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Físico-Química I
Profa. Dra. Carla Dalmolin

Misturas Simples

• Termodinâmica das Misturas


• Propriedades das Soluções
• Atividade
Misturas Simples
 Misturas de substâncias que não reagem
 Modelo simples para posteriormente tratar das reações químicas

 Misturas binárias: 2 componentes (A e B)

 Misturas homogêneas (soluções): composição uniforme em toda a


amostra
 Solvente: componente em maior quantidade
 Soluto: componente em menor quantidade
 Soluções não eletrolíticas: soluto na forma molecular (ex.: sacarose em
água)
 Soluções eletrolíticas: soluto na forma de íons (ex.: NaCl em água)
Medidas de Concentração
 Fração Molar
𝑛𝐴 𝑛𝐵
𝑥𝐴 = 𝑥𝐵 = 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 = 1
𝑛𝐴 + 𝑛𝐵 𝑛𝐴 + 𝑛𝐵

 Concentração Molar ou Molaridade


𝑛𝐵
𝑐𝐵 = 𝐵 =
𝑉 Volume da solução, em dm3
 Concentração molar padrão: 𝑐 0 = 1 mol/dm3

 Molalidade: razão entre a quantidade de matéria do soluto pela


massa do solvente
𝑛𝐵
𝑏𝐵 =
𝑚𝐴
 Molalidade padrão: 𝑏 0 = 1 mol/kg
 A molalidade é constante com a temperatura
Propriedades Parciais Molares
 Contribuição (por mol) que uma substância faz para uma
propriedade total da mistura
 Pressão parcial
 Volume parcial molar
 Energia de Gibbs parcial molar
 Potencial Químico

 O valor de uma propriedade molar numa substância pura não é


necessariamente igual à propriedade molar parcial quando um
mol desta substância é adicionada a uma mistura
Volume Parcial Molar
 Contribuição que um componente de uma mistura faz para o volume total
da amostra
Ao adicionar 1 mol de água
num béquer com água, o
+ 1 mol de H2O
volume de líquido no béquer
(+18g de H2O = +18 mL de H2O) ganha 18 mL
H2O

Ao adicionar 1 mol de água num béquer


+ 1 mol de H2O com outro líquido, o volume final de
líquido no béquer vai depender das
interações entre a água e o outro líquido

 O volume parcial molar de uma substância A em uma mistura é a variação


de volume da mistura por mol de A adicionado a um grande volume da
mistura
 Varia com a composição da mistura
Volume Parcial Molar
 Para uma substância J, numa determinada composição:
𝜕𝑉
𝑉𝐽 =
𝜕𝑛𝐽 𝑝,𝑇,𝑛´
Coeficiente angular da curva do volume total da
mistura em função do número de mols de J, quando
p, T e n’ são constantes

Grandezas parciais molares variam com a composição


𝑉𝐽 > 0: a adição de J causou expansão do volume
𝑉𝐽 < 0: a adição de J causou contração do volume
Cálculos Usando o Volume Parcial
 Qual o volume total de uma mistura de 50g de água e 50g de etanol, a 25 oC?
 R.: 110 cm3
Energia de Gibbs Parcial Molar
 Contribuição (por mol) de uma substância para a energia de Gibbs total da
mistura.
 A Energia de Gibbs Parcial Molar também é chamada de Potencial Químico ()
 Mede a capacidade de uma substância produzir transformações
físicas e químicas.
𝜕𝐺  Uma substância com um valor elevado do potencial químico tem uma
𝜇𝐽 =
𝜕𝑛𝐽 𝑝,𝑇,𝑛′
grande capacidade de impulsionar uma reação ou outro processo físico
qualquer

 Para uma substância pura: 𝐺 = 𝑛𝐽 𝐺𝐽,𝑚

 Para uma mistura binária simples: 𝐺 = 𝑛𝐴 𝐺𝐴,𝑚 + 𝑛𝐵 𝐺𝐵,𝑚


𝐺 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴 + 𝑛𝐵 𝜇𝐵
Variação de  com a Composição
 Variação de G com a pressão para gases perfeitos:
𝑝𝑓
𝐺𝑚 𝑝𝑓 = 𝐺𝑚 𝑝𝑖 + 𝑅𝑇 ln
𝑝𝑖
𝑝
 Fazendo 𝑝𝑖 = 𝑝0 = 1bar: 𝐺𝑚 𝑝 = 𝐺𝑚
0 + 𝑅𝑇 ln
𝑝0

 Para uma mistura de gases perfeitos:


 𝑝 é a pressão parcial de um dos gases na mistura
 𝐺𝑚 (𝑝) é a energia de Gibbs parcial molar ou potencial químico do gás
na mistura
𝜇𝐽 = 𝜇𝐽0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝
Potencial químico padrão (Energia de Gibbs molar
padrão): 𝐺𝑚 para o gás puro a 1 bar
Termodinâmica das Misturas
Substâncias separadas  Os sistemas tendem à menor energia de Gibbs
 A mistura espontânea de dois gases indica que o
valor de G diminuiu

 Potencial químico dos gases puros:


∆𝐺 < 0 𝑝 𝑝
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴0 + 𝑅𝑇 ln 0 𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln
𝑝 𝑝0
𝜇0 : Potencial químico padrão (gás puro a 1 bar)
𝑝0 : Pressão padrão = 1 bar
Mistura binária
 Energia de Gibbs antes da mistura (𝐺𝑖 ): 𝐺𝑖 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴 + 𝑛𝐵 𝜇𝐵 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝 + 𝑛𝐵 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝

 Energia de Gibbs após a mistura (𝐺𝑓 ): 𝐺𝑓 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴 + 𝑛𝐵 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐵


𝑝𝐴 𝑝𝐵
 𝐺𝑓 − 𝐺𝑖 = ∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 = 𝑛𝐴 𝑅𝑇 ln + 𝑛𝐵 𝑅𝑇 ln
𝑝 𝑝
Funções Termodinâmicas de Misturas
 Sabendo que:
 Pressão parcial de um gás: 𝑝𝐽 = 𝑥𝐽 𝑝
∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 = 𝑛𝑅𝑇 𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵
 Fração molar: 𝑛𝐽 = 𝑥𝐽 𝑛
𝑛 é o número de mols total da mistura
 Como 𝑥𝐽 < 1; ln 𝑥𝐽 < 0 𝑒 ∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 < 0

𝜕𝐺
 Entropia: ∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 = − = −𝑛𝑅 𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵
𝜕𝑇 𝑝,𝑛𝐴 ,𝑛𝐵

 Como ln 𝑥𝐽 < 0; ∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 > 0: a entropia aumenta ao misturar dois gases

 Entalpia: ∆𝑚𝑖𝑠 𝐻 = ∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 + 𝑇∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 = 0


 A entalpia de mistura de dois gases é nula: não há interação entre as
moléculas

 A mistura é espontânea devido o aumento da entropia


O Potencial Químico de Líquidos
 Como a energia de Gibbs de um líquido varia com a composição?
 O potencial químico de um líquido em equilíbrio com o seu vapor deve
ser igual ao potencial químico do vapor

 Para um líquido puro: 𝜇𝐴 𝑙 = 𝜇𝐴∗ (𝑔)

𝜇𝐴∗ 𝑙 = 𝜇𝐴∗ (𝑔) = 𝜇𝐴0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴∗


A(g)
𝑝 = 𝑝𝐴∗
No estado padrão:
𝑝0 = 1bar 𝜇𝐴∗ (𝑔)

𝜇𝐴∗ (𝑙)
𝑝𝐴∗ 𝑝𝐴∗ (bar) A(l)
ln 0 = ln
𝑝 1 bar
O Potencial Químico de Misturas Líquidas
 Se outra substância estiver presente na fase líquida, o potencial
químico de A no líquido é 𝜇𝐴 com pressão de vapor 𝑝𝐴
 O vapor de A permanece em equilíbrio com o líquido A
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴
 Lembrando que para o líquido A puro: 𝜇𝐴∗ 𝑙 = 𝜇𝐴0 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴∗
0
 𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ − 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴∗
A(g) + B(g)
𝑝 = 𝑝𝐴 + 𝑝𝐵
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ − 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐴

𝜇𝐴 (𝑔, 𝑝𝐴 )
𝑝𝐴
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln ∗
𝑝𝐴 𝜇𝐴 (𝑙)
A(l) + B(l)
Soluções Ideais
 Misturas que seguem a Lei de Raoult em todo o seu intervalo de
composição
 Misturas de componentes estruturalmente semelhantes
 Lei de Raoult
 Lei empírica
 𝑝𝐴 = 𝑥𝐴 𝑝𝐴∗

𝑝𝐴
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln
𝑝𝐴∗

𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴
Lei de Raoult
 Solvente Puro
 A pressão de vapor representa a tendência do sistema e a vizinhança
alcançarem uma entropia mais alta

 Na presença de um soluto
 A entropia da solução é maior que do solvente puro
 A solução tem uma tendência menor de aumentar a entropia pela
vaporização do solvente
 A pressão de vapor do solvente em solução é mais baixa que do solvente
puro

 A Lei de Raoult é válida à medida que o componente em excesso (solvente)


se aproxima da pureza (𝑥𝐴 → 1)
Soluções Diluídas Ideais
 A Lei de Raoult é observada na maioria das soluções quando o solvente tem altas frações
molares (𝑥 → 1): soluções diluídas
 Lei de Henry (empírica): nas soluções reais em baixas concentrações, a pressão de vapor do
soluto é proporcional a sua fração molar: 𝑝𝐵 = 𝑥𝐵 𝐾𝐵

 𝐾𝐵 é uma constante empírica


 As moléculas do soluto estão envolvidas pelas
moléculas do solvente: um ambiente muito
diferente do soluto puro

 Normalmente, a Lei de Henry é expressa em


termos da molalidade (𝑏) do soluto, e as
constantes 𝐾𝐵 são tabeladas seguindo esta
relação: 𝑝𝐵 = 𝑏𝐵 𝐾𝑏
𝑛𝐵
 Onde: 𝑏𝐵 = 𝑚
𝐴 (𝑘𝑔)
Pressão parcial do O2 dissolvido na água
 A concentração de O2 na água exigida para manter a vida aquática é de
cerca de 4 mg dm–3. Qual é a pressão parcial mínima do oxigênio na
atmosfera que permite atingir essa concentração?
 Determinar a pressão parcial do oxigênio que, segundo a lei de Henry,
corresponde à concentração especificada

𝑝𝑂2 = 𝑏𝑂2 𝐾𝑏,𝑂2 𝐾𝑏,𝑂2 = 7,9 × 104 kPa.kg.mol-1

𝑚𝑂2
𝑛𝑂2 0,004
𝑏𝑂2 = = 32
= = 1,25 × 10−4 mol.kg-1
𝑚 1 32

𝑝𝑂2 = 1,25 × 7,9 = 9,9 kPa

• A pressão parcial do oxigênio ao nível do mar é 21 kPa (158 Torr), que é maior
que 9 kPa (72 Torr); logo, a concentração desejada pode ser mantida sob
condições normais
Potencial Químico do Soluto
 Um soluto (B) que segue a Lei de Henry tem a pressão de vapor dada
por: 𝑝𝐵 = 𝑥𝐵 𝐾𝐵
 O potencial químico de B se escreve como:
𝑝𝐵
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln ∗
𝑝𝐵
𝑥𝐵 𝐾𝐵 𝐾𝐵
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln ∗
= 𝜇𝐵 + 𝑅𝑇 ln ∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵
𝑝𝐵∗ 𝑝𝐵
 Os termos 𝜇𝐵∗ e 𝑅𝑇 ln 𝐾𝐵 são independentes da composição da mistura, podendo ser
combinados na constante 𝜇𝐵0 , o potencial químico do líquido B puro:
𝐾𝐵
𝜇𝐵0 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln
𝑝𝐵∗
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵
𝑏𝐵
 Em termos de molalidade: 𝜇𝐵 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln
𝑏0
(a pressão de 1 bar e 𝑏 0 = 1 mol/kg)
Termodinâmica das Soluções Ideais
 A Energia de Gibbs para a mistura de dois líquidos numa solução ideal é calculada
da mesma maneira que para a mistura de dois gases perfeitos
𝐺𝑖 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴∗ + 𝑛𝐵 𝜇𝐵∗ 𝐺𝑓 = 𝑛𝐴 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴 + 𝑛𝐵 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵

∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 = 𝑛𝑅𝑇 𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵

 Da mesma forma, a entropia da mistura é:

∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 = −𝑛𝑅 𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵

 E a entalpia da mistura é: ∆𝑚𝑖𝑠 𝐻 = ∆𝑚𝑖𝑠 𝐺 + 𝑇∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 = 0


 A mistura ocorre devido ao aumento da entropia do sistema, sem troca de calor
(entalpia é nula)
 Num gás perfeito não existe interações entre as moléculas. Nos líquidos ideais há
interações, mas elas são semelhantes na mistura e nos líquidos puros
Termodinâmica das Soluções Reais
 As soluções reais são constituídas por moléculas cujas interações são muito
diferentes entre os líquidos puros e as duas substâncias misturadas.
 Ocorre variação de entalpia e de volume (contração ou expansão) quando os líquidos
são misturados
 Pode ocorrer diminuição da entropia se as moléculas de um dos líquidos tiverem a
tendência de se aglomerarem
 Se a variação de entropia for desfavorável, a energia de Gibbs da mistura é positiva: líquidos
imiscíveis ou parcialmente miscíveis

 Funções de excesso: diferença entre uma grandeza termodinâmica observada


para a solução e o que se esperaria se a solução se comportasse de maneira ideal
 Ex.: Entropia de excesso: 𝑆 𝐸 = ∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 − ∆𝑚𝑖𝑠 𝑆 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙
 Entalpia de excesso: 𝐻𝐸 = ∆𝑚𝑖𝑠 𝐻; pois ∆𝑚𝑖𝑠 𝐻𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 = 0
 Volume de excesso: 𝑉 𝐸 = ∆𝑚𝑖𝑠 𝑉; 𝑉𝑚𝑖𝑠 = 𝑉𝐴 + 𝑉𝐵 e ∆𝑚𝑖𝑠 𝑉 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 = 0
Soluções Reais
 Forma geral para o potencial químico de um solvente:
𝑝𝐴
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln
𝑝𝐴∗
𝑝𝐴
𝑎𝐴 = * A grandeza 𝑎𝐴 é a atividade de A
𝑝𝐴∗
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑎𝐴

Solução Ideal
(Lei de Raoult) Solução Real

𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴  A grandeza 𝑎𝐴 é a “Fração molar efetiva” de A


𝑎𝐴 = 𝛾𝑥𝐴 0<𝛾<1
𝑎𝐴 = 𝑥𝐴
𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴 + 𝑅𝑇 ln 𝛾𝐴
𝛾 = 1, para soluções ideais
Determinação da Atividade do Solvente
 A atividade de um solvente pode ser determinada
experimentalmente pela medida da pressão de vapor do solvente em
equilíbrio com a solução:

Ex.: A pressão de vapor de uma solução aquosa de KNO3 0,50 mol/L a 100 oC é
99,95 kPa. Calcule a atividade da água nesta solução e temperatura:

𝑝𝐴 𝑝𝐴 : pressão de vapor da solução = 99,95 kPa


𝑎𝐴 = ∗
𝑝𝐴 𝑝𝐴∗ : pressão de vapor da água pura a 100 oC = 101,3 kPa (tabelado)

99,95
𝑎= = 0,9864
101,3
Atividade do Solvente
 Em soluções muito diluídas, todos os solventes seguem a Lei de
Raoult
 Quando a concentração do soluto tende a zero, a atividade do solvente
tende a se igualar à sua fração molar (𝑎𝐴 → 𝑥𝐴 quando 𝑥𝐴 → 1)
 Coeficiente de atividade ():
 Medida do quanto o comportamento se desviou do ideal
𝑎𝐴 = 𝛾𝐴 𝑥𝐴
 Nas soluções muito diluídas
𝛾𝐴 → 1 quando 𝑥𝐴 → 1
 O potencial químico do solvente pode então ser escrito como:

𝜇𝐴 = 𝜇𝐴∗ + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴 + 𝑅𝑇 ln 𝛾𝐴
0
Atividade do Soluto
 Solutos tendem ao comportamento ideal em soluções diluídas (Lei de
Henry), ou seja, quando 𝑥𝐵 → 0
 Soluções diluídas ideais: 𝑝𝐵 = 𝐾𝐵 𝑥𝐵
𝑝𝐵 𝐾𝐵
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln = 𝜇𝐵

+ 𝑅𝑇 ln + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵
𝑝𝐵∗ 𝑝𝐵∗

𝐾𝐵
Definindo: 𝜇𝐵0 = 𝜇𝐵∗ + 𝑅𝑇 ln ∗
𝑝𝐵

𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵

 O potencial químico de um soluto em uma solução diluída ideal está


relacionado com a sua fração molar
 Se a solução é ideal: 𝐾𝐵 = 𝑝𝐵∗ e 𝜇𝐵0 = 𝜇𝐵∗
Solutos Reais
 O afastamento do comportamento ideal em solução diluída é corrigido
escrevendo 𝑎𝐵 no lugar de 𝑥𝐵
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln 𝑎𝐵

Onde: 𝑝𝐵
𝑎𝐵 = e 𝑎𝐵 = 𝛾𝐵 𝑥𝐵
𝐾𝐵

Quando 𝑥𝐵 → 0 (sol. diluída); 𝛾𝐵 → 1 e 𝑎𝐵 → 𝑥𝐵


Atividades em Termos de Molalidade
 Estado-padrão: estado arbitrário, escolhido de modo que seja o mais
adequado para a descrição da composição do sistema
 Estado-padrão em termos de molalidade (𝑏): neste caso o estado-padrão do
soluto (𝜇𝐵0 ) é aquele em que 𝑏𝐵 = 1mol/kg
𝑏𝐵
𝜇𝐵 = 𝜇𝐵0 + 𝑅𝑇 ln
𝑏𝐵0
 Os desvios da idealidade são incorporados pela atividade (𝑎𝐵 ) e pelo
coeficiente de atividade (𝛾𝐵 ):
𝑏𝐵
𝑎𝐵 = 𝛾𝐵 em que 𝛾𝐵 → 1 quando 𝑏𝐵 → 0
𝑏0

 Para uma solução real, em qualquer molalidade:


𝜇 = 𝜇0 + 𝑅𝑇 ln 𝑎
Estados-padrão

Componente Base Estado-padrão Atividade Limites


Sólido ou Líquido Puro 𝑎=1
Solvente Raoult Solvente puro 𝑝 𝛾 → 1 se 𝑥 → 1
𝑎 = ∗ ; 𝑎 = 𝛾𝑥
𝑝 (solvente puro)
Soluto Henry (1) Estado 𝑝 𝛾 → 1 se 𝑥 → 0
𝑎 = ; 𝑎 = 𝛾𝑥
hipotético do 𝐾
soluto puro
(2) Estado 𝛾𝑏 𝛾 → 1 se 𝑥 → 0
𝑎= 0
hipotético do 𝑏
soluto com
molalidade 𝑏 0
Atividade de Íons em Solução
 A forte interação entre íons em solução torna indispensável o uso das
atividades
 A aproximação 𝑎𝐵 → 𝑏 só é válida quando 𝑏 < 1mmol/kg

 A energia de Gibbs total dos íons em uma solução eletricamente neutra é


igual à soma destas grandezas parciais molares
 Para uma solução ideal
𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 = 𝜇 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 + 𝜇 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙
𝐺𝑚 + − Potencial químico de um ânion univalente (X-)
Potencial químico de um cátion univalente (M+)

 Para uma solução real de M+ e X- com molalidades iguais:


𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 + 𝑅𝑇 ln 𝛾 + 𝑅𝑇 ln 𝛾 = 𝐺 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 + 𝑅𝑇 ln 𝛾 𝛾
𝐺𝑚 = 𝜇+ + 𝜇− = 𝜇+ + 𝜇− + − 𝑚 + −

Desvio da idealidade
Coeficiente Médio de Atividade
𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 + 𝑅𝑇 ln 𝛾 𝛾
𝐺𝑚 = 𝐺𝑚 + −

 Não é possível separar a contribuição de cátions e ânions no produto 𝛾+ 𝛾−


 A responsabilidade pela não idealidade da solução é atribuída as duas
espécies de íons através do coeficiente médio de atividade:
 Para um eletrólito 1:1 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙
𝜇+ = 𝜇+ + 𝑅𝑇 ln 𝛾±
𝛾± = 𝛾+ 𝛾− 1/2
𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 + 𝑅𝑇 ln 𝛾
𝜇− = 𝜇− ±

 Para um eletrólito geral do tipo MpXq:

𝑝 1/𝑠
𝛾± = 𝛾+ 𝛾−𝑞 ;𝑠 = 𝑝 + 𝑞
Lei Limite de Debye-Hückel
 Para baixas concentrações, o coeficiente médio de atividade 𝛾± pode ser
calculado pela Lei Limite de Debye-Hückel

log 𝛾± = − 𝑧+ 𝑧− 𝐴𝐼1/2

𝐴 = 0,509 para soluções aquosas a 25 oC


𝐼 é uma grandeza adimensional: Força Iônica
1 𝑏𝑖
𝐼= 𝑧𝑖2
2 𝑏0
𝑖

 Quando a força iônica da solução for alta, o coeficiente médio de atividade


𝛾± pode ser estimado pela Lei de Debye-Hückel Estendida
1
𝑧+ 𝑧− 𝐴𝐼 2
log 𝛾± = − 1 + 𝐶𝐼
1 + 𝐵𝐼 2
𝐵 e 𝐶 são constantes adimensionais