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Aula 16

Direito Penal p/ AGU - Procurador Federal (Com videoaulas)


Professor: Renan Araujo
DIREITO PENAL – AGU – PROCURADOR FEDERAL
Teoria e questões
Aula 16 – Prof. Renan Araujo

AULA 16: INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES


TELEFÔNICAS. QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO,
BANCÁRIO E FISCAL. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
PROCESSO.

SUMÁRIO
1 LEI DE INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS ............................... 3
1.1 Finalidade e natureza ..................................................................................... 3
1.2 Requisitos ...................................................................................................... 6
1.3 Legitimados a requerer a medida ................................................................... 7
1.4 Prazo e prorrogação ....................................................................................... 8
1.5 Condução dos procedimentos ......................................................................... 9
1.6 Inutilização do material irrelevante ............................................................... 9
1.7 Degravação e perícia ...................................................................................... 9
1.8 Tipo penal específico .................................................................................... 10
2 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO E FISCAL ............................................................ 10
2.1 Quebra de sigilo bancário............................................................................. 10
2.2 Quebra de sigilo fiscal .................................................................................. 14
3 SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO ......................................................... 15
3.1 Conceito e cabimento ................................................................................... 15
3.2 Revogação do benefício ............................................................................... 18
4 DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES ............................................................... 19
5 SÚMULAS PERTINENTES ..................................................................................... 21
5.1 Súmulas do STF ............................................................................................ 21
5.2 Súmulas do STJ ............................................................................................ 21
6 JURISPRUDÊNCIA CORRELATA ........................................................................... 21
7 RESUMO .............................................................................................................. 24
8 LISTA DE EXERCÍCIOS ........................................................................................ 27
9 EXERCÍCIOS COMENTADOS ................................................................................. 36
10 GABARITO ....................................................................................................... 55

Olá, meus amigos!

Hoje vamos estudar a Lei de Interceptação das Comunicações


Telefônicas (Lei 9.296/96).
Trata-se de uma lei pequena, com poucos artigos, mas que possui algumas
polêmicas sobre as quais o STF e o STJ já se manifestaram e que podem cair na
prova! Veremos, ainda, dois temas correlatos: a quebra de sigilo telefônico

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(dentro da parte relativa à Interceptação telefônica), e a quebra de sigilo
bancário e fiscal.
Por fim, vamos estudar a suspensão condicional do processo, prevista
na Lei 9.099/95.

Bons estudos!
Prof. Renan Araujo

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1! LEI DE INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES


TELEFÔNICAS

1.1! Finalidade e natureza


A primeira coisa que temos que ter em mente quando iniciamos o estudo
desta lei é que ela tem por finalidade regulamentar um dispositivo da
Constituição Federal que é um dos pilares de um Estado verdadeiramente
Democrático de Direito: O direito à privacidade.
Vejamos o que diz o artigo 5º, XII da CRFB/88:
Art. 5º (...)
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados
e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou
instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996)

Por sua vez, o art. 1º da Lei 9.296/96 estabelece que:


Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova
em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta
Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de
justiça.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de
comunicações em sistemas de informática e telemática.

No entanto, o que seria “interceptação de comunicações telefônicas”?


Esse termo significa a captação de conversas realizadas por meio telefônico,
entre TERCEIROS, e ocorre quando NENHUM DOS INTERLOCUTORES TEM
CIÊNCIA DA GRAVAÇÃO DA CONVERSA.1

Não podemos confundir “interceptação de


comunicações telefônicas” com escuta telefônica e gravação telefônica.
A primeira é medida de exceção, mas autorizada em alguns casos. As duas
últimas seguem regramentos distintos.
Quanto à ESCUTA TELEFÔNICA, é a modalidade na qual um dos interlocutores
tem ciência da gravação, que é feita por TERCEIRA PESSOA. À semelhança da
interceptação telefônica, só é admitida mediante autorização judicial.

1
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais comentadas. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed.
Forense, 2014, p. 478/479

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Já a GRAVAÇÃO TELEFÔNICA é a modalidade na qual um dos interlocutores
realiza a gravação da conversa, ou seja, não há a participação de terceiros.2 É
considerada prova LÍCITA (STJ: RHC 19136/MG 2007, Rel. Min. Félix Fischer).

Não se deve confundir, ainda, interceptação das


comunicações telefônicas com quebra de sigilo de dados telefônicos. A
interceptação das comunicações telefônicas tem por finalidade obter acesso ao
conteúdo das comunicações telefônicas, ao teor das conversas.
A quebra de sigilo de dados telefônicos tem por finalidade, apenas, obter
informações a respeito das referidas chamadas (duração da chamada,
terminal de partida e destino, horário da ligação, etc.).
⇒! Mas os requisitos para a quebra de sigilo de dados telefônicos são
os mesmos da interceptação telefônica? Não, pois é possível que seja
determinada a quebra de tal sigilo sempre que houver justa causa, ou seja,
indicativos razoáveis de que os dados poderão auxiliar na investigação ou na
instrução processual. Além disso, a Doutrina majoritária entende que Comissões
Parlamentares de Inquéritos, o próprio MP e a autoridade policial poderão
ter acesso a estes dados sem necessidade de autorização judicial, já que estes
dados, a despeito de protegidos constitucionalmente, não possuem a mesma
proteção conferida ao conteúdo das conversas telefônicas.

Muito se questiona, ainda, a respeito das chamadas INTERCEPTAÇÕES


AMBIENTAIS (Que incluem a interceptação ambiental stricto sensu, a gravação
ambiental e a escuta ambiental).
Primeiramente, temos que saber o que é uma “comunicação ambiental”.
Uma comunicação ambiental é aquela realizada pessoalmente, e não
através de qualquer aparelho de transmissão.
Assim, uma gravação ambiental, por exemplo, seria uma gravação feita por
um dos interlocutores da conversa, sem o conhecimento do outro.
Os Tribunais Superiores aplicam as mesmas regras da interceptação
telefônica às interceptações ambientais. Vejamos:

2
Também chamada de captação direta. NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais
comentadas. Op. cit., p. 480

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(...) A gravação ambiental meramente clandestina, realizada por um dos interlocutores,


não se confunde com a interceptação, objeto cláusula constitucional de reserva de
jurisdição. 2. É lícita a prova consistente em gravação de conversa telefônica realizada por um
dos interlocutores, sem conhecimento do outro, se não há causa legal específica de sigilo nem
de reserva da conversação. Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido.
(AI 560223 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em
12/04/2011, DJe-079 DIVULG 28-04-2011 PUBLIC 29-04-2011 EMENT VOL-02511-01 PP-
00097 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 35-40)

CUIDADO: O STF já decidiu (HC 81154/SP) que interceptações telefônicas


realizadas antes da vigência da Lei são PROVAS ILÍCITAS, e geram a nulidade
do processo, se foram a única prova sobre a qual se fundamentou a sentença
condenatória.

É bom lembrar que a interceptação de comunicação telefônica é


medida excepcional, por representar enorme invasão na esfera de privacidade
das pessoas, de forma que todo processo em que haja esse tipo de prova deverá
tramitar em SEGREDO DE JUSTIÇA. Os Tribunais, contudo, entendem que é
possível a divulgação das conversas em alguns casos, notadamente quando
houver “justa causa” (Que ninguém sabe precisar exatamente o que é).
O art. 1º da Lei fala, ainda, em “Juiz Competente”. Juiz competente seria
aquele que teria atribuição para, em tese, processar e julgar a ação penal futura
ou em curso.
Mas e se for autorizada por Juiz incompetente? Neste caso, teremos
uma prova ilícita e, portanto, não poderá ser utilizada no processo.
CUIDADO MASTER! O STF entende que se a incompetência do Juízo que
decretou a medida somente foi reconhecida em razão de fatos cujo
conhecimento é posterior à decisão judicial, aplica-se a TEORIA DO JUÍZO
APARENTE, ou seja, o Juízo que decretou a medida não era, de fato,
competente, mas considerando-se apenas os fatos conhecidos à época da
decisão, ele era o Juízo aparentemente competente.3

3
(...) 7. Quanto à celeuma acerca da determinação da quebra de sigilo pelo Juízo Federal de
Itaperuna/RJ, que foi posteriormente declarado incompetente em razão de ter sido identificada
atuação de organização criminosa (art. 1º da Resolução Conjunta n. 5/2006 do TRF da 2ª
Região), há de se aplicar a teoria do juízo aparente (STF, HC 81.260/ES, Tribunal Pleno, rel. Min.
Sepúlveda Pertence, DJ de 19.4.2002). 8. Ordem denegada, cassando a liminar deferida.
(HC 110496, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 09/04/2013, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-238 DIVULG 03-12-2013 PUBLIC 04-12-2013)

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1.2! Requisitos
O art. 2º da Lei estabelece algumas restrições à autorização de
interceptações telefônicas. Vejamos:
Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer
qualquer das seguintes hipóteses:
I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal;
II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de
detenção.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto
da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo
impossibilidade manifesta, devidamente justificada.

Assim, presente qualquer das situações acima narradas, não se poderá


admitir a interceptação telefônica. A contrario sensu, podemos dizer que as
condições para a autorização de interceptações telefônicas são as seguintes
(CUMULATIVAS):
•! Haver indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal
•! A prova não puder ser feita por outros meios
•! O fato investigado deve ser punido com pena de reclusão
•! A situação objeto da investigação deve ser descrita com clareza, com a
qualificação dos suspeitos, SALVO SE ISSO FOR IMPOSSÍVEL

Também não se admite a chamada “autorização genérica”, ou “carta


branca”. Assim, não é possível, por exemplo, que o Judiciário autorize a
interceptação telefônica de todos os moradores de uma favela, pois há suspeitas
de que alguém esteja praticando tráfico de entorpecentes. Ora, essa autorização
é genérica demais, não especifica exatamente qual é o fato, quem são os
suspeitos, etc.

Embora as interceptações telefônicas só possam ser autorizadas nestes casos


expressamente previstos, o STF admite que a prova obtida através de uma
interceptação lícita (que obedeceu aos requisitos legais) possa ser
utilizada como “prova emprestada” em outros processos criminais ou até
mesmo procedimentos administrativos disciplinares instaurados em face
dos mesmos investigados OU DE OUTROS, desde que haja conexão entre os
fatos. Vejamos a seguinte decisão do STF:

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(...) 1. Não é ilícita a prova obtida mediante interceptação telefônica autorizada por
Juízo competente. O posterior reconhecimento da incompetência do Juízo que deferiu
a diligência não implica, necessariamente, a invalidação da prova legalmente
produzida. A não ser que “o motivo da incompetência declarada [fosse]
contemporâneo da decisão judicial de que se cuida” (HC 81.260, da relatoria do
ministro Sepúlveda Pertence). 2. Não há por que impedir que o resultado das
diligências encetadas por autoridade judiciária até então competente seja utilizado
para auxiliar nas apurações que se destinam a cumprir um poder-dever que decola
diretamente da Constituição Federal (incisos XXXIX, LIII e LIV do art. 5º, inciso I do
art. 129 e art. 144 da CF). Isso, é claro, com as ressalvas da jurisprudência do STF
quanto aos limites da chamada prova emprestada 3. Os elementos informativos
de uma investigação criminal, ou as provas colhidas no bojo de instrução
processual penal, desde que obtidos mediante interceptação telefônica
devidamente autorizada por Juízo competente, admitem compartilhamento
para fins de instruir procedimento criminal ou mesmo procedimento
administrativo disciplinar contra os investigados. Possibilidade
jurisprudencial que foi ampliada, na Segunda Questão de Ordem no Inquérito
2.424 (da relatoria do ministro Cezar Peluso), para também autorizar o uso
dessas mesmas informações contra outros agentes. 4. Habeas corpus denegado.
(HC 102293, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Segunda Turma, julgado em
24/05/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-239 DIVULG 16-12-2011 PUBLIC 19-12-
2011)

1.3! Legitimados a requerer a medida


Mas, quem pode requerer a autorização para realização de
interceptação telefônica? A lei nos diz, em seu art. 3º:
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo
juiz, de ofício ou a requerimento:
I - da autoridade policial, na investigação criminal;
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução
processual penal.

Assim, temos três hipóteses:


⇒! De ofício, pelo Juiz (Sem pedido de ninguém)
⇒! A requerimento da autoridade policial, durante a investigação
criminal
⇒! A requerimento do MP, durante a investigação ou durante a
instrução processual penal

Mas, e no caso de crimes de ação penal privada? A Doutrina entende


que a vítima tem legitimidade para requerer autorização para realização
de interceptação telefônica.
O art. 4º determina, ainda, que o pedido deverá cumprir determinadas
formalidades (simples):
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração
de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos
meios a serem empregados.

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§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado
verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a
interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo.
§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o pedido.

1.4! Prazo e prorrogação


O art. 5º, por sua vez, estabelece que a decisão (que deferir ou indeferir o
pedido) deverá ser fundamentada (em respeito ao art. 93, IX da Constituição
Federal):
Art. 5° A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a
forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias,
renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de
prova.

A parte final do artigo trouxe muitas polêmicas. Poderia ou não a


interceptação ser renovada mais de uma vez? A redação legal é clara ao
dizer apenas uma vez. No entanto, o STF firmou entendimento no sentido
contrário, adotando a tese de que é possível a renovação por sucessivas
vezes, desde que isso se mostre indispensável às investigações. Vejamos:

(...) 2. A renovação da medida ou a prorrogação do prazo das interceptações


telefônicas pressupõem a complexidade dos fatos sob investigação e o número de
pessoas envolvidas, por isso que nesses casos maior é a necessidade da quebra do
sigilo telefônico, com vista à apuração da verdade que interessa ao processo penal,
sendo, a fortiori, “lícita a prorrogação do prazo legal de autorização para
interceptação telefônica, ainda que de modo sucessivo, quando o fato seja complexo
e exija investigação diferenciada e contínua” (Inq. Nº 2424/RJ, relator Ministro Cezar
Peluso, Dje de 25.03.2010). 3(...)
(HC 106225, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. LUIZ FUX, Primeira
Turma, julgado em 07/02/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-059 DIVULG 21-03-2012 PUBLIC
22-03-2012)

Vejam que o STF, portanto, contraria o que está expressamente


previsto na Lei.
CUIDADO! O termo inicial para contagem do prazo de 15 dias é a data em
que se efetiva a diligência, e não a data da decisão judicial: STJ, HC
135771:
“(...) 2. Em relação às interceptações telefônicas, o prazo de 15 (quinze) dias,
previsto na Lei nº 9.296⁄96, é contado a partir da efetivação da medida constritiva,
ou seja, do dia em que se iniciou a escuta telefônica e não da data da decisão judicial.
(...)”

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1.5! Condução dos procedimentos


Quem conduz o procedimento para a realização da interceptação é a
autoridade policial, dando ciência de tudo ao MP, nos termos do art. 6º:
Art. 6° Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de
interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua
realização.
Art. 7° Para os procedimentos de interceptação de que trata esta Lei, a autoridade
policial poderá requisitar serviços e técnicos especializados às concessionárias de
serviço público.

Após a realização dos trabalhos, a autoridade policial encaminhará o


resultado ao Juiz, acompanhado de resumo das operações realizadas. Neste
momento o Juiz determinará que os documentos relativos à interceptação sejam
autuados em apartado, apensados aos autos principais, tramitando em segredo
de justiça. Após, dará ciência ao MP:
§ 2° Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da
interceptação ao juiz, acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o
resumo das operações realizadas.
§ 3° Recebidos esses elementos, o juiz determinará a providência do art. 8° , ciente
o Ministério Público.
(...)
Art. 8° A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em
autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal,
preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas.

1.6! Inutilização do material irrelevante


É claro que durante este procedimento muitas das gravações obtidas serão
completamente inúteis às investigações, motivo pelo qual deverão ser
descartadas, mediante requerimento da parte interessada ou do MP, naquilo que
se chama de “incidente de inutilização”:
Art. 9° A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial,
durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento
do Ministério Público ou da parte interessada.
Parágrafo único. O incidente de inutilização será assistido pelo Ministério Público,
sendo facultada a presença do acusado ou de seu representante legal.

1.7! Degravação e perícia


Até mesmo em razão da existência de muito material irrelevante para as
investigações, os Tribunais Superiores firmaram entendimento no sentido de que
não é necessária a transcrição (degravação) de todo o conteúdo

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interceptado, mas apenas daquelas partes que sejam importantes à
investigação.4
Embora não seja necessária a transcrição integral do áudio captado, é
necessário que seja disponibilizado à defesa o conteúdo integral do áudio
(através de CDs, etc.).5
Mas, professor, me surgiu uma dúvida: é necessária a realização de
perícia para analisar se o material (conversas) é verdadeiro ou
montagem? Em regra, não, mas nada impede que alguém, desconfiando da
veracidade da prova, requeira a realização de perícia. Este é o entendimento do
STJ.6

1.8! Tipo penal específico


A Lei, lá no final, ainda nos traz um tipo penal, que é o de realizar
interceptação telefônica, de informática ou telemática, ou quebrar segredo de
Justiça, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL OU COM OBJETIVOS NÃO
AUTORIZADOS EM LEI:
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de
informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou
com objetivos não autorizados em lei.
Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

Vejam que a parte grifada é o que se chama de elemento normativo do tipo


penal, pois estabelece uma situação que, se presente, torna a conduta prevista
anteriormente em legal. Assim, se há autorização judicial, a quebra de segredo
de Justiça, por exemplo, será um indiferente penal.
Esse crime é de AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA, vez que a lei
nada fala a respeito do tipo de ação penal.

2! QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO E FISCAL


2.1! Quebra de sigilo bancário
O sigilo das informações bancárias está previsto no art. 1º da LC 105/01.
Vejamos:
Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e
passivas e serviços prestados.

4
(HC 245.108/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 22/04/2014,
DJe 02/05/2014)
5
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais comentadas. Op. cit., p. 491
6
(HC 245.108/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 22/04/2014,
DJe 02/05/2014)

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Mais à frente, a LC 105/01 estabelece, em seu art. 10, aquilo que
efetivamente nos interessa em se tratando de Direito Penal, que é a previsão
de crime para a conduta de quebra de sigilo bancário (fora das hipóteses
legais).
Vejamos a redação do tipo penal:
Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar,
constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e
multa, aplicando-se, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções
cabíveis.

Podemos perceber, sem grande esforço interpretativo, que o legislador não


usou da boa técnica ao redigir o tipo penal deste delito, eis que poderia, ao
menos, ter estabelecido o preceito primário (conduta) e o preceito secundário
(pena) separadamente, como o faz em regra.
Vejam, ainda, que o tipo penal traz um “elemento normativo do tipo”,
que é a expressão “fora das hipóteses autorizadas nesta lei
complementar”. O que isso significa? Significa que em se tratando de quebra
de sigilo DENTRO DAS HIPÓTESES AUTORIZADAS NA LC 105/01, não
estaremos diante de uma conduta criminosa.
E quais são as hipóteses de quebra de sigilo bancário previstas na LC
105/01? Existem várias, notadamente no que se refere à obrigatoriedade de
fornecimento de informações a determinados órgãos, como o BCB, o COAF, etc.,
mas a mais relevante delas, para o nosso estudo, é a hipótese de quebra de
sigilo por determinação judicial, prevista no §4º do art. 1º da LC 105/01:
Art. 1º (...)
§ 4o A quebra de sigilo poderá ser decretada, quando necessária para apuração de
ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial,
e especialmente nos seguintes crimes:
I – de terrorismo;
II – de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins;
III – de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado a sua
produção;
IV – de extorsão mediante seqüestro;
V – contra o sistema financeiro nacional;
VI – contra a Administração Pública;
VII – contra a ordem tributária e a previdência social;
VIII – lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores;
IX – praticado por organização criminosa.

Quer dizer que apenas quando se tratar destes crimes é possível a


quebra do sigilo? NÃO! A lei fala “especialmente” nesses casos, mas deixa claro
que é possível a determinação judicial de quebra de sigilo bancário na apuração
da prática de qualquer ilícito penal.

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O MP, por sua vez, não pode decretar a quebra de sigilo bancário
(Vide STJ HC 160.646/SP), mas pode representar à autoridade judiciária pela
quebra do sigilo bancário, a fim de instruir determinado processo criminal ou
inquérito policial, sendo esta, inclusive, uma de suas funções institucionais, nos
termos da LC 75/93 e da Lei 8.625/93.
O STJ, entretanto, entende que não é necessário que haja, sequer, Inquérito
Policial instaurado para que o MP possa requerer a determinação de quebra de
sigilo bancário. É possível o requerimento e a decretação de quebra de sigilo
bancário para instruir procedimento investigatório criminal instaurado no âmbito
do MP, e conduzido por ele próprio, que seria uma espécie de inquérito policial.
Vejamos:

(...) 2. Dentre as providências que podem ser tomadas pelo Parquet para a
reunião de provas no curso das investigações por ele promovidas está a de
representar pela quebra do sigilo de dados, consoante o disposto no inciso
XVIII do artigo 6º da Lei Complementar 75/1993.
3. Embora o § 4º do artigo 1º da Lei Complementar 105/2001 estabeleça que a quebra
de sigilo poderá ser decretada em qualquer fase do inquérito ou de processo judicial,
o certo é que tal disposição legal não impede que a medida seja autorizada em
procedimento investigatório conduzido pelo órgão ministerial, como previsto na Lei
Complementar 75/1993.
4. O requerimento de quebra do sigilo bancário por parte do Ministério Público
prescinde da prévia instauração de inquérito policial, permitindo-se que a
medida seja requerida ao Poder Judiciário no curso de investigação por ele
dirigida. Precedentes.
5. Ordem denegada.
(HC 168.184/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
02/02/2012, DJe 15/02/2012)

As comissões parlamentares de inquérito PODEM obter os


documentos diretamente junto às Instituições financeiras, sem
necessidade de autorização judicial, nos termos do art. 4º, §1º da LC
105/01:
Art. 4o O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de
suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal
as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem
necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais.
§ 1o As comissões parlamentares de inquérito, no exercício de sua competência
constitucional e legal de ampla investigação, obterão as informações e documentos
sigilosos de que necessitarem, diretamente das instituições financeiras, ou por
intermédio do Banco Central do Brasil ou da Comissão de Valores Mobiliários.

O dever de sigilo, por sua vez, é extensível, também, ao BANCO CENTRAL


DO BRASIL, no que se refere às operações que realizar. Contudo, as instituições

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financeiras não podem deixar de fornecer informações ao Banco Central alegando
“possível quebra de sigilo”. Vejamos:
Art. 2o O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do Brasil, em relação às
operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições.
§ 1o O sigilo, inclusive quanto a contas de depósitos, aplicações e investimentos
mantidos em instituições financeiras, não pode ser oposto ao Banco Central do Brasil:
I – no desempenho de suas funções de fiscalização, compreendendo a apuração,
a qualquer tempo, de ilícitos praticados por controladores, administradores, membros
de conselhos estatutários, gerentes, mandatários e prepostos de instituições
financeiras;
II – ao proceder a inquérito em instituição financeira submetida a regime especial.

O mesmo se aplica à CVM – Comissão de Valores Mobiliários, quando estiver


em sua função de fiscalização:
Art. 2º (...)
§ 3o O disposto neste artigo aplica-se à Comissão de Valores Mobiliários, quando se
tratar de fiscalização de operações e serviços no mercado de valores mobiliários,
inclusive nas instituições financeiras que sejam companhias abertas.

O fornecimento de informações pelo BACEN e pela CVM ao COAF (órgão cuja


finalidade principal é combater a lavagem de capitais) também se insere nas
hipóteses autorizadas de “quebra” de sigilo. Vejamos:
Art. 2º (...)
§ 6o O Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários e os demais órgãos
de fiscalização, nas áreas de suas atribuições, fornecerão ao Conselho de Controle de
Atividades Financeiras – COAF, de que trata o art. 14 da Lei no 9.613, de 3 de março
de 1998, as informações cadastrais e de movimento de valores relativos às operações
previstas no inciso I do art. 11 da referida Lei.

Também é possível a determinação (pelo JUDICIÁRIO) da quebra do sigilo


bancário para instruir procedimento administrativo disciplinar contra
servidor público em razão de infração praticada no exercício de suas
funções, não havendo necessidade de que haja processo judicial em curso:
Art. 3o Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores
Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder
Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que
delas não poderão servir-se para fins estranhos à lide.
§ 1o Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações
e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito
administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração
praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições
do cargo em que se encontre investido.
§ 2o Nas hipóteses do § 1o, o requerimento de quebra de sigilo independe da
existência de processo judicial em curso.

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O § único do art. 10 ainda nos traz uma cláusula de equiparação,
estabelecendo pena idêntica àquele que omitir, retardar injustificadamente ou
prestar falsamente as informações requeridas nos termos da LC 105/01.
Vejamos:
Art. 10 (...)
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente
ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar.

Não podemos deixar de analisar, ainda, que somente a prática destas


condutas (tanto a do caput quando a do § único) na forma DOLOSA
constitui o crime em questão, uma vez que a punição a título culposo exige
expressa previsão legal.
Vejam, ainda, que por ser a pena mínima prevista igual a 01 ano caberá
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO, prevista na Lei 9.099/95:
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,
abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá
propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os
demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código
Penal).

2.2! Quebra de sigilo fiscal


O art. 198 do CTN assim dispõe sobre o sigilo fiscal:
Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por
parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do
ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e
sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp
nº 104, de 2001)

Contudo, existem hipóteses nas quais é admitida a quebra de sigilo fiscal,


que constam logo abaixo, no § 1º do art. 1987:
Art. 198 (...)
§ 1o Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os
seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001)
I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº
104, de 2001)
II – solicitações de autoridade JUDICIÁRIA no interesse da Administração Pública,
desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no
órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que

7
O art. 199 não nos interessa para fins processuais penais: “Art. 199. A Fazenda Pública da União
e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-se-ão mutuamente assistência para
a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em
caráter geral ou específico, por lei ou convênio. ”

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se refere a informação, por prática de infração JUDICIÁRIA. (Incluído pela Lcp nº
104, de 2001)

Percebam que o sigilo fiscal pode ser quebrado por determinação judicial,
para fins de instrução processual (ou investigação penal). Assim, é
absolutamente vedado ao MP proceder à quebra de sigilo fiscal sem autorização
judicial.
O STJ entende, ainda, que a decisão judicial que decreta a quebra do
sigilo fiscal deve ser devidamente fundamentada, sob pena de configurar-
se como coação ilegal, maculando a prova:

(...) O sigilo fiscal está incluído no direito à privacidade, tutelado constitucionalmente


(art. 5º, X e XII, da CF), de modo que sua violação exige suficiente fundamentação
por parte do Judiciário a respeito da existência dos motivos que justifiquem a sua
ocorrência.
8. No caso, o magistrado singular limitou-se a deferir o pleito de quebra do
sigilo fiscal do paciente e dos demais corréus sem tecer uma linha de
argumentação para tanto, estando evidenciada a coação ilegal capaz de
justificar a concessão da ordem de habeas corpus de ofício também nesse
ponto.
(...)
(HC 239.334/RJ, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em
16/06/2015, DJe 29/06/2015)

Contudo, ainda que a quebra de sigilo fiscal seja determinada sem a devida
fundamentação, a nulidade da prova só será decretada caso seja
demonstrado que houve algum prejuízo para o acusado (AgRg no REsp
1198354/ES, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
16/10/2014, DJe 28/10/2014 - STJ).

3! SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO


3.1! Conceito e cabimento
Embora sejam consideradas IMPO os crimes aos quais a Lei comine pena
máxima não superior a dois anos (além das contravenções penais), somente
podem ser beneficiadas com a SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO
aquelas infrações cuja pena mínima não seja superior a 01 ano. Vejamos
o art. 89 da Lei 9.0999/95:
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um
ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia,
poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado
não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes

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os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do
Código Penal).

Daí se conclui que NEM TODA INFRAÇÃO DE MENOR POTENCIAL


OFENSIVO poderá ensejar a suspensão condicional do processo, mas somente
aquelas cuja pena mínima não seja superior a um ano.
Mas e se há previsão de alguma causa de aumento de pena? Ela é
considerada para o cálculo da pena mínima? Sim. Neste caso a pena mínima
será a pena-base mínima acrescida do aumento mínimo.
EXEMPLO: José é denunciado por um crime X, cuja pena prevista é de 06
meses a 02 anos de detenção. Contudo, José praticou o delito em uma
determinada circunstância, que implica aumento de pena que varia de 1/3 a
2/3. Assim, a pena mínima (para fins de concessão do benefício) será a soma
da pena-base mínima (06 meses) com o acréscimo mínimo (1/3). Logo, a pena
mínima será de 08 meses, inferior a um ano. Portanto, será cabível a suspensão
condicional do processo.

Este entendimento serviu de fundamento para o enunciado de súmula nº


723 do STF:
Súmula 723 do STF
“Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma
da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for
superior a um ano.”

E se o autor do fato não aceitar a proposta de suspensão condicional


do processo? O processo seguirá normalmente.
Aceita a proposta de suspensão do processo pelo acusado e por seu
defensor, na presença do Juiz, será submetida a apreciação deste (Juiz) que,
suspendendo o processo, submeterá o acusado a período de prova, sob
determinadas condições previstas na lei e OUTRAS que reputar
pertinentes:
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este,
recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período
de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de freqüentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e
justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a
suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

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CUIDADO! A jurisprudência entende que uma vez oferecida a proposta e aceita


pelo acusado e seu defensor, o Juiz não tem margem para atuação, ele DEVE
suspender o processo. Há jurisprudência entendendo, ainda, que se o Juiz
discordar da proposta oferecida pelo MP deverá aplicar o art. 28 do CPP, ou
seja, remeter os autos ao chefe do MP para que decida a questão em definitivo.
CUIDADO II! Há divergência na Doutrina e na Jurisprudência quanto à
possibilidade de o Juiz fixar, como “outras condições”, alguma das
medidas cautelares do CPP. Há quem entenda que é possível e há quem
entenda que não é possível, pois estas possuem o específico caráter cautelar.

Mas o titular da ação penal está obrigado a oferecer a proposta de


suspensão condicional do processo? Sempre se entendeu que não se tratava
de direito subjetivo do réu. Contudo, há decisões mais recentes do STJ que levam
a crer ter se alterado o entendimento daquela Corte.
Vejamos:

(...) II - O Ministério Público ao não ofertar a suspensão


condicional do processo, deve fundamentar adequadamente a sua recusa. A recusa
concretamente motivada não acarreta, por si, ilegalidade sob o aspecto formal. (Precedentes).
Recurso ordinário desprovido.
(RHC 55.792/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/05/2015, DJe
15/05/2015)

Resumidamente, embora o STJ tenha certo “receio” em usar a expressão


“direito subjetivo”, este Tribunal entende que:
•! A decisão do MP em não ofertar a proposta de suspensão deve ser
fundamentada na ausência dos requisitos previstos na Lei para sua
concessão.
•! O Juiz pode (e deve) avaliar a conduta do MP ao não ofertar a proposta,
para verificar se ela está devidamente fundamentada.

Podemos entender, que se o réu preenche devidamente todos os requisitos


para a obtenção do benefício, este deveria (em tese) ser oferecido pelo MP. Mas
e se não for?
Três correntes existem:
•! O Juiz pode conceder de ofício
•! O Juiz pode conceder, a pedido do réu
•! O Juiz deverá remeter o caso à apreciação do PGJ, em analogia ao art.
28 do CPP

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Prevalece no STJ o entendimento de que, em sendo cumpridos os requisitos
e não havendo proposta do MP, o Juiz deve aplicar, por analogia, o art. 28 do
CPP, ou seja, remeter os autos ao PGJ, para que este decida pelo oferecimento,
ou não, da proposta.8
O STF é mais explícito em seu entendimento solidificado, no sentido
de que NÃO se trata de direito subjetivo do acusado.9

3.2! Revogação do benefício


A suspensão condicional do processo, uma vez estabelecida, poderá ser
REVOGADA:
⇒! Obrigatoriamente – Quando o acusado for processado por outro crime
ou não reparar o dano, de maneira injustificada. Nos termos do art. 89,
§3° da Lei:
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser
processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do
dano.

⇒! Facultativamente – Aqui o Juiz pode ou não revogá-la. Ocorrerá caso o


acusado for processado por contravenção ou descumprir qualquer
outra condição imposta. Nos termos do §4° do art. 89 da Lei:
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso
do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.

REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO


OBRIGATÓRIA FACULTATIVA
•! Ausência de reparação do •! Descumprimento de qualquer
dano (sem justo motivo) outra condição
•! Acusado vier a ser •! Acusado vier a ser processado
processado por novo por contravenção (ainda que
CRIME (ainda que tenha tenha sido praticada antes)
sido praticado antes da
suspensão - HC 62401/ES-
STJ)

Durante o prazo da suspensão condicional do processo NÃO CORRE


A PRESCRIÇÃO. Findo o prazo sem revogação, estará EXTINTA A
PUNIBILIDADE. Vejamos:

8
Ver, neste sentido: RHC 55792 / SP. Em sentido CONTRÁRIO (pela concessão ex officio) ver: HC 131108
/ RJ
9
RHC 115997, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 12/11/2013, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-228 DIVULG 19-11-2013 PUBLIC 20-11-2013

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§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.

A extinção da punibilidade, contudo, deve ser declarada pelo Juiz.

4! DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

LEI 9.296/96
! Arts. 1º a 10 do CPP – Regulamentam a interceptação das comunicações
telefônicas:
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova
em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta
Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de
justiça.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de
comunicações em sistemas de informática e telemática.
Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas
quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses:
I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal;
II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena
de detenção.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto
da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo
impossibilidade manifesta, devidamente justificada.
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo
juiz, de ofício ou a requerimento:
I - da autoridade policial, na investigação criminal;
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução
processual penal.
Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração
de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos
meios a serem empregados.
§ 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado
verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a
interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo.
§ 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o pedido.
Art. 5° A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a
forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias,
renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio
de prova.
Art. 6° Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de
interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua
realização.
§ 1° No caso de a diligência possibilitar a gravação da comunicação interceptada, será
determinada a sua transcrição.

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§ 2° Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da
interceptação ao juiz, acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o
resumo das operações realizadas.
§ 3° Recebidos esses elementos, o juiz determinará a providência do art. 8° , ciente
o Ministério Público.
Art. 7° Para os procedimentos de interceptação de que trata esta Lei, a autoridade
policial poderá requisitar serviços e técnicos especializados às concessionárias de
serviço público.
Art. 8° A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em
autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal,
preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas.
Parágrafo único. A apensação somente poderá ser realizada imediatamente antes do
relatório da autoridade, quando se tratar de inquérito policial (Código de Processo
Penal, art.10, § 1°) ou na conclusão do processo ao juiz para o despacho decorrente
do disposto nos arts. 407, 502 ou 538 do Código de Processo Penal.
Art. 9° A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial,
durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento
do Ministério Público ou da parte interessada.
Parágrafo único. O incidente de inutilização será assistido pelo Ministério Público,
sendo facultada a presença do acusado ou de seu representante legal.
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de
informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou
com objetivos não autorizados em lei.
Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

LEI 9.099/95
! Art. 89 da Lei 9.099/95 – Regulamenta o instituto da suspensão condicional
do processo:
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,
abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá
propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os
demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (!∀#∃%&&%∋(%)∗∋+,(%
−./!0).
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este,
recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período
de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de freqüentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e
justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão,
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser
processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do
dano.
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso
do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.

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§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá
em seus ulteriores termos.

5! SÚMULAS PERTINENTES
5.1! Súmulas do STF
! Súmula 696 do STF – O STF sumulou entendimento no sentido de que, caso
haja recusa de oferecimento da proposta de suspensão condicional do processo,
o Juiz deverá, caso discorde do MP, encaminhar os autos ao Chefe do MP, por
analogia ao art. 28 do CPP (aplicável ao arquivamento do Inquérito Policial):
Súmula 696 do STF
“Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo,
mas se recusando o Promotor de Justi!a a prop∀-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a
questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de
Processo Penal.”

! Súmula 723 do STF – O STF sumulou entendimento no sentido de que, em


se tratando de crime continuado, o patamar para o cabimento da suspensão
condicional do processo (pena mínima não superior a 01 ano) é aferido tendo
como base a pena mínima prevista, acrescida do percentual mínimo de aumento
decorrente da continuidade delitiva (1/6). Nesse sentido o verbete nº 723 da
súmula do STF:
Súmula 723 do STF
“Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma
da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de um sexto for
superior a um ano.”

5.2! Súmulas do STJ


! Súmula 536 do STJ – O STJ sumulou entendimento no sentido de que, apesar
de poder ser utilizado o rito sumaríssimo da Lei 9.099/95 no processo e
julgamento dos crimes que envolvam violência doméstica e familiar contra a
mulher (Lei Maria da Penha), não será possível a aplicação da suspensão
condicional do processo e da transação penal (institutos despenalizadores):
Súmula 536 do STJ
A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese
de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

6! JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

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! STJ - HC 161.053/SP: O STJ entendeu que a posterior autorização de um
dos locutores não convalida a interceptação realizada ilegalmente:
“(...) 1. A interceptação telefônica é a captação de conversa feita por um terceiro, sem
o conhecimento dos interlocutores, que depende de ordem judicial, nos termos do
inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal.
2. A escuta é a captação de conversa telefônica feita por um terceiro, com o
conhecimento de apenas um dos interlocutores, ao passo que a gravação telefônica é
feita por um dos interlocutores do diálogo, sem o consentimento ou a ciência do outro.
3. Na hipótese, embora as gravações tenham sido implementadas pelo esposo da
cliente do paciente com a intenção de provar a sua inocência, é certo que não obteve
a indispensável prévia autorização judicial, razão pela qual se tem como configurada
a interceptação de comunicação telefônica ilegal.
4. O fato da esposa do autor das interceptações - que era uma interlocutora
dos diálogos gravados de forma clandestina - ter consentido posteriormente
com a divulgação dos seus conteúdos não tem o condão de legitimar o ato,
pois no momento da gravação não tinha ciência do artifício que foi
implementado pelo seu marido, não se podendo afirmar, portanto, que, caso
soubesse, manteria tais conversas com o seu advogado pelo telefone
interceptado.
(...)
(HC 161.053/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
27/11/2012, DJe 03/12/2012)

! STJ - EDcl no MS 13.099/DF - Se a decisão que determinou a interceptação


foi legal, a prova produzida na diligência pode ser utilizada para instruir PAD,
ainda que em relação a fatos diversos ou outras pessoas. Esse foi o
entendimento firmado pelo STF (Inq. 2424) e pelo STJ:
“(...) 3. É de ser reconhecida a legalidade da utilização da interceptação telefônica
produzida na ação penal nos autos do processo administrativo disciplinar, ainda que
instaurado (a) para apuração de ilícitos administrativos diversos dos delitos objeto do
processo criminal; e (b) contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais
a prova foi colhida, ou contra outros servidores cujo suposto ilícito tenha vindo à tona
em face da interceptação telefônica.
4. Embargos de declaração rejeitados.”
(EDcl no MS 13.099/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
25/04/2012, DJe 09/05/2012)

! STF - HC 96156- O STF decidiu que se houve criação interna de terminal para
efetuar desvios de chamada (desvio duplo), esse terminal criado, ainda que não
expressamente abrangido pela decisão, é alcançado pela interceptação
telefônica:
“(...) O terminal telefônico criado internamente por operadora de telefonia, com o
simples fim de efetuar desvio de chamadas de um terminal objeto de interceptação
judicial, é alcançado pela medida constritiva incidente sobre este último. Ordem
denegada. (HC 96156, STF)

! STJ - HC 43.234/SP – O STJ decidiu que é possível realizar interceptação


telefônica mesmo antes da instauração do IP:

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“(...) I. A interceptação telefônica para fins de investigação criminal pode se efetivar
antes mesmo da instauração do inquérito policial, pois nada impede que as
investigações precedam esse procedimento. “A providência pode ser determinada para
a investigação criminal (até antes, portanto, de formalmente instaurado o inquérito)
e para a instrução criminal, depois de instaurada a ação penal.” (...)
(HC 43.234/SP, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 03/11/2005,
DJ 21/11/2005, p. 265)

! STJ - AgRg no AREsp 607.902/SP – O STJ firmou entendimento no sentido


de que a suspensão condicional do processo NÃO pode ser considerada
direito subjetivo do acusado:
(...) Consoante entendimento desta Corte, a suspensão condicional do
processo não é direito subjetivo do acusado, mas sim um poder-dever do
Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusividade,
analisar a possibilidade de aplicação do referido instituto, desde que o faça
de forma fundamentada.
Hipótese em que a negativa da suspensão condicional do processo está amparada na
ausência dos requisitos previstos no art. 77, II, do Código Penal, referidos pelo art. 89
da Lei n. 9.099/1995, sendo certo que, para a eventual desconstituição da conclusão
das instâncias ordinárias, seria necessária a incursão no conjunto probatório dos
autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ.
Agravo regimental desprovido.
(AgRg no AREsp 607.902/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, QUINTA TURMA,
julgado em 10/12/2015, DJe 17/02/2016)

! STJ - RHC 41.527-RJ – A sexta Turma do STJ entendeu que o fato de o


acusado aceitar proposta de suspensão condicional do processo NÃO acarreta
prejuízo à análise de eventual HABEAS CORPUS anteriormente impetrado
requerendo o trancamento da ação penal, pois este (o trancamento) é mais
benéfico. Além disso, na suspensão do processo o acusado fica sujeito, por um
período, ao cumprimento das condições impostas, de maneira que o
descumprimento gera o restabelecimento do curso da ação penal. Assim, a mera
aceitação da proposta de suspensão do processo não gera “perda de interesse”
no HC em que se requer o trancamento da ação penal. Vejamos:
(...) A eventual aceitação de proposta de suspensão condicional do processo
não prejudica a análise de habeas corpus no qual se pleiteia o trancamento
de ação penal. Isso porque durante todo o período de prova o acusado fica submetido
ao cumprimento das condições impostas, cuja inobservância enseja o
restabelecimento do curso do processo. Precedentes citados: AgRg no RHC 24.689-
RS, Quinta Turma, DJe 10/2/2012; e HC 210.122-SP, Sexta Turma, DJe
26/9/2011. RHC 41.527-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 3/3/2015, DJe
11/3/2015.

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7! RESUMO
Para finalizar o estudo da matéria, trazemos um resumo dos
principais aspectos estudados ao longo da aula. Nossa
sugestão é a de que esse resumo seja estudado sempre
previamente ao início da aula seguinte, como forma de
“refrescar” a memória. Além disso, segundo a organização
de estudos de vocês, a cada ciclo de estudos é fundamental
retomar esses resumos. Caso encontrem dificuldade em
compreender alguma informação, não deixem de retornar à
aula.
Finalidade - Regulamentar o artigo 5º, XII da CRFB/88, que estabelece a
inviolabilidade das comunicações telefônicas, permitindo a interceptação de tais
comunicações apenas em casos excepcionais, por decisão judicial.
Conceitos
Interceptação de comunicações telefônicas - Esse termo significa a
captação de conversas realizadas por meio telefônico, entre TERCEIROS, e ocorre
quando NENHUM DOS INTERLOCUTORES TEM CIÊNCIA DA GRAVAÇÃO DA
CONVERSA.
Escuta telefônica - É a modalidade na qual um dos interlocutores tem ciência
da gravação, que é feita por TERCEIRA PESSOA. À semelhança da interceptação
telefônica, só é admitida mediante autorização judicial.
Gravação telefônica – É a modalidade na qual um dos interlocutores realiza a
gravação da conversa, ou seja, não há a participação de terceiros. É considerada
prova LÍCITA
Interceptações ambientais - Incluem a interceptação ambiental stricto sensu,
a gravação ambiental e a escuta ambiental. Uma comunicação ambiental é aquela
realizada pessoalmente, e não através de qualquer aparelho de transmissão.
OBS. Os Tribunais Superiores aplicam as mesmas regras da
interceptação telefônica às interceptações ambientais.

Cláusula de reserva de jurisdição – Trata-se de medida excepcional, e que só


pode ser decretada pelo Juiz competente.
Mas e se for autorizada por Juiz incompetente? Neste caso, teremos uma
prova ilícita e, portanto, não poderá ser utilizada no processo.
OBS.: Teoria do Juízo aparente - O STF entende que se a incompetência do Juízo
que decretou a medida somente foi reconhecida em razão de fatos cujo
conhecimento é posterior à decisão judicial, aplica-se a TEORIA DO JUÍZO
APARENTE, ou seja, o Juízo que decretou a medida não era, de fato,
competente, mas considerando-se apenas os fatos conhecidos à época da
decisão, ele era o Juízo aparentemente competente.

Requisitos

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"! Haver indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal
"! A prova não puder ser feita por outros meios
"! O fato investigado deve ser punido com pena de reclusão
"! A situação objeto da investigação deve ser descrita com clareza, com a
qualificação dos suspeitos, SALVO SE ISSO FOR IMPOSSÍVEL

Prova emprestada
Embora as interceptações telefônicas só possam ser autorizadas nestes casos
expressamente previstos, o STF admite que a prova obtida através de uma
interceptação lícita (que obedeceu aos requisitos legais) possa ser utilizada como
“prova emprestada” em outros processos criminais ou até mesmo procedimentos
administrativos disciplinares instaurados em face dos mesmos investigados OU
DE OUTROS, desde que haja conexão entre os fatos.

Quem pode requerer a autorização para realização de interceptação


telefônica?
"! De ofício, pelo Juiz (Sem pedido de ninguém)
"! A requerimento da autoridade policial, durante a investigação criminal
"! A requerimento do MP, durante a investigação ou durante a instrução
processual penal

Mas, e no caso de crimes de ação penal privada? A Doutrina entende que a


vítima tem legitimidade para requerer autorização para realização de
interceptação telefônica.

Prazo e prorrogação
O prazo é de até 15 dias, renovável uma vez por igual período.
STF – Pode haver diversas prorrogações, desde que isso seja necessário.
Início da contagem do prazo – Data em que se efetiva a diligência.

Procedimentos
Quem conduz? A autoridade policial, dando ciência de tudo ao MP.
Conclusão - Após a realização dos trabalhos, a autoridade policial encaminhará
o resultado ao Juiz, acompanhado de resumo das operações realizadas. Neste
momento o Juiz determinará que os documentos relativos à interceptação sejam
autuados em apartado, apensados aos autos principais, tramitando em segredo
de justiça. Após, dará ciência ao MP.
Material irrelevante - Deverão ser descartados, mediante requerimento da
parte interessada ou do MP, naquilo que se chama de “incidente de
inutilização”.

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Degravação e perícia
"! Não é necessária a transcrição de todo o conteúdo interceptado, somente
das partes relevantes
"! A integralidade do áudio interceptado deve ser disponibilizada à defesa
"! Não é necessária a perícia para atestar a legitimidade do material.
Entretanto, se alguma das partes tiver dúvida, pode requerer a perícia.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO


Conceito - Suspensão do processo, por 02 a 04 anos, durante os quais o acusado
ficará “sob prova”. Só é cabível se o acusado não estiver sendo processado ou
não tiver sido condenado por outro crime. Devem estar presentes os demais
requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena.
Cabimento - Somente pode haver SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
PROCESSO em relação às infrações penais cuja pena mínima não seja
superior a 01 ano.
! Mas e se há previsão de alguma causa de aumento de pena? Ela é
considerada para o cálculo da pena mínima? Sim. Neste caso a pena mínima
será a pena-base mínima acrescida do aumento mínimo.
! E se o autor do fato não aceitar a proposta de suspensão condicional
do processo? O processo seguirá normalmente.

Aceitação da proposta
Aceita a proposta de suspensão do processo pelo acusado e por seu defensor, na
presença do Juiz, será submetida a apreciação deste (Juiz) que, suspendendo o
processo, submeterá o acusado a período de prova, sob determinadas
condições:
"! Reparação do dano, salvo se não tiver condições.
"! Proibição de frequentar determinados lugares.
"! Proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz.
"! Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar
e justificar suas atividades.
"! Outras condições especificadas pelo Juiz.

O titular da ação penal está obrigado a oferecer a proposta de


suspensão condicional do processo? O STJ possui o seguinte entendimento:
•! A decisão do MP em não ofertar a proposta de suspensão deve ser
fundamentada na ausência dos requisitos previstos na Lei para sua
concessão.

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•! O Juiz pode (e deve) avaliar a conduta do MP ao não ofertar a


proposta, para verificar se ela está devidamente fundamentada.
E se o réu preenche devidamente todos os requisitos para a obtenção
do benefício, mas o benefício não é proposto? Prevalece o entendimento
de que o Juiz deverá remeter o caso à apreciação do PGJ, em analogia ao art.
28 do CPP

Revogação do benefício

REVOGAÇÃO DA SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO


OBRIGATÓRIA FACULTATIVA
•! Ausência de reparação do •! Descumprimento de qualquer
dano (sem justo motivo) outra condição
•! Acusado vier a ser •! Acusado vier a ser processado
processado por novo por contravenção (ainda que
CRIME (ainda que tenha sido tenha sido praticada antes)
praticado antes da suspensão
- HC 62401 / ES - STJ)

OBS.: Durante o prazo da suspensão condicional do processo NÃO CORRE A


PRESCRIÇÃO. Findo o prazo sem revogação, estará EXTINTA A PUNIBILIDADE. A
extinção da punibilidade, contudo, deve ser declarada pelo Juiz.

Juizados especiais criminais federais


Procedimento - Mesmas regras dos Juizados Especiais Criminais. EXCEÇÃO:
Nos Juizados Federais Criminais, não há julgamento de CONTRAVENÇÕES
PENAIS, pois a Justiça Federal NÃO POSSUI COMPETÊNCIA para o processo
e julgamento de contravenções penais.
_______________
Bons estudos!
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8! LISTA DE EXERCÍCIOS

01.! (CESPE – 2013 – PGDF – PROCURADOR)


De acordo com a Lei n.º 9.296/1996, a intercepção das comunicações telefônicas
poderá ser determinada a requerimento da autoridade policial, na fase de

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investigação criminal, ou a requerimento do MP, somente na fase de instrução
criminal.

02.! (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)


Apesar de a lei prever o prazo máximo de quinze dias para a interceptação
telefônica, renovável por mais quinze, não há qualquer restrição ao número de
prorrogações, desde que haja decisão fundamentando a dilatação do período.

03.! (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)


Segundo o entendimento do STF, é permitido, em caráter excepcional, à polícia
militar, mediante autorização judicial e sob supervisão do MP, executar
interceptações telefônicas, sobretudo quando houver suspeita de envolvimento
de autoridades policiais civis nos delitos investigados, não sendo a execução
dessa medida exclusiva da autoridade policial, visto que são autorizados, por lei,
o emprego de serviços e a atuação de técnicos das concessionárias de serviços
públicos de telefonia nas interceptações.

04.! (CESPE – 2013 – PC-BA – DELEGADO)


Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton estaria
abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes mesmo de colher
provas acerca da informação recebida, a juiz da vara criminal competente a
interceptação das comunicações telefônicas de Mílton pelo prazo de quinze dias,
sucessivamente prorrogado durante os quarenta e cinco dias de investigação.
Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar o
inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da investigação,
resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento de Caio e Kátia, as
ligações telefônicas entre eles, tendo tomado conhecimento, devido às
interceptações, de que o advogado cometera o crime de tráfico de influência. Em
razão disso, Mílton procurou Kátia e solicitou que ela concordasse com a
divulgação do conteúdo das gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu
expressamente. Mílton, então, apresentou ao delegado o conteúdo das
gravações, que foram utilizadas para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra
Caio, pela prática do crime de tráfico de influência.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes, a respeito das
interceptações telefônicas.
A interceptação telefônica solicitada pelo delegado de polícia e autorizada
judicialmente é nula, haja vista ter sido sucessivamente prorrogada pelo
magistrado por prazo superior a trinta dias, o que contraria a previsão legal de
que o prazo da interceptação telefônica não pode exceder quinze dias, renovável
uma vez por igual período.

05.! (CESPE – 2013 – PC-BA – DELEGADO)

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Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton estaria
abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes mesmo de colher
provas acerca da informação recebida, a juiz da vara criminal competente a
interceptação das comunicações telefônicas de Mílton pelo prazo de quinze dias,
sucessivamente prorrogado durante os quarenta e cinco dias de investigação.
Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar o
inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da investigação,
resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento de Caio e Kátia, as
ligações telefônicas entre eles, tendo tomado conhecimento, devido às
interceptações, de que o advogado cometera o crime de tráfico de influência. Em
razão disso, Mílton procurou Kátia e solicitou que ela concordasse com a
divulgação do conteúdo das gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu
expressamente. Mílton, então, apresentou ao delegado o conteúdo das
gravações, que foram utilizadas para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra
Caio, pela prática do crime de tráfico de influência.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes, a respeito das
interceptações telefônicas.
O fato de Kátia –– que era interlocutora dos diálogos gravados –– ter consentido
posteriormente com a divulgação do conteúdo das gravações não legitima o ato
nem justifica sua utilização como prova.

06.! (CESPE – 2013 – PC-BA – DELEGADO)


Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton estaria
abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes mesmo de colher
provas acerca da informação recebida, a juiz da vara criminal competente a
interceptação das comunicações telefônicas de Mílton pelo prazo de quinze dias,
sucessivamente prorrogado durante os quarenta e cinco dias de investigação.
Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar o
inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da investigação,
resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento de Caio e Kátia, as
ligações telefônicas entre eles, tendo tomado conhecimento, devido às
interceptações, de que o advogado cometera o crime de tráfico de influência. Em
razão disso, Mílton procurou Kátia e solicitou que ela concordasse com a
divulgação do conteúdo das gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu
expressamente. Mílton, então, apresentou ao delegado o conteúdo das
gravações, que foram utilizadas para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra
Caio, pela prática do crime de tráfico de influência.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes, a respeito das
interceptações telefônicas.
A interceptação telefônica realizada por Mílton é ilegal, porquanto desprovida da
necessária autorização judicial.

07.! (CESPE – 2013 – CNJ – ANALISTA JUDICIÁRIO)

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Admite-se que o juiz determine interceptação telefônica quando houver indícios
razoáveis de autoria ou participação em infração penal punida com detenção e a
prova não puder ser feita por outros meios.

08.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – TITULAR NOTARIAL)


Assinale a opção correta acerca de interceptação telefônica, segundo o STF, o
STJ e a doutrina majoritária.
a) Segundo o entendimento do STF, é impossível a prorrogação do prazo de
autorização para a interceptação telefônica por períodos sucessivos.
b) O juiz competente para determinar a interceptação é o competente para
processar e julgar o crime de cuja prática se suspeita. No entanto, a verificação
posterior de que se trata de crime para o qual o juiz seria incompetente não deve
acarretar a nulidade absoluta da prova colhida.
c) É válido o deferimento de interceptação telefônica promovido em razão de
denúncia anônima desacompanhada de outras diligências.
d) É indispensável prévia instauração de inquérito para a autorização de
interceptação telefônica
e) Consoante entendimento predominante nos tribunais superiores, faz-se
necessária a transcrição integral do conteúdo da quebra do sigilo das
comunicações telefônicas

09.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – JUIZ – ADAPTADA)


Segundo entendimento do STJ, é inadmissível a utilização de prova produzida em
feito criminal diverso, obtida por meio de interceptação telefônica e relacionada
com os fatos do processo-crime, ainda que seja oferecida à defesa oportunidade
de proceder ao contraditório.

10.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – JUIZ – ADAPTADA)


A Lei n.º 9.296/1996, que trata da interceptação das comunicações telefônicas,
estipula o prazo de quinze dias para a interceptação de comunicações telefônicas,
renovável uma vez por igual período, vedadas, de acordo com o entendimento
jurisprudencial do STF e do STJ, as prorrogações por período superior a esse
prazo.

11.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – JUIZ – ADAPTADA)


O contraditório das provas obtidas por meio de interceptação telefônica é
postergado para os autos da ação penal deflagrada, quando as partes terão
acesso ao seu conteúdo e, diante desses elementos, poderão impugnar e
contraditar as provas obtidas por meio da medida cautelar.

12.! (CESPE – 2014 – MPE-AC – PROMOTOR DE JUSTIÇA – ADAPTADA)

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De acordo com a lei que rege as interceptações telefônicas, a competência para
deferir esse procedimento no curso do inquérito policial é do promotor de justiça
com atribuição para atuar na ação principal.

13.! (CESPE – 2014 – MPE-AC – PROMOTOR DE JUSTIÇA – ADAPTADA)


A ação penal padecerá de nulidade absoluta, por cerceamento de defesa, caso a
defesa não tenha acesso à integralidade do teor das escutas telefônicas antes da
colheita da prova oral.

14.! (CESPE - 2015 - TJDFT - OFICIAL DE JUSTIÇA)


A respeito de prova criminal, de medidas cautelares e de prisão processual, julgue
os itens que se seguem.
A gravação decorrente de interceptação telefônica que não interessar ao processo
deverá ser inutilizada por decisão judicial posterior, necessariamente, à conclusão
da instrução processual.

15.! (CESPE – 2009 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


A respeito da interceptação das comunicações telefônicas, julgue o item a seguir,
com base no entendimento do STF.
Considere que, após realização de interceptação telefônica judicialmente
autorizada para apurar crime contra a administração pública imputado ao
servidor público Mário, a autoridade policial tenha identificado, na fase de
inquérito, provas de ilícitos administrativos praticados por outros servidores.
Nessa situação hipotética, considerando-se que a interceptação telefônica tenha
sido autorizada judicialmente apenas em relação ao servidor Mário, as provas
obtidas contra os outros servidores não poderão ser usadas em procedimento
administrativo disciplinar.

16.! (CESPE – 2009 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


A respeito da interceptação das comunicações telefônicas, julgue o item a seguir,
com base no entendimento do STF.
É possível a prorrogação do prazo de autorização para a interceptação telefônica,
mesmo que sucessiva, especialmente quando se tratar de fato complexo que
exija investigação diferenciada e contínua.

17.! (CESPE – 2009 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


A respeito da interceptação das comunicações telefônicas, julgue o item a seguir,
com base no entendimento do STF.
Uma vez realizada a interceptação telefônica de forma fundamentada, legal e
legítima, as informações e provas coletadas dessa diligência podem subsidiar

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denúncia com base em crimes puníveis com pena de detenção, desde que estes
sejam conexos aos primeiros tipos penais que justificaram a interceptação.

18.! (CESPE – 2010 – ABIN – OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA)


Com base nos delitos em espécie, julgue o próximo item.
Constitui crime realizar interceptação de comunicações, sejam elas telefônicas,
informáticas, ou telemáticas, ou, ainda, quebrar segredo da justiça sem
autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

19.! (FGV - 2015 - OAB - XVIII EXAME DE ORDEM)


Determinada autoridade policial recebeu informac#ões de vizinhos de Lucas dando
conta de que ele possuía arma de fogo calibre .38 em sua casa, razão pela qual
resolveu indiciá- lo pela prática de crime de posse de arma de fogo de uso
permitido, infrac#ão de médio potencial ofensivo, punida com pena de detenção
de 01 a 03 anos e multa. No curso das investigac#ões, requereu ao Judiciário
interceptac#ão telefônica da linha do aparelho celular de Lucas para melhor
investigar a prática do crime mencionado, tendo sido o pedido deferido.
De acordo com a situac#ão narrada, a prova oriunda da interceptac#ão deve ser
considerada
A) ilícita, pois somente o Ministério Público tem legitimidade para representar
pela medida.
B) válida, desde que tenha sido deferida por ordem do juiz competente para ac#ão
principal.
C) ilícita, pois o crime investigado é punido com detenc#ão.
D) ilícita, assim como as dela derivadas, ainda que estas pudessem ser obtidas
por fonte independente da primeira.

20.! (FGV - 2015 - TJ-BA - ANALISTA JUDICIÁRIO - DIREITO)


Durante a instrução de caso penal versando sobre crime doloso contra a vida, em
desfavor de Bruno, além da prova oral e pericial, foram juntados aos autos, por
meio de compartilhamento de provas judicialmente autorizado, áudios e
transcrições de interceptação telefônica implementada em processo distinto, que
investigava tráfico de drogas, e que indiciavam a conduta criminosa do réu. A
decisão interlocutória de pronúncia foi fundamentada nos indícios oriundos dessa
interceptação telefônica, deferida por Juiz de Direito diverso daquele competente
para o crime doloso contra a vida. Nessa situação, a decisão de pronúncia:
(A) deve ser anulada por usar elementos de prova coligidos fora da instrução
processual própria;
(B) pode ser fundamentada em indícios de autoria surgidos, de forma fortuita,
durante a investigação de outros crimes;
(C) deve ser anulada pela violação do princípio da imediação processual penal;

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(D) pode ser fundamentada em indícios de autoria surgidos durante investigação
de outros crimes, se corroborada pela prova plena do processo principal;
(E) deve ser anulada pela violação do princípio da identidade física do juiz na
colheita da prova da interceptação.

21.! (FGV - 2013 - TJ-AM – JUIZ)


A interceptação de comunicações telefônicas observará o disposto na Lei n.
9.296/96.
A esse respeito, assinale a afirmativa incorreta.
a) A interceptação dependerá de ordem do Juiz competente da ação principal,
podendo ser determinada de ofício, ou a requerimento da autoridade policial ou
do representante do Ministério Público
b) A interceptação deve concretizar-se em segredo de justiça, podendo ser
determinada durante as investigações ou durante o processo penal.
c) Não será permitida a interceptação para se apurar crime apenado com
detenção.
d) Quando for possível ser a prova feita por outros meios disponíveis, a
interceptação não pode ser deferida
e) Segundo a jurisprudência majoritária dos Tribunais Superiores, o prazo da
interceptação não poderá exceder de 15 dias, sendo permitida uma única
renovação por igual prazo.

22.! (FGV – 2014 – DPE-RJ – TÉCNICO SUPERIOR JURÍDICO)


Após demonstrar a inviabilidade de outros meios de prova em investigação
criminal sobre tráfico de drogas, Delegado de Polícia Civil obteve, com parecer
positivo do Ministério Público, no período compreendido entre outubro e
dezembro de 2013, o deferimento e a prorrogação sucessiva de interceptações
telefônicas contra desviante conhecido como “Fabio Aspira”, decorrente de juízo
positivo do Magistrado competente. No curso da investigação, foram captados
diálogos incriminadores de um terceiro agente, identificado como “Paulão B.
Vulcão”, em conversa com “Fabio Aspira”, sem que seu terminal telefônico fosse
interceptado. Posteriormente, em atividade de jornalismo investigativo,
determinado repórter consegue gravar conversa com “Paulão B. Vulcão”, na qual
este admite ser o líder da facção criminosa “Movimento Estratégico Independente
de Entorpecentes Rústicos”, o que é posteriormente usado na persecução penal
contra os desviantes. Por fim, quando finalizada a investigação, constata-se que
“Fabio Aspira” ocupa cargo, por aprovação em concurso público, de Guarda
Municipal, há seis anos. A prova angariada no Inquérito Policial, incluindo a
interceptação telefônica, é, posteriormente, utilizada pela Administração Pública
Municipal, em Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).
À luz da hipótese formulada e dos conceitos e limites legais, é correto afirmar
que:

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a) dados obtidos em interceptação telefônica, judicialmente autorizada para
produção de prova em investigação criminal, podem ser usados em Procedimento
Administrativo Disciplinar, contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às
quais foram colhidos, ou contra outros servidores cujos supostos ilícitos teriam
despontado à colheita dessa prova.
b) o terminal telefônico criado internamente por operadora de telefonia, com o
fim de efetuar desvio de chamadas de um terminal objeto de interceptação
judicial (chamado de “desvio duplo”), não é alcançado pela medida constritiva
incidente sobre este último, contaminando a prova produzida.
c) a interceptação realizada na linha telefônica do corréu “Fabio Aspira”, que
captou diálogo com “Paulão B. Vulcão”, mediante autorização judicial, constitui
prova ilícita em relação a este último, não podendo ser utilizada para subsidiar
ação penal, pois dependeria de ordem judicial específica.
d) não é lícita a prorrogação do prazo legal de autorização para interceptação
telefônica, ainda que de modo sucessivo (períodos sucessivos de quinze dias),
mesmo quando o fato seja complexo e, como tal, exija investigação diferenciada
e contínua.
e) para ser utilizada como prova judicial válida, a gravação de conversa presencial
entre uma pessoa e seu interlocutor depende de autorização judicial prévia,
enquadrando-se nas mesmas regras da interceptação telefônica.

23.! (FCC – 2008 – MPE-PE – PROMOTOR DE JUSTIÇA)


A interceptação telefônica, nos termos da lei, será admitida
a) mesmo que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis.
b) quando houver indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal.
c) em infração penal punida com qualquer tipo de pena.
d) a pedido de qualquer pessoa que tenha interesse no fato a ser investigado.
e) pelo prazo máximo de trinta dias, prorrogável por mais trinta.

24.! (VUNESP – 2013 – TJ-RJ – JUIZ)


Relativamente à interceptação de comunicações telefônicas, assinale a
alternativa correta de acordo com a Lei n.º 9.296/96.
a) Não poderá exceder o prazo de cinco dias, renovável por igual tempo uma vez
comprovada a indispensabilidade do meio de prova.
b) A autoridade policial, na investigação criminal, poderá verbalmente solicitar
sua realização ao juiz.
c) O juiz não poderá determinar de ofício sua realização.
d) Poderá ser realizada durante a investigação criminal e em instrução processual
penal de qualquer crime, mas nunca de contravenções.

25.! (VUNESP – 2014 – TJ-PA – JUIZ)

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No que concerne à interceptação telefônica, regulada pela Lei n.º 9.296/96,
a) é admitida para investigação de infrações penais punidas com reclusão ou
detenção, sendo vedada para aquelas que admitem apenas prisão simples e
multa.
b) a representação pela sua decretação deve ser feita por escrito, não se
admitindo a forma oral.
c) os trechos de conversas interceptadas que não interessarem à prova do crime
deverão ser imediatamente destruídas pela autoridade policial
d) não pode ser prorrogada por mais de um período de 15 (quinze) dias, de
acordo com jurisprudência atual e dominante dos tribunais superiores.
e) só será admitida se a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis.

26.! (CESPE – 2010 – ABIN – OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA)


Julgue o item que se segue, referente a procedimentos processuais penais.
Considere que a determinado delito se comine pena de dois a cinco anos de
reclusão ou multa. Nessa situação, é cabível a proposta de suspensão condicional
do processo.

27.! (CESPE – 2006 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


No item a seguir, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma
assertiva a ser julgada, concernente à suspensão condicional do processo,
tentativa e crime impossível, crimes contra a fé pública, administração pública e
organização do trabalho.
Um indivíduo foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime de
estelionato, sendo beneficiado com a suspensão condicional do processo pelo
prazo de dois anos. Expirado o período de prova, mas antes da sentença extintiva
da punibilidade, o órgão do Ministério Público verificou que o acusado veio a ser
processado por outro crime durante o período de prova, sem sentença prolatada.
Nessa situação, conforme orientação do STJ, cabe a revogação do sursis
processual, não ocorrendo a violação dos princípios da presunção de inocência e
coisa julgada.

28.! (CESPE – 2010 – MPU – ANALISTA)


Acerca das prisões cautelares e da liberdade provisória, julgue o item
subsequente.
O benefício da suspensão condicional do processo previsto na Lei dos Juizados
Especiais (Lei n.º 9.099/1995) consiste em direito público e subjetivo do autor
do fato, segundo entendimento do STF.

29.! (CESPE – 2010 – DPE/BA – DEFENSOR PÚBLICO)

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Considerando o disposto no direito processual penal, julgue o item subsecutivo.
Para a suspensão condicional do processo, exige-se ato voluntário do acusado
em aceitar a proposição do MP e as condições fixadas pelo juiz. Admite-se que
tal suspensão possa ser firmada por procurador, com poderes especiais,
exigência igualmente imposta à apresentação de queixa ou de representação.

30.! (CESPE – 2012 – TJ-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO)


Em caso de suspensão condicional do processo, ao juiz é autorizado impor
condições a que a suspensão ficará subordinada, inclusive medidas cautelares
previstas no CPP, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.

9! EXERCÍCIOS COMENTADOS

01.! (CESPE – 2013 – PGDF – PROCURADOR)


De acordo com a Lei n.º 9.296/1996, a intercepção das comunicações
telefônicas poderá ser determinada a requerimento da autoridade
policial, na fase de investigação criminal, ou a requerimento do MP,
somente na fase de instrução criminal.
COMENTÁRIOS: O item está errado, porque o MP possui legitimidade para
requerer a determinação da interceptação das comunicações telefônicas a
qualquer momento, seja durante as investigações, seja durante a instrução
processual. Vejamos:
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo
juiz, de ofício ou a requerimento:
I - da autoridade policial, na investigação criminal;
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução
processual penal.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

02.! (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)


Apesar de a lei prever o prazo máximo de quinze dias para a
interceptação telefônica, renovável por mais quinze, não há qualquer
restrição ao número de prorrogações, desde que haja decisão
fundamentando a dilatação do período.
COMENTÁRIOS: O item está correto. Embora haja tal previsão legal, o STF
entende que é possível a prorrogação sucessiva da medida, desde que
indispensável ao sucesso das investigações e devidamente fundamentada.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

03.! (CESPE – 2013 – POLÍCIA FEDERAL – DELEGADO)

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Teoria e questões
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Segundo o entendimento do STF, é permitido, em caráter excepcional, à
polícia militar, mediante autorização judicial e sob supervisão do MP,
executar interceptações telefônicas, sobretudo quando houver suspeita
de envolvimento de autoridades policiais civis nos delitos investigados,
não sendo a execução dessa medida exclusiva da autoridade policial,
visto que são autorizados, por lei, o emprego de serviços e a atuação de
técnicos das concessionárias de serviços públicos de telefonia nas
interceptações.
COMENTÁRIOS: O item está correto. O STF possui entendimento no sentido de
que não há “reserva de atuação” à Polícia “Judiciária” (Polícias Civil e Federal).
Assim, o STF entende que é possível a execução da medida pela Polícia Militar
(desde que previamente autorizada pelo Juiz, é claro). Vejamos:
(...)Reconheceu-se a possibilidade excepcional de a polícia militar, mediante
autorização judicial, sob supervisão do parquet, efetuar a mera execução das
interceptações, na circunstância de haver singularidades que justificassem
esse deslocamento, especialmente quando, como no caso, houvesse suspeita
de envolvimento de autoridades policias da delegacia local. Consignou-se não
haver ilicitude, já que a execução da medida não seria exclusiva de autoridade policial,
pois a própria lei autorizaria o uso de serviços e técnicos das concessionárias (Lei
9.296/96, art. 7º) e que, além de sujeitar-se a ao controle judicial durante a execução,
tratar-se-ia apenas de meio de obtenção da prova (instrumento), com ela não se
confundindo.
(HC 96986/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 15.5.2012. (HC-96986)
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

04.! (CESPE – 2013 – PC-BA – DELEGADO)


Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton
estaria abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes
mesmo de colher provas acerca da informação recebida, a juiz da vara
criminal competente a interceptação das comunicações telefônicas de
Mílton pelo prazo de quinze dias, sucessivamente prorrogado durante os
quarenta e cinco dias de investigação.
Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar
o inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da
investigação, resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento
de Caio e Kátia, as ligações telefônicas entre eles, tendo tomado
conhecimento, devido às interceptações, de que o advogado cometera o
crime de tráfico de influência. Em razão disso, Mílton procurou Kátia e
solicitou que ela concordasse com a divulgação do conteúdo das
gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu expressamente. Mílton, então,
apresentou ao delegado o conteúdo das gravações, que foram utilizadas
para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra Caio, pela prática do
crime de tráfico de influência.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes, a respeito
das interceptações telefônicas.

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Teoria e questões
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A interceptação telefônica solicitada pelo delegado de polícia e
autorizada judicialmente é nula, haja vista ter sido sucessivamente
prorrogada pelo magistrado por prazo superior a trinta dias, o que
contraria a previsão legal de que o prazo da interceptação telefônica não
pode exceder quinze dias, renovável uma vez por igual período.
COMENTÁRIOS: O item está ERRADO. Embora haja tal previsão legal, o STF
entende que é possível a prorrogação sucessiva da medida, desde que
indispensável ao sucesso das investigações e devidamente fundamentada.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

05.! (CESPE – 2013 – PC-BA – DELEGADO)


Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton
estaria abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes
mesmo de colher provas acerca da informação recebida, a juiz da vara
criminal competente a interceptação das comunicações telefônicas de
Mílton pelo prazo de quinze dias, sucessivamente prorrogado durante os
quarenta e cinco dias de investigação.
Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar
o inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da
investigação, resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento
de Caio e Kátia, as ligações telefônicas entre eles, tendo tomado
conhecimento, devido às interceptações, de que o advogado cometera o
crime de tráfico de influência. Em razão disso, Mílton procurou Kátia e
solicitou que ela concordasse com a divulgação do conteúdo das
gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu expressamente. Mílton, então,
apresentou ao delegado o conteúdo das gravações, que foram utilizadas
para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra Caio, pela prática do
crime de tráfico de influência.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes, a respeito
das interceptações telefônicas.
O fato de Kátia –– que era interlocutora dos diálogos gravados –– ter
consentido posteriormente com a divulgação do conteúdo das gravações
não legitima o ato nem justifica sua utilização como prova.
COMENTÁRIOS: No caso em tela temos um exemplo clássico de interceptação
telefônica obtida de forma ilegal, sendo considerada, portanto, prova ilícita.
Os Tribunais Superiores entendem que o posterior consentimento de um dos
interlocutores não convalida a prova (Ver HC 161.053-SP – STJ)
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

06.! (CESPE – 2013 – PC-BA – DELEGADO)


Um delegado de polícia, tendo recebido denúncia anônima de que Mílton
estaria abusando sexualmente de sua própria filha, requereu, antes
mesmo de colher provas acerca da informação recebida, a juiz da vara

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criminal competente a interceptação das comunicações telefônicas de
Mílton pelo prazo de quinze dias, sucessivamente prorrogado durante os
quarenta e cinco dias de investigação.
Kátia, ex-mulher de Mílton, contratou o advogado Caio para acompanhar
o inquérito policial instaurado. Mílton, então, ainda no curso da
investigação, resolveu interceptar, diretamente e sem o conhecimento
de Caio e Kátia, as ligações telefônicas entre eles, tendo tomado
conhecimento, devido às interceptações, de que o advogado cometera o
crime de tráfico de influência. Em razão disso, Mílton procurou Kátia e
solicitou que ela concordasse com a divulgação do conteúdo das
gravações telefônicas, ao que Kátia anuiu expressamente. Mílton, então,
apresentou ao delegado o conteúdo das gravações, que foram utilizadas
para subsidiar ação penal iniciada pelo MP contra Caio, pela prática do
crime de tráfico de influência.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens seguintes, a respeito
das interceptações telefônicas.
A interceptação telefônica realizada por Mílton é ilegal, porquanto
desprovida da necessária autorização judicial.
COMENTÁRIOS: O item está perfeito. A interceptação realizada por Milton é
absolutamente ilegal, eis que realizada à revelia da lei, por pessoa sem atribuição
para tal, bem como sem autorização judicial.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

07.! (CESPE – 2013 – CNJ – ANALISTA JUDICIÁRIO)


Admite-se que o juiz determine interceptação telefônica quando houver
indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal punida
com detenção e a prova não puder ser feita por outros meios.
COMENTÁRIOS: Item errado. Isto porque não se admite a determinação da
interceptação das comunicações telefônicas para apuração de fato punível
meramente com pena de detenção, nos termos do art. 2º, III da Lei. Vejamos:
Art. 2º. Não será admitida a interceptação de comunicação telefônicas quando ocorrer
qualquer das seguintes hipótese:
(...)
III: o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de
detenção.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

08.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – TITULAR NOTARIAL)


Assinale a opção correta acerca de interceptação telefônica, segundo o
STF, o STJ e a doutrina majoritária.
a) Segundo o entendimento do STF, é impossível a prorrogação do prazo
de autorização para a interceptação telefônica por períodos sucessivos.

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b) O juiz competente para determinar a interceptação é o competente
para processar e julgar o crime de cuja prática se suspeita. No entanto,
a verificação posterior de que se trata de crime para o qual o juiz seria
incompetente não deve acarretar a nulidade absoluta da prova colhida.
c) É válido o deferimento de interceptação telefônica promovido em
razão de denúncia anônima desacompanhada de outras diligências.
d) É indispensável prévia instauração de inquérito para a autorização de
interceptação telefônica
e) Consoante entendimento predominante nos tribunais superiores, faz-
se necessária a transcrição integral do conteúdo da quebra do sigilo das
comunicações telefônicas
COMENTÁRIOS:
A) ERRADA: O STF e o STJ possuem entendimento sólido no sentido de que a
diligência pode ser prorrogada por sucessivas vezes, desde que o fato seja
complexo e ainda haja necessidade de realização da medida.
B) CORRETA: Neste caso, o STJ entende que deve ser aplicada a teoria do Juízo
aparente, ou seja, se no momento da decretação da medida não se tinha
conhecimento do fato que torna o Juízo incompetente, a diligência determinada
não será considerada inválida.
C) ERRADA: Da mesma forma que a jurisprudência não admite a instauração de
IP exclusivamente com base em denúncia anônima, naturalmente, a decretação
de interceptação telefônica, medida extremamente invasiva, não pode estar
baseada apenas em denúncia anônima (Ver, por oportuno: HC 108147, STF).
D) ERRADA: O IP é uma peça dispensável. É possível que a ação penal tenha sido
ajuizada sem a instauração de IP. Nesse caso, nada impede que seja decretada
a medida durante o processo criminal (não tendo havido instauração anterior de
IP). Além disso, o STJ possui decisões entendendo que mesmo no caso de não
haver processo criminal em curso, ou seja, mesmo durante a investigação, é
possível a decretação da medida mesmo sem que tenha sido instaurado o IP,
desde que haja indícios razoáveis da prática da infração penal (HC 43.234/SP,
STJ).
E) ERRADA: A transcrição somente abrangerá os pontos relevantes das
conversas, não sendo necessária a degravação total (Ver, por todos: HC
245.108/SP, STJ).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

09.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – JUIZ – ADAPTADA)


Segundo entendimento do STJ, é inadmissível a utilização de prova
produzida em feito criminal diverso, obtida por meio de interceptação
telefônica e relacionada com os fatos do processo-crime, ainda que seja
oferecida à defesa oportunidade de proceder ao contraditório.
COMENTÁRIOS: Item errado, pois o STF e o STJ admitem, de forma pacífica, a
utilização da prova obtida em interceptação telefônica em outro processo

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criminal, devendo ser oferecido à defesa o direito de contraditar a prova.
Vejamos:
4. A alegação de nulidade da decisão que determinou a utilização de prova emprestada
já foi analisada por esta Corte quando do julgamento do Habeas Corpus n.°
259.617/RJ, Rel. Min. LAURITA VAZ, no qual se reconheceu que é lícita a utilização
de prova produzida em feito criminal diverso, obtida por meio de
interceptação telefônica - de forma a ensejar, inclusive, a correta instrução
do feito -, desde que relacionada com os fatos do processo-crime, e, após sua
juntada aos autos, seja oportunizado à Defesa proceder ao contraditório e à
ampla defesa.
5. Ausência de ilegalidade flagrante que, eventualmente, ensejasse a concessão da
ordem de ofício.
6. Ordem de habeas corpus não conhecida.
(HC 252.244/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 11/03/2014,
DJe 26/03/2014)
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

10.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – JUIZ – ADAPTADA)


A Lei n.º 9.296/1996, que trata da interceptação das comunicações
telefônicas, estipula o prazo de quinze dias para a interceptação de
comunicações telefônicas, renovável uma vez por igual período, vedadas,
de acordo com o entendimento jurisprudencial do STF e do STJ, as
prorrogações por período superior a esse prazo.
COMENTÁRIOS: Item errado, pois a despeito de a Lei permitir apenas uma
renovação, o STF e o STJ possuem entendimento solidificado no sentido de que
é possível a renovação da medida por sucessivas vezes, desde que comprovada
a necessidade e haja complexidade no caso.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

11.! (CESPE – 2014 – TJ-DF – JUIZ – ADAPTADA)


O contraditório das provas obtidas por meio de interceptação telefônica
é postergado para os autos da ação penal deflagrada, quando as partes
terão acesso ao seu conteúdo e, diante desses elementos, poderão
impugnar e contraditar as provas obtidas por meio da medida cautelar.
COMENTÁRIOS: Item correto. O contraditório em relação a tais provas será
realizado no bojo do processo penal eventualmente instaurado em face do
acusado, oportunidade na qual terá acesso às transcrições que serviram de base
para a denúncia.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ CORRETA.

12.! (CESPE – 2014 – MPE-AC – PROMOTOR DE JUSTIÇA – ADAPTADA)


De acordo com a lei que rege as interceptações telefônicas, a
competência para deferir esse procedimento no curso do inquérito

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policial é do promotor de justiça com atribuição para atuar na ação
principal.
COMENTÁRIOS: Item absolutamente errado. O MP jamais poderá decretar a
interceptação das comunicações telefônicas, pois se trata de competência
exclusiva do Poder Judiciário, cabendo ao Juiz, portanto, sua decretação, nos
termos do art. 1º da Lei:
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova
em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta
Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de
justiça.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

13.! (CESPE – 2014 – MPE-AC – PROMOTOR DE JUSTIÇA – ADAPTADA)


A ação penal padecerá de nulidade absoluta, por cerceamento de defesa,
caso a defesa não tenha acesso à integralidade do teor das escutas
telefônicas antes da colheita da prova oral.
COMENTÁRIOS: Cuidado! O STJ entende que é obrigatório que a defesa tenha
direito de acesso às transcrições que serviram de base à denúncia (somente os
trechos dos áudios que foram transcritos e serviram para fundamentar a
denúncia) antes da audiência, sob pena de cerceamento de defesa. Contudo, o
acesso à integralidade do ÁUDIO captado, quando franqueado à defesa apenas
após a audiência, será causa de nulidade relativa, ou seja, dependerá de prova
da ocorrência de algum prejuízo à defesa (Ver, por todos: RHC 27.997/SP, Rel.
Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
05/09/2013, DJe 19/09/2013).
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

14.! (CESPE - 2015 - TJDFT - OFICIAL DE JUSTIÇA)


A respeito de prova criminal, de medidas cautelares e de prisão
processual, julgue os itens que se seguem.
A gravação decorrente de interceptação telefônica que não interessar ao
processo deverá ser inutilizada por decisão judicial posterior,
necessariamente, à conclusão da instrução processual.
COMENTÁRIOS: Item errado, pois a inutilização pode ocorrer mesmo antes da
instauração do processo, ou seja, na fase pré-processual, nos termos do que
dispõe o art. 9º da Lei 9.296/96.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

15.! (CESPE – 2009 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


A respeito da interceptação das comunicações telefônicas, julgue o item
a seguir, com base no entendimento do STF.

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Considere que, após realização de interceptação telefônica judicialmente
autorizada para apurar crime contra a administração pública imputado
ao servidor público Mário, a autoridade policial tenha identificado, na
fase de inquérito, provas de ilícitos administrativos praticados por outros
servidores. Nessa situação hipotética, considerandose que a
interceptação telefônica tenha sido autorizada judicialmente apenas em
relação ao servidor Mário, as provas obtidas contra os outros servidores
não poderão ser usadas em procedimento administrativo disciplinar.
COMENTÁRIOS: O STF entende que se determinada prova foi colhida de
maneira válida (No caso, mediante autorização judicial), não há óbice algum à
sua utilização para incriminar outras pessoas que não sejam aquelas previamente
previstas no pedido de autorização de interceptação telefônica.
Mais: O STF admite a utilização destas provas para embasar pedido de punição
JUDICIÁRIA de servidores públicos, vez que a prova, como dito, é legítim a.
Portanto, a afirmativa está ERRADA.

16.! (CESPE – 2009 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


A respeito da interceptação das comunicações telefônicas, julgue o item
a seguir, com base no entendimento do STF.
É possível a prorrogação do prazo de autorização para a interceptação
telefônica, mesmo que sucessiva, especialmente quando se tratar de fato
complexo que exija investigação diferenciada e contínua.
COMENTÁRIOS: O STF permite a prorrogação sucessiva de autorizações
judiciais para interceptações telefônicas, quando extremamente necessário,
notadamente em casos complexos.
A título ilustrativo, segue julgado recente do STF:
EMENTA Habeas corpus. Constitucional. Processual Penal. Interceptação telefônica.
Crimes de tortura, corrupção passiva, extorsão, peculato, formação de quadrilha e
receptação. Eventual ilegalidade da decisão que autorizou a interceptação telefônica e
suas prorrogações por 30 (trinta) dias consecutivos. Não ocorrência. Possibilidade
de se prorrogar o prazo de autorização para a interceptação telefônica por
períodos sucessivos quando a intensidade e a complexidade das condutas
delitivas investigadas assim o demandarem. Precedentes. Decisão proferida com
a observância das exigências previstas na lei de regência (Lei nº 9.296/96, art. 5º).
Alegada falta de fundamentação da decisão que determinou e interceptação telefônica
do paciente. Questão não submetida à apreciação do Superior Tribunal de Justiça.
Supressão de instância não admitida. Precedentes. Ordem parcialmente conhecida e
denegada. 1. É da jurisprudência desta Corte o entendimento de ser possível a
prorrogação do prazo de autorização para a interceptação telefônica, mesmo que
sucessiva, especialmente quando o fato é complexo, a exigir investigação diferenciada
e contínua (HC nº 83.515/RS, Tribunal Pleno, Relator o Ministro Nelson Jobim, DJ de
4/3/05). 2. Cabe registrar que a autorização da interceptação por 30 (dias) dias
consecutivos nada mais é do que a soma dos períodos, ou seja, 15 (quinze) dias
prorrogáveis por mais 15 (quinze) dias, em função da quantidade de investigados e
da complexidade da organização criminosa. 3. Nesse contexto, considerando o
entendimento jurisprudencial e doutrinário acerca da possibilidade de se prorrogar o
prazo de autorização para a interceptação telefônica por períodos sucessivos quando
a intensidade e a complexidade das condutas delitivas investigadas assim o

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demandarem, não há que se falar, na espécie, em nulidade da referida escuta e de
suas prorrogações, uma vez que autorizada pelo Juízo de piso, com a observância das
exigências previstas na lei de regência (Lei nº 9.296/96, art. 5º). 4. A sustentada falta
de fundamentação da decisão que determinou a interceptação telefônica do paciente
não foi submetida ao crivo do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, sua análise,
de forma originária, neste ensejo, na linha de julgados da Corte, configuraria
verdadeira supressão de instância, o que não se admite. 5. Habeas corpus
parcialmente conhecido e, nessa parte, denegado.
(HC 106129, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 06/03/2012,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-061 DIVULG 23-03-2012 PUBLIC 26-03-2012)

Portanto, a afirmativa está CORRETA.

17.! (CESPE – 2009 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


A respeito da interceptação das comunicações telefônicas, julgue o item
a seguir, com base no entendimento do STF.
Uma vez realizada a interceptação telefônica de forma fundamentada,
legal e legítima, as informações e provas coletadas dessa diligência
podem subsidiar denúncia com base em crimes puníveis com pena de
detenção, desde que estes sejam conexos aos primeiros tipos penais que
justificaram a interceptação.
COMENTÁRIOS: Esta questão também foi baseada em julgamento do STF, que
permitiu a utilização de prova colhida de forma legítima (interceptação telefônica)
em outros crimes, punidos apenas com detenção, quando conexos com aqueles
que ensejaram a decretação da quebra do sigilo telefônico.
Vejamos:
EMENTA: HABEAS CORPUS. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. PRAZO DE VALIDADE.
ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE OUTRO MEIO DE INVESTIGAÇÃO. FALTA DE
TRANSCRIÇÃO DE CONVERSAS INTERCEPTADAS NOS RELATÓRIOS APRESENTADOS
AO JUIZ. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ACERCA DOS PEDIDOS DE
PRORROGAÇÃO. APURAÇÃO DE CRIME PUNIDO COM PENA DE DETENÇÃO. 1.(...) 5.
Uma vez realizada a interceptação telefônica de forma fundamentada, legal
e legítima, as informações e provas coletas dessa diligência podem subsidiar
denúncia com base em crimes puníveis com pena de detenção, desde que
conexos aos primeiros tipos penais que justificaram a interceptação. Do
contrário, a interpretação do art. 2º, III, da L. 9.296/96 levaria ao absurdo
de concluir pela impossibilidade de interceptação para investigar crimes
apenados com reclusão quando forem estes conexos com crimes punidos com
detenção. Habeas corpus indeferido.
(HC 83515, Relator(a): Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 16/09/2004,
DJ 04-03-2005 PP-00011 EMENT VOL-02182-03 PP-00401 RTJ VOL-00193-02 PP-
00609)

Portanto, a afirmativa está CORRETA.

18.! (CESPE – 2010 – ABIN – OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA)

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Com base nos delitos em espécie, julgue o próximo item.
Constitui crime realizar interceptação de comunicações, sejam elas
telefônicas, informáticas, ou telemáticas, ou, ainda, quebrar segredo da
justiça sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.
COMENTÁRIO: A afirmativa retrata literalmente o que dispõe o art. 10 da Lei
9.296/96. Vejamos:
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de
informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou
com objetivos não autorizados em lei.
Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

Portanto, a afirmativa está CORRETA.

19.! (FGV - 2015 - OAB - XVIII EXAME DE ORDEM)


Determinada autoridade policial recebeu informac!ões de vizinhos de
Lucas dando conta de que ele possuía arma de fogo calibre .38 em sua
casa, razão pela qual resolveu indiciá- lo pela prática de crime de posse
de arma de fogo de uso permitido, infrac!ão de médio potencial ofensivo,
punida com pena de detenção de 01 a 03 anos e multa. No curso das
investigac!ões, requereu ao Judiciário interceptac!ão telefônica da linha
do aparelho celular de Lucas para melhor investigar a prática do crime
mencionado, tendo sido o pedido deferido.
De acordo com a situac!ão narrada, a prova oriunda da interceptac!ão deve
ser considerada
A) ilícita, pois somente o Ministério Público tem legitimidade para
representar pela medida.
B) válida, desde que tenha sido deferida por ordem do juiz competente
para ac!ão principal.
C) ilícita, pois o crime investigado é punido com detenc!ão.
D) ilícita, assim como as dela derivadas, ainda que estas pudessem ser
obtidas por fonte independente da primeira.
COMENTÁRIOS: Tal prova deverá ser considerada ilícita, pois a interceptação
das comunicações telefônicas, neste caso, não é permitida, já que se trata de
crime cuja pena prevista é a de detenção, e não de reclusão, nos termos do art.
2º, III da Lei 9.296/96.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

20.! (FGV - 2015 - TJ-BA - ANALISTA JUDICIÁRIO - DIREITO)


Durante a instrução de caso penal versando sobre crime doloso contra a
vida, em desfavor de Bruno, além da prova oral e pericial, foram juntados
aos autos, por meio de compartilhamento de provas judicialmente

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autorizado, áudios e transcrições de interceptação telefônica
implementada em processo distinto, que investigava tráfico de drogas, e
que indiciavam a conduta criminosa do réu. A decisão interlocutória de
pronúncia foi fundamentada nos indícios oriundos dessa interceptação
telefônica, deferida por Juiz de Direito diverso daquele competente para
o crime doloso contra a vida. Nessa situação, a decisão de pronúncia:
(A) deve ser anulada por usar elementos de prova coligidos fora da
instrução processual própria;
(B) pode ser fundamentada em indícios de autoria surgidos, de forma
fortuita, durante a investigação de outros crimes;
(C) deve ser anulada pela violação do princípio da imediação processual
penal;
(D) pode ser fundamentada em indícios de autoria surgidos durante
investigação de outros crimes, se corroborada pela prova plena do
processo principal;
(E) deve ser anulada pela violação do princípio da identidade física do
juiz na colheita da prova da interceptação.
COMENTÁRIOS: Não há qualquer vedação à utilização de tais elementos de
prova. Vejamos o entendimento do STF:
.(...) 5. Uma vez realizada a interceptação telefônica de forma fundamentada,
legal e legítima, as informações e provas coletas dessa diligência podem
subsidiar denúncia com base em crimes puníveis com pena de detenção,
desde que conexos aos primeiros tipos penais que justificaram a
interceptação. Do contrário, a interpretação do art. 2º, III, da L. 9.296/96
levaria ao absurdo de concluir pela impossibilidade de interceptação para
investigar crimes apenados com reclusão quando forem estes conexos com
crimes punidos com detenção. Habeas corpus indeferido.
(HC 83515, Relator(a): Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 16/09/2004,
DJ 04-03-2005 PP-00011 EMENT VOL-02182-03 PP-00401 RTJ VOL-00193-02 PP-
00609)
Com relação, especificamente, à fundamentação da decisão de pronúncia, nada
impede que ela se fundamente em provas decorrentes de outro processo judicial,
desde que tenham sido validamente transpostas para o processo em curso.
O STJ possui decisão recente sobre o caso:
(...) A sentença de pronúncia pode ser fundamentada em indícios de autoria
surgidos, de forma fortuita, durante a investigação de outros crimes no
decorrer de interceptação telefônica determinada por juiz diverso daquele
competente para o julgamento da ação principal. (...) Precedente citado: RHC
32.525-AP, Sexta Turma, DJe 4/9/2013. REsp 1.355.432-SP, Rel. Min. Jorge Mussi,
Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/8/2014.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

21.! (FGV - 2013 - TJ-AM – JUIZ)


A interceptação de comunicações telefônicas observará o disposto na Lei
n. 9.296/96.

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A esse respeito, assinale a afirmativa incorreta.
a) A interceptação dependerá de ordem do Juiz competente da ação
principal, podendo ser determinada de ofício, ou a requerimento da
autoridade policial ou do representante do Ministério Público
b) A interceptação deve concretizar-se em segredo de justiça, podendo
ser determinada durante as investigações ou durante o processo penal.
c) Não será permitida a interceptação para se apurar crime apenado com
detenção.
d) Quando for possível ser a prova feita por outros meios disponíveis, a
interceptação não pode ser deferida
e) Segundo a jurisprudência majoritária dos Tribunais Superiores, o
prazo da interceptação não poderá exceder de 15 dias, sendo permitida
uma única renovação por igual prazo.
COMENTÁRIOS:
A) CORRETA: Item correto, nos termos do que dispõe o art. 3º da Lei 9.296/96.
B) CORRETA: Esta é a previsão do art. 1º da Lei 9.296/96.
C) CORRETA: Item correto, pois o art. 2º, III da Lei 9.296/96 veda a utilização
de tal meio de prova quando o fato investigado constituir infração penal punida,
no máximo, com pena de detenção.
D) CORRETA: A interceptação somente poderá ser decretada quando
absolutamente indispensável às investigações, nos termos do art. 2º, II da Lei.
E) ERRADA: Item errado, pois os Tribunais superiores firmaram entendimento no
sentido de que é possível a prorrogação da medida por sucessivas vezes, desde
que seja necessário, principalmente quando se trate de caso complexo.
Portanto, a ALTERNATIVA INCORRETA É A LETRA E.

22.! (FGV – 2014 – DPE-RJ – TÉCNICO SUPERIOR JURÍDICO)


Após demonstrar a inviabilidade de outros meios de prova em
investigação criminal sobre tráfico de drogas, Delegado de Polícia Civil
obteve, com parecer positivo do Ministério Público, no período
compreendido entre outubro e dezembro de 2013, o deferimento e a
prorrogação sucessiva de interceptações telefônicas contra desviante
conhecido como “Fabio Aspira”, decorrente de juízo positivo do
Magistrado competente. No curso da investigação, foram captados
diálogos incriminadores de um terceiro agente, identificado como
“Paulão B. Vulcão”, em conversa com “Fabio Aspira”, sem que seu
terminal telefônico fosse interceptado. Posteriormente, em atividade de
jornalismo investigativo, determinado repórter consegue gravar
conversa com “Paulão B. Vulcão”, na qual este admite ser o líder da
facção criminosa “Movimento Estratégico Independente de
Entorpecentes Rústicos”, o que é posteriormente usado na persecução
penal contra os desviantes. Por fim, quando finalizada a investigação,
constata-se que “Fabio Aspira” ocupa cargo, por aprovação em concurso

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público, de Guarda Municipal, há seis anos. A prova angariada no
Inquérito Policial, incluindo a interceptação telefônica, é,
posteriormente, utilizada pela Administração Pública Municipal, em
Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).
À luz da hipótese formulada e dos conceitos e limites legais, é correto
afirmar que:
a) dados obtidos em interceptação telefônica, judicialmente autorizada
para produção de prova em investigação criminal, podem ser usados em
Procedimento Administrativo Disciplinar, contra a mesma ou as mesmas
pessoas em relação às quais foram colhidos, ou contra outros servidores
cujos supostos ilícitos teriam despontado à colheita dessa prova.
b) o terminal telefônico criado internamente por operadora de telefonia,
com o fim de efetuar desvio de chamadas de um terminal objeto de
interceptação judicial (chamado de “desvio duplo”), não é alcançado
pela medida constritiva incidente sobre este último, contaminando a
prova produzida.
c) a interceptação realizada na linha telefônica do corréu “Fabio Aspira”,
que captou diálogo com “Paulão B. Vulcão”, mediante autorização
judicial, constitui prova ilícita em relação a este último, não podendo ser
utilizada para subsidiar ação penal, pois dependeria de ordem judicial
específica.
d) não é lícita a prorrogação do prazo legal de autorização para
interceptação telefônica, ainda que de modo sucessivo (períodos
sucessivos de quinze dias), mesmo quando o fato seja complexo e, como
tal, exija investigação diferenciada e contínua.
e) para ser utilizada como prova judicial válida, a gravação de conversa
presencial entre uma pessoa e seu interlocutor depende de autorização
judicial prévia, enquadrando-se nas mesmas regras da interceptação
telefônica.
COMENTÁRIOS:
A) CORRETA: Este é o entendimento jurisprudencial:
“(...) 3. É de ser reconhecida a legalidade da utilização da interceptação telefônica
produzida na ação penal nos autos do processo administrativo disciplinar, ainda que
instaurado (a) para apuração de ilícitos administrativos diversos dos delitos objeto do
processo criminal; e (b) contra a mesma ou as mesmas pessoas em relação às quais
a prova foi colhida, ou contra outros servidores cujo suposto ilícito tenha vindo à tona
em face da interceptação telefônica.
4. Embargos de declaração rejeitados.”
(EDcl no MS 13.099/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
25/04/2012, DJe 09/05/2012)
B) ERRADA: Este outro terminal, no caso, será abrangido pela medida
judicialmente decretada, segundo o entendimento do STF:
“(...) O terminal telefônico criado internamente por operadora de telefonia, com o
simples fim de efetuar desvio de chamadas de um terminal objeto de interceptação

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judicial, é alcançado pela medida constritiva incidente sobre este último. Ordem
denegada. (HC: 96156, STF)
C) ERRADA: Item errado, pois uma vez decretada de forma legal a medida, as
provas ali produzidas podem ser utilizadas para subsidiar outros processos
criminais (e até processos administrativos), inclusive contra outras pessoas não
abrangidas inicialmente pela medida.
D) ERRADA: O STF e o STJ possuem entendimento sólido no sentido de que a
diligência pode ser prorrogada por sucessivas vezes, desde que o fato seja
complexo e ainda haja necessidade de realização da medida.
E) ERRADA: Aqui temos o que se chama de gravação ambiental, que não se
confunde com a interceptação de comunicação telefônica, sendo legítima mesmo
sem ordem judicial:
“(...) A gravação ambiental meramente clandestina, realizada por um dos
interlocutores, não se confunde com a interceptação, objeto cláusula constitucional de
reserva de jurisdição. 2. É lícita a prova consistente em gravação de conversa
telefônica realizada por um dos interlocutores, sem conhecimento do outro,
se não há causa legal específica de sigilo nem de reserva da conversação.
Precedentes. 3. Agravo regimental desprovido.
(AI 560223 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em
12/04/2011, DJe-079 DIVULG 28-04-2011 PUBLIC 29-04-2011 EMENT VOL-02511-01
PP-00097 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 35-40)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

23.! (FCC – 2008 – MPE-PE – PROMOTOR DE JUSTIÇA)


A interceptação telefônica, nos termos da lei, será admitida
a) mesmo que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis.
b) quando houver indícios razoáveis de autoria ou participação em
infração penal.
c) em infração penal punida com qualquer tipo de pena.
d) a pedido de qualquer pessoa que tenha interesse no fato a ser
investigado.
e) pelo prazo máximo de trinta dias, prorrogável por mais trinta.
COMENTÁRIOS:
A) ERRADA: Exige-se que a prova não possa ser obtida por outros meios, nos
termos do art. 2º, II da Lei 9.296/96.
B) CORRETA: Esta é uma das exigências do art. 2º, I da Lei 9.296/96.
C) ERRADA: Exige-se que a infração seja punida com reclusão, nos termos do
art. 2º, III da Lei.
D) ERRADA: Somente pode ser determinada de ofício ou por representação da
autoridade policial ou requerimento do MP, nos termos do art. 3º da Lei.
E) ERRADA: O prazo máximo é de 15 dias, renováveis por mais 15, nos termos
do art. 5º da Lei. Lembrando que o STF relativizou a quantidade de renovações.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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24.! (VUNESP – 2013 – TJ-RJ – JUIZ)


Relativamente à interceptação de comunicações telefônicas, assinale a
alternativa correta de acordo com a Lei n.º 9.296/96.
a) Não poderá exceder o prazo de cinco dias, renovável por igual tempo
uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova.
b) A autoridade policial, na investigação criminal, poderá verbalmente
solicitar sua realização ao juiz.
c) O juiz não poderá determinar de ofício sua realização.
d) Poderá ser realizada durante a investigação criminal e em instrução
processual penal de qualquer crime, mas nunca de contravenções.
COMENTÁRIOS:
A) ERRADA: O prazo é de 15 dias, renováveis por igual período, nos termos do
art. 5º da Lei.
B) CORRETA: A representação deve ser formulada por escrito, mas em casos
excepcionais se admite verbalmente (art. 4º, §1º da Lei).
C) ERRADA: Item errado, pois o Juiz pode determinar sua realização de ofício,
nos termos do art. 3º da Lei.
D) ERRADA: Item errado, pois não se admite em relação a crimes cuja pena seja,
no máximo, de detenção (somente se admite, portanto, para crimes apenados
com reclusão), nos termos do art. 2º, III da Lei.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

25.! (VUNESP – 2014 – TJ-PA – JUIZ)


No que concerne à interceptação telefônica, regulada pela Lei n.º
9.296/96,
a) é admitida para investigação de infrações penais punidas com
reclusão ou detenção, sendo vedada para aquelas que admitem apenas
prisão simples e multa.
b) a representação pela sua decretação deve ser feita por escrito, não se
admitindo a forma oral.
c) os trechos de conversas interceptadas que não interessarem à prova
do crime deverão ser imediatamente destruídas pela autoridade policial
d) não pode ser prorrogada por mais de um período de 15 (quinze) dias,
de acordo com jurisprudência atual e dominante dos tribunais
superiores.
e) só será admitida se a prova não puder ser feita por outros meios
disponíveis.
COMENTÁRIOS:
A) ERRADA: Somente é admitida no caso de infração penal punida com reclusão,
nos termos do art. 2º, III da Lei.

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B) ERRADA: Nos termos do art. 4º, §1º da Lei, em casos excepcionais, o Juiz
poderá admitir o requerimento formulado verbalmente, devendo este seja,
posteriormente, reduzido a termo.
C) ERRADA: Nos termos do art. 9º da Lei, a inutilização de tais gravações
dependerá de decisão judicial.
D) ERRADA: O STF e o STJ possuem entendimento sólido no sentido de que a
diligência pode ser prorrogada por sucessivas vezes, desde que o fato seja
complexo e ainda haja necessidade de realização da medida.
E) CORRETA: A interceptação das comunicações telefônicas, por se tratar de
medida excepcional, somente poderá ser decretada quando a prova do fato não
puder ser obtida por outros meios. Isso, inclusive, está previsto no art. 2º, II da
Lei 9.296/96.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

26.! (CESPE – 2010 – ABIN – OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA)


Julgue o item que se segue, referente a procedimentos processuais
penais.
Considere que a determinado delito se comine pena de dois a cinco anos
de reclusão ou multa. Nessa situação, é cabível a proposta de suspensão
condicional do processo.
COMENTÁRIOS: CUIDADO!! Esta questão é uma pegadinha.
Embora a pena mínima do delito seja superior a um ano de privação da liberdade,
o que impediria a suspensão condicional do processo, nos termos do art. 89 da
Lei 9.099/95, o STF e o STJ entendem que se a pena de multa é cominada
ALTERNATIVAMENTE à pena de prisão, é possível a suspensão condicional do
processo, ainda que a pena mínima de prisão seja superior a um ano. Vejamos:
PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA AS RELAÇÕES DE CONSUMO.
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. CRIME QUE PREVÊ PENA DE MULTA
ALTERNATIVAMENTE À PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. POSSIBILIDADES.
PRECEDENTES DO STJ E DO STF. ORDEM CONCEDIDA.
1. É cabível a suspensão condicional da pena aos delitos que prevêem a pena
de multa alternativamente à privativa de liberdade, ainda que o preceito
secundário da norma legal comine pena mínima superior a 1 ano.
Precedentes do STJ e do STF.
2. Ordem concedida para que o Ministério Público Estadual verifique se a paciente
preenche os demais requisitos necessários para a concessão da suspensão condicional
do processo, formulando-lhe a proposta, em caso afirmativo.
(HC 126.085/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em
15/10/2009, DJe 16/11/2009)
Portanto, a afirmativa está CORRETA.

27.! (CESPE – 2006 – AGU – ADVOGADO DA UNIÃO)


No item a seguir, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma
assertiva a ser julgada, concernente à suspensão condicional do

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processo, tentativa e crime impossível, crimes contra a fé pública,
administração pública e organização do trabalho.
Um indivíduo foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime
de estelionato, sendo beneficiado com a suspensão condicional do
processo pelo prazo de dois anos. Expirado o período de prova, mas antes
da sentença extintiva da punibilidade, o órgão do Ministério Público
verificou que o acusado veio a ser processado por outro crime durante o
período de prova, sem sentença prolatada. Nessa situação, conforme
orientação do STJ, cabe a revogação do sursis processual, não ocorrendo
a violação dos princípios da presunção de inocência e coisa julgada.
COMENTÁRIOS: De fato, o STJ entende que é cabível a revogação do benefício
quando comprovado que o beneficiado fora processado por outro delito durante
o período de prova, ainda que já expirado este:
PENAL. PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
PROCESSO. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES NO PERÍODO DE PROVA.
REVOGAÇÃO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO SUSPENSIVO. POSSIBILIDADE. ORDEM
DENEGADA.
1. É perfeitamente possível a revogação da suspensão condicional do
processo, ainda que expirado o período da suspensão do curso do processo,
desde que comprovado que, no período de prova do benefício, houve o
descumprimento das condições impostas ou que o beneficiado passou a ser
processado por outro crime. Precedentes desta Corte e do Supremo Tribunal
Federal.
2. Inexiste constrangimento ilegal no acórdão do Tribunal a quo que confirmou a
revogação do benefício concedido ao acusado em função do descumprimento, no
período de prova, de duas das condições impostas, não havendo qualquer previsão
legal no sentido de que essa decisão deve ser proferida antes do final do prazo da
suspensão.
3. Habeas corpus denegado.
(HC 176.891/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado
em 20/03/2012, DJe 13/04/2012)
Portanto, a afirmativa está CORRETA.

28.! (CESPE – 2010 – MPU – ANALISTA)


Acerca das prisões cautelares e da liberdade provisória, julgue o item
subsequente.
O benefício da suspensão condicional do processo previsto na Lei dos
Juizados Especiais (Lei n.º 9.099/1995) consiste em direito público e
subjetivo do autor do fato, segundo entendimento do STF.
COMENTÁRIOS: Questão complexa. O item foi considerado ERRADO.
À época da prova, o STF havia consolidado entendimento no sentido de que não
se trata de direito público subjetivo do acusado, mas de poder-dever do MP. O
STJ também adotava a tese. Vejamos:
PENAL E PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. "OPERAÇÃO CUPIM". 1. SUSPENSÃO
CONDICIONAL DO PROCESSO. NÃO OFERECIMENTO PELO PARQUET. AUSÊNCIA DE
DIREITO SUBJETIVO DO ACUSADO. PODER-DEVER DO TITULAR DA AÇÃO PENAL. 2.

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NEGATIVA DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. REPROVABILIDADE DA CONDUTA
(CULPABILIDADE). ART. 89, CAPUT, DA LEI 9.099/1995 C/C O ART. 77, II, DO CP.
AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL NO PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL.
3. ORDEM DENEGADA.
1. A suspensão condicional do processo não é direito público subjetivo do
acusado, mas sim um poder-dever do Ministério Público, titular da ação
penal, a quem cabe, com exclusividade, analisar a possibilidade de aplicação
ou não do referido instituto, desde que o faça de forma fundamentada.
2. Encontrando-se a negativa do Ministério Público, acatada pelo magistrado,
devidamente fundamentada nos termos da lei (art. 89, caput, da Lei 9.099/1995 c/c
o art. 77, II, do CP), levando em consideração dados concretos dos autos relativos à
maior reprovabilidade da conduta dos pacientes, não se verifica constrangimento ilegal
no prosseguimento da ação penal.
3. Ordem denegada.
(HC 218.785/PA, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado
em 04/09/2012, DJe 11/09/2012)
Contudo, há decisões mais recentes do STJ que levam a crer que o Tribunal
passou a entender que se trata de direito subjetivo do réu.
O STF, porém, mantém o entendimento solidificado no sentido de que
NÃO se trata de direito subjetivo do réu:
EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL.
IMPUTAÇÃO DO DELITO PREVISTO NO ART. 299 DO CÓDIGO PENAL. SUSPENSÃO
CONDICIONAL DO PROCESSO. PODER-DEVER DO MINISTÉRIO PÚBLICO E NÃO
DIREITO SUBJETIVO DO RÉU. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA PARA A NÃO SUSPENSÃO.
1. A suspensão condicional do processo não é direito subjetivo do réu.
Precedentes. Foram apresentados elementos concretos idôneos para motivar a
negativa de suspensão condicional do processo. 2. Recurso ao qual se nega
provimento.
(RHC 115997, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em
12/11/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-228 DIVULG 19-11-2013 PUBLIC 20-11-
2013)
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

29.! (CESPE – 2010 – DPE/BA – DEFENSOR PÚBLICO)


Considerando o disposto no direito processual penal, julgue o item
subsecutivo.
Para a suspensão condicional do processo, exige-se ato voluntário do
acusado em aceitar a proposição do MP e as condições fixadas pelo juiz.
Admite-se que tal suspensão possa ser firmada por procurador, com
poderes especiais, exigência igualmente imposta à apresentação de
queixa ou de representação.
COMENTÁRIOS: O item está errado, eis que embora a aceitação da suspensão
condicional do processo seja ato voluntário do acusado, ele não "aceita" as
condições fixadas pelo Juiz.
Uma vez aceita a proposta de suspensão, o Juiz fixará as condições, não cabendo
ao acusado aceitar ou não as condições.
Vejamos:

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Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,
abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá
propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os
demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código
Penal).
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este,
recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período
de prova, sob as seguintes condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
II - proibição de freqüentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e
justificar suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão,
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

30.! (CESPE – 2012 – TJ-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO)


Em caso de suspensão condicional do processo, ao juiz é autorizado
impor condições a que a suspensão ficará subordinada, inclusive
medidas cautelares previstas no CPP, desde que adequadas ao fato e à
situação pessoal do acusado.
COMENTÁRIOS: O item está errado. Vejamos o que diz o art. 89, §2º da Lei dos
Juizados:
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,
abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá
propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os
demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código
Penal).
(...)
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão,
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.
Mas onde está o erro da questão? Aparentemente, nenhum. Há divergência na
Doutrina e na Jurisprudência quanto à possibilidade de o Juiz fixar, como “outras
condições”, alguma das medidas cautelares do CPP. Há quem entenda que é
possível e há quem entenda que não é possível, pois estas possuem o específico
caráter cautelar.
O CESPE parece ter adotado este entendimento.
Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

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10! GABARITO

1.! ERRADA
2.! CORRETA
3.! CORRETA
4.! ERRADA
5.! CORRETA
6.! CORRETA
7.! ERRADA
8.! ALTERNATIVA B
9.! ERRADA
10.! ERRADA
11.! CORRETA
12.! ERRADA
13.! ERRADA
14.! ERRADA
15.! ERRADA
16.! CORRETA
17.! CORRETA
18.! CORRETA
19.! ALTERNATIVA C
20.! ALTERNATIVA B
21.! ALTERNATIVA E
22.! ALTERNATIVA A
23.! ALTERNATIVA B
24.! ALTERNATIVA B
25.! ALTERNATIVA E
26.! CORRETA
27.! CORRETA
28.! ERRADA
29.! ERRADA
30.! ERRADA

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