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FACULDADE ESTÁCIO DO AMAPÁ


CURSO LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA NA ESCOLA E.M.E.F.


PASTOR JACI TORQUATO: PERCEPÇÃO DO PROFESSOR E
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA

Jéssica Carolina Santos de Souza1


E-mail: carol.jessica20@gmail.com
Orientador: Dr. Judenilson Teixeira Amador2

RESUMO

inclusão de alunos com deficiência física na escola E.M.E.F.


Este trabalho tem como título
Pastor Jaci Torquato: percepção de professores e coordenadores”. Incluir um aluno com
deficiência física é dar-lhe melhores condições de acesso ao ensino; é lhe incluir em um ambiente no qual
terá acesso igualitário junto com os alunos ditos normais; é ter acesso às ferramentas necessárias para seu
desenvolvimento educacional para a vida. O objetivo do estudo está em compreender o processo de inclusão
dos alunos com deficiência física no contexto escolar. O estudo tem como problema de pesquisa: Qual a
percepção do professor e coordenação pedagógica quanto ao processo de inclusão do aluno com deficiência
física na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pastor Jaci Torquato?. O estudo teve como base uma
pesquisa de cunho qualitativo, de caráter exploratório, onde foram aplicados questionários com questões
abertas a 1 coordenador pedagógico e 1 professor do AEE. Quanto à interpretação do material coletado,
deu-se pela análise de conteúdo. Os resultados apontaram que a inclusão da pessoa com deficiência no
contexto escolar é um processo complexo, pois as demandas se intercalam como é o caso da estrutura física
e os aspectos pedagógicos como se fossem engrenagens para gerar a inclusão, e na falta de uma, a outra
fica comprometida. Foi identificado que com a escola bem estruturada, professores bem capacitados,
currículo adaptado baseado na particularidade do aluno, dificilmente haverá dificuldades de incluir de fato
o aluno, mas com esse comprometimento ou precariedade, cai-se na educação excludente.

Palavras-Chave: Educação Inclusiva. Aluno com deficiência Física. Escola.

INTRODUÇÃO

A Inclusão de pessoas com deficiência física no âmbito escolar é um processo que


visa melhores condições de acesso ao ensino em um ambiente que seja igualitário e
permita uma educação democrática com os alunos ditos normais. A inclusão prevê uma
reestruturação escolar com ferramentas necessárias para o desenvolvimento educacional
e para a vida daqueles que um dia foram excluídos do processo de ensino e das salas de

1
Acadêmica do Curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Estácio do Amapá.
2
Doutor em Educação pela Universidade Federal do Pará, Mestre em Direito Ambiental e Políticas Públicas
pela Universidade Federal do Pará, Especialista em Didática do Ensino Superior e Gestão do Trabalho
Pedagógico, Licenciado Pleno em Pedagogia pela Universidade Federal do Pará e Professor Auxiliar da
Faculdade Estácio Amapá.
2

aulas comuns. Neste contexto, o objetivo do estudo está em compreender o processo de


inclusão dos alunos com deficiência física no contexto escolar.
Diante disso, o estudo tem como problema de pesquisa verificar qual a percepção
do professor do AEE e da Coordenação Pedagógica quanto ao processo de inclusão do
aluno com deficiência física na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pastor Jaci
Torquato, haja visto, que estes sujeitos são peças fundamentais na aprendizagem e
acompanhamento dos alunos com deficiência física. O professor do AEE por acompanhar
e desenvolver metodologias e auxiliar os professores da sala comum. O coordenador por
interagir e auxiliar o professor.
O estudo teve como base uma pesquisa de campo de abordagem qualitativa, onde
forma aplicados questionários com questões abertas. Os resultados do estudo revelaram
que o processo de inclusão na escola do aluno deficiente físico vem acontecendo de forma
gradativa, tendo em vistas que muitas barreiras precisam ser superadas para que o aluno
consiga realmente se sentir de fato e de direito incluído como o caso da infraestrutura,
materiais pedagógicos, barreiras atituidinais.
Esse estudo vem contribuir para o alargamento de discussões em torno da
educação inclusiva de alunos com deficiência física no contexto escolar. Além de
contribuir para a sociedade, para a área de educação, professores, pesquisadores que se
interessarem pela pesquisa. Este estudo não está fechado, e sim aberto a contribuições e
críticas.
O trabalho está organizado em dois capítulos. No primeiro faz-se uma discussão
teórica sobre a deficiência física e a inclusão na escola. No segundo é apresentado o
caminho metodológico da pesquisa as discussões e análise dos dados da pesquisa.

1. A PESSOA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA E A INCLUSÃO ESCOLAR


Por um longo tempo as pessoas com deficiência sofreram com a exclusão social
por serem consideradas incapazes. Essas pessoas eram classificadas como pacientes que
precisavam de recuperação para conviver em sociedade, e somente com o paradigma da
integração é que se inicia um processo de rompimento desta segregação e a partir disso é
que se passa a ter uma visão de que as pessoas com deficiência possuíam habilidades
educacionais. Sassaki (1997) aponta que a exclusão acontecia de forma total, pois os
deficientes não participavam de qualquer atividade por serem considerados inválidos,
logo, não eram capazes de trabalhar, estudar ou sequer tivessem alguma utilidade para a
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sociedade. Desse modo, a ideia de integração surge para derrubar a prática da exclusão
social que as pessoas com deficiência foram submetidas.
A integração vem para corrigir e organizar o sistema educacional como afirma
Mantoan (2003). É um ato de inserir alunos ou grupo de alunos que antes haviam sido
excluídos da vida escolar e atender a necessidade de todos em função de suas
necessidades. E dessa forma, a autora defende que a inclusão provoca uma mudança de
perspectiva educacional por não atingir somente alunos com deficiência ou dificuldades
de aprendizado, mas sim todos os demais.
As Pessoas com deficiência (PcD) são consideradas aquelas que possuem
limitações ou impedimentos de longo prazo. Neste sentido, a deficiência pode ser de
natureza intelectual, mental, sensorial ou física, no qual, em interação com uma ou mais
barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de
condições com as demais pessoas. Dessa forma, estes impedimentos, são estabelecidos
de acordo com a lei da Inclusão, Lei 13.146 de Julho de 2015, onde, destaca as barreiras
urbanísticas, barreiras arquitetônicas, barreiras nos transportes, barreiras nas
comunicações e na informação, barreiras atitudinais e barreiras tecnológicas como sendo
entraves que limitam ou impeçam as pessoas com deficiências à participação, bem como
o gozo pleno ao exercício de seus direitos como cidadãos.
A igualdade de oportunidades é um direito de todas as pessoas, e isto inclui a
pessoa com deficiência, haja visto, que não devem sofrer nenhum tipo de discriminação,
e ainda, a lei 13.146/15 determina que é dever do Estado, da sociedade e da família
assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à
vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à
educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à
reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à
informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao
respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da
Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal,
social e econômico.
No âmbito da educação, tanto os textos nacionais quanto os internacionais,
enfatizam o direito da pessoa com deficiência ao recebimento de educação, e a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Lei 9.394/96 vai além, ao criar um
capítulo destinado a este público onde destaca a matrícula preferencialmente na rede
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regular de ensino, ou seja, os princípios basilares da inclusão escolar abrem o campo para
corrigir o processo de exclusão e discriminação que a muito tempo as pessoas com
deficiência vem sofrendo.
A inclusão escolar parte do pressuposto de que ninguém será excluído e
discriminado e todos terão o acesso e permanência escolar garantido pela Constituição
brasileira de 1988, no entanto, sabe-se que a realidade das escolas públicas brasileiras é
alarmante no que diz respeito ao ensino tanto para crianças “normais” quanto para
crianças com alguma limitação sensorial, mental, intelectual ou física e a falta de
estrutura, formação de professores são alguns dos principais problemas, visto que esses
alunos precisam de um corpo docente bem capacitado e uma escola totalmente adaptada
para recebê-los e não o contrário, ou seja, são desafios que ainda persistem nos dias atuais.
Segundo o IBGE (2010), atualmente existe no Brasil 45,6 milhões de cidadãos
com alguma deficiência. Diante desse cenário, é preocupante a forma como as escolas
públicas, juntamente com o seu corpo docente, irá garantir a acessibilidade, permanência
e o direito à educação de qualidade para os alunos com deficiência, pois, incluir um aluno
em uma sala de aula vai além de inserir, a escola inclusiva precisa estar atrelada aos
limites dos alunos com deficiência. Neste sentido, Mantoan (2003), ressalta que,

A inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar específicas para


esta ou aquela deficiência e/ ou dificuldade de aprender. Os alunos aprendem
nos seus limites e se o ensino for, de fato, de boa qualidade, o professor levará
em conta esses limites e explorará convenientemente as possibilidades de cada
um (MANTOAN, 2003, p. 36).

Pode-se perceber que o próprio aluno se adapta aos novos conhecimentos e o


professor precisa estar atento as suas limitações e não pregar um modelo de conteúdo fixo
para todos, haja visto que o modelo tradicional não leva em consideração as dificuldades
dos alunos.
Mantoan (2003) afirma que a inclusão implica em uma mudança de paradigma
educacional, ou seja, a de que velhos modelos e pensamentos de escolas não atendem
mais as sociedades atuais. A educação inclusiva é questionadora das políticas e
organização das escolas regular e especial; Este tipo de educação é diferente de uma
simples integração de um aluno especial em classe regular, pois, necessita de aparatos
sistêmicos, como metodologias, adaptações, Projeto Político-Pedagógico com uma visão
abrangente que inclua todos os alunos ao ensino e não o exclua por ser “diferente”.
Defender a inclusão escolar é acreditar na capacidade de aprendizagem e
superação de dificuldades do indivíduo; é atingir todos os alunos dentro do espaço social
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escolar, é ofertar o aparato técnico, metodológico, estrutural necessários para que estas
pessoas se sintam incluídas no processo de ensino e aprendizagem.
De acordo com o censo da educação básica (2018), o número de matrículas de
alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades em
classes comuns ou especiais exclusivas, teve um aumento de 33,2% em relação a 2014,
ou seja, 1,2 milhão de alunos com algum tipo de deficiência estão incluídos e distribuídos
entre a Educação Infantil, Ensino Fundamental anos Iniciais e Finais, Ensino Médio,
Educação de Jovens e Adultos e Educação profissionalizante. Desse modo, a inclusão
escolar é uma realidade que faz parte da construção de um sistema educacional inclusivo.
Visto isto, a escola como um todo necessita passar por uma reorganização, para
que não apenas “inclua” no sentido de quantidade os educandos com deficiência e sim
oferte uma educação de qualidade onde todos possam ter igualdade de oportunidades.
Nesse sentido, Mantoan (2003, p. 35) afirma que “a reorganização das escolas
depende de um encadeamento de ações que estão centradas no projeto político-
pedagógico”, ou seja, as mudanças e ou reorganização de uma escola para atender pessoas
com necessidades especiais, perpassa pelo Projeto Pedagógico, pois, neste documento,
deve estar contido o modelo de escola que vá atender a comunidade e esteja de acordo
com as necessidades de seu público.
Para que ocorra a inclusão escolar, a escola precisa ser um espaço da diversidade,
da pluralidade, da democracia, do respeito às diferenças, respeito às limitações. O corpo
escolar, os professores (as), precisam estar capacitados e bem remunerados, assim como
a estrutura física da escola necessita estar adaptada para a garantia de acesso e
permanência dos educandos, pois, só assim pode-se ter uma educação de qualidade para
que estes sujeitos sejam vistos não como deficientes, mas sim como eficientes para
desempenharem suas variadas funções como cidadãos proativos em sociedade.
Sassaki (1997, p. 39), assegura que “para incluir todas as pessoas, a sociedade
deve ser modificada a partir do entendimento de que ela é que precisa ser capaz de atender
as necessidades de seus membros”, pois, o autor acredita que para que ocorra o
desenvolvimento das pessoas com deficiência, isso deve acontecer dentro do processo de
inclusão e não como um requisito para estas pessoas fazerem parte da sociedade como se
fosse comprar um ingresso para integrá-las.

1.1. A EDUCAÇÃO INCLUSIVA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


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A educação inclusiva no Brasil teve o início da sua história na década de 70, no


momento em que poucas escolas decidiram receber alunos com algum tipo de deficiência.
O que antes era negado a essas crianças que possuem alguma limitação, naquele momento
se iniciava um processo de políticas públicas para a inclusão dentro da educação
brasileira.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), a educação inclusiva principiou nos
tempos do Brasil imperial com a criação de institutos como o Imperial Instituto dos
Meninos Cegos que hoje é conhecido por Instituto Benjamin Constant (IBC), e o Instituto
dos Surdo Mudos, atual Instituto Nacional da Educação dos Surdos (INES), ambos
criados no estado do Rio de Janeiro.
Cabe ressaltar, que nos moldes desses institutos, as pessoas com deficiência eram
segregadas e até mesmo internadas, pois, supostamente não apresentavam padrões
comportamentais ditados pela sociedade e logo eram excluídas. Desse modo, a educação
para as pessoas com deficiência era institucionalizada e possuía diversas especialidades
de acordo com o diagnóstico do aluno, ou seja, qual tipo de deficiência ele possuía.
Mas por que discutir educação inclusiva no Brasil em pleno século XXI? Por que
pesquisar os desafios pedagógicos e estruturais da escola pública que recebe alunos com
deficiência? São questionamentos muito válidos para a sociedade, pois vivemos em um
país que despertou cedo para a educação inclusiva, mas que ainda vive um processo lento
de transição para absorver um público com alguma limitação, seja ela de locomoção ou
intelectual, física ou motora e oferecer a esses alunos não somente estrutura escolar com
acessibilidade, mas também um ensino de qualidade. Nesse sentido, Mantoan (2003, p.
23) afirma que:

a escola comum é o ambiente mais adequado para se garantir o relacionamento


dos alunos com ou sem deficiência e de mesma idade cronológica, a quebra de
qualquer ação discriminatória e todo tipo de interação que possa beneficiar o
desenvolvimento cognitivo, social, motor, afetivo dos alunos, em geral.

Incluir o aluno com deficiência em escolas da rede de ensino regular junto com os
demais alunos, sem dúvida foi um grande avanço para os sistemas educacionais. Além
disso, a implementação de cursos como a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e o
ensino do BRAILE e do Soroban para alunos com deficiência auditiva e visual
respectivamente dentro dos cursos superiores ou da educação profissional ou cursos de
extensão, serviram para preencher lacunas na comunicação com as pessoas com
deficiência e assim atrair ainda mais este público para o processo de socialização.
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Após longos debates e cobranças pela sociedade a inclusão escolar passa ter
preceitos constitucionais a partir de 1988, no momento em que a Constituição brasileira
estabelece em seu art. 208 o atendimento da pessoa com deficiência na Rede Regular de
Ensino, e com a criação do Atendimento Educacional Especializado (AEE), a sala de aula
comum passa a ter apoio no oferecimento de medidas que possam verificar obstáculos
para a aprendizagem do educando com deficiência e assim o educador adequa
metodologias e trabalhos para seu aluno, ou seja, o AEE é um serviço de apoio
especializado que trabalha em parceria com o educador da sala de aula comum.
O AEE tem como público alvo crianças, jovens e adultos matriculados na Rede
de Ensino Regular que apresentam altas habilidades, transtorno do espectro autista,
superdotação, deficiências auditivas, visuais, entre outras. O profissional que fará o
atendimento precisa ser especializado em Educação Inclusiva e no seu ofício, precisa estar
em constante diálogo com os professores e alunos, fazer relatórios sobre os estudantes no
qual faz atendimento, além da interação com o corpo pedagógico escolar.
Os desafios para implementar escolas inclusivas são inúmeros. Transformar
escolas heterogêneas no sentido de diversidade de público no âmbito escolar, não é tarefa
fácil, no entanto, a escola é protagonista da transformação de seus alunados, haja visto,
que possui o dever de proporcionar-lhes o desenvolvimento social e cultural além do
intelectual, pois, os alunos juntos aprendem a conviver com as diferenças, aprendem a
manter o respeito e a humanidade com o seu próximo, e passar por estímulos interagindo
diretamente com o outro em salas regulares, é uma forma de trocar experiências
enriquecedoras e estimuladoras que irão desenvolver não só o cognitivo, mas também o
afetivo e social dos educandos com deficiência. Nesse contexto, Silva Neto et al. (2018,
p. 86) asseveram que:

A Educação Inclusiva é a transformação para uma sociedade inclusiva, um


processo em que se amplia a participação de todos os alunos nos
estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura,
da prática e das políticas vivenciadas nas escolas, de modo que estas
respondam à diversidade dos alunos (SILVA NETO et al., 2018, p. 86).

Isso mostra que para incluir precisa transformar, reorganizar, derrubar


estereótipos, quebrar paradigmas, lutar contra discriminações, enfim transformar a
sociedade para que esta se adeque e abranja todos e não somente parte dos cidadãos.
O papel do professor é de extrema importância na construção de conhecimento
dos seus alunos, desde que estes estejam capacitados para mediar a relação com o(s)
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diferente(s), pois, dentro de uma sala de aula esse docente receberá um público
diversificado com várias particularidades. E para a educação ser inclusiva de fato, os
educadores precisam ser inclusivos, ou seja, precisam estar aptos a trabalhar com a pessoa
com deficiência e adequar sua prática pedagógica de modo a que seus alunos tenham
retorno, que neste caso é o próprio aprendizado.
Enxergar e trabalhar a particularidade de cada educando isso denota de forma
benéfica a postura de um professor (a) inclusivo (a), pois, respeita-se os interesses dos
alunos. E como bem observou Sampaio C. e Sampaio R. (2009 p. 97-98),

[...] essas professoras incorporam à educação das crianças o seu conhecimento


sobre a vida dela, seus interesses e preferências. Isso remete a outro ponto
fundamental da educação inclusiva que é a valorização da singularidade do
aluno, que implica enxergar que ali há uma criança, um sujeito, que é portador
de uma deficiência, mas que não se confunde com ela. Assim, uma postura que
valoriza as competências da criança, para além da deficiência, parece ser
fundamental em um professor inclusivo (SAMPAIO; SAMPAIO, 2009, p. 97-
98).

Desse modo, o professor tem o dever de assumir o compromisso com seus alunos,
pois, dentro de uma sala de aula heterogênea, surgirão diversas demandas, e neste caso,
o educador tem que estar sempre atualizado, fazer cursos de formação continuada para
melhor atender seus educandos e respeitar o ritmo de aprendizagem que cada aluno
apresenta assim como a valorização das suas particularidades.
Outro ponto importante para que o educador seja inclusivo, além dos apresentados
acima, está expresso no incentivo à socialização dos seus alunos. Ao incentivar a
interação dos educandos sem deficiência com os deficientes, o docente apresenta
estratégias de inclusão e sem dúvida trará aprendizado para os estudantes como um todo,
assim como para o próprio docente, pois, um bom professor, está disposto a aprender
também com suas dificuldades e de seus alunos.
Sampaio C. e Sampaio R. (2009), estabelecem quatro eixos que caracterizam a
postura de um professor inclusivo, são eles: valorização da singularidade do aluno e
respeito a seu ritmo; vínculo professor-aluno; uso adequado e não estigmatizante do
diagnóstico e o desejo do professor continuar aprendendo diante a dificuldade de aprender
dos educandos com deficiência.
Observa-se nesses quatro eixos o valor que tem o respeito quanto ao ritmo do
aluno com deficiência, pois o professor deve trabalhar o potencial que o aluno possui para
assim então chegar ao desenvolvimento de habilidades que o educando possui. Outra
questão é sobre o vínculo professor-aluno, que neste caso a afetividade toma conta da
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relação de ambos no âmbito escolar, estes laços servem para manter a confiança, a troca,
a interação e assim contribuir no processo de ensino para se atingir objetivos.
Quanto ao uso do diagnóstico, esta é uma questão complexa devido obedecer uma
classificação médica conclusiva sobre a deficiência do educando, por outro lado, a
educação inclusiva está além de qualquer conclusão médica, haja visto, que para ser
inclusiva, as pessoas com deficiência precisam estar na rede regular de ensino, e
participarem do processo educacional com os outros discentes. Identificar o que chama a
atenção dos alunos com deficiência sem dúvida é o primeiro passo para que haja uma
socialização. A partir que o professor em consonância com o apoio especializado e a
família (a família é o primeiro grupo social do educando) identificam algum interesse por
parte do aluno, como a música, a pintura, jogos, esporte entre outros, respeitando suas
limitações, busca-se trabalhar com o aluno o que desperta sua forma de interação e
comunicação, porque o aprender está diretamente ligado a nossa subjetividade e ou nossas
particularidades, e dessa forma o professor acaba por aprender com seu aluno.
1.2. INCLUSÃO E AS TRANFORMAÇÕES NO ÂMBITO ESCOLAR
É notório que o modelo atual de sociedade está alinhado a uma nova fase de
políticas públicas no que concerne a inclusão. Como visto anteriormente, uma sociedade
inclusiva é aquela que é capaz de abranger todas as pessoas independe de como elas
sejam. A sociedade se reorganiza, se transforma para melhor se adequar as diferenças que
cada indivíduo carrega, a fim de cessar a exclusão. Dessa forma, as pessoas com
deficiência não precisam mais se adaptar para integrar a sociedade, mas sim a sociedade
se reorganizar para incluir as pessoas com deficiência para que possam ter acesso à
igualdade, equidade e oportunidades.
Nesse processo de transformações, mudanças e ou reorganizações, a escola
exprime um papel essencial na vida das pessoas com deficiência, devido ela ser um dos
principais eixos a trabalhar o desenvolvimento intelectual, social, cultural, físico e
humanístico para a convivência em sociedade. Neste contexto, o âmbito escolar precisa
estar preparado, adaptado, reorganizado para que as pessoas com deficiência tenham
acesso e permanência e igualdade de oportunidades na escola.
É necessário todo um aparato arquitetônico para este fim, como: banheiros com
portas maiores para cadeirantes, corrimãos, elevadores (caso a escola possua outros
pavimentos), rampas, piso tátil para cegos, leitura em braile, todos acessos sinalizados e
principalmente um corpo pedagógico capacitado para melhor atender a este público.
Obviamente, para que isto aconteça a escola como um todo necessitará de investimentos
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financeiros para garantir as adaptações necessárias e boas condições de funcionamento,


ou seja, a escola precisa ter acessibilidade.
Segundo Campos et al (2017), a acessibilidade envolve diversas maneiras que irão
ajudar na adaptação desse aluno no meio onde convive, pois fica evidente a importância
da acessibilidade para romper barreiras que a sociedade impõe, haja visto, que vivemos
em uma sociedade desigual e para as pessoas com deficiência, estes problemas se tornam
maiores.
A norma 9050 define a acessibilidade como a possibilidade e condição de alcance,
percepção e entendimento para utilização, com segurança e autonomia, de espaços,
mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação,
inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como outros serviços e instalações abertos ao
público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural,
por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2015).
Segundo Bueno (2001), a acessibilidade vai mais além, é ela que possibilita o
acesso da pessoa com deficiência, no qual a criança possa se sentir parte do local onde irá
estudar e alcançar sua dignidade. Dessa forma, surge a necessidade de projetos e
implantação de componentes efetivos da igualdade e acessibilidade, para que as crianças
tenham acesso à educação, esporte, cultura e lazer sem desigualdade com os demais
alunos.
No ano de 2000 foi aprovada a Lei nº 10.098/00 que respalda todos os portadores
de deficiência física no que tange a acessibilidade. Em seu artigo 1º destaca que:
Art. 1o Esta Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção
da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços
públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos
meios de transporte e de comunicação (BRASIL, 2000, p.1).

Ao entrar no âmbito escolar é notória a escassez de acessibilidade, isso se deve


pelo fato de que a maioria dos prédios escolares foram construídos sem qualquer
disponibilidade para receber discentes com deficiências físicas, desse modo, não
acontecendo a inclusão como deveria.
Os alunos com deficiência visual precisariam de mapas táteis e em braile para se
locomover pela escola de forma que lhe cause independência. Na biblioteca os livros
devem sempre estar ao alcance dos alunos para que possam ler e estudar em condições de
conforto e segurança. Afinal, provendo acessibilidade espacial é, especialmente,
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proporcionar opções de acesso a todas as pessoas que necessitem usar, dando a elas o
direito de ir e vir e qualidade de cidadania (LIMA, 2006).
O âmbito escolar inclusivo tem que e promover um bom dia aos alunos, pois, a
escola tem que ser agradável, confortável e prazerosa para que estas crianças tenham
vontade de estar nos seus espaços feitos para elas aprenderem e se desenvolver para
ganhar autonomia e vencer seus medos superando desafios de forma cotidiana.
Outra questão, é que âmbito escolar necessita como apoio, principalmente de
cuidadores, pois esses profissionais desempenham uma função importante, haja visto que
a escola recebe discentes com diversos tipos de deficiência e há a necessidade de
profissionais para auxiliar o professor em sala de aula, caso o aluno precise ir ao banheiro,
beber água ou fazer deslocamentos a outros lugares dentro da escola.
Nesse contexto, recomenda-se que 1% das mesas e cadeiras sejam adaptadas para
cadeirantes, com 73 cm de altura do chão, esses mesmos móveis devem estar nos espaços
selecionados para a alimentação do aluno e ele possa se alimentar de forma agradável.
São apoios e artifícios que promovem a vida diária dos alunos com deficiência física e
que juntam as principais áreas da escola, ex. de higiene, vestuário e alimentação, barras
de transferência para sanitários e os adaptadores para utensílios e louças de cozinha
(LIMA, 2006).
Indica-se que pelo menos 5% dos sanitários (masculinos e femininos) sejam
adaptados. As portas devem ser amplas com barra de apoio a 30 cm de altura a partir do
assento sanitário. As pias devem ter botões automáticos de acionamento a uma altura de
80 cm do chão, assim como bebedouros. Algumas atitudes fazem toda a diferença para
manter o aluno dentro da escola como: manter o mesmo ângulo de visão com o deficiente,
sempre se sentando ao conversar com o mesmo para evitar que o deficiente físico fique
por muito tempo olhando para cima, jamais se apoie nas muletas e cadeiras de rodas,
devido ao peso excessivo pode ser bem desconfortável para o aluno (NASCIMENTO,
2014).
Quando âmbito escolar oferta condições de acesso e permanência às pessoas com
deficiência, as dificuldades se tornam mínimas, pois é um direito desses alunos. No
entanto, para além da garantia da matrícula a escola precisa estar reorganizada a esta nova
realidade inclusiva, e as transformações no âmbito escolar são necessárias para que a
inclusão aconteça de fato e como bem observou Freire “se a educação sozinha não
transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, pois, somente com
mudanças é que poderemos abrir as portas para a inclusão.
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1.3. A PESSOA COM DEFICIÊNCIA FÍSICA: TIPOLOGIA E PROCESSO DE


INCLUSÃO ESCOLAR
A deficiência física pode ser definida como diferentes condições motoras que
acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e da
fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou más
formações congênitas ou adquiridas (MEC, 2004).
A pessoa com deficiência física, de acordo com o Decreto n° 5.296/2004, é aquela
que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano,
acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de
paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia,
triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro.
Paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto
as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de
funções (BRASIL, 2004).
O termo (plagia) se refere à paralisia, que neste caso é a perda total da capacidade
motora, ou seja, é a ausência de movimento de um segmento ou parte do corpo ou de
várias partes. Já a (paresia) se refere à diminuição ou fraqueza muscular.
Visto isso, o quadro a seguir mostra como são classificadas as plagias e paresias
das deficiências físicas e seus respectivos conceitos.
QUADRO: Classificação das plagias e paresias das deficiências físicas

MONOPLEGIA TRIPLEGIA TETRAPLEGIA HEMIPLEGIA PARAPLEGIA


Paralisia do Paralisia do Paralisia dos Paralisia dos Paralisia dos
movimento de um movimento três movimentos dos membros superior e movimentos dos
único membro do membros do membros inferior de um membros
corpo. Um braço corpo. Dois superiores, mesmo lado do inferiores. As
ou uma perna. braços e uma inferiores e tronco. corpo. Um braço e pernas.
perna. Pernas, braços e uma perna.
tronco.
MONOPARESIA TRIPARESIA TETRAPARESIA HEMIPARESIA PARAPARESIA
Fraqueza ou Fraqueza ou Fraqueza ou Fraqueza ou Fraqueza, ou
diminuição da diminuição da diminuição da força diminuição da força diminuição da
força muscular de força muscular muscular dos muscular dos força muscular
um único membro de três membros membros membros superior e dos membros
do corpo. Um do corpo. Dois superiores, inferior de um inferiores. As
braço ou uma braços e uma inferiores e tronco. mesmo lado do pernas.
perna. perna. Pernas, braços e corpo. Um braço e
tronco. uma perna.
Fonte: Christiane Ribeiro (Adaptado)3

3
Plegia, paralisia e paresia: as diferenças. https://enfermagemilustrada.com/plegia-paralisia-e-paresia-as-
diferencas-2/
13

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, dos 45,6 milhões de pessoas com
deficiência no Brasil, os deficientes físicos representam 734.420 dos que “não conseguem
de modo algum” realizar atividades habituais e 3.698.926 apresentam “grande
dificuldade”. E, segundo a Pesquisa Nacional em Saúde (PNS) 2013, a proporção de
pessoas que nasceram (congênita) com deficiência física foi de 0,3% da população, e as
que adquiriram em decorrência de doença ou acidente foi de 1,0%. Dentro desse grupo,
18,4% dos deficientes físicos, frequentava algum serviço de reabilitação. Observa-se que
a maior parte dos deficientes físicos no país possuem grandes dificuldades para realizar
suas atividades habituais devido o grau de comprometimento motor. Outra questão
observada foi que em maior parte a deficiência física foi adquirida e posteriormente a
maior parte faz tratamento para reabilitação.
Com isso, é notória a parcela de discentes com variados diagnósticos de
deficiência física, alguns com o quadro evolutivo, outros estáveis e outros que requerem
cuidados medicamentosos devido o grau e complicações que apresentam.
Com isso, deve-se diferenciar quadros de lesões neurológicas não evolutivas,
como a paralisia cerebral (PC) ou traumas na medula, dos quadros progressivos que
agridem o sistema nervoso como os tumores e as distrofias musculares. Sendo que nos
primeiros casos são lesões não evolutivas e o uso de estimulações especificas podem
reduzir as limitações dos discentes. No segundo caso, há o aumento progressivo de
incapacidades funcionais no qual os problemas de saúde associados podem ser mais
frequentes (BERSCH; MACHADO, 2007).
O comprometimento físico ou motor também poderá acontecer quando houver
amputações, más formações congênitas de membros ou deformações no sistema
esquelético, sistema muscular, entre outras deformidades.
Não cabe aqui fazer um levantamento exaustivo sobre as várias tipologias de
deficiência física, mas sim mostrar que existe uma complexidade e um grau de
dificuldades que o professor enfrentará em consonância com o apoio especializado para
que os alunos sejam incluídos de forma igualitária onde possam vivenciar o cotidiano
escolar, buscar sua autonomia, desenvolver suas potencialidades e assim ter uma boa
qualidade de vida livre de preconceitos.
Para isto, caberá ao professor se apropriar de informações quanto à deficiência
física do aluno para poder trabalhar com metodologias específicas, elaborar estratégias
pedagógicas sempre respeitando o ritmo e desempenho dos mesmos.
14

Dessa maneira, é necessário também que ocorra transformações arquitetônicas nas


escolas para que haja a eliminação de barreiras que impeçam os alunos com deficiência
física de se apropriarem dos espaços. Além disso, oferecer conteúdos didáticos adaptados,
sinalizar todo o espaço escolar, implantar Tecnologias Assistivas (TA), entre outros
recursos que auxiliem ou possibilitem o desenvolvimento das habilidades dos alunos.
O uso de TA é um meio capaz de promover a independência da pessoa com
deficiência física. A Tecnologia Assistiva pode ser entendida como recursos
interdisciplinares que envolvem metodologias adequadas, ferramentas tecnológicas como
softwares, aplicativos, acessórios que auxiliem as pessoas com deficiência no sentido de
garantir mais autonomia, rompendo barreiras motoras, sensoriais, cognitivas de modo a
promover qualidade de vida e inclusão social.
Antes de ser utilizada a TA, deve-se fazer uma análise da pessoa que a utilizará,
se existe recursos humanos e materiais, se o ambiente é propício ao uso e em quê e para
quê a pessoa usará tal ferramenta. Após este levantamento, pode-se adquirir a ferramenta
adequada para a pessoa com deficiência. No entanto, nem sempre se pode obter os
produtos que se encontram no mercado por causa do elevado custo.
Alguns softwares4 podem auxiliar a pessoa com deficiência física a ter acesso e
autonomia com o computador, são eles: Motrix, Micro Fênix, Xulia entre outros. O
primeiro, acionado pela voz, auxilia as pessoas tetraplégicas e com distrofia muscular a
acessar o computador. O segundo é acionado por pequenos ruídos e pelo movimento dos
olhos, haja visto que são destinados a pessoas com deficiência física grave que não falam
e que não possuem movimento dos membros superiores e inferiores. E o terceiro é
acionado pela voz para reconhecimento de comandos no computador. O Motrix e o Micro
Fênix foram desenvolvidos pelo Professor e Pesquisador José Antonio Borges do Núcleo
de Computação Eletrônica (NCE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já
o software Xulia (Xestión Unificada da Linguaxe con Intelixencia Artificial), baseado no
Motrix, foi lançado por meio da parceria entre o Instituto Novo Saber e o programador
espanhol Antonio Losada González da Universidade de Santiago de Compostela.
Outros produtos que auxiliam os deficientes físicos na compensação de
insuficiências motoras para que possam ter uma qualidade de vida, são as órteses, pois
elas auxiliam um membro, tecido ou órgão no sentido de controlar suas deformidades.

4
Projeto Motrix. http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/. Projeto microFênix v 2.0.
http://intervox.nce.ufrj.br/microfenix/. Xulia.https://inovacao.ufrj.br/index.php/noticias-2020/noticias-
2017/534-novo-software-de-reconhecimento-de-voz-e-disponibilizado-para-download-gratuito
15

Muletas, coletes, bengalas, botas especiais, mecanismos de apoio para o braço, entre
outros são exemplos de órteses que podem auxiliar os educandos no ambiente escolar.
Para Gradim e Paiva (2018, p. 08), “o uso de órteses como um dispositivo de TA na fase
de reabilitação é um recurso funcional para atingir determinados objetivos do
tratamento”.
As professoras da sala de recursos devem confeccionar ou adaptar ou adquirir
materiais como jogos, livro em áudio, cartões de comunicação, reformular ou converter
recursos pedagógicos a fim de gerar comunicação com os alunos com deficiência para
que eles desenvolvam a percepção, o raciocínio e a criatividade.
O processo de inclusão escolar dos deficientes físicos ou das pessoas com
deficiência como um todo, envolve o cumprimento de mecanismos legais, as leis, a
garantia do Estado por meio de políticas públicas de inclusão, à atenção da família, a
acessibilidade aos espaços, a cultura e todos os direitos que um cidadão dito comum deve
ter. E quanto à escola, esta deve ser um ambiente que promova a inclusão considerando
a capacidade de cada aluno, respeitando as diferenças, fazendo adaptações necessárias na
estrutura escolar, nos currículos a fim de permitir que o educando com deficiência se sinta
a vontade para expor suas potencialidades e assim ser considerado incluso.

2. O CAMINHO METODOLOGICO, RESULTADOS E ANÁLISES DA


PESQUISA
2.1. O CAMINHO METODOLÓGICO DA PESQUISA
O objetivo fundamental da ciência é chegar à veracidade dos fatos. Neste sentido,
para que um conhecimento seja considerado científico, é preciso identificar as operação
e técnicas que possibilitam sua verificação, ou seja, determinar um método que possibilite
a chegar ao conhecimento. O método será o caminho para se chegar a determinado fim.
Desse modo, o método científico é entendido como o conjunto de procedimentos
intelectuais e técnicos utilizados para se atingir o conhecimento. (GIL, 2008).

2.1.1. Tipo de pesquisa

Para a realização da referida pesquisa, utilizou-se a pesquisa bibliográfica e a de


campo. Segundo GIL (2008, p. 50) “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de
material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora
em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há
pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fonte bibliográfica”.
16

Já a pesquisa de campo, “é aquela utilizada com o objetivo de conseguir


informações e/ou conhecimento acerca de um problema para o qual se procura uma
resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos
fenômenos ou a relação entre eles”. (MARCONI E LAKATOS, 2003, p. 186).
As fases da pesquisa de campo devem seguir alguns passos, em primeiro lugar, a
realização da pesquisa bibliográfica sobre o tema em questão; em segundo lugar,
determinar as técnicas de coleta de dados; e por último, antes de realizar a coleta de dados
é necessário estabelecer as técnicas de registros dos dados e as técnicas que serão
utilizadas em sua análise posterior (MARCONI e LAKATOS, 2003).
Do ponto de vista da abordagem do problema, a pesquisa é de cunho qualitativo,
pois, ela é de caráter exploratório focalizada na subjetividade do objeto analisado, ou seja,
em experiências individuais. Nesse enfoque, há “um vínculo indissociável entre o mundo
objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A
interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de
pesquisa qualitativa”. (PRODANOV e FREITAS, 2013, p. 70).

2.1.2. Lócus da pesquisa

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pastor Jaci


Torquato, localizada, no município de Ferreira Gomes na região central do estado do
Amapá a 137 km da capital, Macapá. A referida escola foi escolhida para a pesquisa por
ser a maior do município e por fazer o atendimento especializado de educandos com
deficiência física. A escola apresenta quatro blocos com 14 salas de aula, todas em
alvenaria, além de uma sala de recursos multifuncionais para o AEE, uma biblioteca, uma
sala para a coordenação pedagógica, uma sala para os professores, uma sala para a
diretoria, uma sala para a secretaria, dois banheiros, um refeitório, uma cozinha e uma
quadra poliesportiva. A escola funciona nos três turnos. No período da manhã e tarde com
aulas para o ensino regular anos iniciais e finais do fundamental, e a noite com a educação
de jovens e adultos nos anos finais.

2.1.3. Sujeitos da pesquisa

Os sujeitos da pesquisa foram 1 (uma) professora do Atendimento Educacional


Especializado e 1 (um) coordenador pedagógico. A escolha desses sujeitos deu-se pelo
fato de que são peças fundamentais na aprendizagem e acompanhamento dos alunos com
deficiência física. A professora do AEE por acompanhar e desenvolver metodologias e
17

auxiliar os professores da sala comum. O coordenador por interagir e auxiliar a


professora.
Para manter o sigilo dos sujeitos e a ética da pesquisa, eles foram identificados
com letras do alfabeto da seguinte forma: Professora (A) e o Coordenador (X). O
questionário da professora A apresentam sete variáveis, e o questionário do coordenador
X, seis variáveis, cujo objetivo é verificar qual a percepção da professora do AEE e do
Coordenador Pedagógico quanto ao processo de inclusão do aluno com deficiência física
na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pastor Jaci Torquato.

2.1.3. Instrumentos da pesquisa

O instrumento utilizado para coletar informações nesta pesquisa foi o questionário


com questões abertas. O questionário foi aplicado tanto à professora quanto ao
coordenador. Segundo Marconi e Lakatos (2003, p. 201), o “questionário é um
instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que
devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”. Sendo isto, o
questionário possui esta vantagem quanto à ausência de quem o aplica, além de haver
liberdade nas respostas devido o anonimato, obter respostas mais rápidas, economia de
tempo em viagens e haver menos riscos de distorção pela não influência do pesquisador.
Dessa forma, o questionário foi enviado por aplicativo de mensagem aos sujeitos da
pesquisa e recebido por e-mail em prazo determinado pelo pesquisador.

2.1.4. Organização e análise dos resultados

Feita a obtenção dos dados, em seguida foram analisados, descritos e interpretados


para se chegar aos resultados e formular as conclusões. Primeiramente foram analisadas
as informações obtidas pelo coordenador, e em seguida foram analisados os dados obtidos
por meio da professora. No processo de análise, fez-se a comparação entre os dados do
coordenador com os dados da professora.
Para analisar esses dados, foi utilizada a técnica de análise de dados qualitativos,
análise de conteúdo, que segundo Bardin (2016, p. 10), o termo análise do conteúdo
designa “um conjunto de técnica de análises das comunicações visando obter, por
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens,
indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos
às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens”. Desse modo,
como a análise de conteúdo trabalha a fala, ou seja, a prática da língua realizada por
18

emissores identificáveis, a análise dos questionários se dará na forma de texto


propriamente analisados e interpretados.

2.2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS DA PESQUISA


2.2.2. Entrevista com o coordenador pedagógico
Inicialmente foi perguntado ao Coordenador X sua concepção de inclusão. Pode-
se interpretar na percepção do colaborador da pesquisa, que a inclusão é entendida como
parte importante do processo educacional, ou seja, é fazer o diferente se sentir parte da
sociedade, e para isto, é preciso que esses educandos sejam incluídos em turmas regulares.
Como podemos observar abaixo.
Para mim, inclusão é fazer o diferente se sentir parte integrante do que a
sociedade toma como normal. Incluir é parte importante do processo
educacional, para que nosso alunado de pessoas com deficiência tenham
acompanhamento especializado nas suas particularidades e possam ser
acompanhados nas turmas heterogêneas, garantindo assim a universalidade
do acesso à educação. (COORDENADOR X).

Observou-se a preocupação do Coordenador X quanto ao atendimento às


particularidades dos alunos deficientes, no entanto, ele vê a necessidade de projetos de
inclusão na escola, pois, a instituição de ensino não possui projetos específicos para os
alunos com deficiência, mas que para acontecer a inclusão o primeiro passo já foi dado
que é a inclusão de pessoas com deficiência junto com os não deficientes:
A necessidade de projetos de inclusão na escola é sempre indispensável.
Apesar de fazermos o possível para incluir todos os nossos alunos com
deficiência nos projetos e atividades desenvolvidas em nossa instituição, ainda
não possuímos nada específico para esse público, afinal, temos em mente
sempre que, para incluir, todos devem estar juntos, pessoas com e sem
deficiência (COORDENADOR X).

Foi perguntado ao participante da pesquisa como vem dando-se o processo de


inclusão do aluno com deficiência física na escola, haja visto, a necessidade de
planejamento, adaptações, metodologias e o acompanhamento e ou auxílio do
atendimento especializado ao professor da turma regular. A esse respeito o Coordenador
X afirmou que:
Os alunos com deficiência de nossa escola têm acompanhamento do AEE
(Atendimento Educacional Especializado), ao passo que estão inseridos nas
turmas heterogêneas. Os professores das turmas regulares planejam,
juntamente com a coordenação pedagógica e os professores do AEE, as
atividades dos alunos especiais de forma que essas atividades sejam
adaptadas a particularidade dos nossos discentes. Além disso, como já citei,
fazemos o possível para incluir este público nas atividades e projetos
desenvolvidos na escola. (COORDENADOR X).
19

Identificamos no discurso do Coordenador X que a escola vem desenvolvendo


atividades essenciais para a construção de uma prática inclusiva na escola como
atentando-se para um planejamento de forma conjunta dos professores das turmas
regulares, a coordenação pedagógica e os professores do AEE. Destacou que as atividades
relacionadas a esses alunos vêm sendo constantemente adaptadas a sua deficiência. Outro
ponto importante que o colaborador da pesquisa destacou foi que mesmo não havendo
projetos específicos para os alunos com deficiência na escola, a coordenação pedagógica
busca incluir esses alunos em outros projetos que ocorrem ao decorrer do ano letivo.
Quando questionado se a escola está estruturada para receber alunos com
deficiência, o Coordenador X foi claro ao afirmar o que já havia sido expresso no corpo
teórico desta pesquisa quanto à precariedade da estrutura física das escolas públicas. Por
outro lado, ele aponta alguns exemplos de adaptações físicas que auxiliam e facilitam a
locomoção do deficiente físico no âmbito escolar:
Como toda escola pública de nosso país, o investimento na estrutura física da
escola para recebimento destes alunos ainda é bastante precário. No entanto,
possuímos banheiro específico para pessoas com deficiência, bem como
rampas de acesso, piso tátil e corrimões nas rampas. Recentemente, a porta
da sala do AEE também foi adaptada, tendo o seu tamanho aumentado.
(Coordenador X).

Sem dúvida, são adaptações imprescindíveis para que os educandos com


deficiência se sintam parte da escola, mas que não são suficientes.
Outra questão importante no auxílio aos deficientes físicos, é em relação aos
recursos pedagógicos que a escola busca adquirir para tornar o processo de aprendizagem
mais prazeroso aos discentes com deficiência física, haja visto que para a escola ser
inclusiva, precisa estar equipada com materiais didáticos-pedagógicos que atendam as
particularidades de cada aluno com dificuldades motoras. Com relação a isto foi
perguntado ao Coordenador X se a escola possui materiais pedagógicos para auxiliar os
alunos com deficiência física. A esse respeito obteve-se como resposta:
Recentemente a escola recebeu um recurso específico para o AEE, com o qual
foram feitas algumas melhorias (citadas na resposta da pergunta anterior),
bem como investido na compra de materiais didático-pedagógicos que
auxiliam os professores no acompanhamento individual desses alunos, tendo
em vista suas particularidades. Dos quais podemos citar: tablets, jogos
educativos, materiais sensoriais etc. No entanto, além deste recurso
específico, só podemos contar com os materiais que são fornecidos pela
prefeitura, através da SEMED. (coordenador X).

Ao analisar a fala do colaborador da pesquisa podemos perceber que a escola


dispõe de materiais didáticos diversos, que inclui desde recursos tecnológicos como
tablet, jogos educativos, materiais sensoriais para trabalhar com o aluno com deficiência.
20

No discurso do colaborador ficou explícito que esses materiais que a escola possui tem
auxiliado bastante os professores no trabalho.
Quando questionado se sua escola trabalha com uma política de inclusão para os
alunos com deficiência, o coordenador é enfático ao afirmar que a escola busca ao
máximo atender os direitos das pessoas com deficiência, pois, mesmo com o baixo
investimento, a escola consegue ofertar uma sala especializada com recursos
pedagógicos, além de um mínimo de infraestrutura que promova a recepção destes
educandos para que se cumpra o que as políticas de inclusão exigem:
No que diz respeito às políticas de inclusão, vejo que bancamos o melhor que
podemos para fazer valer os direitos de nosso alunado. Sabe-se que a maioria
das escolas públicas do país não possuem Atendimento Educacional
Especializado (AEE), enquanto nós possuímos. Temos uma sala equipada com
o mínimo necessário para esse atendimento, bem o mínimo de estrutura física
possível que promova uma melhor recepção de nossos discentes. No entanto,
temos ciência de que se deve investir mais para que a educação que
dispensamos a esse público seja da melhor qualidade, para que se cumpra o
que as políticas de inclusão exigem. (coordenador X).

Percebemos no depoimento do Coordenador X que a escola mesmo sem condições


financeiras, tenta de alguma forma atender os mecanismos legais com relação a pessoa
com deficiência.

2.2.3. Entrevista com a professora do AEE

Questionada sobre o que a professora (A) entendia por inclusão, ela afirma que é
o acolhimento de pessoas independente de sua condição social, cor ou questões físicas ou
psicológicas. Como pode ser verificado a seguir.
A inclusão escolar é acolher todas as pessoas, sem exceção no sistema,
independente de cor, classe social e condições físicas e psicológicas.
(Professora A).

Ou seja, o dever do sistema educacional é incluir todos os alunos e garantir o


suporte para que eles tenham acesso e permanência nas escolas, permitindo que as escolas
sejam mais igualitárias e democráticas para os discentes.
Quando foi indagado sobre a necessidade de projetos de inclusão na escola, a
Professora A afirma que:

É de suma importância os projetos de inclusão em uma escola pois tentar


eliminar as barreiras no processo de ensino-aprendizagem e garantir o pleno
acesso e participação de todos os alunos e proporcionar uma reflexão a toda
comunidade escolar sobre a necessidade de valorização das diferenças.
(Professora A).
21

Pode-se perceber que a professora faz alguns apontamentos quanto a importância


de projetos de inclusão. Primeiramente, os projetos ajudam na eliminação de barreiras no
processo de ensino e aprendizagem, pois, incluir alunos com deficiência física em
projetos na escola ao mesmo tempo rompe barreiras de exclusão e o ensino se torna mais
prazeroso, ocorrendo um feedback para a aprendizagem. O segundo ponto, remete à
garantia de pleno acesso e participação dos alunos com deficiência nos projetos, ou seja,
os projetos escolares precisam ser inclusivos, que todos possam participar, e não
exclusivos de apenas parte do público escolar. E uma terceira colocação, diz respeito
sobre a reflexão da comunidade, no qual, os projetos podem proporcionar, pois, a partir
da dinâmica de execução dos projetos a comunidade refletiria sobre a necessidade de
valorizar as diferenças.
Quando questionada de como se dá o processo de inclusão do aluno com
deficiência física na escola, a professora A narra que:
Os professores da escola primeiramente apresentam e mostram todos os
ambientes da escola para o aluno, apresentação para os profissionais da
escola; geralmente os alunos com deficiência física precisam de um cuidador
para ajudar em algumas atividades como (beber água, ir ao banheiro).
(Professora A).
Na visão da Professora A, o processo de inclusão do aluno com deficiência
acontece desde o primeiro momento que o aluno chega à escola, conhece os espaços do
ambiente escolar, se apresenta para os profissionais que ali trabalham, ou seja, passam a
compreender que dentro da instituição terão auxílio de profissionais em todos os
momentos em que estarão ocupando os espaços da escola.
Uma questão que recai sobre os professores de modo geral, é a importância da
formação continuada, que permite o aprimoramento de conhecimentos sobre determinado
tema ou aprendizagem de outros por meio de novas tecnologias, visando a qualidade de
ensino e valorização do trabalho dos docentes. Neste sentido, a formação continuada em
cursos de educação inclusiva, serve como ferramenta estratégica e pedagógica para que
os professores possam identificar as dificuldades dos alunos com deficiência e traçar
planos de acessibilidade.
Visto isso, quando a Professora A foi questionada se possuía curso de formação
continuada em Educação Inclusiva, ela respondeu que “sim”, no entanto, não justificou
em qual área específica, haja visto, que segundo Rosângela Machado (2011, p. 05) o
“AEE não é um especialista em uma dada deficiência. Seu objetivo é conhecer o aluno,
identificar suas possibilidades e necessidades, traçar um plano de AEE para que possa
organizar os serviços, as estratégias e os recursos de acessibilidade”, e como bem define
22

(Mantoan, 2003, p. 36), “a inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar
específicas para esta ou aquela deficiência e/ ou dificuldade de aprender”. Desse modo, a
prática educativa e a experiência profissional da professora farão toda diferença na forma
como as particularidades dos alunos serão identificadas e trabalhadas.
Uma questão chave e ao mesmo tempo complexa a respeito do acolhimento dos
alunos com deficiência física nas escolas, é sobre a estrutura das escolas. É notório que
muitas escolas públicas apresentam precariedades na sua estrutura física para incluir
alunos com algum tipo de deficiência. Na escola lócus dessa pesquisa, é visível a escassez
estrutural. Quando a Professora A foi indagada se sua escola estava estruturada para
receber alunos com deficiência física, a resposta foi monossilábica com um simples
“não”. Neste sentido, há uma contradição no discurso da professora A e do coordenador
X quanto à escola estar preparada para atender o aluno com deficiência física, tendo em
vista que um diz que a escola tem estrutura, enquanto a outra diz que não tem estrutura.
Isto reflete que as escolas necessitam de uma reestruturação para poder ser de fato
inclusivas. Mantoan (2003, p. 32) assegura que “a inclusão é uma inovação que implica
um esforço de modernização e de reestruturação das condições atuais da maioria de
nossas escolas”. Desse modo, verificou-se que a escola em questão esbarra em problemas
estruturais quanto às adaptações necessárias para que a pessoa com deficiência física
sinta-se incluída no espaço escolar.
Outro questionamento feito à Professora A, foi em relação aos conteúdos, se eles
são adaptados aos alunos com deficiência física e de que forma são feitas essas
adaptações. A professora afirma que:

Sim! Os conteúdos adaptados para os alunos com deficiência física


geralmente são abordados com jogos, brincadeiras, luta, dança. Há várias
possibilidades múltiplas de aplicação dessas atividades no processo de
aprendizagem. O professor não apenas permite que os alunos experimentem o
prazer da aula prática, mas faz com que eles enxerguem as atividades como
algo positivo no seu desenvolvimento. (Professora A).

Com a resposta que a professora deu, notou-se a importância das adaptações para
os alunos, pois assim a educação se torna inclusiva e chama a atenção dos discentes por
trabalhar com jogos e brincadeiras, que são recursos lúdicos, tornando-se o modo de
aprender mais prazeroso. Segundo Luckesi (2014, p. 18), a ludicidade “pode advir de
qualquer atividade que faça os nossos olhos brilharem”, no entanto, cabe ressaltar que
assim como as adaptações, a ludicidade precisa ser diferente para cada situação, ou seja,
o que pode ser lúdico para um, pode não ser lúdico para o outro. E o professor precisa ter
23

estratégias e ferramentas bem definidas para trabalhar com cada particularidade para que
atinja uma prática positiva para o desenvolvimento de seus alunos.
Quando a Professora A foi questionada se na percepção dela sua escola trabalhava
com uma política de inclusão para alunos com deficiência física, a resposta foi um simples
“não”. Com isso, entendeu-se que esta é mais uma questão que dificulta a inclusão na
escola lócus, pois para incluir exige a aplicabilidade das políticas de inclusão que são os
marcos fundamentais no processo inclusivo. Por outro lado, quando essa mesma pergunta
foi feita para o Coordenador X, ele afirmou que a escola busca ao máximo atender os
direitos das pessoas com deficiência e reconheceu as dificuldades, no entanto, apontou
que a escola possui o mínimo para atender a demanda desses alunos, como a sala do AEE
e o mínimo de estrutura física para promover uma melhor recepção dos estudantes com
deficiência física. E por fim, ele reconheceu que se deve investir mais para que a educação
trabalhada com esse público seja de qualidade para que se cumpra o que as políticas de
inclusão exigem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
É notório os avanços no processo de inclusão da pessoa com deficiência nas
escolas regulares. Por um longo período, essas pessoas sofreram e sofrem com a exclusão
social, pois muitas vezes são consideradas como incapazes e ao mesmo tempo vistos
como pacientes de institutos segregacionistas. A partir de muitas lutas e a constituição de
marcos históricos como a criação de leis internacionais e nacionais, aos poucos se foi
rompendo com esse processo histórico de exclusão. Com isto, a proposta de integração
como forma de reformular o sistema educacional, surge para inserir estes alunos
excluídos, porém, o ato de inserir, não significava incluir, pois incluir vai além de colocar
alunos “amontoados” dentro de uma sala de aula. Daí a importância da inclusão, que
prevê a igualdade de oportunidades e para que isso ocorra, a escola precisa ser um espaço
da diversidade, da democracia, da pluralidade e respeito às diferenças.
A escola precisa ser reorganizada para receber os alunos com deficiência, têm que
ser adaptada, desde os banheiros, portas, rampas, corrimãos, pisos táteis, entre outros. A
escola precisa ter acessibilidade para que o educando com deficiência se sinta parte dela,
ou seja, a estrutura física escolar precisa ser inclusiva para garantir o acesso e
permanência do aluno e uma educação de qualidade. Os professores (as) precisam estar
capacitados, trabalhar metodologias baseadas nas particularidades de cada aluno, porque
24

os alunos aprendem dentro de seus limites. Para que isso ocorra, o currículo tradicional
deve ser repensado e estruturado em um formato pedagógico inclusivo.
No entanto, com realização da pesquisa, observou-se que a escola lócus apresenta
precariedades quanto à sua estrutura para atender alunos com deficiência física, isto se dá
pelo fato de que a escola foi construída não pensando no aluno com deficiência, apesar
de apresentar condições mínimas de acessibilidade e sala de AEE como respondeu o
coordenador X e por outro lado, a Professora A afirmou que a escola não apresenta
estrutura física, havendo uma contradição entre a professora e o coordenador.
Quanto aos aspectos pedagógicos, verificou-se que a escola em questão apresenta
recursos pedagógicos para trabalhar com os alunos com deficiência física, que segundo o
coordenador X, foram adquiridos tablets, jogos educativos e materiais sensoriais. E de
acordo com a Professora A, os conteúdos são adaptados e abordados em forma de música,
jogos, brincadeiras, luta e dança.
O que nos leva a considerar que a inclusão da pessoa com deficiência é um
processo complexo, pois as demandas se intercalam como é o caso da estrutura física e
os aspectos pedagógicos, humanos é como se fossem engrenagens para gerar a inclusão,
e na falta de uma, a outra fica comprometida. Com a escola bem estruturada, professores
bem capacitados, currículo adaptado baseado na particularidade do aluno, dificilmente
haverá dificuldades de incluir de fato o aluno, mas com esse comprometimento ou
precariedade, cai-se na educação excludente.
Considerando esses aspectos podemos afirmar que nosso problema de pesquisa
foi respondido, pois através do discurso do coordenador e da professora podemos
compreender como vem se dando o processo de inclusão dos alunos com deficiência física
na escola, ou seja, é ainda muito complexo tendo em vistas as precárias condições a que
as escolas públicas estão submetidas, mas elas ao mesmo tempo vem conduzindo ações
que vão além das questões arquitetônicas que estão em ações atitudinais (planejamento
conjunto, materiais adaptados, projetos pedagógicos) que são caminhos importantes para
uma escola inclusiva.
Desse modo nossa hipótese foi confirmada à medida que incialmente tínhamos a
certeza de que o processo de inclusão do deficiente físico na escola vinha sendo
construído e foi o que ficou confirmado ao final da pesquisa. Podemos também destacar
que nossos objetivos foram alcançados, tendo em vista que nossa finalidade era
compreender o processo da educação inclusiva no contexto escolar.
25

Assim, podemos considerar que este estudo vem contribuir para o alargamento de
discussões em torno da educação inclusiva de alunos com deficiência física no contexto
escolar. Além de contribuir para a sociedade, para a área de educação, professores,
pesquisadores que se interessarem pela pesquisa. Temos a convicção que não é um estudo
fechado, mas está aberto a contribuições e críticas.

REFERÊNCIAS

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