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A Doxologia da Esperança

O fundamento do louvor a Deus

Pr. Francisco Barretos


Arapongas, PR.

O futuro do cristão pode se tornar presente e o comportamento atual pode


ser determinado pelo futuro. Se a chama da esperança
 permanecer viva dentro do cristão, ele terá alegrias e condições
de pronunciar ou cantar expressões de louvor a Deus.

         Doxologia é uma fórmula litúrgica usada nos finais das orações. Pode ser
falada ou cantada e tem o objetivo de glorificar e exaltar a Deus. Na Bíblia há
várias doxologias, especialmente em Apocalipse. O texto de 1Pedro 1: 3-9 é uma
linda doxologia, considerada um hino de louvor da esperança cristã. Nos dias
atuais, quando parece faltar fé e esperança para muitos, esta mensagem traz
grande conforto e edificação.

O texto mostra três oposições: morte e vida, v. 3-5; tristeza e alegria, v. 6-


7; crer no futuro e viver o presente, v. 8-9. A exaltação a Deus é desenvolvida
como tema principal, sendo a fé e a esperança a idéia central deste texto. Vejamos:

Morte e vida: esperança de renascer em Cristo, v. 3-5.

Deus fez Jesus voltar à vida, trazendo-o do meio dos mortos. Com isso, a
todos que aceitam a Jesus, Ele dá uma viva esperança de que terão nova
existência. Assim como aconteceu com Jesus acontecerá com o cristão. A vida não
termina aqui na Terra. Para o crente, há vida eterna com Deus após a morte física.

Renascer é uma sucessão de mudanças para melhor, pela qual o cristão é


impelido a uma existência mais nobre do que aquela a que pertence por natureza.
Acontece uma interrupção de relações entre o passado e o presente, entre o antigo
e o novo homem. Somente a morte e ressurreição de Jesus podem produzir esta
nova origem.

Renascer encontra-se vinculado com a idéia de batismo, que é um


simbolismo que caracteriza o início de uma nova vida. A pessoa não recebe
automaticamente a perfeição da nova vida, mas sim a esperança viva, a convicção
da salvação.

O alvo da esperança é uma herança incorruptível e sem mácula, que está


reservada nos céus. Todos os renascidos têm a certeza de que o direito adquirido
através Cristo não falha.

 Tristeza e alegria: a esperança de ter fé autêntica, v. 6-7.

A fé se confirma em momentos desagradáveis. Nisso se manifesta à


oposição tristeza, provocada por várias provações, e à alegria, demonstrada pela
esperança de ter uma fé autenticada, confirmada.
Aqueles que possuem a esperança de uma nova vida plena através de Cristo
são passageiros por esta terra e, por isso, estão sujeitos aos mais diversos tipos de
intempéries deste mundo. Ser vítima de um ato violento, passar por dias dolorosos
de enfermidades, experimentar situações danosas fazem parte da vida. Mas a
alegria e o sofrimento do esperançoso pela volta de Cristo necessitam caminhar
lado a lado, existir simultaneamente.

Contudo, passar por sofrimento e provações só se for necessário. Ninguém


deve criar situações que provoquem dificuldades ou ver os problemas como fazendo
parte do “destino”. O esperançoso da vida eterna não está à mercê do acaso, mas
guardado pelo poder de Deus.

Tudo aquilo que acontece ao cristão tem o objetivo de autenticar sua fé. As
situações aflitivas e penosas são testes da fé. Isso é semelhante à purificação do
ouro pelo fogo. Mas a esperança, fundamentada em Cristo, auxilia a superar os
momentos que atestam a veracidade da crença em Jesus. Assim, a fé que
prevalece às provas, tentações e tribulações é mais pura e mais valiosa do que
qualquer metal precioso.

A igreja é o lugar de ensino para fortalecimento da fé cristã. Ela pode


proporcionar ao esperançoso cristão melhor relacionamento com Jesus. Através do
ensinamento bíblico, o sentimento de amor e a convicção nas verdades eternas
podem ser fortalecidas. 

Crer no futuro e viver o presente:


            a esperança da salvação em Cristo Jesus, v. 8-9.

Na vida presente, o cristão ama e acredita em Jesus, mesmo não o tendo


visto, e espera o resultado desta fé num futuro próximo: a salvação de sua alma.
Em seu dia-a-dia, vive uma relação constante com Cristo. Assim, a oposição entre
crer no futuro e viver o presente é uma realidade cristã.

A ausência de fé solicita algo visível para crer. A exigência de provas é a


maior indicação de que está faltando fé. Uma esperança que vê não é mais
esperança, pelo próprio fato de estar vendo. Procurar ancorar a vida espiritual em
algo que não pode ser contemplado com olhos humanos costuma ser complicado
para alguns. Pedro esteve pessoalmente com Jesus, mas os leitores de sua Epístola
e os cristãos atuais não tiveram essa experiência. Mas, mesmo assim, todos crêem
em Jesus.

A fé não é um covarde substitutivo para a falta da possibilidade de ver o


objeto da fé. Os esperançosos exultam em alegria inexprimível, indizível e cheia de
glória. O reconhecimento de ser conservado para a salvação pelo poder de Deus
produz exultação e excessiva alegria, um transbordar de gozo. O cristão não pode
parar e ficar contemplando suas aflições porque tudo é insignificante quando
confrontado com o regozijo que acontecerá no fim dos tempos.

O alvo final da fé é a salvação da alma. Embora crendo no futuro, é


necessário viver a alegria no presente. A crença nesse futuro determina o
comportamento do crente no presente, a ponto de trazer esperança para sua
comunidade. As pessoas podem tomar a decisão salvífica, ser batizadas e
permanecer recebendo orientações para o crescimento pessoal. Só com essa
maturidade cristã, o crente pode influenciar o meio em que está inserido.

Conclusão
O que a apóstolo Pedro está ensinando é que, quando a esperança é fraca, a
fé o será também. O futuro do cristão pode se tornar presente e o comportamento
atual pode ser determinado pelo futuro. Se a chama da esperança permanecer viva
dentro do cristão, ele terá alegrias e condições de pronunciar ou cantar expressões
de louvor a Deus. Em síntese, em 1Pedro 1: 3-9 fica claro que a ressurreição de
Jesus Cristo, operada por Deus Pai, é a base e o fundamentado de toda palavra de
louvor que pode ser dada a Deus. Com fé em Jesus, a vida cristã pode proporcionar
muitas alegrias.