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DreamWorks, animada com sucessos de titulos como Formiguinhaz, Fuga das

Galinhas e é claro, Shrek 1 e 2; está investindo alto de animação 3D.

Desta vez, resolveu buscar no fundo do mar, a inspiração para criar O ESPANTA
TUBARÕES, que assim como a sequência de SHREK, conta com todo o poder de
produção do estudio.

Evidentemente que logo surgiram comparações de O ESPANTA TUBARÕES com


PROCURANDO NEMO da bem-sucedida parceria Disney/Pixar, mas as estas
comparações devem ficar por aí.
Basta uma rápida olhada nos cenarios e personagens, e percebe-se que o desenho
em nada lembra o filme da concorrência, a não ser, é claro pelo fato de ambos
serem ambientados no fundo do oceano.
O titulo da DreamWorks tem identidade própria, e arrasa em estilo. Pra começar,
existe mesmo uma "cidade submarina", com ruas, bares, casas, prédios etc... Os
peixes, usam "roupas", ou melhor, suas escamas substituem vestes como blusas,
cabelos e vestidos. Em um dos cenários do site, é possivel ver um escritório
completo com porta-arquivos, mesa, cadeira, canetas e papéis pelo chão. Mas tudo
cheio de musgo, envelhecido, ou embaçado pela água, para dar a impressão de que
estamos mesmo olhando para um cenário submerso.

Outro ponto interessante, vai para os próprios personagens, todos caricaturas de


seus dubladores. A DreamWorks contratou um elenco de primeira linha, para dar as
vozes aos peixes, e é claro, faz todo o marketing possivel em cima disso.

O ESPANTA TUBARÕES, é uma paródia aos filmes de gangster e conta a história


de Oscar (dublado por Will Smith), um peixinho que sonha em melhorar sua posição
na cadeia alimentar, mas tem que se conformar com seu trabalho num lava-rápido
de baleias.
A sorte de Oscar começa a mudar quando um dos filhos de um dos chefões da
máfia local é nocauteado por uma âncora e ele leva o crédito pela façanha. O
simplório peixe acaba ganhando fama e faz sucesso entre as garotas, incluíndo a
sensual Lola (Angelina Jolie) e Angie (Renee Zellweger); mas terá que enfrentar
tipos como o baiacú mafioso Sykes (Martin Scorsese), além de Don Lino, o tubarão
rei do crime (Robert De Niro). No meio de tanta confusão, ainda vai rolar uma
divertida amizade com Lenny, um tubarão branco vegetariano (Jack lack).

trilha sonora é para todos matarem saudade dos anos 70 e 80. As músicas
escolhidas não poderiam ter sido melhores, uma vez que se adequam muito bem às
cenas, trazendo sempre um clima animado e agradavelmente retrô. É claro,
referências não faltam. Enfim, O Espanta Tubarões é um ótimo filme para os que
desejam dar boas risadas, sem assistir às mesmas piadas sem graça. E por mais
que o filme pareça familiar à primeira vista, você apenas assistiu a algo similar, mas
não tão original e divertido.

Por Cássia Borsero *

O caldo das boas produções para crianças em animação 3D parece engrossar a


cada lançamento, e parece longe do esgotamento. Depois da série Shrek, a
Dreamworks vem à tona com uma nova história de encher os olhos, dessa vez nas
profundezas do mar. O Espanta-Tubarões, que estréia em todo o Brasil em 8 de
outubro, segue a trilha do imenso sucesso de Procurando Nemo, da rival Pixar, ao
humanizar a vida submarina em situações hilariantes.

Entretenimento de primeira linha, o novo filme da Dreamworks conjura os melhores


elementos de uma boa atração para crianças: roteiro ágil e esperto; humor
inteligente; conteúdo ético, que convida à reflexão; qualidade estética, com efeitos
visuais fascinantes; e, como um bom filme americano, uma trilha sonora animada e
contemporânea, que transita entre o pop, o hip-hop e o reggae. Uma boa sacada,
que só os adultos que assistirem à versão legendada vão apreciar, é que os
personagens são fisicamente parecidos com os atores que os dublam, das curvas
estonteantes e do bocão de Angelina Jolie (Lola) às sobrancelhas espessas do
diretor Martin Scorsese (o baiacu Sykes).

A HISTÓRIA

O peixe Oscar vive em Arrecife, uma cidade-coral de tirar o fôlego, cheia de


anúncios publicitários com trocadilhos que só as crianças americanas vão achar
graça, mas que as brasileiras também podem entender, como um outdoor do
refrigerante "Coral-Cola". Descolado como só um malandro carioca poderia ser (ao
menos, na versão dublada por Paulo Vilhena), Oscar trabalha na seção mais
repugnante de um lava-rápido de baleias: a língua.

A recepcionista, a bela acará-bandeira Angie, está apaixonada por ele, mas Oscar
só tem olhos para o "andar de cima", o topo do Arrecife, onde mora a elite. Filho de
um funcionário exemplar do lava-rápido, Oscar é relapso, está sempre atrasado, e
tem uma dívida gorda com seu chefe, um baiacu mal-encarado que anda sempre
acompanhado por dois capangas rastafári, Ernie e Bernie, duas águas-vivas com
dreadlocks. O problema é que Oscar acredita que ter um trabalho humilde é ser um
joão-ninguém, e ele sonha o tempo inteiro em "ser alguém", ou seja, ser rico e
famoso.

Os peixes de Arrecife são aterrorizados pelo topo da cadeia alimentar, tubarões


liderados por Don Lino, um verdadeiro "capo" mafioso. Como poderoso chefão, ele
quer passar a batuta para seus dois filhos e se aposentar. O problema é que,
enquanto Frankie é um assassino sanguinário, o sensível Lenny tem um terrível
segredo a esconder: é vegetariano!
Os caminhos borbulhantes de Oscar e Lenny se cruzam, e o peixinho acaba tirando
proveito da situação para fazer a fama e deitar na cama como um terrível destruidor
de tubarões. Com uma ajudinha básica da mídia, que projeta suas bravatas em
imensos telões no meio da cidade, Oscar literalmente sobe na vida, e pode até se
dar ao luxo de ser cortejado por uma femme fatale inatingível, uma peixe-dragão
chamada Lola.

CONSISTÊNCIA E TOLERÂNCIA

Em uma das cenas do filme, Angie tenta fazer Oscar entender que ele já "é alguém",
e não precisa de dinheiro ou fama para ser o que já é. Mas ele ignora o conselho e
se assume como um verdadeio alpinista social. Com a fama repentina de "espanta-
tubarões", Oscar vira garoto-propaganda de uma série de produtos, aparece na TV e
descola um apartamento bacanérrimo no "andar de cima", sempre lotado de puxa-
sacos. Aliás, os adultos vão se divertir à beça com a sátira aos milionários rappers
americanos e à alta roda da fama. Com a ajuda de Lenny, que está se escondendo
do pai para que ele não descubra seus pendores vegetarianos, Oscar chega a
simular uma briga com o tubarão na frente das câmeras de TV e de toda a cidade,
levando a melhor no final.

A primeira reflexão que o filme propõe às crianças é que a vida cor-de-rosa dos ricos
e famosos, alardeada no mundo ocidental em geral pelo culto às celebridades, é
uma quimera sem consistência. Ao perder o respeito de Angie, Oscar finalmente
percebe que basear a vida em fantasias de consumo, na mentira e na boa-fé alheia
não é a melhor maneira de subir na vida. Aqui, o próprio conceito de "subir na vida"
vai na contramão do sonho americano, consumista e predatório, e está ligado muito
mais à satisfação pessoal e felicidade afetiva que aos dígitos da conta bancária. A
pertinência da mensagem, apesar da simplicidade quase óbvia, reside no fato de
que esses valores distorcidos continuam aí, firmes e fortes, influenciando uma
geração de crianças e adolescentes que desejam ser "atores-e-modelos" quando
crescerem, sem entenderem o que isso significa além das supostas vantagens que a
mídia apregoa. E todo pensamento em contrário, por ingênuo que possa parecer, é
sempre bem-vindo.

Outra reflexão interessante para conversar com os filhos é o poder que a mídia tem
de amplificar uma mentira, como "portadora da verdade", e de supervalorizar os
"super-heróis" em detrimento dos "joão-ninguéns". O telejornalismo pretende ser
uma janela para a realidade, mas às vezes pode pisar na bola. E aí, será que
devemos confiar incondicionalmente no que o jornal da TV nos mostra? A expressão
"é verdade porque eu vi na TV" é muito mais comum do que parece. E será que
apenas as pessoas que realizam feitos extraordinários ou são famosas merecem
aparecer na TV? Todos os dias, milhões de formiguinhas humanas fazem o mundo
andar, e cada uma delas certamente tem uma boa história para contar. A TV não
seria mais divertida e rica se não mostrasse sempre as mesmas caras e bocas?

Por fim, à semelhança de Shrek, Lenny também é um exemplo de tolerância ao


diferente. A "elite" dos tubarões "mafiosos" é violenta, cruel e predatória, como
certas elites que todo mundo conhece. Mas é o tubarão sensível, que odeia mastigar
seres vivos e gosta de se travestir de golfinho (!), quem mostra ao pai durão que
forçar a barra para se encaixar nas convenções sociais definitivamente não é o
caminho da felicidade. E quem vai dizer o contrário?