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Os Ritos e As Liturgias Umbandistas PDF

O documento discute os ritos e liturgias na Umbanda. Ele explica que os ritos são fundamentais para a prática da Umbanda e variam de acordo com o nível de consciência espiritual. Os ritos permitem que os praticantes da Umbanda alcancem o êxtase do contato espiritual. Embora haja diversidade nos ritos, a essência é a mesma.

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O documento discute os ritos e liturgias na Umbanda. Ele explica que os ritos são fundamentais para a prática da Umbanda e variam de acordo com o nível de consciência espiritual. Os ritos permitem que os praticantes da Umbanda alcancem o êxtase do contato espiritual. Embora haja diversidade nos ritos, a essência é a mesma.

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Os Ritos e as Liturgias Umbandistas

Embora os ritos sejam objeto de críticas dos adversos do movimento


umbandista, indiscutivelmente, a Umbanda os tem como um dos fundamentos
imprescindíveis à sua rito-liturgia. Variam em detrimento dos “graus de consciência” do
culto ao sagrado nos santuários. Impossível imaginar uma “gira de Umbanda” sem um
ritual.
Entendemos que a ritualística é uma característica comum utilizada pelas
religiões, a fim de que seus professantes possam alcançar o êxtase do contato espiritual.
Por isso, a prática comporta a manifestação da diversidade com que o ser humano cultua
e expressa o sagrado. No entanto, dependendo da prática ritual adotada pela
“comunidade de santo”, a ritualística poderá influenciar o participante de forma positiva
ou negativa.
Para nós, da escola umbandista, fé e rito são “temperos”de uma mesma
verdade que possui sua doutrina adaptada à diversidade. Por este viés, o processo
ritual leva o ser humano ao aprimoramento de sua verdade essencial,
progressivamente, manifestada na transcendência do espírito. Este mergulho interno
faz com que a consciência se manifeste pelo movimento do interiorizar para exteriorizar.
A isso, chamamos de busca, ou seja, ampliação da percepção da realidade. Sem muito
rebuscar, é o que entendemos por Espiritualidade.
Com a palavra (Neto, 2003), ao falar de Escolas, diversidade, visões, ritos,
doutrina:
“O conceito de Escolas das Religiões Afro-brasileiras foi desenvolvido por F.
Rivas Neto. O autor sustenta, por exemplo, que na Umbanda: ‘(…) pela diversidade dos
seus adeptos, há também uma diversidade de ritos e de formas de transmissão do
conhecimento. A essas várias formas de entendimento e vivência da Umbanda
denominamos escolas ou segmentos. (…) As várias escolas correspondem a visões, umas
voltadas mais aos aspectos míticos e outras mais voltadas à essência espiritual, abstrata.
Embora não haja consenso quanto à ritualística, que são várias formas de interpretar e
manifestar a doutrina, a essência de todos é a mesma e todos são legitimamente
denominados umbandistas.’”
Ao imaginarmos uma “gira de umbanda”, não é difícil entender o porquê de o
Movimento Umbandista ser, hoje, um extraordinário abarcador de consciência. Neste
contexto, os templos-terreiros cumprem sua função acolhedora e não discriminadora
quando recebem todos, independente da fé que professam, ou grau de consciência que
apresentam. Dessa forma, os rituais de umbanda, tais como conhecemos, tornam-se
caminhos por onde os Orixás e seus diletos Ancestrais, pelo poder volitivo, ditam o ritmo
e o ciclo que disciplinam e conduzem os chamados adeptos e consulente à evolução.
Assim, fica demonstrado porque fé, rito e consciência fazem parte de um mesmo
universo religioso, imprescindível à transcendência do ser humano.
Como dissemos, os ritos são caminhos que ditam ciclo e ritmo cujas frequências
permitem romper com os referenciais rígidos da noção de tempo e espaço, a fim de que
a fé seja combustível a mover, em essência, os espíritos no reencontro com a própria
consciência. No “afrouxar das amarras espirituais”, cores, músicas, cheiros, gostos etc,
dão o “tom” que ascendeà mente, acorda o coração e fortalece o corpo do ser espiritual.
Paradoxalmente, ao contrário dos que afirmam os perseguidores e
difamadores da umbanda, os ritos aproximam a Humanidade de baixo com a
Humanidade de cima. Dessa forma, mortos e vivos rompem com os limites que
obstaculizavam o exercício da espiritualidade como verdadeira religião do ser humano.
Aliás, na Umbanda, nos seus templos-terreiros, ambientes sagrados, plural e diversos
por excelência, o ser humano experimenta através dos ritos a transcendência. É no
templo, participando do rito, que o umbandista vivencia sua fé para, em contato como
os espíritos, resgatara sua cidadania espiritual.
Indiscutivelmente, na condição de umbandista praticante, afirmamos que o rito
é porta que se abre à “Pátria da Luz” nos convidando a perceber o Sagrado que,
por extensão, não deixa de ser a manifestação da Divindade. Nesse momento, a
umbanda se torna o palco da luz espiritual de Tupã que, revelada e traduzida por
intermédio de sua hierarquia espiritual, rompe com os limites dimensionais e nos chama
à realidade do Espírito.
Estes são apontamentos cujas questões são formuladas na intenção de
fomentar a reflexão sobre o presente tema. Esperamos que a iniciativa seja estímulo ao
estudo do rito e, quem sabe, possa ser porta aberta aos interessados que buscam
pesquisar e aprender sobre a ancestral doutrina de Umbanda.

2. Conceitos
Rito – Práticas de atos concatenados que buscam, em seu fim último, permitir
ao ser humano que entre em contato com o Sagrado. No contexto religioso,
entendemos que o rito serve de percurso, caminho que conduz o umbandista ou o
simpatizante participante ao contato e aprimoramento espiritual. É a forma externa da
qual o umbandista se utiliza para exercitar a Espiritualidade.
Movimento Umbandista –Diz-se da “Providência Divina” que, exercida por
mútua atividade sagrada entre espíritos e médiuns, busca pelo exercício da
Espiritualidade a evolução da ideia e entendimento da Umbanda. É o movimento
restaurador da Umbanda, ou seja, do “Conjunto das Leis de Deus”.
Umbanda–Literalmente dizendo é o Conjunto das Leis de Deus.

3. Considerações Iniciais
Incontestavelmente, a partir do dia em que a Luz de Umbanda ressurgiu em
solo brasileiro para cumprir, em nome do Cristo Jesus e Deus (Tupã, Zambi, Yrê-Ayê etc),
o desiderato futuro do promissor movimento restaurador da consciência espiritual do
Ser Humano, muitas coisas mudaram, principalmente, no contexto da religiosidade do
povo brasileiro.
Essas mudanças previamente traçadas pela Espiritualidade na “dimensão da
LUZ” ocorreram e ainda ocorrem por processo descendente, influenciando os vários
planos de manifestação espiritual, que se configuraram da sutileza mental a mais densa
das energias da matéria.
Feitas essas considerações que entendemos pertinentes, creio que podemos
avançar na exposição de nosso pensamento, sem maiores embaraços ao entendimento
do porquê das diversidades, característica marcante dos ritos de Umbanda.
Para não estendermos demais a parte introdutória, destacamos a citação
abaixo:
“Ritualismo vem de ritual. Ritual vem de rito. O rito está ligado ao mito. O mito
vem da mitologia. A mitologia, por sua vez, nada mais é do que um conjunto de mitos.
Esta correlação de ideias mostra que um elemento nunca está isolado. Ele faz parte de
uma ideia mais ampla.”
Vejamos um conceito de ritodado por Thines(1984), deveras utilizado em
citações, tal como fazemos agora:
“Ato religioso simbólico e institucionalizado cuja eficácia é de ordem extra-
empírica, pelo menos parcialmente. Para realizar este ato, utilizam-se, por vezes,
objetos. Do ponto de vista da antropologia, o rito visa a fazer viver por uma coletividade
mitos religiosos ou sociais, ou, pelo menos, permitir-lhe representar crenças mágicas.
Em outras palavras, regras e cerimônias que se devem observar na prática de uma
religião.”

4. Teoria e Prática Umbandista


Iniciamos a temática falando que os ritos agem como processo canalizador e
facilitador de contato com os espíritos na busca pela Espiritualidade.
Assim, todo rito em sua parte mística traduz uma ideia. Em se tratando de
umbanda, creio que, ao externarmos nossa fé na força espiritual, manifestamos o lado
místico que se materializa ao evidenciar o contato com os espíritos evocados e
invocados. Dessa forma, buscamos o contato com os ilustres ancestrais que
representam a Divindade pelo processo chamado mediunidade.
É importante, antes de qualquer coisa, não ignorarmos que um rito de
umbanda por mais simples que seja, possui sua parte estruturada em uma teoria
possível de ser praticada. Neste caso, a manifestação de um ritual demonstra que não
existe um rito que não tenha sua parte teórica e prática previamente pensada. Caso
contrário, seria provocar o invisível sem conhecê-lo…
Assim, para nós, teoria e prática umbandista são espécies de um mesmo gênero
chamado rito cuja mística ritualística possui sua parte visível e invisível, que nem sempre
essencialmente é percebida pelos assistentes presentes durante um ritual de terreiro.

4.1 Aspectos Exotéricos e Esotéricos de um Rito


Como mencionamos linhas acima, os aspectos visíveis ou invisíveis de um rito
é que dão as características que aqui chamamos de exotéricas e esotéricas.
Portanto, essencialmente dizendo, o que é percebido não é velado e o que é
velado, é considerado esotérico, por isso não é percebido. Consequentemente, a
variação do esoterismo das ritualísticas praticadas pelos umbandistas poderá
caracterizar um maior ou menor grau de aprofundamento para com as coisas do
espiritual.
Lado outro, como regra geral, o exoterismo de umbanda possui um duplo
aspecto que, em tese, resume-se em tudo aquilo que durante um rito propositalmente
é compartilhado, ou seja, mostrado ou não. Isso traduz uma das caraterísticas principais
que enfatiza a diversidade de rituais, dentro do movimento umbandista.
Evidentemente, que a citada diversidade dos ritos do movimento umbandista
demonstra, a princípio, intrínseca ligação com a pluralidade social de seus professantes.
Para tanto, um ritual pode ou não traduzir o grau de consciência de sua coletividade
terreiro, ou comunidade de santo.
Dessa forma,a ritualística de cada grupo exterioriza o Sagrado quando
manifestam coletivamente sua fé. Assim, uma ritualística pode estar mais evidenciada
pelos fundamentos essenciais ou materiais. Nesse caso, é perfeitamente possível que
determinados “Eros” de um rito possam, ou não, ser percebidos pelos presentes
durante a ritualística.
O ideal é que, durante os ritos, haja prevalência da essência sobre a forma e
não o contrário. Isso não implica dizer que os segredos de uma ritualística serão
obrigatoriamente percebidos.

5. A Gira de Umbanda
Entendemos que a gira de Umbanda traduz movimento de energias, ou seja,
intercâmbio que se estabelece entre o Mundo dos espíritos e o Mundo dos humanos.
Nesse intercâmbio, o processo é dirigido pelo Mentor Guia, de forma que seja
fenomenizado em seus aspectos cósmicos para enfatizar a vida. Dessa forma, a gira ou
ritual de umbanda enfatizará o espírito em essência, existência e substância com
prevalência do Sagrado nas três etapas.
Pelo mistério, a vida é retraduzida numa mística de construção, mantença e
destruição. Essa sistemática ritualística permite observar, pelos arquétipos utilizados
pelos mentores da Umbanda, a infância, juventude, velhice e morte.
Por este contexto, fica mais fácil entender o porquê de todos se sentirem
acolhidos quando vão a uma gira de Umbanda. Ainda que a pluralidade do público
presente seja evidente, dando-nos a impressão de tumulto, o rito progressivamente
acontece e, ao final, todos saem satisfeitos.
Isso explica o porquê de a umbanda imitar a vida, uma vez que, quando em sua
manifestação ritual, apresentam-se pela via mediúnica as entidades espirituais, os êres
(criança), Caboclos (jovens), Pais Velhos (senilidade) e os Exu (morte).

5.1 As Etapas de um Rito


Um ritual para ser completo, entendemos, deve ter início, meio e fim.
No início de um rito, busca-se evocar as forças espirituais que estarão
predominando sobre todos.
Após esse recurso, o objetivo é fazer com que a movimentação das energias
espirituais beneficie todos.
Por fim, é importantíssimo fechar a porta dimensional que foi aberta.

6. O Atendimento Mediúnico
É comum que cada templo adote uma sistemática de atendimento mediúnico.
Por isso, raras vezes encontramos rituais iguais.
Geralmente, o Mentor que comanda os “trabalhos espirituais” é quem dá as
coordenadas de como o atendimento assistencial, por intermédio dos espíritos, deve
acontecer.
Dentro da mística de Umbanda, a praxe é que a manifestação espiritual ocorra
por intermédio de um sensitivo, que atenderá o consulente através de passes,
aconselhamento ou outras práticas magísticas com fins bem definidos.
Verdadeiramente, o que buscam alcançar os guias espirituais é possibilitar a
cura mental, astral e até mesmo física daqueles que os procuram. Para tanto, a postura
dos integrantes de uma corrente mediúnica é fundamental no objetivo visado.
Sabemos que a conduta individual de um médium quase sempre reflete na
coletividade, tanto dentro como fora do terreiro. Assim, preconizamos a disciplina nas
atividades realizadas durante o ritual, a dedicação aos ensinamentos transmitidos pela
espiritualidade e a honestidade para com os mentores, que são fundamentos inegáveis
para um bom desempenho mediúnico.
A atenção dada a esses fundamentos permite que um ritual seja harmônico,
visto que traduz a estabilidade e equilíbrio de seus integrantes.

7. Conclusão
Não negamos que o sincretismo que impera nos terreiros ainda influencia
muitos ritos de umbanda. Isso decorre do processo de assimilação e integração das
várias culturas étnicas (índio, branco e negro), que se fundiram pelo aspecto religioso
do movimento umbandista.
Essa “mistura”, mais propriamente chamada de sincretismo, foi quem mais
contribuiu para o momento abarcador relacionado à primeira fase do Orixá Ogum, o que
justifica a diversidade ritualística que predomina em todo território brasileiro.
Além do mais, embora alguns considerem o movimento umbandista carregado
de ritos, indiscutivelmente, esses são importantes na amortização do grau de
consciência da comunidade umbandista.
Para tanto, urge que os ritos sejam predominantemente voltados para a
realidade essencial do espírito, o que, no momento, não invalidam os aspectos materiais
das ritualísticas.
Em Síntese, acreditamos que os ritos traduzem as várias percepções do
Sagrado, permitindo assim, uma visão do todo Universal, o que não invalida a visão
espiritual.

Práticas Rito-Litúrgicas na Umbanda


Iremos agora explanar, de maneira simples e resumida, a respeito das práticas
rito-liturgicas no templo de Umbanda.

Adiantamos que não iremos tratar aqui de modelos de rituais, estabelecer


cronogramas e procedimentos, pois isso é dado e cabe a cada templo umbandista e aos
seus dirigentes, os quais certamente dispõem de amplos conhecimentos e vivência para
estabelecê-los.

Nosso objetivo será o de tratar reflexivamente a questão ritualística e da


liturgia na prática Umbandista, ressaltando seus objetivos, suas consequências
espirituais e social-coletiva. Para isso, iremos pautar-nos nos "ditos e escritos" de
proeminentes umbandistas e pesquisadores, cujas obras estão citadas ao fim deste post.

Primeiramente gostaríamos de considerar o ritual como sendo a práxis


fundamental para agregar, em torno de um objetivo específico, as idéias, pensamentos
e o comportamento da coletividade presente no rito. Por sua vez, a liturgia (fechando
assim o binômio rito-liturgia) implica em todo o proceder por parte dos adeptos, o qual
viabiliza o cumprimento e a eficácia do rito. A liturgia seria constituída por determinados
gestos, palavras, rezas, roupas, aparatos e posturas corporais, e até mesmo o
comportamento subjetivo (indicando concentração, mentalização, silêncio, respeito,
reciprocidade, etc) realizados dentro do ritual.
Pois bem, toda a prática rito-litúrgica na Umbanda possui 3 aspectos sobre os
quais esta se fundamenta, quais sejam:

1º Preparatória;

2º Atração de Forças;

3º Movimentação destas Forças segundo o objetivo visado.

Para que possamos cumprir um dado objetivo faz-se necessário cumprir uma
série de práticas e um cronograma pré-estabelecido, a fim de sairmos de uma condição
inicial e realizemos o que nos propomos a fazer. Em cima desta premissa é que se
assentam os vários ritos presentes e verificáveis no universo Umbandista.

Dito isso, focamos a necessidade da prática rito-liturgica como fundamental


para o estabelecimento e a propagação da tradição umbandista. As tradições
umbandistas, dentro de sua respeitável diversidade, estão ligadas diretamente ao
processo rito-liturgico. A tradição é a consequencia imediata da vivência e da prática do
rito ao longo do tempo, por meio do qual são ressignificados e transmitidos os princípios
velados pelas Leis de Umbanda, de geração a geração, de sacerdote/sacerdotisa ao
iniciado, do mestre ao aluno.

Como afirmaria Émile Durkheim, um dos baluartes da sociologia moderna: "O


culto não é simplesmente um sistema de símbolos pelos quais a fé se traduz
exteriormente; é o meio pelo qual ela se cria e se recria periodicamente. Consistindo em
operações materiais ou mentais, ele é sempre eficaz".

Ainda considerando a vivência do rito, no seu aspecto social/coletivo devemos


considerar o indivíduo como portador de uma identidade divina, a qual não se
caracterizaria por um individualismo exclusivista; mas uma identidade vivida e
integrada ao contexto coletivo religioso. No rito religioso, o indivíduo assume o "divino"
interior, estabelecendo um contato próximo com a Divindade. Na Umbanda, essa
experiência "mística" dar-se-á pelo transe mediunista, no qual o sujeito-médium
comunga com seu orixá (aspecto manifesto da Divindade) por intermédio de seu Guia,
sua "entidade de frente", seu "pai-de-cabeça", o qual funciona como um mediador,
manifestador e regulador dos aspectos mais profundos e pulsantes da inter-relação
homem/Orixá e médium/Espírito Guia.

Chegamos agora no aspecto espiritual da vivência rito-litúrgica. A importância


da consciência religiosa por parte do adepto umbandista deve comportar esse ângulo
de visão e compreensão da realidade espiritual, pois somente assim este poderá ampliar
e aprofundar sua vivência e sabedoria dentro das Leis de Umbanda, e obviamente
colherá melhores e mais frutos abençoados ao longo de sua jornada espiritual.

Considerando que nos dias de rito, notadamente, as irradiações do Orixá


começam a se estreitar e entrelaçar com as do médium de maneira mais profunda pelo
menos 7 horas antes dos trabalhos, as práticas de preparação do médium antes das
giras, como sejam os "banhos de defesa", a introspecção, o cultivo da oração, a
abstenção de determinados hábitos e vícios, são fundamentais para que o adepto possa
romper as barreiras interiores, inconscientes, de maneira a emergir a força arquetípica
e espiritual de seu Orixá regente, e essa confluência de forças possa resultar em
processos de saúde, de prosperidade, de maturidade emocional e vitalidade perante a
vida. É assim também que o médium pode, de maneira prática e patente, aprofundar
seus estados de transe e assim aos poucos eliminar a dúvida do "eu ou não-eu" durante
a prática mediunista.

Adicionalmente, todos os templos umbandistas sérios e com compromissos


fundamentados na relação com os Mentores e Guias Luminares da Umbanda, possui
toda uma estrutura espiritual, localizada obviamente na dimensão extrafísica, a qual
comporta e atinge uma esfera exterior muito maior do que os limites físicos do templo.
Dentro desta dimensão estão inseridas uma série de energias polivalentes e poderosas,
as quais serão movimentadas no momento do rito a benefício de todos os presentes e
de tantos outros distantes, seja espacial ou dimensionalmente. A quantidade de
Espíritos associados ao rito, seja na condição de orientadores e amparadores, seja na
condição de doentes em tratamento supera em muito a quantidade de encarnados
presentes no dia de trabalho.

Vestimenta Branca
O uso da roupa Branca
Dentre os princípios da Umbanda, um dos elementos de grande significância e
fundamento, é o uso da vestimenta branca. Em 16 de novembro de 1908, data da
anunciação da Umbanda no plano físico e também ocasião em que foi fundado o
primeiro templo de Umbanda, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o espírito
Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade anunciadora da nova religião, ao fixar as bases
e diretrizes do segmento religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos os sacerdotes
(médiuns) utilizariam roupas brancas. Mas, por quê?.
Teria sido uma orientação aleatória, ou o reflexo de um profundo conhecimento mítico,
místico, científico e religioso da cor branca? No decorrer de toda a história da
Humanidade, a cor branca aparece como um dos maiores símbolos de unidade e
fraternidade já utilizados. Nas antigas ordens religiosas do continente asiático,
encontramos a citada cor como representação de elevada sabedoria e alto grau de
espiritualidade superior. As ordens iniciáticas utilizavam insígnias de cor branca; os
brâmanes tinham como símbolo o Branco, que se exteriorizava em seus vestuário e
estandartes. Os antigos druidas tinham na cor branca um de seus principais elos do
material para o espiritual, do tangível para o intangível. Os Magos Brancos da antiga
Índia eram assim chamados porque utilizavam a magia para fins positivos, e também
porque suas vestes sacerdotais eram constituídas de túnicas e capuzes brancos. O
próprio Jesus Cristo, ao tempo de sua missão terrena, utilizava túnicas de tecido branco
nas peregrinações e pregações que fazia.
Nas guerras, quando os adversários, oprimidos pelo cansaço e perdas humanas, se
despojavam de comportamentos irracionais e manifestavam sincera intenção de
encerrarem a contenda, o que faziam? Desfraldavam bandeiras brancas! O que falar
então do vestuário dos profissionais das diversas áreas de saúde. Médicos, enfermeiros,
dentistas etc., todos se utilizando de roupas brancas para suas atividades. Por quê?
Porque a roupa branca transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual,
serenidade e outros valores de elevada estirpe. Se não bastasse tudo o que foi dito até
agora, vamos encontrar a razão científica do uso da cor branca na Umbanda através das
pesquisas de Isaac Newton.
Este grande cientista do século XVII provou que a cor branca contém dentro de si todas
as demais cores existentes.
Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que lembrar que
a religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que Oxalá, que tem a cor
branca como representação, supervisiona os Orixás restantes. Assim como a cor branca
contém dentro de si todas as demais cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua
estrutura cósmico-astral todas as demais irradiações (Oxosse, Ogum, Xango, etc.).
A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção aleatória, mas sim
pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem teve a missão de anunciar a
Umbanda. Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas!!!

 Vestuário Uniforme, Uma Necessidade


Uma das bases trazidas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por ocasião da anunciação
da Umbanda no plano físico, evento histórico ocorrido em 15/16 de novembro de 1908,
em Neves, Niterói - RJ, é a que diz respeito a igualdade.
Sabemos que na atual sociedade, com valores deturpados ou invertidos, é comum as
pessoas avaliarem umas as outras, não pelo grau de espiritualidade, moral, caráter e
boas ações, mas sim pelo que se apresenta a nível de posses.
Dentro deste contexto, é corriqueiro, embora extremamente falho, valorizar ou
conceituar os habitantes deste planeta tendo como base a apresentação pessoal
externa do indivíduo, ao invés de se atentar para qualificativos internos. Prioriza-se bens
materiais em detrimento das virtudes.
E é justamente por isto que a Umbanda adotou o vestuário uniforme, para que alguns
assistentes ainda enraizados em equivocados conceitos não tenham como dar vazão a
seus distorcidos juízos de valor.
Assim, quem adentra por um terreiro na esperança de cura ou melhora de seus
problemas, jamais terá a possibilidade de identificar no corpo mediúnico, todos com
trajes iguais, eventuais ou supostas diferenças intelectuais, culturais e sociais. Não terá
a oportunidade de saber se por trás daquela roupa sacerdotal encontra-se um rico
empresário, um camelô, ou uma empregada doméstica.
Porque há quem vincule a eficácia de um socorro espiritual tomando por parâmetro o
próprio médium através do qual a entidade se manifesta. Se o medianeiro atuasse nas
sessões de caridade com trajes civis(comuns), algumas pessoas, que pensam da forma
citada, passariam a tentar analisar o grau de intelectualidade, de situação financeira,
social etc., pela qualidade do vestuário apresentado pelos médiuns. Então, sacerdotes
calçando sapatos de fino couro, camisas e calças de marcas famosas, seriam facilmente
identificados e preferencialmente procurados. Outros tantos, humildes na sua
apresentação, seriam colocados em segundo plano.
Na Umbanda, Sopro Divino que a todos oxigena, o personalismo ou destaque individual
é algo que jamais deverá existir. Somos meros veículos de manifestação da
espiritualidade superior, e por isto, devemos sempre nos mostrar coletivamente, sem
identificações pessoais ou rótulos. Somos elos iguais de mesma força e importância
neste campo de amor e caridade denominado Umbanda.
Os mediuns que chegam aos Terreiros para darem passes, sem tomarem banho ou
trocarem de roupa, estão ainda impregnados de cargas fluídico-magnéticas negativas,
que, por conseguinte interferem no campo áurico e perispiritual dos médiuns,
simplesmente acabam pela imposição ou dinamização das mãos passando ao
consulente toda ou parte daquela energia inferior que carregam.
Na Umbanda, o uniforme do médium, ou está no vestiário do terreiro, e portanto dentro
do cinturão de defesa do mesmo, ou está em casa sendo lavado ou passado, longe do
contato direto com as forças deletérias.

 As Vestes
As vestes na Umbanda são geralmente brancas, sempre muito limpas, já que este é um
dos motivos pelo qual se troca de roupa para os trabalhos. Nunca se deve trabalhar com
as roupas do corpo, ou já vir vestido de casa com as roupas brancas. O suor causa uma
sensação de desconforto, o que traz uma má concentração e intranqüilidade do médium
(sem contar, é claro, com a desagradável situação de uma pessoa que vai tomar passes
ou consultar-se, e ficar sentindo o cheiro do suor do médium, que está sempre próximo
nos trabalhos).
O branco é de caráter refletor, já que é a somatória de todas as cores e funciona, aliado
a outras coisas, como uma espécie de escudo contra certos choques menores de
energias negativas que são dirigidas ao médium. Serve, também, para identificar os
médiuns dentro de uma casa de trabalhos muito grande. Alem disso, é uma cor
relaxante, que induz o psiquismo à calma e à tranqüilidade.
A Roupa Branca (Roupa de Santo) é a vestimenta para a qual devemos dispensar muito
carinho e cuidado, idênticos ao que temos para com nossos Orixás e Guias. As roupas
devem ser conservadas limpas, bem cuidadas, assim como as guias(fios de contas), não
se admitindo que um médium, após seus trabalhos, deixe suas roupas e guias no
Terreiro, esquecidas. Quando a roupa fica velha, estragada, jamais o médium deverá dar
a alguém ou jogar fora como se fosse uma roupa de uso comum. Ela deverá ser
despachada, pois trata-se de um instrumento de trabalho do médium.
O Pano de Cabeça (Torço) - É feito a partir de um pano chamado Ojá (a palavra significa
“faixa de pano”), de tamanho variável. Existem vários formatos de torço, que podem ter
significados diferentes. Por exemplo: o torço com duas pontas(orelhas) significa orixá
feminino enquanto o torço com uma ponta só simboliza orixá masculino.
Serve tanto para proteger a coroa do médium conta as energias mais pesadas, como
também representa um sinal de respeito dentro de um determinado ritual.
Lembrando que não é adotado como uso geral na Umbanda, somente alguns terreiros
fazem uso dessa peça.
Outras Roupas e Paramentos Utilizados
Com o tempo de desenvolvimentos dos médiuns, os seus guias podem vir a solicitar
através de sonhos ou mensagens ditadas por intuição, algumas peças de roupas e certos
paramentos para que usem durante os trabalhos.
Podem ser:
- Pretos Velhos: toalhas, batas, saia, calça, etc.
- Exus: Roupas Vermelhas (pombagira) ou Pretas(exus), lenços, chapéus, jóias, capas,
etc.
- Ciganos/Ciganas – vestimentas características coloridas, cartas (taro), incensos, etc.
- Baianos – chapéus, etc.
- Boiadeiros – laços, chapeus, etc.
- Caboclos: Roupa Verde, Cocares, faixas, penas, tiras de couro, etc.
- Marinheiros - boné de marinheiro, etc.
- Crianças(Erês): Roupa Azul(menino) ou Cor de Rosa(menina), Bonés, roupas, laços,
toalhas, etc.

Obs: Lembrando que tudo isso deverão passar por autorização prévia pelo(a) dirigente
ou pelos guia chefe da casa, então filho ou filha da casa deve levar estes pedidos
específicos de suas respectivas entidades ao conhecimento do responsável pelo
terreiro, para que seja autorizado.
Os Pés Descalços
Todo Umbandista já deve ter ouvido a frase “Umbanda é pé no chão”. Mas será que
todos sabem o porquê de ficarmos descalços em nossos terreiros?
São três motivos principais.
O primeiro motivo é que o solo representa a morada dos nossos antepassados e quando
estamos descalços tocando com os pés no chão estamos entrando em contato com
estes ancestrais e, consequentemente, com todo o conhecimento e a sabedoria que
esse passado guarda.
O segundo motivo pelo qual tiramos os calçados é o respeito ao solo sagrado do
terreiro. Imagine que vir da rua com os sapatos sujos e entrar com eles onde nossos
trabalhos espirituais são realizados seria como alguém entrar em nossa casa carregando
uma montanha de lixo que vai caindo e se espalhando por todos os cantos. Diante desta
situação você diria o quê? No mínimo que essa tal pessoa não tem respeito por você ou
pela sua casa.
O terceiro motivo é o fato de que naturalmente nós atuamos como “para-raios” e ao
recebermos qualquer energia mais forte, se estivermos descalços sem nenhum material
isolante entre nosso corpo e o chão, ela automaticamente se dissipa no solo. É uma
forma de garantir a segurança do médium para que não acumule ou leve determinadas
energias consigo.
Além de tudo isso podemos dizer também que realizar nossos trabalhos espirituais
descalços é uma forma de representar a humildade e a simplicidade do Rito Umbandista.
É uma forma de garantir a segurança do médium para que não acumule e leve
determinadas energias consigo.
Em alguns poucos terreiros é permitido usar calçados (mas calçados que são usados
APENAS dentro do terreiro).
Saudação:
O ritual da saudação é manifestação do corpo e da intenção. É através do ritual da
saudação que se faz a conexão com as faixas vibratórias, estabelecendo a condição
mental necessária (corpo, alma e sentimento). É preciso colocar a necessidade de
reverenciar, pois é na reverencia que aceitamos àquele que é superior, observando três
aspectos: respeito, medo e obediência. Sendo assim sem a reverencia, no atual estágio
humano, não existiria hierarquia superior.
Tronqueira e o cruzeiro das almas
Porque saudar?
Tronqueira:
Tronqueira deve ser saudada quando chegamos a qualquer Terreiro?
Qual a origem do fundamento de Exu estar na tronqueira (ou porteira)?
A tronqueira é um recurso da Umbanda que funciona como anteparo a seres com
energias negativas.
No Terreiro, funciona como um ponto de força onde está firmado (ativado) o poder dos
guardiões que atuam em dimensões à nossa Esquerda.
O ponto de força funciona como um para-raios: é um portal que impede as forças hostis
de se servirem do ambiente religioso.
Há um mito que explica sua origem.
Uma história Nagô conta que havia um grande comerciante de bom caráter que muito
ajudava a comunidade.
Ele era justo e até doava as sobras de quiabo e inhame aos que não tinham dinheiro
para pagar.
Por seu sucesso, era invejado por muitos dos seus pares, que rogavam à Morte e à
Doença que batessem em sua porta.
Ao saber disso, esse grande sábio consultou um Babalaô – Oráculo de Orunmilá.
Queria saber o que fazer para afastar um possível mal à sua integridade física.
O Senhor do Destino, aquele que tudo viu e vê, confirmou que ele seria atacado pela
doença e pela morte.
Que seus inimigos estariam, pela inveja e mau olhar, liberando os Ajoguns, forças
espirituais destrutivas, que bateriam à sua porta.
Para manter-se equilibrado e protegido contra estas forças, ele deveria realizar uma
determinada reza com uma oferenda para Exu, na entrada de frente da sua casa e outra
também na entrada dos fundos, que deveriam ser renovadas periodicamente.
Assim o fez, conforme orientado pelo Babalaô.
Passados alguns dias, a doença foi à casa do comerciante e, ao chegar na porta de
entrada, deparou-se com Exu.
A doença disse: “Me dê licença Exu, pois quero entrar”.
Exu, que havia sido invocado e recebido as oferendas do comerciante, disse à doença
que não permitiria a sua entrada; ela que desse meia volta e seguisse o seu caminho.
A doença, no entanto, não se deu por contente e se une a morte e tentam entrar pela
porta dos fundos.
Mas lá também estava Exu, que não deixou ambos entrarem, dizendo-lhes que o destino
do comerciante não previa ele voltar para Orun naquele momento e que ele teria vida
longa e próspera, isso se mantivesse o seu caráter intacto como vinha fazendo.
Desde este dia, Exu está na tronqueira (porteira) dos Terreiros, evitando que coisas
negativas entrem.
Além do mito, é importante salientar que a tronqueira é um anteparo, uma proteção.
É ela que guarda e protege todo o trabalho de Umbanda ali realizado, assim como os
médiuns e a assistência.
A tronqueira contém os guardiões que dão sustentação para que a Umbanda se realize.
Mas não há como negar que “o mito fundamenta o rito”
Saudar os dirigentes da casa, mãe de santo e mãe pequena;
Médium deve Saudar e tomar a Benção de seu Pai ou Mãe Espiritual. Quando isso
ocorre, o “filho” está reconhecendo seu Pai Espiritual como o detentor dos
conhecimentos da Lei de Umbanda e como seu orientador, que o conduzirá, sustentará
e protegerá dentro da doutrina religiosa Umbandista. “Tomar a Benção” é um
procedimento de reconhecimento de Grau e de respeito à Hierarquia, pois o Pai
Espiritual é a voz, é a força, é o representante e o intermediário dos Orixás aqui no plano
material e ele é escolhido e preparado pelas próprias Forças Divinas, pois se assim não
fosse, não conseguiria sustentar uma gira ou realizar um “simples” desenvolvimento.
Cada Centro tem a sua forma de saudar o Pai Espiritual, mas quando o médium toma
entre suas mãos a mão de seu Pai Espiritual, a beija respeitosamente, leva-a até a sua
testa e a beija novamente, este ato representa o desejo de que aquelas mãos
preparadas o conduza aos serviços de Deus ajudando-o a adquirir conhecimentos
Sagrados. Ao dizer: “Daí-me Pai, a sua benção” e o Pai Espiritual responder “Seja Oxalá
quem lhe abençoe” ele está saudando acima de tudo a Trindade Divina e sendo
abençoado POR OLORUN, POR OXALÁ E POR IFÁ. As mesmas atitudes devem ser
realizadas ao sair do Centro, pois o médium sai do Sagrado para o Profano.
Palestra evangelizadora:

 Serenar os corações
 Por que pedimos silêncio no terreiro?
Atente para o que você fala. Boas palavras são as que edificam, elevam e agradam. Más
palavras são as que destroem, rebaixam e machucam. O que sai da boca é força criadora.
Provindos de Deus, os orixás são os grandes criadores, e se expressam pelo som. A
palavra é, portanto, um dos meios de manifestação do Divino na Terra, e quando
proferida passa a produzir efeitos; não há como fazê-la retornar. Por isso, ao adentrar
um terreiro de umbanda, pense antes de falar.
Pense novamente e evite excessos, pois muito antes de sua chegada os falangeiros dos
orixás já estão organizando, em nível astral, todo o aparato necessário para providenciar
o socorro e a cura dos espíritos doentes e sofredores. Os meios necessários para a
defesa desse "hospital de almas" são ativados com a finalidade de conter os ataques
trevosos que a casa irá receber antes, durante e depois da sessão. Portanto, não seja o
porta-voz das sombras, trazendo desarmonia para o ambiente. Facilite o trabalho, não
julgando nada, não emitindo opinião, ou melhor, adotando uma postura de
imparcialidade diante do momento existencial e da dor de cada um.
Como você não sabe de seu passado, então deve vigiar os seus pensamentos e as suas
palavras. Deve regrar-se pela verdade e pela sensatez; regular o tom de voz, falando
mais baixo, e ser delicado com as pessoas.
Médium trabalhador, é seu dever transmitir paz, certeza, carinho e alegria aos que
chegam. Tudo o que você fala precisa ser digno de ser ouvido por nós do "lado de cá",
singelos obreiros dos orixás.
Lembre-se sempre disso e fale aos outros como se estivesse falando direto a Deus ao
pisar num terreiro de umbanda. (Mensagem de Exu Tiriri)

Orações: Através das preces e orações que fazemos ao iniciarmos os trabalhos,


conduzimos mesmo que imperceptivelmente os nossos pensamentos para Deus, ou
para coisas boas, esse componente é importantíssimo para a concentração da corrente
mediúnica que realizarão os trabalhos, dão a sustentação energética necessária para o
grupo. As orações e preces realizadas ao término dos trabalhos servem para que
possamos pedir a proteção ao voltarmos á nossas casas e agradecermos a presença dos
espíritos amigos que se fizeram presentes.
Defumação: utilizado para fazer o controle do ambiente, anulando as energias
negativas. Serve para limpeza ou purificação dos nossos corpos físicos e espirituais,
realizado através da queima de ervas e essências em carvão em brasa, no instrumento
chamado Turíbulo ou Defumador. A defumação também contribui para limpeza
energética da casa fortalecendo as boas energias e fluidos, geralmente é realizada antes
do início dos trabalhos acompanhado de pontos cantados.
Abertura dos Trabalhos
Por mais que tenhamos elementos de ritos, defumação, atabaques, folhas, cheiros e
sons, que nos dão as percepções que nos estimulam através de símbolos que podem ser
visuais, sonoros ou estar em palavras faladas e alegorias litúrgicas, é somente por meio
da elevação psíquica interna de cada membro da corrente mediúnica, que poderemos
conseguir chegar ao padrão vibratório coletivo necessário ao alinhamento com as
falanges espirituais que nos envolvem de maneira consciente, efetiva e amorosa.
Devemos viver e sentir com intensidade o que está se passando durante a abertura dos
trabalhos. Nessa ocasião está sendo levado a cabo um momento sagrado de expansão
das nossas potencialidades anímicas, mediante forças cósmicas que nos permitirão
sintonizar às instalações do nosso templo interior, e estar em contato com o benfeitor
espiritual que nos guia mediunicamente e protege durante todos os atendimentos
caritativos dos consulentes. – do livro INICIANDO NA UMBANDA
Pontos Cantados: Chamamos de pontos cantados, todas as músicas que falam dos
Orixás e Guias Espirituais, são geralmente cantados e tocados por atabaques e por
médiuns que camboneiam durante os atendimentos, sua principal função assim como
as orações é a sustentação energética do ambiente durante os trabalhos além de
facilitar a conexão entre médiuns e espíritos, harmonizando os fenômenos de
incorporação. A música é utilizada em todas as religiões, pois remetem a alegria e a
energia que transmitimos de nossa fé.
Além disso, tem como objetivo controlar os pensamentos. Tudo que pensamos e
plasmado no espaço. A primeira energia do homem é o pensamento. Sempre que
cantamos um ponto estamos fazendo uma evocação. O ponto cantado é a vigília
psíquica. Os pontos servem para impregnar certas energias e desempregnar outras, de
acordo com o ponto cantado, cada um traduz um sentimento inerente à vibração
daquela entidade que o canta, ou que o trás, existindo por trás deles, uma frequência
toda especial, que se modifica de acordo com a Linha Espiritual.
Pontos Riscados: Os pontos riscados são feitos pelas entidades, que “riscam” com
pembas símbolos cabalísticos onde representam sua linha de atuação, é a
representação gráfica de uma hierarquia de trabalho. Podem ser riscados também
pontos de forças energéticos que os utilizam como um radar de energias para limpeza e
renovação das forças do ambiente e pessoas. Utilizam também em oferendas,
assentamentos e firmações. As interpretações, assim como as utilizações variam
bastante de terreiro em terreiro, fato que deve ser respeitado, mas acreditamos que
esse recurso pode ser um canalizador de energia utilizado como método de trabalho de
nossos amigos espíritos, não somente como recurso visual e gráfico.

O Congá
A palavra “congá” é de origem banto e é utilizada no ritual de umbanda para denominar
o “altar sagrado” do terreiro. Este altar é composto de imagens de santos católicos,
caboclos, preto-velhos, e outros.
O congá, normalmente, situa-se no fundo do terreiro, de frente para o público. É
composto por uma mesa onde ficam as imagens e outros apetrechos religiosos e tem
relação estreita com o que está embaixo: os assentamentos ou os fundamentos do
terreiro. Sua disposição é diversificada, podendo haver imagens de Jesus Cristo (nunca
crucificado), de santos, de guias, de anjos, ou símbolos representativos destas
entidades, além de flores, copos com água, velas, pedras e livros. Um ponto em comum
é a ausência de imagens de exu e pomba-gira. O congá, muitas vezes, é chamado de
altar, em referência ao altar cristão.
O objetivo de se ter um altar num templo religioso é que ele se torna um ponto de força
poderosa ao local, funcionando eletricamente como um portal, irradiador de energias
positivas e facilitando o contato com esferas espirituais e dimensões paralelas à nossa,
o que já é um fundamento. Um dos elementos mais usados e primordiais a um altar são
as velas e podemos dizer até que dão vida ao altar. A vela tem o objetivo de captar as
irradiações positivas que chegam de forma vertical (do alto) e os coloca em horizontal,
assim nos deixando de frente com o Criador e divindades que assistem.
Assim, vimos que o congá tem grande importância nos terreiros de umbanda. Vamos
respeitá-lo pelo que ele significa.
Imaginem uma Usina de Força. Assim ‘e o Templo Umbandista. Agora imaginem esta
usina com três ou mais núcleos de força, cada qual com uma ou mais funções neste
espaço de [Link] bem, o Conga é um deste núcleos de força, em atividade
constante, agindo como centro Atrator, condensador, Escoador, Expansor,
transformador e alimentador dos mais diferentes tipos e níveis de energia e
magnetismo.‘
E Atrator porque atrai para si todas as variedades de pensamentos que pairam sobre o
terreiro, numa contínua atividade magneto-atratora de recepção de ondas ou feixes
mentais, quer positivos ou negativos.
É Condensador, na medida em que tais ondas ou feixes mentais vão se aglutinando ao
seu redor, num complexo influxo de cargas positivas e negativas, produto da psicoesfera
dos presentes.
É Escoador, na proporção em que, funcionando como verdadeiro fio-terra (pára-raio)
comprime miasmas e cargas magneto-negativas e as descarrega para a Mãe-Terra, num
potente efluxo eletromagnético.
É Expansor, pois que, condensando as ondas ou feixes de pensamentos positivos
emanados pelo corpo mediúnico e asistência, os potencializa e devolve para os
presentes, num complexo e eficaz fluxo e refluxo de eletromagnetismo positivo.
É Transformador no sentido de que, em alguns casos e sob determinados limites,
funciona como um reciclador de lixo astral, condensando-os, depurando-os e os
vertendo, já reciclados, ao ambiente de caridade.
É Alimentador, pelo fato de ser um dos pontos do terreiro a receberem continuamente
uma variedade de fluidos astrais, que além de auxiliarem na sustentação da egrégora da
Casa, serão o combustível principal para as atividades do Congá (Núcleo de Força).Não,
irmãos umbandistas, o Congá não é mero enfeite; tão pouco se constitui num
aglomerado de símbolos afixados de forma aleatória, atendendo a vaidade de uns e o
devaneio de outros. Congá dentro dos Templos Umbandistas sérios tem fundamento,
tem sua razão de ser, pois que pautado em bases e diretrizes sólidas, lógicas, racionais,
magísticas, sob a supervisão dos mentores de Aruanda.
Entendemos que esta definição resume que os altares são os pontos de forças físicos
dentro dos terreiros feitos para os Guias e Orixás, onde suas funções vão além de
enfeitar, são a segurança e alicerce vibratório para que as energias do ambiente sejam
absorvidas depois transformadas e escoadas para outras dimensões. Sua constituição
é feita de imagens de Santos, Orixás, Guias, velas, pedras, cristais e outros apetrechos
e objetos dependendo da casa.

Elementos que complementam as práticas


rito-liturgicas

Imagens: As imagens que compõem os Congás são cruzadas e imantadas, ou seja,


receberam o devido preparo de ser o ponto de força energético dos Guias e Orixás, que
na linguagem popular conhecemos como o firmamento. Essas imagens são em sua
maioria de gesso, porém podemos ver algumas em resina ou madeira.
Velas: Podemos realizar através delas o ato de iluminarmos, é ponto para que as pessoas
firmem seus pensamentos e possam fazer orações. As velas possuem os elementos fogo,
ar e terra que são princípios de nossa natureza e onde os Orixás se fazem presentes. O
uso de velas não é particularidade da Umbanda, pois sua utilização acompanha a história
dos Homens e das Religiões.
Guias e Colares: As guias e colares são feitas de contas de cristal, miçangas, pedras ou
outros elementos conforme orientação do Guia e tem a função ritualística de
representar a energia e força (axé) dos Orixás, fazendo a segurança energética dos
Chakras dos Médiuns. Podem ser recomendadas para uso fora do ambiente religioso,
porém sua utilização implica em muito respeito e zelo por parte de quem usa.
Pedras: são condensadoras de energia e possuem vibração única, podendo trazer a
força da natureza e dos sítios, aos quais foram retiradas, para dentro do ambiente e têm
ligação com encantados da natureza que trabalham para a harmonização das vibrações
do planeta. Diferentes pedras trazem energias diversas, por isso devemos estudá-las
para conhecê-las.
Fumo: São elementos de base vegetal que quando são queimados e exalados pelas
entidades, serve de apoio para seus trabalhos, à combustão dos vegetais que eles
contêm fazem uma espécie de defumação com elementos etéreos, ou seja, como
elementos energéticos e magnetizadores ajudando na limpeza e reordenação dos
Chakras dos consulentes. O uso desses elementos é alvo de muito preconceito e má
interpretação, temos que ter o discernimento para entendermos seu fundamento e para
verificarmos se o Guia utiliza para fins terapêuticos ou se ele usa o tempo que está em
incorporado apenas para fumar, esquecendo-se de seu trabalho e responsabilidade.
O Fumo, por sua vez, é vegetal que traz o elemento terra e água, em sua composição e,
os elementos ar e fogo quando utilizado na defumação. Conjuga, portanto, quando
utilizado pelas entidades da Umbanda, os quatro elementos básicos: terra, água, ar e
fogo. O fumo é utilizado como meio de descarrego, agindo sobre os chakras dos
consulentes. A grosso modo o fumo prestar-se-ia a agir como uma “defumação
direcionada”, ou seja, certas cargas mais pesadas seriam destruídas pelas baforadas do
cachimbo, cigarro ou do charuto,
Bebidas: As bebidas obedecem à mesma condição dos cigarros e charutos, são agentes
condensadores, que auxiliam os Guias á realizarem limpeza de corpos e espíritos e
desintegram trabalhos de magias e feitiçarias de finalidade geralmente maldosa. Seu
uso também deve receber atenção e promover estudos em sua volta, para que a
Umbanda e seus falangeiros não sejam confundidos com pessoas de religião que são
viciados em álcool.
Os guias e protetores da Umbanda utilizam-se dos elementos que compõem o álcool e
o fumo para seus trabalhos de limpeza, alem de outras funções mais complexas, tanto
do consulente quanto do ambiente, só conhecidas e manipuladas pelas entidades.
CACHAÇA O álcool, em sua essência, é liquido proveniente da cana de açúcar,
extremamente volátil, sendo excelente auxiliar para o desfazimento de energias
negativas impregnadas no perispírito. O álcool ainda possui a propriedade de ser usado
como “contraste”, quando a entidade age magnetizando a bebida e faz o consulente
ingeri-la em pequena quantidade, permitindo-lhes visualizar. O álcool ainda propicia no
organismo do médium um entorpecimento das faculdades, facilitando com isso o
trabalho das entidades, proporcionando-lhes mais liberdade de ação durante o processo
da incorporação, já que libera no organismo do médium substancias ativadoras do
cérebro que atuam nos plexos nervosos.

Oferendas: A oferenda é um fundamento de rito bastante utilizado. As oferendas tem a


função de ligação espiritual ou energética, de nós humanos encarnados com os Guias e
Orixás, é o ato de oferecermos flores, frutas, bebidas, fumos, alguns tipos de alimentos
preparados, velas entre tantos que são elementos de origem mineral, vegetal e animal,
em agradecimentos, pedidos, quebras de demandas, aberturas de caminhos, rituais de
firmezas e assentamentos. Esses elementos são absorvidos e decantados pelas
entidades estreitando os laços existentes. É importante que saibamos que o conceito
que o Orixá ou Guia Espiritual, “come e bebe” sua oferenda é preconceituoso e
ultrapassado, pois entendemos que eles possuem métodos de manipulação das
energias que emanam dos elementos e com essas energias realizam as curas e
tratamentos espirituais no qual estamos autorizados á receber, dentro das leis de
justiça, ação e reação para nosso auxilio.
Descarrego com pólvora: É usado para o descarrego ou modificar o metabolismo da
pessoa. A pólvora no ponto riscado tem a função de anular os efeitos fluídicos do
ambiente, para purificar o ar. A pólvora não é elemento responsável pelo efeito
anulador, mas sim a explosão que se dá ao queimá-la. Essa explosão elimina moléculas
do ar no ambiente, elimina ou anula os canais dos pontos riscados, ou seja, os
restringidos. A explosão anula a saturação fluídica de todo ambiente, através da fumaça
eliminada pela queima, voltando ao normal as paredes fluídicas e anula a corrente
formada pelos espíritos no trabalho.
O que acontece no momento da consulta?
Toda casa de Umbanda que é séria e faz a caridade gratuita e desinteressada é um
grande hospital das almas, tendo o apoio de falanges espirituais do Astral Superior. Essas
giras de caridade são grandes pronto-socorros espirituais, onde não se escolhe o tipo de
atendimento, estabelecendo enormes demandas no Além. Os consulentes que
procuram o aconselhamento espiritual através da palavra amiga e do passe, avançam
trazendo os mais diversos tipos de problemas: doenças, dores, sofrimentos, obsessões,
desesperos etc.
É indispensável um ambiente harmonioso e de energias positivas no grupo de médiuns
que formarão a corrente vibratória. Para se conseguir as vibrações elevadas, se cantam
pontos, que são verdadeiros mantras, faz-se a defumação com ervas de limpeza físico-
etérea e espargem-se essências aromáticas que auxiliam a elevar as vibrações.
No ato da consulta, o Guia atua junto ao médium e dirige os trabalhos, tendo vários
auxiliares invisíveis que ainda não “incorporam”. Manipulam com grande destreza o
ectoplasma do médium, que é “macerado” com princípios ativos eterizados de ervas e
plantas, fitoterápicos astralizados usados para a cura. Os espíritos da natureza
trabalham ativamente buscando esses medicamentos naturais nos sítios vibratórios que
lhes são afins, bem como recolhem, para a manipulação perfeita do caboclo ou preto
velho, as energias ou elementais do fogo, ar, terra e água, que sempre estão em
semelhança vibratória com os consulentes, refazendo as carências energéticas
localizadas. É a magia dos quatro elementos utilizada para amenizar os sofrimentos dos
homens.

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