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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

FLAVIA MARIA DE MORAES

DESIGUALDADE DE GÊNERO NO AMBIENTE DE TRABALHO

Rio de Janeiro
Junho, 2018
FLAVIA MARIA DE MORAES

DESIGUALDADE DE GÊNERO NO AMBIENTE DE TRABALHO

Trabalho apresentado à Universidade


Estácio de Sá como requisito parcial para
obtenção do grau de Bacharel em Serviço
Social.

Orientadora: Prof.ª Letícia Silva de Oliveira


Freitas

Rio de Janeiro
Junho, 2018
Flavia Maria de Moraes

DESIGUALDADE DE GÊNERO NO AMBIENTE DE TRABALHO

Trabalho apresentado à Universidade Estácio


de Sá, como requisito parcial para obtenção do
grau de Bacharel em Serviço Social.

Banca Examinadora:

_______________________________
Prof.ª Letícia Silva de Oliveira Freitas
Professora Orientadora

_______________________________
Professor (a) 2º membro da banca

_______________________________
Professor (a) 3º membro da banca

Rio de Janeiro
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por permitir qυе tudo isso acontecesse, е não
somente nestes anos como universitária, mas também еm todos оs momentos de
conquistas em minha vida.

Em especial aos meus familiares, por terem me fornecido condições e apoio para a
realização deste trabalho, por todo amor a mim destinado em todos esses anos e
por estarem sempre presente em minha vida.

Aos meus colegas de faculdade, que sempre estiveram comigo nesses quatro anos
e participaram de todas as dificuldades dessa jornada longe ou perto e aos
professores que contribuíram para que eu chegasse onde estou.

A minha orientadora Prof.ª Letícia Silva de Oliveira Freitas pelo suporte no pouco
tempo que lhe coube, pelas suas correções e incentivos. Á minha supervisora de
campo de estágio Dinah Ibraim Guanabara da Silva por toda ajuda ao longo de todo
meu período de estágio.

Finalmente, agradeço a todos que, direta ou indiretamente fizeram parte da minha


formação.
“O momento que vivemos é um momento
pleno de desafios. Mais do que nunca é
preciso ter coragem, é preciso ter
esperanças para enfrentar o presente. É
preciso resistir e sonhar”.
(IAMAMOTO, 2012, p 17)
MORAES, Flavia Maria de. Desigualdade de gênero no ambiente de trabalho.
Curso de Serviço Social. Universidade Estácio de Sá. 2018

RESUMO

Esse trabalho apresenta uma análise sobre, as relações de gênero no ambiente do


trabalho, que ainda são marcadas por importantes assimetrias, especialmente
quando se trata do nível salarial e do acesso a posições de maior responsabilidade e
prestígio dentro das organizações. O objetivo deste trabalho é analisar o nível de
desigualdade na distribuição dos cargos, como influencia na vida econômica e social
da mulher, além de identificar as políticas públicas e o trabalho do Serviço Social
para a garantia dos direitos da mulher no universo do trabalho. A metodologia
utilizada para sua realização é de natureza bibliográfica, qualitativa e descritiva.
Acerca do que vemos na contemporaneidade, este trabalho apresentará em seu
conteúdo: perfil da força feminina no mercado de trabalho na última década e o
mercado de trabalho no Brasil com enfoque no gênero. Percebe-se que a
desigualdade de gênero no trabalho tem impacto negativo sobre a vida das
mulheres no social e emocional e econômico.

Palavras-chave: Trabalho. Desigualdade. Mulheres. Serviço Social.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CF.............................................................................................Constituição Federal

CLT.......................................................................Consolidação das Leis do Trabalho

CNAE...................................................Classificação nacional de atividade econômica

CNAS........................................................... Conselho Nacional de Assistência Social

IBGE..................................................... Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


IPEA.........................................................  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

MDS.................................. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

OIT................................................................. Organização Internacional do Trabalho

PNAS............................................................ Política Nacional de Assistência Social

PNPM...................................................... Plano nacional de políticas para as


mulheres

SPM............................................................ Secretaria de Políticas para as Mulheres


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO....................................................................................................
09
2 PERFIL DA FORÇA FEMININA NO MERCADO DE TRABALHO NA
ATUALIDADE................................................................................................. 12
2.1 NOVA CONCEPÇÃO SOBRE A INCLUSÃO DAS MULHERES NO
SISTEMA CAPITALISTA................................................................................. 13
2.2 DADOS GERAIS E PERFIL DA FORÇA DE TRABALHO FEMININA.............17
2.3 HOMENS E MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO:
INDICADORES DE PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA........................................19
2.4 ÁREAS E OCUPAÇÕES COM MAIOR PROGRESSO DAS MULHERES
(OCUPAÇÕES E PROFISSÕES DE PRESTÍGIO)..........................................21
3 MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL: ENFOQUE NO GÊNERO..............
23
3.1 DIFERENCIAIS DE GÊNERO NA OCUPAÇÃO DA MÃO DE OBRA
BRASILEIRA................................................................................................. 25
3.2 POLITICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL
DE GARANTIA DE DIREITOS DAS MULHERES NO MERCADO DE
TRABALHO......................................................................................................31
4 CONCLUSÃO.............................................................................................. 35
REFERÊNCIAS............................................................................................ 37
1 INTRODUÇÃO

Essa monografia tem como objetivo apontar as questões norteadoras que a


cada dia que passa estão mais presentes na vida das mulheres, que são as
situações de discriminação e desigualdades no ambiente de trabalho em relação à
tradicional divisão por gênero que diferencia as atividades por sexo.
Historicamente falando, a maior parte do trabalho remunerado, exercido pelo
homem considerado produtivo, está muito longe da mesma forma com que é tratado
em relação às mulheres no seu ambiente de trabalho, seja no setor de educação, na
política, empresas públicas ou privadas.
A desigualdade fica clara quando observamos trabalhos domésticos e
cuidados que as mulheres exercem em seus lares, que acaba, impossibilitando as
mulheres de ter acesso às informações, acesso à educação e uma boa formação
para o mercado de trabalho e ter uma visão ampla de mundo.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a sobrecarga de
trabalho não remunerado tem diversas consequências para as mulheres dificultando
sua entrada no mercado e restringe suas oportunidades profissionais em ocupações
consideradas, masculinas, e modo com que as mulheres têm rendimentos salariais
menores na desvalorização das ocupações nas quais se concentram e o que as
confina a uma maior participação na informalidade em empregos sem proteção
social.
De acordo com (Borges, 2009) ,a superioridade em relação aos anos de
estudo da mulher podem ser explicadas pela procura maior de características que
possam fortalecer e facilitar a sua inserção no mercado de trabalho. Numa
sociedade em que ainda é possível verificar a forte discriminação de gênero
principalmente entre os trabalhadores, o grande apoio baseia-se numa melhor
qualificação.
A história do século XIX revela que havia na sociedade de modo geral uma
nítida e notória divisão do trabalho entre o domínio público e privado. Os homens
pertenciam à esfera pública que, pois desempenhava o papel de provedor da família
e mulheres a esfera privada dentro dos lares. (THIBES, 2017)
Nessa dicotomia entre público e privado se consolidou a divisão do trabalho
por sexo. Homens provedores e mulheres do lar, nesta conjuntura se deparam com
a realidade vivida pelas mulheres em que a prerrogativa passa a ser a divisão e as
desigualdades (SOUZA, 2016).
Com as revoluções culturais e os movimentos feministas no século XX
novas concepções foram surgindo, fragilizando essa dicotomia do modelo homem e
mulher, de modo que a divisão está relacionada em salário remunerado e salário
não remunerado, mulheres que ocupam os mesmos cargos no mercado que os
homens, o que contribui para que essa divisão sexual do trabalho seja
reconfigurada, mas sem mudanças significativas ou estruturadas. (SOUZA, 2016).
O Brasil é marcado por uma acentuada desigualdade por questões de
gênero, no entanto minimizada como se apresentam essas assimetrias entre os
sexos. A participação das mulheres no mercado de trabalho que garantida
igualitariamente por lei deva se referir a qualidade de vida sendo um avanço na
sociedade nas lutas e conquistas de direitos das mulheres que aumentam as
garantias relativas à equidade e igualdade por gênero, negociando benefícios que
por lei é de grande valia não podendo o empregador negar contratação a uma
mulher pelas suas características físicas levando alguma vantagem sobre essas
mulheres relacionadas a assédios morais ou sexuais. (SOUZA, 2016).
Este trabalho veio reforçar a necessidade de políticas públicas voltadas para
as mulheres em uma divisão econômica, pois trata de uma realidade concreta vivida
pelas mulheres no ambiente social que na atualidade em que vivemos acaba
ocorrendo diretamente ou indiretamente.
Para Iamamoto, (2010, p.160)
A “questão social” expressa desigualdades econômicas, políticas e culturais
que as classes sociais, mediatizadas por disparidades nas relações de
gênero, características étnico-raciais e formações regionais, colocando em
causa amplos segmentos da sociedade civil no acesso aos bens da
civilização.

Pela constatação e pela necessidade e importância da participação das


mulheres, no mercado de trabalho em vários setores de atuação, o trabalho mostra
os avanços que tivemos na sociedade e nas ocupações que se concentram o
universo masculino.
Nesse sentido é a reflexão de Conolly, (2011, p. 11) expressa:
A igualdade substantiva sugere que a responsabilidade pela discriminação
não repousa apenas no sujeito que a comete intencionalmente e pode ser
demandado em um Tribunal, mas no grupo dominante como um todo, que é
beneficiado com a estruturação da sociedade baseada em questões raciais,
de gênero e outras. Isso significa que o grupo dominante deve arcar com os
custos da mudança. Isso surge, por exemplo, quando indivíduos brancos
inocentes e do sexo masculino perdem para minorias ou mulheres
aparentemente menos qualificadas em programas de ações afirmativas no
emprego, educação ou habitação. Igualdade substantiva sugere também
que o Estado tem um papel. Se ele não faz nada, perpetua a discriminação.
Assim, ele tem o dever positivo de intervir.

Acerca do que vemos na contemporaneidade, podemos dizer que a luta pela


garantia dos direitos das mulheres no ambiente de trabalho, vem de uma trajetória
que envolve valores de etnias, classe sociais, valores morais e preconceito ao sexo
feminino.
A importância das políticas públicas para a igualdade de gênero, voltadas
para as mulheres, vem fomentar ainda mais a questão dessas desigualdades e que
ainda precisam ser discutidas com mais precisão e mais atenção para que as
mulheres, possam então conquistar um emprego no mercado de trabalho com
salários compatíveis com o dos homens e com todos os seus direitos garantidos.
Esse trabalho foi desenvolvido por uma estudante do último período do
curso de Graduação de Serviço Social, da Universidade Estácio de Sá.
2. PERFIL DA FORÇA FEMININA NO MERCADO DE TRABALHO NA
ATUALIDADE

Em fins da segunda década do século XX, iniciou-se no Brasil um


movimento moderado em defesa dos direitos da mulher incitando assim a formação
de organizações objetivando os direitos da mulher no Brasil. (GUIZZO; FELIPE,
2015).
A inserção das mulheres no mercado de trabalho e as lutas dos movimentos
feministas, que buscaram a igualdade de gênero, contribuíram de forma significativa
para a transformação desta realidade, ao menos no plano normativo, eis que, na
segunda metade do século XX, foram promovidas alterações legais visando à
promoção da igualdade, que asseguraram direitos antes negados as mulheres.
Atualmente, muito se avançou no caminho para a igualdade entre os sexos, em
função da permanente luta feminina em busca de espaço e reconhecimento
profissional, político e social, que vem assegurando direitos e garantindo novas
oportunidades. (CAVALCANTI, 2010).
A chegada das mulheres no mercado de trabalho foi a principal
transformação demográfica1 que o país conquistou nos últimos anos. É um
movimento muito elevado que alguns pesquisadores dessa tese de ser a
feminização da economia. As mulheres acima de tudo obtiverem grande presença
no espaço público devido investimentos em educação. Atualmente elas estão bem
mais preparadas, tem mais anos de estudo que o sexo masculino, para atuar em
diversas áreas. As mulheres se preparam mais e se destacam em carreiras antes
dominadas por homens. A competição vai aumentar muito se elas não saírem do
jogo antes da hora (RESCHKE et al., 2013)
O papel da mulher no mercado de trabalho cresceu consideravelmente nos
últimos anos. Segundo dados o número de mulheres com carteira assinada na

1
Simultaneamente a essas transformações no plano da economia e da política, duas importantes
mudanças sociodemográficas atuaram fortemente sobre a estrutura e a dinâmica do mercado de
trabalho no Brasil na presente década. Uma delas, a transição demográfica, em estágio já bastante
avançado, vem alterando rapidamente a composição do lado da oferta nesse mercado - isto é, dos
trabalhadores -, com a mudança do peso relativo dos grupos etários que compõem a população em
idade de trabalhar: redução do segmento mais jovem e aumento, em ritmos variados, das parcelas
formadas por trabalhadores adultos e velhos. Por outro lado, mudanças sociodemográficas vêm
repercutindo ainda, de outra forma, sobre o mercado de trabalho: a rápida redução no número médio
de filhos por mulher e o tamanho médio das famílias contribuem para acelerar o processo de entrada
das mulheres no mercado de trabalho e alterar o seu padrão de participação.
http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792010000300012
última década praticamente dobrou. Mas, mesmo com esse cenário favorável, uma
das maiores dificuldades das mulheres no mercado de trabalho está em superar as
desigualdades salariais.
A mulher moderna tem diversos papéis e a cada dia se reinventa. As que
optam por seguir e crescer numa carreira, no mercado profissional devem ter
confiança de seu papel, da força que tem e buscar o seu espaço. De acordo com
estudo divulgado pela Serasa Experian, o Brasil possui quase sete milhões de
mulheres empreendedoras. Outro estudo, feito pela OIT (Organização Mundial do
Trabalho) mostra que entre 5% a 10% dos cargos de chefia das empresas já são
ocupados por mulheres. E esses números só tendem a crescer. (OIT, online)
É comum vermos mulheres no mesmo cargo que um homem, com a mesma
qualificação profissional recebendo menos. O que a sociedade aos poucos está
compreendendo é que a força feminina no meio profissional hoje em dia é
indispensável. Hoje o perfil das mulheres é muito diferente daquele do começo do
século.
Além de trabalhar e ocupar cargos de responsabilidade assim como os
homens, ela aglutina as tarefas tradicionais: ser mãe, esposa e dona de casa.
Trabalhar fora de casa é uma conquista relativamente recente das mulheres. Ganhar
seu próprio dinheiro, ser independente e ainda ter sua competência reconhecida é
motivo de orgulho para todas.

2.1 NOVA CONCEPÇÃO SOBRE A INCLUSÃO DAS MULHERES NO SISTEMA


CAPITALISTA

No século XIX, com a consolidação do sistema capitalista inúmera


mudanças ocorreram na produção e na organização do trabalho feminino. Com o
desenvolvimento tecnológico e o intenso crescimento da maquinaria, boa parte da
mão de obra feminina foi transferida para as fábricas. (PROBST, 2015).
Quanto ao entendimento de que as mudanças provocadas pelo capitalismo
propiciaram uma maior participação da mulher no mercado de trabalho, Castells tem
outra visão: que “as mudanças sociais são tão dramáticas quanto os processos de
transformação tecnológica e econômica”. (CASTELLS 2016, P.108).
Em seu entendimento, não são as mudanças tecnológicas que levam a
mudanças sociais; elas acontecem de forma simultânea e interdependente. Dessa
forma, ao mesmo tempo em que foram ocorrendo as transformações tecnológicas e
econômicas do capitalismo, algumas questões sociais, como a de gênero, também
foram repensadas.
O patriarcalismo2 foi atacado e enfraquecido em muitas sociedades,
havendo uma redefinição do papel das mulheres, dos homens e das crianças,
remodelando as relações familiares, a sexualidade e até a personalidade dos
indivíduos. Portanto, o processo de transformação tecnológica não pode ser
entendido isoladamente, pois o contexto social em que ela se insere será
determinante para seu desenvolvimento: “Na verdade, o determinismo tecnológico é,
provavelmente, um problema infundado, dado que a tecnologia é a sociedade, e a
sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas
tecnológicas” (CASTELLS, 2016 p. 127).
Sobre isso, Santos e Oliveira ressaltam que:
Esta construção social do que é ser mulher e do que é ser homem se
relaciona com o sistema patriarcal, aqui entendido como um sistema de
dominação masculina, com constituição e fundamentação históricas, em
que o homem organiza e dirige, majoritariamente, a vida social. Com o
aumento da desigualdade social e a intensificação da exploração da classe
trabalhadora, aprofunda-se a situação de dominação-exploração sobre a
mulher. Assim, podemos afirmar que o sistema do capital articula
exploração do trabalho com dominação ideológica e se apropria da lógica e
valores do sistema patriarcal. [...] Tomando o patriarcado como indissociável
dos mecanismos de dominação-exploração do sistema capitalista, é, pois,
impossível trabalhar as dimensões de gênero fora deste contexto. As
relações desiguais de gênero se apresentam como objetivação atualizada
do patriarcado, enquanto sistema que domina e oprime as mulheres.
(OLIVEIRA; SANTOS, 2010, p.11).

Analisar a exploração do capital sobre a força de trabalho exige perceber a


particularidade da exploração do trabalho da mulher. Essa exploração não se dá de
forma diferente e sim acentuada com relação à exploração do homem. (CISNE,
2015)
Ficou estabelecido na Constituição de 32 que “sem distinção de sexo, a todo
trabalho de igual valor correspondente salário igual; veda-se o trabalho feminino das
22 horas às 5 da manhã; é proibido o trabalho da mulher grávida durante o período
de quatro semanas antes do parto e quatro semanas depois; é proibido despedir
mulher grávida pelo simples fato da gravidez”. Mesmo com essa conquista, algumas

2
Termo usado com conotação de preponderância do homem na organização social.
https://www.infoescola.com/sociedade/patriarcalismo/ 
formas de exploração perduraram durante muito tempo. Jornadas entre 14 e 18
horas e diferenças salariais acentuadas eram comuns.
A justificativa, desse ato estava centrada no fato de o homem trabalhar e
sustentar a mulher. Desse modo, não havia necessidade de a mulher ganhar um
salário equivalente ou superior ao do homem. Pesquisas recentes comprovam um
fenômeno que não obedece a fronteiras. Cresce exponencialmente o número de
mulheres em postos diretivos nas empresas. (PORTAL BRASIL, 2013).
Essa ascensão se dá em vários países, de maneira semelhante, como se
houvesse um silencioso e pacífico levante de senhoras e senhoritas no sentido da
inclusão qualificada no mundo do trabalho. Segundo alguns analistas, esse processo
tem origem na falência dos modelos masculinos de processo civilizatório. Talvez
seja verdade.
O balanço anual da Revista Valor Econômico revela que a parcela de
mulheres nos cargos executivos das 300 maiores empresas brasileiras subiu de
13% na última década. Os estudos mostram que no universo do trabalho as
mulheres são ainda preferidas para as funções de rotina. De cada dez pessoas
afetadas pelas lesões por esforço repetitivo - LER, oito são mulheres. (VALOR
ECONÔMICO, 2012)
Por estar a menos tempo no mercado, é natural que elas tenham currículos
menos robustos que os dos homens. A diferença nos ganhos tende a inexistir em
futuro próximo.
As estatísticas comprovam que há mais mulheres que homens no Brasil.
Mostram também que elas vêm conseguindo emprego com mais facilidade que seus
concorrentes do sexo masculino. E que seus rendimentos crescem a um ritmo mais
acelerado que o dos homens. As mulheres sofrem mais do que os homens com o
estresse de uma carreira, pois as pressões do trabalho fora de casa se duplicaram.
(IBGE, 2016)
As mulheres dedicam-se tanto ao trabalho quanto o homem e, quando voltam
para casa, instintivamente dedicam-se com a mesma intensidade ao trabalho
doméstico. Embora alguns homens ajudem em casa, não chegam nem perto da
energia que a mulher tende a dar.
Pouco a pouco as mulheres vão ampliando seu espaço na economia nacional.
O fenômeno ainda é lento, mas constante e progressivo. Em 1973, apenas
30,9% da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil era do sexo feminino.
Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD), em
1999, elas já representavam 41,4% do total da força de trabalho. Um exército de
aproximadamente 33 milhões. Em Santa Catarina, elas ocupavam 36,7% das vagas
existentes em 1997. Quatro anos depois, em 2000, mais 62 mil mulheres
ingressaram pela primeira vez no mercado, aumentando a participação em 1,1 ponto
percentual.
Analisando este fenômeno, temos que levar em conta um universo muito maior,
pois há uma mudança de valores sociais nesse caso. A mulher deixou de ser
apenas uma parte da família para se tornar o comandante dela em algumas
situações. Por isso, esse ingresso no mercado é uma vitória. O processo é lento,
mas sólido.
Outra peculiaridade que acompanha a mulher é a sua “terceira jornada”.
Normalmente, além de cumprir suas tarefas na empresa, ela precisa cuidar dos
afazeres domésticos. Isso acontece em quase 90% dos casos.
Em uma década, o número de mulheres responsáveis pelos domicílios
brasileiros aumentou de 18,1% para 24,9%, segundo os dados da pesquisa “Perfil
das Mulheres Responsáveis pelos Domicílios no Brasil”, desenvolvida pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para as mulheres a década de 90 foi marcada pelo fortalecimento de sua
participação no mercado de trabalho e o aumento da responsabilidade no comando
das famílias. A mulher, que representa a maior parcela da população, viu aumentar
seu poder aquisitivo, o nível de escolaridade e conseguiu reduzir a defasagem
salarial que ainda existe em relação aos homens.
Outra característica da década foi consolidar a tendência de queda da taxa de
fecundidade iniciada em meados da década de 60. As mulheres têm hoje 2,3 filhos,
há 40 anos, eram 6,3 filhos.
A história da mulher no mercado de trabalho, no Brasil, está sendo escrita com
base, fundamentalmente, em dois quesitos: a queda da taxa de fecundidade e o
aumento no nível de instrução da população feminina. Estes fatores vêm
acompanhando, passo a passo, a crescente inserção da mulher no mercado e a
elevação de sua renda. 
A necessidade de combater a ideologia que naturaliza a opressão das
mulheres, dando poder aos homens deve ser permanente e aliada às lutas gerais da
classe trabalhadora na ruptura com o capitalismo.
2.2 DADOS GERAIS E PERFIL DA FORÇA DE TRABALHO FEMININA

A quantidade da força de trabalho disponível num país depende de três


fatores: o tamanho da sua população residente; a estrutura etária dessa população,
que indica a quantidade de adultos; e a disposição ao emprego dessa população
dado o nível dos salários pagos, que é indicada pela taxa de participação. A
qualidade da força de trabalho, por sua vez, está condicionada, em linhas gerais, ao
nível educacional da população. Associadas ao estoque de capital, a quantidade e
qualidade da força de trabalho disponível num país são os fatores decisivos para o
nível de produtividade de uma economia e constituem os componentes principais da
capacidade do mercado de trabalho de prover valor. (AHRENS, 2017 p.186).
Analisar a força de trabalho brasileira segundo idade e sexo também revela
diferenças consideráveis entre homens e mulheres. O nível de atividade dos homens
no mercado de trabalho por muitos anos foi superior ao das mulheres,
independentemente da idade. Contudo, já é possível sentir uma redução dessa
desigualdade entre trabalhadores e trabalhadoras. Pesquisas 3 revelam a tendência
de crescimento da participação feminina durante os últimos 30 anos em diferentes
grupos etários. Enquanto a taxa de participação masculina mantém certa
estabilidade ao longo do tempo, as mulheres elevam sua participação em todas as
idades.
Particularmente para as gerações de mulheres mais jovens, com menos de
36 anos de idade, o aumento das suas taxas de participação no mercado de
trabalho tem ocorrido de forma mais intensa: ao final de 2009, esse indicador já se
apresentava quase 30 pontos percentuais acima do patamar que exibia em 1981.
Nunes (2017) em uma pesquisa publicada online revela que a diminuição
das diferenças de gênero no mercado de trabalho poderia aumentar o PIB brasileiro
em 3,3%, ou 382 bilhões de reais, e acrescentar 131 bilhões de reais às receitas
tributárias. Para isso, seria necessário o Brasil reduzir em 25% a desigualdade na
taxa de presença das mulheres no mundo do trabalho até 2025, compromisso já
assumido pelos países que compõem o G20. Os dados fazem parte do estudo

3
Conduzidas pelo IBGE, nos anos 1980 e 1990, exceto em 1991 e 1994. A amostra média anual é de
160.000 indivíduos e é representativa nacionalmente. As variáveis de raça e faixa etária por condição
passaram a ser investigadas sistematicamente a partir de 1987.
www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/viewFile/1307/1271
Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017, da
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Se a participação feminina crescesse 5,5 pontos percentuais, o mercado de
trabalho brasileiro ganharia uma mão de obra de 5,1 milhões de mulheres. Ainda
segundo os dados da OIT, a taxa de participação na força de trabalho global para as
mulheres em 2017 é de pouco mais de 49%, 27 pontos percentuais menores do que
a taxa para os homens (76%).
As mulheres passaram de geradoras de vida para ocuparem toda a
sociedade com um papel de desenvolvimento na economia norteando cada um dos
pilares do desenvolvimento social a partir de ocupação de postos de trabalho
(ROUSSEFF, 2013).
Madalozzo (2011) ressalta que o papel da mulher na sociedade nas últimas
décadas foi marcante devido ao aumento constante do trabalho da mulher no
mercado.
De acordo com Kon (2016) entre alguns dos fatores determinantes dessa
maior participação feminina estão causas originadas tanto pela demanda quanto da
oferta de trabalho. Dentre os fatores de demanda por trabalho, salientam-se três
aspectos principais. a) O aumento da demanda por Mão de obra crescente a cada
período nos setores de bens e serviços, embora esteja mais sujeita as flutuações
dos ciclos econômicos. b) O aumento setorial na demanda por trabalho, devido à
evolução das economias, que levou a necessidade de nova especialização e tipos
de ocupação nos diferentes setores de trabalho. c) A elevação da escolaridade
feminina, que transformou grande parte de mão de obra não qualificada em
qualificada, assim permitindo uma maior absorção das mulheres nos processos
industriais mais complexos. Ainda conforme Kon (2016) os fatores que influenciam a
oferta de trabalhadores, são considerados determinantes que resultam em variações
na curva de oferta. a) A mudança tecnológica, que apresenta dois aspectos: a maior
disponibilidade de substitutos de produtos não mercantilizados ou domésticos por
produtos de mercado a preços baixos; b) As mudanças na composição da família,
que podem afetar a decisão de oferecer trabalho no mercado.
Segundo Oliveira (2015) a mulher está assumindo liderança no mercado de
trabalho, “a diferença a mais da média salarial nos homens do Brasil, em relação à
das mulheres, tem diminuído cada vez mais rapidamente nas últimas décadas” A
vantagem masculina no País era de 50% nos anos 1990, mas em março de 2006,
esta diferença se tinha reduzido para 30%. Segundo o autor, os dados são do Fundo
de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, que lançou o relatório “O
Progresso das Mulheres no Brasil”.
Vieira (2014), diz que o trabalho feminino na atualidade como necessário
para o aumento significativo na última década, “em um cenário marcado pela
reestruturação produtiva, decorrente da globalização competitiva e paralelo a avanço
tecnológico que ocasionou sérios problemas na oferta de empregos”, gerando
redução nos postos de trabalho em setores formais e na flexibilização das relações
de trabalho.
No Brasil, as mulheres são 41% da força de trabalho, mas ocupam somente
24% dos cargos de gerência. O balanço anual da Gazeta Mercantil revela que a
parcela de mulheres nos cargos executivos das 300 maiores empresas brasileiras
subiu de 8%, em 1990, para 13%, em 2000. No geral, entretanto, as mulheres
brasileiras recebem, em média, o correspondente a 71% do salário dos homens.
Essa diferença é mais patente nas funções menos qualificadas. No topo, elas quase
alcançam os homens.

2.3 HOMENS E MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO: INDICADORES DE


PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA

Hoffmann; e Leone (2004) e Bruschini (2007), afirmam que a participação


das mulheres na atividade econômica tem se intensificado desde a década de 1970
em um contexto de expansão da economia com acelerado processo de
industrialização e urbanização e com mudanças no papel social da mulher.
A crescente incorporação das mulheres ao mercado formal de trabalho nas
últimas décadas, somada à ainda significativa diferença entre os níveis de
participação masculino e feminino, dão indícios de que esse fenômeno parece não
ter se esgotado. A taxa de participação feminina saltou de 32,9% para 52,7% no
período considerado, o que caracteriza uma mudança expressiva na participação
das mulheres no mercado de trabalho nos últimos anos, embora ainda exista uma
diferença de quase 20 pontos percentuais (p.p.) em relação ao nível de participação
masculina. (IPEA, 2017)
No Brasil, entre 2012 e 2016, com a retração econômica, o índice de
desemprego medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu
de 7,9% para 12% – 13,6% na medida mais recente – enquanto a taxa de ocupação
da população caiu de 56,3% em 2012 para 54% em 2016. Entre as mulheres o
desemprego no fim de 2016 era de 13,8% enquanto atingiu 10,7% para os homens.
Em 2018, a OIT espera que as taxas de desemprego permaneçam
relativamente inalteradas, o que manterá a desigualdade no atual patamar, sem
nenhuma melhora esperada antes de 2021, com base nas tendências atuais.
(NUNES, 2017)
Quando as mulheres participam do mercado de trabalho, elas têm maior
probabilidade de estarem desempregadas do que os homens. Globalmente, a taxa
de desemprego para as mulheres em 2017 é de 6,2%, representando uma diferença
de 0,7 pontos percentual com relação à taxa de desemprego dos homens, de 5,5%.
Embora mais escolarizadas, em 2017, as mulheres obtiveram o equivalente
a 81,9% do rendimento médio dos homens ocupados, frente a 80,2% do ano
anterior. Esse é o terceiro ano consecutivo em que a redução do rendimento médio
real é menor entre as mulheres do que entre os homens. A redução no rendimento
médio real entre as mulheres foi de 2,9% (passando de R$ 1.747 para R$ 1.696) e,
entre os homens, de 4,8% (passando de R$ 2.176 para R$ 2.072). (KNEBEL, 2018)
As estatísticas apontam que há mais mulheres que homens no Brasil. Mostram
também que elas vêm conseguindo emprego com mais facilidade que seus
concorrentes do sexo masculino. E que seus rendimentos crescem a um ritmo mais
acelerado que o dos homens.
A mulher tem direito de receber o mesmo salário percebido pelo homem, se
o trabalho que exercer for de igual valor. O Tratado de Versailles 4 dispõe que, para
igual trabalho, igual salário. Como também a Constituição Federal acolhe o mesmo
princípio. O art. 461 da CLT dispõe que, sendo idêntica a função, todo trabalho de
igual valor, prestado ao mesmo empregador na mesma localidade, corresponderá
igual salário, sem distinção de sexo (DELGADO,. 2010, p.899)DA JORNADA DE
A jornada de trabalho da mulher não difere da dos homens e consiste em 8
horas diárias, em algumas atividades profissionais a lei fixa jornadas inferiores, não
por causa do sexo, mas em decorrência da natureza do trabalho.
As mulheres sofrem mais do que os homens com o estresse de uma carreira,
pois as pressões do trabalho fora de casa se duplicaram.

4
O Tratado de Versalhes (1919) foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias que
encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial. https://www.sohistoria.com.br/ef2/versalhes/
As mulheres dedicam-se tanto ao trabalho quanto o homem e, quando voltam
para casa, instintivamente dedicam-se com a mesma intensidade ao trabalho
doméstico. Embora alguns homens ajudem em casa, não chegam nem perto da
energia que a mulher tende a dar.
Lentamente as mulheres vão ampliando seu espaço na economia nacional.
O fenômeno ainda é lento, mas constante e progressivo.

2.4 ÁREAS E OCUPAÇÕES COM MAIOR PROGRESSO DAS MULHERES:


OCUPAÇÕES E PROFISSÕES DE PRESTÍGIO

A partir de 1992 o IBGE- Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística ampliou o conceito de trabalho adotado em seus levantamentos, o que
contribuiu para a maior visibilidade do trabalho feminino. Além disso, a partir do
Censo de 2000, com a CNAE- Classificação Nacional de Atividades Econômicas,
que adota novas desagregações dos setores e seções de atividade, pôde-se
esclarecer o peso de algumas atividades na ocupação feminina e diferenciá-la, por
comparação, do padrão masculino. É assim que, por exemplo, na prestação de
serviços, em 2007, 16,4% das ocupadas e cerca de 1% dos ocupados executavam
serviços domésticos. Ou ainda, 16,9% das mulheres estavam exercendo atividades
na área de educação, saúde e serviços sociais contra apenas 3,6% dos homens. E
essas proporções são assemelhadas às de 2002.
Os homens, por seu lado, têm maiores chances em trabalhos de produção
de bens e serviços industriais, de reparação e manutenção (cerca de 33%), em
profissões da agropecuária ( pouco mais de 20% e também decrescente no
período), de vendas ( 11%), em profissões técnicas de nível médio ( próximo dos
7%). (IBGE, 2016)
A inserção das mulheres no mercado de trabalho brasileiro, como é
apontado em muitos estudos sobre o tema, tem sido caracterizada através do tempo
pela marca da precariedade, que tem atingido uma importante parcela de
trabalhadoras. Entretanto, no contraponto das ocupações precárias, mulheres
instruídas, além de continuar marcando presença em tradicionais "guetos" femininos,
como o magistério e a enfermagem, têm adentrado também áreas profissionais de
prestígio, como a medicina, a advocacia, a arquitetura e até mesmo a engenharia,
tradicional reduto masculino. Esta poderia ser considerada uma das faces do
progresso alcançado pelas mulheres, no que tange à sua participação no mercado
de trabalho.
Em uma pesquisa realizada pela Jornalista Cássia Almeida do jornal O
Globo (2017), as mulheres corespondem atualmente por 43,8% de todos os
trabalhadores brasileiros. Mas a participação vai caindo conforme aumenta o nível
hierárquico. Elas representam 37% dos cargos de direção e gerência. No topo, nos
comitês executivos de grandes empresas, elas são apenas 10% no Brasil. Em 2015,
eram 4,7 milhões de profissionais, dentre os quais 63% eram homens nos cargos de
chefia. A desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres nesta categoria é
maior que no mercado de trabalho. Na média, a mulher ganha 76% do salário dos
homens. Nos cargos de gerência e direção, essa proporção vai para 68%. Quanto
mais alto o cargo e a escolaridade, maior a desigualdade de gênero. As estatísticas
mostram, no entanto, que, na média da população, a escolaridade feminina é maior.
A mulher tem oito anos de estudo, e o homem, 7,6 anos. Entre os 11 ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) que são indicados pelo presidente da República, há
somente duas mulheres. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), dos 33 ministros,
seis são mulheres. No Tribunal Superior do Trabalho (TST), há seis mulheres entre
os 27 ministros. (JORNAL O GLOBO, 2017).
De acordo com Kurzawa (2015), “a mulher vem ocupando cargos em todos
os setores produtivos e de gestão, auxiliando de forma efetiva no desenvolvimento
estadual e nacional e participando do processo de planejamento e execução de
governo democrático”. Complementa ainda a autora que apesar de se estar
realmente caminhando para eliminar a desigualdade de gênero, é relevante, adotar
ações que garantam na legislação, a inexistência de qualquer forma de
discriminação, seja na promoção profissional ou na ocupação de postos de comando
(KURZAWA, 2015).
Pode-se observar é que essa diferença nos rendimentos vem caindo
rapidamente. Por estar a menos tempo no mercado, é natural que elas tenham
currículos menos robustos que os dos homens. A diferença nos ganhos tende a
inexistir em futuro próximo.
3. MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL: ENFOQUE NO GÊNERO

A desigualdade entre gêneros no trabalho é percebida com dados do IBGE


(2016), apesar de as mulheres representarem mais da metade da população em
idade de trabalhar, os homens preencheram 57,5% dos postos de trabalho. Segundo
dados IPEA (2017), as mulheres receberam, em média, R$ 1.836, o equivalente a
22,9% menos do que os homens (R$ 2.380). O Sudeste teve a maior média de
rendimento para homens (R$ 2.897) e mulheres (R$ 2.078), porém teve a maior
desigualdade, com as mulheres ganhando 28,3% menos do que os homens.
Nesse sentido, o princípio da igualdade impõe dois comandos:
1º é de que a lei não pode fazer distinções entre pessoas que consideram
iguais, deve tratar todos do mesmo modo; 2º o de que a lei pode, ou melhor,
deve fazer distinções para buscar igualar a desigualdade real existente no
meio social, o que ela faz, por exemplo, isentando certas pessoas de pagar
tributos; protegendo idosos e menores de idade; criando regras de proteção
ao consumidor por ser ele vulnerável diante do fornecedor. (MARTINEZ,
2012, p.1).

As relações de gênero implicam em relações variadas e simultaneamente


relacionadas entre homens e mulheres frente às diferentes lateralidades
constituintes da vida social dentre elas o trabalho, pois como aponta Jane Flax: “na
perspectiva das relações sociais, homens e mulheres são ambos prisioneiros do
gênero, embora de modos altamente diferenciados mas inter-relacionados.” (FLAX:
229). Assim, para Flax, a inter-relação entre homens e mulheres sob a perspectiva
de gênero conduz a relações sociais relacionais e articuladas entre si.
As discussões acerca da igualdade entre homens e mulheres no mercado de
trabalho muitas vezes são deslegitimadas por críticas que tomam o papel recente da
mulher em determinadas áreas do saber, portanto é fundamental pesquisar o perfil
da mulher no mercado de trabalho. Pesquisa do Instituto Ethos (2016) com as
quinhentas maiores empresas do Brasil, aponta que grande parte das organizações
tampouco desenvolve alguma política visando a promoção da igualdade de
oportunidades entre homens e mulheres. E expressivas parcelas dos principais
gestores percebem como adequada a participação de mulheres e negros em
praticamente todos os níveis hierárquicos. Portanto o Brasil ainda se “situa entre as
nações mais desenvolvidas economicamente, continua apresentando desigualdades
sociais de caráter estrutural, que se refletem no mundo do trabalho” (INSTITUTO
ETHOS, 2016, P. 5).
O mundo do trabalho e as relações sociais de gênero/sexo têm sido temas
recorrentes de análises e reflexões no campo das Ciências Humanas e Sociais nas
últimas décadas e adquirido corpus teórico de suma relevância para a compreensão
das determinações societárias frente aos desdobramentos e acirramento da
“questão social”
A “questão social”, constitutiva e resultante do conjunto das expressões das
desigualdades sociais forjadas no desenvolvimento dinâmico do capitalismo, emerge
no âmago da luta de classes e, nesse aspecto, expressa :
[...] disparidades econômicas, políticas e culturais das classes sociais,
midiatizadas por relações de gênero, características étnico-raciais e
formações regionais [...]. Historicamente a questão social tem a ver com a
emergência da classe operária e seu ingresso no cenário político, por meio
das lutas desencadeadas em prol dos direitos atinentes ao trabalho,
exigindo seu reconhecimento como classe pelo bloco do poder, e, em
especial pelo Estado. (Iamamoto, 2010, p.147)

Analisar a “questão social”, enquanto parte constitutiva das relações sociais


capitalistas é compreendê-la numa arena de disputas de projetos societários,
reconhecendo sua insociabilidade com as configurações assumidas pelo trabalho
(IAMAMOTO, 2010).
Por isso, compreender a “questão social” é circunscrevê-la no processo de
acumulação capitalista com seus rebatimentos para a classe trabalhadora, tendo a
exploração como um traço distintivo da relação entre capital e trabalho, que contribui
para acentuadas formas de dominação e opressão nas relações étnico-raciais e de
gênero/sexo.
O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana tem ligação expressa e
concentrada com a valorização do trabalho humano, pois é sabido que a dignidade
da pessoa humana é inalcançável quando o trabalho humano não for valorizado de
forma adequada.
Nesse contexto, há de se compreender que a dignidade da mulher é
desrespeitada quando esta é submetida a constrangimentos frente aos colegas de
trabalho, quando é submetida a atividades vexatórias no seu ambiente de labor.
O assédio sexual é, sem sombra de dúvidas, um dos fatores que mais
atingem a dignidade da mulher, em termos de direito positivado, a única forma de
assédio sexual criminalizada no Brasil é a ocorrente nas relações de trabalho
subordinado, pois foi inserido no Código Penal o tipo assédio sexual, como bem
dispõe o art. 216 do CP, senão vejamos: “constranger alguém com o intuito de obter
vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de
superior hierárquico ou ascendências inerentes ao exercício de emprego, cargo ou
função” (FILHO 2009, p. 249)
Na mesma linha seguindo o entendimento do referido autor, existem duas
espécies de assédio sexual definidas pela doutrina, a primeira sendo o assédio
sexual mediante chantagem e, a segunda o assédio sexual por intimidação
A primeira forma tem como pressuposto o necessário abuso de autoridade,
referindo-se à exigência feita pelo superior hierárquico ou por qualquer pessoa que
exerça poder sobre a vítima sob ameaça de perda de benefícios ou, no caso da
relação de emprego, do próprio posto de trabalho.
Outra forma de desrespeito à dignidade da mulher é o chamado assédio
moral, que é denominado pelas autoras Araújo e Mourão, 2012, como sendo o
assédio no trabalho definido como qualquer conduta abusiva, por meio de gestos,
palavras, comportamentos, que atente, por sua repetição ou sistematização contra a
dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu
emprego ou degradando o clima de trabalho.
O assédio, tanto sexual como o moral, revela-se da mesma forma apto a
golpear a dignidade da pessoa humana, por via de consequência, os direitos de
personalidade, mais especificamente, a integridade física e moral e a tutela à
intimidade do trabalhador nas relações laborais, principalmente da mulher que sofre
frequentes assédios de natureza sexual
É, portanto, de fácil constatação, que todas as violações a dignidade da
pessoa humana e outras de qualquer natureza, devem ser frontalmente reprimidas
pelo aplicador da lei, o qual, sob o manto da Constituição, tem a obrigação de primar
pela aplicação de toda a norma vigente que zela pela proteção dos direitos da
personalidade e, principalmente, os concernentes à intimidade da mulher que
historicamente vem sendo injustificadamente vitimada com afrontas aos seus
direitos fundamentais garantidos em sede constitucional

3.1 DIFERENCIAIS DE GÊNERO NA OCUPAÇÃO DA MÃO DE OBRA BRASILEIRA

No capitalismo a globalização é latente, tornando o trabalho cada vez mais


coletivo, enquanto a apropriação dos lucros e dos meios de produção é cada vez
mais privada, o que concentra ainda mais a riqueza produzida, intensificando assim
a contradição entre capital e trabalho, já que os meios de produção e acumulação da
riqueza são propriedade cada vez mais concentrada de uma pequena parcela da
burguesia, apesar de ser a classe trabalhadora a responsável por sua produção.
Nesse sentido, a pauperização e a exclusão configuram, segundo Iamamoto (2015),
a outra face do desenvolvimento tecnológico da produção e do mercado globalizado.
Conforme Marx apud Cabral (2018), capital e trabalho apresentam um
movimento constituído de três momentos fundamentais: primeiro, “a unidade
imediata e mediata de ambos”; significa que num primeiro momento estão unidos,
separam-se depois e tornam-se estranhos um ao outro, mas sustentando-se
reciprocamente e promovendo-se um ao outro como condições positivas; Em
segundo lugar, “a oposição de ambos”, já que se excluem reciprocamente e o
operário conhece o capitalista como a negação da sua existência e vice-versa; Em
terceiro e último lugar, “a oposição de cada um contra si mesmo”, já que o capital é
simultaneamente ele próprio e o seu oposto contraditório, sendo trabalho
(acumulado); e o trabalho, por sua vez, é ele próprio e o seu oposto contraditório,
sendo mercadoria, isto é, capital. (CABRAL, 2018 ).
É dessa forma, portanto, que se relacionam capital e trabalho, promovendo a
coisificação ou reificação do mundo, isto é, tornando-o objetivo, sendo que suas
regras devem ser seguidas passivamente pelos seus componentes. A tomada de
consciência de classe e a revolução são as únicas formas para a transformação
social. (CABRAL, 2018).
De acordo com Cisne (2015, p.134), as questões de gênero, assim como
questões referentes à raça/etnia, sexualidade, geração, etc. passam
necessariamente pela contradição da ‘velha questão social’, ou seja, pelo interesse
econômico do capitalismo expresso por meio da relação entre capital e trabalho.
A reestruturação produtiva do capital calcada no modelo toyotista/flexível e
respaldada pelas sofisticadas tecnologias elevou o desemprego, o subemprego, as
relações de trabalho informal e têm acentuado a intensificação da exploração da
classe trabalhadora e precarizado de forma plena as condições de trabalho.
Afirma Netto (2009) que todas as transformações produzidas pelo capital
têm como objetivo reverter à queda da taxa de lucro e criar condições renovadas
para a exploração da força de trabalho.
Depreende-se que os pesos de todas elas recaem veementemente sobre os
trabalhadores - da redução salarial à precarização do emprego. Estas figuram uma
das faces mais visíveis da ofensiva do capital sobre o mundo do trabalho. Tendo em
vista que a lógica inerente do sistema capitalista é o lucro, assim em vias de
ostentação desse patamar tem-se a exploração e precarização das condições de
trabalho e do trabalhador, a subsunção real do trabalhador ao capital. (MÉSZÁROS,
2011. p.61).
Dentro da própria classe trabalhadora, há uma diferenciação substancial na
constituição dos “perfis” das trabalhadoras, de acordo com a remuneração.
Se o perfil apregoado é o da mulher “moderna” e “empreendedora”, no Brasil
poucas conseguem se enquadrar nesse padrão, já que muitas mulheres estão no
setor informal da economia ou trabalhando nas categorias ocupacionais que
precisam de menos qualificação e apresentam menor remuneração. As mulheres
que possuem salários e empregos melhores só conseguem, na maioria das vezes,
manter uma vida familiar à custa de outra mulher.
Na procura de trabalho, as mulheres das camadas mais pobres, se
submetem ao emprego doméstico, uma atividade extremamente desqualificada e
mal remunerada, que constitui uma das principais ocupações femininas dentro do
setor de serviços. Desse modo, Carvalhal, 2009 p.7, p afirma que,
O esforço da mulher duplica com a inserção no trabalho assalariado, onde
mesmo com a execução da dupla jornada de trabalho, somente um trabalho
é pago e reconhecido, já que o trabalho doméstico faz parte da condição de
mulher e o emprego faz parte da condição de mulher pobre, mas ambos não
são frutos de uma escolha. (...) muitas vezes, a mulher, na tentativa de se
livrar ou então amenizar sua dupla jornada usa a estratégia de empregar
uma outra mulher para realizar suas funções domésticas, enquanto
trabalham, ou então há um desdobramento das mulheres para elas mesmas
realizarem essas tarefas domésticas.

A inserção da mulher brasileira no mercado de trabalho se caracterizou em


nichos profissionais específicos como, por exemplo, o trabalho doméstico.
A divisão sexual do trabalho como relação entre dois gêneros traz embutida
a hierarquia social entre esses dois gêneros. Assim, a divisão sexual do
trabalho não cria a subordinação e a desigualdade das mulheres no
mercado de trabalho, mas recria uma subordinação que existe também nas
outras esferas do social. Essa divisão “produz e reproduz a assimetria entre
práticas femininas e masculinas, constrói e reconstrói mecanismos de
sujeição e disciplinamento das mulheres, produz e reproduz a subordinação
de gênero dominação” (SOUZA LOBO, 2011, p. 67).

A divisão sexual do trabalho estrutura as relações de gênero na sociedade e


estabelece uma divisão naturalizada das áreas reprodutivas atribuídas às mulheres
e das áreas produtivas atribuídas aos homens.
A divisão sexual do trabalho estrutura as relações de gênero na sociedade e
estabelece uma divisão naturalizada das áreas reprodutivas atribuídas às
mulheres e das áreas produtivas atribuídas aos homens. Dessa forma, além
de atribuir às mulheres a responsabilidade sobre a reprodução,
estabelecendo sua inclusão na produção apenas secundariamente, a
divisão sexual do trabalho rotula o trabalho reprodutivo como um não
trabalho, não lhe atribuindo valor e o marginalizando como objeto de estudo
da economia (CELIBERTI; MESA, 2010, p. 19).

A divisão do trabalho determina as relações dos indivíduos entre si com


referência ao material, instrumento e produto do trabalho envolvem a especialização
das atividades na sociedade.
A divisão sexual do trabalho, por sua vez, se manifesta em uma dupla
dimensão de desigualdade, a da separação do trabalho de homens e de mulheres e
o entendimento que o trabalho dos homens “vale” mais que o trabalho das mulheres.
Mas ressalta-se que tanto os homens como as mulheres realizam um trabalho
alienado, que desvirtua o ser humano do verdadeiro sentido do trabalho como
categoria fundante do ser social.
Em alguns locais as mulheres exercem trabalhos “ditos masculinos”. Tais
condições descortinam os estereótipos incutidos as mulheres enquanto “sexo frágil”
e revelam assim a sua funcionalidade ao capital.
As mulheres são utilizadas de forma predominante porque ficam com a parte
que exige mais atenção e habilidade e, sem a qual as outras partes do processo de
produção não seriam bem sucedidas, fora que custam menos.
O capital se apropria e se utiliza na sociedade contemporânea de novas e
velhas formas de produzir em face de assegurar a exploração dos trabalhadores e
usurpação da mais-valia e assim, garantir a sua produção e reprodução. Atesta-se
que a crescente inserção da mulher no mercado de trabalho toma sua dimensão
mais perversa no trabalho feminino devido à subordinação de gênero e que são
mais facilmente reprimidas na sociedade de classes.
A submissão da mulher tem o poder de impedir a emancipação de toda a
humanidade, não apenas de uma parte. O capital juntamente com a ideologia
machista aprofunda a tão almejada emancipação do segmento feminino, dessa
forma torna-se mais subterrânea a “emancipação” plena da mulher enquanto classe
trabalhadora. (TOLEDO, 2008).
Dentro da própria classe trabalhadora, há uma diferenciação substancial na
constituição dos “perfis” das trabalhadoras, de acordo com a remuneração.
Se o perfil apregoado é o da mulher “moderna” e “empreendedora”, no Brasil
poucas conseguem se enquadrar nesse padrão, já que muitas mulheres estão no
setor informal da economia ou trabalhando nas categorias ocupacionais que
precisam de menos qualificação e apresentam menor remuneração. As mulheres
que possuem salários e empregos melhores só conseguem, na maioria das vezes,
manter uma vida familiar à custa de outra mulher.
Nesse sentido, torna-se possível mostrar como a divisão sexual do trabalho
é apropriada e reforçada pelo capital na medida em que o trabalho feminino é
incorporado no processo produtivo sob condições precárias e deterioradas.
Nesse processo, a mulher se transforma em uma espécie de “exército de
reserva” de força de trabalho sub-remunerada, permitindo que o modo de produção
capitalista tenha “argumentos” suficientes para continuar, em grande medida, seu
processo de precarização do proletariado em geral, e da mulher trabalhadora em
particular. É por essa razão que falar em divisão sexual do trabalho é muito mais
que constatar as especificidades de gênero. É, em verdade, articular essa descrição
do real com uma análise dos processos pelos quais a sociedade se utiliza dessa
dinâmica de diferenciação com o intuito de precarizar e hierarquizar as atividades.
(NOGUEIRA, 2010, p.61).
Ainda que em queda, o desemprego feminino sempre esteve à frente do
desemprego masculino no período analisado. Gama (2014), afirma que o
desemprego, para as mulheres, é mais duradouro, mais invisibilizado, mais aceito e
tolerado, situação mais difícil de sair. Ele não é considerado um problema
socialmente relevante na mesma proporção do desemprego masculino, constituindo,
aos olhos da sociedade, algo menos grave, menos perturbador. Esse entendimento
se alicerça no estereótipo do homem provedor, cujo trabalho é valorizado e
priorizado, ao passo que o trabalho da mulher é visto como complementar ou
acessório, não gozando do mesmo valor ou importância. O desemprego aberto é a
categoria que aglutina as pessoas que se dedicam exclusivamente à procura por
trabalho.
Conforme dados do IBGE, a situação pior da mulher na disputa por um lugar
no mercado de trabalho é percebida desde o início das pesquisas trimensais feitas
pela instituição, no início de 2012. No primeiro levantamento, a taxa para homens
desempregados era de 6,2%, enquanto das mulheres atingia 10,3%. Com o passar
dos anos, a diferença se reduziu timidamente, mas no último levantamento voltou a
crescer.
Em geral, as mulheres ainda são vistas nas empresas com o temor de que
deem mais atenção à família do que ao trabalho e apresentem baixa produtividade,
em razão da jornada dobrada, no emprego e em casa. Há também o medo de a
gravidez afastá-las do compromisso com as metas de desempenho na função.
A redução em seus índices tem conexão com as políticas
desenvolvimentistas implementadas no cenário nacional, as quais visam a
adequação ao modelo da acumulação flexível. (SILVA FILHO; QUEIROZ, 2011).
Para Oliveira (2015), as representações definidas socialmente para o
homem e para a mulher são construídas em função dos objetivos empresariais,
associando a mulher à adaptabilidade, à aceitabilidade e à execução de diferentes
tarefas, e o homem à atividade e à criatividade. Essas representações de gênero
servem como suporte ideológico para manter o espaço da mulher na esfera privada
(familiar) e o do homem na esfera pública (atuação profissional).
Por meio da divisão sexual do trabalho, os trabalhos de homens e mulheres
não são apenas segmentados segundo o sexo, mas hierarquizados de tal forma que
atividades e profissões consideradas femininas são desprestigiadas, desvalorizadas
e mal remuneradas., é essa ideologia patriarcal que leva muitas mulheres a
procurarem profissões consideradas do sexo feminino. elas se sentem mais capazes
e são levadas a crer que são mais aptas a determinadas carreiras vinculadas ao
universo da reprodução social. (CISNE, 2015 p. 142).
Assim, ao se identificar a mulher com características ligadas a aspectos
como atenção, educação, cuidado, afetividade, sensibilidade e passividade,
percebesse a construção de uma imagem do seu trabalho associada ao espaço
doméstico; por outro lado, a figura do homem provedor, agressivo, ativo, forte,
empreendedor, inteligente e dominador o coloca como responsável pela esfera
pública. Essa construção de desigualdades entre os sexos, apoiada em construtos
biológicos, ajuda a manter as relações de dominação, exploração e opressão da
mulher.
Dowbor (2013) ressalta que a inserção da mulher no mercado de trabalho,
ao mesmo tempo em que traz alguns avanços, contrasta com certos atrasos sociais.
A título de exemplo, observa que, apesar de a mulher estar atingindo um nível de
formação educacional superior ao do homem na sociedade atual, fato importante
para sua inserção no mercado e para sua libertação, há evidentes desníveis
salariais entre homens e mulheres, além de uma divisão desigual da carga de
trabalho familiar. Em outras palavras, a evolução profissional da mulher não tem sido
acompanhada por mudanças sociais, nem no Brasil, nem em países considerados
desenvolvidos.
O levantamento do IBGE mostra ainda que a diferença entre os gêneros se
mantém entre as mulheres e homens empregados, uma vez que em média, as
trabalhadoras recebem 72% do salário dos homens. “A diferença salarial também se
mantém. O que demonstra a importância de políticas para proteger as mulheres no
mercado de trabalho”, diz o coordenador do IBGE. (FONSECA, 2017, online)

3.2 POLÍTICAS PÚBLICAS E PROGRAMAS SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL DE


GARANTIA DE DIREITOS DAS MULHERES NO MERCADO TRABALHO

O direito à igualdade de remuneração para homens e mulheres foi


reconhecido pela OIT, – Organização Internacional do Trabalho – em 1919. A
Declaração da Filadélfia da OIT, em 1944, que faz parte da Constituição da OIT,
também faz menção a “garantia de todos os seres humanos, de efetuar o seu
progresso e seu desenvolvimento em liberdade, com dignidade, e oportunidades
iguais”. A Convenção nº 100 sobre igualdade de remuneração em 1951, foi o
primeiro instrumento internacional sobre a questão, adotada justamente após a
Segunda Guerra Mundial, momento em que as mulheres estavam ocupando os
postos dos homens.
A Convenção (nº 111), sobre Discriminação (Emprego e Profissão) de 1958,
proíbe exclusões, distinções ou preferências, de inúmeros motivos, inclusive ao de
gênero, com o objetivo de evitar a desigualdade de oportunidades no emprego ou
profissão, a Convenção (nº 111) está ligada à Convenção (nº 100).
Ratificada pelo Brasil em 19 de janeiro de 1968 pelo Decreto Nº 62.150 que em seu
Artigo 1º, n.1, aduz:
Para os fins desta Convenção, o termo “discriminação” inclui: a) toda
distinção, exclusão ou preferência, feita com base em raça, cor, sexo,
religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social, que tenha
por efeito anular ou impedir a igualdade de oportunidades ou de tratamento
no emprego ou na ocupação; b) qualquer outra distinção, exclusão ou
preferência que tenha por efeito anular ou impedir a igualdade de
oportunidades ou tratamento no emprego ou na ocupação, conforme pode
ser definido pelo Membro em questão, após consultar organizações
representativas de empregadores e de trabalhadores, se as houver, e outros
organismos convenientes.

No Brasil, as primeiras regulamentações do trabalho da mulher decorreram


do Decreto 21.417-A, de 17 de maio de 1932, com a denominação. “Trabalho da
Mulher: na Indústria e no Comércio”, assegurando inúmeros direitos como já foram
anteriormente expostos no tópico sobre a inserção da mulher no mercado de
trabalho. A CLT incorporou vários dispositivos de proteção à mulher, exceto a
estabilidade provisória, que somente mais tarde foi previsto em alguns acordos
coletivos, e sentenças normativas, e para todas as grávidas, no art. 10 do ADCT da
CF/88. (LAIMER; VAZ, 2011)
Com essas promulgações legais, a mulher passa a ter uma base legal,
podendo atuar no mercado de trabalho de forma digna, trazendo uma relação entre
homens e mulheres que antes não eram reconhecidas. Com a promulgação
da Constituição Federal de 1988, o trabalho da mulher recebe dispositivos
específicos, assegurando-lhe diversos direitos.
Cabe ao Estado e suas instituições consolidarem em rede uma política
pública de direito, rompendo com práticas remotas de benemerência e filantropia. A
PNAS, que é um documento normatizador das ações de assistência social,
Resolução n° 145 de 15/10/2004, promove principalmente a defesa e a atenção aos
interesses e necessidades às pessoas em situação de risco e/ou vulnerabilidade
social, cabendo à mesma, ações que promovam a prevenção, a proteção, a
promoção e a inserção social, como também um conjunto de garantias e
seguranças. A mesma é construída a fim de integrar as demais políticas sociais,
considerando as peculiaridades sociais e territoriais, efetivando assim, a garantia
dos mínimos sociais, bem como a universalização dos direitos sociais, e tem como
órgão gestor, em âmbito nacional o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate
à Fome - MDS. (MDS, PNAS, 2004)
Ao propor políticas públicas “de gênero” é necessário que se estabeleça o
sentido das mudanças que se pretende, sobretudo, com vistas a contemplar a
condição emancipatória e a dimensão de autonomia das mulheres. Para que as
desigualdades de gênero sejam combatidas no contexto do conjunto das
desigualdades sócio-históricas e culturais herdadas, pressupõe-se que o Estado
evidencie a disposição e a capacidade para redistribuir riqueza, assim como poder
entre mulheres e homens, entre as regiões, classes, raças, etnias e gerações. Para
tanto, é necessário compreender que as políticas públicas com recorte de gênero
são as que reconhecem a diferença de gênero e, com base nesse reconhecimento,
implementam ações diferenciadas dirigidas às mulheres. (BRASIL, 2013).
No executivo federal, as políticas públicas passam a ser orientadas pelo
Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), desdobradas pelos
organismos governamentais de políticas para as mulheres – estaduais e municipais.
Estes devem enfatizar os sujeitos femininos, que, dentro e fora do Estado, são
capazes de impulsionar as políticas de igualdade, influenciando e contribuindo às
agendas das políticas nacionais. Ou seja, aponta-se para a questão que evidencia a
importância do ativismo político das mulheres organizadas para assegurar políticas
públicas de “gênero”, sem desconsiderar as fragilidades decorrentes da ausência de
uma articulação nacional mais eficiente, tal como seria um sistema de políticas
públicas para as mulheres. (BRASIL, 2013).
No Brasil, é da maior importância o trabalho que vem sendo realizado por
assistentes sociais especialmente na esfera da seguridade social: nos processos de
sua elaboração, gestão monitoramento e avaliação, nos diferentes níveis da
federação. Destaca-se, ainda, a atuação dos assistentes sociais junto aos
Conselhos de Políticas – com saliência para os Conselhos de Saúde e de
Assistência Social nos níveis nacional, estadual e municipal.
Os estudos e debates que envolvem a relação Serviço Social e Gênero
demonstram, pois, uma série de desafios para o seu aprofundamento, sendo,
portanto, a nosso ver, indispensável à incorporação das categorias gênero e
patriarcado para o processo contínuo de afirmação de seu projeto ético-político-
profissional.
Ao longo das últimas duas décadas, observamos grandes avanços no
campo dos Direitos Humanos das mulheres, especialmente no que concerne ao
enfretamento à violência de gênero. Dentre os numerosos avanços destacamos a
criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) no ano de 2003, que
ampliou as políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres,
incluindo ações de prevenção e garantias de direitos. A rede de atendimento foi
redimensionada e passou a compreender outros serviços, incluindo os abrigos e as
DEAMs. Destacamos também a criação da Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha), que
trouxe inovações no que tange o combate à violência de gênero, tais como: a
extinção de penas pecuniárias, as medidas protetivas, a criação dos Juizados de
Violência Doméstica e Familiar contra a mulher. Ademais, a referida lei amplia a
intervenção do Estado no enfrentamento à violência de gênero, quando em seu
artigo 9º, prevê o esforço articulado entre as políticas de Assistência Social,
Segurança Pública e a Saúde.
Do ponto de vista histórico, o Serviço Social caminhou paralelo às
conquistas dos movimentos feministas, configurando-se como aliado em muitas
lutas, principalmente no que se refere à garantia e à ampliação de direitos, buscando
provocar mudanças sociais, com vistas à formulação e à implementação de políticas
públicas específicas para as mulheres. Não podemos esquecer que foi por
intermédio das lutas feministas que a violência contra a mulher passou a ser
reconhecida como inerente ao padrão das organizações desiguais de gênero, que,
por sua vez, são tão estruturais quanto a divisão da sociedade em classes sociais,
ou seja, o gênero, a classe e a raça/etnia são, igualmente, estruturantes das
relações sociais (SAFIOTTI, 2015).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do que foi apresentado, conclui-se que a percepção de


desigualdade de gênero no trabalho tem impacto negativo sobre a vida das
mulheres no social e emocional e econômico.
Para desenvolver a igualdade entre gênero, e salientar a importância da
fiscalização no cumprimento da legislação já existente e das leis que garantem o
direito de igualdade a todos, a mulher deve  e continuar a lutar pelos seus direitos,
em fato da valorização e uma sociedade democrática, pois a importância crucial da
igualdade de gênero e a sua contribuição possui objetivos de desenvolvimento, mais
empregos e empregos de qualidade para as mulheres, proteção social universal e
medidas para reconhecer, reduzir e redistribuir o trabalho são indispensáveis para a
transformação da sociedade.
A luta pela equidade de gênero principalmente no ambiente de trabalho
precisa ocupar os diferentes espaços e dimensões da vida. É tarefa de todos e
essencial na busca por uma sociedade em que haja liberdade, igualdade e justiça na
sociedade.
Apesar da evolução da mulher dentro de uma atividade que era antes
exclusivamente masculina, e apesar de ter adquirido mais instrução, os salários não
acompanharam este crescimento.
A integração das dimensões de gênero e raça à análise do mundo do
trabalho ajuda não apenas a entender os problemas vividos por mulheres e negros e
os fatores que os produzem, mas também a compreender melhor o funcionamento
do mercado de trabalho em seu conjunto, assim como a dinâmica de produção e
reprodução das desigualdades sociais no Brasil.
Embora exista certa discriminação em relação ao trabalho feminino, as
mulheres estão conseguindo um espaço muito grande em áreas que antes era
reduto masculino, e ganhou o respeito mostrando um profissionalismo muito grande.
Apesar de ser de forma ainda pequena, está sendo cada vez maior o
número de mulheres que ganham mais que o marido. O grande desafio para as
mulheres dessa geração é tentar reverter o quadro da desigualdade salarial entre
homens e mulheres.
Esse trabalho teve o objetivo de pesquisar o nível de desigualdade na
distribuição dos cargos, como influencia na vida econômica e social da mulher e
analisar as desigualdades e diferenças salariais por gênero no Brasil, procurou
contribuir para um esclarecimento e transformação da competência e importância da
mulher no mercado de trabalho.
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