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O TRONO, O HOMEM, O CORDEIRO E O SENTIDO DA VIDA!

Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.

Imediatamente, eu me achei em espírito em outro ambiente ou dimensão, e eis que vi,


armado no céu, um Trono, e, no Trono, Alguém sentado; e esse Alguém que se
acha assentado no Trono, era semelhante, no Seu aspecto, à pedra de jaspe e de
sardônio.

[Era como uma aparência mineral indefinida!]

Ao redor do Trono, há um arco-íris que é semelhante a uma pedra de esmeralda.

[Como se o feixe do arco fosse de esmeralda densa, mas que carrega o arco-íris].

À volta do Trono há também vinte e quatro outros tronos, e, assentados neles, Vinte e
Quatro Anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.

Do Trono saem permanentemente relâmpagos, vozes e trovões; e, diante do Trono,


ardem Sete Tochas de Fogo, que são os Sete Espíritos de Deus.

Há diante do Trono algo como um Mar de Vidro, semelhante ao cristal, e também, no


meio do Trono e à volta do Trono, estão Quatro Seres Viventes, cheios de olhos na
frente e nas costas.

O Primeiro Ser Vivente é semelhante a Leão, o Segundo, semelhante a Novilho, o


Terceiro tem o rosto como de Homem, e o Quarto Ser Vivente é semelhante à Águia
quando está voando.

[Assim era a aparência dos seres viventes!]

E os Quatro Seres Viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão
cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite,
proclamando:

Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que
há de vir.

Quando esses Seres Viventes derem glória, honra e ações de graças ao que se
encontra sentado no Trono, ao que vive pelos séculos dos séculos, os Vinte e Quatro
Anciãos prostrar-se-ão diante Daquele que se encontra sentado no Trono, adorarão o
que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono,
proclamando:

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque


todas as coisas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram
criadas.

Vi, na mão direita Daquele que estava sentado no Trono, um Livro escrito por dentro e
por fora, completamente lacrado com sete selos.
Vi, também, um Anjo Forte, que proclamava em grande voz:

Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos?

Ora, nem no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém era digno de abrir
o Livro da Redenção da Terra, nem mesmo olhar para ele.

Diante disso eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o Livro da
Redenção da Terra, nem mesmo de olhar para ele.

Todavia, um dos Vinte e Quatro Anciãos me disse:

Pare de chorar; pois o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro
e os seus sete selos.

Então, vi, no meio do Trono e dos Quatro Seres Viventes e entre os Vinte e Quatro
Anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha Sete Chifres, bem
como Sete Olhos, que são os Sete Espíritos de Deus enviados por toda a Terra.

Veio, pois, o Cordeiro e tomou o Livro da Redenção da Terra da mão direita


Daquele que estava sentado no Trono!

Ora, quando Ele tomou o Livro da Redenção da Terra, os Quatro Seres Viventes e
os Vinte e Quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles
uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

Eles, os Quatro Seres Viventes e os Vinte e Quatro Anciãos, entoavam novo


cântico, dizendo:

Digno és Tu, ó Cordeiro, de tomares o Livro da Redenção da Terra e de abrir-lhes


os selos, porque somente Tu foste morto e com o Teu sangue compraste para Deus
os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os
constituíste reino e sacerdotes; e, por isto, reinarão sobre a terra.

Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do Trono, dos Seres Viventes, [que estão
no meio do Trono e à volta dele], e dos Vinte e Quatro Anciãos, [que ficam
assentados em tronos ao redor do Trono] — e a voz de anjos que eu ouvia, era de um
número que passava milhões de milhões e milhares de milhares.

Ora, essas vozes de muitos anjos proclamavam em grande voz:

Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força,
e honra, e glória, e louvor.

Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o
mar, e tudo o que neles há — Sim! Vi que tudo o que existe dizia:

Àquele que está sentado no Trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória,
e o domínio pelos séculos dos séculos.

E os Quatro Seres Viventes respondiam:

Amém!
Também os Vinte e Quatro Anciãos prostraram-se e adoraram.

Vi quando o Cordeiro abriu um dos Sete Selos que selavam o Livro da Redenção da
Terra, o qual estava selado por dentro e por fora.

Poucas cenas me são tão comoventes quanto Apocalipse 5, quando o homem é


levado ao ambiente de toda Plenitude, e entra diante Daquele que é, e vê a Sua glória,
e assiste a representação dos Poderes Universais mais conscientes em amor para
com Deus; e, depois, vê o Livro, o documento do Sentido da Vida e dos Humanos; e
ouve a pergunta:

“Quem pode abrir o Livro e realizar o seu Sentido?” — e, então, o homem passa a
chorar muito; pois, em nenhuma dimensão de existência e entre todas as criaturas,
não havia uma única que tivesse a dignidade para levar tudo ao seu Sentido.

Assim, sem esperança, o homem chora em total desolação.

A criação estava aprisionada a si mesma.

Não havia ninguém que pudesse dar dignidade ao todo e a cada um.

Ouve-se o choro de um João diante do Trono de Todos os Universos!

Um sábio da Assembléia Celestial se põe em pé, e repreende o homem.

“Pare de chorar! O Leão, a Raiz da Esperança, o Filho da Promessa, o Filho do


Homem venceu e pode abrir o livro!”

Então o homem se volta à procura de Algo e vê um Cordeiro, um Sacrifício, uma Cruz,


um Madeiro, uma Estaca Universal, e, sobretudo, vê que o Sentido de tudo estava no
sentido da vida manifesta por Jesus, o Cordeiro de Deus.

Vê que é daquela Fraqueza que vem o poder para virar as entranhas do Universo ao
contrário, e, assim, pára de chorar.

Vê que o Cordeiro, o Eterno Sacrifício, a Dádiva da Vida, o Encarnado em Jesus, toma


o Livro da Mão Daquele que é o Pai de Todas as Coisas.

Vê que todas as criaturas de todos os mundos e dimensões, trilhões e trilhões de


seres, todos, à uma, se curvam diante do Cordeiro da Vida, do Autor e do Altar da
Vida, e o adoram com todas as adorações.

Vê que o Sentido Final de Todas as Coisas é dar glória, honra e louvor ao Criador.

Vê, também, que depois de se saber o Sentido Final, o Livro é aberto, e que com o
seu tirar de selos, o sentido da vida na Terra vai se tecendo com catástrofes e
catástrofes, todas provocadas pelo homem, até mesmo as que parecem naturais.

Vê que entregue a si mesmo o homem é suicida, homicida e genocida.


Vê que a cura da Terra vem do céu.

Vê o Céu descer a Terra.

Vê todas as coisas absorvidas pelo amor de Deus.

Vê que o Sentido da Vida e do Homem é constituir uma comunidade de amor eterno


sob a Luz do Cordeiro da Vida, Daquele que é amor, e que por isto criou por amor, e,
em amor, antes de criar, fez do poder da Vida a força do Sacrifício.

A salvação da criação, de qualquer criatura, está no fato de que o Motor da Criação


foi/é o Sacrifício do Cordeiro como entrega da Vida para gerar vida como fruto do
amor.

Nele, que é o Autor e o Altar da Vida,

Caio

27 de abril de 09

O QUE FICOU ESTABELECIDO NA CRUZ

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Artigo 1º - Fica decretado para a consciência de todo homem que a Cruz de Cristo é a
Realidade Primeira de todas as coisas, visto que antes de haver Luz, houve Cruz.

Artigo 2º - Fica estabelecido que toda a criação teve sua origem no Sangue, pois que
o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação de todos os mundos.

Artigo 3º - Fica para sempre declarado que a Luz só pôde ser criada porque a Cruz fez
separação entre a Luz e as Trevas, sendo que ambas existem por decreto da Palavra
de Deus, e somente se explicam no Eterno Sacrifício de Cristo antes de todas as
criações.

Parágrafo Único: Em Jesus Cristo o Verbo se Encarnou, e a Cruz histórica é a


Encarnação do Sacrifício Eterno realizado antes de todas as coisas e por todas as
coisas.

Artigo 4º - Por decreto irrevogável está para sempre estabelecido que todo joelho se
dobre e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a Glória de Deus, o
Pai.

Artigo 5º - Fica decretado que o Mistério dos Mistérios é a Cruz de Cristo, e que dela
são beneficiárias todas as criaturas, especialmente os seres humanos que Hoje assim
já crerem.
Artigo 6º - Pela Vitória do Sangue de Jesus ficou estabelecido o Fim do Mundo e o
Início de Todas as Coisas. Por isso, a eternidade já reina nos corações dos que
crêem. Os inimigos dessa Vitória já foram despojados de seus poderes, estando
apenas se servindo da ignorância dos que ainda não creram.

Parágrafo da Vitória: O Diabo e seus anjos foram despojados de seus poderes na


Cruz de Jesus, tendo agora apenas o poder que a maldade humana lhes fornece
como alimento. Mas o tempo está próximo.

Artigo 7º - Fica decretado que todo aquele que crer em Jesus terá acesso à Árvore da
Vida e à exclusividade de uma Comunhão com o Pai que apenas a cada indivíduo
concerne em Deus.

Parágrafo Diferencial: Todo aquele que crê anda com a marca do Cordeiro na fronte e
é identificado pelos poderes invisíveis, mesmo estando calado.

Artigo 8º - Pela sabedoria eterna de Deus se fez decreto a seguinte certeza: Jesus é a
verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.

Artigo 9º - Por decreto do amor de Deus e de Sua fidelidade está estabelecido que
ninguém que creia em Jesus será lançado fora da Redenção, e também que nada
separará tal pessoa do amor de Deus para sempre. Nem o abismo!

Parágrafo da Vida: Quem crê está para sempre perdoado e pode andar tranqüilo em
qualquer lugar, especialmente nos ambientes de seu próprio coração.

Artigo 10 - Fica de uma vez e para sempre estabelecido que aos homens é dado o
direito de existir, porém toda existência só se transformará em Vida mediante a
consciência do amor, pois Deus é amor.

Parágrafo Eterno: Ele é o Primogênito de toda criação, e por meio dele todas as coisas
foram criadas; dele são todas as coisas, portanto, para Ele um dia todas as coisas
retornarão. Na Cruz Ele reconciliou consigo mesmo todas as coisas, e todo aquele que
crê tem que ter esse entendimento, para que viva bem, ame o próximo e não destrua a
Terra.

Caio

O PODER DA CULPA SOBRE O COMPORTAMENTO

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“Tortuoso é o caminho do homem carregado de culpa, mas reto o proceder do
honesto”. Pv 21: 8

Pecar é humano, mas permanecer em estado contínuo de tortuosidade produz um


estado de culpa que os humanos não suportam por muito tempo.

Mesmo que seja aquela culpa que não se trata como tal, mas que o praticante sabe
que é culpa.

Seja culpa sabida e sentida como culpa, ou apenas a culpa interpretada como tal pela
esperteza do praticante que esconde seus atos — o resultado final é sempre o
mesmo: os caminhos se tornam tortuosos.

Para encobrir o ilícito, anteparos, álibis, pretextos, desculpas, encontros inexistentes,


falsos compromissos, estórias, desvios súbitos de rota, encontro com amigos
desaparecidos, falsificação, distração — precisam ser inventados para que o que
pratica a coisa desonesta possa escapar com ela.

Só que se trata de um interminável processo de construção de um mundo paralelo,


inexistente aos sentidos de terceiros, mas necessariamente “real” para o contador de
estória. E mentirá tanto que poderá acabar se convencendo que sua estória é uma
história.

As conseqüências são as seguintes:

1. Seu senso de realidade se alterará. Com o passar do tempo a mentira se


instala como programação natural e o ser inicia um processo de mistura entre o
real e o imaginário, e adoece.

2. 2. Os caminhos tornam-se tortuosos. Uma vez que alguém se vicie nessa


pratica não haverá jamais a possibilidade de que tal pessoa faça qualquer
coisa reta, à menos que se arrependa e se deixe reeducar.
Do contrário, todas as tentativas de fazer o que é reto esbarram no seguinte: a
execução da nova vereda reta passará, inevitavelmente, pela vereda tortuosa — e
poucos têm coragem de se auto-denunciar no que é tortuoso a fim de iniciar a pratica
do que é reto.

Assim, muitas coisas já não cridas como espertezas, continuam sendo praticadas pelo
medo que o praticante tem de vir a ser descoberto como um estelionatário da
realidade por tanto tempo.

Desse modo, a culpa faz a manutenção da vereda tortuosa...

É obvio que se alguém puder consertar caminhos tortuosos sem precisar escrever um
livro, melhor será.

Afinal, esse é um mundo que não vive de verdade, mas de aparências. E os juízes
humanos são implacáveis.

Nele, que nos redime de toda culpa pelo arrependimento,

Caio

TEVE DEUS MISERICÓRDIA DE CAIM?!

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E DEUS AMOU A CAIM?!


A Queda já era um fato. Seus efeitos cresciam no interior e no exterior.

Dentro havia solidão, medo, angustia, culpa...

Fora havia crescente dificuldade de comunicação instintual, diminuição dos sentidos e


percepções, e sinais de desconexão com a natureza e sua criaturas...

O “apesar de tudo” se impôs e a vida continuou...

Chegara a hora da manifestação do maior caminho de adaptação e ajuste que o


Universo jamais conhecera: o da sobrevivência do homem dentro do âmbito de sua
própria consciência.

Iniciava-se o caminho da consciência...a vereda da sua formação...que aconteceria na


contradição, na culpa, no perdão; por justiça, e por injustiça; no amor e no ódio...

Era a História...

Então, Adão fez amor com Eva, sua mulher; ela engravidou e teve um filho chamado
Caim, acerca de quem ela disse: Alcancei do Senhor um varão!

Tornou a dar à luz a um filho, a quem se deu o nome de Abel.

Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

Houve um tempo em que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura uma oferta
a Deus.

Ora, o Senhor se agradou de Abel e de sua oferta; mas de Caim e de sua oferta não
se agradou Deus.

Por esta razão irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante...e andava amargo.

Então o Senhor perguntou a Caim:

Por que te iraste? e por que está descaído o teu semblante? Porventura se procederes
bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz
à porta, e sobre ti virá o seu desejo; mas a ti cumpre dominá-lo.

Falou Caim com o seu irmão Abel, e lhe disse:

Vamos ao campo...

E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.

Perguntou, pois, o Senhor a Caim:

Onde está Abel, teu irmão?

Respondeu ele:

Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?


E disse Deus:

Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra. Agora
maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue
de teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e
vagabundo serás na terra.

Então disse Caim ao Senhor:

É maior a minha punição do que a que eu possa suportar. Eis que hoje me lanças da
face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na
terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.

O Senhor, porém, lhe disse:

Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor
um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.

Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do


Éden.

Há muito para se dizer sobre a narrativa acima. Mas hoje quero pensar apenas no
amor de Deus por Caim.

Há figuras na Bíblia que nos parecem que existiram apenas para carregar maldições.

Caim é a primeira figura humana a tornar-se uma simbolização maligna.

Sem dúvida, no resto da Bíblia, Caim cresce como figura arquetipica da


desfraternalização dos humanos.
Caim é o primeiro homem que não consegue lidar com a Graça.

O amor de Deus que afirmava a genuinidade do coração de Abel, não provocou nele
nenhum tipo de auto-percepção, mas apenas de projeção irada contra Deus, e
objetivamente transferida de modo odioso contra o único que poderia receber seu
ódio: o irmão.

Na verdade Caim é o Judas da antiguidade. Ambos são simbolizações históricas


daquilo que é mal, mas não significa que o “entendimento” que houve entre Deus e
eles os tenha deixado para sempre tão cristalizados em suas próprias almas, quanto
cristalizados ficaram nas simbolizações que passaram a encarnar ante os sentidos
históricos dos humanos.

O que temos que compreender é que os “filhos da perdição”—como Caim e Judas—


existem muito mais como uma manifestação de pedagogia histórica para nós,
humanos, do que como uma fixação definitiva dessas figuras em estados eternos de
perdição—como se fossem mariposas do inferno, espetadas pela agulha eterna de
Deus na mais nojenta parede do inferno...empalhadas em agonias infindas...como no
orgasmo amargurado de certos prega-dores...amantes do fogo do inferno.

...e se esses indivíduos, à semelhança do ladrão salvo na Cruz—sobre quem a Graça


se derramou, mas nós jamais creríamos se o Evangelho não tivesse nos dito que ele
está com Jesus “no Paraíso”—também tiveram sua “conversa privada” com
Deus...tendo-nos sobrado apenas as suas imagens como simbolizações do mal?

Como a história é sobretudo um fenômeno de comunicação, e se serve de


simbolizações para se fazer ilustrar...pessoas, cidades, nações, e geografias...ficaram
marcadas na Bíblia como sendo “malignas”, sendo que as coisas e pessoas...em
si...não têm que ter tido o mesmo destino maligno que sua figura histórica passou a
dar face.

Um dia nós entenderemos isto com muita clareza, todos nós, e nos envergonharemos
de nossas pseudo-certezas, e juízos perenes.

Na realidade o Caim que entrou para a história pelo ato de perversidade cometido
contra o seu irmão, Abel, não ficou de todo destituído dos cuidados divinos.
Pois a ele disse Deus:

Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra. Agora
maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue
de teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e
vagabundo serás na terra.

Ante a certeza de ser amaldiçoado, Caim entrou no mais profundo de todos os medos
e terrores...ele sabia que sobre ele haveria “um clamor humano” por vingança. Então
se declarou amaldiçoado e perdido...confessou-se um zumbi...um andarilho prestes a
morrer...dando sempre passos para alguma emboscada...enquanto andava para o
nada.

Então disse Caim ao Senhor:

É maior a minha punição do que a que eu possa suportar. Eis que hoje me lanças da
face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na
terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.

O Senhor, porém, lhe disse, porém alardeando Sua Palavra para todos, pois é assim
que Sua voz se faz ouvir:

Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor
um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.

Que coisa linda!

Houve misericórdia e graça até para Caim.

Quem o matasse seria sete vezes vingado...e Deus pos uma marca de proteção...um
selo divino...um aviso para que ninguém se metesse entre Ele e Caim.
Ora, se houve Graça que protegesse a Caim, não haverá muito maior Graça sobre a
sua vida, que está sob o Sangue da Aliança, e que descansa na justiça do Cordeiro de
Deus que tira o pecado do mundo?

Caim carregou as conseqüências históricas de seus atos, e emprestou seu nome a


uma trágica simbolização. Mas não esqueçamos: isto é o que ficou para nós...para o
nosso ensino...e para nos fazer ver as conseqüências de todos os atos humanos...

Todavia, ninguém sabe o que houve entre Caim e Aquele que disse que nele ninguém
deveria tocar.

Os desfechos de todas as histórias humanas é um segredo divino. E sábio é todo


aquele que não ousar dizer o que aconteceu.

Caio

O EVANGELHO E O SERVO INÚTIL!...

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O EVANGELHO E O SERVO INÚTIL!...


Jesus nos apresenta dois contextos nos quais a idéia de Servo Inútil aparece.

O primeiro é o de Mateus:

Porque isto [...] é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou
os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco dinheiros, e a outro
dois, e a outro um; a cada um segundo a sua capacidade; e, depois disso, ausentou-
se logo para longe. Ora, tendo ele partido, o que recebera cinco dinheiro negociou
com eles, e ganhou outros cinco. Da mesma sorte, o que recebera dois, que veio a
ganhar também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu
o dinheiro do seu senhor.

Muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles!...

Então [...] aproximou-se o que recebera cinco dinheiros, e trouxe-lhe outros cinco
dinheiros, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco; eis aqui outros cinco dinheiros que
ganhei com eles.

E o seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre
muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Chegando também o que tinha recebido dois dinheiros, disse: Senhor, entregaste-me
dois; eis que com eles ganhei outros dois.

Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre
muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu Te conhecia, e


sei que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não
espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.

Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Servo mau e negligente; sabias [?] que
ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu
dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.

Tirai-lhe, pois, o dinheiro; e dai-o ao que tem os dez. Porque a qualquer que tiver será
dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.

Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

A segunda afirmação de Jesus sobre o Servo Inútil está em Lucas:

E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do
campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa? E não lhe diga antes: Prepara-me a
ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido e bebido, e depois comerás e
beberás tu?

Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? É certo que
não!
Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos
inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

No evangelho de Mateus a idéia positiva, a que faz um Servo Bom, é a confiança na


Graça e a gratidão pelo privilégio de ser quem se é para Deus; sem medo de
expressar e aumentar o dom da Graça em nossa vida; o que significa viver a plenitude
de nossos dons, talentos, recursos e possibilidades; sendo que a ênfase recai sobre a
alegria no servir como vida e do viver como serviço que dá sentido ao existir.

Já o Servo Inútil recebe um severo castigo...

E quem é esse Servo Inútil conforme Jesus declarou em Mateus?

Ora, é aquele que crê em Deus com raiva de Deus; e que projeta em Deus sua própria
raiva de ser e existir; e que apenas crê em Deus como um fato inegável, porém
desgraçado; visto que tal Deus é por tal pessoa visto como cruel e inimigo da alegria e
da aventura de ser e crer; e, por tal razão, essa pessoa transfere para Deus sua
própria visão mesquinha da vida, buscando assim não perder o que seja de Deus;
porém, sem entender que o que Deus quer não é o dom que Ele deu, mas sim que a
pessoa cresça conforme a confiança que tenha no fato de que Deus é amor, e
também quanto à realidade de que Ele nunca dá sem que peça depois, e também
nunca pede mais do que a capacidade de cada um de desenvolver.

Aqui em Mateus o que faz um Servo Inútil é a Amargura que se faz transferir para
Deus e para a vida!

Sim! Pois toda amargura é paralisante!...

Já no evangelho de Lucas o Servo Inútil é aquele que é pago para fazer as coisas,
mas, ainda assim, quer que ao chegar de suas tarefas o patrão se levante para
agradecer!

Sim! Trata-se daquele tipo de assalariado que nunca é voluntário para nada, mas
que deseja que o Patrão seja grato por ele fazer apenas aquilo que é pago para
fazer!

Assim, em tal caso o Servo Inútil é o Funcionário do Bem, mas que nunca é Voluntário
do Bem!

O Servo Inútil [ou] esconde com raiva a chance de servir... [conforme Mateus]; ou,
então, é aquele que acha que a vida tem uma divida para com ele; portanto,
realizando ele apenas o que lhe for mandado como tarefa de um salário, mas sem
jamais se oferecer para a vida como um voluntário; sem cheque list, porém checando
a vida e se dispondo a servir sem pensar em recompensa.

Desse modo o Servo Inútil é aquele que recebe o dom da Graça e o enterra sob a
alegação de que servir a Deus é coisa dura e arriscada; ou, então, é aquele que serve
a Deus e à vida na esperança de ser visto como herói de algo que nada mais é do que
mera obrigação; ou seja: de algo cujo pagamento é a Graça de fazer.

Servo Inútil é todo aquele que diz:


“Não fiz nada, mas não atrapalhei... Afinal, Deus é duro!”

Ou então:

“Fiz tudo o que me mandaram. Recebi muito por isto. Mas onde está o
reconhecimento?...”

Os amargurados fazem a primeira declaração com muito orgulho...

Os narcisistas, legalistas, justicistas e auto-referentes fazem a segunda declaração


com cobrança ingrata...

Acerca de ambos os casos e espíritos [...] Jesus apenas diz...

Mateus:

Tirai-lhe, pois, o talento; e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que
tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á
tirado.

Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Lucas:

Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos
inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

Agora veja...

Se você não oscila entre dias nos quais você esconde a Graça com raiva de Deus por
mera amargura contra a vida...

Ou, então...

Veja se você não é daqueles que fazem a obrigação que é remunerada com Graça
inefável, e, ainda assim, desenvolve expectativas que o Patrão da Vida não
dispensará a você jamais...

Amargurados e Narcisistas não ganham nada de Deus!

O Servo Bom é aquele que se sabe tão inútil, que, por tal razão, vê em toda chance de
servir algo que é apenas um Indizível Privilégio!

Nele, que assim disse que é,

Caio

17 de janeiro de 2010
LIBERTANDO O CENTRAURO: BICHO PIOR QUE O CENTAURO: EU!

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Esta é uma seqüência de textos que escrevi assim que o site começou em 2003. Hoje
as ponho em ordem apenas para facilitar quem quer que se interesse nessa viagem
do Centrauro: eu.

Escolhi o Centauro da mitologia cretense apenas porque tive, durante anos, até 1998,
sonhos recorrentes e idênticos acerca de minha luta com o Centauro; o qual, ao
mesmo tempo em que tentava me destruir como uma besta hostil, perseguindo-me e
tentando destruir tudo o que eu construía; ao mesmo tempo em que, eu mesmo, no
sonho, embora fugisse do bicho, sabia que ele era, também, eu mesmo.

Ora, isto posto, creio que fica mais claro o fato de eu ter escolhido a figura do
Centauro para caracterizar a lutas de nossas naturezas, conforme Paulo ensina em
Romanos 6,7,8.

Assim, o que foi escrito com pequenos intervalos de dias, aqui você lerá, agora, de
uma só vez.

Escrito em 2003:

__________________________________
Leia Rm 7 — todo o capítulo.

O bicho é humano. Ele é o centro, o centro-auro!

Esta é a luta de sempre —; ou melhor: desde que a consciência-de-si apareceu no ser


humano como conflito, na Queda.

Paulo declara em Romanos 7 que essa é a luta essencial.

O instinto milita contra a consciência profunda. O querer é da consciência. O realizar é


do instinto. A consciência sabe que sabe. O instinto sabe que precisa.

A Queda estabeleceu a ruptura essencial — e esta veio a crescer com as produções


secundárias da culpa, condicionadas por tabus, fobias, controle, poder, crença,
cultura.

Depois da Queda o que um dia estava alinhado, desalinhou-se.

Pendeu.

Perdeu o prumo, o equilíbrio — errou o alvo.

Antes havia uma consciência no instinto e um instinto na consciência.

Depois passou a haver uma divisão, uma guerra, um antagonismo.

Daí Paulo usar a linguagem da guerra: milita contra...


Assim, o instinto cresceu para virar pulsão, compulsão, comichão, vício, obsessão,
tara, loucura — tudo dependendo do nível de escravidão que gere no instituado.

Já a consciência se estabeleceu como dever. Assim, quando pensa que sabe é


porque já sabe que deve.

Esse encontro entre o instinto adoecido e a consciência enferma é a combinação de


elementos que nos aniquilam ao mesmo tempo em que constituem nosso ser hoje.

Somente o trabalho do Espírito, mediante a consciência em fé na obra consumada por


Jesus na Cruz e na Ressurreição, é que pode deflagrar o processo de rejunção
pacificada desses estados irreconciliáveis pela própria natureza.

Esse será o tema de Paulo no capítulo 8 de Romanos.

Enquanto isto creia que já não há mais nenhuma condenação para aquele que está
em Jesus Cristo, nosso Senhor.

Falaremos sobre isto depois.

Caio

________________________________

Rm 8—todo o capítulo.
No texto anterior a este eu falei do conflito que se instalou entre o instinto e a
consciência — digo: instalou-se com a Queda.

Assim nasceram os Centrauros! Ou seja: os centro-auros... O ser narciso!

Paulo trata desse estado em Romanos 7 e foi acerca disso que também falamos no
texto anterior.

Aqui continuo de onde parei e prossigo para onde prometi. Portanto, leia Romanos 8.

Uma vez que Paulo identificou e estabeleceu a incurabilidade dessa guerra entre a
consciência e o instinto, o que fica em nós é uma profunda tristeza.

“Desventurado homem que sou!” — clamou Paulo.

A verdade é estranha. Primeiro ela faz o diagnóstico do pior de todos os males e que é
doença de todos na Terra. Depois de assim fazer, surge então não um indicador para
que se siga determinada regra a fim de se curar o ser desse estado de divisão básica.
Não é isto que acontece. Paulo começa tão somente dizendo que “Agora... já não há
nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus”.

A seqüência nos afirma basicamente duas coisas:

1. Deus, em Cristo, pelo amor do Pai e mediante a obra do Espírito Santo, realizou
tudo aquilo que se pode esperar em favor de nós, os Centrauros. Agora os bichos de
si-para-si-mesmos poderem ser salvos de sua catividade. “Já não resta condenação
para os que estão em Cristo Jesus”.

2. Estou livre da morte, mas agora preciso ser curado. Ou seja: em Cristo a assunto
acerca da morte do Centrauro ficou afastado para sempre. Agora, livre do medo da
morte — e que é a força motriz de desalinhamento entre o instinto de sobrevivência e
consciência da vida—nós podemos começar a buscar o caminho do pendor para a
escolha da consciência, sem a culpa de se abandonar o instinto; bem como se pode
admitir o instinto, mas colocando-o na intensidade apropriada.
De acordo com Paulo esse bem já está definitivamente conquistado.

O que nos resta é crescer na apropriação desamedrontada do bem já realizado em


nosso favor, ainda que, na pratica, todos nós vejamos os sintomas da presença da
desordem ainda nos habitando.

A questão é que a culpa da doença era a doença da culpa. Assim, livres da doença da
culpa podemos prosseguir para buscar a cura da culpa da doença.

A pior doença não é mais a doença da culpa, mas a culpa da doença.

E quanto mais nos sentimos tomados pela culpa da doença, mas crescem em nós—
outra vez—os sintomas da doença da culpa.

Enquanto a guerra é essa, mesmo que você diga que crê em Jesus, tudo continuará
igual—podendo até mesmo piorar, como em muitos casos acontece.

A doença da culpa já foi debelada.

Não há mais risco de morte.

Jesus garantiu isto para cada um dos Centrauros.

“Agora, pois, já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”.

A cura agora é um processo de pacificação que dura o resto da existência.


Não há, na Terra, um único Centrauro que esteja livre de experimentar alguma forma
de culpa da doença como se fosse ainda a doença da culpa.

Toda vez que a doença da culpa volta como sintoma, a maioria dos Centrauros pensa
que está morrendo e, assim, entregam-se à culpa da doença e passam mal, muitas
vezes achando que o que Jesus fez não resolveu nada.

Resolveu tudo!

Os Centrauros é que não desejam descansar no bem que já lhes pertence. E como
não estão mais sob o risco da morte, mas ainda experimentam os sintomas,
freqüentemente, ao prová-los como fato, desistem da esperança e abandonam-se ao
domínio dos sintomas.

Paulo diz em Romanos 8 que o caminho agora é o de buscar novas inclinações.

Enquanto a primeira interpretação da culpa da doença for “morte”, o coração do


Centrauro sofrerá as fobias da morte e pensará que está morrendo.

Somente quando o Centrauro crê que não sofre mais desse mal para a morte, é que
pode iniciar-se dentro dele o benefício do bem já conquistado por Jesus.

O Centrauro tem que andar em fé a fim de se apropriar do bem que já é seu.

A fé põe o Centrauro no caminho da inclinação para o outro centro—não o seu


mesmo. A doença do Centrauro está no seu próprio centro, que virou um campo de
batalha entre ele e ele mesmo.

A inclinação do Centrauro agora tem que se mudar para outro eixo: o da paz que está
em Cristo—pois, somente nesse estado é que ele pode começar a usufruir o bem que
já é dele.

Mas não há mágicas!


Trata-se de um longo caminho de fé e consciência—aonde o instinto e a consciência
vão se reconciliando pela ausência da doença da culpa e da culpa da doença.

Caio

________________________________

Leia Rm 7 e 8

Já vimos quem é o Centrauro nos dois textos que precederam a este.

A leitura deles é obrigatória a fim de que você possa entender este.

O Centrauro sofre porque é Centrauro.

Sofre dores diferentes.

Cada Centrauro tem sua própria dor e vive sua batalha interior de modo diferente.

O Centrauro que eu mais conheço sofre de variadas dores.

Sofre pelo excesso de energia que parece existir nele.

Sofre pela incapacidade de ser calmo frente a seus próprios impulsos.

Sofre a tristeza pelas coisas que já não têm remédio.


Sofre a culpa de decisões.

Sofre a certeza de que sua existência histórica carrega um espinho maior que a carne
onde ele se instalou.

Sofre o retardo de seu ser na apropriação dos bens de sua consciência.

Sofre a canseira de ver como vê e de saber que as coisas que ele vê, não deixarão de
ser como são nunca na Terra.

Sofre por ter que amar em meio a tanta conturbação.

Sofre a conturbação do amor — em suas mais variadas formas.

Sofre por misturar as causas de sua dor com o efeito dela — e assim, sofre por ser
injusto na expressão até mesmo de seu sofrimento.

Sofre juntamente com a criação pelo dia da redenção de seu corpo de morte.

Sofre ao se sentir entregue à morte o dia todo.

Sofre... o próprio sofrimento.

O Centrauro é apenas um homem. Um homem entre outros homens e sentindo aquilo


que nenhum outro homem pode saber o que é: a dor maior do Centrauro é sua
solidão.

Assim, o Centrauro olha para cima e diz: “Aba, Pai!”.


É tudo o que diz.

E na sua impotência crê numa intercessão maior por si mesmo.

Pede Àquele que sonda os corações que interceda por ele, sobremaneira, com
gemidos inexprimíveis.

O Centrauro... bem, ele é quem achar que é um.

O Centrauro já não sofre de condenação divina. Ele ainda sofre a sua própria
condenação humana.

O pior inimigo do Centrauro é ele mesmo.

Sua salvação na Terra é deixar seu próprio centro livre para ser ocupado com a paz
que já é dele, mas que ele precisa se apropriar dela.

Deus salvou o Centrauro!

Agora o Centrauro tem que descansar nisto.

O Centrauro viverá pela fé.

Caio

________________________________
Leia Rm 7-8

Você já sabe que o Centrauro vive uma guerra permanente entre o instinto e a
consciência. Já conheceu suas crise de ser, sua saída garantida na Graça, seu
sofrimento quando mergulha apenas em si mesmo — e agora saberá da libertação
Centrauro.

O Centrauro é tanto mais Centrauro tanto mais instintual ele for.

Quando se deixa tomar pela instintualidade o Centrauro mergulha em toda sorte de


animalizações de sentimento: tristezas terrenas, saudades históricas, perdas e
prejuízos pessoais, descrédito ou insucesso, são coisas que centraurizam
terrivelmente.

A entrega ao instinto é entrega à necessidade — mesmo quando é psicológica.

Daí Paulo dizer que o caminho da cura para o Centrauro é o pendor para o Espírito, de
onde procedem a alegria, justiça e paz.

As forças do instinto operam baseadas na morte como referência, tipo: tenho que
aproveitar agora se não o tempo não vai permitir.

O nome da oportunidade é tempo; e o tempo é o tirano da necessidade, pois empresta


a ela a sua urgência.

Esse pendor do instinto dá para a morte — afinal, está escravizado pela necessidade
que só se realiza no tempo.

E a referencia do tempo é a morte.


O Centrauro começa a viver como gente quando sua instintualidade começa a ser
subordinada pela sua consciência.

E essa consciência é mídia do Espírito em nós.

Assim, quanto mais as inclinações do Centrauro forem para as coisas do Espírito,


mais ele estará alimentando a consciência com o poder que subordina o instinto.

A questão que é isto não é uma formula a ser praticada como disciplina.

Tal tentativa adoece e produz neurose.

“A lei do Espírito e da Vida em Cristo Jesus, te libertou da lei do pecado e da morte” —


é a certeza de Paulo sobre o assunto.

Tudo começa com a certeza em fé que garante ao Centrauro que ele está salvo de
seu inferno interior — a doença da culpa e a culpa da doença — e que isto foi
realizado por Jesus — está pago —, e que a apropriação do benefício é pela fé.

Depois é que vêm os nutrientes do ser.

Alimente o instinto e ele crescerá e sobrepujará a consciência.

Alimente a consciência e ela não satisfará as concupiscências do instinto.

A releitura de Romanos 8 — todo o capítulo — mostrará a você como acontece esse


crescendo de certezas, intimidades, penhores, juramentos, vínculos, afirmação de
amor incondicional — tudo da parte de Deus para conosco!

E é essa escada de invisíveis degraus que nos leva em fé até aquele lugar de ser
onde a consciência pacificada convive harmoniosamente com o instinto, pois, este foi
subordinado e agora se expressa com o melhor de si.
É para lá que estou caminhando e pedindo a Deus para crescer nessa graça todos os
dias.

Quem acha que já alcançou, ainda não entendeu nada.

Isto aqui não é blábláblá.

É o alfa e o Omega do trajeto humano na Terra — no caminho de ir do puro instinto à


consciência harmonizada ao instinto e este dócil amigo de vontades mais vinculadas
ao amor.

Caio

SILÊNCIO E QUIETUDE!

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Leituras: Salmo 46 e Mateus 6

“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” é talvez a ordem divina mais difícil de ser
atendida.

A dificuldade está no fato de que é Deus quem fala, mas é o homem quem tem que se
aquietar, deixando o motor de suas ansiedades parar, permitindo-se levar no
‘automático da confiança”.

Ansiedade é algo tão terrível em razão do poder que tem de tornar o presente
inaproveitável, escravizando o indivíduo, pela insegurança, à virtualidade agustiada do
que não existe ainda, posto que a ansiedade se faz serva do futuro; ou seja: ela
escraviza o ser ao que não é, e o impede de viver o dia que é Hoje.

A ansiedade é barulhenta, aflita, ruidosa, e, seus ruídos são como o barulho que se
ouve a noite quando se anda sob fios de alta tensão: invisíveis, porém reais e
destrutivos.

O ruído e a energia da ansiedade faz a alma se sentir eletrificada pelo sentir de uma
força hostil e negativa, a qual, pela sua própria natureza, se alimenta de pre-
ocupações... escravizando a alma ao fantasma que o medo concebeu como futuro.

O corpo todo sofre quando você está ansioso. Os braços, especialmente, parecem
ficar lotados de um carga como que elétrica, e que vaza pelos membros, angustiada
por fazer “um terra” que a descarregue...; embora, em se estando ansioso, nada
absolutamente faça esse “terra” pelo qual se possa descarregar tal energia. Ao
contrário, toda a tentativa de se ‘fazer terra’ apenas aumenta a ansiedade, posto que a
ansiedade se alimenta da imprevisibilidade da terra... portanto, do tempo e do espaço.

A mente ansiosa trabalha correndo atrás do pior, angustiada por não saber o que
reserva o amanhã. Assim, quanto mais energia alguém dedica à ansiedade, mais
insaciável ela se torna, e mais fraca a pessoa se sentirá em relação o poder do que
ainda não é...

Chega o ponto em que drenada, impotente, angustiada, gelada de medo, a pessoa


passa a crer que todo o mal que ela teme a alcançará... e, assim, imagina que todas
as não-soluções lhe acometerão...

A ansiedade é a fé no pior; é filha da desconfiança; é tão certa quanto a culpa de cada


um; é tão implacável quanto o vatícinio de inimigos; é tão covarde quanto o diabo.

Por essa razão, assim como a fé é a certeza das boas coisas... a ansiedade é a
expectativa amedrontada de tudo o que é ruim.

Daí, não raramente, a ansiedade chamar à existência justamente as coisas que pela
ansiedade se teme... e das quais se fuge... ou se luta buscando fazer prevenção.

Na ansiedade não há fé, pois, onde há fé, aí não há ansiedade!

Na melhor das hipoteses a ansiedade gera uma fé nervosa e que existe em estado de
desespero.

É por essa razão que eu disse no início que “aquietar-se” e esperar na intervenção de
Deus é uma das coisas mais difícéis que se pode pretender realizar. Alías, se houver
ansiedade jamais se terá tal descanso; posto que o estado de descanso vem da
confiança e da entrega.

O que é mais ficífil nisso tudo é que o “aquietar-se” é algo que Deus ordena, mas é o
homem quem tem que decidir.

“Aquietai-vos” evoca uma decisão pessoal; uma resolução; uma consciência que abre
mão do instinto aflito de auto-defesa; é uma vontade de paz; um entregrar confiante da
impotência pessoal, crendo que em tal paradoxo nasce o poder que realiza o
impossível.

Aqueietar-se em Deus é o agir pelo não agir!

Provavelmente a maioria das pessoas só pensam nesse mandamento divino quando


tudo está “preto”, e já não se tem saída. A contradição é que essa é a pior hora para
se começar no caminho da quietude. Todavia, antes na calamidade do que nunca...

No entanto, o que se deve almejar é entrar num estado permanente de descanso e


confiança, intentando fazer até mesmo com que a própria respiração e cadência do
fluxo sangüinio se ponham também sob as bênçãos de tal ordem de vida dada por
Deus.

Ou seja: é melhor se treinar na quietude todos os dias, fazendo exercício cotidianos de


descanso da alma, chamando o ‘pôtro’ angustiado que há dentro de cada um de nós
para acalmar-se junto às águas de descanso e nos pastos verdejantes da quietude
interior.

Ora, se assim se faz em tempo de paz..., muito mais fácil fica não abandonar o
compromisso com a confiança que gera quietude no dia da guerra; posto que se
aprende na vida a começar das pequeninas coisas.

O fato é que é preciso que se ‘aquiete’ antes..., a fim de que de possa ‘saber” quem é
Deus ‘depois’.

Deus se deixa conhecer como Deus na quietude confiante e no silêncio entregue e


pacificado que vem da fé.

A questão é que temos horror de confiar, crer, entregar, abandonar, descansar, deixar
a vida correr no fluxo...; e, sem temor, não temer peder nada...; posto que tudo aquilo
que é entregue a Deus jamais se perde... mesmo que não esteja em nossas mãos.
Em meio a tudo isso..., nesse ‘aquietai-vos”..., há também com convite ao silêncio
interior.

Deus fala no silêncio!

Silêncio em Deus é quando os processos mentais se acalmam, a alma se deita


aconchegada, os espírito de levanta voluntário, o coração se aninha humilde, os
ouvidos interiores se abrem, e, nossas vozes vocais ou não-vocais emudecem...;
sim..., é depois de tudo isso que podemos ficar abertos para ouvir Deus no silêncio...

E Ele fala. Fala dentro de nós. Fala sem palavras e sem linguagem. Fala através de
sentimentos... às vezes de angustias que emulam a consciência... às vezes através de
brisas, ventos, folhas que se esvoam, pássaros que cantam, estações que mudam,
luares sombrios ou iluminados; bem como através de gestos, acontecimentos,
inspirações, alegrias puras, gratidão, esperança, sonhos...; e, sobretudo, mediante o
silêncio da Palavra, que fala sem gritar, e que admoesta em consolação.

Experimente a santa irresponsabilidade de descansar em Deus, de dizer ‘tô nem aí...


está nas mãos de Deus...’; ou, ainda, experimente fazer da quietude o seu tesouro, o
seu modo de vida, o seu sentir mais normal, e sua ambição mais preciosa.

Ah! Grande alegria e contentamento há na confiança que sossega e se aquieta!

Quem assim faz... em fé... esse conhecerá a Deus. Sim, esse ‘saberá’ em
profundidade acerca do poder que emana em favor da alma que se aninha na amizade
de Deus.

Bem-aventurados os que se aquietam, pois eles saberão e conhecerão quem é Deus!


Pense nisso!

Caio

A ETERNA CRUZ DE SEMPRE!

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A Cruz da História é somente a da Crucificação.

A Cruz é o que vem antes de tudo, inclusive da Crucificação.


O Cordeiro de Deus foi imolado antes da criação de qualquer criação.

Por essa mesma razão Aquele que tem o poder de “abrir o Livro e lhe desatar os
selos” é o Leão de Judá, a Raiz de Davi, mas quando essas faces são procuradas por
João — que antes chorava muito em desesperança (Ap 5:4-5) —, quem ele vê é um
Cordeiro “como havia sido morto”.

Nós cristãos pensamos que nossa salvação veio do sofrimento de Jesus por nós!

Sofrimento não salva, apenas amargura e mata!

Nossa salvação não vem da Crucificação, mas da Cruz!

A Crucificação é um cenário!

A Cruz é o sacrifício eterno que teve na Crucificação apenas o seu cenário histórico!

Quando Paulo diz que só se gloriava na Cruz, ele não nos aponta um espetáculo
histórico, o qual ele nunca nem perdeu tempo em “descrever” como evento
martirizante e agonizante.

Para ele a Cruz era “o mistério outrora oculto e agora revelado” — com todas as
implicações da Graça em nosso favor.

A Crucificação estava exposta às interpretação dos sentidos humanos: “Este era


verdadeiramente Filho de Deus” — confessava o centurião, perplexo com o modo
como Jesus morrera. Também reagia assustado diante do fato que a terra tremia
enquanto a escuridade envolvia subitamente a tarde daquele dia.

A Cruz, todavia, é infinitamente maior que a Crucificação. O Sangue que purifica de


todo pecado não um líquido; é uma oferta de amor perdoador que existiu como tal
ainda antes que qualquer forma de sangue tivesse sido criada.

A Cruz é uma eterna decisão de Deus com Deus. O Sangue Eterno é a Decisão da
Graça!

Na história, o sangue foi derramado para manifestar aquilo que em Deus já estava
feito!

Jesus Consumou o que Nele já estava Consumado desde a eternidade!

Na Páscoa, portanto, celebra-se o cordeiro simbólico que aparece desde o Gênesis.


Ganha rito instituído no Êxodo, é praticado durante séculos e tem sua Realização
Histórica na Crucificação. A Cruz, no entanto, é o Fator Criador por trás de toda
criação: o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo!

Nessa consciência o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

Por isso é que eu posso caminhar sem medo.


Não procurarei aquilo que faz sofrer e que é pecado. Mas também não vivo mais as
fobias e neuroses do pecado.

É a certeza da Graça eterna aquilo que nos dá paz para viver na terra. Sem o êxodo
da Crucificação apenas como cenário para a Cruz como bem eterno que garante paz
com Deus e vida na terra, ninguém tem paz com Deus por meio de nosso Senhor
Jesus Cristo.

A Crucificação é o Cenário exterior!

A Cruz tem que ser a Realidade interior!

A Crucificação revela a maldade humana!

A Cruz revela a salvação de Deus!

Quem crê é Justificado e tem paz com Deus. Além disso, já passou da morte para a
vida!

Caio

Copacabana

Páscoa de 2004

RJ

BEM-AVENTURADOS OS INSACIÁVEIS

Mateus 5:6; 6:25-34

O conceito humano de SANTIDADE relacionado ao mundo material, faz com que se


admire uma pessoa e sua espiritualidade tanto mais quanto essa tal pessoa possa
viver em simplicidade, com muito pouco, ou quase nada; e, assim, nesse estado, viva
contente.

Desse modo, quanto menos uma pessoa precise para viver, mais revela sua beleza e
sua perfeição de consciência; e mais será admirada pelos homens. Assim, quanto
MENOS prisão e desejo pelo que é material, mais liberdade e contentamento.
Mas esse mesmo princípio—o de desejar pouco, ou quase nada—não se aplica em
relação a Deus. No que respeita a Deus a SANTIDADE é a sede, é a fome, é a
necessidade, é busca, é o desejo de ter mais, de ser mais em Deus e para Deus...e
que é fruto de se saber como um “MENOS”, como o menor, como o mais carente.

“Dos pecadores eu sou o principal”—dizia Paulo.

Portanto, quanto mais imperfeito for o homem para si mesmo, e quanto mais carente
de Deus, tanto mais perfeito será o seu imperfeito caminhar.

Precisar de Deus não é vergonha. Alias, nada eleva tanto um ser humano quanto sua
pobreza espiritual, sua fome, sua necessidade.

Nada há mais horrível do que se ver alguém que passa pela vida sem sentir falta de
Deus; sem achar que precisa Dele.

Afinal de contas, o que é o homem?

Jesus disse em Mateus capítulo seis que o homem não é um show cósmico de
ornamentos. Lírios são externamente mais belos!

A vida do homem não consiste nos bens que possui, e nem sua beleza humana se
manifesta como afirmação de pobreza como virtude.

O que torna um homem grande é sua pequenez; e, sobretudo, sua consciente


carência de Deus!

Assim, paradoxalmente—como sempre—, o grande poder de um homem vem de sua


total consciência de fraqueza.

Sim, o poder de um homem vem de sua total admissão de incapacidade quanto a


realizar qualquer coisa. Sim, o poder do homem vem dele dizer e crer que sem Deus
nada se pode fazer.
Quando sei que não posso Nada, então, nada podendo, Deus pode por mim.

Desse modo, a virtude humana diante de Deus é o inverso de sua virtude diante dos
homens; pois se entre os homens o santo é que não precisa de quase nada, e vive
contente; todavia, diante de Deus, o homem que caminha em perfeição é justamente o
que carece, o que quer mais, o que não se contenta...e tem sede.

Isto porque mesmo que alguém aprenda a se contentar materialmente com Nada, ou
quase isso; no entanto, em Deus, e no espírito, ele só será coerente com seu próprio
caminho de simplificação material, se, todavia, viver como alguém que pede, busca,
bate, e confessa total carência.

Isto porque aquilo que é elevado diante dos homens, disse Jesus, é abominação
diante de Deus; inclusive o show de simplicidade e virtuosismo material—pela
simplificação dos desejos materiais—, que de nada vale se o coração não viver
sempre com fome, e almejando comer o Pão que está na mesa de Deus.

Caio

DE MENINOS À HOMENS EM CRISTO

Ef 4: 1-16

Peço de todo o meu coração, eu, o prisioneiro no Senhor, que por causa de tudo o
que lhes disse, andeis de modo digno da vocação com a qual fostes chamados.
Andando, portanto, com toda a humildade, mansidão e bondade paciente; e sendo
capazes de vos suportardes uns aos outros em amor; desse modo procurando
diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Digo isto, meus irmãos, porque há um só Corpo e um só Espírito; assim como também
fostes chamados em uma só esperança de vocação. Isto porque há um só Senhor,
uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, é por
todos, e age por meio de todos.

Saibamos, pois, que a cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom
de Cristo.
Por isso foi dito: Quando Ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro, e derramou
dons sobre os homens.

Ora, quanto a dizer que Ele subiu, é inerente a conclusão de que Ele também desceu
às dimensões inferiores à terra. Assim, Aquele que desceu é também o mesmo que
subiu muito acima de todos os céus, para plenificar todas as coisas.

E foi também para plenificar a Igreja que Ele deu à sua fundação dela os apóstolos e
os profetas; assim também como foi Ele quem enviou graciosos anunciadores das
Boas Novas, e outros com o coração acolhedor e cuidadoso de um pastor; e ainda
aqueles que são mestres em sabedoria conforme a Palavra da Vida.

Ora, tudo isto Ele fez tendo em vista o aperfeiçoamento dos que em Cristo foram
feitos santos, para o bem desempenho do serviço a Deus e aos homens; e para a
edificação do Corpo de Cristo.

E assim será até que todos nós cheguemos à unidade da fé e ao pleno conhecimento
do Filho de Deus, à estatura de um homem feito; à medida da vocação de nossa
humanidade e sua plenitude em Cristo.

Quando assim for... já não seremos como meninos, inconstantes, levados ao redor por
todo vento de doutrina, pela fraudulência dos homens, pela astúcia e maquinação dos
que seduzem para o erro.

Ao contrário, somente deixando de ser meninos e nos tornando homens conforme a


mente de Cristo, é que estaremos seguindo a verdade em amor, para que desse
modo cresçamos em tudo naquele que é o Cabeça do Corpo, Cristo; em quem todo
Corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas; segundo a justa
cooperação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em
amor.

Quem já leu toda a carta aos Efésios percebeu que todo o contexto que antecede o
texto acima transcrito está repleto de uma coisa só: a alegria de Paulo quanto a ter
recebido a revelação do “mistério de Deus, outrora oculto das gerações, porém agora
revelado aos santos Apóstolos e Profetas no Espírito”. A saber: que em Cristo todos
os bens convergiram, e que pela Graça de Deus nos foram doados; e de tal modo nos
foram concedidos gratuitamente, que até a fé com a qual se faz apropriação deles—e
de tudo o mais—, é também um favor imerecido; ou seja: pura Graça. Aquele que crê,
crê porque lhe foi dado crer.

Desse modo, o desejo de Paulo é que essa revelação ilumine o coração, mude o
entendimento, e promova uma Nova maneira de ser, ver, discernir, avaliar, pesar,
medir, viver e servir.
Por isso ele começa o texto acima transcrito com um pedido encarecido, e que se
baseava em tudo quanto ele antes havia dito.

Para Paulo aquela compreensão em fé deveria produzir uma ética existencial, e, de


certa forma, também psicológica.

Daí ele falar não de condutas mensuráveis (mais tarde ele falará delas no capítulo 5),
mas de atitudes.

Desse modo ele dz que a Dignidade do existir em Cristo deve gerar um coração aberto
para aprender...uma alma que tenha “humus”...que seja humilde; ou seja: um solo fértil
para toda boa semente. O humilde é ensinável, e acolhe o que é vida e verdade.

Ele prossegue falando de mansidão, que é a virtude do forte e potente, e que domina
sua energia e seu poder, não o liberando para fora do curso da natureza da Graça.
Ora, isto gera uma bondade paciente; ou seja: longânime.

Desse modo aprende-se a lidar com as diferenças, e o coração cresce em


misericórdia e tolerância, pois o amor tanto dá suporte ao fraco, como também suporta
as fraquezas dos mais fracos.

Ora, essa ética existencial é filha da compreensão da Graça (4-6). A Graça especial
nos é comum, pois que comum, agora, é a Graça.

Isto porque a Graça que nos fez Corpo de Cristo é o resultado da obra da Redenção
(7). O Cristo encarnado, morto e ressuscitado dentre os mortos... visitante de todas as
dimensões inferiores...Ele mesmo levou “cativo o cativeiro”—todo o cativeiro, visto ter
Ele vencido a morte!

Desse modo, sai o cativeiro e vem a Graça: dons são concedidos aos homens...sem
mérito, mas por pura e inexplicável Graça (8).

Agora até abismo e elevação cumprem um papel na Graça. Não há mais dimensão
alguma onde a Graça não possa se manifestar (9-10).
Para Paulo esse “derrame de Graça” tinha que produzir algo em nós...além de um leve
alívio.

Esse derramar da Graça deveria nos tornar gente boa de Deus. Por isto Deus mesmo
concedeu alguns dons para serem o Fundamento da Edificação da Igreja (apóstolos e
profetas), e os dons que fazem os aplicativos da Palavra sobre o Fundamento
Imutável, do qual Cristo Jesus é a Pedra de Esquina.

Os apóstolos e profetas aos quais Paulo fazia referencia já não se “repetem entre
nós”. São como os pais das doze tribos de Israel. Hoje há apóstolos apenas quando
alguém chega como “enviado” num lugar nunca antes visitado pela Palavra; e os
profetas, ainda que alguns profetizem acerca do intimo e do futuro, a maioria é feita
daqueles que consolam, exortam e edificam o povo de Deus na Palavra.

Sobre os demais dons mencionados pelo apóstolo, creio bastar o texto da paráfrase
que fiz acima:”... foi Ele quem enviou graciosos anunciadores das Boas Novas, e
outros com o coração acolhedor e cuidadoso de um pastor; e ainda aqueles que são
mestres em sabedoria conforme a Palavra da Vida.”

O exercício sadio desses dons...especialmente os que Paulo mencionou...devem


produzir aperfeiçoamento...melhor desempenho dos dons...serviço misericordioso...e
edificação; ou seja: crescimento na consciência e no entendimento espiritual da vida.
Daí tem que nascer o Novo Homem existencial e comunal (13).

A evidencia de que se está crescendo nesta direção de maturidade é que os meninos


viram homens (14); a verdade e o amor se casam...e o ser ou a comunidade que
experimenta esse casamento, então, cresce (15); pois que tal consciência na Graça
gera a clara percepção de nosso “chamado”, de nossa “vocação”, tanto individual
como também comunal.

E mais: essa consciência carrega o crescimento em si mesmo...pois é tal qual um


corpo: em havendo saúde, sempre cresce (16).

A saúde do Corpo de Cristo é o amor. Sem amor não há saúde!


Assim, Paulo nos diz o seguinte:

Somente a consciência do mistério revelado e da Graça que nos foi concedida em


Cristo, é que pode nos converter de um ajuntamento de meninos em uma Igreja
adulta, madura e que cresce com naturalidade—conforme o corpo cresce:
naturalmente; e a naturalidade desse crescimento só é alimentada pelo amor prático e
efetivo!

Caio

O ESCRAVO VAI… O FILHO FICA…

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O ESCRAVO VAI… O FILHO FICA…

Jesus disse algo solto…, e que a gente acolhe porque veio Dele…, e, também, porque
faz sentido na lógica da existência, embora, aparentemente, quebre a lógica do texto,
ou, pelo menos, ainda que se ligue ao texto nas “palavras” que usa..., nos termos que
adota..., também presentes no contexto todo, a fala em si parece não dizer nada...

“O escravo não fica para sempre na casa, o filho sim, para sempre”...

Ora, Ele disse isso em João 8, no contexto do “Conhecereis a Verdade e a Verdade


vos libertará”; e, também, no mesmo lugar no qual Ele disse que “todo aquele que
comete pecado é escravo do pecado”...
Entretanto, ainda assim o texto fica solto... Sem conexão com o antes e o depois...,
exceto pelos termos “escravo”, em contraposição a “filho”, que fica para sempre..., pois
é livre...

Eu, no entanto, apesar de ter pregado centenas de vezes usando o texto de João 8...,
jamais pregara no texto especifico em questão aqui... “O escravo não fica para sempre
na casa, o filho sim, para sempre”...

Foi somente no domingo passado que me dei conta que o texto falava de fato da
questão da “permanência na Palavra”...

Sim, pois Jesus dissera aos judeus que supostamente “haviam crido Nele”... que eles
deveriam..., a fim de serem de fato Seus discípulos, permanecer na Palavra... —
então, conheceriam a verdade e a verdade os libertaria...

Na seqüência eles ficam furiosos com a idéia de ainda virem a ser libertos... [Eles...,
que se consideravam as consciências mais iluminadas do Planeta!... Libertos?...]. Sim,
libertos de algo que era de uma subjetividade que, na pratica, faria todo homem ser
escravo ante as realidades em questão, do coração, do interior... — no ambiente no
qual se comete pecados...

Por isto, os que diziam ter crido em Jesus não podiam ficar..., permanecer...,
continuar..., ficar para sempre na Casa..., como os filhos ficam. Sim, não ficariam...,
como de fato não ficaram, posto que não fossem filhos da Palavra da Vida, vindo a ser
posteriormente chamados por Jesus de filhos do diabo... Sim, filhos da mentira, da
impermanencia, do engano e da fantasia em fuga da verdade...

Assim, simplificadamente, o que Jesus está dizendo é que existe gente com espírito
de escravidão, e que tais pessoas jamais se firmarão na verdade, e, por isto, jamais
ficarão na Casa do Amor, na Tenda da Graça e da Verdade, pois, para tais pessoas, o
desconforto da Verdade é equivalente ao mal-estar que um escravo sente ante o fato
de que ele enxerga a cada ordem do seu senhor o quão escravo ele é...

Por isto o escravo quer fugir sempre...

Para ficar na casa do Pai a pessoa tem que se sentir e saber filha..., do contrario, a
Casa/Palavra de Jesus se torna insuportável...

Não adianta... Sem a confiança no amor do Pai e sem a confiança de ser filho...,
nenhum homem se emancipa pela religião a fim de se sentir filho, se ainda é
escravo...; e, por isto, pelo espírito de escravidão ao pecado..., jamais se sentirá à
vontade ante na Morada da Verdade e da Graça... Daí o escravo não ficar para
sempre, não permanecer na Palavra; sendo que o filho fica para sempre...

Faça o melhor proveito para a sua vida!

Nele, que não gera escravos, mas filhos do amor permanente,

Caio
15 de setembro de 2009

Lago Norte

COMO É SER DISCÍPULO DE JESUS?

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“Como é ser discípulo de Jesus?” — é a pergunta de muitos.

Ora, é simples e terrível; e é tão terrível justamente porque é tão simples; e gera tanto
esforço justamente por isso, pois nada há tão difícil quanto a simplicidade, nem que
demande mais esforço que descansar no descanso.

A tendência natural da alma humana é para oferecer os mesmos sacrifícios de


produção própria de Caim. Em Caim nasceu a religião. E é no espírito da oferenda
autojustificada de Caim que ela é praticada.

É difícil não oferecer nada a Deus. É muito difícil apenas confiar que o sangue de
outro cobriu você. É loucura para os gregos e intelectuais; é escândalo para os judeus
e todos os religiosos.
Para ser discípulo de Jesus a pessoa tem que renunciar o “si-mesmo”. Ora, isto
significa desistir de si mesmo como “produção” de algo que comova Deus.

Negar ao “si-mesmo” é abandonar a presunção da persona.

Negar a si mesmo é o que se tem que fazer para que o “eu” seja alcançado, e, em seu
estado mais verdadeiro, possa ser atingido pelo amor de Deus.

Negar a si mesmo é deixar toda justiça própria e descansar na justiça de Deus, que,
antes de tudo, é justiça justificadora.

Negar a si mesmo é abandonar a presunção de agradar a Deus pela imagem e pelas


produções próprias.

Quem quer negar a si mesmo?

Se alguém quiser, então tome a sua cruz. Cruz? Que cruz? Ora, a única. A minha cruz
será sempre me gloriar na Cruz.

Alguém diz: Mas não sobrou nenhum sacrifício para mim?

O sacrifício é aceitar que o Sacrifício foi feito e consumado.

Alguém pensa que isto é fácil?

Tente!

Sim, tente apenas e tão-somente confiar que está pago e feito.


Tente crer que Jesus é suficiente, não como chefe de religião, mas como o Cordeiro
que tira o pecado do mundo todo.

Tente rejeitar todo pensamento de autojustificação toda vez que você se vir tentado a
se explicar para Deus e para os homens.

Tente apenas confiar na única Cruz, e, assim, levar a sua cruz, que é andar pela fé,
nunca tendo justiça própria senão a que vem de Deus.

Tente, e você verá como todos os seus sentidos se revoltarão, e como todos os seus
instintos se eriçarão, e você se sentirá inseguro, como se a Lei do Reino fosse a da
Sobrevivência dos mais Aptos.

Sim, porque nos sentimos seguros no sacrifício de Caim, embora ele nada realize
diante de Deus. E nos sentimos muito inseguros na hora de praticar na vida o
sacrifício de Abel.

Jesus disse “Está Consumado”. E a nossa alma, em si mesma, pergunta: “O que mais
eu devo fazer?”

Jesus terá que repetir Seu sacrifício todos os dias outra vez? Ou terei eu de oferecer
alguma coisa a mais?

Ora, se a pessoa consegue desistir do “si-mesmo”, e tomar a sua cruz, então, Jesus
diz que esse tal vai poder segui-Lo.

“Segue-me” — é o convite.

E aí? O que acontece? Fica tudo resolvido?

É claro! Está tudo resolvido! Eu, agora, é que preciso aprender a usufruir o que já está
consumado. Assim, tendo já tudo consumado em meu favor, caminho para
experimentar o que já está feito e pronto.
E como é esse caminho? Como se faz para seguir Jesus?

Ora, ande após Ele como Pedro... e os outros.

O discípulo é um ser em disciplina. Disciplina é o que o discípulo vai aprender.

Que disciplina? A dos centuriões?

É claro que não. A disciplina que o discípulo vai aprender é amor.

Assim, no caminho, o discípulo cai, levanta, chora, questiona, se oferece para o que
não deve, ambiciona ser maior, menor, mais amado, mais crido, mais usado, mais
devotado, mais, mais... e, então, vai aprender enquanto cai, enquanto erra, enquanto
sugere equivocadamente, enquanto acerta, enquanto nega, enquanto corta orelhas,
enquanto quer fazer fogo cair do céu e enquanto pensa que sabe, sem nada saber.

O caminho do discípulo é igual ao caminho dos discípulos no Evangelho, e acontece


do mesmo modo. E só será discipulado se for igualmente acidentado, exposto, aberto,
equivocado, humilde, capaz de aceitar a repreensão do amor e apto a aprender
sempre sem jamais acreditar que se terminou qualquer coisa antes que se ouça:
“Vem, servo bom e fiel; entra no gozo do teu Senhor”.

O caminho do discípulo não está escrito em manuais e nem em cartilhas de igreja.

O caminho do discípulo é todo o chão da existência.

O discípulo é forçado a só aprender se viver. E ele não precisa ter medo da vida, pois
é na vida que ele vai seguir a Vida.
No caminho do discípulo o mar se encapela, as ondas se levantam e os ventos
sopram. Por isso, o discípulo muitas vezes tem medo, grita, vê coisas, interpreta-as
errado — “É um fantasma!”

Seguindo Jesus o discípulo está sempre seguro, mesmo quando pede o que não
deve, e mesmo quando muitas vezes deseja o que lhe faz mal.

No caminho ele vê demônios saírem e não saírem; julga e é julgado e aprende que
não pode julgar; afoga-se, é erguido e caminha sobra as águas; vê maravilhas; encara
horrores... Mas adiante dele está Jesus!

Para ser um discípulo de Jesus a pessoa tem que ficar sabendo que o Evangelho não
são quatro livros acerca do que aconteceu entre Jesus e alguns homens e mulheres
muito tempo atrás.

Para ser um discípulo de Jesus a pessoa tem que ficar sabendo que o Evangelho está
acontecendo hoje, do mesmo modo, na vida dela. E precisa saber que as coisas
escritas no Evangelho são apenas para a gente ficar sabendo como é que acontece
na nossa própria vida.

O Evangelho só é Evangelho se for vivido hoje. Não com a pretensão de dizer que
seremos como Jesus. Mas pelo menos com a declaração de que seremos como os
discípulos, e que adiante de nós, de todos nós, está o Senhor.

Caio

PÃO & PÃO…

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PÃO & PÃO…

O homem não vive só de pão, embora sem pão seu corpo morra e sua alma perca o
prazer.

O homem vive também de pão...

Pão, todavia, sem alma que o aprecie, é apenas remédio para o corpo...

O livro do Eclesiastes pergunta:

“Separado de Deus [...] quem pode comer, beber ou se alegrar?”

Ora, com isto se está afirmando que Deus é que dá prazer e sentido ao ato de
sobreviver ou de viver; pois, sem Deus na vida, tudo é apenas “remédio” para a
sobrevivência...

O homem de fato come sentido, bebe significados, beija representações o tempo


todo...

Pão faz bem, mas quem não gosta de uma gordurinha na carne assada, mesmo que o
colesterol suba?...

Quando a gente vê uma pessoa “lúcida” fazendo algo que lhe seja prejudicial à saúde,
imediatamente a gente pergunta/afirmando: “Mas como? Essa pessoa sabe que isso
faz mal!...”

A pessoa que “sabe” [...] e decide que mesmo sabendo da existência de algum
elemento que lhe faça mal no que coma [...], comerá assim mesmo [...], assim faz em
razão de um prazer do qual sua alma também se alimenta [...]; o que leva a pessoa a
ingerir ou provar algo [...] mesmo que isto lhe tire estatisticamente alguns anos de
vida; posto que assim proceda em razão de uma necessidade psicológica de
alimentar-se não apenas de comida, mas de prazer e de compensações...

Quando Jesus afirmou que “nem só de pão vive o homem, mas [também,] de toda
Palavra que sai da boca de Deus”, Ele nos dizia a mesma coisa, porém com uma
diferença: Ele reconhecia a necessidade humana de transcender ao elemento
imediato de necessidade/gratificação [o pão], mas afirmava que somente a
transcendência que se harmonizasse com a Palavra que sai da boca de Deus é que
realiza a necessidade de gratificação do homem sem lhe fazer mal.

Ora, eu vejo o quanto como da Palavra que sai da boca de Deus, não apenas por
aquilo que nela eu “aprovo” como verdade/prática da minha vida; mas, além disso,
vejo se creio mesmo na Palavra ou não também naquilo que eu sei que não sai da
boca de Deus, embora para mim seja algo que saindo ou não da boca de Deus eu não
consiga deixar fora da minha vida e consumo.

Os prazeres que fazem bem se diferenciam dos que fazem mal apenas por isto: os
que fazem bem saem da boca de Deus e os que fazem mal apenas entram pela boca
do homem por terem se instalado antes em seu próprio coração como
necessidade/ilusiva...

Por isto se diz:

“Alegra-te na tua juventude [...] e anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração
e agradam aos teus olhos... Sabe, porém, que de tudo prestarás conta!”

Assim, há o estimulo para que eu não viva só de pão, ao mesmo tempo em que se diz
que aquilo que não seja pão deve alimentar de modo sadio as demais dimensões do
ser como se pão fosse...

Sim! Para Jesus tudo é muito simples!

Pense nisso!...

Nele,

Caio

13 de fevereiro de 2010

A PARÁBOLA DO BEM E DO MAL DA GRAÇA

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A PARÁBOLA DO BEM E DO MAL DA GRAÇA

Mateus 19-20

O jovem rico que tentara brincar de vida eterna com Jesus, já havia ficado para trás.
Também já havia acontecido aquela conversa de Jesus com os discípulos sobre a
dificuldade humana do rico herdar o reino dos céus, sendo mais fácil um camelo
passar pelo fundo de uma agulha; e os discípulos já tinham ficado chocados com tal
afirmação; e já haviam perguntado: “Sendo assim, quem pode ser salvo?”

O que ainda não havia ficado para trás foi o olhar de Jesus, quando fitou os olhos
deles, e lhes disse:

Isto é impossível aos homens, mas a Deus tudo é possível.

Então Pedro, tomando a palavra, disse-Lhe:

Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que RECOMPENSA, pois, teremos nós?

A resposta de Jesus foi cheia de misericórdia, porém, carregava também uma


preparação para eles mesmos.
Isso porque os líderes religiosos de Israel achavam que os seguidores de Jesus—
gente como Pedro—eram pessoas do último grupo humano.

Por isto, aos fariseus, Jesus fazia o dito “há primeiros que serão últimos; e últimos que
serão primeiros” ser algo que chegava como uma ofensa a todos os sentidos.

Afinal, como entre aquela plebe que nada sabia da Lei poderia haver alguém que
ficasse entre os primeiros?

Agora, porém, Jesus está falando com os discípulos, e a questão passou a ser de
recompensa, tema que imediatamente leva o ser humano para o mesmo sentir dos
fariseus; pois, pela recompensa se estabelece a “classe”—indo de primeiros à últimos.

Eis a resposta misericordiosa de Jesus, e que veio afofar as alminhas necessitadas de


todos os humanos, que quase sempre precisam de alguma recompensa para ser.

Ele lhes disse:

Em verdade vos digo a vós que me seguistes, que na regeneração, quando o Filho do
Homem se assentar no trono da sua glória, que sereis assentados também sobre doze
tronos, para julgar as doze tribos de Israel.

Israel será julgado pelos últimos na perspectiva de Israel, aquela “plebe que nada
sabe da Lei”, como eles mesmos diziam então.

Minha esperança é que todos os apóstolos sintam a compaixão de Paulo, que afirmou
preferir ele mesmo ir para a condenação do inferno, se isto trouxesse salvação para
Israel.

Hipérbole, é claro! Paulo sabia Quem salvava quem. Ele apenas expressa compaixão
visceral.
Ora, se prevalecer no coração apostólico a paixão misericordiosa de Paulo, todo Israel
será salvo, conforme Romanos 9-11.

Então Jesus prossegue:

E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou
terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes mais, e herdará a vida eterna.
Entretanto, muitos que são primeiros, serão últimos; e muitos que são últimos, serão
primeiros.

Então, ato contínuo, Jesus olha para os discípulos e lhes diz:

Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa, que saiu de madrugada
buscando contratar trabalhadores para lavrarem a sua vinha.

Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a


sua vinha.

Por volta das nove da manhã ele saiu, e viu que outros estavam ociosos na praça, e
disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.

Outra vez saiu, por volta do meio dia e depois às três da tarde; e fez o mesmo com
outros que encontrou.

Quando já era quase cinco da tarde ele saiu outra vez e achou alguns homens à toa
na praça, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo?

Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou.

Então o homem lhes disse: Ide também vós para a vinha.


Uma hora depois deles chegarem para trabalhar, anoiteceu. Então o dono da vinha
disse ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando
pelos últimos até os primeiros.

Chegando, pois, os que tinham ido por volta das cinco da tarde, e receberam um
denário cada um.

Ao chegarem então os primeiros, pensaram que haveriam de receber mais, visto


haverem trabalhado muito mais tempo; porém, receberam um denário cada um.

E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:

Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos
a fadiga do dia inteiro e o forte calor.

Mas o dono da vinha, respondendo, disse a um deles:

Amigo, não te faço injustiça; não ajustastes comigo um denário? Toma o que é teu, e
vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.

E ele prosseguiu:

Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olhar porque eu sou
bom?

E concluiu:

Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.


Nesta parábola nós temos uma quantidade enorme de temas que são cobertos. Há
nela a história da civilização, a história de Israel, a história da Igreja, e a história do
processo de auto-percepção dos indivíduos.

Há cinco grupos de trabalhadores nesta parábola. Somente o primeiro grupo tinha um


“acordo” Formal e Legal com o dono da vinha.

Três dos outros grupos foram acreditando na justiça dele. E o último grupo apenas
respondeu a razão da ociosidade na praça, e atendei a ordem dele: Ide também vós
para a vinha.

E eles foram, sem contrato, sem acordo, sem esperança de qualquer direito; apenas
foram...

Assim é o Reino de Deus num mundo caído. Esta mensagem do Reino está se
materializando hoje, em todas as dimensões antes por mim mencionadas, visto que há
nela a história da civilização, a história de Israel, a história da Igreja, e a história do
processo de auto-percepção dos indivíduos.

Esse processo do Reino está em curso. Naqueles dias eram os fariseus que melhor
encarnavam o papel dos contratados da primeira hora. Eles achavam que eles eram
aqueles que haviam “garantido” a vinha. Em seus corações havia a certeza de sua
“oficialidade” para com Deus. Eles tinham um “contrato”.

E já que também se julgavam justos, achavam-se no direito de questionar a qualquer


profeta que se fizesse acompanhar de gente tão estranha e vadia; sim, gente que
nunca nada havia feito pela Causa da Vinha. Mas, sobretudo, eles criam que seus
esforços de manutenção estrita do contrato legal—a Lei de Moisés—lhes dava direitos
e muitas vantagens; afinal, eles eram os primeiros.

Portanto, a parábola caiu direto na cabeça dos religiosos dos dias de Jesus, e que
murmuravam Dele, do que dizia, fazia, e da misericórdia transgressora que Ele
praticava.

Os que foram esperando receber justiça nada reclamaram. Afinal, no Reino, o pior que
pode acontecer é justiça.
Então vem o grupo que não esperava nada. Eles eram aqueles que foram para serem
salvos de sua própria vadiagem e falta de propósito, visto que ninguém os chamava; e
eles mesmos já não criam que seriam chamados para nada. Portanto, quando foram
chamados, nem pensaram em recompensa, mas apenas viram no chamado a própria
recompensa.

Os da Lei vêem isto e se ofendem. É injusto. Eles julgaram que o tempo lhes dava
direitos societários na vinha, e que o salário virara apenas uma questão de bônus
proporcionais ao tempo de serviço e ao esforço feito.

Do ponto de vista sindical eles seriam modernos!

Mas o Reino não é um sindicato; visto que o dono da vinha é o Justo, e a Ele tudo
pertence; inclusive a oportunidade de dar o trabalho.

A doença deles era a Justiça Própria. E o problema deles era o Ressentimento e a


Inveja.

Justiça própria é a doença da espiritualidade que julgue que possuiu um Acordo com
Deus.

Ressentimento é o sentimento que habita o coração de todo aquele que é cheio de


justiça própria, e que fica com raiva de Jesus e dos que Ele perdoa.

Afinal, que justiça há no perdão senão aquela que o homem que a si mesmo se chama
justo considera como injustiça?

Perdão não é Justiça. Perdão é a injustiça que a misericórdia pratica!

A inveja é o resultado dessa competição com aquele que o “justo”, ou o “direito”, ou o


“legal” chama de “vadio da última hora”; ou chama ainda de “ocioso da graça”.
É a mesma doença do irmão mais velho da parábola do filho pródigo.

É a mesma doença da mulher de Ló.

É a mesma doença dos irmãos de José.

É a mesma doença de Saul.

É a mesma doença dos sacerdotes em seu ódio contra os profetas.

É a mesma doença dos fariseus em relação aos publicanos, pecadores, pescadores,


meretrizes, Zaqueus, Madalenas, Pedros, e gentios.

É a mesma doença do Sinédrio de Israel, “pois por inveja O entregram”.

É a mesma doença de Sallieri em relação a Mozart.

É a inveja...

Aquilo que os que não esperam nada, senão significado, transforma-se em alegria e
festa; para os da Lei significa injustiça, ressentimento, e inveja.

Assim, o Reino comete a injustiça da misericórdia; visto que a justiça é apenas o que
é; porém a misericórdia faz o que não é, passar a ser. Por isto é que a misericórdia
triunfa sobre o juízo.

É por esta razão que eu não creio nos contratos que os homens crêem que têm com
Deus.
Eu prefiro a surpresa. Afinal, que pacto tenho eu feito com Deus, senão o pacto que
Ele fez comigo?

Ele fez uma aliança comigo. Eu apenas bebo do cálice.

Os da Lei receberam conforme o contratado; e, segundo Paulo, não é um bom


negócio.

Mas os da Graça—esses que simplesmente crêem—haverão de receber infinitamente


mais do que qualquer coisa; e melhor será para eles se não pedirem para si mesmos
nada; deixando tudo com Ele.

Há muitas coisas na terra, no céu, em baixo da terra, no presente, no porvir, no mundo


espiritual, e, certamente, também há criaturas, que podem me separar de meu amor
por Deus.

Todavia, nenhuma dessas coisas pode me separar do amor de Deus por mim. Isto,
porque eu sei que é Ele quem garante a minha vida; e eu não quero Dele nada, senão
significado para ser, Nele; e não tenho nada a comparar; e nem ninguém que eu ache
que está no meu lugar; e nem me apresento a Ele com nenhuma expectativa. Tudo
que vier de Sua boca para mim, eu sei, é bom.

Todavia, a parábola de Jesus não ficou condicionada ao tempo e ao espaço. Ela é


viva. Daí Jesus ter dito também aos discípulos que soubessem que também entre eles
essa doença pegaria. E que, portanto, o mesmo que se dizia aos fariseus e
autoridades religiosas que julgavam a eles, os discípulos; também os próprios
discípulos poderiam vir a dizer uns dos outros, e praticar uns contra os outros; e pior
contra o próximo.

Assim, em cada fariseu pode haver um discípulo—Saulo de Tarso nos dá testemunho


disto. Mas também em cada discípulo pode nascer um fariseu.

Desse modo, a advertência escatológica feita por Jesus incide sobre todos os homens,
cristãos, e não cristãos. E é um princípio que Ele aplica no mundo inteiro.
Afinal, Jesus está falando do Reino de Deus, não de Israel e nem da Igreja apenas.

O Reino Deus acontece sobre tudo o que existe. E se esse é um princípio do Reino,
sua obediência deveria nos fazer esquecer todos os contratos e todas as barganhas
com Deus, e a nos desvestirmos de todas as nossas certezas e presunções; e, assim,
entregarmo-nos sem complicações apenas aos cuidados da Graça de Deus.

Se Ele quiser dar a todos o que deu ao melhor de todos nós, que assim seja. Afinal,
quem entre nós jamais mereceu qualquer coisa?

Senhor, basta-me ouvir-te gritar da Cruz: Tetelestai!

Estou satisfeito com os tesouros que não me prometeste; exceto depois que fiquei
sabendo que já eram meus!

Caio

O QUE É CONVERSÃO?

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O QUE É CONVERSÃO?

CONVERSÃO é não ter absolutamente nenhum outro ponto de vista que não venha
do Evangelho.

CONVERSÃO é não ter nenhum outro ponto de partida que não parta do Evangelho.

CONVERSÃO é não ter nenhum outro chão para caminhar que não seja o do
Evangelho.

CONVERSÃO é não almejar nenhum outro ponto de chegada que não seja o do
Evangelho.

OU SEJA! CONVERSÃO é estar impregnada do Evangelho, dando razão a Deus todo


dia, em um processo que pode ter começado um dia, mas que só terminará no Dia em
que transformados de glória em glória nós nos tornarmos conforme a semelhança de
Jesus.

CONVERSÃO é renovar a mente todo dia.

CONVERSÃO é discernir este século e não nos conformarmos com ele.

CONVERSÃO é ver o mundo no mundo, e ver “mundo” também no que se chama de


“igreja”.

CONVERSÃO é chamar de mundo não necessariamente o ambiente fora das paredes


eclesiásticas, e nem tampouco chamar de “Igreja” o ambiente dentro das paredes
eclesiásticas.

CONVERSÃO é saber que mundo é um espírito, um pensamento, ou uma atitude que


pode estar em qualquer lugar, e está freqüentemente nos concílios de um modo muito
mais sofisticado do que está nos congressos políticos explicitamente definidores de
política no mundo.

CONVERSÃO é manter a mente num estado de arrependimento constante, de


metanóia, de mudança de mente, que por vezes acontece com dor e outras vezes só
pela consciência que vai abraçando o entendimento e vai dando razão a Deus, e vai
dando razão a Deus, e vai dando razão a Deus, e vai dizendo Deus tem razão. Sim!
Conversão é crer que a Palavra tem razão sempre; e se ela tem razão eu quero
conformar a minha vida conforme a verdade do Evangelho.

Caio Fábio
(Editado por Carlos Bregantim, retirado da entrevista concedida à ECOTEV em
Fevereiro à de 2007 em São Paulo).

PALAVRA DE JESUS À IGREJA E SEUS LÍDERES NO BRASIL

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PALAVRA DE JESUS À IGREJA E SEUS LÍDERES NO BRASIL

Então, falaria Jesus às multidões e aos Seus discípulos que hoje estão vivos no Brasil:

Na cátedra dos ensinos de “Deus”, como doutores, se assentaram os teólogos e os


religiosos dissimulados e legalistas, que são chamados de “fariseus”.
Façam e guardem o que eles dizem, porém não imitem as obras e os modos mentais
deles; porque dizem aos outros as coisas que eles mesmos não fazem. E nem mesmo
nelas crêem.

Sim! Pois atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos
homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.

Praticam, porém, todas as suas “boas obras” com o fim de serem vistos dos homens
(por pura propaganda religiosa e moral). Eles fazem isto até mesmo no seu modo de
vestir, que é uma “moda” deles mesmos. São conhecidos pelas suas roupas, modos,
maneirismos, jargões e clichês; e não pelo modo de seu caminhar em fé, justiça e
amor.

Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas igrejas, templos e
solenidades. Amam as “saudações” que nas praças os identificam como “crentes
zelosos”; e amam também serem chamados “mestres” pelos homens.

Mas com vocês não será assim; pois, vocês não serão chamados “mestres”, muito
menos de “teo-logos” ou “doutores em divindade” — porque um só é o Mestre, e vocês
são todos irmãos; e um só é Teo (Deus) e nenhum de vocês o conhece para explicá-
Lo logicamente; e um só é Divino, e Nele ninguém é doutor.

A ninguém sobre a terra chamem de “meu pai espiritual”; porque só um é o Pai de


Todos: aquele que está nos céus. Portanto, a nenhum homem confesse como seu
guru, mestre ou pai espiritual; e jamais consintam que se diga que a “cobertura
espiritual” de qualquer homem é que protege vocês.

Nem tampouco vocês serão chamados de “Guias Espirituais”; porque um só é o Guia


de vocês, o Cristo.

Assim, o maior entre vocês é aquele que mais serve ao próximo por livre amor.

No Reino de Deus quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo


se humilhar será exaltado. Assim é. E jamais mudará.
Portanto, digo:

Coitados de vocês, catedráticos em Deus e doutores em Divindade! Porque somente


hipócritas se tratam assim. Agindo assim, vocês, hipócritas, fecham o reino dos céus
diante dos homens; pois vocês nem entram nele, e nem deixam nele entrar os que
estão entrando! Ou vocês crêem que o Pai reconhece esses títulos?

Coitados de vocês aproveitadores da boa fé do povo! Porque vocês devoram as casas


das viúvas, dos pobres e dos oprimidos, e, para justificarem isso, vocês fazem longas
orações e intermináveis “correntes”. Por isso, vocês sofrerão juízo muito mais severo!

Ai de vocês falsos missionários e falsos apóstolos! Pois, na hipocrisia de vocês, fazem


missões e turismo de vaidades de mar a mar; e percorrem a terra toda com “altivez
evangelística”. E isto para fazerem “clones religiosos” de vocês mesmos. Tais “clones”
dos costumes e legalismos anunciados por vocês como Evangelho, conseguem
sempre ficarem piores que vocês mesmos. Sim! Vocês ainda têm a capacidade de
fazer dessa pessoa alguém pior do que era antes de vocês chegarem com aquilo que
vocês dizem que tem a ver Comigo; pois vocês o tornam filho do inferno duas vezes
mais do que vocês mesmos. Eles são discípulos do pior de vocês! E vocês nada têm a
ver Comigo!

Pobre de vocês, guias cegos, e que dizem: “Quem fizer qualquer coisa errada visando
a ‘expansão do reino de Deus’, em nada peca, mesmo que seja errado”. Mas, se
alguém deixa de dar o “dízimo” vocês o amaldiçoam e o fazem se sentir um ladrão;
pois, pecado é apenas deixar de dar dinheiro para vocês!

Insensatos e cegos! Pois qual é maior: A verdade ou a igreja? O dízimo ou a


necessidade verdadeira?

Mas vocês não se contentam e ainda dizem: “Quem mentir contra o próximo não é
nada, especialmente se isso exaltar a Deus com supostos louvores; quem, porém,
disser que dará uma oferta em dinheiro e não trouxer em razão de necessidade,
estará sob maldição!”

Cegos! Pois qual é maior: a oferta ou Aquele que é Santo e Verdadeiro e que é
também o que santifica a oferta?
Portanto, quem falar acerca do que falar, esse está falando sobre tudo o que na vida
há.

Quem se compromete com a vida, compromete-se com o Seu Autor.

E quem se compromete pelo céu, se compromete com o trono de Deus e por Aquele
que no trono está sentado.

Assim, não tentem dar “jeitinhos”, pois, Aquele que é, É em todas as coisas!

Ai de vocês que vivem de amedrontar o povo, porque vocês cobram o dízimo de tudo,
do líquido e do bruto; mas, enquanto isto, vocês são totalmente negligentes para com
os verdadeiros preceitos da Lei da Vida: a justiça, a misericórdia e a fé. Vocês
deveriam ensinar a generosidade financeira e material, mas sem deixarem de ensinar
que o sentido de tudo está no amor!

Guias cegos! Vocês coam o mosquito e engolem o camelo!

Ai de vocês, todos os legalistas, porque vocês limpam o exterior do copo e do prato,


mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança!

Dissimulado e cego! Limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior
fique limpo!

Ai de vocês, especialistas em sobrevivência e aparências, porque vocês são


semelhantes aos sepulcros pintados de cal bem branco; que, por fora, se mostram
belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!

Assim também são vocês: Exteriormente parecem justos aos homens, mas, por
dentro, vocês estão cheios de hipocrisia e de malicia.

Ai de vocês, puxa sacos de profetas mortos! Vocês são hipócritas, porque edificam os
sepulcros dos profetas mortos, adornam os seus túmulos e até lhes dão nomes às
praças; e dizem: “Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido
seus cúmplices no sangue dos profetas!”

Assim, contra vocês mesmos, testificam que são filhos dos que mataram os profetas.
E como vocês cuidam dos profetas vivos?

Desse modo, vocês enchem a medida de maldade dos pais de vocês, pois, cultuam os
mortos que eles mataram, e não dão ouvidos aos profetas vivos.

Serpentes, raça de víboras! Como vocês acham que vão escapar da condenação do
inferno?

Por isso, eu continuarei a enviar profetas, sábios e ensinadores do Evangelho. A uns


vocês “matarão e crucificarão”; a outros vocês “açoitarão com palavras e calunias” nas
igrejas de vocês; e até mesmo vocês encontrarão energia para persegui-los onde quer
que eles vão.

Entretanto, isto é assim para que sobre vocês recaia todo o sangue justo derramado
sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até ao sangue de qualquer pequenino,
morto ou apenas calado para sempre pelo desprezo de vocês.

Saibam de verdade que cada coisa que digo se cumprirá sobre toda a geração que for
como esta!

”Igreja, Igreja”, que matas os profetas e chamas de hereges os que te foram e são
enviados!

Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos
debaixo das asas, e vocês não o quiseram!

Por isso, vocês ficarão vazios, ainda que os templos de vocês estejam cheios de
“clones de vocês mesmos”.
Declaro a todos vocês que “estou de fora” de tudo o que vocês fizerem; posto que,
desde agora, vocês já não terão a minha presença, até que vocês se rendam ao
Evangelho; e, então, vocês possam dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”

Vale buscar sentir que o que segue como paráfrase das palavras de Jesus em Mateus
23. De fato, é algo que faria os fariseus olharem para o nosso cenário, e, por nos
verem como somos, sentirem-se em pecado muito menor que o nosso.

Diria um fariseu a um cristão pós-moderno-neo-cristão-da-era-pós-cristã, após ver


alguns programas de televisão religiosos, freqüentar alguns cultos e correntes de
libertação, e assistir aulas nas mais renomadas classes de aula de Doutorado em
Deus:

— Senhor cristão. Vou lhe dizer uma coisa. Há dois mil anos eu conheci um Homem
que me falou umas coisas danadas de ouvir, e eu fico imaginando se ele aparecesse
aqui, o que ele falaria... Acho até que eu seria usado por ele, numa das parábolas que
ele costumava contar. Algo como: “Quem fez pior: o fariseu ou o cristão?” Acho até
que eu seria “o melhor do mal”. Porque eu era falso, mas jejuava mesmo. Deixava a
cara ficar amarela, mas não a pintava de amarelo como nos jejuns que vocês nem
mesmo fazem. Eu gostava de aparecer, mas eu dava o dízimo e não era quem o
cobrava. E eu fazia prosélitos, mas eles não ficavam irmãos gêmeos tão piorados de
todos os meus vícios. Se o mesmo homem aparecesse aqui, o mesmo que nos falou
de ressurreição, sei lá o que ele iria dizer a vocês!

Ou seja: leia com a certeza de que ficamos muito piores do que eles; pois, eles, eram
hipócritas, mas a mascara não era virtual.

Leia Mateus 23 e faça as devidas comparações!

Nele, que fala,

Caio

19/02/07
Lago Norte

Brasília

PERDOEM-ME O DESGOSTO! ...ESTÁ INSUPORTÁVEL!

Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu


confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão
de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.

Sim, eu confesso…

Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.

É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para
escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do
retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus.
Insuportável! Seja anátema!

É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em


nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi
suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de
dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!

É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje


ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm
razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o
estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a
Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!

É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se
ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz,
quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!
É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo,
conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas
que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura.
Insuportável!

É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma
parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito
menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois,
transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!

É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto
que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação
da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!

É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem
mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida
para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável
desperdício!

É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia


religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra.
Insuportável humilhação!

É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a
coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão
somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável
religiosidade!

É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia
do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está
aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de
ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!

É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada
demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se
nada tivesse conseqüências… Insuportável…
É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra;
que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a
moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!

É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não
têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela
justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!

É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o


nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas,
sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no
qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias
do Espírito. Insuportável jactância e loucura!

É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder
verdadeiro. Insuportável idolatria!

É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o
seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em
todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto,
entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e
Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu
poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei,
e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus,
que o despojou na Cruz. Insuportável culto!

É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de
comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto
enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e
maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!

É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!

De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A
eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade,
conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.
Com tremor e temor, porém certo da verdade de Jesus,

Caio.

EXORCIZANDO AS TREVAS INTERIORES

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Paulo disse, escrevendo aos Efésios, que “tudo o que se manifesta é luz”.

Ora, esta afirmação carrega um bem psicológico e espiritual incomparável.

Digo isto porque deixar que o interior se expresse a nós mesmos, é o que de melhor
podemos fazer por nossas vidas.

Alguém pergunta: por que?

Ora, esta pergunta é mais que pertinente, e isto por algumas razões bem simples de
entender.

Primeiramente porque somos ensinados a esconder, a não deixar que nada se


manifesta, visto que é nossa tarefa, como “bons cristãos”, darmos “bom testemunho”
mediante um comportamento equilibrado, mesmo que o interior seja mais agitado e
revolto que a força do Atlântico quando empurra o Rio Amazonas de volta para seu
próprio lugar, depois que as poderosas correntes do rio invadem o oceano.

A segunda razão para não deixarmos que nosso interior se manifeste vem da certeza
que se tem do “juízo dos outros” contra o que existe em nós—e que é a mesma coisa
que existe em todos—; e, por isto, selamos com selos de medo e vergonha quem
somos e o que sentimos, a fim de não sermos condenados pelos outros.

O que as pessoas parecem não saber ou crer, é que Jesus disse que aquilo que
acontece no interior da casa um dia será gritado da varanda, pois, nada há oculto
senão para ser revelado.

Ora, este princípio é inviolável!

E por que tal princípio é inviolável?

Primeiro porque o interior é vivo e dinâmico e jamais para de crescer.

Ou seja: se algo existe em mim, no meu interior, esse algo continuará a crescer até
que venha para o lado de fora, para a luz. Assim, quanto mais eu empurro para dentro
aquilo que existe em mim como realidade, mais eu aumento o poder do juízo no dia
em que isto que está oculto vier a “gritar do telhado” a fim de se expor como verdade.

Portanto, não há como eu possa selar o meu inconsciente e fazer com que ele se
cristalize em obediência às minhas necessidades de conformidade exterior.

Mais cedo ou mais tarde o que é, é...e passa a ser, mesmo contra a minha vontade.

Além disso, à semelhança do Atlântico quando empurra o Rio Amazonas de volta para
seu próprio lugar depois que suas correntes invadem o mar, assim também o
Inconsciente (Atlântico) empurrará as repressões do consciente (o Rio Amazonas) de
volta para seu próprio curso, e força-lo-á a reconhecer a força que emerge do oceano
de meu Inconsciente.

Esta é a pororoca da alma, e os resultados podem ser devastadores!

Ora, Paulo disse que uma vez que as coisas que estão dentro—por mais feias que nos
pareçam—emergem e aparecem como sinais exteriores, seja pela via do
comportamento ou apenas pela via da constatação dos sentimentos e pulsões
interiores que em mim existem, então, elas começam a perder a sua força, visto que
foram retiradas do ambiente no qual eles se alimentam—as sombras do inconsciente!
O caminho para a libertação das trevas é trazê-las para a luz. Ora, a luz é a verdade.

Ou seja: o que nos liberta dessas forças compulsivas do interior é a exposição delas à
luz da verdade em minha consciência.

Quando eu não me escondo mais de mim mesmo, e chamo pelo nome aquilo que em
mim existe e que eu passo a vida tentando negar a existência, então, estranhamente,
aquilo que passa a ser nomeado em mim, perde sua força, visto que sua fonte de
energia é a escuridade da negação, e o ambiente do ocultamento culpado.

No entanto, quando abraçamos a verdade, essas sombras são iluminadas pela luz em
razão de meu ato de reconhecimento e de não-negação da realidade em mim
existente, e, paradoxalmente, perdem seu poder de assombrar, pois agora já não são
mais “fantasmas”, mas realidades nomeadas pela luz.

A maioria das pessoas teme tal constatação pelo simples fato de que foram ensinadas
que tais coisas precisam ser reprimidas e matadas por nós mesmos e em nós
mesmos.

E, assim e desse modo, na tentativa auto-justificada de ser santo, eu me torno um


tarado, ou um ser compulsivo e cheio de amargura e ódio, visto que nenhuma vida
pode receber paz se existe em fuga de sua próprio interior.

Trazer nosso interior à luz não deve ser entendido como trazer nossa estultícia à luz.

Não, não é isto. De fato, o significado de “manifestar” o interior não tem que significar
um mergulho de cabeça no mar das nossas compulsões e desejos reprimidos.

Ao contrário. De fato, tem-se que “manifestar” o interior justamente para que ele não
se torne nosso “senhor” e nos obrigue, sem escolha, a expor pela pior via o nosso
interior como doença do comportamento, e que pode fazer mal não apenas a nós
mesmos, mas há muitas outras pessoas.

Trazer nosso interior à luz começa como vontade de não mais fugir de olhar para nós
mesmos, e continua mediante a coragem de dar nome às coisas que até então nós
chamamos de “nossas virtudes”.

Isto porque, em geral, quando o ser, como um todo, não veio para a luz sem medo, a
tentativa da gente é “batizar” nossas doenças com nomes de santidade e virtude.
Nesse caso, se alguém desejar saber quais são as suas piores sombras e monstros
ocultos no seu ser, basta ver quais são os temas que mais o provocam como raiva e
ódio em relação ao comportamento dos outros, visto que, normalmente, odiamos de
todo o coração aquilo que mais desejamos, e não fazemos porque nos sentimos
impedidos de realizar em razão de nossa própria virtude exterior.

Assim, a virtude auto-glorificada é sempre o diagnóstico da treva em nós ocultada!

O caminho, portanto, começa com o exercício de falarmos a verdade com nós


mesmos, e pararmos de julgar o próximo com ódio, pois quanto mais negarmos que as
mesmas coisas existem em nós, mais odiaremos aqueles nos quais tais coisas se
manifestam, e, assim, tanto mais, pela via de nosso próprio ódio, aumentaremos
nossa própria escuridade interior, e nossas sombras crescerão sem limites em nós.

Pense nisto!

Caio

26/07/2004

DISCERNINDO O IMPÉRIO DAS TREVAS

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DISCERNINDO O IMPÉRIO DAS TREVAS

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho
do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele,


foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as
invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.
Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os


mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que,
nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua
cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a
terra, quer nos céus.

E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no


entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no
corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele
santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e
firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que
foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei
ministro.

(Colossenses 1:13-23)

Não existe nenhuma magia no evangelho; não existe nenhum tipo de complexificação
extraordinária. Ele é simples, e o poder dele está na simplicidade da verdade, na
verdade simples; porque tudo aquilo que, de fato, seja verdadeiro, é simples; e o que
é, de fato, essencialmente simples, podem ter certeza, é verdade.

O que Paulo diz aqui, para a maioria de nós, no curso dos anos, tem sido entendido
como aquilo que, de fato, ele não disse. Porque quando se ouve dizer que, em Jesus
(que aqui Paulo chama simplesmente de “Ele”), “Ele nos libertou do Império das
Trevas, e nos transportou para o reino do filho do seu amor, então, esse Ele é o pai,
esse Ele é o filho, esse Ele é o Espírito Santo, esse Ele é Deus, esse Ele é o “EU
SOU“...

E nos libertou do Império das Trevas e nos transportou para o reino do filho do seu
amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. E aí Paulo diz: “Quem é
Ele?“. E constrói esse cântico extraordinário, essa declaração de amor e de adoração
sobre a percepção espiritual que ele tem acerca de quem é Jesus e do que Ele fez, e
da completude absoluta do que Ele veio realizar, cuja finalidade é reconciliar todos e
todas as coisas com o Pai por meio do sangue da sua cruz. Só que quando a gente
ouve isso inicialmente, geralmente a gente pensa no que não está dito. Porque
durante séculos, o que a Igreja e seus mestres e doutores nos ensinaram criou um
equívoco essencial acerca da afirmação desse texto do apóstolo Paulo.

Por quê?

Porque logo, logo, no curso do cristianismo, se desenvolveu a doutrina perversa,


maligna, pagã, idolátrica e diabólica de que fora da igreja não há salvação,
considerando-se que quando se falava em igreja, se estava falando na instituição que
tinha hierarquia — fosse o Papa católico, fossem bispos ou pastores em qualquer que
seja outro tipo de manifestação cristã. Mas de qualquer modo, igreja significava o
ambiente espaço-temporal constituído pelo templo, ou, na melhor das hipóteses, a
agremiação, a confraria caracterizada por aqueles que tinham assinado, com seus
nomes, um atestado de membresia, tendo recebido um batismo, “devidamente”
ministrado por um sacerdote “superior” aos demais homens porque ele, o sacerdote,
fazia parte do estado clerical do mundo sacerdotal, enquanto nós éramos apenas o
povo.

Desse modo, se instituía o mesmo paradigma da religião da terra, das religiões dos
povos, nas quais há ou um pajé ou um sacerdote ou um Xamã — uma figura
supostamente imantada com poderes especiais, a qual faz a mediação e a conexão
entre o povo alienado e as divindades exigentes. Ele, o sacerdote, é que conhece os
ritos, ele é que conhece as mandingas, ele é que conhece as manobras, ele é quem
sabe e discerne as mecânicas espirituais, ele é quem sabe quais são as poções...

E é desse mesmo espírito pagão que vem a herança do cristianismo, de fazer de


certos indivíduos pessoas especiais, sacerdotes que, supostamente, têm uma
vinculação melhor e maior com Deus, cuja oração é mais bem ouvida e cujo
entendimento é superior ao de qualquer outra pessoa, de tal modo que, conquanto nós
não o chamemos de pajé ou de Xamã, pajé e Xamã é o que ele — o sacerdote — é
para nós!

E a igreja é a oca, é o gongá, é o altar, é a fisicalidade onde esses mistérios ocultos,


por um favor — que não chega a ser favor, porque é adquirido, pela lealdade ignorante
e burra dos fiéis — onde, em razão dessa realidade, esse indivíduo, supostamente,
abre alguns segredos da divindade pra nós. E esse lugar descrito, com esse pajé, com
essa figura, com essa estrutura, com essa hierarquia, com esse corpo de doutrina, é
aquilo que se convencionou chamar de igreja; portanto, fora desse ambiente, fora
dessa gestão, fora dessa pirâmide, fora do âmbito e do controle dessa ingerência
sacerdotal, “não existe salvação”.

Isso foi o que os teólogos católicos determinaram há muito séculos, e foi o que o
protestantismo, no início, negou, mas com o passar do tempo, se rendeu à mesma
coisa: não se concebe isso de outro modo, por exemplo, em qualquer que seja a
versão do cristianismo; seja ela, por exemplo, entre nós, a do catolicismo estrutural,
piramidal, eclesiástico, seja a do mundo evangélico, onde não há papa, mas há
milhares de “papinhas”; na qual não há papa, mas há apóstolos mais surtados do que
os papas mais enlouquecidos. Ali também se pratica a mesma coisa: se o indivíduo
não estiver presente numa reunião de domingo à noite, ou se ele se ausentar por
quatro domingos seguidos, ele começa a estar “desviado”. Se ele disser que crê em
Jesus, mas não for batizado, “uma obra não foi completada na vida dele”, de modo
que Jesus pôde dizer ao ladrão que ao seu lado morria na cruz: “Hoje mesmo estarás
comigo no paraíso”, mas a esse indivíduo que a igreja não batizou, ela declara que,
sem batismo, não haverá essa salvação nem essa graça!

Por mais que, doutrinariamente, se diga o oposto, na prática, é isso que se instila na
alma das pessoas, o que gera toda sorte de culpa, de tal modo que a afirmação de
Paulo de que Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do
Filho do seu amor “significa” que Ele nos tirou dos nossos amigos, das nossas
amizades, dos nossos relacionamentos, dos gostos que a gente tinha, dos bares que a
gente freqüentava, das festas que a gente achava gostosas, das músicas que nós
apreciávamos, dos cantores e compositores nos quais nós nos deleitávamos; Ele
trocou nossa roupa, o nosso biquíni por um maiô bem grande — um “burquíni” ao
estilo iraniano —; Ele me libertou do batom, Ele me libertou do brinco, Ele me libertou
das amizades gargalhentas que um dia eu tive... E agora Ele me colocou no “Reino do
Filho do seu amor”, onde eu dou tudo o que eu tenho, o que eu posso e o que eu não
posso; onde eu me mato e me esfolo; onde eu me entrego de maneira
desesperadamente culpada; onde a minha ausência pode significar uma tristeza
profunda e mortal para Deus, por isso eu tenho que comparecer pela “fragilidade” do
Todo-Poderoso; do contrário, a minha ausência O seca!

Essa é a salvação “cristã”!

Só pode ter sido proposta pelo Diabo!

E foi nesse espírito que a maioria de nós viveu e vive. Carregando a basicalidade
desse espírito pagão, sob o tacão dessas potestades perversas, disfarçadas de anjos
de luz e acachapando a alma da maioria de nós!

A pergunta é: O que Paulo queria dizer quando ele disse que Ele nos libertou do
Império das Trevas e nos transportou para o reino do filho do seu amor, no qual temos
a rendição e a remissão dos pecados?

Obviamente ele não tinha em mente nenhuma dessas coisas que acabaram
empedrando e engessando fixando e matando esse texto, fazendo dele apenas uma
letra que indica um endereço, que indica um horário de culto, que indica uma
autoridade supostamente espiritual que nos toma pela mão e que nos mantém num
estado de imbecilidade crônica pra nossa própria “salvação”!

O que Paulo queria dizer?

Que movimento é esse? De nos libertar do Império das Trevas e nos conduzir para o
Reino do Filho do seu Amor? Esse é um movimento geográfico? É um movimento
cultural?

O que isso significa? Rupturas fraternas? Alienação do planeta? Evasão do mundo?

O que isso significa? Que nós vamos mudar nosso guarda-roupa? Que nós vamos
assimilar o processo de clonagem da religião, de tal modo que, em nós, não haverá
nenhum processo de individuação; pelo contrário, significa que todos nós seremos
absorvidos na massa clonada, e quem quer que mantenha e conserve a sua própria
identidade, pela sua própria identidade já se desviou do corpo e da totalidade que não
tem nada a ver com o evangelho de Jesus, mas tem a ver apenas com a
corporificação de um grupo sob controle e tirania do Império das Trevas disfarçado de
Reino do Amor de Deus?

O que Paulo queria dizer?

Que movimento é esse?

Primeiro é preciso que a gente se lembre de que quando Paulo falou de império, ele
estava falando sobre o Império Romano. Essa era uma palavra sacrossanta do ponto
de vista político. O Império Romano era adorado, e o imperador era considerado a
encarnação da divindade. Usar a palavra império com a conotação negativa e de
trevas que ele usa já é, em si, uma denúncia de natureza político-espiritual! Já carrega
o germe da subversão.

Todavia, obviamente Paulo não estava preocupado em criar qualquer tipo de


sublevação política ou de subversão nesse nível, porque a missão do reino de Deus é
muito mais profunda do que qualquer que seja a ação política terrena. Desculpem-me
os apaixonados pelo engajamento político, que tem sua hora e sua necessidade, mas
para Paulo isso era coisa ainda de uma mente que não tinha enxergado o significado
da guerra mais profunda e da luta mais radical e visceral que se trava no universo e
que tem a ver com mente de cada ser humano.

Ele nos libertou do império das trevas! Dizer isso, debaixo das barbas de Nero, ou
antes dele, de Calígula, era algo extremamente perigoso! Porque podia ser
interpretado como uma vocação e um chamado para a separação radical; para não ter
nenhum tipo de contato com qualquer que fosse a sociedade caracterizada pelo
domínio romano.

Mas Paulo era discípulo de Jesus, e Jesus orou ao pai dizendo: “Eu não peço que os
tire do mundo, mas que os livres do mal”. Paulo era discípulo de Jesus, que disse:
“Vós sois o sal da terra.” Portanto não é para haver evasão, é pra se imiscuir.

Paulo era discípulo de Jesus, e Jesus disse que ninguém acende uma luz para colocá-
la sob o alqueire, mas no velador, para que ilumine a todos os que entrem na casa.

Portanto, em Jesus, não há nenhum convite à evasão, à fuga, à alienação; e se é


assim, prevalece e perdura a questão: O que Paulo estava querendo dizer quando fala
dessa retirada, desse êxodo do Império das Trevas, com uma transportação pro Reino
do Filho do amor de Deus? O que ele queria dizer? Onde acontece esse movimento?
Em que ambiente ele se dá?

Como qualquer outra coisa no evangelho, esse movimento só se dá no coração!


Porque Jesus disse: “O reino de Deus, acerca dele não se dirá, ei-lo aqui, ou ei-lo ali,
porque ele não vem com visível aparência, porque o reino de Deus está dentro de
vós.”
Assim também é com o império das trevas! Se o reino está dentro de nós, o império
das trevas acontece dentro da gente também!

A gente preferiria mil vezes que o império das trevas tivesse uma geografia, porque
ficaria muito mais simples dizer: “Eu não pego nisso aqui! Eu não piso nessa fronteira,
porque ela é pervertida, é promíscua.”

É muito mais simples transformar a espiritualidade em fisicalidades, em fronteiras, em


realidades objetais do que ter que olhar e trabalhar com as categorias da percepção
da consciência acerca de um mundo de sentimentos, de entendimentos e de
invisibilidades, onde ou a gente olha para dentro com coragem ou a gente não
enxerga nada!

É extremamente mais simples demonizar geografias do que enxergar as realidades


existenciais demoníacas presentes no coração da gente.

É muito mais fácil tratar com o despacho da macumba na esquina do que verificar a
quantidade de vodu que a gente carrega na alma.

Aí o indivíduo diz: “Eu era do candomblé, da macumba, e agora eu sou da igreja de


Jesus! Aleluia!” — mas trocou apenas de potestade, porque se não mudou nada no
coração, ele continua debaixo da mesma macumbaria!

O império das trevas está aqui, dentro de nós! Você não precisa procurá-lo em
Manhattan, nem na “Boca do Lixo”, nem nos bordéis de São Paulo. O império das
trevas está aqui, no coração da gente! E o próprio Paulo descreve, em Efésios, quais
são as camadas de dominação desse império na interioridade humana, como ele
funciona e quais são as suas mecânicas, quando afirma, em efésios 2, o que nós
todos sabemos de cor, mas não discernimos com o coração, e que diz:

Ele nos deu vida estando nós mortos nos nossos delitos e pecados, nos quais todos
nós andamos outrora segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade
do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência.

Essa é a constituição do império das trevas! Tem a ver com manter a mente num
estado de harmonia com o fluxo do mundo!

E que estado de harmonia é esse com o fluxo do mundo, senão que o nosso
entendimento nasceu morto para o discernimento da verdade e entregue, de maneira
marionetada, ao fluxo das coisas que acontecem e que para nós são como são — e,
portanto, nós fazemos parte dela, e pergunta alguma temos a fazer, senão
entregarmo-nos a esse levar diluviano que nos carrega de morte em morte, de dor em
dor, de angústia em angústia, de ódio em ódio, de ira em ira, de sentimentos
perversos em sentimentos perversos, de competitividade animal em competitividade
animal, de instintualidade em instintualidade, sem jamais termos a possibilidade de
vermos a consciência prevalecer conforme a lei do amor, abrindo o pacote da nossa
existência e perguntando pelo nome de cada demônio que se instalou no nosso
entendimento como valor e como conceito cultuado por nós e que precisam ser
desinstalados de nós? Do contrário, instaura-se em nós o domínio do império das
trevas.

O buraco é mais embaixo, você está entendendo?

É fácil expulsar demoninho da esquina! Dar chute em galinha morta! Virar prato de
farofa em nome de Jesus! Isso é uma tranqüilidade! Eu quero ver é você ter coragem
de encarar a macumba da sua alma! E essa macumba é feita de muitos elementos!

Se bem-aventurados são os humildes de espírito, emacumbados são os arrogantes!

Se bem-aventurados são os misericordiosos, feiticeiros no coração são os


implacáveis!

Se bem-aventurados são os mansos, demoniacamente existenciais são aqueles em


cujo coração existe apenas a vontade e o rompante de partir para o trucidamento do
outro!

Se bem-aventurados são os que têm fome e sede de justiça, demonizados são os


acomodados, indiferentes e dessensibilizados, que passam pela existência sem
nenhum tipo de sentimento para com a vida!

Se bem-aventurados são os pacificadores, malditos são aqueles que existem para a


intriga, para a contenda, para a provocação da inimizade, para a construção de fossos
entre as pessoas!

Se bem aventurados são os perseguidos por causa da justiça, malditos e filhos do


império das trevas são aqueles que por toda a injustiça conseguem passar ilesos pela
existência, alimentando-se de maldades e maldades!

Se o filho do reino de Deus é aquele que aceita ser sal da terra e se diluir na massa da
existência perdendo a importância da visibilidade, se dissolvendo no todo para dar
gosto à vida sendo sal da terra, emacumbado é aquele que não se entrega, que não
se dá, que não se dissolve na graça que o transformaria num ser que tempera a vida
com amor, sendo ele aquele que, aonde chega, amargura o que existe á sua volta.

Se os filhos do reino são luz do mundo, os que estão no império das trevas são os
promotores da luz negra da mentira e do engano.

Se os filhos do reino são aqueles que não resistem ao perverso; ao contrário, sem que
o temam, todavia o confrontam em amor, naquele amor corajoso, que não retrocede
mas não mata, os filhos do império das trevas são aqueles que carregam dentro de si
o ânimo homicida.

Os filhos do império das trevas são aqueles que, em causando mal, assistem-no como
obra de desconstrução do próximo até mesmo ao ponto e ao estágio no qual o
próximo seja considerado raca, ou seja, nada! Vacuidade! Coisa alguma! Zero à
esquerda! E não têm qualquer ânimo de restaurar esse ser; ao contrário, permitem
que ele caminhe dessignificadamente o seu caminho enquanto eles próprios gozam o
gozo do orgasmo da perversidade de terem dessignificado o outro ser humano!

Se os filhos do reino são chamados a não julgar, os filhos do império das trevas são
juízes togados!

Se os filhos do reino são chamados a não jogar pérolas aos porcos; ao contrário, a
terem o bom senso da sabedoria e saberem o modo, o meio, a hora e o tempo, os
filhos do império das trevas são só impulso, só ação animal, sem discernimento algum!

Se os filhos do reino são aqueles que têm consciência de que o ambiente do coração
é onde todas as coisas se instalam, de tal modo que o indivíduo pode nunca ter
“pulado a cerca” pra trair a mulher ou o marido com ninguém do ponto de vista físico,
mas se no coração ele é habitado por um bordel de fantasias, e justamente por isso
ele cuida do seu próprio coração, os filhos do império das trevas pensam o seguinte:
“Eu só serei, de fato, otário, se for flagrado com a boca na botija!”

O império das trevas é feito de religiosidade de aparências, de esmolas dadas e de


trombetas tocadas para que se chamem atenção sobre elas!

O império das trevas é feito daquela atitude que confunde a consciência da confiança
em Deus como pai misericordioso e, ao contrário disso, pensam que pelas vãs
repetições se conquista alguma coisa numa barganha oral com Deus.

Se os filhos do reino são aqueles que caminham sem se impressionar de modo algum
com aparência; ao contrário, procuram verificar o significado e a natureza de qualquer
que seja o ente, o ser ou mesmo a semelhança de uma árvore pelo fruto que ela
produz, os filhos do império das trevas são aqueles que acham que a imagem é tudo,
e que se eles conseguirem se vestirem de ovelhas, ainda que dentro da alma eles
carreguem um lobo, felizes eles são por enganarem os otários que os servem!

Se os filhos do reino são aqueles que não usam do nome de Jesus apenas como um
nome de poder, mas querem estar sob Jesus, com a consciência transformada por
Ele, tendo no entendimento as palavras do amor de Deus, inscritas pelo Espírito
Santo, ao contrário de simplesmente apresentarem fachadas performáticas e de
interpretações apenas emblemáticas e que não guardam nenhuma correspondência
com as verdades do coração...

Se os filhos do reino são esses para os quais o que vale é o significado do que foi
produzido dentro e que aparece como fruto do lado de fora, e para quem o nome de
Jesus não é um “nome de poder”, mas a consciência da Pessoa eterna e absoluta sob
a qual eu me coloco em submissão, para os filhos do império das trevas, o que vale é
a imagem, o que vale é o resultado; não vale o que está certo, só vale o que dá certo,
de modo que eles podem usar o nome de Jesus, pra expulsar demônios, realizar
milagres, profetizar... E eles não estão nem um pouco preocupados se conhecem
Jesus ou não, ainda que, no final, eles próprios venham a ouvir da boca de Jesus: “Eu
nunca vos conheci!”

O império das trevas é feito de escravidão, por isso é que se diz que Ele vos libertou
do império das trevas e vos transportou para o reino do filho do seu amor no qual
temos a redenção, porque a redenção é o que se dá ao escravo! É escravidão ao ódio,
é escravidão aos direitos animais, é escravidão à lei do poder estabelecido sobre o
fraco, é escravidão a vontades, a pulsões, a instintos, a caprichos que vilipendiam e
passam por cima da realidade da própria consciência do indivíduo, que com o passar
do tempo se cauteriza e morre! É escravidão ao medo da morte, que é o que gera
esse frenesi angustiado de uma existência que quer apenas consumir, consumir,
consumir, porque o pânico da morte incita o indivíduo a se entregar de maneira
absolutamente escravizada a qualquer que seja o impulso e o capricho, porque ele
chama isso de “sorver a vida enquanto é tempo”!

E aí eu quero perguntar a você, apesar de ter levado aquele batismo, com mais água
ou menos água, com aspersão ou um caldo batismal: Você está onde, meu irmão,
dentro de você?

Apesar de vir tomando, há anos, esse lanchinho eucarístico; há tantos anos, esse
pãozinho e esse cálice, você está onde, meu irmão, dentro de você?

Apesar de ter aprendido todas essas canções de guerra, que dizem que você pisou na
cabeça do diabo, dos inimigos todos, a pergunta é: Você está onde, meu irmão, dentro
de você?

Qual o espírito que prevalece dentro de você, meu irmão?

Por isso, neste momento, sem ilusão, sem fachada, sem brincadeira, eu quero apenas
que você pergunte se, de fato, você foi libertado do império das trevas! Porque a
maioria dos cristãos que eu conheço não foi! Eles continuam seguindo o curso deste
mundo, porque eles caíram naquela ilusão de que o curso deste mundo tem a ver com
a esteticidade das coisas; então, se eles se vestirem de maneira feia, eles romperam
com o mundo; se eles desconsiderarem o corpo, eles romperam com o mundo; se eles
não freqüentarem mais lugares de que antes eles gostavam, eles romperam com o
mundo; se eles controlarem o gosto e a vontade de gritar GOOOOLLLL! com alegria,
numa possível reviravolta Corintiana, eles romperam com o mundo!

É esse o estado de libertação do império das trevas que você, idiotadamente, achou
que conquistou?

Enquanto isso você pisa, enquanto isso você mata, enquanto isso você odeia,
enquanto isso você carrega espírito homicida no coração, enquanto isso você torce
alegremente pela desgraça das pessoas, sem saber que você ainda é filho do “Cão”!

Está chocado com o que eu falei?

Este é o evangelho! Ele não está na epiderme! Ele não é uma tatuagem no corpo! Ele
não é um amuleto pra carregar no peito! Ele não significa rupturas simples e culturais!
Ele mexe é com as entranhas da gente! A revolução dele é desinstalar o entendimento
da morte, desinstalar o fluxo deste mundo e instalar, em nós, o espírito da renovação
permanente da mente buscando não conformação com este aeon, com este século,
mas, ao contrário, nos transformarmos pela renovação da nossa mente conforme o
significado da verdade encarnada por Jesus.

Do contrário, entre em todas as correntes e você ficará mais amarrado; pode entrar
em todas as filas de cai-cai, porque você vai continuar onde você está mesmo, caído e
erguido na presunção de estar em pé sem saber que você é apenas um ser rastejante
do império das trevas!

E a sutileza é enorme, porque a gente vai sendo conduzido pelo príncipe da potestade
do ar, pensando que é o anjo Gabriel! Vai sendo levado por um panteão de demônios,
escondidos atrás de simbologias cristãs que simplesmente empurrão a nossa
existência para um ambiente de escuridão, de medo, de temor, de fobias, de angústia,
ou revoltado contra a própria dor que sente, e acaba servindo a Deus com ira! E como
não podem se irar contra Deus e com Ele brigar, transformam sua raiva de Deus em
ortodoxia contra os irmãos, e ainda dizem: “Eu estou liberto!”

PALHAÇADA!

Eu não sei o que você pensa de mim, mas eu sei o que eu penso de mim. O que eu
penso de mim é o que eu penso acerca do evangelho. Eu nasci e estou aqui nesta
terra, para, em nome de Jesus, lhe dizer que esses demônios da religião que vêm
cegando o entendimento dos incrédulos, colocando a gente no fluxo do mundo
carregando cruzes com simbologias cristãs, mas que escondem a grande macumba e
a grande feitiçaria... Isso está desmascarado em nome de Jesus!

E você pode sair daqui com o auto-engano que queira, mas nunca mais vai dormir em
paz, porque eu sei que o poder do Espírito Santo vai fazer a minha voz ecoar na sua
alma até o fim da sua vida!

E TENTE DORMIR COM ESSE BARULHO!

Tente dormir com ele, porque eu sei que poderoso é aquele que está falando por meio
de mim!

Porque é a palavra da verdade que eu estou dizendo aqui. E eu a digo nas entranhas
do inferno, ou em qualquer outro lugar, sem medo de potestade nenhuma, porque elas
estão desmascaradas!

Ele nos libertou do império das trevas, mas Ele só nos libertou do império das trevas
se as trevas saíram da nossa mente; se nós, de fato, tivermos trocado a lei dos
poderosos e da prevalência dos mais fortes pelos mais fracos pela lei da graça.

Só teremos sido libertos do império das trevas e transportados para o reino do amor
de Deus se no nosso coração aquilo que antes era elevado como glória diante dos
homens se tornou abominável, e a nossa escolha é a escolha da simplicidade das
coisas essenciais às quais Jesus chama de vida; do contrário, nós continuamos no
império das trevas.

Eu sou filho do amor de Deus e sou cidadão desse reino de amor se o único dogma da
minha vida for amor, pois o único dogma do reino de Deus é amor, porque Deus é
amor.

Eu fui transportado do império das trevas para o reino do filho do seu amor quando eu
reconheço que eu sou filho da graça do favor imerecido, da bondade incomunicável,
da misericórdia eterna, que só é constatável pelo fato de que ela se renova toda
manhã, mas eu mesmo não consigo explicar, tamanho o poder de auto-renovação. Eu
apenas aceito, sem entender, tamanha graça, e porque eu aceito que fui aceito, e
aceito que fui incluído sem razão nenhuma para o ser, e transformo isso no mesmo
espírito de inclusão, de aceitação, de perdão, de misericórdia pra com o meu próximo,
eu fui transportado pro reino do filho do seu amor; do contrário, não!

No reino do filho do seu amor nós temos redenção. A nossa e a redenção que a gente
oferece aos outros.

Nós somos aqueles que queremos ser redimidos e não queremos redimir ninguém!
Mas quem foi redimido pelo filho do amor de Deus, redime o próximo.

Quem confessa que teve uma multidão de pecados perdoados cobre uma multidão de
pecados.

Quem gosta de ver a boca do diabo silenciada sem mais nenhuma condenação ou
acusação, porque, pela fé, está oculto em Deus em Cristo Jesus, esse mesmo não
tem nenhum prazer na difamação de qualquer acusação contra quem quer que seja.

QUEM ODEIA SATANÁS TEM QUE DEIXAR DE SER SATANÁS NA VIDA DO SEU
PRÓXIMO!

Quem diz: “Diabo, tu estás repreendido!", antes de dizer isso ao Diabo, deve dizer isso
ao diabo que existe nele próprio.

Diabo = diábolos = divisão


Satanás = adversário

O grande satanás a ser combatido e enfrentado não é aquele que vem de fora pra
dentro, é aquele que se constitui em psiquismo, em direito, em personalidade, em
individualidade, em constituição do ser, e que habita você e responde pelo seu próprio
nome! Batizado e tudo!

No reino do filho do seu amor, nós temos a redenção. Se nós temos a redenção, nós
compartilhamos redenção!

No reino do filho do seu amor, se tem lugar pra mim, podem ter certeza, tem lugar pra
todos! E no dia que eu disser que tem lugar pra mim, mas não tem lugar pra todos,
nesse mesmo dia, eu estou de fora sem saber! Porque no reino do filho do seu amor,
nós temos a redenção; e se ela é minha, ela é nossa, ela é de todos. Porque a
intenção de Deus é que por meio do sangue da sua cruz, Ele reconciliasse consigo
mesmo todas as coisas, quer nos céus, quer sobre a Terra, e até nós mesmos, que
outrora éramos inimigos no entendimento e pelas nossas obras malignas, mas que
agora fomos reconciliados por meio da sua carne, pelo sangue da sua cruz, se é que
permanecemos firmes na nossa mente não nos afastando do evangelho, que nós
ouvimos, e nem nos deixando ludibriar nem que seja por um anjo de luz!

Se você veio de casa e chegou aqui querendo ouvir uma coisa espetacular, não venha
nunca mais me ouvir; eu não tenho nada espetacular a dizer; o meu único espetáculo
é o da cruz. Vocês nunca vão me ver pulando no chão nem plantando bananeira; eu
não tenho o dom da lagartixa, não recebi o dom de cão. Falo em línguas no meu
quarto, e ninguém nunca me viu fazendo disso um espetáculo público. Se você gosta
do circo da perversidade religiosa, não venha me ouvir, porque eu não tenho
performance nenhuma a lhe oferecer!

A verdade é simples, simples é a verdade; agora, ela tem o poder de mudar a mente
da gente. De transportar a gente da sutileza desse império psicológico-espiritual, que
muitas vezes se disfarça, se camufla de religiosidades, de simbologias que nós
chamamos de coisas relacionadas a Deus, mas que são apenas os mantos da mentira
para que tudo continue exatamente entrevado dentro de nós!

Se esse é o espírito, se essa é a vontade, se essa é a decisão de não conversão,


então fique sabendo: continue “cristamente” no império das trevas. Continue
carregando cruzes e cruzes pro Diabo! Continue em sucessões de moveres e de
batismos eternos que não transformam a mente, não mudam o coração e não alteram
o entendimento.

Agora, isso tudo só para concluir, aqui mesmo em Colossenses 2, onde Paulo nos diz
algo. Eu era menino e esse texto entrou na minha alma aos 18 anos de idade:

Nós fomos libertos do império das trevas e fomos transportados para o reino do filho
do amor de Deus, porque nEle nós fomos sepultados. Juntamente com Ele nós fomos
sepultados no batismo da morte, no qual igualmente nós fomos ressuscitados
mediante a fé no poder de Deus que ressuscitou a Jesus dentre os mortos. E a vós
outros que estáveis mortos pelas vossas transgressões, vivendo a cidadania do
império das trevas, e pela incircuncisão da vossa carne Ele vos deu vida, perdoando
todos os nossos delitos, tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que
constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, Ele removeu-o inteiramente
encravando-o na cruz, e despojando os principados e as potestades do império das
trevas e que tem o seu poder na nossa consciência, tem o seu poder na culpa latente
em nós, tem o seu poder na nossa dívida pra com a Lei, tem o seu poder na nossa
justiça própria arrogante que pretende se autojustificar, tem o seu poder justamente
nesse espírito de acusação que paira sobre a nossa vida, em razão da certeza que
todos nós temos de que nós estamos aquém e muito aquém e absolutamente aquém
da santidade de Deus! Mas quando, pela fé no que Jesus fez, nós cremos e
assumimos, pela fé, o que está feito e consumado, e sabemos que todo escrito de
dívida que havia contra nós foi rasgado na cruz por Jesus, e com Ele todas as
ordenanças que nos eram prejudiciais, porque Jesus removeu todas essas coisas
inteiramente encravando-as na cruz, aí então, cessa o império das trevas em nós.
Porque nesse dia, nessa hora, nesse momento existencial, em fé no nosso coração,
Ele despoja os principados e as potestades, e como o fez na cruz, o faz hoje, ante os
nossos próprios sentidos e consciência, publicamente os expondo ao desprezo,
triunfando sobre eles na cruz, na nossa vida.

Por isso, ter saído do império das trevas e vindo para o reino do amor de Deus não
tem absolutamente nada a ver com comida ou com bebida, com dia de festa, ou lua
nova, ou sábado ou corrente dos 318 ou dos 424, porque tudo isso tem sido sombra
de coisas que haviam de vir, porém agora nós somos do corpo de Cristo. Ninguém se
faça árbitro contra vós outros, pretextando suposta humildade, ou até mesmo
intimidade com os anjos, baseando-se em visões, em subjetividades, em moveres, em
invenções fantasiosas da mente, enfatuado sem motivo algum; a sua mente é apenas
carnal e vaidosa, e não retendo a cabeça, não retendo o evangelho, não retendo a
mente de Cristo, não retendo a palavra de Cristo, da qual todo corpo suprido e bem
vinculado pelas suas juntas e ligamentos cresce o crescimento que procede de Deus.

Se morrestes com Cristo, para os rudimentos do mundo, para o império das trevas,
para o curso deste mundo, para a tirania do príncipe da potestade do ar, por que como
se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a essas ordenanças perversas, sejam as da
religião ou sejam as ordenanças dos instintos desgovernados, seja o ascetismo, que
diz: “Não manuseies isso, não proves aquilo, não toques aquilo outro, segundo
preceitos e doutrinas de homens? Pois todas essas coisas com o uso se destroem,
essas coisas, com efeito, tem aparência de sabedoria como culto de si mesmo, falsa
humildade e rigor ascético, todavia não tem valor algum contra a sensualidade.
Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto,
onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas
que são daqui da Terra, porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com
Cristo em Deus.

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis
manifestados com Ele em glória.”

A VOZ INSISTENTE E MEIGA, TODAVIA PODEROSA DO ESPÍRITO SANTO, NOS


CONVENCE ACERCA DA VERDADE, QUE NOS LIBERTA TODO DIA, PORQUE
NÓS FOMOS LIBERTOS DO IMPÉRIO DAS TREVAS PARA SERMOS LIBERTADOS
TODO DIA NO AMOR, NO REINO DE DEUS.

Esse é o evangelho de Jesus, e quem tiver alguma coisa contrária, seja anátema.
Porque essa é a verdade eterna. Essa é a que fica, essa é a que transforma. É acerca
dessa que Jesus chama de evangelho. O resto é outro evangelho, é mentira, é
camuflagem, é engano, é tapeação do inferno, para você ficar mantido nesse estado
de ilusão e fantasia, pensando que está servindo a Deus enquanto serve principados e
potestades; fazendo grandes e ousadas confissões de fé enquanto a sua mente
apenas segue o fluxo deste mundo, e o seu coração não experimenta transformações
que alterem a essência do seu ser fazendo de você um filho do amor de Deus.
Essa palavra carrega cura, porque desinstala ódios, porque exorciza amarguras,
porque expulsa direitos homicidas, que a gente mantém no coração como bens
preciosos, como direito adquirido contra o próximo, sem saber que justamente isso é
que vai matando o próprio coração e destruindo a própria vida.

Quando ódios, amarguras e ressentimentos são desinstalados de nós pelo poder do


evangelho, que infiltra o amor de Deus na gente, o corpo é curado. Doenças
psicossomáticas são afastadas. Perversões da mente são banidas. E o andar da gente
é endireitado no chão da Terra porque antes foi consertado no chão do coração.

Minha oração é que toda ilusão sobre o reino do amor de Deus que tem estado sobre
a nossa mente, mantendo-nos cativos ao império das trevas sem que a gente
discernisse o tamanho do engano, tenha sido arrancada da nossa mente agora, em
nome de Jesus. E que o processo da verdadeira conversão esteja começando e não
pare jamais. E que a gente vá se conformando à imagem e semelhança do Senhor.
________________________________

Mensagem: “Discernindo o Império das Trevas” — Caio Fábio


Transcrição: José Abdon Luna Accioly
Revisão: Fausto R. Castelo Branco
14/OUT/08

PAPAI, SADHU SUNDAR SINGH, MACKINTOSH E MELQUIZEDEQUE!

“Como posso crer em um Deus que manda um pobrezinho de um índio ou um


caboclo, ou qualquer outra pessoa no mundo, direto pro inferno, somente
porque a pessoa nunca ouviu falar sobre a Jesus ou sobre a história dos judeus
e dos cristãos?” — era o argumento que ouvia ser repetido na boca de meu pai
quando eu era ainda menino; e, tal questão, somente nele cessou quando veio a
conhecer a Jesus pela fé, mediante a leitura pura e simples do Novo Testamento.

Papai se converteu e fez sua síntese/resposta a esta questão mediante um sonho, no


qual ele vira a multidão dos impensáveis e inadmissíveis para a religião, bem
acolhidos no reino dos céus.

Eu, todavia, permaneci com a questão dele...

Durante os anos de total ausência de contato espontâneo com o Evangelho, enquanto


eu seguia a Loucura, fosse por sentimento verdadeiro fosse apenas por argumento, eu
levantava a questão de meu pai quando ele se dizia um agnóstico.

“Como posso crer em um Deus que manda um pobrezinho de um índio ou um


caboclo, ou qualquer outra pessoa no mundo, direto pro inferno, somente
porque a pessoa nunca ouviu falar sobre a Jesus ou sobre a história dos judeus
e dos cristãos?”

Quando parei de lutar contra o Evangelho e decidi que ele era minha única via de vida,
a questão perdurou.
De fato eu não conseguia a creditar que se a “igreja” não se dispusesse a enviar
alguém para algum lugar do mundo, todo mundo que tivesse nascido naquele lugar já
teria nascido com Carteira de Identidade do Inferno.

Não dava para mim...

Não dava para eu ver aquilo no amor de Deus.

Não dava para eu ver aquilo no modo de ser de Jesus.

Não dava para ver como um mecanismo de natureza totalmente humana pudesse ter
significado determinante no destino eterno/eterno de um ser humano apenas
desinformado.

Não dava para crer que informação histórica fosse a salvação do mundo.

Não dava para crer que Jesus estivesse condicionado a uma informação e à doutrina
da informação.

Não dava para crer que seria a boa vontade da “igreja” que poderia salvar ou não o
mundo.

Não dava para crer que circunstancias sociais, econômicas, culturais, geográficas ou
religiosas pudessem importar para um Deus que fosse Deus mesmo, e não o Santo de
Devoção Absoluta de um grupo impiedoso de pessoas.

Não dava para crer na Regionalidade da Salvação que o Cristianismo propunha.

Não dava para amar aquele “Jesus”.

Não dava nem sequer para admirar o “Deus” cujo amor fosse assim, tão pagão.

Fazia apenas um mês que eu caminhava na fé e já estava angustiado com aquilo que,
para mim, era o que havia de mais importante, pois, me custava crer que a salvação
de Deus, Cristo Jesus, fosse menos abrangente do que o Pecado de Adão.

Foi quando papai me deu “O Apóstolo dos Pés Sangrentos”, um livro sobre o
místico/cristão, hindu, e que se tornara celebre pelo seu modo de vida e, sobretudo,
pelo modo livre como encontrou a Jesus: somente ele e Jesus. [Sadhu Sundar Singh
- Wikipedia, the free encyclopedia].

A leitura do livro me abriu outros mundos simples. Para mim estava claro que Jesus
não precisava da boa vontade da “igreja” para se revelar a quem quisesse.

Logo depois papai me deu um livro de um tal de Mackintosh, um autor do século 18,
extremante devocional e alegórico em seus interpretações, porém, cheio de amor por
Jesus. Foi lendo o seu comentário rico em alegorias sobre o Gênesis que dei de frente
com Melquizedeque, Rei de Salém. Mackintosh não era amplo, mas foi
suficientemente intrigante e, pela visão mística, abrangente o suficiente para me dar a
pista de que era em Melquizedeque o que o nó da questão de Deus com a
humanidade sem informação formal do Evangelho era atendida.
[http://www.swordsearcher.com/bible-study-library/mackintosh-commentary.html].
Foi desses dois pontos de partida difuso, porém, espiritualmente belos e amplos no
amor de Deus que propunham na figura de Melquizedeque, que iniciei me
perguntando:

“Não seria esse Melquizedeque o sacerdote de Deus para o mundo em todos os


tempos, antes de haver a fé de Abraão, que hoje conhecemos?”

E mais:

“Não seria ele como aquele Anjo do Senhor, que é o próprio Senhor muitas vezes, em
suas manifestações no Velho Testamento?”

Ou ainda:

“Se esse Melquizedeque era um rei local, todavia, representava algo maior do que
Abraão, e, portanto, faz parte de algo ante o que Abraão se curva”.

Assim, ainda no final de 1973, começou minha viagem pessoal na Bíblia buscando
entender o Sacerdócio Eterno de Cristo; o que depois veio a reforçar-se de muitas
outras formas, ao ponto de que, em 1976, eu escrevi minha “tese de ordenação” ao
ministério Presbiteriano, baseada na Liberdade de Deus como Salvador fora dos
termos de Israel e da fé histórica que viaja como informação que até mesmo contém
genealogia.

Foi assim que de súbito fui assustado pela percepção do Cordeiro Imolado Antes da
Fundação do Mundo.

Então, depois disso, as nuvens saíram... — e fiquei possuído de alegria sem fim.

Afinal, Cristo é tudo!

Nele, em Verdade,

ABRINDO O CORAÇÃO DO LIVRO DE JÓ

O livro de Jó sempre me encantou. Nele até as heresias soam verdadeiras. Ele é


poético, daí o problema, pois, a poesia sempre traz consigo o poder de convencer, ou,
pelo menos, de nos fazer respeitar mesmo que seja a verdade besuntada de mentira.

Esta pode ser uma das razões do Livro de Jó ser tão mal percebido. Ele é tão poético
que em suas falas entremeiam-se verdades e mentiras, numa oscilação que vai da
mentira-mentira à mentira-verdade e da verdade-mentira à verdade-verdade, o que
confunde a percepção objetiva.

E não seria isto parte da risada de Deus sobre a nossa presunção?

A fim de dar a você algumas simples “entradas” ao texto, quero que você preste
atenção, nas quatro diferenciações que vêm a seguir:
1. A mentira-mentira é o engano em si, só sendo aproximadamente projetável em
plenitude-simbólica na figura de Satanás. A verdade é, todavia, que nem Satanás
conhece totalmente o próprio engano, pois, até mesmo para se ser o Enganador é
preciso que tenha havido nesse ser um mínimo de autoengano inicial, e que veio,
posteriormente, a tornar-se engano consciente e assumido como finalidade dessa
malévola existência pessoal. A verdade sobre a mentira é a seguinte: somente Deus
conhece o que é o engano! Nenhuma de Suas criaturas chegou até ao abismo do
Abismo. Há um limite para as criaturas até no Abismo. E o limite do Abismo é o
abismo do Mistério de Deus, que nenhuma de Suas criaturas jamais conheceu ou
conhecerá em plenitude. Conhecer a Deus é o orgasmo infinito do ser!

2. A mentira-verdade é a mentira maquiada de realidades da vida aplicadas fora do


contexto, o que acontece todos os dias nas mínimas coisas do nosso cotidiano, e,
aparece, insistentemente, de vez em quando, até mesmo no modo como nos
defendemos, escudando-nos à sombra de correções exteriores que encobrem nossas
verdades negativas. Então adoecemos na alma, pois, quanto mais moralmente cristão
é o consciente humano, mais tragicamente pagão, torna-se o seu inconsciente.

3. A verdade-mentira é a manipulação da verdade. Todo uso da verdade a corrompe,


tira dela a verdade-de-ser, pois, ela já vem carregada com as finalidades e utilidades
que a ela atribuímos, de acordo com a conveniência do momento. É a verdade para o
consumo, é produto da arte de falar de Deus e da vida no palco das falsas
impressões.

4. A verdade-verdade é aquela que só é possível se a procedência for à boca de


Deus. Somente Deus conhece a verdade-verdade. É por isso que joio e trigo crescem
juntos na Terra e não nos é possível distinguir um do outro com certeza. E toda
tentativa de o fazer é mais danosa (joio é erva daninha), que existência do joio em si
mesmo.

Há apenas uma coisa que os diferencia na Terra: o amor. Por esta razão, é muito mais
provável que o joio é que tente arrancar o trigo do campo, que o trigo arrancar o joio
de seu território. O trigo alimenta e traz vida. O joio se esconde e se aproveita dele,
mas nunca perde uma oportunidade de se fazer passar por ele, e, eliminá-lo é sua
melhor chance!

A questão é: o joio sabe que é joio? E o trigo sabe que é trigo? Quem o confessaria?
Quem teria em si a verdade-verdade a ponto de enfrentar todos os enganos para se
ver? Quem teria essa coragem? Certamente quem a possuísse não seria jamais um
“joio-pleno”, pois “aquele que julga a si mesmo, não é julgado”.

O trigo sabe que é trigo? Mas se o sabe, não o alardeia com certeza que acuse a
existência personificada do joio num outro ser humano. Antes, ao “cair na terra, morre;
e dá muito fruto” . O joio não muda o curso da natureza do trigo, pois, o trigo só sabe
ser trigo!

O poder do trigo é o fruto que dá e que se faz vida em si e em outros!


E por que introduzo esse meu livro sobre Jó falando acerca de tais subjetividades?

É que o livro de Jó é exatamente o retrato de todas essas quatro diferenciações. Ora,


são essas diferenciações que podem descatastrofizar as nossas existências, sem que
apelemos para as interpretações morais que excluem a história humana da Graça, e,
pior: excluem a Graça de toda a história dos humanos!
Essa des-gracificação da Vida nos torna tão pagãos quanto todos os que tentam
explicar o mal que acomete ao próximo sempre como paga pelo pecado.

Os cristãos ainda não se deram conta de que sua “teologia” da Graça não coincide
com suas interpretações cotidianas do sofrimento humano e, muito menos, não retrata
com realismo os fatos da vida. E assim, sem o saberem, tornam-se parte do fluxo
religioso universal - a Teologia da Terra—, que entende a questão da dor e de tudo o
que seja inexplicável, a partir de um encontro de contas exatas entre Deus e o
homem, anulando, assim, a Graça.

Na Graça o “encontro de contas” acontece, mas quem paga a diferença contra o


homem é Aquele que disse: “Está consumado!”

O problema é que aquelas quatro diferenciações não são formuláveis como categorias
morais ou históricas visíveis.

Elas são valores e essências e só começam a ser por nós discernidos quando nossas
existências chegam a conscientemente lidar com a Indisponibilidade de Deus na hora
da perplexidade, e, sobretudo, com as interpretações que daí procedem.

Quando esse dia chega, só chega para nós! Ele é incompartilhável. Mesmo os
“melhores amigos” correm o risco de pecar ao tentarem “entender esse dia” em nosso
lugar.

O dia da perplexidade é sempre solitário. E nele todo gemido é verdade e toda


verdade é gemido perplexo!

Uma vez dito isto, peço que você observe cada um desses quatro elementos na leitura
do Livro de Jó, a saber: mentira-mentira; mentira-verdade; verdade-mentira; e
verdade-verdade.

E mais: quero que você leia o texto de Jó transcrito da Bíblia e que é parte integral
deste livro. Há pessoas que assumem que já conhecem o texto bíblico, e, portanto,
não o lêem; perdendo, assim, a melhor chance que a leitura propicia, pois, chega
carregada da iluminação que vem diretamente da meditação na Palavra de Deus.

Meditação, oração e submissão à revelação do Espírito Santo são os agentes que


transformam a Bíblia Sagrada em Palavra de Deus em nossos corações!

Após cada bloco de leitura de Jó você achará um comentário meu. Leia-o com
atenção. No rodapé de cada página você encontrará notas de esclarecimentos e
outras referências bíblicas que o auxiliarão na melhor compreensão do que você lê. E,
por último, trarei as minhas conclusões sobre a mensagem do livro como um todo.

Se você optar por ler apenas o texto maior e deixar de lado as demais contribuições
que o livro dá a você, temo que você não entenda tudo o que lhe está sendo
disponibilizado. É necessário, sobretudo, que você tenha paciência e leia tudo,
conferindo, na sua Bíblia, a pertinência ou não do que aqui digo.

Caso você pare de ler o livro, ou caso você só leia o que nele lhe parecer mais fácil,
não faça, por favor, comentários a respeito dele. Não poderei ter respeito por quem
não conferir coisa com coisa antes de fazer seu próprio julgamento. E, assim dizendo,
estou estimulando você a achar nele qualquer coisa que não seja completamente
bíblica e coerente com a “tese cristã”.
Ou seja, eis aqui a confissão de fé que faço neste livro:

A Graça é dom de Deus, apropriado pela fé, que também é Graça , pois, é também
dom de Deus; a qual se origina do trabalho do Espírito Santo na consciência-coração
humano, pela revelação da Verdade , que é Cristo Jesus; o qual é o Princípio e o Fim
—Alfa e Ômega—de toda relação de Deus com a criação e todas as criaturas, visto
que Ele se-fez-foi-feito-em-si-mesmo o Cordeiro imolado antecipadamente pela culpa
da criatura e de toda criação, antes da fundação do mundo; sendo que, entre os
homens, Sua manifestação histórica se realizou na Sua encarnação, morte,
ressurreição e ascensão acima de todas as coisas; e, foi Ele, o Cordeiro de Deus,
quem estabeleceu que por Sua Graça se pode ter Vida; e, isto, não é tão somente
algo que se manifesta dos céus para a terra, mas também entre os humanos na forma
de duas tomadas de consciência: a primeira é que quem recebeu Graça não nega
Graça, pois, quem foi perdoado tem que perdoar ; e, em segundo lugar, mediante a
cessação dos julgamentos entre os homens, visto que, quem foi absolvido pela Graça
de Cristo já não se oferece para ser juiz do próximo; antes pelo contrário, tal
percepção induz a caminhar na prática das obras preparadas de antemão para que
andássemos nelas, sendo sua maior expressão o amor com que devemos nos amar
uns aos outros; e, sendo assim, para tais pessoas, guiadas pelo Espírito da Graça, a
germinação de seus corações na fé em Jesus, gera o fruto do Espírito que torna toda
Lei obsoleta e desnecessária para a consciência que recebeu a revelação do
Evangelho. O resto é invenção humana para diminuir a Loucura da Cruz e o
Escândalo da Graça.

Sabendo disto, então, faça o seguinte agora:

Ore e peça ao Espírito Santo que o ilumine e o esclareça! Faça-o com a certeza de
que ao final sua mente estará vendo a sua própria dor de outra forma e a de seu
próximo com reverência e silêncio solidário. E, então, seu coração vai se encher de
amor e vida, o que libertará você de todo medo de ser e o fortalecerá para o
prosseguimento da jornada que só cessa quando conquistarmos aquilo para o que
fomos conquistados.

Quem assim faz não será condenado quando a Voz de Deus se manifestar no
redemoinho.

O resultado final é que você dirá: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus
olhos te vêem”.

Extraído do livro O Enigma da Graça, de Caio Fábio

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UMA BREVE HISTÓRIA DO JOÃO DO APOCALIPSE


João ainda bem jovem foi pescado pelas redes do amor que ele percebera em Jesus,
e, em companhia de seu irmão, Tiago, pediram a benção do pai, Zebedeu, e, juntos,
partiram seguindo a Jesus para sempre.

Na companhia de muitos, entre os mais importantes na História estavam Pedro, Tomé,


Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, Marta, Lázaro, Maria, e todos os demais
apóstolos e discípulos freqüentes, caminharam um pouco mais de três anos com
Jesus.

Foram apresentados a Deus, aos homens e a si mesmos mais do que jamais


quaisquer outros seres humanos haviam experimentado.

Viram os demônios fugirem da mera presença da verdade em amor. Assistiram o


indiscriminável amor de Deus abraçar a todos os homens. Perceberam aturdidos que
o poder era dos que amavam sempre, e não dos que se impunham pelo medo.
Participaram da experiência de, com a Palavra, curarem e libertarem seres humanos
de todos os males. Entenderam que sem fé é impossível agradar a Deus. Discerniram
que o único lugar de vida com Deus com poder de validar a tudo o mais na existência
é o ambiente do coração. Chocados viram água tornar-se vinho, poucos pães e
peixes irromperem em matéria nova alimentando milhares. Presenciaram a suavidade
do mover da fé sobre as águas agitadas e viram ventos indomesticáveis tornarem-se
dóceis ante palavra de comando divino que procedia da boca do Filho do Homem.

Foram espremidos no Caminho Estreito. Aprenderam que quem se exalta é humilhado


e que aquele que se humilha é exaltado. Perceberam, em Jesus, o desprezo de Deus
pelo que os homens consideram elevado. Foram forçados a praticar o ensino de Jesus
que diz que o tesouro de um homem só lhe cabe no coração.

Na jornada existencial dos três anos iniciais de Caminho Estreito, aprenderam sobre
suas próprias fragilidades, sobre seus caprichos, sobre seus desejos de supremacia e
importância, sobre suas ânsias de privilégios, sobre seus ciúmes, sobre suas justiças
próprias, sobre seus medos, sobre suas frágeis certezas, sobre sua covardia, sobre
sua capacidade de trair, de negar, de fugir, de correr nu...

Aprenderam que mulheres que choram chegam mais perto e permanecem vigilantes
nos lugares proibidos, enquanto a valentia dos homens se esconde.

Na moenda da Vereda Indesejada eles aprenderam a lidar com o desprezo, com a


afronta, com a raiva, com o desejo de vingança, de revide, de ódio, de amargura, de
rejeição, e, sobretudo, com a infâmia, a calunia, a mentira, o engano que se delibera a
fim de matar alguém com aquilo que a pessoa não é.

Sobretudo, na Via Apertada, eles aprenderam a passar pela morte, e a ver que ela
havia sido morta para todo aquele que cresse na Ressurreição.

Por fim, vendo a vitória da Vida sobre a morte pelo poder do Amor que se dá pela
vitória da Vida, eles se tornaram gente da Esperança, Superior.

De fato eles passaram a crer que o mundo dos Romanos e de quaisquer outros tiranos
ou poderes, acabaria para sempre; pois, haveria uma nova humanidade, na qual
prevaleceria a Lei do Amor como natureza em cada um.

Assim, João e seus companheiros, lançaram-se à continuidade do Caminho Estreito, o


qual era estreito também nas tensões que propunha, como, por exemplo, pregar Boa
Nova ao mesmo tempo em que ela, a Boa Nova, anunciava o fim desta Era de Morte,
tão amada pelos homens.

Assim, após os fatos por eles testemunhados acerca da vida, morte e ressurreição de
Jesus, eles, e um grupo bem maior de pessoas, podendo ter chegado a mais ou
menos quinhentas pessoas, viram Jesus subir aos céus, afirmando-lhes que voltaria
outra vez.

Ora, eles imediatamente passaram a se reunir em um cenáculo de Jerusalém, orando


e esperando a promessa do derramamento do Espírito Santo sobre eles, o que veio a
acontecer dez dias depois de terem visto Jesus subir aos céus, mais precisamente no
Dia de Pentecoste.

Daquele tempo em diante João estava cada vez mais na companhia de seu irmão,
Tiago, e de Pedro, que era como um irmão mais velho para todos eles.

Juntos, e agora sem a presença física de Jesus, eles enfrentaram sem medo as
autoridades judaicas, as mesmas das quais meses antes eles haviam fugido em
assombro e ânimos de traição em defesa da própria pele.
Algo mais poderoso do que a presença física de Jesus havia penetrado o ser deles.
Agora eles não temiam mais a morte e nem os homens. O poder da Glória da
Ressurreição havia espanado para sempre as sombras da morte em seus corações.

Depois de várias prisões e de contínua perseverança, não importando-se com


ameaças ou com açoites, eles foram se espalhando a fim de pregar em outras terras.
Praticamente todos os Apóstolos seguiram por seu turno para uma geografia possível,
e lá anunciaram a Palavra de Jesus.

João, no entanto, tinha consigo uma missão dupla: pregar a Palavra e cuidar de Maria,
a mãe de Jesus. Afinal, morrendo na cruz, Jesus pedira a João que cuidasse de Maria,
e disse a Maria que João agora era seu filho. Por isto, embora João tivesse mãe e
Maria possuísse muitos filhos e filhas, ambos se levaram pela Vereda Estreita.

No inicio João ia e vinha, pois, nos primeiros anos, sua residência variava entre a
Galileia e Jerusalém. Mas, depois, com o crescimento da Palavra, e ante o
divisamento das necessidades do mundo, especialmente inventariadas por Paulo,
agora já convertido, e, além disso, tornando-se o mais expressivo porta-voz da Palavra
fora das terras bíblicas, vários entre os discípulos puseram-se a pregar em outras
localidades do império Romano.

Assim, no curso de anos, João vai mudando sua residência, sempre com Maria, até vir
a estabelecer-se na cidade de Éfeso, grande e importante cidade da Ásia Menor, e
uma das mais importantes do Império Romano.

Paulo havia iniciado o processo de semeadura do Evangelho em toda Ásia Menor, e


também em Éfeso. João, portanto, vai residir num ambiente cristão fortemente
impregnado do ensino do Evangelho conforme a dilatada consciência e compreensão
de Paulo.

Foi durante aquele período, aí depois dos anos 50 ou 60 depois de Cristo, que João,
provavelmente residindo em Éfeso, escreveu as três epístolas conhecidas como
“Universais”. Foi também em Éfeso que a sabedoria do Evangelho se destilou em
João, ao ponto de levá-lo não apenas a escrever o Evangelho Mensagem de Jesus,
como também a afirmar na mais profunda e perfeita simplificação que Deus é amor.

O grupo de discípulos de Jesus em Éfeso era formado de gente experiente nas


tribulações e nas dificuldades, desde dos dias de Paulo. Cresceram alicerçados no
ensino límpido que procedia de Paulo. E, depois que Paulo já não mais podia visitá-los
ou enviar pessoas que lhes ajudassem na manutenção da consciência da fé, foi de
João que aquele grupo recebeu o pastoreio.

Com o advento de Nero e com a morte de Paulo e de Pedro, como também de


milhares de discípulos de Jesus em Roma e em outros lugares do império, a
mensagem de Jesus foi ganhando, aos ouvidos das autoridades romanas, contornos
de natureza política; e isto apenas porque os cristãos diziam que Jesus era o Senhor,
termo usado no império apenas para César, o Imperador. Além disso, como os
discípulos de Jesus também pareciam não temer a morte, tal ato era cada vez mais
interpretado como provocação e insubmissão incurável, fazendo com que eles fossem
vistos no Império como Homens Bombas de Amor.

Ao aproximar-se o final do 1º Século João era o único Apostolo de Jesus ainda vivo. E
ele estava vivo em um tempo de caos no Império e grande confusão entre os
discípulos.

Foi nesse contexto que ele, exilado, veio a receber a revelação do Apocalipse.

Aliás, corria entre os discípulos a lenda de que João não morreria, que ele ficaria até
que Jesus voltasse; e, em um certo sentido, foi isso que aconteceu, pois, mais do que
ninguém na Terra, João entrou no ambiente da Consumação de todas as coisas.

Escrevi muito, estou meio cansado, e, por isso, hoje vou ficando por aqui.

Um abraço!

Nele, que é nosso Apocalipse, nossa Revelação, nosso Tirador de véus,

Caio

11 de março de 2009

Lago Norte

Brasília

A VERDADE OBLIQUA – ENTREVISTA COM O AUTOR DA TRILOGIA “MATRIX”

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A VERDADE OBLIQUA – Entrevista com o autor da Trilogia “Matrix”

Jean Baudrillard: A verdade oblíqua

O pensador que inspirou a trilogia "Matrix" não gosta do filme e acha que a cultura
americana impõe padrões banais. Por Luís Antônio Giron, Revista Época, 7 junho
2003

O professor baixo e mal-humorado é hoje uma das figuras mais populares do novo
século. O pensador francês Jean Baudrillard, de 74 anos, recusa-se a falar em inglês.
Mesmo assim, é tão popular nos Estados Unidos por causa de suas análises sobre a
cultura de massa que foi convidado a fazer um show de filosofia em Las Vegas. E seu
nome está na boca dos espectadores da trilogia Matrix. No primeiro filme dos irmãos
Wachowski, o hacker Neo (Keanu Reeves) guarda seus programas de paraísos
artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. Keanu leu o
livro e costuma mencionar o autor em todas as suas entrevistas sobre Matrix
Reloaded, o novo filme da trilogia. Até porque o ensaio sobre como os meios de
comunicação de massa produzem a realidade virtual inspirou os diretores de Matrix a
criar o roteiro.

Baudrillard não parece ligar para a fama. Ele esteve no Brasil para lançar seu novo
livro, Power Inferno (Sulina, 80 páginas, R$ 18), e participar da conferência 'A
Subjetividade na Cultura Digital', na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro,
onde falou com ÉPOCA. Sempre pautado por assuntos atuais, ele analisa no ensaio
os atentados de 11 de setembro de 2001 como um ato simbólico contra o Ocidente.
Nesta entrevista, ele fala sobre seu pensamento turboniilista, 11 de setembro e arte.
Se a realidade já não existe e vivemos um permanente e conspiratório espetáculo de
mídia, como quer Jean Baudrillard, o pensador exerce a função de entertainer às
avessas. Ele decreta o fim dos tempos, e todo mundo vibra.
ÉPOCA - Suas idéias demolidoras estão mais em moda do que nunca. O mundo
ficou mais parecido com o senhor?
Jean Baudrillard - Não aconteceu nada. O resultado de um consumo rápido e maciço
de idéias só pode ser redutor. Há um mal-entendido em relação a meu pensamento.
Citam meus conceitos de modo irracional. Hoje o pensamento é tratado de forma
irresponsável. Tudo é efeito especial. Veja o conceito de pós-modernidade. Ele não
existe, mas o mundo inteiro o usa com a maior familiaridade. Eu próprio sou chamado
de 'pós-moderno', o que é um absurdo.

ÉPOCA - Mas pós-modernidade não é um conceito teórico racional?


Baudrillard - A noção de pós-modernidade não passa de uma forma irresponsável de
abordagem pseudocientífica dos fenômenos. Trata-se de um sistema de
interpretações a partir de uma palavra com crédito ilimitado, que pode ser aplicada a
qualquer coisa. Seria piada chamá-la de conceito teórico.

ÉPOCA - Se não é pós-moderno, como o senhor define seu pensamento em


poucas palavras? Os críticos o chamam de pensador terrorista, ou niilista
irônico.
Baudrillard - Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de
verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que
tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis.
Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos
unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante
que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento,
como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.

ÉPOCA - Como o senhor explica a espetacularização da realidade?


Baudrillard - Os signos evoluíram, tomaram conta do mundo e hoje o dominam. Os
sistemas de signos operam no lugar dos objetos e progridem exponencialmente em
representações cada vez mais complexas. O objeto é o discurso, que promove
intercâmbios virtuais incontroláveis, para além do objeto. No começo de minha carreira
intelectual, nos anos 60, escrevi um ensaio intitulado 'A Economia Política dos Signos',
a indústria do espetáculo ainda engatinhava e os signos cumpriam a função simples
de substituir objetos reais. Analisei o papel do valor dos signos nas trocas humanas.
Atualmente, cada signo está se transformando em um objeto em si mesmo e
materializando o fetiche, virou valor de uso e troca a um só tempo. Os signos estão
criando novas estruturas diferenciais que ultrapassam qualquer conhecimento atual.
Ainda não sabemos onde isso vai dar.

ÉPOCA - A disseminação de signos a despeito dos objetos pode conduzir a


civilização à renúncia do saber?
Baudrillard - Alguma coisa se perdeu no meio da história humana recente. O
relativismo dos signos resultou em uma espécie de catástrofe simbólica. Amargamos
hoje a morte da crítica e das categorias racionais. O pior é que não estamos
preparados para enfrentar a nova situação. É necessário construir um pensamento
que se organize por deslocamentos, um anti-sistema paradoxal e radicalmente
reflexivo que dê conta do mundo sem preconceitos e sem nostalgia da verdade. A
questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da
tecnologia.

ÉPOCA - Seu raciocínio lembra os dos personagens da trilogia Matrix. O senhor


gostou do filme?
Baudrillard - É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito
metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também
tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou
meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre
ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação,
mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos
realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente.
Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me
chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix
Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com
kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.

ÉPOCA - Quanto à arte, o senhor se dedicou a analisar o fenômeno artístico ao


longo dos anos. Em que pé se encontra a arte contemporânea?
Baudrillard - A arte se integrou ao ciclo da banalidade. Ela voltou a ser realista, a
desejar a restituição da reprodução clássica. A arte quer cumplicidade do público e
gozar de um status especial de culto, situação prefigurada nas sinfonias de Gustav
Mahler. Claro que há exceções, mas, em geral, os artistas se renderam à realidade
tecnológica. Desde os ready-mades de Marcel Duchamp, a importância da arte
diminuiu, porque a obra de arte deixou de ter um valor em si. Os signos soterraram a
singularidade. Os artistas se submetem a imperativos políticos, e não mais seguem
ideais estéticos. A arte já não transforma a realidade e isso é muito grave.

ÉPOCA - Por que o senhor escreveu tanto sobre a cultura americana mas nunca
refletiu sobre o Brasil, que o senhor tanto adora visitar?
Baudrillard - Já me cobraram um livro sobre o Brasil. Cito-o em minhas Cool Memories
(trabalho no quinto volume) e em outros textos, mas a cultura brasileira é muito
complexa para meu alcance teórico. Ela não se enquadra muito em minhas
preocupações com a contemporaneidade, não tem nada a ver com a americana, com
seus dualismos maniqueístas, um país que se construiu a partir das simulações, um
deserto da cultura no qual o vazio é tudo. Os Estados Unidos são o grau zero da
cultura, possuem uma sociedade regressiva, primitiva e altamente original em sua
vacuidade. No Brasil há leis de sensualidade e de alegria de viver, bem mais
complicadas de explicar. No Brasil, vigora o charme.

ÉPOCA - O que o senhor pensa da civilização americana depois dos atentados


de 11 de setembro? O mundo mudou mesmo por causa deles?
Baudrillard - Claro que mudou. Nunca mais seremos os mesmos depois da destruição
do World Trade Center. Abordo o tema em Power Inferno, uma coletânea de artigos
sobre o império americano e a política. Considero os atentados um ato fundador do
novo século, um acontecimento simbólico de imensa importância porque de certa
forma consagra o império mundial e sua banalidade. A Guerra do Iraque apenas dá
seqüência às ações imperiais. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas
introduziram uma forma alternativa de violência que se dissemina em alta velocidade.
A nova modalidade está gerando uma visão de realidade que o homem desconhecia.
O terrorismo funda o admirável mundo novo. Bom ou mau, é o que há de novo em
filosofia. O terrorismo está alterando a realidade e a visão de mundo. Para lidar com
um fato de tamanha envergadura, precisamos assimilar suas lições por meio do
pensamento.

JEAN BAUDRILLARD
Nascimento Reims, na França, em 1929
Trajetória Sociólogo e fotógrafo. Em 1966 começou a lecionar na Universidade de
Paris X-Nanterre. Atualmente, dedica-se a escrever e fazer palestras.
Livros principais O Sistema dos Objetos (1968), À Sombra das Maiorias Silenciosas
(1978), Simulacros e Simulação (1981), América (1988), Cool Memories I (1990), A
Troca Impossível (1999), O Lúdico e o Policial (2000).

QUANDO A BÍBLIA FAZ MAL!

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Sempre que se obedece à Escritura por causa dela mesma, se está cedendo à
tentação do Diabo!

Não é de estranhar, portanto, que o pai da fé, Abraão, tenha vivido pela fé na Palavra
antes de haver Escritura, mostrando-nos assim, que a Palavra precede a Escritura.

A fé vem pelo ouvir-escutar-crer-render-se à Palavra.

E a pregação só é Palavra se o Espírito estiver soprando. Do contrário, é só prega-


ação!

E a pregação que não é Palavra é apenas estudo bíblico, podendo gerar mais doença
do que libertação.

A grande tentação é fazer a Escritura se passar por Palavra. As Escrituras se iluminam


como a Palavra somente quando aquele que a busca tem como motivação o encontro
com a Palavra de Deus. Ou quando o Deus da Palavra fala antes ao coração!

A Bíblia é o Livro.

A Escritura é o Texto.

A Palavra É!

“Escritura” sem Deus é apenas um texto religioso aberto à toda sorte de


manipulações!

No genuíno encontro com Deus e com a Palavra, a Escritura vem depois.

Sim! A Escritura vem bem depois!

O processo começa com a testificação do Espírito — pelo testemunho da Palavra de


que somos filhos de Deus (Atos 16:14; Romanos 8:14-17; 10:17).
Depois, nos aproximamos da Escritura, pela Palavra. Então, salvos da “Escritura” pela
Palavra, estudamo-la buscando não o seu poder ou o seu saber, mas a “revelação”
imponderável acerca da natureza e da vontade de Deus, que daquele “encontro”—
entre a Escritura, a Palavra e o Espírito — pode proceder.

Para tanto, veja João 5:39-40, onde o exame das Escrituras só se atualiza como vida
se acontecer em Cristo.

Um exemplo do que digo é a tentação de pular do Pináculo do Templo. Tinha uma


“base bíblica”— se levarmos em conta a Escritura como sendo a Palavra. Mas o que
Jesus identificou ali foi a Escritura sem a Palavra.

Um ser pré-disposto ao sucesso teria pulado do Pináculo em “obediência” à Escritura


e à sua literalidade, violando, para sua própria morte, a Palavra.

Sim! Estava escrito.

Porém, não estava dito!

Ora, é em cima do que está escrito mas não está dito, que não só cometemos
“suicídios”, mas também “matamos” aqueles que se fazem “discípulos” de nossa
arrogância, os quais, motivados pelas nossas falsas promessas, atiram-se do Pináculo
do Templo abaixo.

E é também por causa desse tipo de obediência à letra da Escritura que nós
morremos.

A letra mata!

Olhamos em volta e vemos o Livro de Deus em todas as prate-Lei-ras. Vemos o povo


carregando-o sob o braço e percebemos que eles são apenas “consumidores de
Bíblias”.

Vemos seus lideres e os percebemos, muitas vezes, apenas como “mercadejadores”


de Bíblias e dos “esquemas” e “programas” que se derivam do marketing que oferece
e vende sucesso em “pacotes em nome de Jesus”.

Sim! E isso tudo não porque nos faltem Bíblias e muito menos acesso à Palavra.

O que nos falta é buscar a Deus por Deus.

O que nos falta é sermos filhos amados de Deus não porque isto nos dá status Moral
sobre uma sociedade que não é mais perdida que a própria “igreja”, coletivamente
falando, é claro!

O que nos falta é a alegria da salvação, sendo essa alegria apenas fruto de gratidão.

É somente na Graça que a leitura da Bíblia tem a Palavra para o coração humano.
Sem a iluminação do Espírito a Bíblia é apenas o mais fascinantes de todos os best-
sellers.

Caio
A DOR QUE ESTÁ PROIBIDA DE SER LÁGRIMA

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Ezequiel 24

Assim falou Ezequiel:

Deus falou comigo outra vez no ano nono, do décimo mês, aos dez do mês.

Foi assim que Deus me falou:

Filho do homem, marca na tua agenda o nome deste dia, porque o rei de Babilônia
acaba de sitiar Jerusalém neste dia.
Quero que tu proponhas à Casa Rebelde uma alegoria, e dize-lhe: Assim diz o Senhor
Deus: Põe a caldeira no fogo ardente; põe-na, e deita-lhe água dentro; põe na caldeira
pedaços de carne, todos os bons pedaços, a coxa e a espádua; enche-a de ossos que
tu mesmo escolhas.

Pega o melhor do rebanho, ajunta um montão de lenha debaixo da caldeira com os


ossos; faze-a ferver bem, e cozam-se dentro dela os seus ossos.

Portanto, assim diz o Senhor Deus: Ai da cidade sanguinária, da cidade-caldeira, que


está enferrujada por dentro, e cuja ferrugem não saiu dela!

Tira dela a carne pedaço por pedaço; e não faze escolha dos pedaços a pegar; não
caiu sorte sobre ela!

Quem for apanhado, será apanhado; porque há sangue no meio dela!

Essa cidade-caldeira derramou sangue sobre uma penha descalvada.

Nem mesmo o derramou sobre o chão, para o cobrir com pó.


Deixaram o sangue sobre a pedra!
Foi por isso que determinei na minha indignação que seu sangue também estará
sobre a pedra descalvada, para que não seja coberto; e todos o vejam.

Portanto, assim diz o Senhor Deus: Ai da cidade sanguinária! também eu farei dela
uma grande fogueira!

Então Deus me disse mais as seguintes palavras:

Agora faze assim: Amontoa a lenha, acende o fogo, ferve bem a carne, engrossando o
caldo, e deixa que se queimem bem os ossos.

Então a porás a caldeira vazia sobre as suas brasas, para que ela se torne candente,
e se derreta o seu cobre, e se funda com a ferrugem e com a imundícia no meio da
caldeira; e que se consuma misturado com a sua própria ferrugem.

Tentar limpar a si mesma será trabalho inútil!

Não sai dela a sua ferrugem, nem pelo fogo!

A ferrugem é a tua imundícia de luxúria, porquanto te purifiquei, e tu não te purificaste!

Assim, não serás purificada nunca da tua imundícia, enquanto eu não tenha satisfeito
sobre ti a minha indignação.

Eu, o Senhor, o disse: será assim, e assim o farei. Não tornarei atrás, não a pouparei,
e nem me arrependerei!
Conforme os teus caminhos, e conforme os teus feitos, te julgarei, diz o Senhor Deus!

Depois de um tempo Deus falou outra vez com Ezequiel.

Assim contou Ezequiel esse seu novo encontro com a Voz de Deus.

Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

Filho do homem, eis que dum golpe tirarei de ti a delícia dos teus olhos; todavia não te
lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas.

Tua mulher morrerá!

Geme, porém, em silêncio; não faças lamentação por ela como se lamenta pelos
mortos!

Ao contrário, ata na cabeça o teu turbante, e mete nos pés os teus sapatos; não
cubras os teus lábios e não comas o pão que te enviarem—conforme se costuma
fazer nos dias do luto, faze o contrário.

E eu tinha que falar aquela Palavra do Senhor. Quando a falasse, morreria a minha
amada; a mulher que me enchia os olhos de prazer!

Então falei ao povo pela manhã, e à tarde morreu minha mulher!

E fiz pela manhã conforme a ordem que Deus me havia dado.


Nada fiz conforme se faz quando alguém morre.
Todos me julgaram estranho...

Então o povo me perguntou:

Não nos farás saber o que significam para nós estas coisas que estás fazendo?

Eles sabiam que em minha vida tudo carrega sinais. Eu não apenas falava a Palavra
do Senhor e propunha parábolas; eu também havia me tornado um sinal, uma
parábola, uma mensagem, e um aviso!

Então lhes respondi:

Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

Dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu profanarei o meu
santuário; que é o orgulho do vosso poder, a delícia dos vossos olhos, e o desejo
maior da vossa alma!
Também ferirei os vossos filhos e vossas filhas, que deixastes; sim, eles cairão à
espada.

Nesse dia, ó povo, fareis como eu fiz: não cobrireis os lábios, e não comereis o pão
que vos derem os homens; tereis na cabeça os vossos turbantes, e os vossos sapatos
nos pés; não vos lamentareis, nem chorareis, mas definhar-vos-eis nas vossas
iniqüidades, e gemereis uns com os outros.

Deus prosseguiu falando e disse ao povo:

Assim vos servirá Ezequiel de sinal; conforme tudo quanto ele fez, assim fareis vós; e
quando isso suceder, então sabereis que eu sou o Senhor Deus.

Minha situação era muito difícil.

Eu sofria minha maior dor como homem: minha mulher morrera. E o próprio enterro de
minha amada se tornara uma mensagem. E a mensagem era pior que a minha própria
dor; e eu tinha que falá-la, ali; diante deles.

Então o Senhor se voltou para mim e me disse:

Também quanto a ti, filho do homem, no dia que eu tirar deles a sua fortaleza, o gozo
do seu ornamento, a delícia dos seus olhos, e o desejo dos seus corações, juntamente
com seus filhos e suas filhas—sim! nesse dia virá ter contigo algum fugitivo para te
trazer as notícias!

O que te disse, isso farei!

Mas enquanto isto tu não falarás mais nada. Estarás mudo, em silêncio, até que
chegue aquele dia.

Quando chegar esse dia, então, abrir-se-á a tua boca para com o fugitivo que te
trouxer a notícia, e falarás com ele; e não precisarás mais cumprir nenhum tempo de
silêncio.

Desse modo tu serás para eles um sinal; e saberão que eu sou o Senhor!
Falei a Palavra!

Gemi em silêncio!

Aguardei mudo a visita daquele que me viria trazer as notícias!

Deus cumpriu o que falara!

A cidade-caldeira caiu!

O Templo veio abaixo!

O povo entendeu com amargura de alma a Palavra do Senhor!

Eu continuei a chorar...

Caio

2003

Copacabana

SABEDORIA DE CANECA: CORAÇÃO DE ESTUDANTE

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“…é Ele quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se
renova como a da águia” (Salmo 103:5).

Tenho uma caneca. Uma dessas de beber chocolate quente. Nela está escrito: “Youth
is wasted in the young”.
Meus filhos me deram a tal caneca quando passávamos dois anos na Califórnia, do
final de 1988 até o meio de 1990.

“A juventude é desperdiçada no jovem”—diz a sabedoria na caneca!

À época, lembrei-me de quanta energia eu havia jogado fora na juventude mais tenra.
Naquele tempo, aos trinta e dois anos, totalmente dedicado ao ministério e me
sentindo um senhor idoso em minhas responsabilidades, eu olhava para a minha
ainda não deixada juventude como se a pobrezinha já fosse coisa de Yesterday.

Assim, julgava ter entendido a sabedoria na caneca!

Uma outra década viria. Intensa. Cheia de realizações. Cercada de prestígio. Exitosa.
Energeticamente vivida também com as emoções de um potro!

Então, BUM!

A juventude estava sendo desperdiçada no jovem. Não no jovem libertino e nem jovem
piedoso!

Minha juventude foi desperdiçada no envelhecimento emocional precoce e auto-


imposto, de modo que ela não foi um desperdício para milhões, mas foi um
desperdício, em muitos aspectos, para mim mesmo!

Há tempo para tudo!

E há tempo para se ser jovem, mesmo quando se carrega um vulcão de paixões por
Deus no coração!

Nesse tempo eu quis que “ninguém desprezasse a minha mocidade”; por isso, me
tornei um senhor-jovem-velho-de-Deus!

Então, desperdicei minha mocidade!

O conselho é para que ninguém despreze a mocidade do outro, não para que o jovem,
a fim de não ser desprezado por ser jovem, envelheça antes da hora!

Quando nós nos submetemos ao auto-envelhecimento, um dia a juventude volta para


cobrar os sorrisos sonegados, as alegrias evitadas, as levezas feitas pesadas, as
gravidades antecipadas, as responsabilidades assumidas de modo antinatural, os
prazeres tratados com descaso, e a energia usada somente para animar a mente e o
corpo de um jovem que se sentia como um velho nas suas afetividades!

A meia-idade é o lugar da passagem. Nela as contas são cobradas!

É só na meia-idade que se começa a entender a razão de a juventude ser


desperdiçada no jovem, tanto para o bem quanto para o mal.

É também na meia-idade que outro ditado começa ser construído dentro de você: “A
maturidade é desperdiçada na velhice”.

Que horror!

Num mundo caído há tempo para tudo, mas em cada tempo falta ao ser aquilo de que
ele só fará apropriação pelo desperdício!
Então vem o Salmo 103 e diz que Deus farta de bens a velhice para que a mocidade
se renove como a da águia. Dito como acabei de dizer, significaria que os idosos se
enriquecem a fim de fartar os moços. Mas não é isso que o salmo quer dizer. É a
minha velhice que é farta de bens para que a minha mocidade se renove como a da
águia. Ou seja: não se está falando de idade, mas de estado de espírito. Os bens de
minha velhice podem remoçar meu ser!

O exemplo é a águia. Para ela chega o tempo no qual, pelo instinto, arranca suas
próprias unhas e quebra o bico. Perde as penas e se torna completamente vulnerável.
Na águia o tempo da muda é também auto-infligido!

De dentro dessa águia quebrada nasce uma outra: com garras afiadas, penas novas e
bico mortal!

A águia se remoça na meia-idade!

Seus vôos serão mais longos e mais altos. Sua força agora corresponderá à sua
sabedoria!

A promessa de Deus é que os “bens” da maturidade “remocem” o ser, mesmo que,


cronologicamente, já não se seja um jovem!

É isto que faz voar por muito mais tempo!

A questão é saber quais são os “bens da tua velhice” a fim de que o teu remoçar seja
como o da águia.

A maioria das pessoas vive de Yesterday na velhice:

“I’m half the man I used to be…”

“There is a shadow hanging over me…”

“Love was such an easy game to play…”

“Now I need a place to hide away…”

Com Yesterday a velhice não se renova como a da águia, apenas enfarta de nostalgia!

Os “bens da velhice”, e que remoçam o ser, são os conteúdos das lições que só são
aprendidas vivendo, e que só nos são úteis se, por mais duras e trágicas que tenham
sido, forem apropriadas sem amargura por aquele que as viveu, mesmo que na
juventude tenha sido um desperdício.

É a doçura da sabedoria que não se deixou amargurar pela experiência da dor aquilo
que remoça os velhos!

Esse princípio opera até em velhos. Mas ele é verdade para qualquer idade. O que
remoça a alma de um jovem também é a experiência que se deixa processar sem
amargor para o espírito!

Os bens da velhice são a maturidade doce e sábia!

Deus quer fartar de bens a tua velhice, para que sejas remoçado como a águia!
Preparado para outro vôo?

Vamos lá!

Caio

(Escrito em julho de 2003)

VOCÊ QUER SABER O QUE EU GOSTO MESMO?

O que eu gosto mesmo é de semear a Palavra.

Semear, semear, semear...

Jogar a semente...

Fertilizar, engravidar o chão, ver a terra parir e a vida se rasgar em dádiva a Deus.

Amo semear...

A Palavra semente...

A Palavra somente...

Semear e ver vingar...

No semear a palavra “vingar” significa nascer, pegar...

Por isto semear é fazer amor com a vida...

É jogar sêmen de amor no rego da vida aberto pela verdade...

Semear é ato de inseminar...

Semente é sêmen e sêmen é semente...

Somente semente...

Sêmen somente...

Jesus é o Semeador e a Semente.

Eu sou somente semeador...


Ele, porem, em mim é o Semeador e a Semente.

Eu, por causa Dele, de sementeira de pimentas, vim a ser sementeira de sal, de luz,
de paz e de pimenta de cheiro...

Não é o ato de jogar a semente que em fascina...

Meu fascínio é o fruto da semente em mim...

Assim, minha maior alegria não é Semear, é dar fruto dessa Semente e me tornar
amigo de trabalho feliz do Semeador.

Então não tenho alegria ao ver o fruto de minha semeadura Nele?

Claro que tenho!

Amo semear, eu já disse.

Amo ver a terra parir a vida nova...

Mas de que me adiantaria isto se em mim eu não visse a semente dar fruto a 30, a 60
e 100 por um?

O semeador somente pode semear sempre, sem que seja mal para ele, se nunca
esquecer que o maior campo e o mais carente de vida é o seu próprio coração.

Assim, sendo a demonstração de que não foi vão o trabalho do Semeador em sua
própria vida, o semeador/campo se põe a semear, sempre jogando para fora apenas
as sementes que já tiverem dado fruto dentro dele, a 30, a 60 e a 100 por um.

Amo semear apenas porque amo o Semeador.

Amo semear também porque vejo que a Semente é vida em mim.

Amo semear porque constato que a semente é viva, e que é livre como o Semeador,
por isto é que eu semeio cada vez mais calmamente; posto que a semente tenha vida
própria; e que a terra/coração de si mesma frutifique.

Nele, que Semeia a Si mesmo em mim,

Caio

23 de abril de 09

Copacabana

RJ
O TRILEMA DO HOMEM…

Se eu tivesse que reduzir quem é quem a atitudes simples e dignas, diria o seguinte
dos três homens universais apresentados por Paulo.

O homem natural segue o Instinto como Direito.

O homem carnal segue a Lei como Direito.

O homem espiritual entende segue o Amor, por isto entende que não tem nenhum
Direito, pois, desistiu de tudo quando passou a obedecer a Lei do amor.

A maioria vive [ainda que de modo “ungido” dentro da “igreja”] as leis do homem
natural; olho por olho; dente por dente; ofensa por ofensa; orgulho com orgulho... E
sobre isto, dizem: “É coisa de homem macho e digno!”

Sim, é a sabedoria do Macho Alfa, a caminho de perder o Homem Ômega.

Já o homem carnal, em geral vira “líder”, pois, sendo ético e cheio de direitos e
verdades, logo faz sua insegurança de justiça-própria se disfarçar de bons modos, boa
conduta e bons Direitos.

O melhor do homem carnal é a Lei; pois, a Lei é o melhor da carne; até a morte...

O homem espiritual, porém, não tem demandas, não leva nada a juízo, não reúne
testemunhas, não arma cenários de guerra, antes, desiste de tudo, e se entrega a
Quem julga retamente.

O que se tem que saber é que o Caminho de Jesus é o terceiro; é a via desprezada; e
a agenda de amor dos babacas.

“O que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus!” — foi o que


Jesus disse.

O homem natural é um símio evoluído...

O homem carnal é um cristão adoecido e atrofiado...

O homem espiritual é um ser a caminho de ser tornar homem, conforme Jesus.

É simples assim.

Mas lembre: não há hibridizações entre esses três projetos de natureza...

O que você quer para você?...


Nele,

Caio

22 de abril de 2009

AS CHAVES DE PEDRO…

Mateus 16.

Que chaves deste a Pedro?

Sobre reino exterior a ele próprio?

Sobre impérios?

Sobre pessoas?

Que chaves deste a Pedro, Senhor?

“Dar-te-ei as chaves do reino...”

O que faria Pedro com tais chaves?

Também disseste que ele ligaria e desligaria...

Mas o que teria Pedro a ligar ou desligar se ele mesmo não tinha o poder de não
negar?

Teria Pedro poder de ligar e desligar sendo que Tu mesmo disseste que somente Tu
ligas e desligas?

Que porta do reino Pedro abriria se apenas Tu abres e ninguém fecha, fechas e
ninguém abre?

Ou será que pela confissão que Pedro fizera [Tu és o Cristo!] recebera a chave que
abre a porta do próprio coração?

Não vem Teu reino com aparência invisível?

Não fica ele no coração?

Não seria a chave de Pedro equivalente às que existiam nas mãos dos discípulos em
Laudiceia, aos quais Tu mesmo apelaste, dizendo: Eis que estou à porta e bato; se
alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa, cearei com ele, e
ele comigo?

Que portas do reino Pedro abriu?

Relutou quanto a aceitar que Cornélio já estivesse aceito por Jesus.

Foi Pedro quem abriu aquela porta do reino?

Foi ele quem buscou a Paulo e abriu para Paulo a porta aos gentios?

Foi ele quem ousou para além de tudo na compreensão do Evangelho e nos seus
riscos?

Não abriu nem mesmo a porta da cadeia!

Não! A chave que Pedro recebeu é igual a minha.

Somente abre a minha própria porta interior do reino em mim, e isso se eu mesmo
ouvir a Voz Daquele que bate à porta e atendê-la com amor. Do contrario, nem a porta
de meu coração eu abro por mim mesmo.

Ah, essa chave fecha mais que abre!

Nas mãos de Pedro nada abre para mim ou para você.

Nas mãos de nenhum homem abre coisa alguma.

Nada abre para fora...

Feliz é aquele que apenas pensa nela como a graça de poder confessar:

Pai, abre o meu coração!

Nele,

Caio

18 de março de 2009

Lago Norte

Brasília

DF
DEUS EM PARÁBOLAS!

As parábolas de Jesus me apaixonam. Desde que comecei a lê-las, sempre fui


impactado e comovido por todas elas.

Digo isto obviamente deixando de lado minha alucinação pela Parábola do Pai de
Todos os Seus Filhos, tanto do Pródigo Acolhido como também do Seu Irmão Infeliz
em Razão da Graça do Pai.

No entanto, é nas parábolas que se vê tudo de Deus em estado nu até onde a nudez
de Deus possa ser vista pelo olhar do homem.

Deus é Pai, é Senhor, é Dono de Vinhas, é Agricultor, é um Rei, é arrendador de um


Campo, é um Proprietário que terceiriza tarefas, etc.

Ora, é vestido de tais imagens que se vê Deus, o Pai, amando incondicionalmente o


filho arrependido, conciliando o filho enciumado, encarando o fato de que há filhos que
fingem obedecer, enquanto há outros que dizem “não”, mas que sempre acabam
fazendo a vontade do Pai.

Isto ao mesmo tempo em que Ele é Senhor Justo, dando a cada um segundo as suas
obras ou os seus talentos.

Entretanto, como Dono de Vinhas e Campos, pode ser que faça graça exorbitante
aos que somente trabalharam 1 hora, apesar de jamais deixar de pagar o que estava
acordado por Ele com outros; embora o acordo com uns não o limite no exercício da
Graça para com outros, nas condições que Ele desejar.

Como Agricultor pode ser que se canse de árvores inúteis que ocupem a terra, como
também pode ser que, paradoxalmente, deixe o joio crescer com o trigo, a fim de não
perder o que tem valor. Mas pode ser que Ele queira podar até ao tronco central, os
ramos frutíferos da Videira Verdadeira; enquanto se diz que Ele é o Semeador que já
semeia sabendo que nem toda semente dará fruto; e crê assim enquanto afirma que
existe automaticidade na frutificação da terra, apesar do semeador, caso a semente
seja boa.

Como Rei pode ser que depois de muita paciência Ele se enfureça ante a
perversidade e elimine a cidade ruim de coração; assim como com certeza Ele
perdoará a todo aquele que se confesse irremediavelmente endividado para com Ele.
Também pode ser que Sua ira de Rei seja exercer o arbítrio e o despotismo da Graça,
deixando de fora os que, sendo convidados, arranjem desculpas para não virem à Sua
Festa, ao mesmo tempo em que obrigue todos os andrajosos do mundo a entrarem
em Seu Banquete.

Como Proprietário que Terceiriza Tarefas, é possível vê-Lo dando tempo aos
vinhateiros usurpadores da vinha, enviando sucessivas comissões de paz, até enviar
Seu Filho; e, nem assim ser ouvido, antes, tendo o Seu Filho morto pelos vinhateiros
perversos, para, então, somente então, enviar exércitos contra aquela gente. Ao
mesmo tempo pode ser que Ele se alegre com “a virada esperta” de um Administrador
Infiel, que, na última hora, tenha percebido um modo de diminuir as perdas,
escolhendo um mal menor, e, por fim, apostando tudo tanto na Graça do Proprietário
quanto também na Graça como provocadora de ternura grata nos corações que se
beneficiem dela por quaisquer mãos, ainda que sejam as do Administrador Infiel.

Assim, pelas “reações de Deus” nos poucos exemplos escolhidos por mim e tirados de
algumas parábolas com fisionomias divinas, a saber: o Pai, o Senhor, o Dono de
Vinhas, o Agricultor, o Rei, o arrendador de um Campo, um Proprietário que terceiriza
tarefas — o que se vê é que com Deus a única realidade a prevalecer é o critério
da relacionalidade e da natureza essencial das coisas em verdade.

Ou seja:

Pelas Parábolas Deus é Aquele que sendo Quem é, busca relação em verdade e
amor.

Não há nenhum outro critério. Ele é livre; e em Sua liberdade ama o que seja amor,
verdade e vida; e, por isto, onde quer que tais sinais apareçam, Ele os privilegiará a
tudo mais...

Quem entende isso sabe que a vontade de Deus é para ser feita, e não para ser
avaliada ou estudada.

Quem entende isto sabe que a única Lei que prevalece diante de Deus é a da
sinceridade que se apresenta em obediência ou em arrependimento.

Quem sabe disto aprende que com Ele nunca se terá menos do que o justo, embora,
sendo Ele Quem Ele é, possa ser que se receba infinitamente mais do que qualquer
acordo prévio.

Quem sabe isto, também sabe que com Ele não se discute...; e nem se deve
apresentar queixas que questionem a Liberdade Dele de fazer o que desejar de bom a
quem Ele quiser.

Quem sabe estas coisas..., sabe também que o amor Dele faz podas, cortes e que
fere; pois, sendo Ele amor, não se importa com a dor, mas com a Vida.

Isto apenas para começar...

Leia as parábolas e veja você mesmo como Ele se apresenta a nós.

Nele,

Caio

13 de março de 2009

Lago Norte

Brasília
DF

VINHA O FILHO AINDA LONGE...

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Ora, chegavam-se a Jesus todos os cobradores de impostos e os considerados


pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este
recebe pecadores, e come com eles. Então Jesus lhes propôs esta parábola:

Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte
dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.

Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e
ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. E, havendo ele dissipado tudo,
houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. Então foi
encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos
a apascentar porcos. E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos
comiam; e ninguém lhe dava nada.

Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de
pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai,
pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me
como um dos teus empregados.

Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se
de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser
chamado teu filho.

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e
ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e
matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu;
tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.
Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de
casa, ouviu a música e as danças; e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era
aquilo. Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado,
porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar.

Saiu então o pai e instava com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos
anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um
cabrito para eu me alegrar com meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que
desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; era justo,
porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e
reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

PRIMEIRO ANO DO SITE.

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A parábola do Filho Pródigo todos conhecemos. Já preguei sobre ela centenas de


vezes. Olhei-a sob inúmeros aspectos.

É minha história. É a história da humanidade. É a história de quem foi e nunca deixou


de ser. É também a história de quem nunca foi mas nunca chegou a estar. Sobretudo,
é a história do amor de Deus e do modo como Ele age como Pai.

Pai para quem foi e nunca deixou de ser. Pai para quem nunca foi mas nunca chegou
a estar.

Hoje, no entanto, eu estava quase dormindo quando ouvi essa voz, que dizia: "Vinha
ele ainda longe, e seu pai o avistou; e, correndo, o abraçou..."

O Pai não somente deixou ir e aguardou a volta... Ele viu de longe e fez o caminho de
volta com o filho.

Entre o olhar do Pai e a volta para casa, existe um “ainda longe”. O Pai foi buscar o
filho ainda longe. Longe de ida, longe de volta!

Em casa é que o problema começou: quem nunca foi mas nunca chegou a estar não
gostou que aquele que foi e nunca deixou de ser tivesse voltado!

O Pai, todavia, só participa disso porque é Pai, mas não se deixa seqüestrar por nada
e por ninguém. Quem não gostar, que não goste. O Pai, no entanto, vai longe buscar
seu filho. E há um caminho que o Pai e esse filho precisam fazer só os dois.

Em casa, há muito ciúme, muita competição, muita doença.


Que bom que antes de ver os irmãos magoados, a gente pode ver o rosto do Pai.

Que bom que Ele vai se encontrar com a gente ainda longe de casa, antes que as
impressões do ciúme e da inveja tentem estragar o encontro que vale: o encontro do
Pai com o seu filho.

Que bom que quando quem nunca foi mas nunca chegou a estar só aparece depois
que o filho quebrado havia se entendido com o Pai feliz.

Que bom que há esse “ainda longe”, pois assim tem-se tempo para chegar em casa
tão cheio do amor do Pai que não se tem mais tempo e nem coração para ficar doente
com o ciúme dos irmãos.

Vinha ele ainda longe... O Pai o avistou, e, correndo, o abraçou e o beijou!

Caio

(Escrito em junho de 2003)

DESISTINDO DAS COISAS DE MENINO

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DESISTINDO DAS COISAS DE MENINO


(Mensagem Transcrita)

AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria
como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a


ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e
não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que
entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me
aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com
leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não
suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte
profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será
aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como
menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora
conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes
é o amor.

1 Coríntios 13

Oração:

Pai, nós te invocamos. Cada um de nós carece da tua graça. Queremos que a tua
palavra nos alcance; queremos que ela nos revele quem nós somos; que ela nos
revele mais da graça de quem tu és e que ela nos seja um propulsor que faça com que
a gente, dia a dia, dê um passo além da direção de nos tornarmos aquilo para o qual
nós fomos chamados a ser.

Nós pedimos que seja assim, que haja paz no coração de todos. Que a tua palavra,
quando nos molestar, nos moleste na direção da tua paz profunda. Quando ela nos
perturbar, que ela nos perturbe na direção daquela lucidez que traz consciência da
graça e faz o coração descansar em Ti.

Dá-nos que o resultado disso seja que cada um de nós encontre uma estatura cada
dia um pouquinho maior e não menor do que a do dia seguinte.

Em nome de Jesus, para a glória de Jesus, amém.

***

Eu queria dizer a vocês para a gente não fazer aquelas divagações teológicas
cansativas, que eu já não tenho muita paciência para elas (que “a natureza desse
amor é Ágape” e tudo mais).
Mas o que Paulo está dizendo aqui não é para anjos nem é para Deus. Ele não está
dando um conselho para Deus, dizendo: “Olha, Deus! O amor de Deus é assim...”
Nem está chamando anjos e dizendo: “Olhai, anjos! O amor de Deus é assim...”

O que ele está dizendo é pra gente, que não tem nada a ver com isso aqui, cuja
natureza caminha em direção diametralmente oposta. Gente que, desde o nível
celular, carrega dentro de si uma ansiedade famigerada por se alimentar do outro,
numa escala onde o superior usa o inferior, de tal modo que a vaca que come capim e
gordura e tem licença para o fazer, nós nos sentimos já licenciados há muito tempo
pra nos apropriarmos daquelas coisas que, na escala da criação, tem valor inferior a
nós. Por isso, a gente come — os mais generosos, erva; os menos generosos,
picanha, cupim e outras coisas.

Mas é uma apropriação constante do superior sobre o inferior. E o resto inteiro da


organização da vida, indo das relações de sobrevivência básica à construção dos
sistemas sociais, econômicos, relacionais, familiares... Em todos os níveis, as
hierarquias de apropriação se estabelecem, ou pela via do poder, ou pela via do saber,
ou do dinheiro, ou de uma mágica, ou seja do que for, o que possui o que falta ao
outro, apropria-se dele.

Aí vem essa história desse amor que inverte essa cultura existencial radicalmente, e
que, quando a gente olha em volta de nós, no mundo, é mais raro do que qualquer
coisa rara possa rara considerada ser; e a gente olha pra dentro de nós e mesmo
quando compara o melhor de nós concentrado na direção dAquele a quem a gente
ama mais, a gente ainda descobre que nem aí nós saímos da estatura daqueles que
balbuciam pro nível daqueles que articulam as primeiras palavras na lógica desse
amor.

E aí o que acontece?

A gente tenta santificar alguém, a gente começa a achar que ouve santos que viveram
isso aqui em plenitude.

Só quero lhe dar uma notícia horrorosa: nem Paulo, que escreveu isto aqui, conseguiu
durante uma única semana seguida da existência dele, encarnar de modo absoluto a
verdade que ele conhecia, na qual ele cria, e mais que cria, cria a ponto de fazer
poesia!

Isso é chocante, porque todos os verbos desse texto, usados por Paulo, são inclusivos
da pessoa dele. Ele não está dizendo nada sobre “vocês”. Ele diz: “Eu passo a
mostrar-vos um caminho sobremodo excelente...”. E o resto da descrição toda tem a
ver com “em parte conhecemos, em parte profetizamos, em parte vemos, em parte
sentimos” porque ele está dizendo: “O caminho eu sei qual é, mas nós estamos
andando juntos”.

A revelação do que é isso é absoluta; a nossa compreensão do que é isso é relativa; e


a nossa capacidade de realização encarnada disso, mais relativa ainda. E nos remete
para um processo, para um projeto de vida, de existência; e nos chama pra algumas
lições práticas sobre a vida. Pois eu quero que você preste atenção no seguinte:

Hoje eu não estou querendo fazer uma exposição bíblica desse texto. Hoje eu só
queria que você, que já o sabe “de cor e salteado”, pensasse, de uma maneira um
pouquinho mais realista, nas lições simples não poetizadas, porém impregnadas de
vida, intoxicadas de um poder que nos falta, e que eu gostaria que a gente, pelo
menos, levasse pra casa, porque uma prática se torna prática consistente só muito
tempo de uma verdade ter se transformado num valor no nosso coração.

Então, qual é a primeira lição que aparece aqui?

A primeira é esta:

À luz do que Paulo diz aqui, eu aprendo que leva um tempo entre o conhecimento de
uma verdade e a sua totalização em nós.

Uma das grandes angústias da gente é que parece que todas as vezes que de algum
modo a gente não tem mais como dizer que uma determinada verdade, um
determinado valor nos penetrou, daí em diante, nós caímos no nível da
indesculpabilidade permanente pela sua transgressão e cometemos a pior blasfêmia:
transformamos uma verdade em Lei, e Lei escraviza. A Verdade liberta!

Nenhuma verdade de Deus quer ser lei, porque toda verdade de Deus transformada
em lei gera o oposto daquilo que a verdade produz. A gente conhece a verdade, a
verdade nos liberta. Mas transforme uma verdade em lei e ela vai matar você pra
sempre.

Então, o que Paulo está dizendo é o seguinte : “Vejam na prática! Como eu sei todo
esse valor. Eu consigo trazer pra dentro do meu coração a certeza profunda do ideal
desse amor de Deus desse jeito! Essa é a nossa vocação!
Quando vier o que é perfeito, é nessa perfeição que um dia seremos aperfeiçoados”.

Quando a nossa viagem do estado de infantilismo ao da estatura do varão perfeito em


Cristo se concretizar, nós seremos a absolutização disso aí. Eu só quero que você
saiba de uma coisa: eu sei disso! Mas eu estou convidando você pra assumir a sua
parcialidade de ser e não se tornar cínico e caminhar junto comigo nesse caminho
sobremodo excelente, porque existe uma coisa inalienável:

NENHUMA VERDADE, UMA VEZ APROPRIADA E CRIDA, SE TRANSFORMA EM


CONCREÇÃO ABSOLUTA INSTANTÂNEA NA VIDA DA GENTE NA MESMA HORA.

Ela tem que crescer em nós.

Às vezes ela atinge a nossa mente.


Vai levar um tempo pra ela virar emoção.

Vai durar outro tempo pra ela virar reação.

Vai levar outro tempo pra ela virar atitude.

Vai durar outro tempo pra ela se transformar em suor, em naturalidade, em ser que já
pode ser sem nem evocar o ser que ele gostaria de ser, porque esse ser já não sabe
ser outra coisa, a não ser ser aquilo!

É o caminho!

Então, vamos acabar com essa agonia de que “cada verdade que eu aprendi, meu
Deus, virou uma lei que vai cair na minha cabeça e vai me destruir, e a minha
indesculpabilidade é permanente porque eu agora sei essa verdade!” Ou, então, a
gente tem que dizer: “Conhecereis a verdade e a verdade vos ferrará!” Porque até pra
conhecer a verdade a gente tem que conhecer a verdade na graça.

Conhecer uma verdade já é graça! É favor imerecido, é revelação. É luz divina!

Então, ora... Se eu discerni uma verdade, eu recebi graça, porque se eu discerni em


graça uma verdade; se não fosse a graça de Deus, eu por nenhum outro meio a
discerniria. Por que, então, no dia seguinte, transformo isso que me foi dado como
graça numa lei para me matar?

É PRA ME LIBERTAR!

Então, quando Paulo diz “Eu sei o que é isso” e passa o resto do tempo dizendo: “Nós
conhecemos em parte, sabemos em parte; não chegou pra todo mundo, nem pra mim;
é um caminho perfeito, eu estou chamando você pra andar junto comigo...”, ele está
dizendo: “Olhe! Não vamos deixar que a verdade vire uma lei. Se virar, você não dá o
passo seguinte, porque o passo seguinte você só dá na graça de Deus, e graça é
favor imerecido.”

É nessa injustiça dolorosamente apaixonada, inexplicável e quase absolutamente


indivisível do ponto de vista de qualquer racionalidade, que isto vem da parte de Deus
para nós. É a arbitrariedade mais absoluta do absoluto: poder amar, incluir, perdoar e
acolher sem precisar dar nenhuma outra explicação para ninguém em lugar nenhum, a
não ser a cruz de Cristo e o sangue de Jesus — e daí em diante, silêncio!

É graça de Deus!
Na terra, toda plenitude de saber ainda se realiza em parte naquele que sabe.
E uma das angústias e dos espinhos da carne de quem sabe é ter que dizer como
Paulo em Romanos 7: “O bem que eu quero nem sempre eu faço, mas o mal que eu
não quero, às vezes eu faço.”

Isso se aplica a outra coisa: o que eu sei nem sempre todo dia eu consigo transformar
em prática, mas eu estou andando nessa direção, e me esquecendo das coisas que
para trás ficam, eu prossigo para o alvo; não faço voltas pra ressuscitar fantasmas. Eu
prossigo para o alvo porque se a verdade não me libertar, no mínimo, do meu
passado, ela serve para me libertar de quê?

Segunda lição:

Esse caminho sobremodo excelente é o único caminho capaz de transformar um


menino num homem nesta Terra. Não há nenhum outro caminho. Esse caminho
sobremodo excelente desse amor inatingível é o único caminho que leva um menino
na direção de ser um homem. Sabendo o seguinte:

Meninos todos nós somos. Homens nós vamos nos tornando.

A estatura desse homem é do tamanho da não-esquizofrenia entre a verdade sabida e


a vida vivida.

Quanto mais a consciência dessa verdade vai deixando de ter um fosso, um vazio,
uma rachadura imensa entre o que eu sei e o que eu vivo, o que eu ajo, o que eu
reajo; quanto mais vai aproximando, vai diminuindo a rachadura, a esquizofrenia — ela
nunca vai estar completamente unida; só quando vier o que é perfeito, até lá é em
parte —; quanto mais aproxima uma coisa da outra, mais o menino está virando
homem, mais o homem está virando homem, mais o homem está crescendo. E a lição
que ele diz é a seguinte:

“Quando eu era menino, eu pensava, falava, sentia como menino. Quando eu cheguei
a ser homem, eu desisti das coisas próprias de menino.” O que revela outra coisa:

Que a gente chega a ser homem, mas um outro passo é você desistir das coisas de
menino!

Senão, você vive permanentes síndromes de Peter Pan espiritual. Tem dias em que
você está homem, tem dias em que você está menino. A ciclotimia fica nessa
variedade e nessa mudança, até que você desiste.

Acho que na experiência humana, com a maioria de nós houve momentos em que
você desistiu de coisas de menino. Ou será que ninguém aqui jamais desistiu de ser
menino — um dia acordou e disse: “Não! Isto aqui é coisa de menino!”?

Isso nunca aconteceu com você? Pelo amor de Deus! Quantas vezes eu acordei,
adulto, e disse: “Isso aqui é coisa de menino.” Eu estou longe de ficar cometendo as
gafes de falar coisas de menino ou de fazer coisas de menino, mas sentir coisas de
menino é o mais difícil porque habita a interioridade. Então, às vezes você fica
“homenzinho” pra fora, fala tudo direitinho pra fora, faz tudo bonitinho pra fora, mas, do
lado de dentro, você e alguém mais sabem que você não deixou de sentir coisas de
menino.
Não que haja aqui a morte da criança linda; o discurso não é esse, não leve para esse
lado. Porque Jesus glorifica o estado de infância no coração dizendo: “Se você não se
fizer como um pequenino, você não entra no reino de Deus.”

O que Paulo está denunciando é um estado de imbecilidade. Então, desistir das


coisas próprias de menino dói. É como desistir de uma doença crônica; é um horror. O
cara fica viciado em dores, nos tratamentos, nos clubes de solidariedade que se
formam em volta, nas histórias que não pára nunca de contar... Existe uma população
imensa no planeta para quem a pior coisa que poderia lhes acontecer seria uma cura.
Iria acabar o casamento. Acabaria um monte de coisas. Por isso é que Jesus
encontrou aquele cara em João 5, que estava ao lado do poço de Betesda havia 38
anos, esperando um anjo mover a água para ele dar um pulinho para ver se a
superstição se cumpria a favor dele e ele ficava curado. Mas Jesus não achou que a
espera era óbvia, que a espera era sintoma de alguém que queria ser curado. Jesus
levou em consideração a possibilidade de que aqueles 38 anos fossem o vício de
alguém que sabia que o outro ia pular sempre na frente e que não poderia sobreviver
sem ver a sua doença nossa de cada dia. E aí ele se encontra com o homem e faz a
pergunta mais idiota que alguém poderia fazer: “Tu queres ser curado?”

Então, desistir das coisas de menino equivale a querer ser curado. É um des-insistir. E
não é só um des-insistir. Você primeiro des-insiste para depois saber, dentro de você,
que quando você desiste, aquilo des-existe. Só que dói.

E tem um problema: em velhos, a insistência nessas coisas de menino imbeciliza o


cara e torna-o inaproveitável. Porque Paulo diz: “Olhe, vai ser como bronze que soa,
como címbalo que retine; pode fazer e acontecer, mas se você não tiver se
transformando da motivação do menino para a motivação do homem, nada disso
aproveitará.”

Terceira lição:

Só a desistência das reações performáticas do mundo dos imaturos e o mergulho na


alegria de ser e de continuar a crescer é o que nos capacita a pensar em causa e
efeito no mundo espiritual.

A gente toda hora diz assim: “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará.”

Ceifa nada!

Meu Deus, se a gente fosse ceifar o que a gente semeia, você pode ter certeza: não
ficava nada! Até isso é um exagero de Deus. “Semeou vento, colheu tempestade” foi
pouco! Se mexer na ordem cósmica do mundo de Deus, vai colher uma
tempestadezinha! Você deveria ser chupado pro buraco negro! Então, até na maldade
das coisas só tem bondade, porque o que é impressionante é que só a desistência
das nossas reações performáticas (“Ele me provocou, eu vou revidar!”), próprias da
religião (religião é coisa de criança), é que nos dá aquele direito de morrer numa ilha
deserta, sem sepultura, sem cruz e sem epitáfio, sabendo que o cosmo inteiro está
aplaudindo a tua chegada! Porque você existe o tempo todo para Deus, que sabe que
existe!

Porque o amor genuíno se paga com vida em Deus. Assim, como o salário do pecado
é a morte, o salário da prática disso tudo é vida, cada vez mais vida, no princípio da
graça em operação.

Em 1 Coríntios 13, vejam o que os versos de 4 a 8 nos dizem a respeito:

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com
leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não
suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas,
cessarão; havendo ciência, desaparecerá.

Veja o que de bom pode acontecer com a gente, se a gente conseguir a cada dia ir
chegando mais perto disso tudo. Olhe como faz bem ao corpo, à alma, ao espírito, a
qualquer coisa que seja você.

1) O amor é paciente: A impaciência gera doença em nós.

2) É benigno: No filme “O Morro dos Ventos Uivantes”, você vê o que, na alma de um


homem, a não-benignidade vai fazendo com ele. Vai monstrificando-o...

3) O amor não arde em ciúmes: Meu Deus! O que o ciúme faz mal ao fígado... Sem
falar na alma, nas desestruturações todas, nas falsificações da realidade, nas
ressurreições dos inexistentes, nas tentativas de bordelizações de almas santas...

4) Não se ufana: A ufania é a mãe de todos os idiotas do planeta.

5) Não se ensoberbece.

6) Não se conduz inconvenientemente: Tiraria você de cada fria!


7) Não procura os seus interesses: Só para lhe dar a liberdade de enxergar o melhor,
porque quem procura os seus interesses o tempo todo, freqüentemente perde a
melhor oportunidade, que passa longe por causa do seu egoísmo e capricho.

8) Não se exaspera: Basta passar de 44 graus que essa virtude não habita o meu ser.

9) Não se ressente do mal: Ou seja, não torna a sua própria alma uma câmara de
ecos e monstros, não é um labirinto de Creta!

10) Não se alegra com a injustiça: O que é a única coisa que o põe no caminho
mínimo de uma humanidade básica. Regozija-se com a verdade. Liberta você de
preceitos, pré-conceitos, compromissos com aparência e o remete para a celebração
da verdade no peito de quem ela esteja. Ainda que seja um inimigo falando a verdade!

11) Tudo sofre: Aí você pode perguntar: “Como é que isso pode fazer bem?” Mas esse
sofrimento aqui faz muito menos mal do que aqueles sofrimentos nos quais a gente se
mete por causa do ódio; esses são os que matam.

12) Tudo crê: A gente diz: “É otário!” Mas otário é o que engana, não é o que botou
esperança de que o outro fosse bom.

13) Tudo espera.

14) Tudo suporta.

15) Jamais acaba.

Aí vem Paulo e diz que só a desistência das nossas reações performáticas


(respondendo ao ciúme com performance ou exasperação e entrada em todas as
propostas da morte) e o mergulho na alegria de crescer se auto-remunera, não com a
aprovação ou com o poder conquistado na briga, mas na conquista de si mesmo;
então o mundo espiritual passa a ter causa e efeito, porque o amor sempre resulta
numa vida melhor.

Quarta lição:

O reconhecimento da nossa parcialidade é o único caminho para que o ideal de


consciência que o amor gera não seja perseguido de modo moral. Porque a maior
blasfêmia que fizeram com esse texto foi transformá-lo numa coisa moral. Esse texto
não tem nada a ver com moral. Se tiver a ver com moral se transforma em Lei, e se for
lei, mata.

O reconhecimento da nossa parcialidade faz a gente dizer como Paulo: “Eu sou
parcial, porque o que é perfeito não veio ainda para nenhum de nós. Mas quando vier
nós vamos ser como Ele é; por enquanto, nós estamos vendo como em espelho,
obscuramente.”

É tudo parcial:

Eu sei em parte. Eu pratico em parte. Eu amo em parte.

Tudo é parcial!

Reconhecer isso é o único caminho para o qual o ideal da consciência que o amor
maduro gera não seja perseguido por nós de modo moral, mas como uma rendição
ativa a um processo infindável, no qual tudo nos aumenta sem jamais nos completar.

A moral lhe dá uma falsa idéia de que você se completa na Terra! Então, digamos a
partir de hoje: “EU SOU PARCIAL. MAS O MEU IDEAL — NÃO POR CAUSA DA
MORAL, MAS PELA ALEGRIA DE CRESCER E DE FICAR PACIFICADO NESTA
VIDA — EU PERSIGO.”

Desistir das coisas de menino é uma rendição ativa a um processo infindável que não
tem colação de grau, no qual tudo nos aumenta sem jamais nos completar, para que
sempre cresçamos até chegar o que é perfeito; até chegar o dia final.

Vejamos os versos 10 a 12:

Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como
menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora
conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.

Quinta lição:

Paulo nos diz que o descaso para com esses princípios espirituais nos remete a três
doenças básicas.

Primeira: A doença do covarde que acabou sendo o que era sem ser o que poderia ter
sido.

Anedota para ilustração:


Um cara com tendências homossexuais queria muito ser pianista, mas o pai batia nele
quando o via tocando piano, pois achava que ser pianista era “coisa de gay, de
homossexual”. O menino, então, abandonou a arte. Um dia ele se encontrava triste,
em uma academia de musculação. Então seu amigo lhe perguntou:
— Por que você está triste?
— É que meu pai me proibiu de ser pianista porque tinha medo que eu virasse gay, e
hoje eu sou gay, mas não sou pianista!

Lição (moral da estória): Talvez se ele tivesse sido pianista, ele não tivesse virado gay.
Talvez a energia que vazou para a homossexualidade foi a que o idiota do pai entupiu
para a arte. Ninguém sabe! Em todo caso, eu quero dizer, com toda honestidade, que
é melhor um gay pianista do que um gay sem melodia nenhuma.

Por que eu estou falando isso?

Porque 1Coríntios 13 nos diz o seguinte:

VENHA COMO VOCÊ VIER, O CAMINHO É EXCELENTE. PORQUE PARCIAIS


TODOS NÓS SOMOS.

Em um sobra macheza, mas falta alma.

Em outro sobra inteligência, mas a sensibilidade é como a de uma ameba.

Outro tem uma capacidade assustadora de processar intelectualmente, mas não


pratica nada do que sabe.

Ora, TODO MUNDO É PARCIAL!

Somos seres inacabados. Mas há esperança para todos os que põem o pé na graça,
dizendo: “EU SEI QUE SOU PARCIAL E RELATIVO, MAS O AMOR DE DEUS É
ABSOLUTO. Eu sei que o que eu sei é em parte e que, da parte que eu sei, eu não
pratico nem uma mínima parte, mas o que eu sei é que Ele sabe tudo, e eu vou andar
na graça dEle pela fé todo dia!”

Se você não consegue mudar sua natureza, Deus vai cuidar da sua alma com graça e
misericórdia. Contudo, o que você pode fazer pela sua vida, ELE VAI ESPERAR QUE
VOCÊ FAÇA.

Segunda: A doença do auto-enganado, que amou tanto uma virtude sua, que acabou
virando um monstro em outras áreas da vida.

Anedota para ilustração:


Dois caras se encontraram na praia e começaram a conversar. Um corcunda e o outro
não. Em meio à conversa, o outro começou a elogiar o pé do corcundinha:
— Cara! Que belos pés você tem! Como são bonitos os seu pés. Eu, com pés assim,
não precisaria de mais nada! Eu mesmo me bastaria!

Depois de meia hora olhando e elogiando os pés do amigo, este respondeu:

— E como você acha que eu fiquei corcunda assim, companheiro?

No mundo espiritual também é assim. Eu conheço pessoas que ficaram “corcundas”


pelo fato de terem amado muito uma virtude sua. Elegeram a sua virtude pra ser o seu
emblema, o seu brasão! A pessoa fica “de caso” com aquilo e vira um corcundinha!
Fica todo doentão porque fugiu da verdade.

Pelo amor de Deus!

Uma das maiores ilusões malignas que podem assaltar a alma de um homem é a
crença no culto da sua própria virtude.

Não há nada que nos afaste mais da possibilidade de crescer do que o culto a uma
virtude. Isso nos torna paralisados e adoecidos.

Aquele que cresce é aquele que enche o peito e diz: “EU SOU PARCIAL! Sei em
parte, conheço em parte, entendo em parte, profetizo em parte... Tudo meu é em
parte, mas eu sei qual é o meu chamado e a minha vocação, e eu estou andando pra
lá. Eu quero que todo dia Ele me aumente e que em dia nenhum eu me sinta
completo, até aquele dia em que eu vou deixar a relatividade dessa existência e eu
vou vê-lo como Ele é. E eu vou me tornar como Ele é.”

Até lá, sou gente em processo de crescimento e não vou parar, porque só há um
caminho sobremodo excelente, e é esse!

Até o fim, eu sou gente em processo de crescimento.

Só há um caminho para se andar: o da PARCIALIDADE.

Terceira: A doença do irrealismo sobre a existência que faz da vida um monte de


excremento.

Quando você cai no irrealismo sobre a existência, o choque com a verdade de suas
impotências, capacidades e fragilidades o leva a um pessimismo crônico, e qualquer
coisa na vida vira excremento.
Anedota para ilustração:

Dois irmãos que moravam na mesma casa. Um dia, encontraram um cocô na sala. O
mais novo, que viu, o cocô primeiro, falou:

— Que droga! Que porcaria é essa? Estragou meu dia!

O mais velho, que chegou um pouquinho mais tarde, viu o mesmo cocô e exclamou:

— Que maravilha! Temos um cavalo puro sangue aqui?

Comentário: Irrealismo: auto-engano de que não somos parciais, pecadores. O cara


vira Poliana-moça, beata, carola.

O primeiro irmão é pessimista, um cara com mania de limpeza: vê o cocô e reclama.

O outro é realista, um cara mais “largado”: “Que beleza! Temos um puro sangue aqui!”

LIÇÃO MAIOR:

Enxergar uma verdade que arrebenta você hoje pode ser a maior certeza de cura
para a sua alma amanhã.

Guarde isto no coração:

Todos nós sabemos mais do que conseguimos praticar, e o nosso chamado é para
que a gente vá praticando cada vez mais tudo aquilo que a gente sabe que é bom.
Faça o bem que você pode, viva a vida e acredite que a graça de Deus implantou em
você uma semente de vida. Se a semente é de Cristo, ela vai crescer em você para a
vida.

Meninos é que praticam mais do que sabem. O nosso infantilismo é adoecedor! Nossa
salvação é graça. Graça para servirmos aos outros e não a nós mesmos. O que é bom
é o que sai de mim sem sacrifícios. Faz de todos os ofícios algo sacro. Isso só
acontece na paz que vem da graça.

Oração:

Senhor, salva-nos da fachada, de julgar os outros, de ver o outro e pensar do outro


coisas erradas baseadas no nosso auto-engano. O caminho da tua graça é
sobremodo excelente. Amém.
__________________________
Mensagem: “Desistindo das Coisas de Menino” — Caio Fábio
Transcrição: José Abdon Luna Accioly
Revisão: Fausto R.Castelo Branco
05/NOV/08

COMUNHÃO SEM ESCRAVIDÃO

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Por João, irmão de Tiago e filho de Zebedeu, discípulo e apóstolo de Jesus. Sim, do
velho na esperança ao amado Gaio, a quem eu amo em verdade, escrevo esta carta.

É pela razão de te amar que desejo que tudo de bom venha sobre ti, e que tua saúde
física acompanhe a excelência da saúde da tua alma.

O discernimento que tenho do bem que habita a tua alma em mim se expressa como
alegria. E essa alegria é fruto do que de bom e prático ouço de outros a teu respeito,
especialmente os que contigo conviveram e que afirmam que tu és um homem da
verdade, tanto pelo que crês como pelo que demonstras em teu caminhar. Nada pode
me fazer bem maior do que saber que meus filhos caminham sobre o sólido chão da
verdade.

Amado Gaio, devo afirmar que teu procedimento é bom e justo em tudo o que fazes
para com os irmãos na fé, especialmente pelo fato de não temeres as novas faces
daqueles que chegam sem serem ainda conhecidos. Sim, querido Gaio, esses são os
que chegaram em tua presença sentindo-se estrangeiros e voltaram sentindo-se
irmãos! E são justamente esses os que hoje falam aos que aqui se reúnem acerca da
genuinidade do amor que tens pela verdade como expressão de vida. E eles viram
isso evidenciado no modo como tu os trataste, tão muito mais que bem!

E foste além disso quando dispuseste teu coração para os encaminhar no restante da
viagem que fizerem, de tal modo que prossigam sentindo-se amparados pelas
provisões que tu vieres a fazer, acerca das quais já te digo que se as efetivares, serão
de fato boas para eles. Ora, este teu gesto afirma no coração deles a dignidade de
filhos de Deus de que necessitam no chão desse mundo. Portanto, se assim o fizeres,
bem estarás fazendo outra vez.
Ora, tu sabes que tais irmãos não chegaram aí a passeio, nem tampouco buscando
interesse próprio. Ao contrário, chegaram até aí apenas por amor ao Nome, sem nada
aceitar das igrejas dos não israelitas, a fim de poderem servir os gentios em graça e
de graça. Portanto, gente assim é que devemos sempre acolher, para darmos a nós
mesmos a chance e o privilégio de nos tornarmos cooperadores daquilo que é verdade
prática para a vida, conforme o evangelho.

Eu havia anteriormente escrito alguma coisa à igreja que aí se reúne, e por tais
mensageiros encaminhei minha carta, mas Diótrefes, que sente necessidade de
buscar sempre a primazia entre os irmãos na fé, impede que tal comunicação se
efetive, visto que nunca acolhe ninguém. E além de não os receber não os deixa ser
recebidos, e ainda expulsa da comunhão todo aquele que, não obedecendo a ele,
tenta acolher esses irmãos.

Por essa razão, amado Gaio, quero deixar bem claro que se eu tiver que ir até aí em
razão dessa “rolha" chamada Diótrefes, que é um bloqueio para o fluir do bem em
vossa comunidade, não o pouparei. Pelo contrário, se eu aí for, trarei à memória dele
as obras ruins que ele realiza, usando de palavras maliciosas a fim de tentar sabotar a
minha autoridade na verdade. E faz isso impedindo aqueles aos quais recomendo a
fim de serem acolhidos entre vós.

Pior ainda: não contente com isso, ele não somente deixa de receber os irmãos que
envio, mas proíbe de fazê-lo aqueles que querem acolhê-los espontaneamente. E não
contente ainda, ele mesmo se mostra como um obstáculo para que quem quer que
seja possa se sentir em casa entre vós, e todos aqueles que expressam outra atitude
— de acolhimento do próximo —, ele mesmo os exclui da comunidade!

Amado, não imites o que é mau, mas tão-somente aquilo que realiza o bem em nós e
nos irmãos.

Diferentemente de Diótrefes, tenho que dizer a todos coisas muito excelentes acerca
desse amado irmão que atende pelo nome de Demétrio. Demetrio é um bom exemplo
do que é bom. Já Diótrefes é um contundente exemplo do "espírito" daquilo que se
manifesta como mal. Quem pratica o que é bom, esse é do bem e sabe quem Deus é.
Do mesmo modo, quem faz o mal jamais conheceu nada da essência de Deus.

Mas de fato vi que nem se faz necessário que eu mesmo recomende Demétrio
pessoalmente, visto que tenho observado que todos — e até a própria verdade — dão
testemunho bom acerca dele e de sua ações. Mas a tais irmãos, como também a
Demétrio, unimos a nossa própria voz, e também damos o nosso próprio testemunho
de que praticam o que é bom. E me conhecendo, tu sabes de antemão que não tenho
compromissos que não sejam com a afirmação da verdade.

Bem, meu amado, devo dizer que eu até tinha muitas outras coisas a te escrever, mas
não o desejei fazer agora, apenas usando tinta e pena. De fato, minha esperança é
que nos encontremos em breve, pois prefiro tratar das demais questões importantes
não através da escrita, mas com o calor da voz e da franqueza de rostos que se olham
e não se escondem.

Desse modo, te digo: Paz seja contigo! E mais: Todos os amigos comuns te saúdam.
Faze tu o mesmo, enviando nossas saudações aos demais amigos, e peço-te que o
faça de modo bem pessoal, nome por nome.

João, pela terceira vez.


COM TODO AMOR PELO PAI!

Deus é Pai. E, sendo Pai, deixa Seus filhos crescerem. Assim, aprendemos que o Pai
cria as circunstâncias para que os filhos se desenvolvam. Ora, tal desenvolvimento
implica em dor. Mas para o Pai implica em deixar..., em permitir a escolha do filho pela
distancia da casa do Pai.

É o Pai quem diz que filhos devem deixar pai e mãe a fim de eles mesmos tornarem-
se capazes da maturidade de pai e de mãe.

O Pai força os filhos a crescerem!

Por isto Ele lhes impõe limites: uma Árvore. Diz que desobediência implica em
conseqüências ruins. Avisa que a morte existe e pode alcançar a qualquer um. E mais:
mesmo reconhecendo as tentações da Serpente, ainda assim distribui as
responsabilidades em relação ao homem e à mulher. E a fim de que não se
imbecilizassem eternamente, proibiu o acesso à Árvore da Vida; do contrário,
seriamos todos uns diabos mimados e perdidos para sempre.

Assim, o Pai ensina que não se fazem homens num mundo caído, sem dor e sem suor
na face.

Neste mundo caído tudo tem que ser avalizado pela dor e pelo amor. Um homem sem
a experiência da dor jamais conheceria o amor num mundo caído. Sim! Pois o amor
nasce das dificuldades e da perseverança do bem contra todos os obstáculos.

O amor não é um sentimento, mas uma decisão do espírito. Sentimentos de amor não
amam para sempre. O amor, porém, com ou sem sentimentos, ama sem sentir.

Entretanto, o que parece é que o homem somente é capaz de conhecer a Deus na


viagem de retorno para casa; pois, estando em casa sem jamais ter de lá saído, quase
nunca consegue discernir a bondade do Pai, a não ser que “caia em si” numa “terra
distante” do Pai.
Então diz: “Pai! Ó meu Pai!”

Entretanto, tantas quantas sejam as escolhas equivocadas do filho, o Pai o deixará ir...
E ficará esperando.

O Pai ‘aposta’ tudo. Deixa o filho adulto entregue a si mesmo para que aprenda. Sim!
Pois jamais amaria Seu filho se o poupasse de escolher a fim de saber e aprender.

Não haveria Amor verdadeiro num Paraíso sem uma Árvore do Conhecimento do Bem
e do Mal!

Assim, como Ele é Pai e Deus, usa todos os elementos desta vida a fim de moldar a
consciência de Seus filhos, conforme as escolhas de cada um.

Enquanto isto o homem pensa que está lidando com a Natureza, o Mercado, os
Amigos, os Amores, a Política, o Social, o Psicológico, o Espiritual e o Cosmo.

Entretanto, o que está em operação é mão do Pai usando as escolhas humanas no


contingente circunstancial da existência natural e sistêmica, permitindo que até o
Diabo faça parte do processo levando sua própria culpa e juízo.

Deus é Pai. É meu Pai. Sou Seu filho. Somos um apesar de mim; e isto somente por
causa do Filho, que com o Pai é Um em perfeição também por mim.

Assim, por causa da obediência de Um, todos os demais filhos têm seu lugar no amor
do Pai. Porém, foi o amor do Pai que enviou o Filho para que todos os homens
pudessem crer como é o Pai e como deve ser o homem, segundo a imagem do Irmão
Maior, Jesus, que também é o Filho, segundo a imagem do Pai.

Por isto digo hoje:


Aqui estou ó Pai. Fazendo longa jornada. Morrendo e ressuscitando dos mortos
muitas vezes. Voltando de terras distantes vezes sem conta. Traindo o Teu amor
enquanto fazia para fora a Tua vontade. Alegrando-me em Ti e em mim mais ainda.
Até que Teu amor tanto me amou que me feriu. Aleluia! Sim! Pois Teu amor de Pai me
fez andar pelo vale da sombra da morte a fim de que eu aprendesse que Tu estás
sempre comigo, mesmo quando não estou contigo.

É também no Teu amor e no Teu modo de amar que tenho tentado aprender a amar
os meus próprios filhos. Sim! Buscando fazer como Tu fazes. Pois tu amas; e, por isto,
falas, tocas, ajudas, ensinas, admoestas; porém, também esperas, longas esperas; e
sempre crês que Teus filhos aprenderão a ser Teus filhos.

A grande dádiva do Pai aos Seus filhos, disse Jesus, é o Espírito Santo. Assim, a
maior dádiva de um pai aos seus filhos é a dádiva de um bom espírito, em qualquer
circunstancia da vida.

O que aprendi de mais importante com o amor do Pai é que o amor só nasce na
experiência múltipla da vida; e, por isto, acato tudo na certeza de que me fará crescer
no espírito da vida, que é o Espírito Santo de Deus, que é amor como espírito.

Nele, que me alegra o coração,

Caio

25 de julho de 08

Lago Norte

Brasília

DF
PENTECOSTE, FOGO, LÍNGUAS E PODER!

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Jesus disse aos Seus discípulos que permanecessem na cidade até que do alto
fossem revestidos de poder.

A cidade era Jerusalém. O poder viria no “centro do poder”, e mudaria o significado de


poder para sempre, tirando-o das potestades da religião, e derramando-o como chama
divina que, simbolicamente, pousou sobre suas cabeças, mas que, existencialmente,
‘de-fato’, lhes incendiou para sempre a mente e o coração.

Galileus falaram em outras línguas e a Babel dos Homens foi confundida pela
capacidade do espírito de ser comunicar em qualquer língua.

Em Babel, as almas se separaram pela arrogância do intelecto. No Pentecoste


mostrou-se o caminho da re-comunicação entre os homens: as línguas do espírito.

Os homens pensam, então, se separam. Não pensam—posto que orar no espírito não
é pensar, mas o fluir do não pensar, que é o que é—, então, se entendem.

O que estou eu advogando? O não pensar? Ora, é claro que não. Estou falando é que
o verdadeiro poder que se derramou no Pentecoste não é Pentecostal e nem
Carismático, no sentido atual das palavras.

Ora, entre nós, quanto mais carismático, mas cismático será.

Lá era diferente. Era um carisma que se fazia entender. Esse era o poder.

As pessoas pensam que “Poder do Alto” é a capacidade de exercer poderes


psíquicos. Ora, há milhões que têm poderes psíquicos, e até sabem como provocá-los
em parte.

Jejuam mortificando as forças animais da carne, buscando poder espiritual, que, em


geral, não tem nada de espiritual, posto que não vem da fonte do espírito, mas sim dos
recursos da alma, e que são muitos.

Por isto é possível ver pessoas fazendo certas proezas psíquicas, e, certamente ficam
mais aptas a o fazerem quando mortificam alguns desejos do corpo por um tempo,
pois, por tais exercícios, a alma concentra sua energia, e quando a deflagra, ela se
apresenta como “feito psíquico”, que com muita facilidade é confundido com um ato do
espírito.

É verdade que quando se jejua em espírito, focando a mente no espírito como mente
livre de qualquer coisa, mas apenas imersa em Deus, na maioria das vezes, além de
se sentir um significativo aumento nas percepções, também se verifica que com muita
freqüência muitos sinais e prodígios se realizam. Os fatos demonstram o que digo.

No entanto, o verdadeiro poder espiritual não é curar, nem operar milagres, mas sim
se fazer entender num ato do espírito ungido pelo Espírito.

“Elas falavam em outras línguas... e todos os ouviam falar em suas próprias línguas
maternas”.

E que ironia: os que não sabiam como se comunicar, num ato de imersão profunda em
Deus, são acendidos em seus corações pela Chama Eterna; e, então, sem pensar, se
fazem entender; e assim, sem esforço, chocam o mundo com o fato de que sua
“embriagues”—santa perda de domínio da tirania absoluta do intelecto—, sua perda de
“razão”, se torna em puro fenômeno de comunicação espiritual.

O Pentecoste ensina que os homens só se entenderão quando falarem a língua do


espírito no Espírito. Antes disso, nada teremos.

Além disso, o Pentecoste nos ensina que a natureza essencial desse poder para
testemunhar é ser capaz de se fazer entender, e de levar e ser levado pelo vento-fogo
do Espírito até os berços de cada outro ser, posto que eles os ouviam falando em
“suas línguas maternas”.

Só é possível se entender com o coração: com as línguas maternas.

No Pentecoste se descobre que a vocação de todo homem—o Espírito quer se


derramar e se derrama sobre toda carne, sem discriminação—é se entender com os
outros homens, e poder testemunhar no espírito a verdade que não se faz entender
com o intelecto, mas sim com os discernimentos do coração.

É por isto que é blasfêmia se ficar falando do Espírito Santo enquanto tudo o de que
tal falador se ocupa é de dividir os homens, mesmo que seja “em nome” de Jesus e do
Espírito.

A presença do Espírito faz os homens se entenderem. Onde há entendimento


espiritual, aí está o Espírito. Onde não há entendimento espiritual, aí há toda sorte de
confusão e discórdia, ainda que os diabos falem todos em “línguas”.

Essas línguas do Espírito não são para se falar para fora, mas em-si e para-si mesmo.
E é nesse falar que não raciocina, mas que se esvazia de todo raciocínio, e se entrega
ao vento, que nasce esse poder que se faz entender. Entender-se a si mesmo, e
entender os outros, ainda que não os compreendamos.

Ora, o que tal entendimento comunica não é algo condicional, mas sim o amor
incondicional de Deus. Essa é a Boa Nova. Esse é o Poder. Esse é o Testemunho.
Esse é o resultado: entendimento pelo espírito daquilo que nossos pensamentos
apenas conseguem separar.
E a acerca disso não se precisa falar muito, nem dizer que “isto” existe como “poder”,
basta apenas que se experimente isto, e, nem com tantas falas, todos perceberão não
o que se quer dizer, mas sim o que é.

Só Espírito Santo pode fazer isto!

E Ele quer fazer isto sobre toda carne!

Caio

É PRA OBEDECER OU ESQUECER!...

“Não se esqueçam de mim”, diz o inseguro.

Sim! Pois os que não querem ser esquecidos quase nunca o ambicionam por
desejarem ser uma inspiração para os outros, mas sim por medo de não se
perenizarem entre os que os sucederem, numa ansiedade pagã por viverem nas
conversas e nas lembranças dos que chegarem depois deles.

E é assim que muita gente se pereniza na culpa dos seres obrigados a lembrarem-se
de doenças, defeitos, vaidades, superficialidades e inseguranças dos que pedem com
juras para não serem esquecidos.

Jesus, porém, é diferente!

Ele diz: “Fazei isto em memória de mim!” — e ao assim dizer, Ele institui não a
lembrança, mas o fazer.

Jesus não queria ser lembrado por ser lembrado. Se Ele quisesse ser apenas
lembrado, teria pedido um busto numa praça, assim como os “evangélicos” gostam de
praças da Bíblia e outros “bustos” erigidos à vaidade do poder.
Não! Jamais! Ele não queria ser lembrado e nem mencionado. O que Ele queria era
ser obedecido em Seu ensino e modos em amor.

Esqueça Jesus, a menos que você deseje celebrá-lO fazendo as coisas em memória
viva de amor por Ele.

“Fazei”, diz Ele.

Fazei o quê?

Ora, diz Jesus:

Fazei o amor valer.

Fazei a Graça prevalecer como perdão e misericórdia.

Fazei a simplicidade conquistar os espaços pela alegria simples de servir.

Fazei cada um o outro superior a si mesmo.

Fazei a justiça ser conhecida não como discurso, mas sim como ato da própria vida.

Fazei a palavra ser glorificada pela obediência.

Fazei da vida com Deus a vossa vida entre os homens.


Fazei tudo de acordo com tudo que Eu fiz.

Do contrário, para que se lembrar dEle?

Um Jesus para ser lembrado e não ser obedecido é apenas o Jesus que se celebra
como suicídio e morte nos ajuntamentos da religião.

A memória de Jesus é viva - Ele ressuscitou. Daí também a lembrança de Jesus não
poder ser romântica e nem apenas "cúltica" ou ritual.

Ter a memória de Jesus é ter a alegria da obediência e do fazer conforme Ele.

“Fazei isto [e tudo] em memória de mim!”

NEle, que só quer ser lembrado se for para ser obedecido,

Caio

20/10/07

Lago Norte

Brasília
VEJA SE VOCÊ ENTENDEU O EVANGELHO

Se eu não me respeitar, não me tratar bem, e não me der atenção, quem comigo se
importará?

Assim, eu sou a base de qualidade de amor que tenho para dar e receber!

Amar ao próximo como a si mesmo é o único modo de tornar o amor algo que cresça
em todas as suas dimensões.

Pois, quem não ama a si mesmo jamais amará próximo nenhum.

Por outro lado, quem diz que ama o próximo, mas não se ama, está mentindo.

Amar a mim mesmo sem amar ao próximo é egoísmo e narcisismo.

Amar ao próximo sem amar a si mesmo é a Doença da Bondade Humilhada, e que


com facilidade se torna tirania e loucura; tão logo o “Bom” ganhe algum poder sobre o
próximo.

Sem amor ao próximo todo amor de mim para mim é doença, e se mostrará como
vaidade, orgulho, arrogância, altivez, egoísmo, narcisismo e loucura.

Sem amor a mim mesmo, todo amor ao próximo não é amor; é carência, é
insegurança; é necessidade de aceitação; é barganha inconsciente [às vezes até
consciente]; é o que eu chamo de Doença da Bondade; a qual é tudo, menos amor.

Assim, eu sei de minha saúde interior e espiritual pela minha capacidade de


genuinamente me importar com meu próximo e agir em favor dele.
Sem oração e ação todo amor é vão.

Por outro eu sei se sou capaz de amar genuinamente ao meu próximo pela minha
capacidade de me amar com o respeito com o qual eu amo a quem digo amar com
amor, não com doença.

“O que quereis que os homens vos façam, fazei isto vós mesmos a eles!”

É pelo amor a Deus que o meu amor por mim e pelo próximo se estabelece como
amor sadio.

Porque sei que Deus me ama, eu o amo com gratidão e alegria; amo a mim mesmo
com equilíbrio e segurança; e amo meu próximo como privilégio; a ele por quem Jesus
morreu.

No entanto, é o amor ao próximo o fiel da balança histórico-existencial de minha


vida com Deus e comigo mesmo!

Sim! Pois, mesmo que eu diga que amo a Deus não há como eu demonstrar isso fora
de minha relação com o humano.

Deus não tem nenhum altar de culto fora do amor ao próximo!

Quem não entendeu isso ainda nada compreendeu do Evangelho!

Pense nisso!
Caio

03/09/07

Manaus

AM

UMA MENTIRA CHAMADA “SEGURANÇA”

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Segurança é o que todo ser humano quer! Entretanto, nem todos pensam em
segurança com as mesmas categorias de conteúdo. Há aqueles, por exemplo,
para quem segurança significa muito dinheiro, ou um emprego estável, ou um
bom plano de saúde, ou uma herança certa e farta, ou muita saúde, ou não
perder o marido provedor, ou ter uma casa própria, ou conseguir pagar pela
educação formal dos filhos, ou ter uma família, etc... Por outro lado, há aqueles
para os quais segurança é estar do lado forte nas disputas de poder, ou possuir
poder de sedução, ou ter a certeza de que se é desejado, ou a sutileza de “pular
a cerca” sem deixar indícios, ou conseguir fazer o errado sem ser apanhado —;
permanecendo “em off” na vida, assim como se fossem apenas a “fonte secreta”
de um jornalista honesto com as pessoas e com a profissão. Assim, sejam boas
ou más as razões pelas quais as pessoas buscam segurança, o fato é que
quase tudo ao que se chama segurança, não é segurança, sendo, estranha e
paradoxalmente, exatamente o seu oposto manifesto com as mascaras da
segurança. Segurança, de fato, não inclui nenhuma das coisas acima. A
verdadeira segurança é fruto da paz de se saber amado, e, portanto, da
satisfação de se ser quem é. Isto porque essa certeza de ser amado vem de
uma dimensão do ser que existe de modo muito mais anterior do que tudo aquilo
que, cegamente, chamamos de “vida”. Segurança, portanto, em sua qualidade
mais essencial, é o fruto da confiança no cuidado e na bondade de Deus para
conosco; mesmo quando dói. Sim, porque, em tal caso, a certeza do amor de
Deus por nós imediatamente nos remete para outra certeza, e que o faz dizer:
“Dói; eu não entendo esse caminho; mas sei que Quem o conduz, sempre faz
tudo visando o bem de meu ser que é; e que há de permanecer para sempre!”
Portanto, sem certeza do amor que é; do amor de Deus — nenhuma confiança
jamais nascerá de nós para Deus. É porque Ele nos ama, e age em nosso favor,
que respondemos a Ele, quando respondemos, em amor e confiança também.
Ora, nossa resposta em amor ao amor de Deus se manifesta como obediência
natural ao único mandamento, que é amor ao próximo. Assim, nossa confiança
no amor de Deus se desenvolve na pratica do amor ao próximo, visto que este
passa a ser o meu altar de culto a Deus. Crescidos em amor ao próximo, em
razão do amor de Deus em nós, experimentamos confiança crescente; e ela, a
confiança, nos faz habitar aquele lugar que alguns homens, desde há milênios,
aprenderam poeticamente a chamar de “refugio bem presente na tribulação”; ou
ainda de “sombra do Altíssimo”; ou mesmo de “minha fortaleza”; ou de “minha
luz e minha salvação”. Segurança, assim, não é uma condição de vida na terra,
mensurável, e fruto de contas e de investimentos que nos dêem alguma
“previsibilidade”; isto se o coração não parar sem dar qualquer explicação.
Entretanto, segurança também não é licença para correr riscos. Digo isto porque
há pessoas que pensam que certos indivíduos dispostos a qualquer risco, são
seguros de si. Na realidade não há ninguém tão inseguro quanto esse suposto
ser “seguro de si”. Na maioria esmagadora das vezes, salvo em casos de
natureza psico-patológica, esses seres “seguros de si” são apenas gente sem
um mínimo de amor por eles próprios; e, por essa mesma razão, são também
inafetivos. Pois as pessoas que se amam e que amam, não procuram riscos;
apenas os enfrentam quando não acham meios de evitá-los. O ser
verdadeiramente seguro evita o risco quando o vê. O homem seguro não teme,
mas não busca o perigo e nem ama o risco. O homem seguro ama a paz. Afinal,
ele próprio é filho da paz. Assim, se você algum dia vir alguém que não teme
nada, que faz tudo o que lhe vem à cabeça, que diz ter prazer nos riscos, que se
entrega ao perigo como um homem bomba — saiba: bem diante de você está a
pessoa mais insegura que você já conheceu. E meu conselho é: fique longe
dela, pois essa suposta valentia atrairá toda sorte de coisa ruim para a
vizinhança de sua alma. O ser seguro apenas é; pois ele sabe que é Sabido em
Deus. Por esta razão ele descansa. E é desse descanso confiante e aninhado
em Deus que vem a inabalabilidade desse ser humano que anda em seu
caminho de fé. O ser seguro sabe que o que é dele, está guardado. Sabe que o
que é seu, ninguém tira. Sabe que tudo segue a lei da vida quando se anda em
confiança e amor. Sabe que seu sustento jamais faltará. Sabe que nada vale
mais do que buscar o reino de Deus antes de tudo. Sabe que todo diabo cai do
céu quando em seu coração o ódio, o rancor ou a amargura, dão lugar ao
perdão ao próximo; qualquer próximo, até o inimigo. E mais: Tal pessoa sabe
que Aquele que veste lírios e alimenta pardais, o ama ainda mais. Sabe que
muito mais que saber, o que importa é ser; pois no ser há um saber, ainda que,
muitas vezes, não saiba de si mesmo. Ora, essa pessoa também sabe que todo
saber que não vire ser, nada é; visto que um saber que não gera vida, é um
saber para a morte; pois, no mínimo, vira presunção: e nada mata mais a alma
que a presunção; visto que a impede de crescer. A presunção é a sombra que
impede o sol de fazer crescer qualquer que seja a semente boa no espírito
humano. Porém, à sombra da presunção crescem aquelas coisas que geram o
fruto da insegurança, que são avareza, idolatria, materialismo, narcisismo,
infidelidade, e espírito de inafetividade; e, por extensão, suicídio. Hoje, eu, você
e o mundo inteiro, estamos existindo sob o “signo da insegurança”. E nada há
mais desgracadamente mortal do que isto! É em razão de tanta insegurança,
indo do plano macro-político-planetário às decisões de natureza afetiva que
fazemos decisões de morte. Olhar para as nossas próprias decisões nos
possibilita ver que na maioria das vezes escolhemos a segurança-insegura
como refúgio e auto-engano; embora, entre nós, tal insegurança se disfarce sob
o manto da “segurança de si”. Assim, a maior insegurança de um homem é
sempre confessada como sua segurança! Desse modo o Evangelho tira o que
se esconde dentro de nossa casa, e o expõe gritando seu nome da varanda da
alma; e diz: “O que você chama de minha Segurança ou de meu Sucesso, de
fato é a sua mais profunda insegurança; pois um homem seguro, em Deus, não
conhece segurança e nem sucesso, mas apenas alegria confiante; e isto no dia
bom e também no dia mal.” Nele, que é nossa Única e Real Segurança, Caio

POR QUE OS DONS E A VOCAÇÃO DE DEUS SÃO IRREVOGÁVEIS?

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Por que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis?

Ora! Somente Deus pode dizer!

Se é que algum dia Ele dirá.

Na realidade, se Ele disser “É porque É”, terá dito tudo; pois, se há Deus, tudo é
porque É.

E isto enquanto existe liberdade de ser, em absoluto paradoxo com o “É porque


É”, que chega mesmo a ser contradição para a lógica e mistério para a fé.

Toda tentativa de resolver a “contradição” equivale à fabricação de ídolos!

Entretanto, como quem escreve besteira, digo que meu coração me diz que os
dons e a vocação de Deus são irrevogáveis simplesmente porque “dom” é
Graça, é dádiva; e vocação, é escolha, significando que a responsabilidade é de
quem chamou.

Assim, se Deus dá, Ele dá; pois Deus não sabe desdar. Seria diabólico revogar
a Graça que doa, seria Se fazer mal, seria negar a Si mesmo, seria a morte de
Deus.

Um Deus que “revogue” revoga a Si mesmo no ato da revogação!

Desse modo, a segurança da fé deve ser tão firme quanto a certeza de que se
Deus não for fiel a Si mesmo, Deus mesmo deixa de ser Deus.

Crendo assim, fico tão seguro de que sou Dele quanto sei que Ele jamais
deixará de ser Ele mesmo.

É porque Ele não nega a Si mesmo que há Graça eterna para mim, para você e
para todos. Ora, esta é uma das implicações do Cordeiro ter sido imolado antes
da fundação dos cosmo.

Soberania, em Deus, não significa fazer o que Ele bem ou mal quiser, mas antes
de tudo, significa somente fazer aquilo que é conforme Ele mesmo.

Desse modo, Ele é antes de tudo Soberano, porque nada o faz deixar de ser
Quem Ele É.

Sim, Deus jamais deixa de ser Deus; e Deus é amor!


Nele, que diz: “Aquele que vem a mim, de modo algum o lançarei fora”, ou “...
ninguém o arrebatará de minhas mãos”,

ERA UMA VEZ UM PADEIRO...

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Vivia em Israel um padeiro chamado Oséias. Desde cedo seu coração sentia o
pulsar da voz de Deus. Seus olhos se abriam e ele via. Luzes iluminavam-lhe o
espírito. Fazia pães e enquanto isto seu espírito mantinha-se alerta à Voz que
vinha a ele de um lugar para além do forno. Lá fora da padaria... Israel vivia em
estado de dissolução. Baal e outros deuses eram adorados. O sucesso das
colheitas era sempre atribuído à interferência das pequenas divindades. A
prostituição e o adultério haviam se transformado em hobies sacerdotais. Os
ambientes sagrados eram lugares de “encontros” e o ofício sacerdotal era parte
do charme da sedução. O povo fazia somente o que era reto aos seus próprios
olhos. Deus estava com ciúmes outra vez. Um dia Oséias ouviu a Voz... A
ordem era desastrosa! “Toma a Gomer para tua mulher e tem filhos com ela”—
ordenava o Senhor. Ora, a mulher indicada por Deus sofria de compulsão sexual
e tinha atrás de si um histórico de total falta de controle naquela área. Gomer
gostava de variar os homens e sentia o direito animal de pegar quem desejasse
ou de se entregar a quem bem entendesse. A platéia dos que já haviam
assistido seus shows de desejos era enorme. Todos conheciam Gomer
intimamente. Isso é que casamento por indicação divina! Não se sabe o que
aconteceu nos detalhes. Pode ser que Oséias tenha se afeiçoado à ela e depois
ouvido a Voz dando-lhe a ordem de casamento. Ou, quem sabe? Pode ser que
ele tenha recebido a ordem e então a procurou para casar com ela. O fato é que
não muda nada. Seja como for era grande a tragédia. Primeiro porque nenhum
homem gosta de fazer a massa, assar o pão e ver que outros é que o comem.
Segundo porque era ignominioso para ele viver, como de Deus um homem e
como homem de Deus, aquela situação pública, contínua e incurável. Terceiro
porque pelo espírito do texto, Oséias se apaixonou por Gomer. Aliás, a
mensagem do amor de Deus pela nação adultera e prostituta—Israel—, só faria
sentido se Oséias sentisse por Gomer o que Deus sentia pelo Seu povo: amor!
Outra vez o homem é a mensagem e a mensagem é o homem! Assim, o santo
padeiro teve que fazer muito pão para outros saborearem. E teve que viver o
papel do santo corno de Deus—como se fosse o próprio Deus! Israel adulterava
e se prostituía com Baal e outras divindades. Era uma orgia espiritual. A
fidelidade de Deus por Israel chegou ao extremo dessa atitude que entre os
homens é inconcebível. Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus
também no amor! Estou contando essa história e trazendo a mensagem de
Oséias para esse contexto simplificado e humano, apenas para que você
entenda que certas mensagens de Deus só se realizam se a vida se realizar
como desgosto e dor. Há profecia na calamidade também. Há amor no absurdo
também. Há Deus em todas as coisas também. O que é mais difícil de entender
é que Oséias teve filhos com Gomer e as crianças ganharam nomes de
desgraça. Até os filhos tiveram que carregar o karma da mensagem. E pior:
Oséias era homem, macho. Mulheres podem engravidar da maneira mais
passiva possível. Homens só fazem filhos se tiverem potencia e se ativamente
participarem do ato. Ora, isto revela muito da alma de Oséias também. A menos
que você me diga que Deus deu a ordem e serviu Oséias com potencia
masculina para realizar o ato. Pessoalmente eu não creio nisto. Oséias não
queria que Gomer fosse como era, mas a amava apesar disso—e também a
desejou a fim de cumprir a profecia. Os perfis desses homens de Deus violam
toda nossa compreensão sobre o que seja “saúde psicológica”, conforme os
padrões atuais. Para os cristãos a situação se resolve como um passe de
mágica. Dizem: Deus não age mais assim! Será? O que creio é que a Bíblia só é
como é porque alguns homens leram não apenas os cenários da vida—por mais
bizarros que fossem—, mas também leram as mensagens da vida; e essas,
sempre se pareceram com a vida, exatamente como ela é. Num mundo caído
como o nosso a mensagem muitas vezes vem carregada daquilo que ela
mesma recomenda que não aconteça. É quando tem que acontecer para que
não aconteça mais! Pobres dos padeiros que tem que fazer a massa, tostar o
pão no forno e servi-lo; e ver que outros é que saboreiam e comem. Louvado
seja o Senhor que faz chover, que dá a semente, que a abre em flores e frutos,
que a trás o fruto da Sua Graça às mesas como pão e, ainda assim, continua
nos amando quando atribuímos essa Graça aos amantes de nossas
infidelidades espirituais. Ele sente ciúmes, mas Sua misericórdia triunfa sobre o
juízo. O padeiro que o diga! Caio 2003

DEZ MANDAMENTOS PARA TRANSGREDIR

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Coisas que Fazem Mal Quando Você Faz Bem As afirmações abaixo são
verdadeiras. E se você gosta de evitar fazer o mal, não leia. Caso você deseje
fazer o mal, leia. Se você é bom, leia com atenção. Pode ser que você mude de
idéia acerca de você mesmo. Havendo dúvida, leia assim mesmo. Havendo
certeza, não perca seu tempo. Leia outra coisa. Não havendo nada para fazer,
faça o bem. Se você não sabe o que é bom, olhe no espelho, abra a janela,
beba água, ande, coma, beba, ame e não se sinta culpado por gostar dessas
banalidades. Faz bem! Preparado? Não fique demais. Não há nada maravilhoso
e nem tampouco novo sendo escrito aqui. Leia então! 1. É mal fazer o bem para
todo aquele que é mau. Ele o odiará pela maldade de seu bem. 2. É mal pensar
o bem acerca de quem só concebe o mal. Ele usará você sem escrúpulos. 3. É
mal desejar que o Bem aconteça a quem o inveje por você ser bom. Ele o
julgará superior e o invejará com todo ódio. 4. É mal realizar o bem a quem tem
complexo de inferioridade em relação a você. Ele crerá que você o está
humilhando. 5. É mal não fazer nada de mal a quem só deseja o mal a você. Ele
não agüentará a sua não resposta às provocações. 6. É mal ajudar o covarde
quando está em desvantagem. Ele pensará que você é cúmplice. 7. É mal fazer
o bem aos que tudo vêem como impuro. Sua bondade será interpretada como
frouxidão. 8. É mal fazer o bem aos que o adulam. Eles pensarão que sua
bondade é pagamento e tentarão ampliar os negócios com sua alma. 9. É mal
fazer o bem a quem não ama. Ele nunca acreditará em você. 10. É mal fazer o
bem a quem cobiça. Ele desejará seu bem a serviço dos interesses dele. Bem,
já que é assim, dê uma surra de bondade no mundo! Transgrida esses
princípios sempre. Será para o seu Bem. Espero que você seja incorrigível. Seja
esse pecador. Peque esse pecado. Sofra desse mal. Você está condenado!
Graças a Deus! Caio

O ARUANÃ E O AMOR DE DEUS

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O crocodilo macho não tem instinto de preservação da espécie. Daí, havendo


fome, o macho, muitas vezes, acabar por devorar o seu próprio filho, se este
passar por perto. As aves parecem ser os pais mais evoluídos no âmbito natural.
A maioria deles trabalha junto, como pai e mãe, a fim de manter e cuidar da
família. O mais belo de todos os pais que eu conheço na natureza é o Aruanã. O
Aruanã é um peixe amazônico e que é um exímio caçador até fora d’água. Ele é
capaz de saltar de dentro do rio e abocanhar um inseto que esteja alto, numa
árvore cujo galho esteja pendurado sobre o rio ou igarapé. No entanto, o mesmo
Araunã caçador voraz é também um pai sem igual. Isto porque uma vez que
haja a desova, o pai fica ao lado dos ovos, até que se abram e deles saiam
pequenos peixinhos. São centenas de pequenos peixes, cercados por grandes e
terríveis predadores. Mas o pai não larga o grupo indefeso. Assim, todas as
vezes que vem um potencial predador, o Aruanã abre sua imensa boca, e a
multidão de peixinhos entra nela como se fosse um “avião Búfalo”, desses que
abrem a porta como se fosse uma grande boca. Desse modo, os filhotes se
refugiam na boca do pai; e, este, com sua cara imensa olha os inimigos, os
quais, assustados, fogem. Uma vez que não há mais ameaça, o Aruanã abre a
boca, e dela saem nuvens de filhotes. Nas águas turvas desta existência quero
apenas ser peixinho escondido na Boca de Deus. Espiritualmente falando não
sou filho de Crocodilo. Sou filho de Aruanã. E que Aruanã! Em sua boca cabe
toda a existência. Cabe o mundo de todos os humanos. A Sua Palavra é escudo
e proteção. Caio

PERDOA-ME, SENHOR!

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Ó Senhor, perdoa a mim e a meus irmãos, pois, nos esquecemos de Teu amor,
e corremos atrás de vãs ambições! Perdoa-nos, Senhor, pois amamos mais as
doutrinas do que a Verdade, e porque concedemos a nossa fidelidade às
teologia da ortodoxia, enquanto nos esquecemos de Ti, que és o Manancial das
Águas Vivas. Perdoa-nos, Senhor, porque nos encantamos tão pagãmente com
os Poderes Espirituais que nos esquecemos que sem Amor nada disso nos
aproveitará. Perdoa-nos, pois covardemente disfarçamos nossas ambições
pessoais sob os mantos dos Chamados Espirituais, quando, de fato, o que nos
habita é vanglória, ambição, vaidade, e cobiça. Perdoa-nos, ó Senhor, pois Tu
sabes como a Tua Vinha está devastada, como os inimigos pisaram com
escárnio o que se havia plantado durante anos, e assim o fizeram porque
estávamos embriagados pela volúpia das nossas próprias conquistas. Perdoa-
nos, ó Senhor, porque confundimos a Tua Palavra com a Bíblia, a Tua
Revelação com Pregação, a fidelidade a Ti com compromisso de integridade
para com a Igreja. Perdoa-nos, Senhor, porque vemos, e não enxergamos;
ouvimos, mas não escutamos; sabemos, mas não fazemos caso; e tudo para
não suceder que vendo, não possamos mais fugir; ouvindo não possamos mais
fingir; e sabendo, não possamos mais evitar viver. Sim, perdão, Senhor! Perdoa-
nos, ó Senhor, a nossa covardia, a nossa falta de bravura, a morte de nossos
sonhos puros, a ausência de verdade no intimo em nós. Perdoa-nos, pois,
descremos... Por isso, entregamos o pastoreio de Teu povo ao Espinheiro, e o
cuidado de Tuas ovelhas ao Lobo e ao Mercenário. Perdoa-nos, Senhor, posto
que aquilo que é transitório nos cegou o eterno no olhar; e aquilo que carrega
apenas fugazes belezas, cegou nossos sentidos para o que não perece, embora
seja invisível. Perdoa-nos por pensarmos que recebemos de Ti qualquer forma
de concessão à insensibilidade e à sinceridade. Perdoa-nos, pois de fato
ficamos anestesiados pelo “Deus” que é educado pelos mestres da religião.
Perdoa nossa arrogância para com os demais seres humanos. Sim, perdoa-nos
o pecado de usarmos o nome “cristão” como símbolo de triunfo, supremacia,
verdade, poder, e grandeza. Perdoa-nos por termos trocado o Evangelho pelas
tradições da igreja, e a Palavra Viva, pelas modas de cada novo e pobre tempo.
Perdoa nossa hipocrisia, e nossa capacidade de odiarmo-nos uns outros de
modo tão piedosamente satânico, de tal modo que beijamos com o beijo de
Judas, e matamos nosso irmão no campo por causa das invejas nascidas no
altar. Perdoa-nos por nossas arrogantes justiças próprias, e por nossas altivas
santidades, e por termos a pretensão de sancionar o que já realizastes, e de
afirmar blasfemamente o que deves estar pensando enquanto decretamos o que
deves fazer, conforme a nossa egoísta e adoecida vontade. Ó, perdão, meu
Senhor! Perdoa-nos, pois nosso senso de sobrevivência animal nos tira o
ímpeto de viver o arriscado espírito da profecia; assim como nossa necessidade
de estar bem com todos, nos rouba a verdade no crer; e nossa falta de
confiança nos impede de viver a plenitude de Teu amor. Perdoa-nos quando
condenamos aos outros, condenando-nos a nós mesmos; quando julgamos os
outros, julgado-nos a nós mesmos; e quando os mandamos tão facilmente para
o inferno, apenas porque somos habitados por ele. Ó Senhor, perdoa o nosso
desequilíbrio; o qual ora nos empurra para as muitas leis; ora para as leis do
nada. Ajuda-nos a viver na Lei da Graça, que é amor que cresce no caminho da
não transgressão. Tu conheces o meu coração, minha dor, minhas lágrimas,
minhas jornadas todas, e todas as veredas de meu andar. Sim, Tu me
conheces, e sabes que meu coração quer encontrar a simplicidade da retidão
que não é do homem, mas é de Deus. Tu conheces também minhas muitas
alegrias em meio a tantas lágrimas; e minhas muitas ações de graças em meio a
tantas perdas. Tu também conheces minha gratidão pela dádiva de discernir o
amor, e de poder prová-lo na Terra. Sim, Tu sabes como tenho prazer no
encontro que é; no perdão que vence as diferenças; e na reconciliação que
vence os ódios. Ó Senhor, mostra-me um sinal de Teu favor para com o Teu
povo, para que meu coração não sinta como se eu tivesse corrido em vão, pois,
vã não é a Tua Palavra! Em nome de Jesus, meu Senhor, e também de todos os
homens, Caio

MANDAMENTOS DO REINO DE DEUS

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1o Ama a Deus de todo o teu coração, com todo o teu entendimento, com toda a
tua alma, e adora-o em espírito e em verdade; e não procures saber com tua a
mente como e quem é Deus, mas apenas segue a Jesus, pois eis que Nele
Deus está revelado. 2o Ama a teu próximo como tu amas a ti mesmo, e faze
sempre antecipadamente por ele todo o bem que desejas que façam a ti em
qualquer situação da vida. 3o Jamais atribuas ao mau ou ao diabo bem nenhum
que vejas acontecer na Terra, apenas porque achas que os modos da Graça
divina ti são desconhecidos, para que não sejas apanhado infamando as obras
do Espírito Santo. Nem mesmo faze tal juízo no segredo de teu coração. 4o
Santifica Deus em amor em teu ser todos os dias, para que todos os dias sejam
Sábado de paz e misericórdia no calendário de teu coração; e, assim,
santifiques a Deus na paz de teu ser cheio de gratidão e confiança. 5o Não
repitas os pecados de teu pai, e nem te solidarizes com a infelicidade de tua
mãe. Antes, melhora-os em tua vida, andando por caminhos de paz e alegria, de
tal modo que ao ti verem eles vejam que tu os honrastes melhorando-os em tua
própria vida. Quem sabe assim ainda haverá cura para eles. 6o Aprende o
contentamento no prazer que é teu, e não busques prazer na companheira ou
companheiro de outro homem ou mulher, pois, tal ato não gera prazer, mas
apenas medo e desgosto, posto que nenhum ladrão goza das riquezas que
roubou, visto que elas carregam vingança em si mesmas. 7o Não sintas inveja
de ninguém, pois o invejoso é ladrão de almas e de bens gerados por um outro;
assim, quanto mais busca o que é de outro, menos possui a si mesmo como
bem. 8o Não julgues a ninguém, pois não sabes quais são as verdades que as
aparências encobrem; e também para que tal juízo não volte sobre tua cabeça,
e ti condene sem apelação. 9o Exercita teu coração na gratidão e no
contentamento, pois é por eles que ficarás livre de toda a cobiça do inferno. 10o
Não te esforces para ti salvares, posto que todo esforço de auto-salvação gera
arrogância. Desse modo, apenas aceita que tua salvação está feita, e que
aquele que te salva o faz apenas por Sua imensa Graça e Amor. Assim, confia
Nele, pois é na confiança que a salvação se faz consumar como bem para o
coração. Segue esses mandamentos com fé e amor, posto que todos eles são
amor; e, sem amor, nem eles e nem nada na existência ti trarão qualquer valor
ou bem para a vida. Caio

QUEM QUISER ME CONHECER, SÓ ME CONHECENDO!

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João 7: 1-30 Depois disso, Jesus começou a andar pela Galiléia; Ele não queria
andar pela Judéia, pois os líderes judeus dali estavam querendo matá-lo.
Aconteceu que a festa dos judeus chamada de Festa das Tendas estava perto.
Então os irmãos de Jesus disseram a Ele: -Saia daqui e vá para a Judéia a fim
de que os seus seguidores vejam o que você está fazendo. Pois quem quer ser
bem conhecido não deve esconder o que está fazendo. Já que você faz essas
coisas, deixe que todos o conheçam. Até os irmãos de Jesus não criam nele.
Ele respondeu: -A minha hora ainda não chegou, mas para vocês qualquer hora
serve. O mundo não pode ter ódio de vocês, mas tem ódio de mim porque eu
afirmo que o que o mundo faz é mau. Vão vocês à festa, mas eu não vou porque
a minha hora ainda não chegou. Jesus disse isso e ficou na Galiléia. Depois que
os seus irmãos foram à festa, Jesus também foi, mas fez isso em segredo e não
publicamente. Os líderes judeus o procuravam na festa e perguntavam: -Onde é
que está aquele homem? Na multidão havia muita gente comentando sobre ele.
Alguns diziam: -Ele é bom. Mas outros também diziam: -Não é não; ele engana
o povo! Mas ninguém falava abertamente sobre Ele porque todos tinham medo
dos líderes judeus. Quando a festa já estava no meio, Jesus foi ao Templo e
começou a ensinar. Os líderes judeus ficaram muito admirados e diziam: -Como
é que ele sabe tanto sem ter estudado? Jesus disse: -O que eu ensino não vem
de mim, mas vem de Deus, que me enviou. Quem quiser fazer a vontade de
Deus saberá se o meu ensino vem de Deus ou se falo em meu próprio nome.
Quem fala em seu próprio nome está procurando ser elogiado. Mas quem quer
conseguir louvores para aquele que o enviou, esse é honesto, e não há
falsidade nele. Foi Moisés quem deu a Lei a vocês, não foi? No entanto nenhum
de vocês obedece à Lei. Por que é que vocês estão querendo me matar? A
multidão respondeu: -Você está dominado por um demônio! Quem é que está
querendo matá-lo? Então Jesus disse: -Eu fiz um milagre, e todos vocês estão
admirados por causa disso. Vocês circuncidam um menino até no sábado
porque foi Moisés quem mandou vocês fazerem isso. Mas a verdade é que a
circuncisão não começou com Moisés, mas com os patriarcas. Para não
deixarem de cumprir a Lei de Moisés, vocês circuncidam um menino, mesmo no
sábado. Então por que ficam com raiva de mim quando eu curo completamente
uma pessoa no sábado? Parem de julgar pelas aparências e julguem com
justiça. Algumas pessoas que moravam em Jerusalém perguntavam: -Não é
este o homem que estão querendo matar? Vejam! Ele está falando em público,
e ninguém diz nada contra ele! Será que as autoridades sabem mesmo que ele
é o Messias? No entanto, quando o Messias vier, ninguém saberá de onde ele
é; e nós sabemos de onde este homem vem. Quando estava ensinando no pátio
do Templo, Jesus disse bem alto: -Será que vocês me conhecem mesmo e
sabem de onde eu sou? Eu não vim por minha própria conta. Aquele que me
enviou é verdadeiro, porém vocês não o conhecem. Mas eu o conheço porque
venho dele e fui mandado por ele. Então quiseram prender Jesus, mas ninguém
fez isso porque a sua hora ainda não tinha chegado.
___________________________________________________________ Meu
Deus, como é maravilhosa a Palavra de Jesus! Como é simples! Como é
esmagadora! Como é irresistível! Como é a Verdade! Não há estudo atrás do
qual se escudar—Ele não sabe letras! Não há viagens em delírios de muitas
palavras. Tudo é trazido para a luz. Cada um ouve o que precisa. Os exemplos
são absolutamente próprios. É puro conhecer. É total entender. É Luz do
mundo. De qualquer mundo. É juízo de vivos e de mortos. É a Verdade
encarnada na experiência do mais ambíguo existir: o existir humano. É a luz
sendo luz onde nada é luz, onde tudo é ambíguo e nebuloso, onde o olhar é
turvo pelo engano da presunção do bem e do mal. E lá está Ele! Iluminando tudo
e todos, e prevalecendo com a Palavra que sai de sua boca, e com as Graças
que se derramam em todos os Seus caminhos. Ele está anulado em tudo. Não
tem a ninguém a quem recorrer como Fonte senão ao Pai. Mas Ele sabe quem o
Enviou e para o que foi enviado. Ele sabe que somente a mais radical
sinceridade poderia ser o veiculo da Verdade. E sabe que o testemunho não
será verdadeiro apenas por ser escutado com os ouvidos, mas sim quando
trazido para as vísceras da vida. Quem desejasse saber se o que Ele dizia era a
Verdade, que praticasse, que provasse, que fizesse a vontade de Deus—que
era reconhecê-Lo entre eles—; pois, então, após experimentar, qualquer um
saberia que Ele era o Enviado de Deus, Deus mesmo com eles e conosco. A
salvação é reconhecer a Presença de Deus, Emanuel! Assim, antes de oferecer
provas, Ele convida a um salto louco, a mergulhar de cabeça, a aceitar o convite
de um Louco ou do próprio Deus, na beira do precipício e que diz: Pula e verás
que digo a Verdade! “Quem quiser saber se o que eu digo é verdade, faça a
vontade de Deus e saberá que eu fui enviado por Ele”—é sua proposta. E
pensar que tinha gente que não compreendia como Ele podia saber aquelas
coisas sem ter estudado! Quem pode estudar algo que se apresenta como
matéria de experiência própria e não de um conhecimento que vem de fora? A
Verdade tem que ser conhecida na carne do ser, tem que ser vivida, a fim de ser
conhecida como Verdade. E pensar que Seus irmãos achavam que Ele poderia
apenas aparecer lá e fazer propaganda de Si mesmo, ou que pudesse chegar e
ficar de beijinhos e cumprimentos! Não, com Ele não poderia ser assim. Onde
chegava a luz acendia, e todos começavam a sentir o terrível desejo de matá-lo
ou de jogarem-se Nele. Ele relaxava transformando água em vinho! Para Ele a
Verdade, que Ele encarnava, só poderia ser conhecida como experiência de
Deus na vida que se torna Vida. Não seria possível estudá-la. Aliás, estudá-la
como objeto de interesse acaba com ela como Palavra de Vida. A Palavra é
espírito e vida. O Espírito é vento. O Espírito é a verdade. Ora, isto faz com que
o conhecimento da Verdade de Jesus só possa acontecer enquanto se respira,
no vento da própria Vida, que é sopro de Deus. E pensar que tem gente que
pensa que Jesus pode ser provado com argumentos, e que por isto brigam pela
tentativa de fazer de Jesus o ser mais histórico possível, como se isto lhe desse
mais crédito ou que se lhe reforçasse o testemunho. Jesus se ri disso. Ele está é
justamente fazendo o oposto, e dizendo: Se você quiser saber se Eu Sou a
Verdade, pule de cabeça, mergulhe, salte... Só assim você terá a experiência da
Verdade. Se você se arrebentar, eu estou mentindo. Se você começar a respirar
a Vida, então você vai saber que eu digo a Verdade. Com Deus e com a Vida é
assim: ou é, ou não é! Vejo os cristãos se orgulhando de que Maomé está
sepultado, mas que Jesus não tem um cadáver em lugar nenhum. Ou seja: a
maior prova histórica da Ressurreição é que não há evidencia de nada, posto
que não se tem um corpo a apresentar a fim de se tornar evidencia. Assim,
quanto menos histórico for, mais verdadeiro será. No entanto, quando alguém
escreve um artigo e questiona a historicidade de Jesus, todos se revoltam e
querem escrever em resposta, e dizer: Como é que pode? Você não sabe que
Deus se Encarnou e que viveu num corpo humano, e que o nome do Indivíduo
era Jesus? O que não entendemos é o seguinte: Jesus foi histórico. Ele existiu.
Deus se fez carne. Ele viveu conforme os Evangelhos, e conquistou para nós,
na Cruz, todo o bem que o Novo Testamento nos assegura. Ele ressuscitou dos
mortos num corpo incorruptível, e é o primogênito da Ressurreição, sendo Ele
mesmo o próprio Deus. Agora, acompanhe o que eu escrevi acima, e veja como
por mais histórico que eu possa começar na minha confissão de fé acerca de
Jesus, no entanto, ela sempre me levará para um ambiente novo, no qual a
história deixa de ter qualquer importância, pois, a verdade se instala nos
ambientes da mais absoluta subjetividade, e chama os céus dos céus para
dentro de mim. Paulo não conheceu a Jesus segundo a carne—historicamente
—, porém, me parece, conheceu a Cristo Jesus muito mais profundamente do
que a maioria— se não todos—dos que com Jesus caminharam. Ora, o que isto
nos diz? Nos diz que a experiência do Jesus histórico é menor do que a
experiência do conhecimento da Verdade em Cristo. A Verdade tem que ser
experimentada em nós, não somente na observação de um Homem que anda
adiante de nós. O que os olhos não viram, nem ouvidos ouviram e nem subiu ao
coração de homem algum, continua a ser aquilo que Deus revela no Espírito a
todos aqueles que o amam. Portanto, qualquer de nós, à semelhança de Paulo
—que não conviveu com Jesus—pode experimentar a Verdade da Vida em
Jesus do mesmo modo, e até de modo mais surpreendente. Ou será que
alguém pensava que Paulo estava desejando colocar um “teto” na Fundação
que ele estava ajudando a estabelecer, sendo Cristo a Pedra Angular? A
esperança dele era que nossos olhos do coração fossem iluminados, e que
assim pudéssemos entender e conhecer com todos os demais companheiros no
Caminho, qual fosse a largura, a extensão, a altura e a profundidade, e
conhecer o amor de Cristo, que excede a todo entendimento. Existe um teto
pata isto? A Nova Jerusalém não tem telhado! Paulo foi um homem que não
andou com Jesus segundo a carne, mas que o conheceu no Caminho da Graça,
e andou com Ele em maior intimidade que muitos daqueles que com Ele haviam
partido o pão, ou que tinham sido testemunhas oculares de Sua Ressurreição.
Até nisto Paulo lhes ultrapassa no conhecimento experiencial da revelação. Eles
viam muito mais os fatos. Paulo via muito mais os fatores. Ele viam muito a
Crucificação. Paulo via muito mais a Cruz. Eles viam muito um reino restaurado
em Israel. Paulo via toda a criação e todas as criaturas reconciliadas com Deus
por meio de Jesus. No fim não adiante prova histórica nenhuma. Se o indivíduo
não pular para ver “qual é”, ele jamais saberá. Poderá até dar aula sobre o
assunto, mas jamais saberá do que se trata. A História? Sim, ela é muito
importante. Mas saibam todos: ela logo fica uma estrada muito fixa e básica
quando se trata do conhecimento de Cristo Jesus. Nela a gente vê Jesus, o
Cristo. Mas é no coração que a gente conhece Cristo, Jesus. Ou seja: se na
História é Jesus quem revela o Cristo, no coração é o Cristo quem revela Jesus.
E como nós não somos “testemunhas oculares da história de Jesus”, nós
estamos na categoria daqueles em quem é Cristo quem revela a Jesus. De fato,
a própria ausência de corpo que prove o destino Histórico de Jesus, fala acerca
dessa inversão de papeis. Eu sei de Jesus pelas “testemunhas históricas”. Mas
só conheço a Jesus pela revelação de Cristo em mim. Isto porque os discípulos
viram-no ressuscitado dentre os mortos e com Ele comeram e beberam. Eles
tiveram experiências da mais absoluta sensorialidade com Jesus. No entanto, só
iriam conhecê-Lo mesmo, depois que não mais pudessem tocá-Lo. E é assim
porque mais importante do que ser testemunha ocular da ressurreição, é crer no
poder da ressurreição, e experimentá-lo como fator existencial. Alguém sente
algum arrependimento em Paulo por ter sido o último, o nascido fora de tempo,
o que conheceu o Ressuscitado depois da Ressurreição? Não! Paulo sabia que
quem quer que conheça o Ressuscitado conhecerá o próprio poder da
Ressurreição, em cuja ocasião o testemunho de Jesus foi: “Bem-aventurados os
que não viram e creram”. Mas e a História? A história é o cenário, às vezes o
presépio. O coração é o lugar da revelação. E é revelação que se encarna, visto
que o coração já não é de pedra, mas de carne. A história, porém, é cheia de
enganos. Aliás, ela é o grande lugar do engano e da cegueira. Nela os que
ouvem, não entendem; os que têm olhos, não vêem; e os que sabem discernir,
não querem experimentar. Na história as tentações das importâncias dos
momentos cegam os olhos para o que é, para o eterno. A história é lugar de
discussão, de debates, de dissimulações, e de argumentações que se
escondem da verdade fazendo adesão verbal a ela, ou fazendo um juízo contra
ela, ou pegando em pedras nome da defesa dela.
___________________________________________________________
Algumas pessoas que moravam em Jerusalém perguntavam: -Não é este o
homem que estão querendo matar? Vejam! Ele está falando em público, e
ninguém diz nada contra ele! Será que as autoridades sabem mesmo que ele é
o Messias? No entanto, quando o Messias vier, ninguém saberá de onde ele é;
e nós sabemos de onde este homem vem. Quando estava ensinando no pátio
do Templo, Jesus disse bem alto: -Será que vocês me conhecem mesmo e
sabem de onde eu sou? Eu não vim por minha própria conta. Aquele que me
enviou é verdadeiro, porém vocês não o conhecem. Mas eu o conheço porque
venho dele e fui mandado por ele.
____________________________________________________________ Aos
debatedores da verdade histórica, geográfica, genealógica, teológica,
doutrinária, e de qualquer outro “meio” histórico, Jesus pergunta: Será que
vocês me conhecem mesmo e sabem de onde eu sou? Caio

SEM TUA PRESENÇA EU NÃO VOU

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A experiência com Jesus é Presença. É o conhecimento da única Presença real.
Quando você é tocado em seus sentidos por todas as coisas que aos sentidos
tocam, sempre haverá graça divina em todas as coisas. Outra coisa, todavia, é
quando você experimenta todas as graças de Deus em todas as coisas, tendo
seu próprio ser possuído pela Presença, e que interpreta tudo o que vem de fora
e de dentro—e o que vem do fundo e do alto—e faz com que cada coisa passe
a significar muito mais que a coisa em si para você. “Assim, habite Cristo
ricamente em vossos corações pela fé!” Esse é um estado de permanência do
ser na Presença que é! E esse estado é fruto do conhecimento de Deus como
Presença e Confiança! Ora, isso gera Contentamento, mesmo quando dói! Mas
nem sempre dói. Há muitas brisas de prazer e muitos aromas de amor. Há
muitas águas geladas e tépidas. E há muitos dias diferentes. E cada um deles
tem o seu próprio cheiro, cara e sabor. E quando se experimenta cada dia na
Presença, e quando essa Presença não é apenas um arrepio que evoca o que
está fora de nós, mas sempre um-ser-em-si-Nele, então, acaba essa relação
com Deus que o projeta para fora de nós, e se estabelece a relação com Deus
em nós. Isto significa “Cristo vive em mim”. Isto significa “...eu e meu Pai
viremos, e faremos nele morada”. Isto significa “Cristo em vós, a esperança da
Glória”. Como eu não sou dispensacionalista, não creio na “teoria da habitação
de Deus no homem apenas depois do dia de Pentecoste”. Deus sempre fez o
que quis. Ou alguém acha que não? Dele é o domínio e a glória! Portanto, digo
que era a essa Presença que Moisés fazia referencia, quando disse que nem
com o Anjo do Senhor indo adiante de Israel fazendo proezas e destruindo
inimigos, ele, Moisés, se atreveria a sair de onde estava, e nem iria com Israel, à
menos que a Presença fosse com ele. E Presença é. Portanto, seu
conhecimento acontece na existência. Não dá para conhecer a Deus se não nos
entregarmos com fé, coragem, confiança e amor à vida em Deus. Mas nós ainda
estamos na era anterior à conversão da mulher Samaritana. Ela é quem
desejava saber “onde era o lugar onde se deveria adorar”. Se era em Jerusalém
ou em Samaria. Jesus estava oferecendo a experiência de Deus dentro. A
mulher via tal relação como algo a ela exterior. A religião cria uma visão de Deus
fora de nós--em algum lugar. Mas Jesus nos chama para encontrar o reino de
Deus, e o próprio Pai, dentro, no coração. “Deus é espírito”, foi o que disse
Jesus. E acrescentou: “Importa que Seus adoradores o adorem em espírito e
verdade”. Espírito é Presença. E sem Verdade não há Presença, pois sem
Verdade tudo é ausência. Por isto, sem espírito nada é Presença. Ora, digo isto
não como deletantismo, mas como confissão de fé. Eu creio que o verdadeiro
entendimento espiritual tem que nos levar ao conhecimento de Deus como
Presença em nós. E creio que isso não nos serve como “compreensão”, mas tão
somente como experiência real, pela fé e no coração. E seu último ponto de
instalação é o intelecto. O mergulho nessa dimensão muda todo o nosso
discernimento do mundo, e nos deixa num estado de percepção muito diferente,
pois é como se tudo fosse possível, embora você tenha prazer apenas em fazer
aquilo que gera paz para o coração. Os medos também acabam. E aparece uma
imensa vontade de se conhecer, pois, quanto mais a pessoa se conhece, mais
ela mesma conhece a Deus como Graça e Presença—visto que muito dessa
auto-revelação seria insuportável se o olhar do próprio indivíduo que está se
vendo, não acontecesse na Graça. A infância da fé propõe a realidade de um
Deus que existe. Mas a maturidade da fé nos chama para a experiência de Deus
como Presença. Isto é Emanuel. Isto é Deus conosco. Isto é Deus em nós. Isto
é Presença! Caio

QUEM PRENDERÁ O DIABO?


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Apocalipse 19: 11 a 20: 1 a 10 Provavelmente o Diabo nunca tenha tido tanta


atenção no meio cristão quanto entre os evangélicos do Brasil. Talvez nem nos
cultos africanos um diabo se sinta tão mencionado e afirmado como poderoso
quanto entre nós. No passado era “coisa do demônio”. Hoje o demônio é a coisa
toda. Está em tudo. Seu encosto é onipresente e seu poder é muito mais
avassalador que quase o de qualquer outro poder. O Diabo é visto como maior
que os anjos e é quase tão poderoso do que Deus. Uma quantidade enorme da
criação parece ter sido criada por ele. Há até mesmo “criaturas” que parecem
estar imanentemente possuídas pelo maligno. O Diabo serve para tudo. Leva a
culpa de tudo. Carrega a culpa de tudo o que é nosso, mas não nos faz sentir
perdoados nem mesmo por Deus. Afinal, se a culpa de tudo é dele, então, que
ele fique com ela, não eu. Então chegamos ao “fim do Diabo” no apocalipse. Há
cerca de seis tipos de personagens no texto em epígrafe. A seqüência acontece
conforme a ordem de importância e poder conforme revelados na passagem. 1.
O Cavaleiro chamado Fiel e Verdadeiro, que se veste com cor de Sangue, que
atende pelo nome de Verbo de Deus e Senhor dos senhores e Rei dos reis
(19:11-16). Ele fere as nações com a espada que sai de sua boca. 2. Um anjo
que tinha na mão a chave do Abismo e uma grande corrente. Ele “segurou” o
Dragão—que é a Antiga Serpente e o Diabo—,o “lançou” no abismo, “fechou-o”,
e “pôs selo” sobre ele e “o prendeu” por mil anos. Depois dos mil anos Satanás
é “solto”. E isto porque se diz que era “necessário”. Outra vez ele é
simplesmente “lançado” para dentro do lago que arde com fogo e enxofre (20: 1-
10). Um anjo que “peita” o Diabo como quem pega algo com a mão: um coelho
pela orelha. 3. Um anjo que chama as aves para comerem as carnes de todos
os que seguiram a Besta e os reis da terra (19:17-18). 4. A Besta e o Falso
Profeta que foram “lançados vivos” para dentro do fogo que arde com enxofre
(19: 20). O poder que os lançou nem é mencionado. 5. Os “restantes” morreram
simplesmente pela espada da Palavra que sai da boca “daquele que estava
montado no cavalo”(19:21). 6. Tronos e pessoas que receberam a “autoridade
de julgar”(20:4). Bem, creio que a simples leitura do texto bota todas as coisas
em seus próprios lugares. O Fiel e Verdadeiro não precisa enfrentar o Diabo.
Basta um anjo forte para fazer o serviço. Todas as ações demonstram poder
muito maior no “anjo forte” que no Diabo. Segurou, lançou, fecho-o, selou-o, o
soltou, o prendeu outra vez, e o lançou para dentro do lago de fogo. Tudo assim.
Com tais gestos de soberania. O Verbo de Deus segue o curso de si mesmo: a
Palavra. Entre todos os vestidos de branco, Ele é a única cor vermelha do
cenário. E Sua distinção não se transforma em suor no enfrentamento do Diabo.
Afinal, as Suas vestes estavam com a cor de Seu próprio Sangue. O Diabo
sempre foi anjo. Apenas no meio evangélico é que ele ganhou importância maior
que a dos anjos. Mas graças a Deus que o Apocalipse nos ensina que o Sangue
o colocou no seu lugar de sempre: o de uma criatura que não tem o poder de
nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Jesus despojou os
principados e potestades na Cruz. Assim os expôs ao supremo desprezo! E
mais: de acordo com o Apocalipse, Jesus não tem tempo para botar as mãos no
Diabo nem na Hora Final. Deus não tem tempo para perder com o Diabo nem no
Fim do Mundo! Se é assim, então, viva com segurança! Caio

PERFUME DO ESPÍRITO: O CHEIRO DA GRAÇA

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Minha avó materna era uma das pessoas mais olfativas que já conheci. Foi com
ela que aprendi, desde a infância, o valor e a delicia dos aromas. Sempre fui
profundamente impressionável pelos cheiros. De fato, o sentido olfativo é o mais
primitivo de todos entre os mamíferos. E eu sou um mamífero! Parte de tudo o
que me encanta me penetra pelo cheiro. Sou mais seduzido pelo aroma que
pela visão. E uma vez que um aroma se instala em mim, nunca mais de mim
sairá. Quando meu irmão Luís Fábio morreu, em novembro de 1976, encheram
o caixão dele de cravos. O povo da igreja vinha e lá punha os cravos. Os cravos,
que antes me eram agradáveis, passaram a ter para mim cheiro de morte.
Durante anos eu evitei os cravos. Eles me traziam o funeral de meu irmão para
os ambientes de minha alma com a força daquele “dia”. É como o cheiro de uma
paixão. Enquanto está presente, é vida. Uma vez inviabilizada—seja pelas
circunstancias, pelo tempo, pela distancia, pela ausência, ou pela morte—aquele
aroma do amor passa a ser o cheiro da dor. Paulo sabia o que dizia quando
usou uma imagem olfativa para expressar o impacto do Evangelho sobre a alma
humana. "Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo,
e por meio de nós difunde em todo lugar o cheiro do seu conhecimento; porque
para Deus somos um aroma de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem.
Para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros cheiro de
vida para vida." Os comentarista do texto de Paulo, em geral, aludem à
possibilidade de que ele fizesse referencia ilustrativa às procissões das
conquistas romanas. Nesse caso, sempre que os exércitos romanos chegavam
vitoriosos de suas conquistas, os incensos da procissão inundavam as ruas com
o cheiro da vitória. Ao mesmo tempo em que para os “cativos”, que vinham
sendo trazidos como parte do “despojo” dos vitoriosos, o mesmo aroma era
sentido como cheiro de morte. Toda hora a gente ouve alguém dizer: "Isso não
me cheira bem!" Na maior parte das vezes a frase fala de algo subjetivo, que
tem a ver com algum suposto “discernimento” do interpretador dos ventos.
Assim é também com o Evangelho! O mesmo conteúdo pode gerar
interpretações olfativas diferentes. Pode ser cheiro de vida, para os que estão
sendo salvos. Mas também pode ser cheiro de morte para os que interpretam
aquilo contra eles mesmos. Desse modo—se não feder para todos—, cada um
tem que assumir que os cheiros são muito mais projeção nossa, que a verdade
do aroma em si. Quando o cheiro que exala é o do Evangelho, aí então que é a
reposta negativa revela muito mais os traumas daquele que não gosta, que o
desvalor do aroma que ele diz não ser bom. Paulo, no entanto, sabia que não
apenas o bom e verdadeiro perfume de Cristo pode não ser apreciado—
dependendo do trauma funeral do ser olfativo—, como também cria que poderia
haver falsificações do perfume. É quando cheira parecido, mas não é! Acerca
disso Paulo comenta na seqüência: "E para estas coisas quem é idôneo?
Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros;
mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que,
em Cristo, falamos." Há pessoas que querem a Palavra. O problema é que elas
estão traumatizadas pelos “odores” que imitam a fragrância, mas que diluem o
conteúdo, usando um fixador que não fixa ninguém no amor e na graça de
Deus. É obvio que há muitos que não querem o bom perfume de Cristo mesmo!
Mas também deve ser óbvio para todos nós que a “rejeição” de muitos nem
sempre tem a ver com o perfume genuíno, mas exclusivamente com o trauma
que tiveram com as falsificações! Assim, devemos caminhar levando o cheiro da
Graça de Jesus onde quer que formos. Mas devemos saber que muita rejeição
que encontramos por aí tem total procedência. Afinal, em cada esquina há
camelôs vendendo um “evangelho paraguaio”. Com Ponte da Fraternidade e
tudo o mais. Mas quando você põe, e deixa, logo percebe que não fixa. Afinal,
foi feito apenas para impressionar na chegada, não para durar para o resto da
vida. Nenhum de nós é idôneo para garantir a qualidade. A qualidade vem de
Deus. Mas é nossa parte saber e fazer duas coisas. A primeira é exalarmos o
cheiro da Graça do conhecimento da Palavra com sinceridade, sem adulterar o
conteúdo do Evangelho, para isso nunca vendendo um evangelho de
conveniências. A segunda coisa a fazer é saber que há muitos camelôs por aí;
e, portanto, não comprar nunca pacotes que não sejam abertos, e jamais nos
impressionarmos com qualquer coisa que não carregue a marca que valida
todas as coisas: A Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo! Se assim fizermos e
vivermos com sinceridade, que cada um entenda e interprete como goste, mas
para nós será sempre cheiro de vida para vida, e nunca deixaremos de exalar os
aromas dessa Graça onde quer que Deus nos leve. E será sempre em triunfo!
Caio Escrito em outubro de 2003

LIÇÕES ETERNAS DA VIDEIRA

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LIÇÕES ETERNAS DA VIDEIRA


Hoje eu ganhei uma parreira. Sempre quis ter uma, mas nunca tive.

Então, um irmão do Caminho me perguntou: “Você ainda vai morar muito tempo
naquela casa?” Perguntei a razão. “É uma árvore que tenho pra você.”

Disse a ele que mesmo que não fosse ficar muito tempo (quem sabe o quê?), plantaria
nela o que houvesse de melhor. “Até Tecla eu planto lá!” E acrescentei que
recentemente havia plantado uns Ipês que levam uns 12 anos pra ficarem belos
mesmo.

“Que bom! Eu tenho uma parreira pra você” — disse ele.

Então, amanhã, tem uma parreira chegando aqui.

Hoje, molhando uns bambus que estou crescendo para cobrirem uma estrutura que
erigi, lembrei-me da parreira, e me deu aquele gosto de uva na boca.

Falei com a nossa ajudante de casa sobre a parreira. Ela me disse que entende muito
de parreira, pois cuidou de umas quando era jovem.

Fiquei mais animado ainda. Tinha medo de não saber lidar com a delicadeza da
bichinha. Ela é sensível, dizem todos.

Voltei para o quintal. Fiquei sentindo o gosto da uva nascida no pé.

Foi pensando na parreira, na vide, que acabei indo até a Videira Verdadeira. E ouvi
aquilo forte: “... e meu Pai é o Agricultor”.

Não era uma voz. Era um ‘aquilo’. Mas era forte.


Fiquei andando pela grama e pensando no trabalho do agricultor. Aliás, o trabalho é
do agricultor.

A videira é. Os ramos são. Mas quem limpa, poda, corta, e lança fora — é o agricultor.

Por isso, quando um ramo não dá fruto, é porque ele se desconectou da fonte de seiva
de algum modo, pois, do lado do agricultor, todo trabalho de cuidado é feito.

Assim se ensina que a recusa de frutificar conforme o Evangelho, segundo Jesus, a


Videira, é sempre um fenômeno essencial.

Obviamente que não me refiro em recusa ao “Jesus” da “igreja”. Não estou falando do
Jesus de doutrinas e catequeses. Não estou falando de Jesus segundo a carne, como
diria Paulo.

Refiro-me a uma experiência com a revelação de Deus, quando os olhos do nosso


coração são iluminados pelo Espírito e pela Palavra.

Se a pessoa é iluminada mas resiste à luz, pela própria resistência à luz, se coloca na
escuridão.

Assim, quem recebe a Seiva da Vida, mas se bloqueia para ela, mesmo
reconhecendo-a como verdadeira, faz-se qual um ramo desconectado da Videira.

Estes são queimados depois que dão a evidente demonstração de que não desejam
viver da Graça da Seiva.

Quem recebe a Seiva, a reconhece como tal, mas não a deseja, esse não é obrigado
a querer aquilo que ele mesmo chama de Verdadeiro. Porém, está deliberadamente
trocando a verdade pela mentira, e, assim, faz a si mesmo um ramo desligado da
Videira.
Então, senti o privilegio de simplesmente não se fazer oposição ao fluxo da Seiva da
Videira Verdadeira, e, assim, apenas dar fruto.

Por isto, a grande ação do ramo é não fazer nada. É permanecer na Videira, de onde
ele brotou. Se ele permanecer, então, nada terá de fazer, bastando não opor-se à
Seiva da Verdade.

Assim, o Agricultor faz todo trabalho pela manutenção de todos os ramos. Mas é a
Videira que diz: “Pois, sem mim, nada podeis fazer!”

O supremo estado de frutificação do ser é aquele que é alcançado no descanso mais


profundo na Graça de Deus.

Nele, que é Videira Verdadeira,

Caio

23/03/07

Logo Norte

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NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS


Quando eu tinha uns sete anos me lembro de deitar no chão do pátio de nossa casa,
em Manaus, e ficar olhando a abobada celeste, azul, profunda, enigmática,
assustadora — e de dizer: “O que é isto? Que lugar é este? Aonde fica isto? E o que
está dentro do quê?”

Eu olhava e sentia que um dia eu iria saber.

Mas quando indagava as mesmas perguntas aos adultos, a resposta sempre era um
nada...

Logo depois comecei a sofrer da nostalgia do por de sol. Havia uma mangueira no
fundo do quintal da casa de minha avó, e, através da mangueira eu via o sol se
pondo... Ela ficava toda pintada como uma mangueira ardente... Um equivalente
infantil amazônico da sarça ardente...

Então eu sentia que havia algo, uma revelação, um mistério a ser entendido, atrás da
mangueira.

O resto de minha vidinha, até aos 18 anos, essa nostalgia do por do sol me per-
seguiu.

Foi apenas quando me converti que a imagem mudou em minha alma, e a mangueira
passou a simbolizar minha busca de Deus, até o encontro com Ele em Cristo, na
Árvore da Vida. Assim, a mangueira virou passado sem nostalgia para mim.

O encontro com Deus tira a saudade de Deus.

Mas isto não significa que a alma não mais escreva salmos 42 para si mesma; em
diferentes ocasiões da existência.

Entretanto, o encontro com Deus tira a saudade do vazio, como saudade de não sei o
quê; e a coloca na perspectiva não do ausente a quem desejo, mas do presente
acerca de quem desejo mais; não de um conhecimento mental, mas totalmente
relacional; e que também não gera intimidade com Deus como fofoca entre a
divindade e seus profetas.
Todavia, aparece a saudade de conhecer mais, pois, se saudade olha ou para trás ou
para o ausente, a saudade de mais de Deus nem olha para trás e nem para o ausente,
mas sim para o presente, e nos chama a mergulhar Nele mesmo infinitamente.

“Certamente se lembrassem de onde saíram, voltariam para lá” — diz o escritor de


Hebreus.

Assim, não é a saudade do desconhecido, mas Daquele que em sendo conhecido, se


deixa conhecer sempre em parte, ainda que não esconda o peso de sua totalidade.

Chega, entretanto, uma hora-existencial na qual se instala em você um conhecimento


profundo de Deus como comunhão; e, quando isso acontece, mesmo que seu ser
deseje mais, isso não significa para você nenhuma ausência, mas apenas a certeza
da possibilidade de um mergulho mais profundo Naquele que para você já é; mesmo
que você saiba que entende o que não se pode compreender.

Na fé não há saudade como ausência, mas apenas desejo de mais presença!

Isto porque pela fé surge um espigão de Deus em você. Com ele não vêm todas as
respostas, e nem todas as certezas; mas vem algo maior: conhecimento experiencial
de Deus.

Sim! Você sente que vai ficando amigo de Deus e que Ele é seu amigo também.

Todavia, como disse antes, a “intimidade” não é Candinha entre o homem e Deus.

A intimidade de Deus é crescente consciência acerca Dele, de nós mesmos, e da


existência Nele.

Assim que voltei com a família dos Estados Unidos em 1990, depois de um período de
dois anos por lá, alguém perguntou a meu filho Lukas o que ele mais sentia saudade
na Califórnia. Ele respondeu: “De mim lá!”
É assim com Deus depois que se o conhece. Você sente saudades de você mais
profundamente Nele.

Nele, que se revela de gloria em gloria todos os dias,

Caio

21/03/07

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Brasília

O LEÃO ASSIM FALA

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Ouvi a palavra que o Senhor fala contra nós.

Essa palavra Ele fala contra aqueles que um dia Ele libertou, mas não quiseram ficar
livres.
Assim fala o Senhor, dizendo:

De todas as gentes da terra só por vocês eu decidi me tornar conhecido.

Conhecer-me faz com que agora eu tenha decidido tratar vocês com disciplina.

Se vocês dissessem: Não conhecemos o Senhor!—; então eu não trataria a vocês


segundo a hipocrisia dos corações de vocês.

Acaso andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?

Como posso eu ser o Deus de vocês se entre nós nunca há a manutenção de nenhum
pacto?

Não quero perfeição.

Busco apenas sinceridade e coração quebrantado, contrito e sem o juízo da


perversidade.

Você parecem ter perdido completamente o discernimento.

Bramirá o leão no bosque, sem que tenha presa?


Fará ouvir a sua voz o leão novo no seu covil, se nada tiver apanhado?

Cairá a ave no laço em terra, se não houver armadilha para ela?

Mover-se- á na terra o laço, sem que tenha apanhado alguma coisa?

Tocar-se-á a sirene de guerra na cidade, e o povo não estremecerá?

Sucederá qualquer mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?

Vocês não sabem...

Andam com o coração embriagado pelos “negócios do Senhor”; e ainda chamam a


isto de trabalho de Deus?

Eu nada tenho a ver com aquilo que vocês dizem ser do meu interesse.

Meu interesse é simples:

Quero corações sinceros para comigo e para com o seu próximo; e que não use o
meu nome a fim de esconder os maus intentos de seu próprio coração!

Mas eu, o Senhor, declaro:


Aos meus servos não encobrirei o que estou para fazer entre vocês.

Eles são como o bramir do leão. Avisam que a presa está preparada—e a presa são
vocês—, mas ninguém parece discernir!

Bramiu o leão, quem não temerá?

Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?

Eu mesmo, a quem vocês chamam de Senhor, mostrarei a vocês porque sou


conhecido por este nome.

Deixarei que todos vocês conheçam a calamidade, nem que seja um pedacinho dela.

Mas não permitirei que aqueles que me buscam sejam de todo tocados.

Portanto, assim diz o Senhor:


Como o pastor livra da boca do leão as duas pernas, ou um pedacinho da orelha de
sua ovelha, assim serão livrados os meus filhos, os que habitam em minha Graça;
serão salvos nem que seja com um canto do leito e um pedaço da cama.

Aquele que diz me conhecer saberá quem eu sou.

Naquele dia esse mesmo me dirá: Senhor, eis que eu não conhecia quem era o
Senhor!

Naquele diz me implorarão misericórdia e me dirão: Quão tolos nós fomos; nós que
usamos teu nome e nos arrogamos a julgar os nossos irmãos como se fossem
mercadorias de nossos muitos comércios!

Que ninguém se engane:


O Senhor se levantou de Sua morada como o Leão que se move a fim de dar de
comer aos seus filhos.

Quem é filho, não teme.

Quem é presa, não terá para onde correr.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, arrependa-se e converta-se; e faça isto por meio
de obras de bondade, misericórdia e graça.

Caio, conforme me veio pela madrugada.

O DEUS QUE HABITA O MOMENTO

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Se tivéssemos que admitir que o ser humano é originalmente capaz de entender a
Verdade, teríamos que também admitir que ele, o homem, pensa que Deus existe na e
em sua própria existência.

Mas quem pensa originalmente em sua própria existência como lugar da morada de
Deus?

Ora, a existência humana é consciência de sua própria existência, e a consciência


humana é a existência como garantia significadora da própria consciência.

Quem, portanto, diz, naturalmente, sem nenhuma indução, algo como “a verdade está
em mim”?

Portanto, se tivéssemos que admitir que o ser humano é originalmente capaz de


entender a Verdade, teríamos que também admitir que ele, o homem, pensa que Deus
existe na e em sua própria existência.

Todavia, se o homem não está em equivoco ele tem que compreender a Verdade em
seu próprio pensamento.

No entanto, o homem mais sábio da Grécia disse que ele era o mais sábio da cidade
porque ele era o único que sabia que não sabia.

Se a Verdade está em mim, por que não posso me lembrar dela? Para então sabê-la
sabendo.

Todavia, que memórias eu teria a fim de ajudar-me nessa tarefa de lembrar da


Verdade aprendida no tempo anterior àquele no qual eu perdi minha total ignorância?

Onde e de quem eu as teria aprendido?

Aprendi ou elas já vieram em mim?


Nada na Terra poderá ajudar o homem além do pensamento de que é o momento que
decide. Isto falando sem nada além de mim como homem e de você como homem. É
um pensamento tipo Livro de Eclesiastes.

Existe algo no momento de todo ser humano e existe Momento. Se o dia é Hoje, Hoje
é o Momento. É. Toda hora é, mas tem a Hora que É.

Honestamente.Quem pode assegurar alguma coisa para além desse ponto? Ninguém
pode acrescentar um Momento ao curso de sua vida. O Momento carrega desígnio.

Para o discípulo, todavia, existe a promessa de que no Momento necessário o Espírito


Santo falaria nele, e que por isto ele não deve temer a vida, visto que Deus o salvará
em todo momento.

Jesus disse: Naquele momento não temais!

No entanto, para que o caminho seja assim, grande tem que ser a confiança e a
entrega. Tão grande como uma semente de mostarda. Ah, e foi Ele quem me deu.
Não tenho nem semente de mostarda em mim, quanto mais a Verdade.

É por isto que eu ando Nele, e o Sigo. Ele é a Verdade, e eu o conheço em mim.

Eu creio, por isto é que eu falo.

Caio

A DIFERENÇA DO “PELADO” E DO VESTIDO

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A DIFERENÇA DO “PELADO” E DO VESTIDO

Escrevi este texto e o li para minha neta, Hellena. Então pedi que ela desse um
nome a ele. Foi quando ela disse: “A DIFERENÇA DO “PELADO” E DO
VESTIDO”. Perguntei a ela: “O quê?” Ela disse: “O nome que você quer é este: A
DIFERENÇA DO “PELADO” E DO VESTIDO”.

Eis o texto:

Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram


quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém,
tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. João 19:23

Disseram, pois, uns aos outros: Não rasguemos a túnica, mas lancemos sortes
sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz:
Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha vestidura lançaram sortes.
Os soldados, pois, fizeram estas coisas. João 19:24
Se pesquisarmos acerca da túnica de Jesus e que era toda tecida de alto a baixo e
não tinha costura, encontraremos muita coisa, desde estudos sérios e que visam
estabelecer uma relação entre aquele tipo de veste e as de um sacerdote, até aqueles
místicos e fetichistas e que estimulam crenças mágicas.

Para mim, de fato, nada disso é importante. As vestes de Jesus têm a importância de
seu significado profético, conforme acima citado por João. Ou seja: elas foram sinais
simples de algo maior que a Vida — Aquele que morria na Cruz era o Salvador e
Sacerdote de Tudo e Todos, assim como era Aquele em Quem, por Quem e para
Quem todas as coisas haviam sido criadas. Era o sinal Daquele que veste por inteiro a
nudez humana, que no Éden vestira os primeiros humanos, e que veste de alto a
baixo sem costura.

Sim! Jesus veste sem costura!

Quando Ele cobre não há remendos e nem costuras a serem feitos; por isso Ele nos
veste por inteiro.

Simples e belo.

A túnica também é tecida de alto a baixo. Veste de cima para baixo. Era tecida da
cabeça para os pés. Segue a seqüência de como Deus tece as vestes que cobrem por
inteiro: de cima para baixo; da cabeça-mente-entedimento até aos pés-
comportamento-andar.

“De alto a baixo”, conforme Deus nos veste; pois, nossas vestiduras são feitas em
outra dimensão e carregam o sinal da justiça que de cima nos justifica.

A túnica sem costura não foi rasgada. As vestes, porém, foram partidas em quatro
partes, conforme a profecia do salmo.

A túnica forrou o chão do jogo!


Até no chão essa túnica forra o que os homens partem, dividem e ainda usam a fim de
se divertirem sobre os trapos.

Vestes rasgadas e túnica intacta. As vestes cobriam o corpo e a túnica cobria as


vestes.

Os homens rasgaram as vestes, mas a túnica vestiu o chão das banalidades dos
executores que buscavam distancia do ato de executar. Eram os mesmos acerca dos
quais Jesus diria que não sabiam o que faziam; embora, em sua ignorância,
cumprissem a profecia.

Os homens odeiam andar nus, mas amam rasgar e expor a nudez uns dos outros.
Assim, rasgam as vestes de Jesus, mas, mesmo assim, preservam a túnica; pois,
vestes os homens rasgam dinheiro não; e a túnica valia muito, além de ser bela.

Desse modo é apenas por causa do valor monetário e estético da túnica que ela é
preservada. Afinal, não importam quais sejam as motivações humanas, mas, ainda
assim, a profecia cumprir-se-á.

“Não rasguemos a túnica, mas lancemos a sorte sobre ela, para vermos de quem ela
será” — disseram eles.

Irônico, mas lindo — “... lancemos a sorte sobre ela...”.

Lançam a sorte para ver quem fica com a túnica. Mas a sorte é jogada no “dado” sobre
ela.

O que o homem não sabe é que a sua sorte é lançada sobre a túnica mesmo; pois,
não fosse essa veste que é sem costura e que veste de alto a baixo, quem entre nós
teria qualquer sorte?

Assim, o homem joga o dado-desígnio sem obrigação, por vontade própria; enquanto
foge de ver o que faz como profissão de ser; e, mesmo assim, cumpre o desígnio que
é a Sorte para ele próprio.
Desse modo tão simples e cheio de belas imagens da vida, ficamos sabendo que
Aquele que se fez nudez em nosso lugar é também o único que nos pode vestir; de
alto a baixo; do céu para a terra; de Deus para homem. E mais que isto: Ele nos veste
com vestes sem costura, sem remendo e sem memória de rasgaduras culposas; pois,
em Sua Graça Ele nos veste até do chão para cima, posto que Sua veste forra até os
jogos da mais banal e fugidia alienação humana.

Nele, em Quem sou-estou vestido de alto a baixo; e que é o Arrimo de minha sorte,

Caio

20/07/07

Lago Norte

Brasília

A ORAÇÃO DE DEUS

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Leitura: Salmo 81

Quando eu tinha uns 13 anos o salmo 81 me impactou muito.

Meu pai era recém-convertido.

Freqüentávamos a Igreja Presbiteriana Betânia.

Dona Maria José, esposa do Rev. Antônio Elias estava lendo o salmo.
Era bem de manhãzinha...

Fiquei impressionado com o tom no qual Deus fala no salmo!

Ah! Se meu povo me escutasse...


Abre bem a tua boca e ta encherei...
Ah! Se meu povo andasse nos meus caminhos...
Eu abateria os seus inimigos...
Os que me aborrecem seriam a eles subordinados...
Eu saciaria o meu povo com o trigo mais fino e o sustentaria com o mel que
escorre da rocha!

Fiquei pensativo.

Falei com meus pais.

Falei também com Dª Maria José e com o reverendo Antônio Elias.

Com certeza eles lembram.

O salmo de fato entrou em mim.

Hoje ele soa mais ou menos do mesmo jeito pra mim.

Mudou apenas a sutiliza da percepção.

Mas continuo impressionado com o tom de Deus no salmo.

Primeiro Ele fala de como cuidou de seu povo tirando-o do Egito; livrando-o dos
pesos da opressão!

Depois Ele vem e começa a fazer Suas orações ao povo.

O que me impressiona sempre é esse Deus que faz preces ao Seu povo, que
fala como se precisasse dele, e que suspira com esses “Ahs!” exclamativos...

As promessas que se seguem são ainda mais sérias.

Se, se, se...


Eu, eu, eu...

E quem fala é Deus.

E quem tem que responder é todo aquele que se sabe Seu povo.

O impressionante é que a terra que mana leite e mel não é lá essas coisas!

É desértica.

O Canadá é melhor.
O Brasil, nem se fala.

Mas Deus não está oferecendo o melhor chão do mundo.

Ele está oferecendo a Presença que faz o melhor trigo nascer, mesmo no
deserto.

Ele está oferecendo a Presença que faz o melhor mel escorrer de qualquer
rocha.

Assim, esse Deus que faz preces ao Seu povo nos diz:

Quando vocês clamam, eu ouço e atendo.


Por que vocês só me querem na opressão?
Será que vocês só sabem ser meu povo no cativeiro?
Que pena que vocês só me conheçam na tormenta!
Que dor a minha!
Sirvo apenas para tirar vocês de encrencas?
Quando vocês ouvirem os gemidos de meu amor, será responderão a mim
como eu respondo a vocês?
Ou vocês não sabem que meu interesse em vocês não é outro se não o
Daquele que ama, e que está vendo que a pobreza de vocês vem do fato que
vocês só me buscam na beira do abismo?
Eu quero ser também o Deus da fartura de vocês!
Eu quero que vocês me conheçam como o Deus da paz!
Eu quero que vocês me experimentem como o Deus que não precisa de ajuda
da terra e nem das circunstâncias a fim de realizar o prodígio.
Eu conduzi vocês pelo deserto. Por que não poderia eu dar o melhor trigo a
vocês em qualquer chão? E dar a vocês doçura mesmo que para isso as rochas
tenham que se derramar em mel?
Bem que eu tento...
Mas as bocas de vocês estão fechadas para a minha provisão.

O eco da voz divina é um só:

Vocês estão como estão porque querem um Deus de ocasião.

Se é assim, que andem em seus próprios caminhos; e que busquem suas


próprias soluções!

Mas se me quiserem, saibam, o paladar da alma de você saberá o gosto do que


é bom.

Quando eu era menino...

Agora, que sou homem...

Bem, não mudou muita coisa neste aspecto.

Continuo impressionado com a oração de Deus.

De minha parte, mais do que nunca, quero abrir a minha boca; quero andar nos
Seus caminhos; quero que ele me dê o chão de Sua vontade; quero que Ele me
livre de andar conforme o que eu mesmo aconselho a mim mesmo!
Quero ser resposta branda e calma a essa maravilhosa Oração de Deus!

Caio

OS 4 ANJOS PRESOS JUNTO AO RIO EUFRATES

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O Apocalipse nos fala de quatro espíritos aprisionados nas imediações do Rio


Eufrates esperando a hora, o dia, o mês e o ano de sua libertação para o mal.
Eles terão o papel de mobilizar os reis da terra para a guerra. O fim da escalada
desemboca no Armagedom! Quem me conhece sabe que não sou dado a
profecismos e nem a apocalipticismos! Não sou mesmo. Não nasci ontem, e,
nos quase 50 anos de vida que já vivi, neles, já vi, ouvi, percebi e discerni o
quanto tais exercícios proféticos podem estar fadados à desgraça. Ou seja:
nesses quase 50 anos eu sei que vivi muito mais do que Cronos demonstra.
Foram muitas vidas compressas nesse lapso de tempo! Mas não há como negar
que os dias são maus e que os tempos se aproximam do fim! E digo isto não por
causa da presente guerra, mas em razão do presente mundo! Não há
necessidade de que nada monstruoso aconteça. Basta que continuemos a usar
o tipo de energia que usamos e a chamar de progresso e avanço aquilo que já
nos está matando. A bomba é a humanidade! Se não houver uma parada divina
no processo estamos a caminho da autodestruição: energia fóssil, poluição, des-
construção ambiental, envenenamento de recursos essenciais à vida, destruição
de nossa proteção atmosférica, progressão da adaptação e resistência de vírus
e bactérias, mudanças climáticas, descongelamento e envenenamento das
geleiras polares, experimentos com alteração de DNAs, clonagem humana,
desagregação mental, dissolvência psicológica, globalização econômica
polarizada, controle hegemônico dos poderes da terra—política, economia,
recursos naturais—e o choque civilizatório fundamentalista—tanto o
fundamentalismo americano quanto o islâmico—, com certeza nos fazem crer
que a bolsa d’água do planeta estourou e nós entramos em dores de parto! A
Natureza sempre gemeu, mas nunca gemeu como agora! A presente guerra
deveria ser apenas uma magnífico lembrete acerca de nosso catastrófico
mundo! Voltando ao apocalipse eu diria que há muito o que se esperar nos
próximos anos. E não há como negar três coisas: 1. A Grande Babilônia é um
poder mundial difuso. Portanto, é um sistema global. 2. As forças do Eufrates
são um poder mundial antitético à Grande Babilônia em todos os sentidos,
inclusive em sua não difusabilidade; ou seja: em sua pontualidade geográfica. 3.
Israel sempre terá parte inconfundível em qualquer que seja o processo. Com
isto desejo deixar algo para pensar e refletir: Os anti-cristos saem do meio de
nós, disse João. Por que o Anti-Cristo também não? Minha opinião é que o Anti-
Cristo será “cristão”. Nada seria mais anti-Cristo. Mas isto é apenas a conjectura
de um ser que não tem compromisso com profecias pessoais. Manifesto aqui
tão somente meu sentir das coisas. Sempre pedindo a Deus para estar
enganado. Isto porque gosto da Terra e amo a natureza. Também não desejo
ser filho de uma geração armagedônica. Gostaria que meus netos pudessem
conhecer os encantos deste planeta. Amo comer tambaqui, tucunaré e beber
açaí. Mas o que fazer? Alguma geração terá que ver aquilo que Jesus disse que
viria. Espero, todavia, que se eu fizer parte dela, meus olhos possam então ver o
que todo olho verá: Os céus se abrirem e o Filho do Homem com os anjos de
seu poder, em poder e grande glória. Maranata! Vem Jesus! Caio

PECADOS QUE NÃO POSSO CONTAR...

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Senhor, são tantos os meus pecados que nem os sei contar... Se os conto em
números, não os posso contar... Se os conto contando, não há palavras para os
contar...falando... Se os conto, paro...pois não os posso contar... Se os conto,
paro...pois não consigo contá-los... Se os conto, paro...pois mesmo contados
eles não são a conta... Não posso contá-los e nem contar...não sei quais são
eles, visto que Quem os sabe... não os contou para mim, e nem me deixa contá-
los...pois não há conta...portanto, nada há a contar...e mesmo assim eu quero
contá-los... Conto apenas que não posso contá-los, e que em minhas contas
eles são incontáveis...e também conto que com minha palavras não é possível
contá-los...embora eu desejasse contá-los todos e a todos. Como contar o que
não tem conta? Como contar o que não se pode contar? Como contar o que as
palavras não sabem contar? E como saber contar o que não tem conta?
Absolve-me dos pecados que me são ocultos, e oculta aos Teus olhos os
pecados que não me são ocultos! Perdoas-me com perdão que não posso
contar. Conto o teu perdão, isso posso a todos contar, mesmo que eu também
não possa contar o que a todos conto sem conta. Conto a todos o
incontável...conto o que não tem conta...e que não se pode contar. Está Pago!
Como posso contar? Posso contar sim, por isto é que digo: Está Pago! Alguém
não contou, e quitou assim mesmo. É só o que posso contar, dizendo que não
tem conta. Ele pagou a conta do incontável. Conto isto a todos! Ouçam: conto a
todos aquilo que não se pode contar... Contei o que não posso contar. Está
contado...mas a conta não me foi apresentada...foi rasgada...encravada na
Cruz! Isto eu sei contar! Conto contigo, meu Senhor...só assim posso contar...!
Caio

O DEUS DE OSÉIAS E A IGREJA

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Quem é Deus para nós hoje? Eu o vejo como o Deus de Oséias. O nome de sua
esposa é Igregomer, uma adultera contumaz, e que aproveita as horas do
trabalho do marido para se entregar a todos os prazeres...com outros, muitos
outros, especialmente com os inimigos Dele. Depois de um tempo Oséias já não
era poupado pela esposa. Ela fazia as coisas de modo aberto, arreganhado,
sem nenhum pudor... Igregomer não tinha pudor, nem discrição! Ela era capaz
de deixar o marido em casa e ir para um motel, recebendo, pela ordem, homens
a noite inteira. A paga eles supostamente deveriam deixar na saída, numa caixa.
Mas como quase todo homem que busca tais mulheres sonha com a
possibilidade de que ele seja tão especial, e melhor do que todos os anteriores,
que adoraria ouvi-la dizer: “Esta foi por conta da casa”—; nada ouvindo como
cobrança, nada deixavam na caixa, à saída. Oséias era padeiro. Saía para
trabalhar e fazer pão para todos, até para a clientela de sua mulher... Quando ia
passando, via a caixa quase vazia. Então, vinha e enchia a caixa de igregomer
por ordem do Senhor. Pela manhã ela se gabava de que os seus dotes
femininos haviam conquistado todas aquelas coisas... E acrescentava: Só você
é que não me dá nada. Se eu dependesse dessa sua honestidade estaria morta
de fome. Oséias nada dizia. Ele apenas ouvia a voz de Deus, que lhe dizia: Sei
como tu te sentes, pois é assim que me sinto. Podes tu agora entender a minha
dor? Eu amo o meu povo, dou a ele, graciosamente, todas as coisas; mas eles
preferem pensar que foram os seus próprios poderes espirituais que os
prosperaram. Eu os abençôo apesar deles mesmos, mas eles atribuem a minha
benção às suas próprias magias espirituais, inclusive aquelas que eles dizem
praticar em meu nome. Sim! eu sou o Deus da Graça e da misericórdia, e
demoro imensamente a me irar-me, mas eles me provocam a ira, enganando
também aos mais ignorantes do que eles, e em meu nome cobrando
remuneração para mim, e por dádivas que eu, o Senhor, dou apenas por minha
Graça. O Deus de Oséias é o marido traído, e que não tem outra saída a não
ser continuar amando a sua própria esposa, visto amá-la para além de sua
própria dor. O Deus de Oséias é um Deus ferido. Marcado pela tristeza de não
se ver reconhecido e percebido, e por amar de tal maneira...mais que tudo. E
mesmo assim, não conseguir seduzir aqueles que dizem ter com Ele uma
aliança...pois esses tais, amam apenas aquilo que lhes cai na “caixa”. O Deus
de Oséias é doente de amor. Ele não descarta jamais as Suas promessas e
nem esquece de ser misericordioso. O Deus de Oséias espera o dia em que
igregomer se converta a Ele, e que deixe de lado as suas fantasias, e corra
arrependida para os braços Daquele que foi fiel às Suas próprias misericórdias e
promessas. Deus, é Deus. igregomer, somos todos nós! Bem, alguns
representam Oséias...São aqueles que apesar de amarem a Igregomer, são
traídos por ela...mas continuam a amá-la...com o amor e a dor de Deus. O
perigo é se Deus disser: Oséias, chega de Igregomer...Que ela ande por seus
próprios caminhos! Eu, o Senhor, escolhi a minha esposa, ela chamar-se-á
Igreja, pois do meu Corpo foi retirada! Esta, afinal, é carne da minha carne, e
osso dos meus ossos; chamar-se Igreja; pois que de Cristo foi gerada!
Maranata! Vem Jesus! Caio

HAGAR, SEM AGÁ!

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A concubina de Abraão é quase sempre vista de modo ruim nas Escrituras.


Primeiro porque ela era a “outra”—como se uma escrava tivesse outra opção!
Depois, ela é mal vista por ter gerado os irmãos-inimigos de Israel: os árabes e
seus parentes. E, por último, a pobre mulher é mal vista em razão de Paulo ter
usado a “figura” de Hagar, a escrava, a fim de “ilustrar” a diferença entre estar
na lei e viver na graça (Gl 4). Assim, Hagar virou definitivamente a “escrava” que
foi a causa de tantos problemas para o santo patriarca Abraão. Mas foi Sara
quem mandou...e Abraão “anuiu” ao conselho da esposa para que “tomasse”
Hagar como concubina. Todos os Abraões do mundo aceitariam. Qual deles
ousaria desobedecer à esposa num pedido desses? A questão é que Hagar
também existiu como ser humano. E há um caminho de Deus para Hagar como
individuo. Primeiro ela é a escrava. Ela é quem ela foi designada para ser.
Depois ela foge com o filho. Hagar não queria mais ser “Hagar”. Deus a faz
voltar e lhe diz que ainda haveria mais uma década para ela ficar na casa de
Sara. Somente depois de muito tempo é que Hagar é expulsa. Chega a hora de
sua libertação. Ela vai com seu filho. Abraão sofre a ida do menino, mas,
conforme o próprio Deus, o patriarca também sofria por causa de “sua serva”. A
história de “Hagar” não terminou até hoje...basta que se veja televisão ou se leia
os jornais. Sara é a dona da terra, os filhos de Israel que o digam. Hagar é a
escrava, os palestinos que falem a esse respeito. Mas Hagar sabia que tem
direitos, e que ela não foi somente “um rio que passou na vida” de Abraão”...e o
seu coração se deixou levar”. Ela sabia que entre eles havia cumplicidade...nada
que Sara pudesse ter evitado de acontecer durante tantos anos de convívio.
Isaque e Ismael continuam lutando pelo direito de primogenitura... Mas a mulher
Hagar parou suas lutas. A história prosseguiu...e nela Hagar ganhou um papel
simbólico ruim. Mas a mulher Hagar foi tratada por Deus e Seus anjos com todo
carinho...assim nos conta o Gêneses. Acabou que ela chegou escrava e foi
embora livre. A história fez dela uma “escrava”. Mas na história de Deus com
Hagar e de Hagar com Deus...ela se transforma numa mulher livre, com
identidade própria e capaz de dar continuidade a sua vida em companhia de seu
filho. Hagar está livre para sempre. Todas elas! O estranho ao ler a Bíblia com
olhos simples e humanos é perceber que mesmo aqueles aos quais se atribui
um papel coadjuvante, todos eles tiveram seu “papel principal” aos olhos de
Deus. Assim, a grande Sara é grande na História... Mas quem terá sido grande
na história humana e particular de Abraão? O que não pode é haver
comparação. Pobre Sara se se comparar a Hagar. Nos quesitos direito,
legalidade e até beleza, provavelmente ganhasse. Mas havia “algo” em Hagar
para além da possibilidade de gerar filhos... Abraão que o diga, com o próprio
testemunho de Deus sobre a dor que o velho sentiu pela serva que partiu. Mas e
Hagar? Pobre dela se se compara com Sara. Certamente morreria na
marginalidade conjugal...sendo que ela própria sabia o que a baiana tem...
Assim, num mundo que jaz no maligno...não há histórias que não sejam
assim...incompletas...e contraditórias. Graças a Deus que independentemente
dos papeis históricos e simbólicos, Deus trata com indivíduos, aos quais Ele
ama—mesmo quando a significação histórico-simbólica daquela pessoa não
seja a de nenhuma “estrela” da história bíblica. Assim, Sara é grande...mas
Hagar não é menor. Cada um é cada um... Basta a cada qual a sua própria
história...em Deus. Caio

PAI, DÁ-ME DE TEU AMOR

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Ainda que eu falasse as línguas de todos os homens e me comunicasse com os


anjos em suas próprias línguas, mas se não tivesse amor em meu ser, eu me
faria ser ouvido diante de Deus como uma lata sendo batida ou como um sino
repicando doloridamente nos ouvidos divinos. Mesmo que eu tivesse poder de
profetizar sempre, e fosse capaz de conhecer todos os mistérios da existência, e
cumulasse em mim toda ciência e saber...e ainda acrescentasse a tais dons a
força de uma fé que exercesse autoridade de transportar montes, mas se eu não
tivesse amor, nada seria verdadeiro para mim, e menos ainda para Deus. Se
possuído de toda disposição social eu distribuísse todos os meus bens para
sustento dos pobres da terra, e mesmo que decidisse entregar o meu corpo para
ser queimado em holocausto ou martírio pela defesa do que é bom, e, ainda
assim, não fosse por amor, nada disso me aproveitaria aos olhos de Deus. O
amor é capaz de suportar toda dor e não deixar de ser benigno. O amor não
conhece a inveja. O amor não se vangloria de si mesmo e não se ensoberbece
com nada. O amor é sempre próprio, por isto jamais se porta
inconvenientemente. O amor nunca busca primeiro os seus próprios interesses.
O amor não se irrita injustamente. O amor nunca espera o pior dos outros
homens. O amor não se regozija com a injustiça, mas se alegra com a vitória da
verdade. O amor é forte, por isso, tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo
suporta. O amor jamais acaba... Profecias, todavia, perderão um dia a sua
utilidade. As línguas cessarão, pois, a comunicação do amor prescinde línguas.
E toda a ciência desaparecerá, porque chamamos de ciência à nossa própria
ignorância—em parte conhecemos, e em parte profetizamos!—mas, quando as
limitações do tempo e do espaço derem lugar ao que é perfeito, então, todas
essas coisas que tem sua utilidade no tempo e na história humana, serão
aniquiladas, pois, não se farão mais necessárias. Nós somos crianças no
discernimento de que no amor reside todo o bem. Sim, ainda somos como
crianças. Quando eu era menino, pensava como menino... Foi apenas quando
eu me tornei um homem que deixei de lado aquilo que me era tão importante
quando eu ainda somente um menino. Assim também é conosco enquanto
estamos aqui, nas limitações deste corpo de morte—nossa infância do ser!
Porque agora vemos apenas sombras e projeções opacas, e enxergamos
apenas em enigma. Mas quando nossa idade adulta no amor de Deus
acontecer, então, já não estaremos sujeitos à interpretação de enigmas.
Naquele dia veremos tudo face a face! Agora conheço apenas em parte...
Haverá o dia, entretanto, quando conhecerei tudo em plenitude...assim como
também sou plenamente conhecido por Deus. Mesmo ainda vivendo em
relatividade, devemos saber que a busca das melhores virtudes não está adiada
para a eternidade. Começa aqui. Assim, saiba que agora permanecem a fé, a
esperança, o amor! Sim, estes três estão em plena vigência. O maior destes,
todavia, é e sempre será o amor!

PARA NÃO TE LEMBRAR QUE TU ME DEVES ATÉ A TI MESMO!

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De: Paulo, prisioneiro de Jesus Cristo, e o irmão Timóteo. Para: Filemom, nosso
amado e cooperador e também à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso
camarada, e à igreja que está em tua casa: Graça a vós e paz da parte de Deus
nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Querido Filemom, dou sempre graças ao
meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações. Minha gratidão a
Deus por tua vida aumenta sempre que ouço do teu amor e da fé que tens para
com o Senhor Jesus Cristo, e para com todos os filhos de Deus. Assim,
Filemom, minha oração a Deus é para que a vivência da tua fé expresse
eficazmente o conhecimento de todo o bem que há em Cristo Jesus em nosso
favor. Minha alegria cresce em gozo e consolação quando sei do teu amor pelos
irmãos, porque por ti, querido Filemom, a afetividade de muitos têm sido refeita.
Ora, mesmo sabendo qem sou para ti, quem és para mim e para os irmãos, e,
sobretudo, sabendo de teu amor verdadeiro para com o Evangelho—ainda que
eu tenha em Cristo grande confiança para te mandar o que te convém—todavia,
preferi fazer-te um pedido de amor. Sim! Peço apenas por amor, e não fundado
em minha autoridade pessoal, mesmo que eu seja quem sou: Paulo, o velho
batalhador do Evangelho, e também agora até prisioneiro por amor a Jesus
Cristo. Sim, meu amado irmão, peço-te em favor de meu filho Onésimo, que
gerei nas minhas prisões. Ele nasceu no cárcere que hoje me prende, mas que
não prende a Palavra de Deus. Tenho consciência do que aconteceu entre vós.
Sei também que noutro tempo Onésimo te foi inútil—aliás, negando o significado
de seu próprio nome, que significa “útil”—, mas agora ele aprendeu a fazer jus
ao próprio nome, e tornou-se útil a mim e poderá ser muito útil a ti também.
Informo-te que o estou enviando de volta a tua casa. Peço que o recebas como
se nele estivessem as minhas próprias vísceras. Recebe-o como se fosse a mim
que acolhesses. E assim faço, não porque eu não precise dele. Ao contrário, eu
bem quisera conservá-lo comigo, para que em teu lugar me servisse nas minhas
prisões por causa do evangelho. Eu, todavia, nada quis fazer sem o teu
consentimento, para que o teu gesto seja espontâneo e não o fruto do
constrangimento e nem seja realizado com parcimônia. Tu sabes que tais coisas
tornam-se benefícios espirituais apenas quando o coração é voluntário no que
faz. Minha convicção é que o que aconteceu entre ti e ele carrega um desígnio
maior. De fato, creio que bem pode ser que ele tenha sido separado de ti por
algum tempo a fim de que o tivesses para sempre. Agora, obviamente, já não já
como escravo, conforme as leis romanas, mas como alguém que é muito mais
que servo. Envio Onésimo a ti como irmão amado, particularmente de mim, e
com muito maior razão de ti—pois, não há mais nenhuma discriminação, seja na
carne...seja no SENHOR! Assim, meu querido irmão, se me tens por
companheiro, recebe-o como se fosse a mim mesmo. E, se te causou algum
dano, ou se te deve alguma coisa, põe isso tudo em minha conta. E lembra-te
de quem está te solicitando tudo isto. Sim! Eu, Paulo, de minha própria mão o
escrevi. Eu pagarei tudo! Isto para não te lembrar que no Evangelho tu deves a
tua vida a mim. Sei que posso te dizer tais coisas, pois tens a mente de Cristo.
Sei também que muito me regozijarei de ti no Senhor pelo entendimento que
tens em Cristo acerca do que te solicito. Assim, pois, recreia as entranhas do
meu ser com teu amor e com o teu afeto, fazendo-me este bem no Senhor.
Escrevi tudo isto confiado na maturidade de tua consciência, pois tua obediência
ao Evangelho fará com que faças ainda mais do que estou pedindo. Peço-te
também que me prepares pousada, porque espero que pelas vossas orações eu
hei de ser entregue aos cuidados do vosso amor para comigo. Saudações de
Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus. Também Marcos,
Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores, te mandam abraços fraternos. A
graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito. Amém.

UMA VIDA DE CONFIANÇA NA FIDELIDADE DE DEUS

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Salmo de Quem Sabe Que Deus é Fiel e Cheio de Graça Em ti, Senhor, me
refugio; nunca seja eu confundido. Na tua justiça socorre-me e livra-me; inclina
os teus ouvidos para mim, e salva-me. Sê tu para mim uma rocha de refúgio que
sempre me acolha; deste ordem para que eu seja salvo, pois tu és a minha
rocha e a minha fortaleza. Livra-me, Deus meu, da mão do perverso, do poder
do homem injusto e cruel. Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; tu és a
minha confiança desde a minha mocidade. Em ti me tenho apoiado desde que
nasci; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe. O meu louvor
será teu constantemente. Sou para muitos um assombro, mas tu és o meu
refúgio forte. A minha boca se enche do teu louvor e da tua glória
continuamente. Não me enjeites no tempo da velhice; não me desampares,
quando se forem acabando as minhas forças. Porque os meus inimigos falam de
mim, e os que espreitam a minha vida consultam juntos, dizendo: Deus o
desamparou; persegui-o e prendei-o, pois não há quem o livre. Ó Deus, não te
ponhas distantes de mim; meu Deus, apressa-te em socorrer-me. Sejam
envergonhados e consumidos os meus adversários; cubram-se de opróbrio e de
confusão aqueles que procuram o meu mal. Mas eu esperarei continuamente, e
te louvarei cada vez mais. A minha boca falará da tua justiça e da tua salvação
todo o dia, posto que não conheça a sua grandeza. Virei na força do Senhor
Deus; farei menção da tua justiça, e da tua tão somente. Ensinaste-me, ó Deus,
desde a minha mocidade; e até aqui tenho anunciado as tuas maravilhas. Agora,
quando estou cansado e meus cabelos estão embranquecendo, não me
desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o
teu poder a todos os que ainda virão. A tua justiça, ó Deus, atinge os altos céus;
tu tens feito grandes coisas; ó Deus, quem é semelhante a ti? Tu, que me fizeste
ver muitas e penosas tribulações, mas de novo me restituirás a vida, e de novo
me tirarás dos abismos da terra. Aumentarás a minha grandeza, e de novo me
consolarás. Também eu te louvarei ao som de muitos instrumentos, e dançarei
pela alegria da tua fidelidade, ó meu Deus. Sim! cantar-te-ei ao som de muitas
melodias, ó Santo Criador de todas as existências. Os meus lábios exultarão
quando eu cantar os teus louvores, assim como a minha alma, que tu remiste.
Também a minha língua falará da tua justiça o dia todo; pois estão
envergonhados e confundidos aqueles que procuram o meu mal.

UM TEMPO, DOIS TEMPOS, E METADE DE UM TEMPO

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Dn 9: 2 e 12:4—é aconselhável ler os capítulos 9-12, inteiramente. “Eu, Daniel


entendi pelos livros, que o número dos anos dos anos de que falara o Senhor
pelo profeta Jeremias, em que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era
de setenta anos”. Daniel entendeu pelas Escrituras o que Jeremias havia dito de
modo claro. O cativeiro seria de setenta anos. Estava escrito. Certas coisas,
todavia, não bastam estar escritas. O tempo as abre, as revela, as dês-sela, as
ilumina e as torna óbvias—mas não antes do tempo! As nossas hermenêuticas
não sobrevivem se não se mantiverem conectadas com o tempo e a hora. Do
contrário, o livro fica selado para certas coisas. Com certeza podem-se entender
certas verdades da Bíblia hoje bem melhor que no passado. Os nossos
problemas hoje não foram problemas para eles. E os deles, não são
completamente os nossos. Cada geração tem que ver com seus próprios olhos.
“Tu, porém, Daniel encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim;
muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará”. Chega o tempo. O livro
selado é dês-selado. Muitos o esquadrinharão, porém, certas coisas só se
revelam quando é chegada a hora. Então, como foi para Daniel, os olhos do
cativeiro iluminaram as profecias daquele que quando falava sobre um cativeiro
que viria, ninguém cria: nosso amigo Jeremias. Assim era também com aquilo
que o próprio Daniel escrevia e ele mesmo não sabia completamente o que era.
Ele entendeu sonhos e visões cujos aplicativos tinham a ver com o seu tempo.
Nabucodonozor e Belsazar que o digam! Mas não interpretou suas próprias
profecias para além de seu próprio tempo. Nesse ponto da revelação que ele
escreve, mas não compreende, seu coração se inquieta. Então, Daniel vê que
dois seres angelicais conversam. Um deles pergunta ao outro: “Quando se
cumprirão essas maravilhas?” O outro jura solenemente pelo nome de Deus, e
diz: “Depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E quando se
acabar o tempo da destruição do povo santo do poder do povo santo estas
coisas se cumprirão”. Um tempo, dois tempos, metade de um tempo—o que é
isso, meu Deus? Quando acabar a destruição do poder do povo santo—qual o
significado disto, Senhor? É a questão de qualquer um, inclusive de Daniel:
“Meu senhor, qual será o fim dessas coisas?” A resposta é animadora para
hermeneutas e exegetas: “Vai, Daniel, porque estas palavras estão encerradas
até ao tempo do fim...os perversos procederão perversamente, e nenhum deles
entenderá, mas os sábios entenderão”. As palavras estão encerradas até ao
tempo do fim—o que é isto, pergunto eu? Os perversos não as entenderão, mas
os sábios entenderão—o que isto? as provações produzem sabedoria e a
sabedoria prepara o coração para entender? Então, como eu fico enquanto não
entendo? Será que entenderei? Será este o tempo em que os selos serão
retirados dos nossos entendimentos tão embotados? “Tu, porém, segue o teu
caminho até ao fim; pois descansarás, e, no fim dos dias, te levantarás para
receber a tua herança”. Segue o teu caminho até o fim? Obrigado pela
consolação, meu Deus! Mas que consolação se saio como entrei?! Sem
entender nada?! Bem, o que sei é que cada um deve ler a Palavra com a
expectativa de quem não entendendo o que lê, quer saber. E também sei que só
se enxerga certas coisas quando a História nos conta a história delas, ou, pelo
menos, começa a nos contar. A luz do Espírito permeia a vida. Também sei que
a perversidade sela o livro mais que qualquer outro selo e que a sabedoria que
foi purificada e embranquecida pela provação, abre o entendimento do livro para
quem se dispuser a buscar saber com a expectativa da revelação. O tempo?
Bem, o tempo só Deus sabe qual é. É um tempo, dois tempos e metade de um
tempo. É depois que o poder do povo santo se extinguir por completo. É só o
que sei! Espero que aqueles que conseguem saber se vai chover ou fazer sol,
se vale comprar ou vender, se é tempo de investir ou de se retrair, possam
também aprender a discernir os tempos! Enquanto isto...a gente ora, medita, lê
a Palavra e a vida, e segue o caminho—pois se nada acontecer, tudo já
aconteceu: já sei que me levantarei para receber a minha herança! Caio Fábio

MOSTRA-ME A TUA FACE

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Só Tu me conheces, pois só tu És! Eu busco saber quem sou, mas somente o


saberei, se me vir em Ti. Mostra-me Teu rosto; faze-me conhecer a Tua Graça;
mergulha-me em Tua Bondade. Limpa de diante de mim as Falsas Imagens de
Ti. Remove de meu ser qualquer lembrança que paralise Teu rosto apenas
como uma memória em mim. Quero ver Tua face a cada nova manhã; preciso
me refazer em Tua semelhança, ó Senhor! Nos dias de grandes dúvidas, dá-me
de Tua paciência, que não tem fim. Nos dias do temor, não deixa que em mim a
fé se abata. Renova-me a força pela manhã; faze de cada dia um dia novo. Dá-
me ver a renovação de Teu amor, assim como a Terra Ti conhece quando de
dentro dela tu cospes fogo, sobre ela ventas os teus tufões, quebras as
Seringueiras, lavas as matas e florestas com as águas de Tuas tempestades; e
então acalmas o fundo do mar. Mostra-me Teu poder como Justificação, pois
não o suportaria como Justiça. Veste-me com o Sangue eterno, e ajuda-me a
crer em Paz! Que vestes me vestiriam ante a Tua face? Como veria eu o Teu
rosto? Tua Presença me mataria... E se escapasse, correria, correria, correria...
De volta a Ti, como inseto que se queimou na lâmpada, mas não resiste a luz.
Prepara-me para Ti mesmo, pois é somente em Ti que posso ter Vida. Que
ninguém o saiba, mas que Tu me vejas em Graça e Misericórdia todos os dias
de minha vida na Terra; pois habitarei sempre contigo em todos as minhas
jornadas. Tu me segues no meu caminho; ajuda-me a andar no Teu Caminho.
Unge-me, ó Deus Verdadeiro, para a Batalha; e que meu coração não vacile.
Em Ti está a minha confiança. Não serei abalado. Teu filho, Caio

MALAQUIAS PARA HOJE

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Esta é uma versão livre e solta. Nela me preocupei apenas com o espírito da
mensagem, sempre sabendo que a letra mata, mas o espírito vivifica. Portanto,
não procure literalismos. Para quem deseja um texto literal, que aprenda
Hebraico e faça exumação de letras. Fiquei fiel não apenas ao espírito de
Malaquias, mas também ao espírito de sua mensagem, especialmente porque
aquilo que ele profetizava, é exatamente aquilo que em João Batista começou a
acontecer, e em Jesus, o Anjo-Deus, teve seu pleno cumprimento. Mas até
mesmo o cumprimento da profecia aconteceu sem literalismos objetivos, mas
realizou-se no brasume das verdades que têm seu cenário nos ambientes do
coração. Foi por não se ler o espírito da profecia--mas somente a letra que
mata--, que os contemporâneos de João Batista, nele não viram o profeta Elias;
e os contemporâneos de Jesus, Nele não viram a visita do próprio Senhor, na
figura de Seu Anjo, trazendo o sol da justiça em Suas asas de Graça. Boa
leitura. Bom coração. Caio ***************************************************
Capítulo I *************************************************** Um dia veio a Palavra de
Deus ao povo de Israel. A Palavra de Deus veio por intermédio de um homem
chamado Malaquias. E eis o que Deus disse ao povo que nascera de Jacó, filho
de Abraão: Eu tenho amado a vocês todos os dias, diz o Senhor. Mas vocês
ainda têm a coragem de me dizer: Em que é que Ele nos tens amado? Eu, o
Senhor, respondo a vocês: Porventura não era Esaú irmão de Jacó? E não era
Esaú o primogênito? Eu, todavia amei a Jacó, e me aborreci de Esaú; e decidi
fazer dos montes de Esaú uma terra desolada, e entreguei o chão de Esaú
como herança aos chacais do deserto. Assim, digo eu, o Senhor Deus: Os
donos das terras de Esaú são os chacais do deserto! E também digo a vocês
que mesmo que os moradores de Edom, os quais descendem de Esaú, venham
e afirmem: Nós estamos arruinados, mas não desanimemos; tenhamos forças, e
assim seremos capazes de reedificar as nossas próprias ruínas!—ainda assim,
eu diria a eles, como Senhor Soberano: Vocês podem até edificar, eu, porém,
demolirei tudo outra vez. Por esta razão é que as terras de Esaú serão sempre
chamadas de Fronteira da Impiedade, habitada por um povo contra quem o
Senhor está irado para sempre. Vocês, filhos de Abraão, viverão para ver aquilo
que os assustará ao ponto em que as bocas de todos vocês dirão: Não
sabíamos que o Nome do Senhor era tão grande que reinava para além dos
limites do povo de Israel! Todo bom filho honra o pai, e o empregado honra a
quem lhe paga. Se vocês dizem que sou o pai de vocês, onde está a honra de
vocês para comigo? E se sou eu Aquele que dá vida e sustento a vocês, onde
está o respeito e a gratidão de vocês para comigo? Agora, ouçam a Palavra do
Soberano, a Palavra que digo aos que dizem que cuidam de vocês
espiritualmente, mas que de fato desprezam o meu Nome. Sim, dirijo-me aos
que, com cara de pedra, ainda têm a coragem de me dizer: Em que é que
desprezamos o teu nome? Eu digo a vocês, sacerdotes do descaso: Vocês
trazem à minha mesa o pão da indiferença e ainda me perguntam: Em que é
que profanamos o Nome de Deus? Eu, o Senhor, respondo: Vocês me
desprezam no pensamento, e demonstram isto pelo descaso de vocês para com
a realidade de quem eu sou. Vocês estão sempre me servindo por obrigação ou
por troca, e pensam que isto não é mau? Na hora de fazer política, tratem ao
governador desse modo e vocês verão se terão os favores deles. Até ao
governador vocês tratam com mais respeito que a mim. Agora, vocês vêm e
suplicam o favor de Deus, para que eu me compadeça de vocês! Com o coração
com o qual vocês me buscam, como posso eu aceitar o culto e as orações de
vocês? Quem me dera houvesse entre vocês quem acabasse com essa
brincadeira de me prestar culto, e que também, de uma vez, fechasse as portas
dos lugares de culto, a fim de que parassem para sempre com essas feias
cantorias “dedicadas” ao meu louvor! Eu não tenho prazer em vocês! O culto
que vocês me oferecem é feio por dentro e por fora! Dá mão de vocês só recebo
aquilo que não presta! Mas vocês ainda não entenderam que eu não preciso de
cultos. Eu sou Deus. E vocês não conhecem a todos os que eu conheço e nem
tampouco vocês conhecem a todos os que me conhecem. Saibam, filhos de
Jacó, que vivem da fé de Abraão, que desde o nascente do sol até o poente é
grande entre todas as nações o meu nome. Pois em todo lugar da terra se
oferece ao meu nome incenso, e cultos de pura sinceridade. Sim, o meu nome é
grande entre gente de todas as nações. Vocês é que não sabem que eu reino
para além das paredes do lugar onde vocês dizem que eu habito. Os grandes
profanadores do meu nome são vocês. A oferta mais desprezível que recebo
vem dos indiferentes corações de vocês, diz o Senhor! Vocês me cultuam
profissionalmente, e ainda o fazem de maneira cansada e ingrata, trazendo a
mim o produto do roubo e do desprezo, e esperam que eu aceite e tenha
prazer? Em que? Em quem? Amaldiçoado é aquele que pensa que me engana,
que usa do meu nome de modo manipulador para os demais, e faz isto como se
eu não visse tudo como num permanente estado de flagrante! Eu sou Deus, sou
rei e soberano, e sou mais amado onde meu Nome não é conhecido, que no
meio de vocês, onde meu Nome é usado, mas é desprezado pelo modo como
vocês pensam de mim, e pelo modo como vocês imaginam me satisfazer.
*************************************************** Capítulo II
*************************************************** Agora, ó líderes espirituais,
sacerdotes do descaso, esta Palavra é para vocês. Se vocês não me ouvirem, e
se não se propuserem em seus corações dar Gloria e Honra ao meu Nome,
enviarei maldição contra todos vocês. E esta será a minha maldição: Tudo
aquilo sobre o que vocês decretarem benção, eu, o Senhor, amaldiçoarei! Aliás,
já estou amaldiçoando as benções de vocês, porque sei que é do “poder de
abençoar” que vocês fazem seus próprios negócios. Sei que este é o único
interesse no qual vocês aplicam o coração! Se vocês continuarem assim, eu
mesmo reprovarei e enfraquecerei tudo e todos que vocês gerarem, e ainda
jogarei fezes nos rostos de vocês. E assim como vocês me oferecem o que é
podre e fétido—como se eu fora uma Lixeira Cosmica—, com esse mesmo
desprezo eu jogarei a cada um no lixo. Mas somente quando isto acontecer é
que vocês saberão que fui eu quem falou! Eu sou o Deus dos pactos que não se
podem quebrar. Meu pacto é de vida e de paz. Mas aquele que comigo entra em
pacto, deve saber quem eu sou, e deve ser capaz de se assombrar por causa
do meu Nome. Já houve tempo em que a Palavra da Verdade esteve em suas
bocas. Já houve tempo em que a impiedade não fazia morada nos lábios de
vocês. Já houve tempo em que aqueles que me serviam perante o povo,
andavam comigo em paz e bondosa justiça, e, por esta razão eram capazes de
afastar muita gente de toda forma de maldade. Pois os lábios do que fala de
mim devem guardar o conhecimento, e em sua boca devem os homens procurar
a instrução da vida! Afinal, quem fala de mim é o meu mensageiro, e eu sou o
Deus Soberano. Não se deve brincar com a minha Palavra. Agora, no entanto,
vocês se desviaram do meu caminho, e, assim fazendo, têm induzido muitos a
tropeçar no engano. Sim! vocês corromperam o pacto do sacerdócio da justiça e
da verdade, diz Senhor dos Senhores! Esta é também a razão de eu os haver
tornado seres desprezíveis, e sem respeito e dignidade diante de todo o povo,
visto que todos sabem que vocês não me servem de coração e, ainda pior: que
fazem acepção de pessoas, contra o mandamento da minha justiça. Agora, falo
eu, Malaquias, e digo: Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um
mesmo Deus? Por que, então, nos comportamos maldosamente uns para com
outros, profanando o pacto que Deus fez com aqueles que nos geraram e que
de verdade amaram a Deus? Até o melhor e mais forte entre vocês tem se
tornado maligno e perverso. Abominação se está cometendo entre o povo de
Deus. Assim diz o Senhor: No lugar onde se me diz que cultuam o meu Nome,
nesse mesmo lugar, os nomes de outros deuses são lembrados o tempo todo,
trazendo sobre aqueles que eu amo, a profanação do engano e o culto ao medo.
Vocês estão amasiados com deuses estranhos, e pensam que por mencionarem
os seus nomes como sendo à mim subordinados, isto não é também
abominação. O Deus Soberano extirpará a todo homem que induzir Seu povo a
tal erro. Mesmo que assim se conduza, enquanto faz vigílias pela madrugada,
como aquele que diz estar sempre atento em Nome de Deus. E assim Deus
também fará com aquele que afirma que carrega nas mãos o dom de Deus, mas
que o “vende” como se fosse um “favor” que faz aos homens. E vocês ainda têm
coragem de fazer cenas de quebrantamento?! Sim! cobrem o altar de Deus com
lágrimas enxutas, com choros secos, e com gemidos ensaiados?! e ainda
querem saber por que Deus não participa mais do culto e por que não
demonstra mais prazer com as vidas de vocês? E ainda têm a coragem de
“inocentemente” perguntar: Por que? Ora, é que o Senhor tem visto como vocês
têm sido desleais com tudo e todos, até mesmo com a mulher que tomaram na
mocidade. Sim! o Senhor tem visto como vocês as tratam como objeto,
esquecendo que ela é companheira, e a mulher com a qual um dia vocês
fizeram um compromisso. Ninguém, com um resto de bom senso, trata assim
aquela de quem diz que gerou uma descendência! Abraaão, de quem vocês
dizem proceder, tratou com respeito aquela de quem fez vir a sua descendência.
Sem tal respeito nenhum geração conhecerá a piedade e o compromisso no
coração. Portanto, guarde seu espírito de toda dissolução interior, e que
ninguém descarte a mãe de seus filhos como se fora uma coisa nojenta, porque,
eu, o Senhor Soberano, declaro que detesto todo ato de repúdio, e que faz da
mulher-mãe, uma pessoa desprezada e sem amparo na vida. Também odeio as
ações de todo aquele que usa da violência como se fora seu próprio vestido e o
seu mais belo adorno. Repudio a quem se orgulha de seu próprio mal! Portanto
cuidem de seus próprios corações, para que o espírito de infidelidade não
possua a mente de ninguém. Eu, Malaquias, lhes digo: Vocês cansam a Deus.
Vocês o aborrecem. Vocês vivem de confissões de palavras vazias, e que
deixam a Deus exausto de tanto as ouvir! Deus não agüenta mais tanto discurso
e nem tantas pregações. Ele está cansado! E vocês ainda perguntam: Como
Deus está cansado de nós? se só vivemos para falar bem de Seu Nome? Em
que, então, temos trazido enfadado para Deus? Eu lhes digo: Vocês deixam a
Deus esgotado de tanto viverem como se tanto fazesse a justiça ou a injustiça; a
verdade ou a mentira; a luz ou as trevas; a bondade ou a perversidade! A
declaração que a vida de vocês faz é diferente daquela que os lábios de vocês
pronunciam. O que vocês dizem com seus atos equivale a afirmar que qualquer
que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor. E ainda pior: é como se
vocês dissessem que Deus gosta mesmo é dos maus. Afinal, vocês se dizem os
“queridos” de Deus. E se Deus os chama de “queridos”, aos olhos dos que
interpretam, isto equivale ao seguinte: Uns pensam: Deus se agrada é da
maldade, pois, são esses os que em Seu Nome conseguem a Prosperidade.
Outros dizem, ao ver a maldade de vocês: Será que Deus já não vê? será que
Deus perdeu o juízo? Assim, a vida de vocês é uma provocação a Deus, e é
como se com a própria boca vocês blasfemassem com arrogância, perguntando:
Onde está o Deus do juízo? **************************************************
Capítulo III ************************************************** Eu, o Senhor, enviarei o
meu mensageiro, para que prepare o caminho para a minha Visita. Quando
ninguém esperar, eu, o Senhor, aparecerei no meio de vocês e visitarei o meu
templo. Eu, a Quem vocês dizem desejar e buscar, mediante o Anjo do meu
pacto, a quem vocês dizem anelar pela vinda, de repente visitarei o meu povo.
Mas quem suportará o dia da vinda de meu Anjo? e quem subsistirá, quando Ele
aparecer? Pois Ele será como o ardente fogo que usa o fundidor de metais
raros, e será como o sabão que usam os lavandeiros. Sim, Ele será como
fundidor e purificador de prata; e purificará os sacerdotes, e os refinará como
ouro e como prata, até que entendam quais são as ofertas de justiça que eu
espero receber. Nesse dia, então, a oferta do meu povo me será agradável,
como nos dias da sinceridade. Eu me apresentarei como Aquele que mostra a
Verdade do íntimo; e serei testemunha veloz contra os que tentam usar os
poderes invisíveis a fim de manipular os meus filhos; e também me levantarei
contra os que vivem de seduzir a quem não lhes pertence, violando a mulher de
seu próximo. Sim, minha mão também será contra os que usam a lei e o
juramento da verdade a fim de falsamente expropriarem e defraudarem o
trabalhador em seu salário, a viúva em seu direito, e o órfão em sua impotência.
Esses que pervertem o direito dos que não têm um chão no meio de vocês, e,
assim, pervertem a minha justiça na terra, conhecerão, para o seu próprio mal,
Quem Eu Sou. Eu sou Deus e o Senhor! Eu não mudo! E esta é a razão de
vocês não terem sido ainda consumidos! A história de vocês, desde os seus
pais—desde os tempos mais antigos—, tem sido uma história de desvios da
minha Palavra. Vocês não têm prazer em guardá-la. Arrependam-se e voltem
para mim, e, então, eu tornarei para vocês; digo eu, o Senhor de todos os
Poderes. Mas vocês me perguntam: Em que temos que nos arrepender? Antes,
porém, respondam-me: Roubará o homem a Deus? É claro que não!—vocês
confessam com a boca. Eu, porém, lhes digo que mesmo sendo óbvia a
resposta, ainda assim, vocês conseguem me responder, na prática, com a
própria negação daquilo que vocês confessam com a boca. Sim, ninguém rouba
nada de mim. Mas vocês me “roubam”, e ainda me perguntam: Em que
roubamos a Deus? Eu, respondo: Vocês me roubam mediante a sonegação de
um coração grato, pois, nem mesmo as contribuições que vocês me trazem,
servem como demonstração de gratidão a mim, pois, vocês não se importam
com o sustento de minha causa na terra. Desse modo, agindo assim, vocês se
tornam amaldiçoados com a maldição da própria ingratidão de vocês. Sim, esse
é um espírito que está presente na alma de toda a nação do meu povo. Tragam
a mim as ofertas da alegria e da gratidão! Minha casa é o lugar onde vocês
podem demonstrar na terra onde está aquilo que vocês consideram tesouro
verdadeiro. Eu sou Deus, não preciso do ouro, da prata ou do dinheiro de vocês.
Mas determinei que minha casa e minha causa, serão mantidos pela pelas
ofertas que expressem a gratidão de vocês para comigo. Se alguém duvida, que
me prove em fé e alegria, trazendo-me de modo grato os símbolos das ações de
graças; e, então, experimentem o meu favor, e vejam se não derramarei um
dilúvio de bênçãos dos céus sobre as vidas de você! Na ingratidão há roubo.
Mas na gratidão haverá abastança que vocês não poderão medir e nem
imaginar. Nesse dia vocês verão como o Meu Amor por todo aquele que possui
um coração grato, repreenderá o Devorador das Alegrias; e ele não terá mais
poder de destruir os frutos do trabalho das mãos de vocês. Então, nesse dia,
vocês entenderão como até o inverno será estação de bons frutos. Quando isto
acontecer, todos os que hoje olham para vocês e não entendem como um povo
que diz crer num Deus tão poderoso, vive de modo tão mesquinho—sim, esses
mesmos, olharão e verão a minha Graça em tudo o que vocês realizarem. Eles
chamarão a vocês de bem-aventurados e de gente que vive com prazer e
deleite. Vocês são brutos e estúpidos, e as palavras de vocês para mim estão
carregadas de ingratidão, amargura e falsidade. Mas, ainda assim, vocês
continuam a indagar: Em que, ó Senhor, nós temos falado contra ti? Eu lhes
direi para sempre. Sim, todas as vezes que vocês me tratam como se de nada
adiantasse me servir, crer em mim e confessar o meu Nome, com a própria vida,
vocês declaram que é inútil servir a Deus. E há mesmo quem diga: Que nos
aproveita termos cuidado em guardar a Sua Palavra, e em andar em contrição
diante do Deus do Universo? E, assim, consideram felizes os soberbos, os
arrogantes e os que cometem impiedade, pois, “eles prosperam”, dizem vocês.
Sim, vocês pensam: “Eles tentam a Deus, e escapam!” Mas há no meio de
vocês os que me amam e me temem, e esses são os que animam uns aos
outros a prosseguirem me amando e me temendo. Para esses eu escrevi um
memorial em minha presença, pois são esses os que amam e temem o meu
Nome. E eles serão sempre meus, diz o Senhor dos Senhores. Sim, eles são
minha possessão particular. E, no dia que prepararei para revelar o que está em
todos os corações, eu mesmo irei poupá-los, como um homem poupa a seu
filho, que o serve com amor e devoção! Nesse dia todos vocês aprenderão a
diferença que há, aos meus olhos, entre um homem de coração grato e bom e
um outro que me serve sob a mascara das exterioridades malignas e com um
coração perverso. ************************************************** Capítulo IV
************************************************** O Dia vem! E vem ardendo como
uma fornalha! Então, todos os soberbos e os arrogantes, bem como todos os
que cometem o pecado da não-compaixão, serão atirados para dentro dessa
Verdade, que é para o ser, como a fornalha é para o lixo. E o dia que está para
vir abrasará os soberbos e os arrogantes, bem como todos os que cometem o
pecado da não-compaixão, diz o Senhor do Universo. Assim será, de sorte que
não lhes ficará no chão da terra nem raiz e nem ramo. Mas para os que me
temem com amor, nascerá o sol da justiça, trazendo curas graciosas nas asas
de Sua Luz. Nesse Dia cada um de meus filhos sairá ao campo aberto e saltará
como o fazem os bezerros que se sentem libertos das cercas da estrebaria.
Nesse dia os pés de meus filhos pisarão os impiedosos, pois, eles já se terão
transformado em cinza no chão de morte que eles mesmos adubaram. Sim!
assim será Naquele Dia que Eu, o Senhor de todos os Poderes, preparei para
revelar a minha Soberania! Lembrem-se sempre da lei de Moisés, meu servo, a
qual lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e ordenanças.
Lembrem-se da Lei, pois, somente assim seus corações poderão sempre saber
o quão misericordioso Eu tenho sido a cada nova manhã. Antes que meu Anjo
visite o meu povo, Eu, o Senhor, enviarei o meu mensageiro, no espírito do
profeta Elias. Ele virá a fim de proclamar arrependimento e conversão, a fim de
que aquele Dia não seja terrível para os que temem e amam o meu Nome. Sim!
ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais.
Esta é minha Graça. E assim é para que a terra não seja ferida com maldição e
desamor, pois, por tais coisas, vem o Dia de meu Juízo.
*************************************************** Fim, quero dizer: Começo!
*************************************************** Nasceu Elias, seu nome era João
Batista. A Virgem concebeu o Emanuel: Deus conosco! Nasceu o Sol da Justiça,
trazendo curas graciosas em suas asas, e seu Nome é Jesus! Lembro da Lei de
Moisés, e agradeço ao Senhor do Universo, o Deus Santo e Único, por não me
tratar segundo as minhas transgressões, antes, louvo-o por ter me Justificado
conforme a Salvação que para mim nasceu no Sol de minha Justiça, que é
Aquele que me converteu a Si mesmo, e me fascinou para todo o sempre. Seu
Nome é Santo e Gracioso. Ele é Jesus!

DIAS E DIAS: UM SÓ DEUS!

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Há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu—conheço esse dia!
Há dias que a gente se sente como quem chegou ou ressuscitou—conheço
esse dia! Há dias que a gente se sente como quem voltou, sem nunca ter ido;
como quem ressuscitou, sem nunca ter morrido—conheço esse dia! Há dias que
a gente se sente como quem deveria chorar, mas só consegue rir; como quem
deveria rir, mas só consegue chorar—conheço esse dia! Há dias que a gente se
sente como quem nunca deveria ter nascido, mas sabe que teria sido um
desperdício não ter vindo; como quem nunca foi visto, mas ninguém pode negar
sua presença—conheço esse dia! Há dias que a gente se sente como quem
deveria se desesperar, mas só sabe ter esperança; como quem deveria não ter
esperança, mas não consegue se desesperar—conheço esse dia! Há dias de
luz e dias de trevas! Há dias...conheço muitos deles! Basta a cada dia o seu
próprio mal! Hoje é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos e regozijemo-nos nele!
Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos—garantiu
o Deus de cada dia! Caio Fábio

UMA QUESTÃO DE "IMAGEM"

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Para quem não lembra, vale recordar que Davi foi profeticamente ungido rei de
Israel pelo profeta Samuel, filho de Elcana e Ana. O pai de Samuel tinha duas
esposas, Penina e Ana. Penina lhe dava filhos. Ana, todavia, não! Elcana,
entretanto, amava mais a Ana que a Penina. E é nesse amor-subjetivo e que
padecia de afirmação objetiva— no caso, filhos—, que Ana vai ao tabernáculo
do Senhor em Silo e chora pedindo a Deus um filho. Deus a atende e nasce
Samuel, que ela dedica ao Senhor. Tão logo Samuel foi des-mamado, seus pais
o levaram para servir a Deus sob os cuidados do sacerdote Eli. Ora, os filhos de
Eli ajudavam-no no serviço sacerdotal e tiravam proveito da situação. A narrativa
bíblica nos diz que eles, basicamente, faziam duas coisas horríveis: metiam a
mão nas comidas que eram preparadas para serem oferecidas como sacrifício
no tabernáculo—desrespeitando assim todos os preceitos determinados para as
oferendas—e, além disso, dormiam ao seu bel-prazer com as mulheres que
viviam e serviam no lugar do culto. Ao ouvir acerca do procedimento de seus
filhos, Eli os repreende e mostra muita preocupação com a fama ruim que os
rapazes passaram a ter entre o povo. “Por que fazeis tais coisas?”—é a
pergunta do velho sacerdote. É interessante observar que a Escritura divide a
narrativa sobre os filhos de Eli em duas partes: a primeira, que é uma acertiva
direta da Escritura; e a segunda, que é a expressão da preocupação de Eli como
pai. Quando a Escritura os re-crimina o faz fundada no fato que eles eram “filhos
de Belial, e não se importavam com o Senhor”. Daí o tratarem o serviço
espiritual com tamanha indiferença e exercerem o seu ofício de modo
desrespeitoso para com Deus e tirânico para com o próximo. Eli, todavia,
quando ouve os rumores sobre a conduta de seus filhos fica preocupado e, mais
do que com qualquer outra coisa, aflige-se com a opinião pública. Era o
desgaste que seus filhos causavam a ele, como sacerdote, e a impressão que
causavam no povo, induzindo-o ao caminho da banalização do sagrado, aquilo
que realmente o angustiava. Na mente do povo o que mais aparecia era o
comportamento dos rapazes em relação às mulheres que serviam à porta da
tenda da congregação. Fé e orgia se misturavam no lugar dedicado a Deus! “Por
que fazeis tais coisas? pois ouço constantemente falar do vosso mau
procedimento. Não, filhos meus, porque não é boa a vossa fama, esta que ouço;
estais fazendo transgredir o povo do Senhor. Pecando o homem contra o seu
próximo, Deus lhe será arbitro; pecando, porém, contra o Senhor, quem
intercederá por ele? Entretanto não ouviram a voz de seu pai, porque o Senhor
os queria matar”. Ambos, Hofni e Finéias, morreram no mesmo dia! Seu pai, Eli,
veio a morrer logo a seguir, pois, ouvindo a noticia da morte dos filhos, sendo já
muito velho, caiu para trás, quebrou o pescoço e faleceu! Então você pergunta:
“E daí? O que isto tem a ver conosco?” Ora, a razão de eu haver escolhido este
caso—entre tantos outros possíveis exemplos do que aqui desejo ilustrar como
contra-partida da afirmação de que a Imagem-Moral não conta diante de Deus
—, é que ele nos revela três realidades das quais não podemos nos esquecer:
1. O juízo de Deus não veio sobre Hofni e Finéias pela sua imoralidade—afinal,
eles não pecavam sozinhos e nem eram os únicos em Israel a procederem
daquele modo! 2. O juízo de Deus caiu sobre eles pelo fato de não “se
importarem com o Senhor”. 3. Eli, o pai dos rapazes, se importava com o
Senhor, porém, muito mais com a opinião pública. Assim é que Eli diz coisas
boas e verdadeiras a seus filhos, mas sua preocupação maior não era com o
que eles faziam, mas com o por quê deles agirem daquela forma. E mais: Eli
não expressa angustia por eles, mas pelas implicações coletivas e ministeriais
de suas ações. Ou seja: Eli temia mais as implicações daquilo que seus filhos
faziam ante a percepção imediata do povo, que com as conseqüências
inapeláveis que viriam da parte de Deus. Além disso, Eli criou duas categorias
de pecado: o pecado contra o próximo, que pode ser objeto da intercessão
sacerdotal; e o pecado contra Deus, que, segundo ele, não deixa espaço para a
intercessão diante do Senhor. O que me soa é algo como se Eli dissesse:
“Olhem bem, meus filhos! Se vocês querem aprontar, então, que o façam longe
daqui. Sendo sacerdotes, e estando sob tantas observações, vocês correm o
risco de não apenas ofenderem ao povo, mas também a Deus. Contra o pecado
em relação ao próximo, dá-se um jeito. Mas no que respeita a Deus, não há
saída”. Em outras palavras: Eli sente o pecado de seus filhos, envergonha-se
deles e de seu comportamento—“Não, filhos meus, porque não é boa fama, esta
que ouço”—, e, além disso, sabe que seus atos podem ter conseqüências.
Todavia, não parece ter visto tudo o que acontecia como algo que em-si
carregava profanação, mesmo que ninguém visse ou antentasse. Tratava-se
muito mais de algo que tinha a ver com a reputação dele, Eli, e de Deus, o
Senhor, do que uma real compreensão do significado espiritual que aqueles
ações tinham em-si-mesmas. Eli, portanto, teme a Deus, mas teme muito mais o
que a reputação de seus filhos pudessem causar à ele e à reputação de Deus.
Ele era um homem com barganhas a fazer! E o juízo não falhou! Hofni e Finéias
morreram! Icabode! Foi-se a Gloria de Israel! A pergunta que agora se impõe é a
seguinte: O que a história dos filhos de Eli nos apresentam como diferenciação
em relação a várias outras histórias bíblicas onde houve delito humano sem que
tenha havido castigo divino? Em minha maneira de ver o que se estabelece é a
força não da Moral, mas da Verdade, da Justiça e da Santidade! As ações
humanas são maiores que as aparências que elas manifestam. Elas são
significados, mais que comportamentos exteriores! Infelizmente Eli e seus filhos
morreram. Samuel, todavia, nunca esqueceu a lição. Quando foi enviado por
Deus a fim de ungir a Davi—então ainda apenas um jovem—, disse a Jessé, pai
do futuro rei de Israel: “O Senhor não vê como vê o homem. O homem vê a
aparência, o Senhor, porém, vê o coração”. Assim, mais uma vez, a Escritura
nos tira do mundo das aparências, famas e reputações, e nos remete
quebrantadamente para os ambientes do coração, onde Hofni e Finéias se
mostravam não como filhos de Eli, mas como “filhos de Belial”. Caio

UZÁ, UMA MULHER, E A ARCA!

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Um dos textos mais chocantes do Velho Testamento é aquele no qual Uzá é


fulminado por Deus por ter tocado na Arca da Aliança quando os bois que a
levavam tropeçaram (II Sm 6: 1-11). Assusta não apenas ao leitor de hoje, mas
também apavorou a Davi na hora em que aconteceu. A Arca simbolizava a
Presença de Deus no meio de Seu povo! Um toque “diferente”, e o coração veio
para fora! Uzá, aparentemente, apenas socorria a Deus. Os bois haviam
tropeçado. A Arca poderia ter caído. Todos estavam alegres. Uzá não desejava
que nada desse errado. Por isso, ao ver que a carroça pendia pelo tropeção dos
bois, estendeu a mão, tocou e morreu por essa “irreverência” diante da Arca do
Senhor! A Arca era a simbolização da Presença de Deus! A Presença de Deus
revela aquilo que está no coração! Mil anos depois... Uma mulher estava
enferma. Havia doze anos que sofria de uma hemorragia que não se deixava
estancar. Sangue escorria por entre as suas pernas. A vida se esvaía e ela não
se sentia com forças para viver, sem falar no constrangimento de sofrer de uma
menstruação crônica—especialmente num contexto onde o fluxo da mulher era
algo a ser cerimonialmente tratado como “impureza”. A mulher veio por trás e
tocou em Jesus. Imediatamente viu estar livre de seu mal! —Quem me tocou?—
indagou o Senhor. —Mestre, a multidão te oprime e te aperta e dizes “Quem me
tocou?”—questionava Pedro. —Alguém me tocou, pois, senti que de mim saiu
poder!—garantiu o Senhor. Milhares de mãos, nenhum toque! Uma única mão,
um toque que fez vazar virtude! A Arca era a simbolização da Presença de
Deus. Jesus era a Presença de Deus não simbolizada, mas Realizada:
Emanuel, Deus Conosco! Então, por que a Arca carregava o poder de matar
como símbolo e Jesus não, mesmo que Ele fosse a realidade do simbolizado?—
afinal, uma mão o tocou com fé e milhares o tocavam por razões diversas, talvez
bem menos nobres que a de Uzá!—mas ninguém saiu ferido! “O Filho do
Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salva-las!” O
fato é que eu poderia me estender para sempre aqui e nas diferenciações entre
a frieza do poder que procedia da Arca como símbolo em contra-partida à
seletividade, em Graça, que emanava de Jesus. O que desejo, apenas, é
estabelecer o seguinte: Morre-se ou vive-se diante de Deus com o coração! O
gesto de Uzá, exteriormente, era uma “irreverência” para Deus. Mas para Davi—
que via apenas externamente—tratava-se de algo cruel, que o entristeceu. Ele
não entendia aquela severidade de Deus. Ninguém poderia dizer que Uzá
morrera de nada que não fosse categorizado apenas como “uma irreverência”;
afinal, quem poderia saber o que ele levava no coração, como motivação,
quando estendeu a mão para tocar a Arca do Senhor? A mulher tocou Jesus
com fé. E só ficamos sabendo isto porque Jesus era maior que a Arca! Jesus
contou o que estava no coração da mulher! A Arca simbolizava, mas sua virtude
não dava explicações! Desse modo, depreende-se o mesmo princípio: A
presença de Deus nos torna nus e expõe o coração como único cenário que
vale diante de Deus. O homem vê a aparência. O Senhor, porém, vê o coração.
Por isto, mais do que olhar para as aparências exteriores—se meu assunto é
Deus—tenho que olhar para mim mesmo! “Examine-se, pois, o homem a si
mesmo e, assim, como do pão e beba do vinho, pois quem come e bebe sem
discernir o corpo, come e bebe juízo para si”. O sagrado está no coração! Caio
Fábio

UMA CARTA QUE NÃO SE DIZ-CARTA!

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Bem, este pode ser ou pode não ser um texto devocional. Para mim, o é. É
dessa fé que eu vivo. É apenas em razão dela que continuarei vivendo. Espero
que gere vida, e não morte. Leia com um bom coração.
*************************************************** -----Original Message----- From:
Pedro Henrique Sent: sábado, 2 de agosto de 2003 01:47 To:
contato@caiofabio.com Subject: Pecado sem filosofia! Mensagem: Se Jesus é o
"cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, por que ainda afirmamos que
somos pecadores? Cometemos erros, mas a partir do momento em que você
entende que Cristo levou seus pecados, não há necessidade de você ficar
pedindo perdão toda hora. Deus quer fé não uma falsa humildade. Paulo mesmo
fala que quem peca não é ele, e sim sua carne!? Ele é santo, justificado por
Cristo... O pecado só serve para controlar as pessoas, e ser uma arma na mão
do diabo para nos acusar. Gostaria de pedir sua opinião sobre minhas palavras,
pois quero crescer, por favor, não filosofe, diga simplesmente a pura e genuína
Palavra de Deus. Um abraço, PEDRO
*************************************************** Pedro Henrique: A total
honestidade me mandaria não responder. Sabe por que? É que você já sabe
tudo! Então, antes de tudo, sugiro que você não filosofe sobre a genuína Palavra
de Deus e ponha-a em prática com um bom coração. Então, não haverá
perguntas a fazer e nem respostas a dar. É simples: você está me vendo fazer
alguma pergunta de fé a alguém? A fé que eu tenho, tenho-a para mim mesmo.
Mas se eu perguntasse, de fato perguntaria para o meu bem, e não para o meu
mal. Mesmo crendo que você apenas "perguntou"—mesmo que sabendo que
você não perguntou!—, vou responder na boa fé, como se você tivesse
perguntado. "Pedro Henrique", eu, Caio, peco porque sou pecador. Se fosse o
contrário, eu só seria pecador se pecasse. Não sei se com você é diferente, mas
comigo é assim... Paulo disse que ele era em-si-mesmo pecador, não passou a
mão na "própria cabecinha", e nem jamais ensinou a Doutrina de Balaão ou a
dos Nicolaítas, que era uma versão “cristã’ de um dos “aplicativos” do
gnósticismo. Veja que até para responder sem filosofia tem-se que pelos menos
saber a história do pensamento filosófico! Essa variável do gnosticismo—que no
geral preconizava a salvação pela elevação pela via do saber—afirmava, em
razão dos gnósticos crerem que matéria e espírito existiam em dualidade—ou
seja: em separação—, que aquilo que o corpo fazia, não afetava o espírito, e
vice versa. Ora, isto é heresia. Meu ser é um só. Espero que o seu não esteja
departamentalizado... E a totalidade de quem sou é habitada pelo pecado. Não
há nem um cantinho de meu ser que não o seja! Paulo disse: O pecado habita
em mim... Davi isse: Sou nascido em pecado...em pecado me concebeu minha
mãe... Você pergunta: como, se o Cordeiro “tira” o pecado do mundo? Tira o
pecado... O tempo do verbo no grego, determina uma ação contínua... Ele tirou,
tira e tirará—isto é o que nos faz poder viver, não viver para pecar. De fato, o
Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, e nem por esta razão o
pecado deixou de existir e de ser tratado como tal. Na Cruz de Jesus, consuma-
se o que já estava consumado em Deus! Mas nem por isto deixou de haver
pecado no mundo, nem mesmo entre os creram Nele, antes, durante ou depois.
Então você pergunta: Que salvação é essa? Que perdão é esse? Pra que
serve? Bem, eu não posso responder nem por você, nem pelo seu pai, nem pela
sua mãe, nem pelos amigos de seu pai, nem pela sua igreja, nem pelos seus
vizinhos, nem por mais ninguém... Mas no que me diz respeito, tudo está muito
simples: Em Cristo eu sou! Fui salvo, estou sendo salvo e serei completamente
salvo, apenas porque já estou assentado nos lugares celestiais em Cristo; e só
estou lá porque o Cordeiro foi imolado por mim antes da fundação do mundo,
derramou Seu Sangue na Cruz, morreu por mim, e também levantou da morte, e
eu Nele; e assentou-se nas regiões celestiais acima de todo principado,
potestade e poder—e já estou também com Ele assentado nas regiões
celestiais, apenas ainda estou aqui, embora minha segurança já esteja lá.
Enquanto isto, entre outras coisas, eu respondo o seu e-mail... Bem, você disse
para eu não filosofar. Não entendi bem, porque tudo o que não há aqui é
filosofismo. Mas se você quer simplificação, ta aí uma! Sugiro que você leia sem
filosofia, sem teologia e sem catecismo humano os textos de Romanos 6, 7 e 8.
Leia honestamente, e me diga você, a que conclusão você chegou... Veja se no
cap. 6 todos não pecaram em Adão e também se não pecaram à semelhança de
Adão? Veja se no cap. 7 Paulo não afirma que sua essência humana não estava
completamente atingida pela ambigüidade do pecado? Veja se no cap. 8 Paulo
não diz que a condenação acabou para quem está em Cristo? Bem, respondi a
você? Não sei! Respondi, mas não sei se foi para “você”. Só sei é que você não
perguntou porque não soubesse, mas apenas porque quer saber o que "eu
penso"—ou seja: se é heresia ou não o que eu ensino! Dá pra sentir quem é
aquele que pergunta porque precisa. Perguntar, vem de "per conta"...ou seja:
pela vara (conta) que tira da superfície da água as folhagens, para que se veja o
fundo, o leito do rio. Esse é o significado de onde vem a palavra "perguntar".
Quem pergunta deve desejar saber, não apenas se informar. Se for apenas um
informação que se deseja, a gente deve dizer: Escute aqui, eu penso "isso",
será que você pode me dizer o que você mesmo pensa sobre o assunto? Nesse
caso, eu responderia: leia o site, tá tudo aqui! “Pedro Henrique”, eu estou salvo
em Cristo a fim de poder caminhar sendo salvo dos efeitos do pecado. Pois,
sem a salvação, ninguém é salvo do pecado! O problema é que há pessoas
acham que se elas parassem de “pecar”—como se conseguissem: por exemplo,
um e-mail "virtual", que não confessa a verdade, já é pecado!—, elas seriam
pessoas pecadoras que já não pecam; ou, num visão ainda mais pecaminosa,
elas deixariam de ser pecadoras. Então, resta-lhes ir ao Templo orar ao lado do
Publicano! Bem, eu até hoje nunca deixei de discernir pecado em mim todos os
dias—mesmo nos “melhores” dias!—, e nunca me senti nem pior e nem melhor
diante de Deus em razão disso. Eu estou em Cristo, tudo o mais eu busco para
o meu bem e não para o meu mal, pois, aquele que sabe fazer o bem, e não faz,
nisto está pecando. Sugiro que você pense menos filosoficamente em pecado.
Somente um ser fixado na filosofia da teologiazinha, é que pensa que pecado se
explica. Você sabe o que é a Verdade. Creia nela e você viverá! De minha parte,
sei que tudo o que não provem de fé, é pecado. Também sei que bem-
aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Davi diz nos
Salmo 32 e Paulo confirma em Romanos—leia de 3 a 5—, que pecado é aquilo
que Deus imputa a nós. Algumas vezes essas coisas podem nos passar ocultas.
Mas, na esmagadora maioria das vezes, a pessoa sabe quando o que faz é
pecado aos olhos de Deus. Mas nem sempre o que é pecado para Deus, é
pecado para os homens. E nem sempre o que é pecado para os homens, é
pecado para Deus. Portanto, muito daquilo com o que os homens sofrem, é
aquilo que os próprios homens atribuem uns aos outros como pecado. E, por
essa razão, muitas vezes deixam de saber o que é pecado para Deus porque
vivem apenas para vencer umas listinhas neuróticas que lhes foram dadas pelos
homens; e que são mantidas pelos próprios homens, e para o seu próprio mal.
Em Cristo esse papo ficou furado! E sabe, o Caminho é assim tão solidamente
estreito, para que apenas o justo justificado passe por ele. Afinal, o justo viverá
pela fé! E, a fé em Cristo, meu querido, implica em crer que já estou salvo,
embora peque sobretudo quando penso que não estou pecando. O pior pecado
de quem já está em Cristo é achar que não peca mais. Desfez-se o Escândalo
da Cruz! Em Cristo, todos souberam que igualmente pecaram. E todos
souberam que seus pecados estão perdoados pela fé na Graça de Deus. E
todos os que têm esse fé, não vivem mais da prática do pecado, embora
pequem praticamente o tempo todo, pois, são pecadores. Assim, são bem-
aventurados não porque não pequem, mas porque, em Cristo, Deus não
imputou a nós as nossas transgressões, mas nos reconciliou com Ele mesmo. E
o diabo gosta é de encontrar cristãos no ponto em que você está: quase salvo,
quase certo, quase crente, quase sabendo, quase entendendo, quase, quase—
mas sem tomar posse para si mesmo do benefício alcançado, ou tentando torcê-
lo para o seu próprio mal. Nós somos salvos pela Graça e para boas obras... O
mais, sei que você sabe, e só acreditarei que você não sabe, se me telefonar
dizendo: Eu sou o Pedro Henrique, fui eu quem lhe enviou aquele e-mail. Aquele
que vinha cheio de certas incertezas certas... (No particular lhe deixarei o meu
telefone, já que senti que você mora aqui do lado). Do contrário, se você não me
ligar confirmando que sua pessoa não é virtual, digo eu: Faze o que tu sabes e
tu viverás ou morrerás! A fé que eu tenho, tenho-a para mim mesmo. E a fé não
é de todos! Fale-me de suas obras, e eu saberei sobre a sua fé. E não me fale
de sua fé, pois nada saberei de suas obras. Obras? Leia Tiago... Fé, leia...a
Palavra. A Fé vem pela Palavra de Deus, não do Caio! Mas não “leia” a fé.
Quem tem, sabe. Quem não tem, a busca. Quem tem dúvida, pergunta com um
bom coração. Quem pergunta só por perguntar, está pecando, pois está escrito:
Não tentarás ao Senhor Teu Deus. E no mesmo espírito da verdade, eu digo a
você: Não tente o seu irmão com aquilo que você sabe. Se você não sabe, me
fale de seus conflitos. Se você sabe, resolva-os você mesmo diante de Deus. Se
você quer apenas saber o que eu penso sem filosofia, então, fica pra você a
mais não filosófica de todas as afirmações de Paulo: O Senhor conhece os que
lhe pertencem! Naquele que é Virtude não virtual, e que sabe quem somos e
conhece os segredos de nossos corações, Caio

MEU PASTOR DIZ QUE VIVE ATORMENTADO POR DEMÔNIOS!

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Nomes e identificações são sempre retirados a fim de se garantir a total


privacidade. -----Original Message----- From: Roberto Sent: terça-feira, 22 de
julho de 2003 To: contato@caiofabio.com Subject: Questões de uma ovelha
confusa... Mensagem: Prezado Caio, Gostaria de saber a sua opinião sobre
algumas coisas que tenho ouvido do meu pastor, e que a muito têm me
incomodado. Sei o quanto você deve ser ocupado, e sinceramente não espero
que você me responda. Preciso saber a opinião de alguém que não esteja
contaminado e influenciado com tantas "novidades" advindas no meio
evangélico. Seguem, algumas frases que ouvi do meu pastor, no púlpito.
Gostaria que você comentasse. *************************** (Agora, Roberto, falo
eu: Caio. Responderei suas questões no corpo de seu e-mail, como se fora uma
entrevista. Certo?) ************************** 1. "Todos os dias demônios tentam
me matar. Vocês nem imaginam o que passo . . ." Resposta: Seu pastor ainda
não tomou posse do fato que o “escrito de dividas” que havia contra nós, e que
constava de ordenanças, já foi encravado na Cruz. É essa certeza que despoja
o poder dos principados e potestades na vida humana, conforme nos ensina
Paulo, em Colossenses. Sem conhecer seu pastor, ouso afirmar que ele é da
Lei, não descansou na Graça. Para quem está na Lei o tormento é esse mesmo.
Fica tudo do jeito que o Diabo gosta. 2. "A oferta legaliza o culto a Deus.
Ninguém deve vir a um culto sem uma oferta ..." Resposta: A oferta que dá
sentido ao culto foi oferecida de uma vez e para sempre, por Jesus, na Cruz. Se
seu pastor lesse e entendesse a epístola aos Hebreus ou aos Gálatas, não
falaria algo tão pagão assim. Isso é coisa de “despacho”. Infelizmente a “igreja
evangélica” tá mais na “encruzilhada” do despacho, do que na Cruz, que a tudo
despacha para sempre. 3. O que acontece no mundo material é fruto do que
ocorre no espiritual..." Resposta: É o contrário: o que acontece no mundo
espiritual é que é resultado do que acontece aqui e agora. A serpente se
alimenta do pó da Terra, e o Diabo come a comida que a ele servimos: culpa,
medo, neurose, fobias, maldades, etc...Este site está cheio de Boas Novas a
esse respeito. Navegue nele e você terá as respostas de que precisa. 4. Por fim,
gostaria de ver publicado no seu site a sua opinião sobre a "Visão" da Igreja em
Células. Resposta: Bem, como disse, se você navegar, vai encontrar. Navegar é
preciso, se viver é preciso. Navegue e ache Bons Portos. Não repetirei, outra
vez, o que aqui já disse, pois, do contrário, não faria sentido eu ter um site—se
tiver que repetir sempre tudo outra vez! Espero que me entenda. Mas é que
nunca faço o mesmo trabalho duas vezes. Meu trabalho é fazer uma vez. O seu
é navegar e achar. Um grande beijo, Caio

ORAÇÃO PELA SABEDORIA DE VENCER!

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Responde-me quando eu clamar, ó Deus da justiça que me justifica! Mesmo na


angústia tu tens me dado ainda espaço para sobreviver e respirar; por isto, tem
misericórdia de mim e ouve a minha oração no dia de hoje. Homens e mulheres,
ouçam-me: Até quando converteremos glória em infâmia? Até quando faremos o
que é bom passar por mal? Até quando amaremos a aparência e chamaremos
de verdade aquilo que é somente mentira? Saibamos todos nós que o Senhor
separou para si todo aquele que anda em misericórdia e em compaixão para
com o seu próximo, e também a todo aquele que não diz “Bem-feito!” quando
seu irmão tropeça. Antes, dele se condói e o ama com Graça. O Senhor me
ouve quando eu clamo por Seu socorro! Por que não ouvirei eu os gemidos de
meu próximo, quando em dores pede a Deus ajuda? Quando eu me irar, ó
Deus, salva-me de que a minha ira gere pecado de raiva odiosa. Antes, ajuda-
me a olhar sempre para o meu próprio coração, concede-me acalmá-Lo no teu
cuidado, e, então, sossegar em silencio e paz em minha cama. Irmãos, não
importa qual seja o dia, se bom ou se mal, confiemos no Senhor! Muitos dizem:
Quem nos mostrará o bem? Minha oração, todavia, é outra. Eu digo: Levanta,
Senhor, sobre nós a luz do teu rosto! De minha parte sei que não há bem para
eu ver que não apareça como revelação da Luz de Deus! Deus meu, tu puseste
no meu coração, mesmo no dia da angustia, mais alegria do que a deles no
tempo em que as coisas lhes vão bem—sim! mesmo quando têm abundancia de
pão e vinho! Em tua Graça minha alegria se perpetua, pois, tua Graça é melhor
que a vida, e alegra mais que qualquer vitória que a mão do homem possa
conseguir. Tu me puseste mesa de Graça, e a mim a serviste com o pão da
gratidão e com o vinho da alegria, para que eu bebesse na presença daqueles
que diziam: ele está acabado para sempre! Agora, livra-me de toda e qualquer
arrogância, pois, tu és o Deus que te levantastes contra Edom e Efraim, quando
não tiveram dó de seus irmãos, quando sobre eles veio a tua poda. Regozijo-me
no teu salvamento, não no esmagamento deles! E nisto também busco verdade
em meu coração, tu o sabes ó Deus! Em paz me deitarei e dormirei, porque só
tu, Senhor, me fazes habitar em segurança, mesmo que seja entre balas
perdidas e dores achadas, no meio do povo no qual me fizeste nascer e viver.
Salva-me de todo sentimento de vitória humana, pois, daí advêm ingratidão e
soberba. Guarda meu corpo com saúde, minha alma com gratidão e meu
espírito, preserva-o em Verdade. Teus filhos assim te buscam Hoje! Amém! Caio

DE PASTOR PARA PASTOR...COM A ASSISTÊNCIA DAS OVELHAS!

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Nomes e todas as formas de identificação, são retirados por mim em cada


Resposta que aqui eu cole. Exceto aqueles e-mails nos quais as pessoas já me
enviam dando-me tal permissão ou ensejando essa liberdade. -----Original
Message----- From: Daniel Sent: domingo, 6 de julho de 2003 To:
contato@caiofabio.com Subject: Minha alma pastoral quebrou... Mensagem:
Pastor Caio, Fui fundador de uma denominação na cidade...e em pouco tempo
eu já contava com quatro mil almas...50 pastores e uns 300 obreiros. Assim, no
curso dos anos perdi a alegria e o prazer com a vida, me tornando uma maquina
do evangelho. Planejei minha destruição e deixei tudo...indo morar noutro lugar.
O sistema me matou... Infelizmente ele foi criado por mim mesmo... A ajuda que
peço, é porque meu senso crítico é tão aguçado, ou sou tão cheio de justiça
própria, que não consigo receber a Graça de Deus e sair deste funil espiritual.
Talvez possa me ajudar a compreender e aceitar a Graça de Deus... Grato
Daniel ************************** Meu querido Daniel: Sinto muito que você tenha
esperado tanto pela minha resposta. Perdoe-me, de coração! Sei do que você
está falando. De 1973 a 1991 servi a Deus com prazer e alegria. Só me ocupava
da Palavra. Em 1991 duas coisas me aconteceram, e para minha constituição
humana e espiritual, me fizeram muito mal: 1. Aceitei, contra todos os meus
desejos durante toda a vida, ser eleito para uma função de natureza político-
religiosa. Na própria posse eu declarei que não havia nascido para aquilo. Disse:
“Eu sou Biribá, não nasci para ser Fruta do Conde”. Dois anos depois, percebi
que aquele não era um serviço pastoral, mas uma atividade de gari, limpando
esterco de pastor. Pelo menos, à época, era de esterco que aquela posição me
ocupava o tempo todo. Devagar...o bicho mal cheiroso foi penetrando em meu
ser, e fui perdendo a alegria de servir. Fui tentando sair daquilo pelas beiradas,
mas até nas beiradas havia “aquilo”. Tive minha primeira depressão. Olhava
para trás e sabia que aquele caminho negava tudo aquilo pelo que eu havia
vivido. Fui morrendo enquanto meu sucesso “naquilo” era celebrado. 2. Com a
aceitação da função político-religiosa, vieram outras implicações. Eu tinha que
ter dinheiro para manter aquilo e tudo mais. De súbito, um abismo chama outro
abismo, e um ministério chama outro ministério—no fim você não sabe por que
Mistério você está naquele Ministério. Vai perdendo o sentido. Em 1994 meu
coração não suportava mais...Me perguntava todos os dias, em meio a
inigualável sucesso, honra, respeito, e quase canonicidade, o que eu estava
fazendo ali. Fui me deprimindo, mas não podia deixar de manter o circo
funcionando. Agora eu corria atrás do próprio rabo, e as reuniões de trabalho e
os negócios do ministério, me roubavam todo o tempo que antes era da Palavra.
Fui secando por dentro. A alma era sensível, daí, sempre haver conteúdo. O
espírito tinha comunhão com Deus, daí, sempre haver bom-senso em tudo o
que dizia. A mente pensava rápido, daí poder fazer tantas coisas ao mesmo
tempo. E a base da fundação espíritual de meu ser havia sido, pela Graça de
Deus, espiritualmente rica e humana no exercício de minhas relações. Então, eu
fazia "saques" do meu próprio passado para poder viver o presente. Mas o
coração estava apenas excitado, mas não estava contente. O resto foi apenas o
acumulo e necessidade...e ladeira abaixo, todos os crentes ajudam! Pelo que
percebi, você está vivendo a estação das culpas. Caiu a ficha das perdas e você
não se perdoa. Então, para muitos o que sobra como melhor cenário é tentar
fazer como Pedro no Mar de Tiberíades: tentar puxar a rede cheia de 153
grandes peixes, sozinho. Surge também nessa hora o remorso de Judas, a
depressão de Elias, o mau-humor mortal de Jonas, o pranto de Davi: Absalão,
Absalão, meu filho Absalão!—tentando carregar até os pecados dos filhos!
Também conheço essas aflições. Sem falar na raiva de Sansão ou mesmo no
cumprimento de votos éticos só explicados por você à você mesmo, como
aconteceu com Jefté, quando imolou a filha... Sim! sei o que é sofrer com
Elcana. E conheço da dor de Davi quando "realizou" a injustiça feita contra
Urias. Conheço o ódio de Jezabel e senti a tristeza envergonhada de Bateseba.
Fui visitado pelo Anjo quando morria de medo na cova dos Leões. Conheci as
pedradas de Simei, e assisti meus conselheiros se voltarem contra mim, como
na sublevação de Jerusalém pelos conselheiros de Davi. Conheci os saltos de
um coração que palpita ante a consciência da decisão politica de mandar fazer
um estupido censo. E tive que escolher entre cair nas mãos de Deus ou na mão
dos homens. Enquanto isto a vida é um salmo de agonia. E sua consciência
profetiza o tempo todo contra você mesmo. A alma recusa consolar-se. A Graça
parece ser apenas para os outros. A nossa "graça" não nos perdoa. E, os
“colegas”, muitas vezes, lhe desejam mais desgraça ainda... Desgraça pouca
para um cara como eu, era bobagem... Depois vieram os profetas de cachorro
morto, dizendo: Eu sempre soube...que algo iria acontecer! Mas se eram
profetas, por que aos invés de me adularem--como alguns faziam--, ou de me
perseguirem--como era o caso de outros tantos--...não vieram "proféticamente"
me falar o que disseram depois, terem sabido antes? E mais depressão... E o
pior: aparece sempre o pior de nós e de nossas carências nesta hora. Um
abismo sempre chama outro abismo para as aventuras do buraco! Numa hora
dessas o que de pior pode nos acontecer é a visita dos Amigos de Jô. Eles
oprimem mais que o Diabo. Então começam a vasculhar a alma da gente... E
até aquelas coisas que um dia foram as suas virtudes, passam agora a ser parte
de uma antiga dissimulação sua...e que você havia escondido muito bem—é o
que os abutres imaginam. Aí, meu amigo, você tem que decidir se é Judas ou se
é Pedro! Se, tocado de remorso, se mata... Ou se arrependido, vai ao encontro
de Jesus, mesmo que seja na praia... Eu fui, literalmente, para a praia. Foi
quando na Florida, numa noite das mais escuras, tirei a roupa...e fui nu para o
mar. Somente um, talvez dois amigos...ficaram comigo. Fiquei três anos na
praia. Queimado. Ardido. Belamente magro e dolorido. Mas fui para a praia com
Jesus! E sabe o que descobri? Que meu pecado já estava perdoado desde
antes da fundação do mundo! E que o Pacifico era raso se comparado ao lugar
para onde ele foi banido para sempre! Ora, eu sempre soube disso. Mas nunca
tinha tido que transformar teologia em psicologia da Graça aplicada a mim
mesmo. Então, descansei... Arrependimento? Muitos! Mas quase todos não do
que me acusaram de ter feito, mas daquilo que eu permiti que fosse feito de mim
—e, muitas vezes, até consenti. Sabe o que penso? Se você tirar um tempo
para navegar pelas águas deste site, seu coração encontrará muitos Bons
Portos. E mesmo que você esteja ainda nas tempestade...jogue tudo fora...que
se perca o navio...mas que não se perca a sua vida. Que adianta ao homem ter
uma grande igreja e perder a sua alma? Que adianta ao homem evangelizar o
mundo todo e terminar seus dias sem alma? Que adianta ter todo esse Poder
que mata a alma? De minha parte, dou graças a Deus por tudo o que lhe
aconteceu—mesmo sem saber o quê aconteceu ou como—,pois, não tenho
dúvida de que você está à caminho de se tornar muito melhor. Se perguntassem
hoje a mim e a meus filhos—e até àqueles que sofreram as conseqüências
próximas de meu desastres—, se eles gostariam que tivesse sido diferente, a
resposta, eu sei, seria uma só: de modo nenhum! Gostaram? É claro que não.
Mas aprenderam que o Bem de Hoje não existiria sem o Dia Mal de Ontem.
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente! E, nas mãos Dele,
de fato, tudo coopera para o bem. Especialmente se a gente Confiar. Agora,
meu amado: CHEGA DE SOFRER COM JUSTIÇA PRÓPRIA! ESTÁ
CONSUMADO! O ESCRITO DE DÍVIDAS FOI PAGO! FIQUE LIVRE DESSE
MAL! Seu irmão de Estrada e de Praia, Caio

SEM IRREVERÊNCIA: QUEM NÃO GOSTA, QUE NÃO COMA!

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Ez 4 Um dia, sem maiores explicações, como costuma fazer, Deus disse ao Seu
servo Ezequiel para cozinhar e comer sua comida sobre fezes humanas. Aliás, a
alma de Ezequiel lidava bem com a arte da interpretação...mas não com as
artes culinárias. E Deus se serviu desse dom que Ele mesmo dera a Ezequiel, a
fim de fazê-lo comunicar a Palavra. De vez em quando Deus faz assim. Cria
uma cena...e a mensagem é entendida! Mas naquele dia Ezequiel achou que
Deus estava extrapolando. Apesar de que ele não estava inaugurando uma
era...e nem seria o último naquele tipo de papel. Isaías andou nu. Jeremias
também teve seu quinhão de “mico a pagar” a fim de fazer a mensagem de
Deus ser entendida. Se alguém quer ser de fato mensageiro de Deus, fique
também preparado para a possibilidade da vida ter que se tornar a
parabolização ou a caricatura da própria mensagem...tudo isto para chamar a
atenção da consciência dos estúpidos. Deus ama os estúpidos...Oséias que o
diga. Teve que casar com a mulher sexualmente compulsiva apenas para que
na promiscuidade dela se pudesse ver a prostituição espiritual de Israel, e no
amor gracioso de Oséias, se pudesse discernir a loucura, o absurdo irreferível
do amor de Deus pelo Seu povo. O próprio Ezequiel já havia “desempenhado
alguns papéis” conforme o roteiro divino. Recentemente ele havia simulado o
cerco de Jerusalém tendo que ficar andando em volta de uma “maquete” da
desgraça... Talvez assim os estúpidos pudessem enxergar...mas quem creria?
Bem, o assunto é fezes e “isto” é sempre é um assunto freud para a sensível
consciência religiosa, embora não o seja para o paladar religioso. Assim falou
Deus a Ezequiel: Ezequiel, tu comerás a tua comida como bolinhos de cevada, e
à vista de todos assarás os bolinhos sobre excremento humano. Ezequiel achou
que não havia entendido bem. Mas Deus prosseguiu: Em bolinhos...é que
comerão os filhos de Israel o seu pão imundo, entre as nações para onde eu os
lançarei... Ezequiel entendeu que era exatamente aquilo mesmo que ele havia
entendido. Seu estomago revirou. Sua a mente imaginou o ridículo. Sua alma
repugnou tanto a coisas em si, como também o sentir psicológico que aquilo
seria para ele: vergonha e mais um atestado de insanidade mental. E seu
espírito recusou aquilo que para um homem como ele era não apenas nojento,
mas espiritualmente abominável. Assim falou Ezequiel: Ah! Senhor Deus! minha
alma nunca foi contaminada com nada disso. Desde de menino até agora jamais
comi nem animal que morre de causas naturais, ou que tenha sido dilacerado
por feras; e nenhum tipo de carne cerimonialmente abominável nunca passou
pela minha boca. O Coração de Ezequiel batia acelerado. O que Deus lhe iria
responder? Assim falou Deus: Vê, Ezequiel: ao invés de excremento humano,
eu te dou esterco de bois. Mas é sobre excremento que prepararás o teu pão.
Que alivio?! Que nada! Não era de homem, mas era...de qualquer jeito! E
prosseguiu Deus: Filho do homem, eis que “quebrarei” todas as padarias de
Jerusalém. Assim, seus habitantes comerão o pão...com ansiedade; e beberão a
água “medida” e com muito espanto. E será assim até lhes falte o pão e a água,
e se espantem uns com os outros, e se definhem na sua maldade. Então o
poeta William Blake imagina a cena, há quatro séculos passados, e pergunta:
Ezequiel, o que você faz aí...deitado nessa...coisa? E por que você está
comendo “isso”? Que gosto é esse? Ezequiel responde: Como teria você sabido
de minha mensagem se eu não tivesse comido fezes? Li essa questão de Blake
para Ezequiel no domingo passado. Não é nada mais longo do que aqui expus.
E fiquei pensando naquilo que com muita freqüência penso—aqui neste site há
inclusive textos sobre o tema, um deles é “O Profeta Nu”—, e que tem a ver com
o fato de Deus, não raramente, usar de um tipo de marketing que a “Igreja”
jamais aceitaria. Outro texto deste site que fala do assunto é o “Marketing da
Ressurreição” e nele mostro como até para escolher os testemunhais da
Ressurreição, Deus só aprovou gente que o marketing da “igreja” jamais
recomendaria. O profeta chama atenção pelo que ele encarna—mesmo que isto
o descarne! A “Igreja” tenta fazer propaganda daquilo que ela não é—e com
certeza não está disposta a ser! O marketing do profeta é o anti-maketing para a
“igreja”. O profeta tem que comer excremento forçado.A “igreja” esconde que
come excremento, e faz propaganda de cereja. Irmãos, sei que é duro ouvir o
que falei, mas quem pode dizer que não é verdade? Hoje, quando vejo toda
essa onda de marketing cristão, fico pensando para quê. De fato, a Igreja não
precisa de Propaganda se ele for um fato! Ela não está aqui para ser conhecida.
Ela está aqui para fazer Jesus conhecido pelo amor com o qual os irmãos
amam-se uns aos outros. Quem faz o marketing da Igreja é o Espírito, quando
cura, restaura, consola, estabelece a vitória da Graça sobre a culpa, e expele
demônios ocupando Ele mesmo o coração antes mau-habitado. Sinais seguem
os que crêem...ou não? Há uma igreja no Brasil que quase ninguém conhece, e
que tem mais de quatro milhões de membros e mais de vinte mil casas de
oração... Essa igreja chegou aí sem marketing. Aliás, lá entre eles isso é coisa
do Demo. Quero dizer que não se deve usar meios de comunicação para pregar
o evangelho? De forma nenhuma! Estou dizendo é que a “igreja” não usa tais
meios para divulgar a Palavra, mas para falar bem de si mesma: seu poder, seu
sucesso, sua grandeza, sua capacidade de influenciar na política, sua força
espiritual e sua grandeza terrena. Quando a alma da “igreja” está tão cega
assim—que não pode se enxergar—, Deus manda o profeta andar pelado,
andar em círculos, usar cinto podre, esconder comida no chão, casar com uma
prostituta e perdoá-la sempre, e até comer...fezes humanas, com a graciosa
variável de que, quem sabe, dependendo do estômago do profeta, possa haver
uma leve troca no cardápio: ao invés de ser...de gente, pode ser....de boi. Então
vem a “igreja” e pergunta a Ezequiel: Ei, seu doido! O que você faz aí comendo
essa...de boi? Isto depois que a conversa em volta não é outra senão essa:
Agora o cara tá tão doido que tá até comendo...de boi. Entrou numa de andar
nu... Casou com uma maluca... Você viu o cinto dele? Ih! Que roupas são
essas? Tá inventando moda... E nem sabem que ali, no ridículo, é onde a
Palavra de Deus está! Moda era tudo que aquilo não era. Aquilo era o modo
como a mensagem estava chamando a atenção. E para o profeta não era bom.
Mas para a mensagem, era ótimo. Afinal, a resposta de Ezequiel aos que
queriam saber de sua loucura era uma só: Ando assim e como isto, apenas
porque vocês só enxergam a...que fazem e são, quando vêem alguém
comendo...Pois, vejam...hoje vocês já estão nela...amanhã...nem mais elazinha
vocês terão. E sempre conclui: Hoje ainda é Dia de Salvação! Quem não gosta,
que não coma. Mas lembre: sem Deus, nesta vida, cada um come o que gosta,
e, no fim...é tudo a mesma...coisa! Os que foram para o cativeiro, que o digam!
Caio

CONFISSÃO E CURA!

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Feliz é aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto pela graça
de Deus. Feliz é o ser humano a quem o Senhor não atribui a iniqüidade, e em
cujo espírito Deus não vê a deliberação da maldade. Sei disso por experiência
própria, pois, enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo
meu incessante bramido interior o dia todo. Silenciei, mas minha alma bramiu.
Calei-me, meu espírito, todavia, não cessou de gemer. O silêncio não era a
confissão que meu ser demandava fazer. Assim, sentia a Tua mão pesando
sobre mim o tempo todo, meu apetite desapareceu, minha alegria de viver
desvaneceu, meu humor perdeu o húmus e o chão de minha alma secou como
a caatinga. Até que... Sim! Tu sabes... Abri as comportas do ser, tirei o selo de
minha boca e falei a verdade que Tu sabias: confessei-te o meu pecado, e a
minha iniqüidade não encobri! Ah! Quando decidi falar, esperava ser esmagado
pela Tua mão. Assim mesmo eu disse a mim mesmo: Confessarei ao Senhor as
minhas transgressões... Que lindo susto tive com a Tua infinita misericórdia,
pois, ao invés de me esmagares como a um inconveniente inseto, Tu perdoaste
a culpa do meu pecado. Pecado era, Tu é que me absolveste de toda culpa
quando com verdade falei-te o que em mim eu sabia ser verdade, mesmo contra
mim. Desse modo Tu conquistas a piedade para o coração daquele que Ti
ofendeu ou ao próximo. Pois, sendo Tu cheio de graça, todo aquele é piedoso
orará a Ti, a tempo de Te poder achar... Além disso, quando o dilúvio se lhe
abater sobre a vida e os rios das correntes do ódio e da destruição vierem sobre
ele com o rancor das pororocas ressentidas...sim, quando trasbordarem as
muitas águas não cobrirão a sua alma. Tu és o meu esconderijo. Preservas-me
da angústia. De alegres cânticos de livramento me cercas. Assim Te ouço dizer-
me: Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; aconselhar-te-ei,
tendo-te sob a minha vista. Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que
não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não
se sujeitarão. E ouvindo assim a Tua voz, aprendi que o ímpio tem muitas dores,
mas aquele que confia no Senhor, a misericórdia o cerca. Por isto digo a todo
aquele que me desejar ouvir: Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós,
justificados; e cantai de júbilo, todos vós que tendes o coração lavado pela graça
do perdão. Amém!

MEU PAPAI E MEU PAI!

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Papai me faz muito bem! Hoje, dia primeiro de julho, à noite, tive uma dor que
muito me entristeceu. Estranhamente, entretanto, ela não teve nenhum poder de
me tirar a paz. Não estou falando de besteira—besteiras eu nem sinto—estou
falando de coisa que dói mesmo. Tinham me dito pela manhã que meu pai me
ligara. Na tristeza lembrei em retornar a ligação, que na correria do dia, havia
ficado postergada para a noite. Coisa de filho que conhece o pai. Liguei e disse
como estava me sentindo. Ele ouvia quietamente solidário. Depois me arrependi
de ter jogado aquilo sobre ele. Muito raramente o fiz. Entre eu e ele palavras têm
pouco valor. Olhares, respirações, pausas, expressões, energias—sim, essas
coisas falam tudo. “Meu filho, não se preocupe. Seu paizinho já não se angustia
assim. Levo tudo em paz para a presença de Deus. Ele é tão bom. Então,
quanto mais eu souber, mas estarei em paz diante Dele, pois, sei que Ele cuida
de nós.” É muito bom você olhar para alguém e ver que o Evangelho não foi vão
na sua vida. Estimula a gente a prosseguir para conquistar aquilo para o que já
fomos conquistados. E papai é uma dessas pessoas em quem eu vejo o mais
doce fruto do Evangelho da Graça de Deus. Caio Fábio

DE PAULO PARA O JOVEM TITO

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De: Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos
de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, em
esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes
dos tempos dos séculos; mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela
pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso
Salvador! Para: Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça,
misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso
Salvador! Meu filho, te deixei em Creta para que pusesses em boa ordem as
coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros,
conforme já instruí: Gente que for irrepreensível, marido de uma mulher, que
tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução e que não sejam
desobedientes. A razão é uma só: convém que o lider da igreja seja
irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo,
nem "chegado" ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância. Ao
contrário, deve ter o testemunho de ser dado à hospitalidade, amigo do bem,
moderado, justo, santo, temperante; e que retenha firme a fiel palavra, que é
conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã
doutrina, como para convencer os contradizentes. Digo isto pois a tarefa dele
será árdua, porque como sabes, há muita gente desordenada, faladora, vã e
enganadora, principalmente os judeus legalistas e os cristãos judaizantes—e
também todos os que trocam a Cruz de Cristo pelas leis dos homens. Acerca
desses eu te digo que convém tapar a boca, pois são pessoas que transtornam
casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância, são
enganadores e aproveitadores. Um deles, seu próprio profeta, disse: Os
cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos! O que ele
disse é verdadeiro. Portanto, eles mesmos se condenam no que falam. Então,
repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé...e não doentes e
adoecedores de outros. Para quem quiser ter uma fé sadia, eis meu conselho:
Não dêem ouvidos às fábulas judaicas e nem de qualquer outro tipo, nem
tampouco dêem ouvidos aos mandamentos de homens que se desviam da
verdade. E o critério para se saber quem entendeu o que eu ensinei em Cristo, é
simples: Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os
contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão
contaminados. Tu me perguntas por que? Ora, é que confessam que conhecem
a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e
reprovados para toda a boa obra. Assim, as suas obras são más porque sua
consciência é impura...é é assim porque a tudo vêem com impureza. Dessa
forma, quanto mais leis humanas impõe sobre os demais, mais adoecem ao
próximo e mais adoecidos ficam eles mesmos. Tu, porém, fala o que convém à
sã doutrina. Mas faze isto com todo sentido de propriedade e sabedoria,
sabendo que tua missão é ajudar a abrir o entendimento de todos eles. Assim,
aos velhos, diga-lhes que sejam sóbrios, graves, prudentes, sãos na fé, no
amor, e na paciência. As mulheres idosas, semelhantemente, dize-lhes que
sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas
a muito vinho, mestras no bem. Isto para que as mais idosas possam ensinar as
mulheres mais novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem
seus filhos. Além disso, devem também ser moderadas, sexualmente desejosas
de seus maridos e mentalmente dedicadas e fiéis aos seus sentimentos, boas
donas de casa, capazes de se sujeitarem a seus maridos pelo respeito e pela
admiração, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada. Exorta
semelhantemente os jovens a que sejam moderados. A juventude chama
consigo os humores da imoderação. Tu mesmo és jovem. Por isto, em tudo te
dá por exemplo de boas obras. Assim, na doutrina mostra incorrupção,
gravidade, sinceridade, e linguagem sã e irrepreensível. Deves ser e fazer assim
para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós.
Exorta aos que servem outros a que se sujeitem a seus superiores hierárquicos,
a fim de buscarem agradá-los como patrões, nunca contradizendo pelo prazer
de contradizer. Os que servem devem ser verdadeiros, não defraudando
ninguém, antes mostrando toda a boa lealdade, para que em tudo sejam como
um ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador. Meu filho, a graça de Deus
se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens! Ora, a manifestação
da graça de Deus nos ensina que devemos renunciar à impiedade e às
concupiscências mundanas, a fim de que vivamos neste presente século sóbria,
justa e piedosamente. Quem assim vive mostra estar aguardando a bem-
aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e
Salvador Jesus Cristo! A motivação que nos faz viver assim, vem de crermos
que Ele deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar
para si um povo especial. Um povo de gente boa e santa de Deus. Gente zelosa
de boas obras. Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade. Ninguém
te despreze apenas por seres jovem! Admoesta a todos que se sujeitem às
autoridades verdadeiras e as obedeçam, e, assim, estejam preparados para
toda a boa obra. Dize-lhes também que a ninguém infamem, nem sejam
briguentos, fofoqueiros e contenciosos, mas modestos, mostrando toda a
mansidão e bondade para com todos os seres humanos. Não devemos nunca
esquecer como éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados,
servindo a várias concupiscências viciosas e deleites sem significado, vivendo
em malícia e inveja, odiosos, e odiando-nos uns aos outros. Mas quando
apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os
homens... tudo mudou em nossa compreensão! E esse milagre não aconteceu
em razão das obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a
misericórdia de Deus, que nos salvou pela lavagem da regeneração e da
renovação do Espírito Santo. O Espírito se derramou abundantemente sobre
nós por causa do que Jesus Cristo nosso Salvador fez em nosso favor. E tudo
fez com propósito e com desígnio. Os que crêem em Jesus, sendo agora
justificados pela graça de Cristo, devem saber-se herdeiros de Deus segundo a
esperança da vida eterna. A Palavra é Fiel! Digo-te isto porque quero que
afirmes tudo com convicção, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-
se às boas obras. As discussões e brigas religiosas e legalistas às quais fiz
referencia, para nada aproveitam, exceto para subverter aos ouvintes. Mas as
boas obras falam de si mesmas. Daí elas serem boas e proveitosas a todos os
seres humanos! Tenho agora alguns conselhos a ti dar quanto ao exercício de
teu ministério. Não entres em questões loucas, genealogias judaicas e
contendas teológicas e doutrinárias, e nos debates acerca da lei; porque são
coisas inúteis e vãs. Ao homem que perverte a verdade do Evangelho, depois
de uma e outra admoestação, evita-o. Fica sabendo que essa pessoa está
pervertida na consciência, e peca na constituição de seu próprio pensar
arrogante e independente de Deus, estando já em si mesmo condenado, pois,
não crê no evangelho da graça. Quando eu enviar Ártemas, ou Tíquico para te
substituírem aí em Creta, procura vir ter comigo em Nicópolis. Decidi passar o
inverno ali. É menos frio para mim. Dá toda atenção à Zenas, doutor da lei, e
também a Apolo, para que nada lhes falte. Ensina os nossos irmãos em Creta a
aprenderem também a aplicar-se às boas obras, e busquem investir sua energia
em coisas que sejam necessárias, para que não sejam infrutuosos. Graça não
nos dá um certificado de esterilidade. Estimula-os a crescerem nas virtudes do
amor. Todos os que estão comigo te enviam um forte abraço. E por favor, saúda
os que nos amam na fé. A graça seja com todos. Amém.

JIM CARREY: O TODO-PODEROSO

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Para fazer o papel de Todo-poderoso só sendo um idiota. O filme onde Jim


Carrey faz o papel temporário de Deus é muito engraçado. Eu, entretanto, tive
razões diferentes para rir do ridículo. Isto porque nas dimensões da comédia já
estive naquele papel muitas vezes, durante décadas. Algumas pessoas que
viram o filme depois me disseram que se lembraram de minhas angustias no
papel de ouvir e falar com todos os que demandavam de mim atenções de
“mensageiro” do divino. A diferença é que Jim Carrey—no personagem que ele
representa—estava com raiva de Deus por tudo dar errado na vida dele.
Reclamou tanto com os céus que Deus apareceu a ele. Morgan Freeman é
Deus. Deus transfere as responsabilidades divinas para Jim Carrey e tira férias
no alto do Himalaia. Enquanto isto... Jim vai fazendo o poder de Deus ser usado
somente contra seus inimigos e em seu próprio favor. Chega mesmo a
aproximar a Lua da Terra a fim de seduzir a namorada. O planeta sofre as
conseqüências enquanto ele brinca de Deus: maremotos, enchentes, desastres,
alterações dramáticas na natureza (Bush gosta do papel). O mundo estava
esquecido... Então Deus fala com Jim outra vez e diz que o mundo tem que ser
cuidado com cuidado. Todas as engrenagens, mesmo neste caos, funcionam
para o bem—ainda que os humanos não enxerguem. Deus tem que ser Todo-
Poderoso, mas não pode brincar com o livre arbítrio e nem com a ordem
universal. Assim é que deve ser... As orações do mundo explodiam na cabeça
de Jim. Ele não agüentava tanta solicitação, tantos pedidos, tantas dores, tantas
perdas, tantas perguntas, tantos conflitos, tantos desencontros amorosos, tanta
injustiça, tanto tudo—e decidiu se organizar. Transformou as “vozes” dos
pedidos de oração em e-mails. Agora as orações já não chegavam mais como
vozes enlouquecedoras em sua mente. Elas tem que ser “baixadas” pela
Internet. A vidinha de Deus de Jim fica melhor um pouco... Então, milhares de e-
mails. Ele não ouve mais vozes, mas tem que ler as preces de todos. Perde a
paciência. Diz “Sim” para todos. Sua bondade conveniente se transforma em
caos para o mundo. Desastres econômicos, políticos e de toda sorte de
tragédias começam a acontecer. Um “Sim” de Deus para todos destruiria a
Terra. Jim, todavia, só queria ser ancora de televisão num programa de
telejornalismo. Era só no que ele pensava. No final...bem, não vou contar.
Prefiro que você vá ver e rir um pouco. E o que me fez rir mais que os demais e,
possivelmente, por razões diferentes? Eu nunca fiz queixas aos céus. Nunca
quis ser nada além de um homem usado por Deus. Entendi que meu ministério
poderia ser do tamanho do amor que eu sentia pelas coisas de Deus e conforme
a paixão que me movia. Eu tinha 19 anos de idade. Deus não me deu papel
divino para cumprir. Mas aqueles que me viram e ouviram entenderam que eu
tinha um canal especial, um telefone vermelho para o céu, um contato do mais
íntimo grau com a divindade. Lembro-me que aos 20 anos, além das centenas
de pessoas que já circulavam em volta de mim, eu ainda recebia e respondia
cerca de 200 cartas todos os dias—à mão, não havia computador—, e logo
passei a receber até dois ou três mil telefonemas por dia. O que estava
acontecendo? Ora, eu estava apenas pregando o Evangelho da Graça de Deus
e garantindo que Jesus ressuscitou e está vivo hoje. Então, o que houve?
Demorou muito para eu entender que Deus me havia constituído de uma forma
que fazia com que as pessoas confundissem facilmente a força da mensagem
com o poder do mensageiro. A mensagem é poderosa. O mensageiro, não! A
culpa é de Deus? É minha? É das pessoas? Não! Claro que não. Esta não é
uma história póstuma. Estamos todos aprendendo com ela—eu estou. Faço
apenas algumas cogitações sobre o fenômeno. O que terá acontecido? Talvez
por eu não ser tímido, não me acovardar ante os desafios, crer com paixão, me
expressar com intensidade, pensar com clareza, e me entregar a tudo que faço
como se fosse a última coisa que eu tivesse para fazer na terra—tenha gerado
uma expectativa diferente no coração das pessoas. Há lideres de movimentos e
igrejas enormes que nenhum dos membros deseja ou se sente necessitado de
tocar neles, falar com eles e mesmo ouvi-los—da forma como fizeram comigo.
Nem enviar substitutos para meus impedimentos de saúde ou familiares eu
podia. Era uma ofensa! “Você está sonegando a benção”—quantas vezes eu
ouvi. E pior: quanto mais humano eu me mostrava mais divino ficava. E os
abusos não cessavam nunca. O mundo podia até estar sendo abençoado. Mas
no meu caso era o contrário: era o meu mundinho humano é que não suportava
a pressão do mundo inteiro. Hoje mesmo, enquanto escrevo este texto, me sinto
ainda culpado. E a culpa não é do passado. Deus sabe que eu nunca tentei
fazer com que pensassem de mim além do que convém. Minha culpa vem do
presente. Há milhares de e-mails para serem respondidos. Tenho alegria e
prazer em responder a todos. Na maioria dos casos, os resultados são
maravilhosos. As pessoas sentem-se ajudas, de fato. Mas quanto mais eu
respondo, mais os e-mails chegam. Estou respondendo o 976 e não cessa de
entrar. Quando acabo de responder 20 e-mails já entraram mais 100. Então,
vem a pena de não conseguir ser rápido para responder e atencioso como todos
merecem. É culpa de não saber como fazer para ajudar. O fato é que há
pessoas que mesmo sabendo das lutas que eu enfrento—muitas delas são
caluniosamente públicas e são movidas por falta de notícia da mídia ou pelos
interesses que a manipulam—, ainda assim escrevem meio desaforadas
cobrando de mim prontidão de respostas para seus problemas quando não
param de chegar e-mails e nem cessam os meus problemas. Ou seja: Deus me
deu a graça de poder ser útil aos problemas dos outros, mas botou um baita
espinho na minha carne. Assim, vamos nos ajudar mutuamente. Certo? Faço a
minha parte. Tudo o que posso. Mas gostaria que ninguém me julgasse relapso,
desinteressado ou “nem aí” para o que está “rolando em sua vida”. Não quero
mudar o Fale Comigo do site para algo como Tente... Só gostaria era de não ser
cobrado. Passei a vida me sentindo cobrado. Ouvi vozes e clamores quase trinta
anos. Não sou nada além do que sou. E meu nome não engana. Eu caio. E
canso. Conto com os irmãos em oração. Eu, Caio

CENTRAURO: O HOMEM MAIS PRIMITIVO-1

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Rm 7—todo o capítulo. O bicho é humano.Ele é o centro, o centrauro! Esta é a


luta de sempre—ou melhor: desde que a consciência-de-si apareceu no ser
humano como conflito, na Queda. Paulo declara em Romanos 7 que essa é a
luta essencial. O instinto milita contra a consciência profunda. O querer é da
consciência. O realizar é do instinto. A consciência sabe que sabe. O instinto
sabe que precisa. A Queda estabeleceu a ruptura essencial—e esta veio a
crescer com as produções secundárias da culpa, condicionadas por tabus,
fobias, controle, poder, crença, cultura. Depois da Queda o que um dia estava
alinhado, desalinhou-se. Pendeu. Perdeu o prumo, o equilíbrio—errou o alvo.
Antes havia uma consciência no instinto e um instinto na consciência. Depois
passou a haver uma divisão, uma guerra, um antagonismo. Daí Paulo usar a
linguagem da guerra: milita contra... Assim, o instinto cresceu para virar pulsão,
compulsão, comichão, vício, obsessão, tara, loucura—tudo dependendo do nível
de escravidão que gere no instituado. Já a consciência se estabeleceu como
dever. Assim, quando pensa que sabe é porque já sabe que deve. Esse
encontro entre o instinto adoecido e a consciência enferma é a combinação de
elementos que nos aniquilam ao mesmo tempo em que constituem nosso ser
hoje. Somente o trabalho do Espírito, mediante a consciência em fé na obra
consumada por Jesus na Cruz e na Ressurreição, é que pode deflagrar o
processo de rejunção pacificada desses estados irreconciliáveis pela própria
natureza. Esse será o tema de Paulo no capítulo 8 de Romanos. Enquanto isto
creia que já não há mais nenhuma condenação para aquele que está em Jesus
Cristo, nosso Senhor. Falaremos sobre isto depois. Caio

CENTRAURO: A REDENÇÃO DO BICHO-2

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Rm 8—todo o capítulo. No texto anterior a este eu falei do conflito que se
instalou entre o instinto e a consciência—digo: instalou-se com a Queda. Assim
nasceram os Centrauros! Paulo trata desse estado em Romanos 7 e foi acerca
disso que também falamos no texto anterior. Aqui continuo de onde parei e
prossigo para onde prometi. Portanto, leia Romanos 8. Uma vez que Paulo
identificou e estabeleceu a incurabilidade dessa guerra entre a consciência e o
instinto, o que fica em nós é uma profunda tristeza. “Desventurado homem que
sou!”—clamou Paulo. A verdade é estranha. Primeiro ela faz o diagnóstico do
pior de todos os males e que é doença de todos na Terra. Depois de assim
fazer, surge então não um indicador para que se siga determinada regra a fim
de se curar o ser desse estado de divisão básica. Não é isto que acontece.
Paulo começa tão somente dizendo que “Agora...já não há nenhuma
condenação para os que estão em Cristo Jesus”. A seqüência nos afirma
basicamente duas coisas: 1. Deus, em Cristo, pelo amor do Pai e mediante a
obra do Espírito Santo, realizou tudo aquilo que se pode esperar em favor de
nós, os Centrauros. Agora os bichos de si-para-si-mesmos poderem ser salvos
de sua catividade. “Já não resta condenação para os que estão em Cristo
Jesus”. 2. Estou livre da morte, mas agora preciso ser curado. Ou seja: em
Cristo a assunto acerca da morte do Centrauro ficou afastado para sempre.
Agora, livre do medo da morte—e que é a força motriz de desalinhamento entre
o instinto de sobrevivência e consciência da vida—nós podemos começar a
buscar o caminho do pendor para a escolha da consciência, sem a culpa de se
abandonar o instinto; bem como se pode admitir o instinto, mas colocando-o na
intensidade apropriada. De acordo com Paulo esse bem já está definitivamente
conquistado. O que nos resta é crescer na apropriação desamedrontada do bem
já realizado em nosso favor, ainda que, na pratica, todos nós vejamos os
sintomas da presença da desordem ainda nos habitando. A questão é que a
culpa da doença era a doença da culpa. Assim, livres da doença da culpa
podemos prosseguir para buscar a cura da culpa da doença. A pior doença não
é mais a doença da culpa, mas a culpa da doença. E quanto mais nos sentimos
tomados pela culpa da doença, mas crescem em nós—outra vez—os sintomas
da doença da culpa. Enquanto a guerra é essa, mesmo que você diga que crê
em Jesus, tudo continuará igual—podendo até mesmo piorar, como em muitos
casos acontece. A doença da culpa já foi debelada. Não há mais risco de morte.
Jesus garantiu isto para cada um dos Centrauros. “Agora, pois, já não há
condenação para os que estão em Cristo Jesus”. A cura agora é um processo
de pacificação que dura o resto da existência. Não há, na Terra, um único
Centrauro que esteja livre de experimentar alguma forma de culpa da doença
como se fosse ainda a doença da culpa. Toda vez que a doença da culpa volta
como sintoma, a maioria dos Centrauros pensa que está morrendo e, assim,
entregam-se à culpa da doença e passam mal, muitas vezes achando que o que
Jesus fez não resolveu nada. Resolveu tudo! Os Centrauros é que não desejam
descansar no bem que já lhes pertence. E como não estão mais sob o risco da
morte, mas ainda experimentam os sintomas, freqüentemente, ao prová-los
como fato, desistem da esperança e abandonam-se ao domínio dos sintomas.
Paulo diz em Romanos 8 que o caminho agora é o de buscar novas inclinações.
Enquanto a primeira interpretação da culpa da doença for “morte”, o coração do
Centrauro sofrerá as fobias da morte e pensará que está morrendo. Somente
quando o Centrauro crê que não sofre mais desse mal para a morte, é que pode
iniciar-se dentro dele o benefício do bem já conquistado por Jesus. O Centrauro
tem que andar em fé a fim de se apropriar do bem que já é seu. A fé põe o
Centrauro no caminho da inclinação para o outro centro—não o seu mesmo. A
doença do Centrauro está no seu próprio centro, que virou um campo de batalha
entre ele e ele mesmo. A inclinação do Centrauro agora tem que se mudar para
outro eixo: o da paz que está em Cristo—pois, somente nesse estado é que ele
pode começar a usufruir o bem que já é dele. Mas não há mágicas! Trata-se de
um longo caminho de fé e consciência—onde o instinto e a consciência vão se
reconciliando pela ausência da doença da culpa e da culpa da doença. Caio
Fábio

CENTRAURO: SEU SOFRIMENTO-3

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Rm 7 e 8 Já vimos quem é o Centrauro nos dois textos que precederam a este.


A leitura deles é obrigatória a fim de que você possa entender este. O Centrauro
sofre porque é Centrauro. Sofre dores diferentes. Cada Centrauro tem sua
própria dor e vive sua batalha interior de modo diferente. O Centrauro que eu
mais conheço sofre de variadas dores. Sofre pelo excesso de energia que
parece existir nele. Sofre pela incapacidade de ser calmo frente a seus próprios
impulsos. Sofre a tristeza pelas coisas que já não têm remédio. Sofre a culpa de
saudades. Sofre a certeza de que sua existência histórica carrega um espinho
maior que a carne onde ele se instalou. Sofre o retardo de seu ser na
apropriação dos bens de sua consciência. Sofre a canseira de ver como vê e de
saber que as coisas que ele vê, não deixarão de ser como são nunca na Terra.
Sofre por ter que amar em meio a tanta conturbação. Sofre a conturbação do
amor—em suas mais variadas formas. Sofre por misturar as causas de sua dor
com o efeito dela—e assim, sofre por ser injusto na expressão até mesmo de
seu sofrimento. Sofre juntamente com a criação pelo dia da redenção de seu
corpo de morte. Sofre ao se sentir entregue à morte o dia todo. Sofre...o próprio
sofrimento. O Centrauro é apenas um homem. Um homem entre outros homens
e sentindo aquilo que nenhum outro homem pode saber o que é: a dor maior do
Centrauro é sua solidão. Assim, o Centrauro olha para cima e diz: “Aba, Pai!”. É
tudo o que diz. E na sua impotência crê numa intercessão maior por si mesmo.
Pede Àquele que sonda os corações que interceda por ele, sobremaneira, com
gemidos inexprimíveis. O Centrauro...bem, ele é quem achar que é um. O
Centrauro já não sofre de condenação divina. Ele ainda sofre a sua própria
condenação humana. O pior inimigo do Centrauro é ele mesmo. Sua salvação
na Terra é deixar seu próprio centro livre para ser ocupado com a paz que já é
dele, mas que ele precisa se apropriar dela. Deus salvou o Centrauro! Agora o
Centauro tem que descansar nisto. O Centrauro viverá pela fé. Caio

CENTRAURO: A LIBERTAÇÃO-4

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Rm 7-8 Você já sabe que o Centrauro vive uma guerra permanente entre o
instinto e a consciência. Já conheceu suas crise de ser, sua saída garantida na
Graça, seu sofrimento quando mergulha apenas em si mesmo—e agora saberá
da libertação Centrauro. O Centrauro é tanto mais Centrauro tanto mais
instintual ele for. Quando se deixa tomar pela instintualidade o Centrauro
mergulha em toda sorte de animalizações de sentimento: tristezas terrenas,
saudades históricas, perdas e prejuízos pessoais, descrédito ou insucesso, são
coisas que centraurizam terrivelmente. A entrega ao instinto é entrega à
necessidade—mesmo quando é psicológica. Daí Paulo dizer que o caminho da
cura para o Centrauro é o pendor para o Espírito, de onde procedem a alegria,
justiça e paz. As forças do instinto operam baseadas na morte como referência,
tipo: tenho que aproveitar agora se não o tempo não vai permitir. O nome da
oportunidade é tempo; e o tempo é o tirano da necessidade, pois empresta a ela
a sua urgência. Esse pendor do instinto dá para a morte—afinal, está
escravizado pela necessidade que só se realiza no tempo. E a referencia do
tempo é a morte. O Centrauro começa a viver como gente quando sua
instintualidade começa a ser subordinada pela sua consciência. E essa
consciência é mídia do Espírito em nós. Assim, quanto mais as inclinações do
Centrauro forem para as coisas do Espírito, mais ele estará alimentando a
consciência com o poder que subordina o instinto. A questão que é isto não é
uma formula a ser praticada como disciplina. Tal tentativa adoece e produz
neurose. “A lei do Espírito e da Vida em Cristo Jesus, te libertou da lei do
pecado e da morte”—é a certeza de Paulo sobre o assunto. Tudo começa com a
certeza em fé que garante ao Centrauro que ele está salvo de seu inferno
interior—a doença da culpa e a culpa da doença—e que isto foi realizado por
Jesus—está pago—, e que a apropriação do benefício é pela fé. Depois é que
vem os nutrientes do ser. Alimente o instinto e ele crescerá e sobrepujará a
consciência. Alimente a consciência e ela não satisfará as concupiscências do
instinto. A releitura de Romanos 8—todo o capítulo—mostrará a você como
acontece esse crescendo de certezas, intimidades, penhores, juramentos,
vínculos, afirmação de amor incondicional—tudo da parte de Deus para
conosco! E é essa escada de invisíveis degraus que nos leva em fé até aquele
lugar de ser onde a consciência pacificada convive harmoniosamente com o
instinto, pois, este foi subordinado e agora se expressa com o melhor de si. É
para lá que estou caminhando e pedindo a Deus para crescer nessa graça todos
os dias. Quem acha que já alcançou, ainda não entendeu nada. Isto aqui não é
blábláblá. É o alfa e o Omega do trajeto humano na Terra—no caminho de ir do
puro instinto à consciência harmonizada ao instinto e este dócil amigo de
vontades mais vinculadas ao amor. Caio Fábio

DUAS SENHORAS E UMA QUESTÃO

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Semana passada conversei longamente com duas distintas senhoras de mais


de setenta anos—ambas viúvas—e deleitei-me em observar a vivacidade sábia
que elas expressaram. Uma delas esteve em coma por mais de uma semana.
Relata experiências humanas tão reais quanto a realidade material pode ser
percebida. Como se estivesse num mundo concretamente igual a este, porém,
paralelo. Obviamente que as explicações para o fenômeno são muitas, mas não
interessa ao momento. O certo é que a senhora que esteve em coma me disse
ter sido exposta nessa experiência acerca da diferenciação entre o amor de
Deus e o amor de Cristo. Alguém, numa das cenas paralelas que ela visitou
durante o coma, teria dito que o amor do Pai era maior. E aqui abro um
parêntese para dizer que uma das coisas que sempre me impressionaram no
meio cristão foi a percepção de que muitos cristãos elegem que divindade da
Trindade que elas gostam mais. Tem gente que gosta mais do jeito do Pai. Tem
gente que se identifica mais com o Filho. E há aqueles que apreciam mais os
indecifráveis humores do Espírito Santo. Parece que são três deuses e que se
pode optar por uma devoção mais carinhosa pelo jeito de ser do-daquele deus.
Minha resposta à senhora foi a mais simples possível. “Nada pode nos separar
do amor de Deus que está em Cristo Jesus”—foi tudo. O resto foi comentário.
Deus é Um. Não Uns. Deus é Deus. Revela-se como gosta de se revelar. Eu
sou um nada-quase-quase-nada-mesmo-nada. Se há um só Deus e Ele decidiu
se expressar como desejou—amém! Eu amo cada nuance nos sentimentos
revelados, mas sei que esse jeitão todo fez Sua síntese absoluta em Jesus
Cristo. Em Romanos 8 Paulo faz questão de embolar desembolavelmente o Pai,
o Filho e o Espírito Santo. E faz isso de modo tão natural e sem necessidade de
explicação que, com isso, ele dá toda a explicação, a saber: Deus é. Ame-o
como Ele é. Pois nada pode separar você do amor de Deus que está em Cristo
Jesus. Ele sabe quem você é. A sua melhor oração é a intercessão Dele. E o
Pai que poderia condenar, deu o Filho de Graça, e com o Filho todas as coisas.
O Filho, que poderia julgar, decidiu Advogar as causas perdidas. E o Espírito
sonda a mente de Deus, pois, é segundo a vontade de Deus que Ele intercede
pelos santos, conforme também a essência dos santos. Saber disso faz você
ficar à vontade com Deus—e é do conhecimento desse Deus que vem a fé-
certeza de que nada pode nos separar dele; afinal, esse amor se encarnou em
Cristo Jesus. Deu prova histórica de estar falando sério até a morte e morte de
Cruz. Deus estava em Cristo. Nele, Jesus, habita corporalmente toda plenitude
da divindade. E tudo acontece no amor do Espírito de Jesus Cristo, Filho de
Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, não é para explicar. É para
conhecer em Graça. As duas senhoras parecem ter entendido. Espero que para
você faça algum sentido como verdade, não como explicação. Caio Fábio

GENTE QUE GOSTA DE CANTAR E FALAR DE AMOR POR DEUS

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Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto aos muros
e nas portas das casas; fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo:
Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a palavra que procede do Senhor. Ele vem a ti,
como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem
as tuas palavras, mas não a põem por obra; pois, com a boca professam muito
amor, mas o coração só ambiciona lucro. Eis que és para eles como quem canta
canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas
palavras, mas não as põem por obra. Ezequiel 33: 30-32 Ezequiel ouvia a voz
de Deus e falava ao povo. Na maioria das vezes sua palavra carregava a
denuncia de um juízo que se avizinhava. As causas daquela destruição eram
também apontadas por Deus em tudo o que o profeta falava. O problema é que
apesar das palavras serem de juízo, não deixavam de ser bonitas. Além disso,
havia também aqueles que não gostavam da profecia, mas fascinavam-se com
o fato das palavras serem autenticas. Ou seja: ninguém podia negar que a
mensagem de Ezequiel era de Deus e que era poeticamente bela, apesar de
carregar a espada do juízo. Eles convidavam-se uns aos outros a fim de juntos
ouvirem a palavra do Senhor pela boca de Seu profeta. Enquanto Ezequiel
falava, eles se deleitavam. Davam glorias a Deus e embeveciam-se com a
Palavra. Era como ouvir um poeta! A questão é que o coração deles não estava
disposto para a Palavra. Enquanto o ouviam pensavam apenas no lucro que
poderiam auferir pelo simples fato de serem ouvintes da Palavra. Estavam
tomados pela idéia de que a “visita” a Deus era um negócio lucrativo.
Receberiam um “passe” para o chão da prosperidade. Mas não passava disto.
Provavelmente o apostolo Tiago inspirou-se aqui a fim escrever sua epistola (Tg
1:22-24). Eles eram ouvintes negligentes, e neles a fé não se fazia acompanhar
de obras. Este texto trás consigo a afirmação de que é possível gostar das
coisas concernentes a Deus apenas por habito e diletantismo. Até o invólucro da
mensagem pode ser o álibi para ouvi-la: é bela, ele fala bem, as construções
são lindas!—e Deus fala com ele e por ele! Mas e daí? Deus não está à procura
de um lugar na Academia de Letras e nem Seus profetas jamais tiveram a gloria
humana como ambição. Bem, isso foi assim nos dias de Ezequiel. Hoje a
mensagem não é nem profética e nem bela. Aliás, não há mensagem. Ficaram
os louvores e o falar bem do nome de Deus. Foi o que restou. Ah! Também o
lucro. Inclusive com os louvores a Deus, que virou apenas "mais um mercado".
A verdade nós sabemos. O que fazer com ela, é que Deus deixa com a gente. E
você, o que fará’? Caio Fábio