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Elizabeth Clare Prophet

Almas
Companheiras e Chamas
Gêmeas

Tradução de MARIA TERESA MORAS

3a EDIÇÃO

NOVA ERA
 
 
 
Sumário

O PAR PERFEITO PRESO NA REDE DO CARMA


A BUSCA DA INTEGRIDADE
O CASAMENTO ALQUÍMICO
A CRIAÇÃO DAS CHAMAS GÊMEAS
O CONTATO INTERNO ENTRE AS CHAMAS GÊMEAS
MADAME BUTTERFLY
LOHENGRIN
ALMAS COMPANHEIRAS
O CASAMENTO CÁRMICO
A UNIÃO DO CASAMENTO
O CÍRCULO DA UNIDADE
A ALQUIMIA DA ERA DE AQUÁRIO
A BUSCA DA INTEGRIDADE
AMOR, CASAMENTO E MUITO MAIS: O QUE APRENDI
COMO RECONHECER A SUA CHAMA GÊMEA
O CARMA NOS RELACIONAMENTOS
CASAMENTO
DIVÓRCIO
A SUA UNIÃO NA ETERNIDADE
O PESO DO CARMA
TRABALHAR OS RELACIONAMENTOS
PREPARAR-SE PARA A SUA CHAMA GÊMEA
TORNAR-SE ÍNTEGRO
A IMAGEM DO SEU EU DIVINO
A PRESENÇA DO EU SOU E O CORPO CAUSAL
O SANTO CRISTO PESSOAL
A CENTELHA DIVINA E OS QUATRO CORPOS INFERIORES
O DESTINO DA ALMA
ORAÇÕES E DECRETOS PARA AS CHAMAS GÊMEAS
PEDIDO DE PROTEÇÃO AO ARCANJO MIGUEL
PARA TRANSMUTAR O CARMA DAS CHAMAS GÊMEAS
EU SOU A CHAMA VIOLETA
RADIANTE ESPIRAL DE CHAMA VIOLETA
DECRETOS DO CORAÇÃO, CABEÇA E MÃO
 
 
 

Eu sou do meu amado,


e o meu amado é meu.
 
O CÂNTICO DOS CÂNTICOS 6:3
 
 
 
Vou levantar-me, vou rondar pela cidade,
pelas ruas, pelas praças,
 procurando o amado da minha alma.
Procurei-o e não o encontrei!
Encontrou-me o guarda
que fazia a ronda da cidade:
vistes o amado da minha alma?
Passando por eles, contudo,
encontrei o amado da minha alma;
Agarrei-o e não vou mais soltá-lo.
 
O CÂNTICO DOS CÂNTICOS 3:2-4
 
 
 

O par perfeito preso na rede do Carma

"Querida, querida, querida", cantava Nelson Eddy.


Subitamente, do fundo da plateia, escutou-se uma voz feminina
fazendo dueto com ele. Todos no teatro lotado ficaram
surpresos. Ela veio descendo pelo corredor, cantando para ele.
No final da canção, estava no palco olhando-o nos olhos,
e o público ovacionava de pé.
Ela era Jeanette MacDonald, que estrelou oito filmes com
ele. O casal exibia o seu amor para quem quisesse ver, conta
Frank Laric, que presenciou a cena da terceira fila. Nelson nem
sabia que ela estava na cidade.
— De onde você veio? — perguntou ele, enquanto o
público aplaudia entusiasmado.
— Cheguei ontem à noite — respondeu ela. Ele convidou-
a para jantar e cantaram juntos Indian Love Call.
Em momentos mágicos como esse, e nos filmes que
passavam nas telas dos cinemas, as pessoas descobriram as
chamas gêmeas.{1}
Isto aconteceu no verão de 1941. Eles formavam um par
perfeito, mais do que isso, eram dois corações apaixonados.
Embora esse romance tenha começado em maio, ele nunca
deu certo.
Vendo o romance acontecer nas telas de cinema e
ouvindo-os cantar duetos sem tirar os olhos um do outro,
exibindo um para o outro e para o mundo inteiro a dor do seu
amor proibido, mais de uma geração de norte-americanos
conheceu o amor especial que existe entre as chamas gêmeas.
Embora poucas pessoas hoje em dia escutem árias cantadas
por Jeanette e Nelson, as suas canções, e principalmente os
seus filmes, mantêm um apelo eterno que desafia o tempo e
transcende o enredo e diálogos dos seus ingênuos
melodramas. Este apelo, este ingrediente misterioso, é o amor
que todos buscam e poucos encontram, da união das chamas
gêmeas.
O casal foi obrigado a esconder do mundo o romance
que vivia na vida real. A versão oficial dessa relação, divulgada
pelo estúdio e pelas revistas de fãs, anunciava que eles eram
somente amigos que eventualmente brigavam, e eram muito
felizes casados com outras pessoas.
A história poderia ter ficado assim para sempre, não
fosse pelos esforços de Sharon Rich e Diane Goodrich, que
publicaram, em 1979, um livro intitulado Farewell to Dreams.
Elas colheram informações não nos jornais da época, mas com
amigos, vizinhos e parentes do casal, que finalmente
concordaram em dizer a verdade; e também com camareiras,
porteiros e extras de filmagem, que completaram os detalhes e
confirmaram as evidências. "Cada linha deste livro", afirma
Sharon, "é uma citação literal do que alguém nos contou, da
forma mais fiel possível."
 

Esta não é uma foto publicitária. Expressa bem o


romance na vida real, em que Nelson lança a precaução às
favas e dá em Jeanette um apaixonado abraço de aniversário.
 

Sharon e Diane descobriram uma trama gigantesca


destinada a ocultar tudo o que aconteceu entre Nelson,
Jeanette e o estúdio, que fez com que os amigos jurassem
segredo sobre o assunto. Elas descobriram que o casal, de fato,
esteve perdidamente apaixonado, mais do que qualquer uma
das suas personagens, e viveram um romance que durou trinta
anos.
Entretanto, a ambição de Jeanette, seus ocasionais
acessos de raiva e uma estranha combinação de pessoas e
circunstâncias mantiveram-nos separados por toda a vida.
Parece que as coisas nem sempre dão certo, mesmo quando se
encontra a chama gêmea.
Esta história é uma tragédia de chamas gêmeas. Ela
ensina aos que buscam o amor perfeito que, se não resolverem
primeiro os aspectos negativos do seu carma, nunca poderão
usufruir a felicidade completa, encontrem ou não a sua chama
gêmea.
 Sharon e Diane começaram a contar a história como
num conto de fadas: amor à primeira vista ou, pelo menos,
reconhecimento instantâneo. A irmã de Jeanette, Blossom,
folheava um jornal, quando uma fotografia atraiu a atenção de
Jeanette:
— Quem é este? — perguntou ela, fazendo com que a
irmã voltasse para a tal página. Ela sentiu que precisava
assistir a Nelson Eddy cantar.
Nelson viu, ou melhor, escutou pela primeira vez
Jeanette cantar nos estúdios da MGM, onde ambos
trabalhavam. Ele havia sido contratado em 1933 como cantor
de ópera de sucesso, e — como todos os cantores de ópera
jovens e atraentes da época — era um símbolo sexual. Os fãs,
na maioria mulheres, tratavam-no como a uma estrela de rock
dos dias de hoje, até rasgando suas roupas após os concertos.
Nelson seguiu a voz encantadora de Jeanette até o
estúdio de som, onde ela filmava A viúva alegre. Quando a viu
no palco, apaixonou-se. Ela correspondia à imagem de mulher
com quem ele sempre sonhara. Alguns dias mais tarde,
convidou-a para almoçar. Ela aceitou com alguma relutância,
pois não queria ficar presa a um relacionamento que pudesse
colocar em risco a sua carreira. Apesar disso, o romance
continuou e o amor aumentou. Nelson fazia com que ela, uma
diva glamourosa de trinta anos, se sentisse como no seu
primeiro encontro. Seria possível que estivesse acontecendo
com ela o conto de fadas que tantas vezes representou na
tela?
"Quando ele me beijou, foi diferente de tudo o que já
havia sentido", disse ela à sua mãe. "Perto dele, sinto-me
maravilhosamente exultante e, quando ele me olha, sinto como
se não existisse mais ninguém no mundo para ele, só eu."
Nesse romance, podemos identificar outros sinais do
relacionamento entre chamas gêmeas. O amor que eles
sentiam era muito maior do que uma simples atração — ele se
expressava em todas as áreas de suas vidas. Juntos, eles
tinham um esplendor que não existia quando estavam
separados. Os filmes que fizeram separados dificilmente são
lembrados, mas juntos eram capazes de acessar o seu
potencial interno, como só as chamas gêmeas unidas podem, e
os filmes em que contracenaram bateram todos os recordes de
bilheteria.
A presença radiante que expressavam nas telas, a
qualidade real e verdadeira do seu amor e a dor não revelada
da sua separação fizeram com que os oito filmes que fizeram
juntos, filmados de 1935 a 1942, consistissem nas histórias de
amor mais tocantes filmadas por Hollywood.
Sua popularidade é eterna. A MGM relançou vários dos
seus filmes no final da década de 1950 e no início da década
de 1960 e, recentemente, lançou três deles em vídeo. Seus fãs
leais, jovens e velhos, ainda se reúnem nos três fã-clubes, os
mais antigos que existem.
O amor entre eles não diminuiu com o passar do tempo.
Ele ainda a via da mesma forma como a viu no seu primeiro
encontro. "A beleza provém da alma", disse Nelson em 1958.
"O corpo é só uma capa. É claro que ele envelhece e fica
cansado. Mas é a pessoa que irradia ou não a beleza que tem
dentro de si. É por isso que vou amar a Srta. MacDonald até
morrer." Sentindo o seu amor, Jeanette se iluminava como um
vaga-lume sempre que ele estava por perto, tornando-se uma
pessoa diferente quando estava na sua presença.
O amor infinito que sentiam um pelo outro, mais uma
característica do amor entre almas gêmeas, estendia-se muito
além daquela vida, ou eles assim acreditavam.
Sharon e Diane descobriram que os dois admitiam a
reencarnação. Nos anos 30, um médium disse a Jeanette que
ela havia vivido com Nelson numa vida anterior, quando
haviam sido irmãos, por volta de 1830, na Inglaterra. Seguindo
a pista da história de Jeanette e Nelson, Diane Goodrich foi a
outro médium, sem revelar o que Jeanette havia descoberto, e
este deu-lhe exatamente a mesma informação.
Embora pensemos que as chamas gêmeas estejam
sempre apaixonadas, este não é necessariamente o caso. O
fato de serem irmãos não exclui nem impede a possibilidade de
serem almas companheiras ou chamas gêmeas, pois o amor
entre as chamas gêmeas estende-se muito além de uma ou
duas vidas, tendo-se iniciado no momento da criação.
O relacionamento entre irmão e irmã permite o
estabelecimento de uma união de confiança, de amor puro, de
adoração e progresso mútuo. Esta é uma parte bem real da
espiral que é construída, vida após vida, pelas chamas gêmeas
que se preparam para a união final, quando o fruto do seu
amor será uma contribuição ímpar oferecida no altar da
humanidade. Um amor tão poderoso, que eleva e enobrece
tudo o que toca, e purifica e renova a corrente da consciência
humana para compreender o que é o amor verdadeiro e do que
ele pode conquistar.
Jeanette e Nelson também acreditavam no carma —
tendo certeza de que eram responsáveis pelas circunstâncias
presentes em suas vidas e que estas eram resultado de suas
ações passadas.
Devia haver uma grande dívida cármica entre eles, como
acontece com frequência entre chamas gêmeas, pois, como
ficou demonstrado, o seu romance não correu muito bem.
Esta história tem um vilão — a madrasta feia, o duende
mau escondido embaixo da ponte. Ele está representado pelo
megalomaníaco Louis B. Mayer, o manda-chuva da MGM.
Quando Nelson se apaixonou por Jeanette, a jovem estrela
estava sob o usual assédio sexual do patrão, que não gostava
do barítono. E o motivo era que Nelson construíra a sua carreira
sozinho e não devia seu sucesso à MGM. Ele era a única estrela
da companhia que não bajulava Louis.
Anna MacDonald, mãe de Jeanette, e Louis
aconselharam-na a não colocar em risco tudo o que se
esforçara tanto para conseguir, apaixonando-se por um "mero
cantor".
Temendo destruir a sua carreira, Jeanette procurou
ignorar Nelson. Este deixou bem claro que não se importava
com seu passado nem com seu relacionamento com Louis. "O
que nós temos não pode ser destruído com facilidade... Quando
as coisas ficarem difíceis e precisar de alguém que goste
realmente de você, lembre-se de que eu existo", disse-lhe ele.
Eles começaram a filmar Naughty Marietta em 1935, o
primeiro filme que fizeram juntos. Quando ficou claro que o
filme seria um grande sucesso e que faria de Jeanette uma
grande estrela, Louis deu-lhe a liberdade. Ele não gostava de
dormir com estrelas — isto podia prejudicar a reputação deles.
Mas ele ainda se ressentia do novo namorado dela.
O amor entre Nelson e Jeanette cresceu e floresceu
durante a segunda metade das filmagens. "Junto dele, ela se
sentia estranhamente pura e ingênua", lemos em Farewell to
Dreams.
Eles sabiam que viviam muito mais do que uma
aventura. "Desde que a vi pela primeira vez, tive certeza. Ela
respondia a todos os meus pensamentos e desejos não
revelados. É como se eu não pudesse ser, não pudesse existir
sem ela", disse mais tarde Nelson ao "Papai" Leonard, diretor
do filme.
Quando Naughty Marietta tornou-se um dos maiores
sucessos do ano, o público pediu outros filmes com a dupla. Ao
começarem as filmagens do seu segundo filme juntos, Rose
Marie, no qual cantam a canção Indian Love Call (When I'm
callingyou-uu-uu-uu-uu-uu), eles já estavam completamente
apaixonados, haviam deixado de lado toda a dissimulação e
Jeanette nunca se sentira tão feliz.
 
Rose Marie, 1936
 

Como verdadeiras almas companheiras, eles revelavam


o que havia de melhor um no outro — ele a assistia no canto e
ela o ajudava a representar. Para o diretor, o elenco e a equipe,
a situação estava bem clara: eles haviam sido feitos um para o
outro.
No lago Tahoe, no set de filmagens, seu amor seguiu um
caminho primaveril. Eles faziam passeios a cavalo, faziam
amor, ele a pediu em casamento e ela aceitou. Ela adorou o
lindo anel, uma esmeralda rodeada de diamantes, que ele lhe
deu.
— Oh, Nelson, prometo usá-lo para sempre. Desta forma
você estará sempre junto de mim.
Mas, como estrela, ela preferiu esperar até junho, para
se casarem numa grande cerimônia.
E foi isso o que os arruinou, pois sob o mar sereno do seu
amor espreitava a rocha da ambição, sobre a qual seriam
despedaçadas as suas vidas. Sharon e Diane descrevem-nos a
seguinte situação:
Jeanette logo descobriu que estava grávida. Ele ficou
extasiado, querendo se casar logo, mas ela ficou irritada com
ele por não compreendê-la. Naquela época, se uma estrela se
casasse ou ficasse grávida, casada ou não, sem o
consentimento do estúdio, seu contrato era automaticamente
cancelado.
Quando a realidade da sua circunstância cármica
envolveu-a como um muro de concreto, a pressão foi
demasiada. Ela achou que ter um bebê a destruiria.
— Não vou deixar você destruir a minha carreira! Tire
isso da sua cabeça... Não quero o seu pirralho chorão, já me
decidi — disse ela zangada.
— Você... você... você não sabe o que está dizendo! Isto
não é você falando, Jenny. Não acredito que tudo o que você
queira da vida seja ser uma estrela. É uma coisa tão vazia.
— É isto exatamente o que eu quero, e vou fazer tudo —
tudo — para chegar lá. Está me ouvindo? Eu vou ser a maior
estrela daqui e ninguém vai me impedir! Está me entendendo?
— Sem dúvida, cuide da sua carreira. Veremos quanto
amor e conforto ela vai lhe dar.
Esta cena foi um golpe mortal na felicidade que eles
tinham vivido. No dia seguinte, Jeanette perdeu a criança. Ela
tentou consertar as coisas, mas Nelson ainda estava zangado e
desiludido. Ele a repeliu e uniu-se logo a uma estrelinha loura,
chamada Anita Louise.
Para provar que poderia fazer o mesmo jogo, ela ligou
para Gene Raymond, um ator com quem havia saído algumas
vezes, e convidou-o para ir ao lago Tahoe. Ele foi tão charmoso
e deu tanto apoio à sua carreira que, quando ele a surpreendeu
com um pedido de casamento, ela aceitou. Ele não frustraria as
suas ambições.
— Sua carreira é o que importa — disse-lhe ele. Por
motivos que não ficaram totalmente esclarecidos, ela aceitou o
pedido, sem prever o ato seguinte da tragédia, que ela mesma
havia preparado.
Gene imediatamente telefonou para a MGM e anunciou o
casamento. Louis ficou deliciado, encontrando, assim, a chance
de vingar-se do barítono insubordinado. Sua estrela estava para
se casar. Ele decidiu planejar "a maior campanha publicitária
da história".
 

Durante as filmagens de Maytime, seu filme seguinte, os


amantes fizeram as pazes e quiseram cancelar o casamento,
mas Louis não permitiu, ameaçando arruinar Jeanette. Em
desespero, Nelson ofereceu 250 mil dólares a Gene para que
terminasse o noivado. Este aceitou alegremente, mas Louis
interveio mais uma vez, aparentemente ameaçando a vida de
Gene. Louis, que reinava absoluto sobre o seu rebanho de
estrelas, não costumava fazer ameaças em vão. "Quero
continuar vivo", disse Gene, recuando.
Nelson entrou em desespero. Ele refugiou-se na bebida e
Jeanette, nos tranquilizantes, e, assim, os dois conseguiram
passar pela provação das filmagens.
 

Maytime, 1937
 

O roteiro de Maytime encheu Nelson de maus


pressentimentos. Ele acreditava que ambos haviam destruído
as suas vidas antes, e que o estavam fazendo outra vez. O seu
medo era de que a trama que estavam representando no filme
se tornasse realidade em suas vidas.
No filme, a cantora de ópera em ascensão, Mareia
Mornay, concorda em casar-se com seu professor de música,
Nicolai, sem amá-lo. Uma noite, em Paris, ela conhece um
jovem cantor, Paul Allison, e descobre que ele é o seu
verdadeiro amor; passam juntos um dia maravilhoso, o Primeiro
de Maio, mas ela decide que, ainda assim, vai se casar com o
professor por obrigação. Ela vive com ele sete anos miseráveis
e encontra Paul novamente em Nova York, no fim desse
período.
Ao perceber que ainda está apaixonada por Paul, ela
pede a Nicolai que a deixe ir. Este concorda muito facilmente.
Depois que ela sai, ele pega uma arma, procura Paul e o mata.
Ela chega pouco depois, a tempo de ouvi-lo dizer: "Aquele dia
valeu pela minha vida inteira."
No fim do filme, ela morre, velha e sozinha, e a sua alma,
num delírio primaveril, sai do seu corpo e encontra-se com
Paul, que a recebe cantando. Eles dão-se as mãos, e seus
espíritos, finalmente juntos, seguem pelo jardim florido.
Os temores de Nelson não eram infundados. Como
Jeanette estivesse determinada a levar adiante o casamento,
sua última chance era raptá-la. Ele foi à casa dela pouco antes
da cerimônia, arrastou-a escada abaixo e levou-a para o carro.
— Jenny, diga que não me ama! Olhe nos meus olhos e
diga! Se puder fazer isto, eu acreditarei e nunca mais vou
importunar você!
Jeanette olhou-o desafiadoramente a princípio, mas seu
olhar vacilou. Ela virou-se tentando esconder as lágrimas.
Vendo-as, Nelson abraçou-a. Ela ficou rígida e retraiu-se,
gaguejando.
— Não... não, eu não posso. Eu não vou deixá-lo fazer
isso. Você não pode substituir a minha carreira. Você não
entende isso? O amor é importante, mas...
A voz de Nelson soou desesperada:
— Anjo, anjo, o que há com você que só nos destrói? As
pessoas passam a vida inteira procurando o que nós temos, e
você está disposta a jogar tudo fora por essa tola ambição.
Tocada pela agonia dele, ela se aproximou, mas deu por
si, e gritou:
— Não, não, já está tudo arranjado! Este será o maior
casamento já realizado! Os meus fãs... eu não posso, eu não
posso... Eu amo mais a minha carreira! — Ele deixou-a ir,
percebendo que a havia perdido.
O casamento deve ter sido um dos momentos mais
angustiantes da vida de Nelson. Os convidados lembram-se dos
seus soluços engasgados enchendo a igreja durante a
cerimônia. Como havia sido planejado, ele cantou I Love You
Truly logo no começo da cerimônia, depois que o oficiante
disse: "Caros amigos, estamos aqui reunidos à vista de Deus e
desta comunidade para unir este homem e esta mulher no
sagrado matrimônio...", palavras que ele nunca esperou ouvir
com lágrimas nos olhos.
A sua interpretação desesperada desta canção era a
repetição da interpretação dela de Indian Love Call, cantada
para Nelson ou vice-versa no filme Rose Marie, quando ele, no
papel de um guarda da polícia montada canadense, prende o
irmão dela. Na súplica mais apaixonada da história do cinema,
ela implora que, se ele a ama, deixe o irmão dela fugir. Nem no
casamento nem no filme, nenhum dos dois mudou a decisão já
tomada, mas pelo menos o filme teve um final feliz.
Quando chegou ao Havaí, para a lua-de-mel, ela
descobriu o enorme erro que havia cometido: seu marido era
homossexual. Ela ameaçou anular o casamento e ele ameaçou
colocar o escândalo nas primeiras páginas dos jornais se
Jeanette voltasse para Nelson.
 

Jeanette estava presa entre duas eras. Segundo os


padrões severos dos anos 30, os astros de cinema eram
perfeitos, e ela estava determinada a não macular a sua
imagem angélica; mais uma vez, ela escolhe a fama em vez da
felicidade pessoal. Jeanette resignou-se tristemente à estrada
acidentada que havia escolhido, percebendo, com desespero
crescente, que ela havia arruinado a sua vida e a de Nelson...
Ela sabia que era tudo culpa sua e que Nelson era verdadeiro,
que ele era a pessoa mais doce que já conhecera e o único que
a amara de verdade. A culpa atormentou-a até o final dos seus
dias.
Enquanto isso, a máquina publicitária de Louis
continuava a criar histórias sobre o paraíso conjugai dos
Raymond e as revistas de fofocas de artistas estavam cheias
delas. Eles mantinham as aparências, apresentando-se em
eventos sociais de braços dados e fazendo o papel de casal
feliz.
Nelson e Jeanette filmaram juntos Girl of the Golden
West, representando seus papéis de forma inexpressiva. Este é
o único filme do casal sem um dueto de amor, pois ela não
conseguia cantar Obey Your Heart, escrito especialmente para
o filme, sem chorar. No filme seguinte, Sweethearts, a situação
ficou insuportável.
De acordo com Diane e Shane, ela saiu uma noite à
procura de Gene para irem a um compromisso social e
encontrou-o na cama, num clube de homossexuais. Ela
recolheu as roupas dele e o arrastou para fora sob a zombaria
dos outros casais de homossexuais.
Naquela noite ela voltou "definitivamente" para Nelson,
mudando-se da sua casa alguns dias depois, quando Gene
agrediu-a, ferindo-a no rosto. Nelson, sempre superprotetor,
bateu tanto em Gene que este passou duas semanas no
hospital. O casal apaixonado mudou-se para um bangalô em
Burbank e procurou levar uma vida normal. Os vizinhos ainda
se lembram deles como "o casal agradável que gostava de
andar a cavalo".
Jeanette deu entrada no pedido de divórcio e a filmagem
de Sweethearts continuou com ambos expressando seu amor
abertamente, em cada palavra e olhar. Ela engravidou e os
dois, muito felizes, queriam um casamento rápido. Planejaram
construir uma casa em Bel Air, com o quarto do bebê pintado
de rosa e lavanda; os seus sonhos estavam prestes a se
realizar.
 

Sweethearts, 1938
 

Mas isto só durou até que Louis viu-os juntos e percebeu


que estavam apaixonados. Furioso era pouco. Jeanette disse a
ele que Gene era homossexual, que já não aguentava mais e
que estava pedindo o divórcio; Louis proibiu-a de fazer isto.
— Eu entendo, mas a bilheteria não entenderia. Diga
mais alguma coisa e eu destruirei vocês. — Mas tanto Jeanette
quanto Nelson ficaram firmes.
Entretanto, as ameaças de Louis surtiram efeito. No dia
seguinte, Jeanette desmaiou e caiu da rampa onde as
filmagens do musical estavam sendo realizadas. Ela estava
grávida de seis meses. Nelson tomou-a nos braços e carregou-a
para o hospital com o vestido ensopado de sangue. Ela teve
uma criança prematura e ele desfaleceu; quando acordaram,
receberam a notícia de que ela não poderia mais ter filhos. O
bebê, um menino, viveu dois dias.
As ameaças de Louis os separaram novamente. Louis
disse a Jeanette que se eles não deixassem de se ver, Nelson
seria encontrado "boiando de bruços, alimentando os peixes...
ou ela se comportava ou ele mandaria seus rapazes cuidarem
de Nelson, e ele não estava brincando". Como Louis tinha
ligações não muito ocultas com o submundo do crime, ela
acreditou nas ameaças.
Jeanette voltou para Gene sem avisar Nelson da decisão
que havia tomado. Como era de seu feitio, ele guardou para si
a sua dor e disse que nunca mais queria vê-la. Entrou em
parafuso, trocando o dia pela noite, bebendo, e, finalmente,
caindo doente.
Nesse momento, descreve o livro Farewell to Dreams, a
história deu mais uma estranha reviravolta. Ann Franklin, uma
conhecida, foi deliberadamente à casa de Nelson com um
plano em mente. Encontrou-o bebendo e, unindo a sua
depressão a remédios que induziriam tonteira, enfraqueceu a
sua vontade. Ela o pediu em casamento. Ele, num estado de
bebedeira irracional, aceitou. Afinal de contas, não era só
Jeanette que podia se casar. Acordou no trem, com a voz de
sua nova esposa, voltando para casa, vindo de Las Vegas. Ele
não se lembra do que aconteceu e, mais tarde, assegurou que
o juiz deve ter sido subornado para casar alguém naquele
estado.
Sharon Rich descobriu que Ann, para impedir que Nelson
mais tarde pedisse a anulação do casamento, havia tirado fotos
comprometedoras, provando que o casamento havia sido
consumado.
Quando Jeanette soube do casamento, tentou se matar
tomando quase um vidro inteiro de pílulas para dormir. Ela
recuperou-se lentamente, e então começaram as filmagens de
New Moon (1940). A princípio, eles se trataram com frieza, mas
logo redescobriram o seu amor e decidiram nunca mais se
separar.
Ela mudou-se novamente para a cabana dele, Louis logo
descobriu e forçou-os a se separarem novamente. "O único
lugar onde os quero ver juntos é em frente às câmeras, em
nenhum outro lugar", disse Louis. Durante a filmagem, eles
foram forçados a passar pela agonia de ficarem separados em
lados opostos do set. Mas Louis não conseguiu mantê-los longe
um do outro por muito tempo. Eles começaram a se ver
novamente, prometendo ser mais discretos.
As coisas ficaram feias quando Ann Eddy procurou Louis
para reclamar do marido sempre ausente. Louis ficou furioso e
chamou Jeanette de prostituta. Nelson quase o estrangulou e
demitiu-se, comprando de volta o seu contrato. Jeanette
convenceu-o a terminar o filme que estavam fazendo, seu
último filme juntos, I Married an Angel (1942).
 

 
Comparada ao seu amor por Nelson, a carreira já não
tinha para Jeanette o mesmo significado de antes. Ela deixou
de exigir tanto de si mesma e, consequentemente, a sua
atuação perdeu muito. Louis decidiu não renovar seu contrato.
Embora ela tenha feito mais três filmes, algumas peças
de teatro, espetáculos beneficentes durante a guerra,
concertos e até óperas, que eram o seu sonho, a sua carreira
nunca mais progrediu.
A imagem pública deles havia mudado. Jeanette era
agora muito velha para fazer um par romântico, mas Nelson
ainda era muito requisitado. Ele fez ainda outros quatro filmes
de sucesso e continuou a apresentar-se em concertos e a fazer
shows em boates até o fim da sua vida.
Em 1946, Jeanette teve uma crise nervosa. Daí em
diante, a sua saúde passou a ser um problema. Em 1948, ela
teve o seu primeiro ataque do coração.
Durante este período final, Nelson e Jeanette não se
interessaram em colocar as suas vidas em ordem. Era como se
as coisas tivessem ido longe demais e eles estivessem
esperando o próximo evento ou uma outra oportunidade.
Nelson tinha de continuar a trabalhar porque sua esposa
controlava o seu dinheiro ou gastava-o todo. Ele não tinha
dinheiro nem para comprar uma casa para ele e Jeanette em
Scottdale, no Arizona, onde haviam planejado viver juntos
quando se aposentassem.
Enquanto isso, as chamas gêmeas do estrelato viviam
com seus respectivos esposos. O que traz à tona uma das
perguntas não respondidas desta história: por que ambos não
pediram o divórcio? Em 1950, com certeza, o divórcio não era
mais o estigma que havia sido em 1937.
Pelo lado de Nelson, Ann recusava-se a dar-lhe a
liberdade, embora ele lhe implorasse. Jeanette, provavelmente,
ficou com Gene por pena, em resposta às suas juras
cuidadosamente contritas de "nunca mais faço isso", durante
cenas de lágrimas e pedidos de perdão de joelhos.
Outro possível motivo para Jeanette e Nelson nunca
terem se divorciado de seus "companheiros legais" é que eles
já eram casados! Quando publicou o seu livro, Sharon Rich
apresentou evidências que a levavam a crer que Nelson já era
casado com Jeanette quando se casou com Ann! Algumas das
suas fontes declararam que Jeanette e Nelson foram ao México
para se casar. Sharon acredita que isso aconteceu quando
Jeanette estava grávida, durante as filmagens de Sweethearts.
Isto é bem possível, porque Nelson era determinado e, fiel ao
seu caráter, nunca teria permitido que o seu bebê nascesse
com o nome de outro homem.
No México, eles poderiam ter conseguido um divórcio por
procuração sem a presença de Gene, e se casado rapidamente.
Quando Nelson se casou com Ann, esta provavelmente o
chantageou, ameaçando-o de bigamia. Isto teria sido suficiente
para mantê-lo preso a ela por toda a vida. Um divórcio nessa
altura dos acontecimentos teria sido um escândalo com muitas
consequências, abalando não só a carreira de Jeanette, mas
também a sua moral.
O fato de, nesse momento, nenhum dos dois tentar
esconder o seu amor pode ser explicado por considerarem-no
íntegro e legítimo por estarem casados, mesmo que
secretamente.
A devoção que tinham um pelo outro vencia as
distâncias.
Uma vez Nelson recebeu uma carta de Jeanette que o
deixou meio preocupado quando fazia apresentações na
Austrália; cancelou seus compromissos e voou de volta para
Hollywood, porque tinha sentindo-se mal com a carta. Quando
descobriu que ela estava bem (ou que fingia estar bem), ele
ficou encabulado.
A partir de um determinado momento, Gene começou a
exercer mais controle sobre a vida dela, forçando-a a vender a
casa e a se mudar para um apartamento. Nelson viajava com
frequência e não sabia da sua doença degenerativa, pois, até o
fim, ela escondeu dele o seu coração doente (e partido).
Ela foi ficando pouco a pouco mais fraca quando Gene e
sua empregada começaram a descuidar da sua alimentação e
retiraram o seu telefone para impedi-la de falar com Nelson.
Gene dava-lhe pílulas para dormir, na maior parte das
vezes para mantê-la quieta. Se ela não tivesse um terrível
sentimento de culpa atormentando-a permanentemente,
poderia ter mantido o seu interesse pela vida, mas, como disse
sua irmã Blossom: "Foi a culpa que a matou."
Quando ela morreu, no dia 14 de janeiro de 1965, Gene
estava à sua cabeceira. Delirando, ela pensava que era Nelson
que estava ali. No seu último suspiro, atravessando a
eternidade, ela disse àquele que havia amado a sua alma
desde o princípio: "Eu te amo."
Como Romeu, Nelson procurou seguir a sua Julieta, mas
foi frustrado em todas as tentativas de se destruir. Dois anos
depois da morte dela, ele desmaiou durante um show na
Flórida e morreu poucas horas depois. Podemos esperar que,
como em Maytime, ela o tenha recebido com uma canção
quando ele deixou alegremente seu corpo atormentado.
Nos reinos de luz eles poderiam aguardar a sua próxima
entrada no palco da vida, numa nova chance de construir as
suas vidas, buscando, desta vez, dominar o orgulho e a
ambição — escolhendo o Amor. E num lugar onde os Louis B.
Mayers, os Gene Raymonds ou as Ann Franklins não teriam
nenhum poder sobre seus espíritos: pois eles foram realmente
testados e purificados pelos fogos da sua adversidade auto
induzida. Prudentes em relação às forças que ameaçam o Amor
verdadeiro e, acima de tudo, protegendo o seu casamento feito
no céu, eles realizariam na terra o seu desejo secreto mais
sagrado — serem um para sempre.
Nada nem ninguém se colocaria entre eles — pois sem
Amor, a vida seria "como o metal que soa, ou como o sino que
tine (1 Coríntios 13:1)... Pois agora vemos em espelho, de
maneira obscura; então veremos face a face." (1 Coríntios
13:12) E o decreto do Senhor Deus a chamas gêmeas que ele
criou não seria negado: "O que Deus ajuntou não o separe o
homem." (Mateus 19:6)
 
CRÉDITOS DAS FOTOGRAFIAS:
 

As fotos reproduzidas neste capítulo são cortesia da


coleção de Sharon Rich.
Para mais informações sobre as vidas e o romance de
Jeanette e Nelson, entre em contato com o Mac/Eddy Club, RO.
Box 1077, Nova York, NY 10002, EUA, e-mail
maceddy@earthlink.net ou visite o site http://
liome.earthlink.net/~maceddy/index.html. Os excertos do livro
l:urewell to Dreams de Diane Goodrich e Sharon Rich, copyright
1979 Jeanette MacDonald/Nelson Eddy Friendship Club, Inc.,
foram usados com permissão. Sharon Rich atualizou a sua
pesquisa enriquecendo-a com mais documentos e cartas de
amor, apresentando-a num livro mais recente intitulado
Sweethearts: The Timeless LoveAffair— On Stage and Off —
Between Jeanette MacDonald and Nelson Eddy, publicado por
Donald I. Fine, 1994, disponível através do site.
 
A busca da integridade

Cada um de nós tem uma alma gêmea, ou chama


gêmea, que foi criada conosco no princípio. Deus criou você e a
sua chama gêmea a partir de um "corpo de fogo branco" único.
Ele partiu este ovóide de fogo branco em duas esferas de ser —
uma com a polaridade masculina e outra com a polaridade
feminina, cada uma delas com a mesma origem espiritual e o
mesmo padrão único de identidade.
Éons atrás, você e a sua chama gêmea apresentaram-se
perante Deus Pai e Mãe e ofereceram-se como voluntários para
descer aos planos da matéria e expressar o amor de Deus na
Terra. O plano original era de que vocês passassem por uma
série de encarnações, tomando ora a forma masculina ora a
forma feminina, para que cada uma das metades do Todo
Divino aprendesse a ser um instrumento de Deus Pai e Mãe.
Inicialmente, a nossa vida na Terra foi feliz, e cada um de
nós teria continuado a compartilhar da beleza do
relacionamento dos amantes cósmicos com as nossas chamas
gêmeas por muitas encarnações, se tivéssemos mantido a
harmonia um com o outro e com Deus. Mas caímos do estado
de perfeição ao usarmos mal a luz de Deus. Este é o verdadeiro
significado da história do Jardim do Éden.
Se nos tivesse sido possível conservar a harmonia do
Um, teríamos mantido todo o êxtase do nosso amor durante as
nossas vidas na Terra. Mas, quando perdemos a harmonia —
por medo, desconfiança ou sentimento de separação da nossa
Origem —, acabamos como vítimas do nosso carma negativo.
Afastados um do outro por estarmos em vibrações diferentes,
não mais escolhendo um ao outro, nos emaranhamos em
alianças complicadas e mútuo abandono, até que as nossas
almas bradem pelo Deus vivo... e uma pela outra.
Cada uma das encarnações que vivemos longe da nossa
chama gêmea foi passada, criando carma negativo ou
transmutando um pouco do carma que impedia a nossa
reunião. Muitas vezes, tivemos tipos diferentes de
relacionamentos com ela — como esposos, mãe e filho, pai e
filha, irmão e irmã — de forma a desembaraçar os cordões de
energia negativa com os quais enredamos o nosso
subconsciente, pelo mau uso que fizemos do nosso livre-
arbítrio.
Agora é o momento, neste final de ciclo e ao entrarmos
na era de Aquário, em que as pessoas da luz que seguem uma
senda espiritual precisam aprender a entrar em contato com as
suas chamas gêmeas. Esta busca é estimulada pelo nosso Eu
Superior, mas é mal compreendida no nível físico. Quando lhes
é revelado que compartilham de uma missão única com suas
chamas gêmeas, as pessoas geralmente partem na busca física
daquela alma específica, em vez de procurarem construir a sua
integridade interior. Isto sempre gera um atraso na senda da
libertação da alma. É nosso relacionamento com Deus e com o
Eu Superior que provê a solução para encontrarmos e nos
tornarmos um com a nossa chama gêmea.
 

Construído pelo soberano persa Xá Jahan como o túmulo


da sua esposa adorada, o Taj Mahal é um tributo à majestade
do amor divino. Permanece como um altar ao amor eterno das
chamas gêmeas.

O casamento alquímico

A lei cósmica exige que, inicialmente, determinemos a


nossa própria identidade em Deus, para depois expressarmos
completamente o potencial espiritual conjunto das chamas
gêmeas. Porque, até que as chamas gêmeas adquiram um
certo nível de mestria e de união com o Eu Real, elas
raramente são capazes de lidar com o fardo do carma
negativo, porque este é ampliado em virtude da presença das
suas chamas gêmeas. O elemento especial que dá às chamas
gêmeas o seu grande poder espiritual — a sua matriz idêntica
de identidade — pode, da mesma forma, ampliar os seus
padrões negativos.
Todos nós devemos aprender a mudar os nossos padrões
negativos, o metal não precioso do ego humano misturado ao
ouro do nosso Eu Real ou divino. A isso chamamos o casamento
alquímico — a união da alma, o aspecto feminino do nosso ser,
com o "Cordeiro", o eu espiritual, real e permanente, o aspecto
masculino do nosso ser. O amor deste querido Cristo Pessoal,
desta porção do nosso ser que está em contato permanente
com a Origem — a Presença do EU SOU —, é um amor que não
tem comparação. Foi a este Amado que os santos do Oriente e
do Ocidente entregaram-se completamente.
Ao acelerarem a sua consciência através da comunhão
com Deus, esses santos foram vencendo, pouco a pouco, o ego
humano. Eventualmente, suas almas uniram-se completamente
ao eu real espiritual, ao ascenderem de volta ao coração de
Deus. "Pois convém que isto que é corruptível se revista da
incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da
imortalidade." (1 Coríntios 15:53)

A criação das Chamas Gêmeas

0 T’ai Chi, que representa as polaridades masculina e


feminina da unidade de Deus, gira e divide-se em duas esferas
idênticas — chamas gêmeas do Um. Como uma gota do oceano
de Deus, cada esfera ou Mônada Divina consiste na Presença
do EU SOU, envolta pelas esferas (os anéis de cor e luz) que
perfazem o Corpo Causai. Desta forma, Deus Pai e Mãe nos
criou à sua imagem — masculina e feminina.
 
Figura 1 e Figura 2
 

Cada Presença do EU SOU emite um raio — uma alma.


Cada alma focaliza uma polaridade — uma focaliza a
polaridade masculina e a outra, a feminina. Entre a alma que
evolui na terra e a Presença do EU SOU, existe o Cristo Pessoal
— o nosso mediador entre o Espírito e a Matéria. Ao usarmos o
nosso livre-arbítrio e alcançarmos a mestria na terra podemos
nos elevar em consciência, até nos tornarmos um com o nosso
Cristo Pessoal.
Este é o "casamento alquímico" que precisa anteceder a
união eterna das chamas gêmeas.
Adão e Eva simbolizam o teste que Deus pede a todas as
almas gêmeas. Embora cada um de nós tenha se originado no
Espírito para realizar a nossa missão de exercer o domínio
sobre a terra, caímos do estado de perfeição (o Éden) devido à
nossa desobediência e rebeldia em relação à lei cósmica.
Por isso, temos de enfrentar o sofrimento de ficarmos
separados da nossa chama gêmea durante muitas
encarnações, enquanto nos ocupamos de transmutar o nosso
carma.
 

Figura 5 e Figura 6
 

Quando as chamas gêmeas começaram a usar mal a


energia de Deus, elas também começaram a criar carma
negativo — espirais de energia que formam camadas de
negatividade e densidade nas auras, separando-as da sua
Presença do EU SOU e das suas chamas gêmeas.
 

Figura 7
 

Através do uso diário da chama violeta da transmutação,


essa energia mal qualificada — como o ressentimento, a
irritação, a ansiedade e a frustração — pode ser libertada da
negatividade, purificada e mandada de volta para os sete anéis
do Corpo Causai, no plano do Espírito, como os nossos
"tesouros ajuntados no céu".
 

Figura 8
 

Podemos nos unir com a nossa chama gêmea em níveis


internos expandindo a chama trina de Deus dentro dos nossos
corações, e usando a polaridade dinâmica do nosso amor para
cumprirmos a nossa missão. A nossa união final ocorre quando
nos tornamos um com a nossa Presença do EU SOU e nos
reunimos no plano do Espírito como seres imortais, seres livres
em Deus.
 

Figura 10
 

O contato interno entre as Chamas Gêmeas

A nossa chama gêmea pode já ter alcançado a libertação


da sua alma e se reunido a Deus — ou pode estar lutando para
encontrar o caminho. Onde ela está neste momento — o seu
estado atual de consciência — pode influenciar muito a nossa
capacidade de nos tornarmos íntegros. Por compartilharmos da
mesma matriz de identidade — única, como o desenho de cada
floco de neve é único no cosmos — toda a energia que
expressamos fica impressa, ou carimbada, com este padrão
específico. De acordo com a lei de que os semelhantes se
atraem, toda a energia que emitimos percorre o circuito que
nos liga às nossas chamas gêmeas — ajudando-as ou
dificultando a sua senda para a integridade.
Quando expressamos amor ou esperança, estas virtudes
elevarão as nossas chamas gêmeas. Mas, se nos sentirmos
tristes, frustrados ou zangados, as nossas chamas gêmeas
também sofrerão a pressão destes sentimentos desarmoniosos.
Às vezes, sentimos alegria ou tristeza sem motivo, aparente,
mas é porque estamos captando na nossa consciência o estado
emocional da nossa outra metade.
Podemos acelerar o nosso progresso espiritual
invocando, em orações, meditações e decretos dinâmicos,{2} a
Presença do EU SOU para estabelecer o contato interno de
coração com a nossa chama gêmea. Para isso, podemos usar a
seguinte invocação:
Em nome do Cristo, invoco a abençoada Presença do EU
SOU das nossas chamas gêmeas para que se unam firmemente
aos nossos corações para a vitória da nossa missão em prol da
humanidade. Invoco a luz do Espírito Santo para que consuma
todo o carma negativo que esteja limitando a expressão total
da nossa identidade divina e da realização do nosso plano
divino.
Ao fazermos este pedido, mesmo que estejamos vivendo
num nível diferente daquele da nossa chama gêmea, podemos
nos unir espiritualmente a ela nos planos superiores e enviar
luz para o nosso mundo e para o mundo da nossa chama
gêmea, redimindo o carma que tenhamos com ela. Este
contato interior amplia a luz e o desenvolvimento que cada
uma das partes possui, e liberta o gigantesco poder do amor
entre elas, fazendo com que possam se defender das
dificuldades que sempre se apresentam para aqueles que
defendem o amor.
Inspirados pela dignidade do amor, artistas, escritores e
compositores de todas as eras exprimiram o elevado
enaltecimento do amor e suas trágicas profundezas. Em muitas
obras-primas é possível perceber a compreensão intuitiva das
chamas gêmeas, de seu amor e dos seus embates com o
carma e a lei cósmica.
Muitas óperas famosas podem ser interpretadas sob esta
perspectiva. Embora algumas árias e duetos sugiram o grande
amor das chamas gêmeas, os enredos frequentemente
terminam em sofrimento, tragédia ou morte, porque um dos
amantes, ou ambos, não passou na prova da mestria pessoal —
não tendo consagrado a sua senda individual a Deus. Estas
histórias dramáticas nos ensinam acerca das dificuldades que
nos aguardam quando buscamos o amor mais elevado, e nos
ajudam a ver com clareza aquilo que não devemos fazer.

Madame Butterfly

A ópera Madame Butterfly, de Puccini, conta a trama do


tenente norte-americano Pinkerton que combina casar-se com
Butterfly, uma ingênua menina japonesa de 15 anos. Essas
duas almas representam as chamas gêmeas. Suas culturas
opostas, oriental e ocidental, simbolizam tanto as polaridades
feminina e masculina das chamas gêmeas quanto a enorme
distância que separa as almas que ainda não transmutaram o
seu carma e que, por isso, precisam viver a dor da separação.
Pinkerton, um homem sofrido, já não conhece mais o
sentimento de pureza do amor verdadeiro. Embora se sinta
atraído pela beleza e pelo charme da jovem esposa, ele,
deliberadamente, planeja deixá-la para casar-se com uma
norte-americana. Durante o pouco tempo que passam juntos, o
casal vive momentos de amor intensos — com as suas almas
se unindo em uma só chama, para celebrar a sua união original
em Deus. O fruto desta união é o nascimento de uma criança —
como símbolo do seu grande amor.
O tenente, entretanto, não percebe que ela está grávida,
e, cego pela sua ambição, arrogância cultural e egoísmo, viaja
para a América enquanto Butterfly fica esperando pela sua
volta. Ela espera paciente e esperançosa, vigiando a chegada
do navio todos os dias.
Ele volta muitos anos depois — com a esposa americana.
Em sua dor por ter sido abandonada pela sua chama gêmea,
Butterfly tira a própria vida.

Lohengrin

A ópera de Wagner, Lohengrin, descreve o


relacionamento entre chamas gêmeas em que uma parte já
ascendeu ao Espírito e se dedica a ajudar a sua amada — que
ainda está passando por testes e iniciações na Terra.
Elza é injustamente acusada de matar seu irmão, mas
tem uma fé inabalável de que um cavaleiro com armadura
brilhante irá salvá-la. A chama gêmea ascensa de Elza,
Lohengrin, vem em resposta ao seu chamado interior,
descendo dos planos superiores para libertá-la. Ele desliza pelo
lago num barco puxado por um cisne mágico. Ele é um
Cavaleiro 'do Graal, proveniente do mágico Castelo do Graal,
uma alma unida a Deus, vinda de outra esfera.
Eles se casam, e Lohengrin, o instrutor espiritual da sua
chama gêmea, orienta Elza a nunca perguntar o seu nome.
Este é o grande teste de amor pelo qual ela precisa passar — o
mesmo teste que Cupido pede a Psique no clássico da
mitologia. Mas nem Psique nem Elza conseguem resistir à
tentação — ambas cedem à fraqueza humana da curiosidade e
descobrem a verdadeira identidade dos seus amantes. Por
causa dessa desobediência, a lei cósmica exige que eles se
separem mais uma vez. Lohengrin retorna ao plano do Espírito
— para ali esperar que a sua chama gêmea desenvolva a
mestria necessária para alcançarem a sua união final, o mesmo
que fez Cupido.
A literatura está cheia de exemplos de amantes famosos
que podem muito bem ter sido chamas gêmeas: Dante
finalmente chegando ao ponto em que Beatriz pode apresentá-
lo ao Cristo, a fiel Penélope mantendo a chama do amor que
traz Ulisses de volta para casa, a incansável Evangelina
procurando o seu amado, Shakespeare expressando o seu
amor pela dama dos sonetos, Romeu e Julieta, Lancelote e
Guinevere, Tristão e Isolda, Hiawatha e Minnehaha, Robert e
Elizabeth Barrett Browning. Todos eles compartilharam um
amor típico de chamas gêmeas.
 
Almas companheiras

Nem todos os amores lindos e reconfortantes para a


alma são os das chamas gêmeas. Existe também o amor entre
almas muito queridas e amigas, chamadas almas
companheiras.
 

Longfellow descreve a saudade de Hiawatha por


Minnehaha, ilustrando a polaridade dinâmica das chamas
gêmeas. "Tal como a corda é para o arco, assim a mulher está
para o homem; embora o dobre, lhe obedece; embora o atraia,
ela o segue; de nada servem um sem o outro."
 

Almas companheiras são diferentes de chamas gêmeas.


Almas companheiras se reúnem para aprender a ter mestria
sobre um mesmo tipo de carma e para desenvolver as energias
de um mesmo chakra.{3} Por isso as almas companheiras
sentem atração uma pela outra, proveniente do labor sagrado
e da senda de mestria pessoal comum que os dois precisam
desenvolver. Uma alma companheira é como um eco de si
mesmo na Matéria, alguém com que se trabalha junto na
mesma tarefa para realizar um plano de Deus.
Maria e José, os pais de Jesus, foram almas
companheiras que compartilharam a responsabilidade de nutrir
o Cristo como seu filho. As chamas gêmeas de ambos já
estavam em reinos mais elevados de luz, mantendo o equilíbrio
de forças para a vitória da sua missão. Muitas pessoas, que
ainda estão resgatando carma e que seguem a senda
espiritual, são levadas a trabalhar com almas companheiras
para realizarem um dharma ou labor sagrado comum.

O casamento cármico

Existe, além de chamas gêmeas e almas companheiras,


um terceiro tipo de relacionamento matrimonial muito comum
— o casamento cármico. Nesse tipo de relacionamento, o casal
une-se com o propósito de transmutar um carma mútuo.
Tais casamentos são muitas vezes difíceis, mas são
muito importantes para desenvolver a mestria na senda
espiritual. O casal também adquire bom carma na criação dos
filhos.
Este tipo de casamento pode ser uma boa oportunidade
para se pagar por crimes severos como assassinato, traição ou
ódio exacerbado. Muitas vezes, a única maneira de transmutar
o registro deste ódio é por meio do amor intenso vivido pelo
casal.

A união do casamento

 A instituição humana do casamento foi abençoada por


Deus como uma oportunidade para que dois indivíduos
desenvolvessem a integridade pela transferência das suas
polaridades Alfa e Ômega. Na união entre chamas gêmeas,
almas companheiras ou parceiros cármicos, o casamento entre
o homem e a mulher destina-se a ser místico; uma
comemoração da união da alma com a amada Presença do EU
SOU através do Cristo, o abençoado Mediador.
Jesus apontou a importância do casamento como uma
iniciação na Senda quando escolheu fazer o seu primeiro
milagre na festa das bodas de Canaã — transformando a água
em vinho. A essência deste ensinamento é que, a menos que o
casamento seja convertido pelo Espírito Santo, ele
permanecerá apenas uma experiência exterior. Somos nós que
escolhemos nos satisfazer com um casamento baseado
somente na água da consciência humana, ou desejamos um
casamento fundamentado no vinho da consciência divina.
 

O intercâmbio cósmico do amor divino, que é expresso


numa relação matrimonial, tem como propósito expressar o
mesmo amor criativo que criou o universo no princípio, quando
Deus Pai disse "Haja luz!", e Deus Mãe respondeu "E houve
luz!". Este gesto criativo pode se expressar não só pela união
física, mas também em períodos de celibato, quando os
parceiros entram em comunhão interior com a sua amada
Presença do EU SOU.
A troca dessas sagradas energias através da união
sexual destina-se à transferência de esferas de consciência
cósmica — os nossos Corpos Causais de luz. A energia
luminosa resultante desse encontro aumenta as qualidades
positivas dos parceiros e fortalece a sua identidade divina —
ajudando-os a carregar o fardo de carma que compartilham.
Quando a união é consagrada ao amor de Deus, a mistura
harmoniosa das energias puras do Pai e da Mãe gera o Filho, a
consciência crística — seja sob a forma de uma criança, de
uma inspiração, de um projeto ou de uma obra de arte.
Quando esta troca não é espiritualizada pelo
reconhecimento de que Deus é tanto o amante quanto o
amado, o casal pode sentir prazer físico, mas, sem saber,
tomam sobre si os padrões cármicos do outro, sem receber o
benefício de um amor espiritualmente transmutador. Isto talvez
possa explicar as muitas crises de identidade pelas quais
passam as pessoas que têm relações íntimas
descompromissadas; elas recebem tantas identidades cármicas
diferentes que estas chegam até a neutralizar a sua própria, e
acabam sem saber quem realmente são.
 

O círculo da unidade

Eis aqui um ritual que pode ser usado para consagrar a


sua união sagrada com o seu companheiro e para proteger
todas as suas relações com a pureza do amor de Deus. Você
pode usá-lo também como uma celebração da sua união com a
sua chama gêmea e com Deus.
De pé (sozinho ou com seu companheiro), de frente para
a Imagem do Seu Eu Divino,{4} harmonize-se interiormente com
a estrela da sua divindade, a Presença do EU SOU. Medite na
chama sagrada que arde no seu coração. Visualize um raio de
amor unindo o seu coração ao coração da sua Presença do EU
SOU. Mergulhe a mão direita neste fogo do coração e trace
com ela um círculo de união em torno de vocês dois (de você e
do seu companheiro, da sua chama gêmea ou da sua Presença
do EU SOU) enquanto estão de pé, em adoração ao Ser Único.
Visualize este grande círculo de quase quatro metros de
diâmetro como um aro de fogo sagrado que repelirá tudo o que
se oponha à união de vocês.
Visualize a si mesmo e ao seu companheiro como os dois
focos das energias cósmicas de polaridade positiva e negativa,
como as duas metades da figura do T'ai Chi girando. Consagre
o seu amor à união da sua alma com a Presença do EU SOU e à
sua união final com o círculo santificado de Deus. Como uma
proteção adicional da sua unidade, invoque diariamente os
querubins, pois eles são os guardiães do amor.
Uma missão muito importante está destinada àqueles
que mantiverem as suas energias em harmonia com o amor
divino. Conheço chamas gêmeas cujo amor nunca fraqueja, e
por manterem este equilíbrio interior, também mantêm o
equilíbrio para cidades inteiras, e suas orações diárias
transmutam ódio, crimes e assassinatos.
Este é um chamado muito elevado e sagrado. Não se
destina às pessoas mundanas que buscam o culto do prazer e
a sensualidade. Esta é a senda interior real, para os que
compreendem que existe um cosmos dentro de nós, que existe
um mundo que precisa ser salvo, que milhões de almas
precisam do nosso amor e que, por isso, este amor não poderá
nunca ser egoísta.
 

Somente depois que Dante passou pelo Interno e pelo


Purgatório, para a expiação dos seus pecados, ele pôde
experimentar o amor divino do Paraíso com seu amor
verdadeiro, Beatriz. Aqui, ela o apresenta ao Cristo.
 

Mas o cinismo da nossa era fez com que muitos


perdessem a crença no poder do amor puro. Poucos parecem
manter a atitude alegre e esperançosa de viver cada dia como
uma nova oportunidade de oferecermos o nosso amor como
um presente especial aos que nos rodeiam. Com frequência,
subestimamos a nossa capacidade de ser, através do nosso
exemplo, elementos de transformação na vida das pessoas.
Djwal Kul, conhecido no mundo inteiro como o Mestre
D.K., contou a história do moleiro e de sua esposa.
“Era uma vez um moleiro de bom coração, que vivia à
beira-mar. Ele trabalhava com a esposa moendo trigo para o
povo da cidade. Não havia cidade naquela região onde reinasse
tanta felicidade quanto aquela. As pessoas se maravilhavam e
se perguntavam o que fazia os membros dessa comunidade tão
sábios e felizes. Mas as pessoas nasciam, cresciam,
envelheciam e morriam, sem nunca conseguir descobrir o
mistério.
Hoje vou contar o que fez com que o povo dessa
comunidade fosse tão feliz e próspero, tão alegre e sábio.
Foi o serviço prestado pelo moleiro e sua esposa, que
saturavam com seu amor a farinha que moíam. Esse amor era
levado nos sacos de farinha para as casas dos fregueses do
moinho, e convertia-se em pão. Em todas as refeições, o poder
regenerador do amor desse casal irradiava-se em cada mesa e
entrava nas pessoas que comiam aquele pão. Assim, com um
poder radioativo, a energia do amor vibrante deles espalhava-
se por toda a comunidade.
Os vizinhos não sabiam a razão da sua felicidade e
ninguém nunca foi capaz de descobri-la. Pois muitas vezes —
embora vivamos lado a lado — não somos capazes de perceber
as verdades mais simples a respeito uns dos outros.”

A alquimia da Era de Aquário

Da mesma forma que o moleiro e a sua esposa foram


capazes de dar o seu amor silenciosamente, você e a sua
chama gêmea também influenciam muitas pessoas à sua volta
com seus pensamentos, sentimentos e atos "radioativos".
Temos a oportunidade de ajudar a toda a vida, ou de colocar
um fardo sobre ela — usando a energia negativa do carma
passado que retorna à superfície da consciência, ou
reconhecendo que esta energia é um impedimento para a
nossa harmonia e amor, e transmutando-a.
A chave para transmutarmos ou alterarmos este carma
do passado, e cumprirmos a nossa missão com a nossa chama
gêmea, é usarmos a chama violeta, uma energia espiritual que
Deus deu ao homem para a sua aceleração no início da era de
Aquário.{5} Esta ação do Espírito Santo transforma a energia
negativa — a raiva em amor, a irritação em paz, a desconfiança
em confiança — para que possamos ser uma influência positiva
na vida dos que nos rodeiam, enquanto trabalhamos para a
nossa vitória final na senda espiritual.
Ao visualizarmos e invocarmos a chama violeta para que
atue na nossa consciência, ela, instantaneamente, começa a
transformar os antigos padrões de energia negativa que
acumulamos por milhares de vidas. Começamos, então, a ter
sentimentos de alegria, leveza e esperança. É como se toda a
nossa consciência estivesse sendo mergulhada numa solução
química de um líquido de cor púrpura, capaz de dissolver todo
o carma acumulado por muitos séculos.
Esta é a chance pela qual muitos aguardavam. Esta é a
culminação da evolução que realizamos nestas últimas dezenas
de milhares de anos, quando gradualmente aprendemos a
entender Deus como Pai e como Filho. E chegamos, agora, na
energia do Espírito Santo, na ciência sagrada da alquimia, da
autotransformação — através da invocação da chama violeta.
Um mantra muito simples, mas muito poderoso, que
podemos usar é: "EU SOU um ser de chama violeta, EU SOU a
pureza que Deus deseja." Quando afirmamos "EU SOU",
estamos afirmando que Deus existe dentro de nós, que a
Presença do EU SOU existe dentro de nós — a mesma Presença
que disse a Moisés "EU SOU O QUE EU SOU... Este é o meu
nome eternamente e este é o meu memorial de geração a
geração". (Êxodo 3:14-15) Ao imergirmos diariamente na
energia purificadora da chama violeta por meio da recitação de
mantras da chama violeta, estaremos usando o meio mais
eficiente e rápido de manter a harmonia e de acelerar a
consciência para a nossa união final com Deus e com a nossa
chama gêmea. (Veja na página 106 outros mantras de chama
violeta.)
A chama violeta é o batismo de fogo do Espírito Santo,
profetizado no Novo Testamento por João Batista (Mateus 3:11).
Esta é a dádiva de Deus para a era de Aquário. Desta forma, os
dias são encurtados para os eleitos — para que façam a
jornada de volta ao lar, para a vitória sobre a roda do
renascimento.
 

A busca da integridade
A era de Aquário que se inicia é propícia para
compreendermos a energia de Deus polarizada como os
princípios masculino e feminino do universo. A nossa
sobrevivência como indivíduos e, em última instância, como
raça humana dependerá da forma como experimentamos esta
energia, se como a nossa verdadeira identidade, se a
consideramos como sendo a essência das chamas gêmeas, e
se a usamos como o poder integrador do amor divino para o
aperfeiçoamento da humanidade.
Você pode estar lendo este livro agora porque a única
coisa que o separa da sua chama gêmea talvez seja uma fina
camada de energia negativa, aguardando para ser consumida
pela ação feliz e esfuziante da chama violeta.
E a sua missão, a sua chama gêmea e a sua reunião final
com o coração de Deus o estão aguardando!
 

Mark e Elizabeth Prophet, c. 1972


 
Amor, casamento e muito mais: o que aprendi

Como reconhecer a sua Chama Gêmea

Em primeiro lugar, eu nunca soube que existissem


chamas gêmeas até que, aos 18 anos, li um livro muito
complexo sobre almas companheiras.
A busca que eu empreendia desde a infância era para
encontrar Deus, e descobrir a missão que Ele reservava para
mim. Eu estava determinada a desvendar a razão de ser da
minha vida e a fazer algo que eu sabia ser necessário fazer.
Tratava-se de um chamado interior imperioso.
Lembro-me de que percebi, na minha busca por Deus,
que costumava deixar o meu corpo enquanto dormia à noite, e
ia para os templos internos, para trabalhar com os Mestres
Ascensos e com Mark — que era vinte anos mais velho do que
eu, segundo os cálculos desta vida.{6}
Quando nos referimos às chamas gêmeas, a idade física
não tem nenhuma relação com a idade da alma. Almas gêmeas
têm a mesma idade, pois foram criadas juntas, no princípio, a
partir do "corpo de fogo branco" do Todo Divino.
Assim, tendo como prólogo o nosso encontro realizado
nos planos internos, conheci Mark quando eu tinha 22 anos e
ele 42. Eu buscava o meu Instrutor e Guru, porque sabia que,
em algum lugar, existia essa pessoa que me ajudaria a realizar
a minha missão. O que não sabia é que eu já tinha a
compreensão interior de que o meu Instrutor seria a minha
chama gêmea.
Por isso, quando vi Mark Prophet pela primeira vez, eu o
reconheci só como meu Instrutor. Ele, ao ver-me, reconheceu-
me como a sua chama gêmea.
Esse primeiro encontro foi muito interessante. Eu estava
totalmente voltada para o meu Instrutor e tão exultante por tê-
Lo encontrado que não estava preparada para lidar com esta
outra relação ao mesmo tempo.
Eu queria estar absolutamente certa, queria receber uma
confirmação dentro do meu ser de que cada passo que eu
estava dando era o passo correto e correspondia à vontade de
Deus, não queria incorrer em nenhum erro que pudesse de
algum modo prejudicar qualquer parte da vida. Por isso, pedi a
Deus um sinal que confirmasse que aquele homem era
realmente a minha chama gêmea.
Algumas semanas mais tarde tive uma experiência
estarrecedora. Foi uma destas experiências inesquecíveis, que
não se desvanece com o tempo. Eu estava me vestindo e me
olhei no espelho. E, ao olhar, não vi a mim mesma — vi o rosto
de Mark Prophet.
Bem, se você conseguir imaginar-se olhando para um
espelho e não vendo a si mesmo, posso afirmar-lhe que esta é
uma experiência muito chocante.
Na realidade, o que vi foi a revelação do padrão interior
da minha alma; não apenas da alma, que é o nosso potencial
para nos tornarmos Deus, mas eu vi a imagem do "homem por
trás do homem". Era como se eu estivesse vendo a minha
imagem arquetípica na polaridade masculina.
Aproximei-me para examinar a imagem mais
detalhadamente. Ela não se desvanecera, mas ficara
"esperando" que eu observasse cada traço seu. Era antiga.
Havia existido sempre. Havia sido esculpida em mármore,
gravada em cristal e, entretanto, era "carne da minha carne".
Percebi que eu era o reflexo na polaridade negativa (feminina)
daquela imagem positiva (masculina).
Quando o meu ser registrou esta confirmação do meu
padrão interior, a imagem do rosto desapareceu do espelho e
tornou-se totalmente viva na minha alma.
Foi incrível poder contemplar o significado da chama
gêmea — sentir a realidade interior e compreender como a
chama gêmea pode realmente ser você mesmo —, a sua outra
metade, o "alter-ego divino" (numa tentativa de definição),
como o outro lado de si mesmo.
Esta compreensão antecede o amor. E no próprio
mistério da Vida que precisamos entrar antes de podermos
amar. Não estamos assim tão prontos para amar — temos
antes muitas coisas a considerar. E eu pensei... e pensei:
O fato era inegável — uma verdade da qual eu não
poderia escapar. Não havia como retroceder. O dado havia sido
lançado além do tempo e do espaço. Eu tinha de escolher agir
de acordo com uma Realidade pré-ordenada. Ou teria de
abandoná-la... mas como? Ela sempre estaria comigo. Ele era
eu mesma, conforme ele mesmo me dissera.
Eu pedira a Deus pelo meu Instrutor e Ele me enviara a
minha chama gêmea. Estava na hora de colocarmos em ordem
as nossas vidas e de estabelecermos o nosso rumo.
Este conhecimento interior — esta certeza da alma —
não tem relação alguma com estar apaixonado, no sentido
humano do termo.
Desejo deixar bem claro este ponto porque, durante
todos os anos em que venho ensinando, durante os últimos 37
anos, desde que passei pela experiência que acabei de
descrever, recebi centenas de cartas a respeito de almas
gêmeas. Nelas, pessoas me contam que encontraram as suas
chamas gêmeas, e baseiam esta certeza numa experiência de
amor humano, na compatibilidade das personalidades, na
afinidade astrológica ou em sinais externos que apontam mais
para uma relação de almas companheiras, ou uma relação
cármica, do que para a realidade interior das chamas gêmeas.
Embora todas estas características sejam sinais de
compatibilidade, elas não confirmam, necessariamente, a
profundidade da união anímica, que é encontrada no alicerce
do ser, onde a verdade acerca da nossa chama gêmea pode
ser conhecida.
Lembre-se do que disse Paulo: "A carne e o sangue não
podem herdar o reino de Deus." (1 Coríntios 15:50) Não somos
chamas gêmeas em virtude da condição física de carne e osso,
da personalidade, da astrologia, do carma ou da atração
mútua. Somos chamas gêmeas por termos a nossa origem
comum na mesma esfera do ser, chamada de corpo de fogo
branco. Somente nós dois viemos daquele Um — somente nós
dois compartilhamos do mesmo padrão divino exclusivo —
"macho e fêmea" (Gênesis 1:27), o Elohim nos criou. E
ninguém jamais compartilhará deste padrão idêntico.
Se o relacionamento entre chamas gêmeas não significar
nenhum propósito espiritual — se o seu restabelecimento nesta
vida puder vir a causar o rompimento de uma família ou de um
lar; se for causar um cataclismo na vida das pessoas porque
elas têm diversas situações com as quais são obrigadas a estar
envolvidas (porque estão resolvendo um carma passado) —,
então, com frequência, a mente consciente prefere não lidar
com aquilo que a alma sabe no âmbito do subconsciente. Por
isso, a mente exterior não admite facilmente este
"conhecimento prévio" que está sempre presente na alma.
Por exemplo, conheci um casal de chamas gêmeas em
que o homem tinha vinte anos e a mulher, setenta. Seu
encontro não gerou amor à primeira vista nem casamento. A
relação que eles tiveram não foi mais do que de amizade leal e
apreço mútuo. Na verdade, embora inseparáveis, eles nunca
perceberam que eram chamas gêmeas.
E nem era necessário que soubessem. As suas almas
sabiam, e eles fizeram o que era esperado deles, sem terem de
lidar com algo para o qual não estariam preparados.

O carma nos relacionamentos

O encontro que gera uma polaridade espiritual e um


amor intenso e recíproco pode ser o resultado de muitas
circunstâncias diferentes. A ligação entre chamas gêmeas é
uma delas. A que existe entre almas companheiras é outra. E
existe, ainda, a relação de carma. A ligação cármica pode ser a
mais forte de todas. O carma aprisiona. Por não ter sido ainda
equilibrado, não existe harmonia entre o casal. De tempos em
tempos, eles sentem um enorme vazio, uma solidão que revela
quão inadequada é a relação baseada unicamente no carma.
Mas ela também passará.
Podemos ter de viver vários relacionamentos deste tipo
com pessoas com as quais fizemos carma nas nossas vidas
passadas — bom e mau carma. E, quanto pior o carma, maior é
o impacto que sentimos quando encontramos a pessoa pela
primeira vez, porque ali está Deus — Deus{7} que aprisionamos
com alguma atitude negativa no passado — e corremos para
saudá-la e libertá-la das transgressões que lhe causamos no
passado. E a amamos muito, porque há muito a ser perdoado.
Qualquer experiência negativa do passado — tal como
violência, ódio passional, assassinato, negligência no cuidado
com os filhos e com a família, qualquer situação que envolva
outras pessoas e que tenha causado desequilíbrio na sua alma
e nas almas dos outros e, talvez, nas vidas de muitas outras
pessoas — tudo isso é sentido como um peso no coração e uma
falta de resolução no âmbito da alma. Esta é uma condição
muito desgastante, que atormenta a consciência até que seja
resolvida através do amor.
A nossa alma sabe por que encarnamos. Nossos
mentores espirituais e o nosso Cristo Pessoal, ou anjo da
guarda, nos disseram: "Existe uma determinada situação com
esta determinada pessoa que precisa ser resolvida. Vocês dois,
devido à sua negligência ou omissão, causaram a ruína desta
cidade, ou não cumpriram com a sua responsabilidade e muitas
pessoas passaram fome."
Estas não são situações improváveis. As consequências
dos nossos atos, quando cometemos um pecado ou nos
recusamos a servir a vida, são muito grandes e sérias. Nos
níveis internos, a alma que está seguindo a senda de volta ao
Lar (voltando para o lar do Deus Pai e Mãe) está muito
consciente e deseja corrigir os erros do passado — porque sabe
que corrigir os erros cometidos por ignorância em outras vidas
é a única forma de retornar ao lugar celestial de onde viemos.
Na melhor das hipóteses, podemos ter recebido de um
Mestre, antes de encarnar nesta vida, uma incumbência de
maior responsabilidade, como prêmio pelos bons serviços
prestados com esta pessoa em prol da humanidade. E, devido
ao nosso bom carma, seremos felizes e produtivos, e
conquistaremos muitas vitórias para o bem.
Neste século, em que as nossas almas estão sendo
aceleradas em direção a Aquário, podemos ter mais de um
relacionamento de cada tipo. Neste ciclo da história, estamos
terminando o carma que nos resta com um grande número de
pessoas.
Estas situações cármicas podem gerar angústia, divórcio,
busca interior e a necessidade real de compreendermos por
que as nossas vidas não seguiram a versão perfeita dos livros
de histórias. O ensinamento sobre o carma e a reencarnação
pode nos esclarecer muito sobre a estrada acidentada dos
relacionamentos, alguns belos e outros muito desagradáveis —
mas todos bastante necessários para a evolução da alma e a
senda da definição da nossa verdadeira identidade com Deus,
com Cristo e com a nossa chama gêmea.
Portanto, podemos conhecer alguém — e isto pode
acontecer no final da adolescência, entre os vinte e os trinta
anos ou em qualquer outro momento da nossa vida — e sofrer
um grande impacto. É como uma colisão entre corpos
planetários. É atordoante porque, no subconsciente, estamos
exultantes por termos encontrado a pessoa com a qual
podemos equilibrar um certo registro de carma.
A nossa alma sabe que, se não saldarmos esse carma,
não poderemos prosseguir para a próxima etapa da espiral da
vida, para o serviço mundial e os projetos criativos que tanto
queremos realizar com a pessoa que mais amamos — mesmo
que ainda não a tenhamos encontrado.
Este sentimento de obrigação se expressa pela
necessidade que temos de dar e de receber; o desejo de
amarmos e de sermos amados, porque a chama do amor é o
fogo todo-consumidor de Deus, que dissolve os registros da
ausência de amor ou de anti-amor, ao darmos e recebermos
amor num relacionamento.
Pode ser que existam crianças envolvidas na relação;
podemos ter concordado em trazer ao mundo um certo número
de filhos, almas que fazem parte desta família ou grupo
cármico. Como o objetivo da vida é a reunião com o Cristo
Pessoal, com a Presença do EU SOU e, finalmente, com a nossa
chama gêmea, percebemos que, a menos que transmutemos
este carma, não chegaremos ao nosso amor perfeito.
Por isso, quanto mais rapidamente nos submetemos à lei
do nosso próprio carma — que na verdade é a lei do amor —,
mais rapidamente tanto nós quanto os nossos parceiros
ficaremos livres para a próxima etapa do nosso plano divino.
Todos nós estamos colhendo aquilo que semeamos;
podemos acelerar os ciclos cármicos pelo serviço que nos
prestamos mutuamente.
Podemos estar vivendo uma dessas trocas muito
intensas num relacionamento. Ou pode ser que estejamos
presos à espiral opressora daquele carma e que conheçamos as
causas que geraram os efeitos que estamos vendo acontecer
na nossa frente e entre nós todos os dias — ou podemos estar
alegremente alheios a tudo isso, só conscientes do amor.
Neste caso, então, estamos no céu. Não existe nada
mais importante. Não existe mais ninguém no mundo com
quem desejemos estar. Não existe outra coisa que prefiramos
fazer. O amor está ali. O frescor da relação está ali. Casamo-
nos, formamos uma família, começamos a trabalhar juntos e
começamos a resolver este carma.
Todos nós conhecemos a expressão "acabou a lua-de-
mel". Ela descreve bem o impacto do carma sobre a relação
matrimonial. É por isso que algumas pessoas não querem se
casar — porque não querem "carregar o fardo um do outro".
Elas, simplesmente, não querem arcar com a
responsabilidade do carma. Elas dizem que o casamento
estragaria tudo, mas o que realmente querem dizer é que
carregar o carma do outro realmente atrapalharia muito as
coisas. Estes parceiros são ainda muito centrados em si
mesmos para abrir mão dessa independência, que só pode ser
mantida se eles não tomarem o fardo cármico do parceiro.{8}
Mas é precisamente este o significado profundo do ritual
do casamento — que amamos tanto, tanto, que aceitamos com
prazer compartilhar e carregar o carma do nosso cônjuge junto
com o nosso. Queremos ser um com ele em todos os níveis de
consciência.
 

Casamento

O voto do matrimônio reflete este compromisso entre as


almas, que prometem ser fiéis: "... deste dia em diante, na
alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na
doença, para amar e respeitar até que a morte os separe".
Jesus se referia à totalidade dessa união espiritual e cármica
quando disse: "e serão os dois uma só carne".(Mateus 19:5)
Se o casamento fosse uma mera união física, o divórcio
não seria emocionalmente tão devastador. O divórcio é uma
cirurgia para separar os dois que se haviam tornado um; e toda
a disputa acerca de quem fica com o quê, e de quem fica com
os filhos, resume-se, na verdade, ao doloroso processo de cada
um se redefinir separado do seu "outro eu".
Fazer o voto do casamento significa que, quando
recebermos um ao outro como "meu legítimo esposo/minha
legítima esposa", ficaremos juntos, aconteça o que acontecer
na vida e no carma um do outro. Uma vez que o futuro e o
subconsciente não são conhecidos no dia do casamento, e o
voto é tão "definitivo", trata-se do contrato mais sério que
faremos na vida. É por isso que São Paulo nos alertou para não
nos prendermos a um jugo desigual com pessoas de ideias
distintas, e recomendou que considerássemos "que comunhão
tem a luz com as trevas?" (1 Coríntios 6:14) nas relações
interpessoais.
Se nos casarmos com uma pessoa que tenha mestria
inferior à nossa na senda espiritual, ou que tenha um carma
mais pesado que o nosso, vamos sentir o peso dessa diferença
quando a lua-de-mel terminar. E ficaremos sabendo que
contraímos o carma de alguém, e que esse alguém levou
vantagem na transação, porque ficou com toda a nossa luz,
talento ou dinheiro. Mas podemos querer que seja assim —
porque amamos muito e desejamos muito entregar-nos a essa
pessoa, ou ao Deus que está nessa pessoa.
Pode ser que esta seja a decisão correta. Pode ser que o
nosso carma decrete que tenhamos de sacrificar a nossa vida
por este velho amigo porque uma vez ele salvou-nos da ruína e
do desespero total. Pode ser a decisão certa, mesmo que mais
tarde nos pareça ter sido um erro ou a pior escolha possível.
Tomamos a decisão porque precisávamos tomá-la — porque a
nossa alma precisava de uma resolução.
Talvez precisemos apenas descobrir o motivo pelo o qual
a nossa psicologia pessoal nos leva a tomar certas atitudes —
ou talvez precisemos lidar com um aspecto dessa pessoa que,
na verdade, também carregamos e que precisamos trabalhar e
superar, e que nunca estaríamos dispostos a admitir que
temos, até sermos forçados a confrontá-lo na personalidade do
outro.
Não devemos ficar aborrecidos conosco, quando
descobrimos tais coisas. Tudo isso faz parte do Plano. Deus nos
ama, e Ele deseja que voltemos para casa, e para o Seu
coração, íntegros — íntegros psicologicamente, espiritualmente
e carmicamente. Ele nos submete a tais experiências e
encontros para que sejamos libertados da nossa irrealidade,
para que O amemos mais do que a todas estas coisas e para
que vejamos o rosto do Cristo sorrindo para nós, bem ali atrás
do véu, naquele a quem amamos.
Esta necessidade de resolução pode ser entendida com
uma analogia. É como a ostra se sente quando um grãozinho
de areia entra na sua concha, e ela precisa cobri-lo porque ele
a perturba e irrita. Por querer resolver a situação, ela produz
uma pérola a partir do problema.
O carma é assim. Ele irrita. E nós queremos suavizá-lo.
Queremos resolvê-lo.
Um ponto muito importante acerca do casamento, ou
relacionamento cármico, que possamos estar vivendo é que
nunca vamos conseguir sair dele, nunca vamos poder nos
libertar dele a menos que obedeçamos à lei à risca — a lei do
carma exige a expressão do amor mais sublime para poder
conceder-nos a liberdade. Se não equilibrarmos total e
completamente o carma que existe entre nós e a outra pessoa,
reencarnaremos e teremos novamente de passar por algum
tipo de relacionamento com essa pessoa, mesmo que seja uma
parceria comercial.

Divórcio

Ninguém, no céu ou na terra, pode nos separar da nossa


chama gêmea. É por isso que Jesus disse: "Portanto o que Deus
ajuntou não o separe o homem." (Mateus 19:6)
Quando vamos ao altar para nos casar, estamos
recebendo uma bênção por escolha nossa, por decisão do
nosso livre-arbítrio; mas este casamento pode ser ou não uma
situação da qual se diga "que Deus ajuntou". Duas pessoas
casam-se na terra por vários motivos; como tal, ele não é,
necessariamente, o casamento feito no céu.
Fomos criados por Deus no princípio, nós e a nossa
chama gêmea, a partir do mesmo corpo de fogo branco. A
história de Eva ter sido criada a partir de uma costela retirada
de Adão é uma tentativa de ilustrar esta origem mística.
Devido a esta nossa união absoluta, originada no núcleo da
identidade divina, em nenhuma condição ou circunstância da
vida, ninguém poderá separar-nos do amor de Deus expresso
na nossa chama gêmea. Esse é o verdadeiro significado dessa
passagem das Escrituras.
Assim, os casamentos cármicos e outras situações da
vida vêm e passam, sempre com um propósito. Enquanto o
carma existir (a menos que exista outra forma de resolvê-lo),
eles são obrigatórios. Enquanto estivermos presos a eles,
podemos fazer desses casamentos uma celebração na terra
desta nossa união interior com a nossa chama gêmea. Isto é o
correto.
O que não é correto fazer é tratarmos um
relacionamento deste tipo com frieza, ou até mesmo
ressentimento, e não investirmos nele o melhor de nós e o
amor mais fervoroso do nosso coração, por pensarmos: "Afinal,
esta pessoa não é a minha chama gêmea. Esta é apenas uma
situação cármica; farei um esforço simbólico, e esperarei até
que apareça a pessoa certa." Esta é uma ótima maneira de
prolongarmos o processo de resolução do nosso carma e de
criarmos mais carma.
Devemos encarar a vida com a compreensão de que
qualquer pessoa com a qual nos relacionamos é Deus. A
pessoa é Deus — em manifestação. A chama divina é Deus. O
potencial é Deus. E nós temos de amar essa pessoa com todo o
nosso coração, com o amor mais puro e mais sublime que
somos capazes de sentir por Deus e pela nossa chama gêmea.
Este amor liberta. Ele é uma força transmutadora. Nós
precisamos do perdão nos relacionamentos. Precisamos
perdoar generosamente aos demais e perdoar a nós mesmos,
porque essa é a questão central do carma. Todos nós temos
muito a perdoar e muito a ser perdoados, ou não estaríamos
neste planeta, neste ponto do tempo e do espaço.
Por isso, não importa se estamos casados com a nossa
chama gêmea ou se alguma vez nos encontramos com a nossa
chama gêmea. O que importa é nos darmos conta de que o
casamento é sagrado, e de que o relacionamento entre o
homem e a mulher é sagrado, e que esta polaridade sempre
representa "o Alfa e o Ômega" — os Co-Criadores Masculino e
Feminino da Vida no corpo de fogo branco da divindade, que os
chineses representam no T'ai Chi.
 
 

A sua união na eternidade

Onde quer que esteja a nossa chama gêmea, mesmo


que ela seja um ser cósmico, precisa do nosso apoio e do nosso
amor. Porque, se estivermos numa vibração negativa,
poderemos prejudicar muito a atividade e o serviço de um
Mestre Ascenso, de um anjo ou de alguém encarnado, que
esteja tentando lutar pela liberdade, alguém na China
enfrentando a opressão ou alguém preso num hospital
psiquiátrico, medicado com drogas que o transformam num
vegetal.
Seja quem for a nossa chama gêmea, se descuidarmos
da nossa luz, da nossa autodisciplina, do amor pelos parentes e
amigos que temos hoje, estaremos, em primeiro lugar,
abandonando a Deus Todo-Poderoso e, em segundo lugar, a
nossa chama gêmea. E, no fim das contas, nós é que
sofreremos, porque um revés para a nossa chama gêmea é
sempre um revés para nós mesmos.
No dia em que fizermos a nossa ascensão de volta ao
coração de Deus e desejarmos que a nossa chama gêmea
ascenda também, ela poderá ainda não estar pronta para fazê-
lo. Ela poderá ter de passar outros mil anos encarnando na
Terra, porque nós não a suprimos com este ímpeto extra de
espiritualidade, luz e abnegação que poderia tê-la
impulsionado a um nível mais elevado de consciência. (Eu não
estou sugerindo que nos culpemos pelas coisas que nos
aconteceram ou que possam acontecer de errado na vida, o
que peço é que consideremos quanto mais podemos fazer por
nós mesmos e pelos outros, para que as coisas corram bem.)
Quando dizemos: "ninguém é uma ilha", entendemos
que a nossa chama gêmea, como a outra metade do todo, está
sofrendo as consequências e as repercussões daquilo que
fazemos com a nossa vida. Este conhecimento faz com que a
vida seja digna de ser vivida, e de ser bem vivida. Amar, servir
ao próximo e ajudar a todos a crescer é a nossa entrega
antecipada de nós mesmos a esse amor perfeito, que virá
quando ambos estiverem prontos — realmente prontos.
Na era de Aquário, o ritual do casamento pode ser
celebrado por outras razões que não a união das chamas
gêmeas, porque as leis de Deus levam em consideração e se
ajustam às necessidades humanas.
Todos nós temos necessidades humanas neste momento.
Temos um pergaminho no qual está escrita a lei da nossa vida,
que é a lei do nosso carma. Como co-criadores com Deus,
fizemos bom carma e mau carma.
A lei do padrão interior está escrita nesta página. O
nosso carma humano é como uma camada que colocamos
sobre este padrão ígneo original. Nós vemos a camada e
vislumbramos, através dela, aquilo que está por baixo.
Todos sabemos como a nossa vida deveria ser, como
gostaríamos que ela fosse no sentido idílico e edênico da
palavra. Então, avaliamos a nossa situação e percebemos que
ainda estamos trabalhando arduamente. Mas temos esperança
no coração: Cristo é a esperança da nossa glória em Deus e na
nossa chama gêmea. A esperança existe porque sabemos, em
níveis internos, o que é real.
Sabemos de onde viemos. Sabemos quem somos.
Sabemos para onde vamos. Através do Espírito Santo, Deus
nos concedeu a dádiva da chama violeta para chegarmos lá.
Assim, aproveitamos cada dia como uma oportunidade para
apagar mais uma camada, de forma que, um dia, toda esta
página possa ser virada e retornemos mais uma vez ao Éden e
à bem-aventurança do Amor, no círculo santificado da nossa
Unidade.

O peso do carma

A maioria das diferentes escrituras sagradas do mundo


conta alguma história sobre o homem e a mulher e sobre a
queda de ambos. Esta história, na verdade, descreve a nossa
descida com a nossa chama gêmea da oitava etérica — o lugar
da pureza prístina da consciência da era de ouro — para o lugar
onde estamos agora, oprimidos pelo carma mundial que pesa
sobre nós.
Este carma é um fardo de energia não transmutada que
interfere no fluxo de luz, antes desimpedido e livre, que vai
para o coração e os chakras, fazendo com que estes não mais
girem naquela velocidade intensa da luz. Ficamos, literalmente,
presos à terra.
Todos sabemos o significado do peso do corpo físico. Nós
só conseguimos fazer um tanto a cada dia e, então, o corpo
fica exausto e temos de deixá-lo descansar para recarregá-lo.
Esta descida, portanto, causou-nos sofrimento. O maior
sofrimento de todos, claro, é estarmos privados do encontro
direto com a amada Presença do EU SOU, com a Pessoa do
Cristo, o nosso Cristo Pessoal ou o Instrutor encarnado e,
finalmente, sofremos a perda da comunhão perpétua com a
chama gêmea.
A partir daí, começamos a fazer carma com outras
correntes de vida, e, por isso, acontecem as longas separações
i]ne podem perdurar por muitas vidas. Algumas vezes, esta é a
origem da depressão e do sentimento de insatisfação com a
vida.
Muitas vezes, é claro, as pessoas se iludem, dizendo: "Se
a minha chama gêmea estivesse aqui, tudo seria maravilhoso.
Eu não suporto essa pessoa. Não temos realmente nada a ver
um com o outro. Não nos harmonizamos. Não pensamos da
mesma forma" — ou seja, todos os problemas que acontecem
nos relacionamentos.
Fantasiamos a pessoa ideal, imaginamos quem essa
pessoa seria, e achamos que ela será absoluta, completa e
totalmente o nosso complemento, e que todos os nossos
sonhos e desejos vão se tornar realidade.
Mas isto não é verdade. Se não conseguirmos nos
entender conosco, não vamos conseguir nos entender com a
nossa chama gêmea nem com uma alma companheira. Na
verdade, as chamas gêmeas desenvolvem personalidades
diferentes por ficarem tanto tempo separadas. Elas recebem
condicionamentos negativos ao passarem por experiências
negativas. Chamas gêmeas não são necessariamente
parecidas. Elas podem ter uma astrologia conflitante.
Lembro-me de que um astrólogo, uma vez, disse a Mark
e a mim que nunca nos deveríamos casar, porque
provavelmente não conseguiríamos nos entender com a
astrologia que tínhamos. Ele era do signo de Capricórnio e eu
sou do signo de Áries, uma combinação de um signo de terra
com um de fogo. Ele dizia que a terra iria apagar o fogo, ou o
fogo iria queimar a terra. Mas eu afirmo que o Amor conquista
tudo.
 

Trabalhar os relacionamentos

Cheguei à conclusão de que só havia uma maneira de


fazer esse relacionamento com Mark dar certo, deixar que um
de nós assumisse a liderança. E Mark era extremamente bem
qualificado para ser o líder, porque ele era o Instrutor da minha
alma.
Eu compreendi muito bem quem era quem naquela
relação. E, se eu tivesse alguma dúvida sobre isso, Mark me
lembrava rapidamente! Assim, felizmente, eu aprendi logo esta
lição e fomos muito felizes juntos.
Agradava-me muito estar no papel de discípula de Mark.
Ele representava o Mestre para mim, como ninguém mais
conseguiria fazê-lo. Ele era a única pessoa que me levaria à
quintessência do meu ser e, ao mesmo tempo, à submissão ao
Cristo. Ele conhecia a minha alma como ninguém. Sentia por
mim o amor do universo. Estar ao seu lado era como estar
envolvida por Deus.
Ele me conhecia desde o princípio. Ele sabia o que eu
devia já estar manifestando e ainda não estava. Ele sabia
distinguir em mim o que era excesso de consciência humana,
adquirida como bagagem da vida nas muitas interações que
temos com tantas pessoas e situações.
Assim, Mark estava muito bem qualificado para ajudar-
me a despertar subitamente para a disparidade que existe
entre o ser divino interior que EU SOU, que você é, e que todos
nós somos, e a manifestação, algumas vezes medíocre e
vergonhosa, que nós expressamos — vergonhosa não por ser
assim tão "má", mas por ser uma versão medíocre daquilo que
o Eu interior realmente é.
Quando se tem alguém tão magistral como Mark, que
consegue reconectar a pessoa ao poder desse padrão original,
fica-se eletrizado com a certeza interior de quem realmente
somos, e o que deveríamos ser. Mark Prophet fez-me dedicar a
minha vida ao Cristo e revelou-O como meu Salvador e Noivo
da minha alma.
O nosso Eu Verdadeiro, o nosso Santo Cristo Pessoal e o
Santo Cristo Pessoal da nossa chama gêmea são os magnetos
que nos aproximarão da nossa chama gêmea — neste mundo e
no próximo. Parafraseando Jesus: "Mas eu, quando for
levantado da terra, atrairei a minha chama gêmea a mim."
Assim, temos de retornar uma vez mais à afirmação de
Paulo: "a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus".
(1 Coríntios 15:50) E a carne e o sangue não nos garantem
uma relação harmoniosa com ninguém, nem mesmo com a
nossa chama gêmea. O que vai garanti-la é a nossa
determinação em trabalhar muito esta relação.
Não existe nenhum relacionamento duradouro —
amizade, filhos, irmãos, parentes, relações profissionais — que
não exija esforço. Temos de nos dedicar, e nos dedicar muito,
para mantermos essa interação com os outros.
Devemos entender, então, que as chamas gêmeas, por
terem percorrido a terra inteira em todos os tipos de
encarnações e circunstâncias, e por condições cármicas,
podem ter choques de personalidade entre si. Quando estes
são superficiais, e conseguimos alcançar o cerne da questão,
então, estamos no comando da situação e nos tornamos co-
criadores com Deus.
Portanto, as chamas gêmeas também criam carma entre
si em várias encarnações, e esse carma precisa ser equilibrado
quando elas finalmente se reencontram. É por isso que pode
existir, entre chamas gêmeas, uma enorme sensação de se ter
sido injustiçado.
É isso o que acontece nos casamentos cármicos, em que
as pessoas estão constantemente brigando, e não
conseguimos ver nenhum propósito para elas manterem o
relacionamento. Dizemos, então: "Isto já vem assim há anos,
por que eles simplesmente não desistem e se separam?" E logo
descobrimos que eles estão de novo como pombinhos,
recomeçando tudo outra vez. Isso se repete inúmeras vezes. E
ninguém consegue entender o que está acontecendo, só os
dois.
Essas situações, é claro, são muito perigosas, porque
pode-se fazer muito carma com essas brigas. No final, as
pessoas podem se tornar tão autodestrutivas, que, muitas
vezes, a melhor solução é que cada uma siga o seu caminho,
mesmo que sejam almas gêmeas e mesmo que não tenham
equilibrado o carma que têm um com o outro.
Conheço chamas gêmeas que destruíram as suas vidas e
os seus casamentos; mas, se elas tivessem compreendido a lei
do amor, que amor gera amor, e se comprometido com a
relação, elas teriam obtido algum progresso.
Vejo chamas gêmeas que são alcoólatras e viciadas em
drogas. Elas destroem as suas vidas e as vidas dos seus filhos e
terminam completamente desapontadas. A vida chega ao fim,
elas fazem a transição e ficam profundamente sentidas, sob o
aspecto da alma, quando percebem que falharam totalmente
na sua missão de encarnar no plano físico, reunir as pessoas e
fazer as coisas acontecerem.

Preparar-se para a sua Chama Gêmea

Assim, é necessário que estejamos preparados para


encontrar a nossa chama gêmea. Precisamos de uma boa dose
de autocontrole. Temos de amar o Amor para respeitá-lo, para
mantermos a nossa paz e a nossa harmonia quando os antigos
registros de brigas vierem à tona para serem resolvidos. Será
necessário que nos agarremos ao nosso Sonho, que não
pronunciemos as palavras duras, a crítica cruel, a humilhação,
e tudo que possa destruir a matriz do dom mais maravilhoso
que a Vida nos dará — o amor perfeito.
Devemos ceder. Não é preciso vencer todas as brigas.
Mas precisamos preservar a integridade e a dignidade da
pessoa que amamos e, assim, preservaremos a nossa própria.
O mantra de João Batista é muito apropriado para a senda de
sacrifício e renúncia que é parte do casamento: "É necessário
que ele cresça, e que eu diminua." (João 3:30)
Temos de ter uma dedicação a algo maior do que a nossa
chama gêmea, e esse algo maior é Deus. Temos de amar
primeiro a Deus, e estarmos bem seguros da nossa senda e do
nosso serviço; e devemos ter a certeza de que não vamos
aceitar a discórdia nem a encenação do ego humano, com as
suas indulgências e exigências — nossas ou do nosso
companheiro.
Não podemos pedir a ninguém que seja o complemento
da nossa personalidade humana, das nossas falhas. Não
podemos esperar que alguém seja para nós pai e mãe, irmão e
irmã, amante, esposo ou esposa, filho e filha, tudo ao mesmo
tempo; nem achar que, quando tivermos um problema, esta
chama gêmea, ou cônjuge, virá resolvê-lo, cuidará de nós e
fará tudo ficar bem.
Se decidirmos ser inteiros em nós mesmos — se
deixarmos de fazer cara feia, de sentir pena de nós mesmos e
de estarmos sempre chamando atenção —, então, com o
magneto da nossa integridade, atrairemos a integridade na
outra pessoa.
Leia 1 Coríntios 13 com frequência e mantenha uma
cópia da Oração de São Francisco de Assis na cabeceira, para
lembrar-se de que o verdadeiro amor é abnegado. O livro O
Profeta, de Kahlil Gibran, refrescará a sua memória sobre a
bem-aventurança do Amor e do Matrimônio. O verdadeiro amor
inclui o sacrifício — ele sempre coloca o amado em primeiro
lugar.
Devo alertá-lo de que algumas vezes, sob certas
circunstâncias, devido a uma grande diferença entre as chamas
gêmeas, Deus arranja as coisas de forma a que elas encarnem
como irmão e irmã, como pai e filho ou como membros do
mesmo sexo. Neste caso, uma relação matrimonial não seria
proveitosa e, provavelmente, de acordo com os registros do
passado, prejudicaria mais do que ajudaria na evolução das
suas almas.
Não existe nada mais doloroso para o cosmos do que
uma discussão entre chamas gêmeas. Pois é a partir da
discórdia do círculo do Um que a guerra, e todo tipo de
desolação, se origina. Ela violenta o Deus Pai e Mãe no céu e na
terra.
Quem se lembra de ter escutado, quando criança, uma
discussão entre o pai e a mãe sabe que não pode existir
experiência pior. Este é um golpe devastador para todos os
segmentos da vida — quando as pessoas que ocupam o cargo
de Pai e Mãe expressam qualquer discórdia no fluxo desse
amor divino.
A discórdia também é dolorosa para as almas das
chamas gêmeas. Nos níveis interiores, não queremos que isso
aconteça porque sabemos como é prejudicial. Sabemos que
nos manterá separados por muitas encarnações. Portanto,
temos de ceder. Não existe outra maneira.
Todos nós temos fraquezas humanas. Todos temos
problemas humanos. Situações humanas que não superamos.
E, quando pensamos no cônjuge, criado segundo a imagem do
Cônjuge Divino, aquele que seria a pessoa perfeita para nós,
sempre imaginamos que ele deveria ser perfeito.
Mas quando ele não é perfeito aos nossos olhos, fazemos
uma cena. Esbravejamos, ficamos furiosos, fazemos
exigências, gritamos e choramos. Todas essas coisas que
acontecem nos casamentos pelo mundo afora, porque alguém
sempre espera que o outro seja mais do que é, e melhor do
que ele mesmo. Temos falhas, mas queremos que os outros
sejam perfeitos.
Consequentemente, fazemos exigências no casamento
que são totalmente irreais. É por isso que os casamentos
acabam. Sem citar, é claro, que uma das principais razões
pelas quais as pessoas se casam consiste na gratificação
sensual. Deixando esta de lado, todas as demais situações
psicológicas de tensões existentes entre as personalidades
humanas criam um estigma horrendo sobre a imagem divina
do Deus Pai e Mãe — opondo-se à integridade.
Sugiro que meditemos sobre nosso Eu e sobre nossa
vida, tanto no sentido divino quanto humano, e
compreendamos que, se desejamos atrair para nós aquela
mulher maravilhosa ou o cavaleiro de armadura brilhante,
temos de nos tornar primeiro nessa contraparte. Vejamo-nos
transmutando esse carma com a chama violeta e através de
meditação, e chegando a uma resolução acerca da nossa
psicologia.
Ao procurarmos a nossa chama gêmea, nosso único
desejo real deve ser darmos a essa chama gêmea a dádiva do
nosso amor, do nosso ser, da nossa mestria espiritual, assim
como das nossas realizações profissionais.
Que buquê de flores estamos preparados para oferecer à
nossa chama gêmea?
Gostaria que meditássemos sobre isso, porque este é um
dos pontos mais importantes para resolvermos a nossa
psicologia. Depois de prepararmos uma lista, numa folha de
papel, com tudo aquilo que somos capazes de dar, devemos
também listar tudo o que sabemos, por fatos do passado e pela
compreensão do presente, que não somos capazes de dar.
Podemos dizer, por exemplo: "Uma coisa eu sei que não
posso fazer: não sei cozinhar. Por isso não posso preparar uma
refeição para a minha chama gêmea." Sejamos homem ou
mulher, todos nós apreciamos, de vez em quando, que alguém
nos prepare uma refeição. Por isso, precisamos aprender a
cozinhar.
Façamos uma análise das coisas básicas na vida.
Podemos cumprir os horários? Conseguimos trazer alegria a um
lar? Somos pacientes com as crianças? Podemos ser pacientes
com a criança na pessoa que imaginamos que, um dia destes,
estará vindo para nós?
Observemos a forma como interagimos conosco.
Conseguimos nos dar bem conosco ou temos problemas?
Somos geniosos? Temos altos e baixos?
Quando analisamos a proporção entre as flores que
podemos oferecer e as ervas daninhas que ainda temos de
arrancar do nosso jardim, ou o terreno baldio onde ainda não
plantamos nenhuma flor, estamos dando meia-volta e nos
colocando na posição de quem recebe.
Vamos supor agora que somos a outra pessoa. Seremos
o outro, vendo-nos chegar pela estrada. Será que ele vai se
interessar? Será que esta pessoa maravilhosa que nós estamos
imaginando vai nos querer? Se ela for tão maravilhosa assim,
ela poderá ser tão maravilhosa a ponto de sê-lo demais. Talvez
ela nem se aperceba de nós.
Em outras palavras, temos de nos tornar maravilhosos
nós mesmos, tão maravilhosos quanto a pessoa com a qual
desejamos estar. E temos de sê-lo realmente, de verdade, não
na fantasia.
Agora, a outra pessoa está vindo pela estrada. Talvez
seja a nossa chama gêmea e nos veja — nós estamos ali — e
ela passou direto. E dizemos: "Espere um momento. Você
deveria parar quando chegasse onde eu estou!"
Mas ela não parou quando chegou onde estávamos
porque não encontrou em nós nenhum magneto. Não tivemos a
capacidade de magnetizar a pessoa que imaginamos ser a
nossa polaridade divina.
E por que não tivemos esta capacidade? Temos de
imaginar o que essa pessoa estaria procurando. Sabemos como
queremos que essa pessoa seja. Sabemos as virtudes e as
qualidades que desejamos ver nela. Mas se não tivermos em
nós estas mesmas virtudes e qualidades que estamos
buscando no outro, esta pessoa não nos reconhecerá. Seremos
como dois estranhos numa sala cheia que nunca chegam a se
conhecer.
Muitas pessoas acham que a aparência é tudo. Mas não
é. A aparência se desvanece rapidamente. Precisamos ter
coração. Precisamos ter alma. Precisamos estar dispostos a dar.
Também precisamos estar dispostos a demonstrar que estamos
prontos para o trabalho.
E qual é este trabalho? É um serviço. É dizermos: "Esta
pessoa aqui é o Alfa, ou esta pessoa aqui é o Ômega. Eu quero
ser a contrapartida dessa pessoa. Tenho de ser capaz de provar
a essa pessoa que eu posso manter o equilíbrio pela sua
missão. Que posso apoiá-la. Que posso servir ao seu lado. Que
posso suprir a contraparte das qualidades de que ela precisa."
Não importa o que ela faça, teremos de ser capazes de
completá-la com algo que ela precisa em sua vida, porque
todas as relações se baseiam na necessidade.
Temos de ser muito honestos num relacionamento
porque talvez vejamos, com bastante antecedência, que não
teremos condições de suprir uma necessidade importante
dessa pessoa, ou talvez percebamos que ela não terá
condições de suprir a nossa. Se somos nós quem consegue ver
isso, então será nosso carma se levarmos essa relação adiante,
porque o eu humano a deseja, mesmo que o nosso coração,
mente e alma realmente saibam que não vai dar certo.
Este tipo de situação é de extrema importância, porque
todos temos uma necessidade básica de nos relacionar de
forma bastante íntima com, pelo menos, uma pessoa na vida.
Assim, quando reconhecemos a necessidade anímica
fundamental de termos na vida "o Amigo", devemos analisar
cuidadosamente do que é que realmente precisamos encontrar
nesse amigo. Um amigo que não supre a nossa carência, que
não dá nem recebe, que tem uma vibração diferente da que a
nossa alma necessita, este não é um amigo — na verdade, ele
é um estorvo ou um obstáculo.
Quando temos um relacionamento deste tipo,
percebemos que estamos desperdiçando a nossa vida e a vida
dessa pessoa. Só temos uns setenta anos de vida, talvez um
pouco mais. E temos muito a fazer.
 

Tornar-se íntegro

A sublimação é uma forma de lidarmos com a ausência e


a falta da proximidade física do amigo. Ela significa unirmos a
energia desta carência com a força criativa e projetá-las para o
futuro, para uma meta futura. Enquanto isso, enquanto
procuramos alcançar essa meta futura do amor perfeito,
amamos toda a vida. Amamos as pessoas, amamos
profundamente muitas pessoas, individualmente e
pessoalmente. Estabelecemos bons relacionamentos e fazemos
boas associações.
Sabemos que o que estamos buscando, que sabemos
estar bem ali, logo atrás do véu, já existe. E, no processo de
obtermos a nossa mestria pessoal, aprendemos a conviver com
esse fato, dizendo: "Vou passar pela espiral desta experiência.
Não vou aceitar nenhum substituto nem tampouco me
desviar da minha meta." É como se soubéssemos que vamos
encontrar alguém em Roma e verificássemos que levaremos
ainda algum tempo para chegar lá.
Se não formos capazes de entender o que é a
sublimação, ou o "ato de tornar etéreo", se formos cheios de
caprichos e exigências — "Eu quero, porque quero, e eu quero
agora, e tem de ser agora" —, aceitaremos um padrão inferior
para as nossas vidas. E não teremos a capacidade de atrair
aquilo que realmente seja a realização do nosso encontro
divino e do nosso plano divino nesta encarnação.
Por isso, é bom que reconheçamos a necessidade. Mas
devemos nos lembrar de que uma necessidade também é uma
falta de integridade; e uma ausência de integridade nos torna
incompletos. Quando estamos incompletos, deixamos de nos
focalizar no magneto divino, que pode atrair para nós
exatamente aquilo de que precisamos para completar a nossa
integridade.
Uma chama gêmea não está procurando alguém para
cuidar. Ela está procurando alguém cuja integridade
complemente a sua própria, de forma que, quando ambas
estiverem reunidas num círculo completo de Alfa e Ômega,
possam ministrar às necessidades da vida, aos que ainda não
descobriram a lei da sua unidade.
Portanto, ao mesmo tempo em que sentimos que
estamos incompletos em algum sentido, que nos falta isso ou
aquilo, temos de nos sintonizar com a matriz superior da nossa
integridade que já existe, e que se encontra no momento a
níveis interiores — a integridade do nosso Cristo Pessoal, a
integridade da nossa Presença do EU SOU e a nossa união
divina absoluta com a nossa chama gêmea.
Precisamos afirmá-la aqui e agora. Precisamos ter a
sensação de paz acerca da integridade do momento, e isso é
possível porque ela já existe em Deus, nesse exato momento,
aqui onde estamos. Quando alcançamos essa paz, só então
temos algo a oferecer aos demais, a qualquer parte da vida.
Quando alcançamos a paz da integridade, conseguimos
atrair dos quatro cantos dos céus mais dessa mesma
integridade, confirmando aquilo que sabemos que somos, e
aquilo que somos de verdade.
Mesmo enquanto temos só a sensação de estarmos
preenchendo a matriz, enquanto temos só a sensação de que,
cedo ou tarde, iremos saciar essa carência, já podemos ir
afirmando: "Estou satisfeito. Estou cheio de Luz."
Com essa afirmação, com essa Atitude Divina de Ser,
atrairemos para a nossa vida todas as pessoas, condições e
circunstâncias necessárias para a realização do propósito
cósmico. Nesse lote, pode ou não estar incluída a nossa chama
gêmea, mas isso não terá mais importância, porque nós
seremos a nossa chama gêmea. "Eu e o meu Pai somos Um. Eu
e a minha Mãe somos Um. Eu e a minha Chama Gêmea somos
Um. Somos Um, aqui e agora!" E nunca estamos sós.
Essa declaração elimina o tempo e o espaço, toda a
distância e todo o maya (ilusão). Ela nos transmite paz e
harmonia. Por sabermos que somos íntegros, atraímos do nosso
Corpo Causai de Luz, e da nossa Presença do EU SOU, todas as
virtudes, fatores, talentos, provisões, abundância, beleza,
alegria e sabedoria de que precisamos para ser quem
realmente somos.
Quando expressamos esse ser pleno, as pessoas são
magnetizadas para nós devido ao sentimento de carência que
elas têm. Estaremos manifestando na nossa aura o que elas
precisam. Por isso elas vêm. Elas vêm para serem alimentadas.
Elas vêm para escutar. Elas vêm para serem nutridas. Elas vêm
em busca de orientação profissional. Elas vêm porque nós
temos algo que elas não têm.
E o que nós temos é essa afirmação bem simples: "EU
SOU O QUE EU SOU. Aqui e agora, EU SOU Um; Nós somos Um.
Alfa e Ômega são Um onde EU SOU. Nem o tempo nem o
espaço podem separar-me da minha chama gêmea, pois nós
somos um no Coração de Deus."
Esta é a pessoa que todos buscam no mundo, nesta vida
— a pessoa íntegra, que sabe que é íntegra, e que usa a sua
própria integridade para transmutar os desejos e as carências
no plano físico, os últimos vestígios do carma, e todas as
situações da consciência humana que ficaram para trás, e que
ainda precisam ser resolvidas.
Este é o caminho para a nossa união com a nossa chama
gêmea. E eu acho que essa afirmação do Ser é o ponto de
partida para uma felicidade eterna.
Devemos lembrar-nos de que a mera ausência da
qualidade da alegria e da felicidade pode privar-nos, no sentido
externo, de muito mais do que podemos imaginar. No momento
em que nos deixamos ficar um pouco tristes, com um pouco de
pena de nós mesmos, ou um tanto temperamentais — nesse
exato momento, devemos nos lembrar de que podemos ter
perdido a centelha de contato com a nossa chama gêmea.
A nossa chama gêmea não merece ter de sentir os
nossos humores, a nossa auto-piedade e auto-indulgência. Se
considerarmos que a nossa chama gêmea é a nossa
contrapartida divina, e se tivermos um sentimento de
reverência por Deus na nossa vida, poderemos olhar-nos e
dizer: "Talvez eu não seja digno agora, mas daqui a uma hora
eu serei digno. Eu vou me modificar de modo a ficar irresistível
para Deus, para os anjos e para os Mestres. Eles vão caminhar
e conversar comigo. Eles vão gostar de vir à minha casa. E a
minha chama gêmea vai me procurar e me encontrar."
Portanto, decida quem você é. Decida o que tem a fazer.
Pergunte a Deus. Então, vá e encontre as pessoas que fazem
parte da sua equipe — do seu grupo cármico — e preste seu
serviço ao mundo.
Vamos arregaçar as mangas e agir. Somente na ação
encontramos Deus — Deus em nós mesmos e na nossa chama
gêmea.
Eu amo você!
 

Eu e meu Pai somos Um.


Eu e minha Mãe somos Um.
Eu e minha Chama Gêmea somos Um.
Nós somos Um, aqui e agora!

 
A imagem do seu Eu Divino

Você tem um destino espiritual único. Uma das chaves


para realizar este destino é compreender a sua natureza divina
e a sua relação com Deus.
Para ajudá-lo a compreender este relacionamento, os
Mestres Ascensos criaram a Imagem do seu Eu Divino, que eles
também chamam de Árvore da Vida. Esta Imagem é um retrato
de você, e de Deus dentro de você, um diagrama — que inclui
o passado, o presente e o futuro.

A presença do Eu Sou e o Corpo Causal

A Imagem do seu Eu Divino tem três figuras, que


correspondem às Três Pessoas da Trindade e à Mãe Divina. A
figura superior corresponde ao Pai (que é um com a Mãe) e
representa a sua Presença do EU SOU. A Presença do EU SOU é
a Presença de Deus individualizada para cada um de nós. É o
seu EU SOU O QUE EU SOU individualizado, o nome de Deus
revelado a Moisés no Monte Horebe.
A sua Presença do EU SOU está envolta por sete esferas
concêntricas de luz, com as cores do arco-íris, que compõem o
seu Corpo Causai. Estas esferas do Corpo Causai são os
reservatórios de tudo o que é real e permanente em você. Elas
guardam os registros dos atos virtuosos que você realizou para
a glória de Deus, e as bênçãos concedidas à humanidade por
meio das suas muitas encarnações na Terra.
Não existem dois Corpos Causais idênticos, porque as
suas esferas brilhantes refletem a mestria espiritual única de
cada alma. Os atributos específicos que você desenvolveu, nas
suas vidas anteriores, determinam as qualidades e dons com
os quais você nascerá nas suas vidas seguintes. Estas
qualidades ficam seladas no Corpo Causai e são acessadas por
meio do seu Eu Superior.

O Santo Cristo Pessoal

O seu Eu Superior, ou Santo Cristo Pessoal, está


representado pela figura do meio na Imagem do seu Eu Divino.
O Santo Cristo Pessoal é o seu instrutor interno, o seu guardião
e melhor amigo. Ele é também a voz da consciência, que fala
dentro do seu coração e da sua alma. Ele determina o que é
certo e o que é errado, e o ensina a distingui-los.
Logo acima da cabeça do Santo Cristo Pessoal está a
pomba do Espírito Santo, descendo como uma bênção de Deus
Pai e Mãe.
O fio de luz branca que desce da Presença do EU SOU,
passando pelo coração do Santo Cristo Pessoal e indo até a
figura inferior da Imagem, é o cordão de cristal. No Eclesiastes,
ele é chamado de cadeia de prata (Eclesiastes 12:6).
Por meio deste "cordão umbilical", flui um rio, uma
cascata de luz, de vida e da consciência de Deus. Este rio de
vida lhe dá poder para pensar, sentir, raciocinar, viver a vida e
crescer espiritualmente.

A Centelha Divina e os quatro corpos


inferiores

A energia que passa através do coração de cristal vai


nutrir e manter acesa a chama de Deus que está abrigada na
câmara secreta do seu coração. Esta chama é conhecida como
chama trina, ou centelha divina. Ela é, literalmente, uma
centelha de fogo sagrado do coração do próprio Deus.
A chama trina tem três "plumas". Estas plumas
encarnam os três atributos básicos de Deus, que correspondem
à Trindade. O núcleo de fogo branco, de onde as três chamas
emergem, representa a Mãe.
Ao visualizar a chama trina dentro do coração, veja a
chama azul à sua esquerda. Ela encarna o poder de Deus e
corresponde ao Pai. A chama amarela está no centro, encarna a
sabedoria de Deus e corresponde ao Filho. A chama rosa fica à
sua direita, encarna o amor de Deus e corresponde ao Espírito
Santo. Quando temos acesso ao poder, sabedoria e amor,
ancorados na chama trina, podemos realizar nossa razão de
ser.
A figura inferior da Imagem representa a alma. Ela está
envolta em quatro "corpos" distintos, chamados quatro corpos
inferiores: (1) o corpo etérico, (2) o corpo mental, (3) o corpo
de desejos e (4) o corpo físico. Estes são os veículos que a sua
alma usa para fazer a sua jornada na Terra.
O corpo etérico, também chamado de corpo da memória,
guarda a matriz da sua identidade. Ele também contém a
memória de tudo o que já aconteceu com a sua alma, todos os
impulsos que você já enviou por meio da sua alma desde que
foi criado. O corpo mental é o receptáculo das suas faculdades
cognitivas. Quando ele está purificado, pode tornar-se o cálice
da Mente de Deus.
O corpo de desejos, também chamado de corpo
emocional, abriga os seus desejos, elevados ou não, e os
registros das suas emoções. O corpo físico é o milagre de carne
e osso que faz com que a nossa alma seja capaz de progredir
no universo da matéria.
A figura inferior da Imagem corresponde ao Espírito
Santo, pois a sua alma e os seus quatro corpos inferiores estão
destinados a ser o templo do Espírito Santo. A figura inferior
está envolta na chama violeta — o fogo espiritual transmutador
do Espírito Santo. Você pode invocar todos os dias a chama
violeta para que ela purifique os seus quatro corpos inferiores,
e consuma os seus pensamentos, sentimentos e carma
negativos.
Em torno da chama violeta está o tubo de luz, que desce
da Presença do EU SOU em resposta ao seu chamado. (Veja
página 109) Ele é um cilindro de luz branca que mantém um
campo de força de proteção em torno de você, durante as vinte
e quatro horas do dia e da noite, enquanto mantiver a sua
harmonia.
A Mãe Divina focaliza a sua energia dentro de nós no
fogo sagrado de Deus que se eleva como uma fonte de luz,
atravessando os nossos chakras. Chakra é uma palavra
sânscrita que significa centro espiritual no corpo etérico. Cada
chakra regula o fluxo de energia de uma parte do corpo. Os
sete chakras principais estão localizados ao longo da coluna, da
base até a coroa.

O destino da alma

A alma é o potencial vivo de Deus. O propósito da


evolução da alma na Terra é aperfeiçoar-se, sob a tutela do seu
Santo Cristo Pessoal, e voltar para Deus por meio da união com
a sua Presença do EU SOU, no ritual da ascensão. A alma pode
ter de passar por inúmeras encarnações, antes de estar pronta
para reunir-se a Deus e merecedora disso.
O que acontece à alma entre as encarnações? Quando a
alma conclui uma encarnação aqui na Terra, a Presença do EU
SOU recolhe o cordão de cristal. A chama trina retorna ao
coração do Santo Cristo Pessoal, e a alma gravita para o nível
de consciência mais elevado que alcançou, durante todas as
suas encarnações.
Se a alma tiver merecimento, entre as encarnações, ela
será ensinada nos retiros ou lares espirituais dos Mestres
Ascensos, no mundo celestial. Lá, ela estudará com anjos e
mestres da sabedoria, que alcançaram a mestria em suas áreas
de conhecimento.
A ascensão é a culminação de muitas vidas de serviço
prestado à vida pela alma. Para que a alma realize esta união
final com Deus, ela precisa tornar-se uma com o seu Santo
Cristo Pessoal, precisa equilibrar (pagar o débito de) pelo
menos 51% do seu carma, e precisa realizar a sua missão na
Terra, de acordo com o seu plano divino. Quando a sua alma
ascender de volta para Deus, você se tornará um Mestre
Ascenso, livre da roda do carma e do renascimento, e receberá
a coroa da vida eterna.
Nota: Você pode colocar a Imagem do Eu Divino no seu
altar, onde faz as suas orações e meditações, como um símbolo
da sua realidade divina.
 

Orações e Decretos para as Chamas Gêmeas

Pedido de proteção ao Arcanjo Miguel

Oração
Em nome da minha Poderosa Presença do EU SOU, invoco
agora a vitória e a libertação da minha chama gêmea pelo
poder da poderosa chama azul e da espada do Arcanjo Miguel.
Legiões da Luz, entrem em ação agora!
Seja onde for que a minha chama gêmea estiver, libertem-na.
Libertem-me. Libertem-nos para que realizemos o plano divino
e alcancemos a união no nível do Cristo, no nível dos nossos
chakras. E, se for a vontade de Deus, que possamos ser
reunidos numa vida de serviço. Agradecemos e aceitamos que
isto seja feito com pleno poder, de acordo com a vontade de
Deus. Amém.
[Faça este decreto em voz alta, três vezes ou mais, com muita
devoção, repetindo o refrão depois de cada verso:]
 

1. Ó Fraternidade Branca —
Dá-nos a luz da proteção
Luz de Deus que nunca falha,
Mantém-nos na tua visão!
Refrão: EU SOU, EU SOU, EU SOU
 o grande poder da proteção,
EU SOU, EU SOU, EU SOU p
rotegido a cada instante,
EU SOU, EU SOU, EU SOU
a poderosa perfeição
Em manifestação total e constante!
 
2. Arcanjo Miguel, poderoso e fiel,
Que a tua espada azul seja nosso dossel!
Mantém-nos centrados na Luz flamejante
Armadura poderosa e brilhante!
 

3. Sela-nos com a luz da tua espada


Magnífico poder da graça sagrada!
EU SOU a invencível proteção
Emanando dos teus raios em ação!

Para transmutar o carma das Chamas


Gêmeas

Oração
Em nome do Cristo, invoco a abençoada Presença do EU SOU
das nossas chamas gêmeas para o selar dos nossos corações
como um só para a vitória da nossa missão em prol da
humanidade.
Invoco a luz do Espírito Santo para que consuma todo o carma
negativo que limita a plena expressão da nossa identidade
divina e a realização do nosso plano divino.
[Recite este mantra e estes decretos de chama violeta três
vezes ou em múltiplos de três. Visualize a chama violeta
envolvendo você e a sua chama gêmea. Veja-a purificar as
suas auras e transmutar instantaneamente toda a energia
negativa transformando-a na luz de Deus.]
EU SOU um ser de fogo violeta!
EU SOU a pureza que Deus deseja!
 
Eu sou a Chama Violeta

EU SOU a Chama Violeta


que atua em mim e reluz
EU SOU a Chama Violeta
só me submeto à Luz
EU SOU a Chama Violeta
Poder Cósmico, farol
EU SOU a Chama Violeta
Radiante como um sol
EU SOU a Luz de Deus
A toda hora brilhando
EU SOU o poder de Deus
que a todos vai libertando.

Radiante espiral de Chama Violeta

Radiante espiral de Chama Violeta,


Desce e brilha em mim agora!
Radiante espiral de Chama Violeta,
Liberta, liberta nesta hora!
Radiante Chama Violeta, vem,
Expandir tua Luz, e brilhar!
Radiante Chama Violeta, vem,
O poder de Deus revelar!
Radiante Chama Violeta, vem,
Despertar a Terra e libertar.
Resplendor da Chama Violeta,
Expande e brilha agora em mim!
Resplendor da Chama Violeta,
Que todos te vejam brilhar assim!
Resplendor da Chama Violeta,
Traz Misericórdia agora!
Resplendor da Chama Violeta,
Transmuta o medo nesta hora!
Decretos do coração, cabeça e mão

Coração
Fogo Violeta, Divino Amor,
No meu coração reluz teu fulgor!
És misericórdia em manifestação,
Mantém para sempre a nossa união.
 
Cabeça
Luz do EU SOU, Cristo em mim,
Liberta a minha mente agora;
Fogo Violeta, brilho sem fim
Minha mente envolve nesta hora.
Deus que me dás o pão diariamente
Teu Fogo Violeta preenche minha mente
E com a tua celeste radiação
Minha mente se torna Luz em ação.
 
Mão
EU SOU a mão de Deus em ação,
A Vitória sempre conquistando;
Minha alma pura com satisfação
O caminho do meio vai trilhando.
 
Tubo de Luz
Presença do EU SOU tão amada,
Sela-me no tubo de Luz
Da chama dos Mestres Ascensos
Em nome de Deus agora invocada.
Que ele liberte o meu templo
De toda discórdia que me é enviada.
A Chama Violeta invoco agora
Para todo desejo consumir,
E arder pela Liberdade
Até no seu fogo me fundir.
 
Perdão
EU SOU o Perdão aqui atuando,
Dúvidas e medos expulsando,
Com asas de cósmica Vitória
Os homens para sempre libertando.
Com pleno poder invoco agora
O Perdão a toda hora;
Toda a vida sem exceção
Envolvo com a Graça do Perdão.
 
Abundância
Estou livre de medo e incerteza,
Expulso agora miséria e pobreza,
Porque a Abundância, estou ciente
Dos Reinos do Alto é proveniente.
EU SOU a Fortuna Divina em ação
Tesouros de Luz concedendo,
Suprindo toda a provisão
Abundância agora recebendo.
 
Perfeição
EU SOU vida, Divina Direção,
A Luz da Verdade brilha em mim.
Concentra aqui Divina Perfeição,
Para que toda a discórdia tenha fim.
Mantém sempre a minha união
Com a Justiça do Teu plano —
EU SOU a Presença da Perfeição
Deus vivendo no ser humano!
 
Transfiguração
O esplendor do novo dia,
Em mim novas vestes tece;
Com o Sol do Entendimento
Todo o meu ser resplandece.
EU SOU Luz por dentro e por fora;
A Luz do EU SOU em tudo aflora.
Envolve, liberta e glorifica!
Sela, cura e purifica!
E transfigurado sou descrito:
Estou brilhando como o Filho,
Como o sol eu também brilho!
 
Ressurreição
EU SOU a Chama da Ressurreição
Luz de Deus em mim irradiando.
Em mim já não há mais escuridão,
Meus átomos estou agora elevando.
EU SOU a Luz da Presença Divina
Vivendo a eterna Liberdade
Da Vitória agora se aproxima
A chama divina da Eternidade.
 
Ascensão
EU SOU a Luz da Ascensão,
Vitória flui livremente,
Todo bem obtive enfim
Agora e eternamente.
EU SOU Luz não há mais dor.
Novas alturas alcanço;
O meu canto de louvor
Com Poder Divino lanço.
EU SOU o Cristo vivente,
O que ama eternamente.
Ascenso e com Poder Divino,
EU SOU um Sol resplandecente!
{1}
Chamas gêmeas são almas que foram criadas juntas no princípio, como duas
metades de um todo divino. Veja páginas 35-44.
{2}
Decretos são orações rítmicas, que invocam uma energia espiritual muito
poderosa. Esta energia de luz, quando usada com visualizações, tem a qualidade
especial de apagar e transmutar os nossos aspectos negativos, e ampliar os
positivos.
{3}
Chakras são centros espirituais que governam o fluxo de energia e
representam os diversos níveis de consciência do ser.
{4}
Veja página 98 e nota na página 104 (Sorry... Apenas no livro impresso).
{5}
Período de dois mil anos que se segue à era de Peixes. A era de Peixes foi
iniciada com o nascimento de Jesus Cristo.
{6}
As experiências que a alma tem fora do corpo nos retiros "etéricos" dos
Mestres Ascensos são uma forma de treinamento contínuo para a alma, que Deus
oferece às evoluções da Terra. Os Mestres Ascensos são seres espirituais
iluminados que já viveram na Terra, realizaram sua razão de ser, e ascenderam
(reuniram-se) de volta a Deus.
{7}
Todos nós somos, na verdade, manifestações de Deus, e encontramos Deus,
frente a frente, em todas as manifestações da vida.
{8}
Viver com alguém ou ter um caso são situações
completamente diferentes desta. Podemos compartilhar o
nosso carma por algum tempo, e unir as nossas forças, para
termos uma experiência temporária que valha a pena e que
seja agradável. Mas, quando cada um segue o seu caminho,
voltamos a carregar nosso carma sozinhos, sem haver
transmutado nada do que é exigido para o verdadeiro
progresso espiritual, o carregar o carma juntos. Quanto mais
ocasional for o relacionamento e menor o compromisso
assumido, mais fácil é sair dele quando os primeiros embates
com o carma acontecem.