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Sumário

Seção I
Aspectos Iniciais da Produção de Textos .................9
1. O Emprego de uma Língua/Idioma ................................12
2. A Língua Escrita: o Texto ..............................................15
3. As Modalidades de Texto ............................................. 22

Seção II
Texto Dissertativo............................................... 33
1. Conceito de Dissertação ............................................... 35
2. Organização do Texto Dissertativo ..............................46
3. Adequação da Linguagem ............................................49
4. Clareza Textual ............................................................ 53
5. Coesão e Coerência ...................................................... 56
6. Paralelismo Sintático e Semântico ............................... 59
7. Concisão ...................................................................... 62
8. Interlocução ................................................................. 65
9. Os Maiores Erros da Dissertação ..................................68
10. A Coletânea de Textos em uma Proposta de Dissertação ... 72
11. Tema e Delimitação do Tema....................................... 76
12. Ponto de Vista ............................................................80
13. Parágrafos: Sequência Lógica ..................................... 83
14. Temas Dissertativos ...................................................98
15. Agora é a sua Vez! .................................................... 144
Seção III
Correção de Textos ............................................ 173
1. Correção de Redação ...................................................175
2. Emprego dos Conectivos ............................................. 191
3. Esqueletos da Redação .............................................. 198
4. Propostas de Bancas ..................................................208
5. A Versão Final da Redação .........................................220

Seção IV
Noções de Ortografia e Acentuação .....................241
1. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa .................. 243
2. Ortografia Oficial ....................................................... 257
3. Acentuação ................................................................261
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

1. O Emprego de uma Língua/Idioma


A língua é um conjunto de variedades, ou seja, apesar de altamente
organizada, ela é um sistema flexível. Desse modo, os falantes têm a sua
disposição várias alternativas para expressar um mesmo significado, po-
dendo escolher aquela que seja a mais adequada para determinada situa-
ção. Para entender melhor essa informação, é importante que se estudem
as funções da linguagem, a diferença entre fala e escrita e como ocorrem
as variações linguísticas.

Funções da Linguagem
Função referencial ou denotativa
A linguagem transmite uma informação objetiva sobre a realidade, com
preferência a dados concretos, fatos e circunstâncias. Essa forma de co-
municação é comum em notícias de jornal, discurso científico etc. Desse
modo, coloca-se em evidência o assunto ao qual a mensagem se refere.

Função expressiva ou emotiva


A forma de se expressar reflete o estado de ânimo do emissor, os seus
sentimentos e as suas emoções. Uma das características desta função é a
presença de interjeições e de alguns sinais de pontuação, como as reticên-
cias e o ponto de exclamação.

Função apelativa ou conativa


A linguagem tem como objetivo influenciar o receptor ou destinatá-
rio, com a intenção de convencê-lo, de persuadi-lo. O emissor se dirige
diretamente ao receptor. É a linguagem usada em discursos políticos, ser-
mões religiosos e propagandas claramente direcionadas ao consumidor.

Função poética
A linguagem poética deixa em evidência a forma da mensagem, ou seja,
há uma preocupação em como dizer algo. Está muito presente em textos
literários, mas não é exclusiva da poesia nem da literatura em geral, pois
se encontra com frequência nas expressões cotidianas de valor metafórico
e na publicidade.

Função fática
A linguagem é empregada para estabelecer, prolongar ou interromper
a comunicação. É aplicada em situações em que o mais importante não
é o que se fala, nem como se fala, mas sim o contato entre o emissor e o
receptor. Fática quer dizer “relativa ao fato”, ao que está ocorrendo. É a
linguagem das falas telefônicas, saudações e similares.

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Seção I - Aspectos Iniciais da Produção de Textos

Função metalinguística
Esta função refere-se à metalinguagem, que ocorre quando o emissor
explica um código usando o próprio código. É a poesia que fala da poesia,
da sua função e do poeta, um texto que comenta outro texto. As gramáti-
cas e os dicionários são exemplos de metalinguagem.

Língua Falada e Língua Escrita


A fala e a escrita são dois meios de comunicação distintos. A língua
falada é mais espontânea e vem acompanhada de linguagem não verbal,
tom de voz, mímicas etc. A língua escrita é um sistema disciplinado e
rígido, uma vez que não conta com mímicas e tom de voz.
A língua portuguesa, assim como todas as línguas, pode sofrer muitas
variações. Ela varia conforme:
◈◈ o lugar social dos falantes;
◈◈ os nossos interlocutores;
◈◈ o papel social que exercemos em determinada situação.
Isso demonstra que as línguas não são uniformes, homogêneas, pois
todas sofrem algum tipo de variação quanto à pronúncia, ao vocabulário,
à estrutura gramatical.
Nesse sentido, pode-se afirmar que as variações ocorrem de acordo
com o contexto comunicativo, ou seja, o momento é que determina a
forma como alguém se dirige ao próprio interlocutor, se deve ser formal
ou informal. Também podem surgir por causa de diferenças regionais (um
exemplo é o termo “mandioca”, que pode adquirir
nomenclaturas diferentes em razão de um lugar:
As variações linguísticas ocorrem
macaxeira, aipim.). Ademais, essas mesmas dife- num contexto comunicativo.
renças podem ocorrer em razão da convivência en- Porém, numa redação, devem-se
tre os grupos sociais (um exemplo é a linguagem evitar essas variações, em espe-
relacionada ao ambiente profissional, como a lin- cial gírias, expressões idiomáti-
guagem dos advogados, dos surfistas etc.). cas, jargões etc.

Fatores que Interferem nos Usos


Diferentes da Língua
A língua pode sofrer interferência de diversos fatores, como: regio-
nais, culturais, contextuais, profissionais e naturais. Mesmo que existam
diferenças quanto à forma de se comunicar, não se pode afirmar que uma
variedade regional, por exemplo, é um erro, pois a língua é empregada de
acordo com o contexto social, econômico, político, educacional etc.

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Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Fatores regionais
Diferença do português falado por habitantes de regiões diferentes.
Também há variações no uso da língua dentro de uma mesma região.

Fatores culturais
É a influência que o grau de escolarização e a formação cultural de um
indivíduo têm em relação ao uso da língua.

Fatores contextuais
A forma de comunicar-se é influenciada pelo contexto social, econô-
mico, cultural etc. Por exemplo: há diferença de vocabulário, de expres-
sões entre um encontro de amigos e uma reunião profissional.

Fatores profissionais
Algumas atividades profissionais exigem o domínio de uma lingua-
gem técnica. Isso pode ser percebido pelo emprego de termos específicos
de engenheiros, biólogos, matemáticos, médicos, linguistas etc.

Fatores naturais
Alguns fatores, como idade e sexo, influenciam o uso da língua.

Níveis de Emprego da Fala e da Escrita


Há duas formas básicas de diferenciar o nível de emprego de uma
língua. Existe aquela em que se preservam todas as normas estabelecidas
pela gramática; e há aquela que é influenciada por gírias, jargões, expres-
sões contextuais.

Nível coloquial-popular
É a linguagem que se utiliza no dia a dia, principalmente em situações
informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, pois não há uma preocu-
pação em falar de acordo com a norma-padrão, com as regras.

Nível formal-culto
É a linguagem utilizada em situações formais. Caracteriza-se por
exigir um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras
gramaticais.

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Seção II - O Texto Dissertativo

1.  Conceito de Dissertação


Espelhos e mosaicos
Gilberto Freyre construiu uma obra que foi uma ten-
tativa de unir conhecimento e realidade. A partir de uma
abordagem original, sem curvar-se a teorias alheias ou a
modismos. Não só tratou de encontrar um enfoque novo,
ambicionou uma ‘ciência’ brasileira, tropical, com métodos,
temas e pontos de vista próprios.
Os textos que escreveu levando à prática tudo isso estão
marcados por um estilo em que a vivacidade da linguagem
se destaca. No entanto, não foi a partir do improviso que
logrou compor os seus livros, e sim de uma sólida educação,
desenvolvida principalmente nos Estados Unidos.
Se o espírito que o animava nutria-se da curiosidade ina-
ta em cientistas, ele cuidou de materializá-la de forma artís-
tica e literária. Nunca se sentiu atraído pelo que em ciência
veste as mais severas indumentárias acadêmicas e em litera-
tura as ‘túnicas’ das retóricas convencionais. Talvez por isso
haja se definido, com certa ironia, como “escritor ordinário
e professor extraordinário”.
A malícia da frase tem a vantagem adicional para os que
não reconhecem uma possível contribuição do sociólogo à
educação brasileira. Nele a educação não se separa da ação
cultural. O educador não se desliga intelectual. O intelectual
não se divorcia do político. O político não se olvida o quanto
de anárquico haverá num escritor que analisava com o mesmo
à vontade o país e os pais, os avós e o mundo à volta, os outros
e a si. Todo livro é um espelho, se tem razão Lichtenberg.
Nos exercícios de síntese em que se notabilizou há tanto
de projeção do inserto Eu no Outro – como é frequente em
antropólogos – quanto de incerto Outro no Eu – rotina dos
escritores. Ou vice-versa. Nisso reside muito da empatia que
era um dos aspectos mais importantes da sua forma de con-
ceber o trabalho científico. Uma empatia assim se converte
num espelho duplo em que a ciência seduz com arte. A arte,
como a pensava Tolstoi, ação consciente de tentar, por meio
de signos exteriores, contagiar os outros com os sentimentos
pensados, imaginados ou vividos pelo artista. Experiência e
experimentação são transmitidas e transmissíveis como cer-
tas enfermidades.

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Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

História e antropologia, sociologia e arte, ciência e filo-


sofia coexistem como irmãs xifópagas e quando escritas são
todas invenções menos ou mais literárias dependendo do ta-
lento do seu demiurgo. Subjaz em cada uma delas o projeto,
o desejo e o ato de educar. Investigar é aprender, ensinar é
uma contínua investigação, onde teoria e prática são faces
da mesma moeda.
Pensamento-ação: assim se pode resumir o trabalho da-
quele que a partir de Casa-grande & senzala – sua obra
germinal – deu início por assim dizer a uma vocação de “re-
educador” do Brasil. Tanto em seus livros e conferências
quanto com seus discursos e suas aulas. A sua metodologia
e suas intervenções culturais fazem as vezes de manifestos,
cartilhas, didáticas.
LIMA, Mário Hélio Gomes de. Gilberto Freyre. Recife: Fundação Joaquim Na-
buco, Editora Massangana, 2010. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br

Como dissertar
A tarefa de dissertar pode ser definida como um dos trabalhos de
maior importância produzidos pelo cérebro humano, pois um traço im-
portantíssimo dessa atividade é o seu caráter opinativo. É no momento em
que escrevemos que transformamos em palavras aquilo que pensamos.
Esse é um dos atos de maior importância para o homem, pois é por meio
dele que demonstramos o que pensamos sobre o mundo.
De forma mais direta, podemos dizer que, quando dissertamos, esta-
mos defendendo uma ideia, estamos questionando algum fato, estamos
oferecendo nosso ponto de vista sobre determinadas situações ou aconte-
cimentos. Na maioria das vezes, usamos uma linguagem no sentido de-
notativo. Isso quer dizer que fazemos uso de termos objetivos, evitando
qualquer construção que possa representar um efeito de sentido diferente
à ideia, como figuras de linguagem, por exemplo.
Ademais, no ato de escrever desenvolvemos uma sequência lógica de
ideias e de possíveis julgamentos, afinal a argumentação escolhida, as-
sim como os exemplos que escolhemos, reflete nossa perspectiva acerca
do contexto utilizado para a escrita, dos fatos que nos cercam, tornando
mais competente nossa capacidade em analisar o mundo de forma crítica.
Vale lembrar que existe também o cuidado em se manter a unicidade,
a coerência e o equilíbrio no texto, pois esses elementos são fundamen-
tais para a concretização de uma boa dissertação, que deve ser apresenta-
da de modo claro e ordenado.

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Seção II - O Texto Dissertativo

O texto Espelhos e Mosaicos, apresentado no início deste capítulo,


corresponde ao perfil dissertativo. Nele é possível perceber a utilização
de uma base argumentativa sólida, além de inúmeros exemplos, para que
o autor apresente um posicionamento acerca da figura de Gilberto Freyre.
Vejamos um trecho:
Os textos que escreveu levando à prática tudo isso estão
marcados por um estilo em que a vivacidade da linguagem
se destaca. No entanto, não foi a partir do improviso que
logrou compor os seus livros, e sim de uma sólida educação,
desenvolvida principalmente nos Estados Unidos.
Neste pequeno recorte o autor apresenta a sua perspectiva acerca da
escrita de Gilberto Freyre, colocando sua opinião sobre o estilo da lingua-
gem; além disso, acrescenta informações que autenticam seu discurso,
pois esclarece a origem desse estilo de Freyre.
Assim, notamos que a opinião apresentada no texto dissertativo pode ser
sutil e não tão marcada explicitamente, como a maioria das pessoas que de-
senvolvem textos opinativos acredita que deva
O texto dissertativo, quando
ser. Toda a construção do texto configura o as-
tem caráter argumentativo,
pecto dissertativo, pois faz parte de sua progres- deve ter esclarecimentos e
são opinar e esclarecer sobre o que se opina. opiniões.

Aspectos Essenciais de um Texto Dissertativo


As pessoas, desde muito cedo são desafiadas a ler o mundo.
Tanto o pequeno mundo ao seu redor, como, sob certas condi-
ções pessoais e sociais, o que existe muito além do seu próprio
entorno. Uma dessas condições é que sejam bem-sucedidas
em adquirir habilidades suficientes para empreender leituras
cada vez mais amplas do mundo, para ultrapassar as leituras
imediatas, superficiais, que, de qualquer maneira, podem fazer
daquilo que lhe está mais próximo – física e culturalmente. Ins-
tituições escolares foram construídas, em especial nos últimos
séculos, para sistematizar esse aprender básico e ampliá-lo
para uma parte daquelas mencionadas condições.
Este ler o mundo, a partir também de certas condições,
pode levar a escrever o mundo; na maioria dos casos, reite-
rando o que já foi escrito, o que já se condensou na história.
Em casos mais raros, permitindo contribuir para interferir
ou participar da história que está para ser escrita.
Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br

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Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Para se construir um texto dissertativo, é preciso que tenhamos com-


petência para fazê-lo. Isso não quer dizer que existam pessoas especiais
e que apenas elas consigam escrever bem. O que queremos dizer é que
existe a possibilidade de adquirir essa competência ou aprimorá-la.
Para a escrita de um texto dissertativo, será preciso conhecer o as-
sunto. De nada vale possuir uma técnica impecável com relação aos ele-
mentos estruturais se o conteúdo for problemático. Muita gente tem com-
petência gramatical para escrever, mas falta o conteúdo para completar
o texto. É possível escrever muitas linhas sem dizer nada, ou seja, sem
escrever aquilo que o texto dissertativo precisa apresentar.
Escrever bem é compreender o mundo, é analisá-lo de modo crítico,
passando por nossa consciência e pela forma como o enxergamos. Para
isso, é preciso desenvolver essa capacidade de transformar em palavras o
nosso pensamento organizado. Conhecer a gramática é fundamental, mas
não é suficiente. O pensamento crítico é formado por meio de leitura e
reflexão; será preciso exercitar a forma de pensar.
Não será suficiente conhecer vocábulos rebuscados e de pouco uso
com a intenção de iludir o corretor, passando uma falsa impressão de
grandeza cultural. Isso não será suficiente. Será necessário, antes de colo-
car no papel as ideias, que essas ideias sejam aperfeiçoadas. Assim, a lei-
tura de diversos textos em jornais ou revistas, como artigos, reportagens,
editoriais ou notícias ajuda a ampliar nossa visão de mundo. A conversa
com as pessoas também é forma de adquirir outras formas de pensar, pois,
quando dialogamos, percebemos formas de pensar diferentes da nossa.
O conhecimento de mundo deve ser somado ao conhecimento gra-
matical. Conhecer a gramática normativa, semântica ou sintaxe profun-
damente não garante que alguém seja um bom escritor. É importante ter
opinião sobre os fatos, assumir um posicionamento para colocar em uma
redação aquilo que possuímos de melhor: nossos pensamentos.
Refletir sobre o assunto da dissertação é importante, não apenas sair
escrevendo. Organizar de forma coerente o que se quer apresentar em
forma de palavras, desenvolver um posicionamento crítico e apresentar
um texto claro. Esses são alguns passos a serem seguidos para a escrita de
uma boa dissertação:
◈◈ Escrever uma ideia por dia, sobre qualquer assunto, para exercitar
a capacidade de organizar os pensamentos em palavras.
◈◈ Armazenar ideias, pois podem ser bons argumentos para um fu-
turo texto.
◈◈ Observar e absorver; é importante estar atento ao que se observa.
◈◈ Desenvolver a curiosidade, pois aguçamos o nosso interesse em
conhecer as coisas.

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Seção II - O Texto Dissertativo

◈◈ Compreender e não julgar: para desenvolver o pensamento críti-


co, devemos compreender situações ou pessoas, mesmo que não
concordemos, assim, ampliamos nossa capacidade de dar mais
significados ao mundo.
◈◈ Estar sempre disposto a aprender, manter a mente aberta para o
novo.
◈◈ Ter atitude positiva e otimista maximiza nossas chances de apren-
der, pois estaremos dispostos ao novo.
◈◈ Pensar diariamente sobre assuntos diversos; é importante reservar
um momento do dia para as reflexões.
◈◈ Associar ideias, adaptar, combinar, modificar. O pensado pode ser
repensado, modificado ou ampliado.
◈◈ Colocar as ideias em prática: a escrita precisa de prática, muita
prática.

A composição do texto dissertativo


A dissertação terá sempre um objetivo específico, ou seja, um propósi-
to, uma intenção. Essa intenção será a de convencer o leitor, de oferecer
perspectivas sobre um fato relevante, de interesse público.
Os argumentos e sua organização serão as ferramentas mais importan-
tes para a dissertação, pois precisam ser ordenados de forma a alcançar o
receptor e fazê-lo considerar a possibilidade (verdadeira ou não) do que
se expõe e do que se tenta comprovar.
Esse convencimento é chamado de capacidade de persuasão e pode ser
visto não apenas em dissertações. Muitos políticos, líderes de empresas,
professores, líderes religiosos ou advogados fazem uso dessa competên-
cia para alcançarem seus objetivos.
Ainda é preciso destacar que os textos dissertativos são desenvolvidos
a partir de um tema oferecido pela banca organizadora. Esse tema, geral-
mente, é um recorte sobre algum assunto de natureza geral. Por exemplo,
o assunto pode ser “drogas”, e a banca apresenta a temática de “uso de
drogas por menores”, o que é muito comum.
Com relação ao tema, muitos candidatos acabam fugindo do que a ban-
ca solicita. É comum que o aspecto do assunto seja mais abordado, e o
tema fique em segundo plano, o que é um erro grave. Será preciso sempre
seguir o recorte realizado pela banca para evitar zerar o texto ou cometer
fuga parcial do tema. Ainda que a apresentação do texto seja impecável, se
o conteúdo não estiver pertinente ao tema, o candidato será prejudicado.

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Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Algumas dissertações, e isso dependerá do concurso e da banca, po-


dem apresentar uma tese. Essa tese é parte do conhecimento do candi-
dato, de seu posicionamento, de sua capacidade de contextualizar fatos,
argumentar, exemplificar. Em dissertações expositivas o posicionamento
é deixado de lado, pois o aspecto mais importante é a apresentação das
informações solicitadas pela banca.
O que o texto não pode perder é sua unicidade e sua progressão. Assim,
será preciso que os parágrafos e períodos estejam bem conectados, esta-
belecendo uma relação lógica e harmônica. Mudanças repentinas de ideia
podem gerar incoerências e prejudicar o bom andamento do texto. Será ne-
cessário seguir uma linha de raciocínio que permaneça até o final do texto.

Estrutura de uma Dissertação


A Formação do Leitor Crítico
A literatura permite ao homem pensar acerca da própria
realidade. O ideal seria que esse processo de reconhecimen-
to se desenvolvesse desde os anos iniciais, assim, a formação
do indivíduo possibilitaria que este se tornasse consciente
da importância de seu papel na sociedade e passasse a inte-
ragir de maneira mais efetiva, ou seja, criaria mais oportu-
nidades de crescimento individual e coletivo.
Entretanto, tal prática nem sempre acontece. Muitas ve-
zes a educação formal está pautada em ideologias que não
têm como objetivo fazer com que as pessoas pensem. Uma
vez que a Literatura é ferramenta de emancipação social e
até mesmo política, sua importância na formação deve ser
destacada. O que se vê no Brasil, porém, é um ensino de
Literatura pautado no armazenamento de conhecimentos
prontos, sem que seja permitido ao leitor atribuir significa-
do diferente do que aquele contido nos livros didáticos. A
leitura da Literatura costuma ser percebida, ou até mesmo
cobrada com mais afinco dos estudantes, nos anos finais do
ensino médio, pois é vista como uma informação que deve
ser adquirida com a intenção de passar no vestibular.
O aluno que não está acostumado com a leitura da Li-
teratura acaba por desmotivar-se ao deparar-se com textos
geralmente difíceis e que precisam ser assimilados em um cur-
to espaço de tempo. Nesse período da vida escolar, nota-se a
importância da Literatura ser inserida desde os anos iniciais,
mas não apenas isso, percebe-se a importância de modificar-
se a ideia de que os conhecimentos sobre a Literatura servem
apenas para conseguir a aprovação no vestibular.

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Seção II - O Texto Dissertativo

As escolas acabam, pelo motivo do vestibular, estudando


somente os “clássicos”, o que leva os estudantes a constituí-
rem uma ideia de que a leitura não precisa ser pensada, ape-
nas decorada, quando na verdade deveria promover o aluno
para uma leitura da Literatura mais reflexiva. Neste contexto,
a Literatura contemporânea acaba perdendo espaço, ou espe-
rando envelhecer para ser considerada como importante para
a educação formal. Observa-se, com isso, que o caráter de
utilitarismo da Literatura, é mantido pela escola, pois des-
de Aristóteles a utilização de recursos para o convencimento
do destinatário é algo inerente a qualquer prática discursiva.
Assim, a Literatura é importante para se passar no vestibular
e depois é esquecida. Ela não é pensada, é absorvida como
conhecimento pronto e depois descartada.
No entanto, o ato de escrever do autor literário configu-
ra-se em uma forma de enxergar a realidade e deve ser visto
com criticidade, com atenção, considerando os elementos
que compõem a obra literária.

É senso comum que a redação deva apresentar três partes: introdu-


ção, desenvolvimento e conclusão. No entanto, poucas vezes encontramos
exemplos práticos de cada uma dessas partes para nortear a escrita. Assim,
nessa apresentação, o objetivo é conceituar cada um dos três pontos, além
de exemplificar cada um deles. Para tanto, será preciso definir um tema
previamente, e nossa escolha envolverá a temática “racismo”.
Vale ressaltar que cada proposta de banca acabará por modificar al-
gumas dessas partes estruturais. Logo, nosso objetivo é apresentar um
exemplo genérico, que será norteador de
futuras escritas; será apenas um modelo A estrutura de um texto deve
que pode e deve sofrer alterações a depen- se adaptar à proposta.
der da proposta apresentada.

Introdução
Seguindo como tema o racismo, será preciso traçar um recorte para
um assunto tão amplo. Caso as bancas selecionem temas tão abertos, será
preciso delimitar alguns pontos para a argumentação, caso contrário, o
texto ficará muito vago e pouco se aproximará daquilo que a banca espera.
A introdução deve conter uma contextualização do tema, de modo
breve que pode seguir estratégias diversas. A quantidade de linhas ficará
entre 5 ou 6, no máximo. Vejamos um exemplo:

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Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

O racismo se constitui como uma prática social prove-


niente da ignorância e do desrespeito para com aqueles que
não correspondem ao estereótipo vinculado socialmente. As-
sim, percebe-se que a mídia e outros veículos de comunica-
ção são os principais propagadores do preconceito racial.

Neste modelo, foi utilizada a estratégia da afirmação de uma ideia para


um posterior posicionamento acerca do tema, ou seja, a defesa de uma de-
terminada tese. Outro aspecto importante é a separação do parágrafo em dois
períodos, isso sempre deve ocorrer. Significa que um bom parágrafo de in-
trodução deve apresentar, no mínimo, dois períodos. Vejamos outro exemplo:
Desde 1888, quando a chamada Lei Áurea foi assinada
pela princesa Isabel, acreditou-se que aquele seria o fim do
preconceito racial no Brasil. No entanto, isso não ocorreu,
fato revelador de que o racismo é uma prática cultural ensi-
nada e que não se dissipa no cumprimento de leis.

Este outro modelo faz uso de uma contextualização história, não


muito longa, apenas como referente, para depois apresentar a tese a ser
defendida pelo autor. Assim como no exemplo anterior, existe uma sepa-
ração de ideias em dois períodos, contexto tema e tese dividem espaço
nesse parágrafo de forma organizada. Vejamos mais um exemplo:
“Não nascemos racistas, somos ensinados a sê-lo”, afir-
mou Nelson Mandela em uma conferência à ONU (Organi-
zação das Nações Unidas) em 2001. Desse modo, nota-se
que a luta das minorias é uma realidade pautada na opres-
são social que vigora há muitos anos.

Este modelo apresenta uma citação em sua contextualização. Essa


é uma estratégia que precisa estar baseada em pensamentos reais. Isso
significa que é preciso saber exatamente o que o “pensador” selecionado
citou, para que não ocorra nenhuma discrepância. É importante também
destacar que apenas citações relevantes, de pessoas com autoridade no
assunto, devem ser utilizadas; o “Joãozinho” que poucos ou ninguém co-
nhece não pode ser exemplo de citação.
Desenvolvimento
O desenvolvimento é o conteúdo mais importante da dissertação, nele será
preciso defender a tese e apresentar argumentos condizentes com a proposta.
É justamente nesse espaço que a banca deve ser convencida de que o posicio-
namento do autor é válido e de que as ideias apresentadas são dignas de boa

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Seção II - O Texto Dissertativo

pontuação. Por ser o trecho mais longo, pode ser dividido em alguns parágra-
fos; é sempre bom destacar que a dissertação para concursos não pode apre-
sentar um único parágrafo de desenvolvimento; é preciso ter, no mínimo, dois.
Para o desenvolvimento, a quantidade de linhas pode ser maior, pois
é nesse trecho que a pontuação, geralmente,
é mais considerada. Desse modo, pode-se fa-
A quantidade de linhas por
zer uso de parágrafos com 6, 7 ou até 8 linhas, parágrafos dependerá do
dependerá da quantidade de parágrafos. número de parágrafos e da
Tendo como exemplo a primeira introdu- extensão da folha de versão
definitiva da redação.
ção apresentada acima, vejamos como pode ser
o desenvolvimento desse texto:

Nesse sentido, nota-se que, ao serem vinculadas imagens


de pessoas brancas associadas a marcas, produtos ou até
mesmo a protagonistas em novelas, cria-se uma hegemonia
ligada à tonalidade da pele. Desse modo, o negro se torna
uma minoria na mídia, o que gera segregação racial em um
meio de comunicação que deveria ser democrático. Exem-
plos não faltam de empregadas domésticas negras em nove-
las, papéis secundários em filmes – quando não aparecem
como bandidos – e tantas outras representações que deni-
grem e enfraquecem a imagem positiva do negro.
Seguindo nessa mesma perspectiva, somam-se outros ve-
ículos de comunicação, como as páginas de relacionamento
que acabam por propagar o preconceito na ilusão do anoni-
mato. Pode-se mencionar como exemplo o caso da atriz bra-
sileira Thaís Araújo, que foi vítima de comentários racistas
em sua página social, mas que, com a ajuda da polícia, con-
seguiu identificar alguns dos agressores. Esses responderão
perante a justiça pelo ocorrido.
Este desenvolvimento apresenta uma separação clara da tese. A in-
trodução apresentou uma tese que versava sobre a mídia e outros meios
de comunicação; assim, nota-se claramente que o primeiro parágrafo
exibiu o primeiro ponto, o que trata sobre a mídia. Em seu desdobra-
mento, existem justificativas e exemplos para fortalecer a argumenta-
ção. O segundo parágrafo do desenvolvimento mostra o segundo ponto
mencionado na introdução e também justifica o posicionamento do au-
tor. O exemplo com a atriz traz a justificativa para o plano concreto, o
que deixa o texto mais verossímil.

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Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Vejamos outro desenvolvimento com base na segunda introdução:


Sendo assim, é comum observar na própria história na-
cional ações que acabaram por fortalecer o preconceito ra-
cial, como as situações às quais os negros eram submetidos,
por exemplo. Assim, era vista com naturalidade a constru-
ção de senzalas, como também os castigos com açoites ou
a depreciação de suas práticas religiosas. Nesse sentido,
historicamente, a sociedade brasileira segregou o negro e
o colocou em condição de inferioridade diante do branco.
Não muito diferente de hoje, essa prática cultural do ra-
cismo permanece. Ainda que a escravidão tenha acabado, o
preconceito se perpetua em ações diárias ou na ausência des-
sas, pois, apesar da criação de leis contra o preconceito racial,
essas são pouco aplicadas, o que reforça a discriminação na
modernidade. Pode-se, ainda, destacar que somente há pouco
tempo o negro passou a ocupar posições de destaque na socie-
dade, pois como prática velada, o racismo incutido nos homens
dificultava o acesso a altas esferas do poder daqueles consi-
derados historicamente como inferiores; barreira vencida, por
exemplo, por Barak Obama, presidente dos Estados Unidos.
Este desenvolvimento é mais reflexivo que o anterior, apresenta tre-
chos mais longos, no entanto bem articulados. O que se percebe é uma
apresentação inicial embasada em acontecimentos do passado no primei-
ro parágrafo; e uma apresentação baseada em acontecimentos atuais no
segundo parágrafo. Trata-se de uma ótima estratégia, desde que esteja
utilizando de argumentos pertinentes ao tema e à introdução.

Conclusão
Esta parte do texto é apenas um desfecho, uma espécie de retoma-
da. Não se acrescenta mais nada nesse ponto da dissertação. É comum
que uma frase de efeito ou de reflexão esteja presente na construção da
conclusão. Dependendo do tema e da banca, a conclusão pode ser um
parágrafo com conteúdo, mas isso para um estudo de caso, por exemplo.
Alguns outros tipos de dissertação podem solicitar algum tipo de in-
tervenção, mas só o comando da questão pode deixar isso claro. Existem
propostas para as quais não existe intervenção. De modo genérico, pode-
se dizer que esta parte da dissertação pode ter em média de 4 até 5 linhas,
pois é momento de terminar o texto.

44
Seção II - O Texto Dissertativo

Vejamos um modelo de conclusão com base na primeira introdução:


Logo, é evidente a influência dos recursos midiáticos e
das redes sociais, por exemplo, no fortalecimento da prática
de racismo. Assim, é necessário o envolvimento do governo
na criação de medidas punitivas eficazes, para que as leis já
existentes se façam valer. Afinal, um país que busca o desen-
volvimento deve defender a igualdade.
Nesta conclusão é possível perceber que não ocorre nada de muito
genial, apenas o fechamento do texto. Da mesma forma que acontece com
a introdução e com o desenvolvimento, será preciso separar em, no míni-
mo, dois períodos. O que ocorre é uma retomada da tese e uma pequena
intervenção, genérica, para a finalização. Vejamos outro exemplo de con-
clusão para o segundo modelo de introdução:
Portanto, fica claro que o preconceito racial perdura no
modo como as pessoas são educadas sem que a legislação
consiga, efetivamente, anulá-lo. Dessa forma, caberá ao go-
verno oportunizar a quebra desse paradigma por meio de
ações práticas que estejam no currículo escolar desde os
anos iniciais, educando as crianças para que não seja ne-
cessário puni-las quando adultas.
Neste outro modelo, ocorre novamente a retomada da tese e novamente
uma breve proposta de intervenção. Vale lembrar que é preciso evitar o
senso comum como “conscientização das
pessoas” ou “educação das pessoas” como
A conclusão não traz argumentos
soluções para tudo. Ainda que a educação
novos, é apenas uma retomada/
seja mencionada, será preciso apresentar reafirmação das ideias apre-
uma ação mais prática, como no exemplo sentadas, a fim de que haja um
acima de conclusão. fechamento para o texto.

45
Seção III - Correção de Textos

1.  Correção de Redação


Os editais de concurso público disponibilizam o conteúdo programá-
tico das matérias que serão cobradas nas provas, mas nem sempre deixam
explícito como se preparar para a prova discursiva, ou prova de redação
– que, na grande maioria dos concursos, é uma etapa eliminatória.
Portanto, nesta obra, buscamos discutir maneiras de melhorar o seu
texto e dar a você mais condições para ser aprovado.

Aspectos Iniciais
Antes de começar a desenvolver a prática de escrita, é preciso ter al-
gumas posturas em relação ao processo de composição de um texto. Desse
modo, percebe-se que escrever não é tão complexo se houver orientação
e se o ato da escrita for constante.

Leitura
Apenas a leitura não garante uma boa escrita. Então, deve-se associar
a leitura constante com a escrita constante, pois uma prática complementa
a outra.
E o que ler?
Direcione sua prática de leitura da seguinte forma: fique atento às
atualidades, que geralmente fazem parte da prova de conhecimentos bá-
sicos. Ademais, conheça a instituição e o cargo a que você pretende candi-
datar-se, bem como as funções e as responsabilidades exigidas, as quais
estão previstas no edital de abertura de um concurso. E, também, tenha
uma visão crítica sobre os conhecimentos específicos, porque a tendência
dos concursos é relacionar um tema a esses conteúdos.
Considere que, nas provas de redação, também podem ser abordados
temas sobre algum assunto desafiante para o cargo ao qual o candidato
está concorrendo. Uma dica é estar atento às informações veiculadas so-
bre o órgão público no qual pretende ingressar.

Produção de texto
A produção de um texto não depende de talento ou de um “dom”
possuído por alguém. No processo de elaboração textual, pode-se dizer
que um por cento (1%) é inspiração e noventa e nove por cento (99%)
é transpiração, ou seja, TRABALHO. Escrever um excelente texto é um
processo que exige esforço, planejamento e organização.

175
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Escrita
O ato de escrever é sempre dessa maneira: basta começar. Escrever
para ser avaliado por um corretor é colocar pensamentos organizados e
articulados, num papel, a partir de um posicionamento sobre um tema
estabelecido na proposta de redação.

Tema
O seu texto deve estar cem por cento (100%) adequado à proposta
exigida na prova, ou seja, você não pode escrever o que quiser, mas o que
a proposta determina. Desse modo, antes de começar a escrever, é neces-
sário entender o tema da prova.
O tema é o assunto proposto que deve ser desenvolvido. Portanto,
cabe a você entendê-lo, problematizá-lo e delimitá-lo, com base no co-
mando da proposta.

Objetividade
Seu texto deve ser objetivo, isto é, o enfo-
Linguagem simples não que do assunto deve ser direto, sem rodeios.
é linguagem coloquial. Além disso, as bancas dão preferência a uma
linguagem simples e objetiva. E não confunda
linguagem simples com coloquialismos, pois é necessário sempre manter
a sua escrita baseada na norma-padrão da língua portuguesa.

No lugar do outro
É fundamental o candidato colocar-se na posição do leitor. É um mo-
mento de estranhamento do próprio texto para indagar-se: o que escrevi é
interessante e de fácil entendimento?

Critérios de Correção da Redação para Concursos


Públicos
Conteúdo
Observa-se se há apresentação marcada do recorte temático, o qual
deve nortear o desenvolvimento do texto; se o recorte está contextuali-
zado no texto, por exemplo: quando a proposta propuser uma situação
hipotética, ela deve estar diluída em seu texto.
Lembre-se de que a proposta não faz parte de seu texto, ou seja, sua
produção não pode depender da proposta para ter sentido claro e objetivo.

176
Seção III - Correção de Textos

Em outras palavras: se há algum texto ou uma coletânea de textos,


eles têm caráter apenas motivador (isso apenas será considerado na sua
redação se a proposta fizer essa exigência). Portanto, não faça cópias de
trechos dos textos, tampouco pense que o tema da redação é o assunto
desses textos. É preciso verificar o recorte temático, o qual fica evidente
no corpo da proposta.

Gênero
Verifica-se se a produção textual está adequada à modalidade reda-
cional, ou seja, se o texto expressa o domínio da linguagem do gênero:
narrar, relatar, argumentar, expor, descrever ações, etc.
Os concursos públicos, quase em sua totalidade, têm como gênero
textual a dissertação argumentativa ou o texto expositivo-argumentativo.
Desse modo, a banca avalia a objetividade e o posicionamento frente ao
tema, a articulação dos argumentos, a consistência e a coerência da argu-
mentação.
Isso significa que há uma valorização quanto ao conteúdo do texto:
a opinião, a justificativa dessa opinião e a seletividade de informações
sobre o tema.

Coerência
Avalia-se se há atendimento total do comando, com informações no-
vas que evidenciam conhecimento de mundo e que atestam excelente ar-
ticulação entre os aspectos exigidos pela proposta, o recorte temático e o
gênero textual requisitado. Ou seja, é preciso trazer informações ao texto
que não estão disponíveis na proposta. Além disso, é essencial garantir a
progressão textual, quer dizer, seu texto precisa ter uma evolução e não
pode trazer a mesma informação em todos os parágrafos.

Coesão e gramática
Percebe-se se há erros gramaticais; se os períodos estão bem organi-
zados e articulados, com uso de vocabulário e conectivos adequados; e
se os parágrafos estão divididos de modo consciente, a fim de garantir a
progressão textual.

Apresentação do texto
Além dos critérios de conteúdo, gênero, coerência, coesão e gramá-
tica, também é essencial que se garanta uma boa apresentação do texto.
Ou seja, a redação deve estar com uma excelente imagem, que demonstre
cuidado com alguns pontos, os quais serão descriminados a seguir.

177
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Letra (Legibilidade)
Escreva sempre com letra legível. Pode ser letra cursiva ou de imprensa,
desde seja possível ler o que foi escrito. Tenha atenção para o espaçamento
entre as letras/palavras e para a distinção entre maiúsculas e minúsculas.
Respeito às margens
As margens (tanto esquerda quanto direita) existem para ser respei-
tadas, portanto não as ultrapasse no momento em que escreve a versão
definitiva. Tampouco deixe “buracos” entre as palavras.
Indicação de parágrafos
É preciso deixar um espaço antes de iniciar um parágrafo (mais ou
menos dois centímetros).
Título
Se o título for solicitado, ele será obrigatório. Caso não seja colocado
na redação, haverá alguma perda, mas não muito. Os editais, em geral, não
informam pontuações exatas. No caso de o título não ser solicitado, ele se
torna facultativo. Logo, se o candidato decidir inseri-lo, ele fará parte do
texto, sendo analisado como tal, mas não terá um valor extra por isso.
Quando há a obrigatoriedade, a ausência do título não anula a questão,
a menos que haja essa orientação nas instruções dadas na prova. Não há
um desconto considerável em relação ao esquecimento do título, porque
a maior pontuação, em uma redação para concurso, está relacionada ao
conteúdo do texto.
Em caso de obrigatoriedade do título, procure não pular linha entre
o título e o início do texto, porque essa linha em branco não é contada
durante a correção.
Rasuras
Quando você está escrevendo e, por distração, erra uma palavra, deve
passar um traço sobre a palavra e escrevê-la corretamente logo em segui-
da, sem fazer qualquer tipo de outra marcação.
exeção exceção
Atenção!
- Não rasure seu texto.
- Não escreva a palavra entre parênteses, mesmo se estiver riscada:
(exeção) (exeção).
- Não use a expressão “digo”.

178
Seção III - Correção de Textos

Translineação
Quando não for possível escrever uma palavra completa ao final da
linha, deve-se escrever até o limite, sem ultrapassar a margem direita da
linha. E o sinal de separação será sempre o hífen.
Atenção: sempre respeite as regras de separação silábica. Nunca uma
palavra será separada de maneira a desrespeitar as sílabas:

tran-
sformação
Caso a próxima sílaba não caiba no final da linha, embora ainda haja
um espaço, deixe-o e continue na próxima linha.

trans-
formação
Em relação ao posicionamento do hífen de separação, deixe-a ao lado
da sílaba. Nunca abaixo.
Quando a palavra for escrita com hífen e a separação ocorrer justo
nesse espaço, você deve usar duas marcações. Por exemplo: entende-se.

entende-
-se
Se a palavra não tiver hífen em sua estrutura, use apenas uma marcação:

apresen-
tação

Impessoalidade
O texto dissertativo (expositivo-argumentativo) é impessoal. Portan-
to, pode-se escrever com verbos em:
◈◈ 3ª pessoa do singular ou do plural.
A qualidade no atendimento precisa ser prioridade.
Percebe-se que a qualidade no atendimento é essencial.
Notam-se várias mudanças no setor público.
◈◈ 1ª pessoa do plural.
Observamos muitas mudanças e melhorias no serviço público.
NÃO escreva na 1ª pessoa do singular: Observo mudanças significativas.

179
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Adequação vocabular
Adequação vocabular significa ter um desempenho linguístico de
acordo com o nível de conhecimento exigido para o cargo/área/especia-
lidade, bem como adequação do nível de linguagem adotado à produção
proposta. Por isso, devem-se escolher palavras adequadas, evitando-se o
uso de jargões, chavões, termos muito técnicos que possam dificultar a
compreensão.

Critérios de Correção Específicos por Banca


Os critérios apresentados a seguir estão disponíveis em editais publi-
cados pelas bancas examinadoras selecionadas.

CESPE/UnB - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos


A banca Cespe divide a correção da redação em dois aspectos: macro-
estruturais e microestruturais. Os primeiros se referem à parte de conteú-
do; os segundos fazem referência à parte gramatical.
Aspectos macroestruturais
◈◈ Apresentação (legibilidade, respeito às margens e indicação de
parágrafos) e estrutura textual (organização das ideias em texto
estruturado):
- Introdução adequada ao tema/posicionamento.
- Desenvolvimento.
- Fechamento do texto de forma coerente.
◈◈ Desenvolvimento do tema / Tópicos da proposta:
- Estabelecimento de conexões lógicas entre os argumentos.
- Objetividade de argumentação frente ao tema/posicionamento.
- Estabelecimento de uma progressividade textual em relação à
sequência lógica do pensamento.
Apresentação textual
◈◈ Legibilidade.
◈◈ Respeito às margens e indicação de parágrafos.
Aspectos microestruturais
◈◈ Ortografia:
- Grafia.
- Acentuação.

180
Seção III - Correção de Textos

◈◈ Morfossintaxe:
- Pontuação.
- Construção do período.
- Emprego de conectores.
- Concordância nominal.
- Concordância verbal.
- Regência nominal.
- Regência verbal.
◈◈ Propriedade vocabular:
- Repetição de palavras.
- Omissão vocabular.

FCC - Fundação Carlos Chagas


A banca FCC divide a correção da redação em 3 grupos: conteúdo
(desenvolvimento do tema), estrutura (tipo de texto e coesão) e expressão
(emprego da linguagem/vocabulário).
Conteúdo
◈◈ Perspectiva adotada no tratamento do tema.
◈◈ Capacidade de análise e senso crítico em relação ao tema proposto.
◈◈ Consistência dos argumentos, clareza e coerência no seu encadea-
mento.
Obs.: a nota será prejudicada, proporcionalmente, caso ocorra aborda-
gem tangencial, parcial ou diluída em meio a divagações e/ou colagem de
textos e de questões apresentados na prova.
Estrutura
◈◈ Respeito ao gênero solicitado.
◈◈ Progressão textual e encadeamento de ideias.
◈◈ Articulação de frases e parágrafos (coesão textual).
Expressão
A avaliação da expressão não será feita de modo estanque ou me-
cânico, mas sim de acordo com sua estreita correlação com o conteúdo
desenvolvido. A avaliação será feita considerando-se:
◈◈ Desempenho linguístico de acordo com o nível de conhecimento
exigido para o cargo/área/especialidade.
◈◈ Adequação do nível de linguagem adotado à produção proposta e
coerência no uso.

181
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

◈◈ Domínio da norma culta formal, com atenção aos seguintes itens:


- estrutura sintática de orações e períodos, elementos coesivos;
- concordância verbal e nominal;
- pontuação;
- regência verbal e nominal;
- emprego de pronomes;
- flexão verbal e nominal;
- uso de tempos e modos verbais;
- grafia e acentuação.

Cesgranrio - Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino


Superior do Grande Rio
A banca Cesgranrio não divide os critérios em grupos, apenas deixa
previstos em edital quais são eles.
A Redação é avaliada conforme os critérios a seguir:
◈◈ Adequação ao tema proposto.
◈◈ Adequação ao tipo de texto solicitado.
◈◈ Emprego apropriado de mecanismos de coesão (referenciação, se-
quenciação e demarcação das partes do texto).
◈◈ Capacidade de selecionar, organizar e relacionar de forma coerente
argumentos pertinentes ao tema proposto.
◈◈ Pleno domínio da modalidade escrita da norma-padrão (adequação
vocabular, ortografia, morfologia, sintaxe de concordância, de re-
gência e de colocação).

ESAF - Escola de Administração Fazendária


A banca ESAF apresenta tópicos bem detalhados, e a correção da re-
dação é bastante rigorosa. É feita uma divisão de pontuação em capaci-
dade de argumentação, sequência lógica do pensamento, alinhamento ao
tema, cobertura dos tópicos apresentados e uso do idioma.
Capacidade de argumentação
O que importa para este critério é o assunto propriamente dito. Uma
forma de mostrar domínio de conteúdo é citar fontes, como leis, jurispru-
dências, autores renomados, etc.
Sequência lógica do pensamento
Para que o texto tenha uma sequência lógica, deve-se manter a co-
nexão entre as ideias, para que não haja contradição e seja mantida a
coerência. Uma maneira de facilitar a sequenciação é o emprego de frases

182
Seção III - Correção de Textos

curtas e diretas, somadas a elementos de coesão, os quais contribuem para


garantir a clareza do texto.
Alinhamento ao tema
Este critério busca verificar se o texto realmente apresenta as infor-
mações solicitadas. Vale destacar que é importante que se fale o que foi
solicitado, sem colocar ideias que extrapolam o que está na proposta. Ou
seja, deve-se escrever apenas o que está posto na proposta.
Cobertura dos tópicos apresentados
Na proposta, são apresentados tópicos e, muitas vezes, subtópicos. O
examinador verifica, neste critério, se o texto apresenta os tópicos, mas
também traz um nível de aprofundamento coerente com o assunto e o
cargo pretendido.
Uso do idioma
Para o uso de idioma são observados todos os aspectos gramaticais, tais
como: erros de forma em geral, ortografia, morfologia, sintaxe de emprego e
colocação, sintaxe de regência e pontuação, sintaxe de construção (coesão pre-
judicada), concordância, clareza, concisão, unidade temática/estilo, coerência,
propriedade vocabular, paralelismo semântico e sintático, paragrafação.

FGV - Fundação Getúlio Vargas


A banca FGV não divide os critérios em grupos, apenas deixa previs-
tos em edital quais são eles.
◈◈ Pertinência de conteúdo de abordagem.
◈◈ Apresentação, legibilidade, margens e parágrafos.
◈◈ Estrutura textual (construção pertinente de introdução, desenvol-
vimento e conclusão).
◈◈ Objetividade, ordenação e clareza das ideias.

EsSA - Escola de Sargentos das Armas


A banca que faz a correção de redação das provas realizadas pela
EsSA detalha todos os critérios de correção, inclusive a pontuação de
cada um deles. A nota atribuída ao texto é dividida em: título, tema, coe-
rência nos parágrafos, argumentação, coesão na linguagem, modalidade
textual, seleção lexical, apresentação, gramática/ortografia.
◈◈ Tema: desenvolvimento do tema de acordo com a proposta.
◈◈ Coerência nos parágrafos: coerência entre as ideias.
◈◈ Argumentação: desenvolvimento de ideias que conquistem a ade-
são do leitor.

183
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

◈◈ Coesão na linguagem: emprego adequado de elementos coesivos.


◈◈ Modalidade textual: divisão do texto em introdução, desenvolvi-
mento e conclusão; articulação adequada entre parágrafos, perío-
dos e frases.
◈◈ Seleção lexical: escolha coerente e adequada quanto ao vocabulário.
◈◈ Apresentação: letra, margens e rasuras.
◈◈ Gramática/ortografia: aspectos gramaticais.
Enade - Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
As questões aplicadas no Enade são divididas em objetivas e discur-
sivas. As objetivas avaliam:
◈◈ Clareza;
◈◈ Coerência;
◈◈ Coesão;
◈◈ Estratégias argumentativas, utilização de vocabulário adequado e
correção gramatical do texto.
As discursivas buscam verificar:
◈◈ Se o estudante consegue explicar e/ou solucionar os problemas
apresentados;
◈◈ Aplicar o que aprendeu em situações novas;
◈◈ Fazer comparações ou classificações de dados e informações;
◈◈ Estabelecer relações de causa e efeito;
◈◈ Assumir posição favorável ou contrária;
◈◈ Demonstrar capacidade de síntese;
◈◈ Formular conclusões a partir de elementos fornecidos;
◈◈ Demonstrar capacidade de organizar, por escrito, as ideias traba-
lhadas de modo coerente e lógico.

184
Seção III - Correção de Textos

ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio


As redações elaboradas para o Enem são avaliadas por meio de crité-
rios que são chamados de competência. Cada uma das cinco competên-
cias vale 1000 pontos e são apontados os seguintes direcionamentos:
A seguir, constam os critérios conforme a pontuação atribuída a cada um.

Competência I: Demonstrar domínio da norma-padrão da língua escrita.


O participante demonstra excelente domínio da norma-padrão, não
apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios gramaticais leves
e de convenções da escrita. Assim, o mesmo desvio não ocorre em
200 pontos várias partes do texto, o que revela que as exigências da norma-padrão
foram incorporadas aos seus hábitos linguísticos e os desvios foram
eventuais. Desvios mais graves, como a ausência de concordância ver-
bal, excluem a redação da pontuação mais alta.
O participante demonstra bom domínio da norma-padrão, apre-
sentando poucos desvios gramaticais leves e de convenções da escrita.
Assim, o mesmo desvio não ocorre em várias partes do texto, o que
revela que as exigências da norma-padrão foram incorporadas aos seus
160 pontos hábitos linguísticos e os desvios foram eventuais. Desvios mais graves,
como a ausência de concordância verbal ou nominal, não impedem que
a redação receba essa pontuação, desde que não se repitam regularmen-
te no texto. Assim, o participante que realizar poucos desvios leves ou
pouquíssimos desvios graves pode receber essa pontuação.
O participante demonstra domínio adequado da norma-padrão,
apresentando alguns desvios gramaticais graves e de convenções da
escrita, ou muitos desvios leves. Assim, há certos desvios que ocor-
rem em várias partes do texto, revelando que um ou mais aspectos da
norma-padrão ainda não foram incorporados aos seus hábitos linguís-
120 pontos
ticos. Desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal
ou nominal, não impedem que a redação receba essa pontuação, desde
que não configurem falta de domínio absoluto do padrão da linguagem
escrita formal. Assim, o participante que realizar alguns desvios graves
ou gravíssimos, ou muitos desvios leves, pode receber essa pontuação.
O participante demonstra domínio mediano da norma-padrão, apre-
sentando grande quantidade de desvios gramaticais e de convenções da
escrita graves ou gravíssimos, além de presença de marcas de oralidade.
Assim, há certos desvios graves que ocorrem em várias partes do texto,
80 pontos
revelando que muitos aspectos importantes da norma padrão ainda não
foram incorporados aos seus hábitos linguísticos. O participante que re-
alizar muitos desvios graves ou gravíssimos, mas não apresentar deses-
truturação sintática em excesso, receberá essa pontuação.

185
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

O participante demonstra domínio insuficiente da norma-padrão,


apresentando graves e frequentes desvios gramaticais e de conven-
ções da escrita, além de presença de gírias e marcas de oralidade.
Assim, há certos desvios graves que ocorrem de forma sistemática no
40 pontos texto, revelando que muitos aspectos importantes da norma-padrão
ainda não foram incorporados aos seus hábitos linguísticos. O parti-
cipante que realizar muitos desvios gravíssimos de forma sistemática,
acompanhados de desestruturação sintática em excesso, receberá essa
pontuação.
O participante demonstra desconhecimento total da norma-pa-
0
drão, de escolha de registro e de convenções da escrita.

Competência II: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos


das várias áreas de conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites
estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
O participante desenvolve muito bem o tema, explorando os
seus principais aspectos. A redação contém uma argumentação
consistente, revelando excelente domínio do tipo textual disserta-
tivo-argumentativo. Isso significa que o texto está estruturado, por
exemplo, com: uma introdução, em que a tese a ser defendida é ex-
200 pontos
plicitada; argumentos que comprovam a tese distribuídos em dife-
rentes parágrafos; um parágrafo final com a proposta de interven-
ção funcionando como uma conclusão. Além disso, os argumentos
defendidos não ficam restritos à reprodução das ideias contidas nos
textos motivadores nem a questões do senso comum.
O participante desenvolve bem o tema, mas não explora os seus
aspectos principais. Desenvolve uma argumentação consistente e
apresenta bom domínio do tipo textual dissertativo-argumentativo,
160 pontos
mas não apresenta argumentos bem desenvolvidos. Os argumentos
defendidos não ficam restritos à reprodução das ideias contidas nos
textos motivadores nem a questões do senso comum.
O participante desenvolve de forma adequada o tema, mas
apresenta uma abordagem superficial, discutindo outras questões
relacionadas. Desenvolve uma argumentação previsível e apresenta
120 pontos domínio adequado do tipo textual dissertativo-argumentativo, mas
não apresenta explicitamente uma tese, detendo-se mais no caráter
dissertativo do que no argumentativo. Reproduz ideias do senso co-
mum no desenvolvimento do tema.

186
Seção III - Correção de Textos

O participante desenvolve de forma mediana o tema, apresen-


tando tendência ao tangenciamento. Desenvolve uma argumentação
previsível a partir de argumentos do senso comum, de cópias dos
80 pontos
textos motivadores, ou apresenta domínio precário do tipo textual
dissertativo-argumentativo, com argumentação falha ou texto ape-
nas dissertativo.
O participante desenvolve de maneira tangencial o tema, de-
tendo-se em tema vinculado ao mesmo assunto, o que revela má
interpretação do tema proposto. Apresenta inadequação ao tipo tex-
tual dissertativo-argumentativo, com repetição de ideias e ausência
40 pontos
de argumentação. Pode ocorrer também a elaboração de um texto de
base narrativa, com apenas um resquício dissertativo – por exemplo,
contar uma longa história e, no final, afirmar que ela confirma uma
determinada tese.
O participante desenvolve texto que não contempla a propos-
ta de redação: desenvolve outro tema e/ou elabora outra estrutura
0
textual que não a dissertativo-argumentativa – por exemplo, faz um
poema, descreve algo ou conta uma história.

Competência III: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informa-


ções, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
O participante seleciona, organiza e relaciona informações, fa-
tos, opiniões e argumentos pertinentes ao tema proposto de forma
consistente, configurando autoria, em defesa de seu ponto de vis-
200 pontos
ta. Explicita a tese, seleciona argumentos que possam comprová-la
e elabora conclusão ou proposta que mantenha coerência com a opi-
nião defendida na redação.
O participante seleciona, organiza e relaciona informações, fa-
tos, opiniões e argumentos pertinentes ao tema proposto de forma
consistente, em defesa de seu ponto de vista. Explicita a tese, se-
160 pontos leciona argumentos que possam comprová-la e elabora conclusão
ou proposta que mantenha coerência com a opinião defendida na
redação. Entretanto, os argumentos utilizados são previsíveis. Não
há cópia de argumentos dos textos motivadores.
O participante apresenta informações, fatos, opiniões e argu-
mentos pertinentes ao tema proposto, porém os organiza e relaciona
de forma pouco consistente em defesa de seu ponto de vista. As
120 pontos
informações são aleatórias e desconectadas entre si, embora relacio-
nadas ao tema. O texto revela pouca articulação entre os argumen-
tos, que não são convincentes para defender a opinião do autor.

187
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

O participante apresenta informações, fatos e opiniões pouco


articulados ou contraditórios, embora pertinentes ao tema propos-
80 pontos to. O texto que se limitar a reproduzir os argumentos constantes
na proposta de redação, em defesa de um ponto de vista, também
receberá essa pontuação.
O participante não defende ponto de vista, ou seja, não apresen-
ta opinião a respeito do tema proposto. Informações, fatos, opiniões
40 pontos e argumentos são pouco relacionados ao tema proposto e também
são pouco relacionados entre si, ou seja, não se articulam de forma
coerente.
O participante apresenta informações, fatos, opiniões e argu-
0
mentos incoerentes ou não apresenta um ponto de vista.

Competência IV: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos


necessários para a construção da argumentação.
O participante articula as partes do texto, sem inadequações na
utilização dos recursos coesivos. A redação enquadrada neste nível não
poderá conter: frases fragmentadas que comprometam a estrutura lógi-
co-gramatical; sequência justaposta de ideias sem encaixamentos sintá-
ticos; ausência de paragrafação; frase com apenas oração subordinada,
sem oração principal. Poderá, porém, conter eventuais desvios de me-
200 pontos
nor gravidade: emprego equivocado do conector; emprego do pronome
relativo sem a preposição, quando obrigatória; repetição ou substitui-
ção inadequada de palavras sem se valer dos recursos oferecidos pela
língua. Entretanto, o mesmo erro não poderá se repetir, uma vez que
essa pontuação deve ser atribuída ao participante que demonstrar pleno
domínio dos recursos coesivos.
O participante articula as partes do texto, com poucas inadequa-
ções na utilização de recursos coesivos. A redação enquadrada neste
nível não poderá conter: frases fragmentadas que comprometam a es-
trutura lógico-gramatical; sequência justaposta de ideias sem encaixa-
mentos sintáticos; ausência de paragrafação; frase com apenas oração
subordinada, sem oração principal. Poderá, no entanto, conter alguns
160 pontos
desvios de menor gravidade: emprego equivocado do conector; empre-
go do pronome relativo sem a preposição, quando obrigatória; repeti-
ção desnecessária de palavras ou substituição inadequada sem se valer
dos recursos de substituição oferecidos pela língua. Esta pontuação
deve ser atribuída ao participante que demonstrar domínio dos recursos
coesivos.

188
Seção III - Correção de Textos

O participante articula as partes do texto, porém com algumas ina-


dequações na utilização dos recursos coesivos. A redação enquadrada
neste nível poderá conter eventuais desvios, como: frases fragmentadas
que comprometam a estrutura lógico-gramatical; sequência justaposta
de ideias sem encaixamentos sintáticos; ausência de paragrafação; fra-
se com apenas oração subordinada, sem oração principal. Poderá conter
120 pontos
ainda desvios de menor gravidade: emprego equivocado do conector;
emprego do pronome relativo sem a preposição, quando obrigatória;
repetição desnecessária de palavras ou substituição inadequada sem se
valer dos recursos de substituição oferecidos pela língua. Esta pontua-
ção deve ser atribuída ao participante que demonstrar domínio regular
dos recursos coesivos.
O participante articula as partes do texto, porém com muitas ina-
dequações na utilização dos recursos coesivos. A redação enquadrada
neste nível poderá conter desvios, como: frases fragmentadas que com-
prometam a estrutura lógico-gramatical; sequência justaposta de ideias
sem encaixamentos sintáticos; ausência de paragrafação; frase com
apenas oração subordinada, sem oração principal. Poderá conter tam-
80 pontos
bém desvios de menor gravidade: emprego equivocado do conector;
emprego do pronome relativo sem a preposição, quando obrigatória;
repetição desnecessária de palavras ou substituição inadequada sem se
valer dos recursos de substituição oferecidos pela língua. Esta pontu-
ação deve ser atribuída ao participante que demonstrar pouco domínio
dos recursos coesivos.
O participante articula as partes do texto, porém com muitas ina-
dequações na utilização dos recursos coesivos. A redação enquadrada
neste nível poderá conter desvios, como: frases fragmentadas que com-
prometam a estrutura lógico-gramatical; sequência justaposta de ideias
sem encaixamentos sintáticos; ausência de paragrafação; frase com
apenas oração subordinada, sem oração principal. Poderá conter tam-
40 pontos
bém desvios de menor gravidade: emprego equivocado do conector;
emprego do pronome relativo sem a preposição, quando obrigatória;
repetição desnecessária de palavras ou substituição inadequada sem se
valer dos recursos de substituição oferecidos pela língua. Esta pontu-
ação deve ser atribuída ao participante que demonstrar pouco domínio
dos recursos coesivos.
O participante apresenta informações desconexas, que não se con-
0
figuram como texto.

189
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Competência V: Elaborar proposta de intervenção para o problema abor-


dado, respeitando os direitos humanos.
O participante elabora proposta de intervenção clara e inovado-
200 pontos ra, relacionada à tese e bem articulada com a discussão desenvolvi-
da no texto. São explicitados os meios para realizá-la.
O participante elabora proposta de intervenção clara, relaciona-
160 pontos da à tese e bem articulada com a discussão desenvolvida no texto.
São explicitados os meios para realizá-la.
O participante elabora proposta de intervenção relacionada ao
120 pontos
tema, mas pouco articulada à discussão desenvolvida no texto.
O participante elabora proposta de intervenção relacionada ao
tema de forma precária, não articulada com a discussão desenvol-
80 pontos
vida no texto, ou com desenvolvimento precário dos meios para re-
alizá-la.
O participante elabora proposta de intervenção tangencial ao
40 pontos
tema ou subentendida no desenvolvimento da argumentação.
0 O participante não apresenta proposta de intervenção.

190
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

1.  Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa


O Novo Acordo Ortográfico busca a unificação da Língua Portuguesa
escrita e envolve todos os países da Comunidade de Países de Língua
Portuguesa: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-
Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Sua implementação no Brasil passou por algumas etapas:
◈◈ 2009: vigência ainda não obrigatória.
◈◈ 2010 a 2015: adaptação completa às novas regras.
◈◈ A partir de 1º de janeiro de 2016: emprego obrigatório, o Novo
Acordo Ortográfico passa a ser o único formato da língua reco-
nhecido no Brasil.

Trema
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar
que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. Exemplos:
aguentar, bilíngue, cinquenta, delinquente, eloquente, ensanguentado,
frequente, linguiça, quinquênio, sequência, sequestro, tranquilo.
Observação: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e
em suas derivadas. Müller, mülleriano.

Regras de Acentuação
a) Ditongos abertos em paroxítonas
Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras
paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Exem-
plos: alcateia, androide, apoia, apoio (verbo), asteroide, boia, celuloide,
claraboia, colmeia, Coreia, debiloide, epopeia, estoico, estreia, geleia, he-
roico, ideia, jiboia, joia, odisseia, paranoia, paranoico, plateia, tramoia.
Observação: a regra é somente para palavras paroxítonas. Assim, con-
tinuam a ser acentuadas as palavras oxítonas e os monossílabos tônicos
terminados em éi(s), ói(s). papéis, herói, heróis, dói (verbo doer), sóis etc.

b) I e U tônicos depois de um ditongo


Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos
quando vierem depois de um ditongo. Exemplos: baiuca, bocaiuva (tipo
de palmeira), cauila (avarento).

243
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Observação:
◈ se a palavra for oxítona e o I ou o U estiverem em posição final (ou
seguidos des), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí;
◈ se o I ou o U forem precedidos de ditongo crescente, o acento per-
manece. guaíba, Guaíra.
c) Hiatos EE e OO
Não se usa mais acento em palavras terminadas em eem e oo(s). abençoo,
creem, deem, doo, enjoo, leem, magoo, perdoo, povoo, veem, voos, zoo.
d) Acento diferencial
Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/
pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera:
Ele para o carro.
Ele foi ao polo Norte.
Ele gosta de jogar polo.
Esse gato tem pelos brancos.
Comi uma pera.
Observação:
Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do pas-
sado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do sin-
gular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular.
Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.
Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos ver-
bos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter,
convir, intervir, advir etc.).
O acento diferencial em
“têm” marca o plural.
Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.
Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.
Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.
Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.
É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras
forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara.
Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

244
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

e) Acento agudo no U tônico


Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis,
(ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e
redarguir.

Hífen com Compostos


a) Palavras compostas sem elementos de ligação
Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam elemen-
tos de ligação. Exemplos: guarda-chuva, arco-íris, boa-fé, segunda-feira,
mesa-redonda, vaga-lume, joão-ninguém, porta-malas, porta-bandeira,
pão-duro, bate-boca.
Exceções: não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção
de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, para-
quedas, paraquedista, paraquedismo.
b) Compostos com palavras iguais
Usa-se o hífen em compostos que têm palavras iguais ou quase iguais,
sem elementos de ligação. Exemplos: reco-reco, blá-blá-blá, zum-zum,
tico-tico, tique-taque, cri-cri, glu-glu, rom-rom, pingue-pongue, zigue-
zague, esconde-esconde, pega-pega, corre-corre.
c) Compostos com elementos de ligação
Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos de liga-
ção. Exemplos: pé de moleque, pé de vento, pai de todos, dia a dia, fim
de semana, cor de vinho, ponto e vírgula, camisa de força, cara de pau,
olho de sogra.
Observação: incluem-se nesse caso os compostos de base oracional:
Maria vai com as outras, leva e traz, diz que diz que, deus me livre, deus
nos acuda, cor de burro quando foge, bicho de sete cabeças, faz de conta.
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-per-
feito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.
d) Topônimos
Usa-se o hífen nas palavras compostas derivadas de topônimos (no-
mes próprios de lugares), com ou sem elementos de ligação. Exemplos:
Belo Horizonte: belo-horizontino
Porto Alegre: porto-alegrense
Mato Grosso do Sul: mato-grossense-do-sul
Rio Grande do Norte: rio-grandense-do-norte
África do Sul: sul-africano

245
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Uso do Hífen com Palavras Formadas por Prefixos


a) Casos gerais
Antes de H: usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
anti-higiênico
anti-histórico
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano
Letras iguais: usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra
com que se inicia a outra palavra.
micro-ondas
anti-inflacionário
sub-bibliotecário
inter-regional
Letras diferentes: não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra
diferente daquela com que se inicia a outra palavra.
autoescola
antiaéreo
intermunicipal
supersônico
superinteressante
agroindustrial
aeroespacial
semicírculo
Observação: se o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar
por r ou s, dobram-se essas letras.:
minissaia
antirracismo
ultrassom
semirreta

246
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

b) Casos particulares
Prefixos SUB e SOB: com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen tam-
bém diante de palavra iniciada por r.
sub-região
sub-reitor
sub-regional
sob-roda
Prefixos CIRCUM e PAN: com os prefixos circum e pan, usa-se o
hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal.
circum-murado
circum-navegação
pan-americano
Outros prefixos: usa-se o hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém,
recém, pós, pré, pró, vice.
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra
vice-rei

247
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Prefixo CO: o prefixo CO junta-se com o segundo elemento, mesmo


quando este se inicia por O ou H. Neste último caso, corta-se o H. Se a
palavra seguinte começar com R ou S, dobram-se essas letras.
coobrigação
coedição
coeducar
cofundador
coabitação
coerdeiro
corréu
corresponsável
cosseno
Prefixos PRE e RE: com os prefixos pre e re, não se usa o hífen,
mesmo diante de palavras começadas por E.
preexistente
preelaborar
reescrever
reedição
Prefixos AB, OB e AD: na formação de palavras com ab, ob e ad,
usa-se o hífen diante de palavra começada por b, d ou r.
ad-digital
ad-renal
ob-rogar
ab-rogar
c) Outros casos do uso do hífen.
NÃO e QUASE: não se usa o hífen na formação de palavras com não
e quase.
não agressão
quase delito
MAL: com mal*, usa-se o hífen quando a palavra seguinte começar
por vogal, H ou L.
mal-entendido
mal-estar
mal-humorado
mal-limpo

248
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

Observação: quando mal significa doença, usa-se o hífen se não hou-


ver elemento de ligação: mal-francês.
Se houver elemento de ligação, escreve-se sem o hífen:
mal de lázaro, mal de sete dias.
Tupi-guarani: usa-se o hífen com sufixos de origem tupi-guarani que
representam formas adjetivas, como açu, guaçu, mirim.
capim-açu
amoré-guaçu
anajá-mirim
Combinação ocasional: usa-se o hífen para ligar duas ou mais palavras
que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábu-
los, mas encadeamentos vocabulares:
ponte Rio-Niterói
eixo Rio-São Paulo
Hífen e translineação: para clareza gráfica, se no final da linha a parti-
ção de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele
deve ser repetido na linha seguinte.
Na cidade, conta-
-se que ele foi viajar.

O diretor foi receber os ex-


-alunos.

guarda-
-chuva

Por favor, diga-


-nos logo o que aconteceu.

249
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

Síntese das Principais Regras do Hífen


Síntese do Hífen
Letras
Não use hífen infraestrutura, extraoficial, supermercado
diferentes
anti-inflamatório, contra-argumento,
Letras iguais Use hífen
inter-racial, hiper-realista
Não use hífen
Vogal + r ou s corréu, cosseno, minissaia, autorretrato
(duplique r ou s)
Bem Use hífen bem-vindo, bem-humorado

Quadro resumo do emprego do hífen com prefixos


Prefixos Letra que inicia a palavra seguinte
H / VOGAL IDÊNTICA À QUE TERMINA O PREFIXO
Exemplos com H:
ante-hipófise,
anti-higiênico, anti-herói,
Ante-, Anti-, Contra-, contra-hospitalar, entre-hostil,
Entre-, Extra-, Infra-, extra-humano, infra-hepático,
Intra-, Sobre-, Supra-, sobre-humano, supra-hepático,
Ultra- ultra-hiperbólico.
Exemplos com vogal idêntica:
anti-inflamatório, contra-ataque,
infra-axilar, sobre-estimar,
supra-auricular, ultra-aquecido.
B - R - D (Apenas com o prefixo “Ad”)
Exemplos:
ab-rogar (pôr em desuso),
Ab-, Ad-, Ob-, Sob-
ad-rogar (adotar)
ob-reptício (astucioso), sob-roda
ad-digital

250
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

H / M / N / VOGAL
Exemplos:
circum-meridiano,
Circum-, Pan-
circum-navegação, circum-oral,
pan-americano, pan-mágico,
pan-negritude.

Ex- (no sentido de DIANTE DE QUALQUER PALAVRA


estado anterior), Sota-, Exemplos: ex-namorada, sota-soberania (não total), so-
Soto-, Vice-, Vizo- to-mestre (substituto), vice-reitor, vizo-rei.

H/R
Exemplos:
Hiper-, Inter-, Super- hiper-hidrose; hiper-raivoso.
inter-humano; inter-racial.
super-homem; super-resistente.
DIANTE DE QUALQUER PALAVRA
Exemplos:
pós-graduação.
Pós-, Pré-, Pró- (tôni-
cos e com significados pré-escolar.
próprios) pró-democracia.
Obs.: se os prefixos não forem autônomos, não have-
rá hífen. Exemplos: predeterminado, pressupor, pos-
por, propor.
B-H–R
Exemplos:
sub-bloco.
Sub- sub-hepático.
sub-humano.
sub-região.
Obs.: “subumano” e “subepático” também são aceitas.

251
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

H / VOGAL IDÊNTICA À QUE TERMINA O PREFIXO


Exemplos com H:
Pseudoprefixos (dife- geo-histórico,
rem-se dos prefixos mini-hospital
por apresentarem neo-helênico,
elevado grau de inde-
pendência e possuírem proto-história
uma significação mais semi-hospitalar.
ou menos delimitada,
presente à consciência
dos falantes.) Exemplos com vogal idêntica:
Aero-, Agro-, Arqui-, arqui-inimigo.
Auto-, Bio-, Eletro-, auto-observação.
Geo-, Hidro-, Macro-, eletro-ótica.
Maxi-, Mega, Micro-,
Mini-, Multi-, Neo-, micro-ondas.
Pluri-, Proto-, Pseudo-, micro-ônibus.
Retro-, Semi-, Tele- neo-ortodoxia.
semi-interno.
tele-educação.

252
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

Observações importantes:
1) Prefixos des- e in- + segundo elemento sem o “h” inicial.
desarmonia, desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.
2) Não se utiliza o hífen em palavras que possuem os elementos
“bi”, “tri”, “tetra”, “penta”, “hexa”, etc.
bicampeão, bimensal, bimestral, bienal, tridimensional, trimestral,
triênio, tetracampeão, tetraplégico, pentacampeão, pentágono, etc.
3) Em relação ao prefixo “hidro”, em alguns casos pode haver
duas formas de grafia.
hidroelétrica e hidrelétrica.
4) No caso do elemento “socio”, o hífen será utilizado apenas
quando houver função de substantivo (= de associado).
sócio-gerente / socioeconômico

Palavras que Causam Dúvidas


◈◈ Por que – porque – porquê - por quê
Por que ele chegou atrasado?
Em frases interrogativas (interrogativa direta)
(diretas e indiretas) Digam-me por que ele chegou
Por que Em substituição à expressão atrasado. (interrogativa indireta)
“pelo qual” Os pontos turísticos por que
(e suas variações) passamos eram lindos. (por
que = pelos quais)
Eles estão felizes por quê?
Por quê No final de frases
Ele saiu não sei por quê.
Em frases afirmativas e em Não fui ao zoológico porque
Porque
respostas choveu.
Todos sabem o porquê de seu
Porquê Como substantivo
entusiasmo.
◈◈ Onde - aonde
Onde está sua caneta? (quando se refere a um lugar fixo)
Aonde você vai? (quando há deslocamento)
A palavra aonde é a junção de a (preposição) + onde (pronome) e
significa para onde
◈◈ Mas - mais
Gosto de fazer atividades físicas, mas nem sempre consigo. (conjunção)
José é mais alto do que seu irmão. (advérbio)

253
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

◈◈ Cessão – sessão - seção


A cessão de suas terras foi aceita. Cessão: ceder.
A sessão demorou muito a começar, mas o filme valeu a pena. Sessão:
espaço de tempo.
Seção de esportes. Seção: divisão.
◈◈ Há - a
Há dois dias estou com febre. (Tempo)
Há muita gente que estuda para concursos. (Existir)
As provas serão realizadas daqui a dois meses. (Futuro)
◈◈ Senão - se não
Perguntei a ela se não queria dormir em minha casa. (conjunção SE
+ advérbio NÃO)
Se o clima estiver bom você vai, senão não vai. do contrário, de ou-
tro modo, caso contrário.
◈◈ Ao invés de - em vez de
Ao invés de protestar seu nome, conceder-lhe-ei uma nova chance.
(contrário)
O termo invés é substantivo e variante de inverso e significa lado
oposto, avesso.
A expressão em vez de é mais empregada com o significado de em
lugar de.
A menina assistiu à TV em vez de filme. (não poderá ser usado “ao
invés de”, pois não há oposição de termos).
◈◈ Ao encontro de - de encontro a
Ao encontro de: tem significado de estar de acordo com, em direção a.
Essa lei vem ao encontro dos interesses da população. (Essa lei vem
a favor, em direção aos interesses da população)
De encontro a: tem significado de contra, em oposição a.
A decisão tomada foi de encontro às reivindicações do sindicato. (A
decisão tomada foi oposta às reivindicações do sindicato).
◈◈ Acerca de - Há cerca de
A cerca de ou cerca de significam aproximadamente, mais ou menos.
Estávamos a cerca de dois quarteirões do local do crime.

254
Seção IV - Noções de Ortografia e Acentuação

Acerca de é sinônimo de a respeito de.


Falei acerca da situação econômica do Brasil.
Há cerca de exprime tempo decorrido (faz aproximadamente).
Ele viajou há cerca de duas horas.
◈◈ A fim de - afim
A aluna estudou muito a fim de tirar boa nota na prova.
Neste momento, não estou a fim! (de alguma coisa, de fazer algo,…)
O espanhol é uma língua afim com o português. (afim: sinônimo de
afinidade).
Nesta fase das nossas vidas, não temos objetivos afins.
◈◈ Tampouco - tão pouco
O advérbio tampouco é sinônimo de: também não, nem, sequer e mui-
to menos.
Se eu não consigo resolver este problema, você tampouco!
A expressão tão pouco significa muito pouco.
Às vezes, para ajudar os outros é preciso tão pouco!
Você estudou tão pouco. Continue a estudar!
◈◈ Mal - Mau
Você é um mau amigo. (Oposição: bom amigo)
Esse cachorro é mau. (Oposição: é bom)
Você não entendeu o exercício? Você fez tudo mal. (Advérbio. Opo-
sição: bem)
Você nem imagina o mal que você me faz. (Substantivo comum. Opo-
sição: bem)
Mal saí da escola, já estavam esperando por mim do outro lado da
rua. (Conjunção subordinativa temporal)
◈◈ Homônimos
São palavras que possuem a mesma pronúncia (algumas vezes, a mes-
ma grafia), mas significados diferentes.
acender (colocar fogo) ascender (subir)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
concertar (ajustar, combinar) consertar (reparar, corrigir)
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)

255
Giancarla Bombonato e Janaina Arruda

◈◈ Parônimos
É a relação que se estabelece entre palavras que possuem significados
diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita.
absolver (perdoar, inocentar) absorver (aspirar, sorver)
comprimento (extensão) cumprimento (saudação)
descriminar (tirar a culpa) discriminar (distinguir)
emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país)
flagrante (evidente) fragrante (perfumado)
ratificar (confirmar) retificar (corrigir)

256