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Universidade do Estado do Pará-Uepa

Centro de Ciências Socias e educação


Curso de licenciatura Plena em Filosofia

ALICE TELES

Resumo

São Miguel Do Guamá

2020
ALICE TELES

Filosofia da religião

Trabalho apresentado à disciplina


filosofia da religião ministrada pelo Me.
Wallace Andrew Lopes para a avaliação
da disciplina da Universidade Do
Estado do Pará.

SÃO MIGUEL DO GUAMÁ


2020
A Religião nos Limites da Simples de Razão Immanuel Kant: O TRIUNFO DO
PRINCÍPIO BOM SOBRE O MAU E A FUNDAÇÃO DE UM REINO DE DEUS NA
TERRA
Na terceira cessão da obra A Religião nos Limites da Simples Razão
filosofo Immanuel Kant, a obra vem tratar sobre o triunfo do bem sobre o mau e a
fundação de um reino de Deus sobre a terra. A princípio o texto discorre de uma
moral como instrumento que prevalece, em especial o atributo do bem sobre o
mau, assim, a luta q nenhuma vantagem maior lhe pode proporcionar, por muito
que se esforce, do que a libertação do domínio deste último (mau).
Se buscar as causas e as circunstâncias que o arrastam para este perigo
pode então facilmente convencer-se de que não procedem da sua própria
natureza rude, isoladamente, mas dos homens nas quais estão em relação ou em
ligação. Se não encontrasse meio algum de sustentar uma união encaminhada à
prevenção deste mal e ordenada ao estimulo do bem no homem, como uma
sociedade consistente e sempre em crescimento, que tem em vista simplesmente
a manutenção da moralidade e que, com forças unidas, se juntaria ao mal, então,
por muito que o homem singular pudesse ter feito para se subtrair ao domínio do
mal, este mantê-lo-ia sempre no perigo da recaída sob o seu domínio.
A supremacia do princípio bom, na medida em que os homens para ele
podem contribuir, só é alcançável, pois, tanto quanto discernimos, mediante a
levantamento e a expansão de uma sociedade segundo leis de virtude e em vista
delas; uma sociedade cuja conclusão em toda a sua amplitude se torna, pela
razão, tarefa e dever para todo o género humano. - Pois só assim se pode esperar
uma vitória do princípio bom sobre o mau.
Pela razão moralmente legisladora, além das leis que ela prescreve a todo
o indivíduo, foi também alçada uma bandeira da virtude como ponto de união para
todos os que amam o bem, a fim de sob ela se reunirem e conseguirem assim,
antes de mais, prevalecer sobre o mal que sem descanso os ataca. O texto é
subdividido em tópico, mas nos deteremos no primeiro ao sexto.
Do estado da natureza ético
Onde o homem tem um estado civil de direito regido pelas leis de direito
públicas e o estado civil ético regido pelas leis da virtude, em que uma é coercitiva
e ou não. Numa comunidade política já existente, todos os cidadãos políticos
como tais se encontram, no entanto, no estado de natureza ético; encontra-se
também um domínio sobre os ânimos segundo leis de virtude; pois onde os seus
meios de coação não chegam.
Além disso, visto que os deveres de virtude dizem respeito a todo o género
humano, o conceito de uma comunidade ética está sempre referido ao ideal de
uma totalidade de todos os homens e nisso se distingue do de uma comunidade
política. A fim de erigir um todo ético absoluto, de que toda a sociedade parcial é
apenas uma representação ou um esquema, porque cada uma em cada relação
com as outras deste tipo pode, por seu turno, representar-se como encontrando-
se no estado de natureza ético.
O homem deve sair do estado de natureza ético para se tornar
membro de uma comunidade ética
Assim como o estado de natureza jurídico é um estado de guerra de todos
contra todos, assim também o estado de natureza ético é um estado de
incessante assédio pelo mal, que se encontra no homem e, ao mesmo tempo, em
todos os outros -, como em virtude da ausência de um princípio que os una, como
se fossem instrumentos do mal, se afastam do fim comunitário do bem e se põem
uns aos outros em perigo de cair de novo sob o domínio do mal.
Ora bem, assim com o estado de uma liberdade externa desprovida de lei
(brutal) e de uma independência em relação a leis coactivas constitui um estado
de injustiça e de guerra de todos contra todos, de que o homem deve sair, para
ingressar num estado civil político, assim o estado de natureza ético é um público
assédio recíproco dos princípios de virtude e um estado de interna amoralidade,
de que o homem natural se deve, logo que possível, aprontar a sair. Toda a
espécie de seres racionais está objetivamente determinada, na ideia, a saber, ao
fomento do bem supremo como bem comunitário.
Suspeitar-se-á já de antemão que este dever necessitará do pressuposto
de uma outra ideia, a saber, da de um ser moral superior, mediante cuja universal
organização as forças, por si insuficientes, dos particulares são unidas em vista de
um efeito comum.
O conceito de uma comunidade ética é o conceito de um povo de
Deus sob leis éticas
Se houver de se realizar uma comunidade ética, então todos os particulares
se devem submeter a uma legislação pública, e todas as leis que os ligam se
devem olhar como mandamentos de um legislador comunitário. Conseguinte,
importa haver alguém, diferente do povo que, para uma comunidade ética, se
possa aduzir como publicamente legislador.
No entanto, leis éticas não se podem pensar como só provenientes
originariamente da vontade desse ser superior (como estatutos que, porventura,
não poderiam ser obrigatórios sem que uma ordem tenha antes sido publicada),
porque então não seriam leis éticas, e o dever a elas conforme não seria virtude
livre, mas dever jurídico susceptível de coacção.
Portanto, só pode conceber-se como legislador supremo de uma
comunidade ética um ser relativamente ao qual todos os verdadeiros deveres,
portanto, também os éticos, se hão de representar ao mesmo tempo como
mandamentos seus; o qual, por isso, deve igualmente ser um conhecedor dos
corações, para penetrar no mais íntimo das disposições de ânimo de cada qual e,
como deve acontecer em toda a comunidade, proporcionar a cada um aquilo que
os seus actos merecem.
Mas este é o conceito de Deus como soberano moral do mundo. Por
conseguinte, uma comunidade ética só pode pensar-se como um povo sob
mandamentos divinos, i. Poderia, decerto, conceber-se também um povo de Deus
segundo leis estatutárias, i.e., segundo leis em cuja observância não se trata da
moralidade, mas apenas da legalidade das acções; tal povo seria uma
comunidade jurídica, de que Deus seria certamente o legislador.
A ideia de um povo de Deus só é (sob organização humana)
realizável na forma de uma Igreja
A ideia sublime, nunca plenamente alcançável, de uma comunidade ética
mingua muito em mãos humanas, a saber, para chegar a ser uma instituição que,
capaz em todo o caso de representar somente a forma daquela, está, no tocante
aos meios de erigir semelhante todo, muito restringida sob condições da natureza
sensível do homem, mas que devem eles organizar para que isto lhes aconteça?
Uma comunidade ética sob a legislação moral divina é uma Igreja, que, na
medida em que não é objecto algum de experiência possível, se chama a Igreja
invisível (uma mera ideia da união de todos os homens rectos sob o governo
divino imediato, mas moral, do mundo, tal como serve de arquétipo às que devem
ser fundadas por homens).
A visível é a união efectiva dos homens num todo que concorda com aquele
ideal. A verdadeira Igreja (visível) é aquela que representa o reino (moral) de Deus
na Terra, tanto quanto isso pode acontecer através dos homens. Os requisitos, por
conseguinte, as notas características, da verdadeira Igreja são os seguintes:
Universalidade, relação sob os princípios da liberdade modalidade de tal igreja, a
imutualidade quanto a sua construção
A constituição de cada Igreja parte sempre de qualquer fé histórica
(revelada) que se pode denominar fé eclesial, e esta funda-se, no melhor
dos casos, num Escritura sagrada

A fé religiosa pura é decerto a única que pode fundar uma Igreja universal;
pois é uma simples fé racional que se deixa comunicar a cada qual em vista da
convicção, ao passo que uma fé histórica, fundada unicamente em factos, só pode
alargar a sua influência até onde conseguem chegar, segundo circunstâncias de
tempo e lugar, os relatos relacionados com a capacidade de julgar a sua
credibilidade.
Só podem para si pensar a sua obrigação como obrigação de um serviço
que devem prestar a Deus, onde não interessa tanto o valor moral interior das
acções quanto, pelo contrário, o facto de serem prestadas a Deus para, por
moralmente indiferentes que tais acções possam ser em si mesmas, lhe agradar,
pelo menos mediante a obediência passiva.
Não lhes entra na cabeça que, ao cumprirem os seus deveres para com
homens (eles próprios e outros), executam também justamente por isso
mandamentos divinos, portanto, em todo o seu fazer e deixar, na medida em que
tem relação com a moralidade, estão constantemente no serviço de Deus, e que é
também absolutamente impossível servir de mais perto a Deus de outro modo
(pois os homens não podem ter qualquer acção e influência sobre outros seres
excepto os do mundo, mas não sobre Deus) tópico.
Quanto à última, cada um pode conhecer por si mesmo, graças à sua
própria razão, a vontade de Deus que está na base da sua religião; de facto, o
conceito da divindade promana, em rigor, apenas da consciência destas leis e da
necessidade racional de aceitar um poder que lhes pode proporcionar todo o efeito
possível num mundo, efeito consonante com o fim último moral. .
Quanto à última, cada um pode conhecedor de si mesmo, graças à sua
própria razão, a vontade de Deus que está na base da sua religião; de facto, o
conceito da divindade promana, em rigor, apenas da consciência destas leis e da
necessidade racional de aceitar um poder que lhes pode proporcionar todo o efeito
possível num mundo, efeito consonante com o fim último moral.
Mas nem por isso a determinação desta forma se deve logo considerar
como um afazer do legislador divino; pelo contrário, pode com fundamento supor-
se que a vontade divina é que nós próprios realizemos a ideia racional de
semelhante comunidade e, embora os homens tenham decerto intentado com
sequelas infelizes várias formas de Igreja, contudo, não devem cessar de
perseguir este fim, se necessário for, por meio de novas tentativas que evitem o
melhor possível os erros das anteriores; tal afazer, que é simultaneamente um
dever seu, foi de todo alguma vez aparecer.
Ora bem, no carácter duvidoso do problema de se é Deus ou os homens
quem deve fundar uma Igreja revela-se a propensão dos últimos para uma religião
do serviço de Deus (cultus) e, porque esta se baseia em prescrições arbitrárias,
para a fé em leis divinas estatutárias, sob o pressuposto de que à melhor conduta
(que o homem pode sempre seguir de acordo com a prescrição da religião moral
pura) deverá acrescentar-se ainda uma legislação divina não cognoscível pela
razão, mas necessitada de revelação; tem-se assim de imediato em vista a
veneração do ser supremo (não pela observância dos seus mandamentos, já a
nós prescrita pela razão).
Por isso, acontece que os homens nunca terão a união numa Igreja e o
acordo quanto à forma que se lhe há de dar, e igualmente as instituições públicas
para o fomento do moral na religião, por algo de em si necessário, mas só com o
fim de, como eles dizem, servir o seu Deus mediante cerimónias, profissões de fé
em leis reveladas e observância das prescrições que pertencem à forma da Igreja
(a qual, no entanto, é somente um meio); embora todas estas observâncias sejam,
no fundo, acções moralmente indiferentes, tornam-se, justamente por isso, tanto
mais agradáveis a Deus, porque só por mor d'Ele devem ter lugar.
Por consequência, no esforço do homem em vista de uma comunidade
ética, a fé eclesial precede naturalmente a fé religiosa pura; templos (edifícios
consagrados ao serviço público de Deus) existiram antes das Igrejas (lugares de
reunião para a instrução e a estimulação nas disposições de ânimo morais),
sacerdotes (administradores consagrados dos usos piedosos) antes dos
espirituais (mestres da religião moral pura), e encontram-se ainda, na maior parte
dos casos, na posição e no valor que a grande multidão lhes concede Escritura, a
qual, por seu turno, como revelação, deve ela própria ser para os contemporâneos
e a descendência um objecto de grande reverência; pois tal exige a necessidade
dos homens de estarem certos no tocante ao seu dever no culto divino.
A fé eclesial tem por seu intérprete supremo a fé religiosa pura
A última expressão não deveria sequer utilizar-se, quando se fala ao grande
público (em catecismos e sermões); pois é para este demasiado erudita e
incompreensível; de igual modo, as línguas modernas não subministram para ela
nenhuma palavra com o mesmo significado.
O homem comum entende sempre por religião a sua fé eclesial que se lhe
apresenta aos sentidos, ao passo que a religião é interiormente oculta e depende
de disposições de ânimo morais. Ora bem, quando uma Igreja, como
habitualmente acontece, se faz passar pela única universal (embora se encontre
fundada numa particular fé revelada, que, enquanto histórica, jamais pode a todos
ser exigida), então quem não reconhece a sua fé eclesial (particular) é por ela
denominado infiel e odiado de todo o coração; quem só em parte (no não
essencial) dela se desvia é apelidado de heterodoxo e, pelo menos, evitado como
contagioso.
Por fim, se ele se reconhece membro da mesma Igreja mas, no entanto, se
afasta dela no essencial da fé (a saber, naquilo de que se faz o essencial), chama-
se então - sobretudo quando ele difunde a sua crença errónea - herege, e como
um agitador é considerado a mais punível do que um inimigo externo, expulso da
Igreja por uma anátema (semelhante aos que os Romanos pronunciaram sobre
quem atravessou o Rubicão contra a aquiescência do Senado), e entregue a todos
os deuses infernais.