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AS ORAÇÕES - DEVOÇÕES.

ORAÇÕES A DEUS PAI

> Oração Triságio à Santíssima Trindade.


> Súplica ao Pai Eterno.
> Novena a Deus Pai.
> Novena à Deus Pai II.
> Ladainha à Deus Pai.
> Ladainha a Divina Providência.
> Ladainha ao Senhor para alcançar a paciência nas aflições.
> O Terço à Divina Misericórdia.
> Novena à Divina Misericórdia.
> Adoração ao Pai Eterno.
> Consagração ao Divino Pai Eterno.
> Oração à Santíssima Trindade.

ORAÇÕES A JESUS CRISTO

> O Crucifixo
> Devoção à Via-Sacra.
> Devoção ao Sagrado Coração de Jesus
> Devoção às Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo
> Orações às Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
> Devoção à Divina Misericórdia (O Terço e a Novena)
> Devoção à Sagrada Face
> Devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus
> Devoção ao Santíssimo Sacramento.
> Devoção ao Santíssimo Nome de Jesus
> Devoção ao Menino Jesus de Praga.
> Devoção às 15 dores Secretas de JESUS CRISTO
> Devoção às 7 dores de Nosso Senhor Jesus Cristo.
> Devoção às gotas de Sangue de Jesus Cristo.
> A Santa Missa no mínimo dominical e dia santo de guarda
> Observação aos 10 Mandamentos da Lei de DEUS.
> Observação dos 7 Sacramentos da Igreja Católica Apost.
Romana.
> Ler, meditar e seguir o Catecismo da Igreja Católica Apost.
Romana.
> Ler, meditar e seguir as Encíclicas Papais.
> Terços
> Ladainhas
> Novenas

ORAÇÕES AO DIVINO ESPÍRITO SANTO.


> Súplica ao Divino Espírito Santo.
> Terço ao Divino Espírito Santo.
> Rosário do Espírito Santo.
> Novena ao Divino Espírito Santo
> Novena Oficial em Honra ao Divino Espírito Santo.
> Novena ao Espírito Santo.
> Novena Breve ao Espírito Santo.
> Invocações ao Divino Espírito Santo.
> Invocação dos Sete Dons do Espírito Santo.
> Coroa ao Divino Espírito Santo.
> Coroa em Honra ao Espírito Santo.
> Coroa do Espírito Santo.
> Oração ao Espírito Santo.
> Oração ao Divino Espírito Santo.
> Oração aos Sete Dons do Espírito Santo.
> Ladainha ao Divino Espírito Santo.
> Sete Dons do Espírito Santo.
> Seqüência Devotíssima.
> Consagração ao Espírito Santo.
> Consagração ao Divino Espírito Santo - Rezar diariamente.

ORAÇÕES À VIRGEM MARIA SANTÍSSIMA


> O Santo Rosário.
> Devoção ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria
> Devoção ao Imaculado Coração de Maria
> Devoção às 7 Dores de Nossa Senhora
> Devoção aos cinco primeiros sábados.
> Meditação das 7 Dores de Nossa Senhora
> O Cenáculo com Maria - Pe. Gobbi.
> As Mil Ave-Marias.
> Ofício da Imaculada.
> Virgem Maria, Rainha dos Anjos
> Orações à Virgem Maria
> Coroas de Nossa Senhora
> Ao Santo Nome de Maria
> As três Ave-Marias
> O Ângelus
> Ladainhas de Nossa Senhora
> Novenas de Nossa Senhora

ORAÇÕES A SÃO JOSÉ.


> Bendito sejais São José.
> Terço de São José.
> Rosário de São José.
> Rosário de São José II
> Tríduo de São José.
> Sete Dores e Alegrias de São José.
> Ladainha de São José.
> Coroa de São José.
> Novena de São José I
> Novena a São José II.
> Novena a São José III.
> Novena a São José IV.
> Consagração a São José.
> Lembrai-vos de São José.
> Oração de São José pelos agonizantes.
> Oração de São José pelos moribundos.
> Oração de São Clemente.
> Oração à São José I.
> Oração à São José II
> Oração à São José III.
> Oração à São José Operário.
> Oração a São José - composta por São PIO X.
> Invocação a São José.
> Preces a São José.
> Sete Domingos em honra a São José.
> Devoção dos Trinta Dias a São José.
> Devoção do dia 19 de cada mês à SÃO JOSÉ.

ORAÇÕES À SAGRADA FAMÍLIA.


> A Oração da Família.
> Consagração das Famílias.
> Ladainha à Sagrada Família.
> Tríduo à Sagrada Família.
> A benção para a casa.
> A Oração do Perdão.
> Perdão, Renúncia, Exorcismo e Consagração aos dois
Corações.

ORAÇÕES AOS SANTOS.


> Oração a São Jorge.
> Oração da espada de São Jorge.
> Oração do Manto de São Jorge.
> Oração de São Francisco.
> Oração à Santa Catarina.
> Oração a São Judas Tadeu.
> Oração a Santo Expedito.
> Oração à Santa Terezinha do Menino Jesus.
> Novena das Rosas.
> Oração a Santo Antônio.
> Oração ao Santo Padre Pio.
> Oração a São Peregrino.
> Oração a Santa Edwiges.
> Oração a Santa Bernadette.
> Oração a São Bento.
> Oração a São Roque.
> Oração à Santa Gertrudes.

ORAÇÕES REZADAS DIARIAMENTE.


> Oração do dia.
> Oração do Pai Nosso.
> Oração da Ave Maria.
> Oração Glória ao Pai.
> Oração Salve Rainha.
> Oração a São Miguel Arcanjo.
> Oração do Anjo da Guarda.
> Oração de Agradecimento.

ORAÇÕES GERAIS
> Oração da Serenidade.
> Oração de Natal.
> Oração de Ação de Graças.
> Orações Iniciais.
> Orações após a Santa Missa.
> O Rosário do Papa João Paulo II
> O Rosário de São Miguel e Suas Orações.
> Orações ao Divino Espírito Santo
> Orações à São José
> Ladainha aos Anjos e Arcanjos
> Lembrai-vos O Puríssima Virgem Maria
> Novena de Natal
> Oferecimento do dia
> Consagração a Nossa Senhora
> Orações pelas almas do Purgatório.
> A Oração da Família.
> A Oração do Perdão.
> A Benção para a Casa.

ORAÇÕES A DEUS PAI


> Oração Triságio à Santíssima Trindade.
> Súplica ao Pai Eterno.
> Novena a Deus Pai.
> Novena à Deus Pai II.
> Ladainha à Deus Pai.
> Ladainha a Divina Providência.
> Ladainha ao Senhor para alcançar a paciência nas aflições.
> O Terço à Divina Misericórdia.
> Novena à Divina Misericórdia.
> Adoração ao Pai Eterno.
> Consagração ao Divino Pai Eterno.
> Oração à Santíssima Trindade.

ORAÇÃO TRISÁGIO ANGÉLICO À SANTÍSSIMA TRINDADE


Oração indulgênciada pelo Papa Clemente XIV.

Triságio do grego, tris-agion significa (três vezes Santo), é o nome que se dá à


aclamação de louvor «Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal», testemunhado
pela primeira vez no Concílio de Calcedônia (451). O triságio encontra suas raízes
no Antigo Testamento, no livro de Isaías, capítulo 6, versículo 3: "Santo, santo,
santo é o Senhor dos exércitos, a terra inteira está repleta de sua glória."
REZA-SE: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

OFERECIMENTO
Para ganhar as indulgências, os que rezarem o Triságio.
Rogamos-te, Senhor, pelo estado da Santa Igreja e Prelados dela; pela exaltação
da fé católica, extirpação das heresias, paz e concórdia entre os príncipes cristãos,
conversão de todos os infiéis, hereges e pecadores; pelos agonizantes e
caminhantes, pelas benditas almas do purgatório e mais piedosos fins de nossa
Santa Madre Igreja. Amém.
V. Bendita seja a santa e indivídua Trindade, agora e sempre por todos os séculos
dos séculos.
R. Amém.
V. Abri, Senhor, meus lábios.
R. E a minha boca anunciará vossos louvores.
V. Meu Deus, em meu favor benigno atende.
R. Senhor, apressai-vos a socorrer-me.
V. Glória seja ao Eterno Pai.
Glória seja ao Eterno Filho.
Glória ao Espírito Santo.
R. Amém. Aleluia.
(no tempo da Quaresma se diz conforme abaixo):
R. Louvor seja a ti, Senhor, Rei da eterna glória.
ATO DE CONTRIÇÃO
Amorosísimo Deus, trino e uno, Pai, Filho e Espírito Santo, em quem creio, em
quem espero, a quem amo com todo o meu coração, corpo, alma, sentidos e
potências; por serdes Vós meu Pai, meu Senhor e meu Deus, infinitamente bom e
digno de ser amado sobre todas as coisas; pesa-me, Trindade Santíssima, pesa-
me, Trindade misericordiosíssima, pesa-me, Trindade amabilíssima, de vos ter
ofendido só por serdes Vós quem sois; proponho, e vos dou palavra, de nunca mais
vos ofender e de morrer antes do que pecar; espero de vossa suma bondade e
misericórdia infinita, que me perdoareis todos os meus pecados, e me dareis graças
para perseverar num verdadeiro amor e cordialíssima devoção a vossa sempre
amabilíssima Trindade. Amém.

HINO
Já se afasta o sol radioso, Ó luz perene, ó Trindade, Infunde em nós
ardoroso O fogo da caridade. Na alvorada te louvamos E na hora
vespertina; Concede-nos que o façamos Também na glória divina. Ao Pai,
ao Filho e a Ti, Espírito consolador, Sem cessar como até aqui Se dê eterno
louvor. Amém.

ORAÇÃO AO PAI.
Ó Pai Eterno, fora o prazer de vos possuir, eu não vejo mais do que tristeza e
tormento, embora digam outra coisa os amadores da vaidade. Que me importa que
diga o sensual que sua felicidade está em gozar de seus prazeres? Que me importa
que diga também o ambicioso que seu maior contentamento é gozar de sua glória
vã? Eu pela minha parte nunca cessarei de repetir com vossos Profetas e Apóstolos,
que a minha suma felicidade, meu tesouro e minha glória é unir-me a meu Deus, e
manter-me inviolavelmente unido a Ele.
Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria, e nove vezes: Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus dos exércitos, cheios estão os céus e a terra de vossa glória.
(responde-se, se possível em coro): Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao
Espírito Santo.

ORAÇÃO AO FILHO
Ó Verdade eterna, fora da qual eu não vejo outra coisa senão enganos e mentiras.
Oh! E como tudo me aborrece à vista de vossos suaves atrativos! Oh! Como me
parecem mentirosos e asquerosos os discursos dos homens, em comparação das
palavras da vida, com as quais Vós falais ao coração daqueles que vos escutam.
Ah! Quando será a hora em que Vós me tratareis sem enigma e me falareis
claramente no seio de vossa glória? Oh! Que trato! Que beleza! Que luz!
Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e nove vezes: Santo, Santo, Santo,
Senhor Deus, etc.

ORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO


Ó Amor, ó Dom do Altíssimo, centro das doçuras e da felicidade do mesmo Deus;
que atrativo para uma alma ver-se no abismo de vossa bondade e toda cheia de
vossas inefáveis consolações! Ah! Prazeres enganadores! Como haveis de poder
comparar-vos com a menor das doçuras que um Deus, quando quer, sabe derramar
sobre uma alma fiel? Oh! Se uma só partícula delas é tão deliciosa, quanto mais
será quando Vós as derramardes como uma torrente sem medida e sem reserva?
Quando será isto, meu Deus, quando será? Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria
e nove vezes: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus, etc.

ANTÍFONA
A ti, Deus Pai, a ti, Filho Unigênito, a ti, Espírito Santo, Paráclito, santa e indivídua
Trindade, de todo coração te confessamos, louvamos e bendizemos. A ti seja dada
a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
V. Bendigamos ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Louvemo-lo e exaltemo-lo em todos os séculos.

ORAÇÃO
Senhor Deus uno e trino, dai-me continuamente vossa graça, vossa caridade e a
vossa comunicação para que no tempo e na eternidade vos amemos e
glorifiquemos. Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo numa deidade por todos os
séculos dos séculos. Amém.

DEPRECAÇÃO DEVOTA À SANTÍSSIMA TRINDADE


Deprecação quer dizer: Súplica.

V : Pai Eterno, Onipotente Deus! R: Que toda criatura vos ame e glorifique.
V : Verbo Divino, Imenso Deus! ...
V : Espírito Santo, Infinito Deus! ...
V : Santíssima Trindade e um só Deus Verdadeiro!...
V : Rei dos Céus, Imortal e Invisível!...
V : Criador, conservador e governador de todo o criado!...
V : Vida nossa, em Quem, por Quem, de Quem e por Quem vivemos!...
V : Vida Divina e uma em três pessoas!...
V : Céu divino de excelcitude majestosa!...
V : Céu Supremo do céu, oculto aos homens!...
V : Sol Divino e incriado!...
V : Círculo perfeitíssimo de capacidade infinita!...
V : Alimento Divino dos anjos!...
V : Belo íris, arco de clemência!...
V : Astro primeiro e Trino, que iluminais o mundo!...
V : De todo o mal de alma e Corpo! R: Livrai-nos, Trino Senhor!
V : De todo pecado e ocasião de culpa! ...
V : De Vossa ira e indignação! ...
V : Da morte repentina e improvisa! ...
V : Das insídias e assaltos do demônio! ...
V : Do espírito de desonestidade e das suas sugestões! ...
V : Da concupiscência da carne! ...
V : De toda ira, ódio e má vontade! ...
V : Das pragas da peste, fome, guerra e terremoto! ...
V : Dos inimigos do fé católica! ...
V : De nossos inimigos e suas maquinações! ...
V : Da morte eterna! ...
V : Por Vossa Unidade em Trindade e Trindade em Unidade! ...
V : Pela igualdade essencial de vossas pessoas! ...
V : Pela sublimidade do mistério de vossa Trindade! ...
V : Pelo inefável nome da Vossa Trindade! ...
V : Pelo portentoso de Vosso nome, Uno e Trino! ...
V : Pelo muito que vos agradam as almas que são devotas de Vossa Santíssima
Trindade! ...
V : Pelo grande amor com que livrais dos males aos povos onde há algum devoto
de Vossa Trindade Amável! ...
V : Pela virtude divina, que nos devotos de vossa Trindade santíssima, reconhecem
os demônios contra si mesmos! ...
V : Nós pecadores! R: Rogamos -Vos, ouvi-nos!
V : Que saibamos resistir ao demônio com as armas da devoção à Vossa
Trindade! ...
V : Que embelezeis cada dia mais, com as cores da Vossa graça, Vossa imagem
que está em nossas almas! ...
V : Que todos os fiéis se esmerem em ser muito devotos de
Vossa Santíssima Trindade ! ...
V : Que todos alcancemos as muitas felicidades que estão vinculadas para os
devotos dessa Vossa Trindade adorável! ...
V : Que ao confessarmos os mistérios de Vossa Trindade, se desfaçam os erros dos
infiéis! ...
V : Que todas as almas do purgatório gozem muito refrigério em virtude do Mistério
de Vossa Trindade! ...
V : Que Vos digneis ouvir-nos pela Vossa piedade! ...
V : Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, livrai-nos, Senhor, de todo mal! ... [2]

OBSÉQUIOS OU OFERECIMENTOS À SANTÍSSIMA TRINDADE


1. Ó beatíssima Trindade, eu vos prometo que com todo esforço e empenho hei de
procurar salvar minha alma, visto como Vós a criastes à vossa imagem e
semelhança e para o céu. E também por amor Vosso procurarei salvar as almas de
meu próximo.
2. Para salvar minha alma e dar-vos glória e louvor, sei que hei de guardar a divina
lei; eu empenho minha palavra de a guardar como a menina de meus olhos e
procurar, outrossim, que os outros a guardem.
3. Aqui na terra hei de exercitar-me em louvar-Vos e espero fazê-lo depois com
maior perfeição no céu; e por isso com freqüência rezarei o triságio e o
verso: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. E procurarei, além disso,
que os outros Vos louvem. Amém.
[1] O Papa Clemente XIV concedeu 100 dias de indulgência para cada dia que se reze:
100 mais três vezes no dia, nos domingos, na festa da Santíssima Trindade e durante a
sua oitava, e Indulgência Plenária a quem o rezar todos os dias durante um mês,
confessando e comungando no dia do mês que se escolher.
[2] Invocação semelhante Nosso Senhor ensinou à Santa Faustina: “Santo Deus, Santo
Forte, Santo Imortal, tende piedade de mim e de todos os pecadores, etc” , jaculatória
que a Santa rezava entre uma dezena e outra do terço.
Fonte:"Caminho Reto e Seguro para Chegar ao Céu" - Santo Antonio Maria Claret -
Editora Ave Maria, São Paulo - págs. 155/166)

SÚPLICAS AO PAI ETERNO


I – Misericórdia, Ó Pai Eterno, pelo Sangue de Jesus! Marcai-nos com o Sangue do
Cordeiro Imaculado, Jesus Cristo, assim como mandastes marcar as portas do
Vosso povo de Israel. para o preservar da morte (Ex. 12,1-34). Ó Maria, Mãe de
Misericórdia, ajudai-nos no Temor de Deus, rogai por nós e alcançai-nos a Graça
que pedimos. Glória ao Pai...
II – Misericórdia, ó Pai Eterno pelo Sangue de Jesus! Salvai-nos do naufrágio
deste mundo, assim como salvaste a Noé do dilúvio universal: (Gen. 7,1-24) e Vós,
ó Maria, Arca de Salvação, ajudai-nos na Piedade de Deus, rogai por nós e
alcançai-nos a Graça que pedimos. Glória ao Pai...
III – Misericórdia, ó Pai Eterno, pelo Sangue de Jesus! Livrai-nos dos flagelos que
temos merecido, como livrastes a Lot do incêndio de Sodoma; (Gen. 19,129) e Vós,
ó Maria, Advogada nossa, ajudai-nos na Ciência de Deus, rogai por nós e alcançai-
nos a Graça que pedimos. Glória ao Pai...
IV – Misericórdia, ó Pai Eterno, pelo Sangue de Jesus! Consolai-nos em todas as
necessidades, e tribulações, como consolastes, cm suas aflições a Jó (Jó. 1 a 42) a
Ana (l Sam, I) e a Tobias: (Tob. 1 a 14) e Vós, ó Maria, Consoladora dos Aflitos,
ajudai-nos na Fortaleza de Deus, rogai por nós e alcançai-nos a Graça que
pedimos. Glória ao Pai...
V – Misericórdia, ó Pai Eterno, pelo Sangue de Jesus! Vós não quereis a morte do
pecador, mas sim que se converta e viva (Eze. 33, 11). Dai-nos, por Vossa
Misericórdia, tempo de penitência a fim de que, emendados e arrependidos de
nossos pecados, que são a origem de todos os nossos males, vivamos na Fé,
Esperança e Caridade em paz com Nosso Senhor Jesus Cristo; e Vós ó Maria,
refúgio dos pecadores, ajudai nos na Sabedoria de Deus, rogai por nós e alcançai-
nos a Graça que pedimos. Glória ao Pai...
PAI ETERNO e Misericordioso, nós Vos oferecemos pelas mãos de Maria
Santíssima o preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho; oferecemos também as
lágrimas da Virgem Santíssima pela Purificação da Terra e Conversão dos homens,
pela fidelidade dos Vossos escolhidos, pela Vitória da Santa Igreja e Triunfo do
Imaculado Coração de Maria. Glória ao Pai...
Ó Maria, nossa Mãe e nossa esperança, rogai a Deus por nós e por todos.
Imaculada Maria, Mãe de Deus, rogai por nós. Jesus, Maria, Misericórdia! São
Miguel Arcanjo, São José, São Pedro e São Paulo, protetores de todos os fiéis da
Igreja de Deus, e de todos nós; Anjos e Santos do Paraíso, pedi, implorai,
Misericórdia para toda Humanidade, pelos merecimentos infinitos do, preciosíssimo
Sangue do Nosso Divino Redentor. Amém.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai...

(Extraído do Manual das Filhas de Maria).


COM APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA
(Rezar diariamente)

NOVENA A DEUS PAI


Orações iniciais para todos os dias: Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus
nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
Invocação do espírito Santo: Vinde, espírito Santo, enchei os corações dos
vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso espírito e tudo
será criado e renovareis a face da Terra.
Oremos: Deus, que doutrinais os corações dos vossos fiéis com a luz do espírito
Santo, concedei-nos que, pelo mesmo Espírito Santo, saibamos o que é reto e
gozemos sempre de sua preciosa consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Oração pela nossa perfeita união com Jesus:
Juntemos os nossos passos no mesmo ritmo,
Juntos estendamos as nossas mãos para que recolham os mesmos bens,
Juntos pulsem os nossos corações,
O mesmo sentimento penetre o nosso intimo,
O mesmo pensamento proceda do nosso espírito,
Nossos ouvidos escutem o mesmo silêncio,
Nossos olhares se encontrem e se fundam em um sou olhar,
Nossos lábios peçam juntos misericórdia ao Pai Eterno.
Orações finais para todos os dias:

Louvor:
Meu Deus, creio em Vós, pois sois infinitamente bom.
Meu Deus, espero em Vós, pois sois infinitamente misericordioso.
Meu Deus, amo-Vos, pois sois digno de ser amado sobre todas as coisas.
Deus é meu Pai!
Oh meu Pai dos Céus, como é doce e suave saber que Vós sois meu Pai e que eu
sou vosso filho!
É sobretudo quando o céu da minha alma é negro e a minha cruz mais pesada que
sinto a necessidades de vos dizer: Pai, eu creio no vosso Amor por mim!
Sim, eu creio que Vós sois meu Pai e que eu sou vosso filho!
Eu creio que Vós me amais com um amor infinito!
Eu creio que Vós velais dia e noite por mim e que nem um cabelo cai da minha
cabeça sem o vosso consentimento!
Eu creio que, infinitamente Sábio, Vós sabeis muito melhor do que eu o que me
convém!
Eu creio que, infinitamente Poderoso, Vós tirais o bem do mal!
Eu creio que, infinitamente Bom, Vós fazeis que tudo concorra para o bem daqueles
que Vos amam; e, por detrás das mãos que ferem, eu beijo a vossa não que cura!
Eu creio, mas aumentai a minha Fé e, sobretudo, a minha Esperança e a minha
Caridade.
Ensinai-me a saber ver o vosso Amor dirigir todos os acontecimentos da minha
vida.
Ensinai-me a abandonar-me à vossa condução, como uma criança nos braços de
sua mãe.
Pai, vós sabeis tudo, Vós vedes tudo, vós me conheceis melhor que eu mesmo.
Vós podeis tudo e Vós me amais! Oh! meu Pai, já que desejais que nós vos
peçamos tudo, eu venho com confiança pedir-vos, com Jesus e Maria,... (dizer a graça
que se pretende obter e acrescentar um propósito para os dias da novena: "Prometo-Vos ser fiel,
especialmente durante estes nove dias, em tal circunstância.... com aquela
pessoa... ".).
Por esta intenção eu Vos ofereço, em união com os Sagrados Corações, todas as
minhas orações, os meus sacrifícios e mortificações, e uma maior fidelidade ao meu
dever.
Dai-me a Luz, a Força e a Graça do Vosso Espírito!
Confirmai-me neste Espírito para que nunca O perca, não O entristeça, nem O
enfraqueça em mim.
Meu Pai, é em nome de Jesus Cristo, Vosso Filho, que eu Vo-lo peço.
E Vós, Jesus, abri o vosso Coração e colocai n'Ele o meu e, com o de Maria,
oferecei-o ao nosso Divino Pai .
Em troca, obtende-me esta graça de que tenho tanta necessidades!
Meu Divino Pai, dai-Vos a conhecer a todos os homens.
Que todo o mundo proclame a vossa Bondade e a vossa misericórdia!
Sede o meu terno Pai e protegei-me em toda a parte como a pupila dos vossos
Olhos.
Que eu seja para sempre o vosso digno filho.
Tende piedade de mim!
Pai Divino, doce esperança das nossas almas, sede conhecido, honrado e amado
pelos homens!
Pai Divino, Bondade infinita que se exerce para com todos os povos, sede
conhecido, honrado e amado pelos homens!
Pai Divino, orvalho benfazejo da humanidade, sede conhecido, honrado e amado
pelos homens!
Oblação Eucarística
Meu Divino Pai.
Sou mais do que nunca vosso filho.
Obrigado, meu Pai, por me terdes dado Jesus, Vosso Filho.
Com todas as graças e dons do espírito Santo que Ele traz com Ele.
Portanto, já não sou eu.
É o Vosso Filho bem amado que está em mim.
Pai, é Ele quem vos fala.
É Ele que vos reza, é Ele que vos ama, é Ele que vos implora por mim e por todos
os meus irmãos do mundo.
É por Ele que eu me deixo tomar, aniquilar e morrer para mim mesmo, para, por
Ele, não ser senão louvor, adoração e ação de graças.
Para que sou vós, meu Pai, sejais a minha vida e o meu Tudo.
Olhai agora, Pai, com complacência, para o vosso Filho
Não vejais nele senão este Filho que amais, o Vosso Jesus.
Assim, eu já não estou sozinho, meu Pai, estou na Trindade, vivo na Trindade e
morrerei no seio da Trindade.
Sim, Pai, nós todos queremos, pela nossa vida e pela adesão à Vossa Vontade em
tudo, ser com Jesus, pela graça do espírito Santo, o vosso templo, a vossa
consolação, o vosso apóstolo, e mais que tudo isso... como o vosso Filho, que vos
Amou até morrer de amor por Vós e de zelo pela vossa Glória.
Oh! Jesus, nós vos damos graças pelo Dom que acabais de nos fazer de Vós mesmo
nesta visita eucarística.
Nós Vos amamos com todo o nosso coração, em nós e em todas as Hóstias
consagradas do mundo inteiro, simplesmente, ternamente, fortemente, como
vossos irmãos e irmãs que não Vos querem deixar nem um sou instante neste dia,
mas permanecer no vosso Amor.
Neste momento a Espécie eucarística desaparece e dissolve-se com a Hóstia, mas
Vós continuais a habitar em nós como Verbo Divino. Oh! Filho adorável do Pai, Vós
quereis apropriar-vos da pobre humanidade de cada um de nós, para fazer dela
outros Cristos e pela vossa graça e o vosso Espírito Santo reproduzir, continuar,
viver em nós a vossa vida filial para a glória do Pai.
Eis-nos todos disponíveis, sinceramente desejosos de não viver, pensar, agir,
querer e amar, senão pelo movimento do vosso espírito, para que neste dia, do
nosso labor apostólico e de toda esta Obra que vos é querida, "por Vós, convosco,
em Vós", toda a honra e toda a glória sejam dadas ao Pai, na umidade do espírito
Santo.
Oh! Maria, Rainha dos Apóstolos e nossa Mãe, permanecei conosco durante este
dia. Nós vo-lo confiamos para que a vossa bondade nos ajude a torná-lo agradável
ao nosso Pai e rico em méritos para a salvação das almas.
Pai Divino, nós queremos amar-Vos.
Pai Divino, nós queremos glorificar-Vos.
Pai Divino, nós queremos tornar-Vos conhecido
Pai Divino, nós queremos fazer com que Vos amem.
Pai Divino, nós queremos fazer-Vos triunfar.
Pai Divino, venha a nós o vosso Reino, assim na Terra como no Céu.
Pai Divino, em nome de Jesus, fazei com que as nossas famílias, as nossas
comunidades, as nossas sociedades e nações, se unam na Paz, na Equidade e no
Amor.

Bendita sempre Virgem Maria


De todo o coração pedimos a nossa Senhora, a Rainha da Unidade Católica, que
obtenha do nosso Bom Pai, pelos méritos de Seu Filho e o amor do espírito Santo,
que todos os Seus filhos vivam da Santíssima Trindade, para a Santíssima
Trindade, na Santíssima Trindade. Amém!
Meditação para o Primeiro Dia
Deus Pai nos acolhe
"Paz e salvação a esta casa e ao mundo inteiro! Que o meu Poder, o meu Amor e o
meu espírito Santo toquem os corações dos homens, para que toda a humanidade
se volte para a salvação e venha ao seu Pai, que a procura para a amar e salvar!"
"Eu venho para banir o temor excessivo que as minhas criaturas têm de Mim e para
lhes fazer compreender que a minha alegria está em ser conhecido e amado pelos
Meus filhos, Oh! seja, por toda a humanidade presente e futura. Eu venho trazer a
esperança aos homens e às nações.
Quantos a perderam há tanto tempo! Esta esperança fa-los-á viver em paz e
segurança, trabalhando para a sua salvação. Eu venho para Me dar a conhecer tal
como sou.
Para que a confiança dos homens cresça, ao mesmo tempo que o seu amor por
Mim, seu Pai, que sou tenho uma única preocupação: a de velar por todos os
homens e amá-los como meus Filhos. O pintor delicia-se na contemplação do
quadro que pintou tal como Eu me deleito na obra-prima da minha criação, pondo a
minha alegria na convivência com os homens. O tempo urge e Eu gostaria que o
homem soubesse, o mais depressa possível, que Eu o amo e que sinto a maior
felicidade em estar e conversar com ele, como um Pai com os seus filhos."

Meditação para o Segundo Dia


Deus Pai nos envia o Messias
"...Desde toda a Eternidade Eu sou tive um desejo: o de Me dar a conhecer aos
homens e de Me fazer amar, desejando permanecer permanentemente junto
deles." "Quando verifiquei que nem os Patriarcas, nem os Profetas, conseguiam
fazer-Me amar e conhecer pelos homens, resolvi ir Eu próprio. Mas como fazer para
andar no meio dos homens? não havia outro meio senão ir Eu próprio, na Segunda
Pessoa da minha Divindade." "no meu Filho, quer dizer, na Pessoa do meu Filho
feito Homem, o que não continuei a fazer! A Divindade, nesta Humanidade, ficou
velada, pequena, pobre, humilhada.
Eu levava, com o meu Filho Jesus, uma vida de sacrifício e de trabalho. Recebia as
Suas orações para que o homem tivesse um caminho traçado de modo a caminhar
sempre na justiça para vir em segurança até Mim!" "...Reconhecei que vos amei,
por assim dizer, mais que ao meu Filho Bem-Amado, Oh! melhor, mais que a Mim
mesmo. O que vos acabo de revelar é de tal modo verdadeiro que se tivesse
bastado uma das minhas criaturas para expiar o pecado dos outros homens, com
uma vida e uma morte como a do meu Filho, Eu teria hesitado. Por quê? Porque Eu
atraiçoaria o meu Amor fazendo sofrer outra criatura que amo em vez de sofrer Eu
próprio, no meu Filho. “Eu jamais teria querido fazer assim sofrer os meus filhos."
"Todos estes acontecimentos são conhecidos pela maior parte dos homens, mas
eles ignoram o essencial, Oh! seja, que foi o Amor que tudo conduziu! Sim, é Amor.
É isso que quero esclarecer neste relato que acabais de ler. Este Amor é esquecido.
Quero recordá-lo para que aprendais a conhecer-Me tal como sou. Para que não
tenhais medo, como escravos, de um Pai que vos ama a este ponto."
Meditação para o Terceiro Dia
Deus Pai de Amor e misericórdia
"Eu sei compreender bem a fraqueza dos meus filhos”! Por isso pedi a Meu Filho
para lhes dar os meios de sustentar a sua fraqueza. Tais meios ajudá-los-ão a
purificar-se dos seus pecados para continuarem a ser os filhos do Meu Amor.
Esses meios são, principalmente, os Sete Sacramentos e, sobretudo, o grande
meio para vos salvar apesar das vossas quedas: A Cruz, o Sangue do meu Filho
que, a cada instante, se derrama sobre vós, desde que o desejeis, quer pelo
sacramento da Penitência, quer também pelo Santo sacrifício da Missa." "Seria
possível que depois de Me terdes chamado Pai e de Me terdes testemunhado o
vosso amor, encontrásseis em Mim um coração tão duro e insensível que vos
deixasse perecer? mão! mão! nem o penseis! Eu sou o melhor dos Pais.
Conheço a franqueza das minhas criaturas. Vinde! Vinde a Mim com confiança e
amor! E Eu vos perdoarei com o vosso arrependimento. Ainda que os vossos
pecados fossem repugnantes como a lama, a vossa confiança e o vosso amor levar-
Me-ão a esquecê-los, de modo que não sereis julgados. É verdade que Eu sou
justo, mas o Amor apaga tudo! Escutai meus filhos, façamos uma suposição e
tereis a certeza do meu amor: para Mim, os vossos pecados são como ferro; para
Mim, os vossos atos de amor são como ouro. Se Me entregásseis mil quilos de ferro
nunca seria tanto como se Me désseis dez quilos de ouro! Isto significa que com um
pouco de amor se podem redimir imensas iniqüidades." "Não duvideis! Se o meu
coração não fosse feito assim já teria exterminado o mundo tantas vezes quantos
os pecados que ele tem cometido! Mas, como sois testemunhas, a cada instante
manifesta-se antes a minha proteção por meio de graças e benefícios. “Dai podeis
concluir que há um Pai acima de todos os pais, que Ele vos ama e que não deixará
de vos amar, desde que o queirais." "Vinde, aproximai-vos, todos tendes o direito
de vos aproximar do vosso Pai, dilatai o vosso coração, rezai ao meu Filho para que
Ele vos faça conhecer, cada vez melhor, as minhas Bondades para convosco."

Meditação para o Quarto Dia


Deus Pai, Filho e Espírito Santo
"Venho ter convosco por meio de dois caminhos: a Cruz e a Eucaristia”. A Cruz é
o meu caminho para descer até os meus filhos porque foi por ela que Eu os fiz
redimir pelo meu Filho. E, para vós, a Cruz é o vosso caminho para ascender até o
meu Filho e, pelo meu Filho, até Mim. Sem ela nunca poderíeis fazer esta
caminhada porque o homem, pelo pecado, atraiu sobre si a separação de Deus
como castigo. Pela Eucaristia resido entre vós como um Pai na sua família. Quis que
o meu Filho instituísse a Eucaristia para fazer de cada Sacrário o reservatório das
minhas graças, das minhas riquezas e do meu amor, para os dar aos meus Filhos,
os homens." "nada me impedia, mesmo antes da Eucaristia, de vir a vós, pois nada
Me é impossível! Mas a recepção deste Sacramento é uma ação fácil de
compreender e que vos demonstra como Eu venho a vós. Quando estou em vós
dou-vos mais facilmente o que possuo desde que no peçais. Por este Sacramento
unis-vos intimamente a Mim e é nesta intimidade que a efusão do meu Amor faz
derramar na vossa alma a Santidade que possuo. “Imundo-vos com o meu Amor e
então não tendes senão que pedir-Me as virtudes e a perfeição de que tendes
necessidades, pois podeis estar seguros que nesses momentos de repouso de Deus
no coração da sua criatura Ele nada vos poderá recusar." "Quero mostrar-vos
também que Eu venho estar convosco por meio do meu espírito Santo. A obra
desta Terceira Pessoa da minha Divindade é levada a cabo sem ruído e muitas
vezes o homem não se apercebe dela. Mas para Mim é um meio muito apropriado
para permanecer, não sou no Sacrário, mas também na alma de todos os que estão
em estado de graça, para ai estabelecer o meu Tramo e permanecer sempre como
verdadeiro Pai que ama, protege e ampara o seu filho. Ninguém pode compreender
a alegria que sinto quando estou sozinho com uma alma. Ninguém compreendeu
até agora os infinitos desejos do meu Coração de Deus Pai, de ser conhecido,
amado e honrado por todos os homens justos e pecadores.
“E são estas três homenagens que Eu desejo receber em desagravo dos maiores
pecadores."

Meditação para o Quinto Dia


Excelência do culto a Deus Pai
"Reconheço que Me honrais através do meu Filho e há quem saiba fazer subir tudo
até Mim por meio d'Ele, mas é um bem pequeno numero! Contudo não penseis que
ao honrar o meu Filho não Me honrais! Sim, vós Me honrais, pois Eu permaneço no
meu Filho! Portanto, tudo o que é glória para Ele, é-o também para Mim! Mas Eu
gostaria de ver o homem honrar o seu Pai e Criador com um Culto Especial. Quanto
mais Me honrares, tanto mais honrareis o meu Filho, porque segundo a minha
Vontade, Ele fez-Se Verbo Encarnado e veio até vós para vos dar a conhecer Aquele
que O enviou. Se Me conhecerdes, amar-Me-eis e amareis o meu Filho Bem-
Amado, mais do que o fazeis agora. Vede quantas das minhas criaturas, tornadas
minhas filhas pelo mistério da Redenção, ainda não estão mas pastagens que Eu
estabeleci, por meio de meu Filho, para todos os homens. Vede quantos outros - e
vós os conheceis - ignoram ainda estas pastagens; e tantas criaturas saídas das
minhas Mãos, de que sou Eu conheço a existência, e vós mão, que nem sequer
conhecem a não que as criou!" "Gostaria que fosseis ter com eles em meu nome e
que lhes falásseis de MIM. Sim, dizei-lhes que têm um Pai que, depois dos ter
criado, lhes quer dar os tesouros que possui. Sobretudo dizei-lhes que Eu penso
neles, que os amo e que lhes quero dar a felicidade eterna. Ah! Eu vos prometo: os
homens converter-se-ão mais depressa!" "E vós, que trabalhais para a minha glória
e que procurais tornar-Me conhecido, honrado e amado, asseguro-vos que a vossa
recompensa será grande, porque Eu contarei tudo, mesmo o menor esforço que
fizerdes, e tudo vos pagarei ao cêntuplo na Eternidade."

Meditação para o Sexto Dia


Deus Pai de Bondade
"Os homens julgam que Eu sou o Deus terrível e que precipito toda a humanidade
no inferno. Que surpresa, no fim dos tempos, quando virem tantas almas, que
julgavam perdidas, usufruir da eterna felicidade, no meio dos eleitos! Gostaria que
todas as minhas criaturas tivessem a convicção que há um Pai que vela por elas e
que gostaria de lhes dar mesmo nesta Terra, uma antecipação da felicidade eterna.
Uma mãe nunca esquece a pequena criatura que acaba de dar à luz. Não é ainda
mais belo da minha parte lembrar-Me de todas as criaturas que coloco no mundo?
Ora, se a mãe ama este pequeno ser que Eu lhe dei, Eu o amo mais do que ela
porque o criei. Se uma mãe amasse menos o seu filho por causa de algum defeito,
Eu, pelo contrário, amá-lo-ia ainda mais. Ainda que ela o viesse a esquecer Oh! sou
raramente a pensar mele, sobretudo quando a idade o subtraísse à sua vigilância,
Eu nunca o esquecerei. Amo-o sempre, e ainda que ele não mais se lembre de Mim,
seu Pai e seu Criador, Eu lembro-me dele e continuo a amá-lo." "Se todos os
homens que estão longe da nossa Igreja Católica ouvissem falar deste Pai que os
ama, que é o seu Criador e seu Deus, deste Pai que lhes deseja dar a vida eterna,
uma grande parte destes homens, mesmo entre os mais obstinados, voltariam para
este Pai de que vós lhes falaríeis. Se não podeis ir diretamente falar-lhes assim,
procurai os meios: mil maneiras diretas Oh! indiretas, pondo mãos à obra com um
verdadeiro espírito de perseverança e um grande fervor, e Eu prometo que os
vossos esforços serão em breve, por uma graça especial, coroados de grandes
êxitos. Tornai-vos após-tolos da minha Paternal Bondade e, com o zelo que Eu vos
der a todos, sereis fortes e poderosos sobre as almas."

Meditação para o Sétimo Dia


Deus Pai Amigo e Companheiro
"Se Me amais e Me chamais com confiança com o doce nome de Pai, começais já
nesta Terra a viver no amor e na confiança que farão a vossa felicidade na
Eternidade e que cantareis no Céu na companhia dos eleitos. Não é isso uma
antecipação da felicidade do Céu que durará eternamente? Desejo, pois, que o
homem se recorde muitas vezes que Eu estou onde ele está. Que não poderia viver
se Eu não estivesse com ele, vivendo como ele.
Apesar da sua incredulidade nunca deixo de estar ao pé dele." "Eu queria ver
estabelecer-se, uma grande confiança entre o homem e o seu Pai dos Céus, um
verdadeiro espírito de familiaridade e de delicadeza para não se abusar da minha
grande Bondade.
Eu conheço as vossas necessidades, os vossos desejos, e tudo o que tendes em
vós. Mas como ficaria contente e re-conhecido se vos visse vir ter comigo e fazer-
Me as confidências das vossas necessidades, como um filho confiante faz com o seu
pai! Como vos poderia recusar fosse o que fosse, de menor Oh! de maior
importância, se no pedísseis?" "Eu gostaria que todos, desde a criança ao idoso, Me
chamassem pelo nome familiar de Pai e de Amigo, pois estou sempre convosco, e
de Irmão, pois Me faço semelhante a vós, para vos ver fazer semelhantes a mim."

Meditação para o Oitavo Dia


Deus Pai dos Jovens e das Famílias

"Como Eu desejaria ver colocar nessas almas jovens uma confiança, um amor todo
filial para comigo! Fiz tudo por vós; não fareis isso por Mim? Gostaria de Me
estabelecer em cada família como num domínio Meu, para que todos pudessem
dizer, com toda a segurança: "Temos um Pai que é infinitamente Bom,
imensamente rico e altamente misericordioso. Ele pensa em nós, está junto de nós,
ama-nos, observa-nos sustenta-nos, dar-nos-á tudo o que nos faz falta, se Lho
pedirmos. Todas as Suas riquezas são mossas, teremos tudo o que precisamos".

Eu estou expressamente presente para que Me peçais o que vos faz falta: "Pedi e
recebereis". ma minha paternal Bondade dar-vos-ei tudo, desde que todos saibam
considerar-Me como um verdadeiro Pai, que vive no meio dos seus, como de fato
faço." "Desejo que todas as famílias se coloquem, assim, sob a minha
especialíssima proteção, para Me poderem honrar mais facilmente." "...Gosto tanto
da simplicidade, e sei conformar-Me com a vossa condição.
Faço-Me pequeno com os pequemos, maduro com os homens de idade madura,
com os velhos torno-Me semelhante a eles, para que todos compreendam o que
lhes quero dizer, para sua santificação e para minha glória. mão tendes a prova do
que acabo de vos dizer no meu Filho, que se fez pequeno e fraco como vós?"
"Quero proteger a juventude como um termo Pai.
Há tanto mal no mundo! Estas pobres almas sem experiência deixam-se seduzir
pelos atrativos do vicio que, a pouco e pouco, as conduzem à ruína total. ou vós
que tendes especial necessidades de alguém que vos guarde na vida para poderdes
evitar o mal, vinde a Mim! Eu sou o vosso Pai que vos ama mais que qualquer
criatura vos amará alguma vez! Refugiai-vos junto de Mim, confiai-Me os vossos
pensa-mentos e os vossos desejos.
Eu vos amarei ternamente.
Dar-vos-ei as graças para o presente e abençoarei o vosso futuro.
Podeis ter a certeza de que Eu não vos esqueço, desde os 15, 20 Oh! 30 anos que
vos criei.
Vinde! Vejo que tendes uma grande necessidades de um Pai doce e infinitamente
Bom como Eu."

Meditação para o Nono Dia


Deus Pai dos Céus: Pai nosso

"A minha Glória no Céu é infinitamente grande, mas a minha Glória é ainda maior
quando Me encontro entre os meus Filhos, os homens do mundo inteiro.
O vosso Céu, minhas criaturas, é no Paraíso com os meus Eleitos, porque é lá, no
Céu, que Me contemplareis numa perpétua visão e que gozareis de uma glória
eterna. O meu Céu é na Terra com todos vós, Oh! homens! Sim, é na Terra e mas
vossas almas que Eu procuro a minha felicidade e a minha alegria.
Podeis dar-Me esta alegria e é mesmo um dever vosso fazê-lo, pelo vosso Criador
e vosso Pai, que o deseja e o espera de vós." "A vós, minhas criaturas, amando-vos
como ao meu Filho que sou Eu, digo-vos como a Ele: vós sois os meus Filhos bem-
amados, em quem ponho a minha complacência. É por isso que Me alegro na vossa
companhia e desejo permanecer convosco.
A minha Presença entre vós é como o Sol sobre o mundo terrestre: se estiverdes
bem dispostos para Me receber, virei junto de vós, entrarei em vós, iluminar-vos-
ei, aquecer-vos-ei com o meu Amor infinito. Vós, almas em estado de pecado Oh!
ignorantes da verdade religiosa, Eu não poderei entrar em vós. Mas estarei, mesmo
assim, ao pé de vós, porque nunca deixo de vos chamar, de vos convidar a desejar
receber os bens que vos trago para que vejais a Luz e vos cureis do pecado."
"...Vejo todos os homens passarem a sua vida sem confiarem no seu único Pai que
queria dar-lhes a conhecer o seu único Desejo, que é o de lhes facilitar a travessia
da sua vida terrena para lhes dar, depois, no Céu, uma vida toda divina. Esta é
uma prova de que as almas não Me conhecem, como vós não Me conheceis, pois
não ultra-passais a medida da idéia que fazeis de Mim.
Mas agora que vos dou esta Luz, permanecei na Luz e levai a Luz a todos, pois será
um meio poderoso para fazer conversões e até mesmo para fechar, se possível, a
porta do inferno, porque Eu removo a minha promessa, que não poderá deixar de
se cumprir: Todos aqueles que me chamarem, com todo o coração pelo nome de
Pai, nem que fosse uma vez só, não perecerão, mas estarão certos da sua vida
eterna, em companhia dos meus eleitos.
Novena à DEUS PAI II
Oh! meu Pai dos céus, como é doce e suave saber que Vós sois meu Pai e
que eu sou Vosso(a) filho(a). É sobretudo quando o céu da minha alma é negro e a
minha cruz mais pesada que sinto a necessidade de vos dizer: Pai, eu creio no
Vosso Amor por mim! Sim, eu creio que Vós sois meu Pai e que eu sou Vosso(a)
filho(a)! Eu creio que Vós me amais com amor infinito. Eu creio que Vós velais dia e
noite por mim e que nem um cabelo cai da minha cabeça, sem Vosso
consentimento! Eu creio que, infinitamente Sábio, Vós sabeis muito melhor do que
eu o que me convém! Eu creio que, infinitamente Poderoso, Vós tirais o bem do
mal! Eu creio que infinitamente Bom, Vós fazeis que tudo concorra para o bem
daqueles que Vos amam; por detrás das mãos que ferem, eu beijo Vossa mão que
cura! Eu creio que, mas aumentai a minha fé e, sobretudo, a minha esperança e a
minha caridade! Ensinai-me a saber ver o Vosso amor dirigir todos os
acontecimentos da minha vida. Ensinai-me a abandonar-me à Vossa condução,
como uma criança nos braços de sua mãe. Pai, Vós sabeis tudo. Vós vedes tudo.
Vós me conheceis melhor que eu mesmo(a). Vós podeis tudo e Vós me amais! Ó
meu Pai, já que desejais que nós Vos peçamos tudo,eu venho com confiança pedir-
Vos, com Jesus e Maria (dizer a graça que deseja obter). Por esta intenção eu Vos
ofereço, em união com os Sagrados Corações, todas as minhas orações, os meus
sacrifícios e mortificações, e uma fidelidade ao meu dever.
Se se rezar esta oração como novena, isto é, nove dias seguidos pela intenção
desejada, deve-se acrescentar: "Prometo-Vos ser fiel, especialmente durante
estes nove dias, em tal circunstancia..........., com a aquela pessoa".
Dai-me a luz, a força e a graça do Vosso Espírito! Confirmai-me neste Espírito, para
que nunca O perca, não O entristeça, nem O enfraqueça em mim Meu Pai, é em
nome de Jesus Cristo, Vosso Filho, que eu Vo-lo peço. E Vós, ó Jesus, abri o Vosso
Coração e colocai n'Ele o meu e, com o de Maria, oferecei-o ao nosso Divino Pai.
Em troca, obtende-me esta graça de que tenho tanta necessidade! Meu Divino Pai,
dai-Vos a conhecer a todos os homens. Que todo mundo proclame a Vossa bondade
e a Vossa misericórdia! Sede o meu terno Pai e protegei-me em toda a parte como
a pupila dos Vossos olhos. Que eu seja para sempre o(a) Vosso(a) digno(a)
filho(a). Tende piedade de mim!
Pai Divino, doce esperança das nossas almas, sede conhecido, honrado e amado
pelos homens! Pai Divino, bondade infinita que se exerce para com todos os povos,
sede conhecido, honrado e amado pelos homens! Pai Divino, orvalho benfazejo da
humanidade, sede conhecido, honrado e amado pelos homens. Amém. Rezar esta
oração e um Pai-Nosso e uma Ave-Maria durante nove dias.

Ladainha à Deus Pai


Pai do Céu, que sois Deus, tende piedade de nós!
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós!
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós!
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós!
Pai, Criador do mundo, tende piedade de nós
Pai, Propiciador do mundo, tende piedade de nós
Pai, Sabedoria Eterna, tende piedade de nós
Pai, Bondade Infinita, tende piedade de nós
Pai, Providência Inefável, tende piedade de nós
Pai, Fonte de todas as delícias, tende piedade de nós
Pai Santíssimo, tende piedade de nós
Pai Dulcíssimo, tende piedade de nós
Pai de inesgotável misericórdia, tende piedade de nós
Pai, nosso Defensor, tende piedade de nós!
Pai, nosso Amor, tende piedade de nós
Pai, nossa Luz, tende piedade de nós
Pai, nossa alegria e nossa glória, tende piedade de nós
Pai, rico para com todas as pessoas do mundo,tende piedade de nós
Pai, que triunfais sobre todas as nações, tende piedade de nós
Pai, Magnificência da Sagrada Família, tende piedade de nós
Pai, Esperança dos cristãos, tende piedade de nós
Pai, ruína dos ídolos, tende piedade de nós
Pai, Sabedoria dos chefes, tende piedade de nós
Pai, Magnificência dos reis, tende piedade de nós
Pai, Consolação dos povos, tende piedade de nós
Pai, Alegria dos sacerdotes, tende piedade de nós
Pai, Chefe dos homens, tende piedade de nós
Pai, Glória da vida familiar, tende piedade de nós
Pai, Sustentáculo dos infelizes, tende piedade de nós
Pai, Alegria das virgens, tende piedade de nós
Pai, Guia dos jovens, tende piedade de nós
Pai, Amigo dos pequeninos, tende piedade de nós
Pai, Liberdade dos cativos, tende piedade de nós
Pai, Luz dos que vivem nas trevas, tende piedade de nós
Pai, destruição dos soberbos, tende piedade de nós
Pai, Sabedoria dos justos, tende piedade de nós
Pai, nosso recurso na tribulação, tende piedade de nós
Pai, nossa Esperança na desolação, tende piedade de nós
Pai, Rei de salvação para os desesperados, tende piedade de nós
Pai, consolação dos pobres, tende piedade de nós
Pai, porto de salvação nos perigos, tende piedade de nós
Pai, nossa proteção na miséria, tende piedade de nós
Pai, consolação dos aflitos, tende piedade de nós
Pai, asilo dos órfãos, tende piedade de nós
Pai, Paz dos velhinhos, tende piedade de nós
Pai, Refúgio dos moribundos, tende piedade de nós
Pai, que saciais a nossa sede, tende piedade de nós
Pai, Vida dos mortos, tende piedade de nós
Pai, Plenitude dos santos, tende piedade de nós!
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, Perdoai-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, Ouvi-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, Tende piedade de nós,
Senhor!
Oremos: Pai infinitamente Bom e Misericordioso, que desejais ardentemente
estender o Vosso Reino de Amor no coração das Vossas criaturas, para a Vossa
Alegria e Felicidade: Pedimo-Vos que se cumpra a Vossa Vontade de serdes
conhecido, amado e honrado pelos homens e que as nossas famílias estejam unidas
na Vossa Paz. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor, a intercessão da Santíssima Virgem
Maria e de todos os Santos. Amém.

LADAINHA A DIVINA PROVIDÊNCIA


Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, ouvi-nos
Cristo, escutai-nos
Deus, Pai celestial,
Deus, Filho Redentor do mundo,
Deus, Espírito Santo,
Trindade Santa, um só Deus,
Deus, em quem vivemos, nos movemos e somos,
Vós que criaste o céu, a terra e o mar,
Vós que criaste as coisas segundo sua medida, número e peso,
Vós que equilibraste os céus com tua mão e assinalaste os limites do mar,
Vós que o diriges tudo segundo o desígnio de tua vontade,
Vós Deus onipotente e sapientíssimo,
Vós que abres tua mão e cumulas de benções a todos os viventes,
Vós que fazes sair o sol sobre os justos e pecadores,
Vós que alimentas as aves do céu e vestes os lírios do campo,
Vós Deus cheio de bondade e de misericórdia,
Vós que diriges todo ao bem dos que vos amam,
Vós que envias a tribulação para provar-nos e aperfeiçoar-nos,
Vós que curas aos feridos e levantas aos abatidos de coração,
Vós que premias com alegria eterna a paciência cristã,
Pai de bondade e Deus de toda alegria, tende piedade de nós.
Sede-nos propicio perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propicio escutai-nos, Jesus.
De todo mal, Livrai-nos Senhor!
De todo pecado,
De tua ira,
Da peste, da fome e da guerra,
Do raio e da tempestade,
Do granizo, da chuva e da seca destruidora,
Da perda dos alimentos e da carestia,
De toda desconfiança em tua Divina Providência,
Da murmuração e queixas contra tuas santas disposições,
Do desanimo e a impaciência,
Da excessiva preocupação das coisas temporais,
Do abuso de tuas graças e benefícios,
Da insensibilidade para com o próximo,
No dia do juízo, livrai-nos, Jesus.
Nós, pecadores, ouvi-nos Jesus
Que sempre confiemos em tua Divina Providência, ouvi-nos Jesus
Que não sejamos arrogantes na boa fortuna, nem desalentados na calamidade,
Que nos submetamos filialmente a todas as tuas disposições,
Que bendigamos teu Nome quando quiser dar-nos algo ou quando quiser tirar-los,
Que nos dês o necessário para a conservação de nossa vida,
Que vos dignes abençoar nossos esforços e trabalhos,
Que vos dignes dar-nos fortaleza e paciência em todas as adversidades,
Que vos dignes conduzir-nos pela tribulação a emenda,
Que vos dignes conceder-nos a alegria eterna pelos padecimentos temporais, vos
rogamos, ouvi-nos
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, perdoai-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, ouvi-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, tende misericórdia de nós
Jesus.
Oração: Onipotente e sempiterno Deus que nos tem concedido a teus servos o
dom de conhecer a glória da eterna Trindade na confissão da verdadeira fé, e a de
adorar a unidade no poder de tua majestade; vos rogamos que pela firmeza desta
mesma fé, nos livres sempre de todas as adversidades. Por Cristo Nosso Senhor.
Amém.

Ladainha ao Senhor para alcançar a paciência nas


aflições
Quando julgueis oportuno submeter-me a prova da tribulação, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Quando me ver cercado por todas as partes de apuros e contrariedades, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando me falte o que mais necessito, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando tenha que sofrer as inclemências do tempo, o rigor das estações, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando sinta arder em meus membros o fogo da febre, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Quando me veja sumido na enfermidade, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando desejar em vão para meus olhos um sono reparador, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Quando o mal seque e consuma lentamente minha carne e meus ossos, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando venham a chamar a minha porta as aflições de qualquer classe que sejam,
dai-me paciência, crucificado Senhor.
Quando interiores desolações tenham obscurecido e nublado meu espírito, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando me veja em perigo de ser vencido pela tentação, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Quando me veja precisando reprimir a vivacidade de meu caráter, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando por excessivo abatimento me tenha nos olhos a vida, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Quando me veja feito carga pesada para mim mesmo e para os demais, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando não haja em torno de mim mais que motivos de tristeza, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando me sinta impotente para todo bem, dai-me paciência, crucificado
Senhor.
Quando a pesar de meus esforços, volte a cair nas mesmas faltas, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando a secura interior pareça extinguir em mim todo fervoroso desejo, dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Quando mil pensamentos importunos venham a distrair-me na oração,dai-me
paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que sofra contradições, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que tenha que lutar com gênios difíceis, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Se permitis que me humilhem, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me entristeçam, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me abandonem meus amigos, dai-me paciência, crucificado
Senhor.
Se permitis que seja vítima da injustiça, dai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me persiga a calúnia, D ai-me paciência, crucificado Senhor.
Se permitis que me volte o mal pelo bem, dai-me paciência, crucificado
Senhor.
Se permitis que me digam com insultantes palavras, dai-me paciência,
crucificado Senhor.
Oração: Oh Deus meu, que haveis disto que se salvem vossos escolhidos por meio
dos sofrimentos e da Cruz! Ajudai-me a suportar os meus com o Espírito de
paciência e resignação de que nos tem deixado vosso unigênito Filho Jesus Cristo
tão grandes exemplos, e fazei que em todas as nossas aflições, seja do alma, seja
do corpo, repitamos com fé e submissão as ternas palavras que Vos dirigiu Ele em
meio de sua dolorosa agonia. Pai meu, não se faça minha vontade, mas sim a
vossa!" Amém.
O TERÇO À DIVINA MISERICÓRDIA
Como rezar o Terço

Para ser rezado nas contas do terço. "No começo: o Pai


Nosso, Ave Maria e o Creio.
Pai Nosso: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso
nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim
na terra como é no céu. O pão nosso de cada dia, nos dai hoje,
perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos
devedores, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal,
Amém.
Ave-Maria: Ave-Maria cheia de graças, o Senhor é convosco, bendita
sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do Vosso ventre,
Jesus. Santa Maria Mãe de Deus e nossa Mãe, rogai por nós os
pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém.
Creio: Creio em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da
terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor,
JESUS CRISTO, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de
todos os séculos: Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus
verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas
as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação
desceu dos Céus. E se encarnou pelo ESPÍRITO SANTO, no seio da
Virgem MARIA e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob
Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita
do PAI. De novo há de vir em Sua Glória, para julgar os vivos e os
mortos; e o Seu Reino não terá fim. Creio no ESPÍRITO SANTO,
Senhor que dá a vida, e procede do PAI. Com o Pai e o Filho é
adorado e glorificado: ELE que falou pelos profetas. Creio na Igreja
una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a
remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida
do mundo que há de vir. Amém.
A seguir, nas contas grandes (do Pai-Nosso), rezamos: Eterno
Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade do
Vosso Diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos
nossos pecados e dos do mundo inteiro.
Nas contas pequenas (da Ave-Maria), rezamos: Pela Sua
dolorosa Paixão; tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
E no final do terço rezamos três vezes: Deus Santo, Deus Forte,
Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
A NOVENA À DIVINA MISERICÓRDIA
INDULGÊNCIA PLENÁRIA NA FESTA DA MISERICÓRDIA.
DECRETO DO VATICANO.
Anexadas indulgências aos atos de culto, realizados em honra
da Misericórdia Divina. "A tua misericórdia, ó Deus, não
conhece limites e é infinito o tesouro da tua bondade...
(Oração depois do Hino "Te Deum") e "Ó Deus, que revelas a
tua onipotência sobretudo com a misericórdia e com o
perdão..." (Oração do Domingo XXVI do Tempo Comum), canta
humilde e fielmente a Santa Mãe Igreja. De fato, a imensa
condescendência de Deus, tanto em relação ao gênero humano no
seu conjunto como ao de cada homem individualmente, resplandece
de maneira especial quando pelo próprio Deus onipotente são
perdoados pecados e defeitos morais e os culpados são
paternalmente readmitidos na sua amizade, que merecidamente
perderam. Os fiéis com profundo afeto da alma são por isto atraídos
para comemorar os mistérios do perdão divino e para os celebrar
plenamente, e compreendem de maneira clara a máxima
conveniência, aliás o dever de que o Povo de Deus louve com
fórmulas particulares de oração a Misericórdia Divina e, ao mesmo
tempo, cumpra com sentimentos de gratidão as obras pedidas e
tendo cumprido as devidas condições, obtenha vantagens espirituais
derivadas do Tesouro da Igreja. "O mistério pascal é o ponto
culminante desta revelação e atuação da misericórdia, que é
capaz de justificar o homem, e de restabelecer a justiça como
realização daquele desígnio salvífico que Deus, desde o
princípio, tinha querido realizar no homem e, por meio do
homem, no mundo" (Carta enc. Dives in misericordia, 7).
Na realidade, a Misericórdia Divina sabe perdoar até os pecados mais
graves, mas, ao fazê-lo, estimula os fiéis a conceber uma dor
sobrenatural, não meramente psicológica, dos próprios pecados, de
forma que, sempre com a ajuda da graça divina, formulem um firme
propósito de não voltar a pecar. Tais disposições da alma obtêm
efetivamente o perdão dos pecados mortais quando o fiel recebe
frutuosamente o sacramento da Penitência ou se arrepende dos
mesmos mediante um ato de caridade e de sofrimento perfeitos, com
o propósito de retomarem o mais depressa possível a prática do
próprio sacramento da Penitência: de fato, Nosso Senhor Jesus Cristo
na parábola do filho pródigo ensina-nos que o pecador deve confessar
a sua miséria a Deus dizendo: "Pai, pequei contra o Céu e contra
ti; já não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc 15, 18-19),
admoestando que isto é obra de Deus: "estava morto e reviveu;
estava perdido e encontrou-se" (Ibid., 15, 32).
Por isso, com providencial sensibilidade pastoral, o Sumo Pontífice
João Paulo II, a fim de infundir profundamente na alma dos fiéis
estes preceitos e ensinamentos da fé cristã, movido pela suave
consideração do Pai das Misericórdias, quis que o segundo Domingo
de Páscoa fosse dedicado a recordar com especial devoção estes dons
da graça, atribuindo a esse Domingo a denominação de "Domingo
da Misericórdia Divina" (Congregação para o Culto Divino e a
Disciplina dos Sacramentos, Decreto Misericors et miserator, 5 de
Maio de 2000).
O Evangelho do segundo Domingo de Páscoa descreve as maravilhas
realizadas por Cristo Senhor no próprio dia da Ressurreição na
primeira aparição pública: "Na tarde desse dia, o primeiro da
semana, estando fechadas as portas da casa onde os
discípulos se achavam juntos, com medo dos judeus, veio
Jesus pôr-Se no meio deles e disse-lhes: "A paz seja
convosco". Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Alegraram-se os discípulos, vendo o Senhor. E Ele disse-lhes
de novo: "A paz seja convosco. Assim como o Pai Me enviou,
também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e
disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem
perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a
quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 19-23).
Para fazer com que os fiéis vivam com piedade intensa esta
celebração, o mesmo Sumo Pontífice estabeleceu que o citado
Domingo seja enriquecido com a Indulgência Plenária, como será
indicado a seguir, para que os fiéis possam receber mais amplamente
o dom do conforto do Espírito Santo e desta forma alimentar uma
caridade crescente para com Deus e o próximo e, obtendo eles
mesmos o perdão de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar
imediatamente aos irmãos.
Desta forma, os fiéis observaram mais perfeitamente o espírito do
Evangelho, acolhendo em si a renovação ilustrada e introduzida pelo
Concílio Ecumênico Vaticano II: "Lembrados das palavras do
Senhor: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se
vos amardes uns aos outros (Jo 13, 35), os cristãos não podem
formular desejo mais vivo do que servir os homens do seu tempo
com uma generosidade cada vez maior e mais eficaz... A vontade do
Pai é que reconheçamos e amemos efetivamente Cristo nosso Irmão,
em todos os homens, com a palavra e as obras" (Const. past.
Gaudium et spes, 93).
Por conseguinte, o Sumo Pontífice animado pelo fervoroso desejo de
favorecer o mais possível no povo cristão estes sentimentos de
piedade para com a Misericórdia Divina, devido aos riquíssimos frutos
espirituais que disto se podem esperar, na Audiência concedida a 13
de Junho de 2002 aos abaixo assinados Responsáveis da
Penitenciaria Apostólica, dignou-se conceder-nos Indulgências nos
seguintes termos:Concede-se a Indulgência plenária nas
habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão
eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice)
ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da
"Misericórdia Divina", em qualquer igreja ou oratório, com o
espírito desapegado completamente da afeição a qualquer
pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em
honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na
presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia,
publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-
Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao
Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso,
confio em Ti").
Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o
coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das
invocações piedosas legitimamente aprovadas.
Também aos homens do mar, que realizam o seu dever na
grande extensão do mar; aos numerosos irmãos, que os
desastres da guerra, as vicissitudes políticas, a inclemência
dos lugares e outras causas do gênero, afastaram da pátria;
aos enfermos e a quantos os assistem e a todos os que, por
uma justa causa, não podem abandonar a casa ou
desempenham uma atividade que não pode ser adiada em
benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência
plenária no Domingo da Divina Misericórdia, se com total
detestação de qualquer pecado, como foi dito acima, e com a
intenção de observar, logo que seja possível, as três habituais
condições, recitem, diante de uma piedosa imagem de Nosso
Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo,
acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus
Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, Confio em
Ti"). Se nem sequer isto pode ser feito, naquele mesmo dia
poderão obter a Indulgência plenária todos os que se unirem
com a intenção de espírito aos que praticam de maneira
ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a
Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os
sofrimentos das suas enfermidades e os incômodos da própria
vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja
possível as três condições prescritas para a aquisição da
Indulgência plenária.
Os sacerdotes, que desempenham o ministério pastoral, sobretudo os
párocos, informem da maneira mais conveniente os seus fiéis desta
saudável disposição da Igreja, disponham-se com espírito imediato e
generoso a ouvir as suas confissões, e no Domingo da Misericórdia
Divina, depois da celebração da Santa Missa ou das Vésperas, ou
durante uma prática piedosa em honra da Misericórdia Divina, guiem,
com a dignidade própria do rito, a recitação das orações acima
indicadas: por fim, sendo "Bem-aventurados e misericordiosos,
porque encontrarão misericórdia" (Mt 5, 7), ao ensinar a
catequese estimulem docemente os fiéis a praticar todas as vezes
que lhes for possível obras de caridade ou de misericórdia, seguindo
o exemplo e o mandato de Jesus Cristo, como é indicado na segunda
concessão geral do "Enchiridion Indulgentiarum".
Este Decreto tem vigor perpétuo. Não obstante qualquer disposição
contrária. Roma, Sede da Penitenciaria Apostólica, 29 de Junho de
2002, solenidade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo.
D. Luigi de MAGISTRIS Pró-Penitenciário-Mor
Gianfranco GIROTTI, O.F.M. Conv. Regente

"NOVENA à Misericórdia Divina que Jesus me mandou escrever e


rezar antes da Festa da Misericórdia, Começa na sexta-feira Santa. (A
Festa da Misericórdia Divina acontece no primeiro domingo após a
Páscoa.)
Desejo que, durante estes nove dias, conduzas as almas à fonte da
Minha misericórdia, a fim de que recebam força, alívio e todas as
graças de que necessitam nas dificuldades da vida e, especialmente
na hora da morte. Cada dia conduzirás ao Meu Coração um grupo
diferente de almas e as mergulharás nesse oceano da Minha
misericórdia. Eu conduzirei todas essas almas à Casa de Meu Pai.
Procederás assim nesta vida e na futura. Por Minha parte, nada
negarei àquelas almas que tu conduzirás à fonte da Minha
misericórdia. Cada dia pedirás a Meu Pai, pela Minha amarga
Paixão, graças para essas almas.

Primeiro Dia – (Sexta-feira Santa).


Hoje, traze-Me a Humanidade inteira, especialmente todos os
pecadores e mergulha-os no oceano da Minha
misericórdia. Com isso Me consolarás na amarga tristeza em que
Me afunda a perda das almas.
Ó onipotência da misericórdia divina, Socorro para o homem
pecador, Vós sois o oceano de misericórdia a de amor, E
ajudais a quem Vos pede humildemente.
Eterno Pai, olhai com misericórdia para toda Humanidade, encerrada
no Coração compassivo de Jesus, mas especialmente para os pobres
pecadores. Pela Sua dolorosa Paixão mostrai-nos a Vossa
misericórdia, para que glorifiquemos a onipotência da Vossa
misericórdia, pelos séculos dos séculos. Amém.
Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Segundo Dia – (Sábado Santo).


Hoje, traze-Me as almas dos sacerdotes e religiosos e
mergulha-as na Minha insondável misericórdia. Elas Me deram
força para suportar a amarga Paixão. Por elas, como por canais, corre
para a humanidade a minha Misericórdia.
A fonte do amor divino Mora nos corações puros, Banhados no
mar da misericórdia , Brilhantes como as estrelas, luminosos
como a aurora.
Eterno Pai, dirigi o olhar da Vossa misericórdia para a porção eleita
da Vossa vinha: para as almas dos sacerdotes e religiosos. Concedei-
lhes o poder da Vossa bênção e, pelos sentimentos do Coração de
Vosso Filho, no qual estão encerradas, dai-lhes a força da Vossa luz,
para que possam guiar os outros nos caminhos da salvação, e
juntamente com eles cantar a glória da Vossa insondável
misericórdia, pelos séculos eternos. Amém.
Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Terceiro Dia – (Dia de Páscoa).

Hoje, traze-Me todas as almas piedosas e fiéis e mergulha-as


no oceano da Minha misericórdia. Estas almas consolaram-Me na
Via-sacra; foram aquela gota de consolações em meio ao mar de
amarguras.
As maravilhas da misericórdia são insondáveis; Nem o pecador
nem o justo as entenderá; Para todos olhais com o olhar da
compaixão E a todos atraís para o Vosso amor.
Eterno Pai, olhai com o olhar da Vossa misericórdia para as almas
fiéis, como a herança do Vosso Filho. Pela Sua dolorosa Paixão
concedei-lhes a Vossa bênção e cercai-as da Vossa incessante
proteção, para que não percam o amor e o tesouro da santa fé, mas
com toda multidão dos Anjos e dos Santos glorifiquem a Vossa
imensa misericórdia, por toda a eternidade. Amem.
Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Quarto Dia
Hoje, traze-Me os pagãos e aqueles que ainda não Me
conhecem e nos quais pensei na Minha amarga Paixão. O seu
futuro zelo consolou o Meu Coração. Mergulha-os no mar da
Minha misericórdia. Misericordiosíssimo Jesus, que sois a luz de
todo o mundo, aceitai ma mansão do Vosso compassivo Coração as
almas dos pagãos que ainda não vos conhecem. Que os raios da
Vossa graça os iluminem para que também eles, juntamente conosco,
glorifiquem, as maravilhas de Vossa Misericórdia e não os deixeis sair
da mansão do Vosso compassivo Coração.
Que a luz do Vosso amor Ilumine as trevas das almas!
Fazei que essas almas Vos conheçam E glorifiquem a Vossa
misericórdia, juntamente conosco!
Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos pagãos e
daqueles que ainda não Vos conhecem e que estão encerrados no
Coração compassivo de Jesus. Atraí-as à luz do Evangelho. Essas
almas não sabem que grande felicidade é amar-Vos. Fazei com que
também elas glorifiquem a riqueza da Vossa misericórdia, por toda a
eternidade. Amém. Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Quinto Dia

Hoje traze-me as almas dos cristãos separadas da unidade da


Igreja e mergulha-as no mar da Minha misericórdia. Na minha
amarga Paixão dilaceravam o meu Corpo e o meu Coração, isto é, a
minha Igreja. Quando voltam à unidade da Igreja, cicatrizam-se as
minhas Chagas e dessa maneira eles aliviam a minha Paixão.
Mesmo para aqueles que rasgaram o manto da Vossa Unidade
Flui do Vosso Coração uma fonte de compaixão; A onipotência
da Vossa misericórdia, ó Deus, Pode tirar também essas almas
do erro.
Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos nossos irmãos
separados que esbanjaram os Vossos bens e abusaram das Vossas
graças, permanecendo teimosamente nos seus erros. Não olheis para
os seus erros, mas para o amor do Vosso Filho e para sua amarga
Paixão, que suportou por eles, pois também eles estão encerrados no
Coração compassivo de Jesus. Fazei com que também eles
glorifiquem a Vossa misericórdia por todos os séculos eternos. Amém
Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Sexto Dia

Hoje, traze-me as almas mansas e humildes, assim como as


almas das criancinhas e mergulha-as na Minha
misericórdia. Estas almas são as mais semelhantes ao meu
Coração. Elas reconfortaram-Me na minha amarga Paixão da minha
agonia. Eu as vi quais anjos terrestres que futuramente iriam velar
junto aos meus altares. Sobre elas derramo torrentes de graças. Só a
alma humilde é capaz de aceitar a minha graça; às almas humildes
favoreço com a minha confiança.
A alma verdadeiramente humilde e mansa Já respira aqui na
terra o ar do paraíso, E o perfume do seu coração humilde
Encanta o próprio Criador.
Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas mansas, humildes e
para as almas das criancinhas, que estão encerradas na mansão
compassiva do Coração de Jesus. Estas almas são as mais
semelhantes a Vosso Filho. O perfume destas almas eleva-se da
Terra e alcança o Vosso Trono. Pai de misericórdia e de toda
bondade, suplico-Vos pelo amor e predileção que tendes para com
estas almas: abençoai o mundo todo, para que todas as almas
cantem juntamente a glória à Vossa misericórdia, pelos séculos
eternos. Amém Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Sétimo Dia
Hoje, traze-Me as almas que veneram e glorificam de maneira
especial a Minha misericórdia e mergulha-as na Minha
misericórdia. Estas almas foram as que mais sofreram por causa da
minha Paixão e penetraram mais profundamente no meu espírito.
Elas são a imagem viva do meu Coração compassivo. Estas almas
brilharão com especial fulgor na vida futura. Nenhuma delas irá ao
fogo do Inferno; defenderei cada uma delas de maneira especial na
hora da morte.
A alma que glorifica a bondade do Senhor É por Ele
especialmente amada; Ela está sempre próxima da fonte viva
E bebe as graças da misericórdia divina.
Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que glorificam e
honram o Vosso maior atributo, isto é, a Vossa insondável
misericórdia. Elas estão encerradas no Coração compassivo de Jesus.
Estas almas são o Evangelho vivo e as suas mãos estão cheias de
obras de misericórdia; suas almas repletas de alegria cantam um
hino da misericórdia ao Altíssimo. Suplico-Vos, ó Deus, mostrai-lhes a
Vossa misericórdia segundo a esperança e a confiança que em Vós
colocaram. Que se cumpra nelas a promessa de Jesus, que disse: As
almas que veneram a Minha insondável misericórdia, Eu mesmo as
defenderei durante a sua vida, e especialmente na hora da morte,
como Minha glória. Amém Rezar o terço à Divina Misericórdia.

Oitavo Dia - Pelas Almas do purgatório.


Hoje, traze-Me as almas que se encontram na prisão do
Purgatório e mergulha-as no abismo da Minha
misericórdia; que as torrentes do meu Sangue refresquem o seu
ardor. Todas estas almas são muito amadas por Mim, pagam as
dívidas à minha Justiça. Está em teu alcance trazer-lhes alívio. Tira
do tesouro da minha Igreja todas as indulgências e oferece-as
por elas. Oh, se conhecesses o seu tormento, incessantemente
oferecerias por elas a esmolas do espírito e pagarias as suas dívidas à
minha Justiça.
Do terrível ardor do fogo do purgatório Ergue-se um lamento
das almas a Vossa misericórdia; E recebem consolo, alívio e
conforto Na torrente derramada do Sangue e da Água.
Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que sofrem no
Purgatório e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus.
Suplico-Vos que, pela dolorosa Paixão de Jesus, Vosso Filho, e por
toda a amargura de que estava inundada a sua Santíssima Alma,
mostreis Vossa misericórdia às almas que se encontram sob o olhar
da Vossa justiça. Não olheis para elas de outra forma senão através
das Chagas de Jesus, Vosso Filho muito amado, porque nós cremos
que a Vossa bondade e misericórdia são incomensuráveis. Amém
Rezar o terço à Divina Misericórdia. > Manual das
Indulgências.

Nono Dia – (Sábado, vigília da Festa da Misericórdia)


Hoje, traze-Me as almas tíbias e mergulha-as no abismo da
Minha misericórdia.Estas almas ferem mais dolorosamente o meu
Coração. Foi da alma tíbia que a minha Alma sentiu repugnância no
Horto. Elas levaram-Me a dizer: Pai afasta de Mim este cálice, se
assim for a vossa vontade. Para elas, a última tábua de salvação é
recorrer a minha Misericórdia.
O fogo e o gelo não podem ser unidos, Porque ou o fogo se
apaga, ou o gelo se derrete; Mas a Vossa misericórdia, ó Deus,
Pode auxiliar indigências ainda maiores.
Eterno Pai, olhai com Vossa misericórdia para as almas tíbias e que
estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Pai de
Misericórdia, suplico-Vos pela amargura da Paixão de Vosso Filho e
por Sua agonia de três horas na Cruz, permiti que também elas
glorifiquem o abismo da Vossa misericórdia... Amém" (Diário 1209-
1228). Rezar o terço à Divina Misericórdia.
Na NOVENA: "O Senhor me disse para rezar o Terço [da
misericórdia] por nove dias antes da Festa da Misericórdia (...)

Através desta novena concederei às almas toda espécie de


graças" (Diário 796).
ADORAÇÃO AO DIVINO PAI ETERNO

ADORAÇÃO AO PAI ETERNO


Pai-Nosso, um Ave- Maria e um glória.
Oração: Vos adoro, Oh! Pai eterno, com toda a corte celestial, meu
Deus e Senhor, e vos dou infinitas graças em nome da Santíssima
Virgem, vossa filha muito amada, por todos os dons e privilégios com
que a adornastes, especialmente por aquele poder com que a
enaltecestes em sua gloriosa Assunção aos céus.

ADORAÇÃO AO ETERNO FILHO.


Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.
Oração: Vos adoro, Oh! Eterno Filho, com toda a corte celestial, meu
Deus, Senhor e Redentor, e vos rendo graças infinitas em nome da
Santíssima Virgem, vossa muito amada mãe, por todos os dons e
privilégios com que a adornastes, especialmente por aquela suma
sabedoria com que a ilustrastes em sua gloriosa Assunção ao céu.

ADORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO.


Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.
Oração: Vos adoro, espírito Santo Paráclito, por meu Deus e Senhor,
e vos dou infinitas graças com toda a corte celestial em nome da
Santíssima Virgem, vossa amantíssima Esposa por todos os dons e
privilégios com que a adornastes, especialmente por aquela
perfeitíssima e divina caridade com que inflamastes seu santíssimo e
puríssimo coração no ato de sua gloriosíssima Assunção ao céu; e
humildemente vos suplico em nome de vossa imaculada Esposa, me
outorgueis a graça de perdoar me todos os gravíssimos pecados que
tenho cometido desde o primeiro instante em que pude pecar; até o
presente, os quais me doem infinitamente: faço firme propósito de
morrer antes que voltar mais a ofender a vossa divina Majestade; e
pelos altíssimos méritos e eficacíssima proteção de vossa
amantíssima Esposa vos suplico me concedais a mim o preciosíssimo
dom de vossa graça e divino amor, dando me aquelas luzes e
particulares auxílios com os quais vossa eterna Providência tinha
determinado salvar-me, e conduzir-me a Vós.
Oração a Santíssima Virgem: Vos reconheço e vos venero, Oh!
Virgem Santíssima, Rainha dos céus, Senhora e Patrona do universo,
como a filha do eterno Pai, mãe de seu diletíssimo Filho, e Esposa
amantíssima do Espírito Santo; e prostrado aos pés de vossa grande
Majestade com a maior humildade vos suplico por aquela divina
caridade; de que fostes sumamente cheia em vossa Assunção ao céu,
que me obtenhais a singular graça e misericórdia de por-me sob
vossa seguríssima e fidelíssima proteção, e de receber-me no número
daqueles felicíssimos e afortunados servos que levais escritos em
vosso virginal peito. Dignai-vos, Oh! mãe e Senhora minha
clementíssima, aceitar meu miserável coração, minha memória,
minha vontade, e as demais potências e sentidos meus interiores e
exteriores; Aceitai meus olhos, meus ouvidos, minha boca, minhas
mãos e meus pés, regei-os conforme ao beneplácito de vosso Filho, a
fim de que com todos os meus movimentos tenha a intenção de
tributar-vos glória infinita. E por aquela sabedoria com que vos
iluminou vosso amantíssimo Filho, vos rogo e suplico me alcanceis luz
e claridade para conhecer-me bem a mim mesmo, meu nada, e
particularmente meus pecados, para odiá-los e detesta-los sempre, e
alcançai-me a luz para conhecer as tentações do inimigo infernal e
seus combates ocultos e manifestos. Especialmente, piedosíssima
Mãe minha, vos suplico a graça (mencionar).

CONSAGRAÇÃO AO DIVINO PAI ETERNO

Divino Pai Eterno, aqui estamos para prestar-vos a nossa


homenagem. Nós cremos em vós, Pai Eterno, nosso Pai e nosso
Criador. Confiamos em vossa bondade e poder. Queremos amar-vos
sempre, cumprindo vossos mandamentos e servindo ao vosso Filho
Jesus, na pessoa de nossos irmãos. Nós vos damos graça pelo vosso
amor e pela vossa ternura. Vós nos atraís ao vosso Santuário e nos
acolheis de braços abertos. Vós nos guiais com os ensinamentos do
vosso Filho. Nosso Senhor, e nos dais sempre o vosso perdão.

Divino Pai Eterno, queremos consagrar a vós: Nossas famílias,


Para que vivam em paz e harmonia; Nossas casas, Para que sejam
iluminadas pela vossa presença. Nossas alegrias, Para que sejam
santificadas pelo vosso amor. Nossas preocupações, Para que sejam
acolhidas em vossa bondade; Nossas doenças, Para que sejam
remediadas com a vossa misericórdia; Nossos trabalhos, Para que
sejam fecundos com a vossa bênção.

Divino Pai Eterno, Recebei a homenagem da nossa fé, fortalecei a


nossa esperança e renovai o nosso amor. Dai-nos o dom da paz e da
fidelidade à vossa Igreja. Pela intercessão de Nossa Senhora, mãe do
vosso querido Filho, dai-nos a perseverança na fé e a graça da
salvação eterna. Amém!

ORAÇÃO À SANTÍSSIMA TRINDADE

POR SUA SANTIDADE O PAPA JOÃO PAULO II


Bendito sejas, Pai, que em vosso infinito amor nos tem dado a vosso
Unigênito Filho, feito carne por obra do Espírito Santo no seio
puríssimo da Virgem Maria, e nascido em Belém faz agora dois mil
anos. Ele se tinha feito nosso companheiro de viagem e tinha dado
novo significado a historia que é um caminho feito juntos, no trabalho
e no sofrimento, na fidelidade e no amor, até aqueles céus novos e
até aquela terra nova, na que Tu, vencida a morte, serás tudo em
todos.
Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo
Deus!
Faça Pai, que por tua graça o ano jubilar seja um tempo de conversão
profunda e de alegre retorno a Vos; Concedei-nos que seja um tempo
de reconciliação entre os homens e de redescobrir a concórdia entre
as nações; tempo no que as lanças se troquem em rosas, e ao fragor
das armas sucedam cantos de paz. Concedei-nos, Pai, viver o ano
jubilar dóceis a voz do espírito, fiéis no seguimento de Cristo,
assíduos na escuta da Palavra e na assiduidade as fontes da graça.
Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo
Deus!
Sustenta, Pai, com a força do espírito, o empenho da Igreja em favor
da nova evangelização e guia nossos passos pelos caminhos do
mundo para anunciar a Cristo com a vida, orientando nossa
peregrinação terrena a Cidade da luz. Fazei Pai, que brilhem os
discípulos de vosso Filho por seu amor fazia os pobres e oprimidos;
que sejam solidários com os necessitados, e generosos nas obras de
misericórdia, e indulgentes com os irmãos para obter eles mesmos de
Vos indulgência e perdão.
Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo
Deus!
Fazei Pai, que os discípulos de vosso Filho, purificada a memória e
reconhecidas as próprias culpas, sejam uma única coisa, de sorte que
o mundo creia. Outorga que se dilate o diálogo entre os seguidores
das grandes religiões, de sorte que todos os homens descubram a
alegria de ser teus filhos. Fazei que a voz suplicante de Maria, mãe
das gentes, se unam às vozes orantes dos apóstolos e dos mártires
cristãos, dos justos de todo povo e de todo tempo, para que o ano
Santo seja para todos e para a Igreja, motivo de renovada esperança
e de júbilo no espírito.
Adoração e glória a Vos, Trindade e Santíssima, único e sumo
Deus!
A Vós, Pai onipotente, origem do cosmos e do homem, por Cristo, o
Vivente, Senhor do tempo e da historia, no espírito que santifica o
universo, a Adoração, a honra, a glória, hoje e nos séculos sem fim.
Amém!
ORAÇÕES A JESUS CRISTO

> O Crucifixo
> Devoção à Via-Sacra.
> Devoção ao Sagrado Coração de Jesus
> Devoção às Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo
> Orações às Santas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
> Devoção à Divina Misericórdia (O Terço e a Novena)
> Devoção à Sagrada Face
> Devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus
> Devoção ao Santíssimo Sacramento.
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O CRUCIFIXO.

» A FORÇA DA FÉ «

Este crucifixo está entre os sacramentais da Igreja Católica, é


um símbolo Sagrado cujos efeitos são obtidos graças à oração
da Igreja.

ORAÇÃO DE ADORAÇÃO DIANTE AO CRUCIFIXO: Eis me, aqui ó


bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos ante a vossa divina
presença, eu Vos peço e suplico, com o mais ardente fervor de
minha alma, que Vos digneis gravar em meu coração
profundos sentimentos de fé, de esperança e de caridade, de
verdadeiro arrependimento de meus pecados e vontade
firmíssima de me emendar, enquanto com sincero afeto e
íntima dor de coração considero e medito em vossas cinco
chagas, tendo bem presentes aquelas palavras que o Profeta
Davi já dizia de Vós, ó bom Jesus: Traspassaram as minhas
mãos e os meus pés, e contaram todos os meus ossos.
OREMOS: “Oh! Deus, que vos dignastes alegrar o mundo com a
Ressurreição de Vosso Filho JESUS CRISTO, Senhor Nosso,
concedei-nos, Vo-lo suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem
Maria, alcancemos os prazeres da vida eterna. Pelo mesmo
Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. Rogai por nós a Deus,
aleluia... Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria,
aleluia...” (Indulgência plenária para os que tendo feito a confissão e
a comunhão, recitarem esta Oração diante de um Crucifixo, rezando
pelas necessidades da Santa Igreja, ao menos um Pai Nosso, uma
Ave Maria e o Gloria ao Pai. O Papa Pio XI concedeu ainda uma
indulgência de 10 anos, cada vez que se rezar, de coração contrito,
esta oração. 19 de janeiro de 1934.)

ORAÇÃO DE SÃO BENTO

DIANTE DA CRUZ: "A CRUZ SAGRADA SEJA MINHA LUZ". "NÃO


SEJA O DRAGÃO MEU GUIA". "RETIRA-TE, SATANÁS.” “NUNCA
ME ACONSELHES COISAS VÃS!" "É MAU O QUE ME OFERECES.”
“BEBE TU MESMO O TEU VENENO!".

O CRUCIFIXO DE SÃO BENTO


A Cruz de São Bento não é um símbolo mágico que cancela cada
dificuldade da nossa vida, mas um meio que pode ajudar a superá-la.
Para tirar os benefícios deste crucifixo não basta fazê-lo benzer ou
usá-lo como talismã, mas são proporcionais ao grau da nossa fé
e da confiança que colocamos em Deus e em São Bento. Todo
Cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é
necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja; provada;
e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos. O
símbolo da nossa redenção, a Cruz, gravada na medalha, não
tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de
Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos
salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede,
também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com
São José são padroeiros da boa morte. Para se ficar livre das
ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e
amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo,
todos os deveres religiosos: Oração, Missa dominical, recepção
dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em
uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de
Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o
poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

TRAZER CONSIGO O CRUCIFIXO.


Podemos trazê-lo ao pescoço como sinal de amor a nossa FÉ e
TESTEMUNHO a JESUS CRISTO.
Numerosos são os benefícios atribuídos ao crucifixo de São
Bento, de fato se usado com fé e com o Patrocínio do Santo;
protege:
Das epidemias;
Dos venenos;
De alguns tipos de doenças especiais;
Dos malefícios;
Dos perigos espirituais e materiais que possam causar o
Demônio;
A Santa Sé a enriqueceu com numerosas
indulgências: Indulgência Plenária em ponto de morte; Indulgência
Parcial.
Explicação: São Bento servia-se do Sinal da Cruz para fazer
milagres e vencer as tentações. Daí veio o costume, muito
antigo, de representá-lo com uma cruz na mão. Através dos
séculos, foram cunhadas medalhas de São Bento de várias formas.
Desde o século XVII, começaram-se a cunhar medalhas, tende de
um lado a imagem do Santo com um cálice do qual sai uma serpente
e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas
tentativas de envenenamento das quais São Bento saiu
milagrosamente ileso.

O QUE ESTÁ ESCRITO NA CRUZ MEDALHA DE SÃO BENTO

SÃO BENTO É O PATRONO DOS EXORCISTAS


Na frente da medalha são apresentados uma cruz e entre seus
braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do
latim: Cruz Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai
Bento".
- Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra
Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz".
- Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit
Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia".
- No alto da cruz está gravada a palavra PAX ("Paz"), que é lema da
Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma
de Cristo: I H S.
- À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade
Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana - "Retira-te, satanás,
nunca me aconselhes coisas vãs!" e S M Q L I V B: Sunt Mala
Quae Libas Ipse Venena Bibas - "É mau o que me ofereces,
bebe tu mesmo os teus venenos!".
- Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda
o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a
cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS -
IN - OBITU - NRO - PRAESENTIA - MUNIAMUR - "Sejamos
confortados pela presença de São Bento na hora de nossa
morte".
- É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma
serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as
duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu,
milagrosamente, ileso.
ORAÇÃO A SÃO BENTO PARA ALCANÇAR ALGUMA GRAÇA: Ó
glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre
compassivo com os necessitados, fazei que também nós,
recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio
em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a
tranqüilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto
corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado.
Alcançai do Senhor a graça... que vos suplicamos, finalmente,
vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos
ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

Oração diante do Crucifixo na Igreja de São Damião, e feita


por São Francisco.
Depois que se curou, São Francisco desejava ardentemente saber os
planos de Deus para sua vida. Por isso, começou a passar horas em
solidão diante do Crucifixo e rezou esta prece diante do Crucifixo,
quando estava em oração diante do altar da abandonada igreja de
São Damião em Assis, quando esta ainda estava em ruínas. Foi,
então, que ouviu o Crucificado mandá-lo reconstruir sua Igreja.
Francisco interpretou tais palavras como se referindo à igreja e de
São Damião e não à Igreja Católica, a qual precisava de uma reforma
religiosa.
“-Senhor, que queres que eu faça???”
Até que um dia percebeu que Ele lhe respondia:
“-Vai, Francisco! Reconstrói a minha Igreja!”

A ORAÇÃO
Senhor, quem sois vós e quem sou eu? Vós o Altíssimo Senhor
do céu e da terra e eu um miserável vermezinho, vosso ínfimo
servo.
Grande e magnífico Deus, meu Senhor Jesus Cristo, iluminai o
meu espírito e dissipai as trevas de minha alma; dai-me uma
fé íntegra, uma esperança firme e uma caridade perfeita.
Concedei, meu Deus, que eu vos conheça muito, para poder
agir sempre segundo os vossos ensinamentos e de acordo com
a vossa santíssima vontade.
Absorvei, Senhor, eu vos suplico, o meu espírito, e pela suave
e ardente força do vosso amor, desafeiçoai-me de todas as
coisas que debaixo do céu existem, a fim de que eu possa
morrer por vosso amor, ó Deus, que por meu amor vos
dignastes morrer.
Ajoelhados: Ajoelhar-se perante alguém era sinal de homenagem a
um soberano. Hoje significa adoração a Deus. São Paulo diz: “Ao
nome de Jesus, se dobre todo o joelho, no céu, na terra e
debaixo da terra” (Fl 2,10). Rezar de joelhos é mais comum nas
orações individuais. “Pedro, tendo mandado sair todos, pôs-se
de joelhos para orar” (Cf. At 9,40).
Genuflexão: É dobrar os joelhos, num gesto de adoração a Jesus ,
Também fazemos genuflexão diante do crucifixo, em sinal de
adoração. (Não é adoração à cruz objeto, mas a Jesus que nela foi
pregado).
Veja também: A Divina Providência de Maria.

DEVOÇÕES A VIA-SACRA

> Promessas aos devotos da Via-Sacra.


> Via-Sacra do ano 2000 no Vaticano - Meditações do Papa
João Paulo II.
> Via-Sacra do ano 2003 no Vaticano - Meditações do Papa
João Paulo II.
> Via-Sacra do ano 2004 no Vaticano - Meditações do Padre
André Louf.
> Via-Sacra do ano 2005 no Vaticano - Meditações do Cardeal
Ratzinger.
> Via-Sacra do ano 2007 no Vaticano - Meditações do Mons
Gianf. Ravasi
> Via-Sacra segundo Santa Ir. Faustina Kowalska.
> Via-Sacra Reparadora
> Via-Sacra pelas Almas do Purgatório
> Via-Sacra EUCARÍSTICA de São Pedro Julião Eymard
> Via Sacra do Preciosíssimo Sangue de Jesus. (Mês de Julho)
> Meditações da Sagrada Paixão de Nosso Senhor.
> Via Crucis - Santo Afonso Maria Ligório
> Via Sacra Cruz Segredo de Amor. (Santíssima Virgem - Mês
de Maio)
> Via Matris - o Caminho da Mãe Dolorosa

PROMESSAS DE JESUS AOS DEVOTOS DA VIA SACRA


Na idade de 18 anos, um jovem espanhol, chamado Estanislau,
ingressou ao noviciado, na vida religiosa, este jovem fez os votos de
religião que são: O cumprimento dos regramentos; avançar na
perfeição cristã e alcançar o amor puro. O mês de outubro de
1926, este irmão se ofereceu a Jesus por intermédio de Maria
Santíssima. Pouco depois de ter feito esta doação heróica de si
mesmo, o jovem religioso ficou doente e foi obrigado a descansar.
Morreu santamente no mês de março, 1927. Segundo o mestre de
noviços, este religioso era uma alma escolhida de Deus; e que
recebia mensagens do Céu. Os confessores do jovem, assim como os
teólogos, reconheceram estes feitos sobrenaturais. O diretor
espiritual do irmão Estanislau lhe havia ordenado escrever todas as
promessas transmitidas por Nosso Senhor. Isto seria para o bem
espiritual dos que fossem devotos da Via Crucis.

As Promessas para os devotos da Via Crucis feitas por Jesus


ao irmão Estanislau.
1. Eu concederei tudo quando Me pedirem com fé, durante a Via
Crucis.
2. Eu prometo a vida eterna aos que, de vez em quando, se
aplicarem a rezar a Via Crucis.
3. Durante a vida, eu lhes acompanharei em todo lugar e terão Minha
ajuda especial na hora da morte.
4. Ainda que tiverem mais pecados que as folhas da erva que cresce
nos campos, e mais que os grãos de areia do mar, todos serão
apagados por meio desta devoção, a Via Crucis. (Importante: Esta
devoção não elimina a obrigação de confessar os pecados mortais. Se
deve confessar antes de receber a Santa Comunhão.)
5. Os que acostumarem rezar a Via Crucis freqüentemente, terão de
uma Glória extraordinária no Céu.
6. Depois da morte, se estes devotos chegarem ao Purgatório, eu os
livrarei desse lugar de expiação, na primeira terça-feira ou sexta-feira
depois da morte.
7. Eu abençoarei a estas almas cada vez que rezarem a Via Crucis; e
minha benção lhes acompanhará em todas partes da terra. Depois da
morte, gozarão desta benção no Céu, por toda a eternidade.
8. Na hora da morte, não permitirei que sejam sujeitos a tentação do
demônio. Ao espírito maligno lhe tirarei todo o poder sobre estas
almas. Assim poderão repousar tranqüilamente em Meus Braços.
9. Se rezam com verdadeiro amor, serão altamente premiados. Quer
dizer, converterei a cada uma destas almas em um recipiente vivo,
onde Eu irei derramar Minha graça.
10. Fixarei Meus Olhos sobre aquelas almas que rezarem a Via Crucis
com freqüência e Minhas mãos estarão sempre abertas para protegê-
las.
11. Assim como Eu fui cravado na Cruz, igualmente estarei sempre
muito unido aos que Me honram, com a reza freqüente da Via Crucis.
12. Os devotos da Via Crucis nunca se separarão de Mim porque eu
lhes darei a graça de jamais cometer um pecado mortal.
13. Na hora da morte, eu lhes consolarei com Minha presença, e
iremos juntos ao Céu. A morte será doce para todos os que Me tem
honrado durante a vida com a reza da Via Crucis.
14. Para estes devotos da Via Crucis, Minha Alma será um escudo de
proteção que sempre lhes prestará o auxilio quando recorram a Mim.

VIA-SACRA NO COLISEU de ROMA


SEXTA-FEIRA SANTA DO ANO SANTO 2000
MEDITAÇÕES E ORAÇÕES DO SANTO PADRE O PAPA JOÃO
PAULO II

ORAÇÃO INICIAL

O Santo Padre: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.


R. Amém.
"Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome
a sua cruz e siga-Me" (Mt 16, 24).
Noite de Sexta-feira Santa.
Há vinte séculos que a Igreja se reúne nesta noite para
recordar e reviver os acontecimentos da última etapa do
caminho terreno do Filho de Deus. Hoje, como nos demais anos,
a Igreja que está em Roma concentra-se no Coliseu, para seguir os
passos de Jesus que, "carregando às costas a cruz, saiu para o lugar
chamado Crânio, que em hebraico se diz Gólgota" (Jo 19, 17).
Encontramo-nos aqui animados pela convicção de que a via-sacra do
Filho de Deus não foi um simples caminhar para o lugar do suplício.
Acreditamos que cada passo do Condenado, cada gesto e palavra
d'Ele, e tudo o mais que foi vivido e realizado por quantos tomaram
parte neste drama, continua incessantemente a falar-nos. Cristo,
mesmo no seu sofrimento e na sua morte, desvenda-nos a
verdade acerca de Deus e do homem. Neste Ano Jubilar,
queremos refletir mais intensamente no conteúdo daquele
acontecimento, para que fique gravado, com uma força nova, nas
nossas mentes e nos nossos corações e daí brote a graça duma
autêntica participação. Participar significa ter uma parte.
E que significa ter uma parte na cruz de Cristo?
- Significa experimentar, no Espírito Santo, o amor que a cruz de
Cristo encerra.
Significa reconhecer, à luz desse amor, a própria cruz.
Significa retomá-la aos próprios ombros e, por força sempre daquele
amor, caminhar...
Caminhar pela vida fora, imitando Aquele que "suportou a cruz,
desprezando a ignomínia, e está agora sentado à direita do trono de
Deus" (Heb 12, 2). Alguns momentos de silêncio.
Oremos: Senhor Jesus Cristo, enchei os nossos corações com a luz
do vosso Espírito, para que, acompanhando-Vos no vosso último
caminho, conheçamos o preço da nossa redenção e nos tornemos
dignos de participar nos frutos da vossa paixão, morte e ressurreição.
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. R. Amém.

PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS É CONDENADO À MORTE

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
"Tu és o rei dos judeus?" (Jo 18, 33). - "A minha realeza não é
deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo,
pelejariam os meus servos, para que Eu não fosse entregue
aos judeus; mas a minha realeza não é daqui" (Jo 18, 36).
Pilatos acrescentou: "Logo Tu és rei?"
Jesus respondeu: - "Tu o dizes! Eu sou rei! Para isso nasci e para isto
vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que
é da verdade ouve a minha voz".
Pilatos replicou: "Que é a verdade?"
Dito isto, o Procurador romano considerou encerrado o interrogatório.
Foi ter com os judeus e comunicou-lhes: "Não acho n'Ele culpa
alguma" (cf. Jo 18, 37-38).
O drama de Pilatos está contido na pergunta: Que é a verdade?
Não era uma pergunta filosófica sobre a natureza da verdade, mas
uma pergunta existencial que dizia respeito à relação da própria
pessoa com a verdade. Era uma tentativa de fugir à voz da
consciência, que instava para que reconhecesse a verdade e a
seguisse. O homem, que não se deixa guiar pela verdade, é capaz de
sentenciar inclusivamente a condenação dum inocente. Os
acusadores intuem esta fragilidade de Pilatos e por isso não cedem.
Com determinação, reclamam a morte de cruz. As meias-medidas, a
que recorre Pilatos, não o ajudam. Não é suficiente a pena cruel da
flagelação, infligida ao Acusado. Quando o Procurador apresenta à
multidão Jesus flagelado e coroado de espinhos, usa uma frase que,
no seu modo de ver, deveria quebrar a intransigência da praça.
Apontando para Jesus, diz: "Ecce homo! Eis o homem!"
Mas, a resposta foi: "Crucifica-O, crucifica-O!"
Pilatos procura então fazê-los raciocinar: "Tomai-O vós e crucificai-O;
eu não encontro n'Ele culpa alguma" (cf. Jo 19, 5-7).
Está cada vez mais convencido de que o Réu é inocente, mas isto não
lhe basta para proferir uma sentença de absolvição.
Os acusadores recorrem ao último argumento: "Se O libertares, não
és amigo de César; todo aquele que se faz rei, é contra César" (Jo
19, 12). A ameaça é clara. Pilatos, intuindo o perigo, cede
definitivamente e profere a sentença, acompanhada do gesto teatral
de lavar-se as mãos: "Estou inocente do sangue deste justo. Isso é
convosco" (Mt 27, 24). E assim Jesus, o Filho de Deus vivo, o
Redentor do mundo, foi condenado à morte de cruz. Ao longo dos
séculos, a negação da verdade gerou sofrimento e morte. São os
inocentes que pagam o preço da hipocrisia humana. As meias-
medidas não são suficientes. Nem basta lavar as mãos. A
responsabilidade pelo sangue do justo permanece.
Foi por isso que Jesus rezou, tão ardentemente, pelos seus
discípulos de todos os tempos: "Pai, santifica-os na verdade. A
tua palavra é a verdade" (Jo 17, 17).

ORAÇÃO
Cristo, que aceitais uma condenação injusta, concedei-nos, a nós e a
todos os nossos contemporâneos, a graça de sermos fiéis à verdade e
não permitais que caia sobre nós e sobre quantos hão de vir depois
de nós o peso da responsabilidade pelo sofrimento dos inocentes.
Jesus, justo Juiz, a Vós a honra e a glória pelos séculos sem fim.
R. Amém.
Todos: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na
terra como é no céu. O pão nosso de cada dia, nos dai hoje, perdoai
as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores,
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.
Em Latim: Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita
nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas
in tentationem; sed libera nos a malo.
SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS RECEBE A CRUZ AOS OMBROS

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
A cruz. Instrumento de morte infame.
Não era lícito condenar um cidadão romano à morte de cruz: era
humilhante demais. No momento em que Jesus de Nazaré pegou na
cruz para levá-la ao Calvário, a história da cruz conheceu uma
inversão do seu valor:
De sinal de morte infame e reservada à classe inferior dos homens, a
cruz passa a ser uma chave; doravante, com a ajuda desta
chave, o homem abrirá a porta das profundezas do mistério de
Deus. Por obra de Cristo, que aceita a cruz como instrumento do seu
despojamento, os homens saberão que Deus é amor. Amor sem
limites: "Amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho
único, para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a
vida eterna" (Jo 3, 16). Esta verdade sobre Deus foi revelada por
meio da cruz. E não podia revelar-se de outro modo? - Talvez sim.
Deus, porém, escolheu a cruz. O Pai escolheu a cruz para o seu Filho,
e Este tomou-a aos ombros, levou-a até ao monte Calvário e sobre
ela ofereceu a sua vida. "Na cruz, há o sofrimento,na cruz, há a
salvação,na cruz, há uma lição de amor.” Ó Deus, quem uma vez
Vos compreendeu, nada mais deseja, nada mais procura" (Cântico
quaresmal polaco). A Cruz é sinal dum amor sem limites!

ORAÇÃO
Cristo, que aceitais a cruz das mãos dos homens, para fazer dela o
sinal do amor salvífico de Deus pelo homem, concedei-nos, a nós e a
todos os nossos contemporâneos, a graça da fé neste amor infinito,
para que, transmitindo ao novo milênio o sinal da cruz, sejamos
autênticas testemunhas da Redenção. Jesus, sacerdote e vítima, a
Vós o louvor e a glória para sempre. R. Amém.
Todos: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na
terra como é no céu. O pão nosso de cada dia, nos dai hoje, perdoai
as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores,
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.
Em Latim: Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita
nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas
in tentationem; sed libera nos a malo.
TERCEIRA ESTAÇÃO
JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
"Deus carregou sobre Ele os pecados de todos nós" (cf. Is 53, 6).
"Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um seguia o
seu caminho; o Senhor carregou sobre Ele a iniqüidade de todos nós"
(Is 53, 6). Jesus cai sob a cruz. Acontecerá o mesmo por três vezes
ao longo do caminho, relativamente breve, da "via dolorosa". Cai
exausto. O corpo sangrando pela flagelação, a cabeça coroada de
espinhos. Tudo isso faz com que Lhe faltem as forças. Por isso cai, e
a cruz com o seu peso esmaga-O contra o chão. Convém voltar às
palavras do profeta, que prevê esta queda séculos antes. É como se a
contemplasse com seus próprios olhos: vendo o Servo do Senhor no
chão sob o peso da cruz, o profeta mostra a verdadeira causa da sua
queda. É que "Deus carregou sobre Ele os pecados de todos nós".
Foram os pecados que lançaram por terra o divino Condenado. Foram
eles que determinaram o peso da cruz, que Ele carrega aos seus
ombros. Foram os pecados que causaram a sua queda. Cristo, a
custo, levanta-Se para retomar o caminho. Os soldados, que O
escoltam, não cessam de forçá-Lo com seus gritos e golpes. Passado
pouco tempo, o cortejo parte de novo. Jesus cai e levanta-Se. Deste
modo, o Redentor do mundo fala, sem palavras, a todos aqueles que
caem. Exorta-os a levantarem-se. "Ele suportou os nossos pecados
no seu corpo, sobre o madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o
pecado, vivêssemos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados"
(cf. 1 Ped 2, 24).

ORAÇÃO
Cristo, que caís sob o peso das nossas culpas e Vos levantais para
nossa justificação, nós Vos pedimos: ajudai-nos a nós e a todos
aqueles que são oprimidos pelo pecado a pormo-nos novamente de
pé e a retomarmos o caminho. Dai-nos a força do Espírito,
para levar convosco a cruz da nossa fragilidade. Jesus, esmagado
pelo peso das nossas culpas, a Vós o nosso louvor e o nosso amor
para sempre. R. Amém.
Todos: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na
terra como é no céu. O pão nosso de cada dia, nos dai hoje, perdoai
as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores,
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.
Em Latim: Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita
nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas
in tentationem; sed libera nos a malo.

QUARTA ESTAÇÃO
JESUS ENCONTRA SUA MÃE

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
"Não tenhas receio, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Hás de
conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de
Jesus. Será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus
dar-Lhe-á o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa
de Jacob e o seu reinado não terá fim" (Lc 1, 30-33). Maria recordava
estas palavras. No segredo do seu coração, frequentemente
repensava nelas. Quando encontrou o Filho no caminho da cruz, pode
ser que lhe tenham vindo à mente precisamente estas palavras. Com
uma força particular. "Reinará... o seu reinado não terá fim...",
dissera o mensageiro celeste. Quando, agora, contempla o Filho
condenado à morte que leva a cruz onde há de morrer, Ela poderia,
humanamente falando, interrogar-se: Então como irão cumprir-se
aquelas palavras? De que modo reinará Ele sobre a casa de David? E
como será possível não ter fim o seu reinado? Humanamente, seriam
compreensíveis tais perguntas. Maria, porém, recorda a resposta que
dera então depois de ter ouvido o anúncio do Anjo: "Eis a escrava do
Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38). Agora vê
que aquela sua resposta se está realizando como palavra da cruz.
Sendo mãe, Maria sofre profundamente. Todavia neste momento
responde como o tinha feito então, na anunciação: "Faça-se em mim
segundo a tua palavra". Deste modo, maternalmente, abraça a cruz
juntamente com o divino Condenado. No caminho da cruz, Maria
manifesta-se como Mãe do Redentor do mundo. "Ó vós todos que
passais pelo caminho, olhai e vêde se existe dor semelhante à dor
que me atormenta" (Lam 1, 12).
É a Mãe Dolorosa que fala, a Serva obediente até ao fim, a Mãe do
Redentor do mundo.

ORAÇÃO
Ó Maria, Vós que percorrestes o caminho da cruz juntamente com o
Filho, sentindo vosso coração de mãe despedaçado pela dor, mas
sempre recordada do vosso fiat e intimamente confiante de que
Aquele para quem nada é impossível saberia dar cumprimento às
suas promessas, implorai para nós e para as futuras gerações a graça
do abandono ao amor de Deus. Fazei com que em presença do
sofrimento, do desprezo, da prova, ainda que prolongada e dura,
nunca duvidemos do seu amor. A Jesus, vosso Filho, honra e glória
para sempre. R. Amém.
Todos: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na
terra como é no céu. O pão nosso de cada dia, nos dai hoje, perdoai
as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores,
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.
Em Latim: Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita
nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas
in tentationem; sed libera nos a malo.

QUINTA ESTAÇÃO
SIMÃO DE CIRENE LEVA A CRUZ DE JESUS

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Obrigaram Simão (cf. Mc 15, 21).

Procederam assim os soldados romanos, porque temiam que o


Condenado, exausto, não chegasse com a cruz ao Gólgota. E não
poderiam executar a sentença da crucifixão que pesava sobre Ele.
Procuravam um homem que O ajudasse a levar a cruz.
O olhar deles caiu sobre Simão. Obrigaram-no a carregar
aquele peso. Pode-se facilmente imaginar que ele não estivesse de
acordo e se opusesse. Levar a cruz com um condenado podia ser
considerado um ato ofensivo para a dignidade dum homem livre.

Embora contra vontade, Simão pegou na cruz para ajudar


Jesus.
Num cântico quaresmal, ressoam estas palavras: "Sob o peso
da cruz, Jesus acolhe o Cireneu". Estas palavras deixam entrever
uma mudança total de perspectiva: o divino Condenado aparece
como Alguém que, de certo modo, "dá de presente" a cruz.
Porventura não foi Ele que disse: "Quem não tomar a sua cruz
para Me seguir, não é digno de Mim" (Mt 10, 38)?

Simão recebe um presente.


Tornou-se "digno" d'Ele.
Aquilo que, aos olhos da multidão, podia ofender a sua
dignidade, na perspectiva da redenção conferiu-lhe, pelo contrário,
uma nova dignidade.
O Filho de Deus fê-lo participante, de modo singular, na sua obra
salvífica.
Será que Simão sabe disto?
O evangelista Marcos identifica Simão de Cirene como sendo
"pai de Alexandre e Rufo" (15, 21).

Se os filhos de Simão de Cirene eram conhecidos na primitiva


comunidade cristã, pode-se pensar que também o pai, precisamente
quando levava a cruz, tenha acreditado em Cristo. Passou livremente
da imposição à disponibilidade, como se tivesse ouvido intimamente
estas palavras: "Quem não Me segue com a sua cruz, não é digno de
Mim".

Levando a cruz, foi iniciado no conhecimento do evangelho da


cruz.
Desde então, este evangelho tem falado a muita gente, a
cireneus sem conta, chamados no decurso da história a levar a cruz
juntamente com Jesus.

ORAÇÃO

Cristo, que conferistes a Simão de Cirene


a dignidade de levar a vossa cruz,
acolhei-nos também a nós sob o seu peso,
acolhei todos os homens
concedendo a cada um a graça da disponibilidade.
Fazei que não desviemos o olhar daqueles
que são oprimidos pela cruz da doença,
da solidão, da fome, da injustiça.
Fazei que, levando a carga uns dos outros,
nos tornemos testemunhas do evangelho da cruz,
testemunhas de Vós,
que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

SEXTA ESTAÇÃO

A VERÔNICA LIMPA O ROSTO DE JESUS

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Nos Evangelhos, não aparece mencionada Verônica. Entre as


várias mulheres que serviam Jesus, o nome dela não é referido.
Pensa-se, por isso, que o nome possa exprimir sobretudo o que
a mulher fez. Com efeito, segundo a tradição, no caminho para o
Calvário, uma mulher passou por entre os soldados que escoltavam
Jesus e, com um véu, enxugou o suor e o sangue do rosto do Senhor.
Aquele rosto ficou gravado no véu: um reflexo fiel, uma verdadeira
imagem, uma "vera icone". Desta expressão derivaria o nome de
Verônica.

Se assim fosse, este nome, que recorda o gesto realizado pela


mulher, encerraria simultaneamente a verdade mais profunda dela
mesma.
Um dia, perante a crítica dos presentes, Jesus tomou a defesa
duma mulher pecadora, que tinha derramado um perfume sobre os
pés d'Ele, enxugando-os depois com os cabelos. À objeção então
levantada, Ele responde: "Porque afligis esta mulher? Ela praticou
para comigo uma boa obra (...). Derramando este perfume sobre o
meu corpo, fê-lo preparando-Me para a sepultura" (Mt 26, 10.12).

As mesmas palavras poder-se-iam aplicar a Verônica.


Fica assim patente o profundo significado do acontecimento.
O Redentor do mundo dá a Verônica uma autêntica imagem do
seu rosto.
O véu, onde fica impresso o rosto de Cristo, torna-se uma
mensagem para nós. De certo modo, diz: Eis como toda a boa obra,
todo o gesto de amor para com o próximo reforça, em quem o
pratica, a semelhança com o Redentor do mundo.

Os atos de amor não passam. Cada gesto de bondade, de


compreensão, de serviço deixa no coração do homem um sinal
indelével, que o torna cada vez mais semelhante Àquele que "Se
despojou a Si mesmo, tomando a condição de servo" (Fil 2, 7).
Assim se forma a identidade, o verdadeiro nome da pessoa.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo!


Vós que aceitastes
o gesto de amor desinteressado duma mulher
e fizestes com que, em troca,
as gerações a recordassem com o nome do vosso rosto,
concedei que as nossas obras
e as de todos quantos virão depois de nós,
nos tornem semelhantes a Vós
e ofereçam ao mundo o reflexo
do vosso infinito amor.
Jesus, esplendor da glória do Pai, a Vós
louvor e glória para sempre.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

SÉTIMA ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

"Eu sou um verme, e não um homem, o opróbrio dos homens e


a abjeção da plebe" (Sal 21/22, 7).Acorrem à mente estas palavras
do Salmo, ao contemplarmos Jesus que cai, pela segunda vez, sob a
cruz.
Eis caído no pó da terra o Condenado! Esmagado pelo peso da
sua cruz.
As forças vão-No abandonando cada vez mais. Embora com
dificuldade, mas levanta-Se, para continuar o caminho.

Que nos diz a nós, homens pecadores, esta segunda queda?


Parece exortar, ainda mais que a primeira, a levantarmo-nos, a
levantarmo-nos outra vez no nosso caminho da cruz.

Cyprian Norwid escreveu:


"Não atrás de si próprio com a cruz do Salvador, mas atrás do
Salvador com a própria cruz". Uma máxima breve, mas muito
expressiva. Explica em que sentido o cristianismo é a religião da cruz.
Dá a entender que todo o homem encontra, aqui na terra,
Cristo que leva a cruz e cai sob ela. Cristo por sua vez, no caminho
do Calvário, encontra todo o homem e, embora caindo sob o peso da
cruz, não cessa de anunciar a boa nova.
Há dois mil anos que o evangelho da cruz fala ao homem. Vinte
séculos são passados com Cristo a levantar-Se da queda para Se
encontrar com o homem que cai.

Ao longo destes dois milênios, muitos experimentaram que cair


não significa o fim do caminho.
Encontrando o Salvador, ouviram-No encorajar-lhes: "Basta-te
a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se revela
totalmente" (2 Cor 12, 9).

Revigorados, levantaram-se e transmitiram ao mundo a palavra


da esperança que brota da cruz. Hoje, cruzando o limiar do novo
milênio, somos chamados a aprofundar o conteúdo deste encontro.
É necessário que a nossa geração transmita aos séculos futuros
a boa nova de que podemos levantar-nos em Cristo.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo,


que caís sob o peso do pecado do homem
e Vos levantais para o assumir como vosso, cancelando-o,
concedei-nos a nós, homens frágeis,
a força para levarmos a cruz diária
e nos levantarmos das nossas quedas
a fim de transmitirmos às gerações que hão de vir
o Evangelho da vossa força salvadora.
Jesus, sustentáculo da nossa fraqueza, a Vós
o louvor e a glória para sempre.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

OITAVA ESTAÇÃO

JESUS ADMOESTA AS MULHERES DE JERUSALÉM

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

"Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós
mesmas e pelos vossos filhos, pois dias virão em que se dirá: "Felizes
as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não
amamentaram". Hão de então dizer aos montes: "Caí sobre nós", e
às colinas: "Cobri-nos". Porque se tratam assim a madeira verde, o
que acontecerá à seca?" (Lc 23, 28-31).

São as palavras de Jesus às mulheres de Jerusalém que,


compadecidas, choravam pelo Condenado.
"Não choreis por Mim, mas por vós mesmas e pelos vossos
filhos". Por certo, naquele momento era difícil compreender o sentido
destas palavras. Continham uma profecia, que bem depressa se
tornaria realidade.
Pouco tempo antes, Jesus tinha chorado por Jerusalém,
preanunciando a sorte horrível que haveria de lhe tocar. Parece que
Ele agora Se refere àquela previsão, quando diz: "Chorai pelos vossos
filhos..."

Chorai por eles, porque serão precisamente eles as


testemunhas e vítimas da destruição de Jerusalém, daquela
Jerusalém que "não soube reconhecer o tempo em que foi visitada"
(cf. Lc 19, 44).

Enquanto seguimos Cristo no caminho da cruz, se por um lado


sentimos despertar em nossos corações a compaixão pelo seu
sofrimento, por outro não podemos esquecer aquela admoestação:
"Se tratam assim a madeira verde, o que acontecerá à seca?"

Para a nossa geração que deixa para trás um milênio, mais do


que chorar por Jesus martirizado, é hora de "reconhecer o tempo em
que é visitada". Já resplandece a aurora da ressurreição. "É este o
tempo favorável; este é o dia da salvação" (2 Cor 6, 2).

A cada um de nós, Cristo dirige estas palavras do Apocalipse:


"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a
porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo. Ao que
vencer, conceder-lhe-ei que se sente comigo no meu trono, assim
como Eu venci e Me sentei com meu Pai no seu trono" (3, 20-21).

ORAÇÃO

Cristo, que viestes a este mundo


para visitar todos aqueles que esperam a salvação,
fazei que a nossa geração
reconheça o tempo em que é visitada
e participe nos frutos da vossa redenção.
Não permitais que, sobre nós
e sobre as pessoas do novo século,
se deva chorar por termos recusado
a mão do Pai misericordioso.
Jesus, nascido da Virgem, Filha de Sião, a Vós,
honra e glória pelos séculos sem fim.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

NONA ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

De novo vemos Cristo tombado por terra, sob o peso da cruz. A


multidão observa, curiosa, se ainda terá forças para Se levantar.
S. Paulo escreve: "Ele que era de condição divina não
reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si
mesmo, tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos
homens. Tido pelo aspecto como homem, humilhou-Se a Si mesmo,
feito obediente até à morte e morte de cruz" (Fil 2, 6-8).

Parece que a terceira queda exprime precisamente isto: o


despojamento, a kenosis do Filho de Deus, a humilhação sob a cruz.
Aos discípulos, Jesus tinha dito que não viera para ser servido,
mas para servir (cf. Mt 20, 28).

No Cenáculo, quando Se ajoelhara por terra e lavou-lhes os


pés, Ele quis de algum modo habituá-los a esta sua humilhação.
Caindo a terceira vez por terra no caminho da cruz, grita-nos
também em voz alta o seu mistério. Ouçamos a sua voz!

Este Condenado no chão, sob o peso da cruz, já perto do lugar


do suplício, diz-nos: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,
6). "Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida"
(Jo 8, 12).

Não nos confunda o fato de ver um Condenado que cai por


terra, exausto, sob a cruz. Este sinal visível da morte, que se vai
aproximando, esconde em si a luz da vida.
ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo,


que, pela vossa humilhação sob a cruz,
revelastes ao mundo o preço da sua redenção,
concedei às pessoas do terceiro milênio
a luz da fé, para que, reconhecendo em Vós
o Servo que sofre por amor de Deus e do homem,
tenham a coragem de seguir o mesmo caminho
que, através da cruz e do despojamento,
leva à vida que não tem fim.
Jesus, sustentáculo da nossa fraqueza, a Vós
louvor e glória para sempre.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

DÉCIMA ESTAÇÃO

JESUS É DESPOJADO DAS SUAS VESTES


E DÃO-LHE A BEBER VINAGRE E FEL

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

"Mas, provando-o, não quis beber" (Mt 27, 34).


Não quis calmantes, que Lhe teriam obnubilado a consciência
durante a agonia. Queria estar consciente enquanto agonizava na
cruz, cumprindo a missão recebida do Pai.
Isto ia contra os métodos usados pelos soldados encarregados
da execução.
Tendo eles de cravar o condenado na cruz, procuravam aturdir-
lhe a sensibilidade e a consciência.

No caso de Cristo, não podia ser assim. Jesus sabe que a sua
morte na cruz deve ser um sacrifício de expiação.
Por isso quer conservar a consciência desperta até ao fim.
Privado dela, não poderia abraçar, de forma completamente livre e na
sua medida plena, o sofrimento.

Sim, Ele deve subir à cruz, para oferecer o sacrifício da Nova


Aliança.
Jesus é sacerdote. Deverá entrar com o próprio sangue nas moradas
eternas, depois de ter efetuado a redenção do mundo (cf. Heb 9, 12).

Consciência e liberdade: são atributos imprescindíveis para um


agir plenamente humano. O mundo conhece muitos meios para
debilitar a vontade e ofuscar a consciência. É preciso defendê-las
zelosamente de todas as violências.
Mesmo o esforço, legítimo, de aturdir a dor há de ser realizado
sempre no respeito da dignidade humana.

É necessário compreender profundamente o sacrifício de Cristo,


é preciso unir-se a este sacrifício para não ceder, para não permitir
que a vida e a morte percam o seu valor.

ORAÇÃO

Senhor Jesus,
que aceitastes, com total devotamento, a morte de cruz
pela nossa salvação,
a nós e a todas as pessoas do mundo, fazei-nos
participantes do vosso sacrifício na cruz,
para que a nossa existência e a nossa atividade
tomem a forma duma participação
livre e consciente
na vossa obra de salvação.
Jesus, Sacerdote e Vítima, a Vós
honra e glória para sempre.
R. Amém.

Todos:
Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso
nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

JESUS É PREGADO NA CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

"Trespassaram as minhas mãos e os meus pés; posso contar


todos os meus ossos" (Sal 21/22, 17-18). Cumprem-se as palavras
do profeta.
Tem início a execução.
As marteladas dos algozes esmagam contra o madeiro da cruz
as mãos e os pés do Condenado. No carpo das mãos, são espetados
os pregos com prepotência.
Aqueles pregos terão o condenado suspenso durante os
tormentos inexprimíveis da agonia. No seu corpo e na sua alma
sensibilíssima, Cristo sofre indizivelmente.

Juntamente com Ele, são crucificados dois verdadeiros


malfeitores, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Cumpre-se a
profecia: "Foi contado entre os pecadores" (Is 53, 12).

Quando os algozes levantarem a cruz, começará uma agonia


que há de durar três horas. É preciso que se cumpra também esta
palavra: "Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim" (Jo
12, 32).
O que é que "atrai" neste Condenado que agoniza na cruz?
Certamente a vista dum sofrimento tão intenso desperta
compaixão. Mas a compaixão é demasiado pouco para levar a
vincular a própria vida com Aquele que está pregado na cruz.

Como se explica que tão pavorosa vista tenha atraído, de


geração em geração, inumeráveis multidões de pessoas que fizeram
da cruz o distintivo da sua fé?
Multidões de homens e mulheres que, ao longo dos séculos,
viveram e deram a vida com os olhos fixos naquele sinal?
A partir da cruz, Cristo atrai com a força do amor, daquele
Amor divino que não se esquivou ao dom total de Si mesmo; daquele
Amor infinito, que levantou da terra sobre a árvore da cruz o peso do
corpo de Cristo, para compensar o peso da culpa antiga; daquele
Amor ilimitado, que cumulou toda a ausência de amor e permitiu que
o homem encontrasse novamente refúgio nos braços do Pai
misericordioso.

Que Cristo, elevado na cruz, nos atraia também a nós, homens


e mulheres do novo milênio!
À sombra da cruz, "caminhemos na caridade, porque Cristo
também nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se a Deus
como sacrifício de agradável odor" (cf. Ef 5, 2).

ORAÇÃO

Cristo erguido ao alto,


Amor crucificado,
enchei os nossos corações do vosso amor,
para reconhecermos na vossa cruz
o sinal da nossa redenção
e, atraídos pelas vossas chagas,
vivermos e morrermos convosco,
que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo
agora e pelos séculos sem fim.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

JESUS MORRE NA CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

"Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem" (Lc 23,


34).
No auge da Paixão, Cristo não esquece o homem,
especialmente não esquece aqueles que são a causa direta do seu
sofrimento. Ele sabe que, mais do que qualquer outra coisa, o
homem precisa de amor; precisa da misericórdia que naquele
momento se está derramando sobre o mundo.

"Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,


43). Jesus responde assim ao pedido que Lhe fez o malfeitor
crucificado à sua direita: "Jesus, lembra-Te de mim quando estiveres
no teu reino" (Lc 23, 42).

A promessa duma nova vida: eis o primeiro fruto da paixão e


morte iminente de Cristo. Uma palavra de esperança para o homem.
Ao pé da cruz, estava a Mãe e, junto dela, o discípulo, João
evangelista.
Jesus diz: "Mulher, eis aí o teu filho"; e ao discípulo: "Eis aí a
tua mãe" (Jo 19, 26-27).

"E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa" (Jo


19, 27).
É o testamento para as pessoas que o coração d'Ele mais
estima.
O testamento para a Igreja.

Quando está para morrer, Jesus quer que o amor materno de


Maria abrace a todos aqueles por quem Ele oferece a vida, ou seja, a
humanidade inteira.
Logo em seguida, Jesus exclama: "Tenho sede" (Jo 19, 28).
Frase que traduz a secura terrível que abrasa todo o seu corpo.
É a única palavra que fala diretamente do seu sofrimento físico.

Depois Jesus acrescenta: "Meu Deus, meu Deus, porque Me


abandonaste?" (Mt 27, 46; cf. Sal 21/22, 2). Ele está rezando com as
palavras do Salmo. A frase, não obstante o seu teor, mostra a sua
profunda união com o Pai.
Nos últimos momentos da sua vida sobre a terra, Jesus dirige o
pensamento para o Pai. Doravante o diálogo desenrolar-se-á apenas
entre o Filho que morre e o Pai que aceita o seu sacrifício de amor.

Ao chegar a hora nona, Jesus exclama: "Tudo está consumado"


(Jo 19, 30).
A obra da redenção foi levada a termo. A missão, que O trouxe
à terra, atingiu o seu objetivo.
O resto pertence ao Pai: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu
espírito" (Lc 23, 46).
Dito isto, expirou.

"O véu do templo rasgou-se em dois..." (Mt 27, 51).

O "Santo dos Santos" no templo de Jerusalém abre-se no


momento em que entra lá o Sacerdote da Nova e Eterna Aliança.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo,


Vós que na hora da agonia
não ficastes indiferente à sorte do homem
mas juntamente com o vosso último respiro
confiastes amorosamente à misericórdia do Pai
os homens e mulheres de todos os tempos
com as suas fraquezas e os seus pecados,
enchei-nos a nós e às gerações futuras
do vosso Espírito de amor,
para que a nossa indiferença não inutilize em nós
os frutos da vossa morte.
Jesus crucificado, sabedoria e força de Deus, a Vós
honra e glória pelos séculos sem fim.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

JESUS É DESCIDO DA CRUZ E ENTREGUE A SUA MÃE

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Repuseram nas mãos da Mãe o corpo sem vida do Filho. Os


Evangelhos não falam do que Ela sentiu naquele momento.
Parece até que os Evangelhos, com o seu silêncio, quiseram
respeitar a sua dor, os seus sentimentos, as suas recordações. Ou,
simplesmente, não se consideraram capazes de os exprimir.

Apenas a devoção plurissecular nos conservou a imagem da


"Pietà", gravando assim na memória do povo cristão a expressão
mais dolorosa daquele inefável vínculo de amor que desabrochou no
coração da Mãe no dia da anunciação
e foi amadurecendo enquanto esperava o nascimento do divino Filho.
Aquele amor manifestou-se na gruta de Belém, foi posto à prova já
durante a apresentação no Templo, ganhou profundidade com os
sucessivos acontecimentos, guardados e meditados no seu coração
(cf. Lc 2, 51).

Agora, este vínculo íntimo de amor deve transformar-se numa


união que supera os confins da vida e da morte.

E assim será até ao fim dos séculos: as pessoas detêm-se


diante da "Pietà" de Miguel Ângelo, ajoelham em frente da imagem
da Benfeitora Aflita (Sm_tna Dobrodziejka), na igreja dos
franciscanos de Cracóvia, diante da Mãe das Sete Dores, Padroeira da
Eslováquia, veneram Nossa Senhora das Dores em tantos santuários
do mundo.
Eles aprendem assim aquele amor difícil que não foge diante do
sofrimento, mas abandona-se confiadamente à ternura de Deus, para
Quem nada é impossível (cf. Lc 1, 37).

ORAÇÃO

Salve, Regina, Mater misericordiæ;


vita, dulcedo et spes nostra, salve.
Ad te clamamus...
illos tuos misericordes oculos ad nos converte
et Iesum, benedictum fructum ventris tui,
nobis post hoc exilium ostende.

Alcançai-nos a graça da fé, da esperança e da caridade,


para que, como Vós, também nós
saibamos perseverar junto da cruz
até ao último respiro.
Ao vosso Filho, Jesus, nosso Salvador,
com o Pai e o Espírito Santo,
toda a honra e glória pelos séculos dos séculos.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

O CORPO DE JESUS É SEPULTADO

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

"Foi crucificado, morto e sepultado..."

O corpo sem vida de Cristo foi depositado no sepulcro. Mas, a


pedra sepulcral não é o sigilo definitivo da sua obra.
A última palavra não pertence à falsidade, ao ódio e à
prepotência.
A última palavra será pronunciada pelo Amor, que é mais forte
do que a morte.

"Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
mas, se morrer, dá muito fruto" (Jo 12, 24).
O sepulcro é a última etapa deste morrer de Cristo ao longo de
toda a sua vida terrena; é sinal do seu supremo sacrifício por nós e
pela nossa salvação.
Bem depressa, este sepulcro tornar-se-á o primeiro anúncio de
louvor e exaltação do Filho de Deus na glória do Pai.

"Foi crucificado, morto e sepultado, (...) ao terceiro dia


ressuscitou dos mortos".
Com a deposição do corpo sem vida de Jesus no sepulcro, aos
pés do Gólgota, a Igreja começa a vigília de Sábado Santo.

Maria guarda no fundo do seu coração e medita a paixão do


Filho; as mulheres põem-se de acordo para, na manhã a seguir do
sábado, irem ungir com aromas o corpo de Cristo; os discípulos
recolhem-se, no esconderijo do Cenáculo, até que passe o sábado.

Esta vigília terminará com o encontro no sepulcro, o sepulcro


vazio do Salvador. Então o sepulcro, testemunha muda da
ressurreição, falará.
A pedra rolada, o interior vazio, as ligaduras por terra, eis o
que verá João, quando chegar ao sepulcro juntamente com Pedro:
"Viu e acreditou" (Jo 20, 8).
E com ele acreditou a Igreja, que, desde então, não se cansa
de transmitir ao mundo esta verdade fundamental da sua fé: "Cristo
ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram" (1 Cor 15,
20).

O sepulcro vazio é sinal da vitória definitiva da verdade sobre a


mentira, do bem sobre o mal, da misericórdia sobre o pecado, da
vida sobre a morte.
O sepulcro vazio é sinal da esperança que "não nos deixa
confundidos" (Rom 5, 5).
"A nossa esperança está cheia de imortalidade" (cf. Sab 3, 4).

ORAÇÃO
Senhor Jesus Cristo,
que o Pai conduziu, pela força do Espírito Santo,
das trevas da morte
à luz duma vida nova na glória,
fazei que o sinal do sepulcro vazio
nos fale a nós e às gerações futuras
e se torne fonte de fé viva,
de caridade generosa
e de esperança inabalável.
Jesus, presença escondida e vitoriosa na história do mundo, a
Vós
honra e glória para sempre.
R. Amém.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

O Santo Padre fala aos presentes.

No final do discurso, o Santo Padre dá a Bênção Apostólica:

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
V. Sit nomen Domini benedictum.
R. Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit cælum et terram.
V. Benedicat vos omnipotens Deus,
Pater X et Filius X et Spiritus X Sanctus.
R. Amen
NO COLISEU EM ROMA.
MEDITAÇÕES
DO SANTO PADRE O PAPA
JOÃO PAULO II

SEXTA-FEIRA SANTA DO ANO 2003

ORAÇÃO INICIAL

O Santo Padre:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.


R. Amém.

Via-Sacra da comunidade eclesial da Urbe convocada junto do


Coliseu, monumento dramático e glorioso da Roma imperial,
testemunha muda de força e domínio, memorial de acontecimentos
de vida e de morte, onde parecem ressoar, como um eco
interminável, clamores de sangue (cf. Gn 4, 10) e palavras que
imploram concórdia e perdão.

Via-Sacra do vigésimo quinto aniversário do meu Pontificado


como Bispo de Roma e Pastor da Igreja universal. Por graça de Deus,
nestes vinte e cinco anos
do meu serviço pastoral nunca faltei a este encontro, verdadeira
Statio Urbis et Orbis, encontro da Igreja de Roma com os peregrinos
vindos de todas as partes do mundo e com milhões de fiéis que
acompanham a Via-Sacra através da rádio e da televisão.

Também este ano, por renovada misericórdia do Senhor, estou


convosco para percorrer na fé o trajeto que Jesus fez desde o Pretório
de Pôncio Pilatos até ao cimo do Calvário.
Via-Sacra, abraço ideal entre Jerusalém e Roma, entre a Cidade
amada por Jesus, onde Ele deu a vida pela salvação do mundo, e a
Cidade-sede do Sucessor de Pedro, que preside à caridade eclesial.

Via-Sacra, caminho de fé: em Jesus condenado à morte


reconheceremos o Juiz universal; n'Ele carregando a Cruz, o Salvador
do mundo; n'Ele crucificado, o Senhor da história, o próprio Filho de
Deus.
Noite de Sexta-feira Santa, noite tépida e trepidante da
primeira lua-cheia de Primavera. Estamos reunidos em nome do
Senhor. Ele está aqui conosco, como prometeu (cf. Mt 18, 20).

Conosco está também a Virgem Santa Maria. Ela esteve no


cimo do Gólgota como Mãe do Filho moribundo, Discípula do Mestre
da verdade, nova Eva junto da árvore da vida, Mulher da dor
associada ao «Homem das dores, experimentado nos sofrimentos»
(Is 53, 3), Filha de Adão, Irmã nossa, Rainha da Paz.
Mãe de misericórdia, Ela inclina-Se sobre os seus filhos, ainda
expostos a perigos e aflições, para ver os seus sofrimentos, ouvir o
gemido que se eleva da sua miséria, para levar conforto e reavivar a
esperança da paz.

Oremos:

Alguns momentos de silêncio.

Olhai, Pai Santo, o sangue que jorra do peito trespassado


do Salvador; olhai o sangue derramado por tantas vítimas do
ódio, da guerra, do terrorismo, e concedei, benigno, que o
curso dos acontecimentos no mundo se desenrole segundo a
vossa vontade na justiça e na paz, e a vossa Igreja se
entregue com serena confiança ao vosso serviço e à libertação
do homem. Por Cristo nosso Senhor.
R. Amém.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

JESUS É CONDENADO À MORTE

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 14-15

Eles gritaram ainda mais: "Crucifica-O!". Pilatos,


desejoso de agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás, e
depois de mandar açoitar Jesus, entregou-O para ser
crucificado.

MEDITAÇÃO.

A sentença de Pilatos foi proferida sob pressão dos sacerdotes e


da multidão. A condenação à morte por crucifixão serviria para
satisfazer as suas paixões dando resposta ao grito: "Crucifica-O!
Crucifica-O!" (Mc 15, 13-14; etc.).
O pretor romano pensou que podia subtrair-se à sentença
lavando-se as mãos, como antes se desinteressara das palavras de
Cristo que tinha identificado o seu reino com a verdade, com o
testemunho da verdade (Jo 18, 38).
Num caso e noutro, Pilatos procurava conservar a sua
independência, ficar de qualquer modo "de fora". Mas, só na
aparência... A Cruz, à qual foi condenado Jesus de Nazaré (Jo 19,
16), tal como a sua verdade do reino (Jo 18, 36-37) deviam tocar no
mais fundo da alma do pretor romano.

Tratou-se e trata-se duma Realidade, diante da qual é


impossível ficar de fora ou à margem. O fato de Jesus, o Filho de
Deus, ter sido interrogado sobre o seu reino e por isso ter sido
julgado pelo homem e condenado à morte, constitui o princípio
daquele testemunho final de Deus que tanto amou o mundo (cf. Jo 3,
16).
Nós encontramo-nos perante este testemunho e sabemos que
não nos é lícito lavar as mãos.

ACLAMAÇÕES

- Jesus de Nazaré, condenado à morte de cruz, testemunha fiel


do amor do Pai.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Jesus, Filho de Deus, obediente à vontade do Pai até à morte


de cruz.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Stabat Mater dolorosa


iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.
SEGUNDA ESTAÇÃO

JESUS É CARREGADO COM A CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 20

Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de


púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Levaram-No, então,
para O crucificarem.

MEDITAÇÃO

Começa a execução, ou seja, a atuação da sentença.


Condenado à morte, Cristo tem de carregar a cruz, como os outros
dois condenados que devem sofrer a mesma pena: "Foi contado entre
os malfeitores" (Is 53, 12). Cristo aproxima-Se da Cruz, tendo todo o
corpo terrivelmente dilacerado e pisado, e com o sangue que da
cabeça coroada de espinhos Lhe escorre pelo rosto. Ecce Homo! (Jo
19, 5).

N'Ele está toda a verdade do Filho do Homem que os profetas


predisseram, a verdade sobre o Servo de Jahvé anunciada por Isaías:
"Foi esmagado pelas nossas iniqüidades; (...) fomos curados nas suas
chagas" (Is 53, 5).

N'Ele está presente também uma certa conseqüência, que nos


deixa estupefatos, daquilo que o homem fez ao seu Deus. Pilatos diz:
"Ecce Homo" (Jo 19, 5); "vede o que fizestes deste homem!" Nesta
afirmação, parece falar outra voz, como se dissesse: "Vede o que
fizestes, neste homem, ao vosso Deus!"

É impressionante a sobreposição, a inter-relação desta voz que


ouvimos através da história com aquilo que nos chega através da
certeza da fé. Ecce Homo! Jesus, "chamado Cristo" (Mt 27, 17), toma
a Cruz sobre os seus ombros (Jo 19, 17). Começou a execução.

ACLAMAÇÕES

- Cristo, Filho de Deus, que revelais ao homem o mistério do


homem.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).
- Jesus, servo do Senhor, pelas vossas chagas fomos curados.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem,


contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

TERCEIRA ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro do profeta Isaías 53, 4-6

Na verdade, ele tomou sobre si as nossas doenças,


carregou as nossas dores; nós o reputávamos como um
leproso, ferido por Deus e humilhado. Mas foi castigado pelos
nossos crimes, esmagado pelas nossas iniqüidades; o castigo
que nos salva pesou sobre ele, fomos curados nas suas
chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas,
cada um seguia o seu caminho; o Senhor carregou sobre ele a
iniqüidade de todos nós.
MEDITAÇÃO

Jesus cai sob a Cruz. Cai por terra. Não recorre às suas forças
sobre-humanas, não recorre à força dos anjos. "Julgas que não posso
rogar a meu Pai, que imediatamente Me enviaria mais de doze
legiões de anjos?" (Mt 26, 53). Mas não o pede. Tendo aceite o cálice
das mãos do Pai (Mc 14, 36; etc.), quer bebê-lo até ao fundo.
É isto mesmo o que quer. E por isso não pensa em quaisquer
forças sobre-humanas, embora estejam ao seu dispor. Poderão
provar estranheza aqueles que O tinham visto quando comandava às
enfermidades humanas, às mutilações, às doenças, à própria morte.
E agora? Nega Ele tudo isto?
E todavia "nós esperávamos...", dirão alguns dias depois os
discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 21). "Se és Filho de Deus..." (Mt 27,
40), hão-de provocá-Lo os membros do Sinédrio. "Salvou os outros, e
não pode salvar-Se a Si mesmo" (Mc 15, 31; Mt 27, 42): gritará a
multidão.

E Ele aceita estas provocações, que parecem anular todo o


sentido da sua missão, dos discursos pronunciados, dos milagres
realizados. Aceita todas aquelas palavras; decidiu não opor-Se. Quer
ser ultrajado. Quer vacilar. Quer cair sob a Cruz. Quer. É fiel até ao
fim, mesmo nos mínimos detalhes, a esta afirmação: "Não se faça o
que Eu quero, mas o que Tu queres" (Mc 14, 36; etc.).
Deus extrairá a salvação da humanidade das quedas de Cristo
sob a Cruz.

ACLAMAÇÕES

- Jesus, manso Cordeiro redentor, que carregais sobre vós o


pecado do mundo.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Jesus, nosso companheiro no tempo da angústia, solidário


com a fragilidade humana.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

O quam tristis et afflicta


fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!

QUARTA ESTAÇÃO

JESUS ENCONTRA SUA MÃE

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Lucas 2, 34-35.51

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: "Este


Menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em
Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará
a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos
corações"... Sua mãe guardava todas estas coisas no seu
coração.

MEDITAÇÃO

A Mãe. Maria encontra o Filho a caminho da Cruz. A sua cruz


torna-se a cruz d'Ela; a humilhação d'Ele é a sua, o opróbrio público
torna-se o d'Ela. É a ordem humana das coisas. Assim o devem sentir
aqueles que A rodeiam, e assim o entende o coração d'Ela: "Uma
espada trespassará a tua alma" (Lc 2, 35).

As palavras pronunciadas quando Jesus tinha quarenta dias,


cumpriam-se neste momento. Atingem agora toda a sua plenitude. E
Maria, trespassada por esta espada invisível, encaminha-se para o
Calvário do seu Filho, para o seu próprio Calvário.

A devoção cristã vê-A com esta espada no coração, e assim A


representa e modela. Mãe das Dores!"Ó Vós que sofrestes com Ele!" -
repetem os fiéis, sentindo no seu íntimo que é assim mesmo que se
deve exprimir o mistério deste sofrimento. Embora esta dor Lhe
pertença e A toque mesmo no fundo da sua maternidade, todavia a
verdade plena deste sofrimento é expressa pelo termo compaixão.
Faz parte do próprio mistério: exprime de certo modo a unidade com
o sofrimento do Filho.

ACLAMAÇÕES

- Santa Maria, mãe e irmã nossa no caminho de fé, convosco


invocamos o vosso Filho Jesus.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Santa Maria, intrépida a caminho do Calvário, convosco


suplicamos o vosso Filho Jesus.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quæ mærebat et dolebat,


pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.

QUINTA ESTAÇÃO

JESUS É AJUDADO PELO CIRENEU A LEVAR A CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Do Evangelho de S. Marcos 15, 21-22

Requisitaram, para Lhe levar a cruz, um homem que


passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e
de Rufo. Conduziram Jesus ao lugar do Gólgota, que quer dizer
"Lugar do Crânio".

MEDITAÇÃO

Simão de Cirene, designado para levar a Cruz (cf. Mc 15, 21; Lc


23, 26), certamente não queria levá-la. Por isso teve de ser obrigado.
Caminhava ao lado de Cristo sob o mesmo peso. Emprestava-Lhe os
seus ombros, sempre que os ombros do condenado pareciam vacilar.
Estava perto d'Ele: mais perto do que Maria, mais perto que João, o
qual, embora sendo homem, não foi chamado para O ajudar.
Chamaram-no a ele, Simão de Cirene, pai de Alexandre e de
Rufo, como refere o Evangelho de S. Marcos. Chamaram-no,
forçaram-no.

Quanto durou este constrangimento? Quanto tempo terá


caminhado ao lado de Jesus, fazendo sentir que nada tinha a ver com
o condenado, com a sua culpa, com a sua pena? Quanto tempo terá
passado assim, interiormente dividido, atrás duma barreira de
indiferença para com o Homem que sofria?
"Estava nu, tive sede, estive na prisão" (cf. Mt 25, 35.36), levei
a Cruz... e tu levaste-a Comigo? Levaste-a Comigo verdadeiramente
até ao fim?

Não se sabe. S. Marcos refere apenas o nome dos filhos de


Cireneu e a tradição afirma que pertenciam à comunidade dos
cristãos ligada a S. Pedro (cf. Rm 16, 13).

ACLAMAÇÕES

- Cristo, bom samaritano, fostes ao encontro do pobre, do


doente, do último.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Cristo, servo do Eterno, considerais como feito a Vós cada


gesto de amor para com o refugiado, o marginalizado, o
estrangeiro.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis est homo qui non fleret,


Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?

SEXTA ESTAÇÃO

A VERÔNICA LIMPA O ROSTO DE JESUS

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro do profeta Isaías 53, 2-3

Cresceu (...) sem figura nem beleza. Vimo-lo sem


aspecto atraente, desprezado e evitado pelos homens, homem
das dores, experimentado nos sofrimentos: diante do qual se
tapa o rosto, menosprezado e desestimado.

MEDITAÇÃO

A tradição fala-nos da Verônica. Talvez aquela complete a


história do Cireneu. Na verdade, embora - mulher que era - não
tenha levado fisicamente a Cruz nem a isso tenha sido forçada, o
certo é que esta Cruz com Jesus, ela a levou: levou-a como podia,
como lhe era possível fazer naquele momento e como lho ditava o
coração, isto é, enxugando o seu Rosto.

A explicação deste fato, referido pela tradição, parece fácil


também: no lenço com que ela Lhe enxugou o Rosto, ficaram
gravadas as feições de Cristo. Precisamente porque estava todo
ensangüentado e soado, podia deixar traços e lineamentos.

Mas, o sentido deste acontecimento pode ser interpretado


também doutra maneira, se o analisarmos à luz do discurso
escatológico de Cristo. Serão muitos, sem dúvida, aqueles que vão
perguntar: "Senhor, quando é que fizemos isto?". E Jesus
responderá: "Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais
pequeninos, a Mim mesmo o fizestes" (cf. Mt 25, 37-40). De facto, o
Salvador imprime a sua imagem em cada ato de caridade, como o fez
no lenço de Verônica.

ACLAMAÇÕES

- Ó Rosto do Senhor Jesus, desfigurado pela dor,


resplandecente da glória divina.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Ó Rosto sagrado, impresso como um selo em cada gesto de


amor.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis non posset contristari,


Christi Matrem contemplari,
dolentem cum Filio?
SÉTIMA ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro das Lamentações 3, 1-2.9.16

Eu sou o homem que conheceu a aflição, sob a vara do


seu furor. Conduziu-me e fez-me caminhar nas trevas e não na
claridade. (...) Fechou-me o caminho com pedras cilhares e
subverteu as minhas veredas. (...) Quebrou-me os dentes com
uma pedra e mergulhou-me na cinza.

MEDITAÇÃO

"Eu sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e


a abjeção da plebe" (Sal 22/21, 7): as palavras do profeta-salmista
cumprem-se plenamente nestas vielas estreitas e árduas de
Jerusalém, durante as últimas horas que antecedem a Páscoa. Sabe-
se que estas horas, antes da festa, são enervantes e que as estradas
estão apinhadas.

É neste contexto que se cumprem as palavras do salmista,


embora ninguém o pense. Certamente não se dão conta disto aqueles
que demonstram desprezo à vista deste Jesus de Nazaré que cai pela
segunda vez sob a Cruz, tornando-Se para eles objeto de opróbrio.

É Ele que o deseja; quer que se cumpra a profecia. Por isso, cai
exausto pelo esforço feito. Cai por vontade do Pai, vontade expressa
também nas palavras do Profeta. Cai por sua vontade própria, porque
"como se cumpririam então as Escrituras?" (Mt 26, 54). "Eu sou um
verme e não um homem" (Sal 22/21, 7), e consequentemente nem
sequer o "Ecce Homo" (Jo 19, 5), sou menos ainda, ainda pior...
O verme rasteja no meio da terra; ao contrário, o homem,
como rei das criaturas, caminha por cima dela. O verme também rói
a madeira: como o verme, o remorso do pecado rói a consciência do
homem. Remorso pela segunda queda.

ACLAMAÇÕES

- Jesus de Nazaré, que Vos tornastes a infâmia dos homens,


para enobrecer todas as criaturas.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).
- Jesus, servidor da vida, esmagado pelos homens, exaltado
por Deus.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Pro peccatis suæ gentis,


vidit Iesum in tormentis,
et flagellis subditum.

OITAVA ESTAÇÃO

JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Lucas 23, 28-31

Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: "Filhas de


Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas
e pelos vossos filhos, pois dias virão em que se dirá: "Felizes
as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não
amamentaram". Hão de então dizer aos montes: "Caí sobre
nós", e às colinas: "Cobri-nos". Porque se tratam assim a
madeira verde, o que acontecerá à seca?"

MEDITAÇÃO
Eis o apelo ao arrependimento, ao verdadeiro arrependimento,
à compunção, na verdade do mal cometido. Jesus diz às filhas de
Jerusalém que choram, ao vê-Lo passar: "Não choreis por Mim;
chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos" (Lc 23, 28). Não
se pode ficar pela superfície do mal; é preciso chegar até ao fundo
das suas raízes, das causas, da verdade da consciência.

É isto mesmo que quer dizer Jesus que leva a Cruz, Ele que
desde sempre "conhecia o interior de cada homem" (cf. Jo 2, 25) e
sempre o conhece. Por isso, Ele deve permanecer sempre como a
testemunha mais direta dos nossos atos e dos juízos que fazemos
sobre eles na nossa consciência.

Talvez nos faça compreender que estes juízos devem ser


ponderados, razoáveis, objetivos - diz: "Não choreis" - mas, ao
mesmo tempo, conseqüentes com tudo o que esta verdade contém:
avisa-nos porque é Ele que leva a Cruz.
Peço-Vos, Senhor, que saiba viver e caminhar na verdade!

ACLAMAÇÕES

- Senhor Jesus, sábio e misericordioso, Verdade que conduzis à


vida.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Senhor Jesus, cheio de compaixão, a vossa presença suaviza


o pranto na hora da prova.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati
pœnas mecum divide.

NONA ESTAÇÃO

JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro das Lamentações 3, 27-32

É bom para o homem carregar o jugo, desde a sua


mocidade. É bom ele sentar-se solitário e silencioso, quando o
Senhor lho impuser; pôr a sua boca no pó, onde talvez
encontre esperança; estender a face a quem o fere, e suportar
as afrontas. Porque o Senhor não repele para sempre. Após
haver afligido, tem compaixão, porque é grande a sua
misericórdia.

MEDITAÇÃO

"Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte


de cruz" (Flp 2, 8). Cada estação deste Caminho é uma pedra miliar
desta obediência e deste aniquilamento.
A medida deste aniquilamento, vemo-la quando começamos a
ouvir as palavras do profeta: "O Senhor carregou sobre Ele a
iniqüidade de todos nós...Todos nós andávamos desgarrados como
ovelhas, cada um seguia o seu caminho; o Senhor carregou sobre Ele
a iniqüidade de todos nós" (Is 53, 6)

A medida deste aniquilamento, calculamo-la quando vemos


Jesus cair de novo, pela terceira vez, sob a Cruz. Medimo-la ao
meditarmos quem é Aquele que cai, quem é Aquele que jaz no pó da
estrada sob a Cruz, caído aos pés de gente hostil que não Lhe poupa
humilhações e ultrajes...

Quem é Aquele que cai? Quem é Jesus Cristo? "Ele que era de
condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus.
Mas despojou-Se a Si mesmo tomando a condição de servo,
tornando-Se semelhante aos homens. Tido pelo aspecto como
homem, humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e
morte de cruz" (Flp 2, 6-8).
ACLAMAÇÕES

- Cristo Jesus, Vós provastes o amargor da terra para mudar o


gemido da dor em cântico de júbilo.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Cristo Jesus, que Vos humilhastes na carne para enobrecer


toda a criação.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Eia, Mater, fons amoris,


me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

DÉCIMA ESTAÇÃO

JESUS É DESPOJADO DOS SEUS VESTIDOS

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 24

Os soldados repartiram entre si os seus vestidos,


sorteando-os para verem o que levava cada um.
MEDITAÇÃO

Quando vemos Jesus sobre o Gólgota, despojado dos seus


vestidos (cf. Mc 15, 24; etc), o pensamento volta-se para sua Mãe:
torna atrás, à origem deste corpo, que já agora, antes da crucifixão,
é todo ele uma chaga viva (cf. Is 52, 14). O mistério da Encarnação:
o Filho de Deus toma o seu corpo do seio da Virgem (cf. Mt 1, 23; Lc
1, 26-38).

O Filho de Deus fala com o Pai, usando as palavras dum salmo:


"Não quiseste sacrifício nem oblação, mas preparaste-Me um corpo"
(Sal 40/39, 7; Heb 10, 5). O corpo do homem manifesta a sua alma.
O corpo de Cristo exprime amor para com o Pai: "Então Eu disse: Eis
que venho (...) para fazer, ó Deus, a tua vontade" (Sal 40/39, 9; Heb
10, 7). "Eu sempre faço o que é do agrado d'Ele" (Jo 8, 29).
Este corpo despojado cumpre a vontade do Filho e a do Pai em
cada chaga, cada guinada de dor, cada músculo dilacerado, cada fio
de sangue que corre, o cansaço total dos braços, as pisaduras do
pescoço e das costas, uma terrível dor nas têmporas. Este corpo
cumpre a vontade do Pai, quando é despojado dos vestidos e tratado
como objeto de suplício, quando encerra em si a dor imensa da
humanidade profanada.

O corpo do homem é profanado de vários modos.


Nesta estação, devemos pensar na Mãe de Cristo, porque, junto
do seu coração, nos seus olhos, entre as suas mãos, o corpo do Filho
de Deus recebeu plena adoração.

ACLAMAÇÕES

- Jesus, corpo sagrado, profanado ainda nos vossos membros


vivos.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Jesus, corpo entregue por amor, dividido ainda nos vossos


membros.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.
Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac ut ardeat cor meum


in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

JESUS É PREGADO NA CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 25-27

Eram as nove da manhã quando O crucificaram. Na


inscrição que indicava o motivo da sua condenação, lia-se: "O
Rei dos judeus". Com Ele crucificaram dois salteadores, um à
sua direita e o outro à sua esquerda".

MEDITAÇÃO

"Trespassaram as minhas mãos e os meus pés; posso contar


todos os meus ossos" (Sal 22/21, 17-18). "Posso contar...": palavras
verdadeiramente proféticas! É que este corpo é o preço dum resgate.
Um grande resgate é todo este corpo: as mãos, os pés, e cada osso.
Todo o Homem sujeito à máxima tensão: esqueleto, músculos,
sistema nervoso, cada órgão, cada célula, tudo posto na máxima
tensão. "Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim" (Jo
12, 32).

Eis as palavras que exprimem a plena realidade da crucifixão.


Desta faz parte também esta tensão terrível que atravessa as mãos,
os pés e todos os ossos: terrível tensão do corpo inteiro, que,
pregado como um objeto às traves da Cruz, está para chegar ao
estremo do aniquilamento nas convulsões da morte. E na realidade
da crucifixão entra também todo o mundo que Jesus quer atrair a Si
(cf. Jo 12, 32). O mundo fica sujeito à gravitação do corpo, que por
inércia tende para baixo.
É precisamente nesta gravitação que está a paixão do
Crucificado.

"Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima" (Jo 8, 23). Eis as suas


palavras da Cruz: "Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que
fazem" (Lc 23, 34).

ACLAMAÇÕES

- Cristo, crucificado pelo ódio, pelo amor feito sinal de


reconciliação e de paz.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Cristo, com o sangue derramado na Cruz, resgatastes o


homem, o mundo, o universo.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Sancta Mater, istud agas,


crucifixi fige plagas,
cordi meo valide.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO


JESUS MORRE NA CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 33-34.37.39

Chegado ao meio-dia, houve trevas por toda a terra, até


às três da tarde. Às três horas, Jesus exclamou em alta voz:
"Eloì, Eloì, lema sabactàni?" que quer dizer: Meu Deus, meu
Deus, porque Me abandonaste? (...) Soltando um grande
brado, Jesus expirou. (...) Ao vê-Lo expirar daquela maneira, o
centurião, que se encontrava em frente d'Ele, exclamou:
"Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus".

MEDITAÇÃO

Eis o agir mais alto, mais sublime do Filho em união com o Pai.
Sim, em união, na mais profunda união... precisamente quando grita:
"Eloì, Eloì, lema sabactàni?", "Meu Deus, meu Deus, porque Me
abandonaste?" (Mc 15, 34; Mt 27, 46).
Este agir exprime-se na verticalidade do corpo estendido ao
longo da trave perpendicular da Cruz com a horizontalidade dos
braços estendidos ao longo do madeiro transversal. A pessoa que
olha estes braços pode pensar com quanto esforço eles abraçam o
homem e o mundo.

Abraçam.

Eis o homem. Eis o próprio Deus. "N'Ele (...) vivemos, nos


movemos e existimos" (Act 17, 28). N'Ele, nestes braços estendidos
ao longo da trave horizontal da Cruz.

O mistério da Redenção.

Jesus, pregado na Cruz, imobilizado nesta terrível posição,


invoca o Pai (cf. Mc 15, 34; Mt 27, 46; Lc 23, 46). Todas as suas
invocações testemunham que Ele está unido com o Pai. "Eu e o Pai
somos um" (Jo 10, 30); "Quem Me vê, vê o Pai" (Jo 14, 9); "Meu Pai
trabalha continuamente e Eu também trabalho" (Jo 5, 17).

ACLAMAÇÕES

- Filho de Deus, recordai-Vos de nós na hora suprema da


morte.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).
- Filho do Pai, recordai-Vos de nós e com o vosso Espírito
renovai a face da terra.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Vidit suum dulcem Natum


morientem desolatum
dum emisit spiritum.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

JESUS É DESCIDO DA CRUZ

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 42-43.46

Ao cair da tarde, José de Arimatéia, respeitável membro


do Conselho, que também esperava o Reino de Deus, (...)
depois de comprar um lençol, desceu o corpo de Jesus da cruz
e envolveu-o nele.

MEDITAÇÃO

Ao ver o corpo de Jesus ser tirado da Cruz e colocado nos


braços de sua Mãe, diante dos nossos olhos repassa o momento em
que Maria recebeu a saudação do anjo Gabriel: "Hás de conceber no
teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. (..) O
Senhor Deus dar-Lhe-á o trono de seu pai David (...) e o seu reinado
não terá fim" (Lc 1, 31-33). Maria disse apenas: "Faça-se em mim
segundo a tua palavra" (Lc 1, 38), como se desde então tivesse
querido exprimir o que está a viver agora.

No mistério da Redenção, entrelaçam-se a Graça, isto é, o dom


do próprio Deus, e "o pagamento" do coração humano. Neste
mistério, somos enriquecidos por um Dom do alto (cf. Tg 1, 17) e ao
mesmo tempo comprados pelo resgate do Filho de Deus (cf. 1 Cor 6,
20; 7, 23; Act 20, 28). E Maria, tendo sido mais do que ninguém
enriquecida de dons, paga mais também. Com o coração.

A este mistério está unida a promessa maravilhosa formulada


por Simeão a quando da apresentação de Jesus no templo: "Uma
espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os
pensamentos de muitos corações" (Lc 2, 35).
Também isto se cumpre. Quantos corações humanos se abrem diante
do coração desta Mãe que pagou tanto!

E de novo Jesus está todo inteiro nos seus braços, como esteve
no presépio de Belém (cf. Lc 2, 16), durante a fuga para o Egito (cf.
Mt 2, 14), em Nazaré (cf. Lc 2, 39-40). Senhora da Piedade.

ACLAMAÇÕES

- Santa Maria, mãe de imensa piedade, convosco abrimos os


braços à Vida
e, suplicantes, imploramos:
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Santa Maria, mãe e companheira do Redentor, em comunhão


convosco acolhemos Cristo e, cheios de esperança, invocamos:
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac me vere tecum flere,


Crucifixo condolere,
donec ego vixero.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do Evangelho de S. Marcos 15, 46-47

José de Arimatéia envolveu o corpo de Jesus num lençol.


Em seguida, depositou-O num sepulcro cavado na rocha e
rolou uma pedra contra a porta do sepulcro. Maria de Magdala
e Maria, mãe de José, observaram onde O depositaram.

MEDITAÇÃO

Desde que o homem, por causa do pecado, foi afastado da


árvore da vida (cf. Gn 3, 23-24), a terra tornou-se um cemitério. Há
tantos homens como sepulcros. Um grande planeta de túmulos.

Nas proximidades do Calvário, havia um túmulo que pertencia a


José de Arimatéia (cf. Mt 27, 60). Neste túmulo, com o
consentimento de José, colocou-se o corpo de Jesus depois de
descido da Cruz (cf. Mc 15, 42-46; etc.). Depositaram-no à pressa,
de modo que a cerimônia terminasse antes da festa da Páscoa (cf. Jo
19, 31), que começava ao pôr do sol.

Dentre todos os túmulos espalhados pelos continentes do nosso


planeta, há um onde o Filho de Deus, o homem Jesus Cristo, venceu
a morte com a morte. "O mors! Ero mors tua!", "Ó morte, Eu serei a
tua morte" (1ª antífona das Laudes de Sábado Santo)". A árvore da
Vida, da qual o homem foi afastado por causa do pecado, revelou-se
novamente aos homens no corpo de Cristo. "Se alguém comer deste
pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei de dar é a minha carne
pela vida do mundo" (Jo 6, 51).

Embora o nosso planeta esteja sempre a repovoar-se de


túmulos, embora cresça o cemitério no qual o homem volta ao pó
donde tinha sido tirado (cf. Gn 3, 19), todavia todos os homens que
olham para o túmulo de Jesus Cristo vivem na esperança da
Ressurreição.

ACLAMAÇÕES

- Jesus Senhor, nossa ressurreição, no sepulcro novo destruís a


morte e dais a vida.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

- Jesus Senhor, nossa esperança, o vosso corpo crucificado e


ressuscitado é a nova árvore da vida.
R. Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eleison (em latim).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quando corpus morietur,


fac ut animæ donetur
paradisi gloria. Ame.

O Santo Padre fala aos presentes.

No final do discurso, o Santo Padre dá a Bênção Apostólica:

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
V. Sit nomen Domini benedictum.
R. Ex hoc nunc et usque in sæculum.

V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.


R. Qui fecit cælum et terram.

V. Benedicat vos omnipotens Deus,


Pater et Filius et X Spiritus Sanctus.

R. Amen
NO COLISEU DE ROMA.

PRESIDIDA PELO SANTO PADRE O PAPA


JOÃO PAULO II

SEXTA-FEIRA SANTA DO ANO 2004

TEXTOS DE MEDITAÇÃO
PREPARADOS PELO PADRE ANDRÉ LOUF.

APRESENTAÇÃO

Anualmente, na noite de Sexta-feira Santa, memória litúrgica


da Paixão do Senhor, a Igreja de Deus que está em Roma, guiada
pelo seu Pastor, o Sucessor de Pedro, realiza ao pé do Coliseu o
piedoso exercício do "caminho da Cruz". À comunidade cristã de
Roma vêm juntar-se ao longo das catorze estações peregrinos de
todo o oikumene, enquanto milhões de fiéis de todas as línguas,
povos e culturas se associam à oração e meditação através dos meios
radiotelevisivos.
Neste ano, por uma feliz coincidência de calendário, os cristãos
do Oriente e do Ocidente celebram simultaneamente o grande
mistério da paixão, morte e ressurreição do único Senhor de todos e,
assim, vivem contemporaneamente a memória do acontecimento
fontal da sua fé.

Neste ano, os textos bíblicos da Via-Sacra são tirados do


Evangelho de S. Lucas e os textos de meditação compostos pelo
Padre André Louf. Trata-se de um monge cisterciense de estrita
observância, que vive já há alguns anos num ermo depois de ter
desempenhado o ministério de abade na sua comunidade de Notre-
Dame de Monte-des-Cats em França durante trinta e cinco anos,
guiando-a no seguimento de Jesus Cristo desde os anos do Concílio
Vaticano II até ao limiar do terceiro milênio: um monge radicado na
Sagrada Escritura pela prática quotidiana da lectio divina, amante dos
Padres da Igreja dos primeiros séculos e dos místicos flamengos; um
pai de monges capaz de acompanhar os irmãos na vida espiritual e
na busca diária daquele ideal de "um só coração e uma só alma" que
caracterizava a comunidade apostólica de Jerusalém.
Ou seja, um monge cenobita, para quem solidão e comunhão
estão em constante dialética existencial: solidão diante de Deus e
comunhão fraterna, unificação interior e união comunitária, redução à
simplicitas do essencial e abertura à pluralidade das expressões de fé
vivida. Tal é o empenho diário do monge, a dinâmica da sua stabilitas
numa determinada realidade comunitária, o "trabalho da obediência"
(Regra de S. Bento, Prol. 2) através do qual regressar a Deus.
Desta fadiga libertadora do monge, que é fadiga também de
todo o batizado membro da comunidade vital da Igreja, estão
impregnados os textos propostos para esta Via-Sacra. Diversas
vezes Jesus Se acha "sozinho", umas vezes por livre escolha,
outras porque todos O abandonaram: está só no Horto das
Oliveiras, face a face com o Pai;está só perante a traição de
um discípulo e a negação de outro; sozinho enfrenta o
Sinédrio, o julgamento de Pilatos, as zombarias dos soldados;
sozinho carrega o peso da cruz; sozinho Se abandonará
totalmente nos braços do Pai.
Mas a solidão de Jesus não é estéril; pelo contrário, brotando
duma união íntima com o Pai e o Espírito, cria por sua vez comunhão
entre aqueles que entram em relação vivificante com ela.

Assim, Jesus na sua paixão encontra o apoio fraterno do


Cireneu, conhece a consolação das mulheres-discípulas que
tinham subido com Ele a Jerusalém, abre as portas do seu
Reino ao centurião e ao bom ladrão que sabem olhar para
além das aparências, vê constituir-se ao pé da cruz o embrião
da comunidade formado por sua Mãe e pelo discípulo amado.
Por último, mesmo no momento aparentemente de maior
solidão - a deposição no sepulcro - quando o seu corpo é engolido
pela terra, dá-se a passagem a uma renovada comunhão cósmica:
tendo descido aos infernos, Jesus encontra a humanidade inteira em
Adão e Eva, anuncia a salvação "aos espíritos que estavam no
cárcere" (I Ped 3, 19) e restabelece a comunhão paradisíaca.

Deste modo, participar na Via-Sacra significa, para todo o


discípulo de Jesus Cristo, entrar no mistério de solidão e de
comunhão vivido pelo Mestre e Senhor, aceitar a vontade do Pai a
seu respeito até enxergar, para além do sofrimento e da morte, a
Vida sem fim que brota do peito trespassado e do sepulcro vazio.

ORAÇÃO INICIAL

O Santo Padre:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.


R. Amém.

Irmãos e irmãs, mais uma vez nos reunimos para seguir o


Senhor Jesus pelo caminho que O conduz ao Calvário. Lá
encontraremos as pessoas que O seguiram até ao fim - a Mãe, o
Discípulo amado, as mulheres que O seguiram durante o anúncio da
boa nova... - e quantos, movidos de compaixão, procuraram consolá-
Lo e aliviar a sua dor.
Encontraremos também aqueles que decidiram a sua morte e
que Ele, num amor desmesurado, perdoou. Peçamos-Lhe que infunda
no nosso coração os mesmos sentimentos que havia n'Ele (Fil 2, 5) a
fim de podermos "conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição, e à
comunhão nos seus sofrimentos, configurando-nos à sua morte para
ver se podemos chegar à ressurreição dos mortos" (Fil 3, 10-11).
Neste ano, em que a data da Páscoa providencialmente coincide
em todas as Igrejas, o nosso pensamento alarga-se a todos os
discípulos de Jesus, que no mundo comemoram neste mesmo dia a
sua morte e a sua deposição no túmulo.

Oremos:

(Breve pausa de silêncio)

Jesus, vítima inocente do pecado, acolhei-nos como


companheiros do vosso caminho pascal, que conduz da morte à vida
e ensinai-nos a viver o tempo que passamos na terra radicados na fé
em Vós, que nos amastes e Vos entregastes a Vós mesmo por nós
(Gal 2, 20). Vós sois Cristo, o único Senhor, que vive e reina pelos
séculos dos séculos.
R. Amém.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus no Horto das Oliveiras

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 39-46

Jesus saiu, então, e foi, como de costume, para o monte


das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele.
Quando chegou ao local, disse-lhes: "Orai para que não
entreis em tentação". Depois afastou-Se bruscamente deles
até à distância de um tiro de pedra, aproximadamente, e,
posto de joelhos, começou a orar dizendo: "Pai, se quiseres,
afasta de Mim este cálice, não se faça, contudo, a minha
vontade mas a tua".
Então vindo do Céu, apareceu-Lhe um anjo que O
confortava. Cheio de angústia, pôs-se a orar mais
instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de
sangue, que caíam na terra. Depois de ter orado, levantou-Se
e foi ter com os discípulos encontrando-os a dormir devido à
tristeza. Disse-lhes: "Porque dormis? Levantai-vos e orai, para
que não entreis em tentação".

MEDITAÇÃO

Chegado ao limiar da sua Páscoa, Jesus está na presença do


Pai. Como poderia ter sido de outro modo se o seu secreto diálogo de
amor com o Pai nunca cessara? "Chegou a hora" (Jo 16, 32), a hora
pressentida desde o princípio, anunciada aos discípulos, que não se
parece com nenhuma outra, que a todas inclui e condensa
precisamente quando estão para se cumprir nos braços do Pai.
E inesperadamente aquela hora mete medo. Deste medo nada
nos é ocultado. Mas lá, no auge da angústia, Jesus refugia-Se junto
do Pai em oração. No Getsêmani, naquela noite, vive-se uma luta
corpo a corpo extenuante tão áspera que, no rosto de Jesus, o suor
muda-se em sangue.

E Jesus ousa pela última vez, diante do Pai, manifestar a


angústia que O invade: "Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice,
não se faça, contudo, a minha vontade mas a tua" (Lc 22, 42). Duas
vontades se defrontam por momentos, para depois confluírem num
abandono de amor já anunciado por Jesus: É preciso "que o mundo
saiba que Eu amo o Pai, que faço como o Pai Me mandou" (Jo 14,
31).

ORAÇÃO

Jesus, irmão nosso, que, para abrir a todos os homens o


caminho da Páscoa, quisestes experimentar a tentação e o medo,
ensinai-nos a refugiarmo-nos junto de Vós, e a repetir as vossas
palavras de abandono e adesão à vontade do Pai, que, no Getsêmani,
mereceram a salvação do universo. Fazei que o mundo conheça,
através dos vossos discípulos, a força do vosso amor sem limites (Jo
13, 1), do amor que consiste em dar a vida pelos amigos (Jo 15, 13).
Jesus, no Horto das Oliveiras, sozinho, perante o Pai,
renovastes a adesão à sua vontade.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.


Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Stabat Mater dolorosa


iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.

SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus, atraiçoado por Judas, é preso.

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 47-48

Ainda Jesus estava a falar quando surgiu uma multidão de


gente,
precedendo-os um dos doze, chamado Judas, que caminhava à
frente, e aproximou-se de Jesus para O beijar. Jesus disse-lhe:
"Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?"

MEDITAÇÃO

Desde a primeira vez que Judas é nomeado, aparece indicado


como aquele "que veio a ser o traidor " (Lc 6, 13; cf. Mt 10, 4; / Mc
3,19); o trágico apelativo de "traidor" ficará ligado para sempre à sua
lembrança. Como pôde chegar a isto um que Jesus escolhera para O
seguir mais de perto? Ter-se-á Judas deixado levar por um amor
contrariado por Jesus que se transformou em suspeita e
ressentimento?
Tal o faria crer o beijo, gesto que significa amor, mas que serviu para
entregar Jesus aos soldados.

Ou terá sofrido uma desilusão com um Messias que se subtraía


à função política de libertador de Israel do domínio estrangeiro?
Judas não tardará a dar-se conta de que a sua subtil chantagem se
conclui num desastre. É que ele desejara, não a morte do Messias,
mas apenas que Se rebelasse e assumisse uma atitude decidida. E
então: em vão chora o seu gesto e se desfaz do salário da traição (Mt
27, 4-5), porque se entrega ao desespero. Quando Jesus falar de
Judas como "filho da perdição", limitar-Se-á a recordar que assim se
cumpria a Escritura (Jo 17, 22).
Um mistério de iniqüidade que nos ultrapassa mas que não pode
sobrepor-se ao mistério da misericórdia.

ORAÇÃO

Jesus, amigo dos homens, viestes à terra e revestistes a nossa


carne,
para oferecer a vossa solidariedade aos vossos irmãos e irmãs da
humanidade Jesus, manso e humilde de coração, dais alívio a
quantos sofrem sob o peso do seu fardel (Mt 11, 29); e no entanto a
oferta do vosso amor muitas vezes foi rejeitada! Mesmo entre
aqueles que Vos aceitaram houve quem Vos renegasse, quem traísse
o compromisso assumido.

Mas Vós nunca deixastes de amá-los, a ponto de abandonar


todos os outros para ir à procura deles, com a esperança de os trazer
novamente a Vós, carregados aos ombros (Lc 15, 5), ou reclinados
ao peito (Jo 13, 25). Entregamos à vossa infinita misericórdia os
vossos filhos tentados pelo desânimo ou pelo desespero. Concedei-
lhes a graça de procurarem refúgio junto de Vós, e de "nunca
desesperarem da vossa misericórdia" (Regra de S. Bento, 3, 74).

Jesus, Vós continuais a amar quem recusa o vosso amor e,


incansável, procurais quem Vos atraiçoa e abandona.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.
Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem,


contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus é condenado pelo Sinédrio

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 66-71

Quando se fez dia, reuniu-se o Conselho dos anciãos do


povo, príncipes dos sacerdotes e escribas, os quais O levaram
ao seu tribunal. Disseram-Lhe: "Declara-nos se Tu és o
Messias". Ele respondeu-lhes: "Se vo-lo disser, não Me
acreditareis e, se vos perguntar, não respondereis. Mas o Filho
do Homem sentar-Se-á, doravante, à direita do poder de
Deus". Disseram todos: "Tu és, então, o Filho de Deus?" Ele
respondeu-lhes: "Vós o dizeis, Eu sou". Então, exclamaram:
"Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o
ouvimos da sua boca".

MEDITAÇÃO

Jesus está só diante do Sinédrio.

Os discípulos fugiram. Desorientados pela prisão à qual algum


procurou reagir com a violência. Fugiu também aquele que pouco
antes exclamara: "Vamos nós também, para morrermos com ele" (Jo
11, 16). O medo venceu-os. A brutalidade do fato prevaleceu sobre o
seu frágil propósito. Cederam, arrastados pela corrente da vilania.
Deixam que Jesus enfrente, sozinho, a sua sorte. E todavia formavam
o círculo dos seus íntimos, Jesus tinha-os designado como os seus
"amigos" (Jo 15, 15).

Agora, ao seu redor, só uma assembléia hostil, unânime em


querer a sua morte. Já mais vezes se estendera sobre Jesus a
sombra da morte, quando aludia à sua origem divina. Já outras vezes
quem O escutava tentara lapidá-Lo. "Não é por alguma obra que Te
apedrejamos - afirmavam -, é por blasfêmia, porque, sendo Tu
homem, Te fazes Deus" (Jo 10, 33). Agora o Sumo Sacerdote intima-
Lhe que declare, diante de todos, se é Filho de Deus ou não. Jesus
não Se subtrai: com a mesma gravidade o atesta. Deste modo assina
a sua própria sentença de morte.

ORAÇÃO

Jesus, testemunha fiel (Ap 1, 5), face à morte confessastes


serenamente a vossa identidade divina e anunciastes o vosso
regresso glorioso no fim dos tempos para levar a cumprimento a
obra que o Pai Vos confiara. Confiamos à vossa misericórdia as
nossas dúvidas, as contínuas oscilações entre ímpetos de
generosidade e momentos de indolência, em que deixamos "os
cuidados deste mundo e a sedução da riqueza" (Mt 13, 22) sufocar a
centelha que o vosso olhar ou a vossa Palavra fez saltar dos nossos
corações endurecidos.
Encorajai aqueles que começaram a seguir o vosso caminho,
para que não se assustem diante das dificuldades e renúncias
pressentidas. Recordai-lhes que sois manso e humilde de coração e é
suave o vosso jugo e leve o fardo. Concedei-lhes experimentar o
alívio que só Vós podeis oferecer (Mt 11, 28-30).
Jesus, sereno face à morte iminente, único justo perante o
injusto Sinédrio.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

O quam tristis et afflicta


fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!

QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é renegado por Pedro

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 54b-62

Pedro seguia Jesus de longe. Como tivessem acendido


uma fogueira no meio do pátio e se tivessem sentado, Pedro
sentou-se no meio deles. Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao
lume, fitando-o, disse: "Este também estava com Ele". Mas
Pedro negou-o, dizendo: "Não O conheço, mulher". Pouco
depois, disse outro, ao vê-lo: "Tu também és dos tais". Mas
Pedro disse: "Homem, não sou".
Cerca de uma hora mais tarde, um outro asseverou com
insistência: "Com certeza este também estava com Ele, pois
até é galileu". Pedro respondeu: "Homem, não sei o que
dizes". E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou
um galo.
Voltando-Se, o Senhor fixou os olhos em Pedro, e Pedro
recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: "Antes
de o galo cantar, negar-Me-ás três vezes". E, vindo para fora,
chorou amargamente.

MEDITAÇÃO

Dos discípulos em fuga, dois voltam atrás, seguindo à distância


os soldados e o seu prisioneiro. Um misto de afeto e curiosidade,
talvez; falta de consciência do risco. Não demora muito que Pedro
seja reconhecido: a denunciá-lo o acento Galileu e o testemunho de
quem o viu desembainhar a espada no Horto das Oliveiras. Pedro
refugia-se na mentira: nega tudo.
Não se dá conta de que assim renega o seu Senhor, desmente
as suas ardentes declarações de fidelidade absoluta. Não compreende
que assim nega também a sua própria identidade. Mas um galo
canta, Jesus volta-Se, pousa o seu olhar sobre Pedro e dá sentido
àquele canto.
Pedro compreende e prorrompe em lágrimas. Lágrimas
amargas, mas suavizadas pela recordação das palavras de Jesus:
"Não vim para condenar o mundo, mas para o salvar" (Jo 12, 47).
Agora repete-as aquele olhar "misericordioso e compassivo", o
mesmo olhar do Pai, "tardo na ira e grande no seu amor", que "não
nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos castigou segundo as
nossas culpas" (Sal 103/102, 8.10). Pedro abisma-se naquele olhar.
Na manhã de Páscoa as lágrimas de Pedro serão lágrimas de alegria.

ORAÇÃO

Jesus, única esperança daqueles que, frágeis e feridos, caem;


Vós conheceis o que há no interior de cada homem (Jo 2, 25). A
nossa fragilidade aumenta o vosso amor e suscita o vosso perdão.
Fazei que, à luz da vossa misericórdia, reconheçamos os nossos
passos falsos e, salvos pelo vosso amor, proclamemos as maravilhas
da vossa graça. Concedei a quantos exercem autoridade sobre os
irmãos que se gloriem, não de ter sido escolhidos, mas da sua
fragilidade pela qual habite neles a vossa força (II Cor 12, 9).
Jesus, pousando o olhar sobre Pedro, suscitais lágrimas
amargas de arrependimento, rio de paz de um novo batismo.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quæ mærebat et dolebat,


pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.
QUINTA ESTAÇÃO

Jesus é julgado por Pilatos

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 13-25

Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes, os chefes e


o povo, e disse-lhes: "Trouxestes este Homem à minha
presença como andando a revoltar o povo. Interroguei-O
diante de vós e não encontrei n'Ele nenhum dos crimes de que
O acusais. Herodes tão-pouco, visto que no-Lo mandou de
novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte.
Vou, portanto, libertá-Lo, depois de O castigar".
(...) E todos se puseram a gritar: "Dá morte a esse e
solta-nos Barrabás!" Este último foi metido na prisão por
causa de uma insurreição desencadeada na cidade e por um
homicídio. De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra, querendo
libertar Jesus. Mas eles gritavam: "Crucifica-O! Crucifica-O!"
Pilatos disse-lhes pela terceira vez:"Que mal fez ele então?
Nada encontrei n'Ele que mereça a morte. Libertá-Lo-ei,
portanto, depois de O castigar".
Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse
crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência.
Pilatos, então, decretou que se fizesse o que eles pediam.
Libertou o que fora preso por sedição e homicídio como eles
reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.

MEDITAÇÃO

Um homem sem culpa alguma está diante de Pilatos. A lei e o


direito cedem ao arbítrio de um poder totalitário, que procura o
consenso das multidões. Num mundo injusto, o justo não pode senão
ser rejeitado e condenado. Viva o homicida, morra Aquele que dá a
vida. Liberte-se Bar-Abbà, o insurrecto chamado "filho do Pai", seja
crucificado Aquele que revelou o Pai e é o verdadeiro Filho do Pai.
Outros, não Jesus, são os agitadores do povo. Outros, não
Jesus, fizeram o que é mal aos olhos de Deus. Mas o poder teme pela
sua própria autoridade, renuncia à credibilidade que lhe vem de
praticar a justiça, e abdica.
Pilatos, a autoridade que tem poder de vida e de morte, Pilatos,
que não hesitara em sufocar no sangue focos de revolta (Lc 13, 1),
Pilatos, que governava com mão de ferro aquela obscura província do
Império, sonhando domínios mais amplos, abdica, entrega um
inocente, e com ele a própria autoridade, a uma multidão vociferante.
Aquele que no silêncio Se tinha abandonado à vontade do Pai acaba
assim abandonado à vontade de quem grita mais forte.

ORAÇÃO

Jesus, cordeiro inocente levado ao matadouro (Is 53, 7) para


tirar o pecado do mundo (Jo 1, 29), dirigi o vosso olhar de ternura
para todos os inocentes perseguidos, aos prisioneiros que gemem em
cárceres infames, às vítimas do amor pelos oprimidos e pela justiça,
a quantos não entrevêem o fim de um longa pena não merecida. A
vossa presença, intimamente sentida, suavize a sua amargura
e dissipe a escuridão da prisão. Fazei que nunca nos resignemos a
ver em cadeias a liberdade que destes a todo o homem, criado à
vossa imagem e semelhança.
Jesus, manso rei de um reino de justiça e de paz, resplandeceis
vestido com um manto de púrpura: o vosso sangue derramado por
amor.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis est homo qui non fleret,


Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?
SEXTA ESTAÇÃO

Jesus é flagelado e coroado de espinhos

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelhos segundo São Lucas e São João Lc 22, 63-65; Jo 19,


2-3

Entretanto os que guardavam Jesus troçavam d'Ele e


maltratavam-n'O. Cobriam-Lhe o rosto e perguntavam-Lhe:
"Adivinha! Quem Te bateu?" E muitos outros insultos
proferiram contra Ele.
E os soldados, depois de tecerem uma coroa com
espinhos, puseram-Lha na cabeça e envolveram-n'O com um
manto de púrpura. Depois avançavam para Ele e diziam:
"Salve, ó Rei dos Judeus"!

MEDITAÇÃO

À iníqua condenação junta-se o ultraje da flagelação.


Entregue nas mãos dos homens, o corpo de Jesus é
desfigurado. Aquele corpo recebido da Virgem Maria, que fazia de
Jesus "o mais belo dos filhos dos homens", que irradiava a unção da
Palavra - "em teus lábios se derramou a graça" (Sal 45/44, 3), é
agora cruelmente dilacerado pelo azorrague.
O rosto transfigurado no Tabor é desfigurado no pretório: rosto
de quem, insultado, não responde de quem, flagelado, perdoa de
quem, tornado escravo sem nome, liberta a quantos jazem na
escravidão.
Jesus avança decididamente pelo caminho da dor, cumprindo
na carne viva, que se torna viva voz, a profecia de Isaías: "Aos que
Me feriam apresentei as costas, e a minha face aos que Me
arrancavam a barba: não desviei o meu rosto dos que Me ultrajavam
e cuspiam" (Is 50, 6). Profecia que se abre para um futuro de
transfiguração.

ORAÇÃO

Jesus, "resplendor da glória do Pai e imagem da sua


substância" (Heb 1, 3),
aceitastes ser reduzido a um frangalho humano, um condenado ao
suplício, que dá pena. Tomastes sobre Vós os nossos sofrimentos,
tínheis carregado as nossas dores, éreis esmagado pelas nossas
iniqüidades (Is 53, 4-5).
Com as vossas feridas, sarai as feridas dos nossos pecados.
Concedei a quantos são injustamente desprezados e marginalizados,
a quantos foram desfigurados pela tortura ou pela doença,
compreender que, crucificados convosco e como Vós para o mundo
(Gal 2, 19), completam o que falta à vossa Paixão para a salvação do
homem (Col 1, 24).
Jesus, pedaço de humanidade profanada, em Vós se revela a
sacralidade do homem: arca do amor que paga o mal com o bem.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Pro peccatis suae gentis


vidit Iesum in tormentis
et flagellis subditum.

SÉTIMA ESTAÇÃO

Jesus é carregado com a Cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Marcos 15, 20


Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de
púrpura e vestiram-Lhe as suas roupas. Levaram-n'O, então,
para fora para O crucificarem.

MEDITAÇÃO

Fora.
O justo, injustamente condenado, deve morrer fora: fora do
acampamento, fora da cidade santa, fora da sociedade humana. Os
soldados despojam-n'O e revestem-n'O: Ele já não pode dispor
sequer do seu próprio corpo.

Carregam-Lhe sobre os ombros um madeiro, parte pesada do


patíbulo,
sinal de maldição e instrumento de execução capital. Madeiro de
ignomínia,
que pesa, como fardo extenuante, sobre os ombros curvados de
Jesus.
O ódio, de que está impregnado, torna insuportável o seu peso.
E no entanto aquele madeiro da cruz é resgatado por Jesus, torna-se
sinal de uma existência vivida e oferecida por amor dos homens.
Segundo a tradição, Jesus vacila, por três vezes cairá sob
aquele peso.
Jesus não pôs limites ao seu amor: "tendo amado os seus, amou-os
até ao fim" (Jo 13, 1). Obediente à palavra do Pai - "Amarás ao
Senhor, teu Deus, com todas as tuas forças " (Dt 6, 5) - amou a Deus
e cumpriu a sua vontade até ao fim.

ORAÇÃO

Jesus, rei da glória, coroado de espinhos, curvado sob o peso


da cruz
que mãos humanas prepararam para Vós, imprimi em nossos
corações a imagem do vosso rosto coberto de sangue, para nos
recordar que nos amastes até Vos entregardes Vós mesmo por nós
(Gal 2, 20).
Que o nosso olhar nunca se separe do sinal da nossa salvação,
erguido no coração do mundo, para que, contemplando-o e crendo
em Vós, não nos percamos, mas tenhamos a vida eterna (Jo 3, 14-
16).
Jesus, sobre os vossos ombros dilacerados pesa o patíbulo
ignóbil: por vosso merecimento a cruz torna-se constelação de gemas
e a árvore do Paraíso volta a ser árvore da Vida.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.


Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis non posset contristari,


Christi Matrem contemplari,
dolentem cum Filio?

OITAVA ESTAÇÃO

Jesus é ajudado pelo Cireneu a levar a Cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 26

Quando O iam conduzindo, lançaram mão de um certo


Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com
a cruz, para a levar atrás de Jesus.

MEDITAÇÃO

Ainda não brilham no céu as primeiras estrelas que anunciam o


sábado, mas Simão já regressa a casa do trabalho nos campos.
Soldados pagãos, que nada sabem do repouso do sábado, detêm-no.
Colocam sobre os seus ombros robustos aquela cruz que outros
tinham prometido levar dia após dia atrás de Jesus.
Simão não escolhe: recebe uma ordem, sem saber ainda que
acolhe um dom. É típico dos pobres nada poderem escolher, nem
sequer o peso dos próprios sofrimentos. Mas é característico dos
pobres ajudar outros pobres, e ali está um mais pobre que Simão:
está para ser privado até mesmo da vida.
Ajudar sem fazer perguntas, sem demandar porquê: demasiado
pesado o peso para o outro, os meus ombros, porém, ainda o regem.
E isto basta. Virá o dia em que o mais pobre dos pobres dirá ao
companheiro: "Vem, bendito de meu Pai, entra na minha alegria:
estava esmagado sob o peso da cruz e tu Me aliviaste".

ORAÇÃO

Jesus, tomastes resolutamente o caminho que conduz a


Jerusalém (Lc 9, 51); os vossos sofrimentos tornaram-Vos o guia dos
homens pelo caminho da salvação (Heb 2, 10). Sois o nosso
precursor pela estrada da vossa Páscoa (Heb 6, 20). Vinde em ajuda
de todos aqueles que, conscientemente ou constrangidos por fatos
obscuros, seguem os vossos passos, Vós que dissestes: "Bem-
aventurados os aflitos, porque serão consolados" (Mt 5, 4),
Jesus, aliviado do peso da cruz por Simão de Cirene, para que
ele, ignaro companheiro no caminho do sofrimento, se tornasse vosso
amigo e hóspede na morada da glória eterna.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Tui Nati vulnerati,


tam dignati pro me pati,
poenas mecum divide.
NONA ESTAÇÃO

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 27-31

Seguiam-n'O uma grande massa de povo e umas


mulheres que se lamentavam e choravam por Ele. Jesus
voltou-Se para elas e disse-lhes: "Filhas de Jerusalém, não
choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos
filhos, pois virão dias em que se dirá: 'Felizes as estéreis, os
ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram'.
Hão-de então dizer aos montes: 'Caí sobre nós!', e às colinas:
'Cobri-nos'. Porque se tratam assim a madeira verde, o que
acontecerá à seca?"

MEDITAÇÃO

O cortejo do condenado avança. Como escolta: soldados e um


punhado de mulheres em lágrimas, mulheres que subiram da Galileia
a Jerusalém com Ele e os discípulos. Conhecem aquele homem.
Ouviram a sua palavra de vida, amam-n'O como mestre e profeta.
Esperavam que fosse Ele quem havia de libertar Israel? (Lc 24, 21).
Não o sabemos, mas agora choram por aquele homem como se
chora por uma pessoa amada, como Ele tinha chorado pelo amigo
Lázaro. Ele irmana-as no seu sofrimento, uma nova luz ilumina a dor
que sentem. A voz de Jesus fala de juízo, mas chama à conversão;
anuncia sofrimentos, mas como as dores de um parto. A madeira
verde há-de reaver a vida e a madeira seca terá parte nela.

ORAÇÃO

Jesus, rei glorioso, coroado de espinhos, o rosto coberto de


sangue e escarros, ensinai-nos a buscar incessantemente o vosso
rosto (Sal 27/26, 8) para que a sua luz ilumine o nosso caminho (Sal
89/88, 16); ensinai-nos a discerni-lo sob os traços do homem ferido
pela doença, prostrado pelo desânimo, envilecido pela injustiça.
Fazei que estejam impressos nos nossos olhos os traços do
vosso rosto amável, de que vossos "irmãos mais pequeninos" (Mt 25,
40) são um luminoso reflexo, sacramento da vossa presença no meio
de nós.
Jesus, acompanhado até à colina do Calvário por um cortejo de
mulheres em lágrimas: elas conheceram o vosso rosto de luz, a vossa
palavra de graça.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Eia, mater, fons amoris,


me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

DÉCIMA ESTAÇÃO

Jesus é crucificado

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 33.47b

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,


crucificaram-n'O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à
esquerda. (...) O centurião deu glória a Deus, dizendo:
"Verdadeiramente, este homem era justo!"
MEDITAÇÃO

Uma colina fora da cidade, um abismo de dor e humilhação.


Suspenso entre o céu e a terra está um homem: cravado na cruz,
suplício reservado aos amaldiçoados de Deus e dos homens. Junto
d'Ele, outros condenados que já não são dignos do nome de homem.
E no entanto Jesus, que sente o seu espírito a abandoná-Lo, não
abandona os outros homens, estende os braços para acolher a todos,
Ele que já ninguém quer acolher.
Desfigurado pela dor, ferido pelos ultrajes, o rosto daquele
homem fala ao homem de uma outra justiça. Derrotado, escarnecido,
difamado aquele condenado restitui a dignidade a todo o homem: A
quanta dor pode levar o amor! Por quanto amor, o resgate de toda a
dor! "Verdadeiramente, aquele homem era justo" (Lc 23, 47b).

ORAÇÃO

Jesus, no seio do vosso povo, só um pequenino rebanho, ao


qual aprouve ao Pai dar o seu Reino (Lc 12, 32), Vos reconheceu
como Senhor e Salvador mas o vosso Espírito depressa fará deles
testemunhas "em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até aos
confins do mundo" (Atos 1, 8).
Concedei àqueles que pela terra inteira anunciam a vossa
Palavra, ousadia (Fil 1, 14) e liberdade (Flm 8) gloriosas, pelas quais
o vosso Espírito irrompe com a força da Páscoa e a linguagem da
cruz, escândalo aos olhos do mundo, torna-se sabedoria para aqueles
que acreditam (I Cor 1, 17ss).
Jesus a vossa morte, oblação pura para que todos tenham a
vida, revelou a vossa identidade de Filho de Deus e Filho do homem.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Fac ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus promete o seu Reino ao bom ladrão

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 33-34.39-43

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,


crucificaram-n'O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à
esquerda. Jesus dizia: "Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem
o que fazem". (...)Um dos malfeitores, que tinham sido
crucificados, insultava-O, dizendo: "Não és Tu o Messias?
Salva-Te a Ti mesmo e a nós também". Mas o outro, tomando
a palavra, repreendeu-o: "Nem sequer temes a Deus, tu que
sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça pois
recebemos o castigo que as nossas ações mereciam, mas Ele
nada praticou de condenável". E acrescentou: "Jesus, lembra-
Te de mim quando estiveres no teu reino". Ele respondeu-lhe:
"Em verdade te digo: Hoje estarás Comigo no Paraíso".

MEDITAÇÃO

O lugar do Calvário, sepulcro de Adão, o primeiro homem,


patíbulo de Jesus, o homem novo. O madeiro da cruz, instrumento de
morte exibida, arca de perdão concedido. Junto de Jesus, que passou
por entre o povo fazendo o bem, dois homens condenados por terem
feito o mal. Outros dois tinham pedido para estarem um à direita e
outro à esquerda de Jesus, declararam-se inclusive dispostos a sofrer
o mesmo batismo, a beber do mesmo cálice (Mc 10, 38-39).

Mas, nesta hora, não estão aqui, outros os precederam no lugar


do Calvário. Destes um invoca um Messias que Se salve a Si mesmo
e a eles dois, ali e já, o outro recomenda-se a Jesus para que Se
lembre dele quando entrar no seu Reino.
Quem compartilha as zombarias da multidão não recebe
resposta, quem reconhece a inocência de um condenado à morte
obtém uma promessa imediata de vida.

ORAÇÃO

Jesus, amigo dos pecadores e dos publicanos (Mt 9, 11; 11, 19;
Lc 15, 1-2), Vós viestes salvar, não os justos, mas os pecadores (Mt
9, 13) e quisestes dar-nos a prova do vosso "amor desmedido" (Ef 2,
4 Vulgata) e da abundância da vossa misericórdia, aceitando morrer
por nós quando éramos ainda pecadores (Rom 5, 8). Pousai sobre
nós o vosso olhar de bondade e, depois de termos saboreado a
amargura purificadora da humilhação, acolhei-nos nos vossos braços,
seguros da misericórdia paterna, e transformai com o vosso perdão a
lama do pecado em veste de glória.
Jesus, proclamado inocente por um malfeitor, companheiro de
pena: para Vós e para o vosso companheiro chegou a hora de entrar
no Reino.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Sancta Mater, istud agas,


Crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO


Jesus na Cruz, a Mãe e o Discípulo.

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São João 19, 25-27

Junto da cruz de Jesus, estavam sua mãe, a irmã de sua


mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria de Magdala. Ao ver sua
mãe e, junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse a sua
mãe: "Mulher, eis aí o teu filho". Depois disse ao discípulo:
"Eis aí a tua mãe". E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-A
em sua casa.

MEDITAÇÃO

Em redor da cruz, gritos de ódio, ao pé da cruz, presenças de


amor.
Está ali, firme, a mãe de Jesus. Com ela, outras mulheres,
unidas no amor pelo moribundo. Junto dela, o discípulo amado, não
outros. Só o amor soube superar todos os obstáculos, só o amor
perseverou até ao fim, só o amor gera outro amor.
E ali, aos pés da cruz, nasce uma nova comunidade, ali, no
lugar da morte, surge um novo espaço de vida: Maria acolhe o
discípulo como filho, o discípulo amado acolhe Maria como mãe.
"Acolheu-a como um dos seus bens mais queridos" (Jo 19, 27),
tesouro inalienável do qual se fez guardião. Só o amor pode guardar
o amor, só o amor é mais forte do que a morte (Ct 8, 6).

ORAÇÃO

Jesus, Filho dileto do Pai, aos tormentos sofridos na cruz junta-


se o de ver junto de Vós a vossa Mãe abatida pela dor. Confiamo-Vos
a desolação e a revolta
dos pais desvairados diante dos sofrimentos ou da morte de um filho;
confiamo-Vos o desalento de tantos órfãos, de filhos abandonados ou
deixados sozinhos.
Vós estais presente nos seus sofrimentos como o estáveis na
cruz, junto da Virgem Maria. Venha o dia do encontro, quando toda a
lágrima será enxugada e a alegria não terá fim.
Jesus, moribundo na cruz confiais a Mãe ao Dileto, o Apóstolo
virgem, à Virgem pura que Vos trouxe no seio,

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:
Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso
nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac me vere tecum flere,


Crucifixo condolere,
donec ego vixero.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus morre na Cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 44-46

Por volta da hora sexta, as trevas cobriram toda a terra,


até à hora nona, por o sol se haver eclipsado. O véu do Templo
rasgou-se ao meio, e Jesus exclamou, dando um grande grito:
"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". Dito isto,
expirou.

MEDITAÇÃO

Depois da agonia do Getsêmani, Jesus, na cruz, está de novo


diante do Pai.
No auge de um sofrimento indizível, Jesus volta-Se para Ele, reza-
Lhe. A sua oração é primeiramente uma imploração de misericórdia
para os algozes. Depois, aplicação a Si mesmo da palavra profética
dos Salmos:manifestação de um sentimento de abandono
dilacerante, que chega no momento crucial, quando se experimenta
com todo o ser o desespero a que conduz o pecado que separa de
Deus.
Jesus bebeu até às borras o cálice da amargura. Mas daquele
abismo de sofrimento eleva-se um grito que rompe a desolação: "Pai,
nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23, 46). E o sentimento de
abandono muda-se em entrega nos braços do Pai; o último respiro do
moribundo torna-se grito de vitória, a humanidade, que se afastara
na vertigem da auto-suficiência, é de novo acolhida pelo Pai.

ORAÇÃO

Jesus, irmão nosso, com a vossa morte reabristes-nos a


estrada que a culpa de Adão fechara. Precedestes-nos no caminho
que conduz da morte à vida (Heb 6, 20). Tomastes sobre Vós o medo
e os tormentos da morte, mudando radicalmente o seu sentido:
invertestes o desespero que eles provocam, fazendo da morte um
encontro de amor. Confortai aqueles que hoje estão para empreender
o mesmo caminho que Vós.
Tranqüilizai aqueles que procuram evitar o pensamento da
morte. E quando chegar para nós também a hora dramática e
bendita, acolhei-nos na vossa alegria eterna, não por causa dos
nossos méritos, mas em virtude das maravilhas que a vossa graça
realiza em nós.
Jesus, ao exalar o último respiro, entregais a vida nas mãos do
Pai e derramais sobre a Esposa o dom vivificante do Espírito.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Vidit suum dulcem Natum
morientem, desolatum,
cum emisit spiritum.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é depositado no sepulcro

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 50-54

Um membro do Conselho, chamado José, homem reto e


justo, não tinha concordado com a decisão nem com o
procedimento dos outros. Era natural de Arimatéia, cidade da
Judéia, e esperava o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos, pediu-
lhe o corpo de Jesus e, descendo-o da cruz, envolveu-O num
lençol e depositou-O num sepulcro talhado na rocha, onde
ainda ninguém tinha sido sepultado. Era o dia da Preparação e
já brilhavam as luzes do sábado.

MEDITAÇÃO

Primeiras luzes do sábado. Aquele que era a luz do mundo


desce ao reino das trevas. O corpo de Jesus é engolido pela terra, e
com ele é engolida toda a esperança. Mas a sua descida à mansão
dos mortos não é uma descida para a morte mas para a vida. É para
reduzir à impotência aquele que detinha o poder da morte, o diabo
(Heb 2, 14), para destruir o último inimigo do homem, a própria
morte (I Cor 15, 26), para fazer resplandecer a vida e a imortalidade
(II Tim 1, 10), para anunciar a boa nova aos espíritos prisioneiros (I
Ped 3, 19).

Jesus desce até alcançar o primeiro casal humano, Adão e Eva,


curvados sob o fardo da sua culpa. Jesus estende-lhes a mão e o
rosto deles ilumina-se com a glória da ressurreição. O primeiro Adão
e o Último são parecidos e reconhecem-se; o primeiro reencontra a
própria imagem n'Aquele que havia de vir um dia libertá-lo
juntamente com todos os outros (Gen 1, 26). Aquele Dia finalmente
chegou. Agora, em Jesus, cada morte pode, a partir daquele
momento, desaguar na vida.

ORAÇÃO

Jesus, Senhor rico de misericórdia, fizestes-Vos homem para


Vos tornar nosso irmão, e, com a vossa morte, vencer a morte.
Descestes aos infernos para libertar a humanidade, para fazer-nos
novamente viver convosco, ressuscitados chamados a sentar-se nos
Céus junto de Vós (cf. Ef 2, 4-6).
Bom Pastor, que nos guiais às águas tranqüilas, tomai-nos pela
mão ao atravessarmos as sombras da morte (Sal 23/22, 2-4), para
ficarmos convosco e contemplar eternamente a vossa glória (Jo 17,
24).
Jesus, envolvido num lençol e depositado no sepulcro, esperai
que, rolada a pedra, o silêncio da morte seja quebrado pelo júbilo do
aleluia perene.

R. A Vós o louvor e a glória para sempre.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quando corpus morietur


fac ut animae donetur
paradisi gloria. Amen.

O Santo Padre fala aos presentes.

No final do discurso, o Santo Padre dá a Bênção Apostólica:

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
V. Sit nomen Domini benedictum.
R. Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit cælum et terram.
V. Benedicat vos omnipotens Deus,
Pater a et Filius a et Spiritus a Sanctus.

R. Amen.
SEXTA-FEIRA SANTA DO ANO 2005

MEDITAÇÕES E ORAÇÕES
DO CARDEAL JOSEPH RATZINGER

APRESENTAÇÃO

O leitmotiv desta Via-Sacra é evidenciado já na oração inicial e,


depois, na XIV estação. Trata-se da afirmação pronunciada por Jesus
no Domingo de Ramos – logo a seguir à sua entrada em Jerusalém –
como resposta à súplica de alguns Gregos que queriam vê-Lo: «Se o
grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se
morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24).
Deste modo, o Senhor interpreta todo o seu caminho terreno
como o percurso do grão de trigo, que, só através da morte, chega a
produzir fruto. Interpreta a sua vida terrena, a sua morte e a sua
ressurreição de modo a desembocar na Santíssima Eucaristia, na
qual está compendiado todo o seu mistério.
Uma vez que Ele viveu a sua morte como uma oferta de Si
mesmo, como um ato de amor, o seu corpo foi transformado na nova
vida da ressurreição. Por isso, Ele, o Verbo encarnado, tornou-Se
agora o nosso alimento, que conduz à verdadeira vida, à vida
eterna. O Verbo eterno – a força criadora da vida – desceu do Céu,
tornando-Se assim o verdadeiro maná, o pão que o homem
comunga na fé e no sacramento.

Deste modo, a Via-Sacra torna-se num caminho que introduz


dentro do mistério eucarístico: a piedade popular e a piedade
sacramental da Igreja interligam-se e fundem-se.
A devoção da Via-Sacra pode ser vista como um caminho
que leva à comunhão profunda, espiritual com Jesus, sem a
qual ficaria vazia a comunhão sacramental. A Via-Sacra
apresenta-se como um caminho «mistagógico».

Contraposta a esta visão, aparece a compreensão puramente


sentimental da Via-Sacra, para cujo perigo, na VIII estação, o Senhor
alerta as mulheres de Jerusalém que choram por Ele. O mero
sentimento não basta; a Via-Sacra deveria ser uma escola de
fé, daquela fé que, por sua natureza, «atua pela caridade» (Gal 5, 6).
Mas isto não quer dizer que se deva excluir o sentimento.

Segundo os Padres da Igreja, o primeiro defeito dos pagãos é


precisamente a sua falta de coração; por isso, os Padres repropõem a
visão de Ezequiel que comunica ao povo de Israel a promessa feita
por Deus de tirar do peito deles o coração de pedra e dar-lhes um
coração de carne (cf. Ez 11, 19).

A Via-Sacra mostra-nos um Deus que partilha pessoalmente os


sofrimentos dos homens, cujo amor não se mantém impassível nem
distante, mas desce ao nosso meio até à morte na cruz (cf. Fil 2, 8).
Este Deus que partilha os nossos sofrimentos, o Deus que Se
fez homem para levar a nossa cruz, quer transformar o nosso coração
de pedra chamando-nos a partilhar os sofrimentos alheios, quer dar-
nos um «coração de carne» que não fique impassível diante dos
sofrimentos alheios, mas se deixe comover e nos leve ao amor que
cura e ajuda. Isto reconduz-nos às palavras de Jesus sobre o grão de
trigo que Ele próprio transforma em fórmula basilar da existência
cristiana: «Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo
aborrece a sua vida conservá-la-á para a vida eterna» (Jo 12, 15; cf.
Mt 16, 25; Mc 8, 35; Lc 9, 24; 17, 33: «Quem procurar salvaguardar
a vida, perdê-la-á, e quem a perder, conservá-la-á»).

Daqui se vê também o alcance do significado da frase que


precede, nos evangelhos sinópticos, esta afirmação central da sua
mensagem: «Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16, 24).
Com todas estas palavras, o próprio Jesus nos dá a
interpretação da «Via-Sacra», ensina-nos como devemos fazê-la e
segui-la: a Via-Sacra é o caminho da perda de nós mesmos, isto é, o
caminho do amor verdadeiro.
Ele precedeu-nos neste caminho; este é o caminho que a
devoção da Via-Sacra nos quer ensinar. E isto leva-nos mais uma
vez ao grão de trigo, à Santíssima Eucaristia, na qual se torna
continuamente presente entre nós o fruto da morte e da
ressurreição de Jesus. Na Eucaristia, Ele caminha conosco,
como outrora com os discípulos de Emaús, fazendo-Se
constantemente nosso contemporâneo.

ORAÇÃO INICIAL

V. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.


R. Amém.

Senhor Jesus Cristo, por nós aceitastes a sorte do grão de trigo


que cai na terra e morre para produzir muito fruto (Jo 12, 24). E
convidais-nos a seguir-Vos pelo mesmo caminho quando dizeis:
«Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo aborrece a
sua vida conservá-la-á para a vida eterna» (Jo 12, 15). Mas nós
estamos agarrados à nossa vida. Não queremos abandoná-la, mas
reservá-la inteiramente para nós mesmos. Queremos possuí-la; não
oferecê-la.

Mas Vós seguis à nossa frente e mostrais-nos que só dando a


nossa vida é que podemos salvá-la. Acompanhando-Vos na vossa
Via-Sacra, quereis que sigamos o caminho do grão de trigo, o
caminho duma fecundidade que dura até à eternidade.
A cruz – a oferta de nós mesmos – custa-nos muito. Mas, na
vossa Via-Sacra, carregastes também a minha cruz, e não o fizestes
num momento remoto qualquer, porque o vosso amor é
contemporâneo à minha vida.

Hoje mesmo carregais a cruz comigo e por mim, e, de modo


admirável, quereis que agora também eu, como outrora Simão de
Cirene, carregue convosco a vossa cruz e, acompanhando-Vos, me
coloque convosco ao serviço da redenção do mundo. Ajudai-me
para que a minha Via-Sacra não seja apenas um fugidio
devoto sentimento.

Ajudai-nos a acompanhar-Vos não somente com nobres


pensamentos, mas a percorrer o vosso caminho com o coração,
antes, com os passos concretos da nossa vida diária. Ajudai-nos para
que sigamos com todo o nosso ser o caminho da cruz, e
permaneçamos no vosso caminho para sempre.

Livrai-nos do medo da cruz, do medo perante a troça alheia, do


medo de poder fugir-nos a nossa vida se não agarrarmos tudo o que
ela nos oferece. Ajudai-nos a desmascarar as tentações que
prometem vida, mas cujas ofertas no fim nos deixam apenas vazios e
desiludidos. Ajudai-nos a não querer apoderarmo-nos da vida, mas a
dá-la.
Ajudai-nos, acompanhando-Vos pelo percurso do grão de trigo,
a encontrar, no «perder a vida», o caminho do amor, o caminho que
verdadeiramente nos dá a vida, e vida em abundância (Jo 10, 10)

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus é condenado à morte


V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.
R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 22-23.26

Retorquiu-lhes Pilatos: "E que hei-de fazer de Jesus que


é chamado Messias" Replicaram todos: "Seja crucificado!"
Pilatos insistiu: "Então, que mal fez Ele" Mas eles gritavam
mais ainda: "Seja crucificado!" (...) Soltou-lhes então
Barrabás. E a Jesus, depois de O ter mandado açoitar,
entregou-O para ser crucificado.

MEDITAÇÃO

O Juiz do mundo, que um dia voltará para nos julgar a


todos, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz
terreno. Pilatos não é um monstro de malvadez. Sabe que este
condenado é inocente; procura um modo de O libertar. Mas o seu
coração está dividido. E, no fim, faz prevalecer a sua posição, a si
mesmo, sobre o direito.

Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não


são monstros de malvadez. Muitos deles, no dia de Pentecostes,
sentir-se-ão «emocionados até ao fundo do coração» (Atos 2, 37),
quando Pedro lhes disser: A «Jesus de Nazaré, Homem acreditado
por Deus junto de vós, (...), matastes, cravando-O na cruz pela mão
de gente perversa» (Act 2, 22.23).

Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam


porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça
é espezinhada pela cobardia, pela pusilanimidade, pelo medo do
diktat da mentalidade predominante.

A voz subtil da consciência fica sufocada pelos gritos da


multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal.

ORAÇÃO

Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar


alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre
ao longo de toda a história, inocentes sejam maltratados, condenados
e mortos.
Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, a
nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz subtil da
consciência, à vossa voz. Olhai-me como olhastes para Pedro depois
de Vos ter negado.
Fazei com que o vosso olhar penetre nas nossas almas e
indique a direção à nossa vida. Àqueles que na Sexta-feira Santa
gritaram contra Vós, no dia de Pentecostes destes a contrição do
coração e a conversão. E assim destes esperança a todos nós. Não
cesseis de dar também a nós a graça da conversão.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Stabat Mater dolorosa


iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.

SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus é carregado com a cruz.

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 27-31

Então, os soldados do governador levaram Jesus consigo


para o Pretório e reuniram junto d'Ele toda a companhia.
Depois de O terem despido, envolveram-n'O em um manto
encarnado. Teceram uma coroa de espinhos, que Lhe puseram
na cabeça, e, na mão direita, colocaram-Lhe uma cana.
Ajoelharam-se diante d'Ele e escarneceram-n'O dizendo:
"Salve, ó rei dos Judeus!" Depois, cuspiram n'Ele e pegaram
na cana e puseram-se a bater-Lhe com ela na cabeça. No fim
de O terem escarnecido, despiram-Lhe o manto, vestiram-Lhe
as suas roupas e levaram-n'O para O crucificarem.

MEDITAÇÃO

Jesus, condenado como pretenso rei, é escarnecido, mas


precisamente na troça aparece cruelmente a verdade. Quantas vezes
as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo são um
insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quantas vezes
os seus rituais e as suas grandes palavras, verdadeiramente, não
passam de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que lhes
incumbe por força do seu cargo, ou seja, colocar-se ao serviço do
bem.

Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido e que traz a


coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. O seu cetro é justiça (cf. Sal
45/44, 7).
O preço da justiça é sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro
rei, não reina por meio da violência, mas através do amor com que
sofre por nós e conosco. Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de
sermos homens, o peso do mundo. É assim que Ele nos precede e
mostra como encontrar o caminho para a vida verdadeira.

ORAÇÃO

Senhor, deixastes que Vos escarnecessem e ultrajassem.


Ajudai-nos a não fazer coro com aqueles que escarnecem quem sofre
e quem é frágil. Ajudai-nos a reconhecer o vosso rosto em quem é
humilhado e marginalizado. Ajudai-nos a não desanimar perante as
zombarias do mundo quando a obediência à vossa vontade é metida
a ridículo.
Carregastes a cruz e convidastes-nos a seguir-Vos por este
caminho (Mt 10, 38). Ajudai-nos a aceitar a cruz, a não fugir dela, a
não lamentarmo-nos nem deixar que os nossos corações se abatam
com as provas da vida. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e,
obedecendo às suas exigências, a alcançar a verdadeira alegria.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem,


contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus cai pela primeira vez

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro do profeta Isaías 53, 4-6

Eram os nossos males que Ele suportava, e as nossas


dores que tinha sobre Si. Mas nós víamos n’Ele um homem
castigado, ferido por Deus e sujeito à humilhação. Ele foi
trespassado por causa das nossas culpas, e esmagado devido
às nossas faltas. O castigo que nos salva, caiu sobre Ele, e por
causa das suas chagas é que fomos curados. Todos nós, como
ovelhas, andávamos errantes, seguindo cada qual o seu
caminho. E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos nós.

MEDITAÇÃO

O homem caiu e continua a cair: quantas vezes ele se torna a


caricatura de si mesmo, já não é a imagem de Deus, mas algo que
mete a ridículo o Criador.

Aquele que, ao descer de Jerusalém para Jericó, embateu nos


ladrões que o despojaram deixando-o meio morto, sangrando na
beira da estrada, não é porventura a imagem por excelência do
homem? A queda de Jesus sob a cruz não é apenas a queda do
homem Jesus já extenuado pela flagelação.
Aqui aparece algo de mais profundo, como diz Paulo na carta
aos Filipenses: «Ele que era de condição divina não reivindicou o
direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo
tomando a condição de servo, tornando-Se semelhante aos homens
(…) humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte e morte de
cruz» (Fil 2, 6-8).
Na queda de Jesus sob o peso da cruz, é visível todo este seu
itinerário: a sua voluntária humilhação para nos levantar do nosso
orgulho. E ao mesmo tempo aparece a natureza do nosso orgulho: a
soberba pela qual desejamos emancipar-nos de Deus sendo apenas
nós mesmos, pela qual cremos que não temos necessidade do amor
eterno, mas queremos organizar a nossa vida sozinhos.

Nesta revolta contra a verdade, nesta tentativa de nos


tornarmos deus, de sermos criadores e juízes de nós mesmos, caímos
e acabamos por autodestruir-nos. A humilhação de Jesus é a
superação da nossa soberba: com a sua humilhação, Ele faz-nos
levantar. Deixemos que nos levante.
Despojemos-nos da nossa auto-suficiência, da nossa errada
cisma de autonomia e aprendamos o contrário d’Ele, d’Aquele que Se
humilhou, ou seja, aprendamos a encontrar a nossa verdadeira
grandeza, humilhando-nos e voltando-nos para Deus e para os
irmãos espezinhados.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, o peso da cruz fez-Vos cair por terra. O peso do


nosso pecado, o peso da nossa soberba deita-Vos ao chão. Mas, a
vossa queda não é sinal de um destino adverso, nem é a pura e
simples fraqueza de quem é espezinhado.
Quisestes vir até junto de nós que, pela nossa soberba,
jazemos por terra. A soberba de pensar que somos capazes de
produzir o homem fez com que os homens se tenham tornado um
espécie de mercadoria para comprar e vender, como que uma
reserva de material para as nossas experiências, pelas quais
esperamos de, por nós mesmos, superar a morte, quando, na
verdade, conseguimos apenas humilhar cada vez mais
profundamente a dignidade do homem.
Senhor, vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudai-nos a
abandonar a nossa soberba devastadora e, aprendendo da vossa
humildade, a pormo-nos novamente de pé.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

O quam tristis et afflicta


fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!

QUARTA ESTAÇÃO

Jesus encontra sua Mãe

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Lucas 2, 34-35.51

Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: "Ele foi


estabelecido para a queda e o ressurgir de muitos em Israel, e
para ser sinal de contradição; e uma espada Te há de
traspassar a alma. Assim se deverão revelar os intentos de
muitos corações" (...) Sua mãe guardava no coração todas
estas recordações.

MEDITAÇÃO

Na Via-Sacra de Jesus, aparece também Maria, sua Mãe.


Durante a sua vida pública, teve de ficar de lado para dar lugar ao
nascimento da nova família de Jesus, a família dos seus discípulos.
Teve também de ouvir estas palavras: «Quem é a minha Mãe e quem
são os meus irmãos? (…) Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai
que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mt
12, 48.50).
Pode-se agora constatar que Ela é a Mãe de Jesus não só no
corpo, mas também no coração. Ainda antes de O ter concebido no
corpo, pela sua obediência concebera-O no coração. Fora-Lhe dito:
«Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho (…) Será grande
(…) O Senhor Deus dar-Lhe-á o trono de seu pai David» (Lc 1, 31-
32). Mas algum tempo depois ouvira da boca do velho Simeão uma
palavra diferente: «Uma espada Te há-de trespassar a alma» (Lc 2,
35).

Deste modo ter-Se-á lembrado de certas palavras pronunciadas


pelos profetas, tais como: «Foi maltratado e resignou-se, não abriu a
boca, como cordeiro levado ao matadouro» (Is 53, 7). Agora tudo
isto se torna realidade. No coração, tinha sempre conservado as
palavras que o anjo Lhe dissera quando tudo começou: «Não tenhas
receio, Maria» (Lc 1, 30).

Os discípulos fugiram; Ela não foge. Ela está ali, com a


coragem de mãe, com a fidelidade de mãe, com a bondade de mãe, e
com a sua fé, que resiste na escuridão: «Feliz daquela que acreditou»
(Lc 1, 45). «Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé
sobre a terra?» (Lc 18, 8). Sim, agora Ele sabe-o: encontrará fé. E
esta é, naquela hora, a sua grande consolação.

ORAÇÃO

Santa Maria, Mãe do Senhor, permanecestes fiel quando os


discípulos fugiram. Tal como acreditastes quando o anjo Vos anunciou
o que era incrível – que haverias de ser Mãe do Altíssimo – assim
também acreditastes na hora da sua maior humilhação.
E foi assim que, na hora da cruz, na hora da noite mais escura
do mundo, Vos tornastes Mãe dos crentes, Mãe da Igreja. Nós Vos
pedimos: ensinai-nos a acreditar e ajudai-nos para que a fé se torne
coragem de servir e gesto de um amor que socorre e sabe partilhar o
sofrimento.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Quæ mærebat et dolebat,
pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.

QUINTA ESTAÇÃO

Jesus é ajudado a levar a cruz pelo Cireneu

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 32; 16, 24

Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado


Simão, e requisitaram-no, para levar a cruz de Jesus. Jesus
disse aos seus discípulos: "Se alguém quiser seguir-Me,
renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e siga-Me".

MEDITAÇÃO

Simão de Cirene regressa do trabalho, vai a caminho de casa


quando se cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele
talvez fosse um espetáculo habitual. Os soldados valem-se do seu
direito de coação e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do
campo.
Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se
inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o
que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E todavia o
evangelista Marcos nomeia, juntamente com ele, também os seus
filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como
membros daquela comunidade (Mc 15, 21).

Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e


compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que era uma
graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo.
O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração. Jesus, cujo
amor divino era o único que podia, e pode, redimir a humanidade
inteira, quer que compartilhemos a sua cruz para completar o que
ainda falta aos seus sofrimentos (Col 1, 24).

Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que


sofre, alguém que é perseguido e inerme, partilhando o seu
sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim
obtemos salvação, e nós mesmos podemos contribuir para a salvação
do mundo.

ORAÇÃO

Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração,


dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir o
nosso próximo que sofre, ainda que este chamamento resultasse em
contradição com os nossos projetos e as nossas simpatias.
Concedei-nos reconhecer que é uma graça poder partilhar a
cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos a caminhar
convosco.
Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela
partilha do vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos
tornamos ministros da salvação, podendo assim ajudar a construir o
vosso corpo, a Igreja.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis est homo qui non fleret,


Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?

SEXTA ESTAÇÃO

A Verônica limpa o rosto de Jesus


V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.
R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro do profeta Isaías 53, 2-3

O meu Servo cresceu (…) sem distinção nem beleza que


atraia o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa
cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de
dores, afeito ao sofrimento, é como aquele a quem se volta a
cara, pessoa desprezível, da qual se não faz caso.

Do livro dos Salmos 27/26, 8-9

Segredou-me o coração: "Procura a sua face!" É, Senhor,


o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso
rosto, nem rejeiteis com ira o vosso servo. Vós sois a minha
ajuda, o Deus da minha salvação.

MEDITAÇÃO

«É, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de


mim o vosso rosto» (Sal 27/26, 8). Verônica – Berenice, segundo a
tradição grega – encarna este anseio que irmana todos os homens
piedosos do Antigo Testamento, o anseio que provam todos os
homens crentes de verem o rosto de Deus.

Em todo o caso, na Via-Sacra de Jesus, inicialmente ela


limitara-se a prestar um serviço de gentileza feminina: oferecer um
lenço a Jesus. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados,
nem imobilizar pelo medo dos discípulos. É a imagem da mulher
bondosa que, perante o turbamento e escuridão dos corações,
mantém a coragem da bondade, não permite ao seu coração de
entenebrecer-se: «Bem-aventurados os puros de coração, porque
verão a Deus» – dissera o Senhor no Discurso da Montanha (Mt 5, 8).

Ao princípio, Verônica via apenas um rosto maltratado e


marcado pela dor. Mas, o ato de amor imprime no seu coração a
verdadeira imagem de Jesus: no Rosto humano, coberto de sangue e
de feridas, ela vê o Rosto de Deus e da sua bondade que nos
acompanha mesmo na dor mais profunda. Somente com o coração
podemos ver Jesus. Apenas o amor nos torna capazes de ver e nos
torna puros. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o próprio
amor.

ORAÇÃO

Senhor, dai-nos a inquietação do coração que procura o vosso


rosto.
Protegei-nos do obscurecimento do coração que vê apenas a
superfície das coisas. Concedei-nos aquela generosidade e pureza de
coração que nos tornam capazes de ver a vossa presença no mundo.
Quando não formos capazes de realizar grandes coisas, dai-nos
a coragem de uma bondade humilde. Imprimi o vosso rosto nos
nossos corações, para Vos podermos encontrar e mostrar ao mundo a
vossa imagem.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Pro peccatis suae gentis


vidit Iesum in tormentis
et flagellis subditum.

SÉTIMA ESTAÇÃO

Jesus cai pela segunda vez

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro das Lamentações 3, 1-2.9.16

Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do


seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz.
(…) Embarrou meus caminhos com blocos de pedra, obstruiu
minhas veredas. (…) Ele quebrou meus dentes com cascalho,
mergulhou-me na cinza.
MEDITAÇÃO

A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda


a queda de Adão – o ser humano caído que somos nós – e o mistério
da associação de Jesus à nossa queda.
Na história, a queda do homem assume sempre novas formas.
Na sua primeira carta, S. João fala duma tríplice queda do homem: a
concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a
soberba da vida. Assim interpreta ele a queda do homem e da
humanidade, no horizonte dos vícios do seu tempo com todos os seus
excessos e depravações.
Mas, olhando a história mais recente, podemos também pensar
como a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as
grandes ideologias, com a banalização do homem que já não crê em
nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo
paganismo, um paganismo pior que o antigo, o qual, desejoso de
marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem.
Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega este peso e cai...
cai, para poder chegar até nós; Ele olha-nos para que em nós volte a
palpitar o coração; cai para nos levantar.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, carregastes o nosso peso e continuais a


carregar-nos. É o nosso peso que Vos faz cair. Mas sois Vós a
levantar-nos, porque, sozinhos, não conseguimos levantar-nos do pó.
Livrai-nos do poder da concupiscência. Em vez do coração de
pedra, dai-nos novamente um coração de carne, um coração capaz
de ver.
Destruí o poder das ideologias, para os homens poderem
reconhecer que estão permeadas de mentiras. Não permitais que o
muro do materialismo se torne intransponível. Fazei que Vos
ouçamos de novo.
Tornai-nos sóbrios e vigilantes para podermos resistir às forças
do mal, e ajudai-nos a reconhecer as necessidades interiores e
exteriores dos outros, e a socorrê-las.
Erguei-nos, para podermos levantar os outros. Concedei-nos
esperança no meio de toda esta escuridão, para podermos ser
portadores de esperança no mundo.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis non posset contristari,


Christi Matrem contemplari,
dolentem cum Filio?

OITAVA ESTAÇÃO

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém


que choram por Ele

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Lucas 23, 28-31

Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: "Mulheres de


Jerusalém, não choreis por Mim; chorai antes por vós mesmas
e pelos vossos filhos. Pois dias virão em que se dirá: "Felizes
as estéreis, as entranhas que não tiveram filhos e os peitos
que não amamentaram". Nessa altura, começarão a dizer aos
montes: "Caí sobre nós", e às colinas: "Encobri-nos". Porque
se fazem assim no madeiro verde, que será no madeiro seco?"

MEDITAÇÃO

As palavras com que Jesus adverte as mulheres de Jerusalém


que O seguem e choram por Ele, fazem-nos refletir. Como entendê-
las?
Não se trata porventura de uma advertência contra uma
piedade puramente sentimental, que não se torna conversão e fé
vivida? De nada serve lamentar, por palavras e sentimentalmente, os
sofrimentos deste mundo, se a nossa vida continua sempre igual. Por
isso, o Senhor nos adverte do perigo em que nós próprios nos
encontramos.
Mostra-nos a seriedade do pecado e a seriedade do juízo.
Apesar de todas as nossas palavras de horror à vista do mal e dos
sofrimentos dos inocentes, não somos nós porventura demasiado
inclinados a banalizar o mistério do mal? Da imagem de Deus e de
Jesus, no fim de contas, admitimos apenas o aspecto terno e amável,
enquanto tranquilamente cancelamos o aspecto do juízo? Como
poderia Deus fazer-Se um drama com a nossa fragilidade – pensamos
cá conosco –, não passamos de simples homens?!
Mas, fixando os sofrimentos do Filho, vemos toda a seriedade
do pecado, vemos como tem de ser expiado até ao fim para poder
ser superado. Não se pode continuar a banalizar o mal, quando
vemos a imagem do Senhor que sofre.
Também a nós, diz Ele: Não choreis por Mim, chorai por vós
próprios... porque se tratam assim o madeiro verde, que será do
madeiro seco?

ORAÇÃO

Senhor, às mulheres que choravam, falastes de penitência, do


dia do Juízo, quando nos encontrarmos diante da vossa face, a face
do Juiz do mundo. Chamais-nos a sair da banalização do mal que nos
deixa tranqüilos para podermos continuar a nossa vida de sempre.
Mostrai-nos a seriedade da nossa responsabilidade, o perigo de
sermos encontrados, no Juízo, culpados e estéreis. Fazei com que não
nos limitemos a caminhar ao vosso lado, oferecendo apenas palavras
de compaixão.
Convertei-nos e dai-nos uma vida nova; não permitais que
acabemos por ficar como um madeiro seco, mas fazei que nos
tornemos ramos vivos em Vós, a videira verdadeira, e produzamos
fruto para a vida eterna (cf. Jo 15, 1-10).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati,
poenas mecum divide.

NONA ESTAÇÃO

Jesus cai pela terceira vez

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do livro das Lamentações 3, 27-32

É bom para o homem suportar o jugo desde a sua


juventude. Que esteja solitário e silencioso, quando o Senhor
o impuser sobre ele; que ponha sua boca no pó: talvez haja
esperança! Que dê sua face a quem o fere e se sacie de
opróbrios. Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele
aflige, Ele se compadece segundo a sua grande bondade.

MEDITAÇÃO

E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz?


Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no
afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva para um
secularismo sem Deus.
Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo
tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do
Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente
como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes
celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta
sequer d’Ele!
Quantas vezes se contorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca
fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujeira
há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio,
deveriam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta
auto-suficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da
reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das
nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão.
A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e
do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor,
o que Lhe trespassa o coração.
Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da
alma, este grito: Kyrie, eleison (Senhor, tende piedade de
nós) – Senhor, salvai-nos (cf. Mt 8, 25).

ORAÇÃO

Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que


está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E
mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O
vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nos.
Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos
que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras,
os nossos grandes gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também
dentro dela, Adão continua a cair.

Com a nossa queda, deitamo-Vos ao chão, e Satanás a rir-se


porque espera que não mais conseguireis levantar-Vos daquela
queda; espera que Vós, tendo sido arrastado na queda da vossa
Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas, Vós erguer-Vos-eis. Vós
levantastes-Vos, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós.
Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Eia, mater, fons amoris,


me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.
DÉCIMA ESTAÇÃO

Jesus é despojado das suas vestes

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 33-36

Chegados a um lugar chamado Gólgota, quer dizer


«Lugar do Crânio», deram-Lhe a beber vinho misturado com
fel. Mas Jesus, quando o provou, não quis beber. Depois de O
terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-
as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-Lo.

MEDITAÇÃO

Jesus é despojado das suas vestes. A roupa confere ao homem


a sua posição social; dá-lhe o seu lugar na sociedade, fá-lo sentir
alguém.
Ser despojado em público significa que Jesus já não é ninguém,
nada mais é que um marginalizado, desprezado por todos. O
momento do despojamento recorda-nos também a expulsão do
paraíso: ficou sem o esplendor de Deus o homem, que agora está,
ali, nu e exposto, desnudado e envergonha-se. Deste modo, Jesus
assume mais uma vez a situação do homem caído.

Jesus despojado recorda-nos o fato de que todos nós perdemos


a «primeira veste», isto é, o esplendor de Deus. Junto da cruz, os
soldados lançam sortes para repartirem entre si os seus míseros
haveres, as suas vestes.
Os evangelistas narram isto com palavras tiradas do Salmo 22,
19 e assim afirmam-nos o mesmo que Jesus há de dizer aos
discípulos de Emaús: tudo aconteceu «conforme as Escrituras».

Não se trata aqui de pura coincidência, tudo o que acontece


está contido na Palavra de Deus e assente no seu desígnio divino. O
Senhor experimenta todos os estádios e degraus da perdição dos
homens, e cada um destes degraus é, com toda a sua amargura, um
passo da redenção: é precisamente assim que Ele traz de volta para
casa a ovelha perdida.

Recordemos ainda que, segundo diz S. João, o objeto do sorteio


era a túnica de Jesus, a qual, «toda tecida de alto a baixo, não tinha
costura» (Jo 19, 23). Podemos considerar isto como uma alusão à
veste do sumo sacerdote, que era «tecida como um todo», sem
costura (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, III, 161). Ele, o
Crucificado, é realmente o verdadeiro sumo sacerdote.
ORAÇÃO

Senhor Jesus, fostes despojado das vossas vestes, exposto à


desonra, expulso da sociedade.
Assumistes sobre Vós a desonra de Adão, sanando-a.
Assumistes os sofrimentos e as necessidades dos pobres, daqueles
que são expulsos do mundo. Deste modo é que realizais a palavra
dos profetas.
É precisamente assim que dais significado àquilo que não tem
significado. Assim mesmo nos dais a conhecer que nas mãos do
vosso Pai estais Vós, nós e o mundo.
Concedei-nos um respeito profundo pelo homem em todas as
fases da sua existência e em todas as situações onde o
encontrarmos. Dai-nos a veste luminosa da vossa graça.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac ut ardeat cor meum


in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus pé pregado na Cruz


V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.
R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 37-42

Puseram por cima da cabeça d'Ele um letreiro escrito


com a causa da condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus".
Foram então crucificados com Ele dois salteadores, um à
direita e outro à esquerda. Os que passavam dirigiam-Lhe
insultos, abanavam a cabeça e diziam: "Tu que demolias o
Templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo, se
és Filho de Deus, e desce da cruz!" De igual modo, também os
sumos sacerdotes troçavam, juntamente com os escribas e os
anciãos, e diziam: "Salvou os outros e a Si mesmo não pode
salvar-Se! É Rei de Israel! Desça agora da cruz, e
acreditaremos n'Ele".

MEDITAÇÃO

Jesus é pregado na cruz.


O sudário de Turim permite formar uma idéia da crueldade
incrível deste processo. Jesus não toma a bebida anestesiante que
Lhe fora oferecida: conscientemente assume todo o sofrimento da
crucifixão.
Todo o seu corpo é martirizado; cumpriram-se as palavras do
Salmo: «Eu, porém, sou um verme e não um homem, o opróbrio dos
homens e a abjeção da plebe» (Sal 22/21, 7). «Como um homem (…)
diante do qual se tapa o rosto, menosprezado e desestimado.
Na verdade Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as
nossas dores» (Is 53, 3-4). Detenhamo-nos diante desta imagem de
sofrimento, diante do Filho de Deus sofredor. Olhemos para Ele nos
momentos de presunção e de prazer, para aprendermos a respeitar
os limites e a ver a superficialidade de todos os bens puramente
materiais.
Olhemos para Ele nos momentos de calamidade e de angústia,
para reconhecermos que precisamente assim estamos perto de Deus.
Procuremos reconhecer o seu rosto naqueles que tendemos a
desprezar. Diante do Senhor condenado, que não quer usar o seu
poder para descer da cruz, mas antes suportou o sofrimentos da cruz
até ao fim, pode assomar ainda outro pensamento.

Inácio de Antioquia, ele mesmo preso com cadeias pela sua fé


no Senhor, elogiou os cristãos de Esmirna pela sua fé inabalável:
afirma que estavam, por assim dizer, pregados com a carne e o
sangue à cruz do Senhor Jesus Cristo (1, 1).
Deixemo-nos pregar a Ele, sem ceder a qualquer tentação de
nos separarmos nem ceder às zombarias que pretendem levar-nos a
fazê-lo.
ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, fizestes-Vos pregar na cruz, aceitando a


crueldade terrível deste tormento, a destruição do vosso corpo e da
vossa dignidade. Fizestes-Vos pregar, sofrestes sem evasões nem
descontos. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a
realizar. Ajudai-nos a fazermo-nos ligar estreitamente a Vós. Ajudai-
nos a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós.
Ajudai-nos a aceitar a vossa liberdade «ligada» e a encontrar nesta
estreita ligação convosco a verdadeira liberdade.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Sancta Mater, istud agas,


Crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus morre na Cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 45-50.54


A partir do meio-dia, houve trevas em toda a região, até
às três horas da tarde. E, pelas três horas da tarde, Jesus
bradou com voz forte: "Eli, Eli, lemá sabachthani", quer dizer,
"Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?" Alguns dos
presentes ouviram e disseram: «Está a chamar por Elias». E
logo um deles correu a pegar numa esponja, ensopou-a em
vinagre, pô-la numa cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros
disseram: «Deixa lá! Vejamos se Elias vem salvá-Lo». E Jesus,
dando novamente um forte brado, expirou.
Entretanto, o centurião e os que estavam com ele de
guarda a Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a
suceder, ficaram aterrados e disseram: «Ele era, na verdade,
Filho de Deus».

MEDITAÇÃO

No cimo da cruz de Jesus – nas duas línguas do mundo de


então, o grego e o latim, e na língua do povo eleito, o hebraico – está
escrito quem é: o Rei dos Judeus, o Filho prometido a David.
Pilatos, o juiz injusto, tornou-se profeta sem querer. Perante a
opinião pública mundial é proclamada a realeza de Jesus. O próprio
Jesus não tinha aceite o título de Messias, enquanto poderia induzir a
uma idéia errada, humana, de poder e de salvação. Mas, agora, o
título pode estar escrito ali publicamente sobre o Crucificado.
Ele, assim, é verdadeiramente o rei do mundo. Agora foi
verdadeiramente «elevado». Na sua descida, Ele subiu. Agora
cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta de Si
próprio, e precisamente deste modo Ele é agora a manifestação do
verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é
Deus.
Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o
Salmo 22, que começa por estas palavras: «Meu Deus, meu Deus,
porque Me abandonaste?» (Sal 22/21, 2). Assume em Si mesmo todo
o Israel, a humanidade inteira, que sofre o drama da escuridão de
Deus, e faz com que Deus Se manifeste precisamente onde parece
estar definitivamente derrotado e ausente.
A cruz de Cristo é um acontecimento cósmico. O mundo fica na
escuridão, quando o Filho de Deus sofre a morte. A terra treme. E
junto da cruz tem início a Igreja dos pagãos. O centurião romano
reconhece, compreende que Jesus é o Filho de Deus. Da cruz, Ele
triunfa sem cessar.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, na hora da vossa morte, o sol escureceu.


Sois pregado na cruz sem cessar. Precisamente nesta hora da
história, vivemos na escuridão de Deus. Pelo sofrimento sem medida
e pela maldade dos homens o rosto de Deus, o vosso rosto, aparece
obscurecido, irreconhecível. Mas foi precisamente na cruz que Vos
fizestes reconhecer.
Precisamente enquanto sois Aquele que sofre e que ama, sois
aquele que é elevado. Foi precisamente lá que triunfastes. Ajudai-nos
a reconhecer, nesta hora de escuridão e confusão, o vosso rosto.
Ajudai-nos a crer em Vós e a seguir-Vos precisamente na hora da
escuridão e da privação.
Mostrai-Vos novamente ao mundo nesta hora. Fazei com que a
vossa salvação se manifeste.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac me vere tecum flere,


Crucifixo condolere,
donec ego vixero.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 54-55

O centurião e os que estavam com ele de guarda a Jesus,


ao verem o tremor de terra e o que estava a suceder, ficaram
aterrados e disseram: «Ele era, na verdade, Filho de Deus».
Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres, que
tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para O servirem.

MEDITAÇÃO

Jesus morreu, o seu coração é trespassado pela lança do


soldado romano e dele brotam sangue e água: misteriosa
imagem do rio dos sacramentos, do Batismo e da Eucaristia,
dos quais, em virtude do coração trespassado do Senhor, renasce
incessantemente a Igreja.
E não Lhe são quebradas as pernas, como aos outros dois
crucificados; deste modo Ele aparece como o verdadeiro cordeiro
pascal, ao qual nenhum osso deve ser quebrado (cf. Ex 12, 46).
E agora que tudo suportou, vemos que Ele, apesar de toda a
confusão dos corações, apesar do poder do ódio e da cobardia, não
ficou sozinho. Os fiéis existem. Junto da cruz, estavam Maria, sua
Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, Maria de Magdala e o discípulo que
Ele amava.
Agora chega também um homem rico, José de Arimatéia: o rico
encontra modo de passar pela buraco de uma agulha, porque Deus
lhe dá a graça. Sepulta Jesus no seu túmulo ainda intacto, num
jardim: o cemitério onde fica sepultado Jesus transforma-se em
jardim, no jardim donde fora expulso Adão quando se separara da
plenitude da vida, do seu Criador.
O túmulo no jardim faz-nos saber que o domínio da morte está
para terminar. E chega também um membro do Sinédrio, Nicodemos,
a quem Jesus tinha anunciado o mistério do renascimento pela água
e pelo Espírito. Até no Sinédrio, que tinha decidido a sua morte, há
alguém que acredita, que conhece e reconhece Jesus após a sua
morte.
Sobre a hora do grande luto, da grande escuridão e do
desespero, aparece misteriosamente a luz da esperança. O Deus
escondido permanece em todo o caso o Deus vivo e próximo. O
Senhor morto permanece em todo o caso o Senhor e nosso Salvador,
mesmo na noite da morte. A Igreja de Jesus Cristo, a sua nova
família, começa a formar-se.

ORAÇÃO

Senhor, descestes à escuridão da morte. Mas o vosso corpo é


recolhido por mãos bondosas e envolvido num cândido lençol (Mt 27,
59).
A fé não está completamente morta, não se pôs totalmente o
sol. Quantas vezes parece que Vós estais a dormir. Como é fácil a
nós, homens, afastar-nos dizendo para nós mesmos: Deus morreu.
Fazei com que, na hora da escuridão, reconheçamos que em todo o
caso Vós estais lá. Não nos deixeis sozinhos quando tendemos a
desanimar. Ajudai-nos a não deixar-Vos sozinho.
Dai-nos uma fidelidade que resista no desânimo e um amor que
Vos acolha no momento mais extremo da vossa necessidade, como a
vossa Mãe, que Vos abraçou de novo no seu regaço. Ajudai-nos,
ajudai os pobres e os ricos, os simples e os sábios, a ver através dos
seus medos e preconceitos e a oferecer-Vos a nossa capacidade, o
nosso coração, o nosso tempo, preparando assim o jardim no qual
possa dar-se a ressurreição.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Vidit suum dulcem Natum


morientem, desolatum,
cum emisit spiritum.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é sepultado

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Do evangelho segundo São Mateus 27, 59-61

José pegou no corpo de Jesus, envolveu-o num lençol


limpo e depositou-o no seu túmulo novo, que tinha mandado
escavar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra para a
porta do túmulo e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria de
Magdala e a outra Maria, sentadas em frente do sepulcro.
MEDITAÇÃO

Jesus, desonrado e ultrajado, é deposto com todas as honras


num túmulo novo.
Nicodemos traz uma mistura de mirra e aloés de cem libras
destinada a emanar um perfume precioso. Agora na oferta do Filho
revela-se, como sucedera já na unção de Betânia, um excesso que
nos recorda o amor generoso de Deus, a «superabundância» do seu
amor. Deus faz generosamente oferta de Si próprio. Se a medida de
Deus é superabundante, também para nós nada deveria ser
demasiado para Deus.
Foi o que o próprio Jesus nos ensinou no discurso da Montanha
(Mt 5, 20). Mas é preciso lembrar também as palavras de S. Paulo a
propósito de Deus, que «por nosso meio faz sentir em todos os
lugares o odor do seu conhecimento. Somos, para Deus, o bom odor
de Cristo» (2 Cor 2, 14-15).
Na putrefação das ideologias, a nossa fé deveria ser de novo o
perfume que reconduz às pegadas da vida. No momento da
deposição, começa a realizar-se a palavra de Jesus: «Em verdade,
em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não
morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24).

Jesus é o grão de trigo que morre. Do grão de trigo morto


começa a grande multiplicação do pão que dura até ao fim do
mundo: Ele é o pão de vida capaz de saciar em medida
superabundante a humanidade inteira e dar-lhe o alimento vital: o
Verbo eterno de Deus, que Se fez carne e também pão, para nós,
através da cruz e da ressurreição. Sobre a sepultura de Jesus
resplandece o mistério da Eucaristia.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo, na sepultura fizestes vossa a morte do


grão de trigo, tornastes-Vos o grão de trigo morto que produz fruto
ao longo de todos os tempos até à eternidade.
Do sepulcro brilha em cada tempo a promessa do grão de trigo,
do qual provém o verdadeiro maná, o pão de vida em que Vós
mesmo Vos ofereceis a nós. A Palavra eterna, através da
encarnação e da morte, tornou-Se a Palavra próxima: Colocais-Vos
nas nossas mãos e nos nossos corações para que a vossa Palavra
cresça em nós e produza fruto.
Dais-Vos a Vós próprio através da morte do grão de trigo, para
que nós tenhamos a coragem de perder a nossa vida para encontrá-
la; para que também nós nos fiemos da promessa do grão de
trigo. Ajudai-nos a amar cada vez mais o vosso mistério
eucarístico e a venerá-lo – a viver verdadeiramente de Vós,
Pão do Céu.
Ajudai-nos a tornarmo-nos o vosso «odor», a tornar palpáveis
os vestígios da vossa vida neste mundo. Do mesmo modo que o grão
de trigo se eleva da terra como caule e espiga, assim também Vós
não podeis ficar no sepulcro: o sepulcro está vazio porque Ele – o Pai
– não Vos «abandonou na habitação dos mortos nem permitiu que a
vossa carne conhecesse a decomposição» (cf. Act 2, 31; Sal 16, 10
LXX).
Não, Vós não experimentastes a corrupção. Ressuscitastes e
destes espaço à carne transformada no coração de Deus. Fazei com
que possamos alegrar-nos com esta esperança e possamos levá-la
jubilosamente pelo mundo; fazei que nos tornemos testemunhas da
vossa ressurreição.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quando corpus morietur


fac ut animae donetur
paradisi gloria. Amen.

BÊNÇÃO

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
V. Sit nomen Domini benedictum.
R. Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit cælum et terram.
V. Benedicat vos omnipotens Deus,
Pater a et Filius + et Spiritus a Sanctus.

R. Amen.
O COLISEU DE ROMA
PRESIDIDA PELO SANTO PADRE
O PAPA BENTO XVI

SEXTA-FEIRA SANTA DE 2007

MEDITAÇÕES DE
Mons. GIANFRANCO RAVASI

APRESENTAÇÃO

Era o final de uma manhã de primavera entre os anos 30 e 33


da nossa época. Numa estrada de Jerusalém – que nos séculos
sucessivos receberia o nome emblemático de «Via Dolorosa» -
acontecia um pequeno cortejo: um condenado à morte, escoltado por
uma divisão do exército romano, se encaminhava, trazendo o
patibulum, ou seja, o braço transversal da cruz cuja haste principal já
estava colocada no alto, entre as pedras de um pequeno promontório
rochoso chamado em aramaico Gólgota e em latim Calvário, isto é,
«crânio».

Esta era a última etapa de uma história conhecida por


todos, em cujo centro se destaca a figura de Jesus Cristo, o
homem crucificado e humilhado e o Senhor ressuscitado e
glorioso. Uma história iniciada no silêncio profundo da noite
precedente, junto das oliveiras de um jardim denominado Getsêmani,
isto é «lagar para as azeitonas».
Uma história que se desenrolou de modo acelerado nos palácios
do poder religioso e político e que se concluiu por uma condenação à
pena capital. Até mesmo a sepultura, oferecida generosamente por
um proprietário chamado José de Arimatéia, que não teria concluído a
vicissitude daquele condenado, como aconteceu para tantos corpos
martirizados no cruel suplício da crucifixão, destinado pelos romanos
ao julgamento dos revolucionários e dos escravos.

Teria havido uma etapa posterior, surpreendente e inesperada:


aquele condenado, Jesus de Nazaré, revelou de modo fulgurante uma
outra sua natureza sob o perfil do seu rosto e do seu corpo de
homem, o ser Filho de Deus. A cruz e a sepultura não foram o
destino final daquela história, mas sim a luz da sua
ressurreição e da sua glória.Como cantaria poucos anos depois o
apóstolo Paulo, aquele que se despojou do seu poder, tornando-se
impotente e fraco como os homens e humilhando-se até à morte
infame por crucifixão, foi exaltado pelo Pai divino que o tinha
constituído Senhor da terra e do céu, da história e da eternidade (cf.
Carta aos Filipenses 2, 6-11).
Durante séculos os cristãos desejaram percorrer novamente as
etapas dessa Via Crucis, um itinerário rumo à colina da crucificação
mas com o olhar voltado para a última meta, a luz pascal. Fizeram-no
como peregrinos naquela mesma estrada de Jerusalém, mas
igualmente nas suas cidades, nas suas igrejas e nas suas casas.
Durante séculos escritores e artistas, famosos ou
desconhecidos procuraram fazer reviver diante dos olhos estarrecidos
e comovidos dos fiéis, as etapas ou «estações»,verdadeiras pausas
meditativas no caminho para o Gólgota. Surgiram assim imagens
ora poderosas, ora simples, altivas e populares, dramáticas e
ingênuas.

Também em Roma, guiada pelo seu Bispo, o Papa Bento XVI,


com toda a cristandade presente no mundo unida ao seu pastor
universal, em cada Sexta-feira Santa realiza-se aquela viagem do
espírito seguindo as pegadas de Jesus Cristo.

Este ano, as reflexões – de modo narrativo-meditativo –,


destinadas a proclamar em cada parada orante, seguindo a trama da
narração da Paixão segundo o Evangelista Lucas, serão propostas por
um biblista, Mons. Gianfranco Ravasi, Prefeito da Biblioteca-
Pinacoteca Ambrosiana de Milão, instituição cultural fundada há
quatro séculos pelo Cardeal Federico Borromeo, Arcebispo daquela
cidade e primo de São Carlos, o qual teve, há um século atrás, entre
os seus Prefeitos Achille Ratti, o futuro Papa Pio XI.

Iniciemos agora, ao longo deste itinerário na oração, não por


uma simples memória histórica de um evento passado e de um
defunto, mas, para viver a realidade áspera e crua de um
acontecimento aberto à esperança, à alegria, à
salvação. Conosco, caminharão talvez aqueles que ainda estão na
busca, progredindo na inquietude das suas interrogações. E enquanto
seguirmos, de etapa em etapa, este caminho de dor e de luz,
ressoarão as palavras vibrantes do apóstolo Paulo: «A morte foi
tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Mas
sejam dadas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de
Nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Cor 15, 54-55.57).

ORAÇÃO INICIAL

O Santo Padre:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

R. Amém.
Irmãos e irmãs, As sombras noturnas desceram sobre Roma
como naquela noite sobre as casas e jardins de Jerusalém. Também
nós nos aproximaremos das oliveiras do Getsêmani e começaremos a
seguir os passos de Jesus de Nazaré
nas últimas horas da sua vida terrena.

Será uma viagem na dor, na solidão, na crueldade, no mal e na


morte. Mas, será igualmente um percurso na fé, na esperança e no
amor, pois a sepultura da última etapa do nosso caminho não
permanecerá selada para sempre.

Passadas as sombras, na alvorada da Páscoa, levantar-se-á a


luz da alegria, o silêncio será substituído pela palavra de vida, à
morte sucederá a glória da ressurreição.
Rezemos, portanto, entrelaçando as nossas palavras com
aquelas de uma antiga voz do Oriente cristão.

Senhor Jesus concedei-nos as lágrimas que no momento não


possuímos,
para lavar os nossos pecados. Dai-nos a coragem de suplicar a vossa
misericórdia.
No dia do último juízo, arrancai as páginas que enumeram os nossos
pecados
e fazei que não existam mais (1).

Senhor Jesus, vós repetis também para nós, nesta noite, as


palavras que um dia dissestes a Pedro: «Segue-me». Obedecendo ao
vosso convite, queremos seguir-vos, passo a passo, no caminho da
vossa Paixão, para também nós aprendermos a pensar segundo Deus
e não segundo os homens. Amém.

(1) Nil Sorkij (1433-1580), da Orazione Penitenziale.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus no Horto das Oliveiras

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas. 22, 39-46


Saiu então, e foi, como de costume, para o Monte das
Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. Quando
chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em
tentação». Depois afastou-Se bruscamente deles até à
distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, posto de
joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de
Mim este cálice; não se faça, contudo, a Minha vontade, mas a
Tua». Então vindo do Céu, apareceu-Lhe um anjo que O
confortava. Cheio de angústia, pôs-Se a orar mais
instantemente, e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de
sangue, que caiam na terra. Depois de ter orado, levantou-Se
e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à
tristeza. Disse-lhes: «Por que dormis? Levantai-vos e orai,
para que não entreis em tentação».

MEDITAÇÃO

Quando o véu das sombras desce sobre Jerusalém, as oliveiras


do Getsêmani parecem-nos reconduzir, ainda hoje, com o sussurrar
das suas folhas, àquela noite de sofrimento e de oração vivida
por Jesus. Ele se destaca solitário, no centro da cena,
ajoelhado no chão daquele jardim. Como cada pessoa que está
diante da morte, também Cristo se sente afligido pela angústia; aliás,
a palavra originária que o evangelista Lucas utiliza é «agonia», ou
seja, luta.
Então, a oração de Jesus é dramática, tensa como num
combate, e o suor estriado de sangue que se escorre pelo seu rosto é
sinal de um tormento áspero e duro. O grito é lançado para o
alto, em direção ao Pai que parece misterioso e mudo: «Pai, se
quiseres, afasta de Mim este cálice», o cálice da dor e da
morte.
Também um dos grandes Pais de Israel, Jacó, em uma noite
escura na margem de um afluente do Jordão tinha encontrado Deus
como uma pessoa misteriosa, que «lutara com ele até o surgir da
aurora»(2). Rezar em tempo de prova é uma experiência que
perturba corpo e alma e também Jesus, nas trevas daquela
noite, «oferece orações e súplicas com fortes gritos e lágrimas
àquele que pode libertá-lo da morte»(3).

***

No Cristo do Getsêmani, em luta com a angústia,


reencontramo-nos a nós mesmos quando atravessamos a noite da
dor lancinante, da solidão dos amigos, do silêncio de Deus. É por isso
que Jesus – como foi dito - «estará em agonia até o fim dos
tempos: não é necessário dormir até àquele momento pois ele
procura companhia e conforto» (4), como todo sofredor da
terra.
Nele descobrimos também o nosso rosto, quando é regado
pelas lágrimas e é marcado pela desolação. Mas a luta de Jesus não
chega à tentação da rendição desesperada, mas à profissão de
confiança no Pai e no seu misterioso desígnio. São as palavras do
«Pai nosso» que ele repropõe naquela hora amarga: «Orai para que
não entreis... não se faça, contudo, a Minha vontade, mas a
Tua». E eis que então, aparece o anjo da consolação, do apoio e do
conforto que auxilia Jesus e a nós a continuar até o final o nosso
caminho.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Stabat mater dolorosa,


iuxta crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.

(2) Cf. Génesis 32, 23-32.


(3) Cf. Hebreus 5, 7.
(4) Blaise Pascal, Pensieri, n. 553 ed. Brunschvicg

SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus, traído por Judas, é preso

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Evangelho segundo São Lucas 22, 47-53

Estava Ele ainda a falar quando surgiu uma multidão de


gente, precedendo-os um dos doze, o chamado Judas, que
caminhava à frente, e aproximou-se de Jesus para O beijar.
Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho
do Homem?» Vendo aqueles que O cercavam o que ia suceder,
perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» E um deles
feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha
direita. Mas Jesus interveio, dizendo: «Já basta, deixai-os». E,
tocando na orelha, curou-o. Depois, disse aos que tinham
vindo contra Ele, aos príncipes dos sacerdotes, aos oficiais do
Templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus,
como se fôsseis ao encontro dum salteador? Estando Eu todos
os dias convosco no Templo, não Me deitastes as mãos; mas
esta é a vossa hora e o domínio das trevas».

MEDITAÇÃO

Entre as oliveiras do Getsêmani, imerso nas trevas, aproxima-


se agora uma pequena multidão: a guiá-la, Judas «um dos Doze»,
um discípulo de Jesus. Na narrativa de Lucas, ele não pronuncia
sequer uma palavra, é apenas uma gélida presença. Parece até que
não consegue aproximar-se completamente do rosto de Jesus para
beijá-lo, interrompido pela única voz que ressoa, a de
Cristo: «Judas, com um beijo entregas o Filho do homem?».
São palavras dolentes, mas firmes que revelam o emaranhado
maligno que se aninha no coração agitado e endurecido do discípulo,
talvez iludido e desiludido e, depois, desesperado.

Aquela traição e aquele beijo tornaram-se, ao longo dos


séculos, o símbolo de todas as infidelidades, apostasias e
enganos. Cristo, portanto, encontra uma outra prova, a da traição
que gera abandono e isolamento. Não é a solidão a ele cara quando
se retirava nos montes para rezar, não é a solidão interior, fonte de
paz e de tranqüilidade, pois, com ela, se inclina sobre o mistério da
alma e de Deus.
É, porém, a áspera experiência de tantas pessoas que mesmo
neste momento que nos vê reunidos, como em outros momentos do
dia, estão sozinhas em um quarto, diante de uma parede vazia ou de
um telefone mudo, esquecidas por todos porque são idosos, doentes,
estrangeiros ou desconhecidos. Jesus bebe com eles também este
cálice que contém o veneno do abandono, da solidão, da hostilidade.

***
Porém, a cena do Getsêmani movimenta-se: ao quadro
precedente, íntimo e silencioso da oração se opõe agora, sob as
oliveiras, o estrondo, o tumulto e até mesmo a violência. Jesus se
ergue, sempre no centro como um ponto fixo. Ele está consciente do
mal que envolve a história humana com o seu sudário de
prepotência, de agressão, de brutalidade: «Esta é a vossa hora e o
domínio das trevas».

Cristo não quer que os discípulos, prontos a empunhar a


espada, revidem o mal com o mal, a violência com a violência. Ele
tem a certeza de que o poder das trevas – aparentemente invencível
e jamais satisfeita de triunfos – está destinado a ser dominado.
À noite, de fato, sucederá o alvorecer, à obscuridade a luz, à
traição o arrependimento, também para Judas. É por esse motivo
que, não obstante tudo isso, é necessário continuar a esperar e a
amar. Jesus tinha ensinado no monte das Bem-aventuranças, que
para se ter um mundo novo e diferente, é necessário amar os nossos
inimigos e rezar por aqueles que nos perseguem (5).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem,


contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

(5) Cf. Mateus 5, 44.


TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus é condenado pelo Sinédrio

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 66-71

Quando se fez dia, reuniu-se o Conselho dos anciãos do


povo, príncipes dos sacerdotes e escribas, os quais O levaram
ao seu tribunal. Disseram-Lhe: «Declara-nos se Tu és o
Messias». Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não Me
acreditareis e, se vos perguntar, não Me respondereis. Mas o
Filho do Homem sentar-Se-á, doravante, à direita do poder de
Deus». Disseram todos: «Tu és o Filho de Deus?». Ele
respondeu: «Vós, o dizeis, Eu sou». Então, exclamaram: «Que
necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o
ouvimos da Sua boca»

MEDITAÇÃO

O sol da sexta-feira santa está surgindo por detrás do monte


das Oliveiras, depois de ter iluminado os vales do deserto de Judá. Os
setenta e um membros do Sinédrio, a máxima instituição judaica,
estão reunidos em semi-círculo ao redor de Jesus. Está para ser
iniciada a audiência que compreende o costumeiro procedimento das
assembléias judiciárias: a verificação da identidade, os motivos da
acusação, as testemunhas. O julgamento é de natureza
religiosa segundo as competências daquele tribunal, como parece
também nas duas perguntas principais: «És tu o Cristo?... És tu o
Filho de Deus?».

A resposta de Jesus parte de uma premissa quase


desencorajada: «Se vo-lo disser, não Me acreditareis e, se vos
perguntar, não Me respondereis». Ele sabe, portanto, que na cilada
existe a incompreensão, a suspeita, o equívoco. Ele sente ao seu
redor uma fria cortina de desconfiança e de hostilidade, ainda mais
opressora pois ela está erguida contra ele pela sua própria
comunidade religiosa e nacional.
Já o salmista tinha sentido esta desilusão: «Se me tivesse
ultrajado o inimigo, eu tolerá-lo-ia. Se contra mim se levantara quem
me odeia, afastá-lo-ia. Mas tu, um homem igual a mim, meu amigo e
familiar, com quem eu partilhava o conselho agradável, com quem ia
à casa de Deus cheio de entusiasmo» (6).
***

Porém, não obstante aquela incompreensão, Jesus não hesita


em proclamar o mistério que está nele e que a partir daquele
momento está para ser revelado como numa epifania. Recorrendo à
linguagem da Sagrada Escritura, ele se apresenta como o Filho do
homem «sentado à direita do poder de Deus».

É a glória messiânica, esperada por Israel, que agora se


manifesta neste condenado. Aliás, é o Filho de Deus que
paradoxalmente se apresenta revestido agora dos seus despojos de
um acusado. A resposta de Jesus - «Eu sou» - , à primeira vista
semelhante à confissão de um condenado, torna-se na realidade uma
profissão solene de divindade. Para a Bíblia, de fato, «Eu sou» é o
nome e apelativo do próprio Deus (7).

A imputação, que levará a uma sentença de morte, torna-se a


uma revelação e assim se torna também a nossa profissão de fé no
Cristo, o Filho de Deus.
Aquele acusado, humilhado pela corte enfurecida, pela
suntuosidade da sala, por um julgamento já selado, recorda a todos o
dever do testemunho à verdade. Um testemunho de fazer ressoar até
mesmo quando é forte a tentação de ocultar-se, de resignar-se, de
deixar-se levar pela corrente da opinião dominante.

Como declarava uma jovem judia destinada a ser morta num


lager, (8) «a cada novo horror ou crime devemos opor um novo
fragmento de verdade e de bondade que conquistamos em nós
mesmos. Podemos sofrer, mas não devemos sucumbir».

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
O quam tristis et afflicta
fuit illa benedicta
Mater Unigeniti!

(6) Salmo 55 (54) 13-15.


(7) Cf. Êxodo 3, 14.
(8) Etty Hillesum, Diario 1941-1943 (3 de julho de 1943).

QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é renegado por Pedro

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 54-62

Apoderando-se então de Jesus levaram-n’O e


introduziram-n’O em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia-O
de longe. Como tivessem acendido uma fogueira no meio do
pátio e se tivessem sentado, Pedro sentou-se no meio deles.
Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse:
«Este também estava com Ele». Mas Pedro negou-o, dizendo:
«Não O conheço, mulher». Pouco depois, disse outro, ao vê-
lo: «Tu também és dos tais». Mas Pedro disse: «Homem, não
sou». Cerca de uma hora mais tarde, um outro asseverou com
insistência: «Com certeza este também estava com Ele; pois
até é galileu». Pedro respondeu: «Homem, não sei o que
dizes». E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar,
cantou um galo. Voltando-Se, o Senhor fixou os olhos em
Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe
disse: «Antes de o galo cantar, negar-Me-ás três vezes». E,
vindo para fora, chorou amargamente.

MEDITAÇÃO

Retornemos àquela noite deixada para trás, entrando na sala


do primeiro processo ao qual Jesus foi submetido. A obscuridade e o
frio são dilacerados pelas chamas de um braseiro colocado no pátio
do palácio do Sinédrio. Os funcionários em serviço e de guarda
estendem as mãos em direção daquele calor; os rostos estão
iluminados. E eis que se erguem três vozes, três mãos a indicar um
rosto reconhecido, o de São Pedro.

A primeira é uma voz feminina. Uma criada do palácio que fixa


o discípulo nos olhos e exclama: «Estavas também tu com Jesus!».
Surge depois uma voz masculina: «Pertences a eles!».
É ainda um homem a insistir mais tarde a mesma acusação,
notando o sotaque setentrional de Pedro: «Estavas com ele!».

A estas denúncias, quase num crescendo desesperado de


autodefesa, o apóstolo não hesita por três vezes a perjurar: «Não
conheço Jesus! Não sou um discípulo seu! Não sou aquele dizeis!».
Portanto, a luz daquele braseiro ilumina, portanto, muito além
do rosto de Pedro, revela uma alma mesquinha, a sua fragilidade, o
egoísmo, o medo. E no entanto, algumas horas antes, ele tinha
proclamado: «Mesmo que todos venham a sucumbir, eu não! Mesmo
que eu tenha de morrer Contigo, não Te renegarei!» (9).

***

Mas esta traição não terminou, como tinha acontecido com a de


Judas.
Há, de fato, naquela noite um som que dilacera o silêncio de
Jerusalém, mas sobretudo a consciência de Pedro: é o canto de um
galo.

Exatamente naquele momento Jesus estava saindo do processo


judiciário que o havia condenado. Lucas descreve a troca de olhares
entre Cristo e Pedro e o faz usando um verbo grego que indica o fixar
profundamente um rosto. Mas, como nota o evangelista, não se trata
de um homem qualquer que agora olha para o outro, é «o Senhor»,
cujos olhos perscrutam os corações e os rins, ou seja, o íntimo
segredo de uma alma.

E dos olhos do apóstolo caem lágrimas de


arrependimento. Na sua vicissitude condensam-se muitas histórias
de infidelidade e de conversão, de fraqueza e de libertação. «Chorei e
acreditei!»: assim, com apenas estes dois verbos, séculos depois, um
convertido (10), aproximará sua experiência à de Pedro, dando voz
também a todos nós que neste dia cometemos pequenas traições,
protegendo-nos por detrás de justificações mesquinhas, deixando-nos
possuir por medos vis.
Mas, como para o apóstolo, também para nós está aberto o
caminho do encontro com o olhar de Cristo que nos confia o mesmo
compromisso: também tu «uma vez convertido, fortalece os teus
irmãos» (11).

Todos:
Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso
nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quæ mærebat et dolebat,


pia Mater, dum videbat
Nati pœnas incliti.

(9) Marcos 14, 29.31.


(10) François-René de Chateaubriand, Il genio del cristianesimo
(1802).
(11) Lucas 22, 32.

QUINTA ESTAÇÃO

Jesus é julgado por Pilatos

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 13-25

Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes, os chefes e


o povo, e disse-lhes: «Trouxeste este Homem à minha
presença como andando a revoltar o povo. Interroguei-O
diante de vós e não encontrei n’Ele nenhum dos crimes de que
O acusais. Herodes tão-pouco, visto que no-Lo mandou de
novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte.
Vou, portanto, libertá-lo, depois de O castigar». Ora, pela
festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. E todos se
puseram a gritar: «Dá morte a esse e solta-nos Barrabás».
Este último fora metido na prisão por causa de uma
insurreição desencadeada na cidade, e por um homicídio. De
novo, Pilatos lhes dirigiu a palavra, querendo libertar Jesus.
Mas eles gritavam: «Crucifica-O! Crucifica-O!». Pilatos disse-
lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele então? Nada encontrei
n’Ele que mereça a morte. Libertá-Lo-ei, portanto, depois de O
castigar». Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que
fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de
violência. Pilatos, então, decretou que se fizesse o que eles
pediam. Libertou o que fora preso por sedição e homicídio,
que eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles
queriam.

MEDITAÇÃO

Neste momento, Jesus encontra-se entre as insígnias imperiais,


os estandartes, as águias e os pavilhões da autoridade romana,
dentro de um outro palácio do poder, o do governador Pôncio Pilatos,
um nome à margem e esquecido na história do Império de Roma. E,
no entanto, é um nome que ressoa todos os domingos, em todo o
mundo, exatamente por causa daquele processo que ora se celebra:
os cristãos, de fato, no Credo proclamam que Cristo «foi crucificado
sob Pôncio Pilatos».
Por um lado, ele encarna à primeira vista a brutalidade
repressiva, pois Lucas recorda, numa página do seu Evangelho,
naquele dia em que ele não hesitou em misturar no templo o sangue
judeu com o dos animais para o sacrifício (12).
Com ele compara-se um outro poder obscuro e impalpável: é a
força feroz das multidões, manipuladas pelas estratégias dos poderes
ocultos que tramam na escuridão. O resultado está na escolha de
conceder a graça a Barrabás, um rebelde homicida.

Por outro lado, porém, emerge um perfil diferente de Pilatos:


ele parece representar a equidade tradicional e a imparcialidade do
direito romano. Por três vezes pelo menos, Pilatos tenta propor a
absolvição de Jesus por insuficiência de provas, cominando ao
máximo a sanção disciplinar da flagelação. A acusa, de fato, não
suportaria um sério exame processual. Como insistem todos os
evangelistas, Pilatos revela, portanto, uma certa abertura de ânimo,
uma disponibilidade que, porém, progressivamente se debilita e se
apaga.

***

Sob a pressão da opinião pública, Pilatos encarna, então, uma


atitude que parecem dominar nos nossos dias: a indiferença, o
desinteresse, a conveniência pessoal. Para se viver serenamente, e
por vantagem própria, não se hesita em esmagar a verdade e a
justiça. A imoralidade explícita gera pelo menos um estremecimento
ou uma reação; esta, por sua vez, pura amoralidade que paralisa a
consciência, extingue o remorso e fecha a mente. A indiferença é a
morte lenta da verdadeira humanidade.

O êxito está na escolha final de Pilatos. Como diziam os antigos


latinos, uma justiça hipócrita e apática se torna semelhante a uma
teia de aranha na qual se prendem e morrem os mosquitos mas os
grandes pássaros as rasgam com a força do seu vôo. Jesus, que é um
dos pequenos da terra, sem poder emitir uma palavra, é sufocado por
esta teia. E como muitas vezes fazemos, Pilatos olha para o outro
lado, lava as mãos e como álibi lança – segundo o evangelista João
(13) - a eterna pergunta típica de qualquer cepticismo e de qualquer
relativismo ético: «E o que é a verdade?».

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis est homo qui non fleret,


Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?

(12) Cf. Lucas 13, 1.


(13) João 18, 38.

SEXTA ESTAÇÃO
Jesus é flagelado e coroado de espinhos

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 22, 63-65

Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam d’Ele e


maltratavam-n’O. Cobriam-Lhe o rosto e perguntavam-Lhe:
«Adivinha! Quem Te bateu?» E muitos outros insultos
proferiam contra Ele.

MEDITAÇÃO

Um dia, enquanto caminhava pelo vale do Jordão, não distante


de Jericó, Jesus parou e dirigiu aos Doze palavras fervorosas e
incompreensíveis aos seus ouvidos: «Olhai, subimos agora a
Jerusalém e cumprir-se-á tudo quanto foi escrito pelos profetas
acerca do Filho do Homem. Vai ser entregue aos gentios, vai ser
escarnecido, maltratado e coberto de escarros; e, depois de O
açoitarem, dar-Lhe-hão a morte»(14).
Mas aquelas palavras resolvem o seu enigma: no pátio do
pretório, a sede jerosolimitana do governador romano, inicia o
lúgubre ritual da tortura, acompanhado de fora do palácio pela
multidão que espera o espetáculo do cortejo da execução capital.

Naquele espaço proibido para o público se consuma um gesto


que será repetido nos séculos de mil formas sádicas e perversas, na
obscuridade de tantas prisões. Jesus não é somente açoitado mas
também é humilhado. Aliás, o evangelista Lucas para definir aqueles
insultos usa o verbo «blasfemar», revelando de modo alusivo o
significado profundo daquele desabafo dos guardas enfurecidos sobre
a vítima. Mas na martirizada carne de Cristo se associa igualmente
uma afronta à sua dignidade pessoal através de uma farsa macabra.

***

É o evangelista João quem recorda aquele ato sarcástico,


ritmado sobre um jogo popular, o do rei do ridículo. Eis, de fato, uma
coroa cujos esplendores são ramos de espinhos; a púrpura real é
substituída por um manto vermelho; e, finalmente, a saudação
imperial, «Ave, César!». Porém, em dissolução a este escárnio, se
entrevê um sinal glorioso: sim, Jesus è humilhado como rei do
ridículo; mas, na realidade ele é o verdadeiro soberano da história.

Quando finalmente revelará a sua realeza – como nos recorda


um outro evangelista, Mateus (15) - ele condenará todos os
torturadores e os opressores e introduzirá na glória não apenas as
vítimas mas também todos os que visitaram quem estava no cárcere,
cuidaram dos feridos e dos sofredores, sustentaram os famintos, os
sedentos e os perseguidos.

Agora, porém, o rosto transfigurado mostrado no Tabor (16)


está desfigurado; aquele que é«irradiação da glória divina» (17) está
obscurecido e humilhado; como tinha anunciado Isaias, o Servo
messiânico do Senhor tem o dorso sulcado pelos flagelos, a barba
arrancada das faces, o rosto regado de escarros (18). Nele, que é o
Deus da glória, está presente também a nossa humanidade dolente;
nele, que é o Senhor da história, se revela a vulnerabilidade das
criaturas; nele, que é o Criador do mundo, se condensa a dor de
todos os seres vivos.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Pro peccatis suæ gentis


vidit Jesum in tormentis
et flagellis subditum.

(14) Lucas 18, 31-32.


(15) Cf. Mateus 25, 31-46.
(16) Cf. Lucas 9, 29.
(17) Hebreus 1, 3.
(18) Cf. Isaías 50, 6.

SÉTIMA ESTAÇÃO
Jesus carrega a cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Marcos 15, 20

Em seguida, depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe


o manto de púrpura e vestiram-Lhe as Suas roupas.

MEDITAÇÃO

Nos pátios do palácio imperial terminou a festa macabra; caem


as vestes daquele ridículo hábito real, escancara-se o portal. Eis que
avança com suas vestes normais, com a sua túnica «toda tecida de
alto a baixo, não tinha costura» (19). Nas suas costas, apóia a trave
horizontal, destinada a acolher os seus braços quando ela for fixada
no poste da crucifixão. A sua presença é muda, suas pegadas
ensangüentam aquela estrada que ainda hoje traz o nome de «Via
dolorosa», em Jerusalém.

Inicia-se agora, em sentido estrito a Via Crucis, aquele percurso


que se repete esta noite e que se encaminha para a colina das
execuções capitais, fora dos muros da cidade santa. Jesus avança e
vacila sob aquele peso e pela fraqueza do seu corpo ferido. A tradição
desejou simbolicamente assinalar aquele itinerário com três quedas.
Nelas, há o episódio infinito de tantas mulheres e homens prostrados
na miséria ou na fome: são crianças magras, idosos enfraquecidos,
pobres debilitados de cujas veias foi tirada toda energia.

Naquelas quedas há ainda a história de todas as pessoas


desoladas na alma e infelizes, ignoradas pelo frenesi e pela distração
das que passam ao lado. Em Cristo curvado sob a cruz está a
humanidade doente e fraca que, como afirmava o profeta Isaías (20),
«Desolada, falarás do solo, as tuas palavras virão apagadas pelo pó,
a tua voz sairá da terra como a de um fantasma, a tua voz levantar-
se-á do pó como um murmúrio».

***

Também hoje, como ontem, ao redor de Jesus que se ergue e


prossegue carregando o lenho da cruz, continua a vida quotidiana do
caminho, assinalada pelos negócios, pelas monstras cintilantes, pela
procura do prazer. E, no entanto, à sua volta não há apenas
hostilidade ou indiferença. Nos seus passos movem-se hoje aqueles
que escolheram segui-Lo. Esses ouviram o apelo que um dia ele tinha
lançado passando pelos os campos da Galiléia: «Se alguém quiser vir
após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz dia após dia e siga-
Me» (21).

«Saiamos, então, do campo para ir ter com ele fora do


acampamento, levando o Seu opróbrio» (22). No final da Via dolorosa
não há apenas a colina da morte ou o abismo do sepulcro, mas
igualmente o monte da gloriosa ascensão e da luz.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quis non posset contristati


piam matrem comtemplari
dolentem cum Filio?

(19) João 19, 23.


(20) Isaías 29, 4.
(21) Lucas 9, 23.
(22) Hebreus 13, 13.

OITAVA ESTAÇÃO

Jesus é ajudado pelo Cireneu a carregar a Cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Evangelho segundo São Lucas 23, 26

Quando O iam conduzindo, lançaram mão de um certo


Simão de Cirene, que voltava do campo e carregaram-no com
a cruz, para a levar atrás de Jesus.

MEDITAÇÃO

Voltava do campo, talvez depois de algumas horas de trabalho.


Esperavam-no em casa os preparativos do dia festivo: ao pôr-do-sol,
de fato, seria aberta a sagrada fronteira do sábado, iniciado com o
despontar das primeiras estrelas no céu. Simão era o seu nome; ele
era um judeu proveniente da África, de Cirene, cidade situada no
litoral líbio e que hospedava uma densa comunidade da Diáspora
judaica (23). Uma dura ordem da divisão romana que escolta Jesus o
detém e o obriga a carregar, por um trecho de caminho, o patíbulo
daquele condenado enfraquecido.

Simão tinha passado por ali por acaso; não sabia que aquele
encontro seria extraordinário. Como está escrito, (24) “quantos
homens nos séculos teriam desejado estar ali, no seu lugar, ter
passado por ali exatamente naquele momento. Mas, era tarde
demais, era ele quem passou e ele, ao longo dos séculos não teria
jamais cedido o seu lugar a algum outro”. Paulo apóstolo, tinha sido
interceptado, “agarrado e conquistado” (25) por Cristo na estrada de
Damasco. É por isso que depois retomou de Isaías as surpreendentes
palavras de Deus: «Fui encontrado pelos que não Me procuravam;
manifestei-Me àqueles que não perguntavam por Mim» (26).

Deus está em emboscada nos caminhos da nossa existência


quotidiana. É ele que às vezes bate nas nossas portas pedindo um
lugar em nossas mesas para jantar conosco (27). Até mesmo um
imprevisto, como que aconteceu na vida de Simão de Cirene, pode se
tornar um dom de conversão, e isso é tão verdade que o evangelista
Marcos citará os nomes dos filhos daquele homem que se tornou
cristão: Alexandre e Rufo (28).

O Cireneu é, assim, o emblema do misterioso abraço entre a


graça divina e a atividade humana. No final o evangelista o
representa como o discípulo que «leva a crua atrás de Jesus»,
seguindo-lhe as pegadas (29). O seu gesto, da execução forçada,
transforma-se idealmente num símbolo de todos os atos de
solidariedade pelos sofredores, pelos oprimidos e pelos exaustos.

O Cireneu representa, assim, uma imensa fila das pessoas


generosas, dos missionários, dos Samaritanos que não «se desviam»
da estrada, (30) mas se inclinam sobre os miseráveis carregando-
lhes sobre si para sustentá-los. Na cabeça e nos ombros de Simão,
curvado sob o peso da cruz, ressoam as palavras de São Paulo:
«Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo»
(31).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Tui Nati vulnerati,


tam dignati pro me pati,
poenas mecum divide.

(23) Cf. Atos 2, 10; 6, 9; 13, 1.


(24) Charles Péguy, Il mistero della carità di santa Giovanna
D’Arco (1910).
(25) Filipenses 3, 12.
(26) Romanos 10, 20.
(27) Cf. Apocalipse 3, 20.
(28) Cf. Marcos 15, 21.
(29) Cf. Lucas 9, 23.
(30) Cf. Lucas 10, 30-37.
(31) Gálatas 6, 2.

NONA ESTAÇÃO

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.
Evangelho segundo São Lucas 23, 27-31

Seguiam-n’O uma grande massa de povo e umas


mulheres que se lamentavam e choravam por Ele. Jesus,
voltou-Se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não
choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos
filhos, pois dias virão em que se dirá: “Felizes as estéreis, os
ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram”.
Hão de então dizer aos montes: “Caí sobre nós” e às colinas:
“Cobri-nos”. Porque se tratam assim a madeira verde, o que
acontecerá à seca?»

MEDITAÇÃO

Naquela sexta-feira de primavera, no caminho que conduzia ao


Gólgota, não se aglomeravam senão alguns desocupados, curiosos e
pessoas hostis a Jesus. E eis um grupo de mulheres, talvez
pertencentes a uma irmandade dedicada ao conforto e ao pranto
ritual pelos moribundos e pelos condenados à morte.

Cristo, durante a sua vida terrena, superando convenções e


preconceitos, estava frequentemente circundado por mulheres e tinha
conversado com elas, ouvindo os seus pequenos e grandes dramas:
da febre da sogra de Pedro à tragédia da viúva de Naim, da prostituta
em lágrimas ao tormento interior de Maria de Mágdala, do afeto de
Marta e Maria ao sofrimento da mulher acometida de hemorragia, da
jovem filha de Jairo à anciã encurvada, da nobre Joana de Cusa à
viúva indigente e às figuras femininas da multidão que o seguia.

Em torno a Jesus, até à sua última hora, estreitam-se


numerosas mães, filhas e irmãs. Junto dele, agora, imaginemos todas
as mulheres humilhadas e violentadas, as marginalizadas e
submetidas a práticas tribais indignas, às mulheres em crise e
sozinhas diante da sua maternidade, mães judias e palestinas, as de
todas as regiões em guerra, as viúvas ou as idosas esquecidas pelos
seus filhos...
É uma longa suposição de mulheres que testemunham num
mundo árido e impiedoso o dom da ternura e da comoção, como
fizeram pelo filho de Maria no final daquela manhã de Jerusalém. Elas
nos ensinam a beleza dos sentimentos: não nos devemos
envergonhar se o coração acelera suas batidas na compaixão, se por
vezes afloram lágrimas dos olhos, se se sente necessidade de uma
carícia e de um conforto.

***
Jesus não ignora as intenções caritativas daquelas mulheres
como outrora acolheu outros gestos delicados. Mas, paradoxalmente,
é ele agora quem se interessa pelos iminentes sofrimentos daquelas
«filhas de Jerusalém»: «Não choreis por Mim, mas por vós mesmas e
pelos vossos filhos». De fato, há no horizonte um incêndio que está
para abater-se sobre o povo e sobre a cidade santa, «um lenho seco»
pronto para pegar fogo.

O olhar de Jesus vai em direção ao futuro julgamento divino


sobre o mal, a injustiça, o ódio que estão alimentando aquela chama.
Cristo se comove com a dor que está caindo sobre aquelas mães
quando irromperá na história a intervenção justa de Deus. Mas as
suas frementes palavras não selam um êxito desesperado pois a sua
voz é a dos profetas, uma voz que não gera agonia e morte mas
conversão e vida: «Buscai o Senhor e vivereis... Então a jovem
executará danças alegres; jovens e velhos partilharão do júbilo
comum. Converterei o seu pranto em gozo, e consolá-los-ei, passada
a sua dor, e os alegrarei» (32).

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Eia, mater, fons amoris,


me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

(32) Amós 5, 6; Jeremias 31, 13.

DÉCIMA ESTAÇÃO
Jesus é crucificado

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 33-38

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,


crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à
esquerda. Jesus dizia: «Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem
o que fazem». Depois, deitaram sortes para dividirem entre si
as Suas vestes.
O povo permanecia ali, a observar e os chefes
zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-Se a Si mesmo,
se é o Messias de Deus, o Eleito». Os soldados também
troçavam d’Ele, aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre.
Diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». E por
cima d’Ele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus».

MEDITAÇÃO

Era apenas uma formação rochosa denominada em aramaico


Gólgota, em latim, Calvário, isto é «crânio», talvez devido à sua
configuração física. Sobre aquele monte se elevam três cruzes de
condenados à morte, dois «malfeitores», provavelmente
revolucionários anti-romanos e Jesus. Aproximavam-se as últimas
horas da vida terrena de Cristo, horas assinaladas pela dilaceração
das carnes, pela desconjunção dos ossos, pela progressiva asfixia,
pela desolação interior. São as horas que testemunham a plena
fraternidade do Filho de Deus com o homem que padece, agoniza e
morre.

Cantava um poeta (33): «O ladrão da esquerda e o ladrão da


direita/ não sentiam senão os cravos nas mãos/ Cristo, porém, sentia
a dor dada pela salvação/ o lado aberto, o coração trespassado/ É o
coração que lhe queimava. / Um coração devorado pelo amor». Sim,
porque ao redor daquele patíbulo parecia ressoar a voz de
Isaias: «Mas foi castigado pelos nossos crimes, esmagado
pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre
ele, fomos curados pelas suas chagas [...] oferecendo a sua
vida em sacrifício expiatório » (34).

Os braços abertos daquele corpo martirizado querem estreitar a


si todo o horizonte, abraçando a humanidade quase «como uma
galinha a sua ninhada debaixo das asas» (35). De fato era esta a sua
missão: «E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a
Mim» (36).
***

Sob aquele corpo agonizante, desfila a multidão que quer «ver»


um espetáculo macabro. É o retrato da superficialidade, da
curiosidade banal, da busca de emoções fortes. Um retrato no qual se
pode identificar também uma sociedade como a nossa que escolhe a
provocação e o excesso quase como uma droga para excitar uma
alma já entorpecida, um coração insensível, uma mente ofuscada.

Sob aquela cruz há também a crueldade pura e dura, a dos


chefes e dos soldados que não conhecem piedade e conseguem
profanar até mesmo o sofrimento e a morte com zombaria: «Se és o
rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo!». Eles não sabem que
exatamente as suas palavras sarcásticas e a escrita oficial colocada
sobre a cruz - «Este é o rei dos judeus» - dizem uma verdade.

Certo, Jesus não desce da cruz com um espetáculo


surpreendente: ele não quer adesões servis fundadas no prodigioso,
mas uma fé livre e um amor autêntico. No entanto, exatamente
através da derrota da sua humilhação e da impotência da morte, ele
abre a porta da glória e da vida, revelando-se o verdadeiro Senhor e
Rei da história.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac ut ardeat cor meum


in amando Christum Deum,
ut sibi complaceam.

(33) Charles Péguy, Il mistero della carità di santa Giovanna


d'Arco (1910).
(34) Isaías 55, 5. 10.
(35) Lucas 13, 34.
(36) João 12, 32.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus promete o seu Reino ao bom ladrão

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 39-43

Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados


insultava-O: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a
nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:
«Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício?
Quanto a nós, fez-se justiça pois recebemos o castigo que as
nossas ações mereciam, mas Ele nada praticou de
condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de mim
quando estiveres no Teu reino». Ele respondeu-lhe: «Em
verdade te digo: Hoje estarás Comigo no Paraíso».

MEDITAÇÃO

Passam os minutos da agonia e a energia vital de Jesus


crucificado lentamente se está diminuindo. Mas, naqueles momentos
trágicos, ele ainda tem a força para um último ato de amor, em
relação a um dos dois condenados à pena capital que estão ao lado.
Entre Cristo e aquele homem transcorre um tênue diálogo, reduzido a
duas frases essenciais.

Por um lado, há o apelo do malfeitor, que se tornou, na


tradição, o «bom ladrão», convertido na extrema hora da sua vida:
«Jesus, lembra-Te de mim quando estiveres no Teu reino!». Num
certo sentido é como se o homem recitasse uma versão pessoal do
«Pai nosso» e da invocação: «Venha a nós o vosso Reino!». Ele,
porém, o endereça diretamente a Jesus, chamando-o pelo nome, um
nome de significado iluminador naquele instante: «O Senhor salva».
Há, ainda, aquele imperativo: «Lembra-Te de mim». Na linguagem
bíblica este verbo tem uma força particular que não corresponde ao
nosso pálido «lembrar». É uma palavra de certeza e de confiança,
quase querendo dizer: «Toma conta de mim, não me abandone, seja
como o amigo que apóia e ampara.
***

Por outro lado, eis a resposta de Jesus, brevíssima, como um


sopro: «Hoje estarás Comigo no paraíso».

Esta palavra «paraíso», tão rara na Sagrada Escritura que


aparece apenas outras duas vezes no Novo Testamento (37), no seu
significado original evoca um jardim fértil e florido. É uma imagem
perfumada daquele Reino de luz e de paz que Jesus tinha anunciado
na sua pregação inaugurada com os seus milagres que logo terá uma
epifania gloriosa na Páscoa. É a meta do nosso caminho cansativo na
história, é a plenitude da vida, é a intimidade do abraço com Deus. É
o último dom que Cristo faz, exatamente através do sacrifício da sua
morte que se abre à glória da ressurreição.

Nada mais disseram aqueles dois crucificados naquele dia de


angústia e de dor, mas aquelas poucas palavras pronunciadas com
dificuldade das suas gargantas abrasada e ecoam sempre como um
sinal de confiança e de salvação para quem pecou mas também
acreditou e esperou, mesmo que tenha sido no extremo limite da
vida.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Sancta Mater, istud agas,


Crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

(37) Cf. 2 Coríntios 12, 4; Apocalipse 2, 7.


DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus na cruz, a Mãe e o Discípulo

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São João 19, 25-27

Junto da cruz de Jesus estavam Sua mãe, a irmã de Sua


mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria de Magdala. Ao ver Sua
mãe e junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua
mãe: «Mulher, eis aí o teu filho». Depois disse ao discípulo:
«Eis aí a tua mãe». E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-
A em sua casa.

MEDITAÇÃO

Tinha começado a separar-se daquele Filho desde o dia em


que, aos doze anos, ele lhe comunicara que tinha outra casa e outra
missão para cumprir, em nome do seu Pai celestial. Agora, porém,
chegou para Maria o momento da suprema separação. Naquela hora
há a aflição de toda mãe que vê soçobrar até mesmo a lógica da
natureza pela qual são as mães a morrer antes das suas criaturas.
Mas o evangelista João cancela toda lágrima daquele rosto de dores,
cala qualquer grito dos lábios, não prostra Maria no desespero.

Antes, há um halo de silêncio que é quebrado por uma voz que


desce da cruz e do rosto torturado do Filho agonizante. É muito mais
do que um momento familiar: é uma revelação que marca uma
mudança na vida da Mãe. A extrema separação na morte não é
estéril mas há uma fecundidade inesperada semelhante ao parto de
uma mãe.
Exatamente como tinha anunciado o mesmo Jesus, algumas
horas antes, na última noite da sua existência terrena: «A mulher,
quando está para dar a luz, sente tristeza, porque é chegada a sua
hora; mas depois de ter dado à luz o menino, já se não lembra mais
da aflição, pelo prazer de ter vindo ao mundo um homem» (38).

***

Maria volta a ser mãe: não é por acaso que nas poucas linhas
desta narração evangélica por cinco vezes ressoa a palavra «mãe».
Maria, portanto, é mãe e serão seus filhos todos aqueles que forem
como «o discípulo amado», ou seja, todos aqueles que colocam sob o
manto salvador da salvadora graça divina e que seguem a Cristo na
fé e no amor.

A partir daquele momento, Maria não estará mais sozinha,


tornar-se-á mãe da Igreja, um imenso povo de todas as línguas,
povos e raças que nos séculos se juntarão a ela em torno à cruz de
Cristo, o seu primogênito. Desde então também nós caminhamos
com ela na estrada da fé, encontramo-nos com ela na casa onde
sopra o Espírito de Pentecostes, nos sentamo-nos à mesa onde se
parte o pão da Eucaristia e esperamos o dia em que o seu Filho
voltará para nos conduzir, como ela, na eternidade da sua glória.

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Fac me tecum pie flere


Crucifixo condolere
donec ego vixero.

(38) João 16, 21.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus morre na cruz

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 44-47

Por volta da hora sexta, as trevas cobriram toda a terra,


até à hora nona, por o Sol se haver eclipsado. O véu do Templo
rasgou-se no meio, e Jesus exclamou, dando um grande grito:
«Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito». Dito isto,
expirou.

MEDITAÇÃO

No início do nosso itinerário era o véu da noite que envolvia o


Getsêmani; agora é a escuridão de um eclipse que se estende como
um sudário sobre o Gólgota. O «império das trevas» (39) parece,
portanto, dominar a terra onde Deus morre. Sim, o Filho de Deus,
por ser verdadeiramente homem e nosso irmão, deve beber também
o cálice da morte, da morte que é o real bilhete de identidade de
todos os filhos de Adão.

É assim que Cristo « teve de assemelhar-Se em tudo aos Seus


irmãos», (40) torna-se plenamente um de nós também na extrema
agonia entre a vida e a morte. Uma agonia que se repete talvez
nestes minutos para um homem ou uma mulher aqui em Roma e em
tantas outras cidades e lugares do mundo.

Não é mais o Deus greco-romano impassível e remoto como um


imperador relegado aos céus dourados do seu Olimpo. No Cristo que
morre se revela ora o Deus apaixonado, enamorado pelas suas
criaturas até ao ponto de aprisionar-se livremente nos seus limites de
dor e de morte. É por isso que o Crucifixo é um sinal humano
universal da solidão da morte e também da injustiça e do mal. Mas
é igualmente um sinal divino universal de esperança pela expectativa
de cada centurião, isto é, de cada pessoa inquieta e em busca.

***

De fato, mesmo quando está morrendo no alto daquele


patíbulo, enquanto a sua respiração se extingue Jesus não deixa de
ser o Filho de Deus. Naquele momento, todos os sofrimentos e as
mortes são atravessados e possuídos pela divindade, são irradiados
de eternidade, neles é deposta uma semente de vida imortal, brilha
um raio de luz divina.

Portanto, a morte mesmo não perdendo a sua tragicidade,


revela um aspecto inesperado, tem o mesmo olhar do Pai celeste. É
por isto que Jesus naquela hora extrema reza com ternura: «Pai,
nas tuas mãos eu entrego o meu espírito». Àquela invocação nos
associamos também nós através da voz poética e orante de uma
mulher escritora (41): «Pai, teus dedos também fechem os meus
olhos. / Tu que me és Pai, olha para mim como terna Mãe, / na
cabeceira do seu filhinho que sonha. / Pai, olha para mim e acolhe-
me nos teus braços».

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Vidit suum dulcem Natum


morientem desolatum
cum emisit spiritum.

(39) Lucas 22, 53.


(40) Hebreus 2, 17.
(41) Marie Noël, Le canzoni e le ore (1930).

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é depositado no sepulcro

V. Nós Vos Adoramos, JESUS CRISTO, e Vos bendizemos.


R. Que pela Vossa Santa Cruz, remistes o mundo.

Evangelho segundo São Lucas 23, 50-54


Um membro do Conselho, chamado José, homem reto e
justo, não tinha concordado com a decisão nem com o
procedimento dos outros. Era natural de Arimatéia, cidade da
Judéia, e esperava o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos, pediu-
lhe o corpo de Jesus e, descendo-O da cruz, envolveu-O num
lençol e depositou-O num sepulcro talhado na rocha, onde
ainda ninguém tinha sido sepultado. Era o dia da Preparação e
já amanhecia o sábado.

MEDITAÇÃO

Envolto num lençol funerário, o «sudário», o corpo crucificado e


martirizado de Jesus desliza lentamente das mãos piedosas e
amorosas de José de Arimatéia no sepulcro escavado na rocha. Nas
horas de silêncio que se seguirão, Cristo estará verdadeiramente
como todos os homens que entram no ventre escuro da morte, da
rigidez cadavérica, do fim. No entanto, já existe naquele crepúsculo
de Sexta-feira Santa, um tremor. O evangelista Lucas observa que
«já brilhavam as luzes do sábado», das janelas das casas de
Jerusalém.

A vigília dos judeus nas suas casas se torna quase um símbolo


de expectativa daquelas mulheres e daquele discípulo secreto de
Jesus, José de Arimatéia, e dos outros discípulos. Uma espera que
agora domina com uma tonalidade nova todos os corações crentes
quando se encontram diante de um sepulcro ou também quando
sentem ramificar-se dentro de si a mão fria da doença ou da morte. É
a espera de uma alvorada diferente, a que logo depois, passado o
sábado, aparecerá diante dos nossos olhos de discípulos de Cristo.

***

Naquela aurora, no caminho das sepulturas, virá ao nosso


encontro o anjo e nos dirá: «Por que buscais entre os mortos
Aquele que vive? Não está aqui; ressuscitou!»(42). E na estrada
de regresso às nossas casas, será o Ressuscitado que se aproxima de
nós, caminhando conosco, passando os nossos umbrais para ser
hospedado nas nossas mesas e partir o pão conosco (43).

Rezaremos portanto também nós com as palavras de fé de um


trecho da mais admirável Paixão segundo São Mateus, musicada e
cantada por um dos maiores músicos da humanidade: (44) «Mesmo
que o meu coração esteja imerso em lágrimas porque Jesus se
despede de mim, o seu testamento me dá alegria: ele deixa
nas minhas mãos a sua carne e o seu sangue... Que
preciosidade! Quero oferecer-te o meu coração. Desde nele,
meu Salvador! Quero imergir-me em Ti! Se o mundo é
pequeno demais ti, então tu deves ser unicamente para mim
mais do que o mundo e mais do que o céu!».

Todos:

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso


nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa
vontade, assim na terra como é no céu. O pão nosso de
cada dia, nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim
como nós perdoamos os nossos devedores, e não nos
deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, Amém.

Em Latim:
Pater noster, qui es in cælis; sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in cælo et
in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et
dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus
debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.

Quando corpus morietur,


fac ut animæ donetur
paradisi gloria. Amen.

(429 Lucas 24, 5-6.


(43) Cf. Lucas 24, 13-32.
(44) Johann Sebastian Bach, Passione secondo Matteo, BWV
244, nn. 18-19.

O Santo Padre dirige aos presentes a sua palavra.

Ao final do discurso, o Santo Padre dá a Bênção Apostólica:

BÊNÇÃO

V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.
V. Sit nomen Domini benedictum.
R. Ex hoc nunc et usque in sæculum.
V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit cælum et terram.
V. Benedicat vos omnipotens Deus,
Pater et Filius et Spiritus Sanctus.
R. Amen.
A devoção da Via Sacra consiste na oração mental de
acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos
como a paixão de Nosso Senhor, a partir do Tribunal de Pilatos
até o Monte Calvário.

A VIRGEM MARIA, MÃE DE DEUS E NOSSA MÃE logo


após a morte de JESUS sempre contemplara os sofrimentos e
as dores do caminho da CRUZ.

Segundo a Beata Ana Catharina Emmerich:

MARIA SANTÍSSIMA EM ÉFESO... Por trás da casa, até


certa distância, na encosta da montanha, Maria Santíssima
fizera para si uma Via Sacra. Enquanto morava em Jerusalém
nunca deixara, desde a morte do Senhor, de percorrer-lhe o
caminho da Paixão, chorando de saudade e compaixão. De
todos os lugares do caminho onde Jesus sofrera, ela tinha medido a
distância a passos: o amor imenso de Mãe extremosa não lhe podia
viver sem a contínua contemplação desse caminho doloroso.

Pouco tempo depois de chegar àquela região, eu a via


diariamente caminhar até certa distância, subindo a colina
atrás da casa, nessa meditação da Paixão e morte do Filho
amado. A principio ia sozinha, medindo pelo número de passos que
tantas vezes contara as distâncias dos lugares onde Jesus sofrera
certos tormentos. Em todos esses lugares erigia uma pedra ou, se
havia ali uma árvore, marcava-a. O caminho conduzia a um bosque
onde, numa elevação, marcou o Monte calvário e numa gruta de
outra colina, o sepulcro de Jesus Cristo.

Depois de ter medido desse modo as doze estações da


Via Sacra, percorria-a, em silenciosa meditação, acompanhada
da criada; em cada estação da Paixão se sentavam,
recordando no coração o mistério do respectivo sofrimento e
louvando ao Senhor por seu Infinito amor, com lagrimas de
compaixão. Depois arranjaram as estações ainda melhor e vi que a
Santíssima Virgem escrevia com um buril, na pedra assinalada, a
significação do lugar, o número dos passos, etc. Vi também, depois
da morte da Santíssima Virgem, os cristãos percorrerem esse
caminho, prostrando-se por terra e beijando o chão”.

Esta maneira de meditar teve teve maior impulso e divulgação


no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na
Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de
Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de
Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à
Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.
Há muitas meditações da Via Sacra. Aqui oferecemos uma das
versões do "Guia da Devoção à Misericórdia Divina", adaptada, e
a nova Via-Sacra, apresentada pelo Papa João Paulo II, segundo os
Evangelhos. (Promessas da Via-Sacra).

"São poucas as almas que contemplam a Minha Paixão


com um verdadeiro afeto. Concedo as graças mais abundantes
às almas que meditam piedosamente sobre a Minha Paixão."

"Às três horas da tarde implora à Minha Misericórdia,


especialmente pelos pecadores, e, ao menos por um breve tempo,
reflete sobre a Minha Paixão. Esta é a hora de grande Misericórdia
para o mundo inteiro. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir
em nome da Minha Paixão."

"Procura rezar nessa hora a Via-Sacra, na medida em que te


permitirem os teus deveres." (Jesus a Santa Irmã Faustina)

PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus é condenado à morte

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Senhor Jesus, por que Vos condenaram à morte? Que foi que
fizestes que merecia a morte? Curaste doentes, alimentastes
famintos, ressuscitastes os mortos, perdoastes aos pecadores,
respeitastes as autoridades, trabalhastes para o bem da humanidade,
fostes humilde, manso, bondoso, misericordioso. Por que esta
sentença tão cruel e humilhante?

O nosso orgulho, inveja, egoísmo, covardia, comodismo,


calúnias, apego exagerado pelas coisas deste mundo Vos
condenaram. Eis aqui o segredo da injusta sentença. Tenho que
perguntar-me: o que eu fiz com Cristo? Não O condenei, por acaso, a
morrer?

Cristo, ajudai-me a viver o Vosso Evangelho até a morte.

A morrer crucificado
teu Jesus é condenado
por teus crimes, pecador (bis).
SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus toma a cruz aos ombros

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cristo, eis a Vossa cruz. Será que esta cruz é Vossa? Na verdade
ela é nossa. Assumistes a nossa cruz. A grandeza e o peso desta cruz
cresceram dos nossos pecados, que destruíram a ordem do amor.
Todos os pecados do mundo nos Vossos ombros. O mundo grita,
xinga, critica, está rindo em sua loucura Cristo sofre e caminha em
silêncio para me salvar.

Cristo, Vossa Via-sacra foi para mim. Ajudai-me cada dia, pela
manhã, partir para a minha via-sacra e ficai ao meu lado, porque sou
fraco.

Com a cruz é carregado,


e do peso acabrunhado,
vai morrer por teu amor (bis).

TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus cai por terra

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

As forças estão se esgotando. Calor, solidão. A terra parece


mover-se. Cristo tropeça, perde o equilíbrio e cai. Sente a terra, a
poeira na boca. O peso da cruz o sufoca.

Nós partimos cheios de confiança e um dia caímos. Percebemos


no nosso caminho uma flor, uma ilusão e tivemos tanta vontade de
levá-la. Então paramos, traímos o caminho difícil e ficamos longe do
caminho de Cristo.

Até quando vou ficar frio e passivo? Cristo, estou tão longe de
Vós. Cristo, ajudai-me a partir de novo. Protegei-me contra minhas
quedas que cansam e deixam vazio o meu coração. Quero seguir-
Vos. Ajudai-me a levantar-me do meu pecado.

Pela cruz tão oprimido


cai Jesus desfalecido
pela tua salvação (bis).

QUARTA ESTAÇÃO

Jesus encontra-se com Sua Mãe

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Quanta dor da Mãe neste encontro. Ela vai com Seu Filho. Ela vai
na multidão despercebida, preocupada com seus filhos. Não fala, vai
junto com Jesus, preocupada com todos nós.

Cristo, mostrai-nos Vossa Mãe humilde e dolorosa para nos


comovermos e nos convertermos. Ajudai-nos a caminhar juntos com
nossos irmãos, participar dos problemas deles, sofrer com eles como
sofreu Maria -- Vossa e nossa Mãe.

De Maria lacrimosa
no encontro lastimosa,
vê a viva compaixão (bis).

QUINTA ESTAÇÃO

Cirineu ajuda a carregar a cruz

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cirineu atravessava o caminho por onde Cristo carregava a cruz.


Pararam-no, o primeiro, desconhecido Cristo aceita a ajuda. Aceita
uma ajuda forçada de um homem teimoso. Deus Onipotente e Todo-
poderoso permite que o homem O ajude. Deus precisa de um homem
fraco. Tanta humildade!
Nós também precisamos dos outros. Nosso caminho é também
duro e perigoso demais para podermos vencê-lo sozinhos. E tantas
vezes, orgulhosos, afastamos as mãos que nos querem ajudar. Mais
ainda, pensamos que Cristo é desnecessário em nossa vida.
Queremos agir sozinhos. Ao lado de mim vai: amigo, esposa, marido,
pai, mão, vizinho, companheiro do trabalho, irmão desconhecido não
posso ignorá-los. Todos juntos precisamos salvar o mundo.

Cristo, que eu perceba e aceite com humildade os meus irmãos


Cirineus que caminham comigo e também aqueles que foram
forçados a caminhar comigo.

No caminho do Calvário
um auxílio necessário
recebe do Cirineu (bis).

SEXTA ESTAÇÃO

Verônica enxuga o rosto de Jesus

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Verônica olhava para Seu rosto. Rosto sujo, cansado. Cabelos


grudados com poeira, sangue e suor. Estremeceu em si, não podia
esperar mais. Na presença dos soldados e inimigos enxugou o rosto
de Cristo. O rosto doloroso de Cristo imprimiu-se no pano e no
coração. Precisamos olhar o Cristo, para nos tornarmos um pouco
semelhantes a Ele. Passamos tantas vezes ao lado de Cristo e nem
sequer olhamos para o rosto dEle. Por isso somos apenas tirstes
máscaras Suas e não temos semelhança com Ele.

Desculpe, Jesus, os meus impuros olhares. Os outros não podem


ver em mim Vossa luz e Vossa imagem.

Desculpe, Jesus, o meu corpo desejoso de prazeres. Ninguém


consegue descobrir em mim um pouco de Vós.

Desculpe, Jesus, o meu coração cheio de ódio e egoísmo.


Ninguém consegue descobrir nele o Vosso amor.

Ajudai-me, Senhor a ser a Vossa viva imagem.


O Seu rosto ensangüentado
por Verônica enxugado
contemplemos com amor (bis).

SÉTIMA ESTAÇÃO

Jesus cai pela segunda vez

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cristo está no fim das Suas forças. O peso da cruz, o calor, o


caminho em subida, as forças se esgotam, o cansaço cresce. Cristo
cai de novo por terra. São os pecados horríveis que o oprimem. Tão
depressa acostumo-me a praticar o mal. Falta de fidelidade, falta de
prudência. Não enxergo mais nada -- só o mal. Procuro o mal. Estou
caído, desanimado. Não vejo os outros no caminho, meus olhos
fechados, meus ouvidos surdos. Mas tenho medo de ficar assim. Sei
que essa não é a posição digna, humana.

Cristo, dai a mão a um mísero caído, levantai-me, sacudi a


poeira pecaminosa dos meus olhos, lavai-me da minha sujeira. Dai-
me novas forças para que eu possa levantar-me e caminhar ao
Calvário da vitória, a glória final.

Outra vez desfalecido


pelas dores abatido
cai por terra o Salvador (bis).

OITAVA ESTAÇÃO

Jesus consola as mulheres piedosas

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

As mulheres choram, lamentam, vendo Cristo. Não podem


ajudar, limitam-se a chorar. Têm pena de Cristo.Cristo, embora
cansado, percebeu-as, ouviu-as. É mais conveniente chorar os nossos
pecados, porque a causa da via dolorosa de Cristo são nossos
pecados. Dignos de lamentação somos nós, pecadores.
Perceber os pecados dos outros é sempre mais fácil do que
chorar os nossos.

Cada um passa diante do meu tribunal; o mundo todo -- prefiro


julgar os outros do que a mim e descubro facilmente culpados:
bêbados, preguiçosos, fofoqueiros, falsos, mentirosos, injustos,
egoístas -- só eu o perfeito.

Cristo, ajudai-me a descobrir uma verdade muito velha e sempre


nova: que sou pecador e isso preciso lamentar.

Das matronas piedosas


de Sião filhas chorosas
é Jesus consolador (bis).

NONA ESTAÇÃO

Jesus cai pela terceira vez

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cristo cai de novo. Os soldados batem. Cristo não se mexe.


Senhor, morrestes?!

Ainda não, as forças quase acabaram. Restou ainda um


pedacinho do caminho: dois, três passos Neste estado isso é quase
impossível. Senhor, caístes a terceira vez, mas já no alto do Calvário
onde vão levantar a cruz.

Eu também caí de novo. Sempre estou caindo. Às vezes duvido


se poderei levantar-me. Mas vendo-Vos a meu lado, recupero as
minhas forças e certamente vencerei com Vossa graça.

Cai terceira vez prostrado


pelo peso redobrado
dos pecados e da cruz (bis).

DÉCIMA ESTAÇÃO

Jesus é despido das Suas vestes


V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos
R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cristo não tinha mais nada a não ser uma veste. Mas isto foi
ainda demais. Agora não existe mais nada entre o corpo de Cristo e a
cruz. Os homens uniram a cruz e o corpo para sempre.

Cristo, Vossa veste era comprida, digna da pessoa humana. Nós


precisamos abandonar também as vezes, vestes provocantes,
indecentes, para que possamos defender nossa dignidade humana.

Senhor, fazei que morra tudo em mim que ofende a Vossa santa
vontade. Gosto tanto de muitas coisas pequenas que são minhas,
mas se isso for necessário para viver verdadeiramente, tira tudo de
mim. É melhor morrer, para depois viver. Assim como o grão que
precisa morrer para dar frutos.

Dos vestidos despojado


por verdugos maltratado
eu Vos vejo, meu Jesus (bis).

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus é pregado na cruz

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cristo estendido na cruz, cobre-a perfeitamente para ser unido


perfeitamente a ela. Os pregos atravessam o corpo. Cristo permite
que o homem apanhe brutalmente as mãos e os pés dEle e pregue na
cruz. Agora nenhum movimento é possível.

Nós também precisamos aceitar a nossa cruz na hora presente.


Não podemos escolher. Temos que aceitar a nossa cruz. Ela é pronta,
feita para meu tamanho, feita dos meus sofrimentos. Temos que
apegar-nos a ela.

Isto não é fácil. Mas não posso encontrar o Cristo de outra


maneira. Cristo espera por mim na cruz para, junto com Ele, redimir
o mundo, nossos irmãos.
Foi Jesus na cruz pregado
insultado, blasfemado
com cegueira e com furor (bis).

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus morre na cruz

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

As três horas de agonia são tão compridas, parecem sem fim.


Mas compridas do que três anos, do que trinta anos de vida. Tudo
preparado. Cristo morre. A vida pára, o coração não bate mais. O
Coração grande como o mundo -- o mundo de pecados que carrega
em si. O mundo talvez ainda não saiba, mas, inconscientemente,
estende os braços gritando: "salvai-nos, salvai-nos, Senhor, não
podemos mais viver assim, tirai-nos do pecado". Quando eu morrer,
Cristo, deixai-me entregar o meu coração a Vós, morrer para Vós,
para viver em Vós.

Meu Jesus, por nós morrestes,


por meus crimes padecestes,
como é grande a minha dor (bis).

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

O corpo de Jesus é depositado nos braços da Mãe

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

A Vossa obra, Cristo, é consumada. os pregos são


desnecessários. Agora podeis descer e descansar. Devagarzinho
descem-no da cruz. A Mãe recolhe-O nos seu braços. Tanta dor
atravessou a sua alma, mas agora, nós também estamos cansados,
vamos adormecer um dia para sempre. Mas em que estado vamos
morrer?
Nossa Mãe: vigiai sobre nós cada noite. Tomai-nos nos Vossos
braços na última hora, não largueis-nos nunca, por favor. Não
esqueçais de nós, pois sois o "Refúgio dos pecadores".

Do madeiro Vos tiraram


e à Mãe Vos entregaram
com que dor e compaixão (bis).

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é depositado no sepulcro

V. Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.

Cristo é depositado no sepulcro. Na entrada, uma grande pedra.


Os amigos não podem mais ajudar. Resta a esperança na
ressurreição.

Nossa ressurreição será no fim do caminho. Embora o caminho


seja difícil, sabemos que Cristo espera por nós na Sua glória. Senhor,
ajudai-nos a atravessar este caminho fielmente.

No sepulcro Vos deixaram,


enterrando-Vos choraram,
magoado o coração (bis).

A VIA-SACRA SEGUNDO OS EVANGELHOS.

O Santo Padre João Paulo II introduziu nova seqüência das cenas


na Via Sacra que promove no Coliseu, em Roma, optando pelas
narrações dos Evangelistas. É esta sucessão que estamos propondo
aqui, com as próprias palavras da Sagrada Escritura.

As novas Estações são:

1. Jesus ora no Horto de Getsêmani, Monte das Oliveiras


Mt 26,36-46; Mc 14,32; Lc 22,39; Jo 18,1
2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado
Mt 26,47-56; Mc 14,43; Lc 22,47; Jo 18,2
3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio
Mt 26,57-66; Mc 14,53; Lc 22,54; Jo 18,19
4. As negações do Apóstolo Pedro
Mt 26,69-75; Mc 14,66; Lc 22,55; Jo 18,15
5. Jesus entregue a Pilatos
Jo 18,28; Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,2
6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus.
Ludíbrio.
Jo 19,1; Mt 27,24; Mc 15,15; Lc 23,24
7. Jesus carrega a Cruz
Lc 22,26; Mt 27,31; Mc 15,20; Jo 19,16
8. Jesus e Simão Cirineu
Lc 22,26; Mt 27,32; Mc 15,21
9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém
Lc 22,27; Mt 27,33
10. A crucificação de Jesus
Jo 19,18; Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,33
11. Jesus e o bom ladrão
Lc 23,35; Mt 27,39; Mc 15,29; Lc 23,35
12. Maria Santíssima e o Apóstolo João ao pé da Cruz de
Jesus
Jo 19,25-27
13. A morte de Jesus
Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44; Jo 19,28
14. Jesus deposto no sepulcro
Mc 15,42; Mt 27,57; Lc 23,50; Jo 19,38

Via-Sacra Reparadora

Primeira Estação: Jesus é condenado à morte

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Fostes condenado à morte e pelos merecimentos de Vossa
Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.
Segunda Estação: Jesus aceita a pesada cruz

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando tomastes a pesada Cruz e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Terceira Estação: Jesus cai por terra

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando caístes por terra e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Quarta Estação: Jesus encontra Maria Santíssima

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando encontrastes a Mãe Santíssima e pelos merecimentos de
Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a
conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das
Almas do Purgatório.

Quinta Estação: Jesus é ajudado por Cirineu

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando o Cireneu Vos auxiliou e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Sexta Estação: Verônica enxuga a Face de Jesus

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Verônica enxugou Vosso rosto e pelos merecimentos de
Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a
conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das
Almas do Purgatório.

Sétima Estação: Jesus cai pela segunda vez

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando novamente caístes e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.
Oitava Estação: Jesus pede que as mulheres não chorem

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Vos consolaram as mulheres de Jerusalém e pelos
merecimentos de Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras,
peço-Vos a conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o
alívio das Almas do Purgatório.

Nona Estação: Jesus cai pela terceira vez

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando caístes pela terceira vez e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Décima Estação: Jesus é despido de suas vestes

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Vos despiram publicamente e pelos merecimentos de Vossa
Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Décima Primeira Estação: Jesus é cravado na cruz

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Vos cravaram na Cruz e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Décima Segunda Estação: Jesus morre na cruz

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando expirastes no Calvário e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

Décima Terceira Estação: Jesus é descido da cruz

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Vos desceram da Cruz e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.
Décima Quarta Estação: Jesus é sepultado

Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão


quando Vos sepultaram e pelos merecimentos de Vossa Mãe
Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos
pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do
Purgatório.

www.obradoespiritosanto.com

VIA SACRA EUCARÍSTICA


de São Pedro Julião Eymard

Oração inicial:
Meu Deus e Senhor, prostrado aos Vossos pés, contrito e
arrependido, peço-Vos humildemente acompanhar o Vosso Divino
Filho no caminho doloroso de Sua Paixão, chorando os meus pecados,
causa de tantos sofrimentos.
Concedei-me, pela Sua Sagrada Paixão e Morte, e
pelo Sacramento Augusto de Seu Corpo e Sangue, a graça de
lucrar de todas as indulgências anexas a esta devoção, aplicando-as
às benditas almas do Purgatório.

Primeira estação: Jesus é condenado à morte.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

A morrer crucificado, teu Jesus é condenado; por teus crimes,


pecador.

Jesus é condenado à morte por aqueles que Ele cumulou de


benefícios. Com amor aceitou esta sentença. Para sofrer e morrer Ele
veio ao mundo, ensinando-nos a fazer o mesmo. Jesus ainda é
condenado à morte na Eucaristia.
Pela Comunhão indigna, o sacrílego vende Jesus ao demônio,
crucificando-O em seu corpo de pecado.
Oh! Jesus, mil vezes perdão por todos os sacrilégios! Que eu
nunca chegue a cometê-los e passe minha vida a repará-los.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Segunda estação: Jesus levando a cruz às costas.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Com a Cruz é carregado, e do peso acabrunhado, vai morrer


por teu amor.

Jesus é carregado com uma pesada Cruz. No Santíssimo


Sacramento, os maus cristãos impõem a Jesus uma Cruz bem mais
pesada, ignominiosa e dolorosa para o Seu Coração: a irreverência e
a tibieza na Sua presença.
Perdão, meu Senhor, por aqueles que Vos tratam sem respeito
na Santa Eucaristia, pelas indiferenças e esquecimentos à Vossa
presença.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Terceira estação: Jesus cai pela primeira vez.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Pela Cruz tão oprimido, cai Jesus desfalecido, pela tua salvação.
Jesus cai pela primeira vez. Quantas vezes cai em terra sem
que se saiba. Mas, o que faz cair de dor é o primeiro pecado mortal
que mancha a alma. Como é dolorosa a queda de Jesus na alma que
O recebe indignamente na Primeira Comunhão! Tratar,assim, a Jesus
na primeira vez que vem à alma, cheio de amor: tão jovem e tão
culpado!
Oh! Jesus. Obrigado pelo Amor que me testemunhastes na
minha primeira Comunhão. Jamais o esquecerei.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Quarta estação: Encontro de Jesus com Sua Mãe


Santíssima.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

De Maria lacrimosa, no encontro lastimosa, vê a viva


compaixão.

Maria acompanha a Jesus no caminho doloroso do Calvário.


Quem ama quer compartilhar. Quantas vezes Jesus na Eucaristia
encontra no caminho de Suas dores, em meio dos inimigos, os filhos
do Seu Amor, carrascos e ministros de Suas Graças, que se unem aos
carrascos para humilhá-Lo. Quantos renegados e apóstatas
abandonam o serviço e o amor de Deus, diante de um sacrifício!
Oh! Jesus, eu Vos quero seguir humilhado e maltratado com
Maria, minha Mãe.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Quinta estação: Jesus ajudado por Simão Cirineu a


levar a Cruz.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Em extremo desmaiado, deve auxílio aqui cansado, receber de


Simeão.

Jesus é ajudado por Simão de Cirineu a levar a Cruz. No


Santíssimo Sacramento, Jesus chama os homens para si, e poucos
correspondem aos Seus convites. Convida-os ao banquete Eucarístico
e tem mil pretextos para recusar. Jesus fica só, abandonado, com as
mãos cheias de graça, que os homens não querem: tem medo do Seu
Amor!.
Oh! Senhor, compreendo que vale mais deixar tudo do que
falhar a uma Comunhão, a maior de Vossas Graças. Perdoai o meu
passado, e guardai minhas resoluções para o futuro.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Sexta estação: A piedosa Verônica enxuga o rosto de


Jesus.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

O seu rosto ensangüentado, por Verônica enxugado,


contemplemos com amor.

Verônica enxuga o rosto de Jesus, ensangüentado e cheio de


escarros. Ele a recompensa imprimindo sobre o linho Sua face
adorável. Jesus é muito ultrajado e profanado no Adorável
Sacramento: e, onde estão as Verônicas compassivas para reparar
estas abominações? Fica-se espantado de se ver tantos sacrilégios
cometidos contra o Augusto Sacramento; dir-se-ia que Jesus Cristo é
entre nós em estranho, indiferente e desprezível.
Senhor, adoro sob o Véu Eucarístico, Vossa Sagrada Face cheia
de glória e majestade; dignai-Vos imprimir Vossos traços em meu
coração.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Sétima estação: Jesus cai pela segunda vez.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Outra vez desfalecido, pelas dores abatido, cai em terra o


Salvador.

Jesus cai pela segunda vez: sobrevêm no Vosso


sofrimento,redobram os maus tratos dos carrascos. Quantas vezes
tíbios que O recebem sem preparação e sem piedade, e O deixam
partir sem Amor, nem agradecimento. Assim a Eucaristia se torna
estéril, embora seja fonte de todas as graças.
Oh! Divino Salvador, eu Vos peço perdão pelas comunhões
tíbias e feitas sem devoção!

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Oitava estação: Jesus consolando as filhas de


Jerusalém.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Das matronas piedosas, filhas de Sião, chorosas, é Jesus


consolador.

Jesus, esquecendo Seus sofrimentos, enxuga as lágrimas das


piedosas mulheres. É missão do salvador consolar os aflitos e
perseguidos. Na Eucaristia é nosso consolador. Espera que as almas
O acompanhem no abandono e na ingratidão em que é deixado: e
quão poucos se lembram de Jesus! Ele está ali dia e noite! Que
ingratidão!Se Seus olhos pudessem chorar, quantas lágrimas
deveriam derramar por nós!
Oh! Jesus, aceitai meu amor reparador, e sede minha única
consolação e conforto nas horas do sofrimento.
Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria
Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Nona estação: Jesus cai pela terceira vez debaixo da


Cruz.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Cai terceira vez prostrado, pelo peso redobrado, dos pecados e


da Cruz.

Jesus, esmagado pelo peso da Cruz e pelos maus tratos dos


carrascos, cai pela terceira vez. Quanto sofre nesta nova queda!
Jesus virá pela última vez a mim, no Viático; será esta graça o
complemento de todas as outras na a vida. Que pensa de uma alma
que recebe esta preciosa graça em estado de pecado? Ah! é o inferno
começado na terra.
Senhor, nós Vos pedimos por todos os moribundos, concedi-
lhes a graça de morrerem em Vossos braços.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Décima Estação: Jesus no ato de O despirem e de


Lhe darem o fel a beber.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Dos vestidos despojado, por verdugos maltratados, eu Vos vejo


meu Jesus.

Jesus é despido de Suas Vestes. Quanto sofreu na sua


modéstia. Quantas vezes é Jesus despojado ainda no estado
sacramental! Não contentes de O verem despojado de Sua glória
divina e da beleza de sua humanidade, os inimigos O despojam da
honra do culto: roubam os Sacrários, destroem as igrejas, profanam,
os vasos sagrados e os Tabernáculos, e O jogam por terra. Ele, Rei e
Salvador dos homens, é entregue à mercê dos sacrílegos como no dia
da crucifixão.
Fazei, ó Jesus, que eu Vos imite, assim despojado na Eucaristia,
e sede meu único bem.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Décima Primeira Estação: Jesus pregado na Cruz.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Sois por mim à Cruz pregado, insultado, blasfemado com


cegueira e com furor.

Jesus é pregado na Cruz, em um madeiro infamante. Na


comunhão indigna, o pecador crucifica-O em seu corpo de morte
como um cadáver em decomposição. Lá uma vez, aqui todos os dias
e por milhares de cristãos.
Oh! meu Jesus, eu Vos peço perdão das imortificações dos
meus sentidos. Vós as expiastes bem cruelmente. Prometo humilhar
em mim o homem velho, e me unir à Vossa vida crucificada.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Décima Segunda Estação: Jesus morre na Cruz.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Por meus crimes padecestes, Meu Jesus, por mim morrestes,


Oh! Quão grande é minha dor.
Jesus morre na Cruz para nos resgatar, perdoando aos
carrascos, abandonando Sua alma nas mãos do Pai. Na Eucaristia,
Jesus perpetua o amor que nos testemunhou na morte. Cada manhã
ele se imola na Santa Missa, e perde Sua existência sacramental nos
que comungam. No coração justo para o fazer viver, no do pecador,
para o condenar; àquele oferece as graças da redenção; a este, sua
morte eterna.
Oh! meu Jesus, dai-me a graça de morrer ao pecado e a mim
mesmo, e de viver só para vós. Concedei-me a graça, coroa de minha
vida, de Vos receber em Viático.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Décima Terceira Estação: Jesus é descido da Cruz.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

Do madeiro Vos tiraram e a Mãe Vos entregaram com que dor e


compaixão.

Jesus descido da Cruz é entregue à sua Mãe, que O recebe nos


braços e O oferece a Deus Pai como vítima de Cabe a nós, agora,
oferecê-LO no altar e nos corações, por nós e pelos nossos. Ele é
nosso, para que O façamos valer. Não permitamos que este preço
infinito se torne estéril nas nossas mãos, por causa da indiferença.
Ò Pai Eterno, aceitai o Vosso Divino filho, Jesus, pelas mãos de
Maria Santíssima, como vítima pela nossa salvação.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Décima Quarta Estação: Jesus é colocado no


sepulcro.

Nós Vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e Vos


bendizemos;
Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o Mundo.

No sepulcro Vos deixaram,sepultado Vos choraram, magoado o


coração

Jesus é colocado no sepulcro, sob a guarda dos inimigos. Na


Eucaristia, Jesus está verdadeiramente sepultado: para sempre será
o nosso prisioneiro de Amor. O Corporal O envolve como um sudário;
a lâmpada arde como diante de um túmulo num silêncio de morte.
Oh! meu Jesus, venho adorar-Vos, consolar-Vos e honrar-Vos
por aqueles que não o fazem, e peço-Vos a graça do recolhimento e
da morte ao mundo.

Senhor Deus, misericórdia! Pelas Dores de Maria


Santíssima, misericórdia! E, as almas dos fiéis defuntos, pela
Misericórdia de Deus, descansem em Paz. Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória...

Oração final:
Oh! Dulcíssimo Jesus, fonte de amor e de salvação, estou
arrependido de todos os meus pecados, por causa das Vossas dores.
Prometo viver conforme Vossa Santíssima Vontade, aproveitar o
Alimento Eucarístico, o Sangue derramado, e a Morte que por mim,
sofrestes.
E vós, Virgem Dolorosíssima, interponde a Vossa poderosa
intercessão para que eu nunca mais ofenda a Jesus.
Oh! meu Salvador, salvai-me, por Vossas Dores, pelo Vosso
Sangue, pela Vossa infinita misericórdia. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Rezar: Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória. Pela intenção do


Sumo Pontífice para ganhar as indulgências.

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Via-Sacra pelas Almas do Purgatório

Oração preparatória:
Ao nos aproximarmos de Vós, Jesus, nesta Via-Sacra, nós
imploramos graça para a fazermos com amor, em espírito de
arrependimento e compunção pelos nossos pecados e com verdadeiro
desejo de aprender e pôr em prática na vida, as lições que nos dais
com o vosso sofrimento.
Concedei-nos que também soframos com amor e que, ao
colocarmos em Vós os nossos olhos, eles se sintam tão seduzidos por
Vós, que nunca mais deixemos de vos fitar.
Concedei-nos, Jesus, que vos acompanhemos, junto com vossa e
nossa Mãe, a fim de que Ela nos torne mais fácil, com as suas lições
maternas, aprender e aplicar aquilo que nos ensinas. Amém.

Primeira Estação: Jesus é condenado à morte ]

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Durante a vossa vida, terás algumas ocasiões em que, pouco


ou muito, ouvirás dizer mentiras contra ti.
Normalmente, ouves essas mentiras pela boca de terceiras
pessoas, mas também podes ouvi-las diretamente, e sentes em ti a
dor da amizade traída.
Esse sofrimento é tanto mais doloroso, quanto mais forte era a
amizade que te ligava a quem te faz sofrer.
Eu também sofri de amizade traída, amizade pelo Meu discípulo
e amizade por aquele povo que tanto aclamava, como depois
condenava.
Tens, muitas vezes, que sentir em ti próprio o resultado de
confiares nas criaturas.
É preciso que sintas aquilo de que as criaturas são capazes, para
aprenderes a te ligares só a Mim, e a te desprenderes de tudo o que
é criado.
Nunca atingirias o grau de desprendimento e união Comigo, se
não fosse desta maneira dolorosa.
Vem aprender a seguir por aqui, na noite do vosso mundo,
iluminada pela luz do Meu Amor.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai...
Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.
Segunda Estação: Jesus leva a Sua Cruz

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

A caminho do Calvário levo a Minha Cruz e espero que Me


sigas, levando a tua, pois, na vossa vida, terás diariamente que
seguir para um calvário, cuja subida se tornará, em certos dias,
muito difícil.
Aconteça o que acontecer no vosso caminho, não tires o olhos
de Mim, que Eu te ensinarei a forma mais fácil de caminhar.
Tem esperança que Eu, quando quiser, modificarei tudo o que
te faz sofrer.
Tem esperança, porque a tua caminhada é uma caminhada
para o Céu.
Tem esperança, porque, a troco das pequenas coisas que
sofres, terás o premio do Eterno Amor.
A esperança é doçura que misturo nas tuas horas, é força para
te ajudar a erguer a Cruz, é luz para te orientar até à meta.
Segue Comigo e chegarás ao fim vitorioso.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Terceira Estação: Jesus cai pela primeira vez

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Avança um passo mais e acompanha-Me nesta Minha primeira


queda, porque é preciso que tu caias do alto do vosso orgulho, que te
aconselha a subir, quando é preciso que desças.
É para que desças, que permito que aconteçam quedas ao teu
orgulho, que muitas vezes vejas o teu orgulho magoado, até ferido,
por aquelas coisas desagradáveis que te acontecem sem contares,
aqueles desafios na vossa vida profissional e social, aquelas coisas
que te humilham e te lançam por terra, diante de todos.
É uma queda dolorosa, sim, mas muito necessária para
derrubar o orgulho, que atrasa muito a vossa caminhada para Mim.
Sem o orgulho, caminhas mais depressa, com muito maior
ligeireza.
Vem deixar aqui, nesta queda no pó da estrada, o vosso
orgulho, que tão sabiamente sabes esconder.
Eu vejo-o e, por isso, procuro derrubá-lo.
Acompanha-Me e renuncia aqui a todas as manifestações do
orgulho, que ajudaram a derrubar-Me nesta queda.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Quarta Estação: Jesus encontra Sua Mãe

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Quando avanças Comigo neste caminho, verás que o vosso


caminhar se vai tornando mais difícil.
Aumentam as dores físicas ou morais, aumentam os trabalhos,
as incompreensões, as fadigas.
Aumenta a sensação de fraqueza e de miséria. Cada vez mais,
necessitas de ajuda, de amparo e de consolo.
Se seguires Comigo e não te distanciares, encontrarás como
Eu, a Mãe de todas as dores, que te fita em silêncio, no Seu desejo
de te auxiliar, como não Me pôde fazer a Mim.
A ti Ela pode ajudar. Precisa apenas que Lhe estendas os braços, que
A invoques, que Lhe peças o Seu auxílio poderoso.
Refugia-te junto d´Ela, pois Ela é a Mãe da Esperança.
Ela te dará a esperança de que precisas para não desanimares,
para com Ela amparares a vossa fé e seguires em frente, seja qual
for o sofrimento que possa surgir.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Quinta Estação: Jesus é ajudado pelo Cirineu


Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!
Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Continuo a caminhar e tu vais ao Meu lado. Preciso de ajuda,


porque a Minha fraqueza é tão grande, que já não agüento este peso
imenso que está sobre Mim. Preciso de quem Me ajude, de quem
lance a mão à Minha Cruz.
Como o Cirineu, muitos de vós levam a cruz à força,
aborrecidos, lamurientos, cheios de queixas, procurando libertar-se
dela.
Com amor, como Eu, abraçando-a, no meio da confusão do
povo, das opiniões e contradições, em silêncio, há muito poucos.
É preciso que não te envergonhes da Minha Cruz, que te dês
testemunho do vosso amor por ela, recebendo-a sem reclamar, sem
a agitar sobre as cabeças dos vosso s irmãos.
Este é um testemunho silencioso, que só Eu vejo. Segue-Me em
silêncio, no meio do barulho do mundo, um silêncio como o Meu, feito
de humildade, de amor e esperança.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Sexta Estação: Verônica limpa o Rosto de Jesus

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Coloca-te no lugar desta mulher e vem-te limpar o Meu Rosto,


cheio de sangue e de sujidades. O suor, o pó e os escarros sujam o
Meu Rosto de tal maneira que, para muitos, fica irreconhecível, para
tantos, repugnante.
É este Rosto que não conheces, quando te repugna aquilo que
deves fazer e, por essa repugnância do vosso amor próprio, recuas,
desvias os olhos e segues avante, no seguimento daquilo que, por
parecer mais bonito, mais parecido com a vossa forma de ver, te
seduz.
Esqueces que o Meu Rosto não é facilmente reconhecível por
aqueles que se amam mais a si próprios que a Mim!
Esta mulher reconheceu-Me, neste Rosto inchado, magoado,
ferido e sujo. Parecia impossível ser o rosto d'Aquele que mostrara
tanta beleza e tanto poder!
Não procures só beleza em Mim. Procura reconhecer o Meu
Rosto naquilo que é desagradável, menos belo, naquilo que o vosso
amor próprio rejeita.
Ao cederes ao Meu Rosto sujo e magoado, mostras realmente o
vosso amor, e Eu gravarei o Meu Rosto na vossa alma, farei brilhar
em ti a Esperança.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Sétima Estação: Jesus cai pela segunda vez

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Nesta Minha segunda queda, manifesto a Minha fraqueza. Não


pareço o mesmo do dia anterior, nem Aquele que tinha pregado no
Templo, que repreendera severamente os escribas e fariseus, Aquele
que percorrera o país em grandes caminhadas, sem uma queixa, que
curara tantos doentes.
Pareço um farrapo humano! Nada Me distingue dos outros
condenados, a não ser uma fraqueza maior. Encontras muitas vezes,
no vosso caminho, seres fracos, cheios de imperfeições, quantas
vezes caídos da opinião pública. Tu próprio és uma criatura fraca.
Aprende com a queda, a não quereres ser melhor que os
outros, a não quereres facilidades nem exceções. Se a vida te é
difícil, olha para Mim, o Senhor do Céu e da Terra, ali caído, como se
nada pudesse.
Aceita a humilhação com humildade, como Eu aceitei, toda e
qualquer humilhação, como Eu, e tornar-te-ás mais parecido Comigo.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Oitava Estação: Jesus consola as mulheres de


Jerusalém
Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!
Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Vê este grupo de mulheres que chorando Me segue. Vê como,


esquecendo as Minhas Dores, Me viro para elas, e as consolo, como
só Eu sei consolar, com palavras de conforto e ensino.
É assim também que quero consolar-te nas tuas mágoas,
trabalhos e problemas. Quero consolar-te enquanto te ensino.
Não esperes de Mim consolos, como os falsos consolos que o
mundo dá, consolos que são, a maior parte das vezes, apenas
maldizer, a respeito daqueles de quem vos queixais.
O Meu Consolo diz-vos que deveis sair fora da vossa tristeza e
olhar para aquilo que é realmente triste: o estado em que se
encontra o mundo e o perigo que as almas correm.
Se vos ocupardes disso, esquecereis as tristezas que vos
oprimem, porque vós as deixeis oprimir-vos, e vereis que sofreis bem
pouco, para vos tornardes participantes da Minha Paixão, para
fazerdes a vossa parte, a parte que vos toca, na obra da Salvação.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Nona Estação: Jesus cai pela terceira vez

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Acompanhas-Me ainda?... Não te prometo uma vida cheia de


devoção fácil, de consolações espirituais.
Se queres continuar a acompanhar-Me neste caminho, hoje e
em todos os dias, no caminho da tua vida, encontrarás sempre dor,
porque o Meu Amor passa sempre por esta Via Dolorosa, passa
sempre pelo segredo da Cruz.
O Meu Amor manifesta-se sempre no sinal, que é o Meu
sofrimento. Vê que este sofrimento não foi sem motivo, pelo prazer
de sofrer, para fazer algumas pessoas terem pena de Mim.
Este sofrimento foi necessário para destruir o pecado que
afastava do Pai todos os filhos, depois da queda de Adão. Libertei-vos
desse mal... mas vós sabeis aproveitar? Quem aproveita e aceita
conscientemente a Minha Salvação?.
Quem colabora Comigo nesta empresa difícil onde emprego
todo o Meu Corpo. A queda do Meu Corpo envolve todos os membros
dele, e envolve-te a ti também.
Se Me acompanhas hás de cair em dor cada vez maior, mas
também cada vez aceite com mais amor, porque o amor é o grande
sinal daqueles que são Meus e sofrem Comigo.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Décima Estação: Jesus é despojado das Suas vestes

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Chegamos ao alto do Calvário. Foi com muita dificuldade que lá


cheguei.
Compreendo muito bem o que te custa à caminhada para o
Calvário da vossa vida.
Agora paramos, mas não penses que chegaste ao fim. É
verdade que custou muito a chegar até aqui, mas aqui esperá-Me a
Mim e a ti a parte mais difícil da dor.
Nunca penses que já sofrestes tudo, porque só chegarás ao fim
quando deres a tua vida Comigo na Cruz.
Depois da caminhada dolorosa, tão cheio de humilhações, de
cansaço, de dores físicas, segue-se o despojamento de tudo aquilo
que parece ser necessário, até indispensável à dignidade humana.
Aviso-te de que quantas mais coisas, gostos, idéias tiveres,
mais serás despojado. Quanto mais transportares contigo, mais terás
que dar aqui, Comigo, no alto do Calvário.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Décima Primeira Estação: Jesus é pregado na Cruz


Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!
Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Sou agora crucificado por homens para quem Sou


completamente indiferente. São romanos habituados a este tipo de
tarefas.
Mas estes homens não Me crucificariam se não fossem as
ordens que receberam, motivadas pelo ódio que Me tinham os da
Minha nação.
Isso equivale a ser crucificado por aqueles que eram Meus
compatriotas e que deviam estimar-Me.
Tu também serás crucificado por aqueles que deveriam
estimar-te. Não te admires com atitudes de falsidade e de traição.
Tudo isso faz parte da decaída natureza humana, em que cada
um procura o que é melhor para si, sem se preocupar com o que as
suas atitudes possam fazer sofrer o seu próximo.
O egoísmo e a traição estão bem patentes nesta estação.
É o egoísmo dos homens e a traição dos Meus, daqueles que
deviam ser Meus amigos, que realiza esta cena de Sangue e dor.
Quanto mais te aproximares de Mim, mais estarás próxima do
centro deste drama e mais terás que participar nele.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Décima Segunda Estação: Jesus morre na Cruz

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Sofro horrivelmente durante três horas!... Nunca poderás saber


quanto sofri!...
Continua a aproximar-te, porque, para aqueles que se
aproximam, que consentem em tomar parte ativa nesta dor, em vivê-
la Comigo, reservo um alto grau de glória.
Pedir-te-ei sempre na proporção daquilo que estiveres disposta
a dar-Me.
Nunca faças promessas sem pensares primeiro, porque, aquilo
que Me prometes num momento de fervor que depois esqueces, Eu
levo a sério e pedir-te-ei mais cedo ou mais tarde.
Não Sou um tirano. Sou um Esposo de Sangue que realiza na Cruz
todo o amor que lhe é prometido.
Nada mais te peço além daquilo que estás disposto a dar.
O amor é um segredo para ti. Não sabes atingi-lo sem Mim.
A Cruz é o segredo que te desvendo. Na cruz retiro os véus do
Meu Amor.
Na Cruz aprenderás como se ama. Na Cruz aprenderás a amar
sem tristeza, com amor e esperança.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Décima Terceira Estação: Jesus é colocado nos braços


de Sua Mãe

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Este caminho doloroso ainda não acabou com a Minha morte,


porque agora te apresento a dor de Minha Mãe, quando Me segurou
em Seus braços puríssimos. Depois de morto volto a ser embalado
por Ela, mas agora em dor imensa para o Seu Coração. Tu continuas
perto de Mim. Estás também agora perto desta Mãe que chora o Seu
Filho tão amado, que Lhe mataram, e que nada pode fazer para O
trazer à vida.
Penetra bem nesta dor e acompanha-a quando sentires dor por
aqueles familiares que vão partindo, por aqueles que, por qualquer
motivo da sua vida se afastam, por tudo aquilo ou por todos aqueles
que estimas e te tiram, seja de que forma for.
É preciso que te diga que também terás que passar por esta
dor, que é sempre possível dar mais, mesmo quando pensares que já
deste tudo.
Este é o outro segredo da Cruz: É preciso nunca dizer “basta” à
Cruz, para não dizeres “basta” ao Amor.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Décima Quarta Estação: Jesus é colocado no sepulcro


Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!
Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

Se o Amor te prende a Mim, ficarás Comigo também agora,


quando os amigos Me deixam sozinho neste sepulcro. Eles não
podiam ficar. Tu, à distância de tantos séculos, podes acompanhar-
Me e, aqui nesta escuridão, neste isolamento, aonde não chegam
vozes amigas.
Meditarás em tudo o que aconteceu, e verás como é necessário
que passes, Comigo, por esta fase da Paixão, tão triste, mas que é
uma porta, a última porta para chegares ao Amor que pretendes.
Terás que ficar no escuro, para chegares a amar-Me
verdadeiramente, a amar-Me por Mim e não por ti, pelos teus gostos,
pela satisfação que Comigo possas sentir. Só no escuro, na noite do
Meu sepulcro, aprenderás a amar na Santa Esperança.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Décima Quinta Estação: Ressurreição.

Nós Vos adoramos e bendizemos, oh! Jesus!


Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!

A Ressurreição foi surpresa e alegria para os Meus amigos.


Já não é surpresa hoje, mas deve também ser alegria para ti.
Os Meus discípulos alegraram-se por Eu estar vivo, mas logo
compreenderam que já não fazia a mesma vida que tinha feito
naqueles três anos. O Meu Corpo Glorificado encheu-os de respeito.
Realmente, apesar de estar convosco, a Minha Vida não é agora
como a tua e Eu não Sou mais um de vós, que trateis de qualquer
forma, com menos atenções do que aquela que tendes com amigos
que não queirais magoar.
Estou convosco, vivo, verdadeiramente vivo, porque
ressuscitado, mas não deveis nunca esquecer o respeito que Me
deveis.
A Minha Ressurreição mostra-vos o Meu Poder e o Meu Amor.
O vosso amor, se for bem orientado, manifestar-se-á sempre
respeitoso e merecerá de Mim um carinho como aquele que se tem
por um filho pequeno.
Aceitai ser crianças! Sede almas de esperança! Tenho o Meu
Céu para vós!

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.


Tende piedade de nós, Senhor!
Tende piedade de nós!

Que as almas dos fiéis defuntos, pela Misericórdia de


Deus, descansem em paz. Amém.

Oração final:

Senhor Jesus, crucificado por Amor e gloriosamente


ressuscitado, ajoelhamo-nos aos vossos pés e Vos pedimos a
vossa bênção poderosa, para que pratiquemos na nossa vida as
lições que no desenrolar desta Via-Sacra nos destes com tanto
amor.
Que o mesmo Amor nos inflame, cada vez mais, daqui para
frente. Para tal, prometemos ser fiéis aos nossos deveres para
convosco e para com o nosso próximo, aceitar com
generosidade aquilo que for de Vossa Vontade mandar-nos,
mesmo que, de alguma forma, não nos seja agradável.
Permite, Senhor, que não esqueçamos, no meio do nosso
trabalho diário, aquilo que hoje aqui prometemos.

Para alcançar as indulgências da Via Sacra:


Rezar pelo Santo Padre: Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao
Pai.
Rezar o salmo: 50, 21, 129.

Senhor Jesus, Rei de dores, chegamo-nos para perto de Vós e


suplicamos que nos admitas na vossa companhia, juntamente com
aqueles que vos acompanharam, ao longo deste caminho doloroso.
Somos pobres criaturas, só temos o nosso pecado para vos
apresentar.
É na confusão das nossas misérias e faltas, que queremos fazer
Contigo esta Via-Sacra.
Dignai-vos abençoar-nos e fazer chegar aos nossos corações o toque
da vossa graça, que nos faça ver aquilo que em nós vos desagrada, e
nos dê a força do vosso Amor para que nos convertermos e vivermos
daqui para frente, e cada vez mais, no cumprimento da vossa
Vontade. Amém.

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Via Crucis - Santo Afonso Maria Ligório

O caminho da Cruz
Ajoelha-te ante o altar, fazei um Ato de Contrição, e faz a
intenção de ganhar as indulgências para vosso bem, ou para as almas
no purgatório.
Depois dizei:
Senhor meu Jesus Cristo, Vós percorrestes com tão grande
amor este caminho para morrer por mim, e eu vos tenho ofendido
tantas vezes apartando me de Vós pelo pecado;
Mas agora vos amo com todo meu coração, e porque vos amo, me
arrependo sinceramente de todas as ofensas que vos tenho feito.
Perdoai-me, Senhor, e permite me que vos acompanhe nesta
viagem.
Vais morrer por meu amor, pois eu também quero viver e
morrer pelo vosso, amado Redentor meu.
Sim, Jesus meu, quero viver sempre e morrer unido a Vós.

Primeira estação: Jesus é condenado à morte.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como Jesus, depois de haver sido açoitado e coroado


de espinhos, foi injustamente sentenciado por Pilatos a morrer
crucificado.
Aqui se faz uma pequena pausa para considerar brevemente o
mistério, e o mesmo nas demais estações.
Adorado Jesus meu: meus pecados foram maiores dos que de
Pilatos, dos que vos sentenciaram a morte.
Pelos méritos deste doloroso passo, vos suplico me assistais no
caminho que vai recorrendo minha alma para a eternidade.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.. e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Segunda estação: Jesus levando a cruz às costas.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como Jesus, andando neste caminho com a cruz a


costas, ia pensando em Vós e oferecendo a seu Pai por vossa
salvação a morte que ia padecer.
Amabilíssimo Jesus meu: abraço todas as tribulações que me
tens destinadas até a morte, e vos rogo, pelos méritos da pena que
sofrestes levando vossa Cruz, me deis força para levar a minha com
perfeita paciência e resignação .
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Terceira estação: Jesus cai pela primeira vez.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.
Considera esta primeira queda de Jesus debaixo da Cruz.
Suas carnes estavam despedaçadas pelos açoites; sua cabeça
coroada de espinhos, e havia já derramado muito sangue, pelo qual
estava tão frágil, que apenas podia caminhar;
Levava ao mesmo tempo aquele enorme peso sobre seus ombros e
os soldados lhe empurravam; de modo que muitas vezes desfaleceu e
caiu neste caminho.
Amado Jesus meu: mais que o peso da Cruz, são meus
pecados os que Vos fazem sofrer tantas penas.
Pelos méritos desta primeira queda, livrai-me de cair em
pecado mortal.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Quarta estação: Encontro de Jesus com Sua Mãe


Santíssima.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera o encontro do Filho com sua Mãe neste caminho.


Se olharam mutuamente Jesus e Maria, e seus olhares foram outras
tantas flechas que traspassaram seus amantes corações.
Amantíssimo Jesus meu: pela pena que experimentastes
neste encontro, concedei-me a graça de ser verdadeiro devoto de
vossa Santíssima Mãe.
E Vós, minha aflita Rainha, que fostes abrumada de dor,
alcançai-me com vossa intercessão uma continua e amorosa memória
da Paixão de vosso Filho.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Quinta estação: Jesus ajudado por Simão Cirineu a


levar a Cruz.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como os judeus, ao ver que Jesus ia desfalecendo


cada vez mais, temeram que Ele morresse no caminho e, como
desejavam vê-lo morrer da morte infame de Cruz, obrigaram a Simão
o Cirineo a que lhe ajudasse a levar aquele pesado madeiro.
Dulcíssimo Jesus meu: não quero recusar a Cruz, como o fez
o Cirineo, antes bem a aceito e a abraço; aceito em particular a
morte que tenhais destinada para mim, com todas as penas que a
tem de acompanhar, a uno a vossa, e Vos a ofereço.
Vós haveis querido morrer por meu amor, eu quero morrer pelo
vosso; ajudai-me com vossa graça.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.
Sexta estação: A piedosa Verônica enxuga o rosto de
Jesus.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como a devota mulher Verônica, ao ver a Jesus tão


fatigado e com o rosto banhado em suor e sangue, lhe ofereceu um
lenço.
E limpando-se com ele nosso Senhor, deixou impresso neste
sua santa imagem.
Amado Jesus meu: em outro tempo vosso rosto era
lindíssimo; mas nesta dolorosa viagem, as feridas e o sangue tem
mudado sua beleza.
Ah! Senhor meu, também minha alma ficou linda a vossos
olhos quando recebi a graça do batismo, mas eu a tenho desfigurado
depois com meus pecados.
Vós apenas, Oh! Redentor meu!, podeis restituir-lhe minha beleza
passada: fazendo-o pelos méritos de vossa Paixão.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Sétima estação: Jesus cai pela segunda vez.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera a segunda queda de Jesus debaixo da Cruz, na qual


se lhe renova a dor das feridas de sua cabeça e de todo seu corpo ao
aflito Senhor.
Oh! pacientíssimo Jesus meu: Vos tantas vezes me haveis
perdoado, e eu tenho voltado a cair e a ofender-vos.
Ajudai-me, pelos méritos desta nova queda, a perseverar em
vossa graça até a morte.
Fazei que em todas as tentações que me assaltem, sempre e
prontamente me encomende a Vós.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Oitava estação: Jesus consolando as filhas de


Jerusalém.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como algumas piedosas mulheres, vendo a Jesus em


tão lastimoso estado, que ia derramando sangue pelo caminho,
choravam de compaixão; mas Jesus lhes disse: não choreis por mim,
mas sim por vós mesmas e por vossas filhos.
Aflito Jesus meu: choro as ofensas que Vos tenho feito, pelos
castigos que tenho merecido, mas muito mais pelo desgosto que
tenho dado a Vós, que tão ardentemente me haveis amado.
Não é tanto o Inferno, o que me faz chorar meus pecados, mas
ter ofendido o vosso amor imenso.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.
Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte
oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Nona estação: Jesus cai pela terceira vez debaixo da


Cruz.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera a terceira queda de Jesus Cristo.


Extremada era sua fraqueza e excessiva a crueldade dos
soldados, que queriam fazer-lhe apressar o passo, quando apenas lhe
restava forças para mover-se lentamente.
Atormentado Jesus meu: pelos méritos da debilidade que
quisestes padecer em vosso caminho ao Calvário, dai-me a fortaleza
necessária para vencer os respeitos humanos e todos os meus
desordenados e perversos apetites, que me tem feito desprezar vossa
amizade.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez;
Fazei que vos ame sempre e dispõe de mim como Vos agrade.
Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Décima Estação: Jesus no ato de O despirem e de Lhe


darem o fel a beber.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como ao ser despojado Jesus de suas vestes pelos


soldados, estando a túnica interior pregada as carnes descoladas
pelos açoites, lhe arrancaram também com ela a pele de seu sagrado
corpo.
Compadece-se a vosso Senhor e diga-lhe:
Inocente Jesus meu: Pelos méritos da dor que sofrestes,
ajudai-me a desnudar-me de todos os afetos às coisas terrenas, para,
que possa eu pôr todo meu amor em Vós, que tão digno sois de ser
amado.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez; Fazei que vos ame sempre e
dispõe de mim como Vos agrade. Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Décima Primeira Estação: Jesus pregado na Cruz.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como Jesus, estendido sobre a Cruz, abre seus pés e


mãos e oferece ao Eterno Pai o sacrifício de sua vida por nossa
salvação; lhe cravam aqueles bárbaros soldados e depois levantam a
Cruz ao alto, deixando-lhe morrer de dor, sobre aquele patíbulo
infame.
Oh! desprezado Jesus meu: Cravai meu coração a vossos
pés para que permaneça sempre ali vos amando e não vos deixe
mais.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez; Fazei que vos ame sempre e
dispõe de mim como Vos agrade. Amém.
Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte
oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Décima Segunda Estação: Jesus morre na Cruz.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como Jesus, depois de três horas de agonia,


consumido de dores e exausto de forças seu corpo, inclina a cabeça e
expia na Cruz.

Oh! morto Jesus meu: Beijo enternecido essa Cruz em que


por mim haveis morrido.
Eu, por meus pecados, teria merecido um má morte, mas a vossa é
minha esperança.
Eis, pois Senhor, pelos méritos de vossa Santíssima morte,
concedei-me a graça de morrer abraçado a vossos pés e consumido
por vosso amor.
Em vossas mãos encomendo minha alma.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez; Fazei que vos ame sempre e
dispõe de mim como Vos agrade. Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Décima Terceira Estação: Jesus é descido da Cruz.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como, havendo expirado o Senhor, lhe baixaram da


Cruz dois de seus discípulos.
José e Nicodemos, e lhe depositaram nos braços de sua
dolorosíssima Mãe, Maria, que lhe recebeu com ternura e lhe apertou
contra seu peito traspassado de dor.
Oh! Mãe dolorosíssima: Pelo amor deste Filho, admiti-me por
vosso servo e rogai-lhe por mim.
E Vós, Redentor meu, já que haveis querido morrer por mim,
recebei-me no número dos que vos amam mais, pois eu não quero
amar nada fora de Vós.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez; Fazei que vos ame sempre e
dispõe de mim como Vos agrade. Amém.

Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte


oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

Décima Quarta: Jesus é colocado no sepulcro.

V. Te adoramos, Cristo, e te bendizemos.


R. Porque com vossa Santa Cruz redimistes ao mundo.

Considera como os discípulos levaram a enterrar Jesus,


acompanhando-lhe também sua Santíssima Mãe, que lhe depositou
no sepulcro com suas próprias mãos.
Depois cerraram a porta do sepulcro e se retiraram.
Oh! Jesus meu sepultado: Beijo essa pedra que vos encerra.
Vos ressuscitastes depois de três dias; por vossa ressurreição
vos peço e vos suplico me façais ressuscitar glorioso no dia do juízo
final para estar eternamente convosco na glória, amando-vos e
bendizendo-vos.
Amo-vos, Oh! Jesus meu mais que a mim mesmo, e me
arrependo de todo coração de haver-vos ofendido; não permitais que
volte a separar-me de Vós outra vez; Fazei que vos ame sempre e
dispõe de mim como Vos agrade. Amém.
Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória... e a seguinte
oração.

Amado Jesus meu,


Por mim vais a morte,
Quero seguir vossa sorte,
Morrendo por vosso amor;
Perdão e graça imploro,
Neste caminho de dor.

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Via Matris - o Caminho da Mãe Dolorosa

Ato de contrição:
Pesa-me Deus meu e me arrependo de todo coração de Vos ter
ofendido.
Pesa-me pelo inferno que mereci e pelo céu que perdi, mas
muito mais me pesa porque pecando ofendi a um Deus tão bem e tão
grande como Vós.
Antes queria ter morrido que ter Vos ofendido; E proponho
firmemente não pecar mais e evitar todas as ocasiões próximas de
pecado. Amém.

V: Mãe dolorosa.
R: Rogai por nós.

Primeira Estação: Nesta primeira estação se


contempla a profecia do Santo ancião Simão.

Considera, alma minha, a grande dor da Virgem Santíssima ao


ouvir as tristes palavras que o ancião Simão profetizou referentes à
Paixão e morte do menino Jesus.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor com que foste tão atormentada em tua alma te suplico
me dê lágrimas de verdadeira contrição , para que seja meritória a
compaixão que sinto por tuas dores.

Em cada estação se reza:


V: Deus te salve Maria cheia de graças o Senhor é
convosco, bendita sois vós...
R: Santa Maria Mãe de Deus e nossa Mãe, rogai por nós
pecadores...
V: Mãe dolorosa.
R: Rogai por nós.

Segunda Estação: Nesta segunda estação se


contempla a ida ao Egito.

Considera, alma minha , a aguda dor da Virgem Maria ao


receber de São José a mensagem do anjo que deviam sair de noite
ao Egito para salvar ao menino Deus da matança decretada por
Herodes.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor que sentiste ao ir com teu Filho ao Egito , te suplico
me dês a graça para sair sempre das ocasiões de pecar.

Terceira Estação: Nesta terceira estação se contempla


a perda de Jesus no Templo.

Considera, alma minha, a intensa dor da Virgem Maria quando


viu que havia perdido a seu amado Filho, pelo qual buscou durante
três dias com inconsolável aflição.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor que tiveste ao perder a teu Filho, te suplico me
alcances a graça para que o busque até achá-lo no templo de minha
alma.

Quarta Estação: Nesta quarta estação se contempla o


dolorosíssimo encontro da Virgem Santíssima com seu Filho
Divino.

Considera, alma minha, a agudíssima dor da Virgem Maria ao


encontrar-se com seu Divino Filho, quando levava a pesada cruz até
o monte Calvário para ser crucificado nela por nossa salvação.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor com que viste a teu Filho carregando a cruz, te suplico
me dês a graça para segui-lo, levando com paciência a cruz de meus
trabalhos.

Quinta estação: Nesta quinta estação se contempla a


crucificação e morte de Jesus.

Considera, alma minha, a penetrante dor da Virgem Maria


quando viu a seu Filho cravado sobre o duro madeiro da Cruz, e
morrer derramando sangue por todo seu sacratíssimo corpo.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor com que viste crucificar a teu Divino Filho te suplico
me dês a graça para que mortificando minhas paixões, viva sempre
crucificado com Cristo.

Sexta Estação: Nesta sexta estação se contempla o


descimento de Jesus da Cruz.

Considera, alma minha , a agudíssima dor que transpassou o


coração da Virgem Maria ao receber em seus braços o corpo morto de
Jesus, coberto de sangue e todo despedaçado.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor que recebeste ao ter em teus braços, chagado e
destroçado, o corpo de teu Filho no sepulcro, te suplico me alcances a
graça de recebê-lo dignamente na Sagrada Comunhão.

Sétima estação: Nesta sétima estação se contempla a


sepultura de Jesus.

Considera, alma minha , os soluços que exalaria o coração aflito


da Virgem Maria, ao ver a seu amado Jesus colocado no sepulcro.
Oh!, Mãe aflita.
Pela dor com que deixaste o corpo de teu Filho no sepulcro, te
suplico me dês a graça para detestar o pecado e viver morto aos
gostos do mundo.

Oração final:

Te rogamos, Senhor nosso Jesus Cristo, que seja nossa


intercessora, cercada de tua clemência, agora e na hora de nossa
morte, a bem-aventurada Virgem Maria, tua Mãe, cuja sacratíssima
alma foi transpassada pela dor na hora de tua Paixão. Te pedimos por
Vos, Cristo Jesus, Salvador do mundo, que com o Pai e o Espírito
vives e reinas pelos séculos dos séculos. Amém. Se rezam três Ave-
Marias.

V: Mãe dolorosa.
R: Rogai por nós.