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EDITORIAL O jornalista Paiva Netto escreve HISTÓRIA Um século de imigração japonesa

“O Milênio das Mulheres” no Brasil

Villas-Bôas Corrêa Myltainho Altay Veloso


Memória Alma de editor Valores e crenças
do Brasil e gênese de do compositor
contemporâneo repórter brasileiro

Lições
Marcos Caruso Amit Goswami
Paixão pela O físico indiano
arte de atuar fala sobre Ciência
e Espiritualidade
de
no teatro

jornalismo Experiências de vida dos jornalistas Cristiana Lôbo


e Jorge Moreno a alunos de Comunicação Social
A Boa Vontade TV sela mais uma parceria, agora com a Sky, para oferecer

às famílias brasileiras uma programação de qualidade, marca que faz

desta a TV da Paz e da Fraternidade Real desde o ano 2000. Leva aos

telespectadores programas com enfoque na Educação, Cultura, Esporte,

Saúde, Informação, Solidariedade, Meio Ambiente e Cidadania Plena,

com Espiritualidade Ecumênica.


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I n f o r m a ç õ e s : 0 8 0 0 7 7 0 7 9 4 0 • w w w. b o a v o n t a d e t v. c o m
Sumário

6 18 24 28 34

38 52 68 90
6 Editorial 60 Opinião — Mídia Alternativa
O Milênio das Mulheres
64 Saúde
10 Cartas, e-mails, livros e registros 68 História
17 Opinião Esportiva Os cem anos da imigração japonesa no
Brasil
18 Comunicação
Villas-Bôas Corrêa 77 Notícias do Sul
24 Samba & História 78 Ecumenismo Irrestrito
Altay Veloso
80 Responsabilidade Social
28 Perfil 82 Arte na Tela
Mylton Severiano da Silva
EDITORIAL O jornalista Paiva Netto escreve
“O Milênio das Mulheres”
HISTÓRIA Um século de imigração japonesa
no Brasil
84 Melhor Idade
33 Utilidade pública
89 Cidadania
34 Teatro
90 Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV.
Villas-Bôas Corrêa Myltainho Altay Veloso
Memória Alma de editor Valores e crenças

Marcos Caruso
do Brasil e gênese de do compositor
contemporâneo repórter brasileiro

Lições Amit Goswami


Marcos Caruso Amit Goswami
Paixão pela O físico indiano
arte de atuar fala sobre Ciência

38 Especial — Capa
e Espiritualidade
de
no teatro

jornalismo Experiências de vida dos jornalistas Cristiana Lôbo

92 Ação Jovem LBV


e Jorge Moreno a alunos de Comunicação Social

Aula de Jornalismo

47 Acontece 94 Pedagogia do Cidadão


Ecumênico
48 Meio ambiente
créditos das Fotos de Capa:
Altay Veloso: Rick Abreu; Amit 96 Soldadinhos de Deus
Goswami: João Preda; Marcos 52 Destaque
Caruso/Villas-Bôas Corrêa: André
Fernandes; Myltainho: Rafael Rezende; LBV: Amor e Solidariedade 98 Esporte
Imagem capa: João Preda

 | BOA VONTADE
Ao leitor

Reflexão de BOA VONTADE Família: tema recorrente nesta revista. Está em entrevistas
e conteúdos distintos. Logo no Editorial, o escritor Paiva
Netto homenageia o gênero feminino no artigo “O Milênio das
A Caridade não é um sentimento de Mulheres”, pois, segundo ele, pelas mãos delas se alcança a
estabilidade do lar e, por conseqüência, do próprio mundo.
tolos. É uma estratégia de Deus, que Em evidência, neste número, entrevistas de cidadãos
bem-sucedidos — pessoas que alcançaram notoriedade por
estabelece nos corações a condição seu trabalho e determinação — que destacam a convivência
familiar e a influência dela no crescimento pessoal. Foi por essa
ideal para que se trabalhe, governe, perspectiva que anotamos frases como a do veterano jornalista
Mylton Severiano: “Como é importante ter pais legais”,
empresarie, administre, pregue, referindo-se ao primeiro texto seu, publicado por volta dos 9
anos, por incentivo do pai. Outro que ressalta a convivência
faça Ciência, elabore a Filosofia e se positiva no lar é o ator Marcos Caruso: “Eu ia muito ao teatro
infantil. Minha tia-avó me levava, e isso sempre foi um grande
viva, com espírito de generosidade, a estímulo para que eu descobrisse o meu talento”.
O centenário da imigração japonesa no Brasil é tema
Religião. de reportagem nesta edição. Nela, podem-se ver os mo-
tivos que influenciaram essa epopéia e o que representou
Extraído da nova edição do livro Cidadania do Espírito, esse movimento para os cerca de 1,5 milhões de descen-
de autoria do escritor Paiva Netto, lançado pela Editora Elevação. dentes japoneses nascidos em nosso País.
Ainda destacamos a descontraída entrevista com os
jornalistas Jorge Bastos Moreno, Cristiana Lôbo e
Sílvia Faria que, entre outros temas, falaram da profissão,
da comunicação no dia-a-dia e das mudanças na mídia
desde o aparecimento da internet.
Boa leitura!

Leia na próxima BOA VONTADE!


BOA VONTADE Já estamos preparando para Você, amigo leitor, a edição no
Revista apolítica e apartidária da Espiritualidade Ecumênica
222. Entre as reportagens, a cobertura completa do aniversário
ANO 52 • N o
2 2 1 • j an / fev / M ar / 2 0 0 8
de 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e
BOA VONTADE é uma publicação das IBVs, editada pela Editora Elevação. Registrada
sob o no 18166 no livro “B” do 9º Cartório de Registro de Títulos e Documentos de
entrevistas com importantes nomes da área, a exemplo do
São Paulo. veterano jornalista Ricardo Kotscho. Além disso, personali-
Diretor e Editor-responsável: Francisco de Assis Periotto - MTE/DRTE/RJ
19.916 JP
dades como o ator Carlos Vereza e o cantor e compositor Juca
Coordenador Geral: Gerdeilson Botelho Chaves expõem seus pontos de vista. Em Abrindo o Coração,
Jornalistas Colaboradores Especiais: Carlos Arthur Pitombeira, Hilton Abi-Rihan, o maestro João Carlos Martins conta como a superação de
José Carlos Araújo e Mario de Moraes.
Equipe Elevação: Adriane Schirmer, Angélica Beck, Daiane Emerick, Daniel Trevisan,
momentos difíceis o elevou ao patamar de um dos maiores
Danielly Arruda, Débora Verdan, Felipe Tonin, Jaqueline Lemos, Jefferson Rodrigues, pianistas na atualidade. Destaque, ainda, para a reportagem
João Miguel Neto, Joílson Nogueira, Jully Anne, Karina Sene, Larissa Tonin, Leila Marco,
Leilla Tonin, Maria Aparecida da Silva, Mário Augusto Brandão, Natália Lombardi, Neuza especial enfocando a inclusão de pessoas com deficiência.
Alves, Roberta Assis, Rodrigo de Oliveira, Simone Barreto, Walter Periotto, Wanderly
Albieri Baptista e William Luz.
O próximo número mostrará também que há muita gente
Projeto Gráfico: Helen Winkler preocupada com o Planeta. Exemplo disso é a mobilização que
Impressão: Editora Parma se dá na América Latina com o II Fórum–Feira de Inovações
Endereço para correspondência: Rua Doraci, 90 • Bom Retiro • CEP 01134-050
• São Paulo/SP • Tel.: (11) 3358-6868 • Caixa Postal 13.833-9 • CEP 01216-970
Rede Sociedade Solidária, promovido pela LBV, com suporte
Internet: www.boavontade.com / E-mail: info@boavontade.com da ONU, em que mais de 1.200 organizações da sociedade civil,
A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos e opiniões em seus
artigos assinados.
além de autoridades, trocam receitas de sucesso, para multipli-
car práticas e fomentar o desenvolvimento sustentável.

BOA VONTADE | 
Editorial

Photos.com
O Milênio
das
Mulheres
“A Mulher, o lado mais
formoso da Humanidade,
singulariza o alicerce de todas
as grandes realizações. Aquilo
que fisicamente nos constitui
é gerado em seu ventre (...).
Nossos primeiros passos no
desenvolvimento da cidadania
são por ela guiados, ao nos
conduzirem pelas mãos. A
estabilidade do mundo começa no
coração da criança. Por isso, na
LBV praticamos, há tantos anos, a
Pedagogia do Afeto.”
 | BOA VONTADE
que diz respeito à ascensão moral e crescente, ao contrário do que se

João Preda
espiritual, convidei — nas diversas podia antes imaginar, que atinge,
oportunidades em que me dirigi ao de maneira muito dura e cruel, as
Povo, naqueles dois dias, no Templo mulheres, muito mais do que os
da Boa Vontade, na sede do homens. Elas trabalham

Divulgação
ParlaMundi da LBV e na em casa e fora de casa e
Praça Alziro Zarur , em
*1
têm de assistir, de viva-
frente ao Conjunto Ecumê- voz, olho no olho, todas as
nico da Boa Vontade — os carências de sua família
que me privilegiaram com (...). Fica cuidando do
seu apreço, em 2000, a dar Heloneida Studart filho doente que não tem
boas-vindas ao Milênio das remédio, preocupa-se por
José de Paiva Netto, jornalista,
radialista e escritor. É diretor-
Mulheres. não poder dar vitamina às crianças
presidente da LBV. Com atenção assisti, àquela al- e não ter como comprar frutas, vê
tura, à entrevista concedida à Boa mais vezes a conta da luz que está

N
Vontade TV pela saudosa escritora atrasada...
uma justa homenagem Heloneida Studart (1932-2007), “A ONU tem uma estatística
ao ente humano, que que dissertou sobre o relevante papel mostrando que a mulher pobre tra-
dentre tantas virtudes que elas vêm assumindo no âmbito balha mais que o homem, porque
possui o dom de trazer- da melhoria da qualidade de vida: atua em várias frentes: no lar, na
nos à vida, separei trechos do meu rua, na empresa, enfim, estão ativas
livro O Capital de Deus, Editora “O feminismo tem sido sempre em grande quantidade de tempo por
Elevação. Antes de transcrevê-los, o mesmo, mas enriquecido de no- dia. Em geral, quando saem para o
quero destacar que há muitas formas vas reivindicações. Existe uma ala emprego, já têm duas ou três horas
de ser mãe, como escrevi no Correio dele, principalmente no Primeiro de serviço executadas no próprio
Braziliense, em 1987: mesmo quan- Mundo, que agora está engajada na lar e, ao voltarem para casa, ainda
do não seja pela feição carnal, por- luta contra a pobreza, um fenômeno têm tarefas a cumprir. O aumento
quanto há outras sublimes maneiras
de o ser, inclusive dar à luz grandes
realizações em prol da Humanidade. Vista parcial do histórico “Bem-Vindo, Ano 2000!”
Espero que apreciem: Em frente ao Conjunto Ecumênico da LBV, em Brasília/DF,
ocorreu o grandioso Congresso que contou com a presença,
É notável a sensibilidade femi- segundo informações oficiais, de cerca de 200 mil pessoas,
de todas as partes do Brasil e do Exterior, para saudar a
nina também para com os assun- chegada do ano 2000. Sob a liderança de Paiva Netto, o
tos transcendentais. Mirando as Povo presente reuniu-se pela Paz mundial.
perspectivas dos próximos anos,
em que, por força do instinto de
subsistir, as consciências poderão
mostrar-se mais fecundas a tudo o

*1 Praça Alziro Zarur — Iniciativa


de Paiva Netto que contou com a
colaboração do Casal Legionário
Noys e Haroldo Rocha, atualmente
em Portugal.

BOA VONTADE | 
Editorial

dos espaços de lazer para elas, com cerce de todas as grandes Nunca como
a diminuição da carga trabalhista, realizações. Aquilo que fisi- agora se fez tão
é uma reivindicação do chamado camente nos constitui é gerado indispensável unir os
novo feminismo”. em seu ventre (...). Componen- esforços de ambientalistas e seus
Touché, cara Heloneida. tes do gênero feminino se traduzem detratores, como também traba-
em elemento preponderante para lhadores, empresários, o pessoal
A Mulher e a estabilidade a sobrevivência das boas causas. da mídia, sindicalistas, políticos,
do mundo Organizações estáveis contam com militares, advogados, cientistas,
Não há como impedir — con- mulheres estáveis. (...) O meu fito religiosos, céticos, ateus, filósofos,
soante ainda hoje alguns de forma aqui é ressaltar quanto é primacial sociólogos, antropólogos, artistas,
simulada gostariam — a destacada para a evolução humana e a segu­ esportistas, professores, médicos,
e frutífera participação delas nos rança do mundo a missão da Mulher estudantes, donas de casa, chefes de
vários setores da sociedade para (...). Nossos primeiros passos no família, barbeiros, taxistas, varredo-
que o progresso alcance pleno êxito desenvolvimento da cidadania são res de rua e demais segmentos da
em magnífica cruzada de resgate da por ela guiados, ao nos conduzirem sociedade, na luta contra a fome e
cidadania, conforme o exposto pela pelas mãos. A estabilidade do mundo pela conservação da vida no Plane-
dra. Heloneida. Adesão que natu- começa no coração da criança. Por ta. O assunto tornou-se dramático,
ralmente inclui os que gerenciam as isso, na LBV praticamos, há tantos e suas perspectivas, trágicas. Pelos
ações político-governamentais, em anos, a Pedagogia do Afeto. mesmos motivos, urge o fortale-
que é essencial o alento renovador da cimento de um ecumenismo que
Espiritualidade Ecumênica, sem o Há muito que aprender supere barreiras, aplaque ódios,
que a eficiência permanecerá aquém com o próximo promova a troca de experiências
dos anseios populares. Em Globalização do Amor Fra- que instiguem a criatividade global,
A Mulher, o lado mais formoso terno*2, mensagem endereçada à corroborando o valor da cooperação
da Humanidade, singulariza o ali- ONU, em 2007, ponderei: sócio-humanitária das parcerias,
como, por exemplo, nas cooperati-
vas populares em que as mulheres
têm grande desempenho, destaca­
do o fato de que são frontalmente
contra o desperdício. Há muito
que aprender uns com os outros.
Um roteiro diverso, comprova-
damente, é o da violência, da
brutalidade, das guerras, que
invadiram os lares em todo o
orbe. Resumindo: cada vez
que suplantarmos arrogância
e preconceito, existirá sempre
o que absorver de justo e bom
com todos os componentes desta
ampla “Arca de Noé”, que é o
mundo globalizado de hoje.
A escritora e filósofa francesa Si­
mone de Beauvoir (1908-1986) foi
feliz ao inspiradamente concluir:
“— Não há uma po- da Mulher”, em 2007, na sede das
Arquivo BV

*2 Globalização do Amor Fraterno —


legada no meu caminho Nações Unidas, em Nova York. O Publicada inicialmente em português,
que não passe pelo cami- evento sempre tem a presença da francês, inglês e esperanto, a revista
nho do outro”. LBV, que leva a sua palavra de Paz foi especialmente enviada por Paiva
(...) às delegações do mundo, como Netto à reunião do High-Level Seg-
Simone de Beauvoir
ocorreu novamente este ano: ment 2007, do Conselho Econômico
O milagre das e Social das Nações Unidas (Ecosoc)
donas de casa O papel da Mulher é tão im- — no qual a LBV possui status consul-
Não há melhor financista do que portante, que, mesmo com todas tivo geral —, realizada no Palais des
a mãe de família, a dona de casa, as obstruções da cultura machista, Nations, escritório central da ONU em
que tem de cuidar do seu muitas nenhuma organização que queira Genebra (Suíça). Foi recebida com
vezes minúsculo orçamento, rea- sobreviver — seja ela religiosa, muito entusiasmo pelo secretário-geral
lizando verdadeiros milagres, dos política, filosófica, científica, em- das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
quais somos todos testemunha, presarial ou familiar — pode abrir quando de sua visita ao estande da
desde o mais influente ministro da mão de seu apoio. Ora, a Mulher, Legião da Boa Vontade no evento. O
Fazenda ao cidadão mais simples. bafejada pelo Sopro Divino, é a secretário referendou seu apoio à LBV
Sobretudo, no campo da Economia, Alma de tudo, é a Alma da Hu- ao assinar a capa da revista e ratificou
que não pode ser pega no grave manidade, é a boa raiz, a base das votos de muito sucesso para todas as
crime de esquecer o espírito de civilizações. Ai de nós, os homens, ações empreendidas pela Legião da
Solidariedade, a ação da Mulher se não fossem as mulheres esclare- Boa Vontade.
é basilar. cidas, inspiradas, iluminadas!
Mohammad Ali Jin­ Estas nossas afirmativas encon- *3 A Mulher no conSerto das Nações
— Na língua portuguesa, em linhas
Arquivo BV

nah (1876-1948), jurista tram ressonância nas do educador


e político, fundador do norte-americano Charles McIver gerais, conCerto (com cê) significa
Paquistão, em discurso (1860-1906), que dizia: espetáculo musical, acordo (inclusive
que fez em 1944 na Mus- político), harmonia. Já conSerto (com
lim University Union, “— O caminho mais econômi- ésse) quer dizer reforma, reparo, res-
Mohammad Ali Jinnah salientou: co, fácil e certo para a educação tauro. Daí Paiva Netto, no início desse
universal é educar as mulheres, seu documento, ter explicado: “Antes
“— Nenhuma nação aquelas que se tornarão de tudo, devo esclarecê-los sobre a
poderá surgir à altura de as mães e professoras de palavra ‘conSerto’ grafada com ‘S’
Arquivo BV

sua glória a menos que as gerações futuras”. no título deste artigo. Não se trata
mulheres estejam lado a de erro ou distração no emprego do
lado com os governos”. Verdade seja dita, ho- vocábulo em português. É ‘conSerto’
mem al­gum pouco rea- mesmo, porquanto, da forma que se
A Alma da liza de verdadeiramente encontra o mundo a pré-abrasar-se
Charles McIver
Humanidade proveitoso em favor da com o aquecimento global, é melhor
Para finalizar, apresen- Paz se não contar, de que os sexos confraternizem, unam
to-lhes um pequeno trecho de outra uma forma ou de outra, com a forças e realizem o conSerto urgente
página — “A Mulher no conSerto*3 inspiração feminina. Realmente, do que ameaça quebrar-se, porque,
das nações” — que igualmente pois, “se você educar um ho- do contrário, poderemos acabar
enviei à ONU, em nova oportuni- mem, educa um indivíduo; mas nuclear ou climaticamente cozidos
dade, e que foi traduzida por ela se educar uma mulher, educa uma numa panela fenomenal: o Planeta
em seus seis idiomas oficiais, por família”. Exato, McIver. que habitamos. (...) Isto sem falar no
ocasião da “51a Sessão do Status (...) ameaçador bioterrorismo”.

BOA VONTADE | 
Cartas, e-mails, livros e registros

Profundidade e correta

Fotos: Viviane Propheta


abordagem
Quero agradecer o correto e
sensível tratamento dado pela
revista BOA VONTADE à entre-
vista feita comigo. Vocês foram
muito generosos, obri-
Daniel Trevisan

gado. Espero que o meu


testemunho possa ter
ajudado, em especial
aos jovens, para com-
preender a importância O apresentador de TV Gugu Liberato prestigia o lançamento do livro da irmã,
das ações solidárias Aparecida (D). Na ocasião confraternizaram com Isabel Paes, da LBV.
como as praticadas pela
LBV. Em especial, num Brasil que Guia mostra a influência do primeiro
ainda tem uma grande dívida social nome na personalidade Isabel Paes
a ser resgatada. (Ricardo Viveiros,
jornalista, escritor e professor, de A numeróloga Aparecida Liberato e o escritor e
São Paulo/SP) diretor de mar­keting Beto Junqueyra lançaram recen-
temente, na capital paulista, o livro Diga-me seu nome
A revista BOA VONTADE é e direi quem você é. O trabalho é um guia prático que
graficamente perfeita, muito bem- mostra, por meio da Numerologia, a influência que o
feita, bem diagramada. primeiro nome exerce sobre as atitudes dos indivíduos,
Vivian Ribeiro

O mais importante, como revela também detalhes da personalidade e dos


além dos assuntos va- talentos pessoais. Representantes da LBV prestigiaram
riados, é a quantida- o evento e foram portadores de um exemplar da obra
de de formadores de dedicado ao dirigente da Instituição, José de Paiva
Beto Junqueyra
opinião que deixam Netto. Eis a mensagem dos autores: “Querido Irmão
seus depoimentos so- Paiva, com grande alegria lhe escrevo! Abraços e minha
bre o trabalho da LBV. admiração. Aparecida Liberato” e “Irmão Paiva, um abraço carinhoso do
(Walter Guedes, secretário de Beto Junqueyra”.
Cultura de Maricá/RJ) Em entrevista à BOA VONTADE, Aparecida destacou: “Agradeço a presen-
ça da Legião da Boa Vontade, sempre nos prestigiando. É maravilhoso! Vocês
Fiquei contente em estão juntos, aqui em São Paulo, em Porto Alegre, não importa. Tenho muito de
ler a revista BOA VON-
sile iro
itor bra

agradecer às crianças queridas da LBV que, tão gentilmente, fizeram um quadro


l com pos
not áve
eve sob re o
to escr
Paiv a Net
a Vill a-lo bos
Trib uTo

TADE. A entrevista com a minha foto da campanha [de Natal], à qual eu aderi e sempre vou aderir,
com Lya Luft está porque a LBV faz uma diferença enorme para nós, brasileiros, que precisamos
maravilhosa. Muito dela e do empenho do Irmão Paiva nessa luta para diminuir no mundo o egoísmo
obrigada, um abra- e trazer Amor. Quando eu penso no Irmão Paiva, penso em Amor”.
Diversida
de ço a todos. (Con- Beto Junqueyra também deixou seu recado: “Paiva Netto, é sempre um pri-
cultural
do Brasil
Pontos de
vista, repor
histórias de
tagens,
ceição Cavalcanti, vilégio ter o prestígio da LBV. Nós temos um carinho muito grande por vocês.
coordenadora do
registros e da

Um grande abraço”.
brasileiros
destacados social, meio
ão
comunicaç co, política,
poder públi a.
ambiente, ção e cultur
esporte, educa

Programa Leitor do O evento reuniu amigos, artistas e familiares. Na oportunidade, o irmão da


Futuro, do jornal Diário de Per­ numeróloga, o apresentador de TV Augusto Liberato, o Gugu, esteve no lan-
nambuco) çamento e cumprimentou com simpatia os representantes da LBV.

10 | BOA VONTADE
Padrão de qualidade
Estou impressionado com a qua-
O famoso compositor e humorista Juca Chaves, ao
lidade da revista. Gostei bastante da visitar recentemente a sede da Boa Vontade TV,
entrevista com o jornalista Ricardo em São Paulo/SP, ressaltou o prazer que tem de
Boechat. Muito interessante! Coisas colaborar com a LBV, tendo em vista a seriedade
que eu não sabia a respeito desse do trabalho que ela realiza: “Não sou religioso,
profissional passei a conhecer. A
mas penso que a vida, com Boa Vontade, abre
BOA VONTADE,
quando busca uma sentante
es Unidas/N
ova York
das Naçõ Metas do Milênio.
doroff, repre setoriais pela
ele Billant-Fe oficinas inter
s Oito
,
caminhos para o mundo. Não existe Paz
se não houver Boa Vontade. (...) Gosto
Dra. Mich ove
stras da a LBV prom
iação e pale , ONU/Brasil,
Com aval UNIC-Rio
do

personagem ou per-
e o apoi o

do Paiva Netto porque ele faz muito


IaL
eSpeC

sonalidade, tem-se
Sa
O De SOU
MaU RICI

aprofundado na para muitas crianças. Que ele continue


vida e nas ações e C h at concedendo alegria a todas essas crianças
dessa pessoa, e
DO BO
RICaR aÇÃO
O COR

i
aBRe

fu
“Sempre
o para fare
jar “
que cantaram para mim hoje. Que eu seja
muitos desses competitiv r as jazidas
e localizaerência, paixão e polêmpoucica:o

sempre útil à LBV naquilo que puder”.


Irrev um
al revela
profission leiro.
o veterano lismo brasi

entrevistados

Elias Paulo
sa o jorna
ria e anali
de sua histó

são espelho para o leitor.


É o que falta para o jornalismo de

Cida Linares
revista no Brasil. O conteúdo dela
é importantíssimo, não se restringe
a um só tema, abre um leque para
informar assuntos da LBV, como
os nacionais e internacionais. (Beto
Lago, jornalista da Federação
Pernambucana de Futebol, de
Recife/PE)

O jornal Gazeta do Araripe


sente-se honrado em veicular, nas
versões on-line e impressa, os
valiosos artigos de Paiva Netto e REGISTRO Moacir Japiassu, Chico Pinheiro (E) e Paiva Netto (C), durante a entrega
as campanhas da Legião da Boa do Prêmio Cláudio Abramo, há alguns anos, promovido pelo veterano Japi.
Vontade. Desde que colocamos no Perfil

Japiassu escreve à redação


O bem-hu
morado
jornalis
ta Moacir
Japiass
u

Japiass
jornal a participação da LBV, nós u,
jornalis
mo,
aos quais e falou dos
projetos
a exemp se dedica atualme
lo da famosa nte, “Quando
“Jornal estava no
da coluna Nordeste

“Que maravilhosa surpresa!!! Este velho sertanejo


www.co ImprenÇa” (no — é que

Janistra
muniqu hoje estou aí num instante
que, com e-se.com portal cabelo todo com vieram eles se resolver
.br), em para cá
os erros o uso da sátira, branco e não essa a aventur e eu vim am;

quis
de gramáti
textos jornalís ca e estilo
critica dá para ver a!
junto. Foi
—,
ticos, dos cabelo vermelh tinha um

e boas
se canal
um meio fazendo des- BV — Logo

nos sentimos mais maduros e com a


o.
para os
aspiran
de aprendi
tes à profissã zado
ruivo mesmo. Eu era foi a adaptaç que chegou
ão? Algum , como

história
(...) Um graçado
BOA VONTA o. dia, estou ? fato en-
numa Japias
começa DE de trem para estação su —

s
r falando — Podem os nunca
aconte Não, comigo
Nordes
te, ainda de sua vida no
voltar para gorosamente ceram fatos
o interior engraçados, ri-
foi a mudanç menino
. Como e, na hora que sempre
Região a do saí de um tragicô mas
Sudeste sertão para a bar onde Na verdade micos
(risos)

não merece tudo isso! Ficou excelente o papo com


Moacir ? tomado um tinha fatos mais , aconteceram .
ter uma Japiassu — Para refrigerante, que no Sudeste
lá no Nordes esses
ela foi tão
idéia dessa você uma senhora mais aberto, , porque te do
aventu ra, agarrou a
hoje não traumatizante criancinha cosmop mais evoluíd aqui é
que até e disse: ‘Ai
Eu estou me recuperei Nossa Nordes
olita. Quando o, mais
(risos). Senhora, estava no

certeza de levar aos nossos leitores


fora da te
nasci, desde Paraíba é o diabo’. com cabelo— é que hoje
Quer dizer, dezembro de onde
, era uma criança, E eu dá para todo branco estou
1956.
revoltadíssimo.” fiquei
agora em ver e não
estará
fazend dezemb vermelho. —, tinha um
pai (Severi o 51 anos. ro Eu era cabelo
E você
funcion no Lins Meu já pensou ruivo mesmo.
ário Falcão) Nordes ser ruivo
te?
mento Nacionpúblico do Departa era incluíd

U
a no chamad tosa. Por É uma coisa no
as Secas al de Obras - das onde andava espan-
secas — o polígon uma
m descon (Dnocs Contra o estou atenção danada , chamava

Rodrigo de Oliveira nas páginas de uma revista


chefe dele, ) e, em vários projetos para desenv
papo de traído bate- 1956, olver numa . Um
30 minuto gem sobre Rodrigo foi convid em João Pessoa/ o ele, que , novos
açudes. voltar para estação de trem dia,
com o s falou o evento Oliveira ado a comand PB, Martin se chamav para
veteran
lista Moacir o jorna- à nossa na página escritó
rio no ar s a dr. ManueE que saí o interior
e,
signific equipe sobre 71), exclam
Fotos: Daniel
norte um meu de Athayd l tomado de um bar na hora
Japiass que tirou Trevisan
— afinal, e,
garantia
a ouvir
boas história u 65 anos de melhor no aquilo ou, referind
padece essa regiãode Minas velho,pai e que gostava amigo de um refrige onde tinha
de auge dos cional objeto o-se muito com também convido muito do senhora agarrou rante,
de uma sem as ao tradi-

e internautas uma melhor leitura e


sadas com aprender e dar s e a jornalis vida Claros/ u-o uma
elas. E não boas ri- mo, profissã dedicada ao o qual sempre lentes as secas
e está MG, que a vir a Montes disse: “Ai Nossa a criancinha
ferente apaixon comple se apresen com jeto. O era sede e
nesta entrevis foi nada
di- irmão. ou graças ao
o pela qual mentou velho do pro- diabo”. E eu Senhor
Antes de ta exclusiv incentiv se de mentira : “Os óculosta. E do, porque ficou meio era uma a, é o
assusta- fiquei revolta
intelect levar sua colabor a. A entrevis
o do esqueci , mas,
de fato, são dessas aventur é sertanej
o, tem medo díssimo criança,
Caetano

ual . É que .
Jornalis ao I Salão Nacion ação começa ta nem mesmo vista à para dar
não os
tentou dizer as repentin BV — Você
ta Escritor al do do a ser Legião as.
gravada havia preciso entre-
Rosevalte

(veja reporta- nalista da Boa versou com não, mas antes Ele ca cosmop destaca a caracte
logo eo usar óculos Vontade é con-
18 meus óculosdisparou: “Esquejor- não de o dr. Athaydea minha mãe: “Neusa te, mas olita da rísti-
| BOA
mentira de verdade hoje resideRegião Sudes-

muito bonita e bem-editada. Meus cumprimentos


VONTADE
de entrevi ci ”. , olhe só me fez esse ,
sta!”, Narrou que convite, Por que fazer em um
pessoa fatos de
sua história disse: “Não absurdo!” Aí Japiass essa escolha sítio.
l, como tem esse a velha
a incursã absurdo
, não! negócio guinte: essau — O negócio ?
o no Japiassu velho tomou Vamos, sim!” de assim mudanç é o se-
e
durante sua esposa, Marcia aquele O que cheguei a não foi feita
minha
visita à mãe mandav susto. Como para lá há cinco . Eu me

padrão de qualidade. Apesar dos 32


Escola da Lobo, mudei
LBV, em em casa a realmen boa parte anos.
1995. —
assim: quemcasa de cabra te na da vida aqui Então, passei
verdade
manda é macho , cheguei nesta Região;
a mulher é Paulo, para em
—, era você ter 1970 a São
jornalista uma idéia.
veterano Já
, com uns
10
BOA VONTADE

ao nosso amigo Paiva Netto e ao editor da BOA VON-


| 19

anos militando no rádio e no jornal, Reprodução


ainda tenho muito que aprender, TADE, Francisco Periotto, além de toda a equipe. A revista de parte da
mas pelo menos já aprendi com o está muito bem escrita (Janistraquis, lupa em punho, andou reportagem
a perscrutar...), com ótimas reportagens, e cobriu com grande publicada
dirigente da LBV quão importante é na edição
ter no coração a presença do Cristo competência o Salão do Jornalista Escritor. Parabéns a todos!
no 220 da
Ecumênico. (Izaurino Paes Brasil, Recebam o grande abraço do Japi. Marcia envia um jacá de revista BOA
jornalista, de Ouricuri/PE) beijos.” (Moacir Japiassu, jornalista, Cunha/SP) VONTADE.

BOA VONTADE | 11
Cartas, e-mails, livros e registros

Gervásio Baptista: Decano do fotojornalismo


A próxima edição da BOA VON-

Fotos: João Preda


TADE traz entrevista com Gervásio
Baptista (foto 1), considerado o de-
cano do fotojornalismo brasileiro. Ao
longo de mais de meio século de tra-
balho, conseguiu capturar a imagem
de estadistas e personalidades como:
John F. Kennedy, Richard Nixon,
Juan Domingo Perón, Charles de
Gaulle, Che Guevara, Fidel Cas­
tro, além de ter fotografado todos os 1 2
presidentes brasileiros desde Getúlio
Vargas. Parte de seu trabalho está do diretor-presidente da LBV (foto na praia para fotografá-lo.
na exposição “Gervásio Baptista: 2): “Num momento de descontração, “Saudações, estimado compa-
50 anos de Fotografia”, que está no há mais de trinta anos, falei ao meu nheiro, pelos seus mais de 50 anos
Supremo Tribunal Federal (STF), até velho amigo Gervásio Baptista: de fotojornalismo!”
o dia 18 de abril. Gervásio, Você é uma figura tão Ao ler a frase, Gervásio sim-
Nessa mostra do fotógrafo, há influente neste País e faz tamanha paticamente afirmou: “Coloque o
também algumas manifestações parte de nossa história, que, quando texto do Paiva Netto aqui, bem na
de figuras destacadas da sociedade Pedro Álvares Cabral desembarcou entrada. Ele merece o melhor lugar
acerca de seu trabalho, como esta por estas bandas, já se encontrava desta exposição”.

Artista plástico Angel Irrazabal enaltece trabalho da LBV


Lucas Alvares
Na ocasião, relembraram a homenagem
Lucas Alvares

que o artista fez ao líder da Instituição,


há alguns anos, no Templo da Boa Von-
“Retrato de
tade (TBV), quando o presenteou com Paiva Netto”
uma belíssima pintura de seu retrato. (2000),
“Tive a oportunidade de conhe- 100x80 cm,
cer o Templo da Boa Vontade, que óleo sobre
tela, de Angel
é maravilhoso, um lugar repleto de
Irrazabal.
Paz e importante para a promoção
da cultura de nosso País através da que ele continue sempre adiante com
grande e moderna Galeria de Arte. a LBV e em tudo que faz.”
Resolvi fazer um retrato de Paiva Angel tem atualmente 76 anos e
O renomado artista plástico uru- Netto em quadro como forma de muita disposição, recebendo enco-
guaio Angel Irrazabal e sua simpática agradecimento, não só por mim, mas mendas de pinturas, vindas de todo
esposa, sra. Ana Gomes de Almeida, por toda a Humanidade, homenagean­ o Brasil. Entre as pessoas retratadas,
receberam em sua casa, em Juiz de do-o com o que melhor sei fazer, de figuram grandes personalidades
Fora/MG, os representantes da LBV. maneira sincera e humilde. Desejo mundiais.

12 | BOA VONTADE
Nilton Preda
Divulgação

Pepita Rodriguez Templo da Boa Vontade e ParlaMundi da LBV — SGAS 915, lotes 75/76.
Tel.: (61) 3245-1070 — Brasília/DF
cozinhando entre amigos Glória Pires e Orlando Morais
Simone Barreto
Pepita Rodriguez há muitos visitam o Templo da LBV
anos divide seu tempo entre o tea- Simone Barros
tro, a pintura, a literatura e a criação
A atriz Glória Pires e o marido,
Rafaela Fernandes

dos filhos. Recentemente, a atriz e


também apresentadora de TV ainda
o cantor e compositor Orlando
encontrou espaço na agenda para se Morais, viveram momentos de
dedicar à arte culinária, fruto de sua inte­riorização no Templo da Boa
experiência com os amigos, eter- Vontade (TBV), o Templo da Paz,
nizada no livro A arte de cozinhar na capital federal. Por sugestão de
entre amigos. O título foi lançado, amigos, o casal decidiu visitar o
em noite de autógrafos da autora, na Templo no fim de 2007. “Tivemos
capital fluminense, em 22 de janeiro, vontade de vir conhecer e foi ótimo,
reunindo amigos e fãs. bonito, uma energia muito boa!”,
Na obra, Pepita nos convida a comenta Glória.
conhecer sua cozinha e narra si­tua­ Para a atriz, a proposta ecumê­
ções vividas por ela em família e nica do TBV, a Pirâmide das
com personalidades, como Nelson Almas Benditas, representa “o fu-
Freire, Zico, Luiza Brunet e Ri­ turo: a convivência pacífica entre
cardo Amaral. as religiões, entre os povos; isso Glória, ao lado do marido, na Nave do
Durante o lançamento, ela au- é que a gente deve buscar”. Ela Templo da Paz, com os exemplares das
tografou um exemplar do livro ao ainda recomendou a quem puder revistas BOA VONTADE e Globalização
do Amor Fraterno.
diretor-presidente da Legião da Boa que vá visitar o monumento.
Vontade, com a seguinte dedicatória: Por sua vez, Orlando não es- vizinho de Goiânia, sua terra natal.
“Meu muito querido José de Paiva condeu a forte impressão que lhe Segundo ele, foi uma ótima opção
Netto, olha aqui meus amores rechea­ causou o local, dizendo-se satisfeito para encerrar o ano, classificando a
dos de alquimias. Beijos do meu de saber que existe em Brasília experiência como “um momento de
coração. Pepita Rodriguez”. um lugar tão sublime como esse, interiorização total”.

BOA VONTADE | 13
Cartas, e-mails, livros e registros

Centenário da Associação Brasileira de Imprensa

Fotos: André Fernandes


1 2 3
Na próxima edição da BOA VONTADE, acompanhe a reportagem completa sobre os principais even-
tos que marcaram os festejos dos 100 anos da Casa do Jornalista (1908-2008), a exemplo do que
ocorreu no Theatro Municipal (1), onde se reuniu um seleto público, recebido, na oportunidade, pelo
presidente da ABI e anfitrião da festa, o jornalista Maurício Azêdo (2). Na ocasião, o vice-presidente
do Brasil, José Alencar, representou o presidente Lula. O evento contou com a apresentação da Or-
questra Petrobras Sinfônica, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky (3), e show do cantor 4
e compositor Paulinho da Viola (4).

P e d a g o g i a d o C i d a d ã o Ec u m ê n i c o
Comprometimento com o futuro
De Londrina/PR, a leitora da revista BOA VON- em nossas escolas, faculdades e secretarias de Edu-
TADE Denise Sales dos Santos, pós-graduada em cação um projeto pedagógico de tamanha força e
Língua Portuguesa pela Universidade Norte do comprometimento.
Paraná, escreve à redação, destacando trecho do “Paiva Netto, além de nos mostrar a importân-
discurso do jornalista e escritor José de Paiva Netto cia de trabalhar com a alma e o coração, ou seja,
ao corpo docente do Instituto de Educação da Legião a Espiritualidade ligada à sabedoria, deixa claro o
da Boa Vontade, na capital paulista, em que papel que temos na vida da sociedade e que
Rosângela Guedes

o autor pondera sobre a qualificação pela depende de nós, professores, essa forma-
qual crianças e jovens devem se preparar ção qualificada e eficaz. E mais: verifiquei
para o ingresso no mercado de trabalho. que esse discurso foi publicado em vários
A respeito do texto publicado na página idiomas, um deles o Esperanto, uma língua
4 da edição no 220 da revista (de discurso universal, neutra e internacional, que sur-
proferido originalmente em 1999), co- giu não para substituir outra língua, mas
menta Denise: “Lendo a BOA VONTADE, para somar.
me surpreendi com a matéria que traz as “Conhecendo a Legião da Boa Vontade
palavras do presidente das Instituições da Boa em Londrina/PR, constatei que a LBV é assim, ou
Vontade, José de Paiva Netto, dirigidas ao corpo seja, uma soma de valores, culturas, crenças, ide-
docente do belíssimo Instituto de Educação da LBV. ologias. Uma soma à Humanidade. Coincidência?
Como educadora, não poderia deixar de expressar Acredito que não. Visão de um grande homem e uma
quanto nossa formação seria melhor se tivéssemos grande Obra presentes neste Planeta”.

14 | BOA VONTADE

Ao Coração de F O R T A L E Z A / C E

Deus Diretoria da Provider


O respeitado jornalista Moa­
cir Benvenutti destacou em sua
encanta-se com a LBV
coluna do jornal A Notícia, de Leontina Maciel
Joinville/SC,
um dos mais
Divulgação

Leontina Maciel
recentes lan-
çamentos da
Editora Eleva-
ção. Escreve
Moacir: “O
diretor-presi-
dente da Le-
gião da Boa
Vontade (LBV), José de Paiva
Netto, está lançando Ao Coração
de Deus — Coletânea Ecumênica
de Orações, dirigida para quem
quer melhorar a auto-estima e O presidente da Provider, sr. Arnaldo Haimenes (E), o sr. Vicente Ximenes,
supervisor, e o sr. Wilson Matias, gerente, entre as crianças da LBV.
renovar energias por meio da
oração. Segundo os editores, é
Largos sorrisos e músicas, realiza. (...) Hoje vi e senti o
‘essencial para todos aqueles que
na voz das crianças do Coral aprendizado de se formar um
acreditam que, por intermédio
Ecumênico Infantil LBV, aten- Cidadão Ecumênico. Essa mis-
da prece, pode-se alcançar uma
didas pela Instituição, na capital são está presente nesta Casa”,
força poderosa, não só para aten-
cearense, deram as boas-vindas disse.
der às necessidades materiais de
à diretoria da Provider Ltda., O sr. Wilson Matias, ge-
nossas vidas, mas também para
que visitou o Centro Comuni- rente da filial da Provider no
acalentar o coração e a alma de
tário e Educacional da Legião Ceará, também agradeceu,
todos’. São 50 orações das mais
da Boa Vontade, no dia 13 de afirmando seu apoio à Insti-
diversas tradições religiosas, que
fevereiro. O presidente da em- tuição: “Quando for possível,
expressam as diferentes maneiras
presa, sr. Arnaldo Haimenes, a Provider estará presen-
de vivenciar a fé”.
encantou-se com as crianças. te participando em parceria
“Assistimos a uma apresen- com a LBV”. Nesse sentido,
O livro Ao Coração tação maravilhosa. Nós, da o supervisor de qualidade da
de Deus — Provider, estamos muito satis- empresa, sr. Vicente Ximenes,
Coletânea Ecumênica feitos em ajudar uma Entidade também destacou: “Estamos à
de Orações (versão
pocket) está disponível
como a LBV, que preza por um disposição em contribuir para
nas principais livrarias aspecto fundamental: a Cida- o crescimento do trabalho de-
do País ou pelo Clube dania. Formar o cidadão é um senvolvido pela Legião da Boa
Cultura de Paz: 0800 trabalho fenomenal que a LBV Vontade”.
77 07 940.

BOA VONTADE | 15
Isabella Schultz Ekstein Mota Santana é ganhadora da promoção cadeira de rodas “Sua história vale um sonho”.

Escolha fazer a diferença na vida de uma pessoa com deficiência.


Há 25 anos a AVAPE desenvolve um trabalho de reabilitação clínica, profissional e de acompanhamento familiar às pessoas
com deficiência. Além disso, capacita e encaminha estas pessoas ao mercado de trabalho. Só no último ano, foram mais de
4 milhões de atendimentos, mais de 90% deles gratuitos. Um importante trabalho de inclusão social que transformou a AVAPE
em referência nacional no atendimento a pessoas com deficiência. E que precisa da ajuda de todos para continuar, inclusive da sua.
Faça parte desta história repleta de força de vontade, dedicação e superação. Ligue (11) 4993-9200 ou acesse www.avape.org.br.

AVAPE. Diminuindo as diferenças,


aumentando as oportunidades.
Opinião Esportiva
Coluna do Garotinho

Realidade só no

Photos.com
Campeonato Brasileiro
José Carlos Araújo
especial para a BOA VONTADE

sileiro, quando terão pela frente No Campeonato Estadual do


Arquivo pessoal

equipes tradicionalmente fortes Rio de Janeiro, houve um acordo:


e competitivas. Que ninguém os clubes menores abriram mão do
chegue ao campeonato nacional direito de jogar contra os grandes
José Carlos
Araújo,
iludido, pois só os competentes clubes em seus estádios. Mediante
comunicador sobreviverão. uma compensação financeira, acei-
da Rádio Os campeonatos estaduais taram enfrentar os grandes clubes
Globo do Rio são importantes. Têm tradição e cariocas somente no Maracanã, em
de Janeiro muito charme. Todos os clubes São Januário ou no Engenhão.
querem conquistar o campeonato Com isso, praticamente desis-
de seu Estado, porque há rivali- tiram de lutar por vagas nas fases

O
s principais clubes do País dade até secular em jogo. O título decisivas do campeonato, porque
se reforçaram. Buscaram o estadual é uma ambição de todos se tornaram presas fáceis no cam-
que podiam ter de melhor. e uma cobrança dos torcedores. po dos adversários. Uma fórmula
Na maioria das vezes, as No entanto, a qualidade dos em que todos são enganados: os
contratações não foram aquelas participantes, na maioria dos pequenos, que trocam suas chan-
sonhadas pelos torcedores, mas as estaduais, é discutível. E, quan- ces por dinheiro; os grandes, que
que as finanças permitiram. Por do os adversários são fracos, os não conseguem medir o tamanho
isso mesmo, os times são vistos grandes acabam iludidos. Podem de sua força; e os torcedores, que
com desconfiança. não ter formado equipes tão fortes acabam iludidos.
Há exceções, como o Flumi- quanto pensam para o restante As conseqüências surgem
nense, que se reforçou com Dodô, do ano. quando disputam a Taça Liber-
Leandro Amaral, Washington, Com certeza, isso não acontece tadores da América e o Cam-
Dario Conca e outros. Ou mes- em São Paulo. Mas fica evidente peonato Brasileiro. Aí, sim, é a
mo o São Paulo, que fez a mais em Minas, no Rio Grande do Sul hora da verdade, quando quem
importante contratação do futebol e em outras grandes praças, espe- tem competência vai em frente e
brasileiro: Adriano. cialmente no Rio de Janeiro, onde quem não tem sucumbe. É elimi-
No entanto, outros grandes o Estadual tem um regulamento nado, no caso da Libertadores, ou
clubes só vão ter a força avaliada inteiramente a favor dos grandes corre o risco de rebaixamento no
de verdade no Campeonato Bra- clubes. Brasileiro.

BOA VONTADE | 17
Comunicação
Villas-Bôas Corrêa

“(...) Nunca fui boêmio, não


tive tempo. (...) Trabalhava
demais. Como é que seria
boêmio se saía de casa às
sete da manhã, voltava para
almoçar e emendava até as
duas, três da manhã?”

18 | BOA VONTADE
Memória do Brasil
contemporâneo
Villas-Bôas Corrêa e os felizes 60 anos de jornalismo
Rodrigo de Oliveira e Simone Barreto

A
Reportagem fotográfica: André Fernandes

oportunidade de conver- ca: completa seis décadas de tra- analista. Cultivando boas fontes
sar com um dos ícones balho no próximo 27 de outubro. de informação e qualidade na
do jornalismo político No trato diário com o noticiário escrita, passou por diversas mí-
em atividade no Brasil político, diz que sempre procura dias, como o Diário de Notícias,
é uma experiência única. Afinal, a isenção no que escreve, a ponto a Rádio Nacional, O Estado de
como o próprio Luiz Antonio de jamais ter declarado voto, ou S.Paulo (durante 23 anos); foi
Villas-Bôas Corrêa gosta de lem- ter-se filiado a qualquer partido. comentarista político da extinta
brar, “talvez seja o último sobre- A fim de garantir o requisito, TV Manchete e um dos funda-
vivente da geração que cunhou o para ele, fundamental em sua dores do jornal O Dia, no qual
modelo de reportagem política que atividade: a credibilidade como trabalhou até aposentar-se, em
ainda hoje se pratica”. Villas-Bôas 1998. No ano seguinte, voltou ao
Corrêa, como ficou conhecido esse Jornal do Brasil e atualmente as-
Marco Rodrigues

carioca nascido no bairro da Tijuca, sina três artigos semanais. Além


ingressou no jornalismo dois anos disso, publicou os livros Casos
após a promulgação da Consti- da Fazenda do Retiro (2001), em
tuinte de 1946, logo depois do fim que relata as reminiscências da
do Estado Novo, em meio ao pro- juventude, e Conversa com a me-
cesso de restauração democrática. mória (2002), com as lembranças
Partidos eram fundados, surgiam de meio século como repórter.
os primeiros candidatos a cargos Nesta entrevista exclusiva,
públicos. Para o jornalista, aquele Villas-Bôas Corrêa conta, de forma
momento era como uma contínua descontraída, as realizações na im-
“embriaguez de liberdade”. A prensa e fala da vida em família.
sociedade tinha fome por esse tipo
de notícia. Ao mesmo tempo, os BOA VONTADE — Foi no curso de
jornais ainda não dispunham de Direito que surgiu o interesse pela
quadros para cobrir política, que política?
se transformara em uma área im- Villas-Bôas — Sou filho de um
portante do noticiário. EM FAMÍLIA O jornalista com a esposa, juiz de Direito, o desembargador
Regina Maria de Sá Corrêa, e o filho
Com 84 anos de vida, Villas- mais velho, Marcos, que segue a
Merolino Raimundo de Lima
Bôas está para atingir outra mar- carreira do pai. Corrêa. Meu pai foi juiz em Carmo

BOA VONTADE | 19
Comunicação

Fotos: Arquivo pessoal

1 2
BOAS RECORDAÇÕES DO RIO ANTIGO Sempre abordando temas sociais, em um de
seus “Comandos Parlamentares”, o jornalista vai a campo, na favela da Mangueira, na
companhia de dois deputados e um religioso. No percurso, encontram um grupo de pesca-
dores que se alimenta em volta de um cesto de caranguejos. “Não vão nos convidar para
comer?”, questionou o deputado Heitor Beltrão, que aparece sentado (foto 1) ao lado do
também parlamentar Breno da Silveira (paletó branco). À esquerda, estão o padre Medei-
ros Neto e Villas-Bôas. “Esse era o Rio de Janeiro daquele tempo”, recorda o jornalista.

tro Villas-Bôas, fiscal do posto de nos jornais notícias sobre política,

a g e m p o lí ti c a recomeçou consumo, aposentado, um sujeito partidos, Congresso. Quando entrei


“A report . maravilhoso. Ele me deu várias na Faculdade Nacional de Direito,
m a q u e d a d o Estado Novo coisas, inclusive, o gosto pelo estava praticamente em branco em
co
i a q u e le e s to uro, aquela teatro. Na casa dele me formei; matéria de política. Se ela não me
Fo ue saí de lá casado, com 22 anos. deu um diploma que me servisse
m b ri a g u e z d a liberdade, q Antes disso, fui convocado na na vida prática, porque nunca
e
s jo rn a is d e s prevenidos. guerra, servi mais de um ano na advoguei, pelo menos ali eu caí
pegou o
ia q u a d ro s p ara cobrir Fortaleza de São João, na Urca, na fervura da política acadêmica,
Não hav quando passei a cabo. Uma coisa na fase de resistência ao Estado
p o lí ti c a , e le s foram sendo curiosa: o meu avô foi jornalista Novo. Fui presidente do Centro
a
id o s c o m a tu rma antiga, de província, de Angra dos Acadêmico Cândido Vieira (Caco)
preench
h a d a R e p ú b lica Velha.” Reis; meu pai, que visitava a e como presidente assinei e redigi
que vin gente — ia ver o filho de vez um manifesto saudando a queda da
em quando, era difícil para ele ditadura.
viajar como juiz de interior
do Rio Claro/MG (perto de Furnas), —, tinha um tio muito inteligente, BV — Como foi o início no jorna-
município que fui rever 40 anos chamado José Pedro Saragossa lismo?
depois. E lá minha mãe, Maria Santos (juiz no Estado do Rio de Villas-Bôas — Eu não posso
Safira Corrêa, teve uma doença Janeiro). Era uma casa de pessoas dizer que tinha vocação jorna-
terrível, que a obrigou a vir para a que liam muito jornal, mas eu não lística. Entrei para o Serviço de
casa do pai dela no Rio de Janeiro, tenho lembrança de uma conversa Alimentação da Previdência Social
onde morreu dois anos depois. Fi- política, a não ser as reminiscências (SAPS), mas o vencimento do ser-
quei órfão de mãe aos 8 anos, e o sobre a velha política fluminense, vidor público era muito escasso e
restante da minha mocidade passei porque simplesmente não havia po- consegui um cartão do meu sogro,
na casa do meu avô, Luís de Cas­ lítica no Estado Novo. Não existiam Bittencourt de Sá, que tinha sido

20 | BOA VONTADE
3 4 5
VILLAS-BÔAS EM ALGUNS MOMENTOS (2) A fé do povo nordestino, uma das
pautas de uma série de reportagens sobre a seca no sertão, elaborada em 42 dias
e com passagens por diversas cidades, entre o Rio de Janeiro e o Ceará. (3) O
jornalista (em destaque), durante coletiva de imprensa com o presidente
Juscelino Kubitschek. (4) Cumprimenta o então governador do Estado de
e n tr a e m u m a redação
São Paulo, Adhemar de Barros. (5) Encontro com o presidente da Argentina “Hoje, você estar em uma
Arturo Frondizi, que exerceu o cargo entre 1958 e 1962.
p re s s ã o d e
e tem a im e : todo mundo
m a te rn id a d
um grande jornalista na cidade do necessidade. As manchetes espécie de vendo aquilo,
d a te le v is ã o
Rio de Janeiro. Ele me deu uma passaram a ser, em geral, em frente mandar um
carta para entregar ao Cândido sobre a área. Um belo dia fui o n v e rs a . P a ra
ninguém c r com o colega
de Campos, dono do A Notícia, buscar o “boneco” (usava-se à
v e z d e fa la
do Rio. Apresentei-me ao Silva época a fotografia do rosto da recado, em putador. O
a s s a p e lo c o m
Ramos, que foi o meu grande pessoa) de um suicida, perto ao lado, p
professor, mestre de jornalismo, do centro do Rio, e entrei num
ó c io é m u it o mecanizado.”
porque foi na base do trabalho; hotel para informar à redação ne g
era um sujeito exigente. Ele leu o que não havia “boneco” algum.
bilhete e disse: “O Bittencourt está Enquanto esperava, ouvi um
dizendo que você é bacharel, mas cidadão com sotaque estrangeiro,
não é necessariamente analfabeto. aos berros, ao telefone no fundo
Tire o paletó, sente ali e comece”. do corredor, com a cabine aberta,
Esse foi o meu curso de jornalismo falando com alguém de Porto
político. Demorou dois, cinco mi- Alegre. Comunicava o fato de ser
nutos, talvez. Tirei o paletó e, nesse vítima de uma tentativa de chan-
dia, voltei para casa lambendo a tagem por parte de um ministro
notícia, a minha primeira matéria de Estado, e que ia ter naquele
publicada, uma matéria simples, dia uma entrevista com o então
de uma coluna. ministro da Guerra, o general
Canrobert Pereira da Costa. Ele
BV — E a carreira no jornalismo se chamava Ivo Borcioni; apre-
político? sentei-me, disse que era jornalista,
Villas-Bôas — Foi muito rápi- bacharel, e que ouvira a conversa.
da. A Notícia não possuía repórter Combinei que iria como advogado
político e começou a existir essa dele à audiência com o Canrobert,
Comunicação

BV — Como era a rotina a essa Cavalcante. Chegamos lá e o jan-


época? tar já estava sendo servido. Quando
Villas-Bôas — O começo em entrei na sala, vi que a turma se co-
A Notícia foi decisivo porque lá çou, entendeu? Daí um bocadinho
não havia frescura, fazia-se tudo. começou aquele negócio de prato
Fui me especializando dentro da voando. Foi um furo absoluto. Tive
política, passava a tarde na Câmara, a sensação de que aquilo tinha sido
ia ao Senado de vez em quando (a feito para mim (risos).
capital do Brasil ainda era no Rio
de Janeiro/RJ), visitava a sede de BV — De alguma forma os pro-
partidos e ministros, rodava o dia fissionais com quem conviveu
inteiro e, de noite, ficava a correria contribuíram para o êxito do seu
para escrever as matérias. Cheguei trabalho.
a trabalhar em três jornais. Villas-Bôas — Acho que sim,
porque, como eu era amigo do
BV — Alguma história curiosa Odylo Costa, filho, uma figura
desse período? maravilhosa, grande escritor e
Villas-Bôas — Criei os “Co- poeta, para onde ele ia me levava.
mandos Parlamentares” de O Para o Diário de Notícias, para o
Dia, o que era isso? Pegávamos Estado de S.Paulo. (...) A repor-
três deputados, um senador de tagem política recomeçou com a
vez em quando. Encontrávamos queda do Estado Novo. Foi aquele
como capital
“O Rio de Janeiro, com eles às quartas-feiras no O estouro, aquela embriaguez da
ngresso Dia — que ficava na avenida liberdade, que pegou os jornais
política, tinha um Co Marechal Floriano; ali havia um desprevenidos. Não havia quadros
e atuante,
extremamente vivo carro de reportagem e o Aquiles para cobrir a política, eles foram
s. Foi a
com grandes figura Camacho, um grande fotógrafo, sendo preenchidos com a turma
atória. que nos acompanhava. Só na antiga, que vinha da República
época de ouro da or porta do jornal os deputados Velha, Prudente de Morais, neto;
ores
Convivi com os mai eram informados aonde iriam. Osvaldo Costa e poucos mais; o
Carlos
oradores do século:
Virávamos o Rio de cabeça resto foi improvisando. O Rio de
para baixo. Íamos a todo tipo Janeiro, como capital política, tinha
rinos.”
Lacerda e Affonso A de lugar, mas procurávamos os um Congresso extremamente vivo
temas populares, as favelas. Os e atuante, com grandes figuras. Foi
“Comandos” ficaram popularíssi- a época de ouro da oratória. Con-
e assim foi. Para minha surpresa, mos, e eu recebia muitas denúncias. vivi com os maiores oradores do
o general aceitou aquela denúncia Estava na redação quando alguém século: Carlos Lacerda e Affonso
contra o seu colega de ministério, me telefona com uma voz meio Arinos. O presidente da República
sem piscar um olho, e prometeu abafada e diz: “Villas-Bôas, estou atuava politicamente dentro do
levar a denúncia ao presidente Du­ aqui na penitenciária de Bangu; Congresso por meio de sua lide-
tra. No dia seguinte, o assunto foi hoje no jantar vamos fazer uma rança. O jogo político, de fato, era
manchete do A Notícia. O assunto revolta”. Então falei: “Agüenta aí, travado dentro do Congresso, da
teve repercussão no Congresso estou indo para o local”. Corri até Câmara.
Nacional, e isso me consolidou a Câmara e chamei dois deputados,
logo como repórter político. o Breno da Silveira e o Tenório BV — Este ano se comemoram os

22 | BOA VONTADE
100 anos da ABI e 200 da imprensa BV — O senhor fala da família de Ao término da entrevista, Villas-
no Brasil... forma apaixonada. Esse convívio Bôas, que vem acompanhando o tra-
Villas-Bôas — Tenho absoluta foi importante para sua condição balho da LBV há décadas, registrou:
imparcialidade em avaliar isso. O intelectual, cultural e moral? “Tenho uma relação muito longa
Maurício Azêdo trabalhou comigo Villas-Bôas — Em geral, o jor- com a LBV, desde Zarur. Tinha
no Estado de S. Paulo, tivemos lá nalista da minha geração cultivava as referências mais elogiosas do
nossas divergências, mas considero muito a vida familiar. Quase sem Osório Borba, um pernambucano
absolutamente exemplar a admi- exceção, tiveram um casamento ranheta, grande jornalista e escri-
nistração dele. Ele não está só re- só. Essa fase de Brasília eu não pe- tor, que tinha a informação de que o
cuperando a Casa, o prédio, como guei, não quis ir para lá. Recebi um Zarur era um homem absolutamen-
também está movimentando todos convite absolutamente irresistível, te honrado, desprendido, que vivia
os setores. Tem sabido respeitar o para dirigir a sucursal do Jornal distribuindo a Sopa dos Pobres. O
contraditório. Na ABI, de vez em do Brasil em Brasília, mas não fui presidente atual, o dr. Paiva Netto,
quando, há palestras de pessoas que porque era difícil deslocar a famí- é sempre muito cordial comigo... eu
levam um pensamento inteiramen- lia, os meninos estavam estudando, o encontrei pessoalmente algumas
te diferente do que é predominante ia atrapalhar a vida deles. Trabalhei vezes. Um dia, ele me convidou a
na Casa; isso é perfeito. Acho uma sempre nesse ritmo; há pouco ir a Brasília (para uma visita ao
administração fantástica. Ele vai tempo é que se deixou de ter essa Templo da Boa Vontade), lá estive
dar o maior brilho possível a esse relação. Hoje, você entra em uma e fui muito bem recebido. Se não
centenário da Associação Brasilei- redação e tem a impressão de estar sou um crente de nenhuma reli-
ra de Imprensa. em uma espécie de maternidade: gião, também não sou um desafeto.
todo mundo em frente da televisão Contribuo, modestamente, com a
BV — O senhor chega aos 84 vendo aquilo, ninguém conversa. Legião da Boa Vontade há muitos
anos com boa memória e saúde. Para mandar um recado, em vez e muitos anos, e é o único lugar
Qual o segredo para manter-se de falar com o colega ao lado, em que colaboro financeiramente.
bem? passa pelo computador. O negócio Apenas ajudo a LBV porque merece
Villas-Bôas — Reflete um é muito mecanizado. a minha confiança”.
preço meio grande porque nunca
fui boêmio, não tive tempo. Casei
muito moço. O Marcos nasceu
nove meses depois e, Marcelo,
um ano depois. De repente estava
eu com mulher e dois filhos, mo-
rando na casa do sogro. Embora
tenha sido bem tratado lá, estava
louco para ter minha casa. Então,
trabalhava demais. Como é que
seria boêmio se saía de casa às sete
da manhã, voltava para almoçar
e emendava até as duas, três da
manhã? Quando Getúlio morreu,
passei 48 horas na redação sem
sair; só pude dar um pulo em casa
para tomar um banho, trocar a BASTIDORES Equipe da Super Rede Boa Vontade de Comunicação prepara o
ambiente para gravar a entrevista, na sala da residência do jornalista, na zona
roupa, fazer a barba. sul do Rio.

BOA VONTADE | 23
Samba & História
Altay Veloso

Cidadão do
mundo
Altay Veloso conta como a infância na LBV o ensinou a
respeitar as diferenças
Hilton Abi-Hihan
especial para a BOA VONTADE

A
reportagem do programa Samba & História esteve no
bairro de Porto das Pedras, São Gonçalo, município do
Rio de Janeiro, para conversar com uma figura desta-
cada da música brasileira: o cantor e compositor Altay
Veloso. O artista abriu as portas da casa e do coração para
contar um pouco da trajetória de vida. Destacou a infância
e juventude como épocas marcantes na formação do caráter
e de sua abrangente visão de mundo.
Autor de mais de 450 músicas, muitas delas de bastante su-
cesso, Altay mantém a forma simples de ser do início de carreira.
Mora no mesmo bairro onde nasceu e escolheu para constituir
família e criar os filhos, Saul, Saulo, Bárbara e Gibran. Du-
bre
u rante a conversa, relembrou como a convivência com pessoas
eA
Ric
kd especiais o influenciaram e quando surgiu a oportunidade de ser
compositor: “A primeira gravação na verdade foi com a Wan-
derléa, um disco produzido pelo Egberto Gismonti; ali
aconteceu o pontapé inicial”.
Depois, as canções de Altay ganharam realce
nas vozes de Roberto Carlos (Dito e Feito),
Elba Ramalho (Nascido em 22 de abril),
Emílio Santiago (40 anos), Vanusa, Ale­
xandre Pires, Leny Andrade, Alcione e
dos grupos de samba Só pra Contrariar,
Negritude Júnior, Soweto e Exaltasamba.
Como cantor, lançou cinco discos, a
exemplo de Avatar (1983) e Nascido
em 22 de abril (1995).
Enquanto toda a vida profis-
sional ia desenrolando-se, um

24 | BOA VONTADE
Cristiane Moraes
DUAS ÉPOCAS
O pequeno Altay
entre os pais
Izolina e Aguilar;
ao lado o registro
dele em sua
Altay Veloso recebe em sua residência o ra- primeira comunhão.
dialista, jornalista e apresentador do progra-
ma Samba & História*, Hilton Abi-Rihan, da
Boa Vontade TV e da Super RBV.

sonho de mais de vinte anos era que mais tarde se transformaria em


acalentado por Altay: a montagem CD e DVD. O trabalho foi gravado
de um superprojeto sobre Jesus, a por nomes importantes da nossa

Fotos: Arquivo pessoal


quem aprendeu a amar ainda bem música, como Elba Ramalho, Jor­
pequeno com a saudosa avó Rosa­ ge Vercilo, Jorge Aragão, Fafá
lina, Legionária da Boa Vontade. A de Belém, Ivan Lins, Margareth
primeira música do futuro trabalho, Menezes, Sandra de Sá, Lenine,
Jerusalém, foi composta ainda aos Lucinha Lins, Bibi Ferreira,
21 anos de idade. Pouco tempo entre outros.
depois, viriam O louco e Gólgota. A obra conta a história de Ogun­
A idéia de escrever sobre a saga de dana, um africano nascido há dois
um africano de Daomé, que se en- milênios, em Ifé, que aos 12 anos
contra com o Cristo e se apaixona foge de sua aldeia e viaja por várias “Dona Rosalina (...) me
pelos ensinamentos Dele, foi passo nações do norte da África até que
a passo tomando corpo, entre uma encontra um centurião romano levou para a LBV ainda
e outra interrupção forçada. Mas e dele se torna amigo, seguindo molequinho, menininho,
apenas quando completou 40 anos ambos para Roma. Graças aos
é que o artista conseguiu concreti- conhecimentos medicinais, herda-
e isso foi extremamente
zar a história. dos de sábios de sua tribo, e outros importante para a minha
Com recursos próprios, viajou aprendidos durante a viagem, passa vida; ajudou a forjar o meu
em 2000 para Israel (por duas ve- a cuidar do Exército romano e
zes), ao território de Ifé, na Nigéria, segue com a tropa para Cesaréia. espírito, a ser ecumênico,
além de Angola e Bahia, onde re- Posteriormente chega à Galiléia, a ter uma relação mais
colheu os últimos detalhes do livro onde conhece o Cristo.
fraterna com o próximo, com
Ogundana, o Alabê de Jerusalém, O compositor explica que o
as diferenças. Eu fui vendo
* Programa Samba & História — Na Super Rede Boa Vontade de Rádio (Super RBV), você pode acompanhar que Deus se manifesta de
essas entrevistas aos domingos, às 14 e 20 horas. Pela Boa Vontade TV (canal 27 da SKY), o telespectador pode
conferi-las aos sábados, às 14 e 21 horas. Outra opção é aos domingos, às 5, 14 e 23 horas. Pela Rede Mundial de formas diferentes.”
Televisão, assista ao bate-papo aos sábados, às 18 horas; aos domingos, às 18 horas e segunda-feira, às 22 horas.

BOA VONTADE | 25
Samba & História

Ricardo Martins/Divulgação Rede Globo


a dos
March de Deus
o l d a d inhos
S
omes
tra: S ylvio G
Música/Le nós,
D e u s somos
e
inhos d
Soldad lo Bem! voz
p e , eis a
A lutar hos, em coro e já vem!
jin qu
Dos An ndo Jesus,
n u n c ia
Pre
sus!
Meu Je hor!
en Altay Veloso é entrevistado por Jô Soares, em agosto de 2007. Na ocasião,
Meu S !
uz
Linda L or! s recordou-se de passagens marcantes de sua vida e da música Marcha dos
e A m os Teu
Do c
s b r a ç os para Soldadinhos de Deus (letra ao lado), que conheceu aos 7 anos de idade, ao
Abre o hos de Deus !
in freqüentar a LBV, incentivado pela avó Rosalina.
Soldad

título — inspirado em várias he- Infância marcante como


ranças culturais (cristã, judaica e Soldadinho de Deus
muçulmana)­ — é fruto da experiên­ No bate-papo com Altay ficou
cia familiar: a mãe, Izolina, sacer- evidente também a preocupação
dotisa de cultos africanos, o pai, com as novas gerações. Para ele, a in-
Aguilar, um jongueiro do Espírito fância é um momento especial.“Foi
Santo, e uma avó muito querida. a fase mais importante da vida, a
“Dona Rosalina deve estar muito que mais lembro, a que tenho mais
feliz de eu participar de um pro- afeto”, recorda-se. A principal lem-
grama da Legião da Boa Vontade, brança dele é a partir dos 7 anos de
foi ela quem me levou para a LBV idade, em que ao lado de dona Ro-
Arquivo pessoal

ainda molequinho, menininho, e salina começou a freqüentar a LBV


isso foi extremamente importante e tornou-se um Soldadinho de Deus,
para a minha vida; ajudou a forjar como são carinhosamente chamadas
o meu espírito, a ser ecumênico, a as crianças na Instituição:“Eu tenho
ter uma relação mais fraterna com um afeto especial por Alziro Zarur,
o próximo, com as diferenças. Eu pela proposta ecumênica da LBV.
fui vendo que Deus se manifesta de Até hoje a voz dele soa na minha
formas diferentes.” alma, realmente foi inspiradíssimo.
Em maio de 2007, Altay con- Que bom que o professor Paiva
seguiu concretizar finalmente o Netto continua esse belo trabalho”.
projeto, levando a ópera Alabê de Na oportunidade, ao receber de
Jerusalém aos palcos do Canecão presente um CD com a composição
e do Theatro Municipal do Rio de Marcha dos Soldadinhos de Deus,
Janeiro, reunindo 70 artistas em o cantor se emocionou muito e co-
uma megaprodução. O músico meçou a cantarolar a música (leia
disse que busca patrocinadores a letra da canção ao lado), para ele,
Altay Veloso e sua esposa, Celinha, em impossível de esquecer.
para uma nova montagem da ópera.
Jerusalém.

26 | BOA VONTADE
É também na infância, como maravilhoso, marxista, ateu, da- relevante do que já foi, porque
Soldadinho de Deus, que ele des- queles que amam o próximo de tal hoje a gente precisa muito desse
cobre o valor de figuras notáveis forma que, mesmo não acreditando sentimento ecumênico”, ressalta.
da Humanidade, Seres Humanos em Deus, como dizia, estava pronto E acrescenta: “Se as crianças
que trabalharam para que o Pla- para ajudar o semelhante”. tiverem acesso a essa diversidade
neta hoje pudesse ser um pouco O médico chamou o garoto humana, serão muito melhores, te-
mais fraterno. Isso há quase 50 para lecionar na escolinha que a rão mais chance de ser felizes”.
anos: “Nessa época não havia avó montou. “O pessoal me cha- Para o artista, ali está o retrato
uma literatura vasta, principal- mava de professor, tínhamos 80 do Brasil futuro, que pode influen-
mente morando em São Gonçalo, alunos e isso foi possível por conta ciar o restante do Planeta. “Aqui
mas o que eu li sobre Gandhi na da LBV, que juntou todas essas árabes e judeus vivem próximos
antiga revista BOA VONTADE foi coisas na minha vida.” Foi mais uns dos outros. Há alguma coisa
o bastante para que eu o amasse ou menos nessa época que desco- de especial neste chão, neste ter-
e tentasse me inspirar a partir briu a vocação musical e aprendeu ritório, nesta aura brasileira que
de um sentimento de um homem a tocar violão e acordeão. o mundo aos poucos saberá.”
como ele”. Tantos anos depois, Altay Velo- Por fim, Altay não se esquece
Da avó, recorda-se que era so guarda todos aqueles sublimes de dizer que costuma assistir ao
uma voluntária ativa nos progra- sentimentos que conhecera quan- Programa Boa Vontade, com
mas socioeducacionais da LBV do criança. Diz que recentemente Paiva Netto*²: “O meu abraço
— “daquelas que faziam sopa sentiu-se muito feliz ao visitar o ao Paiva Netto, minha gratidão
aos sábados*¹” — e, apesar de conjunto educacional da LBV na por ter continuado, de forma tão
ser analfabeta, valorizava muito o capital paulista, no qual são aten- bonita, essa Inspiração Divina,
estudo.“Tanto é que, quando ela didos mais de 1.200 alunos. “Vi começada por Alziro Zarur. Que
pôde, fez dentro da casa dela uma meninos e meninas sendo tratados Deus lhe dê muita força e luz,
escola para alfabetizar os meninos com carinho. E a contribuição da para que possa levar à frente esse
da vizinhança, que se chamava LBV nos dias atuais pode ser mais trabalho”.
Escola São Francisco de Assis, o
Patrono da LBV. Aprendi a gostar

Fotos: Divulgação
de São Francisco, conheço todas
as orações dele.”
Nas reuniões da Institui-
ção, o cantor fez um grande
amigo, o psiquiatra José Eu­
gênio: “Ele era da Legião
da Boa Vontade, um sujeito

*¹ Dos primórdios da LBV — Referência à


famosa “Sopa dos Pobres”, também conhecida
como a “Sopa do Zarur”, iniciativa que resultou na
criação do Programa Ronda da Caridade, uma ativi-
dade permanente da LBV contra a fome.
 
*²O Programa Boa Vontade, com Paiva Netto, vai ao
ar pela TV Bandeirantes, no início da madrugada, de
segunda a sexta-feira, após o A Noite é uma Super
Criança, do apresentador e amigo da Legião da Boa
Vontade Otávio Mesquita. Você pode assistir tam- HERANÇAS CULTURAIS Cenas do espetáculo Alabê de Jerusalém, assinado por
bém pelo canal 27 da SKY, pela Boa Vontade TV. Altay e sucesso nos palcos do Canecão e do Theatro Municipal do Rio.

BOA VONTADE | 27
Perfil
Myltainho

Alma de editor
Caminhos que o jornalista
Mylton Severiano percorreu
para consolidar-se como um dos
grandes nomes da comunicação
Izilda França

brasileira

gênese de repórter
28 | BOA VONTADE
P
elas contas do veterano jor- “Tive a sorte

Arquivo pessoal
nalista Mylton Severiano,
editor-executivo da revista
de ter pais
Caros Amigos, sua trajetória maravilhosos.
na profissão começou, literalmen- Meu pai, Bernardo
te, a ser redigida em 10 de setem-
bro de 1940, então data dedicada Severiano da Silva,
à Imprensa. O próprio Myltainho é o meu herói.” 1
diz que desde o nascimento isso
1- Myltainho entre os pais, Bernardo e Ju-
“estava escrito”. Aliado a este 2 lieta, e a irmã Iracema, no colo da mãe.
fator, o incentivo a boas leituras, 2- Moisés Baumstein (E), Myltainho e Ha-
vindo do pai, o alagoano Bernar­ milton Almeida Filho (D), na redação da
do Severiano da Silva, foi aos revista Extra-Realidade Brasileira.
poucos burilando na mente do 3- Revista Realidade, em 1969. Sentado,
em destaque, no centro da mesa, Paulo
jovem Myltainho uma consciên­
Mendonça, então diretor da revista. No
cia crítica e intelectual. Tanto que sentido horário, os novos jornalistas da
o faro pela reportagem é aguçado Rea­lidade, Luís Fernando Mercadante,

Arquivo pessoal
desde tenra idade — seu primeiro José Carlos Marão, Mylton Severiano, Luís
texto fora publicado antes mesmo Fontes, Jean Solari, David Zingg e Jaime
Figuerola.
de completar uma década de vida.

Arquivo pessoal
Aos 12 anos, fez um poema sobre 3
o Dia das Mães para o Correio
de Marília. No colégio, tocava o
jornal do grêmio, ao lado do amigo
de infância Woile Guimarães,
também jornalista, dono da GW
Produções.
No entanto, apesar de esse
repertório conspirar a favor do
jornalismo, o contato com a pro-
fissão surgiu da necessidade de
auto-sustento. Logo quando che-
gou à capital paulista, vindo de
Marília/SP, em janeiro de 1960,
ingressou na faculdade de Direito, Ao ceder esta imagem, o ilustre Woile
Arquivo pessoal

mas largou o curso no terceiro Guimarães mandou singela dedicatória


ano para trabalhar. Nesta entre- ao amigo em que relembra: “Em
Marília, encontrei com Monteiro
vista, ele fala desses e de outros
Lobato, na coleção do Myltainho.
assuntos, bem como dos planos. Lá, seguramente, desenvolvi, com as
Também destacou sua admi­ração leituras, meu pendor pelas letras, pelo
pela Legião da Boa Vontade e português, que o Myltainho sabe de
pelo seu diretor-presidente, José trás pra frente e da frente pra trás. Não
só a ortografia, a gramática, mas pela
de Paiva Netto, com quem teve
mágica que ele faz com as letras, com
oportunidade de realizar uma de sua cultura e sensibilidade política e
suas reportagens. social”.

BOA VONTADE | 29
Perfil

escrever o que contaram e mostrar


Homenagem ao saudoso

Amancio Chiodi
para a professora. Ele disse: “Não.
Sérgio de Souza Escreva, mas me dê, vou mandar
No fechamento deste número, para o Terra Livre”. Esse era o nome
recebemos a notícia do falecimento de um jornal agrícola, dos campone-
do jornalista Sérgio de Souza, editor ses e pequenos agricultores. Desse
da revista Caros Amigos, publicação modo, publiquei com 8, 9 anos meu
lançada por ele há 11 anos. Serjão, primeiro texto, relatando o que tinha
como era conhecido entre os cole- visto, que eu achava aquilo muito
gas, morreu aos 73 anos, no dia 25 triste. Até então, não vira uma coisa
de março, na capital paulista. Em dedicam as mais sinceras vibra- que tivesse me tocado assim, penso
sua carreira, trabalhou na redação ções de Paz e respeito a esse gran- que ali nasceu o jornalista; a vocação
de grandes jornais brasileiros. Inte- de comunicador, nosso caro amigo. baixou.
grou a equipe que fundou e lançou Esses sentimentos são extensivos
a histórica revista Realidade. também a todos os colegas e fa- BV — E daí trabalhou em vários
A Legião da Boa Vontade e seu miliares, especialmente à esposa, jornais brasileiros, certo?
diretor-presidente, Paiva Netto, Lana Nowikow, e filhos. Myltainho — Trabalhei. Eu vim
a São Paulo fazer curso de Direito,
cheguei a entrar na São Francisco,
BOA VONTADE — Como foi a Como é importante ter pais legais. mas, ao mesmo tempo, procurei em-
infância? Naquela época meu pai gostava prego; precisava trabalhar, meu pai
Myltainho — Eu sou filho de de caçar e, um dia, me levou junto. não tinha condições de me sustentar
um pai e de uma mãe semi-alfa- Fiquei fascinado! Chegamos a uma aqui. Um amigo, Woile Guimarães,
betizados. Tive a sorte de ter pais fazenda que tinha Mata Atlântica e já tinha vindo na frente; a gente
maravilhosos. Meu pai, Bernardo começou a chover muito forte, um era de Marília/SP. Ele é jornalista,
Severiano da Silva, é o meu herói. temporal com raios; a gente saiu empresário de comunicações, já
Minha mãe, Julieta Mazzola da correndo. Encontramos uma cabana estava havia um ano na Folha de
Silva, era cristã; meu pai entrou para onde morava um jovem casal de S.Paulo e me arrumou um lugar lá.
o Partido Comunista. Autodidata, camponeses, muito pobres, com Quando entrei e vi aquela coisa toda,
lia muito, e o maior bem que ele duas crianças, uma de colo, e outra me desencantei do Direito e me
me deu foi me colocar para estudar. pequenina de 2 ou 3 anos. Meu pai já apaixonei na hora por uma redação.
É a minha gênese. Quando tinha 5 era candidato a vereador, um sujeito Tinha começado a estudar Direito
anos, me lembro de um primeiro muito falante, simpático. Ele pediu pela inércia e também porque meu
presente que ele me deu, muito ins- licença ao casal para olhar no fogão pai queria. Em seguida, em 1964,
tigante. Era uma caixa, com cubos de lenha o que tinham para comer. com o golpe militar, o meu pai foi
de madeira, que deve existir até No caldeirão só havia feijão e ele me preso e aí tive o álibi para abandonar
hoje. Cada face do cubo tem uma mostrou: “Filho, olha aqui o que a faculdade e mergulhar de sola no
letra para você se alfabetizar. Logo eles vão comer”. Virou-se para eles jornalismo. Eu precisava segurar
depois, começou a me dar livros. e perguntou o que mais comeriam. as pontas da família e então fui em-
Assim eu comecei a ler. “Farinha, senhor”, responderam. bora. Trabalhei em vários canais de
Quando parou de chover, e a gente ia TV e em muitos veículos, como o
BV — Nessa época você já sonha- embora, meu pai entrevistou os dois, Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde,
va em fazer comunicação? O que perguntou quanto ganhavam, de uma porção deles.
o despertou? onde vieram, enfim... foi o jornalista.
Myltainho — Estava escrito! No caminho de volta, eu falei que ia BV — Quem você destaca como

30 | BOA VONTADE
Fotos: Arquivo BV

ENTREVISTA DE CAMPO
Fachada da unidade
educacional da LBV, na zona
norte do Rio, onde Myltainho
entrevistou o dirigente da
Instituição.

Ivan Souza
O jornalista Myltainho com seu colega de
profissão Paiva Netto, durante visita ao Centro
Educacional, Cultural e Comunitário da LBV
em Del Castilho, Rio de Janeiro/RJ, em 2000.
Recordando-se carinhosamente da data,
mandou um recado: “Um grande abraço ao
Paiva Netto e a todos os colaboradores da
LBV. Eu os trago no coração”.

nácio de Loyola
“Nessa entrevista com o Paiva
Rafael Rezende

Roberta Assis

Arquivo pessoal

Brandão, José
Carlos Marão, Netto fui, mais uma vez, um
Hamilton Almei­ repórter bissexto, pois não era a
da Filho, enfim,
cada um ensinou minha praia. Mas o que eu senti
José Hamilton Ribeiro Ignácio de Loyola Brandão Hamilton Almeida Filho
alguma coisa, e naquele dia na LBV foi muita
fundamental na sua formação você também ensina para eles. emoção. Criança me emociona
dentro do jornalismo?
Myltainho — No começo, o BV — Quais reportagens mais o
muito. E eu vi aquelas crianças
meu pai. Depois que ele foi solto, marcaram? se alimentando e sendo bem
ficou meio aperreado, como ele dizia, Myltainho — Praticamente
tratadas. Aquilo me embargou
chateado. Logo sentiu que aquilo era tudo o que fazia o José Hamilton
uma paixão para mim, então enten- sempre foi muito bom, desde a a voz em alguns momentos.
deu e me deu todo o apoio. Depois revista Realidade. Na televisão, Foi uma das entrevistas de
dele, grandes amigos, verdadeiros me lembro de uma reportagem no
campo que fiz que mais me
mestres, o Paulo Patarra, que foi programa Globo Rural, no qual ele
o diretor de redação da revista Rea­ está até hoje. Nela, mostrava, para emocionaram, sem dúvida. Não
lidade, e o Sérgio de Souza, meu a gente da cidade, como na roça as teve outro trabalho que me
professor de texto. Ele me ensinou pessoas dão um jeito para as coisas
praticamente tudo: a aper- que para nós, urbanos, não trazem emocionasse tanto.”
feiçoar a ideologia, o jor- preo­cupação como, por
Amancio Chiodi

nalismo a serviço do Povo, exemplo, mandar uma manhã buscar o leite e depois volta,
do mais fraco, na defesa carta. A gente a põe no recolhendo aqueles latões na porta
das causas populares. Esses correio e fim de papo. Só da fazenda. Aí, ele aproveita para
são os principais. Aí tem o que na reportagem ele levar cartas, bilhetes, encomendas,
convívio com colegas como mostra um sujeito na roça o sapato que o pai manda para um
José Hamilton Ribeiro, Ig­ Paulo Patarra que vai com o caminhão de filho. É bonito isso, sabe? Na última

BOA VONTADE | 31
Daniel Trevisan
Perfil

Arquivo pessoal
CAROS AMIGOS Myltainho, ao centro, com sua equipe de redação, na Editora
Casa Amarela. Da esquerda para a direita, Mariana, Natália, Letícia, Wagner,
Camila, Léo, Thiago, Mariana, Michaella.

fazenda em que ele en- BV — Quais são os planos?


Amancio Chiodi

tra, para encerrar, há um Myltainho — No momento, me


cara com um papagaio, preparo para escrever um livro sobre
em cima da árvore, que a revista Realidade. Já entrevistei o DOM MUSICAL Longe das redações,
canta um monte de mú- José Hamilton e mais umas 18, 19 Myltainho revela o perfil de músico,
como se vê na foto tocando piano.
Carlos Azevedo
sica, e o José Hamilton pessoas que estiveram lá. De uns
Incentivado pelo pai, estudou acordeão
termina a reportagem anos para cá, o Hamilton e eu, da durante seis anos, no Conservatório
com o pássaro cantando. Acho Caros Amigos, somos procurados Musical Santa Cecília, de Marília/SP.
aquilo uma obra-prima. No jorna- anualmente por meia dúzia de estu-
lismo escrito, na revista Realidade, dantes que farão seu TCC (trabalho Lobato. Não é curioso isso? E era
praticamente tudo era muito bom, de conclusão de curso) sobre a tudo gente de classe média, média
porque havia grandes repórteres. Realidade. Mas que história é essa? mesmo, de pobre para remediado,
O Carlos Azevedo fez uma repor- Uma revista que há quase 50 anos como se diz. É uma história interes-
tagem que considero uma pequena continua sendo motivo de trabalhos! sante de contar. Esse é um projeto
obra-prima: “Os maridos assassinos Os guris vêm entusiasmados quan- que estou tocando ali na paralela,
de Minas Gerais”, em 1980. Houve do o professor tem um exemplar vou começar a pôr no papel.
uma epidemia de maridos matan- ou fala da revista. Eles vão lá no
do mulheres em Minas, desde os arquivo e descobrem. Falei que ia BV — Por falar em emoção, você
pobres até a classe alta. Um desses escrever a história da revista de um a considera importante no jor-
casos o Azevedo foi fazer em Belo jeito emocional, como tudo que nalismo?
Horizonte. Essa reportagem, como gosto de fazer, com emoção. Estou Myltainho — Acho que o
texto jornalístico-literário, cito como entrevistando ex-colegas meus, não jornalismo existe para informar, di-
uma obra-prima. Eu não fui muito só querendo saber o ponto de vista vertir e emocionar também, por que
repórter, mas fiz algo que me agra- profissional, mas também a história não? Uma boa história com uma
dou na revista: um trabalho sobre de cada um, como é que chegaram boa carga de emoção, só de colo-
os 50 anos da Revolução lá; e tenho descoberto coi- cá-la no ar, na televisão, no rádio
Divulgação

Russa; eu me abeberei em sas gostosas. Alguns pon- ou no papel, se você transmiti-la


alguns livros lá e escrevi tos comuns dessa turma é fielmente, transmitirá emoção. Não
um pequeno ensaio sobre que eram autodidatas, gos- que você vá se derramar e cometer
o assunto, e até hoje tem tavam muito de ler; desde pieguice. A Humanidade precisa
gente que se lembra daque- a infância quase todos co- disso, a gente precisa de emoção,
le trabalho. Monteiro Lobato meçaram lendo Monteiro de poesia. [N. L. e R. O.]

32 | BOA VONTADE
Utilidade pública
Na época das chuvas, fique atento a essa doença

Dengue
vilã da saúde pública Jully Anne

S
egundo balanço do Minis- baixo, os pés e tornozelos são os do paladar e do apetite; manchas
tério da Saúde, em 2007, principais alvos. Como a picada e erupções na pele, semelhantes
foram registrados 559,9 é anestésica, a dor torna-se im- ao sarampo; náuseas, vômitos e
mil casos de dengue no perceptível; casas e terrenos são tonturas; extremo cansaço, dores
Brasil, 1,5 mil casos confirma- os principais abrigos do inseto nos ossos e articulações, que
dos de febre hemorrágica e 158 (95% deles). causam moleza no corpo.
mortes por dengue hemorrágica. Para combater a dengue, é ne-
O que elevou o número de no- cessário manter quintais sempre
tificações, no ano passado, em limpos, não acumular entulho,
cerca de 200 mil casos da doença verificar se não há água parada, Repercussão
em relação a 2006. Dados da separar e enviar para a reciclagem O diretor de Saúde Ambiental da
Organização Mundial de Saúde garrafas PET que não serão utili- Secretaria de Saúde de Londrina/PR,
(OMS), envolvendo 100 países, zadas, manter baldes de boca para Maurício Barros, em recente pa-
dão conta de que dezenas de baixo. Além disso, deve-se retirar lestra sobre o combate à dengue,
milhares de pessoas são afetadas a água da bandeja da geladeira; as agradeceu à LBV e à BOA VON-
anualmente pela dengue: em caixas d’água precisam estar bem TADE o apoio à conscientização da
média, 550 mil necessitam de fechadas, assim como as lixeiras; doença. O diretor destacou a página
hospitalização e 20 mil morrem. e lavar diariamente as vasilhas de Walter Periotto, publicada na
O Aedes aegypti, nome científi- com água destinadas aos animais edição no 220 da revista: “O controle
co do mosquito que se tornou o domésticos. e o combate à dengue se dão pela
grande vilão da saúde pública, Sintomas — Em casos de participação efetiva das pessoas, e
por ser o agente transmissor da suspeita de dengue é aconselhá- a LBV tem sido fundamental nesse
doença, tem sido o alvo principal vel procurar imediatamente o trabalho em Londrina. É parceira
do Programa Nacional de Con- serviço de saúde. Após a picada, essencial. Deixo o convite a outras
trole da Dengue, por meio de os sintomas começam a manifes- instituições para que sigam este
campanhas efetivas de combate tar-se no terceiro dia. Depois do exemplo. Para combater a dengue,
à proliferação do inseto. período denominado incubação, você e a água não podem ficar pa-
É fundamental eliminar os começam a surgir os seguintes rados. Vejam todos esta belíssima
criadouros do mosquito que sintomas: forte dor de cabeça; matéria da BOA VONTADE: ‘Todos
ataca, geralmente, pela manhã dor atrás dos olhos, que piora contra a dengue’”.
e ao entardecer. Por voarem com o movimento deles; perda

BOA VONTADE | 33
Teatro
Marcos Caruso

a paixão
Em cena

pelo teatro
H
á três décadas e meia a dra- fevereiro de 1952, completa em ouve-se isso. (...) Todas as mídias
maturgia brasileira desfruta maio 35 anos de carreira e não foram interferindo nos espetáculos
o talento do ator e roteirista esconde que continua apaixonado teatrais, mas nada disso atrapalha,
paulistano Marcos Caruso. pelo teatro. porque esta é a arte mais pura, a
Nesta entrevista à BOA VONTA- A primeira experiência no palco arte do imponderável.”
DE, ele fala de sua trajetória em veio na infância. Desde criança, o Em 21 de março, volta em
diferentes palcos (teatro, cinema, autor de comédias de grande suces- cartaz a peça que Caruso escreveu
TV) e dos desafios na profissão. so de público e crítica ouve falar do com Jandira Martini, em 1986,
Um dos maiores talentos de sua destino de infortúnio que teria o tea­ Sua Excelência, o Candidato, em
geração, ele também compartilha tro. Ele garante, com propriedade, São Paulo/SP.
com o leitor sua visão sobre a arte que essa milenar expressão artística Entre outras coisas, Caruso lem-
de representar. Nascido em 22 de não vai acabar. “Há dois mil anos brou seus ídolos e contou o que
aprendeu na carreira, além de deixar
Elenco da comédia Operação registrado seu carinho pela Legião
Abafa, com direção de Caru-
da Boa Vontade. “Para-
so e da atriz Jandira Martini
(centro) (1). O ator com Ma- 3 béns, LBV, pelo que faz. Eu
rília Pêra (2) e Vera Holtz acompanho esse trabalho
On-line

(3), que o ajudaram a há muito tempo e assino


o/Teatro

construir sólida carreira embaixo tudo o que vocês


também na televisão.
ivulgaçã

1 têm realizado na LBV.”


Fotos: D

2
BOA VONTADE — Quando
nasceu o interesse pela
profissão de ator?
Marcos Caruso — Eu ia
muito ao teatro infantil. Minha tia- Em 1972, na faculdade, entrei tral, um papel na TV e um roteiro
avó me levava, e isso sempre foi um para o Centro Acadêmico 11 de que acaba de virar filme. Como é
grande estímulo para que eu desco- Agosto, um teatro muito impor- lidar com tudo isso?
brisse o meu talento. Aos 7 anos, tante na época. Em plena ditadura Caruso — Sempre trabalho com
enquanto os fregueses esperavam militar se fazia um teatro político muitas coisas ao mesmo tempo.
para provar as roupas que a minha da maior importância. A partir daí Sempre assim, nunca tive menos
avó fazia, eu usava os retalhos da fui chamado para participar de um de dois ou três trabalhos concomi-
costura para fantoches e apresen- espetáculo profissional e, em 1973, tantemente. A peça Trair e Coçar
tava algumas peças que inventava me profissionalizei como ator. é só Começar está há 21 anos em
à mesa da sala de jantar. Ajoelhava cartaz (recorde registrado pelo
no chão, punha uma toalha e fingia BV — Certa vez, você disse: “O Guiness Book) e continua sendo
que aquilo era um palco. Começou mais importante é fazer com que
ali a minha carreira, digamos assim, o sucesso não alimente a vaidade,
amadora. Mas o talento espontâneo mas a responsabilidade”. Por
de ator, autor e diretor já aparecia: quê?
eu inventava, dirigia e interpretava Caruso — Quando você
ao mesmo tempo. (...) Ganhei a pri- faz sucesso, é aplaudido, bem
meira marionete aos 7 anos, que era criticado, elogiado, ou seja, é
da minha mãe. Ela faleceu quando acarinhado pelo público, pela
nasci. Isso instigou em mim a von- crítica e pelos colegas. Tudo isso
tade de me tornar um manipulador faz bem à nossa vaidade, somos
de ilusões, assim dizendo. Seres Humanos. Só que, quanto
mais alimentamos isso, ficamos
BV — Você se formou em Direito. menos responsáveis. (...) Fico muito
Tinha a intenção de seguir car- feliz com os aplausos, mas quanto
reira? mais elogios recebo, mais respon-
Caruso — Não. Desde os 12 ou sável eu tenho de me tornar, pois
13 anos eu já sabia o que queria: isso significa que o público gosta
ser ator. Meu pai, com toda a razão, do que eu faço. O teatro é mais
achou que a profissão de artista era do que uma profissão para
muito dura e cheia de percalços. mim, é uma opção. Se optei
Então ele me disse: “Você pode por fazer com que o meu
seguir o que quiser, mas se tiver semelhante se divirta, se
uma faculdade, um diploma ou um emocione e reflita na sua
curso em que possa se apegar nos realidade com o meu tra-
momentos mais difíceis da incons- balho, então ele tem de
tância da profissão, será bom”. ser mais do que uma
E optei pela advocacia. Achei profissão.
que, em última análise, poderia
ser um advogado de tribunal, de BV — Atualmen-
júri. Graças a Deus, não precisei te você está
exercer a profissão, que considero envolvido em
lindíssima, mas não tenho talento muitos pro-
algum para ela. Já no ginásio fun- jetos: uma
dei grupos de teatro com colegas. peça tea­
s
de
rnan
Fe
dré

35
An

BOA VONTADE |
Teatro

apresentada; temos obtido grande e a televisão é uma indústria. Por exagerado, falava alto demais, o
sucesso, principalmente porque se isso, não há a chance de errar tipo de interpretação não servia
trata de comédia. Os meus espe- muito. No teatro é mais prazeroso ao veículo, mas eu fui aprendendo
táculos sempre divertem muito, o o trabalho do ator, dá para repetir com o passar dos anos e hoje eu
público gosta de rir. Por outro lado, durante 30 meses ou 30 anos, você ainda vou para a televisão cheio
acho que fazemos uma comédia que exercita, em um mesmo persona- de preocupações.
tem a intenção de colocar o dedo na gem, todas as possibilidades que
ferida de problemas políticos, sociais ele é capaz de lhe dar. Existe essa BV — Quem contribuiu para o seu
e econômicos do País, isso faz com liberdade. A televisão se fecha às aprendizado na televisão?
que a platéia também se identifique possibilidades de espaço, quer di- Caruso — Ainda estou apren-
muito com os nossos temas. zer, você tem de representar para dendo e tenho muito a aprender
uma câmera, os seus gestos são com as pessoas com quem eu
BV — Com que tipo de ator você menores, você tem de ter um vo- contraceno. Aprendi muito com
não gostou de trabalhar enquanto lume de voz menor. Obviamente Lília Cabral, Regina Duarte,
dirigia, atuava ou roteirizava? são duas coisas completamente Tônia Carrero, Jandira Marti­
Caruso — Eu acho que com distintas. Quando comecei, era ni, Osmar Prado, Marília Pêra
o tipo que vê o trabalho como e tantos outros colegas da maior
André Fernandes

trampolim para o sucesso pessoal, credibilidade e importância. Atual-


como deve acontecer em qualquer mente com jovens também, como
profissão. Aquela pessoa, em qual- a Fernanda Vasconcelos e um
quer área, que vê o trabalho com menino que fez a novela comigo, o
individualidade. Se é um trabalho Max Fercondini. Já aprendi muito
coletivo, seja numa sala de aula, com o Gabriel Kaufman. Ele
escritório, hospital ou palco, é fez meu neto. É uma criança sem
preciso saber que você faz parte nenhum tipo de censura, mas tem
de uma engrenagem, de um todo, uma espontaneidade muito forte e
e tem de contribuir para o coletivo. sinceridade. Não vi nenhum tipo
O pior ator é aquele que não traba- de vício de ator, muleta, nada! Eu
lha para o coletivo. fiquei muito interessado no tipo de
interpretação daquele menininho
BV — Sua experiência no teatro de 5 anos.
é bem maior do que na televisão.
também
Você sentiu alguma diferença em “A função do teatro BV — Quais são seus ídolos?
s duas
está bem descrita na
atuar na frente das câmeras? Caruso — Bom, no teatro eu
Caruso — Bastante. Até hoje. tenho um. Para mim,
esentam,
máscaras que o repr
Divulgação

O teatro é uma repetição diária, o Marco Nanini é um


ia. São
onde você pode errar hoje e acer- a comédia e a tragéd ator completo; canta,
tar amanhã. Na televisão, não! Se a de fazer dança, representa dra-
você erra hoje, errou para sempre funções importantes: ma, comédia, farsa,
r. Mas existe
e não tem volta. Podem até dizer: rir e a de emociona musical, tem posi-
provocar
“Ah, mas grava-se várias vezes a
uma terceira, que é cionamento político Marco Nanini
mesma cena!” Isso profissional- você junta diante da vida, é um cidadão
mente não é o ideal. O ideal é que a reflexão. Quando consciente; tem personalidade
cumprir
o ator entre em cena, faça uma vez essas três, consegue e, ao mesmo tempo, uma cara
teatro.”
todas as funções do
e passe adiante. Tempo é dinheiro, branca e limpa para receber

36 | BOA VONTADE
qualquer tipo de personagem. Em seu atual trabalho na TV, Caruso
Como autor, tenho alguns ídolos. interpreta o padre Inácio, que
contava com a ajuda do atrapalhado
Sigo sempre os passos do italia-
Nezinho, papel do saudoso ator
no Eduardo de Filippo. Ele foi Luiz Carlos Tourinho (em segundo
ator, autor, cenógrafo, figurinista, plano). Ao seu Espírito eterno as
diretor, músico, palhaço, artista nossas homenagens extensivas a seus
circense de cinema, de rádio, en- familiares e amigos.
fim, é uma pessoa pela qual tenho
profunda admiração.
mais fácil. O mais difícil para mim

Divulgação TV Globo
BV — Na sua opinião, qual seria a é tudo! (risos) Interpretar, encontrar
função da dramaturgia? a medida certa, introjetar, trazer de
Caruso — Acredito que uma dentro de você o humor ou o drama,
das funções mais importantes da a farsa ou a tragédia. Nada é fácil.
m os aplausos,
televisão é formar pessoas e cabe- O dia que eu achar que é fácil inter- “Fico muito feliz co
ogios recebo,
ças, além de informar e divertir. pretar, puser os dois pés nas costas mas quanto mais el
(...) A dramaturgia tem uma res- e fizer isso com facilidade, aí deixa tenho de me
ponsabilidade social muito gran- de existir o prazer em atuar. mais responsável eu
ifica que o
de. Qualquer obra de arte precisa tornar, pois isso sign
e eu faço. O
público gosta do qu
ser responsável, principalmente BV — Em todos esses anos, qual a
quando trata de assuntos como a sua maior emoção no palco?
ro é m ai s do qu e uma profissão
síndrome de Down, o idoso ou a Caruso — Foi com Intimidade teat
ção.”
bulimia, ou quando fala a respeito Indecente, tanto ao lado da Irene para mim, é uma op
de uma situação presente como a Ravache quanto da Vera Holtz.
que eu estou fazendo na peça tea- É uma peça da Leila Assunção
tral Operação Abafa, por exemplo, na qual pude, sem sair de cena, em foram interferindo nos espetáculos
e em tantos outros espetáculos. uma hora e 45 minutos de espetá- teatrais, mas nada disso atrapalha,
A função do teatro também está culo, ir dos 50 aos 90 anos de idade porque esta é a arte mais pura, a
bem descrita nas duas máscaras sem mudar a maquiagem, figurino, arte do imponderável. Você senta-
que o representam, a comédia e a nada. Pude, através do corpo e da se na platéia e pode subir ao palco a
tragédia. São funções importantes: voz, emocionar as pessoas e fazê- qualquer momento, ou saber que o
a de fazer rir e a de emocionar. Mas las rir. Foi um momento muito bo- ator poderá descer também. Só não
existe uma terceira, que é provo- nito da minha carreira, um divisor fazem isso porque existe um acor-
car a reflexão. Quando você junta de águas. do entre palco e platéia: ninguém
essas três, consegue cumprir todas passa daquela linha de luz. Isso é
as funções do teatro. BV — O teatro vai acabar sumindo lindo, você acredita que o que está
em meio a tantas opções novas de sendo feito em cena é uma verda-
BV — O que é mais difícil: comédia lazer e entretenimento? de, sabendo que é uma mentira. O
ou drama? Caruso — Não. Há dois mil ator sabe que está encenando para
Caruso — A arte de representar, anos ouve-se isso... O teatro ia a platéia, mas para ele tem de ser
como um todo, é desafiadora. Ob- acabar por outras circunstâncias, verdade. Esse acordo entre palco
viamente, não dá para fazer comé- pela chegada do cinema, depois e platéia só acontece no teatro, na
dia se não tiver humor. É impossível com a televisão, o vídeo, em se- arte ao vivo; cria-se a ilusão de que
transformar um ator dramático em guida o DVD, a TV a cabo e uma aquilo é a mais real das realidades.
um comediante. Já o contrário é série de coisas. Todas as mídias [L. T. e N. L.]

BOA VONTADE | 37
Especial — Capa
Olhares de Brasília

PROFESSORES E ALUNOS Cristiana Lôbo e Jorge Bastos Moreno, em primeiro plano. Em pé, os estudantes de jornalismo
que assistiram à entrevista: Kátia Oliveira Silva, Alaíde Ruth Popov, Neylon Jacob de Barros, Camila Fecury, Yza Morgana
Lima Ortegal e Hemilly Helen Araújo, do curso de Comunicação Social da Universidade Paulista (Unip) de Brasília, do Centro
Universitário Unieuro e do Instituto de Educação de Brasília (IESB).

Aula de
Jornalismo Belkis Faria e Enaildo Viana
Fotos: João Preda

S
e é uma arte receber bem ção, mas apenas por gostar da pelos saborosos pratos à mesa,
os amigos, Jorge Bas­ companhia de pessoas e querer sem esquecer, é claro, os ilustres
tos Moreno, um dos mais demonstrar-lhes quanto são que- convidados que ali se juntam ao
importantes e respeitados ridas. Por isso, um encontro para anfitrião para prosear. E foi dessa
jornalistas políticos do País, é o almoço em sua casa é sempre maneira, simpática, que Moreno
expert no assunto. Talvez porque um acontecimento, seja pela for- recepcionou outros dois amigos
faça isso não por uma obriga- ma cordial de reunir pessoas, seja de profissão: Sílvia Faria (direto-

38 | BOA VONTADE
“Na televisão o que é mais
difícil é noticiar tudo em Sílvia Faria
A diretora de jornalismo da
pouquíssimo tempo. É preciso
TV Globo, em Brasília/DF, já
ter critério de seleção altamente trabalhou na Folha de S.Paulo,
cuidadoso e batalhar todos os foi coordenadora de economia da
sucursal de O Globo e diretora do
dias para tudo que vai ao ar ser Estadão e da revista Época, sem-
100% verdadeiro e certo.” pre na capital federal. Trabalhou
por um tempo no Banco Central,
atuando depois como porta-voz
da ex-ministra da Fazenda Zélia
Cardoso de Mello.
ra de Jornalismo da TV Globo em Brasília, do Centro Universitário
Brasília/DF) e Cristiana Lôbo Unieuro e do Instituto de Educa-
(que possui um blog no portal G1 ção de Brasília (IESB), em que diploma de jornalismo, discutir
e é comentarista e apresentadora Jorge Moreno leciona Técnicas a comunicação no dia-a-dia e
da Globo News). e Gêneros Jornalísticos. as mudanças na mídia desde o
Para o encontro também foram A ocasião ofereceu àqueles es- aparecimento da internet. Fique
convidados o jornalista Oswaldo tudantes e também agora a você, à vontade nesta sala de visitas e
Buarim; o assessor parlamentar amigo leitor, a oportunidade de acompanhe nosso bate-papo.
Naaman do Valle; alunos do conhecer mais sobre os bastidores
curso de Comunicação Social da da política, bem como debater a BV — Como é essa experiência
Universidade Paulista (Unip) de questão da obrigatoriedade do do blog, da rádio do Moreno?

Moreno oferece um saboroso feijão-


tropeiro com costela de boi assada
aos convidados

BOA VONTADE | 39
Especial — Capa

“Aposto que todo jornalista


Jorge Bastos cumpre o seu dever de contribuir
Moreno para o conhecimento da história
Iniciou carreira como estagiário do país. Nós nunca seremos
no Jornal de Brasília, onde trabalhou
por seis ou sete anos até 1982, quan- lembrados porque temos
do se transferiu para O Globo. Mais exatamente essa função de
tarde, a experiência adquirida em
trabalhar por trás de tudo; a
outros grandes veículos de comuni-
cação o levou a trabalhar no Jornal gente não é notícia.”
do Brasil e na revista Veja. Em 1989,
tornou-se assessor de imprensa do
dr. Ulisses Guimarães, à época can-
didato à presidência da República.
Atualmente, é colunista de O Globo, ler o texto para não chamar a é o que está acontecendo; já não
onde escreve semanalmente sobre atenção das pessoas com o fone, pedem para guardar nada.
política. Mantém um blog a respeito e isso é um grande problema, pois
do mesmo assunto, com ênfase vou ter de reformular essa coisa BV — E os jornais impressos hoje
nos bastidores da política. Com 35 e fazer um mix de texto, áudio e no Brasil?
anos de carreira, é considerado um vídeo. Moreno — Eles vêm, agora,
dos mais importantes e respeitados Cristiana Lôbo — É porque diversificando sua produção,
jornalistas políticos do País. o texto você acessa mais rapi- atendendo exatamente à demanda
damente do que o áudio. São das classes mais baixas. Tanto
23 milhões de brasileiros que é que aconteceu, recentemente,
têm acesso à internet de casa, e um fenômeno com os jornais
Moreno — Estamos numa estamos crescendo. Um acesso populares em toda a mídia brasi-
fase de reflexão para mudança aberto para o mundo. A grande leira; estava concentrada no eixo
da rádio. Diziam que o futuro da revolução foi essa e, no Congres- Rio–São Paulo, e agora Minas
internet seria o áudio e o vídeo, so, muita coisa já começa a ter Gerais acabou de desbancar isso
uma coisa natural, para substituir, repercussão por causa do que o com o jornal Super Notícia. Esse
cumprir o papel do jornal, prin- on-line deu. processo todo vem da junção
cipalmente. O que fez a gente Moreno — Uma coisa curiosa de mídias. Aliás, quando se es-
acreditar que o texto na rede, acontecia e pode ser que isto esteja crever a história da revolução
como notícia, não iria prosperar cavando a minha demissão (risos), da mídia no Brasil, vamos ficar
muito. Aí apostei na questão do mas é o seguinte: os editores e di- devendo muito aos pioneiros da
áudio, e leitores, que prefiro cha- retores do jornal impresso diziam: TV Senado, pela qual veio essa
mar de navegantes, começaram a “Ah, vocês com blogs noticiam difusão de TV pública, divul-
reclamar, dizendo que queriam de algo exclusivo, deviam guardar gando transparência. As emis-
volta o texto. Porque em Brasília para o jornal, porque dessa forma soras abertas tinham de cobrir
é o seguinte: você chega no horá- todo o mundo toma conhecimen- tudo, isso começou a despertar
rio comercial, são funcionários de to”. Veio, então, a chamada conver- na população interesse maior
empresas públicas e privadas que gência de mídias, eles perceberam pelo noticiário político. Aí o que
estão ali ao computador. Eles não que fica muito mais fácil vender o começou a acontecer? A pessoa
têm fone de ouvido, então querem jornal projetando-o pela internet, via na televisão aquela notícia e

40 | BOA VONTADE
“Com o tempo que tenho
na profissão, não posso Cristiana Lôbo
Formada em Comunicação So-
tratar o fato simplesmente
cial pela Universidade Federal de
sem ver os personagens Goiás (UFG), foi contratada como
dele; esse é o papel do estagiária, em 1978, na editoria de
política da Folha de Goiaz, de Goiâ-
comentarista, passar para nia/GO. Desde 1982 acompanha a
o leitor o interesse daquele política nacional. Em 1986, trabalhou
personagem do fato.” como assistente da jornalista Tereza
Cruvinel na coluna “Panorama Po-
lítico”, de O Globo. Em 1992, teve
a oportunidade de trabalhar com
Ricardo Boechat. No mesmo ano,
assumiu uma coluna no Estado de
queria saber mais sobre aquilo escrever. Na convivência acadê-
S.Paulo, onde permaneceu até 1998.
nos jornais. Se a imprensa escrita mica, aprendem a escrever. Isso
De lá, passou a ser comentarista de
estivesse morrendo, os jornais não é erro deles, mas da estrutura
política e depois apresentadora do
não estariam crescendo. O Globo, de ensino. Como dispensar, hoje,
Fatos e Versões, da Globo News.
por exemplo, tem dois jornais o diploma do curso superior para
Em 2005 e 2007, participou da mesa
populares no Rio e logo pode ter alguém que trabalhará com tex-
de debates intitulada As Meninas
mais outro. Todo o mundo está to, se essa pessoa teve o ensino
do Jô, no Programa do Jô, sobre a
investindo nisso. Isso mostra médio ruim? Acaba-se criando
situação política do País.
que um complementa o outro. A emprego, mais uma vez, para
informação chega hoje, de forma ricos, porque estão nas escolas
instantânea, ao maior número de particulares e ali a exigência é
pessoas no mundo. A pessoa vê maior, há bons professores; eles uma opinião muito interessante.
na televisão, no dia seguinte quer vão chegar e ter um belo desem- Tinha dúvidas: por que um advo-
ler no jornal os detalhes. penho como repórter. gado não pode escrever matéria
Sílvia Faria — A questão é em jornal? Wolton disse que
BV — A questão da obrigatorieda- um pouco mais complexa. Um temos de defender, com unhas
de do diploma de jornalismo está advogado, um médico, podem e dentes, a exigência do diplo-
sendo discutida? ser jornalistas também e exercer ma. Por quê? Se um médico vai
Moreno — Há vários aspectos a profissão como defende a Folha cobrir um evento, dará a notícia
a serem discutidos em função de S.Paulo? do ponto de vista médico, que é
de uma grave crise que o País Moreno — O curso de Jor- a formação dele. O advogado, a
atravessa na Educação, que está nalismo é recente no mundo; no mesma coisa: terá o viés jurídico
comprometendo as gerações Brasil não tem 50 anos. Antes para a questão. Já o jornalista não
futuras. Temos um ensino mé- os jornalistas eram médicos, tem um corporativismo nesse as-
dio e fundamental deficientes. advogados. Houve uma fase de pecto, o interesse dele é dar furo,
Esses jovens entram na univer- transformação. Defendo o diplo- o máximo volume de notícia. É
sidade para estudar jornalismo, ma nessa circunstância. questão da democracia que se
ou qualquer matéria da área de Sílvia Faria — Ouvi do Do­ exija o diploma, o argumento dele
Humanidades, e não sabem nada minique Wolton [cientista políti- me convenceu completamente.
de História do Brasil, nem sabem co francês], estudioso de mídias, Quando vemos um fato, temos a

BOA VONTADE | 41
Especial — Capa

mia. Se você é um economista


da linha desenvolvimentista, e
vai escrever uma matéria, vai
puxar a sardinha; se você é da
linha neoliberal, vai puxar a sar-
dinha para sua brasa; se você é
um jornalista de economia, terá
a obrigação de passar por todas
essas escolas, porque daí surge o
debate, e nisso está a riqueza da
notícia. Um bom jornalista vai ter
que ouvir todos os lados e é isso
que ele defende.
Buarim — Em geral, a gente
pode abrir janelas para os pensa-
mentos?
Sílvia Faria — Aí você sabe
que está lendo um articulista, está
Os jornalistas Cristiana Lôbo e Oswaldo Buarim
vendo um ponto de vista. É im-
portante qualificar isso. A notícia
obrigação de lidar com todos os evoluirá para o jornalismo mais não pode ter apenas um ponto de
pontos de vista, técnicos ou não, especializado — nela vai ter vista. Sabemos disso desde que
e o médico, o advogado, cada um muita medicina, direito, econo- fazemos jornalismo.
pesará aquilo que é mais sensí- Moreno — Estamos vivendo
vel para ele, que domina mais; um período peculiar em que algu-
fará a defesa da corporação que mas pessoas, com todo o direito
representa.
“Fica muito mais fácil democrático, emitem sua opinião
Buarim — Com isso, a plu- vender o jornal projetando- na mídia e esses articulistas estão
ralidade estaria mais contem- o pela internet, é o que sendo confundidos com jornalis-
plada? tas. O povo não faz a diferença.
Sílvia Faria — Com o jorna- está acontecendo. (...) A Uma coisa curiosa: de vez em
lista a pluralidade estaria informação chega hoje, de quando, algum conhecido lê uma
mais contempla- matéria minha, o que é raro, e fala
forma instantânea,
da exatamente assim: “Ah, não! Você tem de es-
porque ele ao maior número crever que nem fulano, metendo
não tem uma de pessoas no o pau!” Quer dizer, é necessária
especializa- uma formação acadêmica, por
ção. Claro, a mundo. A pessoa tudo isso que a Sílvia falou. Es-
gente cami- vê a notícia na tamos evocando o professor Do-
nha para um televisão, no dia minique Wolton nesta entrevista,
jornalismo de hoje o mais polêmico de todos os
especialização, seguinte quer ler no estudiosos da mídia. O Cláudio
existem estudos jornal os detalhes.” Abramo, um grande jornalista de
que afirmam isso. Moreno sua época, dizia que essa história
Cada vez mais a mídia impressa da ética no jornalismo é balela,

42 | BOA VONTADE
porque o cidadão é em casa o que comentários. O Moreno também
é no trabalho. Fico repetindo isto lida muito com isso. Tem hora
“Quando vemos um fato,
para meus alunos: “É em casa que um me xinga de governista
o que é no trabalho”. O temos a obrigação de lidar e, em outro momento, me xinga
que falava o mestre com todos os pontos porque acha que sou neoliberal ou
Cláudio Abramo “neo” qualquer coisa. Quer dizer,
está certíssimo. de vista.” enquanto estão me xingando é
Há situações, Sílvia Faria sinal de que faço o meu trabalho
no entanto, es- de noticiar o fato. Com o tempo
pecialíssimas, que tenho na profissão, não posso
como a questão tratar o fato simplesmente sem
da privacidade; Sílvia, mas queria ver os personagens dele; esse é
não pode ser falar de outra coisa. o papel do comentarista, passar
dada essa condes- As pessoas que têm para o leitor o interesse daquele
cendência ao bandido, talento para escrever, personagem do fato. A política
ao criminoso. Com os meus virtude, vocação, hoje estão lida mais com vaidade do que o
alunos faço o seguinte: estávamos contempladas com seus blogs ou próprio setor artístico, porque ela
discutindo sobre o Conselho Na- com colaboração para os jornais. envolve vaidade e poder, que é a
cional de Jornalismo, algo que diz Antes, quando esse debate sobre soma de tudo.
respeito ao futuro deles, e eu tinha a exigência do diploma de jorna- Moreno — Se a política lida
de mostrar a história da imprensa lista se iniciou, dizia-se: “Muitas com a vaidade de aparecer na
no Brasil. Falava que Hipólito pessoas que têm talento para mídia, na televisão, imagino a
da Costa chegou de Londres, escrever ficarão embotadas por pressão que a Sílvia sofre para
fazia uma pauta, e argumentava: causa de um diploma?” Não! Pri- atender a algum tipo de reivindi-
vamos atualizar. Colocava em meiro, existe universidade à noite cação como: “Tenho uma coisa
debate o que estava acontecendo em que se pode estudar, não há li- importante, mereço estar no
no País. A universidade é fun- mitação de curso para freqüentar, Jornal Nacional”.
damental em todos os aspectos. para essa convivência. Ela pode Sílvia Faria — Isso ocorre
Abordei a deficiência do ensino, demonstrar o talento nos blogs várias vezes por dia, mas é normal,
até para confirmar que teremos ou como colaborador em jornais. todo o mundo quer alguns segun-
pessoas que não sabem escrever. Há espaço para isso em vários dos no Jornal Nacional. Isso vale
A Sílvia mencionou um aspecto segmentos: no segundo caderno, quantos milhões em investimento
mais profundo, a especificação na literatura, na crítica de livro. de candidaturas se for um político,
da profissão, que possui peculia- Isso tudo ajuda na pluralidade um governador? Muitos chegam e
ridades, certos comportamentos, que os meios de comunicação dizem: “Vocês podiam dizer que
que outras categorias não têm. Há têm interesse em passar para seu farei tal coisa”. E respondo que
determinados níveis de atuação público. primeiro ele precisa realizar; e, se
em que as éticas são totalmente fizer, temos a obrigação de noti-
diferentes; basta citar a ética do BV — Como lidar, na cobertura ciar. É preciso parcimônia, tomar
mercado financeiro, muito dife- diária, com a pressão do públi- cuidado com as promessas, porque
rente de outras. co? isso é uma ilusão; prometer todo o
Cristiana Lôbo — Acho Cristiana Lôbo — Não li- mundo promete, mas é normal, é
fundamental a universidade, dando. Tenho, além do espaço do jogo. Acho mais perigoso uma
essa convivência, como o Mo- na Globo News, um blog no pessoa que passa uma informa-
reno falou, essa abordagem da portal G1 e ali o leitor faz seus ção tentando usar você contra ou

BOA VONTADE | 43
Especial — Capa

esperar a semana inteira para


dar furo, e não levar furo, uma
dificuldade que acho das pio-
res. É muito difícil programar
revista, uma capa que venda; é
uma angústia permanente para o
meu temperamento. Na televisão
o que é mais difícil é noticiar
tudo em pouquíssimo tempo. É
preciso ter critério de seleção
altamente cuidadoso e batalhar
todos os dias para que tudo que
vai ao ar seja 100% verdadeiro
e certo, senão vem uma chuva
de e-mails e telefonemas; isso é
legal porque você tem uma re-
ciprocidade muito grande. Se se
informou errado, tem-se a obri-
Os jornalistas entrevistados com a equipe da revista BOA VONTADE
gação de corrigir imediatamente
ou no dia seguinte.
a favor de alguém (inimigos ou conversa para convencer, ou se
amigos), por interesses próprios, tem um argumento mesmo. BV — Qual notícia que vocês
interesses contrariados. É muito gostariam de dar?
comum, tem de se estar atento; BV — Qual mídia é mais difícil? Sílvia Faria — Que o Brasil
e na televisão isso é corriqueiro, Sílvia Faria — A impressa, atingiu o primeiro nível em Edu-
mais do que na minha experiência no aspecto da profundidade, no cação, saúde e desenvolvimento
na imprensa escrita. Os repórteres tratamento que a notícia exi- humano.
mais jovens são muito ingênuos; ge. Na revista, aquela coisa de Cristiana Lôbo — Assino
trazem o prato pronto, como se embaixo.
realmente fosse maravilhoso Moreno — Todo jornalista, no
aquilo, mas é um aprendizado que fundo, é egoísta. A notícia que eu
ninguém tem em faculdade. “A gente caminha para um queria dar era a seguinte: desco-
Cristiana Lôbo — Há uma berta a vacina contra o diabetes,
prática elementar: a notícia que
jornalismo de especialização, e agora você pode tomar sorvete,
vem na mão, desconfie dela. É existem estudos que fazer tudo, engordar (risos).
preciso saber se é a favor ou con- afirmam isso. Cada vez mais
tra o adversário daquele portador. BV — Por qual momento de sua
O que vem sem esforço pode até a mídia impressa evoluirá vida você gostaria de ser lem-
ser uma grande notícia, incorre para o jornalismo mais brado?
naquele problema que a Sílvia Moreno — O jornalista não faz
especializado — nela vai
levantou: o cuidado para não estar a história do país; jornalista relata
sendo usado, e isso ocorre o dia ter muita medicina, direito, a história. Se um jornalista disser:
inteiro. A gente acaba ficando economia.” “Eu gostaria que lembrassem
vacinado, sabe até pelo perfil da Sílvia Faria aquela cobertura que fiz”, não
pessoa se ela já vem com uma tem de ser de acordo com a visão

44 | BOA VONTADE
dele. O jornalista trabalha com o
fato. Aposto que todo jornalista
cumpre o seu dever de contribuir
para o conhecimento da história
do país, e nós nunca seremos lem-
brados porque temos exatamente
essa função de trabalhar por trás de
tudo; a gente não é notícia. O dia
que o jornalista for notícia ele pode
ter essa pretensão de deixar alguma
herança intelectual ou material.

BV — O que vocês acham da


percepção do povo quanto à po-
lítica? Como está a participação
da mulher neste cenário?
Cristiana Lôbo — Olha, eu
acho que está muito grande, é a
Sílvia Faria concede entrevista a Enaildo Viana, da revista BOA VONTADE.
coisa que mais me impressiona.
Por exemplo, no programa que
faço na Globo News, Fatos e isto é, a gente paga um preço mente e dão notícias de tudo. Do
Versões, 60% da audiência é de para a informação ficar blindada que a gente está preo­cupada, eles
mulheres, contra 40% de ho- contra qualquer tipo de censura. lêem e sabem do que estão falan-
mens. Antigamente, política era Os nossos jovens têm ocupado do. E aí já vão para os assuntos
tida como assunto de homem, o tempo deles na internet com deles... É claro que há uns mais
conversa masculina, e não é. bate-papo, essas coisas. Na minha jovens do que esses meninos de
Hoje, posso dizer que a política época, o jovem sabia o que estava 25. Esse pessoal de 15 a 18 anos
interessa muito às mulheres. ocorrendo, tentava estar por den- que vive na internet buscando;
tro de tudo, da política. você não sabe qual a linguagem
BV — Está faltando que elas se Cristiana Lôbo — Discordo que eles falam.
candidatem mais? de você. Seus filhos não são bem
Cristiana Lôbo — Isso. A lei informados? Acredito que eles
manda ter 20%, nem a cota de são mais rápidos. Eu tenho filhos
20% tem sido preenchida. Mas e a Sílvia também. Não sei se é “Há uma prática elementar:
então você observa as pesquisas. porque é filho de jornalista, mas a notícia que vem na mão,
Quando a eleição está muito os amigos deles também são in-
desconfie dela. Temos de ver
disputada, logo que se define o formados.
resultado, sabemos, foi a mulher. Moreno — Claro, se é a favor ou contra
Ela é a última que decide o voto. filho de jornalista o adversário
Por isso, acho interessante essa nasce dentro da
preocupação nova das mulheres notícia.
daquele
com a política, porque é coisa Cristiana portador.”
recente, não antiga. Lôbo — Eles Cristiana
Moreno — Está acontecendo passam pela Lôbo
agora um fenômeno lamentável, internet rapida-

BOA VONTADE | 45
Acontece

R I B E I R Ã O P R E T O / S P

Diferencial do trabalho da LBV

Fotos: Adelar Pereira


Maurício Garrefa

A deputada estadual por São Pão Nosso de cada dia! A inicia-


Paulo Darcy Vera, primeira mulher tiva distribuiu, em 2007, mais de
a representar a região de Ribeirão 440 toneladas de alimentos (leia
Preto/SP na Assembléia Legislativa reportagem na página 52).
de São Paulo, recebeu a equipe de “Esse projeto é extremamente
reportagem da Super importante. A LBV é um dos
João Miguel

Rede Boa Vontade de grandes referenciais para um Fachada


Comunicação para uma Natal sem fome. As pessoas da LBV em
entrevista, em que desta- não morrem de fome só na Áfri- Ribeirão
cou o apoio às entidades ca; as cidades pequenas também Preto/SP. Em
destaque, aula
sociais, uma bandeira sofrem com isso.” de balé oferecida às
Darcy Vera pela qual a parlamentar A deputada, que já visitou o crianças.
se empenha. Por esse motivo, sen- Templo da Boa Vontade (TBV),
te-se identificada com as ações de em Brasília/DF, recordou-se: “Eu Ali existe algo diferente! Foi um
valorização do Ser Humano e seu fiquei encantada. Já vinha acompa- dos momentos mais abençoados
Espírito eterno, empreendidas pela nhando o trabalho de Paiva Netto e que tive. Vi gente do Brasil intei-
Legião da Boa Vontade, em todo tive o grande prazer de ler vários ro numa demonstração de Fé. É
o Brasil, a exemplo da Campanha de seus livros. E, quando entrei inexplicável! Só sentindo isso para
Natal Permanente de Jesus — o no Templo da LBV, me emocionei. saber como é maravilhoso”.

G O I Â N I A / G O

Consciência ecológica desde a infância


Joílson Nogueira
Na Legião da Boa Vontade, desde cedo se aprende a
Fotos: Sthefany Sussai

importância de preservar o meio ambiente com ações


práticas. O trabalho de reciclagem e aproveitamento
de sucatas para a confecção de artesanato, brinquedos
e jogos educativos ocorre durante a atividade mais espe-
rada pelas crianças: a Oficina dos Arteiros, em um espaço
dedicado ao desenvolvimento da criatividade.
São utilizadas caixas de diversas embalagens, cola, papel camurça
e tinta guache para confeccionar uma variedade de brinquedos. O
tema foi a preservação do meio ambiente por meio da reciclagem.
As peças produzidas pelas crianças ficam à mostra no Centro Co-
munitário e Educacional da LBV (Rua Jamil Abraão, 645 — Setor
Rodoviário, tel.: (62) 3531-5000).

BOA VONTADE | 47
Meio ambiente
Parceiros globais pelo desenvolvimento sustentável

Apoio:

De mãos dadas
pelo desenvolvimento sustentável
II Fórum–Feira de Inovações, promovida pela LBV, com o suporte da ONU, reúne mais de 1.200 ONGs e
autoridades na busca de soluções para salvar o Planeta

E
m março, a Legião da Boa

Marco Sudário
Vontade promoveu no Bra-
sil e na Argentina uma série
de eventos que integram o
II Fórum–Feira de Inovações
Rede Sociedade Solidária. O
tema deste ano — “Desenvolvi-
mento Sustentável” — foi defi-
nido pelo Conselho Econômico
e Social da Organização das
Nações Unidas (Ecosoc-ONU),
com o objetivo de apresentar
boas práticas e ações sociais
capazes de promover o desen-
volvimento socioeconômico em
bases sustentáveis. Dra. Michele é recebida por algumas crianças atendidas pela LBV em Manaus/AM.
A programação dos encon-
tros incluiu painéis temáticos, leiras, no Distrito Federal e na Representações oficiais da
acompanhados de apresentações capital argentina, Buenos Aires. ONU estiveram presentes ao
artísticas e amostragem de boas Cada cidade apresentou sua pró- evento, a exemplo da dra. Mi­
práticas, formados por represen- pria exposição de cases de suces- chele Billant-Fedoroff, chefe
tantes do poder público, iniciativa so, conforme as características adjunta do Departamento de
privada, organizações da socieda- e necessidades locais, que têm Assuntos Econômicos e Sociais
de civil e meio acadêmico. colaborado para a promoção do da ONU (UN/Desa); do jorna-
O Fórum–Feira de Inovações desenvolvimento sustentável no lista Giancarlo Summa, diretor
ocorreu em seis capitais brasi- Brasil e na América Latina. do UNIC-Rio; e do dr. Richard

48 | BOA VONTADE
Jordan, que presidiu a 60a Con-

Fotos: Adriana Rocha


ferência Anual de Organizações
Não-Governamentais do Depar-
tamento de Informação Pública
(DPI), ocorrida em setembro de
2007, em Nova York (EUA), onde
foram discutidos os impactos so-
ciais das mudanças climáticas.
A Legião da Boa Vontade
conta com diversos parceiros
para a realização dessa segunda
edição da Feira de Inovações,
entre eles a Associação Brasi- A LBV expõe suas recomendações de boas práticas na sede das Nações Unidas,
leira de Recursos Hídricos, a em Nova York.
Associação Médica de Minas
Gerais (AMMG), Associação
LBV apresenta relatório em NY
Mineira de Defesa Ambiental, Os resultados do II Fórum-Feira de Inovações Rede Sociedade Solidária foram
Fundação José de Paiva Netto apresentados às Nações Unidas em Nova York (EUA), durante o Fórum de ONGs
(FJPN), o governo dos Estados do Ecosoc. As informações
do Amazonas e do Rio Grande obtidas em cada encontro
do Sul, Companhia Energética estão no relatório que a LBV
de Minas Gerais (Cemig), orga- encaminhará à ONU, em
nização Parceiros Voluntários, contribuição à Reunião de Alto
Instituto Nacional de Pesquisas Segmento (High-Level Seg-
da Amazônia, Secretaria de De- ment), que acontece em julho
senvolvimento Sustentável do deste ano. Nele, a Instituição
Ministério do Meio Ambiente e expõe suas recomendações
a Universidade Federal de Minas aos chefes de Estado, minis-
Gerais (UFMG). tros e embaixadores de vários
Este é o quinto ano consecuti­ países membros da ONU e
vo que a LBV, com o suporte aos demais participantes. Dra. Hanifa Mezoui e Danilo Parmegiani, da LBV.
do Departamento de Assuntos Por causa do grande
Econômicos e Sociais da ONU, sucesso dos resultados demonstrados, a LBV foi convidada a falar entre as
realiza encontros intersetoriais sete maiores iniciativas da sociedade civil em desenvolvimento sustentável
com a participação da sociedade no mundo. O evento preparatório para o encontro do Alto Segmento do Con-
civil latino-americana. A primei- selho ocorreu no reservado salão do Ecosoc Chamber e mereceu destaque
ra edição do Fórum–Feira teve a no discurso do vice-presidente do Ecosoc, embaixador de Cabo Verde, Pedro
adesão de mais de 1.200 organi- Monteiro Lima, que agradeceu em português à Legião da Boa Vontade.
zações e grande repercussão na Após ver o clipping sobre a ampla divulgação do Fórum na mídia e o vídeo
mídia nacional e do Exterior. com a quantidade de lideranças que prestigiaram as atividades, tendo uma
Confira reportagem completa edição em plena Floresta Amazônica, a dra. Hanifa Mezoui, chefe do NGO
sobre o evento na próxima edi- Section (Seção de ONGs) do UN/Desa, afirmou impressionada: “A LBV já pode
ção da revista BOA VONTADE, fazer escola para nós”. Quem também cumprimentou o trabalho da Instituição
abordando os principais temas e foi o dr. Liberato Bautista, presidente da Congo (Conferência das organizações
resultados de cada localidade. não-governamentais), da qual a LBV é membro desde 2000.

BOA VONTADE | 49
Destaque
LBV — prestando contas do que faz ao Povo

Prestando
contas
A LBV inicia ação
social de 2008
e comemora o
resultado de seu
amplo trabalho
e aniversário
de 58 anos de
fundação
Nizete Souza

58 anos
Amor e
Americana/SP
Alexandre Freitas
João Miguel
João Miguel
Arquivo BV

Bauru/SP Piracicaba/SP Florianópolis/SC


Belém/PA
João Miguel

Arquivo BV

Cláudia Oliveira
Rui Portugal

Campinas/SP Araçatuba/SP Araraquara/SP


Glorinha/RS Blumenau/SC Cuiabá/MT
Edson R. Neves
Liliane Cardoso

Arquivo BV
Mensagem de Fraternidade do NX Zero
Na ocasião da entrega das cestas de alimentos da LBV a famílias
em risco social, Di, o vocalista da banda NX Zero, em entrevista
à Super Rede Boa Vontade de Comunicação, aproveitou para
deixar seu recado de Solidariedade à Instituição e a

Divulgação
seu dirigente: “Estou aqui para mandar um beijão e
um abraço. Saúde e Paz para todo mundo da LBV!
Eu já estudei lá e tenho uma história com ela. Minha
educação e minha formação, devo à LBV também.
Feliz Natal e Feliz Ano-Novo, sempre com muita
Paz. Estou aqui para falar também para o Irmão
Paiva que eu o conheço há muito tempo. Ele já
me proporcionou muitas conversas boas desde
que eu era pequeno e estou com muita saudade
dele. Então, Irmão Paiva, um grande beijo”.

NX ZERO Da esq. para a dir.:


Caco, Gee, Di, Fi e Dani.

Solidariedade
Alex Dias

Almeida Oliveira

LBV, ano a ano, bate


recorde de arrecadação
Francieli da Silva

de alimentos.
Flammarion Campos Paulo Araújo

Porto Alegre/RS Cascavel/PR Maceió/AL Maringá/PR


440 toneladas
Vânia Besse

Kássia Bernarde

Vivian Ribeiro

410 toneladas
370 toneladas

Recife/PE Goiânia/GO Maricá/RJ Vitória/ES


Pelotas/RS Curitiba/PR
Arquivo BV

2005 2006 2007


Vinicius Ramão
Arquivo BV

BOA VONTADE | 53
Destaque

S
ão quase seis décadas de tra­ acolhida ao convite da Instituição
balho no desafio cotidiano se traduz no êxito da iniciativa: en-
pa­ra estabelecer na socieda- tre janeiro e fevereiro, kits escolares
de a consciência solidária e foram entregues, nas cinco regiões
altruís­tica. Esse é o mote que dire- brasileiras, a milhares de meninos
ciona toda ação socioeducacional e meninas atendidos no Programa

Verônica Alexandre Daniel Trevisan


empreen­dida pela Legião da Boa LBV — Criança: Futuro no Pre-
São Paulo/SP
Vontade desde suas raízes, em 1o de sente! Essa ação é promovida nas
Maceió/AL janeiro de 1950. Da mesma forma escolas de Educação Básica e nos
Rosângela Guedes

que o sofrimento do Povo é diário, Centros Comunitários e Educacio-


conforme anotou o dirigente da Ins- nais da Instituição.
tituição, há décadas, em sua página Deste modo, a Legião da Boa
Vencer o sofrimento do corpo e Vontade oferece à criança ferramen-
da Alma*, a ação da LBV tas para que crie uma nova perspec-
acolhe em todas regiões, tiva para a vida, incentivando-a ao
Londrina/PR em qualquer época do estudo e priorizando a indispensável
ntos
ereira dos Sa

ano, os que necessitam formação fraterna, razão de ser da


de amparo. Pedagogia do Cidadão Ecumênico
aldo P

Por isso, logo nos — linha educacional preconizada


Osv

Ponta
primeiros dias de janei- pelo educador Paiva Netto e im-
Grossa/PR ro, a Legião da Boa Von- plantada na rede de atendimento da
tade iniciou sua tradicional Instituição, no Brasil e no Exterior.
Marcos Franchi

mobilização social, com a Cam- Os pais têm notado a diferença:


panha Criança Nota 10 — Sem “Desde que minha filha começou
Educação não há Futuro! A boa a participar deste programa da
Glorinha/RS
*Leia este e outros textos do dirigente da LBV no site: www.paivanetto.com, seção “Artigos”.
João Miguel

Campinas/SP

O que a criança encontra no kit


escolar da LBV
• Mochila
• 6 cadernos (três de brochura, dois de desenho e um para recados)
• 6 lápis no 2 na cor preta
• 1 caixa de lápis de cor com 12 unidades
• 1 caixa de giz de cera com 12 unidades
• 2 canetas esferográficas
Foto: Cida Linares

• 2 borrachas
Rio de Janeiro/RJ
Vivian Ribeiro

• 1 apontador com depósito


• 2 tubos de cola
• 1 tesoura sem ponta
• 1 régua de 30 cm
• 1 estojo grande
• 1 livro paradidático de tabuada.
Vivian Ribeiro
LBV, melhorou muito na escola.

Sérgio Serrano
Sou grata por este trabalho lindo
e maravilhoso. Ela não é só uma
mãe para a minha filha, mas para
mim também, pois me ajuda muito.
Não sei o que seria de mim se não
fosse a Legião da Boa Vontade!”,
exclama Maria dos Anjos, mãe de
Bauru/SP
uma das crianças beneficiadas pela
Entidade em Ipatinga/MG. A essas
Diogo Franco

Recife/PE
palavras junta-se o agradecimento
do catarinense Jorge Amorim, lí-
der comunitário em Florianópolis/ Rio de Janeiro/RJ
SC: “Com a entrega de kits esco-

Rui Portugal
lares, a LBV valoriza a criança, a
sociedade e a educação. Graças a red
a
oP
Deus, temos organizações como
ã
Jo

a LBV, que sempre se preocupa


com isso”.
Atendida em Campina
Gran­de, interior da Paraíba, a
dona de casa Maria de Lurdes
Brasília/DF
Silva também registra sua grati- Belém/PA
dão: “O atendimento aqui é muito
bom. Estou muito satisfeita;
João Miguel

minha filha não tinha esse mate-


Presidente Prudente/SP
rial. Fico mais feliz ainda em ver
minha filha na LBV e feliz”.
José Carlos de Figueiredo

“A LBV representa uma segunda


Daniel Trevisan

casa para nós. A minha filha


São Paulo/SP
acordou mais cedo para ir à LBV
Vinicius Ramão

receber o kit. Com certeza, ela


cuidará muito bem do material.
Essa contribuição da LBV chegou
em boa hora para nossa família.”
Roseane Gomes Belo Horizonte/MG Curitiba/PR
de Oliveira
Maringá/PR Inhumas/GO
Paulo Araújo

mãe de uma das


crianças atendi-
Diogo Franco

Dulcelene Leal

das pela LBV do


Recife/PE.

BOA VONTADE | 55
Destaque

BV
Assim que chegou o 1 o de

A r q uiv o
janeiro, uma comemoração
dupla: os 58 anos de trabalho
Adriane Mafra

Manaus/AM
da Legião da Boa Vontade
São Luís/MA (fundada pelo poeta, radialista e
ativista social brasileiro Alziro
a

rla

n ic
Zarur, em 1950) e mais um ano
de crescimento nas atividades
Ca

empreendidas. A edição 2007


da tradicional Campanha Natal
Permanente da LBV — Jesus, o
Pão Nosso de cada dia! superou
expectativas e bateu recorde de
arrecadação. Foram entregues
Belo 440 toneladas de alimentos não-
Horizonte/MG Maringá/PR perecíveis a famílias atendidas
ao longo do ano pela Instituição.
o
Rosilene Monteir

O sorriso no rosto das crianças


e das famílias, estampado nesta
reportagem, diz muito mais do
que palavras.
Artistas, personalidades e
új o
A ra

Campo Grande/MS voluntários aderiram a essa em-


ul o
Pa

preitada solidária, mobilizando

Coroamento de
a sociedade a fazer doações e,
principalmente, a engajar-se em
ações que contribuam para que o
Brasil vença seus grandes desa-
fios, entre eles o de acabar com

um ano de vitórias
a fome e a miséria e promover
a educação básica de qualidade
para todos — os dois primeiros
dos oito Objetivos de Desenvol-
vimento do Milênio (ODMs).
Esse mutirão, forte aliado na
Nas cinco regiões luta pelo bem-estar social, tem
colaborado para mudar a realidade
brasileiras, a LBV de brasileiros, como a de Rosalina
Morais, de São Luís/MA. Com
luta contra a fome. orçamento doméstico apertado,
ela admite que a
ajuda vem em boa
hora: “Agradeço a
Deus a oportunidade
que me concedeu

56 | BOA VONTADE
Daniel Trevisan
“Mesmo tendo a experiência
de ser mãe de quatro filhos,

Nizete Souza
São Paulo/SP Salvador/BA
aprendi muitas coisas na LBV
São José do Rio Preto/SP

Belkis Faria
e recebi muitas informações
importantes. É o melhor
atendimento que temos na
nossa região.”
Heleneida Gonçalves
João Miguel
Arquivo BV

Taguatinga/DF de Oliveira
Atendida pelo programa Cidadão-Bebê,
em Belo Horizonte/MG.
São José dos Campos/SP
Gladys Aparecida
Thaís Afonso

Joinville/SC
Lívia Caroline de Brito

Ledilaine Santana

Santos/SP Vitória/ES es Uberlândia/MG


ued
aG
Porto Alegre/RS
el
âng
Ros

em conhecer a Legião da Boa


Vontade, que ajuda tanto minha “Eu colaboro
família”. Também com a renda
comprometida, a aposentada
com a LBV
Matília Maria Azevedo, 84 anos, há muitos
de São José do Rio Preto/SP, Londrina/PR
anos e hoje,
agradece: “É uma bênção que
vem de Deus quando chega o presenciando este
dia de receber esta cesta. O que trabalho com essas famílias,
recebemos, só Jesus pode pagar.
só aumenta a minha vontade
Este alimento é abençoado, nos
João Miguel

dá sustento por muito tempo”. e a minha força para


Tendo como foco melhorar a colaborar mais e mais.”
perspectiva de vida de milhões Clarice Phelipine
de brasileiros, a Legião da Boa Colaboradora da LBV de Londrina/PR
Vontade oferece seu atendimento São Carlos/SP

BOA VONTADE | 57
Destaque

social durante todos os meses do

Belkis Faria
ano, com a campanha do Natal
Permanente de Jesus, o Cristo
Ecumê­nico. Ou seja, o mesmo
ideal que sensibiliza as pessoas
nos festejos de dezembro man-
tém acesa a chama da Solida-
riedade Altruística ao longo do
ano. É esse aspecto que chama a
Taguatinga/DF
atenção do mestre-de-cerimônias
“A LBV é mãe, é pai, é tudo na nossa vida. Quem chega aqui sai outra e apresentador Marcão Kareca,
colaborador da LBV em Londri-
pessoa, porque a LBV leva a gente para o alto, para a frente, mostra o na, cidade do norte do Paraná.
alto-astral para as pessoas. Depois que entrei aqui, tudo mudou, esse “É uma honra fazer parte da
Legião da Boa Vontade. Posso
ano para mim foi maravilhoso. De hoje em diante minha felicidade vai dizer isso porque aqui me sinto
ser permanente.” parte da família LBV. Eu vejo
Raimunda de Souza que aqui o Natal é Permanente,
Participante do curso de macramê na LBV de Brasília/DF.
Arquivo BV

João Miguel

Vivian Ribeiro
João Miguel

João Preda

Presidente Prudente/SP Leme/SP Inhumas/GO Franca/SP Petrópolis/RJ


Vivian Ribeiro

Vânia Besse
Juliana Valin
Aparecida Bianchi
Osvaldo Santos

Niterói/RJ Foz do Iguaçu/PR Anápolis/GO Recife/PE


Arquivo BV
Nizete Souza

Arquivo BV
Daniel Trevisan

São Paulo/SP Salvador/BA Mogi das Cruzes/SP Paranaíba/MS

58 | BOA VONTADE
porque eles atendem todos os
dias do ano.” Colabore com as obras
Todos estão convidados a par-
ticipar não somente dessa grande socioeducacionais da LBV
mobilização, mas também de ou- Banco do Brasil

Paulo Araújo
tras ações nos demais dias do ano. Agência: 3339-1
Leia no quadro, ao lado, sobre Conta corrente: 5.010-5
como colaborar para as obras da
Banco Bradesco
LBV. [R. O.]
Agência: 0292-5
Conta corrente:
99090-6
Arquivo BV

Banco Itaú
Agência: 0237
Conta corrente:
73700-2
Outras informações:
(11) 3225-4500 ou
Cuiabá/MT www. lbv.org.br
Rui Portugal

Jornais destacam atendimento social da LBV


da Europa e dos Estados Unidos

Em outros países, a tradicional


campanha de fim de ano da Legião
da Boa Vontade também apresenta
bons resultados. A LBV de Portugal
realizou, em dezembro de 2007, a
entrega de cestas e prendas de Natal
à comunidade excluída socialmente.
Belém/PA Além dos colaboradores, outros fortes
Reprodução do
parceiros são os meios de comunica- fac-símile da matéria
Vinicius Ramão

ção que, constantemente, divulgam as publicada pelo jornal


iniciativas da Obra. Em especial, nessa Brazilian Voice, dos
edição da campanha, os jornais Destak, Estados Unidos.
Sol, Jornal de Notícias e O Primeiro de
Janeiro. Nos Estados Unidos, a mídia também ressaltou a
iniciativa solidária, conforme se pode ver na ilustração aqui
reproduzida.
Curitiba/PR

BOA VONTADE | 59
Opinião — Mídia alternativa
1808-2008 — Bicentenário da Imprensa brasileira

Dois séculos
de imprensa Carlos Arthur Pitombeira
especial para a BOA VONTADE

um atraso de três séculos e meio em junho de 1808; a da Gazeta, do frei


Felipe Freitas

relação à invenção da tipografia e, Tibúrcio José da Rocha, no dia


ao mesmo tempo, estabeleceu o 10 de setembro. Foram os prelos
surgimento da imprensa alternativa da Imprensa Régia (atual Imprensa
Carlos Arthur no País. Vale lembrar que os dois Nacional) que deram vida à Gazeta
Pitombeira, primeiros jornais brasileiros, o do Rio de Janeiro, esta, sim, com
jornalista e Correio Braziliense e a Gazeta do cara de jornal, enquanto o outro se
conselheiro Rio de Janeiro, surgem com uma destinava a conquistar opiniões: a
da ABI.
diferença de apenas dois meses um cada mês, reunia em suas páginas
do outro e características distintas na o estudo das questões mais impor-

Q
uando todas as atenções se sua circulação; o primeiro mensal; tantes que afetavam a Inglaterra,
voltam para as comemora- e o outro saindo duas, e depois, três Portugal e Brasil.
ções dos 200 anos da chegada vezes por semana. Os historiadores registram que
ao Brasil de dom João VI e A primeira edição do Correio, naquela época muitos brasileiros
sua Corte, fugindo das tropas de de Hipólito da Costa, preparada exilados, a exemplo de Hipólito da
Napoleão Bonaparte, não pode em Londres (Inglaterra), chegou Costa, também editavam jornais e
ser ignorado o fato de que o ano de clandestinamente ao Brasil, logo os enviavam ao Brasil. Sociedades
1808 marca também o nascimento após a abertura dos portos às na- secretas surgiram e se multiplicaram
da imprensa brasileira. Isso rompeu ções amigas, e circulou em 1o de “para abrigar os que ousavam pen-

60 | BOA VONTADE
dos portugueses e dos ingleses; a nho funda A Noite, e em 1925 surge
Divulgação

Malagueta começou a circular no o jornal O Globo. Um ano antes,


Rio de Janeiro em 18 de dezembro em 1924, Assis Chateaubriand
de 1822. Minas Gerais, então pro- compra o jornal O Pernambuco, de
víncia, só viria a conhecer a impren- Recife, o primeiro de seu império
sa em 1823 com o aparecimento, em de comunicação. Em 1968, quando
Ouro Preto (então Vila Rica), de O morreu, era dono da rede Diários
Compilador Mineiro. Associados, com 32 jornais, 24
Em Pernambuco, em outubro emissoras de rádio, três revistas e
de 1825, ainda com as lembranças 19 emissoras de televisão.
do levante de 1817, quando se che- A Independência do Brasil,
gou a proclamar a independência em 1822, marcaria novo ciclo na
Hipólito da Costa, que preparou, em da província de Pernambuco da imprensa brasileira. Movimentos
Londres (Inglaterra), a primeira edição Corte, nascia no Recife o Diário políticos em defesa da República
do Correio Braziliense.
de Pernambuco, considerado o e contra a escravatura motivam o
sar no futuro, analisar o presente, mais antigo jornal em circulação da surgimento de inúmeros jornais
estudar”. Eram lojas maçônicas, América Latina. Em 1827 começa- com característica alternativa/co-
sociedades literárias e figuras emi- va a cir­cular no Rio Grande do Sul munitária. Em 7 de Setembro de
nentes da Igreja Católica que davam o Diário de Porto Alegre; em São 1822, dom Pe­dro I proclamava a
forma à imprensa daquela época. Paulo, o Farol Paulistano. O Jornal Independência, mas a notícia só era
Em 1798, por exemplo, já cir­ de Recife surgiria em 1859; e, em publicada treze dias depois, em O
culavam na Bahia boletins de dou- São Luís, no Maranhão, o primeiro Espelho. De 1870 a 1872, surgiriam
trina libertária, sem periodicidade periódico ilustrado de grande forma- no País 20 jornais republicanos. O
definida. Mas a história da imprensa to, o Jornal Para Todos, começava primeiro deles provavelmente tenha
brasileira foi se apresentando aos a circular em 1876. O Jornal do sido A República, que começou a
poucos: o jornal A Idade do Ouro Brasil era fundado em 8 de abril circular em 3 de dezembro de 1870,
do Brasil nasceu em 14 de maio de 1891. como órgão oficial do Partido Re-
de 1811, em Salvador/BA, antiga A primeira empresa brasileira publicano Brasileiro e do Clube Re-
capital e segunda cidade brasileira; o destinada a editar jornais aparece em publicano, que abrigava a ala mais
Preciso, surgido em 1817, tornou-se 1875 e o Província de São Paulo, radical dos liberais. Nessa mesma
o primeiro totalmente engajado em que mais tarde se chamaria O Esta- linha republicana entram em cena
um movimento político; a Revolta do de S.Paulo (O Estadão), começa também vários jornais no interior e
Pernambucana tinha por objetivo a escrever a história do jornalismo até nas províncias mais longínquas
tirar o controle comercial das mãos moderno. Em 1911, Irineu Mari­ da Corte: O Argos, no Amazonas;

registro RELÍQUIAS Reprodução de páginas


A capa histórica históricas dos jornais Gazeta do Rio de
da Gazeta de Janeiro e Correio Braziliense, os primeiros
Notícias, de 14 de jornais impressos do Brasil. Abaixo,
maio de 1888, reprodução da primeira página do Diário
comunicando de Pernambuco, considerado o mais
a oficialização antigo em circulação na América Latina.
da Lei Áurea,
que determinou
o fim do
escravismo no
Brasil.
Opinião — Mídia alternativa

O Futuro, no Pará; O Amigo do — de alto valor, deixa sua marca. E bosa, Luís Augusto May, Quin­
Povo, no Piauí; O Voluntário da não se pode esquecer do jornalismo tino Bocaiúva, Aristides Lobo,
Pátria, na Paraíba; O Tempo, no de qualidade, grandes reportagens e Manuel Vieira, Castro Alves,
Rio Grande do Sul. Por todo o País ótima linguagem, do Coojornal, de Eça de Queiroz, Raul Pompéia,
multiplicam-se os pequenos jornais Porto Alegre/RS. Monteiro Lobato, Joaquim Na­
republicanos e também começam a A partir de O República, O buco e Euclides da Cunha, só para
surgir abolicionistas. Macaco Brasileiro, A Mulher do citar alguns mais antigos. Entre os
São inúmeras também as publi- Simplício, O Esbarra, A Mutuca contemporâ­neos, no eixo Rio–São
cações sobre temas diversos, como Picante, passando pelo Bondinho, Paulo/Minas Gerais, podemos citar
os periódicos feministas Brasil O Grilo, Ovelha Negra, Extra, Tarso de Castro, Jaguar, Henfil,
Mulher e Nós Mulheres (Londrina); Realidade, Ex, Opinião, Reunião, Marcos Faerman (Marcão), Ál­
o anarquista Inimigo do Rei (Salva- Folha da Semana, Idéia Nova, Mais varo Caldas, Millôr Fernandes,
dor); O Beijo (Rio), com matérias Um Movimento, Senhor, Pasquim, Paulo Francis, Ivan Lessa, Sergio
político-existenciais que marcaram; Repórter, Versus, Flor do Mal, Sin- Augusto e muitos outros.
O Trabalho (SP), trotskista, político gular & Plural, Binômio, A Manhã, Há, sim, muito que se come-
e cultural; e o carioca Lampião da Pif-Paf e tantos outros, os jornais al- morar neste 2008, ano que registra
Esquina, publicação voltada para a ternativos sempre foram magníficos dois séculos da chegada ao Brasil
comunidade homossexual e con- laboratórios de jornalismo a serviço de dom João VI e sua Corte. Mas
siderada de excelente nível jorna- das liberdades democráticas. Devo- não pode ser ignorada a importância
lístico. Em 1977, O Repórter, com taram-se a essa causa jornalistas de que o ano de 1808 representa para a
reportagens e linguagem popular todas as épocas, como Gonçalves imprensa alternativa e comunitária
— marcada pela velha Última Hora Ledo, Cipriano Barata, Rui Bar­ brasileira.
A T V D A PA Z E D A F R AT E R N I D A D E R E A L

S KY - C A N A L 2 7 - 2 4 H O R A S N O A R

Programa voltado para o público jovem, tem como obje- É um espaço dedicado à valorização do pequeno, médio
tivo destacar as principais atividades desenvolvidas por e grande produtor rural. Com notícias, reportagens, di-
organizações do setor público e privado que promovam a cas e entrevistas com especialistas do setor, tem como
cidadania por meio da educação, preservação ambiental objetivo informar o homem do campo, apresentando a
e da existência humana. Contribui para a propagação do ele alternativas de produção e comercialização no agro-
conhecimento sobre a questão educacional e ambiental negócio. O programa traz também semanalmente as
em toda a sociedade. principais cotações do mercado agropecuário.

QUANDO ASSISTIR QUANDO ASSISTIR


segunda a sexta-feira: 13h30 terça-feira: 7h e 16 horas
outros horários: www.boavontadetv.com Sábados: 10 horas

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Patrocínio Apoio
Saúde
Diabetes: mutirões solidários

A preservação da saúde

De olho
no futuro
Mário Augusto Brandão e Liliane Cardoso
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

U
m novo caso de diabetes
Photos.com

surge a cada 5 segundos


no mundo. O alerta é da
Or­ganização Mundial da
Saúde (OMS), que divulgou alar-
mante nota em 2007 sobre a atual
situação da doença. Os números
assustam: em média, a cada 10 se-
gundos, uma pessoa morre de
complicações em decorrência
desse mal; o prognóstico é

etes? que cerca de 376 milhões

diab
de pessoas terão a doença
túr-
eé d i s em 2030, se não houver
O qu
de
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Di a dos vida. O relatório ci-
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m e tabó aumento sado po tou a obesidade e o
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hiper car no sa ta (diabe 2) de sedentarismo como
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64 | BOA VONTADE
Photos.com
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No sul do País, a criançada é atendida pelo mutirão contra o diabetes. torná-
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Na contramão desses indica- dados antropométricos (peso, • Sed deve ndice
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dores, a Legião da Boa Vontade altura e pressão arterial) • Ter m sm o; e ntre 20 e as-
ais de 24,9;
(LBV) desenvolve programas de dos alunos observou as • Dar 45 an
à os de
prevenção dirigidos aos que, di- questões de desnutrição a 4 qu luz criança ida
ilos; com p de;
reta ou indiretamente, participam e obesidade, tudo sob o • Here eso s
ditarie uperio
b é t d ade r
das atividades nos seus centros acompanhamento dos i c os). (irmão
s ou
educacionais — por determina- pais ou responsáveis. pais d
ia-
ção de seu diretor-presidente. Em Glorinha/RS, o cons-
Exemplo disso é o que se vê tante acompanhamento médico
freqüentemente no Instituto de tem feito a diferença na vida dos
Educação da Legião da Boa Von- guris amparados pelo Lar e Par-
tade, na capital paulista. A unida- que Alziro Zarur, da LBV. Para condizente com sinais de uma
de educacional da LBV realiza, um dos adolescentes abrigados, alteração na glicemia, foi solici-
durante o ano letivo, mutirões de esse hábito foi fundamental na tado o teste que constatou o valor
saúde com o objetivo de manter descoberta dos sintomas do dia- de 500 mg/dl”, relata a técnica
o bem-estar físico e mental de betes tipo 1. Após identificação em enfermagem do Lar, Flávia
seus 1.200 alunos. Em um deles, do caso, o garoto foi levado a um Freitas.
para identificar casos de diabetes especialista para consulta. “Du- A partir da avaliação, o menino
tipo 2, a Instituição contou com a rante o atendimento, ele relatou pôde ser encaminhado ao Hos-
parceria da Samcil. Esta ação faz ao médico que, nos últimos três pital da Criança Santo Antônio,
parte do Programa de Nutrição dias, sentiu muita sede, bebia em Porto Alegre/RS, para melhor
e Saúde da LBV, realizado com bastante líquido e, conseqüen- avaliação e tratamento diante da
sucesso em todo o Brasil. Na temente, urinava várias vezes gravidade da situação. Com o
primeira fase, o levantamento dos ao dia. Diante da descrição, diagnóstico confirmado, o menino

BOA VONTADE | 65
Saúde

Daniel Trevisan
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clínic Desde os pequenos até os mais jovens participaram do mutirão em São Paulo/SP, em
parceria com a Samcil.

permaneceu seis dias internado. os monitores no ICD. Durante o idéia de realizar em dezembro de
Ao ser liberado, foi orientado pela treinamento são oferecidas aos 2007 um encontro — com muitas
equipe médica do hospital sobre educadores palestras e oficinas atividades recreativas, lúdicas e
alimentação e aplicação de insulina com a equipe multidisciplinar do esportivas — entre os meninos e
e encaminhado para acompanha- instituto, composta por médicos meninas atendidos pelo ICD e os
mento ambulatorial no Instituto pediatras e endocrinologistas, nu- meninos abrigados na Legião da
da Criança com Diabetes (ICD), tricionistas, enfermeiras, dentistas,
Boa Vontade.
centro de referência no tratamento psicólogas, assistentes sociais e No dia marcado, dezenas de
da doença no Rio Grande do Sul. educadores físicos. Os monitores crianças, adolescentes e pro-
Para seguir rigorosamente o são amplamente esclarecidos sobre fissionais do ICD adentraram
tratamento, a unidade da LBV diabetes. as dependências do Templo da
adaptou sua infra-estrutura para Natureza e da Criança — como
melhor atender às necessidades Encontro fraterno também é conhecido o Lar da
de crianças com diabetes. “Foi A equipe multidisciplinar do LBV. O diretor-presidente do
colocado um frigobar no quarto ICD abriu espaço na agenda de instituto, dr. Balduíno Tschiedel,
do adolescente, aos cuidados do trabalho para conhecer o Lar e presente na festividade, ressaltou:
monitor, em virtude da necessi- Parque da LBV. Durante a visita, “Este é um local fantástico, que
dade de guardar a insulina sob a nutricionista Siciane Gracciolli, só faz engrandecer a parceria.
refrigeração. Além disso, orien- o educador físico Winston Boff, (...) O interessante deste dia é
tamos, pessoalmente, os monito- a enfermeira Marjorie da Silva nossos pacientes verem uma
res, funcionários e responsáveis e a responsável pelo Programa de realidade diferente, convivendo
pelas refeições quanto às regras Educação em Diabetes com outras crianças em
Liliane Cardoso

de alimentação e monitoramento e setor de eventos, Ane harmonia, fraternidade,


da glicemia”, comenta Roberto Pandolfo, disseram-se paz e amor”. Para o coor­
Stencel, responsável pela LBV impressionados com a denador do Programa de
em Glorinha. qualidade do trabalho e Educação em Diabetes do
Outra medida tomada pela com a beleza do local. instituto, o endocrinolo-
Instituição foi capacitar todos Daquele contato, surgiu a César Geremia gista César Geremia, esta

66 | BOA VONTADE
foi “mais que uma visita à LBV: da Criança com Diabetes e o Lar
foi um momento de convivência e Parque Alziro Zarur, da LBV
muito especial. Todos nós retor- trabalham juntos para propor-
namos a Porto Alegre bastante cionar uma vida mais saudável
felizes, renovados. Esperamos às crianças que atendem. O os

o
a rd
estreitar cada vez mais ICD premia, anualmente, Lili ane
C

esses laços de amizade estudantes, escolas, edu-

Liliane Cardoso
em prol de uma sociedade cadores e organizações “Nunca vi um lugar tão
melhor”. que participam de seus
Ao iniciar o encontro, programas e tornam-se
bonito e integrado com a
todos os presentes se multiplicadores de co- comunidade como este Lar
reuniram no ginásio po- nhecimento. Em dezem- da Legião da Boa Vontade.
Paulo Roberto Falcão
liesportivo José de Paiva bro de 2007, um grupo
Netto para um café da manhã. Em de profissionais da LBV recebeu Toda a nossa equipe e
seguida, as crianças da LBV e do o certificado de Educador Cida- as crianças agradecem
ICD foram divididas em grupos dão, entregue pelo comentarista sobremaneira à LBV. (...) Eu
mistos e tiveram a oportunidade e ex-jogador da Seleção Brasi-
de participar de variadas ofici- leira de Futebol Paulo Roberto transmito ao Paiva Netto o
nas, entre elas a de cavalgada, Falcão, presidente do Conselho abraço pelo orgulho desta
tradicionalismo, hip hop, vôlei, Administrativo do ICD, e pelo
futebol. coordenador do Programa de
Obra levantada, que tanto
Educação em Diabetes do ins- benefício vem espalhando
Lar e Parque da LBV tituto, endocrinologista César pelo mundo.”
recebe troféu do ICD Geremia. Além disso, o ICD pre-
Unidos pela solidariedade, miou a Legião da Boa Vontade Balduíno Tschiedel
amor e respeito a seus com o troféu Amigo do Instituto Diretor do ICD
atendidos, o Instituto da Criança com Diabetes.
Arquivo BV

Lar e Parque da LBV,

que
em Glorinha/RS.

i n a i s Tel.: (51) 3487-1033.

m a s es b e tes
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Sin ciam o lados costu- a
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Pesso resentar:
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• Fom mbaçada; sas;
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• In c ados
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c h u s a d
• Ma cau
a d i g a; r n a s , por
•F s pe
D o r es na

ão.
culaç
Uimigração
História
100 anos da presença japonesa no Brasil

Uma bem-sucedida
Leila Marco

Colônia e descendentes
festejam um século de
história e agradecem
a acolhida aos
antepassados
Divulgação

68 | BOA VONTADE
ia
Wikipéd
ulgação/ iv
Fotos: D

P
rimeiro veio a necessida- Um olhar sobre o Mário Gonçalves diz que, a esse
de de sair da pátria mãe, passado tempo, o país do sol nascente se
atravessar oceanos e en- Ao observar o próspero Japão abria para o mundo ocidental e
contrar, no outro lado do de hoje, é difícil imaginar por vivia um momento expansionista.
Planeta, todo tipo de dificuldade que há cem anos muitos de seus “Quando eles chegaram aqui, o
do recomeço em uma nova terra. filhos abandonaram tudo a fim de Japão tinha acabado de sair de
Precisavam “fazer a América” arriscar-se em terras tão distan- uma guerra com a Rússia [1905],
para voltar ao Japão. Mas as coi- tes. Para entender melhor isso, é que venceu a duras penas. O
sas não aconteceram exatamente preciso recuar aos anos anteriores processo de industrialização se
como os pioneiros planejaram. ao marco inicial da imigração ja- dá, mas trazendo consigo graves
Depois de algum tempo, os imi- ponesa no Brasil — caracterizado crises internas. Grande parte da
grantes japoneses souberam que pela chegada do navio Kasato população rural se viu despojada
era hora de mudar o rumo dessa Maru a Santos/SP, em 18 de junho de suas terras, jogada na grande
história; era necessário criar raí­ de 1908, depois de 52 dias desde cidade, às vezes sem condições.
zes no Brasil. que partira do Porto de Kobe (429 As províncias, particularmente
Este ano, essa epopéia feita quilômetros a oeste da capital, populosas, tiveram fortes tensões
de lágrimas, suor e sonhos, nem Tóquio). A embarcação trazia os sociais, e uma das tentativas para
sempre alcançados, completa primeiros 781 imigrantes, dentro
um século. Os motivos que do acordo imigratório estabeleci-
influenciaram aquela aventura
e o que representou esse mo-
do entre as duas nações, e mais 12 Entenda a
passageiros independentes.
vimento para os cerca de 1,5 A história desses imigrantes nomenclatura
milhão de nikkeis (descendentes remonta ao período de moderniza- Issei – imigrante japonês
de japoneses nascidos fora do ção do país, em 1868. O professor Nissei – filho de japoneses
Japão) no Brasil estão nesta de História do Extremo Oriente, Sansei – neto de japoneses
reportagem especial da revista pela USP, estudioso da maçonaria Yonsei – bisneto de japoneses
BOA VONTADE. e missionário budista Ricardo

BOA VONTADE | 69
História

an
Trevis
Daniel
O professor Ricardo Gonçalves é autor

Clayton Ferreira
do livro A Ética Budista e o Espírito
Econômico do Japão (Editora Elevação).
O lançamento da obra, ocorrido no fim
de 2007, na Grande Loja Maçônica do
Estado de São Paulo, praticamente deu
início às comemorações do Centenário
da Imigração Japonesa no Brasil. Em
O Museu da Imigração um dos exemplares da obra, o professor
Japonesa, em São Ricardo deixou a seguinte dedicatória
Paulo/SP, abriga um ao dirigente da Legião da Boa Vontade:
grande número de peças e documentos, “Para o querido Irmão José de Paiva
a exemplo destes passaportes japoneses Netto, o Grande Timoneiro da LBV, com
das décadas de 1950 e 1960. um abraço ecumênico do autor”.

aya
aliviar essas tensões foi a
ato Nak
ssoal/Ren
imigração”, conta.
A Sakura, hoje a maior fabrican-
Com a modernização, após
te de molhos líquidos do Brasil,
a chamada Era Meiji, a nação
rquivo pe

nasceu pelas mãos do imigrante


ganha o cenário internacional.
Fotos: A

japonês Suekichi Nakaya, que


O fato de ter firmado nessa
chegou ao Brasil no princípio
época tratados comerciais per-
do século 20. Na década
mitiu a saída de trabalhadores
de 1930, ele percebeu que
japoneses para outras partes do
muitos amigos, parentes e amigos da
Planeta, a princípio para o sudeste
comunidade tinham dificuldade de produzir o
da Ásia e da Oceania. A América
shoyu e o missô, e iniciou de forma caseira a
Latina tornou-se uma alternativa
empresa, com ajuda da esposa. Atualmente,
quando os Estados Unidos passa-
ela é dirigida pelo filho Renato Nakaya.
ram a desestimular a imigração.
Primeiro o Peru, depois o Brasil,
onde se dá a mais bem-sucedida
iniciativa. “Isso porque o nosso
País experimentava uma crise
diferente, a da falta de mão-de-
obra. Tínhamos saído do regime
escravista e não se havia feito ab-
solutamente nada para preparar
o negro para assumir a condição
de mão-de-obra livre. O negro
foi liberto, mas permaneceu mar-
ginalizado. (...) A elite branca
brasileira tinha medo de
Na imagem central, a Fazendinha Antinha, em Promissão/SP, onde o que aqui se repetisse o que
fundador da Sakura, Suekichi Nakaya, foi trabalhar logo que acontecera no Haiti, onde
chegou ao Brasil. No destaque, à esquerda, a primeira fábrica da a maioria negra acabou
empresa, ainda em Presidente Prudente (década de 1940), e a foto dos
pais do sr. Suekichi, Torakichi Nakaya e senhora.
com a minoria branca e
criou a república negra.

70 | BOA VONTADE
Fotos: Daniel Trevisan

Célia Oi, historiadora, jornalista e coor- Visão geral de uma das exposições permanentes do Museu
denadora de comunicação da Sociedade Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. No detalhe, réplica
Brasileira de Cultura Japonesa e de As- de um dos navios que trouxeram as primeiras levas de imigrantes do
sistência Social (Bunkyo). Japão ao Brasil. Endereço: Rua São Joaquim, 381, 7o, 8o e 9o andares, Liberdade, São
Paulo/SP, tel.: (11) 3208-1755. Horário: De terça a domingo, das 13h30 às 17h30.
Preço: R$ 5 adultos (estudantes pagam meia) e R$ 1 crianças de 5 a 11 anos.

Por isso a política chamada de Na primeira grande fase da imigração japonesa, 1908-1941,
branqueamento, trazendo imi-
grantes europeus”, explica Ricar- chegam aqui mais de 188 mil isseis, e dentro desta há outra muito
do Gonçalves. importante, no ano de 1925: um verdadeiro boom da imigração,
A idéia era fazer do Brasil um
país de população dedicada à agri-
quando o governo japonês subsidia a passagem para quem quisesse
cultura, mas de origem européia, seguir para o Brasil.
em um sistema de colonização que
visava à ocupação territorial como
forma de defender os espaços va-
zios. Só que a falta de habilidade de
Destinos da imigração japonesa
nossos fazendeiros, acostumados a na América
tratar com escravos, arrefeceu esse
processo, segundo o professor.
“Eles se sentiam muito maltra-
tados, e começou uma campanha
Estados Unidos
contra o Brasil. Os fazendeiros de 1888
café precisavam de mão-de-obra
e uma das soluções era o asiático.
Na segunda metade do século 19 Havaí
já havia tido algumas tentativas de 1868

trazer os chineses para cá. O sena- Brasil


dor Vergueiro, do Império, fez este Peru 1908
experimento com eles. E a idéia foi 1899

retomada com os japoneses”, que


preenchiam uma lacuna deixada,
principalmente, com a suspensão

BOA VONTADE | 71
História

Em 1991, quando Paiva Kasato Maru foi apenas adaptado

Arquivo BV

Gilberto Bertolin
Netto completou 50 anos para levar passageiros. “Quando
de idade, recebeu do saía a parte na qual se transpor-
casal de monges budistas tava carga, você montava um
Yvonete e Ricardo Mário imenso tablado. As famílias eram
Gonçalves (fotos 1 e 2), divididas umas das outras com
representantes do Templo 1 2 uma espécie de cortina e com as
Budista Higashi Honganji, bagagens de mão; separavam-se
o koromo e o owan (ves- as pessoas pelas províncias a que

Clayton Ferreira
te e escudela). No ano pertenciam. No Japão daquela
seguinte, ofertaram-lhe época o uso do dialeto era muito
o kesa (manto). Essas forte. Cada setor tinha um repre-
vestimentas são conce- sentante e ele se entendia com os
didas somente àqueles coordenadores da viagem.”
cuja missão na Terra é De acordo com a historiadora,
considerada sagrada. Em 3 outro problema era a demora na
2006, ao completar meio viagem — o transcurso até o Bra-

Clayton Ferreira
século de trabalho na sil levava quase dois meses. Para
Legião da Boa Vontade, minimizar isso, eles desenvolviam
os monges budistas rea- uma série de atividades tentando
lizaram, em nova home- ocupar-se, como aulas básicas de
nagem, ocorrida no dia 25 português, competições esportivas
de agosto, no gabinete do envolvendo as crianças, festas para
dirigente da Instituição, marcar a mudança de hemisfério (a
em São Paulo/SP, a repo- 4 saída do Norte para o Sul), a passa-
sição da veste sacerdotal gem pela linha do Equador, enfim,
búdica que Paiva Netto ganhara em 1991 (fotos 3 e 4). Conhecida como tudo era motivo para distrair-se.
gedappuku e fukuden-e, a abençoada roupa, que simboliza a colheita do
sacerdote nos campos da Felicidade e da Libertação, também está exposta Fases migratórias
no Templo da Boa Vontade (Brasília/DF), a exemplo da primeira. e a contribuição da
comunidade
A corrente migratória japonesa
do fluxo de imigrantes italianos, iniciais não eram nada confortá- para o nosso País, conforme des-
em 1902. veis, muito pelo contrário. O pri- taca Célia Oi, teve três grandes
meiro navio construído especial- períodos. A primeira grande fase,
Aventura da mente para transportar emigrantes 1908-1941, na qual chegam aqui
primeira viagem japoneses para a América Latina mais de 188 mil isseis, e dentro
Como se vê, só surgiria em 1941. Até então, desta há outra muito importante, no
os isseis (japone- todas as embarcações utilizadas ano de 1925: um verdadeiro boom
ses que emigram para esse fim eram cargueiros. da imigração, quando o governo
para a América) A historiadora, jornalista e japonês subsidia a passagem para
quebram, em parte, essa coordenadora de comunicação da quem quisesse seguir para o Brasil.
discriminação e che- Sociedade Brasileira de Cultura “Bastava provar que era um sujeito
gam ao nosso País. Japonesa e de Assistência Social saudável e tinha idade e força para
Mas aquelas viagens (Bunkyo), Célia Oi, informa que o trabalhar”, diz a pesquisadora.

72 | BOA VONTADE
Grande parte deles veio para o
Estado de São Paulo, estimulada
pela cultura do café, sobretudo
até o fim dos anos 1920. Eles tra-
balhavam na fazenda cafeeira e,
depois de um tempo, começavam
a buscar a vida independente. Um
fato importante se dá nos idos de
1915, época da expansão do café Divulgação/Wikipédia

para a região oeste de São Paulo,


e os imigrantes seguem esse tra-
çado, em busca da independência
econômica, montando suas pró- Um dos mais belos templos do Japão,
prias propriedades ou alternativas o Kinkakuji (Templo Dourado).
de vida. “A estrada de ferro era No destaque, a réplica no Brasil,
construída no Parque Turístico
uma coisa muito presente na vida
Nacional Vale dos Templos, em
deles e dos italianos. Pergunta-se: Itapecerica da Serra/SP.
‘Para onde foram esses imigran-
o
Divulgaçã
tes?’ — Para onde iam as linhas
de trem, como a Noroeste do Bra- do fruto no Estado bandeirante, o tra grande con-
sil, a Paulista, a Alta Sorocabana que intensifica a ida de japoneses tribuição dos imigrantes
e a Mogiana”. para o norte do Paraná, local que japoneses foi o desenvolvimento
Com a crise cafeeira, em 1929, se abria para a colonização. das atividades hortifrutigranjei-
a comunidade diversifica as plan- Em meados da década de 1930, ras. Pensando na cidade de São
tações e entram em cena o algo- cresce outro movimento: a aproxi- Paulo, há o que a gente chama até
dão, o arroz (em menor escala) e mação da zona urbana. “Estamos hoje de ‘cinturão verde’”.
uma série de outras culturas então falando do imigrante que sai do Outro foco de imigração ocor-
trazidas pelos japoneses, e desen- sítio e está procurando se aproxi- re na Região Norte do país, onde
volvidas ou adaptadas às condi- mar da cidade, se dedicando ao deixam suas marcas na agricultura
ções do clima do Brasil. Tendo em comércio, à área de prestação de do Amazonas e do Pará, princi-
vista melhores preços para o café, serviço, ou vai morar na redonde- palmente pelo cultivo da juta e da
é proibido o plantio de novos pés za, na periferia dessa cidade. Ou- pimenta-do-reino. Fotos: Arquivo BV

Em 23 de julho de 1988, o jornal São Paulo-Shimbun noticiou a visita de


representantes da coletividade nipo-brasileira à escola mantida pela LBV na
capital paulista. Os visitantes — Masuichi Omi, então presidente da Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) e também da Comissão Organizadora
dos festejos comemorativos do 80o aniversário da imigração japonesa no Bra-
sil; Paulo Ishii, na época o encarregado do setor japonês da Varig; Ryoichi
Kodama, remanescente do Kasato Maru; e Rosa Oikawa, que era
vice-coordenadora do Museu da Imigração Japonesa — percorreram
todas as dependências da Supercreche Jesus. Oshiro Sanenari, do
São Paulo-Shimbun, definiu o trabalho desenvolvido pela LBV como
“impressionante”. No destaque, Masuichi Omi (D) e Ryoichi Kodama.

BOA VONTADE | 73
“Corações sujos”
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os imigrantes japoneses
vivem um período bastante traumático no Brasil, em que a comunidade fica
cindida em dois grupos — os katigumi, da Shindô Remmei (Liga do Caminho
dos Súditos), seita ultranacionalista nascida em São Paulo, cujos adeptos
Boa Vontade TV eram chamados de “triunfalistas”, pois não acreditavam na notícia de rendição
do Japão, para eles, uma farsa dos aliados; e os makegumi, ou “derrotistas”,
no mundo apelidados de “corações sujos” pelos seguidores da seita. De janeiro de 1946
a fevereiro de 1947, matadores da Shindô Remmei buscam em todo o Estado
de São Paulo os makegumi, considerados por eles traidores do Império. Esse
grupo mata 23 imigrantes e deixa feridos outros 150, provocando um sentimento
de terror na colônia. O Dops (Departamento de Ordem Política e Social) prende
30 mil pessoas suspeitas dos crimes, mas apenas 381 são condenadas e 80
deportadas para o Japão. O episódio é contado em detalhes no livro Corações
sujos, do jornalista Fernando Morais.

Desdobramentos da encerrado com o restabelecimento


guerra das relações diplomáticas entre
O objetivo inicial desse imi- Brasil e Japão, em 1953.
grante era permanecer por algum É nesse momento que se inicia
tempo, trabalhar, ganhar dinhei- a terceira fase, em que há várias
ro e retornar. Portanto, havia a tentativas de conciliação, de paci-
postura de preservar a cultura ficação, dos grupos divididos (Leia
original. Com a entrada do Brasil quadro acima). A derrota japonesa
na Segunda Guerra Mundial, em para os aliados deixa claro que a
1942, há interrupção da vinda de volta para o país de origem não
A parceria entre a Fundação José japoneses e tem início a segunda seria possível. Eles tinham de orga-
fase, ou “período branco”, quando nizar-se para ficar e, com isso, há
de Paiva Netto e a Rede Brasileira
eles são considerados inimigos uma reviravolta, porque vêem que
de Televisão Internacional – RBTI – dentro do território nacional. os filhos se tornaram brasileiros e,
segue firme, transmitindo o conteúdo Por conta disso, a comunidade assim, seria necessário melhorar
sofre uma série de sanções, como a condição cultural e social deles,
educativo e de Espiritualidade não poder falar a língua japonesa especialmente por meio do estudo.
Ecumênica da BOA VONTADE TV em público, a proibição de todos “Em 1953 tem-se a chegada das
para os Estados Unidos, México, os meios de comunicação com o primeiras levas do pós-guerra e, em
idioma nipônico e, ainda, o conge- geral, considera-se que esta fase vá
Canadá e Portugal. lamento dos bens deles por decisão até 1973, exatamente o período em
do governo. E completa Célia Oi: que os imigrantes vinham por via
Saiba como sintonizar “Os imigrantes tiveram de sair marítima; pode-se aqui falar em
www.rbtinetwork.com de Santos, da faixa litorânea e do 55 mil imigrantes japoneses. Na
www.dishnetwork.com centro das cidades, locais conside- década de 1970, com a recuperação
www.tvtel.pt rados estratégicos, de segurança do Japão, muita gente deixou de ter
nacional”. Este período branco é essa preocupação em emigrar”.
Informações
(11) 3358-6800
Hoje, com a queda da oferta de
Daniel Trevisan

Fernando Franco
empregos e um crescimento menor
da economia japonesa, o sonho já
não é tão atraente, mas, ainda assim,
é possível encontrar muitos brasilei-
ros por lá. Em 2005, o Ministério da
Justiça estimou a presença de 300
mil brasileiros vivendo legalmente
no Japão, os quais enviam todo ano
cerca de 1,5 a 2 bilhões de dólares
para o Brasil.

Ano de Intercâmbio
Brasil–Japão
Renato Nakaya, empresário e coordena- No último 17 de janeiro, o pre-
dor de finanças da Associação para a Homenagem ao Templo da Boa
Comemoração do Centenário da Imigra-
sidente Luiz Inácio Lula da Sil­ Von­tade — Mais de duzentos ja-
ção Japonesa no Brasil. va abriu oficialmente o Ano de poneses da Sociedade da Oração
Intercâmbio Brasil–Japão, em para a Paz Mundial estiveram, no
O fenômeno dekassegui cerimônia realizada no auditório fim do ano 2000, em Brasília/DF,
Nos anos 1980, o Brasil assiste do Itamaraty, em Brasília/DF. Na para homenagear o Templo da
ao aparecimento do movimento oportunidade, o desenhista Mauri­ Boa Vontade, com o oferecimento
migratório no sentido contrário: o cio de Sousa apresentou o desenho de um Obelisco da Paz. A comi-
fenômeno dos dekasse- do mascote comemorativo tiva foi liderada pelo presidente
guis. O brilho do país do centenário: Tikara. da organização, Hiroo Saionji, e
do sol nascente levou Esse personagem rece- sua esposa, Masami Saionji. A
muitos nipo-brasi- beu de seu criador, dias cerimônia de entrega do Obelisco
leiros a procurar na depois, a companhia da ocorreu ao som da música Aos
terra dos antepassa- garotinha Keika, os dois Irmãos Orientais, de autoria do
dos uma oportunidade representam a cultura mi- diretor-presidente da LBV, José de
de melhorar a própria lenar do Japão em 2008. Os Paiva Netto.
vida. nomes foram escolhidos

A Praça do Japão (foto 1), em Curiti-


Fotos: Divulgação

1 ba/PR, está localizada em uma área


bastante arborizada, possui lago de
carpas, 30 cerejeiras trazidas do país
do sol nascente, cerimônia de chá (às
quintas) e museu. Na capital paulista,
o bairro da Liberdade abriga o Jardim
Oriental (2).

2
História

na língua japonesa: tikara pode de pessoas envolvidas, com tantos Banco de dados
ser traduzido como “força e acontecimentos. Diz que é uma Outro importante projeto é o
coragem” e keika, “bravura, honra para ele estar vivenciando do Museu da Imigração Japo-
pureza e honestidade”. este centenário. Entre os muitos nesa, que está catalogando as
O coordenador de finan- acontecimentos, destaca os que informações dos japoneses que
ças da Associação para a ocorrerão em junho, no auge dos vieram na primeira e na terceira
Comemoração do festejos. A exemplo da presença fases. Com esses dados os des-
Centenário da Imi- do príncipe herdeiro Naruhito, cendentes poderão descobrir,
gração Japonesa representante oficial da Família ao acessar o banco de dados, o
no Brasil, o em- Imperial do Japão. O príncipe nome dos integrantes da família,
presário Renato participará das comemorações de quantos vieram, a origem, qual a
Nakaya, ressalta que a Brasília (18 de junho), São Paulo idade e o destino aqui no Brasil.
comunidade se prepara (21 de junho), Paraná (22 de ju- “O importante, neste primeiro
há um bom tempo para esse nho) e em outros Estados. momento, é que as pessoas po-
momento tão especial e que todos “Haverá uma Semana Cul- derão localizar suas famílias.
os eventos foram pensados sobre tural Japonesa (de 13 a 22 de ‘Ah, meu avô, minha avó tinham
cinco pilares: “Primeiro é home- junho), no Complexo Anhembi, essa idade...’”, estima a assessora
nagear os imigrantes, segundo em São Paulo”, informa o coor- de comunicação da Sociedade
é agradecer aos brasileiros a denador. Além da inauguração Brasileira de Cultura Japonesa e
acolhida a nossos antepassados, no Paraná dos parques do Japão de Assistência Social, entidade
aumentar o intercâmbio cultural e (Rolândia), Yumê (Maringá) e do mantenedora do Museu.
as relações bilaterais. E o quinto Centenário (Curitiba), também
é trazer a cultura japonesa para estão previstas a Corrida e a
o Brasil e também levar mais da Caminhada do Centenário, 3
nossa cultura brasileira para o em Florianópolis/SC e em
Exterior”. São Paulo, prometendo um
Nakaya também afirma que em mês de muitas realizações
nenhum país do mundo houve uma (www.centenario 2008.
mobilização com tamanho número org.br).

A beleza da cultura japonesa em


MCS
2
três momentos: na culinária (1), issner/S
na apresentação do Grupo de
K

Taiko Araumaza do Japão (2), em


Orlando

março no Brasil, e do grupo folclórico de


Curitiba/PR (3).

1
Divulgação
Notícias do Sul

Homenagem A Tribuna Regional,


da Região das de Santo Ângelo/RS
Missões Um dos mais prestigiados jornais do noroeste do Rio Grande
O prefeito em exercício de São do Sul, A Tribuna Regional, de Santo Ângelo/RS, tem divulgado,
Miguel das Missões, José Ro­ semanalmente, desde janeiro, os artigos do escritor e jornalista
berto de Oliveira, Paiva Netto (também disponíveis no site www.
Bibiana Mello de Oliveira

presenteou o líder da paivanetto.com/artigos). O convite ao dirigente


Legião da Boa Von- da LBV partiu do diretor-presidente do periódico,
tade com o distintivo o jornalista e advogado Valdir Andres, também
da Cruz Missioneira, diretor administrativo do Banco do Estado do Rio
encaminhando-lhe a Grande do Sul (Banrisul). “Agradeço esse privilé-
José Roberto de Oliveira seguinte dedicatória: Valdir Andres gio de termos entre os colaboradores do jornal A
“Em 1680, os jesuítas trouxeram a Tribuna o nome de uma pessoa como o professor
Cruz de Caravaca para a Região Paiva Netto, com toda a sua grandeza moral, a sua mística, pode-
das Missões. Hoje, a chamamos mos assim definir. Para nós, é uma honra muito
de Cruz Missioneira. É nosso grande. (...) Os milhares de leitores de A Tribuna
principal símbolo místico e reli- terão a feliz oportunidade de acompanhar os
gioso e está sendo procurada por comentários, os artigos, enfim, todas as opiniões
peregrinos de todos os cantos da transmitidas pelo nosso grande líder da Legião
Humanidade. Que este símbolo da Boa Vontade”, ressaltou.
cristão vindo da Espanha prote- Por ocasião de uma coletiva de imprensa
ja-o e traga-lhe as boas energias promovida pelo Banrisul, na capital gaúcha,
necessárias ao seu trabalho. Bons em entrevista à Super RBV, AM 1300, de
Espíritos visitem-no!” Porto Alegre, o dr. Valdir Andres voltou a
Leitor dos artigos do diretor- comentar: “É uma satisfação falar para
presidente da LBV no jornal A Tri- essa rede de rádio que presta tantos ser-
buna Regional, frisou o conteúdo viços para todo o País. (...) Mando uma
ecumênico que encontra nos textos: saudação muito especial ao meu amigo
“Para nós, é extremamente im- Paiva Netto, que é um dos grandes do
portante o escritor Paiva Netto Brasil e, sem dúvida, uma pessoa que
escrever para um dos jornais se dedica às outras, a projetos, e presta
da nossa região missioneira, A inestimáveis serviços à Pátria. (...) Ele
Tribuna Regional. (...) Há um começou a escrever recentemente no
R
lado espiritual muito forte nes- jornal A Tribuna Regional, de Santo a eprodução de um
rtig dos
ta região e, com a presença do Ângelo, e está sendo grande a acei- Nettoos do escritor Paiv
div a
Paiva Netto, que nós já conhece- tação dos leitores, repercutindo de jornal A ulgados pelo
Tribuna
modo extraordinário nas Missões, Regiona
mos, obviamente vai acender, ou l.
reacender, no coração de cada em outros Estados e até mesmo no Exterior,
um dos missioneiros esta energia conforme e-mails que temos recebido. Portanto, é uma honra
da Espiritualidade, que pertence imensa abrigar os conceitos, as opiniões, a pena brilhante do
à terra missioneira”. professor Paiva Netto”.

BOA VONTADE | 77
Ecumenismo Irrestrito
Notícias de Brasília

No Dia da Religião,
o combate à intolerância. Da Redação
únior
do J
val

E
Os

m 27 de dezembro do ano deral um Templo isto é, o que apregoa a


passado foi sancionada a lei no dedicado à Espi- perfeita confraterniza-
11.635 que cria o Dia Nacional ritualidade Ecu- ção entre os Seres Hu-
de Combate à Intolerância Re- mênica, também manos e Espirituais,
ligiosa, comemorado, pela primeira participou do en- independentemente
vez, em 21 de janeiro, na sede do contro, a convite da de suas crenças ou des-
Ministério da Justiça, na mesma Secretaria Especial crenças. O fundador da
data em que se celebra o Dia Mun- de Direitos Humanos Sheik Hajja Instituição, Alziro Zarur
dial da Religião. (SEDH). Ramza Abdullah (1914-1979), já sustentava
O evento reuniu representantes Durante a cerimônia, os este ideal desde a adolescên-
de diversas tradições indígenas, participantes destacaram a impor- cia, quando lançou os fundamentos
líderes das comunidades islâmica, tância do diálogo entre as religiões de sua Cruzada de Religiões Irma-
budista e cristã, religiões africanas, para a busca da Paz entre os povos e nadas, uma antecipação do relacio-
além de agnósticos e ateus. saudaram os representantes da LBV, namento inter-religioso.
A Legião da Boa Vontade que exemplifica, desde sua origem, o Sobre esse aspecto o sheik
(LBV), que possui na capital fe­ conceito de Ecumenismo Irrestrito, Hajja Ramza Abdullah, do
Centro Islâmico do Brasil, ex-
pressou: “A importância desse
André Fernandes

CONJUNTO ECUMÊNICO DA LBV


O monumento mais visitado da capital federal, com mais trabalho é de uma magnitude
de 17 milhões de peregrinos e turistas, em 18 anos de incomensurável. A iniciativa de
existência (segundo dados da Secretaria de
Paiva Netto é uma atitude lou-
Desenvolvimento Econômico e Turismo do Distrito
Federal — SDET), está localizado no SGAS 915, vável e eu tenho certeza de que
lotes 75/76, tel.: (61) 3245-1070. é muito bem vista aos olhos de
Deus, Todo-Poderoso. (...). Nós
nos colocamos à disposição para
todos os eventos que ocorrerem na
Legião da Boa Vontade para a Paz,
o esclarecimento e a congregação
mundial rumo a um mundo melhor”.
Ao término, o sheik respondeu à
saudação legionária — “Deus está
presente! Viva Jesus em nossos co-
rações para sempre” —, dizendo:

78 | BOA VONTADE
“Viva Jesus! Para quem pensa que
muçulmano não acredita Nele, a
gente quer deixar claro que Ele faz
parte da nossa Fé; é o nosso Messias
Comitiva de Israel
e nós estamos aguardando a Sua se-
gunda vinda, como todos os cristãos.
Inch Allah (se Deus quiser)”.
conhece o Templo da Paz
Em fevereiro do ano passado,

Lícia Curvello
Muito a propósito, recordamos a a embaixadora de Israel no Brasil,
homenagem da comunidade islâmi- Tzipora Rimon, visitou o Tem-
ca ao Templo da Boa Vontade, en- plo da Boa Vontade (TBV), em
tregue na época da inauguração, em Brasília/DF, para apreciar a ex-
1989. Marrocos foi a primeira nação posição Desenhos das Crianças
a agraciar o famoso monumento da de Terezín, na Galeria de Arte do
LBV, em louvor ao relevante papel monumento. A mostra focalizou
que ele desempenha na sociedade. a experiência desses pequenos A embaixadora de Israel no Brasil,
Sua Embaixada no Brasil doou, em durante a Segunda Guerra Mun- Tzipora Rimon (E), acompanhada de
nome do governo e da população dial (1939-1945) na antiga Tche- Raphael Singer e Amós Rolnik.
marroquinos, notável obra de arte, coslováquia, hoje Eslováquia e
um mosaico de pedras característico República Tcheca, por meio de em um Templo como este. Quero
da crença islâmica. A Embaixada desenhos e poemas feitos por divulgar a idéia do TBV por todo
iraniana também manifestou seu mais de 15 mil crianças. o mundo”.
apreço ao presentear o TBV com Encantada com tudo o que No Salão Nobre, voltou sua
uma belíssima pintura tradicional presenciou no TBV, voltou em atenção para a Menorah — espécie
de sua arte, feita em pele janeiro deste ano para apresentá-lo de candelabro, um dos símbolos
Osvaldo Júnior

de cabra. aos amigos israelenses Raphael mais conhecidos do Judaísmo.


O índio Marcos Tere­ Singer, primeiro-secretário da Em virtude da proximidade com o
na, conselheiro da Ordem Embaixada de Israel em Brasília, dr. Adolpho Bloch, na década de
do Mérito da Fraternidade e Amós Rolnik, diretor dos pro- 1970, ficou particularmente feliz ao
Ecumênica do ParlaMun- jetos Povos do Mundo escrevem saber que se tratava de um presente
Marcos Terena di da LBV, enfatizou que a Bíblia e Crianças do Mundo da conhecida família de origem
as comunidades indígenas Desenham a Bíblia. Rolnik, que judaica ao diretor-presidente da
também têm o propósito de buscar veio ao Brasil exclusivamente LBV. Também destacou o fato de
uma liberdade mais ampla. Neste para conhecer a Pirâmide da estar posicionado ao lado do Corão,
sentido, afirma que “o papel da LBV LBV, disse estar “muito im- livro sagrado dos muçulmanos,
se torna edificante e respeitoso. Tem pressionado com o TBV”. Dos e próximo a um quadro iraniano
um momento que ela se apresenta 52 países que já visitou, afirma: pintado em pele de cabra. “A Paz
como um conjunto de forças religio- “Nunca tinha visto e nem estado tem de ser assim”, reconheceu.
sas, com experiências anteriores que urvello
ia C
Líc
contribuem para o avanço da Paz e
do respeito mútuo entre as pessoas
“A atmosfera, as idéias do TBV e os conceitos
e os povos. Espero que Paiva Netto são muito importantes para todos os povos.
continue nessa missão, sempre com Agradeço à LBV a hospitalidade de sempre.”
humildade, pois os desafios são
Tzipora Rimon
grandes, mas o importante é saber Embaixadora de Israel no Brasil
onde queremos chegar”.

BOA VONTADE | 79
Responsabilidade social
Empresas abrem espaço para a mão-de-obra de presidiários

zações da sociedade civil têm aju-


dado a transformar quem entra na
cadeia em uma pessoa melhor, re-
educada e ressocializada, por meio,
por exemplo, da profissionalização
do detento. Dados do Conanda
(Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente) apontam
que, nos locais onde as medidas
socioedu­cativas são aplicadas, as
taxas de reincidência no crime
são de 20%, enquanto nas peni-
tenciárias convencionais chegam
a 60%.

Exemplo que vem da


própria vida
A penitenciária de Hortolândia,
próxima a Campinas, interior de
São Paulo, é uma referência de
como essas medidas podem ser
efetivamente aplicadas. O casal
Fabiana Campos e Frederico

Esperança
Camargo Chibim, donos da
Vitória Artesanato, há sete anos
oferece qualificação profissional,
preparando o preso para o mercado
de trabalho.
O interesse deles em ajudar os

na reabilitação
Fotos: Daniel Trevisan

detentos surgiu há quase uma déca-


da, quando descobriram que o feto
gerado no útero de Fabiana tinha
hidrocefalia e nasceria com malfor-
mação. “Perguntei ao médico o que
ele faria como pai nessa situação.

U
ma das questões a se discutir deva se reabilitar por intermédio do Ele me respondeu que abortaria,
com muita atenção no Brasil isolamento total, considerado um ‘porque é uma vida que não vale
de hoje, no âmbito da segu- instrumento eficaz na manutenção a pena’”, recorda Fabiana. A mãe,
rança pública, é o sistema da segurança. Entretanto, ao cum- porém, não desistiu: deu à luz uma
carcerário. O cidadão inserido prir a pena, o preso nem sempre criança que viveu por oito meses.
nesse meio vê suprimidos direitos se mostra disposto a melhorar a “Aprendi com esse exemplo que
fundamentais como a liberdade e o conduta, ou pior: na falta do que toda vida vale a pena, por isso
voto — conseqüência das infrações fazer lá dentro, muitos reincidem demos seguimento a esse traba-
que cometeram. Muitos na socie- no crime. lho. Muitas vezes, a sociedade faz
dade estabelecem que o detento Diversas iniciativas de organi- a mesma coisa com as pessoas

80 | BOA VONTADE
que estão atrás das grades e as
condena”.

Iniciativa privada e
responsabilidade social
Por acreditar nessa idéia, o em-
presário Selmo Scremin, da em-
presa Milênio Distribuidora, investe
no projeto de profissionalização de
detentos da unidade penitenciária de
Hortolândia. Visitando o presídio,
conta o que testemunhou: “A reali-
dade é um confinamento em espaço
totalmente reduzido. Alguns deten-
tos forjam doenças para caminhar
da cela até a enfermaria, e esse foi INCENTIVO Os empresários Sérgio
um dos relatos que mais nos choca- (E) e Selmo Scremin, da Milênio
ram”. No regime fechado, os presos Distribuidora, apostam na idéia de
ficam em cárcere 21 horas por dia, investir na mão-de-obra de detentos.
Ao lado, galpão de armazenamento de
e há aqueles que não chegam a produtos da empresa.
receber visitas, ou porque a família
mora em outra cidade ou porque os Entre outros benefícios, a inicia-
abandonou. “Por esse motivo, dão tiva ajuda na redução da pena em
valor ao emprego. Nós nos surpreen­ troca da prestação de serviços. “As
demos muito com o empenho e condições sociais que os trouxe-
com o respeito que tivemos deles”, ram ao presídio são várias, mas a
acrescenta Frederico Chibim. condição de saída é o foco de vida dio. O resultado dessa ação, conta
A Milênio Distribuidora, em- deles; eles não querem perder o o empresário, mudou também sua
presa dos irmãos Selmo e Sérgio emprego”, pondera o empresário, forma de ver a relação emprega-
Scremin, tira o preso da cela e o que tem como atuação basilar a dis- dor/empregado, antes restrita às
leva para o ambiente de trabalho, tribuição de materiais que agregam finanças. “Hoje recebo muito mais
remunerando-o. Para participar valor cultural. do que pago: não só pelo trabalho,
dos programas, os 1.200 internos “Imagine o currículo de uma mas para ter certeza de que as
da unidade de Hortolândia passam pessoa de 40 anos de idade, 10 de pessoas que estão com a Milênio
por uma triagem, a começar pelo cadeia e experiência profissional na penitenciária vão sair profissio-
critério de boa conduta. Com base zero. Alguma empresa no País o nalizadas e com cultura”.
nisso, são selecionados aqueles empregaria?”, questiona Selmo. “Chegava a esquecer que estava
mais aptos a exercer as funções. Os presos formam equipes de ma- num presídio; por algumas horas
nutenção de máquinas, consertam o me sentia em liberdade espiritual”,
telhado e fazem toda a conservação conta L., que não quis se identificar.
“Aprendi que toda vida do local onde se situa a empresa Ele cumpriu 25 anos de prisão,
vale a pena.” dos irmãos Scremin; além disso, tendo passado por várias unidades
são bons encanadores e cozinheiros prisionais, e viu naquela oportuni-
Fabiana Campos — preparam alimentos para eles e dade a esperança de dias melhores
Chibim para a área administrativa do presí- na reabilitação. [N. L.]

BOA VONTADE | 81
Arte na Tela
Exposição exalta o artista mineiro

Aleijadinho
o grande barroco brasileiro
Marta Jabuonski
especial para a BOA VONTADE

que se diga que, naquela época, Aleijadinho recebeu influência


Arquivo pessoal

Minas Gerais era o purgatório dos de Francisco Xavier de Brito,


brancos, o inferno dos negros e o no início da carreira, mas logo de-
Marta
Jabuonski,
paraíso dos mulatos. Quase todos monstrou em seus trabalhos grande
curadora os artesãos eram mulatos. O branco liberdade de expressão. Como era
da Galeria não trabalhava, o negro era escravo muito religioso, gostava de estudar
de Arte do e o trabalho livre era normalmente a vida dos santos e carregava sempre
Templo da feito por mulatos”. uma Bíblia na mão. Era um jovem
Boa Vontade.
O artista viveu na antiga Vila alegre, mas mudou radicalmente o
Rica (hoje Ouro Preto), no período comportamento social quando uma

Q
uem foi Antônio Francisco da descoberta do ouro e da forte doença passou a deformá-lo.
Lisboa — o Aleijadinho? religiosidade, era filho de um por- A mostra situou o lugar — Minas
O museólogo Fábio Ma­ tuguês com uma escrava liberta, Gerais —, a paisagem e os índios
galhães responde: “É um nasceu livre e com o pai aprendeu que lá viviam. Desenvolveu-se no
personagem misterioso até hoje, o ofício de entalhador. É sobre local o ciclo do ouro, com enormes
teve uma vida longa para a época esse contexto que se desenvol- descobertas de jazidas, o que tornou
e foi bastante ativo. E a veu a exposição itinerante a região a maior produtora desse
cada dia descobrem-se “Aleijadinho e seu tempo tipo de metal no mundo. Só para
indícios da passagem do — fé, engenho e arte”, que se ter uma idéia, em 70 anos, foi
Aleijadinho, sobretudo nos recebeu público recorde de extraído de suas reservas mais do
arquivos das nossas paró- visitas no Centro Cultural que o resto do Planeta produziu em
quias, seja pelos recibos Banco do Brasil (CCBB), dois séculos.
de pagamentos, discussões Antônio Francisco Lisboa em São Paulo/SP, no ano A exposição suscitou alguns
de empreitadas, cursos passado: cerca de 150.600 questionamentos e reflexões sobre
que deveria realizar, pagamentos pessoas (Fonte: CCBB-SP). Isso esse tempo e, além disso, pôde-se
a auxiliares que contratou”. após ter alcançado sucesso de visi- conhecer mais a respeito da sensi-
Na seqüência, comenta o estu- tação também em Brasília e no Rio bilidade desse mestre entalhador. O
dioso: “Era um mulato, aliás, é bom de Janeiro. que é possível notar na maquete da

82 | BOA VONTADE
O curador da mostra lembra de Janeiro e São Paulo (apesar de
que a descoberta de diamante mais pobre).
na zona de Diamantina, Cerro Minas traz um Barroco tardio,
Conceição do Mato Dentro, tor- porque foi ocupada no fim do sé-
nou o Estado o maior produtor culo 17, e este é o diferencial entre
também dessa pedra preciosa. o Barroco nordestino, que é muito
“Somando diamante e ouro, português, e o mineiro, que recebe
imagina-se como era intensa a influências da Índia, da África e do
vida cultural e social da época. Rococó.
Toda produção ia para Ouro Preto Nos trabalhos de Aleijadinho
e pelo caminho real para Paraty, nota-se o chamado Barroco da
mais tarde para o Rio de Janeiro, Baviera, da Áustria, além do por-
de lá para Lisboa. Isso enriqueceu tuguês. A Igreja de São Francisco
Dom João V, que reconstruiu de Assis, em Ouro Preto, onde o
Lisboa e transformou Portugal em artista foi o arquiteto e responsável
uma nação influente.” por todo o projeto, bem como de
O próprio Karl Marx afirma no grande parte da decoração interna,
Igreja de São Francisco de Assis (em livro O Capital que o ouro brasilei- é considerada pelo ex-diretor do
Ouro Preto) ou com os Sete Passos ro ajudou a financiar a Revolução Museu do Louvre, em Paris, Jean
da Paixão e os 12 Profetas, do San- Industrial Inglesa. Roger Galard, a mais importante
tuário do Bom Jesus de Matosinhos, O museólogo diz que o Barroco obra arquitetônica já realizada fora
em Congonhas do Campo, suas mais brasileiro é a matriz de todos os da Europa nesse estilo.
famosas criações. outros movimentos que surgiram Fábio Magalhães é modesto ao
Destaque ainda para a sala espe- em seqüência, como Maneirismo, falar do êxito da exposição “Alei-
cial montada com obras originais de Renascimento e Barroco. jadinho e seu tempo – fé, engenho
Aleijadinho e outras das quais não No período do Descobrimento e arte”, dando crédito a toda a equi-
se tem certeza serem de sua lavra. do Brasil, o Barroco era a lingua- pe pelo sucesso e
Para falar da religiosidade mineira, gem da época na Europa, expan- ressaltando o nome
pôde-se ver os oratórios e um con- dindo-se para o norte da Espanha, de Ana Helena
junto expressivo de fotografias de para a Alemanha, para a Áustria e Curtis, produ-
Marc Ferrez e do Gotero. para o sul, Espanha e Portugal. No tora e responsável
Fábio Magalhães diz que é pos- Brasil há exemplos magníficos nos pela montagem da
sível traçar um paralelo das obras do Estados de Pernambuco, Bahia, Rio mostra.
mestre e dos seus contemporâneos,
como Xavier de Brito, Francisco
Servas e Mestre Piranga. “É inte-
ressante perceber que o Aleijadinho
não é um fenômeno isolado. Ele
viveu numa época excepcional, na
qual Ouro Preto, São João del-Rei,
Mariana e Sabará foram núcleos
urbanos que cresceram numa velo-
cidade extraordinária. Havia mais
orquestras em Ouro Preto do que
em Lisboa/Portugal.”
Melhor Idade
Dignidade e zelo para com a Terceira Idade

Respeitem os idosos! Mario de Moraes


especial para a BOA VONTADE

Arquivo pessoal
Mario
de Moraes

P
ara aqueles que, como este
que vos escreve, já atingi-
ram idade de serem cha-
mados idosos, custa aceitar
os novos tempos quando, cons-
tantemente, os mais velhos são
desrespeitados. Vai longe a época
em que o chefe de família era o
primeiro a sentar-se à mesa e o
primeiro a ser servido; quando
os jovens, nas conduções, cediam
o lugar a uma pessoa com mais
idade; ou numa reunião caseira,
ninguém interrompia a fala dos
mais velhos. Tudo isso é coisa do
passado e, se um idoso relembrar
algum fato desses, por certo será
tachado de ultrapassado pela qua-
se maioria dos jovens, que não lhe
dará a menor importância.
Se isso já ocorre em relação aos
pais, a situação torna-se ainda mais
preocupante quanto ao relaciona-
mento com os avós, quase sempre
tidos como chatos e fora da reali-
PhotoDisc

dade. Triste de um deles se indagar

84 | BOA VONTADE
ao neto, que sairá à noite, aonde ele

Jorge Alexandre

Simone Barreto
vai e a que horas voltará.
São outros tempos. É preciso
aceitar. E ficar feliz quando enve-
lhece e é tratado como um membro
querido da família. Isso porque, em
muitos casos, o idoso é visto como
um problema, principalmente se é
vítima de enfermidade.
Nas camadas mais pobres, em
geral ele é levado para um asilo,
Davi Alves

onde passa a viver longe do amor


dos seus. Se a família do idoso tem
posses e falta paciência com as
esquisitices do pai ou do avô, facil-
mente o envia para uma moderna
casa de repouso, em que as diárias
Melhor idade Esta é a denominação carinhosa que os idosos recebem na
são caríssimas. E acha que, assim,
Legião da Boa Vontade. Em todo o Brasil, programas e lares para vovôs e vovós
cumpriu seu dever. resgatam a auto-estima, oferecendo-lhes atendimento médico, lazer e cultura.

Diferentes formas de Simmons, sobre como a maioria quanto a políticas e programas


violência dos idosos vê seu futuro, ele chegou de proteção específicos. É bem
Em excelente trabalho realizado à conclusão de que as pessoas mais verdade que, em 1994, foi promul-
pela dra. Maria Cecília de Souza velhas desejam viver o máximo gada a Lei Federal 8.842 buscando
Minayo, do Centro Latino-Ame- possível; terminar a vida de forma ordenar a proteção aos idosos. No
ricano de Estudos de Violência e digna e sem sofrimento; encontrar entanto, como no caso de muitas
Saúde Jorge Careli (Claves), da ajuda e proteção para a progressiva leis no Brasil, a implementação é
Fundação Oswaldo Cruz (RJ), diminuição de capacidades; conti- ainda precária. Mas nada se iguala
fica-se sabendo que acidentes e nuar a participar das decisões da ao que ocorre, muitas vezes, no
violências são a sexta causa de comunidade; prolongar ao máximo interior dos próprios lares, onde o
morte no Brasil de pessoas com conquistas e prerrogativas sociais, choque de gerações, problemas de
idade superior a 60 anos. Deixando como propriedades, autoridade e espaço físico e dificuldades finan-
de lado aqueles que sofrem algum respeito. Infelizmente, temos de ceiras costumam se somar a um
tipo de acidente, como queda, concordar, são poucos os que rea- imaginário social que considera a
atropelamento, as violências contra lizam esses desejos. velhice como “decadência”.
os idosos são bem abrangentes e No caso brasileiro, as violências Em outro trecho do trabalho, a
disseminadas no País, com abusos contra essa faixa etária se expres- dra. Maria Cecília retrata, de modo
físicos, psicológicos, sexuais e fi- sam em tradicionais formas de dis- real, a situação dos idosos. Em
nanceiros, além da negligência no criminação, como os atributos que levantamento realizado no período
atendimento. comumente lhe são impingidos: de 1980 a 1998, por especialistas
De acordo com esse trabalho, a “descartáveis” e “peso social”. Por do Claves, onde a pesquisadora
faixa de 60 a 69 anos, que constitui parte do Estado, o idoso é respon- trabalha, verificou-se que em 1998
cerca de 10% da nossa população, é sabilizado pelo custo insustentável morreram 13.184 idosos vítimas de
a mais atingida. Numa pesquisa de da Previdência Social e, ao mesmo acidentes e violências no Brasil, o
1945, feita pelo antropólogo Leo tempo, sofre enorme omissão que significou cerca de 37 óbitos
Melhor Idade

por dia. Felizmente, observa-se que internações por violências de todo os dedicados à atenção primária
esses índices estão caindo, a cada tipo. Estudos de especialistas no como os do setor de emergência,
ano, suplantados por óbitos por assunto concluíram que a maneira se preparem, cada vez melhor, para
doenças infecciosas e parasitárias. mais freqüente de violência contra a leitura da violência nos sinais
Os números obtidos são sur- os mais velhos ocorre no âmbito deixados pelas lesões e traumas
preendentes. Embora a principal familiar. Cerca de 90% dos casos que chegam aos serviços ou levam
causa de falecimentos entre os de maus-tratos e negligência con- a óbito. Em vários estudos demons-
idosos de 60 anos ou mais, no tra eles acontecem em seu próprio tra-se o pouco envolvimento das
período estudado, tenha sido por lar, e 2/3 dos agressores são filhos equipes para ir além dos problemas
acidentes de trânsito e transporte, ou cônjuges das vítimas. O estudo físicos, mesmo quando em seu diag-
ela vem diminuindo de intensidade, também revela que, em primeiro nóstico fica evidente a existência de
ao contrário das quedas e homicí- lugar, aparecem como agressores os violências como causa básica das
dios, que aumentaram. Outro dado filhos homens, mais que as filhas. A ocorrências. A lógica que define
preocupante é que o suicídio entre seguir, vêm noras e genros ou um seu não-envolvimento costuma ser
os idosos, naquele período, teve dos cônjuges. O idoso é agredido a consideração do problema de
aumento de 6,7% para 7,8% do mesmo quando é ele quem, por maus-tratos como de âmbito priva-
total de mortes. meio da aposentadoria ou econo- do, portanto, fora da competência
Na pesquisa realizada pela dra. mias, sustenta a casa. da medicina (...)”.
Minayo, ela destaca seis unidades Como livrá-lo da violência? A E conclui com eloqüência a
da Federação como as mais vio- dra. Maria Cecília informa: “De- pesquisadora: “Em todas as formas
lentas para essa faixa etária: Goiás, vem ser objeto de atenção: políticas de aumentar o respeito à população
Mato Grosso, Mato Grosso do públicas que redefinam de forma mais velha, em todas as políticas
Sul, Rondônia, Roraima e Rio de positiva o lugar do idoso na so- públicas voltadas para sua prote-
Janeiro. E informa que o número de ciedade e privilegiem o cuidado, a ção, cuidado e qualidade de vida,
óbitos na Terceira Idade por causa proteção e sua subjetividade, tanto precisa-se considerar a participa-
da violência em nosso País não é em suas famílias como nas institui- ção dos idosos, grupo social que
conclusivo. ções, tanto nos espaços públicos desponta como ator fundamental
O sistema de informação hos- como nos âmbitos privados (...). na trama das organizações sociais
pitalar do SUS esclarece que, No caso dos serviços de saúde, é do século 21. Ricos ou pobres,
em 1999, registraram-se 69.637 preciso que os profissionais, tanto ativos ou com algum tipo de depen-
dência, muitos sustentam famílias,
dirigem instituições e movimentam
PhotoDisc

um grande mercado de serviços


que vão de turismo, lazer, estética e
cosmética a produtos e assistência
médica e social”.
Seria ótimo se os mais jovens,
que não respeitam ou agridem os
idosos, compreendessem que,
se chegarem a envelhecer, terão
os mesmos problemas de seus
pais ou avós. Quem sabe, assim,
agissem de forma mais justa e
correta. Vale a pena refletir no
assunto! [M. M.]

86 | BOA VONTADE
L A R D A L B V PA R A I D O S O S E M V O L TA R E D O N D A / R J

“Trabalho de excelência”

uivo BV
Selma Correa

rq
Fotos: A
Andréa Araújo (E), Cláudia Lage e dr. Alberto Pontes Garcia Júnior, juiz da Vara da
Infância, da Juventude e do Idoso, em visita ao Núcleo e Lar para Idosos da LBV.

P
ensando na valorização e no mento oferecido pela Instituição:
bem-estar dos vovôs e vovós
em situação de vulnerabilidade “É a minha primeira visita
social, a Legião da Boa Vonta- a este lar da LBV. Quero deixar espiritualmente”. (Andréa Araújo,
de de Volta Redonda/RJ se empenha consignado que fiquei muito bem promotora de Justiça)
com seriedade para satisfazer às impressionado com o trabalho de
necessidades deles, proporcionando- excelência aqui desenvolvido. Para- “Em visita à Instituição, fiquei
lhes qualidade de vida e respeito. benizo toda a equipe pela dedicação maravilhada com o trabalho de-
Para cumprir esse compromisso, aos idosos”. (Alberto Pontes Garcia senvolvido e animada por ter tido
a LBV utiliza a estrutura ampla e Júnior, juiz de Direito do Idoso) a oportunidade de observar que,
moderna do Núcleo e Lar Ássima e   havendo boa disposição e vontade
Elias Zarur para Idosos, que é ampla- “Acompanhei o dr. Alberto e de acertar, é possível alcançar
mente reconhecido por autoridades mais uma vez percebi o zelo e a excelentes resultados. Desejo que
e personalidades do município. Em dedicação que são dados aos ido- Deus continue a abençoar esta bela
recente visita ao local, o juiz da Vara sos. Gostaria de parabenizar todos atividade e que o município de Volta
da Infância, da Juventude e do Idoso os funcionários e dirigentes pelo Redonda possa contar, por vários
dr. Alberto Pontes Garcia Júnior, trabalho que desenvolvem e que, e vários anos, com o maravilhoso
a promotora de Justiça Andréa sem dúvida, atende o idoso não só trabalho da LBV”. (Cláudia Lage,
Araújo e a secretária de Gabinete da materialmente, mas emocional e secretária de Gabinete)
Vara da Infância, da Juventude e do V I S I T E , A PA I X O N E - S E E A J U D E A L B V !
Idoso, Cláudia Lage, registraram as Núcleo e Lar Ássima e Elias Zarur para Idosos, da LBV — Av. Nossa Senhora do
seguintes impressões sobre o atendi- Amparo, 5.079, Santa Rita do Zarur, Volta Redonda/RJ, Brasil — Tel.: (24) 3346-7150

BOA VONTADE | 87
Melhor Idade

F ebre amarela

Não vacile,
vacine-se Walter Periotto
Fonte: www.saude.gov.br

responsável por espalhar a dengue. áreas consideradas de risco. Vale


Daniel Trevisan

Para se prevenir da doença, é preciso destacar, também, que a vacina só


estar bem informado e ficar atento passa a fazer efeito 10 dias após sua
também a estes fatores: aplicação. Pode ser tomada a partir
Sintomas — Febre, dor de cabe- dos 9 meses e sua validade é de 10
ça, calafrios, náuseas, vômito, dores anos. É contra-indicada a gestantes,
no corpo, icterícia (a pele e os olhos pessoas com o sistema imunológico
Walter ficam amarelos) e hemorragias (de debilitado e a quem é alérgico a
Periotto gengivas, nariz, estômago, intestino gema de ovo*.
e urina). Áreas de risco — Fique atento

D
esde dezembro do ano passado Transmissão — A febre amarela à zona rural das Regiões Norte e
— quando foi confirmada a é transmitida por meio da picada de Centro-Oeste, Estado do Maranhão
primeira morte por febre ama- mosquitos transmissores infectados. e parte dos Estados do Piauí, da
rela silvestre no Brasil — o A transmissão direta de pessoa para Bahia, Minas Gerais, São Paulo,
Ministério da Saúde tem alertado pessoa não existe. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
a população sobre a prevenção e Tratamento — Não há um do Sul, onde há casos confirmados
transmissão da doença. A advertên- específico. O tratamento é apenas em humanos ou circulação do vírus
cia é dirigida principalmente aos que sintomático e requer cuidados na entre animais (macacos).
vivem em regiões rurais (Leia o item assistência ao paciente que, sob
“Áreas de risco”). Segundo dados do hospitalização, deve permanecer em
órgão público, foram aplicados, até repouso com reposição de líquidos e
A febre amarela nos
meados de fevereiro, cerca de 7,3 das perdas sanguíneas, quando indi- últimos cinco anos
milhões de doses da vacina. cado. Nas formas graves, o paciente Número de casos confirmados e mortes
Na forma silvestre da doença, a deve ser atendido em uma Unidade registradas desde 2002.
transmissão do vírus ocorre quando de Terapia Intensiva. Se o paciente
64
pessoas saudáveis, que não tenham não receber assistência médica, po-
tomado a vacina, ao fazer trilhas, derá morrer. Casos
procurar cachoeiras ou mesmo estar Prevenção — A única forma de Mortes
em ambiente rural, são picadas pelos evitar a febre amarela silvestre con-
15 23
mosquitos haemagogus e sabethes. siste na vacinação contra a doença.
6
No meio urbano, onde não era regis- A vacina é gratuita e está disponível 6 5 3 2
5
Fonte: Agência Brasil

trado caso de febre amarela desde nos postos de saúde em qualquer 3 2


3
1942, a transmissão é feita pelo época do ano. Devem receber a dose
2002

2003

2004

2005

2006

2007

aedes aegypti, o mesmo mosquito pessoas que residem ou viajam para

88 | BOA VONTADE
Cidadania
Redescobrimento cultural do Brasil

Programa Cultura Viva


Fonte: www.cultura.gov.br

N
o Brasil, onde historica- multimídias, seja na contratação de
mente o Estado aparece profissionais para cursos e oficinas,
como um fator fundamen- produção de espetáculos e eventos
tal para o estabelecimento culturais, entre outros.
do que se entende por identidade O Ponto de Cultura é exata-
nacional, em termos culturais, uma mente esta parceria entre Estado
iniciativa recente lançada pelo Mi- e sociedade civil, que recebe a
nistério da Cultura (MinC) promete quantia de R$ 185 mil reais para
desesconder o País e reconhecer executar seu projeto. “A rede cres-
os ritos vivos de seu povo. É o que ceu. Eram 450 pontos em 2006,
“A alma da Humanidade é a cultura”,
se espera com os Pontos de Cultu- agora são 680. (...) É um plano frase do dr. Célio Turino.
ra, ação prioritária do Programa de investimento que prevê, até

T Catalão
Cultura Viva, que começou a ser 2010, 20 mil Pontos de Cultura
implantado em 2004. Esse aspecto em atividade no Brasil, em

Fotos: T
dá esperanças quanto ao acesso diversos formatos”, anuncia
universal aos bens culturais, não o dr. Célio Turino, da Secre-
só na condição de consumidores, taria de Programas e Projetos
mas também de produtores de cul- Culturais, vinculado ao MinC,
tura. Além disso, permite inclusão responsável por essas ações.
de novas tecnologias que podem Parte da verba recebida
propiciar uma verdadeira explo- é usada para aquisição de
são transformadora na sociedade software livre, composto por mi-
brasileira. crocomputador, miniestúdio para
O resgate da produção cultural gravar CD, câmera digital, ilha de
será buscado a partir de iniciativas edição e o que mais for necessário.
que envolvem a comunidade em Neste caso, o papel do Ministério
atividades de arte, música, cida- da Cultura é o de agregar recursos
dania e economia solidária. Essas e novas capacidades a projetos e
organizações são selecionadas por instalações já existentes. Também
meio de edital público e passam oferece equipamentos que ampli-
a receber recursos do Governo ficam as possibilidades do fazer
Federal para potencializar seus artístico e recursos para uma ação Música e teatro são duas amostras das
trabalhos, seja na compra de ins- contínua nas comunidades. manifestações culturais registradas pelo
trumentos, figurinos, equipamentos Colaboração: Marilisa Bertolin programa.

BOA VONTADE | 89
Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV
Entrevista exclusiva

O renomado físico
Amit Goswami explica
como as teorias da
Física Quântica têm
aproximado a Ciência
da Espiritualidade

Revolução
em curso
A
afirmação de que Ciência reza da criatividade mostra que é tica e foi pesquisador e professor
e Espiritualidade podem, falha também a crença segundo a titular de física teórica da Univer-
sim, caminhar juntas tem qual cientistas só trabalham com sidade do Oregon (EUA), por mais
mexido com os meios aca- idéias racionais, matemáticas. Na de três décadas. Ele costuma dizer
dêmicos nos últimos anos. Entre visão do físico, eles precisam da que fez o caminho contrário, isto
os que defendem essa posição está intuição, de visões criativas para é, partiu do aspecto científico para
um dos mais destacados físicos desenvolver a Ciência. E ele não o espiritual, pela ótica da Física.
da atualidade, o indiano Amit está só nesse pensamento, basta Dos 14 aos 45 anos manteve-se
Goswami, destacado palestrante relembrar as palavras do célebre em uma filosofia materialista, na
do I Fórum Mundial Espírito e físico judeu-alemão Albert Eins­ qual cresceu e obteve sucesso pro-
Ciência, que a Legião da Boa tein (1879-1955): “Não descobri fissional. Apenas quando começou
Von­tade (LBV) promoveu no ano a Teoria da Relatividade apenas a trabalhar com a questão da medi-
de 2000, em seu ParlaMundi, em com o pensamento racional”. ção quântica, é que vislumbrou o
Brasília/DF, Brasil. Para ele, o Amit, que reside nos Estados paradoxo que lhe era apresentado:
entendimento da verdadeira natu- Unidos, é Ph.D. em Física Quân- “Se a consciência é um fenômeno

90 | BOA VONTADE
Espírito e Ciência, da LBV, con-

João Preda
“Deus é siderado um dos maiores eventos
do gênero no mundo: “Agradeço
o agente à Legião da Boa Vontade esse
apoio. Estou feliz de estarmos
causal por juntos nessa monumental mudan-
ça de paradigma”.
detrás da Em entrevista no ano de 2001,
Amit afirmou que “(...) se esses
nossa estudos se desenvolverem, no
início do terceiro milênio, Deus
criatividade e logo será finalidade da Ciência,
e não só da Religião”.
Espiritualidade.” Falando com exclusivida-
Amit Goswami participou do Fórum Mun-
dial Espírito e Ciência, da LBV, em outu-
de à revista BOA VONTADE, bro de 2000, no Parlamento Mundial da
Goswami comenta essa mudan- Fraternidade Ecumênica, em Brasília/DF,
considerado um dos maiores eventos do
ça de paradigma e as principais gênero no mundo. Sobre a iniciativa,
cerebral, evidências sobre a existência do destacou: “Agradeço à LBV esse apoio.
obedece à que chama consciência cósmica. Estou feliz de estarmos juntos nessa mo-
Física Quânti- Para o físico indiano, a Física numental mudança de paradigma”.
ca, como a obser- Quântica revolucionou ao trazer
vação consciente de um com ela uma mudança de conceitos que, segundo ele, esclareceria
evento pode causar o colapso da da Física Clássica, mostrando que alguns estágios homeostáticos
onda de possibilidades levando o tempo é variável, o movimento da evolução, como o fato de as
ao evento real que estamos ven- descontínuo, que existe interco- espécies adaptarem-se às mudan-
do? A consciência em si é uma nectividade não localizada e que ças ambientais, mas não elucida
possibilidade. Possibilidade não a consciência pode influenciar como uma espécie torna-se outra.
pode causar um colapso na pos- nos acontecimentos. “Potenciais Amit Goswami acredita que essas
sibilidade”. cerebrais têm sido transferidos de “lacunas fósseis”, estágios muito
Desde então, vem dedicando- um sujeito para outro enquanto rápidos da evolução, sugeririam
se ao assunto, tratado por ele em meditam juntos, e isso ocorre sem um salto quântico, que uma cons-
palestras pelo mundo e em livros nenhum sinal eletromagnético, su- ciência interveio de forma objetiva
de sucesso, a exemplo de Física gerindo conexão sem sinal ou não nesse mecanismo.
da Alma e O Universo Autocons- local entre eles. A cura espontânea, E conclui: “O Deus que a Física
ciente. Em nosso País já esteve para a qual existem dados extensos, Quântica possibilita redescobrir é
por diversas vezes e dele guardou mostra-se possível por causa dos objetivo”. Sob esse fundamento
as melhores referências: “Sinto- saltos quânticos criativos das pes- mudam-se importantes conceitos
me ótimo. A cultura brasileira soas. Dados científicos explicariam da medicina e da filosofia, que
sempre tem parecido aberta a a reencarnação, as experiências podem ser muito úteis ao Ser
mim quando se refere a assuntos de quase-morte e canalizações, a Humano. “Ele é o agente causal
espirituais, vida após a morte e eficácia da homeopatia e da acu- por detrás da nossa criatividade e
técnicas de tratamento alterna- puntura.” Espiritualidade, que, na verdade,
tivo, temas sobre os quais escre- Nesse raciocínio, o físico ques- é criatividade interior. A dança
vo”. Amit relembra, com carinho, tiona a teoria evolucionista de da criação é entre nosso interior e
a participação no Fórum Mundial Charles Darwin (1809-1882) Deus.” [L. S. M.]

BOA VONTADE | 91
Ação Jovem LBV
Opinião dos Militantes de Boa Vontade

PhotoDisc
Quando a
Alma
se fundamenta no Amor

D
Juliano Bento

urante a vida, não é raro árvore sem que ao menos se plante


Arquivo BV

submetermos nossos uma semente. Do mesmo modo,


pensamentos a idéias se ampliamos nossa analogia ao
Juliano opostas àquilo que te- saber acadêmico e também reli-
Carvalho mos como valores honrosos, como gioso, torna-se uma alternativa por
Bento, Família, Solidariedade e Amor. vezes acomodada de querer fazer
Bacharel em Desta maneira, chegamos a um conhecimento para nossos próprios
Física pela
ponto no qual o risco de perder a fé interesses, ambicionando que, com
Unicamp
na Humanidade, portanto, em nós tais idéias circunscritas, ganhemos o
mesmos, encontra-se muito elevado. mundo e o modifiquemos.
Podemos observar isso quando, no Essa semente não poderá estar
campo da vivência humana, somos nas mãos do saber e do sentir hu-
compelidos, muitas vezes, a nos ilu- manos, se as pessoas não pensarem
dir e admitir, primeiro, um quadro de em plantá-la e adubá-la de maneira
horrores propiciado por uma cultura que gere frutos para alimentar toda
do medo de tudo e de todos, seguido a Humanidade, compreendida por
de uma satisfação de nossas carên- indivíduos dotados de emoção e ra-
cias no culto ao materialismo. zão. É indispensável o entendimento
Contudo, observar esse show de da necessidade de aplicar o saber de
inversão de valores e esperar que o modo que se compreenda, em pleni-
planeta se torne melhor, por si só, é tude, sua real função para, com isso,
como imaginar a existência de uma torná-lo ainda mais sublime. “(...) É

92 | BOA VONTADE
imperioso que se junte ao esforço pioneiramente o saudoso fundador
mental o das mãos; à filosofia, o cabo da Legião da Boa Vontade (LBV), Tratado do Novo
da enxada (...). Não basta conceber, o radialista, poeta e ativista social
tem de realizar. Os novos tempos Alziro Zarur (1914-1979) ao afir-
Mandamento de Jesus
exigem maior presteza, posto que, mar: “Religião, Ciência, Filosofia (Reunido por Paiva Netto, con-
agora, o problema implacavelmente e Política são quatro aspectos da soante o Evangelho do Cristo
alcança bilhões de pessoas, cuja mesma Verdade, que é Deus”. de Deus, segundo João, 13:34
e 35; 15:12 a 17 e 9)
paciência não é inesgotável. Mesmo Globalizar o Amor Fraterno é
que atingisse um único Ser vivente, também globalizar o conhecimento Ensinou o Cristo Ecumê-
já seria um escândalo”, conceitua o eterno em prol do próprio conhe- nico: “Novo Mandamento vos
jornalista e escritor Paiva Netto em cimento e dos que o buscam, con- dou: Amai-vos como Eu vos
seu livro Reflexões e Pensamentos forme explica Paiva Netto em sua amei. Somente assim podereis
— Dialética da Boa Vontade (1987), mensagem às Nações Unidas. Fazer ser reconhecidos como meus
trecho reproduzido no artigo “Oito religião, ciência, filosofia e política discípulos, se tiverdes o mes-
Objetivos do Milênio”, constante para fortalecer a acomodação peran- mo Amor uns pelos outros. (...)
da revista Globalização do Amor te as contradições que se formam O meu Mandamento é este:
Fraterno, inicialmente editada em diante de nós significa rumar para que vos ameis como Eu vos
quatro idiomas, entregue a chefes de nosso fim, portanto, dessas frentes tenho amado. Não há maior
Estado e demais representações pre- de ação do conhecer humano. Não Amor do que doar a sua pró-
sentes à Reunião do Alto Segmento é necessária uma lógica matemática pria Vida pelos seus amigos.
da ONU, em Genebra (Suíça), em para demonstrar que para todo efeito E vós sereis meus amigos se
julho de 2007. há uma causa. Logo, sem novas fizerdes o que Eu vos mando.
Por isso mesmo se faz neces- causas em favor dos bons efeitos, E Eu vos mando isto: amai-
sário pensar para agir, ou seja, idéias falhas emergem, acarretando vos como Eu vos amei. Já
raciocinar para saber o melhor um abismo moral e intelectual cada não mais vos chamo servos,
modo de atuar. Por isso, quando vez maior, afastando-nos do brado porque o servo não sabe o
nos fundamentamos em um Saber “viver em um mundo melhor”. que faz o seu senhor. Mas
Divino, que podemos compreender A estratégia mais aceita, por- tenho-vos chamado amigos,
como Amor, surge uma Ciência tanto, para a Alma alçar vôos porque tudo quanto aprendi
que busca a grandeza da Verdade, maiores, sem atrofiar as asas e cair, com meu Pai vos tenho dado a
demonstrando humildade perante não é pensar pelo prisma do ego, conhecer. Não fostes vós que
a Natureza, que é seu objeto de mas, sim, pelo do Amor de Jesus, me escolhestes; pelo contrário,
estudo e pesquisa; uma Filosofia o Cristo Ecumênico, por trazer fui Eu que vos escolhi e vos
que busca trazer o indivíduo para a personificação maior do amar, designei para que vades e
as discussões, colocando-o como a manifestada no Seu Mandamento deis bons frutos, de modo que
causa do pensar; uma Política que Novo (quadro ao lado), visto que é o vosso fruto permaneça, a fim
não pensa no imediatismo para superior ao próprio “eu”. Isso por- de que tudo quanto pedirdes
proveito de quem a faz, mas, sim, que nos abrange e nos modifica para ao Pai em meu nome, Ele vos
no cultivo das relações humanas, a real necessidade de existirmos conceda. E isto Eu vos mando:
trazendo benefícios para todos; e, no Universo e de o Cosmos existir. que vos ameis como Eu vos
por fim, uma Religião que mostra o Somente assim entenderemos que, tenho amado. (...) Porquanto,
caminho necessário para que visua- da mesma forma que não se limpa da mesma forma como o Pai
lizemos e possamos pôr em prática sujeira com lodo, não se ama e vis- me ama, Eu também vos amo.
os ideais venturosos do Ser. lumbra a Verdade permanecendo na Permanecei no meu Amor”.
A respeito disso, tão bem definiu indiferença e na omissão.

BOA VONTADE | 93
Pedagogia do Cidadão Ecumênico
LBV da Europa

Espiritualidade
Novo paradigma da Educação
Noys Rocha
de Portugal
Fotos: Arquivo LBV de Portugal

mano carece do alimento espiritual nham ressonância no ambiente


Ricardo Ribeiro

para que não falte o material. “Mais familiar. Assim, a bagagem de ex-
do que educar, é preciso reeducar”, periência dos pais ou responsáveis
como propõe a LBV. pode ser partilhada com o corpo
É fundamental que haja novo docente, o que beneficia a formação
Noys Rocha, paradigma, afinal tudo é gerado pelo do caráter do estudante. A qualidade
representante Espírito do Ser Humano, portanto, da educação, portanto, depende de
da LBV de necessário se faz atuar nele. É nesse nós — como pais, responsáveis ou
Portugal.
panorama que se insere a Pedagogia professores.

A
do Cidadão Ecumênico (PCE), Pe- Diversos programas socioedu-
sociedade mundial está doente. dagogia do Afeto, linha educacional cativos são desenvolvidos, aqui em
Para chegar a esse diagnóstico, preconizada pelo diretor-presidente Portugal, com a missão principal
basta ver que a exclusão social da Legião da Boa Vontade, José de de criar uma cultura de Solida-
grassa, a dependência tóxica Paiva Netto, que alia intelecto, sen- riedade, por meio da melhoria da
assola gerações e a violência que timento e Espiritualidade. qualidade de vida, de forma ampla e
atinge o lar, a escola, as ruas, está em Essa linha educacional vai muito abrangente, em todos os segmentos
toda parte. O debate sobre tais ques- além dos períodos letivos, porque sociais, com a Caridade Completa
tões nos leva a refletir na profundida- não se restringe ao ensino formal, (material e Espiritual). Um desses
de da educação. É importante termos estende-se ao não formal, ao nosso exemplos é o programa Sorriso
a consciência de que não se pode cotidiano, na trilogia escola-família- Feliz, que, além de desmistificar
desenvolver o organismo social sem comunidade. Paiva Netto, em Re- a aversão à cadeira do dentista,
mudar a cultura vigente; o Ser Hu- flexões e Pensamentos — Dialética promove a cultura da higiene bucal
da Boa Vontade, nos adverte que “a correta, como medida mais eficaz
Crianças portuguesas atendidas
escola não substitui o lar”. A pre- para a prevenção da saúde oral. A
no programa Semente da
Boa Vontade sença dos pais, acompanhando unidade móvel da LBV, denomi-
os filhos nos estabelecimentos nada Autocarro da Saúde Oral, um
de ensino, é essencial para um ônibus equipado com gabinete den-
bom desempenho escolar, pois tário e minibrinquedoteca, percorre
fortalece a auto-estima dos a área metropolitana de Lisboa,
educandos e contribui para de estabelecimentos de ensino a
que os valores de conduta entidades comunitárias, realizando
aprendidos no colégio te- procedimentos de profilaxia, como
Ecumênica
o tratamento de tártaro e aplicações
de flúor, de selantes, entre outros.
Na Ronda da Caridade rea- não tratares do espírito e da alma,
lizamos um serviço itinerante de não dás nada a ninguém (...). Todos
Integrado nesse mesmo propó- socorro aos sem-teto, percorrendo os dias acordo com um sorriso no
sito, temos o programa de Agen- diversas localidades nas noites frias rosto. Posso dizer que sou feliz”,
tes Comunitários de Saúde Oral das cidades do Porto e de Lisboa, no destaca Olga.
(Proaso) que, no Porto, em Lisboa, apoio aos sem-abrigo (moradores de Para levar avante essas e outras
em Coimbra e em várias cidades rua). O trabalho estende-se por toda iniciativas, a LBV de Portugal con-
portuguesas, vem formando agen- a semana nas instalações do Centro ta com a parceria da ESE (Escola
tes multiplicadores dessa cultura, Social da LBV, onde os Superior de Educação do
por meio de palestras, simpósios e atendidos recebem também Porto) e das Universida-
sessões educativas com entidades orientação tendo em vista des Lusófona (de Lisboa),
parceiras da LBV. “Há muitos pro- a reinserção na sociedade. Fernando Pessoa e Escola
blemas cardíacos e outros decorren- Uma das voluntárias nessa Superior de Educação Pau-
tes da saúde bucal comprometida”, atividade, a artista plástica la Frassinetti (do Porto),
informa o dr. Cassiano Scapini, e atriz em Portugal, Olga Olga Sotto entre outros respeitáveis
dentista voluntário, supervisor téc- Sotto, começou a colaborar estabelecimentos de ensino
nico de saúde da Instituição. como uma forma de fazer laborató- e entidades a quem agradecemos.
Voltado a crianças e adolescentes rio para um personagem morador de Na minha ótica, o pensamento
até os 13 anos de idade, em situação rua que ia interpretar. Desde então, basilar da Pedagogia do Cidadão
de risco social, há o programa Se- não deixou mais de ajudar. “Faço Ecumênico, de autoria do dirigente
mente da Boa Vontade que ocupa a Ronda da LBV toda semana, não da LBV, é: “Cuida do Espírito,
o tempo livre desses pequenos consigo viver sem ela. (...) Há uma reforma o Ser Humano, e tudo se
com oficinas temáticas e sessões de empatia que não consigo explicar. Se transformará”.
formação, além do apoio alimentar
e afetivo.
“É preciso unir a experiência dos
mais velhos à energia dadivosa dos
mais jovens.” Sob a inspiração desse
pensamento de Paiva Netto, outra
importante iniciativa é desenvolvida:
o programa Viva Mais!, que contri-
bui para a vida ativa na Terceira Ida-
de e incentiva o voluntariado sênior.
Os participantes são recebidos não A LBV de Portugal, nos meses de janeiro e fevereiro, recebeu a visita de estudantes lu-
como simples usuários dependentes sos interessados em ajudar os menos favorecidos. Alunos da Escola Carolina Michaelis
conheceram o trabalho voluntário e, ao final, ofereceram-se para “doar Amor” em co-
de amparo, mas colaboradores com operação à Obra. Os estudantes da Escola Secundária de Moimenta da Beira, região
uma rica bagagem a ser dividida centro-sul do país, também sensibilizaram-se e aproveitaram a oportunidade da visita
com as novas gerações. para participar do Programa Ronda da Caridade, na cidade do Porto.

BOA VONTADE | 95
De Newark, Estados Unidos,
Jhordan Gabriel, 12 anos, de Goiânia/GO, escreveu-nos escreve o Soldadinho de Deus
para contar um ensinamento que aprendeu no livro A Amanda Cecília Vieira, 11 anos:
cura do servo de um centurião, da Editora Elevação: “GOD IS PRESENT! (Deus está
presente!)
“O centurião, sabendo da doença de seu servo e “Adoro ser um Soldadinho de Deus!
da chegada de Jesus, pediu que seus soldados E adoro toda a Legião da Boa Vontade
O encontrassem (o Cristo), pois acreditava não (LBV).
ser digno de falar com Ele. E Jesus Sempre escuto a Super
pôde curar o servo do centurião, Rede Boa Vontade de
tão grande era sua fé. E isso Rádio pela internet. E
é um exemplo para todos nós, o programa que gosto
pois não há tempo e nem espaço bastante é o Bolo com
que impeçam as realizações no Pudim, que passa
Bem, desde que acreditemos em aos sába-
Jesus e façamos por merecer dos, às 11
recebermos a Sua proteção”. horas”.

Você pode ter este e outros belíssimos


ensinamentos do Divino Mestre com os livros
da Coleção Ecumênica Os Milagres de Jesus.
Adquira pelo Clube Cultura de Paz:
0800 77 07 940.

Ajude Pedro
a atravessar o labirinto

96 | BOA VONTADE
(1) Lailla Pereira Jor-
ge, 3 anos, São Paulo/SP
(2) Anna Clara (4 meses) e Gui-
lherme de Figueiredo Caetano (8 anos),
Glorinha/RS (3) Os irmãos Eduarda, 9 anos,
e Enzo Coutinho de Carvalho, 6 meses,
de São Paulo/SP (4) Beatriz Alonso Von
Gal Furtado, 2 anos, Campinas/SP (5)
As gêmeas Ingrid Clara e Valeska Maria
Matos de Souza, 2 meses, de Brasília/DF,
(6) Evelyn de Souza Barreto, 9 meses, de
Niterói/RJ, (7) Soldadinhos de Deus da
Soldadinhos de Deus cidade de Arceburgo/MG, (8) Luana Santos
da Cruz, 9 anos, e Murilo Santos da Cruz,
da Baixada Santista 2 meses, São Paulo/SP. (9) Laura
Crianças da cidade de Santos/SP Bittencourt Rodrigues, 1 ano,
escreveram um livro a respeito do que Glorinha/RS.
aprendem nas Aulas de Moral Ecumênica,
da Religião de Deus, o qual dedicaram
ao Irmão Paiva. Destacamos um trecho
especial para demonstrar o belo trabalho
escrito por Gabrielle Cristina, 7 anos:

Deus está presente em tudo.


Deus está presente na flor.
Deus está presente na abelha.
Deus está presente na borboleta.
Deus está presente na casa.
Deus está presente nas pessoas!

BOA VONTADE | 97
Esporte

Momento Esportivo, do RJ, é eleito


o melhor programa do gênero

A
premiação dos melhores des- prêmio de melhor programa local
portistas de 2007, avaliados do rádio esportivo do Rio de Ja- O técnico Alfredo Sampaio, o treinador
pelo Sindicato dos Treinado- neiro em 2007, representado pelo Mário Jorge Lobo Zagallo e Marcelo
Figueiredo, da LBV.
res de Futebol Profissional do coordenador da equipe, Marcelo
Estado do Rio de Janeiro, ocorreu, Figueiredo.“É um reconhecimento

Fotos: Vivian Ribeiro


no dia 20 de dezembro, na Galeria ao trabalho que a gente faz já há
Gourmet, na Barra da Tijuca (zona nove anos, contando com grande
oeste do Rio). O encontro reu- repercussão, credibilidade e apoio
niu personalidades do Esporte, a da Super Rede Boa Vontade de
exemplo dos treinadores Zagallo, Rádio. A pauta é livre e esse bom
Joel Santana (Flamengo), Alfredo trabalho é refletido neste segundo
Sampaio (então técnico do Vasco), ano consecutivo em que ganhamos
Fábio Azevedo (TV Bandeirantes), este prêmio”, afirmou.
Amaro José da Silva (presidente O técnico do Vasco, que entre-
do Sindicato dos Treinadores/RJ). gou o troféu à equipe, destacou: “Eu Time de craques da SUPER RBV
Da esquerda para a direita, em pé,
Entre os vencedores, o Momento tive o maior prazer em entregar este Wilson Pimentel, Marcelo Figueiredo,
Esportivo, da Super Rádio Brasil prêmio porque são profissionais Antonio Jorge e Eduardo Freitas.
(AM 940), emissora da Super Rede que eu respeito muito, e a Super Sentados, André Gonçalves, Maurício
Boa Vontade de Rádio, recebeu o Rede Boa Vontade também”. Moreira e Gustavo Adolfo.
NET também tem

Televendas: (11) 4004-8844


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