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Relação Capitalismo & Administração:

mudanças na administração à luz das fases do capitalismo


ANA CRISTINA BATISTA-DOS-SANTOS*

Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando,


mas ele vinha como se fosse o Novo. Ele se arrastava em
novas muletas, que ninguém antes havia visto...
Bertold Brecht

Resumo: O texto aborda a relação entre capitalismo e administração, discorrendo sobre as


características da Administração nas fases recentes do capitalismo. Tomando como base as
tipologias de Braverman (1987), Chesnais (1996) e Boltanski e Chiapello (2009), apresenta e
discorre sobre: a) capitalismo mercantilista e capitalismo industrial, segundo Braverman (1987);
b) fase imperialista, fase da idade de ouro, e fase da mundialização do capital, de acordo com
Chesnais (1996); e c) capitalismo familiar, capitalismo burocrático, e capitalismo flexível,
segundo classificação de Boltanski e Chiapello (2009). A partir dessas classificações, analisa os
antecedentes históricos da administração, seu contexto histórico de emergência, e as
modificações porque passou em cada mudança do sistema capitalista de produção. Finalmente,
o texto aponta a necessidade de uma agenda de pesquisa que aborde questões emergentes como:
O que o capitalismo flexível tem prescrito para a Administração como profissão? Imersa nele, o
que ela, a Administração, tem se tornado ou poderá vir a ser? Quais as implicações disso para o
Administrador como trabalhador? Quais as novas demandas que se colocam para a formação da
mão de obra gerencial, sob o capitalismo flexível?
Palavras-chave: Administração; Capitalismo; Mudanças.
Abstract: The text approaches the relationship between capitalism and management. On the
basis of the typologies of Braverman (1987), Chesnais (1996) and Boltanski and Chiapello
(2009), it presents and discusses about: a) mercantilist capitalism and industrial capitalism,
according to Braverman (1987); b) the imperialist stage, the golden age stage and the stage of
the globalization of the capital, according to Chesnais (1996); and c) familiar capitalism,
bureaucratic capitalism, and flexible capitalism, according to the classification of Boltanski and
Chiapello (2009). Based on these classifications, it analyses the historical antecedents of
management, its emergence historical context, and the modifications it went through in each
change of the capitalist production system. Finally, the text points out the necessity of a research
agenda that addresses emerging issues such as: What has the flexible capitalism prescribed for
Management as a profession? Immersed in it, what has Management become or may come to
be? What are the impacts of that for the Manager as a worker? What are the new demands
arising when it comes to the formation of managerial labor under the flexible capitalism?
Key words: Management; Capitalism; Changes.

*
ANA CRISTINA BATISTA-DOS-SANTOS é Doutora em Administração pela UFRN.
Professora na Graduação e Mestrado Acadêmico em Administração da UECE.

1
Fonte: figura adaptada de http://www.cfa.org.br

1. Introdução Quanto ao seu delineamento, a pesquisa


que originou este texto pautou-se na
A Administração como trabalho e seu
abordagem qualitativa, aquela que
corolário, um trabalhador-
privilegia, entre outras coisas, a
administrador, são conceitos que devem
complexidade do campo histórico
ser considerados em sua constituição
(DENZIN; LINCOLN, 2000). Quanto a
sócio-histórica, uma vez que o
sua tipologia, tratou-se de uma pesquisa
entendimento dos processos sociais é
eminentemente bibliográfica, por ter se
dependente de uma devida análise
baseado no levantamento de
histórica de constituição da própria
informações exclusivamente em
realidade social (VIZEU, 2008).
material já elaborado,
Entender a Administração
predominantemente livros e artigos
contemporânea, e aquele que a pratica,
científicos (GIL, 1991). Além desta
exige, portanto, um resgate
introdução, o trabalho contém duas
retrospectivo de sua manifestação no
partes. O desenvolvimento do texto
processo sócio-histórico, em suas
constitui a segunda parte em que se
relações com o sistema econômico em
apresenta e discute a emergência,
que foi forjada: o capitalismo. Este foi,
desenvolvimento e mudanças na
então, o objetivo deste texto: discorrer
Administração em seus entrelaçamentos
analiticamente sobre a emergência
com o capitalismo. Na terceira e última
histórica e as mudanças nas
parte apresenta-se as considerações
características da Administração, no
finais.
contexto das fases recentes do
capitalismo.

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2. Resgate histórico e teórico da mesmo (iii) por “espírito”
Administração (BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009)
(Ver Figura 1).
Enquanto tema de relevância sócio-
histórica e campo específico de Para Chesnais (1996), a história do
conhecimento, a Administração capitalismo pode ser organizada em três
constitui um fenômeno recente, uma vez fases. A primeira corresponde ao
que ganhou destaque social com o período 1880-1913, quando as
contexto de industrialização, a partir da características dominantes foram
história e de demandas da indústria iluminadas pelos grandes teóricos do
capitalista moderna (CHANLAT, 1999; imperialismo, podendo ser chamada de
VIZEU, 2009). Não há, portanto, como fase imperialista do capitalismo. Outra
compreender a história da fase foi a de crescimento, nos chamados
Administração sem considerar a história “trinta anos gloriosos”, começando da
do próprio capitalismo, pois os reconstrução, após a Segunda Guerra
princípios do pensamento Mundial, e terminando no período
administrativo moderno surgiram 1974-1979, a “idade de ouro”, também
gradativamente e ao longo do denominada período fordista. Chesnais
desenvolvimento do modo capitalista de (1996) argumenta que alguns dos
produção industrial, existindo um elementos constitutivos dessa fase
consenso entre historiadores remontam aos anos 1920, mas que ela é
especializados no management de que o originária das relações políticas
marco histórico de emergência do (nacionais e internacionais) e das
mesmo foi o momento em que a gestão instituições (sindicatos fortes, Estado
do processo industrial se tornou social) constituídas ao fim da Segunda
sistemática (VIZEU, 2009), constituída Guerra Mundial. Quanto à terceira e
a partir de hierarquias gerenciais em atual fase do capitalismo, Chesnais
face do tamanho considerável das (1996) a denomina de fase de
empresas emergentes (CHANDLER, mundialização do capital, “em que
1984). ingressamos no decorrer da década de
1980, decerto muito diferente do
Retrospectivamente, autores que
período ‘fordista’, mas também do
empreendem um resgate histórico do
período inicial da época imperialista,
capitalismo, tendem a apresentá-lo de
um século atrás” (CHESNAIS, 1996, p.
maneiras variadas: (i) por fases ou
14).
períodos (CHESNAIS, 1996); (ii) por
tipologias (BRAVERMAN, 1987); ou

3
Figura 1 – Capitalismo, por fases, por tipologia

Chesnais (1996) Fase Idade de Ouro Mundialização do capital


imperialista

Tipo monopolista Braverman (1987)


Capitalismo
mercantilista
C a p i t a l i s m o i n d u s t r i a l

Capitalismo Capitalismo Capitalismo


Boltanski; Chiapello (2009)
familiar burocrático flexível

Séc. XIV Séc. XVIII Séc. XIX Séc. XX

Fonte: elaboração própria

Braverman (1987), por sua vez, resgata conhecimento tradicional e as


os primórdios da Era Moderna e afirma perícias de seus ofícios. Entretanto,
a existência de um capitalismo do tipo tão logo os produtores foram
mercantilista a partir do século XIV, reunidos, surgiu o problema da
gerência em forma rudimentar
quando somente se trocavam os
(BRAVERMAN, 1987, p. 61).
produtos excedentes das forças
anteriores de produção. Este capitalismo Neste contexto, Braverman (1987)
mercantil compreendia a compra e argumenta que os economistas clássicos
venda de mercadorias, mas não sua do século XVIII podem ser
produção, e procurava tratar o trabalho considerados os peritos iniciais em
como qualquer outra mercadoria. O gerência, pois foram os primeiros a
capitalismo industrial, por sua vez, cuidar, do ponto de vista teórico, das
constituiu-se historicamente a partir do questões de organização do trabalho no
século XVIII, quando um significativo âmbito das relações capitalistas de
número de trabalhadores foi empregado produção. A fase mais proeminente
por um único capitalista. É aí, para o deste capitalismo industrial é a do
autor, que surge a gerência em sua capitalismo monopolista sobre a qual há
forma embrionária, pois as um consenso de que teve início nas
últimas duas ou três décadas do século
primeiras oficinas eram
simplesmente aglomerações de XIX, tempo em que uma teoria da
pequenas unidades de produção, gerência estava se consolidando,
refletindo pouca mudança quanto especialmente através do movimento da
aos métodos tradicionais, de modo gerência científica iniciado por Taylor.
que o trabalho permanecia sob
Foi na passagem do século XIX para o
imediato controle dos produtores,
nos quais estavam encarnados o
século XX, entretanto, que a

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Administração ganhou relevância em (CHANLAT, 1999), de forma que o que
face das demandas do capitalismo, hoje se convenciona chamar de
conforme representado na Figura 2. Administração tradicional, ou clássica,
remonta a essa fase, a qual inaugurou
O management teve, então, sua
emergência histórica diretamente ligada a sistematização, à medida de seu
às atividades industriais e comerciais da aparecimento, das diferentes
segunda metade do século XIX, como práticas a que tinham recorrido os
explicita Chandler (1962, p. 19), dirigentes [não Administradores]
falando desde o berço histórico do para conduzirem seus negócios.
Essa sistematização foi obra dos
management: “antes de 1850, poucos dirigentes que tentaram refletir
negócios americanos necessitavam dos sobre suas atividades, e não de
serviços de um administrador full-time pesquisadores e universitários que
ou requeriam uma estrutura buscaram transformar estas
administrativa claramente definida”. atividades em teoria integrada, até
Enquanto conjunto codificado e dar-nos um ramo recente que
sistematizado de princípios e técnicas, o muitos autores não hesitam em
management era praticamente qualificar de management science
inexistente antes desse período (AKTOUF, 1996, p. 28).

Figura 2 – Emergência histórica da Administração no capitalismo

Fase
Idade de Ouro Mundialização do capital
imperialista

Tipo monopolista

C a p i t a l i s m o i n d u s t r i a l

Capitalismo Capitalismo Capitalismo


familiar burocrático flexível

“Nascimento”
“Embriões” da da
Administração Administração

Séc. XVIII Séc. XIX Séc. XX

Fonte: elaboração própria

É, então, o desenvolvimento da management, portanto, é gestado e se


atividade industrial que demanda novas desenvolve em face das necessidades de
formas de gestão do trabalho, sendo o um local específico de representação e
management a consequência histórica desenvolvimento do capitalismo
do processo de modernização da industrial: a grande empresa integrada
sociedade (VIZEU, 2008). O verticalmente. Para Chandler (1984),

5
um caminho para rever a emergência do tradicionais, que, do ponto de vista das
capitalismo da idade de ouro, que ele relações de trabalho, caracterizavam-se
qualifica como gerencial, é focar na pelo caráter familiar ou patriarcal das
evolução da maior e mais complexa relações mantidas com os empregados,
instituição gerencial: a empresa “o que será denunciado como
industrial integrada. Assim é que a paternalismo, cujas formas de
gerência emerge e se desenvolve subordinação permanecem amplamente
sempre atrelada à história da empresa pessoais, em firmas geralmente
enquanto representante ímpar do pequenas” (BOLTANSKI;
capitalismo. Semelhantemente, falando CHIAPELLO, 2009, p. 49-50).
desde o contexto brasileiro, Pereira
(1966) afirmava que as valorizações da O segundo espírito é o que se expressa
Administração e do Administrador no capitalismo burocrático, com
profissional, ambos despontando no relevância entre os anos 1960 e 1990,
contexto local, deveriam ser entendidas época de proeminência do
como resultado de uma imposição Administrador profissional, não
tecnológica uma vez que a proprietário, tipificado pelos executivos
complexidade crescente das empresas (burocratas) das grandes corporações. É
apontava a Administração como uma a fase da centralidade da gerência;
questão de eficiência. donde historiadores do management
como Chandler (1984) qualificam o
Noutra perspectiva, e analisando as próprio capitalismo como gerencial. A
transformações do capitalismo num literatura sobre gestão organizacional da
recorte temporal menor, o século XX, década de 1960 acompanhou, então, a
Boltanski e Chiapello (2009) entendem passagem de uma burguesia patrimonial
o capitalismo como um sistema de para uma burguesia de trabalhadores
produção e acumulação que, para assalariados, portadores de diploma
sobreviver e se reproduzir, necessita de superior e integrados a grandes
um ideário, de uma ética própria, ou, administrações públicas ou privadas,
mais precisamente, de um “espírito”, ressaltando-se a proeminência dos
que o sustenta e justifica. Classificam o Administradores, geralmente tipificados
espírito do capitalismo em três fases pelos executivos ocupantes de postos
sucessivas. nos altos escalões empresariais, nos
países de “primeiro mundo”. Para
Ao primeiro espírito, corresponde o Chandler (1984), uma característica
capitalismo familiar, predominante da distintiva dessa fase do capitalismo era
passagem do século XIX para o século exatamente a existência de uma
XX, indo até as proximidades dos anos hierarquia de gerentes no contexto da
1960, tempos em que propriedade e empresa integrada verticalmente.
gestão se confundiam. Tudo estava
centrado em torno da figura do burguês Foram os tempos do apogeu da
empreendedor, o capitão de indústria Administração, como mostra a Figura
conquistador, tipo característico de uma 3, em que temas como o da
moral burguesa. Temas como Administração por Objetivos ganham
especulação, risco e inovação destaque e passam a se tornar referência
compunham a pauta da época. Havia no que concerne à gestão das grandes
uma associação entre, de um lado, organizações. Os anos 1960 foram
disposições econômicas inovadoras, e, marcados por grande oferta de
de outro, posicionamentos domésticos empregos em gestão em função do

6
crescimento das empresas e por uma managers americanos (BOLTANSKI;
maior liberdade dos executivos, tempo CHIAPELLO, 2009; CHANDLER,
em que se ressaltou o “ofício de chefe”, 1962, 1984; CHANLAT, 1999;
os conhecidos cadres franceses e SENNETT, 2006).

Figura 3 – História da Administração na história do capitalismo

Fase Idade de Ouro Mundialização do capital


imperialista

Tipo monopolista

C a p i t a l i s m o i n d u s t r i a l

Capitalismo Capitalismo Capitalismo


familiar burocrático flexível

“Nascimento”
“Embriões” da da Apogeu da
Administração Administração Administração

Séc. XVIII Séc. XIX Séc. XX

Fonte: elaboração própria

Pode-se afirmar que o capitalismo controle de gerentes, assistentes de


burocrático de que tratam Boltanski e gerentes, supervisores, etc. Assim,
Chiapello (2009) corresponde, em as relações de compra e venda da
termos sociológicos, ao capitalismo força de trabalho, e, em
monopolista tipificado por Braverman consequência, de trabalho alienado,
tornou-se parte do aparelho
(1987), numa perspectiva mais gerencial em si mesmo. Em
economicista, ou ao capitalismo resumo, isso converte-se no
gerencial de Chandler (1984), mais aparelho administrativo da empresa.
focado na realidade organizacional. A gerência veio a ser
Destaca-se que nesse espaço das Administração, que é um processo
grandes empresas integradas de trabalho efetuado para fins de
verticalmente (burocracias), a controle no seio da empresa
Administração, outrora familiar e (BRAVERMAN, 1987, p. 228).
centralizada em uma ou poucas pessoas, Neste contexto, o trabalho e função do
passou a Administrador pareciam estar bem
não mais ser exercida por um único delimitados. No Brasil, por exemplo, o
gerente, nem mesmo por uma trabalho de Covre (1982) sobre a
equipe de gerentes, mas por uma formação, posicionamento e função do
organização de trabalhadores sob o Administrador, na sociedade da fase da

7
idade de ouro do capitalismo CHIAPELLO, 2009, p. 105).
monopolista, concluiu, entre outras
coisas, que o Administrador constituiu- A contemporaneidade vem sendo,
se como um técnico especializado então, descrita como tempo de intensas
demandado pela grande empresa e rápidas mudanças, de processos de
burocratizada, em sua fase monopolista, rupturas, descontinuidades e incertezas.
caracterizada pela concentração Passa-se a uma “normalização da
econômica, no período pós 1964. A mudança pela perpetuação de tudo
figura do burocrata era a que melhor como volátil e transitório” (VIEIRA;
representava o Administrador CALDAS, 2006, p. 6), ou líquido, como
profissional. Covre (1982, p. 182) qualifica Bauman (2001). Importantes
salienta que se evidenciava na formação transformações podem ser percebidas
do Administrador uma “relação nas diversas esferas da vida humana
orgânica entre nível infraestrutural e associada, dentre as quais se destacam:
supraestrutural da formação social as revoluções tecnológicas, a
brasileira, [através da qual] os interesses mundialização do capital de que fala
de grupos dominantes do grande capital Chesnais (1996) – que tem no termo
se faziam representar no âmbito escolar globalização seu corolário mais
universitário”. utilizado –, a elevação da
competitividade entre os agentes
Quanto ao atual espírito do capitalismo, econômicos com correspondente
Boltanski e Chiapello (2009) o proeminência de uma sociedade do
apresentam como um novo espírito, o consumo, novas formas de relações
flexível, potencializado a partir dos anos entre as pessoas que parecem derivar
1990, e que emerge como nova para um processo de transmutação da
configuração ideológica do capitalismo. identidade, além de variadas maneiras
Este novo espírito corresponde à fase de inovadoras de relações organizacionais
acumulação flexível do capital, ou e institucionais (CLEGG; HARDY,
regime de acumulação flexível 1998; CHESNAIS, 1996;
(BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009; FONTENELLE, 2008; GURGEL,
FARIA; KREMER, 2004; GURGEL, 2003; MENDES, 2007b; SENNETT,
2003; MENDES, 2007b) que, pelo 2007, 2006; VIEIRA; CALDAS, 2006).
menos discursivamente, é apresentado
como promotor de mudanças radicais As crises do sistema fordista de
em três dimensões do mundo do produção e da política econômica
trabalho: (i) a produção; (ii) as keynesiana, prevalentes no capitalismo
organizações de trabalho; e (iii) a monopolista, são, frequentemente,
gestão. Os anos 1990 se apresentam apontadas como as razões para as
como decisivos na busca por uma transformações na economia mundial,
flexibilização da burocracia, em que se ocorridas a partir das últimas décadas
destaca o discurso da luta do século XX. Porém, na visão de
antiburocrática. Neste contexto, “o Antunes (2003), tais crises constituem
executivo, tal como concebido nos anos apenas expressões fenomênicas de um
1960, começa a perder terreno. O termo quadro de maior complexidade. A crise
cadre, na França, que pressupõe do sistema capital, que sucedeu a sua
hierarquia e status, passa a ser rejeitado. fase de grande expansão no quarto de
Os cadres passam a ser vistos como século após a Segunda Guerra Mundial
agentes da burocracia que precisa ser (FUSFELD, 2001; HOBSBAWM,
destruída” (BOLTANSKI; 1995), os trinta anos gloriosos, derivou

8
para um novo ciclo de acumulação produtos, padrões de consumo,
baseado principalmente na especulação processos e mercados de trabalho, as
do capital financeiro (ANTUNES, mudanças ocorridas culminaram
2003a; FRIGOTTO, 2003; naquilo que Bauman (2001, p.191)
GAULEJAC, 2007; GURGEL, 2003). chama de “passagem do capitalismo
As mudanças avultadas a partir dos anos pesado ao leve; da modernidade sólida à
1970 vinculam-se ao processo de fluida, liquefeita”.
reestruturação do capital em suas novas
formas de acumulação, visando à As instabilidades no ambiente são
recuperação do seu ciclo reprodutivo. O apontadas como geradoras de grandes
mundo do trabalho é tomado pela transformações na gestão
perspectiva da flexibilidade, que impõe organizacional. Na teoria das
uma lógica geradora de modelos organizações, ganham força os enfoques
inovadores, tais como: produção ambientais fortemente calcados na
flexível, organizações flexíveis e lógica da competitividade e das
Administração flexível demandas impessoais do ambiente, ou
(FONTENELLE, 2008; GURGEL, do mercado e sua “mão invisível”.
2003; MENDES, 2007b; SENNETT, Dessa forma, a força concorrencial dos
2007). mercados, o avanço da tecnologia e as
exigências dos clientes são narrados
O chamado regime de acumulação como forças ambientais demandantes de
flexível envolve rápidas mudanças nos uma gestão flexível nas organizações,
padrões produtivos, especialmente com pautada nas pressões por adaptabilidade
a inserção de tecnologia de base e mudança constantes. Propaga-se,
microeletrônica no lócus do trabalho, segundo Chanlat (1999), um discurso da
em que as chamadas máquinas mudança por meio de uma linguagem
inteligentes potencializam o controle esportiva e estratégica, que inclui
anteriormente exercido exclusivamente termos como: performance,
pela figura e presença do chefe competitividade, ganhadores,
hierárquico. O toyotismo passa a ser perdedores, boa forma, equipes, times.
apregoado como o modelo por Seu objetivo é a eliminação do modelo
excelência de produção flexível, em empresarial anterior, integrado
substituição, aprimoramento ou verticalmente no que diz respeito à
intensificação do fordismo, tipificando produção, e visivelmente hierarquizado
um acelerado processo de japonização no que se refere ao design
dos processos produtivos (ANTUNES, organizacional, hierarquia esta baseada
2003b; FARIA; KREMER, 2004; na autoridade definida e favorável ao
PONTE, 2005). desenvolvimento de carreiras vitalícias
em uma mesma organização, como a do
Em nível macro, a lógica da manager, por exemplo (BOLTANSKI;
acumulação flexível gera padrões de CHIAPELLO, 2009).
desenvolvimento desigual em setores e
regiões geográficas, cria novos Discursivamente contrário à lógica
conjuntos industriais, e comprime os fordista e burocrática, o capitalismo
horizontes temporais da tomada de flexível baseia-se na reinvenção
decisões, ao mesmo tempo em que descontínua das instituições,
facilita sobremaneira a difusão das especialização flexível e concentração
decisões em um espaço cada vez mais do poder sem centralização (SENNETT,
amplo. Apoiadas pela flexibilização de 2006, 2007). Com uma nova

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representação de empresa, ataca-se a patologias associadas ao trabalho, tais
burocracia sob o argumento de que ela como: depressão, burnout,
empobrece o trabalho e aliena o hiperatividade, estresse etc.
indivíduo; utiliza-se de um ideário de (FONTENELLE, 2008; GAULEJAC,
libertação pelas vias da participação, 2007).
donde a temática da autogestão do
trabalho entra em cena. Porém, acaba Sob o discurso da flexibilidade, nega-se
por atingir os mesmos resultados de ao trabalhador a perspectiva de longo
enfraquecimento do trabalhador, prazo, o que, para Sennett (2007), pode
parecendo ter de novidade apenas a derivar em uma corrosão do caráter
forma sutil como tal enfraquecimento se dada a impossibilidade de
opera, baseado predominantemente na desenvolvimento de relações
manipulação das percepções e duradouras. Ao mesmo tempo, exclui-se
subjetividade do trabalhador do trabalhador a possibilidade de
(AKTOUF, 2004), consistindo de um criação de uma narrativa profissional
novo tempo: de trabalho duro com contínua, sendo-lhe “roubada”
discurso flexível (BERNARDO, 2009). sutilmente a esperança de construção de
uma carreira, no sentido original do
Nesse novo modelo de organização, que termo. A etimologia da palavra
pratica a flexibilidade e adaptação “carreira” vem do latim carrarì, que
através de processos de reengenharia, significa “caminho para carros” e
reestruturações e enxugamentos, espera- carrega um sentido de caminho de
se que os trabalhadores também estejam continuidade, de “profissão que oferece
abertos à mudança e aprendizagem oportunidades de progresso ou em que
contínuas, sejam versáteis e assumam há promoção” (HOUAISS, 2001), algo
individualmente a responsabilidade e os tornado raro nas carreiras profissionais
riscos gerados pelas mudanças em sua atuais. A nova forma de carreira (ou de
trajetória profissional, portando-se não-carreira) impossibilita as
como trabalhadores flexíveis (BRAGA; perspectivas de uma progressão
LIMA, 2007; PINTO; LEMOS, 2006; associada à ascensão em uma escala
FONTENELLE, 2008), que assumem a hierárquica, promoções e benefícios
concorrência entre si não como um crescentes, tornando fluidos os
sistema de governo ligado a uma gestão conceitos de mercado de trabalho e
de pessoas baseada na mesma lógica de sucesso profissional (LACOMBE,
competitividade do mercado, mas 2002).
“como se este fosse o funcionamento
normal, ligado à natureza das coisas. Neste contexto, fala-se de uma nova
[Assim], a empresa espera de seus classe trabalhadora, com caráter
empregados que sejam fortes, diverso, heterogêneo, polissêmico e
dinâmicos, competentes, disponíveis, multifacetado, evidenciando que a
seguros de si, capazes de enfrentar as mesma, na atualidade, é mais complexa
contradições e de preencher objetivos que o proletariado industrial do século
sempre mais ambiciosos.” passado, devendo ser compreendida a
(GAULEJAC, 2007, p. 216). partir de uma noção mais ampliada
Consequentemente, gera-se no cotidiano (ANTUNES, 2005). Sobre a formação
organizacional uma inédita cultura de desse novo trabalhador, há uma
ansiedade derivada de uma cultura da demanda por um profissional cada vez
conquista, em que os trabalhadores melhor preparado, mais escolarizado,
correm o risco de se envolver em com capacidade para desenvolver novas

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habilidades e descobrir capacidades essa imagem se torna o principal
potenciais de acordo com as mudanças espelho em que nossa civilização se
na realidade externa (BORGES; contempla, no presente estágio”. E não
MEDEIROS; MIRANDA, 2008; é por acaso que isso acontece. As
FONTENELLE, 2008; MATTOSO, organizações flexíveis enfatizam a
1995). Contudo, as qualificações “capacitação em relações humanas”,
necessárias em uma economia flexível para que as pessoas sejam proativas em
são de um novo tipo, baseadas em circunstâncias ambíguas. Essa
aptidões “portáteis”, como saber ouvir, conjuntura transforma o indivíduo em
trabalhar em equipe, estar aberto a um “eu maleável, uma colagem de
novas experiências e assumir riscos. fragmentos em incessante vir a ser”
(SENNETT, 2007).
Essa realidade, paralela ao desemprego
estrutural em que várias ocupações Essas mudanças (des)contínuas no
desaparecem pela crescente inserção mundo do trabalho, que demandam
tecnológica no lócus do trabalho, profissionais cada vez mais bem
desestimula a busca de qualificação preparados no sentido de atributos
específica para o exercício de uma comportamentais, atingem também a
função, incentivando o surgimento de Administração e o Administrador,
um “trabalhador genérico”, capaz de exigindo deste mudanças de postura,
atuar em tantos ramos quantos com o intuito de aumentar suas chances
necessários à manutenção de sua de permanência num mercado de
empregabilidade (BOLTANSKI; trabalho cada vez mais competitivo e
CHIAPELLO, 2009; SENNETT, 2007). excludente (BRAGA; LIMA, 2007;
BORGES; MEDEIROS; MIRANDA,
Ressalta-se que tais mudanças não 2008; PIZZINATTO, 1999; SARSUR;
necessariamente significam progresso e CRUZ, 2003) ou flexível
bem-estar para as pessoas. Mendes (FONTENELLE, 2008). Espera-se
(2007b) esclarece que, desde o ponto de também que o Administrador seja um
vista da psicodinâmica do trabalho, as profissional comprometido com as
transformações ligadas à reestruturação mudanças sociais, com a capacidade de
produtiva e ao regime de acumulação dirigir, motivar, coordenar os
flexível do capital têm criado novas trabalhadores – agora metamorfoseados
formas de subjetivação, sofrimento e discursivamente em “colaboradores” –
patologias sociais, bem como de novas trabalhando em equipe, tentando
possibilidades de reação dos adaptar a empresa às exigências de uma
trabalhadores. Para Sennett (2007), sociedade em constante mutação
operacionalmente, as coisas são (PIZZINATTO, 1999). A
bastante claras e simples, mas Administração se recoloca, então,
emocionalmente, ilegíveis. O sentido do nesses novos termos.
trabalho é ilegível, de modo que os
trabalhadores não sabem exatamente o No Brasil, a pesquisa “Perfil e
que estão fazendo, nem para onde vão. habilidades do Administrador” (PHAD),
Assim, a metáfora mais próxima que se realizada pela Associação Nacional dos
tem de futuro, na sociedade atual, é a do Cursos de Graduação em Administração
labirinto, como entende Bauman (2001, (ANGRAD), em 1996, ouviu 100
p. 192): “é a imagem do labirinto que coordenadores de cursos sobre o
hoje domina [...] nossas ideias sobre o referido tema. Os conteúdos mais
futuro e nossa própria participação nele; citados como relacionados ao atual

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perfil demandado dos Administradores Administração flexível, essa
foram: (1) visão global e humanística contradição permanece, agora com
para tomar decisões num mundo novos contornos, ainda pouco
diversificado e interdependente; (2) “legíveis”.
formação técnica em Administração,
Finalmente, diante deste contexto em
tanto de aspecto técnico quanto
mutação e em face do imbricamento
científico e prático; (3) ética,
histórico da Administração com o
internalizando valores de
capitalismo, sugere-se um avanço em
responsabilidade social, justiça e ética
termos de uma agenda de pesquisa que
profissional; (4) empreendedorismo no
considere questões como: O que o
sentido de antecipar e promover
capitalismo flexível tem prescrito para a
transformações; (5) aperfeiçoamento
Administração como profissão? Imersa
profissional e estudo contínuo; e (6)
nele, o que ela, a Administração, tem se
interdisciplinaridade (ANGRAD, 1996).
tornado ou poderá vir a ser? Quais as
implicações disso para o Administrador
como trabalhador? Quais as novas
Considerações finais demandas que se colocam para a
formação da mão de obra gerencial, sob
Considerando o objetivo proposto para o capitalismo flexível?
este trabalho, isto é, discorrer
analiticamente sobre a emergência
histórica e as mudanças nas Referências
características da Administração, no
AKTOUF, O. A Administração entre a
contexto das fases recentes do tradição e a renovação. São Paulo: Atlas,
capitalismo; considera-se que, em face 1996.
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trabalho administrativo é preciso metamorfose e a centralidade do mundo do
considerar as contradições e trabalho. 9 ed. São Paulo: Cortez, 2003b.
antagonismos em que ele se acha BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de
imerso, talvez a maior contradição que Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
envolve a Administração, ou mesmo seu
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chama-se de “esquizofrenia toyotismo a partir da vivência de trabalhadores.
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