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ESTRADAS II

Aula 02 – Estudos Geotécnicos Aplicados à Pavimentação

Prof. Diego Camargo


Mestre em Engenharia de Transportes – EESC/USP
SOLOS - CONCEITOS
Definições:
Geologicamente:
✓ Material resultante da decomposição de rochas pela ação de
agentes de intemperismo;
Engenharia Rodoviária:
✓ Todo tipo de material, orgânico ou inorgânico, inconsolidado ou
parcialmente cimentado, encontrado na superfície da terra;
✓ Qualquer material que pode ser escavado a pá, picareta ou
escavadeira, sem necessidade de explosivos.
SOLOS NA CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS

Objetivo do estudo dos SOLOS para construção de ESTRADAS:

✓ Conhecer suas propriedades físicas e químicas, pois é com os


solos e sobre os solos que são construídos os pavimentos;

✓ Como o conhecimento dessa totalidade de propriedades é caro e


demorado, procura-se inferir tais propriedades a partir de outras
mais simples, mais gerais e mais facilmente determináveis,
denominadas propriedades índices.
Mecânica dos solos na pavimentação
Na Mecânica dos Solos adotam-se como propriedades índices mais
imediatas:
✓ Granulometria;
✓ Plasticidade;
✓ Atividade da fração fina.
Pelos resultados obtidos com o uso dos conhecimentos provenientes
da mecânica dos solos, pode-se:
• Inferir propriedades mais particulares dos solos;
••Classificar os solos em grupos, com o objetivo de inferir seu
comportamento.
Propriedade Índices

ÍNDICES FÍSICOS: relações entre as diversas fases do solo


(sólida, líquida e gasosa) em termos de massa e volume que
procuram caracterizar as condições físicas em que um solo se
encontra.
Propriedade Índices
Relação entre massas mais utilizada:
✓ Teor de Umidade (W%) W = Mw/Ms
Relação entre a massa de água e a massa de sólidos presentes na
amostra.
Onde:
Mw = Massa da água
Ms = Massa de sólidos
Propriedade Índices

Relação entre volumes mais utilizadas:


✓ Porosidade (n) n = Vv/V
✓ Índice de Vazios e = Vv/Vs
✓ Grau de Saturação Sr = Vw/Vv

Onde:
V = Volume Total da Amostra
Vv = Volume de Vazios
Vs = Volume dos Sólidos
Vw = Volume de Água
Propriedade Índices
Relação entre massas e volumes mais utilizadas:
✓ Massa específica natural ou massa específica do solo (γ): relação
entre a massa do solo (M) e o volume deste solo (V) γ= M / V
✓ Massa específica dos sólidos (γs): relação entre a massa dos
sólidos (Ms) e o volume ocupado por esses sólidos (Vs) γs=
Ms / Vs
✓ *Massa específica da água γw = Mw / Vw
* A massa específica da água é função da temperatura
Granulometria

✓ Um solo pode ser considerado como um conjunto formado por


partículas de diversos tamanhos;
✓ A medida do tamanho das partículas constituintes de um solo é
feita por meio da granulometria e para representação dessa medida
costuma-se utilizar uma curva de distribuição granulométrica;

Curva Granulométrica = Representação Gráfica da Distribuição


Granulométrica dos Solos
Granulometria

✓ De acordo com seu tamanho, as partículas de um solo


podem ser classificadas como:
Exemplos de Curvas de Distribuição Granulometria
Ensaio de Análise Granulométrica Conjunta
✓ Consiste na determinação das porcentagens, em peso, das
diferentes frações que constituem o solo.
✓ Para frações maiores que 0,075mm (#200) realiza-se o ensaio
de peneiramento, no qual se faz passar uma certa quantidade de
solo por um conjunto padronizado de peneiras de malha quadrada.
Pesam-se as quantidades retidas em cada peneira e calculam-se as
porcentagens passadas.
✓ Para as frações menores que 0,075 mm, utiliza-se o ensaio de
sedimentação contínua em meio líquido. Os diâmetros das
partículas são determinados em função de suas velocidades de
sedimentação, segundo a lei de Stokes (mais complexo).
Ensaio de Análise Granulométrica Conjunta
As peneiras geralmente utilizadas são:

Peneiras da Série Normal - ASTM


Plasticidade e Estados de Consistência

100%
Líquido Os solos podem apresentar
LL diferentes tipos de
consistência dependendo da
Plástico IP quantidade de água que
Umidade possuam.
LP
Semi-sólido Há teores de umidade que
separam um estado de
LC
consistência de outro.
Sólido
0% Cada solo tem o seu!
Plasticidade e Estados de Consistência
✓ Estado líquido - solo apresenta as propriedades e a aparência de uma
suspensão. Não possui forma própria e não apresenta nenhuma resistência
ao cisalhamento.
✓ Estado plástico - o solo apresenta a propriedade de plasticidade. Pode
sofrer deformações rápidas, sem que ocorra variação volumétrica
apreciável, ruptura ou fissuramento.
✓ Estado semi-sólido - o solo tem a aparência de um sólido, entretanto
ainda passa por variações de volume ao ser seco (o solo ainda encontra-se
saturado).
✓ Estado sólido - o solo não sofre mais variações volumétricas por
secagem.
Limites de Atterberg (Consistência)
Definidos pelo Eng. Atterberg, em 1908, para caracterizar as
mudanças entre os estados de consistência.
O que representa?
✓ O teor de umidade que separa o estado plástico do estado líquido é
chamado de limite de liquidez (LL). É o valor de umidade abaixo do
qual o solo tem comportamento plástico.
✓ A umidade que delimita o estado semi-sólido do plástico é
conhecido como limite de plasticidade (LP). Abaixo desse valor o
solo começara a fissurar ao tentar ser moldado.
Limites de Atterberg (Consistência)

100%
Líquido Os solos podem apresentar
LL diferentes tipos de
consistência dependendo da
Plástico IP quantidade de água que
Umidade possuam.
LP
Semi-sólido Há teores de umidade que
separam um estado de
LC
consistência de outro.
Sólido
0% Cada solo tem o seu!
Limite de Liquidez (LL)

✓ É o teor de umidade que indica


a passagem do estado plástico
para o estado líquido.
✓ Está relacionado com a
capacidade do solo em absorver
água.
✓ É realizado no aparelho de
APARELHO DE CASAGRANDE
Casagrande.
Ensaio - Limite de Liquidez (LL)

1 – Adição de água ao material passante na #40, aproximadamente 80g;


2 – Homogeneização da amostra;
3 – Transferência de parte da mistura homogeneizada para a concha de
Casagrande (espessura 1,0 cm);
Ensaio - Limite de Liquidez (LL)

4 – Operação de abertura da ranhura;


5 – Detalhe da ranhura aberta (aparelho a velocidade de 2
golpes/segundo);
6 – Detalhe da ranhura fechada (aproximadamente 1,0 cm).
Ensaio - Limite de Liquidez (LL)

RESULTADO DO ENSAIO DE LL:

Anota-se o número de
golpes até o ponto em que
a ranhura se fecha e
retira-se uma amostra
do local onde o solo se
uniu, para determinação
do teor de umidade.
LL = umidade correspondente a 25
golpes
Ensaio - Limite de Plasticidade (LP)

✓ É o teor de umidade que


indica a passagem do estado
semi-sólido para o estado
plástico.

Instrumentos utilizados no
ENSAIO DE LIMITE DE
PLASTICIDADE
Ensaio - Limite de Plasticidade (LP)

1 – Homogeneização da amostra passante na #40;


2 – Processo de rolagem;
3 – Comparação com o cilindro padrão (gabarito).
Ensaio - Limite de Plasticidade (LL)
RESULTADO DO ENSAIO DE LP:

Rola-se a pasta (amostra homogeneizada) até que duas condições


sejam simultaneamente alcançadas:
✓•o rolinho tenha um diâmetro igual ao do cilindro padrão e,
✓ aparecimento de fissuras.

O teor de umidade do rolinho, na condição exposta acima,


representa o limite de plasticidade do solo (LP).

* Quando não é possível se obter o LP de um solo, ele é


denominado não plástico (NP).
** Normalmente faz-se 4 determinações e obtém-se a média.

Índice de Plasticidade (IP)

IP = LL - LP ▪ Diferença entre o LL e o LP;


▪ Mede a tendência à expansão do
solo;
▪ Mede a plasticidade dos solos e
fisicamente representa a quantidade
Revela o comportamento
de água necessária para que um
argiloso do solo.
solo passe do estado plástico ao
líquido
Classificação de Solos para fins Rodoviários

Classificação de Solos: Permitem agrupar solos segundo características


comuns relacionadas ao comportamento geotécnico.
Mais utilizadas na engenharia rodoviária:
- HRB (Highway Research Board)
Limites de Atterberg (LL e LP) – Eng. Atterberg em 1908.
Granulometria
- MCT (Miniatura, Compactada, Tropical)
Mini-MCV
Perda por Imersão
Método das Pastilhas
Classificação de Solos para fins Rodoviários
Compactação dos Solos

Objetivo: aumentar a estabilidade da camada e torna o solo mais


homogênea melhorando as suas características de resistência,
deformabilidade e permeabilidade.

✓ É obtida através de processo manual ou mecânico que visa reduzir o


volume de vazios do solo e, com isso, aumentar o valor da sua densidade;

✓ É função de quatro variáveis: Peso específico aparente seco, umidade,


energia de compactação e tipo de solo.
Ensaio de Compactação dos Solos (Proctor)

✓ Realizado para a determinação experimental da correlação entre s


ew;
✓ Indica qual a umidade ótima para compactar o solo sob uma
determinada energia de compactação;
✓ Indica qual será a densidade máxima que se irá atingir com
determinada energia de compactação (o que implica em maior
estabilidade e resistência da camada de solo).
Ensaio de Compactação dos Solos (Proctor)
REALIZAÇÃO DO ENSAIO:
✓ Molde: Cilindro metálico com volume conhecido;
✓ Amostras de solos em diferentes teores de umidade;
✓ Compacta-se o solo no molde, em três camadas, com um soquete de
peso definido (soquete pequeno – 2,5kg ou grande – 4,5 kg) e uma altura
definida (soquete pequeno - 30cm ou soquete grande 45cm);
✓ O molde possuí um anel sobressalente para prender o excesso de
material;
✓ Após a compactação o anel é retirado, o excesso de solo é rasado e o
solo compactado dentro do molde é pesado.
✓ É determinada a massa específica aparente:  = Psolo
Vsolo
Ensaio de Compactação dos Solos (Proctor)
1,800

Massa específica aparente seca - s - (g/cm³)


1,750
RESULTADO:
✓ A partir da
1,700
umidade e da
massa específica
 calcula-se s,
1,650

assim temos o 1,600


gráfico:
1,550
s =  / (1 + w)
1,500
15,0 16,0 17,0 18,0 19,0 20,0 21,0
Umidade - w (%)
Ensaio de Compactação dos Solos (Proctor)
Interpretação do ensaio:

▪ COM UMIDADES BAIXAS: Não é possível compactar o solo até a


massa específica aparente seca máxima devido ao atrito grão a grão ser
grande de forma que o esforço de compactação não é capaz de alterar a
disposição das partículas do solo fazendo com que as partículas se
entrosem diminuindo os vazios.

▪ NA UMIDADE ÓTIMA: A água presente no solo lubrifica os grãos


facilitando a aproximação entre eles atingindo valores de massa
específica mais elevados.

▪ COM UMIDADES ALTAS: A água tente a afastar os grãos de solo


tomando o espaço dos sólidos.
Ensaio de Compactação dos Solos (Proctor)
Proctor: Realizado no Laboratório

Importância : Imprescindível para o controle tecnológico das obras


de pavimentação - liberação de camadas de subleito e reforço
através da verificação da umidade e compactação em campo
determinando se o GRAU DE COMPACTAÇÃO DA CAMADA
atende as especificações técnicas.
Índice de Suporte Califórnia (CBR)

✓ Definição:
O Ensaio de CBR (California Bearing
Ratio) ou ainda ISC, Índice de Suporte
Califórnia, consiste na determinação da
relação entre a pressão necessária para
produzir uma penetração de um pistão
num corpo de prova de solo, e a pressão
necessária para produzir a mesma
penetração numa mistura padrão de
brita estabilizada granulometricamente.
Essa relação é expressa em porcentagem.
CBR – O Ensaio
CBR – O Ensaio

A energia de compactação pode variar de acordo com o


número de golpes por camada e para o soquete utilizado:
CBR – O Ensaio
CBR – O Ensaio

O ensaio de CBR compreende as seguintes etapas:

✓ Moldagem dos corpos-de-prova;

✓ Determinação da expansão (imersão dos corpos-de-prova em


água durante 4 dias);

✓ Ensaio de Penetração;

✓ Cálculo do valor do CBR (%).


CBR – Ensaio de Penetração

✓ Levar o conjunto anéis de sobrecarga para o prato da prensa e


centralizar, de modo que o eixo da prensa caia perfeitamente no
centro dos orifícios dos anéis de sobrecarga;

✓ Deslocar o pistão e o prato da prensa, de modo que a ponta do


pistão toque a superfície do corpo de prova e faça sobre este uma
pressão equivalente à carga total de 5 Kgf;

✓ Ajustar o extensômetro para medida do deslocamento, com


leitura inicial igual a zero e mantendo-se a haste do extensômetro
na vertical;
CBR – Ensaio de Penetração

✓ Realizar a penetração com velocidade de 1,25 mm/min;

✓ Efetuar leituras de deformação do anel, que forneçam as cargas


correspondentes às penetrações de 0,63; 1,25; 2,5; 5,0; 7,5; 10,0 e
12,5 mm;

✓ Com os valores de carga e penetração, pode-se traçar uma


curva, colocando-se no eixo das ordenadas os valores de carga
(Kgf) e no eixo das abscissas, os valores de penetração (mm).
CBR – Ensaio de Penetração
CBR – Curva Pressão x Penetração
CBR – Cálculo
O índice de suporte Califórnia (CBR), em porcentagem,
para cada corpo de prova, é obtido
pela fórmula:

Adota-se para o índice CBR o maior dos valores


obtidos para as penetrações de 0,1” (2,5 mm) e 0,2”
(5,0 mm)
CBR – Exemplo de aplicação

Valores de CBR: Utilizados para o dimensionamento da estrutura


do pavimento rodoviário.

O trecho da rodovia é dividido em segmentos homogêneos de


acordo com os valores de capacidade de suporte (CBR). Para cada
segmento é calculado um CBR de projeto e a partir deste valor dá-
se seqüência aos cálculos para o dimensionamento da estrutura.
CBR – Exemplo de aplicação

Determinação do CBR de Projeto:


CBR – Exemplo de aplicação
CBR – Exemplo de aplicação
Exemplo de Cálculo do CBR de Projeto:
Materiais para Subleito

✓ Capacidade de suporte medida pelo Índice de Suporte


Califórnia (ISC) superior ou igual à 2%;
✓ Expansão máxima de 2%;
✓ Grau de compactação mínimo de 100% do Proctor
Normal. Para solos finos ou para solos granulares pode ser
utilizada a energia de 100% do Proctor Intermediário.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
1- BERNUCCI, L. B. et al. Pavimentação Asfáltica – Formação
Básica para Engenheiros. Rio de Janeiro, PETROBRAS: ABEDA,
2008

2- BALBO, J. T. Pavimentação asfáltica: materiais, projeto e


restauração. São Paulo, oficina de Textos, 2007.