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Transtornos

Depressivos

Nathali Carmel Weiler Miralles


Introdução

• Condição frequênte, de curso crônico e recorrente, que causa


prejuízo emocional e físico, além de comprometimento funcional.

• Trantorno de determinação multifatorial.

• A gênese desses transtornos pode se dar devido a interação entre


predisposição genética, ambiente (estressores, perdas) e
características de temperamento e personalidade.
Transtorno Depressivo maior

• Duração mínima de 2 semanas, e pelo menos 4 ou mais


sintomas dos seguintes ocorrendo na maior parte do tempo
a) Mudanças no peso e apetite
b) Mudanças no sono e atividade
c) Falta de energia
d) Sentimento de culpa
e) Problemas em pensar e tomar decisões
f) Pensamentos recorrentes de morte e suicídio

• Se ocorre sem história de episódio maníaco, hipomaníaco ou


misto – depressão unipolar
Epidemiologia

• É a terceira doença mais onerosa para sociedade (2004).


• Faixa etária de inicio entre 20 e 50 anos, (50% dos pacientes).
• Cerca de 2 vezes mais prevalente em mulheres que homens, e é
uma iportante causa de morbidade.
• Não foram encontradas relações socioeconômicas e culturais.
• Atinge mais solteiros que casados.
• Moradores de áreas rurais tem maior prevalência.
• Estima-se que, no mundo, a prevalência pontual da depressão
esteja em torno de 4,4 a 4,7%, na vida, de até 16,2%.
• Pacientes com outras comorbidades crônicas e
incapacitantes tem maior chance de desenvolver depressão.
Sintomatologia
• Tristeza • Desânimo • Lentificação • Autodepreciação
• Falta desentimento • Anedonia • Estupor • Vergonha
• Apatia • Isolamento • Negativismo • Perda da
• Angustia • Catatonia autoestima
• Tédio
• Irritabili/Ansiedade

AFETIVIDADE E AUTO
VOLIÇÃO MOTRICIDADE VALORAÇÃO
HUMOR

• Memória • Morte • Ideias delirantes


• Concentração • Negativismo • Ilusões
• Decisão • Ruminação • Alucinações

SINTOMAS
COGNITIVA IDEATIVAS PSICÓTICOS
Síndromes depressivas

• Do ponto de vista psicopatológico, elas têm como elementos


destacados:

• Humor triste e desânimo.

• Que são mais intensos e duradouros do que nas


respostas normais de tristeza que ocorrem ao longo da
vida.
Triagem das Sindromes depressivas

• O efetividade da detecção sistemática em toda população é


controversa. Recomenda-se triar pacientes que estão no grupo de
risco.
Rastreamento de depressão

• Se for do grupo de risco,


deve-se aplicar algoritmo de
avaliação e conduta em
episódios depressivos.
Rastreamento de depressão

• Questionar:
• Você se sentiu incomodado por estar “para baixo”, deprimido ou sem
esperança?
• Você se sintiu incomodado por ter pouco interesse ou prazer em fazer as
coisas?

• Se forem afirmativas as 2 questões, aplicar critérios do CID-10.


Critérios diagnósticos – CID-10
Sintomas fundamentais
• Humor deprimido
• Perda de interesse
• Fatigabilidade
Sintomas acessórios
• Concentração e atenção reduzidas
• Autoestima e autoconfiança reduzidas
• Ideias de culpa e inutilidade
• Visões desoladas e pessimistas do futuro
• Ideias de atos autolesivos ou suicídio
• Sono perturbado
• Apetite diminuído
Episódio leve: 2 sintomas fundamentais + 2 acessórios.
Episódio moderado: 2 sintomas fundamentais + 3 a 4 acessórios.
Episódio grave: 3 sintomas fundamentais + > 4 acessórios
Subtipos

• Através do CID 11 e DSM – 5 os transtornos depressivos são subdivididos em


categorias de acordo com a intensidade dos sintomas, duração e outras
características associadas.

• Episódio de depressão e transtorno depressivo maior recorrente


• Transtorno depressivo persistente e transtorno distímico
• Depressão atípica ou depressão com características atípicas
• Depressão psicótica ou depressão com sintomas psicóticos
• Estupor depressivo ou depressão com catatonia
• Transtorno misto de depressão e ansiedade
• Depressão unipolar ou depressão bipolar
• Depressão secundária ou orgânica
• Transtorno de ajustamento
Episódio depressivo e Transtorno dep. recorrente

• Episódio depressivo: episódio depressivo único.


• Sintomas típicos: humor deprimido, perda de interesse ou prazer, concentração e
atenção reduzidas
• Sintomas presentes por pelo menos 2 semanas, e não mais de 2 anos de forma
ininterrupta. (normalmente 3 - 12 meses)
• CID-10:
• Episódio depressivo leve não provoca repercussões no dia-a-dia do paciente.
• Episódio depressivo moderado
• Episódio depressivo grave é dividido em com sintomas psicóticos e sem episódios
psicóticos.

• Recorrente : Episódios repetidos de depressão (pelo menos 2 episódios que tenham


durando um mínimo de 2 semanas).
• Recuperação entre os episódios geralmente é completa mas alguns pacientes podem
desenvolver depressão persistente.
• Não devem ter sido intercalados por episódios de manía ou hipomania (o risco de
desenvolver nunca desaparece completamente)
Transtorno Distímico

• É um transtorno depressivo CRÔNICO de MENOR INTENSIDADE,


com sintomas presentes por pelo menos DOIS ANOS com períodos
ocasionais e CURTOS DE BEM-ESTAR.

• A distimia distingue-se do transtorno depressivo maior pelo fato de os


pacientes se queixarem de que SEMPRE ESTIVERAM DEPRIMIDOS.
Tem início PRECOCE, geralmente na adolescência/adulto jovem

• Também são comuns na distimia o MAU HUMOR CRÔNICO E A


IRRITABILIDADE.
Depressão Atípica

• Apresenta como características:


• REATIVIDADE DO HUMOR AUMENTADA (melhora
rapidamente com eventos positivos e piora rapidamente com
eventos negativos;
• Ganho de peso ou aumento do apetite;
• Hipersonia (ou aumento do período de sono em relação ao
normal);
• Sensação de corpo pesado;
• Pode gerar confusão com Transtorno de ansiedade.
Depressão Psicótica

• Trata-se de depressão MUITO GRAVE, na qual ocorrem,


associados aos sintomas depressivos, um ou mais SINTOMAS
PSICÓTICOS, como delírio e/ou alucinação.

• PROGNÓSTICO RUIM.

• Alucinações AUDITIVAS são MAIS FREQUENTES que as


visuais. Geralmente possuem caráter depreciativo, ruína e
punição.

• Frequência de sintomas variam em função do local de


atendimento.
Depressão Unipolar ou Depressão Bipolar
Depressão Unipolar ou Depressão Bipolar
Depressão Secundária ouOrgânica
Tratamento

• O objetivo do tratamento sempre deve ser a REMISSÃO


completa.
• Quanto mais LONGO é o período sintomático, MENOR a
chance de recuperação.
• O percentual de recuperação do paciente nos primeiros seis
meses é de 50%, caindo agudamente com o passar do tempo.
• Os diversos antidepressivos disponíveis tem EFICÁCIA
SEMELHANTE para a maioria dos pacientes. Sendo os ISRS
fármacos de escolha na atenção primária, sempre avaliando os
efeitos adversos.
• Deve-se empregar a Psicoterapia como tratamento NÃO
FARMACOLÓGICO sempre que possível.
Tratamento

• A escolha deve levar em conta:


• Resposta previa;
• Sucesso com uma medicação;
• Tolerância no passado;
• Comorbidades especificas;
• Custos para o paciente e/ou sistema de saúde;
• Tempo do fármaco no mercado e eficácia comprovada
comprovada em estudos.
Referências

• 1. Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos


transtornos mentais. 2.ed. Porto Alegre: Artes Médicas
Sul, 2008.

• 2. KAPLAN, H. I.; SADOCK, B. J.; GREBB, J. A.


Compêndio de psiquiatria: ciências do
comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto
Alegre: Artes méd, 2017.

• 3. MARI, Jair de Jesus; KIELING, Christian. Psiquiatria na


Prática Clínica. 1. ed. Barueri: Manole, 2013.