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PÓS-GRADUAÇÃO: APERFEIÇOAMENTO EM ESTRUTURAS DE AÇO

ESTRUTURAS DE AÇO I – Atividade de pesquisa 1


04 de julho de 2020

ALUNO: Gustavo Simões Silva

1 - Em que tipos de estruturas a fadiga é um modo de ruína importante?


Estruturas sujeitas a variações cíclicas de cargas devem ser verificadas quanto a fadiga,
pois podem falhar mesmo se a tensão máxima em um simples ciclo for menor que a tensão de
escoamento do elemento. Isto se dá em função da propagação de pequenas descontinuidades
mecânicas ou metalúrgicas advindas de sucessivas repetições de cargas.
Estruturas sob ação de cargas de pouca frequência como ventos máximos ou terremotos
não necessitam ser dimensionadas para fadiga, porém estruturas que suportam equipamentos com
elevado ciclo de carga, como estrutura suporte de pontes rolantes, de britadores e diversos
equipamentos sujeitos a esforços dinâmicos frequentes, devem ser verificadas.
Todos os elementos estruturais de aço e ligações metálicas sujeitos a ações com grande
número de ciclos, com variação de tensões no regime elástico cuja frequência e magnitude são
suficientes para iniciar fissuras e colapso progressivo, têm a fadiga como modo de ruína importante.
Referências:
BELLEI, ILDONY HÉLIO, Edifícios Industriais em Aço: Projeto e Cálculo, PINI – São Paulo,
1998;
ABNT NBR 8800-2008 Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto
de edifícios.

2 - Explique o que é tenacidade e sua relação com a ruptura frágil.


A tenacidade é uma propriedade que mede a habilidade dos materiais de absorver energia
até a sua fratura. Sua unidade é energia por unidade de volume. Um material tenaz deve apresentar
tanto boa ductilidade quanto boa resistência. Frequentemente, materiais dúcteis são mais tenazes
do que materiais frágeis.
A tenacidade à fratura de um material é um indicativo da sua resistência à fratura frágil, ou
seja, quanto mais tenaz um material, mais ele se deforma antes de chegar à fratura.
Referência:
CALLISTER JR., WILLIAM D., Ciência e Engenharia dos Materiais: Uma Introdução, LTC – Rio
de Janeiro, 2002
3 - Quais os principais aços disponíveis no mercado brasileiro? Quem são os fabricantes?

Os aços utilizados de forma geral em projetos estruturais no Brasil, podem ser divididos em
dois grupos, quais sejam:
 Aço carbono: São os mais comuns, cujo aumento de resistência em relação ao ferro
puro se dá basicamente devido ao carbono e, em menor escala, pela adição de
manganês. Em estruturas usuais, o teor máximo de carbono é 0,45%, para não
prejudicar a soldabilidade. O aumento do teor de carbono eleva a resistência e a
dureza, porém reduz a ductibilidade, deixa o aço mais quebradiço e compromete
sua soldabilidade. Os mais utilizados em estruturas são: ASTM A36 e A570, os
ABNT NBR 7007, 6648, 6649, 6650 e DIN St37.
 Aços de baixa liga: São aços acrescidos de elementos de liga (cobre, silício, nióbio,
etc.) visando ganho de resistência sem prejudicar a soldabilidade do material. Os
mais usuais são ASTM A572, A992, A441, os ABNT NBR 7007, 5000, 5004 e DIN
St52. Acrescentando elementos de ligas específicos nos aços é possível ainda
obter propriedades como aumento de resistência à corrosão atmosférica (A242 e
A588), temperatura, etc.

Dentre os produtores de aço com maior relevância no cenário nacional, destacam-se a


Usiminas, CSN, Arcelor Mittal e Gerdau. A seguir alguns desses aços, fornecidos e fabricados pela
Usiminas e CSN, em forma de chapas.

Referências:
FAKURY, RICARDO H., Dimensionamento de Elementos Estruturais de Aço e Mistos de Aço e
Concreto, Pearson –São Paulo, 2016
BELLEI, ILDONY HÉLIO, Edifícios Industriais em Aço: Projeto e Cálculo, PINI – São Paulo,
1998;
4 - Que tipos de perfil podem ser encontrados no mercado nacional?
No mercado nacional podem ser encontrados diversos tipos de perfis laminados ou
soldados, cujas principais geometrias comerciais são listadas a seguir:
 Perfil I de faces inclinadas (laminado): Trata-se de um perfil apropriado para
solicitação de flexão sobre um dos eixos.
 Perfil U (laminado): Têm aplicação, por exemplo, em pilares de estruturas pouco
carregadas, componentes de treliças, em terças e travessas de tapamento e em
degraus e vigas de escadas.
 Perfil L ou cantoneiras (laminado): São perfis leves empregados principalmente
como componentes de treliças e como elemento de contraventamentos.
 Perfis I e H de faces paralelas (laminados): Possuem as faces internas da mesa
paralelas às externas. Foram projetados observando relações geométricas que
otimizam o volume de aço consumido. Os perfis I, devido à sua geometria, são
apropriados para trabalharem sob solicitação de flexão, os perfis H são indicados
para trabalhar sob compressão, muitas vezes empregados em pilares.
 Perfis T podem facilmente ser obtidos a partir de um corte longitudinal na alma dos
perfis I e H do item anterior. São adequados para compor banzos de treliças.
 Barras redondas lisas podem ser utilizadas como tirantes ou elementos de
contraventamentos, já as nervuradas podem compor armaduras de concreto
armado.
 Perfis soldados: São constituídos a partir da soldagem de chapas ou de dois ou
mais perfis laminados. Pode-se obter diversas seções transversais, de acordo com
as exigências do projeto. As formas mais comuns são I e H e de acordo com os
padrões geométricos podem se dividir em CS (colunas soldadas), VS (vigas
soldadas), CVS (colunas-vigas soldadas) e VSM (vigas soldadas monossimétricas).
Há também os perfis formados a frio, advindos de dobras de chapas finas, podendo
apresentar diversas seções transversais abertas. Pelo fato de possuírem espessuras finas, deve-se
dispensar atenção especial quanto à estabilidade dos elementos, evitando assim falhas estruturais.

Referências:
FAKURY, RICARDO H., Dimensionamento de Elementos Estruturais de Aço e Mistos de Aço e
Concreto, Pearson –São Paulo, 2016
Citações de aula da disciplina Estruturas de Aço I, Aula 03, Professora Grabriela Pereira Lubke

5 - Como prevenir a corrosão de uma estrutura?


Uma das possibilidades de se evitar a corrosão de uma estrutura metálica seria a utilização
de aços com elementos de liga que aumentam a resistência à corrosão. O aço A242 possui uma
resistência à corrosão 2 vezes maior que o aço carbono, já o A588 4 vezes. Caso algum destes
atendam as especificações técnicas e “caibam” no orçamento do projeto, seriam opções.
Outra alternativa na prevenção da corrosão é submeter a peça à galvanização. Este
procedimento confere à peça um revestimento metálico adquirido através de imersão a quente em
zinco fundido. Os banhos de galvanização são mantidos em temperaturas entre 440-480 °C. Pode-
se ainda pintar os elementos a serem protegidos com tintas contendo pigmentos anticorrosivos que
conferem proteção por mecanismos químicos ou eletroquímicos (ex. zarcão, cromato de zinco,
molibdatos de zinco, fosfato de zinco e pó de zinco).

Referências:
GENTIL, VICENTE, Corrosão, LTC – Rio de Janeiro, 1996;
BELLEI, ILDONY HÉLIO, Edifícios Industriais em Aço: Projeto e Cálculo, PINI – São Paulo,
1998;
FAKURY, RICARDO H., Dimensionamento de Elementos Estruturais de Aço e Mistos de Aço e
Concreto, Pearson –São Paulo, 2016

6 - Como a tensão residual influencia o diagrama tensão deformação de perfis laminados?


Um perfil laminado com tensão residual inicia seu processo de escoamento a partir de um
esforço externo menor do iniciaria caso não houvesse tensão residual. Isso ocorre porque a tensão
residual se soma à tensão aplicada, atingindo assim o limite de escoamento do material.
O escoamento na seção transversal de um corpo de prova (com tensão residual) submetido
a um ensaio de tração, inicialmente ocorre em apenas uma região.Com o aumento da carga
externa, esse escoamento vai alcançando paulatinamente toda a seção do corpo, que vai se
deformando de forma não linear, até que se atinja a tensão de escoamento do aço. Nesse momento
o escoamento se completa.

FAKURY, RICARDO H., Dimensionamento de Elementos Estruturais de Aço e Mistos de Aço e


Concreto, Pearson –São Paulo, 2016