Você está na página 1de 85

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA

RODRIGO CONRADI ANTUNES

SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DO TRABALHO


BASEADO EM FERRAMENTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA
DE SEGURANÇA

Florianópolis
2018
RODRIGO CONRADI ANTUNES

SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DO TRABALHO


BASEADO EM FERRAMENTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA
DE SEGURANÇA

Monografia apresentada ao Curso de


Especialização em Engenharia de Segurança
do Trabalho da Universidade do Sul de Santa
Catarina como requisito parcial à obtenção do
título de Especialista em Engenharia de
Segurança do Trabalho.

Orientador: Prof. Ms. José Humberto Dias de Tolêdo

Florianópolis
2018
RODRIGO CONRADI ANTUNES

SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA DO TRABALHO


BASEADO EM FERRAMENTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA
DE SEGURANÇA

Esta Monografia foi julgada adequada à


obtenção do título de Especialista em
Engenharia de Segurança do Trabalho e
aprovada em sua forma final pelo Curso de
Especialização em Engenharia de Segurança
do Trabalho da Universidade do Sul de Santa
Catarina.

Florianópolis, 03 de Março de 2018.

______________________________________________________
Professor e Orientador José Humberto Dias de Tolêdo, Ms.
Universidade do Sul de Santa Catarina
A minha esposa e meus pais, por acreditarem e
me incentivarem em todos os momentos da
minha vida.
AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus, por nos dar a vida, a sabedoria para viver e
fazer as melhores escolhas, a coragem para enfrentar os obstáculos e a oportunidade de, com
nosso próprio esforço, construir uma carreira profissional com dignidade e merecimento.
Meu carinhoso agradecimento a minha esposa Stela que, esteve todo tempo ao
meu lado dando amor, carinho e amizade. Agradeço aos meus pais, Ivan e Ivone, meus
maiores exemplos. Obrigado por todo amor e carinho, pelas orações em meu favor, pela
preocupação para que estivesse sempre andando pelo caminho correto. Este trabalho é parte
de vocês.
Aos professores que passaram por nossas vidas deixando ensinamentos e
conhecimentos, colaborando diretamente com a nossa formação, não apenas como
profissionais, mas como pessoas que me fizeram entender que é possível tornar nossos
anseios realidade.
A todos os meus familiares e amigos, pela torcida na superação e conquista de
mais este desafio.
À Empresa e a todos os envolvidos na pesquisa. Agradecimento especial a
Gerente de RH e a Supervisora de Segurança, Meio Ambiente e Saúde que abriram as portas
da empresa, permitindo, assim, a realização desta pesquisa.
Enfim, agradeço a todos aqueles que direta e indiretamente me apoiaram e
contribuíram para a realização deste trabalho.
“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém
ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” (Arthur Schopenhauer).
RESUMO

Os acidentes de trabalho trazem prejuízos de ordem financeira e emocional às empresas,


governo e trabalhadores. A busca constante por estratégias eficazes para a redução e, até a
eliminação total dos riscos, tornou-se uma meta prioritária a ser conquistada por todos. Os
problemas decorrentes de pessoas acidentadas, reclamatórias trabalhistas e de máquinas
paradas, comprometem a competitividade e gera uma imagem negativa da empresa perante
clientes e a comunidade. Esta monografia busca apresentar e desenvolver um sistema de
gestão de segurança do trabalho com objetivo de melhorar a cultura de segurança. Neste
método, líderes trabalham de forma atuante na aplicação de ferramentas de segurança que
visam aprimorar a percepção de riscos de todos os trabalhadores. A aplicação de ferramentas
comportamentais, como diálogo diário de segurança, instruções de segurança, inspeção de
segurança e de registro de incidentes, reforçam a consciência dos perigos e riscos em que o
colaborador está exposto. O trabalhador que desenvolve hábitos adequados de prevenção
ajuda a criar a cultura da segurança e contribui para a criação de um ambiente saudável e
produtivo. Através da implantação das ferramentas de segurança, percebeu-se que a
participação e envolvimento dos próprios colaboradores aumentaram significativamente,
eliminando e identificando condições de riscos que poderiam levar a um acidente.
Consequentemente levando a redução dos custos por não ter colaboradores afastados, compra
de medicamentos, máquinas paradas, etc.

Palavras-chave: Redução. Sistema de gestão de segurança do trabalho. Cultura de segurança.


ABSTRACT

Work-related accident bring financial and emotional damage to companies, government and
workers. The constant pursuit of effective strategies for reducing and even eliminating all the
risks has become a priority goal to be achieved by all. The problems arising from injured
people, labor claims and stationary machines, compromise the competitiveness and generate a
negative image of the company toward the customers and the community. This monograph
seeks to present and develop a work safety management system aimed to improve the safety
culture. In this method, leaders work actively in the application of safety tools that aim to
improve the risk perception of all workers. The application of behavioral tools such as daily
safety dialogue, safety instructions, safety inspection and incident recording reinforces the
awareness of the hazards and the risks in which the employee is exposed. A worker who
develops appropriate prevention habits helps to create a safety culture and contributes to the
creation of a healthy and productive environment. Through the implementation of safety tools,
it was noticed that the participation and involvement of the employees themselves increased
significantly, eliminating and identifying risk conditions that could lead to an accident. As a
consequence, this leads to a reduction of costs by not having detached employees, reducing on
medicines buying, reducing stationary machines, etc.

Keywords: Reduction. Work safety management system. Safety culture.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1 – PIRÂMIDE FRANK BIRD................................................................................ 19


FIGURA 2 – CÃO BRAVO..................................................................................................... 23
FIGURA 3 – AUMENTANDO O RISCO............................................................................... 28
FIGURA 4 – CULTURA ORGANIZACIONAL E VALORES.............................................. 30
FIGURA 5 – FONTES INESPERADAS................................................................................. 33
FIGURA 6 – ICEBERG DA SEGURANÇA DO TRABALHO..............................................33
FIGURA 7 – PROCESSO DE APRENDIZAGEM..................................................................34
FIGURA 8 – FILOSOFIA ANTIGA E ATUAL...................................................................... 35
FIGURA 9 – REGISTRO DE INCIDENTE............................................................................ 39
FIGURA 10 – CRUZ DE SEGURANÇA DO TRABALHO...................................................40
FIGURA 11 – ANÁLISE DE PERIGOS E RISCOS............................................................... 42
FIGURA 12 – IS – INSTRUÇÃO DE SEGURANÇA............................................................ 46
FIGURA 13 – IS – INSTRUÇÃO DE SEGURANÇA NO POSTO DE TRABALHO........... 46
FIGURA 14 – ROTEIRO DE TREINAMENTO..................................................................... 47
FIGURA 15 – QUESTIONÁRIO DE SEGURANÇA DO TRABALHO................................48
FIGURA 16 – MANUAL DE INTEGRAÇÃO DE SEGURANÇA........................................ 49
FIGURA 17 – DIÁLOGO DIÁRIO DE SEGURANÇA..........................................................50
FIGURA 18 – REUNIÃO DA PRODUÇÃO........................................................................... 52
FIGURA 19 – QUADRO DE GESTÃO À VISTA..................................................................53
FIGURA 20 – GERENCIAMENTO DOS INDICADORES................................................... 54
FIGURA 21 – PIRÂMIDE FRANK BIRD.............................................................................. 55
FIGURA 22 – COMPARATIVO DOS RESULTADOS (2016 E 2017)................................. 56
LISTA DE SIGLAS

CIPA – COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES;


CLT – CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO;
FAP – FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO;
SAT – SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO;
EPI – EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL;
OHSAS – OCCUPATIONAL HEALTH AND SAFETY ASSESSMENT SERVICES
(SAÚDE OCUPACIONAL E SERVIÇOS DE AVALIAÇÃO DA SEGURANÇA);
NR – NORMA REGULAMENTADORA;
NBR – NORMA BRASILEIRA, DENOMINAÇÃO DE NORMA DA ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT);
OIT – ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO;
DDS – DIÁLOGO DIÁRIO DE SEGURANÇA;
SMS – SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................13
1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO................................................................................................. 14
1.2 PROBLEMA DE PESQUISA............................................................................................ 14
1.3 JUSTIFICATIVA............................................................................................................... 15
1.4 OBJETIVOS....................................................................................................................... 15
1.4.1 Objetivo Geral................................................................................................................ 15
1.4.2 Objetivos Específicos..................................................................................................... 15
1.5 METODOLOGIA............................................................................................................... 16
1.5.1. Abordagem da pesquisa............................................................................................... 16
1.5.2. Tipo de pesquisa............................................................................................................ 16
1.5.3. Método da pesquisa.......................................................................................................16
1.5.4. Coleta de dados............................................................................................................. 17
1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO....................................................................................... 17
2 REFERENCIAL TEÓRICO...............................................................................................18
2.1 HISTÓRIA DA SEGURANÇA DO TRABALHO............................................................ 18
2.2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE SEGURANÇA DO TRABALHO............................. 22
2.3 SEGURANÇA DO TRABALHO.......................................................................................23
2.4 SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO..................... 25
2.5 GERENCIAMENTO DE RISCO....................................................................................... 26
2.6 CULTURA DE SEGURANÇA.......................................................................................... 28
2.7 VISÃO COMPORTAMENTAL........................................................................................ 31
2.8 SEGURANÇA COMPORTAMENTAL............................................................................ 32
2.9 PERCEPÇÃO DE RISCO.................................................................................................. 36
2.10 FERRAMENTAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO................................................ 37
3 MATERIAIS E MÉTODOS............................................................................................... 41
3.1 ANÁLISE DOS PERIGOS E RISCOS.............................................................................. 41
3.2 INSTRUÇÃO DE SEGURANÇA DO TRABALHO........................................................ 45
3.3 TREINAMENTO................................................................................................................47
3.4 FERRAMENTAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO.................................................. 48
3.5 MONITORAMENTO E ACOMPANHAMENTO DE INDICADORES.......................... 53
3.6 INDICADORES DE SEGURANÇA DO TRABALHO.................................................... 55
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS........................................................................................ 56
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................. 58
REFERÊNCIAS...................................................................................................................... 60
APÊNDICES........................................................................................................................... 63
Apêndice A - MANUAL DE FERRAMENTAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO... 64
13

1 INTRODUÇÃO

A forte e crescente pressão do ambiente competitivo em que as empresas estão


submetidas faz com que muitos empresários e seus líderes não tenham a devida atenção
quanto ao ambiente de trabalho oferecido a seus empregados e provavelmente, não percebem
as possibilidades de riscos a que esses profissionais se expõem todos os dias.
O estudo de segurança do trabalho ganhou muita importância depois da revolução
industrial, para regulamentar as condições de trabalho e com isso prevenir a ocorrência de
acidentes (MATTOS, 2011).
Nos últimos anos, diversos campos do conhecimento vêm colaborando para o
entendimento dos riscos, bem como as empresas também têm se mostrado mais interessadas.
Entretanto, observa-se dificuldade das organizações para implantar programas de segurança
do trabalho eficazes. Não basta somente identificar os riscos existentes, promover um plano
de prevenção de acidentes, estabelecer a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes),
se não há impacto na cultura organizacional. Isso acontece porque programas de segurança do
trabalho exigem mobilização e conscientização geral na estrutura da empresa.
Os índices de acidentes de trabalho no Brasil são enormes, além do fator humano,
os acidentes estabelecem grandes despesas financeiras às pessoas, às empresas e a
comunidade em geral. Somente no Brasil em 2012, tivemos 705.239 acidentes e 2.731 mortes,
isto significa 7,5 mortes por dia conforme comunicação da Previdência Social. O custo dos
acidentes para o Brasil chega a R$ 71 bilhões por ano, o equivalente a quase 9% da folha
salarial do País, da ordem de R$ 800 bilhões. O cálculo é do sociólogo José Pastore, professor
de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (PASTORE, 2012).
A legislação brasileira vem evoluindo para requerer melhorias das condições de
trabalho dentro das empresas, com objetivo de prevenir acidentes, forçando empresas, a
disponibilizar recursos para segurança do trabalho. Este setor vem cada vez mais ganhando
destaque importante nos acordos coletivos, e reivindicações de trabalhadores juntamente com
os sindicatos e até o próprio governo. Entretanto, todos estes esforços existentes para
prevenção de acidentes são insuficientes quando o ser humano não está comprometido,
consciente e atento. A grande maioria dos acidentes acontece pela falha humana, ou seja, falta
de atenção, informação, treinamento, ou pela pressa, cansaço, frustração, etc. (DUPONT,
2010).
Um dos maiores desafios de uma organização é a mudança para uma cultura
preventiva, onde o envolvimento e a participação dos colaboradores são de fundamental
14

importância, para sua própria conscientização e desenvolvimento, conseguindo assim ter mais
facilidades em praticar comportamentos corretos, sabendo identificar os perigos e os riscos
que está exposto em um determinado ambiente de trabalho, propondo também melhorias e
soluções para eliminar ou neutralizar os mesmos. O Engenheiro de Segurança do Trabalho
também deverá saber cuidar de pessoas, sabendo identificar situações que possam gerar
acidentes e apresentar soluções para eliminação, neutralização ou minimização dos riscos.
Para obter melhores resultados na Segurança do Trabalho é necessária à mudança
de uma abordagem pontual para uma sistémica, desta maneira busca-se ter uma visão macro
da organização associando todos os níveis da empresa com objetivo da busca pelo “Zero
Acidente”. Além de buscar a melhoria nos resultados de segurança as ações através de
comportamentos corretos e seguros, também contribuem para qualidade, produtividade,
redução de custos e a própria satisfação dos colaboradores.
Neste trabalho serão apresentados alguns programas e ferramentas de segurança
do trabalho com o objetivo de melhorar a percepção dos perigos e riscos que o colaborador
está exposto, consequentemente o seu comprometimento e a cultura de segurança da empresa
acabam se desenvolvendo e melhorando a cada dia.
Espera-se que estas informações possam ser utilizadas por empresas
comprometidas com a segurança dos seus colaboradores de maneira que as medidas de
prevenção sejam adotadas e que as ocorrências e os riscos sejam eliminados, neutralizados ou
pelo menos identificados e minimizados gradativamente. Que as empresas não somente
baseiem-se em Normas Regulamentadoras ou legislações, mas sim em meios de evitar
qualquer tipo de ocorrência indesejada.

1.1 TEMA E DELIMITAÇÃO

Análise dos indicadores de acidentes após a implantação de ferramentas de


segurança do trabalho com o objetivo da prevenção de acidentes.

1.2 PROBLEMA DE PESQUISA

Será que as implantações de ferramentas de segurança do trabalho podem


influenciar para um comportamento seguro dos trabalhadores e consequentemente contribuir
para a redução do número de acidentes?
15

1.3 JUSTIFICATIVA

Não é novidade para ninguém que os índices de acidentes de trabalho no Brasil


são assustadores. Além do preço humano, os acidentes relacionados ao trabalho estabelecem
despesas financeiras cada vez maiores às pessoas, empresas e à comunidade em geral.
Um dos maiores desafios da organização é a mudança para uma cultura preventiva,
onde o envolvimento e a participação dos colaboradores são de fundamental importância para
sua própria conscientização e desenvolvimento, conseguindo assim com mais facilidade ter
comportamentos corretos sabendo identificar os perigos e riscos que está exposto em um
ambiente de trabalho, propondo eles mesmos soluções de eliminação ou neutralização dos
riscos.
Sem a finalidade de retirar a importância dos investimentos para novas
tecnologias dos processos e do próprio cumprimento das NR’s, buscou-se avaliar métodos
participativos dos colaboradores, contribuindo assim para a percepção dos perigos e riscos dos
ambientes de trabalho, para que a redução do número de acidentes do trabalho venha surgir
mais rapidamente.
Um sistema preventivo e não corretivo é de vital importância quando falamos de
segurança no trabalho. Com isso, a utilização de ferramentas proativas é de estrema
importância para o envolvimento dos colaboradores na prevenção dos acidentes.

1.4 OBJETIVOS

1.4.1 Objetivo Geral

Demonstrar e apresentar a redução do número de acidentes por meio de um


sistema de gestão de segurança do trabalho, baseado em ferramentas para o desenvolvimento
da cultura de segurança em uma indústria metalúrgica.

1.4.2 Objetivos Específicos

 Apresentar uma abordagem sobre a história, evolução e conceitos de Segurança


do trabalho;
 Realizar análise dos indicadores de acidentes do trabalho com aplicação de
ferramentas que auxiliam no desenvolvimento, comprometimento e conhecimento referente à
16

percepção de riscos e também sobre a importância da Segurança no Trabalho para os


colaboradores;
 Elaborar um manual com ferramentas de Segurança do Trabalho que auxilie
empresas e profissionais da área a criarem condições para orientar, perceber e desenvolver
práticas e comportamentos seguros dos colaboradores, com o objetivo de prevenir acidentes e
doenças do trabalho dentro da organização.

1.5 METODOLOGIA

1.5.1 Abordagem da pesquisa

Com base no objetivo geral o presente trabalho se caracteriza por uma pesquisa
quantitativa que avaliará os índices de acidentes de trabalho.
A pesquisa quantitativa enfatiza os indicadores numéricos e os percentuais sobre
determinado fenômeno pesquisado. Conforme Fonseca (2002, p. 20):

Diferentemente da pesquisa qualitativa, os resultados da pesquisa quantitativa


podem ser quantificados. Como as amostras geralmente são grandes e consideradas
representativas da população, os resultados são tomados como se constituíssem um
retrato real de toda a população alvo da pesquisa.

1.5.2 Tipo de pesquisa

A forma da pesquisa é a exploratória, que visa o acesso mais próximo com o tema
estudado e oferece informações mais detalhadas sobre o mesmo, facilitando a delimitação do
assunto para o estudo e contribuindo para aprofundar os conceitos preliminares. Seu objetivo
é o aprimoramento das ideias, o seu planejamento permite considerar a variedade de aspectos
identificados em relação ao fato estudado (GIL, 2002).
Com o melhor conhecimento das ferramentas conseguimos melhorar sua eficácia
e consequentemente atingindo os resultados esperados.

1.5.3 Método de pesquisa

Para atender os objetivos específicos a pesquisa será bibliográfica, relacionada a


assuntos sobre segurança do trabalho. Dentro desta etapa também será abordado sobre
algumas ferramentas e procedimentos de segurança, que focam e auxiliam os colaboradores
quanto à percepção e reconhecimento dos riscos existentes, conseguindo com maior facilidade
17

reconhecer situações que possam gerar acidentes de trabalho, agindo de forma preventiva com
ações para identificar, neutralizar ou eliminar os perigos e riscos.

A Pesquisa Bibliográfica é o levantamento referente a todo referencial já editado em


relação à temática de estudo desde: artigos, monografias, dissertações, teses, livros,
publicações avulsas, boletins, documentos eletrônicos, entre outros. (RAUPP;
BEUREN, 2004)

1.5.4 Coleta de dados

Com o conhecimento adquirido com o levantamento bibliográfico, foi observada a


necessidade de se realizar um estudo de campo com coleta de dados. Segundo Gonsalves
(2001, p.67):
A Pesquisa de campo é o tipo de pesquisa que pretende buscar a informação
diretamente com a população pesquisada. Ela exige do pesquisador um encontro
mais direto. Nesse caso, o pesquisador precisa ir ao espaço onde o fenômeno ocorre,
ou ocorreu e reunir um conjunto de informações a serem documentadas [...].

Esta pesquisa não visou somente levantar e comparar dados quantitativos, mas
principalmente, fornecer informações e sugestões para promover o interesse dos
colaboradores e empregadores no intuito de prevenir ocorrências indesejáveis.

1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho de conclusão de curso está composto por 5 capítulos assim


distribuídos:
No capítulo 1 são apresentados: introdução, tema e delimitação, problema de
pesquisa; justificativa, objetivo geral, objetivos específicos e metodologia aplicada.
No segundo capítulo apresentamos o embasamento teórico explorando um pouco
da história e conceitos de segurança do trabalho.
No terceiro capítulo constam os materiais e métodos utilizados para aplicação das
ferramentas de segurança do trabalho.
No quarto capítulo aparecem os resultados e as análises dos indicadores de
acidentes.
E, finalmente as considerações finais do presente estudo buscando a verificação
dos objetivos propostos.
18

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 HISTÓRIA DA SEGURANÇA DO TRABALHO

Com o passar dos anos a segurança do trabalho foi sendo objeto de estudo para
encontrar as causas das ocorrências e propor medidas preventivas que evitasse o acidente. A
preocupação com a segurança existe muito antes de Cristo, onde grandes obras foram
realizadas anteriormente ao seu nascimento, como as Pirâmides, por exemplo. No livro
“Antiguidades Judaicas”, o historiador judeu Flávio Josefo relata que a causa da morte de José,
o “pai” de Jesus, foi acidente de trabalho, uma vez que havia sido designado, como
encarregado de obra, a reconstruir uma cidade, quando caiu de um andaime e faleceu três dias
depois, em função da gravidade do acidente (OLIVEIRA, 2012).
Estudos relacionados à segurança do trabalho e saúde ocupacional relatam que no
ano 1556, o estudioso Georgii Agricolae publicou o livro “De Re Metalica”, que discute os
aspectos de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional relacionados com a extração de
minerais na Alemanha. Ele destaca que devido ao índice de acidentes fatais e doenças
ocupacionais que levavam a morte os trabalhadores em algumas regiões, as mulheres
chegavam a casar-se sete vezes, dada a precocidade da morte dos maridos (G.ARRA, 2018).
Em 1700 o médico Bernardino Ramazzini (considerado o pai da Medicina
Ocupacional) publicou o livro “De Morbis Artificum Diatriba”, onde ele descreve cerca de
100 profissões diferentes e os riscos específicos de cada uma delas. Essa relação é a
percursora da lista atual de doenças ocupacionais reconhecidas pela OIT (Organização
Internacional do Trabalho) e adotada por muitos países, inclusive o Brasil (MENDES, 1995).
Outro fato marcante ocorreu entre 1760 e 1830 (séc. XVIII e XIX), na Inglaterra:
a Revolução Industrial, cuja origem foi à invenção da máquina de fiação. Quando, até então, a
fiação e a tecelagem eram desenvolvidas para atender as necessidades domésticas, sendo seu
excedente vendido a preço elevado, em regiões onde essas atividades não existiam.
Com o surgimento das primeiras máquinas o artesão perdeu o domínio dos meios
de produção. As máquinas já começavam a substituir o artesão e a mão de obra necessária
para a manipulação das máquinas era facilmente garantida pelas famílias pobres, sendo
aceitos como trabalhadores homens, mulheres e crianças. Neste período houve uma
intensificação dos estudos de acidentes do trabalho, pois, esses países produziam legiões de
incapacitados. Isto levou ao questionamento da população sobre os benefícios da revolução.
Este quadro mostrou situações graves que seria intolerável continuar desprotegido do próprio
19

respeito humano. Não só os acidentes aconteceram, mas também enfermidades eram


agravadas. No período de afastamento o trabalhador não recebia salário, sentindo insegurança
no que acontecia, pois não havia leis que o protegesse e o empregador não tinha interesse em
que essas leis existissem, nem a consciência de seus deveres (OLIVEIRA, 2012).
Nessa época, surgiram, então, as primeiras leis de proteção ao trabalho.
Na Inglaterra, em 1802, criou-se a lei de amparo aos operários dispondo sobre o
trabalho de aprendizes paroquianos nos moinhos. Essa lei limitava a 12 horas de trabalho por
dia. Em 1819, foi criada outra lei, proibindo o trabalho de menores de 9 anos.
Foi em 1833 que a Inglaterra publicou a 1° legislação realmente eficiente na
proteção do trabalhador sob o título de “Factory Act” (Lei da Fábrica), que tinha os seguintes
itens:
 Proibição do trabalho noturno aos menores de 18 anos;
 Restringia as horas trabalhadas por menores há 12 horas por dia e 69 horas por
semana;
 As fábricas precisavam ter escolas para trabalhadores menores que 13 anos;
 A idade mínima para o trabalho era 9 anos;
 O cuidado com o desenvolvimento físico correspondente à idade cronológica.

A partir de 1954, também nos Estados Unidos da América, Frank Bird Jr.,
estudioso da área de seguros, realizou um estudo sobre probabilidade de ocorrência de
acidentes e incidentes a partir de uma análise envolvendo 297 empresas, 1.750.000
trabalhadores e 1.753.498 eventos, chegando a classificação dos tipos de acidentes por nível
de severidade, concluindo que os mesmos tinham uma relação quase piramidal, partindo da
severidade menor para a maior (G.ARRA, 2018).

Figura 1 – Pirâmide Frank Bird

Fonte: Adaptado de G.Arra (2018).


20

Com a experiência de Frank Bird surge um novo conceito de acidente: “Acidente


é um evento não desejado, do qual resulta em dano físico a uma pessoa, danos à propriedade
ou atrasos nas operações.” (G.ARRA, 2018)
Desse novo conceito surge o Controle de Perdas com os seguintes princípios
básicos:
a) A gerência reconhecerá que a investigação da maioria dos acidentes da classe
“Sem Lesões” ajudará a eliminar muitas práticas e condições inseguras, que por sua vez
constituem as causas dos acidentes com lesões;
b) A gerência está interessado neste programa tanto como está em qualquer
programa que reduza as perdas, que diminua os atrasos na produção e que aumente a
qualidade com reflexos na diminuição do custo final do produto;
c) Aumentar o esforço para diminuir os acidentes com a possibilidade de reduzir
seus custos constitui-se um veículo para justificar economicamente o quadro do pessoal de
Segurança e Saúde Ocupacional;
d) O gerente é o elemento chave do programa de controle de perdas.

Em 1970, no Canadá, Jonh A. Flechter, dando continuidade ao pensamento de


Frank Bird, sugeriu implantação de programas de Controle total de Perdas, objetivando
reduzir ou eliminar os acidentes que possam interferir ou paralisar uma atividade (G.ARRA,
2018). Esses programas incluíam ações de prevenções de lesões, danos a equipamentos,
instalações e materiais, incêndios, contaminação do ar entre outras. No entanto, analisando os
programas de “Controle de Danos” de Frank Bird e “Controle Total de Perdas” de John A.
Flechter, conclui-se que são práticas administrativas, e na realidade os problemas quanto à
Prevenção de Perdas exigiam, e exigem, soluções técnicas (G.ARRA, 2018).
A partir de 1972, com o levantamento dos riscos dos processos de produção,
criou-se uma nova mentalidade baseada nas análises de riscos, este trabalho foi desenvolvido
pelo engenheiro Willie Hammer, especialista em Segurança de Sistemas, cuja experiência na
Força Aérea dos Estados Unidos da América e nos programas espaciais utilizando de técnicas
de análise de risco permitiu que após adaptações pudessem ser aplicadas na indústria
(G.ARRA, 2018).
Na década de 90 para a área de Segurança e Saúde Ocupacional grandes
organizações adotaram a norma inglesa BS 8800, que é um guia para o gerenciamento
(G.ARRA, 2018).
21

Em 1996 a ISO se reuniu com seus membros para ratificação da ISO 18.000 como
sendo a norma padrão para as áreas de Segurança, Saúde e Meio Ambiente, utilizando-se dos
requisitos da norma BS 8800. No entanto, houve veto dos Estados unidos da América sob a
alegação de que regulamentações referentes às áreas de Segurança e Saúde Ocupacional
deveriam ser tratadas pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), pois elas tratam dos
problemas referentes às relações capitais e trabalho (G.ARRA, 2018).
No entanto, diante da demanda de organizações que buscavam um modelo de
gestão em Segurança e Saúde Ocupacional, as empresas certificadoras criaram as normas
série OHSAS 18.000 (Occpational Health and Safty Analysis).
Já no Brasil, em 15 de janeiro de 1919, surgiu a Lei n. 3.725, contendo 30 artigos
sobre o conceito de acidente do trabalho, a declaração de acidentes, a ação judicial, além de
outras disposições gerais sobre a atividade laboral (OLIVEIRA, 2012).
Quatro anos depois da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, foi
promulgada a terceira Constituição do País. Com pouquíssima participação popular, a Carta
Magna adotou medidas de proteção ao trabalhador. Regulamentou-se o trabalho da mulher, do
menor e a jornada diária de 8 horas, institui-se o salário mínimo, foram reconhecidos os
sindicatos e centralizados os serviços médicos de saúde. O acidente de trabalho, não foi
contemplado com grandes avanços. Em junho de 1934, o Decreto n. 24.637 apenas
classificava as indenizações por tipo de acidente (OLIVEIRA, 2012).
Em 1° de maio de 1943, foi baixado o Decreto-Lei n° 5.452, aprovando a criação
da Consolidação de Leis do Trabalho (CLT). Em seguida, em 10 de novembro de 1944, foi
baixado o Decreto-Lei n° 7.036, o qual, em seu art.82, obrigava as empresas a organizarem
comissões internas, com representação dos empregados, para “estimular o interesse pelas
questões de prevenção de acidentes”. Contudo, somente após a Portaria n° 155, de 27 de
novembro de 1953, no segundo Governo de Vargas, é que se regulamentou a organização e o
funcionamento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes, a CIPA (OLIVEIRA,
2012).
Em 14 de setembro de 1967, na ditadura militar, criou-se a Lei n. 5.316, íntegra
do seguro de acidente na previdência. Com a Portaria n. 3.237, de julho de 1972, se estabelece
a obrigatoriedade dos serviços especializados em segurança, higiene e medicina do trabalho
nas empresas, levando em consideração o número de empregados e o grau de risco. Já com a
Portaria n. 3.460, de 31 de dezembro de 1975, instituíram-se, obrigatoriamente, os serviços de
medicina e segurança nas empresas. Em 8 de junho de 1978, com a Portaria n. 3.214, foram
aprovadas as primeiras Normas Regulamentadoras (NR) do Capítulo V da CLT relativas à
22

Segurança e Medicina do Trabalho. Estas NRs vêm sendo atualizadas e ampliadas e, hoje em
dia, já existem 36 delas (OLIVEIRA, 2012).

2.2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE SEGURANÇA DO TRABALHO

a) Segurança do Trabalho: são agrupamentos de normas e procedimentos que


visam estabelecer critérios para o desempenho de atividades seguras e sem danos as pessoas e
a estrutura física da organização. Ela se envolve com medidas administrativas que gerenciam
os riscos, desta forma contribuindo para evitar acidentes (CHIAVENATO, 1999). Segurança
no trabalho pode ser explicada como uma ciência que estuda formas, tecnologias e meios de
desempenhar atividades com segurança. A segurança no trabalho deve ser um valor na
organização, porque somente assim ela será algo encarada com prioridade por todos os
colaboradores (DUPONT, 2010). Segurança do trabalho é um estado que reduz as
possibilidades de aparecimentos de eventos causadores de danos e perdas ao homem ou
organização. Estes eventos comumente chamados de acidentes, que são as ocorrências
indesejáveis que paralisam um fluxo de atividades de pessoas ou processos industriais.
Basicamente a segurança do trabalho tem o objetivo de cuidar de todos os bens envolvidos,
seja ele humano ou material, para que não tenhamos prejuízos devido a algum fato inesperado
venha a acontecer (CARDELLA, 1999).
b) Acidente de Trabalho: Conforme dispõe o art. 19 da Lei nº 8.213/91 da
Previdência Social, "acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço
da empresa ou pelo exercício do trabalho que possa provocar lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para
o trabalho".
c) Condições Inseguras: São condições adversas que um ambiente de trabalho
possa ter, podendo assim gerar um acidente de trabalho (HEMÉRITAS, 1998).
d) Atos ou Comportamentos Inseguros: Ação ou omissão que, contrariando
princípio de segurança, pode causar ou favorecer a ocorrência de acidente (NBR 14.280).
e) Comportamento Seguro: Qualquer ação que o indivíduo tome garantindo a
segurança de forma integral para si e para o meio em que está inserido (DUPONT, 2010).
f) Incidentes e Desvios: Pode ser considerado incidente qualquer evento que
poderia ter causado individualmente ou de forma combinada lesões, danos, impactos ou até
mesmo a perda de tempo na produção. É um acontecimento não planejado que tem potencial
de levar a um acidente (HEMÉRITAS, 1998). Desvio é a ocorrência de uma situação que é
23

diferente do esperado estado normal, em outras palavras são situações não conformes com os
processos de segurança do trabalho, mas que não causaram nenhum tipo de perda
(CARDELLA, 1999).

g) Prevenção de Acidentes: Conjunto de atividades que tem como objetivo


impedir alguma ocorrência, evitando assim custos desnecessários através da preservação dos
meios em pessoal e material (DUPONT, 2010).
h) Perigo, Risco e Consequência:

Para Dupont (2010):


PERIGO: é toda situação que possa causar dano ou lesão em alguma pessoa ou
ao patrimônio;
RISCO: é a expectativa de uma perda. É uma combinação da gravidade e da
probabilidade apresentadas por um perigo;
CONSEQUÊNCIA: Lesão ao homem; Danos no equipamento ou instalação.

Figura 2 – Exemplo Cão Bravo:

Fonte: Adaptado de Dupont (2010).

2.3 SEGURANÇA DO TRABALHO

Quando falamos em segurança do trabalho, pensamos em exposição de pessoas e


na possibilidade de um acidente acontecer, portanto isto é inerente à atividade laboral. Não
quer dizer que o acidente do trabalho é normal, pelo contrário, tudo que possa gerar um
acidente deve ser analisado e medidas preventivas adotadas. O trabalho faz parte da vida do
ser humano é por meio dele que o homem consegue satisfazer e garantir suas necessidades e a
própria sobrevivência. Contudo, cada vez mais precisamos nos esforçar para estarmos
preparados a conduzir e aceitar a invenção de novas técnicas, normas e metodologias de
produção. É indispensável à criação e implantação de procedimentos para controle e
prevenção de acidentes, por meio da segurança do trabalho (OLIVEIRA, 2012).
24

As questões culturais podem atrapalhar a implantação de programas de segurança,


especialmente se os valores culturais dos empregadores forem resistentes a uma política de
segurança. Uma ação que tenha como alicerce a crença, ou seja, o indivíduo ao crer no que
está fazendo, deve buscar e acreditar no resultado com o qual se comprometeu (FOSSÁ;
PINTO, 2009).
Os valores, as crenças, as atitudes e os pressupostos fundamentais que são
partilhados pelos membros de uma organização constituem a essência da cultura
organizacional desta empresa (FOSSÁ; PINTO, 2009).
Em diversas empresas, os investimentos em segurança são vistos, pelos
empresários, como custo, algo que não traz retorno, ao menos em curto prazo, ou o retorno
não é visível. Acabam esquecendo, entretanto dos custos originados pelos acidentes de
trabalho, como perda de tempo, indenizações, diminuição da produtividade, prejuízos no
clima e na imagem da empresa. Para que a prevenção se torne item complementar dos
objetivos das empresas é preciso que a segurança esteja inserida na cultura da organização,
sendo considerado um valor para a melhoria das condições de trabalho e no desempenho das
empresas, produzindo o bem-estar e satisfação dos colaboradores (FOSSÁ; PINTO, 2009).
A cultura deve ser ensinada aos colaboradores através de treinamentos que
transmitam e reforcem as ideias e valores da empresa. Integrando assim todos os
colaboradores, à cultura da organização, reforçando periodicamente os valores da segurança
do trabalho (FOSSÁ; PINTO, 2009).
Para reduzir os números de incidentes e acidentes da organização e buscar o
ZERO ACIDENTE, é necessário primeiro entender a causa raiz dos acidentes. Dizer a um
colaborador para tomar cuidado ou prestar mais atenção não é o suficiente. Os colaboradores
precisam de ferramentas para aprender por si próprios como manter a segurança em mente
quando eles realmente precisam dela. Trata-se de um trabalho contínuo de conhecimento e
aprendizagem dos riscos existentes dos processos produtivos (WILSON, 2012).
Fator Acidentário Previdenciário (FAP): como já relatado no presente trabalho,
os acidentes de trabalho afetam a economia de toda população. Desta forma a Previdência
Social, com o objetivo de diminuir custos com problemas relacionados à segurança e saúde
ocupacional, e fazer com que as empresas passem a contribuir de acordo com seus resultados
desta área, foi editada a Medida Provisória 83, de 12 de dezembro de 2002, posteriormente
convertida na Lei 10.666, de 8 de maio de 2003, possibilitando às empresas reduzir ou
aumentar a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão dos
afastamentos do trabalho, decorrentes dos riscos ambientais, mais conhecido como Seguro
25

Acidente do Trabalho (SAT). O disposto prevê que as alíquotas de 1%, 2% ou 3% poderão ser
reduzidas à metade ou duplicadas, em razão do desempenho da empresa referente aos
números de afastamentos devido aos acidentes de trabalho.
Com essa legislação, profissionais da área de segurança e saúde ocupacional
passaram a observar um maior interesse das empresas em implantar modelos de gestão, pois,
além dos resultados já conhecidos como bem-estar e aumento da produtividade, passou-se a
ter a possibilidade de ganhos que podem favorecer os esforços de melhoria, com a diminuição
da alíquota a ser paga (MENTE, 2007).
Os resultados da segurança do trabalho são analisados e definidos através da taxa
de frequência e gravidade conforme fórmulas abaixo que segue a recomendação e orientação
da NBR 14280.
Taxa de Frequência (F): é o número de acidentes multiplicado por um milhão,
dividido pelo número de horas trabalhadas.
Calculada pela fórmula: F = N x 1.000.000
H
Onde: N = número de acidentes;
H = homens-hora de exposição ao risco;
1.000.000 = um milhão de horas de exposição ao risco.

Taxa de Frequência (G): é o número de dias perdidos multiplicado por um milhão,


dividido pelo número de horas trabalhadas.
Calculada pela fórmula: G = T x 1.000.000
H
Onde: T = tempo computado (dias perdidos + dias debitados);
H = homens-hora de exposição ao risco;
1.000.000 = um milhão de horas de exposição ao risco.

2.4 SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO

As empresas precisam controlar todos os riscos dos ambientes de trabalho,


melhorando o bem-estar físico, mental, e social dos colaboradores. Para minimizar ou
eliminar tais prejuízos, muitas organizações desenvolvem e implantam sistemas de gestão
voltados para a segurança e saúde ocupacional (ARAÚJO, 2006).
As ocorrências dentro da Segurança do Trabalho estão, muitas vezes, ligadas a
diversas causas. Diagnósticos simples e rápidos podem levar à conclusão de que a causa
26

imediata está nos fatores humanos e/ou em algum tipo de problema técnico, mas, grande parte
de tais eventos é decorrente de falhas na gestão. Assim, é importante que os gestores
responsáveis da organização deem atenção ao fator humano e a tecnologia utilizada
(PALASIO, 2003).
A padronização de processo é algo adotado para manter um nível de produção,
qualidade e confiabilidade, mas, além disso, a padronização é de extrema importância para a
segurança. As pessoas conhecem a maneira padronizada de desempenhar suas atividades, mas
podem se desviar delas quando o padrão não é efetivamente a melhor forma de fazer tal
atividade. Por este motivo é necessário que os padrões sejam os mais produtivos e seguros,
para o operador desempenhar a sua atividade, porque somente assim ele não tentará mudar o
sistema por conta própria (CARDELLA, 1999).
Um dos maiores erros é ignorar as pessoas que estão diretamente ligadas à
produção. Se fosse levado em consideração o conhecimento daqueles que conhecem a cultura,
os valores e princípios, muito dinheiro seria economizado e muitos problemas evitados
(PALASIO, 2003).

2.5 GERENCIAMENTO DE RISCOS

O objetivo de um sistema de gerenciamento de segurança é garantir que uma


determinada organização alcance suas metas com segurança, eficientemente e sem prejudicar
o meio ambiente. Um dos fatores mais importantes do processo de segurança é uma
explicação de como o operador do sistema de gerenciamento será capacitado para garantir que
os objetivos sejam realmente alcançados com segurança (JUNIOR, 2013).
No dia-a-dia as empresas trabalham com alguns riscos, para minimizar ou reduzir
seus aparecimentos é necessário implantar práticas de gerenciamento de riscos, investigando
tais possibilidades de ocorrências. Para que ocorra esta redução de riscos é necessário que
todos os colaboradores estejam comprometidos (operadores, supervisores, técnicos, gerentes,
diretores e presidência da organização), pois, desta forma será possível à formação de hábitos
seguros e de uma cultura de gerenciamento de riscos exercida por todos os colaboradores da
organização (BARBOSA, 2008).
Inspeção de Segurança: a inspeção de segurança é um método preventivo de
suma importância que visualiza a possibilidade de eliminação de possíveis acidentes ao
patrimônio ou as pessoas. Realizando assim medidas preventivas necessárias.
27

Nestes momentos é importante adquirir a confiança dos operadores, fazendo com


que eles ajudem nas identificações dos riscos existentes nos equipamentos, ferramentas, etc.
(SAMPAIO, 2003).
Perigos e Controle de Riscos: segundo a norma BSI-OHSAS 18001:2007 a
organização deve estabelecer e manter procedimentos para a contínua identificação de perigos,
avaliação de riscos e a implantação de medidas de controle necessárias.
O gerenciamento de riscos é de fundamental importância, pois auxilia a tomada de
decisão na área de Segurança e Saúde e permitir melhor alocação de recursos, além de
subsidiar o processo de definição de medidas de controle, podendo avaliar quais riscos são
toleráveis e quais devem ser controlados.
Os controles se baseiam na criação de barreiras para prevenir que o homem fique
exposto a um determinado perigo, sem que este seja eliminado. Uma das maiores dificuldades
em relação a esse tipo de controle é que, muitas vezes, as barreiras são removidas ou tornadas
inoperantes, expondo as pessoas ao risco. Este controle também em alguns casos pode criar
uma falsa sensação de segurança, podendo gerar graves acidentes.
O controle sobre as pessoas baseia-se no estabelecimento de parâmetros para a
forma de pensar e agir dos trabalhadores, com intuito de que os processos ocorram de maneira
segura. (ARAÚJO, 2006).
Fator Humano nos Acidentes: A disciplina das pessoas se resume a ligação do
fator humano, em função de sua percepção, vontade, capacidade de decisão e de agir, do seu
ser, que age e interage no local de trabalho. Por isso devemos considerar os antecedentes,
próximos ou distantes que por genética ou influência do meio geram as falhas que levam a
exposição do risco e consequentemente o acidente. As falhas do ser humano podem ser
descritas então como fatores hereditários, sociais e de educação (ZOCCHIO, 2002).
Quando se fala dos vários fatores de falha humana se deve buscar a identificação
dos riscos. É muito discutível a existência ou não de pessoas propensas a sofrer acidentes. No
entanto se aceita a ideia que existem condições de saúde, estado de ânimo e temperamentos,
que em determinadas circunstâncias podem proporcionar condições para a ocorrência do
acidente. O ser humano também pode ser retratado figurativamente, onde é o componente
mais frágil de todos os recursos funcionais, é o “equipamento” mais desregulável e com
mecanismo mais suscetível a alterações, possuindo manutenção e reparos muito complicados
afetando seu comportamento (ZOCCHIO, 2002).
Abaixo segue relacionados alguns exemplos dos comportamentos e aspectos que
explicam o porquê, ou o que propicia o acidente do trabalho:
28

a) Inaptidão para o trabalho devido às dificuldades de aprendizagem e


conhecimento da atividade na execução da tarefa;
b) Temperamento: alteração repentina de humor, sentimento de sentir-se mais ou
menos seguro na atividade, de pessoas que não aceitam ordens, pessoas irritadas entre outros;
c) Stress: são as preocupações, os problemas domésticos, financeiros ou
expectativas que alteram o estado emocional das pessoas;
d) Motivação imprópria: é a percepção da pessoa que não sabe a sua importância,
ou possui baixo grau de orgulho no desempenho da atividade.
O sistema de gestão de uma organização deve ter estratégias para identificar as
causas dos acidentes e para evitá-los, estabelecendo relação de controle, cumprimento de
normas, avaliação de melhorias e correção do desempenho (ZOCCHIO, 2002).
Os estados de pressa, frustração, cansaço, complacência ou excesso de confiança
pode causar ou contribuir para algum tipo de erro crítico como: Olhos longe da tarefa; Mente
longe da tarefa; Linha de fogo; Equilíbrio, tração, firmeza.
Aumentando assim o risco para que ocorra um acidente (DUPONT, 2010).

Figura 3: Aumento do Risco.

Fonte: Adaptado de Dupont (2010).

A figura 3 mostra como os estados podem causar erros que fazem com que riscos
se tornem maiores, aumentando assim a possibilidade de acontecer um acidente.

2.6 CULTURA DE SEGURANÇA

A cultura é conhecida como um conjunto de valores e suposições básicas


expressas em informações figuradas ou simbólicas, que atribuem sentidos, para construir a
29

identidade de uma organização, agindo como elemento de comunicação e consenso. Sendo


assim, pode-se dizer que cultura é um conjunto complexo e multidimensional de tudo o que
constitui a vida em comum nos grupos sociais. Seria ainda um conjunto de modos de pensar,
de sentir e de agir, mais ou menos formalizados, os quais, tendo sido aprendidos e partilhados
pela maioria das pessoas (ARAÚJO, 2005).
A cultura de uma forma geral, não depende só da educação escolar, envolve
também aspectos sociais relacionados à formação, valores e princípios que se formam na
estrutura familiar, mas pode sofrer grandes influências do meio social em que o indivíduo está
inserido. Um programa de Segurança visa influenciar hábitos, atitudes e comportamentos. A
palavra mudança sempre estará presente na implantação da cultura, por isso é tão difícil
estabelecer um nível a ser alcançado, sempre existirá espaço para a melhoria contínua
(ARAÚJO, 2005).
Implantar uma cultura de segurança não é uma coisa simples que se estabelece por
vontade da alta administração da empresa. É um processo gradativo, resultado de ações
sistemáticas, pré-definidas e participativas, visando modificar e direcionar valores, hábitos e
atitudes dos colaboradores em todos os níveis hierárquicos. O que a alta administração pode e
deve fazer, é dar exemplo para os empregados, bem como apoiá-lo nesta mudança, através de
treinamentos, valorização e motivação, apoio social aos colaboradores, campanhas de
reconhecimento de atitudes pro-ativas entre outras (ARAÚJO, 2005).
Para Pinho (2006), a cultura desempenha, dentro de uma organização, diversas
funções. Primeiro ela tem o papel de definidora de fronteiras, ou seja, cria distinções entre
uma organização e outra. Segundo, proporciona um senso de identidade entre os membros da
organização. Terceiro, facilita o comprometimento com algo maior do que os interesses
individuais de cada um. A cultura serve como sinalizador de sentido e mecanismo de controle
que orienta e dá forma às atitudes e ao comportamento dos colaboradores.
Dessa forma, a falta de comprometimento dos empregadores ou da liderança com
a segurança do trabalho dificulta ou até mesmo impede a disseminação de uma cultura
prevencionista por parte dos responsáveis pela segurança do trabalho dentro das empresas.
Segundo Fossa (2009), para que a segurança no trabalho se estabeleça, a
organização deve assumir um caráter de diálogo, em que os líderes falem com o colaborador e
não para o colaborador, de modo a provocar uma ligação de experiências sociais significativas.
Deste modo, a comunicação promove a interação e a participação dos colaboradores e
liderança, capacitando-os para perceberem a sua realidade e para o equacionamento e a
30

resolução dos problemas de ordem técnica, econômica e social que envolve a formação de
uma cultura prevencionista no cotidiano organizacional.
A figura 4 mostra alguns valores que a organização deve aplicar para alcançar o
resultado desejado.

Figura 4: Cultura Organizacional e valores

Fonte: Adaptado de Meneghetti (2010).

Para diminuir as perdas como primeiro passo é necessário atuar na cultura


organizacional, e com o comprometimento da liderança (Diretores, Gerentes e Supervisores)
mostrando através de treinamento, metas de desempenho, regras, procedimentos, controles e
acompanhamentos, além de disciplina operacional e de redução de desvios comportamentais.
Esta fase também é chamada de dependente, ou seja, a força de trabalho está dependente do
sistema (MENEGHETTI, 2010).
Já a segunda etapa passa a ter um olhar voltado para o conhecimento,
comprometimento e padronização de atividades. O reconhecimento de pessoas é valorizado e
a força de trabalho fica mais independente da supervisão (MENEGHETTI, 2010).
E, na terceira etapa, a valorização do conjunto passa a ter mais foco no trabalho
em equipe através de ajuda e proteção mútua. O orgulho com os resultados passa a ser da
equipe. A força de trabalho assume uma postura de interdependência, ou seja, contribuição de
todos (MENEGHETTI, 2010).
31

O comportamento seguro de um colaborador ou de um grupo é definido como


sendo a capacidade de identificar e controlar os riscos numa atividade, de forma a reduzir a
possibilidade de ocorrências acontecerem (BLEY, TURBAY e JUNIOR, 2005).

2.7 VISÃO COMPORTAMENTAL

Para buscar reduzir os índices de acidentes, as empresas analisam todas as


possibilidades envolvidas no processo. A questão comportamental é uma delas. Nos dias
atuais toda tecnologia envolvida vem trazendo progresso e conforto, com equipamentos cada
vez mais sofisticados e seguros, dispondo de procedimentos detalhados, contando ainda com
profissionais mais especializados e com maior grau de escolaridade na sua operação e
manutenção. Mas mesmo assim, ainda convivemos com elevadas taxas de acidentes de
trabalho. Sendo assim fundamental fazer uma abordagem científica e multidisciplinar do
comportamento humano para que possamos entender e alcançar bons resultados (SILVA,
2006).
Trabalhar com pessoas é administrar e conviver com muitas emoções e
comportamentos conscientes e inconscientes, sujeitos às mais diversas influências internas e
externas. Esta consideração tem o propósito de identificar e compreender como a dinâmica
deste meio, pode conduzir a pessoa a um acidente. Quando se questiona se uma pessoa tem ou
não consciência de seus atos, na verdade está sendo questionado se ela tem ou não censo
crítico de suas atitudes, isto é, se possui uma referência na sua interação com o meio ambiente
e com o sistema cultural que o cerca, ou seja, se tem consciência do que pode provocar
(SILVA, 2006).
A consciência pode ser considera como a capacidade neurológica de captar o
ambiente e orientar-se de forma adequada. É uma das funções psíquicas com a qual o contato
com a realidade é estabelecido, através do qual se toma conhecimento direto e imediato dos
fenômenos que nos cercam. Sob este aspecto, diferentes graus de consciência, que podem ir,
gradualmente, da completa lucidez da consciência à inconsciência, podendo passar ainda pela
negligência, que é o fator condicionante para o trabalhador realizar um comportamento
inseguro que poderá vir a resultar em um acidente (SILVA, 2006).
Análise comportamental: todos os dias nosso comportamento é norteado por
prévias e consequências. Se a conduta segura for mais praticada se trabalhara com mais
segurança, mas se o comportamento de risco prevalecer o acidente pode ocorrer. Basicamente
32

estas consequências controlam o comportamento. A antecipação influencia diretamente no


comportamento onde eles podem prever alguma consequência (SILVA, 2006).
Neste processo comportamental, significa que qualquer ato pode ser observado e
prevenindo algum acontecimento indesejado.
Para reduzir os comportamentos de risco, deve-se: eliminar os antecedentes que
contribuem para os comportamentos de risco e suas consequências. Já para aumentar os
comportamentos seguros, deve-se: dar mais destaque às formas seguras de se trabalhar e
passar feedback positivo sempre que alguém estiver cumprindo as normas de segurança, dano
assim o exemplo para os demais (SILVA, 2006).

2.8 SEGURANÇA COMPORTAMENTAL

Quanto à segurança comportamental a Dupont é uma das empresas referências no


mundo. Sua história começou em 1802, com a inauguração da fábrica de pólvora de Eleuthère
Irénée Du Pont, nos Estados Unidos. Desde então, a empresa vem se destacando com uma
série de inovações, consideradas grandes saltos para a melhoria da vida das pessoas.
 Em 1811 criou as primeiras regras de segurança (E. I Du Pont):
 A Segurança é responsabilidade da gerência;
 Nenhum funcionário poderá entrar em uma fábrica nova ou reformada
até que um membro da alta Gerência a tenha operado pessoalmente.
 1904 contratou o primeiro Médico do Trabalho;
 1912 início ao levantamento estatísticas de acidentes;
 1940 desenvolveu o conceito que todos os acidentes são evitáveis;
 1994 lança a meta zero acidente;
 2013 seu compromisso é zero acidente.

Uma das frases mais marcantes na história da segurança da Du Pont foi: Se não
pudermos operar de forma segura, não o faremos (Eleuthère Irénée Du Pont 1817).
Estatísticas globais mostram que 90% dos acidentes são gerados por
Comportamentos decorrentes dos fatores pessoais como: Autoconfiança ou a falta dela, não
avaliar o risco antes de executar a atividade, ter pressa, com a mente e olhos longe da tarefa,
cansaço físico ou mental, etc. Os outros 10% são devidos a Condições Inseguras, entre elas:
equipamentos ruins, ferramentas inadequadas, layout desorganizado, entre outros (WILSON,
2013).
33

Para a Dupont (2011) são três as fontes de eventos inesperados que causam aos
acidentes.

Figura 5: Fontes inesperadas

Fonte: Adaptado de Dupont (2011).

A figura 6 ilustra como muitas empresas acabam pecando nos aspectos de


segurança sendo reativo e só se preocupando com ela quando um acidente de fato ocorre,
onde deveria ser pro-ativo, buscando eliminar situações que possam gerar algum acidente.

Figura 6: Iceberg da Segurança do trabalho

Fonte: Adaptado de Anis Saliba (2013).


34

Para Wilson (2013) o correto direcionamento nas abordagens realizadas com


colaboradores é dividido em reforços:

 Positivo: elogiar os comportamentos corretos utilizando como exemplo para


os demais;
 Negativo: corrigir eventuais desvios de conduta que possam gerar ou se tornar
um acidente;
 Punição: advertir o colaborador quando o ato for considerado fora dos
conceitos e valores da organização.

Desta forma é possível reforçar a cultura de segurança e alinhar os


comportamentos que podem evitar possíveis acidentes. Conversar com as pessoas sobre o
trabalho seguro e seus desvios é mostrar que a empresa trata a segurança como um valor.
Existem pessoas que fazem tudo com segurança, no entanto elas podem estar em risco por
causa de algo em que não pensaram, não perceberam ou se esqueceram. Fazer observações
ajuda a desenvolver suas habilidades de perceber e conversar com os outros sobre o trabalho
seguro.
Outro processo muito importante é o da aprendizagem, a figura 7 mostra o
percentual de retenção do conteúdo apresentado (WILSON, 2013).

Figura 7: Processo de Aprendizagem

Fonte: Adaptado de Wilson (2013).

Outro desafio importante é a quebra de paradigma, conforme mostra a figura 8,


onde a empresa deve mudar alguns conceitos para que tenha um ambiente de trabalho melhor.
Esta mudança de pensamento envolve uma filosofia de trabalho com pensamento focado na
melhoria contínua e responsabilidade de todos pela segurança.
35

Figura 8: Filosofia antiga e atual

Fonte: Adaptado de Dupont (2010).

Auditoria Comportamental: é uma técnica que visa à melhoria continua


conhecida por possuir o foco voltado para as pessoas. Ao contrário da inspeção de segurança
a auditoria comportamental é uma técnica que proporciona a interação com a pessoa auditada,
ela tem por prioridade observar as condições de insegurança ou desvios existentes, mas
quando na abordagem ao indivíduo ela enfatiza por primeiro os pontos positivos encontrados.
A auditoria deve possuir uma planilha para descrever as oportunidades de melhoria, estas
anotações possuem pesos e classificações quanto ao comportamento das pessoas na utilização
de máquinas, equipamentos e EPI’s (Equipamento de Proteção Individual), pois através delas
o responsável terá embasamento adequado para poder elaborar planos de ação (DUPONT,
2010).
Processo de Observação: Uma das melhores habilidades para se trabalhar com
segurança é observar o que acontece nos postos de trabalho e assimilar corretamente aquilo
que é visto. Em algumas empresas essa abordagem é basicamente procedimentada, onde
existem pessoas que trabalham como vigilantes. Em outras é baseada no comportamento
seguro, o colaborador é treinado para atuar como observador, não apenas para vigiar os
colegas de trabalho, mas também para levantar dados, promover feedback e ajudar a remover
barreiras ao comportamento seguro (SILVA, 2006).
36

Aprender a observar os riscos significa que você começa a perceber pistas que
podem lhe dizer se uma situação é segura ou insegura, ou seja, você está alerta o tempo todo
para riscos (DUPONT, 2010).
A observação tem foco no ambiente de trabalho para responder duas perguntas:
• O que pode causar um acidente neste ambiente de trabalho?
• Se o acidente acontecer, como ele vai ocorrer?

Já a observação situada na avaliação de risco no trabalho é realizada como se


fosse preenchido um check-list, que auxilia na falta de conhecimento do local de trabalho e da
atividade realizada, podendo assim, aprofundar-se na procura por detalhes dos
comportamentos observados (SILVA, 2006).

Resistência ao Processo ou Feedback: Nem sempre o feedback será bem


recebido durante o processo de observação devido a algumas resistências por parte dos
colaboradores. Para superar isto, a organização deve trabalhar na divulgação do programa
para todos os colaboradores, fazendo com que eles entendam o que está sendo desenvolvido e
que os mesmos participem do programa. Outro ponto importante é saber como fazer uma
abordagem ao colaborador, de forma educada e respeitosa, atraindo a confiança de quem está
sendo observado (SILVA, 2006).

2.9 PERCEPÇÃO DE RISCO

Segundo Wiedemann (1993, p.3), a percepção de risco é definida como:


“Habilidade de interpretar uma situação de potencial dano à saúde ou à vida da pessoa, ou
terceiro, baseada em experiências anteriores e sua extrapolação para um momento futuro,
habilidade esta que varia de uma vaga opinião a uma firme convicção.”
A percepção de risco é baseada principalmente em imagens e crenças e tem raízes,
em uma menor extensão, em alguma experiência anterior como, por exemplo, um acidente
que o motorista teve o conhecimento de um desastre natural anterior, a relação com
informações sobre a probabilidade de um acidente ocorrer (MENEGHETTI, 2010).
No dia a dia na área de segurança do trabalho existe muita confusão na hora de
definir risco ou perigo. Geralmente são usados os dois termos para explicar uma só coisa, mas
a norma OHSAS 18001:2007 explica que perigo é uma situação, conjunta, que ameaça a
existência ou os interesses de uma pessoa ou coisa e o risco é a possibilidade de correr perigo.
O perigo sempre existirá. Porém através de uma atuação adequada o risco será pequeno. Mas
37

se a atuação for inadequada o risco será grande. Em outras palavras, se tivermos uma gestão
de segurança, com controles apropriados e contínuos o risco de ocorrer um acidente será
pequeno.
O desafio das empresas é atingir um estágio onde as pessoas adotem uma postura
pro-ativa, de forma a influenciar o comportamento coletivo e a reduzir a ilusão da
invulnerabilidade, aumentando a cultura de segurança. A seguir algumas ações importantes
que podem colaborar para esta situação desejável (ARAÚJO, 2005):

a) Treinar e incentivar a participação dos colaboradores no processo de


identificação, análise e avaliação dos perigos;
b) Disponibilizar recursos para execução do trabalho seguro;
c) Estabelecer mecanismos participativos para elaborar e atualizar os
procedimentos;
d) Reconhecer e premiar o comportamento seguro;
e) Programar ações para minimizar comportamentos abaixo do padrão;
f) Programar intervenções para corrigir os desvios organizacionais e fatores
potenciais de acidentes;
g) Mostrar as consequências operacionais e disciplinares pelo não cumprimento
dos procedimentos;
h) Divulgar o resultado da investigação de acidentes.

A própria gerência e supervisão podem estabelecer e influenciar na cultura de


segurança, orientando e dando exemplos positivos com relação ao atendimento dos
procedimentos da organização criados com a participação dos colaboradores. O ditado
popular “o exemplo vem de cima” se enquadra perfeitamente na cultura de segurança.
O modelo de comportamento dos supervisores e gerentes, portanto, irá
influenciar a equipe e os objetivos de segurança que se deseja alcançar. É importante que a
equipe se comporte de forma conscientemente segura. Por isso, devem-se criar condições
técnicas organizacionais para proporcionar conhecimento suficiente dos riscos existentes no
local de trabalho (ARAÚJO, 2005).

2.10 FERRAMENTAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO

As ferramentas de segurança do trabalho são consideradas programas ou


procedimentos utilizados pelas organizações para auxiliar na prevenção de acidentes.
38

a) Integração de Segurança: Os colaboradores admitidos devem receber treinamento inicial,


onde é informado de todos os riscos existentes no processo produtivo, de forma que ele possa
realizar suas atividades com maior conhecimento e consciência. Os assuntos repassados são
sobre segurança em máquinas, sistemas de proteção coletiva e individual, normas e
procedimentos internos, entre outros. Após o treinamento, o empregado realiza uma visita à
fábrica acompanhado do supervisor ou colaborador experiente. Então, as informações que
foram passadas podem ser visualizadas mais facilmente. Este item também é requisito para
cumprimento da Norma Regulamentadora n° 01 do Ministério do Trabalho e Emprego
(Ordem de Serviço).

b) Análise Preliminar de Risco e/ou Permissão de Trabalho: Tem como foco antecipar
acontecimentos e situações que possam gerar um acidente, analisando as condições do
ambiente de trabalho utilizando um check-list para verificação dos riscos existentes, propondo
medidas para a execução do trabalho com segurança (CARDELLA, 1999). As principais
atividades analisadas por essa metodologia são os trabalhos em altura, espaço confinado,
trabalhos com solda ou maçarico, eletricidade, movimentação de cargas, etc.

c) Diálogo Diário de Segurança – DDS: O Dialogo Diário de Segurança é um momento


criado para repassar informações sobre segurança e saúde do trabalho, com objetivo de que os
colaboradores assimilem, reflitam e apliquem estas informações em prol da prevenção de
acidentes e doenças do trabalho.

d) Análise de Acidente de Trabalho: A análise de acidente do trabalho é um procedimento


realizado por meio de um formulário, que investiga qualquer acidente ocorrido, com o
objetivo de buscar as causas que contribuíram para a ocorrência, propondo consequentemente
ações e medidas para que acidentes sejam evitados. Acidentes com ou sem perda de tempo
recebem especial atenção, pois, qualquer acidente, grave ou leve, é rico em informações e
deve ser tratado o mais rápido possível para que acontecimentos semelhantes não venham a
acontecer (PONTES, 2008).

e) Reforço de Segurança: Treinamentos de segurança com foco na reeducação dos


colaboradores que se envolveram em acidentes de trabalho, incidentes ou quase acidentes e
também para aqueles que foram flagrados realizando algum comportamento inseguro que
pode no futuro leva-lo a se envolver em um acidente. Nestes treinamentos os conceitos e
normas de segurança são reforçados através de testes, dinâmicas, vídeos ou palestras.
39

f) Registro de Incidente: Ferramenta utilizada por qualquer colaborador no momento que


observar qualquer irregularidade que possa influenciar ou gerar um acidente, seja por uma
condição identificada ou por um comportamento não apropriado. A importância de se reportar
um incidente é encontrar as causas do problema e resolvê-las. Outro fator é aprender com
estes acontecimentos e prevenir para que outro empregado não cometa erros similares
(COELHO, 2010). O Registro de Incidente também acaba auxiliando na percepção dos riscos
por parte dos colaboradores.

Figura 9: Registro de Incidente

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).

g) Inspeção de Segurança do Trabalho: trata-se de um procedimento avaliativo e


investigativo sobre determinados serviços, ambientes e/ou produtos, visando a detecção de
possíveis riscos que possam ocasionar acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais e
consequentemente, determinar as medidas preventivas e corretivas cabíveis a serem tomadas.
O acidente é a consequência de diversos fatores que, combinados, favorecem a ocorrência do
mesmo. Assim, a inspeção de segurança é uma vistoria feita nos locais de trabalho, áreas
externas e instalações, observando os riscos existentes no ambiente, exemplo: falta de
protetores em máquinas, protetores danificados, funcionando mal ou mal usados, desordem,
desarrumação, disposição de materiais de maneira perigosa, uso de equipamentos de forma
insegura, falta ou uso inadequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), falta ou uso
inadequado de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), etc. (OLIVEIRA, 2012)
40

h) Cruz de Segurança do Trabalho: Esta ferramenta tem por objetivo levar ao


conhecimento dos colaboradores as ocorrências e as quantidades de acidentes e incidentes. É
um acompanhamento diário, onde o próprio colaborador preenche conforme as legendas.
Preenchendo cada dia se teve ou não algum acidente. No final do mês transfere a quantidade
de acidentes para o quadro mensal abaixo da cruz e consequentemente para a pirâmide.

Figura 10: Cruz de Segurança do Trabalho

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).

No próximo capítulo apresentaremos matérias e métodos que auxiliaram o


desenvolvimento da pesquisa.
41

3 MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho foi planejado e desenvolvido em uma empresa metalúrgica,


situada na cidade de Brusque em Santa Catarina. Esta empresa conta com um quadro
aproximado de 950 colaboradores distribuídos em 5 fluxos de produção com
aproximadamente 500 máquinas e equipamentos.
A sequência do trabalho detalha as ferramentas, programas e a forma de
implantação para o desenvolvimento do mesmo.

3.1 ANÁLISE DOS PERIGOS E RISCOS

Com o estudo bibliográfico foi possível relacionar o trabalho com o tema proposto,
pois, a maioria dos colaboradores se envolve em algum tipo de incidente ou acidente por não
conseguirem perceber os riscos que estão expostos no ambiente de trabalho. O foco do
levantamento dos perigos e riscos do ambiente de trabalho, seguindo um dos requisitos da
norma OHSAS 18001:2007, onde as empresas que buscam esta certificação devem
estabelecer e manter procedimentos para a identificação de perigos, avaliação de riscos e a
implantação de medidas de controles necessárias que evitem as ocorrências.
Para a coleta de dados criou-se uma planilha conforme a figura 11, que além de
indicar os perigos e riscos ela também classifica sua aceitabilidade ou grau de severidade.
Dentro deste levantamento também já é possível verificar ações que minimizem, neutralizem
ou eliminem o risco. Esta planilha também auxilia na verificação de requisitos legais através
de legislações ou normas especificas. É de fundamental importância à participação da
supervisão e colaboradores da área para o levantamento e reconhecimentos dos perigos e
riscos, pois, podem auxiliar tanto na identificação como na correção de possíveis aspectos que
levem a ocorrência de um acidente.
Para iniciar a elaboração das análises e levantamento dos perigos e riscos, é
necessário conhecer e avaliar os postos de trabalho, acompanhar as atividades realizadas e
conhecer a classificação dos Riscos Físicos, Químicos, Biológicos, Ergonômicos e de
Acidentes.
42

Figura 11: Análise de Perigos e Riscos

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).


43

Para o preenchimento das análises foram aplicados critérios conforme descritos


nos itens abaixo, que detalham melhor as medidas, ações e avaliações necessárias. Para
melhor entendimento os itens abaixo são a explicação de cada uma das colunas da figura 11.

 Legislação aplicável: verificar se as Leis Federal, Estadual ou Municipal, são


aplicáveis para os perigos e riscos descritos no item.
 Requisitos da Empresa: verificar se existem regras ou procedimentos internos.
Exemplo: Folha de operação, Instrução Operacional, etc.
 Ocorrências Anteriores: verificar se já ocorreu algum acidente ou doença,
relacionado ao perigo e risco da atividade.
 Frequência: relacionada à atividade a ser desenvolvida, ou seja, frequência de
realização das atividades que representa a exposição ao Perigo e Risco elencando a pontuação
correspondente.
1. Frequência Baixa: atividades realizadas eventualmente (até 01 vez por mês)
ou atuação no atendimento de situações emergenciais;
2. Frequência Mediana: atividades realizadas de forma intermitente (uma vez
por semana);
3. Frequência Alta: atividades realizadas continuamente (diariamente, dia a dia,
hora a hora).
 Gravidade: relacionada com a possível lesão. Avaliada severidade das
consequências da manifestação dos Perigos e Riscos de Segurança e Saúde.
1. Levemente prejudicial: ferimentos superficiais; pequenos cortes e contusões;
irritação dos olhos pela poeira. Incômodo e irritação (por exemplo, dores de cabeça).
Problema de saúde levando a um desconforto temporário;
2. Prejudicial: lacerações; queimaduras; contusões; torções sérias; pequenas
fraturas. Surdez; dermatite; asma; disfunções dos membros superiores e inferiores
relacionadas com o trabalho. Problema de saúde levando a uma incapacidade temporária de
pequeno porte;
3. Extremamente Prejudicial: amputações, fraturas importantes,
envenenamento, ferimentos múltiplos, ferimentos fatais, incapacidade permanente, câncer
ocupacional, outras doenças graves que diminuam a vida ou a capacidade física, doenças
agudas fatais.
 Abrangência: avalia o número de pessoas expostas ao perigo e risco de
Segurança e Saúde.
44

1. Individual: apenas as pessoas que estão realizando as atividades ficam


expostas ao perigo e risco de Segurança e Saúde;
2. Localizado: as pessoas que estão realizando a atividade e também aquelas que
trabalham no seu setor ou processo ficam expostas ao perigo e risco;
3. Global: todas as pessoas sob responsabilidade da organização ficam expostas
aos perigos e riscos (ex. incêndio, explosão etc.).

 Contagem Inicial e Aceitabilidade: a pontuação total corresponde à


multiplicação dos pontos (Frequência x Gravidade x Abrangência) atribuídos para cada
variável descrita nos itens anteriores, considerando sua aceitabilidade como:
 Não Significante (De 1 a 4): não requer ação imediata, podendo aguardar
momento oportuno para a realização de melhorias (cor verde);
 Moderado (De 5 a 12): requer previsão de medida de controle para eliminar
ou reduzir o risco a níveis toleráveis (cor amarela);
 Significante (Maior ou igual a 13): requer medidas de controle imediatas. O
trabalho que estiver em curso poderá prosseguir sobre estreito monitoramento, desde que este
possa efetivamente reduzir o risco até que medidas de controle sejam implantadas. Deve ser
avaliada a possibilidade de interrupção do trabalho até que o risco tenha sido reduzido a níveis
moderados ou toleráveis (cor vermelha).
 Identificação dos Riscos: para cada Risco identificado como “Significativo”
na contagem inicial, as ações devem ser definidas pelo Setor de Segurança do Trabalho
juntamente com o responsável da área, levando em consideração as medidas de controle.
Após implantação das ações necessárias, verificar através da avaliação final, se as ações
neutralizam ou minimizam o risco, caso não diminua o grau novas ações devem ser
implantadas.
 Medidas de controle: ao definir a medida de controle a ser implementada para
reduzir o risco à saúde e segurança dos colaboradores, deve ser respeitada a hierarquia abaixo
verificando a possibilidade de neutralização do risco:
 Eliminação;
 Substituição;
 Estabelecimento de controles;
 Sinalização;
 Controles administrativos;
45

 Uso de Equipamentos de Proteção Individual.

 Plano de Ação: as ações devem ser discutidas e consensadas entre a Segurança


do Trabalho e Supervisor da área. Definindo e comunicando o responsável e o prazo para a
adequação ou mudança da mesma.
 Avaliação Final: a realização da avaliação final deve se basear, nos mesmos
critérios da avaliação inicial, devendo sempre ter sua aceitabilidade reduzida.

Esta avaliação deve ser considerada um documento vivo, ou seja, deve ser
utilizada e revisada sempre que existir uma mudança de layout, processo, etc. Em caso de
acidentes automaticamente deve ser revisada verificando a existência da condição causadora
do mesmo. Esta planilha deve ser de conhecimento também da gerência e diretoria para que
possam destinar esforços e recursos para situações mais críticas. É de fundamental
importância o envolvimento dos colaboradores da área para que os mesmos sintam que a
empresa está preocupada com a segurança de todos os envolvidos.

3.2 INSTRUÇÃO DE SEGURANÇA DO TRABALHO

Para elaboração da Instrução de Segurança conforme figura 12, deve ter como
fonte de consulta e referência à análise de perigos e riscos do setor ou local específico,
também podem ser consultados outros materiais de treinamento, mapa de risco e campanhas
específicas relacionadas com o tema. A sua elaboração deve ser simples para fácil
entendimento dos colaboradores. A Instrução serve como ensino, orientação e consulta dos
colaboradores e conta com imagens ilustrativas que indicam os equipamentos de proteção
individual que o colaborador deve utilizar e imagens reais de máquinas que identifiquem os
equipamentos de proteção existentes. Mas o item principal é a coluna do controle, onde o
colaborador deve seguir e/ou utilizar as recomendações evitando que um possível acidente
possa acontecer.
Revisões de Documentos: deve ser realizada imediatamente sempre que ser
identificada ou informada alguma alteração de layout, processo, atividade, instalações ou
quando for necessária em função de novos conhecimentos advindos de experiências anteriores
ou investigação de acidente.
46

Figura 12: IS - Instrução de Segurança do Trabalho

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).

As instruções de segurança são disponibilizadas nos postos de trabalho, devendo


ficar em local visível e de fácil consulta para o colaborador como mostra a figura 13.

Figura 13: IS - Instrução de Segurança no posto de trabalho

Fonte: Empresa pesquisada (2018).


47

3.3 TREINAMENTO

Esta é uma das etapas mais importantes para qualquer implantação que envolva a
melhoria ou desenvolvimento de programas relacionados com o trabalhador, a capacitação é
fundamental para que os objetivos sejam conhecidos e os resultados esperados sejam
alcançados. Antes de iniciar o trabalho primeiro o colaborador passa pelo treinamento
realizado pelo líder ou supervisor do respectivo setor de trabalho.
A figura 14 mostra o roteiro de treinamento que está em fase de implantação, onde
o responsável por ministrar o treinamento deverá segui-la, para que nenhum item seja
esquecido de ser citado e explicado, objetivo é repassar todas as orientações e informações
necessárias para o colaborador trabalhar com segurança.
Este formulário fará parte do manual de treinamento da empresa que também
contemplará outros assuntos como qualidade, sistema de manufatura, entre outros. Os Líderes
e Supervisores também devem passar por treinamento de capacitação onde devem saber e
conhecer os itens necessários para repassar as informações aos seus subordinados. Geralmente
por terem uma vasta experiência conseguem assimilar os conceitos mais facilmente ajudando
até no desenvolvimento dos programas e ferramentas de Segurança do Trabalho. O conteúdo
do treinamento depende do setor, perigo e risco relacionados com o ambiente de trabalho e
também deve envolver procedimentos e normas existentes na empresa.
Figura 14: Roteiro de Treinamento

Fonte: Autor (2018).


48

3.4 FERRAMENTAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO

Outra iniciativa importante adotada dentro da empresa foi à busca pela melhoria
(implantação e reestruturação) dos programas e/ou ferramentas de segurança do trabalho, para
que as mesmas se tornem mais eficazes na prevenção de acidentes, melhorando também a
visão dos colaboradores quanto à percepção dos riscos e das suas responsabilidades quando se
trata de segurança do trabalho, conseguindo relacionar a teoria com a prática.

Questionário de Segurança do Trabalho: tem por objetivo medir o nível de conhecimento


de seus colaboradores quanto a Segurança do Trabalho. A recomendação é que seja aplicado
antes do início da implantação de programas e atividades na área de Segurança e após a sua
respectiva implantação, desta forma poderá ser avaliado evolução do conhecimento dos
colaboradores nos aspectos relacionados à Segurança do Trabalho.

Figura 15: Questionário de Segurança do Trabalho

Fonte: Autor (2018).


49

Integração de Segurança: foi desenvolvido um manual para colaboradores contratados,


contendo informações básicas, que são de fundamental importância no desenvolvimento de
suas atividades. Os assuntos repassados são sobre segurança em máquinas, sistemas de
proteção coletiva e individual, plano de atendimento a emergência, normas e procedimentos
internos, ferramentas e programas de segurança entre outros e tem uma carga horária de 4
horas. Este manual conforme figura 15, é fornecido gratuitamente ao colaborador que pode
levar para sua casa e compartilhar as informações com seus familiares e conhecidos.

Figura 16: Manual de integração de segurança

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).

Reforço de Segurança: tem o objetivo de trabalhar na conscientização dos colaboradores que


se envolveram em acidentes de trabalho, incidentes ou quase acidentes, e também para
aqueles colaboradores que foram flagrados realizando algum comportamento inseguro que
pode levá-lo a se envolver em um acidente ou doença do trabalho. O treinamento é realizado
mensalmente com carga horária de aproximadamente uma hora e meia, onde são relembrados
conceitos e normas de segurança, reforçados através de testes, dinâmicas, vídeos e imagens.
Sempre que algum colaborador for convocado automaticamente o seu supervisor também
deve participar, pois é o responsável direto do colaborador. Este treinamento é elaborado e
realizado pela Segurança do Trabalho.
50

Diálogo Diário de Segurança – DDS: O Dialogo Diário de Segurança tem por objetivo
consolidar a cultura de segurança do trabalho, fazendo com que os colaboradores assimilem,
reflitam, conversem sobre o tema e aplique às informações repassadas, este encontro dura em
média 5 minutos e é realizado no início do turno de trabalho. Os assuntos são elaborados pela
área de segurança do trabalho. Este momento também auxilia no reforço da cultura de
segurança, pois todos os dias ele fala e aprende sobre segurança no trabalho. A figura 16 traz
um exemplo de DDS aplicado.

Figura 17: Diálogo Diário de Segurança

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).

Registro de Incidente: ferramenta que tem o objetivo de identificar e tratar possíveis causas
de acidentes por condições ou comportamentos inseguros, é de extrema importância para sua
própria evolução no reconhecimento destas condições. Fazendo com que o colaborador tome
ações necessárias para evitar o acidente (figura 9). O incidente são sinais de alerta de que um
possível acidente pode acontecer, então deve ser dado total atenção e ser analisado e
investigado, adotando medidas preventivas para que ele de fato não aconteça. É uma
ferramenta que faz o colaborador se sentir responsável nas questões que envolvam a
segurança dentro da organização.
51

Cruz de Segurança do Trabalho: tem por objetivo levar ao conhecimento dos colaboradores
a quantidade de acidente e incidente que acontecem na organização. Todos os dias o
colaborador deve preencher os campos pertinentes conforme as legendas, cada setor ou célula
de trabalho deve designar um responsável pelo preenchimento. Esta ferramenta faz com que o
colaborador pense na questão de segurança e reflita sobre ela e seus números, é uma forma de
monitoramento e acompanhamento dia a dia (figura 10).

Inspeção de Segurança: diariamente os líderes e gestores, devem realizar inspeções nos


postos de trabalho nos quais são responsáveis, visando eliminar condições e comportamentos
que possam gerar a ocorrência de algum acidente. Esta solicitação veio da própria diretoria da
empresa, e faz com que a cultura acaba consequentemente aumentando tornando-se uma
preocupação constante, onde a segurança deve ser uma atividade dentro da sua rotina. Esta
inspeção deve contemplar sua rotina diária e as irregularidades são pontuadas e registradas
através do registro de incidentes. Conforme sua necessidade ou dúvida na interpretação de
alguma condição no ambiente de trabalho o líder pede auxilio para a área de segurança do
trabalho na realização da inspeção.

Reunião de acompanhamento da produção: diariamente acontece a reunião dos


supervisores e líderes da produção que conta também com a presença de alguns gerentes e
áreas de apoio como qualidade, processo, manutenção, etc. Esta reunião nasceu com o
objetivo de acompanhar e monitorar os acontecimentos diários da produção e/ou
produtividade, porém foi disponibilizado 5 minutos iniciais para se falar de segurança, onde é
feito inicialmente a leitura do DDS – Diálogo Diário de Segurança e depois é comentado
sobre alguma ocorrência, condição ou risco que possa eventualmente ocasionar um acidente
de trabalho na empresa. Sendo de muita importância para criar uma sistemática para
funcionamento dos programas de segurança que não podem ser esquecido em nenhum
momento, pois, qualquer desatenção pode gerar ocorrências indesejáveis podendo não só
lesionar um trabalhador, mas também interferir no processo produtivo comprometendo
automaticamente as entregas de produtos e o próprio faturamento da empresa. Este item
auxilia diretamente no objetivo específico referente ao maior envolvimento da supervisão e
liderança. Atualmente os próprios participantes já conduzem a leitura do DDS, relatam sobre
ocorrências e situações que aconteceram e podem acontecer na empresa, anteriormente era a
própria Segurança do Trabalho que realizava este momento, mostrando assim um crescimento
e comprometimento necessário para que o objetivo geral seja alcançado.
52

Figura 18: Reunião de Produção

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).


53

3.5 MONITORAMENTO E ACOMPANHAMENTO DE INDICADORES

A figura 19 mostra o quadro de gestão à vista das áreas produtivas onde estão
armazenados os Registros de Incidente e a Cruz de Segurança, fazendo com que a segurança
seja parte integrante das atividades do dia-a-dia.

Figura 19: Quadro gestão à vista

Cruz de Segurança

Registro de
Incidentes

Fonte: Empresa pesquisada (2018).

Outra ferramenta criada foi o acompanhamento dos Indicadores de Segurança


com o auxilio dos próprios líderes da área, conforme a figura 20, estes indicadores são
atualizados diariamente ou mensalmente dependendo da ferramenta, tem por objetivo dar
suporte aos lideres e supervisores do setor quanto aos seus resultados na área de segurança.
Este quadro fica na sala da supervisão que indica e monitora todas as ocorrências de acidentes,
a quantidade de registros de incidentes abertos e também quais estão pendentes.
54

Figura 20: Gerenciamento dos indicadores

Imagem dos responsáveis do


setor.

Taxa de frequência e
Cruz de Segurança
gravidade

Controle de Inspeção de Controle de Inspeção de


segurança 1° turno segurança 2° turno

Controle dos Registros de Incidentes Controle dos Registros de Incidentes


(Pendentes e concluídos) 1° turno (Pendentes e concluídos) 2° turno

Relação dos Registros de Incidentes Relação dos Registros de Incidentes


Pendentes 1° turno Pendentes 2° turno

Fonte: Empresa pesquisada (2018).


55

3.6 INDICADORES DE SEGURANÇA DO TRABALHO

A forma para controlar os resultados é baseada na Pirâmide de Frank Bird


conforme figura 21, uma forma visual e fácil de entender a quantidade de ocorrências
existente.

Figura 21: Pirâmide de Frank Bird

Fonte: Adaptado da empresa pesquisada (2018).

Abaixo segue a forma de caracterização de cada degrau da pirâmide de Frank:


 Acidente Com Afastamento: acidente onde o colaborador precisa se afastar
de suas atividades por período determinado pelo médico da empresa ou que o atendeu em uma
unidade médica, pronto socorro, etc.;
 Acidente Sem Afastamento: acidente onde o colaborador recebeu
atendimento médico fora da empresa (hospital, pronto socorro, etc.) e retornou ao trabalho;
 Simples Atendimento Ambulatorial: acidente onde o colaborador foi
atendido pela área médica da empresa e logo após retorna ao trabalho;
 Registro de Incidentes: condição que pode levar a ocorrência de um acidente.
56

4 RESULTADOS E ANÁLISES

O levantamento dos dados apresentados é referente aos anos de 2016 e 2017,


quando algumas das ferramentas já estavam mais consolidadas e o sistema de gestão acabava
fluindo com mais autonomia por parte da liderança.
Os resultados da figura 22 levam em consideração todo os tipos de acidentes que
aconteceram na para empresa nos respectivos anos.

Figura 22: Comparativo dos resultados (2016 e 2017)

Fonte: Autor (2018).

O resultado alcançado se deu através do empenho de todos, principalmente pelos


gestores e lideres que disseminaram os conceitos de segurança aos seus colaboradores através
das ferramentas aplicadas. Nos levantamentos de perigos e riscos auxiliaram no mapeamento
dos postos de trabalho relatando algumas ocorrências e sugerindo melhorias, uma troca de
informação muito importante para criar uma cultura de segurança mais forte.
Outro fator importante foi à implantação do registro de incidente, onde os próprios
colaboradores participam na identificação de possíveis condições e comportamentos que
poderiam gerar um acidente. O registro de incidente também auxilia na percepção de risco e
na sua própria atitude, pois, a ferramenta solicita que o próprio observador sugira alguma
melhoria e principalmente qual a ação imediata ele deve fazer para que de fato o acidente não
ocorra, exemplo: sinalizar um local que tenha risco de alguém cair ou tropeçar, simplesmente
sinalizando ou isolando a área já estará minimizando o risco de um acidente.
57

Sabendo que as principais causas de acidentes estão relacionadas aos


comportamentos, o Diálogo Diário de Segurança (DDS) e o treinamento de reforço mensal
fizeram com que os colaboradores refletissem e conhecessem sobre os temas das prováveis
consequências de um comportamento inseguro. O DDS tem foco preventivo, pois, aborda
temas que levam conhecimentos e dicas para os colaboradores não se envolverem em
situações de risco. Já o treinamento de reforço trabalha de forma corretiva conscientizando
sobre os comportamentos inseguros que realizaram e que poderiam trazer consequências mais
graves aos mesmos, com isso acabam se policiando para não praticarem estes
comportamentos evitando que sejam convocados novamente para esse treinamento.
O treinamento foi outro fator importante para a melhoria do comportamento dos
colaboradores, pois, recebem informações sobre os riscos que estão expostos desde o
momento de sua contratação através da integração e do conhecimento da instrução de
segurança onde alerta o mesmo sobre os perigos e riscos do ambiente e principalmente das
formas de controle.
58

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A falta de Segurança no Trabalho gera resultados negativos para o país como um


todo, à sociedade com o aumento dos benefícios da Previdência, às empresas com a perda do
colaborador, material, tempo e aos próprios colaboradores acidentados afetados
temporariamente ou permanentemente dependendo da gravidade da lesão. Porém, nem todos
entendem o tamanho do problema e decidem pela adoção ou continuidade das atitudes
desatentas no ambiente interno da empresa. É muito complexo uma empresa computar os
custos dos acidentes de trabalho, pois, muitos itens devem ser avaliados, como perda de
tempo, danos materiais, exames médicos, remédios, etc. Mesmo assim, sabe-se que a melhor
maneira de combater e acabar com os acidentes de trabalho é a prevenção, pois os acidentes
de trabalho interferem absolutamente na vida da empresa, em relação as suas obrigações,
qualidade, prazo, imagem, etc.
Para o bom andamento do tema proposto, este trabalho mostrou a importância do
sistema de gestão no auxílio à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais com o empenho
e comprometimento da liderança e dos próprios colaboradores que estão mais participativos
na busca pela redução de acidentes e até nas reuniões onde buscam passar informações
importantes para prevenção dos acidentes.
As ferramentas de Segurança do Trabalho auxiliaram principalmente na percepção
dos riscos existentes no ambiente de trabalho, ficando assim mais fácil atuar na prevenção. O
apoio da alta direção da empresa foi primordial para o sucesso da implantação das
ferramentas, pois, os colaboradores se sentiram apoiados e gratificados pela importância do
tema.
Através deste trabalho pode-se observar a evolução do indicador de segurança,
onde se reduziu a quantidade de ocorrências principalmente os que geram afastamento e
lesões aos colaboradores.
Como evidenciado neste trabalho, comportamento e atitude é a base para a
melhoria e prevenção, por isso, os programas adotados pela empresa têm como objetivo
avaliar e melhorar diretamente as rotinas de trabalho e as formas de agir e reagir das pessoas,
pois, através do comprometimento e motivação dos envolvidos nos processos pode-se chegar
a um ambiente livre de eventos indesejáveis, perdas financeiras e de problemas sociais.
Para trabalhos futuros foi desenvolvido o Manual de Ferramentas de Segurança do
Trabalho (Apêndice A), que relaciona e explica todas as ferramentas citadas neste trabalho,
podendo ser implantada em outras organizações, desenvolvendo assim práticas preventivas de
59

Segurança no Trabalho, melhorando o ambiente e a percepção de riscos dos trabalhadores


envolvidos, é recomendado que o mesmo fosse conduzido ou orientado por um profissional
da área de Segurança do Trabalho.
Recomendações para trabalhos futuros:
 Se tratando de Segurança do Trabalho, os programas e ferramentas devem ser
acompanhadas e cobradas regularmente para que as mesmas não caiam em descredito;
 Criar um grupo através da associação empresarial, universidades ou até
sindicatos para que os temas relacionados à Segurança do Trabalho sejam melhores
entendidos e para uma fácil aplicação, nunca se esquecendo do objetivo final que é a
prevenção de acidentes e doenças relacionadas com o trabalho;
 Buscar uma nova empresa para aplicar o questionário e também as ferramentas
conforme o Manual elaborado.
60

REFERÊNCIAS

ALVES, Antônio Fernando Silveira. Avaliação de Riscos Ambientais. Disponível em:


<http://www.unisa.br/conteudos/9123/f1258221175/apostila/apostila.pdf> Acessado em 13 de
janeiro de 2018.

ARAÚJO, Giovanni Moraes. Avaliação da maturidade de um sistema de gestão: Proposta


de um instrumento. Dissertação (Mestrado Sistema de Gestão) – Universidade Federal
Fluminense, Niterói, 2005.

ARAUJO, Renata Pereira de; SANTOS, Neri dos; MAFRA, Wilson José; Gestão da
Segurança e Saúde do trabalho. III SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e
Tecnologia, Rio de Janeiro, 2006.

BARBOSA FILHO, A. N. Segurança do trabalho & gestão ambiental. 2. Ed. São Paulo:
Atlas, 2008.

BLEY, J.Z; TURBAY, J.C.F; JUNIOR, O.C. Comportamento seguro: ciência e senso comum
na gestão dos aspectos humanos em saúde e segurança do trabalho. Revista CIPA, São Paulo,
v. 26, n. 311, p. 84-94, out. 2005.

CARDELLA, B. Segurança no Trabalho e Prevenção de Acidentes: uma abordagem


holística. São Paulo: Atlas, 1999.

CHIAVENATO, I. Recursos humanos: Edição Compacta, 3 ed.- São Paulo: Atlas 1999.

COELHO, Celso Pinto. Manual de Segurança do Trabalho e Saúde Ocupacional.


Eletrobrás Eletronuclear S.A. Angra dos Reis, 2010.

DUPONT; Introdução e Visão geral. Curitiba: Costal, 2011.

DUPONT; Manual de auditoria comportamental. São Paulo: Coastal, 2010.

FONSECA, J.J.S. Metodologia da Pesquisa Cientifica. Fortaleza: UEC, 2002. Apostila.

FOSSÁ, Maria Ivete Trevisa; PINTO, Vancler Corrêa. A SOCIALIZAÇÃO NA


PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO – UM ESTUDO EMPIRICO NAS
EMPRESAS DO RAMO METALÚRGICO. XXIX ENCONTRO NACIONAL DE
ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, Salvador, 2009.

G. Arra, Evolução da Segurança do trabalho e da saúde ocupacional. Disponível em:


<http://www.processos.eng.br/wp-content/uploads/2017/07/evolucao_da-
seguranca_do_trabalho.pdf> Acessado em 13 de janeiro de 2018.

GIL, A.C., Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.

GONSALVES, Elisa Pereira. Iniciação à Pesquisa Científica. Campinas: Alínea, 2001.

HEMÉRITAS, Adhemar Batista. Organização e Normas. São Paulo: Atlas, 1998.


61

JUNIOR, Edson Jansen Pedrosa de Miranda. ANÁLISE DE RISCO APLICADA À


SEGURANÇA DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DE PETRÓLEO E GÁS. XXXIII
ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHEIRO DE PRODUÇÃO, Salvador, 2013.

MATTOS, Ubirajara Aluizio de Oliveira. MASCULO, Francisco. Higiene e segurança do


trabalho. 1. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2011. 360 p.

MENDES, René. Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu, 1995.

MENEGHETTI, Alexander Augusto. A Importância da Auditoria Comportamental para


a Prevenção de acidentes na Indústria Petroquímica. 2010. 174 f. Dissertação (Mestrado
Sistema de Gestão) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2010.

MENTE, Felipe José. Modelo ergonômico de gestão participativa em segurança e saúde


ocupacional. 2007. 135 f. Dissertação (Engenharia de produção). Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

MINISTÉRIO DO TRABALHO. Normas Regulamentadoras. Disponível em:


<http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm> Acessado em 13 de
janeiro de 2018.

NBR 14.280 – Cadastro de acidente do trabalho – Procedimento e classificação – ABNT –


Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 1999.

OLIVEIRA, Claudio Antônio Dias de; SCALDELAI, Aparecida Valdinéia; MILANELI,


Eduardo; OLIVEIRA, João Bosco de Castro; BOLOGNESI, Paulo Roberto. Manual Prático
de Saúde e Segurança do Trabalho. 2. ed. São Paulo: Yendis, 2012.

OHSAS PROJECT GROUP COPYRIGHT. OHSAS 18001:2007 (Tradução Livre):


Material de treinamento de Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho –
Requisitos. Curitiba, 2010.

PALASIO, Cosmo. Sistema de Gestão – Falando do assunto. Disponível em:


<http://www.areaseg.com/artigos> Acessado em: 13 de janeiro de 2018.

PASTORE, José. País gasta R$ 72 bilhões por ano com acidente de trabalho. O Estado de
São Paulo, São Paulo, 21 de janeiro de 2012. Economia. Disponível em:
<http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pais-gasta-r-72-bilhoes-por-ano-com-acidente-
de-trabalho-imp-,825342> Acesso em 13 de janeiro de 2018.

PINHO, J.B. Comunicação nas organizações. Viçosa: Universidade de Viçosa, 2006.

PONTES, Luiz Carlos de Souza. Cultura de Segurança e suas implicações na prevenção


de acidentes do trabalho. 2008. 197 f. Dissertação (Mestrado em Administração). Faculdade
Novos Horizontes, Belo Horizonte, 2008.

PREVIDÊNCIA SOCIAL, Acidente de Trabalho. Art. 19 da Lei nº 8.213/91. Disponível


em: <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11357244/paragrafo-3-artigo-19-da-lei-n-8213-de-
24-de-julho-de-1991> Acesso em: 13 de janeiro de 2018.
62

PREVIDÊNCIA SOCIAL, Estatística de acidentes do Trabalho. Disponível em:


<http://www.previdencia.gov.br/estatisticas/aeat-2012/estatisticas-de-acidentes-do-trabalho-
2012/subsecao-a-acidentes-do-trabalho-registrados/tabelas-2012/> Acesso em 13 de janeiro
de 2018.

RAUPP, Fabiano Maury; BEUREN, Ilse Maria. Metodologia de pesquisa aplicável às


ciências sociais. In: BEUREN, Ilse Maria (Org.). Como elaborar trabalhos monográficos
em contabilidade: teoria e prática. 2. Ed. São Paulo: Atlas, 2004.

SALIBA, Anis. Gestão de segurança com foco no comportamento. In: FÓRUM


INTERNACIONAL DE SEGURANÇA COMPORTAMENTAL, 5 ed. 2013, Rio de Janeiro.

SAMPAIO, G. M. A; Pontos de Partida em Segurança Industrial. Rio de Janeiro:


Qualitymark, 2003.

SILVA, Diogo Côrtes. Um sistema de gestão da segurança do trabalho alinhado à


produtividade e à integridade dos colaboradores. 206. 57 f. Monografia (Graduação de
Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2006.

WILSON, Larry. Repensando Paradigmas Tradicionais de Gestão de Segurança. In: FÓRUM


INTERNACIONAL DE SEGURANÇA COMPORTAMENTAL, 5 ed. 2013, Rio de Janeiro.

ZOCCHIO, ÁLVARO. Prática da Prevenção de acidentes. ABC da Segurança do


Trabalho. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
63

APÊNDICES
64

Apêndice A – MANUAL DE FERRAMENTAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO

Abaixo estão presentes imagens do manual que podem ser impressa em modo
livreto e que servirá como instrumento de auxilio para empresas e profissionais da área de
segurança do trabalho. Este manual tem como objetivo disponibilizar ferramentas que ajudem
empresas e colaboradores na identificação de perigos e riscos presentes nos ambientes de
trabalho e principalmente evitando os acidentes que provocam lesões e danos para o
trabalhador e também custos desnecessários para a empresa.
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85