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Dosagem de Concreto: Método ABCP/ACI

O documento resume os passos do método ABCP para traçar concreto, adaptado do método ACI para agregados brasileiros. O método envolve caracterizar os materiais, definir o abatimento desejado, calcular a água inicial com base nas tabelas do método, e determinar as quantidades de cimento, brita e areia usando fórmulas e tabelas. O método fornece uma primeira aproximação do traço que deve ser ajustada por testes experimentais.

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Dosagem de Concreto: Método ABCP/ACI

O documento resume os passos do método ABCP para traçar concreto, adaptado do método ACI para agregados brasileiros. O método envolve caracterizar os materiais, definir o abatimento desejado, calcular a água inicial com base nas tabelas do método, e determinar as quantidades de cimento, brita e areia usando fórmulas e tabelas. O método fornece uma primeira aproximação do traço que deve ser ajustada por testes experimentais.

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MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO CIVIL II

Prof. Dr. Alexandre Maines


CONCRETO TRAÇO

MÉTODO ABCP - ADAPTADO DO MÉTODO DA ACI

ABCP : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND


ACI : AMERICAN CONCRETE INSTITUTE

 Adaptado do método da ACI (American Concrete Institute), para agregados


brasileiros

 Fornece uma primeira aproximação da quantidade dos materiais devendo-se


realizar uma mistura experimental

CARACTERIAZAÇÃO DOS MATERIAIS EMPREGADOS

Inicialmente devemos caracterizar os materiais que serão utilizados no concreto

CIMENTO
 Tipo de cimento
 Massa específica
 Resistência do cimento aos 28 dias

CONCRETO
 Resistência característica do concreto
 Resistência de dosagem do concreto
 Condição de preparo – Desvio Padrão

AGREGADO GRAUDO
 Massa específica
 Massa Unitária
 Dimensão Máxima Característica

AGREGADO MIUDO
 Massa específica
 Massa Unitária
 Módulo de Finura
PASSO 01 : ABATIMENTO
 Fixar Abatimento ou adotar abatimento definido em projeto estrutural,

 Determina a consistência do concreto

 Depende do tipo de peça estrutural a ser concretada e de procedimentos de lançamento


empregados.

 A norma ACI 211.1-81 apresenta a tabela 1, onde são recomendados diferentes valores
de abatimentos em função dos diversos tipos de construção.

 O abatimento posteriormente é verificado pelo ensaio do tronco de cone


PASSO 02 : DIMENSÃO MÁXIMA CARACTERÍSTICA DO AGREGADO GRAÚDO
 Definir a Dimensão máxima característica do agregado graúdo – DMC, ou adotar DMC
definida em projeto estrutural

 Esta informação é estabelecida pelo calculista em função das distâncias entre as barras
da armadura, seleciona-se, de acordo com as exigências da NBR 6118 (ABNT, 1980) -
Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado,

BRITA
Pó de pedra: > de 4,8 mm
Brita 0 ou pedrisco: de 4,8 mm a 9,5 mm
Brita 1: de 9,5 mm a 19 mm
Brita 2: de 19 mm a 25 mm
Brita 3: de 25 mm a 50 mm
Brita 4: de 50 mm a 76 mm

PASSO 03 : QUANTIDADE DE ÁGUA


 Com base em ensaios realizados em laboratório o método da ABCP/ACI estima a
quantidade de água de amassamento necessária para produzir o ABATIMENTO
esperado a partir da brita utilizada.

EM OUTRAS PALAVRAS

Sei o Abatimento que quero Estimo a quantidade de água


necessária em tabelas criadas pela
Sei a Brita que vou usar
ABCP

Estimativa conseguida em ensaios de laboratório para misturas preparadas com


agregados graúdos britados de granito, agregados miúdos, constituídos por
areias de rio não muito finas (MF > 1.8), e consumos de cimento em torno de
300 kg/m3 de concreto.
Tabela 2: quantidade de água de amassamento do concreto em função do abatimento e da Dimensão máxima
característica do agregado

 Quantidades de água de amassamento (expressas em litros/m3 ou Kg/m3 de concreto


produzido)

 São valores de referência iniciais que devem ser ajustados por experiências prévias ou
através de tentativas com misturas nas quais se efetuaram ensaios de abatimento.

 O método da ABCP recomenda a utilização de uma fórmula empírica que permite o ajuste
da água de amassamento necessária, num processo iterativo, a partir da água
adicionada inicialmente e dos abatimentos inicial e requerido.

mrequerido = minicial x ( Abat. Requerido) x 0,1


Abat. Inicial

m = consumo de água da mistura;

Abat. = abatimento pelo ensaio do tronco de cone (NBR NM 67);

0,1 = valor do coeficiente exponencial, que depende dos materiais empregados.


PASSO 04 : RELAÇÃO ÁGUA / CIMENTO

 Tanto o método original do ACI como a versão da ABCP recomendam, como forma mais
precisa de determinação da relação a/c, o emprego das curvas de Abrams, construídas
com o cimento e os materiais a serem utilizados.

 Quando não for possível dispor destas curvas ou de informações confiáveis sobre as
resistências obtidas com o cimento e os materiais a serem efetivamente usados, pode-se
proceder à determinação aproximada da relação a/c, em função da resistência, obtida
através das curvas de Walz,

 Estas curvas foram desenvolvidas no departamento de Cimento e Concreto (DECIM) da


ABCP.

 Foram determinadas por meio de traços experimentais de concretos, produzidos com


cimentos de diferentes marcas, tipos e classes e com agregado graúdo britado de origem
granítica e agregado miúdo constituído por areia de rio.
PASSO 05 : QUANTIDADE DE CIMENTO

 Conhecida a quantidade de água e a relação água / cimento pode-se calcular a


quantidade de cimento para a dosagem:

a / c = ma ma = Consumo de água em Kg
mc mc = Consumo de cimento em Kg
 Obtem-se a quantidade de cimento mc em Kg / m3.

PASSO 06 : QUANTIDADE (VOLUME / M3) DE AGREGADO GRAUDO – BRITA

 Através da tabela 3 construída com base em ensaios realizados na ABCP, determinam-se


resultados médios que permitem obter, a partir do Módulo de finura da areia e da
Dimensão máxima característica do agregado total, o volume máximo de agregado
graúdo compactado seco a ser colocado por m3 de concreto.

Tabela 3: volume compactado seco (VCS) de agregado graúdo por m3 de concreto, função do Módulo de finura da areia
e da Dimensão máx. car.(Dmc) do agregado graúdo
 valor extraído da tabela 3, que corresponde ao volume compactado seco VCS de
agregado graúdo por m3 de concreto, é multiplicado pela massa unitária do agregado
compactado seco, determinando-se a massa do agregado graúdo a ser adicionado na
mistura.

mb = x Vb

OBS : Experiências desenvolvidas na ABCP mostram que, para os agregados


classificados de acordo com a NBR 7211 (ABNT, 1983a), o menor volume de
vazios obtido na mistura de duas britas de graduação contínua é conseguido
quando se mistura 50% de cada uma delas, com a exceção da mistura de brita 0 e
da brita 1, cuja proporção fica 30% de brita 0 + 70% de brita 1.

PASSO 07 : QUANTIDADE (VOLUME / M3) DE AGREGADO MIUDO – AREIA

 A quantidade de areia (em kg) no traço é determinada pelo método volumétrico admitindo
que o volume de concreto é composto pela soma dos volumes absolutos do cimento, da
água, dos agregados e o volume do ar aprisionado.

 A fórmula para determinar a quantidade de areia em volume é a seguinte:

Va = (1- Vc - Vb - Vagua)

Va = (1- mc / c - mb / b - magua / agua )


 A quantidade de areia em massa,

ma = ax Va
PASSO 08 : DEFINIÇÃO DO TRAÇO

 Finalmente a apresentação do traço em massa é feita em função das relações dos


diversos componentes em relação à massa de cimento:

TRAÇO = mc : ma : mb : magua
 Divide-se todos os elementos pela massa de cimento

TRAÇO = 1 : ma / mc : mb / mc : magua / mc

 PODEMOS CALCULAR O TEOR DE ARGAMASSA DA MISTURA ( )

= (1 + a ) / ( 1 + a + b )

OBSERVAÇÕES FINAIS
 O método recomenda que a água de amassamento, estimada inicialmente, nunca seja
colocada de uma única vez, e sim gradativamente, verificando a obtenção da consistência
desejada através do ensaio de abatimento.

 Quando a quantidade de água de mistura, prevista pelo método, for suficiente para
alcançar o abatimento necessário, mas o traço se apresentar pouco argamassado, dever-
se-á acrescentar mais areia à mistura, diminuindo-se a quantidade de brita, de forma a
manter fixa a relação ( brita + areia).

 No caso que a quantidade de água de mistura for insuficiente para alcançar o abatimento,
deverão ser aumentadas as quantidades de água e de cimento, de forma a conservar a
mesma relação água/cimento e diminuir a relação ( brita + areia) do traço.


EXERCÍCIO

CARACTERIZAÇÃO DE MATERIAIS

 Abatimento = 90mm +- 10
 Massa específica do cimento = 3100 kg/m3
 Massa unitária da areia = 1550 kg/m3
 Massa específica da areia = 2450 kg/m3
 Massa unitária da brita = 1520 kg/m3
 Massa específica da brita = 2560 kg/m3
 Cimento utilizado CP-V - 40
 Brita 2
 MF = 2,55
 fck = 25MPa

CARACTERIZAÇÃO DO CONCRETO

 Resistência Característica do projeto estrutural : fck = 25MPa

 Condição de preparo do concreto : controle rigoroso : S=4

fc,28 = fck + 1,65 x s

fc,28 = 25 + 1,65 x 4

fc,28 = 31,6 Mpa  Resistência de dosagem

PASSO 01 : ABATIMENTO

 Abatimento = 90mm

PASSO 02 : DIMENSÃO MÁXIMA CARACTERÍSTICA DO AGREGADO GRAÚDO

 BRITA 2 : DMC = 25mm


PASSO 03 : QUANTIDADE DE ÁGUA DE AMASSAMENTO

 ABATIMEN TO = 90
 DMC = 25

TABELA 2  Ca = 200 Kg / m3

PASSO 04 : RELAÇÃO ÁGUA / CIMENTO

 Resistência de dosagem : fc,28 = 31,6 Mpa


 Cimento utilizado CP-V - 40

Curva de Walz : a/c = 0,57

PASSO 05 : CONSUMO DE CIMENTO

a / c = ma
mc

mc = 200 / 0,57 = 351 Kg / m3


PASSO 06 : QUANTIDADE (VOLUME / M3) DE AGREGADO GRAUDO – BRITA

 DMC (brita) : 25

 MF ( areia ) = 2,6

Tabela 3 : Vb = 0,715 m3 / m3

Quantidade de brita em massa mB = x Vb

mB = 1520 x 0,715 = 1087 Kg / m3

PASSO 07 : QUANTIDADE (VOLUME / M3) DE AGREGADO MIUDO – AREIA

Va = (1- Vc - Vb - Vagua)

Va = (1- mc / c - mb / b - magua / agua )


Va = ( 1 - 351 / 3100 - 1087 / 2560 - 200 / 1000 )

Va = 0,262 m3 / m3

 Quantidade de areia em massa

ma =ax Va = 2450 x 0,262

ma = 641,9 Kg / m3
PASSO 08 : DEFINIÇÃO DO TRAÇO EM MASSA PARA A DOSAGEM

TRAÇO = c : a : b : agua

= 351 : 642 : 1087 : 200

 dividindo tudo pela massa de cimento

Traço = 1 : 1,83 : 3,1 : 0,57

TEOR DE ARGAMASSA

= (1 + a ) / ( 1 + a + b )

= (1 + 1,83 ) / ( 1 + 1,83 + 3,1 )

= 0,477 ( No concreto tem 47,7 % de argamassa

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