele deixou a
corte, entrando para o mosteiro de Crisópol. Mais tarde são Máximo foi designado
abade deste mosteiro.

Máximo era profundo conhecedor da teologia e um ferrenho defensor da Ortodoxia e


conseguia demonstrar com grande habilidade a falsidade da heresia monofilita (Os
monofilitas achavam, que a natureza humana de Jesus Cristo era dominada e esmagada
por Sua natureza divina). Por sua fé ortodoxa inabalável, são Máximo era muitas vezes
perseguido pelos inimigos da Igreja. Mas os seus argumentos na defesa da Ortodoxia
eram tão convincentes, que após uma disputa pública em Constantinopla com o
patriarca monofilita Pirro, o patriarca renunciou à heresia no ano de 645.

São Máximo foi várias vezes mandado para exílio e sempre chamado de volta para
Constantinopla. Muitas vezes os hereges passavam de exortações e promessas para
ameaças, vexação e espancamentos de são Máximo. Mas ele ficou inabalável na sua fé.
Enfim, cortaram lhe a língua e a mão direita, para ele não poder defender a verdade nem
com as palavras, nem por escrito. Depois disto, ele foi mandado no exílio para Caucaso,
para Lazov (uma região de Mingrelia). Aqui são Máximo morreu em 13 de agosto de
662, conhecendo com antecipação o dia de sua morte.

São Máximo escreveu muitas obras teológicas em defesa da Ortodoxia. As obras mais
valiosas dele são sobre uma vida espiritual e contemplativa, e algumas delas fazem parte
de "Dobrotoliubie" ("Amor ao bem") — uma coletânea de conselhos sobre uma vida
ascética. Nestes conselhos sobre ascetismo podemos perceber a profundidade espiritual
e perspicácia do pensamento de são Máximo. Também pertence a ele a explicação da
Liturgia, de um grande valor teológico.

Tropário:

Fieis, honraremos com cânticos o grande Máximo, diligente defensor da Trindade, que
nos ensina com clareza a fé divina, como glorificar Cristo em duas naturezas, vontades e
atos e clamaremos: alegra-te, confessor da fé.
São Guennadi.
5 de fevereiro (23 de janeiro no calendário ortodoxo)

São Guennadi de Kostroma nasceu na cidade de Moguilev na Lituania e foi batizado


com o nome de Gregorio. Ele era filho de um casal de ricos boyardes russo-lituanos.
Desde a sua juventude ele era piedoso, gostava de freqüentar a igreja e jejuava de uma
forma rigorosa. Ele decidiu dedicar a sua vida a Deus e para tanto saiu escondido da
casa dos pais e vestido como um mendigo foi para a Rússia. Ele visitou Moscou,
Novgorod e não achando nos mosteiros de lá aquele ambiente que ele procurava, ele foi
para mais longe até o rio Svir onde se encontrava o santo Alexandre. Santo Alexandre
de Svir encaminhou-o até as florestas de Vologda, ao santo Cornelio de Komel, onde
ele entrou para o mosteiro com o nome de Guennadi. Mais tarde os santos Cornelio e
Guennadi foram até o lago Sura perto da cidade de Kostroma, onde fundaram uma
ermida com duas igrejas, a qual mais tarde recebeu o nome de mosteiro de são
Guennadi.

São Guennadi trabalhou incansavelmente, fazendo pão e "prosfora" (pão bento),


rachando lenha e cavando tanques junto com os outros monges. Para uma ascese ainda
maior, ele usava constantemente correntes ("verigui"). Ele gostava muito de pintar
ícones e as igrejas de sua ermida foram embelezadas com os ícones dele. Por sua vida
piedosa ele recebeu de Deus o dom de cura e de clarividência. Assim, durante a sua
visita a Moscou, ele predisse à filha do boyarde Roman Zacarin, Anastácia, que ela será
czarina. Realmente, ela casou com o czar Ivan Terrível e foi a sua esposa predileta. O
próprio czar Ivan Terrível pediu ao são Guennadi ser padrinho de sua filha. São
Guennadi curou o bispo Cipriano de Vologda de uma gravíssima enfermidade.

São Guennadi faleceu em 1565, e no ano de 1644 foram achadas as suas relíquias
intactas, que desde então se acham enterradas na igreja de Transfiguração do seu
mosteiro. São Guennadi escreveu "Preceitos do starets (ancião) à um jovem monge" e
"Herança espiritual."

Santa Xenia Romana.


6 de fevereiro (24 de janeiro no calendário ortodoxo)

Santa Xenia era filha única do famoso senador romano, Eusebio. Ainda na adolescência
ela resolveu permanecer virgem e para fugir do casamento, ela, e mais duas servas
viajaram para Alexandria. Aqui ela pediu às suas servas de chama-la Xenia, o que em
grego significa "peregrina," para ser mais difícil de acha-la.

Ao se encontrar com o abade do mosteiro de santo André da cidade de Milass (na


Cárie), ela lhe pediu de leva-la junto com as duas acompanhantes até Milass. Lá ela
comprou um lote de terra, construiu a igreja de Santo Estevão e fundou um convento.
Por sua vida piedosa, dentro em breve o bispo ordenou Xenia diaconissa. Ela levava
uma vida verdadeiramente angelical: ela amava todos, ajudava a todos em tudo que
podia, ajudava aos pobres, consolava aos desolados, aconselhava aos pecadores. Com a
sua grande humildade ela se julgava pior e mais pecadora de todos.

Santa Xenia salvou muitas almas, Ela morreu na segunda metade do século V. Quando
ela morreu, houve muitos milagres.

Kondákio:

Xenia, estamos festejando a tua memória de peregrina, e estamos te honrando com


amor, e glorificamos Cristo, que te deu o dom de cura: ora sempre por nos todos à Ele.

Bem-aventurada Xenia de São Petersburgo.


6 de fevereiro (24 de janeiro no calendário ortodoxo)

Santa Xenia era esposa do coronel André Feodorovich Petrov, que era cantor da corte.
Aos 26 anos, Xenia ficou viuva e parecia enlouquecer de tanta tristeza. Ela distribuiu
todos os seus bens aos pobres, vestiu a roupa do falecido marido e como que
esquecendo o seu próprio nome, começou a se referir a si mesma como André
Feodorovich.

Estas esquisitices não eram resultado do enlouquecimento, mas refletiam somente a


completa indiferença pelos bens materiais e conceito dos outros, que consideram estes
bens materiais como a coisa principal da vida. Assim Xenia de São Petersburgo tomou
sobre si a dificil ascese de desvairada por amor a Cristo.

Através da morte do seu amado marido, Xenia conheceu como é instável a felicidade e
se dedicou inteiramente a Deus, buscando exclusivamente a Sua proteção e consolo.

Os bens materiais passageiros deixaram de atraí-la. Xenia tinha sua casa, mas passou-a
para uma conhecida com a condição de ela acolher naquela casa os pobres. Mas ela
mesma não tinha onde morar e passou a conviver com os mendigos de São Petersburgo
e à noite saia para um lugar afastado da cidade, onde rezava.

Quando começou a construção da igreja no cemitério de Smolensk, com o cair da noite


Xenia ia para lá para carregar secretamente tijolos para cima da obra, desta forma
ajudando aos pedreiros a levantar as paredes da igreja.

Alguns dos familiares da Xenia queriam levar ela para a sua casa e fornecer-lhe tudo o
que é necessário para a vida, mas a bem-aventurada sempre respondia: "Eu não preciso
de nada." Ela se alegrava com a sua pobreza e quando chegava a alguma casa,
geralmente dizia: "Eis me aqui toda." Quando as roupas do falecido marido se rasgaram
completamente, Xenia vestiu a roupa mais pobre e calçou sapatos furados, sem meias.
Ela nunca usou agasalho e obrigava o seu corpo a sofrer de frio.
Percebendo a grandeza do espirito da bem-aventurada Xenia, os moradores de São
Petersburgo amavam-na, porque ela desprezou os bens da terra para atingir o Reino dos
Céus. Se Xenia entrava em casa de alguém, isto era um bom sinal. As mães se
alegravam, quando ela beijou a criança. Os cocheiros pediam a bem-aventurada a
permissão de leva-la pelo menos um pouco no seu charrete, pois depois disto o lucro era
certo para o dia inteiro. Os feirantes pediam a ela aceitar alguma comida. E quando a
bem-aventurada aceitava alguma coisa, toda a mercadoria do feirante era rapidamente
vendida.

Xenia tinha o dom de clarividência. Na véspera do Natal de 1762, ela andava pelas ruas
de São Petersburgo dizendo: "Preparem bliny (uma espécie de panqueca), amanhã toda
a Rússia vai faze-lo." No dia seguinte a imperatriz Elizabete Petrovna morreu
inesperadamente. Alguns dias antes do assassinato do jovem João VI (Antonovich,
tataraneto do Tsar Aleksei Mikhailovich), o qual, ainda sendo bebe, foi proclamado
imperador russo, a bem-aventurada chorava repetindo: "Sangue, sangue, sangue." Uns
dias após a conspiração malsucedida de Mirovich, o jovem João foi assassinado.

Uma vez, Xenia chegou na casa de uma moça e lhe disse: "Você está aqui tomando o
seu café, e nesta hora o teu marido está enterrando a sua esposa no cemitério de Okhta."
Depois de um certo tempo, esta moça casou com um viúvo, aquele mesmo que, quando
a Xenia falou com a moça, estava no cemitério de Okhta enterrando a sua primeira
esposa.

A bem-aventurada Xenia morreu no final do século XVIII, mas não chegou até nós a
data de sua morte. Ela foi enterrada no cemitério de Smolensk, onde ajudava a construir
a igreja. Dentro em breve começou romaria para o túmulo dela. Muitas vezes a bem-
aventurada Xenia aparecia às pessoas em apuros, prevenindo sobre os perigos .

A bem-aventurada não cessava demonstrar a sua compaixão e o seu amor a todos que a
ela recorriam com fé, e são conhecidos muitos casos de sua ajuda aos sofredores e
àqueles que se encontravam numa situação sem saída.

Um funcionário público, Nicolai Selivanovich Golovin, morava na cidade de Grodno


até o ano de 1907 e muitas vezes experimentava muitas contrariedades no seu serviço.
Ele foi para São Petersburgo para regularizar a sua situação, porém esta ficou ainda
mais confusa. Golovin era muito pobre e estava cuidando da sua velhinha mãe e de duas
irmãs. Num completo desespero ela estava andando pelas ruas de São Petersburgo e
apesar de ser uma pessoa de fé, começou a pensar em suicídio. Naquele momento
apareceu na frente dele uma desconhecida, impressionando-o pela sua aparência, pois
até um certo ponto ela se parecia com uma pobre freira. "Porque estás tão triste? —
perguntou ela, — Vai até o cemitério de Smolensk, manda lá rezar uma missa em
intenção da alma da Xenia e tudo se resolverá." Após estas palavras, a desconhecida
ficou invisível. Golovin cumpriu o conselho da misteriosa freira e a sua situação se
resolveu da melhor maneira possível. Feliz, ele voltou parta Grodno.

O imperador Alexandre III, quando ainda herdeiro, ficou gravemente doente com tifo. A
sua esposa, Maria Feodorovna, ficou preocupadíssima com a doença do esposo. Um dos
cortesãos contou-lhe, como a bem-aventurada Xenia ajuda aos enfermos, deu-lhe um
saquinho com um pouco de terra do túmulo da Xenia e disse, que ele mesmo ficou
curado após orações à Xenia. A princesa colocou o saquinho debaixo do travesseiro do
doente e na mesma noite, quando ficou sentada à cama do esposo, teve uma visão da
bem-aventurada Xenia, que lhe disse, que o doente se recuperará e que na família
nascerá uma menina, que deverá receber o nome de Xenia. Tudo se cumpriu conforme a
santa predisse.

Na região de Pskov, na casa de uma fazendeira chegou um conhecido, contando como lá


na capital a memória da bem-aventurada Xenia é respeitada. Sob a influencia de suas
palavras, a fazendeira, antes de deitar, rezou pela alma da Xenia. A noite ela sonhou que
Xenia estava andando em volta da casa dela, jogando água. Pela manhã, começou
incêndio no depósito de feno, mas não se propagou até a casa.

A viuva de um coronel foi ao São Petersburgo para matricular seus dois filhos na escola
militar, porém sem sucesso. O dinheiro estava acabando e a viúva andou na rua
chorando. De repente, apareceu na frente dela uma mulher simples e disse: "Manda
rezar a missa em intenção da alma da Xenia, ela ajuda a todos que estão em apuros."
"Quem é a Xenia?" — perguntou a viúva. — "A língua leva até Kiev," — respondeu a
mulher e rapidamente desapareceu. A viúva facilmente se informou sobre a Xenia e
mandou rezar a missa no seu túmulo no cemitério de Smolensk. Inesperadamente, ela
recebeu a notícia, que ambos os filhos foram matriculados na escola.

Há muitos casos como estes da ajuda da bem-aventurada Xenia. Os russos conhecem


bem a ação recíproca entre os mundos espiritual e material, entre o celestial e o terreno,
e já durante dois séculos recorrem em suas orações à ajuda da santa.

Tropário:

Recusaste o tumulto da vida terrestre, e aceitaste a cruz de uma vida sem domicílio. Não
tiveste medo de tormentos, privações e escárnios dos homens, pois conhecestes o amor
de Cristo, deliciando-se com ele agora, nos céus. Xenia bem-aventurada, sábia, reza
pela salvação das nossas almas.

São Gregório Teólogo.


7 de fevereiro (25 de janeiro no calendário ortodoxo)

São Gregório Teólogo (326-389) era filho de Gregório (futuro bispo de Nazianz) e de
Nonna, uma mulher altamente piedosa. Ainda antes do nascimento do filho, ela o
prometeu a Deus, e depois se empenhou muito para que o filho cumprisse a sua
promessa. São Gregório achava que a educação dada a ele por sua mãe era a mais
importante para ele. Ele era muito talentoso e recebeu uma ótima escolaridade: ele
estudava nas escolas de Cesareia da Palestina, onde se encontrava uma importantíssima
biblioteca, colecionada pelo mártir Pamfil, na Alexandria ele se aprofundou nas obras
de Origenes, e por fim, em Atenas ele se aproximou a são Basílio Grande, a quem ele já
conhecia antes. Esta amizade ele julgou mais importante do que todas as escolas. Em
Atenas, os santos amigos moravam no mesmo quarto, e a vida deles era muito parecida;
eles conheciam somente dois caminhos: um caminho para a igreja, e outro — para a
escola. Em Atenas são Gregório conheceu Juliano, apelidado de "Renegado," o qual,
após ser proclamado imperador, renegou o cristianismo e tentou fazer renascer o
paganismo no Império Romano (361-363). Ele nos deixou uma viva imagem deste
malvado e pérfido inimigo da Igreja. Aos 26 anos de idade, são Gregório foi batizado.

Após a sua volta à terra natal, durante muito tempo são Gregório não queria assumir
nenhuma função pública. A sua ocupação consistia em meditação sobre Deus, leitura de
livros sagrados, composição de inspiradas canções e artigos e cuidados dos velhos pais
dele. Ele passou algum tempo num lugar ermo junto com o seu amigo Basílio e este
tempo era o mais feliz de toda a sua vida. O seu pai, que naquela época já era bispo e
que precisava de um ajudante, chamou ele da sua ermida para si em Nazianz e ordenou
lhe padre. Já este título parecia tão alto e difícil para Gregório, devido às suas muitas
obrigações e responsabilidades, que ele se retirou de novo para ermida. Acalmando-se
lá, ele voltou para junto com o pai e aceitou o sacerdócio, consolando-se com o
pensamento, que desta forma ele também ajuda ao seu velho pai.

Neste mesmo tempo, o seu amigo Basílio já recebeu o alto título de arcebispo. Como ele
desejava ter um ajudante fiel e culto, que poderia ajudar-lhe na direção de um vasto
território, são Basílio ofereceu ao são Gregório o lugar do presbítero principal junto à
sua cátedra, mas são Gregório não aceitou esta função. Mais tarde, são Gregório foi
ordenado bispo na cidade Sasim, e isto se deu após um acordo secreto entre o arcebispo
Basílio e o pai de são Gregório. São Gregório viu neste ato a vontade de Deus, mas se
recusou a aceitar o próprio cargo e como bispo ajudante continuou a ajudar ao seu velho
pai e à comunidade de Nazianz. No ano de 374 faleceu o seu pai, e logo em seguida,
também a sua mãe. Durante algum tempo são Gregório continuava a obra do seu pai em
Nazianz, mas ficou gravemente doente. Após a sua cura, ele se retirou para um mosteiro
afastado, onde passou três anos rezando e jejuando.

Mas esta grande luz espiritual não podia se esconder num mosteiro por muito tempo.
Ele foi escolhido por bispos e leigos ortodoxos para a cátedra de arcebispo de
Constantinopla e chegou lá justamente na época do auge da heresia ariana, quando os
arianos ocuparam todas as igrejas da cidade. São Gregório ficou alojado na casa de seus
amigos. Ele transformou um dos quartos numa igreja, chamando-a de Anastácia (o que
significa "ressurreição"). Ele tinha esperança de restabelecer lá a Ortodoxia e começou
fazer sermões. Os arianos começaram zombar e caçoar dele, xingar, jogavam pedras
nele e até mandavam assassinos. Mas o povo reconheceu o seu verdadeiro pastor e
começou a se agrupar em volta dele, apegando-se a ele como o ferro se apega ao imã
(conforme as próprias palavras de são Gregório). Ele vencia os inimigos da igreja com a
sua palavra, com o exemplo de sua vida e com o seu empenho pastoral. Chegavam
homens de todos os cantos para ouvir as suas sermões. Os ouvintes, que estavam em
volta da sua cátedra, na sua emoção pareciam com um grande mar agitado, aprovando
as suas palavras e batendo as palmas, e escribas rapidamente anotavam as suas sermões
para as futuras gerações. Toda semana milhares de pessoas voltavam da heresia de
Ariano para a Ortodoxia.

Por fim, durante o reinado do imperador ortodoxo Teodósio (379-395), os ariamos


remanescentes eram banidos da capital. Quando apareceu a heresia de Macedônio,
(Macedônio negava a Divindade do Espírito Santo), são Gregório lutava contra ela e
tomou parte no Segundo Concílio Ecumênico. Terminado o seu trabalho, são Gregório
se recusou a continuar na cátedra de Constantinopla, dizendo: "Adeus, cátedra, esta
altura tão almejada e tão perigosa." São Gregório se retirou para o seu vilarejo natal,
Azianz, perto de Nazianz, onde passou os seus últimos anos, levando uma vida austera e
ascética.

Por suas magnificas obras teológicas são Gregório é chamado pela igreja de Teólogo e
doutor ecumênico e por sua faculdade de perceber os maiores mistérios da fé e
expressar as suas verdades com grande clareza e precisão, ele é chamado pela igreja de
"mente mais alta." As suas sermões são tão poéticas, que muitos trechos delas foram
utilizados por são João Damasceno e outros autores em seus hinos. Ainda hoje emana
um perfume das suas relíquias intactas.

Tropário:

O teu pífaro pastoril de teologia venceu as cornetas dos oradores: pois achastes as
profundidades do espírito e profetizastes corretamente. Portanto, são Gregório, ora por
nós a Cristo Deus para que salve as nossas almas.

São João Crisóstomo.


9 de fevereiro e 26 de novembro

(27 de janeiro e 13 de novembro no calendário ortodoxo)

São João Crisóstomo (347-407) era filho de pais nobres da Antioquia. Ainda menino,
ele perdeu o pai e foi educado com grande esmero pela sua mão, Anfusa, uma mulher
maravilhosa e cristã exemplar. Mais tarde ele estudou junto com o famoso orador
pagão, Livanio. Ele era muito talentoso e desenvolveu seu talentos graças à uma
brilhante educação (bíblica em conjunto com a clássica). Quando perguntaram ao
Livanio, a quem ele acharia o seu melhor sucessor, ele tristemente respondeu: "Com
certeza, João, se os cristãos não o tivessem separado de nós," e à mãe dele ele se referiu
assim: "Que mulheres dignas têm os cristãos!"

Terminando a instrução, João recebeu o cargo de advogado e era famoso por sua
eloqüência. Mas logo esta tipo de vida lhe era tedioso. Tendo se batizado já adulto,
conforme era costume naqueles tempos, ele queria se afastar para um lugar ermo, mas
ficou somente a pedido de sua mãe. O bispo de Antioquia, Meleti, soube dos talentos
invulgares de João e incluiu ele no clero. Neste tempo, João estava se aprofundando no
estudo Escrituras Sagradas, relativas à teologia.

Após a morte de sua mãe, ele cumpriu o seu antigo desejo: viveu quatro anos viveu num
mosteiro afastado e mais dois anos num retiro absoluto numa gruta. Uma doença
obrigou-o a voltar para a Antioquia. Aqui ele foi ordenado diácono e mais tarde, padre.
Estes doze anos do seu sacerdócio eram o tempo mais feliz de sua vida. Ele pregava
incansavelmente e tomava parte em todas as alegrias e tristezas dos seus paroquianos.
Os seus sermões eram muitas vezes interrompidas com aplausos. João sempre dizia: "O
que significa para mim o seu aplauso? — A correção de suas vidas e a sua volta à Deus
— eis o melhor louvor para mim." Os seus sermões mais famosos eram relacionados às
punições que ameaçaram a Antioquia por derrubada de estatuas do imperador.
Dentro em breve são João ficou famoso em todo o mundo cristão e ficou conhecido
como Crisóstomo (uma mulher simples na igreja em êxtase do seu sermão, gritou
"Crisóstomo") . Por isso, quando após a morte do bispo Nectario, sucessor de são
Gregório Teólogo, a cátedra de Constantinopla ficou vazia, o imperador Arcadi (395-
408) desejou, que Crisóstomo a ocupasse.

O começo do seu trabalho era muito confortante e ele se dedicou todo a erradicação dos
restos da heresia ariana, à pacificação dos bispos hostis, na correção do clero e de todos
os fieis. Porém esta atividade enérgica colocou contra ele muitos inimigos, encabeçados
abertamente pela imperatriz Eudoxia, uma mulher fútil e ambiciosa.

Eudoxia conseguiu como seu aliado o arcebispo Teofilo de Alexandria, o qual por sua
vez tinha como aliados os bispos descontentes. Estes bispos conclamaram um concílio
(num vilarejo Dub, perto de Constantinopla), e condenaram João, destituindo-o da
cátedra e banindo-o. "A Igreja de Nosso Senhor não foi iniciada por mim, e nem comigo
acabará," — disse João aos seus fieis amigos e saiu da metrópole. Mas naquela mesma
noite houve um grande terremoto, que foi particularmente ouvido no palácio. Eudoxia,
possuída de um grande medo, mandou rapidamente buscar João. Mas, passando dois
meses, Eudoxia se voltou novamente para os suas velhas paixões e vícios, e João
renovou as suas denuncias. Desta vez, João foi condenado à revelia e exilado.

João passou cerca de três anos numa cidade pequena de Kukuz na Armenia, e depois foi
deportado para mais longe, para Piciunt (no nordeste do Mar Negro). Soldados severos
levaram a pé o santo durante três meses, atravessando montanhas, seja num calor
sufocante, seja numa chuva torrencial. O santo, completamente exausto, fez uma parada
na cidade de Komani. Aqui, à noite, ele viu uma aparição do são mártir Vassilisk (cujas
relíquias se encontravam naquela cidade) que lhe disse: "Não desanime, irmão João,
amanhã ficaremos juntos." João comungou e morreu tranqüilamente com as palavras:
"Graças a Deus por tudo!"

As palestras do santo são numerosas — perto de 800 — e lá ele nos deixou inspiradas
explicações de muitos livros de Sagradas Escrituras e é considerado pela Igreja como
uma das maiores autoridades na explicação da Bíblia. Ele escreveu a Liturgia, hoje
chamada de Liturgia de São João Crisóstomo, introduziu procissões, e outros costumes.
Porém, ele ficou mais conhecido por seu empenho na divulgação da fé cristã. É sabido,
que ele também mandou pregadores para a Rússia, onde naquela época habitavam os
citas e é considerado como um dos seus apóstolos.

Tropário:

A bem-aventurança dos teus lábios resplandeceu como a luz do fogo, iluminando o


mundo: mostrando-nos a verdadeira sabedoria e não os tesouros materiais do mundo.
Mas, ensinando com as tuas palavras, padre João Crisóstomo, ora para o Verbo Cristo
Deus, que salve as nossas almas.

São Nikita, Arcebispo de Novgorod.


13 de fevereiro (31 de janeiro no calendário ortodoxo)
São Nikita entrou no mosteiro de Kievo-Petchersk ainda muito jovem e logo desejou
ser eremita (anacoreta), apesar dos conselhos do abade, que ele ainda não estava
preparado para este tipo de vida. Lá na solidão ele foi tentado da seguinte maneira. Sob
a influência de satanás ele deixou de rezar e se aprofundou na leitura do Velho
Testamento. Ele conhecia os livros do Velho Testamento tão bem, que sabia muita coisa
de e ninguém era igual a ele no conhecimento destes livros. Quando o seu perfeito
conhecimento do Velho Testamento ficou conhecido por muitas pessoas, muitos
príncipes, duques e altos dignitários começaram a lhe procurar para ouvir as suas
explicações. Porém., muitos ficaram espantados quando perceberam, que ele não queria
nem ouvir falar do Novo Testamento e evitava-o de todas as maneiras possíveis. Para os
velhos e sábios monges do mosteiro isto era um sinal de que ele foi seduzido pelo diabo.
Ele conseguiu se livrar disto depois de muitas orações dos monges do mosteiro. Depois
disto, Nikita saiu de sua reclusão voluntária, continuou jejuar com grande rigor,
começou a rezar muito e em breve superou os outros monges com a sua obediência e
humildade.

Alguns anos mais tarde Nikita foi ordenado bispo em Novgorod. Ele sempre achava
palavras certas para ensinar aos fieis as verdades do Evangelho. Por sua vida santa ele
recebeu de Deus o dom de milagres, de modo que ajudou a muitas pessoas e muitos
curou de doenças. Assim uma vez, com as suas orações ele fez chover; outra vez, com
as suas orações ele apagou o incêndio na cidade. Após treze anos de bispado, são Nikita
morreu em 1108. Após 445 anos, durante o reinado de Ivan Terrível (1530-1584), as
suas relíquias foram achadas intactas e naquele tempo houve muitas curas:
principalmente os cegos e os doentes de vista se curavam.

Tropário:

Sábio em Deus, deleitaste-te com a ascese, refreaste os desejos do corpo, tomaste lugar
na cátedra de bispos e foste como uma estrela, que ilumina os corações dos fieis, pai
nosso, são Nikita. E agora também ora a Cristo Deus, que salve as nossas almas.

Fevereiro.
São Simeão Justo e Santa Profetisa Ana.
16 de fevereiro (3 de fevereiro no calendário ortodoxo)

São Simeão viveu durante o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Conforme nos
diz o evangelista Lucas, Espírito Santo prometeu a Simeão de que ele não morreria sem
ver Cristo. Conforme a tradição, esta promessa lhe foi feita 270 anos antes do
nascimento de Jesus. Naquele tempo, são Simeão era um dos 70 tradutores da Bíblia do
hebreu para o grego. Esta tradução se destinava para a biblioteca do rei egípcio
Ptolomeu Filadelfo. Simeão ficou na dúvida, quando chegou até o lugar da profecia de
Isaías (7:14), sobre o nascimento de Emanuel (Messias) da Virgem; ele duvidava da
exatidão das palavras e queria substituir a palavra "virgem" pela palavra de "mulher."
Naquele exato momento ele recebeu um anuncio de Espirito Santo para não deturpar a
profecia e também uma promessa, que ele não haveria de morrer antes de ver o
cumprimento da profecia sobre o nascimento de Messias.

Naquele tempo, havia muitas calamidades e uma geral decadência da fé e da moral e o


santo ancião esperava o cumprimento desta promessa durante muitos longos anos.
Quando enfim a Criança Divina nasceu e foi trazida para o templo, Simeão recebeu a
revelação do Espirito Santo que a sua expectativa se cumpriu e que no templo de
Jerusalém ele iria ver o Messias.

Ao chegar no templo, o santo ancião viu não só o Messias prometido e a Sua puríssima
Virgem-Mãe, mas também teve a honra de receber Cristo em seus braços. Aqui, numa
êxtase sagrada, Simeão proferiu as palavras, que hoje ouvimos nos vesperais: "Agora
deixas partir em paz o Teu servo, Senhor, conforme a Tua palavra. Porque os meus
olhos viram a Tua Salvação, que preparaste para todos os povos: Luz para iluminar as
nações, e glória de Israel, Teu povo." Aqui, Simeão era como que um representante de
toda a humanidade antiga, que ansiava por Salvador, e ao mesmo tempo se tornou
pregador da nova bem-aventurança.

O evangelista Lucas não nos diz, quem era o justo Simeão, mas a igreja se refere a ele
como a um sacerdote e santo. Provavelmente, ele era um dos sacerdotes, que serviam no
templo (Lucas 2:23-37).

Junto com Simeão, também a justa Ana, uma anciã de 84 anos, teve a honra de
encontrar Cristo no templo. Sabemos através do Evangelho que ela descendia da tribo
de Aser, e era filha de Fanuel. Após sete anos de casada, ela perdeu o marido e desde
aquele tempo não saía do templo. Ela levava uma vida austera e com os seus jejuns e as
suas orações servia a Deus dia e noite (Lucas 2:37). Por isto ela recebeu o dom de
profecia. Santa Ana era uma verdadeira viuva, digna a todo louvor. Conforme o
apóstolo Paulo, tais viuvas são muito valiosas nas igrejas para ensinamento às jovens
mulheres (1 Timóteo, 5:3-5).

Santa Ana, igual ao são Simeão ansiava por vinda do Messias. Ela era muito atenciosa a
tudo espiritual e juntou a sua voz na exaltação de Simeão por ocasião do encontro de
Menino Cristo. Na sua êxtase, ela não se limitou de pregar no templo, mas saiu de lá
para levar as boas novas sobre o Menino Cristo a muitos habitantes de Jerusalém, que,
como ela, estavam esperando a vinda do Messias.

A justa Ana é glorificada nas orações como uma digna viuva e anciã, e como uma
profetisa do Novo Testamento.

Kondakio:

O ancião, que estava rezando para deixar as algemas desta vida terrestre, aceitou nos
seus braços o Criador e Deus.

Grão Mártir Teodoro Stratilatos.


21 de fevereiro (8 de fevereiro no calendário ortodoxo)
São Teodoro nasceu na cidade de Eucait (Ásia Menor, hoje Turquia) e era chefe militar
(em grego — "stratilatos") na cidade de Heracleia, perto do Mar Negro. Por sua índole
humilde e governo justo ele era muito querido pelos habitantes da cidade e muitos
pagãos, vendo o exemplo de sua vida, se convertiam. Quando o imperador Licínio (308-
323), co-regente do imperador Constantino, soube disto, ele chegou até a Heracleia e
forçava Teodoro a adorar os ídolos. São Teodoro se recusou a fazê-lo e o enfurecido
imperador mandou tortura-lo.

Os torturadores esticaram o são Teodoro no chão, bateram-no com varas de ferro,


ralaram o seu corpo com ferro afiado, queimara, e por fim o crucificaram, vazando-lhe
os olhos. À noite apareceu-lhe um anjo, o tirou da cruz e curou completamente. De
manhã os servos de Licínio chegaram, para jogar o seu corpo no mar, mas vendo-o
completamente curado, acreditaram em Cristo. Também muitos outros pagãos, vendo
este milagre divino, acreditaram em Cristo. Quando Licínio soube disto, ele mandou
decapitar são Teodoro, no ano de 319. O seu servo e escriba, Uar, nos deixou o relato
sobre o seu martírio.

Tropário:

Teodoro, mártir, com as tuas palavras guerreiras eras militante do Rei dos Céus: pois
cingiste-te sabiamente com a arma da fé e venceste as tropas de demônios e apareceste
vencedor, mártir. Por isso, tendo fé, nos te glorificamos sempre.

As Mártires Valentina, Paula e Ennafa.


23 de fevereiro (10 de fevereiro no calendário ortodoxo)

Temos poucas informações sobre estas mártires. Sabemos, que elas sofreram pela fé na
Palestina, no ano de 308, durante o reinado do imperador Maximiano II Galério, em
(308-313), por ordem do governador local Firmiliano. Santa Ennafa descendia dos
arredores de Gaza, santa Valentina — da Cesaréia Palestina e santa Paula — dos
arredores de Cesaréia. Valentina foi trazida à um templo pagão para adoração. Ela jogou
uma pedra no altar pagão e virou as costas ao fogo. Por isto bateram nela e a
decapitaram. Ennafa e Paula também sofreram torturas iguais.

Tropário:

Cordeiras verbais, através das torturas fostes levadas até o Cordeiro e Pastor, Cristo,
terminando a vida e guardando a fé. Por isso, nobres mártires, hoje lembramo-lhes com
alegria, glorificando Cristo.

São Vsevolod.
24 de fevereiro (11 de fevereiro no calendário ortodoxo)

São duque Vsevolod, batizado com o nome de Gabriel, era filho do santo grão-duque
Mstislav e neto de Vladimir Monomakh. Ele nasceu e foi criado na cidade de Novgorod
e desde jovem amava oração e leitura de livros sagrados e assim era fiel a Deus por toda
a sua vida. "Ele estava sempre aprendendo a viver conforme os mandamentos Divinos,"
ele tinha "uma alma caridosa." Ele começou a governar em Novgorod em 1117, e em
1123 e 1132 venceu os inimigos.

Ele era muito corajoso e de uma grande força física e nunca levantava a sua espada para
se beneficiar do conflito, mas exclusivamente para estabelecimento da paz e para defesa
dos seus súditos. Estas qualidades eram somadas ainda à um amor profundo à pátria e
quando era necessário para o bem dela, ele se recusava a guerrear. Durante o seu
governo em Novgorod ele se preocupava muito com a instrução cristã do povo e com o
modo cristão de viver. Ele tinha muito carinho pelas missas, construiu muitas igrejas,
defendia os fracos dos fortes, era "amigo dos pobres, alimentava os órfãos, defendia os
fracos" e era um verdadeiro pai para os seus súditos. Quando, no ano de 1127, começou
uma grande fome em Novgorod, o duque dividia com o povo os seus bens e ajudava aos
que sofriam.

Mas esta vida tão caridosa do santo duque, que refreava as ações ilegais, contrariava aos
interesses daqueles novgorodianos, que ainda eram adeptos do paganismo. Eles
prenderam o duque Vsevolod junto com toda a sua família, e dois meses mais tarde, o
expulsaram. O duque Vsevolod mudou-se para a cidade de Pskov, onde os moradores o
elegeram governador. Lá ele construiu a catedral da Santíssima Trindade e pouco tempo
depois, faleceu em 1138, aos 46 anos de idade.

No ano de 1139 as suas relíquias foram encontradas intactas, e desde então, muitos
doentes se curaram no túmulo dele. A Igreja Russa considera são Vsevolod como um
confessor, "que foi banido por seus súditos," e Nosso Senhor o glorificou através dos
milagres que se efetuam no seu túmulo. Apesar de que ele governou Pskov somente
durante um ano, ele deixou lá muita saudade. Em todas as suas dificuldades os
habitantes de Pskov pediam a proteção do seu duque. Durante o cerco da cidade pelo
Estevão Bathory o ícone do são duque Vsevolod-Gabriel era levado para a linha da
frente e os defensores da cidade corajosamente repeliam os ataques do exercito polonês.

Tropário:

Duque Gabriel, sábio em Deus, desde a tua juventude eras o vaso divino, eleito por
Deus, criado em religiosidade, guardaste a santa fé e construíste muitas igrejas, foste
exilado por teus súditos, da mesma forma como os teus antepassados, que foram
assassinados pelo próprio irmão. Agora que estás junto com eles diante da Santíssima
Trindade, ora pelos governadores da Rússia e pela salvação de nos todos.

Santo Alexis, Metropolita de Moscou.


25 de fevereiro (12 de fevereiro no calendário ortodoxo)

Santo Alexis, que no batismo recebeu o nome de Elevferi, era filho do boyardo
Teodoro Biakont, nasceu em Moscou e seu padrinho de batismo era o príncipe João
Kalita. Aos 13 anos de idade ele foi chamado por Deus. Um dia, quando ele estendeu
uma rede para apanhar passarinhos, ele ouviu a voz de Deus: "Porque estás caçando
passarinhos, Alexis? Tu deves ser caçador de homens!" O menino Elevferi resolveu
dedicar a sua vida à Deus e entrou para um mosteiro em Moscou, onde recebeu o nome
de Alexis.

Ele passou vinte anos lá e por sua sabedoria espiritual e sua ascese ficou conhecido pelo
príncipe e pelo metropolita. Para entender melhor as obras dos santos padres da Igreja,
ele estudou o grego. O metropolita Feognost, um grego, reconhecia a necessidade de ter
um ajudante russo para governar a sua metropolia e para isto escolheu Alexis.

Alexis passou vinte anos na casa do metropolita como seu ajudante e representante. Um
pouco antes da morte do metropolita Feognost (1353), ele foi ordenado bispo para a
cátedra de Vladimir, e após a morte de Feognost, foi eleito metropolita.

São metropolita Alexis governava a igreja naquele tempo perigoso para a Rússia,
quando a força do príncipe moscovita enfraqueceu, passando às mãos de outras pessoas.
Isto se deu na época do príncipe João Belo, e principalmente, após a sua morte (1359),
quando o seu filho herdeiro Dimitri (mais tarde cognominado de Donskoi), tinha apenas
8 anos, e o grão-duque da cidade de Suzdal governava em Moscou. Santo Alexis, apesar
de insistencia do novo governador moscovita, não deixou a cátedra de Moscou tentando
de todos os meios devolver o trono para o pequeno Dimitri. Com os seus sábios
conselhos, ele ajudava muito ao Dimitri, apaziguando ao mesmo tempo outros duques,
para o que as vezes usava até o seu poder eclesiástico. Ao mesmo tempo, santo Alexis
recebia muita ajuda do seu contemporâneo, são Sérgio de Radonej, que conseguiu
apaziguar os duques de outras cidades.

Zelando pela igreja e pátria, santo Alexis viajou três vezes para a Horda. A primeira vez
foi como mandava o costume, quando foi eleito metropolita; pela segunda vez era
chamado para lá pelo khan Djanibek. A esposa de Djanibek, Taidula, ficou muito
doente durante três anos e por fim perdeu a visão. Djanibek ficou sabendo da vida
austera, justa e piedosa do santo Alexis e pediu-lhe de visitar a Horda para curar a
Taidula. Se não, ele ia devastar a Rússia. O santo depôs toda a sua esperança na ajuda
de Deus e recebeu um sinal encorajador: durante a oração diante do túmulo do são
metropolita Pedro, uma vela se acendeu sozinha.

Chegando em Horda, o metropolita rezou pela cura da Taidula e quando a aspergiu com
água benta, de repente voltou a visão à Taidula. Em memória e gratidão deste milagre,
Taidula deu de presente para Moscou o mosteiro Chudov (mosteiro do Milagre), que o
metropolita construiu em Kremlin.

Mal santo Alexis voltou da Horda, como foi obrigado a viajar para lá pela terceira vez.
Novo khan Berdibek exigia novos e pesados impostos de toda a Rússia, ameaçando a
destruir o país. Com a ajuda de Taidula, santo Alexis acalmou o khan, e até recebeu dele
um novo mandato confirmando os direitos da igreja e do clero.

Antes de morrer em 12 de fevereiro de 1378, santo Alexis presenciou a consolidação do


trono moscovita e viu, que a Rússia já estava em vias de se libertar do jugo secular
mongol.

Tropário:
No trono és igual aos apóstolos e um médico bondoso e servidor propício, vimos com
amor ao teu túmulo honrado, santo Alexis, sábio em Deus e taumaturgo, para festejar a
tua memória com cânticos e alegrando-nos e glorificando Cristo, que te deu esta graça
de curas e grande fortalecimento à tua cidade.

Santos Martiniano, Zoia e Svetlana (Fotinia).


26 de fevereiro (13 de fevereiro no calendário ortodoxo)

Desde a sua juventude são Martiniano se estabeleceu no deserto, nos arredores de


Cesaréia da Palestina. Ele era muito atormentado pelas paixões, recebia muitas
tentações diabólicas, mas vencia tudo com jejuns rigorosos, orações e trabalhos. Assim
ele viveu no deserto durante 25 anos. Ele converteu santa Zoia, que antes vivia uma
vida depravada e que veio até ele de propósito, para seduzi-lo. O santo pisou com os pés
descalços sobre brasas e, agüentando uma terrível dor, repetia: "Pior será o fogo no
inferno!"

Quando Zoia viu o sofrimento dele, ela se arrependeu e pediu a são Martiniano de rezar
por ela. Conforme a indicação dele, ele foi para o convento de santa Paula em Belém
onde viveu durante 12 anos, até a sua morte, e com a sua vida austera expiou os seus
pecados. Santa Zoia não tomou mais vinho até a sua morte, sobrevivia somente com pão
e água, e isto nem todos os dias, e dormia no chão.

São Martiniano se afastou para uma ilha rochosa, onde viveu durante vários anos sob o
céu aberto, recebendo a comida exclusivamente de um barqueiro, para o qual ele fazia
cestas.

Mais tarde, nesta ilha rochosa, imitando são Martiniano em toda a sua ascese, também
habitava uma virgem Svetlana (Fotinia) que após um naufrágio foi levada pelas ondas
até aquela ilha. Aceitando a virgem na ilha, são Martiniano, defendendo-se das
tentações, jogou-se no mar e com a ajuda de Deus chegou até a Grécia ileso. Depois
disso, são Martiniano peregrinava pelo mundo por cerca de dois anos e por volta do ano
de 422 veio a falecer em Atenas. Santa Svetlana ficou na ilha, vivendo em austeridade e
depois de seis anos faleceu.

Tropário ao são Martiniano:

Bem-aventurado, apagaste o fogo das tentações com tuas lágrimas e dominaste a


agitação das águas e as tentativas das feras, clamando: Gloria a Ti, ó Todo Poderoso,
salvaste-me do fogo e das tempestades.

Grão Mártir Teodoro Tiron.


2 de março (17 de fevereiro no calendário ortodoxo)
Na cidade de Amasia, perto do Mar Negro, durante o reinado do imperador Maximiano
(286-305), o soldado Teodoro junto com outros cristãos recebeu ordens para renegar
Cristo e adorar os ídolos (O apelido dele "tiron" em latim significa "recruta.") Teodoro
se recusou a faze-lo, foi preso e muito torturado. Na prisão durante oração ele recebeu a
visita de Nosso Senhor Jesus Cristo. Passando algum tempo, o mártir foi de novo tirado
da prisão e torturado para renegar Cristo. Por fim, vendo a inflexibilidade dele, os
torturadores condenaram ele a morrer na fogueira. O próprio são Teodoro entrou na
fogueira sem medo e lá, orando, cantando e louvando Senhor, entregou a sua alma a
Deus. Isto se deu por volta do ano de 305. Ele foi sepultado na cidade de Eucaitas (hoje
Marsivan, na Ásia Menor). Mais tarde as suas relíquias foram trasladadas para a
Constantinopla na igreja, erigida em sua memória. A sua cabeça se encontra em Gaeta,
na Itália.

Uns 50 anos mais tarde, o imperador Juliano o Renegado (361-363), no intuito de


profanar a Grande Quaresma cristã, mandou ao prefeito de Constantinopla que todo dia,
durante a primeira semana, todos os produtos vendidos nas feiras fossem espargidas
com o sangue proveniente dos animais sacrificados aos ídolos pagãos. São Teodoro
apareceu num sonho ao arcebispo de Constantinopla Eudoxio, mandando-lhe avisar a
todos os cristãos de não comprar nada nas feiras e comer exclusivamente grãos de trigo
cozidos com mel. Em memória disto, a santa Igreja comemora o dia de são Teodoro
Tiron no primeiro sábado da Grande Quaresma. Na sexta-feira é rezada uma ação de
graça ao são Teodoro, abençoando-se o trigo cozido com mel.

Tropário:

Grande era a fé, são Teodoro se alegrava no meio do fogo como se fosse na água
tranqüila: pois se consumiu no fogo como um pão doce à Santíssima Trindade. Pelas
orações dele, Cristo Deus, salve as nossas almas.

São Leo, Papa de Roma.


3 de março (18 de fevereiro no calendário ortodoxo)

São Leo, papa de Roma (440-461) é reconhecido pela sua piedade e pela sua sabedoria.
Como um pastor incansável, ele defendia constantemente a Ortodoxia das heresias de
Maniquéu e Eutikhio. Ele participou do Quarto Concílio na cidade de Caledônia, onde
pessoalmente condenou Eutikhio. No ano de 452 são Leo, só com a força de suas
palavra deteve Átila, chefe dos hunos, da destruição de Roma e no ano de 455 ele
convenceu Henzerico, rei dos vândalos, a não derramar sangue e não queimar Roma.
Por sua grande piedade e sua defesa da Ortodoxia, ele é cognominado "grande." Ele
morreu em 46l, deixando como herança a sua carta ao Flaviano, patriarca de
Constanstinopla, sobre duas naturezas (essências) do Senhor Jesus Cristo — a Divina e
a humana. Alem disto, conhecemos hoje cerca de 100 sermões dele, simples mas fortes,
e cerca de 140 cartas a diversas pessoas, que são repletas de observações psicológicas.
As suas relíquias se encontram no Vaticano, na capela que leva o seu nome.

Kondakio:

Estavas sentado no trono eclesiástico, glorioso, e fechastes os lábios dos leões oradores,
iluminaste a prudência do teu rebanho com os dogmas da Santíssima Trindade,
inspirados por Deus. Por isto glorificaste-te como o participante do divino mistério da
benção de Deus.

Santas Mulheres Marina e Cira.


13 de março (28 de fevereiro no calendário ortodoxo)

Santas Marina e Cira, irmãs, nasceram na cidade de Beria na Síria no século V.


Desprezando a sua nobreza, elas se afastaram para uma gruta fora da cidade, para levar
uma vida monástica. Aqui elas viveram por mais de 40 anos, em silêncio, jejum
rigoroso e constantes orações. Para aumentar a sua ascese ainda mais, elas usavam
pesadas correntes ("verigui") por baixo de suas vestes. De lá elas saíram só uma vez na
vida para adorar o Túmulo do Nosso Senhor em Jerusalém. Elas morreram
tranqüilamente no ano de 450, como verdadeiras ascetas.

Tropário:

Noivas do verdadeiro desejo, recusastes esposos temporários. Crescestes em virtuosa


ascese, levantastes-vos até a altura imperecível, ricas em virtudes, pilares e princípios de
freiras. Portanto, orem constantemente por todos nos, que festejamos a vossa memória
com amor.

Dia Onomásticos dos Santos


por ordem alfabética.
Nota: as datas indicadas são conforme calendário atual, entre parênteses são
indicados datas conforme calendário ortodoxo.

Nome Dia onomástico Brochura

Adriano e Natália, mártires, 8 de set (26 de ag.) ............................................. 4

Alexandre de Neva, santo duque, 12 de set., 6 de dez (30 de ago., 23 de nov) 4


Alexandre e Antonina, virgem, mártires 23 de junho (10 de junho) ................. 3

Alexandra, czarina mártir, 6 de maio (23 de abril) ............................................... 2

Alexei, homem de Deus, "prepodobnyi," 30 de março (17 de março) .................. 2

Alexei, metropolita de Moscou, "sviatitel", 25 de fevereiro (12 de fevereiro) ..... 1

Alla, Larissa e outras mártires , 8 de abril (26 de março) ...................................... 2

Ambrósio de Mediolana, "sviatitel," 20 de dezembro (7 de dezembro) ............... 6

Anastácia Romana, santa mártir, 11 de novembro (29 de outubro) ...................... 5

Anastácia Que Solta as Algemas, grande mártir 4 de janeiro (22 de dezembro) .. 6

Anatoli, mártir, 6 de maio (23 de abril) .............................................................. 2

Angelina, bem-aventurada, 23 de dezembro (10 de dezembro) ............................ 6

André, desvairado por amor a Cristo, "prepodobnyi")15 de outubro (2 de outubro) 5

André o Primeiro Chamado, apóstolo, 13 de dezembro (30 de novembro) .......... 6

André, bispo de Creta, "sviatitel," 17 de julho (4 de julho) .................................. 4

Anisia, mártir, 12 de janeiro (30 de dezembro) .................................................. 6

Ana Profetisa, 16 de fevereiro (3 de fevereiro) .................................................... 1

Ana, justa — veja Joaquim e Ana, 22 de setembro (9 de setembro) ...................... 5

Antônio Grande, "prepodobnyi," 30 de janeiro (17 de janeiro) ............................ 1

Antonina, virgem, mártir, veja Alexandre e Antonina 23 de julho (10 de julho) ... 3

Antonina, mártir, 14 de março (1 de março) ....................................................... 2

Atanásio Grande, "sviatitel", 15 de maio (2 de maio) ........................................ 3

Boris e Gleb, príncipes mártires, 6 de agosto e 15 de maio (24 julho e 2 maio) ... 4

Bárbara, grande mártir, 17 de dezembro (4 de dezembro) .................................... 6

Basílio Grande, "sviatitel," 14 de janeiro e 12 de fevereiro (1 e 30 de janeiro) ...... 1

Basilio, Desvairado por amor a Cristo, bem-aventurado, 15 de agosto (2 de agosto)4

Catarina, grão mártir, 7 de dezembro (24 de novembro) ...................................... 6


Cira, "prepodobnaia," veja Marina e Cira, 13 de março (28 de fevereiro) ............. 1

Cirilo e Metódio, iguais-aos-apóstolos, 24 de maio (11 de maio) ......................... 3

Claudia, mártir, veja Eugenia, Claudia e outros 6 de janeiro (24 de dezembro) .... 6

Constantino e Helena, iguais-aos-apóstolos, imperadores, 3 junho (21 maio) ...... 3

Cosme e Damião, "bessrebrenniki" (pobres) 30 de outubro (17 de outubro) ....... 6

Crisanto e Daria, mártires, 1 de abril (19 de março) ............................................. 2

Cristina, mártir, 6 de agosto (24 de julho) ........................................................... 4

Cristóforo, mártir, 22 de maio (9 de maio) ........................................................... 3

Damião, mártir, "bessrebrenik"(pobre), veja Cosme e Damião, 17 de out (4 out.) 5

Daniel, profeta, 30 de dezembro (17 de dezembro) .............................................. 6

Daria, mártir, veja Crisanto e Daria, 1 de abril (17 de março) ............................... 2

Dimitri de Rostov, "sviatitel," 4 de outubro (21 de setembro) .............................. 5

Dimitri de Tessalonica, grão mártir, 8 de novembro (26 de outubro) ..................... 5

Elias, profeta, 2 de agosto (20 de julho) .............................................................. 4

Eugenio e outros, mártires, 26 de dezembro (13 de dezembro) ............................. 6

Estevão, primeiro mártir e arcediacono, 9 de janeiro (27 de dezembro) ................ 6

Estevão de Perm, "sviatitel." 9 de maio (26 de abril ............................................. 2

Eugenia, Claudia, mártires, 6 de janeiro (24 de dezembro) ................................... 6

Eudoxia, mártir, 14 de março (1 de março) .......................................................... 2

Eufrosinia de Polotsk, princesa "prepodobnaia," 5 de junho (23 de maio) ............ 3

Filaret Benevolente, justo, 14 de dezembro (1 de dezembro) ............................... 6

Felipe, metropolita de Moscou, "sviatitel," 16 julho e 22 janeiro (3 jul. e 9 jan.) .. 4

Gabriel, arcanjo, 8 de abril (26 de março) ............................................................ 2

Galina, mártir, 29 de abril (16 de abril) ................................................................ 2

Gennadi de Kostroma, "prepodobnyi," 5 de fevereiro (23 de janeiro) .................. 1


George, grão mártir, 6 de maio e 16 de novembro (23 de abril e 3 de novembro). 2

Gleb, príncipe mártir, veja Boris e Gleb (6 de agosto) ........................................... 4

Gregorio Teólogo, "sviatitel" 7 de fevereiro (25 de janeiro) ................................. 1

Helena, igual-aos-apóstolos, veja Constantino e Helena, 3 de junho (21 de maio) . 3

Herman de Alasca, "prepodobnyi," 25 de dezembro (12 de dezembro) ................ 6

Inácio Teóforo, bispo mártir, 2 de janeiro (20 de dezembro) .............................. 6

Igor, santo príncipe, 18 de junho (5 de junho) ..................................................... 3

Inna, Pinna e Rimma, mártires, 2 de fevereiro (20 de janeiro) .............................. 1

Inocencio de Irkutsk, "sviatitel," 9 de dezembro (26 de novembro) ..................... 6

Irene, mártir, 18 de maio (5 de maio) .................................................................. 3

Irene, mártir, 29 de abril (16 de abril) ................................................................. 2

Joaquim e Ana, justos, 22 de setembro e 7 de agosto (29 de set. e 25 de julho) ... 5

João Teólogo, apóstolo e evangelista, 21 de maio e 9 de out.(8 maio e 26 set.) .. 3

João Crisóstomo, "sviatitel," 9 fev., 12 fev. e 26 ago.(27 jan.,30 jan. e 13 nov.) .. 1

João Batista, profeta, 7 de junho, 20 de jan., 9 de mar, 7 de jun,77 set., 6 out.

(24 junho, 7 janeiro, 24 fevereiro, 25 maio, 29 agosto, 23 setembro) ............... 3

João Damasceno, "prepodobnyi," 17 de dezembro (4 de dezembro) .................... 6

João de Kronstadt, justo, 1 novembro e 2 janeiro (19 outubro e 20 dezembro) .... 6

Juliania, mártir, veja Paulo e Juliania, 17 março e 30 ago (4 março e 17 ago.) ..... 2

Juliania, mártir, 3 de janeiro (21 de dezembro) ..................................................... 6

Ksenia de Petersburgo, bem-aventurada, 6 fev (24 jan.) e 24 set (11 set.) .......... 1

Ksenia Romana, "prepodobnaia," 6 de fevereiro (24 de janeiro) .......................... 1

Larissa, mártir, veja Alla, Larissa e outras, 8 de abril (26 de março) .................... 2

Leo, papa de Roma, "sviatitel," 3 de março (18 de fevereiro) .............................. 1

Leonid, mártir, 18 de junho (5 de junho) ............................................................. 3


Leonid, mártir, veja Victoria, Galina e outros, 29 de junho (16 de julho) ............. 4

Leonida, mártir, 8 de julho (25 de junho) ............................................................ 3

Leonilla, mártir, 29 de janeiro (16 de janeiro) ..................................................... 1

Leôncio, mártir, 22 de março (9 de março) ........................................................ 2

Leôncio, mártir, 1 de julho (18 de junho) ............................................................ 3

Leôncio, mártir, veja Cosme e Damião, 17 de outubro (4 de outubro) ................. 5

Lidia, mártir, 5 de abril (23 de março) ................................................................. 2

Liubov, mártir, veja Vera, Nadejda, Liubov e Sofia, 30 setembro (17 setembro) .. 5

Ludmila, princesa tcheca, mártir, 29 de setembro (16 de setembro) ..................... 5

Marina e Cira, mulheres "prepodobnyie," 13 de março (28 de fevereiro) ............. 1

Marina, grã mártir, 30 de julho (17 de julho) ....................................................... 4

Maria do Egito, "prepodobnaia"" 14 abril (5ª semana da Quaresma e 1 abril) ...... 2

Maria Madalena, igual-aos-apóstolos, 4 de agosto (22 de julho) ......................... 4

Militsa, justa princesa, 1 de agosto (19 de julho) ................................................. 4

Mitrofan, "sviatitel"de Voronezh, 6 de dezembro (23 de novembro) ................... 6

Miguel, arcanjo, 21 de novembro (8 de novembro) ............................................. 6

Miguel, príncipe mártir, 3 de outubro (20 de setembro) ...................................... 5

Miguel, metropolita de Kiev, "sviatitel," 13 out. e 28 jun (30 set. e 15 junho) .... 5

Nadejda, mártir, veja Vera, Nadejda, Liubov e Sofia 30 de setembro (17 de set.). 5

Natália, mártir, veja Adrian e Natália, 8 de setembro (26 de agosto) ................... 4

Nikita de Novgorod, "sviatitel," 13 de fevereiro (31 de janeiro) .......................... 1

Nikita, grão mártir, 28 de setembro (15 de setembro) ......................................... 5

Nicolau Taumaturgo,"sviatitel," 22 de maio e 19 de dezembro (9 maio e 6 dez.) . 6

Nina, igual-aos-apóstolos, 27 de janeiro (14 de janeiro) ....................................... 1

Nonna, justa, 18 de agosto (5 de agosto) ............................................................. 4


Oleg de Briansk, santo príncipe, 3 de outubro (20 de setembro) .......................... 5

Olimpiada, diaconissa, bem-aventurada confessora, 7 de agosto (25 de julho) ..... 4

Olga, princesa, igual-aos-apóstolos, 24 de julho (11 de julho) .............................. 4

Paulo, apóstolo, veja apóstolos Pedro e Paulo, 12 de julho (29 de junho) ............ 3

Paulo e Juliania, mártires, 17 de março e 30 de agosto (4 de março e 17 agosto) . 2

Paula, mártir, veja Valentina, Paula e Ennafa, 23 de fevereiro (10 de fevereiro) ...1

Panteleimon, grão mártir e médico, 9 de agosto (27 de julho) .............................. 4

Parasceva, (Piatnitsa),mártir, 10 de novembro (28 de outubro) ............................ 5

Pacómio Grande, "prepodobnyi," 28 de maio (15 de maio) .................................. 3

Pelagueia, "prepodopbnaia," 17 de maio (4 de maio) ........................................... 3

Pelagueia, "prepodobnaia," 21 de outubro (8 de outubro) ................................... 5

Pedro e Paulo, santos apóstolos, 12 de julho (29 de junho) ................................. 3

Pinna, mártir, veja Inna, Pinna e Rimma, 2 de fevereiro (20 de janeiro) ................ 1

Procópio de Ustiug, "prepodobnyi," 21 de julho (8 de julho) ............................... 4

Raissa, mártir, 18 de setembro (5 de setembro) ................................................... 5

Rimma, mártir, veja Inna, Pinna e Rimma, 2 de fevereiro (20 de janeiro) ............. 1

Roman, cantor, "prepodobnyi," 14 de outubro (1 de outubro) ............................. 5

Rostislav, santo príncipe, 27 de março (14 de março) .......................................... 2

Svetlana, bem-aventurada, veja Zóia e Svetlana, 26 de fevereiro (13 fevereiro) .... 1

Serafim de Sarov, "prepodobnyi," 1 agosto e 15 janeiro (19 julho e 2 janeiro) ..... 4

Sergio de Radonej, "prepodobnyi, 18 julho e 8 outubro (5 julho e 25 setembro) .. 5

Simeão e profetisa Ana, justos, 15 de fevereiro (2 de fevereiro) ........................... 1

Simeão "Stolpnik"(na coluna), bem-aventurado,14 de setembro(1 de setembro) .. 5

Sofia, mártir, veja Vera, Nadejda, Liubov e Sofia, 30 de setembro (17 setembro) . 5

Stefanida, veja mártires Vitor e Stefanida, 24 de novembro (11 de novembro) ...... 6


Sussana (Sossana), mártir 24 de agosto (11 de agosto) ......................................... 4

Taissia, "prepodobnaia," 21 de outubro (8 de outubro) ......................................... 5

Taissia, bem-aventurada, 23 de maio (10 de maio) ................................................ 3

Tamara, santa rainha, 14 de maio (mulheres miróforas ou 1 de maio) .................... 3

Tatiana, mártir, 25 de janeiro (12 de janeiro) ......................................................... 1

Tikhon de Zadonsk, "sviatitel," 26 de agosto (13 de agosto) ................................. 4

Teodoro Stratilato, grão mártir, 21 de fevereiro (8 de fevereiro) ........................... 1

Teodoro Tiron, grão mártir, 30 de fevereiro (17 de fevereiro) ............................... 1

Teodoro, boyarde e mártir, veja Miguel e Teodoro, 3 de outubro (20 de setembro) 5

Tiago, imão do Nosso Senhor, apóstolo, 5 de novembro (23 de outubro)............. 5

Vassilissa, mártir, 16 de setembro (3 de setembro) ................................................ 5

Vera, Nadejda, Liubov e Sofia, mártires, 30 de setembro (17 de setembro) .......... 5

Veronica (Virinéia), mártir, 17 de outubro (4 de outubro) .................................... 5

Victor e Stefanida, mártires, 24 de novembro (11 de novembro) .......................... 6

Vitali, "prepodobnyi," 5 de maio (22 de abril), ..................................................... 2

Vladimir, príncipe igual-aos-apóstolos, 28 de julho (15 de julho), ........................ 4

Victoria (Nika), Leonid e outros, mártires, 29 de abril (16 de abril) .................... 2

Vsevolod de Pskov, santo duque, 24 de fevereiro (11 de fevereiro) .................... 1

Viacheslav Checo, príncipe mártir, 12 de outubro (28 de setembro) .................... 5

Vadim, santo mártir, 22 de abril (9 de abril) ....................................................... 2

Valentim, padre e mártir, 12 de agosto (30 de julho) ........................................... 4

Valentina, Paula e Ennafa, mártires, 23 de fevereiro (10 de fevereiro) .................. 1

Valério, mártir , 22 de março (9 de março) .......................................................... 2

Zacarias e Elisabeta (Isabel), justos, 18 de setembro (5 de setembro) ................... 5

Zenaide, mártir, 24 de outubro (11 de outubro) ................................................... 5


Zoia, Svetlana e Martiniano, "prepodobnyie" (26 de fevereiro(13 de fevereiro) .. 1

Zoia, mártir, 31 de dezembro (18 de dezembro) .................................................. 6

Mártirres por Cristo — veja brochura 2, ascese monástica ("prepodonyie") — brochura


3, desvairados por amor a Cristo — brochura 5. Relação por ordem alfabética — nesta
brochura, significado dos nomes — no final da brochura 2.

Brochura missionária A-1

Missão Ortodoxa da Santíssima Trindade

Copyright c.2001, Holy Trinity Orthodox Mission

466 Foothill Blvd., Box 397, La Canada, Ca 9l0ll, USA

Redator: Bispo Alexandre Mileant

(saints_1_p.doc, 07-13-2003)

Seleção da

Vida dos Santos


II
Março – Abril
Bispo Alexandre Mileant

Traduzido por Tatiana Zyromsky


Março.

Santa Mártir Eudoxia. Santa Mártir Antonina. Os Santos Mártires Paulo e Juliana.
Quarenta Mártires da Cidade de Sebástia. O Piedoso Rostislav, Duque de Kiev. Santo
Alexis, o Homem de Deus. Santos Mártires Crisanto e Dária. A Santa Mártir Lídia e
Sua Família. Santas Mártires Alla e Larissa. Arcanjo Gabriel.

Abril.

Santa Maria do Egito. Santo Mártir Vadim. Santas Mártires Agápia, Irene e
Queonia. Santos Mártires Vitória (Nika), Leonidas, Galina, Vassilissa e outros.
São Vitali. São Jorge, Megalomártir. Santa Mártir Alexandra. Santo Mártir
Anatólio. Santo Estêvão, Bispo da Cidade de Perm.

O Significado dos Nomes e a Sua Tradução

Santa Mártir Eudoxia


14 de março (1 de março do estilo velho).

A santa Eudoxia era samaritana de nascimento. Ela morava em Heliopolis da Fenícia


(à leste das montanhas do Líbano e ao norte da Palestina no tempo do imperador
romano Trajano (anos 89-117). Como na sua juventude ela era de uma beleza
extraordinária, ela levava uma vida devassa e liber-tina. Houve muitos noivos e
admiradores muito ricos, que vieram de outros países conhece-la, de modo que com o
tempo ela ficou muito rica e gozava de respeito por parte das autoridades locais.

Deus, querendo salvar a alma da Eudoxia da eterna condenação, fez com que um velho
monge chamado Herman visitou a localidade onde morava a Eudoxia. Herman tinha o
costume de ler em voz alta as Sagradas Escrituras e por acaso a Eudoxia ouviu o trecho
das profecias sobre a Segunda Vinda do Nosso Senhor e o Juízo Final.

Esta leitura impressionou a Eudoxia e perturbou o seu espírito, pois ela compreendeu,
que todos estes castigos mencionados na Bíblia serão aplicados a ela, pecadora. Ela
visitou o monge Herman que contou a ela sobre o cristianismo e sobre a vida eterna. As
palavras do monge ficaram plantadas no coração da Eudoxia. Ela acreditou no Cristo e
foi batizada, após o que distribuiu todos os seus bens aos pobres e entrou no convento.

Eudoxia viveu muitos anos naquele convento consagrando a sua vida inteiramente ao
jejum, orações e purificação da alma. Com o tempo ela alcançou a maturidade espiritual
e foi nomeada a madre do convento. Entrando no exercício desta função, ela direcionou
todas as suas forças para a ajuda aos necessitados. Ela fornecia roupa e comida aos
pobres e peregrinos que visitavam o seu convento e curava os enfermos com as suas
orações.
Assim, durante 56 anos, Eudoxia levava esta vida de ajuda aos outros, rezando e
jejuando. No ano 152, durante o reinado do imperador Antônio, ela terminou a sua vida
como mártir. Por causa da disseminação da fé cristã, ela foi acusada de bruxaria e
fraude. Sem julgamento ela foi decapitada.

Assim, a santa Eudoxia, pela sua vida austera, pela sua bondade e pela sua morte como
mártir, foi digna de receber uma coroa tripla no Reinado dos Céus.

Tropário:

Com a tua sabedoria ataste a tua vida ao amor de Cristo, viveste esquecendo-se das
coisas fúteis, atraentes e provisórias, como uma verdadeira discípula de Cristo.
Primeiro, jejuando aniquilaste as paixões, depois com os teus sofrimentos humilhaste o
inimigo. Assim Cristo te coroou com uma coroa múltipla, santa mártir Eudoxia: para
que nós nos livrarmos de enfermidades espirituais e recebermos o milagre da graça.

Santa Mártir Antonina


14 de março (1 de março no estilo velho).

O tempo apagou os vestígios e detalhes da vida cristã da santa Antonina. Sabemos


somente que ela viveu na cidade de Nicéia, na região de Bitínia (na costa noroeste da
Ásia Menor, a Turquia de hoje). No ano de 302, durante a perseguição dos cristãos no
reinado do imperador Diocleciano, a santa Antonina foi torturada por ter se negado de
adorar os ídolos pagãos. Após longas torturas, ela foi presa num saco e afogada num
lago próximo.

Tropário:

Jesus, a Tua cordeira Antonina está clamando em voz alta: amo Te, meu Esposo, e ao
procurar-Te, sofro e me crucifico e me sepulto com o Teu batismo, sofro por Tua causa,
para que também possa reinar em Ti, morro por Ti para que possa viver junto com Ti,
portanto, aceita-me como uma oferta pura, que se sacrificou por Ti com todo o amor:
por orações dela, salve as nossas almas, ó Misericordioso.

Os Santos Mártires Paulo e Juliana


17 de março e 30 de agosto (4 de março 17 de agosto no estilo velho).

Os santos mártires Paulo e sua irmã Juliana (junto com eles — Quadrado, Acácio e
Estratônico) sofreram durante o reinado do imperador Aureliano — por volta do ano
273, na cidade de Ptolemaida. São Paulo estava presente durante a solene cerimonia de
recepção do imperador e ao ver Aureliano entrar na Ptolemaida, fez um sinal de cruz.
Por causa disto ele foi preso e barbaramente torturado.

A sua irmã Juliana presenciava todas as torturas e começou a acusar os torturadores de


crueldade, e por isto foi também torturada. Mas os mártires, por graça de Deus, ficaram
milagrosamente curados dos ferimentos. Ao presenciar tal milagre, os seus três
torturadores: Quadrado, Acácio e Estratônico acreditaram em Cristo. Todos eles foram
decapitados.

Tropário:

Senhor, os Teus mártires, nos seus sofrimentos receberam de Ti, nosso Senhor, as
coroas eternas: pois tiveram a Tua força que venceu os torturadores e aniquilou os
débeis assaltos dos demônios. Salve as nossas almas por suas orações.

Quarenta Mártires da Cidade de


Sebástia
Valério, Cláudio, Leoncio, Teófilo, e outros
22 de março (9 de março no estilo velho).

No ano de 313, o imperador Constantino assinou o decreto sobre a liberdade da


profissão da fé. O seu co-regente, imperador Licínio, também assinou este decreto, mas
na realidade, nas províncias a ele subordinadas continuaram as perseguições dos
cristãos. Por volta do ano de 320, na cidade de Sebástia, na Armênia, estava aquartelado
o exército romano, onde 40 soldados eram cristãos, naturais da Capadócia (hoje,
Turquia). O comandante Agrícola queria obriga-los a adorar os ídolos, mas os soldados
se recusaram.

Daí os soldados foram presos e amarrados levados até um lago perto da cidade de
Sebástia. Era inverno e a noite já estava quase caindo. Os soldados foram colocados nus
no lago, que já estava coberto por gelo. Devido ao frio rigoroso, os mártires ficaram
com o corpo completamente duro. Para aumentar o sofrimento deles, perto do lago foi
colocada uma sauna quente. Quem deles quisesse salvar a vida, devia avisar ao
carcereiro que renegava a Cristo e só depois ele podia sair do lago e entrar na sauna para
se aquecer. Mas os soldados ficaram no lago a noite inteira, animando um ao outro e
cantando hinos a Deus. De madrugada, um dos soldados não agüentou mais a tortura.
Ele saiu do lago e correu para a sauna. Mas, no momento, em que ele entrou no ar
quente, ele caiu morto. Logo depois disso, o carcereiro Aglaio viu por cima dos mártires
uma luz Divina. Aglaio ficou tão chocado com isto, que disse ser também cristão,
despiu-se e se juntou aos 39 mártires no lago. Quando chegaram os torturadores, eles
perceberam, que os mártires não só não morreram congelados, mas até pareciam
aquecidos. Daí os torturadores quebraram com um martelo as pernas deles e os jogaram
na fogueira e depois os seus ossos carbonizados jogaram num rio.
Passados 3 dias, os santos mártires apareceram ao bispo Pedro da Sebástia e contaram-
lhe tudo. O bispo Pedro juntou os seus ossos e os sepultou com grande honra. Os nomes
dos santos mártires são: Círion, Candido, Domno, Issiquia, Heráclio, Smaragdo,
Eunoico, Valento, Viviano, Claudio, Prisco, Teodulo, Eutikhio, João, Xantio, Iliano,
Sissinio, Agueu, Aécio, Flávio, Acácio, Ecdecio, Lisimaco, Alexandre, Elias, Gorgônio,
Teofilo, Domiciano, Gaio, Leoncio, Atanásio, Cirilo, Saquerdon, Nicolau, Valério,
Filictimon, Severiano, Hudion, Meliton e Aglaio.

O dia dos 40 mártires pertence aos mais festejados dias. Neste dia o jejum da Quaresma
é menos rigoroso e é oficiada a missa litúrgica dos Dons Pré-santificados.

O Piedoso Rostislav, Duque de Kiev


27 de março (14 de março no estilo velho).

São Rostislav, duque de Kiev (com o nome de batismo Miguel), era neto de Vladimir
Monomakh, filho de Mstislav 1o e irmão do duque Vsevolod. Quando Mstislav herdou o
trono de Kiev, ele mandou o seu terceiro filho, Rostislav para governar a cidade de
Smolensk. Rostislav governou lá por mais de 40 anos, fundando uma série de cidades,
construindo muitas igrejas bem como a fortaleza (kremlin) de Smolensk. Durante o
governo dele surgiu a diocese de Smolensk.

Nos anos 50 do século XII, ele foi envolvido na luta pelo Kiev, empreendida pelas
famílias rivais. Em 1159, Rostislav se tornou duque de Kiev. Ele se destacou por suas
qualidades cristãs: amor e condescendência aos subordinados, desejo de fazer bem a
todos, perdão e esquecimento de ofensas. Sabemos, que Rostislav queria ser monge,
mas não pude concretizar este seu desejo. O seu confessor era Policarpo, abade do
mosteiro de Kievo-Pechersk. O povo amava o Rostislav. No ano de 1167, quando
voltava da batalha com a cidade de Novgorod, ele adoeceu e faleceu. Ele foi sepultado
em Kiev, no mosteiro de Feodorov, fundado pelo pai dele.

Santo Alexis, o Homem de Deus


30 de março (17 de março no estilo velho).

No século IV, na Roma, vivia um casal rico, Eufimiano e Aglaída, que eram
conhecidos na cidade toda por sua misericórdia e bondade. Diaria-mente eles acolheram
em sua casa os pobres, os órfãos, as viúvas e peregrinos. Nos dias em que poucos
pobres sentaram na mesa deles, Eufimiano dizia com tristeza: "Eu não sou digno de
viver na terra do meu Deus."
Todos gostavam do Eufimiano e de sua esposa, mas o casal não tinha filhos. Eufimiano
e Aglaída estavam muito tristes por causa disto e diariamente pediram a Deus que lhes
mande um filho para o consolo da velhice deles. Até que Deus ouviu a prece deles e
lhes nasceu um filho que eles batizaram com o nome de Alexis. Os pais se empenharam
muito para que o filho deles crescesse bondoso e piedoso.

Alexis, educado e direcionado pelos pais, desde a infância amou Deus. Ele jejuava
rigorosamente, se vestia com moderação e freqüentemente rezava. Quando Alexis ficou
adulto, os pais acharam uma noiva para ele o casaram.

Logo após o casamento, quando os jovens noivos ficaram a sós, Alexis chegou à sua
esposa-virgem, entregou-lhe a aliança, um cinto precioso e disse: "Guarda isto, e que
Deus esteja entre tu e mim até que a Sua graça não produza algo novo dentro de nós."
Após estas palavras, Alexis saiu.

Tirando a sua rica roupa de casamento, ele se vestiu como um simples camponês, levou
um pouquinho de dinheiro e saiu da casa dos pais. Alexis queria seguir as palavras de
Cristo: "E todo aquele, que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou
esposa, ou filhos, ou fazendas, por amor do Meu nome, há de receber o cêntuplo e
possuirá a vida eterna" (Mat. 19:29). Podemos pressupor, que antes de sair da casa dos
pais, santo Alexis consentiu casar somente para garantir o futuro da sua noiva.

Passando por muitos lugares, enfim Alexis chegou até a cidade de Edessa, onde havia o
ícone Aqueropita do Nosso Senhor. Aqui, ele distribuiu entre os pobres as últimas
moedas que lhe ainda restavam e começou viver como um pobre nos degraus da igreja
de Nossa Senhora, se alimentando exclusivamente daquilo, que alguém piedoso lhe deu.
Alexis rezava dia e noite, e todo domingo comungava. Assim ele passou l7 anos na
pobreza, aperfeiçoando-se espiritualmente.

Aos poucos, os habitantes de Edessa ficaram conhecendo o pobre da igreja e apreciaram


os seus altos méritos espirituais. Um dos servidores da igreja viu num sonho Nossa
Senhora Que lhe disse: "Leva para a Minha igreja o homem de Deus: pois a sua oração
chega à Deus, e igual à uma coroa na cabeça de um rei, repousa sobre ele o Santo
Espírito." O servidor ficou muito maravilhado com este sonho refletindo sobre quem
seria este homem, mas o sonho se repetiu e Nossa Senhora lhe mostrou o mendigo,
sentado perto do portão da igreja.

Desde aquele momento o respeito pelo Alexis aumentou ainda mais, muita gente
começou a elogiá-lo e abertamente apresentá-lo como exemplo. Em conseqüência disto,
fugindo da fama do mundo, Alexis saiu da Edessa. Chegando até o mar Mediterrâneo,
ele entrou num navio para fugir da fama para um outro país. No mar começou uma
terrível tempestade e após alguns dias navio danificado foi levado pelas ondas até a
Itália — a um lugar perto da casa de seus pais.

Na terra, Alexis estava se dirigindo até a sua casa e no caminho encontrou o seu pai, que
estava voltando da igreja. Alexis se inclinou diante dele e disse: "Tenha piedade de
mim, mendigo, e me dá um pequeno lugar na tua casa. Deus te abençoará e te dará um
lugar no Reino dos Céus e se por acaso tiveres alguém da sua família, que está longe de
ti, Deus te devolverá esta pessoa." Estas palavras lembraram a Eufimiano que o filho
dele desapareceu há muito, ele chorou e mandou dar ao mendigo uma pequena casinha
no jardim dele.

Assim, Alexis começou morar na propriedade do pai, sem ser reconhecido por pessoa
alguma, porque após tantos anos de ausência, passados na absoluta pobreza, ele mudou
muito fisicamente. Mesmo após a sua volta para casa, Alexis levava a mesma vida como
antes em Edessa: constantemente rezava, comungava todo domingo, suportava miséria,
se contentando com o mínimo. Para Alexis era muito difícil viver perto dos pais e
esposa e ver a tristeza deles pelo filho e marido desaparecido. Assim se passaram mais
17 anos.

Quando Alexis sentiu a proximidade da morte, ele escreveu uma carta relatando toda a
sua vida, a começar pela separação e começou a preparar-se para a morte.

No domingo seguinte, dom Inocêncio, bispo da cidade de Roma, estava celebrando a


liturgia na presença do rei Honório. Houve muitas pessoas na igreja. Durante a missa
ouviu-se uma voz dizendo: "Procurai um homem de Deus na casa de Eufimiano." O rei
perguntou ao Eufimiano: "Porque tu não disseste a nós, que na tua casa mora um
homem de Deus?" Eufimiano respondeu: "Em verdade te digo, não sei que quem se
trata."

Daí o rei Honório e o papa Inocêncio resolveram visitar pessoalmente a casa de


Eufimiano e conhecer o homem de Deus. Chegando lá, eles souberam dos criados que
na casinha lá no fundo mora um mendigo, que está constantemente rezando e jejuando.

Quando entraram lá, acharam um homem extenuado, prostrado no chão e sem vida. O
seu rosto resplandecia e o corpo exalara um maravilhoso aroma.

O rei, vendo a carta na mão do Alexis, pegou-a e leu a voz alta. Só depois, Eufimiano e
todos os presentes souberam, que o mendigo, que morava aqui por muitos anos, era o
filho desaparecido. Os pais ficaram muito entristecidos, que não souberam antes que o
mendigo era o seu filho amado, mas ao mesmo tempo se alegraram, porque ele alcançou
tamanha santidade.

Tropário:

Ao alcançar a virtude e purificar a razão, chegaste ao máximo e ao almejado:


embelezando a tua vida com a impassibilidade, e jejuando rigorosamente com a
consciência pura, permaneceste em orações igual a um anjo e resplandeceste como um
sol no mundo, o bem-aventurado Alexis.

Santos Mártires Crisanto e Dária


1 de abril (19 de março no estilo velho).

Santos Crisanto e Dária, (e junto com eles Claudia, Hilária, Jason e Mauro) foram
martirizados em Roma no ano de 283. São Crisanto era filho de um rico senador,
recebeu a melhor educação e desde a juventude se interessou pela leitura. Ao adquirir o
Evangelho e as Epístolas dos Apóstolos, ele os leu com grande interesse e ficou
fascinado pela grandeza de ensinamentos contidos no Evangelho, mas muita coisa ele
não conseguiu entender.

Pela providencia Divina, Crisanto conheceu um sacerdote, que lhe explicou a fé cristã.
Ao se aprofundar nos ensinamentos do Evangelho e se compenetrar pelos ideais
cristãos, Crisanto renegou o paganismo, que era a religião da família dele, e se batizou.
Crisanto teve um desejo ardente de converter também os outros pagãos para o
cristianismo e começou com grande empenho e sem medo propagar o Evangelho.

Quando o seu pai, que era um ferrenho pagão soube do batismo do filho, então para
dissuadi-lo da fé cristão, meteu-o na prisão e começou a torturá-lo com fome e frio. Mas
os sofrimentos fortificavam a fé do Crisanto, Daí, o pai, esperando devolve-lo ao
paganismo, tirou-o da prisão e uniu em matrimonio com uma moça de nome Dária, que
era uma sacerdotisa no templo de Atena. Mas, num curto espaço de tempo, Crisanto
converteu a sua esposa para o cristianismo.

Após a morte do pai de Crisanto, a casa do jovem casal se transformou no abrigo dos
cristãos. Após um certo tempo, o tribuno Cláudio recebeu uma denúncia, que Crisanto e
Dária professam cristianismo. Cláudio os prendeu e mandou torturar, mas ao ver a
firmeza e os milagres dos mártires, ele mesmo, junto com a sua esposa Hilária e seus
filhos Mauro e Jason, abraçaram o cristianismo.

Por isso, por ordem do imperador, Cláudio foi afogado com uma grande pedra atada no
pescoço dele, e seus filhos foram decapitados. A sua esposa Hilária morreu no túmulo
deles antes de ser torturada. Crisanto e Dária, após terríveis torturas, foram enterrados
vivos. Mais tarde, no dia onomástico dos santos Crisanto e Dária, muitos dos cristãos
romanos se juntavam no seu túmulo e lá oravam. Quando os pagãos souberam disto,
fecharam a gruta com pedras e todos que naquela hora se encontravam lá morreram de
fome. A tradição diz, que entre eles se encontrava também o padre Diodoro e a
diaconisa Mariana.

Tropário:

Senhor, os Teus mártires, receberam nos sofrimentos coroas eternas de Ti, nosso Deus:
eles tiveram a Tua força de vencer os torturadores e esmagaram os débeis ataques dos
demônios. Por suas orações, salve as nossas almas.

A Santa Mártir Lídia e Sua Família


5 de abril (23 de março no estilo velho).

São Filito, a sua esposa Lídia e seus filhos: Macedônio e Teoprepido foram
perseguidos durante o reina-do do imperador Adriano (118-138). Filito era conselheiro
do imperador. Sabemos muito pouco dele e de sua família. Só e conhecido que os
sofrimentos deles começaram em Roma e terminaram na Illirica. Eles foram jogados no
óleo fervente e ficaram ilesos. Desejando se juntar a Deus o mais rápido possível, eles
mesmos pediram a sua morte e morreram orando.

Ao ver a fé inabalável do Filito e de sua família, o comandante Amfilóquio e o


carcereiro Cronido acreditaram em Deus e também sofreram como mártires.

Tropário (igual aos santos Crisanto e Dária):

Senhor, os Teus mártires, receberam nos sofrimentos coroas eternas de Ti, nosso Deus:
eles tiveram a Tua força de vencer os torturadores e esmagaram os débeis ataques dos
demônios. Por suas orações, salvem as nossas almas.

Santas Mártires Alla e Larissa


8 de abril (26 de março o estilo velho).

Santas mártires Alla e Larissa morreram, junto com outros mártires, na metade do
século IV, quando o rei Unguerico, rei dos godos, mandou queimá-las vivas na igreja,
durante a missa.

Santa Gaata, esposa de um outro rei godo, junto com a sua filha Duclida, juntaram os
restos mortais (relíquias) dos mártires e com estas relíquias seguiram para Criméia.
Quando a Gaata voltou para o seu país, os enfurecidos pagãos a apedrejaram. A filha
dela, a santa Duclida, morreu pacificamente na Criméia.

Tropario (igual aos santos Crisanto e Dária):

Senhor, os Teus mártires, receberam nos sofrimentos coroas eternas de Ti, nosso Deus:
eles tiveram a Tua força de vencer os torturadores e esmagaram os débeis ataques dos
demônios. Por suas orações, salve as nossas almas.

Arcanjo Gabriel
8 de abril (26 de março no estilo velho).

No dia seguinte após a festa da Anunciação comemora-se a sinaxe (uma reunião


religiosa em homenagem ao santo) do arcanjo Gabriel, que anunciou à Virgem Maria o
nascimento do Savador do mundo.

O arcanjo Gabriel é um dos sete principais anjos, os quais, de acordo com o livro de
Tobias "assistem e têm acesso à majestade do Senhor" (Tobias 12:15). O nome Gabriel
significa em hebreu a força de Deus.
O arcanjo Gabriel é mencionado várias vezes nas Escrituras Sagradas como mensageiro
de Deus enviado por Ele para anunciar aos homens os Seus planos a respeito da
salvação do mundo.

Assim, o arcanjo Gabriel apareceu várias vezes a profeta Daniel, explicando a ele os
mistérios da vinda do Messias, as perseguições do anticristo e do fim do mundo (Daniel
8:16, 9:21). Antes do nascimento de Jesus Cristo, o arcanjo Gabriel apareceu ao ancião
Zacarias anunciando a concepção milagrosa do são João Batista.

Seis meses mais tarde ele apareceu à Virgem Maria em Nazaré, anunciando a Ela ser a
eleita por Deus para se tornar a Mãe de Cristo-Salvador (Lucas, capítulo 1).

De acordo com os ensinamentos de alguns padres da Igreja, o arcanjo Gabriel foi


enviado à Getsemani para dar força à Jesus na oração Dele, e depois também à Nossa
Senhora para avisa-la do dia de Sua morte. Por isso, nos livros religiosos, a Igreja
chama o arcanjo Gabriel de "servidor de milagres."

Mas, uma vez que o arcanjo Gabriel é o mensageiro de mais importantes


acontecimentos no Velho e no Novo Testamento, ele deve ser especialmente próximo a
Deus. Nos ícones, o arcanjo Gabriel é muitas vezes representado com um ramo do
paraíso (um lírio branco) na mão, o qual, conforme a tradição ele trouxe à Virgem
Maria no dia da Anunciação.

Sobre os anjos, sua natureza, sua vida e seu serviço à Deus, o leitor encontrará mais
informações na brochura "Anjos, mensageiros abençoados de Deus."

Tropário:

Comandante das forças celestiais, peçamos te sempre nós, indignos, nos proteger por
tuas orações, com a proteção de tuas asas de tua glória imaterial, preservar-nos, que
estamos te pedindo fervorosamente e clamando: guarda nos de todo o mal, pois tu és o
comandante de forças celestiais.

Santa Maria do Egito


14 de abril (1 de abril no estilho velho).

Santa Maria do Egito viveu em meados do século 5 e começo do século 6. A sua


juventude não era nada promissora. Ela tinha somente 12 anos, quando saiu de sua casa
em Alexandria, e ficando livre do controle dos pais, jovem e inexperiente como era, ela
se envolveu com a vida devassa. Não havia ninguém quem podia dete-la, e tinha muitos
sedutores e muitas tentações em volta dela. Assim, ela passou 17 anos nesta vida que
leva à perdição, até que Deus misericordioso providenciou a sua penitencia.

Aconteceu isto assim: Por força das circunstancias, Maria se juntou a um grupo de
peregrinos, que estavam se dirigindo para a Terra Santa. Durante a viagem no navio, a
Maria não parava de seduzir os romeiros e a pecar. Ao chegar em Jerusalém, ela se
juntou a um grupo de pessoas que iam para a igreja de Ressurreição.

Todos homens entravam livremente na igreja, porém a Maria foi parada por uma mão
invisível e não conseguia entrar de jeito algum. Aí ela compreendeu, que Deus não
deixa ela entrar num lugar santo por causa da sua devassidão.

Ela ficou possuída de um grande temor e de um grande desejo de penitencia, e começou


a pedir a Deus o perdão dos pecados, prometendo se regenerar. Ela viu logo na entrada
o ícone de Nossa Senhora e começou a pedi-La interceder por ela perante Deus. Logo
ela sentiu um grande alívio e entrou livremente na igreja. Chorando muito no Santo
Sepulcro, ela saiu da igreja completamente transformada.

Maria cumpriu a sua promessa de mudar a sua vida. Ela se retirou de Jerusalém para o
deserto de Jordão e lá viveu quase meio século em solidão, rezando e jejuando. Assim,
com estes atos de penitencia ela se livrou completamente de todo desejo pecaminoso e
purificou o seu coração para que este se transformasse num templo do Espírito Santo.

O ancião Zossima, no mosteiro do Profeta João o Precursor, por providencia de Deus,


encontrou a santa Maria no deserto, quando esta já era uma anciã. Ele foi maravilhado
com a sua santidade e seu dom de prever as coisas. Uma vez ele viu a Maria, quando
durante a oração ela se levantou acima da terra, levitando, e uma outra vez, quando ela
atravessava o rio Jordão como uma terra firme.

Na despedida do velho Zossima, Maria pediu-lhe que ele voltasse dentro de um ano,
para dar-lhe a comunhão. Zossima voltou para o deserto conforme combinado e lhe deu
a Santa Comunhão. Depois, após um ano voltando mais uma vez, ele achou ela morta.

O velho Zossima enterrou as santas relíquias lá mesmo no deserto e na sua tarefa lhe
ajudou um leão, que com as suas garras cavou a cova para o sepultamento do corpo da
justa. Santa Maria faleceu em 521.

Assim, de uma grande pecadora, a santa Maria se transformou, com a ajuda de Deus,
numa grande justa, numa das maiores santas e nos deixou um grande exemplo de
penitencia. Ela é lembrada pela igreja em 1 de abril e no 5o domingo da Quaresma.

Tropário:

Fugindo da penumbra do pecado, e iluminando o teu coração com a luz de penitencia,


chegaste, ó Maria gloriosa, ao Cristo. Trouxeste contigo a Santíssima e Puríssima
Virgem Mãe Dele, como a tua intercessora misericordiosa. Assim, recebeste o perdão
dos pecados e te alegres com os anjos pela eternidade.

Santo Mártir Vadim


22 de abril (9 de abril no estilo velho).
São Vadim nasceu numa cidade persa, chamada Viflapet. Ele era de uma origem
nobre. Após distribuir toda a sua riqueza, ele construiu um mosteiro fora da cidade,
onde se refugiou e onde mais tarde era arquimandrita. Às vezes ele se retirava para a
montanha vizinha, deserta, para levar uma vida mais contemplativa e se aprofundar
mais na oração e uma vez aqui foi digno de uma visão Divina.

Durante o reinado do rei Sapor II (376) são Vadim foi encarcerado junto com seus
discípulos. Durante quatro meses eles foram torturados para renegar Cristo. Mas os
santos confessores, mártires pela fé, agüentaram tudo com grande heroísmo. Na mesma
prisão foi encarcerado um certo Nirsan, prefeito da cidade de Aria. Nirsan teve muito
medo de torturas, renegou Cristo e prometeu ao rei cumprir qualquer ordem. Daí Sapor
mandou Nirsan matar o arquimandrita Vadim. Com mãos trêmulas Nirsan começou
bater no são Vadim com a espada, mas só após muitos golpes conseguiu decapitá-lo.
Após Vadim, os outros mártires também foram decapitados.

Nirsan não agüentou os remorsos e em breve após isto se suicidou.

Tropário:

Ó padre, salvaste-se servindo de exemplo: aceitaste a cruz e seguiste à Cristo, e com os


teus próprios atos ensinaste a desprezar a carne, pois a carne passa, mas ensinaste a se
preocupar com a alma, coisa imortal. Portanto, a tua alma, são Vadim, se alegra junto
com os anjos.

Santas Mártires Agápia, Irene e


Queonia
29 de abril (16 de abril no estilo velho).

As mártires Agápia, Irene e Queonia eram irmãs e moravam perto da cidade de


Aquiléia, no norte da Itália, no final de seculo III. Ainda meninas, elas ficaram órfãs,
decidiram não casar e levavam uma vida piedosa. Quando o imperador Diocleciano
visitou a Aquiléia, ele começou a perseguir implacavelmente os cristãos, de modo que
todas as prisões eram superlotadas por eles.

Naquela época foram também presas as três irmãs e torturadas. Na missa dedicada a
elas, é feita menção de que elas não tiveram medo nem de feras, nem de mutilações,
nem de outras torturas. Durante as torturas delas, aconteceram vários milagres, mas os
torturadores não prestaram atenção a isto. No final, Agápia e Queonia foram queimadas
vivas, e Irene perfurada por flechas. Isto se deu em 304. Santa Anastácia, chamada de
Livradora dos Acorrentados, porque ela aliviava as dificuldades dos prisioneiros
cristãos, sepultou as santas relíquias.
Estas três irmãs tinha a fé em Deus tão grande, tão inabalável, que não tiveram medo
das torturas e ofereceram a sua juventude a Cristo, sofrendo por Ele. Elas Lhe
entregaram a sua vida na terra, para receber a vida eterna no Céu. Agora elas se alegram
no Reino da luz eterna. Por suas orações, que Deus no dê a força necessária para levar
uma vida cristã.

Tropário:

Irene, reforçaste a tua alma pela fé, humilhando o demônio, e levaste uma enorme
multidão de homens à Cristo, bem-aventurada, vestiste as vestes de sangue, e agora te
alegras junto com os anjos.

Santos Mártires Vitória (Nika),


Leonidas, Galina, Vassilissa e outros
29 de abril (16 de abril no estilo velho).

Os santos mártires Vitória (Nika), Leonidas, Khariessa, Galina, Kalissa, Nunekhia,


Vassilissa e Teodora sofreram durante a perseguição dos cristãos no reinado do
imperador Décio (249-251), na cidade de Corinto, Grécia. Os pagãos jogaram-nos no
mar, mas eles não afundaram e andaram por cima da água como se fosse terra. Os
torturadores os alcançaram no barco, ataram-lhes pedras no pescoço e os afundaram por
volta do ano 251.

Tropário: (igual como aos Paulo e Juliana):

Senhor, os Teus mártires, nos seus sofrimentos receberam de Ti, nosso Senhor, as
coroas eternas, pois tiveram a Tua força que venceu os torturadores e aniquilou os
débeis assaltos dos demônio. Salve as nossas almas por suas orações.

São Vitali
5 de maio (22 de abril no estilo velho).

São Vitali nasceu na segunda metade do século VI. Ainda na adolescência ele entrou
no mosteiro do são Serido perto da cidade de Gaza, na Terra Santa e aqui viveu durante
muitos anos, levando uma vida muito austera. Aos 60 anos, Vitali deixou o mosteiro e
se mudou para Alexandria. Naquela época, o patriarca da Igreja de Alexandria era João,
conhecido por sua vida piedosa, cognominado Misericordioso.
Na Alexandria Vitali empreendeu uma tarefa muito difícil: salvação das prostitutas da
cidade. Morando numa casa particular, o monge Vitali trabalhou como operário, e às
noites visitava os prostíbulos. Entrando no quarto de uma prostituta, ele entregava à ela
o dinheiro que ele ganhou no dia e tentava persuadi-la deixar esta vida pecaminosa.
Depois disto Vitali se ajoelhava e rezava até a madrugada, enquanto a mulher estava
dormindo na sua cama. Muitas vezes, a mulher, sensibilizada por suas palavras, e vendo
como ele estava rezando a noite inteira, se arrependia e também se ajoelhando,
começava a rezar. De manhã, antes de sair para o trabalho, Vitali fazia as mulheres
jurarem que elas não iriam divulgar nada sobre a visita dele. Vitali tinha um caderno,
onde ele anotava os nomes destas mulheres e sempre rezava por elas.

Vitali levava esta vida excepcional durante vários anos. Os moradores da cidade eram
indignados com este modo de viver, que lhes pareceu indigno de um monge, e o
insultavam. Uma vez, um moço revoltado lhe bateu gritando: "Tu desonras os monges e
os cristãos!" Mas são Vitali suportava tudo com humildade, ainda pedindo aos
insultores de não o censurar. Até que enfim, o clero de Alexandria apresentou a sua
queixa ao patriarca João, insistindo nas medidas cabíveis contra Vitali. Mas o patriarca
deixou a queixa sem efeito.

Neste meio tempo, as boas palavras, as orações e a vida justa de Vitali tiveram um
efeito positivo sobre muitas pecadoras. Umas se retiraram para o convento, outras
casaram, e outras ainda começaram a trabalhar honestamente.

São Vitali morreu ajoelhado na frente de um ícone. Ele segurava em mãos uma carta
com os seguintes dizeres: "Moradores de Alexandria! Não julguem o próximo, mesmo
que ele lhes parece muito, muito pecador. Não julguem ninguém antes do Juízo de
Deus." Antes do seu enterro, as mulheres salvas por ele se juntaram e contaram para o
patriarca João e também para outras pessoas sobre a vida justa do monge Vitali. Depois
disto, muitos se envergonharam de terem ofendido uma pessoa justa. O próprio
patriarca oficiou o sepultamento das relíquias do são Vitali. Tanto durante o enterro,
como depois muitas pessoas se curavam ao tocar as relíquias do são Vitali.

Assim esta vida justa e incomum de são Vitali ensinou a muitos de não julgar os outros.
Realmente, nos vemos o aspecto externo de uma pessoa, mas não sabemos nada do seu
coração. Por isto foi dito: "Não julgueis, para não serem julgados."

Tropário:

Ó padre, é conhecido que muitos se salvaram com o teu exemplo: aceitando a cruz,
seguiste a Cristo, e com os teus atos ensinaste a desprezar a carne, pois ela passa, mas
zelar pela alma, que é imortal. Por isso, o teu espírito, são Vitali, se alegra junto com os
anjos.

São Jorge, Megalomártir


6 de maio e 16 de novembro (23 de abril e 3 de novembro no estilo velho).
São Jorge, megalomártir, era filho de pais nobres e ricos, e foi educado dentro dos
preceitos da fé cristã. Ele nasceu na cidade de Beirute (antiga Berit), perto das
montanhas de Líbano.

Ele entrou para o exército e se destacava entre os outros militares por seus
conhecimentos, sua coragem, sua força física, seu porte e sua beleza. Ele rapidamente
avançou para o posto de comandante de mil soldados e se tornou favorito do imperador
Diocleciano. Diocleciano foi um hábil governador, mas ele era um defensor fanático de
paganismo romano. A sua meta era ressuscitar o paganismo no Império Romano que já
estava ultrapassado e por isso entrou na história como um dos mais cruéis perseguidores
do cristianismo.

Uma vez, são Jorge ouviu no tribunal uma sentença desumana sobre a perseguição dos
cristãos e ficou tomado por compaixão por eles. Ele já estava prevendo que ele também
seria martirizado e por isso distribuiu todos os seus bens entre os pobres, libertou todos
os seus escravos, e chegando ao Diocleciano, lhe anunciou que ele também é um cristão
e começou a culpá-lo pelas atrocidades e injustiça. O discurso de Jorge era repleto de
argumentos fortes e persuasivos contra as perseguições dos cristãos.

Após muitas tentativas de convencer Jorge a renunciar a Cristo, o imperador mandou


tortura-lo. São Jorge foi jogado na prisão, onde deitado, teve os pés acorrentados e no
peito lhe foi colocada uma enorme pedra, muito pesada. Mas são Jorge agüentava tudo
com grande coragem, louvando a Deus. Daí os torturadores começaram a aumentar as
torturas, batendo-o, quebrando-o numa roda gigante, jogando-o na cal virgem,
obrigando-o a correr usando botas com pregos aguçados por dentro. O mártir agüentava
tudo com grande paciência. No final das contas, o imperador mandou decapita-lo.
Assim, este santo mártir morreu na Nicomidia, no ano de 303.

Por sua coragem e por sua vitória espiritual sobre os torturadores, e também pela sua
ajuda aos que se encontram em dificuldades, o grão mártir Jorge é ainda chamado de
Vencedor. As relíquias de são Jorge foram trazidas para a cidade palestina Lidda e se
encontram na igreja, que leva o seu nome — a Igreja de São Jorge. A sua cabeça se
encontra em Roma, também numa igreja consagrada a ele.

Muitos ícones mostram o são Jorge sentado num cavalo branco e com uma lança na
mão, vencendo um dragão. Esta imagem se deve a uma tradição, baseada nos milagres
póstumos do santo. Dizem, que perto da cidade natal de são Jorge, Beirute, num lago
vivia um dragão, que devorava as pessoas daquela localidade. Não sabemos hoje, que
animal era este dragão — uma jibóia, um crocodilo, ou um enorme lagarto.

Os habitantes supersticiosos começaram a regularmente fornecer ao dragão um moço ou


uma virgem, para aplacar a sua fúria. E chegou a vez da filha do governador daquela
província. Os habitantes levaram a pobre moça até o lago amarrando-a lá, onde ela,
apavorada, esperava pela aparição da fera.

Quando a fera começou a se aproximar à virgem, de repente apareceu um cavaleiro


montado num cavalo branco, matou o dragão com uma laça e assim salvou a moça. Este
cavaleiro era o são Jorge, megalomártir. Assim, com esta aparição milagrosa ele
interrompeu a matança de todos os moços e moças nos arredores de Beirute e converteu
ao cristianismo os moradores daquele país, que até então eram pagãos.

Podemos supor, que a aparição do são Jorge montado num cavalo para a salvação dos
moradores do dragão, bem como o caso com o camponês, cujo único boi ele
ressuscitou, casos estes narrados na hagiografia dele, contribuíram para que seja
considerado protetor dos rebanhos e defensor dos que estão ameaçados por feras.

Na Rússia, antes da revolução, os camponeses levaram pela primeira vez, depois do


inverno rigoroso, os seus rebanhos para o pasto no dia do são Jorge, mas não antes de
rezar uma missa para o santo com aspersão com água benta das casas e dos rebanhos.
Este dia também é chamado "Dia de Jorge," pois neste dia, antes do século XVI, os
camponeses puderam passar de um fazendeiro para outro.

São Jorge é também protetor dos militares. A imagem do são Jorge encima de um
cavalo simboliza a vitória sobre o diabo — "a antiga serpente" (Apocalipse 12:3, 20:2),
e foi incluído no brasão da cidade de Moscou.

Tropário:

Sendo o libertador dos prisioneiros e defensor dos pobres, médico dos doentes,
vencedor dos reis, são Jorge, megalomártir vitorioso, interceda por nós perante Cristo
Deus para que se salvem as nossas almas.

Santa Mártir Alexandra


6 de maio (23 de abril no estilo velho).

Santa Alexandra, esposa do imperador Diocleciano, era uma cristã escondida. Quando
ela viu o estoicismo do são Jorge durante os sofrimentos dele, ela resolveu declarar
abertamente que também era cristã. Ela foi até o lugar onde estavam torturando o são
Jorge, se ajoelhou nos seus pés e declarou perante todo mundo que também era cristã.

Diocleciano ficou furioso e sentenciou a rainha a morte. Santa Alexandra ouviu a


sentença calmamente e se direcionou ao lugar do suplício, rezando e olhando para o céu.
Durante o caminho ela sentiu muito cansaço e pediu aos soldados uma pequena pausa
para descansar. Ela se apoiou no muro de um prédio e aí e morreu. A sua morte sem
sofrimentos se deu em 21 de abril de 303, mas ela é lembrada junto com o são Jorge no
dia 23 de abril, do estilo velho.

Tropário:

Jesus, a Sua cordeira Alexandra está clamando com voz alta: a Ti, meu Esposo, amo, e
Te procurando, estou sofrendo, cocrucificando-me junto a Ti, me sepultando a Teu
batismo, sofrendo por Ti, para que possa reinar em Ti, estou morrendo por Ti para que
possa viver junto, mas, como uma hóstia imaculada me aceite, que se sacrificou por Ti:
por orações desta santa, salve as nossas almas, ó Misericordioso.

Santo Mártir Anatólio


6 de maio (23 de abril no estilo velho).

Os santos mártires Anatólio e Protoleón são lembrados no mesmo dia dos santos
mártires Jorge e rainha Alexandra. Eles eram soldados e quando viram, a fé e a coragem
do são Jorge, eles acreditaram no Cristo e abertamente declaram a sua fé. Eles foram
imediatamente decapitados.

Tropário:

Senhor, o Teu mártir Anatólio recebeu durante os seus sofrimentos uma coroa eterna de
Ti, nosso Deus. Ele teve a Tua força de vencer os seus torturadores e aniquilar os débeis
ataques dos demônios. Salve as nossas almas por orações dele.

Santo Estêvão, Bispo da Cidade de


Perm
9 de maio (26 de abril no estilo velho).

Santo Estêvão nasceu na cidade de Ustiug em meados do século XIV. Ele era uma
criança muito talentosa e sedenta de conhecimentos. Perto da cidade natal dele
moravam os "zyriane" (uma tribo pagã). Observando sempre os zyriane na praça, onde
tinha uma feira, Estêvão ficou entusiasmado com a idéia de pregar o cristianismo no
país deles. Para isto, ele entrou num dos mosteiros da cidade de Rostov (mosteiro de são
Gregório Teólogo), onde tinha uma vasta biblioteca. Ele estudou as Escrituras Sagradas,
o grego, e depois também a língua dos zyriane. Depois disto, ele criou um alfabeto para
eles com base de letras eslavas e gregas, e traduziu para eles alguns livros sacros e
alguns missais e em 1379 empreendeu a sua viagem de missionário.

Durante 17 anos ele trabalhou lá, primeiro como padre e depois como bispo, pregando a
fé entre eles e sofreu muitas tentações e dificuldades. Mas devido a sua humildade e sua
paciência, ele conseguiu converter muita gente. Ele queimou um famoso templo pagão
deles, junto com todos os ídolos que estavam colocados lá, e com a ajuda dos habitantes
locais construiu uma igreja dedicada à Anunciação à Virgem Maria no povoado
principal deles. Ao mesmo tempo ele alfabetizava os novos cristãos, ensinando os
princípios do catecismo, e conforme o sucesso de cada um deles, ordenava-os, uns —
sacerdotes, outros — diáconos, terceiros — leitores.
O inimigo mais perigoso do santo Estêvão era Pam, um ancião, o mais velho de todos
os sacerdotes pagãos. Ele exercia uma forte influencia sobre os zyriane impedindo que
muitas pessoas se convertessem, e os convertidos desviava do cristianismo. Santo
Estêvão muitas vezes discutia com ele abertamente, na frente de muitas pessoas, e suas
discussões se prolongavam por vários dias e várias noites, mas Pam ficava inflexível.
Até que uma vez, Pam convocou santo Estêvão passar pelo fogo, parta verificar, qual a
fé é melhor. Ele não esperava que o bispo aceitasse o desafio. Mas santo Estêvão
mandou imediatamente a colocar fogo numa casa, que estava num lugar deserto e pegou
Pam na mão, para passar junto com ele pelo fogo. Mas Pam se recusou de aceitar este
desafio, não obstante das exigências do povo que estava lá.

Daí os zyriane queriam matá-lo, mas santo Estêvão salvou o Pam, exigindo tão somente
que ele saísse daquele lugar para sempre.

Após disto, muitos zyriane se converteram, construíram várias igrejas e fundaram vários
mosteiros. Santo Estêvão, como um bom pastor, cuidou também do bem-estar material
deste povo. Durante a fome, ele muitas vezes conseguia o pão na cidade de Vólogda e o
levava para a cidade de Perm, para distribuição gratuita entre os necessitados. Ele
também conseguiu do duque vários privilégios para os zyriane, e os protegia contra os
abusos por parte dos nobres. Ele viajou para a cidade de Novgorod, pedindo que os
habitantes não atacassem as terras indefesas de Perm.

Durante uma das suas viagens para Moscou santo Estêvão ficou doente e morreu em 26
de abril de 1396. As suas relíquias foram sepultadas em Moscou, numa igreja.

Tropário:

Sábio Estêvão, desde a tua juventude desejaste as coisas Divinas, aceitaste o jugo de
Cristo, e conforme o Evangelho deste ajudaste às pessoas, cujas corações, empedernidas
em paganismo, ressuscitaste, semeando neles as sementes Divinas: por isso,
homenageamos a ti e pedimos: ora por nós a Deus por ti professado, para que Ele salve
as nossas almas.

O Significado dos Nomes e a Sua Tradução

Adriano — morador de Adria, país dos venetos [latim]

Alexis — defensor [grego]

Alexandre — defensor dos homens [grego]

Alla — charmosa [godo ? ]

Ambrósio — imortal, divino [grego]

Anastácia — ressuscitada [grego]

Anatólio — oriental [grego]


Angelina (Angela) — mensageira, angelical [grego]

André — viril [grego]

Anísia — êxito [grego]

Ana — graça [hebreu]

Antônio — valioso, notável [latim]

Antonina — valiosa, notável [latim]

Arcadio — morador de Arcadia [grego]

Atanásio — imortal [grego]

Borís — soldado [eslavo]

Vadim — [ ]

Valentino — forte, saudável [latim]

Valentina — forte, saudável [latim]

Valério — disposto, forte [latim]

Benjamim — filho da mão direita [hebreu]

Barbara — forasteira [grego]

Basílio — régio [grego]

Basilissa — rainha [grego], (Erica — escandinavo).

Vera — tradução russa da palavra grega "pistis" — fé

Verônica (ou Virinéia, Berenice) — a imagem verdadeira — [latim]

Vítor — vencedor [latim]

Vitoria — vencedora [latim]

Vitali — vital [latim]

Vladimir — que domina o mundo [eslavo]

Vsévolod — que domina tudo [eslavo]

Viachesláv — de muita glória [eslavo]


Gabriel — homem de Deus [hebreu]

Galina — calma, silêncio [grego]

Gennadi — nobre [grego]

Gregório — disposto [grego]

Jorge (Iegór, Iuri) — agricultor [grego]

Gleb — (Gutleib) — que ama a Deus [escandinavo]

Herman — irmão [latim]; soldado generoso [escandinavo]

Davi — amado [ hebreu]

Damião — consagrado à Damia [grego]

Daniel — juiz de Deus [hebreu]

Dária — vencedora [persa]

Dimitri — fértil, da Demeter — deusa da agricultura [grego]

Eugênio — nobre [grego]

Eugênia — nobre [grego]

Eudôxia — benevolência [grego]

Eufrosínia — alegre [grego]

Catarina — sempre limpa [grego).

Helena (Eleonora) — tocha [grego]

Elisabeta (Isabel) — que honra Deus [hebreu]

Zenaide — divina (filha de Zeus) [grego]

Zóia (Zoé) — vida [grego]

Jacó — que fecha, calcanhar [hebreu]

Inácio — ardente [latim]

Ígor — heroi [escandinavo]

Ilarión — alegre [grego]


Elías — fortaleza de Deus [hebreu]

Joaquim — Deus colocou [hebreu]

João — a graça de Deus [hebreu], popular — Ivan

Ina — abreviatura de Agripina [grego, búlgaro], antigamente nome masculino

Inocência — inocente [latim]

Irene — plácida [grego]

Juliana (Uliána, Juliania) — que pertence a Júlio [latim]

Cira — senhora [grego]

Cirilo — filho de um nobre [persa], comandante [grego]

Cláudia — sobrenome, proveniente da palavra "mancar" [latim]

Constantino — estável, firme [latim]

Cosmo — que cuida da beleza [grego]

Xenia — visita, estrangeira [grego]

Xenofonte — que fala língua estrangeira [grego]

Larissa — uma ave marítima, gaivota

Leo — leão [latim]

Leonilla — do leão [latim]

Leonidas — descendente do leão [latim, grego]

Leonida — leonina [latim]

Leôncio — leonino [latim]

Lidia — cultural [grego]

Liubov — amor, tradução russa do grego "agápi"

Liudmila — querida dos homens [eslavo]

Máximo — o maior [latim]

Maria — amada, querida [hebreu]


Marina — marítima [latim]

Marcos — que nasceu em março (?) [latim]

Militsa — ... [eslavo]

Mitrofan — apresentado pela mãe [grego]

Miguel — Quem é como Deus [hebreu]

Nadejda — esperança, tradução russa da palavra grega "elpis" — eslavo

Natalia — natalina [latim]

Nikita — vencedor [grego]

Nicolau — vencedor do povo [grego]

Nícon — que vence [grego]

Nina — deusa do mar [babilônio]

Nonna — consagrada a Deus, pura santa [egípcio]

Oleg — assim como Olga — sacro [escandinavo]

Olimpíada — olímpica [grego]

Olga — (Helga) — sacra [escandinavo]

Paulo — pequeno [latim]

Paula — pequena [latim]

Panteleimon — todo misericordioso [grego]

Parasceva — preparação, sexta-feira [grego]

Pelagueia — maritima [grego]

Pedro — pedra [latim]

Procópio — que sai na frente, que consegue chegar [grego]

Pinna — do Destina — senhora [grego, búlgaro], (antigamente nome masculino).

Raissa — leve, pronta [grego]

Rimma — do Romano [latim, búlgaro], (antigamente nome masculino).


Roman — romano [latim]

Svetlana — clara (de Fotinia) [grego]

Serafim — ardente [hebreu]

Sergio — do latim [sobrenome romano]

Simeon (Simão) — que ouve [hebreu]

Sofia — sabedoria [grego]

Estêvão — (Stepan) — guirlanda [grego]

Estefanida — coroada [grego]

Susanna — lírio de água [hebreu]

Taíssia — pertencente a Isis (deusa egípcia) [copto, grego]

Tamára — ramo de palmeira [hebreu]

Tatiana — do nome de um lendário rei de Saba

Tito — honrado [grego]

Tikhon — Deus da felicidade [grego]

Teodoro — dádiva de Deus [grego]

Filaret — amante do bem [grego]

Filipe — amante de cavalos [grego]

Tomas — gêmeo [aramaico]

Crisanto — da cor de ouro [grego]

Cristina — pertencente a Cristo [grego]

Cristoforo — que leva Cristo

Folheto Missionário número PA2

Copyright © 2001Holy Trinity Orthodox Mission

466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011

Editor: Bishop Alexander (Mileant)


A Vida Dos Santos
Maio — Junho

Bispo Alexandre (Mileant).

Traduzido por Tatiana Zyromski

Conteúdo:

A Dedicação Monástica.

Maio:

Santa Tamara, Rainha da Geórgia. Santo Atanásio Grande. Santa Mártir


Pelaguéia. Santa Mártir Irene. Santo Apóstolo João Teólogo. Santo Mártir
Cristóforo. Bem-Aventurada Taíssia. Santos Cirilo e Metódio. São Pacómio.
Santos Constantino e Helena, Iguais-Aos-Apóstolos. Exaltação da Santíssima
Cruz do Nosso Senhor. Santa Eufrosínia, Duquesa da Cidade de Pólotsk.

Junho:

Santo Igor. Santo Mártir Leonidas. Os Mártires Alexandre e a Virgem Antonina.


Santo Mártir Leôncio. São João Batista. Santa Mártir Leonida. Santo Apóstolo
Pedro. Santo Apóstolo Paulo.
A Dedicação Monástica.
Certas pessoas se dedicam completamente a ciência, artes, política ou qualquer outra
atividade escolhida por eles. Porque ? Porque esta é a sua vocação. Estas pessoas
contribuem para o progresso da arte ou ciência, a que elas se dedicaram. Por outro lado,
existem pessoas, que não são atraídas pelo progresso intelectual ou material, mas sim
pela aquisição de uma perfeição interior. Elas são atraídas por uma vida justa e por isso
se tornam monges e freiras.

A vida dentro de uma sociedade secular pouco contribui para a perfeição, antes ela
impede a atingi-la. O santo Evangelista João Teólogo diz, que a vida da sociedade é
afetada por três males: "Porque tudo o que há no mundo — concupiscência da carne,
concupiscência dos olhos e orgulho da vida." Portanto: "Não ameis o mundo, nem nada
o que há no mundo," — ensina ele (1 João, 2:15). A vida monástica tem por finalidade
livrar o homem do mal que reina no mundo: da concupiscência da carne — pela
castidade e moderação, da inveja (i.e. desejo excessivo de riquezas e bens materiais)
pela recusa de bens pessoais, e do orgulho — pela obediência ao superior. Desta
maneira, a vida monástica está destruindo o mal na sua própria raiz e está colocando a
pessoa no caminho certo, que leva à perfeição espiritual.

A palavra "monge" deriva da palavra grega "um." Ser monge significa que a pessoa vive
na solidão. Os mosteiros surgiram como habitações solitárias e afastadas do mundo. A
vida monástica difere da de outras pessoas, que vivem no mundo; daí o nome russo do
monge: "inok" da palavra "inói" — outro, diferente.

Há muitos caminhos que levam ao Reino de Deus, e o Evangelho nos proporciona uma
ampla escolha de como devemos proceder: o principal é evitar o mal e fazer o bem.
Mas, para aqueles que sentem vocação para uma vida mais perfeita, dirigem-se as
seguintes palavras do Nosso Senhor: "Se alguém quiser vir atrás de Mim, tome a sua
cruz e siga-Me ... Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis, dá-o aos pobres, e
terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-Me ...Há impotentes que por si mesmos
se tornaram tais por amor do Reino dos Céus. Quem é capaz de entender, entenda ...
Qualquer um de vós que não renuncia a tudo que possui, não pode ser Meu discípulo"
(Mateus 16:24; 19:12-21; Lucas 14:26-33). Aqui são determinadas as principais
condições, na base das quais são formulados os votos (promessas feitas a Deus pelas
pessoas que entram para o mosteiro).

A tendência de seguir uma vida cheia de provações surgiu junto com o cristianismo. De
acordo com o são Cassiano (século IV) os discípulos do Evangelista Mateus, que era o
primeiro bispo em Alexandria (Egito), eram os primeiros monges. Eles saíam das
cidades para os lugares mais afastados, onde levavam uma vida diferente, seguindo os
preceitos elaborados pelo são Marcos. O historiador judeu Filós, morador de Alexandria
contemporâneo dos apóstolos, escreve sobre uns certos Terapeutas, que se afastaram do
centro da Alexandria até os subúrbios dela, e onde levavam uma vida austera,
exatamente igual aquilo que mais tarde nos diz são Cassiano sobre os primeiros monges
da Alexandria e chama as moradias deles de mosteiros.
Há notícias de que os monges apareceram na Síria ainda durante a vida dos apóstolos.
Santa Eudoxia, que desde o ano de 96 d.C. viveu na cidade de Heliopolis na Síria,
durante o reinado de Trajano, foi convertida para o cristianismo pelo santo Herman,
abade de um mosteiro, onde havia 70 monges. Ela mesma, após a sua conversão, entrou
para um convento, onde havia 30 freiras.

Não obstante a escassez de documentos, não há dúvida de que a instituição monástica


surgiu ainda durante a vida dos apóstolos. É difícil admitir a falta de sede da perfeição
espiritual naqueles tempos, quando os cristãos deixavam tudo para seguir o ensinamento
do apóstolo Paulo sobre a virgindade, formulado na sua epístola aos Coríntios (1 Cor.,
capítulo 7). Para estas pessoas, o exemplo vivo sempre eram e serão o Próprio Senhor
Jesus Cristo, a Sempre Virgem Maria, o profeta João Batista, o discípulo amado e
celibatário apóstolo João Teólogo, o apóstolo Paulo, o apóstolo Tiago, irmão do Senhor
e primeiro bispo de Jerusalém, e muitos, muitos outros. Eis os exemplos, tão sublimes,
que serviram de modelo para os monges, onde nasceu a vida monástica, eis a sua fonte
espiritual.

É desta forma que o são Doroteu explica o surgimento da vida monástica, dizendo:
"Eles (os cristãos) entenderam que para as pessoas que vivem no mundo, é muito difícil
se aperfeiçoar espiritualmente e portanto escolheram uma maneira diferente de viver,
uma maneira diferente de passar o tempo, uma maneira diferente de agir — que é uma
vida monástica e assim eles começaram a sair das cidades e passaram a morar nos
desertos, levando uma vida cheia de privações, jejuando, dormindo muito pouco no
chão sem nenhum cobertor por baixo ou por cima e suportando voluntariamente muitas
privações e sofrimentos, renunciando a vínculos de parentesco ou da pátria, de todos os
bens materiais. Por outras palavras, eles se crucificaram ao mundo."

Nas antigas comunidades monásticas a atenção principal era dada a ocupações


espirituais: à oração, ao jejum e às reflexões sobre Deus e sobre o mundo espiritual.
Mas, ao mesmo tempo, o trabalho físico era tido como indispensável para proporcionar
uma diversificação das atividades, porque ele proporcionava meios de subsistência e de
ajuda aos pobres.

No começo do século IV surge uma enorme tendência à vida monástica. Isto surgiu
como conseqüência do enfraquecimento no rigor da vida cristã, enfraquecimento este
que aconteceu porque eram batizados muitos pagãos que continuavam a se interessar
exclusivamente por assuntos materiais. Este fato estimulou muitos verdadeiros cristãos
a se afastar das cidades, vilas e aldeias e viver nos desertos para lá, longe da agitação do
mundo, se aperfeiçoar espiritualmente, rezando, jejuando e refletindo sobre Deus. O
primeiro lugar no meio destes grandes homens pertence ao Antônio Magno.

Santo Antônio nasceu nos meados do século III no Egito. Visando solidão e perfeição
ele se estabeleceu numas ruínas de um forte antigo, na margem oriental do Nilo. Ali ele
viveu durante 20 anos numa completa solidão, jejuando, rezando e se submetendo a
diversas privações. Com o passar do tempo, muita gente ficou sabendo sobre ele e
começou a visitá-lo. Alguns até começaram a se instalar perto dele para serem guiados
por ele e desejando levar a mesma vida austera. Assim, aos poucos, em volta do Santo
Antônio se formou um círculo de discípulos (ano 305).
Santo Antônio não estabeleceu nenhuma regra sobre a vida monástica, mas explicou em
linhas gerais o caminho para atingir perfeição espiritual. Assim, baseado no próprio
exemplo, ele ensinava a renegação dos bens materiais, uma plena devoção à vontade de
Deus, uma contínua oração, uma reflexão solitária sobre Deus e trabalho físico.
Conforme foi estabelecido por ele, tais pessoas se encontravam sob cuidados de um
padre (um "starets," um "ancião," que era uma pessoa com uma grande experiência
espiritual e que era plenamente responsável por seus discípulos), moravam separados
um do outro em cabanas ou cavernas e se empenhavam no aperfeiçoamento espiritual.
Estas comunidades eram chamadas de "lavra."

Mas, ainda durante a vida do santo Antônio apareceu uma outra forma de vida
monástica — comunidades. Os que desejavam atingir a perfeição se reuniam numa
comunidade, que era dirigida por um abade, viveram juntos, as vezes todos num mesmo
compartimento, as vezes em celas individuais, mas todos seguiram as mesmas regras.
Estas comunidades eram chamadas de "mosteiros" (cenóbios). O fundador desta forma
de vida monástica era o são Pacómio Grande (348).

São Pacómio também nasceu no Egito. Ele era militar e durante uma campanha teve a
possibilidade de conhecer a caridade cristã, e desde então teve um grande desejo de
abraçar o cristianismo e realmente, após o término do serviço militar, ele foi batizado.
Ele conheceu a vida austera no deserto da Tebaida e para si escolheu um lugar deserto
na margem do Nilo, chamado de Tavenna. É aqui que surgiu a idéia à são Pacómio de
instituir uma comunidade monástica e assim, numa das ilhas do Nilo ele fundou um
mosteiro para todos aqueles, que desejassem viver numa comunidade.

A vida austera do são Pacómio atraiu à ele muitos discípulos, tantos, que no mosteiro
construído por ele não havia mais lugar e ele foi obrigado a construir mais alguns
mosteiros nas margens do Nilo, próximos um do outro. Também foi ele quem fundou
um convento para as mulheres na outra margem do Nilo.

Nos mosteiros por ele fundados são Pacómio introduziu certas regras. Este é o primeiro
estatuto de uma vida monástica. Todos os monges eram divididos por são Pacómio em
24 categorias, conforme a evolução da vida espiritual deles, mas todos eram dirigidos
por um único abade. Cada mosteiro teve seus próprios superiores, chamados de
"hegúmenos." Eles todos eram subordinados ao abade principal e o informavam sobre a
vida nos respetivos mosteiros. Nos mosteiros também houve ecônomos com ajudantes,
que cuidavam da parte econômica da comunidade. Todos os superiores eram obrigados
a levar uma vida que servisse de exemplo para o resto dos irmãos. Guiados pelos
superiores, os monges eram obrigados a levar uma vida austera, rezando, lendo livros de
conteúdo espiritual, principalmente as Escrituras Sagradas, e também deviam trabalhar
muito. As missas eram celebradas duas vezes ao dia — de dia e de noite. Após um
determinado sinal os monges, sempre modestos e calados, se reuniam na igreja, liam as
Escrituras Sagradas e orações e cantavam. Aos domingos — comungavam. Além disso,
os monges deviam rezar individualmente antes de dormir e ao levantar. Após as orações
ou após as missas, o superior conversava com eles sobre uma vida cristã. Os monges se
dedicavam à leitura individualmente nas suas celas, nas horas livres de trabalho e da
oração. Os livros lhes eram entregues pelo ecônomo, da biblioteca do mosteiro.

Os monges trabalhavam nas hortas, pomares, ferrarias, moinhos, curtiam o couro, eram
marceneiros, tecelões, fabricavam cestas de vime. Saíam para o trabalho numa completa
ordem e silencio, guiados pelo seu superior. O silencio era obrigatório em quaisquer
circunstâncias. Tudo isso devia ser cumprido com absoluta obediência. Sem a permissão
do superior, nenhum irmão poderia nem só sair do mosteiro, mas nem poderia começar
um outro trabalho. Todos os monges eram vestidos em roupas muito simples e iguais
para todos. A roupa de baixo era de linho — uma túnica sem mangas, e por cima dela
era usada uma roupa de couro, na cabeça eles usavam um gorro e nos pés — sandálias.
Esta roupa não era tirada nunca, nem para dormir. Eles não tinham camas, somente
assentos entre duas paredes; eles só podiam dormir numa esteira. Os monges se
levantavam bem antes de amanhecer. A comida deles era a mais simples, uma vez por
dia, geralmente ao meio dia. A comida deles consistia de pão, azeitonas, queijo,
legumes e frutas. Nos sábados e domingos havia também uma refeição à noite. Todos
comiam juntos, num absoluto silencio.

A pobreza é um dos principais votos monásticos no regulamento de são Pacómio. As


pessoas que entravam para a comunidade eram proibidas de trazer qualquer objeto,
mesmo as roupas usadas por elas na chegada eram distribuídas entre os pobres. O
trabalho executado por um irmão pertencia a todos. Os monges recebiam tudo o que for
lhes necessário do próprio mosteiro. Os ecônomos distribuíam aos monges a comida e
as roupas, que foram produzidas no próprio mosteiro, ou então compradas com o
dinheiro ganho com a venda de objetos feitos pelos irmãos. Para que estas regras fossem
obedecidas, são Pacómio determinou, que as pessoas, que desejavam entrar para a
comunidade, não podiam ser aceitas antes de serem postas a prova durante um ano.

Durante a vida do são Pacómio, o número dos monges na comunidade dele era de
7.000, e cem anos mais tarde — 50 000. A vida monástica, tanto eremítica como em
comunidade se espalhou rapidamente por todo o Egito e de lá passou para outros países.
Assim, Ammon fundou uma ordem de eremitas no monte Nitrio com o seu deserto
adjacente, Makários do Egito — no deserto de Sceto, onde viviam muitos homens
maravilhosos. Hilário, o discípulo predileto de Antônio, levou a vida monástica até a
sua pátria, Palestina onde, perto de Gaza, fundou o seu mosteiro. Daí, a vida monástica
se espalhou por toda a Síria e Palestina.

São Basílio Grande, que viajou pelo Egito e pela Palestina e conheceu a vida monástica
de lá, difundindo-a na Capadócia (Ásia Menor, hoje Turquia), tanto para homens, como
para mulheres. O seu regulamento que ele estabeleceu para os seus monges se espalhou
rapidamente pelo oriente e virou comum a todos. No século V todo o oriente já era
literalmente coberto por mosteiros. Os monges mais notáveis do século V são Isidoro
Polusiota, Simão Stolpnik (que passou a vida encima de uma coluna) Eufímio, Sava
Santificado, e muitos outros.

São Simão nasceu na Síria, passou muitos anos em orações encima de uma coluna, sem
descer de lá, sofrendo de fome e das intempéries. Ele foi o fundador de uma nova forma
de dedicação: a vida sobre uma coluna — uma espécie de torre ("stolpnichestvo" — da
palavra "stolp" — coluna). Eufímio, fundador do mosteiro em Palestina, por sua
dedicação recebeu de Deus o dom de fazer milagres. Sava, discípulo de Eufímio, entrou
para a vida monástica aos 8 anos de idade e virou eremita. Ele fundou muitos mosteiros
na Palestina e introduziu lá o regulamento sobre missas.

Além do "stolpnichestvo," no século V apareceu ainda um outro modo de dedicação nos


mosteiros: os que não dormiam. O monge Alexandre organizou um mosteiro, onde as
missas eram rezadas ininterruptamente, durante 24 horas por dia. Um rico habitante de
Constantinopla, Studio, gostou desta ordem e fundou em Constantinopla um mosteiro
igual, chamando para lá os que não dormiam nunca. Este mosteiro passou a se chamar
de "Studiiski."

Notáveis santos viveram no século VI: Simão "Iuródivyi" (Desvairado) que, gozando de
absoluta lucidez, se apresentava a todos como um que perdeu razão; este modo de vida,
que ele empreendeu por amor à Cristo, lhe dava a possibilidade de ser constantemente
humilhado, e desta forma ele chegou a completa impassibilidade, e também são João
Clímaco, que passou muitos anos sobre o monte Sinai e escreveu a obra chamada de
"Lestvitsa" (Escada), onde ele demonstrou como se aperfeiçoar espiritualmente até
chegar à perfeição; no século VII — Alípio "Stolpnik" , que viveu encima de uma torre
mais de 50 anos, sem nunca descer de lá. No fim do século VIII e começo de IX houve
um outro representante de uma vida monástica rigorosa, que também era um fervoroso
defensor de adoração dos ícones — Teodoro Studita. O seu mosteiro, que era famoso
pelo seu regulamento rigoroso, deu ao mundo muitos monges santos, conhecidos pela
austeridade de suas vidas, como, por exemplo, Nicolau, que foi torturado por causa da
adoração dos ícones, Joaniquio, famoso pelo seu dom de clarividência, e outros.

No mesmo século IX apareceram eremitas no monte Atos, tais como são Pedro (século
XI), que lá viveu em solidão por mais de 50 anos, e santo Atanásio, (século X), que
fundou um mosteiro no Atos, onde mais tarde viveram muitos monges, que procuravam
a perfeição.

O monacato russo alcançou grandes proporções e êxito espiritual, a começar pelos


santos Antônio e Teodósio de Kievo-Petchersk e terminando com os santos de Optina.
Infelizmente, aqui é impossível relatar a história do desenvolvimento e a experiência
espiritual do monacato russo.

Nenhum passado de uma pessoa pode impedir a ela de entrar no mosteiro, porque a vida
monástica consiste de penitencia, e o mosteiro é um hospital. No começo, a pessoa que
entra no mosteiro se encontra no estágio de teste para determinar, até que ponto ela
realmente deseja se dedicar à esta vida. Se o abade se convence, de que esta pessoa é
realmente sincera na sua decisão, ele lhe concede a benção de usar "podriasnik" com
cinto e "scufiá" ("podriasnik" consiste de uma veste preta, comprida, com mangas
estreitas e a "scufiá" é um gorro, lembrando um cone). Este futuro monge, que está
ainda em fase de teste, se chama de "poslúshnik" (obediente), porque o principal dever
dele é obedecer.

O poslúshnik deve demonstrar toda a sua paciência e humildade na execução de todas as


tarefas que lhe forem atribuídas, pois estas são as principais virtudes de um monge. "A
obediência é mais importante do que jejum e a oração," — diz um ditado monástico,
porque a obediência, baseada na humildade, ajuda a exterminar a doença principal da
nossa alma — o orgulho, bem como o amor próprio, que é o berço de todas as paixões.

Quando, após um determinado período de tempo, o poslúshnik prova com a sua boa
conduta a sinceridade o seu desejo de monacato, ele pode ser ordenado para o segundo
grau, chamado de "riasofór." Ele ainda não faz nenhum voto, mas geralmente recebe um
novo nome e tem direito de usar, por cima do "podriasnik" a "riasa" e a "kamilávka"
("riasa" é uma veste comprida, preta, com mangas largas, usada por cima do
"podriasnik"; a "kamilávka" é uma espécie de chapéu sem abas, mais larga em cima). A
ordenação para o "riasofór" é feita durante uma missa especial, que se chama de "Missa
para vestir a ‘riasa’ e a ‘kamilávka’.

"O homem que não é casado é solícito das coisas do Senhor: cuida e agrada ao Senhor;
mas o que é casado é solícito das coisas do mundo: cuida e agrada a mulher" (1 Cor.
7:32-34). Jesus disse ao jovem, que procurava a vida eterna: "Se queres ser perfeito, vai,
vende o que possuis, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu." Baseando-se neste
ensinamento, os monges se recusam a possuir qualquer coisa, para que nada lhes possa
impedir alcançar a perfeição espiritual.

São Gregório Teólogo diz: "Será que o monge deve ser preocupar para que não seja
roubado (seqüestrado) ele mesmo? Porque ele não possui nada além do seu próprio
corpo, coberto por uma roupa velha, rasgada. Deixa os outros, que possuem muito
dinheiro, tomar as medidas necessárias contra o roubo. Todos os meus bens consistem
de Deus, e este tesouro ninguém conseguirá roubar. No que se refere à outras coisas,
podem levar tudo; a minha condição é a mais segura, pois aquilo que eu possuo, ficará
comigo eternamente. Deus é a minha parte. Não quero possuir nada além de Deus;
quando sirvo no altar, tenho comida e roupa, e estou satisfeito com isto; pobre seguirei
atras de uma pobre cruz, para que possa subir sempre mais, sem impedimentos, voando,
conforme a palavra do apóstolo, encima de uma nuvem para encontrar o Senhor nas
alturas."

É natural que o maior número dos santos provem dos monges, pois a meta do monacato
é a perfeição espiritual. Os santos monges são chamados de "prepodobnyi" —
reverendo — (podobnyi — semelhante), pois eles mais se assemelharam à Cristo. A
pessoa que sentiu, que tudo na vida é somente uma preocupação sem um valor real, e
que queria se livrar destas preocupações fúteis para encontrar Deus, entra para o
mosteiro. O caminho do monge é um caminho reto, o caminho mais curto entre duas
extremidades — o homem e Deus.

Nos mosteiros surgiu uma rica literatura espiritual. Para a maioria dos leigos ela é algo
incompreensível e inatingível. As condições espirituais lá descritas são inatingíveis para
as pessoas que vivem no mundo secular. Porém, há coisas que são perfeitamente
atingíveis à todas as pessoas que procuram a Deus. Os russos sempre gostavam de ler o
livro chamado "Dobrotoliubie" ("Amor às coisas corretas"), onde em 5 volumes estão
compilados os ensinamentos dos monges da antigüidade; "Lestvitsa" ("Uma escada") do
João, abade do mosteiro no monte Sinai; "Uma luta invisível" do são Nicodemo
Sviatogorets; "Ensinamentos úteis para as nossas almas" do abade Dorotéu; os
ensinamentos dos anciões Varsonófio e João; contos sobre antigos monges compilados
em "Lavsaík" do bispo Paládio Helenopolitano, e "Campina espiritual" do bem-
aventurado João Mosque. Para os leitores de hoje, podemos recomendar uma literatura
mais atualizada, que seriam as cartas do bispo Teófano Recluso, as obras do bispo
Inácio Brianchaninov, os ensinamentos dos "startsy" (anciões) da Optina, conversas de
são Serafim de Sarov com o amigo dele, Motovilov.

Na Rússia, antes da revolução, havia muitos mosteiros e conventos, e sua influencia


sobre os costumes e a vida do povo, sobre a sua história, era enorme. Lá, nos mosteiros,
os peregrinos achavam uma renovação moral e espiritual, tranqüilidade, forças para a
luta com o pecado. Aqui eles achavam o seu ideal. Os mosteiros eram centros de
recuperação moral para o pais inteiro.

Santa Tamara, Rainha Da Geórgia.


14 de maio (1 de maio no estilo velho).

Santa Tamara, (1184-1213), rainha da Geórgia, era filha do rei Jorge III e da bela
Burdukhan. Já durante a vida da mãe dela o cristianismo era divulgado em diferentes
regiões da Geórgia. Tamara foi muito querida pelo povo. Muitos geórgicos veneram
santa Tamara que cura muitas doenças.

Conforme a tradição, santa Tamara era meiga, humilde, sábia, pacificadora e bela.
Sabemos, que ela cuidava dos pobres, das viuvas, dos órfãos e contribuiu para a
evolução espiritual do povo. Além disso, ela patrocinava os artistas, poetas, construía
muitas igrejas bem como o suntuoso palácio de Vardza. Por todos os seus cuidados e
ricos donativos ela foi canonizada.

Santa Tamara conclamou um concílio da igreja que eliminou muitos problemas da vida
da igreja e destituiu vários clérigos indignos. O seu governo foi muito bem sucedido, o
que contribuiu para a ampliação das fronteiras do país e seu fortalecimento.

Santo Atanásio Grande.


15 de maio (2 de maio no estilo velho).

A grande fileira dos santos padres e doutores da Igreja tem seu começo no tempo dos
santos apóstolos. Geralmente, os santos padres da Igreja são escritores religiosos (na sua
maioria na dignidade episcopal), que levavam uma vida santa. Os escritores religiosos
não canonizados são chamados de doutores da Igreja.

Os padres e doutores da Igreja, nos seus livros, nos relegaram as tradições apostólicas e
explicaram os verdadeiros ensinamentos e doutrinas da fé e religiosidade. Nos tempos
difíceis de conflitos e lutas contra hereges e seus ensinamentos eles eram os defensores
da Ortodoxia e a sua vida e atividade servem de um digno exemplo para todos.
Em particular, durante o século IV houve grandes padres e doutores, que defenderam a
sua Igreja na época, em que a Igreja foi profundamente e por muito tempo abalada pela
heresia de Ário (este herege renegava a natureza divina do Nosso Senhor Jesus Cristo).

O primeiro e grande defensor da Igreja contra os arianos era santo Atanásio Grande
(293-373). Desde criança, este santo já demonstrou ter dons e talentos especiais e mais
tarde a sua educação foi aperfeiçoada pelos arcebispos da Alexandria, Pedro e
Alexandre. O santo Antônio Grande, cuja vida o santo Atanásio descreveu, exerceu uma
grande influencia sobre ele. Após ter se aprofundado nos estudos das Escrituras
Sagradas e obras dos santos padres e doutores da Igreja, bem como a literatura clássica
da antigüidade, santo Atanásio assumiu um cargo muito importante naquela época de
arcediácono junto do arcebispo Alexandre e lhe ajudou muito na luta inicial com a
heresia de Ário.

Sendo o colaborador mais próximo, a quem o arcebispo Alexandre mais confiava,


Atanásio acompanhou-o no Primeiro Concílio e neste Concílio foi notado por todos os
presentes: ninguém falava tão enfaticamente contra Ário e ninguém era tão eloqüente e
expressivo, como ele. Em menos de um ano após o Concílio, o jovem arcediácono foi
nomeado arcebispo da Alexandria. Apesar da sua pouca idade (ele tinha somente 28
anos), o arcebispo Atanásio dirigiu toda aquela vasta região com rigor e sagacidade, se
aproximou dos outros bispos, ordenou Frumencio bispo mandando-o para a Abissínia,
visitou os numerosos mosteiros em Tebaida e outras regiões do Egito e também visitou
o seu mestre de juventude, santo Antônio.

Santo Atanásio era enérgico e simpático, inflexível no que se referia a verdade, porém
condescendente com aqueles que se equivocavam. Ele era muito discreto e ao mesmo
tempo era muito perspicaz, tinha uma vasta cultura e tudo isto contribuiu para que ele se
tornasse logo muito querido e ao mesmo tempo muito respeitado. Mas esta sua
atividade durou somente 2 anos; após este tempo começou um período de muitas
provações e calamidades. Os adeptos de Ário, encabeçados pelo bispo Eusébio, bastante
conhecido na corte de Nicomédia, e que ainda na escola era colega de Atanásio,
tentaram de todos os meios levar de volta na igreja o Ário, e até conseguiram dispor a
favor dele a irmã do imperador, Constância, e através dela o próprio imperador
Constantino. Ficou decidido chamar Ário — que aparentemente se arrependeu — de
volta do exílio e o arcebispo de Alexandria foi obrigado a aceitá-lo novamente na Igreja.
Atanásio, compreendendo perfeitamente a astúcia e o fingimento dos pseudo-doutores,
se recusou a aceitar o herege, que rejeitava a divindade do Nosso Senhor Jesus Cristo.

A partir deste momento começam as perseguições do confessor de Cristo e são


inventadas contra ele as mais incríveis calunias. Ele foi acusado de extorsão e de roubo
dos rendimentos da igreja, de contatos com os inimigos do império, do assassínio de um
bispo chamado Arsênio, e foi acusado até de ter decepado a mão do Arsênio para fazer
bruxaria com ela e para maior credibilidade, os inimigos do santo mostravam aquela
mesma mão, que foi — diziam eles — achada nos aposentos do santo. Mas,
inesperadamente para todos eles, o próprio Arsênio apareceu em pessoa e foi levado até
a reunião dos caluniadores, mostrando-lhes ambas as mãos completamente sãs. Isto
levou os inimigos do santo à uma ira irrefreável: eles avançaram contra ele e quase o
estrangularam. Isto aconteceu ainda durante a vida do imperador Constantino, protetor
da Igreja. Os sucessores dele, Constâncio-ariano e Juliano-apóstata, perseguiram
abertamente o santo Atanásio, mas não conseguiram vencer a sua firmeza.
Houve uma época, em que os colaboradores mais fervorosos do santo Atanásio —
Oseias, bispo de Córdoba, Liberio, papa de Roma, que lutavam contra os arianos, e que
como ele não conseguiram vence-los, foram destituídos de suas cátedras, aprisionados, e
em conseqüência disto fraquejaram e aceitaram compromissos com os arianos, mas o
santo Atanásio permaneceu solitário e firme, liderando a luta dos ortodoxos contra os
arianos. Durante os quase cinqüenta anos de seu exercício de arcebispado, santo
Atanásio foi cinco vezes expulso da Alexandria, passou quase vinte anos nas prisões e
no exílio e até os últimos dias de sua vida lutou contra os hereges tentando restabelecer
a paz e a unanimidade na Igreja.

Durante a sua vida tão agitada e sacrificada, santo Atanásio escreveu muitas obras em
defesa da Ortodoxia e ensinamentos para os fieis. As suas obras, traduzidas para o
russo, foram editadas em quatro volumes. Até hoje, os pensamentos e as demonstrações
e provas do santo Atanásio têm um grande significado para todos nos, a sua linguagem
é muito rica. Este grande homem morreu aos 75 anos.

Tropário:

Eras um pilar da Ortodoxia, confirmando a Igreja pelos dogmas divinos, santo


Atanásio. Pregaste, pois, o Filho consubstancial ao Pai e venceste Ário; santo
padre, roga, pois, à Cristo Deus que Ele nos dê a grande graça.

Santa Mártir Pelaguéia.


17 de maio (4 de maio no estilo velho).

Santa Pelaguéia nasceu em Tarso (Ásia Menor) e era filha de pais nobres — pagãos.
Ela era de uma beleza extraordinária e recebeu uma educação refinada. O imperador
Diocleciano (284-305) queria casar o seu herdeiro, adotado, com Pelaguéia, mas
Pelaguéia, tornando-se cristã, decidiu dedicar a sua vida a Cristo e recusou-se a casar
com o herdeiro. Após o seu batismo, ela decidiu converter também a sua mãe-pagã, mas
esta era inflexível, e ficando com raiva da filha, levou-a ao noivo por ela recusado e
entregou-a à ele. O noivo sabendo, que Pelaguéia não renunciará ao cristianismo e que
por isto será torturada, assim como os outros cristãos, ficou tão desesperado, que se
suicidou. Este triste acontecimento enfureceu a mãe da Pelaguéia ainda mais e ela levou
a própria filha ao imperador Diocleciano para julgamento. Diocleciano ele mesmo ficou
encantado com a beleza da Pelaguéia e queria casar com ela. "Eu já tenho um Noivo —
Cristo, e estou pronta morrer por Ele," — respondeu Pelaguéia. Após grandes torturas,
Pelaguéia foi jogada dentro de um incandescente touro de cobre, onde ela entregou a
sua alma à Deus, no ano de 287.
Kondakio:

Desprezaste os bens transitórios e recebeste bens celestiais, aceitaste a coroa de


martírio, Pelaguéia, digna de louvor, trouxeste ao Senhor Cristo, como oferenda
rios do teu sangue. Ora por nós, que veneramos a tua memória, para que nos
salvemos da desgraça.

Santa Mártir Irene.


18 de maio (5 de maio no estilo velho).

Santa Irene, que era de origem, eslava, viveu na segunda metade do século I e era filha
de Licínio, prefeito da cidade de Maggedona na Macedonia. Ainda muito jovem Irene
compreendeu a inconsistência do paganismo e aceitou a fé cristã. Conforme a tradição,
apóstolo Timóteo, discípulo do apóstolo Paulo, batizou-a. Santa Irene decidiu dedicar a
sua vida a Deus e recusou o casamento.

Aprofundando-se cada vez mais nos ensinamentos de cristianismo, santa Irene começou
a persuadir também os seus pais a se tornarem cristãos. O pai dela, que no começo ainda
ouvia as palavras dela com uma certa benevolência, mais tarde ficou com raiva dela e
quando ela se recusou a venerar os ídolos pagãos, enfurecido jogou ela debaixo dos
cavalos selvagens. Porém os cavalos nem tocaram na santa, mas se jogaram contra o
Licínio e o mataram. Quando, após uma oração fervorosa da santa Irene o pai dela
ressuscitou, ele e toda a sua família e junto com eles ainda 3.000 pessoas se
converteram.

Após disto, santa Irene começou pregar abertamente o cristianismo entre os habitantes
da Macedonia, pelo que muitas vezes foi humilhada e sofria muito. O prefeito da
Sedêcia muitas vezes mandava jogar santa Irene num buraco fundo cheio de serpentes,
várias vezes tentavam serrá-la, ou amarravam à roda do moinho. Mas todos estes
sofrimentos da santa eram acompanhadas de milagres, o que atraía muitas pessoas e
muitos se convertiam. Assim: as serpentes nem tocavam no corpo da santa, as serras
não lhe causavam nenhum ferimento e a roda do moinho não girava. O próprio
torturador Vavodon se converteu e foi batizado. No total, Irene converteu mais de dez
mil pagãos.

Quando o Senhor anunciou a ela o dia de sua morte, Irene se retirou para uma gruta
perto da cidade de Êfeso e pediu aos outros de fechar a entrada da gruta com um monte
de pedras. Após quatro dias, os seus conhecidos voltaram à gruta e abrindo-a e entrando
nela não encontraram o corpo da santa Irene. Todos compreenderam, que Deus a levou
ao céu.

Santa Irene era muito venerada no Bizâncio antigo. Lá foram construídas várias igrejas
suntuosas, das quais ela era a santa padroeira.
Kondakio:

Virgem, eras ornada com virtudes da virgindade, e embelezada com o


sofrimento, eras recoberta com o teu sangue e venceste a tentação do paganismo.
Por tudo isso recebeste da mão do Criador as honras de vitória.

Santo Apóstolo João Teólogo.


21 de maio e 9 de outubro (8 de maio e 26 de setembro no estilo velho).

Apóstolo e Evangelista João, cognominado Teólogo, era filho de um pescador galileu,


Zebedeu e Solomia. Zebedeu era uma pessoa abastada, ele tinha vários trabalhadores e
era um membro importante da comunidade judaica, tendo acesso são sumo sacerdote. A
mãe de João, Solomia, é mencionada como uma das mulheres que serviram Jesus com
as suas propriedades.

Primeiro, João era discípulo do são João Batista. Ao ouvir a pregação dele sobre Cristo
como o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo, ele junto com o
André o Primeiro Chamado seguiu Jesus. No entanto era um pouco mais tarde que ele
se tornou discípulo constante do Senhor, quando, após a milagrosa pesca no lago de
Genezaré (mar de Galiléia) o Próprio Senhor chamou-o, junto com o seu irmão Tiago.

Ao apóstolo João, junto com o Pedro e o seu irmão Tiago foi concedida uma
proximidade especial ao Senhor, pois estes três apóstolos estavam sempre junto com o
Senhor nos momentos mais importantes e solenes da Sua vida na terra. Assim ele foi
digno de presenciar a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração do Senhor no
monte, ouvir as Suas palavras sobre os sinais da Sua segunda vinda, ser testemunha da
Sua oração no Getsêmani. E durante a Ceia ele era apoiado no peito do Senhor,
conforme ele mesmo testemunha.

Ele era tão humilde, que ao escrever sobre si no seu Evangelho, ele não menciona o seu
nome, contentando-se a dizer somente "o discípulo predileto do Senhor." Este amor do
Senhor teve a sua maior expressão nas palavras proferidas por Ele da cruz: "Eis aí a tua
Mãe," desta forma encarregando-o de cuidar da Sua Puríssima Mãe.

Amando o Senhor com todo o seu coração, João era cheio de indignação dos que eram
hostis ao Senhor, ou aqueles que estranharam Ele. Por isso ele proibia ao homem, que
não andava junto com eles, de expulsar o demônio com o nome de Jesus e pediu a
permissão ao Senhor de mandar descer o fogo sobre os habitantes de uma aldeia
samaritana, que não queriam aceitá-Lo, quando Ele se dirigia ao Jerusalém,
atravessando a Samária. Por causa disto, o Senhor chamou a ele e ao Tiago de "filhos de
trovão." João sentiu a predileção do Senhor, mas ainda não era iluminado pela graça do
Espírito Santo e portanto decidiu pedir para ele e para o seu irmão um lugar ao lado do
Senhor no Reino dos Céus, e recebeu como resposta o anúncio dos futuros sofrimentos
dos ambos.

Após a Ascensão vemos muitas vezes o apóstolo João junto com o apóstolo Pedro.
Estes dois apóstolos são considerados os pilares da Igreja e o apóstolo João permanece
na maior parte do tempo em Jerusalém e fiel ao mandamento do Senhor, cuida da
Puríssima Virgem Maria, tornando-se o Seu filho mais fiel e somente após a assunção
da Virgem, ele começa a pregar em outros países.

Na atividade missionária do apóstolo João percebemos uma particularidade: ele escolhe


uma determinada região e se empenha com todas as suas forças para erradicar o
paganismo e firmar lá o cristianismo. O seu alvo principal eram sete igrejas da Ásia
Menor: Êfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Ele morava
principalmente em Êfeso.

Sob o reinado do imperador Domiciano (81-96), o apóstolo João foi chamado para a
Roma, pois ele era a único apóstolo ainda vivo, e sob a ordem do imperador foi jogado
num caldeirão cheio de óleo fervendo, mas Deus salvou o seu fiel servo, que ficou ileso,
igual aos três jovens na fornalha incandescente. Depois disto, Domiciano exilou o
apóstolo para a ilha deserta de Patmos e foi aqui que ele escreveu o Apocalipse, que é
uma revelação sobre o destino da Igreja e do mundo.

Após a morte de Domiciano o apóstolo João voltou do seu exílio para Êfeso. Os bispos
e presbíteros da igreja de Êfeso lhe mostraram os três Evangelhos escritos pelos
apóstolos Mateus, Marcos e Lucas. Ele aprovou estas obras, porém achou necessário
completar ainda aquilo que foi omitido lá e que ele, como o último testemunha ocular
ainda vivo conhecia bem de perto. Isto era muito importante, pois lá pelo final do século
1 se difundiam várias seitas gnósticas, que humilhavam ou até mesmo negavam a
divindade do nosso Salvador, Jesus Cristo. E assim tornou-se absolutamente necessário
proteger os fieis deste ensinamento.

O apóstolo João no seu Evangelho relatou os ensinamentos de Jesus, ditos por Ele na
Judéia. Estes ensinamentos que eram dirigidos aos escribas cultos eram mais difíceis
para a compreensão geral e provavelmente foi por isto que eles não foram relatados nos
três primeiros Evangelhos, destinados aos pagãos recém convertidos. Antes de começar
escrever o seu Evangelho, o apóstolo João impôs jejum à igreja de Êfeso e se retirou
junto com o seu discípulo Prokhor para um monte, onde escreveu o Evangelho, que leva
o seu nome.

O Evangelho de João era desde o começo chamado de "espiritual," pois nele,


comparando com os três outros Evangelhos, são contidos os ensinamentos do Nosso
Senhor sobre as verdades mais profundas da fé — sobre a encarnação do Filho de Deus,
sobre a Trindade, sobre a redenção dos homens, sobre a ressurreição espiritual, sobre a
graça de Espírito Santo e sobre a Comunhão. Logo no começo, nas primeiras palavras,
João eleva os pensamentos dos fiéis para as alturas de procedência divina do Filho de
Deus do Deus Pai: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o
Verbo era Deus" (João 1:1). O apóstolo João explica assim a finalidade do seu
Evangelho: "Esses foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, Filho de
Deus, e assim crendo tenhais a vida em Seu nome" (João 20:31).

Além do Evangelho e do Apocalipse, o apóstolo João escreveu ainda três epístolas, que
também foram incluídas no conjunto dos livros do Novo Testamento, pois eram
dirigidas à toda a comunidade cristã. O primeiro e principal ensinamento é sobre o amor
dos cristãos: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo
aquele que ama nasce de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus,
porque Deus é Amor" (1 João 4:7-8).

"O amor que Ele nos tem terá seu cumprimento no dia do Juízo, infundindo-nos
confiança. Porque como Ele é, também nós somos neste mundo. No amor não há lugar
para o temor: o perfeito amor expele o temor, pois o temor supõe castigo e o que teme
não é perfeito no amor. Quanto a nós, amemos à Deus, porque Ele nos amou primeiro.
Se alguém diz: ‘Amo a Deus’ e detesta seu irmão, ele mente. Pois quem não ama a seu
irmão, a quem vê, não é possível que ame a Deus, a Quem não vê. Sim, eis o
mandamento que d’Ele recebemos: quem ama a Deus, ame também a seu irmão" (1
João 4:17-21).

A tradição nos deixou várias informações muito valiosas sobre as atividades do apostolo
João, que nos mostram todo o seu amor que ele sentiu por todos. Durante a sua visita a
uma das igrejas da Ásia Menor, João notou no meio da multidão um jovem que se
destacava por talentos excepcionais e o confiou aos cuidados especiais de um bispo.
Mais tarde este jovem fez amizade com maus elementos e enfim virou chefe de
bandidos. Ao saber disto do próprio bispo, João foi até as montanhas, onde os bandidos
atacavam as pessoas, foi capturado por eles e trazido até o chefe deles.

Quando o jovem viu o Apóstolo, ele ficou tão desconcertado, que se pôs a correr. João
correu atras dele, o encorajou com as suas palavras cheias de amor, levou-o
pessoalmente até a igreja, dividiu com ele a penitencia e não sossegou, enquanto não o
reconciliou completamente com a Igreja. Nos últimos anos de sua vida o Apóstolo não
se cansou de repetir sempre: "Meus filhos, amem uns aos outros." Os discípulos
perguntaram: "Porque repetes sempre a mesma coisa?" O Apóstolo respondeu: "Porque
este é o mandamento principal. Quem cumpre este mandamento, cumpre toda a lei
Divina."

Este amor se transformava num ardente zelo, quando o Apóstolo se deparava com
heresiarcas, que deturpavam os ensinamentos, privando as pessoas da eterna salvação.
Uma vez, num edifício público ele se encontrou com um heresiarca Querinto, que
rejeitava a divindade do Nosso Senhor Jesus Cristo. "Vamos sair rapidamente daqui, —
disse o Apóstolo ao seu discípulo, — pois tenho medo que este prédio cairá encima de
nos."

São João Teólogo era o único apostolo que morreu de morte natural na idade de quase
105 anos, durante o reinado do imperador Trajano. As circunstancias da morte dele
eram extraordinárias e até misteriosas. Por insistência do próprio apostolo ele foi
enterrado vivo. No dia seguinte, quando abriram o túmulo do apostolo, se verificou que
ele era vazio. Este acontecimento confirmou a suposição de alguns cristãos, que o
apóstolo não ia morrer, mas que ficaria vivo até a Segunda Vinda do Nosso Senhor e
acusaria o Anticristo. O motivo desta suposição eram as palavras proferidos por Jesus
um pouco antes da Sua ascensão. Respondendo a uma pergunta do apostolo Pedro sobre
o que aconteceria com o apostolo João, Nosso Senhor respondeu: "Assim Eu quero que
ele permaneça até que Eu venha (pela segunda vez), e que te importa isso?" E o
apostolo João continua, a respeito disso: "Espalharam-se por isso entre os irmãos essas
palavras de que tal discípulo não morreria" (João 21:22-23).

Tropário:

Ó apostolo, amado por Cristo Deus, apressa-te em vir salvar os homens


humildes, pois Aquele em Cujo peito estavas apoiado te aceita, quando
intercedes pelos homens. Portanto, Teólogo, ora à Ele, para que seja dispersada a
neblina entre os homens, e peça para nos a paz e uma grande graça.

Santo Mártir Cristóforo.


22 de maio (9 de maio no estilo velho).

Santo Cristóforo viveu no século III, durante as perseguições dos cristãos, no reinado
do imperador Décio (249-251). Ele era alto, muito bonito e muito forte. Mesmo quando
ainda era pagão ele acusava os perseguidores dos cristãos. O imperador Décio ficou
sabendo da grande força do Cristóforo e mandou os seus soldados buscá-lo. Naquela
época o santo Cristóforo já confessava a fé cristã, mas ainda não era batizado. No
caminho ele se apoiava num pedaço de pau seco, e de repente este pau floresceu. Mais
tarde, após uma oração dele, multiplicaram-se os pães que começaram a escassear
durante a viagem deles. Os soldados ficaram perplexos com os milagres feitos pelo
Cristóforo, acreditaram em Cristo e todos junto com o Cristóforo foram batizados pelo
bispo Vavila de Antioquia. Quando o imperador ficou sabendo do batismo do
Cristóforo, ele resolveu usar astúcia para que ele renegasse o Cristo e incumbiu duas
prostitutas, Kallinika e Aquilina, desta missão. Mas, ao contrário, Cristóforo converteu
as duas mulheres ao cristianismo, pelo que elas foram torturadas. Ambas morreram
como mártires. Os soldados que se converteram e trouxeram Cristóforo até o imperador
foram decapitados. Cristóforo foi jogado num incandescente caldeirão de cobre, mas
ficou ileso. Depois disso, são Cristóforo foi submetido a novas torturas, e por fim,
decapitado, na Lícia, (Ásia Menor), por volta do ano de 250.

O santo mártir Cristóforo é igualmente venerado tanto no Oriente, como no Ocidente,


principalmente, na Espanha. No Ocidente ele é invocado durante as epidemias e durante
as viagens. As relíquias do santo mártir estavam guardadas no mosteiro do são Dionísio
em Paris, onde são enterrados os reis franceses.
Tropário:

Com suas vestes ornadas por teu sangue estás diante do Senhor Deus, Cristóforo
sempre lembrado: e de lá, junto com os anjos e outros mártires cantas
maravilhosamente hinos da Trindade: assim, com tuas orações, salva o teu
rebanho.

Bem-Aventurada Taíssia.
23 de maio (10 de maio no estilo velho).

Santa Taíssia viveu no Egito no século V. Ela era filha de pais ricos, e quando ficou
órfã, no começo levava uma vida piedosa, fazendo bem aos outros e ajudando a
enfermos. Muitas vezes monges, que vieram do deserto para a cidade vender os seus
artesanatos, se hospedavam na casa dela. Taíssia era amada e honrada por todos.

Após alguns anos de vida cheia de caridade, ela gastou tudo que tinha e começou sentir
privações. Aí ela conheceu algumas pessoas mal intencionadas e influenciada por elas,
começou a levar uma vida desregrada.

Os monges que antigamente visitavam ela souberam desta sua transformação e ficaram
muito tristes. Eles se reuniram com o seu abade, João Kólov, e lhe disseram: "Nos
soubemos, que a irmã Taíssia perdeu todos os seus bens. Quando ela era rica, ela nos
acolhia com muito amor e dedicação. Agora somos nos, que devemos mostrar a ela o
nosso amor e dar-lhe a nossa ajuda. Por favor, visita ela."

O abade João visitou Taíssia, sentou junto com ela e após olhar nos olhos dela, inclinou
a cabeça e começou a chorar. Taíssia ficou confusa e perguntou: "Padre, porque
choras?" Ele respondeu: "Vejo no teu rosto como o satanás está se divertindo, então,
como não vou chorar? O que aconteceu, que não amas mais Cristo e por isso estás
fazendo coisas abomináveis nos olhos Dele?" Ela, ouvindo isso, tremeu e disse: "Padre!
será que há penitencia para mim?" Ele disse: "Há perdão para ti!" — "Então, leva-me
para lá," — disse ela e levantando-se chorando, o seguiu.

O abade ficou somente surpreendido que antes de sua saída, Taíssia não se despediu de
ninguém, e também não deu nenhuma ordem a ninguém a respeito de suas coisas.
Quando eles chegaram até o deserto, já estava escurecendo. O abade fez de areia um
apoio para a cabeça para ela e um pouco mais longe, um outro igual para si.
Abençoando o apoio, ele disse: "Durma aqui," — e após todas as costumeiras orações,
deitou-se também.

Na manhã seguinte, o abade tentou acordar Taíssia, mas viu, que ela já estava morta. O
abade se entristeceu grandemente com a morte dela, pois pensou, que a alma dela ficou
condenada para sempre, porque ela não teve tempo suficiente para se arrepender,
comungar e tornar-se uma religiosa. Mas ele ouviu uma voz: "Uma hora do
arrependimento dela era maior do que um longo arrependimento de outros, que não
mostraram durante o arrependimento tanta abnegação como ela." Assim, Nosso Senhor
mostrou ao abade João, que Ele perdoou Taíssia por causa de sua sinceridade e decisão
no arrependimento.

Santos Cirilo e Metódio.


24 de maio (11 de maio no estilo velho).

No começo do afastamento da igreja ocidental da Igreja Ortodoxa universal podemos


ver uma notável tendência dos povos eslavos para o cristianismo. Certamente, Nosso
Senhor chamou-lhes para completar a Sua Igreja e nos santos Cirilo e Metódio, iguais-
aos-apóstolos, nos deu grandes missionários da fé.

Cirilo, cujo nome antes de se tornar monge era Constantino, e Metódio nasceram na
Macedonia na cidade de Tessalonica. Metódio, quando terminou os seus estudos, se
dedicou a carreira militar e era regente de uma província eslava. Mas logo ele decidiu
abandonar esta vida e entrou para um mosteiro no monte Olimpo. Constantino desde a
sua infância demonstrava uma rara inteligência e recebeu a mais alta educação e
instrução junto com o adolescente imperador Miguel III na corte do imperador. O
instrutor e professor dos dois era o famoso Fócio, futuro patriarca de Constantinopla.
Após o término de seus estudos, Constantino poderia ter muito sucesso e fama na corte,
mas no seu coração ardia um grande amor a Deus, e os bens materiais não significavam
nada para ele. Durante um certo tempo ele dava aulas de sua matéria predileta, a
filosofia, numa escola de Constantinopla, mas dentro em breve saiu da Constantinopla e
entrou para o mosteiro junto com o seu irmão Metódio. Lá os dois passavam o tempo
em jejum e orações, até que a Providencia Divina os chamou para divulgar o
cristianismo entre os povos eslavos.

Para nos, russos, é importante saber que antes do catecismo, Senhor levou os dois
irmãos até o nosso País. No ano de 858, os khozaros, uma tribo de Cáucaso, nômades,
que naquela época estavam no sudeste da atual Rússia, pediram ao imperador Miguel
que lhes mande alguns missionários da fé cristã. O patriarca Fócio chamou os dois
irmãos que se estabeleceram em Quersoneso, onde ficaram cerca de dois anos,
aprendendo a língua dos khozaros e onde acharam as relíquias do santo mártir
Clemente, bispo de Roma, exilado para lá no final do século I.

O primeiro povo eslavo, que se converteu ao cristianismo, eram os búlgaros. Naquela


época, em Constantinopla uma irmã do rei búlgaro Bogoris (Boris) era mantida como
refém. Ela foi batizada com o nome de Teodósia e foi educada em fé cristã. Por volta do
ano 860 ela voltou para a Bulgária e começou a convencer o irmão a se converter
também. Boris foi batizado com o nome de Miguel. Os santos irmãos Cirilo e Metódio
se encontravam naquele país e com a sua pregação muito contribuíram para a
divulgação e o fortalecimento da fé cristã. Da Bulgária, o cristianismo se espalhou pela
vizinha Sérvia.

Após a divulgação do cristianismo na Bulgária e na Sérvia, vieram para a


Constantinopla emissários do duque Rostislav da Morávia, com o seguinte pedido: "O
nosso povo já confessa o cristianismo, mas não temos nenhuma pessoa que nos possa
explicar a fé cristã na nossa língua. Por favor, mandem-nos tais instrutores." O
imperador e o patriarca ficaram muito felizes com este pedido e chamando os dois
irmãos, propuseram-lhes ir até os moravios. São Cirilo achou, que para maior êxito de
sua missão, era imprescindível traduzir para a língua eslava as Escrituras Sagradas bem
como livros litúrgicos, porque "pregar só verbalmente era igual a escrever sobre a
areia." Mas, antes da tradução era necessário ainda inventar um alfabeto eslavo. Para
empreender esta obra grandiosa, são Cirilo tomou como exemplo os santos apóstolos e
jejuou e rezou durante 40 dias. Logo após a invenção do alfabeto, são Cirilo traduziu
alguns trechos dos Evangelhos e dos Atos. Alguns cronistas acham que as primeiras
palavras escritas por ele em eslavo eram as palavras do apóstolo e Evangelistas João:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus."

No ano de 863 os santos irmãos viajaram para a Morávia junto com seus discípulos
Horazdo, Clemente, Sava, Naúm e outros. Os ofícios e a leitura dos Evangelhos na
língua eslava logo atraiu a simpatia dos morávios dando lhes vantagem sobre os
missionários alemães. Os missionários alemães e latinos invejavam os sucessos dos
santos irmãos e tentavam de todos os meios barrar a sua atividade. Eles espalhavam por
todos os lados uma opinião, de que a palavra de Deus só pode ser lida em três línguas,
aquelas em que era feita a inscrição da Cruz, a saber: hebreu, grego e latim, e
chamavam Cirilo e Metódio de hereges por causa de sua atividade em eslavo, e no fim
mandaram uma queixa ao papa Nicolau.

O papa desejou ver os missionários eslavos. Os santos irmãos respeitavam o papa como
sendo um dos patriarcas e também esperavam achar apoio nele para o seu trabalho e
partiam para a Roma. Eles levavam junto uma parte das relíquias do são Clemente,
igual-aos-apóstolos, para de Roma, e também os livros traduzidos por eles. No entanto,
o papa Nicolau faleceu e no lugar dele foi eleito para Adriano, o qual, desejando
apaziguar os ânimos, recebeu os missionários com grandes honrarias. Junto com o clero
e uma grande multidão, ele saiu para fora da cidade em encontro dos irmãos, recebeu
deles as relíquias que depositou com muita honra na igreja de são Clemente e os livros,
traduzidos por eles, sagrou no altar da antiquíssima basílica romana, chamada de Maria
Magna. Logo após a chegada em Roma, Cirilo ficou muito doente, pediu ao seu irmão
continuar e terminar a grande obra deles e morreu em paz em 14 de fevereiro de 869.

São Metódio cumpriu o testamento do seu irmão: voltou para a Morávia já em


dignidade de arcebispo e lá trabalhou durante 15 anos. Ainda durante a vida dele, da
Morávia o cristianismo penetrou na Bohémia. O duque bohémio (checo) Borivói e a sua
esposa Ludmila (que mais tarde era martirizada), bem como muitas outras pessoas,
foram batizados por ele. Em meados do século X o duque polonês Mechisláv casou com
uma duquesa checa Dombrovka, após o que ele próprio, bem como os seus súditos se
converteram.

Mais tarde, devido a muitos esforços dos missionários latinos e dos imperadores
alemães, a maioria destes povos eslavos se distanciou da Igreja Grega e por fim se
submeteu ao papa de Roma, com exceção dos sérvios e búlgaros. Mas, independente de
tudo isto, mesmo após tantos séculos, todos os povos eslavos se lembram dos santos
irmãos Cirilo e Metódio e daquela santa fé ortodoxa, que os dois irmãos tentaram
implantar lá. A sagrada memória dos santos Cirilo e Metódio serve de um elo de ligação
entre os povos eslavos.

Tropário:

Sendo iguais aos apóstolos e doutores dos países eslavos, Cirilo e Metódio,
sábios por obra de Deus, intercedam junto ao Senhor para que todos os povos
eslavos se mantenham firmes em Ortodoxia e sabedoria cristã, que o mundo seja
apaziguado e as nossas almas salvas.

São Pacómio.
28 de maio (15 de maio no estilo velho).

Os pais do são Pacómio eram pagãos. Pacómio era muito talentoso e recebeu uma
ótima educação. No ano de 312 ele foi recrutado para o exército do imperador
Maximino, que empreendeu uma campanha militar contra os imperadores Constantino e
Licínio. Durante as muitas dificuldades e privações da campanha, o jovem soldado teve
a oportunidade de conhecer os cristãos e percebeu, com quanto amor e misericórdia, que
eram a direta conseqüência dos ensinamentos do Divino Mestre, os cristãos estavam
tratando os seus inimigos, infelizes e sofredores. Ainda antes da sua conversão ele
começou a rezar ao Nosso Senhor e na volta da campanha militar, foi batizado, saiu
para o deserto para ser discípulo de um experiente monge, Polemon.

Após 15 anos de trabalhos espirituais, desconhecidos pelo mundo, Nosso Senhor


inspirou-lhe a idéia de ajuntar os eremitas, que viveram separadamente, num único
prédio com regras e normas, obrigatórias a todos. Para tanto ele começou a organizar
um mosteiro numa das ilhas do rio Nilo (Tavenna). Dentro em breve este mosteiro já
ficou pequeno para tantas pessoas que desejavam salvar a alma sob a orientação do são
Pakhómio e ele foi obrigado a construir mais alguns mosteiros na beira do Nilo,
próximos um de outro. Também ele organizou o primeiro convento para mulheres, onde
a irmã dele era a primeira madre superiora.

Nos seus mosteiros, ele introduziu regras obrigatórias a todos. A base destas regras
consistia de: pudor, humildade, abnegação de todos os bens e interesses terrestres e
obediência absoluta ao abade. Em cada cela moravam três monges, que juntos
trabalhavam e comiam as refeições. Todos usavam a mesma roupa (de baixo uma de
linho, sem mangas e por cima uma de couro, na cabeça um gorro e nos pés —
sandalhas). Várias vezes ao dia eles se reuniam na igreja ao som de uma trombeta ou
uma espécie de sino de madeira — "bilo." Lá eles liam as Escrituras Sagradas, ouviram
as instruções do seu abade, oravam, cantavam salmos. Aos domingos vinha um
presbítero de uma vila vizinha e oficiava a santa Liturgia, dando comunhão aos monges.
São Pacómio não aceitava a ordenação dele mesmo, nem a permitia aos seus monges,
porque ele tinha medo do orgulho e de desejo de comandar. Todos os monges saíam
juntos para os trabalhos, calados e numa perfeita ordem, junto com o seu abade.
Ninguém podia começar algum trabalho sem a benção do abade e nem trocar os seus
afazeres com outra pessoa. O trabalho feito por um monge não pertencia a ele, mas a
toda a comunidade. Eles comiam uma vez por dia — ao meio dia: pão, legumes e frutas.
No Domingo havia ainda uma refeição à noite. Para que todas estas regras sejam
cumpridas, são Pacómio decidiu aceitar os novos monges só após um ano de
experiência. Esta comunidade fundada sobre bases tão sólidas e sábias cresceu ainda
durante a vida de são Pacómio para 7 000 monges, e cem anos mais tarde — para 50
000.

Os mosteiros começaram a se espalhar cada vez mais. Ao mesmo tempo que são
Pacómio fundou os seus mosteiros perto do Nilo, um dos discípulos do Antônio,
Ammon, fundou um novo mosteiro perto da Alexandria, no monte de Nitria (este nome
provém da abundância lá de nitra ou salitre). No final do século IV lá havia perto de 50
mosteiros, com cerca de 5.000 monges. Atrás do monte já se estendia o deserto da
Líbia. Quando o monte de Nitria ficou pequeno, Ammon recebeu a benção do santo
Antônio para expandir os mosteiros até o deserto de Líbia e desde então, este deserto
recebeu o nome de "Celas." Bem mais longe do monte de Nitria havia um vale,
comprido e muito seco, onde se instalou o são Makários do Egito, junto com alguns
monges. Nenhuma vereda levava até lá. Quem queria chegar até lá, tinha que se guiar
pelas estrelas.

Um dos discípulos do santo Antônio trouxe a vida monástica até a sua pátria — a
Palestina (Terra Santa) e lá, perto de Gaza, fundou um mosteiro. De lá os mosteiros se
espalharam por toda a Palestina, bem como a Síria. São Basílio Grande, que,
terminando a sua instrução, visitou os mosteiros na Palestina e no Egito, foi depois até a
Capadócia, lá construiu mosteiros e introduziu lá as regras, que se tornaram comuns
para todos no Oriente. Um dos santos do século IV, são Sava Santificado (que era
monge e padre), fundou um mosteiro perto de Jerusalém, numa rocha na beira do rio
Cédron e lá introduziu estatutos para Divinos ofícios, chamado de Tipikón. Este
Tipikón, que mais tarde foi aperfeiçoado e incrementado, serviu de base para as nossas
missas ortodoxas.

No Oriente, a vida monástica se fixou basicamente nos montes Olímpico e Atos. No


monte Atos, cuja área é de cerca de 20 x 30 quilômetros, existem cerca de 20 mosteiros,
100 celas e 8.000 monges. Aqui podemos encontrar toda uma variedade de vida
monástica, desde grutas dos eremitas até populosos mosteiros. Do monte Atos a vida
monástica foi levada até nós, na Rússia.

Os tipos mais comuns da vida monásticas são os eremitas e as comunas. Mas, ainda
existem os "stólpniki" que passam a vida inteira numa espécie de torre, sem descer de
lá, e os "iuródivyie" — desvairados pelo amor à Cristo. O fundador dos "stolpniks" era
são Simão, sírio de nascença, que viveu no século V.
Kondákio:

No mundo apareceste como uma luz, no deserto e nas cidades erigiste muitos
mosteiros. Crucificaste-se a si mesmo, carregaste a tua cruz, e jejuando
extenuaste o corpo; ora sempre por todos nos.

Santos Constantino e Helena,


Iguais-Aos-Apóstolos.
3 de junho (21 de maio no estilo velho).

O imperador Constantino Grande era filho do Constâncio Cloro, que administrava a


parte ocidental do Império Romano (Gália e Britânia) e santa Helena, igual-aos-
apóstolos. Pela ordem do imperador Diocleciano, aos 18 anos Constantino foi retirado
dos pais dele como refém, e viveu na corte de Nicomídia. Após a abdicação do
Diocleciano, Constantino voltou para a Gália e após a morte do seu pai Constâncio, no
ano de 306, foi proclamado imperador.

Graças à sua mãe, ele foi benevolente ao cristianismo. O seu pai, apesar de ser pagão,
protegia os cristãos, pois ele percebeu, que os cristãos eram cidadãos fiéis e honestos.
Quando Diocleciano ainda não perseguia os cristãos, na corte dele havia muitos deles
nos mais variados cargos e Constantino teve a oportunidade de convencer-se da lealdade
deles. Depois ele viu todos os horrores da perseguição e a firmeza invulgar dos
confessores de Cristo, o que também teve um grande papel na sua tolerância e
benevolência para com eles. Mais tarde, Constantino disse que a sua permanência na
corte do Diocleciano contribuiu muito para a sua conversão para o cristianismo: "Eu
comecei a me afastar dos administradores, pois percebi a selvageria dos seus
temperamentos."

Constantino era trabalhador e muito ativo, acessível a todos, generoso, previdente e


perspicaz, podemos dizer que ele era um gênio mundial, e por todas estas suas
qualidades a Providencia Divina o escolheu para empreender a maior reviravolta no seu
império e no mundo todo.

O imperador Constantino durante o sua reinado lutava principalmente com três


inimigos, e durante esta luta aos poucos, mas decididamente, resolveu se converter ao
cristianismo.

No ano 308 ele foi vitorioso na luta contra o imperador Maximiano Hércules e se
apressou a expressar a sua gratidão na forma de ricas oferendas à um ídolo no templo do
Apolo. Neste ato se revelou o seu traço característico: embora sendo ainda pagão, ele
era uma pessoa pia e estava convencido de que venceu só com a ajuda do céu.
No ano 312 surgiu uma nova guerra do imperador Constantino com o imperador
Maxêncio, filho do Maximiano. Durante esta guerra, um pouco antes da batalha final,
na parte da tarde, quando o sol já começou a se pôr, Constantino viu com os seus
próprios olhos no céu uma cruz luminosa com a inscrição: "Com isto vencerás" (em
grego: NIKA). Durante a noite, Jesus apareceu à ele num sonho com a mesma cruz e lhe
disse, que com a cruz ele venceria o inimigo. No dia seguinte Constantino mandou fazer
em todos os lábaros e estandartes do seu exército a imagem da santa cruz.

Vencendo Maxêncio, Constantino entrou em Roma com grande triunfo e lá na praça


principal mandou colocar a sua estátua com uma cruz na mão e com a inscrição: "Com
esta cruz salvei a cidade do jugo do tirano." Após esta vitória, o imperador Constantino
junto com o seu genro Licínio publicou em Milão o primeiro edito, permitindo a todos
se converterem a cristianismo. O segundo edito assinado por ele no mesmo ano de 313
mandava devolver aos cristãos todos os lugares de seus cultos, assim como os seus bens
materiais, seqüestrados durante as perseguições.

Ao mesmo tempo, as relações amigáveis entre Constantino e Licínio começaram a


deteriorar, passando a uma luta aberta. Esta guerra deveria decidir o destino dos cristãos
no Império Romano, pois Licínio achava, que os cristãos orientais eram mais dedicados
ao Constantino do que à ele. Assim Licínio começou oprimi-los, passando a uma aberta
perseguição, mas Constantino era um defensor dos cristãos. Ambos imperadores
começaram a preparar-se para uma guerra, cada um conforme a sua religião. Os
oráculos profetizavam vitória ao Licínio, no entanto os cristãos rezavam pelo
Constantino. Deus deu a vitória ao Constantino na batalha de Adrianópolis (322).
Licínio perdeu o trono e a vida. Constantino virou único monarca do Império e o
cristianismo venceu.

Imperador Constantino dedicou toda a sua vida ao bem da Igreja, pelo que mereceu o
nome de "igual-aos-apóstolos." Desde o seu tempo, todas as instituições, leis, serviço
militar eram dirigidos conforme os preceitos cristãos.

Podemos mencionar, além dos editos acima mencionados, as seguintes medidas e atos
do imperador Constantino, em favor do cristianismo: ele aboliu os jogos pagãos (314),
libertou o clero dos deveres cívicos e as terras da igreja dos impostos (313-315), aboliu
a crucificação e promulgou uma lei muito severa contra os judeus, que se revoltavam
contra a Igreja (315), permitiu libertar sem maiores formalidades os escravos que
trabalhavam para as igrejas, o que antigamente era muito complicado (316), proibiu às
pessoas particulares fazer oferendas aos ídolos pagãos bem como chamar oráculos para
a sua casa, deixando este direito somente às associações (319), mandou em todo o
Império festejar o dia de Domingo (321); defendo as virgens celibatárias, aboliu as leis
romanas contra o celibato; conferiu à Igreja o direito de receber bens conforme o
testamento das pessoas, permitiu aos cristãos o acesso às altas posições no governo,
mandou construir igrejas cristãs e proibiu colocar lá estátuas dos imperadores, como era
comum nos templos pagãos (325).

O imperador Constantino encontrava muita oposição em Roma, onde o paganismo era


ainda muito forte. Esta oposição dos pagãos foi demonstrada principalmente durante os
seus festejos de vigésimo aniversário do seu reinado e esfriou o seu interesse pela antiga
capital do Império, até que, enfim, ele saiu definitivamente da Roma e fundou uma nova
capital cristã junto ao estreito de Bósforo e chamou bispos cristãos para abençoa-la,
dando-lhe o nome de Constantinopla. Nesta nova capital, no lugar dos templos pagãos
começaram a ser construídas igrejas cristãs e no lugar de estátuas de ídolos pagãos eram
colocados santos ícones.

O imperador Constantino revelou um grande interesse nas agitações causadas pelas


heresias dos donatistas, principalmente de Ário, tentando de todos os modos reconciliar
os que estavam divididos. Um dos maiores méritos dele foi a convocação do Primeiro
Concílio Ecumênico na cidade de Nicéia em 325.

Apesar de que ele era devoto à santa Igreja, Constantino, de acordo com o costume
daquela época, estava adiando seu batismo até os últimos dias de sua vida. Ao sentir a
aproximação da morte, Constantino, demonstrando uma grande devoção por este
importante sacramento, foi batizado e morreu em paz, quando orava, em 21 de maio de
337. A história agraciou ele com o epíteto "Grande." Por seus muitos serviços prestados
ao cristianismo, a Igreja chama ele de igual-aos-apóstolos.

Tropário:

Senhor, o Teu apóstolo entre os reis viu no céu a imagem de Tua Cruz, e o seu
chamamento, igual ao de Paulo, não foi feito pelos homens, e ele colocou a
capital do seu reino em Tuas mãos. Por isso sempre salvaste ele pelas orações de
Nossa Senhora, ó único Benevolente.

Exaltação da Santíssima Cruz


do Nosso Senhor.
27 de setembro (14 de setembro no estilo velho).

O primeiro mérito da rainha Helena era a educação cristã que ela deu ao seu filho
Constantino, desta forma preparando-o para a aceitação do cristianismo (veja acima),
quando os outros filhos dos aristocratas eram educados em paganismo e desprezavam o
cristianismo. O segundo mérito era o achado da Cruz do Nosso Senhor.

No intuito de achar a Cruz do Nosso Senhor, no ano de 326 a imperatriz Helena viajou
para Jerusalém. Lá disseram a ela, que a Cruz estava enterrada no lugar, onde os pagãos
construíram um templo em honra da Vênus. Quando, por ordem da Helena, demoliram
o prédio e começaram a cavar a terra, acharam três cruzes e perto deles uma tabuinha
com a inscrição: "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus."
Para determinar, qual era a cruz do Nosso Senhor, trouxeram um morto e começaram a
colocá-lo encima das cruzes, um após o outros. Na deposição nas duas primeiras cruzes
não aconteceu nenhum milagre. Porém, quando colocaram o morto encima da terceira
cruz, o morto ressuscitou e assim ficou comprovada a cruz do Nosso Salvador.

Quando o povo ficou sabendo do milagre, todos queriam ver a santa Cruz. Daí o
patriarca de Jerusalém Makários e a imperatriz Helena foram até um lugar alto e lá
levantaram a cruz. Todos, vendo a cruz do Nosso Senhor, rezavam com lágrimas:
"Senhor, tenha piedade de nos."

Em memória deste acontecimento, a Igreja estabeleceu a festa da Exaltação da


Santíssima e Vivificante Cruz do Nosso Senhor. Esta festa pertence às maiores festas e
é comemorada no dia 27 de setembro. Neste dia a cruz é levada solenemente até o
centro da igreja para adoração. Durante o reinado do Constantino, foi restabelecido o
nome de Jerusalém no lugar de Aelia Capitolina, dado pelo imperador Adriano (117-
138).

A imperatriz Helena construiu várias igrejas na Terra Santa: a basílica de Ressurreição


(e do Santo Sepulcro) do Nosso Senhor na Gólgota, onde todo ano, na noite de Páscoa,
desce o fogo celestial; no monte das Oliveiras (de onde Nosso Senhor ascendeu ao
Céu); em Belém (onde Nosso Senhor nasceu como homem) e no Hebron, perto do
carvalho no vale de Mamré, onde Deus apareceu ao Abraão.

Tropário à Cruz:

Salvai, Senhor, o Teu povo e abençoai o Teu patrimônio, aos cristãos ortodoxos
daí a vitória sobre os adversários, guardando com a Tua cruz os povos.

Santa Eufrosínia,
Duquesa da Cidade de Pólotsk.
5 de junho (23 de maio no estilo velho).

Santa Eufrosínia (cujo nome era Predislava), era filha do duque da cidade de Pólotsk,
Jorge Vsévolodovich. Ela foi criada em ideais de cristianismo e desde a infância gostava
de livros. Quando cresceu, ela desprezou os bens fantasmagóricos do mundo e
secretamente entrou para um dos conventos, e como religiosa, se empenhou na
transcrição dos livros sacros.

Após alguns anos ela fundou um convento perto da cidade de Pólotsk, que recebeu o
nome de Salvador-Eufrosínia. Organizando tudo lá, ela viajou até Jerusalém para adorar
o Santo Sepulcro. Lá ela morreu no ano de 1173. As suas relíquias foram trazidas de lá
até Kiev, onde repousam intactas na gruta de são Teodósio.

Tropário:

Por ti, madre, se salvam os que te imitam: aceitaste a cruz e seguiste a Cristo, e
com os teus atos ensinaste a desprezar o corpo, pois é coisa passageira; porém,
cuidar da alma, que é eterna. Portanto, santa Eufrosínia, o teu espírito se alegra
junto com os anjos.

Santo Igor.
18 de junho (5 de junho no estilo velho).

O duque Igor de Tchernigov, fiel servo de Deus, subiu no trono no ano de 1146. Os
moradores de Kiev, que não gostavam dos membros da família dos Olgovichi, dos quais
ele era descendente, o traíram e entregaram ao duque Iziaslav da cidade de Pereiaslavl, e
proclamaram este Iziaslav duque de Kiev. Santo Igor abnegou a vida no mundo e entrou
para o mosteiro Feodorov, foi ordenado lá com o nome de Inácio e recebeu lá a mais
alta consagração ("skhima"). No dia 19 de setembro de 1147 uma multidão de
amotinados penetrou no mosteiro, quando ele estava rezando na igreja diante do ícone
de Nossa Senhora, matou-o barbaramente, arrastando o seu corpo pelas ruas de Kiev.

Quando se verificou que muitos milagres aconteceram após as orações ao santo duque,
mais tarde, no dia de 5 de junho de 1150, as suas relíquias foram trasladadas de Kiev
para Tchernigov e depositadas na igreja de Transfiguração. "E a partir disto, — diz o
cronista, — a memória do são duque Igor é lembrada." No livro sobre ícones, ele é
descrito como uma pessoa de estatura média, com rosto trigueiro, cabelo comprido,
barba pequena e estreita. São duque Igor é venerado como mártir junto com os santos
duques Boris e Gleb.

Santo Mártir Leonidas.


(e outros martirizados junto com ele).

18 de junho (5 de junho no estilo velho).


Os mártires Leonidas, Marciano, Nicandro e outros viveram no Egito. Eles foram
martirizados na sua pátria durante o reinado do imperador Maximiano (285-305) e
morreram na prisão, sofrendo sede e fome.

Tropário:

Senhor, o Teu mártir Leonidas, nos seus sofrimentos recebeu de Ti, nosso
Senhor, a coroa eterna: pois teve a Tua força que venceu os torturadores e
aniquilou os débeis assaltos dos demônios. Salve as nossas almas por suas
orações.

Os Mártires Alexandre e a Virgem


Antonina.
23 de junho (10 de junho no estilo velho).

A pátria da pia virgem Antonina era uma das regiões administradas pela Roma — a
Trácia — hoje Bulgária. Durante o reinado de Maxencio (305-312) ela foi levada até o
administrador da região, que tentou convence-la a adorar os ídolos pagãos. Após a
decidida recusa dela, ela foi torturada e ultrajada. Um soldado de 23 anos, Alexandre,
que era um fervoroso cristão, decidiu libertar a mártir da sua horrível prisão. Ele foi até
a prisão dela e ofereceu a ela a sua roupa. Antonina trocou a roupa e saiu da prisão.

Quando este ato nobre do soldado foi descoberto, Alexandre foi horrivelmente
torturado. Quando a santa Antonina soube disto, ela veio juntar-se ao seu salvador e
junto com ele receber a coroa dos mártires. O breu foi derramado para os dois e eles
foram jogados num buraco incandescente e tampados com a terra (isto aconteceu por
volta do ano de 313). Mais tarde as suas relíquias, através das quais aconteceram muitos
milagres, foram trasladadas até a Constantinopla e depositadas no mosteiro do são
Máximo.

Tropário:

Senhor, os Teus mártires, nos seus sofrimentos receberam de Ti, nosso Senhor,
as coroas eternas: pois tiveram a Tua força que venceu os torturadores e
aniquilou os débeis assaltos dos demônios. Salve as nossas almas por suas
orações.
Santo Mártir Leôncio.
(e também Ipati e Teodulo).

1 de julho (18 de julho no estilo velho).

Santos mártires Leôncio, Ipati e Teodulo foram martirizados durante o reinado do


imperador Vespasiano (70-79), na cidade de Trípoli Fenícia. São Leôncio era grego de
nascença, e no exercito romano exercia o cargo de comandante. Ele era muito
inteligente, sabia ler e escrever, era casto, era muito bom com os pobres e era
hospitaleiro. O regente soube, que Leôncio exortava as pessoas a não renderem cultos
aos deuses pagãos. O regente mandou o seu tribuno Ipatio com um destacamento de
soldados para a Trípoli, para prender Leôncio . Durante o trajeto, Ipatio ficou muito
doente, à beira da morte. Um anjo apareceu e lhe disse: "Se queres ficar bom, então
clama três vezes, junto com os teus soldados: Deus do Leôncio, ajuda-me." Eles fizeram
assim e o tribuno ficou curado.

Na cidade, Ipatio e seu soldade Teodulo encontraram um homem, que os convidou para
a sua casa. Este homem era o próprio Leôncio, o qual os ensinou sobre o cristianismo e
ambos foram batizados por ele. Mais tarde o próprio regente chegou até a cidade.
Quando ele soube, o que aconteceu, ele mandou torturar Leôncio, Ipatio e Teodulo. Os
santos Ipatio e Teodulo foram decapitados e o são Leôncio morreu durante o
espancamento. Os cristãos sepultaram os santos mártires perto do porto de Trípoli.

Kondákio:

Envergonhaste a perfídia dos torturadores, e acusaste as adorações ateístas dos


Helenos, brilhaste com a tua sabedoria divina, mostrando a todos os homens os
ensinamentos da vida piedosa, mártir, sábio em Deus. Por tudo isso veneramos a
tua memória, Leôncio sábio.

São João Batista.


7 de julho, 20 de janeiro, 9 de março, 7 de junho, 11 de setembro e 6 de outubro

(24 de junho, 7 de janeiro, 24 de fevereiro, 25 de maio, 29 de agosto e 23 de


setembro no estilo velho).
O profeta são João Batista é o mais venerado santo após a Virgem Maria. Ele é
lembrado e festejado nas seguintes datas: 6 de outubro — concepção, 7 de julho —
nascimento, 11 de setembro — decapitação, 20 de janeiro — Sinaxe do são João
Batista, ligado à Festa de Teofania, 9 de março — 1a e 2a Revelações da sua cabeça, 7
de junho — a 3a Revelação, 25 de outubro — a trasladação da sua mão direita da ilha de
Malta para a Gatchina (perto de São Petersburgo).

O profeta João Batista era filho do sacerdote Zacarias (da geração de Aarão) e da justa
Isabel (da geração de Davi). Eles moravam perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de
Jerusalém. Ele era parente do Nosso Senhor Jesus Cristo por parte de sua mãe e nasceu
6 meses antes Dele. Conforme nos relata o Evangelho, o arcanjo Gabriel apareceu ao
seu pai no templo, anunciando o nascimento do seu filho. E eis, na justa família de pais
idosos, que não tiveram filhos, enfim nasce um filho que eles sempre pediram a Deus.

Pela graça de Deus ele não foi morto no meio de milhares crianças massacradas em
Belém e seus arredores. São João cresceu num deserto inóspito, preparando-se através
de uma vida austera para a grande missão — jejuando, rezando e meditando sobre as
coisas Divinas. Ele vestia uma veste rústica, de pêlos de camelo e um cinturão de couro,
e comeu mel silvestre e gafanhotos. Ele permaneceu lá no deserto até, aos trinta anos,
ser chamado pelo Senhor para a pregação ao povo judeu.

Obedecendo à esta chamada, o profeta João foi até o rio Jordão, para preparar o povo
para a recepção do esperado Messias (Cristo). Preparando-se para a festa de purificação,
o povo costumava vir até o rio para as abluções rituais. E foi aqui que João começou
pregar a eles a penitencia e o batismo para a remissão dos pecados. A essência de sua
pregação visava a mostrar ao povo que antes de lavar o corpo, é necessário purificar-se
espiritualmente, e desta maneira preparar-se para a aceitação do Evangelho.
Naturalmente, o batismo de João ainda não era o batismo cristão, efetuado pela obra
Divina. O sentido deste batismo era preparar o povo para o batismo futuro pela água e
pelo Espirito Santo.

Numa das orações o profeta João é comparado à uma estrela da manhã, que com o seu
brilho excedia o brilho de todas as outras estrelas e anunciava a manhã do dia
abençoado, iluminado pelo Sol espiritual de Cristo (Mal. 4:2). Quando a espera de
Messias chegou ao seu ponto culminante, o Próprio Salvador do mundo, Senhor Jesus
Cristo veio até João no rio Jordão para ser batizado. O batismo de Cristo foi
acompanhado por fenômenos milagrosos — a descida do Espirito Santo na forma de um
pombo e a voz de Deus Pai do céu: "Este é o Meu Filho dileto ..."

Tendo recebido a revelação a respeito de Jesus Cristo, o profeta João dizia ao povo:
"Este é o Cordeiro de Deus, que toma sobre Si os pecados do mundo." Quando dois dos
discípulos de João ouviram isto, eles logo seguiam Jesus Cristo. Estes dois discípulos
eram João o Teólogo e André, o Primeiro Chamado, irmão do Simão Pedro.

Com o ato de batismo, o profeta João como que terminasse a sua missão profética. Ele
não tinha medo de mostrar todos os vícios e pecados tanto dos homens simples, como
dos poderosos. Por tudo isto ele logo sofreu.

O rei Herodes Antipas (filho do Herodes Grande) mandou prender o profeta João e
mete-lo na prisão porque o profeta o acusava de ter abandonado a sua legitima esposa
(filha do rei da Arábia, Arefa) e convivendo em concubinato com a Herodíades.
Herodíades era esposa do irmão de Herodes, Felipe.

Herodes promoveu um banquete no dia do seu aniversário, do qual participaram muitos


convidados. Salomé, filha da ímpia Herodíades, dançava uma dança sensual e Herodes,
junto com os outros convidados, ficou tão fascinado, que jurou à Salomé cumprir
qualquer desejo dela, até presentea-la com a metade do seu reino. A bailarina, ensinada
pela sua mãe, pediu lhe dar num prato a cabeça de João Batista. Herodes respeitava João
como profeta e portanto entristeceu-se com este pedido. Porém, ele teve vergonha de
quebrar o juramento e assim mandou o guarda para a prisão para decapitar o profeta. A
cabeça do João foi entregue à moça, a qual levou-a até a sua mãe. Herodíades, após ter
profanado a cabeça do santo, a jogou num lugar imundo. Os discípulos do João Batista
sepultaram o corpo dele na cidade de Sebaste, na Samária.

No ano 38 d.C. Herodes foi castigado pelo seu crime: o seu exército foi derrotado por
Arefa, que empreendeu a campanha militar contra ele para vingar a desonra de sua filha,
abandonada por Herodes por causa da Herodíades, e no ano seguinte, o imperador de
Roma, Calígula, condenou Herodes e o deportou para uma prisão.

Conforme a tradição, o Evangelista Lucas, que visitava várias cidades, pregando o


Evangelho, levou consigo da Sebaste uma parte da relíquia do grande profeta — a sua
mão direita. No ano 959, quando os maometanos conquistaram a Antioquia, (durante o
reinado do imperador Constantino Porfirogenito), o diácono Jó trasladou a mão do
Precursor da Antioquia para a Calcedonia, de onde ela foi levada para a Constantinopla
e onde ela foi guardada até a tomada da cidade pelos turcos. Depois, a mão direita do
são João Batista foi guardada em São Petersburgo, na igreja de Nosso Senhor
Aquiropita, no Palácio de Inverno.

A santa cabeça do são João Batista foi encontrada por uma mulher piedosa, Joana, e
sepultada numa urna no monte das Oliveiras. Mais tarde, um asceta que estava cavando
o solo, preparando o lugar para alicerces de uma nova igreja, achou a relíquia e a
guardou consigo. Antes da sua morte, temendo a profanação por parte dos ímpios,
ocultou-a na terra no mesmo lugar onde ela foi achada. Durante o reinado do imperador
Constantino Grande, dois monges vieram para Jerusalém, para orar no Santo Sepulcro.
São João Batista apareceu a um deles em sonho indicando, onde estava enterrada a sua
cabeça. A partir desta data, os cristãos começaram a festejar o Primeiro Achado da
cabeça do São João Batista.

Foi sobre o João Batista que Jesus disse: "Entre os nascidos de mulher não existe
profeta nenhum maior do que João Batista." João Batista é glorificado pela Igreja como
"um anjo, apóstolo, mártir, profeta, círio e amigo de Cristo, o selo dos profetas e
intercessor da velha e nova graça, e entre os nascidos, a mais venerável e luminosa voz
do Verbo."

Tropário:

Na louvada memória do justo, tu, Precursor, és o testemunho do Senhor: foste de


verdade mais venerável do que os profetas, pois recebeste a honra de batizar
Messias nas águas do rio; sofreste com alegria pela verdade, anunciaste àqueles
que estavam ainda no inferno a vinda de Deus feito Homem, Que redime os
pecados do mundo e nos dá a grande graça.

Santa Mártir Leonida.


8 de julho (25 de junho de est. velho).

Sabemos muito pouco sobre o martírio e a morte da madre Leonida e das outras freiras,
junto com ela martirizadas. No ano de 310 a madre Leonida foi decapitada, a madre
Livia queimada vida e a santa Eutropia faleceu durante a tortura.

Tropário:

Senhor, a Tua cordeira Leonida está clamando: a Ti, meu Esposo, amo, e a Ti
procurando, estou sofrendo, me crucificando e me sepultando no Teu batismo,
por Ti estou sofrendo para viver junto Contigo, portanto, receba-me como uma
oblação imaculada, pois foi com grande amor que me sacrifiquei por Ti. Por
orações dela, salve as nossas almas, ó Misericordioso.

Santo Apóstolo Pedro.


12 de julho (29 de junho no estilo velho).

O apóstolo Pedro, cujo nome antes do encontro com o Nosso Senhor, era Simão, era
filho de um pescador, Jonas, da Betsaida de Galiléia, e irmão do apóstolo André, o
Primeiro Chamado, o qual o levou até Cristo. São Pedro era casado e tinha a sua casa
em Cafarnaum. Ele foi chamado pelo Cristo durante o seu trabalho de pescaria no lago
de Genezaré, e sempre demonstrava uma grande lealdade e decisão de seguir o Mestre,
pelo que foi agraciado por uma proximidade especial ao Mestre, junto com os apóstolos
Tiago e João Teólogo.

Ele era forte de espírito e apaixonado e logicamente ocupou um lugar de destaque entre
os apóstolos de Cristo. Ele foi o primeiro a reconhecer o Nosso Senhor Jesus Cristo
como o Messias e por isto recebeu o nome de Pedra — Pedro. Nosso Senhor prometeu
fundar a Sua Igreja sobre a pedra da fé do Pedro, e as portas do inferno não a vencerão.
O apóstolo Pedro renegou três vezes Jesus, mas esta sua renegação ele lavou com as
lágrimas de arrependimento, e graças a este seu arrependimento, Nosso Senhor, após a
Sua ressurreição o reintegrou três vezes na dignidade apostólica, em conformidade com
as três vezes de sua renegação, confiando-lhe os cuidados do Seu rebanho. Conforme a
tradição, toda manhã, ao ouvir o cantar do galo, o apóstolo Pedro se lembrava da sua
covarde renegação, chorando amargamente.

O apóstolo Pedro foi o primeiro a ajudar à propagação e fundação da Santa Igreja,


depois da descida do Espírito Santo. No dia de Pentecostes ele proferiu um sermão tão
convincente, que 3 000 pessoas se converteram para o cristianismo. Um pouco mais
tarde, ele curou um paralítico de nascença, e proferindo o seu segundo sermão, levou
outras 5 000 pessoas ao Cristo. A sua força espiritual era tão grande, que até a sua
sombra, que caía sobre os doentes, os curava (Atos 5:15). O livro dos Atos, nos
capítulos 1-12, conta sobre a sua atividade apostólica.

O neto do Hérodes Grande, Hérodes Agripa Primeiro, começou a perseguir os cristãos


no ano de 42. Ele mandou matar o apóstolo Tiago Zebedeu e mandou aprisionar o
apóstolo Pedro. Os cristãos, prevendo a morte do apóstolo, rezaram fervorosamente por
ele. À noite aconteceu o milagre: um Anjo mandado do Céu entrou na prisão do Pedro,
as correntes se abriram e ele saiu da prisão sem nenhum obstáculo. Após este milagre,
temos só mais uma menção sobre o apóstolo Pedro no livro dos Atos, no relato sobre o
Concílio dos Apóstolos.

É somente da tradição que sabemos mais sobre ele. Sabemos, que ele pregava o
Evangelho nas margens do mar Mediterrâneo, na Antioquia (onde ordenou bispo
Evodio). O apóstolo Pedro pregava na Ásia Menor aos judeus e aos prosélitas (gentios,
convertidos para o judaísmo), depois — no Egito, onde ordenou Marcos como o
primeiro bispo da Igreja de Alexandria. De lá ele passou para a Grécia (Aquaia) e
pregou no Corinto, depois foi para a Roma, Espanha, Cartago e Bretanha. Conforme a
tradição, o apóstolo Marcos escreveu o seu Evangelho, ditado pelo apóstolo Pedro, para
os cristãos romanos. As Escrituras Sagradas do Novo Testamento contêm duas epístolas
do apóstolo Pedro.

A sua primeira epístola é dirigida aos "que peregrinam, dispersos no Ponto, na Galácia,
na Ásia e na Bitínia" — províncias da Ásia Menor. O apóstolo visava a fortalecer os
irmãos quando surgem mal-entendidos nas comunidades, e durante as perseguições por
parte dos inimigos de Cristo. Naquela época também surgiram inimigos internos,
hereges e gnósticos. Valendo-se da ausência do apóstolo, eles começaram a deturpar os
seus ensinamentos sobre a liberdade cristã e proteger toda e qualquer imoralidade.

A Segunda epístola é dirigida aos mesmos cristãos da Ásia Menor. Nesta epístola o
apóstolo adverte enfaticamente dos gnósticos imorais. Estes gnósticos são muito
parecidos com aqueles acusados pelo apóstolo Paulo nas suas epístolas ao Timóteo e
Tito, e pelo apóstolo Tiago — na sua epístola. Estes ensinamentos corruptos
ameaçavam a fé e a integridade dos cristãos. Foi naquela época que começaram a se
espalhar os ensinamentos gnósticos, heresias, que ajuntaram diversos elementos de
judaísmo, cristianismo e paganismo. Esta epístola foi escrita um pouco antes da morte
do apóstolo Pedro: "Sei, que dentro em breve devo deixar este meu corpo, conforme O
Nosso Senhor Jesus Cristo me revelou."
No fim da vida, o apóstolo Pedro veio para a Roma, onde, no ano de 67, foi crucificado
de cabeça para baixo. Este acontecimento é descrito no romance "Quo Vadis," de
Henryk Sienkiewicz.

Santo Apóstolo Paulo.


12 de julho (29 de junho no estilo velho).

São Paulo, cujo nome hebreu inicialmente era de Saulo, pertencia à tribo de Benjamim
e nasceu na cidade de Tarso, na Cilicia, na Ásia Menor. Esta cidade era famosa por sua
academia grega e por instrução de seus habitantes. Paulo tinha todos os direitos de um
cidadão romano, porque era natural de Tarso e descendia dos judeus que eram libertados
da escravidão dos cidadãos romanos. Primeiro, Paulo foi educado em Tarso e
provavelmente lá também conheceu a cultura pagã, pois nos seus discursos e suas
epístolas temos uma clara evidencia do seu conhecimento dos escritores pagãos.

A instrução seguinte ele recebeu em Jerusalém, que naquela época era famosa por sua
academia do mestre Hamaliel, um profundo conhecedor das Leis e Escrituras e que,
mesmo pertencente ao partido dos fariseus, era uma pessoa livre de preconceitos e
amador da cultura grega. E foi aqui, que o jovem Saulo aprendeu a fazer as barracas, o
que lhe ajudou a ganhar dinheiro para a sua própria sustentação.

O jovem Saulo provavelmente se preparava para ser um rabino e por isso, logo após o
término de seus estudos, ele se mostrou como um forte defensor das tradições fariséias e
perseguidor dos cristãos. Pode ser que ele foi até designado por sinédrio a ser
testemunha da morte do primeiro mártir Estevão e depois foi oficialmente incumbido de
perseguir os cristãos até fora da Palestina e Damasco.

Nosso Senhor o escolheu como o "Seu instrumento preferido" e no caminho para o


Damasco o chamou. Durante a sua viagem para o Damasco, Saulo foi iluminado por
uma luz muito brilhante, por causa da qual ele ficou cego e caiu no chão. Uma voz da
luz disse: "Saulo, Saulo, porque Me persegues?" Saulo perguntou: "Quem És?" — Jesus
respondeu: "Eu sou Jesus, a Quem persegues." Nosso Senhor mandou Saulo ir até o
Damasco, onde ele iria receber as instruções, o que fazer. Os companheiros do Saulo
ouviram a voz de Cristo, porém não viram a luz. O cego Saulo foi conduzido até
Damasco, onde recebeu os ensinamentos cristãos e no terceiro dia foi batizado por
Ananias. Durante o batismo, no momento da imersão na água, Saulo recuperou a visão.
Desde aquele momento ele se transformou no fervoroso missionário do cristianismo,
que antes ele perseguia. Ele viajou para a Arábia, onde ficou durante um certo tempo, e
depois voltou para Damasco, para difundir a fé cristã.

Os judeus ficaram furiosos com a sua conversão para o cristianismo e por isso ele fugiu
para Jerusalém, onde se juntou a um grupo de cristãos e conheceu os apóstolos. Após
um atentado à sua vida por parte de judeus, ele voltou para a sua cidade natal, Tarso. No
ano de 43, Barnabé chamou ele para a Antioquia para ajudar na propagação do
cristianismo e depois viajou junto com ele para Jerusalém para onde trouxe ajuda aos
necessitados.

Logo, após a volta de Jerusalém — por ordem do Espírito Santo — Saulo junto com
Barnabé empreenderam a sua primeira viagem apostólica, que durou de 45 até 51. Os
apóstolos viajaram por toda a ilha de Chipre e desde então, quando Saulo converteu o
procônsul Sergio Paulo, Saulo começa a ser chamado de Paulo. Durante estas suas
viagens missionárias Paulo e Barnabé fundaram núcleos cristãos nas cidades da Ásia
Menor: Antioquia Pissidiaca, Iconia, Listra e Derbia. No ano de 51 são Paulo participou
do Concílio dos Apóstolos em Jerusalém, onde era contra a necessidade por parte dos
gentios manter os rituais da lei Mosaica.

Após o seu retorno à Antioquia, o apóstolo Paulo, na companhia de Silas, empreendeu a


sua segunda viagem apostólica. Primeiro, ele visitou todas as igrejas fundadas por ele na
Ásia Menor e depois foi até a Macedonia, fundando comunidades em Filipas,
Tessalonica e Beria. Em Listra ele adquiriu o seu discípulo preferido, Timóteo, e da
Troada, ele continuou a sua viagem junto com o apóstolo Lucas, que se juntou a ele. Da
Macedonia, são Paulo passou para a Grécia, onde pregava em Atenas e Corinto. Em
Corinto, ele ficou por um ano e meio e de lá mandou duas epístolas aos
Tessalonicenses. A sua segunda viagem durou do ano de 51 até 54. Depois são Paulo
viajou para Jerusalém, visitando no caminho Efésio e Cesaréia e depois, de Jerusalém,
foi para a Antioquia.

Após uma curta permanência em Antioquia, o apóstolo Paulo empreendeu a sua terceira
viagem apostólica (anos 56-58), visitando primeiro, como de costume, as igrejas
fundadas anteriormente na Ásia Menor. Depois ele ficou em Efésio, onde durante 2
anos pregava diariamente na escola de Tiranna. Foi de lá que ele escreveu a sua segunda
epístola aos Galatas (por causa do partido dos judaistas, que lá estava se propagando
rapidamente), e sua primeira epístola aos Coríntios (por causa das desordens de lá e
também como uma resposta à carta deles). Por causa da revolta do povo, desencadeada
pelo ourives Demétrio contra o apóstolo, são Paulo saiu do Efésio e foi para a
Macedonia, e depois para Jerusalém.

Em Jerusalém houve uma revolta do povo contra o apóstolo e por causa disso, ele foi
encarcerado, primeiro durante a gestão do procônsul Felix, e depois durante a gestão do
procônsul Festo. Isto aconteceu no ano de 59, e dois anos mais tarde, de acordo com o
desejo do apóstolo, são Paulo, que era um cidadão romano, era mandado para o
julgamento do imperador romano. Após um naufrágio perto da ilha de Malta, o apóstolo
chegou a Roma somente no ano de 62 e lá ele gozava de muita condescendência por
parte das autoridades romanas e pregava livremente. Foi de Roma que ele mandou as
suas epistolas para Filipenses (agradecendo ao mesmo tempo pela ajuda material,
enviada a ele, a qual foi trazida por Epafroditas), aos Colossenses, aos Efésios e ao
Filémon, habitante de Colosso (por causa do servo dele, Onisimo, que havia fugido).
Todas estas três epístolas eram escritas no ano de 63 e enviadas com Tikhico. E foi
também da Roma que logo foi escrita a epístola aos hebreus na Palestina.

Ninguém sabe ao certo o que aconteceu depois com o apóstolo Paulo. Alguns acham,
que ele ficou em Roma e por ordem do imperador Nero foi martirizado no ano de 64.
Mas, também é provável, que após o seu encarceramento, que durou dois anos, e após a
defesa da sua atividade missionária ante o senado e o imperador, o apóstolo Paulo foi
absolvido e viajou de novo para o Oriente. Podemos achar indícios desta hipótese nas
suas epístolas Timóteo e ao Tito. Após a sua longa permanência na ilha de Creta, ele
deixou lá o seu discípulo Tito para ordenação dos padres em todas as cidades, o que
significa, que Tito foi ordenado bispo da igreja de Creta. Mais tarde, em sua epístola, o
apóstolo ensina ao Tito quais são os deveres dos bispos. Desta mesma epístola podemos
concluir que ele pretendia passar o inverno na cidade de Nicópolis, perto da sua cidade
natal de Tarso.

Na primavera do ano de 65 ele visitou outras igrejas da Ásia Menor e em Melita deixou
o doente Trofim, por causa do qual houve o tumulto contra o apóstolo Paulo em
Jerusalém, que teve como conseqüência a sua primeira prisão. Não se sabe, se o
apóstolo passou pelo Êfeso, pois ele havia dito, que os efésios não o veriam mais;
porém, ao que parece, ele ordenou Timóteo bispo para a igreja de Êfeso. Depois, o
apóstolo passou pela Tróade, chegando até a Macedonia. Lá ele ficou sabendo sobre os
primeiros ensinamentos heréticos em Êfeso e escreveu a sua primeira epístola ao
Timóteo. Ele ficou durante um certo tempo em Corinto e no caminho se encontrou com
o apóstolo Pedro. Junto os dois continuaram a sua viagem através a Dalmácia e Itália, e
chegaram até a Roma. Lá eles se separaram, ficando o apóstolo Pedro em Roma. No ano
de 66, o apóstolo Paulo viajou sozinho para ocidente, chegando, provavelmente, até a
Espanha.

Após a sua volta para a Roma, ele foi novamente jogado na prisão, onde ele ficou até a
sua morte. Uma tradição diz, que após a sua volta para a Roma ele pregava até na corte
do imperador Nero e converteu a sua concubina predileta. Por isto ele foi novamente
julgado, mas conforme as suas próprias palavras, pela misericórdia de Deus foi livrado
dos dentes do leão na arena do circo; porém, foi novamente jogado na prisão.

Após nove meses de prisão, no ano de 67, ele, sendo um cidadão romano, foi decapitado
perto de Roma. Isto se deu no 12o ano do reinado de Nero.

Analisando a vida do apóstolo Paulo, podemos notar que ela se divide em duas etapas
distintas. Até a sua conversão, o apóstolo Paulo, então Saulo, era um rigoroso fariseu,
cumprindo a lei mosaica e ele tinha convicção de que seria justificado pelas suas obras
de lei e sua fé fervorosa, que beirava o fanatismo. Após a sua conversão ele se
transformou no apóstolo de Cristo que se entregou totalmente à divulgação do
Evangelho e era completamente feliz com isto. Ao mesmo tempo, ele se dava a conta de
que ele por si só era impotente para cumprir esta missão e atribuiu todo o seu trabalho e
mérito à Graça de Deus. Ele tinha absoluta certeza de que toda a sua vida antes da sua
conversão era um enorme erro, pecado, e o conduzia à condenação. Somente a toda
poderosa Graça de Deus o levou para o caminho da salvação. A partir daquele
momento, tudo o que apóstolo Paulo quer, é ser digno deste chamamento Divino. Ele
sabe perfeitamente, que não existe — e nem poderá existir — nenhum mérito perante
Deus: tudo é graça de Deus.

O apóstolo Paulo escreveu 14 epístolas, que resumem os ensinamentos cristãos. Estas


epístolas, graças à sua grande erudição e perspicácia, se destacam por sua originalidade.

Ambos os apóstolos, Pedro e Paulo, se empenharam muito na divulgação do


cristianismo e é justo, que eles são denominados "os pilares" da Igreja e considerados
como apóstolos supremos.
Que Deus salve nossas almas pelas orações dos apóstolos Pedro e Paulo!

Tropário aos Apóstolos Pedro e Paulo:

Apóstolos supremos e doutores do mundo, roguem ao Nosso Senhor que Ele dê


a paz ao mundo e uma grande graça a nossas almas.

Veja na primeira edição do livro sobre a vida dos santos o significado da santidade, na segunda edição —
os mártires por Cristo, na terceira — sobre a vida monástica e ascese, e na quinta — sobre os desvairados
por causa do Cristo.

Os nomes dos santos por ordem alfabética se encontram no final da primeira edição.

Folheto Missionário número PA3

Copyright © 2001Holy Trinity Orthodox Mission

466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011

Redator: Bispo Alexandre Mileant


Vidas dos Santos Selecionadas.
IV
Julho—Agosto
Bispo Alexandre (Mileant)

Traduzido por Zlata V. Hvanov

Digitado por Soraya Tyba Lysenko

Conteúdo:

Julho.

São Felipe, metropolita de Moscou. Santo André — Bispo da Ilha de Creta. São
Procópio, o louco pelo amor de Cristo. Bem Aventurados Antônio e Teodósio.
Grã-duquesa Olga equivalente ao apóstolos. Equivalente aos apóstolos Grão-
duque Vladimir, o batismo da Rússia. A grande mártir Marina. São Serafim de
Sarov Bem aventurada Melissa. Profeta Elias. Maria Madalena equivalente a
apóstolos. Mártir Cristina. Os grão-duque que sofreram a paixão Boris e Gleb.
Bem aventurada Olimpiada, a diaconisa e confessora. Grande Mártir e curador
Panteleimon. O clérigo-mártir Valentino, bispo da Interamna.

Agosto.

Bem-aventurado Basílio, Demente por amor a Cristo. Beata Nonna. Mártir


Susana. São Tihon de Zadonsk. Martíres Adriano e Natália Bem aventurado
grão-duque Alexandre de Nieva.

Julho.
São Felipe, metropolita de Moscou.
16 de julho, 22 de janeiro (3 de julho, 9 de janeiro pelo calendário da Igreja)

Após acontecimentos alegres para a Pátria — a conquista dos reinos de Kazan e


Astrakan em meados do século XVI - chegou o tempo difícil para o povo russo. O Czar
João de Basílio, após a morte da sua afável esposa Anastácia, tornou-se taciturno e
carrancudo. Desconfiando da traição de seus súditos, cercou-se de guarda-costas, tomou
para si algumas cidades e algumas ruas de Moscou, como se fossem propriedade
especial (opríchina = corporação de guarda-costas diferente de outras cidades e ruas do
ruralismo). Estes guarda-costas —oprichniki ofendiam e roubavam os pacíficos
cidadãos, sem castigo. Nestes tempos difíceis para a Rússia houve um grande sacrifício
de imolação de São Felipe.

São Felipe (nome civil Feodor) descendia de uma geração nobre de senhorio Kolichev.
Seu pai Stepan(Estéfano) Ivanovich Kolichev foi muito estimado pelo Grão-duqe
Vassilii (Basílio) Ivanovich. Feodor era primogênito do nobre senhor e sua esposa
Varvara (Bárbara), temente a Deus. Desde tenra idade, Feodor, que segundo expressão
do biógrafo "com muito amor apegou-se aos livros religiosos," distinguia-se pela
humildade e dignidade e ficava alheio a diversões. Devido à sua nobre descendência, ele
freqüentava o palácio do czar. Sua humildade e piedade causaram forte impressão na
alma do Czar Ivan (João) que tinha mais ou menos a mesma idade.

A exemplo de seu pai, Feodor iniciou o serviço militar, que lhe prometia um futuro
brilhante, mas o seu coração não se apegava aos bens terrenos. Contrariando os
costumes da época, ele demorava a se casar até a idade dos 30 anos. Certa vez na igreja,
em um domingo, as palavras do Salvador causaram nele uma forte impressão:
"Ninguém pode servir a dois senhores, pois ou irá odiar a um e estimar ao outro, ou irá
se esforçar para um e ao outro negligenciar"(Mat.6:24). Escutando nelas seu chamado
para a vida monástica, ele, escondido de todos, com roupas simples, deixou Moscou e
se dirigiu para o mosteiro de Solovki. Aí, no decorrer de nove anos, ele labutou
arduamente como noviço sem reclamações, trabalhando como simples camponês ora na
horta, ora na ferraria, ora na padaria. Enfim, pelo desejo unânime da irmandade, foi
nomeado presbítero e superior.

Neste posto ele se preocupava zelosamente com o bem-estar da comunidade do


mosteiro do ponto de vista material, mas ainda mais do ponto de vista moral. Ele
interligou os lagos pelos canais, secou os locais pantanosos para colher feno, construiu
estradas nos locais antes intransponíveis, arrumou estábulos, melhorou salinas,
construiu duas majestosas catedrais — a de Assunção e de Transfiguração e outros
templos, construiu enfermaria, destinou locais isolados e eremitérios para os que
desejavam viver em silêncio e ele próprio às vezes se recolhia para um lugar isolado,
conhecido nos tempos anteriores à Revolução pelo nome de eremitério de Felipe.
Escreveu para a irmandade novo regulamento, no qual traçou a imagem de vida de
labuta, que proibia folgança.

O superior Felipe foi chamado a Moscou para um conselho espiritual no qual, já no


primeiro encontro como czar, ele ficou sabendo que para ele estava estabelecida a
cátedra de mitropolita. Com lágrimas nos olhos, ele implorava a João: "Não me separe
do meu eremitério; não incumbe à pequena torre uma grande tarefa."João foi inapelável
e incumbiu os bispos e bayares de convencer Felipe a aceitar o cargo de metropolita.
Felipe concordou, mas exigia a extinção da opríchina - corporação de guarda-costas. Os
bispos e boyares convenciam Felipe a não insistir muito nesta exigência em atenção à
supremacia do poder do czar e humildemente a aceitar o posto. Felippe cedeu à vontade
do czar, vendo nela a escolha de Deus.

Nos primeiros tempos do exercício de Felipe (1567-1568), os horrores da opríchina se


acalmaram, mas isto durou pouco. Novamente começaram os assaltos e assassinatos dos
pacíficos cidadãos. Felipe, algumas vezes, em conversas particulares com o czar, tentou
aconselhá-lo, mas vendo que as persuasões não adiantavam, resolveu agir abertamente.

No dia 21 de março de 1568, na semana de veneração da Santa Cruz, antes do início da


liturgia, o metropolita estava em pé sobre o estrado no meio do templo. De repente na
igreja entra João com um bando de oprichniks (guarda-costas). Todos eles e o próprio
czar estavam usando altos gorros pretos, batinas pretas debaixo das quais brilhavam
facas e punhais. João se aproximou do santo pela lateral e três vezes fez mesuras com a
cabeça para receber a benção. O metropolita permaneceu imóvel, fixando seu olhar no
ícone do Salvador. Finalmente, os boyares disseram: "Sua Santidade — o Czar — está
exigindo tua benção." O Santo virou-se para João, como se não o reconhecendo e disse:
"Nestes trajes estranhos eu não reconheço o Czar Ortodoxo, nem o reconheço em ações
governamentais. Piedoso senhor, a quem tu invejou, deturpando desta maneira tua
magnificência? Desde que o sol brilha no céu, não se ouviu que os czares indignassem o
próprio poder… Os tártaros e os pagãos têm as leis e a verdade, mas nós não temos.
Nós, senhor, oferecemos a Deus o sacrifício sem sangue, mas atrás do altar jorra sangue
inocente dos cristãos. Não me entristeço pelos que derramando seu sangue inocente,
assemelham-se ao mártires; sofro pela tua pobre alma. Apesar de que tu foste agraciado
pela imagem de Deus, entretanto, és um homem mortal, e o Senhor irá pedir contas de
tudo feito pela tua mão."

João fervia de raiva, sussurrava ameaças, batia com o cetro nas lajotas do estrado.
Enfim, exclamou: "Felipe! Será que tu ousas a te opor ao nosso domínio? Vejamos,
vamos descobrir, quão grande a tua força." "Bondoso Czar — respondeu o Santo — está
me ameaçando em vão. Sou um estranho na terra, sacrifico-me pela verdade e nenhum
sofrimento vai me obrigar a me calar." Muito irritado, João saiu da igreja, mas guardou
a raiva até a hora apropriada.

No dia 28 de julho, no dia da veneração do ícone de Nossa Senhora de Smolesnk,


chamada Odiguitria, São Felipe estava celebrando no mosteiro de Novodevichii e fazia
procissão em volta do mosteiro. Estava lá também o Czar cercado de opríchnikss.
Durante a leitura o Evangelho, o Santo notou um opríchnik que estava atrás do czar de
chapéu tártaro e apontou-o para João. Mas o culpado rapidamente tirou e escondeu o
chapéu. Então, os outros opríchniks acusaram o mitropolita de ter dito a mentira com a
finalidade de humilhar o Czar frente ao povo. João mandou julgar Felipe. Apareceram
os acusadores com falsas acusações contra o Santo, ao qual não deram a chance de se
defender contra eles e ele foi condenado a privar-se da cátedra.

No dia 8 de novembro, na festa de Miguel Arcanjo, o santo celebrava pela última vez na
catedral de Assunção e ele, do mesmo jeito como no dia da acusação do czar João — o
Terrível, estava em cima da cátedra(estrado). De repente, abriram-se as portas da igreja,
entrou o boyar Basmanov acompanhado de um bando de oprichniks e mandou-o ler um
papel, que anunciava ao povo, estupefato, que o metropolita estava sendo destituído do
seu posto. Imediatamente os opríchniks arrancaram o paramento do Santo e vestindo
nele uma batina rasgada de monge, levaram-no para fora do templo, puseram-no em
uma carroça e xingando levaram-no para um dos mosteiros de Moscou. Falaram que o
czar queria queimar o Santo que professava Cristo, em um fogueira e somente graças
aos pedidos do clero, ele foi condenado à prisão perpétua. Ao mesmo tempo, ele
executou muitos parentes de Felipe. O Terrível mandou ao Santo a cabeça de um deles
— a do sobrinho especialmente amado por Felipe — João Boríssovich Kolichev. Com
respeitosa devoção, recebeu-a São Felipe e venerou-a, tendo feito uma prostração,
beijou-a e disse: "Bem-aventurado aquele que foi escolhido e aceito pelo Senhor" — e
devolveu-a para o mandante. O povo de manhã até a noite se aglomerava em torno do
mosteiro, querendo ver pelo menos a sombra do bondoso santo e contava milagres sobre
ele. Então João mandou transferi-lo para o mosteiro de Tver Otroch.

Um ano depois, o czar com seu exército foi contra Nóvgorod e Pscov e mandou na sua
frente um oprichnik - Maliuta Scuratov - para o mosteiro de Otroch. São Felipe três dias
antes predisse o seu fim e se preparou para morte comungando o Santíssimo
Sacramento. Maliuta, com humildade fingida, aproximou-se do Santo e pediu benção
para o Czar. "Não blasfemes — disse-lhe São Felippe — mas faça aquilo a que veio."
Maliuta se atirou para cima do Santo e sufocou-o. Imediatamente foi aberta a cova na
qual foi deitado o Sacerdote Mártir na presença de Malicíta (dia 23 de dezembro de
1569). Os restos mortais de São Felippe permaneceram na catedral de Assunção de
Moscou, que foi testemunha do seu enorme sacrifício.

Tropário: Sucessor de primazes, pilar de ortodoxia, lutador pela verdade, novo


confessor, ó São Felippe, entregaste tua vida pelo teu rebanho. Assim, já que tens
audácia perante Cristo, ora pela gente ortodoxa que respeita com dignidade sua santa
memória.

Santo André — Bispo da Ilha de Creta.


17 de julho(4 de julho pelo calendário da igreja)

Santo André procedia de Damasco (Síria). Sendo mudo até a idade de sete anos,
recebeu o dom da palavra após a comunhão do Santíssimo Sacramento. A instrução
inicial ele recebeu na cidade de Damasco, tomando conhecimento da lógica, retórica e
antiga filosofia. Aos 14 anos, desejando servir a Deus, ele se retirou para o Mosteiro de
Jerusalém do Santo Sanva Abençoado para ter uma vida de sacrifício. Aqui ficou
conhecido pela sua humildade, inteligência e vida austera. Do mosteiro de Santo Savva
ele foi trazido para a patriarquia de Jerusalém na categoria de escrevente de cartas.

No ano de 679, fez uma viagem, na categoria de preservador de lugar na cátedra


patriarcal, para Constantinopla no 6o Concílio Ecumênico(universal). Logo depois do
concílio, ele foi eleito diácono junto da grande igreja de Sofia e durante algum tempo
dirigiu a tutela dos órfãos e idosos. Durante o reinado do Imperador Justiniano II, Santo
André foi sagrado arcebispo de Creta. Morreu Santo André de Creta no ano de 712.
Santo André é conhecido como pregador e poeta da igreja. Compôs muitas orações
inspiradoras e cânticos que se lê no templo durante a Quaresma ("a permanência de
André"). Escreveu também o cânone para o Natal de Cristo e outras festas, tricânticos
(cânones constituídos de 3 cânticos) para vésperas de Domingo de Ramos e para os
primeiros dias da Semana Santa, Stehiras (versificações) para Circuncisão do Senhor e
outras orações.

Tropário: Regra de fé e imagem de humildade, contenção do mestre. Apresentaste-te


para teu rebanho, ao qual ensinou a verdade; por isto atraiste para ti com alta humildade
e rico em pobreza. Ó pai, Santo André, reza a Cristo Senhor para que sejam salvas as
nossas vidas.

São Procópio, o louco pelo amor de Cristo.


Dias 21 de julho (8 de julho pelo calendário da Igreja)

São Procópio era alemão, católico, mercador estrangeiro, que negociava em Nóvgorod.
Sendo conquistado pela beleza do culto Ortodoxo, converteu-se à Ortodoxia, distribuiu
seus bens para os pobres e entrou como monge para o mosteiro do Bem-aventurado
Varlaam de Hutin, próximo à Nóvgorod. Após algum empo, evitando a fama, exilou-se
na cidade de Ustiúg. Aqui ele escolheu o difícil sacrifício, o da loucura, por amor a
Cristo, isto é, fugir à demência, a fim de conseguir humildade absoluta. Assim ele se
tornou o primeiro louco por amor a Cristo na Rússia. Precisou passar muitas
dificuldades no desempenho do seu difícil sacrifício. Com três cajados de madeira em
mãos, andava ele no verão e inverno descalço e maltrapilho, pernoitando nos degraus
das igrejas ou simplesmente na terra. Aceitando a esmola dos condolentes, ele nunca
pegava nada dos ricos que se enriqueceram ilegitimamente, mesmo que estivesse sem
qualquer tipo de alimento.

Certa vez, durante uma temporada brava de frio, quando os pássaros congelavam em
vôo, o bem-aventurado procurava abrigo. Ele não era aceito nas casas. Até os cachorros,
perto dos quais ele queria se aquecer, fugiam dele. Procópio estava se congelando. De
repente começou a emanar um calor não terrestre e um anjo tocou o seu rosto. Por causa
disto, o bem-aventurado aqueceu-se e se fortaleceu. Este milagre o bem-aventurado
contou para um membro do clero da catedral de nome Simeão e pediu-lhe que não
divulgasse o fato até sua morte.

Devido aos seus sacrifícios, o Bem Aventurado recebeu o dom de clarividência. Certa
vez ele se curvou para uma menina de três anos e disse para seus pais: "Eis a mãe de
grande Santo." Ela se tornou a mãe de Santo Estéfano de Perma. Em 1290, o Bem-
Aventurado andou pela cidade durante uma semana, convocando os moradores à
contrição e oração, para que o Senhor livrasse a cidade da sorte de Sodoma e
Gomorra(Gênesis:19). Ninguém acreditava nele. De repente, apareceu no céu uma
assustadora nuvem. Ela crescia e crescia, até que o dia tornou-se noite. Brilhavam
relâmpagos e trovões ribombavam, fazendo tremer as paredes dos prédios, de tal modo
que não se ouviam as vozes humanas. Pressentia-se o fim. Os moradores correram para
o templo da catedral, onde já se achava o Bem-Aventurado, rezando aos pés do ícone da
Anunciação de Nossa Senhora. Aos olhos de todos aconteceu um milagre: o ícone
começou a verter o bálsamo, em sinal de misericórdia da Mãe de Deus para com a
cidade. A fragrância encheu o templo. Verteu-se tanto bálsamo do ícone milagroso que
deu para encher os cálices da igreja. Os que foram ungidos, receberam a cura de
diversas doenças. Depois disso, o ar sufocante se refrescou e saiu o sol. A vinte léguas
de Ustiúg, no assentamento de Kotovalsk, as nuvens se armaram em granizo e
relâmpagos. O granizo quebrou a centenária floresta, não trazendo, entretanto, nenhum
dano às pessoas ou ao gado. Em memória da salvação da cidade da destruição, foi
instituída a comemoração do ícone de Nossa Senhora de Ustiúg.

Em conversa com pessoas bondosas, cada palavra e ação do Santo eram ensinamento e
benção. São Procópio morreu na velhice avançada, em 1303 próximo aos portões do
mosteiro de Arcanjo. Também estão anotadas as aparições do complacente de Deus.

Tropário: Iluminado pela graça de Deus, cheio deste mundo vão dirigiu sem desvios
para o Criador, com sabedoria e muita paciência, no decorrer de vida temporária,
terminou bem e conservou a fé inabalável. Assim também após a morte apareceu a
luminosidade da sua vida, pois tornou-se fonte inesgotável de milagres, para os que com
fé chegam ao seu túmulo. Bem aventurado Procópio, roga a Cristo Senhor pela salvação
de nossas almas.

Bem Aventurados Antônio e Teodósio.


23 de julho(10 de julho pelo calendário da Igreja)

Santo Antonio era do mosteiro de Pecher de Kiev, nasceu no início do século XI na


cidade de Lúbeche (próximo de Tchernigov) e no batismo recebeu o nome de Antônio.
Desde a tenra idade sentiu atração pelo alta vida espiritual, e pela inspiração divina,
resolveu ir para Afon. Em um dos mosteiros de Afon ele fez os votos e começou uma
vida retirada em uma caverna próxima deste mosteiro, que é mostrada até hoje. Quando
ele obteve em seus sacrifícios grande experiência espiritual, o superior deu-lhe uma
tarefa de obediência, para que ele fosse para Rússia e implantasse a vida monástica
neste país recém convertido ao cristianismo. Antônio obedeceu.

Quando o bem-aventurado Antônio chegou a Kiev, lá já havia alguns mosteiros,


fundados pelos gregos a pedido de grão-duques. Mas Santo Antônio não escolheu
nenhum deles e fixou-se em um caverna de dois sagenes (medida de comprimento russa
igual a 7 pés cada), cavada pelo presbítero Ilarion. Isto se passou em 1051. Ali, Santo
Antônio continuou os sacrifícios da vida monástica austera, pelos quais ficou famoso
em Afon: seu alimento era o pão preto dia sim, dia não e água em quantidade
extremamente limitada. Logo a sua fama se espalhou não só em Kiev, mas também em
outras cidades russas. Muitos vinham a ele pedir conselho espiritual e benção. Alguns
começaram a pedir para morar com ele. O primeiro a ser aceito foi um tal de Nicon que
eras sacerdote, o segundo foi o bem aventurado Teodósio.

O bem-aventurado Teodósio passou sua mocidade em Kursk, onde viviam seus pais.
Desde a tenra idade ele percebeu a pureza de estado de espírito: todo dia ele freqüentava
o templo, atentamente lia a palavra de Deus, destacava-se pela humildade, quietude e
outras boas qualidades. Quando soube que no templo às vezes não se celebrava a
liturgia por falta de prósforos (pãezinhos de missa), resolveu ele mesmo ocupar-se em
fazer isto: comprava trigo e com as próprias mãos moía em farinha e os prósforos
assados levava à Igreja. Por causa destes sacrifícios agüentava muitos problemas com
sua mãe, que o amava muito mas não concordava com suas tendências.

Certa vez, ouvindo na igreja as palavras do Senhor: "Quem ama o pai ou a mãe mais do
que a Mim é indigno de Mim"(Mateus 10:37), resolveu deixar a mãe (o pai já havia
falecido), a cidade natal e se apresentou em Kiev, ao bem-aventurado Antônio. "Veja
bem, filho — disse-lhe Antônio — a minha caverna é humilde e apertada." "O próprio
Deus trouxe-me a ti"- respondeu Teodósio — vim fazer aquilo que me mandares."

Quando o número dos que se sacrificavam junto com o bem-aventurado Antônio


chegou a doze, ele se retirou para a montanha próxima, cavou ali um caverna para si e
começou seu sacrifício em retiro. Teodósio permaneceu no mesmo lugar e logo ele foi
escolhido pela irmandade como superior e começou a se esforçar na elaboração do
regulamento correto de convivência pelo modelo do mosteiro de Studiisk da cidade do
Czar. Os traços principais deste regulamento elaborado por ele eram os seguintes: todos
os bens da irmandade deveriam ser comuns, o tempo se passava em incessantes
trabalhos; os trabalhos se distribuíam de acordo com a força de cada um pelo superior;
cada tarefa se iniciava com a oração e benção do mais velho; os pensamentos eram
confiados ao superior, que era um verdadeiro orientador de todos para a salvação. O
bem-aventurado Teodósio freqüentemente passava pelas celas e observava se alguém
não tinha algo sobrando e o que fazia a irmandade. Freqüentemente ele vinha de noite
perto da porta das celas e se ouvia a conversa de dois ou três frades reunidos, batia com
o cajado na porta e pela manhã acusava os culpados. O próprio Bem-Aventurado era o
exemplo para toda a irmandade: carregava água, cortava a lenha, trabalhava na padaria,
usava roupas mais simples possível, era o primeiro a chegar na igreja e para os trabalhos
no mosteiro. Além dos sacrifícios asqueticos, o bem aventurado Teodósio distinguia-se
pela grande caridade aos pobres e pelo amor à instrução espiritual e procurava predispor
à isto a irmandade. Perto do convento ele arrumou uma casa especial para a moradia dos
indigentes, cegos, mancos, debilitados e para sua manutenção separava um décimo da
renda do mosteiro.

Além disso, todo sábado mandava um carroça cheia de pão para os presos. Das
composições do bem-aventurado Teodósio conhecem-se: dois ensinamentos para o
povo, dez ensinamentos para os frades, duas cartas para o grão-duque Isiaslav e duas
orações.

Fundado pelo bem-aventurado Antônio e estabelecido pelo bem-aventurado Teodósio, o


mosteiro de Kiev-Pecher tornou-se modelo para outros mosteiros e teve grande
significado no desenvolvimento da Igreja Russa. De dentro de suas paredes saíram
famosos arquipastores, obcecados pregadores da fé e escritores maravilhosos. Dos
santos que fizeram votos no mosteiro de Kiev-Pecher conheceu-se principalmente Santo
Antônio e Santo Isaias(bispos de Rostov), Nifont (bispo de Nóvgorod), bem-aventurado
Kuksha (iluminador dos viatiches), escritores bem-aventurados: Nestor, o analista
(escritor dos anais) e Simon.
Tropario: Afastou-se da vaidade mundana e seguiu a Cristo pelo Evangelho, renegando
o mundo e vivendo vida semelhante aos anjos, chegou até ancoradouro pacífico do
Santo Monte Afon. Donde com a benção dos padres chegou ao monte de Kiev e aí
levando uma vida de labuta, santificou a sua pátria e mostrando a muitos frades o atalho
que leva ao Reino dos Céus, trouxe-os a Cristo, assim roga que salve nossas almas.

Grã-duquesa Olga equivalente ao apóstolos.


24 de julho(11 de julho pelo calendário da Igreja)

No ano de 862 os eslavos de Nóvgorod chamaram Rurik para governá-los. Dois de


seus séquitos, Ascoldo e Dir, saíram de Nóvgorod à procura da sorte no sul do país. Nas
margens do Rio Dniepr viram a cidade de Kiev e conquistaram-na. De lá, em 866 eles
fizeram um ataque ao Tsargrad (Constantinopla). O Imperador Mihail III e patriarca
Fotii dirigiram-se a Deus em oração e depois da reza das vésperas que durou a noite
toda no templo de Vlahern, saíram em procissão às margens de Bósforo. Durante a
procissão eles mergulharam as vestes do ícone de Nossa Senhora nas águas da baía. O
mar, até então calmo, de repente se rebelou e destruiu os navios dos russos. Muitos
deles pereceram. Aqueles que voltaram para casa, estavam impressionados com a
destruição pela ira de Deus (o acontecido mais tarde passou a ser comemorado como
Proteção de Nossa Senhora).

Logo em Kiev apareceu o bispo da Grécia e começou a pregar para os russos sobre o
Senhor Salvador e sobre os milagres de Deus, ocorridos nos Antigo e Novo
Testamentos. Os russos quando ouviram dele que três jovens não foram queimados na
fornalha de Babilônia (Dan.Cap.3o), pararam o pregador e disseram: "Se nós não virmos
algo parecido, não vamos acreditar em você." O bispo, tendo rezado a Deus, resolveu
colocar o Santo Evangelho no fogo. No meio das chamas este ficou intato, não se
queimaram nem as fitas, que serviam para marcar os trechos escolhidos para leitura.
Impressionados com este milagre, muito começaram a se batizar. No túmulo de um
destes cristãos mais tarde foi erguida uma igreja em nome de São Nicolau Taumaturgo.

Depois de Rurik, a Rússia foi governada pelo seu parente Olieg. Ele conquistou Kiev e
fez um bem sucedido ataque ao Tsargrado(Constantinopla), em 906, depois do que
celebrou um acordo comercial com os gregos, muito vantajoso para a Rússia. Filho de
Rurik, Igor, após nova guerra em 945 novamente celebrou com Tsargrado um acordo
comercial. Contando sobre este acordo, o analista recorda que os séquitos do grão-
duque em Kiev fizeram juramento quanto ao cumprimento deste: os pagãos - em frente
ao ídolo Perun e cristãos — no templo de Santo Elias. Deste modo, nos tempos de Igor
em Kiev, até mesmo entre os séquito do grão-duque haviam cristãos. A esposa de Igor,
a grã-duquesa Olga, distinguia-se pela sua beleza, inteligência e modéstia. Quando ficou
viúva, ela governou a terra russa até a maioridade de seu filho Sviatoslav. De acordo
com os anais, ela era brava e temida pelos inimigos da pátria. O povo, entretanto,
amava-a e a respeitava como sua mãe, por causa da sua misericórdia, sabedoria e
justiça. Ela não ofendia a ninguém, julgava corretamente, atribuía castigos com
misericórdia, gostava dos mendigos, idosos e indigentes. Ouvia cada um pacientemente
aqueles que se dirigiam a ela com pedidos e todas as petições justas executava de bom
grado.

Quando Sviatoslav cresceu, a grã-duquesa Olga conseguiu dedicar-se mais às obras-de-


caridade. Predisposta ao cristianismo através das conversações com os padres de Kiev,
ela conheceu as dignificações da Santa Fé sobre os pagãos e resolveu ser batizada(no
ano de 957). Dizem os antigos anais que para isto ela teria viajado até Constantinopla e
que o Santo Sacramento foi executado sobre ela pelo patriarca Polievkt. Enquanto o
imperador Constantino de Bagrianorod era seu preceptor(padrinho), através do batismo,
Santa Olga recebeu o nome de Helena. Tornando-se cristã, ela tentava convencer seu
filho também a aceitar o cristianismo, mas Sviatoslav não seguiu suas convicções. "Os
meus séquitos vão rir de mim"- dizia ele. Entretanto, ele não proibia os seus súditos de
se batizarem. Retornando à Pátria, entregou-se totalmente aos sacrifícios da bem-
aventurança cristã e a obra de divulgação da fé de Cristo entre seus súditos. A ela se
atribui a construção da igreja de madeira de Santa Sofia em Kiev.

Pelo relato do antigo escritor, Santa Olga "conhecendo o Deus verdadeiro, Criador do
céu e da terra, e tendo sido batizada, destruiu os antros dos demônios (celeiros dos
ídolos) e começou a viver em Jesus Cristo, amando a Deus com todo o seu coração e
com toda sua alma e seguindo o Senhor Deus, santificando-se com todas as boas obras,
vestindo os nus, dando de beber aos sedentos e acolhendo os estranhos, os pobres,
viúvas e órfãos, a todos tratando com caridade e dando o necessário, com modéstia e
amor no coração.

Santa Olga morreu no ano de 969. Seus restos mortais foram encontrados intactos
durante o governo do grão-duque Vladimir, que os sepultou no templo de Dessiatin.
Este era o primeiro caso de exumação abertura dos restos mortais na Rússia.
Posteriormente(até a conquista dos mongois) Deus glorificou através dos milagres os
restos mortais da grã-duquesa Olga e ela foi incluída na categoria do santo.

Tropário: Com as asas da sabedoria divina, erguendo tua inteligência, subiu acima das
criaturas vistas: buscando a Deus e Criador de tudo, e encontrando-O, recebeu o
nascimento através do batismo - quando da árvore da vida, intacta permanece através
dos séculos, ó Olga sempre gloriosa.

Equivalente aos apóstolos Grão-duque Vladimir,


o batismo da Rússia.
28 de julho (15 de julho pelo calendário da igreja)

O grão-duque Vladimir era filho de Sviatoslav com a duquesa dos Drevlians,


Malusha. Nasceu no ano de 963. Recebeu educação do irmão de sua mãe, pagão
Dobrinia. Em 972, o grão-duque Vladimir começou a governar Nóvgorod. Em 980, no
auge da guerra entre irmãos, Vladimir sediou Kiev, que era governada por seu irmão
mais velho Iaropolk. Vencendo o irmão, Vladimir começou a governar Kiev.
Conquistou a Galícia, apaziguou os viatiches, lutou contra os pechenegues (que são
povos que viviam nesta região), extendeu os limites do seu domínio desde o mar Báltico
ao norte até o Rio Bug no sul. Tinha cinco esposas e muitas concubinas. Nas montanhas
de Kiev ele ergueu os ídolos, aos quais começou a oferecer os sacrifícios humanos.
Naquela época morreram por Cristo os variags Teodoro e João. As circunstâncias de
suas mortes causaram forte impressão sobre Vladimir e ele começou a duvidar da
veracidade da religião dos pagãos.

A convite do grão-duque, vinham para Kiev os pregadores de diversos países:


embaixadores dos muçulmanos-búlgaros, que viviam do outro lado do Volga; alemães-
latinos, judeus e gregos. O grão-duque questionava-os sobre sua religião e cada um
oferecia-lhe a sua, mas a impressão mais forte foi causada pelo o pregador ortodoxo-
grego, que ao final da sua palestra mostrou-lhe o quadro do julgamento final. A
conselho dos boyares, Vladimir enviou dez homens sábios para examinar in loco qual
religião era a melhor. Quando estes embaixadores russos chegaram a Constantinopla,
foram tocados até o fundo de suas almas pela magnificência do templo de Sofia, pelo
canto melodioso dos cantores reais e pela festividade do culto de patriarca: "Não
sabíamos- diziam eles mais tarde a Vladimir — se nós estávamos na terra ou no céu." E
os boyares logo comentaram a ele: "Se a religião dos gregos não fosse melhor que a
outra, então sua avó Olga, que era a mais sábia de todos não a teria aceito."

Vladimir resolveu batizar-se mas não queria subjugar a Rússia aos gregos. Por isso,
logo depois do retorno dos embaixadores, Vladimir começou a guerra contra os gregos
e tomou Hersones. Daí ele mandou os embaixadores para Constantinopla aos
Imperadores Basílio e Constantino, com a exigência da mão de sua irmã, princesa Anna.
Aqueles responderam-lhe que a princesa só poderia ser esposa de cristão. Então,
Vladimir declarou que tinha vontade de aceitar a religião cristã. Entretanto, antes que a
noiva chegasse até Hersones, Vladimir ficou cego.

Nestas condições, assim como o apóstolo Paulo, ele reconheceu a sua fraqueza
espiritual e preparou-se para o grande sacramento do Renascimento. A princesa, que
chegou ao Hersones, aconselhou-o a apressar-se com o batismo. Vladimir foi batizado
(ano de 988) e recebeu o nome de Basílio. Ao sair da pia batismal, ele voltou a
enxergar, já com os olhos do corpo e de espírito e na plenitude da alegria exclamou:
"Agora eu conheci o verdadeiro Deus!"

Voltando a Kiev em companhia de sacerdotes gregos e de corsun, Vladimir antes de


mais nada ofereceu a seus doze filhos batizarem-se e eles o fizeram em um riacho
conhecido em Kiev pelo nome de Kreschatik. Depois deles, batizaram-se muitos
boyares. Enquanto isto, Vladimir começou com a destruição dos ídolos e o principal
deles, o ídolo Perun, foi amarrado ao rabo de cavalo e com maledicência foi puxado da
montanha e atirado no Dniepr. Após a destruição dos ídolos seguiu-se a catequese do
povo pela pregação do evangelho. Os sacerdotes cristãos reuniam o povo e instruíram-
no quanto à Santa Fé. Finalmente São Vladimir decretou, em Kiev, que todos os
moradores, ricos e pobres, comparecessem em um determinado dia ao rio para serem
batizados. O povo de Kiev apressou-se em cumprir a vontade do grão-duque,
ponderando assim: "Se a nova religião não fosse melhor, então, o grão-duque e os
boyares não a teriam aceito."
No dia marcado, os moradores de Kiev se reuniram na margem do rio Dniepr. Aí
também apareceu o próprio Vladimir com os sacerdotes cristãos. Todos os moradores
de Kiev entraram no rio, quase até o pescoço, alguns até o peito; os adultos seguravam
as crianças nos braços; os sacerdotes na margem liam as orações e São Vladimir,
tomado de exaltação, rezava a Deus e entregava a Ele a si mesmo e o seu povo.

Depois de Kiev e seus arredores, a Santa Fé (Religião Santa) foi propagada em


Nóvgorod. Mihail, primeiro mitropolita de Kiev, no ano de 990, chegou aí com seis
bispos acompanhados de Dobrinia, tio de São Vladimir. Primeiramente derrubaram o
ídolo Perun que, assim com em Kiev, foi arrastado pelo chão e atirado ao rio Volhov;
depois disso catequizaram e batizaram o povo. De Nóvgorod, o mitropolita Mihail em
companhia de quatro bispos e de Dobrinia chegaram a Rostov e ali batizou muitos,
ordenou presbíteros e ergueu um templo. Entretanto, o paganismo perdurou por muito
tempo em Rostov, de modo que os dois primeiros bispos de Rostov, Santo Teodoro e
Santo Ilarion, depois de muitos esforços na luta contra a gentilidade foram obrigados a
deixar sua cátedra. Para erradicar o paganismo e firmar a Religião Santa trabalharam
muitos santos, os santos-bispos Leontio e Isaías e também o bem-aventurado Ambrósio
Archimandrita do mosteiro de Rostov, que ele fundou.

Em 992 a Santa Religião foi implantada na região de Suzdal. Aí chegou São Vladimir
com dois bispos. Os moradores de Suzdal batizaram-se com disposição.

Os filhos de São Vladimir, a quem ele distribuiu as terras para governar, preocuparam-
se em divulgar e confirmar o cristianismo em seus domínios. Assim, no século X, além
de Kiev, Nóvgorod, Rostov e Suzdal, a Santa Religião foi implantada nas cidades de
Murom, Polotsk, Vladimir de Volin, Smolensk, Pscov, Lutsk, Tmutarakan e na terra dos
drevlians. Mais tarde nos limites do país dos viatiches(mais tarde as regiões de Kursk,
Orlov, Tula e Kaluga) muito se empenhou na pregação de envangelho o bem-
aventurado Kuksha, monge do mosteiro de Pecher que sofreu a morte por martírio por
parte dos pagãos.

Em geral, a Fé Cristã(religião cristão) nos primeiros tempos se propagava


principalmente em torno de Kiev e pelo grande caminho fluvial desde Kiev até
Nóvgorod. De Nóvgorod ela se divulgou pelo caminho do Volga. Sob a influência da
religião ortodoxa as tribos dos eslavos começaram a se unir em um único governo. Para
divulgação bem sucedida da fé de Cristo entre o povo russo, contribuiu principalmente
o fato de que ela foi divulgada por meios pacíficos — pregação, convencimento (e não
pelo fogo e espada, como freqüentemente acontecia com os católicos-romanos) e,
contudo, graças aos esforços de São Cirilo e Mefódio, na língua pátria eslava.

Dos russos a fé ortodoxa de Cristo penetrou em meio a estrangeiros, que viviam


vizinhos e nas arredores da Rússia. Assim nos séculos X-XIII começaram a se batizar
algumas tribos dos finlandeses (Ijora e Corela), tchud, tcheremis e votiaks, estrangeiro
da região de Vologdá e outros. No início do século XIII foi erguida nas margens do
Volga e Oká a cidade de Niginii-Nóvgorod como forte ponto da Ortodoxia entre os
estrangeiros de Povólgie e faixa média da Rússia.

No oeste da Rússia a divulgação da fé ortodoxa encontrou-se com outra forte influência


que vinha da igreja católica-romana. Na Finlândia pregavam os misericordiosos latinos
da Suécia. Ao sul do golfo da Finlândia inicialmente se fundamentou a ortodoxia mas
posteriormente aí infiltraram-se os missionários latinos da Dinamarca. No final do
século XII, em Livonia, surgiu a ordem latina dos porta-espadas, que se opunha à
influência russsa e sucesso da ortodoxia. Na Lituânia, a fé ortodoxa começou a se
propagar ainda no século XII vinda das aldeias russas vizinhas. No século XIII quando
os duques lituanos se apossaram das cidades russas (Novogrudok, Sklonim, Brest)
alguns deles se batizaram.

O sucesso da Santa Fé principalmente deve-se, no século XIV, à morte por martírio pela
religião dos três súditos da corte do duque lituano Olguerd (filho do Gueolimn,
fundador do ducado lituano), a saber: Santo Antônio, João e Eustáfio. Mas no final do
mesmo século, Lituânia e Rússia ocidental ortodoxa submetidas a ela, uniram-se com a
Polônia católica. Depois disso, os grandes esforços dos papas Romanos, dirigem-se
para, primeiramente, separar as paróquias sudoestes da Igreja Russa única e segundo,
introduzir aí a assim chamada, União Lituana.

A influência do cristianismo sobre a vida da gente russa. A fé de Cristo logo após a sua
aceitação começou a prestar influência benéfica sobre a vida dos nossos antepassados.
Na sociedade começaram a firma-se os costumes cristãos. Assim por exemplo: orações
freqüentes, benfeitorias caridosas, viagens aos lugares sagrados, etc. A ação benfazeja
do cristianismo sobre os corações e costumes apareceram principalmente na vida de
algumas personagens isoladamente daquela época. Grão-duque Vladimir, enquanto
pagão, entregava-se a diversos vícios e destacava-se pela crueldade. A fé cristã
renegenerou-o completamente. Ele tornou-se abstinente, prudente, misericordioso para
com os mendigos e pobres. No seu palácio ele distribuía diariamente esmola aos pobres
e para os velhos e doentes, mandou levar às casa todo o necessário para o sustento.
Vladimir-cristão tinha até medo de executar os bandidos malfeitores e perguntava aos
bispos se não havia nisto pecado. Santos mártires Boris e Glieb, filhos de Vladimir eram
exemplos da honradez cristã. Dos mitropolitas russos conhecem-se pela santidade da
vida Mihail, Ilarion e outros. Principalmente muitos exemplos de vida santa apresentou
a vida monástica.

À influência benfazeja do cristianismo sobre a vida e os costumes do povo russo,


concorreu o desenvolvimento da nossa instrução espiritual, fundação das escolas e
desenvolvimento da escrita espiritualista.

Preocupavam-se principalmente com a instrução cristã do povo os arquipastores e os


grão-duques. A conselho do primaz da Igreja Russa — mitropolita Mihail — o grão-
duque Vladimir organizou os liceus em Kiev e em outras cidades russas. O mitropolita
Mihail, ele mesmo convocava os professores à sua presença e instruía-os como eles
deveriam lidar com as crianças. Filho do grão-duque Vladimir Iaroslav, o sábio,
fundando as igrejas nas cidades e aldeias mandou em todo lugar instruir o povo e em
Nóvgorod organizou a escola para trezentas crianças. Ele mesmo pelas palavras do
escritor de anais, lia os livros "dia e noite"e reunia em torno de si "muitos escribas"que
copiavam os livros e às vezes até traduziam-nos do grego para o eslavo. O exemplo de
Vladimir e Iaroslav, seguiam os seus sucessores bem como o clero e os monges. Nos
mosteiros a obra dos livros era considerada como obra de Deus e por isso alguns dos
monges todo o tempo livre das orações dedicavam à cópia dos livros e sua tradução.
Acontecia que para copiar os livros os monges viajavam até o oriente — a
Constantinopla e Afon.
Preocupando-se com a instrução cristã do povo, os arquipastores e pastores da igreja
russa empenhavam-se também em firmar na Terra Russa a ordem civil firmada nos
fundamentos intrépidos do ensinamento cristão. Sua influência era principalmente
benfazeja nos tempos difíceis das brigas entre os duques. Os mitropolitas ou eles
mesmos procuravam terminar as discussões dos duques ou para tanto mandavam os
bispos até os duques. Entre as brigas pelas terras e divisão das mesmas a nossa
hierarquia permanecia unida, inseparável e esta unidade contribuiu em muito para a
unificação do País Russo.

Tropário: Assemelhou-se ao comerciante que procurava boa miçanga, ó Vladimir, do


glorioso poder, sentado na cabeceira da mesa da mãe das cidades de Kiev salvo por
Deus, investigando e mandando à cidade do Czar para conhecer a Fé Ortodoxa, obteve
assim a miçanga sem preço de Cristo que te escolheu como segundo Paulo que deixou a
cegueira espiritual e corporal na Santa Pia Batismal. Assim comemoramos a sua morte
sendo sua gente. Roga, para que o teu país, a Rússia se salve, dê ao povo ortodoxo a paz
e grande misericórdia.

A grande mártir Marina.


(30 de julho ou 17 de julho pelo calendário da igreja)

Santa Marina nasceu na Antioquia de Pissidia (Ásia Menor, hoje Turquia). Seu pai era
sacerdote pagão. Através de sua ama de leite, Santa Marina soube a respeito da fé cristã.
Naquele tempo o imperador Deocletiano (284-305) instituiu a perseguição aos cristãos
de modo que muitos cristãos eram obrigados a se esconderem nas cavernas dos
desertos. Quando Marina completou doze anos, ela se batizou. Quando o pai dela soube
disso, renegou-a.

Certa vez, na idade de quinze anos, Marina pastava as ovelhas. O governador daquela
região passando por aí, ficou encantado com a sua beleza e fez-lhe proposta de
casamento. Marina não escondeu que era cristã. Então o governador entregou-a para
uma importante senhora, para que tomasse conta dela, esperando que esta convencesse a
jovem a renegar a Cristo. Mas Marina renegou tal coisa e recusou-se a oferecer o
sacrifícios aos ídolos.

Então ela foi submetida a várias torturas: ela foi açoitada com varas, raspavam seu
corpo com tridente, enfiavam pregos nela, queimavam com fogo. Vendo tais
sofrimentos da jovem, o povo chorava de pena dela. A graça de Deus curava as feridas
de Marina, mas os torturadores não se conscientizavam do milagre. No dia seguinte ela
sofria queimaduras novamente, depois começaram a afogá-la em um grande barril.
Neste momento de tortura a terra tremeu, as algemas caíram das mãos de Marina e viva
luz incomum começou a brilhar acima da sua cabeça e nesta luz pairava uma pomba
com uma coroa dourada em seu bico. O povo espantado começou a glorificar a Deus. O
administrador mandou executar Marina e aqueles que passaram a acreditar em Cristo.
Naquele dia junto, com ela foram degolados quinze mil pessoas. Feotino que presenciou
o fato, descreveu seu martírio. Os restos mortais da grande mártir Marina eram
guardados em Constantinopla até serem tomados pelas Cruzadas em 1204. A mão de
Santa Marina encontra-se em Afon no mosteiro de Vatoped. A igreja ocidental venera
Marina, chamando-a de Margarida de Antioquia. Muitas igrejas são dedicadas ao seu
nome.

Kondáquio: Jovem cheia de virtudes virginais, assim Marina foi coroada com coroa
imortal: tingida pelo sangue do martírio, santificando-se pelos milagres das curas, a
mártir piedosamente recebeu assim a honra da vitória dos teus sofrimentos.

São Serafim de Sarov


(1o. de agosto e 15 de janeiro — 19 de julho e 2 de janeiro pelo calendário da
igreja)

São Serafim (no mundo, Próhor Moshnín), nasceu em 1759, na cidade de Kursk, em
família de comerciantes. Na idade de dez anos ele ficou muito doente. Durante a doença
ele viu em sonhos a mãe de Deus que prometeu curá-lo. Alguns dias depois, na cidade
de Kursk havia uma procissão com um ícone milagrosa de Nossa Senhora local. Devido
ao mau tempo, a procissão fez caminho mais curto passando pela casa dos Moshnín.
Depois que a mãe fez Serafim beijar o ícone milagroso, ele começou rapidamente a
sarar. Na idade bem jovem, ele precisou ajudar aos pais na loja, mas as vendas pouco
atraíam-no. O jovem Serafim gostava de ler a vida dos santos, visitar o templo e isolar-
se para a oração.

Na idade de dezoito anos, Serafim firmemente resolveu tornar-se um monge. A mãe


abençoou-o com um grande crucifixo de cobre, que ele usou toda sua vida por sobre as
vestes. Depois disso ele entrou para mosteiro de Sarov, como postulante.

Desde o primeiro dia no mosteiro a abstinência excepcional dos alimentos e sono


constituíram a peculiaridade distinta de sua vida. Ele comia uma vez ao dia, e mesmo
assim pouco. Às quartas e sextas não comia nada. Obtendo a benção de seu ancião
orientador, ele começou freqüentemente a isolar-se na floresta para oração e meditação.
Logo ele novamente ficou muito doente e no decorrer de três anos a maior parte do
tempo era obrigado a passar deitado. E novamente a Virgem Maria curou-o, apareceu-
lhe acompanhada de alguns santos. Apontando para o bem-aventurado Serafim, a
Virgem Santíssima disse ao Apóstolo João da palavra de Deus: "Este é um dos nossos."
Depois, tocando com o cetro o seu lado, ela o curou.

A cerimônia de ordenação no mosteiro ocorreu, em 1786 (quando ele tinha vinte e sete
anos). Recebeu o nome de Serafim, o que em hebraico quer dizer "de fogo ardente."
Logo ele foi ordenado como ierodiácono. Seu nome ele confirmou pela ardência da
oração. Ele passava todo o tempo, com exceção do descanso muito breve, no templo .
No meio de tais tarefas de oração e serviços divinos, o bem-aventurado Serafim dignou-
se de uma visão dos anjos, que concelebravam e cantavam no templo. Durante a liturgia
de Quinta-Feira Santa ele viu o próprio Jesus Cristo na imagem de Filho dos Homens,
que seguira em procissão no templo com as forças celestiais e abençoava os que
rezavam. Surpreendido com tal visão, o bem-aventurado por muito tempo não
conseguia falar.
Em 1793, o bem-aventurado Serafim foi consagrado ao grau de ieromonge, depois do
que, no decorrer de dois anos, diariamente celebrava ofícios e tomava Santa Comunhão.
Depois São Serafim começou a isolar-se no "deserto longínquo"- na mata virgem a
cinco milhas do mosteiro de Sarov. Grande foi a perfeição que ele atingiu nesta época.
Os animais selvagens: ursos, coelhos, lobos, raposas e outros — vinham para perto do
casebre do asqueta. A freira-anciã do mosteiro de Diveev, Matrona Plescheeva viu
pessoalmente como São Serafim alimentava na mão um urso que veio a ele.
"Especialmente belo pareceu-me então o rosto do grande ancião. Este era alegre e
iluminava-se como o de um anjo"- contava ela.

Vivendo no seu isolamento (deserto), o bem-aventurado Serafim certa vez sofreu


bastante nas mãos dos ladrões. Sendo muito forte fisicamente e tendo consigo o
machado, o bem-aventurado Serafim não reagia. Em resposta a exigência de dinheiro e
ameaças, ele colocou o machado no chão, cruzou os braços no peito e humildemente
entregou-se a eles. Estes começaram a batê-lo na cabeça com cabo do seu próprio
machado. O sangue começou a jorrar pela boca e pelos ouvidos e ele caiu no chão sem
sentidos. Depois eles começaram a bater nele com tronco de madeira, esmagavam com
os pés e arrastavam pelo chão. Pararam de bater nele somente quando achavam que ele
morreu. O único tesouro que os ladrões acharam na sua cela era o ícone de Nossa
Senhora — "Emoção da Mãe de Deus," na frente do qual ele sempre rezava. Quando
passado algum tempo os ladrões foram apanhados e julgados, o bem-aventurado falou a
favor deles em frente ao juiz.. Depois de apanhar dos ladrões o bem-aventurado Serafim
ficou corcunda para o resto da vida.

Logo depois disso, inicia-se o período de vida de pilar do bem-aventurado Serafim,


quando ele passava os dias em cima de uma pedra próxima ao "deserto" e as noites no
meio da floresta. Ele rezava quase sem interrupção com os braços erguidos ao céu. Tal
sacrifício seu duros mil dias.

Em virtude de uma visão especial da Nossa Senhora, no final de sua vida o bem-
aventurado Serafim tomou para si o sacrifício de ancião-orientador. Começou a receber
a todos que vinham a ele pedir conselho e orientação. Muitos milhares de pessoas dos
mais diversos níveis e classes sociais começaram a freqüentar então o ancião, o qual
enriquecia-os do seu tesouro espiritual, obtido através dos sacrifícios de muitos anos.
Todos encontravam o bem-aventurado Serafim humilde, alegre, íntimo comprometido.
Os visitantes eles saudava com as palavras: "Ó minha alegria!" Aconselhava a muitos:
"Receba (obtenha) o espírito da paz e em sua volta salvar-se-ão milhares." Quem quer
que viesse ele mesmo beijava-lhes as mãos. Ele não necessitava de que os visitantes
contassem-lhe a seu respeito, mas já sabia o que se passava na alma de cada um.

Também dizia: "Alegria não é pecado. Ela afugenta o cansaço porque por causa do
cansaço pode acontecer melancolia (depressão) e não há nada pior." "Ah, se você
soubesse — dizia ele a cada frei — que alegria, que doçura esperam a alma do justo no
céu, daí você resolveria durante a vida passageira agüentar várias aflições, perseguições
e acusações com gratidão. Se esta nossa cela fosse cheia de vermes e estes vermes
comessem o nosso corpo no decorrer de toda esta vida, então com todo desejo precisaria
concordar com isso, contanto que não perdesse aquela alegria celestial que Deus
preparou aos que O amam."
Motovilov, um reverenciador muito próximo e discípulo de São Serafim descreveu um
caso maravilhoso da transfiguração do semblante do santo. Isto aconteceu no inverno,
em um dia nublado. Motovilov estava sentado na floresta sobre um toco de madeira.
São Serafim estava sentado à sua frente de cócoras e falava para seu discípulo sobre o
significado da vida cristã, explicava, por quê, nós cristãos, vivemos nas terra. "É preciso
que o Espírito Santo entre no coração — dizia ele. Tudo de bom que fazemos em nome
de Cristo dá-nos o Espírito Santo, mas mais do que tudo é a oração, que está sempre em
nossas mãos."

"Padre — respondeu-lhe Motovilov — mas como eu posso ver a graça do Espírito


Santo, como eu posso saber, se Ele está comigo ou não?" São Serafim começou a lhe
dar exemplos das vidas dos Santos e Apóstolos, mas Motovilov ainda não entendia.
Então, o ancião pegou-o fortemente pelo ombro e disse-lhes: "Ambos nós agora, senhor,
estamos em Espírito Santo." E como se abriram os olhos e ele viu que o rosto do ancião
era mais claro que o sol. Dentro do seu coração Motovilov sentiu alegria e quietude, o
corpo sentiu-se aquecido, como no verão e em volta deles se espalhava um perfume.
Motovilov aterrorizou-se com esta mudança inédita, mas principalmente com o fato do
rosto do ancião brilhar como o sol. Mas São Serafim disse-lhe: "Não tema, senhor, o
senhor não poderia ver-me assim se o senhor mesmo também não estivesse na plenitude
do Espírito de Deus. Agradeça por isso ao Senhor pela Sua misericórdia para consigo."
Assim Motovilov compreendeu com a inteligência e com o coração o que significa a
descida do Espírito Santo e Transfiguração do homem por ele.

Tropário: Desde a juventude amou a Cristo, ó bem-aventurado e a Ele único quis


ardentemente servir pela oração incessante e trabalho no deserto, sacrificou-se assim
com o coração emocionado obteve o amor de Cristo e tornou-se escolhido querido da
Mãe de Deus. Por isso rogamos-lhe: salve-nos com suas orações, ó bem aventurado
Serafim, nosso pai.

Bem aventurada Melissa.


1o. de agosto (19 de julho pelo calendário da igreja)

A bem-aventurada Melissa, déspota da Sérbia, procedia da antiga geração dos


Nemanis. Ela se casou com o verdadeiramente religioso príncipe Lásaro da Sérbia, que
em 1379 tornou-se déspota da Sérbia. Após a morte por martírio de seu marido em
1389, ela tornou-se administradora da Sérbia, até a maioridade do seu filho Stéfano.
Melissa era inteligente e ativa administradora, distinguia-se pela honestidade e
preocupação materna para com o seu povo, o qual naquele tempo era atormentado pelos
turcos. Ela se preocupava com as viúvas e órfãos, reerguia os templos destruídos pelos
turcos, construía os mosteiros. Recebeu do sultão Baiazeta promessa de não perseguir
os cristãos no país dela. Em 1393 recebeu a ordenação de monja com o nome de
Eugênia e descansou em paz em 1405. Dos restos mortais da bem-aventurada Melissa
vertia-se bálsamo que curava.
Profeta Elias.
2 de agosto (20 de julho pelo calendário da igreja)

O profeta Elias nasceu na região nordeste da Terra Santa, nove séculos antes do
nascimento de Cristo. Descendia do ramo de Levi, da geração de Aarão. Pouco antes
disso o reino judaico se dividiu em duas partes: Reino Judaico e Israelita. Na
composição do primeiro entraram dois ramos: do Judas e de Benjamim e a capital era
Jerusalém. Esta ocupava parte sul da Terra Santa. Na composição do reino de Israel, o
do norte, entraram dez ramos, sua capital era Samaria.

No tempo do Profeta Elias, o povo judeu, que vivia no reino de Israel, começou a se
distanciar da religião e passou a venerar os deuses dos pagãos, Vaal e outros. Durante o
governo do rei Ahava (877-854 a.C.) Elias foi chamado para serviço de profeta e
tornou-se fervoroso protetor da verdadeira religião.

O profeta Elias persuadia o impuro Rei Ahava a renegar os ídolos e retornar ao Deus
verdadeiro, mas o rei não o obedeceu. Então o profeta anunciou-lhe, que durante três
anos, em Israel não haverá nem chuva nem orvalho. Veio a seca e a fome no reino de
Israel. O profeta se retirou para lugar ermo próximo de um riacho onde um corvo o
alimentava. Quando após um ano o riacho secou, o profeta Elias foi para o norte da
Terra Santa, para Sarept de Sidon e hospedou-se na casa de uma pobre viúva. A viúva
não tinha com que alimentar o profeta. Dos restos da farinha e óleo ela lhe fez uma
panqueca e o alimentou. Depois pela oração do profeta Elias a farinha e o óleo da viúva
nunca se acabavam e ela durante longo tempo alimentava a si, a seu filho e ao profeta
Elias. Quando o filho da viúva de repente adoeceu e morreu, o profeta o ressuscitou (3o
Livro dos Reis:17)

A montanha Carmel era local principal de serviços a Vaal no reino de Israel. Quando se
passaram três anos e meio do início da seca, o profeta Elias juntou Ahava, o povo e os
sacerdotes do Vaal na montanha de Carmel. E disse Elias ao povo: "Quanto mais tempo
vocês vão mancar de ambos os joelhos? Se senhor é Deus, então, sigam-No. Mas se for
Vaal, então sigam este." Para saber quem é Deus verdadeiro Elias propôs construírem
dois altares, colocar sobre cada um cordeiro sacrificado, mas não acender a fogueira de
sacrifício. Deixasse que cada um peça a seu deus o fogo do céu. Aquele cujo deus
responder e mandar o fogo, aquele então será considerado deus verdadeiro. Todos
concordaram com a proposta do profeta. Primeiramente os sacerdotes do Vaal
começaram a evocar seu deus para que mandasse o fogo. Eles gritavam, dançavam em
volta do altar de sacrifícios e endiabravam-se o dia inteiro. Elias zombava deles,
dizendo que Vaal tinha adormecido e por isso era preciso gritar mais alto. Quando
começou a aproximar-se a noite, o profeta Elias mandou todos reunirem-se em torno do
seu altar. Pela sua palavra em torno do altar de sacrifício em honra do Deus verdadeiro
foi cavada uma vala e a madeira da fogueira foi regada abundantemente com água para
que ninguém duvidasse do milagre. Depois disso o profeta Elias começou a rezar:
"Ouça, meu Senhor. Que saiba neste dia o teu povo, que Tu és o único Deus em Israel e
que sou Teu escravo! "E desceu do céu o fogo e abrasou a oferenda, madeira, pedras do
altar de sacrifício e pó em torno e evaporou a água que estava na vala. Vendo tudo isto,
todo o povo aterrorizado caiu de joelhos e exclamou: "O senhor é Deus, o senhor é
Deus!" Então o povo apanhou todos os sacerdotes do Vaal e os executou porque durante
tantos anos eles levavam a todos à perdição. Sob tal impressão, o Rei Ahav e o povo
começaram a descer da montanha. Neste instante juntaram-se as nuvens e começou a tal
esperada chuva, primeira após muitos anos! Assim o profeta Elias converteu muitos
israelitas à Deus (3o Livro dos Reis:18)

Depois deste milagre Iezabel, esposa de Ahav, começou a perseguir o profeta Elias. Ele
precisou esconder-se no deserto e ele chegou até a montanha Horiv, perto de Sinai. Aqui
Elias se dignou de uma visão, na qual Deus apareceu para ele na forma de sopro suave
do vento. O Senhor mandou Elias ungir Eliseu para serviço de profeta, na categoria do
seu sucessor. (3o Livro dos Reis:19). O final do seu serviço de profeta foi incomum: ele
foi levado vivo para o céu em um carruagem de fogo (4o Livro dos Reis:2:11). O profeta
Eliseu, que estava presente no ato, recebeu de Elias o manto, com o qual ele fez seu
primeiro milagre. O profeta Elias atualmente permanece de corpo no Céu como o
predecessor Enoh, o qual também foi levado vivo para o céu (Reis 5:24). Existe a
opinião de que o profeta Elias e Enoh devem voltar à terra antes do fim do mundo. Eles
irão acusar o anticristo e dele sofrerão o martírio.

Com grandes milagres Elias contribuiu muito para a restauração da verdadeira fé em


Deus no meio do povo israelita e para destruição da veneração dos ídolos. Com isto ele
preparava o caminho para o vindouro Salvador do mundo. O esforço inflamado na
defesa da verdadeira fé, a obediência incondicional à vontade de Deus — tais são as
qualidade distintas desde grande profeta. Os seus contemporâneos, vendo nele a benção
de Deus, chamaram-no de homem de Deus.

Ao profeta Elias rezam durante a seca. O povo acredita que Elias é administrador das
forças da natureza. Nos tempos curtos da Revolução.

Tropário: O anjo encarnado, fundamento dos profetas, segundo predecessor da vinda de


Cristo, ó glorioso Elias, que do alto mandou a graça para Eliseu, afasta as doenças e
limpar os leprosos: assim também concede curas aos que o veneram.

Maria Madalena equivalente a apóstolos.


4 de agosto (22 de julho pelo calendário da Igreja)

Santa Maria Madalena portadora do bálsamo, nasceu na cidade de Magdala às margem


do lago de Genezaré, na parte norte da Terra Santa. Esta região pitoresca era abundante
de frutas e peixes. Seus moradores distinguiam-se de outros palestinos pela sua
independência, gênio ardente e coragem. Estas qualidades eram próprias também a
Maria Madalena.

Desde a infância ela era possuída do demônio. Pelas circunstâncias, ou melhor, pela
piedade de Deus, ela se encontrou com o Senhor Jesus Cristo, quando Ele pregando o
Evangelho visitou aqueles lugares. O Senhor teve pena dela e expulsou sete demônios e
com isso deu-lhe cura física e espiritual. Desde então Maria, agradecida, deixando tudo,
tornou-se discípula de Cristo, servindo-Lhe junto com outras mulheres piedosas.
Quando da ocasião da prisão do Salvador e do julgamento de Pilatos, a fé dos discípulos
ficou abalada e todos fugiram, ela não deixou o Senhor, mas permaneceu ao pé da cruz
juntamente com sua Mãe Puríssima e seu discípulo amado, Apóstolo João. Ela
acompanhou o corpo do Senhor no jardim do bem-aventurado José de Arimateia e ali
ungiu-O com o precioso bálsamo e perfumes. Por isso ela recebeu o nome de portadora
de bálsamo. O sepultamento do corpo de Salvador ocorreu às pressas, pois após
algumas horas naquela sexta-feira à noite deveria começar a festa judaica da Páscoa.

No dia seguinte à Páscoa, no domingo cedo pela manhã, quando ainda a escuridão
pairava sobre a terra, Maria foi a primeira que chegou ao sepulcro para concluir o
processamento do sepultamento do corpo do Salvador. A caminho do sepulcro ela
pensava, como ela iria afastar a pedra do sepulcro que era muito pesada. Mas quando
ela chegou ali aconteceu que a pedra já estava afastada. Então Maria rapidamente voltou
e contou a respeito disso aos apóstolos Pedro e João. Ultrapassando um ao outro, os
apóstolos chegaram ao sepulcro. Não achando nada além das vestes mortais, os
apóstolos voltaram atrás. Maria entretanto, chegando depois dos apóstolos também
entrou no sepulcro e começou a chorar. Aí ela viu dois anjos em forma de jovens de
vestes brancas. Um deles perguntou-lhe: "Mulher por que estás chorando e a quem
procuras?" No que Maria respondeu: "Levaram meu Senhor e não sei onde puseram-
no." Dito isto, ela virou-se e viu o próprio Jesus Cristo mas não o reconheceu. Pensando
que este era o jardineiro, ela lhe disse: "Senhor! Se foste tu que O levaste, dize-me onde
O puseste." O Senhor lhe disse: "Maria!" Ela reconheceu a voz conhecida e viu que este
era o Salvador ressuscitado. No ímpeto de alegria ela caiu a Seus pés.

Neste mesmo dia Maria dignou-se novamente a ver o Salvador ressuscitado, quando ela
pela terceira vez veio ao sepulcro já com outras mulheres portadores de bálsamo. Sobre
estas aparições do Salvador, ela contou aos apóstolos, mas eles não acreditaram nela.
Depois da ascensão do Senhor, Maria junto com outros apóstolos, dignou-se das graças
do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Ela, como testemunha da vida e dos milagres
do Salvador, visitou muitos países com a pregação cristã.

Há o relato de que pregando em Roma, ela chegou ao palácio do imperador Tibério. Na


audiência com o imperador ela lhe contou sobre o Senhor Jesus Cristo sobre seu
ensinamento e ressurreição dos mortos. O imperador duvidou do milagre da
ressurreição e pedia provas a Maria. Então ela pegou um ovo cozido que estava em cima
da mesa e entregando-o ao imperador disse "Cristo Ressuscitou!" Durante estas palavras
o ovo branco ficou nas mãos do imperador vermelho carmim. (Este acontecimento é
maravilhosamente representado na parede leste do altar do luxuoso templo da Santa
Maria Madalena, construído pelo imperador Alexandre III no jardim da Getsemani em
1886. A santa está em pé vestindo sua humilde ‘túnica apostólica em frente o
imperador, cercado de guarda-costas. Em sua mão estendida o ovo vermelho). No dia de
sua memória no jardins de Getsemani após a liturgia aos fiéis ofereciam ovos vermelhos
de páscoa dizendo "Cristo Ressuscitou!"

Depois de Roma, Maria Madalena dirigiu-se para Efeso e aí ajudava na pregação do


apóstolo João Teólogo (da Palavra de Deus). As circunstâncias da sua morte são
desconhecidas. Nos tempos do imperador Leão (886-912) seus restos mortais intactos
forma transladados para Constantinopla. Durante as cruzadas eles foram levados para
Roma. Papa Honório II (1216-1227) sepultou-os sob o altar do São João em Latrão (este
é um dos templos mais antigos de Roma).
Tropário: Ao Cristo que nasceu da virgem por nossa causa, bem-aventurada tu, ó
Madalena, seguiu, guardando suas leis e razões: Assim também hoje comemorando tua
memória gloriosa e santa obtemos perdão de nosso pecados pelas tuas orações.

Mártir Cristina.
6 de agosto (24 de julho pelo calendário da Igreja)

Santa Cristina era filha do administrador da cidade de Tir em Livanon. Seus pais eram
pagãos, mas pela providência de Deus deram-lhe nome, que predizia sua vocação
tornar-se cristã. Não havia entre as jovens igual a ela em beleza. Desejando conservá-la
virgem, seu pai construiu uma residência especial, colocou nela os ídolos e mandou-a
servi-los. Morando reclusa, Cristina freqüentemente mirava o céu cheio de estrelas e
semelhantemente à grande mártir Barbara, chegou à conclusão que deveria existir um
único Criador. Deus fez com que ela conhecesse os cristãos, que lhe contaram sobre a fé
cristã e ela se converteu a Cristo. Depois disso, Santa Cristina com indignação destruiu
os ídolos em sua casa, pelo que, por ordem de seu pai, ela foi submetida a várias
torturas. Ela foi submetida ao espancamento, seu corpo foi retalhado com ferro afiado,
queimado pelo fogo, jogavam-na na cova cheia de víboras etc… Enfim, foi morta
espetada pelas lanças e espadas dos guerreiros. Assim esta santa mártir sofreu no ano
300. Sua memória é venerada principalmente no Oriente.

Tropário: Pombinha luminosa foi reconhecida assim e tendo as asas douradas e subiu
aos céus assim ó Cristina pura: daí comemoramos tua gloriosa festa, com fé
reverenciando os teus restos mortais no túmulo: donde de dispersa abundante para todos
as divinas curas para as almas e os corpos.

Os grão-duque que sofreram a paixão Boris e


Gleb.
6 de agosto (24 de julho pela calendário da Igreja)

Os grão-duques Boris e Gleb eram filhos do semelhante aos apóstolos grão-duque


Vladimir e princesa Anna de Bizâncio. Desde a infância eles se destacavam pela sua
religiosidade. Dos anais, sabe-se que o grão-duque Bóris gostava muitos dos cânticos da
igreja. Santo grão-duque Vladimir sentia muita ternura pelos dois, devido a sua
abnegação à Santa Fé e pela seu amor fraterno muito carinhoso de um pelo outro.

Ainda durante sua vida o grão-duque Boris recebeu a administração do ducado de


Rostov, e Glieb, o de Murmansk. Ambos aplicaram grandes esforços na divulgação da
fé cristã em seus ducados em meio de rudes pagãos. São Gleb é considerado o
iluminador da região de Murmansk-Riazan, onde desde os tempos antiquíssimos e até
hoje, conserva-se sua memória, como primeiro pregador do cristianismo e o protetor do
país.

Em 1015, após a morte de São Vladimir o grão-ducado foi tomado pelo Sviatopolk que
foi apelidado de Furioso. Temendo a adversidade dos santos irmãos, ele resolveu matá-
los. São Bóris estava naquele tempo com seu exército junto do rio Alta. O exército
oferecia-lhe a ir contra Kiev e tomar o poder do grão-ducado, mas São Bóris não quis
destruir os laços sagrados das relações de parentesco e indignado recusou a oferta.
Entretanto Sviatopolk informando o São Bóris sobre a morte do pai, traiçoeiramente
oferecia-lhe manter relações de bem-querença, prometendo-lhe aumentar sua
propriedade, enviando-lhe juntamente os assassinos. Na noite de 24 de julho, os
assassinos chegaram à tenda de Bóris e escutando o canto dos salmos vindo de dentro,
resolveram esperar quando Bóris adormecesse. Assim que o Santo grão-duque se deitou
na cama, os assassinos invadiram a tenda e cravaram o corpo do santo com as lanças
assim como o de seu criado Jorge, que era húngaro e tentava proteger o seu amo com o
próprio corpo. O mártir, ainda respirando, foi envolto com o pano da tenda e levado a
Sviatopolk, que ao saber que São Bóris ainda estava vivo, mandou dois variagues
traspassar com a espada seu coração. O corpo do santo grão-duque secretamente foi
trazido para Vishgorod e aí sepultado na igreja de São Basílio.

Após o assassinato de São Bóris, Sviatopolk mandou atrás de São Gleb, que estava na
ocasião próximo de Smolensk, para trazê-lo à presença do pai supostamente adoentado
gravemente. O jovem grão-duque já avisado sobre a maldade de Sviatopolk com
lágrimas rezava pela alma do pai e irmão quando os assassinos chegaram a ele,
mandados por Sviatopolk. Goracer que encabeçava os assassinos mandou o seu próprio
cozinheiro, que era descendente de turcos, esfaquear o grão-duque. Isto ocorreu 5 de
setembro de 1015.

Em 1019 após a ocupação do Kiev por Iaroslav Vladimirovich (filho de Vladimir),


graças à preocupação deste grão-duque, o corpo de São Gleb foi encontrado, trazido
para Vishgorod e sepultado junto do corpo de São Bóris. Logo no túmulo dos grão-
duques começaram a acontecer milagres. Quando a igreja de São Basílio se queimou, os
restos mortais dos grão-duques foram transladados para recém-construída igreja em sua
homenagem em Vishgorod. Durante a abertura dos caixões dos grão-duques, o
mitropolita João com os sacerdotes viram o milagre: os corpos dos santos apareceram
brancos como a neve, os seus rostos reluziam com a luz celestial, tanto que o
mitropolita e todo povo se espantavam, sentindo um aroma especial.

Em 1240 durante a ocupação de Kiev, pelo Batii, os restos mortais dos Santos Boris e
Gleb desapareceram. A memória de ambos os grão-duques mártires se honra na Rússia
desde os tempos antigos, o que se testemunha, entre outras coisas pelos numerosos
mosteiros e igrejas em sua homenagem, que permaneceram até hoje, em vários cantos
da Rússia.

O povo russo via nos santos grão-duques mártires, os seus protetores que rezavam por
ele. Os anais estão cheios de narrativas sobre as curas milagrosas que aconteceram ao pé
dos restos mortais dos santos e sobre as vitórias que celebravam com sua ajuda (por
exemplo: do Riurik Rostislavich sobre o Konchak; do santo Alexandre de Neva sobre os
alemães).
Tropário: Os verdadeiros mártires e obedientes à verdade do evangelho de Cristo o bem
aventurado Bóris com o bondoso Gleb, não resistiram a seu inimigo que era seu irmão,
que matando seus corpos não pode tocar as suas almas, que chore então o raivoso
amante do poder, enquanto vocês se alegram junto dos anjos perante a Santíssima
Trindade, orem pelo poder dos seus familiares, pela existência que agrade a Deus e que
os filhos da Rússia se salvem.

Bem aventurada Olimpiada, a diaconisa e


confessora.
7 de agosto (25 de julho pelo calendário da Igreja)

Santa Olimpíada era filha de importante e conhecido dignitário e nasceu em


Constantinopla aproximadamente por volta do ano de 366. Seu avô por parte da mãe
ocupava importante posto na corte do imperador Constantino, o Grande. Desde a tenra
idade Olimpíada foi prometida, mas o seu noivo morreu antes do casamento. Olimpíada
resolveu permanecer virgem e dedicar-se a serviço de Deus. Ela herdou grande
propriedade. Considerando a riqueza uma propriedade de Deus, ela distribuía-a aos
pobres, às igrejas, aos mosteiros, às casas para hospedar estranhos, prisões e lugares de
exílio. Na narrativa de sua vida consta que ela nunca recusou ajuda a ninguém.

Pela sua vida bondosa, o patriarca de Constantinopla —Nectario (381-397) sagrou-a


diaconisa. Seu sucessor na cátedra de Constantinopla São João Crisóstomo respeitava
muito seus feitos bondosos. Ele escreveu-lhe algumas cartas que ficaram guardadas na
coletânea de suas composições e representam grande preciosidade espiritual. Os
inimigos de São João Crisóstomo depuseram-no da cátedra, exilando-o, também se
armaram contra Santa Olimpíada. Os últimos anos de sua vida ela passou em numerosas
provações penosas. Morreu em Nicomídia por volta do ano 410. No templo do
patriarcas Sérgio (610-638) os restos mortais de Santa Olimpíada foram transladados
para um mosteiro feminino que foi fundado por ela em Constantinopla. Foram descritos
alguns milagres e curas pelos seus restos mortais.

Grande Mártir e curador Panteleimon.


9 de agosto (27 de julho pelo calendário da Igreja)

Santo Panteleimon nasceu em Nicomídia, na região da Ásia menor, Vifínia.. Seu pai
importante pagão chamou-o de Pantaleão o que significa "pelo tudo é leão." Sua mãe
bem-aventurada Evvula, educava-o nos princípios da religião cristã, mas morreu quando
ele era ainda um menino. Pantaleão entrou para uma escola de pagãos e depois estudou
as artes medicinais com um importante médico. Ele foi apresentado ao imperador
Maximiliano Galério (286-305) o qual deixou o Pantaleão na sua corte na condição do
médico palaciano.
Naquele tempo na Nicomídia escondiam-se os presbíteros Iermolai, Jermip e Iermocrat,
que ficaram vivos após a queima dos cristãos no templo da cidade. O sacerdote Iermolai
notou o jovem médico e explicou-lhe os princípios básicos da religião cristã. Pantaleão
começou a freqüentar a casa do prebístero e recebeu o dom de Deus de curar as doenças
invocando o nome de Cristo. Vendo certa vez na rua uma criança morta devido a
mordida de cobra, Pantaleão começou a pedir ao Senhor para ressuscitar o morto. A
criança reviveu. Depois deste milagre Pantaleão aceitou o batismo e foi renomeado de
Panteleimon, o que significa "todo misericordioso." Certa vez trouxeram a ele um cego
e Panteleiom na presença de seu pai começou a rezar a Jesus Cristo pela cura do coitado
e o cego se curou. Vendo este milagre, seu pai se converteu e tomou o santo batismo.
Panteleimon tratava de graça aos que se dirigiam a ele alguns com remédios, outros com
orações. Isto provocou o ciúme dos médicos e eles denunciaram ao imperador que
Panteleimon era cristão.

Maximiano persuadia Panteleimon a oferecer o sacrifício aos ídolos, mas ele se recusou
e na presença de todos curou um paralítico. Irado, Maximiano mandou executar o que
foi curado e a Panteleimon mandou torturar. Após as torturas Panteleimon permaneceu
intacto. Depois foram trazidos ao tribunal os presbíteros Iermolai, Iermip e Iermocrate e
logo decapitados. Enfim cortaram também a cabeça de São Panteleimon e de sua ferida
juntamente com o sangue jorrou o leite. Ele morreu martirizado em 305. A oliveira a
qual foi amarrado Santo Panteleimon durante as torturas cobriu-se de azeitonas. O
imperador mandou derrubar a árvore, cortar em pedaços e queimar junto com o corpo
do mártir. Mas o corpo atirado à fogueira permaneceu intacto e foi sepultado nas
proximidades.

Os que presenciaram descreveram a vida, os sofrimento e a morte de São Panteleimon.


Seus santos restos mortais foram distribuídos por todo o mundo cristão. Sua cabeça está
guardada no mosteiro russo de São Panteleimon, em Afon. No dia da memória do
grande mártir Panteleimon em Nicomídia reúnem-se milhares de pessoas, cristãos
ortodoxos e de outras religiões — armênios, católicos e até maometanos. Trazem
centenas de doentes, muitos dos quais recebem a cura pelas orações do santo. Na
metropolia da Nicomídia guardam-se milhares de manuscritos — gregos, turcos,
armênios e italianos, que receberam as curas. O nome do grande mártir Panteleimon se
invoca durante a execução do sacramento da benção dos santos óleos, durante a missa
pelo doente e durante a benção das águas, e os médicos consideram-no seu padroeiro.

Tropário: Santo mártir e curador Panteleimon ora ao Deus misericordioso para que dê o
perdão das nossas faltas às nossas almas.

O clérigo-mártir Valentino, bispo da Interamna.


12 de agosto (30 de julho pelo calendário da Igreja)

São Valentino era bispo da cidade de Interdone na Umbria (Itália). Ele mereceu de
Deus o dom de curar as doenças, evocando o nome do Senhor Jesus Cristo. Durante o
governo do imperador Aureliano (270-275) três jovens Procul, Efif e Apolonio
chegaram de Atenas a Roma para estudar as ciências e se hospedaram na casa do seu
orientador Kraton. Filho do Kraton, Horimon, machucou as costas que se encurvaram
de sorte que o jovem não conseguia se endireitar. Durante três anos ele procurou vários
médicos, mas sem resultados. Enfim o Kraton pediu ao bispo Valentino rezar pelo seu
filho enfermo.

Chegando a Roma, o santo trancou-se junto com o jovem no quarto e rezou


compenetrado a noite inteira. No dia seguinte o jovem saiu do quarto completamente
são. A notícia deste milagre espalhou-se em Roma e muitos começaram a se convverter
para religião cristã, entre eles, o filho do prefeito da cidade, chamado Avúndio. O
prefeito, pagão fanático, dirigiu toda sua ira contra São Valentino. Começaram a obrigar
Valentino a renegar sua religião e adorar os ídolos. Não obtendo sucesso, eles o
trancaram na prisão. Aqui, os discípulos de Kraton começaram a visitá-lo e se
converteram-se ao cristianismo. Mas logo São Valentino foi decapitado. Depois dele
sofreram três discípulos de Kraton: Proculo, Iefiv e Apolonio, por causa da divulgação
da religião cristã. Avúndio sepultou-os próximo ao túmulo do clérigo-mártir Valentino.

Tropário: Sendo pelo jeito que comungava e pelo altar substituto dos apóstolos, recebeu
os feitos soprados divinamente, a elevação até visões: assim, por isso, corrigindo a
palavra da verdade e devido à fé, sofreu até o sangue ó clérigo-mártir Valentino, reza a
Cristo Deus para que salve as nossas almas.

Agosto.

Bem-aventurado Basílio, Demente por amor a


Cristo.
15 de agosto (2 de agosto pelo calendário da Igreja)

São Basílio nasceu em 1464 no povoado de Ielohov perto de Moscou, na família de


camponeses. Quando o menino cresceu, ele foi entregue para aprender ofício de
sapateiro. Logo o mestre entendeu que seu discípulo não era um homem comum. Um
comerciante entrou nas oficina para encomendar as botas e pediu para fazê-las de tal
jeito que durassem um ano. Basílio com tristeza concordou: "Faremos tais que não vais
gastá-las." Após alguns dias o comerciante faleceu.

Com idade de dezesseis, Basílio deixou a casa paterna e chegou a Moscou. Aqui ele
tomou para si o sacrifício de demência por amor a Cristo. No frio e no calor o bem-
aventurado andava seminu e descalço pelas ruas de Moscou. Derrubou a banca de
rosquinhas, derramou a jarra com refresco. Os comerciantes batiam nele, mas ele com
alegria recebia as pancadas e agradecia por elas a Deus. Depois ficou-se sabendo que as
rosquinhas foram feitas de farinha com mistura danosa e que o refresco não prestava.
Para muitos começou ficar claro de que o bem-aventurado é homem de Deus.
Ora disfarçadamente e com sinais, ora aberta e sinceramente, ele predizia desgraças
como castigo pelos pecados, assim com a prosperidade como recompensa das boas
ações. Às vezes ele entrava em recintos para salvação dos alcoólatras, aos outros
ensinava o bom caminho nas ruas e praças e até mesmo ao próprio czar Ivan o Terrível
dava lições de boa conduta. Assim, certa vez durante o ofício divino o czar pensava
como seria melhor enfeitar o palácio nas montanhas dos Pardais. Após a missa, Basílio
observou ao czar de que em seus pensamentos ele não estava na igreja, mas em seu
palácio. O czar reconheceu o seu pecado e começou a sentir respeito ainda maior pelo
bem-aventurado.

Certa vez um comerciante começou construir um tempo, mas seu teto sempre ruía. O
bem-aventurado encaminhou o comerciante a Kiev: "Encontre lá o humilde João. Ele
lhe dará o conselho, como terminar de construir a igreja." O comerciante foi encontrar
João que estava sentado dentro do casebre e balançava um berço vazio: "A quem você
está balançando?" — perguntou o comerciante. "A minha própria mãezinha, pagando a
dívida sem preço pelo nascimento e educação." O comerciante lembrou sua própria mãe
que ele mandara embora de casa e entendeu por que não conseguia concluir a
construção da igreja.

O bem-aventurado estava contente em ajudar aqueles que se envergonhavam em pedir


esmola, apesar de estarem necessitados. Assim certa vez ele entregou os presentes do
czar para um comerciante estrangeiro que ficou sem recursos para subsistência. Nas
pessoas mais caídas ele enxergava o grão de bondade, apoiava-as com ternura e
animava-as. Quando passava perto de uma casa onde se bebia e divertia-se loucamente,
ele abraçava os cantos da casa dizendo: "Os anjo estão fora da casa e sofrem pelos
pecados humanos."

Freqüentemente o povo enchia o bem-aventurado Basílio com chacotas e surras, mas ele
suportava tudo com humildade. As noites o bem-aventurado passava na porta da igreja
em oração e meditação sobre Deus. Deus glorificou o seu justo com o dom de vidência
e milagre. Assim, através da oração do bem-aventurado Basílio diante da ícone de
Nossa Senhora de Vladimir, Moscou e juntamente com ela toda a Rússia — foram
salvas da invasão do Khan da Criméia Mahmet-Guirey, em 1521. Este khan, que já
queimara os arredores de Moscou, assustou-se com a visão de muitos guerreiros e
recuou para fora dos limites da Rússia. Em 1547 o bem-aventurado chorava
desconsoladamente, anunciando o incêndio de Moscou, que destruiu quase toda a
cidade. Passado algum tempo, durante o almoço nos salões do czar, o bem-aventurado
três vezes jogara o vinho pela janela, dizendo que estava apagando o incêndio em
Nóvgorod. Realmente, naquele exato momento começara incêndio em Nóvgorod, mas
não chegou a se alastrar — algum estranho, segundo narrativa dos moradores de
Nóvgorod, apagava as casas incendiadas. Quando eles chegaram a Moscou mais tarde,
estes moradores reconheceram o bem-aventurado no tal desconhecido.

Morreu o bem-aventurado Basílio com idade de 88 anos em 1552. O próprio czar Ivan o
Terrível carregava o corpo até a igreja para sepultamento. São Basílio foi sepultado em
Moscou na Sé da Proteção de Nossa Senhora, o qual geralmente se chama de templo de
Basílio, o bem-aventurado. Os seus restos mortais ficaram famosos pelos muitos
milagres. As pesadas correntes de auto-flagelação que ele usava no corpo, estão
guardados na Academia Espiritual de Moscou.
Tropário: A tua vida, Basílio, não é falsa e a pureza não é impura pelo Cristo
sacrificaste o teu corpo com jejum e vigília, com frio e calor do sol, com lama e nuvem
da chuva e brilhou o teu rosto como o sol: e hoje vão a ti os povos russos, czares e grão-
duques e todo povo, glorificando a tua santa morte. Assim reza a Cristo Deus para que
nos livre do cativeiro dos bárbaros e das guerras civis e dê paz ao mundo e misericórdia
às nossas almas.

Beata Nonna.
18 de agosto (5 de agosto pelo calendário da Igreja)

Santa Nonna nasceu no final do século III, em um família cristã. Ela casou-se com
Jorge, prefeito da cidade e rico proprietário das terras, na região da Capadocia na Ásia
Menor. No início seu marido era pagão e venerava deus superior e adorava o fogo. A
Nonna teve uma filha Gorgônia e os filhos Grigório e César. Ela educou-os em espírito
cristão e rezava fervorosamente para que seu marido se convertesse para a verdade. O
Senhor ouviu suas preces: o marido passou a crer em Cristo, batizou-se e se dedicou
totalmente à Igreja. Próximo do ano 325, ele se tornou prebístero e depois o bispo da
cidade de Nasianza na Capadócia. Então a beata Nonna foi consagrada diaconisa, após o
que dedicou-se às obras de caridade.

Em 329 o filho da Nonna, Grigório, terminou seus estudos e retornou à pátria e foi
batizado pelo seu pai. Após alguns anos Grigório tornou-se patriarca de Constantinopla.
Ele era um dos mais compenetrados e profundos escritores espirituais pelo que recebeu
honroso nome de Teblago. No final de sua vida, Santa Nonna fez muito pela Igreja. Sua
morte santa ocorreu em 334. Pode-se julgar sobre a vida beata de Santa Nonna,
considerando que os cinco membros da sua família (incluindo a própria) estão sagrados
pela Igreja como santos.

Mártir Susana.
24 de agosto (11 de agosto pelo calendário da Igreja)

Santa Susana era a única filha do presbítero romano Gavanio, parente do imperado
Diocletiano (284-305). Educada em espírito da religião cristã e regras de docência e
pureza, ela aprendeu diversas ciências e era considerada jovem muito estudada e
inteligente. Com sua beleza física, ele se destacava pela rigorosa pureza, fé intrépida e
ardente amor ao Cristo. Para servir plenamente a Deus a casta Susana recusou o
casamento com Galério (posteriormente imperador) oferecido pelo Deocletiano e
desejou permanecer virgem, a exemplo da Virgem Maria.

Deocletiano para incliná-la ao casamento, mandou alojá-la no seu palácio e encarregou


sua esposa, rainha Sirene, convencê-la a se casar. Mas a própria rainha também era
cristã secreta e se alegrou com a firme decisão de Susana. Tendo sabido através de
rainha a respeito da firmeza da Susana, Deocletiano deu permissão ao seu filho
Maximiano para desonrar Susana, para que, mandou entregá-la à casa o seu pai.
Chegando à noite para Susana, Maximiano encontrou-a rezando a Deus. Cheio de
desejo impuro, ele tentou aproximar-se dela, mas vendo acima um anjo em forte
resplendor, fugiu com medo para o palácio e contou sobre o que viu a Deocletiano.

Mandado por Deocletiano, um torturador atroz dos cristãos, chamado Macedônio,


também não conseguiu convencê-la a adorar o ídolo. Então ele sem piedade começou a
bater na mártir com pau. Santa Susana permanecia inabalável. Avisado a respeito disso,
Deocletiano mandou o desumano Macedônio esquartejar com espada a Santa Virgem na
casa paterna. A coragem e fé inabalável da Susana espantaram seus parentes — Senador
Cláudio e sua esposa Prepedigna e os filhos Alexandre e Krífio, assim como ao irmão
do Cláudio- Máximo — e eles receberam o batismo.

Seu pai e próprio irmão Gaio logo após a sua morte também receberam o fim de
mártires. Os restos mortais da Susana e do seu pai encontram-se em Roma na igreja
com seu nome.

Tropário: A tua, ó Jesus, vítima Susana, chama com a viva voz: a ti, o meu noivo, amo e
a ti procurando sofro e me crucifico e me imolo a teu batismo e me sacrifico por ti,
assim como reino em Ti e morro por Ti e vivo contigo mas como oferenda pura aceite-
me como amor entregando-me a Ti: por suas orações, como és misericordioso, salva
nossas almas.

São Tihon de Zadonsk.


26 de agosto (13 de agosto pelo calendário da Igreja)

São Tihon (no mundo Timóteo) nasceu em 1724 na família do clérigo mais pobre da
aldeia de Corotsk (da região de Valdai) e logo após o nascimento ficou privado do seu
pai. A infância e juventude, passaram-se em meio de terrível pobreza: às vezes
precisava trabalhar o dia inteiro na casa dos moradores da sua aldeia para ganhar um
pedaço de pão. Com muito custo conseguiu evitar ser recrutado como soldado e entrou
ao seminário de Nóvgorod para estudar, no qual mais tarde tornou-se orientador. Certas
circunstâncias especiais (milagrosa salvação do perigo de morte e algumas visões)
levaram-no a se tornar monge. Em 1758 ele recebeu a consagração à vida monástica
com o nome de Tihon. No ano seguinte ele foi nomeado reitor do seminário de Tver,
onde era lente sobre teologia da moral. Contudo lia em russo e não em latim, como era
costume até então. Além dos estudantes as suas aulas freqüentavam muitas outras
pessoas.

Em 1761 aos 37 anos de idade ieromonge Tihon, pela evidente ordem do alto, foi
escolhido bispo. Cerca de dois anos ele era vigário de Nóvgorod e perto de quatro anos
(1763-1767) independentemente encabeçava a cátedra episcopal de Voronej. Todo o
tempo de seu bispado ele pregava com afinco e convocava para o mesmo os seus
sacerdotes. Em Voronej desde os tempos de paganismo conservava-se a festa em
homenagem de Iarila, ligada a muitas indecências. Certa vez o santo inesperadamente
apareceu na praça pública no auge da alegria da festa e começou acusar os
incovenientes. Sua palavra de tal modo causou efeito, que a festa não se renovou mais.

Entretanto, os árduos esforços desfasaram a saúde de São Tihon. Ele pediu afastamento
do seu cargo e os últimos dezesseis anos (1767-1783) de sua vida passou sossegado no
Mosteiro de Zadonsk (o mosteiro de Nossa Senhora de Zadonsk, perto do rio Don, ao
norte da cidade de Voronej). Todo o tempo, com exceção de quatro a cinco horas de
descanso, ele dedicava à oração, leitura da palavra de Deus, obras de caridade e
composição de textos que fazem bem à alma. Todos os dias ele vinha ao templo. Em
casa, ele freqüentemente caía de joelhos e se banhando em lágrimas, como um grande
pecador, exclamava: "Senhor, tende piedade, Senhor tende misericórdia." Sem falta,
cada dia ele lia alguns capítulos da Escritura Sagrada(principalmente profeta Isaías) e
nunca viajava sem levar o livrinho de Salmos. Toda a sua aposentadoria de quatrocentos
rublos ia parra as obras de caridade e o mesmo destino tinham todos os donativos dos
seus conhecidos.

Freqüentemente ele se dirigia vestido com simples roupas de monge à cidade próxima
(Elets) e visitava os presos do presídio local. Consolava-os, predispunha à penitência e
depois dava esmola. Ele próprio era altamente desprendido, morava no mais simples e
pobre ambiente. Sentando-se à parca mesa lembrará freqüentemente dos pobres, que
não tinham alimentação como ele e começava a se reprimir pelo fato de que, no seu
entender, ele trabalhou pouco para Igreja. Aí as lágrimas amargas começavam a jorrar
dos seus olhos. Afoito e de caráter quente pela natureza, ele era impressionantemente
humilde e seu rancor: fazia prostração para seu ajudante de cela, pedindo perdão por
alguma palavra que parecia-lhe rancorosa e procurava sempre pagar com o bem, quando
alguém causava-lhe alguma injúria. Uma vez, na casa de um conhecido ele começou a
conversar com um nobre adepto de Volter, e humildemente mas tão forte e convicto
desaprovou o ateu, que homem orgulhoso não aguentou e esquecendo-se bateu o santo
no rosto. São Tihon atirou-se a seus pés e começou pedir perdão por tê-lo irritado.
Tamanha humildade de tal forma causou efeito sobre o arrogante injuriador, que ele se
converteu à ortodoxia e tornou-se um bom cristão.

São Tihon possuía dom de clarividência e de fazer milagres, lia os pensamentos dos
interlocutores. Em 1778 quando nasceu o imperador Alexandre I, o santo predisse
muitos acontecimentos do seu reinado e em particular que a Rússia iria salvar-se mas o
invasor (Napoleão) pereceria. "Senhor Deus em muitos casos ouvia-o"- escrevia o
ajudante de cela do São Tihon.

O santo gostava especialmente conversar com o simples povo, consolava-o em sua


pesada sina, ajudava os empobrecidos. As crianças das proximidades do mosteiro
visitavam-no. Ele ensinava-lhes as orações e após a conversação presenteava-as com
dinheiro. A morte do bem-aventurado São Tihon seguiu-se dia 13 de agosto de 1783.
Após 63 anos os seus restos mortais foram exumados intactos e em 1861 ele foi
considerado um dos santos. Entre os trabalhos escritos do São Tihon de Zadon, desfruta
especial popularidade a coletânea de ensinamentos breves, cheio de exemplos da vida,
chamado "Tesouro espiritual, coletado do mundo."
Tropário: Desde a infância amou a Cristo, ó bem-aventurado, para todos da fé e da
pureza e humildade e assim passou a vier nos aposentos celestiais, onde perante o trono
da Santíssima Trindade, reza ó São Tihon pela salvação das nossas almas.

Martíres Adriano e Natália


8 de setembro (26 de agosto pelo calendário da igreja)

O casal Adriano e Natália viviam na cidade de Nicomidia da Região Vifínia da Ásia


Menor. Adriano era pagão e trabalhava como chanceler do imperador Maximiano
Galério (305-311) perseguidor dos cristãos. Natália era cristã em segredo. Durante a
perseguição próximo a Nicomidia na caverna se escondiam 23 cristãos. Eles foram
pegos, julgados e flagelados e obrigavam-nos oferecer sacrificios aos deuses. Depois
eles foram levados para a sala de julgamento para anotação de seus nomes. Aí
encontrava-se encarregado da sessão Adriano, que lhes perguntou qual a recompensa
esperam eles do seu Deus pelo martírio. Eles responderam: "Os olhos não viram, nem
ouvidos ouviram e nem chegou ao coração do homem aquilo que Deus preparou aos
que O ama!"(I Br 2:9). Espantado pela coragem dos cristãos e pelo fato de como eles
com alegria estavam prontos para o martírio pelo Cristo, Adriano disse aos escrivães
"Anotem também o meu nome junto dos deles porque eu também sou cristão." Adriano
foi preso. O imperador aconselhava-o a riscar o seu nome da lista dos cristãos e pedir
desculpas. Adriano assegurou-lhe de que não ficou louco mas agia assim pela própria
convicção. Ele fez na época 28 anos.

Quando soube do acontecido, Natália apressou-se em ir ao presídio, onde confortava


Adriano a ser corajoso. Quando os presos foram condenados à morte, Adriano foi solto
por um curto período de tempo para ir em casa, para avisar a mulher sobre isto. Vendo
Adriano, Natália se assustou, pensando que ele renegou a Cristo e não o deixou entrar
em casa.

Voltando ao presídio, Adriano juntamente com os outros mártires foi submetido a


terríveis torturas: aso mártires esmagavam as mãos e os pés com um pesado martelo,
por isso eles morriam em terrível sofrimento. Quando chegou a vez de Adriano, a
esposa acima de tudo temia que o marido não fraquejasse e não renegasse a Cristo. Ela
confortava a Adriano e segurava suas mãos e os pés enquanto o carrasco esmagava-os
com martelo. Morreu São Adriano junto com os outros mártires em 304. Quando seus
corpos foram sendo queimados, começou a tempestade e a fornalha apagou, alguns dos
carrascos foram fulminados pelos raios.

O centurião do exército queria casar-se com Natália que era ainda jovem e ria. Ainda
antes da morte de Adriano, Natália pedia ao marido a rezar para que ele não fosse
obrigada a se casar. Agora Adriano apareceu-lhe no sonho e disse que logo ela o
seguiria. Assim aconteceu: Natália morreu sobre o túmulo do seu marido nas
proximidades da cidade de Bizâncio, onde seu corpo foi levado pelos fiéis.
Kondáquio: Acreditando nas palavras divinas da esposa piedosa e guardando as no
coração, Adriana mártir de Cristo dirigiu-se ao martírio com firmeza, assim com a
esposa recebendo a coroa.

Bem aventurado grão-duque Alexandre de Nieva.


12 de setembro — 6 de dezembro (30 de agosto e vinte e três de novembro pelo
calendário da Igreja)

Dos grão-duques defensores da terra russa e religião Ortodoxa no período do jugo dos
mongóis principalmente ficou famoso santo bem-aventurado grão-duque Alexandre de
Neva.

Filho do grande grão-duque Iarooslav, ele nasceu pouco antes da invasão dos mongóis
em 1220 e sob orientação da sua virtuosa mãe, Santa Duquesa Teodósia, recebeu boa,
para aqueles tempos, educação que levava caráter profundamente religioso. Sua infância
e juventude ela passou em Nóvgorod, onde no começo governava seu pai e depois ele
mesmo na idade muito jovem, assumiu o difícil poder. A região de Nóvgorod ficou livre
dos saques dos tártaros, mas era submetida a grandes pressões dos seus vizinhos do
oeste: lituanos, alemães e suecos. São grão-duque Alexandre precisou agüentar uma luta
renhida com eles pela independência da terra russa e pela liberdade da igreja russa da
ressurreição dos vizinhos.

Não contendo da livre submissão da igreja Russa, os papas resolveram aproveitar a


condição deprimida e enfraquecida da Rússia para subjugá-la à força ao seu poder. Foi
solta a bula (e, 1237) que convocava os suecos para uma cruzada, para castigar os
finlandeses, que se rebelaram contra a propaganda católica e ao mesmo tempo converter
os russos ao catolicismo. A todos os participantes da cruzada prometia-se o perdão dos
pecados e aos que morressem durante a batalha — a bem-aventurança eterna. Juntou-se
numeroso exército sueco sob o comando de Birguer e em 1240 desembarcaram nas
margens do Rio Nieva, próximo da afluente do Rio Ijo. Após uma ardente oração na
catedral de Santa Sofia, não muito numerosa irmandade de Novvgorod, encabeçada pelo
jovem grão-duque Alexandre, seguiu de encontro do inimigo.

O corajoso grão-duque dirigiu-se ao seu próprio exército com breve mas forte palavras:
"Irmãos, não somos muitos e o inimigo é forte, mas Deus não está na força mas na
justiça. Lembremos as palavras do cantos dos Salmos — Estes (confiam) nas suas
carroças e aqueles nos seus cavalos, nós, porém somos forte em nome do senhor nosso
Deus… Não temamos a quantidade dos guerreiros, porque Deus está conosco!"
Animado pela aparição dos santos diques Boris e Glie na visão ao guerreiro Pelgússio,
Santo Alexandre na noite de 15 de julho de 1240 corajosamente atacou o inimigo e
causou-lhe derrota radical. "Os romanos foram vencido e humilhados," exclamavam
com alegria os cidadão de Nóvgorod, festejando a sua vitória.

Logo depois disso, o ataque do mundo latino ocidental contra a Rússia Ortodoxa
apareceu do outro lado personalizado pela Ordem os Espadachins da Livônia.
Divulgando a catolicismo pela força das armas no meio dos povos que viviam na Costa
Báltica, esta ordem meio religiosa meio militar atacou também a terra Russa. Foram
tomadas as cidades de Iuriev e Pscov. Um evidente perigo ameaçava também
Nóvgorod. Entretanto, em Nóvgorod ocorriam grandes desordens de sorte que o grão-
duque Alexandre foi obrigada a se retirar de lá para a terra de Súzdal. Sob a influência
do perigo, os cidadãos de Nóvgorod regrediram à prudência e pediram ao bem-
aventurado grão-duque voltar a eles e ajudá-los a rechaçar o inimigo.

Não guardando rancor, o bondoso grão-duque retornou a Nóvgorod, reuniu os


guerreiros, marchou contra o inimigo, Libertou Pscov e depois no lago de Chúdskoe, na
famosa batalha de Gelo (5 de abril de 1242) derrotou completamente o terrível inimigo.
Esta vitória definitivamente destruiu as forças da ordem da Livônia e colocou limites à
sua movimentação sobre o oriente ortodoxo-russo.

O Papa Inocêncio IV, sofrendo a derrota já não conseguiu subornar o vigoroso defensor
da religião Ortodoxa e resolveu aproveitar os meios pacíficos. Em 1251 ele mandou ao
bem-aventurado grão duque Alexandre dois cardeais com mensagem, na qual
convidava-o a entrar no protetorado do torno romano. Mas o herói de Neva respondeu-
lhe com determinação: "Conhecemos o verdadeiro ensinamento da Igreja, e não
aceitamos o de vocês."

As notícias sobre o destemido grão duque e suas gloriosas vitórias chegaram ao khan
tártaro. Após a invasão dos tártaros todos os duques russos viajavam até Ordá para
reverenciar o khan, mas o Santo grão-duque ainda não esteve em Ordá. O khan Batii
desejou vê-lo. Entendendo que a luta com o terrível conquistador era impossível, Santo
Alexandre fortalecendo-se com a oração e a benção do Santo de Nóvgorod, dirigiu-se
para Ordá. Os sacerdotes pagãos exigiram que antes de comparecer perante o khan,
Santo Alexandre de acordo com a tradição, passasse pelo fogo da purificação e adorasse
as imagens dos ancestrais do khan. Mas obsessivo confessor da religião de Cristo, com
dignidade respondeu: "Eu sou cristão e não me cabe adorar as criaturas." Os sacerdotes
ouvindo tais palavras, comunicaram-nas ao Batii. Os acompanhantes do Alexandre
esperavam o pior. Khan imediatamente quis ver o famoso grão-duque à presença do
khan, ele o reverenciou (prostrou-se diante) e disse: "Czar, estou me prostrando diante
de ti, pois Deus agraciou-te com o reino mas não reverencio as criaturas, pois tudo foi
criado para o homem. Mas o único Deus, a Quem eu sirvo e a Quem eu reverencio, a
Ele me prostro (ou a Ele adoro)."Tal sábia resposta agradou ao khan ele dispensou com
dignidade o Santo grão duque.

Mais tarde Santo Alexandre — desde 1252 grão-duque de Vladimir — ainda mais três
viajou até Ordá, esforçando-se com humildade diante do khan, desviar do povoe e da
Pátrias as desgraças que lhes ameaçavam dos tártaros e com sua sábia política alcançou
muitas facilidades importantes para o povo. Na última viagem, já noa volta de Ordá ele
adoeceu e 14 de novembro de 1263 faleceu na cidadezinha de Povolgesk. Quando a
triste notícia de sua morte chegou a Vladimir (cidade), então o mitropolita Kirill
anunciou ao povo com emocionantes palavras: "Meus queridos filhos, entendam, que o
sol se pôs na terra Russa." O povo chorava muito a morte do seu querido grão-duque. A
santa Igreja considerou-o como santo. Seus restos mortais intactos durante o império de
Pedro I (1724) foram triunfalmente transladados para Petrograd onde descansam na
lavra de Alexandre de Nieva.
Tropário: Conheça sua irmandade José da Rússia, não no Egito, mas que reino no céu, ó
bem-aventurado grão-duque Alexandre, e aceite suas orações, multiplicando a safra ao
povo através da fertilidade da terra tua, as cidades de teu domínio protegendo com
oração e aos teus desdentes pessoas bondosas proteja contra o inimigo.

Folheto Missionário número PA4

Copyright © 2003 Holy Trinity Orthodox Mission

466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011

Redator: Bispo Alexandre Mileant


Vidas Escolhidas
Dos Santos de
Setembro-Outubro.
(Bispo Alexander Mileant)

Conteúdo:

Demência Por Cristo.

Setembro

Venerável Simeão Do Pilar.

Mártir Vassilissa

Santos Zacarias E Elizabeth

Venerável Mártir Raissa.

Virtuosos Joaquim E Anna.

Grande Mártir Nikita

Mártir Princesa Ludmila.

Mártires Vera, Nadejda, Liubov E Sofia.

Outubro

Mártires Príncipe Michael E Nobre Theodoro.

Fiel Devoto Príncipe Oleg De Briansk.

São Dimitri De Rostov

Venerável Sérgio De Radonez.

Fiel Príncipe Venceslav.

São Miguel De Kiev.

Venerável Roman O Melodioso (Que Canta Com Doçura).


Bem Aventurado André, Demente Por Cristo.

Martires Domnia, Verônica E Proscudia.

Venerável Pelágia.

Venerável Taissia.

Mártir Zenaide.

Mártires Cosme, Damião, Leôncio E Outros.

Novembro

Venerável Padre João De Kronshtadt.

Santo Apóstolo Tiago.

O Grande Mártir Dimitri.

Grande Mártir Parasqueva.

Venerável Mártir Anastácia A Romama.

Demência por Cristo

Setembro

Venerável Simão (do Pilar)

Mártir Vassilissa

Virtuosos Zacarias e Elizabeth

Venerável Mártir Raissa

Virtuosos Joaquim e Ana

Santo Mártir Niquita

Mártir Ludmila

Mártires Vera, Nádia, Liubov e Sofia

Mártires príncipe Michael e seu conselheiro Theodoro


Abençoado príncipe Oleg, de Briansk

São Dimitrii de Rostov

Venerável Sérgio de Radonez

Abençoado príncipe Venceslau

São Michael de Kiev

Outubro

Venerável Roman o Cantor

Abençoado André, demente por Cristo

Mártires Domnina, Verônica e Proscudia

Venerável Pelágia

Santa Thaisia

Mártir Zenaide

Mártires Cosme, Damião e Leôncio

O Justo João de Kronshtadt

Apóstolo Tiago, irmão do Senhor

Grande Mártir Dimitrii

Grande Mártir Parasqueva

Venerável Mártir Anastácia a Romana

Demência Por Cristo.

Demência por Cristo — é um dos feitos espirituais difíceis e inexplicáveis. A palavra


"demência" significa loucura. Alguns homens justos que nasceram normais e até muito
inteligentes, fingiam-se de dementes por uma grande causa. No decorrer da história a
demência provocava reações duplas nas pessoas. Em algumas ela provocava malícia e
aversão e então essas pessoas perseguiam os dementes, os agrediam e riam deles. Em
outras essa demência fazia as pessoas sentirem simpatia e compaixão involuntárias.
De acordo com as explicações do venerável Serafim de Sarov, a devoção dos dementes
por Cristo exige uma força de espírito especial, e ninguém poderia assumi-la sozinho,
sem ser designado por Deus — ou poderia "fracassar" e tornar-se um falso — demente.
O cristianismo ocidental contemporâneo não consegue entender e nem valorizar a
demência voluntária.

A expressão "demência por Cristo" foi primeiramente aplicada pelo apóstolo Paulo
dizendo: "somos insanos por amor a Cristo." Em sua carta aos Coríntios ele explica que
a própria propagação sobre Deus-homem crucificado, aos olhos do povo de todo mundo
parece loucura. "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os
que foram salvos, para nós, é uma força Divina... Já que o mundo, com a sua
sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria Divina, aprouve a Deus salvar os que
crêem pela loucura de sua mensagem" (1 Cor. 1:18:21). Os cristãos, na força de sua fé
no Deus-homem crucificado, aos olhos dos descrentes são julgados como dementes.
Pessoas cegas pela sabedoria terrena, como por exemplo os antigos escriturários, que
ousavam afirmar até sobre Jesus Cristo, de que "Ele delirava" (Joã. 10:20)! O pró-
consul Festo exclamou em alta voz: "Tu está louco Paulo! O teu muito saber tira-te o
juízo!" (Atos 26:24).

A loucura por amor a Cristo, como aspecto especial de devoção, surgiu em meados do
4º século no Egito, juntamente com a vida monástica. A demência pode ser vista de
duas maneiras. Objetivamente — é um chamado de Deus. Os dementes carregam uma
missão especial no meio do mundo pecador. Subjetivamente — é uma missão muito
difícil: "um caminho estreito" no qual a pessoa se coloca para atingir a perfeição
espiritual.

Por que será que Deus chama alguns justos para viver de maneira tão "humilhante"?
Para entender isto, é necessário levar em conta o fato de que a vida da sociedade
humana está inteiramente envenenada pelo mal — nela há tanta falsidade, mentira,
hipocrisia, avidez, orgulho, astúcia e outros defeitos. Muitas vezes, por virtude pessoal,
erudição e nobreza, as pessoas escondem os mais pecaminosos sentimentos e intenções.
Elas elogiam com prazer as mínimas e mais insignificantes virtudes, mas detestam o
bem autêntico. Um exemplo vivo desse tipo de pessoa, podemos observar nas escritas
dos judeus dos tempos de Cristo. Vendo sua incapacidade em aceitar Seus
ensinamentos, certa vez o Senhor Jesus Cristo exclamou: "Eu Te bendigo, Pai Senhor
do céu e da terra, porque escondestes estas coisas aos sábios e entendidos e as
revelastes aos pequenos"- i.e. às pessoas simples e modestas" (Mt. 11:25).

Conforme o que temos conhecimento das Sagradas Escrituras, às vezes o Senhor


desmascara a astúcia dos líderes deste mundo com estranhas atitudes e palavras.
Servindo a Deus, às vezes até os grandes profetas como : Isaías, Jeremias e Ezequiel se
tornavam "loucos por amor a Cristo." Por trás de suas frases como que absurdas e suas
ações estranhas escondiam-se a sublime sabedoria e a profecia para o futuro. (Veja por
exemplo: Isaias 8:3; Jeremias 13:1-9, 18:1-4, 19:1-4, 20:2-10, 27:2, 38:6; Ezequiel 4:1-
15, 5:1-4, 12:2-7, 24:3-5).

Porém o Senhor ao chamar para a "loucura" não subjuga a vontade da pessoa. Os


"loucos" assumiam essa façanha incomum não apenas por obediência, mas por motivo
de sua sede por justiça também. A atividade dominadora mais difícil, a qual as pessoas
tinham de enfrentar era o orgulho. Muitos santos que superavam com relativa facilidade
atividades dominadoras físicas habituais, lutavam contra o orgulho e a vaidade até seu
último suspiro. "A vaidade regozija-se a todas virtudes," — dizia o venerável João
"Lesstvitchnic."

Rejeitando o senso comum e diariamente suportando desprezo "os dementes por Cristo"
graças a isto cortavam o orgulho pela mais profunda raiz. Entre eles estavam os
seguintes santos especialmente conhecidos: André, Procópio de Ustug, o bem-
aventurado Basílio, Paraskeva do Mosteiro de Diveyev (Dias de memória: 15 de
outubro, 21 de julho e 15 de agosto pelo novo calendário). Não se contentando apenas
com habituais privações de bens e da vida familiar, eles renunciavam à principal
diferença das pessoas comuns — o habitual uso da razão, e voluntariamente tomavam
sobre si a aparência de alguém que não tinha noção das medidas, nem decência, nem
sentimento de pudor.

Demência por amor a Cristo — é uma máscara a qual colocam sobre si aqueles que são
chamados especialmente para isso. Sabe-se que em certas situações eles retiravam de si
essa máscara diante de certas pessoas, e então deixavam essas pessoas atônitas diante de
sua inteligência e talento. Pelágia de Diveyev, a "demente por amor a Cristo," a qual o
venerável São Serafim abençoou para esse ascetismo, durante a confissão retornou ao
seu estado de demência, e o padre recém ordenado ficou profundamente impressionado
com seu poder mental e espiritual. Santo André também era demente por amor a Cristo.
Ele retirava a "máscara" quando conversava com seu discípulo Epifânio, o qual mais
tarde tornou-se um renomado bispo.

Todavia no quotidiano, fingindo-se de loucos, os dementes por amor a Cristo eram


submetidos a contínuas ofensas e rejeitados por todos. Vivendo na sociedade eram não
menos solitários do que aqueles que viviam nos desertos impenetráveis. Renunciando a
todo tipo de propriedade, a todo conforto e bens materiais, livres de qualquer apego ao
mundano, não possuindo morada definida e expondo-se aos perigos da vida sem abrigo,
estes escolhidos por Deus eram como que vindos de outro mundo.

Diante disso tudo, os escolhidos mantinham sempre o espírito elevado; continuamente


elevam os olhos de sua mente e o coração a Deus e incessantemente ardiam em espírito
diante Dele. Adquirindo imensa submissão e pureza de espírito, os dementes por Cristo
tornavam-se especialmente amados por Deus e recebiam Dele o dom dos milagres e a
perspicácia. Eles realizavam às vezes atos humanitários de amor ao próximo os quais
eram incompreensíveis a outras pessoas. Não se envergonhando em dizer a verdade a
qualquer pessoa, eles através de suas palavras ou atitudes extraordinárias ora acusavam
e condenavam os injustos, que geralmente eram poderosos e dominadores, ora
alegravam e consolavam os justos e os tementes a Deus. Os dementes por amor a Cristo
na maior parte das vezes dirigiam-se aos locais mais depravados da sociedade com o
propósito de endireitar e salvar essas pessoas, e conseguiam levar muitos desses
desviados para o caminho do bem. Sendo próximos a Deus, eles freqüentemente
livravam seus compatriotas de desgraças ameaçadoras e desviavam deles a cólera de
Deus.

Diante de todas dificuldades o ascetismo da "demência" exigia dos santos muita


sabedoria, para direcionar sua humilhação à glória de Deus e instruindo o próximo não
permitindo confusão devido à aparência imprópria, nada de pecaminoso, nenhuma
tentação ou ofensa para os outros.
Setembro
Venerável Simeão do Pilar.

14 setembro (1º setembro calendário da Igreja)

São Simeão nasceu em uma família pobre, numa área de Antiah da Síria, no meio do
séc. 4. Na juventude ele cuidava do pasto de ovelhas do pai. Certa vez estando na igreja
e ouvindo o cântico das Bem Aventuranças (Mt. 5:3-12), nasceu dentro dele a sede de
uma vida sagrada. Simeão começou a orar fervorosamente a Deus e pedindo que Ele lhe
indicasse como alcançar a autêntica virtuosidade. Logo depois, ele sonhou que estava
cavando a terra como que para fundamentar uma construção. Uma voz dizia: "Cave
fundo." Simeão passou a cavar fervorosamente. Achando que o buraco estava
suficientemente profundo, ele parou, mas a mesma voz mandou que ele cavasse mais
fundo. A mesma instrução repetiu-se por diversas vezes. Então Simeão passou a cavar
sem cessar, enquanto a voz misteriosa não o fizesse parar com as palavras: "Basta!
Agora, se quiser construir, construa, esforçando-se ao máximo, pois, sem esforço não
conseguirá êxito em nada."

Tendo decidido ser monge, São Simeão deixou o lar paterno e recebeu a consagração
monástica em um convento vizinho. Ali ele permaneceu por algum tempo devoto em
orações monásticas, jejum e obediência, e depois para maior aperfeiçoamento ele se
isolou em um deserto sírio. Nesse deserto São Simeão deu início a um novo perfil do
ascetismo: "stolpnitchestvo." Tendo erguido um pilar de vários metros de altura, sobre o
qual se instalou, ele privou-se da possibilidade de se deitar e descansar. Ficando de pé,
dia e noite, igual a uma vela, em posição ereta, ele quase que ininterruptamente rezava e
meditava sobre Deus. Além do austero jejum, ele suportou expontâneamente muitas
privações: chuva, calor escaldante e frio intenso. Alimentava-se de trigo umedecido e
amassado e tomava água trazidos por pessoas bondosas.

Seu excepcional ascetismo tornou-se conhecido em muitos países, e começaram a vir


até ele muitos visitantes da Arábia, Pérsia, Armênia, Geórgia, Itália, Espanha e Britânia.
Vendo sua extraordinária força espiritual e atentos aos seus preceitos fervorosos, muitos
pagãos ficavam convictos na veracidade da fé cristã e se batizavam..

São Simeão foi abençoado com o dom da cura espiritual e física e previsão do futuro. O
imperador Theodósio Junior 2º (408-450) respeitava muito o venerável Simeão e com
freqüência seguia seus conselhos. Quando o imperador morreu, sua viúva a rainha
Eudóxia estava pervertida a heresia monofísica. Os estudiosos dessa heresia não
reconheciam as duas naturezas de Cristo — de Deus e humana; somente reconheciam a
de Deus. O venerável Simeão fez com que a rainha tomasse consciência, e ela
novamente tornou-se cristã-ortodoxa. O novo imperador Marciano (450-457), vestido
como plebeu, secretamente visitava o venerável e consultava. Seguindo o conselho de
Simeão, no ano de 451 Marciano convocou o 4º Concílio Universal o qual denunciou os
falsos ensinamentos dos monofísicos.

São Simeão viveu por mais de cem anos e morreu durante oração em 459. Suas
relíquias foram guardadas na Antioquia. A igreja ortodoxa durante os ofícios nas
orações consagradas a São Simeão o denominam de "homem celestial, anjo terrestre e
iluminador do universo."
Kondaquion: Buscando o reino dos céus, se unindo às alturas, erguendo um pilar como
uma carruagem de fogo, com isso sendo interlocutor dos anjos, ó venerável, roga a
Cristo Deus por todos nós.

Mártir Vassilissa

16 setembro (3 setembro calendário da Igreja)

Mártir Vassilissa nasceu na Nicomédia no final do terceiro século. Ela sofreu pela fé em
Cristo no ano 309, tendo apenas 9 anos naquela época. Quando foi levada até o
governante Alexander para interrogatório, ela declarou, sem receio, que acreditava em
Jesus Cristo como Filho de Deus e Salvador das pessoas. Alexander inicialmente tentou
carinhosamente convencê-la a renunciar a sua fé e venerar ídolos, mas Vassilissa em
resposta começou a exaltar a Deus e falou com firmeza que continuará sendo cristã. As
pessoas ficaram admiradas com as respostas sensatas e seguras da criança. Então
Alexander enfurecido ordenou que espancassem Vassilissa, com a esperança de que isso
a fizesse renunciar à fé. Durante as torturas a criança louvava a Deus incessantemente e
o governador, cada vez mais furioso, reforçava as torturas. A menina foi então
dependurada sobre fogo e vagarosamente sendo queimada. Em seguida foi jogada
dentro de uma fornalha incandescente, e, finalmente foi jogada para ser dilacerada por
animais ferozes. Porém santa Vassilissa, protegida por Deus se manteve intacta.

Contudo os evidentes presságios do poder de Deus iluminaram o governador. Ele


compreendeu que o Senhor que Vassilissa acreditava é onipotente e exclamou: "Isto é
obra de Deus!" Em seguida, prostrando-se aos pés da menina começou a rogar: "Pelo
Rei Celestial me perdoa por lhe ter feito mal. Reza por mim ao seu Deus, pois, de agora
em diante eu também creio Nele!" A Santa mártir alegrou-se e agradeceu a Deus pela
conversão do obstinado pagão. Depois disso chamaram um bispo o qual dirigiu
Alexander à verdadeira fé cristã. Ele foi batizado e passou a viver honradamente no
cristianismo. Logo depois do batismo de Alexander, Santa Vassilissa pacificamente
entregou sua alma a Deus.

Troparion: Tua ovelha Vassilissa clama a Ti ó Jesus: Amo-Te meu Noivo e à Tua
procura padeço, sofro por Ti, pois reino em Ti e morro por Ti e também vivo Contigo,
mas recebe-me pura, que com amor sacrifiquei-me a Ti: Te suplico ó Piedoso, salva
nossas almas.

Santos Zacarias e Elizabeth

18 setembro (5 setembro calendário da Igreja)

O profeta Zacarias e sua esposa virtuosa Elizabeth descendiam de linhagem sacerdotal.


Santa Elizabeth era irmã da virtuosa Anna, mãe da Santíssima Virgem Maria. São
Zacarias servia num templo em Jerusalém. O Evangelista Lucas menciona Zacarias e
Elizabeth no primeiro capítulo de seu Evangelho, onde narra sobre o nascimento do
profeta João Batista, dizendo que "ambos eram justos diante de Deus, agindo
irrepreensívelmente de acordo com todos os mandamentos e preceitos do Senhor." Até a
idade bem madura, eles não tiveram filhos. Por essa razão suportaram muitas
tribulações, pois, a esterilidade era considerada pelos judeus como castigo de Deus
pelos pecados.

Finalmente o Senhor enviou o arcanjo Gabriel para anunciar a Zacarias, que no


momento orava no templo, sobre o iminente nascimento de um filho. O arcanjo mandou
que esse filho fosse chamado de João e predisse que, João será cheio do Espírito Santo
ainda no ventre de sua mãe, que ele irá converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor,
e irá adiante de Deus com o espírito e poder do profeta Elias. Sua atividade será toda
direcionada para preparar as pessoas para a chegada do Salvador.

Pouco depois da aparição do arcanjo Elizabeth ficou grávida. Quando João Batista
nasceu, aconteceu um milagre: Zacarias, que até então permanecia mudo, recebeu
novamente o dom da fala. Zacarias então glorificou a Deus e profetizou cheio do
Espírito Santo: "tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o
Senhor e Lhe prepararás o caminho."

No entanto, a alegria dos virtuosos pais, pela vinda do filho esperado por longos anos,
não durou muito. Após seis meses nasceu em Belém o Senhor Jesus Cristo. O rei
Herodes, ao saber disso, assustou-se com medo de perder seu trono e mandou que
fossem massacrados todos os meninos de dois anos para baixo, nascidos em Belém e
nos seus arredores. José juntamente com a Virgem Maria e o Recém-Nascido Cristo,
fugiram para o Egito, e a virtuosa Elizabeth, salvando João, fugiu para o deserto perto
do mar Morto. Herodes, procurando por João, enviou soldados ao templo de Zacarias
para investigarem onde se escondia Elizabeth. Quando Zacarias se negou contar-lhes
sobre o paradeiro dela, eles o mataram entre o templo e altar de sacrifícios. De acordo
com a legenda, o sangue derramado por ele endureceu sobre o mármore do chão e por
muitos anos lembrava aos fiéis sobre a maldade de Herodes.

Por sua vez, Elizabeth instalou-se junto com seu pequeno filho em uma das cavernas.
Porém, ela não viveu por muito tempo: o menino João completava poucos anos quando
ficou órfão. Protegido pelo Senhor e alimentado por anjos, ele permaneceu num deserto
árido, até o dia em que apareceu à beira do Jordão como pregador da penitência.

Troparion: Guarnecido com vestimentas sacerdotais, tu ofereceste sacrifício de acordo


com a lei de Deus, tu Zacarias foste a luz evidente dos misteriosos, levando indícios da
graça dentro de ti: foste morto por uma espada no templo de Deus, ó profeta de Cristo,
junto com o Precursor roga pela salvação de nossas almas.

Venerável Mártir Raissa.

18 setembro (5 setembro calendário da Igreja)

Dados a respeito da vida e morte martirizante de Santa Raissa (ou Iraída) são muito
parcos. Sabe-se que ela era filha de um presbítero e padeceu pela fé cristã durante o
império de Maxentius (305-312). Ela vivia na cidade de Alexandria, e era freira num
convento local. Certa vez ela viu um navio repleto de prisioneiros: homens, mulheres,
clérigos e monges. Eles foram presos por serem cristãos. Ninguém sabia para onde
estavam sendo levados. Quando a venerável Raissa visitou os prisioneiros cristãos,
também lhe colocaram algemas. Depois o navio chegou à cidade de Antinoia no Egito.
Ali os prisioneiros foram torturados e Santa Raissa também padeceu junto com eles. Ela
foi decapitada no ano 308.

Troparion: Ó Jesus! Tua ovelha Raissa clama em voz alta: Eu Te amo, meu Noivo, Te
adoro e Te procurando sofro e me junto a Ti em Tua crucificação e sepultamento para
ser abençoada por Ti, e padeço por Ti. Através de orações, como Tu és misericordioso
Salva nossas almas.

Virtuosos Joaquim e Anna.

22 setembro (9 setembro e 25 de julho calendário da Igreja)

No dia seguinte após a comemoração do Nascimento da Virgem Santíssima, a Igreja


marca a lembrança de Seus pais — veneráveis Joaquim e Anna. Joaquim descendia do
rei Davi. Muitas gerações de Davi viviam com a esperança de que o Messias nasceria
em suas famílias, pois o Senhor prometeu a Davi que de sua descendência provirá o
Salvador do mundo. Anna, por parte de pai, descendência da primeira linhagem
sacerdotal de Aaron, e por parte de mãe — da linhagem de Judah.

O casal passou toda sua ida na cidade Galiléia de Nazaré. Eles se destacavam pela vida
virtuosa que levavam e pelas boas ações. Sua principal aflição era a esterilidade. Certa
vez, conforme narra a lenda, Joaquim levou sua dádiva ao templo de Jerusalém, mas o
sacerdote não quis aceitar baseando-se na lei que proibia receber sacrifício de alguém
que não deixasse herdeiros em Israel. Foi com muita amargura que o casal suportou essa
censura, e ainda mais, dentro do templo, onde eles procuravam alívio para sua dor. Mas
eles, embora em idade avançada, resignadamente continuaram pedindo a Deus que
fizesse um milagre e lhes desse uma criança.

Finalmente o Senhor ouviu suas preces e enviou o arcanjo Gabriel para anunciar a
Anna, que ela seria mãe. E realmente, logo a virtuosa Anna engravidou e teve uma
menina. Felizes, os pais A chamaram de Maria. Assim o Senhor misericordioso
recompensou a fé e paciência do virtuoso casal e deu-lhes uma Filha, a Qual deu a
benção a toda humanidade!

Por três anos Joaquim e Anna educaram sua filha em casa, cumprindo sua promessa de
consagrá-La a Deus levaram-Na ao templo de Jerusalém. Ali havia um abrigo para
órfãs, e Maria ficou vivendo e estudando lá. Pouco templo depois Joaquim morreu aos
80 anos de idade e Anna passou a viver perto do templo, visitando sua Filha por mais
dois anos.

Como antepassados do Senhor Jesus Cristo, Joaquim e Anna são chamados pela Igreja
de "Pais de Deus" (dados a respeito de Joaquim e Anna foram conservados nos
evangelhos apócrifos do 2º e 3º séculos e na tradição da Igreja).
Troparion: Tendo vivido na graça divina e sido veneráveis Joaquim e Anna, nos
presentearam com o nascimento da Abençoada. Esse dia festeja-se com alegria, a Igreja
divina honra sua memória, glorificando a Deus que ergueu a trombeta para nossa
salvação na casa de Davi.

Grande Mártir Nikita

28 setembro (15 setembro calendário da Igreja)

São Nikita era militar e viveu no lado oriental do rio Danúbio nos limites da atual
Romênia na metade do século 4. Ele foi convertido ao cristianismo e batizado pelo
bispo Teóphilo que participou do Primeiro Concílio Ecumênico, no ano 325.

Naquela época surgiu uma guerra interna entre os gôdos. Encabeçando um dos lados
hostis encontrava-se o Príncipe Athenaric, um pagão declarado e que odiava os cristãos.
Do outro lado, estava Friguent. No choque massacrante das tropas o vencedor foi
Athanaric, e com isso Friguent foi obrigado a fugir para Bisâncio. Porém ele logo
retornou à sua pátria fortalecido com novos combatentes cedidos a ele pelo imperador
Valentom (364-378). Como fez outrora Constantino o grande, Friguent mandou que no
denominador de sua tropa fosse feita a imagem da Santa Cruz. Aconteceu a segunda
batalha sangrenta, e desta vez,venceu Friguent. Athenaric por sua vez, junto com um
pequeno grupo de partidários salvou-se fugindo.

Após a vitória de Friguent, sucederam tempos favoráveis para os cristãos. O sucessor do


bispo Teophilus, São Urfil (ou Ulhfila, 311-383), criou o alfabeto gôdico e traduziu do
grego para o gôdico muitos livros eclesiásticos. São Nikita através de sua palavra e sua
vida devota em muito contribuiu para a confirmação da fé cristã entre os gôdicos à sua
pátria. Após alguns anos Athenaric retornou com um numeroso exército, e novamente
começou a batalha interna. Tendo vencido Friguent, Athenaric iniciou uma severa
perseguição contra os cristãos. Nikita que tornou-se chefe espiritual dos cristãos,
acusava Athenaric de ateísmo e crueldade. Ele apelava aos devotos para que ficassem
firmes e não temessem as torturas. Logo Nikita foi agarrado e entregue a cruéis torturas.
Foi atirado ao fogo e morreu no dia 15 de setembro de 372. Um amigo dele encontrou
seus santos restos mortais e levou-os para Cicília. Desde aquela época das relíquias do
santo mártir, começaram a acontecer milagres e curas. Uma parcela das santas relíquias
encontra-se no mosteiro "Vissôquie Detchani" na Sérbia.

Troparion: A Cruz de Cristo, como uma arma, recebemos com fervor e para a luta com
os inimigos vieste, e sofreste por Cristo, e em fogo entregaste tua alma sagrada ao
Senhor: recebeste Dele o dom da cura. Grande mártir Nikita, roga a Cristo Deus pela
salvação de nossas almas.

Mártir Princesa Ludmila.

29 setembro (16 setembro calendário da Igreja)

A bem-aventurada Ludmila era de origem sérbia e de linhagem principesca. Ao se casar


com o príncipe tcheco Borivoi, ela mudou-se para a Tchecoslováquia — país ainda
pagão naquela época. Entendendo a supremacia do cristianismo, o casal Borivoi e
Ludmila receberam o batismo de São Methodius, instrutor dos eslavos. Eles construíram
a primeira igreja na Boêmia (perto de Praga). Construíram também outras igrejas e
convidaram sacerdotes da Bulgária para instruírem seus súditos. Quando o príncipe
Borivoi morreu aos 36 anos de idade, deixou três filhos e uma filha.

Santa Ludmila ao enviuvar, começou a distribuir seus bens aos pobres e a levar uma
vida rigorosamente devota, razão pela qual o povo tcheco passou a gostar dela. Durante
os 33 anos de regência de seu filho Rostislav (Bratislav) Santa Ludmila preocupava-se
com o cristianismo na Tchecoslováquia.

Após a morte de Rostislav o filho dele de 18 anos Viatcheslav subiu ao trono. Esse filho
foi educado no cristianismo pela princesa Ludmila. Dragomira, mãe de Viatcheslav
emprenhava-se em trazer o povo tchevo de volta ao paganismo e deu início a uma
perseguição aos cristãos. Ela odiava Ludmila e, aproveitando-se da juventude de
Viatcheslav, começou a oprimi-la a tal ponto que Ludmila precisou sair de Praga e ir
para a cidade de Techino. Dragomira enviou dois consultores com a incumbência de
matarem Ludmila. Esses consultores, com a ajuda de malfeitores da região invadiram o
palácio no sábado à noite onde santa Ludmila dormia e a estrangularam com uma corda.
Isso aconteceu no ano 928, quando Ludmila completou 61 anos.

A santa mártir Ludmila foi sepultada na cidade de Techino, perto do muro da cidade.
Todas as noites, no lugar onde está enterrada, começaram a surgir velas acesas. Um
cego regional passou a enxergar quando tocou na terra do túmulo dela. O príncipe
Viatcheslav, ao tomar conhecimento dos milagres que aconteciam no tumula de sua
santa avó, solenemente transportou as santas relíquias da mártir Ludmila para Praga e
depositou-as na igreja do grande mártir George. Alguns anos depois o príncipe
Viatcheslav também foi torturado (a esse respeito veja abaixo).

Santa Ludmila é considerada protetora da Tchecoslováquia, e os milagres continuam


acontecendo aos pés do seu sepulcro.

Troparion: Jesus, Tua ovelha princesa Ludmila clama com voz forte: meu Noivo, amo-
Te, e Te buscando sofro, sou oprimida e expiro por Ti, sou Tua guardiã como que
reinando em Ti, e morro por Ti, e também vivo conTigo, mas como vítima pura recebe-
me, com amor me sacrifico a Ti: ó gloriosa mártir, através de tuas orações roga pela
salvação de nossas almas.

Mártires Vera, Nadejda, Liubov e Sofia.

30 setembro (17 setembro calendário da Igreja)

No 2º século durante o império de Adriano (117-138), vivia em Roma uma viúva


honrada de nome Sofia (esse nome significa sabedoria). Ela tinha três filhas que
levavam os nomes dos principais cristãos virtuosos: Vera, Nadejda e Liubov. Sendo
uma cristã de profunda fé, Sofia educou as filhas no amor a Deus, ensinando-as a não se
prenderem aos bens mundanos. Rumores a respeito dessa família pertencer ao
cristianismo, chegaram até o imperador, e ele desejou ver pessoalmente as três irmãs e
sua mãe educadora. As quatro se apresentaram diante do imperador e sem nenhum
receio confessaram sua fé em Cristo, ressuscitado dos mortos e dando a vida eterna a
todos aqueles que crêem Nele. Admirado com a coragem das jovens cristãs, o
imperador as enviou a uma pagã, à qual ordenou que a convencesse a se afastarem da fé.
Entretanto, todos argumentos e eloqüências da pagã foram inúteis, e com ardente fé as
irmãs-cristãs não mudaram sua convicção. Então, elas foram novamente levadas até o
imperador Adriano e ele começou a exigir com insistência que elas oferecessem
sacrifício aos deuses, mas as meninas, indignadas recusaram sua ordem. "Nós temos
Deus Celestial — responderam elas, - queremos permanecer crianças Dele, e nos teus
deuses nós cuspimos e não tememos tuas ameaças. Estamos prontas a sofrer e até
morrer por nosso Senhor Jesus Cristo."

Então, Adriano enfurecido ordenou que as meninas fossem torturadas de várias


maneiras. Os carrascos começaram por Vera. Eles começaram a espancá-la sem piedade
diante da sua mãe e irmãs, arrancando pedaços de seu corpo. Depois a colocaram sobre
uma grade de ferro em brasa. Pelo poder de Deus, o fogo não ocasionou nenhum dano
ao corpo da santa mártir. Enlouquecido pela crueldade. Adriano não tomou consciência
do milagre de Deus e mandou que jogassem a criança em uma caldeira com resina
fervente. Mas pela vontade do Senhor a caldeira esfriou e não causou nenhum dano a
Vera. Então ela foi condenada à decapitação com espada.

"Eu irei com alegria para meu amado Senhor Salvador." — disse Vera. Ela baixou sua
cabeça com valentia sob a espada e assim entregou seu espírito a Deus.

As irmãs mais novas Nadejda e Liubov entusiasmadas pela valentia da irmã mais velha,
sofreram as mesmas torturas dela. O fogo não lhes causou nenhum mal. Então também
foram decapitadas.

Santa Sofia não foi submetida a suplícios da carne, mas foi condenada a torturas da
alma muito mais fortes com a separação das crianças martirizadas. A mãe sofredora
enterrou os puros restos mortais de suas filhas e por dois dias não se afastou dos
túmulos. No terceiro dia o Senhor lhe mandou uma morte serena e recebeu sua tão
sofrida alma na morada celeste. Santa Sofia, tendo sofrido por Cristo grandes suplícios
da alma, juntamente com suas filhas foi ajuntada pela Igreja aos outros santos. Elas
foram martirizadas no ano de 137. Vera então tinha 12 anos, a segunda, Nadejda, 10, e a
mais nova Liubov — apenas 9 anos.

Foi assim que três meninas e sua mãe mostraram que para as pessoas fortalecidas pela
graça do Espírito Santo, a insuficiência das forças carnais não é nenhum obstáculo para
a manifestação da força do espírito e da valentia. Com suas santas orações o Senhor
também nos reforçará na fé cristã e na vida virtuosa.

Kondaquion: Os honrados ramos sagrados de Sofia: Vera, Nadejda e Liubov,


revelaram valentia, sabedoria revestidas de bênçãos e tendo sofrido torturas tornaram-se
vencedoras, coroadas por Cristo Senhor com incorruptível auréola.

Outubro
Mártires Príncipe Michael e Nobre Theodoro.

3 de outubro (20 setembro calendário da Igreja)


Próximo à metade do 13º século (1237-1240) a Rússia foi vítima de uma desgraça — a
invasão dos mongóis. Primeiramente foram devastados os principados de Ryazan e
Vladimir. Em seguida foram destruídas as cidades de Peryaslavl, Chernigov, Kiev e
outras ao sul da Rússia. A maioria da população desses principados e cidades pereceu
em batalhas sangrentas; as igrejas foram saqueadas e profanadas; um famoso mosteiro
de Kiev foi destruído e os monges se dispersaram pelas florestas.

Porém, todas essas terríveis calamidades foram como que inevitáveis para a invasão dos
povos bárbaros, para os quais a guerra era pretexto para saquear. Os mongóis
habitualmente eram indiferentes a todas crenças. O código de regras principal na vida
deles era regido pela "IASA" (livro dos tabus), cujo conteúdo eram as leis do grande
Gengiskhan. Uma das leis da Iasa ordenava que todos deuses quais quer que fossem,
tinham de ser respeitados e temidos. Por essa razão na horda Dourada eram celebrados
ofícios de diversas religiões, e os próprios Khans participavam com freqüência também
nos ofícios cristãos, muçulmanos, budistas e outros ritos.

Mas mesmo sendo indiferentes e até respeitando o cristianismo, os khans exigiam


também de nossos príncipes a realização de alguns de seus rituais, como por exemplo: a
passagem pelo fogo purificado antes de uma audiência diante de algum khan, reverência
diante de alguma imagem de um khan morto, diante do sol, ou um arbusto. No
entendimento cristão isto significa trair a santa fé, e alguns dos nossos príncipes
preferiam a morte, do que cumprir os rituais pagãos. Dentre esses príncipes devemos
lembrar do príncipe Michael de Chernigov e seu assessor Theodoro, que sofreram
martírio no Horde em 1246.

Quando o khan Batyi exigiu a visita do príncipe Michael, ele recebeu a benção do seu
pai espiritual bispo João e lhe prometeu que antes morrer por Cristo e pela santa fé, do
que venerar ídolos. A mesma promessa foi feita pelo assessor Theodoro. O bispo lhes
deu força nessa santa resolução e deu-lhes as sagradas Dádivas abençoando-os para a
vida eterna. Diante da entrada do quartel general do khan os sacerdotes mongóis
exigiram que eles reverenciassem o lado sul do túmulo de Gengiskhan, depois o fogo e
depois os ídolos de feltro. Michael respondeu: "Um cristão deve reverenciar ao Criador,
e não a besta."

Ao tomar conhecimento desse fato, Batyi enfurecido mandou que Michael escolhesse
entre: ou cumprir a exigência dos sacerdotes, ou a morte. Michael respondeu que estaria
pronto a venerar o khan, a quem o Próprio Deus entregou o poder, mas não poderia
cumprir aquilo que os sacerdotes exigiam. O neto de Michael, príncipe Boris e
assessores de Rostov imploraram para que ele poupasse sua vida e ofereciam tomar
sobre si e seu povo a penitência por seu pecado. Michael não queria ouvir ninguém. Ele
arremessou de seus ombros seu sobretudo real e disse: "Não destruirei minha alma; não
me importo com a glória do mundo perecível!" Enquanto a resposta dele era levada até
o khan, o príncipe Michael e seu assessor cantavam salmos e partilhavam das Dádivas
sagradas que lhes foram dadas pelo bispo. Logo surgiram os matadores. Eles agarraram
Michael, começaram a agredi-lo com socos e paus no peito; depois viraram seu corpo
com o rosto para o chão e o pisotearam. Finalmente deceparam sua cabeça. Suas últimas
palavras foram: "Eu sou cristão!" Depois dele também seu assessor foi torturado da
mesma maneira. Sua santas relíquias foram preservadas em Moscou na catedral do
Arcanjo.
No início do século 14 os khans adotaram o islamismo o qual sempre se destacava pelo
fanatismo e intolerância. No entanto os khans continuavam se mantendo fiéis com
relação às leis antigas de Gengiskhan e tradições de seus ancestrais, - e não só
perseguiam o cristianismo na Rússia, como protegiam a igreja russa. Isso contribuiu
muito a famosos príncipes e clérigos da igreja russa, os quais foram erguidos pelo
Senhor durante esses tempos pesados para a Rússia.

Troparion: Vocês cumpriram suas vidas como mártires; foram adornados com a
auréola da confissão e ascenderam aos céus, sábio Michael e intrépido Theodoro, rezem
a Cristo Deus que tenha misericórdia de nossa pátria e todos cristãos ortodoxos.

Fiel Devoto Príncipe Oleg de Briansk.

3 outubro (20 setembro calendário da Igreja)

O fiel devoto príncipe Oleg Romanovitch, batizado Leôncio, príncipe de Briansk, era
neto do príncipe Michael de Chernigov que foi torturado e morto pelos tártaros no
Hodre (vide acima). Santo Oleg era indiferente à riqueza e glórias mundanas; o que
mais o atraía era a vida monástica. Por esta razão ele cedeu seu trono ao irmão e tornou-
se monge. Tornou-se famoso pelo rigor de sua vida monástica. Morreu serenamente em
seu mosteiro perto do ano de 1289. Suas relíquias estão preservadas no mosteiro Pedro e
Paulo construído por ele em Briansk.

São Dimitri de Rostov

4 de Outubro (21 setembro calendário da Igreja)

O prelado Dimitri (Daniel Tuptalo no mundo), era de uma aldeia da região de Makarov
de Kiev. Filho de cossaco nasceu no ano de 1651. Estudou na academia de Kiev, porém,
devido as inquietações com a guerra precisou deixar a academia e terminar sozinho sua
formação escolar. Depois de sua nomeação monástica em um dos mosteiros de
Chernigov, ele logo foi notado, pelo arcebispo Lázarua Baranovitch, o qual que deu a
incumbência de pregar em sua catedral. Durante os dois anos seguintes, São Dimitri
pregava com freqüência, — e assim tornou-se famoso por sua eloqüência. A Lituânia e
Ucrânia (Malorussia) ao mesmo tempo convidavam-no para pregar ali com eles.

Aos 33 anos de idade São Dimitri iniciou sua obra dos doze volumes imortais —
"Tcheti-Minhei," na qual expôs a vida dos santos para cada dia do ano. Durante vinte
anos (1684-1704) ele juntava testemunhos, com energia incomum, estudava e elaborava
a vida dos santos, as quais desde então tornaram-se leitura preferencial para os russos de
fé. Esse trabalho foi terminado quando ele era Metropolito do Rostov (desde 1702).

Quando se tornou metropolito, o intrépido santo avançou para uma luta com a dissensão
e escreveu um estudo detalhado a respeito das seitas cismáticas com o nome de:
"Investigação sobre a fé de Briansk." Sete anos de seu ministério em Rostov
representam uma série de ininterruptos trabalhos árduos para fortalecer a fé: ele
percorria sua diocese de ponta a ponta ensinando e pregando. Desconsolado com a
instrução insuficiente da paróquia e padres, ele organizou e patrocinou com seus
próprios meios uma escola em Rostov e cuidou, como pai, de seus discípulos.
Freqüentemente eles se reuniam ao seu redor e cantavam hinos espirituais compostos
por ele. Muitos desses cânticos sublimes de São Dimitri ("Jesus meu adorado") eram
cantados pelo povo na Rússia pré-revolucionária.

A vida particular de São Dimitri era feita de jejum, preces e caridade. Sua alimentação
era a mais simples e sempre em quantidade muito restrita. Ele era acessível a todos e
com todos era carinhoso e complacente. No dia 28 de outubro de 1709, o grande devoto
do ensino e da piedade morreu durante sua oração de joelhos; ele foi encontrado caído
ajoelhado diante do ícone do Salvador Deus. Depois de 43 anos, em 1752, suas relíquias
imortais foram descobertas e São Dimitri foi unido aos santos.

Além de "Tcheti-Minhei" e "Procura da fé de Briansk," São Dimitri escreveu inúmeros


sermões e instruções, "Conciso Catecismo," Anais Particulares," "Anais dos reis e
patriarcas." "Catálogo dos metropolitas russos" e outras escritas. As obras de São
Dimitri são permeadas de profunda fé, calor e são fáceis de serem lidas, pois o idioma
russo nessas obras traz uma admirável simplicidade e distinção. Ele é inteiramente um
escritor nacional.

Kondaquion: Estrela russa que resplandeceu de Kiev, e através de nova cidade do norte
alcançou Rostov, iluminou todo país com ensinamentos e maravilhas; tratemos com
mimo o mestre das palavras de ouro, Dimitri. Ele que escreveu tudo e nos instruiu, nos
unifique a todos igual a Paulo para Cristo, e salve nossas almas com retidão na fé.

Venerável Sérgio de Radonez.

18 de julho e 8 de outubro (5 junho e 25 setembro calendário da Igreja)

Na metade do século 14 foi estabelecido o famoso mosteiro "Troitze-Sergueievski." Seu


fundador o venerável Sérgio (Bartolomeu no mundo) era filho dos nobres de Rostov
Cirilo e Maria, que mudaram-se para mais perto de Moscou, no povoado de Radonej.
Aos 7 anos de idade Bartolomeu foi enviado à escola para aprender a ler e escrever. Ele
tinha profunda sede de aprender, porém tinha dificuldades nos estudos. Triste com isto
ele rogava ao Senhor dia e noite para que lhe abrisse a porta para a capacidade de ler e
escrever. Certa vez, procurando por cavalos perdidos no campo, ele viu um monge
ancião desconhecido que rezava de baixo de uma árvore de carvalho. O menino se
aproximou dele e lhe contou sobre sua mágoa. Ouvindo o garoto com simpatia, o ancião
começou a rezar pela instrução do menino. Depois pegou um pequeno recipiente,
depositou dentro um pedacinho de "prasfora" (pão da comunhão) e abençoando
Bartolomeu com ela, disse: "Toma, criança, e come: isto é dado como sinal da graça de
Deus e entendimento da Sagrada Escritura." A graça de Deus realmente desceu sobre o
menino: o Senhor lhe deu memória e entendimento e ele começou a aprender com
facilidade a sabedoria dos livros.

Depois desse milagre, dentro do jovem Bartolomeu se reforçou ainda mais a vontade de
servir apenas a Deus. Ele quis se isolar seguindo e exemplo dos antigos ascéticos, mas o
amor que sentia pelos seus pais o mantinha ao lado da família querida. Bartolomeu era
modesto, tranqüilo e quieto; era dócil e carinhoso com todos; nunca se irritava e
obedecia seus pais em tudo. Normalmente ele se alimentava apenas de pão e água e nos
dias de jejum abstinha-se da comida por completo. Após o falecimento dos pais,
Bartolomeu cedeu a herança para seu irmão mais novo, Pedro e, juntamente com seu
irmão mais velho Estéfano instalou-se em uma densa floresta próxima ao rio Konchur, a
10 milhas de Radonhej. Os irmãos cortaram madeira da floresta com suas próprias
mãos, construíram uma cela e uma pequena igreja, a qual foi abençoada em honra da
Santíssima Trindade por um padre enviado pelo metropolita Feognost. Assim surgiu o
famoso convento do venerável Sérgio.

Logo Stéphano deixou seu irmão e tornou-se padre superior do mosteiro Bogoiavlenski
em Moscou e confessor do grande príncipe. Mas Bartolomeu, batizado na vida
monástica com o nome Sérgio, durante cerca de dois anos agiu sozinho na floresta. Não
se pode nem imaginar quantas tentações suportou durante esse tempo o jovem monge,
porém, a paciência e orações venceram as dificuldades e os ataques do demônio.
Bandos inteiros de lobos passavam diante da cela de Sérgio, assim como também ursos
se aproximavam, mas nenhum deles lhe fazia mal algum. Certa vez o santo eremita deu
pão a um urso que havia se aproximado de sua cela e dali em diante o animal passou a
visitar com freqüência o venerável Sérgio, o qual repartia seu último pedaço de pão com
ele.

Apesar dos esforços de São Sergio, para não atrair a atenção sobre suas façanhas, a
fama a respeito delas propagou-se e atraiu outros monges desejosos de se salvarem sob
o comando dele. Eles começaram a pedir que Sérgio se ordenasse abade. Sérgio não
concordou por um longo período, mas vendo na insistência deles um sinal superior,
disse: "Eu gostaria mais era de obedecer do que comandar, porém temo o juízo de Deus
e me entrego nas mãos do Senhor. "Isso aconteceu no ano de 1354, quando São Alexei
ingressou à cátedra de metropolito de Moscou.

A vida e o trabalho do venerável Sérgio na história do monastismo russo possuem um


significado especial, pois ele deu início à vida de eremitas, instalando fora da cidade um
convento com comunidade. Instalada sob novos princípios o mosteiro da Santíssima
Trindade inicialmente passava por extrema pobreza em tudo; as vestimentas eram
pintadas a mão, os cálices sagrados eram de madeira, na igreja em lugar de velas
brilhava uma lasca de madeira acesa, mas os devotos queimavam de fervor. São Sérgio
dava o exemplo aos irmãos de seríssima abstinência, profunda humildade e esperança
inabalável da ajuda de Deus. Nas dificuldades e serviços ele caminhava na frente, e os
irmãos o acompanhavam.

Certa vez no mosteiro acabou o estoque todo de pão. O abade, com suas próprias mãos
construiu um vestíbulo na casa de um dos irmãos para receber em troca alguns pedaços
de pão. Mas na hora da extrema necessidade, pelas orações da fraternidade surgia
inesperadamente uma ajuda generosa. Após alguns anos da fundação do mosteiro,
camponeses começaram a se instalar perto dele. Próximo ao mosteiro havia uma grande
estrada que ia até Moscou e ao norte, e graças a isso as condições do mosteiro
começaram a crescer e ele, seguindo exemplo do mosteiro de Kiev-Petcheskoi,
começou a distribuir caridade e receber enfermos e peregrinos.

Rumores a respeito de São Sérgio chegaram até Constantinopla, e o patriarca Filópios


enviou-lhe sua benção e uma carta com a qual eram confirmados as novas regras da
comunidade eremita fora da cidade estabelecidas pelo fundador do mosteiro da
Santíssima Trindade. O Metropolita Alexei gostava do venerável Sérgio como amigo,
encarregava-o de reconciliar príncipes inimigos, depositava sobre ele pleno poder e o
preparava para ser seu sucessor. Mas Sérgio rejeitou essa escolha.

Certa vez o metropolita Alexei quis presenteá-lo com um crucifixo de ouro como
recompensa por seus esforços, mas Sérgio disse: "Desde minha juventude eu nunca usei
ouro, e na velhice quero mesmo é me manter na pobreza," — e decididamente declinou
essa honrosa oferta.

O grande príncipe Dimitri Ivanovitch, chamado "Donski," respeitava o venerável Sérgio


como a um pai, e pediu sua benção para a luta com Mamai, um khan tártaro. "Vá, vá
corajosamente, príncipe, e conte com a ajuda de Deus,"- disse o santo concedendo dois
monges para acompanhá-lo. Eles se chamavam Peresvet e Oslabia e morreram como
heróis nos campos de batalha de Kulikov.

Ainda em vida o venerável Sérgio realizava milagres e era honrado com grandes
revelações. Certa vez a Mãe de Deus apareceu para ele em magnífico esplendor
acompanhada dos apóstolos Pedro e João e prometeu proteção para seu mosteiro. Uma
outra vez ele viu uma luz extraordinária e muitos pássaros preenchendo o ar com seu
belíssimo canto, e teve a revelação de que muitos monges se reuniriam em seu mosteiro.
Trinta anos após sua abençoada morte (25 de setembro de 1392) suas relíquias foram
abertas.

O mosteiro de Troitze-Sergueievski propagou para todos os lados muitos novos


mosteiros. Ele envolvia esses mosteiros, como se fosse uma rede cobrindo toda a parte
norte da Rússia articulando-o para o centro clerical e administrativo da Rússia —
Moscou. Durante a vida de São Sérgio foram construídos os seguintes mosteiros sob sua
assistência: mosteiro Kirzhachski (próximo ao rio Kirzatch); mosteiro Simão (em
Moscou); mosteiro de Visotski (próximo a Serpukov); mosteiro de Borisoglebski (perto
de Rostov); mosteiro de Dubenski (em homenagem à batalha de Kulikov); mosteiro de
Pokrovski (perto de Borovsk); mosteiro de Avraamirv (perto de Chukhlom). Após a
morte de Sérgio, seus discípulos fundaram alguns mosteiros como: Savvin-Storojevski
(perto de Zavenigorod); Jeleznoborski (perto de Galich); Voskresenski (em Obnora, ao
norte de Jaroslov); Ferapontov; Kipilov-Beloozerski e outros. São Stephan, o educador
da região de Perm, foi um dos amigos de São Sérgio.

Troparion: Sendo preparador espiritual dos virtuosos, como verdadeiro guerreiro de


Cristo Deus, que atuou contra as impetuosidades da vida contemporânea, nos cânticos e
em vigílias foste modelo aos teus discípulos: e o Espírito Santo habitou em ti, e por tuas
ações tu és iluminado e honrado. Mas sendo destemido através da Santíssima Trindade,
lembra do teu rebanho que juntaste com sabedoria: e não te esqueça do que tu
prometeste visitando tuas crianças, Sérgio, nosso venerável pai.

Fiel Príncipe Venceslav.

12 outubro (28 setembro calendário da Igreja)

O fiel Viatcheslav (também chamado de Vintcheslav ou Vatzlav), príncipe da Tchequia,


era neto da princesa Ludmila (veja acima), quem o educou na fé cristã. Tendo recebido
excelente formação do presbítero Paulo discípulo do prelado Mefódio, São Venceslav
dominava os idiomas eslavo, latino e grego e era profundamente instruído. Seu pai,
príncipe Rostislav (Vratislav), morreu na batalha contra os Ugrios no ano de 920, e
Viatcheslav tornou-se príncipe aos 18 anos.

Ele administrava com sabedoria e justiça, preocupando-se com a instrução cristã do seu
povo. Comprando as crianças dos pagãos vendidas como escravas, ele as levava à
educação no espírito cristão. O príncipe Viatcheslav era pacífico, respeitava os clérigos
e enfeitava as Igrejas. Ele se esforçou bastante pelo fortalecimento do cristianismo na
Tchéquia. Ele transferiu as relíquias do santo mártir Vito para a capital da Tchéquia —
Praga, e construiu uma magnífica catedral como nome de São Vito onde depositou suas
relíquias.

O clero alemão que anteriormente perseguia o venerável Mefódio, também ofereceu


resistência a São Viatcheslav e instigou contra ele magnatas invejosos. Esses magnatas
organizaram uma conspiração contra VIatcheslav e convenceram seu irmão mais novo
Boleslav a ocupar o trono. Para se livrar de Viatcheslav, Boleslav o convidou para a
cerimônia da benção da Igreja. Viatcheslav se recusou a acreditar em seus servos, os
quais, tentaram avisá-lo a respeito da conspiração. Ele foi para as matinais na Igreja e
foi morto pelo irmão e amigos na entrada do templo. Isso aconteceu no ano de 935. O
corpo mutilado do Santo ficou estendido por vários dias sem ser enterrado e isso causou
indignação e inquietação no povo. Quando a mãe de Viatcheslav ficou sabendo do
assassinato do filho, enterrou seu corpo na Igreja real. O sangue que foi derramado na
entrada da Igreja ao ser lavado, demorou muito tempo para desaparecer. Boleslav como
príncipe, começou a erradicar a ortodoxia na Tchéquia para transformar em catolicismo.
Ele insistiu para que a liturgia fosse toda oficiada em latim. Sob pressão do povo, que
considerava Viatcheslav como mártir, ao que parece, Boleslav se arrependeu pelo
fratricídio e transferiu as relíquias do irmão para Praga e enterrou-as na Igreja de São
Vito. Mártir Viatcheslav juntamente com a princesa Ludmila são considerados
protetores da Tchéquia.

Troparion: Ó príncipe Vatslav, portador do troféu, pela tua estratégia foste o general da
ordem religiosa do Reino do Céu; armado com as armas da fé, tu aniquilaste hordas de
demônios a venceste a luta. Com fé nós clamamos tua benção.

São Miguel de Kiev.

13 outubro e 28 junho (30 setembro e 15 junho calendário da Igreja)

Após ter sido batizado em Korsun (Hersones) em 988, o grande príncipe Vladimir
convidou sacerdotes búlgaros e gregos para propagação da fé Ortodoxa na Rússia. O
patriarca de Constantinopla Nicolau II enviou o metropolita Miguel e muitos outros
padres e clérigos para Kiev. São Miguel provavelmente era de origem búlgara. Ele
trouxe ícones, livros de ofícios religiosos em eslavo, utensílios de Igreja e relíquias de
santos. Depois de batizar os 12 filhos do príncipe Vladimir, nobres e pessoas de Kiev
que se reuniam para esse evento no rio Dnipe, o santo começou a cuidar da
exterminação das superstições pagãs.

Durante os anos do trabalho de São Miguel na Rússia foram edificados muitos templos
e fundamentados alguns mosteiros. O maior dos templos erguidos em Kiev destacava-se
o "Diessiatini" (décimo) honra à Santíssima Mãe de Deus (São Vladimir doava a
décima parte de suas rendas para a manutenção desse templo, daí o nome de
"Diessiatini"). O ataúde contendo as relíquias da suprema princesa Olga foi transferido
para esse templo. Foram inauguradas Igrejas ortodoxas nas cidades de Periaslavl,
Chernigov, Belgorod, Vladimir de Volin, Novgorod, Grande Rostov e outras.

Um historiador narra que durante os tempos de São Miguel, "a fé ortodoxa floriu e
cintilou como o sol." São Miguel destacava-se pela modéstia, humildade, era infatigável
nos árduos trabalhos e era um verdadeiro pai de sua paróquia. Ele era um hierarca sábio
e severo. Ele nomeava presbíteros e escolhia tutores experientes para ensinar e educar
crianças no temor a Deus e na virtude. Foram batizados quatro príncipes búlgaros e um
khan petchenhêgo durante seu ministério. Sabe-se também que ele enviou um monge
chamado Marco para propagar a fé cristã aos búlgaros-moslem que viviam ao longo do
rio Volga. O metropolita Miguel morreu no ano de 992. Seu corpo foi sepultado na
Igreja Dessiatina. Nos livros sinódicos das catedrais de Kiev, Sophia e Novigorod ele
está inscrito como "Primeira-Cabeça" da Igreja Russa.

Venerável Roman o Melodioso (Que Canta Com Doçura).

14 de outubro (1º outubro calendário da Igreja)

O Venerável Roman, denominado "cantor com doçura," era de origem grega; nasceu em
meados do século 5, na cidade Síria de Emesa. Tendo sido graduado na escola, ele
tornou-se diácono da Igreja da Ressurreição em Beirute. Durante o império de
Anastácius Dicor (491-518), ele mudou-se para Constantinopla e tornou-se clérigo na
Igreja de Santa Sofia. Ele ajudava incansavelmente nos serviços da Igreja, apesar de não
distinguir-se nem na voz nem no ouvido musical. Porém o patriarca Eufímius gostava
de Roman e até o aproximou de sí por sua fé sincera e vida virtuosa.

A simpatia do patriarca para com Santo Roman provocou inveja em alguns clérigos da
Igreja, os quais passaram a perseguí-lo. Durante um dos ofícios antes do Natal esses
clérigos empurraram Roman para o púbito da Igreja e ordenaram que cantasse. A Igreja
estava lotada de fiéis e o próprio patriarca celebrava o ofício religioso, com a presença
do imperador e sua corte. Embaraçado e assustado, São Roman, com sua voz tremula e
canto inarticulado, cobriu-se de vergonha publicamente. Chegando em casa
completamente deprimido, São Roman rezou longamente à noite diante do ícone de
Nossa Senhora, desafogando sua tristeza. A Mãe de Deus apareceu para ele, entregou-
lhe um rolo de papel e mandou que engolisse. Eis que aconteceu o milagre: Roman
recebeu uma bela e melodiosa voz e ao mesmo tempo um talento poético. Num
arrebatamento de inspiração ele compôs ali mesmo seu famoso "Kondaquion" para a
festa do Nascimento de Cristo: "A Virgem hoje deu a luz ao Ser Transcendente, e o
mundo ofereceu uma caverna ao Ser Inacessível; os Anjos com os pastores O
glorificam, e os magos viajam com a estrela: foi por nós que nasceu a Pequena Criança,
Eterno Deus" (Kondaquion é uma prece curta expressando a essência da festa).

No dia seguinte São Roman chegou a Igreja para a vigília antes do Natal. Ele insistiu
para que lhe permitissem cantar de novo no púbito, e desta vez cantou tão
magnificamente o hino "A Virgem hoje" composto por ele que arrebatou êxtase geral. O
imperador e o patriarca agradeceram a São Roman e as pessoas o denominaram de o
Melodioso. Dali em diante São Roman embelezava os ofícios com seu canto
maravilhoso e suas preces fervorosas.
Amado por todos, São Roman tornou-se professor de canto em Constantinopla e
magnificou os serviços religiosos ortodoxos. Pelo seu talento político ele ocupou lugar
de honra entre os compositores da Igreja. A ele são atribuídas mais de mil orações e
hinos para as diversas festividades religiosas. Particularmente é exaltado seu akafist da
Anunciação da Mãe de Deus, o qual é cantado no quinto sábado da Grande quaresma.
Esse akafist serviu de modelo para outros tantos. São Roman morreu no ano de 556.

Troparion: Tu alegraste a Igreja de Cristo com tuas melodias, igual a uma trombeta
celeste. Pois tu foste iluminado pela Mãe de Deus, e brilhaste no mundo como poeta de
Deus. Nos te veneramos, ó virtuoso Roman!

Kondaquion: Pela divina virtude do Espírito que te foi dada desde a infância ó sábio
Roman, tu foste um adorno precioso da Igreja com teu canto maravilhoso! Ó
abençoado, nós te suplicamos para que nos conceda tua dádiva divina para que
possamos clamar a ti: alegra-te, ó abençoado Pai, beleza da Igreja.

Bem Aventurado André, Demente por Cristo.

15 outubro (2 outubro calendário da Igreja)

Em Constantinopla durante o império de Leão o grande (886-912) servia como guarda


um tal de Teognósto, pessoa abastada. Entre os escravos de Teognosto encontrava-se
André, eslavo por nascimento, Era uma criança humilde e de bom caráter. Teognósto
gostada de André e cuidou de sua instrução. André ia com freqüência à Igreja de Deus,
estudava cuidadosamente as Sagradas Escrituras e gostava de ler sobre a vida dos
santos. Gradualmente dentro dele foi se fortalecendo o desejo de devotar-se a Deus, e
por ordem especial do alto André tomou sobre si incumbência incomum e muito difícil
de tornar-se demente por Cristo, ou seja, começou a se fingir de louco.

Agindo como insano santo André foi levado à Igreja de Santa Anastácia para que ali
cuidassem dele. Santa Mártir Anastácia apareceu-lhe em sonho e o encorajou a
continuar sua tarefa ascética, e André passou a agir com loucura a tal ponto que foi
declarado como louco sem nenhuma esperança e expulso do território da Igreja. Depois
disso, Santo André passou a vagar pelas ruas da capital, sujo, seminu e com fome. A
maioria das pessoas se esquivava dele, e algumas o insultavam e espancavam. Até
mesmo os mendigos, para os quais Santo André dava suas últimas moedas,
desprezavam-no. Porém Santo André suportava seus sofrimentos com humildade e
rezava por aqueles que o tinham ofendido.

No entanto nem sempre André fingia-se de demente: conversando com seu pai espiritual
e seu aluno rico, o jovem Epifânio, Santo André retirava a máscara da loucura e então se
manifestava sua sabedoria espiritual e uma beleza espiritual extraordinária. Por sua
profunda humildade Santo André recebeu de Deus o dom dos milagres e da sagacidade.
Epifânio aprendeu muitas coisas do professor demente e ouviu dele a profecia de que
em tempo ele seria arcebispo e um pregador famoso. E assim a profecia realizou-se.

Certa vez, Santo André, tal qual o supremo apóstolo Paulo, foi levado até o Céu e lá ele
ouviu palavras indescritíveis, as quais as pessoas não podem ouvir (1Cor. 2:9). Ali ele
foi honrado em ver o próprio Senhor Jesus Cristo, anjos e muitos santos de Deus, porém
Santo André admirou-se de não ter visto a Virgem Santa. Ele começou a perguntar onde
Ela estava e lhe responderam que Ela havia descido ao mundo muito pobre para ajudar
as pessoas e consolar os aflitos.

Depois de algum tempo Santo André teve a honra de ver a Santa Mãe de Deus, na Igreja
Vlahern em Constantinopla. Essa notável visão é relembrada e comemorada durante a
celebração da Proteção da Mãe de Deus. Quando Santo André e Epifânio estavam
rezando na Igreja, de repente foi como se a abóboda da Igreja se abrisse e Santo André
viu a Virgem Santa rodeada de muitos anjos e santos. Ela estava rezando e estendia
sobre os que rezavam seu "omoforion" "Você está vendo a Rainha de todos?" —
perguntou André ao seu aluno, como que se não acreditasse em seus próprios olhos.
"Estou vendo pai santo, e estou apavorado," - respondeu Epifânio.

O bem-aventurado André morreu aos 66 anos de idade em 936. Sua vida foi descrita
pelo presbítero da Igreja de Santa Sofia, pai espiritual de Santo André e seu discípulo
Epifânio.

Kondaquion: Por tua livre escolha te fingiste de demente, odiaste as maravilhas do


mundo, enfraqueceste a sabedoria carnal através da fome, sede, calor, frio severo, da
chuva e da neve e nunca enviaste outras adversidades da atmosfera. Te purificaste como
ouro na fornalha, Ó virtuoso André.

Martires Domnia, Verônica e Proscudia.

17 outubro (4 outubro calendário da Igreja)

Mártir Domnia e suas filhas Verônica (Virinéia) e Proscudia viviam na cidade de


Antióquia na Síria. Durante o império de Dioclesiano; elas sofreram por Cristo no ano
de 304.

É também conhecida uma outra Santa Verônica, cuja lembrança é relacionada à imagem
Não-Feita com as mãos do Salvador sofrido. Verônica encontrava-se em Jerusalém por
ocasião da condenação do Senhor Jesus Cristo de sofrer a crucificação. Quando o
Salvador estava carregando Sua cruz para Gólgota, ela juntou-se à multidão dos judeus
para seguí-Lo, e ao ver que Ele estava caído sob o peso da cruz, ela ficou com pena
Dele e, aproximando-se deu-Lhe água para beber. Feito isso, com uma toalha ela
enxugou Seu rosto ensangüentado. Ao chegar em casa, ela descobriu que na toalha ficou
gravado o rosto Dele. Essa toalha com o tempo foi parar em Roma e ali ficou conhecida
sob o nome "Imagem Não Feita com as mãos." Essa imagem difere da imagem da Igreja
Oriental (vide brochura sobre Jesus Cristo) pois na fronte do Salvador há uma coroa de
espinhos.

Venerável Pelágia.

21 outubro (8 outubro calendário da Igreja)

Santa Pelágia nasceu em Antioquia na Síria e antes de se voltar para Cristo era uma
jovem leviana e depravada. Sendo muito atraente, ela se enfeitava com roupas faustosas,
ouro e pedras preciosas, razão pela qual seus admiradores chamavam-na de "Margarita,"
o que significa perolada.
Certo dia reuniram-se em Antioquia bispos de dioceses vizinhas. No meio deles estava
Nonnus, bispo de Heliópolis, famoso por sua sabedoria e virtudes. Na hora do intervalo
os bispos saíram da Igreja onde estavam reunidos e de repente diante deles surgiu uma
multidão de jovens barulhentos. No meio deles se destacava uma jovem, por sua beleza
— com os ombros de fora e vestida sem modéstia: era Pelagia. Ela gracejava em voz
alta e gargalhava ruidosamente e os admiradores a rodeavam. Embaraçados os bispos
baixaram seus olhos, enquanto que São Nonnus, ao contrário, examinava atentamente a
moça. Quando a multidão barulhenta afastou-se, Nonnus perguntou aos bispos: — " Na
realidade não lhes agradou a beleza e vestimentas dessa mulher?" Eles ficaram calados.
Então Nonnus continuou: - "Pois eu aprendi muito com ela. Ela colocou como meta
principal agradar às pessoas, e o que vocês pensam, quantas horas ela levou para se
enfeitar, preocupando-se em parecer mais linda do que as outras mulheres aos olhos de
seus admiradores? No juízo final por ela o Senhor irá nos condenar, pois nós, possuindo
no Céu o Noivo imortal, fomos negligentes pelo estado de nossas almas. Com o que nós
nos apresentaremos diante Dele?"

Chegando à hospedaria, São Nonnus se pôs a rezar com veemência pela salvação de
Pelágia. No domingo seguinte, quando Nonnus oficiava a Santa liturgia, Pelágia, atraída
por uma força latente, pela primeira vez entrou na Igreja. Tanto a missa quanto o
sermão se São Nonnus a respeito do Juízo Final abalaram tanto a moça, que ela se
apavorou por sua vida pecaminosa. Aproximando-se de Nonnus ela expressou sua
vontade de ser batizada, mas não estava segura de que o Senhor teria piedade dela:
"Meus pecados são mais numerosos do que a areia do mar e a água do mar não será
suficiente para lavar minhas más ações." O bondoso pastor consolou-a com a esperança
da misericórdia de Deus e a batizou.

Tornando-se cristã, Pelágia juntou todos seus bens e trouxe para Nonnus, que ordenou
distribuí-los aos pobres, dizendo: "Que seja gasto com inteligência aquilo que foi
juntado do mal." Alguns dias depois Pelágia, vestindo roupas masculinas afastou-se da
cidade. Ela foi para Jerusalém e ali recebeu a nomeação de monge. Tomaram-na por um
rapaz. Ajeitou para si uma cela no monte Elenski; trancou-se ali e passou a levar uma
rigorosa vida monástica de arrependimento, jejum e orações. Os moradores das
redondezas consideravam-na como frade Pelágio. Após alguns anos, tendo alcançado
muitas dádivas espirituais, Pelágia morreu aproximadamente no ano 457. Durante os
funerais descobriu-se que o suposto frade era uma mulher. (O monte das Oliveiras é
assim chamado pela enorme quantidade de árvores de olivas. Fica a leste de Jerusalém e
foi dali que o Senhor elevou-se aos céus. A gruta da venerável Pelágia ficava próxima
ao lugar da ascensão).

Kondaquion: Debilitaste teu corpo com os jejuns, através de orações de vigília


imploraste ao Criador pelo perdão dos pecados, e tu obtiveste o perdão e encontraste o
caminho do arrependimento.

Venerável Taissia.

21 outubro (8 outubro calendário da Igreja)

Santa Taíssia nasceu no Egito no final do século 3. Tendo sido educada por sua mãe,
mulher de mau comportamento, Taíssia desde a juventude se prostituía. Seduzindo os
jovens e homens casados com sua rara beleza, ela levou muitos deles à ruína.
O boato a respeito da pecadora Taíssia chegou aos ouvidos de Pafnútio o grande, que
conseguia levar muitos pecadores, que estavam se perdendo à penitência. Então o
ancião vestindo-se de leigo foi até Taíssia e pediu-lhe que marcasse um encontro em um
lugar bem retirado, onde decididamente ninguém os pudesse ver — não só as pessoas
como o Próprio Senhor! Embora Taíssia fosse pagã, não se privava de representações
elementares sobre Deus. Assim sendo ela sorriu e respondeu ao ancião que seria
impossível realizar seu pedido, pois, Deus está em todos lugares e vê tudo. Então o
venerável Pafnútio rapidamente apresentou a ela todo o peso de seus pecados e que
resposta terrível ela deverá dar à Deus por ter seduzido tantas pessoas.

As palavras do ancião abalaram a pecadora, e ela caindo em grande arrependimento


decidiu mudar sua vida.

Juntando todos seus tesouros adquiridos com a vida pecaminosa, ela os queimou em
praça pública. Depois disso ela ingressou em um convento feminino e ali ficou trancada
por 3 anos chorando amargamente por seus pecados e se alimentando apenas de pão e
água. Pouco antes de sua morte, São Pafnútio a visitou e fez com que, contra sua
vontade, ela saísse da clausura. Logo depois ela adoeceu e após um curto tempo
entregou sua alma purificada e santificada a Deus, perto do ano de 340. São Paulo,
chamado de "o simples" teve uma visão onde o Senhor perdoava os pecados de Taíssia
e a dignou com o Reino do Céu. Quando Pafnútio tomou conhecimento desse fato ficou
muito feliz: conseguiu salvar uma alma que estava perdida.

Troparion: Tu foste salva do pecado e iluminaste teu coração com a luz da penitência;
recebeste a cruz e seguiste Cristo. Ativamente desprezaste a carne. E com isto te
relacionaste com os anjos, ó venerável Taíssia.

Mártir Zenaide.

14 outubro (11 outubro calendário da Igreja)

As irmãs Zenaide e Filonila eram parentes do apóstolo Paulo e foram suas alunas.
Existe muito pouco conhecimento a respeito delas. Nasceram na cidade de Tarsus, na
região da Ásia Menor (atual Turquia). Estudaram medicina e se radicaram em uma
cidade ao norte de Tarsus. Toda sua vida passavam orações e jejum. Elas ficaram
conhecidas pelos moradores daquele país pela cura gratuita de todo tipo de doenças.
Procurando a cura, cada vez mais pessoas as procuravam. Mas curando as doenças
físicas, as santas irmãs se esforçavam a curar também as doenças espirituais das pessoas
e as instruíam para a fé cristã. Com isso elas contribuíam com os atos de seu parente —
apóstolo Paulo.

Não se sabe quanto tempo Zenaide e Filonila agiram assim na região. Certa vez, pagãos
descrentes entraram à noite em sua casa, empurraram as duas para a rua e as
apedrejaram. Foi assim que elas sofreram como mártires por Cristo.

Mártires Cosme, Damião, Leôncio e Outros.

17 outubro (4 outubro calendário da Igreja)


Os irmãos Cosme e Damião eram venerados desde os tempos antigos tanto no oriente
quanto no ocidente. Os irmãos gêmeos nasceram na Arábia na metade do terceiro
século. Tendo estudado medicina, eles visitavam as cidades e vilarejos da Arábia
pregando a fé, curando pessoas doentes e até animais através do poder de Cristo! Eles
recusavam receber qualquer pagamento em troca. Dessa maneira eles converteram
muitos pagãos ao cristianismo.

Durante o império de Dioclesiano (284-305), Cosme e Damião chegaram a Kili, região


da Ásia Menor, onde foram perseguidos por parte do prefeito Lisius. Eles foram presos
e torturados por muito tempo na tentativa de que renunciassem a Cristo e finalmente
foram decapitados no ano de 303. juntamente com eles os irmãos cristãos Leôncio,
Anfim e Euteópio também receberam a coroa do martírio.

Sua santas relíquias foram sepultadas na cidade de Kir, na Síria, onde começaram a
acontecer muitas curas. O imperador Justian (527-565), tendo sido curado pelos santos
Cosme e Damião de uma grave doença, em gratidão reformou e decorou a Igreja deles
em Constantinopla. Essa Igreja tornou-se lugar de peregrinação para todo o oriente.
Sendo médicos sem fins lucrativos, são Cosme e São Damião são venerados como
protetores dos médicos e estão representados em alguns emblemas da medicina
(conhecemos três pares de irmãos santos chamados Cosme e Damião. Além dos gêmeos
da Arábia, a respeito dos quais estamos relatando, havia ainda os irmãos Cosme e
Damião que viviam na Ásia Menor e morreram pacificamente na Mesopotâmia no
terceiro século cuja memória é comemorada no dia 1º de novembro pelo calendário da
Igreja). Também veneramos os irmãos romanos Cosme e Damião, os quais sofreram
durante o império de Karin (283-284). Sua memória é comemorada em 1º de julho pelo
calendário da Igreja.

Troparion: Santos anárgicos e miraculosos, visitem nossas fraquezas: vós que


recebestes de graça e nos dão gratuitamente.

Novembro
Venerável Padre João de Kronshtadt.

1 novembro e 2 janeiro (19 outubro e 20 dezembro calendário da Igreja)

São João, cujo nome completo é João Ilitch Serguiev, nasceu em 19 de outubro de 1829
em uma família pobre, na aldeia de Sure na província de Arxanguels. Pensando que ele
fosse viver por pouco tempo, seus pais o batizaram logo que nasceu, com o nome de
João, em honra ao venerável João de Rilsk, cuja memória era celebrada justamente
nesse dia. Mas a criança começou a fortalecer-se e crescer. Sua infância transcorria em
meio a muita pobreza e privações, porém seus piedosos pais implantaram nele um forte
fundamento de fé. O menino era quieto, determinado, amava a natureza e os ofícios
religiosos.

Quando João completou nove anos, seu pai juntou as últimas migalhas e o levou para
uma escola paroquial em Arxanguelsk. Ele tinha dificuldades nos estudos e as vezes o
desespero tomava conta dele. Aí então o menino pedia a ajuda de Deus. Certa vez, em
um desses momentos difíceis, tarde da noite quando todos os educadores dormiam, ele
se pôs em oração e suplicou fervorosamente. O Senhor ouviu a sua prece: a graça divina
desceu sobre ele e, conforme sua própria descrição, foi como se "uma cortina tivesse
caído da frente de seus olhos." Ele se lembrou do que ouvia na classe e de alguma forma
tudo ficou claro em sua mente. Dali em diante ele fez grande progresso nos estudos. Em
1851 João Serguiev concluiu o seminário com mérito e ingressou na academia
eclesiástica de S. Petersburgo.

A capital não corrompeu o jovem e ele continuava sendo o mesmo, ou seja, religioso e
devoto como era em casa. Logo seu pai morreu e para amparar a mãe, João passou a
trabalhar no escritório da academia e recebia 9 rublos por mês. Esse dinheiro era todo
enviado para a mãe. Em 1855 ele concluiu a Academia com excelentes notas. O jovem
graduado nesse mesmo ano foi ordenado e apontado como padre da catedral de Santo
André na cidade de Kronshtadt (perto de S. Petersburgo).

Desde o primeiro dia de sua ordenação o padre João doou-se inteiramente a serviço do
Senhor e das pessoas e passou a oficiar diariamente a Divina liturgia. Ele rezava,
ensinava e ajudava muitas pessoas. Sua dedicação era admirável . No começo, e
também depois, as pessoas o criticavam com freqüência, zombavam dele considerando-
o como não completamente normal.

Durante a liturgia, padre João rezava fervorosamente, exigente e ousado. Ele nunca se
recusava a rezar por aqueles que pediam, fossem eles ricos, pobres, nobres ou simples.
E o Senhor recebia suas preces. Aconteciam inúmeros milagres, alguns anotados outros
não. Começaram a chegar até ele para serem ajudados não apenas os moradores de
Kronshtadt, mas também de Petersburgo, e mais tarde, de toda Rússia e de outros
países.

Centenas de cartas e telegramas chegavam a Kronshtadt. Padre João lia tudo e


imediatamente rezava com fervor. Milhares de pessoas vinham até o padre atrás de
orações e bênçãos.

Padre João não era um pregador brilhante. Sua pregação era simples, clara, sincera,
vinda da alma e com isto persuadia e inspirava seus ouvintes. Esses sermões eram
publicados em edições separadas e se difundiam em grandes quantidades de exemplares
por toda Rússia. Também foram editadas coleções de obras do padre João, compostas
de alguns grandes volumes.

Seu diário clérigo : "Minha vida em Cristo" era particularmente popular entre os fiéis.
Esse diário era a respeito da vida espiritual do padre João, registros de pensamentos e
sentimentos abençoados com os quais ele foi honrado, conforme suas próprias palavras:
"do iluminado Espírito de Deus nos minutos de profunda vigília e provações comigo,
principalmente durante a oração."

Esses pensamentos e sentimentos são voltados ou para o Próprio Senhor Deus (em
forma de oração), ou para o seu "eu" (em forma de meditação), ou para outros
personagens (em forma de ensinamentos). Eles referem-se a vários aspectos da fé e
possuem grande significado moral e são uma escola da vida espiritual.
Padre João era também professor de escrituras. Sua influência sobre os alunos era
irresistível. As crianças o amavam. O padre não era um pedagogo dogmático; era um
interlocutor animado. Ele tratava seus discípulos de modo cordial e caloroso, com
freqüência intercedia por eles, não lhes dava deveres de casa, não os reprovava nos
exames e conversava com simplicidade. Essas conversas eram lembradas por toda vida
pelos discípulos. Padre João conseguia, de uma forma especial, despertar a fé viva na
alma de uma criança. Durante as aulas freqüentemente ele lia a respeito da vida dos
santos, a Bíblia ou contava a respeito de seu trabalho ministerial.

Era grande a misericórdia do padre João desde os primeiros dias de seu sacerdócio. Ele
não desprezava as pessoas. Atendia ao primeiro chamado dos mais pobres e degradados.
Lá ele rezava, instruía e ajudava, e com freqüência doava o pouco que lhe restava,
evocando com isto censuras dos parentes. Às vezes acontecia que, chegando até uma
família pobre e vendo a carência e a doença, ele mesmo ia até o mercadinho ou atrás de
um médico na farmácia.

Mais tarde passavam pelas mãos do padre João centenas de milhões de rublos. Mas ele
não os contava: pegava com uma mão, e ali mesmo doava com a outra. Além dessa
caridade imediata o padre João criou uma organização especial de auxílio. Em 1882 foi
inaugurada em Kronshtadt a "casa do amor ao trabalho" onde havia uma Igreja, escola
elementar para meninos e meninas, abrigo para órfãos, clínica ambulatorial, asilo,
biblioteca pública gratuita, casa popular, que abrigava até 40 mil pessoas por ano,
diversas oficinas nas quais as pessoas pobres conseguiam ganhar algum dinheiro,
restaurante popular barato, onde em dias de festa eram servidos até 800 pratos gratuitos,
e refúgio para os viajantes.

Por iniciativa do padre João e seu apoio material foi construída uma estação de
salvamento na margem da baía. Em sua terra natal ele construiu uma bela Igreja. É
impossível enumerar todos os lugares e regiões aonde se estendia sua preocupação e
ajuda.

Padre João morreu no dia 20 de dezembro de 1908 aos 80 anos de idade. Uma multidão
incontável acompanhou seu corpo de Kronshtadt até S. Petersburgo, onde ele foi
sepultado no mosteiro Ivanovski, o qual foi fundado por ele. De toda Rússia fiéis
vinham ao lugar de seu repouso rezando e sempre eram feitos ofícios pelo morto
(panixidas).

Forte na fé, fervoroso na oração e em seu amor pelo Senhor e por todas as pessoas,
padre João de Kronshtadt, pela graça de Deus recebeu a veneração de toda a Rússia.

Troparion: Em Cristo vivendo para sempre, Ó miraculoso, com amor tiveste


misericórdia dos que viviam em desgraça, ouvindo teu rebanho que te chamava com fé
na esperança de tua generosa ajuda, João de Kronshtadt, nosso amado pastor.

Kondaquion: Escolhido por Deus desde a infância, e em criança tendo recebido Dele o
dom milagroso para os estudos, e chamado em uma visão em sonho para ser presbítero,
tornou-se admirável pastor da Igreja de Cristo, padre João, roga a Cristo Deus por nós
todos para que estejamos contigo no Reino de Deus.

Santo Apóstolo Tiago.


5 novembro (23 outubro calendário da Igreja)

O apóstolo Paulo escreve em sua epístola aos Gálatas que juntamente com o apóstolo
Pedro, eram considerados também pilares da Igreja os apóstolos Tiago e João. São
Tiago era filho de José o Esposo da Santa Mãe de Deus, com a primeira esposa. Por
esse motivo no Evangelho ele é chamado de irmão do Senhor. De acordo com as
Escrituras o Senhor Jesus Cristo apareceu para ele após Sua ressurreição e o colocou
como bispo da Igreja de Jerusalém. Dessa maneira, incidiu no destino do apóstolo Tiago
uma atividade especial: ele não viajava por diversos países pregando, como faziam os
outros apóstolos; ele ensinava e atuava como sacerdote em Jerusalém, possuindo tão
grande significado para o mundo cristão.

Como chefe da Igreja de Jerusalém, ele presidiu a reunião Apostólica no ano de 51. Seu
voto ali era de fato decisivo, e a proposta feita por ele, foi a resolução da reunião
Apostólica. Essa circunstância tem importante significado, em virtude da pretensão dos
católicos em elevar o apóstolo Pedro ao grau de chefe da Igreja para que, em seguida se
confirme esse domínio pelo papa romano.

A importância do apóstolo Tiago reforçava ainda mais sua vida devotada. Ele era casto,
não bebia nem vinho nem qualquer outra bebida alcoólica, era abstinente de carne e se
vestia apenas com roupas de linho. Ele tinha o costume de se isolar para fazer as
orações na Igreja onde rezava ajoelhado pelo seu povo. Era tão freqüente essa sua
prostração no chão enquanto rezava, que a pele de seus joelhos enrijeceu.

O serviço do apóstolo Tiago era difícil, pois ele encontrava-se entre muitos dos mais
furiosos inimigos do cristianismo. Mas ele agia com tanta prudência e justiça que era
respeitado não apenas pelos cristãos, como também pelos judeus. Chamavam-no de
esteio do povo e de justiceiro. Chegando ao cargo de bispo de Jerusalém
aproximadamente aos 30 anos, ele propagou e reforçou a santa fé em Jerusalém e por
toda Palestina. Quando o apóstolo Paulo, em sua última viagem visitou o apóstolo
Tiago, nessa ocasião presbíteros reuniram-se com ele e transmitiram-lhe as seguinte
palavras a respeito do êxito do sermão cristão no meio dos judeus: "Vês, irmão, quantos
milhares de judeus abraçaram a fé sem abandonar seu zelo pela lei (Atos 21:20). Muitos
dos judeus se dirigiam à Igreja pela confiança na palavra do virtuoso.

Observando tal influência do apóstolo nas pessoas, os chefes judeus começaram a ter
receio de que todo o povo pudesse se voltar para Cristo, e decidiram se aproveitar do
intervalo de tempo entre a ida do procurador Festo e a vinda de Alvino para tomar seu
lugar (62 anos após o nascimento de Cristo), a fim de persuadirem Tiago ou a renunciar
a Cristo, ou matá-lo. O sacerdote-prior nessa época era o ateu Ananias. Diante de uma
grande multidão eles levaram o apóstolo ao pórtico da Igreja, e após algumas palavras
lisonjeiras perguntaram com desdém: "Fale-nos sobre o Crucificado!" — "Vocês estão
me perguntando a respeito de Jesus?" — falou em voz alta o virtuoso. — "Ele está no
Céu sentado à direita do Todo Poderoso e novamente virá sobre as nuvens celestes." No
meio da multidão havia muitos cristãos, os quais exclamaram alegremente: "Hosana ao
Filho de Davi!" Os priores e escriturários gritaram: "Oh, o próprio justo está
enganado!"- e em seguida derrubaram-no por terra. Tiago ainda conseguiu erguer-se
sobre os joelhos e dizer: "Senhor, perdoa-os! Eles não sabem o que fazem." "Vamos
apedrejá-lo!" — gritaram seus inimigos. Um certo padre pertencente à tribo de Rixova
(eles não tomavam vinho, viviam em barracas, não plantavam nem trigo nem uvas)
tentou persuadi-los dizendo: "O que é que vocês estão fazendo? Estão vendo: justo reza
por vocês." Mas nesse momento um homem aproximou-se correndo e golpeou sua
cabeça com tanta perversidade que seus miolos saltaram para fora e ele morreu. Junto
com ele muitos cristãos foram mortos.

O historiador judeu José Flávio, enumerando os motivos da queda de Jerusalém diz que
o Senhor, entre outras coisas, castigou os judeus pelo assassinato do justo Tiago. Pouco
antes de sua morte o apóstolo Tiago escreveu uma mensagem. O motivo principal da
mensagem — consolar e reforçar os judeus convertidos à fé dos sofrimentos que
estavam iminentes, e avisá-los do engano, como que se só a fé pudesse salvar a pessoa.
O Santo Apóstolo explica que a fé, quando não acompanhada pelas boas ações, - é
morta e não leva à Salvação. A tradição da Igreja atribui ao apóstolo Tiago a elaboração
do mais antigo grau da liturgia Divina.

Troparion: Como discípulo do Senhor, recebeste o Evangelho: como mártir


indescritível e destemido, como irmão de Deus: intercedeste como hierarca. Roga a
Cristo Deus, para que Ele possa salvar nossas almas.

O Grande Mártir Dimitri.

8 novembro (26 outubro calendário da Igreja)

O grande mártir Dimitri nasceu na cidade de Salonica na Grécia. Os pais, cristãos


latentes, batizaram-no e o instruíram na fé. Seu pai, cônsul superior, morreu quando
Dimitri atingiu a maioridade. O imperador Maximian Galeri nomeou Dimitri, para
ocupar o lugar do pai como autoridade secreta da região de Salonica. A principal
obrigação de Dimitri era defender sua região de inimigos externos, e também o
imperador exigiu que ele exterminasse os cristãos. Em vez disso Dimitri se pôs a
desarraigar hábitos pagãos, e a converter os pagãos à fé cristã.

Naturalmente logo delataram ao imperador que o pró-consul era cristão. Voltando de


uma marcha contra os "sarmatas" (tribo que povoava as estepes do Mar Negro),
Maximian parou em Salonica. Preparado para morrer, Dimitri distribuiu seus bens aos
pobres, e devotou-se totalmente à oração e ao jejum. O imperador o aprisionou e foi se
divertir no circo, juntamente com os moradores de Salonica vendo os combates
gladiadores. Eles procuravam cristãos e quando encontravam, os arrastavam para a
arena. Entre os gladiadores destacava-se o impetuoso "Lii"; ele vencia com facilidade os
humildes cristãos nos combates, e diante do júbilo da multidão enfurecida, jogava-os
sobre as lanças dos combatentes.

O jovem cristão Nestor, visitou Dimitri na prisão e Dimitri o abençoou para lutar com
Lii. Reforçado por Deus, Nestor venceu o orgulhoso gladiador e arremessou-o sobre as
lanças dos guerreiros. Nestor deveria ter sido condecorado como vencedor, mas ao invés
disso foi executado por ser cristão.

A mando do imperador (no ano 306) os guardas da prisão mataram Dimitri, perfurando-
o com suas lanças. O corpo do grande mártir Dimitri foi jogado para que animais o
devorassem, mas cristãos secretamente conseguiram sepultá-lo. Um dos criados de
Dimitri, Lupus, pegou a vestimenta ensangüentada e o anel do mártir e começou a curar
os doentes. Ele inclusive também foi executado. Durante o império de Constantino o
grande (324-337) foi construída uma Igreja sobre o túmulo do mártir Dimitri e, após
cem anos, suas relíquias foram encontradas. Diante de seu túmulo aconteciam milagres
e curas. Durante o império de Maurício (582-602) pessoas que viviam no Don
bloquearam a cidade de Salonica. São Dimitri apareceu na muralha da cidade, e 100 mil
guerreiros se precipitaram em fuga. Em outra ocasião o santo salvou a cidade da fome.

A vida de Dimitri narra que ele soltava os prisioneiros do poder dos infiéis e ajudava-os
a alcançar Salonica.

Desde o século 7 do túmulo de São Dimitri começou a fluir um bálsamo aromático e


milagroso. No século 14 Dimitri Krisolog escrevia a respeito disso: "o bálsamo por sua
natureza não é água, mas é mais denso do que ela e não se parece com nada do que
temos conhecimento... É mais estupendo do que todos aromas, não só os artificiais
como os naturais criados por Deus."

Troparion: Virtuoso Dimitri; tu foste a proteção do mundo e soldado invencível de


Cristo. Tu inspiraste Nestor para humilhar Lion. Intercede com Cristo nosso Deus para
nos salvar.

Grande Mártir Parasqueva.

10 novembro (28 outubro calendário da Igreja)

A grande mártir Parasqueva nasceu na cidade de Iconia na Ásia Menor. Seus pais
respeitavam especialmente a 6ª-feira, dia da semana em que o Senhor Jesus Cristo
sofreu a crucificação. Em honra a esse dia eles chamaram sua filha de Sexta-Feira (em
grego Parasqueva). Ela ficou órfã muito cedo. Ao atingir a maioridade. Parasqueva fez
voto de castidade e passou a se preocupar com a propagação da fé cristã entre os
pagãos.

No ano 300 chegou à cidade o chefe militar do imperador Dioclesiano, enviado para
exterminar os cristãos. Parasqueva se recusou a levar sacrifício aos ídolos. E por isso foi
submetida a torturas. Ela foi pendurada em uma árvore, sendo depois torturada com
pregos, depois açoitada até os ossos e quase sem vida foi jogada na prisão. Deus não
abandonou a santa sofredora e milagrosamente a curou. O torturador malvado não
entendeu esse milagre e continuou a torturá-la mandando que a pendurassem de novo
numa árvore e a queimassem com tochas. E por fim eles a decapitaram com uma
espada. Os cristãos sepultaram o corpo da santa Parasqueva . Através de suas relíquias
aconteciam curas dos doentes.

Os antigos cristãos ortodoxos nutriam grande amor por Santa Pasqueva. Eles lhe
consagravam Igrejas e capelas à beira das estradas, consideravam-na como protetora dos
campos e do gado. No dia em que se comemorava sua memória as pessoas levavam
frutas à Igreja para serem benzidas. Santa Parasqueva era considerada como aquela que
cura os males do corpo e da alma, protetora do bem-estar e sorte familiar. Nos ícones
ela é representada com uma fisionomia severa, alta no tamanho e com uma coroa
resplandecente sobre a cabeça.

Troparion: Sábia e louvada mártir de Cristo, Parasqueva, tomada de força valente,


rejeitaste a fraqueza feminina, venceste o diabo e envergonhaste a tirano clamando e
dizendo: venham, dilacerem meu corpo com a espada e queimem com fogo: estarei feliz
por Cristo meu noivo! Através de tuas orações para Cristo Deus, salva nossas almas.

Venerável Mártir Anastácia a Romama.

11 novembro (29 outubro calendário da Igreja)

Santa Anastácia a Romana ficou órfã aos 3 anos de idade. Ela foi educada em um
mosteiro perto de Roma, onde tornou-se monja. Durante o império de Décio (249-251),
Anastácia completou 21 anos. Ela era muito bela e muitos romanos nobres pediram sua
mão em casamento, mas ela rejeitava todos, preferindo se manter como noiva de Cristo.

Naquele tempo o imperador organizou uma grande perseguição contra os cristãos. Os


pagãos arrebataram até o administrador da cidade. Ela era acusada de desdenhar os
pretendentes nobres e ricos, além de venerar o Cristo crucificado.

O administrador Probus ordenou que ela levasse algum sacrifício aos ídolos, mas
Anastácia se negou a renunciar a Cristo. Então ela foi brutalmente torturada: de seus
dedos foram arrancadas as unhas, depois cortaram seus pés e mãos e em seguida
quebraram todos seus dentes. A santa, esvaindo-se em sangue, começou a desfalecer e
pediu água. Presente nessas torturas um certo Cirilo, ficou com pena e deu-lhe de beber.
As torturas continuaram; cortaram a língua da santa Anastácia, com a qual ela
ininterruptamente louvava a Deus. Exaustos, os carrascos finalmente a decapitaram.
Decidindo que Cirilo, aquele que deu água para a mártir, era um cristão oculto, os
carrascos agarraram-no e também executaram.

Troparion: Jesus, a Tua cordeira Anastácia clama em louvor: amo a Ti meu Noivo, e à
Tua procura padeci; e morri por Teu batismo e sofro por Ti e morro por Ti e também
vivo Contigo, recebe-me como sacrifício puro; me doei a Ti com amor. Com tuas preces
intercede e salva nossas almas.

A respeito do significado da santidade veja na 1ª publicação de "a vida dos mártires por
Cristo." Na 2ª publicação veja "os feitos dos monásticos." Na 3a veja "dementes por
amor a Cristo."

A publicação em ordem alfabética da ajuda dos santos está no final da primeira emissão;
o significado dos nomes próprios está no final da 2ª emissão.

Folheto Missionário número PA5

Copyright © 2005 Holy Trinity Orthodox Mission

466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011

Redator: Bispo Alexandre Mileant


Os Escolhidos
a Vida Dos Santos.
VI
Novembro-Dezembro
Bispo Alexander (Mileant)

Traduzido por Olga Dandolo

Indice:

Novembro.

Arcanjo Miguel. Os Mártires Victor e Estefânia. São João o Caridoso. São Mitrofanos
de Voronez. A Grande Mártir Catharina. São Inocêncio de Irkutsk. O Santo Apóstolo
André o Que Foi Chamado Primeiro.

Dezembro

São Filaret o Misericordioso. A Grande Mártir Bárbara. São João de Damasco. São
Nicolau o Milagroso. Santo Ambrósio de Mediolano. Bendita Angelina. São German do
Alasca. Mártires Eugênio e Outros. Profeta Daniel. Mártires Sebastião, Zoé e Outros. O
Grande Mártir Ignácio. Mártir Virgem Juliana. Santa Mártir Anastácia a Libertadora.
Venerável Mártir Eugênia. O Santo Protomártir Estevão o Arcediácono. Santa Mártir
Anísia.

Novembro.
Arcanjo Miguel.

21 de novembro (8 nov. pelo calendário da Igreja)

Arcanjo Miguel — ocupa um dos mais elevados postos na hierarquia dos anjos; tem
participação estreita nos destinos da Igreja. A Sagrada Escritura nos ensina que, além do
mundo físico existe um grande mundo espiritual habitado por seres sensatos, bondosos,
chamados de anjos. A palavra "anjo," no idioma grego, significa "mensageiro." A
Sagrada Escritura os denomina assim, pois, Deus freqüentemente através deles declara
Sua vontade ao povo. Em que consiste propriamente a vida deles no mundo espiritual, o
qual eles ocupam, e em que consistem suas atividades — nós não sabemos quase nada,
e, na essência não estamos capacitados a entender. Eles existem em condições
totalmente diferentes das nossas condições materiais: lá o tempo, espaço e todas
condições de existência possuem teores completamente diferentes. O prefixo "arc"
adicionado a alguns anjos, aponta para serviços mais elevados comparados com outros
anjos.

O nome Miguel — em hebraico significa "Quem é Igual a Deus." A Sagrada Escritura


narrando a respeito da aparição de alguns anjos a diversas pessoas, chama pelo nome
pessoal aqueles que carregam uma missão especial em confirmar o Reino de Deus na
terra. Dentre eles — os arcanjos Miguel e Gabriel, citados nos livros canônicos da
Escritura, bem como os arcanjos Rafael, Uriel, Sariel, Jeremias e Rachel, mencionados
nos livros não canônicos da Escritura ("cânone"- ou lista oficial dos antigos livros
sagrados, foi legalizada no século 5 antes de Cristo). Os antigos livros sagrados, escritos
depois disso não foram incluídos no cânone e por essa razão são chamados de "não
canônicos." O arcanjo Gabriel aparecia com freqüência para alguns justos na qualidade
de mensageiro de acontecimentos grandiosos e felizes no que dizia respeito ao povo de
Deus. (Dan. 8:16, 9:21; Luc. 1:19, 26). No livro de Tobias o arcanjo Rafael fala a seu
respeito: "Eu sou um dos sete anjos que elevam as preces dos santos e assistem na
presença de Deus Santo" (Tob. 12:15). Daqui surgiu a convicção de que no céu existem
sete arcanjos e o arcanjo Miguel é um deles.

Na Sagrada Escritura o arcanjo Miguel é chamado de "príncipe," "chefe do exército do


Senhor" e surge como principal combatente contra o diabo e qualquer transgressão entre
as pessoas. Daqui a Igreja o denominava de "arquistratit," ou seja, guerreiro mais velho,
superior, líder. Assim, o arcanjo Miguel apareceu para Josué na qualidade de ajudante
na conquista da Terra Prometida. Ele apareceu também para o profeta Daniel durante a
queda do reino da Babilônia e o começo da criação do reino Messiânico. Foi feita a
profecia a Daniel sobre a ajuda do arcanjo Miguel ao povo de Deus no período das
iminentes perseguições do anticristo. No livro do Apocalipse o arcanjo Miguel aparece
como o principal líder no combate contra o dragão-diabo e outros anjos rebelados. "E
aconteceu a guerra no Céu: Miguel e Seus Anjos guerreavam contra o dragão, e o
dragão e seus anjos guerreavam contra eles, mas não resistiam, e não houve lugar para
eles no Céu. É o grande dragão que era a primitiva serpente, chamado de demônio e
satanás foi derrubado." O apóstolo Judas sumariamente menciona o arcanjo Miguel
como adversário do diabo (Josué 5:13; Dan. 10,12:1; Judas 1:9; Apo. 12:7-9; Luc.
10:18).

No espírito da Sagrada Escritura alguns pais da Igreja acreditam no arcanjo Miguel


como participante de outros acontecimentos importantes na vida do povo de Deus,
onde, no entanto, ele não é chamado pelo seu nome. Assim, por exemplo, acreditam que
ele aparece na forma de um pilar misterioso de fogo caminhando diante dos israelitas
em sua fuga do Egito e a perda, e a vitória da imensa força armada assíria sitiada em
Jerusalém nos tempos do profeta Isaías (Exo. 33:9, 14:26-26; 2 Reis 19:35) também foi
atribuída ao arcanjo Miguel.
A Igreja venera o arcanjo Miguel como defensor da fé e lutador contra a heresia e todo
o mal. Nos ícones ele é pintado com uma bola de fogo na mão, ou uma lança precipitada
no diabo. No início do 4o século a Igreja instituiu o feriado do "Concílio"(ou seja,
reunião) dos santos anjos encabeçados pelo arcanjo Miguel no dia 8 de novembro.
Maiores detalhes sobre os anjos são vistos na brochura dedicada a eles (veja o 12o
folheto missionário).

Troparion: "Líderes celestiais, nós os indignos imploramos que vós, através de vossas
preces nos defendam com a proteção das asas de vossa glória imaterial, guardando a nós
que nos prostramos diante de vós e clamamos: livrai-nos do mal, pois sois os chefes das
forças superiores."

Os Mártires Victor e Estefânia.

24 de novembro (11 de nov. pelo antigo calendário)

Nos tempos do imperador Marco Aurélio (também Antônio, 161-180), na cidade de


Damasco (Síria) trabalhava como soldado um cristão chamado Victor, nascido na Itália.
Quando o imperador ordenou a perseguição aos cristãos, o chefe do exército de nome
Sebastião exigiu que Victor abdicasse a Cristo e reverenciasse aos ídolos pagãos. "Você
é soldado do nosso rei, e deve obedecer suas ordens," anunciou Sebastião. "Não, —
respondeu Victor, — agora eu sou soldado do Rei Celeste e servirei apenas a Ele, e os
ídolos abomináveis eu desprezo!" Aí então Sebastião entregou Victor a diversas
torturas. Os executores quebravam os dedos das mãos e dos pés de Victor e os viraram
do avesso de suas articulações. Durante as torturas são Victor orava a Deus e suportou
os sofrimentos com valentia.

Depois os executadores forçaram Victor a engolir um pedaço de carne envenenada por


um feiticeiro. Tendo rezado e feito o sinal da cruz sobre a carne o mártir a engoliu.
Diante dos olhos de todos aconteceu um milagre real: Victor permaneceu ileso.
Aconteceu aquilo que o Senhor outrora havia prometido a Seus discípulos: "se beberem
algum veneno mortal, não lhes fará mal" (Marc. 16:18). O feiticeiro, tendo visto que
Victor não sofreu nada com seu veneno, passou a crer em Cristo. Ele entendeu, melhor
do que os outros que nenhuma força terrestre não poderia neutralizar seu veneno letal.

Então submeteram são Victor a torturas mais pesadas. Estefânia, esposa de um dos
soldados que estava judiando de Victor, não conseguindo mais testemunhar as terríveis
torturas infligidas ao inocente mártir de Cristo, o defendeu. Os verdugos enlouquecidos
pelo sangue, ao invés de parar, se irritaram com Estefânia e viram nela sua nova vítima.
Eles a amarraram a duas palmeiras inclinadas e a rasgaram em pedaços. Assim morreu
Estefânia ainda muito jovem; ela tinha apenas 15 anos. Após matarem Estefânia, os
executadores retornaram a torturar Victor e o decapitaram. Os Santos mártires Victor e
Estefânia sofreram por Cristo no ano 175.

Antes de sua morte o mártir Victor predisse aos verdugos que eles morreriam em 12
dias e o chefe do exército seria capturado em 24 dias. Tudo aconteceu da maneira que
foi predito por ele.
Troparion: Teus mártires Ó Senhor, em seus sofrimentos tendo recebido as coroas da
incorruptibilidade de Tí Deus nosso: possuindo Tua força, não foram suprimidos,
afligidos e destruíram as fracas audácias dos demônios. Através de suas súplicas salva
nossas almas.

São João o Caridoso.

25 de novembro (12 nov. calendário da Igreja)

São João foi chamado de "caridoso" pelo amor que nutria pelos pobres. Ele foi patriarca
Alexandrino e viveu no século 7. Ele descendia de pais nobres que viviam na ilha de
Chipre. Aos quinze anos ele sonhou que uma bela jovem se aproximou de seu leito,
vestida de branco e com uma grinalda de oliveiras na cabeça, e ao perguntar-lhe quem
ela era, respondeu que era a primeira entre as filhas do grande Rei, e se ele se tornar seu
amigo receberá do Pai dela uma grande benção. "Ninguém mais além de mim tem
acesso a Ele." João entendeu que essa filha do Rei é a própria virtude da capacidade e
amou essa virtude. Quando se tornou adulto João casou-se e teve filhos. Logo Deus o
privou de sua mulher e filhos, e então ele renunciou ao mundo e dedicou-se à caridade.
A fama da vida caridosa e santa de João chegou até o rei Herodes e ele o nomeou
patriarca. Na qualidade de patriarca João convocou seis ecúmenos da igreja e falou:
"Transcrevam todos meus senhores e meus protetores que vivem em Alexandria." Os
ecúmenos não entendiam quem eram esses senhores e esses protetores do patriarca.
"Eles são — disse o santo — os mendigos e os indigentes, são meus senhores e
protetores, eles podem merecer para mim o amor de Deus e o Reino Celeste." Os
ecúmenos então transcreveram e ele recomendou a todos que ajudassem diàriamente.

São João mesmo tendo sido nomeado archipastor, era bastante acessível a todos: dois
dias por semana, desde cedo até ao meio dia ele ficava sentado diante das portas do
templo e recebia a todos aqueles que procuravam com ele justiça ou ajuda. "Se eu —
dizia ele, — sempre tenho acesso livre ao meu Senhor e peço aquilo que necessito, —
então como não dar acesso livre até mim ao meu próximo e não ouvir seus pedidos e
necessidades?" Quando se passava um dia que acontecia de São João não prestar auxílio
a alguém, ele considerava esse dia como perdido. Os que se aproximavam do patriarca
freqüentemente se indignavam pela extraordinária generosidade dele e tinham receio de
que ele esgotasse os meios eclesiásticos; mas o santo na esperança em Deus dizia que,
mesmo que pobres de todo universo chegassem à Alexandria, mesmo assim, ele tinha
esperança de que não iria empobrecer os bens eclesiásticos. E o Senhor não o
abandonava. Distribuindo tudo aos pobres o santo vivia de tal maneira a não se permitir
luxo e excesso em nada. Era dócil e humilde no mais alto grau. Certa vez durante a
liturgia, lendo a palavra do Santo Evangelho sobre a reconciliação com o próximo antes
da oração (Mat. 5:23-24), ele lembrou-se de um clérigo castigado por ele por causa de
um delito e que estava muito magoado; imediatamente ele o chamou e caindo aos seus
pés, pediu perdão e a reconciliação.

São João liderou o rebanho por dez anos. : "O Rei dos reis te chama para Sí"- foi lhe
dito em sonho por um mensageiro. "Agradeço a Tí, Senhor, que Tu me permitiste dar
tudo a Tí, e eu nada guardei das riquezas da vida," — disse o santo patriarca ao Senhor
partindo deste mundo. Suas relíquias encontram-se na Hungria. A cabeça está em
Presburgo no mosteiro; parte da mão — em Afone.

São Mitrofanos de Voronez.

6 dez. (23 nov. calendário eclesiástico)

São Mitrofanos (chamado de Miguel) nasceu no ano de 1623 nos limites da cidade
Vladimir em uma família clerical. Os virtuosos pais lhe deram uma boa educação no
que diz respeito à fé ortodoxa. Quando ficou viúvo aos 40 anos. Miguel tornou-se frade
na habitação "zolotnikovskoi" do Adormecimento de Nossa Senhora, próximo da cidade
Suzdal. Aplicado em suas façanhas o frade foi promovido a monge em 1663, e após três
anos foi elevado a abade do Mosteiro de Yakromski.

Na qualidade de abade São Miguel era respeitado tanto pelos clérigos como pela
sociedade. O patriarca Joaquim (1673-1690) confiando plenamente em São Mitrofanos
o encarregava de pagar os salários das multidões com o tesouro do mosteiro. Após a
abertura da nova cátedra diocesana em Voronez, o abade foi ordenado bispo em 1682.
Durante a sucessão do imperador Pedro ao trono, são Mitrofano precisou ser testemunha
de grandes dissidências de opiniões, as quais deixaram nele uma triste impressão. Ele
percebeu o quanto o mal pode ser imenso, gerado pela dissidência, e por esta razão, no
decorrer de sua vida ele foi um batalhador ativo contra as divisões.

A despeito de ocupar um alto posto sacerdotal na Igreja, São Mitrofanus era acessível a
qualquer um. Sua casa ministerial servia como porto para os aflitos, hospedaria para os
viajantes, local de cura para os doentes. Com freqüência o santo se dirigia à cidade
visitando os enfermos e consolando os sofredores com a esperança na misericórdia de
Deus. Muitas vezes ele visitava prisões. Entre os outros bispos ele contava com uma
imensa consideração por parte do imperador Pedro. Durante suas freqüentes visitas a
Voronez, onde, no rio Don estava sendo edificado um estaleiro e construída uma frota,
Pedro o Grande supriu o santo com dinheiro e terrenos em benefício dos necessitados. O
santo era a primeira pessoa que o imperador visitava quando chegava a Voronez, e após
ter conversado com ele, invariàvelmente o imperador saía com o semblante iluminado e
disposição revigorada.

Durante os 20 anos de seus serviços episcopais São Mitrofanus contribuiu muito para o
bem da Igreja. Em 1705 ele adoeceu sèriamente. O imperador Pedro, que chegou a
Voronez nessa época, visitou o santo moribundo, prostrou-se aos pés do leito de morte e
não se afastou dele até seu fim. Durante o funeral o imperador estava entre os que
carregavam o caixão. O santo Mitrofanus foi sepultado na catedral de Voronez.

A lembrança da virtuosidade e bondade de São Mitrofanus se manteve por longo


período nos cidadãos de Voronez. No ano de 1718 quando suas relíquias foram
exumadas e as pessoas foram curadas por elas, ninguém mais teve dúvidas sobre sua
santidade. Mais tarde, em 1833, as relíquias do santo foram transportadas
cerimoniozamente para a catedral da Anunciação da Virgem Maria em Voronez.
Troparion: Modelo de fé, e imagem da humildade, pela palavra e vivência; assim era
São Mitrofanus para sua paróquia: ele surgiu iluminado pelo brilho dos santos, igual à
luz do sol, enfeitado com a coroa da imortalidade, incorrupção e graça. Intercede a
Cristo Deus pelos cristãos ortodoxos para serem salvos neste mundo.

A Grande Mártir Catharina.

7 de dezembro (24 novembro pelo calendário antigo)

Santa Catharina nasceu em Alexandria na segunda metade do terceiro século. Ela


descendia de família nobre e distinguia-se pela inteligência iluminada em cultura e pela
beleza. Muitos pretendentes ricos e aristocratas procuravam sua mão para o matrimônio
e sua mãe e seus parentes tentavam persuadí-la a aceitar o casamento. Mas Catharina
demorava para responder e dizia aos seus familiares: "Se querem que eu me case, então
encontrem um jovem cuja beleza e inteligência sejam similares às minhas."

Deus fez de tal maneira, que Catharina conheceu um belo eremita que possuía uma
mente iluminada e levava uma vida íntegra. Discutindo com Catharina méritos de seus
admiradores, o eremita disse: "Conheço um Noivo, o qual é superior a tí em tudo. Ele é
incomparável." Em seguida ele lhe deu um ícone da Virgem Santíssima, prometendo
que Ela iria ajudá-la a ver o extraordinário Noivo.

Na mesma noite, Catharina num sono leve, viu aparecer a Rainha do céu rodeada por
anjos parada diante dela segurando em seus braços uma Criança que possuía o brilho do
sol. Inutilmente Catharina tentou lançar o olhar à face Dele: Ele virava o rosto. "Não
despreze Tua própria criação, — suplicava a Mãe de Deus ao seu Filho, — diga-lhe o
que deve fazer para ver o Teu semblante iluminado." "Deixa que ela retorne ao ancião e
então saberá através dele" respondeu a Criança.

O sonho maravilhoso impressionou profundamente a jovem. Tão logo o dia amanheceu,


ela se apressou a ir ver o ancião, prostrou-se aos seus pés pedindo seus conselhos. O
ancião lhe explicou detalhadamente o que era a verdadeira fé, relatou sobre as
maravilhas dos céus para os justos e sobre a destruição dos pecadores. A sábia virgem
entendeu a superioridade da fé cristã sobre o paganismo, acreditou em Jesus Cristo
como Filho de Deus e recebeu o santo batismo. Após ser batizada uma luz celestial
infiltrou-se nela e a preencheu de uma alegria imensa.

Quando Catharina retornou à casa com a alma renovada, orou por longo tempo,
agradecendo a Deus pela misericórdia a ela concedida. Tendo adormecido durante a
prece, nòvamente ela viu a Mãe de Deus. Agora a Criança Divina olhava para ela com
benevolência. A Virgem Santíssima tomou a mão direita da jovem e a Criança colocou
um lindo anel em seu dedo dizendo: "Não conheça um noivo terrestre." Catharina
compreendeu que a partir daquele momento ela estava prometida em casamento a Cristo
e despertou cheia de uma alegria ainda maior em seu coração. Depois disto ela mudou
completamente; tornou-se modesta, humilde e caridosa. Ela começou a rogar a Deus
com freqüência, pedindo que Ele a guiasse e ajudasse. Um único objetivo a inspirava:
viver para Cristo.
Pouco tempo depois chegou à Alexandria o co-imperador de Díoclesiano, Maximiliano
(286-305). Ele enviou mensageiros às cidades do Egito chamando o povo para os
festejos em honra dos deuses pagãos. Catharina se afligia pelo fato do rei, ao invés de
contribuir para a instrução do povo, implantar cada vez mais superstições pagãs.
Quando a celebração começou, ela chegou ao templo, onde se reuniram sacerdotes,
nobres e intrépidos, e disse ao rei: "Você não se envergonha, ó rei’, em rezar para ídolos
abomináveis! Conheça o verdadeiro Deus imortal e infinito; pois através Dele que os
reis governam e o mundo existe. Ele desceu à terra e Se fez homem para nossa
salvação."

Maximiliano enfureceu-se pelo desrespeito de Catharina por seu mérito real e mandou
que a aprisionassem. Então, ele ordenou aos homens sábios que convencessem
Catharina de que o paganismo era verdadeira. No decorrer de alguns dias eles
expunham à jovem diversos argumentos em favor do paganismo, mas Catharina, através
de sua lógica e argumentos sensatos, os despedaçava em picadinhos. Ela provava a eles
que pode existir apenas um sábio Criador de tudo, o Qual com Suas realizações Se eleva
infinitamente sobre as divindades pagãs. Finalmente os sábios pagãos se reconheceram
vencidos pela lógica transcedente de Catharina. Tendo fracassado intelectualmente,
Maximiliano, entretanto, não desistiu de seu intento em fazer Catharina mudar de
opinião. Chamou-a e esforçou-se ao máximo para seduzí-la com presentes e promessas
de honras e glórias. Porém Catharina se manteve íntegra.

Maximiliano precisou ausentar-se da cidade por um curto período. Sua esposa, a rainha
Augusta, tendo ouvido falar muito a respeito da sabedoria de Catharina quis conhecê-la.
Tendo se encontrado e conversado com Catharina, Augusta passou a crer em Cristo e se
converteu à fé Cristã.

Quando Maximiliano retornou à Alexandria, nòvamente mandou buscar Catharina.


Desta vez deixou cair a máscara de bondoso e começou a ameaçá-la de torturas e morte.
Em seguida ele mandou que trouxessem uma roda com pontas afiadas e ordenou que a
torturassem dessa maneira tão terrível. Mas tão logo iniciou-se a tortura, uma força
invisível destruiu a roda e santa Catharina saiu ilesa. A rainha Augusta, ao tomar
conhecimento do sucedido apresentou-se diante do marido e o censurou pela audácia de
se revoltar contra o Próprio Deus. O rei ficou enfurecido pela interferência de sua
esposa e mandou matá-la alí mesmo.

No dia seguinte Maximiliano chamou Catharina pela última vez e ofereceu-lhe de se


tornar sua esposa, prometendo-lhe toda felicidade do mundo. Mas santa Catharina não
queria nem ouvir falar a esse respeito. Vendo que todos seus esforços foram em vão, o
rei mandou que a matassem, e o soldado decepou sua cabeça. Isso foi no ano 304.

Em seguida as relíquias de Santa Catharina foram transportadas para o Monte Sinai e


desde então alí se mantiveram em um mosteiro com o nome dela. O Imperador Pedro o
Grande deu uma preciosa urna para guardar suas relíquias.

Kondáquion: Face divina e puríssima da mártir que nos ergueu, venerável sábia
Catharina: ela que propagou Cristo nos estágios, pisou na serpente, domou a
inteligência dos filósofos.
São Inocêncio de Irkutsk.

9 de dezembro (26 novembro antigo calendário)

São Inocêncio (João no mundo) descendia de uma família de fidalgos, os quais no


século 17 se transferiram para a província de Chernigov devido à depressão polonesa.
Foi aí que nasceu Inocêncio, em 1680. Estudou na Academia Teológica de Kiev e ao
graduar-se tornou-se monge do mosteiro Kiev-Pechora. Em 1710 o hieromonge
Inocêncio passou a ser professor da academia eslavo-greco-latina de Moscou e após 9
anos sendo o monge mais culto e instruído, tornou-se hieromonge catedrático do navio
"Sansão" ancorado no porto de Revel. Então Inocêncio foi promovido à posição de
chefe dos hieromonges da frota na cidade Abo, onde dirigia os serviços dos cléricos que
trabalhavam nos navios, e em 1721 foi nomeado dirigente do mosteiro de Alexander
Nevski.

Desde que a Sibéria foi conquistada por Iermak no final do século 16, continuamente
imigrantes russos ali se instalavam. No início do século 17 amadureceu a necessidade
de criação, para os ortodoxos, de uma diocése siberiana especial com cátedra em
Tobolsk. Em 1650 o chefe cossaco Kabarov ocupou a cidade chinesa de Albazin à
margem esquerda do rio Amur, e dalí os cossacos podiam dominar toda a extensão do
rio. No ano de 1685 os chineses com enorme exército e artilharia assediaram Albazin.
150 soldados foram mortos em desigual batalha, e cerca de 300 deles foram capturados.
Alguns cossacos juntamente com suas esposas e filhos adotaram a cidadania chinesa, e
logo após o imperador Kancy (1662-1722) os recebeu carinhosamente e instalou bem
no coração da China — em Pequim. Foram eles que se tornaram a semente da missão
ortodoxa russa na China.

Em 1718 morria o confessor da ortodoxia na China, e o Santo Sinodo apontou a


hieromonge Inocêncio como seu sucessor. Naquela época já funcionava com sucesso na
China a missão católica, apoiada pelo imperador Kancy (sociedade de Jesus) — "ordem
dos jesuítas" que foi fundada em 1539 pelo nobre espanhol Inácio de Loiola para a
propagação do catolicismo entre os hereges e pagãos. Quando o Sinodo notificou o
imperador Pedro I sobre a decisão do prelado Inocêncio ser bispo de Irkutsk, o
imperador decretou: "que seja ordenado arcebispo, porém será melhor não mencionar
títulos de cidades"... para que os jesuítas não lhe trouxessem dificuldades.

No ano de 1721 o prelado Inocêncio foi tonsurado bispo na presença do imperador, e


após alguns dias na qualidade de missionário, ele juntamente com um pequeno grupo de
clérigos participantes de coral dirigiu-se para Irkutsk. Ele somente conseguiu obter essa
cidade após um ano. Nesse meio tempo o governo chinês insitado pelos jesuítas se
negou a fornecer o visto para "uma pessoa eclesiástica e um senhor muito importante,"
Inocêncio, e ele então foi obrigado a se instalar no Mosteiro da Trindade em Selenga na
fronteira chinesa. A situação do bispo Inocêncio era extremamente difícil, e ele pediu
ajuda ao Sinodo.

No final de 1727 o Sinodo apontou o prelato Inocêncio para ser de Irkutsk e Nerchinsk.
Ele se confrontou com muitas dificuldades em seu trabalho ministerial. A proximidade
da fronteira chinesa, a extensão e pouca população da diocese, grande quantidade de
diversos povos: mongóis, buritas e outros grupos étnicos que não foram iluminados pelo
Cristianismo, estradas em péssimas condições e pobreza, faziam com que o trabalho
pastoral do santo fosse extremamente pesado. Pela negligência do senado e da
imperatriz Catharina I o santo não recebia salário até sua morte e suportou extrema
carência em tudo. Nessas condições, em parcos meios de vida do mosteiro da Ascensão
de Irkutsk, se mantiveram duas escolas que foram fundadas por ele: russa e mongol.

O prelate Inocêncio incansàvelmente se preocupava com a organização dessas duas


escolas, na seleção dos professores, abastecimento de livros para os alunos, roupas,
provisões. Ele trabalhava incessantemente na organização da diocese e reforço de sua
vida espiritual. Os testemunhos a esse respeito são os sermões do prelate que foram
guardados, mensagens pastorais e resoluções . No trabalho exaustivo e nas privações ele
retinha a firmeza espiritual. Ele era famoso por sua humildade e perspicácia. Em 1927
sucedeu em sua diocese uma má colheita de trigo e houve ameaça de fome no início da
seca. Então nas igrejas de Irkutsk foram feitas "molhebin" (tedeum) para que chovesse e
"akafist" para a Mãe de Deus. As orações — profetizava o santo, — devem parar no dia
do profeta Elias. "E realmente, no dia 20 de julho, dia do profeta Elias, Irkutsk foi
acometida por uma tempestade com chuvas tão fortes, que as ruas da cidade estavam
cobertas de água que batia nos joelhos. Terminava a seca.

Durante a existência de São Inocêncio foi iniciada a construção do templo de pedras no


mosteiro da Ascensão, no lugar do templo de madeira; as fronteiras de sua diocese se
alargavam constantemente. Porém o santo não possuía boa saúde sob a influência do
clima severo e pela fadiga ele morreu no dia 27 de novembro de 1731 aos 50 anos de
idade. Foi sepultado no mosteiro da Ascensão distante cinco milhas de Irkutsk no ria
Angar.

No ano de 1764 durante reformas da igreja monasterial de Tikvin, o local foi envolvido
por um doce cheiro de suas relíquias e desde aquele tempo ocorrem constantes curas.
São Inocêncio ajudava às pessoas não apenas em Irkutsk, mas também em lugares
distantes da Sibéria. Em 1801, durante o reinado do imperador Paulo I a Igreja Russa
canonizou São Inocêncio.

Troparion: Luz brilhante da Igreja, iluminando a cidade com o brilho de tua bondade,/
tu és glorificado por muitas curas recebidas por aqueles que chegam a tí com fé em
Deus/, suplicamos a tí, Ó Santo Pai Inocêncio, protege com tuas orações esta cidade de
todo mal e aflições.

O Santo Apóstolo André o Que Foi Chamado Primeiro.

13 dezembro (30 novembro pelo antigo calendário)

O apóstolo André nasceu na Galiléia. Essa parte do norte da Terra Santa se destacava
por sua fertilidade e belas paisagens. As pessoas que alí viviam eram bem-humoradas e
hospitaleiras. Os galileus fàcilmente viviam em perfeita harmonia com os gregos que
povoavam sua pátria, muitos falavam grego e até tinham nomes gregos. O nome André
— é grego e traduzindo significa valente.

Quando João Batista começou a pregar às margens do Rio Jordão, André juntamente
com João filho de Zebedeu (que também vinha da mesma cidade Betsaida) seguiu o
profeta a encontrar em seus ensinamentos uma resposta a seus questionamentos
espirituais. Muitos começaram a pensar que talvez João Batista fosse o esperado
Messias, mas ele explicava às pessoas que não era o Messias, mas sim que foi enviado
apenas para preparar o caminho Dele. Naquele tempo o Senhor Jesus Cristo veio até
João Batista no rio Jordão para o batismo, e este, apontando para o Senhor, disse aos
seus discípulos: "Eis o Cordeiro de Deus, Que tira o pecado do mundo" (Joã 1:29).
Ouvindo tais palavras, André e João seguiram Jesus. Quando o Senhor os viu,
perguntou: "O que desejais?" Eles disseram: "Rabi (que quer dizer Mestre) onde Tu
moras?" "Vinde e vêde," — respondeu-lhes Jesus, e daí em diante eles se tornaram Seus
discípulos. Naquele mesmo dia o apóstolo André foi até seu irmão Simão Pedro e disse-
lhe: "Nós encontramos o Messias." Foi assim que Pedro juntou-se aos discípulos de
Cristo.

Porém os apóstolos não se consagraram imediatamente à denominação de "apóstolo."


Através do Evangelho temos conhecimento de que os irmãos André e Simão Pedro e
João e Tiago deveriam voltar para suas famílias por um determinado período para se
ocuparem de seu habitual trabalho — a pesca. Passados alguns mêses, o Senhor,
passando pelo lago da Galiléia e vendo-os pescando, disse: "Me acompanhem, e Eu os
farei pescadores de pessoas." Então eles largaram seus barcos e redes, e daquele dia em
diante tornaram-se discípulos permanentes de Cristo.

André, antes dos outros apóstolos que seguiram o Senhor, recebeu a denominação de "o
chamado-primeiro." Ele esteve ao lado de Cristo durante o período do Seu serviço
público. Após a Ressurreição do Salvador, o apóstolo André, juntamente com os outros
discípulos, foi honrado a encontrá-Lo e esteve presente no monte das Oliveiras, quando
o Senhor tendo os abençoado elevou-se aos Céus.

Após a descida do Espírito Santo, os apóstolos tiraram a sorte para saber quem iria para
qual país para propagar o Evangelho. Santo André foi incumbido dos países situados ao
longo do mar Negro, a parte do norte da penísula Balcânica, ou seja, a terra sobre a qual
mais tarde formou-se a Rússia, e finalmente em Epirus, Grécia e Peloponésia, onde
sofreu. Creiam em mim, — disse o apóstolo aos seus discípulos, — que nestes morros
brilhará a graça de Deus: aqui haverá uma grande cidade; o Senhor iluminará essa terra
através do santo batismo e erguerá muitas igrejas. "Em seguida o apóstolo André
abençoou as montanhas do Kiev e em uma delas colocou uma cruz, a qual anunciaria a
adoção da fé pelos futuros habitantes da Rússia.

Após retornar à Grécia, o apóstolo André parou na cidade de Patras, situada perto da
baía de Corinthios. Alí, pela imposição das mãos, ele curou muitas pessoas, inclusive a
nobre Maximilla, a qual passou a crer em Cristo com todo coração e tornou-se discípula
do apóstolo. Como muitos moradores de Patras passaram a crer em Cristo o governador
de Aegeatus se inflamou de ódio pelo apóstolo André e ordenou que ele fosse
crucificado. O apóstolo, sem nenhuma intimidação pela condenação, em um sermão
inspirado abriu diante dos aglomerados uma força espiritual e o significado do
sofrimento do Salvador na cruz.

O governador Aegeatus não acreditou no sermão do apóstolo e chamou seus


ensinamentos de insanos. Em seguida ele ordenou que crucificassem o apóstolo de tal
modo que ele fosse torturado por mais tempo. Amarraram o santo André à uma cruz em
forma de X, não pregando suas mãos e seus pés para que não morresse depressa. A
sentença injusta de Aegeatus provocou indignação entre o povo, mas a sentença
manteve forte.

Pendurado na cruz, o apóstolo André orava sem cessar. Antes da separação de sua alma
com o corpo, uma luz celestial iluminou a cruz de André, e nesse brilho o apóstolo
entregou sua alma nas mãos de Deus. Sua morte sofrida aconteceu perto do ano 62 após
a Natividade de Cristo.

A igreja russa, tendo tomada a fé em Cristo da Bisantina cujos bispos levam sua
secessão do apostolo André, também se considerava sua sucessora. Eis porque a
lembrança de Santo André o Primeiro-Chamado é comemorada com tanta reverência na
Rússia pré-revolucionária. O Imperador Pedro I em honra ao apóstolo André, a mais
alta e primeira condecoração, a qual era dada a dignitários estatais. Desde os tempos do
imperador Pedro, a frota russa fez como sua a bandeira de André, uma cruz azul em
forma de X sobre um fundo branco, à sombra da qual teve muitas vitórias.

Troparion: Como chamado primeiro entre os Apóstolos e irmão do líder deles,


Preceptor de todos, ó André, roga pela paz do mundo, e grande misericórdia às nossas
almas.

Dezembro
São Filaret o Misericordioso.

14 dezembro (1o dez. conforme antigo calendário)

São Filaret nasceu no início do 8o século na região da Patagônia na Ásia Menor


(atualmente Turquia). Ele era rico e nobre. Desde a tenra idade seus virtuosos pais o
levaram ao amor a Deus e compaixão pelas pessoas, e essas qualidades de bondade ele
conservou até a velhice profunda. Vivia feliz com sua esposa, com a qual teve um filho
e duas filhas. Mesmo diante de sua riqueza e bem estar ele não tornou-se insensível
como acontece com muitas pessoas em igual situação. Muito pelo contrário, ele se
compadecia com os pobres e se preocupava com eles, se lembrando de que a fé sem
boas ações — é morta. Muitos mendigos, viúvas e órfãos o conheciam como uma
pessoa carinhosa e um generoso benfeitor.

E assim se passaram muitos anos. Mas então, foi a vontade de Deus permitir que
ocorresse uma provação, igual à que aconteceu outrora ao justo Jó, o "muito-sofrido."
Repentinamente a região onde morava São Filaret foi atacada por árabes e foi devastada
por eles. Capturaram os escravos e os levaram presos, tomaram seu rebanho e se
apropriaram dos campos. Restaram apenas a casa, um pequeno campo e um casal de
gado. Filaret aceitou sua desgraça sem se lamentar dizendo igual a Jó: "Deus deu, Deus
tirou. Bendito seja Seu nome."

Desde então São Filaret precisou suar o rosto para conseguir o pão; ele conheceu a
necessidade e a aflição. Mas, diante de todas provações São Filaret não se amargurou e
continuou a se apiedar dos sofredores e ajudar aos necessitados. Quando seu vizinho
pobre perdeu seu único boi e pediu ajuda ao santo, Filaret lhe deu seu próprio boi.
Pouco tempo depois, diante de semelhantes circunstâncias, São Filaret abriu mão de seu
segundo boi. Sua esposa o censurava dizendo que ele tinha mais pena e se preocupava
mais com os outros do que com sua própria família. Era doloroso para o santo ouvir tais
acusações, mas ele não podia recusar aos que pediam ajuda, tendo a esperança de que o
Senhor não o deixasse sem Seu auxílio. Não uma vez só ele despia suas vestes para dar
aos necessitados. Quase sempre após cada boa ação praticada, ele se confrontava com
algum contratempo em casa sendo obrigado a ouvir censuras de sua esposa e ver as
lágrimas dos filhos.

Foi assim que a família de Filaret definitivamente empobreceu. Às vezes seus vizinhos
por compaixão pela família dele mandavam pão ou farinha. Porém, Deus
misericordioso, não permitindo que o virtuoso tivesse provações além de suas forças,
decidiu colocar um fim aos sofrimentos e provações de Filaret por sua perseverança,
paciência e bom coração.

A imperatriz Irina que governava Constantinopla juntamente com seu filho Constantino
VI (780-797) decidiu que ele deveria casar-se. Com este objetivo ela enviou seus
fidalgos às cidades e aldeias de seu império para que encontrassem as mais belas e
inteligentes moças, dentre as quais o rei pudesse escolher um noiva.

Entre os vários lugares visitados pelos fidalgos, também a aldeia onde vivia Filaret foi
incluída. Como era seu costume Filaret apressou-se em dar as boas vindas aos visitantes
e ofereceu-lhes estadia em sua enorme casa, antes rica e agora vazia. Os bondosos
vizinhos incumbiram-se de providenciar as refeições aos nobre. Ao explicarem o motivo
de sua visita, os enviados imperiais se interessaram pela família de Filaret. Aconteceu
que além do filho e filhas, ele também tinha três belíssimas netas. Vendo-as os
visitantes ficaram tão impressionados com a beleza e modéstia de uma delas — Maria,
que fizeram com que são Filaret concordasse em ir junto com a família à capital para
que o imperador pudesse vê-la.

A bela Maria, educada na modéstia e de natureza dócil e quieta, causou tal impressão de
fascínio no rei Constantino que logo tornou-se sua esposa, e o Misericordioso Filaret —
o avô da imperatriz. Na qualidade de parente próximo do imperador, ele ganhou casas e
ricas propriedades, manifestações de respeito e honra. Daí a pouco tempo também se
casaram com nobres as outras duas netas de São Filaret. Todas essas mudanças felizes
em sua vida São Filaret recebeu como gratidão com dádiva de Deus. Sua esposa e toda
sua família envergonhadas por suas admoestações, agora rodearam-no de carinho e
respeito. Mas mesmo nas novas condições de riqueza e vivendo na capital com todo
respeito São Filaret não se esquecia dos pobres e necessitados e os ajudava com sua
riqueza. No fim de sua longa vida, seu próximo fim lhe foi revelado. Ele chamou sua
esposa, filhos e netas e contou isso a eles. Despedindo-se, São Filaret os abençoou
dizendo: "Vocês sabem e viram minha vida, crianças minhas. O Senhor primeiramente
me deu uma grande riqueza; depois me testou através da pobreza; e tendo visto que eu
suportei tudo com paciência e resignação, nòvamente me elevou à fama e à igualdade
com os reis e poderosos do mundo. Mas eu não guardei minha riqueza dentro de cofres
e baús. Através dos pobres e sofredores eu as enviava a Deus. Peço que não se
esqueçam de serem misericordiosos, defendam as viúvas e órfãos, visitem hospitais e
prisioneiros, não percam reuniões na igreja, não peguem nada que não lhes pertence,
não magoem ninguém, não façam calúnias, não difamem ninguém, não sintam prazer
com a infelicidade nem dos amigos, nem inimigos, realizem memória pelos mortos e
não se esqueçam de mim pecador pelas suas preces."

Em seguida, com as palavras : "seja feita a Tua vontade"- São Filaret entregou sua
venerável alma (ano 792). O rei e a rainha, os fidalgos, muitos nobres e mendigos aos
prantos acompanharam a procissão que levava seu corpo para ser enterrado no mosteiro
do Julgamento do Senhor em Constantinopla. No decorrer de muitas gerações os
habitantes de Constantinopla lembravam-se das misericórdias de São Filaret.

A Grande Mártir Bárbara.

dez. 17 (4 dezembro calendário antigo)

Santa Bárbara era filha única de Dioscopus, um nobre, pagão e que cedo enviuvou. Ele
era déspota, acostumado à submissão de seus subordinados. Ele amava sua filha mais do
que tudo neste mundo, e sendo pagão apenas pensava no bem estar dela na terra. Santa
Bárbara vivia em Heliópolis da Fenícia (ao norte da Terra Santa) no final do 3o e início
do 4o século. Com receio de que o contato com pessoas trouxesse à Bárbara amizades
abaixo de seu nível, Dioscopus construiu uma esplêndida casa para ela com uma torre
alta e ordenou que não saísse de lá para nada.

Sozinha em sua torre, a jovem Bárbara encontrava consolo sentando-se à janela da torre
admirando a beleza dos arredores. Ela se deliciava vendo a cadeia de montanhas
derretendo ao longe, a suavidade do tom esverdeado dos vales, a brancura das nuvens
flutuando pela imensidão do céu e pelo aroma das flores dos campos e da relva. E
quando o crepúsculo se aproximava e milhões de luzes uma após outra se acendiam no
escuro do céu, a alma inocente de Bárbara era tomada pela admiração e sede de
conhecer Aquele Quem criou essa admirável beleza. As respostas dadas por suas
educadoras pagãs não a satisfaziam, e após longa reflexão, Bárbara chegou à conclusão
de que existe apenas um Criador, bondoso, sábio e onipotente, o Qual criou e dá vida a
tudo. Foi este Deus que a jovem Bárbara quis conhecer.

Quando Bárbara atingiu a maioridade o pai decidiu que ela deveria se casar. Uma
multidão de pretendentes vinha até ela, mas ela os recusava sob vários pretextos. Então
o pai, pensando que ela tornara-se anti-social devido à longa clausura, permitiu que ela
saísse de casa e conhecesse pessoas. Pela providência de Deus, Bárbara conheceu
diversas jovens cristãs e através delas teve conhecimento a respeito de Deus-Criador e
Cristo Salvador. Ela, através de sua alma sutil entendeu que finalmente encontrou
aquilo que há tempos procurava. Passando a crer, ela recebeu o batismo sem que seu pai
soubesse.

Quando Dioscorus voltou para casa ficou surpreso vendo que a sauna que estava sendo
construída para Bárbara possuía três janelas ao invés das duas que ele havia mandado
fazer, e no mármore estava traçada uma cruz. Em um diálogo tenso com o pai, Bárbara
não conseguiu mais esconder dele sua fé cristã. Ela explicou que três janelas
simbolizam a Santíssima Trindade, e a cruz traçada por ela própria era um memória ao
Salvador crucificado. Num acesso de raiva Dioscorus quis golpeá-la com sua espada,
mas Bárbara fugiu de seu alcance.
Dioscorus encontrou-a somente no dia seguinte e a manteve trancada durante alguns
dias, sem nenhum alimento. Em seguida ele entregou Bárbara a Marciano, governador
da cidade, informando que ela era cristã e dizendo: "Faça aquilo que quiser com ela. Eu
a renego."

Encantado com a beleza da donzela, Marciano em princípio tentava convencê-la, com


palavras carinhosas, a renunciar à sua fé e oferecer um sacrifício aos deuses. Bárbara
com palavras decididas recusou sua proposta e com bravura declarou diante de todos
que acreditava em Cristo Deus Salvador do povo. Esta brava declaração da donzela
levou o governador ao furor, e ele a entregou a torturas morais e físicas. Ma nem o
desnudamento do seu corpo, nem o açoite público o qual causou feridas terríveis não
abalaram o espírito forte de Bárbara. Durante seu sofrimento ela rezava a Deus sem
parar, colocando toda sua esperança Nele. Após muitas torturas santa Bárbara foi jogada
numa prisão, onde foi agraciada pela aparição do Próprio Cristo Salvador, que curou
suas feridas e prometeu-lhe uma grande recompensa no Céu.

Ao amanhecer os carrascos chegaram à prisão e para seu espanto encontraram a mártir


em perfeitas condições de saúde. Eles porém não se conscientizaram do milagre
evidente e atribuíram a cura aos seus deuses. O governador novamente tentou coagir a
santa a oferecer sacrifício aos ídolos, mas ela se mantinha firme. Então ela foi
submetida a novas torturas, mas santa Bárbara adquiria novas forças espirituais em suas
orações a Deus. Vendo que nem as torturas nem a lisonja obrigariam a cristã a renegar a
fé, o governador ordenou que sua cabeça fosse decapitada com uma espada. Para que
houvesse maior zombaria e humilhação, foi ordenado que santa Bárbara fosse levada
para a execução completamente nua. Porém o Senhor fez um milagre para consolo de
sua mártir: uma luz celestial a envolveu como se fosse uma vestimenta e assim os
pagãos não puderam ver sua nudez. Antes da execução santa Bárbara rogava a Deus
para que todos aqueles que, se lembrando de seu sofrimento pedissem sua ajuda fossem
livrados de uma morte súbita. O Senhor aceitou o pedido da mártir, e ela ouviu uma voz
que lhe prometia isso.

A decapitação foi efetuada pelo próprio pai da santa, totalmente endemoniado pelo ódio.
Juntamente com santa Bárbara foi decapitada uma certa mulher cristã de nome Juliana,
a qual vendo o martírio de Bárbara, criticou e condenou as autoridades por sua
crueldade.

O julgamento justo de Deus sobre os tiranos não tardou. Naquele mesmo dia o pai de
Bárbara e o governador foram mortos por um relâmpago, o qual os deixou
completamente incinerados.

As relíquias da mártir Santa Bárbara foram preservadas e veneradas durante séculos


numa igreja grega. Em 1108 a imperatriz grega Bárbara casou-se com o príncipe
Sviatopolk de Kiev, filho de Iziaslavl. Ela trouxe consigo as relíquias de sua protetora
celeste, as quais se encontravam no mosteiro de São Michael em Kiev.

Glorificada no Reino de Cristo, ela apareceu muitas vezes, até os nossos dias, às vezes
sozinha e às vezes na companhia da Santa Mãe de Deus.

Troparion: Santa Bárbara que nós veneramos: quebrou os laços dos inimigos e igual a
um pássaro libertou-se deles com o auxílio da arma da Cruz.
São João de Damasco.

17 dez. (4 dez. antigo calendário)

O famoso escritor e poeta eclesiástico São João de Damasco, em sua mocidade, servia
na côrte do califa Abdul-Malek e foi governador da cidade de Damasco. Natural da
Síria, ele viveu no meio do século 8, quando no império Bizantino se desencadeava com
fúria a heresia iconoclastica: os ícones eram destruídos e aqueles que os veneravam
eram severamente perseguidos. Sendo uma pessoa extremamente instruída e escritor
talentoso, João de Damasco escrevia com muita convicção em defesa da veneração dos
ortodoxos pelos ícones.

O imperador grego Leão Isauro que era veemente iconoclasta, ficou enfurecido com
aquilo que João escrevia. Ele ordenou que seu escriturário estudasse a letra de São João
e escrevesse uma carta em nome dele, endereçada ao imperador bizantino, onde ele
ofereça seus serviços a Izauro para derrubar o califa. Esta carta falsificada foi enviada
ao califa pelo imperador Leão como prova de sua lealdade a ele e traição de João de
Damasco.

O déspota oriental sem ter propriamente analisado o assunto ou ouvido as explicações


de João, ordenou que o trancassem na prisão e cortassem sua mão direita por ter,
supostamente, escrito aquela carta traidora. Tendo consigo na prisão o ícone da Mãe de
Deus, São João depositou diante Deus sua mão decepada e rezou longamente por sua
aflição. A Virgem Santíssima apareceu em sonho para o sofredor e olhando
carinhosamente para ele disse: "Eis sua mão curada, não se aflija mais." João despertou
e com alegre surpresa viu que a mão decepada estava novamente ligada ao pulso, como
antes. Ficou apenas uma estreita cicatriz lembrando a execução. Na abundância de tanta
alegria e gratidão à piedosa Defensora, fluiu do fundo da alma de João o Cântico: "Toda
criação se alegra em Tí, Oh Abençoada!"

A notícia sobre o milagre chegou aos ouvidos do califa, e ele, chamando João,
pacientemente investigou o caso e se convenceu de sua inocência. Reconhecendo sua
culpa perante João, o califa, para reparar a injustiça, ofereceu-lhe uma grande
recompensa e altas honras. Porém João recusou tudo, entendendo como os bens e
alegrias terrestres são temporários. Em agradecimento à Mãe de Deus ele encomendou
uma reprodução de sua mão feita de prata e a colocou ao ícone diante do qual aconteceu
o milagre. Este ícone recebeu o nome de "Três mãos."

São João distribuiu seus bens, e vestido como plebeu afastou-se para o mosteiro de São
Sabba o Santificado, 25 km distante de Jerusalém. Como João era muito famoso,
nenhum dos monges do mosteiro queria ser supervisor em seu trabalho de penitência.
Finalmente um ancião concordou em gerenciá-lo com a condição de que João, por
humildade, não escrevesse mais nada. Ele concordou e começou a trabalhar no
mosteiro, igual a qualquer frade comum.

Após alguns anos, um monge amigo de João ao perder o pai, pediu que escrevesse
alguma oração póstuma para o pai. Num momento de inspiração São João escreveu
cânticos os quais até hoje são cantados no templo durante o réquiem. Um desses
cânticos inicia-se com as palavras: "Como a doçura da vida existe quando não há
tristeza..." na interpretação do poeta Alexei Tolstoi:

"Que doçura existe nesta vida se não existe

tristeza?

Que expectativa não é em vão, e onde está o

limite das pessoas?

Tudo é mutável, tudo é nulo,

Aquilo que nós adquirimos com dificuldade

Que glória na terra

Se mantem firme e irrevogável?

Tudo são cinzas, ilusão, sombra e fumaça,

Tudo irá sumir, igual a um redemoinho

E estamos diante da morte de pó

E sem defesa e sem forças

A mão do vigoroso está fraca,

As ordens do reino são insignificantes

Recebe o servo adormecido,

Senhor, na habitação bendita!"

Ao saber que João violou a obediência a ele infligida e escreveu uma oração, o ancião
se enfureceu e queria expulsá-lo do mosteiro. Então toda a irmandade que alí habitava
começou a interceder por João. O ancião concordou em perdoar o desobediente com a
condição de que ele deveria limpar, com suas próprias mãos, todos os lugares sujos do
mosteiro. São João cumpriu humildemente essa ordem severa do ancião. Depois disso a
Mãe de Deus apareceu em sonho para o ancião e disse: "Não crie mais emprecílhos à
Minha fonte. Deixe que ela flua na Glória de Deus. Quando acordou, o ancião
compreendeu que a vontade de Deus era que João de Damasco se dedicasse ao serviço
de escritor.

Desde aquela época ninguém mais impediu João de escrever composições cléricas e
orações a serviço de Deus. Durante alguns anos de trabalho incessante ele enriqueceu a
Igreja com muitas composições, orações e cânones para missa, que até hoje enfeitam os
ofícios ortodoxos. Muitos cânticos de Páscoa, Natal e outras celebrações são de sua
autoria. Ele também compôs o "Octoechos" (oito tons) cantados durante as celebrações
dominicais. Tendo sido tocado pela teologia, São João de Damasco escreveu o famoso
livro "A verdadeira exposição da fé ortodoxa," no qual ele resume verdades
fundamentais do cristianismo. Faleceu no ano 777.

Troparion: Em Tí Ó Pai seremos salvos, através do símbolo: aceitamos a cruz, que é


conseqüência de Cristo, Que nos ensinou a desdenhar a carne e estarmos cientes da
nossa imortalidade. Unidos aos anjos ó venerável João.

São Nicolau o Milagroso.

19 dez, 22 maio (6 dez e 9 maio antigo cal.)

Nicolau de Mira o Milagroso é um santo especialmente amado pelos ortodoxos,


particularmente pelos ortodoxos russos. Em diferentes tribulações da vida e perigos pelo
caminho — ele é o santo que auxilia ràpidamente. Nasceu na Ásia Menor no final do
século 3. Desde pequeno ele já se destacava por sua profunda religiosidade e seu tio, o
bispo Patara, o aproximou de sí e quando ainda bem jovem nomeou padre.

Após a morte dos pais São Nicolau herdou uma grande fortuna a qual começou a
distribuir aos pobres. Ele procurava ajudar as pessoas em sigilo para que eles não lhe
agradecessem. O acontecimento a seguir ilustra como ele ajudava àqueles que se
encontravam na miséria.

Na cidade de Patara vivia um homem muito rico, o qual possuía três filhas. Quando as
moças atingiram a idade adulta os negócios do pai começaram a ir de mal a pior, a tal
ponto que ele ficou totalmente em bancarrota. Foi então que nasceu dentro dele um
plano criminoso: ele se aproveitaria da beleza de suas filhas para conseguir meios para a
sobrevivência. São Nicolau ficou sabendo desses planos e decidiu salvar o pai e as
filhas dessa vergonha. Durante a noite aproximou-se furtivamente da casa do
comerciante arruinado e atirou pela janela um saco contendo moedas de ouro. Ao
encontrar o saquinho, o comerciante feliz, concedeu a mão de sua filha mais velha em
casamento, dando-lhe o enxoval necessário. Após um curto prazo de tempo São Nicolau
jogou o segundo saquinho de moedas para o comerciante, o qual comprou o enxoval de
sua segunda filha e ela também se casou. Quando São Nicolau estava arremessando o
terceiro saquinho para o enxoval da filha mais nova, o comerciante que o espreitava, viu
seu gesto. Atirou-se aos pés do santo e com a voz embargada pelas lágrimas agradecia
pela salvação de sua família do terrível pecado e da vergonha. Depois de ter ajeitado a
vida das filhas, o comerciante, após algum tempo, arrumou seus negócios e começou a
ajudar as pessoas, imitando seu benfeitor.

São Nicolau desejava visitar lugares santos e com esse objetivo pegou uma embarcação
em Patara, a qual se dirigia à Palestina. A viagem transcorria tranqüilamente, mas São
Nicolau através de uma revelação especial tomou conhecimento da iminência de uma
tempestade. Isso foi comunicado aos companheiros. Dito e feito; logo rebentou uma
terrível tempestade e a embarcação transformou-se em um brinquedo indefeso das
enormes ondas desenfreadas. Sabendo que São Nicolau era um sacerdote, todos pediam
que ele orasse pela salvação. Através da oração do santo o vento logo diminuiu e veio
uma imensa tranqüilidade. Um dos marinheiros que foi atirado pelo vento da vela sobre
o convés morreu. São Nicolau o ressuscitou através de sua oração.

Após a veneração aos lugares santos, São Nicolau queria retirar-se ao deserto e passar a
vida longe das pessoas. Mas esse não era o desejo de Deus, Que o predestinou a ser um
bom pastor. O santo ouviu uma voz que o mandava voltar à sua pátria e servir ao
próximo.

São Nicolau não queria morar na cidade, onde as pessoas o conheciam e o elogiavam.
Assim ele foi para uma cidade chamada Mira não muito distante dalí. Era a principal
cidade da região de Lícia. Alí havia cátedra episcopal. O santo se instalou em Mira
como mendigo. Amando a igreja, ele a freqüentava diariamente, tão logo eram abertas
as portas.

Nesta época faleceu o bispo de Mira, e os bispos das regiões vizinhas reuniram-se para
eleger seu sucessor. Eles não chegaram a nenhuma decisão até que alguém deles
sugeriu: "o Senhor Deus deverá Ele próprio indicar Sua escolha. Irmãos, vamos rezar,
jejuar e aguardar o desígnio de Deus." E realmente o mais velho dos bispos teve a
revelação de Deus, de que o primeiro homem que entrasse na igreja deveria ser o bispo.
Ele relatou aos outros bispos a esse respeito e antes do início do ofício matinal prostrou-
se diante da entrada da igreja, aguardando o escolhido de Deus. São Nicolau, como de
costume, foi o primeiro a chegar para rezar. Quando ele estava entrando no templo, o
bispo o deteve perguntando: "Como é seu nome?" São Nicolau humildemente disse seu
nome.

"Siga-me, meu filho,"disse o bispo tomando-o pela mão e dirigindo-o para dentro da
igreja comunicou que ele seria ordenado bispo de Mira. São Nicolau têve medo de
aceitar tão alto cargo hierárquico, mas precisou conceder ao desejo dos bispos e do
povo.

Quando Nicolau tornou-se bispo disse a sí mesmo: "Até agora eu pude viver para mim e
pela salvação de minha alma, mas agora, cada minuto da minha vida deverá ser doado
aos outros." E de fato, esquecendo-se de sí próprio, o santo abriu suas portas a todos e
tornou-se pai de todos órfãos e mendigos, defensor dos oprimidos e benfeitor para
todos. Pela descrição dos contemporâneos ele possuía um caráter humilde, dócil, usava
as mais simples vestes, alimentava-se apenas uma vez ao dia, ao anoitecer, de comidas
de quaresma.

Quando começou a perseguição à Igreja durante o reinado de Deocleciano (284-305), o


santo foi encarcerado. Alí também, esquecendo-se de sí próprio, ele, através de palavras
ou exemplos, ajudava os cristãos que sofriam com ele. Porém, Deus não queria que ele
morresse martirizado. O novo imperador Constantino complacente com os cristãos
permitia que eles expressassem abertamente sua convicção religiosa.

Aí então São Nicolau conseguiu voltar à sua paróquia. Fica difícil relatar todos os casos
de ajuda e de milagres que ele realizava. Um dia começou a fome em Lícia. São Nicolau
apareceu em sonho a um comerciante, o qual estava carregando seu navio de pão na
Itália, lhe deu moedas de ouro e ordenou que rumasse para a cidade de Mira, em Lícia.
Ao acordar e encontrar em sua mão moedas de ouro, o comerciante se apavorou e não
ousou desobedecer às ordens do santo. Ele levou seu pão ao país em crise de fome e
contou ao povo sobre sua maravilhosa visão, graças à qual ele chegou até eles.

Naquele tempo em muitas igrejas estouraram grandes agitações devido às heresias


arianas (de Arius), as quais negavam a Divindade do Senhor Jesus Cristo. Para
reconciliar a Igreja, o imperador Constantino o Grande convocou o Concílio
Ecumênico, o qual se reuniu na cidade de Nicéia no ano de 325. Dentre os presentes
encontrava-se também São Nicolau. O Concílio Ecumênico condenou a heresia de Arius
e compôs "o Símbolo da Fé," o qual formula em palavras preciosas a fé ortodoxa no
Senhor Jesus Cristo como o Filho Unigênito de Deus, possuindo a mesma essência que
o Deus Pai. Durante o debate São Nicolau, ouvindo as blasfêmias de Arius ficou tão
indignado que diante de todos, deu-lhe um tapa no rosto. Por ter rompido a ordem São
Nicolau foi removido pelo Concílio do cargo episcopal. Entretanto, logo depois do
sucedido, alguns dos membros episcopais tiveram uma visão, onde eles podiam ver o
Senhor Jesus Cristo entregando a São Nicolau o Evangelho e Nossa Senhora dando-lhe
a estola. Os bispos puderam entender o quanto as idéias heréticas de Arius eram
incompatíveis com a verdade de Deus e restabeleceram São Nicolau ao título de bispo.

Da vida de São Nicolau sabe-se que certa vez o rei, sob falsa acusação condenou três
guerreiros à morte. Lembrando-se dos milagres de São Nicolau, eles clamaram por sua
proteção. Após a oração, São Nicolau apareceu em sonho para o rei e ordenou que ele
soltasse seus fiéis criados, ameaçando-o de punição caso ele desobedecesse. "- Quem é
você, — perguntou o rei, — que ousa exigir algo de mim?" "Eu sou Nicolau, arcebispo
da cidade de Mira" — respondeu o santo. Não ousando desobedecer a ordem, o rei
examinou o caso atentamente e libertou os guerreiros com as devidas honras.

Certa vez um navio estava navegando do Egito para a Líbia, levantando-se uma terrível
tempestade e o navio começou a afundar. Algumas pessoas lembraram-se de São
Nicolau e começaram a pedir sua ajuda em oração. E eis que eles o vêem caminhando
rapidamente sobre o mar revolto, subir para o navio e assumir o leme. A tempestade se
acalmou e o navio chegou perfeitamente ao porto.

São Nicolau morreu com idade bastante avançada, em meados do século 4, mas sua
ajuda não terminou com sua morte, e sim tornou-se mais forte ainda. No decorrer de
cerca de mil e quinhentos anos ele permanece como o mais rápido ajudante de todos
aqueles que chegam a ele por intermédio da oração. Casos a respeito de sua intercessão
compõem uma volumosa literatura e o amor dos ortodoxos por ele cresce cada vez mais.

Quando os saracenos devastaram Lícia em 1087, São Nicolau apareceu em sonho para
um padre virtuoso da cidade de Bari (Itália) e ordenou que suas relíquias fossem
transferidas para essa cidade. Essa ordem do santo foi imediatamente cumprida e desde
então suas relíquias repousam em um templo na cidade de Bari. Dessas relíquias flui
Mirra de cura. Este evento é comemorado no dia 22 de maio pelo calendário
contemporâneo.

Troparion: Modelo da fé e imagem da humildade, professor moderado, faça aparecer


ao teu rebanho a verdade de todas as coisas: pela humildade alcançou as alturas, pela
pobreza a riqueza. Santíssimo Nicolau, suplica a Cristo Deus que nossas almas sejam
salvas.
Santo Ambrósio de Mediolano.

20 dez. (7 dez. antigo calendário)

Santo Ambrósio nasceu no ano de 340 no norte da Itália. Pertencia a uma família
romana rica e conhecida. Recebeu uma magnífica formação jurídica e logo se elevou e
no 370 ocupou o cargo de governador da província de Ligúria e Emília. Certa vez na
principal cidade de Ligúria aconteciam as eleições para bispo, e entre os ortodoxos e
arianos aconteciam sérias discussões. Ambrósio apareceu no templo para estabelecer
ordem e repentinamente, uma voz como se fosse uma criança, soou: "Ambrósio é o
bispo." Tanto o povo como o próprio imperador Valentim, viram nisso a escolha de
Deus. Inutilmente Ambrósio procurava dissuadir seus compatriotas e até sumiu de
Milão. Nessa época ele ainda era catecúmeno (que se prepara para o batismo. Naquele
tempo muitos adiavam o batismo até a idade madura). Ele foi forçado a concordar com
a escolha unânime. Foi batizado e durante oito dias passou por todos os graus
necessários dentro da igreja e foi consagrado bispo no ano 374.

A primeira coisa que ele fez após a consagração foi distribuir todos seus bens aos
pobres. Depois passou a estudar fervorosamente a Sagrada Escritura e os trabalhos
feitos pelos pais da Igreja oriental. Somente depois disso ele iniciou seu trabalho como
bispo.

Santo Ambrósio lutou com valentia contra a heresia ariana, a qual era protegida pela
imperatriz Justina. Em comemoração à vitória contra o arianismo ele compôs o hino
"Louvamos a Ti, Ó Deus," o qual até hoje é cantado durante as missas de
agradecimento. Por sua insistência foi riscado o título pagão do Pontífice Maximo do
imperador, os padres pagãos e os templos idólatras foram privados do suporte financeiro
governamental, foi apagado o, assim denominado, fogo sagrado, e a estátua da Vitória
foi tomada do senado.

Santo Ambrósio tornou-se modelo de estabilidade sacerdotal quando decidiu não


permitir a entrada do imperador Teodósio no templo após um massacre sangrento dos
tessalonianos revoltados contra ele. Ambrósio disse ao imperador: "Uma pessoa que
tenha derramado tanto sangue, não poderá estar dentro do templo de Deus." O
imperador replicou: "Davi também pecou, mas não foi privado da graça de Deus." Ao
que Ambrósio respondeu: "Você imitou Davi no crime, imite-o também no
arrependimento," e inflingiu-lhe, uma penitência para reconciliar com Deus e com a
Igreja.

No ano 387 sob a influência das pregações de santo Ambrósio, santo Agostinho passou
a crer e recebeu o batismo, tornando-se depois bispo e um grande teólogo da Igreja
ocidental.

Os últimos anos de sua vida, santo Ambrósio passou em constantes orações, aguardando
com tranqüilidade e alegria o seu fim, o qual chegou no ano 397. Santo Ambrósio é
profundamente venerado pela Igreja entre outros grandes teologistas e pais espirituais.
Ele também é renomado como reorganizador de cânticos religiosos: ele introduziu ritmo
compassado e melodias variadas nos cânticos. Muitos textos musicais ele copiou do São
Efrem da Síria e do São Ilário, mas também ele escreveu cerca de 30 hinos.

Kondaquion: Brilhando com o dogma divino, obscureceu a falta de Arius e sacerdote


Ambrósio, operando milagres pelo poder do Espírito, curou diversas paixões, roga a
Cristo Deus pela salvação de nossas almas.

Bendita Angelina.

23 dez. (10 dez. antigo calendário)

Santa Angelina era filha do famoso herói albaniano George Skenderberg (1414-1467).
Ela casou-se com o sérbio autoritário São Stefano que era filho do príncipe George
Brankovitch. Nessa época a Sérbia já tinha sido conquistada pelos turcos os quais
fizeram Angelina e Stefano sofrerem muitas tribulações e em seguida passaram por
humilhante expulsão para a Itália. Em meio a todas essas tribulações o santo casal
educava seus dois filhos no verdadeiro espírito cristão. São Maxim tornou-se bispo e
São João foi o último governador da Sérbia (desde 1493) antes de um longo período de
sua subjugação.

Após a morte do marido, Santa Angelina tornou-se freira e ficou conhecida por suas
boas ações e caridade. Ficou conhecida principalmente por sua preocupação com os
mosteiros sérbios e russos. Percebendo que já não tinha forças suficientes para ajudar a
todos mosteiros, ela enviou uma mensagem comovente ao grande príncipe de Moscou,
Basílio III, que dizia: "Nossa potência está declinando e a vossa se elevando. Tomai
então sobre vós nossas responsabilidades e cuidados com as santas Igrejas e mosteiros
os quais foram criados por nossos virtuosos ancestrais." Com os meios doados pelo
príncipe Basílio, Santa Angelina construiu o mosteiro de Krusedol, onde posteriormente
foram depositadas suas santas relíquias, assim como as relíquias de seu marido, São
Stephan e príncipe João. Seus nomes são associados à proteção dos sérbios contra os
infiéis. Nos anos do domínio dos turcos o povo sérbio dirigia-se a eles com a oração
pela libertação dos conquistadores. Até mesmo os incrédulos recebiam a cura e se
admiravam com a grandeza da fé cristã.

Santa Angelina, juntamente com Santa Militza são as mais amadas e reverenciadas na
Sérbia. O povo a chama de "maika" (matushka) Angelina.

São German do Alasca.

25 dez. (12 dez. antigo calendário)

Na segunda metade do século 18, empresários industriais russos descobriram as ilhas


Aleusias que no oceano Pacífico formam algo parecido com uma longa corrente que vai
desde a costa oriental de Kamshtka até a costa ocidental da América do Norte. Após o
descobrimento dessas ilhas tornou-se indispensável iluminar com o Evangelho seus
habitantes selvagens, os quais tornaram-se súditos da Rússia.
Para este trabalho apostólico o Santo Sínodo encarregou o ancião Nazarius do mosteiro
de Balaão de escolher os monges mais capacitados de lá. Assim, em 1793 formou-se
uma missão espiritual composta por 10 monges, a qual foi enviada para propagar a
palavra de Deus aos habitantes selvagens da América do Norte. No meio dos membros
dessa missão encontrava-se o monge de 33 anos de idade chamado German, de uma
família de comerciantes.

Graças ao empenho desses monges missionários a fé cristã foi rapidamente se


espalhando entre os novos filhos da Rússia. Alguns milhares de pagãos tornaram-se
cristãos; foi inclusive organizada uma escola para construir as recém-batizadas crianças
e erguida a primeira Igreja.

Após seis anos, padre German escolheu como seu lugar de isolamento uma ilha de
nome Yelovoi a qual ele chamou de Nova Balaão. Essa ilha era separada da principal
ilha Kodiak por um estreito de 2 km. Era pequena, toda coberta por uma floresta, com
um córrego que passava bem no meio. Nessa ilha o venerável German viveu por cerca
de 40 anos. Ele usava a mesma roupa no inverno e verão. Seu leito era um pequeno
banco, coberto com pele de cervo e como travesseiro dois tijolos. Em lugar de cobertor,
ele cobria-se com uma taboa de madeira, a qual ele pediu que, após sua morte, cobrisse
seus restos mortais. Para maior ascetismo São German debilitava seu corpo usando
pesadas correntes que estão junto às suas relíquias no templo na ilha Kodiak.

Sendo muito carinhoso e acessível, São German com os anos tornou-se como se fosse
verdadeiro pai para os aleutas. Ele atendia prontamente a seus apelos e dificuldades,
defendia os culpados perante seus chefes, protegia os ofendidos e mal-tratados, ajudava
os necessitados, o tanto quanto podia. Os aleutas junto com os seus filhos, sempre o
visitavam. Alguns pediam conselhos, outros lamentavam-se por ofensas, outros ainda
procuravam proteção ou auxílio — o ancião se esforçava em ajudar a cada um e a todos.

O amor de São German pelos aleutas chegava à abnegação. Durante uma epidemia de
doença mortal, a qual aniquilava os aleutas em um mês, São German, esquecendo-se de
si mesmo, incansavelmente visitava os doentes, aconselhando-os a terem paciência e a
rezarem, ao arrependimento e preparava os que estavam morrendo para partirem.

Especialmente cuidava da situação moral dos aleutas. Com esta meta ele organizou uma
escola para os órfãos aleutas aos quais ele ensinava as Leis de Deus e cânticos
religiosos. Com esse mesmo intuito, nos domingos e feriados ele reunia o povo numa
capela perto de seu alojamento para oração comunal. Ali seus alunos, um a um, liam
preces e o ancião lia o livro dos Apóstolos, o Evangelho e os instruía. Durante a missa
os órfãos ensinados por ele, cantavam de maneira agradável e harmoniosa. Os aleutas
gostavam muito das palestras do padre German e em grande quantidade vinham até ele.
Essas palestras produziam uma impressão inesquecível nos ouvintes.

Também marinheiros russos vinham até o padre German no Alasca. Certa vez, ele foi
convidado a visitar uma fragata, vinda de São Petesburgo. O capitão do navio, um
homem extremamente culto, foi enviado à América pelo rei da Rússia para inspecionar
as colônias. Junto com o capitão havia 25 subordinados, também dotados de cultura.
Nessa companhia encontrava-se um modesto monge, de baixa estatura, vestindo roupas
muito velhas e surradas, o qual levou seus interlocutores à perplexidade com suas
palavras sábias. O próprio capitão contava: "Nós estávamos embaraçados; tolos diante
dele!" Padre German perguntou-lhes: "O que vocês mais gostam e o que cada um de
vocês desejaria para sua felicidade?" As respostas vieram em abundância. Alguns
desejavam a riqueza, título, outros, belas esposas, e uma linda embarcação e assim por
diante. "Vocês concordam, — disse-lhe padre German, que todos seus desejos e
aspirações podem ser levados a um só ponto: cada um de vocês aspira aquilo que, ao
seu entender, considera melhor e mais digno no amor?" — "É isso mesmo," —
respondiam todos. "O que vocês dizem, — continuava ele, — talvez seja melhor de tudo
e preferencialmente mais digno do que o amor, do que o próprio nosso Senhor Jesus
Cristo, o Qual nos criou, adornou tudo com perfeição, deu vida, conserva, alimenta e
ama tudo; Aquele que é o próprio amor e o melhor de todos? Não teríamos então que
amá-Lo mais do que tudo, acima de tudo e sempre procurá-Lo?"

Todos responderam:"É claro, sem dúvida!" "Isso compreende-se sem precisar dizer!" O
ancião então perguntou: "Será que vocês amam a Deus?" Todos responderam: "Claro
que amamos a Deus. Como não amá-Lo?" — "Pois eu pecador, há mais de quarenta
anos me esforço para amar a Deus, e não posso dizer que o amo por completo?" —
replicou padre German e se pôs a explicar como se deve amar a Deus. "Se nós amamos
alguém, nós sempre nos lembramos desse alguém, nos empenhamos em agradá-lo, dia e
noite nosso coração se preocupa com ele e será que é assim que vocês amam à Deus?
Vocês se dirigem a Ele com freqüência? Lembram sempre Dele? Rezam sempre para
Ele e cumprem Seus santos mandamentos?"- Todos reconheceram que não! "Para o
nosso bem, para nossa felicidade, pelo menos prometam a si mesmos que, a partir de
hoje, deste dia, deste minuto, vamos nos empenhar a amar a Deus — acima de tudo, e
cumprir Sua santa vontade!"

Vejam que belo diálogo São German mantinha com as pessoas. Sem dúvida nenhuma,
esta conversação deveria ficar impressa nos corações dos ouvintes pelo resto de suas
vidas.

Em geral o padre German era loquaz, falava com inteligência, sensatez e eloqüência.
Mais do que tudo falava da eternidade, da salvação, da próxima vida, da providência de
Deus; contava muito sobre a vida dos santos, de outros livros sagrados, mas nunca
falava nada de excedente. Era tão agradável ouvi-lo falar que seus interlocutores, até
mesmo os aleutas e suas esposas, com freqüência se entretinham ao ponto de relutarem
em deixá-lo já ao alvorecer.

Padre German era de baixa estatura, e rugas cobriam o rosto pálido; os olhos azul-
acinzentados possuíam um brilho especial e todos os traços do rosto do ancião
revelavam que ele possuía dentro de si a graça de Deus. Seu discurso não era feito em
alta voz, mas era muito agradável. O caráter manso, dócil e tranqüilo, o olhar atrativo e
humilde, o sorriso simpático e as palavras carinhosas atraíam todos com um imã.

Tendo se consagrado plenamente a serviço do Senhor e passado décadas em privações e


tribulações multiformes, São German recebeu de Deus o dom da sagacidade e dos
milagres. Quando se aproximou do tempo de sua partida deste mundo, São German
pediu ao seu discípulo Gerasin que acendesse velas diante dos ícones e lesse o livro dos
Atos dos Apóstolos. Após algum tempo seu rosto clareou e ele falou em alta voz:
"Glória a Ti, Ó Senhor!" Em seguida o ancião deitou sua cabeça sobre o peito de
Gerasin, e a cela recendeu a incenso aromático. Nesse instante o rosto de São German
se iluminou, e ele partiu em paz para o Senhor, em dezembro de 1837, aos 81 anos de
sua vida virtuosa. Na hora de sua morte o povo que vivia nas proximidades viu um pilar
iluminado que subia da Ilha para os céus. Para eles esse foi o Sinal de que São German
passou para um mundo melhor, o qual ele aspirava desde a mocidade.

Até hoje os aleutas ortodoxos veneram a memória de São German, e ao batizarem suas
crianças, lhes dão seu nome em sua honra.

Resumo dos Preceitos de São German

1. Dê um passo decisivo.

"O que ;e que você ama mais de tudo e o que desejaria para sua felicidade? É verdade
que dentre todos os variados desejos é possível selecionar um? Cada um de nós deseja
aquilo que considera melhor e mais querido? O que pode ser melhor, maior do que tudo
superior a tudo do que o Próprio Jesus Cristo nosso Deus, Aquele que criou o céu,
enfeitou e deu vida a tudo, sustenta e alimenta tudo, ama tudo. Aquele que é o Próprio
Amor — o melhor de todos.

Não deveríamos então amar a Deus acima de todas as coisas, mais do que tudo desejá-
Lo e procurá-Lo? Eu, pecador, há mais de quarenta anos aspiro aprender como amar a
Deus, e não posso dizer que O amo por completo! Como nós devemos amar a Deus? Se
nós amamos alguém, nós sempre nos lembramos desse alguém, fazemos de tudo para
agradá-lo, dia e noite nosso coração se preocupa com ele. Será assim que vocês amam a
Deus? Lembram sempre Dele? Rezam sempre para Ele e cumpre Seus santos
mandamentos?

Para o nosso bem, para nossa felicidade, pelo menos prometam a si mesmos que a partir
de hoje, deste dia, deste minuto — nós vamos nos empenhar a amar a Deus acima de
tudo e a cumprir Seus mandamentos!"

2. Tenha fé consciente

"A fé e o amor a Cristo fazem o verdadeiro cristão.

Conforme a palavra do Próprio Salvador, nossos pecados não nos impedem de sermos
bons cristãos. Ele disse: "Não vim para chamar os justos, mas para salvar os pecadores"
"Existe imensa alegria no céu por um pecador que se arrependeu do que por 99 justos
que não necessitam de arrependimento." Ele também disse ao fariseu Simão e à mulher
pecadora que lavou seus pés: "Àquele que ama muitas dívidas são perdoadas, mas
àquele que não tem amor até as pequenas são cobradas." Através desse conceito o
cristão deve ter esperança e alegria e de maneira alguma dar atenção às coisas que
causam o desespero. Aqui é necessário ter o escudo da fé, "(o qual nos tempos atuais é a
essência: conhecimento e amor à Ortodoxia, os ofícios, às tradições e à história e
compreensão clara sobre o lado espiritual dos hereges, seitas, ecumenismo, comunismo,
tudo que atualmente acontece na Rússia e no mundo inteiro. Isto é escudo da fé —
red)."
3. Esteja em constante batalha

"Nós não estamos nos debatendo em um mar de ondas revoltas, mas sofremos e
erramos, de acordo com as palavras dos Apóstolos. Embora não tenhamos as bênçãos
que os santos apóstolos possuíam, temos de lutar (como eles o fizeram) contra os
mesmos princípios descarnados e autoridades ao poder administrativo das trevas dos
nossos tempos, aos espíritos malévolos do mundo os quais tentam interceptar, segurar e
não soltar mais a todos aqueles que seguem o caminho da pátria celeste. O Apóstolo
Pedro dizia: "nosso inimigo, o diabo, vagueia igual a um leão rosnando, à procura de
alguém para devorar."

O pecado, para aquele que ama a Deus, é igual a uma flecha do inimigo numa batalha.

4. Tenha um objetivo na vida

"O verdadeiro cristão é um soldado atravessando um regimento invisível de inimigos,


para chegar à sua pátria Celeste.

Aspirações vãs dos nossos tempos nos distanciam da pátria Celeste. Nosso apego a
essas aspirações, e o costume revestem nossa alma como se fosse uma veste ignomínia.
Os Apóstolos chamavam isso de "pessoa externa." Em nossa caminhada por esta vida
mundana, pedindo a ajuda de Deus, devemos remover a tal infâmia e nos vestir de
novas aspirações, em novo amor do próximo século (alcançar o Espírito Santo) e através
disso percebermos se estamos nos aproximando da nossa pátria Celeste ou estamos nos
afastando. (São João de Kronshtat aconselhava que para isto deveríamos manter diários
espirituais, os quais o ajudaram muito a alcançar a habilidade para a vida espiritual).
Mas isso não pode ser realizado rapidamente; devemos seguir o exemplo dos enfêrmos
que querendo ser curados não cessam de procurar meios para isso."

5. Propague a verdadeira Ortodoxia.

"Oh, me encantei com meu espírito! Encontrando-me entre um bom tempo e um tempo
chuvoso, entre a alegria e tristeza, entre o suficiente e a carência, fartura e fome, calor e
frio, diante de todas minhas tristezas recebo algo que me alegra, quando ouço falarem
sobre pregações e remoção de diversos obstáculos!

Glória à providência do nosso Deus Misericordioso! Ele Que é impenetrável com Sua
providência, me mostrou uma nova cena, a qual eu jamais tinha visto, vivendo anos aqui
em Kodiak. Uma jovem senhora, que não me conhecia e nunca tinha me visto, veio a
mim e ao tomar conhecimento da encarnação do Filho de Deus e da vida eterna, foi
tomada por imenso amor por Jesus Cristo e não conseguia se afastar de mim. Eu, com
grande assombro, vendo tudo isto, lembro-me das palavras do Salvador: "Aquilo que é
oculto dos sábios e sensatos é revelado às crianças." Há muitas outras mulheres zelosas
e homens que gostariam de seguir seu exemplo...
Porém, aqueles que se afastaram da verdadeira Igreja Ortodoxa, encontram-se no
caminho errado!"

TROPARION: Abençoou os ascéticos dos desertos do norte e intercessor do mundo


inteiro, mestre da Ortodoxia, instrutor da piedade, adorno do Alasca e alegria da
América, venerável German, roga a Cristo Deus, para que salve nossas almas.

Mártires Eugênio e Outros.

26 dez. (13 dez. antigo calendário)

O começo do século 4, época do império de Dioclesiano (284-305) ficou marcado como


terrível pela brutal perseguição aos cristãos.

O imperador Dioclesiano desejava reacender a falida religião pagã, e por isso, no ano
302 emitiu um decreto que ordenava destruir templos Cristãos e privar os cristãos
trabalhistas. Logo após, ele emitiu um segundo decreto ordenando que fossem tomadas
todas medidas para persuadir os cristãos a renegarem sua fé e executar os que
desobedecessem.

O ódio dos pagãos pelos cristãos era muito grande para que essas ordens do imperador
ficassem inativas. Os inimigos do cristianismo denunciavam a qualquer um que podiam
e logo as prisões ficaram lotadas com bispos e cristãos, presbíteros e leigos. Na América
foi preso Auxentius, presbitério da igreja de Aravrak, o qual juntamente com outros
cristãos foi levado para a cidade de Saralione para ser julgado pelo juiz regional Lisius,
um atroz perseguidor dos cristãos.

Em Satalione as tropas eram comandadas por Eustratius que era cristão, bom marido e
devoto propagador da maneira de levar-se uma vida cristã. Ao tomar conhecimento de
que o presbítero Auxentius encontrava-se na prisão da cidade, Eustratius foi até ele e
pediu-lhe que rezasse para que o Senhor lhe deste forças e o preparasse para um final
martirizante. E então, quando o presbítero Auxentius juntamente com outros cristãos
prisioneiros foi a julgamento, Eustratius declarou-se cristão. Enfurecido Lisius ordenou
que fossem retirados todos os títulos militares de Eustratius e entregou-o às torturas.
Um amigo de Eustratius chamado Eugênio, que também era oficial militar quis
compartilhar com o destino de seu amigo e na presença de todos declarou ser cristão
também. Imediatamente ele foi acorrentado e junto com os outros jogado na prisão.

Na manhã seguinte todos prisioneiros foram levados à cidade de Nikopol. Os soldados


pelo caminho batiam nos mártires acorrentados, e em Eustrátios ainda calçaram botas
com pregos, os quais perfuraram seus pés. Seguindo por seu caminho de sofrimentos,
eles foram obrigados a passar por sua cidade de Aravrakin. Os cidadãos saíram de suas
casas para verem Eustratius, a quem todos amavam e respeitavam, mas não ousaram se
aproximar dele, pois tinham medo de atrair sobre si a fúria e perseguição das
autoridades.

Entretanto um tal de Mardarius ignorou o perigo. Tendo deixado sua família aos
cuidados de vizinhos piedosos e principalmente da Providência de Deus, ele seguiu seus
amigos que estavam prontos para receber a coroa do martírio. A todos as ameaças de
Lisius, Mardarius respondia humildemente: "Sou cristão." Após muitas torturas o
Presbítero Auxentius, Eugênio e Mardarius foram executados. Antes de sua execução
São Mardarius rogava ao Senhor: "Ó Senhor Deus Pai Todo Poderoso, Senhor Filho
Unigênito Jesus Cristo e Espírito Santo, Deus Uno, único Poder, tem piedade de mim
pecador, e através de caminhos conhecidos por Ti, salva-me Teu indigno servo, pois Tu
és abençoado pelos séculos, Amém" (esta oração de São Mardarius é lida na igreja após
a 3ª hora).

No lugar dos recém martirizados cristãos, trouxeram novos mártires, os quais estavam
prontos a gravar com seu sangue sua fidelidade e amor a Cristo. O governador Lisius,
vendo um crucifixo no peito de um de seus soldados Orestes, perguntou: "Será que você
é cristão? Orestes não negou: "Eu sou um servo de Deus Todo Poderoso," — respondeu
ele. Imediatamente ele foi agarrado e juntado aos outros mártires. Com prece nos lábios
ele entrou em uma fornalha incandescente e ali entregou sua alma ao Senhor.

Mais tarde, em memória dos cinco santos mártires (Eugênio, Auxentius, Eustratius,
Mardarius e Orestes), foi contruído um mosteiro no território do templo Olympus perto
de Tzargrad. Com as orações de São Eugênio e com ele os torturados mártires, Senhor,
salva nossas almas.

Profeta Daniel.

30 dez. (17 antigo calendário)

O profeta Daniel descendia de família nobre. Durante a conquista de Jerusalém por


Nabucodonosor no ano 606 a.C o jovem Daniel, juntamente com outros judeus foi feito
prisioneiro dos babilônios. Ali, Daniel, que tinha 15 anos e alguns jovens mais hábeis
entre os outros foram escolhidos para que na escola fossem preparados para servirem na
corte real.

Três amigos de Daniel estudavam com ele nessa escola, Ananias, Misael e Azariah. No
decorrer de alguns anos eles estudaram o idioma local e várias matérias caldenses. Ao
ingressarem nas escolas esses três jovens foram transferidos para Shadrach, Meshac e
Abadnego. Porém, ao adotarem nomes pagãos, os jovens não traíram a religião de seus
pais. Com receio de se contaminarem com a comida dos pagãos persuadiram seu
educador a deixá-los se alimentarem de simples vegetais em lugar da comida vinda da
mesa real, salpicada de sangue do sacrifício de idolatria. O educador concordou, sob a
condição de que após dez dias de alimentação de vegetais, ele iria verificar seu estado
de saúde. No final desse período de provas esses jovens estavam mais saudáveis do que
aqueles que se alimentavam de carne da mesa imperial, e então o educador os autorizou
a comerem aquilo que quisessem. Pela lealdade à verdadeira fé, o Senhor os
recompensou com sucesso nos estudos, e o rei da Babilônia, presente nos exames,
achou que eles eram mais inteligentes do que os sábios babilônicos.

Após o final dos estudos, Daniel juntamente com seus três amigos foi designado para
trabalhar na corte real e ali foi cortesão durante o reinado de Nabucodonosor e seus
cinco sucessores ficaram designados como cortesãos dignatários. Após a conquista da
Babilônia ele passou a ser o conselheiro do rei Darius com a habilidade de entender o
significado de visões e sonhos, e isto dói provocado através da explicação que ele deu a
Nabucodonosor sobre seus dois sonhos, os quais embaraçaram muito o rei (Dan. Cap. 2
e 3). No primeiro sonho, Nabucodonosor viu uma enorme e terrível estátua feita de
quatro metais. Uma pedra que rolou da montanha quebrou a estátua em pedaços e se
transformou em uma enorme montanha. Daniel explicou ao rei que estátua significava
os quatro reinos profanos os quais deveriam suceder um ao outro, começando com o
babilônio e terminando com os romanos. A misteriosa pedra que derrubou a estátua
simbolizava o Messias e a nova montanha que surgiu — simbolizava Seu Reino eterno
(a Igreja).

Em seu livro (que leva seu nome) o profeta Daniel fala sobre a bravura de seus três
amigos, os quais se recusaram a adorar o ídolo de ouro (Madruc) e por causa disso, a
mando de Nabucodonosor foram jogados em uma fornalha ardente. Mas um anjo de
Deus os manteve intacto no meio do fogo.

Detalhes sobre as atividades do profeta Daniel no decorrer de 7 anos durante o reinado


dos sucessores de Nabucodonosor (Evil-Meredah, Nereglizzar e Lavosvardah) — não
foram conservados. Nabonid, o assassino de Lavosvardah, nomeou seu filho como seu
vice. No primeiro ano de Baltazer, Daniel teve a visão dos quatro reinos, depois do que
ele viu Deus na imagem de "Alguém muito idoso" e se aproximando dele "o Filho
Homem, i. e. o Senhor Jesus Cristo."

Em seu livro o profeta Daniel registrou algumas visões proféticas que se referiam ao
dom do mundo e a segunda vinda de Cristo. O conteúdo do livro de Daniel tem muito
em comum com a Revelação do Evangelista João o Teólogo, que se encontra bem no
final da Bíblia.

Durante o reinado de Baltazar o rei Darius, o medo conquistou a Babilônia e foi aí que o
rei Baltazar morreu, como foi profetizado por Daniel. Enquanto o rei Baltazer comia e
bebia com seus convidados em uma festa, uma mão invisível escreveu três palavras na
parede: "Menê, Tequel e Peres." Ninguém conseguia interpretar essas palavras, mas
Daniel esclareceu: "Menê": Deus contou (os anos) de teu reinado e nele põe um fim;
"Tequel": foste pesado na balança e considerado leve demais; "Peres": teu reino ai ser
dividido e entregue aos medos e aos persas.

Diante de Darius, o medo, Daniel ocupou um importante posto governamental. Fidalgos


profanos invejaram Daniel e o caluniaram diante de Darius e conseguiram que ele fosse
jogado a leões famintos. Deus, porém, conservou Seu profeta intacto. Analisando o
acontecido, Darius ordenou que os caluniadores de Daniel fossem sujeitados à mesma
execução, e os leões imediatamente os dilaceraram. Pouco tempo depois, Daniel teve a
revelação sobre as 70 semanas, onde é indicado o tempo da primavera vinda do Messias
e o fundamento do Seu Reino (Igrejas) (Dan. 9). A explicação desta visão está na
segunda parte da brochura "Antigo Testamento sobre o Messias."

Durante o reinado de Ciro, Daniel manteve a mesma posição de cortesão. Não sem sua
influência o rei Ciro no ano de 536 publicou um decreto libertando os hebreus do
cativeiro. De acordo com a tradição o profeta Daniel mostrou a Ciro a profecia sobre ele
no livro do profeta Isaias o qual viveu cerca de 200 anos antes (44:28-45, 13).
Admirado com essa profecia, o rei reconheceu o poder de Jeová e mandou os judeus
construírem um templo em Sua honra em Jerusalém (1 Esd. Cap. 1). Durante esse
mesmo reinado, Daniel foi novamente salvo da morte, a qual o ameaçava por ter matado
o dragão que era divinizado pelos pagãos.

No terceiro ano do reinado de Ciro na Babilônia, Daniel foi honrado em receber a


revelação sobre o longo destino do povo de Deus e sobre os quatro impérios pagãos
(cap. 10-12). As profecias de Daniel sobre a perseguição dos que tinham fé se referem
ao mesmo tempo ao Antíoco Pifanes e o anti-cristo. Nada se conhece a respeito dos
anos subseqüentes da vida do profeta Daniel, exceto que, ele morreu muito velho. Seu
livro de profecia é composto de 14 capítulos. O Senhor Jesus Cristo em Suas
conversações com os judeus por duas vezes referiu-Se às profecias de Daniel.

TROPARION: Grandes são as realizações da fé! Na fonte de chamas, como água


refrescante, as três crianças se regozijavam, e o profeta Daniel foi pastor dos leões como
se fossem ovelhas. Pelas preces deles, Cristo nosso Deus, salva nossas almas.

Mártires Sebastião, Zoé e Outros.

31 dez. (19 dez. ant. calendário)

Sebastião, capitão da guarda imperial, Nicostratus o tesoureiro, sua esposa Zoe,


Tranquiliano e outros sofreram por Cristo em Roma diante do imperador Dioclesiano,
em torno do século 287,

Sebastião nasceu na cidade de Narbonésia na Gália. Ao terminar os estudos em Milão,


tornou-se chefe das tropas da guarda imperial. Ele professava secretamente sua fé em
Cristo e usava de todos os recursos para aliviar o sofrimento dos cristãos. Ele os
encorajava a serem firmes e a não temerem morrer pela fé. Santa Zoe que ficou muda
por seis anos, recebeu cura de Sebastião e passou a crer em Cristo juntamente com seu
marido e outros membros da família. Ao saberem que ela era cristã, submeteram-na a
torturas e a afogaram no rio Tibre.

Mais tarde Dioclesiano ficou sabendo que também Sebastião era cristão. O imperador
ordenou que ele fosse preso e executado. Amarraram São Sebastião a uma árvore e o
crivaram com flechas. Após isso eles ainda o apedrejaram. O mesmo suplício foi
aplicado a outros cristãos. O presbítero Tranquiliano foi apedrejado. Marcelino e
Marcus foram encostados a um tronco e seus pés foram pregados nele. No dia seguinte,
fincaram lanças neles. Nicostratis, Castorus, Cláudio, SIonforiano e Victoriano foram
afogados no mar. Tibúrcio foi cortado com uma espada. Castulus foi enterrado vivo. As
relíquias de Sebastião estão preservadas em Roma, em uma igreja com seu nome.

Troparion: Teus mártires Ó Senhor, em seus sofrimentos tendo recebido as coroas da


incorruptibilidade de Tí Deus nosso: possuindo Tua força, não foram suprimidos,
afligidos e destruíram as fracas audácias dos demônios. Através de suas súplicas salva
nossas almas.

O Grande Mártir Ignácio.

2 jan. (20 dez. antigo calendário)


São Ignácio, o que traz Deus consigo tem especial importância para nós, pois tinha
estreito relacionamento com os apóstolos, ouvia suas pregações sobre o cristianismo e
foi testemunha da expansão e desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs. Em
suas sete cartas ele imprimiu para nós a época apostólica.

São Ignácio nasceu na Síria durante os últimos anos da vida do Salvador. Sobre a
história de sua vida sabemos que ele foi aquela criança que o Senhor tomou em Seus
braços e disse: "Em verdade vos declaro, se não vos transformardes e vos tornardes
como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus" (Mat. 18:3). Jesus foi denominado
de "Portador de Deus" pois, Ele amava tanto o Senhor que era como se O carregasse em
Seu coração. São Inácio foi discípulo do apóstolo e evangelista João o Teologista.
Como podemos ver na carta de São Inácio aos smirnenses, ele era especialmente
próximo ao apóstolo Pedro e o acompanhou em algumas missões apostólicas. Não
muito distante da destruição de Jerusalém no ano 72 morria Evod, um dos setenta
discípulos de Cristo e São Ignácio o sucedeu na qualidade de bispo na cátedra de
Antíque, capital da Síria.

São Ignácio administrou a igreja de Antíoque por 40 anos (67-107). Numa visão
especial ele teve a honra de ver ofícios celestes e ouvir cânticos de anjos. De acordo
com aquilo que presenciou nessa visão, ele introduziu cânticos antífonas nas missas,
onde dois corais se alternavam como se um chamasse ao outro. Esses cânticos se
propagaram rapidamente na Igreja.

No ano 107 durante uma campanha militar contra os armênios o imperador Troiano
passando por Antioch foi comunicado de que São Ignácio pregava Cristo, ensinava a
desprezar a riqueza, preservar a pureza e não oferecer sacrifícios aos deuses romanos. O
imperador chamou o santo e exigiu que ele parasse de pregar Cristo; ele recusou-se a
cumprir essas ordens. Então ele foi acorrentado e enviado a Roma, onde foi colocado no
Coliseu para ser dilacerado por animais e entreter o público. Pelo caminho até Roma ele
escreveu sete cartas, as quais foram conservadas até nossos dias. Em suas cartas São
Ignácio pede aos cristãos para que não tentem livrá-lo da morte: "Imploro a vocês que
demonstrem amor a mim. Deixem-me ser alimento das feras, para que através deles eu
consiga alcançar a Deus. Eu sou o trigo de Deus. Que os dentes dos animais me triturem
e me tornarei pão puro de Cristo." Ao tomar conhecimento da valentia e coragem
Troiano parou com a perseguição aos cristãos. As relíquias do santo foram levadas para
Antioch e mais tarde trazidas de volta para Roma e depositadas na igreja do santo
mártir, papa de Roma.

Em sua carta aos Efésios, São Ignácio escreveu: "Preservem sua fé e amor e em seus
atos mostrem-se cristãos. A fé e o amor são essência do início e fim da vida. A fé — é o
início, e o amor — o final e ambos juntos são a essência da missão de Deus. Todo o
resto que se refere a boas ações procedem deles. Ninguém que adquire o amor não
odeia."

Kondaquion: O dia brilhante de seus gloriosos feitos, revela a todos sobre Aquele que
nascerá da Virgem, na ânsia de Sua presença, tu foste jogado para ser devorado pelas
feras. Por isso, tu foste chamado de portador de Deus, Oh glorioso Ignácio.
Mártir Virgem Juliana.

3 janeiro (21 dez. antigo calendário)

Mártir Juliana, filha de ricos pagãos nasceu na cidade de Nicomedia (Ásia Menor) no
ano de 286. Aos nove anos seu pai African a prometeu em casamento a um jovem de
origem nobre chamado Eleusius cujo pai era fidalgo da corte. Devido à pouca idade dos
dois o casamento dói adiado até sua maioridade. Durante os anos que seguiram Juliana
conheceu a fé cristã, acreditou e foi batizada. Eleusius se promoveu no serviço civil e
tornou-se governador de Nicomedia. Quando se aproximava a data do casamento,
Juliana começou a contar ao seu noivo pagão a respeito da fé cristã e tentou convencê-lo
a se batizar. Quando Eleusius se recusou, Juliana também desistiu de desposá-lo.

Grosseiro e descontrolado pela cólera, African, ao tomar conhecimento da união do


cristianismo desprezado por ele e da rejeição a tão invejado noivo, se enfureceu muito
com ela e começou a agredi-la. E Juliana dizia ao pai: "Venero a Cristo, amo a Cristo e
não tenho medo de suplícios por Ele."

Então, African mandou sua filha a julgamento ao próprio Eleusius. Encantado pela
beleza de sua ex-noiva, Eleusius em princípio tentou convencê-la carinhosamente a
renunciar a Cristo e a desposá-lo. Depois, vendo sua firme determinação começou a
ameaçá-la de diversas maneiras. Mas, nem o medo da morte foram capazes de fazer
Juliana renunciar a Cristo. Ela foi fortemente açoitada e torturada; em seguida foi
jogada em um calabouço. Ali uma nova provação aguardava Juliana: o demônio
apareceu em forma de anjo tentando convencê-la a ser razoável e firmar um pequeno
compromisso. Pelas palavras dele, Juliana adivinhando que era o inimigo que falava
com ela, rezou a Deus e o demônio sumiu envergonhado.

Vendo a firmeza da mártir de Cristo e os milagres durante as torturas, muitos moradores


de Nicomedia passaram a crer em Cristo. Todos foram decapitados. Depois disso
também executaram Juliana, a qual completava 18 anos. Isso aconteceu no ano de 304.

A santa mártir Juliana é venerada como padroeira da castidade e pureza. Partes de suas
relíquias são preservadas em muitas igrejas.

Kondaquion: Tu foste a virgem bela e mártir perseguida por teu divino amor. Tu foste
levada à câmara nupcial, onde tu pregas por aqueles que te honram. Juliana, que ajuda
os necessitados e cura os enfermos e a salvação aos que se aproximam de ti. Cristo
forneceu a divina felicidade e a vida eterna.

Santa Mártir Anastácia a Libertadora.

4 janeiro (22 dez. antigo calendário)

Santa Anastácia era filha de um famoso e rico pagão romano. Distinguia-se por sua
inteligência e beleza e teve uma educação excelente. Sua mãe, que era cristã, educou-a
de modo cristão, e Anastácia desde cedo amou a Cristo. Muito cedo também ela
conheceu as amarguras da vida. Sua mãe e seu professor preferido Crisógonus foram
presos por serem cristãos juntamente com outros cristãos. Visitando-os, Anastácia
desenvolveu um profundo sentimento de compaixão pelos pobres, ofendidos e afligidos
e tentava ajudá-los.

Quando a mãe de Anastácia morreu, imediatamente seu pai, contra sua vontade,
ofereceu-a em casamento a um rico pagão, mesquinho e cruel. O único consolo de
Anastácia era ajudar os pobres e visitar cristãos encarcerados. Dando altas gorjetas aos
guardas ela conseguia entrar facilmente na prisão. Receoso de que Anastácia gastasse
toda sua fortuna, seu marido passou a trancá-la em casa. Desprovida da chance de
visitar os aprisionados, ela escreveu para seu professor Crisógonus: "Roga a Deus por
mim; é por amor a Ele que estou sofrendo até a exaustão." O professor respondeu: "Não
se esqueça de que Cristo que caminhou sobre as águas é poderoso para acalmar
qualquer tempestade."

Pouco tempo depois o marido de Anastácia morreu no mar, e ela ficou totalmente livre.
Então ela já não se restringia mais apenas às prisões de Roma. Ela começou a visitar
prisões das cidades vizinhas, levando alimentos e roupas aos prisioneiros, cuidava de
suas feridas, pagava aos guardas para que tratassem os prisioneiros com menos
severidade. Por estas ações de amor ao próximo ela foi chamada de Libertadora (dos
cativos). Certa vez ao chegar à cadeia para visitar os prisioneiros, os quais tinha visitado
na véspera não os encontrou ali. Ao saber que todos eles foram executados durante a
noite, chorou amargamente.

O encarregado da prisão entendeu que Anastácia também era cristã e entregou-a para
ser julgada pela lei. Ela continuou fiel a Cristo. Foi condenada à execução: amarraram-
na a quatro pilares e colocaram fogo, para que morresse viva. Mas Deus Julgou
diferente: antes que a chama se propagasse, a santa alma de Anastácia tranqüilamente
partiu para o céu. Ela morreu pelo ano de 304.

Kondaquion: Aqueles que vivem em tentações e aflições chegam até seu templo e são
restaurados pela graça que habita em ti, Ó Anastácia, espalha a cura pelo mundo.

Venerável Mártir Eugênia.

6 janeiro (24 dez. antigo calendário)

Santa Eugênia nasceu em Roma, no ano 183. Seu pai Felipe, era governador no Egito e
vivia com sua família na cidade de Alexandria. Eugênia recebeu uma excelente
educação cultural. Ela era bela, mas não pensava em se casar. Conforme os escritos do
apóstolos Paulo, Eugênia queria se tornar cristã com todo ardor de seu coração.

Desejando devotar sua vida a Deus, Eugênia, aos 16 anos passou a se vestir como
homem e secretamente abandonou o lar paterno, acompanhada de dois escravos-
eunucos: Protus e Iacintus. Passando-se por rapaz, ela dirigiu-se a São Elias com o
pedido de ser batizada e abençoada para a vida monástica. O santo entendeu seu
segredo, mas batizou-a com o nome masculino de Eugênio. Seus escravos também
foram batizados. Depois disto o santo os consagrou como monges (inclusive Eugênia).

A virgem bendita, escondia-se sob as vestes monásticas protegida no ascetismo


voluntário e nas rigorosas façanhas do jejum e orações. Seus feitos foram do agrado de
Deus e ele então lhe concedeu o dom da cura. Após alguns anos, quando faleceu o padre
superior do mosteiro, a irmandade pediu que Eugênia o sucedesse. Ela abriu o
Evangelho e leu: "Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso
servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. (Mat. 20:26-
27). Entretanto ela foi obrigada a concordar à resolução deles de se tornar o Padre
Superior, e assumindo este cargo, dobrou seu fervor ascético. Todos, menos seus
antigos escravos, a consideravam como monge.

Certa vez, veio até Eugênia uma viúva doente, Melânia, pedindo ajuda, e Eugênia a
curou com o sinal da Cruz. Por influência do demônio, Melânia se enfureceu contra
Eugênia e caluniou por violência. Ela foi levada à corte ao Luiz Felipe, que era seu
próprio pai. Durante o julgamento o juiz reconheceu sua filha perdida, Eugênia, e
Malânia foi condenada por calúnia. Tendo encontrado aquela quem eles tanto
procuraram e por quem choraram, os pais de Eugênia, maravilhados com sua beleza
espiritual, creram em Cristo e foram batizados. Em pouco tempo os cristãos de
Alexandria elegeram Felipe como seu bispo. Mas não durou muito seu bispado, pois o
novo governador enviou assassinos, os quais o feriram mortalmente e ele morreu em
262.

Após a morte do pai Eugênia juntamente com sua mãe Claudia voltou à sua terra natal
perto de Roma. Claudia instituiu uma casa de refúgio e atendia às viúvas. Depois,
durante o império de Galian (260-268) ela sofreu martírios. Basília, órfã descendente de
família imperial romana, foi batizada por Eugênia. Seu noivo enfurecido queixou-se ao
imperador Galian dos cristãos que pregavam o celibato. Basília recusou-se em obedecer
as ordens do imperador e casar-se. Por essa razão foi executada. Os monges Protus e
Jacintus, associados a santa Eugênia, foram decapitados. Quando Eugênia foi levada ao
templo de Diana para se sacrificada, o templo desmoronou. Culparam Eugênia por
bruxaria e a jogaram no rio Tigre com uma pedra no pescoço. Mas a corda se
desamarrou e Eugênia saiu ilesa. Finalmente em 25 de dezembro de 262 ela foi
decapitada. Como, mais tarde, nesse dia começaram a festejar a Natividade de Cristo, o
dia da memória de santa Eugênia foi transferido para a véspera. Suas relíquias se
encontram depositadas em Roma, na igreja dos santos Apóstolos. Após sua morte,
Eugênia apareceu à sua mãe em grande glória e a confortou.

TROPARION: Tua cordeira Eugênia, Ó Jesus, clama por Ti em alta voz: Tu meu
Noivo, à Tua procura sofro, sou martirizada por Teu batismo, morro por Ti e vivo
Contigo, recebe-me, com amor me sacrifico por Ti. Através de Tuas preces, salva
nossas almas.

O Santo Protomártir Estevão o Arcediácono.

9 de janeiro (27 dez. ant. calendário)

São Estevão descendia dos judeus que viviam no estrangeiro, ou seja, fora da Terra
Santa. Tais judeus eram chamados de helenistas, pois havia neles a influência da cultura
grega que dominava no império romano. Após a descida do Espírito Santo sobre os
apóstolos a Igreja começou a crescer rapidamente e surgiu a necessidade de se cuidar
dos órfãos, viúvas e pobres em geral, que foram batizados. Os apóstolos sugeriram que
os cristãos escolhessem sete homens justos para cuidarem dos necessitados. Esses sete
homens foram ordenados diáconos (o que significa ajudantes, servidores) e então foram
considerados pelos apóstolos como seus auxiliares mais próximos. Dentre os diáconos
um se destacou por sua fé inabalável e dom da palavra: o jovem Estéfano, chamado de
arcediácono, ou seja, primeiro diácono. Em pouco tempo os diáconos, além do auxílio
aos pobres, passaram a participar assiduamente das orações e ofícios.Estevão pregava a
palavra de Deus em Jerusalém, reforçando a verdade de suas palavras com presságios e
milagres. Seu sucesso era enorme, e isso despertou contra ele ódio dos seguidores da lei
de Moisés — os fariseus. Eles o capturaram e levaram à corte suprema dos judeus. Ali
os fariseus apresentaram falsas testemunhas, as quais afirmavam que ele, em suas
pregações blasfemava contra Deus e o profeta Moisés. Justificando-se São Estevão
expôs diante doa cirenenses a história do povo hebreu, demonstrando com claros
exemplos, como eles sempre repudiaram a Deus e matavam os profetas enviados por
Ele. Ao ouvirem essas palavras, os membros cirenenses esbravejaram de raiva. Nesse
momento São Estevão fitou o Céu o qual se abriu sobre ele, e ele exclamou: "Eis que
vejo os céus abertos e o Filho do Homem de pé à direita de Deus (atos 7:56). Ouvindo-o
falar, novamente os cirenenses foram tomados por uma fúria imensa. Tampando os
ouvidos, eles se atiraram contra ele, lançaram-no fora da cidade e começaram a
apedrejá-lo. Havia um rapaz de nome Saulo, o qual foi incumbido de vigiar as vestes do
apedrejado; ele aprovava o assassinato de Estevão. Ao cair sob a saraivada de pedras,
Estevão exclamou: "Senhor Jesus, não lhes leves em conta este pecado e recebe meu
espírito." Esse acontecimento e a palavra de Estevão estão descritos pelo Evangelista
Lucas no livro dos Atos Apóstolos, cap. 6-8.

Assim o arcediácono foi o primeiro mártir por Cristo no ano 34 d.C.. Depois disso em
Jerusalém começou a perseguição aos cristãos, da qual eles foram obrigados a fugir para
várias partes da Terra Santa e vizinhança do país. Assim a fé cristã foi se propagando
por várias partes do império romano. O sangue do primeiro mártir Estevão não foi
derramado em vão. Pouco tempo depois Saulo, aquele que aprovou a sentença de morte
de Estevão, passou a crer, foi batizado com o nome de Paulo. Tornou-se um famoso
pregador do Evangelho e um dos mais prósperos evangelistas e missionários. Muitos
anos depois, tendo ido a Jerusalém, também foi agarrado por uma multidão enfurecida
de judeus que queriam apedrejá-lo. Em sua conversação com eles, Paulo lembrou-se
sobre a morte inocente de Estevão e de sua própria participação nela (Atos 22).

Troparion: Pelas boas ações, primeiro-mártir e apóstolo por Cristo, desmascarou os


torturadores desonestos. Foi apedrejado pelas mãos dos bárbaros, recebeu o dilema que
a mão direita enviou das alturas, e clama a Deus: Senhor, não os castigue.

Santa Mártir Anísia.

12 janeiro (30 dez. ant. calendário)

Santa Anísia nasceu em uma cidade da Grécia no final do século 3. Seus pais eram ricos
bondosos e devotos. Eles educaram Anísia na fé cristã. Ficou órfã muito cedo e foi
única herdeira de grande fortuna dos pais, muitos escravos, terras, ouro e jóias
preciosas.
Naquela época os cristãos eram severamente perseguidos. Por ordem do imperador
Maximiano (284-385) todo cristão que se recusava a renunciar a Cristo e a fazer
sacrifício aos deuses pagãos, era torturado e executado. Qualquer um podia matar
cristãos e ficar impune. Sabendo que os ricos dificilmente entrarão no Reino do Céu,
Santa Anísia libertou seus escravos, vendeu seus bens e começou a ajudar as viúvas, os
órfãos, mendigos e aprisionados. E não era só com dinheiro que ajudava os
necessitados, mas ela mesma cuidava dos enfermos, fazia curativos nas feridas dos
torturados e consolava os aflitos. Quando todo seu dinheiro se foi, Santa Anísia passou
a viver na pobreza e começou a trabalhar para se alimentar. Porém ela continuou a
visitar os prisioneiros e consolar os aflitos.

Certa vez indo para uma reunião de oração de cristãos, Santa Anísia percebeu como
uma grande multidão se apressava para chegar a um templo pagão, venerar deus sol
pagão. Afastada da multidão ruidosa, Santa Anísia continuou sua caminhada para a
reunião de oração. Mas repentinamente um dos soldados notou-a e perguntou quem ela
era e aonde estava indo. Ela respondeu em poucas palavras: "Eu sou escrava de Cristo e
estou indo à minha igreja."

O soldado a agarrou com brutalidade e queria à força levá-la ao templo pagão para que
ela fosse compelida a prestar sacrifício ao ídolo. Santa Anísia desvencilhou-se das mãos
do soldado com as seguintes palavras: "Que o Senhor Jesus Cristo te impeça." Ao ouvir
o odiado nome de Cristo, o pagão furioso golpeou a santa com a espada. Esvaindo-se
em sangue caiu no chão morta. Assim a jovem Anísia entregou sua alma pura nas mãos
de Cristo. Os cristãos enterraram o corpo da santa em Tessalonica, perto das porteiras.

Troparion: Jesus, Tua cordeira Anísia clama por Tí: Tu meu Noivo, sofro à Tua procura
e sou torturada e martirizada por Teu batismo; sofro por Tí; reino em Tí, morro por Tí e
vivo conTigo, recebe-me sacrifício puro, com amor me sacrifico por Tí. Através de
Tuas preces, salva nossas almas, por Tua misericórdia!

Folheto Missionário número PA06

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Redator: Bispo Alexandre Mileant