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A Síndrome da Barata.

A história se inicia com diversas falas de repórteres, mostrando de forma rápida o desenvolvimento
de uma epidemia que ainda não é totalmente compreendida pelos médicos (e nem será
compreendida na história de forma clara) e as ações do governo para tentar conter a tal epidemia. As
primeiras falas descrevem vagamente um grande número de mortos, a possibilidade da ligação
dessas mortes a insalubridade, a contaminação da água e seu principal transmissor: as baratas. Essa
epidemia leva o governo a tomar uma medida drástica de quarentena. Ninguém está permitido a sair
de casa, e o governo entregará semanalmente uma cesta básica com água potável e uma ração.
Nessas visitas, o governo também checará a saúde da sociedade.

Com esse aviso, vemos uma televisão que, ao terminar seu anúncio, fica com um chiado muito alto
e os chuviscos fantasmas. Vemos nossa personagem assistindo a esse chiado, agora falando no
telefone com algum amigo. Enquanto ela descreve o quanto acha absurda essa situação, o telefone é
cortado, e vamos perceber que a comunicação de qualquer forma já não existe mais. É impossível
saber o que acontece lá fora. A TV ficará ligada emitindo seu chiado ao longo de todo filme. Essa
questão é importante pois o barulho servirá como trilha sonora para levar nosso personagem a
loucura e a paranóia.

A partir disso seguiremos nosso personagem por sua pequena casa. Chove lá fora, e alguns baldes
estão espalhados pela casa para conter as goteiras. Nossa personagem é classe média baixa, e a
umidade já começa a criar problemas na casa. O lixo se acumula em um dos cômodos, já que não é
possível sair de casa e não há coleta de lixo. Algumas barras de ração está pela casa, que tem um
aspecto sujo. Mostraremos a rotina dessa personagem isolada e sua situação se torna cada vez mais
insalubre.

Uma barata aparece. Essa barata representará a tábua de salvamento para nossa personagem, pois é
a única coisa que a mantém na realidade e também sua única companhia. Periódicamente nossa
personagem recebe visitas de médicos que, a cada visita, deterioram sua figura. Começam a
aparecer com máscaras que eram usadas pelos médicos durante a Peste Negra na Europa. Os
médicos nada explicam. Entram, entregam a ração e a água, não respondem perguntas e, em suas
visitas futuras, analisam com uma máquina rudimentar a saúde de nossa personagem que, assustada,
começa a ser contida com mordaças para tomar suas vacinas que também não são explicadas a ela o
motivo de suas aplicações.

Nesse ritmo, nossa personagem entra numa situação de insanidade mental. Quando a barata
desaparece a casa já está numa situação de insalubridade absurda. Desesperada pela falta de sua
companheira, nossa personagem se arrasta pelos cantos procurando sua amiga. É nesse processo
que, aos poucos, nossa personagem começa a perder seus traços de humanidade e se tornar ela
mesma uma barata.