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2/9/2019 Revista Espacios.

Vol 34 (Nº 12) Año 2013

Espacios. Vol. 34 (12) 2013. Pág. 16

A pesquisa qualitativa na educação matemática: Um diálogo


auxiliando a formação do professor/pesquisador
Qualitative research in mathematics education: A dialogue assisting teacher
education / research

Ana Cristina SCHIRLO 1 y Sani de Carvalho Rutz DA SILVA 2

Recibido: 15-10-2013 - Aprobado: 05-12-2013

Contenido

Introdução
Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática
Pesquisa Qualitativa e seus Componentes
Algumas Considerações
Referências

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RESUMO: ABSTRACT:
A pesquisa qualitativa é uma ferramenta metodológica que Qualitative research is a methodological tool that assists the
auxilia o pesquisador no desenvolvimento de seu trabalho researcher in the development of his scientific work in any
científico em qualquer área de pesquisa, inclusive nas area of research, including the research of a mathematical
pesquisas de cunho matemático. Com esse entendimento, character. With this understanding , this, this theoretical essay
Nesse sentido, esse ensaio teórico, de cunho qualitativo, , a qualitative , aimed to investigate how the methodological
objetivou investigar como é a abordagem metodológica da approach of qualitative research , including its components
pesquisa qualitativa, quais seus componentes e discorrer sobre and discuss some of his topics for researchers , especially
alguns de seus tópicos, para que os pesquisadores, beginners , can drink more this source on the subject .
principalmente os iniciantes, possam beber em mais essa fonte Therefore, drew up an overview of the parts that integrate
sobre o assunto. Para tanto, traçou-se um panorama geral das qualitative research, investigating the space of qualitative
partes que integram a pesquisa qualitativa, investigando o research in mathematics education. The study found evidence
espaço da pesquisa qualitativa em Educação Matemática. O that the researchers found little material available that
estudo apontou evidências de que os pesquisadores encontram provide information on qualitative research in mathematics
pouco material disponível que lhes forneçam informações education. Soon, highlights the need to implement courses
sobre a pesquisa qualitativa em Educação Matemática. Logo, and lectures that guide researchers who are starting their
evidencia-se a necessidade de implantar cursos e palestras que journey scientific because they are looking for information to
orientem pesquisadores que estão iniciando sua caminhada solve the various methodological questions involving their
científica, pois estes estão em busca de informações para sanar research, especially in mathematics education.
as diversas dúvidas metodológicas que envolvem suas KEYWORDS: Qualitative Research, Teacher Education,
pesquisas, principalmente na educação Matemática. Mathematics Education.
PALAVRAS-CHAVE: Pesquisa Qualitativa, Formação de
Professores, Educação Matemática.

Introdução
Nos últimos anos, pesquisas científicas vêm se dedicando a temas que versam sobre o
desenvolvimento científico e tecnológico. Logo, não é necessário muito esforço para perceber que
esse desenvolvimento vem desencadeando mudanças em todas as áreas do conhecimento humano,
inclusive na área da educação escolar.

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Nesse sentido, entende-se que a função social da escola/educação é com a transmissão do saber
científico que foi construído e acumulado ao longo dos séculos pela humanidade. Porém, paralelo a
essa formação em conceitos e teorias, a prática educativa, hoje, deve contemplar além da dimensão
intelectual do ser humano, a dimensão social, afetiva e relacional.

Faria (2006) afirma que, em uma sociedade dominada pela ciência e pela técnica se faz necessário
uma humanização da tecnologia, ou seja, a educação deve ser pautada em valores éticos, em
relações responsáveis e fraternas, valorizando a pessoa humana.

Diante desse contexto, a educação está assumindo novas funções e está redefinindo suas finalidades
e objetivos de ensino. Para tanto, buscam-se estratégias para a realização do processo ensino e
aprendizagem que proporcionem o encontro da educação com as necessidades da sociedade atual.

Partindo dessa perspectiva, há uma preocupação em relação à formação de professores, pois o


desenvolvimento da capacidade profissional que assegura as condições necessárias para exercer o
magistério, está vinculado aos saberes envolvido nessa formação. Visto que, esses profissionais da
educação devem estar aptos para atuarem na realidade escolar do século XXI.

Nesse sentido, será que ser professor nos dias atuais é diferente que em outras décadas? Acredita-se
que dentro da atual cultura educacional é. Segundo várias concepções que não se pretende
aprofundar no momento, o professor ainda há poucos anos poderia ser definido como o profissional
que ensina, ministra, relaciona ou instrumentaliza os estudantes para as aulas ou cursos em todos os
níveis educacionais.

No entanto, Nóvoa (1992) afirma que os professores não articulam apenas com alguns saberes,
como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social. Assim, o
professor não é mais, ou não deve ser apenas, um mero transmissor de conhecimento, no entanto
também não é apenas uma pessoa que trabalha no interior de uma sala de aula. Mas, ele é um
organizador de aprendizagens, muitas vezes de aprendizagens via os novos meios informáticos, por
via dessas novas realidades virtuais. Ou seja, para ser professor não basta deter o conhecimento
para o saber transmitir a alguém, é preciso compreender o conhecimento, ser capaz de reorganizá-
lo, ser capaz de reelaborá-lo e de transpô-lo em situação didática em sala de aula.

Nessa linha de pensamento, a pesquisa é um elemento primordial na atividade do professor e para o


pleno exercício desta atividade, o professor deve ser um pesquisador/reflexivo.

Segundo Lima (2007, p. 15), “reflexão sobre a prática é de fundamental importância, independente
se formado ou estimulado a tal atitude, pois é daí que o professor poderá avaliar-se e terá a
condição de modificar suas ações, podendo assim fazer jus a grande responsabilidade que lhe foi
atribuída”.

Assim, é pertinente que na atualidade o professor seja também um pesquisador. Para Garcia (2007),
professor pesquisador seria aquele professor que parte de questões relativas à sua prática com o
objetivo de aprimorá-la, buscando reunir informações sobre um determinado problema ou assunto e
analisá-las, utilizando para isso um método científico com o objetivo de aumentar o conhecimento
de determinado assunto, descobrindo algo novo ou refutando conjecturas anteriores.

Nessa perspectiva, o professor em parceria com seus estudantes pode criar um espaço altamente
produtivo, elaborando projetos e pesquisas, abordando questões pertinentes ao contexto da turma,
investigando com os estudantes temas de interesse, levantando problemas e questionamentos a
serem resolvidos. Visto que, este tipo trabalho instiga a curiosidade e o interesse do aluno, a partir
do momento, que o estudante encontra sentido no processo educativo, ele passa a interagir e
participar efetivamente das aulas.

Com esses entendimentos, procurou-se angariar informações sobre o entendimento dos professores,
em especial, de Matemática da rede estadual de ensino a cerca de serem professores/pesquisadores.

Os dados revelaram que os mesmos não se veem como professores e pesquisadores, mas somente
como professores, pois afirmam que em sua formação há uma lacuna sobre conhecimentos de
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procedimentos metodológicos para a realização de pesquisas, pois nos cursos de Licenciatura a


metodologia privilegiada é a do ensino/aprendizagem e não se desenvolvem pesquisas científicas e
não se trabalha com as diferentes abordagens metodológicas necessárias ao desenvolvimento de
pesquisas, ficando estas apenas para serem desenvolvidas nos cursos de Bacharelados.

Assim, visando suprir parte dessa lacuna, o presente artigo traz algumas considerações relevantes
para subsidiar a realização de uma pesquisa de abordagem qualitativa em Educação Matemática.

Pesquisa Qualitativa em Educação Matemática


É de amplo conhecimento que na área do saber matemático, educadores e pesquisadores se reúnem
em eventos científicos, para discutirem diversos temas relevantes para o processo de ensino e
aprendizagem da Matemática. E, atualmente o termo pesquisa no cotidiano escolar, mais
propriamente dito, em sala de aula, se apresenta, na maioria das vezes, distorcido do seu real
significado. Para D’Ambrósio (2006, p. 94)

Etimologicamente, pesquisa está ligada a


investigação, a busca (=quest), a reseaech (search
= procura), [...] mergulhar na busca de
explicações, dos porquês e dos comos, [...] o
professor está permanentemente num processo de
busca de aquisição de novos conhecimentos e de
entender e conhecer os alunos. Portanto, as
figuras do professor e do pesquisador são
indissolúveis.

Cabe aqui, usar as palavras de Lüdke e André (2005) para esclarecer como se processa o ato de
realizar uma pesquisa

é preciso promover o confronto entre os dados


coletados [...] sobre determinado assunto e o
conhecimento teórico acumulado a respeito dele.
[...] isso se faz a partir do estudo de um problema,
que ao mesmo tempo desperta o interesse do
pesquisador e limita sua atividade de pesquisa a
uma determinada porção do saber [...]. Esse
conhecimento é [...] fruto da curiosidade, da
inquietação, da inteligência e da atividade
investigativa dos indivíduos, a partir e em
continuação do que já foi elaborado e
sistematizado pelos que trabalharam o assunto
anteriormente. Tanto pode ser confirmado como
negado pela pesquisa o que se acumulou a
respeito desse assunto, mas o que não pode é ser
ignorado. (Lüdke; André, p.1-2).

Bicudo (2006, p. 101) afirma que “no senso comum, o qualitativo é entendido como o oposto ao
quantitativo. Um falando de qualidade e tendo a ver com o subjetivo, com o sentimento, com
opiniões acerca das coisas do mundo. O outro, quantificando aspectos objetivos sobre essas
mesmas coisas”. Nesse caso, é necessário ir além do senso comum, sendo preciso recorrer a uma
esfera acadêmica para situar o que é uma pesquisa qualitativa.

Corroborando com esse pensamento, Strauss (2008, p. 23) ratifica que

[...] “pesquisa qualitativa” [...] qualquer tipo de


pesquisa que produza resultados não alcançados
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através de procedimentos estatísticos ou de outros


meios de quantificação. Pode se referir à pesquisa
sobre a vida das pessoas, [...] e também à
pesquisa sobre funcionamento organizacional,
movimentos sociais, fenômenos culturais e
interação entre nações. Alguns dados podem ser
quantificados, [...] mas o grosso da análise é
interpretativa. [...] o termo “pesquisa qualitativa”
é confuso porque pode significar coisas diferentes
para pessoas diferentes.

O uso da abordagem qualitativa vem conquistando a confiança dos pesquisadores das diferentes
áreas de estudo. Inclusive dos da área de exatas, que até bem pouco tempo atrás, valorizavam
apenas a abordagem quantitativa.

Conforme D’Ambrósio (2006, p. 14), “a investigação em Educação Matemática procurava se tornar


sistemática e rigorosa e via o tratamento estatístico como capaz de conduzir o rigor desejado [...] só
era considerada boa pesquisa aquela que tivesse um tratamento estatístico rigoroso”.

A pesquisa qualitativa passa a ser entendida como uma forma para se compreender melhor os
significados e marcos situacionais que os pesquisadores tanto buscam entender.

Diante disso, Bicudo (2006, p. 106), afirma que

o qualitativo engloba a ideia do subjetivo,


passível de expor sensações e opiniões.[...]
entende-se que a noção de rigor não seria
aplicável a dados qualitativos, uma vez que a eles
faltaria precisão e objetividade, dificultando ou
impossibilitando a aplicação de quantificadores.

A pesquisa qualitativa tem caráter exploratório, o qual estimula o pensamento dos informantes,
para que estes pensem livremente a respeito do que estão respondendo. Daí, o seu caráter
instigador, questionador, inquiridor e transformador. Strauss (2008) enfatiza que esse processo
exige do pesquisador um ir e vir na busca dos dados.

há muitas escolhas e decisões e elas são


diferentes para os vários aspectos do processo
geral de pesquisa. [...] a pesquisa pode ser
concebida como um processo circular, que
envolve muitas idas e vindas e caminhadas em
círculo antes de finalmente atingir um objetivo
(STRAUS, 2008, p.41).

Assim, em uma pesquisa qualitativa, emergem aspectos subjetivos, que levam a pensamentos não
explícitos, mas que estão implícitos nas informações obtidas. Seu uso é recomendado quando se
procura percepções naturais e entendimentos espontâneos sobre a questão que está sendo
interrogada.

Essa técnica de abordagem qualitativa, até uma década atrás, como lembra D’Ambrósio (2006), era
rejeitada nos principais meios de publicações. No entanto, o JRME 3, que se recusava a publicar
artigos baseados em pesquisa qualitativa, hoje, aceita e estimula esse tipo de pesquisa.

Conforme Araújo e Borba (2006), a cada dia, a pesquisa qualitativa ganha novos adeptos, mas é
importante que esses conheçam as particularidades dessa abordagem metodológica

em uma pesquisa em Educação (Matemática), a metodologia [...] deve ser coerente com as visões
de Educação e de conhecimento sustentadas pelo pesquisador, o que inclui suas concepções de
Matemática e de Educação Matemática. [...] o que o pesquisador acredita ser a Matemática e a
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Educação Matemática e seu entendimento de conhecimento e de como ele é produzido (ou


transmitido, ou descoberto) são fundamentos que influenciam diretamente os resultados da
pesquisa. (Araújo; Borba, p.45).

O pesquisador qualitativo olha e trata os dados colhidos procurando ouvir o que as pessoas têm a
dizer a respeito do assunto tratado. A pesquisa qualitativa procura fazer sentido dos discursos e
narrativas silenciadas na pesquisa quantitativa. Essa definição conduz à percepção do caráter social
da mesma que vem ganhando terreno nas pesquisas educacionais, principalmente, nas pesquisas em
Educação Matemática.

Conforme Araújo e Borba (2006), quando um professor se dispõe a realizar uma pesquisa na área
de Educação Matemática é porque ele já vem observando e problematizando sua própria prática
docente.

Nesse caso, a metodologia da pesquisa é muito importante e deve ser considerada como um norte a
ser seguido. O caráter humano da pesquisa será o equilíbrio para chegar ao destino que é a
conclusão do trabalho.

É preciso deixar claro que um pesquisador não é um ser que possui superpoderes; nem um
superdotado, é apenas um ser que apresenta habilidades e vai ao encontro de conhecimentos
específicos.

Lüdke e André (2005, p. 3) afirmam que “o pesquisador, como membro de um determinado tempo
e de uma específica sociedade, irá refletir em seu trabalho de pesquisa os valores, os princípios
considerados importantes naquela sociedade, naquela época”. O pesquisador tem a função de servir
como um mediador inteligente e ativo dos conhecimentos adquiridos em seu trabalho.

O pesquisador, conforme Strauss (2008) acaba por desenvolver determinadas características, como
por exemplo: a) capacidade de retroceder e analisar criticamente as situações; b) capacidade de
pensar abstratamente; c) capacidade de ser flexível e aberto a críticas construtivas; d) sensibilidade
às palavras e às ações dos informantes e, e) um sentido de absorção e devoção ao processo de
trabalho.

Ainda, sob o ponto de vista de Strauss (2008, p. 18), “os pesquisadores que usam essa metodologia
tendem a ser flexíveis”. É uma tendência que está sendo muito discutida em seminários e em
projetos de pesquisa.

Em uma pesquisa qualitativa o número de informantes não é definido inicialmente, pois isso
dependerá da qualidade e do grau de profundidade das respostas obtidas. Há a necessidade de que
as informações venham suprir todas as lacunas apresentadas na pesquisa, e se, necessário, novas
informações deverão ser buscadas.

Bogdan e Biklen (1991, p. 11-12) discutem o uso da Pesquisa Qualitativa em Educação mostrando
que “nesses estudos há sempre uma tentativa de capturar a maneira como os informantes encaram
as questões que estão sendo focalizadas. Considerando os diferentes pontos de vista desses, os
estudos qualitativos permitem iluminar o dinamismo interno das situações, geralmente inacessível
ao observador externo”.

À medida que os dados vão sendo organizadas, as unidades de análises vão emergindo e a pesquisa
vai adquirindo consistência tornando-se viável a análise dos mesmos para se chegar a um resultado.

De acordo com Araújo e Borba (2006) o processo de construção da pergunta diretriz perpassa pelo
longo caminho que o pesquisador precisa percorrer. Esse caminho é, quase sempre, cheio de idas e
vindas, mudanças de rumo e retrocessos, até que, haja o amadurecimento necessário para se definir
a pergunta que irá direcionar a pesquisa.

O grande problema encontrado nas pesquisas é que, muitas vezes, elas não descrevem o caminho
percorrido pelo autor durante o seu desenvolvimento e não percebem que a pergunta é a síntese

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desse caminho e que todo o processo de construção da pergunta faz parte da própria pergunta, pois
ao se fazer uma pesquisa é a elaboração da pergunta instigante e pertinente ao objeto de estudo.

Essa pergunta irá determinar o melhor método de pesquisa a ser adotado para respondê-la e o
pesquisador deve ser fiel a ela. Outro aspecto relevante da pergunta, é que uma pesquisa abrange
um grande leque de informações, e estas precisam ser delimitadas para que haja sucesso na
conclusão do trabalho.

Ao se formular uma pergunta diretriz em uma pesquisa qualitativa é necessário fazê-la com
características próprias para garantir a sua flexibilidade. Esse tipo de pesquisa sugere a suposição
do que se está pesquisando. Araújo e Borba (2006, p. 42-43),

Quando decidimos desenvolver uma pesquisa,


partimos de uma inquietação inicial e, com algum
planejamento, não muito rígido, desencadeamos
um processo de busca. Devemos estar abertos
para encontrar o inesperado; o plano deve ser
frouxo o suficiente para não ‘sufocarmos’ a
realidade e, em um processo gradativo e não
organizado rigidamente, nossas inquietações vão
se entrelaçando com a visão da literatura e com
as primeiras impressões da realidade que
pesquisamos para, suavemente, delinearmos o
foco e o design da pesquisa.

Traz-se aqui, perguntas realizadas em uma pesquisa qualitativa em Educação Matemática, mais
especificamente, sobre Modelagem Matemática: “Qual o impacto das calculadoras gráficas na sala
de aula? Que matemática os alunos aprendem quando fazem modelagem matemática? Como eles
usam a calculadora gráfica nas suas modelagens?” (Araújo; Borba, 2006, p.32-33).

Os autores apresentaram os resultados parciais dessa pesquisa, na qual estudaram os efeitos de dois
enfoques pedagógicos, sendo: Modelagem e experimental-com-calculadora. Para eles, a
Modelagem é vista como “o esforço de descrever matematicamente um fenômeno que é escolhido
pelos alunos com o auxílio do professor” e, experimental-com-calculadora, incentiva os alunos a
realizarem experimentações matemáticas, envolvendo os conteúdos funções, derivadas e integrais,
com o uso da calculadora.

Assim, ao se formular uma pergunta diretriz em uma pesquisa qualitativa é necessário fazê-la com
características próprias para garantir a sua flexibilidade. Esse tipo de pesquisa sugere a suposição
do que se está pesquisando.

Pesquisa Qualitativa e seus Componentes


No dizer de Strauss (2008), há três componentes fundamentais na pesquisa qualitativa, são eles: a)
os dados, colhidos por meio de várias fontes; b) os procedimentos usados para interpretar e
organizar os dados e; c) os relatórios – escritos e verbais.

Segue-se uma explanação desses três componentes, os quais são considerados ferramentas
importantes para a realização da pesquisa qualitativa.

Coleta de dados
Os dados são os subsídios que o pesquisador vai angariar para entender, desenvolver e concluir sua
pesquisa. Cada pesquisador vai selecionar as informações que lhe sejam pertinentes para tornar sua
pesquisa fidedigna.

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Strauss (2008, p. 25) afirma que as pesquisas qualitativas “por serem baseadas em dados, tendem a
oferecer mais discernimento, melhorar o entendimento e fornecer um guia importante para ação”.
Os pesquisadores reúnem dados por meio de entrevistas e observações. Esses dados são codificados
de uma forma que permitam que sejam quantificados e analisados.

O ato de elaborar uma entrevista ou um questionário sempre causa desafios e interrogações para o
pesquisador na fase de sua elaboração. É necessário definir bem o objeto da pesquisa e elaborar
com clareza as questões que serão respondidas pelos informantes; é preciso usar de critérios ao
estabelecer as formas usadas para colher os dados, pois isso pode interferir na confiabilidade da
conclusão da pesquisa. Strauss (2008, p. 198) enfatiza que

Perguntas de entrevistas iniciais [...] devem ser


baseadas em conceitos derivados da literatura ou
da experiência ou, melhor ainda, do trabalho de
campo preliminar. Como esses conceitos iniciais
não se desenvolveram a partir de dados “reais”,
se o pesquisador levá-los com ele para o campo,
eles devem ser considerados como provisionais e
descartados à medida que os dados começarem a
aparecer.

A entrevista é um meio para colher informações. É importante que elas sejam gravadas em vídeo
ou áudio para a posteriori serem analisadas.

Já os questionários são instrumentos estruturados que apresentam dados generalizados e projetados


especificamente para cada pesquisa. Eles fornecem dados objetivos e concretos, o que tornam a
interpretação menos suscetível a erros ou a interpretações distorcidas.

O pesquisador ao fazer observações relevantes para a sua pesquisa precisa ter um planejamento
extremamente firme para não deixar que o seu “eu” influencie na pesquisa e comprometa os
resultados.

Lüdke e André (2005) orientam que é importante planejar a observação e determinar com
antecedência “o quê” e “o como” observar. A delimitação do objeto de estudo ajudará a evidenciar
quais aspectos do problema serão cobertos pela observação e qual a melhor forma de captá-los.

A observação direciona o pesquisador a aprender sobre a realidade dos fatos pesquisados, pois
permite um contato direto com o pesquisado e o ambiente em que ele está inserido, além de
permitir que tudo e todos participem da pesquisa.

Lüdeke e André (2005) reafirmam que é interessante que o observador indique o dia, a hora, o local
da observação e o seu período de duração.

De acordo com Lüdke e André (2005, p. 39) os documentos constituem uma fonte para
fundamentar as afirmações e as declarações do pesquisador. Eles representam uma fonte “natural”
de informação, uma vez que, surgem num determinado contexto e fornecem informações sobre esse
mesmo contexto. Seu uso requer apenas investimento de tempo e atenção por parte do pesquisador
para selecionar e analisar os mais relevantes. São usados para completar informações quando se
deseja obter um melhor desenvolvimento do estudo realizado. A análise de documentos é de grande
valia nas pesquisas de abordagem qualitativas.

Procedimentos
O processo qualitativo de uma pesquisa acaba por fornecer uma quantidade significativa de dados,
os quais precisam ser organizados obedecendo a critérios flexíveis e pré-estabelecidos de acordo
com o objetivo da pesquisa.

No pensar de Lüdke e André (2005, p. 45)

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Analisar os dados qualitativos significa


“trabalhar” todo o material obtido durante a
pesquisa, ou seja, os relatos de observações, as
transcrições de entrevistas, as análises de
documentos e as demais informações disponíveis.
A tarefa de análise implica [...] a organização de
todo o material, dividindo-o em partes,
relacionando essas partes e procurando identificar
nele tendências e padrões relevantes. [...] essas
tendências e padrões são reavaliados, buscando-
se relações e inferências num nível de abstração
mais elevado.

É necessário o estabelecimento de critérios para colher, transcrever e interpretar os dados coletados.


Dessa forma, os dados devem ser organizados, classificados e interpretados à luz da teoria
escolhida proporcionando o cruzamento das informações na pesquisa.

Relatórios
Após a pesquisa de campo concluída e os dados analisados, passa-se à redação acadêmica da
mesma. Sendo essa redação um ato necessário para que os resultados sejam divulgados.

Strauss (2008, p. 250) alerta que “fazer apresentações orais e publicar relatórios escritos sobre os
resultados de pesquisa são um desafio para o pesquisador”.

Sendo assim, o pesquisador ao concluir sua pesquisa deve estar ciente da necessidade de tornar
público suas conclusões, pois estas podem vir a auxiliar outros pesquisadores interessados no
assunto.

Algumas Considerações
Procurou-se tecer algumas considerações teóricas sobre a abordagem da pesquisa qualitativa as
quais valem para qualquer área científica, inclusive para a Matemática.

Ressalta-se que o olhar do pesquisador faz a articulação entre a teoria e os dados angariados. Esses
dados são confrontados com a teoria que embasou e promoveu a articulação entre o objeto que foi
estudado na pesquisa.

Assim, em uma pesquisa que envolve a Educação Matemática ou outra área, precisa fazer uso de
uma metodologia que oriente o desenrolar, de forma coerente dos dados. Pois, estes devem ser
considerados fatores que influenciam na conclusão do trabalho.

Visto que os pesquisadores estão em busca de informações para sanar as diversas dúvidas
metodológicas que envolvem suas pesquisas, sugere-se, aqui, pensar na implantação de cursos e
palestras. Estes são bem vindos e orientam pesquisadores que estão iniciando sua caminhada
científica.

Este trabalho evidenciou que a pesquisa qualitativa tem conquistado um espaço maior entre os
pesquisadores, inclusive, em Educação Matemática.

Referências
Bicudo, M. A. V. (2006). Pesquisa Qualitativa e Pesquisa Qualitativa segundo a abordagem
fenomenológica. In: BORBA, M. de C. Pesquisa qualitativa em educação matemática. Belo
Horizonte: Autêntica.

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Araújo, J. L.; Borba, M. C. (2006). Construindo pesquisas coletivamente em Educação Matemática.


In: BORBA, M. de C. Pesquisa qualitativa em educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica.

Borba, M. de C. (2006). Pesquisa qualitativa em educação matemática. Belo Horizonte:


Autêntica.

D’Ambrósio. U. In: BORBA, M. de C. (2006). Pesquisa qualitativa em educação matemática.


Belo Horizonte: Autêntica.

Lüdke, M.; André, M. E. D. A. (2005). Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São


Paulo: EPU.

Strauss, A. (2008). Pesquisa qualitativa: técnicas e procedimentos para o desenvolvimento de


teoria fundamentada. Porto Alegre: Artmed.

Bogdan, R.; Biklen, S. K. (1991). Investigação Qualitativa em Educação: uma introdução à


teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.

1 Secretaria de Educação do Estado do Paraná. E-mail: acschirlo@gmail.com


2 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Ponta Grossa. E-mail: sani@uftpr.edu.br
3 Journal of Research in Mathematics Education

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