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11/02/13 Curral Del Rey.

com: Os Malditos (e esquecidos) Córregos de Belo Horizonte: O Córrego do Mendonça/Zoológico

Site destinado à discussão sobre as m udanças ocorridas no espaço urbano de Belo Horizonte, desde a fundação do Arraial do Curral del Rey até os dias atuais. A abordagem acerca da
história, da geografia urbana, da m em ória urbana, da arquitetura, da requalificação urbana em div ersos períodos e do crescim ento urbano, seja ele planejado ou não se faz necessária
para se entender e discutir as m udanças que se v erificam atualm ente, não só no âm bito regional, m as sim em todo o cenário urbano global.
Todo o cont eúdo desse sit e pode ser reproduzido, desde que cit ada a font e.

Os Malditos (e esquecidos) Córregos de Belo A RQU I V O

Horizonte: O Córrego do Mendonça/Zoológico ► 2013 (1)

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Os Malditos (e esquecidos) Córregos de
Belo Horizo...

Os Malditos (e esquecidos) Córregos de


Belo Horizo...

► Fevereiro (2)

► Janeiro (1)
Parte da Planta de 1895 onde se vê em destaque o Córrego do Mendonça (01) e o
Córrego do Zoológico (02). Sinalizado em azul está o local em que se abriu um ► 2010 (45)
desvio das águas do córrego no inicio do Século XX.
Fonte: APCBH Acervo CCNC
L I N KS RE L A CI ON A DOS/ A RQU I V OS DE A L G U M A S
RE F E RÊ N CI A S
Conforme publicado no Artigo “Qualquer semelhança não é mera coincidência –
os cursos d‘água que atravessam a capital” os córregos que atravessavam as Acervo da CCNC
áreas pertencentes ao arraial de Belo Horizonte e que foram incluídas nas zonas APCBH - Arquivo Público da Cidade de Belo
urbana e suburbana segundo a Planta Cadastral de 1895 foram ignorados pela Horizonte
Comissão Construtora da Nova Capital. A Planta elaborada não estava em APM - Arquivo Público Mineiro
concordância com o traçado dos cursos d’água que cortavam as ditas zonas Belo Horizonte Antiga
dividindo, inclusive diversos quarteirões da zona urbana. A partir da década de BH Nostalgia
1920 os córregos da Serra, Leitão, P astinho e Acaba Mundo foram retificados e
Biblioteca Digital do Estado de Minas Gerais
canalizados em concordância com o traçado planejado de Belo Horizonte¹,
Coletivoium - Intervenção Urbana Multimídia
primeiramente em canalização aberta. A partir dos anos 1960 eles foram revestidos
MHAB - Museu Histórico Abilio Barreto
e fechados, devido à necessidade de alargamento das vias por causa do aumento
do fluxo viário e dos problemas acarretados pela poluição das águas. Os outros Nessa Rua tem um Rio - Laboratório Undió de
intervenções na Padre Belchior
córregos que cortavam as zonas urbana e suburbana, em sua maioria foram
também retificados e canalizados, porém revestidos e sobre eles foram abertas Direitos Autorais - Apostila FGV (Página 61)
diversas ruas e avenidas. Podemos citar como exemplos os córregos do Gentio
(Avenida Francisco Deslandes), das Piteiras (Avenida Barão Homem de Melo / Silva
CON TA TO DO A U TOR
Lobo) e do Tejuco (Via Leste-Oeste).
Abordaremos nesse artigo o Córrego do Mendonça / Zoológico que faz parte da ALESSANDRO BORSAGLI

rede hidrográfica existente sob a capital. Posteriormente serão publicados outros


Bacharel em Geografia pela
dois artigos referentes aos Córregos do Pastinho e dos Pintos. Esses cursos
Pontifícia Universidade
d’água fazem parte de uma extensa rede hidrográfica que existia por toda a capital
Católica de Minas Gerais.
e que na sua maioria transformaram-se em condutores de esgoto ou foram
Pesquisador atuante nas áreas relacionadas
extintos. Muitos cursos d’água tributários desses córregos também deixaram de
ao espaço urbano com ênfase em geografia
existir devido a ocupação e impermeabilização de suas nascentes.
urbana e história das cidades, no aspecto
E porque estes córregos são malditos? Os córregos eram na verdade
relacionado ao processo de urbanização e
indesejados pela Comissão Construtora que os ignoraram ao projetar a Planta da
requalificação do espaço das mesmas.
Nova Capital. Muitos deles tinham as margens brejosas e pequenas lagoas em sua
Contatos pelo email borsagli@gmail.com
várzea, o que tornava em muitos casos a região insalubre para a ocupação. Para
V ISUALIZAR MEU PERFIL COMPLETO
tornar as áreas adjacentes aos cursos d’água habitáveis e salubres era necessário
vultuosos investimentos por parte do Poder Público além de uma dispendiosa mão
de obra. Esse foi um dos principais motivos da ocupação inicial de Belo Horizonte
Todos os art igos dest e blog são de aut oria do
ter sido propositalmente direcionada para a região central e parte do bairro
Aut or acima, responsável pela publicação.
Funcionários. Para que essas terras não permanecessem desocupadas as colônias

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agrícolas se instalaram nelas à partir de 1897 nos vales dos principais córregos, a Part e da base bibliográfica se encont ram
saber: a Colônia Carlos Prates nos vales dos Córregos do Pastinho e dos Pintos, a nos artigos e nos links acima (Links
Colônia Afonso Pena no vale do Leitão, a Colônia Adalberto Ferraz nos vales dos relacionados/Arquivos de algumas
córregos do Gentio e Acaba Mundo, a Colônia Bias Fortes no córrego do Cardoso e referências).
a Colônia Américo Werneck no córrego da Mata. Anexadas a zona suburbana
alguns anos mais tarde as ex colônias foram sendo sistematicamente loteadas e
urbanizadas e os cursos d’água retificados e canalizados. E esquecidos, pois
Participar deste site
depois de canalizados e desviados do seu curso natural eles foram simplesmente Google Friend Connect
“apagados” do meio urbano, lembrados somente nos períodos de chuva quando
Membros (83) Mais »
transbordam ou quando se faz necessária à intervenção para ampliação de
galerias, reparos etc. Geralmente a população não tem noção de que ali havia um
curso d’água “in natura” e muitos não conseguem compreender que um dia existiu
um córrego no seu bairro. Belo Horizonte tem em seu município diversas micro-
bacias. Atualmente para se conhecer os limites dessas bacias é necessário um
estudo sistemático das Plantas antigas para se localizar com mais precisão o
traçado dos cursos d’água pertencentes as tais bacias.

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Córrego do Mendonça (01) na Planta Geodésica e Topográfica de 1895.


Fonte: PANORAMA de Belo Horizonte; Atlas Histórico. Belo Horizonte, FJP; 1997.

O Córrego do Mendonça tem a sua nascente localizada na Encosta do Ilídio, na


parte aonde onde se inicia a Rua Viçosa. Totalmente canalizado ele segue por uma
parte desta rua, atravessa a área onde se encontra o Clube Mackenzie, segue
pelas ruas Benvinda de Carvalho e Arturo Toscanini. Atravessando a Avenida do
Contorno ele segue pela Rua Levindo Lopes e Antonio de Albuquerque juntando-se
ao Córrego do Zoológico, que tinha a sua nascente localizada na área ocupada
atualmente pelo Minas Tênis Clube. A partir daí ele segue pelas ruas Felipe dos
Santos e Rio de Janeiro, indo desaguar no Córrego do Leitão no cruzamento das
ruas São Paulo e Gonçalves Dias. Antes de ter suas águas desviadas o córrego do
Mendonça, após atravessar a Avenida do Contorno seguia mais ou menos
paralelamente as ruas Alagoas e Pernambuco, indo desaguar no Acaba Mundo nas
proximidades do antigo Largo da Boa Viagem, centro do arraial do Curral del Rey.
Por se um curso d’água de pouca vazão ele sequer foi cogitado para o
abastecimento da nova capital. Ele apresentava um maior volume d’água somente
nos períodos chuvosos, quando causava transtornos para a população de parte do
bairro dos Funcionários. Na época d o arraial provavelmente ele não causava
contratempos para a população adjacente, pois a maior parte do seu entorno se
encontrava desocupada quando do inicio da construção da nova capital no final do
Século XIX. Devido ao problema que ocorria nos períodos chuvosos o seu curso foi
desviado logo nos primeiros anos da nova capital, como se vê no relatório do
Prefeito Bernardo Monteiro, datado de 1900:

“Para desviar as águas, que em epochas de grandes chuvas, invadiam a Rua Alagoas,
parte das de Santa Rita Durão e Pernambuco, ocasionando grandes estragos, foi
preciso, alem de outras providencias já tomadas, abrir na “Garganta do Ilídio” uma
grande valla para lhes dar passagem da bacia do Capaosinhos para a do Leitão”.

Nos anos que se sucederam o desvio das águas do Córrego do Mendonça o


restante do seu leito não sofreu alterações. Somente na década de 20 é que se
inicia a ocupação sistemática das áreas adjacentes ao seu curso. Diante dessa
expansão urbana a Prefeitura realizou nos últimos anos da década os serviços de
canalização do Córrego do Zoológico (Mendonça) na Rua Levindo Lopes, segundo o
relatório do Prefeito Christiano Machado em 1929:

“Este serviço foi feito a partir do ponto em que o córrego encontra a 1ª face da Avenida
Contorno”. “A canalização foi conduzida por esta avenida ate a Rua Levindo Lopes e por
esta ate a Rua Antonio de Albuquerque ligando-se ali a canalização já existente.”

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Canalização do Córrego do Mendonça na Rua Levindo Lopes no final dos anos 20.
Ao fundo a Rua Leopoldina, parte do bairro Santo Antônio e o bairro Sion em
formação.
Fonte: APM

Canalização do Córrego do Zoológico nos terrenos do Minas Tênis Clube (Parque


Santo Antônio) em 1929.
Fonte: APCBH Relatório do Prefeito Christiano Monteiro Machado, 1929.

Canalização do córrego do Zoológico e calçamento da Rua Rio de Janeiro, nas


proximidades do cruzamento com a Rua Alvarenga Peixoto.
Fonte: APM

Pode-se observar que a canalização ocorreu somente nas áreas atravessadas


pelo córrego dentro da Contorno. As áreas mais próximas da sua nascente
localizadas na zona suburbana correspondente a parte dos bairros Santo Antonio e
São Pedro foram ocupadas de fato a partir dos anos 50 sendo o córrego então
canalizado ate as proximidades da sua nascente. Com o saneamento dos
quarteirões correspondentes ao local onde se estabeleceria o Zoológico no inicio
dos anos 30 o Córrego do Zoológico, que recebia grande parte das águas
desviadas do Córrego do Mendonça foi também canalizado até a sua confluência
com o Córrego do Leitão. Durante um período os Córregos do Mendonça e do
Zoológico ficaram livres dos esgotos, apesar do crescimento urbano de Belo
Horizonte ter se expandido para essas áreas. A partir de 1930 os emissários
construídos para tal finalidade ainda suportavam a quantidade de efluentes

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gerados pela população. Com o vertiginoso crescimento a partir dos anos 40 eles
se converteram em emissários de esgotos, pois o Poder Público não acompanhou o
crescimento populacional no que diz respeito aos equipamentos urbanos.

Foto aérea de 1953 e 1956 respectivamente onde está destacado o leito do


Córrego do Mendonça na área onde atualmente está o Clube Mackenzie e a Rua
Benvinda de Carvalho. É importante lembrar que nos períodos chuvosos os
quarteirões e construções edificadas sobre o leito dos cursos d'água costumam
apresentar sérios problemas em decorrência do aumento do volume d'água no
canal.
Fonte: PANORAMA de Belo Horizonte; Atlas Histórico. Belo Horizonte: FJP. 1997.

Alargamento das galerias do Córrego do Mendonça na Rua Arturo Toscanini no final


dos anos 60.
Fonte: APCBH/ ASCOM

Canalização do Córrego do Zoológico/Mendonça na Rua Rio de Janeiro.


Fonte: APCBH/ ASCOM

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Canalização do mesmo córrego no cruzamento das ruas Rio de Janeiro e Antônio


Aleixo.
Fonte: APCBH/ ASCOM

Nos anos 60 o canal do córrego foi reaberto com a finalidade de aumentar a sua
galeria ao longo da Rua Rio de Janeiro até sua confluência com o Leitão. Desde
então foram feitas apenas algumas manutenções periódicas em suas galerias. O
córrego do Mendonça é o exemplo clássico de como os cursos d’água de menor
importância para Belo Horizonte foram erradicados do meio urbano em prol do
embelezamento da capital e do progresso. No caso a canalização do Mendonça foi
realizada entre as décadas de 30 e 60 permitindo a abertura de quarteirões no seu
antigo leito e a ocupação de uma parte significativa do bairro São Pedro.

Córrego do Zoológico em foto de 2008.


Fonte: Acervo SUDECAP

Manutenção das galerias do Córrego do Mendonça no ano de 2011 sob a Rua


Congonhas.
Fonte: Foto do Autor

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Traçado atual do Córrego do Mendonça/Zoológico e o antigo leito do Mendonça


canalizado no bairro Funcionários.
Fonte: Google Earth

¹ Foram abertas três novas ruas quando da canalização do córrego do Leitão:


Padre Belchior, Marilia de Dirceu e Bárbara Heliodora. Já o córrego do Pastinho foi
canalizado de acordo com o projeto da Avenida Sanitária (Pedro II) elaborado no
final dos anos 1920.

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