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22.

MODELO DE AÇÃO DE CONCESSÃO DE APOSENTADORIA


POR IDADE MISTA/HÍBRIDA – RURAL E URBANA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA VARA/JUIZADO


ESPECIAL FEDERAL DA CIDADE – SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO
<VERIFICAR SE É INTERESSANTE O AJUIZAMENTO DA AÇÃO NA VARA ESTADUAL
MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DA COMPETÊNCIA DELEGADA. SE SIM, ADEQUAR PARA
A NOMENCLATURA ESTADUAL>
Segurado(a), nacionalidade, estado civil, trabalhador rural, residente e
domiciliado(a) na Rua, Bairro, Cidade, Estado, inscrito(a) no CPF sob o n.º, vem
à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seus procuradores
constituídos, propor a presente AÇÃO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO, em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
– INSS, pessoa jurídica de direito público, autarquia federal, com endereço
na..., <endereço para citação/intimação a ser verificado de acordo com a
cidade e estado que se ingressa com a ação>, pelos fatos e fundamentos que
a seguir aduz:

1. DOS FATOS <ADEQUAR AO CASO CONCRETO>


A Parte Autora era trabalhador(a) rural e exercia suas atividades em
regime de economia familiar.
Desde a infância, executou suas tarefas laborais nas terras do pai, no
município de___________. Após seu casamento, continuou a laborar nas terras
do casal.
Em 00.00.2000, a Parte Autora mudou-se para o meio urbano e começou a
desenvolver atividades de pintor, iniciando a contribuir na condição de
segurado obrigatório do RGPS, como contribuinte individual. <ADEQUAR AO
CASO>.
Após completar todos os requisitos para a concessão da aposentadoria por
idade, a Parte Autora requereu o benefício previdenciário.
No entanto, não logrou o êxito desejado e seu pedido foi indeferido, pois o
INSS entendeu que não houve comprovação do tempo de carência exigido.
Inconformada com a decisão proferida pela Autarquia Ré, vem, a Parte
Autora, perante este Emérito Julgador, requerer a concessão de seu benefício
de aposentadoria por idade.
É, em apertada síntese, a resenha fática necessária.

2. DAS PROVAS <ADEQUAR AO CASO CONCRETO>


Além dos depoimentos das testemunhas arroladas para a prova do tempo
rural, a Parte Autora juntou, ao processo administrativo bem como à presente
inicial:
1) Documento n.º 1 – Certidão de nascimento da Parte Autora, qualificando
o seu pai como lavrador, em 00.00.0000;
2) Documento n.º 2 – Certidão de casamento da Parte Autora, qualificando
o seu esposo como lavrador, celebrado em 00.00.0000;
<INCLUIR A LISTAGEM DE DOCUMENTOS MAIS IMPORTANTES ACOSTADOS
NA INICIAL, COM UMA PEQUENA EXPLICAÇÃO SOBRE ELES, A EXEMPLO DOS
ITENS 1 E 2 ACIMA>.
Destaca-se, entretanto, que não houve controvérsia no tocante ao
exercício da atividade rural, sendo o indeferimento administrativo justificado
pela impossibilidade de soma do tempo rural com o tempo urbano para fins de
carência. <ADEQUAR O CASO. SE HOUVER DIVERGÊNCIA NO TOCANTE AO
TEMPO RURAL, A INICIAL DEVE SER MAIS DETALHADA QUANTO A ESSE
PEDIDO>.

3. DO DIREITO <ADEQUAR AO CASO CONCRETO>

De acordo com o Plano de Benefício da Previdência Social, os trabalhadores


rurais que exercem suas atividades em regime de economia familiar podem
requerer o benefício previdenciário de aposentadoria por idade, desde que
tenham preenchido os seguintes requisitos:
a) comprovem o exercício de atividade rural, ainda que descontínua, no
período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em número de
meses idêntico à carência do referido benefício, nos termos dos artigos 55, §
2.º; 26, inciso III; 39, inciso I; 142 e 143 da Lei n.º 8.213/1991; e
b) completados 60 anos de idade, se homem, e 55 anos de idade, se
mulher, nos termos do artigo 201, § 7.º, inciso II, in fine da CRFB/1988.
Já no tocante aos segurados urbanos, exige-se a carência de 180
contribuições e a idade de 65 anos, se homem, e 60 anos, se mulher.
No caso concreto, a controvérsia envolve a concessão de aposentadoria
prevista na Lei n.º 11.718/2008, que alterou o artigo 48 da Lei n.º 8.213, de
1991, que passou a ter a seguinte redação:
Art. 48. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a
carência exigida nesta Lei, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se
homem, e 60 (sessenta), se mulher.
(Redação dada pela Lei n.º 9.032, de 1995)
§ 1.º Os limites fixados no caput são reduzidos para sessenta e cinquenta e
cinco anos no caso de trabalhadores rurais, respectivamente homens e
mulheres, referidos na alínea a do inciso I, na alínea g do inciso V e nos incisos
VI e VII do art. 11. (Redação dada pela Lei n.º 9.876, de 1999)
§ 2.º Para os efeitos do disposto no § 1.º deste artigo, o trabalhador rural deve
comprovar o efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma
descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício,
por tempo igual ao número de meses de contribuição correspondente à
carência do benefício pretendido, computado o período a que se referem os
incisos III a VIII do § 9.º do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei n.º 11,718,
de 2008)
§ 3.º Os trabalhadores rurais de que trata o § 1.º deste artigo que não atendam
ao disposto no § 2.º deste artigo, mas que satisfaçam essa condição, se forem
considerados períodos de contribuição sob outras categorias do segurado, farão
jus ao benefício ao completarem 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se
homem, e 60 (sessenta) anos, se mulher. (Incluído pela Lei n.º 11.718, de
2008)
§ 4.º Para efeito do § 3.º deste artigo, o cálculo da renda mensal do benefício
será apurado de acordo com o disposto no inciso II do caput do art. 29 desta
Lei, considerando-se como salário de contribuição mensal do período como
segurado especial o limite mínimo de salário de contribuição da Previdência
Social. (Incluído pela Lei n.º 11.718, de 2008)

A Parte Autora requer aplicação do § 3.º desse dispositivo, não de forma


literal, mas adequada a sua realidade contributiva. Destaca-se que essa possui
mais de 180 meses de carência, se contados os tempos rural e urbano.
Em razão do princípio da isonomia e do caráter social do benefício de
aposentadoria por idade, não se pode adotar o entendimento segundo o qual
somente os trabalhadores que estejam no meio rural, no momento do
atingimento da idade, farão jus à aposentadoria “mista” ao completarem 65
anos de idade, se homem, e 60 anos, se mulher.
As normas previdenciárias devem ser interpretadas com base nos
princípios constitucionais que regem o sistema, especialmente aqueles
contidos nos art. 194, parágrafo único, e art. 201 da CF/1988.
Assim, em respeito ao princípio da uniformidade e da equivalência dos
benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, previsto no art. 194,
parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, é possível a concessão de
aposentadoria por idade para qualquer espécie de segurado, mediante a
contagem, para fins de carência, de períodos de contribuição, como segurado
urbano ou rural, e de períodos, com ou sem a realização de contribuições
facultativas, de segurado especial.
Não existe justificativa fática ou jurídica para que se estabeleça qualquer
discriminação em relação ao segurado urbano no que tange à contagem, para
fins de carência, do período laborado como segurado especial sem contribuição
facultativa, já que o requisito etário para ambos – neste caso – é o mesmo.
Neste sentido, o precedente que segue:
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE. REQUISITOS LEGAIS.
COMPROVAÇÃO. LEI N.º 11.718/2008. LEI 8.213, ART. 48, § 3.º. TRABALHO
RURAL E TRABALHO URBANO. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO A SEGURADO QUE
NÃO ESTÁ DESEMPENHANDO ATIVIDADE RURAL NO MOMENTO DA
IMPLEMENTAÇÃO DOS REQUISITOS. POSSIBILIDADE.
1. É devida a aposentadoria por idade mediante conjugação de tempo rural e
urbano durante o período aquisitivo do direito, a teor do disposto na Lei n.º
11.718, de 2008, que acrescentou § 3.º ao art. 48 da Lei n.º 8.213, de 1991,
desde que cumprido o requisito etário de 60 anos para mulher e de 65 anos
para homem.
2. Ao § 3.º do artigo 48 da LB não pode ser emprestada interpretação restritiva.
Tratando-se de trabalhador rural que migrou para a área urbana, o fato de não
estar desempenhando atividade rural por ocasião do requerimento
administrativo não pode servir de obstáculo à concessão do benefício. A se
entender assim, o trabalhador seria prejudicado por passar contribuir, o que
seria um contrassenso. A condição de trabalhador rural, ademais, poderia ser
readquirida com o desempenho de apenas um mês nesta atividade. Não teria
sentido se exigir o retorno do trabalhador às lides rurais por apenas um mês
para fazer jus à aposentadoria por idade.
3. O que a modificação legislativa permitiu foi, em rigor, para o caso específico
da aposentadoria por idade aos 60 (sessenta) ou 65 (sessenta e cinco) anos
(mulher ou homem), o aproveitamento do tempo rural para fins de carência,
com a consideração de salários de contribuição pelo valor mínimo no que toca
ao período rural.
4. Não há, à luz dos princípios da universalidade e da uniformidade e equivalência
dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, e bem assim do
princípio da razoabilidade, como se negar a aplicação do artigo 48, § 3.º, da Lei
n.º 8.213/1991, ao trabalhador que exerceu atividade rural, mas no momento do
implemento do requisito etário (sessenta ou sessenta e cinco anos), está
desempenhando atividade urbana.
(TRF4. AC n.º 5002233-33.2010.404.7000. Quinta Turma. Relator Des. Fed.
Ricardo Teixeira do Valle Pereira. De: 30.9.2011)

O TRF da 4ª Região acabou por editar a Súmula n.º 103, confirmando essa
orientação:
A concessão da aposentadoria híbrida ou mista, prevista no art. 48, § 3º, da Lei
nº 8.213/91, não está condicionada ao desempenho de atividade rurícola pelo
segurado no momento imediatamente anterior ao requerimento administrativo,
sendo, pois, irrelevante a natureza do trabalho exercido neste período.

A Turma Nacional de Uniformização dos JEFs também firmou tese nesse


sentido, em representativo de controvérsia:
Para a concessão da aposentadoria por idade híbrida ou mista, na forma do art.
48, § 3.º, da Lei n. 8.213/91, cujo requisito etário é o mesmo exigido para a
aposentadoria por idade urbana, é irrelevante o caráter rural ou urbano da
atividade exercida pelo requerente. Ademais, não há vedação para que o tempo
rural anterior à Lei 8.213/91 seja considerado para efeito de carência, ainda que
não verificado o recolhimento das respectivas contribuições.
(Representativo de Controvérsia n.º 131, PEDILEF 5009416-32.2013.4.04.7200,
Rel. Juíza Federal Ângela Cristina Monteiro, j. em 20.10.2016)

Cabe destacar que o STJ está alinhado a essa interpretação e possibilita a


concessão desse benefício aos trabalhadores que se encontram na área urbana
ou rural no momento do implemento dos requisitos ou na data do
requerimento:
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA. ART. 48, §§ 3.º e 4.º,
DA LEI 8.213/1991. TRABALHO URBANO E RURAL NO PERÍODO DE CARÊNCIA.
REQUISITO. LABOR CAMPESINO NO MOMENTO DO IMPLEMENTO DO REQUISTO
ETÁRIO OU DO REQUERIMENTO ADMINSTRATIVO. EXIGÊNCIA AFASTADA.
CONTRIBUIÇÕES. TRABALHO RURAL. CONTRIBUIÇÕES. DESNECESSIDADE.
(...) 7. Assim, a denominada aposentadoria por idade híbrida ou mista (art. 48,
§§ 3.º e 4.º, da Lei 8.213/1991) aponta para um horizonte de equilíbrio entre a
evolução das relações sociais e o Direito, o que ampara aqueles que
efetivamente trabalharam e repercute, por conseguinte, na redução dos
conflitos submetidos ao Poder Judiciário.
8. Essa nova possibilidade de aposentadoria por idade não representa
desequilíbrio atuarial, pois, além de exigir idade mínima equivalente à
aposentadoria por idade urbana (superior em cinco anos à aposentadoria rural),
conta com lapso de contribuição direta do segurado que aposentadoria por
idade rural não exige. (...)
11. Assim, seja qual for a predominância do labor misto no período de carência
ou o tipo de trabalho exercido no momento do implemento do requisito etário
ou do requerimento administrativo, o trabalhador tem direito a se aposentar
com as idades citadas no § 3.º do art. 48 da Lei 8.213/1991, desde que
cumprida a carência com a utilização de labor urbano ou rural. Por outro lado,
se a carência foi cumprida exclusivamente como trabalhador urbano, sob esse
regime o segurado será aposentado (caput do art. 48), o que vale também para
o labor exclusivamente rurícola (§§ 1.º e 2.º da Lei 8.213/1991). (...)
(REsp n.º 1.407.613/RS, 2.ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe
28.11.2014).

O STJ definiu ainda que, no caso da aposentadoria híbrida por idade, a


renda inicial será calculada conforme a média aritmética simples dos maiores
salários de contribuição, correspondentes a 80% de todo o período
contributivo, considerando-se como salário de contribuição mensal do período
como segurado especial o limite mínimo de salário de contribuição da
Previdência Social (art. 48, § 4.º, da Lei n.º 8.213/1991 c/c art. 29, II, da mesma
lei – v.g., AREsp n.º 397.348/RS, 2.ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe
03.10.2013).
Enfatiza-se que, para essa espécie de aposentadoria híbrida ou mista, pode
ser computado como carência até mesmo o tempo rural anterior a 1.º.11.1991,
não se aplicando a restrição do art. 55, § 2.º, da Lei n.º 8.213/1991, que dispõe:
§ 2.º O tempo de serviço do segurado trabalhador rural, anterior à data de início
de vigência desta Lei, será computado independentemente do recolhimento
das contribuições a ele correspondentes, exceto para efeito de carência,
conforme dispuser o Regulamento.

Considerando-se que a Lei n.º 11.718/2008 disciplinou de forma inovadora


o cômputo de tempo rural (admitindo-o para efeito de carência) e por ser
norma posterior, deve prevalecer o entendimento de que o regramento referido
(art. 55, § 2.º, da LB) não tem aplicabilidade para essa modalidade de
aposentadoria.
Vale observar que essa nova espécie de benefício possui sistemática de
cálculo do salário de benefício idêntica à prevista para concessão da
aposentadoria por invalidez e especial, conforme determina o § 4.º do art. 48
da Lei n.º 8.213/1991, ou seja, poderá até mesmo ter valor superior ao do
salário mínimo.
Assim, para o cálculo do salário de benefício, serão considerados os 80%
maiores salários de contribuição do segurado (art. 29, II, da Lei n.º
8.213/1991), assim entendidos:

– o valor do salário mínimo para os períodos como segurado especial


(sem contribuição facultativa); e
– para os outros períodos de contribuição sob outras categorias de
segurados, os salários de contribuição respectivos referentes a tais
categorias de segurados.

O coeficiente de cálculo será de 70% mais o acréscimo de 1% para cada


grupo de 12 contribuições até o máximo de 100% do salário de benefício. No
caso, para efeito de fixação do coeficiente, serão consideradas as contribuições
diretas e, também, os meses de efetivo exercício de atividade rural como
segurado especial. Exemplificando, no caso de um segurado que possua 10
anos de tempo rural e 5 de tempo urbano, o coeficiente de cálculo será de
85%, aplicável sobre o salário de benefício.
Nesta espécie de aposentadoria híbrida, não se aplica o fator
previdenciário, mesmo que pudesse ser positivo, pois a referência feita pelo
art. 48, § 4.º, da Lei n.º 8.213/1991 (inserido pela Lei n.º 11.718/2008) indica,
como parâmetro de cálculo, os benefícios não sujeitos ao FP.
No caso em exame, a Parte Autora deixou o campo e foi trabalhar na
cidade, situação fática que se enquadra nas novas regras para concessão da
aposentadoria por idade, prevista na Lei n.º 11.718/2008. <ADEQUAR AO CASO
CONCRETO>
Por ser mulher, deve comprovar idade mínima de 60 anos e carência
de...meses (art. 142 da Lei n.º 8.213/1991 – nascida em....)., podendo somar o
tempo de atividade em regime de economia familiar e o tempo de contribuição
como segurada urbana constante da Certidão de Tempo de Contribuição
expedida pelo INSS. <ADEQUAR AO CASO CONCRETO>
Merece acolhida, portanto, a presente Ação, devendo, o INSS, ser
condenado a conceder o benefício de aposentadoria por idade mista, com
contagem de tempo rural e urbano.

4. DA REAFIRMAÇÃO DA DER
A presente ação visa a concessão do benefício assim como o início do
pagamento a partir da data de entrada do requerimento administrativo (DER).
Entretanto, caso seja entendido que nessa data não havia possibilidade da
concessão do benefício na forma pleiteada ou que melhor benefício seria
possível durante o curso da presente ação, requer seja aceita a reafirmação da
DER visando à garantia do melhor benefício.
A reafirmação da DER está disciplina na via administrativa pela Instrução
Normativa nº 77/2015 do INSS:
Art. 690. Se durante a análise do requerimento for verificado que na DER o
segurado não satisfazia os requisitos para o reconhecimento do direito, mas
que os implementou em momento posterior, deverá o servidor informar ao
interessado sobre a possibilidade de reafirmação da DER, exigindo-se para sua
efetivação a expressa concordância por escrito.
Parágrafo único. O disposto no caput aplica-se a todas as situações que
resultem em benefício mais vantajoso ao interessado.

Com base nessa previsão administrativa, o Superior Tribunal de Justiça


fixou orientação no sentido de que a reafirmação da DER deve ser aplicada no
âmbito do processo judicial em qualquer grau de jurisdição:
“Essa mesma medida deve ser adotada no âmbito do processo judicial, nos
termos do art. 462 do CPC, segundo o qual a constatação de fato superveniente
que possa influir na solução do litígio deve ser considerada pelo Tribunal
competente para o julgamento, sendo certo que a regra processual não se
limita ao Juízo de primeiro grau, porquanto a tutela jurisdicional, em qualquer
grau de jurisdição, deve solucionar a lide na forma como se apresenta no
momento do julgamento” (REsp 1296267/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes
Maia Filho, 1ª Turma, DJe 11.12.2015). No mesmo sentido: REsp 1640310/RS, 2ª
Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, DJe 27.4.2017.

Esse reconhecimento do STJ parte do pressuposto de que diante das


“disposições normativas e dos princípios da economia e da celeridade
processual, bem como do caráter social das normas que regulamentam os
benefícios previdenciários, não há óbice ao deferimento do benefício, mesmo
que preenchidos os requisitos após o ajuizamento da ação.”
A diretriz adotada pelo STJ tem sido observada pelas instâncias inferiores,
conforme se observa dos julgados do TRF da 4ª Região: IAC nº 5007975-
25.2013.404.7003, 3ª Seção, Relator Des. Fed. Paulo Afonso Brum Vaz, em
06/04/2017; e da TNU: PEDILEF n. 00092729020094036302, Juíza Federal
Flávia Pellegrino Soares Millani, DOU 28.10.2016.
Assim, requer-se a análise do direito a reafirmação da DER para fins da
garantia ao melhor benefício no caso concreto.

5. DO PREQUESTIONAMENTO <ADEQUAR AO CASO CONCRETO>


Resta clara a violação aos ditames constitucionais e legislação federal, da
qual destacamos os artigos <ADEQUAR AO CASO CONCRETO, CITANDO
NOMINALMENTE OS ARTIGOS, INCLUSIVE COM PARÁGRAFOS E INCISOS,
LEMBRANDO DE INCLUIR TAMBÉM LEGISLAÇÃO FEDERAL MESMO PARA AÇÕES
DE JUIZADOS, TENDO EM VISTA A ATUAL POSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE
IRDR>.

6. DOS REQUERIMENTOS <ADEQUAR AO CASO CONCRETO>


Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência:
a) a citação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, para, querendo,
responder à presente demanda, no prazo legal;
b) a determinação ao INSS para que, na primeira oportunidade em que se
pronunciar nos autos, apresente o Processo de Concessão do Benefício
Previdenciário para apuração dos valores devidos à Parte Autora, conforme
determinado pelo art. 11 da Lei n.º 10.259/2001, sob pena de cominação de
multa diária, nos termos do art. 139, IV, do Código de Processo Civil/2015, a ser
fixada por esse Juízo;
c) a procedência da pretensão deduzida, consoante narrado nesta inicial,
condenando-se o INSS a conceder o benefício de aposentadoria por idade à
Parte Autora;
d) a condenação do INSS ao pagamento do benefício previdenciário desde a
data de entrada do requerimento administrativo (DER – 00.00.2000) ou na DER a
ser reafirmada em proteção ao direito ao melhor benefício <VERIFICAR TAMBÉM
SE A PARTE ERA EMPREGADA E SE ENCERROU O CONTRATO DE TRABALHO
DENTRO DE 90 DIAS ANTES DO REQUERIMENTO. SE FOR ESSE O CASO, PODE-SE
PEDIR A CONCESSÃO DESDE A RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO,
CONFORME ART. 491 DA LEI N.º 8.213/1991>.
e) a condenação do INSS ao pagamento dos valores acumulados,
atualizados monetariamente segundo o IPCA-E, a partir do vencimento de cada
prestação até a efetiva liquidação, respeitada a prescrição quinquenal, e ainda

1 Art. 49. A aposentadoria por idade será devida:


I – ao segurado empregado, inclusive o doméstico, a partir:
a) da data do desligamento do emprego, quando requerida até essa data ou até
90 (noventa) dias depois dela; ou
b) da data do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou
quando for requerida após o prazo previsto na alínea “a”;
II – para os demais segurados, da data da entrada do requerimento.
a aplicação de juros moratórios segundo a remuneração da caderneta de
poupança, na forma do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela
Lei nº 11.960/09 (STF - Repercussão Geral – Tema 810: RE 870.947/SE);
f) a condenação do INSS ao pagamento de custas, despesas e de
honorários advocatícios, na base de 20% (vinte por cento) dos valores devidos
apurados em liquidação de sentença, conforme dispõem o art. 55 da Lei n.º
9.099/1995 e o art. 85, § 3.º, do Código de Processo Civil/2015.
g) a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, inclusive a
oitiva de testemunhas, se necessária, sem exclusão de nenhum outro meio de
prova que se fizer necessário ao deslinde da demanda;
h) cumprindo a previsão do art. 319, VII, do Código de Processo Civil/2015, a
parte autora declara que opta pela realização <OU NÃO REALIZAÇÃO, ADEQUAR
CONFORME O INTERESSE EM CADA CASO> de audiência de conciliação no
presente caso;
Requer-se, ainda, por ser a Parte Autora pessoa hipossuficiente, na
acepção jurídica do termo, sem condições de arcar com as despesas
processuais e os honorários advocatícios sucumbenciais sem prejuízo de seu
sustento e de sua família, a concessão da Gratuidade da Justiça, na forma do
art. 98 e ss do CPC/2015. <RECOMENDA-SE A COLETA, PELO ADVOGADO, DE
DECLARAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA DO CLIENTE, CASO SEJA REQUERIDA A
JUSTIÇA GRATUITA. DEVE-SE, TAMBÉM, DE PREFERÊNCIA, FAZER A JUNTADA DE
TAL DECLARAÇÃO NOS AUTOS, JÁ NA INICIAL>.
Requer-se, com base no § 4.º do art. 22 da Lei n.º 8.906/1994, que, ao final
da presente demanda, caso sejam encontradas diferenças em favor do(a)
autor(a), quando da expedição da RPV ou do precatório, os valores referentes
aos honorários contratuais e sucumbenciais sejam expedidos em nome da
sociedade de advogados contratada pela parte Autora, sendo os honorários
contratuais devidos no percentual constante no contrato em anexo.
Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (Mil reais). <ADEQUAR CONFORME O
CASO>.
Nesses termos,
PEDE DEFERIMENTO.
Cidade e data.
Nome do Advogado e OAB
TESTEMUNHAS: <SE FOR NECESSÁRIA A PROVA DO TEMPO RURAL>

nome – CPF – Endereço

nome – CPF – Endereço

nome – CPF – Endereço