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UNIVERSIDADE DE ÉVORA

ESCOLA DE ARTES

DEPARTAMENTO DE MÚSICA

Recensão Crítica

Travassos, E. (2007). John Blacking ou uma


humanidade sonora e saudavelmente
organizada. Cadernos de Campo (São Paulo,
1991), 16(16), 191-200.

Alexandre Gouveia
Nº 40530

Professor Doutor Pedro Moreira

Licenciatura em música
Trabalho para a disciplina de Etnomusicologia I
Évora, 2018/2019

Obra em análise

Travassos, E. (2007). John Blacking ou uma humanidade sonora e saudavelmente


organizada. Cadernos de Campo (São Paulo, 1991), 16(16), 191-200.

Breve resumo

O artigo em análise tem como foco primordial a antropologia da musicalidade,


expressa no trabalho de John Blacking “Venda children’s songs“, dividido em três
subtemas:

 A análise cultural da música onde é defendida a anterioridade filogenética da


dança e da música;
 Corpo e Cognição aborda os processos cognitivos e sociais na estrutura da
música;
 Protomúsica e protodanç a na constituiç ão do homem foca a inter-relação entre
musica e dança;

O foco desta recensão irá recair sobre os subtemas “A análise cultural da música“
e “Protomúsica e protodança na constituição do homem“.

Análise Crítica da Obra

O artigo em questão demonstra com clarividência que a investigação de John


Blacking, na área da etnomusicologia ,“was an odyssey of discovery, extending over a
lifetime, of the properties of musical intersubjectivity; how music works as a medium of
communication between people, and how it brings them together”. ( Byron R.,1995, p.1).

Concordando, por inteiro, com esta afirmação poder-se-á realçar que “ falar sobre
a etnomusicologia remete imediatamente à questão da etnografia e das práticas de
trabalho de campo” (Piedade A.,2010 , p.63). Assim, durante vinte e dois meses, Blacking
comprova as suas convicções, junto da população venda, produzindo material etnográfico
que resultaria em matéria para indagações e análises.
Efetivamente, na pesquisa de campo, o investigador ainda “describes the formal
properties of Venda music and its instrumentation, and the range of social occasions on
which children´s music is perfomed.” ( Byron R.,1995, p.9/10).

Portanto fica claro que a música também é essencialmente um fenómeno cultural,


ocupando um espaço primordial nas nossas vidas. Neste sentido, apesar de Fonseca
(2008) considerar que “a psicomotricidade tende atualmente a ser reconceitualizada” ,
busca-se a afirmação de Blacking (1980b) onde refere que “a aquisiçaõ de habilidades
musicais naõ era ditada pela evoluçaõ psicomotora dos indivíduos, mas sim por normas
e crenças acerca dos tipos de música e dança”.

Neste entendimento, pode-se afirmar que a música transporta uma carga social e
cultural inseparável, ou seja, baseado num contexto. É sabido que com estas evidências,
o etnomusicólogo Hornbostel, que havia avançado a teoria da “pura melodia” dos
“primitivos”, é contestado.

Neste sub tema do artigo a autora fala da visão de blacking acerca da música e da dança
na sociedade e na cultura do povo venda.

Blacking tinha uma visão própria da etnomusicologia e desta visão resultou uma definição
original da musicologia como estudo do Homem enquanto produtor de música.

Para Blacking, música e dança devem estar sempre associadas.

No seu último trabalho publicado, " The biology of music making " , blacking comentou
3 hipóteses que explicavam a musicalidade em várias sociedades:

- na primeira hipótese, defende que a música é uma coisa aprendida e portanto é social;

- na segunda, diz que a música é uma capacidade herdada geneticamente;

- na terceira, diz que sendo herdada geneticamente pode ser usada como a aptidão para a
linguagem.