DIREITO PROCESSUAL PENAL LIBERDADE PROVISÓRIA PROF. LUIZ BIVAR JR.

BREVES CONSIDERAÇÕES: A prisão, no direito brasileiro, é medida de exceção. A regra é o acusado responder ao processo em liberdade, somente devendo ser preso após o trânsito em julgado de sentença condenatória em que se impôs pena privativa de liberdade. É a chamada prisão definitiva, corolário lógico do princípio da presunção de inocência ou da não culpabilidade, previsto no art. 5º, LVII, da Constituição da República [1]. Importante ressaltar, no entanto, que, por vezes, impõe-se a prisão antes mesmo de existir uma sentença definitiva. Trata-se da prisão provisória, processual ou cautelar, que ocorre antes do trânsito em julgado da sentença. De acordo com o professor Julio Fabbrini Mirabete: “(...) Rigorosamente, no regime de liberdades individuais que preside o nosso direito, a prisão
só deveria ocorrer para o cumprimento de uma sentença penal condenatória. Entretanto, pode ela ocorrer antes do julgamento ou mesmo na ausência do processo por razões de necessidade e oportunidade. Essa prisão assenta na Justiça Legal, que obriga o indivíduo, enquanto membro da comunidade, a se submeter a perdas e sacrifícios em decorrência da necessidade de medidas que possibilitem ao Estado prover o bem comum, sua última e principal finalidade. (...) É nesse sentido que o artigo 282 do CPP reza que, à exceção do flagrante delito, a prisão não poderá efetuar-se senão em virtude de pronúncia ou nos casos determinados em lei, e mediante ordem escrita da autoridade competente, que, hoje, é apenas a autoridade judiciária (art. 5º, LXI, da CF).”[2]

Como se pode perceber, a regra é a liberdade, a exceção é a sua privação nos termos da lei, que só deve ocorrer em casos de absoluta necessidade. Tenta-se, assim, conciliar os interesses sociais que, de um lado, exigem a aplicação de uma pena ao autor de um crime e, de outro, protegem o direito do acusado de não ser preso, senão quando considerado culpado por sentença condenatória transitada em julgado. É nesse contexto que surge o instituto da liberdade provisória, previsto no art. 5º, LXVI, da Constituição da República. Para o professor Paulo Rangel:

a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva (arts. pelo auto de prisão em flagrante.”[4] 2. LXVI. da Constituição Federal – ninguém será levado à prisão ou nela mantido. conceder ao réu liberdade provisória. sob pena de revogação. vinculado ou não a certas obrigações que o prendem ao processo e ao juízo. Dizse contracautela. cabe ao magistrado. com ou sem fiança. havendo fortes indícios de que alguma delas está presente. não tendo o menor sentido mantê-lo preso. garante também que ninguém será levado para ela se a lei admitir liberdade provisória. o fumus boni juris. art. 5º. in verbis: “Art.“(. Entretanto.” “Art. ou por ordem escrita e fundamentada do juiz competente. do Código Penal. desde que preencha os requisitos legais. I. LXI e LXVI). que é um direito do indiciado. quando a lei admitir a liberdade provisória. 5º. deliberar sobre a liberdade provisória.. com ou sem fiança (cf. II e III...” A liberdade provisória é uma contracautela que substitui a custódia provisória. poderá. Assim. exercício regular de direito ou estrito cumprimento do dever legal. Segundo o professor Guilherme de Souza Nucci: “(. o auto de prisão em flagrante tão logo tome conhecimento da detenção ocorrida. 19. para sustentação da medida cautelar.) confirmando o fato da autoridade policial dever lavrar. cujo antecedente lógico é a prisão cautelar. ninguém será levado à prisão ou nela mantido. Nesse caso. 310.) Assim.[5] Parágrafo único – Igual procedimento será adotado quando o juiz verificar. mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo. Falta nesse caso. legítima defesa. Trata-se de um direito constitucional que não pode ser negado se estiverem presentes os motivos que a autorizam. a liberdade provisória é uma contraposição. quando houver nítida impressão ao juiz de que o preso agiu em estado de necessidade. sem adentrar nas demais excludentes do crime. nas condições do art. Por esse instituto o acusado não é recolhido à prisão ou é posto em liberdade quando preso. com ou sem fiança. deve permitir que aguarde o seu julgamento em liberdade..”[3] De fato. pois a cautela é a prisão. ao garantir como direito que somente haja prisão em flagrante delito. . quando a lei admitir a liberdade provisória. a Constituição. A única possibilidade de segurar o indiciado preso é não acreditar na versão de qualquer excludente de ilicitude ofertada. recebendo a cópia do flagrante. sempre. 311 e 312). do Código de Processo Penal – Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato. realizando apenas o juízo de tipicidade. melhor colocar a pessoa em liberdade do que segurá-la detida. depois de ouvir o Ministério Público. CONCEITO: A liberdade provisória encontra-se prevista na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. com ou sem fiança.

Nesses dois casos. com pena de multa). ESPÉCIES: A liberdade provisória pode ser obrigatória (ou desvinculada). permitida (ou vinculada) ou proibida (ou vedada). salvo no caso de não ser vinculada. b) vigora apenas até o trânsito em julgado da sentença final que. Já na liberdade provisória subsistem os motivos da custódia. sendo o acusado recolhido à prisão. com pena de multa. que. a qualquer tempo. já que a única . ocorre quando não mais subsistem os seus pressupostos autorizadores (art. ocorrendo certas hipóteses previstas em lei.) É. conforme o caso. da Constituição.com o fim de assegurar a sua presença ao processo sem o sacrifício da prisão cautelar. 312 e 313 do CPP). e nunca acarretando ao acusado deveres e obrigações”[7]. 5º. pode ser revogada. “limitando-se às situações de vícios de forma e substância na autuação. revogação de prisão preventiva e o relaxamento da prisão em flagrante. LXV. Vê-se. transforma a liberdade em definitiva. Nota-se. 3. um estado de liberdade que pode estar gravado nas condições e reservas que tornam precário e limitado o seu gozo. o fundamento para a concessão de liberdade provisória obrigatória e desvinculada de qualquer condição encontra-se no fato de que caso o acusado seja condenado. Tem a denominação de liberdade ‘provisória’ porque: a) pode ser revogada a qualquer tempo. por sua vez. porém desnecessária. quanto à causa. exclusivamente. isto é. o legislador usou a expressão “livrar-se-á solto.. ou seja. 321 do Código de Processo Penal traz a figura da liberdade provisória obrigatória ou desvinculada. nos termos do art. Diz-se que essa liberdade é provisória. Este último se dá. a revogação da prisão preventiva equipara-se à liberdade provisória. exclusivamente. Novamente nas palavras do professor Mirabete: “(. sujeitando-o a determinadas condições. assim.”[6] Importante ainda destacar que não se confundem os institutos da liberdade provisória. se absolutória.1 LIBERDADE PROVISÓRIA OBRIGATÓRIA OU DESVINCULADA: O art. porém. quanto aos efeitos. Para tanto. portanto. basta que a infração seja punida. assemelha-se ao relaxamento da prisão. que a prisão é legal. pois. porém. independentemente de fiança”. No primeiro caso (quando a infração é punida. ou que a pena privativa de liberdade não exceda a três meses. se condenatória. torna possível a execução da pena e. nos casos de ilegalidade da prisão. A revogação da prisão preventiva. independentemente do pagamento de fiança e sem sujeitar o acusado a qualquer vinculação ou condição. sem que o acusado fique sujeito a qualquer condição.. 3. não ficaria sujeito à prisão. pois. poderá ser o acusado posto em liberdade. desde que ausentes os pressupostos autorizadores da prisão preventiva.

assumir o compromisso de comparecer à sede do juizado. detenção ou prisão simples. De acordo com o professor Fernando Capez “a Lei nº 9. entretanto. diante do tempo de duração do inquérito e ação penal. 327 e 328 do Código de Processo Penal: a) b) c) obrigação de comparecer a todos os atos do processo (art. A segunda hipótese se dá quando a pena privativa de liberdade não ultrapassa três meses. do CPP). Assim.punição existente é a pena de multa. em seu art. 2ª parte. Como. nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade. a condenação anterior a crime culposo ou contravenção não impede a concessão do benefício. 323. sem fiança ou qualquer outra condição. As condições às quais o réu estará sujeito encontram-se previstas nos arts. provisoriamente. vedando-se a analogia ou interpretação extensiva. institui nova hipótese de liberdade provisória obrigatória: quando o autor do fato. 321 do CPP. tal instituto. 327 do CPP). Não caberá.2 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA OU VINCULADA: A liberdade provisória pode ser também permitida ou vinculada. certamente o acusado ficaria mais tempo preso em decorrência da prisão provisória do que em função da condenação final que não excederia três meses de reclusão. do CPP).099/95 (Lei dos Juizados Especiais Criminais). . 328. pois. sem prévia permissão da autoridade processante (art. Por se tratar de uma pena pequena. sujeitá-lo. proibição de o réu mudar de residência. Ocorre em determinadas hipóteses em que o legislador admitiu a concessão desse instituto. III. sem comunicar à autoridade processante o lugar onde será encontrado (art. à uma pena mais grave do que aquela que ele receberia caso fosse definitivamente condenado? Tal fato seria um verdadeiro absurdo. Por se tratar de norma restritiva. nos termos do art. porém sujeitou o acusado ao cumprimento de certas condições. a interpretação também deve ser restrita. para o caso. liberdade provisória obrigatória. 69. surpreendido em flagrante. do CPP). então. Também se encontra proibida a concessão desse benefício se houver no processo prova de ser o réu vadio (art.”[8] 3. em sentença transitada em julgado (art. o legislador achou por bem estabelecer. sob pena de se revogar a liberdade e recolher-se o réu à prisão. do CPP). IV. Trata-se do réu que é reincidente em crime doloso. 323. se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. 328. proibição de o réu ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência. parágrafo único. 1ª parte.

se a conduta do réu amolda-se ao art. Para o já citado Paulo Rangel: “(. o juiz deve analisar se o fato foi praticado nas hipóteses descritas no art. I. 310 – Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato. mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo. pouco importando se o crime é inafiançável ou não. razão para que permaneça preso.”[10] O artigo em análise não contempla situações em que há exclusão da culpabilidade (erro de proibição. Segundo. caput.Como se vê. ou no art. 310. qualquer dessas obrigações .1 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA OU VINCULADA. A segunda hipótese de liberdade provisória sem fiança. sob pena de revogação. 327 e 328. Nas palavras do professor Paulo Rangel: “(. Se o réu infringir. nas condições do art. admite-se a liberdade. Primeiro. do CPP. depois de ouvir o Ministério Público. mas com vinculação é a mencionada no art. se o réu solto estivesse. ou seja. caput. inimputabilidade. desde que sua conduta se encaixe no art. 23 do CP. o juiz. mas preso ao processo”[9]. apesar de louvável. coação moral irresistível. De acordo com esse dispositivo: “Art.. 310 e seu parágrafo único independe da natureza da infração. do mesmo estatuto repressivo. caput. poderá. 155. 19. conceder ao réu liberdade provisória. portanto. 23 do CP ou inexistirem razões para prendê-lo preventivamente. porém sujeita o acusado a certas condições. a liberdade provisória para a ser direito subjetivo do réu.) Portanto. embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior etc. não havendo. 3. obediência hierárquica. mas com vínculo é a prevista no art. do Código Penal. do Código Penal. o legislador permite a concessão de liberdade provisória. verificando ser impossível ao réu prestá-la. o réu fica livre. se existem razões para. 23 do Código Penal (causas excludentes da ilicitude do fato). por motivo de pobreza. pouco importa se o fato está descrito no art.. é nitidamente de lege ferenda.. sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. de acordo com o direito.2. verbis: “Art. SEM FIANÇA: A primeira hipótese de liberdade provisória sem fiança. afiançável ou não. Assim. porém. ou seja. O fundamento para a existência desse dispositivo é que o acusado agiu acobertado por uma excludente da ilicitude. Alguns autores defendem uma interpretação mais ampla para abranger também essas causas.). sem motivo justo. II e III. 350 – Nos casos em que couber fiança. independentemente de fiança. ser preso preventivamente. Assim.” O referido artigo permite ao juiz conceder liberdade provisória ao acusado. poderá conceder-lhe a liberdade provisória. 121.) A liberdade provisória estatuída no art. 350 do CPP..

deverá ser tratada pelo art. 350 do CPP depende de três requisitos: a) b) c) somente pode ser concedida nos casos em que se admite fiança. Explicamos. liberado nos termos do art. enquanto que o pobre (ou o rico). 310 – (. leiam-se as palavras do professor Paulo Rangel: Finalmente. Parágrafo único – O escrivão intimará o réu das obrigações e sanções previstas neste artigo. tratamento diferenciado dado ao pobre. 310.) Parágrafo único – Igual procedimento será adotado quando o juiz verificar. por motivo de pobreza. “(.. está sujeito a três obrigações processuais. quanto ao rico. E vejam: a infração penal cometida nos termos do art. data vênia. Ou seja. Nesse caso. que terá mais obrigações a cumprir por estar em liberdade provisória nos termos do art. 350. 311 e 312). sujeitando-o.” Nota-se que o caso em apreço diz respeito aos crimes que admitem fiança. Quais as obrigações constantes do art. 327 e 328 do CPP). 327 e 328 (. 310 do CPP pela Lei nº 6.416/77.”[11] A esse respeito. por ter cometido um crime inafiançável. 350 do CPP. 310. do contrário... o juiz poderá conceder liberdade provisória. uma terceira hipótese de liberdade provisória sem fiança. 310. 310 do CPP. 350. Quais as obrigações constantes do art.. será revogado o benefício. assim. parágrafo único.. a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva (arts. pois. sujeição às condições previstas nos arts. Essa liberdade provisória prevista no art. Porém. a determinadas condições (arts. pelo auto de prisão em flagrante. É curioso que ao pobre e ao rico que cometerem crimes inafiançáveis seja permitida a liberdade provisória do art.) Assim. o pobre. do CPP: “Art. liberado os termos do art.” Esse parágrafo único foi acrescentado ao art. há. 327 e 328 do CPP. ao pobre que cometer crime afiançável ser-lhe-á concedida a liberdade provisória ao art. diluídas nos arts. terá a liberdade provisória do art.. a apenas uma. 310 do CPP? Na realidade só há uma: comparecer a todos os atos do processo. entretanto. que essa liberdade somente poderá ser concedida se o crime for afiançável. 310 pode ser afiançável ou não. O que significa dizer. a infração mais grave (por isso é inafiançável) sujeita o autor da mesma a uma única obrigação (comparecer a todos os atos do processo) e a infração menos grave (por isso afiançável) sujeita-a a três obrigações.ou praticar outra infração penal. mas o réu. 310 do estatuto processual. encontra-se impossibilitado de prestá-la. 350 do CPP? São três. A regra agora é .) Verifica-se. o réu deve ser pobre. mas com vínculo é a prevista no art.

por vezes. a contrario sensu. 323 do CPP. deverá conceder liberdade provisória ao acusado. Trata-se. Assim.. mediante a prestação de uma garantia. de um direito subjetivo processual do acusado que. O Código de Processo Penal não estabelece quais são as infrações penais que admitem fiança. Segundo o professor Mirabete: “(. somente devendo ser preso se presente algum dos requisitos da prisão preventiva. COM FIANÇA: A liberdade provisória com fiança e. isto é. Assim. deixar de conceder a liberdade provisória. goze de liberdade provisória. deixa claro que cabe fiança para as contravenções penais (exceto as tipificadas nos arts. ninguém será levado à prisão ou nela mantido. embora a lei diga que a liberdade é concedida quando o juiz verificar a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva. conseqüentemente. pois caso contrário estaria exigindo a evidência de um fato negativo. o magistrado deverá conceder liberdade provisória. 3.”[12] Dessa forma. porém desnecessária. 59 e 60 da Lei de Contravenções . 5º. ao réu primário ou reincidente. com bem dispõe a Constituição Federal (art. quando a lei admitir a liberdade provisória. com ou sem fiança. despojado de sua liberdade pelo flagrante. servindo para designar os meios que sirvam para assegurar o cumprimento de uma obrigação processual do réu.2.o acusado responder ao processo em liberdade. e sim de direito subjetivo do acusado. com vinculação ocorre em determinadas infrações onde o legislador permitiu que o acusado. não sendo necessária para a garantia da ordem pública. a readquire desde que não ocorra nenhuma das hipóteses autorizadoras da prisão preventiva. garantia da ordem econômica. reconhecendo que não há elementos que autorizariam a decretação da prisão preventiva. porém. Além disso. mas sim que tipo de infração a admite.. o que não se coaduna com o sistema probatório do processo penal. sempre que o juiz verificar que não estão presentes nenhuns dos motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (arts. Aplica-se tanto às infrações afiançáveis como às inafiançáveis. que o parágrafo único do artigo 310 atribui ao magistrado a mera faculdade de conceder a liberdade provisória. Trata-se então de uma caução. conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal.2 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA OU VINCULADA. sem ônus econômico. de uma garantia real. de bons ou maus antecedentes. O art.) Tem-se entendido. sempre que ausentes os pressupostos autorizadores da preventiva. LXVI). mediante vinculação a certas condições. Não pode o juiz. sujeitando o acusado a determinadas condições. caso a prisão se mostre legal. 311 e 312 do CPP). deve-se entender que quer dizer que deve concedê-la quando não verificar a ocorrência de uma dessas hipóteses. Não se trata de mera faculdade do magistrado.

que lhe permite. Há duas modalidades de prestação de fiança: (i) por depósito: consiste no depósito de dinheiro.Penais) e crimes punidos com reclusão.”[13] A fiança se destina ao pagamento das custas do processo. de uma eventual pena pecuniária (multa) ou para garantir o ressarcimento da vítima diante do crime que foi praticado. 1ª Turma. Esse valor poderá ainda ser reduzido até o máximo de dois terços ou aumentado até o décuplo. e não da concretamente aplicada. 326 do CPP.1 FIANÇA: A fiança. se presentes todos os requisitos exigidos por lei. mediante caução e cumprimento de certas obrigações. sendo concedida pelo juiz nos demais casos (art. pois. (ii) por hipoteca: não há limitação do seu .169. metais preciosos ou títulos da dívida pública. Será arbitrada pela autoridade policial nos casos de infração punida com detenção ou prisão simples. O arbitramento da fiança. Sepúlveda Pertence. rel. a fiança deve ser concedida. Min. j.” (STF. podendo variar de um a cem salários mínimos de referência[14]. Pode ser concedida em qualquer fase do inquérito ou do processo. as condições pessoais de fortuna e vida pregressa do acusado. se assim o recomendar a situação econômica do réu ou do indiciado. Trata-se de um direito subjetivo e constitucional do acusado.2. é uma caução destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu. até final julgamento. conservar sua liberdade até a sentença condenatória irrecorrível. até o trânsito em julgado da sentença. deverá levar em consideração a natureza da infração.416/77. objetos. verifica-se em função do mínimo de pena abstratamente cominada. nos termos do art.2. 322 do CPP). se está em liberdade. 21. o valor da fiança é fixado com base na pena mínima e máxima cominada abstratamente à infração penal. De acordo com o art. cuja pena mínima cominada não ultrapasse 2 (dois) anos. conforme já mencionado. É um meio utilizado para obter a liberdade provisória: se o acusado está preso. a partir da Lei não 6.2. 325 do CPP.95) 3. a prisão não se efetua. é solto. HC 72. bem como a importância provável das custas do processo. detenção ou prisão simples. mas ameaçado de custódia. Nas palavras do professor Julio Fabbrini Mirabete: “A fiança é um direito subjetivo constitucional do acusado. De acordo com o STF: “A afiançabilidade de infração penal. as circunstâncias indicativas de sua periculosidade. pedras.

portanto. de 07 de janeiro de 1994[16]. 337 do CPP). não está exigindo a lei. praticar outra infração penal (arts. Será também cassada quando reconhecida a existência de delito inafiançável. transitada em julgado a sentença que houver absolvido o réu ou declarado extinta a ação penal (art. ele não for prestado. Para o professor Julio Fabbrini Mirabete: “(. injustificadamente. ou seja. Exige-se. o montante pago a título de fiança será perdido e o réu deverá se recolher à prisão. simplesmente. o valor pago a título de fiança é integralmente devolvido e o réu terá que se recolher à prisão. O reforço da fiança será exigido quando a autoridade tomar por engano fiança insuficiente. legalmente intimado.objeto. entretanto. que não desobedeça ou resista ao cumprimento do mandado de prisão nem se oculte ou se ausente. exigido o reforço. Quando se reconhecer não ser cabível a fiança será ela cassada em qualquer fase do processo. 344 do CPP. Nesse caso. no caso de inovação na classificação do delito. não havendo quebramento ou perda. parágrafo único. o acusado perderá metade do valor pago e terá que se recolher à prisão. 327/328 c/c 341/343 do CPP). 340. não se apresentar à prisão. literalmente.3 LIBERDADE PROVISÓRIA PROIBIDA OU VEDADA: . ocorrerá a perda ou perdimento do valor da fiança quando o réu. 2º. Nos termos do art.”[15] A fiança. uma vez condenado. haverá ainda a cassação da fiança quando. quando mudar de residência ou se ausentar por mais de oito dias sem comunicar previamente ao juízo. Ocorrerá o quebramento da fiança quando o réu. Como conseqüência. do CPP. são aqueles casos em que a imputação passa de um delito afiançável para outro inafiançável. São.. quando houver depreciação material ou perecimento dos bens hipotecados ou caucionados. avaliação por perito nomeado pela autoridade e inscrição em primeiro lugar. de comparecer aos atos do processo. 340 do CPP). assim.. da Lei Complementar nº 79. deixar. caso em que a fiança é concedida por engano da autoridade. que o condenado procure a autoridade para entregar-se. Nos termos do art. 3. VI. É. será restituída sem desconto. ou depreciação dos metais ou pedras preciosas e quando for inovada a classificação do delito (art. conforme dispõe o art. impedindo a execução imediata dessa ordem judicial. e quando. Já as fianças quebradas ou perdidas passam a fazer parte do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN).) Ao dizer que a perda se dá quando ‘o réu não se apresentar à prisão’. na vigência do benefício. casos em que o valor arbitrado se mostra insuficiente ou inexato. mas. Como conseqüência.

espécies. 7º da Lei nº 9. parágrafo único. em sentença transitada em julgado (reincidente em crime doloso). ainda que brevemente. disciplinar. 312 do CPP). de ser o réu vadio. nos casos de intensa e efetiva participação em organizações criminosas (art. g) nos casos de prisão civil. o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. devendo-se acrescentar.826/2003). 5º. da Constituição Federal). e) nos crimes punidos com reclusão. estabelece quais infrações penais são inafiançáveis. sobre o tema na tentativa de facilitar a sua compreensão. da Lei nº 10. i) quando estiverem presentes quaisquer dos motivos que autorizem a decretação da prisão preventiva (art. salvo se processado por crime culposo ou contravenção que admita fiança. CONCLUSÃO: O instituto da liberdade provisória constitui assunto corriqueiro e de vital importância no Direito Processual Penal moderno.034/95). contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. o instituto da fiança. XLIII. no processo. no mesmo processo. na ação de grupos armados. que provoquem clamor público ou que tenham sido cometidos com violência ou grave ameaça contra a pessoa. 14. não será concedida fiança: a) nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a dois anos. d) se houver prova. se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. f) ao réu que. tiver quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido. 350 do CPP. da Constituição Federal). 4. XLIV. pautado em uma ótica garantista. dentre outros. b) nas contravenções penais de vadiagem e mendicância (arts. nos crimes de lavagem de dinheiro (art. as proibições contidas na Constituição Federal e em leis especiais. nos crimes hediondos e equiparados (art.613/98). 5º. em seus arts. quaisquer das obrigações a que se refere o art. 3º da Lei nº 9. salvo quando a arma estiver registrada em nome do agente (art. administrativa ou militar. 323 e 324. O presente trabalho teve por objetivo dissertar.O Código de Processo Penal. tais como o seu conceito. 5º. ainda. j) k) l) m) n) o) no crime de racismo (art. . sem justo motivo. Assim. c) nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade. analisaram-se temas correntes em sede de liberdade provisória. da Constituição Federal). Para tanto. 59 e 60 da Lei de Contravenções Penais). civis ou militares. XLII. h) ao que estiver no gozo de suspensão condicional da pena ou de livramento condicional.

Op.5. 661. 2004. Fernando. 3º ed. Cit. Cit. 3ª ed. Curso de processo penal. [4] NUCCI. 13ª ed. Op. p.FUNPEN.. Paulo. 658.. [13] MIRABETE. 2002. [5] Referência a dispositivo original do Código Penal. Op. São Paulo: Saraiva. Op.. 408. Cit. [8] CAPEZ. p.. 1999. 13ª ed. 23. [2] MIRABETE. 421. 558. revigorando o salário mínimo para remuneração do trabalhador. Paulo. da nova Parte Geral do CP. 662. Rio de Janeiro: Lumen Juris.. 403. p. São Paulo: Atlas. São Paulo: RT. Op. [7] Idem. Direito Processual Penal. 2004. extinguiu o salário mínimo de referência e o piso nacional de salários. e dá outras providências. 3º ed. p. 8º ed. Op. Rio de Janeiro: Lumen Juris. 2004. Cit. Direito Processual Penal. 233. Guilherme de Souza. Código de processo penal comentado. Julio Fabbrini. São Paulo: Atlas. Curso de processo penal. p. p. . Cit. 402. não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência”. [14] A Lei nº 7. p. Julio Fabbrini. Op. Atualmente. [6] MIRABETE. São Paulo: RT. 8º ed. [9] RANGEL. p. p. [12] MIRABETE. [11] RANGEL. após a reforma de 1984. II e III.789. Cit. Julio Fabbrini. 657. Julio Fabbrini. 406. equivale ao art. Processo penal. [16] Cria o Fundo Penitenciário Nacional . p. pp. de 03 de julho de 1989. Paulo. Guilherme de Souza. [3] RANGEL. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CAPEZ.. Paulo. 2002. Cit. MIRABETE. Código de processo penal comentado. I. Julio Fabbrini. 2004.. São Paulo: Saraiva. RANGEL. [15] MIRABETE. para apelar. 1999. 359-360. NUCCI. Processo penal. Paulo. [1] Nos termos da Sumula nº 09 do Superior Tribunal de Justiça “a exigência da prisão provisória. 3ª ed. Julio Fabbrini. [10] RANGEL. p. Fernando.

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