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F u n ç õ e s M at e m át i c a s

LICENCIATURA PLENA EM CIÊNCIAS NATURAIS E MATEMÁTICA - UAB - UFMT

Cuiabá , 2010
Instituto de Física
Av. Fernando Correa da Costa, s/nº
Campus Universitário
Cuiabá, MT - CEP.: 78060-900
Tel.: (65) 3615-8737
www.fisica.ufmt.br/ead
F u n ç õ e s M at e m át i c a s

Autores
Eduardo Augusto Campos Cur vo

Sandro G ue des de O liveira


C o p y ri g h t © 2 0 1 0 UA B

Corpo Editorial

• Denise Vargas
• Carlos Rinaldi
• Iramaia Jorge Cabral de Paulo
• Maria Lucia Cavalli Neder

Projeto Gráfico: PauLo H. Z. Arruda / Eduardo H. Z. Arruda / Everton Botan


Revisão: Denise Vargas
Secretária(o): Neuza Maria Jorge Cabral / Felipe Fortes

FICHA CATALOGRÁFICA

C978f
Curvo, Eduardo Augusto Campos.
Funções Matemáticas./ Eduardo Augusto Campos
Curvo, Sandro Guedes de Oliveira. - - Cuiabá: UFMT/UAB,
2010.

1.Matemática. 2.Funções Matemáticas.


I.Oliveira, Sandro Guedes de. II.Título. S;
CDU 51
f (x )
d #
x
(f s) ds =
P r e fá c i o
d x a

O conceito de função é corretamente considerado como um dos mais impor-


tantes em toda matemática. Sendo assim é natural que seja usado como
princípio central e unificador na organização dos cursos elementares de matemá-
tica. O conceito parece representar um guia natural e efetivo para a seleção e de-
senvolvimento do material de textos de matemática. Enfim, é inquestionável que
quanto antes se familiarize um estudante com o conceito de função, tanto melhor
para a sua formação matemática. Neste fascículo apresentamos a evolução históri-
ca do conceito de função, suas definições e aplicações no dia-a-dia. Apresentamos
assim uma ferramenta matemática importantíssima para a descrição da natureza
que nos rodeia.

2
= c 2
2
+ b
a
; {i , 2{i
2s E = # L; { f (a) (x - an)
/n =0 n!
(n)

6 s @, 2{i 6 s @
3

2s a , s Ead sn
i

+ c 2
z
e =- 1
ir
z0 = c , zn + 1 = n

VII
Sumário

1. C o m o s u r g i r a m a s f u n ç õ e s? 11
2. Definindo as funções 17
3. A l é m das funções 49
R e f e r ê n c i a s B i b l i o g r á f i c a s 53

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas | IX


1
Como Surgir am as
Fu n çõ e s

O conceito de função, tal qual o conhecemos hoje, deve-se principalmente a avanços realizados
durante o século XIX. Antes disso pode-se falar de noções de funcionalidade. Os Babilônios, por
exemplo, possuíam tábuas matemáticas de quadrados, raízes quadradas, cubos e raízes cúbicas.

© West Semitic Research/Reprodução © A. Aaboe

Tábua de argila da Babilônia com anotações. A diagonal apresenta uma aproximação da raíz quadrada
de 2 em quatro figuras sexagesimais. 1 + 24/60 + 51/602 + 10/603 = 1.41421296...
Fonte: © 2007 St. Lawrence University

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Numerais Babilônicos
Fonte: http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/HistTopics/Babylonian_nume-
rals.html

O s m e s o p o tâ m i c o s u s ava m u m s i s t e m a m at e m át i c o s e x a g e s i m a l
( b a s e a d o n o n ú m e r o 6 0). Q u a i s s ã o a s va n ta g e n s ?

O número 60 tem a vantagem de ter muitos divisores (1, 2, 3, 4, 5, 6,


10, 12, 15, 20, 30 e 60), com o que se facilita o cálculo de frações. É importante
notar que 60 é o menor número divisível por 1, 2, 3, 4, 5 e 6.
Ao contrário da maioria dos demais sistemas de numeração, o sexage-
simal não se usa muito em computação ou em lógica, mas sim na medida de
ângulos e coordenadas geométricas. A unidade padrão em sexagesimal é o grau.
Uma circunferência se divide em 360 graus. As divisões sucessivas do grau dão
lugar aos minutos de arco (1/60 do grau) e segundos de arco (1/60 do minuto).
Como no caso do sistema decimal sua origem remonta a uma maneira
de contagem baseada nos dedos das mãos. Na antiguidade os habitantes do
chamado Crescente Fértil contavam marcando com o dedo polegar da mão di-
reita cada uma das 3 falanges dos dedos restantes da mesma mão, começando
pelo dedo mindinho. Assim podiam contar até 12. Para seguir com números
maiores cada vez que se realizava essa operação se levantava um dedo da mão
esquerda, até completar 60 unidades (12 x 5 = 60). Por esse motivo o número 60
foi considerado um “número redondo”, transformando-se em uma referência ha-
bitual em transações e medidas. O mesmo aconteceu também com os números
12 (uma mão direita) e alguns de seus múltiplos como o 24, 180 e 360. Logo,
o sistema sexagesimal (base 60) se assemelha em suas raízes históricas com o
sistema duodecimal (base 12).

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Nessa direção pode-se considerar também as
Almagesto é a forma Latina do nome
tábuas trigonométricas do livro O Almagesto, de
Arábico (‫يطسجملا باتكلا‬, al-kitabu-
Cláudio Ptolomeu (século II d.C.), como precur-
-l-mijisti, em Português O Grande Livro)
soras do conceito de função. O Almagesto apresenta de um tratado matemático e astronômico que
uma tabela com as cordas dos arcos de 1/2º a 180º em propôs os movimentos complexos de caminhos
intervalos de 1/2º. Esses valores são importantes quando descritos por estrelas e planetas. Foi original-
se realiza cálculos de movimentos complexos realizados mente escrito em Grego como Μαθηματικἠ
por estrelas e planetas. Provêm assim a possibilidade de Σύνταξις (Mathematikē Sýntaxis, Tratado Ma-
prever a ocorrência de eclipses solares e lunares. temático; depois intitulado Hē Megálē Sýntaxis,
Durante a idade média não aconteceram avanços O Grande Tratado) por Ptolomeu de Alexandria
significativos no conceito de função. Entre os motivos (90-168), no Egito durante o século II. Seu
que levaram a essa falta de desenvolvimento encontram- modelo geocêntrico foi aceito como correto
-se a não existência da álgebra literal (método pelo qual por mais de mil anos em sociedades Islâmicas
as quantidades conhecidas e desconhecidas são expres- e Europeias, através da Idade Média e do iní-
sas por letras do alfabeto) e a postura vigente da ciência cio do Renascimento. O Almagesto é a fonte
mais importante de informação sobre astrono-
frente a descrição dos fenômenos da natureza. Os Ba-
mia Grega antiga. É também valorizado por
bilônios desenvolveram um tipo de álgebra numérica.
documentar o trabalho do matemático grego
Após isso os Gregos desenvolveram a álgebra geomé-
antigo Hiparco (190-120 a.C.), que foi perdi-
trica. O terceiro estágio de desenvolvimento da álge- do. Hiparco escreveu sobre trigonometria, mas
bra começou nos primeiros séculos depois de Cristo e como seus trabalhos foram perdidos, matemá-
prolongou-se até a virada do século XVII. Seu começo ticos usam o livro de Ptolomeu como referência
foi marcado com a introdução do simbolismo literal de a seu trabalho e a trigonometria grega antiga
Diofanto de Alexandria, e seu fim com a criação do cál- em geral.
culo literal nos trabalhos de François Viète (1540-1603) e
René Descartes (1596-1650). Foi só então que a álgebra
adquiriu uma linguagem distinta, a qual usamos hoje.
Na idade média a ciência ainda não havia escolhido a descrição quantitativa dos fenô-
menos como uma condição sine qua non para seu desenvolvimento. Isso só aconteceu
no Renascimento, devido principalmente a Galileu Galilei (1564-1642).
O início de uma noção de função como uma entidade matemática individua-
lizada pode ser traçada desde o início do cálculo infinitesimal. Descartes claramen-
te disse que uma equação de duas variáveis, geometricamente representadas por uma
curva, indica uma dependência entre quantidades variáveis. A ideia de derivada surgiu
como uma maneira de encontrar a tangente a cada ponto dessa curva.
Isaac Newton (1642-1727) foi um dos primeiros matemáticos a demonstrar
como funções podem ser expandidas em séries de potência infinita, permitindo assim a
intervenção do processo infinito. Ele utilizava o termo “fluent” para designar variáveis
independentes, “relata quantitas” para indicar variáveis dependentes e “genita” para se
referir a quantidades obtidas de outras utilizando-se as quatro operações matemáticas
fundamentais.
Foi Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) quem primeiramente utilizou o
termo “função” em 1673. O termo função para Leibniz designava, em termos gerais,

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a dependência de quantidades geométricas como subtangentes e subnormais na forma
da curva. Ele também introduziu os termos “constante”, “variável” e “parâmetro”.
Em 1718 Johann Bernoulli (1667-1748) publicou um artigo, que teve grande
disseminação, no qual definiu a função de uma variável como “uma quantidade que
é composta de alguma maneira daquela variável e de constantes”. Pouco tempo depois
Leonhard Paul Euler (1707-1783), que foi previamente aluno de Bernoulli, considerou
uma função como “uma equação ou fórmula qualquer envolvendo variáveis e cons-
tantes”. Entretanto, essa definição de Euler leva a incoerências. Isto porque a mesma
função pode ser representada por muitas expressões analíticas diferentes. Utilizando a
terminologia dos dias atuais pode-se dizer que a definição de Euler incluía apenas as
funções analíticas, um subconjunto restrito da já pequena classe de funções contínuas.
A identificação de funções com expressões analíticas permaneceu inalterada por todo
o século XVIII.
No século XIX contudo, a noção de função sofreu sucessivas expansões e cla-
rificações que mudaram profundamente sua natureza e seu significado. Jean Baptiste
Joseph Fourier (1768-1830) por exemplo, trabalhava com o problema de fluxo de calor
em corpos materiais. Fourier considerava a temperatura como função de duas variáveis,
o tempo e o espaço. Em algum momento ele conjecturou que seria possível obter o
desenvolvimento de qualquer função em termos de séries trigonométricas. Essas séries
envolvem uma forma de relação mais geral entre as variáveis que as que já haviam sido
estudadas anteriormente. Fourier, contudo, nunca deu prova matemática de sua asser-
ção. Posteriormente o problema foi estudado por Johann Peter Gustav Lejeune Diri-
chlet (1805-1859) que formulou condições suficientes para que uma função pudesse
ser representada por uma série de Fourier. Para isso Dirichlet precisava separar o con-
ceito de função de sua representação analítica. Ele realizou isso em 1837, enunciando
o conceito de função em termos de uma correspondência arbitrária entre variáveis
representando conjuntos numéricos. Uma função então tornou-se a correspondência
entre duas variáveis, de forma que cada valor da variável independente associa-se um
e somente um valor da variável dependente (caso se tenha uma função unívoca). Ou,
de forma mais elaborada: Uma variável é um símbolo que representa qualquer um
dos elementos de um conjunto de números; se duas variáveis x e y estão relacionadas
de maneira que, sempre que se atribuí um valor a x, corresponde automaticamente,
por alguma lei ou regra, um valor a y, então se diz que y é uma função (unívoca) de x.
A variável x, à qual se atribuem valores à vontade, é chamada variável independente e
a variável y, cujos valores dependem dos valores de x, é chamada variável dependente.
Os valores possíveis que x pode assumir constituem o campo de definição da função e os
valores assumidos por y constituem o campo de valores da função. A definição de função
de Dirichlet é ampla, e não implica a necessidade de acomodar a relação que há entre
x e y em uma expressão analítica. Essa definição acentua a ideia de relação entre dois
conjuntos de números.

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S é r i e s Tr i g o n o m é t r i c a s e Séries de Fourier:

Séries são somas de números. Uma função pode ser expressa como uma série,
por exemplo, a função seno(x) pode ser escrita como:
3
(- 1) n 2n + 1
sen x = /
3 5
x = x - x + x - ...
n = 0 (2n + 1)! 3! 5!

Uma série trigonométrica pode ser expressa como:


3 3
f (x) = 1 a0 + / an cos (nx) + / bn sin (nx)
2 n=1 n=1

Quando os coeficientes an e bn são da forma:

an = 1 # f (x) cos (nx) dx bn = 1 # f (x) sin (nx) dx


n n

n -n n -n

tem-se a chamada Série de Fourier. Uma das grandes aplicações da Série de Fou-
rier é decompor funções periódicas complexas em uma soma de funções periódicas
simples, isto é, em senos e cossenos. As séries de Fourier são aplicadas em enge-
nharia elétrica, análise vibracional, acústica, ótica, processamento de sinal, proces-
samento de imagem, mecânica quântica, econometria, etc.
Onda Quadrada Onda Dente De Serra
1
1
0,8
0,5
0,6
X
0,51 12 ,5 L
0,4
- 0,5
0,2
-1
X
0,51 1 ,5 2 L

Onda Triangular Semicírculo


1
1
0,8
0,5
0,6
2 X
0,51 1 ,5 L
0,4
- 0,5
0,2
-1
X
0,51 1 ,5 2 L

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Com o desenvolvimento da teoria dos conjuntos, iniciada por Georg
Cantor (1845-1918), a noção de função continuou a evoluir. No século XX
o conceito de função foi estendido para incluir relações entre dois conjuntos
de elementos quaisquer, sejam eles numéricos ou não numéricos.
Em seu começo a noção de função foi utilizada para designar corres-
pondências entre entidades geométricas. Então, através de sua associação
com o estudo de expressões analíticas, as funções criaram seu lugar junto ao
pensamento matemático. Para indicar esse papel histórico, Youschkevitch
(1976) comenta: “Foi o método analítico de introduzir as funções que revo-
lucionou a matemática e, devido a sua eficiência extraordinária, assegurou
um papel central para a noção de função em todas as ciências exatas”. Essa
associação entre expressões analíticas e objetos geométricos se revelou tão
frutífera, que ainda permeia o atual desenvolvimento da matemática.
George Ferdinand Ludwig Phi-
lipp Cantor (São Petersburgo,
3 de Março de 1845 — Halle, 6
de Janeiro de 1918) foi um mate-
mático russo de origem alemã.
Fonte: Wikipédia.

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2
Definindo as Fu n çõ e s

O conceito de função é extremamente complexo e precisa ser introduzido aos poucos desde a
pré-escola, passando pelos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais do ensino fun-
damental, tema desta obra, a formalização matemática do conceito de função deve ser iniciada para pos-
teriormente, no ensino médio, ser completada. Ao final do ensino médio, o aluno deverá ter seus conhe-
cimentos sobre funções já solidificados e deve estar preparado para o estudo destas funções através do
cálculo diferencial e integral.
Um caminho viável para a formalização do conceito de função nos anos finais do ensino fundamental
é a partir de exemplos. Comecemos com uma primeira definição de função:

A função descreve uma regra ou uma lei, pela qual um número fica determinado a partir de outro.

Esta não é uma definição formal, mas podemos começar a trabalhar a partir dela. Consideremos os
exemplos abaixo:

E x e mp l o 1:
Um determinado tipo de automóvel possui um tanque com capacidade para 50 litros de
combustível. O proprietário do veículo enche o tanque com etanol, para o qual o consumo médio é de 10
quilômetros rodados para cada litro. A informação da sentença anterior descreve uma regra pela qual o
combustível é consumido. A partir desta regra podemos determinar quantos litros são consumidos em fun-
ção dos quilômetros rodados. Podemos também dizer quantos litros ainda restam no tanque. Colocando
em números:

Quilômetros rodados 10 100 200 300 400 500


Combustível gasto 1 10 20 30 40 50
Combustível restante 49 40 30 20 10 0

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A primeira coluna numérica representa a solução do seguinte problema específico:
qual a quantidade combustível gasto (linha b) depois de o automóvel ter percorrido a
distância de 10 km (linha a)? Quanto combustível ainda resta no tanque (linha c)?
Este problema pode ser facilmente resolvido pelo aluno com as informações for-
necidas. Da mesma forma para as outras colunas. A tabela acima poderia ter sido pre-
enchida pela solução do problema de se determinar o combustível gasto e o combustível
restante.
Passo a passo, a solução deste problema seria, por exemplo, para a segunda coluna
numérica:

1 litro consumido ---------------- 10 km rodados


y litros consumidos -------------- 100 km rodados

Que resulta em:


(1 litro consumido) # (100 km rodados)
y= = 10 litros consumidos (linha b)
(10 km rodados)

Na linha c teríamos

z = (quantidade inicial de combustível) - (quantidade consumida) =


50 - 10 = 40 litros restantes

Este é um bom momento para introduzir o conceito de variável. Na solução apre-


sentada, o problema é resolvido para cada coluna. Ao invés disto, poderíamos substituir
o número correspondente aos quilômetros rodados por um símbolo, por exemplo, x.
Refazendo a solução:
1 litro consumido ---------------- 10 km rodados
y litros consumidos ------------- x km rodados

Que resulta em:

(1 litro consumido) # x
y= ou y = 1 x (1)
(10 km rodados) 10

A equação acima descreve genericamente a lei de consumo de combustível. O


símbolo x é a representação simbólica do conjunto contendo todos os valores possíveis
de quilômetros rodados. Substituindo valores de quilômetros rodados no lugar de x
ou, em outras palavras, variando o valor de x, encontramos diferentes valores de y, que
também pode ser visto como a representação simbólica do conjunto contendo todos
os valores de combustível consumido. Neste problema, x e y são variáveis, respectiva-
mente representando quilômetros rodados e combustível consumido.
As variáveis são representações simbólicas para os conjuntos. A vantagem do uso
de variáveis é que elas permitem generalizações. Neste exemplo, o uso de variáveis per-
mitiu que escrevêssemos matematicamente a lei de consumo de combustível, a partir

18  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


dos quilômetros rodados. Desta forma, y fica determinado a partir dos valores de x.
Mais matematicamente, y é uma função de x. O valor para a variável y depende do va-
lor da variável x, portanto y é a variável dependente enquanto x é a variável independente.
O diagrama de flechas abaixo mostra esquematicamente esta relação:

y, consumo Figura 1 – Diagrama de flechas para o


problema de se determinar o consumo de
x, Km rodados combustível.

Na Figura 1, as setas representam o papel desempenhado pela equação (1), que é


relacionar valores do conjunto dos quilômetros rodados a valores no conjunto do com-
bustível consumido. A equação (1) é uma função. Outra forma de escrever a equação
(1) seria

y (x) = 1 x (2)
10

Na equação acima, y(x) deve ser lido como “y de x”, para expressar o fato de que y
é uma função de x. É ainda usual a notação y = f (x), que se lê “y é igual a f de x”, para
novamente expressar que y é uma função de x. A equação (1) poderia ser novamente
reescrita como:

f (x) = 1 x (3)
10

Voltando para o nosso problema, podemos ainda encontrar a representação mate-


mática para a regra que descreve a quantidade de combustível restante no tanque:

z = (quantidade inicial de combustível) - (quantidade consumida) = 50 - y

Substituindo a equação para y:

z = 50 - 1 x (4)
10

Esta equação nos permite prever a quantidade de combustível restante no tanque


como uma função dos quilômetros rodados. Neste caso, z é uma função de x. Portanto
z é a variável dependente, representando o combustível restante no tanque e x é a va-
riável independente, novamente representando os quilômetros rodados. Também aqui
podemos escrever

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z (x) = 50 - 1 x (5)
10

Também podemos escrever que z = g(x), também expressando que z é uma função
de x. O uso da letra “g” ao invés de “ f ” decorre do fato de que as duas funções repre-
sentadas neste problema são formalmente diferentes. Assim,

g (x) = 50 - 1 x (6)
10

Cabe aqui um comentário sobre os símbolos escolhidos para representar variáveis.


Normalmente, a primeira escolha para variáveis é o par (x,y) e f(x) é usada para expres-
sar que y é uma função de x. Porém, quando há mais de uma função no problema, as
variáveis adicionais são representadas por “z”, “w”, “u” e para a função de f(x), usa-se
g(x), h(x), j(x). Isto não é uma regra rígida. Qualquer letra pode ser usada para repre-
sentar variáveis, desde que o seu significado seja claramente definido. Em problemas
de aplicação prática, os símbolos escolhidos para as variáveis normalmente remetem ao
seu significado. Por exemplo, para a variável tempo, a escolha mais comum é o t; para
a variável distância escolhe-se x ou d; para a variável altura escolhe-se y ou h; para uma
variável representando a quantidade de algo, escolhe-se n e assim por diante.

Estamos prontos para a introdução de um conceito mais formal de função:

Uma função de um conjunto D para um conjunto R é uma regra que associa


um único elemento em R a cada elemento em D.

D é o domínio da função, no nosso exemplo, o conjunto dos valores de quilô-


metros rodados, qualquer valor entre 0 e 500 km. R é o contradomínio da função, que
é o mais amplo possível. No nosso exemplo, o conjunto de todos os valores possíveis de
combustível consumido. Há ainda outro conjunto importante, a imagem. A imagem é
um subconjunto de R e é obtido aplicando a função a todo o domínio. Neste exemplo
específico a imagem coincide com o contradomínio porque a este é imposta uma limi-
tação física, o volume do tanque. Estes conjuntos estão representados na figura abaixo.

Imagem

Contradomínio
Figura 2 – Domínio, contradomínio e
Domínio imagem.

20  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Outra imagem bastante útil na apresentação de função é um esquema de má-
quina, onde a variável x é inserida. A função aplica as regras definidas e produz um
valor na imagem da função.

x f(x)
f
Matéria-prima Produto
(domínio) (imagem)

Figura 3 – Diagrama de máquina para a representação de função.

A Figura 4 mostra esquematicamente exemplos de relações que não se caracteri-


zam como funções

Não é função Não é função

(a) (b)

Figura 4 – Exemplos de relações que não são funções.

E x e mp l o 2: D o m í n i o , co ntr adom í n i o e i m ag em .

O goleiro de um time de futebol pega a bola e imediatamente dá um chutão para


frente. Observando o movimento da bola, vemos que ela sobe até uma altura máxi-
ma e depois começa a descer até atingir o solo (ou outro jogador) a uma distância
de algumas dezenas de metros. A trajetória está mostrada na Figura 5.
Observe que a altura da bola, y, está relacionada à sua distância a partir
do goleiro, x. Portanto, conhecendo a distância que a bola já viajou, a sua
altura fica determinada. A trajetória da bola é uma função. Vejamos:
O domínio, D, desta função é o conjunto dos valores de desde
a posição do goleiro até a posição onde a bola toca o solo; y1
O contradomínio, R, é limitado inferiormente pelo solo
(y = 0), mas não há barreira que limite superiormente a trajetó-
ria da bola. Portanto, o contradomínio é o intervalo de valores
de y que vai de zero até o infinito (ver Quadro II). A imagem,
I, da função é o conjunto dos valores de altura encontrados
quando os valores de x são variados. Observando a Figura
5, vemos que associados aos valores de x, estão valores de y x1 0 x2
que vão de zero até a altura máxima.
Figura 5 – Trajetória da bola chutada pelo go-
leiro.

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Tendo estabelecido, domínio, contradomínio e imagem podemos parafrasear a
definição de função para o nosso exemplo:

A função y(x), altura em função da distância a partir do goleiro, estabelece para cada
valor de distância (elemento de D), um único valor de altura (elemento de R).

E x e mp l o 3: N ã o é funç ão

A órbita da Terra ao redor do Sol é uma elipse. Para servir ao nosso exemplo, va-
mos desenhar um par de eixos, x e y, onde mediremos as coordenadas da Terra na sua
trajetória ao redor do Sol. Este arranjo está mostrado na Figura 6(a).

ymáx ymáx
Função 1
Terra Terra

Sol x Sol

Função 2
ymi n ymi n

(a) (b)

Figura 6 – Trajetória da Terra ao redor do Sol.

Analisemos esta situação:

• O domínio está limitado pelos valores de x onde a aproximação da Terra em


relação ao Sol é máxima e mínima.
• O contradomínio não é limitado, portanto vai do infinito para valores negati-
vos de y até o infinito para valores positivos de y.
• A imagem é delimitada pelos valores de ymax e ymin, mostrados na figura.

Diferentemente do caso anterior, porém, não podemos parafrasear a definição de


função. Ela não se aplica porque para cada valor no domínio, há dois valores na ima-
gem. Este é o caso mostrado na Figura 4 (b). Por exemplo, para x = 0 encontramos para
y os valores ymin e ymax. Portanto, a trajetória da Terra ao redor do Sol não define uma fun-
ção. Intuitivamente, porém, parece claro que a trajetória do sol fica determinada pela
curva mostrada na figura. Esta aparente dificuldade pode ser resolvida dividindo-se a

22  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


imagem em valores positivos e valores negativos de y. Desta forma, precisamos de duas
funções para descrever a trajetória da Terra ao redor do Sol (Figura 6 (b)).

E x e mp l o 4: F u n ç ã o injetora, sobrejetora e bijetora

Nos exemplos anteriores, discutiu-se a definição de função e ensinou-se como


uma função pode ser reconhecida. Porém, numa análise mais detalhada das funções
vemos que elas apresentam características que as diferenciam umas das outras. Nos
dois últimos exemplos, vemos que, tanto para a trajetória da bola como para cada uma
das funções definindo a trajetória da Terra, para cada valor de y há dois valores de x
e que o domínio e a imagem são diferentes nos dois casos. Já no primeiro exemplo,
do consumo de combustível, cada valor de quilômetros rodados, x, está relacionado a
somente um valor de combustível consumido, y. Outra peculiaridade deste exemplo é
que o contradomínio (limitado pela capacidade do tanque) é igual à imagem (valores
gerados pela função).
Tendo reconhecido que há diferenças entre as funções, é conveniente atribuir-lhes
nomes ou classificá-las de acordo com as suas características. Assim, por exemplo, ao
invés de dizer que a função que descreve o consumo de combustível associa um único
valor de quilômetros rodados (x) a um único valor de combustível consumido (y), dize-
mos simplesmente que ela é injetora. É conveniente passar às definições:

Função injetora: Função onde cada elemento da imagem está associado a apenas um
elemento no domínio. Neste caso, o número de elementos no contradomínio é maior ou
igual ao número de elementos na imagem. A função que descreve o consumo de com-
bustível é injetora. Já a função que descreve a trajetória da bola não é injetora porque
há duas distâncias (elementos do domínio) onde a bola terá a mesma altura (elemento
da imagem).

Função sobrejetora: Função onde o conjunto imagem coincide com o conjunto contra-
domínio. Este é novamente o caso do exemplo do consumo de combustível. Quando o
tanque está cheio, a imagem (valores de combustível consumido) coincide com o con-
tradomínio (volume do tanque).
Vamos considerar o caso do motorista que nunca enche o tanque. Vamos supor
que ele sempre abastece o tanque até a metade da sua capacidade. Com esta condição, o
contradomínio (volume do tanque) será sempre maior que a imagem (volume máximo
de combustível no tanque) e a função que descreve o consumo não é sobrejetora.
Voltemos ao exemplo da trajetória da bola. Porém, desta vez vamos mudar o local
da partida para um estádio coberto. Em relação ao estádio descoberto, houve uma mu-
dança de contradomínio. A altura máxima que a bola pode alcançar é o teto do estádio.
Portanto, o contradomínio agora é o conjunto de todos os valores de altura desde zero
(o solo) até a altura da cobertura. O goleiro chuta a bola para frente. Desta vez, ela
vai tão alto que, na sua altura máxima, tangencia a cobertura do estádio. A imagem
da função que descreve a trajetória da bola (valores de altura da bola ao longo da sua

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trajetória) é formada também por valores de zero até a altura do teto, uma vez que a
bola tangenciou a cobertura. Neste caso imagem e domínio coincidem e a função que
descreve a trajetória da bola após o chute do goleiro é uma função sobrejetora, mesmo
sem ser injetora. Note que, se o goleiro tivesse lançado a bola a uma altura menor, a
função que descreve a trajetória da bola não seria sobrejetora porque os valores de altura
da bola (imagem) formam um conjunto menor que o conjunto dos valores possíveis,
limitados pela altura da cobertura do estádio (contradomínio)

Função bijetora: Função que é injetora e sobrejetora ao mesmo tempo. Dos exemplos
anteriores, somente a função que descreve o consumo de combustível (quando o tan-
que está inicialmente cheio) é uma função bijetora: associa a cada valor de combustível
consumido um valor de quilômetros rodados (injetora) e os valores de combustível con-
sumido (imagem) coincidem com os valores possíveis, limitados pelo volume do tanque
(contradomínio). A trajetória da bola no estádio descoberto não é injetora nem sobreje-
tora. Já a trajetória da bola no estádio coberto pode ser sobrejetora, mas não é injetora.

E x e mp l o 6: C o mp o s i ç ã o de funções

Se o preço do litro do etanol é R$ 1,50, o gasto do motorista pode ser calculado


como:

Gasto = (preço do etanol) x (combustível consumido).

A equação acima define uma função:

g(x) = 1,50x (7)

Nesta função o gasto com combustível, g(x), é uma função do combustível con-
sumido, x. Do exemplo 1, sabemos como calcular o combustível consumido. Naquele
exemplo chamamos à variável representando o combustível consumido de y ou f (x).
Trocando x por f (x) na equação 7:

g(f (x)) = 1,50 f (x) (8)

A equação acima é uma função de outra função. O gasto com combustível é uma
função do combustível consumido, que por sua vez é uma função da quantidade de
quilômetros rodados. Ou seja, para chegar ao gasto com combustível, primeiro apli-
cou-se a regra f a x e depois a regra g a f. Para chegar ao resultado final, foi preciso fazer
uma composição de funções. A função resultante é chamada de função composta, a qual
pode ser representada como:

g(f (x)) = g f (x) (9)

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Neste exemplo,

g f (x) = 1,50 f (x) = ` 1 xj = 0,15x (10)


10

A composição de funções pode ser feita com mais funções. Se definíssemos uma
função h(x) = x2, poderíamos fazer a composição:

h g f (x) = h(g(f (x))) = (0,15 x)2 (11)

A regra vale para tantas funções quantas se queiram compor. No entanto, a


composição da equação (11) somente será possível se o contradomínio de f(x) estiver
contido no domínio de g(x) e o contradomínio de g(x) estiver contido no domínio de
h(x). Em um diagrama de máquinas:

x g(x) f(g(x))
g f

Figura 7 – diagrama de máquina para função composta.

E x e mp l o 7: F u n ç ã o c o mp o s ta

Um biólogo observou, em um período de 7 anos, que a população de um deter-


minado tipo de pássaro diminuía anualmente. Desde que iniciou a observação, sempre
na época do ano em que a população de pássaros era maior, o biólogo fazia a contagem
das aves em uma área específica. O resultado de dez anos de pesquisa está resumido na
tabela abaixo:

População 650 550 450 350 250 150 50


Ano de Observação 1 2 3 4 5 6 7

Analisando os resultados, o biólogo chegou à conclusão que os seus dados po-


deriam ser descritos por uma função que relaciona o número de pássaros na época de
maior população no ano, Np, com o tempo decorrido desde que começou a observar, t:

Np = 750 - 100t (12)

O biólogo observou também, que o número de insetos, que serviam de alimento


para os pássaros cresceu muito rapidamente. Ele notou que o número de insetos, Ni,
podia ser representado por uma função exponencial (ver página 41) do número de
pássaros:

Ni = 10.000e-Np/300 = 10.000e(-750+100t)/300 (13)

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A equação 13 é uma função composta. Neste exemplo específico, não há como escreve-
-la de forma mais simples. Ela aparece explicitamente como a composição de duas
outras funções. Funções como estas, mesmo quando não são o resultado de uma com-
posição explícita como a deste exemplo são sempre chamadas de funções compostas.

E x e mp l o 8: F u n ç ã o inversa

Voltando ao exemplo 1 podemos mudar a pergunta: quantos km o carro precisa


rodar para consumir 10 litros de combustível? A resposta já está na equação (1). Basta
resolvê-la para x (km rodados):

x = 10y (14)

A resposta é que é preciso rodar 100 km para que 10 litros de combustível sejam
consumidos. Note que nesta equação os papéis das variáveis x e y se inverteram. Agora
x é a variável dependente e y a variável independente. A função descrita pela equação
(14) é a inversa da função descrita pela equação (1). Para definir mais precisamente a
função inversa, vamos trocar y por x e usar a notação definida na equação (3):

g(x) = 10x (15)

Embora tenhamos redefinido as variáveis, a equação (15) ainda produz a mesma


informação da equação (14). Por outro lado, podemos também olhar as equações (3) e
(15) apenas como funções, sem tentar atribuir significado aos símbolos. Façamos com-
posição destas duas funções:

f (g (x)) = 1 10x = x (16)


10
Outra forma de fazer a composição seria:

g (f (x)) = 10 1 x = x (17)
10

Note que o resultado obtido é o mesmo, x. Esta é precisamente a definição de


função inversa: duas funções, injetoras, f e g são inversas se e somente se f (g(x))= g(f(x))= x.
Note que há uma restrição importante: uma função precisa ser injetora para ter inversa.
Esta restrição se faz necessária porque a função que não é injetora apresenta dois valo-
res de x (domínio) podem levar ao mesmo valor de f (x) (imagem). Quando a função é
invertida os conjuntos domínio e imagem trocam os seus papéis. Assim, a função in-
versa de uma função que não é injetora levará um valor no domínio em dois na imagem
e, portanto, não pode ser classificada como função. Contudo, este problema pode ser
contornado se restringimos o domínio da função a um conjunto onde ela é injetora. A
função inversa de f (x) também pode ser denotada como f -1(x).

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Podemos fazer um exercício com a função descrita pela equação (13) do
exemplo 7. Qual é a inversa desta função. Vamos reescrever a função trocando as vari-
áveis dependente e independente para f (x) e x, respectivamente:

f (x) = 10.000e-(750 - 100x)/300 (18)

Aplicando a definição de função inversa:

f (f - 1 (x)) = 10.000e-^750 - 100f (x)h/300


(19)
-1
=x

Resolvendo esta equação para f -1


(x):

f - 1 (x) = 1 `300 ln x - 750j (20)


100 10.000

Para se chegar a esta equação usou-se o fato de que ln(x) é a função inversa de
e . Se, na equação (20) f -1(x) for substituída por t e x por Ni, temos uma função que
x

descreve o instante do tempo quando a população de insetos é Ni. Este é exatamente o


problema inverso do proposto no exemplo (7).

A r e ta

Nesta seção, apresentamos definições sobre funções. Na seção seguinte, são as


funções mais usuais com exemplos. Porém, antes de passarmos adiante, é preciso uma
discussão mais detalhada sobre a função mais básica de todas: a reta. Básica não sig-
nifica mais fácil. Significa que um entendimento completo das funções depende de se
entender a reta e suas propriedades.
A reta descreve variações lineares. No exemplo 1, as funções dadas pelas equa-
ções (2) e (5) representam respectivamente a quantidade de combustível consumido
e a quantidade de combustível restante no tanque. Note que nos casos a variação é
constante, ou seja, a mesma quantidade de combustível é consumida por km rodado,
10 km/l, independentemente se já rodamos 100 ou 200 km. A mesma quantidade de
combustível será consumida se vamos do quilômetro 100 ao 200 ou do 200 ao 300.
Tentemos generalizar: indo do quilômetro 100, x1, quando foram consumidos 10 l, y1,
até o quilômetro 200, x2, quando foram consumidos, 20 l, y2, notamos que houve uma
variação (incremento) na quantidade combustível devido a um incremento na distância
percorrida. Se dividirmos um incremento pelo outro, teremos o consumo médio de
combustível, m:
Dy y2 - y1
m= = = 200 - 100 = 10 km/l (21)
Dx x2 - x1 20 - 10

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Graficamente:
y

y2

y1

x1 x2 x

Figura 8 – Incremento e coeficiente angular.

A equação (21), à parte dos valores do exemplo, é a definição do coeficiente angu-


lar, m. Esta quantidade é uma medida da inclinação da reta. No nosso exemplo, m é o
consumo de combustível. Se o consumo (m) for maior, mais combustível será consumi-
do (a inclinação da reta será maior). No caso da equação (5) a variação é negativa, ou
seja, a quantidade de combustível restante no tanque diminui. Neste caso, o coeficiente
angular precisa ser negativo.
Se duas retas possuem mesmo coeficiente angular, elas apresentam a mesma
variação e, portanto, são paralelas. Na Figura 9 as possibilidades de coeficientes angu-
lares são mostradas.

y m>0
y m>0 y m<0
y2
y2 y2

L L
L
y1
y1 y1

x1 x2 x
x1 x2 x x1 x2 x

(a) (b) (c)

Figura 9 – (a) Reta decrescente. (b) Reta crescente. (c) Retas paralelas.

O entendimento das propriedades das retas permitirá ao aluno no futuro entender


mais facilmente o conceito de derivada que, por sua vez, permitirá o estudo de funções.
Mesmo que o aluno opte por uma área de biológicas ou humanas, o conhecimento das
funções e das suas variações pode vir a ser de grande valia. Qualquer desenvolvimento
quantitativo depende de se conseguir formular o problema através de funções. E a va-
riação das funções permitirá entender a dinâmica do problema. Por exemplo, quando
analisamos pesquisas de opinião para uma eleição. É importante conhecer os percen-
tuais de cada candidato no período de poucos dias em que a pesquisa foi realizada.

28  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Entretanto, para uma análise da situação eleitoral é mais importante saber como estes
percentuais estão variando ou, dito de outra forma, qual a tendência do eleitorado. O
exemplo 7, do biólogo, também nos ajuda a mostrar a utilidade do estudo das funções
e a sua conexão com as retas. Na Figura 10, está desenhada a curva da equação (13) e
duas retas, as quais são tangentes à curva em t = 3 anos (R1) e t = 5 anos (R2). O co-
eficiente angular em R1 é menor que o coeficiente angular em R2. Podemos concluir
que a curva em R1 varia mais lentamente que a curva em R2. Se o biólogo consegue
reconhecer esta característica, ele vai perceber, que não só o número de insetos está
aumentando, como a taxa em que isto está ocorrendo também está aumentando.

25000
Números de insetos na área de controle

20000

15000
R2
10000

5000 R1

0 2 4 6 8 10
Tempo em anos

Figura 10 – Variação da quantidade de insetos como função do tempo.

Quadro 1 – Definições:

Função: Uma função de um conjunto D para um conjunto R é uma regra que


associa um único elemento em R a cada elemento em D.
Função injetora: Função onde cada elemento da imagem está associado a apenas
um elemento no domínio.
Função sobrejetora: Função onde o conjunto imagem coincide com o conjunto
contradomínio.
Função bijetora: Função que é injetora e sobrejetora ao mesmo tempo.
Função composta: Função resultante da aplicação sucessiva de duas ou mais
funções.
Função inversa: duas funções, injetoras, f e g são inversas se e somente se f (g(x))=
g(f(x))= x.

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Quadro 2 – Infinito:

O infinito é uma noção relacionada, sobretudo à ausência de limites e é nor-


malmente representado pelo símbolo ∞. Uma curva é infinita se não tem pontos
de começo e fim. Uma superfície é infinita se não há bordas limitando esta super-
fície. Um volume é infinito se não há uma superfície limitando este volume. Em
problemas mais práticos, infinito é uma quantidade muito maior que a conside-
rada no problema. Por exemplo, se comparado às distâncias que percorremos no
nosso cotidiano, o raio da terra pode ser considerado infinito. A idade da Terra
pode ser considerada infinita se comparada à nossa expectativa de vida que, por
sua vez pode ser considerada infinita se comparada com a expectativa de vida de
um inseto.
Realizar operações com o infinito nos ajuda a pensar sobre o seu significado.
Se somarmos um número qualquer ao infinito, o resultado será infinito. Se tirar-
mos um número qualquer do infinito, o resultado também será infinito. O infinito
dividido por qualquer número continua sendo infinito. Ou seja, o infinito é tão
grande quanto queiramos que ele seja. Assim, se dividirmos qualquer número,
por números sucessivamente maiores, os resultados serão números sucessivamente
menores. Se fizermos o denominador tão grande quanto queiramos, ou seja, se o
denominador se aproxima sucessivamente do infinito, o resultado da divisão se
aproximará sucessivamente de zero. Quando o denominador tende para o infinito,
o resultado da divisão tende a zero.
Na teoria dos conjuntos, o infinito é mais complicado. Sequências como
{0,1,2,3,...} são potencialmente infinitas porque podem continuar indefinidamen-
te. De uma forma mais geral, se de um subconjunto S tirado um conjunto A e
se entre A e S pode-se estabelecer uma função bijetora, então A é um conjunto
infinito. Georg Cantor, no final do século XIX (~1873), trabalhando com conjun-
tos infinitos, observou que estes conjuntos podem ter tamanhos diferentes. Se o
conjunto tem o mesmo número de elementos dos números naturais ou de algum
subconjunto deste, ele é chamado enumerável ou contável. Caso contrário ele é
dito não-enumerável ou não-contável. Para saber se um conjunto é enumerável
é preciso tentar colocá-lo em uma sequência. Se isso for possível, o conjunto é
enumerável. Por exemplo, a imagem da função f (x) = x2, no intervalo de 0 a ∞ é
enumerável, pois podemos escrevê-lo como {0,1,4,9,25,...}, que é um subconjunto
dos números naturais. Já o conjunto dos números reais não é enumerável porque
tem mais elementos que o conjunto dos números naturais.

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Exercícios
1. (a) Quais destas curvas são funções? (b) Quais são injetoras e quais são bije-
toras? (c) Para quais delas é possível encontrar uma função inversa? Justifique a sua
resposta em todos os itens. (D) Quando possível, faça um esboço da função inversa.

y y y

x x x

(a) (b) (c)

y y y

x x x

(d) (e) (f)

2. Um tijolo cai de uma altura de 50 m. (a) Sabendo que altura em que o tijolo
se encontra depende do quadrado do tempo multiplicado por 10, encontre a função
que descreve a altura em que o tijolo se encontra. (b) Determine domínio, imagem e
contradomínio para esta função. (c) Encontre a função inversa a partir da definição e
encontre o tempo que o tijolo leva para cair 40 m.

3. (a) Para cada função abaixo, defina o domínio da função, no qual ela pode ser
invertida. (b) Encontre as funções inversas correspondentes a partir da definição.

(A) f ( x) = 3 + x
(B) g ( x) = x + x 2
(C) h( x) = e 2 x
(D) j ( x) = 5 + x

4. Com as funções da questão 3, faça as seguintes composições:

(A) g f (x) (B) h f (x) (C) g j(x) (D) h j(x) (E) j h(x)

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5. (a) Para a função abaixo, encontre os intervalos onde o coeficiente angular da
reta tangente é positivo, negativo e zero. (b) Em que intervalos a função é crescente e
em que intervalos a função é decrescente? (c) Há outra possibilidade? Discuta a partir
dos coeficientes angulares.

F u n ç õ e s M at e m át i c a s no dia-a- dia:

É importante no âmbito das ciências naturais o conhecimento do comporta-


mento gráfico das funções, as quais descrevem os fenômenos do dia a dia. Tal conheci-
mento permite uma melhor compreensão sobre o mundo e como os fenômenos de um
modo geral se processam.

F u n ç õ e s F u n d a m e n ta i s :

Algumas funções são particularmente importantes, pois expressam as maneiras


fundamentais que uma variável depende de outra. Tais funções são:

a) Fu n çõ e s lineares:

Y=X Y = -X
y y
20 20
15 15
10 10
5 5

-20 -15 -10 -5 5 10 15 20 x -20 -15 -10 -5 5 10 15 20 x


-5 -5
-10 -10
-15 -15
-20 -20

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Algumas aplic açõ es:
• Dilatação térmica:
O comprimento de uma barra de metal é uma função linear da temperatura. A
variação do comprimento (ΔL) pode ser descrito por:

ΔL/L0 = α ΔT

onde L0 é o comprimento da barra na temperatura T0, α é o coeficiente de expansão


linear do metal e ΔT é a variação da temperatura (T – T0). α está associado a carac-
terísticas intrínsecas do material, ou seja, cada metal possui seu próprio coeficiente de
expansão. A Tabela 1 apresenta alguns coeficientes de expansão linear a temperatura
de 20ºC.

Material α (10-6 ºC)


Chumbo 29
Alumínio 23
Prata 19
Cobre 17
Ouro 14
Ferro 12
Tabela 1 – Alguns coeficientes de expansão linear.

A temperatura de 20ºC tem-se uma barra de ferro cujo comprimento é de 10


metros. Caso se esteja em um dia quente onde a temperatura é de 45°C, qual será o
comprimento da barra? Contrariamente, caso a temperatura caia de 20°C para 0°C,
qual será o comprimento da barra?
Outra coisa que podemos perguntar é: Consideremos uma barra de 1 metro de
cada um dos metais citados na Tabela 1, todas à temperatura de 20ºC. Caso eleve-se a
temperatura para 40ºC qual das barras sofrerá a maior expansão? E a menor? A Figura
11 mostra variações do comprimento dessas barras para diferentes temperaturas.

0,0014
0,0012
0,0010
0,0008
0,0006
0,0004
0,0002
L

0,0000
-0,0002 Pb
-0,0004 Al Figura 11 – Variação do comprimento (ΔL)
Ag de barras de 1 metro, inicialmente a 20°C,
-0,0006
Cu de diferentes metais. Os coeficientes de
-0,0008 Au expansão linear utilizados foram os apre-
-0,0010 Fe sentados na Tabela 1.
-1
10 0 10 20 30 40 50 60
T(°C)

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• Conversão entre escalas termométricas:
Usualmente medimos temperaturas utilizando as escalas termométricas graus
Celsius (ºC), graus Fahrenheit (ºF) e Kelvin (K). Há também outros sistemas ter-
mométricos menos utilizados como: graus Rankine (ºRa), graus Rømer (ºRø), graus
Newton (ºN), graus Delisle (°D) e graus Réamur (°Ré). Os diferentes sistemas podem
ser traduzidos de um para o outro utilizando-se equações lineares. Isso pode ser feito
pois cada unidade aumentada em um sistema de medida corresponde a um aumento
constante em outro sistema. Para os sistemas mais utilizados a conversão se dá através
da equação:
C/5 = (F-32)/9 = K-273

Ponto de fusão do D NA:

A estrutura em dupla hélice do DNA é mantida coesa através de ligações


químicas chamadas de “pontes de hidrogênio” entre as bases nitrogenadas. Es-
pecificamente, as bases de adenina (a) se ligam a bases de timina (t) e bases de
guanina (g) se ligam a bases de citosina (c). Ao se aquecer o DNA a ligação entre
essas bases é quebrada, o que desconecta as duas hélices, desnaturando o DNA.
A ligação entre guanina e citosina é formada por três pontes de hidrogênio, já a
ligação entre adenina e timina é formada por duas pontes de hidrogênio. Assim, é
necessário mais energia (temperatura) para desnaturar um DNA que possua mais
ligações do tipo g-c (3 pontes de hidrogênio por ligação) do que um DNA mais
rico em ligações a-t (2 pontes de hidrogênio por ligação). Há uma relação linear
entre a quantidade de guanina e citosina em uma molécula de DNA (conteúdo
GC) e a temperatura na qual a dupla hélice se desnatura. Essa temperatura de
desnaturação é chamada de temperatura de fusão
Temperatura de fusão do DNA em váios microrganismos do DNA. Ou seja, pode-se dizer que o conteúdo
100 GC é diretamente proporcional à temperatura de
fusão do DNA e que o conteúdo AT é inversa-
95 mente proporcional à essa temperatura de fusão.
A Figura CC apresenta temperaturas de fu-
Temperatura de fusão (°C)

90
são do DNA genômico de diferentes organismos,
como função do conteúdo de AT, variando des-
85
de 33% AT (Deinococcus radiodurans) até 75% AT
Deinococcus radiodurans * (Ureaplasma urealyticum).
80 Mycobacterium leprae
Escherichia cole
Saccharomyces cereviviae
75 Figura 12 – Temperatura de fusão do DNA
* Bacillus subtilis
genômico para diferentes organismos.
Ureaplasma urealyticum (Extraída do artigo “DNA denaturation”,
70 D.W. Ussery, 2001).
30 40 50 60 70 80
% A: T conteúdo do genoma

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At i v i d a d e
Ponto de fusão do DNA:
Uma equação que pode ser utilizada para se estimar a temperatura de fusão (Tm
medido em °C) do DNA é (Bolton and McCarthy, 1962):

Tm = 81,5 + 16,6 (log10([Na+])) + 0,41*(%GC) - 600/length

Onde: [Na+] é a concentração molar de íons de sódio do meio no qual o DNA


está imerso (M, Molar), %GC é a percentagem de conteúdo GC do DNA e length é o
comprimento da cadeia de DNA em pares de base (pb).
Assumindo uma concentração molar de [Na+] = 0,1M, podemos reescrever a
equação acima como:

Tm = 64,9 + 0,41*(%GC) - 600/length

Dessa maneira podemos nos questionar:


1) Qual é a temperatura (°C) de fusão de uma molécula de DNA com compri-
mento de 500 pb e com conteúdo GC de 50%?
2) Qual é o conteúdo GC (%GC) de uma molécula de DNA com 600pb e tem-
peratura de fusão de 70°C?
3) Qual é a temperatura máxima de fusão de uma molé-
cula de DNA com 400pb de comprimento?
4) O DNA da árvore Quaresmeira possui cerca de
340.106 pb de comprimento (Da Quaresmeira ao
Jerivá, Revista Pesquisa Fapesp, Setembro 2005).
Caso se tenha agora seu DNA imerso em uma so-
lução com concentração molar de íons de sódio
de 1M, qual seria a temperatura de dissolução do
DNA assumindo-se uma percentagem de conteú-
do AT (%AT) de 60%?

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b) Fu n çõ e s potência:

y
y y 2000
120 1500
-10 -5 5 10 x
100 -20 1000
80 -40 500
60 -60
40
-10 -5 5 10 x
-80 -500
20 -100 -1000
-120 -1500
-10 -5 5 10 x
-2000

y=x2 y=-x2 y=x3

Algumas aplic açõ es:


• Lançamento de projéteis:
A trajetória descrita pela bola chutada pelo goleiro no Exemplo 2 da secção “De-
finindo as funções” é uma parábola. Essa parábola é descrita pela equação: y = -x 2. Da
mesma forma, a trajetória descrita por projéteis, sejam eles pedras disparadas por uma
catapulta ou bombas por um obus, é também uma parábola.

F o r ç a s F u n d a m e n ta i s :
Em física existem quatro forças fundamentais que descrevem as interações da na-
tureza. São elas: Força Gravitacional, Força Nuclear Fraca, Força Eletromagnética e Força
Nuclear Forte. Outros tipos de força podem ser explicados em termos das quatro forças funda-
mentais. A força de atrito experimentada por um pneu, por exemplo, é uma interação eletromagnética
entre os átomos do pneu e os átomos do asfalto. A Força Gravitacional é uma força de longa distância
e sempre atrativa, que surge com a existência da matéria. A Força Nuclear Fraca é uma força de curto
alcance envolvida em alguns processos de decaimento radioativo. A Força Eletromagnética é uma
força de longa distância, atrativa ou repulsiva, que surge da interação entre cargas elétricas (paradas e/
ou em movimento) e de campos provenientes dessas cargas (elétrico e/ou magnético). A Força Nuclear
Forte é uma força de curto alcance (alcance da ordem do tamanho do núcleo atômico, 10-15m) e a res-
ponsável pela coesão do núcleo. A “intensidade” das forças é: Força Gravitacional (mais fraca), Força
Nuclear Fraca, Força Eletromagnética, Força Nuclear Forte (mais forte). A intensidade das forças
eletromagnética e gravitacional diminui com o inverso da distância ao quadrado (1/r2) (Figura NN).

• Proteção Radiológica:
A quantidade de radiação que uma pessoa recebe depende da distância entre a
pessoa e a fonte de radiação. Fontes pontuais de raios-X e raios gama seguem a lei do
inverso do quadrado da distância (1/r2) (Figura 13). Ou seja, se a 1 metro da fonte a
pessoa recebe hipoteticamente 100% da radiação, a 2 metros de distância ela receberá
o equivalente a 25%.

36  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


1,5

1,0
1/r2

0,5

0,0
Figura 13 – Lei do inverso do
quadrado da distância.
0 1 2 3 4 5
r

c) Fu n çõ e s periódicas:

y y y
1,5 1,5 1,5
1 1 1
0,5 0,5 0,5

x x x
2 2 -0,5 2 2 2 2 -0,5 2 2 2 2 2 -0,5 2 2 2
-1 -1 -1
-1,5 -1,5 -1,5

y=cos(x) y=cos(2x) y=cos(x/2)

y y y
1,5 1,5 1,5

1 1 1

0,5 0,5 0,5

x x x
2 2 -0,5 2 2 2 2 -0,5 2 2 2 2 2 -0,5 2 2 2
-1 -1 -1
-1,5 -1,5 -1,5

y=sen(x) y=sen(2x) y=sen(x/3)

Algumas aplic açõ es:


• Clima:
Funções periódicas podem ser utilizadas para descrever ciclos. A Teoria de Mi-
lankovitch (Milutin Milankovitch, 1879-1958), por exemplo, diz que a medida que a
Terra viaja através do espaço ao redor do Sol, variações cíclicas da excentricidade orbi-
tal da Terra (a forma da órbita ao redor do Sol) (Figura 14 a), obliquidade ou inclinação
axial (ângulo que o eixo da Terra faz com o plano da órbita) (Figura 14 b) e precessão
(mudança de direção do eixo da Terra) (Figura 14 c), se combinam de diferentes for-
mas, alterando assim o clima. Os períodos desses movimentos orbitais são conhecidos
como Ciclos de Milankovitch.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas |  37


Variação na Excentricidade Orbital

Ciclos de Mil ankovitch:

»» Excentricidade:
Mudanças na excentricidade orbital afetam a distância Sol-Terra.
Atualmente, uma diferença de apenas 3% (5 milhões de km) existe
entre maior aproximação (periélio), que ocorre próximo ao dia 3 de
Janeiro, e o maior afastamento (afélio), que ocorre por volta do dia 4
de Julho. Essa diferença em distância representa um aumento por volta
Excentricidade = 0 de 6% na radiação solar que alcança a Terra entre Julho e Janeiro. A
forma da órbita da Terra muda de elíptica (alta excentricidade) para
circular (baixa excentricidade) em um ciclo que dura algo entre 90.000
e 100.000 anos. Quando a órbita é altamente elíptica a quantidade de
radiação solar que alcança a Terra no periélio é da ordem de 20% a
30% maior que a quantidade recebida durante o afélio, o que resulta
em um clima substancialmente diferente do que experimentamos hoje.

»» Obliquidade (inclinação do eixo):


A medida que a inclinação do eixo da Terra com relação ao plano
da órbita ao redor do Sol aumenta, o contraste entre as estações do ano
também aumenta. Assim, invernos são mais frios e verões mais quen-
tes em ambos os hemisférios. Hoje o eixo da Terra possui uma incli-
nação de 23,5 graus. Entretanto esse ângulo muda. Dentro de um ciclo
a Excentricidade = 5 que dura cerca de 40.000 anos o eixo de inclinação varia entre 22,1º e
24,5º. Como dito anteriormente, quanto maior o ângulo de inclinação
Variação da Obliquidade Axial do eixo mais severas são as estações do ano. Menos inclinação significa
22.1°
verões mais suaves e invernos mais amenos. Verões suaves propiciam
a acumulação de neve e gelo ano após ano em latitudes elevadas. Essa
24.5° acumulação aumenta a quantidade de luz refletida pela Terra (o branco
reflete a luz enquanto que a cor preta a absorve) aumentado assim o
efeito de resfriamento e conduzindo a glaciações.

»» Precessão:
Mudanças na precessão axial alteram as datas do periélio e afélio,
b aumentando assim o contraste entre as estações do ano em um hemis-
fério e o diminuindo no outro. Este ciclo dura cerca de 23.000 anos.
Precessão

c
Figura 14 – (a) Excentricidade orbital. (b)
Obliquidade ou inclinação axial. (c) Precessão.
Somando-se os diferentes ciclos reconhecidos por Milankovitch pode-se entender
o caráter rítmico das glaciações (Figura 15 e Figura 16). A ideia é similar a apresentada
no boxe “Séries Trigonométricas e Séries de Fourier” apresentado na secção “Como
surgiram as funções?”.

Precessão Excentricidade

0,04 24,0
0,00 23,0
-0,04 22,0

0 200 400 600 800 0 200 400 600 800


Milhares de anos antes do presente Milhares de anos antes do presente

Obliquidade Insolação (65N)


0,06
480
0,04
440
0,02
400
0,00
0 200 400 600 800 0 200 400 600 800
Milhares de anos antes do presente Milhares de anos antes do presente

Figura 15 – Ciclos de precessão, obliquidade e excentricidade. Somados, conduzem a um ciclo de quantidade de


radiação solar recebida pela Terra que influencia nas estações do ano.

-3
Menos gelo

-2 Interglaciais

-1
O/16O

0
18

1
Mais gelo

2 Glaciais

3
0 200 400 600 800
Milhões de anos antes do presente

Figura 16 – Registro de glaciações obtido através da medida de isóto-


pos de oxigênio para os últimos 800.000 anos.

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• Geradores elétricos:
Nossa maior fonte de energia elétrica é obtida através da utilização da chamada
Lei de Faraday. A Lei de Faraday diz que uma variação do fluxo magnético (ver quadro
“Fluxo Magnético”) gera uma força eletromotriz induzida (ε) a qual está associada uma
corrente elétrica. Dessa forma, nossas usinas hidroelétricas, termoelétricas, nucleares
ou eólicas giram um circuito imerso dentro de um campo magnético (Figura 17) de
onde surge uma corrente elétrica alternada. É essa corrente que utilizamos para que
funcionem a gama de aparelhos eletrônicos que nos cercam. A função que descreve o
comportamento do fluxo magnético é a função periódica cosseno, já a força eletromo-
triz produzida (e consequentemente a corrente elétrica) é descrita pela função periódica
seno.

Fluxo magnético:
O campo magnético, juntamente com o campo elétrico, são as entidades básicas
utilizadas na descrição dos fenômenos eletromagnéticos da natureza. Campos são regi-
ões do espaço que apresentam características especiais. Por exemplo, um próton gera um
campo elétrico ao seu redor, sendo que a intensidade desse campo diminui conforme nos
afastamos da partícula. Por sua vez, um ímã possui um campo magnético ao seu redor.
A variação do fluxo magnético é a variação da quantidade de campo magnético que passa
através de uma área (como a área compreendida pelo circuito da Figura 17).

(a) (b)
Copyright © Addison Wesley Longman, Inc.

Figura 17 – Obtenção de força eletromotriz (ε) a partir da variação do fluxo magnético através de um cir-
cuito.

40  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Uma demonstração prática da Lei da Indução de Faraday pode ser vista em (Apli-
cação da Lei de Indução de Faraday (Geração de Energia Elétrica)):
http://www.youtube.com/watch?v=bSgdN5bSM2Y&feature=fvst
Já um vídeo explicativo sobre geradores elétricos pode ser visto em (Novo Tele-
curso - Ciências - Aula 53 (2 de 2)):
http://www.youtube.com/watch?v=f9aaCCH0MKk

d) Fu n çõ e s e xp o n e n c i a i s :

y y y
7 7 2
6 6 1
5 5
0,5
4 4
3 3 -10 -5 5 10 15 20 x
2 2
-0,5

1 1 -1
-2
-15 -10 -5 5 10 x -10 -5 5 10 15 x
y = ekx y = e-kx y = 1 – e-kx

Onde e é uma constante irracional com valor de aproximadamente


2,718281828459045235. A função inversa da função exponencial é a função logarít-
mica natural (ln(x)). Por essa razão a função exponencial foi também conhecida por
função “anti-logarítmica”.

Algumas aplic açõ es:

• Física:
»» Decaimento Radioativo
Três anos após a descoberta da radioatividade em 1896 foi notado que a razão de
decaimento de uma substância radioativa diminui com o tempo de acordo com uma lei
exponencial. Alguns anos depois entendeu-se também que a radioatividade representa
a mudança de átomos individuais e não da amostra como um todo. A radioatividade
natural pode ser entendida como uma transmutação de um núcleo atômico em outro,
sendo que o que incita essa transformação é a busca do núcleo por um estado energético
mais estável. O decaimento é estatístico em natureza, dessa forma é impossível prever
qual átomo, e quando, sofrerá a transmutação. Ou seja, a probabilidade de decaimento
do átomo é constante, independente de sua idade (átomos novos e velhos de um mesmo
elemento químico decaem com a mesma probabilidade). A lei de decaimento radioativo
pode ser escrita como:

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N (t) = N0 e- mt

Onde N0 representa o número inicial de átomos, N(t) representa o número de átomos


restantes após um determinado tempo t, e λ é a constante de decaimento, que repre-
senta a probabilidade (no tempo) com que ocorre o decaimento.

»» Reação nuclear em cadeia
Uma reação nuclear em cadeia ocorre quando, por exemplo, um nêutron inicial
induz a fissão de um átomo de urânio 235 com a qual mais nêutrons são liberados. A
princípio cada novo nêutron criado tem a possibilidade de iniciar novas reações em
cadeia. Usinas nucleares operam controlando a razão com a qual reações nucleares em
cadeia acontecem. Para isso são utilizados dispositivos como moderadores de nêutrons
(substâncias que tem grande probabilidade de absorver nêutrons sem contudo liberar
novos nêutrons no processo), que são aproximados ou afastados do local onde ocorrem
as reações em cadeia (núcleo do reator). O combustível radioativo utilizado em reatores
nucleares (urânio 235 ou plutônio 239) não possui a “massa crítica” necessária para ge-
rar uma explosão nuclear. Por outro lado, armas nucleares são planejadas de forma que
a reação em cadeia, uma vez iniciada, aumente de forma exponencial e sem controle.
A massa crítica (quantidade mínima de material físsil para que a reação em cadeia seja
mantida) necessária para se construir armas nucleares foi estudada no Projeto Manhat-
tan durante a 2ª Guerra Mundial. Na Figura 18 são apresentadas algumas possibili-
dades consideradas pelo Projeto Manhattan em 1942 para unir diferentes massas de
urânio, alcançando assim a massa crítica.

Figura 18 – Diferentes possibilidades para junção de massas de urânio (áreas ha-


churadas) em uma massa crítica (Projeto Manhattan – The Los Alamos Primer).

• Biologia:
O número de microorganismos em uma cultura de células cresce exponencial-
mente enquanto há abundância de alimento. Ou seja, uma célula mãe sofre divisão
se transformando em duas células filhas, que por sua vez dão origem a quatro novas
células e assim por diante.

• Computação:
A Lei de Moore (proposta em 1965 por Gordon Earle Moore, co-fundador da In-
tel) diz que o número de transistores que podem ser colocados em um circuito integra-
do dobra aproximadamente a cada dois anos (Figura 19). Transistores são componentes
eletrônicos utilizados como chaves lógicas (0 ou 1, sim ou não), e os responsáveis pela
habilidade de computar dos computadores. Diferentemente dos tubos de vácuo utiliza-
dos nos primeiros computadores, transistores permitiram a fabricação de computadores
bem menores, mais confiáveis e mais velozes. Dessa forma, a evolução da velocidade
de processamento (processadores) e capacidade de armazenamento (memória) aumenta
de forma exponencial. Entretanto, o próprio Moore prevê que no futuro o tamanho do

42  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


transistor alcançará proporções atômicas (10-10m), o que será uma barreira natural para
o seu desenvolvimento. Quando essa barreira for alcançada a Lei de Moore deixará de
caráter exponencial, e será necessária uma tecnologia diferente da dos transistores para
que a capacidade computacional continue aumentando.

Contagem de transistores de CPUs 1971-2008 e a Lei de Moore

Quad-Core Itanium Tukwila


2.000.000.000 Dual-Core Itanium 2
POWER6 GT200
1.000.000.000 G80 RV770
Itanium 2 com 9MB cache
K10
Corel 2 Quad
Corel 2 Duo
Itanium 2 Cell
100.000.000 A curva mostra a “lei de K8
Moore”: a contagem de P4 Barton Atom
transistores dobra a cada K7
Contagem de transistores

K6-III
dois anos. K6 PIII
10.000.000
PII
K5
Pentium

486
1.000.000
386
256
100.000

8088

10.000
8080
2.300 4004 8006

1971 1980 1990 2000 2008


Data de introdução

Figura 19 - Evolução do número de transistores em processadores com o passar do


tempo. É importante notar que o eixo y é apresentado de logarítmica.

• Economia:
O chamado “marketing viral” funciona de forma análoga a uma epidemia. Um
anúncio, propagado por exemplo via e-mail, “infecta” um usuário que por sua vez pro-
paga essa informação para outros usuários. Desde que cada usuário infectado divida a
ideia (anúncio) com mais de um usuário suscetível, o transporte da informação cresce
de forma exponencial.

F u n ç õ e s C o mp o s ta s :

Algumas funções são mais complexas, pois são composições das funções básicas,
mas que também expressam fenômenos naturais importantes. O traçado qualitativo
dos respectivos gráficos é importante para a compreensão desses fenômenos, e pode
ser feito seguindo-se algumas regras, as quais vamos chamar regras de comportamento
assintótico::

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas |  43


R e g r a s d e c o mp o r ta m e n t o a s s i n t ó t i c o :
1) Para x tendendo a infinito o comportamento da função composta é dominado
pela função exponencial.
2) Para x tendendo a zero a função exponencial pode ser aproximada a 1.
3) Para x tendendo a zero pode-se desprezar as potências maiores de x, numa
soma ou subtração, permanecendo a de menor potência.
4) Para x tendendo a infinito pode-se desprezar as potências menores de x, numa
soma ou subtração, permanecendo a de maior potência.
5) No gráfico da função composta, há uma barreira vertical intransponível nas
singularidades da função (denominador igual a zero).
6) As funções seno e cosseno introduzem periodicidades na função composta,
que são moduladas pelas funções que as multiplicam.
Como exemplo da aplicação dessas regras, temos:

1) y = x2 e-kx
Pela regra 1, quando x tende a infinito (x → ∞), o comportamento da função
corresponde à função exponencial e-kx . Já pela regra 2, quando x tende a zero (x → 0),
y → x 2. Os gráficos da função exponencial e da função x2 são apresentados em con-
junto no gráfico abaixo,

y y = e-kx
3,5 g = x2
3
2,5
2
1,5
1
0,5

-2 2 4 6 x

Desta forma, o grafico de y = x2 e-kx fica:

y
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5

-2 2 4 6 x

44  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


2) y = e-kx cos (kx)

Pela regra 6, temos o gráfico da função exponencial decrescente, mas com uma
oscilação:

y
7
6
5
4
3
2
1

-2 -1 -1 1 2 3
-2 x
-3
-4
-5

Y = e(- x) cos (x)

3) y = x - 1
x-2
Pelas regras 3 e 4, temos que, para x → 0, y = x - 1 , ou seja y fica constante
x-2
igual a ½, cujo gráfico é uma rela horizontal em y = ½.
Já para x → ∞, y " x = 1 , uma reta horizontal em y = 1.
x
Além disso, pela regra 5, há uma singularidade em x = 2. Traçando os gráficos de
y = ½, y = 1 e uma reta vertical na singularidade,

y
2
1
0,5
0
1 2 3 4 5 6 7 x
-0,5

podemos traçar o gráfico da função y = x - 1 :


x-2

4,5
4
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5

-4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-0,5
-1
-1,5
-2
-2,5
-3

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas |  45


4) y = x - 2x
2

x-1
Neste caso, temos:

Para x → 0, y = - 2x = 2x
-1
2
Para x → ∞, y = x = x
x
Com uma singularidade em x = 1.
Os gráficos de y = 2x, y = x e da singularidade são:

y
10
8
6
4
2

0 1 2 3 4 5 6 7 x

2
O que nos permite traçar o gráfico da função y = x - 2x :
x-1

4
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5

-4 -3 -2 -1 1 2 3 4 5
-0,5
-1
-1,5
-2
-2,5
-3
-3,5

5) y = 3x3 - 2x2
(x + 1)(x - 2)

Neste caso, temos:

Para x → 0, y = - 2x2 = x2
(1)(- 2)
3
Para x → ∞, y = 3x = 3x
(x)(x)

46  | Ciências Naturais e Matemática | UAB


Com singularidades em x = -1 e +2.
Nesse caso, vamos analisar apenas o que acontece entre x = -1 e +2. Deixemos de
considerar o comportamento assintótico em x → ∞. Deve-se considerar também que,
em x = 2/3, a função se anula, ou seja tem-se um zero de função.

O gráfico de y = x 2, com as singularidades e o ponto de zero da função, é:

y
11
10
8
6
4
2

-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 x

Enquanto que o gráfico da função y = 3x3 - 2x2 ,


(x + 1) (x - 2)

0,8

0,6

0,4

0,2

-0,6 -0,4 -0,2 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2


-0,2

-0,4

-0,6

-0,8

-1

Você sabia que há softwares especializados em


calcular e desenhar funções?

Um desses softwares é chamado “Mathematica”. Acesse o site


http://functions.wolfram.com/visualizations.html
e veja inúmeros gráficos de funções desenhados via o Mathematica.

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48  | Ciências Naturais e Matemática | UAB
3
Além das Fu n çõ e s

P ara fins de conhecimento geral optamos por apresentar também o conceito de fractal, que é
uma descrição matemática de estruturas “autossimilares” presentes na natureza.

F r a c ta i s

Estruturas desordenadas ou processos randômicos que apresentam autossimilaridade em escala espa-


cial ou temporal são muito comuns na natureza. Eles podem ser encontrados em escalas grandes ou peque-
nas, como em galáxias e paisagens, terremotos e fraturas, vidros e polímeros, proteínas e outras moléculas.
Devido a grande ocorrência de autossimilaridade na natureza, a comunidade científica interessada nesse
fenômeno é extensa, englobando por exemplo: físicos, matemáticos, biólogos e economistas. A geometria
fractal é uma linguagem matemática usada para descrever formas complexas. Ela é particularmente ade-
quada para computadores, pois se dá através da repetição de processos (interações). O termo “fractal” (do
adjetivo em latim: fractus, que significa quebrado ou fraturado) foi cunhado por Benoît B. Mandelbrot, em
1975.
Estruturas complexas podem ser quantitativamente caracterizadas utilizando-se a ideia de “dimen-
são fractal”. Essa dimensão corresponde à forma geométrica estudada, e é geralmente um número não
inteiro. Essa definição foi possível após o reconhecimento que muitas estruturas randômicas obedecem
uma simetria, como obedecido também por estruturas regulares. Essa “simetria de escala” implica que os
fractais apresentam o mesmo tipo de forma em diferentes escalas de observação. Nas Figuras 20 e 21 são
mostrados um cristal de neve e uma couve-flor. Nelas pode-se ver que as pequenas partes comportam-se
da mesma forma que o todo.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas |  49


de neve.
Figura 20 – Cristal

Figura
21 – C
ouve
-flor.

Estruturas que lembram fractais foram também representadas na arte na forma


de redemoinhos e ondas, como mostrado na “Grande Onda” de Katsushika Hokusai
(1760-1849) (Figura21) e no “Deluge” de Leonardo Da Vinci (1452–1519) (Figura 23).

shika Hokusai (17


60-1849)
22 – Gra nd e Onda – Katsu
Fig ura
rdo Da Vinci (1452-
1519)
Figura 23 – Deluge – Leona

Figura 24 – Conjunto de Mandelbrot.

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas |  51


52  | Ciências Naturais e Matemática | UAB
Referências Bibliográficas
F u nções:

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A rc h i v e for H i s tor y of E x a c t S c ie nc e s , 16 , 37-85.

W I K I PÉ DI A . Si s tem a s e x a g e s i m a l . D i s p on í v e l em : ht t p: //e s .w i k ip e d i a .or g /w i k i /


Si s tem a _ s e x a g e s i m a l .

A c e s s o em 18 . 01. 2 010

W I K I PÉ DI A . A l m a g e s t . D i s p on í v e l em : ht t p: //e n .w i k ip e d i a .or g /w i k i /A l m a g e s t .

A c e s s o em 18 . 01. 2 010

W I K I PÉ DI A . Fou r ie r S e r ie s . D i s p on í v e l em : ht t p: //e n .w i k ip e d i a .or g /w i k i / Fou r ie r_ s e r ie s .

A c e s s o em 2 6 . 01. 2 010

Wol f r a m M at hWorld . Fou r ie r S e r ie s . D i s p on í v e l em : ht t p: //m at hw orld .w ol f r a m .c om / Fou r ie rS e r-


ie s . ht m l .
A c e s s o em 2 6 . 01. 2 010

Pon to de F us ão do DNA :

B olton , E .T.; Mc Ca r t hy, B .J. (19 62) “A g e ne r a l me t ho d for t he i s ol at ion of R NA c ompleme nt a r y


to DNA”. P NA S 4 8 (8) 139 0 -139 7.

Us s e r y, D.W. (2 0 01) “ DNA D e n at u r at ion”.

ht t p: //w w w.c b s .dt u .d k /s t a f f /d a v e /g e nom ic s _ c ou r s e /2 0 01 _ DNA d e n at u r e .p d f A c e s s o em


2 0 .10 . 2 010

ht t p: //w w w.biolog y. a r i z on a .e du / biom at h /t utor i a l s / L i ne a r / L i ne a rF u nc t ion A p pl ic at ion / DNA me lt .


ht m l A c e s s o em 2 0 .10 . 2 010

P i v e t t a , M . (2 0 0 5 ) “ D a Q u a r e s mei r a a o Je r i v á ” R e v i s t a Pe s q u i s a Fap e s p. ht t p: //r e v i s t ap e s q u i s a .

UAB| Ciências Naturais e Matemática | Funções Matemáticas |  53


f ap e s p.br / ?a r t=2 82 4 & b d =1& p g =1& l g =

A c e s s o em 2 0 .10 . 2 010

Ciclos de M i l a n kov i t c h :

ht t p: //e a r t ho b s e r v ator y.n a s a .g ov/ Fe at u r e s / M i l a n k ov itc h / A c e s s o em 2 0 .10 . 2 010

ht t p: //w w w. lu au .uc s d .e du /e s10 / le c t u r e s / le c t u r e19/ le c t u r e17. ht m l A c e s s o em 2 0 .10 . 2 010

D e c a i m e n t o R a dioat i vo e R e ações em Ca dei a:

K l i mov, A . (19 81) “ Nuc le a r phy s ic s a nd nuc le a r r e a c tor s ”. Tr a n s l ate d f rom t he R u s s i a n b y O.


R ud n it sk ay a . P u bl i she d b y M i r, D i s t r ibute d b y C e nt r a l i n Mo s c ow, ( L ondon). I SBN 0 7147171 50 .

K r a ne , K . S . (19 8 7 ) “ I nt ro duc tor y Nuc le a r P hy s ic s ” P u bl i she r Wi le y. I SBN-10 : 0 4718 0 553 X

P roje to M a n h at t a n – T he L o s A l a mo s P r i me r

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A c e s s o em 2 0 .10 . 2 010

Lei de Moor e:

D u b a sh , M . (2 0 0 5 ) “ Mo or e ’s L a w i s d e a d , s ay s G ordon Mo or e ”

ht t p: //ne w s .te c hw orld .c om /op e r at i n g-s y s tem s /3 47 7/mo or e s-l a w-i s- d e a d-s a y s-g ord on-mo or e /
A c e s s o em 2 0 .10 . 2 010

F r ac ta is:

M a nd e l brot , B . B . (19 82). “ T he Fr a c t a l G e ome t r y of Nat u r e ”. W. H . Fr e em a n a nd C omp a ny. I SBN


0 -7167-118 6 -9.

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York , I nc . Ne w York , N Y, US A . I SBN: 0 -38 7-5 4 0 70 -9

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